PLANO DE AÇÃO NACIONAL

PARA A CONSERVAÇÃO DA
ARARA-AZUL-DE-LEAR
2ª Edição
Série Espécies Ameaçadas nº 4

PLANO DE AÇÃO NACIONAL
PARA A CONSERVAÇÃO DA
ARARA-AZUL-DE-LEAR
2ª EDIÇÃO

Presidenta
Dilma Rousseff
Vice-Presidente
Michel Temer

Ministério do Meio Ambiente
Ministra
IZABELLA MÔNICA TEIXEIRA
Secretário de Biodiversidade e Florestas
ROBERTO BRANDÃO CAVALCANTI
Diretora do Departamento de Conservação da Biodiversidade
DANIELA AMERICA SUAREZ DE OLIVEIRA

Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Presidente
ROBERTO ricardo vizentin
Diretor de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade
MARCELO MARCELINO DE OLIVEIRA

PLANO DE AÇÃO NACIONAL
PARA A CONSERVAÇÃO DA
ARARA-AZUL-DE-LEAR
2ª EDIÇÃO
Série Espécies Ameaçadas nº 4

Coordenador Geral de Manejo para Conservação
UGO EICHLER VERCILLO
Coordenadora de Planos de Ação Nacionais
FÁTIMA PIRES DE ALMEIDA OLIVEIRA
Coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres
João Luiz Xavier do Nascimento

ORGANIZADORES
Camile Lugarini
AntOnio Eduardo AraUjo Barbosa
Kleber Gomes de Oliveira

INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE

Diretoria de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade
Coordenação Geral de Manejo para Conservação
EQSW 103/104 – Centro Administrativo Setor Sudoeste – Bloco D – 1º andar
CEP 70670-350 – Brasília/DF – Tel: 61 3341-9055 – Fax: 61 3341-9068

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Brasília, 2012

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR
ORGANIZADORES
Camile Lugarini
Antonio Eduardo Araujo Barbosa
Kleber Gomes de Oliveira
REVISÃO TÉCNICA
Cristina Yumi Miyaki
AUTORES DE CAPÍTULO
Capítulo 1 – Arara-azul-de-lear
Antonio Eduardo Araujo Barbosa (CEMAVE)
Camile Lugarini (CEMAVE)
Kleber Gomes de Oliveira (CEMAVE)
Yara de Melo Barros (Foz Tropicana Parque das Aves)
Simone Fraga Tenório Pereira Linares (Instituto Arara-azul/Fundação Loro Parque)
Antônio Emanuel Barreto Alves de Sousa (CEMAVE)
Joaquim Rocha dos Santos Neto (ICMBIO)
Pedro Scherer Neto (Museu de História Natural Capão da Imbuia)
João Luiz Xavier do Nascimento (CEMAVE)
Kilma Manso Raimundo da Rocha (ECO)
Capitulo 2 – Análise de Viabilidade Populacional
Ivan Braga Campos (COAPRO/Parna Serra do Cipó/ICMBio)
Camile Lugarini (CEMAVE)
Antonio Eduardo Araujo Barbosa (CEMAVE)
Antônio Emanuel Barreto de Sousa (CEMAVE)
Cristina Yumi Miyaki (USP)
Thais Maya Aguilar (Fundação Biodiversitas)
Andreza Clarinda Araújo do Amaral (CDT/UNB – INFRAERO)
Simone Fraga Tenório Pereira Linares (Instituto Arara-azul/Fundação Loro Parque)
João Luiz Xavier do Nascimento (CEMAVE)
Yara de Melo Barros (Foz Tropicana Parque das Aves)
Neiva Maria Robaldo Guedes (Instituto Arara-azul)
Kleber Gomes de Oliveira (CEMAVE)
Capítulo 3 – Licuri na área de ocorrência da arara-azul-de-lear
Antônio Emanuel Barreto Alves de Sousa (CEMAVE)
Iara Cândido Crepaldi (UEFS)
Kleber Gomes de Oliveira (CEMAVE)
Antonio Eduardo Araujo Barbosa (CEMAVE)
Simone Fraga Tenório Pereira Linares (Instituto Arara-azul/Fundação Loro Parque)
Diego Mendes Lima (ICMBIO)
Thiago Martins Bosh (IBAMA)
MAPAS
Camile Lugarini e Antonio Eduardo Araujo Barbosa
APOIO
Projetos PROBIO e PROBIO II/MMA e Fundo Nacional do Meio Ambiente/MMA
SUPERVISÃO TÉCNICA E REVISÃO FINAL
Núbia Cristina B. da Silva Stella
Fátima Pires de Almeida Oliveira
PROJETO GRÁFICO E EDITORAÇÃO
Raimundo Aragão Júnior
CATALOGAÇÃO E NORMALIZAÇÃO BIBLIOGRÁFICA
Thais Moraes
CAPA
Marcos Antônio Santos-Silva
FOTOS GENTILMENTE CEDIDAS
André Santos, Antonio Eduardo Barbosa, Ciro Albano, Diego Mendes, Eco, Eduardo Issa, Fabio Nunes,
Joaquim Rocha dos Santos Neto, Kleber Gomes de Oliveira, Mark L. Stafford, Monalyssa Comandaroba e Simone Tenório
APOIO
Projetos PROBIO II/MMA

APRESENTAÇÃO

A partir de 2001, quando o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres
(CEMAVE), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), implementou
o Programa de Conservação da Arara-azul-de-lear, importantes conquistas foram alcançadas. As
pesquisas em campo, o combate ao tráfico e o envolvimento da sociedade foram ampliados e
consolidados. O uso consciente da palmeira licuri – principal alimento das araras – entrou na pauta
de discussões com as comunidades carentes da região, assim como o problema dos ataques aos
milharais pelas araras, resultando em projetos de artesanato sustentáveis e no ressarcimento das
perdas de milharais por parceiros do Programa de Conservação.


Tais ações se consolidaram no Plano de Manejo para a Conservação da Arara-azul-delear, publicado em 2006. Naquele ano a espécie tinha o seu estado de conservação avaliado
como Criticamente em Perigo (CR) pela União Internacional para a Conservação da Natureza
(IUCN). O crescimento populacional evidenciado nos anos que se seguiram permitiu baixar uma
categoria na avaliação do seu estado de conservação, sendo a arara-azul-de-lear enquadrada
como Em Perigo (EN) em 2009.

A primeira edição do Plano de Manejo foi alvo de monitoria, em julho de 2010, pelo
CEMAVE, contemplando uma análise criteriosa das ações realizadas a qual demonstrou a necessidade
de revisão do referido Plano. Em outubro do mesmo ano o CEMAVE realizou uma oficina para análise
da viabilidade populacional da espécie, a qual confirmou o indicativo de crescimento populacional
e apontou como principal limitante a capacidade suporte do ambiente, traduzida na disponibilidade
de cavidades para nidificação, dormitórios e disponibilidade de alimento, dentre outros.

Verificou-se que as ameaças e as oportunidades relacionadas à espécie são dinâmicas, de
forma que as estratégias de conservação foram readequadas e priorizadas para que haja continuidade
dos esforços para a recuperação da arara-azul-de-lear e do seu hábitat, e que estes esforços se
traduzam na melhoria das condições populacionais e ambientais para a espécie.
Na presente atualização do Plano são também incorporadas estratégias de conservação
para a palmeira licuri, de acordo com as diretrizes elaboradas em uma reunião realizada em 2008.
Diante de resultados tão animadores, baseados em um esforço coletivo, interinstitucional, com
dedicação e planejamento pelos seus executores e coordenadores, é com grande satisfação que
torno pública a 2ª edição do Plano de Ação Nacional para a Conservação da Arara-azul-de-lear.

ROBERTO RICARDO VIZENTIN
Presidente do Instituto Chico Mendes de
Conservação da Biodiversidade

INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE
Diretoria de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade
Coordenação Geral de Manejo para a Conservação
EQSW 103/104, Centro Administrativo, Setor Sudoeste - Bloco D 1º andar
CEP 70670-350 - Brasília/DF – Tel: 61 3341-9055 – Fax: 61 3341-9068
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Impresso no Brasil

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

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SUMÁRIO

Apresentação................................................................................................................... 5
Lista de siglas e abreviaturas........................................................................................... 10
Lista de figuras e tabelas................................................................................................. 12

Parte I – Contextualização..........................................................15
Capítulo 1 – Arara-azul-de-lear......................................................................... 17
1. INTRODUÇÃO......................................................................................................... 17
2. TAXONOMIA............................................................................................................ 18
3. ESTADO DE CONSERVAÇÃO.................................................................................... 18
4. DESCRIÇÃO DA ESPÉCIE.......................................................................................... 18
5. DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA E HÁBITAT................................................................ 19
6. HISTÓRIA NATURAL................................................................................................. 26
6.1. Alimentação................................................................................................... 26
6.2. Deslocamentos e Dormitórios........................................................................ 29
6.3. Reprodução................................................................................................... 30
7. POPULAÇÃO............................................................................................................ 32
8. AMEAÇAS.................................................................................................................. 35
8.1. Perda de Hábitat............................................................................................ 35
8.2. Captura e Comércio....................................................................................... 39
8.3. Caça.............................................................................................................. 40
9. AÇÕES DE CONSERVAÇÃO EXISTENTES.................................................................. 40
9.1. Unidades de Conservação na Área de Ocorrência da Espécie......................... 40
9.1.1 Estação Ecológica Raso da Catarina.............................................................. 41
9.1.2 Área de Proteção Ambiental (APA) Serra Branca........................................... 41
9.1.3 Estação Biológica de Canudos...................................................................... 41
9.2 Envolvimento Governamental......................................................................... 41
9.3. Conservação in situ........................................................................................ 42
9.3.1 Soltura Monitorada...................................................................................... 43
9.4 Programa de Cativeiro..................................................................................... 44

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

9

Capítulo 2 – Análise de Viabilidade Populacional de uma População de Arara-azul-de-lear.........46

6. AMEAÇAS E MEDIDAS DE PROTEÇÃO..................................................................... 67

1. INTRODUÇÃO......................................................................................................... 46

6.1. Ameaças........................................................................................................ 67

2. MÉTODO.................................................................................................................. 46

6.2. Áreas Protegidas............................................................................................. 69

2.1. Parâmetros Utilizados no Cenário Linha Base................................................. 46

6.3. Legislação Vigente.......................................................................................... 69

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO..................................................................................... 48

6.4. Ações de Conservação................................................................................... 69

4. RECOMENDAÇÕES BASEADAS NA AVP DA ARARA-AZUL-DE-LEAR........................ 54

7. USO DO LICURI PELA POPULAÇÃO E POTENCIALIDADES..................................... 71

Capítulo 3 – Licuri na Área de Ocorrência da Arara-azul-de-lear...................................... 55
1. INTRODUÇÃO......................................................................................................... 55

Parte II – Plano de Conservação.................................................75

2. BOTÂNICA E CONSERVAÇÃO.................................................................................. 56

1. Oficina de Planejamento Participativo........................................................................ 76

2.1. Taxonomia..................................................................................................... 56

2. Objetivo Geral, Objetivos Específicos e Ações ........................................................... 81

2.2. Observações Taxonômicas.............................................................................. 56

3. Implementação e Monitoria do Plano de Ação Nacional............................................ 82

2.3. Estado de Conservação.................................................................................. 56

4. Matriz de Planejamento............................................................................................. 83

2.4. Biologia.......................................................................................................... 56
2.5. Distribuição................................................................................................... 57

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................................... 95

3. ASPECTOS ECOLÓGICOS......................................................................................... 58
3.1. O Licuri e as Espécies Associadas................................................................... 58

ANEXOS...................................................................................................................... 107

3.1.1. Epífitas........................................................................................................ 58

Anexo 1 – Protocolo de resgate e destinação da arara-azul-de-lear.............................. 108

3.1.2. Abelhas....................................................................................................... 58

Anexo 2 – Diretrizes e Recomendações Técnicas para Adoção de Boas Práticas de Manejo

3.1.3. Formigas..................................................................................................... 58

para o Extrativismo Sustentável Orgânico da Palmeira Licuri (Syagrus coronata)............ 120

3.1.4. Aves............................................................................................................ 58

Portaria conjunta mma e icmbio nº 316, de 9 de setembro de 2009.......................... 136

3.2. Necessidade de Pesquisas.............................................................................. 62
4. ASPECTOS AGRONÔMICOS.................................................................................... 63
4.1. Propagação.................................................................................................... 63
4.2. Obtenção e Tratamento de Sementes............................................................. 63
4.3. Produção de Mudas....................................................................................... 64

Portaria nº 78, de 3 de setembro de 2009................................................................... 138
Portaria nº 19, de 17 de fevereiro de 2012.................................................................. 142
Portaria nº 73, de 2 de março de 2012........................................................................ 144
Instrução Normativa nº 191, de 24 de setembro de 2008............................................ 145

4.4. Tratos Culturais............................................................................................... 64
4.5. Fitossanidade................................................................................................. 65
4.6. Produtividade................................................................................................ 66
4.7. Resistência à Seca.......................................................................................... 66
4.8. Necessidade de Pesquisa................................................................................ 66
5. O LICURI COMO FONTE DE ALIMENTAÇÃO.......................................................... 66
5.1. Valor Nutricional............................................................................................ 66

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PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

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LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS
AASB

Associação de Artesões da Santa Brígida
ADAB
Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia
AGENDHA
Assessoria e Gestão em Estudos da Natureza, Desenvolvimento Humano e Agroecologia
ANVISA
Agência Nacional de Vigilância Sanitária
APA
Área de Proteção Ambiental
APP

Área de Preservação Permanente
ARIE

Área de Relevante Interesse Ecológico
ATES
Assessoria Técnica, Social e Ambiental
AVP

Análise de Viabilidade de População
AWWP
Al Wabra Preservação da Vida Selvagem (Al Wabra Wildlife Preservation)
BA Bahia
CBRO Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
CEFET Centro Federal de Educação Tecnológica
CEMAFAUNA Centro de Manejo de Fauna da Caatinga
CEMAVE Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres
CEPAM Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica
CGFIS Coordenação Geral de Fiscalização
CGPRO Coordenação Geral de Proteção
CITES Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e da
Fauna Selvagens em Perigo de Extinção
COAGRE Coordenação de Agroecologia
COCUC Coordenação de Criação de Unidades de Conservação
CONAMA Conselho Nacional do Meio Ambiente
COOPES Cooperativa de Produção da Região de Piemonte da Diamantina
COPAN Coordenação de Planos de Ação Nacional
COPPA Companhia de Polícia de Proteção Ambiental
CPB Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros
CR
Criticamente em Perigo
CR6
Coordenação Regional 6
CRAS Centro de Reabilitação de Animais Silvestres
DIBIO
Diretoria de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade
EBDA
Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola
ECO Organização para Conservação do Meio Ambiente
EMBRAPA
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
EN
Em Perigo
ER

Equivalente Retinol
ESEC
Estação Ecológica
FNMA Fundo Nacional de Meio Ambiente
FPI
Fiscalização Preventiva Integrada
GA

Grupo Assessor
GPS
Global Positioning System
IBA
Área Importante para a Conservação das Aves (Important Bird Area)
IBAMA Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
ICMBio Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
IFBA Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia
IN Instrução Normativa
INEMA
Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos

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INFRAERO Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária
IUCN União Internacional para a Conservação da Natureza
MAPA Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
MDA Ministério do Desenvolvimento Agrário
MDS Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome
MEC Ministério da Educação
MMA Ministério do Meio Ambiente
MN Monumento Natural
MP-BA
Ministério Público da Bahia
MPC Mínimo Polígono Convexo
MZUSP Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo
NGI
Núcleo de Gestão Integrada
NORDESTA Associação Nordesta Reflorestamento e Educação
NUTROPICA Nutrição Especializada
ONG
Organização não Governamental
PAN
Plano de Ação Nacional
PARNA
Parque Nacional
PC
Polícia Civil
PCTAFS
Povos, Comunidades Tradicionais e Agricultores Familiares
PE
Probabilidade de Extinção
PF
Polícia Federal
PM
Polícia Militar
PNBio
Programa Nacional de Biodiesel
PRF
Polícia Rodoviária Federal
PROAVES
Associação Brasileira para a Conservação das Aves
PROBIO II
Projeto Nacional de Ações Público Privadas para Biodiversidade
RAN Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios
REBIO

Reserva Biológica
RL
Reserva Legal
RPPN
Reserva Particular de Patrimônio Natural
SAVE
Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil
SEBRAE
Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
SEMA
Secretaria Estadual do Meio Ambiente
SEMA/BA
Secretaria do Meio Ambiente do Governo do Estado da Bahia
SEMEAR
Semear Ambiental Ltda.
SUDENE
Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste
SUPES
Superintendência Estadual
UC Unidade de Conservação
UEFS Universidade Estadual de Feira de Santana
UFAL Universidade Federal de Alagoas
UFBA Universidade Federal da Bahia
UFPB Universidade Federal da Paraíba
UFPE Universidade Federal de Pernambuco
UFRPE Universidade Federal Rural de Pernambuco
UNEB
Universidade do Estado da Bahia
UNIVASF Universidade Federal do Vale do São Francisco
USP
Universidade de São Paulo
ZEE

Zoneamento Ecológico Econômico
ZOO

Zoológico

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LISTA DE FIGURAS, TABELAS E QUADROS
Figura 1 – Resultado da monitoria do Plano de Manejo da arara-azul-de-lear (IBAMA, 2006), realizada em
2010, demonstrando a porcentagem de ações executadas em cada tema. ................................................ 17
Figura 2 – Arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari); (a) Foto: Fabio Nunes; (b) Foto: Eduardo Issa............. 18
Figura 3 – (a) Mapa dos registros de ocorrências da arara-azul-de-lear; (b) Extensão de ocorrência das populações de arara-azul-de-lear na Ecorregião do Raso da Catarina e região do Boqueirão da Onça. (c) Mapa dos
registros de ocorrências da arara-azul-de-lear com destaque para a Ecorregião do Raso da Catarina; (d) Mapa
dos registros de ocorrências da arara-azul-de-lear com destaque para a região do Boqueirão da Onça....... 20
Figura 4 – Mapa do Mínimo Polígono Convexo (MPC) das populações de arara-azul-de-lear na Ecorregião do
Raso da Catarina e região do Boqueirão da Onça...................................................................................... 24
Figura 5 – Hábitat da arara-azul-de-lear. (a) Paredões na ESEC Raso da Catarina. Foto: Fabio Nunes; (b) ESEC
Raso da Catarina em sobrevoo. Foto: Kleber Gomes de Oliveira; (c) Toca Velha na Estação Biológica de Canudos em sobrevoo. Foto: Kleber Gomes de Oliveira................................................................................. 25
Figura 6 – Palmeira licuri (Syagrus coronata). Foto: Antonio Eduardo Araujo Barbosa.................................. 26
Figura 7 – Cocos de licuri cortados transversalmente por araras-azuis-de-lear. Foto: Kleber Gomes de Oliveira....... 27

Figura 21 – Gráfico de valores de r estocásticos para vários cenários apresentado no teste de sensibilidade. ST = Teste de Sensibilidade..................................................................................................53
Figura 22 – Distribuição do tamanho populacional médio ao longo do tempo para diversos cenários no teste
de sensibilidade........................................................................................................................................54
Figura 23 – Inflorescência do licuri. Foto: Antonio Eduardo Barbosa..........................................................56
Figura 24 – Infrutescência de licuri. Foto: Kleber Gomes de Oliveira.........................................................57
Figura 25 – (a) Infrutescência com frutos maduros; (b) Detalhe do fruto maduro. Fotos: Kleber Gomes de Oliveira.... 57
Figura 26 – Distribuição geográfica do licuri. Fonte: Noblick, 1991...........................................................60
Figura 27 – Epífitas associadas ao licuri. Foto: Joaquim Rocha dos Santo Neto...........................................61
Figura 28 – Indivíduo de Iguana iguana visitando o licuri. Foto: Antonio Eduardo Barbosa.........................61
Figura 29 – Indivíduos de Apis mellifera visitando a inflorescência do licuri. Foto: Monalyssa Camandaroba.......61
Figura 30 – Indíviduos de Trigona spinipes visitando a inflorescência do licuri. Foto: Kleber Gomes de Oliveira......61

Figura 8 – Arara-azul-de-lear alimentando-se em licurizeiro. Foto: Ciro Albano.......................................... 27

Figura 31 – Diásporos da palmeira Syagrus coronata na entrada do formigueiro do gênero Atta sp. Foto:
Diego Mendes................................................................................................................................61

Figura 9 – Arara-azul-de-lear voando com cocos de licuri no bico. Foto: Mark L. Stafford.......................27

Figura 32 – Infrutescência de licuri parcialmente consumida por arara-azul-de-lear. Foto: Kleber Gomes de Oliveira......62

Figura 10 – Arara-azul-de-lear consumindo fruto de mandacaru, Cereus jamacaru. Foto: Ciro Albano........ 28

Figura 33 – Larva do “bicho do coco” (Pachymerus nucleorum) em fruto de licuri. Foto: Antonio Eduardo Barbosa.64

Figura 11 – Cavidade natural formada no paredão de arenito utilizada para reprodução da arara-azul-de-lear.
Foto: Fabio Nunes..................................................................................................................................... 30

Figura 34 – Mudas de licuri em viveiro da Base do CEMAVE em Jeremoabo. Foto: Antonio Eduardo Barbosa...64

Figura 12 – Mapa demonstrando os locais de contagem utilizados para a realização dos censos anuais de
araras-azuis-de-lear................................................................................................................................... 34
Figura 13 – População estimada de arara-azul-de-lear, na Ecorregião do Raso da Catarina, de 1979 a 2012.
Fonte: CEMAVE, 2012.................................................................................................................................... 35
Figura 14 – Plantação de milho, Zea mays, atacada por araras-azuis-de-lear. Foto: ECO............................. 36

Figura 35 – Campo experimental de licuri mantido pelo CEMAVE na Fazenda Santana, Jeremoabo-BA. Foto:
Simone Tenório........................................................................................................................................65
Figura 36 – (a) Gado alimentando-se em área composta de pastagem e licuri. (b) Gado consumindo folhas da
palmeira licuri. Fotos: Antonio Eduardo Barbosa...........................................................................................69
Figura 37 – (a) Licuri em um evento de queimada. Foto: Simone Tenório; (b) Área com licurizeiros queimados. Foto: Joaquim Rocha dos Santos Neto...............................................................................................69

Figura 15 – Arara-azul-de-lear alimentando-se na plantação de milho. Foto: Kleber Gomes de Oliveira.................. 37

Figura 38 – Depósito de cal e fuligem sobre a vegetação em área de mineração. Foto Joaquim Rocha
dos Santos Neto......................................................................................................................... 69

Figura 16 – Resultado das interações em 1000 simulações baseadas no cenário Linha Base. N = número de
indivíduos, Year = anos simulados............................................................................................................. 49

Figura 39 – Mapa mostrando os estados que possuem proibição de corte de licuri, segundo a IN IBAMA Nº 191/08.....70

Figura 17 – Gráfico do tamanho populacional médio obtido das simulações do cenário alternativo, baseado
na população estimada em 2002, simulado por oito anos.......................................................................... 50

Figura 40 – Preparação de folhas de licuri antes do processo de secagem, durante a oficina de artesanato
realizada em Serra Branca, Euclides da Cunha-BA. Foto: Simone Tenório.................................................73

Figura 18 – (a) Resultado das 1000 simulações baseadas no cenário de remoção de 100 indivíduos por ano;
(b) Gráfico do tamanho populacional médio obtido das simulações dos cenários Linha Base e com remoção
de 100 indivíduos por ano......................................................................................................................... 51
Figura 19 – (a) Gráfico do tamanho populacional médio ao longo do tempo obtido por meio das simulações dos cenários
Linha Base, com diferentes valores de capacidade de suporte (K = 1.200 e 1.800) e com perdas distintas de capacidade
de suporte (perda de 0,33% por 100 anos e 1% por 60 anos). Eixo y – número de indivíduos; eixo x - anos simulados.
indivíduos; eixo x – anos simuladinos.); (b) – Distribuição do r estocásticos ao longo do tempo para os cenários Linha
Base, capacidade de suporte de 1200 indivíduos, perda de capacidade de suporte de 0,33%, por 100 anos, perda de
capacidade de suporte de 1% por 60 anos e capacidade de suporte de 1800 indivíduos..............................................52

14

Figura 20 – Gráfico do tamanho populacional médio ao longo do tempo obtido por meio das simulações dos
cenários Linha Base e com parâmetros indicados no Plano de Manejo da arara-azul-de-lear (IBAMA, 2006).....53

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

Figura 41 – Confecção de cesto com a folha do licuri durante a oficina de artesanato realizada em Serra
Branca, Euclides da Cunha-BA. Foto: Simone Tenório...............................................................................73
Figura 42 – Peças de artesanato produzidas pela Associação de Artesãos da Santa Brígida, atendendo ao
padrão de qualidade definido pelo SEBRAE. Foto: Simone Tenório...........................................................73
Figura 43 – Grupo de artesãos da Serra Branca de Euclides da Cunha-BA que integram o Polo de trançado de palha
e madeira da arara-azul-de-lear..................................................................................................................................74
Figura 44 – Participantes da oficina de planejamento participativo para elaboração do PAN arara-azul-de-lear.......... 82

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

15

Tabela 1 – Número de ninhos monitorados, sucesso reprodutivo e média de filhotes produzidos por casal
de araras-azuis-de-lear nas estações reprodutivas de 2008/2009 e 2009/2010..................................... 31
Tabela 2 – População estimada da arara-azul-de-lear, na Ecorregião do Raso da Catarina, entre os
anos 2001 e 2012................................................................................................................. 33
Tabela 3 – Estimativa do desmatamento ocorrido na Caatinga no período de 2008-2009..........................35

PARTE I
CONTEXTUALIZAÇÃO

Tabela 4 – Área de cada município de ocorrência da arara-azul-de-lear, área antropizada em 2008-2009 e
percentagem da área do município afetado..............................................................................................36
Tabela 5 – Prejuízo estimado às lavouras de milho por ataque de araras-azuis-de-lear entre os anos de
2005 e 2012 ..................................................................................................................................37
Tabela 6 – Quantitativo estimado, absoluto e percentual, de ressarcimento de sacas de milho para fins de
compensação dos prejuízos às lavouras, decorrentes de predação de araras-azuis-de-lear entre os anos
de 2007 e 2012.............................................................................................................................38
Tabela 7 – Centros de reprodução e número de espécimes mantidos em cativeiro até dezembro de 2010............45
Tabela 8 – Espécies associadas ao licuri, tipos de interação e efeitos segundo conceito proposto por Ricklefs (2001)........59
Tabela 9 – Características gerais das plantas sucessionais iniciais e tardias..................................................63
Tabela 10 – Composição nutricional da polpa e amêndoa do fruto do licuri, de acordo com Crepaldi et al. (2001)... 67
Tabela 11 – Participantes da oficina de planejamento participativo para elaboração do PAN arara-azul-de-lear e filiação...................................................................................................................... 77
Quadro 1 – Principais problemas e ameaças identificados para os alvos de conservação (arara-azul-de-lear,
seu hábitat e licuri) divididos por temas....................................................................................................79
Quadro 2 – Objetivos específicos priorizados e número de votos obtidos.................................................81

Foto: Fabio Nunes

Quadro 3 – Grupo Assessor do PAN Arara-azul-de-lear.............................................................................82

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PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

CAPÍTULO 1 - ARARA-AZUL-DE-LEAR
Antonio Eduardo Araujo Barbosa, Camile Lugarini, Kleber Gomes de Oliveira, Yara de Melo Barros, Simone
Fraga Tenório Pereira Linares, Antônio Emanuel Barreto Alves de Sousa, Joaquim Rocha dos Santos Neto,
Pedro Scherer Neto, João Luiz Xavier do Nascimento, Kilma Manso Raimundo da Rocha

1. INTRODUÇÃO

As espécies-alvo do Plano de Ação Nacional (PAN) para a conservação da arara-azul-de-lear (PAN arara-azul-de-lear) são a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari Bonaparte,
1856), endêmica de uma restrita área na Caatinga baiana, e a palmeira licuri, Syagrus coronata
(Mart.) Becc., seu principal item alimentar. Este
capítulo foi delineado para trazer informações
a respeito da arara-azul-de-lear, que auxiliem o
planejamento estratégico, tático e operacional
para a sua conservação. As informações relativas
à palmeira licuri encontram-se no Capítulo 3.
O Plano de Manejo para a conservação da
arara-azul-de-lear, publicado em 2006 (IBAMA,
2006), foi alvo de monitoria em julho de 2010
pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação
de Aves Silvestres (CEMAVE) e pela Coordenação
de Planos de Ação Nacionais (COPAN), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), contemplando uma análise criteriosa
das ações realizadas. A monitoria revelou que das
70 ações planejadas nos diferentes temas (IBAMA,
2006), 48 foram implementadas desde a sua publicação, representando 69% delas (Figura 1).
Importantes conquistas foram alcançadas
a partir da implementação do Plano de Manejo e das ações de conservação do Programa de

Conservação e Manejo da Arara-azul-de-lear,
executados pelo CEMAVE juntamente com várias
instituições e organizações não governamentais
(ONGs), resultando em aumento populacional
expressivo. Este crescimento populacional contínuo foi suficiente para, na avaliação do estado de
conservação desenvolvido pela União para Conservação da Natureza (IUCN), passar da categoria
de Criticamente em Perigo (CR), em 2008, para
Em Perigo (EN), em 2009 (Birdlife, 2009). Em
2002, esta espécie foi considerada CR (Barros e
Bianchi, 2008), sendo incluída na Lista Oficial de
Espécies da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (MMA, 2003).

Recentemente, a espécie foi avaliada
como vulnerável (VU) na avaliação do estado
de conservação das Aves da Caatinga, promovida pelo ICMBio e coordenada pelo CEMAVE
(CEMAVE, dados não publicados).
Considerando que as ameaças e oportunidades relacionadas à espécie são dinâmicas,
identificou-se a necessidade de revisão do Plano
de Manejo da espécie, agora chamado de Plano
de Ação Nacional para a conservação da arara-azul-de-lear. Este PAN foi revisado para que
haja continuidade dos esforços de recuperação
da espécie e de seu hábitat e que estes esforços
se traduzam na melhoria das condições populacionais e ambientais da arara-azul-de-lear.

80%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0
Proteção da
espécie e seu
hábitat

Políticas
públicas,
legislação e
envolvimento
governamental

Pesquisa in
situ

Pesquisa ex
situ

Conscientização
pública

Colaboração e
divulgação

Figura 1 – Resultado da monitoria do Plano de Manejo da arara-azul-de-lear (IBAMA, 2006), realizada em
2010, demonstrando a porcentagem de ações executadas em cada tema.

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

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2. TAXONOMIA

3. ESTADO DE CONSERVAÇÃO

Nome Científico:
Anodorhynchus leari (Bonaparte, 1856)

MMA (2003):
Criticamente em Perigo (CR) – C2a(ii) (Silveira e
Straube, 2008)

Classe: Aves
Ordem: Psittaciformes

IUCN (2011): Em Perigo (EN) - B1ab(iii)
CITES: Apêndice I

Família: Psittacidae
Nome comum: arara-azul-de-lear (português);
Lear’s Macaw, Indigo Macaw (inglês); guacamayo cobalto, guacamayo de Lear (espanhol)
Fonte taxonômica: Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (CBRO, 2011)

A espécie foi inicialmente descrita por
Bonaparte em 1856, a partir de um exemplar taxidermizado depositado no Museu de Paris, de procedência conhecida apenas como Brasil, e um outro exemplar existente no Zoológico de Anvers, na
Bélgica, de origem desconhecida. Por mais de um
século todas as aves que chegaram a zoológicos
e museus americanos e europeus apresentavam
procedência incerta (Sick et al., 1987). A primeira
sugestão sobre a sua área de ocorrência foi dada
por Olivério Pinto, baseando-se em um exemplar
mantido em cativeiro no interior de Pernambuco
proveniente de Juazeiro, na Bahia (Pinto, 1950).
Em dezembro de 1978, finalmente a espécie foi
localizada no nordeste do estado da Bahia, ao sul
da região denominada Raso da Catarina (Sick et
al., 1979; Sick e Teixeira 1980; Sick et al., 1987).

A

4. DESCRIÇÃO DA ESPÉCIE

A arara-azul-de-lear (Figura 2 a e b)
mede entre 70 e 75 cm (Sick, 1997). Em cativeiro, os machos apresentaram em média
882,24±44,96 g de massa corporal e as fêmeas 789,09±68,33 g (IBAMA, 2006).

Possui o bico negro, curto, alto, recurvado, de base larga, maxila bem móvel, articulada ao crânio, com movimentos de extensão que aumentam a potência do bico, usado
para partir sementes duras. De cauda muito
longa, com cabeça e pescoço azul-esverdeados, barriga azul-desbotada, dorso e lado superior das asas e da cauda azul-cobalto. Anel
perioftálmico amarelo-claro, pálpebra azul-clara, branca ou levemente azulada, barbela
quase triangular em forma de nódoa amarela-enxofre-clara, situada de cada lado da base
da mandíbula, mais pálida que o anel perioftálmico (Collar et al.,1992; Sick, 1997). Esta é
a característica mais importante para diferenciá-la da arara-azul-grande (A. hyacinthinus)
(Sick e Teixeira, 1980).

B

Figura 2 - Arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), (a) Foto: Fabio Nunes; (b) Foto: Eduardo Issa.

20

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

5. DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA E
HÁBITAT

A região de ocorrência da arara-azul-de-lear encontra-se no Domínio Morfoclimático das
Caatingas (Ab’Saber, 1977). A espécie é endêmica
do nordeste da Bahia, cuja distribuição geográfica
atual compreende os municípios de Canudos, Jeremoabo, Euclides da Cunha, Paulo Afonso (IBAMA,
2006), Sento Sé, Campo Formoso (Munn, 1995;
IBAMA, 2006) e Monte Santo (Sick et al., 1987;
Sousa e Barbosa, 2008), sendo recentemente incluído o município de Santa Brígida (Santos Neto e
Camandaroba, 2007) (Figura 3).

Sick et al. (1987) citam como sua área
de distribuição histórica: ao norte no rio São
Francisco, entre Chorrochó e Paulo Afonso;
a oeste até o município de Uauá; a leste até
Jeremoabo; e ao sul até Monte Santo e Euclides da Cunha. Apesar dos relatos históricos da
presença da espécie na Serra da Borracha, no
município de Curaçá (Lima, 2007), e na Serra
Canabrava, no município de Uauá (Sick et al.,
1987), em expedições do CEMAVE, em busca
de novos dormitórios e sítios de alimentação
em 2002, 2005 e 2007, não foram encontrados indícios das araras nas serras da Borracha,
do Jerônimo, do Juá e na Gruta de Patamuté
(IBAMA, 2006;Barbosa et al., 2007).

Atualmente, a maior parte da população é encontrada nos municípios de Canudos
e Jeremoabo (IBAMA, 2006), havendo somente
alguns indivíduos em uma população possivelmente disjunta e pouco conhecida em Sento
Sé e Campo Formoso, na região centro-norte
do Estado da Bahia. A distância entre estas populações é de aproximadamente 185,32 km. A
extensão de ocorrência da população que ocorre atualmente nos municípios de Canudos, Jeremoabo, Euclides da Cunha, Paulo Afonso, Monte
Santo, Santa Brígida e Paulo Afonso é 9.033,69
km2. Os indivíduos registrados em Sento Sé e
Campo Formoso ocupam a região limítrofe dos
municípios, em uma área de 1.169,71 km2.
Estas áreas foram calculadas a partir da construção do Mínimo Polígono Convexo (MPC)
no Programa ArcMap 9.3 e confirmadas no
Global Map 11.0 e Macrostation v8xm (Figura 4).

A maior parte da população da arara-azul-de-lear ocupa o sul da Ecorregião do Raso
da Catarina, situada na porção mais seca do
território baiano. O relevo é plano, em forma
de tabuleiro, marcadamente cortado por vales

secos e ravinas, sendo o suporte-tabuleiro que
deu à região a denominação de Raso (Sick et al.,
1987). Os entalhes profundos nos tabuleiros são
os canyons (Figura 5), sendo a altitude variável
entre 400 a 600m (Velloso et al., 2002).
O clima, segundo a Classificação Climática de Köeppen, é do tipo é Bsh (semiárido
quente), caracterizado pela escassez, irregularidade e torrencialidade das precipitações pluviométricas (em média de 650 mm/ano), temperaturas elevadas e forte evapotranspiração (Sick et
al., 1987; Velloso et al., 2002), com temperaturas variando de 15 a 45° C (Yamashita, 1987), e
média de 24° C (Sick et al., 1987).

A vegetação em toda a área de ocorrência
da espécie é de caatinga, predominantemente
arbustiva densa entremeada por manchas
de caatinga arbórea, apresentando alto
número de endemismos e alta riqueza de
espécies raras e ameaçadas (Giulietti, 2004).
Observam-se três estratos bem definidos
(Egler, 1952; Rizzini, 1997; IBAMA, 2006):
estrato herbáceo de até 1 m de altura,
formado principalmente pelas bromeliáceas
macambira (Bromelia laciniosa Mart. ex Schult.
e Schult.f.), caroá (Neoglaziovia variegata
(Arruda) Mez) e croatá (Bromelia karatas L.)
e pelas cactáceas quipá (Tacinga inamoena
(K.Schum.) N. P. Taylor e Stuppy) e coroa-defrade (Melocactus bahiensis (Britton e Rose)
Luetzelb.); estrato arbustivo, dominante nesta
fitofisionomia, com altura variando de 2 a 4
m, com ocorrência de espécies como pinhão
(Jatropha spp.), juremas (Mimosa acutistipula
(Mart.) Benth., M. verrucosa Benth. e M.
tenuiflora (Willd.) Poir.), marmeleiro (Croton
spp.), velame (Croton campestris A.St.Hil.), catingueira (Poincianella pyramidalis
(Tul.) L.P.Queiroz), pereiro (Aspidosperma
pyrifolium Mart.) e as cactáceas mandacaru
(Cereus jamacaru DC.), xique-xique (Pilosocereus
gounellei (F.A.C.Weber) Byles e Rowley) e facheiro
(Pilosocereus pachycladus F. Ritter); e estrato
arbóreo, encontrado principalmente na base de
morros e na mata ciliar do rio Vaza-Barris, com
altura entre 6 e 15 m, destacando-se as seguintes
espécies: joazeiro (Ziziphus joazeiro Mart.),
umbuzeiro(SpondiastuberosaArruda),umburanade-cambão
(Commiphora
leptophloeos
(Mart.)
J.B.Gillett),
baraúna
(Schinopsis
brasiliensis Engl.), mulungu (Erythrina velutina
Willd.), aroeira (Myracrodruon urundeuva
Allemão), angico (Anadenanthera colubrina
(Vell.) Brenan), caraibeira (Tabebuia aurea (Silva

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

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Figura 3 (b) – Extensão de ocorrência das populações de arara-azul-de-lear na Ecorregião do Raso da Catarina e Região do Boqueirão da Onça.

Figura 3 (a) – Mapa dos registros de ocorrência da arara-azul-de-lear.

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Figura 3 (d) Mapa dos registros de ocorrências da arara-azul-de-lear com destaque para a região do Boqueirão da Onça.

Figura 3 (c) Mapa dos registros de ocorrências da arara-azul-de-lear com destaque para a Ecorregião do Raso da Catarina.

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Figura 4 – Mapa do Mínimo Polígono Convexo (MPC) das populações de arara-azul-de-lear na Ecorregião do Raso da Catarina e Região do Boqueirão da Onça

Mínimo Polígono Convexo

26

A

B

C

Figura 5 – Hábitat da arara-azul-de-lear. (a) Paredões na ESEC Raso da Catarina. Foto: Fabio Nunes; (b) ESEC
Raso da Catarina em sobrevoo. Foto: Kleber Gomes de Oliveira; (c) Toca Velha na Estação Biológica de Canudos em sobrevoo. Foto: Kleber Gomes de Oliveira.

Manso) Benth. e Hook.f. ex S.Moore), licuri e
algaroba (Prosopis juliflora (Sw.) DC. – exótica
invasora.

A região forma a Área Importante para
a Conservação de Aves (Important Bird Area –
IBA) Raso da Catarina (BA02), com 390.000 ha
(Bencke et al., 2006). Segundo Bencke et al.
(2006), nessa região há registros de 201 espécies
de aves, sendo uma das áreas de maior endemismo de aves da Caatinga. Lima et al. (2003),
em um levantamento da ornitofauna na pátria
da arara-azul-de-lear, registraram 233 espécies
de aves em dois pontos do município de Jeremoabo e um ponto do município de Canudos,
o que equivale a 81,6% de todas as aves existentes no bioma no Estado da Bahia e 66,6%
das espécies descritas para o bioma. Dentre as
espécies ameaçadas (MMA, 2003) encontram-se,
além da arara-azul-de-lear, jacucaca (Penelope
jacucaca Spix, 1825), chorozinho-de-papo-preto

(Herpsilochmus pectoralis Sclater, 1857) e pintassilgo-do-nordeste [Sporagra yarrellii (Audubon,
1839)] (Bencke et al., 2006).
O Raso da Catarina foi também considerado pelo MMA uma área de Extrema Importância para a conservação de aves e de importância Muito Alta para a conservação da flora
da Caatinga, devido à riqueza de espécies, alto
número de endemismos, existência de muitas
espécies raras e/ou ameaçadas, alta fragilidade
intrínseca do sistema e alto grau de pressão antrópica, sendo recomendada a sua proteção integral (MMA, 2002; Sá, 2004; Giulietti, 2004;
Pacheco, 2004).

Sento Sé e Campo Formoso formam a IBA
que leva o mesmo nome (BA 03). Localizada a
aproximadamente 200 km da Ecorregião do
Raso da Catarina, é caracterizada por apresentar
matas ripárias de caraibeiras e palmeiras licuri.
Nesta área ocorrem duas espécies de aves endê-

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micas além da arara-azul-de-lear: beija-flor-de-gravata-vermelha [(Augastes lumachella (Lesson,
1838)] e maria-preta-do-nordeste [(Knipolegus
fransciscanus Snethlage, 1928)] (Bencke et al.,
2006). Nesta região, denominada Boqueirão da
Onça, há grande quantidade de serras de arenito com alguns paredões protegidos do sol e do
vento e disponibilidade de licuri em áreas abertas, apresentando características semelhantes
aos dois sítios conhecidos atualmente, utilizados
como dormitórios e locais de reprodução. Pouco
é conhecido sobre a população de araras-azuis-de-lear que ocupam esta região, por isso, novos
esforços devem ser empreendidos para monitorar esta população, e estratégias de manejo e proteção devem ser estabelecidas (IBAMA, 2006).
Nos municípios de ocorrência da arara-azul-de-lear existem duas etnias indígenas, os
Pankararés e os Kaimbés. Os Kaimbés possuem
uma reserva no povoado de Massacará (Figuras
3 a, b, c e 4), em Euclides da Cunha, porém
não há registros de ocorrência da arara-azul-de-lear nessa área.
Os Pankararés possuem duas reservas
demarcadas na região: 1) Brejo do Burgo, com
17.924 ha de área homologada, abrangendo
os municípios de Glória e Rodelas, com 3.000
habitantes; e 2) Pankararé, com 29.597 ha de
área e cerca de 1.400 habitantes, cuja área,
demarcada em 1986 e registrada em 1996,
localiza-se no limite norte da Estação Ecológica

(ESEC) Raso da Catarina (Figuras 3 a, b, c e 4)
(A. M. Cruz, com. pess., 2011).
Menezes et al. (2006) e Lima (2007) registraram a ocorrência de pequenos bandos de
araras-azuis-de-lear na Reserva Pankararés, que
periodicamente frequentavam os licurizeiros
existentes na região. Índios mais idosos relataram
que nas décadas de 50 a 70 observavam a espécie nidificando e se alimentando na área da reserva (Menezes et al., 2006; Lima, 2007) e também
que, a partir da década de 80, a população de
araras tinha diminuído significativamente (Lima,
2007). Em outubro de 2012 foram registradas 12
araras-azuis-de-lear se alimentando no Brejo do
Burgo pelo CEMAVE, havendo relatos de bandos
de até 60 animais neste ano (C. Lugarini, com.
pess., 2012). Na reserva existem paredões de
arenito, o que pode representar um local para a
expansão da ocupação da arara para dormitório
e reprodução (P. C. Lima, com. pess., 2011).

