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Índice

Instituto Nacional de Seguro Social

INSS
Técnico de Seguro Social
A Apostila Preparatória é elaborada antes da publicação do Edital Oficial, com base no último concurso para este cargo,
elaboramos essa apostila a fim que o aluno antecipe seus estudos.
Quando o novo concurso for divulgado aconselhamos a compra de uma nova apostila elaborada de acordo com o novo Edital.
A antecipação dos estudos é muito importante, porém essa apostila não lhe dá o direito de troca, atualizações ou quaisquer
alterações sofridas no Novo Edital.

ARTIGO DO WILLIAM DOUGLAS

ATENÇÃO!!!
Antes de darmos início a nossa Apostila, faz-se necessário o estudo da medida provisória 664/2014. Esse ato normativo,
instituído no dia 30 de dezembro de 2014, altera dispositivos das leis 8.213/91, 8.112/90 e 10.666/03.
Contudo, nossa apostila optou por não alterar os artigos nesse momento, vez que o texto normativo ainda não se encontra
com todos os dispositivos em vigor. Estará totalmente em vigência a partir do primeiro dia do terceiro mês subsequente à data de
publicação. Contudo, é importante que, desde já, os candidatos ao concurso do INSS estejam inteirados das recentes alterações.
Portanto, segue no final da Apostila a leitura obrigatória da medida provisória 664/14.

ÉTICA DO SERVIDOR PÚBLICO


Código de Ética Profissional do Servidor PúblicoCivil do Poder Executivo Federal: Decreto n.o 1.171/94 e Decreto
6.029/07.........................................................................................................................................................................................01

REGIME JURÍDICO ÚNICO


Lei 8.112/90 e alterações posteriores, direitos e deveres do Servidor Público. ...............................................................01
O servidor público como agente de desenvolvimento social; Saúde e Qualidade de Vida no Serviço Público............25

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL


1 Direitos e deveres fundamentais: direitos e deveres individuais e coletivos; direito à vida, à liberdade, à igualdade,
à segurança e à propriedade; direitos sociais; nacionalidade; cidadania; garantias constitucionais individuais; garantias
dos direitos coletivos, sociais e políticos. ...................................................................................................................................01
2 Da Administração Pública (artigos de 37 a 41, capítulo VII, Constituição Federal)...................................................27

NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO


1 Estado, governo e administração pública: conceitos, elementos, poderes e organização; natureza, fins e princípios....... 01
2 Direito Administrativo: conceito , fontes e princípios.....................................................................................................03
Índice
3 Organização administrativa da União; administração direta e indireta. ...................................................................06
4 Agentes públicos: espécies e classificação; poderes, deveres e prerrogativas; cargo, emprego e função públicos;
regime jurídico único: provimento, vacância, remoção, redistribuição e substituição; direitos e vantagens; regime
disciplinar; responsabilidade civil, criminal e administrativa.................................................................................................08
5 Poderes administrativos: poder hierárquico; poder disciplinar; poder regulamentar; poder de polícia; uso e abuso
do poder. . .....................................................................................................................................................................................17
6 Ato administrativo: validade, eficácia; atributos; extinção, desfazimento e sanatória; classificação,espécies e
exteriorização; vinculação e discricionariedade. .....................................................................................................................20
7 Serviços Públicos; conceito, classificação, regulamentação e controle; forma, meios e requisitos; delegação:
concessão, permissão, autorização. ...........................................................................................................................................26
8 Controle e responsabilização da administração: controle administrativo; controle judicial; controle legislativo;
responsabilidade civil do Estado. ..............................................................................................................................................30
Lei no- . 8.429/92 e alterações posteriores (dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de
enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo, emprego ou função da administração pública direta, indireta ou
fundacional e dá outras providências). .....................................................................................................................................37
9 Lei n°9.784/99 e alterações posteriores (Lei do Processo Administrativo).................................................................43

NOÇÕES DE INFORMÁTICA

1 Conceitos de Internet e intranet.......................................................................................................................................01


2 Conceitos básicos e modos de utilização de tecnologias, ferramentas, aplicativos e procedimentos associados à
Internet e à intranet. ...................................................................................................................................................................01
3 Conceitos e modos de utilização de ferramentas e aplicativos de navegação, de correio eletrônico, de grupos de
discussão, de busca e pesquisa. ..................................................................................................................................................03
4 Conceitos básicos e modos de utilização de tecnologias, ferramentas, aplicativos e procedimentos de informática 28
5 Conceitos e modos de utilização de aplicativos para edição de textos, planilhas e apresentações..............................28
6 Conceitos e modos de utilização de sistemas operacionais Windows e Linux ...........................................................106

LÍNGUA PORTUGUESA
1 Compreensão e interpretação de textos. .........................................................................................................................01
2 Tipologia textual. . .............................................................................................................................................................03
3 Ortografia oficial. ..............................................................................................................................................................04
4 Acentuação gráfica.............................................................................................................................................................07
5 Emprego das classes de palavras. ....................................................................................................................................10
6 Emprego do sinal indicativo de crase...............................................................................................................................40
7 Sintaxe da oração e do período.........................................................................................................................................43
8 Pontuação. . ........................................................................................................................................................................53
9 Concordância nominal e verbal. ......................................................................................................................................56
10 Regências nominal e verbal. ...........................................................................................................................................59
11 Significação das palavras. ...............................................................................................................................................64
12 Redação de correspondências oficiais............................................................................................................................ 68

RACIOCÍNIO LÓGICO
1 Conceitos básicos de raciocínio lógico: proposições; valores lógicos das proposições; sentenças abertas; número de
linhas da tabela verdade; conectivos; proposições simples; proposições compostas. ...........................................................01
2 Tautologia. . ........................................................................................................................................................................20
3 Operação com conjuntos...................................................................................................................................................24
4 Cálculos com porcentagens. ............................................................................................................................................28
Índice
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

1 Seguridade Social. 1.1 Origem e evolução legislativa no Brasil. 1.2 Conceituação. 1.3 Organização e princípios
constitucionais..............................................................................................................................................................................01
2 Legislação Previdenciária. 2.1 Conteúdo, fontes, autonomia. 2.3 Aplicação das normas previdenciárias. 2.3.1
Vigência, hierarquia, interpretação e integração......................................................................................................................08
3 Regime Geral de Previdência Social.................................................................................................................................10
3.1 Segurados obrigatórios, 3.2 Filiação e inscrição. 3.3 Conceito, características e abrangência: empregado,
empregado doméstico, contribuinte individual, trabalhador avulso e segurado especial. 3.4 Segurado facultativo: conceito,
características, filiação e inscrição. ........................................................................................................................................... 11
3.5 Trabalhadores excluídos do Regime Geral...................................................................................................................15
4 Empresa e empregador doméstico: conceito previdenciário. . ......................................................................................15
5 Financiamento da Seguridade Social...............................................................................................................................16
5.1 Receitas da União............................................................................................................................................................28
5.2 Receitas das contribuições sociais: dos segurados, das empresas, do empregador doméstico, do produtor rural, do
clube de futebol profissional, sobre a receita de concursos de prognósticos, receitas de outras fontes. .............................28
5.3 Salário-de-contribuição. 5.3.1 Conceito. 5.3.2 Parcelas integrantes e parcelas não-integrantes. 5.3.3 Limites
mínimo e máximo. 5.3.4 Proporcionalidade. 5.3.5 Reajustamento.........................................................................................31
5.4 Arrecadação e recolhimento das contribuições destinadas à seguridade social. 5.4.1 Competência do INSS e da
Secretaria da Receita Federal do Brasil. 5.4.2 Obrigações da empresa e demais contribuintes. 5.4.3 Prazo de recolhimento.
5.4.4 Recolhimento fora do prazo: juros, multa e atualização monetária..............................................................................32
6 Decadência e prescrição. . .................................................................................................................................................34
7 Crimes contra a seguridade social. ..................................................................................................................................35
8 Recurso das decisões administrativas. ............................................................................................................................36
9 Plano de Benefícios da Previdência Social: beneficiários, espécies de prestações, benefícios, disposições gerais e
específicas, períodos de carência, salário-de-benefício, renda mensal do benefício, reajustamento do valor dos benefícios37.
10 Manutenção perda e restabelecimento da qualidade de segurado. ...........................................................................68
11 Lei n.° 8.212, de 24/07/1991 e alterações posteriores. . .................................................................................................69
12 Lei n.º 8.213, de 24/07/1991 e alterações posteriores.....................................................................................................87
13 Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999 e alterações posteriores;.........................................................................................106
14 Lei de Assistência Social LOAS: conteúdo; fontes e autonomia (Lei n° 8.742/93 e alterações posteriores; Decreto
no- . 6.214/07 e alterações posteriores). . .................................................................................................................................106
Ética no Serviço Público
Ética no Serviço Pública
Prof. Ma. Bruna Pinotti Garcia.

CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL


DO SERVIDOR PÚBLICO
CIVIL DO PODER EXECUTIVO
FEDERAL: DECRETO
Nº 1.171/94 E DECRETO Nº6.029/07.

Advogada e pesquisadora. Mestre em Teoria do Direito e do Estado pelo Centro Universitário Eurípides de Marília (UNIVEM)
- bolsista CAPES. Membro dos grupos de pesquisa “Constitucionalização do Direito Processual” e “Núcleo de Estudos e Pesquisas
em Direito e Internet”. Professora de curso preparatório para concursos (Grupo Nova) e universitária (Faculdade do Noroeste de
Minas – FINOM). Autora de diversos artigos jurídicos publicados em revistas qualificadas e anais de eventos, notadamente na área
do direito eletrônico e dos direitos humanos.

Consolidando um padrão de comportamento ético, merece destaque o Decreto nº 1.171/1994 (Código de Ética Profissional do
Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal), o qual será estudado a partir deste ponto, complementado pelo Decreto nº
6.029/2007.
Considerados os princípios administrativos basilares do art. 37 da CF (legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência), destaca-se a existência de um diploma específico que estabelece a ação ética esperada dos servidores públicos, qual seja
o Decreto n° 1.171/94. Trata-se do chamado Código de Ética do Servidor Público, o qual disciplina normas éticas aplicáveis a esta
categoria de profissionais, assemelhando-se no formato aos Códigos de Ética que costumam ser adotados para variadas categorias
profissionais (médicos, contadores...), mas diferenciando-se destes por possuir o caráter jurídico, logo, coativo.
A respeito dos motivos que ensejam a criação de um Código de Ética, tem-se que “as relações de valor que existem entre o ideal
moral traçado e os diversos campos da conduta humana podem ser reunidas em um instrumento regulador. Tal conjunto racional, com
o propósito de estabelecer linhas ideais éticas, já é uma aplicação desta ciência que se consubstancia em uma peça magna, como se
uma lei fosse entre partes pertencentes a grupamentos sociais. Uma espécie de contrato de classe gera o Código de Ética Profissional
e os órgãos de fiscalização do exercício passam a controlar a execução de tal peça magna. Tudo deriva, pois, de critérios de condutas
de um indivíduo perante seu grupo e o todo social. O interesse no cumprimento do aludido código passa, entretanto, a ser de todos.
O exercício de uma virtude obrigatória torna-se exigível de cada profissional [...], mas com proveito geral. Cria-se a necessidade de
uma mentalidade ética e de uma educação pertinente que conduza à vontade de agir, de acordo com o estabelecido. Essa disciplina
da atividade é antiga, já encontrada nas provas históricas mais remotas, e é uma tendência natural na vida das comunidades. É
inequívoco que o ser tenha sua individualidade, sua forma de realizar seu trabalho, mas também o é que uma norma comportamental
deva reger a prática profissional no que concerne a sua conduta, em relação a seus semelhantes” 1. Logo, embora se reconheça
que o indivíduo tem particularidades no desempenho de suas funções, isto é, que emprega algo de sua personalidade no exercício
delas, cabe o estabelecimento de um rol de condutas padronizadas genericamente, as quais correspondem ao melhor desempenho
profissional que se pode ter, um desempenho ético.
“Para que um Código de Ética Profissional seja organizado, é preciso, preliminarmente, que se trace a sua base filosófica. Tal
base deve estribar-se nas virtudes exigíveis a serem respeitadas no exercício da profissão, e em geral abrange as relações com os
utentes dos serviços, os colegas, a classe e a nação. As virtudes básicas são comuns a todos os códigos. As virtudes específicas de
cada profissão representam as variações entre os diversos estatutos éticos. O zelo, por exemplo, é exigível em qualquer profissão,
pois representa uma qualidade imprescindível a qualquer execução de trabalho, em qualquer lugar. O sigilo, todavia, deixa de ser
necessário em profissões que não lidam com confidências e resguardos de direitos” 2. Por exemplo, o servidor público tem o dever de
zelo, genérico, e o dever de sigilo, específico, já que tem acesso a informações privilegiadas no exercício do cargo.
Tomadas estas premissas, vale lembrar que o Código de Ética foi expedido pelo Presidente da República, considerada a atribuição
da Constituição Federal para dispor sobre a organização e o funcionamento da administração pública federal, conforme art. 84, IV
e VI da Constituição Federal: “IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para
sua fiel execução; [...] VI - dispor, mediante decreto, sobre: a) organização e funcionamento da administração federal, quando não
implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos”.
1 SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
2 SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

1
Ética no Serviço Pública
Exatamente por causa desta atribuição que o Código de Ética em estudo adota a forma de decreto e não de lei, já que as leis são
elaboradas pelo Poder Legislativo (Congresso Nacional).
O Decreto n° 1.171/94 é um exemplo do chamado exercício de poder regulamentar inerente ao Executivo, que se perfaz em
decretos regulamentares. Embora sejam factíveis decretos autônomos3, não é o caso do decreto em estudo, o qual encontra conexão
com diplomas como as Leis n° 8.112/90 (regime jurídico dos servidores públicos federais) e Lei n° 8.429/92 (lei de improbidade
administrativa), além da Constituição Federal. Assim, o decreto nº 1.171/94 não é autônomo!

Ainda assim, inegável que o decreto impõe normas de conduta, o que gera controvérsias sobre o nível de obrigatoriedade dele.
Autores como Azevedo4 se posicionam pela inconstitucionalidade do Decreto: “O Decreto 1171 é inconstitucional, na medida em
que impõe regras de condutas, ferindo a Constituição. Esta Lei Máxima diz, no seu art. 5º, diz que “ninguém será obrigado a fazer
ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” e que “não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia
cominação legal”. Esta lei citada pelo art. 5º é a norma primária, não podendo ser confundida com a possibilidade de ser imposta
normas de conduta pela norma secundária. Assim, não poderia ser imposta nenhuma norma de conduta a alguém via Decreto, que
é uma norma secundária, porque só a norma primária tem esta capacidade constitucional. Atualmente, com a nova redação do art.
84, inciso VI, dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 11 de setembro de 2001, é possível falar em Decreto Autônomo. Isto é: é
possível falar em Decreto como norma primária, para fins de dispor sobre organização e funcionamento da Administração Pública
Federal, quando não houver aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos, e também para extinguir funções ou
cargos públicos, quando vagos. Somente uma grande força de interpretação, que chegaria a ultrapassar os limites constitucionais do
art. 84, VI, da CF/88, poderia aceitar que a criação de normas de conduta para servidores públicos estaria inserta na organização e
funcionamento da Administração Pública Federal. Apesar disto, o fato é que o Decreto Autônomo só apareceu verdadeiramente no
ordenamento jurídico nacional em 11 de setembro de 2001, e o Decreto nº 1.171 é de 22 de junho de 1994, quando não havia no
ordenamento jurídico o Decreto como norma primária. Por isso, o Decreto nº 1.171 não impõe coerção quanto às normas materiais
nele indicadas; impõe tão somente em relação às normas processuais, como a obrigação de criação de Comissão de Ética por todas
as entidades e órgãos públicos federais”.
Não se corrobora, em parte, o entendimento. O fato dos decretos autônomos terem surgido após o Decreto nº 1.171/94 não o
transforma em norma primária, realmente. Contudo, trata-se de uma norma secundária que encontra bases em normas primárias,
quais sejam a Lei nº 8.112/90 e a Lei nº 8.429/92: na prática, todas as diretrizes estabelecidas no Código de Ética são repetidas em
leis federais e decorrem diretamente do texto constitucional. Assim, a adoção da forma de decreto não significa, de forma alguma,
que suas diretrizes não sejam obrigatórias: o servidor público federal que desobedecê-las estará sujeito à apuração de sua conduta
perante a respectiva Comissão de Ética, que enviará informações ao processo administrativo disciplinar, podendo gerar até mesmo a
perda do cargo, ou aplicará a pena de censura nos casos menos graves. Não obstante, o respeito ao Código gera reconhecimento e é
verificado para fins de promoção. Isso sem falar na total efetividade das regras determinantes da instituição de Comissões de Ética.

DECRETO N° 1.171 DE 22 DE JUNHO DE 1994


Aprova o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, incisos IV e VI, e ainda tendo em vista o
disposto no art. 37 da Constituição, bem como nos arts. 116 e 117 da Lei n° 8.112, de 11 de dezembro de 1990, e nos arts. 10, 11 e
12 da Lei n° 8.429, de 2 de junho de 1992,

DECRETA:

Art. 1° Fica aprovado o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, que com este baixa.
Art. 2° Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta e indireta implementarão, em sessenta dias, as
providências necessárias à plena vigência do Código de Ética, inclusive mediante a Constituição da respectiva Comissão de Ética,
integrada por três servidores ou empregados titulares de cargo efetivo ou emprego permanente.

Parágrafo único. A constituição da Comissão de Ética será comunicada à Secretaria da Administração Federal da Presidência
da República, com a indicação dos respectivos membros titulares e suplentes.

Art. 3° Este decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 22 de junho de 1994, 173° da Independência e 106° da República.


3 LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.
4 AZEVEDO, Márcio. Ética no serviço público federal. Disponível em: <http://portal.damasio.com.br/Arquivos/Material/
AulasOnline_MarcioAzevedo1.pdf>. Acesso em: 12 ago. 2013.

2
Ética no Serviço Pública
ITAMAR FRANCO
Romildo Canhim

Os principais elementos que podem ser extraídos do preâmbulo do Código de Ética são:

Trata-se de um diploma expedido pelo Presidente da República à época e, como tal, permanece válido até que seja revogado,
isto é, até sobrevir outro de conteúdo incompatível (revogação tácita) ou até outro decreto ser expedido para substituí-lo (revogação
expressa). O decreto aceita, ainda, reformas e revogações parciais: no caso, destaca-se o Decreto n° 6.029/07, que revogou alguns
incisos do Código e que será estudado oportunamente.
Parâmetros para o conteúdo do decreto: os incisos do artigo 84, já citados anteriormente, remetem ao poder regulamentar o
Executivo; os artigos da Lei n° 8.112/90 referem-se aos deveres e proibições do servidor público federal; os artigos da Lei n°
8.429/92 tratam dos atos de improbidade administrativa.
A partir da aprovação do Código de Ética, ele se tornou obrigatório a todas as esferas da atividade pública. Daí a obrigação
de instituir o aparato próprio ao seu cumprimento, inclusive mediante criação das Comissões de Ética, as quais não podem ser
compostas por servidores temporários.
O decreto conferiu um prazo para cada uma das entidades da administração pública federal direta ou indireta para constituir
em seu âmbito uma Comissão de Ética que irá apurar as infrações ao Código de Ética. Com efeito, não há nenhuma facultatividade
quanto ao dever de respeito ao Código de Ética, pois ele se aplica tanto na administração direta quanto na indireta. A Comissão
de Ética será composta por: três servidores ou empregados titulares de cargo efetivo ou emprego permanente. A constituição
(quando foi criada) e a composição (quem a compõe) da Comissão deverão ser informadas à Secretaria da Administração Federal da
Presidência da República.

ANEXO

Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal

CAPÍTULO I
SEÇÃO I
DAS REGRAS DEONTOLÓGICAS

O Direito como valor do justo é estudado pela Filosofia do Direito na parte denominada Deontologia Jurídica, ou, no plano
empírico e pragmático, pela Política do Direito5. Deontologia é uma das teorias normativas segundo as quais as escolhas são
moralmente necessárias, proibidas ou permitidas. Portanto inclui-se entre as teorias morais que orientam nossas escolhas sobre o que
deve ser feito, considerada a moral vigente. Por sua vez, a deontologia jurídica é a ciência que cuida dos deveres e dos direitos
dos operadores do Direito, bem como de seus fundamentos éticos e legais, conoslidando o valor do justo. Por isso, os incisos que se
seguem traduzem o comportamento moral esperado do servidor público não só enquanto desempenha suas funções, mas também em
sua vida social.
Deontologia é, assim, a teoria do dever no que diz respeito à moral; conjunto de deveres que impõe a certos profissionais o
cumprimento da sua função. Pode-se dizer ainda que a deontologia consiste no conjunto de regras e princípios que regem a conduta
de um profissional, uma ciência que estuda os deveres de uma determinada profissão. O profissional brasileiro está sujeito a uma
deontologia própria a regular o exercício de sua profissão conforme o Código de Ética de sua classe. O Direito é o mínimo de moral
para que o homem viva em sociedade e a deontologia dele decorre posto que trata de direitos e deveres dos profissionais que estejam
sujeitos a especificidade destas normas.
O Código de Ética cria regras deontológicas de ética, isto é, cria um sistema de princípios e fundamentos da moral, daí porque
não se preocupa com a previsão de punição e processo disciplinar contra o servidor antiético, apesar de, na maioria das vezes, haver
coincidência entre a conduta antiética e a necessidade de punição administrativa. A verdadeira intenção do Código de Ética foi
estimular os órgãos e entidades públicas federais a promoverem o debate sobre a ética, para que ela, e as discussões que dela se extrai,
permeie amiúde as repartições, até com naturalidade.
“Muitas são as virtudes que um profissional precisa ter para que desenvolva com eficácia seu trabalho. Em verdade, múltiplas
exigências existem, mas entre elas, destacam-se algumas, básicas, sem as quais se impossibilita a consecução do êxito moral. Quase
sempre, na maioria dos casos, o sucesso profissional se az acompanhar de condutas fundamentais corretas. Tais virtudes básicas são
comuns a quase todas as profissões [...]. Virtudes básicas profissionais são aquelas indispensáveis, sem as quais não se consegue a
realização de um exercício ético competente, seja qual for a natureza do serviço prestado. Tais virtudes devem formar a consciência
ética estrutural, os alicerces do caráter e, em conjunto, habilitarem o profissional ao êxito em seu desempenho” 6.
5 REALE, Miguel. Filosofia do Direito. 19. ed. São Paulo: Saraiva, 2002.
6 SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

3
Ética no Serviço Pública
Para bem compreender o conteúdo dos incisos que se seguem, é importante pensar: se eu fosse a pessoa buscando atendimento
no órgão público em questão, como eu gostaria de ser tratado? Qual o tipo de funcionário que eu gostaria que fosse responsável
pela solução do meu problema? Enfim, basta lembrar da regra de ouro da moralidade, pela qual eu somente devo fazer algo se
racionalmente desejar que todas as pessoas ajam da mesma forma - inclusive em relação a mim, ou seja, “age de tal modo que a
máxima de tua vontade possa valer-te sempre como princípio de uma legislação universal”7.

I - A dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência dos princípios morais são primados maiores que devem nortear o
servidor público, seja no exercício do cargo ou função, ou fora dele, já que refletirá o exercício da vocação do próprio poder estatal.
Seus atos, comportamentos e atitudes serão direcionados para a preservação da honra e da tradição dos serviços públicos.
Primeiramente, vale compreender o sentido de algumas palavras do inciso: por dignidade, deve-se entender autoridade moral;
por decoro, compostura e decência; por zelo, cuidado e atenção; por eficácia, a produção do efeito esperado.
Na verdade, tudo isto abrange o que o inciso chama de consciência dos princípios morais: sei que devo agir de modo que inspire
os demais que me rodeiam, isto é, exatamente como o melhor cidadão de bem; no desempenho das minhas funções, devo me manter
sério e comprometido, desempenhando cada uma das atribuições recebidas com o maior cuidado e atenção possível, evitando erros,
de modo que o serviço que eu preste seja o melhor que eu puder prestar.
Não basta que o funcionário aja desta forma no exercício de suas funções, porque ele participa da sociedade e fica conhecido nela.
O desempenho de cargo público, por sua vez, faz com que ele seja visto de outra forma pela sociedade, que espera dele uma conduta
ilibada, ou seja, livre de vícios e compulsões. Discrição é a palavra-chave para a vida particular do servidor público, preservando a
instituição da qual faz parte. Por exemplo, quem se sentiria bem em ser atendido por um funcionário que é sempre visto embriagado
em bares ou provocando confusões familiares, por mais que os serviços por ele desempenhados sejam de qualidade?
O comportamento ético do servidor público na sua vida particular só é exigível se, pela natureza do cargo, houver uma razoável
exigência do servidor se comportar moralmente, como invariavelmente ocorre nas carreiras típicas de Estado. O que dizer então
do Decreto nº 1.171, de 1994, que impõe o comportamento ético e moral de todo e qualquer servidor, na sua vida particular,
independentemente da natureza do seu cargo? Quando tal Código estabelece, logo no Capítulo I do Anexo, algumas “Regras
Deontológicas”, quer dizer que o servidor público está envolto em um sistema onde a moral tem forte influência no desenvolvimento
da sua carreira pública. Assim, quem passa pelo serviço público sabe ou deveria saber que a promoção profissional e o adequado
cumprimento das atribuições do cargo estão condicionados também pela ética e, assim, pelo comportamento particular do servidor.

II - O servidor público não poderá jamais desprezar o elemento ético de sua conduta. Assim, não terá que decidir somente entre
o legal e o ilegal, o justo e o injusto, o conveniente e o inconveniente, o oportuno e o inoportuno, mas principalmente entre o honesto
e o desonesto, consoante as regras contidas no art. 37, caput, e § 4°, da Constituição Federal.
Este inciso traz alguns binômios abrangidos pelo conceito de ética que se contrapõem. Com efeito, o servidor deve sempre escolher
o conveniente, o oportuno, o justo e o honesto. No caso, parte-se das escolhas de menor relevância para aquelas fundamentais,
que envolvem a opção pelo justo e honesto. Estes são os principais valores morais exigidos pelo inciso. Quando se fala que é preciso
escolher acima de tudo entre honesto e desonesto, evidencia-se que o Código busca mais do que o respeito à lei, e sim a efetiva ação
conforme a moralidade.
Vale destacar o artigo 37 da Constituição Federal, ao qual o inciso em estudo faz remissão.

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:
[...]
§ 4º Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a
indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.

Nota-se que o inciso faz referência ao §4°, que traz as consequências dos atos de improbidade administrativa, que poderão
variar conforme o grau de gravidade (uma das sanções possíveis é a de obrigar o servidor a devolver o dinheiro aos cofres públicos,
o que se entende por ressarcir o erário).

III - A moralidade da Administração Pública não se limita à distinção entre o bem e o mal, devendo ser acrescida da ideia de que
o fim é sempre o bem comum. O equilíbrio entre a legalidade e a finalidade, na conduta do servidor público, é que poderá consolidar
a moralidade do ato administrativo.
Bem e mal são conceitos que transcendem a esfera particular. O servidor público não deve pensar por uma pessoa, mas por toda
a sociedade. Assim, não se deve agir de uma forma para beneficiar um particular - ainda que isso possa ser um bem para ele, é injusto
para com a sociedade que uma pessoa seja tratada melhor que a outra. O fim da atitude do servidor é o bem comum, ou seja, o bem
da coletividade. O coletivo sempre deve prevalecer sobre o particular.
Por isso, o servidor deve equilibrar a legalidade, que é o respeito ao que a lei determina, e a finalidade, que é a busca do fim da
preservação do bem comum. Assim, o respeito à lei é fundamental, mas a atitude do servidor não pode cair numa burocratização sem
sentido, ou seja, o respeito às minúcias da lei não pode prejudicar o bem comum, sob pena de violar a moralidade.
7 KANT, Immanuel. Crítica da Razão Prática. Tradução Paulo Barrera. São Paulo: Ícone, 2005, p. 32.

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Ética no Serviço Pública
IV - A remuneração do servidor público é custeada pelos tributos pagos direta ou indiretamente por todos, até por ele próprio,
e por isso se exige, como contrapartida, que a moralidade administrativa se integre no Direito, como elemento indissociável de sua
aplicação e de sua finalidade, erigindo-se, como consequência, em fator de legalidade.

O servidor público deve colocar de lado seus interesses egoísticos e buscar a aplicação da moralidade no Direito, lembrando
que quem paga pelos seus serviços é a sociedade como um todo. “Parece ser uma tendência do ser humano, como tem sido objeto de
referência de muitos estudiosos, a de defender, em primeiro lugar, seus interesses próprios, quando, entretanto, esses são de natureza
pouco recomendável, ocorrem seriíssimos problemas. Quando o trabalho é executado só para auferir renda, em geral, tem seu valor
restrito. Por outro lado, nos serviços realizados com amor, visando ao benefício de terceiros, dentro de vasto raio de ação, com
consciência do bem comum, passa a existir a expressão social do mesmo. O valor ético do esforço é, pois, variável de acordo com
seu alcance em face da comunidade. Aquele que só se preocupa com os lucros, geralmente, tende a ter menor consciência de grupo.
Fascinado pela preocupação monetária, a ele pouco importa o que ocorre com a sua comunidade e muito menos com a sociedade. [...]
O egoísmo desenfreado pode atingir um número expressivo de pessoas e até, através delas, influenciar o destino de nações, partindo
da ausência de conduta virtuosa de minorias poderosas, preocupadas apenas com seus lucros. [...] Sabemos que a conduta do ser
humano tende ao egoísmo, repetimos, mas, para os interesses de uma classe, de toda uma sociedade, é preciso que se acomode às
normas, porque estas devem estar apoiadas em princípios de virtude. Como só a atitude virtuosa tem condições de garantir o bem
comum, a Ética tem sido o caminho justo, adequado, para o benefício geral” 8.

V - O trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a comunidade deve ser entendido como acréscimo ao seu próprio
bem-estar, já que, como cidadão, integrante da sociedade, o êxito desse trabalho pode ser considerado como seu maior patrimônio.
O cidadão paga impostos e demais tributos apenas para que o Estado garanta a ele a prestação do melhor serviço público
possível, isto é, a manutenção de uma sociedade justa e bem estruturada. O mesmo dinheiro que sai dos bolsos do cidadão, inclusive
do próprio servidor público, é o que remunera os serviços por ele prestados. Por isso, agir contra a moral é insultante, mais que um
aproveitamento da máquina estatal, é um desrespeito ao cidadão honesto que paga parte do que recebe ao Estado.
Assim, para bem aplicar o Direito é preciso agir conforme a moralidade administrativa, sob pena de mais que violar a lei, também
desrespeitar o bem comum e prejudicar a sociedade como um todo - inclusive a si próprio.
No mais, chama-se atenção à vedação de que o servidor receba do particular qualquer verba extra: sua remuneração já
é paga pelo particular, por meio dos impostos, não devendo pretender mais do que aquilo. Isto não significa que o patrimônio do
servidor seja apenas o seu salário - há um patrimônio inerente à boa prestação do serviço, proporcionando a melhoria da sociedade
em que vive.

VI - A função pública deve ser tida como exercício profissional e, portanto, se integra na vida particular de cada servidor
público. Assim, os fatos e atos verificados na conduta do dia-a-dia em sua vida privada poderão acrescer ou diminuir o seu bom
conceito na vida funcional.

Reiterando o que foi dito no inciso I, o Código de Ética lembra que um funcionário público carrega consigo a imagem da
administração pública, ou seja, não é servidor público apenas quando está desempenhando suas funções, mas o tempo todo. Por isso,
não importa ser o melhor funcionário público da repartição se a vida particular estiver devassada, isto é, se não agir com discrição,
coerência, compostura e moralidade também na vida particular. Isso implica em ser um bom pai/mãe, uma pessoa livre de vícios, um
cidadão reservado e cumpridor de seus deveres sociais.

VII - Salvo os casos de segurança nacional, investigações policiais ou interesse superior do Estado e da Administração Pública,
a serem preservados em processo previamente declarado sigiloso, nos termos da lei, a publicidade de qualquer ato administrativo
constitui requisito de eficácia e moralidade, ensejando sua omissão comprometimento ético contra o bem comum, imputável a quem
a negar.

Como visto, a publicidade é um princípio basilar da administração pública, ao lado da moralidade. Como tal, caminha lado a lado
com ela. Não cabe ao servidor público negar o acesso à informação por parte do cidadão, salvo em situações especiais. Nota-se que
“quando benefícios morais se fazem exigíveis, especificamente, para um desempenho de labor, forçoso é cumpri-los; só podemos
justificar o não cumprimento quando fatores de ordem muito superior o possam impedir, pois o descumprimento será sempre uma
lesão à consciência ética” 9.
ATENÇÃO: O dispositivo autoriza que os atos administrativos não sejam públicos em situações excepcionais, quais sejam
segurança nacional, investigações policiais e interesse superior do Estado e da Administração Pública.
8 SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
9 SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

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Ética no Serviço Pública
VIII - Toda pessoa tem direito à verdade. O servidor não pode omiti-la ou falseá-la, ainda que contrária aos interesses da
própria pessoa interessada ou da Administração Pública. Nenhum Estado pode crescer ou estabilizar-se sobre o poder corruptivo
do hábito do erro, da opressão ou da mentira, que sempre aniquilam até mesmo a dignidade humana quanto mais a de uma Nação.
Mentir é uma atitude contrária à moralidade esperada do servidor público, ainda mais se tal mentira se referir à função
desempenhada, por exemplo, negando a prática de um ato ou informando erroneamente um cidadão. Não existe uma hipótese em que
mentir é aceito: não importa se dizer a verdade implicará em prejuízo à Administração Pública.
Se o Estado errar, e isso pode acontecer, não deverá se eximir de seu erro com base em uma mentira, pois isto ofende a integridade
dos cidadãos e da própria Nação. Para ser um bom país, não é preciso se fundar em erros ou mentiras, mas sim se esforçar ao máximo
para evitá-los e corrigi-los.

IX - A cortesia, a boa vontade, o cuidado e o tempo dedicados ao serviço público caracterizam o esforço pela disciplina. Tratar
mal uma pessoa que paga seus tributos direta ou indiretamente significa causar-lhe dano moral. Da mesma forma, causar dano a
qualquer bem pertencente ao patrimônio público, deteriorando-o, por descuido ou má vontade, não constitui apenas uma ofensa ao
equipamento e às instalações ou ao Estado, mas a todos os homens de boa vontade que dedicaram sua inteligência, seu tempo, suas
esperanças e seus esforços para construí-los.
Quem nunca chegou a uma repartição pública ou cartório e recebeu um tratamento ruim por parte de um funcionário? Infelizmente,
esta é uma atitude comum no serviço público. Contudo, o esperado do servidor é que ele atenda aos cidadãos com atenção e boa
vontade, fazendo tudo o possível para ajudá-lo, despendendo o tempo necessário e tomando as devidas cautelas.

O instituto da responsabilidade civil é parte integrante do direito obrigacional, uma vez que a principal consequência da prática
de um ato ilícito é a obrigação que gera para o seu auto de reparar o dano, mediante o pagamento de indenização que se refere
às perdas e danos. Afinal, quem pratica um ato ou incorre em omissão que gere dano deve suportar as consequências jurídicas
decorrentes, restaurando-se o equilíbrio social.10

A responsabilidade civil, assim, difere-se da penal, podendo recair sobre os herdeiros do autor do ilícito até os limites da
herança, embora existam reflexos na ação que apure a responsabilidade civil conforme o resultado na esfera penal (por exemplo, uma
absolvição por negativa de autoria impede a condenação na esfera cível, ao passo que uma absolvição por falta de provas não o faz)
.Genericamente, os elementos da responsabilidade civil se encontram no art. 186 do Código Civil: “aquele que, por ação ou
omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato
ilícito”. Este é o artigo central do instituto da responsabilidade civil, que tem como elementos: ação ou omissão voluntária (agir como
não se deve ou deixar de agir como se deve), culpa ou dolo do agente (dolo é a vontade de cometer uma violação de direito e culpa é
a falta de diligência), nexo causal (relação de causa e efeito entre a ação/omissão e o dano causado) e dano (dano é o prejuízo sofrido
pelo agente, que pode ser individual ou coletivo, moral ou material, econômico e não econômico).
Prevê o artigo 37, §6° da Constituição Federal: “As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de
serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso
contra o responsável nos casos de dolo ou culpa”. Este artigo deixa clara a formação de uma relação jurídica autônoma entre o Estado
e o agente público que causou o dano no desempenho de suas funções. Nesta relação, a responsabilidade civil será subjetiva, ou seja,
caberá ao Estado provar a culpa do agente pelo dano causado, ao qual foi anteriormente condenado a reparar. Direito de regresso é
justamente o direito de acionar o causador direto do dano para obter de volta aquilo que pagou à vítima, considerada a existência de
uma relação obrigacional que se forma entre a vítima e a instituição que o agente compõe.
Assim, o Estado responde pelos danos que seu agente causar aos membros da sociedade, mas se este agente agiu com dolo
ou culpa deverá ressarcir o Estado do que foi pago à vítima. O agente causará danos ao praticar condutas incompatíveis com o
comportamento ético dele esperado.11
A responsabilidade civil do servidor exige prévio processo administrativo disciplinar no qual seja assegurado contraditório e
ampla defesa.
Trata-se de responsabilidade civil subjetiva ou com culpa. Havendo ação ou omissão com culpa do servidor que gere dano ao
erário (Administração) ou a terceiro (administrado), o servidor terá o dever de indenizar.
Mais do que incômodo, maltratar um cidadão que busca atendimento pode caracterizar dano moral, isto é, gerar tamanho abalo
emocional e psicológico que implique num dano. Apesar deste dano não ser econômico, isto é, de a dor causada não ter meio de
compensação financeiro que a repare, o juiz estabelecerá um valor que a compense razoavelmente.
Por sua vez, deteriorar o patrimônio público caracteriza dano material. No caso, há um correspondente financeiro direto, de
modo que a condenação será no sentido de pagar ao Estado o equivalente ao bem destruído ou deteriorado.
10 GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabilidade Civil. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2005.
11 SPITZCOVSKY, Celso. Direito Administrativo. 13. ed. São Paulo: Método, 2011.

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Ética no Serviço Pública
X - Deixar o servidor público qualquer pessoa à espera de solução que compete ao setor em que exerça suas funções, permitindo
a formação de longas filas, ou qualquer outra espécie de atraso na prestação do serviço, não caracteriza apenas atitude contra a ética
ou ato de desumanidade, mas principalmente grave dano moral aos usuários dos serviços públicos.
Este inciso é um desdobramento do inciso anterior, descrevendo um tipo específico de conduta imoral com relação ao usuário
do serviço público, qual seja a de deixá-lo esperando por atendimento que seja de sua competência. Claro, a espera é algo natural,
notadamente quando o atendimento estiver sobrecarregado. O que o inciso pretende vetar é que as filas se alonguem quando o
servidor enrola no atendimento, enfim, age com preguiça e desânimo.
XI - O servidor deve prestar toda a sua atenção às ordens legais de seus superiores, velando atentamente por seu cumprimento,
e, assim, evitando a conduta negligente. Os repetidos erros, o descaso e o acúmulo de desvios tornam-se, às vezes, difíceis de corrigir
e caracterizam até mesmo imprudência no desempenho da função pública.
Dentro do serviço público há uma hierarquia, que deve ser obedecida para a boa execução das atividades. Seria uma desordem
se todos mandassem e se cada qual decidisse que função iria desempenhar. Por isso, cabe o respeito ao que o superior determina,
executando as funções da melhor forma possível.
“A razão pela qual se exige uma disciplina do homem em seu grupo repousa no fato de que as associações possuem, por suas
naturezas, uma necessidade de equilíbrio que só se encontra quando a autonomia dos seres se coordena na finalidade do todo. É a lei
dos sistemas que se torna imperiosa, do átomo às galáxias, de cada indivíduo até sua sociedade. [...] Cada ser, assim como a somatória
deles em classe profissional, tem seu comportamento específico, guiado pela característica do trabalho executado. Cada conjunto de
profissionais deve seguir uma ordem que permita a evolução harmônica do trabalho de todos, a partir da conduta de cada um, através
de uma tutela no trabalho que conduza a regularização do individualismo perante o coletivo” 12.
Negligência é a omissão no agir como se deve, isto é, é deixar de fazer aquilo que lhe foi atribuído. As condutas negligentes
devem ser evitadas, de modo que os erros sejam minimizados, a atenção seja uma marca do serviço e a retidão algo sempre presente.
Imprudência, por sua vez, é o agir sem cuidado, sem zelo, causando prejuízo ao serviço público.
XII - Toda ausência injustificada do servidor de seu local de trabalho é fator de desmoralização do serviço público, o que quase
sempre conduz à desordem nas relações humanas.
O servidor público tem obrigação de comparecer religiosamente em seu local de trabalho no horário determinado. Todas as
ausências devem ser evitadas e, quando inevitáveis, devem ser justificadas.
Os demais funcionários e a sociedade sempre ficam atentos às atitudes do servidor público e qualquer percepção de relaxo no
desempenho das funções será observada, notadamente no que tange a ausências frequentes.
XIII - O servidor que trabalha em harmonia com a estrutura organizacional, respeitando seus colegas e cada concidadão,
colabora e de todos pode receber colaboração, pois sua atividade pública é a grande oportunidade para o crescimento e o
engrandecimento da Nação.
O bom desempenho das funções a o agir conforme o esperado pela sociedade implica numa boa imagem do servidor público, o
que permite que ele receba apoio dos demais quando realmente precisar.
“É inequívoco que o trabalho individual influencia e recebe influências do meio onde é praticado. Não é, pois, somente em seu
grupo que o profissional dá sua contribuição ou a sonega. Quando adquire a consciência do valor social de sua ação, da vontade
volvida ao geral, pode realizar importantes feitos que alcançam repercussão ampla” 13.

SEÇÃO II
DOS PRINCIPAIS DEVERES DO SERVIDOR PÚBLICO

XIV - São deveres fundamentais do servidor público:


Embora se trate de outra seção do Código de Ética, há continuidade no tratamento do agir moral esperado do servidor público.
No caso, são elencados alguns deveres essenciais que devem ser obedecidos.
“Todas as capacidades necessárias ou exigíveis para o desempenho eficaz da profissão são deveres éticos. Sendo o propósito do
exercício profissional a prestação de uma utilidade a terceiros, todas as qualidades pertinentes à satisfação da necessidade, de quem
requer a tarefa, passam a ser uma obrigação perante o desempenho. Logo, um complexo de deveres envolve a vida profissional, sob
os ângulos da conduta a ser seguida para a execução de um trabalho” 14.
a) desempenhar, a tempo, as atribuições do cargo, função ou emprego público de que seja titular;
Cabe ao servidor público desempenhar todas as atribuições inerentes à posição de que seja titular.
b) exercer suas atribuições com rapidez, perfeição e rendimento, pondo fim ou procurando prioritariamente resolver situações
procrastinatórias, principalmente diante de filas ou de qualquer outra espécie de atraso na prestação dos serviços pelo setor em que
exerça suas atribuições, com o fim de evitar dano moral ao usuário;
12 SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
13 SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
14 SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

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Ética no Serviço Pública
O desempenho de funções deve se dar de forma eficiente. Situações procrastinatórias são aquelas que adiam a prestação do
serviço público. Procrastinar significa enrolar, adiar, fugir ao dever de prestar o serviço, lerdear. Cabe ao servidor público não deixar
para amanhã o que pode fazer no dia e agilizar ainda mais o seu serviço quando houver acúmulo de trabalho ou de filas, inclusive
para evitar dano moral ao cidadão.
c) ser probo, reto, leal e justo, demonstrando toda a integridade do seu caráter, escolhendo sempre, quando estiver diante de
duas opções, a melhor e a mais vantajosa para o bem comum;
Honestidade, retidão, lealdade e justiça são valores morais consolidados na sociedade, refletindo o caráter da pessoa. O servidor
público deve erigir tais valores, sempre fazendo a melhor escolha para a coletividade.
d) jamais retardar qualquer prestação de contas, condição essencial da gestão dos bens, direitos e serviços da coletividade a
seu cargo;
Prestar contas é uma atitude obrigatória por parte de todos aqueles que cuidam de algo que não lhe pertence. No caso, o servidor
público cuida do patrimônio do Estado. Por isso, sempre deverá prestar contas a respeito deste patrimônio, relatando a sua situação
e garantindo que ele seja preservado.
e) tratar cuidadosamente os usuários dos serviços aperfeiçoando o processo de comunicação e contato com o público;
A atitude ética esperada do servidor público consiste em exercer suas funções de forma adequada, sempre atendendo da melhor
forma possível os usuários.
f) ter consciência de que seu trabalho é regido por princípios éticos que se materializam na adequada prestação dos serviços
públicos;
Os funcionários públicos nunca podem perder de vista o dever ético que eles possuem com relação à sociedade como um
todo, que é o de respeito à moralidade insculpida no texto constitucional. “A consciência ética busca ser cidadã e, por isso, faz da
honestidade pessoal um caminho certo para a ética pública. Vivendo numa República, estamos tratando da ‘coisa pública’, do que
é de todos; isso requer vida administrativa e política transparente, numa disposição a colocar-se a serviço de toda a coletividade”15.
g) ser cortês, ter urbanidade, disponibilidade e atenção, respeitando a capacidade e as limitações individuais de todos os
usuários do serviço público, sem qualquer espécie de preconceito ou distinção de raça, sexo, nacionalidade, cor, idade, religião,
cunho político e posição social, abstendo-se, dessa forma, de causar-lhes dano moral;
Para bem atender os usuários, é preciso tratá-los com igualdade, sem preconceitos de qualquer natureza. Vale lembrar que o
tratamento preconceituoso e mal-educado caracteriza dano moral, cabendo reparação.
h) ter respeito à hierarquia, porém sem nenhum temor de representar contra qualquer comprometimento indevido da estrutura
em que se funda o Poder Estatal;
i) resistir a todas as pressões de superiores hierárquicos, de contratantes, interessados e outros que visem obter quaisquer
favores, benesses ou vantagens indevidas em decorrência de ações imorais, ilegais ou aéticas e denunciá-las;
O respeito à hierarquia é algo necessário ao setor público, pois se ele não existisse as atividades seriam desempenhadas de
forma desorganizada, logo, ineficiente. Isso não significa, contudo, que o servidor deva obedecer a todas as ordens sem questioná-
las, notadamente quando perceber que a atitude de seu superior contraria os interesses do bem comum, nem que deva ter medo de
denunciar atitudes antiéticas de seus superiores ou colegas.
São atitudes que não podem ser aceitas por parte dos superiores ou de pessoas que contratem ou busquem serviços do poder
público: obtenção de favores, benefícios ou vantagens indevidas, imorais, ilegais ou antiéticas. Ao se deparar com estas atitudes,
deverá denunciá-las.
j) zelar, no exercício do direito de greve, pelas exigências específicas da defesa da vida e da segurança coletiva;
O Supremo Tribunal Federal decidiu que os servidores públicos possuem o direito de greve, devendo se atentar pela preservação
da sociedade quando exercê-lo. Enquanto não for elaborada uma legislação específica para os funcionários públicos, deverá ser
obedecida a lei geral de greve para os funcionários privados, qual seja a Lei n° 7.783/89 (Mandado de Injunção nº 20).
l) ser assíduo e frequente ao serviço, na certeza de que sua ausência provoca danos ao trabalho ordenado, refletindo negativamente
em todo o sistema;
m) comunicar imediatamente a seus superiores todo e qualquer ato ou fato contrário ao interesse público, exigindo as
providências cabíveis;
n) manter limpo e em perfeita ordem o local de trabalho, seguindo os métodos mais adequados à sua organização e distribuição;
Os três incisos acima reiteram deveres constantemente enumerados pelo Código de Ética como o de comparecimento assíduo e
pontual no local de trabalho, o de comunicação de atos contrários ao interesse público (inclusive os praticados por seus superiores) e
o de preservação do local de trabalho (mantendo-o limpo e organizado).
o) participar dos movimentos e estudos que se relacionem com a melhoria do exercício de suas funções, tendo por escopo a
realização do bem comum;
Frequentemente, são promovidos cursos de aperfeiçoamento pela própria instituição, sem contar aqueles disponibilizados por
faculdades e cursos técnicos. Cabe ao servidor público participar sempre que for benéfico à melhoria de suas funções.
15 AGOSTINI, Frei Nilo. Ética: diálogo e compromisso. São Paulo: FTD, 2010.

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Ética no Serviço Pública
“O valor do exercício profissional tende a aumentar à medida que o profissional também aumentar sua cultura, especialmente
em ramos do saber aplicáveis a todos os demais, como são os relativos às culturas filosóficas, matemáticas e históricas. Uma classe
que se sustenta em elites cultas te garantida sua posição social, porque se habilita às lideranças e aos postos de comando no poder. A
especialização tem sua utilidade, seu valor, sendo impossível negar tal evidência [...]”16.
p) apresentar-se ao trabalho com vestimentas adequadas ao exercício da função;
A roupa vestida pelo servidor público também reflete sua autoridade moral no exercício das funções. Por exemplo, é absurdo
chegar ao local de trabalho utilizando bermuda e chinelo, refletindo uma imagem de descaso do serviço público. As roupas devem ser
sóbrias, compatíveis com a seriedade esperada da Administração Pública e de seus funcionários.
q) manter-se atualizado com as instruções, as normas de serviço e a legislação pertinentes ao órgão onde exerce suas funções;
A regulamentação das funções exercidas pelos órgãos administrativos está sempre mudando, cabendo ao servidor público se
manter atualizado.

r) cumprir, de acordo com as normas do serviço e as instruções superiores, as tarefas de seu cargo ou função, tanto quanto
possível, com critério, segurança e rapidez, mantendo tudo sempre em boa ordem.
A alínea reflete uma síntese do agir moral esperado do servidor público, refletindo a prestação do serviço com eficiência e
respeito à lei, atendendo ao bem comum.
s) facilitar a fiscalização de todos atos ou serviços por quem de direito;
As atividades de fiscalização são usuais no serviço público e, por isso, os ficais devem ser bem atendidos, cabendo ao servidor
demonstrar que as atividades atribuídas estão sendo prestadas conforme a lei determina.
t) exercer com estrita moderação as prerrogativas funcionais que lhe sejam atribuídas, abstendo-se de fazê-lo contrariamente
aos legítimos interesses dos usuários do serviço público e dos jurisdicionados administrativos;
Prerrogativas funcionais são garantias atribuídas pela lei ao servidor público para que ele possa bem desempenhar suas funções.
Não cabe exercê-las a torto e direito, é preciso ter razoabilidade, moderação. Assim, quando invocá-las, o servidor público será
levado a sério.
u) abster-se, de forma absoluta, de exercer sua função, poder ou autoridade com finalidade estranha ao interesse público,
mesmo que observando as formalidades legais e não cometendo qualquer violação expressa à lei;
O servidor público deve agir conforme a lei determina, observando-a estritamente, preservando assim os interesses da sociedade.
v) divulgar e informar a todos os integrantes da sua classe sobre a existência deste Código de Ética, estimulando o seu integral
cumprimento.
O Código de Ética é o principal instrumento jurídico que trata das atitudes do servidor público esperadas e vedadas. É preciso
obedecer suas diretrizes e aconselhar a sua leitura àqueles que o desconheçam.

SEÇÃO III
DAS VEDAÇÕES AO SERVIDOR PÚBLICO

XV - É vedado ao servidor público;


Nesta seção, são descritas algumas atitudes que contrariam as diretrizes do Código de Ética. Trata-se de um rol exemplificativo,
ou seja, que pode ser ampliado por um juízo de interpretação das regras éticas até então estudadas.

ATENÇÃO: não será necessário gravar todas estas regras se o candidato se atentar ao fato de que elas se contrapõem às atitudes
corretas até então estudadas. Por óbvio, não agir da forma estabelecida caracteriza violação dos deveres éticos, o que é proibido.
a) o uso do cargo ou função, facilidades, amizades, tempo, posição e influências, para obter qualquer favorecimento, para si ou
para outrem;
O cargo público é para a sociedade, não para o indivíduo. Por isso, ele não pode se beneficiar dele indevidamente. A esta
descrição corresponde o tipo criminal da corrupção passiva, prescrito no Código Penal em seu artigo 317 nos seguintes termos:

Corrupção passiva
Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la,
mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.

b) prejudicar deliberadamente a reputação de outros servidores ou de cidadãos que deles dependam;


Causar intrigas no trabalho, fazer fofocas e se negar a ajudar os demais cidadãos que busquem atendimento é uma clara violação
ao dever ético.
c) ser, em função de seu espírito de solidariedade, conivente com erro ou infração a este Código de Ética ou ao Código de Ética
de sua profissão;

16 SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

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Ética no Serviço Pública
Como visto, é dever do servidor público denunciar aqueles que desrespeitem o Código de Ética, bem como obedecê-lo
estritamente. Não deve pensar que cobrir o erro do outro é algo solidário, porque todos os erros cometidos numa função pública são
prejudiciais à sociedade.
d) usar de artifícios para procrastinar ou dificultar o exercício regular de direito por qualquer pessoa, causando-lhe dano moral
ou material;
O trabalho não deve ser adiado, mas sim prestado de forma rápida e eficaz, sob pena de causar dano moral ou material aos
usuários e ao Estado.
Na esfera penal, pode incidir no crime de prevaricação (art. 319, CP):

Prevaricação
Art. 319. Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para
satisfazer interesse ou sentimento pessoal:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

e) deixar de utilizar os avanços técnicos e científicos ao seu alcance ou do seu conhecimento para atendimento do seu mister;
A incorporação da tecnologia aos serviços públicos, aproximando-o da sociedade, é chamada de governança eletrônica. Cabe ao
servidor público saber lidar bem com tais tecnologias, pois elas melhoram a qualidade do serviço prestado.
f) permitir que perseguições, simpatias, antipatias, caprichos, paixões ou interesses de ordem pessoal interfiram no trato com o
público, com os jurisdicionados administrativos ou com colegas hierarquicamente superiores ou inferiores;
O funcionário público deve agir com impessoalidade na prestação do serviço, tratando todas as pessoas igualmente, tanto os
usuários quanto os colegas de trabalho.
g) pleitear, solicitar, provocar, sugerir ou receber qualquer tipo de ajuda financeira, gratificação, prêmio, comissão, doação ou
vantagem de qualquer espécie, para si, familiares ou qualquer pessoa, para o cumprimento da sua missão ou para influenciar outro
servidor para o mesmo fim;
A remuneração do servidor público já é paga pelo Estado, fomentada pelos tributos do contribuinte. Não cabe ao servidor buscar
bônus indevidos pela prestação de seus serviços, seja solicitando (caso que caracteriza crime de corrupção - art. 317, CP), seja
exigindo (restando presente o crime de concussão - art. 316, CP). Caso o faça, se sujeitará às penas cíveis, penais e administrativas.
h) alterar ou deturpar o teor de documentos que deva encaminhar para providências;
Caso o faça, além das sanções cíveis e administrativas, incorre na prática do crime de alterar ou deturpar (modificar, alterar para
pior; desfigurar; corromper; adulterar) dados de documentos pode configurar o crime previsto no artigo 313-A, do Código Penal:

Inserção de dados falsos em sistema de informações


Art. 313-A. Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a inserção de dados falsos, alterar ou excluir indevidamente dados
corretos nos sistemas informatizados ou bancos de dados da Administração Pública com o fim de obter vantagem indevida para si
ou para outrem ou para causar dano: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.

i) iludir ou tentar iludir qualquer pessoa que necessite do atendimento em serviços públicos;
Como visto, o funcionário público deve atender com eficiência o usuário do serviço, prestando todas as informações da maneira
mais correta e verdadeira possível, sem mentiras ou ilusões.
j) desviar servidor público para atendimento a interesse particular;
Todos os servidores públicos são contratados pelo Estado, devendo prestar serviços que atendam ao seu interesse. Por isso, um
servidor não pode pedir ao seu subordinado que lhe preste serviços particulares, por exemplo, pagar uma conta pessoal em agência
bancária, telefonar para consultórios para agendar consultas, fazer compras num supermercado.
l) retirar da repartição pública, sem estar legalmente autorizado, qualquer documento, livro ou bem pertencente ao patrimônio
público;
Os bens que se encontram no local de trabalho pertencem à máquina estatal e devem ser utilizados exclusivamente para a
prestação do serviço público, não podendo o funcionário retirá-los de lá. Se o fizer, responde civil e administrativamente, bem como
criminalmente por peculato (art. 312, CP).

Peculato
Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem
a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio:
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.
§ 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem, o subtrai, ou
concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de
funcionário.

10
Ética no Serviço Pública
Peculato caracteriza-se pela subtração ou desvio, por abuso de confiança, de dinheiro ou de coisa móvel apreciável economicamente,
para proveito próprio ou alheio, por servidor público que o administra ou guarda.

m) fazer uso de informações privilegiadas obtidas no âmbito interno de seu serviço, em benefício próprio, de parentes, de amigos
ou de terceiros;
As informações que são acessadas pelo funcionário público somente devem ser aproveitadas para o bom desempenho das funções.
Não cabe fazer fofocas, ainda que sem nenhum interesse de obter privilégio econômico, ou seja, apenas para aparentar importância
por mera vaidade pessoal. É possível que caracterize crime de violação de sigilo funcional pois utilizar-se de informações obtidas
no âmbito interno da administração, nos casos em que deva ser guardado sigilo pode caracterizar crime, previsto no artigo 325, do
Código Penal:

Violação de sigilo funcional


Art. 325 - Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave.

n) apresentar-se embriagado no serviço ou fora dele habitualmente;


Trata-se de ato típico de falta de decoro e retidão, valore morais inerentes à boa prestação do serviço público.
o) dar o seu concurso a qualquer instituição que atente contra a moral, a honestidade ou a dignidade da pessoa humana;
p) exercer atividade profissional aética ou ligar o seu nome a empreendimentos de cunho duvidoso.
O servidor público, seja na vida privada, seja no exercício das funções, não deve se filiar a instituições que contrariem a moral,
por exemplo, que incitem o preconceito e a desordem pública. Afinal, o servidor público é um espelho para a sociedade, devendo
refletir seus valores tradicionais.

CAPÍTULO II
DAS COMISSÕES DE ÉTICA

XVI - Em todos os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta, indireta autárquica e fundacional, ou em qualquer
órgão ou entidade que exerça atribuições delegadas pelo poder público, deverá ser criada uma Comissão de Ética, encarregada de
orientar e aconselhar sobre a ética profissional do servidor, no tratamento com as pessoas e com o patrimônio público, competindo-
lhe conhecer concretamente de imputação ou de procedimento suscetível de censura.
“Estabelecido um código de ética, para uma classe, cada indivíduo a ele passa a subordinar-se, sob pena de incorrer em
transgressão, punível pelo órgão competente, incumbido de fiscalizar o exercício profissional. [...] A fiscalização do exercício da
profissão pelos órgãos de classe compreende as fases preventiva (ou educacional) e executiva (ou de direta verificação da qualidade
das práticas). Grande parte dos erros cometidos derivam-se em parte do pouco conhecimento sobre a conduta, ou seja, da educação
insuficiente, e outra parte, bem menor, deriva-se de atos propositadamente praticados. Os órgãos de fiscalização assumem, por
conseguinte, um papel relevante de garantia sobre a qualidade dos serviços prestados e da conduta humana dos profissionais” 17.
Com efeito, as Comissões de Ética possuem função de orientação e aconselhamento, devendo se fazer presentes em todo órgão
ou entidade da administração direta ou indireta.
A Comissão de Ética não tem por finalidade aplicar sanções disciplinares contra os servidores Civis. Muito pelo contrário: a
sua atuação tem por princípio evitar a instauração desses processos, mediante trabalho de orientação e aconselhamento. A finalidade
do código de ética consiste em produzir na pessoa do servidor público a consciência de sua adesão às normas ético-profissionais
preexistentes à luz de um espírito crítico, para efeito de facilitar a prática do cumprimento dos deveres legais por parte de cada
um e, em consequência, o resgate do respeito ao serviço público e à dignidade social de cada servidor. O objetivo deste código é
a divulgação ampla dos deveres e das vedações previstas, através de um trabalho de cunho educativo com os servidores públicos
federais.

XVII - Revogado pelo Decreto n° 6.029/07 (art. 25).

XVIII - À Comissão de Ética incumbe fornecer, aos organismos encarregados da execução do quadro de carreira dos servidores,
os registros sobre sua conduta ética, para o efeito de instruir e fundamentar promoções e para todos os demais procedimentos
próprios da carreira do servidor público.

Além de orientar e aconselhar, a Comissão de Ética fornecerá as informações sobre os funcionários a ela submetidos, tanto para
instruir promoções, quanto para alimentar processo administrativo disciplinar.

17 SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

11
Ética no Serviço Pública
XIX a XXI - Revogados pelo Decreto n° 6.029/07 (art. 25).

XXII - A pena aplicável ao servidor público pela Comissão de Ética é a de censura e sua fundamentação constará do respectivo
parecer, assinado por todos os seus integrantes, com ciência do faltoso.

A única sanção que pode ser aplicada diretamente pela Comissão de Ética é a de censura, que é a pena mais branda pela
prática de uma conduta inadequada que seja praticada no exercício das funções. Nos demais casos, caberá sindicância ou processo
administrativo disciplinar, sendo que a Comissão de Ética fornecerá elementos para instrução.

Censura é o poder do Estado de interditar ou restringir a livre manifestação de pensamento, oral ou escrito, quando se considera
que tal pode ameaçar a ordem pública vigente.
XXIV - Para fins de apuração do comprometimento ético, entende-se por servidor público todo aquele que, por força de lei,
contrato ou de qualquer ato jurídico, preste serviços de natureza permanente, temporária ou excepcional, ainda que sem retribuição
financeira, desde que ligado direta ou indiretamente a qualquer órgão do poder estatal, como as autarquias, as fundações públicas,
as entidades paraestatais, as empresas públicas e as sociedades de economia mista, ou em qualquer setor onde prevaleça o interesse
do Estado.

Este último inciso do Código de Ética é de fundamental importância para fins de concurso público, pois define quem é o servidor
público que se sujeita a ele.

“Uma classe profissional caracteriza-se pela homogeneidade do trabalho executado, pela natureza do conhecimento exigido
preferencialmente para tal execução e pela identidade de habilitação para o exercício da mesma. A classe profissional é, pois, um
grupo dentro da sociedade, específico, definido por sua especialidade de desempenho de tarefa” 18.
Elementos do conceito de servidor público:
a) Instrumento de vinculação: por força de lei (por exemplo, prestação de serviços como jurado ou mesário), contrato
(contratação direta, sem concurso público, para atender a uma urgência ou emergência) ou qualquer outro ato jurídico (é o caso da
nomeação por aprovação em concurso público) - enfim, não importa o instrumento da vinculação à administração pública, desde que
esteja realmente vinculado;
b) Serviço prestado: permanente, temporário ou excepcional - isto é, ainda que preste o serviço só por um dia, como no caso
do mesário de eleição, é servidor público, da mesma forma que aquele que foi aprovado em concurso público e tomou posse; com ou
sem retribuição financeira - por exemplo, o jurado não recebe por seus serviços, mas não deixa de ser servidor público;
c) Instituição ou órgão de prestação: ligado à administração direta ou indireta, isto é, a qualquer órgão que tenha algum vínculo
com o poder estatal. O conceito é o mais amplo possível, abrangendo autarquias, fundações públicas, empresas públicas, sociedades
de economia mista, enfim, qualquer entidade ou setor que vise atender o interesse do Estado.

Partindo ao estudo do Decreto nº 6.029/2007, que institui Sistema de Gestão da Ética do Poder executivo Federal, revogando
algumas disciplinas do Decreto n° 1.171/94 e complementando-o de uma maneira geral (tratando-se assim de decretos interligados),
destaca-se:

Decreto n° 6.029/07
Institui Sistema de Gestão da Ética do Poder Executivo Federal, e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso VI, alínea “a”, da Constituição, 
DECRETA: 
Art. 1o  Fica instituído o Sistema de Gestão da Ética do Poder Executivo Federal com a finalidade de promover atividades que
dispõem sobre a conduta ética no âmbito do Executivo Federal, competindo-lhe: 
I - integrar os órgãos, programas e ações relacionadas com a ética pública;
II - contribuir para a implementação de políticas públicas tendo a transparência e o acesso à informação como instrumentos
fundamentais para o exercício de gestão da ética pública;
III - promover, com apoio dos segmentos pertinentes, a compatibilização e interação de normas, procedimentos técnicos e de
gestão relativos à ética pública;
IV - articular ações com vistas a estabelecer e efetivar procedimentos de incentivo e incremento ao desempenho institucional na
gestão da ética pública do Estado brasileiro. 
18 SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

12
Ética no Serviço Pública
Pelo que se denota do artigo 1°, o Sistema de Gestão Ética do Poder Executivo Federal não tem cunho exclusivamente punitivo,
mas evidentemente preventivo, ao estabelecer o desenvolvimento de políticas e programas para assegurar a ética e a transparência
do Poder Público.
Compete ao Sistema promover uma interação entre os órgãos e campanhas que perpassem sobre a questão da ética pública,
contribuir para que políticas públicas sejam implementadas para que o Poder Público fique mais ético e transparente, promover a
compatibilização entre as normas e regulamentos que tratem da questão, enfim, articular ações como um todo.

Art. 2o  Integram o Sistema de Gestão da Ética do Poder Executivo Federal:


I - a Comissão de Ética Pública - CEP, instituída pelo Decreto de 26 de maio de 1999;
II - as Comissões de Ética de que trata o Decreto no 1.171, de 22 de junho de 1994; e
III - as demais Comissões de Ética e equivalentes nas entidades e órgãos do Poder Executivo Federal. 
Como visto no Decreto n° 1.171, cada órgão vinculado à administração pública deverá instituir uma Comissão de Ética. O
Decreto n° 6.029 não exclui tais comissões éticas do sistema, apenas propicia a criação de um único sistema de gestão ao qual todas
estão vinculadas.

Art. 3o  A CEP será integrada por sete brasileiros que preencham os requisitos de idoneidade moral, reputação ilibada e notória
experiência em administração pública, designados pelo Presidente da República, para mandatos de três anos, não coincidentes,
permitida uma única recondução. 

§ 1o  A atuação no âmbito da CEP não enseja qualquer remuneração para seus membros e os trabalhos nela desenvolvidos são
considerados prestação de relevante serviço público. 
§ 2o  O Presidente terá o voto de qualidade nas deliberações da Comissão. 
§ 3o  Os mandatos dos primeiros membros serão de um, dois e três anos, estabelecidos no decreto de designação.
A Comissão de Ética Pública  -  CEP é o órgão de cúpula do Sistema de Gestão da Ética no Poder Executivo Federal. Será
composta por 7 brasileiros, que possuam idoneidade moral e reputação ilibada (significa possuir uma clareza de caráter perante
toda a sociedade que seja por ela reconhecida), além de notória experiência em administração pública (deve ser evidente para
a sociedade que aquele membro possua uma vasta atuação no âmbito da administração pública). Serão indicados para um único
mandato (não podem exercer dois mandatos ao mesmo tempo) pelo Presidente da República, sendo possível ser reconduzido e
exercer 2 mandatos seguidos.
Obs.: O Decreto nº 6.029 data de 01 de fevereiro de 2007, além de ser um ato emanado pelo Presidente da República. Por sua vez,
a Resolução nº 04 da Comissão de Ética Pública parte da própria Comissão e é datada de 07 de junho de 2001. Nota-se que não só o
Decreto é hierarquicamente superior, como a Resolução é mais antiga que o Decreto, o que significa que foi derrogada parcialmente
no que com ele for incompatível. É o caso do número de membros. Mesmo que a Resolução fale em 6, predomina o que o Decreto diz,
isto é, 7. O ideal seria alterar a Resolução para ficar compatível com o Decreto, mas aparentemente o erro tem passado despercebido.

Art. 4o  À CEP compete:


I - atuar como instância consultiva do Presidente da República e Ministros de Estado em matéria de ética pública;
Atividade de consultoria para o executivo, esclarecendo dúvidas e proferindo sugestões.
II - administrar a aplicação do Código de Conduta da Alta Administração Federal, devendo:
a) submeter ao Presidente da República medidas para seu  aprimoramento;
b) dirimir dúvidas a respeito de interpretação de suas normas, deliberando sobre casos omissos;
c) apurar, mediante denúncia, ou de ofício, condutas em desacordo com as normas nele previstas, quando praticadas pelas
autoridades a ele submetidas;
O Código de Conduta da Administração Federal é elaborado com base nos trabalhos da CEP e por ela direcionado através de
sugestões de alterações, valendo como um Código de Ética específico para o alto escalão do Poder Executivo Federal, ora composto
por Ministros e Secretários de Estados, Presidentes de Agências Reguladoras e titulares de cargos de natureza especial com elevado
grau de poder e liderança.
III - dirimir dúvidas de interpretação sobre as normas do Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder
Executivo Federal de que trata o Decreto n° 1.171, de 1994;
Espécie de função consultiva, no sentido de esclarecimento de dúvidas de interpretação do Decreto n° 1.171/94.
IV - coordenar, avaliar e supervisionar o Sistema de Gestão da Ética Pública do Poder Executivo Federal;
Como dito, a CEP é o órgão de cúpula deste Sistema, devendo fiscalizá-lo, avaliá-lo e supervisioná-lo.
V - aprovar o seu regimento interno; e
VI - escolher o seu Presidente. 
Parágrafo único.  A CEP contará com uma Secretaria-Executiva, vinculada à Casa Civil da Presidência da República, à qual
competirá prestar o apoio técnico e administrativo aos trabalhos da Comissão. 

13
Ética no Serviço Pública
Art. 5°  Cada Comissão de Ética de que trata o Decreto n° 1171, de 1994, será integrada por três membros titulares e três
suplentes, escolhidos entre servidores e empregados do seu quadro permanente, e designados pelo dirigente máximo da respectiva
entidade ou órgão, para mandatos não coincidentes de três anos. 
Complementa o artigo 2° do Decreto n° 1.171/94, dizendo quem é responsável pela designação dos três membros que comporão
a Comissão de Ética (dirigente máximo do órgão) e delimitando o prazo de duração do mandato (3 anos, possível 1 recondução).

Art. 6o  É dever do titular de entidade ou órgão da Administração Pública Federal, direta e indireta:
I - assegurar as condições de trabalho para que as Comissões de Ética cumpram suas funções, inclusive para que do exercício
das atribuições de seus integrantes não lhes resulte qualquer prejuízo ou dano;  
II - conduzir em seu âmbito a avaliação da gestão da ética conforme processo coordenado pela Comissão de Ética Pública. 
Ao titular da entidade ou órgão da Administração pública não cabe impedir que a Comissão de Ética exerça suas funções, pelo
contrário, cabe assegurar o bom desempenho dela.

Art. 7o  Compete às Comissões de Ética de que tratam os incisos II e III do art. 2o:


I - atuar como instância consultiva de dirigentes e servidores no âmbito de seu respectivo órgão ou entidade;
II - aplicar o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, aprovado pelo Decreto n°
1.171, de 1994, devendo:
a) submeter à Comissão de Ética Pública propostas para seu aperfeiçoamento;
b) dirimir dúvidas a respeito da interpretação de suas normas e deliberar sobre casos omissos;
c) apurar, mediante denúncia ou de ofício, conduta em desacordo com as normas éticas pertinentes; e
d) recomendar, acompanhar e avaliar, no âmbito do órgão ou entidade a que estiver vinculada, o desenvolvimento de ações
objetivando a disseminação, capacitação e treinamento sobre as normas de ética e disciplina;
III - representar a respectiva entidade ou órgão na Rede de Ética do Poder Executivo Federal a que se refere o art. 9o; e
IV - supervisionar a observância do Código de Conduta da Alta Administração Federal e comunicar à CEP situações que
possam configurar descumprimento de suas normas. 
Em resumo, as atividades desempenhadas pelas Comissões de Ética envolvem: a) prestar consultoria aos servidores e dirigentes
do órgão a que esteja vinculado, b) aplicar o Decreto n° 1.171/94 submetendo propostas para aperfeiçoamento, dirimindo dúvidas
de interpretação, apurando condutas antiéticas e recomendando/avaliando o desenvolvimento de ações, c) representar a entidade na
Rede Ética do Poder Executivo Federal.
§ 1o  Cada Comissão de Ética contará com uma Secretaria-Executiva, vinculada administrativamente à instância máxima da
entidade ou órgão, para cumprir plano de trabalho por ela aprovado e prover o apoio técnico e material necessário ao cumprimento
das suas atribuições. 
§ 2o  As Secretarias-Executivas das Comissões de Ética serão chefiadas por servidor ou empregado do quadro permanente da
entidade ou órgão, ocupante de cargo de direção compatível com sua estrutura, alocado sem aumento de despesas. 
Os parágrafos tratam do modo como se estruturará a Comissão de Ética, pois ela não tem como funcionar sem o respectivo
aparato material e pessoal.

Art. 8o  Compete às instâncias superiores dos órgãos e entidades do Poder Executivo Federal, abrangendo a administração
direta e indireta:
I - observar e fazer observar as normas de ética e disciplina;
II - constituir Comissão de Ética;
III - garantir os recursos humanos, materiais e financeiros para que a Comissão cumpra com suas atribuições; e
IV - atender com prioridade às solicitações da CEP. 
Este artigo delimita a conduta esperada por parte das instituições públicas nas quais deva existir uma Comissão de Ética. Caberá
a esta instituição criar a Comissão de Ética e garantir o seu funcionamento, bem como fazer com que seus funcionários obedeçam as
diretivas éticas deles esperadas.

Art. 9o  Fica constituída a Rede de Ética do Poder Executivo Federal, integrada pelos representantes das Comissões de Ética
de que tratam os incisos I, II e III do art. 2o, com o objetivo de promover a cooperação técnica e a avaliação em gestão da ética. 

Parágrafo único.  Os integrantes da Rede de Ética se reunirão sob a coordenação da Comissão de Ética Pública, pelo menos
uma vez por ano, em fórum específico, para avaliar o programa e as ações para a promoção da ética na administração pública. 
Um representante de cada Comissão de Ética comporá a Rede de Ética que se reunirão coordenados pela CEP, ao menos uma vez
por ano, avaliando os programas e ações para a promoção da ética no serviço público.

14
Ética no Serviço Pública
Art. 10.  Os trabalhos da CEP e das demais Comissões de Ética devem ser desenvolvidos com celeridade e observância dos
seguintes princípios:
I - proteção à honra e à imagem da pessoa investigada;
II - proteção à identidade do denunciante, que deverá ser mantida sob reserva, se este assim o desejar; e
III - independência e imparcialidade dos seus membros na apuração dos fatos, com as garantias asseguradas neste Decreto. 

A CEP e as demais Comissões de Ética devem desempenhar seus trabalhos de forma rápida e eficaz, garantindo que não seja
revelada a identidade do denunciante e que seja preservada a honra e a imagem da pessoa investigada. No mais, seus membros
deverão der independentes e imparciais.

Art. 11.   Qualquer cidadão, agente público, pessoa jurídica de direito privado, associação ou entidade de classe poderá
provocar a atuação da CEP ou de Comissão de Ética, visando à apuração de infração ética imputada a agente público, órgão ou
setor específico de ente estatal. 
Parágrafo único.  Entende-se por agente público, para os fins deste Decreto, todo aquele que, por força de lei, contrato ou
qualquer ato jurídico, preste serviços de natureza permanente, temporária, excepcional ou eventual, ainda que sem retribuição
financeira, a órgão ou entidade da administração pública federal, direta e indireta. 
A sociedade tem o direito de denunciar condutas de violação ao Código de Ética perante a CEP ou a respectiva Comissão de
Ética. Será denunciado todo agente público que violar o Código de Ética, sendo agente público aquele que por qualquer ato jurídico,
independente da força do vínculo sob o aspecto temporal e da existência de retribuição financeira, desempenhe funções em órgão ou
entidade da administração pública federal, direta ou indireta.

Art. 12.  O processo de apuração de prática de ato em desrespeito ao preceituado no Código de Conduta da Alta Administração
Federal e no Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal será instaurado, de ofício ou
em razão de denúncia fundamentada, respeitando-se, sempre, as garantias do contraditório e da ampla defesa, pela Comissão de
Ética Pública ou Comissões de Ética de que tratam o incisos II e III do art. 2º, conforme o caso, que notificará o investigado para
manifestar-se, por escrito, no prazo de dez dias. 
§ 1o  O investigado poderá produzir prova documental necessária à sua defesa. 
§ 2o  As Comissões de Ética poderão requisitar os documentos que entenderem necessários à instrução probatória e, também,
promover diligências e solicitar parecer de especialista. 
§  3o   Na hipótese de serem juntados aos autos da investigação, após a manifestação referida no  caput  deste artigo, novos
elementos de prova, o investigado será notificado para nova manifestação, no prazo de dez dias. 
§ 4o  Concluída a instrução processual, as Comissões de Ética proferirão decisão conclusiva e fundamentada. 
§ 5o  Se a conclusão for pela existência de falta ética, além das providências previstas no Código de Conduta da Alta Administração
Federal e no Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal,  as Comissões de Ética tomarão
as seguintes providências, no que couber:
I - encaminhamento de sugestão de exoneração de cargo ou função de confiança à autoridade hierarquicamente superior ou
devolução ao órgão de origem, conforme o caso;
II - encaminhamento, conforme o caso, para a Controladoria-Geral da União ou unidade específica do Sistema de Correição
do Poder Executivo Federal de que trata o  Decreto n° 5.480, de 30 de junho de 2005, para exame de eventuais transgressões
disciplinares; e
III - recomendação de abertura de procedimento administrativo, se a gravidade da conduta assim o exigir. 
O artigo 12 delimita o procedimento que será seguido em caso de denúncia por violação ao Código de Ética por um agente
público.

Art.  13.   Será mantido com a chancela de “reservado”, até que esteja concluído, qualquer procedimento instaurado para
apuração de prática em desrespeito às normas éticas. 
§  1o   Concluída a investigação e após a deliberação da CEP ou da Comissão de Ética do órgão ou entidade, os autos do
procedimento deixarão de ser reservados. 
Trata-se de observância ao dever de proteção à honra e à imagem da pessoa investigada.
§ 2o  Na hipótese de os autos estarem instruídos com documento acobertado por sigilo legal, o acesso a esse tipo de documento
somente será permitido a quem detiver igual direito perante o órgão ou entidade originariamente encarregado da sua guarda. 
Determinados documentos serão sigilosos não pela regra deste decreto, mas por alguma legislação específica de maior força. No
caso, será preciso que aquele que pretenda o acesso tenha igual direito de guarda do órgão inicialmente encarregado.
§ 3o  Para resguardar o sigilo de documentos que assim devam ser mantidos, as Comissões de Ética, depois de concluído o
processo de investigação, providenciarão para que tais documentos sejam desentranhados dos autos, lacrados e acautelados. 
Visa manter o sigilo de documentos que devam continuar sigilosos após o término da investigação.

15
Ética no Serviço Pública
Art. 14.  A qualquer pessoa que esteja sendo investigada é assegurado o direito de saber o que lhe está sendo imputado, de
conhecer o teor da acusação e de ter vista dos autos, no recinto das Comissões de Ética, mesmo que ainda não tenha sido notificada
da existência do procedimento investigatório. 
Parágrafo único.  O direito assegurado neste artigo inclui o de obter cópia dos autos e de certidão do seu teor. 
Trata-se de especificação do modo de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa, ou seja, do direito do devido
processo legal.

Art. 15.  Todo ato de posse, investidura em função pública ou celebração de contrato de trabalho, dos agentes públicos referidos
no parágrafo único do art. 11, deverá ser acompanhado da prestação de compromisso solene de acatamento e observância das
regras estabelecidas pelo Código de Conduta da Alta Administração Federal, pelo Código de Ética Profissional do Servidor Público
Civil do Poder Executivo Federal e pelo Código de Ética do órgão ou entidade, conforme o caso. 
Parágrafo único. A posse em cargo ou função pública que submeta a autoridade às normas do Código de Conduta da Alta
Administração Federal deve ser precedida de consulta da autoridade à Comissão de Ética Pública, acerca de situação que possa
suscitar conflito de interesses. 
Sempre que um agente público assumir o compromisso de exercer determinada função pública deverá prestar outro compromisso,
qual seja o de respeitar o Código de Ética vigente para a instituição a qual esteja vinculado.
A CEP deverá ser consultada a respeito de possíveis conflitos de interesses quando da posse em cargo ou função pública perante
a alta administração federal, sujeita a Código de Ética específico.

Art.  16.   As Comissões de Ética não poderão escusar-se de proferir decisão sobre matéria de sua competência alegando
omissão do Código de Conduta da Alta Administração Federal, do Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder
Executivo Federal ou do Código de Ética do órgão ou entidade, que, se existente, será suprida pela analogia e invocação aos
princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. 
Artigo importante porque deixa claro que a omissão dos Códigos de Ética não significa que a prática seja autorizada, cabendo
decidir conforme analogia e princípios da administração pública (artigo 37, caput).
§ 1o  Havendo dúvida quanto à legalidade, a Comissão de Ética competente deverá  ouvir previamente a área jurídica do órgão
ou entidade.
§ 2o  Cumpre à CEP responder a consultas sobre aspectos éticos que lhe forem dirigidas pelas demais Comissões de Ética e
pelos órgãos e entidades que integram o Executivo Federal, bem como pelos cidadãos e servidores que venham a ser indicados para
ocupar cargo ou função abrangida pelo Código de Conduta da Alta Administração Federal. 
O §2° especifica uma função de consultoria da CEP perante as demais Comissões de Ética, os órgãos do Executivo federal e os
servidores que venham a ocupar cargo na alta administração.

Art.  17.   As Comissões de Ética, sempre que constatarem a possível ocorrência de ilícitos penais, civis, de improbidade
administrativa ou de infração disciplinar, encaminharão cópia dos autos às autoridades competentes para apuração de tais fatos,
sem prejuízo das medidas de sua competência. 

A competência das Comissões de Ética é limitada, inclusive sob o aspecto da aplicação de sanções: somente podem advertir o
servidor. Caso a prática seja mais grave, cabe o encaminhamento de cópias à autoridade competente para apuração.

Art.  18.   As decisões das Comissões de Ética, na análise de qualquer fato ou ato submetido à sua apreciação ou por ela
levantado, serão resumidas em ementa e, com a omissão dos nomes dos investigados, divulgadas no sítio do próprio órgão, bem
como remetidas à Comissão de Ética Pública. 

Art. 19.  Os trabalhos nas Comissões  de Ética de que tratam os incisos II e III do art. 2o são considerados relevantes e têm
prioridade sobre as atribuições próprias dos cargos dos seus membros, quando estes não atuarem com exclusividade na Comissão. 

Se os membros atuarem em outra função além da desempenhada na Comissão, sempre terá prioridade a função da Comissão.
Art. 20.  Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal darão tratamento prioritário às solicitações de documentos
necessários à instrução dos procedimentos de investigação instaurados pelas Comissões de Ética. 
§ 1o  Na hipótese de haver inobservância do dever funcional previsto no caput, a Comissão de Ética adotará as providências
previstas no inciso III do § 5o do art. 12. 
§ 2o  As autoridades competentes não poderão alegar sigilo para deixar de prestar informação solicitada pelas Comissões de
Ética. 

16
Ética no Serviço Pública
O artigo 20 especifica o dever de prestar informações às Comissões de Ética quando elas solicitarem. É preciso priorizar o
fornecimento de informações e não é possível se esquivar deste dever sob o argumento do sigilo.

Art. 21.  A infração de natureza ética cometida por membro de Comissão de Ética de que tratam os incisos II e III do art. 2o será
apurada pela Comissão de Ética Pública. 
A CEP apurará infrações ao Código de Ética cometida pelos membros de Comissões de Ética. A razão do dispositivo é evitar a
impunidade destes que desempenham a função de fiscalizar o cumprimento do Código de Ética no âmbito da instituição a que esteja
vinculado.

Art. 22.  A Comissão de Ética Pública manterá banco de dados de sanções aplicadas pelas Comissões de Ética de que tratam
os incisos II e III do art. 2o e de suas próprias sanções, para fins de consulta pelos órgãos ou entidades da administração pública
federal, em casos de nomeação para cargo em comissão ou de alta relevância pública. 
Parágrafo  único.   O banco de dados referido neste artigo engloba as sanções aplicadas a qualquer dos agentes públicos
mencionados no parágrafo único do art. 11 deste Decreto. 
O banco de dados visa evitar que alguém que tenha cometido violação ao Código de Ética seja nomeado para cargo em
comissão ou de alta relevância pública.

Art. 23.  Os representantes das Comissões de Ética de que tratam os incisos II e III do art. 2o atuarão como elementos de ligação
com a CEP, que disporá em Resolução própria sobre as atividades que deverão desenvolver para o cumprimento desse mister. 

Art. 24.  As normas do Código de Conduta da Alta Administração Federal, do Código de Ética Profissional do Servidor Público
Civil do Poder Executivo Federal e do Código de Ética do órgão ou entidade aplicam-se, no que couber, às autoridades e agentes
públicos neles referidos, mesmo quando em gozo de licença. 

Art. 25.  Ficam revogados os incisos XVII, XIX, XX, XXI, XXIII e XXV do Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil
do Poder Executivo Federal, aprovado pelo Decreto no 1.171, de 22 de junho de 1994, os arts. 2o e 3o do Decreto de 26 de maio de
1999, que cria a Comissão de Ética Pública, e os Decretos de 30 de agosto de 2000 e de 18 de maio de 2001, que dispõem sobre a
Comissão de Ética Pública. 
Como o Decreto n° 6.029/07 especifica o tratamento das violações aos Códigos de Ética, alguns dispositivos do Decreto n°
1.171/94 se tornaram desnecessários, sendo assim revogados.

EXERCÍCIOS

Decreto n° 1.171/94

1. (CESPE - 2010 - UERN - Agente Técnico Administrativo) Carlos, servidor público, excede-se na bebida aos fins de semana,
quando costuma frequentar bares e casas noturnas de sua localidade. Nessas ocasiões, Carlos costuma falar palavras de baixo calão,
fazer gestos obscenos e dirigir impropérios contra a vida conjugal de seus colegas de trabalho. Diante da situação hipotética acima e
considerando a regulamentação ética do serviço público, assinale a opção correta.
a) Os excessos cometidos por Carlos referem-se aos períodos de folga e fora de seu local de trabalho, portanto não afetam o
serviço público.
b) Embora não haja nenhuma disposição no Código de Ética do Servidor Público quanto aos excessos cometidos por Carlos, ele
praticou o crime de difamação contra seus colegas, podendo, em razão, disso, ser por estes processado.
c) O problema de Carlos é a propensão ao alcoolismo. Isso não é crime nem imoralidade, pois se trata de um distúrbio que deve
ser devidamente tratado no Sistema Único de Saúde.
d) Ao prejudicar deliberadamente a reputação de seus colegas e apresentar-se embriagado com habitualidade, Carlos viola as
disposições do Código de Ética do Servidor Público.
e) Carlos poderá ser exonerado do serviço público pelas práticas dos crimes de atentado violento ao pudor e calúnia.
R: D. Nos termos do inciso VI do Decreto n° 1.171/94, “a função pública deve ser tida como exercício profissional e, portanto,
se integra na vida particular de cada servidor público. Assim, os fatos e atos verificados na conduta do dia-a-dia em sua vida
privada poderão acrescer ou diminuir o seu bom conceito na vida funcional”. Embriagar-se, comportar-se de maneira inadequada,
independentemente do horário, é algo que compromete a instituição, sendo assim uma atitude antiética. Tanto é que as atitudes de
Carlos se encontram entre as proibições estabelecidas pelo Código de Ética no inciso XV: “f) permitir que perseguições, simpatias,
antipatias, caprichos, paixões ou interesses de ordem pessoal interfiram no trato com o público, com os jurisdicionados administrativos
ou com colegas hierarquicamente superiores ou inferiores; [...] n) apresentar-se embriagado no serviço ou fora dele habitualmente; o)
dar o seu concurso a qualquer instituição que atente contra a moral, a honestidade ou a dignidade da pessoa humana”.

17
Ética no Serviço Pública
2. (FCC - 2010 - DPE-SP - Agente de Defensoria) O servidor público quando instado pela legislação a atuar de forma ética, não
tem que decidir somente entre o que é legal e ilegal, mas, acima de tudo entre o que é
a) oportuno e inoportuno.
b) conveniente e inconveniente.
c) honesto e desonesto.
d) público e privado.
e) bom e ruim.
R: C. É o que destaca o inciso II do Decreto n° 1.171/94: “O servidor público não poderá jamais desprezar o elemento ético
de sua conduta. Assim, não terá que decidir somente entre o legal e o ilegal, o justo e o injusto, o conveniente e o inconveniente, o
oportuno e o inoportuno, mas principalmente entre o honesto e o desonesto, consoante as regras contidas no art. 37, caput, e § 4°,
da Constituição Federal”.

3. (FCC - 2012 - INSS - Perito Médico Previdenciário) Considere duas hipóteses:


I. Fernanda, servidora pública civil do Poder Executivo Federal, tem sido vista embriagada, habitualmente, em diversos locais
públicos, como eventos, festas e reuniões.
II. Maria, também servidora pública civil do Poder Executivo Federal, alterou o teor de documentos que deveria encaminhar para
providências.
Nos termos do Decreto n° 1.171/1994,
a) ambas as servidoras públicas não se sujeitam às disposições previstas no Decreto n° 1.171/1994.
b) apenas o fato descrito no item II constitui vedação ao servidor público; o fato narrado no item I não implica vedação, vez que
a lei veda embriaguez apenas no local do serviço.
c) apenas o fato descrito no item I constitui vedação ao servidor público, desde que ele seja efetivo.
d) ambos os fatos não constituem vedações ao servidor público, embora possam ter implicações em outras searas do Direito.
e) ambos os fatos constituem vedações ao servidor público.
R: E. Nos termos do inciso I do Decreto, “a dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência dos princípios morais
são primados maiores que devem nortear o servidor público, seja no exercício do cargo ou função, ou fora dele, já que refletirá o
exercício da vocação do próprio poder estatal. Seus atos, comportamentos e atitudes serão direcionados para a preservação da honra
e da tradição dos serviços públicos”. Ambas condutas violam estes princípios, uma dentro do espaço de trabalho e outra fora dele, de
forma que ambas se sujeitam ao Decreto n° 1.171/92.

4. (FCC - 2012 - INSS - Perito Médico Previdenciário) Nos termos do Decreto n° 1.171/1994, a pena aplicável ao servidor
público pela Comissão de Ética é a de censura e sua fundamentação
a) não é necessária para a aplicação da pena; no entanto, exige-se ciência do faltoso.
b) constará do respectivo parecer, assinado por todos os seus integrantes, com ciência do faltoso.
c) constará do respectivo parecer, assinado apenas pelo Presidente da Comissão, com ciência do faltoso.
d) não é necessária para a aplicação da pena, sendo dispensável também a ciência do faltoso.
e) constará do respectivo parecer, assinado apenas pelo Presidente da Comissão, sendo dispensável a ciência do faltoso.

R: B. Neste sentido, o inciso XXII: “a pena aplicável ao servidor público pela Comissão de Ética é a de censura e sua fundamentação
constará do respectivo parecer, assinado por todos os seus integrantes, com ciência do faltoso”.

5. (CESGRANRIO - 2008 - ANP - Técnico Administrativo) Qual das afirmações a seguir está em DESACORDO, com o Código
de Ética, Decreto nº 1.171, de 22 de junho de 1994, incluídas suas alterações posteriores, e com a Constituição Federal de 1988?
a) O trabalho de uma comissão de ética pública deve ser pautado pelos princípios constitucionais da administração pública, pelos
princípios legais atinentes aos processos administrativos e pelos princípios específicos de sua norma regulamentar constituitiva,
dentre outros.
b) O Código de Ética dispõe que deve haver tratamento cortês e com boa vontade aos administrados.
c) O Código de Ética é aplicável não somente aos servidores públicos, mas também àqueles que sejam, de alguma forma, ligados
ao órgão federal, mesmo que excepcionalmente.
d) Uma comissão de ética pública, após a devida instrução preliminar, pode decidir pela pena de suspensão de um servidor, por
falta de urbanidade.
e) Um cidadão pode dirigir uma petição, com reclamação sobre falta de urbanidade no tratamento recebido em órgão federal
R: D. A única pena que pode ser aplicada pela Comissão de Ética é a de censura (inciso XXII).

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Ética no Serviço Pública
6. (ESAF - 2006 - CGU - Analista de Finanças e Controle - Área - Correição) Para os fins do Código de Conduta do Servidor
Público Civil do Poder Executivo Federal, entende-se por servidor público:
I. os servidores públicos titulares de cargo efetivo.
II. os titulares de cargo em comissão.
III. os empregados de sociedades de economia mista.
IV. os que, temporariamente, prestam serviços à Administração Pública Federal, desde que mediante retribuição financeira.
Estão corretos os itens:
a) I, II, III e IV
b) II, III e IV
c) I, III e IV
d) I, II e IV
e) I, II e III
R: E. Neste sentido: “XXIV - Para fins de apuração do comprometimento ético, entende-se por servidor público todo aquele
que, por força de lei, contrato ou de qualquer ato jurídico, preste serviços de natureza permanente, temporária ou excepcional, ainda
que sem retribuição financeira, desde que ligado direta ou indiretamente a qualquer órgão do poder estatal, como as autarquias, as
fundações públicas, as entidades paraestatais, as empresas públicas e as sociedades de economia mista, ou em qualquer setor onde
prevaleça o interesse do Estado”. O erro quanto ao IV é que a retribuição financeira é dispensável.

7. (ESAF - 2006 - CGU - Analista de Finanças e Controle - Área - Correição) De acordo com o Código de Ética Profissional do
Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, aprovado pelo Decreto nº 1.171, de 22.6.1994, é vedado ao servidor público:
I. receber gratificação financeira para o cumprimento de sua missão.
II. ser sócio de empresa que explore jogos de azar não-autorizados.
III. informar, a um seu amigo de muitos anos, do conhecimento que teve, em razão das funções, de uma minuta de medida
provisória que, quando publicada, afetará substancialmente as aplicações financeiras desse amigo.
IV. permitir que simpatias ou antipatias interfiram no trato com o público.
V. ser, em função do seu espírito de solidariedade, conivente com seu colega de trabalho que cometeu infração de natureza ética.
Estão corretas:
a) apenas as afirmativas I, II, IV e V
b) as afirmativas I, II, III, IV e V.
c) apenas as afirmativas I, II, III, e V.
d) apenas as afirmativas I, II e V.
e) apenas as afirmativas I e II.
R: B. São todas vedações previstas no inciso XV, respectivamente, nas alíneas g, o, m, f e c: “g) pleitear, solicitar, provocar,
sugerir ou receber qualquer tipo de ajuda financeira, gratificação, prêmio, comissão, doação ou vantagem de qualquer espécie, para
si, familiares ou qualquer pessoa, para o cumprimento da sua missão ou para influenciar outro servidor para o mesmo fim; o) dar
o seu concurso a qualquer instituição que atente contra a moral, a honestidade ou a dignidade da pessoa humana; m) fazer uso de
informações privilegiadas obtidas no âmbito interno de seu serviço, em benefício próprio, de parentes, de amigos ou de terceiros; f)
permitir que perseguições, simpatias, antipatias, caprichos, paixões ou interesses de ordem pessoal interfiram no trato com o público,
com os jurisdicionados administrativos ou com colegas hierarquicamente superiores ou inferiores; c) ser, em função de seu espírito
de solidariedade, conivente com erro ou infração a este Código de Ética ou ao Código de Ética de sua profissão”.

8. (FUNIVERSA - 2009 - ADASA - Advogado) O Decreto n.º 1.171/1994, que cria o Código de Ética do Servidor Público Civil,
prevê a constituição de uma comissão de ética a fim de implementar as novas disposições a serem observadas. Acerca dessa comissão,
assinale a alternativa correta.
a) Será integrada apenas por servidores públicos.
b) Será integrada por servidores de carreira.
c) Será integrada por três servidores ou empregados titulares de cargo efetivo.
d) Será integrada por três empregados com mais cinco anos no cargo.
e) Será integrada por três servidores com mais de cinco anos no cargo.
R: C. Destaca-se o artigo 2º do Decreto: “Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta e indireta implementarão,
em sessenta dias, as providências necessárias à plena vigência do Código de Ética, inclusive mediante a Constituição da respectiva
Comissão de Ética, integrada por três servidores ou empregados titulares de cargo efetivo ou emprego permanente”.

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Ética no Serviço Pública
9. (CESPE - 2010 - DPU - Agente Administrativo) Assinale a opção correta acerca da comissão de ética prevista no Código de
Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal.
a) As ações de ética não devem guardar correlação com outros procedimentos administrativos da organização, como, por
exemplo, a promoção de servidores.
b) Para fins de apuração de comprometimento ético entende-se como servidor apenas o concursado, mesmo que ainda não
estável.
c) A comissão de ética deve ser formada, preferencialmente, pelos dirigentes da organização.
d) À comissão de ética é vedado fornecer informações acerca dos registros da conduta ética dos servidores.
e) Qualquer órgão ou entidade que exerça atribuições delegadas pelo poder público deverá criar uma comissão de ética.
R: E. Trata-se da previsão do artigo 2º, caput, do Decreto nº 1.171/94: “Os órgãos e entidades da Administração Pública
Federal direta e indireta implementarão, em sessenta dias, as providências necessárias à plena vigência do Código de Ética,
inclusive mediante a Constituição da respectiva Comissão de Ética, integrada por três servidores ou empregados titulares de cargo
efetivo ou emprego permanente”. Assim, em todos os órgãos e entidades vinculadas ao poder público, mesmo que façam parte da
administração indireta, deve ser instituída uma Comissão de Ética.

Decreto nº 6.029/2007

10. (FCC - 2012 - INSS - Perito Médico Previdenciário) Manoel, servidor público civil do Poder Executivo Federal, está sendo
investigado para apuração de eventual infração ética. Nos termos do Decreto no 6.029/2007, Manoel tem o direito de saber o que lhe
está sendo imputado, de conhecer o teor da acusação e de ter vista dos autos,
a) no recinto da Comissão de Ética, mesmo que ainda não tenha sido notificado da existência do procedimento investigatório.
b) no recinto da Comissão de Ética, porém, apenas se tiver sido devidamente notificado da existência do procedimento
investigatório.
c) dentro ou fora da Comissão de Ética, mesmo que ainda não tenha sido notificado da existência do procedimento investigatório.
d) dentro ou fora da Comissão de Ética, porém, apenas se tiver sido devidamente notificado da existência do procedimento
investigatório.
e) no recinto da Comissão de Ética, não estando, no entanto, incluído em tal direito o de obter cópia dos autos.

R: A. Nos termos do art. 14, “a qualquer pessoa que esteja sendo investigada é assegurado o direito de saber o que lhe está sendo
imputado, de conhecer o teor da acusação e de ter vista dos autos, no recinto das Comissões de Ética, mesmo que ainda não tenha sido
notificada da existência do procedimento investigatório. Parágrafo único. O direito assegurado neste artigo inclui o de obter cópia
dos autos e de certidão do seu teor”.

11. (FCC - 2012 - INSS - Perito Médico Previdenciário) No que concerne à Comissão de Ética Pública – CEP, consoante as
disposições previstas no Decreto no 6.029/2007, pode-se afirmar que
a) contará com uma Secretaria-Executiva, vinculada ao Ministério da Justiça, à qual competirá prestar o apoio técnico e
administrativo aos trabalhos da Comissão.
b) seus integrantes serão designados para mandatos de três anos, não coincidentes, sendo vedada recondução.
c) a atuação no âmbito da CEP enseja remuneração a seus membros e os trabalhos nela desenvolvidos são considerados prestação
de relevante serviço público.
d) compete-lhe, dentre outras atribuições, dirimir dúvidas a respeito de interpretação das normas do Código de Conduta da Alta
Administração Federal, deliberando sobre casos omissos.
e) deve observar, dentre outros princípios, a proteção à identidade do denunciante, que deverá sempre ser mantida sob reserva.
R: D. Estabelece o artigo 4º: “À CEP compete: [...] II - administrar a aplicação do Código de Conduta da Alta Administração
Federal, devendo: [...] b) dirimir dúvidas a respeito de interpretação de suas normas, deliberando sobre casos omissos [...]”.

12. (FCC - 2012 - INSS - Perito Médico Previdenciário) Nos termos do Decreto no 6.029/2007, o procedimento para a apuração
de infração ética deve ser mantido com a chancela de “reservado”. Sobre o prazo em que deve ser mantida tal chancela, pode-se
afirmar que
a) após a apresentação da defesa pelo investigado, é possível a supressão da chancela de “reservado”.
b) é possível que, a qualquer momento, ainda que antes da conclusão do procedimento, seja retirada tal chancela.
c) a condição de reservado deve ser mantida até a conclusão do procedimento e deliberação da respectiva Comissão de Ética do
órgão ou entidade ou da CEP.
d) tal condição deve ser mantida até a conclusão do procedimento, independentemente de qualquer deliberação da respectiva
Comissão de Ética do órgão ou entidade ou da CEP.
e) após concluída a fase probatória, é possível a supressão da chancela de “reservado”.
R: C. Prevê o artigo 13: “Será mantido com a chancela de ‘reservado’, até que esteja concluído, qualquer procedimento instaurado
para apuração de prática em desrespeito às normas éticas”.

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Ética no Serviço Pública
13. (CESGRANRIO - 2011 - FINEP - Técnico - Suporte Técnico) O Sistema de Gestão da Ética do Poder Executivo Federal,
instituído pelo Decreto n° 6.029, de 2007,
a) tem por finalidade promover atividades que dispõem sobre a conduta ética no âmbito do Poder Executivo Federal, Estadual e
Municipal.
b) visa a contribuir para a implementação de políticas públicas na área da ética e da moralidade, no âmbito dos três poderes.
c) é constituído pela Comissão de Ética Pública (CEP) e pelas Comissões de Ética e equivalentes dos respectivos órgãos do Poder
Executivo Federal.
d) busca implementar a integração de normas e procedimentos técnicos de gestão relativos à ética pública, devendo reunir-se
duas vezes por ano para apreciar processos controversos.
e) encontra-se vinculado à Comissão de Ética do Poder Legislativo, que detém a competência para fiscalizar a moralidade
administrativa dos atos do Poder Executivo Federal.
R: C. Estabelece o artigo 2º: “Integram o Sistema de Gestão da Ética do Poder Executivo Federal: I - a Comissão de Ética Pública
- CEP, instituída pelo Decreto de 26 de maio de 1999; II - as Comissões de Ética de que trata o Decreto nº 1.171, de 22 de junho de
1994; e III - as demais Comissões de Ética e equivalentes nas entidades e órgãos do Poder Executivo Federal”.

14. (FUNIVERSA - 2010 - MTur - Agente Administrativo) Em relação ao Código de Ética Profissional do Servidor Público
Civil do Poder Executivo Federal, de que tratam o Decreto n.º 1.171/1994 e o Decreto n.º 6.029/2007, assinale a alternativa correta.
a) Se um servidor houver de avaliar a prática de ato inerente à sua função e verificar que se trata de ato legal e oportuno, saberá
que, automaticamente, terá sido atendido o elemento ético do ato.
b) Apesar de relevante, o componente da moralidade do ato administrativo está fora do universo da legalidade; é aspecto
extralegal do ato.
c) Para que um ato atenda aos princípios éticos, não basta levar em conta o aspecto da economicidade.
d) Em virtude da proteção constitucional à privacidade, os atos da vida particular do servidor público não devem ser considerados
para nenhum efeito funcional.
e) A fim de preservar as pessoas envolvidas e os legítimos interesses do poder público, os atos administrativos, em princípio, não
devem ser divulgados.
R: C. A economicidade é apenas um dos aspectos do ato administrativo, ora associada ao princípio da eficiência. Por tal princípio,
a eficiência do serviço deve estar associada não só à economicidade, mas também à produtividade.

ANOTAÇÕES

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Regime Juridico Único
Regime Juridico Único
Prof. Ma. Bruna Pinotti Garcia.
Advogada e pesquisadora. Mestre em Teoria do Direito e do Estado pelo Centro Universitário Eurípides de Marília (UNI-
VEM) - bolsista CAPES. Membro dos grupos de pesquisa “Constitucionalização do Direito Processual” e “Núcleo de Estudos e
Pesquisas em Direito e Internet”. Professora de curso preparatório para concursos (Grupo Nova) e universitária (Faculdade do
Noroeste de Minas – FINOM). Autora de diversos artigos jurídicos publicados em revistas qualificadas e anais de eventos, nota-
damente na área do direito eletrônico e dos direitos humanos.

LEI Nº 8.112/90 E ALTERAÇÕES


POSTERIORES, DIREITOS E
DEVERES DO SERVIDOR PÚBLICO.

Para a adequada compreensão dos direitos e deveres do servidor público dentro da Lei nº 8.112/90, mostra-se necessário isolar
os títulos III e IV da legislação, sendo que no primeiro evidenciam-se os direitos e no segundo os deveres, os quais serão comentados
a partir deste ponto.

TÍTULO III
DOS DIREITOS E VANTAGENS

Em sete capítulos, o terceiro título da legislação em estudo estabelece os direitos e vantagens do servidor público, para em se-
guida trazer seus deveres e proibições.
Resume Carvalho Filho1: “os direitos sociais constitucionais são objeto da referência do art. 39, §3°, CF, o qual determina que
dezesseis dos direitos sociais outorgados aos empregados sejam estendidos aos servidores públicos. Dentre esses direitos estão o do
salário mínimo (art. 7°, IV); o décimo terceiro salário (art. 7°, VIII); o repouso semanal remunerado (art. 7°, XV); o salário-família
(art. 7°, XII; o de férias anuais (art. 7°, XVII); o de licença à gestante (art. 7°, XVIII) e outros mencionados no dispositivo constitu-
cional. [...] Além disso, há vários direitos de natureza social relacionados nos diversos estatutos funcionais das pessoas federativas.
É nas leis estatutárias que se encontram tais direitos, como o direito às licenças, à pensão, aos auxílios pecuniários, como o auxílio-
-funeral e o auxílio-reclusão, à assistência, à saúde etc.”

CAPÍTULO I
DO VENCIMENTO E DA REMUNERAÇÃO

Art. 40.  Vencimento é a retribuição pecuniária pelo exercício de cargo público, com valor fixado em lei.

Art. 41.  Remuneração é o vencimento do cargo efetivo, acrescido das vantagens pecuniárias permanentes estabelecidas em lei.
§ 1o  A remuneração do servidor investido em função ou cargo em comissão será paga na forma prevista no art. 62.
Cargo em comissão é o cargo de confiança, que não exige concurso público. Ver art. 62 adiante.
§ 2o  O servidor investido em cargo em comissão de órgão ou entidade diversa da de sua lotação receberá a remuneração de
acordo com o estabelecido no § 1o do art. 93.
O funcionário é servidor público, mas foi concursado para cargo diverso, em outro órgão ou entidade, sendo nomeado para outro
cargo, que é de comissão.

§ 3o  O vencimento do cargo efetivo, acrescido das vantagens de caráter permanente, é irredutível.
Irredutibilidade de vencimentos: não podem ser diminuídos.

§ 4o  É assegurada a isonomia de vencimentos para cargos de atribuições iguais ou assemelhadas do mesmo Poder, ou entre
servidores dos três Poderes, ressalvadas as vantagens de caráter individual e as relativas à natureza ou ao local de trabalho.
Mesmo cargo ou semelhante = mesmo vencimento.

§ 5o  Nenhum servidor receberá remuneração inferior ao salário mínimo. 


Direito ao salário mínimo.

1 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 23. ed. Rio de Janeiro: Lumen juris, 2010.

1
Regime Juridico Único
Art. 42.  Nenhum servidor poderá perceber, mensalmente, a título de remuneração, importância superior à soma dos valores
percebidos como remuneração, em espécie, a qualquer título, no âmbito dos respectivos Poderes, pelos Ministros de Estado, por
membros do Congresso Nacional e Ministros do Supremo Tribunal Federal.
Parágrafo único.  Excluem-se do teto de remuneração as vantagens previstas nos incisos II a VII do art. 61.
Estabelece o teto de remuneração, ou seja, o máximo que um funcionário pode receber. Neste sentido, o art. 37, XI, CF: “XI - a
remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional,
dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato
eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não,
incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do
Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o
subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder
Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento
do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos
membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos”.

Art. 44.  O servidor perderá:


I - a remuneração do dia em que faltar ao serviço, sem motivo justificado; 
II - a parcela de remuneração diária, proporcional aos atrasos, ausências justificadas, ressalvadas as concessões de que trata
o art. 97, e saídas antecipadas, salvo na hipótese de compensação de horário, até o mês subsequente ao da ocorrência, a ser esta-
belecida pela chefia imediata. 
Parágrafo único.  As faltas justificadas decorrentes de caso fortuito ou de força maior poderão ser compensadas a critério da
chefia imediata, sendo assim consideradas como efetivo exercício. 
Somente não geram perda de remuneração as faltas justificadas e devidamente compensadas.

Art. 45.  Salvo por imposição legal, ou mandado judicial, nenhum desconto incidirá sobre a remuneração ou provento.
Parágrafo único.  Mediante autorização do servidor, poderá haver consignação em folha de pagamento a favor de terceiros, a
critério da administração e com reposição de custos, na forma definida em regulamento.
Para descontos em folha, é preciso ordem judicial ou autorização do servidor.

Art. 46.  As reposições e indenizações ao erário, atualizadas até 30 de junho de 1994, serão previamente comunicadas ao servidor
ativo, aposentado ou ao pensionista, para pagamento, no prazo máximo de trinta dias, podendo ser parceladas, a pedido do interessado. 
§ 1o  O valor de cada parcela não poderá ser inferior ao correspondente a dez por cento da remuneração, provento ou pensão. 
§ 2o  Quando o pagamento indevido houver ocorrido no mês anterior ao do processamento da folha, a reposição será feita
imediatamente, em uma única parcela.
§ 3o  Na hipótese de valores recebidos em decorrência de cumprimento a decisão liminar, a tutela antecipada ou a sentença que venha
a ser revogada ou rescindida, serão eles atualizados até a data da reposição. 

Art. 47.  O servidor em débito com o erário, que for demitido, exonerado ou que tiver sua aposentadoria ou disponibilidade cassa-
da, terá o prazo de sessenta dias para quitar o débito. 
Parágrafo único.  A não quitação do débito no prazo previsto implicará sua inscrição em dívida ativa. 
Débito com o erário = dívida com o Estado.

Art. 48.  O vencimento, a remuneração e o provento não serão objeto de arresto, sequestro ou penhora, exceto nos casos de presta-
ção de alimentos resultante de decisão judicial.

CAPÍTULO II
DAS VANTAGENS

Art. 49.  Além do vencimento, poderão ser pagas ao servidor as seguintes vantagens:


I - indenizações;
II - gratificações;
III - adicionais.
§ 1o  As indenizações não se incorporam ao vencimento ou provento para qualquer efeito.
§ 2o  As gratificações e os adicionais incorporam-se ao vencimento ou provento, nos casos e condições indicados em lei.
Art. 50.  As vantagens pecuniárias não serão computadas, nem acumuladas, para efeito de concessão de quaisquer outros acrésci-
mos pecuniários ulteriores, sob o mesmo título ou idêntico fundamento.
De acordo com Hely Lopes Meirelles2, “o que caracteriza o adicional e o distingue da gratificação é ser aquele que recompensa ao
tempo de serviço do servidor, ou uma retribuição pelo desempenho de funções especiais que fogem da rotina burocrática, e esta, uma
compensação por serviços comuns executados em condições anormais para o servidor, ou uma ajuda pessoal em face de certas situações
que agravam o orçamento do servidor”.

2 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1993.

2
Regime Juridico Único
SEÇÃO I
DAS INDENIZAÇÕES

Art. 51.  Constituem indenizações ao servidor:


I - ajuda de custo;
II - diárias;
III - transporte.
IV - auxílio-moradia.

A leitura da legislação seca permite conceituar e diferenciar cada modalidade de indenização.

Art. 52.  Os valores das indenizações estabelecidas nos incisos I a III do art. 51, assim como as condições para a sua concessão,
serão estabelecidos em regulamento.

SUBSEÇÃO I
DA AJUDA DE CUSTO

Art. 53.  A ajuda de custo destina-se a compensar as despesas de instalação do servidor que, no interesse do serviço, passar a
ter exercício em nova sede, com mudança de domicílio em caráter permanente, vedado o duplo pagamento de indenização, a qual-
quer tempo, no caso de o cônjuge ou companheiro que detenha também a condição de servidor, vier a ter exercício na mesma sede. 

§ 1o  Correm por conta da administração as despesas de transporte do servidor e de sua família, compreendendo passagem,
bagagem e bens pessoais.
§ 2o  À família do servidor que falecer na nova sede são assegurados ajuda de custo e transporte para a localidade de origem,
dentro do prazo de 1 (um) ano, contado do óbito.

Art. 54.  A ajuda de custo é calculada sobre a remuneração do servidor, conforme se dispuser em regulamento, não podendo
exceder a importância correspondente a 3 (três) meses.

Art. 55.  Não será concedida ajuda de custo ao servidor que se afastar do cargo, ou reassumi-lo, em virtude de mandato eletivo.

Art. 56.  Será concedida ajuda de custo àquele que, não sendo servidor da União, for nomeado para cargo em comissão, com
mudança de domicílio.
Parágrafo único.  No afastamento previsto no inciso I do art. 93, a ajuda de custo será paga pelo órgão cessionário, quando
cabível.

Art. 57.  O servidor ficará obrigado a restituir a ajuda de custo quando, injustificadamente, não se apresentar na nova sede no
prazo de 30 (trinta) dias.

SUBSEÇÃO II
DAS DIÁRIAS

Art. 58.  O servidor que, a serviço, afastar-se da sede em caráter eventual ou transitório para outro ponto do território nacio-
nal ou para o exterior, fará jus a passagens e diárias destinadas a indenizar as parcelas de despesas extraordinária com pousada,
alimentação e locomoção urbana, conforme dispuser em regulamento. 
§ 1o  A diária será concedida por dia de afastamento, sendo devida pela metade quando o deslocamento não exigir pernoite fora
da sede, ou quando a União custear, por meio diverso, as despesas extraordinárias cobertas por diárias.
§ 2o  Nos casos em que o deslocamento da sede constituir exigência permanente do cargo, o servidor não fará jus a diárias.
§ 3o  Também não fará jus a diárias o servidor que se deslocar dentro da mesma região metropolitana, aglomeração urbana ou
microrregião, constituídas por municípios limítrofes e regularmente instituídas, ou em áreas de controle integrado mantidas com
países limítrofes, cuja jurisdição e competência dos órgãos, entidades e servidores brasileiros considera-se estendida, salvo se houver
pernoite fora da sede, hipóteses em que as diárias pagas serão sempre as fixadas para os afastamentos dentro do território nacional. 

Art. 59.  O servidor que receber diárias e não se afastar da sede, por qualquer motivo, fica obrigado a restituí-las integralmente,
no prazo de 5 (cinco) dias.
Parágrafo único.  Na hipótese de o servidor retornar à sede em prazo menor do que o previsto para o seu afastamento, restituirá
as diárias recebidas em excesso, no prazo previsto no caput.

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Regime Juridico Único
SUBSEÇÃO III
DA INDENIZAÇÃO DE TRANSPORTE

Art. 60.  Conceder-se-á indenização de transporte ao servidor que realizar despesas com a utilização de meio próprio de loco-
moção para a execução de serviços externos, por força das atribuições próprias do cargo, conforme se dispuser em regulamento.

SUBSEÇÃO IV
DO AUXÍLIO-MORADIA

Art. 60-A.  O auxílio-moradia consiste no ressarcimento das despesas comprovadamente realizadas pelo servidor com aluguel
de moradia ou com meio de hospedagem administrado por empresa hoteleira, no prazo de um mês após a comprovação da despesa
pelo servidor. 

Art. 60-B.  Conceder-se-á auxílio-moradia ao servidor se atendidos os seguintes requisitos: 


I - não exista imóvel funcional disponível para uso pelo servidor; 
II - o cônjuge ou companheiro do servidor não ocupe imóvel funcional; 
III - o servidor ou seu cônjuge ou companheiro não seja ou tenha sido proprietário, promitente comprador, cessionário ou
promitente cessionário de imóvel no Município aonde for exercer o cargo, incluída a hipótese de lote edificado sem averbação de
construção, nos doze meses que antecederem a sua nomeação;
IV - nenhuma outra pessoa que resida com o servidor receba auxílio-moradia; 
V - o servidor tenha se mudado do local de residência para ocupar cargo em comissão ou função de confiança do Grupo-Direção
e Assessoramento Superiores - DAS, níveis 4, 5 e 6, de Natureza Especial, de Ministro de Estado ou equivalentes; 
VI - o Município no qual assuma o cargo em comissão ou função de confiança não se enquadre nas hipóteses do art. 58, § 3o, em
relação ao local de residência ou domicílio do servidor; 
VII - o servidor não tenha sido domiciliado ou tenha residido no Município, nos últimos doze meses, aonde for exercer o cargo
em comissão ou função de confiança, desconsiderando-se prazo inferior a sessenta dias dentro desse período; e 
VIII - o deslocamento não tenha sido por força de alteração de lotação ou nomeação para cargo efetivo. 
IX - o deslocamento tenha ocorrido após 30 de junho de 2006. 
Parágrafo único.  Para fins do inciso VII, não será considerado o prazo no qual o servidor estava ocupando outro cargo em
comissão relacionado no inciso V. 

Art. 60-C.  (Revogado pela Medida provisória nº 632, de 2013).

Art. 60-D.  O valor mensal do auxílio-moradia é limitado a 25% (vinte e cinco por cento) do valor do cargo em comissão, função
comissionada ou cargo de Ministro de Estado ocupado. 
§ 1o  O valor do auxílio-moradia não poderá superar 25% (vinte e cinco por cento) da remuneração de Ministro de Estado. 
§ 2o  Independentemente do valor do cargo em comissão ou função comissionada, fica garantido a todos os que preencherem os
requisitos o ressarcimento até o valor de R$ 1.800,00 (mil e oitocentos reais). 

Art. 60-E.  No caso de falecimento, exoneração, colocação de imóvel funcional à disposição do servidor ou aquisição de imóvel,
o auxílio-moradia continuará sendo pago por um mês. 

A subseção IV trabalha com o auxílio-moradia, benefício que é concedido a alguns servidores. Ele serve para ajudar o servidor a
arcar com despesas de moradia, seja locando um imóvel, seja ficando em hotéis. O auxílio é pago 1 mês depois que o servidor com-
provar a despesa que teve. No entanto, não é qualquer servidor e não é em qualquer situação que se tem o auxílio-moradia.
Nos termos do artigo 60-B, são colacionadas restrições: não haver disponibilidade de imóvel funcional (algum imóvel do poder
público com tal finalidade de moradia, dispensando gastos particulares), não se ter tentado vender ou vendido um imóvel na cidade
(evitando que tente utilizar o auxílio-moradia como um modo de se obter vantagem patrimonial), um cônjuge ou pessoa com quem
more não receber auxílio da mesma natureza (cumulando indevidamente), além do exercício de cargos de determinada natureza
(perceba-se, cargos de relevante direção).
O auxílio-moradia é pago proporcionalmente aos vencimentos, não excedendo 25%. Destaca-se que o artigo 60-C está revogado
desde 2013.

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Regime Juridico Único
SEÇÃO II
DAS GRATIFICAÇÕES E ADICIONAIS

Art. 61.  Além do vencimento e das vantagens previstas nesta Lei, serão deferidos aos servidores as seguintes retribuições, gra-
tificações e adicionais: 
I - retribuição pelo exercício de função de direção, chefia e assessoramento; 
II - gratificação natalina;
IV - adicional pelo exercício de atividades insalubres, perigosas ou penosas;
V - adicional pela prestação de serviço extraordinário;
VI - adicional noturno;
VII - adicional de férias;
VIII - outros, relativos ao local ou à natureza do trabalho.
IX - gratificação por encargo de curso ou concurso. 
Gratificações e adicionais descritos em detalhes na própria legislação, conforme se denota abaixo.

SUBSEÇÃO I
DA RETRIBUIÇÃO PELO EXERCÍCIO DE FUNÇÃO DE DIREÇÃO,
CHEFIA E ASSESSORAMENTO

Art. 62.  Ao servidor ocupante de cargo efetivo investido em função de direção, chefia ou assessoramento, cargo de provimento
em comissão ou de Natureza Especial é devida retribuição pelo seu exercício.
Parágrafo único. Lei específica estabelecerá a remuneração dos cargos em comissão de que trata o inciso II do art. 9o. 