6. HISTÓRIA NATURAL
6.1. Alimentação

O principal item alimentar da arara-azul-de-lear é o fruto da palmeira licuri, (Sick et al.,
1979) (Figura 6). As araras utilizam principalmente
frutos que ainda apresentam coloração esverdeada, mas já se encontram dotados de endosperma
sólido (Brandt e Machado, 1990). Os cocos são

Figura 6 – Palmeira licuri (Syagrus coronata). Foto: Antonio Eduardo Araujo Barbosa.

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abertos por meio de cortes transversais perfeitos
(Yamashita, 1987; Lima, 2007) (Figura 7) e alguns
são perfurados ainda muito verdes, possuindo
apenas endosperma líquido em seu interior.

As aves alimentam-se muitas vezes na
própria palmeira (Figura 8) ou cortam as ráquilas em que os frutos se prendem aos cachos e voam com elas no bico para consumirem os frutos em outras árvores (Figura 9)
ou ainda se alimentam no chão. Em épocas
de grande disponibilidade de frutos, as araras cortam as ráquilas dos cachos de licuri
deixando-os cair no solo, e, segundo relato
de um morador de Euclides da Cunha, elas
retornam durante o período de escassez de
licuri para consumir estes frutos. Tal comportamento merece ser investigado e, se confirmado, pode representar uma estratégia
muito interessante adotada pelas araras para
garantir uma reserva de alimento durante o
período de escassez. Outro comportamento
constatado foi o consumo de sementes secas
de licuri regurgitadas ou eliminadas nas fezes
do gado em época de baixa produção de cocos de licuri (Silva-Neto et al., 2012).

Segundo Brandt e Machado (1990), uma
arara adulta despende em média 25 segundos
para abrir um fruto e retirar o endosperma.
Entretanto, a atividade pode ser interrompida
por alguns instantes quando o indivíduo observa os arredores, coça-se, muda de posição ou
assume outro comportamento. Segundo estes
autores, uma arara pode consumir, em média,
118 cocos de licuri por hora de forrageamento,
o que representa, em média, consumo de 350
frutos de licuri por dia. Já um filhote demora
48 segundos para manipular e ingerir o endosperma do fruto de licuri. Os adultos que estão
alimentando os filhotes que deixaram o ninho
recentemente consomem, pelo menos, duas
vezes a quantidade diária de licuri consumida
normalmente (IBAMA, 2006).
Observações sobre o comportamento alimentar da arara-azul-de-lear foram realizadas
entre setembro de 2006 e junho de 2007, nos
municípios de Jeremoabo, Canudos e Euclides
da Cunha, verificando-se que adultos e filhotes
gastaram em média 32 segundos para coletar
um coquinho de licuri, abrir o endocarpo e consumir seu endosperma. As araras passaram em
torno de 3h15min se alimentando, sendo capazes de consumir 112 frutos por hora. Como o
consumo não é ininterrupto, havendo gasto de
tempo em cerca de 20% depois que a arara ter-

Figura 7 – Cocos de licuri cortados transversalmente por
araras-azuis-de-lear. Foto: Kleber Gomes de Oliveira.

Figura 8 – Arara-azul-de-lear alimentando-se em
licurizeiro. Foto: Ciro Albano.

Figura 9 – Arara-azul-de-lear voando com cocos de
licuri no bico. Foto: Mark L. Stafford

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

29

mina de consumir um fruto e inicia o consumo
de outro, estimou-se que uma arara consome
em torno de 90 licuris por hora e 290 cocos/
dia (Silva-Neto et al., 2012). Durante a atividade
de alimentação, pelo menos uma das araras do
grupo fica sem se alimentar, ocupando o posto
de sentinela (Yamashita, 1987), permanecendo
pousada em galhos mais altos de árvores grandes e revezando-se com outras araras nessa
função.
Brandt e Machado (1990) identificaram
oito áreas de alimentação utilizadas pela espécie, cobrindo uma superfície de 140 km2.
Recentemente, os sítios de alimentação foram
mapeados por Santos Neto e Camandaroba
(2008). Estes autores identificaram 37 áreas
de alimentação, com 127,34 ha, em média,
totalizando 4.711,92 ha, nos municípios de
Paulo Afonso, Santa Brígida, Jeremoabo, Canudos e Euclides da Cunha. Os maiores sítios
de alimentação estavam situados nas localidades de Enjeitado e Fazenda Tangará, na cidade de Canudos, com 807 e 778 ha, respectivamente. Dos quase 4.712 ha mapeados, o
município de Canudos apresentou 47,6% da
área, seguido por Euclides da Cunha, com
34,2% e Jeremoabo, com 15,8%. Lima (2007)
e Santos Neto e Camandaroba (2008) relatam
a preferência das araras em se alimentar em
áreas abertas ou em áreas de densa vegetação
com licuris aparentes.

As aves consomem fontes complementares
e alternativas de alimento (Santos Neto e Gomes,
2007), como: baraúna (Schinopsis brasiliensis),
pinhão (Jatropha pohliana), umbu (Spondias
tuberosa), mucunã (Dioclea sp.), flor-de-sisal
(Agave sp.) e milho verde (Zea mays) (Sick et al.,
1987; Yamashita, 1987; Brandt e Machado, 1990;
Santos e Gomes, 2007).

A baraúna é consumida de forma regular
durante os meses de setembro a novembro, época de sua maior frutificação, sendo consumida a
parte interna da semente quando o fruto ainda
está verde (Silva-Neto et al., 2012). Vale salientar que a baraúna está incluída na Lista Oficial
das Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de
Extinção (MMA, 2008), sendo recomendado
um grande esforço em prol da sua conservação,
incluindo o seu reflorestamento na região.

Ainda existe o consumo do umbu, tanto do mesocarpo de frutos verdes coletados na
copa dos umbuzeiros, como de endosperma
de sementes secas regurgitadas ou eliminadas
nas fezes de caprinos. A frutificação do umbu-

30

zeiro ocorre nos meses de dezembro a fevereiro, coincidindo com um período em que há
grande disponibilidade de frutos de licuri. Desta forma, assim como a baraúna, o umbu pode
ser considerado como um item de alimentação
complementar, e não de alimentação alternativa, como ocorre com o milho.
O milho é o segundo item alimentar mais
consumido pela arara (Silva-Neto, 2012). Brandt e Machado (1990) relatam que, em julho
e agosto, 80% do forrageamento das araras é
realizado em milharais, devido possivelmente
à baixa disponibilidade de frutos de licuri.

Recentemente, frutos de Cactaceae foram observados na alimentação de filhotes de
araras na Toca Velha, nos meses de fevereiro
a março, confirmando-se a utilização deste
recurso pela presença de sementes nas fezes
dos filhotes (E. C. Pacífico de Assis, com. pess.,
2011). Também foi recentemente registrado o
consumo do fruto do mandacaru pela arara-azul-de-lear (D. M. Lima e K. Gomes, com.
pess., 2011) (Figura 10).

Figura 10 – Arara-azul-de-lear consumindo fruto de
mandacaru, Cereus jamacaru. Foto: Ciro Albano.

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6.2. Deslocamentos e Dormitórios

Como em muitas espécies de psitacídeos,
a arara-azul-de-lear é gregária e tem o comportamento de pernoitar em grupo (Juniper e Parr,
1998). Dois sítios de dormitório e nidificação
são conhecidos, ambos na Ecorregião do Raso
da Catarina, constituídos de cavidades naturais
em paredões de arenito: a porção sudoeste da
ESEC Raso da Catarina (9052,2’S 038038,4’W),
no município de Jeremoabo, que é o principal
sítio reprodutivo (Amaral et al., 2005; Menezes
et al., 2006); e Toca Velha, na Estação Biológica
de Canudos (9057’S 038059,4’W), localizada no
município de Canudos, propriedade da Fundação Biodiversitas. A localização das duas áreas
pode ser observada nas Figuras 3 e 4, distantes
entre si em aproximadamente 39 km, em linha
reta. Araújo (1996) também observou araras-azuis-de-lear pernoitando em árvores no município de Euclides da Cunha, fato já relatado
anteriormente por moradores locais. Não se
conhece o local de pernoite da população no
Boqueirão da Onça.

Santos Neto e Camandaroba (2008) observaram que as áreas de alimentação distam
em média de 49,5 km da Toca Velha e 45,9
km da Serra Branca. As áreas de alimentação
são mais próximas dos dormitórios da Serra
Branca (algumas localizadas a apenas 500 m de
distância) que dos dormitórios da Toca Velha
(menor distância de um sítio de alimentação
de 21 km), aspecto que favorece o forrageamento no período reprodutivo na região da
Serra Branca. O sítio de alimentação denominado Barreiras apresenta-se quase equidistante
dos sítios reprodutivos conhecidos, sendo uma
possível área de intercâmbio de animais e de
rotas (Santos Neto e Camandaroba, 2008).
O deslocamento diário é iniciado quando as aves deixam seus abrigos noturnos à primeira luz do dia, partindo aos bandos para as
áreas de alimentação (Sick et al., 1979; 1987).
A atividade de forrageamento ocorre principalmente entre 6-9 h e 14-16 h. Durante as horas
mais quentes do dia as araras geralmente permanecem em árvores altas e secas ou à sombra
das folhas dos pés de licuri. Neste período podem ocorrer interações sociais (Brandt e Machado, 1990). Para o repouso ou para vigília
parece existir uma preferência pela baraúna,
por ser uma árvore de porte grande, com muita sombra e copa pouco fechada, favorecendo
uma boa visão da paisagem ao seu redor. Outras árvores utilizadas pelas araras para repouso

são a aroeira e o mandacaru, além de árvores
secas (Silva-Neto et al., 2012).
No final da tarde os bandos retornam aos
abrigos, chegando logo após o pôr-do-sol (Sick
et al., 1987). Em noites de lua cheia as araras podem retornar mais tarde, sendo registrado bandos regressando para os dormitórios às 19h ou
mais tarde (IBAMA, 2006). Ainda não existem
estudos sobre ciclo nictemeral (Moura, 2007)
da arara-azul-de-lear, e, portanto não é possível
correlacionar o horário da saída e/ou chegada
dos indivíduos nos dormitórios com fatores climáticos ou mesmo com a intensidade luminosa.
O deslocamento sazonal é pouco conhecido, porém existe sazonalidade na ocupação
dos dois dormitórios conhecidos, relacionada à
variação climática e disponibilidade de recursos alimentares (Menezes et al., 2006; Santos
Neto e Camandaroba, 2008). Menezes et al.
(2006) relatam maior frequência de araras nos
paredões da Serra Branca na estação reprodutiva, que vai de outubro a abril, e quando os
filhotes saem dos ninhos, em abril ou maio,
maior número de araras é encontrado na Toca
Velha (Menezes et al., 2006).

Em 1993, devido à intensa seca, os bandos
de araras ampliaram bastante a área de forrageamento, chegando até as proximidades do município de Euclides da Cunha (IBAMA, 2006). Santos Neto e Gomes (2007) analisando a predação
de milho pelas araras, constataram que, devido à
baixa produtividade em 2004, as araras atacaram
plantações mais distantes que em 2005, chegando ao município de Euclides da Cunha, onde não
foi registrado ataque no ano posterior. Em 2012,
devido a seca prolongada, foram relatados bandos em localidades da área indígena dos Pankarés, que segundo moradores, havia muitos anos
que não se observava araras (C. Lugarini, com.
pess., 2012).

Araújo e Scherer Neto (1997) conduziram estudos sobre padrões de deslocamento e
rotas de voo entre áreas de alimentação e pernoite, estimando um deslocamento diário entre 24,86 a 169,45 km. Rigueira e Scherer Neto
(1997) relatam que as araras percorrem cerca
de 80 km, de seus locais de pernoite até as áreas de alimentação. Santos Neto e Camandaroba (2008) descrevem o sítio de alimentação
mais longínquo do dormitório no município de
Euclides da Cunha, localizado a 60 km da Toca
Velha. O ponto de ocorrência da arara-azul-de-lear mais distante de um dos dormitórios
conhecidos em que uma ave foi encontrada foi

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

31

de 65 km (Oliveira e Barbosa, em elaboração).
No período reprodutivo de 2012, um filhote
foi avistado no sítio de Barreiras, a 44 km em
linha reta da Toca Velha (E. C. Pacifico de Assis,
com. pess., 2012).

6.3. Reprodução

A arara-azul-de-lear inicia a atividade
reprodutiva em setembro ou outubro, com a
exploração de cavidades, finalizando em abril
(Sick et al., 1987; Amaral et al., 2005; Neto
et al., 2010), quando os últimos filhotes saem
dos ninhos. Entretanto, há registro de filhotes
saindo do ninho em julho (Pacífico et al., em
elaboração). Na Toca Velha, nas estações reprodutivas de 2008 a 2011, o início da ovipostura se deu em dezembro e janeiro (n=47
ninhadas) (Pacífico et al., em elaboração - b).

A arara-azul-de-lear nidifica em cavidades pré-existentes em paredões rochosos formados por arenito (Figura 11). Um mesmo paredão que contenha diversas cavidades pode
abrigar vários casais em atividade reprodutiva
(Hart, 1992; Pacífico de Assis e Silveira, 2008).
Yamashita (1987) e Hart (1992) indicaram certo territorialismo na estação reprodutiva.

Pacífico de Assis e Silveira (2010a) realizaram um estudo nos ninhos da Toca Velha
por meio de descensão vertical (rapel) em 10
cavidades com registro de ovos ou filhotes,
nas estações reprodutivas de 2008 e 2009.

Todas as cavidades foram encontradas em
alturas superiores a 30m do solo com aberturas voltadas para todas as direções, sendo
50% delas voltadas para oeste. As cavidades
se constituíram em: canal único, estreito e
profundo (50% das cavidades); canal bifurcado (20%); e galeria com profundidade
variável (30%). A medida de altura interna
da cavidade variou entre 0,27 m e 1,22 m,
enquanto que a largura interna variou entre
0,33 m e 1,81 m. As cavidades com menor e
maior volume apresentaram 0,558 e 19,982
m3, respectivamente. O comprimento das
cavidades variou de 5,70 a 18 m de profundidade, sendo a câmara oológica localizada
em diferentes distâncias da entrada da mesma, entre 2,5 e 13,8 m (Pacífico de Assis e
Silveira, 2010a). Segundo os referidos autores,
embora a câmara oológica tenha sido encontrada antes do término da cavidade, em 40%
das amostras, os filhotes, em avançado estágio
de desenvolvimento, foram observados ocupando toda a sua extensão. A média de umidade interna na câmara oológica foi de 55,8% e
a média de temperatura interna dos ninhos foi
de 29,2oC. Em 80% dos ninhos a temperatura
interna foi inferior à externa e a maior variação de temperatura apresentada foi de 3,2oC
(Pacífico de Assis e Silveira, 2010a). As câmaras oológicas constituíram-se por cavidades
côncavas naturais, havendo a ovoposição di-

retamente na areia ou até mesmo sobre as
rochas (Pacífico de Assis, 2010).
Hart (1992) relata que o período observado entre a eclosão e o início da saída do filhote do ninho foi de 87 dias, tempo inferior
ao observado em A. hyacinthinus, mas não há
descrição da metodologia utilizada para a obtenção desses dados, nem o número amostral
de ninhos e filhotes. Pacífico de Assis e Silveira
(2010b), em estudo reprodutivo conduzido na
Toca Velha, registraram que os filhotes permanecem no ninho 103 dias (n= 22). Quanto aos
dados morfométricos, o menor filhote eclodiu
com 22,6 g e 8,5 cm de comprimento total e
os filhotes no término do empenamento apresentaram em média 957,5 g de massa corpórea
e 56 cm de comprimento total. Dos 22 filhotes
capturados, 73% sobreviveram até o primeiro voo. Pacífico de Assis (2011) aponta como
mortalidade natural a morte do terceiro filhote
gerado na ninhada nas primeiras semanas de
desenvolvimento por assincronia de eclosão.
Possíveis predadores foram encontrados nos
ninhos, como aranhas caranguejeiras e roedores. No entanto, a predação não foi documentada. Houve queda de filhotes dos ninhos no
estágio final de desenvolvimento.
Na estação reprodutiva de 2004/2005
foram registradas 56 cavidades ocupadas por
casais na Serra Branca e 11 na Toca Velha. Na
Serra Branca, nove ninhos foram monitorados
por meio de observações à distância durante
toda a estação reprodutiva, tendo sido registrada média de 1,8 filhotes que saiu por ni-

nho (IBAMA, 2006). Pacífico de Assis e Silveira
(2010b) registraram 30 ninhos na Toca Velha
nas estações reprodutivas de 2008 e 2009. Nos
dez ninhos monitorados 69% das oviposturas
foram consideradas férteis e em 92% destas
houve eclosão.
Neto et al. (2010) registraram 242 ninhos
em três estações reprodutivas nos sítios reprodutivos da Toca Velha e ESEC Raso da Catarina
(67 em 2004/2005, 63 em 2005/2006 e 112 em
2008/2009). O número de indivíduos em reprodução variou de 134, em 2004, a 224, em 2009,
e pelo menos 288 novos indivíduos voaram dos
ninhos neste período. Pacífico et al. (em elaboração) monitoraram as cavidades nos dois sítios reprodutivos conhecidos, nas estações reprodutivas
de 2008/2009 e 2009/2010 e diagnosticaram,
com base em observação de casais durante o
período reprodutivo, a presença de 114 cavidades
reprodutivas, o que permitiu estimar a presença de
228 aves maduras na população no ano de 2010.
Dentre as 34 cavidades monitoradas no período
reprodutivo de 2008/2009, 24 (70,59%) tiveram
sucesso, com saída de pelo menos um filhote do
ninho. Destes 24 ninhos, em 12 deles (50%) foram
observados dois filhotes, e em um (4,2%) foram
observados três filhotes na entrada da cavidade.
Dentre as 41 cavidades monitoradas no período
reprodutivo de 2009/2010, 36 (87,8%) tiveram sucesso, e destes, em 20 ninhos (55,56%) foram observados dois filhotes. O número médio de filhotes
produzidos por ninho foi de 1,6 e 1,7 para as estações reprodutivas de 2008/2009 e 2009/2010,
respectivamente (Tabela 1).

Tabela 1 - Número

de ninhos monitorados, sucesso reprodutivo e média de filhotes produzidos por casal de araras-azuis-de-lear nas estações reprodutivas de 2008/2009 e 2009/2010.

Estação Reprodutiva

2004/2005

2005/2006

Jeremoabo

Jeremoabo

Jeremoabo

Canudos

Jeremoabo

Canudos

9

12

24

10

29

12

66,6% (n=6)

75% (n=9)

66,66% (n=16)

80%
(n=8)

89,7% (n=26)

66,66%
(n=10)

com 1 filhote

16,7% (n=1)

33,4% (n=3)

50% (n=8)

30%
(n=3)

38,5% (n=10)

25% (n=3)

com 2 filhotes

83,3% (n=5)

66,6% (n=6)

50% (n=8)

40%
(n=4)

53,8% (n=14)

50% (n=6)

com 3 filhotes

0

0

0

10%
(n=1)

7,7% (n=2)

8,33%(n=1)

Média de filhotes/ninho

1,8

1,6

Total de filhotes que
voaram dos ninhos

11

15

Área de Estudo
Ninhos Monitorados
% ninhos com sucesso
reprodutivo

Figura 11 – Cavidade natural formada no paredão de arenito utilizada para reprodução da arara-azul-de-lear.
Foto: Fabio Nunes.

32

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

2008/2009

2009/2010

1,6
24

1,7
14

44

18

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

33

Pacífico de Assis e Silveira (2008)
identificaram espécies ocupando cavidades
em quatro for­mações areníticas na Toca Velha:
aratinga-de-testa-azul [Aratinga acuticaudata
(Vieillot,
1818)],
papagaio-verdadeiro
[Amazona aestiva (Linnaeus, 1758)], uruburei [Sarcoramphus papa (Linnaeus, 1758)],
urubu-de-cabeça-vermelha [Cathartes aura
(Linnaeus, 1758)], urubu-de-cabeça-preta
[Coragyps atratus (Bechstein, 1793)], cauré
[Falco rufigularis (Daudin, 1800)], quiriquiri
(F. sparverius Linnaeus, 1758), acauã
[Herpetoteres cachinans (Linnaeus, 1758)],
águia-chilena [Geranoaetus melanoleucus
(Vieillot, 1819)] e gavião-carijó [Rupornis
magnirostris (Gmelin, 1788)]. Os psitacídeos
apresentaram maior grau de interação com
a arara, enquanto urubus e águia-chilena
podem ser considerados predadores de ovos,
ninhegos e juvenis. Dois eventos de predação
já foram observados. Em ambos os episódios
os ninhegos foram capturados por uma águia
chilena quando acompanhavam seus pais ao
sair do ninho nas temporadas reprodutivas de
2010 e 2012 (Antonio Eduardo, com.pess.;
Edson Ribeiro Luiz, com.pess.).

Amaral et al., (2005) observaram que durante o período reprodutivo (da incubação até o
voo dos filhotes), as araras adultas em reprodução permaneceram mais tempo no interior do
ninho, seguido pela entrada do ninho, área do
ninho e fora da área do ninho. Além disso, pelo
menos um indivíduo do casal sempre permanecia protegendo o ninho de quaisquer invasores,
sendo a frequência de observações de araras no
ninho maior pela manhã, diminuindo à tarde,
período aparentemente preferido para o forrageamento. A permanência das araras na entrada
do ninho coincide com os horários de maior atividade de diversas espécies na área, o que pode
estar associado à necessidade de maior vigilância durante o período reprodutivo. Dentre as
161 atividades observadas na entrada do ninho,
a maioria foi manutenção individual, ou seja,
limpeza de penas ou alisamento da plumagem.

7. POPULAÇÃO
Uma das grandes incógnitas relacionada
à espécie é seu tamanho populacional no pas-

34

sado (Sick et al., 1987). Hart (1992) afirma que
há aproximadamente um século a arara-azul-de-lear era comum na Bahia, baseando-se em
relatos de antigos moradores da região sobre
bandos numerosos em voo.
Foram conduzidas várias contagens entre
as décadas de 70 a 90 para estimar o tamanho
populacional de araras-azuis-de-lear utilizando diversas metodologias, o que não permite
realizar comparações. Apesar disso, os dados
apresentados sugerem um aumento populacional rápido e constante, além de uma melhoria
do conhecimento acerca dos sítios de dormitório e, sobretudo, um aprimoramento do método de contagem (IBAMA, 2006).
O maior grupo observado por Sick em
1978/79 reuniu 21 indivíduos que se dirigiram ao dormitório na Serra Branca (Sick et
al., 1987). Em 1983, a população total apresentava número mínimo absoluto de 60 aves,
e número máximo estimado de 200 (Yamashita, 1987). Em 1988, Brandt e Machado
(1990) estimaram que a população não ultrapassava 60 indivíduos. Em 1990 estimou-se uma população de 66 aves e em 1991,
baseando-se em informações de moradores
locais, especulou-se que a população variava
entre 50 e 100 aves (IBAMA, 2006). Araújo e Scherer Neto (1997) realizaram censos
simultâneos nas duas áreas de dormitórios
conhecidas e registraram 95 aves. No mesmo ano, em uma expedição à região, J. K.
Hart observou pelo menos 117 indivíduos
(IBAMA, 2006). Araújo (1996) apontou que,
naquela época, os números obtidos nos censos podiam não ser precisos devido à equipe
de contagem reduzida e à falta de um conhecimento mais aprofundado dos dormitórios. Em 1998, uma equipe de campo, sob
a orientação do Comitê para a Conservação
da Arara-azul-de-lear, realizou 12 censos simultâneos mensais, estimando um número
médio de 132 aves (IBAMA, 2006).

A partir de 2001, o CEMAVE passou a coordenar a realização dos censos com o objetivo
de padronizar o método utilizado. Nesse ano,
as contagens foram realizadas por onze pesquisadores em três pontos de contagem na Serra
Branca e dois pontos na Toca Velha, no período
compreendido entre 30 de maio a 1º de junho.
Num total de seis contagens foram visualizadas

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

230 araras na Serra Branca e 30 na Toca Velha,
totalizando 246 (Nascimento et al., 2001). Em
2002 foram realizados quatro censos (março,
julho, setembro e dezembro), sendo 431 o número máximo observado (IBAMA, 2006).

Em 2003 e 2004, os censos simultâneos
da espécie ocorreram com periodicidade mensal, a partir do mês de março. Devido à utilização de novos paredões pelas araras ou a descoberta destes como dormitório, foi necessário
aumentar o número de pontos de contagem.

A partir de 2004, para estimar a população
no Raso da Catarina foram realizadas contagens
simultâneas nos dois dormitórios conhecidos, por
meio da contagem direta dos indivíduos, seguindo a metodologia descrita por Bibby et al. (1992),
ou seja, o observador conta todos os indivíduos
que passam no seu campo visual em um ponto fixo, tomando-se o devido cuidado para não
contar indivíduos já registrados. Em cada contagem são distribuídos de um a três pesquisadores, localizados no entorno dos dormitórios que
dispõem de rádio comunicador para interlocução, evitando duplicidade nas contagens entre
os pontos. As contagens são realizadas simultaneamente em dez pontos, sendo sete na ESEC
Raso da Catarina e três na Estação Biológica de
Canudos, no momento da saída das aves dos
dormitórios pela manhã (entre 05h30-06h30) e à
tarde (entre 17h20-18h15) (Figura 12). Este mé-

todo é a melhor opção para amostragem de psitacídeos florestais e de difícil visualização, sendo
empregado para diversas espécies de psitacídeos
(Aguilera et al., 1999; Nunes, 2002). A partir de
2008, com intuito de obter uma estimativa anual
mais fiel possível, todas as contagens foram realizadas no período não reprodutivo da espécie.
Evitando a não contabilização de aves que encontram-se dentro das cavidades neste período.
As contagens de cada ponto foram somadas, e
calculadas a média, o desvio padrão e o coeficiente de variação, anualmente.
Menezes et al. (2006) apresentaram os
resultados dos censos simultâneos realizados
de setembro de 2001 a abril de 2004. O maior
valor médio foi de 435± 55,88 aves, registrado
em setembro de 2003 e o menor foi de 142,5±
4,57 aves, registrado em setembro 2001. A Tabela 2 apresenta uma compilação das informações disponíveis sobre os censos coordenados
pelo CEMAVE, entre 2001 e 2012 e a Figura 13
mostra a flutuação do tamanho populacional
de 1983 até 2012.
Cabe ressaltar que duas populações de
arara-azul-de-lear são reconhecidas: uma localizada na Ecorregião do Raso da Catarina e
outra na Região do Boqueirão da Onça (Menezes et al., 2006; IBAMA, 2006) e que os
indivíduos do Boqueirão da Onça não estão
incluídos nestas contagens.

Tabela 2 – População estimada da arara-azul-de-lear, na Ecorregião do Raso da Catarina, entre
os anos 2001 e 2012.
Ano

Número de Contagens

Número de Pontos de Contagem

Média

Desvio Padrão

Coef. Variação (%)

2001

12

6

228

52

23

2002

16

9

332

97

29

2003

40

9

442

54

12

2004

40

10

389

40

10

2005

8

10

444

72

16

2006

20

10

502

115

23

2008

8

10

883

94

11

2009

5

10

1068

29

3

2010

16

10

1125

191

17

2011

12

10

1049

273

24

2012

8

7

1263

152

12

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

35

Figura 12 – Mapa demonstrando os locais de contagem utilizados para a realização dos censos anuais de araras-azuis-de-lear.

Nota: Colunas em vermelho correspondem a contagens não padronizadas. Colunas em azul correspondem a contagens coordenadas pelo CEMAVE.

Figura 13 – População estimada de arara-azul-de-lear, na Ecorregião do Raso da Catarina, de 1979 a 2012.
Fonte: CEMAVE, 2012.

8. AMEAÇAS
Lima (2007) atribui o declínio da população da arara-azul-de-lear à expansão das
áreas antropizadas nas propriedades rurais e
sua consequente eliminação das áreas de alimentação nativa, à caça por parte dos índios e
de moradores rurais, assim como ao tráfico de
animais silvestres.

Atualmente, a diminuição na disponibilidade de itens alimentares, especialmente os
frutos de licuri, é considerada o maior fator limitante para a espécie (Brandt e Machado, 1990).
Recentemente a análise de viabilidade de população (AVP, Capítulo 2) da espécie confirmou que
a capacidade de suporte do ambiente deve ser o
principal limitante no crescimento populacional.

8.1. Perda de Hábitat

O semiárido brasileiro abriga uma população humana de 20 milhões de habitantes,
sendo a região semiárida mais populosa do
mundo. O bioma Caatinga, que inclui diversas
formações vegetais, ocupa a maior parte desta
região, sendo o único com distribuição restrita ao Brasil. Dentre os biomas brasileiros é o
menos conhecido cientificamente e vem sendo

tratado com baixa prioridade para a conservação, apesar de ser um dos mais ameaçados,
devido ao uso inadequado e insustentável dos
seus solos e recursos naturais. Atualmente, o
bioma apresenta 1% da sua área protegida por
unidades de conservação (UC) de proteção integral e 6,4% de área protegida por UC de uso
sustentável (IBAMA, 2011).

As estimativas de perda de hábitat mostram que os remanescentes da Caatinga estão
distribuídos em muitos fragmentos de diferentes tamanhos (Castelletti et al., 2004). Segundo
o MMA (2007), até 2002, o bioma possuía área
de cobertura vegetal nativa de 62,77%, cobertura vegetal antropizada de 36,28% e corpo
d'água de 0,95%.

Da área total da Caatinga, correspondente a 826.411,23 km² (mais que 82 milhões de
hectares), restaram em 2009, com vegetação
primitiva, apenas 441.117,88 km², de acordo
com o monitoramento do desmatamento nos
biomas brasileiros realizado pelo IBAMA (2011),
baseado em análises de imagens de satélites. Entre 2008 e 2009 o bioma teve sua cobertura vegetal original e secundária reduzida em 0,23%,
com sua cobertura vegetal nativa suprimida em
1.921,18 km², conforme Tabela 3.

Tabela 3 - Estimativa do desmatamento ocorrido na Caatinga no período de 2008-2009.
Classe

Até 2008

Até 2009

Vegetação suprimida

45,39 %

45,62%

Vegetação remanescente

53,61%

53,38%

Corpos d’água

0,99%

1,01%

Fonte: IBAMA, 2011.

36

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

37

A análise da distribuição dos polígonos
de desmatamento por unidades da federação
identificou, em termos de área absoluta, que a
Bahia foi o estado que mais sofreu supressão da
cobertura vegetal nativa da Caatinga entre 20082009. Com área de Caatinga de 300.927 km2,
teve 638,35 km2 (0,21% do bioma) de área antropizada. Os tamanhos das áreas de vegetação
suprimida nos municípios de ocorrência da arara
estão apresentados na Tabela 4 (IBAMA, 2011).
Na região, a agricultura é predominantemente de subsistência, com o cultivo principalmente de milho, feijão e mandioca. O uso de
agrotóxicos é comum, situação preocupante em
virtude dos danos que causam à saúde humana
e ao ambiente. A pecuária, geralmente praticada
de forma extensiva, constitui importante atividade econômica na região, com destaque para os
rebanhos de caprinos, ovinos e bovinos, além de
avicultura. A atividade agrícola é sempre precedida de desmatamento e queimadas. A prática

de queimadas, bastante comum na região, é feita
sem nenhum controle. A retirada de lenha para o
abastecimento de calcinadoras de gesso, cerâmicas, olarias e padarias também é frequente, bem
como o corte seletivo para a extração de lenha
e madeira em tora (IBAMA, 2006). Além disso,
as áreas de ocorrência da arara-azul-de-lear estão
situadas entre importantes municípios da região
onde existe significativa ocupação humana. O
crescimento populacional humano nos últimos
dez anos foi de 33.653 pessoas, de acordo com
o censo realizado pelo IBGE em 2010.

A redução da oferta de frutos do licuri (ver
Capítulo 3) é um dos principais problemas associados à perda da capacidade de suporte alimentar da
arara. Assim, como consequência da diminuição
da principal fonte alimentar das araras, o ataque às
plantações de milho na região é frequente e intenso
(Brandt e Machado, 1990) (Figura 14). Esses ataques são concentrados nos municípios de Canudos
(principalmente nos povoados do Raso e Rosário),

Tabela 4 – Área dos municípios de ocorrência da arara-azul-de-lear,
2008-2009 e percentagem da área do município afetada.

área antropizada em

Área do município (km2)

Antropização 2008-2009 (km2)

% da área do município
antropizada

Santa Brígida

829,32

0,15

0,02%

Paulo Afonso

1.574,78

1,47

0,09%

Euclides da Cunha

2.362,09

11,18

0,47%

Canudos

3.085,01

2,27

0,07%

Monte Santo

3.287,07

5,67

0,17%

Jeremoabo

4.711,03

8,05

0,17%

Campo Formoso

7.231,68

4,33

0,06%

Sento Sé

12.531,65

5,97

0,05%

Município

Jeremoabo (principalmente nos povoados de Serra
Branca e Pau D'água) e Euclides da Cunha (principalmente no povoado de Serra Branca), cujos
percentuais de perdas nas lavouras variam de 1,5 a
92% da plantação (Santos Neto e Gomes, 2007).

Em 2004 e 2005 foram verificados ataques
entre os meses de junho a setembro em plantações de milho em propriedades nos municípios
de Jeremoabo, Canudos e Euclides da Cunha. Essas propriedades distam de 7 a 16 km dos paredões da Serra Branca e 20 a 55 km da Toca Velha.
Em 2004 os ataques ocorreram em propriedades
mais distantes, possivelmente devido à seca que
ocorreu nesse ano e à baixa produtividade de
frutos de licuri. O prejuízo médio foi de 16,28 e
18,66 sacos de milho por propriedade em 2004
e 2005, respectivamente. A Tabela 5 demonstra
os prejuízos às lavouras devido aos ataques de
araras-azuis-de-lear entre 2005 e 2012.

Tabela 5 - Prejuízo total estimado
entre os anos de 2005 e 2012.

Bandos de 45 a 89 indivíduos foram
observados forrageando ao mesmo tempo em
um plantio. Em geral, nos plantios situados em
áreas próximas a licurizeiros em frutificação, o
ataque aos milharais não foi observado ou foi
brando. Assim como, em geral, plantações de
milho com mais árvores altas ou secas ou com
licurizeiros no seu interior ou nas adjacências
apresentaram maior incidência de ataques.
Tais árvores e palmeiras foram utilizadas por
sentinelas (Figuras 14 e 15) enquanto outras
araras se alimentavam no solo. Em todas as
propriedades onde foram constatados prejuízos devido ao ataque por araras é praticada
a agricultura familiar voltada exclusivamente
para a subsistência. Como não apresentam
nenhum tipo de irrigação, os plantios são feitos apenas durante a estação chuvosa, que
coincide com o período de escassez de frutos

às lavouras de milho devido ao ataque de araras-azuis-de-lear

Ano

Número de Propriedades Vistoriadas

Prejuízo Estimado (ton)

2005

26

10,26

2006

46

13,50

2007

42

12,00

2008

48

15,60

2009

64

26,40

2010

76

43,80

2011

30

12,60

2012

7

1,02

FONTE: IBAMA, 2011.

Figura 14 – Plantação de milho, Zea mays, atacada por araras-azuis-de-lear. Foto: ECO.

38

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

Figura 15 – Arara-azul-de-lear alimentando-se na plantação de milho. Foto: Kleber Gomes de Oliveira.

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

39

de licuri na região. Por conseguinte, o milho
passa a ser um recurso alimentar disponível às
araras-azuis-de-lear nas épocas de reduzida
oferta de recursos alimentares.
O ressarcimento aos produtores dos
prejuízos às lavouras provocados por predação de milho por araras-azuis-de-lear é realizado sistematicamente desde 2005, buscando-se sempre atender a totalidade dos
danos sofridos nas plantações. Entretanto,
ressalta-se que as atividades de avaliação se
restringem aos perío­dos efetivos de ataques
aos plantios em cada região, os quais são variáveis em função da pluviosidade. Outros
agravantes ao sucesso do Projeto de Ressarcimento dos Danos às Lavouras Provocados
pelas Araras-azuis-de-lear são: o aumento
do valor das sacas de milho, de 10 dólares
americanos a saca de 60 kg até 2009 para 35
dólares americanos em 2011; a maior parte
dos recursos destinados à aquisição do mi-

lho é proveniente de doações internacionais,
havendo um comportamento desfavorável
na variação das taxas cambiais das moedas
estrangeiras nos últimos anos; e o aumento
populacional da arara, o qual ocasionou o
aumento da intensidade dos ataques, assim
como das áreas de lavouras prejudicadas.
Assim, a busca de novos parceiros e financiadores para a atividade deve ser intensificada
(ECO, 2011) (Tabela 6).
Há relatos de índios de que, nas localidades conhecidas como Baixa Fechada e Baixa
do Chico, há 30 ou 40 anos, haviam roças de
milho frequentadas por muitas araras, sugerindo que a utilização de milho, e provavelmente
a escassez de frutos de licuri, é antiga (IBAMA,
2006). Entretanto, segundo relatos de antigos
moradores dos povoados de Raso e Rosário,
no município de Canudos, a ocorrência de
ataques às plantações é relativamente recente,
iniciada há cerca de 15 anos, por consequên-

Tabela 6 – Quantitativo

estimado, absoluto e percentual, de ressarcimento de sacas de milho
para fins de compensação dos prejuízos às lavouras, decorrentes de predação de araras-azuis-de-lear entre os anos de 2007 e 2012. Fonte: ECO, 2012.

Ano

2007

Município

Número de propriedades
atacadas

Prejuízos estimados
em Sacas (60 kg)

Total de sacas
ressarcidas

Canudos

33

132

132

E. da Cunha

----

----

----

9

68

Jeremoabo

Total geral de sacas de milho ressarcidas
2008

Canudos

41

199

199

E. da Cunha

2

15

15

5

46

Jeremoabo

Total geral de sacas de milho ressarcidas
2009

47

359

359

E. da Cunha

----

----

----

Jeremoabo

17

81

81

Canudos

591

E. da Cunha

1

66

0

Jeremoabo

13

73

33
346 (47,4%)

Canudos

15

95

95

----

----

----

Jeremoabo

15

115

115
210 (100%)

Canudos

----

----

----

E. da Cunha

2

5

5

Jeremoabo

5

12

12

Total geral de sacas de milho ressarcidas

40

313

E. da Cunha

Total geral de sacas de milho ressarcidas
2012

440 (100%)

62

Total geral de sacas de milho ressarcidas
2011

46
260 (100%)

Canudos

Total geral de sacas de milho ressarcidas
2010

68
200 (100%)

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

17 (100%)

cia do aumento da população das araras-azuis-de-lear e pelo emprego de folhas de licuri na
cobertura de residências em tempos pretéritos,
o que levou à redução considerável na produção de frutos de licuri na região (K.M.R. Rocha,
com. pess., 2011).
No intuito de proteger suas plantações
de milho, os produtores afugentam as aves de
várias maneiras, inclusive com tiros (IBAMA,
2006; Santos Neto e Gomes, 2007). Nestas
propriedades, as araras se tornam mais suscetíveis à captura, podendo ser apanhadas por
traficantes (Santos Neto e Gomes, 2007). Em
2010 uma ave foi resgatada em Jeremoabo,
apresentando fratura de radio-ulna em uma
das asas e havia a suspeita de que a fratura
fora causada por tiro de arma de fogo ou outro
apetrecho. Em 2012, três aves foram resgatadas com lesões causadas por arma de fogo (CEMAVE, dados não publicados). Eventos em que
araras são encontradas com fraturas especialmente nas asas não são incomuns e já haviam
sido relatados anteriormente (IBAMA, 2006).
Santos Neto e Gomes (2007) testaram alguns
métodos para afugentar os bandos de araras,
sendo que somente sons e movimentos bruscos por parte dos agricultores foram eficazes.
Muitos agricultores abandonaram os plantios
devido aos ataques das araras (Santos Neto e
Gomes, 2007; ECO, 2010).

8.2. Captura e Comércio

Outra ameaça importante é a captura
ilegal para atender à demanda do comércio
ilícito, tanto doméstico como internacional.
Na região da Reserva Indígena Pankararé
existem relatos de reprodução há cerca de
vinte anos, quando as últimas araras nascidas
nos paredões da reserva foram capturadas
para serem vendidas em Salvador/BA (IBAMA, 2006).
Os registros de apreensões e/ou doação
para os órgãos fiscalizadores foram de: um ovo
em 2011, três filhotes em 2010, um em 2009,
cinco em 2007, dois em 2005, dez em 2004,
seis em de 2003, dois em 2002, três em 2000,
sete em 1999 e oito em 1998 (K. M. R. Rocha
com. pess., 2011; CEMAVE, dados não publicados; IBAMA, 2006). No entanto, estima-se
que o quantitativo de animais apreendidos represente apenas uma pequena parte do total
de aves retiradas da natureza. Até dezembro
de 2010, das 74 aves que faziam parte do

plantel do Programa de Cativeiro, 35 (47,30%)
eram provenientes de apreensão, resgate ou
captura (Barros, 2011).
Com a utilização de cordas os traficantes descem nos paredões onde estão os
ninhos e retiram ovos e ninhegos. Alguns ninhos possuem a abertura grande o suficiente
para permitir a entrada de uma pessoa. Aves
adultas podem ser capturadas nos ninhos e
dormitórios por meio de redes que são içadas durante a noite, fechando a saída dos
ninhos ou dormitórios. Outra forma de captura ocorre em áreas de alimentação, com
a utilização de ceva de milho para atrair as
aves, que são capturadas também com o uso
de redes. Existe ainda a possibilidade de aves
serem capturadas por meio de tiros nas asas
(IBAMA, 2006).

Atualmente são realizadas operações esporádicas de fiscalização pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (IBAMA) e ICMBio, sendo necessário que elas se transformem em uma prática rotineira e integrada às ações de gestão da ESEC
Raso da Catarina.

A atividade de tráfico de animais silvestres no Brasil, devido à reduzida pena privativa
de liberdade (detenção) que lhe é imputada,
é enquadrada como “crime de menor potencial ofensivo”, categoria que engloba os crimes
cujas penas são inferiores a dois anos de detenção, conforme preconiza a Lei nº 11.313/2006
independente se crime federal ou estadual.
Desse modo, quando alguma atividade fiscalizatória obtém êxito na repressão ao tráfico,
os infratores que forem detidos têm apenas a
obrigação de prestar depoimento em uma delegacia policial, ocasião em que irão assinar um
Termo de Compromisso que determina o seu
comparecimento à Justiça Federal ou Estadual,
quando solicitado. Nessa ocasião é proposta a
Transação Penal pelo representante do Ministério Público, artifício jurídico que corresponde
à permuta da pena privativa de liberdade por
alguma pena restritiva de direito, comumente
denominada de “pena alternativa”, a exemplo
de prestação de serviço comunitário e fornecimento de cestas básicas para instituições filantrópicas, por um determinado período de
tempo (IBAMA, 2006; K. M. R, Rocha, com.
pess., 2011).

A Lei nº 9.605/98 prevê pena de seis
meses a um ano de detenção e multa para as
atividades relacionadas ao tráfico de animais

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

41

silvestres, entretanto o traficante não fica preso após o interrogatório na delegacia policial.
Não há a possibilidade de impor o pagamento de taxa de fiança, uma vez que a Lei nº
9.099/95 determina que em casos de crimes
de menor potencial ofensivo, seus infratores
não sejam obrigados a pagar fiança para ter a
possibilidade de responder em liberdade.

A multa administrativa, aplicada pelo
órgão ambiental competente, é de R$ 500,00
por espécime apreendido, sendo aumentada
para R$ 5.000,00, quando se tratar de espécime de espécie ameaçada de extinção, valores estes que serão aplicados em dobro para o
caso de cometimento da infração com o fim de
obtenção de vantagem pecuniária, conforme
preceitua o Decreto nº 6.514/2008. No entanto, as multas são raramente pagas, pois na ausência de seu pagamento a única penalidade é
a inclusão do nome do infrator na Dívida Ativa
Federal ou Estadual, o que o impede de prestar
concurso público, assumir cargos comissionados no governo ou contratar empréstimo em
bancos públicos. Mesmo assim, depois de cinco anos de inscrição na Dívida Ativa o débito prescreve. Ademais, o infrator ainda pode
recorrer das multas aplicadas e negociar os
seus valores. Além de ser prática usual entre os
infratores obter “Atestado de Pobreza” e apresentar à Justiça como uma maneira de justificar a impossibilidade de pagamento da multa
aplicada; e, uma vez aceita esta “comprovação
de incapacidade de pagamento da sanção administrativa”, é judicialmente determinado o
cancelamento da mesma (IBAMA, 2006; K. M.
R. Rocha, com. pess., 2011).

Ressalta-se que uma das únicas possibilidades existentes no direito penal brasileiro,
para levar ao efetivo aprisionamento de criminosos envolvidos com o tráfico de animais silvestres, era a comprovação das suas atuações
de forma articulada entre si, o que caracteriza
o crime de formação de quadrilha. Entretanto, com a Lei n° 12.403/2011, que alterou o
Código de Processo Penal Brasileiro, apenas
poderá haver prisão preventiva para crimes
dolosos cuja pena seja superior a quatro anos.
Desse modo, tanto para o crime de "tráfico de
animais silvestres" (Art. 29 da Lei nº 9.605/98)
como para formação de quadrilha ou bando
(Art. 288 do Código Penal Brasileiro), cujas penas não ultrapassam a reclusão de três anos,
não há mais qualquer tipo de prisão decorrente do tráfico de animais no Brasil. Aspecto que

42

seguramente irá concorrer para alavancar esta
atividade criminosa a patamares elevados.

Portanto, é urgente modificar a Lei de
Crimes Ambientais de modo a considerar a
caça, a captura e o comércio ilegal de espécies
ameaçadas como infrações gravíssimas, inafiançáveis e sujeitas à pena de reclusão de mais
de quatro anos. É também de suma importância que haja campanhas de esclarecimento da
população (K.M.R. Rocha, com. pess., 2011).

8.3. Caça

Segundo Lima (2007), na região que
inclui a ESEC Raso da Catarina e a Reserva
Pankararé, antes da descoberta da sua área de
ocorrência, a arara era mais um animal caçado
juntamente com veados, pacas, caititus, tatus,
avoantes, queixada, teiú, jabutis, jiboias, jacutingas e emas, espécies cuja caça ainda persiste.

As ações praticadas pelos índios não se
enquadram na legislação comum, pois a Constituição Federal e a Lei nº 6.001/73 “garantem
aos índios e comunidades indígenas a posse
permanente das terras que habitam, reconhecendo-lhes o direito ao usufruto exclusivo das
riquezas naturais e de todas as utilidades naquelas terras existentes”. Dessa forma, é necessária a realização de trabalhos de conscientização nas comunidades indígenas na área de
ocorrência da arara-azul-de-lear.
Os impactos causados pela caça só poderão ser minimizados mediante programas de
educação ambiental, geração de fontes alternativas de renda e fiscalização sistemática.

9. AÇÕES DE CONSERVAÇÃO EXISTENTES
9.1. Unidades de Conservação na Área
de Ocorrência da Espécie

Existem duas unidades de conservação
com registro de ocorrência da arara-azul-de-lear:
ESEC Raso da Catarina e Área de Proteção Ambiental (APA) Serra Branca (Figuras 3 e 4). Além
disso, a Estação Biológica de Canudos encontra-se em processo de criação de Reserva Particular
do Patrimônio Natural (RPPN). Consta também
em processo de criação no ICMBio o complexo
do Boqueirão da Onça, que incluirá a APA Boqueirão da Onça, o Monumento Nacional (MN)
Toca Boa Vista e o Parque Nacional (PARNA) Boqueirão da Onça, onde ocorre a outra população
da espécie (Figura 3 d). Este complexo compre-

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

enderá o Corredor Ecológico das Onças da Caatinga, que interligará diferentes categorias de unidades de conservação entre os estados do Piauí
e da Bahia, com área de 823.000 ha, nos municípios de Sento Sé, Sobradinho, Umburamas,
Campo Formoso e Juazeiro. Nessa área existem
manchas com grande densidade de licuri, entretanto pouco se sabe sobre sua a utilização pelas
araras-azuis-de-lear.

Adicionalmente, encontra-se em fase de
avaliação, junto ao Ministério do Meio Ambiente, a proposta de criação de duas novas unidades de conservação federais na região de ocorrência da arara-azul-de-lear, correspondentes à
Reserva Biológica Arara-azul-de-lear, com área
de 109.688 ha, e a Reserva Biológica Serras dos
Papagaios, com área de 179.904 ha.

Ainda não existe registro da espécie no
Monumento Natural do Rio São Francisco e no
Parque Estadual de Canudos. Pela proximidade
aos registros existentes e possibilidade de expansão da área de ocorrência das araras, esforços devem ser empreendidos na busca de sítios
de alimentação e dormitórios nessas unidades
de conservação.
Os dormitórios e sítios reprodutivos da
arara-azul-de-lear, conhecidos atualmente, estão concentrados na ESEC Raso da Catarina e
na Estação Biológica de Canudos. Segundo Santos Neto e Camandaroba (2008), de um total de
4.711,92 ha de áreas de alimentação conhecidas para a arara, apenas 5,4% encontram-se no
interior de unidade de conservação.

atinga densa. Apesar de não haver árvores emergentes, que poderiam ser utilizadas para o pouso
de araras sentinelas, as araras se alimentam nestes licurizais (Santos e Camandaroba, 2008). Em
2007 e 2008 foram realizados sobrevoos na região sudoeste da ESEC e não foram encontradas
evidências de ocupação de outros paredões pelas araras, senão os já conhecidos. As áreas foram
georreferenciadas para posterior avaliação por
terra, entretanto o acesso é um fator limitante.
Moradores do entorno utilizam áreas
dentro da unidade para o estabelecimento de
roças e pastagem para caprinos e bovinos e a
presença de gado é constante no interior da
ESEC (IBAMA, 2006). Os principais problemas
são a caça e a situação fundiária da ESEC que
não está totalmente regularizada, o que dificulta a sua proteção e a das araras. Paradoxalmente, em 1979, Sick et al. já sugeriam a expansão
no limite da ESEC para proteger a arara-azul-de-lear, o que já está em pauta no ICMBio.

9.1.1. Estação Ecológica Raso
Catarina

A Estação Biológica de Canudos, também
conhecida como Toca Velha, é propriedade da
Fundação Biodiversitas, e está localizada no município de Canudos. Foi criada em 1989, com 160
ha e dispõe de duas bases de campo para pesquisadores. Recentemente a área foi ampliada com
a aquisição de novas propriedades, totalizando
1.500 ha. Ainda não foi estabelecida como RPPN,
pois carece de cadeia dominial. Nesta área não há
ocorrência de licuri. A região possui seis paredões
que são utilizados pelas araras para se reproduzir e
três pontos de dormitórios.

da

É uma unidade de conservação federal de proteção integral, criada pelo
Decreto nº 89.268/84, como Reserva
Eco­
lógica Raso da Catarina, sendo recategorizada para ESEC Raso da Catarina pela Portaria
n° 373/2001. Está localizada entre os paralelos
9033’ 13”S e 9054’30”S e meridianos 38026’50”W
a 38044’00”W, nos municípios de Jeremoabo,
Rodelas e Paulo Afonso, cuja área aproximada é
de 99.772 ha, sendo a segunda maior unidade
de conservação de proteção integral no estado
da Bahia. Possui o objetivo de preservar a natureza e de realizar pesquisas científicas. O principal sítio de reprodução da espécie encontra-se
no limite sudoeste da ESEC. A área de alimentação mais próxima ao sítio reprodutivo da espécie
encontra-se na região sudoeste da ESEC, onde há
abundância de palmeiras de licuri em área de ca-

9.1.2. Área de Proteção Ambiental
(APA) Serra Branca

É uma unidade de conservação estadual
criada em 2001, por meio do Decreto Estadual
nº 7.972/01, apresentando 67.234 ha, no município de Jeremoabo, limitada ao sul pelo rio
Vaza-Barris e ao norte pela ESEC Raso da Catarina. Esta UC tem como objetivo proteger a
arara-azul-de-lear e possibilitar a formação de
um mosaico de UC com a ESEC (SEMA, 2011).

9.1.3. Estação Biológica de Canudos

9.2 Envolvimento Governamental

O governo brasileiro, inicialmente dentro
da estrutura organizacional do IBAMA e agora do ICMBio, vem desenvolvendo atividades
voltadas à conservação da arara-azul-de-lear
desde 1993. Naquele ano foi criado o Grupo
de Trabalho Especial para elaborar, discutir e

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

43

implementar ações para a conservação da espécie e de seu ambiente. Em 1999, foi instituído o Comitê para a Recuperação e o Manejo
da arara-azul-de-lear e arara-azul-grande por
meio da Portaria IBAMA n° 59/99, que em 2001
teve a sua composição alterada pela Portaria
IBAMA n° 727/01. O Comitê tinha as seguintes atribuições: (1) estabelecer estratégias de
conservação da espécie e de seu hábitat, objetivando o estabelecimento de populações sustentáveis; (2) definir estratégias de manejo da
população em cativeiro objetivando contribuir
para a conservação da espécie na natureza; e (3)
analisar e emitir parecer sobre projetos relacionados às espécies. Em 2003 foi criado um comitê especificamente para a arara-azul-de-lear,
o Comitê para a Conservação e o Manejo da
Arara-azul-de-lear Anodorhynchus leari (Portaria
IBAMA nº 435/03). A composição desse Comitê foi revista no mesmo ano pela Portaria IBAMA
nº 1.203/03, e em 2005, incluiu novos mantenedores e parceiros, sendo então instituído o Comitê Internacional para a Conservação e o Manejo
da Arara-azul-de-lear Anodorhynchus leari, pela
Portaria IBAMA nº 12/05.

A primeira proposta de um plano de
ação para a conservação da arara-azul-de-lear foi elaborada em 1995 por Sônia Rigueira
e Pedro Scherer Neto, com a colaboração de
outros membros do Grupo de Trabalho Especial. Em 1997, foi elaborado um plano contemplando as principais ações emergenciais
para a conservação da espécie, sendo elas:
monitoramento da população selvagem e estudo do comportamento reprodutivo, recuperação e manejo do licuri, suplementação
alimentar para as araras, intensificação da
fiscalização, continuidade das atividades de
conscientização e envolvimento das comunidades locais no processo de conservação
da arara-azul-de-lear. Em 2000, foi elaborado o documento “Propostas para o Desenvolvimento Futuro do Projeto Conservação
da Arara-azul-de-lear, Anodorhynchus leari”,
com sugestão para ações em campo e cativeiro. Em 2001, foi estabelecido o Programa
de Conservação da Arara-azul-de-lear, em
Jeremoabo, anteriormente executado pelo
CEMAVE em parceria com a Proaves e posteriormente no âmbito do ICMBio, executado pelo CEMAVE em parceria com diversas instituições. Em 2003 foi realizada a “I
Reunião para o Estabelecimento de Estratégias de Proteção das Araras-azuis-de-lear

44

Anodorhynchus leari”, no IBAMA, para a
definição de um plano de trabalho interno,
integrado, visando a proteção da espécie.
Foram identificadas ações prioritárias para
a conservação da espécie, como: a implementação efetiva da ESEC Raso da Catarina e sua ampliação, trabalhos de fiscalização intensiva, especialmente, em períodos
e localidades em que as aves estavam mais
vulneráveis, monitoramento das atividades
de traficantes conhecidos e implementação
de ações de desenvolvimento sustentável da
região.

Em 2006, foi publicado o Plano de
Manejo da Arara-azul-de-lear, Anodorhynchus leari (Série Espécies Ameaçadas nº 4),
que apresentou informações sobre a biologia da espécie, identificou seus principais
fatores de ameaça e propôs uma série de
medidas para a implementação em diversas
áreas temáticas, identificando atores potenciais e seguindo uma escala de prazos
e prioridades, com o principal objetivo de
conservar a espécie em longo prazo. A meta
do Plano de Manejo foi assegurar permanentemente a manutenção das populações
da arara-azul-de-lear em sua área de ocorrência original, garantindo a integridade de
seu hábitat e a sua proteção na natureza,
além do manejo das aves em cativeiro como
de uma única população, visando o seu
crescimento populacional viável.
O CEMAVE atualmente é responsável
pela Coordenação do Plano de Ação Nacional
para a conservação da arara-azul-de-lear, sob a
supervisão da COPAN, subordinada à Diretoria de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da
Biodiversidade (DIBIO)/ICMBio, sendo responsável pela execução de ações de conservação
em conjunto com outras instituições governamentais e não governamentais.

9.3. Conservação in situ

Os primeiros estudos sobre a espécie,
em 1986, foram conduzidos por Judith K.
Hart em parceria com a Fundação Biodiversitas (desde 1989) e incluíram a realização de
censos, trabalhos de envolvimento e de conscientização da população local, aquisição do
sítio de reprodução da Toca Velha, a Estação
Biológica de Canudos, além de um projeto-piloto de manejo do licuri. Atualmente as ações
desenvolvidas pela Fundação Biodiversitas na
região incluem educação ambiental, pesquisa

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

sobre a biologia da espécie e, principalmente,
fiscalização com acompanhamento contínuo
de pesquisadores e funcionários.

Em 1997 e 1998, com recursos provenientes do Fundo Nacional do Meio Ambiente
(FNMA), o IBAMA e a Fundação Biodiversitas,
criaram o Projeto Arara-azul-de-lear, com o
estabelecimento de uma equipe em campo,
em tempo integral, para desenvolver trabalhos
com a espécie.
O CEMAVE e a Proaves desenvolveram, no período de 2002 a 2005, ações
conjuntas como transplante e plantios experimentais de licurizeiros, atividades de
educação ambiental e estudos sobre o comportamento reprodutivo da espécie. A partir
de 2006, com o apoio da Fundação Loro
Parque, inicialmente por meio da Proaves
e da SAVE Brasil e, atualmente, pelo Instituto Arara-azul, foram realizadas pesquisas voltadas à fenologia da palmeira licuri,
implantação de viveiro de mudas de espécies nativas, monitoramento das áreas de
alimentação, comportamento alimentar da
espécie, atividades de educação ambiental,
envolvimento da comunidade e geração de
renda, nos municípios de Jeremoabo e Euclides da Cunha. E, a partir de 2007, com
o apoio financeiro da Blue Macaws, Parrots International e Fundação Lymington, a
ECO desenvolveu estudos sobre a biologia
reprodutiva e aspectos da fenologia reprodutiva da palmeira licuri em parceria com a
Universidade Federal Rural de Pernambuco
(UFRPE) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Além disso, foram intensificadas ações
de fiscalização por parte do IBAMA, Fundação Biodiversitas e Fundação BioBrasil, atividades de ecoturismo na região (Fundação
BioBrasil) e educação ambiental (CEMAVE e Fundação BioBrasil). Nesse período,
moradores locais potencialmente expostos
ao aliciamento por traficantes de animais
silvestres foram recrutados pela Fundação
BioBrasil para atuar como vigilantes e guias
de ecoturismo na Fazenda Serra Branca
e receberam treinamento para participar
dos censos das araras. Considerando que
não são conhecidos registros de capturas
de aves nos dois dormitórios, apesar de registros de apreensões, e que há indicativo
de aumento populacional, supõe-se que as
iniciativas realizadas na área, com desta-

que ao monitoramento constante da espécie, podem ter diminuído tanto a captura
das aves como a descaracterização do seu
hábitat.
O Programa de Conservação da
Arara-azul-de-lear realiza, desde 2005,
o ressarcimento do quantitativo de milho predado por araras para agricultores
que tiveram suas lavouras efetivamente destruídas, parcial ou totalmente, em
decorrência do ataque de araras. A atividade foi inicialmente conduzida pelo
CEMAVE, até 2007 e capitaneada pela ECO
a partir de 2008. A Parrots International e
a Fundação Lymington financiam esta ação
emergencial, que em alguns anos teve também suporte financeiro da ECO, e que a
partir de 2012, passou a contar também
com o suporte financeiro da Nutrópica.

Desde 2008 o Museu de Zoologia da
Universidade de São Paulo vem desenvolvendo estudos de monitoramento reprodutivo na
Toca Velha, com apoio da Fundação O Boticário. Com o objetivo de monitorar a população
em longo prazo e coibir a captura e comércio
ilegal de araras, até o momento foram anilhados 60 ninhegos provenientes da Toca Velha,
dos quais oito já foram recuperados, sendo
cinco nos sítios reprodutivos e três em áreas
de alimentação. A marcação foi possível, com
segurança, a partir dos 37 cm de comprimento total, quando a largura do tarso-metatarso foi superior a 0,86 cm e o peso superior
a 655g (Pacífico de Assis e Silveira, 2010). A
partir do monitoramento da população reprodutiva de Canudos a avaliação da saúde de
filhotes e adultos, feita com base na amostragem de fezes, suabes orofaríngeos e cloacais,
está sendo realizada com apoio da The World
Parrot Trust (Saidenberg, 2012).

Atualmente o CEMAVE e seus parceiros
realizam pesquisas in situ que incluem o monitoramento populacional, reprodutivo e alimentar, busca de novos dormitórios e avaliação de
danos causados às plantações de milho. Além
disso, são realizadas atividades de educação
ambiental e envolvimento comunitário.

9.3.1 Soltura Monitorada

O CEMAVE realizou uma soltura e monitoramento pós soltura de dois indivíduos em
Jeremoabo, em 2008, com o objetivo de testar
a eficácia do método adotado para os condicionamentos físico e comportamental das ara-

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

45

ras e do monitoramento pós soltura, a fim de
subsidiar eventuais solturas monitoradas ou revigoramento.

As araras foram submetidas a atividades
físicas para aumentar a capacidade de voo e
treinamentos de forrageamento e de resposta
à presença de predadores naturais e seres
humanos. Durante este período, as araras
aprimoraram a técnica de consumo dos licuris,
sendo observada diminuição gradativa do tempo
de manipulação dos mesmos. Foram colhidas
amostras biológicas para análises hematológicas
e presença de patógenos (paramixovírus,
Chlamydophila psittaci, Salmonella sp.,
alpha-herpesvírus da doença de Pacheco,
poliomavírus,
circovírus
e
parasitos
gastrintestinais). Todos os exames tiveram
resultado negativo e a sexagem indicou tratar-se
de um macho e uma fêmea. A soltura foi realizada
durante o período de maior disponibilidade de
alimento, quando os bandos de araras estavam
concentrados em torno da área de nidificação.
Foi utilizada a técnica soft release, que envolve
o suprimento temporário de água e alimento
para os indivíduos recém introduzidos, a fim
de maximizar as suas chances de sobrevivência
(Seixas e Mourão, 2000).

Antes da soltura, foi colocado um transmissor (tail mount) na retriz central da cauda
de cada arara. Após algumas horas os transmissores foram arrancados pelas aves. Posteriormente, foi testado um rádio colar, com
circuitos baseados nas sugestões de Kenward
(1987), os quais possuíam uma antena externa do tipo chicote, encapsulada com resina
autopolimerizável, antena receptora unidirecional do tipo YAGI com cinco elementos, e
um rádio-receptor modelo Rx-81 de fabricação alemã. O peso proporcional dos equipamentos não ultrapassou 4% do peso das aves
(Seixas et al., 2002). O animal com transmissor foi monitorado intensivamente durante
os primeiros 16 dias após a soltura, por meio
da técnica de homing-in, na qual o pesquisador segue a direção do incremento do sinal
recebido do transmissor até determinar a localização do animal, com a visualização do
mesmo, aproximando-se o máximo possível
sem interferir em seu comportamento. Após
esse período, o monitoramento passou a ser
semanal até a perda completa do sinal, em
decorrência de um defeito no receptor, 35
dias após a soltura. A partir de então, o monitoramento foi realizado por meio de luneta

46

e binóculos na tentativa de visualizar a anilha
e o rádio-colar, além de coleta de informações junto à comunidade. Passados 83 dias
após a soltura, os pesquisadores observaram
um indivíduo anilhado, confirmando o êxito
da soltura (Barbosa et al., 2008).

Essa experiência indicou que já nos
primeiros dias após a soltura a ave monitorada se alimentou na companhia de araras de
vida livre. Os voos foram se tornando cada
vez mais longos e por maior tempo, chegando a uma distância de aproximadamente 7
km do recinto no 10º dia de monitoramento
(Barbosa et al., 2008). Esses dados indicaram
que as técnicas utilizadas para o treinamento
dos espécimes foram adequadas, podendo
ser utilizadas para futuras solturas monitoradas ou revigoramento, caso sejam necessárias. Quanto ao monitoramento pós-soltura,
recomenda-se a utilização de telemetria via
GPS (Global Positioning System) e/ou pelo
sistema de dados Argos.

9.4. Programa de Cativeiro

O Programa de Cativeiro tem como objetivo o manejo das aves em cativeiro como
uma única população, para o aumento da população cativa de forma a manter a integridade
genética e demográfica, aumento da reprodução da espécie em cativeiro, além de educação
ambiental, pesquisa e outras atividades.

Todas as instituições mantenedoras de
espécimes de arara-azul-de-lear encaminham
relatório anual para o Coordenador do Programa de Cativeiro. Até dezembro de 2010 haviam 74 aves incluídas no Programa, distribuídas em nove Centros de Reprodução (Barros,
2011), de acordo com a Tabela 7.
No período de 2007 a 2010 ocorreram
27 nascimentos, sendo 18 na Fundação Loro
Parque, sete na Al Wabra Wildlife Preservation
e dois na Harewood House. Neste mesmo período ocorreram três óbitos, restando 71 aves
no Programa de Cativeiro (Barros, 2011).
No Parque Zoobotânico Getúlio Vargas,
em Salvador, encontram-se seis araras-azuis-de-lear que foram resgatadas pelo CEMAVE.
Uma delas foi inicialmente mantida pelo Criadouro Comercial Haras D’Amato, localizado
em Lauro de Freitas, e recentemente encaminhado ao Parque Zoobotânico Getúlio Vargas.
Duas destas aves foram consideradas aptas à
soltura na natureza, entretanto, quando testadas à presença de patógenos, foram conside-

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Tabela 7 – Centros de reprodução e número de espécimes mantidos em cativeiro até dezembro de 2010
Centros de Reprodução
Zoológico de São Paulo

Local

Número de espécimes

São Paulo/SP, Brasil

12

Zoológico de Belo Horizonte

Belo Horizonte/MG, Brasil

3

Fundação RioZoo

Rio de Janeiro/RJ, Brasil

12

São Paulo/SP, Brasil

1

Fundação Lymington
Crax Sociedade de Pesquisa

Belo Horizonte/MG, Brasil

2

Doha, Qatar

14

Harewood House

Leeds, Inglaterra

5

Loro Parque Fundación

Tenerife, Espanha

23

Areal/RJ, Brasil

2

Al Wabra Wildlife Preservation

Aproaves

radas positivas para a presença de Mycoplasma spp. O Parque Zoobotânico Getúlio Vargas
se mostrou um grande aliado na conservação
ex situ, havendo também interesse em se tornar um centro de apoio para o recebimento,
triagem e manutenção temporária de araras-azuis-de-lear.

As aves que se encontram atualmente
na Inglaterra foram consideradas positivas para
alpha-herpevírus de Pacheco, em 2001. Além
disso, o mantenedor já identificou bornavírus
causador da dilação proventricular em outras

aves do plantel. Apesar das aves mantidas no
Harewood House serem de propriedade brasileira (Barros, 2011), não se recomenda que sejam repatriadas.

Existem somente dois centros de exibição de araras-azuis-de-lear, um no Zoológico do Rio de Janeiro e outro na Fundação
Loro Parque. O crescimento da população
em cativeiro possibilita o estabelecimento de
novos centros de exibição que contribuirão
com a educação ambiental e conscientização
(Barros, 2011).

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47

CAPÍTULO 2 - ANÁLISE DE VIABILIDADE POPULACIONAL DE
UMA POPULAÇÃO DE ARARA-AZUL-DE-LEAR
Ivan Braga Campos, Camile Lugarini, Antônio Emanuel Barreto de Sousa, Antonio Eduardo Araujo Barbosa,
Cristina Yumi Miyaki, Thais Maya Aguilar, Andreza Clarinda Araújo do Amaral, Simone Fraga Tenório Pereira
Linares, João Luiz Xavier do Nascimento, Yara de Melo Barros, Neiva Maria Robaldo Guedes, Kleber Gomes
de Oliveira

1. INTRODUÇÃO

A Análise de Viabilidade Populacional
é uma ferramenta de modelagem utilizada para predizer tendências de declínio e
probabilidade de extinção de populações e
testar alternativas de manejo. Além disso, a
AVP pode ajudar a entender quais variáveis
são mais influentes na dinâmica de uma determinada população e sua probabilidade de
sobrevivência ao longo do tempo (Lindenmayer et al., 1995; Brito, 2009).

Diante disso, o CEMAVE organizou uma
oficina de 13 a 15 de outubro de 2010, reunindo pesquisadores de diferentes instituições para
contribuir com informações para modelar cenários e investigar o impacto dos fatores determinísticos e estocásticos no desenvolvimento da
população e no risco de extinção da população
da Ecorregião do Raso da Catarina da arara-azul-de-lear. Esta análise estava prevista no Plano de
Manejo da espécie (IBAMA, 2006) e trouxe subsídios para a revisão do presente PAN, com o intuito de priorizar as principais linhas de pesquisa
e as estratégias de conservação.

2. MÉTODO
Na presente análise, todas as simulações foram realizadas com o programa Vortex,
versão 9.99b (Miller e Lacy, 1999). O Vortex é
uma ferramenta de modelagem computacional
amplamente utilizada para AVP de populações
ameaçadas, sendo adotada por instituições oficiais de manejo e conservação de vários países
(Lindenmayer et al. 1995). O programa modela
dinâmicas populacionais como eventos discretos,
sequenciais (nascimentos, mortes, catástrofes,
dentre outros), que ocorrem ao longo da vida dos
indivíduos que compõem uma população a par-

48

tir de probabilidades definidas. As probabilidades
dos eventos são modeladas como constantes ou
como variáveis randômicas que seguem distribuições especificadas. Auxilia, portanto, a entender
os efeitos de forças determinísticas assim como
eventos demográficos, ambientais e genéticos
estocásticos (randômicos) sobre a dinâmica de
populações selvagens. O programa se baseia no
método estatístico de Monte Carlo, que é amplamente utilizado em simulações estocásticas com
diversas aplicações. Como o crescimento ou declínio de uma população simulada é fortemente
influenciado por eventos ao acaso, cada iteração
(“corrida do programa”), usando exatamente os
mesmos valores para os parâmetros de entrada,
produz resultados diferentes. Consequentemente, o modelo é repetido muitas vezes para revelar
a distribuição dos destinos que a população pode
experimentar sob um dado conjunto de valores
para os parâmetros utilizados (Lacy, 1993, 2000;
Miller e Lacy, 1999).

2.1. Parâmetros Utilizados no Cenário
Linha Base

O cenário-base, denominado Linha Base,
foi construído a partir de dados conhecidos publicados ou não, provenientes de estudos de campo, de cativeiro ou inferidos a partir de dados disponíveis para espécies aparentadas. Este cenário
utilizou, dentro do possível, as melhores informações sobre a espécie de maneira a representar
a população silvestre existente na Ecorregião do
Raso da Catarina. Desconsiderou-se a população
da região do Boqueirão da Onça, uma vez que
é pouco conhecida. Foram realizadas 1.000 simulações considerando o intervalo de tempo de
100 anos.
Os principais dados de entrada utilizados
no modelo estão apresentados a seguir:
• Definição de extinção = somente um
sexo sobrevive;

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• População inicial = 1.200 indivíduos (baseada na estimativa populacional coordenada pelo CEMAVE em 2010, que resultou em 1.125 araras);
• Capacidade de suporte = 3.600 indivíduos.

Estimou-se a capacidade de suporte
como sendo três vezes a população atual, considerando que a área de distribuição histórica
é maior do que a distribuição atual, sugerindo
que o ambiente físico possa suportar um maior
número de indivíduos.

A depressão por endogamia não foi considerada pois, a partir dos estudos genéticos
realizados, este fenômeno parece não se apresentar como um problema para a espécie (C. Y.
Miyaki, com. pess., 2010).
Parâmetros reprodutivos:
»» Sistema de acasalamento = monogamia
de longo prazo;
»» Idade da primeira cria para fêmeas: 10 anos;
»» Idade da primeira cria para machos: 8 anos;
»»Idade máxima de reprodução: 28 anos;
»» Número máximo de crias por ano: 1;
»» Número máximo de filhotes por cria: 3;
»» Razão sexual ao nascimento: 50%;
»» Fêmeas adultas reprodutivas: 37,5%;
»» Anos com 0 crias: 5%;
»» Anos com 1 cria: 95%;
»» Crias de 1 filhote: 42%;
»» Crias de 2 filhotes: 53%;
»» Crias de 3 filhotes: 5%;
»» Porcentagem de machos adultos no processo reprodutivo: 100%.
Os valores adotados de idade da primeira reprodução para fêmeas, idade da primeira
reprodução para machos, idade máxima de
reprodução e razão sexual ao nascimento se
basearam em dados de cativeiro atualmente
disponíveis para a espécie (Y. M. Barros, com.
pess., 2010). Entretanto é possível que na natureza esses valores sejam diferentes. Esta aproximação foi realizada em decorrência da dificuldade de obtenção destes dados na população
de vida livre.

Para estimar a porcentagem de fêmeas adultas reprodutivas foi utilizado o número de ninhos ativos conhecidos (Neto et
al., 2010) e o número estimado de fêmeas
adultas. Considerando-se a distribuição etá-

ria estável, somou-se o número de fêmeas
adultas a partir da idade reprodutiva (10
anos) para obter o número total esperado
de fêmeas adultas.

A proporção de filhotes por cria foi estimada com base nos dados obtidos em três estações reprodutivas na Toca Velha e em duas,
na ESEC Raso da Catarina, considerando somente os filhotes que saíram do ninho (n=60
ninhos para este cálculo). Desta forma, a mortalidade existente entre a postura e a saída do
ninho foi desconsiderada, pois está embutida
no menor número de indivíduos que saem do
ninho de acordo com Neto et al. (2010).
Comumente todos os machos adultos
são considerados potenciais reprodutores em
espécies monogâmicas, pois não existe um
sistema de pareamento em que machos sejam excluídos da possibilidade de parear e
se reproduzir, por isso considerou-se 100% a
porcentagem de machos adultos no processo
reprodutivo.
Taxas de mortalidade por faixa etária:
»» Fêmeas de 0 a 1 ano: 7 %;
»» Fêmeas de 1 a 2 anos: 5 %;
»» Fêmeas de todas as faixas etárias entre 2
anos e a idade adulta: 2 %;
»» Fêmeas de adultas: 1 %;
»» Machos de 0 a 1 ano: 7 %;
»» Machos de 1 a 2 anos: 5 %;
»» Machos em todas as faixas etárias entre 2
anos e a idade adulta: 2 %;
»» Machos de adultos: 1 %.
O desvio padrão devido à variação
ambiental considerado para todas as faixas
etárias foi de 2%. A mortalidade considerada não incluiu a retirada de indivíduos ou
o abate (considerados como remoção) e se
refere somente à mortalidade após a saída
do ninho (a mortalidade antes do voo obtida para o sítio reprodutivo da Toca Velha
foi de 19%, conforme E. C. P. Assis, com.
pess., 2010).
Catástrofe: seca severa
»» Frequência: 6,66% dos anos;
»» Impacto sobre reprodução: 0,80 (20%
de impacto);
»» Impacto sobre sobrevivência: 0,95 (5%
de impacto).

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

49

Remoção anual: 20 indivíduos
»» Fêmeas da primeira faixa etária: 7 indivíduos;
»» Fêmeas adultas: 3 indivíduos;
»» Machos da primeira faixa etária: 7 indivíduos;
»» Machos adultos: 3 indivíduos.

A taxa de remoção anual de 18 indivíduos
foi arredondada para 20 araras. O valor de 18 é
três vezes o maior número registrado de indivíduos removidos em um mesmo ano. Tal correção se
baseou no fato de que somente uma parte dos
indivíduos removidos é registrada em apreensões,
resgastes ou doações.

Além do cenário Linha Base, outros cenários foram criados e testados visando avaliar alternativas de manejo, possíveis cenários
futuros e até mesmo no passado, na busca
do entendimento de como esta população
se comportaria sob diferentes contextos ambientais.
Foi construído um cenário alternativo
com a população estimada em 2002 (431 indivíduos). Simulado durante oito anos para testar
a acurácia da AVP, especulou-se se o tamanho
populacional médio modelado seria semelhante ao encontrado em 2010, servindo como um
controle do modelo (Coulson et al., 2001).
O terceiro cenário foi construído para avaliar o impacto do aumento da remoção de indivíduos para alimentar o tráfico de animais silvestres
ou verificar se o valor de remoção na Linha Base
havia sido subestimado. Simulado com uma taxa
de remoção de 100 indivíduos (70 indivíduos de
0 a 1 ano e 30 adultos de ambos os sexos).
Cenários foram simulados com diferentes
valores para a capacidade de suporte (K=1.200
e K=1.800) e perdas distintas de K (perda de
0,33% ao longo de 100 anos e 1% ao longo de
60 anos) para verificar a influência deste parâmetro na população e o destino populacional
em caso de ocorrência de perda semelhante.
Outros dois cenários foram simulados com
os dados previstos no Plano de Manejo (IBAMA,
2006) para comparar os tamanhos populacionais
médios com a população da Linha Base: um com
os dados exatamente iguais ao sugerido no Plano
de Manejo (K = 800) e outro com a capacidade
de suporte usada na Linha Base (3.600 indivíduos). Estes dados eram sugestões para simulações
de AVP e representavam os melhores dados e inferências existentes na época.

50

Foi simulado ainda um cenário após a
oficina, utilizando a frequência de catástrofes distinta da utilizada para a Linha Base,
com seca severa ocorrendo a cada sete anos
em média (14,28% dos anos). Este cenário
partiu da análise dos dados da Rede Hidroclimatológica do Nordeste (SUDENE, 2006),
para o município de Jeremoabo no período
compreendido entre os anos de 1930 a 1977
e para o município de Canudos, de 1912 a
1965, utilizando o modelo de previsão climática desenvolvido por Carvalho Filho (1998).
Encontrou-se frequências semelhantes de secas extremas para os dois municípios, sendo
12,5% para Jeremoabo e 12,96% para Canudos, embora tais eventos não estejam uniformemente distribuídos ao longo dos períodos
estudados.

Para verificar o impacto da variação dos
valores de entrada, foi realizada uma análise
de sensibilidade utilizando, em diferentes cenários, distintos valores para os parâmetros
utilizados. Procurou-se abordar aqueles parâmetros para os quais houve maior discussão
acerca dos valores utilizados na Linha Base.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A população simulada no cenário Linha Base foi considerada viável ao longo
dos 100 anos, assumindo-se uma população
viável como tendo perda máxima de diversidade genética de 10% e probabilidade de
extinção (PE) máxima de 2% em 100 anos.
A PE encontrada foi zero e a manutenção da
diversidade genética ao final dos 100 anos
foi de 100%. O tamanho populacional médio para os 100 anos foi de 3.597 indivíduos, próximo da capacidade de suporte assumida. O tempo de geração (idade média
de reprodução) encontrado foi de 15,9 anos
para machos e 17,56 para fêmeas e a razão
sexual entre machos e fêmeas adultos foi de
1,172:1 (Figura 16).

A taxa de crescimento determinístico
(rdet), que representa o crescimento potencial da espécie, excluindo flutuações estocásticas devido a variações demográficas e
ambientais, foi de 0,072. Isto significa um
crescimento potencial anual de aproximadamente 7%. A taxa de crescimento estocástico (rstoch), que leva em conta os eventos
demográficos e ambientais randômicos, foi

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também de aproximadamente 7% (r estocástico=0,067±0,034). Isto mostra que a população simulada cresceu em taxas próximas
ao potencial de crescimento, mesmo quando
considerados os eventos estocásticos.
Observou-se crescimento acentuado da
população até atingir a capacidade de suporte entre 10 e 20 anos do início da simulação,
mantendo-se neste nível até o final dos 100
anos simulados. Sendo assim, o tamanho populacional foi claramente limitado pela capacidade suporte estipulada. Vale ressaltar que a taxa
de crescimento (rstoch = 0,067) da população
Linha Base simulada é consideravelmente alta
e representa um crescimento acentuado desta
população. E, tanto as estimativas em campo,
quanto as simulações realizadas, apontam para
uma mesma direção, um crescimento significativo desta população (Figura 16).

A remoção de 20 indivíduos anualmente e a catástrofe simulada não tiveram impacto
significativo sobre esta população. Na Figura
16 cada linha negra representa uma iteração
(repetição da simulação da mesma população
com os mesmos valores de entrada). Pode-se
notar que as linhas se sobrepõem em grande
parte, o que significa que as simulações realizadas para este cenário se comportaram de
maneira muito semelhante ao longo do tempo.
No cenário alternativo, baseado na po-

pulação estimada em 2002, simulado por oito
anos, a taxa de crescimento determinístico foi
de 0,072, aproximadamente 7% ao ano, igual à
Linha Base, pois os parâmetros biológicos utilizados foram os mesmos. Entretanto, a taxa de crescimento estocástico foi de aproximadamente 4%
(rstoch=0,038). Provavelmente, variações demográficas estocásticas tenham sido responsáveis
por um crescimento menor que o potencial, uma
vez que em populações menores, estes eventos
possuem maior impacto sobre a dinâmica populacional. O tamanho populacional médio para
este cenário foi de aproximadamente 600 indivíduos ao final dos oito anos simulados, o que
corresponde à metade da população estimada
em 2010 (Figura 17). Esta diferença entre o valor esperado a partir da simulação realizada e a
estimativa populacional atual pode ser devida à
estimativa inferior ao tamanho real da população
realizada em 2002 ou por subestimação de alguns parâmetros, especialmente os reprodutivos.
A população em 2002 pode ter sido subestimada
devido à não contagem de araras de dormitórios
desconhecidos ou pela pequena experiência dos
recenseadores naquela época. É possível também que alguns dos fatores que influenciam negativamente o crescimento populacional, como
taxa de mortalidade, remoção de indivíduos ou
impacto e frequência de catástrofes, tenham sido
superestimados. Dado o conhecimento atual da

Figura 16 – Resultado das interações em 1000 simulações baseadas no cenário Linha Base. N = número de
indivíduos, Year = anos simulados.

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51

Figura 17 – Gráfico do tamanho populacional médio obtido das simulações do cenário alternativo, baseado na
população estimada em 2002, simulado por oito anos. Eixo y – número de indivíduos, eixo x – anos simulados.

espécie, os dados de entrada na Linha Base parecem representar a situação da população, por
isso, optou-se por não modificar a Linha Base.
O terceiro cenário, com taxa de remoção de 100 indivíduos ao ano, apresentou
um crescimento (rstoch = 0,039±0,048)
menor do que o da Linha Base. A população simulada foi considerada inviável, alcançando uma probabilidade de extinção de
5% em 100 anos. No gráfico da Figura 18a
cada linha negra representa uma repetição
da simulação, mostrando que estas linhas
não se sobrepõem e existem traçados muito
distintos, o que significa uma maior variação
nos destinos das populações simuladas. Isso
significa que o comportamento desta população simulada é menos previsível do que a
população da Linha Base (Figura 16). A população final neste cenário não conseguiu
alcançar a capacidade de suporte (n=3.588)
ao longo dos 100 anos simulados. O gráfico

52

da Figura 18 b representa o tamanho populacional médio ao longo do tempo para os
cenários Linha Base e remoção anual de 100
indivíduos por ano.
Cenários com valores de K=1.200 e
1.800 e taxas de perda de K de 0,33% ao longo
de 100 anos e de 1% ao longo de 60 anos mostraram que os tamanhos médios populacionais
foram claramente limitados pela capacidade
suporte em todos os casos e nem mesmo K=
1.200 (igual ao tamanho estimado para a população atual) foi capaz de aumentar a probabilidade de extinção, que correspondeu a zero
em todos os casos (Figura 19a). O r estocástico
também foi semelhante em todos os casos e
está representado na Figura 19b.
Os cenários simulados com os dados
sugeridos no Plano de Manejo (IBAMA, 2006)
mostram crescimento populacional diferenciado do cenário Linha Base (Figura 20), claramente limitados pela capacidade de suporte.

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Figura 18 (a) – Resultado das interações nas 1000 simulações baseadas no cenário de remoção de 100 indivíduos por ano. N = número de indivíduos; Year = anos simulados.

Figura 18 (b) – Gráfico do tamanho populacional médio ao longo do tempo obtido nas simulações dos cenários
Linha Base e com remoção de 100 indivíduos por ano. Eixo y – número de indivíduos; eixo x – anos simulados.

No cenário simulado após a oficina, utilizando-se frequência de ocorrência de seca severa a cada sete anos, os resultados da Linha Base
e deste cenário foram bastante semelhantes. Os
crescimentos determinístico (rdet =0,067) e estocástico (rstoch=0,062) foram ligeiramente me-

nores do que os da população Linha Base, porém
a PE foi zero, o tamanho populacional médio final foi de 3.594,02 indivíduos e a manutenção
da diversidade genética foi de 99%. Esta alteração da frequência de ocorrência de catástrofes
não gerou impacto significativo na população.

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

53

Figura 19 (a) – Gráfico do tamanho populacional médio ao longo do tempo obtido por meio das simulações
dos cenários Linha Base, com diferentes valores de capacidade de suporte (K = 1.200 e 1.800) e com perdas
distintas de capacidade de suporte (perda de 0,33% por 100 anos e 1% por 60 anos). Eixo y – número de
indivíduos; eixo x – anos simulados.

Figura 20 – Gráfico do tamanho populacional médio ao longo do tempo obtido por meio das simulações dos
cenários Linha Base e com parâmetros indicados no Plano de Manejo da arara-azul-de-lear (IBAMA, 2006).

gura 18). O impacto sobre a taxa de crescimento encontra-se representado na Figura 21.
O aumento na porcentagem de fêmeas reprodutivas para 70% gerou um aumento

considerável na taxa de crescimento (rstoch=
0,108). Os cenários que apresentaram maior
diminuição na taxa de crescimento em relação
à Linha Base foram: remoção de 100 indiví-

Figura 19 (b) – Distribuição do r estocástico ao longo do tempo para os cenários Linha Base, capacidade de
suporte de 1200 indivíduos, perda de capacidade de suporte de 0,33%, por 100 anos, perda de capacidade
de suporte de 1% por 60 anos e capacidade de suporte de 1.800 indivíduos. Eixo y – r estocástico, eixo x –
anos simulados.

Os parâmetros para os quais a simulação
da população se mostrou mais sensível no teste
de sensibidade foram: remoção de indivíduos,
mortalidade na faixa etária de 0 a 1 ano e porcentagem de fêmeas reprodutivas. No entanto,
o impacto da alteração dos valores não foi tão

54

alto nem sobre a taxa de crescimento tampouco sobre a probabilidade de extinção. Dentre
todos os cenários, somente o que simula a remoção de 100 indivíduos ao ano apresentou
PE maior que zero (cenário idêntico ao já apresentado com remoção de 100 indivíduos – Fi-

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Figura 21 – Gráfico de valores de r estocásticos para vários cenários apresentado no teste de sensibilidade. ST = Teste de Sensibilidade.

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

55

duos ao ano e taxa de mortalidade de 35% na
faixa etária de 0 a 1 ano. Mesmo assim, estes
cenários apresentaram crescimento populacional, tendo seus tamanhos populacionais limitados pela capacidade de suporte, como se pode
ver na Figura 22.
Os parâmetros para os quais a população se mostrou mais sensível (remoção,
mortalidade na faixa etária de 0 a 1 ano e
porcentagem de fêmeas reprodutivas) devem ser foco de estudo em campo, pois
apresentam maior potencial de interferência na dinâmica populacional dentre todos
os parâmetros testados. No entanto, é importante salientar que todas as populações
simuladas apresentaram crescimento positivo e apenas um cenário apresentou probabilidade de extinção importante em 100
anos (PE= 5%). Todas as populações simuladas parecem ter seu tamanho populacional
limitado pela capacidade de carga.