Art. 62-A. Fica transformada em Vantagem Pessoal Nominalmente Identificada - VPNI a incorporação da retribuição pelo exer-
cício de função de direção, chefia ou assessoramento, cargo de provimento em comissão ou de Natureza Especial a que se referem
os arts. 3º e 10 da Lei no 8.911, de 11 de julho de 1994, e o art. 3o da Lei no9.624, de 2 de abril de 1998. 
Parágrafo único.  A VPNI de que trata o caput deste artigo somente estará sujeita às revisões gerais de remuneração dos ser-
vidores públicos federais. 

SUBSEÇÃO II
DA GRATIFICAÇÃO NATALINA

Art. 63.  A gratificação natalina corresponde a 1/12 (um doze avos) da remuneração a que o servidor fizer jus no mês de dezem-
bro, por mês de exercício no respectivo ano.

Parágrafo único. A fração igual ou superior a 15 (quinze) dias será considerada como mês integral.

Art. 64.  A gratificação será paga até o dia 20 (vinte) do mês de dezembro de cada ano.

Art. 65.  O servidor exonerado perceberá sua gratificação natalina, proporcionalmente aos meses de exercício, calculada sobre
a remuneração do mês da exoneração.

Art. 66.  A gratificação natalina não será considerada para cálculo de qualquer vantagem pecuniária.

Subseção III
Do Adicional por Tempo de Serviço

Regulamentação na Medida Provisória nº 2.225-45/01.

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Regime Juridico Único
SUBSEÇÃO IV
DOS ADICIONAIS DE INSALUBRIDADE,
PERICULOSIDADE OU ATIVIDADES PENOSAS

Art. 68.  Os servidores que trabalhem com habitualidade em locais insalubres ou em contato permanente com substâncias tóxi-
cas, radioativas ou com risco de vida, fazem jus a um adicional sobre o vencimento do cargo efetivo.
§ 1o  O servidor que fizer jus aos adicionais de insalubridade e de periculosidade deverá optar por um deles.
§ 2o  O direito ao adicional de insalubridade ou periculosidade cessa com a eliminação das condições ou dos riscos que deram
causa a sua concessão.

Art. 69.  Haverá permanente controle da atividade de servidores em operações ou locais considerados penosos, insalubres ou
perigosos.
Parágrafo único.  A servidora gestante ou lactante será afastada, enquanto durar a gestação e a lactação, das operações e lo-
cais previstos neste artigo, exercendo suas atividades em local salubre e em serviço não penoso e não perigoso.

Art. 70.  Na concessão dos adicionais de atividades penosas, de insalubridade e de periculosidade, serão observadas as situa-
ções estabelecidas em legislação específica.

Art. 71.  O adicional de atividade penosa será devido aos servidores em exercício em zonas de fronteira ou em localidades cujas
condições de vida o justifiquem, nos termos, condições e limites fixados em regulamento.

Art. 72.  Os locais de trabalho e os servidores que operam com Raios X ou substâncias radioativas serão mantidos sob controle
permanente, de modo que as doses de radiação ionizante não ultrapassem o nível máximo previsto na legislação própria.
Parágrafo único.  Os servidores a que se refere este artigo serão submetidos a exames médicos a cada 6 (seis) meses.

SUBSEÇÃO V
DO ADICIONAL POR SERVIÇO EXTRAORDINÁRIO

Art. 73.  O serviço extraordinário será remunerado com acréscimo de 50% (cinquenta por cento) em relação à hora normal de
trabalho.

Art. 74.  Somente será permitido serviço extraordinário para atender a situações excepcionais e temporárias, respeitado o limite
máximo de 2 (duas) horas por jornada.

SUBSEÇÃO VI
DO ADICIONAL NOTURNO

Art. 75.  O serviço noturno, prestado em horário compreendido entre 22 (vinte e duas) horas de um dia e 5 (cinco) horas do dia
seguinte, terá o valor-hora acrescido de 25% (vinte e cinco por cento), computando-se cada hora como cinquenta e dois minutos e
trinta segundos.
Parágrafo único.  Em se tratando de serviço extraordinário, o acréscimo de que trata este artigo incidirá sobre a remuneração
prevista no art. 73.

SUBSEÇÃO VII
DO ADICIONAL DE FÉRIAS

Art. 76.  Independentemente de solicitação, será pago ao servidor, por ocasião das férias, um adicional correspondente a 1/3
(um terço) da remuneração do período das férias.
Parágrafo único.  No caso de o servidor exercer função de direção, chefia ou assessoramento, ou ocupar cargo em comissão, a
respectiva vantagem será considerada no cálculo do adicional de que trata este artigo.

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Regime Juridico Único
SUBSEÇÃO VIII
DA GRATIFICAÇÃO POR ENCARGO DE CURSO
OU CONCURSO

Art. 76-A.  A Gratificação por Encargo de Curso ou Concurso é devida ao servidor que, em caráter eventual: 
I - atuar como instrutor em curso de formação, de desenvolvimento ou de treinamento regularmente instituído no âmbito da
administração pública federal; 
II - participar de banca examinadora ou de comissão para exames orais, para análise curricular, para correção de provas dis-
cursivas, para elaboração de questões de provas ou para julgamento de recursos intentados por candidatos; 
III - participar da logística de preparação e de realização de concurso público envolvendo atividades de planejamento, coor-
denação, supervisão, execução e avaliação de resultado, quando tais atividades não estiverem incluídas entre as suas atribuições
permanentes; 
IV - participar da aplicação, fiscalizar ou avaliar provas de exame vestibular ou de concurso público ou supervisionar essas
atividades.
§ 1o  Os critérios de concessão e os limites da gratificação de que trata este artigo serão fixados em regulamento, observados os
seguintes parâmetros: 
I - o valor da gratificação será calculado em horas, observadas a natureza e a complexidade da atividade exercida; 
II - a retribuição não poderá ser superior ao equivalente a 120 (cento e vinte) horas de trabalho anuais, ressalvada situação
de excepcionalidade, devidamente justificada e previamente aprovada pela autoridade máxima do órgão ou entidade, que poderá
autorizar o acréscimo de até 120 (cento e vinte) horas de trabalho anuais; 
III - o valor máximo da hora trabalhada corresponderá aos seguintes percentuais, incidentes sobre o maior vencimento básico
da administração pública federal: 
a) 2,2% (dois inteiros e dois décimos por cento), em se tratando de atividades previstas nos incisos I e II do caput deste artigo; 
b) 1,2% (um inteiro e dois décimos por cento), em se tratando de atividade prevista nos incisos III e IV do caput deste artigo. 
§ 2o  A Gratificação por Encargo de Curso ou Concurso somente será paga se as atividades referidas nos incisos do caput deste
artigo forem exercidas sem prejuízo das atribuições do cargo de que o servidor for titular, devendo ser objeto de compensação de
carga horária quando desempenhadas durante a jornada de trabalho, na forma do § 4odo art. 98 desta Lei. 
§ 3o  A Gratificação por Encargo de Curso ou Concurso não se incorpora ao vencimento ou salário do servidor para qualquer
efeito e não poderá ser utilizada como base de cálculo para quaisquer outras vantagens, inclusive para fins de cálculo dos proventos
da aposentadoria e das pensões. 
CAPÍTULO III
DAS FÉRIAS
Art. 77.  O servidor fará jus a trinta dias de férias, que podem ser acumuladas, até o máximo de dois períodos, no caso de ne-
cessidade do serviço, ressalvadas as hipóteses em que haja legislação específica. 
§ 1o  Para o primeiro período aquisitivo de férias serão exigidos 12 (doze) meses de exercício.
§ 2o  É vedado levar à conta de férias qualquer falta ao serviço.
§ 3o  As férias poderão ser parceladas em até três etapas, desde que assim requeridas pelo servidor, e no interesse da administração
pública. 
É possível impedir que o servidor tire férias por até 2 períodos se o seu serviço for altamente necessário.
Art. 78.  O pagamento da remuneração das férias será efetuado até 2 (dois) dias antes do início do respectivo período, obser-
vando-se o disposto no § 1o deste artigo.
§1° e §2°. Revogados.
§ 3o  O servidor exonerado do cargo efetivo, ou em comissão, perceberá indenização relativa ao período das férias a que tiver
direito e ao incompleto, na proporção de um doze avos por mês de efetivo exercício, ou fração superior a quatorze dias. 
§ 4o  A indenização será calculada com base na remuneração do mês em que for publicado o ato exoneratório. 
§ 5o  Em caso de parcelamento, o servidor receberá o valor adicional previsto no inciso XVII do art. 7o da Constituição Fede-
ral quando da utilização do primeiro período.

Art. 79.  O servidor que opera direta e permanentemente com Raios X ou substâncias radioativas gozará 20 (vinte) dias conse-
cutivos de férias, por semestre de atividade profissional, proibida em qualquer hipótese a acumulação.
Manutenção da saúde do servidor.

Art. 80.  As férias somente poderão ser interrompidas por motivo de calamidade pública, comoção interna, convocação para
júri, serviço militar ou eleitoral, ou por necessidade do serviço declarada pela autoridade máxima do órgão ou entidade.

Parágrafo único.  O restante do período interrompido será gozado de uma só vez, observado o disposto no art. 77. 
O direito individual às férias pode ser mitigado pelo direito da coletividade de manutenção da paz e da ordem social.

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Regime Juridico Único
CAPÍTULO IV
DAS LICENÇAS

SEÇÃO I
DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 81.  Conceder-se-á ao servidor licença:


I - por motivo de doença em pessoa da família;
II - por motivo de afastamento do cônjuge ou companheiro;
III - para o serviço militar;
IV - para atividade política;
V - para capacitação; 
VI - para tratar de interesses particulares;
VII - para desempenho de mandato classista.
Atenção aos motivos que autorizam licença, detalhados a seguir na legislação.
§ 1o  A licença prevista no inciso I do caput deste artigo bem como cada uma de suas prorrogações serão precedidas de exame
por perícia médica oficial, observado o disposto no art. 204 desta Lei.
§ 3o  É vedado o exercício de atividade remunerada durante o período da licença prevista no inciso I deste artigo.
Art. 82.  A licença concedida dentro de 60 (sessenta) dias do término de outra da mesma espécie será considerada como pror-
rogação.

SEÇÃO II
DA LICENÇA POR MOTIVO DE DOENÇA
EM PESSOA DA FAMÍLIA

Art. 83.  Poderá ser concedida licença ao servidor por motivo de doença do cônjuge ou companheiro, dos pais, dos filhos, do
padrasto ou madrasta e enteado, ou dependente que viva a suas expensas e conste do seu assentamento funcional, mediante com-
provação por perícia médica oficial. 
§ 1o  A licença somente será deferida se a assistência direta do servidor for indispensável e não puder ser prestada simultaneamente
com o exercício do cargo ou mediante compensação de horário, na forma do disposto no inciso II do art. 44. 
§ 2o  A licença de que trata o caput, incluídas as prorrogações, poderá ser concedida a cada período de doze meses nas seguintes
condições: 
I - por até 60 (sessenta) dias, consecutivos ou não, mantida a remuneração do servidor; e 
II - por até 90 (noventa) dias, consecutivos ou não, sem remuneração.  
§ 3o  O início do interstício de 12 (doze) meses será contado a partir da data do deferimento da primeira licença concedida. 
§ 4o  A soma das licenças remuneradas e das licenças não remuneradas, incluídas as respectivas prorrogações, concedidas em
um mesmo período de 12 (doze) meses, observado o disposto no § 3o, não poderá ultrapassar os limites estabelecidos nos incisos I
e II do § 2o. 

SEÇÃO III
DA LICENÇA POR MOTIVO DE AFASTAMENTO
DO CÔNJUGE

Art. 84.  Poderá ser concedida licença ao servidor para acompanhar cônjuge ou companheiro que foi deslocado para outro
ponto do território nacional, para o exterior ou para o exercício de mandato eletivo dos Poderes Executivo e Legislativo.

§ 1o  A licença será por prazo indeterminado e sem remuneração.

§ 2o  No deslocamento de servidor cujo cônjuge ou companheiro também seja servidor público, civil ou militar, de qualquer dos
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, poderá haver exercício provisório em órgão ou entidade da
Administração Federal direta, autárquica ou fundacional, desde que para o exercício de atividade compatível com o seu cargo. 

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Regime Juridico Único
SEÇÃO IV
DA LICENÇA PARA O SERVIÇO MILITAr

Art. 85.  Ao servidor convocado para o serviço militar será concedida licença, na forma e condições previstas na legislação
específica.

Parágrafo único.  Concluído o serviço militar, o servidor terá até 30 (trinta) dias sem remuneração para reassumir o exercício
do cargo.
SEÇÃO V
DA LICENÇA PARA ATIVIDADE POLÍTICA

Art. 86.  O servidor terá direito a licença, sem remuneração, durante o período que mediar entre a sua escolha em convenção
partidária, como candidato a cargo eletivo, e a véspera do registro de sua candidatura perante a Justiça Eleitoral.
§ 1o  O servidor candidato a cargo eletivo na localidade onde desempenha suas funções e que exerça cargo de direção, chefia,
assessoramento, arrecadação ou fiscalização, dele será afastado, a partir do dia imediato ao do registro de sua candidatura perante a
Justiça Eleitoral, até o décimo dia seguinte ao do pleito. 
§ 2o  A partir do registro da candidatura e até o décimo dia seguinte ao da eleição, o servidor fará jus à licença, assegurados os
vencimentos do cargo efetivo, somente pelo período de três meses. 

SEÇÃO VI
DA LICENÇA PARA CAPACITAÇÃO

Art. 87.  Após cada quinquênio de efetivo exercício, o servidor poderá, no interesse da Administração, afastar-se do exercício do
cargo efetivo, com a respectiva remuneração, por até três meses, para participar de curso de capacitação profissional. 
Parágrafo único.  Os períodos de licença de que trata o caput não são acumuláveis.

Art. 90. (Vetado)

SEÇÃO VII
DA LICENÇA PARA TRATAR DE INTERESSES PARTICULARES

Art. 91.  A critério da Administração, poderão ser concedidas ao servidor ocupante de cargo efetivo, desde que não esteja em
estágio probatório, licenças para o trato de assuntos particulares pelo prazo de até três anos consecutivos, sem remuneração. 
Parágrafo único.  A licença poderá ser interrompida, a qualquer tempo, a pedido do servidor ou no interesse do serviço. 

SEÇÃO VIII
DA LICENÇA PARA O DESEMPENHO DE MANDATO CLASSISTA

Art. 92. É assegurado ao servidor o direito à licença sem remuneração para o desempenho de mandato em confederação, fe-
deração, associação de classe de âmbito nacional, sindicato representativo da categoria ou entidade fiscalizadora da profissão ou,
ainda, para participar de gerência ou administração em sociedade cooperativa constituída por servidores públicos para prestar
serviços a seus membros, observado o disposto na alínea c do inciso VIII do art. 102 desta Lei, conforme disposto em regulamento
e observados os seguintes limites:
I - para entidades com até 5.000 associados, um servidor; 
II - para entidades com 5.001 a 30.000 associados, dois servidores; 
III - para entidades com mais de 30.000 associados, três servidores. 
§ 1o  Somente poderão ser licenciados servidores eleitos para cargos de direção ou representação nas referidas entidades, desde
que cadastradas no Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado. 
§ 2° A licença terá duração igual à do mandato, podendo ser prorrogada, no caso de reeleição, e por uma única vez.

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Regime Juridico Único
CAPÍTULO V
DOS AFASTAMENTOS

SEÇÃO I
DO AFASTAMENTO PARA SERVIR A OUTRO
ÓRGÃO OU ENTIDADE

Art. 93. O servidor poderá ser cedido para ter exercício em outro órgão ou entidade dos Poderes da União, dos Estados, ou do
Distrito Federal e dos Municípios, nas seguintes hipóteses: 
I - para exercício de cargo em comissão ou função de confiança; 
II - em casos previstos em leis específicas.
§ 1o  Na hipótese do inciso I, sendo a cessão para órgãos ou entidades dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o ônus
da remuneração será do órgão ou entidade cessionária, mantido o ônus para o cedente nos demais casos. 
§ 2º  Na hipótese de o servidor cedido a empresa pública ou sociedade de economia mista, nos termos das respectivas normas,
optar pela remuneração do cargo efetivo ou pela remuneração do cargo efetivo acrescida de percentual da retribuição do cargo em
comissão, a entidade cessionária efetuará o reembolso das despesas realizadas pelo órgão ou entidade de origem. 
§ 3o  A cessão far-se-á mediante Portaria publicada no Diário Oficial da União. 
§ 4o  Mediante autorização expressa do Presidente da República, o servidor do Poder Executivo poderá ter exercício em outro
órgão da Administração Federal direta que não tenha quadro próprio de pessoal, para fim determinado e a prazo certo. 
§ 5° Aplica-se à União, em se tratando de empregado ou servidor por ela requisitado, as disposições dos §§ 1º e 2º deste artigo. 
§ 6° As cessões de empregados de empresa pública ou de sociedade de economia mista, que receba recursos de Tesouro Nacional
para o custeio total ou parcial da sua folha de pagamento de pessoal, independem das disposições contidas nos incisos I e II e §§
1º e 2º deste artigo, ficando o exercício do empregado cedido condicionado a autorização específica do Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão, exceto nos casos de ocupação de cargo em comissão ou função gratificada. 

§ 7° O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, com a finalidade de promover a composição da força de trabalho
dos órgãos e entidades da Administração Pública Federal, poderá determinar a lotação ou o exercício de empregado ou servidor,
independentemente da observância do constante no inciso I e nos §§ 1° e 2° deste artigo. 

SEÇÃO II
DO AFASTAMENTO PARA EXERCÍCIO DE
MANDATO ELETIVO

Art. 94.  Ao servidor investido em mandato eletivo aplicam-se as seguintes disposições:


I - tratando-se de mandato federal, estadual ou distrital, ficará afastado do cargo;
II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, sendo-lhe facultado optar pela sua remuneração;
III - investido no mandato de vereador:
a) havendo compatibilidade de horário, perceberá as vantagens de seu cargo, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo;
b) não havendo compatibilidade de horário, será afastado do cargo, sendo-lhe facultado optar pela sua remuneração.
§ 1o  No caso de afastamento do cargo, o servidor contribuirá para a seguridade social como se em exercício estivesse.
§ 2o  O servidor investido em mandato eletivo ou classista não poderá ser removido ou redistribuído de ofício para localidade
diversa daquela onde exerce o mandato.

SEÇÃO III
DO AFASTAMENTO PARA ESTUDO OU
MISSÃO NO EXTERIor

Art. 95.  O servidor não poderá ausentar-se do País para estudo ou missão oficial, sem autorização do Presidente da República,
Presidente dos Órgãos do Poder Legislativo e Presidente do Supremo Tribunal Federal.
§ 1o  A ausência não excederá a 4 (quatro) anos, e finda a missão ou estudo, somente decorrido igual período, será permitida nova
ausência.
§ 2o  Ao servidor beneficiado pelo disposto neste artigo não será concedida exoneração ou licença para tratar de interesse
particular antes de decorrido período igual ao do afastamento, ressalvada a hipótese de ressarcimento da despesa havida com seu
afastamento.
§ 3o  O disposto neste artigo não se aplica aos servidores da carreira diplomática.
§ 4o  As hipóteses, condições e formas para a autorização de que trata este artigo, inclusive no que se refere à remuneração do
servidor, serão disciplinadas em regulamento. 

Art. 96.  O afastamento de servidor para servir em organismo internacional de que o Brasil participe ou com o qual coopere
dar-se-á com perda total da remuneração.

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Regime Juridico Único
SEÇÃO IV
DO AFASTAMENTO PARA PARTICIPAÇÃO EM
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO
SENSU NO PAÍS

Art. 96-A.  O servidor poderá, no interesse da Administração, e desde que a participação não possa ocorrer simultaneamente
com o exercício do cargo ou mediante compensação de horário, afastar-se do exercício do cargo efetivo, com a respectiva remune-
ração, para participar em programa de pós-graduação stricto sensu em instituição de ensino superior no País. 
§ 1o Ato do dirigente máximo do órgão ou entidade definirá, em conformidade com a legislação vigente, os programas de
capacitação e os critérios para participação em programas de pós-graduação no País, com ou sem afastamento do servidor, que serão
avaliados por um comitê constituído para este fim. 

§ 2o Os afastamentos para realização de programas de mestrado e doutorado somente serão concedidos aos servidores titulares de
cargos efetivos no respectivo órgão ou entidade há pelo menos 3 (três) anos para mestrado e 4 (quatro) anos para doutorado, incluído
o período de estágio probatório, que não tenham se afastado por licença para tratar de assuntos particulares para gozo de licença
capacitação ou com fundamento neste artigo nos 2 (dois) anos anteriores à data da solicitação de afastamento.
§ 3o Os afastamentos para realização de programas de pós-doutorado somente serão concedidos aos servidores titulares de cargos
efetivo no respectivo órgão ou entidade há pelo menos quatro anos, incluído o período de estágio probatório, e que não tenham
se afastado por licença para tratar de assuntos particulares ou com fundamento neste artigo, nos quatro anos anteriores à data da
solicitação de afastamento. 
§ 4o Os servidores beneficiados pelos afastamentos previstos nos §§ 1o, 2o e 3o deste artigo terão que permanecer no exercício de
suas funções após o seu retorno por um período igual ao do afastamento concedido. 
§ 5o Caso o servidor venha a solicitar exoneração do cargo ou aposentadoria, antes de cumprido o período de permanência
previsto no § 4o deste artigo, deverá ressarcir o órgão ou entidade, na forma do art. 47 da Lei no 8.112, de 11 de dezembro de 1990,
dos gastos com seu aperfeiçoamento. 
§ 6o Caso o servidor não obtenha o título ou grau que justificou seu afastamento no período previsto, aplica-se o disposto no §
5  deste artigo, salvo na hipótese comprovada de força maior ou de caso fortuito, a critério do dirigente máximo do órgão ou entidade. 
o

§ 7o Aplica-se à participação em programa de pós-graduação no Exterior, autorizado nos termos do art. 95 desta Lei, o disposto
nos §§ 1o a 6o deste artigo. 

CAPÍTULO VI
DAS CONCESSÕES

Art. 97.  Sem qualquer prejuízo, poderá o servidor ausentar-se do serviço:


I - por 1 (um) dia, para doação de sangue;
II - pelo período comprovadamente necessário para alistamento ou recadastramento eleitoral, limitado, em qualquer caso, a
dois dias; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 632, de 2013)
III - por 8 (oito) dias consecutivos em razão de :
a) casamento;
b) falecimento do cônjuge, companheiro, pais, madrasta ou padrasto, filhos, enteados, menor sob guarda ou tutela e irmãos.

Art. 98.  Será concedido horário especial ao servidor estudante, quando comprovada a incompatibilidade entre o horário esco-
lar e o da repartição, sem prejuízo do exercício do cargo.
§ 1o  Para efeito do disposto neste artigo, será exigida a compensação de horário no órgão ou entidade que tiver exercício,
respeitada a duração semanal do trabalho.
§ 2o  Também será concedido horário especial ao servidor portador de deficiência, quando comprovada a necessidade por junta
médica oficial, independentemente de compensação de horário. 
§ 3o  As disposições do parágrafo anterior são extensivas ao servidor que tenha cônjuge, filho ou dependente portador de
deficiência física, exigindo-se, porém, neste caso, compensação de horário na forma do inciso II do art. 44. 
§ 4o  Será igualmente concedido horário especial, vinculado à compensação de horário a ser efetivada no prazo de até 1 (um) ano,
ao servidor que desempenhe atividade prevista nos incisos I e II do caput do art. 76-A desta Lei. 

Art. 99.  Ao servidor estudante que mudar de sede no interesse da administração é assegurada, na localidade da nova residência
ou na mais próxima, matrícula em instituição de ensino congênere, em qualquer época, independentemente de vaga.
Parágrafo único.  O disposto neste artigo estende-se ao cônjuge ou companheiro, aos filhos, ou enteados do servidor que vivam
na sua companhia, bem como aos menores sob sua guarda, com autorização judicial.

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Regime Juridico Único
CAPÍTULO VII
DO TEMPO DE SERVIÇO

Art. 100.  É contado para todos os efeitos o tempo de serviço público federal, inclusive o prestado às Forças Armadas.

Art. 101.  A apuração do tempo de serviço será feita em dias, que serão convertidos em anos, considerado o ano como de
trezentos e sessenta e cinco dias.

Art. 102.  Além das ausências ao serviço previstas no art. 97, são considerados como de efetivo exercício os afastamentos em
virtude de:
I - férias;
II - exercício de cargo em comissão ou equivalente, em órgão ou entidade dos Poderes da União, dos Estados, Municípios e
Distrito Federal;
III - exercício de cargo ou função de governo ou administração, em qualquer parte do território nacional, por nomeação do
Presidente da República;
IV - participação em programa de treinamento regularmente instituído ou em programa de pós-graduação stricto sensu no País,
conforme dispuser o regulamento;
V - desempenho de mandato eletivo federal, estadual, municipal ou do Distrito Federal, exceto para promoção por merecimento;
VI - júri e outros serviços obrigatórios por lei;
VII - missão ou estudo no exterior, quando autorizado o afastamento, conforme dispuser o regulamento; 
VIII - licença:
a) à gestante, à adotante e à paternidade;
b) para tratamento da própria saúde, até o limite de vinte e quatro meses, cumulativo ao longo do tempo de serviço público
prestado à União, em cargo de provimento efetivo; 
c) para o desempenho de mandato classista ou participação de gerência ou administração em sociedade cooperativa constituída
por servidores para prestar serviços a seus membros, exceto para efeito de promoção por merecimento; 
d) por motivo de acidente em serviço ou doença profissional;
e) para capacitação, conforme dispuser o regulamento; 
f) por convocação para o serviço militar;
IX - deslocamento para a nova sede de que trata o art. 18;
X - participação em competição desportiva nacional ou convocação para integrar representação desportiva nacional, no País
ou no exterior, conforme disposto em lei específica;
XI - afastamento para servir em organismo internacional de que o Brasil participe ou com o qual coopere. 

Art. 103.  Contar-se-á apenas para efeito de aposentadoria e disponibilidade:

I - o tempo de serviço público prestado aos Estados, Municípios e Distrito Federal;
II - a licença para tratamento de saúde de pessoal da família do servidor, com remuneração, que exceder a 30 (trinta) dias em
período de 12 (doze) meses. 
III - a licença para atividade política, no caso do art. 86, § 2o;
IV - o tempo correspondente ao desempenho de mandato eletivo federal, estadual, municipal ou distrital, anterior ao ingresso
no serviço público federal;
V - o tempo de serviço em atividade privada, vinculada à Previdência Social;
VI - o tempo de serviço relativo a tiro de guerra;
VII - o tempo de licença para tratamento da própria saúde que exceder o prazo a que se refere a alínea “b” do inciso VIII do
art. 102. 
§ 1o  O tempo em que o servidor esteve aposentado será contado apenas para nova aposentadoria.
§ 2o  Será contado em dobro o tempo de serviço prestado às Forças Armadas em operações de guerra.
§ 3o  É vedada a contagem cumulativa de tempo de serviço prestado concomitantemente em mais de um cargo ou função de órgão
ou entidades dos Poderes da União, Estado, Distrito Federal e Município, autarquia, fundação pública, sociedade de economia mista
e empresa pública.

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Regime Juridico Único
CAPÍTULO VIII
DO DIREITO DE PETIÇÃO

Art. 104.  É assegurado ao servidor o direito de requerer aos Poderes Públicos, em defesa de direito ou interesse legítimo.

Art. 105.  O requerimento será dirigido à autoridade competente para decidi-lo e encaminhado por intermédio daquela a que
estiver imediatamente subordinado o requerente.

Art. 106.  Cabe pedido de reconsideração à autoridade que houver expedido o ato ou proferido a primeira decisão, não podendo
ser renovado. 
Parágrafo único.  O requerimento e o pedido de reconsideração de que tratam os artigos anteriores deverão ser despachados
no prazo de 5 (cinco) dias e decididos dentro de 30 (trinta) dias.

Art. 107.  Caberá recurso: 
I - do indeferimento do pedido de reconsideração;
II - das decisões sobre os recursos sucessivamente interpostos.
§ 1o  O recurso será dirigido à autoridade imediatamente superior à que tiver expedido o ato ou proferido a decisão, e,
sucessivamente, em escala ascendente, às demais autoridades.
§ 2o  O recurso será encaminhado por intermédio da autoridade a que estiver imediatamente subordinado o requerente.

Art. 108.  O prazo para interposição de pedido de reconsideração ou de recurso é de 30 (trinta) dias, a contar da publicação ou
da ciência, pelo interessado, da decisão recorrida. 

Art. 109.  O recurso poderá ser recebido com efeito suspensivo, a juízo da autoridade competente.
Parágrafo único.  Em caso de provimento do pedido de reconsideração ou do recurso, os efeitos da decisão retroagirão à data
do ato impugnado.

Art. 110.  O direito de requerer prescreve:


I - em 5 (cinco) anos, quanto aos atos de demissão e de cassação de aposentadoria ou disponibilidade, ou que afetem interesse
patrimonial e créditos resultantes das relações de trabalho;
II - em 120 (cento e vinte) dias, nos demais casos, salvo quando outro prazo for fixado em lei.
Parágrafo único.  O prazo de prescrição será contado da data da publicação do ato impugnado ou da data da ciência pelo
interessado, quando o ato não for publicado.

Art. 111.  O pedido de reconsideração e o recurso, quando cabíveis, interrompem a prescrição.

Art. 112.  A prescrição é de ordem pública, não podendo ser relevada pela administração.

Art. 113.  Para o exercício do direito de petição, é assegurada vista do processo ou documento, na repartição, ao servidor ou
a procurador por ele constituído.

Art. 114.  A administração deverá rever seus atos, a qualquer tempo, quando eivados de ilegalidade.

Art. 115.  São fatais e improrrogáveis os prazos estabelecidos neste Capítulo, salvo motivo de força maior.
Estabelece a CF, no art. 5°, XXIV, a) o direito de petição, assegurado a todos: “são a todos assegurados, independentemente do
pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder;”. Os
artigos acima descrevem o direito de petição específico dos servidores públicos.

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Regime Juridico Único
TÍTULO IV
DO REGIME DISCIPLINAR

O regime disciplinar do servidor público civil federal está estabelecido basicamente de duas maneiras: deveres e proibições.
Ontologicamente, são a mesma coisa: ambos deveres e proibições são normas protetivas da boa Administração. Nas duas hipóteses,
violado o preceito, cabível é uma punição. Deve-se notar, porém, que os deveres constam da lei como ações, como conduta positiva;
as proibições, ao contrário, são descritas como condutas vedadas ao servidor, de modo que ele deve abster-se de praticá-las. Os deve-
res estão inscritos no artigo 116, não de modo exaustivo, porque o servidor deve obediência a todas as normas legais ou infralegais,
e o próprio inciso III do referido dispositivo é, de certa maneira, uma norma disciplinar em branco3.
“Estes dispositivos prevêem, basicamente, um conjunto de normas de conduta e de proibições impostas pela lei aos servidores
por ela abrangidos, tendo em vista a prevenção, a apuração e a possível punição de atos e omissões que possam por em risco o funcio-
namento adequado da administração pública, do posto de vista ético, do ponto de vista da eficiência e do ponto de vista da legalidade.
Decorrem, estes dispositivos, do denominado Poder Disciplinar que é aquele conferido à Administração com o objetivo de manter
sua disciplina interna, na medida em que lhe atribui instrumentos para punir seus servidores (e também àqueles que estejam a ela vin-
culados por um instrumento jurídico determinado - particulares contratados pela Administração). [...]“O disposto no Título IV da lei
nº 8.112/90 prevê basicamente um conjunto de obrigações impostas aos servidores por ela regidos. Tais obrigações, ora positivas (os
denominados Deveres – art. 116), ora negativas (as denominadas Proibições – art. 117) uma vez inadimplidas ensejam sua imediata
apuração (art. 143) e uma vez comprovadas importam na responsabilização administrativa, a desafiar, então, a aplicação de uma das
sanções administrativas (art. 127). Não é por outra razão que o art. 124 declara que a responsabilidade administrativa resulta da prá-
tica de ato omissivo (quando o servidor deixa de cumprir os deveres a ele impostos) ou comissivo (quando viola proibição) praticado
no desempenho do cargo ou função”4.

CAPÍTULO I
DOS DEVERES

Art. 116.  São deveres do servidor:


Os deveres do servidor previstos na Lei n° 8.112/90 são em muito compatíveis com os previstos no Código de Ética profissional
do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal (Decreto n° 1.171/94). Descrevem algumas das condutas esperadas do servi-
dor público quando do desempenho de suas funções. Em resumo, o servidor público deve desempenhar suas funções com cuidado,
rapidez e pontualidade, sendo leal à instituição que compõe, respeitando as ordens de seus superiores que sejam adequadas às funções
que desempenhe e buscando conservar o patrimônio do Estado. No tratamento do público, deve ser prestativo e não negar o acesso
a informações que não sejam sigilosas. Caso presencie alguma ilegalidade ou abuso de poder, deve denunciar. Tomam-se como base
os ensinamentos de Lima5 a respeito destes deveres:

I - exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo;

“O primeiro dos deveres insculpidos no regime estatutário é o dever de zelo. O zelo diz respeito às atribuições funcionais e tam-
bém ao cuidado com a economia do material, os bens da repartição e o patrimônio público. Sob o prisma da disciplina e da conserva-
ção dos bens e materiais da repartição, o servidor deve sempre agir com dedicação no desempenho das funções do cargo que ocupa,
e que lhe foram atribuídas desde o termo de posse. O servidor não é o dono do cargo. Dono do cargo é o Estado que o remunera. Se
o referido cargo não lhe pertence, o servidor deve exercer suas funções com o máximo de zelo que estiver ao seu alcance. Sua even-
tual menor capacidade de desempenho, para não configurar desídia ou insuficiência de desempenho, deverá ser compensada com um
maior esforço e dedicação de sua parte. Se um servidor altamente preparado e capaz, vem a praticar atos que configurem desídia ou
mesmo falta mais grave, poderá vir a ser punido. Porque o que se julgará não é a pessoa do servidor, mas a conduta a ele imputável.
O zelo não deve se limitar apenas às atribuições específicas de sua atividade. O servidor deve ter zelo não somente com os bens e
interesses imateriais (a imagem, os símbolos, a moralidade, a pontualidade, o sigilo, a hierarquia) como também para com os bens
e interesses patrimoniais do Estado”.

II - ser leal às instituições a que servir;


“O servidor que cumprir todos os deveres e normas administrativas já positivadas, consequentemente, é leal à instituição que
lhe remunera. Sob o prisma constitucional é que devemos entender a norma hoje. Sendo assim, o dever de lealdade está inserido no
Estatuto como norma programática, orientadora da conduta dos servidores”.
3 LIMA, Fábio Lucas de Albuquerque. O regime disciplinar dos servidores federais. Disponível em: <http://www.sato.adm.br/
artigos/o_regime_disciplinar_dos_servidores_federais.htm>. Acesso em: 11 ago. 2013.
4 MORGATO, Almir. O Regime Disciplinar dos Servidores Públicos da União. Disponível em: <http://www.canaldosconcur-
sos.com.br/artigos/almirmorgado_artigo1.pdf>. Acesso em: 11 ago. 2013.
5 LIMA, Fábio Lucas de Albuquerque. O regime disciplinar dos servidores federais. Disponível em: <http://www.sato.adm.
br/artigos/o_regime_disciplinar_dos_servidores_federais.htm>. Acesso em: 11 ago. 2013.

14
Regime Juridico Único
III - observar as normas legais e regulamentares;
“A função desta norma é de não deixar sem resposta qualquer que seja a irregularidade cometida. Daí a necessária correlação
nesses casos que temos de fazer do art. 116, inciso III, com a norma violada, e já prevista em outra lei, decreto, instrução, ordem de
serviço ou portaria”.

IV - cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais;

“O servidor integra a estrutura organizacional do órgão em que presta suas atribuições funcionais. O Estado se movimenta atra-
vés dos seus diversos órgãos. Dentro dos órgãos públicos, há um escalonamento de cargos e funções que servem ao cumprimento
da vontade do ente estatal. Este escalonamento, posto em movimento, é o que vimos até agora chamando de hierarquia. A hierarquia
existe para que do alto escalão até a prática dos administrados as coisas funcionem. Disso decorre que quando é emitida uma ordem
para o servidor subordinado, este deve dar cumprimento ao comando. Porém quando a ordem é visivelmente ilegal, arbitrária, incons-
titucional ou absurda, o servidor não é obrigado a dar seguimento ao que lhe é ordenado. Quando a ordem é manifestamente ilegal?
Há uma margem de interpretação, principalmente se o servidor subordinado não tiver nenhuma formação de ordem jurídica. Logo, é
o bom senso que irá margear o que é flagrantemente inconstitucional”.

V - atender com presteza:


a) ao público em geral, prestando as informações requeridas, ressalvadas as protegidas por sigilo;
b) à expedição de certidões requeridas para defesa de direito ou esclarecimento de situações de interesse pessoal;
c) às requisições para a defesa da Fazenda Pública.

“Este dever foi insculpido na lei para que o servidor público trabalhe diuturnamente no sentido de desfazer a imagem desagradá-
vel que o mesmo possui perante a sociedade. Exige-se que atue com presteza no atendimento a informações solicitadas pela Fazenda
Pública. Esta engloba o fisco federal, estadual, municipal e distrital. O servidor público tem que ser expedito, diligente, laborioso.
Não há mais lugar para o burocrata que se afasta do administrado, dificultando a vida de quem necessita de atendimento rápido e es-
correito. Entretanto, há um longo caminho a ser percorrido até que se atinja um mínimo ideal de atendimento e de funcionamento dos
órgãos públicos, o que deve necessariamente passar por critérios de valorização dos servidores bons e de treinamento e qualificação
permanente dos quadros de pessoal”.

VI - levar as irregularidades de que tiver ciência em razão do cargo ao conhecimento da autoridade superior ou, quando houver
suspeita de envolvimento desta, ao conhecimento de outra autoridade competente para apuração; 

“Todo servidor público é obrigado a dar conhecimento ao chefe da repartição acerca das irregularidades de que toma conheci-
mento no exercício de suas atribuições. Deve levar ao conhecimento da chefia imediata pelo sistema hierárquico. Supõe-se que os
titulares das chefias ou divisões detêm um conhecimento maior de como corrigir o erro ou comunicar aos órgãos de controle para a
devida apuração. De nada adiantaria o servidor, ciente de um ato irregular, ir comunicar ao público ou a terceiros. Além do dever de
sigilo, há assuntos que exigem certas reservas, visando ao bem do serviço público, da segurança nacional e mesmo da sociedade”.

VII - zelar pela economia do material e a conservação do patrimônio público;


“Esse deve é basilar. Se o agente não zelar pela economia e pela conservação dos bens públicos presta um desserviço à nação que
lhe remunera. E como se verá adiante poderá ser causa inclusive de demissão, se não cumprir o presente dever, quando por descum-
primento dele a gravidade do fato implicar a infração a normas mais graves”.

VIII - guardar sigilo sobre assunto da repartição;


“O agente público deve guardar sigilo sobre o que se passa na repartição, principalmente quanto aos assuntos oficiais. Pela Lei nº
12.527, de 18 de novembro de 2011, hoje está regulamentado o acesso às informações. Porém, o servidor deve ter cuidado, pois até
mesmo o fornecimento ou divulgação das informações exigem um procedimento. Maior cuidado há que se ter, quando a informação
possa expor a intimidade da pessoa humana. As informações pessoais dos administrados em geral devem ser tratadas forma transpa-
rente e com respeito à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem das pessoas, bem como às liberdades e garantias individuais,
segundo o artigo 31, da Lei nº 21.527, 2011. A exceção para o sigilo existe, pois, não devemos tratar a questão em termos de cláusula
jurídica de caráter absoluto, podendo ter autorizada a divulgação ou o acesso por terceiros quando haja previsão legal. Outra exceção
é quando há o consentimento expresso da pessoa a que elas se referirem. No caso de cumprimento de ordem judicial, para a defesa
de direitos humanos, e quando a proteção do interesse público e geral preponderante o exigir, também devem ser fornecidas as infor-
mações. Portanto, o servidor há que ter reserva no seu comportamento e fala, esquivando-se de revelar o conteúdo do que se passa
no seu trabalho. Se o assunto pululante é uma irregularidade absurda, deve então reduzir a escrito e representar para que se apure o
caso. Deveriam diminuir as conversas de corredor e se efetivar a apuração dos fatos através do processo administrativo disciplinar. Os
assuntos objeto do serviço merecem reserva. Devem ficar circunscritos aos servidores designados para o respectivo trabalho interno,
não devendo sair da seção ou setor de trabalho, sem o trâmite hierárquico do chefe imediato. Se o assunto ou o trabalho, enfim, me-
recer divulgação mais ampla, deve ser contatado o órgão de assessoria de comunicação social, que saberá proceder de forma oficial,
obedecendo ao bom senso e às leis vigentes”.

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Regime Juridico Único
IX - manter conduta compatível com a moralidade administrativa;
“O ato administrativo não se satisfaz somente com o ser legal. Para ser válido o ato administrativo tem que ser compatível com a
moralidade administrativa. O agente deve se comportar em seus atos de maneira proba, escorreita, séria, não atuando com intenções
escusas e desvirtuadas. Seu poder-dever não pode ser utilizado, por exemplo, para satisfação de interesses menores, como realizar a
prática de determinado ato para beneficiar uma amante ou um parente. Se o agente viola o dever de agir com comportamento incom-
patível com a moralidade administrativa, poderá estar sujeito a sanção disciplinar. Seu ato ímprobo ou imoral configura o chamado
desvio de poder, que é totalmente abominável no Direito Administrativo e poderá ser anulado interna corporis ou judicialmente
através da ação popular, ação de ressarcimento ao erário e ação civil pública se o ato violar direito coletivo ou transindividual”.

X - ser assíduo e pontual ao serviço;


“Dois conceitos diferentes, porém parecidos. Ser assíduo significa ser presente dentro do horário do expediente. O oposto do
assíduo é o ausente, o faltoso. Pontual é aquele servidor que não atrasa seus compromissos. É o que comparece no horário para as
reuniões de trabalho e demais atividades relacionadas com o exercício do cargo que ocupa. Embora sejam conceitos diferentes, aqui
o dever violado, seja por impontualidade, seja por inassiduidade (que ainda não aquela inassiduidade habitual de 60 dias ensejadora
de demissão), merece reprimenda de advertência, com fins educativos e de correção do servidor”.

XI - tratar com urbanidade as pessoas;


“No mundo moderno, e máxime em nossa civilização ocidental, o trato tem que ser o mais urbano possível. Urbano, nessa acep-
ção, não quer dizer citadino ou oriundo da urbe (cidade), mas, sim, educado, civilizado, cordato e que não possa criar embaraços aos
usuários dos serviços públicos”.

XII - representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder.


Parágrafo único.  A representação de que trata o inciso XII será encaminhada pela via hierárquica e apreciada pela autoridade
superior àquela contra a qual é formulada, assegurando-se ao representando ampla defesa.
Caso o funcionário público denuncie outro servidor, esta representação será encaminhada a alguém que seja superior hierarqui-
camente ao denunciado, que terá direito à ampla defesa.
“O servidor tem obrigação legal de dar conhecimento às autoridades de qualquer irregularidade de que tiver ciência em razão
do cargo, principalmente no processo em que está atuando ou quando o fato aconteceu sob as suas vistas. Não é concebível que o
servidor se defronte com uma irregularidade administrativa e fique inerte. Deve provocar quem de direito para que a irregularidade
seja sanada de imediato. Caso haja indiferença no seu círculo de atuação, i.e., no seu setor ou seção, deverá representar aos órgãos
superiores. Assim é que o dever de informar acerca de irregularidades anda de braço dado com o dever de representar. Não surtindo
efeito a notícia da irregularidade, não corrigida esta, sobrevém o dever de representar. O dever de representação não deixa de ser uma
prerrogativa legal, investindo o servidor de um múnus público importante, constituindo o servidor em um curador legal do ente públi-
co. O mais humilde servidor passa a ser um agente promotor de legalidade. É claro o inciso XII do art. 116 quando diz que é dever do
servidor “representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder”. De modo que também a omissão pode ensejar a representação.
A omissão do agente que ilegalmente não pratica ato a que se acha vinculado pode até configurar o ilícito penal de prevaricação. O
dever de representação deve ser privilegiado, mas deve ser usado com o devido equilíbrio, não podendo servir a finalidades egoís-
ticas, político-partidárias, induzido por inimizades de cunho pessoal, o que de pronto trespassará o representante de autor a réu por
prática de abuso de poder ou denunciação caluniosa”.
CAPÍTULO II
DAS PROIBIÇÕES

Art. 117.  Ao servidor é proibido: 


Em contraposição aos deveres do servidor público, existem diversas proibições, que também estão em boa parte abrangidas pelo
Decreto n° 1.171/94. A violação dos deveres ou a prática de alguma das violações abaixo descritas caracterizam infração adminis-
trativa disciplinar.

“Nas Proibições – art. 117, constata-se, desde logo, sua objetividade e taxatividade, o que veda sua ampliação e o uso de inter-
pretações analógicas ou sistemáticas visto serem condutas restritivas de direitos, sujeitas, portanto, ao princípio da reserva legal. O
descumprimento dessas proibições podem inclusive, ensejar o enquadramento penal do servidor, pois muitas das condutas ali descri-
tas, configuram prática de delito penal”6.

6 MORGATO, Almir. O Regime Disciplinar dos Servidores Públicos da União. Disponível em: <http://www.canaldosconcursos.
com.br/artigos/almirmorgado_artigo1.pdf>. Acesso em: 11 ago. 2013.

16
Regime Juridico Único
I - ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia autorização do chefe imediato;
Violação do dever de assiduidade.

II - retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, qualquer documento ou objeto da repartição;
Violação do dever de zelo com o patrimônio público.

III - recusar fé a documentos públicos;


É dever do servidor público conferir fé aos documentos públicos, revestindo-lhes da autoridade e confiança que seu cargo possui.
Violação do dever de transparência.

IV - opor resistência injustificada ao andamento de documento e processo ou execução de serviço;


Não cabe impedir que o trâmite da administração seja alterado por um capricho pessoal. Violação ao dever de celeridade e efi-
ciência, bem como de impessoalidade.

V - promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição;


Violação do dever de discrição.

VI - cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos previstos em lei, o desempenho de atribuição que seja de sua res-
ponsabilidade ou de seu subordinado;

Quem é designado para o desempenho de uma função pública deve desempenhá-la, não podendo designar outra pessoa para
prestar seus serviços ou de seu subordinado.

VII - coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se a associação profissional ou sindical, ou a partido político;
O direito de associação é livre, não podendo um funcionário forçar o seu subordinado a associar-se sindical ou politicamente.

VIII - manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou parente até o segundo grau
civil;
É a chamada prática de nepotismo. Do latim nepos, neto ou descendente, é o termo utilizado para designar o favorecimento de
parentes (ou amigos próximos) em detrimento de pessoas mais qualificadas, especialmente no que diz respeito à nomeação ou eleva-
ção de cargos. O Decreto nº 7.203, de 4 de junho de 2010 dispõe sobre a vedação do nepotismo no âmbito da administração pública
federal.
Súmula Vinculante nº 13: “A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o
terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica, investido em cargo de direção, chefia ou
assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança, ou, ainda, de função gratificada na Administração Pública
direta e indireta, em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, compreendido o ajuste me-
diante designações recíprocas, viola a Constituição Federal.” Obs.: se o concurso pedir pelo entendimento jurisprudencial, vá pela
súmula, mas se não mencionar nada se atenha ao texto da lei, visto que há pequenas variações entre o texto da súmula e o da lei.

IX - valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da função pública;
O cargo público serve apenas aos interesses da administração pública, ou seja, da coletividade, não aos interesses pessoais do
servidor.

X - participar de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não personificada, exercer o comércio,
exceto na qualidade de acionista, cotista ou comanditário;
Não cabe ao servidor público administrar sociedade privada, o que pode comprometer sua eficiência e imparcialidade no exer-
cício da função pública. No princípio, ou seja, na redação original do Estatuto era proibida apenas a participação do servidor como
sócio gerente ou administrador de empresa privada, exceto na qualidade de mero cotista, acionário ou comanditário. Atualmente, a
empresa pode até não estar personificada, por exemplo, não estar devidamente constituída e registrada nos órgãos competentes (Junta
Comercial, fisco estadual, municipal, distrital e federal, e órgãos de controle: ambiental, trabalhista etc.). Comprovada detidamente
a gerência ou administração da sociedade particular em concomitância com a pretensa carga horária da repartição pública, deve ser
aplicada a penalidade de demissão.

XI - atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo quando se tratar de benefícios previdenciários
ou assistenciais de parentes até o segundo grau, e de cônjuge ou companheiro;
Não cabe atuar como procurador perante repartições públicas de forma profissional. Daí a limitação à atuação como representan-
te de parente até segundo grau (irmãos, ascendentes e descendentes, cônjuges e companheiros).

17
Regime Juridico Único
XII - receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie, em razão de suas atribuições;

A percepção de vantagem indevida gerando enriquecimento ilícito também caracteriza ato de improbidade administrativa de
maior gravidade, bem como crime de corrupção passiva.

XIII - aceitar comissão, emprego ou pensão de estado estrangeiro;


Trata-se de indício da intenção de praticar atos contrários ao interesse do Estado ao qual esteja vinculado.

XIV - praticar usura sob qualquer de suas formas;


Usura significa agiotagem, que é o empréstimo de dinheiro a particulares obtendo juros abusivos em troca. As atividades de
empréstimo somente podem ser desempenhadas com fim lucrativo por instituições credenciadas.

XV - proceder de forma desidiosa;


Desídia é desleixo, descuido, preguiça, indolência.

XVI - utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades particulares;


O aparato da administração pública pertence ao Estado, não cabendo ao servidor utilizá-lo em atividades particulares.

XVII - cometer a outro servidor atribuições estranhas ao cargo que ocupa, exceto em situações de emergência e transitórias;
Cada servidor público tem sua atribuição legal, não cabendo designá-lo para desempenhar funções diversas salvo em caso de
extrema necessidade.

XVIII - exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis com o exercício do cargo ou função e com o horário de trabalho;
O exercício de atividades incompatíveis propicia uma violação ao princípio da imparcialidade.

XIX - recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando solicitado.


A atualização de dados cadastrais é necessária para manter a administração ciente da situação de seu servidor.

Parágrafo único.  A vedação de que trata o inciso X do caput deste artigo não se aplica nos seguintes casos: 
I - participação nos conselhos de administração e fiscal de empresas ou entidades em que a União detenha, direta ou indireta-
mente, participação no capital social ou em sociedade cooperativa constituída para prestar serviços a seus membros; e 
II - gozo de licença para o trato de interesses particulares, na forma do art. 91 desta Lei, observada a legislação sobre conflito
de interesses. 
Nestes casos, é possível participar diretamente da administração de sociedade privada, pois o interesse estatal não será compro-
metido.

CAPÍTULO III
DA ACUMULAÇÃO

Art. 118.  Ressalvados os casos previstos na Constituição, é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos.


Estabelece o artigo 37, XVI da Constituição Federal:

É vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver compatibilidade de horários, observado em
qualquer caso o disposto no inciso XI. 
a) a de dois cargos de professor; 
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico;
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões regulamentadas;
Segundo Carvalho Filho7, “o fundamento da proibição é impedir que o cúmulo de funções públicas faça com que o servidor não
execute qualquer delas com a necessária eficiência. Além disso, porém, pode-se observar que o Constituinte quis também impedir a
cumulação de ganhos em detrimento da boa execução de tarefas públicas. [...] Nota-se que a vedação se refere à acumulação remune-
rada. Em consequência, se a acumulação só encerra a percepção de vencimentos por uma das fontes, não incide a regra constitucional
proibitiva”.

§ 1o  A proibição de acumular estende-se a cargos, empregos e funções em autarquias, fundações públicas, empresas públicas,
sociedades de economia mista da União, do Distrito Federal, dos Estados, dos Territórios e dos Municípios.
A proibição vale tanto para a administração direta quanto para a indireta.

7 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 23. ed. Rio de Janeiro: Lumen juris, 2010.

18
Regime Juridico Único
§ 2o  A acumulação de cargos, ainda que lícita, fica condicionada à comprovação da compatibilidade de horários.
Se o Estado pretende que o desempenho de atividade cumulada não gere prejuízo à função pública, correto que exija a compro-
vação de compatibilidade de horários;

§ 3o  Considera-se acumulação proibida a percepção de vencimento de cargo ou emprego público efetivo com proventos da
inatividade, salvo quando os cargos de que decorram essas remunerações forem acumuláveis na atividade.
Exterioriza-se, por exemplo, a proibição de que o agente se aposente do serviço público e continue o exercendo, recebendo apo-
sentadoria e salário.

Art. 119.  O servidor não poderá exercer mais de um cargo em comissão, exceto no caso previsto no parágrafo único do art. 9o,
nem ser remunerado pela participação em órgão de deliberação coletiva. 

Cargo em comissão é aquele que não exige aprovação em concurso público, sendo designado para o exercício por possuir um
vínculo de confiança com o superior. Somente é possível exercer 1, salvo interinamente. Da mesma forma, não cabe remuneração por
participar de órgão de deliberação coletiva.

Parágrafo único.  O disposto neste artigo não se aplica à remuneração devida pela participação em conselhos de administração
e fiscal das empresas públicas e sociedades de economia mista, suas subsidiárias e controladas, bem como quaisquer empresas ou
entidades em que a União, direta ou indiretamente, detenha participação no capital social, observado o que, a respeito, dispuser
legislação específica. 

O exercício de função em determinados conselhos de administração e fiscais aceita remuneração. Trata-se de exceção ao caput.

Art. 120.  O servidor vinculado ao regime desta Lei, que acumular licitamente dois cargos efetivos, quando investido em cargo
de provimento em comissão, ficará afastado de ambos os cargos efetivos, salvo na hipótese em que houver compatibilidade de horá-
rio e local com o exercício de um deles, declarada pelas autoridades máximas dos órgãos ou entidades envolvidos.
Se o servidor já cumular dois cargos efetivos e for investido de um cargo em comissão, ficará afastado dos cargos efetivos a não
ser que exista compatibilidade de horários e local com um deles, caso em que se afastará de somente um cargo efetivo.
“Os artigos 118 a 120 da lei nº 8.112/90 ao tratarem da acumulação de cargos e funções públicas, regulamentam, no âmbito
do serviço público federal a vedação genérica constante do art. 37, incisos VXI e XVII, da Constituição da República. De fato, a
acumulação ilícita de cargos públicos constitui uma das infrações mais comuns praticadas por servidores públicos, o que se constata
observando o elevado número de processos administrativos instaurados com esse objeto. O sistema adotado pela lei nº 8.112/90 é
relativamente brando, quando cotejado com outros estatutos de alguns Estados, visto que propicia ao servidor incurso nessa ilicitude
diversas oportunidades para regularizar sua situação e escapar da pena de demissão. Também prevê a lei em comentário, um processo
administrativo simplificado (processo disciplinar de rito sumário) para a apuração dessa infração – art. 133” 8.

CAPÍTULO IV
DAS RESPONSABILIDADES

Art. 121.  O servidor responde civil, penal e administrativamente pelo exercício irregular de suas atribuições.
Segundo Carvalho Filho9, “a responsabilidade se origina de uma conduta ilícita ou da ocorrência de determinada situação fática
prevista em lei e se caracteriza pela natureza do campo jurídico em que se consuma. Desse modo, a responsabilidade pode ser civil,
penal e administrativa. Cada responsabilidade é, em princípio, independente da outra”.
É possível que o mesmo fato gere responsabilidade civil, penal e administrativa, mas também é possível que este gere apenas uma
ou outra espécie de responsabilidade. Daí o fato das responsabilidades serem independentes: o mesmo fato pode gerar a aplicação de
qualquer uma delas, cumulada ou isoladamente.

Art. 122.  A responsabilidade civil decorre de ato omissivo ou comissivo, doloso ou culposo, que resulte em prejuízo ao erário
ou a terceiros.
§ 1o  A indenização de prejuízo dolosamente causado ao erário somente será liquidada na forma prevista no art. 46, na falta de
outros bens que assegurem a execução do débito pela via judicial.
§ 2o  Tratando-se de dano causado a terceiros, responderá o servidor perante a Fazenda Pública, em ação regressiva.
§ 3o  A obrigação de reparar o dano estende-se aos sucessores e contra eles será executada, até o limite do valor da herança
recebida.
8 MORGATO, Almir. O Regime Disciplinar dos Servidores Públicos da União. Disponível em: <http://www.canaldosconcursos.
com.br/artigos/almirmorgado_artigo1.pdf>. Acesso em: 11 ago. 2013.
9 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 23. ed. Rio de Janeiro: Lumen juris, 2010.

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Regime Juridico Único
O instituto da responsabilidade civil é parte integrante do direito obrigacional, uma vez que a principal consequência da prática
de um ato ilícito é a obrigação que gera para o seu auto de reparar o dano, mediante o pagamento de indenização que se refere às per-
das e danos. Afinal, quem pratica um ato ou incorre em omissão que gere dano deve suportar as consequências jurídicas decorrentes,
restaurando-se o equilíbrio social.10
A responsabilidade civil, assim, difere-se da penal, podendo recair sobre os herdeiros do autor do ilícito até os limites da he-
rança, embora existam reflexos na ação que apure a responsabilidade civil conforme o resultado na esfera penal (por exemplo, uma
absolvição por negativa de autoria impede a condenação na esfera cível, ao passo que uma absolvição por falta de provas não o faz).
Genericamente, os elementos da responsabilidade civil se encontram no art. 186 do Código Civil: “aquele que, por ação ou
omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato
ilícito”. Este é o artigo central do instituto da responsabilidade civil, que tem como elementos: ação ou omissão voluntária (agir como
não se deve ou deixar de agir como se deve), culpa ou dolo do agente (dolo é a vontade de cometer uma violação de direito e culpa é
a falta de diligência), nexo causal (relação de causa e efeito entre a ação/omissão e o dano causado) e dano (dano é o prejuízo sofrido
pelo agente, que pode ser individual ou coletivo, moral ou material, econômico e não econômico).
Prevê o artigo 37, §6° da Constituição Federal:

As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que
seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou
culpa.
Este artigo deixa clara a formação de uma relação jurídica autônoma entre o Estado e o agente público que causou o dano no de-
sempenho de suas funções. Nesta relação, a responsabilidade civil será subjetiva, ou seja, caberá ao Estado provar a culpa do agente
pelo dano causado, ao qual foi anteriormente condenado a reparar. Direito de regresso é justamente o direito de acionar o causador
direto do dano para obter de volta aquilo que pagou à vítima, considerada a existência de uma relação obrigacional que se forma entre
a vítima e a instituição que o agente compõe.
Assim, o Estado responde pelos danos que seu agente causar aos membros da sociedade, mas se este agente agiu com dolo ou
culpa deverá ressarcir o Estado do que foi pago à vítima. O agente causará danos ao praticar condutas incompatíveis com o compor-
tamento ético dele esperado.11
A responsabilidade civil do servidor exige prévio processo administrativo disciplinar no qual seja assegurado contraditório e
ampla defesa.
Trata-se de responsabilidade civil subjetiva ou com culpa. Havendo ação ou omissão com culpa do servidor que gere dano ao
erário (Administração) ou a terceiro (administrado), o servidor terá o dever de indenizar.

Art. 123.  A responsabilidade penal abrange os crimes e contravenções imputadas ao servidor, nessa qualidade.
A responsabilidade penal do servidor decorre de uma conduta que a lei penal tipifique como infração penal, ou seja, como crime
ou contravenção penal.
O servidor poderá ser responsabilizado apenas penalmente, uma vez que somente caberá responsabilização civil se o ato tiver
causado prejuízo ao erário (elemento dano).
Os crimes contra a Administração Pública se encontram nos artigos 312 a 326 do Código Penal, mas existem outros crimes
espalhados pela legislação específica.
Art. 124.  A responsabilidade civil-administrativa resulta de ato omissivo ou comissivo praticado no desempenho do cargo ou
função.
Quando o servidor pratica um ilícito administrativo, a ele é atribuída responsabilidade administrativa. O ilícito pode verificar-se
por conduta comissiva ou omissiva e os fatos que o configuram são os previstos na legislação estatutária. Por exemplo, as sanções
aplicadas pela Comissão de Ética por violação ao Decreto n° 1.171/94 são administrativas.