4. RECOMENDAÇÕES BASEADAS
NA AVP

A capacidade de suporte parece ser o
principal fator limitante para a conservação da
espécie, devendo ser melhor estudada para

elaborar estratégias de conservação in situ. A
disponibilidade de cavidades para nidificação, sítios de dormitório, ecologia alimentar
e área de vida, são alguns dos aspectos que
estão relacionados à capacidade de suporte e
precisam ser melhor compreendidos.

A remoção de indivíduos na intensidade
que se acredita ocorrer atualmente não parece
ser um impacto determinante para a viabilidade desta população. No entanto, aumentando
a intensidade desta pressão (100 aves por ano),
a viabilidade desta população pode ser comprometida. Sendo assim, este fator também
deve ser bem compreendido e monitorado
para evitar um aumento em sua intensidade.

A mortalidade nas distintas faixas etárias,
com maior atenção à faixa de 0 a 1 ano, e a
proporção de fêmeas reprodutivas, também
devem ser foco de esforços de estudos, uma
vez que a população simulada se mostrou ser
sensível a estes parâmetros.
O refinamento futuro do modelo para a
realização de novas simulações, quando dados
mais precisos sobre a espécie estiverem disponíveis, é de grande importância para testar novas alternativas de manejo a serem propostas,
assim como para traçar prognósticos mais realísticos baseados em dados fidedignos à biologia da espécie.

Figura 22 – Distribuição do tamanho populacional médio ao longo do tempo para diversos cenários obtido
no teste de sensibilidade. ST = Teste de sensibilidade.

56

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

CAPÍTULO 3 - LICURI NA ÁREA DE OCORRÊNCIA DA
ARARA-AZUL-DE-LEAR
Antônio Emanuel Barreto Alves de Sousa, Iara Cândido Crepaldi, Kleber Gomes de Oliveira, Antonio Eduardo
Araujo Barbosa, Simone Fraga Tenório Pereira Linares, Diego Mendes Lima e Thiago Martins Bosh.

1. INTRODUÇÃO

“O lucuriseiro existe quasi em toda
a vasta extensão do município em bosques
continuos, mais ou menos densos, onde
a mão do homem ainda não o destruiu. É
necessário reconhecer, que esta destruição
é lenta, porém metódica e segura. O gado
vaccum, pastando nas caatingas come folhas de palmeiras novas, não deixando que
os licuriseiros novos progridam. Há logares
pastados, onde, sob uma centena de palmeiras velhas, observa-se apenas uma ou
duas novas. As inflorescências dos licuriseiros são devoradas pelo gado, quando em
buso e quando abertas e mesmo fructiferas,
ao alcance do animal, diminuindo assim
nem só a frutificação como a possibilidade
de reprodução. Por sua vez o porco quebra
e come as sementes que estão no solo impedindo o nascimento de novas palmeiras.

Nos roçados, feitos pelos habitantes o
licuriseiro morre em grande número devido
ao fogo. As habitações do povo são cobertas
com as folhas. Os licurisaes, quando perto
das povoações, vivem sempre desfolhados,
o que repercute no viço e na productibilidade da palmeira. Destroem-se licurisaes por
vários modos. Entretanto, não se vê nenhum
pé plantado, não obstante ser esta palmeira
o principal sustentáculo da população. Nos
logares menos freqüentados pelo homem,
pode-se calcular, em media, de 500 a 1000
licuriseiros, por hectare; e nos logares mais
povoados, a media deve ser reduzida para
cerca de 200 a 100 pés. Existem manchas
perto das habitações, onde o licurizeiro é
completamente destruído.” (Bondar, 1939)
O texto acima foi escrito há mais de 70
anos, e descreveu, já naquela época, o dramático quadro de destruição dos licurizais baianos,
especificamente no município de Santa Terezinha.
Embora antigo, pode-se afirmar que é um texto
atualíssimo, pois se observa o mesmo quadro, senão piorado, por toda a área de ocorrência desta
palmeira nativa (Noblick, 1986), inclusive na área

de ocorrência da arara-azul-de-lear. Reverter as
ameaças ao licuri, especialmente na área de ocorrência da arara-azul-de-lear, compatibilizando a
garantia do suprimento alimentar dessa espécie
ameaçada com o uso sustentável da palmeira nativa pelas populações humanas faz parte da estratégia de conservação de ambas as espécies.

Embora a palmeira licuri não seja ameaçada, sofre forte pressão em virtude de atividades humanas, como o desmatamento, as queimadas, a
mineração e a pecuária. A necessidade de realização de pesquisas e de implementação de ações de
conservação da palmeira foi apontada com prioridade no Plano de Manejo da arara-azul-de-lear
(IBAMA, 2006), assim como foi objeto frequente
de discussão em reuniões do Comitê Internacional para a Conservação e Manejo da arara. Com
apoio da Fundação Loro Parque e do ICMBio, o
CEMAVE organizou uma oficina para discutir a
proposta de um plano de conservação do licuri na área de ocorrência da arara-azul-de-lear. O
evento ocorreu nos dias 27 e 28 de maio de 2008,
na sede do CEMAVE em Cabedelo/PB e reuniu
especialistas da Universidade Federal da Paraíba
(UFPB), Universidade Federal da Bahia (UFBA),
Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS),
Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas
Empresas (SEBRAE) e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), ICMBio
e IBAMA. Durante a oficina foram discutidas medidas de proteção e conservação da palmeira, contemplando o aprimoramento da legislação, propostas de manejo e uso sustentável, necessidades
de pesquisa, educação ambiental e envolvimento
das comunidades da região. Como resultado da
oficina surgiu o presente capítulo, que contempla
uma compilação sobre o conhecimento acerca da
palmeira, envolvendo aspectos botânicos, ecológicos, agronômicos, legais e de potencialidades de
uso. A inclusão da palmeira licuri no PAN arara-azul-de-lear tem como objetivo a conservação do
licuri e seu uso de forma sustentável para garantir
o suprimento alimentar para a arara-azul-de-lear
em longo prazo, assim como a sobrevivência de
populações tradicionais que têm no extrativismo
de frutos e folhas da palmeira do licuri sua principal fonte de renda.

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

57

2. BOTÂNICA
Iara Cândido Crepaldi
Kleber Gomes de Oliveira

2.1. Taxonomia
Nome Científico: Syagrus coronata (Mart.) Becc.
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Monocotyledoneae
Ordem: Arecales
Família: Arecaceae
Subfamília: Arecoideae
Tribo: Cocoeae
Subtribo: Butiineae
Nome comum: licuri, ouricuri, aricuri, nicuri,
coqueiro dicori, coqueiro cabeçudo, alicuri,
baba-de-boi.
Fonte taxonômica: Noblick, 1991

2.2. Observações Taxonômicas

As sinonímias listadas para S. coronata estão em Noblick (1986, 1991): Cocos coronata
Mart., 1826; Cocos coronata var. todari Beccari,
1887; Cocos botryophora var. ensifolia Drude,
1881; Cocos quinquefaria Barb. Rodr, 1900; e
Glaziova treubiana Beccari, 1910.
Licuri é o nome mais utilizado no semiárido baiano, entretanto, outros nomes também

designam a mesma espécie: ouricuri, aricuri, nicuri, coqueiro dicori, coqueiro cabeçudo, alicuri
e baba-de-boi. Bondar (1942) revisou a nomenclatura vulgar de S. coronata e propôs “licuri”
como designação para S. coronata, restringindo
o nome ouricuri para a palmeira amazônica
Schellea martiana Burret (Attalea excelsa Mart.).
Entretanto a confusão de nomes ainda persiste,
inclusive na literatura científica mais atual, sendo que a designação ouricuri prevalece.

2.3. Estado de Conservação

Embora a palmeira licuri não seja considerada ameaçada de extinção, em 1996 a IUCN
já recomendava estudos ecológicos e biológicos
que permitissem o manejo sustentável da palmeira e ações de conservação diante da crescente pressão sofrida e erosão genética a qual
esta espécie está submetida (Johnson, 1996).

mento. As flores masculinas medem 15-17 mm
de comprimento e são amarelas e as femininas
medem 10-12mm de comprimento e tem coloração esbranquiçada. As médias de número de
flores masculinas e femininas são de 10587,8 e
1327,2, respectivamente. Os frutos são tipo drupa com uma média de 1,9 cm de comprimento
e 2,3 cm de diâmetro. Levam cerca de dois meses para amadurecerem e são amarelos quando
maduros (Figuras 24 e 25). Um cacho de fruto
tem em média 6,26 kg e possui 1070,3 frutos. A
polpa do fruto tem aproximadamente 4,26 g e a
amêndoa 0,66 g (Crepaldi et al, 2006). Frutifica
o ano todo, mas apresenta um pico na frutifica-

2.5. Distribuição

A distribuição da espécie vai do norte
de Minas Gerais, porção oriental e central
da Bahia até o sul de Pernambuco, incluindo os estados de Sergipe e Alagoas (Noblick,
1991) (Figura 26).

2.4. Biologia

O licuri (Figura 6) possui tronco ereto profundamente anelado, com 6-10 m de altura e
20 cm de diâmetro. As folhas, geralmente em
fileiras de cinco, ocorrem no ápice do tronco,
formando uma “coroa foliar”, daí o epíteto específico coronata. As bases dos pecíolos são
persistentes (Bondar, 1938; Noblick, 1991). Há
emissão de uma folha por mês. A folha possui,
em média, 186 pinas. O florescimento ocorre
entre dezembro a março. A inflorescência tem
um comprimento de 60,3 cm e leva dois meses
para o seu desenvolvimento total (Figura 23). Os
ramos basais tem 28,5 cm de comprimento e
os apicais aproximadamente 7,2 cm de compri-

Figura 24 – Infrutescência de licuri. Foto: Kleber Gomes de Oliveira.

A
Figura 23 – Inflorescência do licuri. Foto: Antonio Eduardo Barbosa.

58

ção entre junho e julho (Crepaldi et al., 2006).
Em estudos conduzidos em área de ocorrência
da arara-azul-de-lear uma única palmeira produz em média 320 frutos, com picos de frutificação nos meses de janeiro e fevereiro e menor
produtividade entre os meses de maio e agosto
(Barbosa et al., em preparação; Rocha 2009).

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

B

Figura 25 – (a) Infrutescência com frutos maduros; (b) Detalhe do fruto maduro. Fotos: Kleber Gomes de Oliveira.

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59

3. ASPECTOS ECOLÓGICOS
Antonio Eduardo Araujo Barbosa
Diego Mendes Lima

A capacidade adaptativa da palmeira licuri, assim como de algumas outras espécies de
palmeiras, é resultado de aspectos estruturais e
químicos selecionados na história evolutiva do
grupo, que as tornam abundantes na paisagem
tropical (Mcsweeney, 1995). Muito além do potencial econômico, o licuri apresenta um importante papel ecológico ainda pouco estudado. Em
termos de interações ecológicas, o licuri destaca-se por apresentar uma variedade de espécie a
ele associadas. Uma das principais e mais evidentes interações ecológicas que o licuri estabelece é
observada com a arara-azul-de-lear.

3.1. O Licuri e as Espécies Associadas

Estudos a respeito da interação de
vertebrados e palmeiras no Brasil ainda são
escassos, com exceção do palmito juçara (Euterpe
edulis Mart.) (Reis, 1995; Zimmermann, 1999;
Galetti et al., 1999; Pizo e Simão, 2001; Pizo e
Vieira, 2004), do jerivá (Syagrus romanzoffiana
(Cham.) Glassman) (Fleury, 2003), e da espécie
exótica dendezeiro (Elaeis guineensis Jacq.) (Lima
et al., 2007). Thum e Costa (1999) apresentaram
um levantamento da entomofauna visitante
das inflorescências de Syagrus romanzoffiana
(Cham.) Glassman. Dentre os estudos realizados
com o licurizeiro, destacam-se os relatos do
comportamento alimentar da arara-azul-de-lear
por Brandt e Machado (1990).
Foram identificadas 14 espécies de vertebrados, distribuídos entre répteis, aves e mamíferos, alimentando-se dos frutos da palmeira e
cinco espécies de invertebrados associados (D.
M. Lima e A. E. A. Barbosa, com. pess., 2011)
(Tabela 8). De acordo com os diversos tipos de
interação ecológica (Ricklefs, 2001), sugere-se
que possam existir quatro tipos de interação dos
organismos associados ao licurizeiro. Os efeitos
destas interações, na sua maioria, apresentam-se de modo positivo para a palmeira (Tabela
8). No entanto, há necessidade de estudos mais
aprofundados sobre o assunto.

3.1.1. Epífitas

Três famílias de plantas associadas ao
licurizeiro foram identificadas em campo (D.
M. Lima e A. E. A. Barbosa, com. pess., 2011)

60

(Figura 27), apresentando um efeito “indiferente”
na interação. É possível que as Bromeliaceae,
Cactaceae, Orchidaceae favoreçam a criação de
micro-hábitat no qual vertebrados como iguanas
[Iguana iguana (Linnaeus, 1758)] (Figura 28) e o
arapaçu-de-cerrado [Lepidocolaptes angustirostris
(Vieillot, 1818)] possam se beneficiar com a captura
de pequenos invertebrados, que possivelmente
sejam parasitas, a exemplo do Cariomela brunnea
Thumberg, 1821 (Chrysomelidae) e Homalinotus
coriaceus, Gyllenhal, 1836 (Curculionidae) ou
que residem neste micro-hábitat.

3.1.2. Abelhas

Os principais visitantes das inflorescências da palmeira são Apis mellifera (Figura 29)
e Trigona spinipes (Figura 30) que são responsáveis por 67,2% da polinização das flores
(Rocha, 2009).

3.1.3. Formigas

Observaram-se sementes de licuri nas
proximidades de formigueiros do gênero Atta
spp., o que sugere alguma interação entre essas formigas e o licuri (D. M. Lima, com. pess.,
2011). Assim, formigas do gênero Atta sp. são
potenciais dispersores secundários das sementes (Figura 31). Segundo Horvitz e Beattie
(1980), após a remoção da polpa, sementes
podem permanecer dentro do formigueiro ou
podem ser levadas para superfície e descartadas nas proximidades das entradas dos ninhos.
Com isso, formigas podem trazer uma série de
benefícios às plantas, tais como: diminuição
da predação de sementes e da competição de
plântulas embaixo da planta-mãe, escape das
sementes ao fogo e depósitos de sementes em
solos enriquecidos em nutrientes e favoráveis a
germinação (Handel, 1978).

3.1.4. Aves

As aves podem ser excelentes agentes
dispersores, pois podem deslocar-se por grandes distâncias (Whittaker, 1989). No entanto,
dentro de um grupo etologicamente tão diversificado como o das aves, é de se esperar que,
de acordo com o tipo de comportamento da
ave, o comprimento corpóreo e as características das sementes influenciam na eficiência dos
dispersores (Argel de Oliveira, 1998).

Em geral, a maior parte da movimentação
de sementes pelas aves se dá após a ingestão,
mas existem aquelas que contribuem para a
dispersão primária das sementes com a retirada

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

Tabela 8 – Espécies associadas ao licuri, tipos de interação e efeitos segundo conceito proposto
por Ricklefs (2001).
Família/Espécies

Interação Ecológica
Tipo de interação

Efeito da interação

BROMELIACEAE

“Inquilinos”

Indiferente

CACTACEAE

“Inquilinos”

Indiferente

ORCHIDACEAE

“Inquilinos”

Indiferente

Mutualismo dispersor

Positivo

Trigona spinipes (Fabricius, 1793)

Mutualismo dispersor

Positivo

Apis mellifera (Linnaeus, 1758)

Mutualismo dispersor

Positivo

 

 

Cariomela brunnea Thumberg, 1821

Parasita

Negativo

Homalinotus coreaceus (Gyllenhal,1836)

Parasita

Negativo

Mutualismo dispersor

Positivo

Mutualismo defensivo

Positivo

 

 

Mutualismo defensivo

Positivo

 

 

Predador

Negativo

 

 

Mutualismo defensivo

Positivo

 

 

Mutualismo dispersor

Positivo

 

 

Saltator similis d’Orbigny e Lafresnaye, 1837

Mutualismo dispersor

Positivo

Tachyphonus rufus (Boddaert, 1783)

Mutualismo dispersor

Positivo

Tangara sayaca (Linnaeus, 1766)

Mutualismo dispersor

Positivo

Tangara cayana (Linnaeus, 1766)

Mutualismo dispersor

Positivo

 

 

Zonotrichia capensis (Statius Muller, 1776)

Mutualismo dispersor

Positivo

Paroaria dominicana (Linnaeus, 1758)

Mutualismo dispersor

Positivo

Icterus cayanensis (Linnaeus, 1766)

Mutualismo

Positivo

Icterus jamacaii (Gmelin, 1788)

Mutualismo

Positivo

 

 

Mutualismo

Positivo

FORMICIDAE
Atta sp. (Fabricius,1804)
MELIPONIMAE

CURCULIONIDAE

TEIDAE
Tupinambis teguixin (Linnaeus, 1758)
GEKKONIDAE
IGUANIDAE
Iguana iguana (Linnaeus, 1758)
PSITTACIDAE
Anodorhynchus leari Bonaparte, 1856
DENDROCOLAPTIDAE
Lepidocolaptes angustirostris (Vieillot, 1818)
TYRANNIDAE
Pitangus sulphuratus (Linnaeus, 1766)
THRAUPIDAE

EMBERIZIDAE

ICTERIDAE

CALLITHRICHIDAE
Callithrix jacchus (Linnaeus 1758).

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

61

Figura 26 – Distribuição geográfica do licuri. Fonte: Noblick, 1991.

Figura 29 – Indivíduos de Apis mellifera visitando a inflorescência do licuri. Foto: Monalyssa Camandaroba.

62

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

Figura 27 – Epífitas associadas ao licuri. Foto Joaquim Rocha dos Santo Neto.

Figura 30 - Indíviduos de Trigona spinipes visitando a inflorescência do licuri. Foto: Kleber Gomes de Oliveira.

Figura 28 – Indivíduo de Iguana iguana visitando o
licuri. Foto: Antonio Eduardo Barbosa.

Figura 31 – Diásporos da palmeira Syagrus coronata
na entrada do formigueiro do gênero Atta sp. Foto:
Diego Mendes.

da polpa do fruto e descarte das sementes, que
podem vir a serem utilizadas por outros agentes
dispersores como formigas, répteis e mamíferos
(Howe e Smallwood, 1982; Jordano, 1993;
Pizo, 1996; Castro, 2004). As espécies de aves
registradas consumindo polpa de frutos do
licuri sem ingestão de sementes foram: bemte-vi [Pitangus sulphuratus (Linnaeus, 1766)],

pipira-preta [Tachyphonus rufus (Boddaert,
1783)], sanhaço-cinzento [Tangara sayaca
(Linnaeus, 1766)], saíra-amarela [Tangara
cayana (Linnaeus, 1766)], tico-tico [Zonotrichia
capensi (Statius Muller, 1776)], cardeal-donordeste [Paroaria dominicana (Linnaeus,
1758)], trinca-ferro-verdadeiro (Saltator similis
d'Orbigny e Lafresnaye, 1837), inhapim [Icterus

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

63

cayanensis (Linnaeus, 1766)] e corrupião
[Icterus jamacaii, (Gmelin, 1788)] (D. M. Lima,
com. pess., 2011).

A arara-azul-de-lear tem como principal
item alimentar na natureza o fruto da palmeira licuri. Embora estudos detalhados sobre a
relação ecológica entre essas duas espécies
não tenham sido realizados, possivelmente a
arara-azul-de-lear é uma eficiente predadora
das sementes desta palmeira (Figura 32). Esse
comportamento de destruição de sementes é
comum em várias espécies de psitacídeos e
parece não contribuir na dispersão dos diásporos (Sick, 1997).

Se cada animal pode chegar a consumir
350 cocos de licuri por dia (Brandt e Machado, 1990) e uma palmeira produz em média
328 frutos (Barbosa et al., em elaboração), uma
única arara pode chegar a consumir todos os
frutos de uma única palmeira por dia. Assim,
esta interação parece ser desvantajosa para a
planta e merece ser melhor investigada.

3.2. Necessidade de Pesquisas

Diversos aspectos ecológicos relacionados à palmeira licuri ainda não foram esclarecidos, os quais permitiriam seu manejo adequado, sejam eles para a recuperação de população
natural ou sua utilização econômica. Como já
discutido, seria importante identificar as espécies associadas ao licuri e entender suas relações
ecológicas. Outra informação importante é o estágio de sucessão ecológica no qual a espécie se
encontra, para subsidiar estratégias para plantio
da espécie, sobretudo em programas de recuperação de áreas degradadas. Um experimento
indica que a palmeira do licuri seja um colonizador tardio na escala de sucessão (Carvalho et al.,
2006), pois a palmeira apresenta maior crescimento quando submetido a níveis reduzidos de
intensidade luminosa (ver Tabela 9). Esse rápido
crescimento em ambiente sombreado é um mecanismo importante de adaptação para escapar
às condições de baixa luminosidade (Morais
Neto et al., 2000).

Figura 32 – Infrutescência de licuri parcialmente consumida por arara-azul-de-lear. Foto: Kleber Gomes de Oliveira.

64

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

Tabela 9 - Características gerais das plantas sucessionais iniciais e tardias.
Característica

Inicial

Tardia

Número de sementes

Muitas

Poucas

Tamanho da semente

Pequenas

Grandes

Alada, presa em animais

Gravidade, comida por animais

Longa, latente no solo

Curta

Razão raiz:epígia

Baixa

Alta

Taxa de crescimento

Rápida

Lenta

Pequeno

Grande

Baixa

Alta

Dispersão
Viabilidade da semente

Tamanho na maturidade
Tolerância à sombra

4. ASPECTOS AGRONÔMICOS
Antônio Emanuel Barreto Alves de Sousa

4.1. Propagação

Assim como a grande maioria das espécies de Arecaceae, o licurizeiro propaga-se de
forma sexuada, por sementes. A germinação é
um processo lento, que pode demorar quase
um ano (Lorenzi, 2000). Em viveiro, Matthes e
Castro (1987) registraram grande variação no
número de dias necessários para germinação
das sementes, de 42 a 334 dias. Este fenômeno é comum para várias espécies de palmeiras,
as quais apresentam dificuldade de germinar
mesmo quando suas sementes são submetidas a condições adequadas (Bovi e Cardoso,
1978; Broschat e Donselman, 1988; Cunha e
Jardim, 1995; Tomlinson, 1990). Esta demora e
desuniformidade da germinação podem estar
associada à presença de obstáculos mecânicos
como a espessura da testa ou do endocarpo,
que dificultam a penetração de água no embrião (Tomlinson, 1990; Bovi e Cardoso 1976;
Carvalho et al., 2005). Rodrigues et al. (2006)
estudando a viabilidade de sementes de licuri durante o armazenamento, sugerem que as
mesmas sejam recalcitrantes, ou seja, altamente sensíveis ao dessecamento. Apesar disto, algumas sementes de licuri conseguem atravessar o período de seca até o início da estação
chuvosa para germinar, embora esta taxa de
germinação seja baixa (Crepaldi, 2001).
O cultivo de embriões in vitro tem se
mostrado uma técnica promissora para propagação de espécies de palmeiras em menor espaço de tempo, superando o problema do lento

processo de germinação da semente (Pinheiro,
1986). Esta pode ser uma linha de pesquisa
importante para propagação e produção de
mudas de licuri de alta qualidade. O transplante de plantas semi-adultas ou adultas também
poderia ser empregado como alternativa de
propagação e manejo do licuri, particularmente em áreas de cultivo com grande adensamento de palmeiras. Áreas com esta característica
possuem uso limitado para a agricultura tradicional e a redução do adensamento de licurizeiros pode ser uma alternativa para viabilizar
a agricultura, sem que palmeiras sejam sacrificadas, mas transplantadas para outras áreas.
Segundo Drumond (2007) um licurizeiro adulto ao ser retirado da caatinga e transplantado
em outro local sobrevive naturalmente, como
pode ser observado em diversos povoados no
interior baiano, em que, por ocasião de festas,
se transplantam licurizeiros para ornamentar as
ruas, os quais, ao serem deixados no novo lugar, continuam vegetando e produzindo frutos.
Em experimento conduzido pelo CEMAVE, no
município de Jeremoabo, verificou-se que o
transplante de mudas semiadultas (com cerca
de 1,40 m de altura) é viável, especialmente
se as mudas transplantadas forem mantidas em
regime de irrigação (CEMAVE, dados não publicados).

4.2. Obtenção e Tratamento de Sementes

De acordo com Lorenzi (2000) os frutos
devem ser colhidos diretamente da palmeira quando iniciarem a queda espontânea, ou
recolhidos do chão logo após a queda. Frutos
caídos há dias devem ser evitados, pois podem estar infestados pelo chamado “bicho do

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

65

coco”, Pachymerus nucleorum Fabricius, 1792
(Coleoptera: Bruchidae), praga que compromete a germinação (Figura 33). Outra forma
possível de obtenção de sementes é por meio
da regurgitação feita pelo gado.
Crepaldi (2001) verificou que os melhores
índices de germinação ocorrem com sementes
com idade zero, ou seja, semeadas logo depois
de serem colhidas. Ainda segundo a mesma autora, tratamentos de embebição em água por 24
e 48 horas e fervura por cinco minutos foram os
que resultaram nas maiores taxas de germinação em experimento conduzido em câmara de
germinação e em sacos de polietlieno. Carvalho
et al. (2005) mostraram que a presença do endocarpo e o uso de substâncias como o ácido
giberélico e a tiuréia influenciam positivamente
na taxa de germinação e no índice de velocidade de germinação das sementes de licuri.
Lorenzi (2000) afirma que os frutos de licuri mantêm a viabilidade germinativa por mais de
90 dias se mantidos em ambientes bem úmidos.
Rodrigues et al. (2006), por sua vez, obtiveram
como melhores condições de armazenamento
de sementes de licuri o ambiente seco (temperatura de 25º C e umidade relativa de 53%), para
um período de 180 dias de armazenamento.

4.4. Tratos Culturais

Segundo Lorenzi (2000), para o preparo de mudas deve-se colocar as sementes ou
frutos para germinação em canteiros contendo
substrato rico em matéria orgânica e mantidos
em ambiente bem sombreado. Em seguida, os
frutos devem ser levemente cobertos e irrigados

O licurizeiro desenvolve-se bem tanto
nos solos profundos como nos solos rasos e pedregosos da Caatinga e tanto em solos argilosos
como em solos arenosos, mas não tolera brejos
ácidos (Bondar, 1938). O plantio definitivo em
campo deve ser feito com mudas de um a três
anos de idade (Bondar, 1939). Se as mudas são
produzidas em condições de sombreamento,
poderão estar aptas ao plantio definitivo em
campo a partir dos 18 meses de idade.
Bondar (1939) recomenda o espaçamento de 3 x 4 m. Segundo este autor, o licurizeiro começa a produzir com idade de
cinco a seis anos, podendo, portanto, ser
aproveitada a área para cultivo de culturas
anuais durante os primeiros anos de crescimento dos licurizeiros.

Figura 33 – Larva do “bicho do coco” (Pachymerus
nucleorum) em fruto de licuri. Foto: Antonio Eduardo Barbosa.

Figura 34 – Mudas de licuri em viveiro da Base
do CEMAVE em Jeremoabo. Foto: Antonio Eduardo Barbosa.

4.3. Produção de Mudas

66

com frequência e as plântulas devem ser transplantadas para embalagens individuais quando
estiverem com 8 a 12 cm. O plantio direto dos
frutos em sacos de polietileno de 2 kg, contendo uma parte de esterco bem curtido e duas
partes de terra bem misturados, foi testado no
viveiro de mudas mantido na base do CEMAVE
em Jeremoabo (Figura 34), mostrando bom resultados.
Carvalho et al. (2006) verificaram que
o sombreamento é uma condição importante
para o crescimento inicial de plantas de licuri,
pelo menos até 18 meses de idade, representando um fator importante para seu estabelecimento em campo e para definição de estratégias de manejo.

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Praticamente não existem estudos com
adubação do licuri. No entanto, sabe-se que essa
palmeira responde bem a tratos como capina e
adubação (Bondar, 1938). Em experimentos em
Jeremoabo (Figura 35), verificou-se uma boa resposta das plantas de licuri à irrigação e adubação
orgânica, por meio do rápido aumento do índice
de emissão foliar (CEMAVE, dados não publicados). Embora não se conheçam os requerimentos
de macro e micronutrientes para essa palmeira,
uma análise de solo é sempre recomendável para
implantação de áreas com seu cultivo, especialmente visando a correção de acidez.
O licurizeiro também responde bem ao
manejo feito por meio de limpeza de epífitas de sua copa e desbaste de plantas competidoras, seja de plantas nativas da caatinga
e mesmo de próprios licurizeiros adensados
(Bondar, 1939).

4.5. Fitossanidade

Há poucos registros na literatura sobre
pragas e doenças que afetam o licurizeiro,
talvez pelo fato de ser uma palmeira nativa
ainda não domesticada e pouco estudada.
Alguns trabalhos apontam o licurizeiro como

hospedeiro de algumas pragas e doenças que
afetam a cultura do coqueiro (Cocos nucifera).
Segundo Bondar (1938), as principais pragas do
licuri são: Coraliomela brunnea, vulgarmente
conhecida como falsa-barata-do-coqueiro,
cuja larva ataca o olho da palmeira (conjunto
de folhas mais novas da palmeira, ainda
fechadas); Amerrhinus ynca Sahlberg, 1823
(Coleoptera: Curculionidae), que se desenvolve
nos pedúnculos das folhas; e o “bicho do coco”
cujas larvas atacam frutos de licuri caídos no
chão, desenvolvendo-se no interior da semente.
Estas larvas são utilizadas na culinária de algumas
comunidades do interior da Bahia (Costa Neto,
2004; Ramos-Elorduy et al., 2006) e também
na medicina popular, sendo recomendada para
tratamento de feridas (Costa-Neto e Pacheco,
2005). Bondar (1939) cita Amercedoides nitidus
Hustache, 1923 (Coleoptera: Curculionidae)
como inseto que causa grandes estragos na
produção de cocos de licuri ainda no cacho.
Bondar (1940) e Sanchez-Soto e Nakano (2002)
citam ainda Batrachedra nuciferae Hodges,
1966 (Lepidoptera: Coleophoridae) como praga
do licurizeiro, sendo esta também considerada
praga da cultura do coqueiro. Segundo Howard

Figura 35 – Campo experimental de licuri mantido pelo CEMAVE na Fazenda Santana, Jeremoabo-BA.
Foto: Simone Tenório.

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67

et al. (2001), o licuri é hospedeiro natural de
Homalinotus coriaceus, inseto conhecido
como broca do pedúnculo floral do coqueiro,
importante praga desta cultura no Brasil. Uma
possível praga do licuri é a broca-do-olho-docoqueiro ou bicudo, Rhynchophorus palmarum
Linnaeus, 1764 (Coleoptera: Curculionidae),
uma vez que este é transmissor do nematóide
Bursaphelenchus cocophilus (Cobb) Baujard,
causador da doença conhecida por anel
vermelho, que afeta uma grande diversidade
de palmeiras, inclusive o licuri (Warwick e
Leal, 2007). Warwick e Leal (2007) citam o
licuri como hospedeiro da lixa pequena do
coqueiro, causada pelo fungo Phyllachora
torrendiella (Batista) Subileau. Exclusiva do Brasil
é considerada a principal doença do coqueiro
em alguns estados do Nordeste e no Pará.
Os aspectos fitossanitários do licuri precisam ser melhor estudados, visando identificar
não apenas as pragas e patógenos que afetam a
cultura, mas também o nível de dano causado
nesta palmeira nativa.

4.7. Resistência à Seca

4.6. Produtividade

4.8. Necessidade de Pesquisas

O licurizeiro produz inflorescências e
cachos durante quase todo o ano, mas a floração principal vai de dezembro a março e
a safra de cocos, de junho a julho (Bondar,
1938; Crepaldi et al. 2006). Lorenzi (2000),
por sua vez, afirma que a safra do licuri ocorre
no período de outubro a dezembro. Adicionalmente, Barbosa et al. (em elaboração), em
propriedades rurais na área de ocorrência da
arara-azul-de-lear, citam um aumento na frutificação nos meses consecutivos aos maiores
índices pluviométricos, com pico nos meses
de janeiro e fevereiro, e menor produtividade
entre os meses de maio a agosto, sugerindo-se
que exista uma associação entre a pluviosidade e o processo de frutificação.
O licurizeiro começa a frutificar entre
cinco e seis anos após o plantio, sendo que
uma palmeira em boas condições pode produzir até 12 cachos por ano (Bondar, 1939). Um
cacho de licuri produz em média 1.070 frutos
(Crepaldi et al, 2006). Assim, uma única palmeira bem manejada poderia produzir até 12.840
frutos/ano. Rocha (2009) estudando a biologia
reprodutiva do licuri em áreas da Ecorregião do
Raso da Catarina, encontrou produtividade média de 333±185 frutos/infrutescência. Com isso
uma palmeira nesta região poderia produzir em
média 3.996 frutos.

68

Uma das características notáveis do licuri
é sua capacidade de se desenvolver e produzir
mesmo durante prolongados períodos de estiagem. Tal característica deve-se a fatores fisiológicos e adaptativos dessa palmeira. Segundo
Drumond (2007), o licuri possui estratégias de
autodefesa que lhe conferem resistência às adversidades do semiárido, a saber:
• Camada de cera na superfície foliar –
permite a passagem dos raios solares,
para assimilação clorofiliana (fotossíntese), mas evita a perda de água pela planta (evapotranspiração);
• Persistência dos pecíolos foliares – o licuri quando perde as folhas velhas mantém por três a quatro anos os pecíolos
vivos, cuja base grossa constitui reserva
de nutrientes para a planta, armazenada no período chuvoso e disponibilizada nos períodos de escassez hídrica;
• Arquitetura foliar – as axilas das folhas do
licuri são depósitos naturais de água.

Sendo uma planta ainda não domesticada
e utilizada de forma extrativista e dadas as escassas iniciativas de cultivo ou manejo que têm sido
conduzidas de forma pouco sistemática, seria necessário conduzir estudos visando a otimização
do seu cultivo e seu uso sustentado. Tais pesquisas
devem contemplar os seguintes aspectos: técnicas
de propagação, respostas do licurizeiro à adubação química e orgânica, irrigação, melhoramento
genético, controle de pragas e doenças, condução
de cultivos, com estabelecimento de práticas e ciclos de coleta de folhas e frutos, dentre outros.

5. O LICURI COMO FONTE DE
NUTRIÇÃO
Iara Cândido Crepaldi
Kleber Gomes de Oliveira

5.1. Valor Nutricional

A análise da composição nutricional do
fruto do licuri (Crepaldi et al., 2001) mostrou que o mesmo é bastante calórico (108,6
Kcal/100g, polpa e 527,3 Kcal/100g, amêndoa). Sua composição nutricional se encontra na Tabela 10. É importante ressaltar que
na polpa o principal constituinte vitamínico é
o ß-caroteno (26,1g/g).

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Tabela 10 – Composição nutricional da polpa e da amêndoa do fruto do licuri, de acordo com
Crepaldi et al. (2001).
Composição

Polpa

Amêndoa

Umidade (%)

77,4±0,16

28,6±0,38

Cinzas (%)

1,4±0,06

1,2±0,01

Lipídeos (%)

4,5±0,3

49,2±0,08

Nitrogênio (%)

0,5

2,2±0,01

Proteínas (%)

3,2

11,5±0,03

Carboidratos totais (%)

13,2

9,7

Traços

não detectado

Traços

não detectado

Vitaminas
Xantofila
a-caroteno
b-caroteno (ìg/g)

26,1±0,7

não detectado

pro-vitamina A (ER)

4,4±0,1

não detectado

a-tocoferol (ìg/g)

3,8±0,4

não detectado

ácido ascórbico

Traços

não detectado

108,6

527,3

Valor calórico (kcal/100 g)

6. AMEAÇAS E MEDIDAS DE PROTEÇÃO
Antônio Emanuel Barreto Alves de Sousa
Thiago Martins Bosh

6.1. Ameaças

O licuri, assim como muitas espécies de
palmeiras com múltipla utilidade, sofreu com
a exploração intensiva e irracional feita pelo
homem principalmente a partir do século passado. Durante a colonização do sertão baiano,
licurizais foram destruídos para limpeza do terreno, usado para pastagem e pequenas lavouras, pois os fazendeiros locais as tinham como
“invasoras”. Segundo Bondar (1942), o fogo e
os gados bovino e caprino são, nesta ordem,
importantes agentes destruidores dos licuris jovens e das mudas nativas. O pisoteio e pastoreio constituem sério problema, uma vez que
compromete a regeneração natural da palmeira, já que as mudas e licurizeiros jovens são
destruídos ou consumidos pelo gado (Bondar,
1939; Brandt e Machado, 1990). Em algumas
fazendas em área de alimentação da arara-azul-de-lear, o índice de senescência chega a
50%. Em somente 28% das áreas de alimentação estudadas por Santos Neto e Camandaroba
(2008), incluindo propriedades privadas e áreas protegidas, foi encontrada regeneração dos

licuris. As áreas de alimentação com maiores
taxas de palmeiras senescentes possuem também menor produtividade de frutos de licuri
(Barbosa et al., em elaboração).
Brandt e Machado (1990) verificaram
que, de nove áreas de alimentação da arara-azul-de-lear, em apenas duas havia regeneração natural. Esta falta de regeneração natural
ocorria justamente nas áreas de pastagem de
bovinos e caprinos, indicando que estes animais impedem o desenvolvimento de novos
pés de licuri, recolhendo os cocos maduros
que caem ou alimentando-se das plântulas.
Ainda nesse mesmo estudo os autores observaram outras fontes de alimento da arara-azul-de-lear, levantando a possibilidade da escassez do licuri na área de ocorrência das araras.
Bondar (1938) calculou que existiam
cerca de cinco bilhões de licurizeiros no estado
da Bahia, podendo ser encontrados até 1.000
pés/ha, em certas regiões naquela época. Santos Neto e Camandaroba (2008) realizaram um
mapeamento detalhado das áreas de alimentação da arara-azul-de-lear, registrando 37 sítios de alimentação compreendendo uma área
de 4.711,92 ha, distribuídos pelos municípios
de Canudos, Euclides da Cunha, Jeremoabo,
Paulo Afonso e Santa Brígida. Todas estas áreas
estavam inseridas em um raio de 60 km dos
principais dormitórios conhecidos da espécie,
apresentando densidade média de 94 licurizeiros/ha (38 licurizeiros adultos, 53 mudas e

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

69

3 senescentes). Poucos sítios de alimentação
foram encontrados em áreas legalmente protegidas (5,4%) e um deles, apesar de estar dentro
da ESEC Raso da Catarina, é usado para pastoreio e práticas agrícolas. Nas áreas de caatinga
densa a densidade de plântulas de licuris pode
chegar a 676 pés/ha, entretanto em algumas
fazendas utilizadas como área de alimentação
não são encontradas plântulas nem regeneração em geral (Santos Neto e Camandaroba,
2008). Além disso, muitas áreas com alta densidade de licuris estão sendo transformadas em
plantações de milho (Santos Neto e Gomes,
2007).

Em observações realizadas entre março
de 2007 e fevereiro de 2008, em cinco áreas
de alimentação da arara-azul-de-lear em propriedades rurais com atividade agropecuária,
a produtividade média de frutos da palmeira
foi de 328±142 frutos/infrutescência (Barbosa et al., em elaboração). Observou-se menor
produtividade (média de 157±105 frutos/infrutescência) em uma propriedade que apresentava maior frequência de palmeiras em
estágio senescente. A área que apresentou a
maior produtividade teve média de produção de 515±104 frutos/infrutescência. Santos
Neto e Camandaroba (2008) registraram, nesta última área, maior concentração de palmeiras em estágio de frutificação, dentre 37 áreas
de alimentação da arara-azul-de-lear.

Segundo Santos Neto e Comandaroba
(2008), as principais ameaças ao licuri detectadas em áreas de alimentação da arara-azul-de-lear são:
• Criação de gado: atividade registrada na
maioria das áreas de alimentação da arara-azul-de-lear conhecidas, representando uma séria ameaça ao licuri por comprometer a regeneração natural, uma
vez que o gado pisoteia e come a maioria das mudas, especialmente na época
seca (Figura 36 a e b). As folhas e frutos
do licuri são utilizados como suplementação alimentar do gado, especialmente
no inverno, diminuindo a quantidade de
alimento para as aves (Yamashita, 1987;
Brandt e Machado, 1990).
• Queimadas: embora o licurizeiro adulto
apresente certa resistência às queimadas,
o mesmo não ocorre com as mudas jovens
que são dizimadas pelo fogo. A prática de
colocar fogo para limpeza de áreas agrícolas ou para limpeza de pasto é muito co-

70

mum na região, constituindo importante
ameaça ao licuri (Figura 37 a e b). Como
agravante algumas queimadas não são
realizadas de forma controlada, podendo
se transformar em incêndios, com consequências danosas para o meio ambiente
como um todo.
• Desmatamentos: seja para abertura de novas áreas agrícolas ou para retirada de lenha,
os desmatamentos também constituem
séria ameaça ao licuri, apesar dos instrumentos legais que protegem esta palmeira.
A lenha ainda representa uma importante
matriz energética na região, seja para consumo doméstico ou para abastecer pequenas indústrias de alimentos, cerâmicas e de
mineração. Como agravante boa parte dos
desmatamentos é seguida de queimadas.
• Mineração: a atividades de extração de calcário para a produção de cal ocorre principalmente no município de Euclides da
Cunha. Em alguns casos, essa extração é localizada no interior de sítios de alimentação
da arara-azul-de-lear e muitos licurizeiros
são suplantados para a realização da atividade. Além disso, observam-se depósitos
de cal e fuligem sobre as folhas das palmeiras, o que supostamente reduz a produção
de frutos, em função da diminuição da atividade fotossintética (Figura 38).

Além das ameaças supracitadas, o licurizeiro é utilizado na região de forma extrativa, sendo
os frutos utilizados para alimentação animal e
humana e as folhas para produção de vassouras,
chapéus e produtos de artesanato. É fundamental
que estes tipos de uso sejam realizados de forma sustentável, de modo a não comprometer a
sobrevivência do licuri e de sua fauna associada.
Uma atividade que pode se tornar uma ameaça em potencial ao licuri na região é o seu uso
em larga escala visando a extração do óleo para
a indústria de cosméticos ou para a produção de
biodiesel. Diante desse cenário seria importante
investir em estudos que resultem em orientações
para uma exploração extrativista sustentada e racional, além de um programa educacional para
as comunidades que vivem da exploração dos
licurizais. Há, ainda, a necessidade de: avaliar se
a população de palmeiras licuri tem capacidade
de sustentar a arara-azul-de-lear; e encontrar o
equilíbrio entre os interesses da comunidade no
uso da palmeira e de forrageamento da fauna silvestre, especialmente a arara-azul-de-lear.

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

A

B

Figura 36 – (a) Gado alimentando-se em área composta de pastagem e licuri. (b) Gado consumindo folhas da palmeira licuri. Fotos: Antonio Eduardo Barbosa.

A

B

Figura 37 – (a) Licuri em um evento de queimada. Foto: Simone Tenório; (b) Área com licurizeiros
queimados. Foto: Joaquim Rocha dos Santos Neto.

Figura 38 – Depósito de cal e fuligem sobre a vegetação em área de mineração. Foto: Joaquim Rocha
dos Santos Neto.

6.2. Áreas Protegidas

ocorrência natural do licuri (Figura 39), porém
permite a coleta de frutos e folhas, desde que
não coloque em risco a sobrevivência da palmeira e da fauna a ela associada, e dá outras
providências.