Art. 125.  As sanções civis, penais e administrativas poderão cumular-se, sendo independentes entre si.
Se as responsabilidades se cumularem, também as sanções serão cumuladas. Daí afirmar-se que tais responsabilidades são inde-
pendentes, ou seja, não dependem uma da outra.

Art. 126.  A responsabilidade administrativa do servidor será afastada no caso de absolvição criminal que negue a existência
do fato ou sua autoria.
Determinadas decisões na esfera penal geram exclusão da responsabilidade nas esferas civil e administrativa, quais sejam: absol-
vição por inexistência do fato ou negativa de autoria. A absolvição criminal por falta de provas não gera exclusão da responsabilidade
civil e administrativa.
10 GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabilidade Civil. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2005.
11 SPITZCOVSKY, Celso. Direito Administrativo. 13. ed. São Paulo: Método, 2011.

20
Regime Juridico Único
A absolvição proferida na ação penal, em regra, nada prejudica a pretensão de reparação civil do dano ex delicto, conforme
artigos 65, 66 e 386, IV do CPP: “art. 65. Faz coisa julgada no cível a sentença penal que reconhecer ter sido o ato praticado em
estado de necessidade, em legítima defesa, em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito” (excludentes
de antijuridicidade); “art. 66. não obstante a sentença absolutória no juízo criminal, a ação civil poderá ser proposta quando não
tiver sido, categoricamente, reconhecida a inexistência material do fato”; “art. 386, IV –  estar provado que o réu não concorreu
para a infração penal”.
Entendem Fuller, Junqueira e Machado12: “a absolvição dubitativa (motivada por juízo de dúvida), ou seja, por falta de provas,
(art. 386, II, V e VII, na nova redação conferida ao CPP), não empresta qualquer certeza ao âmbito da jurisdição civil, restando into-
cada a possibilidade de, na ação civil de conhecimento, ser provada e reconhecida a existência do direito ao ressarcimento, de acordo
com o grau de cognição e convicção próprios da seara civil (na esfera penal, a decisão de condenação somente pode ser lastreada em
juízo de certeza, tendo em vista o princípio constitucional do estado de inocência)”.

Art. 126-A. Nenhum servidor poderá ser responsabilizado civil, penal ou administrativamente por dar ciência à autoridade su-
perior ou, quando houver suspeita de envolvimento desta, a outra autoridade competente para apuração de informação concernente
à prática de crimes ou improbidade de que tenha conhecimento, ainda que em decorrência do exercício de cargo, emprego ou função
pública.
Este dispositivo visa garantir que os servidores públicos denunciem os servidores hierarquicamente superiores. Afinal, todos
teriam receio de denunciar se pudessem ser responsabilizados civil, penal ou administrativamente por tal denúncia caso no curso da
apuração se verificasse que ela não procedia.
CAPÍTULO V
DAS PENALIDADES

Art. 127.  São penalidades disciplinares:


I - advertência;
II - suspensão;
III - demissão;
IV - cassação de aposentadoria ou disponibilidade;
V - destituição de cargo em comissão;
VI - destituição de função comissionada.
A advertência é a pena mais leve, um aviso de que o funcionário se portou de forma inadequada e de que isso não deve se repetir.
A suspensão é uma sanção intermediária, fazendo com que o funcionário deixe de desempenhar o cargo por certo período. Na de-
missão, o funcionário não mais exercerá o cargo, sendo assim sanção mais grave. Outras sanções são cassação da aposentadoria ou
disponibilidade, destituição do cargo em comissão, destituição da função comissionada.

Art. 128.  Na aplicação das penalidades serão consideradas a natureza e a gravidade da infração cometida, os danos que dela
provierem para o serviço público, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e os antecedentes funcionais.
Parágrafo único.  O ato de imposição da penalidade mencionará sempre o fundamento legal e a causa da sanção disciplinar. 
De forma fundamentada, justificada, se escolherá por uma ou outra sanção, conforme a gravidade do ato praticado.

Art. 129.  A advertência será aplicada por escrito, nos casos de violação de proibição constante do art. 117, incisos I a VIII
e XIX, e de inobservância de dever funcional previsto em lei, regulamentação ou norma interna, que não justifique imposição de
penalidade mais grave.

Vide comentários aos incisos I a VII e XIX do art. 117. A norma é genérica, envolvendo ainda qualquer outra violação de dever
funcional que não exija sanção mais grave.

Art. 130.  A suspensão será aplicada em caso de reincidência das faltas punidas com advertência e de violação das demais
proibições que não tipifiquem infração sujeita a penalidade de demissão, não podendo exceder de 90 (noventa) dias.

A suspensão é uma sanção administrativa intermediária, aplicável se as práticas sujeitas a advertência se repetirem ou em caso
de infração grave que ainda assim não gere pena de demissão.
§ 1o  Será punido com suspensão de até 15 (quinze) dias o servidor que, injustificadamente, recusar-se a ser submetido a inspe-
ção médica determinada pela autoridade competente, cessando os efeitos da penalidade uma vez cumprida a determinação.
12 FULLER, Paulo Henrique Aranda; JUNQUEIRA, Gustavo Octaviano Diniz; MACHADO, Angela C. Cangiano. Processo
Penal. 9. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2010. (Coleção Elementos do Direito)

21
Regime Juridico Único
Trata-se de hipótese específica em que será aplicada suspensão.
§ 2o  Quando houver conveniência para o serviço, a penalidade de suspensão poderá ser convertida em multa, na base de 50%
(cinquenta por cento) por dia de vencimento ou remuneração, ficando o servidor obrigado a permanecer em serviço.

Se for inconveniente para a administração pública abrir mão do servidor, poderá multá-lo em 50% de seu vencimento/remunera-
ção diário pelo número de dias de suspensão. O servidor não poderá se recusar a permanecer em serviço.
Art. 131.  As penalidades de advertência e de suspensão terão seus registros cancelados, após o decurso de 3 (três) e 5 (cin-
co) anos de efetivo exercício, respectivamente, se o servidor não houver, nesse período, praticado nova infração disciplinar.

Parágrafo único.  O cancelamento da penalidade não surtirá efeitos retroativos.

O bom comportamento posterior do servidor faz com que o registro de advertência (após 3 anos) ou suspensão (após 5 anos) seja
apagado de seu registro, o que não significa que o servidor poderá requerer, por exemplo, o pagamento referente aos dias que ficou
suspenso.

Art. 132.  A demissão será aplicada nos seguintes casos:


I - crime contra a administração pública;
Artigos 312 a 326 do Código Penal.

II - abandono de cargo;
III - inassiduidade habitual;
Deixar totalmente de exercer o cargo ou faltar em excesso.

IV - improbidade administrativa;
Atos descritos na Lei n° 8.429/92.

V - incontinência pública e conduta escandalosa, na repartição;


Ausência de discrição no exercício das funções.

VI - insubordinação grave em serviço;


Violação grave do dever de obediência hierárquica.

VII - ofensa física, em serviço, a servidor ou a particular, salvo em legítima defesa própria ou de outrem;
Ofensa física a servidor ou administrado que não para se defender.

VIII - aplicação irregular de dinheiros públicos;


IX - revelação de segredo do qual se apropriou em razão do cargo;
X - lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional;
XI - corrupção;
XII - acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas;
Na verdade, são atos de improbidade administrativa, então nem precisariam ser mencionados.

XIII - transgressão dos incisos IX a XVI do art. 117.


Vide comentários aos incisos IX a XVI do art. 117.

Art. 133.  Detectada a qualquer tempo a acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas, a autoridade a que se
refere o art. 143 notificará o servidor, por intermédio de sua chefia imediata, para apresentar opção no prazo improrrogável de dez
dias, contados da data da ciência e, na hipótese de omissão, adotará procedimento sumário para a sua apuração e regularização
imediata, cujo processo administrativo disciplinar se desenvolverá nas seguintes fases:
I - instauração, com a publicação do ato que constituir a comissão, a ser composta por dois servidores estáveis, e simultanea-
mente indicar a autoria e a materialidade da transgressão objeto da apuração;
II - instrução sumária, que compreende indiciação, defesa e relatório; 
III - julgamento.
§ 1o  A indicação da autoria de que trata o inciso I dar-se-á pelo nome e matrícula do servidor, e a materialidade pela descrição
dos cargos, empregos ou funções públicas em situação de acumulação ilegal, dos órgãos ou entidades de vinculação, das datas de
ingresso, do horário de trabalho e do correspondente regime jurídico.

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Regime Juridico Único
§ 2o  A comissão lavrará, até três dias após a publicação do ato que a constituiu, termo de indiciação em que serão transcritas
as informações de que trata o parágrafo anterior, bem como promoverá a citação pessoal do servidor indiciado, ou por intermédio
de sua chefia imediata, para, no prazo de cinco dias, apresentar defesa escrita, assegurando-se-lhe vista do processo na repartição,
observado o disposto nos arts. 163 e 164.
§ 3o  Apresentada a defesa, a comissão elaborará relatório conclusivo quanto à inocência ou à responsabilidade do servidor, em
que resumirá as peças principais dos autos, opinará sobre a licitude da acumulação em exame, indicará o respectivo dispositivo legal
e remeterá o processo à autoridade instauradora, para julgamento.
§ 4o  No prazo de cinco dias, contados do recebimento do processo, a autoridade julgadora proferirá a sua decisão, aplicando-
-se, quando for o caso, o disposto no § 3o do art. 167.
§ 5o  A opção pelo servidor até o último dia de prazo para defesa configurará sua boa-fé, hipótese em que se converterá auto-
maticamente em pedido de exoneração do outro cargo.
§ 6o  Caracterizada a acumulação ilegal e provada a má-fé, aplicar-se-á a pena de demissão, destituição ou cassação de
aposentadoria ou disponibilidade em relação aos cargos, empregos ou funções públicas em regime de acumulação ilegal, hipótese em
que os órgãos ou entidades de vinculação serão comunicados. 
§ 7o  O prazo para a conclusão do processo administrativo disciplinar submetido ao rito sumário não excederá trinta dias, contados
da data de publicação do ato que constituir a comissão, admitida a sua prorrogação por até quinze dias, quando as circunstâncias o
exigirem.
§ 8o  O procedimento sumário rege-se pelas disposições deste artigo, observando-se, no que lhe for aplicável, subsidiariamente,
as disposições dos Títulos IV e V desta Lei.
O artigo descreve o procedimento em caso de violação do dever de não acumular cargos ilicitamente. No início, o servidor será
notificado para se manifestar optando por um cargo. Se ficar omisso ou se recusar fazer a opção, será instaurado processo admi-
nistrativo disciplinar. Nele, o servidor poderá apresentar defesa no sentido de ser lícita a cumulação. Mas até o último dia do prazo
para defesa o servidor poderá optar por um caso, caso em que o procedimento se converterá em pedido de exoneração do cargo não
escolhido, presumindo-se a boa-fé do servidor.

Art. 134.  Será cassada a aposentadoria ou a disponibilidade do inativo que houver praticado, na atividade, falta punível com
a demissão.
Supondo que o servidor tenha praticado ato punível com demissão e, sabendo disso, se demita. Isso não evitará que sua aposen-
tadoria seja cassada, assim como ele seria demitido se no exercício das funções.

Art. 135.  A destituição de cargo em comissão exercido por não ocupante de cargo efetivo será aplicada nos casos de infração
sujeita às penalidades de suspensão e de demissão.
Parágrafo único.  Constatada a hipótese de que trata este artigo, a exoneração efetuada nos termos do art. 35 será convertida
em destituição de cargo em comissão.
Logo, a destituição do cargo em comissão por quem não ocupe um cargo efetivo é aplicável quando o comissionado aplicar não
só os atos sujeitos à pena de demissão, mas também os sujeitos à pena de suspensão.

Art. 136.  A demissão ou a destituição de cargo em comissão, nos casos dos incisos IV, VIII, X e XI do art. 132, implica a indis-
ponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, sem prejuízo da ação penal cabível.
Nos casos de demissão e destituição do cargo em comissão, os bens ficarão indisponíveis para o ressarcimento do prejuízo sofri-
do pelo Estado, cabendo ainda ação penal própria.

Art. 137.  A demissão ou a destituição de cargo em comissão, por infringência do art. 117, incisos IX e XI, incompatibiliza o
ex-servidor para nova investidura em cargo público federal, pelo prazo de 5 (cinco) anos.
O ex-servidor que tenha se valido do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da função
pública ou que tenha  atuado como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo em hipóteses específicas, não
poderá ser investido em cargo público federal pelo prazo de 5 anos.

Parágrafo único.  Não poderá retornar ao serviço público federal o servidor que for demitido ou destituído do cargo em comis-
são por infringência do art. 132, incisos I, IV, VIII, X e XI.
Vide incisos I, IV, VIII, X e XI do artigo 132. Nestes casos, não caberá jamais retorno ao serviço público federal, diante da gra-
vidade dos atos praticados.

23
Regime Juridico Único
Art. 138.  Configura abandono de cargo a ausência intencional do servidor ao serviço por mais de trinta dias consecutivos.
Conceito de abandono de cargo: ausência intencional por mais de 30 dias seguidos. Gera pena de demissão.

Art. 139.  Entende-se por inassiduidade habitual a falta ao serviço, sem causa justificada, por sessenta dias, interpoladamente,
durante o período de doze meses.
Conceito de inassiduidade habitual, que também gera demissão: ausência por 60 dias num período de 12 meses de forma injus-
tificada.

Art. 140.  Na apuração de abandono de cargo ou inassiduidade habitual, também será adotado o procedimento sumário a que
se refere o art. 133, observando-se especialmente que: 
I - a indicação da materialidade dar-se-á: 
a) na hipótese de abandono de cargo, pela indicação precisa do período de ausência intencional do servidor ao serviço superior
a trinta dias; 
b) no caso de inassiduidade habitual, pela indicação dos dias de falta ao serviço sem causa justificada, por período igual ou
superior a sessenta dias interpoladamente, durante o período de doze meses;
II - após a apresentação da defesa a comissão elaborará relatório conclusivo quanto à inocência ou à responsabilidade do
servidor, em que resumirá as peças principais dos autos, indicará o respectivo dispositivo legal, opinará, na hipótese de abandono
de cargo, sobre a intencionalidade da ausência ao serviço superior a trinta dias e remeterá o processo à autoridade instauradora
para julgamento.
Por indicação de materialidade, entenda-se demonstração do fato. É preciso indicar especificamente os dias faltados.
Adota-se o procedimento do art. 133.
Art. 141.  As penalidades disciplinares serão aplicadas:
I - pelo Presidente da República, pelos Presidentes das Casas do Poder Legislativo e dos Tribunais Federais e pelo Procurador-
-Geral da República, quando se tratar de demissão e cassação de aposentadoria ou disponibilidade de servidor vinculado ao res-
pectivo Poder, órgão, ou entidade;
II - pelas autoridades administrativas de hierarquia imediatamente inferior àquelas mencionadas no inciso anterior quando se
tratar de suspensão superior a 30 (trinta) dias;
III - pelo chefe da repartição e outras autoridades na forma dos respectivos regimentos ou regulamentos, nos casos de advertên-
cia ou de suspensão de até 30 (trinta) dias;
IV - pela autoridade que houver feito a nomeação, quando se tratar de destituição de cargo em comissão.
Presidente da República/Presidentes da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal/Presidentes dos Tribunais Federais - TRF,
TRE, TRT, TSE, TST, STJ e STF/Procurador-Geral da República - demissão ou cassação de aposentadoria/disponibilidade do servi-
dor vinculado ao órgão (sanções mais graves).
Autoridade administrativa de hierarquia imediatamente inferior às do inciso I - suspensão por mais de 30 dias (sanção de suspen-
são, de gravidade intermediária, por maior período).
Chefe da repartição e outras autoridades previstas no regulamento - advertência e suspensão inferior a 30 dias (sanção de suspen-
são, de gravidade intermediária, por menor período).
Autoridade que houver feito a nomeação, em qualquer cargo de comissão, independente da pena.

Art. 142.  A ação disciplinar prescreverá:


I - em 5 (cinco) anos, quanto às infrações puníveis com demissão, cassação de aposentadoria ou disponibilidade e destituição
de cargo em comissão;
II - em 2 (dois) anos, quanto à suspensão;
III - em 180 (cento e oitenta) dias, quanto á advertência.
§ 1o  O prazo de prescrição começa a correr da data em que o fato se tornou conhecido.
§ 2o  Os prazos de prescrição previstos na lei penal aplicam-se às infrações disciplinares capituladas também como crime.
§ 3o  A abertura de sindicância ou a instauração de processo disciplinar interrompe a prescrição, até a decisão final proferida por
autoridade competente.
§ 4o  Interrompido o curso da prescrição, o prazo começará a correr a partir do dia em que cessar a interrupção.
Prescrição é um instituto que visa regular a perda do direito de acionar judicialmente.
No caso, o prazo é de 5 anos para as infrações mais graves, 2 para as de gravidade intermediária (pena de suspensão) e 180 dias
para as menos graves (pena de advertência) - Contados da data em que o fato se tornou conhecido pela administração pública.
Se a infração disciplinar for crime, valerão os prazos prescricionais do direito penal, mais longos, logo, menos favoráveis ao
servidor.
Interrupção da prescrição significa parar a contagem do prazo para que, retornando, comece do zero. Da abertura da sindicância
ou processo administrativo disciplinar até a decisão final proferida por autoridade competente não corre a prescrição. Proferida a
decisão, o prazo começa a contar do zero. Passado o prazo, não caberá mais propor ação disciplinar.

24
Regime Juridico Único
O SERVIDOR PÚBLICO COMO
AGENTE DE DESENVOLVIMENTO
SOCIAL; SAÚDE E QUALIDADE
DE VIDA NO SERVIÇO PÚBLICO.

A Lei n° 8.112/90 que estabelece o regime jurídico único dos servidores públicos federais possui diversos aspectos relacionados
à ética no serviço público, notadamente ao estabelecer quais são as atitudes esperadas dos servidores públicos e ao trazer direitos para
que estes desempenhem suas funções sem que se prejudique sua saúde e seu bem-estar.
A ética está presente em todas as esferas da vida de um indivíduo e da sociedade que ele compõe e é fundamental para a manu-
tenção da paz social que todos os cidadãos (ou ao menos grande parte deles) obedeçam os ditames éticos consolidados. A obediência
à ética não deve se dar somente no âmbito da vida particular, mas também na atuação profissional, principalmente se tal atuação se
der no âmbito estatal.
O Estado é a forma social mais abrangente, a sociedade de fins gerais que permite o desenvolvimento, em seu seio, das indivi-
dualidades e das demais sociedades, chamadas de fins particulares. O Estado, como pessoa, é uma ficção, é um arranjo formulado
pelos homens para organizar a sociedade de disciplinar o poder visando que todos possam se realizar em plenitude, atingindo suas
finalidades particulares.
O Estado tem um valor ético, de modo que sua atuação deve se guiar pela moral idônea. Mas não é propriamente o Estado que
é aético, porque ele é composto por homens. Assim, falta ética ou não aos homens que o compõem. Ou seja, o bom comportamento
profissional do funcionário público é uma questão ligada à ética no serviço público, pois se os homens que compõem a estrutura do
Estado tomam uma atitude correta perante os ditames éticos há uma ampliação e uma consolidação do valor ético do Estado.
Alguns cidadãos recebem poderes e funções específicas dentro da administração pública, passando a desempenhar um papel de
fundamental interesse para o Estado. Quando estiver nesta condição, mais ainda, será exigido o respeito à ética. Afinal, o Estado é
responsável pela manutenção da sociedade, que espera dele uma conduta ilibada e transparente. Quando uma pessoa é nomeada como
servidor público, passa a ser uma extensão daquilo que o Estado representa na sociedade, devendo, por isso, respeitar ao máximo
todos os consagrados preceitos éticos.
Não obstante, todo o regramento estatal deve garantir a estes funcionários públicos o bom desempenho de suas funções, preser-
vando a qualidade de vida e a saúde dos funcionários que atuam representando o ente estatal. Logo, ao lado de deveres devem apare-
cer direitos, sendo que estes direitos funcionam como incentivo para o melhor desempenho dos deveres, garantindo uma otimização
na contribuição para o desenvolvimento social.
Percebe-se que os assuntos propostos para estudo neste tópico ligam-se diretamente ao conteúdo até aqui estudado e também um
com o outro.
Aprofundando o estudo, desenvolvimento social consiste na evolução dos componentes da sociedade (capital humano) e na ma-
neira como estes se relacionam (capital social). Em outras palavras, é a melhoria da sociedade em que vivemos para toda a população.
Todo o conceito de desenvolvimento social se relaciona com uma ideia consolidada nas premissas do Humanismo que é a de
preservação do bem comum social. Maritain13, tradicional filósofo humanista, ressaltou que o fim da sociedade é o seu bem comum
e que esse bem comum é o das pessoas humanas, que compõem a sociedade. Assim, ele apontou as características essenciais do bem
comum: redistribuição, pela qual o bem comum deve ser redistribuído às pessoas e colaborar para o desenvolvimento delas; respeito
à autoridade na sociedade, pois a autoridade é necessária para conduzir a comunidade de pessoas humanas para o bem comum; mo-
ralidade, que constitui a retidão de vida, sendo a justiça e a retidão moral elementos essenciais do bem comum.
Desenvolvimento social não se dá por si só, é preciso que o Estado tome providências para que ele ocorra, notadamente por
políticas públicas que consolidem as premissas da igualdade material: tratando de maneira igual os que se encontram nas mesmas
condições e de maneira diversa os que não se encontram.

No âmbito do Poder Executivo há um ministério específico que controla o desenvolvimento social, embora políticas voltadas a
ele se encontrem espalhadas por toda a estrutura governamental. O Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome coor-
dena inúmeras iniciativas voltadas ao desenvolvimento social: acesso à informação, Brasil sem miséria, segurança alimentar, bolsa
família, entre outras.14 Contudo, a principal iniciativa voltada ao desenvolvimento social para os fins do concurso em questão é a da
assistência social, descrita pelo Ministério nos seguintes termos:
13 MARITAIN, Jacques. Os direitos do homem e a lei natural. 3. ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1967.
14 http://www.mds.gov.br/

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Regime Juridico Único
“A assistência social, política pública não contributiva, é dever do Estado e direto de todo cidadão que dela necessitar. Entre os
principais pilares da assistência social no Brasil estão a Constituição Federal de 1988, que dá as diretrizes para a gestão das polí-
ticas públicas, e a Lei Orgânica da Assistência Social (Loas), de 1993, que estabelece os objetivos, princípios e diretrizes das ações.
A Loas determina que a assistência social seja organizada em um sistema descentralizado e participativo, composto pelo poder
público e pela sociedade civil. A IV Conferência Nacional de Assistência Social deliberou, então, a implantação do Sistema Único
de Assistência Social (Suas). Cumprindo essa deliberação, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) im-
plantou o Suas, que passou a articular meios, esforços e recursos para a execução dos programas, serviços e benefícios socioassis-
tenciais.
O Suas organiza a oferta da assistência social em todo o Brasil, promovendo bem-estar e proteção social a famílias, crianças,
adolescentes e jovens, pessoas com deficiência, idosos – enfim, a todos que dela necessitarem. As ações são baseadas nas orientações
da nova Política Nacional de Assistência Social (PNAS), aprovada pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) em 2004. 
A gestão das ações socioassistenciais segue o previsto na Norma Operacional Básica do Suas (NOB/Suas), que disciplina a
descentralização administrativa do Sistema, a relação entre as três esferas do Governo e as formas de aplicação dos recursos pú-
blicos. Entre outras determinações, a NOB reforça o papel dos fundos de assistência social como as principais instâncias para o
financiamento da PNAS.
A gestão da assistência social brasileira é acompanhada e avaliada tanto pelo poder público quanto pela sociedade civil, igual-
mente representados nos conselhos nacional do Distrito Federal, estaduais e municipais de assistência social. Esse controle social
consolida um modelo de gestão transparente em relação às estratégias e à execução da política.
A transparência e a universalização dos acessos aos programas, serviços e benefícios socioassistenciais, promovidas por esse
modelo de gestão descentralizada e participativa, vem consolidar, definitivamente, a responsabilidade do Estado brasileiro no en-
frentamento da pobreza e da desigualdade, com a participação complementar da sociedade civil organizada, através de movimentos
sociais e entidades de assistência social”.
A respeito da Assistência Social, explica Tavares15: “a fim de atender à demanda por prestações materiais trabalhistas, de saúde,
previdência e educação, as Constituições passaram a atribuir ao Estado a responsabilidade pelo fornecimento de serviços públicos, o
que conduziu a uma inflação normativa nem sempre acompanhada de mecanismos eficazes de garantia dos direitos sociais declara-
dos, além do inchaço da estrutura administrativa estatal”.
Nesta linha, afirma Couto16: “compõe o direito social a ideia de que as dificuldades enfrentadas pelos homens para viver com
dignidade serão assumidas coletivamente pela sociedade, com supremacia da responsabilidade de cobertura do Estado, que deverá
criar um sistema institucional capaz de dar conta dessas demandas”.
Logo, a assistência social é uma atividade tipicamente voltada ao desenvolvimento social e à promoção do bem comum em so-
ciedade. Por isso, o funcionário público que se vincule ao serviço social desempenhará funções diretamente ligadas à promoção do
desenvolvimento social.
Por outro lado, bem se sabe que há um inchaço na assistência social devido aos inúmeros pedidos de benefícios sociais, de tal
forma que a previdência acaba pagando muito mais do que recebe. As situações de conflito que podem surgir em meio a este impasse
tendem a deixar o funcionário público sem fé quanto ao papel social de suas funções.
É preciso garantir ao funcionário público saúde e qualidade de vida no desempenho de suas atividades, posto que sem isto ele
se verá desmotivado a fazê-lo de maneira efetiva, o que prejudica diretamente sua contribuição para o desenvolvimento social. Para
tanto, a legislação anteriormente estudada garante um rol de direitos a este servidor, os quais devem ser respeitados.

EXERCÍCIOS

1. (FGV - 2010 - PC-AP - Delegado de Polícia) Parte superior do formulário

Com relação à responsabilidade civil, penal e administrativa decorrente do exercício do cargo, emprego ou função pública, ana-
lise as afirmativas a seguir:
I. O funcionário público, condenado na esfera criminal, poderá ser absolvido na esfera civil e administrativa, prevalecendo a
regra da independência entre as instâncias. 
II. A absolvição judicial do servidor público repercute na esfera administrativa se negar a existência do fato ou excluí-lo da con-
dição de autor do fato. 
III. A Administração Pública pode demitir funcionário público por corrupção passiva antes de transitado em julgado da sentença
penal condenatória. 
15 TAVARES, Marcelo Leonardo. Previdência e Assistência Social: Legitimação e Fundamentação Constitucional Brasileira.
Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2003.
16 COUTO, Berenice Rojas. O Direito Social e a Assistência Social na Sociedade Brasileira: Uma Equação Possível? 2. ed. São
Paulo: Cortez, 2006.

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Regime Juridico Único
IV. A absolvição do servidor público, em ação penal transitada em julgado, por não provada a autoria, implica a impossibilidade
de aplicação de pena disciplinar administrativa, porém permite a ação regressiva civil para ressarcimento de dano ao erário. 
Assinale:
a) se somente a afirmativa I estiver correta.
b) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
c) se somente as afirmativas II e IV estiverem corretas.
d) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.
e) se todas as afirmativas estiverem corretas.
Parte inferior do formulário
R: D. I está incorreta porque a condenação na esfera criminal é dotada de tal força que não faria sentido a absolvição na esfera
cível e administrativa, que requerem menor arcabouço probatório para a condenação; II está correta porque as absolvições criminais
por negativa da autoria ou inexistência do fato geram necessariamente absolvição cível e administrativa; III está correta porque a pena
de demissão pode ser aplicada antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória ao final do processo administrativo dis-
ciplinar, que corre de maneira independente; IV está incorreta porque no exemplo também se dá exclusão da responsabilidade civil.

2. (FGV - 2011 - TRE-PA - Analista Judiciário) Parte superior do formulário


O servidor público federal é sujeito à disciplina legal diferenciada dos trabalhadores da iniciativa privada. 
O regime disciplinar do servidor público federal determina que 
a) a advertência será aplicada por escrito no caso de o servidor aceitar comissão, emprego ou pensão de Estado estrangeiro.
b) a demissão será aplicada nos casos de falta injustificada por mais de trinta dias interpolados, acumulação ilegal de cargos,
empregos ou funções públicas, corrupção e improbidade administrativa, entre outros.
c) a demissão ou a destituição de cargo em comissão em virtude de corrupção implica a indisponibilidade dos bens e o ressarci-
mento ao erário.
d) a punição para o servidor que injustificadamente se recusar a ser submetido à inspeção médica determinada por autoridade
competente é a suspensão por trinta dias, que pode ser convertida em multa.
e) a responsabilidade administrativa do servidor não será afastada no caso de absolvição criminal.
Parte inferior do formulário
R: C. Preconiza do artigo 136 da Lei n° 8.112/90: “a demissão ou a destituição de cargo em comissão, nos casos dos incisos IV,
VIII, X e XI do artigo 132, implica a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, sem prejuízo da ação penal cabível”. Por
sua vez, a corrupção está descrita no inciso do XI artigo 132.

3. (FCC - 2012 - TRT - 1ª REGIÃO - Juiz do Trabalho) De acordo com as disposições da Lei nº 8.112/90, a alternativa que apre-
senta a correlação correta é:

a) Conduta de servidor público - inassiduidade habitual = Sanção aplicável - demissão


b) Conduta de servidor público - manter sob sua chefia imediata, em função de confiança, cônjuge ou parente até o segundo grau
= Sanção aplicável - demissão
c) Conduta de servidor público - cometer à pessoa que não integra a repartição, fora dos casos previstos em lei, o desempenho
de atribuição de sua responsabilidade = Sanção aplicável - suspensão
d) Conduta de servidor público - coagir subordinado a filiar-se a sindicato = Sanção aplicável - demissão
e) Conduta de servidor público - participar de gerência ou administração de sociedade privada = Sanção aplicável - demissão e
inabilitação para investidura em novo cargo público pelo prazo de 5 anos
R: A. Nos termos do art. 132, “a demissão será aplicada nos seguintes casos: [...] III - inassiduidade habitual [...]”.

4. (VUNESP - 2011 - TJM-SP - Oficial de Justiça) Extingue-se a punibilidade pela prescrição da falta sujeita à pena de:
a) repreensão, demissão e suspensão, em 4 (quatro) anos.
b) demissão e de cassação da aposentadoria, em 10 (dez) anos.
c) advertência, suspensão ou multa, em 2 (dois) anos.
d) repreensão, expulsão ou multa, em 5 (cinco) anos.
e) repreensão, suspensão ou multa, em 2 (dois) anos.
R: E. Prevê o art. 142: “a ação disciplinar prescreverá: I - em 5 (cinco) anos, quanto às infrações puníveis com demissão, cassação
de aposentadoria ou disponibilidade e destituição de cargo em comissão; II - em 2 (dois) anos, quanto à suspensão; III - em 180 (cento
e oitenta) dias, quanto á advertência”.

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Regime Juridico Único
5. (CESPE - 2013 - TRE-MS - Analista Judiciário) No que se refere às vedações e penalidades previstas para o servidor público
federal, assinale a opção correta.
a) O servidor público federal não pode manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro
ou parente até o segundo grau civil, sob pena de sofrer pena de advertência.
b) O servidor penalizado com suspensão pode optar por converter a pena em multa, na base de 50% do salário por dia de venci-
mento ou remuneração e, assim, continuar trabalhando.
c) A pena máxima prevista para o servidor que proceder de forma desidiosa é a suspensão por cento e vinte dias.
d) É vedado ao servidor público federal exercer o comércio, inclusive na qualidade de acionista ou cotista.
e) A pena disciplinar para a acumulação ilegal de cargos públicos é a de suspensão.
R: A. Neste sentido: “Art. 117.  Ao servidor é proibido:  [...] VIII - manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de con-
fiança, cônjuge, companheiro ou parente até o segundo grau civil; [...] Art. 129.  A advertência será aplicada por escrito, nos casos
de violação de proibição constante do art. 117, incisos I a VIII e XIX, e de inobservância de dever funcional previsto em lei, regula-
mentação ou norma interna, que não justifique imposição de penalidade mais grave”.

6. (FGV - 2011 - SEFAZ-RJ) Parte superior do formulário


A respeito do regime de responsabilidade dos servidores públicos em âmbito federal, é correto afirmar que 
a) o servidor público responde penal e administrativamente pelo exercício irregular de suas atribuições, ao passo que a respon-
sabilidade civil é exclusiva da Administração Pública.
b) embora as instâncias penal e administrativa sejam independentes, a decisão penal absolutória por insuficiência de provas
vincula a instância administrativa.
c) as sanções administrativas não podem cumular-se com as sanções civis decorrentes de uma mesma infração funcional, sob
pena de bis in idem.
d) a ação disciplinar prescreve em 2 (dois) anos, seja qual for a natureza da infração administrativa cometida pelo servidor.
e) a responsabilidade do servidor será afastada no caso de absolvição criminal que negue a existência do fato ou sua autoria.
Parte inferior do formulário
R: E. Quando comprovada a inexistência do fato ou a negativa de autoria na esfera criminal, tradicionalmente reconhecida por
apurar com maior rigor e arcabouço probatório os fatos levados a seu conhecimento (em defesa do direito à liberdade e em respeito à
presunção de inocência), entende-se que uma esfera menos rigorosa não poderia afirmar o contrário. Somente cabe condenação cível
ou administrativa em caso de absolvição criminal quando esta se der por falta de provas.

7. (ESAF - 2012 - MF - Assistente Técnico - Administrativo) Assinale a opção que contenha o fundamento do dever de obediên-
cia do servidor público, disposto no inciso IV, art. 116 da Lei n. 8.112/90.
a) Publicidade.
b) Disciplina.
c) Hierarquia.
d) Moralidade.
e) Eficiência.
R: C. O dever de obediência envolve a obrigação de seguir ordens do seu superior hierárquico, desde que elas não sejam contrá-
rias à ética do serviço público, uma vez que a preservação das relações hierárquicas garante a organização dos serviços prestados e,
com isso, sua maior eficiência. Logo, tal dever liga-se ao fundamento da hierarquia.

8. (ESAF - 2012 - CGU - Analista de Finanças e Controle - prova 3 - Administrativa) Quanto à infração disciplinar e à prescrição
da ação disciplinar, é incorreto afirmar que
a) é de 5 (cinco) anos o prazo prescricional para as infrações puníveis com demissão, cassação de aposentadoria ou disponibili-
dade e destituição de cargo em comissão.
b) o marco inicial para o cômputo do prazo de prescrição é a data em que o fato ocorreu, independente de ter-se tornado conhe-
cido.
c) a contagem do prazo prescricional é interrompida pela abertura de sindicância ou instauração de processo disciplinar até a
decisão final proferida por autoridade competente.
d) interrompido o curso da prescrição, o prazo começará a correr a partir do dia em que cessar a interrupção.
e) os prazos de prescrição previstos na lei penal aplicam- se às infrações disciplinares capituladas também como crime.
R: B. O marco inicial para o cômputo do prazo de prescrição é a data em que o fato se torna conhecido, conforme artigo 142, §1º:
“o prazo de prescrição começa a correr da data em que o fato se tornou conhecido”.

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Regime Juridico Único
9. (FCC - 2012 - PGE-SP - Procurador) A greve no setor público é direito
a) exercitável por todos os servidores públicos, civis ou militares, observados os limites da Lei de greve aplicável aos trabalha-
dores do setor privado, até que seja suprida a omissão legislativa.
b) assegurado ao militar dos Estados, embora seja vedado aos membros do Exército.
c) também exercitável pelos servidores públicos em estágio probatório.
d) assegurado pelo STF, que garantiu o exercício do direito de greve do servidor público, observada a legislação aplicável aos
trabalhadores do setor privado, restringindo o exercício do direito, no entanto, aos contratados pelo regime da CLT.
e) garantido pelo legislador constitucional de forma não limitada, ressalvados apenas os serviços essenciais.
R: C. A greve é um direito do servidor público, previsto no inciso VII do artigo 37 da Constituição Federal de 1988, portanto,
trata-se de um direito constitucional. Nesse sentido já decidiu o Superior Tribunal de Justiça ao julgar o recurso no Mandado de
Segurança nº 2.677, que, em suas razões, aduziu que “o servidor público, independente da lei complementar, tem o direito público,
subjetivo, constitucionalizado de declarar greve”. Esse direito abrange o servidor público em estágio probatório, não podendo ser
penalizado pelo exercício de um direito constitucionalmente garantido.

10. (MPE-SP - 2012 - MPE-SP - Promotor de Justiça) É vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando
houver compatibilidade de horários, observado, em qualquer caso, o teto remuneratório do funcionalismo público, nas hipóteses de
acumulação de dois cargos de
a) professor; a de um cargo de professor com outro, técnico ou científico, e a de dois cargos ou empregos privativos de médicos.
b) professor; a de um cargo de professor com outro, técnico ou científico; a de dois cargos ou empregos privativos de profissio-
nais de saúde, com profissões regulamentadas.
c) professor; a de um cargo de professor com outro, cargo ou emprego privativo de profissionais de saúde, com profissões regu-
lamentadas; e a de dois cargos ou empregos privativos de médicos.
d) professor do ensino médio ou fundamental; a de um cargo de professor com outro, técnico ou científico; e a de dois cargos ou
empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões regulamentadas.
e) professor; a de dois cargos de professor com outro, técnico ou científico; e a de dois cargos ou empregos privativos de profis-
sionais de saúde, com profissões regulamentadas.
R: B. Nos termos do artigo 118 da Lei nº 8.112/90, “ressalvados os casos previstos na Constituição, é vedada a acumulação remu-
nerada de cargos públicos”. Os casos previstos na Constituição Federal se encontram em seu artigo 37, XVI: é vedada a acumulação
remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso
XI: a) a de dois cargos de professor; b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico; c) a de dois cargos ou empregos
privativos de profissionais de saúde, com profissões regulamentadas”.

11. (CESPE - 2010 - TRE-MT - Analista Judiciário - Tecnologia da Informação) No que diz respeito aos direitos e às vantagens
do servidor público consoante estabelece a Lei n.º 8.112/1990, assinale a opção correta.
a) Podem ser pagas ao servidor, além do vencimento, indenizações, como as diárias, que se incorporam ao vencimento conforme
estabelecido em lei.
b) O servidor que, a serviço, afastar-se da sede, em caráter eventual ou transitório, para outro ponto do território nacional fará jus
a ajuda de custo destinada a indenizar as parcelas de despesas com pousada, alimentação e locomoção urbana.
c) As gratificações e os adicionais incorporam-se ao vencimento, nos casos e nas condições indicados em lei.
d) Nada impede que o servidor exerça atividade remunerada durante o período da licença por motivo de doença em família.
e) O servidor pode receber simultaneamente o adicional de insalubridade e o adicional de periculosidade, desde que trabalhe com
habitualidade em locais insalubres ou em contato permanente com substâncias tóxicas, radioativas ou com risco de morte.
R: C. Neste sentido, é o artigo 49, §2º da Lei nº 8.112/90: “As gratificações e os adicionais incorporam-se ao vencimento ou
provento, nos casos e condições indicados em lei”.

12. (TRE/CE 2012 - FCC - Técnico Judiciário - Administrativa) Segundo o art. 104 da Lei no 8.112/1990 “é assegurado ao
servidor o direito de requerer aos Poderes Públicos, em defesa de direito ou interesse legítimo”. A respeito do Direito de Petição,
considere:
I. Cabe pedido de reconsideração à autoridade que houver expedido o ato ou proferido a primeira decisão, não podendo ser re-
novado.
II. Caberá das decisões sobre os recursos sucessivamente interpostos.
III. O direito de requerer prescreve em três anos quanto aos atos de demissão e de cassação de aposentadoria ou disponibilidade.
IV. Para o exercício do direito de petição, é assegurada vista do processo ou documento, na repartição, ao servidor ou a procu-
rador por ele constituído.

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Regime Juridico Único
Está correto o que se afirma APENAS em:
a) II e IV.
b) I e II.
c) III e IV.
d) I, II e III.
e) I, II e IV.
R: E. O item I está correto porque é o teor do artigo 106: “Cabe pedido de reconsideração à autoridade que houver expedido o ato
ou proferido a primeira decisão, não podendo ser renovado”. O item II está conforme o inciso II do artigo 107: “Caberá recurso: [...]
II - das decisões sobre os recursos sucessivamente interpostos”. O item IV segue o teor do artigo 113: “Para o exercício do direito de
petição, é assegurada vista do processo ou documento, na repartição, ao servidor ou a procurador por ele constituído”. Por sua vez, o
item III está incorreto porque o prazo prescricional do direito, neste caso, é de 5 anos (artigo 110, I).

13. (VUNESP - 2012 - SPTrans - Advogado Pleno - Administrativo) Sobre a responsabilidade dos servidores públicos, é correto
afirmar que
a) em face da presunção de inocência, garantida pela Constituição Federal, a Administração deve aguardar o desfecho de proces-
so criminal antes de proceder à punição disciplinar do servidor pela mesma falta.
b) a absolvição criminal afastará o ato punitivo no âmbito administrativo se ficar provada, na ação penal, a inexistência do fato
ou que o acusado não foi o seu autor.
c) a condenação do servidor no âmbito civil implica automaticamente o reconhecimento das responsabilidades administrativa e
criminal, posto que a primeira é mais ampla que as duas últimas.
d) a extinção da pena administrativa pode se dar pelo seu cumprimento ou pela prescrição, sendo vedada extinção por meio do
perdão por parte da Administração Pública.
e) o entendimento, atualmente, é que, nas ações de reparação de danos contra a Fazenda Pública, por responsabilidade objetiva,
esta é obrigada a denunciar à lide o servidor que causou os danos.
R: B. Quando comprovada a inexistência do fato ou a negativa de autoria na esfera criminal, tradicionalmente reconhecida por
apurar com maior rigor e arcabouço probatório os fatos levados a seu conhecimento (em defesa do direito à liberdade e em respeito
à presunção de inocência), entende-se que uma esfera menos rigorosa não poderia afirmar o contrário. Logo, ficará afastado o ato
punitivo nos âmbito administrativo e cível.

14. (VUNESP - 2011 - SAP-SP - Oficial Administrativo) A pena de suspensão será aplicada em caso de falta grave ou de reinci-
dência, que não excederá o prazo de
a) 15 dias.
b) 30 dias.
c) 45 dias.
d) 90 dias.
e) 120 dias.
R: D. Estabelece o artigo 130 da Lei n° 8.112/90: “a suspensão será aplicada em caso de reincidência das faltas punidas com
advertência e de violação das demais proibições que não tipifiquem infração sujeita a penalidade de demissão, não podendo exceder
de 90 (noventa) dias”.

15. (CESPE - 2011 - TRF - 5ª REGIÃO - Juiz) Jorge, servidor público federal, acusou sua colega de trabalho, Lúcia, também
servidora pública federal, de ter-lhe atirado, enfurecida, durante o expediente de serviço e dentro do local de trabalho, o telefone
celular a ele pertencente, o que lhe teria provocado lesão grave e a destruição do aparelho. Em sua defesa, Lúcia alegou que, no dia
da mencionada agressão, não comparecera ao local de trabalho.
Com base nessa situação hipotética e na Lei n° 8.112/1990, que dispõe sobre os deveres e obrigações do servidor público, assi-
nale a opção correta com relação à responsabilização administrativa, civil e criminal da referida servidora.
a) A responsabilidade civil-administrativa não resulta de ato omissivo praticado por servidor no desempenho do cargo ou função.
b) A existência de sanção penal contra Lúcia inibe a aplicação de sanção administrativa, e vice-versa.
c) O prejuízo decorrente da destruição do aparelho de telefone celular de Jorge enseja a responsabilização administrativa de
Lúcia.
d) Caso ocorra a absolvição criminal de Lúcia, em razão de ela comprovar que não compareceu ao trabalho no dia em que Jorge
sofreu a agressão, não caberá aplicação de sanção administrativa contra a servidora.
e) A responsabilidade penal em geral não abrange as contravenções imputadas ao servidor, nessa qualidade.
R: D. A sanção penal nem sempre gera exclusão das sanções civis e administrativas. Por exemplo, se a absolvição tivesse ocorrido por
falta de provas na esfera criminal ainda seria possível a condenação nas esferas cível e administrativa, uma vez que o conjunto probatório
exigido pelas últimas é bem menor que o necessário para obter uma condenação criminal. Contudo, se apurado criminalmente que o fato não
ocorreu ou que o acusado não o praticou não cabe condenação cível ou administrativa, pois uma esfera de julgamento mais rigorosa apurou
a total impossibilidade de que a acusação seja verdadeira. No caso, se Lúcia não tivesse comparecido ao local de trabalho não teria como
ser autora do fato imputado e se isto for reconhecido criminalmente, absolvendo-a, incabíveis condenações cíveis ou administrativas.v

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Noções de
Direito Constitucional
Noções de Direito Constitucional
1 DIREITOS E DEVERES FUNDAMENTAIS:
DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E
COLETIVOS; DIREITO À VIDA, À LIBERDADE,
À IGUALDADE, À SEGURANÇA
E À PROPRIEDADE; DIREITOS SOCIAIS;
NACIONALIDADE; CIDADANIA; GARANTIAS
CONSTITUCIONAIS INDIVIDUAIS;
GARANTIAS DOS DIREITOS COLETIVOS,
SOCIAIS E POLÍTICOS.

A seguir, há se estudar as quatro espécies de direitos e garantias fundamentais previstas na Constituição Federal: direitos e de-
veres individuais e coletivos, direitos sociais, direitos da nacionalidade, e direitos políticos. Para tanto, cada espécie será estudada
separadamente.

1 Direitos e deveres individuais e coletivos. Reproduzamos o art. 5º, CF, para facilitar o estudo:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros resi-
dentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na
forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar
para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano
material ou moral decorrente de sua violação;
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de
flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;
XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo,
no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução
processual penal;
XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional;
XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, per-
manecer ou dele sair com seus bens;
XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde
que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade com-
petente;
XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar;
XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência
estatal em seu funcionamento;
XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigin-
do-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado;
XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado;

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Noções de Direito Constitucional
XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou
extrajudicialmente;
XXII - é garantido o direito de propriedade;
XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;
XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, me-
diante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;
XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao pro-
prietário indenização ulterior, se houver dano;
XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família, não será objeto de penhora para
pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento;
XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos her-
deiros pelo tempo que a lei fixar;
XXVIII - são assegurados, nos termos da lei:
a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades
desportivas;
b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que participarem aos criadores, aos intér-
pretes e às respectivas representações sindicais e associativas;
XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização, bem como proteção às
criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social
e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País;
XXX - é garantido o direito de herança;
XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos
brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do “de cujus”;
XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor;
XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou ge-
ral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança
da sociedade e do Estado;
XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder;
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal;
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;
XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada;
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção;
XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados:
a) a plenitude de defesa;
b) o sigilo das votações;
c) a soberania dos veredictos;
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal;
XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;
XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais;
XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;
XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpe-
centes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os
que, podendo evitá-los, se omitirem;
XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional
e o Estado Democrático;
XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de
bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido;
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:
a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos;

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Noções de Direito Constitucional
XLVII - não haverá penas:
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;
b) de caráter perpétuo;
c) de trabalhos forçados;
d) de banimento;
e) cruéis;
XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado;
XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;
L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação;
LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de
comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei;
LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião;
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente;
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla
defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;
LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos;
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;
LVIII - o civilmente identificado não será submetido à identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei;
LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal;
LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem;
LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente,
salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei;
LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família
do preso ou à pessoa por ele indicada;
LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da
família e de advogado;
LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial;
LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária;
LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança;
LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação
alimentícia e a do depositário infiel;
LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua
liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;
LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas
data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de
atribuições do Poder Público;
LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por:
a) partido político com representação no Congresso Nacional;
b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em
defesa dos interesses de seus membros ou associados;
LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos
e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania;
LXXII - conceder-se-á habeas data:
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de
entidades governamentais ou de caráter público;
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo;
LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de
entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o
autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;
LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos;
LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença;
LXXVI - são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei:
a) o registro civil de nascimento;
b) a certidão de óbito;

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Noções de Direito Constitucional
LXXVII - são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data, e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania;
LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam
a celeridade de sua tramitação.
§1º. As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.
§2º. Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela ado-
tados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.
§3º. Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional,
em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais.
§4º. O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão.

1.1 Direito à vida. O art. 5º, caput, da Constituição Federal, dispõe que o direito à vida é inviolável. Dividamos em subtópicos:
A) Acepções do direito à vida. São duas as acepções deste direito à vida, a saber, o direito de permanecer vivo (ex.: o Brasil veda a
pena de morte, salvo em caso de guerra declarada pelo Presidente da República em resposta à agressão estrangeira, conforme o art. 5º,
XLVII, “a” c.c. art. 84, XIX, CF), e o direito de viver com dignidade (ex.: conforme o art. 5º, III, CF, ninguém será submetido à tortura
nem a tratamento desumano ou degradante) (ex. 2: consoante o art. 5º, XLV, CF, nenhuma pena passará da pessoa do condenado,
podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos de lei, estendidas aos sucessores e contra
eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido) (ex. 3: são absolutamente vedadas neste ordenamento constitucional
penas de caráter perpétuo, de banimento, cruéis, e de trabalhos forçados) (ex. 4: a pena será cumprida em estabelecimentos distintos,
de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado, conforme o inciso XLVIII, do art. 5º, CF) (ex. 5: pelo art. 5º, XLIX,
é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral);
B) Algumas questões práticas sobre o direito à vida. Como fica o caso das Testemunhas de Jeová, que não admitem receber
transfusão de sangue? Como fica a questão do conflito entre o direito à vida e a liberdade religiosa? O entendimento prevalente é o
de que o direito à vida deve prevalecer sobre a liberdade religiosa.
E o caso da eutanásia/ortotanásia? São escassas as decisões judiciais admitindo o “direito de morrer”, condicionando isso ao
elevado grau de sofrimento de quem pede, bem como a impossibilidade de recuperação deste. Há se lembrar que, tal como o direito
de permanecer vivo, o direito à vida também engloba o direito de viver com dignidade, e conviver com o sofrimento físico é um
profundo golpe a esta dignidade do agente.
E a legalização do aborto? Também há grande celeuma em torno da questão. Quem se põe favoravelmente ao aborto o faz com
base no direito à privacidade e à intimidade, de modo que não caberia ao Estado obrigar uma pessoa a ter seu filho. Quem se põe de
maneira contrária ao aborto, contudo, o faz com base na vida do feto que se está dando fim com o procedimento abortivo.
E a hipótese de fetos anencéfalos? O Supremo Tribunal Federal decidiu pela possibilidade de extirpação do feto anencefálico
do ventre materno, sem que isso configure o crime de aborto previsto no Código Penal. Isto posto, em entendendo que o feto anen-
cefálico tem vida, agora são três as hipóteses de aborto: em caso de estupro, em caso de risco à vida da gestante, e em caso de feto
anencefálico. Por outro lado, em entendendo que o feto anencefálico não tem vida, não haverá crime de aborto por se tratar de crime
impossível, afinal, para que haja o delito é necessário que o feto esteja vivo. De toda maneira, qualquer que seja o entendimento
adotado, agora é possível tal hipótese, independentemente de autorização judicial.

1.2 Direito à liberdade. O direito à liberdade, consagrado no caput do art. 5º, CF, é genericamente previsto no segundo inciso
do mesmo artigo, quando se afirma que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Tal
dispositivo representa a consagração da autonomia privada.
Trata-se a liberdade, contudo, de direito amplíssimo, por compreender, dentre outros, a liberdade de opinião, a liberdade de
pensamento, a liberdade de locomoção, a liberdade de consciência e crença, a liberdade de reunião, a liberdade de associação, e a
liberdade de expressão.
Dividamos em subtópicos:
A) Liberdade de consciência, de crença e de culto. O art. 5º, VI, da Constituição Federal, prevê que é inviolável a liberdade de
consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais
de culto e a suas liturgias. Ademais, o inciso VIII, do art. 5º, dispõe que é assegurada, nos termos de lei, a prestação de assistência
religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva.
Há se ressaltar, preliminarmente, que a “consciência” é mais algo amplo que “crença”. A “crença” tem aspecto essencialmente
religioso, enquanto a “consciência” abrange até mesmo a ausência de uma crença.
Isto posto, o “culto” é a forma de exteriorização da crença. O culto se realiza em templos ou em locais públicos (desde que atenda
à ordem pública e não desrespeite terceiros).
O Brasil não adota qualquer religião oficial, como a República Islâmica do Irã, p. ex. Em outros tempos, o Brasil já foi uma na-
ção oficialmente católica. Com a Lei Fundamental de 1988, o seu art. 19 vedou o estabelecimento de religiões oficiais pelo Estado.

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Noções de Direito Constitucional
O que é a “escusa de consciência”? Está prevista no art. 5º, VIII, da Constituição, segundo o qual ninguém será privado de direi-
tos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos
imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa fixada em lei.
Enfim, a escusa de consciência representa a possibilidade que a pessoa tem de alegar algum imperativo filosófico/religioso/polí-
tico para se eximir de alguma obrigação, cumprindo, em contrapartida, uma prestação alternativa fixada em lei.
A prestação alternativa não tem qualquer cunho sancionatório. É apenas uma forma de se respeitar a convicção de alguém.
E se não houver prestação alternativa fixada em lei, fica inviabilizada a escusa de consciência? Não, a possibilidade é ampla.
Mesmo se a lei não existir, a pessoa poderá alegar o imperativo de consciência, independentemente de qualquer contraprestação.
E se a pessoa se recusa a cumprir, também, a prestação alternativa? Ficará com seus direitos políticos suspensos (há quem diga
que seja hipótese de perda dos direitos políticos, na verdade), por força do que prevê o art. 15, IV, da Constituição Federal;
B) Liberdade de locomoção. Consoante o inciso XV, do art. 5º, da Lei Fundamental, é livre a locomoção no território nacional
em tempos de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos de lei (essa lei é a de nº 6.815 - Estatuto do Estrangeiro), nele entrar, per-
manecer ou dele sair com seus bens.
Isso nada mais representa que a “liberdade de ir e vir”;
C) Liberdade da manifestação do pensamento. Conforme o art. 5º, IV, da Constituição pátria, é livre a manifestação do pensa-
mento, sendo vedado o anonimato. Por outro lado, o inciso subsequente a este assegura o direito de resposta, proporcional ao agravo,
além da indenização por dano material, moral ou à imagem.
Veja-se, pois, que a Constituição protege a “manifestação” do pensamento, isto é, sua exteriorização, já que o “pensamento em
si” já é livre por sua própria natureza de atributo inerente ao homem.
Ademais, a vedação ao anonimato existe justamente para permitir a responsabilização quando houver uma manifestação abusiva
do pensamento.
Neste diapasão, uma denúncia anônima pode dar início a um Inquérito Policial? O Supremo Tribunal Federal entende que a de-
núncia anônima, por si só, não pode dar ensejo a um processo-crime/inquérito, sob risco de ver-se instaurada uma série de processos-
-crime/inquérito por motivos escusos, como vingança e chantagem política. Todavia, para o Guardião da Constituição, a denúncia
anônima pode ensejar a verificação, pela autoridade policial, do contido na denúncia, para que, em verificando sua plausibilidade, aí
sim instaure o Inquérito Policial para o desenrolar regular das investigações;
D) Liberdade de profissão. É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais
que a lei estabelecer (art. 5º, XIII, CF).
Trata-se de norma constitucional de eficácia contida, seguindo a tradicional classificação de José Afonso da Silva, pois o exercí-
cio de qualquer trabalho é livre embora a lei possa estabelecer restrições. É o caso do exercício da advocacia, p. ex., condicionado à
prévia composição dos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil por meio de exame de admissão.
Tal liberdade representa tanto o exercício de qualquer profissão como a escolha de qualquer profissão;
E) Liberdade de expressão. Trata-se de liberdade amplíssima. Conforme o nono inciso, do art. 5º, da Lei Fundamental, é livre a
expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença.
Tal dispositivo é a consagração do direito à manifestação do pensamento, ao estabelecer meios que deem efetividade a tal di-
reito, afinal, o rol exemplificativo de meios de expressão previstos no mencionado inciso trata das atividades intelectuais, melhor
compreendidas como o direito à elaboração de raciocínios independentes de modelos preexistentes, impostos ou negativamente
dogmatizados; das atividades artísticas, que representam o incentivo à cena cultural, sem que músicas, livros, obras de arte e espe-
táculos teatrais, por exemplo, sejam objeto de censura prévia, como houve no passado recente do país; das atividades científicas,
aqui entendidas como o direito à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico; e da comunicação, termo abrangente, se considerada a
imprensa, a televisão, o rádio, a telefonia, a internet, a transferência de dados etc.;
F) Liberdade de informação. É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao
exercício profissional (art. 5º, XIV, CF).
Tal liberdade engloba tanto o direito de informar (prerrogativa de transmitir informações pelos meios de comunicação), como o
direito de ser informado.
Vale lembrar, inclusive, que conforme o art. 5º, XXXIII, da Constituição, todos têm direito a receber dos órgãos públicos infor-
mações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilida-
de, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado;
G) Liberdade de reunião e de associação. Pelo art. 5º, XVI, CF, todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais
abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo
local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente. Eis a liberdade de reunião.
Já pelo art. 5º, XVII, CF, é plena a liberdade de associação para fins lícitos, sendo vedado que associações tenham caráter para-
militar. Eis a liberdade de associação.

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Noções de Direito Constitucional
O que diferencia a “reunião” da “associação”, basicamente, é o espaço temporal em que existem. As reuniões são temporárias,
para fins específicos (ex.: protesto contra a legalização das drogas). Já as associações são permanentes, ou, ao menos, duram por mais
tempo que as reuniões (ex.: associação dos plantadores de tomate).
Ademais, a criação de associações independe de lei, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento (art. 5º, XVIII,
CF). As associações poderão ter suas atividades suspensas (para isso não se exige decisão judicial transitada em julgado), ou pode-
rão ser dissolvidas (para isso se exige decisão judicial transitada em julgado) (art. 5º, XIX, CF). Ninguém poderá ser compelido a
associar-se ou manter-se associado, contudo (art. 5º, XX, CF).
Também, o art. 5º, XXI, da CF, estabelece a possibilidade de representação processual dos associados pelas entidades associati-
vas. Trata-se de verdadeira representação processual (não é substituição), que depende de autorização expressão dos associados nesse
sentido, que pode ser dada em assembleia ou mediante previsão genérica no Estatuto.

1.3 Direito à igualdade. Um dos mais importantes direitos fundamentais, convém dividi-lo em subtópicos para melhor análise:
A) Igualdade formal e material. A igualdade deve ser analisada tanto em seu prisma formal, como em seu enfoque material.
Sob enfoque formal, a igualdade consiste em tratar a todos igualmente (ex.: para os maiores de dezesseis anos e menores de de-
zoito anos, o voto é facultativo. Todos que se situam nesta faixa etária têm o direito ao voto, embora ele seja facultativo).
Ademais, neste enfoque formal, a igualdade pode ser na lei (normas jurídicas não podem fazer distinções que não sejam auto-
rizadas pela Constituição), bem como perante a lei (a lei deve ser aplicada igualmente a todos, mesmo que isso crie desigualdade).
Já sob enfoque material, a igualdade consiste em tratar de forma desigual os desiguais (ex: o voto é facultativo para os analfabe-
tos. Todavia, os analfabetos não podem ser votados. A alfabetização é uma condição de elegibilidade. Significa que, se o indivíduo
souber ler e escrever, poderá ser votado. Se não, há óbice constitucional a que ocupe cargo eletivo);
B) Igualdade de gênero. A CF é expressa, em seu art. 5º, I: homens e mulheres são iguais nos termos da Constituição Federal.
Isso significa que a CF pode fixar distinções, como o faz quanto aos requisitos para aposentadoria, quanto à licença-gestante, e quanto
ao serviço militar obrigatório apenas para os indivíduos do sexo masculino, p. ex. Quanto à legislação infraconstitucional, é possível
fixar distinções, desde que isso seja feito em consonância com a Constituição Federal, isto é, sem excedê-la ou for-lhe insuficiente.