Algumas áreas de ocorrência do licuri
podem ser enquadradas como Àrea de Preservação Permanente, uma vez que os locais de
refúgio e ou reprodução de exemplares da fauna ameaçada de extinção que constem de lista
elaborada pelo poder público federal, estadual
ou municipal são consideradas APP, conforme
o disposto no artigo 3º, inciso XIV da Resolução CONAMA 303/02.
Na esfera municipal, a Lei n° 302/02 publicada pela Prefeitura Municipal de Jeremoabo, também proíbe o corte da árvore e institui
a palmeira como planta símbolo do município.
Esta lei, porém, não define padrões para a exploração sustentável da espécie.

Há palmeiras de licuri em áreas de ocorrência da arara-azul-de-lear na ESEC Raso do
Catarina e APA Serra Branca (Figura 3). Na
área proposta para o mosaico do Boqueirão da
Onça há manchas com grande densidade de
licuri (Figura 3d). Além das unidade de conservação, são consideradas áreas legalmente protegidas as reservas legais (RL) e áreas de preservação permanente (APP). Todavia, nenhum
levantamento foi realizado até o momento no
sentido de verificar a quantidade de áreas de
licuri inseridas nestes tipos de áreas protegidas.
Também não há nenhum levantamento dos órgãos ambientais sobre o estado de conservação
dessas áreas.

6.3. Legislação Vigente

Considerando a importância socioambiental da palmeira licuri, o IBAMA publicou
a Instrução Normativa n° 147/07, que proíbe
seu corte, a qual foi revogada pela Instrução
Normativa IBAMA nº 191/08, segundo a qual,
é proibido o corte da palmeira nas áreas de

6.4. Ações de Conservação

As estratégias de conservação do licuri na
área de ocorrência da arara-azul-de-lear vem

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

71

7. USO DO LICURI PELA POPULAÇÃO E POTENCIALIDADES
Simone Fraga Tenório Pereira Linares

Figura 39 – Mapa mostrando os estados que possuem proibição de corte de licuri, segundo a IN IBAMA Nº 191/08.

sendo desenvolvidas desde 1996, quando a Fundação Biobrasil iniciou os trabalhos de produção
de mudas de licuri. Em 2000, a mesma fundação
implantou o primeiro plantio experimental de mudas, na Fazenda Santana, em Jeremoabo. O CEMAVE, em parceria com a PROAVES e apoio do
FNMA reestabeleceu, em 2006, este projeto com
a implantação do segundo plantio experimental.

Em 2008, o CEMAVE, em parceria com
a PROAVES e apoio da Fundação Loro Parque,
implantou o viveiro de mudas com capacidade
para produzir 10.000 mudas/ano com objetivo de recompor áreas de APP e RL na área de
ocorrência da arara-azul-de-lear.

Em 27 e 28 de janeiro de 2011 foi realizada a primeira oficina para elaboração do documento: “Proposta de diretrizes e recomendações técnicas para boas práticas de manejo da
palmeira licuri”, organizada pela Coordenação
de Agroecologia vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo
do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Em 10 e 11 de agosto do mesmo ano foi realizada a segunda oficina, ficando
evidente a carência de fundamentação científica

72

para normatizar o uso das folhas e frutos visando a sustentabilidade das atividades extrativistas,
sendo necessária, portanto, a coleta de informações acerca dos níveis seguros de exploração,
que atendam às necessidades das comunidades
e ao mesmo tempo conservem esse recurso do
qual dependem diversas espécies. Seria importante coletar dados com a comunidade que permitissem obter a tendência da produção (declínio, estabilidade ou aumento) ao longo dos anos.
As práticas de manejo estabelecidas deverão ser
alvo de oficinas nas comunidades extrativistas
para discussão e difusão dessas práticas.

As orientações do documento consolidado na segunda oficina estão voltadas às comunidades que desejam a certificação de seus
produtos, por meio de um selo de sociobiodiversidade e de certificação orgânica, cujos mecanismos de controle e prazos para a emissão
ainda não estão definidos pelo MAPA. Os resultados da oficina encontram-se no documento
denominado: Diretrizes e Recomendações Técnicas para Adoção de Boas Práticas de Manejo
para o Extrativismo Sustentável Orgânico da Palmeira Licuri (Anexo 2).

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

Historicamente, o licuri sempre representou uma fonte de alimento para as pessoas, para os animais e uma fonte de renda
alternativa. Bondar (1942) chamou a atenção
para o grande potencial alimentício e ornamental do licuri. Lorenzi (2000) destaca o
potencial paisagístico desta palmeira nativa,
a qual é utilizada no paisagismo de algumas
cidades do sudeste do país.

A palmeira licuri é muito resistente às secas prolongadas. Segundo relatos de moradores
do semiárido, em períodos de seca, quando a
escassez de alimentos era total, eles faziam uma
circunferência no caule da planta para a retirada
de seu cerne, passavam na peneira e colocavam
no fogo criando uma farinha, a qual chamavam
de “brodo”. O valor nutricional dessa farinha é
nulo, porém, servia para aplacar a sensação de
fome (Bondar, 1938).
Os frutos, por sua composição, representam uma excelente fonte nutricional. O teor de
vitamina A diário recomendado pelo Ministério
da Saúde é de 700 Equivalente Retinol (para
crianças na faixa etária de sete a dez anos). O
peso médio da polpa de um fruto de licuri é
de 4,26 g e a proporção polpa: amêndoa é de
86,5% (Crepaldi et al., 2006). Considerando
que 1 ER corresponde a 6 µg de ß-caroteno,
pode-se inferir que aproximadamente 14 frutos de licuri suprem metade da necessidade diária de 700 ER para criança na faixa escolar, o
que poderia ser uma alternativa para a merenda das escolas rurais. Considerando ainda que
um cacho de licuri tem em média 1.070 frutos
(Crepaldi et al., 2006), supõe-se que um único
cacho serviria para o suprimento de quase uma
centena de crianças, minimizando os efeitos de
uma coleta destrutiva para os licurizais (Crepaldi et al., 2001).

A amêndoa e a polpa, cozidas ou in natura, apresentam alto teor de minerais, essenciais
para o organismo humano e animal, podendo gerar vários subprodutos como compotas,
farinhas, iogurtes, geleias, sorvetes, sucos, cocadas, licores e o leite de licuri (MEC, 2006).
Pesquisadores do IFBA criaram uma barra de
cereais, feita da amêndoa do licuri triturada,
já que na amêndoa, encontra-se cálcio, magnésio, cobre, zinco, ferro, manganês e selênio,

além de ser 50% constituída de óleo (MEC,
2006), o que também pode ser uma alternativa
para a merenda escolar.

A utilização das amêndoas como petiscos,
vendidas nas feiras na forma de rosários, é um
antigo hábito (Bondar, 1938) que permanece
atualmente. Quando secas, são usadas na confecção de colares e outros adornos além de ser
fonte de alimento para caprinos, ovinos e aves
domésticas (Crepaldi et al., 2004). Da amêndoa
extrai-se ainda o óleo, o produto mais nobre
do licuri, usado na culinária da população do
semiárido. É considerado o melhor óleo para a
produção de saponáceos, como por exemplo,
sabão em pó, detergentes, xampus, sabão em
barra e sabonetes finos (Santos e Santos, 2002),
podendo ser empregado na perfumaria. O resíduo da extração do óleo é usado para a produção de uma torta, também comercializada, cuja
composição é 41% de substâncias não azotadas, 19% de proteínas, 16% de celulose e 11%
a 12% de óleo, e que serve como alimento para
animais, sendo uma complementação alimentar
para vacas leiteiras, para o desenvolvimento de
novilhos precoces e também para as reprodutoras (Gomes, 1977).

Das folhas pode-se extrair a cera do licuri, utilizada na fabricação de papel carbono,
graxa para sapatos, móveis e pintura de automóveis, sendo equivalente à da carnaubeira
(Gomes, 1977), chegando a competir com a
cera de carnaúba no passado (Bondar, 1938).
A palha resultante da poda da palmeira e as
cascas do coquinho são utilizadas como fonte
alternativa de energia em alguns locais, para
queima nos fornos, onde se observou que o
fogo rende mais devido ao óleo do licuri, que
tem alto índice de combustão. É utilizada também como amarras para peixes e carnes em
geral (Crepaldi et al., 2004).

A palha do licuri é historicamente utilizada na confecção de objetos de uso caseiro,
como vassouras, chapéus, esteiras, abanadores, isoladores térmicos para mesa, bandejas,
porta-joias e bolsas, entre outros (Crepaldi
et al., 2004). A Associação dos Artesãos da Santa Brígida foi uma das pioneiras a desenvolver
peças utilitárias com a palha do licuri e posteriormente contou com apoio do SEBRAE para
elaboração do padrão de qualidade, cujos modelos são orientados por estilistas e as palhas
tingidas naturalmente a partir de cascas, folhas
e flores diversas. Para a utilização da palha, as
folhas são retiradas da palmeira e passam por

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

73

um processo manual de beneficiamento. Para
a regulamentação da atividade foi realizado
um estudo de manejo pela SEMEAR Brasil, que
indicou ser sustentável a extração das folhas,
não acarretando nenhum problema ao desenvolvimento da planta. A planta deve ser adulta
em idade reprodutiva, retirando-se até duas folhas verdes (broto) e o intervalo mínimo entre
as colheitas deve ser de 90 dias. Cada planta
rende em média 0,3 kg (MAPA, 2011).

Em 2007 foi realizada a primeira oficina de
artesanato no povoado da Serra Branca, em Euclides da Cunha, com a participação dos artesãos
da Associação dos Artesãos da Santa Brígida, que
deram início ao ensinamento de suas técnicas
de retirada das folhas sem danificar a planta, o
preparo da palha para secagem, o posterior tingimento e a confecção das peças (Figuras 40, 41
e 42), com apoio da PROAVES e Fundação Loro
Parque em parceria com o CEMAVE.

Em 2008 e 2009, a Fundação Loro Parque, em parceria com a SAVE Brasil e o Instituto Arara-azul, iniciou a implantação de um
Programa de Geração de Renda para as comunidades, no povoado de Serra Branca, em Euclides da Cunha, com os objetivos de envolver
e capacitar a comunidade nas ações de geração de renda, na autogestão dos seus processos
produtivos e de cidadania, promovendo parceria com comunidades produtoras de artesanato
na região de ocorrência da espécie. Além disso, conscientizar os estudantes e professores,
informar a população da zona urbana sobre
a importância da espécie e resgatar a cultura
local por meio do artesanato tradicional transmitido das antigas gerações. Neste período os
artesãos receberam todo o conhecimento sobre associativismo e empreendedorismo para
autossuficiência na gestão do negócio; desenvolveram seu próprio estilo e modelos de peças formalizando o estatuto da Associação dos
Artesãos de Lear da Serra Branca, e iniciaram
os trabalhos em conjunto para atender grandes encomendas, já trabalhando de forma simplificada como polo de trançado. Os artesãos
adotaram a retirada da palha para o artesanato
de acordo com o método proposto no documento Diretrizes e Recomendações Técnicas
para Adoção de Boas Práticas de Manejo para
o Extrativismo Sustentável Orgânico da Palmeira Licuri (MAPA, 2011). As peças produzidas
têm como valor agregado o Selo do Programa,
com informações sobre a forma de produção,
procedência e a importância da compra como

74

colaboração à geração de renda das comunidades da área de ocorrência e à conservação
da arara-azul-de-lear e seu ambiente.
O trabalho no processo de formação
desse núcleo mobilizou e trouxe apoio da
Prefeitura Municipal de Euclides da Cunha,
SEBRAE e Instituto Mauá e a iniciativa está sendo replicada em outras comunidades na área
de ocorrência da arara, criando-se um polo de
trançado de palha de licuri, ampliando a produção das peças e a renda dos artesãos. O polo de
trançado de palha consiste na formação de diversos grupos (Figura 43) desenvolvendo a mesma atividade, em localidades diferentes, porém,
para atender encomendas de grande porte.

Em 2012 foi formalizada a Associação dos
Artesãos do Chuque, no município de Jeremoabo, e Assentamento do Incra, no município
de Euclides da Cunha, com investimentos do
Sebrae, da Fundação Loro Parque e da TAM
Linhas Aéreas, fortalecendo o Polo de Trançado
de Palha e madeira da Arara Azul de Lear. São
86 pessoas beneficiadas de forma direta e cerca
de 320 indiretamente, considerando as famílias. A estimativa de crescimento na renda das
famílias com a produção e venda dos produtos é
de aproximadamente 200%. Com os resultados
financeiros, as pessoas envolvidas no artesanato passaram a plantar licuri e proteger as áreas
onde a palmeira existe.

Estudos vêm sendo realizados para avaliar a utilização do óleo de licuri, que é altamente combustível, na produção de biodiesel.
Segundo pesquisadores do IFBA a proposta já
foi encaminhada para a Petrobrás para aprofundar as pesquisas (MEC, 2006). Já existem várias propostas para ampliar a diversificação dos
sistemas produtivos dos agricultores familiares
do semiárido pelo plantio de oleaginosas para
atender o mercado do biodiesel, principalmente a mamona, que já é cultivada tradicionalmente pelos agricultores do semiárido. Em geral, essa agricultura é realizada pela derrubada
e queimada da vegetação nativa, plantio, pousio e os solos são degradados. Conforme zoneamento realizado pela EMBRAPA, pode-se
contar com uma área total de 600.000 ha em
todo o semiárido, com a previsão de que não
haverá impacto negativo para a caatinga, pois
para a produção de mamona em regime de
agricultura familiar poderão ser utilizadas áreas já desmatadas (Melchers, 2006). Apesar de
a palmeira licuri ser legalmente protegida pela
Instrução Normativa IBAMA nº 191/08, corre-

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

-se o risco de que licurizeiros sejam derrubados para o plantio de mamona, girassol, amendoim ou outras oleaginosas, caso demonstrem
ser mais rentáveis.

A utilização integral do licuri tem sido
uma das alternativas para a geração de renda
dos moradores do semiárido, além de representar uma fonte alternativa de nutrição imprescindível. No entanto, em municípios de
ocorrência da arara-azul-de-lear, a utilização
dos coquinhos como fonte de renda alternativa não deveria ser incentivada, a não ser
que fosse por meio de um plantio intensivo,
com áreas manejáveis. Assim, seria necessário, por exemplo, criar uma zona de exclusão

para assegurar que a utilização do coquinho
seja feita apenas como forma de subsistência,
além da exclusão das áreas de alimentação
das araras como zona de produção de licuris
para biodiesel. A criação de reservas extrativistas manejadas evitaria que faltasse esse
importante recurso alimentar para a arara-azul-de-lear. Para mitigar os efeitos da criação desta zona de exclusão para utilização
dos frutos de licuri nas áreas de ocorrência
das araras, devem ser criadas contrapartidas
viáveis e compensatórias. É importante que
seja incentivada a produção de artesanato a
partir da palha do licuri e dos coquinhos que
já foram consumidos pelas araras, por meio

Figura 40 – Preparação de folhas de licuri antes do processo de secagem, durante a oficina de artesanato
realizada em Serra Branca, Euclides da Cunha-BA. Foto: Simone Tenório.

Figura 41 – Confecção de cesto com a folha do licuri
durante a oficina de artesanato realizada em Serra
Branca, Euclides da Cunha-BA. Foto: Simone Tenório.

Figura 42 – Peças de artesanato produzidas pela Associação de Artesãos da Santa Brígida, atendendo ao
padrão de qualidade definido pelo SEBRAE. Foto:
Simone Tenório.

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

75

da promoção de oficinas de capacitação na
produção de artesanato, profissionalização
dos artesãos, ampliação de associações de
artesanato e incentivo à venda da palha do
licuri, beneficiada e retirada de maneira sustentável. É fundamental que haja o incentivo
e fomento ao cooperativismo e associativismo, seja na produção de artesanato ou na

produção agrícola, garantindo a sustentabilidade deste ambiente.

Embora o licuri apresente grande potencial de aproveitamento, é imprescindível que
ações conjuntas de fiscalização, conscientização e educação ambiental sejam feitas com
foco na conservação da arara-azul-de-lear e no
papel do licuri em todo esse processo.

PARTE II
PLANO DE CONSERVAÇÃO

Foto: Ciro Albano

Figura 43 – Grupo de artesãos da Serra Branca de Euclides da Cunha-BA que integram o Pólo de trançado de
palha e madeira da arara-azul-de-lear.

76

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

1. OFICINA DE PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO
Para a elaboração deste PAN foram adotados os seguintes conceitos, de acordo com a Instrução
Normativa n° 25, de 12 de abril de 2012.

AMEAÇAS: são fatores que afetam de forma negativa as espécies e ambientes. Podem ser atividades humanas, fatores ambientais ou características próprias, com efeitos negativos diretos ou
indiretos sobre o foco de conservação.

No

Nome

de planejamento participativo para elaboração do

Instituição

E-mail

1

Alison Cleiton de Sá Andrade

ECO - Organização para
Conservação do Meio Ambiente

alison.sa.andrade@gmail.com

2

Ana Carolina Lopes Carneiro

Ministério Meio Ambiente

ana.carneiro@mma.gov.br
carollbio@yahoo.com

3

Ana Maria Campos de
Oliveira

Sec. Agricultura e Meio Ambiente
Prefeitura de Monte Santo – BA

anacampos.ms@hotmail.com

4

Andreza Clarinda Araújo do
Amaral

CDT/UNB – INFRAERO

andrezamaral@hotmail.com

5

Antonio Eduardo Araujo
Barbosa

CEMAVE/ICMBio

antonio-eduardo.barbosa@icmbio.gov.br

6

Arlindo Gomes Filho

CR-6/ICMBio

arlindo.gomes-filho@icmbio.gov.br

7

Augusto Cezar Daltro Lisbôa

Instituto do Meio Ambiente e
Recursos Hídricos – INEMA/
SEMA-BA

augusto.lisboa@sema.ba.gov.br
cezarlisboa@yahoo.com.br

execução da ação.

9

Camile Lugarini

CEMAVE/ICMBio

camile.lugarini@icmbio.gov.br

PERÍODO: data de início e término da implementação da ação.

10

Carlos Roberto Franke

Universidade Federal da Bahia –
UFBA

franke@ufba.br

ARTICULADOR:

instituição e pessoa responsável por articular a implementação da ação e
apresentar o produto. O articulador não é o único responsável pela execução da ação. Esta responsabilidade é compartilhada com os colaboradores. O articulador estava, preferencialmente,
presente na oficina de planejamento.

11

Carmem Reis Arimatéia

SEBRAE

carmen.reis@ba.sebrae.com.br

12

Cristina Yumi Miyaki

Universidade de São Paulo – USP

cymiyaki@ib.usp.br

COLABORADORES: pessoas/instituições co-responsáveis pela execução da ação, que auxi-

13

Damião Matias

Sec. Agricultura e Meio Ambiente
Prefeitura de Santa Brígida – BA

sdm.damiaomatias@hotmail.com

14

Diego Mendes Lima

Reserva Biológica Gurupi/ICMBio

diego.lima@icmbio.gov.br

15

George Luiz Siqueira

ONG Serra Branca Lear’s
Foundation

george.siqueira@hotmail.com

16

George Mauricio Moura
Arapiraca

ONG Movimento João de Barro

gemar@ig.com.br
george.mauricio@terra.com.br

17

Guilherme Fernando Gomes
Destro

Coordenação Geral de Fiscalização gui_destro@yahoo.com.br
– CGFIS/IBAMA

18

Iara Cândido Crepaldi

Universidade Estadual de Feira de
Santana UEFS

icandidocrepaldi@gmail.com

19

Ivan Braga Campos

PARNA Serra do Cipó/ICMBio

ivan.campos@icmbio.gov.br

20

Jasson de Oliveira Ferreira

Sec. Agricultura e Meio Ambiente
Prefeitura de Campo Formoso –
BA

jassonoliver@yahoo.com.br

21

José dos Santos Braga

Associação de Artesões da Santa
Brígida – BA

arteaasb@hotmail.com

22

José Tiago Almeida dos
Santos

ESEC-Raso da Catarina/ICMBio

tiago_biologo@yahoo.com.br

23

Josilda Monteiro da Silva

Colégio Leonardo da Vinci

josildararazuljeremoabo@gmail.com

OBJETIVO GERAL: expressa mudança positiva na conservação da espécie, de forma especí-

fica aos alvos de conservação e representar uma perspectiva compartilhada dos colaboradores do
plano de ação. Reflete um estado ou condição necessária e, sobretudo, possível de se alcançar em
cinco anos.

OBJETIVO ESPECÍFICO: representa o resultado intermediário para a superação ou minimi-

zação das ameaças aos focos de conservação, devendo ser mensurável e exequível, contribuindo
decisivamente para alcançar o objetivo geral do plano.

AÇÃO: é o que dever ser feito para alcançar os objetivos específicos, buscando reverter as ameaças associadas a estes.

PRODUTOS: aquilo que é obtido pela realização da ação; mensurável, tangível e comprova a

liam nas diferentes etapas de sua implementação.

CUSTO: estimativa dos recursos financeiros necessários para a implementação da ação. A in-

dicação dos custos no plano de ação é importante para dimensionar volume de recursos a serem
captados para sua implementação.

A oficina de planejamento participativo, para a revisão do PAN Arara-azul-de-lear, foi realizada de 23 a 26 de agosto de 2011, no Hotel Portobello Ondina Praia, em Salvador, estado da Bahia,
contando com a presença de 46 pessoas, representantes de 31 instituições (Tabela 11; Figura 43).

78

T abela 11 – Participantes da oficina
PAN Arara-azul-de-lear e filiação.

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

79

No

Nome

Instituição

E-mail

24

Kilma Manso Raimundo da
Rocha

ECO - Organização para
Conservação do Meio Ambiente

kilmamanso@eco-conservation.org
kilmamanso@gmail.com

25

Kleber Gomes de Oliveira

CEMAVE/ICMBio

kleber.oliveira@icmbio.gov.br

26

Leandro Jerusalinsky

CPB/ICMBio

leandro.jerusalinsky@icmbio.gov.br

27

Linda Nelson Wittkoff

Fundação Lymington

fund.lymington@gmail.com
william.wittkoff@gmail.com

28

Luana Pimentel Ribeiro

Instituto do Meio Ambiente e
Recursos Hídricos – INEMA/
SEMA-BA

luanapimentelribeiro@gmail.com

29

Luciana Carvalho Crema

CEPAM/ICMBio

luciana.carvalho.crema@gmail.com

30

Luciano Copello

SEMEAR Ambiental Ltda

lcopello@semearambiental.com.br

31

Marcelo Carvalho Junior

Policia Rodoviária Federal – PRF

marcelo.junior@dprf.gov.br

33

Marcelo Lima Reis

COPAN – ICMBio

marcelo-lima.reis@icmbio.gov.br

34

Marcos Antonio Menezes de
França

Chefe de Gabinete da Prefeitura de
Jeremoabo – BA

marcosdykodo@hotmail.com

35

Maria Djalma Andrade de
Abreu

Sec. Agricultura e Meio Ambiente
Prefeitura de Euclides da Cunha
- BA

mariadjalma1@hotmail.com

36

Maria Risodalva Paiva de
Toledo

Sec. Agricultura e Meio Ambiente
Prefeitura de Paulo Afonso – BA

m.risodalva@hotmail.com

37

Nelson Takumi Yoneda

COCUC – ICMBio

nelson.yoneda@icmbio.gov.br

38

Pedro Cerqueira Lima

Pesquisador

pedroclima@gmail.com

39

Raimundo Rodrigues Filho

Secretaria de Planejamento e
Meio Ambiente Prefeitura de Sento
Sé – BA

nei.freire@bol.com.br

40

Simone de Souza Campos

SUPES/IBAMA-BA

simone.campos@ibama.gov.br
camposssimone@gmail.com

41

Simone Fraga Tenório Pereira Fundação Loro Parque
Linares

42

Tailuan Edrielle Marques
Carvalho

ONG AGENDHA - Assessoria e
Gestão em Estudos da natureza,
Desenvolvimento Humano e
Agroecologia

43

Thaiane Conceição de
Oliveira

Parque Zoobotânico Getúlio Vargas thaiane_biologia_oliveira@hotmail.com

44

Thiago Filadelfo Miranda

Museu de Zoologia da
Universidade de São Paulo –
MZUSP

thiago_bioufba@yahoo.com.br

45

Vivian Mara Uhlig

RAN/ICMBio

vivi.uhlig@gmail.com

46

Willian Karl Wittkoff

Fundação Lymington

A facilitação geral foi realizada por Leandro Jerusalinsky, do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB/ICMBio), auxiliado por Luciana Crema, do
Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica (CEPAM/ICMBio),
Vivian Mara Uligh, do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios (RAN/
ICMBio), Ivan Braga Campos (PARNA Serra do Cipó) e Marcelo Lima Reis (COPAN/ICMBio).

Para delinear o planejamento foi realizada uma análise situacional simplificada levando em consideração os alvos de conservação: arara-azul-de-lear, o seu hábitat e o licuri. Para
a problematização foi utilizada a técnica de tempestade de ideias, com respostas simultâneas
escritas em tarjetas e visualização em painel. Os participantes foram divididos em grupos de
trabalho para detalhamento das ameaças e problemas aos alvos de conservação, havendo validação posterior em plenária por consenso. As principais ameaças aos alvos de conservação
estão explicitadas no Quadro 1.

Quadro 1 – Principais problemas e ameaças identificados para os alvos de conservação (arara-azul-de-lear, seu hábitat e licuri) divididos por temas.
Perda de hábitat e alimento natural
• Uso e ocupação do solo de forma inadequada ou conflitante (queimada, expansão da

80

apicultura com espécies exóticas, obras de infraestrutura, instalações de parques eólicos,
expansão agropecuária e urbana), inclusive devido à falta de envolvimento da comunidade,
de articulação de instituições, de educação ambiental e falta de planejamento em escala de
paisagem, gerando perda de hábitat e do recurso alimentar natural da espécie;

• Pisoteio e predação de plântulas pela pecuária extensiva, que impede a regeneração natural
do licuri e de outras fontes de alimento para arara-azul-de-lear;

simonetenorio@gmail.com

k.l_@hotmail.com

fund.lymington@uol.com.br
william.wittkoff@uol.com.br

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

• Abate eventual de araras pelos produtores de milho, prejudicados pelos ataques aos cultivos;
• Sobreexploração de recursos madeireiro e não-madeireiro tanto para uso doméstico como
comercial que ocasiona a redução do licuri, assim como outras fontes alimentares para arara.

Falta de informação
• Falta de interação entre pesquisadores e comunidade e de acesso às informações relativas
à conservação (in situ e ex situ) com ênfase em formadores de opinião (professores, alunos,
órgãos públicos, indígenas e quilombolas), o que gera pouco envolvimento destes nos projetos
de preservação tanto da fauna quanto da flora nos municípios de ocorrência da arara;

• Falta de conhecimento científico específico sobre o impacto da retirada do olho do licurizeiro,
dificultando a normatização adequada para uso sustentável da palmeira, o que pode causar
a diminuição do alimento para a arara;

• Falta de informação sobre a ecologia alimentar: interação entre arara-licuri (por que algumas

áreas têm licuri e não têm arara?), mapeamento, densidade, dispersores do licuri na área de
ocorrência da arara e utilização de outros itens alimentares, inclusive o milho, o que dificulta
o manejo das áreas e itens alimentares da arara;

• Falta de conhecimento sobre genética, saúde, sítios reprodutivos e dormitórios, deslocamento
diário, uso de hábitat, área de vida, área de distribuição potencial para a espécie, inclusive
na população remanescente em Sento Sé e Campo Formoso, assim como frequência de
reprodução por casal e população reprodutiva na Ecorregião do Raso da Catarina. A falta
destas informações dificulta o manejo adequado destas populações.

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

81

Tráfico
• A baixa qualidade de vida das comunidades inseridas na área de ocorrência da espécie, a

dificuldade de vigilância contínua na região, a demanda para comércio interno e externo
da ave, a inocuidade da legislação relativa ao tráfico, a falta de articulação entre as
instituições públicas e não-governamentais e a falta de priorização da educação ambiental
são as principais causas do tráfico de araras-azuis-de-lear e da biodiversidade, que levam
ao declínio das populações.

2. OBJETIVO GERAL, OBJETIVOS ESPECÍFICOS E AÇÕES

Para estabelecer o objetivo do PAN os participantes foram divididos aleatoriamente em quatro grupos e, em plenária, houve a consolidação do Objetivo Geral do Plano: Manter o crescimento
populacional da arara-azul-de-lear até 2017, garantindo e incrementando a qualidade do hábitat
e envolvendo as comunidades da área de ocorrência da espécie na sua conservação.
Os participantes foram novamente divididos em três grupos para a elaboração dos objetivos
específicos, as quais foram deliberadas em plenária e priorizadas de acordo com o Quadro 2.

Quadro 2 – Objetivos específicos priorizados e número de votos obtidos.
Prioridade

1
2
3

4
5

Objetivos Específicos

votos

Até 2017, Programa de Educação Ambiental Integrado específico para a araraazul-de-lear implementado na área de ocorrência da espécie, em pelo menos
sete municípios, que promova o envolvimento das comunidades no Programa
de Conservação e Manejo da Arara-Azul-de-Lear
Hábitat da arara-azul-de-lear incrementado em qualidade em 5%, até 2017
Programa de Conservação e Manejo da Arara-Azul-de-Lear integrado e fortalecido
até 2017 para gerar, sistematizar e divulgar o conhecimento necessário para o
manejo da espécie e seu habitat, abordando os temas-chave definidos nas ações
Conflitos (prejuízos) causados por ataques de araras-azuis-de-lear em cultivos
de milho minimizados em todos os municípios dentro da área de ocorrência
da espécie
Tráfico de araras-azuis-de-lear reduzido em pelo menos 75% em cinco anos
Total

50
34
34

16
14
148

Após a priorização dos objetivos específicos, a plenária foi dividida em quatro grupos (Objetivo 1, Objetivos 2 e 4, Objetivo 3 e Objetivo 5) para o preenchimento da matriz de planejamento. Todos os trabalhos em grupo foram consolidados em plenária, por consenso na maioria dos casos. O produto obtido, revisado por todos os integrantes da oficina de planejamento participativo,
compõe a parte II deste PAN, se constitui no planejamento pactuado apresentado sob a forma de
matriz de planejamento estratégico e foi aprovado por meio da Portaria ICMBio n° 19, de 17 de
fevereiro de 2012 (ICMBio, 2012a).

82

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

83

3. Implementação e Monitoria do Plano de Ação Nacional

Para que o PAN seja implementado e monitorado, foi estabelecido nos termos da Portaria Conjunta ICMBio/MMA n° 316/2009, o Grupo Assessor do PAN (GA), coordenado pelo
CEMAVE. O coordenador do PAN, Antonio Eduardo Araujo Barbosa (CEMAVE/ICMBio), acionará
os responsáveis pelos objetivos específicos, que se comunicarão com os articuladores e preencherão a matriz de monitoria. A monitoria da implementação do PAN será realizada semestralmente
por meio eletrônico e anualmente por meio de reuniões ordinárias do GA, para acompanhamento
do andamento das ações e os devidos ajustes. Adequações da matriz de planejamento poderão ser
realizadas neste momento para dar seguimento à execução do PAN, inclusive com alteração de interlocutor. Reuniões extraordinárias também poderão ser realizadas caso haja necessidade. No final
de 2014 será realizada uma reunião de meio termo para realizar os devidos ajustes do PAN, podendo ser sugeridas alterações em objetivos específicos, metas, ações e na matriz de planejamento. O
GA acordado durante a Oficina de Planejamento está apresentado no Quadro 3 (ICMBio, 2012b).

Quadro 3 – Grupo Assessor do PAN Arara-azul-de-lear.
Objetivo
Específico
1
2
3
4
5

Responsável
Maria Djalma Andrade de Abreu (Prefeitura Municipal de Euclides da Cunha) e
Simone Fraga Tenório Pereira Linares (Instituto Arara-azul)
José Tiago Almeida dos Santos (ESEC Raso da Catarina)
Cristina Yumi Miyaki (USP)
Simone Fraga Tenório Pereira Linares (Instituto Arara-Azul/Loro Parque)
Kilma Manso Raimundo da Rocha (ECO)

Figura 44 – Participantes da oficina de planejamento participativo para elaboração do PAN arara-azul-de-lear.

84

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

MATRIZ DE PLANEJAMENTO

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

87

Fevereiro
2012

Fevereiro
2012

Fevereiro
2012

Implementar uma Comissão de
divulgação de ações formada por
representantes dos municípios e
de instituições envolvidas no PAN
Arara-azul-de-lear

Realizar uma oficina para formular
um Programa de Educação
Ambiental unificado para a área de
ocorrência da arara, contemplando
as diferenças dos grupos
que formam as comunidades
(gestores, educadores,
representantes das comunidades
e pesquisadores) nas diferentes
localidades

1.2

1.3

INÍCIO

1.1

AÇÕES

Fazer gestão junto aos poderes
públicos municipais para
sensibilizar quanto à importância
do programa de educação
ambiental unificado, voltado à
conservação da arara-azul-de-lear
e do seu ambiente

Julho
2012

Março
2012

Janeiro
2012

TÉRMINO

25.000,00

30.000,00

Maria Djalma
(Secretaria
Municipal de
Agricultura e
Meio Ambiente de
Euclides da Cunha)

Antonio Eduardo
Barbosa
(CEMAVE/ICMBio)

2.000,00

CUSTO (R$)

Maria Djalma
(Secretaria
Municipal de
Agricultura e
Meio Ambiente de
Euclides da CunhaBA)

ARTICULADOR
(Instituição)

Programa de Educação
Ambiental formulado

Comissão formada

Termo de compromisso
assinado pelo gestor

PRODUTO

Thaiane Oliveira (Zoo Salvador); Pedro Lima; Simone Tenorio
(Instituto Arara-azul/Fundação Loro Parque); Maria Djalma
(Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente de Euclides
da Cunha); Ana Campos (Sec. de Agricultura e Meio Ambiente
de Monte Santo); Risodalva Paiva (Sec. de Infraestrutura e Meio
Ambiente de Paulo Afonso); Damião Matias (Sec. de Agricultura
e Meio Ambiente de Santa Brigida); Carlos Augusto Garboggini
(Sec. de Meio Ambiente de Jeremoabo); Jasson de Oliveira
Ferreira (Sec. de Educação de Campo Formoso); Pedro Lima;
Raimundo Rodrigues Filho (Sec. de Planejamento Turismo e Meio
Ambiente de Sento Sé); César Lisboa (INEMA), CEMAVE, Andreza
Amaral (CDT/UNB – INFRAERO); Carlos Roberto Franke (UFBA);
Tailuan Carvalho (AGENDHA); Josilda Monteiro (Colégio Leonardo
Da Vinci, Prefeitura de Canudos, ECO, Thaís Maya (Biodiversitas)

Ana Campos (Sec. De Agricultura e Meio Ambiente de Monte
Santo); Risodalva Paiva (Sec. De Infraestrutura e Meio Ambiente
de Paulo Afonso); Damião Matias (Sec. De Agricultura e Meio
Ambiente de Santa Brígida); Maria Djalma (Secretaria Municipal
de Agricultura e Meio Ambiente de Euclides da Cunha); Carlos
Augusto Barros Garboggine (Sec. de Meio Ambiente de
Jeremoabo); Jasson de Oliveira Ferreira (Sec. de Educação de
Campo Formoso); José dos Santos (Associação dos Artesãos de
Santa Brigida); Tailuan Carvalho (AGENDHA); CEMAVE; Simone
Tenório (Instituto Arara-Azul/Fundação Loro Parque); Pedro Lima;
Raimundo Rodrigues Filho (Sec. de Planejamento Turismo e
Meio Ambiente de Sento Sé), Prefeitura de Canudos, Thaís Maya
(Biodiversitas), ECO

Ana Campos (Sec. de Agricultura e Meio Ambiente de Monte
Santo); Risodalva Paiva (Sec. de Infraestrutura e Meio Ambiente
de Paulo Afonso); Damião Matias (Sec. de Agricultura e Meio
Ambiente de Santa Brigida); Maria Djalma (Secretaria Municipal
de Agricultura e Meio Ambiente de Euclides da Cunha);
Carlos Augusto Barros Garboggini (Sec. de Meio Ambiente de
Jeremoabo); Jasson de Oliveira Ferreira (Sec. de Educação de
Campo Formoso); CEMAVE; Simone Tenório (Instituto AraraAzul/Fundação Loro Parque); Pedro Lima; Raimundo Rodrigues
Filho (Sec. de Planejamento Turismo e Meio Ambiente de Sento
Sé), Prefeitura de Canudos, Thaís Maya (Biodiversitas), Luciana
Khoury (FPI/MP-BA)

COLABORADORES

Objetivo específico 1. Até 2017, Programa de Educação Ambiental Integrado específico para a Arara-Azul-de-Lear implementado na área de ocorrência da espécie, em pelo menos
sete municípios, e que promova o envolvimento das comunidades no Programa de Conservação e Manejo da Arara-azul-de-Lear.

Objetivo: Manter o crescimento populacional da arara-azul-de-lear até 2017, garantindo e incrementando a
qualidade do hábitat e envolvendo as comunidades da área de ocorrência da espécie na sua conservação.

88
PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR
PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

89

Julho
2012

Fevereiro
2012

Fevereiro
2012

INÍCIO

Fevereiro
2012

Fevereiro
2012

Fevereiro
2012

Fevereiro
2013

Fevereiro
2012

Fevereiro
2012

Fevereiro
2012

Formular e divulgar, em meios
de comunicação em massa dos
municípios envolvidos, material
informativo sobre a arara-azul-delear e seu hábitat

Iniciar a implantação do Programa
de Educação Ambiental

Monitorar e avaliar o Programa de
Educação Ambiental

AÇÕES
Efetuar um diagnóstico de uso
e ocupação do solo da área de
ocorrência da arara-azul-de-lear
e definir áreas prioritárias para
recuperação, ampliação e manejo
Articular para a criação e
execução de um Programa de
Incentivo para Preservação de
Áreas Naturais, o plantio de licuri
e de outras fontes nativas de
alimento
Integrar e ampliar o programa de
produção de mudas de plantas
nativas da Caatinga, com ênfase
nas espécies consumidas por
arara-azul-de-lear
Criar e implementar o Plano de
Recuperação de Áreas Degradadas
em áreas prioritárias indicadas na
ação 2.1
Elaborar protocolo de
levantamento e monitoramento de
araras e avaliaçao dos impactos
ambientais, para inserir no
processo de licenciamento em
áreas de ocorrência da espécie
Inserir, em todos os processos
de licenciamento na área de
ocorrência da espécie, os
protocolos de levantamento,
monitoramento e avaliaçao dos
impactos
Estabelecer no processo de
licenciamento a responsabilidade
do empreendedor na manutencão
da populaçao de arara impactada
(medidas mitigadoras,
condicionante, compensação
ambiental)

1.4

1.5

1.6

2.1

2.2

2.3

2.4

2.5

2.6

2.7

Dezembro
2012

Dezembro
2012

Dezembro
2012

TÉRMINO

Não estimado

1.000.000,00

10.000,00

Simone Tenorio
(Instituto Arara-azul/
Fundação Loro
Parque)

Andreza Amaral
(CDT/UNB –
INFRAERO)

CUSTO (R$)

Simone Tenorio
(Instituto Arara-azul/
Fundação Loro
Parque)

ARTICULADOR
(Instituição)

Julho
2012

Julho
2012

Março
2012

Dezembro
2013

Dezembro
2012

Dezembro
2014

Agosto
2012

TÉRMINO

Luana Pimentel
(INEMA)

Luana Pimentel
(INEMA)

Diego Mendes
(ICMBio)

Antonio Eduardo
Barbosa
(CEMAVE/ICMBio)

Antonio Eduardo
Barbosa
(CEMAVE/ICMBio)

Ana Carolina
Carneiro (MMA)

Débora L. Freire
(ECO)

ARTICULADOR
(Instituição)

Não estimado

Não estimado

Não estimado

3.000.000,00

500.000,00

500.000,00

50.000,00

CUSTO (R$)

Número de processos
de licenciamento que
contemplaram o protocolo

Número de processos
de licenciamento que
contemplaram o protocolo

Protocolo elaborado

Plano implementado e
Hectare recuperado

Hectare recuperado

Programa de compensação
estabelecido (número de
propriedades atendidas)

Mapa com as definições
das áreas prioritárias

PRODUTO

Prefeituras, CEMAVE

Prefeituras, CEMAVE

Antonio Eduardo (CEMAVE/ICMBio), Pedro Lima, Kleber
Gomes (CEMAVE/ICMBio) , Érica Pacífico (MZUSP), Joaquim
Rocha (ICMBIO), Thiago Filadelfo (MZUSP), ECO, Simone
Tenório (Instituto Arara-Azul/Fundação Loro Parque)

Anita Studer (Nordesta), Simone Tenório (Instituto Arara-Azul/
Fundação Loro Parque)

Iara Crepaldi (UEFS), ECO, Anita Studer (Nordesta), EFP,
Simone Tenório (Instituto Arara-Azul/Fundação Loro Parque)

ECO, Simone Tenório (Instituto Arara-Azul/Fundação Loro
Parque), Prefeituras, Anita Studer (Nordesta), George
Mauricio (Movimento João de Barro)

Prefeituras, Vivian Uhlig (RAN/ICMBio), Antonio Eduardo
Barbosa (CEMAVE/ICMBio), Anita Studer (Nordesta),
Francisco Pedro

COLABORADORES

Maria Djalma (Secretaria Municipal de Agricultura e Meio
Ambiente de Euclides da Cunha); CEMAVE; César Lisboa
(INEMA); Carlos Augusto Garboggine (Sec. de Meio Ambiente
de Jeremoabo); Carlos Roberto Franke (UFBA), Anita Studer
(Nordesta)

Número de pessoas
participantes nas
ações do Plano em
cada comunidade dos
municípios de incidencia
da arara-azul-de-lear

Número de ações
desenvolvidas

Ana Campos (Sec. De Agricultura e Meio Ambiente de Monte
Santo); Risodalva Paiva (Sec. De Infraestrutura e Meio Ambiente
de Paulo Afonso); Damião Matias (Sec. De Agricultura e Meio
Ambiente de Santa Brigida); Maria Djalma (Secretaria Municipal
de Agricultura e Meio Ambiente de Euclides da Cunha); Carlos
Augusto Garboggine (Sec. de Meio Ambiente de Jeremoabo);
Jasson de Oliveira Ferreira (Sec. de Educação de Campo
Formoso); Pedro Lima; CEMAVE; Carlos Roberto Franke (UFBA);
Andreza Amaral (CDT/UNB – INFRAERO); Raimundo Rodrigues
Filho (Sec. de Planejamento Turismo e Meio Ambiente de Sento
Sé, Prefeitura de Canudos, ECO, Thaís Maya (Biodiversitas), Maria
Djalma (Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente de
Euclides da Cunha)

Número de meios de
comunicação em massa
comprometidas

COLABORADORES
Ana Campos (Sec. de Agricultura e Meio Ambiente de Monte
Santo); Risodalva Paiva (Sec. de Infraestrutura e Meio Ambiente
de Paulo Afonso); Damião Matias (Sec. de Agricultura e Meio
Ambiente de Santa Brigida); Maria Djalma (Secretaria Municipal
de Agricultura e Meio Ambiente de Euclides da Cunha); Marcos
França (Prefeitura de Jeremoabo); Jasson de Oliveira Ferreira
(Sec. de Educação de Campo Formoso); Pedro Lima; CEMAVE;
Raimundo Rodrigues Filho (Sec. de Planejamento Turismo e Meio
Ambiente de Sento Sé), Prefeitura de Canudos, ECO

PRODUTO

Objetivo específico 2. Hábitat da arara-azul-de-lear incrementado em qualidade em 5% até 2017.