1.4 Direito à segurança. A segurança é tratada tanto no caput do art. 5º, como no caput do art. 6º, ambos da Constituição Federal.
No caput do art. 6º, se refere à segurança pública, que será estudada quando da análise dos direitos sociais. A segurança a que
se refere o caput do art. 5º é a segurança jurídica, que impõe aos Poderes públicos o respeito à estabilidade das relações jurídicas já
constituídas.
Engloba-se, pois, o direito adquirido (o direito já se incorporou a seu titular), o ato jurídico perfeito (há se preservar a manifes-
tação de vontade de quem editou algum ato, desde que ele não atente contra a lei, a moral e os bons costumes), e a coisa julgada (é a
imutabilidade de uma decisão que impede que a mesma questão seja debatida pela via processual novamente), consagrados todos no
art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal.

1.5 Direito de propriedade. Conforme o art. 5º, caput e inciso XXII, da Constituição Federal, é assegurado o direito de proprie-
dade. Há limitações, contudo, a tal direito, como a função social da propriedade. Para melhor compreender tal instituto fundamental,
pois, há se dividi-lo em temas específicos:
A) Função social da propriedade. A função social, consagrada no art. 5º, XXIII, CF, não é apenas um limite ao direito de pro-
priedade, mas, sim, faz parte da própria estrutura deste direito. “Trocando em miúdos”, só há direito de propriedade se atendida sua
função social (há, minoritariamente, quem pense o contrário).
Aliás, é esta função social da propriedade que assegura que a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que traba-
lhada pela família, não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, dispondo a lei sobre
os meios de financiar o seu desenvolvimento (art. 5º, XXVI, CF);
B) Inviolabilidade do domicílio. A Constituição Federal assegura, em seu art. 5º, XI, que a casa é asilo inviolável do indivíduo,
ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro,
ou, durante o dia, por determinação judicial.
Veja-se que, em caso de flagrante delito, para prestar socorro, ou evitar desastre, na casa se pode entrar a qualquer hora do dia.
Se houver necessidade de determinação judicial, a entrada na residência, salvo consentimento do morador, somente pode ser feita
durante o dia.
Isto posto, para fins de interpretação constitucional, deve-se adotar uma interpretação extensiva acerca do conceito de “casa”.
Assim, abrange escritórios, consultórios, quartos de hotel habitados, estabelecimentos comerciais e industriais (na parte em que não
são abertos ao público), a boleia de caminhão (mas só enquanto o motorista dorme, pois, durante o trabalho, na estrada, é veículo
comum sujeito a blitz) etc.

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Noções de Direito Constitucional
Ademais, a Constituição Federal utiliza a expressão “durante o dia”. Pelo critério cronológico, “dia” é das 6h00min até as
18h00min (veja-se que esse critério é diferente daquele adotado pelo CPC, que admite a execução de mandados até as 20h00min);
pelo critério físico-astronômico, “dia” é o espaço de tempo que vai da aurora ao crepúsculo (não se trata de um critério subjetivo, pois
a ciência consegue determinar com precisão os horários da aurora e do crepúsculo); e, pelo critério misto, deve haver conjugação dos
dois critérios anteriores, para dar o máximo de proteção ao domicílio (assim, pode-se ingressar das 6h00min até as 18h00min, desde
que o sol já tenha nascido (aurora) ou não tenha se posto (crepúsculo));
C) Requisição da propriedade. A Constituição Federal prevê duas hipóteses de requisição: no caso de iminente perigo público, a
autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano (art. 5º,
XXV, CF); e no caso de vigência de estado de sítio, decretado em caso de comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de
fatos que comprovem a ineficácia da medida tomada durante o estado de defesa, é possível a requisição de bens (art. 139, VII, CF).
Na requisição civil não há transferência de propriedade. Há apenas uso ou ocupação temporários da propriedade particular. Trata-
-se de ocupação emergencial, de modo que só caberá indenização posterior, e, ainda, se houver dano.
A requisição militar também é emergencial. Também só haverá indenização posterior, diante de dano;
D) Desapropriação da propriedade. Prevista no art. 5º, XXIV, da CF, é cabível em três casos: necessidade pública; utilidade
pública; e interesse social.
Na desapropriação, dá-se retirada compulsória da propriedade do particular.
Se em razão de interesse social, exige-se indenização em dinheiro justa e prévia, como regra geral.
E, nos casos de necessidade e utilidade pública, o particular não tem culpa alguma. Trata-se, meramente, de situação de preva-
lência do interesse público sobre o interesse privado. A indenização, como regra geral, também deve ser prévia, justa, e em dinheiro.
Ainda, no caso de desapropriação por interesse social, pode ocorrer a chamada “desapropriação sanção”, pelo desatendimento
da função social da propriedade. Nesse caso, diante da “culpa” do proprietário, a indenização será prévia, justa, porém não será em
dinheiro, mas sim em títulos públicos. Com efeito, são duas as hipóteses de desapropriação-sanção: desapropriação-sanção de imóvel
urbano, prevista no art. 182, §4º, III, CF (o pagamento é feito em títulos da dívida pública, com prazo de resgate de até dez anos);
desapropriação-sanção de imóvel rural, prevista no art. 184, CF (ela é feita para fins de reforma agrária, e o pagamento é feito em
títulos da dívida agrária, com prazo de resgate de até vinte anos, contados a partir do segundo ano de sua emissão);
E) Confisco da propriedade. O confisco está previsto no art. 243 da CF. Também é hipótese de transferência compulsória da
propriedade, como a desapropriação. Mas, dela se distingue porque no confisco não há pagamento de qualquer indenização.
Isto posto, são duas as hipóteses de confisco: as glebas de qualquer região do país onde forem localizadas culturas ilegais de
plantas psicotrópicas serão imediatamente expropriadas e especificamente destinadas ao assentamento de colonos, para o cultivo de
produtos alimentícios e medicamentosos, sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em
lei (art. 243, caput, CF); bem como todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do tráfico ilícito de entor-
pecentes e drogas afins será confiscado e reverterá em benefício de instituições e pessoal especializado no tratamento e recuperação
de viciados e no aparelhamento e custeio de atividades de fiscalização, controle, prevenção e repressão do crime de tráfico dessas
substâncias (art. 243, parágrafo único, CF);
F) Usucapião da propriedade (aquelas previstas na Constituição). Há duas previsões constitucionais acerca de usucapião, em
que o prazo para aquisição da propriedade é reduzido: usucapião urbano (aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos
e cinquenta metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família,
adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural, conforme o art. 183, caput, da CF); e
usucapião rural (aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como seu, por cinco anos ininterruptos, sem
oposição, área de terra, em zona rural, não superior a cinquenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família,
tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade, consoante o art. 191, caput, da CF).
Não custa chamar a atenção, veja-se, que as hipóteses constitucionais também exigem os requisitos tradicionais da usucapião, a
saber, a posse mansa e pacífica, a posse ininterrupta, e a posse não-precária.
Não custa lembrar, por fim, que imóveis públicos não podem ser adquiridos por usucapião;
G) Propriedade intelectual. A Constituição protege a propriedade intelectual como direito fundamental.
Aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo
tempo que a lei fixar (art. 5º, XXVII, CF).
São assegurados, nos termos de lei, a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz
humanas, inclusive nas atividades esportivas (art. 5º, XXVIII, “a”, CF), bem como direito de fiscalização do aproveitamento econô-
mico das obras que criarem ou de que participarem (art. 5º, XXVIII, “b”, CF).
A lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização, bem como proteção às criações
industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o de-
senvolvimento tecnológico e econômico do país (art. 5º, XXIX, CF);
H) Direito de herança. Tal direito está previsto, de maneira pioneira, no trigésimo inciso, do art. 5º, CF. Nas outras Constituições,
ele era apenas deduzido do direito de propriedade.
Ademais, a sucessão de bens de estrangeiros situados no país será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos
filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do “de cujus” (art. 5º, XXXI, CF).

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Noções de Direito Constitucional
1.6 Direito à privacidade. Para o estudo do Direito Constitucional, a privacidade é o gênero, do qual são espécies a intimidade, a
honra, a vida privada e a imagem. Neste sentido, o inciso X, do art. 5º, da Constituição, prevê que são invioláveis a intimidade, a vida
privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação:
A) Intimidade, vida privada e publicidade (imagem). Pela “Teoria das Esferas”, importada do direito alemão, quanto mais pró-
xima do indivíduo, maior a proteção a ser conferida à esfera (as esferas são representadas pela intimidade, pela vida privada, e pela
publicidade).
Desta maneira, a intimidade merece maior proteção. São questões de foro personalíssimo de seu detentor, não competindo a
terceiros invadir este universo íntimo.
Já a vida privada merece proteção intermediária. São questões que apenas dizem respeito a seu detentor, desde que realizadas
em ambiente íntimo. Se momentos da vida privada são expostos ao público, pouco pode fazer a proteção legal que não resguardar a
honra e a imagem do indivíduo.
Por fim, na publicidade a proteção é mínima. Compete à proteção legal apenas resguardar a honra do indivíduo, já que o ato é
público;
B) Honra. O direito à honra almeja tutelar o conjunto de atributos pertinentes à reputação do cidadão sujeito de direitos. Exata-
mente por isso o Código Penal prevê os chamados “crimes contra a honra”.

1.7 Garantias dos direitos fundamentais. A seguir, há se estudar algumas garantias vigentes para todas as espécies de direitos
e garantias fundamentais.

1.7.1 Direitos de acesso à justiça. São vários os desdobramentos desta garantia:


A) Defesa do consumidor. Conforme o inciso XXXII, do art. 5º, da Constituição, o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa
do consumidor. Tal lei existe, e foi editada em 1990. É a Lei nº 8.078 - Código de Defesa do Consumidor;
B) Inafastabilidade do Poder Judiciário. A lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de direito (art. 5º,
XXXV, CF). Junte-se a isso o fato de que os juízes não podem se furtar de decidir (proibição do “non liquet”). Isso tanto é verdade
que, na ausência de lei, ou quando esta for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais
de direito (art. 4º, da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro);
C) Direito de petição e direito de certidão. São a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas, o direito de
petição aos Poderes públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder (art. 5º, XXXIV, “a”, CF), bem como
a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal (art. 5º,
XXXIV, “b”, CF);
D) Direito ao juiz natural. A Constituição veda, em seu art. 5º, XXXVII, a criação de juízos ou tribunais de exceção. Desta ma-
neira, todos devem ser processados e julgados por autoridade judicial previamente estabelecida e constitucionalmente investida em
seu ofício. Não é possível a criação de um tribunal de julgamento após a prática do fato tão somente para apreciá-lo.
Em mesmo sentido, o art. 5º, LIII, CF prevê que ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente;
E) Direito ao tribunal do júri. Ao tribunal do júri compete o julgamento dos crimes dolosos contra a vida, salvo se tiver o agente
prerrogativa de foro assegurada na Constituição Federal, caso em que esta prerrogativa prevalecerá sobre o júri (é o caso do Prefeito
Municipal, p. ex., que será julgado pelo Tribunal de Justiça, pelo Tribunal Regional Federal ou pelo Tribunal Regional Eleitoral a
depender da natureza do delito perpetrado).
Ademais, além da competência para crimes dolosos contra a vida, norteiam o júri a plenitude de defesa (que é mais que a ampla
defesa), o sigilo das votações, e a soberania dos veredictos;
F) Direito ao devido processo legal. Ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal (art. 5º,
LIV). Em verdade, o termo correto é “devido procedimento legal”, pois todo processo, para ser processo, deve ser legal. O que pode
ser legal ou ilegal é o “procedimento”.
Ademais, há se lembrar que também na esfera administrativa (e não só na judicial) o direito ao procedimento é devido.
Por fim, insere-se na cláusula do devido processo legal o direito ao duplo grau de jurisdição, consistente na possibilidade de que
as decisões emanadas sejam revistas por outra autoridade também constitucionalmente investida;
G) Direito ao contraditório e à ampla defesa. “Contraditório” e “ampla defesa” não são a mesma coisa, se entendendo pelo pri-
meiro o direito vigente a ambas as partes de serem informadas dos atos processuais praticados, e pelo segundo o direito do acusado
de se defender das imputações que lhe são feitas. Assim, enquanto o contraditório vale para ambas as partes, a ampla defesa só vale
para o acusado.
O contraditório e a ampla defesa vigem tanto para o procedimento judicial como para o administrativo. Neste sentido, o art. 5º,
LV, CF prevê que aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a
ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;

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Noções de Direito Constitucional
H) Inadmissibilidade de provas ilícitas. São inadmissíveis no processo tanto as provas obtidas ilicitamente (quanto contrárias à
Constituição) como as obtidas ilegitimamente (quando contrários aos procedimentos estabelecidos pela lei processual). Prova “ilíci-
ta” e “ilegítima” são espécies do gênero “prova ilegal”.
O art. 5º, LVI, CF diz “menos do que queria dizer”, por se referir apenas às provas ilícitas;
I) Direito à ação penal privada subsidiária da pública. O titular da ação penal pública é o Ministério Público, e a ele compete,
pois, manejar esta espécie de ação penal. Se isto não for feito por pura desídia do órgão ministerial, é possível o manejo de ação penal
privada subsidiária da pública pela vítima (art. 5º, LIX, CF);
J) Direito à publicidade dos atos processuais. Todos os atos processuais serão públicos (art. 5º, LX, CF) e as decisões deverão ser
devidamente fundamentadas (art. 93, IX, CF). É possível impor o sigilo processual se o interesse público ou motivo de força maior
assim indicar;
K) Direito à assistência judiciária. O Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência
de recursos (art. 5º, LXXIV, CF). À Defensoria Pública competirá tal função, nos moldes do art. 134, caput, da Constituição Federal.
Ademais, são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei, o registro civil de nascimento (art. 5º, LXXVI, “a”,
CF) e a certidão de óbito (art. 5º, LXXVI, “b”, CF);
L) Direito à duração razoável do processo. Trata-se de inciso acrescido à Constituição Federal pela Emenda Constitucional nº
45/2004.
Objetiva-se fazer cessar as pelejas judiciais infindáveis. Para se aferir a duração razoável do processo, é preciso analisar o grau
de complexidade da causa, a disposição das partes no resultado da demanda, e a atividade jurisdicional que caminhe no sentido de
prezar ou não por um fim célere (mas com qualidade).

1.7.2 Direitos constitucionais-penais. Vejamos:


A) Princípio da legalidade. Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal (art. 5º, XXXIX,
CF). Ademais, a lei penal somente retroagirá se para beneficiar o acusado (art. 5º, XL, CF);
B) Princípio da pessoalidade das penas. Nenhuma pena passará da pessoa do condenado (apenas a obrigação de reparar o dano
e a decretação do perdimento de bens podem passar da pessoa do condenado, se estendendo aos seus sucessores até o limite do pa-
trimônio transferido). Eis o teor inciso XLV, do art. 5º, da Lei Fundamental pátria;
C) Princípio da presunção de inocência (ou presunção de não culpabilidade). Ninguém será considerado culpado até o trânsito
em julgado de sentença penal condenatória (art. 5º, LVII, CF). Assim, enquanto for possível algum recurso, a presunção do acusado
é de inocência.
Isso não represente um óbice à imposição de prisões processuais/medidas cautelares diversas da prisão, todavia;
D) Crimes previstos na Constituição. A prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclu-
são, nos termos da lei (art. 5º, XLVV).
A lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática de tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e
drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, poden-
do evitá-los, se omitirem (art. 5º, XLIII, CF).
Por fim, constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional
e o Estado Democrático (art. 5º, XLIV, CF);
E) Direitos relacionados a prisões. Em regra, toda prisão deve ser determinada pela autoridade judicial, mediante ordem escrita
e fundamentada, salvo se em caso de flagrante delito (art. 5º, LXI, CF).
Ato contínuo, a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à
família do preso ou à pessoa por ele indicada (art. 5º, LXII, CF).
Nada obstante, o preso será informado de seus direitos, dentre os quais o de permanecer calado (direito a não autoincriminação),
sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado (art. 5º, LXIII, CF).
O preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial (art. 5º, LXIV, CF), valendo
lembrar que toda prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judicial (art. 5º, LXV, CF).
Ademais, ninguém será levado à prisão ou nela mantido quando a lei admitir a liberdade provisória com ou sem fiança (art. 5,
LXVI, CF).
Por fim, às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamen-
tação (art. 5º, L, CF);
F) Penas admitidas e vedadas pelo ordenamento pátrio. São admitidas as penas de privação ou restrição de liberdade, perda de
bens, multa, prestação social alternativa, bem como suspensão ou interdição de direitos.
Por outro lado, não haverá penas de morte (salvo em caso de guerra declarada pelo Presidente da República contra nação estran-
geira), de caráter perpétuo, de trabalhos forçados, de banimento e cruéis. Eis o teor do inciso XLVI, do art. 5º, da Magna Carta pátria;

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Noções de Direito Constitucional
G) Uso de algemas. Consoante a Súmula Vinculante nº 11, só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado re-
ceio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por
escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual
a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado;
H) Sigilosidade do inquérito policial para o defensor do acusado. De acordo com o art. 20, do Código de Processo Penal, a
autoridade policial assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade. Mas, esse
sigilo não é absoluto, pois, em verdade, tem acesso aos autos do inquérito o juiz, o promotor de justiça, e a autoridade policial, e,
ainda, de acordo com o art. 5º, LXIII, CF, com o art. 7º, XIV, da Lei nº 8.906/94 (“Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil”), e
com a Súmula Vinculante nº 14, o advogado tem acesso aos atos já documentados nos autos, independentemente de procuração, para
assegurar direito de assistência do preso e investigado.
Desta forma, veja-se, o acesso do advogado não é amplo e irrestrito. Seu acesso é apenas às informações já introduzidas nos
autos, mas não em relação às diligências em andamento.
Caso o delegado não permita o acesso do advogado aos atos já documentados, é cabível reclamação ao STF para ter acesso às
informações (por desrespeito a teor de Súmula Vinculante), habeas corpus em nome de seu cliente, ou o meio mais rápido que é o
mandado de segurança em nome do próprio advogado, já que a prerrogativa violada de ter acesso aos autos é dele.

1.7.3 Habeas corpus. Vejamos o primeiro dos chamados “remédios constitucionais”:


A) Surgimento. A Magna Carta inglesa, de 1215, foi o primeiro documento a prevê-lo, enquanto o “Habeas Corpus Act”, de 1679,
procedimentalizou-o pela primeira vez. No Brasil, o Código de Processo Penal do Império, de 1832, trouxe-o para este ordenamento,
enquanto a primeira Constituição Republicana, de 1891, foi a primeira Lei Fundamental pátria a consagrar o instituto (é da época da
Lei Fundamental a chamada “Doutrina Brasileira do Habeas Corpus”, que maximizava o instituto a habilitava-o a proteger qualquer
direito, inclusive aqueles que hoje são buscados pela via do Mandado de Segurança). Hoje, a previsão constitucional do habeas cor-
pus está no art. 5º, LXVIII, da Constituição da República;
B) Natureza jurídica. Trata-se de ação constitucional (e não de “recurso processual penal”, veja-se) de natureza tipicamente
penal que almeja a proteção das liberdades individuais de locomoção quando esta se encontra indevidamente violada ou em vias de
violação.
Vale lembrar que, apesar de ser uma ação tipicamente penal, não há qualquer óbice a que se utilize o habeas corpus em outras
searas como a cível, num caso de indevida privação de liberdade por dívida de alimentos, p. ex., ou na trabalhista, caso alguém seja
indevidamente impedido de exercer seu labor, noutro exemplo;
C) Espécies. O habeas corpus pode ser preventivo (quando houver mera ameaça de violação ao direito de ir e vir, caso em que
se obterá um “salvo-conduto”), ou repressivo (quando ameaça já tiver se materializado);
D) Legitimidade ativa. É amplíssima. Qualquer pessoa pode manejá-lo, em próprio nome ou de terceiro, assim como o Ministério
Público. A pessoa que o maneja é chamada “impetrante”, enquanto que a pessoa que dele se beneficia é chamada “paciente” (desta
maneira, é perfeitamente possível que impetrante e paciente sejam a mesma pessoa).
A importância deste “writ” é tão grande que, nos termos do segundo parágrafo, do art. 654, do Código de Processo Penal, os
juízes e os tribunais têm competência para expedir de ofício o remédio quando, no curso do processo, verificarem que alguém sofre
ou está na iminência de sofrer coação ilegal;
E) Legitimidade passiva. Pode ser tanto um agente público (autoridade policial ou autoridade judicial, p. ex.) como um agente
particular (diretor de uma clínica de psiquiatria, p. ex.).
F) Hipóteses de coação ilegal. A coação será considerada ilegal, nos moldes do art. 648, CPP, quando não houver justa causa para
tal; quando alguém estiver preso por mais tempo do que determina a lei; quando quem tiver ordenado a coação não tiver competência
para fazê-lo; quando houver cessado o motivo que autorizou a coação; quando não for alguém admitido a prestar fiança nos casos em
que a lei autoriza; quando o processo for manifestamente nulo; ou quando extinta a punibilidade.
Vale lembrar, por outro lado, que o segundo parágrafo, do art. 142, da Constituição, veda tal remédio constitucional em relação
a punições disciplinares militares;
G) Competência para apreciação. A competência é determinada de acordo com a autoridade coatora. Assim, se esta for um
Delegado de Polícia, o “writ” será endereçado ao juiz de primeiro grau; se for o juiz de primeira instância, endereça-se ao tribunal
a que é vinculado; se for o promotor de justiça, para um primeiro entendimento endereça-se ao juiz de primeira instância e para um
segundo entendimento endereça-se ao tribunal respectivo equiparando, pois, a autoridade ministerial ao magistrado de primeiro grau;
se a autoridade coatora for o juiz do JECRIM, competente para apreciar o remédio será a turma recursal.
Vale lembrar, ainda, que o STF (arts. 102, I, “d”, “i” e 102, II, “a”, CF) e o STJ (arts. 105, I, “c” e 105, II, “a”, CF) também têm
competência para apreciar habeas corpus.
H) Procedimento. O procedimento está previsto no Código de Processo Penal, entre seus arts. 647 e 667;
I) Algumas considerações finais. Pela Súmula nº 695, do Supremo Tribunal Federal, não cabe HC quando já extinta a pena pri-
vativa de liberdade.

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Noções de Direito Constitucional
Pela Súmula nº 693, STF, não cabe habeas corpus contra decisão condenatória a pena de multa, ou relativo a processo em curso
por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada.
Pela Súmula nº 690, STF, compete ao Supremo o julgamento de habeas corpus contra decisão de turma recursal dos juizados
especiais criminais.
Por fim, pela Súmula nº 694, do Supremo, não cabe tal “writ” contra a imposição de pena de exclusão de militar ou de perda de
patente ou de função pública.

1.7.4 Mandado de segurança. Vejamos:


A) Surgimento. Trata-se de remédio trazido ao Brasil (há quem defenda, prevalentemente, que o instituto seja criação genuina-
mente brasileira) pela Lei Fundamental de 1934, e, desde então, a única Constituição que não o previu foi a de 1937. Hoje, o mandado
de segurança individual está constitucionalmente disciplinado no art. 5º, LXIX, e o mandado de segurança coletivo no art. 5º, LXX,
todos da Lei Maior pátria;
B) Natureza jurídica. Trata-se de ação constitucional, de rito sumário e especial, destinada à proteção de direito líquido e certo
de pessoa física ou jurídica não amparado por habeas corpus ou habeas data (com isso já se denota a natureza subsidiária do “writ”:
ele somente é cabível caso não seja hipótese de habeas corpus ou habeas data).
Ademais, apesar de ser mais comum sua utilização no âmbito cível, óbice não deve haver a sua utilização nas searas das justiças
criminal e especializada;
C) Espécies. O “writ” pode ser preventivo (quando se estiver na iminência de violação a direito líquido e certo), ou repressivo
(quando já consumado o abuso/ilegalidade);
D) Legitimidade ativa. Deve ser a mais ampla possível, abrangendo não só a pessoa física como a jurídica, nacional ou estran-
geira, residente ou não no Brasil, bem como órgãos públicos despersonalizados e universalidades reconhecidas por lei (espólio, con-
domínio, massa falida etc.). Vale lembrar que esta legitimidade pode ser ordinária (se postula-se direito próprio em nome próprio) ou
extraordinária (postula-se em nome próprio direito alheio);
E) Legitimidade passiva. A autoridade coatora deve ser autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribui-
ções do Poder Público;
F) Mandado de segurança coletivo. O mandado de segurança coletivo poderá ser impetrado por partido político com representa-
ção no Congresso Nacional ou por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento
há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados;
G) Competência. A competência se fixa de acordo com a autoridade coatora. Assim, pode apreciar mandado de segurança um
juiz de primeiro grau, estadual ou federal; os Tribunais estaduais ou federais; o STF (arts. 102, I, “d” e 102, II, “a”, CF); e o STJ (arts.
105, I, “b” e 105, II, “b”, CF);
H) Procedimento. É regulado pela Lei nº 12.016/09, que revogou a Lei anterior, de nº 1.533, que vigia desde 1951.

1.7.5 Mandado de injunção. Vejamos:


A) Surgimento. Prevalece que é uma criação genuinamente brasileira, tendo sido previsto por primeira vez na Carta Fundamental
pátria de 1988. Institutos com nomes semelhantes podem ser encontrados no direito anglo-saxão, embora, neste, sua finalidade é
distinta daquela para a qual a Constituição brasileira o criou. Atualmente, o mandado de injunção está disciplinado no art. 5º, LXXI,
da Constituição Federal;
B) Natureza jurídica. Cuida-se de ação constitucional que objetiva a regulamentação de normas constitucionais de eficácia
limitada (omissas, portanto), assegurando, deste modo, o intento de aplicabilidade imediata previsto no parágrafo primeiro, do art.
5º, da Constituição Federal;
C) Legitimidade ativa. Toda e qualquer pessoa, nacional ou estrangeira, física ou jurídica, capaz ou incapaz, que titularize direito
fundamental não materializável por omissão legislativa do Poder público;
D) Legitimidade passiva. Pertence à autoridade ou órgão responsável pela expedição da norma regulamentadora;
E) Competência. No tocante ao órgão competente para julgamento, o tal “writ” apresenta competência “móvel”, de acordo com
a condição e vinculação do impetrado. Assim, tal incumbência caberá ao Supremo Tribunal Federal, quando a elaboração de norma
regulamentadora for atribuição do Presidente da República, do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal,
das Mesas de uma dessas Casas Legislativas, do Tribunal de Contas da União, de um dos Tribunais Superiores, ou do próprio Supremo
Tribunal Federal (art. 102, I, “q”, CF); ao Superior Tribunal de Justiça, quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição
de órgão, entidade ou autoridade federal, da administração direta ou indireta, excetuados os casos da competência do Supremo Tribunal
Federal e dos órgãos da Justiça Militar, da Justiça Eleitoral, da Justiça do Trabalho e da Justiça Federal (art. 105, I, “h”, CF); ao Tribunal
Superior Eleitoral, quando as decisões dos Tribunais Regionais Eleitorais denegarem habeas corpus, mandado de segurança, habeas
data ou mandado de injunção (art. 121, §4º, V, CF); e aos Tribunais de Justiça Estaduais, frente aos entes a ele vinculados;
F) Procedimento. Não há lei regulamentando o mandado de injunção, se lhe aplicando, por analogia, a Lei nº 12.016/09, inclusive
no que atine ao mandado de injunção coletivo;

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Noções de Direito Constitucional
G) Diferença do mandado de injunção para a ação direta de inconstitucionalidade por omissão. O mandado de injunção é remédio
habilitado a socorrer o particular numa situação concreta, isto é, busca-se um pronunciamento apto a atender uma especificidade. Já a
ADO é instrumento adequado a atender o particular numa situação abstrata, sendo dotado, por conseguinte, de conteúdo e finalidade
mais abrangente que seu antecessor em razão de seu raio de alcance. Em outras palavras, seria dizer que o mandado de injunção se baseia
em um comando da emergência, e a ADI por omissão se baseia em um dispositivo de urgência.
H) Efeitos da decisão concedida em sede de mandado de injunção. Aqui há divergência na doutrina e na jurisprudência.
Para uma primeira corrente (“corrente não concretista”), deve o Judiciário apenas cientificar o omisso em prol da edição nor-
mativa necessária, dando à injunção concedida natureza declaratória apenas. Este posicionamento imperou por muito tempo no
Supremo Tribunal Federal.
Já um segundo entendimento, subdividindo-se, confere caráter condenatório ou mandamental à ciência da mora, nos moldes de
uma “obrigação de fazer” referida no art. 461 ou de uma “execução contra a Fazenda Pública” referida nos arts. 730 e seguintes, todos
do Código de Processo Civil, ensejando a necessidade de execução de sentença, própria no caso condenatório, ou imprópria no caso
mandamental. Há julgados esparsos no STF perfilhando-se aos posicionamentos condenatório e mandamental.
Um terceiro entendimento (“corrente concretista individual intermediária”) entende que, constatada a mora legislativa, é o caso
de assinalar um prazo razoável para a elaboração da norma regulamentadora. Findo tal prazo e persistindo a omissão, é caso de inde-
nização por perdas e danos a ser buscada perante o Estado.
Por sua vez, uma quarta corrente (“corrente concretista individual pura”) acena pelo caráter constitutivo da injunção concedida
via pronunciamento judicial, mas que a criação normativa se limita apenas aos litigantes. Assim, admite-se atividade legislativa do
Judiciário, mas com alcance restrito às partes. Esse é o posicionamento atualmente prevalente no Guardião da Constituição Federal.
Por fim, uma quinta corrente (“corrente concretista geral”) entende, sim, ser constitutiva a natureza da injunção concedida,
tomando de um caso específico a inspiração necessária para a edição de uma norma geral e abstrata. Seria o exercício atípico de
“atividade legislativa” do Judiciário. Consoante tal entendimento, o STF sanaria ele próprio a ausência de regulamentação a normas
constitucionais de eficácia e aplicabilidade limitada.

1.7.6 Habeas data. Vejamos:


A) Surgimento. A origem do habeas data está no direito norte-americano, através do “Freedom of Information Act”, de 1974,
com a finalidade de possibilitar o acesso do particular aos dados ou às informações constantes de registros públicos ou particulares
permitidos ao público. No Brasil, a Constituição Federal de 1988 foi a primeira a trazê-lo, em seu art. 5º, LXXII;
B) Natureza jurídica. Trata-se de ação constitucional, que objetiva assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa
do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais de caráter público, bem como a retificação
de dados, quando não se prefira fazê-lo por procedimento sigiloso, judicial ou administrativo;
C) Legitimidade ativa. Tal “writ” pode ser impetrado por pessoa física, brasileira ou estrangeira, ou por pessoa jurídica. Ainda,
há quem defenda sua impetração por entes despersonalizados, como a massa falida e o espólio;
D) Legitimidade passiva. Figurarão no polo ativo entidades governamentais da Administração Pública Direta e Indireta nas três
esferas, bem como instituições, órgãos, entidades e pessoas jurídicas privadas prestadores de serviços de interesse público que pos-
suam dados relativos à pessoa do impetrante;
E) Competência. A Constituição Federal prevê a competência do Supremo Tribunal Federal (art. 102, I, “d”), do Superior Tri-
bunal de Justiça (art. 105, I, “b”), dos Tribunais Regionais Federais (art. 108, I, “c”), bem como dos juízes federais (art. 109, VIII);
F) Procedimento. A disciplina do habeas data está prevista na Lei nº 9.507/97.

1.7.7 Ação popular. Vejamos:


A) Surgimento. Sua origem vem da época do Império Romano, quando os cidadãos romanos dirigiam-se ao magistrado para
buscar a tutela de um bem, valor ou interesse que pertencesse à coletividade. O primeiro texto legal sobre a ação popular surgiu na
Bélgica, em 1836.
No Brasil, a primeira Lei Fundamental pátria a disciplinar a ação popular foi a de 1934. Suprimida na de 1937, mas restabelecida
na de 1946, tem estado presente em todas as Cartas desde então. Na Constituição Federal de 1988, sua previsão se encontra no art.
5º, LXXIII;
B) Natureza jurídica. Trata-se de ação constitucional, que visa anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o
Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural;
C) Requisitos para a propositura da ação popular. Há um requisito objetivo (o legitimado ativo deve ser cidadão) e outro sub-
jetivo (a proteção do patrimônio público, da moralidade administrativa, do meio ambiente, do patrimônio histórico, e do patrimônio
cultural);
D) Legitimidade ativa. Deve ser “cidadão”, isto é, aquele que esteja no pleno gozo dos direitos políticos. Se está falando, pois,
do cidadão-eleitor. Inclusive, o parágrafo terceiro, do art. 1º, da Lei nº 4.717/65, que regula a ação popular, dispõe que a prova da
cidadania para ingresso em juízo será feita com o título eleitoral ou com o documento a que ele corresponda;

12
Noções de Direito Constitucional
E) Legitimidade passiva. Nos moldes do art. 6º, da Lei nº 4.717/65, sempre haverá um ente da Administração Pública, direta ou
indireta, ou então pessoa jurídica que de algum modo lide com dinheiro público;
F) Competência. Será fixada de acordo com a origem do ato ou omissão a serem impugnados. Vale lembrar que, quanto ao pro-
cedimento, a Lei nº 4.717/65, que disciplina tal ação, afirma que segue-se o rito ordinário previsto no Código de Processo Civil, com
algumas modificações.

1.7.8 Ação civil pública. Vejamos:


A) Cabimento. Conforme o art. 1º, da Lei nº 7.347/85, é cabível ação civil pública em caso de danos patrimoniais e morais
causados ao meio ambiente (inciso I); ao consumidor (inciso II); a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e
paisagístico (inciso III); a qualquer outro interesse difuso ou coletivo (inciso IV); por infração da ordem econômica e da economia
popular (inciso V); e à ordem urbanística (inciso VI);
B) Não cabimento. Segundo o art. 1º, parágrafo único, da LACP - Lei da Ação Civil Pública, não será cabível ação civil pública
para veicular pretensões que envolvam tributos, contribuições previdenciárias, FGTS ou outros fundos de natureza institucional cujos
beneficiários podem ser individualmente determinados;
C) Objeto. De acordo com o art. 3º, LACP, a ação civil poderá ter por objeto a condenação em dinheiro ou o cumprimento de
obrigação de fazer ou não fazer;
D) Legitimidade ativa. Consoante o art. 5º, da LACP, tem legitimidade ativa tanto para a ação principal como para a cautelar o
Ministério Público (inciso I); a Defensoria Pública (inciso II); a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios (inciso III);
a autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de economia mista (inciso IV); e a associação que, concomitantemente, este-
ja constituída há pelo menos um ano nos termos da lei civil (inciso V, alínea “a”) e inclua, entre suas finalidades institucionais, a
proteção ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à livre concorrência ou ao patrimônio artístico, estético, histórico,
turístico e paisagístico (inciso V, alínea “b”);
E) Legitimidade passiva. Não há, em regra, limitação quanto a quem deva figurar no polo passivo da ação civil pública.

1.8 Prisão civil do devedor de alimentos. Esta é, hoje, a única espécie de prisão civil por dívidas admitidas no ordenamento
pátrio, já que o Brasil é signatário do “Pacto de San José da Costa Rica”, que veda a prisão civil do depositário infiel em seu art. 7º,
n. 7. A vedação à prisão civil do depositário infiel, inclusive, motivou a Súmula Vinculante nº 25, que torne ilícita tal prisão, qualquer
que seja a modalidade de depósito.

1.9 Aplicabilidade imediata das normas definidoras de direitos e garantias fundamentais. O primeiro parágrafo, do art. 5º,
da Constituição Federal, dispõe que as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. Em tese,
este comando “mataria” qualquer classificação da aplicabilidade das normas constitucionais fundamentais em “plenas”, “contidas”
ou “limitadas”, afinal, todas as normas consagradoras de direitos fundamentais, qualquer que fosse a espécie, teriam eficácia “plena”.
A influência de tal dispositivo vem das Constituições de Portugal, de 1976, e da Alemanha, de 1949.
Com efeito, costuma-se utilizar este parágrafo primeiro para fundamentar diversas questões, como a consagração da “Consti-
tuição dirigente”, de Canotilho, ou a previsão da “eficácia dos direitos fundamentais nas relações privadas”. De toda maneira, no
Brasil ainda não é unânime a extensão deste parágrafo primeiro, de forma que posicionamentos existem em todos os sentidos: desde
aqueles que negam o alcance deste dispositivo constitucional, até aqueles que restringem-no apenas aos direitos e deveres individuais
e coletivos (já que, por regra de hermenêutica, os parágrafos devem se dirigir ao caput, e o caput é o art. 5º, que trata dos direitos
individuais), até aqueles que defendem a aplicação incondicionada de tal dispositivo por toda a Constituição.

1.10 Tratados Internacionais de que o Brasil seja signatário. Quando a Constituição Federal de 1988 entrou em vigor, o Su-
premo Tribunal Federal entendia que todo e qualquer Tratado Internacional, fosse ou não sobre direitos humanos, tinha “status” de
lei ordinária.

Tal entendimento vigorou até o advento da Emenda Constitucional nº 45/2004, que acresceu ao art. 5º da Constituição um
parágrafo terceiro, segundo o qual os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada
Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas
constitucionais.
Mas como fica a situação dos Tratados Internacionais que não forem (ou não foram) aprovados pelo quórum de Emenda Consti-
tucional? Com isso, o STF revisou seu posicionamento, e, atualmente, os Tratados Internacionais possuem tripla hierarquia em nosso
ordenamento:
A) Se versar sobre direitos humanos, e for aprovado pelo quórum de Emenda Constitucional, o “status” do Tratado Internacional
será de Emenda Constitucional;
B) Se versar sobre direitos humanos, mas não for aprovado pelo quórum de Emenda Constitucional, o “status” do Tratado Inter-
nacional será de norma supralegal, isto é, abaixo da Constituição, mas acima do ordenamento infraconstitucional;
C) Se não versar sobre direitos humanos, o Tratado Internacional terá o “status” de lei ordinária, conforme o entendimento pri-
meiro do Supremo Tribunal Federal.

13
Noções de Direito Constitucional
2 Direitos sociais. Convém reproduzir os dispositivos constitucionais pertinentes ao tema:

Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social,
a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.

Art. 7º. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:
I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá
indenização compensatória, dentre outros direitos;
II - seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário;
III - fundo de garantia do tempo de serviço;
IV - salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua fa-
mília com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos
que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim;
V - piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho;
VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo;
VII - garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem remuneração variável;
VIII - décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria;
IX - remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;
X - proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa;
XI - participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da em-
presa, conforme definido em lei;
XII - salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos da lei;
XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de
horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho;
XIV - jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento, salvo negociação coletiva;
XV - repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos;
XVI - remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinquenta por cento à do normal;
XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal;
XVIII - licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias;
XIX - licença-paternidade, nos termos fixados em lei;

XX - proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei;
XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos termos da lei;
XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança;
XXIII - adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei;
XXIV - aposentadoria;
XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5 (cinco) anos de idade em creches e pré-escolas;
XXVI - reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho;
XXVII - proteção em face da automação, na forma da lei;
XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando
incorrer em dolo ou culpa;
XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os trabalhado-
res urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho;
XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou
estado civil;
XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência;
XXXII - proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os profissionais respectivos;
XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezes-
seis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos;
XXXIV - igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso.
Parágrafo único. São assegurados à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos previstos nos incisos IV, VI, VII, VIII, X,
XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI, XXII, XXIV, XXVI, XXX, XXXI e XXXIII e, atendidas as condições estabelecidas em lei
e observada a simplificação do cumprimento das obrigações tributárias, principais e acessórias, decorrentes da relação de trabalho
e suas peculiaridades, os previstos nos incisos I, II, III, IX, XII, XXV e XXVIII, bem como a sua integração à previdência social.    

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Noções de Direito Constitucional
Art. 8º. É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte:
I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato, ressalvado o registro no órgão competente, vedadas
ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização sindical;
II - é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau, representativa de categoria profissional ou eco-
nômica, na mesma base territorial, que será definida pelos trabalhadores ou empregadores interessados, não podendo ser inferior à
área de um Município;
III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou
administrativas;
IV - a assembleia geral fixará a contribuição que, em se tratando de categoria profissional, será descontada em folha, para custeio
do sistema confederativo da representação sindical respectiva, independentemente da contribuição prevista em lei;

V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato;


VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho;
VII - o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas organizações sindicais;
VIII - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo de direção ou representação
sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do mandato, salvo se cometer falta grave nos termos da lei.
Parágrafo único. As disposições deste artigo aplicam-se à organização de sindicatos rurais e de colônias de pescadores, atendidas
as condições que a lei estabelecer.

Art. 9º. É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os inte-
resses que devam por meio dele defender.
§1º. A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade.
§2º. Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas da lei.

Art. 10. É assegurada a participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgãos públicos em que seus interesses
profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão e deliberação.

Art. 11. Nas empresas de mais de duzentos empregados, é assegurada a eleição de um representante destes com a finalidade
exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os empregadores.

2.1 Finalidade dos direitos sociais. Os direitos sociais pertencem à segunda geração/dimensão de direitos fundamentais, ligan-
do-se ao valor “igualdade”.
Com efeito, o grande objetivo dos direitos sociais é concretizar a igualdade material, através do reconhecimento da existência
de diferenças na condição econômico-financeira da população, o que faz necessário uma atuação do Estado na busca deste substrato
da igualdade. Disso infere-se, pois, que a principal (mas não única) finalidade dos direitos sociais é proteger os marginalizados e/ou
os hipossuficientes.

2.2 Reserva do possível. Esta expressão surgiu numa decisão do Tribunal Constitucional Federal alemão, em 1972, em resposta
à demanda promovida por estudantes de medicina solicitando seu ingresso em uma universidade alemã, nada obstante a carência de
vagas para isso.
No julgado em que surgiu a reserva do possível, se disse que, caso o órgão público pratique atos para sanar as carências funda-
mentais da população, e, ainda assim, o efeito não atinja a totalidade das pessoas, não é dado aos excluídos acionar judicialmente o
Estado solicitando o suprimento destas carências uma vez que o Estado agiu na medida do que permitia seu orçamento.
No caso dos estudantes de medicina alemães, ainda que a Constituição germânica não consagre direitos sociais, ficou demons-
trado que o Estado aumentou o número de vagas nas universidades destinadas aos postulantes ao curso de medicina, mas, mesmo
assim, isso não acompanhou a demanda de candidatos às vagas. Tivesse o Estado ficado inerte, não lhe competiria alegar a reserva
do possível. Como não ficou, a tese foi considerada perfeitamente válida.
Grande parte da doutrina sustenta que a reserva do possível não poderia ser aplicada na realidade brasileira, em que há uma po-
breza imensa, faltando direitos básicos à população.

Já outra parte, minoritária, sustenta exatamente o contrário, isto é, afirma que a reserva do possível se aplicaria com muito mais
razão no direito brasileiro em virtude da limitação de recursos orçamentários aqui existentes.

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Noções de Direito Constitucional
Isto posto, são três as dimensões da reserva do possível (conforme Ingo Sarlet):
A) Possibilidade fática. Consiste na disponibilidade de recursos necessários à satisfação do direito prestacional. Ou seja, analisa-
-se a disponibilidade financeira para atendimento da prestação de forma generalizada;
B) Possibilidade jurídica. Consiste na análise da existência de autorização orçamentária para cobrir as despesas, e do respeito às
competências federativas;
C) Razoabilidade da exigência e proporcionalidade da prestação. A prestação solicitada deve ser proporcional, razoável (é pre-
ciso saber, p. ex., se mais vale destinar os recursos para a compra de um medicamento de alto custo para atender uma única pessoa,
ou destinar os mesmos recursos para comprar medicamentos de baixo custo para um sem-número de pessoas).

2.3 Mínimo existencial. Essa expressão também surgiu no direito alemão, em decisões do Tribunal Administrativo Federal
prolatadas a partir da década de 1950.
No Brasil, a expressão foi utilizada, pela primeira vez, por Ricardo Lobo Torres, em 1989.
Qual o fundamento do mínimo existencial? O mínimo existencial é resultado da conjugação de 3 normas constitucionais:
A) A dignidade da pessoa humana;
B) A liberdade material;
C) O princípio do Estado social.
E qual o conteúdo do mínimo existencial? Existem, ao menos, duas posições doutrinárias acerca do conteúdo do mínimo exis-
tencial:
A) Para Ricardo Lobo Torres, o mínimo existencial não tem um conteúdo definido. Seu conteúdo varia de acordo com a época
e com a sociedade;
B) Já Ana Paula de Barcellos procura delimitar o conteúdo do mínimo existencial na realidade brasileira. Para ela, o mínimo
existencial engloba o direito à educação básica, o direito à saúde, a assistência aos desamparados, bem como o acesso à justiça (ins-
trumento para garantia do conteúdo do mínimo existencial).
Qual a natureza jurídica do mínimo existencial? O entendimento, aqui, é bem equilibrado. Vejamos:
A) Para considerável parcela da doutrina, o mínimo existencial tem natureza de regra, de forma que não se pode alegar ao “mí-
nimo” a reserva do possível. Isto porque, o mínimo existencial teria caráter absoluto;
B) Para outra considerável parcela doutrinária, o mínimo existencial exige um ônus argumentativo maior do Estado no que se
refere à reserva do possível. Assim, o mínimo existencial, por ter natureza de princípio, seria relativizável.

2.4 Vedação ao retrocesso social. A vedação de retrocesso social se refere à concretização infraconstitucional dos direitos so-
ciais. Portanto, não se dirige ao Poder Constituinte, mas sim aos Poderes Públicos.
Com efeito, a concretização de um direito social deve ser considerada materialmente constitucional. Isto porque, ao efetivar um
direito social por meio de legislação infraconstitucional, o conteúdo dessa lei é constitucional e passa a ter esse “status”, o que im-
pede sua redução/extinção pelo Poder Público. Veja-se, pois, que a partir do momento que se confere “status” constitucional a certa
lei, veda-se a retirada dessa concretização.

2.5 Direitos sociais em espécie. São os previstos no art. 6º, da Constituição Federal, em rol não exauriente:
A) Direito social à educação. Possui o direito social à educação grande assunção de conteúdo auto obrigacional pelo Estado, nos
arts. 205 a 214 da Constituição.
Destes, o art. 205 afirma que a educação é “dever do Estado”, o art. 206, I, preceitua que a “igualdade de condições para o acesso
e permanência na escola” é um dos princípios norteadores do tema, o art. 208, I, normatiza que o dever do Estado com a educação
será efetivado mediante a garantia de “educação básica obrigatória e gratuita dos quatro aos dezessete anos de idade, assegurada sua
oferta gratuita para todos os que a ela não tiverem acesso na idade própria”, e o inciso IV do mesmo dispositivo fala em “educação
infantil em creche e pré-escola para crianças de até cinco anos de idade”. Ademais, os parágrafos primeiro e segundo do art. 208
cravam, respectivamente, que o “acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo”, e que o “não oferecimento do
ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente”. Por fim, o art.
212 e seus parágrafos tratam da porcentagem de distribuição de tributos pelas pessoas da Administração Pública Direta entre si e na
educação propriamente.
Interessante notar, em primeira análise, que o Estado se exime da obrigatoriedade no fornecimento de educação superior, no art.
208, V, quando assegura, apenas, o “acesso” aos níveis mais elevados de ensino, pesquisa e criação artística. Fica denotada ausência
de comprometimento orçamentário e infraestrutural estatal com um número suficiente de universidades/faculdades públicas aptas a
recepcionar o maciço contingente de alunos que saem da camada básica de ensino, sendo, pois, clarividente exemplo de aplicação
da reserva do possível dentro da Constituição. Aliás, vale lembrar, foi esse o motivo - o direito à matrícula numa universidade públi-
ca - que ensejou o desenvolvimento da “reserva” no direito alemão, com a diferença de que lá se trabalha com extensão territorial,
populacional e financeira muito diferente daqui. Enfim, “trocando em miúdos”, tem-se que o Estado apenas assume compromisso no
acesso ao ensino superior, via meios de preparo e inclusão para isso, mas não garante, em momento algum, a presença de todos que
tiverem este almejo neste nível de capacitação.

16
Noções de Direito Constitucional
Noutra consideração ainda sobre o inciso V, é preciso observar que se utiliza a expressão “segundo a capacidade de cada um”,
de forma que o critério para admissão em universidades/faculdades públicas é, somente, pelo preparo intelectual do cidadão, a ser
testado em avaliações com tal fito, como o vestibular e o exame nacional do ensino médio. Trata-se de método no qual, através de
filtragem darwinista social, se define aqueles que prosseguirão em seu aprendizado, formando massa rara de portadores de diploma
universitário.
Assim, o que se observa é que o Estado assume compromisso educacional com os brasileiros de até dezessete anos de idade, via
educação infantil em creche e pré-escola até os cinco anos (art. 208, IV, CF), e via educação básica e obrigatória dos quatro até dezes-
sete anos (art. 208, I). Afora esta faixa etária, somente terão acesso à educação básica aqueles que não a tiveram em seu devido tempo;
B) Direito social à saúde. De maneira indúbia, é no direito à saúde que se concentram as principais discussões recentes do Direito
Constitucional.
Esse acirramento de ânimos no que diz respeito à saúde se dá tanto porque, de todos os direitos sociais, este é o que mais perto
está do direito fundamental individual à vida, do art. 5º, caput, da Constituição pátria, como porque são visíveis os avanços da medi-
cina/indústria farmacêutica nos últimos tempos - embora não sejam menos cristalinos os preços praticados no setor. É dizer: o direito
fundamental à saúde tem custo de individualização exacerbado, se comparado com o anterior direito social à educação.
Como se não bastasse, é ululante o caráter híbrido da saúde, em considerando seus enfoques positivo - o direito individual de
receber saúde -, e negativo - o dever do Estado de fornecer saúde.
Tal direito está disciplinado na Lei Fundamental nos arts. 196 a 200, e, dentre estes, o art. 196 afirma ser a saúde “direito de
todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e outros agravos
e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”, e o art. 198, parágrafos primeiro
a terceiro, tratam da distribuição de recursos para manutenção desta garantia fundamental.
Some-se a isso o fato do direito à saúde ser amplíssimo, bastando para essa conclusão a análise superficial do rol de funções do
Sistema Único de Saúde contido no art. 200 da Constituição, pelo qual, dentre outras, são atribuições do SUS a execução de ações
de vigilância sanitária e epidemiológica (inciso II), a ordenação da formação de recursos humanos na área (inciso III), a participação
da formulação da política e da execução das ações de saneamento básico (inciso IV), a colaboração na proteção do meio ambiente,
nele comprometido o do trabalho (inciso VIII) etc. Outrossim, há ainda outra extensa gama de questões circundantes, como a deter-
minação de internação de pacientes em unidades de terapia intensiva, a insuficiência de leitos hospitalares comuns, o fornecimento
de medicamentos importados e de alto custo, o envio de pacientes para tratamento no exterior etc.;
C) Direito social à alimentação. Há ausência de regulamentação deste direito no Texto Constitucional, tendo em vista sua inclu-
são apenas em 2010, pela Emenda Constitucional nº 64.
Com efeito, o conceito de “alimentação” é amplíssimo, não se restringindo apenas ao estritamente necessário à sobrevivência,
abrangendo, também, aquilo que seja fundamental para uma existência digna. Ou seja, não basta sobreviver, é preciso que se viva
com dignidade e respeito;
D) Direito social ao trabalho. O trabalho é o direito fundamental social que maior guarida encontra na Constituição, haja vista a
grande quantidade de mecanismos assecuratórios dos arts. 7º a 11 - que só perdem para o art. 5º -, dentre os quais se podem destacar,
no art. 7º, o “seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário” (inciso II), o “salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente
unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer,
vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua
vinculação para qualquer fim” (inciso IV), a “remuneração do trabalho noturno superior à do diurno” (inciso IV), o “salário-família
pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos da lei” (inciso XII), o “gozo de férias anuais remuneradas
com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal” (inciso XVII), a “proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante
incentivos específicos, nos termos da lei” (inciso XX), a “redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde,
higiene e segurança” (inciso XXII), a “proteção em face da automação, na forma da lei” (inciso XXVII), dentre outros.
Em análise à gama de direitos atrelados ao trabalho, percebe-se que se pode distribuí-los em blocos, de forma que a Constituição
enfatiza o direito de trabalhar - isto é, o direito de não ficar desempregado, como quando assegura o mercado de trabalho da mulher
(art. 7º, XX), ou quando protege os trabalhadores contra a automação (art. 7º, XXVII) -, o direito de trabalhar com dignidade - isto
é, a preconização da necessidade de condições humanas de trabalho, como quando prevê adicional de remuneração para atividades
penosas, insalubres ou perigosas (art. 7º, XXIII) ou trata da duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e
quatro horas semanais (art. 7º, XIII) -, bem como o direito de perceber rendimentos pelo trabalho - isto é, a remuneração devida pelo
labor, como quando trata do salário mínimo (art. 7º, IV) ou do décimo terceiro salário (art. 7º, VIII);
E) Direito social à moradia. Tal direito não encontra regulamentação no texto constitucional, tal como o direito social à alimen-
tação, já que a moradia só foi acrescida à Constituição Federal no ano 2000, pela Emenda Constitucional nº 26.
A moradia é mais uma promessa feita pelo Estado de conceder um lar a quem não o tenha, bem como de oferecer saneamento
básico àqueles que já tenham um lar, embora vivam em condições insalubres.
A “tese do patrimônio mínimo”, ou a proteção do bem de família são materializações do direito social à moradia;

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Noções de Direito Constitucional
F) Direito social ao lazer. A Constituição não tem tópico específico destinado a explicar “o quê” é o direito social ao lazer,
podendo-se extraí-lo, sem pretensões exaurientes ao tema, da cultura (arts. 215 e 216) e do desporto (art. 217). Ademais, o lazer
aparece como componente teleológico do salário mínimo, no art. 7º, IV, da Lei Fundamental;
G) Direito social à segurança. O art. 196 da Constituição Federal preceitua que a saúde é “direito de todos e dever do Estado”.
Em mesma frequência, o art. 205 diz que a educação é “direito de todos e dever do Estado e da família”. Já o art. 144 prevê que a
segurança pública é “dever do Estado, direito e responsabilidade de todos”.
Nos casos dos direitos fundamentais sociais à saúde e à educação, toma-se o sentido direito-dever, isto é, primeiro se assegura ao
cidadão o direito, depois se cobra do agente estatal o dever. Já na segurança pública essa ordem é invertida, somente se reconhecendo
o direito depois de atribuído ao Estado o dever.
Essa factualidade, mais que um mero desapercebimento do constituinte, se dá por três motivos: o primeiro é a vedação da justiça
por mãos próprias, que impede, como regra, a autotutela, inclusive havendo previsão penal para o exercício arbitrário das próprias
razões, tudo em prol da jurisdicionalização dos conflitos particulares; o segundo, pela própria impossibilidade do cidadão se defender
proficuamente da violência fruto da marginalização social à sua volta, o que faz com que a segurança pública seja, sim, imprescindí-
vel à manutenção de um estado almejado de tranquilidade; e o terceiro, pela natural exigibilidade pelo cidadão em face do Estado, de
ordem, caso se sinta ameaçado em seus direitos individuais.
É ululante, pois, o conteúdo prestacional da segurança pública como direito social, neste terceiro enfoque. Não menos notória,
contudo, é a exígua carga principiológica do art. 144 e parágrafos da Constituição, cujo caput se limita a falar na segurança pública
“exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio”. Afora isso, o que se tem é uma básica
previsão funcional de cada uma das polícias elencadas nos cinco incisos do artigo em evidência;
H) Direito social à previdência social. O direito fundamental social à previdência social está mais bem regulamentado nos arts.
201 e 202 da Constituição - sem prejuízo do contido em legislação infraconstitucional, instância na qual abunda a matéria -, sendo
destinado à cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada (inciso I), proteção à maternidade, especialmente à
gestante (inciso II), proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário (inciso III), salário-família e auxílio-reclusão
(inciso IV), e pensão por morte (inciso VI), todos do art. 201 da Lei Fundamental.
Com efeito, a previdência decorre de situações justificadas nas quais o labor não se faz possível, de maneira que o indivíduo só
não está trabalhando porque já adquiriu este direito ou porque acontecimento superveniente impediu isso. Só que o fato da pessoa
não trabalhar não enseja autorizativo para que possa, simplesmente, deixar de receber rendimentos, mesmo porque há quem, além do
próprio incapacitado, necessite da renda para subsistência;
I) Direito social à proteção à maternidade e à infância. O direito fundamental social à proteção à maternidade e à infância não
se encontra concentrado em parte específica da Constituição, numa seção autônoma, como a previdência social e a educação, p. ex.,
mas espalhado por toda a Lei Fundamental. É o que se pode inferir se analisado o art. 5º, L, que assegura às presidiárias “condições
para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação”, o art. 7º, XVIII, que prevê a licença à gestante, o
art. 7º, XXI, que constitucionaliza a “assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até cinco anos em creches e
pré-escolas”, o art. 201, II, que protege a maternidade, especialmente a gestante, o art. 203, I, que prevê como objetivo da assistência
social à proteção “à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice”, o art. 203, II, que normatiza “o amparo às crianças
e adolescentes carentes”, dentre outros;
J) Direito social à assistência aos desamparados. O direito fundamental à assistência aos desamparados encerra com maestria o
longo rol de direitos sociais constitucionalmente assegurados no art. 6º. Primeiro, por seu cristalino conteúdo prestacional, típico dos
direitos sociais de segunda dimensão, e, segundo, por tentar, tal como um revisor de direitos, suprir eventuais lacunas que tenham
sido deixadas pelo constituinte ao regulamentar outros direitos sociais. É dizer: a assistência aos desamparados é um típico “direito
tampão”.
Neste prumo, prevê o art. 203 da Constituição que a assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente
de contribuição à seguridade social, tendo por objetivos a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice
(inciso I), o amparo às crianças e adolescentes carentes (inciso II), a promoção da integração ao mercado de trabalho (inciso III), a
habilitação e a reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária (inciso IV), e a
garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovarem não possuir meios
de provimento da própria manutenção ou de tê-las providas por familiares (inciso V).

2.6 Direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. Eles estão previstos no art. 7º, da Constituição Federal:
A) Relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá
indenização compensatória, dentre outros direitos (inciso I);
B) Seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário (inciso II);
C) Fundo de garantia do tempo de serviço (inciso III);
D) Salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família
com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que
lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim (inciso IV);

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Noções de Direito Constitucional
E) Piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho (inciso V);
F) Irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo (inciso VI);
G) Garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem remuneração variável (inciso VII), bem como décimo
terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria (inciso VIII);
H) Remuneração do trabalho noturno superior à do diurno (inciso IX);
I) Proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa (inciso X);
J) Participação nos lucros ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa,
conforme definido em lei (inciso XI);
K) Salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos da lei (inciso XII), bem como duração
do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução
da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho (inciso XIII);
L) Jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento, salvo negociação coletiva (inciso
XIV);
M) Repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos (inciso XV);
N) Remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinquenta por cento à do normal (inciso XVI);
O) Gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal (inciso XVII), bem como li-
cença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias (inciso XVIII);
P) Licença-paternidade, nos termos fixados em lei (inciso XIX);
Q) Proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei (inciso XX);
R) Aviso-prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos termos da lei (inciso XXI). Vale chamar
a atenção para este inciso, tendo em vista a edição da Lei nº 12.506/11, que regulamentou tal norma de eficácia até então limitada.
Segundo tal comando legislativo, o aviso-prévio respeitará um mínimo de trinta dias para os empregados que contêm até um ano de
serviço na mesma empresa, e que serão acrescidos três dias por ano de serviço prestado na mesma empresa até o máximo de sessenta
dias, perfazendo, portanto, noventa dias;
S) Redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança (inciso XXII), bem como adicio-
nal de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei (inciso XXIII);
T) Aposentadoria (inciso XXIV), bem como assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até cinco anos de
idade em creches e pré-escolas (inciso XXV);
U) Reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho (inciso XXVI), bem como proteção em face da automação,
na forma da lei (inciso XXVII);
V) Seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando
incorrer em dolo ou culpa (inciso XXVIII), bem como ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo
prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho
(inciso XXIX);
X) Proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado
civil (inciso XXX), bem como proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador por-
tador de deficiência (inciso XXXI);
Z) Proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os profissionais respectivos (inciso XXXII), bem
como proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos,
salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos (inciso XXXIII);
W) Igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso (inciso XXXIV).
Y) À categoria dos trabalhadores domésticos, após a alteração promovida pela Emenda Constitucional nº 72/2013, são asse-
gurados, dentre os direitos previstos no art. 7º, CF, aqueles dispostos nos incisos IV (salário mínimo fixado em lei e nacionalmente
unificado, capaz de atender a necessidades vitais básicas), VI (irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo
coletivo), VII (garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem remuneração variável), VIII (décimo terceiro
salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria), X (proteção do salário na forma da lei, constituindo crime
sua retenção dolosa), XIII (duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a
compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho), XV (repouso semanal remu-
nerado, preferencialmente aos domingos), XVI (remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinquenta por cento
à do normal), XVII (gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais que o salário normal), XVIII (licença à
gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias), XIX (licença-paternidade, nos termos fixados
em lei), XXI (aviso prévio proporcional ao tempo de serviço), XXII (redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de
saúde, higiene e segurança), XXIV (aposentadoria), XXVI (reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho), XXX
(proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, cor, idade ou estado civil),

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Noções de Direito Constitucional
XXXI (proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência) e XX-
XIII (proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito anos e de qualquer trabalho a menores de dezesseis
anos, salvo a partir de catorze anos na condição de aprendiz), todos do art. 7º, e, atendidas as condições estabelecidas em lei e ob-
servada a simplificação do cumprimento das obrigações tributárias, principais e acessórias, decorrentes da relação de trabalho e suas
peculiaridades, os previstos nos incisos I (relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de
lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos), II (seguro-desemprego, em caso de desemprego
involuntário), III (FGTS - Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), IX (remuneração do trabalho noturno superior à do diurno),
XII (salário-família, pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos da lei), XXV (assistência gratuita aos
filhos e dependentes desde o nascimento até cinco anos de idade em creches e pré-escolas) e XXVIII (seguro contra acidentes de
trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa), bem como
sua integração à previdência social. Com efeito, a Emenda Constitucional nº 72 ampliou os direitos assegurados aos trabalhadores
domésticos, já que o antigo parágrafo único, do art. 7º, da Constituição pátria já previa aos trabalhadores domésticos os direitos
previstos nos incisos IV, VI, VIII, XV, XVII, XVIII, XIX e XXIV, bem como a sua integração à previdência social.

2.7 Direito de greve dos trabalhadores. O art. 9º, da Constituição, preceitua que é assegurado o direito de greve aos trabalha-
dores, competindo-lhes decidir sobre sua oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender.
Ademais, o parágrafo primeiro, do mencionado dispositivo, prevê que a lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá
sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade.
Por fim, o segundo parágrafo, do art. 9º, prevê que os abusos não serão tolerados, e sujeitarão os responsáveis às penas da lei.
Com efeito, a Lei nº 7.783/89 disciplina o direito de greve para os trabalhadores da iniciativa privada.

3 Direitos da nacionalidade. Dispositivos constitucionais pertinentes ao tema:

Art. 12. São brasileiros:


I - natos:
a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu
país;
b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço da República Fede-
rativa do Brasil;
c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que sejam registrados em repartição brasileira com-
petente ou venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela
nacionalidade brasileira;
II - naturalizados:
a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários de países de língua portuguesa apenas
residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral;
b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa do Brasil há mais de quinze anos ininterruptos
e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira.
§1º. Aos portugueses com residência permanente no País, se houver reciprocidade em favor de brasileiros, serão atribuídos os
direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta Constituição.
§2º. A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados, salvo nos casos previstos nesta Constituição.
§3º. São privativos de brasileiro nato os cargos:
I - de Presidente e Vice-Presidente da República;
II - de Presidente da Câmara dos Deputados;
III - de Presidente do Senado Federal;
IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal;
V - da carreira diplomática;
VI - de oficial das Forças Armadas;
VII - de Ministro de Estado da Defesa.
§4º. Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:
I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de atividade nociva ao interesse nacional;
II - adquirir outra nacionalidade, salvo no casos:
a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira;
b) de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente em estado estrangeiro, como condição para
permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis.

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Noções de Direito Constitucional
Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil.
§1º. São símbolos da República Federativa do Brasil a bandeira, o hino, as armas e o selo nacionais.
§2º. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão ter símbolos próprios.

3.1 Espécies de nacionalidade. São elas:


A) Nacionalidade originária (ou primária). É aquela que resulta do nascimento. O Estado atribui-a ao indivíduo num ato unila-
teral, isto é, independentemente da vontade do indivíduo;
B) Nacionalidade secundária (ou adquirida). É aquela que decorre de uma manifestação conjunta de vontades. Ao indivíduo,
competirá demonstrar seu interesse em adquirir a nacionalidade de um país; ao Estado, competirá decidir se aceita ou não tal indiví-
duo como seu nacional.

3.2 Modos de aquisição da nacionalidade. Tratam-se de critérios através dos quais a nacionalidade é fixada em um país. São
eles:
A) Critério territorial (ou jus solis). A nacionalidade é definida pelo local do nascimento. Países que recebem muitos imigrantes
costumam adotar tal critério;
B) Critério sanguíneo (ou jus sanguinis). A nacionalidade é definida pelo vínculo de descendência. Países que sofrem uma
debandada muito grande de nacionais, em razão de conflitos, doenças, necessidades econômicas, ou oportunidades promissoras em
terras estrangeiras, costumam adotar tal critério;
C) Critério misto. A nacionalidade pode ser definida tanto em razão do local do nascimento, como pelo vínculo de descendência.
Pode-se dizer que a República Federativa do Brasil adota tal critério, pois tanto são brasileiros natos os filhos nascidos no exterior de
pais brasileiros desde que qualquer deles esteja a serviço do país (critério sanguíneo), p. ex., como o são os nascidos em território na-
cional, ainda que de pais estrangeiros, desde que qualquer deles não esteja a serviço de seu país (critério territorial), noutro exemplo.

3.3 Brasileiros natos. São eles:


A) Os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu
país (art. 12, I, “a”, CF);
B) Os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço da República Fede-
rativa do Brasil (art. 12, I, “b”, CF);
C) Os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que sejam registrados em repartição brasileira com-
petente ou venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela
nacionalidade brasileira (art. 12, I, “c”, CF).
3.4 Brasileiros naturalizados. São eles:
A) Os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários dos países de língua portuguesa ape-
nas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral (art. 12, II, “a”, CF). Trata-se de hipótese conhecida por “naturalização
ordinária”;
Convém observar que, aqui, há um desdobramento em duas situações, a saber, o caso dos estrangeiros que não são originários
de países de língua portuguesa, e o caso dos estrangeiros originários dos países de língua portuguesa.
Para os estrangeiros advindos de países de língua portuguesa (Portugal, Timor Leste, Macau, Angola etc.), a própria Constitui-
ção fixa os requisitos: residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral. Prevalece que há direito público subjetivo de quem se
encontra nesta condição, ou seja, não se trata de mera faculdade do Poder Executivo.
Já para os estrangeiros advindos de países que não falam a língua portuguesa, as condições estão previstas no Estatuto do
Estrangeiro (Lei nº 6.815/80), cujo art. 112 fala, cumulativamente, em capacidade civil segundo a lei brasileira; registro como per-
manente no Brasil; residência contínua no território nacional pelo prazo mínimo de quatro anos imediatamente anteriores ao pedido
de naturalização; saber ler e escrever a língua portuguesa (considerando as condições do naturalizando); ter uma profissão e bens
suficientes à manutenção própria e da família; ter boa saúde (não se exige a prova de boa saúde a nenhum estrangeiro que já resida no
Brasil há mais de dois anos); ter boa conduta; bem como inexistência de denúncia, pronúncia ou condenação no Brasil ou no exterior
por crime doloso a que seja cominada pena mínima de prisão, abstratamente considerada, superior a um ano.
Vale lembrar que, neste caso, a concessão da naturalização (que se fará mediante “portaria do Ministro da Justiça”) é uma facul-
dade do Poder Executivo, ou seja, a existência dos requisitos constantes do art. 112, da Lei nº 6.815/80, não assegura a naturalização;
B) Os estrangeiros de qualquer nacionalidade residentes na República Federativa do Brasil há mais de quinze anos ininterruptos
e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira (art. 12, II, “b”, CF). Trata-se de hipótese conhecida por
“naturalização extraordinária”, segundo a qual, uma vez presentes os requisitos, prevalece na doutrina o entendimento de que há
direito público subjetivo à aquisição da nacionalidade.

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Noções de Direito Constitucional
3.5 “Quase nacionalidade”. É aquela prevista no art. 12, §1º, da CF. Nesse dispositivo, a Lei Fundamental pátria não atribui
nacionalidade aos portugueses, mas cria uma situação de quase nacionalidade desde que exista reciprocidade por parte de Portugal.
Mas, o português é equiparado ao brasileiro nato ou ao naturalizado? Analisando o dispositivo constitucional, verifica-se que há
ressalva quanto às previsões constitucionais específicas (utiliza-se a expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”). Disso
conclui-se que o português (diante de reciprocidade) equipara-se ao brasileiro naturalizado.

3.6 Diferenças entre brasileiros natos e naturalizados. De acordo com o art. 12, §2º, da Constituição Federal, apenas o texto
constitucional pode fixar distinções entre brasileiros natos e naturalizados. Lei infraconstitucional não pode fazê-lo, salvo se respeitar
ou reforçar o que diz a Lei Fundamental pátria.

Neste diapasão, a Constituição Federal fixa cinco diferenças:


A) Cargos públicos privativos de brasileiros natos (art. 12, §3º, CF). Há três cargos que, por questão de segurança nacional,
apenas podem ser ocupados por brasileiros natos, a saber, os cargos de diplomata, de oficial das Forças Armadas, e de Ministro de
Estado da Defesa;
B) Linha sucessória da Presidência da República (art. 12, §3º, CF). O Presidente da República, o Vice-Presidente da República,
o Presidente da Câmara dos Deputados, o Presidente do Senado, e os Ministros do STF, devem ser brasileiros natos. Eis a linha su-
cessória da Presidência da República, consoante previsto no art. 80, da Constituição;
C) Assentos do Conselho da República (art. 89, VII, da Constituição Federal). Integrarão o Conselho da República, nos moldes
do art. 89, VII, CF, seis brasileiros natos, com mais de trinta e cinco anos de idade, sendo dois nomeados pelo Presidente da República,
dois eleitos pelo Senado Federal, e dois eleitos pela Câmara dos Deputados, todos com mandato de três anos, vedada a recondução;
D) Propriedade de empresa jornalística e de radiodifusão (art. 222, caput, da CF). A propriedade de empresa jornalística e de
radiodifusão sonora e de sons e imagens é privativa de brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, ou de pessoas jurídi-
cas constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sede no país. Também, conforme o segundo parágrafo do mesmo dispositivo, a
responsabilidade editorial e as atividades de seleção e direção da programação veiculada são privativas de brasileiros natos ou natu-
ralizados há mais de dez anos, em qualquer meio de comunicação social;
E) Vedação de extradição (art. 5º, LI, da CF). Veda-se, de forma absoluta, a extradição do brasileiro nato.
Quanto ao brasileiro naturalizado, a regra é que também não possa ser extraditado, com duas exceções: em caso de crime comum
praticado antes da naturalização (exceto crime político ou de opinião), ou em caso de tráfico ilícito de entorpecentes, ainda que pra-
ticado após a naturalização.

3.7 Perda da nacionalidade. A Constituição Federal prevê duas hipóteses de perda de nacionalidade, em seu art. 12, §4º:
A) Se o brasileiro tiver cancelada sua naturalização por sentença judicial, em virtude de atividade nociva ao interesse nacional;
B) Se o brasileiro adquirir outra nacionalidade, salvo em caso de reconhecimento da nacionalidade originária pela lei estrangeira,
ou em caso de imposição de naturalização pela norma estrangeira ao brasileiro residente em Estado estrangeiro como condição para
permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis.

4 Cidadania, direitos políticos e partidos políticos. Convém reproduzir os dispositivos constitucionais pertinentes ao tema:

Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos
termos da lei, mediante:
I - plebiscito;
II - referendo;
III - iniciativa popular.
§1º. O alistamento eleitoral e o voto são:
I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos;
II - facultativos para:
a) os analfabetos;
b) os maiores de setenta anos;
c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos.
§2º. Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, durante o período do serviço militar obrigatório, os conscritos.
§3º. São condições de elegibilidade, na forma da lei:
I - a nacionalidade brasileira;
II - o pleno exercício dos direitos políticos;
III - o alistamento eleitoral;
IV - o domicílio eleitoral na circunscrição;
V - a filiação partidária;
VI - a idade mínima de:

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Noções de Direito Constitucional
a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador;
b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal;
c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz;
d) dezoito anos para Vereador.
§4º. São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos.
§5º. O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver sucedido, ou
substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período subsequente.
§6º. Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal e os Prefeitos
devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito.
§7º. São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou
por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja
substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.
§8º. O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições:
I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade;
II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e, se eleito, passará automaticamente, no ato
da diplomação, para a inatividade.
§9º. Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade
administrativa, a moralidade para exercício de mandato considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das
eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou
indireta.
§10. O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias contados da diplomação, instruída
a ação com provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude.
§11. A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça, respondendo o autor, na forma da lei, se temerária ou
de manifesta má-fé.

Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de:
I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado;
II - incapacidade civil absoluta;
III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos;
IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII;
V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, §4º.

Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra
até um ano da data de sua vigência.

Art. 17. É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o regime de-
mocrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana e observados os seguintes preceitos:
I - caráter nacional;
II - proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação a estes;
III - prestação de contas à Justiça Eleitoral;
IV - funcionamento parlamentar de acordo com a lei.
§1º. É assegurada aos partidos políticos autonomia para definir sua estrutura interna, organização e funcionamento e para adotar
os critérios de escolha e o regime de suas coligações eleitorais, sem obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas em âmbito
nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo seus estatutos estabelecer normas de disciplina e fidelidade partidária.
§2º. Os partidos políticos, após adquirirem personalidade jurídica, na forma da lei civil, registrarão seus estatutos no Tribunal
Superior Eleitoral.
§3º. Os partidos políticos têm direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão, na forma da lei.
§4º. É vedada a utilização pelos partidos políticos de organização paramilitar.

4.1 Cidadão. De acordo com a Constituição Federal, é considerado “cidadão” o nacional que esteja no gozo dos direitos polí-
ticos e que participe da vida política do Estado. Veja-se, pois, que o conceito de nacionalidade, visto na espécie anterior de direitos
fundamentais, é muito mais amplo que o de cidadão.

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Noções de Direito Constitucional
4.2 Exercício da soberania nacional. Se faz através de:
A) Plebiscito (art. 14, I, CF). Consiste na consulta prévia à população acerca de um ato que se pretende tomar. Consoante o
primeiro parágrafo, do art. 2º, da Lei nº 9.709/98, o plebiscito é convocado com anterioridade a ato legislativo ou administrativo,
cabendo ao povo, pelo voto, aprovar ou denegar o que lhe tenha sido prometido;
B) Referendo (art. 14, II, CF). Consiste na consulta posterior à população acerca de um ato que já foi praticado, mas que ainda
não entrou em vigor (e somente entrará caso isso seja da vontade da população). Consoante o segundo parágrafo, do art. 2º, da Lei nº
9.709/98, o referendo é convocado com posterioridade a ato legislativo ou administrativo, cumprindo ao povo a respectiva ratificação
ou rejeição;
C) Iniciativa popular (art. 14, III, CF). Consoante o art. 13, da Lei nº 9.709/98, consiste a iniciativa popular na apresentação de
projeto de lei à Câmara dos Deputados, subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por
cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles. Tal projeto deve dizer respeito tão somente
a um só assunto, e não poderá ser rejeitado por vício de forma (caso em que caberá à Câmara dos Deputados providenciar a correção
de eventuais impropriedades de técnica legislativa ou de redação).
4.3 Espécies (modalidades) de direitos políticos. Os direitos políticos são divididos em duas grandes espécies:
A) Direitos políticos positivos. Permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado.
Tais direitos podem ser ativos (capacidade eleitoral ativa), quando permitem ao indivíduo votar, ou passivos (capacidade elei-
toral passiva), quando permitem ao indivíduo ser votado e, se for o caso, eleito;
B) Direitos políticos negativos. Consistem em uma privação dos direitos políticos. Deles decorrem as inelegibilidades (absolutas
e relativas), a perda, e a suspensão de direitos políticos.

4.4 Sufrágio. É a própria essência do direito político. É o direito de participar do processo político, de votar e ser votado. No
Brasil, o sufrágio é universal e periódico.
O sufrágio universal é adotado em regimes democráticos, em regra. As exigências formais para que o sufrágio seja exercido
(idade mínima, nacionalidade, etc.) não retiram a qualidade de “universal” do sufrágio brasileiro.
Também, existe o “sufrágio restrito”, em que se exige alguma condição específica para que possa haver participação no processo
eletivo. Há três tipos de sufrágio restrito, nenhum deles vigente no Brasil de hoje:
A) Censitário. É a exigência de algum tipo de condição econômica para que a pessoa possa participar. A Constituição Imperial
de 1824 tinha essa exigência;
B) Capacitário. É a exigência de alguma capacidade especial, geralmente de natureza intelectual (ex.: somente se autoriza a votar
quem tem nível superior);
C) Em razão do sexo. Muitos países ainda proíbem a mulher de votar. No Brasil, esta já foi uma tônica vigente.

4.5 Voto. O voto é o exercício do direito de sufrágio. Assim, a Constituição cometeu uma impropriedade ao afirmar que “o voto
é secreto e periódico”. O que é “periódico” é o sufrágio, e o que é “secreto” é o escrutínio, que se verá a seguir.
Isto posto, são características do voto:
A) Direto. Em regra, os representantes do povo são escolhidos de forma direta no Brasil. Há uma única exceção constitucional,
em que haverá eleição indireta, no art. 81, §1º, da Lei Fundamental, segundo o qual, vagando os cargos de Presidente e Vice-Pre-
sidente da República, far-se-á eleição noventa dias depois de aberta a última vaga. Todavia, ocorrendo a vacância nos últimos dois
anos do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional,
na forma da lei.
Então, veja-se que, se os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República ficarem vagos nos dois primeiros anos do mandato,
o cargo de Presidente será assumido pelo Presidente da Câmara de forma temporária, porque novas eleições diretas ocorrerão no-
venta dias depois da abertura da última vaga. Os novos eleitos assumirão um “mandato-tampão”, pelos dois anos que restam daquele
mandato. Mas, se os cargos vagarem nos dois últimos anos do mandato, o Presidente da Câmara assumirá o cargo temporariamente,
determinando a realização de eleições indiretas, pelo Congresso Nacional, em trinta dias depois da abertura da última vaga;
B) Igual para todos. O voto de todos tem valor igual;
C) Periódico. Essa característica decorre da periodicidade das eleições;
D) Livre. O que assegura a liberdade no direito de voto é o escrutínio secreto;
E) Personalíssimo. Ou seja, a pessoa não pode transferir esse direito por meio de procuração ou qualquer outro instrumento.

4.6 Escrutínio. O escrutínio é o modo como o direito de voto é exercido (ex.: voto fechado ou voto aberto).

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Noções de Direito Constitucional
4.7 Alistabilidade. É a capacidade eleitoral ativa, isto é, trata-se do direito de votar.
Isto posto, no Brasil são inalistáveis (isto é, que não podem votar), por força do segundo parágrafo, do art. 14, da Constituição
Federal:
A) Conscritos, durante o serviço militar obrigatório. “Conscrito” é aquele que se alista nas Forças Armadas aos 17/18 anos,
prestando o serviço militar obrigatório. O conceito de conscrito abrange também médicos, dentistas, farmacêuticos e veterinários que
prestem o serviço militar obrigatório após a conclusão do curso superior;
B) Estrangeiros. Exceto os portugueses equiparados (“quase nacionais”);
C) Os menores de 16 anos. Conforme entendimento do Tribunal Superior Eleitoral, um menor de dezesseis anos pode requerer
seu título de eleitor, desde que possua dezesseis anos completos no dia das eleições.

4.8 Obrigatoriedade/facultatividade do alistamento e do voto. No Brasil, o alistamento e o voto são obrigatórios para os
maiores de dezoito, e menores de setenta anos.
Desta maneira, uma pessoa com dezesseis anos completos, e menos de dezoito anos, não está obrigada a se alistar (e, conforme
entendimento do Tribunal Superior Eleitoral, ainda que possua o título de eleitor, não está obrigada a votar).
Também, a pessoa com mais de setenta anos não está obrigada a se alistar ou votar.
Por fim, o analfabeto não está obrigado a se alistar e/ou votar.

4.9 Elegibilidade. É a capacidade eleitoral passiva, isto é, trata-se do direito de ser votado.
Quando se atinge a plena cidadania no Brasil? No Brasil, a cidadania vai se adquirindo progressivamente e, aos trinta e cinco
anos, a pessoa atinge a cidadania plena. Isto porque, é apenas aos trinta e cinco anos que a pessoa passa a poder ser eleita para Presi-
dente da República, Vice-Presidente da República ou Senador da República.

4.10 Idades mínimas para exercer um mandato eletivo. São elas:


A) 35 anos. Presidente da República, Vice-Presidente da República e Senador da República;
B) 30 anos. Governador de Estado e do Distrito Federal, e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal;
C) 21 anos. Prefeito, Vice-Prefeito, Deputado Federal, Deputado Distrital, Deputado Estadual, e Juiz de Paz;
D) 18 anos. Vereador.

4.11 Condições de elegibilidade. Elas estão no art. 14, §3º, da CF:


A) Nacionalidade brasileira. Os “quase nacionais” do art. 12, §1º (portugueses com residência permanente no Brasil) podem ser
eleitos (exceto para os cargos privativos de brasileiros natos), desde que haja reciprocidade para os brasileiros que estejam em mesma
situação em Portugal. Trata-se de exceção à exigência da nacionalidade brasileira;
B) Pleno exercício dos direitos políticos. O cidadão não pode incorrer em nenhuma hipótese de perda/suspensão de direitos
políticos;
C) Alistamento eleitoral. Para ser votado, o indivíduo deve, antes de tudo, poder votar, isto é, ser “eleitor”;
D) Domicílio eleitoral na circunscrição. “Domicílio eleitoral” é a sede eleitoral em que o cidadão se encontra alistado. Assim,
se “X” tem domicílio eleitoral no Estado de São Paulo, p. ex., e quiser se candidatar a Governador de Estado, só pode fazê-lo pelo
Estado de São Paulo, mas não pelo Estado do Rio Grande do Sul. Noutro exemplo, se “Y” tem domicílio eleitoral na cidade de Belo
Horizonte, não pode se candidatar à Prefeitura pela cidade de Uberlândia, mas apenas pela capital mineira;
E) Filiação partidária. No Brasil, não se admite “candidato sem partido”;
F) Idade mínima. Já trabalhado alhures.

4.12 Espécies de inelegibilidade. Na condição de “direitos políticos negativos”, as inelegibilidades podem ser:
A) Inelegibilidades absolutas. São situações insuperáveis, em que não será possível a superação do obstáculo. As inelegibilidades
absolutas, por serem restrições graves a direitos políticos, apenas podem ser estabelecidas pela Constituição Federal.
São duas as hipóteses de inelegibilidade absoluta, constantes do art. 14 §4º, da CF, a saber, os inalistáveis (conscritos, menores
de dezesseis anos, e estrangeiros), e os analfabetos;
B) Inelegibilidade relativa. Aqui, é possível a desincompatibilização.

4.13 Espécies de inelegibilidade relativa. Vejamos:


A) Reeleição para cargos de Chefe do Executivo. Isso foi permitido em 1997, pela Emenda Constitucional nº 16. Conforme o
quinto parágrafo, do art. 14, da Constituição Federal, o Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal,
os Prefeitos, e quem os houver substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período subsequente. Isso
significa que somente é possível um segundo mandato subsequente, jamais um terceiro.

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Noções de Direito Constitucional
E se os agentes aqui mencionados tencionarem concorrer a outros cargos? Devem renunciar aos respectivos mandatos até seis
meses antes do pleito. O objetivo é que a máquina pública administrativa não seja utilizada como instrumento de captação de votos;
B) Inelegibilidade em razão do parentesco. Consoante o art. 14, §7º, da Constituição, são inelegíveis, no território de jurisdição
do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, do Go-
vernador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao
pleito, salvo e já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.
Assim, suponha-se que “X” é Governadora do Estado do Amapá. “Y”, seu filho, não pode concorrer à Prefeitura de Macapá,
capital do Amapá, por ser território de circunscrição de “X”, salvo se “Y” apenas estiver tentando à reeleição. Isso não obsta, todavia,
que “Y” concorra a Prefeito por algum Município do Estado do Acre, afinal, isso está fora da circunscrição do Estado do Amapá, da
qual “X”, mãe de “Y”, é Governadora.
Noutro exemplo, suponha-se que “A” é Prefeito da cidade do Rio de Janeiro. “B”, cônjuge de “A”, não pode se candidatar a
Vereador pela cidade do Rio de Janeiro, salvo se candidato à reeleição. Isso não representa óbice a que “A” se candidate a Vereador
na cidade de Niterói, pois tal Município está fora da circunscrição da cidade do Rio de Janeiro, da qual “A” é Prefeito;
C) Elegibilidade do militar alistável. Se contar com menos de dez anos de serviço, o militar alistável deverá afastar-se da ativi-
dade; se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e, se eleito, passará automaticamente, no ato da
diplomação, para a inatividade. Eis a essência do oitavo parágrafo, do art. 14, da Lei Fundamental pátria.

4.14 Possibilidade de estabelecer outras inelegibilidades relativas. Outras inelegibilidades relativas poderão ser determinadas
por lei complementar. Tal lei já existe, e é a Lei Complementar nº 64/90. A “Lei da Ficha Limpa” (Lei Complementar nº 135/2010)
promoveu alterações nesta Lei Complementar.

4.15 Suspensão ou perda dos direitos políticos. Nos termos do art. 15, caput, da Constituição Federal, é vedada a cassação de
direitos políticos. Só é possível a “perda” (quando se dá de forma definitiva) ou a “suspensão” (quando se dá de forma provisória)
dos direitos políticos nos seguintes casos:
A) Cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado. Trata-se de hipótese de perda dos direitos políticos;
B) Incapacidade civil absoluta. Trata-se de hipótese de suspensão dos direitos políticos, afinal, pode-se recuperar a capacidade;
C) Condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos. Trata-se de hipótese de suspensão dos direitos
políticos;
D) Recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII. Aqui há divergência sobre
ser perda ou suspensão dos direitos políticos. Prevalece que é hipótese de suspensão dos direitos políticos;
E) Improbidade administrativa, nos termos do art. 37, §4º. Trata-se de hipótese de suspensão dos direitos políticos. Ademais, o
juiz deve apontar expressamente essa suspensão em sua sentença.

4.16 Partidos políticos. Os partidos políticos estão genericamente tratados em apenas um dispositivo da Constituição Federal,
a saber, o art. 17.
Sem prejuízo deste dispositivo constitucional, há a Lei nº 9.096/95, que trata especificamente da organização dos partidos polí-
ticos. Esta lei é usualmente conhecida como “Lei dos Partidos Políticos”.
Com efeito, a despeito de outros tempos, ditatoriais, em que a pluralidade de partidos era algo inimaginável, com a redemo-
cratização promovida em 1988 tornou-se livre a criação, a fusão, a incorporação, e a extinção de partidos políticos, resguardados a
soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, e os direitos fundamentais da pessoa humana.
Veja-se, pois, que uma vez observadas a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, e os direitos fundamen-
tais, há uma liberdade partidária como nunca se viu na democracia deste país. Desta maneira, um partido nazista (nacional-socialista),
p. ex., por não respeitar os direitos fundamentais nem o regime democrático, tem sua criação/atuação vedada. Um partido defensor
do desmembramento de parte do Brasil para formar outra nação, p. ex., por atentar contra a segurança nacional, tem sua criação/
atuação vedada.
Ademais, para se criar um partido político, alguns preceitos necessitam ser observados. Vejamos:
A) O caráter nacional. Um partido político deve se propor a agir no país inteiro;
B) A proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação a estes. Exige-se
que os partidos tenham aspecto nacional. Não pode um partido ser sustentado pelo governo da Venezuela, p. ex., pois teme-se que
isso atente contra a soberania pátria;
C) A prestação de contas junto à Justiça Eleitoral. A Justiça Eleitoral é fiscal da atuação administrativa/financeira dos partidos
políticos;
D) O funcionamento parlamentar de acordo com a lei. Um partido político não pode querer ter suas próprias regras de atuação no
Congresso Nacional, se isso afrontar ao senso comum e às disposições constitucionais acerca da competência das Casas Legislativas;
E) Não pode um partido político se utilizar de organização paramilitar. Eis a essência do previsto no parágrafo quarto, do art.
17, CF. Não pode um partido defender a utilização de armas/violência para o atingimento de seus objetivos.

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Noções de Direito Constitucional
2 DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
(ARTIGOS DE 37 A 41, CAPÍTULO VII,
CONSTITUIÇÃO FEDERAL).

Dispositivos constitucionais pertinentes ao tema:

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Mu-
nicípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:
I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim
como aos estrangeiros, na forma da lei;
II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e
títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para
cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração;
III - o prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável uma vez, por igual período;
IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele aprovado em concurso público de provas ou de
provas e títulos será convocado com prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou emprego, na carreira;
V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a
serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às
atribuições de direção, chefia e assessoramento;
VI - é garantido ao servidor público civil o direito à livre associação sindical;
VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica;
VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios
de sua admissão;
IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional
interesse público;
X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o §4º do art. 39 somente poderão ser fixados ou alterados por
lei específica, observada a iniciativa privativa em cada caso, assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção
de índices;
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e
fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de
mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente
ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Mi-
nistros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito
Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito
do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos
por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este
limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos;
XII - os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário não poderão ser superiores aos pagos pelo Poder
Executivo;
XIII - é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de remuneração de pessoal do
serviço público;
XIV - os acréscimos pecuniários percebidos por servidor público não serão computados nem acumulados para fins de concessão
de acréscimos ulteriores;
XV - o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e empregos públicos são irredutíveis, ressalvado o disposto nos incisos
XI e XIV deste artigo e nos arts. 39, §4º, 150, II, 153, III, e 153, §2º, I;
XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver compatibilidade de horários, observado em
qualquer caso o disposto no inciso XI.
a) a de dois cargos de professor;
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico;
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões regulamentadas;

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Noções de Direito Constitucional
XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades
de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público;
XVIII - a administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição, precedência
sobre os demais setores administrativos, na forma da lei;
XIX - somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de eco-
nomia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação;
XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a criação de subsidiárias das entidades mencionadas no inciso anterior,
assim como a participação de qualquer delas em empresa privada;
XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão contratados mediante pro-
cesso de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações
de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação
técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações;
XXII - as administrações tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, atividades essenciais ao funcio-
namento do Estado, exercidas por servidores de carreiras específicas, terão recursos prioritários para a realização de suas atividades
e atuarão de forma integrada, inclusive com o compartilhamento de cadastros e de informações fiscais, na forma da lei ou convênio.
§1º. A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informati-
vo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades
ou servidores públicos.
§2º. A não observância do disposto nos incisos II e III implicará a nulidade do ato e a punição da autoridade responsável, nos
termos da lei.
§3º. A lei disciplinará as formas de participação do usuário na administração pública direta e indireta, regulando especialmente:
I - as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em geral, asseguradas a manutenção de serviços de atendimento ao
usuário e a avaliação periódica, externa e interna, da qualidade dos serviços;
II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos de governo, observado o disposto no art. 5º, X
e XXXIII;
III - a disciplina da representação contra o exercício negligente ou abusivo de cargo, emprego ou função na administração pú-
blica.
§4º. Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponi-
bilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.
§5º. A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por qualquer agente, servidor ou não, que causem prejuízos
ao erário, ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento.
§6º. As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que
seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.
§7º. A lei disporá sobre os requisitos e as restrições ao ocupante de cargo ou emprego da administração direta e indireta que
possibilite o acesso a informações privilegiadas.
§8º. A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração direta e indireta poderá ser am-
pliada mediante contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder público, que tenha por objeto a fixação de metas de
desempenho para o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre:
I - o prazo de duração do contrato;
II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e responsabilidade dos dirigentes;
III - a remuneração do pessoal.
§9º. O disposto no inciso XI aplica-se às empresas públicas e às sociedades de economia mista, e suas subsidiárias, que recebe-
rem recursos da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios para pagamento de despesas de pessoal ou de custeio em
geral.
§10. É vedada a percepção simultânea de proventos de aposentadoria decorrentes do art. 40 ou dos arts. 42 e 142 com a remune-
ração de cargo, emprego ou função pública, ressalvados os cargos acumuláveis na forma desta Constituição, os cargos eletivos e os
cargos em comissão declarados em lei de livre nomeação e exoneração.
§11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de
caráter indenizatório previstas em lei.
§12. Para os fins do disposto no inciso XI do caput deste artigo, fica facultado aos Estados e ao Distrito Federal fixar, em seu
âmbito, mediante emenda às respectivas Constituições e Lei Orgânica, como limite único, o subsídio mensal dos Desembargadores
do respectivo Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal dos Ministros
do Supremo Tribunal Federal, não se aplicando o disposto neste parágrafo aos subsídios dos Deputados Estaduais e Distritais e dos
Vereadores.

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Noções de Direito Constitucional
Art. 38. Ao servidor público da administração direta, autárquica e fundacional, no exercício de mandato eletivo, aplicam-se as
seguintes disposições:
I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, ficará afastado de seu cargo, emprego ou função;
II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, emprego ou função, sendo-lhe facultado optar pela sua remunera-
ção;
III - investido no mandato de Vereador, havendo compatibilidade de horários, perceberá as vantagens de seu cargo, emprego ou
função, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo, e, não havendo compatibilidade, será aplicada a norma do inciso anterior;
IV - em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício de mandato eletivo, seu tempo de serviço será contado para todos
os efeitos legais, exceto para promoção por merecimento;
V - para efeito de benefício previdenciário, no caso de afastamento, os valores serão determinados como se no exercício estivesse.

Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no âmbito de sua competência, regime jurídico único
e planos de carreira para os servidores da administração pública direta, das autarquias e das fundações públicas.
§1º. A fixação dos padrões de vencimento e dos demais componentes do sistema remuneratório observará:
I - a natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade dos cargos componentes de cada carreira;
II - os requisitos para a investidura;
III - as peculiaridades dos cargos.
§2º. A União, os Estados e o Distrito Federal manterão escolas de governo para a formação e o aperfeiçoamento dos servidores
públicos, constituindo-se a participação nos cursos um dos requisitos para a promoção na carreira, facultada, para isso, a celebração
de convênios ou contratos entre os entes federados.
§3º. Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o disposto no art. 7º, IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII,
XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer requisitos diferenciados de admissão quando a natureza do cargo o exigir.
§4º. O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais serão
remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono,
prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória, obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, X e XI.
§5º. Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios poderá estabelecer a relação entre a maior e a menor remu-
neração dos servidores públicos, obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, XI.
§6º. Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário publicarão anualmente os valores do subsídio e da remuneração dos cargos
e empregos públicos.
§7º. Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios disciplinará a aplicação de recursos orçamentários prove-
nientes da economia com despesas correntes em cada órgão, autarquia e fundação, para aplicação no desenvolvimento de programas
de qualidade e produtividade, treinamento e desenvolvimento, modernização, reaparelhamento e racionalização do serviço público,
inclusive sob a forma de adicional ou prêmio de produtividade.
§8º. A remuneração dos servidores públicos organizados em carreira poderá ser fixada nos termos do §4º.

Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas
autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo
ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial
e o disposto neste artigo.
§1º. Os servidores abrangidos pelo regime de previdência de que trata este artigo serão aposentados, calculados os seus proventos
a partir dos valores fixados na forma dos §§ 3º e 17:
I - por invalidez permanente, sendo os proventos proporcionais ao tempo de contribuição, exceto se decorrente de acidente em
serviço, moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou incurável, na forma da lei;
II - compulsoriamente, aos setenta anos de idade, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição;
III - voluntariamente, desde que cumprido tempo mínimo de dez anos de efetivo exercício no serviço público e cinco anos no
cargo efetivo em que se dará a aposentadoria, observadas as seguintes condições:
a) sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribuição, se homem, e cinquenta e cinco anos de idade e trinta de contribuição,
se mulher;
b) sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de idade, se mulher, com proventos proporcionais ao tempo de
contribuição.
§2º. Os proventos de aposentadoria e as pensões, por ocasião de sua concessão, não poderão exceder a remuneração do respectivo
servidor, no cargo efetivo em que se deu a aposentadoria ou que serviu de referência para a concessão da pensão.
§3º. Para o cálculo dos proventos de aposentadoria, por ocasião da sua concessão, serão consideradas as remunerações utilizadas
como base para as contribuições do servidor aos regimes de previdência de que tratam este artigo e o art. 201, na forma da lei.

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Noções de Direito Constitucional
§4º. É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria aos abrangidos pelo regime de
que trata este artigo, ressalvados, nos termos definidos em leis complementares, os casos de servidores:
I - portadores de deficiência;
II - que exerçam atividades de risco;
III cujas atividades sejam exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física.
§5º. Os requisitos de idade e de tempo de contribuição serão reduzidos em cinco anos, em relação ao disposto no §1º, III, “a”,
para o professor que comprove exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil e no ensino
fundamental e médio.
§6º. Ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos cargos acumuláveis na forma desta Constituição, é vedada a percepção de
mais de uma aposentadoria à conta do regime de previdência previsto neste artigo.
§7º. Lei disporá sobre a concessão do benefício de pensão por morte, que será igual:
I - ao valor da totalidade dos proventos do servidor falecido, até o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral
de previdência social de que trata o art. 201, acrescido de setenta por cento da parcela excedente a este limite, caso aposentado à data
do óbito; ou
II - ao valor da totalidade da remuneração do servidor no cargo efetivo em que se deu o falecimento, até o limite máximo esta-
belecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201, acrescido de setenta por cento da parcela
excedente a este limite, caso em atividade na data do óbito.
§8º. É assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, em caráter permanente, o valor real, conforme critérios
estabelecidos em lei.
§9º. O tempo de contribuição federal, estadual ou municipal será contado para efeito de aposentadoria e o tempo de serviço cor-
respondente para efeito de disponibilidade.
§10. A lei não poderá estabelecer qualquer forma de contagem de tempo de contribuição fictício.
§11. Aplica-se o limite fixado no art. 37, XI, à soma total dos proventos de inatividade, inclusive quando decorrentes da acumula-
ção de cargos ou empregos públicos, bem como de outras atividades sujeitas a contribuição para o regime geral de previdência social,
e ao montante resultante da adição de proventos de inatividade com remuneração de cargo acumulável na forma desta Constituição,
cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, e de cargo eletivo.
§12. Além do disposto neste artigo, o regime de previdência dos servidores públicos titulares de cargo efetivo observará, no que
couber, os requisitos e critérios fixados para o regime geral de previdência social.
§13. Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como
de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica-se o regime geral de previdência social.
§14. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, desde que instituam regime de previdência complementar para os
seus respectivos servidores titulares de cargo efetivo, poderão fixar, para o valor das aposentadorias e pensões a serem concedidas
pelo regime de que trata este artigo, o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que
trata o art. 201.
§15. O regime de previdência complementar de que trata o §14 será instituído por lei de iniciativa do respectivo Poder Executivo,
observado o disposto no art. 202 e seus parágrafos, no que couber, por intermédio de entidades fechadas de previdência complemen-
tar, de natureza pública, que oferecerão aos respectivos participantes planos de benefícios somente na modalidade de contribuição
definida.
§16. Somente mediante sua prévia e expressa opção, o disposto nos §§ 14 e 15 poderá ser aplicado ao servidor que tiver ingres-
sado no serviço público até a data da publicação do ato de instituição do correspondente regime de previdência complementar.
§17. Todos os valores de remuneração considerados para o cálculo do benefício previsto no §3º serão devidamente atualizados,
na forma da lei.
§18. Incidirá contribuição sobre os proventos de aposentadorias e pensões concedidas pelo regime de que trata este artigo que
superem o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201, com percentual
igual ao estabelecido para os servidores titulares de cargos efetivos.
§19. O servidor de que trata este artigo que tenha completado as exigências para aposentadoria voluntária estabelecidas no §1º,
III, “a”, e que opte por permanecer em atividade fará jus a um abono de permanência equivalente ao valor da sua contribuição previ-
denciária até completar as exigências para aposentadoria compulsória contidas no §1º, II.
§20. Fica vedada a existência de mais de um regime próprio de previdência social para os servidores titulares de cargos efetivos,
e de mais de uma unidade gestora do respectivo regime em cada ente estatal, ressalvado o disposto no art. 142, §3º, X.
§21. A contribuição prevista no §18 deste artigo incidirá apenas sobre as parcelas de proventos de aposentadoria e de pensão que
superem o dobro do limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201 desta
Constituição, quando o beneficiário, na forma da lei, for portador de doença incapacitante.

30
Noções de Direito Constitucional
Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de
concurso público.
§1º. O servidor público estável só perderá o cargo:
I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado;
II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa;
III - mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar, assegurada ampla defesa.
§2º. Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor estável, será ele reintegrado, e o eventual ocupante da vaga, se
estável, reconduzido ao cargo de origem, sem direito a indenização, aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade com
remuneração proporcional ao tempo de serviço.
§3º. Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor estável ficará em disponibilidade, com remuneração propor-
cional ao tempo de serviço, até seu adequado aproveitamento em outro cargo.
§4º. Como condição para a aquisição da estabilidade, é obrigatória a avaliação especial de desempenho por comissão instituída
para essa finalidade.

1 Disposições gerais. Vejamos:

1.1 Atividade administrativa. A atividade administrativa poderá ser prestada de maneira centralizada, pelos entes políticos
componentes da Administração Direta (União, Estados, Municípios e Distrito Federal), ou de maneira descentralizada, pelos entes
componentes da Administração Indireta (Autarquias, Fundações Públicas, Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista) bem
como por particulares (através de concessionárias e permissionárias de serviços públicos, p. ex.).

1.2 Administração direta e indireta. Os órgãos da Administração Pública direta são aqueles componentes dos Poderes da Re-
pública propriamente ditos. Tais órgãos são despersonalizados.
Já os órgãos da Administração Pública indireta são as autarquias, fundações, empresas públicas, e sociedades de economia mista.
Tais órgãos têm personalidade jurídica própria, ou de direito público (autarquias e fundações públicas de direito público) ou de direito
privado (fundações públicas de direito privado, empresas públicas, e sociedades de economia mista).

1.3 Alguns princípios aplicáveis à Administração Pública. São eles:


A) Princípio da legalidade. Para o direito privado, legalidade significa poder fazer tudo o que a lei não proíbe (autonomia priva-
da). Já para a Administração Pública, legalidade significa somente poder fazer aquilo previsto em lei;
B) Princípio da impessoalidade. Impessoalidade denota ausência de subjetividade. O administrador não pode se utilizar da coisa
pública para satisfazer interesses pessoais;
C) Princípio da moralidade. Traduz a ideia de honestidade, de ética, de correção de atitudes, de boa-fé. A moralidade adminis-
trativa representa mais que a moralidade comum, porque enquanto nesta as relações são interpessoais, na moralidade administrativa
envolve-se o trato da coisa pública;
D) Princípio da publicidade. Tal princípio significa conhecimento, ciência, divulgação ao titular dos interesses em jogo, a sa-
ber, o povo. Disso infere-se que a publicidade acaba sendo condição de eficácia, em regra, do ato administrativo (como ocorre nos
procedimentos licitatórios, p. ex.). Neste diapasão, o primeiro parágrafo, do art. 37, da Constituição, preceitua que a publicidade dos
atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social,
dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos;
E) Princípio da eficiência. Tal princípio não estava previsto no texto originário da Constituição Federal em 1988. Foi ele acresci-
do pela Emenda Constitucional nº 19/1998, e significa presteza, qualidade no serviço, agilidade, economia, ausência de desperdício;
F) Princípio da supremacia do interesse público. Em um eventual conflito entre um interesse particular e outro da coletividade,
este último deverá prevalecer, como regra geral. Tal princípio decorre de outro axioma, a saber, o “da Indisponibilidade do Interesse
Público”, segundo o qual, sendo a coisa pública pertencente a todos, não pode o agente administrador dela utilizar livremente;
G) Princípio da presunção de legitimidade dos atos administrativos. Há uma presunção relativa (isto é, que admite prova em
contrário) em torno dos atos administrativos, de que são legítimos, válidos e eficazes.
É óbvio que, além destes, há outros princípios vigentes para a Administração Pública, como o da isonomia, o da razoabilidade/
proporcionalidade, o da autotutela etc. Mas, tais matérias não serão aqui explicadas, por serem da alçada do Direito Administrativo
propriamente dito.

1.4 Ocupantes de cargos, empregos e funções públicas. Tanto brasileiros (que preencham os requisitos estabelecidos em lei)
como os estrangeiros (na forma da lei) podem ocupar cargos, empregos e funções públicas.

31
Noções de Direito Constitucional
1.5 Investidura em cargo ou emprego público. Em regra, a investidura em cargo ou emprego público se dá mediante aprovação
prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e complexidade do cargo ou emprego. As
exceções são os cargos em comissão, de livre nomeação e exoneração.
Em situações excepcionais, como urgência ou interesse público de duração temporária, se pode dispensar o concurso público,
ou, ao menos, realizar processo seletivo simplificado. Neste diapasão, a Lei nº 8.745/93 disciplina os casos de contratação por tempo
determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público, p. ex.

1.6 Prazo de validade do concurso público. O prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável uma
vez por igual período. Convém lembrar que, durante o prazo improrrogável previsto no edital, aquele aprovado em concurso público
será convocado com prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou emprego.

1.7 Contratação pela Administração Publica de obras, serviços, compras e alienações. Ressalvadas as hipóteses de dispensa
ou inexigibilidade, a contratação, pela Administração Pública, de obras, serviços, compras ou alienações se dá mediante procedimen-
to licitatório. A lei que dispõe sobre normas gerais de licitação é a de nº 8.666/93.

Consoante o art. 37, XXI, da Lei Fundamental pátria, os procedimentos licitatórios devem ser públicos, e devem assegurar igual-
dade de condições a todos os concorrentes (com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas
da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia
do cumprimento das obrigações).

2 Servidores públicos. Utilizando a expressão “servidor público” em sentido genérico, por tais se pode entender os agentes que
trabalham em prol do funcionamento e das obrigações assumidas pelo Estado.

2.1 Direito à livre associação sindical do servidor público. O servidor público, tal como na iniciativa privada, tem direito à
livre associação sindical, independentemente da existência de lei regulamentadora neste sentido.

2.2 Direito de greve do servidor público. Ao servidor público é assegurado o direito de greve, a ser exercido nos termos e nos
limites definidos em lei específica (art. 37, VII, CF). O problema é que essa lei não foi regulamentada até hoje, razão pela qual o
Supremo Tribunal Federal vem mandando aplicar, no que couber, a lei de greve da iniciativa privada (Lei nº 7.783/89) aos servidores
públicos. Tais decisões vêm ocorrendo em sede de mandados de injunção.

2.3 Algumas nuanças atinentes à remuneração de pessoal de serviço público. Vejamos:


A) É vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de remuneração de pessoa do ser-
viço público;
B) É vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver disponibilidade de horários, na hipótese de
dois cargos de professor, ou de um cargo de professor com outro técnico ou químico, ou de dois cargos ou empregos privativos de
profissionais de saúde com profissões regulamentadas;
C) Os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário não poderão ser superiores aos pagos pelo Poder
Executivo;
D) A remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e
fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de
mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões de outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente
ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Mi-
nistros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito
Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais no âmbito do Poder
Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento
do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos
membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos.

2.4 Fixação dos padrões de vencimento do sistema remuneratório do servidor público. A fixação dos padrões de vencimento
e dos demais componentes do sistema remuneratório observará:
A) A natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade dos cargos componentes de cada carreira;
B) Os requisitos para a investidura;
C) As peculiaridades dos cargos.

32
Noções de Direito Constitucional
2.5 Nuanças em relação aos padrões de vencimento do sistema remuneratório do servidor público. Vejamos:
A) O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais serão
remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono,
prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória, obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, X e XI, da Cons-
tituição Federal;
B) Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios poderá estabelecer a relação entre a maior e a menor remu-
neração dos servidores públicos, obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, XI, da Constituição;
C) Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário publicarão anualmente os valores do subsídio e da remuneração dos cargos e
empregos públicos;
D) A remuneração dos servidores públicos organizados em carreira poderá ser fixada nos termos do art. 39, §4º, CF.

2.6 Aposentadoria dos servidores públicos. Os servidores abrangidos pelo regime de previdência de que trata o art. 40, CF,
serão aposentados:
A) Por invalidez permanente, sendo os proventos proporcionais ao tempo de contribuição, exceto se decorrente de acidente em
serviço, moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou incurável, na forma da lei;
B) Compulsoriamente, aos setenta anos de idade, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição;
C) Voluntariamente, desde que cumprido tempo mínimo de dez anos de efetivo exercício no serviço público e cinco anos no
cargo efetivo em que se dará a aposentadoria, observadas as seguintes condições: 1) Sessenta anos de idade e trinta e cinco de contri-
buição, se homem, e cinquenta e cinco anos de idade e trinta de contribuição, se mulher; 2) Sessenta e cinco anos de idade, se homem,
e sessenta anos de idade, se mulher, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição.
Os requisitos de idade e de tempo de contribuição serão reduzidos em cinco anos, em relação ao disposto na primeira condição
da hipótese “C” acima vista, para o professor que comprove exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de magistério na
educação infantil e no ensino fundamental e médio.
Ainda, há se lembrar que os proventos de aposentadoria e as pensões, por ocasião de sua concessão, não poderão exceder a re-
muneração do respectivo servidor, no cargo efetivo em que se deu a aposentadoria ou que serviu de referência para a concessão da
pensão.
Há se lembrar, por fim, que para o cálculo dos proventos de aposentadoria, por ocasião da sua concessão, serão consideradas as
remunerações utilizadas como base para as contribuições do servidor aos regimes de previdência de que tratam os arts. 40 e 201, da
Constituição Federal, na forma da lei.

2.7 Possibilidade de adoção de critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria, na forma do art. 40, da Cons-
tituição Federal. Não é possível a adoção de critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria, ressalvados, nos termos
definidos em leis complementares, os casos de servidores:
A) Portadores de deficiência;
B) Que exerçam atividades de risco;
C) Cujas atividades sejam exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física.

2.8 Possibilidade de cumulação de aposentadorias, na forma do art. 40, da Constituição. Ressalvadas as aposentadorias
decorrentes dos cargos acumuláveis na forma da Constituição, é vedada a percepção de mais de uma aposentadoria à conta do regime
de previdência previsto no art. 40, CF.

2.9 Estabilidade dos servidores públicos. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo
de provimento efetivo em virtude de concurso público.
O servidor público estável só perderá o cargo:
A) Em virtude de sentença judicial transitada em julgado;
B) Mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa;
C) Mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar, assegurada ampla defesa.
Há se lembrar que, invalidada por sentença judicial a demissão do servidor estável, será ele reintegrado, e o eventual ocupante da
vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem, sem direito a indenização, aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade
com remuneração proporcional ao tempo de serviço.
Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor estável ficará em disponibilidade, com remuneração proporcional
ao tempo de serviço, até seu adequado aproveitamento em outro cargo.
Como condição para a aquisição da estabilidade, é obrigatória a avaliação especial de desempenho por comissão instituída para
essa finalidade.

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Noções de Direito Constitucional
QUESTÕES DE FIXAÇÃO

1. (ANALISTA JUDICIÁRIO - TRE/SP - 2012 - FCC) Um órgão da Administração direta de determinado Município efetua
contratação de serviços que poderiam ser prestados por servidores públicos, sem realizar licitação e sem que o ato que determinou a
contratação tivesse sido precedido de justificativa. Nessa hipótese, poderia:
(A) O Ministério Público, por meio de mandado de segurança coletivo, requerer que fosse declarada a ilegalidade da contratação,
por ofensa aos princípios constitucionais de realização de licitação e motivação dos atos administrativos.
(B) Uma associação de servidores públicos municipais, por meio de habeas data, requerer a anulação da contratação e a deter-
minação de que seja realizado concurso público para contratação de novos servidores, com vistas ao desempenho das atividades.
(C) Um servidor público integrante dos quadros do órgão municipal, por meio de mandado de segurança, requerer a anulação do
ato praticado pelo dirigente do órgão, por abuso de poder.
(D) Um cidadão qualquer, por meio de ação popular, requerer a anulação do contrato, por ser lesivo ao patrimônio público e à
moralidade administrativa, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência.
(E) O Procurador-Geral de Justiça, por meio de mandado de injunção, requerer que fosse declarada a omissão do Poder Público
municipal no cumprimento de sua obrigação de prestar serviços.

2. (ANALISTA JUDICIÁRIO - TRF/2ª REGIÃO - 2012 - FCC) Considere:


I. O Partido Político A, regularmente constituído, não possui representação no Congresso Nacional.
II. O Sindicato B, legalmente constituído, está em funcionamento há dois anos.
III. A Associação C, legalmente constituída, está em funcionamento há um ano e quinze dias.
IV. A Associação D, legalmente constituída, está em funcionamento há dez meses.
De acordo com a Constituição Federal brasileira, possuem legitimidade para impetrar mandado de segurança coletivo apenas os
entes indicados em:
(A) II e III.
(B) I, II e III.
(C) II, III e IV.
(D) III e IV.
(E) I e II.

3. (ANALISTA JUDICIÁRIO - TRE/SP - 2012 - FCC) Suponha que, num processo judicial, após a constatação do desapa-
recimento injustificado de bem que estava sob a guarda de depositário judicial, o magistrado decretou a prisão civil do depositário.
Considerando a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre a matéria, a prisão civil foi decretada:
(A) Regularmente, uma vez que a essa pena está sujeito apenas o depositário judicial, e não o contratual.
(B) Regularmente, uma vez que a essa pena está sujeito o depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito.
(C) Irregularmente, uma vez que a pena somente pode ser aplicada ao depositário infiel que assuma contratualmente o ônus da
guarda do bem.
(D) Irregularmente, uma vez que é ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito.
(E) Irregularmente, uma vez que é inconstitucional a prisão civil por dívida, qualquer que seja seu fundamento.

4. (EXAME DE ORDEM UNIFICADO - OAB - 2012 - FGV) A Constituição assegura, entre os direitos e garantias indivi-
duais, a inviolabilidade do domicílio, afirmando que “a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem o
consentimento do morador” (art. 5º, XI, CRFB). A esse respeito, assinale a alternativa correta:
(A) O conceito de “casa” é abrangente e inclui quarto de hotel.
(B) O conceito de casa é abrangente, mas não inclui escritório de advocacia.
(C) A prisão em flagrante durante o dia é um limite a essa garantia, mas apenas quando houver mandado judicial.
(D) A prisão em quarto de hotel obedecendo a mandado judicial pode se dar no período noturno.

5. (ANALISTA JUDICIÁRIO - CNJ - 2013 - CESPE) Em relação à CF e aos direitos e garantias fundamentais dos cidadãos
brasileiros, julgue o item seguinte: “Serão considerados equivalentes às emendas constitucionais os tratados internacionais sobre
direitos humanos referendados em ambas as Casas do Congresso Nacional em dois turnos de votação e por um terço dos respectivos
membros”.

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Noções de Direito Constitucional
6. (TÉCNICO JUDICIÁRIO - TRT/1ª Região - 2013 - FCC) Tendo em vista a disciplina da Constituição Federal a respeito
do direito de greve, considere as seguintes assertivas:
I. É vedado, em qualquer hipótese, o exercício do direito de greve pelo empregado público.
II. A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade.
III. O exercício válido e regular do direito de greve por toda e qualquer categoria profissional depende de prévia previsão em lei
que o autorize.
Está correto o que se afirma apenas em:
(A) I.
(B) I e II.
(C) II e III.
(D) II.
(E) III.

7. (PROCURADOR - TCE/RO - 2010 - FCC) Em demandas judiciais brasileiras, a reserva do possível é alegada pela Adminis-
tração Pública como uma limitação para a efetivação de direitos fundamentais de ordem social. Este conceito, todavia, é interpretado,
na atual jurisprudência do STF com o seguinte sentido:
(A) A efetivação de direitos sociais está condicionada ao rol de direitos fundamentais de natureza prestacional que uma determi-
nada Constituição positiva em dado momento histórico; assim, pretensões sociais que não estão previstas no texto constitucional não
podem ser judicialmente cobradas do Estado.
(B) Normas constitucionais que preveem direitos sociais dependem de complementação legislativa para produzir efeitos e, pelo
fato de o Poder Judiciário não estar legitimado a obrigar o Poder Legislativo a elaborar a norma, resta à Administração Pública im-
plementar políticas sociais no limite da disponibilidade normativa já positivada.
(C) Em Estados que adotam o federalismo, como é o caso do Brasil, as políticas públicas na área social dependem de ações pro-
movidas pela União em conjunto com as demais unidades federadas; assim, se não houver a participação de um determinado Estado-
-membro ou Município na execução da política pública, a demanda por direitos sociais não será plenamente atendida.
(D) Apesar de muitos direitos sociais estarem positivados na Constituição, a falta de recursos orçamentários para a prestação de
políticas públicas nesta área é uma barreira intransponível que impede a efetivação das normas constitucionais.
(E) A falta de recursos orçamentários para a execução de direitos sociais previstos no texto constitucional é um óbice, mas não
pode ser um limite que nulifique o atendimento dessa demanda, já que as normas constitucionais consubstanciam direitos exigíveis e
não simplesmente promessas dependentes do alvedrio do administrador.

8. (TÉCNICO JUDICIÁRIO - TRF/2ª REGIÃO - 2012 - FCC) Karen, brasileira nata, trabalha como modelo e reside na
cidade de Milão, na Itália. Lá conhece o italiano Stefano, com quem tem um filho, Luigi, nascido na cidade de Milão, no mês de
dezembro de 2011. Nos termos preconizados pela Constituição Federal de 1988, Luigi será considerado brasileiro nato desde que:
(A) Venha a residir na República Federativa do Brasil e opte pela nacionalidade brasileira antes de completar 21 anos de idade.
(B) Seja registrado em repartição brasileira competente ou venha a residir na República Federativa do Brasil e opte, em qualquer
tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira.
(C) Seja registrado em repartição brasileira competente, ou venha a residir na República Federativa do Brasil, antes da maiorida-
de e, alcançada esta, opte, em doze meses, pela nacionalidade brasileira.
(D) Seja registrado em repartição brasileira competente e venha a residir na República Federativa do Brasil a qualquer momento,
independentemente da opção pela nacionalidade.
(E) Seja registrado em repartição brasileira competente e resida na República Federativa do Brasil pelo prazo mínimo de quinze
anos.

9. (ANALISTA JUDICIÁRIO - TRF/2ª REGIÃO - 2012 - FCC) Igor, belga, deseja se naturalizar brasileiro, porém, segundo
a Constituição Federal brasileira, ele deverá preencher o requisito de residir no Brasil há mais de:
(A) Quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeira a nacionalidade brasileira.
(B) Um ano e com idoneidade moral, desde que requeira a nacionalidade brasileira.
(C) Cinco anos ininterruptos e sem condenação criminal, com idoneidade moral.
(D) Dez anos ininterruptos e sem condenação criminal, com idoneidade moral.
(E) Cinco anos ininterruptos, desde que tenha idoneidade moral e capacidade financeira comprovada, independentemente de
requerimento.