INÍCIO

AÇÕES

90
PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR
PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

91

Fevereiro
2012

INÍCIO

Agosto
2012

Fevereiro
2012

Criar o Conselho da ESEC do Raso
da Catarina

AÇÕES

Fazer gestão para implementar a
ESEC Raso da Catarina

Fazer gestão para criar e
implementar a REBIO Arara-azul

2.15

2.16

2.17

2.18

Fevereiro
2012

Fevereiro
2012

Fazer gestão para criar e
implementar o Mosaico do
Boqueirão da Onça (PARNA,
Monumento Natural e APA)

2.14

Fazer gestão para elaborar o
Zoneamento Ecológico Econômico
da região dos municípios com
áreas de ocorrência da arara

Fevereiro
2012

Revisar a IN-191/2008
considerando as atividades
extrativistas e o manejo do licuri

2.13

2.21

Fevereiro
2012

Publicar as diretrizes de boas
práticas de manejo do licuri como
anexo da IN-17 de extrativismo
orgânico

2.12

Fevereiro
2012

Fevereiro
2012

Fomentar a criação de cadeia
produtiva, baseada no extrativismo
sustentável de produtos da
Caatinga, em especial o licuri

2.11

Incentivar a criação de RPPN, com
ênfase nas áreas de nidificação e
alimentação da espécie

Fevereiro
2012

Elaborar e executar um programa
de geração de renda nas
comunidades dentro da área de
ocorrência de arara-azul-de-lear

2.10

2.20

Fevereiro
2012

Promover as atividades de
extensão rural, considerando a
conservação da arara-azul-delear, em pelo menos, sete dos
municipios dentro da área de
ocorrência da espécie

2.9

Fevereiro
2012

Fevereiro
2012

Qualificar as atividades de
extensão rural em boas práticas
do manejo de licuri

2.8

2.19

Fevereiro
2012

Fazer gestão para inserir ações do
Plano de Ação (PAN da Arara-azulde-lear) nos "Planos Diretores"
(PDDUA) de, pelo menos, sete
municipios dentro da sua área de
ocorrência

Acelerar o processo de criação do
NGI das unidades de conservação:
Monumento Natural do Rio São
Francisco, ESEC Raso da Catarina,
ARIE Cocorobó, APA Serra Branca

INÍCIO

AÇÕES

José Tiago Almeida
(ESEC Raso da
Catarina/ICMBio)

Dezembro
2016
(Contínuo)

Dezembro
2013

Dezembro
2013
(Contínuo)

Dezembro
2013

Dezembro
2014

Ana Carolina
Carneiro (MMA)

Kilma Manso (ECO)

Arlindo Gomes
(CR6/ICMBio)

Nelson Yoneda
(COCUC/ICMBio)

CUSTO (R$)

ARTICULADOR
(Instituição)
TÉRMINO

Não estimado

250.000,00

Não estimado

Insignificante

500.000,00

30.000,00

Dezembro
2013

José Tiago Almeida
(ESEC Raso da
Catarina/ICMBio)

Não estimado

Não estimado

50.000,00

500.000,00

525.000,00

100.000,00

Não estimado

CUSTO (R$)

600,00

Ana Carolina
Carneiro (MMA)

Ana Carolina
Carneiro (MMA)

Ana Carolina
Carneiro (MMA)

Simone Tenório
(Instituto Arara-Azul/
Fundação Loro
Parque)

Kilma Manso (ECO)

Ana Carolina
Carneiro (MMA)

Maria Djalma
(Secretaria
Municipal de
Agricultura e
Meio Ambiente de
Euclides da Cunha)

ARTICULADOR
(Instituição)

Nelson Yoneda
(COCUC/ICMBio)

Dezembro
2013

Julho
2012

Julho
2012

Dezembro
2013

Dezembro
2013
(Contínuo)

Dezembro
2014
(Contínuo)

Dezembro
2012

Dezembro
2014

TÉRMINO

ZEE elaborado

Número de RPPN criadas

NGI criado

Etapas do processo
concluída

Unidade demarcada e
sinalizada

PRODUTO

Conselho criado

Mosaico criado e
implementado

Nova IN publicada

Anexo inserido na IN-17

Cadeia de valor
estabelecida no estado da
Bahia

Programa elaborado e
implementado em, no
mínimo, 2 municípios

Número de propriedades
com utilização das técnicas

Número de técnicos de
ATER capacitados

Planos diretores
contemplados com ações
de conservação para arara

PRODUTO

ZEE-MMA

Simone Tenório (Instituto Arara-Azul/Fundação Loro Parque)

Ana Carolina Carneiro (MMA), Alan Crema (ICMBio), Arlindo
Gomes (CR6/ICMBio)

Ana Carolina Carneiro (MMA), Pesquisadores, ONG's,
Prefeituras

Prefeituras, ONG's, Ana Carolina Carneiro (MMA),
Marisanta Farias Nobrega (CR6-ICMBio)

COLABORADORES

Prefeituras, ONG's, Ana Carolina Carneiro (MMA), Marisanta
Farias Nobrega (CR6-ICMBio)

Ana Carolina Carneiro (MMA)

Antonio Eduardo (CEMAVE/ICMBio), Kilma Manso (ECO)

Ana Carolina Carneiro (MMA)

Pesquisadores, SEBRAE, Simone Tenório (Instituto AraraAzul/Fundação Loro Parque) , George Mauricio (Movimento
João de Barro), Kilma Manso (ECO)

Antonio Carlos Borges (SEBRAE), George Mauricio
(Movimento João de Barro)

Ana Carolina Carneiro (MMA), Pesquisadores, Simone
Tenório (Instituto Arara-Azul/Fundação Loro Parque)

Pesquisadores, Kilma Manso (ECO), Simone Tenório
(Instituto Arara-Azul/Fundação Loro Parque)

Prefeituras, CEMAVE, George Mauricio (Movimento João de
Barro)

COLABORADORES

92
PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR
PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

93

INÍCIO

Julho
2012

Janeiro
2012

Março
2014

Setembro
2012

Julho
2012

Julho
2012

Março
2014

INÍCIO

Fevereiro
2012

Março
2013

Março
2014

Dezembro
2006

Julho
2015

Fevereiro
2012

Março
2014

AÇÕES

Realizar oficina com objetivo de
criar o Programa Integrado de
Pesquisa para a Conservação da
Arara-azul-de-lear para ordenar e
integrar as ações de pesquisa

Dar continuidade ao monitoramento
populacional (censo) anual da
espécie
Desenvolver pesquisas sobre a
ecologia alimentar da arara ao longo
do ano, incluindo o milho

Realizar levantamento da
população, dormitórios e sítios
reprodutivos na região do Boqueirão
da Onça
Realizar estudos nos indivíduos
que já estão em cativeiro, visando
desenvolver metodologias e
protocolo para uso de transmissores
e marcação individual a ser aplicado
na população selvagem
  Realizar pesquisas sobre o
deslocamento diário, uso de hábitat,
área de vida e área de distribuição
potencial para a espécie na
população selvagem
Realizar pesquisas para entender
a razão pela qual as araras não
utilizam o licuri em algumas regiões
dentro de sua área de ocorrência

AÇÕES
Desenvolver pesquisa sobre o
impacto da retirada de folha apical
"olho" do licurizeiro, para subsidiar
a normatização adequada para uso
sustentável da palmeira, visando
subsidiar os itens 2.10 e 2.11
Desenvolver pesquisas
sobre fatores que impactam a
produtividade da palmeira na área
de ocorrência da arara, como
queimadas, impacto do pastoreio
sobre o recrutamento, retirada de
frutos pela comunidade, densidade
e dispersores
Realizar estudos sobre a
frequência de reprodução por
casal e tamanho da população
reprodutiva na Ecorregião do Raso
da Catarina, especialmente nos
sítios reprodutivos da ESEC Raso
da Catarina
Realizar estudos genéticos
(estrutura populacional, sexagem e
similaridade genética) e saúde de
indivíduos selvagens
Compilar dados e acompanhar a
idade de primeira reprodução e o
potencial reprodutivo por casal
Realizar pesquisas sobre soltura
experimental para revigoramento da
populacão da região do Boqueirão
da onça, de acordo com a IN
179/2008, caso identificada
necessidade deste reforço
populacional
Oficializar o Programa de Cativeiro
da espécie

3.1

3.2

3.3

3.4

3.5

3.6

3.7

3.8

3.9

3.10

3.11

3.12

3.13

3.14

Fevereiro
2017

Julho
2012

Fevereiro
2017

Dezembro
2015

Fevereiro
2017

Dezembro
2017

Dezembro
2012

TÉRMINO

Fevereiro
2017

Dezembro
2016

Dezembro
2013

Dezembro
2012

Fevereiro
2017

Dezembro
2016

Dezembro
2012

TÉRMINO

100.000,00

Não estimado

Gerson Norberto
(Parque
Zoobotânico
Getúlio Vargas)

Não estimado

40.000,00

40.000,00

200.000,00

Camile Lugarini
(CEMAVE/ICMBio)

Thiago Filadelfo
(UFBA)

Cristina Miyaki
(USP)

Antonio Eduardo
Barbosa (CEMAVE/
ICMBio)

José Tiago Almeida
(ESEC Raso da
Catarina)

30.000,00

CUSTO (R$)

ARTICULADOR
(Instituição)

Luciano Copello
(SEMEAR)

200.000,00

100.000,00

5.000,00

30.000,00

200.000,00

150.000,00

25.000,00

CUSTO (R$)

Antonio Eduardo
Barbosa
(CEMAVE/ICMBio)

Thiago Filadelfo
(MZUSP)

Thiago Filadelfo
(MZUSP)

Antonio Eduardo
Barbosa
(CEMAVE/ICMBio)

Antonio Eduardo
Barbosa
(CEMAVE/ICMBio)

Antonio Eduardo
Barbosa
(CEMAVE/ICMBio)

Antonio Eduardo
Barbosa
(CEMAVE/ICMBio)

ARTICULADOR
(Instituição)

Programa oficializado

Informação disponibilizada

Informação disponibilizada

Informação disponibilizada

Informação disponibilizada

Informação disponibilizada

Informação disponibilizada e
normatização realizada

PRODUTO

Informação disponibilizada

Informação disponibilizada

Protocolo estabelecido

Expedições realizadas

Informação disponibilizada

Monitoramento realizado e
informação disponibilizada
anualmente

Oficina realizada

PRODUTO

CEMAVE, Marcelo Reis (COPAN), Linda Wittkoff e William
Wittkoff (Fundação Lymington), Guilherme Destro (CGFIS/
IBAMA), Yara Barros (Parque das Aves), Carlos Roberto
Franke (UFBA), Érica Pacífico (MZUSP),Cristina Miyaki
(USP), Anita Studer (Nordesta).

Cristina Miyaki (USP), Kleber Gomes (CEMAVE/ICMBio),
José Tiago Almeida (ESEC Raso da Catarina/ICMBio), Thiago
Filadelfo (MZUSP), Neiva Guedes (Instituto Arara Azul),
Yara Barros (Parque das Aves), Luiz Pereira (CEMAFAUNA/
UNIVASF)

Yara Barros (Parque das Aves), Neiva Guedes (Instuto AraraAzul), Mathias Reinschmidt (Fundação Loro Parque), Ryan
Watson (AWWP), Linda Wittkoff e William Wittkoff (Fundação
Lymington), Thaiane Oliveira (Zoo Salvador), Cristina Miyaki
(USP)

Camile Lugarini (CEMAVE), José Tiago Almeida (ESEC
Raso da Catarina/ICMBio), Érica Pacífico (MZUSP), Thiago
Filadelfo (MZUSP), Silvia Neri Godoi (ICMBio), Mariângela
Allgayer (ULBRA), Luiz Pereira (CEMAFAUNA/UNIVASF)

Kleber Gomes(CEMAVE/ICMBio), José Tiago Almeida (ESEC
Raso da Catarina/ICMBio), Érica Pacífico (MZUSP), Thiago
Filadelfo (MZUSP), Luiz Pereira (CEMAFAUNA/UNIVASF)

Iara Crepaldi (UEFS), Isabel Machado (UFPE), Kilma Manso
(ECO), Caio Graco (UEFS), Simone Tenório (Instituto AraraAzul/Fundação Loro Parque)

Iara Crepaldi (UEFS), Thiago Filadelfo (MZUSP), José dos
Santos Braga (AASB), Kleber Gomes (CEMAVE/ICMBio),
Gustavo (EBDA / ATES), Simone Tenório (Instituto AraraAzul/Fundação Loro Parque), Ana Carolina Carneiro (MMA),
Isabel Machado (UFPE), Kilma Manso (ECO), Simone Tenório
(Instituto Arara-Azul/Fundação Loro Parque)

COLABORADORES

José Tiago Almeida (ESEC Raso da Catarina/ICMBio), Caio
Graco (UEFS), Manuella Souza (CEMAVE/ICMBio), Fabiana
(REBIO Gurupi), Isabel Machado (UFPE), Kilma Manso
(ECO), Luiz Pereira (CEMAFAUNA/UNIVASF)

Érica Pacífico (MZUSP), Thiago Filadelfo (MZUSP), Manuella
Souza (CEMAVE/ICMBio), Kleber Gomes (CEMAVE/ICMBio),
Luiz Pereira (CEMAFAUNA/UNIVASF), ECO

Yara Barros (Parque das Aves), Neiva Guedes (Instituto
Arara-Azul), Mathias Reinschmidt (Fundação Loro Parque),
Ryan Watson (AWWP), Linda Wittkoff e William Wittkoff
(Fundação Lymington), Thaiane Oliveira (Zoo Salvador), Érica
Pacífico (MZUSP)

Nelson Yoneda (COCUC/ICMBio), Thiago Filadelfo (MZUSP),
José Tiago (ESEC Raso da Catarina/ICMBio), Eurivaldo
Macedo (Biodiversitas), Pedro Lima, Raimundo Rodrigues
Filho (Sec. de Planejamento Turismo e Meio Ambiente de
Sento Sé), Jasson de Oliveira Ferreira (Sec. de Educação
de Campo Formoso), Luiz Pereira (CEMAFAUNA/UNIVASF),
ECO, Francisco Pedro.

José Tiago Almeida (ESEC Raso da Catarina/ICMBIO), Caio
Graco (UEFS), Érica Pacífico (MZUSP), Isabel Machado
(UFPE), Kilma Manso (ECO), Luiz Pereira (CEMAFAUNA/
UNIVASF), Simone Tenório (Instituto Arara-Azul/Fundação
Loro Parque)

José Tiago Almeida (ESEC Raso da Catarina/ICMBio), Thaís
Maya (Biodiversitas), Voluntários da Comunidade, ECO,
Francisco Pedro

José Tiago Almeida (ESEC Raso da Catarina/ICMBio),
Iara Crepaldi (UEFS), Caio Graco (UEFS), Cristina Miyaki
(USP), Érica Pacífico (MZUSP), Thaís Maya (Biodiversitas),
Yara Barros (Parque das Aves), Neiva Guedes (Inst. AraraAzul), Kilma Manso (ECO), Dorival Pereira (UNEB - Paulo
Afonso), Mathias Reinschmidt (Fund. Loro Parque), Ryan
Watson (AWWP), Isabel Machado (UFPE), Luiz Pereira
(CEMAFAUNA/UNIVASF), Simone Tenório (Instituto AraraAzul/Fundação Loro Parque), Anita Studer (Nordesta)

COLABORADORES

Objetivo específico 3. Programa Integrado de Pesquisas para a Conservação da arara-azul-de-lear implementado até 2017 para gerar, sistematizar e divulgar o conhecimento
necessário para o manejo da espécie e seu hábitat, abordando os temas-chave definidos nas ações

94
PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR
PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

95

Fevereiro
2012

Fevereiro
2012

Fevereiro
2012

INÍCIO

Agosto
2012

Agosto
2012

Agosto
2012

Fevereiro
2012

Manter e aprimorar o Projeto de
monitamento de ataques de arara
aos milharais
Fazer gestão para a criação de um
Programa de "Ressarcimento de
Safra" específico para os prejuizos
causados por ataques de arara-azul,
junto ao MDA e/ou MDS
Fazer gestão junto aos colegiados
dos territórios da cidadania
para utilização dos recursos no
ressarcimento das perdas de milho
por ataques de arara

AÇÕES
Mapear os órgãos de repressão
ao tráfico situados na região
de ocorrência da arara e a sua
capacidade de operação e apoio
às atividades do PAN (postos,
telefonia, equipe, infraestrutura) e
realizar um diagnóstico do número
de araras traficadas por ano, rota
do tráfico nacional e internacional
por meio de apreensões, denúncias
e resgates pela COPPA, INEMA,
PRF, PC, PF, PM, IBAMA, ICMBIO,
guardas municipais e agências
internacionais
Fazer gestão, por meio de
sensibilização e capacitaçãode
equipes que serão mapeadas na
ação 5.1 para a apuração dos
crimes ambientais de tráfico de
araras-azuis-de-lear, por meio
de reuniões, estabelecimento de
termos de compromisso e de um
programa de capacitação
Estabelecer o protocolo de fluxo
de informação necessário desde
o nível municipal até os órgãos
competentes, a fim de priorizar as
denúncias de tráfico de ararasazuis-de-lear e divulgar o número
de telefone e email definido neste
protocolo
Articular a autorização para
acesso às áreas, especialmente
aos paredões da Serra Branca e
Barreira, dos vigilantes ambientais
citados na ação a seguir (5.5) e
pesquisadores ligados às pesquisas
vinculadas à Meta 3, por meio de
um termo de compromisso com os
respectivos proprietários rurais

4.1

4.2

4.3

5.1

5.2

5.3

5.4

Dezembro
2013

Dezembro
2013

Outubro
2012
(Contínuo)

TÉRMINO

Ana Carolina
Carneiro (MMA)

Ana Carolina
Carneiro (MMA)

Débora L. Freire
(ECO)

ARTICULADOR
(Instituição)

Não estimado

Não estimado

180.000,00

CUSTO (R$)

Recurso alocado para o
resarcimento

Programa criado

Amostragens efetuadas

PRODUTO

Dezembro
2012

Maio
2013

Julho
2013

Dezembro
2012

TÉRMINO

George Luiz Siqueira
(Fundação Serra
Branca)

Kilma Manso (ECO)

Luciana Khoury
(FPI/MPBA)

Luciana Khoury
(FPI/MPBA)

ARTICULADOR
(Instituição)

Não estimado

Não estimado

40.000,00

5.000,00

CUSTO (R$)

Termo de compromisso
assinado e sendo cumprido
integralmente

Programa estabelecido e
implantado

Termos de compromisso
assinado e capacitação
realizada

1. Mapa elaborado; 2.
Rota e número de araras
apreendidos e resgatados;
3. Serviço de inteligência
direcionado para combate
ao tráfico da arara-azul-delear ampliado

PRODUTO

COLABORADORES

Otávio Nolasco Farias (Fundação Serra Branca), Josilda
Monteiro (Colégio Leonardo Da Vinci), José Thiago
Almeida (ESEC Raso da Catarina/ICMBio), Antonio Eduardo
(CEMAVE/ICMBio)

Josilda Monteiro (Colégio Leonardo Da Vinci), Conselho
Municipal de Segurança de Jeremoabo, Raimundo Rodrigues
Filho (Sec. de Planejamento Turismo e Meio Ambiente de
Sento Sé), George Luiz Siqueira (Fundação Serra Branca),
Prefeituras dos municípios de ocorrência da arara, Luana
Pimentel (INEMA), Otávio Nolasco Farias (Fundação Serra
Branca), Marcelo Carvalho (PRF), PF, PM, Antonio Eduardo
(CEMAVE/ICMBio)

Luana Pimentel (INEMA), promotores e juízes, ICMBIO,
Guilherme Destro (IBAMA), Polícia Federal (PF), Polícia
Rodoviária Federal (PRF), Ministério Público (MP), Polícia
Militar (PM), Companhia de Polícia e Proteção Ambiental da
Bahia (COPPA), Kilma Manso (ECO)

Guilherme Destro (CGFIS/IBAMA), Marcelo Carvalho (PRF),
Luana Pimentel (INEMA), George Luiz Siqueira (Fundação
Serra Branca), Augusto Cezar (APA Serra Branca/INEMA),
Antonio Eduardo Barbosa (CEMAVE/ICMBio), CGPRO/
ICMBIO, José Tiago Almeida (ESEC Raso da Catarina/
ICMBio), Promotora Luciana Khoury (FPI/MPBA), Interpol,
Secretário de Meio Ambiente da Bahia, Kilma Manso (ECO)

COLABORADORES

Simone Tenório (Instituto Arara-azul/Fundação Loro
Parque), Prefeituras, William Wittkoff (Fundação
Lymington), Anita Studer (Nordesta)

Simone Tenório (Instituto Arara-azul/Fundação Loro
Parque), Prefeituras, William Wittkoff (Fundação
Lymington), Maria Djalma (Secretaria Municipal de
Agricultura e Meio Ambiente de Euclides da Cunha-BA),
ECO, Anita Studer (Nordesta)

CEMAVE, Linda Wittkoff e William Wittkoff (Fundação
Lymington), Luiz Pereira (CEMAFAUNA/UNIVASF), Anita
Studer (Nordesta), José Selmi (NUTROPICA)

Objetivo específico 5. Tráfico de araras-azuis-de-Lear reduzido em pelo menos 75% em cinco anos.

INÍCIO

AÇÕES

Objetivo específico 4. Prejuízos (conflitos) causados por ataques de araras-azul-de-lear em cultivos de milho minimizados em todos os municípios dentro da área de ocorrência da espécie.

96
PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR
Fevereiro
2012

Fevereiro
2012

Articular e implantar um programa
de vigilância comunitária ambiental
contínua durante o período de
nidificação nas áreas de reprodução
(Serra Branca e Toca Velha) e nas
áreas de alimentação de Barreira,
inclusive avaliando a possibilidade
de uso de rádio-comunicação para
os vigilantes e monitoramento dos
ninhos por câmeras
Criar e implementar um protocolo
de destinação para as ararasazuis-de-lear resgatadas e/ou
apreendidas, avaliando inclusive a
viabilidade de implantação de um
CRAS em Jeremoabo específico
para a espécie

5.5

5.6

Foto: Fabio Nunes

INÍCIO

AÇÕES

Publicado
juntamente
com o PAN e
implementação
contínua

Novembro
2013

TÉRMINO

Camile Lugarini
(CEMAVE/ICMBio)

George Luiz Siqueira
(Fundação Serra
Branca)

ARTICULADOR
(Instituição)

Não
significativo

280.000,00

CUSTO (R$)

Protocolo publicado e
sendo utilizado. Viabilidade
do CRAS avaliada

Programa estabelecido e
implantado

PRODUTO

Kilma Manso (ECO), Simone Campos (SUPES/IBAMA-BA),
George Luiz Siqueira (Fundação Serra Branca), Moacyr
Antonio Moraes (Criadouro Haras D'Amato), Josilda
Monteiro (Colégio Leonardo Da Vinci), Guilherme Destro
(IBAMA), Luana Pimentel (INEMA), Antonio Eduardo Barbosa
(CEMAVE/ICMBio), Marcelo Sampaio (ADAB e Maçonaria
Filhos de São João), Otávio Nolasco Farias (Fundação Serra
Branca), Thaiane Oliveira (Zoo Salvador), Marcos Antonio
França (Prefeitura de Jeremoabo)

Otávio Nolasco Farias (Fundação Serra Branca), Josilda
Monteiro (Colégio Leonardo Da Vinci), Biodiversitas,
Proprietários rurais envolvidos, José Thiago Almeida (ESEC
Raso da Catarina/ICMBio)

COLABORADORES

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AB’SABER, A. 1977. Os domínios morfoclimáticos da América do Sul: primeira aproximação.
Geomorfologia, v. 52, p. 1-21.

BONDAR, G. G. 1938. O licurizeiro Cocos coronata Mart. e suas possibilidades na
economia brasileira. Instituto Central de Fomento Econômico da Bahia, Boletim 2. 18p.

AMARAL, A. C. A.; HERNANDEZ, I. M.; XAVIER, B. F.; BELLA, S. D. 2005. Dinâmica de
ninho de arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari Bonaparte, 1856) em Jeremoabo, Bahia.
Ornithologia, v.1, p. 59-64.

BRANDT, A.; MACHADO, R. B. 1990. Área de alimentação e comportamento alimentar de
Anodorhynchus leari. Ararajuba, v. 1, p. 57-63.

ARAÚJO, J. C. C.; SCHERER-NETO, P. 1997. Programa de conservação e manejo da araraazul-de-lear – 1º ano de campo. In: Congresso Brasileiro de Ornitologia, 6., 1997, Belo
Horizonte. Anais... Belo Horizonte, UFMG: 1997. p. 49.
ARAÚJO, J. C. C. 1996. Relatório Técnico Parcial das Atividades de Campo (novembro
de 1995 a abril de 1996). Fundação Biodiversitas: Programa de Conservação e Manejo da
Arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari).
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106

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

107

Foto:Fabio Nunes

ANEXOS

ANEXO 1
PROTOCOLO DE RESGATE E DESTINAÇÃO DE
ARARAS-AZUIS-DE-LEAR (Anodorhynchus leari)
Camile Lugarini
Antonio Eduardo Araujo Barbosa

Este Protocolo visa atender à ação 5.6 do Plano de Ação para a Conservação da arara-azul-de-lear “Criar e implementar um protocolo de destinação para as araras-azuis-de-lear resgatadas e/
ou apreendidas, avaliando, inclusive, a viabilidade de implantação de um centro de reabilitação de
animais silvestres - CRAS, em Jeremoabo, específico para a espécie”. A elaboração deste Protocolo
baseou-se na norma vigente atualmente no Brasil sobre diretrizes e procedimentos para a destinação
de animais silvestres, a Instrução Normativa (IN) IBAMA 179, de 25 de junho de 2008, nas diretrizes
da Sociedade Brasileira de Ornitologia para a destinação de aves silvestres provenientes do tráfico e
cativeiro e nas informações científicas na área médico-veterinária disponíveis para Psittaciformes.

Quando do atendimento das chamadas de resgate para araras-azuis-de-lear nos municípios
de ocorrência natural da espécie deve-se procurar obter informações necessárias para a sua manutenção e destinação de acordo com a Ficha de recebimento de araras-azuis-de-lear. As instituições
responsáveis pelo resgate serão: Polícia Militar da Bahia, IBAMA, ICMBio e Polícia Rodoviária Federal (ver quadro de contatos)(Figura 1).

As aves deverão passar por uma avaliação quanto à idade (se filhote, sem condições de
alimentação e sobrevivência sozinho, encaminhar para cativeiro), ao aspecto geral, ferimentos externos (cabeça, cavidade oral, asas e pernas), capacidade de voo e habituação com o homem. Ao
Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (CEMAVE) poderá ser solicitado que
realize a avaliação destes espécimes. Caso a ave se encontre em perfeito estado, realizar tentativa
de soltura (retorno imediato à natureza) na área de alimentação ou dormitório onde foi encontrada.

Segundo a IN IBAMA179/08, o retorno imediato à natureza é permitido somente quando o espécime for recém-capturado na natureza, houver comprovação do local de captura na natureza, a espécie
ocorrer naturalmente no local e não apresentar problemas que impeçam a sobrevivência ou adaptação em
vida livre. Ressalta-se que animais que ficarem temporariamente em cativeiro também poderão retornar
imediatamente à natureza, desde que estejam isolados de outros animais e sob rígido controle sanitário.
Caso haja alguma alteração comportamental ou física que impossibilite a sua soltura ou se
o indivíduo foi mantido em domicílio por período prolongado, encaminhar para o Parque Zoobotânico Getúlio Vargas, em Salvador/BA (Figura 1).

Para o transporte deve-se requerer guia de transporte na Superintendência (SUPES) do
IBAMA/BA, sendo a pessoa autorizada pelo IBAMA responsável pelo transporte do animal. A Polícia
Militar Ambiental também pode realizar o transporte.

As araras deverão ser transportadas preferencialmente em caixas de transporte de madeira,
individuais, previamente desinfetadas, sem poleiros, alimento ou água, em período noturno e nunca
nas horas mais quentes do dia. As caixas deverão ter dimensões necessárias para a boa acomodação
das araras, mas sem que possibilitem grande movimentação (aproximadamente 60 x 60 cm), para
evitar acidentes e fraturas. A caixa deve ser escura, com portas tipo guilhotina, com furos ou aberturas na parte superior para permitir a entrada de ar. As aves devem ser cuidadosamente capturadas e
contidas com toalhas, luvas de raspa de couro ou puçás. A alimentação (licuri, coco, milho) e a água
devem ser disponibilizadas duas horas antes do transporte, pois pode haver regurgitação durante o
transporte. Se o transporte for realizado no mesmo dia do resgate não é necessário alimentá-la. Entretanto, filhotes devem receber alimentação em intervalos pequenos, uma hora antes do transporte.
Durante o transporte não deixar alimentos, água ou recipientes dentro da caixa de transporte.

110

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

Figura 1 – Fluxograma de procedimentos de resgate, transporte e manutenção temporária de araras-azuis-de-lear resgatadas na área de ocorrência.

Durante o transporte observar a ave periodicamente (a cada hora aproximadamente). Se
filhote, em transporte prolongado, oferecer alimentação a cada duas horas.

As araras provenientes de apreensão ou entrega voluntária (araras mantidas em domicílio)
nos municípios de ocorrência da espécie ou outros municípios, inclusive postos da Polícia Rodoviária Federal, deverão ser encaminhadas para o Parque Zoobotânico Getúlio Vargas. A Ficha de
recebimento de araras-azuis-de-lear deverá ser preenchida pelos responsáveis pelo recebimento
do animal (Figura 2). O transporte ficará a cargo da: Polícia Militar da Bahia, IBAMA, ICMBio e
Polícia Rodoviária Federal (ver quadro de contatos).

Figura 2 – Fluxograma de procedimentos de resgate, transporte e manutenção temporária de araras-azuis-de-lear apreendidas ou entregues voluntariamente.

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

111

Para cada ave resgatada/apreendida a equipe de resgate deve levantar informações, com o
maior detalhamento possível:
• Histórico com origem (natureza/cativeiro) e condições do animal e idade;
• Condições de manejo em cativeiro: instalações (livre/recinto), proximidade com outras espécies domésticas e silvestres, tipo de alimentação, dentre outras.
Estas informações devem constar do histórico da Ficha de recebimento de araras-azuis-de-lear, a
qual deve acompanhar a arara até a instituição para manutenção temporária (Parque Zoobotânico
Getúlio Vargas).

Efetuar a avaliação das condições físicas e proceder de acordo com cada caso:

• Ave com ferimento: garantir os primeiros socorros antes do transporte, como, na presença de


fraturas, a limpeza da ferida e mobilização e, na presença de hemorragia, estancá-la.
Ave prostrada: fornecer imediatamente alimento (licuri em cacho, coco e/ou milho) ou pastoso (preferencialmente rações ou papinhas industrializadas para psitacídeos1, seguindo as
instruções do fabricante, além de glicose e/ou outro suplemento2) com sonda. A sondagem e
administração de fluidoterapia3 devem ser realizadas por médico veterinário.
Filhotes emplumados: alimentando-se sozinhos realizar a inspeção geral, contenção, acondicionamento na caixa de transporte e fornecimento de alimentação (licuri, coco e/ou milho)
e água, e transportá-lo.
Filhotes sem penas dependentes dos pais: realizar a inspeção geral, aquecimento à aproximadamente 30°C (ambiente aquecido ou bolsas de água quente) e fornecer alimento pastoso
com auxílio de colheres ou sonda. O alimento pastoso poderá ser disponibilizado a partir dos
itens alimentares, especialmente frutos ou amêndoas de licuri, triturados no liquidificador e
misturados à água filtrada ou fervida. Não pode ser muito líquido a fim de evitar aspiração.
Também podem ser oferecidas papinhas industriais para psitacídeos seguindo a recomendação do fabricante.
Em hipótese alguma fornecer leite ou outro tipo de papinha caseira (contendo farinha de
mandioca ou outras).

As aves recebidas pelo Parque Zoobotânico Getúlio Vargas deverão permanecer em quarentena por 30 a 60 dias em instalações (recinto ou gaiolas) apropriadas. Aves com possibilidade
de retorno imediato à natureza poderão ser soltas sem passar por quarentena, desde que isoladas e
mantidas no Zoológico por somente alguns dias.
No momento do recebimento deve ser aberta uma Ficha Individual, que deve conter um
número de cadastro correspondente que acompanha o indivíduo até a destinação. Nesta ficha
será feita a sua identificação quanto à idade estimada, procedência e dados relativos à biometria.
Durante o período em que o indivíduo permanecer na quarentena deverão ser anotadas em seu
prontuário as observações diárias, dados relativos à massa corpórea e procedimentos realizados.
Somente os técnicos e tratadores devem ter acesso ao recinto e o contato, mesmo que visual,
deve ser evitado.

As aves passarão por um exame clínico criterioso por um veterinário (inspeção de estado
geral, estado da plumagem, grau de hidratação, mucosas, cabeça, cavidade oral, olhos, ouvidos,
pescoço, escore corporal, corpo e membros, buscando notar ferimentos, fraturas, massas, tumores
ou sinal de doenças, além de ectoparasitos), massa corpórea e biometria. Será colhido material
biológico (sangue, swabs cloacal e orofaríngeo e fezes) para a realização dos exames listados na
Tabela 1. Sugestões de laboratório estão contempladas na Tabela 2 . Em caso de resultados positivos
para parasitos gastrintestinais, as aves deverão ser tratadas com vermífugo apropriado e o exame
coproparasitológico repetido, não inviabilizando a sua soltura. Cabe ressaltar que não existe padrão
hematológico específico para a espécie, podendo ser utilizado como parâmetro os resultados de

hemograma e bioquímicos realizados anteriormente em animais sadios ou para espécies aparentadas (Tabela 3). Os animais que apresentarem alterações clínicas no decorrer do programa deverão
ser submetidos a novos exames com a finalidade de diagnosticar a causa das alterações e tratamentos, quando couber.

Tabela 1 – Exames

a serem realizados em araras-azuis-de-lear na entrada da quarentena, constando o agente etiológico pesquisado, o material biológico coletado, o método de diagnóstico e a indicação de possíveis laboratórios para a realização do exame.
Agente etiológico
Microbiota cloacal e
Mycobacterium
-

Material biológico
Fezes
Sangue

Haemoproteus,
Leucocytozoon, Plasmodium,
microfilárias e outros

Esfregaço sanguíneo e
uma gota de sangue

Ectoparasitos

Ectoparasitos (álcool 70%)

Toxoplasma gondii

Soro (-4º C)

Paramixovírus (PMV-1)

Swab cloacal e/ou
orofaríngeo

Método diagnóstico

Laboratório

Coloração Gram e Ziehl Neelsen e visualização
em microscópio óptico

UFBA

Hemograma e bioquímico (AST, Fosfatase alcalina,
LDH, ácido úrico e creatinina)

UFBA

Pesquisa de hemoparasitos (microscopia óptica
com coloração Giemsa ou Rosenfeld ou PCR)

UFRPE

Identificação por chaves taxonômicas

UFRPE

MAT ou RIFI

UFRPE

RT-PCR

Fezes
Chlamydophila psittaci

Swab cloacal e/ou
orofaríngeo

PCR

Fezes
Salmonella spp.
Alpha-herpesvírus de Pacheco
(PDV)

Swab cloacal armazenado
em meio Stuart

Cultura bacteriana específica

Fezes

PCR

Fezes

PCR

LANAGRO
Unigen
UFBA
Unigen

Unigen

Unigen

Polyomavírus (APPV)

Fezes

PCR

Unigen

Circovírus

Fezes

PCR

Unigen

Influenza A

Fezes

RT-PCR

LANAGRO

Vírus da doença do Oeste do
Nilo (WNV)

Swab orofaríngeo

PCR

LANAGRO

Coronavírus

Swab de orofaringe e
cloaca

PCR

UNICAMP

Bornavírus

Fezes

PCR

Unigen

Bactérias e fungos

Swab cloacal e/ou
orofaríngeo

Cultura

HC-UFPR

Mycoplasma gallisepticum e
M. sinovae

Soro (-4º C por no
máximo 24 h)

SAR modificada

Parasitológico (3 repetições
com intervalo de 15 dias)

Fezes
Sangue

Unigen

Willis-Mollay ou Sheater e
Hoffman
Sexagem e estudo genético

UFBA
USP

Sugestão: Alcon Club para filhotes de araras ou papinha para psitacídeos da Nutrópica.
Sugestão: Aminomix pet, Glicopan ou Hemolitan.
3
Sugestão: Ringer com lactato, solução fisiológica com glicose 50%, via intra-óssea ou subcutânea.
1
2

112

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

113

Tabela 2 – Relação

de exames a serem realizados, material biológico requisitado, conservante,

laboratório e endereço.
Exame/Agente etiológico
Mix (PMV-1, PDV, APPV,
Chlamydophila psittaci,
Salmonella spp., Circovírus,
Bornavírus, Influenza aviária,
Poxvírus, Poliomavírus e
Herpesvírus da laringotraqueíte)

Cryptococcus spp., Candida
spp. e outros fungos

Material biológico

Fezes

Swabs de cloaca, papo,
coana e traqueia

Conservante
Microtubo (1/3 do volume do
conservante)
Mantido em temperatura
ambiente e ao abrigo da luz

Tubo estéril com solução salina
ou meio Stuart encaminhado
em isopor sem refrigeração

Hemograma completo e
bioquímica sérica (AST, LDH,
ácido úrico)

0,1 a 0,2 ml de sangue

1 a 2 ml de sangue

Microtubo com 0,5-0,7 ml de
etanol 100%

Tubo com heparina ou seringas
heparinizadas

Esfregaço sanguíneo
Hemoparasitos e parasitos
Parasitos

Unigen
R. Dr. Zuquim, 1720, CJ. 62
Santana
São Paulo/SP
CEP: 02.035-022
(11) 6979-1528/6950-7296

Fezes

Refrigeradas por no máximo
7 dias

Influenza e paramixovírus-1

Swabs traqueais,
orofaríngeos ou cloacais

A. hyacinthinus
Godoy (2007)***

Hemácias (x106/µL)

3,1

3,2

3,7

2,9-3,4

Hg (d/dL)

12,9

19,3

19,7

15,4-18

45

49

47

43-53

Hemograma

Ht (%)

145

153,12

127,02

145-156

HCM

41,6

60,31

53,48

45,2-54,6

28,7

39,38

42,1

30,2-37,3

R. Pe Camargo, 280
Alto da Glória
Curitiba/PR
CEP: 80.060-240
Tel. (41) 3360-1800

Trombócitos (/µL)

11.104

-

-

Dra. Cristina Yumi Miyaki
Rua do Matão, 277
São Paulo/SP
CEP:05.508-090
(11) 3091-8055
cymiyaki@usp.br
cymiyaki@ib.usp.br
Tel: (11) 3091-7582
(11) 3091-7553
Laboratório de Pesquisa
Hospital de Medicina Veterinária
- UFBA
Maria Consuelo Caribe Ayres
Av. Ademar de Barros, 500,
Ondina
CEP: 40.170-110

CHGM
Leucócitos (x103/µL)

10,15

9,4

8,8

5,6-8,9

Heterófilos (/µL)

6.699 (66%)

4.512 (48%)

4.928 (56%)

58-78%

Linfócitos (/µL)

2.943,5 (29%)

4.230 (45%)

2.992 (34%)

20-45%

Monócitos (/µL)

203 (2%)

282 (3%)

352 (4%)

0-4%

Eosinófilos (/µL)

304,5 (3%)

0

88 (1%)

0-2%

-

376 (4%)

440 (5%)

3,3

4,3

4,2

Basófilos (/µL)
PPT (g/dL)

2,7-3,6

Bioquímica
Fibrinogênio (mg/dL)

200

ALT (UI/L)

5-12

AST (UI/L)

87-162

Triglicérides (mg/dL)

134,13

129,96

-

Colesterol (mg/dL)

173,63

159,5

88-109

203

190

62-89

LDH (UI/L)

* Indivíduo jovem, de sexo masculino, solto em 2008 em Jeremoabo/BA. **Indivíduo jovem, de sexo feminino, solto em 2008 em Jeremoabo/BA. ***FONTE:

Laboratório de Parasitologia –
Depto de Biologia - UFRPE

GODOY, S.N. Psittaciformes. In: CUBAS, Z.S.; SILVA, J.C.R.; CATÃO-DIAS, J.L. Tratado de Animais Selvagens: medicina veterinária. São Paulo: Roca, 2007.

Profa. Jaqueline Bianque de
Oliveira
(81) 3320-6331

Em caso de resultados positivos para um dos agentes etiológicos acima pesquisados, as aves
permanecerão em cativeiro até que seja comprovada a presença natural do agente na população
em vida livre e sejam realizados exames moleculares para atestar que se trata da mesma linhagem
do agente. Ressalta-se, contudo, que a prevalência de grande variedade de patógenos em animais
silvestres de vida livre é bem descrita na literatura e até mesmo esperada. Um próximo passo a partir da implementação deste protocolo será a definição de quais resultados positivos inviabilizariam
totalmente a realização de solturas e a possibilidade de animais testados positivos retornarem à
natureza mediante algum tipo de tratamento/reabilitação. Esta definição será possível após a análise
epidemiológica nas áreas de soltura e da investigação de parâmetros sanitários de aves na natureza.

Durante a quarentena, araras que vierem a óbito serão submetidas à necropsia e fragmentos
de órgãos serão colhidos para posterior realização de exame histopatológico. Pesquisa de Aspergillus sp.
será realizada somente em aves submetidas à necropsia com alterações macroscópicas compatíveis com
aspergilose. As carcaças deverão ser encaminhadas a coleções biológicas, científicas ou didáticas, preferencialmente registradas no Cadastro Nacional de Coleções Biológicas. Para o transporte do animal taxidermizado ou carcaça caberá o mesmo procedimento definido para os animais vivos (licença pelo IBAMA).
No quarentenário, potes de água e comida, rações, jornais e outros materiais e equipamentos devem ficar em local isolado e não devem ser higienizados juntamente com materiais de outros
animais. Os tratadores devem realizar a higienização dos recintos e a alimentação das araras anteriormente ao dos outros animais para evitar transmissão horizontal de doenças por contato e fômites.

Recomenda-se que as araras em quarentena sejam mantidas em recintos duplamente telados,
com no mínimo 2 x 2 x 2 m, posicionado a 1,2 m do solo, com poleiros de madeira (preferencialmente
árvores frutíferas e atóxicas), comedouro e bebedouro de metal ou barro, parcialmente coberto, con-

Maria Consuelo Caribe Ayres
Av. Ademar de Barros, 500,
Ondina
CEP: 40.170-110

Vanderlei Antunes
Rua Raul Ferrari s/n – Jardim Santa
Marcelina
Caixa Postal 5538
Cep 13100-105
Tel (19) 3252-0155
Coordenador
e-mail lanagro-gabi-sp@
agricultura.gov.br

114

A. leari
U 54902**

VGM

Laboratório Nacional
Agropecuário (LANAGRO) de
Campinas
Meio de transporte apropriado,
congelado em nitrogênio
líquido, encaminhado por
correio em isopor com gelo
seco

A. leari
U 54902*

Setor de Micologia
Lab. do HC - UFPR Marisol
Dominguez Muro

UFBA
Endoparasitos e coloração Gram
das fezes

A. leari Haras

Parâmetros

Laboratório

Depto. de Genética
e Biologia Evolutiva
Instituto de Biociências - USP

Genética e sexagem

Tabela 3 – Resultados dos hemogramas realizados em araras apreendidas e resgatadas em 2009 e 2010
e padrão hematológico estabelecido para a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus).

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

115

tendo área de fuga e área de cambiamento. Recomenda-se que os recintos sejam ambientados com
palmeiras de licuri e outras fontes naturais de alimento. A alimentação deve ser constituída por ração
comercial para araras ou psitacídeos, mistura de sementes, frutas em pequenas quantidades, água e,
obrigatoriamente, galhos com frutos de licuri e cocos de licuri quebrados (filhotes ou debilitados).