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Noções de Direito Constitucional
10. (TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTROS - TJ/SP - 2011 - VUNESP) Sobre nacionalidade, é incorreto
dizer:
(A) Fora dos casos previstos na Constituição Federal, a lei não poderá estabelecer diferenças entre brasileiros natos e naturali-
zados.
(B) São brasileiros natos os nascidos no Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país.
(C) São brasileiros naturalizados os que adquiram a nacionalidade brasileira na forma da lei.
(D) São brasileiros natos os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que registrados em Cartório de
Registro Civil das Pessoas Naturais no Brasil, até atingirem a maioridade.
11. (TÉCNICO JUDICIÁRIO - TRE/MS - 2013 - CESPE) Ricardo, pai adotivo de Sérgio, irmão de Tiago e casado com Sara,
Governador de Estado e reeleito para um segundo mandato, visando a candidatar-se para o mandato de Senador pelo mesmo Estado,
renunciou ao mandato de Governador sete meses antes das eleições legislativas, razão por que Alberto, Vice-Governador, assumiu o
cargo de Governador. Considerando a situação hipotética acima, assinale a opção correta e com base no que dispõe a CF:
(A) Sérgio, por não ser filho biológico de Ricardo, pode candidatar-se para suceder seu pai no cargo de Governador de Estado.
(B) Se eleito para o mandato de Senador, Ricardo não poderá, nas eleições seguintes, candidatar-se novamente ao cargo de Go-
vernador de Estado, porque já o exerceu por dois mandatos consecutivos.
(C) Ricardo ao renunciar ao mandato de Governador para desincompatibilizar-se, afastou a inelegibilidade relativa por motivos
funcionais.
(D) Alberto não poderá candidatar-se à reeleição para o cargo de Governador de Estado.
(E) Sara, por ser mulher de Ricardo, é absolutamente inelegível para todo e qualquer cargo político.

12. (OFICIAL DE JUSTIÇA - TJ/PE - 2012 - FCC) Epitácio, na condição de conscrito, durante o serviço militar obrigatório:
(A) Pode se eleger ao cargo de Governador, se tiver no mínimo trinta e cinco anos de idade.
(B) Não pode alistar-se como eleitor.
(C) Se não for analfabeto, pode alistar-se como eleitor.
(D) Pode candidatar-se para Deputado Federal, se tiver no mínimo vinte e cinco anos de idade.
(E) Se for filiado à partido político, pode alistar-se como eleitor.

13. (ANALISTA JUDICIÁRIO - TRE/PR - 2012 - FCC) Ao disciplinar a liberdade de associação, a Constituição da Repú-
blica:
(A) Assegura autonomia para criação e organização de associações, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento,
ressalvada a exigência, para partidos políticos, de que haja vinculação entre candidaturas nacionais, estaduais e municipais.
(B) Veda a possibilidade de a associação ter caráter paramilitar, prevendo, especificamente em relação a partidos políticos, a
proibição de se utilizarem de organizações dessa natureza.
(C) Estabelece que a criação de associações independe de autorização, ressalva feita às cooperativas e aos partidos políticos,
cabendo a estes registrar seus estatutos no Tribunal Regional Eleitoral da capital do Estado em que estiverem sediados.
(D) Proíbe às associações, em geral, o recebimento de recursos financeiros de entidades estrangeiras e aos partidos políticos, em
especial, a vinculação ou subordinação a entidades ou governos estrangeiros.
(E) Ninguém poderá ser compelido a associar-se ou permanecer associado, salvo disposição contrária dos atos constitutivos,
especialmente em relação aos partidos políticos, conforme previsão constitucional expressa.

14. (TÉCNICO JUDICIÁRIO - TRE/SC - 2011 - PONTUA) Analise os itens abaixo:


I. Os partidos políticos poderão receber recursos financeiros de entidades estrangeiras, desde que prestem contas regularmente à
Justiça Eleitoral brasileira.
II. A criação ou fusão de partidos políticos depende de prévia autorização do  Congresso Nacional.
III. Compete privativamente à Justiça Eleitoral prescrever normas de disciplina e fidelidade partidárias.
Está(ão) correto(s):
(A) Apenas os itens II e III.
(B) Apenas os itens I e III.
(C) Apenas o item I.
(D) Nenhum dos itens.

15. (ANALISTA JUDICIÁRIO - TRT/10ª Região - 2013 - CESPE) No que concerne ao regime constitucional da administra-
ção pública, julgue o item seguinte: “A CF autoriza a acumulação remunerada de dois cargos de técnico-administrativo, desde que
haja compatibilidade de horários e seja observado o teto constitucional da remuneração do serviço público”.

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Noções de Direito Constitucional
16. (ANALISTA JUDICIÁRIO - TRT/1ª Região - 2013 - FCC) Considere as seguintes afirmações em relação ao regime jurí-
dico dos servidores públicos, à luz da Constituição da República e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre a matéria:
I. Dentro do prazo de validade de concurso público, a Administração poderá escolher o momento no qual se realizará a nomea-
ção, mas não poderá dispor sobre a própria nomeação, estando obrigada a nomear os aprovados dentro do número de vagas previsto
no edital, ressalvadas situações excepcionalíssimas que justifiquem soluções diferenciadas, devidamente motivadas de acordo com
o interesse público.
II. Salvo nos casos previstos na Constituição, o salário mínimo não pode ser usado como indexador de base de cálculo de vanta-
gem de servidor público, nem ser substituído por decisão judicial.
III. Até que sobrevenha lei específica para regulamentar o exercício do direito de greve pelos servidores públicos civis, aplica-
-se-lhes, no que couber, a lei que disciplina o exercício do direito de greve dos trabalhadores em geral.
Está correto o que se afirma em:
(A) I e II, apenas.
(B) I e III, apenas.
(C) II e III, apenas.
(D) I, II e III.
(E) I, apenas.

17. (ANALISTA JUDICIÁRIO - TRE/MS - 2013 - CESPE) Considerando o que dispõe a CF acerca da administração pública,
assinale a opção correta:
(A) As funções de confiança podem ser livremente preenchidas pela administração.
(B) A CF garante ao servidor público civil o direito à livre associação sindical.
(C) Os servidores públicos não possuem direito constitucional à greve.
(D) É exigida a prévia aprovação em concurso público de provas e títulos para a investidura em cargo público, ainda que o cargo
seja declarado, em lei, de livre nomeação e exoneração.
(E) O prazo de validade de concurso público pode ser de até cinco anos, vedada qualquer prorrogação.

18. (ANALISTA TÉCNICO - DPE/SC - 2013 - FEPESE) Assinale a alternativa correta em matéria de Direito Constitucional:

(A) Após adquirida a estabilidade o servidor público não poderá mais perder o cargo.
(B) Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor estável ficará em disponibilidade, com remuneração integral,
até seu adequado aproveitamento em outro cargo.
(C) Passados três anos do exercício do cargo o servidor adquirirá automaticamente a estabilidade.
(D) O servidor público poderá se aposentar voluntariamente, desde que tenha cumprido tempo mínimo de quinze anos de exer-
cício no serviço público e dez anos no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria.
(E)  Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor estável, será ele reintegrado, e o eventual ocupante da vaga, se
estável, reconduzido ao cargo de origem, sem direito a indenização, aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade com
remuneração proporcional ao tempo de serviço.

19. (ANALISTA JUDICIÁRIO - TRT/1ª REGIÃO - 2011 - FCC) No tocante à Administração Pública, o direcionamento da
atividade e dos serviços públicos à efetividade do bem comum, a imparcialidade, a neutralidade, a participação e aproximação dos
serviços públicos da população, a eficácia, a desburocratização e a busca da qualidade são características do princípio da:
(A) Publicidade.
(B) Legalidade.
(C) Impessoalidade.
(D) Moralidade.
(E) Eficiência.

20. (TÉCNICO DO SEGURO SOCIAL - INSS - 2012 - FCC) Cargos públicos, segundo a Constituição Federal:
(A) São preenchidos apenas por candidatos aprovados em concurso público de provas e títulos.
(B) Podem ser acumulados, inclusive de forma remunerada, na hipótese de serem dois cargos de professor com outro, técnico ou
científico, desde que haja compatibilidade de horários.
(C) Impedem que o servidor público civil exerça o direito à livre associação sindical.
(D) Em nenhuma hipótese são acessíveis a estrangeiros.
(E) Proporcionam estabilidade ao servidor nomeado em caráter efetivo, após três anos de efetivo exercício e mediante avaliação
especial de desempenho por comissão instituída para essa finalidade.

37
Noções de Direito Constitucional
GABARITO

1. Alternativa “D”
2. Alternativa “A”
3. Alternativa “D”
4. Alternativa “A”
5. Afirmação errada
6. Alternativa “D”
7. Alternativa “E”
8. Alternativa “B”
9. Alternativa “A”
10. Alternativa “D”
11. Alternativa “C”
12. Alternativa “B”
13. Alternativa “B”
14. Alternativa “D”
15. Afirmação errada
16. Alternativa “D”
17. Alternativa “B”
18. Alternativa “E”
19. Alternativa “E”
20. Alternativa “E”

REFERÊNCIAS

CUNHA JÚNIOR, Dirley da. Curso de direito constitucional. 6. ed. Salvador: JusPODIUM, 2012.

FACHIN, Zulmar. Curso de direito constitucional. Rio de Janeiro: Forense, 2013.

LAZARI, Rafael José Nadim de. Reserva do possível e mínimo existencial: a pretensão de eficácia da norma constitucional em
face da realidade. Curitiba: Juruá, 2012.

______; BERNARDI, Renato. Ensaios escolhidos de direito constitucional. Brasília: Kiron, 2013.

MENDES, Gilmar Ferreira; COELHO, Inocêncio Mártires; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de direito constitucional.
5. ed. São Paulo: Saraiva, 2010.

SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 35. ed. São Paulo: Malheiros, 2012.

LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 17. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.

VADE MECUM SARAIVA. 17. ed. São Paulo: Saraiva, 2014.

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Noções de
Direito Administrativo
Noções de Direito Administrativo
Professor Bruno Tulim e Silva
Advogado – Graduado em Direito pelo Centro Universitário Eurípedes de Marília/SP, UNIVEM; com Curso de Atualização
em Direito pelo Complexo Jurídico Damásio de Jesus; Pós-Graduando em Direito Administrativo pela Universidade Anhanguera.

1 ESTADO, GOVERNO E ADMINISTRAÇÃO


PÚBLICA: CONCEITOS, ELEMENTOS,
PODERES E ORGANIZAÇÃO;
NATUREZA,FINS E PRINCÍPIOS.

ESTADO:

O Estado constitui-se de um complexo harmônico de instituições por meio das quais uma ou mais Nações se organizam, dentro
de um ou de vários territórios, seja em uma unidade de governo tendente a promoção do desenvolvimento social de maneira soberana.
Para que possa existir, além da presença de elementos que definem o Estado, é ainda necessário o reconhecimento de sua inde-
pendência pelos demais Estados, de maneira soberana.
Elementos do Estado:
São elementos do Estado, dois dentre os mais relevantes e fundamentais quais sejam: povo e território.
Povo: A população de um Estado não encontra limites objetivamente definidos numericamente, sendo que a população é a tota-
lidade dos habitantes de um Estado e nela se destacam os conceitos de povo e nação.
Seguindo esse entendimento, povo é o conjunto dos cidadãos que compõe o Estado, é o agrupamento de pessoas vinculadas a um
mesmo regime jurídico, em outras palavras, é o grupo de seres humanos que habitam um mesmo território em comum, sujeito dessa
maneira, as mesmas regras, mas que nem sempre tem os mesmo objetivos.
Nação é um grupo de pessoas que se sentem juntos e unidos por interesses comuns e ideais e aspirações coincidentes, cuja origem
se dá do sentimento comum de nacionalidade e de Pátria.

Território: Entende-se por território a base física do Estado e é definido pela área geográfica que ocupa, assim, é o território que
define o País.
Importante esclarecer que sem território não há Estado, mas, possa existir uma Nação forte e unida, isto ocorre porque a noção
jurídica de território é mais ampla que os limites físicos e geográficos que ele representa.
Como exemplos: os navios de guerra, as embaixadas e aeronaves, que são territórios dos países de origem sem ter limites geo-
gráficos fixos e delimitados.

GOVERNO:

Governo é o conjunto de poderes e órgãos administrativos, que se destina a gerencia e condução política dos negócios públicos
do Estado, através de um complexo de funções legalmente definidas.
Soberania: A soberania Governamental é capacidade do Estado de ditar as próprias regras. A soberania estatal manifesta-se atra-
vés da sua auto-organização e da autodeterminação. Assim, cada Estado deve viver livre de ingerências de quaisquer outros Estados.

PODER

O poder estatal é o conjunto de prerrogativas públicas conferidas ao Estado, para que o mesmo possa atingir os seus objetivos
e metas, é a manifestação do Estado, na execução das atividades administrativas, que tem como finalidade a proteção do próprio
Estado, defendendo os interesses coletivos contra aqueles de natureza exclusivamente privada.
Os poderes da Administração Pública, sob a ótica do Direito Administrativo, dividem-se em: Poder Vinculado; Poder Discri-
cionário; Poder Hierárquico; Poder Regulamentar e Poder de Polícia. Os referidos poderes do Estado serão estudados em capitulo
próprio.
Importante é não confundir com a tripartição dos Poderes do Estado, previsto na Constituição Federal, que assim se dividem:
Poder Executivo; Poder Legislativo; Poder Judiciário.

1
Noções de Direito Administrativo
ORGANIZAÇÃO

A organização do Estado na Constituição do brasileiro é o termo referente a um conjunto de dispositivos contidos na Constituição
Federal de 1988, destinados a determinar a organização político-administrativa, ou seja, das atribuições de cada ente da federação.

O Brasil adotou a Federação como forma de organizar o Estado, a Federação é uma aliança de Estados para a finalidade de for-
mação de um único Estado, em que as unidades federadas preservam parte da sua autonomia política, entretanto a soberania é trans-
ferida ao Estado Federal. Dentro da estrutura organizacional do Estado Federal Brasileiro temos as seguintes entidades federativas:
A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios.
Além de adotar a federação, institui-se a República que é uma forma de organização política do Estado, na qual os principais
agentes do poder político são escolhidos pelo povo atraves do voto.
Dessa maneira, diante das disposições constitucional, o Estado Brasileiro integra a República Federativa do Brasil em um organi-
co único e indissoluvel, formado pelos Estados, Municípios e distrito Federal, fundamentado na soberania, na cidadania, na dignidade
da pessoa humana, nos valores sociais e no pluralismo politico.

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

A Administração Pública sob o aspecto material, objetivo ou funcional representa nada mais do que o conjunto de atividades
que costumam ser consideradas próprias da função administrativa, Assim, temos que o conceito adota como referência a atividade
propriamente dita, o que é de fato realizado, e não quem as realizou.
De maneira usual, são apontadas como próprias da administração pública em sentido material as seguintes atividades:

- Serviço Público: prestações concretas que representem utilidades ou comodidades materiais para a população em geral;
- Policia Administrativa: são as atividades de restrições ou condicionamentos impostos ao exercício de atividades privadas em
benefício do interesse coletivo;

- Fomento: incentivo a iniciativa privada de utilidade pública;

- Intervenção: é toda a atividade de intervenção do Estado no setor privado.

Administração Pública sob o aspecto formal, subjetivo ou orgânico é o conjunto de órgãos, pessoas jurídicas e agentes que o
nosso ordenamento jurídico identifica como administração pública, não importando a atividade que exerça.
Assim temos que, em regra, esses órgãos, entidades e agentes públicos desempenham função administrativa, internamente na
estrutura administrativa.
Portanto, somente considera-se Administração Pública, sob análise jurídica, a organização administrativa que o ordenamento
jurídico brasileiro vigente assim o considerar, não importando a atividade que exercer.
A administração pública é composta exclusivamente por órgãos integrantes da administração direta, e, pelas entidades da admi-
nistração indireta.

PRINCÍPIOS

A Administração Pública é a atividade do Estado exercida pelos seus órgãos encarregados do desempenho das atribuições pú-
blicas. Em outras palavras é o conjunto de órgãos e funções instituídos e necessários para a obtenção dos objetivos do governo, ou
seja, o atendimento dos anseios sociais.
A atividade administrativa, em qualquer dos poderes ou esferas, obedece aos princípios da legalidade, impessoalidade, morali-
dade, publicidade e eficiência, como impõe a norma fundamental do artigo 37 da Constituição da República Federativa do Brasil de
1988, que assim dispõe em seu caput:

“Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte”.

Diante de tais princípios expressos constitucionalmente temos:


Princípio da Legalidade: Este é o principal conceito para a configuração do regime jurídico-administrativo, pois se justifica no
sentido de que a Administração Pública só poderá ser exercida quando estiver em conformidade com a Lei.

2
Noções de Direito Administrativo
O Administrador Público não pode agir, nem mesmo deixar de agir, senão de acordo com o que dispõe a Lei.
Para que a administração possa atuar, não basta à inexistência de proibição legal, é necessária para tanto a existência de determi-
nação ou autorização de atuação administrativa na lei. Os particulares podem fazer tudo o que a Lei não proíba, entretanto a Admi-
nistração Pública só pode fazer aquilo que a lei autorizar.
Importante ainda esclarecer que a administração pública está obrigada, no exercício de suas atribuições, à observância não ape-
nas dos dispositivos legais, mas também em respeito aos princípios jurídicos como um todo, inclusive aos atos e normas editadas
pela própria administração pública.

Princípio da Impessoalidade: Por tal princípio temos que a Administração Pública tem que manter uma posição de neutralidade
em relação aos seus administrados, não podendo prejudicar nem mesmo privilegiar quem quer que seja. Dessa forma a Administração
pública deve servir a todos, sem distinção ou aversões pessoais ou partidárias, buscando sempre atender ao interesse público.
Impede o princípio da impessoalidade que o ato administrativo seja emanado com o objetivo de atender a interesses pessoais do
agente público ou de terceiros, devendo ter a finalidade exclusivamente ao que dispõe a lei, de maneira eficiente e impessoal.
Ressalta-se ainda que o princípio da impessoalidade possui estreita relação com o também principio constitucional da isonomia,
ou igualdade, sendo dessa forma vedadas perseguições ou benesses pessoais.

Princípio da Moralidade: Tal princípio vem expresso na Constituição Federal no caput do artigo 37, que trata especificamente da
moral administrativa, onde se refere à ideia de probidade e boa-fé.
A partir da Constituição de 1988, a moralidade passou ao status de principio constitucional, dessa maneira pode-se dizer que um
ato imoral é também um ato inconstitucional.
A falta da moral comum impõe, nos atos administrativos a presença coercitiva e obrigatória da moral administrativa, que se
constitui de um conjunto de regras e normas de conduta impostas ao administrador da coisa pública.
Assim o legislador constituinte utilizando-se dos conceitos da Moral e dos Costumes uma fonte subsidiária do Direito positivo,
como forma de impor à Administração Pública, por meio de juízo de valor, um comportamento obrigatoriamente ético e moral no
exercício de suas atribuições administrativas, através do pressuposto da moralidade.
A noção de moral administrativa não esta vinculada às convicções intimas e pessoais do agente público, mas sim a noção de
atuação adequada e ética perante a coletividade, durante a gerência da coisa pública.

Princípio da Publicidade: Por este principio constitucional, temos que a administração tem o dever de oferecer transparência de
todos os atos que praticar, e de todas as informações que estejam armazenadas em seus bancos de dados referentes aos administrados.
Portanto, se a Administração Pública tem atuação na defesa e busca aos interesses coletivos, todas as informações e atos pratica-
dos devem ser acessíveis aos cidadãos.
Por tal razão, os atos públicos devem ter divulgação oficial como requisito de sua eficácia, salvo as exceções previstas em lei,
onde o sigilo deve ser mantido e preservado.

Princípio da Eficiência: Por tal principio temos a imposição exigível à Administração Pública de manter ou ampliar a qualidade
dos serviços que presta ou põe a disposição dos administrados, evitando desperdícios e buscando a excelência na prestação dos ser-
viços.
Tem o objetivo principal de atingir as metas, buscando boa prestação de serviço, da maneira mais simples, mais célere e mais
econômica, melhorando o custo-benefício da atividade da administração pública.

O administrador deve procurar a solução que melhor atenda aos interesses da coletividade, aproveitando ao máximo os recursos
públicos, evitando dessa forma desperdícios.

2 DIREITO ADMINISTRATIVO:
CONCEITO, FONTES E PRINCÍPIOS.

CONCEITO E EVOLUÇÃO DO DIREITO ADMINISTRATIVO

O direito é tradicionalmente dividido em dois grandes grupos: o Direito Público e o Direito Privado.
Em linhas gerais, o ramo do direito público tem como objetivo principal a regulamentação dos interesses da coletividade como

3
Noções de Direito Administrativo
um todo, visa disciplinar as relações entre a sociedade e o Estado, bem como definir o regramento das relações das entidades e órgãos
estatais entre si. Neste ramo do direito, temos a prevalência dos interesses públicos e coletivos sobre os interesses particulares.
Dessa maneira, quando o Estado atua na defesa dos interesses públicos, coloca-se em grau de superioridade diante dos interesses
de privados, sempre devendo obediência a lei e respeitadas às garantias individuais consagradas pelo ordenamento jurídico vigente.
Fazem parte desse grupo de direito público as seguintes áreas: o direito constitucional, administrativo, tributário, penal, entre
outros.
Na outra ponta temos o grupo dos direito privados, tendo como objetivo principal a regulamentação dos interesses entre particu-
lares, como forma de possibilitar o convívio das pessoas da sociedade de maneira harmoniosa e com urbanidade. O direito privado
tem a característica de igualdade jurídica entre as partes envolvidas em uma mesma lide, não havendo possibilidade de prevalência
de uma parte sobre outra. São exemplos de direito privado a área de direito civil e comercial.

O Direito Administrativo é, portanto, o ramo do Direito Público que disciplina o exercício da função administrativa, bem como
das pessoas e órgãos que a desempenham.
Em suma, o objeto do direito administrativo abrange todas as relações internas da Administração Pública, entre os órgãos e en-
tidades administrativas, uns com os outros, entre a Administração e seus agentes, estatutários e celetistas, e ainda todas as relações
que envolvem a Administração e seus Administrados, regidas principalmente pelo direito público, e, subsidiariamente pelo direito
privado, bem como as atividades de administração pública em sentido material devidamente exercida por particulares sob o regime
de direito público.
Cumpre esclarecer que não há definição pacífica sobre o conceito apresentados pela doutrina para o direito administrativo,
tendo em vista que são distintos os critérios adotados por diversos autores para a determinação do alcance dessa importante ramo do
direito.
Assim, adotamos o que a doutrina aponta como sendo majoritária, mas não exclusiva, a conceituação de direto administrativo: é
o conjunto de regulamentos e princípios norteadores aplicáveis à estruturação e ao funcionamento das pessoas e órgãos integrantes
da administração pública, às relações entre o Poder Público e seus agentes, ao exercício da função administrativa e gerencial, e
principalmente as relações com os seus administrados, e ainda a gestão dos bens públicos, levando em consideração a finalidade
única de bem atender aos anseios da coletividade.

FONTES DO DIREITO ADMINISTRATIVO

As fontes do direito administrativo são:


- Lei
- Doutrina
- Jurisprudência
- Costumes
- Regulamentos Administrativos.

A lei é norma imposta pelo Estado, é a fonte primordial do direito administrativo brasileiro, tem em vista a rigidez de nosso or-
denamento jurídico, e a necessidade da codificação de maneira expressa. Importante esclarecer que o direito administrativo brasileiro
não se encontra codificado em somente um corpo de lei, como ocorre em outras facetas do direito brasileiro, como o Código Civil,
Código Tributário, entre outros, o que temos sobre regras administrativas estão articuladas, em regra gerais, na Constituição Federal
de 1988, e ainda em uma infinidade de leis esparsas, o que, por consequência, resulta em certa dificuldade de uma sistematização
deste importante ramo do direito brasileiro.
A doutrina é a lição dos mestres e estudiosos do direito, podendo ser entendida como um conjunto de teses, construções teóricas,
opiniões dos doutores e dos estudiosos do Direito Administrativo, resultante de atividade intelectual, formulando princípios nortea-
dores para a continuidade e aprofundamento dos estudos e teorias do Direito Administrativo, constituindo-se como fonte secundária,
com a atribuição de influenciar a elaboração de novas leis e também o julgamento das lides de natureza administrativa.
A Jurisprudência é a interpretação da legislação vigente dada pelos Tribunais, verificadas a partir de reiteradas decisões judiciais
em um mesmo sentido, solidificando o entendimento majoritário dos tribunais superiores.
Os costumes são o conjunto de regras e comportamentos sociais não escritas, observadas e obedecidas de modo semelhante e
uniforme pela sociedade, são as praticas habituais consideradas obrigatórias, que o juiz pode aplicar na falta de lei regulamentando
determinado assunto, e os Princípios Gerais do Direito são critérios maiores, às vezes até não escritos percebidos pela lógica ou pela
indução.
Regulamentos são atos normativos do Poder Executivo, dotados de generalidade, impessoalidade, imperatividade e inovação.
Produzidos mediante exercício do poder regulamentar (ou função estatal regulamentar), as formas mais comuns de regulamentos

4
Noções de Direito Administrativo
são os decretos regulamentares, mas também podem tomar forma de resolução e outras modalidades, podendo desdobrar preceitos
constitucionais de eficácia plena e de eficácia contida e atos legislativos primários (leis complementares, leis ordinárias, leis delegadas,
medidas provisórias, decretos legislativos e resoluções).
Regulamentos diferenciam-se dos atos legislativos produzidos pelo Executivo, não pela matéria, mas porque para os legislativos
exige-se ordinariamente a participação prévia ou posterior do Poder Legislativo.
Embora os regulamentos sejam atos da Administração Pública, não se confundem com os atos administrativos propriamente
ditos, pois esses têm conteúdo concreto, específico e normalmente individual.
Os regulamentos sempre são limitados pelo ato normativo em face do qual são editados (especialmente pela Constituição e pelas
leis).

Com relação aos limites, os regulamentos podem ser classificados em regulamento de execução ou restrito, regulamento delega-
do ou autorizado, regulamento autônomo, e regulamento independente.
Podem ainda ser classificados quanto à previsão normativa para sua edição (espontâneo e provocado ou vinculado), quanto ao
âmbito de seus efeitos (interno ou administrativo e externo ou geral), quanto à competência federativa (federal, estadual, distrital,
municipal e territorial, e também quanto à finalidade, com alcance em amplo.
A regra é o regulamento restrito ou de execução, enquanto as demais modalidades são exceções, pois nos sistemas constitucio-
nais contemporâneos prevalece o princípio da legalidade (a lei é o principal comando normativo, cabendo aos decretos regulamen-
tares a tarefa de detalhá-las).
Assim, os regulamentos de execução são editados para fiel cumprimento da lei. Já os regulamentos delegados ou autorizados
também dão cumprimento à à lei, mas a Constituição dá maior liberdade em certas matérias que normalmente seriam reservadas à lei.

PRINCÍPIOS:

Além dos Princípios de Direito Administrativo previsto expressamente na Constituição Federal, a doutrina administrativa adota
diversos outros princípios implícitos que norteiam o Direito Administrativo e a atividade administrativa, assim elencaremos os prin-
cipais, senão vejamos:

Princípio da Supremacia do Interesse Público: Tal Princípio, muito embora não se encontre expresso no enunciado do texto
constitucional é de suma importância para a atividade administrativa, tendo em vista que, em decorrência do regime democrático
adotado pelo Brasil, bem como o seu sistema representativo, temos que toda a atuação do Poder Público seja consubstanciada pelo
interesse público e coletivo.
Assim, para que o Estado possa atingir a finalidade principal que lhe foi imposta pelo ordenamento jurídico, qual seja o interesse
público, é assegurada a administração pública uma série de prerrogativas, não existente no direito privado, para que se alcance a
vontade comum da coletividade.
Por tal Princípio do Direito administrativo, temos que o Poder Público se encontra em franca situação de autoridade, superiorida-
de e de comando perante os particulares, prerrogativa esta que possibilita e instrumentaliza a gerencia do interesse coletivo, quando
postos em confronto.

Dessa forma, pelo princípio da Supremacia do Interesse Público, os direitos e interesses coletivos devem se sobressair sobre os
direitos particulares dos administrados, pois decorre deste princípio que, na hipótese de haver um conflito entre o interesse público e
os interesses de particulares, é evidente e lógico que a vontade comum e o interesse coletivo devem prevalecer respeitados os princí-
pios do devido processo legal, e do direito adquirido.

Princípio da Indisponibilidade do Interesse Público: Em decorrência do princípio da indisponibilidade do interesse público é


vedado ao administrador da coisa pública, ao responsável pelo gerenciamento da máquina administrativa, qualquer ato que implique
em renúncia aos direitos da administração, ou que de maneira injustificada e excessiva onerem a sociedade.
A indisponibilidade dos interesses públicos sugere que sendo o interesse qualificado como sendo próprio da coletividade, não se
encontram a livre disposição de quem quer que seja inclusive chefes do Poder Executivo, em qualquer das esferas.

Para Celso Antônio Bandeira de Mello: “é encarecer que na administração os bens e os interesses não se acham entregues à
livre disposição da vontade do administrador. Antes, para este, coloca-se a obrigação, o dever de curá-lo nos termos da finalidade
a que estão adstritos. É a ordem legal que dispõe sobre ela. Relembre-se que a Administração não titulariza interesses púbicos. O
titular deles é o Estado, que, em certa esfera, os protege e exercita através da função administrativa, mediante o conjunto de órgãos
(chamados administração , em sentido subjetivo ou orgânico), veículos da vontade estatal consagrada em lei”.

5
Noções de Direito Administrativo
Dessa maneira, a administração pública deve ter sua ação controlada pelo povo, por meios de mecanismos criados pelo Estado
para esta finalidade, visto que o interesse público não pode ser disponível livremente pelo gestor da coisa pública.

Princípio da Autotutela: O direito Administrativo, diante de suas prerrogativas confere à Administração Pública o poder de cor-
rigir de oficio seus próprios atos, revogando os irregulares e inoportunos e anulando os manifestamente ilegais, respeitado o direito
adquirido e indenizando os prejudicados, cuja atuação tem a característica de autocontrole de seus atos, verificando o mérito do ato
administrativo e ainda sua legalidade;

Princípio da Razoabilidade e Proporcionalidade: A Administração deve agir com bom senso, de modo razoável e proporcional à
situação fática que se apresenta.

A legislação proporciona ao Administrador Público margem de liberdade para atuar durante a execução da atividade administra-
tiva, ficando limitada pelo Princípio da Razoabilidade e Proporcionalidade a arbitrariedade administrativa, sendo certo que a carência
de observância a tal Princípio configura em abuso de poder.

Princípio da Continuidade: Os serviços públicos não podem parar, devendo manter-se sempre em funcionamento, dentro das
formas e períodos próprios de sua regular prestação à coletividade, diante da importância que a execução de tais serviços públicos
representa a coletividade.

Assim a prestação da atividade administrativa deve ser executada de forma contínua, sendo que tal Princípio influencia for-
temente na determinação e limitação legal imposta aos servidores públicos a realização de greves, visto que os serviços públicos
considerados essenciais para a coletividade não poderá sofrer prejuízos em razão de greves ou paralisações de seus agentes públicos.

3 ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA
DA UNIÃO; ADMINISTRAÇÃO
DIRETA E INDIRETA.

ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA:

De acordo com os ensinamentos do jurista administrativo Hely Lopes Meirelles, organização da Administração Pública é “todo
o aparelhamento do Estado preordenado à realização de serviços, visando à satisfação das necessidades coletivas”.
De maneira objetiva, temos que Organização da Administração Pública é toda a atividade concreta e imediata desenvolvida pelo
Estado para o alcance dos interesses públicos.
De maneira subjetiva, podemos afirmar que se trata do conjunto de órgãos e de agentes públicos aos quais a lei atribui o exercício
da função administrativa do Estado.

ADMINISTRAÇÃO DIRETA

É o conjunto de órgãos que integram as pessoas políticas do Estado (União, estados, municípios e Distrito Federal), aos quais
foi atribuída competência para o exercício, de maneira centralizada, de atividades administrativas, é composta por órgãos ligados
diretamente ao poder central, seja na esfera federal, estadual ou municipal.
A organização da Administração Pública Federal está regulamentada por meio do Decreto 200/67, que assim dispõe sobre a
Administração Direta:

DECRETO-LEI Nº 200, DE 25 DE FEVEREIRO DE 1967.

Art. 4° A Administração Federal compreende:


I - A Administração Direta, que se constitui dos serviços integrados na estrutura administrativa da Presidência da República e
dos Ministérios.

6
Noções de Direito Administrativo
ADMINISTRAÇÃO INDIRETA

É o conjunto de pessoas jurídicas – desprovidas de autonomia política – que, vinculadas à Administração Direta, têm a competência
para o exercício, de maneira descentralizada, de atividades administrativas. São composta por entidades com personalidade jurídica
própria, que foram criadas para realizar atividades de Governo de forma descentralizada. São exemplos as Autarquias, Fundações,
Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista.

A organização da Administração Pública Federal está regulamentada por meio do Decreto 200/67, que assim dispõe sobre a
Administração Indireta:

DECRETO-LEI Nº 200, DE 25 DE FEVEREIRO DE 1967.

Art. 4° A Administração Federal compreende:


...
II - A Administração Indireta, que compreende as seguintes categorias de entidades, dotadas de personalidade jurídica própria:
a) Autarquias;
b) Empresas Públicas;
c) Sociedades de Economia Mista.
d) fundações públicas. Parágrafo único. As entidades compreendidas na Administração Indireta vinculam-se ao Ministério em
cuja área de competência estiver enquadrada sua principal atividade.

Art. 5º Para os fins desta lei, considera-se:


I - Autarquia - o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar
atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira
descentralizada.
II - Empresa Pública - a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com patrimônio próprio e capital exclu-
sivo da União, criado por lei para a exploração de atividade econômica que o Governo seja levado a exercer por forca de contin-
gência ou de conveniência administrativa podendo revestir-se de qualquer das formas admitidas em direito.
III - Sociedade de Economia Mista - a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, criada por lei para a ex-
ploração de atividade econômica, sob a forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertençam em sua maioria à
União ou a entidade da Administração Indireta.
IV - Fundação Pública - a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, criada em virtude
de autorização legislativa, para o desenvolvimento de atividades que não exijam execução por órgãos ou entidades de direito pú-
blico, com autonomia administrativa, patrimônio próprio gerido pelos respectivos órgãos de direção, e funcionamento custeado por
recursos da União e de outras fontes.
§ 1º No caso do inciso III, quando a atividade for submetida a regime de monopólio estatal, a maioria acionária caberá apenas
à União, em caráter permanente.
§ 2º O Poder Executivo enquadrará as entidades da Administração Indireta existentes nas categorias constantes deste artigo.
§ 3º As entidades de que trata o inciso IV deste artigo adquirem personalidade jurídica com a inscrição da escritura pública de
sua constituição no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, não se lhes aplicando as demais disposições do Código Civil concernentes
às fundações.

Assim, temos doutrinariamente:

Autarquias: É o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar ativi-
dades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descen-
tralizada.
Trata-se de pessoa jurídica de direito público, o que significa dizer que tem praticamente as mesmas prerrogativas e sujeições da
administração direta. O seu regime jurídico pouco se diferencia do estabelecido para os órgãos da Admininstração Direta, aparecen-
do, perante terceiros, como a própria Administração Pública. Difere da União, Estados e Municípios (pessoas públicas políticas) por
não ter capacidade política, ou seja, o poder de criar o próprio direito, é pessoa pública administrativa, porque tem apenas o poder de
auto-administração, nos limites estabelecidos em lei.
Desta forma, temos que a autarquia é um tipo de administração indireta e está diretamente relacionada à administração central,
visto que não pode legislar em relação a si, mas deve obedecer à legislação da administração à qual está subordinada.

7
Noções de Direito Administrativo
É ainda importante destacar que as autarquias possuem bens e receita próprios, assim, não se confundem com bens de propriedade
da Administração direta à qual estão vinculadas. Igualmente, são responsáveis por seus próprios atos, não envolvendo a Administração
central, exceto no exercício da responsabilidade subsidiária.
Empresa Pública: Trata-se da entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com patrimônio próprio e capital
exclusivo da União, criado por lei para a exploração de atividade econômica que o Governo seja levado a exercer por forca de con-
tingência ou de conveniência administrativa podendo revestir-se de qualquer das formas admitidas em direito.

Sendo considerada como pessoa jurídica de direito privado, cuja administração fica sob responsabilidade exclusivamente pelo
Poder Público, instituído por um ente estatal, com a finalidade definida em lei específica e sendo de propriedade única do Estado.

A finalidade pode ser de atividade econômica ou de prestação de serviços públicos. Trata-se de pessoa jurídica que tem sua
criação autorizada por lei, como instrumento de ação do Estado, dotada de personalidade de direito privado mas submetida a certas
regras decorrente da finalidade pública, constituídas sob qualquer das formas admitidas em direito, cujo capital seja formado por
capital formado unicamente e exclusivamente por recursos públicos de pessoa de administração direta ou indireta. Pode ser Federal,
municipal ou estadual.

Sociedade de Economia Mista: É a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, criada por lei para a exploração
de atividade econômica, sob a forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertençam em sua maioria à União ou a
entidade da Administração Indireta.

Trata-se de uma sociedade na qual há colaboração entre o Estado e particulares ambos reunindo e unificando recursos para a
realização de uma finalidade, sempre de objetivo econômico. A sociedade de economia mista é uma pessoa jurídica de direito pri-
vado e não se beneficia de isenções fiscais ou de foro privilegiado. O Estado poderá ter uma participação majoritária ou minoritária;
entretanto, mais da metade das ações com direito a voto devem pertencer ao Estado. A sociedade de economia mista é do gênero de
sociedade anonima, e seus funcionários são regidos pela Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT.

Fundação Pública: É a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, criada em virtude de au-
torização legislativa, para o desenvolvimento de atividades que não exijam execução por órgãos ou entidades de direito público, com
autonomia administrativa, patrimônio próprio gerido pelos respectivos órgãos de direção, e funcionamento custeado por recursos da
União e de outras fontes.

As fundações públicas são organizações dotadas de personalidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, criadas para
um fim específico de interesse coletivo, como educação, cultura e pesquisa, sempre merecedoras de um amparo legal. As fundações
públicas são autonomas admininstrativamente, patrimônio próprio, e funcionamento custeado, principalmente, por recursos do poder
público, mesmo que sob a forma de prestação de serviços.

4 AGENTES PÚBLICOS: ESPÉCIES E CLASSIFICAÇÃO; PODERES,


DEVERES E PRERROGATIVAS; CARGO, EMPREGO
E FUNÇÃO PÚBLICOS; REGIME JURÍDICO ÚNICO: PROVIMENTO,
VACÂNCIA, REMOÇÃO, REDISTRIBUIÇÃO E SUBSTITUIÇÃO;
DIREITOS E VANTAGENS; REGIME DISCIPLINAR; RESPONSABILI-
DADE CIVIL, CRIMINAL E ADMINISTRATIVA.

CONCEITO DE AGENTES PÚBLICOS

Considera-se “Agente Público” toda pessoa física que exerça, mesmo que de maneira temporária e transitória, com ou sem re-
muneração, mediante eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo,
emprego ou função pública.

Conforme se pode observar do conceito de Agente Público, seu sentido é amplo, englobando todas as pessoas físicas que, de
qualquer modo e a qualquer título, exercem uma função pública, mediante remuneração ou gratuita, permanente ou temporária, po-
lítica ou administrativa, atuando em nome do Estado.

8
Noções de Direito Administrativo
Assim, temos que o Agente Público é a pessoa natural mediante o qual a Administração Pública se manifesta e atua, são compe-
tentes para exteriorizar as vontades do Estado, em razão de vínculos jurídicos existentes entre o Poder Público e o individuo que está
exercendo função pública.

ESPÉCIES:

A doutrina identifica e classificam em categorias os integrantes do gênero ‘Agente Público’, as seguintes espécies:

- Agentes Políticos: são os integrantes dos mais altos graus do Poder Público, aos quais incumbe a elaboração das diretrizes de
atuação do governo, e das funções de direção, orientação e fiscalização geral da atuação da Administração Pública.

São Agentes Políticos: os chefes do Poder Executivo, em suas diferentes esferas (Presidente da República, governadores e
prefeitos), seus auxiliares imediatos (Ministros e secretários estaduais ou municipais), bem como os membros do Poder Legislativo
(senadores, deputados e vereadores);
- Servidor Público: na definição do jurista Celso Antônio Bandeira de Mello, temos que são servidores públicos: “Todos aque-
les que mantêm vínculo de trabalho profissional com as entidades governamentais, integrados em cargos ou empregos da União,
Estados, Distrito Federal, Municípios, respectivas autarquias e fundações de Direito Público. Em suma: são os que entretêm com
o Estado e com as pessoas de Direito Público da Administração indireta relação de trabalho de natureza profissional e caráter não
eventual”.
Em outras palavras, podemos definir servidor público como aqueles que gozam da titularidade de cargos públicos de provimento
efetivo ou de provimento de cargo em comissão, são agentes administrativos, de caráter estatutário.
- Empregados Públicos: são aqueles que mantêm vínculo funcional com a administração pública, ocupantes de empregos públi-
cos, sujeitando-se a regime jurídico contratual de trabalho, regidos especificamente pelas regras e normas previstas na Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT).

- Agentes Temporários: são os particulares contratados pela Administração Pública com tempo de prestação de serviço
determinado, para atender necessidades temporárias de excepcional interesse público, são ocupantes de função pública remunerada
e temporária, com contrato de trabalho regido pelas normas do Direito Público, e não trabalhista (CLT), mas também não possui o
caráter estatutário. É uma forma especial de prestação de serviço público temporário, urgente e excepcional.

- Agentes Honoríficos: são os indivíduos requisitados ou designados para colaborarem com o Poder Público (de maneira tran-
sitória) para a prestação de serviços específicos, levado em consideração sua condição cívica, de sua honorabilidade ou então pela
sua notória capacidade profissional. Em regra não são remunerados e não possui qualquer vinculo profissional com a Administração
Pública.
Exemplos de Agentes Honoríficos: Jurados, Mesários eleitorais, etc.

- Agentes Delegados: são os particulares que recebem a atribuição de exercerem determinada atividade, obra ou serviço público,
fazendo-o em nome próprio e por sua conta em risco, sob a fiscalização permanente do poder delegante.
Ressalta-se que não possuem caráter de servidores públicos, nem mesmo atuam em nome da administração pública, são colabo-
radores que se sujeitam durante a prestação dos serviços públicos a responsabilidade civil objetiva.
Exemplos de Agentes Delegados: As Concessionárias e Permissionárias de serviços públicos, leiloeiros, tradutores públicos, etc.

CARGO, EMPREGO E FUNÇÃO PÚBLICA:

- Cargos públicos: Nos ensinamentos do professor e jurista Celso Antônio Bandeira de Mello os cargos públicos: “São as mais
simples e indivisíveis unidades de competência a serem expressadas por um agente, prevista em número certo, com denominações
próprias, retribuídas por pessoas jurídicas de Direito Público e criadas por lei”.
Importante esclarecer que aqueles que são titulares de cargos públicos são submetidos ao regime estatutário, são servidores
públicos efetivos e/ou comissionados.

- Empregos Públicos: para Celso Antônio Bandeira de Mello, “São núcleos de encargos de trabalho permanentes a serem preen-
chidos por agentes contratados para desempenhá-los, sob relação trabalhista”.
Destaca-se que os ocupantes de empregos públicos são regidos ao regime contratual, obedecidos às regras da CLT, com natureza
trabalhista.

9
Noções de Direito Administrativo
- Funções Públicas: são as funções de confiança e ainda as funções exercidas por agentes públicos contratado por tempo certo e
determinado para atender interesse de caráter excepcional de interesse público, não havendo a necessidade de abertura de concurso
público para tal contratação, dada sua urgência e excepcionalidade.

REGIME JURÍDICO ÚNICO

DA ADMISSÃO: CONCURSO PÚBLICO

A Constituição Federal prevê que é amplo o acesso aos cargos e empregos públicos aos brasileiros que cumpram os requisitos
previstos em lei, assim como aos estrangeiros (pois há cargos públicos que somente poderão ser preenchidos por brasileiros natos
ou naturalizados), mediante a realização e aprovação em concurso público de provas ou provas e títulos, exceto para a contratação
de cargo de provimento em comissão, os quais são livres a nomeação e a exoneração, de acordo com a conveniência e oportunidade
verificada pela Autoridade Administrativa.
A obrigatoriedade de concurso público é somente para a primeira investidura em cargo ou emprego público, isto é, para o ingres-
so em cargo isolado ou no cargo inicial da carreira, nas entidades estatais, suas autarquias, suas fundações públicas e suas paraestatais.
O concurso é o meio técnico posto à disposição da Administração Pública para obter-se moralidade, eficiência e aperfeiçoamento
do serviço público propiciando igualdade de oportunidade a todos os interessados no ingresso da carreira pública, desde que atendam
aos requisitos da lei, consoante determina a Constituição Federal.
Após a realização do concurso segue-se o provimento do cargo, através da nomeação do candidato aprovado.
Importante ressaltar que a exigência de aprovação prévia em concurso público implica a classificação dos candidatos e nomeação
na ordem dessa classificação, haja vista que não basta, pois, estar aprovado em concurso para ter direito à investidura, visto que é ne-
cessária também é que esteja classificado e na posição correspondente às vagas existentes, durante o período de validade do concurso,
que é de até 2 (dois) anos, podendo ser prorrogado por igual período, uma única vez.
O concurso público deve ser realizado com observância ao tratamento impessoal e igualitário aos interessados e concorrentes
do certame. Cumpre ressaltar que o concurso público dever ser provas ou provas e títulos, ou seja, não basta para a aprovação do
candidato a cargos efetivos ou empregos públicos a análise baseada exclusivamente em títulos ou currículos, mas sim precedidos da
realização de provas, objetivando aferir o melhor e mais preparado candidato postulante de cargo ou emprego público.
As entidades estatais são livres para organizar seu pessoal para o melhor atendimento dos serviços e cargos, mas a organização
deve ser fundamentada em lei, prevendo as devidas competências e observâncias das normas constitucionais pertinentes ao funcio-
nalismo público.
É facultado ao Poder Executivo, através de ato administrativo extinguir cargos públicos na forma da Lei bem como praticar os
atos de nomeação, remoção, demissão, punição, promoção, licenças, aposentadorias, lotação e concessão de férias.
A nomeação é o ato de provimento de cargo, que se completa com a posse e o exercício.
A investidura do servidor no cargo ocorre efetivamente com a posse. Por ela se conferem ao funcionário ou ao agente político
as prerrogativas, os direitos e os deveres do cargo ou do mandato.
Importante salientar que sem a posse o provimento não se completa, nem pode haver exercício da função pública. É a posse
que marca o início dos direitos e deveres funcionais, como, também, geram as restrições, impedimentos e incompatibilidades para o
desempenho de outros cargos, funções ou mandatos.
Por isso mesmo, a nomeação regular só pode ser desfeita pela Administração antes de ocorrer à posse do nomeado. No entanto,
a anulação do concurso, com a exoneração do nomeado, após a posse, só pode ser feita com observância do devido processo legal e
a garantia de ampla defesa e o contraditório.
O exercício do cargo é consequência natural da posse. Normalmente, a posse e o exercício são dados em momentos sucessivos e
por autoridades diversas, mas casos há em que se reúnem num só ato, perante a mesma autoridade. É o exercício que marca o momen-
to em que o funcionário passa a desempenhar formalmente e de acordo com a lei suas funções e ainda adquire direito às vantagens
do cargo e à contraprestação pecuniária devida pelo Poder Público.
Com a posse, o cargo fica provido e não poderá ser ocupado por outrem, mas o provimento só se completa com a entrada em
exercício do nomeado. Se este não o faz na data prevista, a nomeação e, assim, consequentemente, a posse tornam-se ineficazes, o
que, devendo assim ser declarada, pela autoridade competente, a vacância do cargo.

DO PROVIMENTO:

Ato administrativo no qual o cargo público é preenchido, podendo ser provimento efetivo ou em comissão.
Assim, provimento é o ato pelo qual se efetua o preenchimento do cargo público, com a designação de seu titular. O provimento
pode ser originário ou inicial e derivado.

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Noções de Direito Administrativo
Provimento inicial é o que se faz através de nomeação, que pressupõe a inexistência de vinculação entre a situação de serviço an-
terior do nomeado e o preenchimento do cargo. Assim, tanto é provimento inicial a nomeação de pessoa estranha aos quadros do ser-
viço público quanto a de outra que já exercia função pública como ocupante de cargo não vinculado àquele para o qual foi nomeada.
Entretanto o provimento derivado, que se faz por promoção, remoção, reintegração, readmissão, enquadramento, aproveitamento
ou reversão, é sempre uma alteração na situação de serviço do provido.
Segundo a classificação aceita pelo Supremo Tribunal Federal, as formas de provimento são:

- Originárias: não decorre de qualquer vínculo anterior entre o servidor e a administração (única forma é a nomeação)

- Derivadas: decorre de vínculo anterior entre servidor e a administração (são: promoção, readaptação, reversão, aproveitamento,
reintegração e recondução).

DA VACÂNCIA DE CARGOS PÚBLICOS:

Ocorre a vacância quando o servidor desocupa o seu cargo, ficando esse cargo a disposição da Administração Pública, que se
utilizando das formas de provimento em cargos públicos o ocupará.

A vacância poderá ser:

- Definitiva: mediante exoneração, demissão e falecimento.

- Não definitiva (forma um novo vínculo): promoção, readaptação, aposentadoria e posse em outro cargo inacumulável.
Enquanto existir o cargo, como foi provido, seu titular terá direito ao exercício nas condições estabelecidas pelo estatuto, mas,
caso venha a modificar a estrutura, as atribuições, os requisitos para seu desempenho, são lícitas a exoneração, a disponibilidade, a
remoção ou a transferência de seu ocupante, para que outro o desempenhe na forma da nova lei.
Entretanto, o que não se admite é o afastamento arbitrário ou abusivo do titular, por ato do Poder Executivo, sem Lei que o au-
torize, e desrespeitados o princípio do devido processo legal, suprimindo o direito a ampla defesa e contraditório, constituindo em
arbitrariedade e consequentemente abuso de poder.

DA REMOÇÃO:

Remoção é o deslocamento do servidor, a pedido próprio servidor ou de ofício por interesse da Administração Pública, no âmbito
do mesmo quadro, com ou sem mudança de sede.
A remoção para outra localidade poderá ocorrer a pedido do servidor, independentemente do interesse da Administração quando
for para acompanhar cônjuge ou companheiro, também servidor público, que foi deslocado no interesse da Administração, por mo-
tivo de saúde do servidor, cônjuge, companheiro ou dependente, desde que comprovada à necessidade da medida por junta médica
oficial.

REDISTRIBUIÇÃO:

Redistribuição é o deslocamento de cargo de provimento efetivo, ocupado ou vago no âmbito do quadro geral de pessoal, para
outro órgão ou entidade do mesmo Poder, com prévia apreciação do órgão central.
Para que seja possível a redistribuição de servidor é necessário:

- interesse da administração;

- equivalência de vencimentos;

- manutenção da essência das atribuições do cargo;

- vinculação entre os graus de responsabilidade e complexidade das atividades;

- mesmo nível de escolaridade, especialidade ou habilitação profissional;

- compatibilidade entre as atribuições do cargo e as finalidades institucionais do órgão ou entidade.

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Noções de Direito Administrativo
SUBSTITUIÇÃO:

Os servidores investidos em cargo ou função de direção ou chefia e os ocupantes de cargo de Natureza Especial terão substitutos
indicados no regimento interno ou, no caso de omissão, previamente designado pelo dirigente máximo do órgão ou entidade.
O servidor substituto assumirá automática e cumulativamente, sem prejuízo do cargo que ocupa o exercício do cargo ou função
de direção ou chefia e os de Natureza Especial, nas hipóteses de afastamentos, impedimentos legais ou regulamentares do servidor
titular e na vacância do cargo, hipóteses em que deverá optar pela remuneração de um deles durante o respectivo período.
Nos termos da Lei o substituto fará jus à retribuição pelo exercício do cargo ou função de direção ou chefia ou de cargo de Natu-
reza Especial, nos casos dos afastamentos ou impedimentos legais do titular, superiores a trinta dias consecutivos, paga na proporção
dos dias de efetiva substituição, que excederem o referido período.

DA PROIBIÇÃO DE ACUMULAÇÃO DE CARGOS E EMPREGOS PÚBLICOS REMUNERADO.

Objetivando evitar abusos, e com finalidade de moralizar as atividades estatais, o legislador constituinte cuidou em estabelecer
vedações a acumulação remunerada de cargos, funções e empregos públicos, tanto na esfera da Administração Direta como na Admi-
nistração indireta e a ela correlatas, conforme dispõe o artigo 37, em seus incisos XVI e XVII, excetuando-se as ressalvas expressas
na Carta Magna que admite excepcionalmente as acumulações remuneradas, desde sejam compatíveis entre si nos horários e obede-
cidos o teto remuneratório.
Para tanto a Constituição Federal arrolou expressamente os cargos passiveis de acumulação remunerada, quais são:

- Dois cargos de professor;

- De um cargo de professor com outro cargo técnico ou científico, e;

- De dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões regulamentadas.

É ainda possível a acumulação remunerada de cargos constante do texto constitucional, sendo permitido acumular nos casos de
servidor eleito a vereador (art. 38, III); permissão para juízes de direito cumulativamente exercerem o magistério (art. 95, parágrafo
único) e ainda permissão para que os membros do Ministério Público possam exercer cumulativamente o magistério (artigo 128, §
5º, inciso II, “d”).

IRREDUTIBILIDADE DE VENCIMENTOS:

Por definição, temos que vencimento é a designação técnica da retribuição pecuniária prevista legalmente como a contrapartida
devida ao servidor público pela sua prestação de serviços.
Assim, a Constituição Federal, em seu artigo 37, inciso XV, estabelece e garante que é vedada a irredutibilidade dos vencimentos
dos servidores públicos.

ESTABILIDADE E ESTÁGIO PROBATÓRIO:

Nos termos do artigo 41 da Constituição Federal, temos que transcorrido o lapso temporal de 3 (três) anos de exercício subse-
quentes à nomeação do servidor público, este goza de estabilidade, sendo certo que para sua aquisição é necessária e obrigatória a
efetiva avaliação especial de desempenho, por uma comissão formada especialmente para tal fim.
Assim, para que o servidor público esteja apto a gozar de sua estabilidade é necessário o preenchimento de quatro requisitos
cumulativos:
- aprovação em concurso público;

- nomeação para cargo público efetivo;

- três anos de efetivo exercício no cargo público, e;

- aprovação em avaliação especial de desempenho julgada por comissão instituída para tal finalidade.

A estabilidade de servidor público é o direito de não ser desligado de suas ocupações públicas, senão em virtude de sentença

12
Noções de Direito Administrativo
judicial transitada em julgado e realização de processo administrativo, observado a garantia constitucional da ampla defesa e do
contraditório.
Cumpre ressaltar que, apesar de divergência doutrinária, em nenhuma hipótese o servidor ocupante de cargo em comissão terá
direito a estabilidade, e tampouco, os empregados públicos, seja qual for o órgão ou entidade que esteja vinculado.

DOS DIREITOS:

Vencimentos: Vencimento é a retribuição pecuniária pelo exercício de cargo público, com valor fixado em lei.

Remuneração: Remuneração é o vencimento do cargo efetivo, acrescido das vantagens pecuniárias permanentes estabelecidas
em lei.

Férias: O servidor terá direito a trinta dias de férias, que podem ser acumuladas, até o máximo de dois períodos, no caso de ne-
cessidade do serviço, ressalvadas as hipóteses em que haja legislação específica. Para o primeiro período aquisitivo de férias serão
exigidos 12 (doze) meses de exercício.

Licenças: O servidor terá direito a concessão das seguintes licenças:

- por motivo de doença em pessoa da família;


- por motivo de afastamento do cônjuge ou companheiro;
- para o serviço militar;
- para atividade política;
- para capacitação;
- para tratar de interesses particulares;
- para desempenho de mandato classista.

Do Direito de Petição: É assegurado ao servidor o direito de requerer aos Poderes Públicos, em defesa de direito ou interesse
legítimo.
O requerimento será dirigido à autoridade competente para decidi-lo e encaminhado por intermédio daquela a que estiver ime-
diatamente subordinado o requerente.

DAS VANTAGENS:

Além do vencimento, poderão ser pagas ao servidor as seguintes vantagens:

Indenizações: constituem vantagens por indenização:

- ajuda de custo: A ajuda de custo destina-se a compensar as despesas de instalação do servidor que, no interesse do serviço,
passar a ter exercício em nova sede, com mudança de domicílio em caráter permanente, vedado o duplo pagamento de indenização,
a qualquer tempo, no caso de o cônjuge ou companheiro que detenha também a condição de servidor, vier a ter exercício na mesma
sede.
- diárias: O servidor que, a serviço, afastar-se da sede em caráter eventual ou transitório para outro ponto do território nacional ou
para o exterior, fará jus a passagens e diárias destinadas a indenizar as parcelas de despesas extraordinárias com pousada, alimentação
e locomoção urbana, conforme dispuser em regulamento.

- transporte: Conceder-se-á indenização de transporte ao servidor que realizar despesas com a utilização de meio próprio de
locomoção para a execução de serviços externos, por força das atribuições próprias do cargo, conforme se dispuser em regulamento.

- auxílio-moradia: O auxílio-moradia consiste no ressarcimento das despesas comprovadamente realizadas pelo servidor com
aluguel de moradia ou com meio de hospedagem administrado por empresa hoteleira, no prazo de um mês após a comprovação da
despesa pelo servidor.

Gratificações e Adicionais: Além do vencimento e das vantagens serão deferidos aos servidores as seguintes gratificações e
adicionais:

13
Noções de Direito Administrativo
- Retribuição pelo exercício de função de direção, chefia e assessoramento: Ao servidor ocupante de cargo efetivo investido em
função de direção, chefia ou assessoramento, cargo de provimento em comissão ou de Natureza Especial é devida retribuição pelo
seu exercício.

- Gratificação natalina: A gratificação natalina corresponde a 1/12 (um doze avos) da remuneração a que o servidor fizer jus no
mês de dezembro, por mês de exercício no respectivo ano.

- Adicional pelo exercício de atividades insalubres, perigosas ou penosas: Os servidores que trabalhem com habitualidade em
locais insalubres ou em contato permanente com substâncias tóxicas, radioativas ou com risco de vida, fazem jus a um adicional
sobre o vencimento do cargo efetivo.
O servidor que fizer jus aos adicionais de insalubridade e de periculosidade deverá optar por um deles. O direito ao adicional de
insalubridade ou periculosidade cessa com a eliminação das condições ou dos riscos que deram causa a sua concessão

- Adicional pela prestação de serviço extraordinário: O serviço extraordinário será remunerado com acréscimo de 50% (cinquen-
ta por cento) em relação à hora normal de trabalho.
Somente será permitido serviço extraordinário para atender a situações excepcionais e temporárias, respeitado o limite máximo
de 2 (duas) horas por jornada.

- Adicional noturno: O serviço noturno, prestado em horário compreendido entre 22 (vinte e duas) horas de um dia e 5 (cinco)
horas do dia seguinte, terá o valor-hora acrescido de 25% (vinte e cinco por cento), computando-se cada hora como cinquenta e dois
minutos e trinta segundos.

- Adicional de férias: Independentemente de solicitação, será pago ao servidor, por ocasião das férias, um adicional correspon-
dente a 1/3 (um terço) da remuneração do período das férias.

- Gratificação por encargo de curso ou concurso: A Gratificação por Encargo de Curso ou Concurso é devida ao servidor que, em
caráter eventual:
- atuar como instrutor em curso de formação, de desenvolvimento ou de treinamento regularmente instituído no âmbito da ad-
ministração pública federal;

- participar de banca examinadora ou de comissão para exames orais, para análise curricular, para correção de provas discursivas,
para elaboração de questões de provas ou para julgamento de recursos intentados por candidatos;

- participar da logística de preparação e de realização de concurso público envolvendo atividades de planejamento, coordenação,
supervisão, execução e avaliação de resultado, quando tais atividades não estiverem incluídas entre as suas atribuições permanentes;

- participar da aplicação, fiscalizar ou avaliar provas de exame vestibular ou de concurso público ou supervisionar essas ativi-
dades.