Após ter passado pelo período de quarentena as araras-azuis-de-lear poderão integrar um grupo
coespecífico em um recinto maior, respeitando-se o isolamento de outras espécies e as mesmas regras
de manejo. Para juntar ou parear animais deve-se realizá-lo preferencialmente quando eles ainda são
subadultos ou filhotes, ou na impossibilidade, juntá-los em recintos maiores diferentes dos recintos de
origem, observando se haverá agressões principalmente na primeira semana.
Os animais considerados em bom estado de saúde no exame clínico, com resultado negativo para todos os agentes etiológicos de importância para a espécie e sem alterações físicas e comportamentais que impeçam a soltura serão conduzidos ao Programa de Soltura monitorada para a
espécie.
O Programa de soltura na região do Boqueirão da Onça deve ser desenvolvido somente
após a finalização da ação 3.4 do Plano de Ação da arara-azul-de-lear “Realizar levantamento da
população, dormitórios e sítios reprodutivos na região do Boqueirão da Onça” e da ação 3.11
“Realizar estudos genéticos (estrutura populacional, sexagem e similaridade genética) e de saúde
para indivíduos selvagens” na mesma região, somente se os estudos demonstrarem necessidade de
manejo populacional e revelarem condições favoráveis para implantação do Programa.
Caso as araras tenham passado por tratamento médico veterinário, novos exames deverão
ser conduzidos e o prazo de carência para a soltura deverá ser de, no mínimo, 30 dias. Todas as
aves soltas serão marcadas com anilhas de aço CEMAVE, microchips (ambos encaminhados ao
CEMAVE no relatório de anilhamento pelo SNA.net) e serão monitoradas por meio de transmissores
passíveis de monitoramento da sobrevivência em período igual ou superior a seis meses.

De acordo com a IN 179/08, os indivíduos das espécies que apresentam Planos de Manejo em
Cativeiro ou Plano de Ação como parte de Programas de Conservação, deverão ser destinados conforme
critérios estabelecidos formalmente pelos órgãos executores dos Programas tais como: o Instituto Chico
Mendes de Conservação da Biodiversidade ou demais Órgãos de Pesquisa e de Meio Ambiente.

Araras que não puderem ser encaminhadas para a soltura, que tiverem deficiências físicas e
comportamentais que comprometam seu estabelecimento em vida livre, serão encaminhadas para
o Programa de Cativeiro da espécie.4

QUADRO DE CONTATOS
Instituição

Representante

Endereço

NUFAU/SUPES/IBAMA/BA

Simone Sousa
Campos

SUPES-BA
Av. Manoel Dias da Silva, 111
Ed. Spazio Montalto, Amaralina
CEP 41900-325
Salvador Bahia

Parque Zoobotânico Getúlio Vargas

Gerson Norberto

Rua Alto de Ondina, s/n
CEP: 40170-110 Salvador –Bahia

Polícia Rodoviária Federal Posto Paulo Afonso/BA

Rodolfo Barbosa
Agostinho de Mello

BR 110 Km 2, Bairro Rodoviário,
Paulo Afonso-BA

Polícia Rodoviária Federal Posto Ribeira do Pombal/BA
Antonio Eduardo
Araujo Barbosa

CEMAVE

Telefones
(071) 3172-1650
(071) 3172-1750
(071) 3116-7952
(071) 3116-7954
(075) 3692-1060
(075) 3692-1047

BR 110, Km 170,
Ribeira do Pombal-BA

(075) 3276-1954

BR 230, km 10, s/n
FLONA Restinga de Cabedelo
CEP 58310-000

(083) 3245-5001

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
EFE, M. A.; MARTINS-FERREIRA, C.; OLMOS, F.; MOHR, L. V.; SILVEIRA, L. F. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Ornitologia para a destinação de aves silvestres provenientes do tráfico e cativeiro. Revista Brasileira de Ornitologia 14:67-72, 2006.
INSTITUTO BRASILEIRO DE MEIO AMBIENTE E RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS. Instrução
Normativa do IBAMA no 179, de 25 de junho de 2008. Define as diretrizes e procedimentos para
destinação dos animais da fauna silvestre nativa e exótica apreendidos, resgatados ou entregues
espontaneamente às autoridades competentes. Diário Oficial da União, Brasília, 2008.

Duas outras opções de encaminhamento poderão surgir nos próximos anos: Centro de Triagem de Animais
Silvestres (CETAS) Paulo Afonso, que está em construção e Centro de Reabilitação de Animais Silvestres
(CRAS) específico para araras-azuis-de-lear no município de Jeremoabo, a ser mantido pela própria prefeitura, que está em fase de avaliação. Este CRAS será utilizado para a reabilitação de araras provenientes de
Jeremoabo e proximidades, desde que a aves tenham procedência da natureza conhecida e não tenha passado por cativeiro. Os animais mantidos e recuperados no CRAS serão soltos no local de procedência, o que
evitará o contato com outras espécies de animais silvestres, diminuindo o risco de transmissão de doenças à
população em vida livre e o tempo em cativeiro. Animais recém-encaminhados a este CRAS poderão retornar
imediatamente à natureza, desde que estejam isolados. Animais que necessitem de reabilitação e tratamento
prolongado serão triados, mantidos e reabilitados no CRAS e soltos de acordo com os procedimentos do Programa de Soltura Monitorada, descrito no próximo capítulo. Araras encaminhadas ao CRAS Jeremoabo serão
soltas nas áreas de alimentação e/ou reprodução no próprio município ou adjacências.

4

116

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

117

FICHA DE RECEBIMENTO DE ARARAS-AZUIS-DE-LEAR Anodorhynchus leari
Data:___/___/______

FICHA INDIVIDUAL
Registro:_____________________ Data:___/___/______
Sexo:__________Idade:______________
Nome comum: arara-azul-de-Lear Nome científico: Anodorhynchus leari
Peso:______________Comp. total:____________Marcação:______________
Origem:__________________________Município:______________________
Destino:_______________________________________Data:___/___/______

Idade:
Filhote
Jovem
Adulto
Instituição de resgate/apreensão:________________________________________________
Responsável pelo resgate/apreensão:_____________________________________________
Endereço, telefone:____________________________________________________________
Procedência:
Residência

Natureza

Feira Livre

Histórico:
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
__________________________

Local:__________________________________Município:___________________________

Exame Clínico:

Estado geral e aparência:_______________________________________________________

Temperatura:_____________FC:______________FR:_______________Pulso:_____________
Mucosa Ocular
pálidas
normais
congestas
cianóticas
Mucosa Oral
pálidas
normais
congestas
cianóticas
Linfonodos:
normais
aumentados ______________________________

Presença de ferimentos (onde?):_________________________________________________
Capacidade de voo:___________________________________________________________
Habituada com pessoas:_______________________________________________________

Cavidade Oral:
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
Olhos, Ouvidos e Narinas:
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
Pele e Anexos:
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
Membros/Asas:
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________

Gastrintestinal:
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________

118

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

119

Circulatório:
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
Respiratório:
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________

CONTROLE BIOMETRIA E MASSA CORPORAL
Registro:_____________________ Data:___/___/______
Sexo:__________Idade:______________
Nome comum: arara-azul-de-Lear Nome científico: Anodorhynchus leari

Data

Massa Corporal

Data

Massa Corporal

Data

VALOR (mm)

VALOR (mm)

Massa Corporal

Genito-urinário:
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
Nervoso:
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________

MEDIDAS

VALOR (mm)

DATA
COLETOR DE DADOS

Suspeita:
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________

Exames complementares:
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________

01

Comprimento total corporal

02

Comprimento total da asa

03

Comprimento total da cauda

04

Comprimento total da cabeça

05

Largura do bico

06

Altura do bico

07

Diâmetro do tarso

08

Comprimento total do tarso

Diagnóstico:
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________

Tratamento:
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
Coproparasitológico/Vermifugação:
Data

Resultado

Data

Vermífugo

Médico Veterinário – CRMV:_____________________________________________________

120

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

121

Anexo 2
DIRETRIZES E RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS PARA
ADOÇÃO DE BOAS PRÁTICAS DE MANEJO PARA
O EXTRATIVISMO SUSTENTÁVEL ORGÂNICO DA
PALMEIRA LICURI (Syagrus coronata)

Apresentação
Como resultado da articulação e parceria interministerial entre o Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento, por meio da Coordenação de Agroecologia, e o Ministério do Meio
Ambiente, por meio de sua Diretoria de Extrativismo, este documento base é uma proposta para
estruturação e consolidação de um conjunto de orientações técnicas para subsidiar o manejo sustentável da palmeira licuri (Syagrus coronata (Mart) Becc.).
No período de 27 a 28 de janeiro de 2011 foi realizada a primeira oficina de trabalho com
objetivo principal de discutir e consolidar diretrizes e recomendações técnicas para adoção de boas
práticas de manejo para a palmeira Syagrus coronata (licuri ou ouricuri).

A primeira oficina foi realizada na cidade de Brasília, Distrito Federal, no IBAMA SEDE
Administrativa e contou com a participação de especialistas como: pesquisadores, técnicos governamentais e não governamentais que atuam com extensão florestal e fomento na região de ocorrência da espécie e no âmbito do governo estadual e federal, extrativistas e os seus representantes
(instituições formais). Este grupo de especialistas foi convidado com base nas atuações profissionais
desenvolvidas com a palmeira licuri e os subprodutos oriundos dessa espécie. A programação da
oficina e a lista dos participantes encontram-se apensados a este documento.

A discussão inicial das diretrizes e recomendações técnicas para adoção de boas práticas de
manejo da palmeira licuri não foi consensuada na primeira oficina, sendo orientada a realização de
um segundo evento.
No período 10 e 11 de agosto de 2011 em Paulo Afonso, estado da Bahia, foi realizada
a segunda oficina com o apoio e organização das instituições AGENDHA e ECO-Conservation.
Contou com a participação de 37 pessoas, entre pesquisadores, alunos de mestrado em ecologia
humana da UNEB e UFAL, técnicos extensionistas, técnicos de instituições governamentais e não
governamentais que atuam com a espécie e representantes de grupos extrativistas.
Como resultado direto desse encontro foi discutido e consolidado um conjunto de diretrizes e recomendações técnicas para adoção de boas práticas de manejo do licuri apresentadas nesse
documento em cinco etapas, quais sejam: (1) Diagnóstico; (2) Coleta; (3) Pós-Coleta; (4) Manutenção e conservação dos licurizeiros; e (5) Monitoramento da produção.

Este documento-base é resultado do trabalho de consultoria técnica contratada pela Coordenação de Agroecologia (COAGRE/MAPA), no âmbito do Projeto Nacional de Ações Público Privadas para Biodiversidade (PROBIO II), e que tem como objetivo específico de consultoria promover o desenvolvimento de Projetos Extrativistas Sustentáveis Orgânicos a partir de um conjunto de
práticas e fundamentos técnicos organizados para o extrativismo sustentável orgânico dos recursos
naturais de três importantes biomas – Amazônia, Cerrado e Caatinga, com vistas ao reconhecimento da qualidade orgânica de produtos florestais não-madeireiros e conservação de espécies florestais produtoras de não-madeireiros e que foram selecionadas para desenvolvimento de diretrizes e
recomendações técnicas que orientam a adoção de boas práticas de manejo.

122

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

Características da espécie

Pertencente à família Arecaceae, a palmeira Syagrus coronata (Mart.) Becc., amplamente
conhecida como licuri, é também vulgarmente denominada de aricuri, nicuri, ouricuri, urucuri,
licurizeiro, coqueiro dicori e coqueiro-cabeçudo. Sua região de ocorrência se estende do norte
do estado de Minas Gerais até o sul de Pernambuco (sertão pernambucano), ocupando as porções
oriental e central da Bahia, bem como os estados de Sergipe e Alagoas (LORENZI, 1992). Abrangendo, desse modo, os biomas Caatinga e Mata Atlântica, chegando a penetrar no Cerrado e na
Restinga (LORENZI e MELLO FILHO, 2001), ressaltando-se sua nítida preferência pelas regiões
secas e áridas da Caatinga (NOBLICK, 1986).

Esta espécie ocorre em locais de baixa precipitação (BALICK, 1979) e prefere solos secos (RIZZINI e MORS, 1976), mas também ocorre em áreas com solos de melhores condições e
de boa fertilidade (NOBLICK, 1986; LORENZI, 1992). A presença de cutícula espessa, estômatos
com câmara supra-estomática, feixes de fibras não vasculares no mesófilo, parênquima clorofiliano
compacto e intensa vascularização são algumas das características que podem estar relacionadas às
adaptações que esta palmeira desenvolveu para colonizar os ambientes secos da Caatinga (LEITE e
SCATENA, 1999).
O licuri floresce e frutifica praticamente durante todo o ano, sendo que nos meses de maio,
junho e julho apresenta uma maior frutificação, caracterizando o período da safra (BONDAR,
1938). Lorenzi (1992), entretanto, afirma que a safra do licuri ocorre no período de outubro a
dezembro. Na Bahia, por seu turno, observa-se uma maior produção de frutos nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro (NOBLICK, 1986). Sendo que, para Pittman (2000), a frutificação do
licuri ocorre durante um longo período no ano, vez que o pico de floração é definido em cada área
específica. Segundo o mesmo autor, este fenômeno deve estar relacionado aos índices pluviométricos, visto que a chuva não cai igualmente sobre o semiárido; consubstanciando-se, portanto, num
aspecto de grande importância para garantir a oferta de frutos durante todo o ano.

A polinização ocorre tanto por meio da anemofilia como da entomofilia, sendo as abelhas
(Trigona spinipes e Apis mellifera) e o besouro Microstrates ypsilon (Curculionideae) os principais
visitantes florais, e T. spinipes o principal agente polinizador (ROCHA, 2009).

A dispersão dos seus frutos é estritamente zoocórica, podendo atuar como agentes dispersores as aves Anodorhynchus leari e Penelope sp. e os mamíferos Dasyprocta sp., Thrichomys sp.
e Tayassu sp, assim como espécies de gado dos gêneros Bos sp., Capra sp. e Ovinis sp. em áreas
antropizadas sujeitas ao pastoreio (ROCHA, 2009).

A propagação do licuri é feita por sementes (USP, 2003). E, apesar da grande utilidade que
esta palmeira possui, faltam informações conclusivas sobre a germinação de suas sementes e o
desenvolvimento inicial das plantas. Há orientações técnicas para que os frutos sejam coletados diretamente na planta, ou no solo, quando iniciam a queda espontânea, devendo ser despolpados e
secos (BONDAR, 1938). Ao passo que Lorenzi (1992), afirma que os frutos podem ser diretamente
utilizados para a semeadura como se fossem sementes, não precisando ser despolpados. Ademais,
afirma este autor que um quilo de frutos contém cerca de 190 sementes, que se mantidas em ambiente úmido, têm uma viabilidade germinativa por mais de 90 dias.

Diversos autores realizaram trabalhos em que o despolpamento do fruto e a embebição
possibilitaram aumentar a porcentagem de germinação das sementes de palmeiras (BOVI, 1990;
BOVI e CARDOSO, 1976; BOVI et al., 1987). Entretanto, é comum que sementes de palmeiras
não deem respostas favoráveis, mesmo em condições adequadas de germinação, podendo este
fato estar relacionado a existência de obstáculos mecânicos como a espessura da testa e dureza do
endocarpo (TOMLINSON, 1990). Broschat e Donselman (1994) afirmam que devido ao fato de a
germinação de sementes de palmeiras ser bastante lenta, torna-se necessário adotar mecanismos
que acelerem esse processo.

Estes aspectos também devem se mostrar válidos para o licuri, vez que apresenta, como
muitas espécies de palmeiras, dormência mecânica da semente, baixo índice de germinação e
crescimento inicial de mudas bastante lento.

Para a germinação, as sementes podem ser colocadas em canteiros com substrato rico em
matéria orgânica e mantidas em ambiente bem sombreado. Devem ser cobertas levemente com o

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

123

substrato e irrigadas com freqüência (LORENZI, 1992). As sementes germinam mais rapidamente
quando semeadas logo após a coleta (LORENZI et al., 1996).
Não foram encontrados dados que indiquem que há um cultivo comercial desta espécie.
No entanto, o processo de produção de mudas de licuri para fins ornamentais já é conhecido,
devendo as mudas ser transplantadas para embalagens individuais quando atingirem de 8 a 12 cm
de altura. As mudas têm um crescimento lento (LORENZI et al., 1996), todavia crescem mais facilmente em áreas ensolaradas tropicais e subtropicais (PACSOA, 2003). De acordo com Carvalho
et al. (2006) o alto nível de sombreamento das mudas favorece mais o desenvolvimento da parte
aérea em detrimento do seu sistema radicular.

Existem poucas informações sobre as pragas e doenças que podem afetar o licurizeiro,
citando-se apenas como praga dessa cultura a Batrachedra nuciferae, que também ataca o coqueiro
(BONDAR, 1940a; 1940b).
O licuri apresenta diversos usos, sendo empregado na alimentação animal (caprinovinocultura e bovinocultura), alimentação humana, produção de artesanato, produção de cera, construção civil, indústria de cosméticos, fabricação de saponáceos e para manufatura de tintas, além de
ter um alto potencial para fins ornamentais e para a produção de biodiesel, aspecto que o levou
a ser testado no Programa Bio-Sustentável, da Secretaria de Agricultura do estado da Bahia, como
parte dos esforços realizados no sentido de inserir pequenos produtores e comunidades tradicionais na produção de biodiesel.

A planta é pouco comercializada fora da região de ocorrência, no entanto, figura dentre as
espécies vegetais oriundas do extrativismo constantes no Censo Agropecuário do IBGE. É provável
que algum artesanato feito com a sua palha seja ocasionalmente exportado.

Por ser o licurizeiro de ocorrência natural, faltam estudos sobre seu cultivo, tratos culturais
e outros. Fazendo-se necessária a realização de pesquisas sistematizadas com a espécie, para que
se tenham resultados conclusivos sobre o seu manejo.
O Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia (CEFET) tem trabalhado com esta
espécie no Projeto denominado Licuri: Ouro Verde do Semiárido Baiano. Um dos resultados deste projeto foi o desenvolvimento de uma máquina para quebrar o coco (Ministério da Educação,
2006). Também tem sido pesquisado pelo CEFET como alternativa alimentar no combate à desnutrição, com bons resultados, em decorrência da composição nutricional da polpa do fruto e da
amêndoa. Há a possibilidade de incluí-la na merenda escolar.

A amêndoa do fruto é consumida in natura, e também usada na fabricação de cocadas,
licores, e do leite de licuri, usado na culinária baiana. As castanhas podem também ser consumidas
torradas. Por vezes, são vendidas enfiadas em um cordão, como um rosário, de onde são retiradas à
medida que são consumidas (USP, 2003). Quando verde o coquinho do licuri é fervido e consumido após ser cozido (NOBLICK, 1986). Alguns extrativistas dizem que consomem coco licuri cozido
no “leite” expressão quando se refere ao coco verde cuja amêndoa está leitosa e que precisa ser
cozido para desprender do endocarpo, é consumido em tempo de seca, como uma alternativa
alimentar, pois nesse período eles estão descapitalizados para adquirir outros alimentos.
Os frutos do licurizeiro são bastante energéticos, com cerca de 635,9 kcal.100g-1, sendo estimado um valor calórico de 108,6 kcal.100g-1 para a polpa e 527,3 kcal.100g-1 para a
amêndoa (CREPALDI et al., 2001). Devido à presença de carotenóides, que são compostos com
atividade pró-vitamínica A, devem ter o seu consumo recomendado para as regiões pobres onde a
hipovitaminose A é endêmica (CREPALDI et al., 2001).

A amêndoa é rica em proteína e em óleo de alta qualidade (NOBLICK, 1986), fornecendo cerca de 57 a 62% de azeite, que é empregado na produção de margarina (RIZZINI e MORS,
1976). O óleo extraído da semente é amarelado, similar ao do coco, mas com ponto de fusão mais
baixo (BALICK, 1979). A exploração do azeite das sementes do licuri teve início em 1937 (RIZZINI e
MORS, 1976), vez que este óleo pode ser utilizado na cozinha, para o preparo de alimentos; sendo o
mesmo também misturado ao óleo de dendê (NOBLICK, 1986). O óleo de licuri ainda é utilizado na
fabricação de sabão, sendo considerado um óleo de primeira qualidade (FONSECA, 1927), já tendo
sido bastante usado na indústria de perfumaria no início do século XX (NOBLICK, 1986).

A torta resultante da extração do óleo da amêndoa é utilizada na ração animal por ser bastante nutritiva. O coco quebrado é utilizado pelas aves domésticas, sendo que no interior baiano

124

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

a ração diária para a criação de galinhas é a amêndoa do licuri, que é rica em proteína (NOBLICK,
1986). O coco é usado em substituição ao milho na alimentação de aves.

A polpa do fruto é uma excelente comida para os animais (BALICK, 1979), contendo 3% de
um óleo avermelhado (BALICK, 1979), sendo pouco consumida por humanos, a não ser por crianças.
O licurizeiro começa a frutificar, seis anos após o plantio. A produção média anual em um
hectare nativo de licuri é de 2.000 Kg de coquinhos. Nos anos de pluviosidade abaixo da média,
a produção diminui, porém sempre ocorre de maneira satisfatória. No entanto, em um licurizal
bem plantado e bem cultivado, a produção de coquinhos não deverá ser inferior a 4.000 quilos
(SANTOS e SANTOS, 2002). Todavia, ressalta-se que a produtividade de frutos deva ser bastante
diferenciada entre as suas regiões de ocorrência, vez que são descritos na literatura valores de produção de frutos por cacho oscilando entre 333,4 frutos (ROCHA, 2009), 374,55 frutos (ROCHA e
CHAVES, 2008), 431 frutos (BRANDT e MACHADO, 1990), 800 a 1.000 frutos (BONDAR, 1942)
até 1.357 frutos (CREPALDI (dados não publicados) apud CREPALDI et al., 2001).

Parte da população da zona rural de Jacobina, no semiárido baiano, vive da venda da
amêndoa deste coco, por preços que variam entre R$ 0,40 a R$ 0,80 o quilo (Ministério da Educação, 2006). O licuri é muitas vezes catado num sistema denominado de “meia”, que se caracteriza
pela divisão igual dos rendimentos obtidos com a venda dos frutos entre o dono da terra onde
foram obtidos e o catador dos frutos.

A forma de coletar os frutos é cortar a raque do cacho com facão. Por vezes, os frutos também são coletados no chão ou em locais aonde os animais (principalmente bovinos) consumiram a
polpa dos frutos e eliminaram as amêndoas intactas através da ruminação.
O endocarpo que sobra da quebra do coco tem alto poder calorífico, podendo substituir a lenha em caldeiras e em aplicações similares. São usados também na confecção de peças
de artesanato.

A palha da folha de licuri é bastante usada para produção de fino artesanato, como a fabricação de bolsas e chapéus. As folhas são usadas para confecção de cestas, mocós, espanadores
(NOBLICK, 1986) e vassouras (LORENZI, 1992). A Associação de Artesãos de Santa Brígida, que
dentre outros materiais trabalha com o artesanato de palha de licuri, segue um plano de manejo
para esta espécie elaborado por meio de uma consultoria do SEBRAE.

Devido ao seu teor gorduroso, as folhas velhas são usadas para confecção de fachos para
iluminação noturna (NOBLICK, 1986). Muitos grupos indígenas do nordeste usavam a folha, antes
de sua abertura, para trançar bolsas, esteiras, chapéus (Ribeiro, 1988) e abanos (LORENZI et al.,
1996). É usada ainda na cobertura de casas.

Da folha também se extrai a cera comercial (BALICK, 1979), de características semelhantes
à da carnaúba, com a diferença de não se desprender facilmente (LEÓN, 1987); no entanto, apresenta qualidade inferior devido à presença de resina (RIZZINI e MORS, 1976). Apresentando-se
como exsudado localizado no lado inferior da bainha das folhas, em quantidades esparsas, cuja
coloração varia do castanho-claro ao marrom-escuro (EDWARDS e FALK, 1997).

A cera do licuri pode ser extraída da seguinte forma: as folhas são raspadas e o produto
bruto colocado em fusão, sendo, logo após, filtrado através de um pano (RIZZINI e MORS, 1976).
A cera obtida das folhas do licuri pode ser utilizada na manufatura de papel carbono, hot stamping
(filme de poliéster para impressão quente), agentes removedores de mofo (EDWARDS e FALK,
1997), graxa de sapato, tintas e cera de automóvel. Em 1942, mais de 2.000 toneladas de cera foram exportadas. A Bahia era a maior produtora de cera de licuri, sendo que em 1958 ela exportou
450 toneladas, tendo decaído em 1959 para 200 e, em 1961, para apenas 150 toneladas (RIZZINI
e MORS, 1976).

As folhas ainda podem ser usadas como forragem, já que a planta é bastante resistente à
estiagem, comum no semiárido nordestino. Sendo, portanto, uma importante espécie forrageira
para o gado na Caatinga. Em épocas secas, as folhas trituradas são dadas como ração para os animais (NOBLICK, 1986), bem como suas espádices, que são igualmente trituradas e fornecidas como
alimentação alternativa para o gado (HART, 1995).

As folhas podem estar dispostas em espiral, tanto para a direita quanto para a esquerda,
sendo que em condições de solo de boa fertilizade e com chuvas abundantes, observaram-se folhas
em linhas verticais (NOBLICK, 1986). É uma palmeira que tem um alto potencial paisagístico (LO-

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RENZI e MELLO FILHO, 2001), principalmente devido à forma helicoidal característica da inserção
das folhas (LORENZI, 1992).
O broto do licuri é adocicado e comestível, sendo uma ótima alternativa para os sertanejos
durante as secas prolongadas do nordeste. A parte mais dura do broto pode ser recortada, seca,
pisada e peneirada para ser utilizada na comida como farinha (NOBLICK, 1986).

A Instrução Normativa nº 191 – IBAMA, editada em 24/09/2008, objetivou proibir o corte
e normatizar as atividades extrativas para fins de assegurar o uso sustentável dos recursos da palmeira licuri. Assim, liberando a exploração de frutos, folhas, cera e óleo. Dessa maneira, o Governo
Federal atendia à recomendação de implementação de ações de recuperação e manejo da espécie
proposta pelo Grupo de Especialistas em Palmeiras da IUCN, que ressaltava, já naquela época, a
necessidade do estabelecimento imediato de ações de recuperação das populações senescentes de
S. coronata localizadas em áreas sujeitas à atividade pecuária (IUCN, 1996).

seja possível. Se não for possível, recomenda-se que seja elaborado um desenho ou croqui com
intuito de auxiliar na localização das áreas de coleta, contendo informações como nomes de estradas e ramais ou varadouros de acesso à propriedade ou área, indicação de cursos d’água; nomes
de fazendas ou propriedades rurais localizadas próximas às áreas de coleta, dentre outros.

Para a palmeira licuri, em decorrência do seu padrão de distribuição relativamente agregado, o mais viável deve ser a marcação das áreas de manejo sem que haja o estabelecimento de
parcelas ou compartilhamento, mas sim o estabelecimento de perímetros ou áreas de licurizeiros
que serão consideradas como unidades de manejo.

Diretrizes técnicas para boas práticas de manejo da palmeira licuri

(a) Localização da área, com a descrição das distâncias em relação à comunidade, sede do município e outros (nome do município e distância da sede);
(b) Informar se as áreas de coleta são de ocorrência e presença da arara-azul-de-lear;
(c) Informar (se possível) o tamanho ou a estimativa de tamanho da(s) área(s) de coleta;
(d) Descrever as condições das estradas e caminhos de acesso às áreas de coleta;
(e) Descrever a declividade, o tipo de solo (características físicas), recursos hídricos (açudes, rios,
riachos, lagoas, dentre outros) identificar se são temporários ou permanentes;
(f) Descrever a situação fundiária da área coleta: se é particular (própria), posse, propriedade de terceiros, arrendada, assentamento, territórios de Povos, Comunidades tradicionais e Agricultores Familiares
– PCTAFS, povos originários (terra indígena) ou unidades de conservação de uso sustentável;
(g) Informar o número de pessoas envolvidas com a coleta dos frutos e/ou folhas do licuri na área;
(h) Descrever o uso atual da(s) área(s) de coleta (tanto aquelas de uso imediato como as que não
estão sendo momentaneamente utilizadas) e o tipo de uso que faz da palmeira (coleta de fruto ou
folhas);
(i) Informar se há uso por pastoreio (bovinocultura, caprinocultura ou ovinocultura) na(s) área(s) de
coleta do licuri.

1. Diagnóstico da(s) área(s) de coleta
1.1. Seleção e localização das áreas produtivas de licuri
2. Coleta
2.1. Planejamento da coleta
2.2. Ciclo e periodicidade da coleta
2.3 Técnicas e ferramentas da coleta
3. Pós-coleta
3.1. Beneficiamento dos frutos
3.1.1. Quebra manual
3.1.2. Quebra mecanizada
3.1.3. Armazenamento das amêndoas
3.2. Beneficiamento das folhas

3.2.1. Secagem

3.2.2. Armazenamento das folhas
4. Manutenção e conservação dos licurizeiros
5. Monitoramento da produção

1. Diagnóstico da(s) área(s) de coleta

É a primeira etapa do manejo, consistindo na caracterização e localização da área de manejo ou de coleta. Quando bem executadas, as atividades previstas na etapa de diagnóstico podem
representar eficiência na etapa posterior – a coleta de frutos e/ou folhas, tanto em relação ao tempo
gasto para percorrer os caminhos, como em termos de ganho de produtividade, redução de danos
ambientais e de incidência de acidentes com extrativistas.

Diretrizes técnicas propostas para pré-coleta
1.1. Seleção e localização da(s) área(s) de coleta

Selecionar e localizar as áreas produtivas deve ser a primeira atividade a ser realizada para o
manejo da palmeira licuri. Em seguida, é recomendado fazer um desenho, croqui ou mapa mental
dessa(s) área(s). Se possível localizar a área com uso de imagem de satélite e software adequado.
É recomendável que pelo menos um ponto da área de manejo (coleta) seja georreferenciado, isto é, que sejam coletadas as coordenadas geográficas do local com uso de receptor GPS, caso

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1.1.1. Caracterização geral da área
Breve descritivo da área com informações sobre o acesso, usos e outros aspectos pertinentes.

1.1.2. Croqui, mapa ou desenho com a localização da área de manejo
Recomendação:
»» Quando possível coletar um ponto de coordenada geográfica. Se não for possível indicar pontos
de referência que permitam a localização da área de coleta, como por exemplo, cursos d’água,
estradas, serras e outras informações.
OBSERVAÇÃO IMPORTANTE
O levantamento do potencial produtivo
Durante o processo de consolidação das boas praticas de manejo para o licuri foi discutido
que o levantamento do potencial produtivo de frutos e folhas deve ser feito por meio de um
censo populacional (contagem de todas as palmeiras produtivas dentro da área de coleta).
Entretanto, nesse momento a aplicação desse método seria extremamente difícil, devido,
principalmente, a situação fundiária das áreas de coleta.

Atualmente, grande parte dos extrativistas realiza coleta de frutos e folhas do licuri em áreas
de terceiros. Tendo, em algumas localidades, autorização para coleta, em outras não há conflitos
existentes devido à coleta em áreas de terceiros. Outra situação comum no extrativismo do licuri é
a “meia” onde o extrativista paga com o produto coletado, no caso, coquinhos ou em dinheiro um
percentual da produção ao dono da propriedade.
O importante é orientar que o levantamento do potencial produtivo seja feito durante a
coleta e não em um momento específico. Considerando cada situação fundiária, para aqueles que

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127

coletam em área própria é possível fazer uma contagem do número de indivíduos. Para os que
coletam em áreas de terceiros é melhor realizar o levantamento no momento da coleta.
Uma orientação técnica é que nesse primeiro momento não seja realizado o levantamento
do potencial produtivo antes da coleta nas áreas de terceiros ou meia, e sim durante a coleta, onde
os extrativistas possam registrar em fichas de campo ou caderno a contagem das palmeiras visitadas,
o número de cachos coletados e a identificação da(s) área(s) de coleta e depois, registrar a quantidade em quilos de frutos ou amêndoas. O mesmo para a coleta das folhas. Isso irá permitir que o
extrativista inicie o levantamento das áreas de coleta e possa estimar sua produção anual (por safra).
O registro dessas informações deve estar orientado principalmente quanto à identificação
da fase de vida das palmeiras, ou seja, se são jovens, adultas ou senescentes.
Não há como estimar a produção sem a geração de informações que subsidiem tal estimativa. A expectativa da produção final está baseada na produção total do produto final (quilo de
coquinhos, amêndoas, ou dúzia de palhas). É fundamental o desenvolvimento de pesquisas que
possibilitem estimar a produção tanto de frutos como de folhas e também um processo de capacitação e sensibilização voltadas aos extrativistas para que os mesmos façam o levantamento da
população de licurizeiros e iniciem o registro safra a safra da quantidade coletada e quantidade (kg)
comercializada e ou consumida.

A estimativa de produção deve ser feita nos primeiros anos utilizando o histórico de produção, a partir dos registros a cada safra do número de palmeiras visitadas, a quantidade de frutos e
folhas coletadas (quilo, dúzia de folhas, seriam as unidades de medida).

As pesquisas, que estão sendo conduzidas pela Universidade Federal de Alagoas e Universidade Estadual da Bahia, poderão ajudar no sentido de definir melhor método para o levantamento
produtivo.
COMENTÁRIO
É importante que o extrativista/coletor entenda que conhecer sua área de coleta implica em
melhorar sua produção e conservar essa espécie tão importante no seu dia a dia. Existem formas para fazer este levantamento sem que haja aumento da carga de trabalho ou dos custos
de produção. A organização de sua produção se inicia com o conhecimento da área de coleta, o que lhe possibilitará estimar a sua produção anual. Isso tudo refletirá em vários aspectos
da cadeia produtiva do licuri; sendo, portanto, uma etapa muito importante e fundamental
para garantir o fortalecimento da produção.

2. Coleta

A coleta é a etapa em que se realiza a retirada dos produtos não-madeireiros (frutos, cascas,
folhas, resinas, dentre outros) da planta. Especificamente no caso da palmeira licuri não pode haver
supressão do individuo.
Na etapa da coleta, é importante planejar cada atividade, principalmente o “onde” será
coletado, o “quando” e “quantas vezes” serão feitas coletas (ciclo e periodicidade) e quais as técnicas e ferramentas que serão utilizadas. Nessa etapa também devem ser recomendadas ações que
resultem em evitar ou mitigar acidentes, como o uso de equipamentos de proteção individual (EPI)
pelos extrativistas, o planejamento dos caminhos e acessos que serão utilizados como forma de
reduzir impacto ou danos a vegetação nativa (cuidados com a manutenção e proteção). Por isso é
importante que os extrativistas estabeleçam trilhas de acesso únicas, que possam ser utilizadas por
várias coletas.
2.1. Planejamento da coleta
Nessa etapa deverá ser feito um planejamento da coleta, com a identificação e quantificação dos indivíduos adultos (produtivos).

Quando a coleta for realizada numa mesma área por diferentes grupos extrativistas recomenda-se que os extrativistas elaborem acordos comunitários de coleta, isto é, se reúnam e façam

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um calendário de coleta, identificando os grupos, o número de famílias ou de pessoas que coletam
na determinada área, dias e locais para coleta (períodos). Isso permitirá que essa área seja utilizada
por todos sem que haja uma super exploração dos licurizeiros que pode ocasionar um declínio
populacional.
Diretriz técnica para planejamento da coleta
2.1.1. Estabelecimento de um Plano de Coleta com informações sobre a quantidade coletada (de
frutos e de folhas), número de plantas visitadas, os períodos em que serão realizadas e os locais de
cada coleta.
Outras informações podem e devem ser contempladas dentro do Plano de Coleta conforme
a necessidade e realidade local, dentre as quais, podemos exemplificar: o uso da área para pastoreio de gado ou caprinos; períodos e número de pessoas envolvidas na coleta, dentre outros.
Observação
O Plano de Coleta poderá ser refeito conforme a necessidade local e sempre que houver
necessidade de alterações;
A unidade de medida utilizada deve ser quilo de frutos e número de folhas.
Recomendação técnica para o planejamento da coleta

»» Estabelecer acordos comunitários para as áreas de coleta coletiva (tanto para folhas, como para
frutos) estabelecendo diferentes áreas de coleta e, se possível, diferentes períodos de coleta

2.2. Ciclo e periodicidade da coleta

A definição de um calendário de coleta ou cronograma, em que será estabelecido o período
da coleta e quantas vezes por ciclo essa coleta ocorrerá, é um instrumento fundamental para o manejo
da espécie. Auxiliando também no estabelecimento de medidas mitigadoras, como a definição de
períodos de exclusão ou áreas de exclusão (onde não serão feitas coletas de frutos ou folhas).

Entretanto, em função das variações edafoclimáticas e de fenologia das plantas, é difícil o
estabelecimento de um cronograma de coleta único para todas as localidades, devido às variáveis
que podem interferir na produção, principalmente para aquelas espécies que têm como principal
produto não-madeireiro o fruto. Portanto, a orientação deve ser para que seja discutido, entre os
extrativistas, o plano de coleta, levando-se em consideração as condições regionais (logística e sistema de coleta) e ambientais (época de frutificação, estação de chuvosa ou seca, dentre outros).

A ressalva é que, muito embora a orientação dada pela Instrução Normativa nº 191, de 24 de
setembro de 2008, do IBAMA seja para não se cortar mais que três folhas por ano em cada palmeira,
e que tenha sido, esta instrução normativa, elaborada especialmente em função dos problemas decorrentes da baixa disponibilidade de frutos de licuri para a espécie arara-azul-de-lear (Anodorhynchus
leari), ave de ocorrência restrita à região nordeste do estado da Bahia; evidencia-se, por conseguinte,
que não há competição pela disponibilidade dos frutos pelas araras nas demais áreas de ocorrência
do licuri, porém há competição com outras espécies de animais silvestres e domésticos que também
fazem uso de seus frutos. Denotando-se que, em diversas regiões da Caatinga, o licuri se constitui praticamente na única espécie vegetal capaz de produzir frutos em épocas de secas severas, tornando-se,
portanto, uma fonte única de recursos alimentares para toda a fauna da região, sendo considerada
uma espécie-chave nesses ecossistemas.

Diante do cenário diagnosticado de uso da espécie, é imprescindível que pesquisas sejam
conduzidas no sentido de orientar a coleta, tanto de frutos quanto de folhas e que ao alcance de
resultados que comprovem estas informações seja reformulada a Instrução Normativa nº 191, de
24 de setembro de 2008 (IBAMA), num prazo máximo de dois anos.

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Diretrizes técnicas para a coleta
2.2.1. A coleta de frutos do licuri deve ser feita da seguinte forma
a) Para as palmeiras que apresentem apenas um cacho: não deverá ser coletado;
b) Para as palmeiras que apresentem dois cachos: coleta-se somente um cacho;
c) Para as palmeiras que apresentem três cachos: coletam-se dois cachos;
d) Para as palmeiras que apresentem quatro ou mais cachos: são mantidos dois cachos na planta e
os demais são coletados.
2.2.2. Nas áreas de ocorrência da arara-azul-de-lear pode-se realizar apenas a coleta dos cachos
maduros até que sejam produzidas informações científicas a respeito.
2.2.3. A coleta de folhas deve ser realizada com muito cuidado para não danificar o “olho” da
palmeira.
2.2.4. Durante a coleta não danificar as inflorescências (arrozinho ou buza).
2.2.5. Descrever o período que será feita a coleta dos frutos (meses).
Recomendações técnicas para a coleta das folhas:

»» O período preferencial para que seja realizada a coleta das folhas é o final do período seco
(estação seca);

»» Evitar coletar folhas jovens e maduras na mesma planta, em caso específico de coleta de folha
jovem coletar apenas uma por ciclo de coleta, evitando danificar as demais folhas do “olho” ;

»» Atentar para as restrições legais existentes para o caso de realização de coletas em áreas de

preservação permanente – APP (a exemplo de áreas localizadas às margens de cursos d’ água,
localizadas em encostas de serras, topos de serras, dentre outros).

OBSERVAÇÕES GERAIS
• Comunidades extrativistas litorâneas informam que pode ser permitida a coleta sustentável de pelo menos 12 folhas por palmeira a cada ano;
• Cada região deve adotar um ciclo de coleta específico. O limite da quantidade de folhas
será definido para cada região, a partir de pesquisas que determinem ou não a sustentabilidade deste uso. Nesse sentido, a frequência de coleta e a quantidade de folhas a ser
coletada por região deve ser alvo de pesquisa científica;
• Entende-se por folha jovem (aquela emitida no ápice), em número de duas ou três folhas. A coleta deve ser feita neste caso sempre da folha maior sem causar danos às folhas
menores;
• As folhas mais velhas são aquelas situadas nas bases das fileiras de folhas;
• Algumas etnias indígenas utilizam o “olho” do licuri para realização de rituais.
NOTA EXPLICATIVA:
OBSERVAÇÃO
• Segundo o CEMAVE/ICMBio, as áreas de ocorrência da arara-azul-de-lear no estado da
Bahia, para o ano de 2011 são: Jeremoabo, Canudos, Euclides da Cunha, Paulo Afonso,
Santa Brígida, Monte Santo, Sento Sé e Campo Formoso. As mesmas são atualizadas pelo
CEMAVE anualmente conforme a ocorrência de novos registros.

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NOTA EXPLICATIVA
• São considerados cachos maduros aqueles que apresentam o desprendimento de frutos de
forma natural.
• Senescente = é uma palmeira adulta que não produz fruto e nem mais folhas, serve como
abrigo para animais.
• Adultos = planta que produz folhas e frutos.
• Jovens = produz somente folhas.
2.3. Ferramentas e segurança operacional para a coleta
2.3.1. Ferramentas para a coleta
Recomendações técnicas para o corte do cacho e da folha

»» Recomenda-se o uso de um gancho de madeira para puxar as folhas mais jovens;
»» Utilizar um cesto para a coleta dos cachos evitando que os frutos fiquem em contato com o
chão na hora da coleta.

NOTA EXPLICATIVA
As ferramentas utilizadas para o corte das folhas e do cacho são: a foice, o facão e gancho de madeira.
2.3.2. Segurança operacional
Recomendações técnicas:

»» Utilizar roupas adequadas e equipamentos de proteção como botas, luvas, óculos de proteção
e capacete;

»» No caso do uso dos frutos para a produção de alimento humano evitar que os frutos ou cachos
entrem em contato com o chão, devido à contaminação dos mesmos;

»» Não retirar ou danificar as plantas que estejam fixadas na palmeira, assim como os ninhos que
estejam presentes;

»» Adotar medidas que garantam a segurança do coletor durante a coleta.

3. Pós-coleta

A etapa da pós-coleta consiste num conjunto de procedimentos que são realizados após a
coleta dos frutos e das folhas. É uma etapa considerada importante para que o produto chegue ao
local de beneficiamento final com boa qualidade.

Para a produção de alimentos oriundos da amêndoa do licuri faz-se necessário a realização
de estudos específicos visando orientar prazos de validade para conservação e consumo, assim
como a realização de oficinas técnicas pela ANVISA para orientar quanto às regras de beneficiamento e processamento para consumo humano.
Descrição das etapas do beneficiamento dos frutos e folhas

A. Beneficiamento de frutos
Quebra manual dos cocos

A quebra dos cocos para retirada das amêndoas é realizada de acordo com cada região, em
alguns locais é comum que os frutos maduros sejam inicialmente disponibilizados para o gado (caprino, bovino e aves) para que os mesmos comam a polpa. Em seguida, os coquinhos são colocados
para secar por aproximadamente 15 dias. A quebra do coco é um trabalho predominantemente
feminino, utilizam-se porretes e pedras para partir o coco e extrair a amêndoa.

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

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OBSERVAÇÃO
Em algumas áreas a quebra de cocos para consumo in natura é feita após a imersão destes
em água por 24 horas, para facilitar a retirada da amêndoa inteira. Este procedimento é evitado em caso de retirada de amêndoas para fabricação de óleo;
Após a quebra dos cocos as amêndoas deverão ser selecionadas ou separadas;
As amêndoas selecionadas devem ser armazenadas de forma adequada*.

Alguns cuidados com o armazenamento das amêndoas devem ser observados:

• No caso das amêndoas cozidas ou úmidas, deve-se proceder a secagem para evitar a prolifera-

ção de fungos (mofos);
• Em todos os casos de armazenamento de licuri para fins alimentares devem-se observar critérios
e estimular estudos para identificar as melhores condições de armazenamento.

B. Beneficiamento das folhas
NOTA 1: Consultar o manual da COOPES para as melhores práticas de armazenamento.
NOTA 2: Consultar as normas* quanto a armazenagem de amêndoas (MAPA/ANVISA).
Quebra semi-mecanizada dos cocos

Alguns equipamentos para a quebra mecanizada dos cocos foram desenvolvidos, um pelo
CEFET e outro na região de Caldeirão Grande. Entretanto, estes equipamentos têm um custo de
aquisição elevado para grande maioria dos grupos de extrativistas.

Assim, a possibilidade de uso de uma máquina para a quebra dos coquinhos mostra-se
como uma alternativa para aumentar a produtividade do trabalho de quebra dos cocos para a obtenção das amêndoas. Existe uma proposta para que sejam adquiridos kit´s, compostos por uma
máquina de quebrar coco, carroça e animal de tração, com o propósito de levar a máquina às casas
de todas as famílias de coletores da comunidade, onde efetuaria a quebra da produção dos cocos
coletados na região de Caldeirão Grande (BA).
Outra opção seria a quebra de cocos em uma sede de associação ou cooperativa, disponibilizando veículo ou animal para transporte. Em caso de quebra mecanizada devem-se realizar estudos para o aproveitamento da quenga, para evitar acúmulo de resíduos (compostagem, queima,
substrato, dentre outros).
Armazenamento das amêndoas
O armazenamento das amêndoas é feito em sacos de ráfia, sendo em seguida comercializada para atravessadores ou diretamente para as indústrias, que empregam as amêndoas na produção de alimentos ou de óleo vegetal utilizado na produção de saponáceos.

A secagem dos frutos é feita ao sol em lugar limpo. Os frutos podem ser mantidos sobre um
tablado, no qual são limpos (antes de colocar no tablado) e lavados com água corrente e protegidos
de animais.

Depois de extraídas, as amêndoas do licuri podem ser mantidas à temperatura ambiente
em sombra e local arejado e seco, por um prazo de 8-10, dias em recipientes adequados ou as
amêndoas podem ser resfriadas por um prazo de 15-20 dias. O resfriamento dificulta a propagação
de pragas e doenças. Para armazenagem por período superior, é necessário o congelamento em
recipientes adequados até o uso ou comercialização.
Armazenamento para consumo
O tempo de validade do licuri varia de 4 a 12 meses dependendo de como é armazenado.
Para que esse tempo de validade seja cumprido, o licuri para consumo pode ser armazenado da
seguinte maneira:
• Licuri fresco ou cozido: quebrado, selecionado em pedaços, embalado em sacos plásticos
selados com espessura grossa, e armazenados no congelador. Para o licuri fresco, o armazenamento no congelador aumenta o prazo de validade. No caso do licuri cozido, é necessário o
congelamento imediato e o descongelamento deve feito apenas prévio ao consumo;
• Licuri torrado – quebrado, selecionado em pedaços, torrado em panela, forno ou estufa, e
embalado e selado preferivelmente em alumínio.

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PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

Secagem das folhas

As folhas do licuri podem ser secadas ao sol sempre que possível, desde que protegidas da umidade. Em alguns casos, as folhas podem ser secas em fornos à lenha, desde que os mesmos sejam grandes o suficiente para que as folhas fiquem estendidas. No caso da secagem ao forno, as folhas devem ser
viradas constantemente e a secagem deve ser monitorada para que as folhas não sejam danificadas.

Para o manuseio é importante molhar as folhas depois de desfibradas, em quantidade suficiente para confecção dos artesanatos. As folhas umedecidas quebram menos facilmente.

As folhas devem ser colocadas para secar de acordo com as características de cada região
e necessidades de utilização. Deve-se estimular pesquisas para escolha de métodos ideias de secagem e armazenamento.
É importante que haja incentivo do governo tanto no sentido de apoiar com recursos financeiros para a construção de galpões ou locais para a realização da secagem como também incentivar a realização de pesquisas quanto à secagem das folhas para os diferentes tipos de artesanato.
Armazenamento das folhas

Após a secagem das folhas, as mesmas são desfiadas e desfibradas (despenca) retiram-se as
tiras, fibras e raque dos folíolos sendo então guardadas para a etapa da trançagem e confecção de
artesanatos e utensílios, a exemplo de chapéus, bolsas, abanos, esteiras e vassouras. Muitos artesãos
tingem as fibras com pigmento natural obtidos de plantas como o jenipapo, o cajueiro, o anjico,
dentre outros.
Há relatos que o armazenamento das fibras pode ocorrer por até um ano sem que haja
diferença na qualidade dos produtos finais. Entretanto, as fibras devem ser enroladas em um pano
e colocadas dentro de sacos plásticos adequados.

4. Manutenção e conservação dos licurizeiros
Os tratos silviculturais podem representar aumento da produção para muitos produtos florestais não-madeireiros e até mesmo a conservação da espécie e proteção da vegetação nativa,
concorrendo para a melhoria da produção e conservação da espécie a partir do enriquecimento ou
plantio de mudas.
Não são adotados tratamentos silviculturais específicos para o licuri, certamente em função
da ocorrência das plantas exploradas geralmente ser em propriedades particulares de terceiros. Nas
áreas próprias dos extrativistas, às vezes é realizado o corte da vegetação circundante, para permitir
o plantio das culturas anuais, vez que sua ocorrência se dá nas áreas utilizadas para a agricultura
familiar.

Alguns extrativistas também fazem o transplantio de mudas que retiram da área de coleta
para as áreas de agricultura familiar, mas nem sempre essas mudas se restabelecem, pois muitos não
cuidam para que as raízes estejam protegidas com o solo.

Por ser uma espécie heliófila, a palmeira do licuri necessita de nível de insolação elevado
para fins de crescimento, produção e sobrevivência. E na fase de muda deve permanecer à meia
sombra, pois o alto nível de sombreamento favorece o crescimento inicial da parte aérea da planta
em detrimento do sistema radicular, um aspecto bastante desfavorável para o caso de plantio de
mudas em áreas de Caatinga.

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

133

Recomendações técnicas para a manutenção e conservação dos licurizeiros
Para fins de assegurar um maior índice de regeneração e incrementar o recrutamento de novos
indivíduos na área produtiva, recomenda-se:

»» Estimular o plantio do licuri através de mudas ou de sementes de acordo com a realidade e
disponibilidade de cada região. Considerar como método aquele que for mais eficiente e com
menor custo para cada produtor e região;
»» Fazer o replantio de mudas (já estabelecidas) ao longo dos caminhos, cercas e divisas;
»» A produção de mudas deve ser com sementes obtidas de diferentes matrizes nas áreas de coleta. Evitar o uso de sementes e mudas originárias de populações de licuri de outras regiões e
ou estados;
»» Proteger as mudas de licuri estabelecidas nas áreas.

OBSERVAÇÕES
• Quando os frutos forem destinados a alimentação humana e comercialização, e houver a
proliferação da larva morotó pode-se fazer a limpeza embaixo da palmeiras com o intuito
de reduzir essa infestação;
• Caso a prática de limpeza embaixo das palmeiras seja necessária, deve-se ter cuidado
para não prejudicar a regeneração de outras plantas;
• Para as regiões onde há baixa regeneração de licuri é importante realizar o plantio de mudas e estabelecer áreas onde não serão realizadas coletas como mecanismo que favoreça
a propagação da espécie.

A problemática para conservação da espécie*
É uma compreensão geral de que o principal processo de predação da regeneração do licuri
se dá por meio da introdução de grandes rebanhos bovinos dos proprietários ou dos arrendatários dos pastos onde há ocorrência das palmeiras. Frente a esta realidade nenhuma das
proposições de conservação e uso sustentável são respeitadas. Portanto, deve-se exigir uma
fiscalização intensiva com aplicação da lei ambiental no sentido de proteger as palmeiras do
licuri que servem de alimento para a fauna nativa, para as populações de PCTAF e originários
e outras pessoas, além de ser uma fonte insubstituível de usos múltiplos (palha, coco e a capemba) de utilização artesanal e geradora de renda.
* Edvalda Aroucha (Coordenadora da Agendha)

5.1.1. Realizar o monitoramento da produção anotando a cada safra a quantidade de indivíduos
visitados, o número de cachos e/ou quilos de frutos e ou o número de folhas coletadas na safra, nas
respectivas áreas de coleta.
Utilizar cadernos ou fichas de campo para anotar a produção de frutos e/ou folhas, assim
como a quantidade coletada e as épocas da coleta; além de informar a quantidade de vezes das
coletas e quantas palmeiras foram visitadas na mesma área.
NOTA EXPLICATIVA: Desenvolver uma metodologia facilitadora para o registro/anotações sugerindo na cartilha modelos para esse registro.
5.1.1. Realizar anotações se há o estabelecimento de novas palmeiras (jovens) assim como o aparecimento de palmeiras produtivas (jovens que passaram a ser adultas), e a ocorrência de pragas e
doenças no momento da coleta em áreas de coleta.
OBSERVAÇÃO
Este registro de informações é empírico e não tem rigor técnico-cientifico – não é dado para
pesquisa mas sim para o produtor observar se há problemas nos seus licurizeiros.

Proposta de Ficha para Coleta
Nome da Área: ________________________Anotador:________________________________
Localização:___________________________________________________________________
Data da coleta

Número de coletores

Quantidade coletada
(número de caixas, saca,
kg, dentre outros)

Tempo de coleta
(número de horas)

Proposta de Ficha para Inventário Florestal
Nome da Área: ________________________Anotador:________________________________

5. Monitoramento
O monitoramento é uma atividade importante para que se possa acompanhar o crescimento e o recrutamento dos indivíduos produtivos. É uma etapa que pode ser realizada pelos produtores, desde que adotados procedimentos simples, como forma de acompanhar e planejar sua coleta
anual e assim estimar a produção.

Localização:___________________________________________________________________

Nome da área

Número de
palmeiras

Jovem

Classificação
Produtiva
Senescente

Observações

Diretrizes técnicas propostas para monitoramento
5.1. Monitoramento da produção
O monitoramento da produção é o registro da produção na safra. Permite ao produtor
avaliar ano a ano sua produção e os custos. É uma ferramenta que tem como objetivo estimular o
registro (a anotação) da produção anual.

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PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

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PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

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Art. 4º Os Planos de Manejo das Unidades de Conservação Federais contemplarão ações para
conservação e recuperação de populações de espécies constantes das Listas Nacionais Oficiais de
Espécies Ameaçadas de Extinção, em consonância com os Planos de Ação Nacionais para a Conservação
de Espécies Ameaçadas de Extinção.
Art. 5º Caberá ao Ministério do Meio Ambiente a avaliação e publicação das Listas Nacionais Oficiais de
Espécies Ameaçadas de Extinção.
Art. 6º O Ministério do Meio Ambiente e o Instituto Chico Mendes envidarão esforços para assegurar a
implementação dos Planos de Ação Nacionais para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção.

PORTARIA CONJUNTA MMA e ICMBIO Nº 316,
DE 9 DE SETEMBRO DE 2009

Art. 7º Esta Portaria Conjunta entra em vigor na data de sua publicação.

CARLOS MINC
Ministro de Estado do Meio Ambiente
O Ministro de Estado do Meio Ambiente e o Presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade - INSTITUTO CHICO MENDES, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto
na Lei nº 10.683, de 28 de maio de 2003, e nos Decretos nºs 6.100, de 26 de abril de 2007 e 6.101,
de 26 de abril de 2007, e Considerando os compromissos assumidos pelo Brasil na Convenção sobre
Diversidade Biológica-CDB, ratificada pelo Decreto Legislativo nº 2, de 3 de fevereiro de 1994 e
promulgada pelo Decreto nº 2.519, de 16 de março de 1998, particularmente aqueles explicitados no
art. 7º, alínea "b" e "c"; 8º, alínea "f"; e 9º, alínea "c"; Considerando o disposto nas Leis nºs 5.197, de 3
de janeiro de 1967, 6.938, de 31 de agosto de 1981, 9.985, de 18 de julho de 2000, 10.650, de 16
de abril de 2003, 11.516, de 28 de agosto de 2007 e no Decreto nº 4.340, de 22 de agosto de 2002;
e Considerando os princípios e diretrizes da Política Nacional da Biodiversidade, constantes do Decreto
nº 4.339, de 22 de agosto de 2002, resolvem:

RÔMULO JOSÉ FERNANDES BARRETO MELLO
Presidente do Instituto Chico Mendes

Art. 1º Aplicar os seguintes instrumentos de implementação da Política Nacional da Biodiversidade
voltados para a conservação e recuperação de espécies ameaçadas de extinção:
I - Listas Nacionais Oficiais de Espécies Ameaçadas de Extinção, com a finalidade de reconhecer as
espécies ameaçadas de extinção no território nacional, na plataforma continental ou na zona econômica
exclusiva brasileira, para efeitos de restrição de uso, priorização de ações de conservação e recuperação
de populações;
II - Livros Vermelhos das Espécies Brasileiras Ameaçadas de Extinção, contendo, entre outros, a
caracterização, distribuição geográfica, estado de conservação e principais fatores de ameaça à
conservação das espécies integrantes das Listas Nacionais Oficiais de Espécies Ameaçadas de Extinção;
III - Planos de Ação Nacionais para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção, elaborados com
a finalidade de definir ações in situ e ex situ para conservação e recuperação de espécies ameaçadas;
§ 1º O processo de atualização das Listas Nacionais Oficiais de Espécies Ameaçadas de Extinção
observará, no que couber, as listas estaduais, regionais e globais de espécies ameaçadas de extinção.
§ 2º As Listas Nacionais Oficiais de Espécies Ameaçadas de Extinção serão atualizadas continuamente,
devendo ocorrer uma revisão completa no prazo máximo de dez anos.
§ 3º Os três instrumentos de implementação da Política Nacional da Biodiversidade mencionados acima
são complementares, na medida em que as Listas reconhecem as espécies na condição de ameaçadas, os
Livros Vermelhos detalham as informações que embasaram a inclusão das espécies nas Listas e os Planos
de Ação estabelecem as medidas a serem implementadas para a efetiva conservação e recuperação das
espécies ameaçadas, visando reverter o processo de ameaça a que cada espécie encontra-se submetida.
Art. 2º Reconhecer os Grupos Estratégicos para Conservação e Manejo de Espécies Ameaçadas de
Extinção, criados no âmbito do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - Instituto
Chico Mendes com a finalidade de colaborar na elaboração e implementação dos Planos de Ação
Nacionais para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção, com abrangência nacional.
Parágrafo único. Os Planos de Ação Nacionais deverão incluir também Programas de Conservação em
Cativeiro de Espécies Ameaçadas de Extinção, com o objetivo de manter populações ex situ, genética e
demograficamente viáveis, como fonte para promover a recuperação in situ de espécies ameaçadas de
extinção.
Art. 3º Caberá ao Instituto Chico Mendes a coordenação da atualização das Listas Nacionais Oficiais
das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção e a coordenação da elaboração, publicação e
implementação dos Planos Nacionais para a Conservação de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção.

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PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

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PORTARIA N° 78, DE 3 DE SETEMBRO DE 2009
O PRESIDENTE DO INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE, no uso de suas
atribuições, Considerando a Portaria n° 214, de 8 de julho de 2009, que delega competência ao Presidente do
Instituto Chico Mendes para denominar, fixar os locais de funcionamento e estabelecer atribuições aos Centros
Especializados previstos no Art.3°,V,a do Anexo I do Decreto n° 6.100 de 26 de abril de 2007; Considerando a
necessidade de geração de conhecimento científico aplicado à conservação da biodiversidade, assim como para
o uso e conservação dos recursos naturais nas Unidades de Conservação federais; Considerando a necessidade de
execução de ações planejadas para conservação de espécies ameaçadas de extinção constantes das listas oficiais
nacionais, principalmente nas áreas naturais não protegidas como Unidades de Conservação; Considerando a
necessidade de identificação das unidades organizacionais descentralizadas dedicadas à pesquisa científica e à
execução de ações planejadas para conservação da biodiversidade, para efeito de nomeação de cargos, lotação
de servidores, provisão de recursos de manutenção e locação de bens patrimoniais; resolve:
Art. 1º- Criar os Centros Nacionais de Pesquisa e Conservação abaixo denominados, com o objetivo de
reconhecê-los como unidades descentralizadas às quais compete produzir por meio da pesquisa científica,
do ordenamento e da análise técnica de dados o conhecimento necessário à conservação da biodiversidade,
do patrimônio espeleológico e da sócio-biodiversidade associada a povos e comunidades tradicionais, bem
como executar as ações de manejo para conservação e recuperação das espécies constantes das listas oficiais
nacionais de espécies ameaçadas, para conservação do patrimônio espeleológico e para o uso dos recursos
naturais nas Unidades de Conservação federais de Uso Sustentável;
I - Centros com expertise técnico-científica em biomas, ecossistemas ou manejo sustentado dos recursos
naturais.
a. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica - CEPAM, sediado no município
de Manaus, no estado do Amazonas, com o objetivo de realizar pesquisas científicas e ações de manejo para
conservação e recuperação de espécies ameaçadas e para o monitoramento da biodiversidade do bioma
Amazônia e seus ecossistemas, assim como auxiliar no manejo das Unidades de Conservação federais do
citado bioma;
b. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade do Cerrado e Caatinga – CECAT, sediado
em Brasília, no Distrito Federal, com o objetivo de realizar pesquisas científicas e ações de manejo para
conservação e recuperação de espécies ameaçadas e para o monitoramento da biodiversidade dos biomas
Cerrado e Caatinga, com ênfase nas espécies da flora, invertebrados terrestres e polinizadores, assim como
auxiliar no manejo das Unidades de Conservação federais do Cerrado e da Caatinga, especialmente por meio
de estudos de vegetação;
c. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas - CECAV, sediado em Brasília, no Distrito Federal,
com o objetivo de realizar pesquisas científicas e ações de manejo para conservação dos ambientes cavernícolas
e espécies associadas, assim como auxiliar no manejo das Unidades de Conservação federais com ambientes
cavernícolas;
d. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Socio-biodiversidade Associada a Povos e Comunidades
Tradicionais - CNPT, sediado em São Luis, município de São Luis, estado do Maranhão, com objetivo de
promover pesquisa científica em manejo e conservação de ambientes e territórios utilizados por povos e
comunidades tradicionais, seus conhecimentos, modos de organização social, e formas de gestão dos recursos
naturais, em apoio ao manejo das Unidades de Conservação federais.
II - Centros com expertise técnico-científica em grupos taxonômicos;
a. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Tartarugas Marinhas - TAMAR, sediado em Arembepe,
município de Camaçari, no estado da Bahia, com o objetivo de realizar pesquisas científicas e ações de
manejo para conservação e recuperação de espécies ameaçadas de tartarugas marinhas, assim como atuar
na conservação da biodiversidade marinha e costeira, com ênfase nas espécies de peixes e invertebrados
marinhos ameaçados, e auxiliar no manejo das Unidades de Conservação federais marinhas e costeiras;

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PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

b. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Peixes Continentais - CEPTA, sediado no município de
Pirassununga, no estado de São Paulo, com o objetivo de realizar pesquisas científicas e ações de manejo para
conservação e recuperação de espécies ameaçadas de peixes continentais, assim como atuar na conservação
da biodiversidade aquática dos biomas continentais, com ênfase nos Biomas Pantanal e Amazônia, e auxiliar
no manejo das Unidades de Conservação federais com ecossistemas dulcícolas;
c. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos - CMA, sediado no município de
Itamaracá, no estado de Pernambuco, com o objetivo de realizar pesquisas científicas e ações de manejo para
conservação e recuperação de espécies ameaçadas de mamíferos aquáticos, assim como atuar na conservação
de espécies migratórias, na conservação da biodiversidade dos ecossistemas recifais, estuarinos e de manguezais,
e auxiliar no manejo das Unidades de Conservação federais marinhas, costeiras e da bacia Amazônica;
d. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros - CPB, sediado no município de
João Pessoa, no estado da Paraíba, com o objetivo de realizar pesquisas científicas e ações de manejo para
conservação e recuperação de espécies ameaçadas de primatas brasileiros, assim como atuar na conservação
das espécies ameaçadas de mamíferos terrestres, na conservação da biodiversidade do bioma Mata Atlântica
e auxiliar no manejo das Unidades de Conservação federais;
e. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres - CEMAVE, sediado no município de
Cabedelo, no estado da Paraíba, com o objetivo de realizar pesquisas científicas e ações de manejo para
conservação e recuperação de espécies de aves ameaçadas, assim como atuar na conservação das espécies
migratórias, na conservação da biodiversidade dos biomas continentais, marinhos e costeiros e auxiliar no
manejo das Unidades de Conservação federais;
f. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros - CENAP, sediado no município de
Atibaia, no estado de São Paulo, com o objetivo de realizar pesquisas científicas e ações de manejo para
conservação e recuperação de espécies ameaçadas de mamíferos carnívoros continentais, assim como atuar
na conservação dos mamíferos terrestres ameaçados, na conservação dos biomas continentais e auxiliar no
manejo das Unidades de Conservação federais;
g. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN, sediado no município de Goiânia,
no estado de Goiás, com o objetivo de realizar pesquisas científicas e ações de manejo para conservação
e recuperação de espécies ameaçadas de répteis e anfíbios, assim como atuar na conservação dos biomas
continentais, costeiros e marinhos e auxiliar no manejo das Unidades de Conservação federais;
§ 1º- Os Centros Nacionais de Pesquisa e Conservação buscarão implementar as parcerias necessárias com
instituições científicas e acadêmicas para maximizar a consecução dos seus objetivos.
§ 2º - Os Centros Nacionais de Pesquisa e Conservação poderão dispor de Bases Avançadas para sua atuação,
que contarão necessariamente com patrimônio, quadro de servidores do Instituto e responsáveis devidamente
designados;
Art. 2º - Considera-se Base Avançada unidade física do Instituto Chico Mendes, mantida em estrutura própria
ou formalmente cedida, localizada em sítio estratégico para execução de ações de pesquisa e conservação
afetas aos Centros Nacionais de Pesquisa e Conservação, podendo ser compartilhada com instituições
parceiras mediante acordos específicos formalmente estabelecidos.
§ 1º - Para os efeitos desta portaria, consideram-se os seguintes tipos de Base Avançada:
I - Base Avançada, quando vinculada a apenas um Centro Nacional de Pesquisa e Conservação e instalada
em estrutura física exclusivamente definida para este fim;
II - Base Avançada Multifuncional, quando instalada em estrutura física partilhada com outro Centro Nacional
de Pesquisa e Conservação ou unidade descentralizada do Instituto Chico Mendes; e
III - Base Avançada Compartilhada, quando vinculada a um ou mais Centros Nacionais de Pesquisa
e Conservação e instalada em estrutura física de instituições parceiras, mediante acordo de cooperação
formalmente estabelecido para este fim.
§ 2º - As Bases Avançadas Multifuncionais poderão ser instaladas na sede de Centros Nacionais de Pesquisa e
Conservação, na sede de Coordenação Regional ou em Unidade de Conservação federal;
§ 3º - Nos casos previstos no parágrafo anterior, o funcionamento da Base Avançada Multifuncional se dará
mediante um plano de trabalho anual aprovado pelo chefe do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação,
pelo chefe da unidade descentralizada e chancelado pela Diretoria de vinculação do Centro, no início de
cada exercício, com o correspondente relatório de atividades ao final do mesmo;
§ 4° - O funcionamento das Bases Avançadas e Bases Avançadas Compartilhadas se dará mediante plano de
trabalho aprovado pelo Chefe do Centro Nacional e Pesquisa e Conservação e chancelado pela Diretoria de
vinculação do Centro, no início de cada exercício e com o correspondente relatório de atividades no final
do mesmo;
I - Os planos de trabalho das Bases Avançadas Compartilhadas deverão guardar coerência com os planos de
trabalhos integrantes dos acordos de parcerias firmados.
§ 5º - Só serão instaladas Bases Avançadas Multifuncionais em Unidades de Conservação federais quando
sua área de atuação extrapolar os limites geográficos da Unidade e zona de amortecimento, caso contrário
tal atuação será de competência da Unidade de Conservação federal, com orientação do Centro Nacional
de Pesquisa e Conservação;

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§ 6º - As Bases Avançadas Compartilhadas mantidas por parceiros serão automaticamente extintas ao final do
acordo de cooperação celebrado para este fim e os bens e servidores lotados transferidos para outra unidade
do Instituto Chico Mendes.
Art. 3º - Ficam igualmente criadas as Bases Avançadas listadas nos Anexos I, II e III Parágrafo Único - Os Anexos
I, II e III poderão ser alterados a qualquer momento por necessidade de estabelecimento de novas bases ou
extinção das atuais.
Art. 4º - O regimento interno do Instituto Chico Mendes detalhará as atribuições dos Centros Nacionais de
Pesquisa e Conservação ora criados e seus limites de atuação.
Art. 5º - As Bases Avançadas Compartilhadas previstas nesta portaria, que não são ainda objeto de instrumento
de acordo de parceria devidamente firmado ou que já expiraram, terão o prazo de 90 (noventa dias) dias
para publicação dos mencionados instrumentos;
Parágrafo único - As Bases mencionadas no caput deste artigo não poderão ter servidores públicos federais
lotados nessas unidades até a sua formalização oficial.
Art. 6° - O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade do Cerrado e Caatinga - CECAT
absorverá a estrutura do Centro Nacional de Orquídeas, Plantas Ornamentais, Medicinais e Aromáticas - COPOM,
que fica automaticamente extinto.
Parágrafo único - a estrutura que representa o Orquidário Nacional fica excluída da estrutura a ser absorvida
pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade do Cerrado e Caatinga - CECAT.
Art. 7° - Revogam-se as disposições em contrário.
Art. 8º - Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
RÔMULO JOSÉ FERNANDES BARRETO MELLO
Presidente do Instituto Chico Mendes
ANEXO I
Bases Avançadas:
a. Base Avançada do CNPT em Rio Branco, município de Rio Branco, estado do Acre;
b. Base Avançada do CEMAVE no município de Jeremoabo, município de Jeremoabo, no estado da Bahia;
c. Base Avançada do TAMAR em Vitória, no município de Vitória, no estado do Espírito Santo e
d. Base Avançada do TAMAR em Almofala, no município de Itarema, no estado do Ceará.
ANEXO II
Bases Avançadas Multifuncionais:
a. Base Avançada Multifuncional do CMA no Piauí, na Área de Proteção Ambiental do Delta do Parnaíba, no
município de Cajueiro da Praia, no estado do Piauí;
b. Base Avançada Multifuncional do CMA na Paraíba, na Área de Proteção Ambiental da Barra do Rio
Mamanguape, no município de Rio Tinto, no estado da Paraíba;
c. Base Avançada Multifuncional do CMA de Fernando de Noronha, no Parque Nacional Marinho de
Fernando de Noronha, Distrito Estadual de Fernando de Noronha, no estado de Pernambuco, especializada
em pesquisa, monitoramento e conservação da biodiversidade de ecossistemas recifais;
d. Base Avançada Multifuncional do CMA no Rio de Janeiro, na Reserva Extrativista Arraial do Cabo, no
município de Arraial do Cabo, no estado do Rio de Janeiro; e. Base Avançada Multifuncional do CMA , em
Santa Catarina, na Estação Ecológica de Carijós, no município de Florianópolis, no estado de Santa Catarina;
f. Base Avançada Multifuncional do CNPT, em Santa Catarina, na Estação Ecológica de Carijós, no município
de Florianópolis, no estado de Santa Catarina;
g. Base Avançada Multifuncional do CNPT na Chapada dos Guimarães, no Parque Nacional da Chapada dos
Guimarães, no município de Chapada dos Guimarães, no estado do Mato Grosso;
h. Base Avançada Multifuncional do CNPT em Goiânia, na sede do RAN, no município de Goiânia, estado
de Goiás;
i. Base Avançada Multifuncional do CECAV no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, no município
de Chapada dos Guimarães, no estado de Mato Grosso;
j. Base Avançada Multifuncional do CECAV de Lagoa Santa, na área de Proteção Ambiental de Carste de
Lagoa Santa, no município de Lagoa Santa, no estado de Minas Gerais;
k. Base Avançada Multifuncional do CEMAVE , em Santa Catarina, na Estação Ecológica de Carijós, no
município de Florianópolis, no estado de Santa Catarina;

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PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

l. Base Avançada Multifuncional do CEMAVE de Brasília, no Parque Nacional de Brasília, em Brasília, no
Distrito Federal;
m. Base Avançada Multifuncional do RAN de Lagoa Santa, na Área de Proteção Ambiental do Carste de Lagoa
Santa, no município de Lagoa Santa, no estado de Minas Gerais;
n. Base Avançada Multifuncional do CEPTA no Pantanal, no Parque Nacional do Pantanal Matogrossense,
município de Poconé, no estado de Mato Grosso;
o. Base Avançada Multifuncional do CEPTA na Reserva Biológica União, município de Casemiro de Abreu,
no estado do Rio de Janeiro;
p. Base Avançada Multifuncional do CEPTA no Araguaia, na Área de Proteção Ambiental dos Meandros do
Araguaia, município de São Miguel do Araguaia, no estado de Goiás;
q. Base Avançada Multifuncional do CENAP no Parque Nacional do Iguaçu, município de Foz do Iguaçu, no
estado do Paraná;
r. Base Avançada Multifuncional do TAMAR de Pirambu, na Reserva Biológica de Santa Izabel, no município
de Pirambu, no estado de Sergipe;
s. Base Avançada Multifuncional do TAMAR de Regência, na Reserva Biológica de Comboios, no município
de Linhares, no estado do Espírito Santo e
t. Base Avançada Multifuncional do TAMAR de Fernando de Noronha, no Parque Nacional Marinho de
Fernando de Noronha, Distrito Estadual de Fernando de Noronha, no estado de Pernambuco.
ANEXO III
Bases Avançadas Compartilhadas:
a. Base Avançada Compartilhada do CMA no Pará, no município de Belém, no estado do Pará;
b. Base Avançada Compartilhada do CMA em São Luis, no município de São Luis, estado do Maranhão;
c. Base Avançada Compartilhada do CMA em Alagoas, no município de Porto das Pedras, no estado de
Alagoas;
d. Base Avançada Compartilhada do CECAV no Rio Grande do Norte, no município de Natal, no estado do
Rio Grande do Norte;
e. Base Avançada Compartilhada do RAN no Mato Grosso do Sul, no município de Campo Grande, no estado
do Mato Grosso do Sul;
f. Base Avançada Compartilhada do TAMAR em Itajaí, no município de Itajaí, no estado de Santa Catarina,
especializada em pesquisa e ações de conservação para as espécies ameaçadas do bioma marinho;
g. Base Avançada Compartilhada do TAMAR da Praia de Pipa, no município de Tibau do Sul, no estado do
Rio Grande do Norte;
h. Base Avançada Compartilhada do TAMAR da Praia do Forte, no município de Mata de São João, no estado
da Bahia;
i. Base Avançada Compartilhada do TAMAR de Guriri, no município de São Mateus, no estado do Espírito
Santo;
j. Base Avançada Compartilhada do TAMAR de Ubatuba, no município de Ubatuba, no estado de São Paulo;
k. Base Avançada Compartilhada do TAMAR na Barra da Lagoa, no município de Florianópolis, no estado de
Santa Catarina;
l. Base Avançada Compartilhada do TAMAR de Sitio do Conde, município de Conde, no estado da Bahia;
m. Base Avançada Compartilhada do TAMAR de Costa do Sauipe, no município de Mata de São João, no
estado da Bahia e
n. Base Avançada Compartilhada do TAMAR em Povoação, município de Linhares, no estado do Espírito
Santo.

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

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SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL
Ministério do Meio Ambiente
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
PORTARIA Nº 19, DE 17 DE FEVEREIRO DE 2012

II - Habitat da Arara-Azul-de-Lear incrementado em qualidade em 5% até 2017;
III - Programa de Conservação e Manejo da Arara-Azul-de-Lear integrado e fortalecido até 2017
para gerar, sistematizar e divulgar o conhecimento necessário para o manejo da espécie e seu habitat,
abordando os temas-chave definidos nas ações;
IV - Conflitos (prejuízos) causados por ataques de Araras-Azul-de-Lear em cultivos de milho
minimizados em todos os municípios dentro da área de ocorrência da espécie;

V - Tráfico de Araras-Azuis-de-Lear reduzido em pelo menos 75% em cinco anos.

Art. 3º - Caberá ao Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres - CEMAVE
a coordenação do PAN Arara-Azul-de-Lear, com supervisão da Coordenação Geral de Manejo para
Conservação da Diretoria de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade.

Parágrafo único. O Presidente do Instituto Chico Mendes designará um Grupo Assessor para
acompanhar a implementação e realizar monitoria do PAN Arara-Azul-de-Lear.

Art. 4º - O PAN Arara-Azul-de-Lear deverá ser mantido e atualizado na página eletrônica do
Instituto Chico Mendes.

Art. 5º - Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
RÔMULO JOSÉ FERNANDES BARRETO MELLO

Aprova o Plano de Ação Nacional para a Conservação da AraraAzul-de-Lear (Anodorhynchus leari) - PAN Arara-Azul-de-Lear,
contemplando uma espécie ameaçada de extinção, estabelecendo
seu objetivo, metas, ações, prazo de execução, abrangência e
formas de implementação e supervisão.

O PRESIDENTE DO INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE - INSTITUTO
CHICO MENDES, nomeado pela Portaria n° 532, de 30 de julho de 2008, da Ministra de Estado Chefe
da Casa Civil da Presidência da República, publicada no Diário Oficial da União de 31 de julho de 2008,
no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo art. 21, inciso I, do Anexo I da Estrutura Regimental
aprovada pelo Decreto n° 7.515, de 08 de julho de 2011, publicado no Diário Oficial da União do dia
subseqüente; Considerando a Instrução Normativa MMA nº 03, de 27 de maio de 2003, que reconhece
627 espécies da fauna brasileira como ameaçadas de extinção, de acordo com seus anexos; Considerando
a Resolução MMA-CONABIO n° 03, de 21 de dezembro de 2006, que estabelece metas para reduzir a
perda de biodiversidade de espécies e ecossistemas, em conformidade com as metas estabelecidas no
Plano Estratégico da Convenção sobre Diversidade Biológica; Considerando a Portaria Conjunta MMA/
ICM nº 316, de 09 de setembro de 2009, que estabelece os planos de ação como instrumentos de
implementação da Política Nacional da Biodiversidade; Considerando a Portaria ICM nº 78, de 03 de
setembro de 2009, que cria os centros nacionais de pesquisa e conservação do Instituto Chico Mendes e
lhes confere atribuição. Considerando o disposto no Processo n° 02070.002414/2009-11, RESOLVE:

Art. 1º - Aprovar o Plano de Ação Nacional para a Conservação da Arara-Azul-de-Lear - PAN
Arara-Azul-de-Lear.

Art. 2º - O PAN Arara-Azul-de-Lear tem como objetivo geral "Manter o crescimento populacional
da Arara-Azul-de-Lear até 2017, garantindo e incrementando a qualidade do habitat e envolvendo as
comunidades da área de ocorrência da espécie na sua conservação".

§ 1º - O PAN Arara-Azul-de-Lear (Anodorhynchus leari) abrange uma espécie ameaçada de
extinção.

§ 2º - Para atingir o objetivo previsto no caput, o PAN Arara-Azul-de-Lear, com prazo de vigência
até fevereiro de 2017 e com supervisão e monitoria anual, possui as seguintes metas:
I - Até 2017, Programa de Educação Ambiental Integrado específico para a Arara-Azul-de-Lear
implementado na área de ocorrência da espécie, em pelo menos sete municípios, e que promova o
envolvimento das comunidades no Programa de Conservação e Manejo da Arara-azul-de-Lear;

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PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

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Grupo Assessor para acompanhar a implementação
e realizar monitoria do Plano de Ação Nacional para a
Conservação da Arara-Azul-de-Lear - PAN Arara-Azul-de-Lear
PORTARIA Nº 73, DE 2 DE MARÇO DE 2012
O PRESIDENTE DO INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE - INSTITUTO
CHICO MENDES, nomeado pela Portaria nº 532, de 30 de julho de 2008, da Ministra de Estado Chefe
da Casa Civil da Presidência da República, publicada no Diário Oficial da União de 31 de julho de 2008,
no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo art. 21, inciso I, do Anexo I da Estrutura Regimental
aprovada pelo Decreto nº 7.515, de 08 de julho de 2011, publicado no Diário Oficial da União do dia
subsequente; considerando a Instrução Normativa MMA nº 03, de 27 de maio de 2003, que reconhece
627 espécies da fauna brasileira como ameaçadas de extinção, de acordo com seus anexos; considerando
a Resolução MMA-CONABIO nº 03, de 21 de dezembro de 2006, que estabelece metas para reduzir a
perda de biodiversidade de espécies e ecossistemas, em conformidade com as metas estabelecidas no Plano
Estratégico da Convenção sobre Diversidade Biológica; considerando a Portaria Conjunta MMA/ICM nº 316,
de 09 de setembro de 2009, que estabelece os planos de ação como instrumentos de implementação da
Política Nacional da Biodiversidade; considerando a Portaria ICM nº 78, de 03 de setembro de 2009, que
cria os centros nacionais de pesquisa e conservação do Instituto Chico Mendes e lhes confere atribuições;
considerando a Portaria ICM nº 19, de 17 de fevereiro de 2012, que aprova o Plano de Ação Nacional para
a Conservação da Arara-Azul-de-Lear - PAN Arara-Azul-de-Lear; considerando o disposto no Processo n°
02070.002414/2009-11, resolve:
Nº73- Art. 1º - Instituir o Grupo Assessor para acompanhar a implementação e realizar monitoria do Plano
de Ação Nacional para a Conservação da Arara-Azul-de-Lear - PAN Arara-Azul-de-Lear, com a seguinte
composição:
I - Antonio Eduardo Araujo Barbosa, do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves
Silvestres - CEMAVE, na qualidade de Coordenador;
I - Maria Djalma Andrade de Abreu, da Prefeitura Municipal de Euclides da Cunha;
II - Simone Fraga Tenório Pereira Linares, do Instituto Arara- azul;
III - José Tiago Almeida dos Santos, da Estação Ecológica Raso da Catarina;
IV - Cristina Yumi Miyaki, da Universidade de São Paulo - USP;
V - Kilma Manso Raimundo da Rocha, da ECO Conservation.
Art. 2º - Caberá ao Grupo Assessor acompanhar a implementação e realizar monitoria do PAN AraraAzul-de-Lear em conformidade com a sistemática estabelecida pela Coordenação Geral de Manejo para
Conservação do Instituto Chico Mendes.
Art. 3º - A participação no Grupo Assessor do PAN Arara-Azul-de-Lear não ensejará qualquer tipo de
remuneração e será considerado serviço de relevante interesse público.
Art. 4º - Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.

INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 191,
DE 24 DE SETEMBRO DE 2008
O PRESIDENTE DO INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS
RENOVÁVEIS - IBAMA, no uso das atribuições que lhe confere o inciso V, art. 22 do Anexo I ao Decreto no
6.099, de 26 de abril de 2007, que aprovou a Estrutura Regimental do IBAMA, publicado no Diário Oficial
da União do dia subseqüente, Considerando as disposições dos arts. 7° e 14, alínea "b", da Lei 4.771, de 15
de setembro de 1965, que instituiu o Código Florestal, para a proteção de espécies vegetais relevantes;
Considerando a necessidade de implementar medidas que garantam a preservação da arara-azul-de-lear
(Anodorhynchus leari), de ocorrência restrita à região nordeste do Estado da Bahia, que abrange a Ecorregião
do Raso da Catarina, e seriamente ameaçada de extinção na natureza;
Considerando que a arara-azul-de-lear tem como principal componente alimentar o fruto da palmeira licuri (Syagrus
coronata) e que a referida palmeira representa importante fonte de alimento para inúmeros outros animais silvestres;
Considerando ainda a grande importância socioeconômica do licuri para a população sertaneja, e;
Considerando as proposições apresentadas pela Diretoria de Uso Sustentável da Biodiversidade e Florestas
(Processo nº 02001.002077/2008-03); resolve:
Art.1º Proibir o corte do licuri (Syagrus coronata (Mart.) Becc.) nas áreas de ocorrência natural desta palmeira
nos Estados de Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e Sergipe até que sejam estabelecidas normas de
manejo da espécie por cada Estado.
Art. 2º É permitida a coleta de frutos e folhas desde que não coloque em risco a regeneração da espécie e a
flora e fauna silvestre a ela associadas.
Art. 3º Fica proibida a colocação de barreiras físicas que dificultem ou impeçam o livre acesso da fauna
silvestre aos cachos de frutos.
Art. 4º Somente será permitida a retirada anual de até três folhas verdes por palmeira que deverão estar
localizadas na base das suas fileiras de folhas.
Art. 5º Será exigida, pelo órgão ambiental competente, das entidades jurídicas que façam uso comercial
ou industrial da palmeira licuri, a título de reposição florestal, o plantio e manutenção até o seu completo
estabelecimento, de uma unidade de palmeira licuri para o consumo anual de:

a) 30 cachos de frutos, ou

b) 300 folhas
Art. 6º As pessoas físicas ou jurídicas que façam uso comercial e industrial da palmeira licuri deverão observar as
normas legais vigentes referentes ao licenciamento do órgão ambiental competente e ao Cadastro Técnico Federal.
Art. 7º Caberá aos Estados estabelecer os critérios necessários para a elaboração dos planos de conservação
e uso da espécie licuri que garantam a sua sustentabilidade e a conservação das populações silvestres em
função de sua importância para a fauna nativa, em especial a arara-azul-de-lear, e as comunidades que fazem
uso da palmeira licuri.
Parágrafo único. Os critérios técnicos estabelecidos pelos Estados poderão alterar o disposto nesta Instrução Normativa.
Art. 8º Fica revogada a Instrução Normativa nº 147 de 10 de janeiro de 2007.

RÔMULO JOSÉ FERNANDES BARRETO MELLO

Art. 9° Esta Instrução Normativa entra em vigor na data da sua publicação.
ROBERTO MESSIAS FRANCO

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PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA ARARA-AZUL-DE-LEAR

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Os Planos de Ação Nacional para Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção constituem
uma das ferramentas para a conservação da biodiversidade brasileira, desenvolvida pelo Instituto Chico de
Mendes de Conservação da Biodiversidade, por meio da Diretoria de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da
Biodiversidade e dos Centros Nacionais de Pesquisa e Conservação a ela vinculados, nos termos da Instrução
Normativa nº 25/2012.

Por meio do uso de informações científicas e com a participação da sociedade, a estratégia constitui um
processo cíclico que passa pela avaliação do estado de conservação das espécies, a qual tem sequência com a
elaboração de planos de ação para conservação daquelas ameaçadas de extinção.

As ações previstas nos planos são monitoradas periodicamente visando avaliar resultados e efetuar os
ajustes necessários, na expectativa de que as espécies possam recuperar suas populações atingindo níveis cada
vez menores de ameaça.

A primeira parte de um plano de ação apresenta uma compilação do conhecimento existente sobre a
biologia das espécies e ameaças. A segunda parte trata do plano de conservação propriamente dito, contendo
seus objetivos e ações.

Seguindo estas diretivas, temos a satisfação de apresentar a segunda edição do Plano de Ação Nacional para a
Conservação da Arara-azul-de-lear, o qual permite vislumbrar, entre outros resultados, o aumento da sua população na
natureza, que em 2006 foi estimada em 502 araras e neste ano atinge o número de 1.263 indivíduos.
O PAN contempla também o licuri ou ouricuri, cujos frutos constituem o principal alimento da arara-azulde-lear. Esta palmeira nativa brasileira tem sofrido o impacto da ação destrutiva de queimadas, desmatamentos
e exploração predatória, estando a sua conservação diretamente associada à da arara-azul-de-lear.
O presente Plano de Ação Nacional foi aprovado pela Portaria ICMBio nº 19, de 17 de fevereiro de
2012 e a Portaria 73, de 2 de março de 2012, que institui o grupo assessor para acompanhar a implementação
e realizar monitoria do Plano.

Vale destacar o empenho de muitos para este resultado, orquestrado pela capacidade de coordenação
e articulação institucional para a implementação deste Plano, por parte da equipe do CEMAVE/ICMBio.

MARCELO MARCELINO DE OLIVEIRA
Diretor de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade

colaboração

Apoio

Realização
Ministério do
Meio Ambiente

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