REGIME DISCIPLINAR:

O Regime Disciplinar compreende os deveres, proibições e penalidades em caso de cometimento pelo servidor de infração ad-
ministrativa ou funcional, em virtude das atribuições previstas em Lei.

Dos Deveres: Os deveres são condutas obrigatórias aos servidores públicos, impostas em virtude das atribuições funcionais
inerentes aos cargos públicos que ocupam. Assim, são deveres do servidor:

- exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo;

- ser leal às instituições a que servir;

- observar as normas legais e regulamentares;

- cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais;

- atender com presteza:

14
Noções de Direito Administrativo
a) ao público em geral, prestando as informações requeridas, ressalvadas as protegidas por sigilo;
b) à expedição de certidões requeridas para defesa de direito ou esclarecimento de situações de interesse pessoal;
c) às requisições para a defesa da Fazenda Pública.

- levar as irregularidades de que tiver ciência em razão do cargo ao conhecimento da autoridade superior ou, quando houver
suspeita de envolvimento desta, ao conhecimento de outra autoridade competente para apuração;

- zelar pela economia do material e a conservação do patrimônio público;

- guardar sigilo sobre assunto da repartição;

- manter conduta compatível com a moralidade administrativa;

- ser assíduo e pontual ao serviço;


- tratar com urbanidade as pessoas;

- representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder.

Das Proibições: As proibições são condutas vedadas ao servidor público, em virtude das atribuições de seu cargo, assim são
proibidos aos servidores:

- ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia autorização do chefe imediato;

- retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, qualquer documento ou objeto da repartição;

- recusar fé a documentos públicos;

- opor resistência injustificada ao andamento de documento e processo ou execução de serviço;

- promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição;

- cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos previstos em lei, o desempenho de atribuição que seja de sua responsa-
bilidade ou de seu subordinado;

- coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se a associação profissional ou sindical, ou a partido político;

- manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou parente até o segundo grau civil;

- valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da função pública;

- participar de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não personificada, exercer o comércio, exceto
na qualidade de acionista, cotista ou comanditário;

- atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo quando se tratar de benefícios previdenciários ou
assistenciais de parentes até o segundo grau, e de cônjuge ou companheiro;

- receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie, em razão de suas atribuições;

- aceitar comissão, emprego ou pensão de estado estrangeiro;

- praticar usura sob qualquer de suas formas;

- proceder de forma desidiosa;

15
Noções de Direito Administrativo
- utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades particulares;

- cometer a outro servidor atribuições estranhas ao cargo que ocupa, exceto em situações de emergência e transitórias;

- exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis com o exercício do cargo ou função e com o horário de trabalho;
- recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando solicitado.

Das Penalidades: Administrativamente, o servidor público poderá sofrer punições disciplinares em virtude de prática de infra-
ções administrativas.
Na aplicação das penalidades serão consideradas a natureza e a gravidade da infração cometida, os danos que dela provierem
para o serviço público, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e os antecedentes funcionais, sendo que o ato de imposição da
penalidade mencionará sempre o fundamento legal e a causa da sanção disciplinar.
As penalidades administrativas, para serem impostas e aplicadas aos servidores públicos deverão ser precedidas de sindicância
ou processo administrativo, garantido ao servidor acusado ampla defesa e contraditório, a fim de apurar regulamente por meio do
devido processo legal a incidência da conduta infracional e a sua autoria, sendo certo que nenhuma punição disciplinar administrativa
será imposta sem antes ocorrer o procedimento administrativo adequado.

São penalidades disciplinares:

- Advertência: A advertência será aplicada por escrito, nos casos de violação de proibições funcionais de menor gravidade, e de
inobservância de dever funcional previsto em lei, regulamentação ou norma interna, que não justifique imposição de penalidade mais
grave.

- Suspensão: A suspensão será aplicada em caso de reincidência das faltas punidas com advertência e de violação das demais
proibições que não tipifiquem infração sujeita a penalidade de demissão, não podendo exceder de 90 (noventa) dias.
Será punido com suspensão de até 15 (quinze) dias o servidor que, injustificadamente, recusar-se a ser submetido a inspeção
médica determinada pela autoridade competente, cessando os efeitos da penalidade uma vez cumprida a determinação.
Quando houver conveniência para o serviço, a critério da Administração Pública, a penalidade de suspensão poderá ser converti-
da em multa, na base de 50% (cinquenta por cento) por dia de vencimento ou remuneração, ficando o servidor obrigado a permanecer
em serviço.

- Demissão: É a retirada coercitiva do servidor público dos quadros funcionais da Administração Pública. É a perda do cargo
público que o servidor ocupava, trata-se do desligamento do servidor das atividades por ele exercida com a consequente perda de car-
go público o qual era titular, pela prática de infração administrativa de maior gravidade não punida com Advertência ou Suspensão.

A demissão será aplicada nos seguintes casos:

- crime contra a administração pública;

- abandono de cargo;

- inassiduidade habitual;

- improbidade administrativa;

- incontinência pública e conduta escandalosa, na repartição;

- insubordinação grave em serviço;

- ofensa física, em serviço, a servidor ou a particular, salvo em legítima defesa própria ou de outrem;

- aplicação irregular de dinheiros públicos;

- revelação de segredo do qual se apropriou em razão do cargo;

16
Noções de Direito Administrativo
- lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional;

- corrupção;

- acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas;

- Cassação de aposentadoria ou disponibilidade: Será cassada a aposentadoria ou a disponibilidade do inativo que houver prati-
cado, na atividade, falta punível com a demissão.

- Destituição de cargo em comissão ou Destituição de função comissionada: A destituição de cargo em comissão exercido por não
ocupante de cargo efetivo será aplicada nos casos de infração sujeita às penalidades de suspensão e de demissão.

RESPONSABILIDADE DO SERVIDOR PÚBLICO

O servidor público no exercício de suas atribuições pode ser responsabilizado, pela prática de ato ilícito, nas esferas administra-
tiva, civil ou penal.
O Servidor poderá sofrer sanção de forma cumulativa, ou seja, o mesmo ato pode ser punido por uma sanção civil, penal e admi-
nistrativa, sendo totalmente independente entre si.

Nenhum servidor poderá ser responsabilizado civil, penal ou administrativamente por dar ciência à autoridade superior ou,
quando houver suspeita de envolvimento desta, a outra autoridade competente para apuração de informação concernente à prática
de crimes ou improbidade de que tenha conhecimento, ainda que em decorrência do exercício de cargo, emprego ou função pública.

Responsabilidade Civil – A responsabilidade civil decorre de ato omissivo ou comissivo, doloso ou culposo, que resulte em
prejuízo ao erário ou a terceiros.
O servidor público é obrigado a reparar o dano causado à administração pública ou a terceiro, em decorrência de sua conduta
dolosa ou culposa, praticada de forma omissiva ou comissiva, mediante o direito de regresso.
Tratando-se de dano causado a terceiros, responderá o servidor perante a Fazenda Pública, em ação regressiva, sendo que a obri-
gação de reparar o dano estende-se aos sucessores e contra eles será executada, até o limite do valor da herança recebida.
Essa responsabilidade é subjetiva, pois leva em consideração o grau de culpabilidade do agente causador do dano, ao contrário
da responsabilidade da administração que é objetiva.

Responsabilidade penal – A responsabilidade penal abrange os crimes e contravenções imputadas ao servidor, nessa qualidade.
Decorre da conduta ilícita praticada pelo servidor público que a Lei Penal tipifica como infração penal.
Os principais crimes contra a administração estão previstos artigos 312 a 326 do Código Penal Brasileiro.

Responsabilidade administrativa – quando o servidor pratica um ilícito administrativo, bem como o desatendimento de deveres
funcionais. Essas práticas ilícitas poderão redundar na responsabilidade administrativa do servidor, que após apuração por meio de
sindicância e processo administrativo, sendo culpado, será punido com medidas disciplinares administrativas.
Importante ressaltar que a responsabilidade administrativa do servidor será afastada no caso de absolvição criminal que negue a
existência do fato ou sua autoria.

5 PODERES ADMINISTRATIVOS: PODER


HIERÁRQUICO; PODER DISCIPLINAR
PODER REGULAMENTAR; PODER DE
POLÍCIA; USO E ABUSO DO PODER.

DOS PODERES ADMINISTRATIVOS

A Administração é dotada de poderes ou prerrogativas instrumentais que garantem o efetivo desempenho de suas atribuições que
lhe são legalmente definidas.

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Noções de Direito Administrativo
Os poderes administrativos são o conjunto de prerrogativas que a Administração Pública possui para alcançar os fins almejados
pelo Estado, tais poderes são inerentes à Administração Pública para que esta possa proteger o interesse público. Encerram prerroga-
tivas de autoridade, as quais, por isso mesmo, só podem ser exercidas nos limites da lei.
Muito embora a expressão poder pareça apenas uma faculdade de atuação da Administração Pública, o fato é que os poderes
administrativos envolvem não uma mera faculdade de agir, mas sim um dever de atuar diante das situações apresentadas ao Poder
Público.
Trata-se, portanto, de um poder-dever, no sentido de que a Administração Pública deve agir, na medida em que os poderes con-
feridos ao Estado são irrenunciáveis. Entende-se dessa maneira a noção de deveres administrativos oriundos da obrigação do Poder
Público em atuar, utilizando-se dos poderes e prerrogativas atribuídos mediante lei.
O dever de agir está ligado à própria noção de prerrogativas públicas garantidas ao Estado, que enseja, por consequência, outros
deveres: dever de eficiência, dever de probidade, dever de prestar contas, dever de dar continuidade nos serviços públicos, entre
outros.

PODER HIERÁRQUICO

O Poder Hierárquico é o poder de que dispõe o Executivo para distribuir e escalonar as funções de seus órgãos e a atuação de
seus agentes, estabelecendo assim a relação de subordinação.
Importante esclarecer que hierarquia caracteriza-se pela existência de níveis de subordinação entre órgãos e agentes públicos,
sempre no âmbito de uma mesma pessoa jurídica. Assim, podemos verificar a presença da hierarquia entre órgãos e agentes na es-
fera interna da Administração Direta do Poder Executivo, ou então hierarquia entre órgãos e agentes internamente de uma fundação
pública.
Caracterizam-se pelo poder de comando de agentes administrativos superiores sobre seus subordinados, contendo a prerrogativa
de ordenar, fiscalizar, rever, delegar tarefas a seus subordinados.
É o poder que dispõe o Executivo para distribuir e organizar as funções de seus agentes e órgãos, estabelecendo relação de
subordinação entre seus servidores, tal subordinação, vale destacar, é de caráter interno, somente é aplicável dentro da própria
Administração Pública.
A hierarquia estabelece uma ordem de importância gerando forma às relações de coordenação e de subordinação entre os agentes
públicos, adquirindo assim uma relação de subordinação escalonada objetivando a ordem das atividades administrativas.
Para a preservação do principio hierárquico é indispensável mencionar que o descumprimento de ordem de superior hierárquico
constitui-se em ato ilícito, passível de punição administrativa e penal. Assim o servidor público subalterno deve estrita obediência às
ordens e demais instruções legais de seus superiores.

PODER DISCIPLINAR

O Poder Disciplinar é o poder de punir internamente não só as infrações funcionais dos servidores, sendo indispensável à apu-
ração regular da falta, mas também as infrações de todas as pessoas sujeitas à disciplina dos órgãos e serviços da Administração.
Decorre da supremacia especial que o Estado exerce sobre todos aqueles que se vinculam à Administração.
O Poder Disciplinar não pode ser confundido ainda com o Poder Hierárquico, porém a ele está vinculado e é correlato. Pelo
descumprimento do poder hierárquico o subalterno pode ser punido administrativa ou judicialmente. É assim a aplicação do poder
disciplinar, a faculdade do hierarca de punir administrativamente o subalterno, dentro dos limites legais, dessa faculdade de punir
verifica-se a existência, mesmo que mínima, da discricionariedade administrativa, pois há análise de conveniência e oportunidade.
Também não se confunde com o poder punitivo do Estado, que é realizado através do Poder Judiciário e é aplicado com finali-
dade social, visando à repressão de crimes e contravenções devidamente tipificados nas leis penais.
O poder disciplinar é exercido como faculdade punitiva interna da Administração Pública e por isso mesmo só abrange as infra-
ções relacionadas com o serviço público.
Em se tratando de servidor público, as penalidades disciplinares vêm definidas dos respectivos Estatutos.
Cumpre ressaltar que a atuação do Poder Disciplinar deve obedecer necessariamente aos princípios informativos e constitu-
cionais da Administração, entre eles o principio da legalidade e o principio da motivação, aos quais se anexa ao principio da ampla
defesa, do contraditório e do devido processo legal.

PODER REGULAMENTAR

O Poder Regulamentar é o poder inerente e privativo do Chefe do Poder Executivo, indelegável a qualquer subordinado, trata-se
do poder atribuído ao chefe do Poder Executivo para editar atos, com o objetivo de dar fiel cumprimento ás leis.

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Noções de Direito Administrativo
Temos por regulamento como ato normativo, expedido através de decreto, com o fim de explicar o modo e a forma de execução
da lei, ou prover situações não disciplinadas em lei, importante destacar que o regulamento não tem a capacidade e a competência
de inovar o direito previsto em lei, não cria obrigações, apenas explica e detalha o direito, e, sobretudo, uniformiza procedimentos
necessários para o cumprimento e execução da lei.
O regulamento, portanto, constitui-se em um conjunto de normas que orientam a execução de uma determinada matéria.
Diante de tais conceitos podemos concluir que o regulamento é a explicitação da lei em forma de decreto executivo, não se ins-
crevendo como tal os decretos autônomos, até porque não há em nosso ordenamento jurídico o instituto dos regulamentos autônomo
com força de lei, cuja competência de edição fica sob a responsabilidade do Chefe do Poder Executivo.

PODER DE POLÍCIA:

A partir da Constituição Federal e das leis em nosso ordenamento jurídico, foi conferido uma série de direitos aos cidadãos, que
por sua vez, tem o seu pleno exercício vinculado com o bem estar social.
Assim, é por meio do Poder de Polícia que a Administração limita o exercício dos direitos individuais e coletivos com o objetivo
de assegurar a ordem pública, estabelecendo assim um nível aceitável de convivência social, esse poder também pode ser denomi-
nado de polícia administrativa.
É o poder deferido ao Estado, necessário ao estabelecimento das medidas que a ordem, a saúde e a moralidade pública exigem.
O principio norteador da aplicação do Poder de Polícia é a predominância do interesse público sobre o interesse privado.
O Poder de Polícia resume-se na prerrogativa conferida a Administração Pública para, na forma e nos limites legais, condiciona
ou restringe o uso de bens, exercício de direitos e a pratica de atividades privadas, com o objetivo de proteger os interesses gerais da
coletividade.
Assim, é a atividade do Estado que consiste em limitar o exercício dos direitos individuais em benefício do interesse público.
Mesmo sendo considerado como poder discricionário da Administração, o Poder de Polícia é controlado e limitado pelo ordena-
mento jurídico que regulam a atuação da própria Administração, isto porque o Estado deve sempre perseguir o interesse público, mas
sem que haja ofensa aos direitos individuais garantidos por lei.
Dessa forma, podemos concluir que o Poder de Polícia é um poder de vigilância, cujo objetivo maior é o bem-estar social, impe-
dindo que os abusos dos direitos pessoais possam ameaçar os direitos e interesses gerais da coletividade.
Decorre, portanto do Poder de Polícia, a aplicação de sanções para fazer cumprir suas determinações, fundamentadas na lei,
e assim, diversas são as sanções passiveis de aplicação, previstas nas mais variadas e esparsas leis administrativas, que podem ser
aplicadas no âmbito da atividade de polícia administrativa.

Poder de Polícia Administrativa:


O Poder de Polícia Administrativa tem o objetivo principal da manutenção da ordem pública em geral, atuando em situações em
que é possível a prevenção de possíveis cometimentos de infrações legais, entretanto, poderá atuar tanto preventivamente como de
forma repressiva, porem, em ambos os casos, a atuação da Policia Administrativa tem a finalidade de evitar e impedir comportamen-
tos dos indivíduos que possam causar prejuízos para a sociedade.

O Poder de Polícia Administrativa visa à proteção específica de valores sociais, vedando a práticas de condutas que possam
ameaçar a segurança pública, a ordem pública, a tranquilidade e bem estar social, saúde e higiene coletiva, a moralidade pública,
entre outras.
Importante esclarecer que o poder de polícia administrativa incide sobre atividades e sobre bens, não diretamente sobre os ci-
dadãos, haja vista que não existem sanções aplicadas decorrentes do poder de polícia administrativa que impliquem em restrição ao
direito de liberdade das pessoas como detenção e prisão.

Assim, várias são as sanções decorrentes do poder de polícia administrativa, tais como: multa administrativa; demolição de cons-
truções irregulares; apreensão de mercadorias com entrada irregular no território nacional; interdição de estabelecimento comerciais
que estão em desacordo com a lei; embargos administrativos a obras, entre outras.

Poder de Polícia Judiciária:


A Polícia Judiciária desenvolve e executa atividades de caráter repressivo e ostensivo, ou seja, possui o dever de reprimir ativi-
dades infratoras a lei por meio da atuação policial em caráter criminal, com sua consequente captura daqueles que infringirem a lei
penal.

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Noções de Direito Administrativo
Assim, a Polícia Judiciária atua em defesa dos preceitos estabelecidos no Código Penal Brasileiro, com foco em sua atuação nas
atividades consideradas crime pela lei penal, tendo características e prerrogativas ostensivas, repressivas e investigativas.

A atuação da Polícia Judiciária incide sobre as pessoas, sendo exercido pelos órgãos especializados do Estado como a Polícia
Civil e a Polícia Militar, sendo certo que tais atividades repressoras e ostensivas objetiva auxiliar o Poder Judiciário, em sua ativi-
dade jurisdicional, na aplicação da lei em casos concretos, fornecendo o conjunto probatório suficiente para condenar ou absolver o
cidadão apresentado a Justiça Pública.

ABUSO DE PODER

O exercício ilegítimo das prerrogativas conferidas pelo ordenamento jurídico à Administração Pública caracteriza de modo ge-
nérico, o denominado abuso de poder.

Dessa maneira, o abuso de poder ocorre diante de uma ilegitimidade, ou, diante de uma ilegalidade, cometida por agente público
no exercício de suas funções administrativas, o que nos autoriza a concluir que o abuso de poder é uma conduta ilegal cometida pelo
agente público, e, portanto, toda atuação fundamentada em abuso de poder é ilegal.

Importante destacar que é plenamente possível o abuso de poder assumir tanto a forma comissiva, quanto à omissiva, ou seja, o
abuso tanto pode ocorrer devido a uma ação ilegal do agente público, quanto de uma omissão considerada ilegal.
O abuso de poder pode ocorrer de duas maneiras, quais sejam: excesso de poder ou desvio de poder.

- Excesso de Poder: Ocorre quando o agente público atua fora dos limites de sua competência, ou seja, o agente público não tinha
a competência funcional prevista em lei para executar a atividade administrativa.

- Desvio de Poder: Ocorre quando a atuação do agente é pautada dentro dos seus limites de competência, mas contraria a finali-
dade administrativa que determinou ou autorizou a sua atuação.

6 ATO ADMINISTRATIVO: VALIDADE,


EFICÁCIA; ATRIBUTOS; EXTINÇÃO,
DESFAZIMENTO E SANATÓRIA;
CLASSIFICAÇÃO, ESPÉCIES E
EXTERIORIZAÇÃO; VINCULAÇÃO
E DISCRICIONARIEDADE.

CONCEITO:

Atos administrativos são espécies do gênero “ato jurídico”, ou seja, são manifestações humanas, voluntárias, unilaterais e desti-
nadas diretamente à produção de efeitos no mundo jurídico.

De acordo com os ensinamentos do jurista Celso Antônio Bandeira de Mello, ato administrativo pode ser conceituado como:
“declaração do Estado (ou de quem lhe faça às vezes – como, por exemplo, um concessionário de serviço público), no exercício
de prerrogativas públicas, manifestada mediante providências jurídicas complementares da lei a título de lhe dar cumprimento, e
sujeitas a controle de legitimidade por órgão jurisdicional”.

Segundo o conceito formulado por Hely Lopes Meirelles, temos que: “ato administrativo é toda manifestação unilateral de
vontade da Administração Pública que, agindo nessa qualidade, tenha por fim imediato adquirir, resguardar, transferir, modificar,
extinguir e declarar direitos, ou impor obrigações aos administrados ou a si própria”.
Para Maria Sylvia Di Pietro, ato administrativo pode ser definido como: “a declaração do Estado ou de quem o represente, pro-
duz efeitos jurídicos imediatos, com observância da lei, sob regime jurídico de direito público e sujeita a controle pelo Judiciário”.
Dessa forma, temos que é por meio do ato administrativo que a função administrativa se concretiza, sendo toda a exteriorização
da vontade do Estado, executada pelos agentes públicos, objetivando alcançar o interesse coletivo.

20
Noções de Direito Administrativo
Portanto, ato administrativo é a manifestação ou declaração da Administração Pública, editada pelo Poder Público, através de
seus agentes, no exercício concreto da função administrativa que exerce, ou de quem lhe faça às vezes, sob as regras de direito públi-
co, com a finalidade de preservar e alcançar os interesses da coletividade, passível de controle Jurisdicional.

ATRIBUTOS DOS ATOS ADMINISTRATIVOS:

Entende-se por atributos as qualidades ou características dos atos administrativos, uma vez que requisitos dos atos administrati-
vos constituem condições de observância obrigatória para a sua validade, os atributos podem ser entendidos como as características
dos atos administrativos.
Os atributos dos atos administrativos citados pelos principais autores são: presunção de legitimidade; imperatividade; autoexe-
cutoriedade e tipicidade.

Presunção de Legitimidade: A presunção de legitimidade, ou legalidade, é a única característica presente em todos os atos admi-
nistrativos.
Assim, uma vez praticado o ato administrativo, ele se presume legítimo e, em princípio, apto para produzir os efeitos que lhe são
inerentes, cabendo então ao administrado a prova de eventual vício do ato, caso pretenda ver afastada a sua aplicação, dessa maneira
verificamos que o Estado, diante da presunção de legitimidade, não precisa comprovar a regularidade dos seus atos.
Dessa maneira, mesmo quando eivado de vícios, o ato administrativo, até sua futura revogação ou anulação, tem eficácia plena
desde o momento de sua edição, produzindo regularmente seus efeitos, podendo inclusive ser executado compulsoriamente.

Imperatividade: Pelo atributo da imperatividade do ato administrativo, temos a possibilidade de a administração pública, de
maneira unilateral, criar obrigações para os administrados, ou então impor-lhes restrições.
Importante esclarecer que nem todos os atos administrativos são revestidos de imperatividade, mas, da mesma forma que ocorre
relativamente à presunção de legitimidade, os atos acobertados pela imperatividade podem, em princípio, ser imediatamente impos-
tos aos particulares a partir de sua edição.

Autoexecutoriedade: O ato administrativo possui força executória imediatamente a partir de sua edição, isso ocorre porque as
decisões administrativas trazem em si a força necessária para a sua auto-execução.
A autoexecutoriedade dos atos administrativos fundamenta-se na natureza pública da atividade administrativa, cujo principal
objetivo é o atendimento ao interesse público.
Assim, a faculdade de revestimento do ato administrativo pela característica da auto-execução de seus atos se manifesta princi-
palmente pela supremacia do interesse coletivo sobre o particular.
Os atos auto-executórios são aqueles que podem ser materialmente executados pela administração, de maneira direta, inclusive
mediante o uso de força, caso seja necessário, sem que a Administração Pública precise de uma autorização judicial prévia.

Tipicidade: Para a Profª. Maria Sylvia Di Pietro, a tipicidade é: “o atributo pelo qual o ato administrativo deve corresponder a
figuras definidas previamente pela lei como aptas a produzir determinados resultados”.
Visando a segurança jurídica aos administrados, o atributo da tipicidade garante que o ato administrativo deve corresponder a
figuras previamente estabelecidas pelo ordenamento jurídico vigente.

REQUISITOS E ELEMENTOS DO ATO ADMINISTRATIVO:

A doutrina administrativa é pacifica em apontar cinco requisitos básicos, ou elementos dos atos administrativos: competência,
finalidade, forma, motivo e objeto.

Além dos requisitos elaborados pela doutrina administrativa, aplicam-se aos atos administrativos os requisitos gerais de todos os
atos jurídicos perfeitos, como agente capaz, objeto lícito e forma prescrita ou não proibida em lei.

Trata-se de requisitos fundamentais para a validade do ato administrativo, pois o ato que for editado ou praticado em desacordo
com o que o ordenamento jurídico estabeleça para cada requisito, será, em regra, um ato nulo.
Competência: O requisito da Competência pode ser definido como o poder legal conferido ao agente público para o desempenho
regular e específico das atribuições de seu cargo.
A competência é a condição primeira de validade do ato administrativo, onde deve haver uma análise sobre a incidência ou não
da capacidade específica e legalmente definida para a prática do ato.

21
Noções de Direito Administrativo
Importante observar que a noção de competência do agente, na esfera do Direito Administrativo, alcança, além do agente, tam-
bém o órgão do Estado que ele representa.
Dessa forma, conclui-se que competência é prerrogativa do Estado, exercitada por seus agentes, respeitada a hierarquia e distri-
buição constitucional de atribuições.
A competência é um elemento, ou requisito, sempre vinculado, ou seja, não há possibilidade de escolha na determinação da
competência para a prática de um ato, tendo em vista que tal vinculação decorre de lei.
Para os estudos sobre o requisito da competência do ato administrativo, se mostra necessário e oportuno mencionar a existência
das figuras da avocação de competência e a delegação de competência.
A avocação é o ato mediante o qual o superior hierárquico traz para si o exercício temporário de certa competência atribuída por
lei a um subordinado, devendo ser medida excepcional e de caráter precário, sendo que a avocação não será possível quando se tratar
de competência exclusiva do subordinado.
A delegação, doutro modo é o ato mediante o qual o superior hierárquico delega para seu subordinado ou a outro órgão, compe-
tência que lhe pertence, também tem a característica de ser temporário e revogável a qualquer momento, devendo seguir os limites
previstos em lei,
Nos casos em que houver avocação ou delegação de competência não se verifica a transferência da titularidade da competência,
apenas o seu exercício. Importante salientar que o ato de delegação ou avocação de competência é discricionário e revogável a qual-
quer momento.
Quando o agente público ou órgão atua fora, ou além, de sua esfera de competência, temos presente então uma das figuras de
abuso de poder, ou excesso de poder, que, nem sempre está obrigado à anulação do ato, visto que o vício de competência admite
convalidação, salvo quando se tratar de competência em razão da matéria ou de competência exclusiva.

Finalidade: Ao editar determinado ato administrativo, o Poder Público deve perseguir o interesse público. É o objetivo principal
que a Administração Pública pretende alcançar com a prática do ato administrativo.
Dessa maneira a finalidade do ato deve ser sempre o interesse da coletividade e a finalidade específica prevista em lei para aquele
ato da administração.
Sendo requisito de validade do ato, é nulo qualquer ato praticado visando exclusivamente o interesse privado, ou seja, o desa-
tendimento a qualquer das finalidades do ato administrativo configura vício insanável, com a obrigatória anulação do ato. O vício de
finalidade é denominado pela doutrina como desvio de poder, configurando em uma das modalidades do abuso de poder.

Forma: é o modo de exteriorização do ato administrativo. Todo ato administrativo, em principio, deve ser formal, e a forma exi-
gida pela lei quase sempre é escrita, em atendimento inclusive ao principio constitucional de publicidade.
A forma, ou formalidade é o conjunto de exterioridades que devem ser observadas para a regularidade do ato administrativo.
Assim, temos que todo ato administrativo é formal, pelo que sua falta resulta, necessariamente, na inexistência do ato administrativo.
A forma do ato administrativo pode ser entendido em dois sentidos, no amplo e no estrito.
Em sentido amplo, a forma do ato administrativo é o procedimento previsto em lei para a prática regular do ato.
Seu sentido estrito refere-se ao conjunto de requisitos formais que devem constar no próprio ato administrativo, de acordo com
suas formalidades próprias.

Motivo: É a causa imediata do ato administrativo, é a situação fática, ou jurídica, que determina ou possibilita a atuação adminis-
trativa, razão pela qual todo ato administrativo deve ser motivado, assim temos que o motivo é elemento integrante do ato.
O motivo do ato administrativo não se traduz apenas como um elemento, mas também como um pressuposto objetivo do ato em
si, pois o motivo que deu origem ao Ato Administrativo tornou-se regra jurídico-administrativa obrigatória.
Diante da possibilidade legal de controle externo do ato administrativo (exercido pelo Poder Judiciário e Poder Legislativo)
analisando a legalidade e legitimidade dos atos, a doutrina administrativa formulou a teoria dos motivos determinantes, que vincula
a realização do ato administrativo com os motivos que o originaram, sendo certo que o ato deve ser praticado por agente competente
e de acordo com as determinações legais.
A teoria dos motivos determinantes vincula a existência e a pertinência dos motivos (fáticos e legais) à efetiva realização do ato,
demonstrando os motivos que declarou como causa determinante a prática do ato.
Dessa maneira, caso seja comprovada a não ocorrência do motivo ou a situação declarada como determinante para a prática do
ato, ou então a inadequação entre a situação ocorrida e o motivo descrito na lei, o ato será nulo.
Não se pode confundir Motivo com Motivação, visto que Motivação é a declaração expressa dos motivos que determinaram e
justificaram a prática do ato administrativos.

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Noções de Direito Administrativo
Objeto: O objeto é o próprio conteúdo material do ato. O objeto do ato administrativo identifica-se com o seu conteúdo, por meio
do qual a administração manifesta sua vontade, ou simplesmente atesta situações preexistentes.
De acordo com Celso Antônio Bandeira de Mello, o objeto do ato administrativo “é aquilo que o ato dispõe, isto é, o que o ato
decide, enuncia, certifica, opina ou modifica na ordem jurídica”
Pode-se dizer que o objeto do ato administrativo é a própria alteração na esfera jurídica que o ato provoca, é o efeito jurídico
imediato que o ato editado produz.

EXTINÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO – DESFAZIMENTO

O ato administrativo vigente permanecerá produzindo seus efeitos no mundo jurídico até que algo capaz de alterar essa condição
ocorra.
Uma vez publicado e eivado de vícios, terá plena vigência e deverá ser cumprido, em atendimento ao atributo da presunção de
legitimidade, até o momento em que ocorra formalmente a sua extinção, por meio da Anulação ou Revogação do Ato Administrativo.
O desfazimento do ato administrativo poderá ser resultante do reconhecimento de sua ilegitimidade, de vícios em sua formação,
ou então poderá ser declarada a falta de necessidade de sua validade.
Neste sentido o Supremo Tribunal Federal (STF) editou a Súmula 473 que assim garante:

Súmula 473: A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não
se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada,
em todos os casos, a apreciação judicial.

Assim, o ato administrativo é considerado extinto quando ocorrer às principais formas de extinção.
Revogação: é modalidade de extinção de ato administrativo que ocorre por razões de oportunidade e conveniência da Adminis-
tração Pública, atendido o interesse coletivo.
A Administração Pública pode revogar um ato quando entender que, embora se trate de um ato válido, que atenda a todas as
prescrições legais, não atende adequadamente ao interesse público no caso concreto.
Assim, temos que a revogação é a retirada, do mundo jurídico, de um ato válido, mas que, por motivos de oportunidade e conve-
niência (discricionariedade administrativa), tornou-se inoportuno ou inconveniente a sua manutenção.
Importante esclarecer que a medida de revogação de ato administrativo é ato exclusivo e privativo da Administração Pública que
praticou o ato revogado.
Dessa maneira o Poder Judiciário em hipótese alguma poderá revogar um ato administrativo editado pelo Poder Executivo ou
Poder Legislativo. Tal imposição decorre do Princípio da Autotutela do Estado em revogar seus próprios atos, de acordo com sua
vontade.
O ato revogatório não retroage para atingir efeitos passados do ato revogado, apenas impedindo que este continue a surtir efeitos,
assim, temos que a revogação do ato administrativo opera com o efeito “ex nunc”, ou seja, os efeitos da revogação não retroagem,
passando a gerar seus regulares efeitos a partir do ato revogatório.

Anulação: Ocorre quando um ato administrativo estiver revestido de vícios relativos à legalidade ou legitimidade do ato.
Assim que os vícios forem identificado pela própria Administração Pública, esta poderá anulá-lo de ofício. É possivel ainda que
algum cidadão identifique os vícios e ilegalidades do ato administrativo e comunique a Administração Pública, que, da mesma forma
poderá anulá-lo.
A anulação do ato administrativo quando estiver com vícios de ilegalidade ou ilegitimidade poderá ocorrer ainda por decisão
fundamentada do Poder Judiciário. Entretanto, o Poder Judiciário não poderá atuar de oficio, deverá aguardar a impetração de medida
judicial por qualquer interessado na anulação do ato.
O controle de legitimidade ou legalidade deverá ocorrer em sua forma, nunca em relação ao mérito do ato administrativo.
Importante esclarecer que nem todo ato administrativo que estiver com vício de legalidade ou legitimidade deverá obrigatória-
mente ser anulado, antes deve ser verificado se tal vício é sanável ou insanável.
Assim, quando se verificar que trata-se de um vício insanável, a anulação do ato deve ser obrigatória, entretanto, quando se tratar
de um vício sanável, o ato poder ser anulado ou convalidado, de acordo com a discricionariedade conferida à Administração Pública,
que irá efetuar análise de oportunidade e conveniência da manutenção dos efeitos do ato administrativo.
A anulação age retroativamente, ou seja, todos os efeitos provocados pelo ato anulado também são nulos, daí surge o denominado
efeito “ex tunc”, que significa dizer justamente que, com a anulação, os efeitos do ato retroage desde a sua origem.

23
Noções de Direito Administrativo
SANATÓRIA DOS ATOS ADMINISTRATIVOS:

Temos como regra geral que, os ato administrativos quando revestido de vícios de legalidade ou legitimidade devem ser anulados.
Entretanto, algumas hipóteses de vicios de legalidade dão origem a atos administrativos meramente anuláveis, ou seja, atos que,
a critério da Adminstração Pública poderão ser anulados ou então convalidados.
Desta forma, convalidar um ato administrativo é corrigi-lo ou regularizá-lo, desde que não acarretem lesão os interesse público
nem mesmo prejuízo a terceiro, assim, verificados as condições acima, os atos que apresentarem defeitos sanáveis, ou passiveis de
correção, poderão ser convalidados pela própria Administração Pública.
Temos, portanto, que para a possibilidade de convalidação de ato administrativo, é necessário atender as seguintes condições:

- O defeito seja sanável;

- O ato convalidado não poderá acarretar lesão ao interesse público;

- O ato convalidado não poderá acarretar prejuízos a terceiros.

Por defeitos sanáveis temos aqueles cujos vícios são relativos à competência quanto à pessoa que editou o ato, desde que não se
trate de hipótese de competência exclusiva, e ainda quando ocorrer vício quanto à forma, desde que a lei não considere a forma um
elemento do ato essencial à validade do mesmo.
A convalidação pode incidir sobre atos vinculados e atos discricionários, pois não se trata de controle de mérito, mas sim de lega-
lidade e legitimidade, relativos a vícios do ato administrativo sanável, cuja análise recai sobre os elementos de competência e forma,
pois, caso a analise fosse feita sobre os elementos de motivo ou objeto, o controle seria no mérito administrativo do ato.

CLASSIFICAÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS:

Atos Gerais e Atos Individuais: Os atos administrativos gerais caracterizam-se por não possuir destinatários diretos e determi-
nados, apresentam apenas situações normativas aplicáveis a todos os administrados e hipóteses fáticas que se enquadrem nos casos
descritos de forma abstrata.

Assim, é possível dizer que tais atos possuem como característica a generalidade e abstração.

Os atos administrativos individuais são aqueles que possuem destinatário final certo e determinado, produzindo seus efeitos de
maneira direta e concreta e de forma individualizada, seja constituindo ou declarando situações jurídico-administrativa particulares.
O ato individual pode ter um único destinatário – ato singular – ou então diversos destinatários, desde que determinados e identifi-
cados – atos plúrimos.

Atos Internos e Atos Externos: Atos administrativos internos, são aqueles destinados a produzir efeito somente no âmbito da
Administração Publica, atingindo de forma direta e exclusiva seus órgãos e agentes.
Atos administrativos externos são os que atingem os cidadãos administrados de forma geral, criando direitos ou obrigações
gerais ou individuais, declarando situações jurídicas. Para esses atos é necessário que haja a publicação em imprensa oficial, como
condição de vigência e eficácia do ato.

Atos Simples, Complexo e Composto: Ato administrativo simples é aquele que decorre de uma única manifestação de vontade,
de um único órgão, unipessoal ou mediante apreciação de colegiado. Assim, o ato simples esta completo somente com essa mani-
festação, não dependendo de outra, seja concomitante ou posterior, para que seja considerado perfeito, não dependendo ainda de
manifestação de outros órgãos ou autoridades para que possa produzir seus regulares efeitos.
Ato administrativo complexo é o que necessita, para sua formação e validade, da manifestação de vontade de dois ou mais ór-
gãos, ou autoridades, diferentes.
Ato administrativo composto é aquele cujo conteúdo resulta de manifestação de um só órgão, mas a sua edição ou a produção
de seus regulares efeitos dependem de outro ato que o aprove. A atribuição desse outro ato é simplesmente instrumental, visando a
autorizar a prática do ato principal, ou então conferir eficácia a este. Ressalta-se que o ato acessório ou instrumental em nada altera
o conteúdo do ato principal.

24
Noções de Direito Administrativo
Ato Válido, Ato Perfeito e Ato Eficaz: Ato válido é o que esta em total conformidade com o ordenamento jurídico vigente, aten-
dendo as exigências legais e regulamentares impostas para que sejam validamente editadas, não contendo qualquer vício ou defeito,
irregularidades ou ilegalidades.

Ato administrativo perfeito é o qual esta pronto, acabado, que já esgotou e concluiu o seu ciclo, foram exauridas todas as etapas
de formação, já esgotaram todas as fases necessárias para a sua produção.
Ato administrativo eficaz é aquele que já está disponível e apto a produzir seus regulares efeitos, sendo capaz de atingir sua
plenitude e alcance.

ESPÉCIES:

Segundo a doutrina majoritaria administrativa, podemos agrupar os atos administrativos em 5 cinco espécies:

Atos normativos: São aqueles que contém um comando geral do Executivo visando ao cumprimento de uma lei. Podem apre-
sentar-se com a característica de generalidade e abstração (decreto geral que regulamenta uma lei), ou individualidade e concreção
(decreto de nomeação de um servidor).

São atos normativos: o decreto; o regimento; e a resolução.

Atos ordinatórios: São os que visam a disciplinar o funcionamento da Administração e a conduta funcional de seus agentes. São
ordinatórios os atos administrativos que disciplinam e regram o funcionamento dos órgãos da Administração Pública e orientam os
rocedimentos adotados pelos agentes públicos.
De acordo com Hely Lopes de Meirelles: “são aqueles que só atuam no âmbito interno das repartições e só alcançam os servi-
dores hierarquizados à chefia que os expediu. Não obrigam aos particulares, nem aos funcionários subordinados a outras chefias.”
Emanam do poder hierárquico, isto é, podem ser expedidos por chefes de serviços aos seus subordinados. Logo, não obrigam
aos particulares.
São atos ordinatórios: as instruções; as circulares; os avisos; as portarias; as ordens de serviço; os ofícios e os despachos.

Atos negociais: São todos aqueles que contêm uma declaração de vontade da Administração apta a concretizar determinado
negócio jurídico ou a deferir certa faculdade ao particular, nas condições impostas ou consentidas pelo Poder Público.
Muito embora apresentem interesses de ambas as partes, externando a manifestação de vontades entre a administração e o admi-
nistrado, o ato administrativo negocial possui natureza unilateral, visto que são editados pela Administração Pública, sob as normas
do direito público, assim, a vontade do destinatário não é relevante para a formação do ato negocial, visto que necessita apenas de
provocação, e depois a aceitação da vontade externada pelo Poder Público.
São atos negociais: a licença; autorização; permissão; aprovação; admissão; homologação e a dispensa.

Atos enunciativos: São todos aqueles em que a Administração se limita a certificar ou a atestar um fato, ou emitir uma opinião
sobre determinado assunto, constantes de registros, processos e arquivos públicos, sendo sempre, por isso, vinculados quanto ao
motivo e ao conteúdo.
Segundo Hely Lopes de Meirelles temos que “aos atos enunciativos embora não contenham uma norma de atuação, nem or-
denem a atividade administrativa interna, nem estabeleçam uma relação negocial entre o Poder Público e o particular, enunciam,
porém, uma situação existente, sem qualquer manifestação de vontade da Administração”.
Não há, no ato enunciativo, o estabelecimento de uma relação jurídica, justamente por não conter uma manifestação de vontade
do Poder Público, mas sim enunciando um fato ja existente.
São atos enunciativos: a certidão; o atestado e o parecer.

Atos punitivos: São aqueles que contêm uma sanção imposta pela lei e aplicada pela Administração, visando a punir as infrações
administrativas e condutas irregulares de servidores ou de particulares perante a Administração.

Possuem o objetivo, de acordo com os ensinamentos de Hely Lopes de Meirelles “de unir e reprimir as infrações administrativas
ou a conduta irregular dos servidores ou dos particulares perante a Administração”.
Pode-se concluir então que os atos punitivos podem ser externos, quando aplicados aos administrados; e internos, quando apli-
cados aos servidores da própria administração.

25
Noções de Direito Administrativo
São atos punitivos externos: multa; interdição de atividades; destruição de coisas; demolição administrativa; a cassação e o
confisco.
São atos punitivos internos: o afastamento preventivo de servidor investigado; advertencia; suspensão; demissão e a cassação de
aposentadoria.

ATOS VINCULADOS E DISCRICIONÁRIOS:

Os atos vinculados são os que a Administração Pública pratica sem qualquer margem de liberdade de decisão, tendo em vista
que a lei previamente determinou a única medida possível de ser adotada sempre que se configure a situação objetiva descrita em lei.
Os atos discricionários são aqueles que a Administração Pública pode praticar com certa liberdade de escolha e decisão, sempre
dentro dos termos e limites legais, quanto ao seu conteúdo, seu modo de realização, sua oportunidade e conveniência administrativa.
Dessa maneira, na edição de um ato vinculado a administração Pública não dispõe de nenhuma margem de decisão, sendo que
o comportamento a ser adotado pelo Administrador está regulamentado em lei, enquanto na edição de um ato discricionário, a legis-
lação outorga ao agente público determinada margem de liberdade de escolha, diante da avaliação de oportunidade e conveniência
da pratica do ato.
Neste sentido, oportuno esclarecer a expressão “Mérito Administrativo”. O mérito do ato administrativo não é considerado
requisito para a formação do ato, mas tem implicações com o motivo e o objeto do ato, e consequentemente, com as suas condições
de validade e eficácia.
O mérito administrativo consubstancia-se, portanto, na valoração dos motivos e na escolha do objeto do ato, feitas pela Adminis-
tração incumbida de sua prática quando autorizada a decidir sobre a conveniência, oportunidade e justiça do ato a realizar.
O merecimento é aspecto pertinente apenas aos atos administrativos praticados no exercício de competência discricionária. Nos
atos vinculados não há que se falar em mérito, visto que toda a atuação do Poder Executivo se resume no atendimento das imposições
legais. Quanto ao mérito administrativo a Administração decide livremente, e sem possibilidade de correção judicial, salvo quando
seu proceder caracterizar excesso ou desvio de poder.

7 SERVIÇOS PÚBLICOS; CONCEITO,


CLASSIFICAÇÃO, REGULAMENTAÇÃO
E CONTROLE; FORMA, MEIOS E
REQUISITOS; DELEGAÇÃO: CONCESSÃO,
PERMISSÃO, AUTORIZAÇÃO.

CONCEITO:

Inicialmente, devemos elucidar que a Constituição Federal de 1988 não conceitua “serviço público”, e tampouco temos no orde-
namento jurídico pátrio, em leis esparsas, seu significado legal.
Dessa maneira temos que ficou sob os cuidados da doutrina administrativa elaborar seu significado, entretanto, não existe um
conceito doutrinário consensual de “serviço público”.

Nos ensinamentos do Prof. Celso Antônio Bandeira de Mello, temos o conceito de serviço público como:

“Certas atividades (consistentes na prestação de utilidade ou comodidade material) destinada a satisfazer a coletividade em
geral, são qualificadas como serviços públicos quando, em dado tempo, o Estado reputa que não convém relegá-las simplesmente
a livre iniciativa; ou seja, que não é socialmente desejável fiquem tão só assujeitadas à fiscalização e controles que exerce sobre a
generalidade das atividades privadas.”
Celso Antônio Bandeira de Mello ainda complementa seu conceito afirmando que:

“É toda atividade de oferecimento de utilidade ou comodidade material destinada à satisfação da coletividade em geral, mas
fruível singularmente pelos administrados, que o Estado assume como pertinente a seus deveres e presta por si mesmo ou por quem
lhe faça às vezes, sob um regime de Direito Público – portanto, consagrador de prerrogativas de supremacia e de restrições especiais
-, instituído em favor dos interesses definidos como públicos no sistema normativo”.

26
Noções de Direito Administrativo
Segundo o jurista Hely Lopes de Meirelles, serviço público é:

“Todo aquele prestado pela Administração ou por seus delegados, sob normas e controle estatal, para satisfazer necessidades
essenciais ou secundárias da coletividade, ou simples conveniência do Estado”.

Para a Profª. Maria Sylvia ZanellaDi Prieto é necessário o entendimento de serviços públicos sob a ótica de dois elementos,
‘subjetivo’ e ‘formal’, senão vejamos seu posicionamento:

“O elemento subjetivo, porque não mais se pode considerar que as pessoas jurídicas públicas são as únicas que prestam ser-
viços públicos; os particulares podem fazê-lo por delegação do poder público, e o elemento formal, uma vez que nem todo serviço
público é prestado sob regime jurídico exclusivamente público”.

Assim, verifica-se que, nas mais variadas concepções jurídicas acerca do conceito de “serviço público”, podemos facilmente
definir os pontos em comum e aceitar, de maneira ampla que serviço público é como o conjunto de todas as atividades exercidas
pelo Estado ou delegados, sob o regime jurídico de direito público, ou seja, a atividade jurisdicional, atividade de governo, atividade
legislativa, prestação de serviço público, colocados a disposição da coletividade.
De outra forma, estudando o conceito de “serviço público”, mas sob análise mais restritiva, temos que são todas as prestações
de utilidade ou comodidades materiais efetuadas diretamente e exclusivamente ao povo, seja pela administração pública ou pelos
delegatários de serviço público, voltado sempre à satisfação dos interesses coletivos.
O objetivo da Administração Pública, no exercício de suas atribuições, é de garantir à coletividade a prestação dos serviços pú-
blicos de maneira tal que possa corresponder aos anseios da coletividade, atingindo diretamente o interesse público, devendo o Poder
Público disciplinar a aplicação dos recursos materiais (orçamentários), visando à aplicação no desenvolvimento de programas de
qualidade e produtividade, treinamento e desenvolvimento, modernização e otimização da prestação dos serviços públicos.

PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DOS SERVIÇOS PÚBLICOS:

A relevância e a prevalência do interesse coletivo sobre o interesse de particulares informam os princípios que orientam a dispo-
sição e organização do funcionamento dos serviços públicos. Importante ressaltar que, a figura principal no serviço público não é seu
titular, nem mesmo o prestador dele, as sim o usuário dos serviços.
Além dos princípios gerais do Direito Administrativo, tanto os princípios expressos na Constituição Federal, como também os
implícitos, presentes em toda a atividade administrativa, especificamente na prestação dos serviços públicos, identifica-se a presen-
ça de mais quatros, que norteia e orienta a prestação dos serviços colocados a disposição da coletividade, quais são: o Princípio da
Continuidade do Serviço Público; Principio da Mutabilidade do Regime Jurídico e o Princípio da Igualdade dos Usuários do Serviço
Público, e ainda o Princípio do Aperfeiçoamento.

Princípio da Continuidade do Serviço Público: O serviço público deve ser prestado de maneira continua o que significa dizer que
não é passível de interrupção. Isto ocorre justamente pela própria importância de que o serviço público se reveste diante dos anseios
da coletividade.
É o principio que orienta sobre a impossibilidade de paralisação, ou interrupção dos serviços públicos, e o pleno direito dos
administrados a que não seja suspenso ou interrompido, pois se entende que a continuidade dos serviços públicos é essencial a comu-
nidade, não podendo assim sofrer interrupções.
Diante de tal princípio temos o desdobramento de outros de suma importância para o “serviço público”, quais são: qualidade e
regularidade, assim como com eficiência e oportunidade.

Princípio da Mutabilidade do Regime Jurídico: É aquele que reconhece para o Estado o poder de mudar de forma unilateral as
regras que incidem sobre o serviço público, tendo como objetivo a adaptação às novas necessidades, visando o equilíbrio na relação
contratual econômico-financeira, satisfazendo o interesse geral à máxima eficácia.
Em atenção ao Princípio da Mutabilidade do Regime Jurídico dos Serviços Públicos, temos a lição da Profª. Maria Sylvia Zanella
Di Prieto, que assim leciona:

“Nem os servidores públicos, nem os usuários de serviço públicos, nem os contratados pela Administração têm direito adqui-
rido à manutenção de determinado regime jurídico; o estatuto dos funcionários pode ser alterado, os contratos também podem ser
alterados ou mesmo reincididos unilateralmente para atender ao interesse público; o aumento das tarifas é feito unilateralmente
pela Administração, sendo de aplicação imediata”.

27
Noções de Direito Administrativo
Justamente por vincular-se o regime jurídico dos contratos administrativos de concessão e permissão de serviços públicos aos
preceitos de Direito Público, com suas cláusulas exorbitantes, e ainda em presença da necessidade constante da adaptação dos ser-
viços públicos ao interesse coletivo, torna-se necessária e razoável a possibilidade de alteração, ou mudança do regime de execução
dos serviços, objetivando adequar aos interesses coletivos.

Principio da igualdade dos usuários dos serviços públicos: Constituição Federal diz que todos são iguais perante a lei e desta for-
ma não podemos ser tratados de forma injusta e desigual, assim, não se pode restringir o acesso aos benefícios dos serviços públicos
para os sujeitos que se encontrarem em igualdade de condições.
Diante de tal principio temos o desdobramento de dois aspectos da Igualdade dos Usuários de Serviços públicos:

- A Universalidade que significa dizer que o serviço público deve ser prestado em benefício de todos os sujeitos que se encontram
em equivalente situação.
- A Neutralidade, que significa dizer que é impossível dar qualquer tipo de privilégios que forem incompatíveis com o princípio
da isonomia. Logo são “impossíveis” vantagens individuais fundadas em raça, sexo, credo religioso, time de futebol e etc.

Princípio do Aperfeiçoamento: Temos o aperfeiçoamento como uma constante evolução da sociedade, dessa forma, e simples-
mente por isso, é que no serviço público ele se impõe como um direito do cidadão, assim, o aperfeiçoamento da prestação dos servi-
ços públicos vincula-se à eficiência dos serviços a serem prestados.

DA REGULAMENTAÇÃO E CONTROLE:

Cumpre à Administração Pública o dever/poder de regulamentação e o controle quando há ocorrência de concessão e permissão
de executar os serviços públicos por particulares, visando à garantia da regularidade do atendimento aos seus objetivos, que envol-
vem gestão de serviço público.
Ao poder concedente, ou seja, ao Poder Público, compete regulamentar o serviço concedido por meio de lei e regulamentos, ou
do próprio contrato, estabelecendo direitos e deveres das partes contratantes e dos usuários. Importante frisar que, a atividade privada,
mesmo quando atuante no exercício do serviço público, objetiva o lucro, daí surge à necessidade permanente de manter a fiscalização.
O controle e o poder de fiscalização serão exercidos pela própria Administração, através do seu sistema de controle interno, ou
então será exercido, quando provocado, pelo Poder Judiciário e pelo Poder Legislativo, com o auxílio do Tribunal de Contas.
Assim, sendo permanente o dever de controlar, tendo em vista o interesse coletivo, esse controle se efetiva não apenas pela Ad-
ministração Pública, mas também pelo usuário.
As Agências Reguladoras, devidamente criadas por lei, vêm prestando importante serviço na tarefa de fiscalização das conces-
sões e permissões de serviço público.

FORMAS DE PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS PÚBLICOS

Não se pode confundir a titularidade do serviço com a titularidade da prestação dos serviços públicos, sendo certo que se trata de
realidades e significados totalmente distintos.

O fato de o Poder Público ser titular de serviços públicos, ou seja, ser o sujeito que detém a responsabilidade de zelar pela sua
prestação, não significa que deva ser obrigatoriamente prestá-los por si só de maneira exclusiva, sendo que na grande maioria das
vezes, estará a Administração pública obrigada a disciplinar e promover a prestação, bem como efetuar a fiscalização sobre a forma
que esta sendo executado o serviço público.

Dessa maneira, tanto poderá a administração pública, por meios próprios prestar os serviços públicos, como poderá promover-
-lhes a prestação conferindo a entidades externas a administração seu cumprimento e execução.

Entidades externas podem ser assim entendidas como os particulares estranhos aos quadros da administração pública e ainda
a administração indireta. Dessa forma, poderá o Poder Público conferir autorização, permissão ou concessão de serviços públicos,
como formas de sua execução.
Concessão de serviços públicos: É a delegação de serviços públicos feita pelo poder concedente mediante licitação na modalida-
de concorrência à pessoa que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado.
Assim, é delegada a execução da atividade administrativa ao vencedor da licitação na modalidade de concorrência pública a
prestação de serviços públicos, que geralmente ocorre no tocante à concessão da execução de serviços públicos.

28
Noções de Direito Administrativo
Importante esclarecer o conceito de Poder Concedente, assim entendido como a União, o Estado, o DF ou Município, em cuja
competência se encontre o serviço público, assim a titularidade continua sendo sua somente será transferida a execução dos serviços
públicos à concessionária.
Nos ensinamentos do jurista Hely Lopes Meirelles, temos que:

“Pela concessão, o poder concedente não transfere a propriedade alguma ao concessionário, nem se despoja de qualquer di-
reito ou prerrogativa pública. Delega, apenas, a execução do serviço, nos limites e condições legais ou contratuais, sempre sujeita
à regulamentação e fiscalização do concedente.”

Para o Prof. Celso Antônio Bandeira de Mello, conceituando o instituto da concessão de serviço público, ensina que:

“É o instituto através do qual o Estado atribuiu o exercício de um serviço público a alguém que aceita prestá-lo em nome pró-
prio, por sua conta em risco, nas condições fixadas e alteráveis unilateralmente pelo Poder Público, mas sob garantia contratual de
um equilíbrio econômico-financeiro, remunerando-se pela própria exploração do serviço, em geral e basicamente mediante tarifas
cobradas diretamente dos usuários do serviço”.

Neste sentido, verifica-se que a concessão é mecanismo de delegação de direito público, pois, as suas cláusulas contratuais são
editadas pelo Poder Público, que poderá a qualquer tempo modificá-las de forma unilateral, tendo em vista que não há que se falar
em igualdade entre as partes contratantes em atenção ao principio da soberania do Estado.
Entretanto, está presente, como em todo contrato, a bilateralidade, pois, ao aderir ao contrato de concessão, o concessionário
integra a relação jurídica contratual, com declaração de vontade própria, mas aceitando os termos e condições impostas pela Admi-
nistração Pública.
O que ocorre com os contratos de concessão de serviços públicos é que são vinculados ao processo licitatório, assim, as suas
cláusulas devem atender obrigatoriamente o que estiver estipulado no edital de abertura da licitação. Por se tratar de um contrato
administrativo, o contrato de concessão tem como objeto o bem público, a utilidade pública e ainda o interesse da coletividade, que
se explica facilmente, pelo fato do destinatário da realização do serviço é justamente o cidadão.
Oportuno ainda esclarecer que nas concessões de serviço público é admitida a subconcessão, desde que prevista em cláusula
especifica no contrato administrativo e no edital da abertura da licitação, vinculado, entretanto, a autorização do poder concedente,
após a verificação do interesse público.
É possível também ocorrer o instituto da concessão em obras públicas, através da privatização temporária de uso. Trata-se de um
contrato administrativo celebrado entre o Poder Público e o concessionário para a execução de uma obra pública, mediante remune-
ração posterior a ser paga pela exploração dos serviços ou então utilidades proporcionadas pela própria execução da obra.
Como dito, a concessão deverá ser formalizada mediante contrato, a título precário, precedido de procedimento licitatório (na
modalidade de concorrência), definindo o objeto, a área, o prazo da concessão, o modo de sua execução, a forma e as condições da
concessão da obra pública, para tanto, a empresa deve demonstrar o interesse na contratação com o poder concedente, comprovando
sua capacidade para o desempenho das obrigações assumidas da obra, por sua conta e risco e por prazo determinado.

Ressalta-se que o contrato de concessão de obra pública, firmado por tempo determinado, não pode ser objeto de prorrogação,
não se situando a prerrogativa discricionária conferida ao Poder Público, sendo que sua eventual prorrogação fere o princípio da
isonomia entre os licitantes, e participantes do certame licitatório de concessão.

Permissão: É a delegação, a título precário, mediante licitação da prestação de serviços públicos feita pelo poder concedente, a
pessoa que demonstre capacidade de desempenho por sua conta e risco. A permissão de serviço público será formalizada mediante
contrato de adesão, e será contratado sempre em caráter precário, com prazo determinado.

Importante ressaltar que no instituto da permissão de serviços públicos admite-se a presença de pessoa física, além da pessoa
jurídica, sendo que a legislação que regula a matéria não inclui a possibilidade de contratação pela permissão de consórcios.

No instituto da Permissão, a Administração Pública possui a prerrogativa de estabelecer de forma unilateral os requisitos e con-
dições impostas diante da execução de serviços públicos permitidos e confiados ao particular, que durante o procedimento licitatório,
comprovou possuir capacidade para seu desempenho.

Em virtude do caráter precário das permissões e de seu prazo determinado, os permissionários não gozam de prerrogativas garan-
tidas por lei aos concessionários de serviço público, devendo, portanto, seguir as normas e orientações dos Poder Público.

29
Noções de Direito Administrativo
Autorização de serviços públicos: Coloca-se ao lado da concessão e da permissão de serviços públicos, destina-se a serviços
muito simples, de alcance limitado, ou a trabalhos de emergência, e a hipóteses transitórias e especiais, podendo ainda ser utilizado
para as situações em que o serviço seja prestado a usuários específicos e restritos.
Assim, temos que a autorização de serviços públicos é o ato administrativo discricionário por meio do qual é delegada a um
particular, sempre em caráter precário, a prestação de serviços públicos que não exija alto grau de complexidade e especialização
técnica, nem mesmo a comprovação do particular autorizado a execução dos serviços possuírem grande aporte de capital financeiro.
Para a contratação por meio do instituto da autorização de serviços públicos, não há licitação, para tanto, os serviços públicos
autorizados estão sujeitos a modificação ou revogação de sua execução, por meio de ato discricionário da delegação, cuja denomi-
nação é termo de autorização.
Isto ocorre em virtude da precariedade que reveste o ato administrativo que autorizou a delegação do serviço ao particular. Cum-
pre esclarecer que a autorização, mesmo sendo precária não possui prazo determinado para seu encerramento, e em via de regra, não
é passível de indenização por decorrente de sua revogação.
Oportuno ainda ressaltar que a autorização do serviço público não pode ser confundida com a autorização decorrente do ato de
polícia administrativa outorgada no exercício do poder de polícia conferido a Administração Pública, como condição para a prática
de atividades privadas pelos particulares, o que não se pode confundir com a transferência, por delegação, da titularidade da execução
e prestação dos serviços públicos.
Autorização: poderá ocorrer em duas modalidades que são:

a) autorização de uso – ocorre quando um particular é autorizado a utilizar bem público de forma especial, exemplo: a autoriza-
ção de uso de uma rua para realização de uma quermesse.

 b) autorização de atos privados controlados – em que o particular não pode exercer certas atividades sem autorização do poder
público, são atividades exercidas por particulares, mas consideradas de interesse público.

OBS: autorização é diferente de licença, termos semelhantes. A autorização é ato discricionário, enquanto a licença é ato vincu-
lado. Na licença o interessado tem direito de obtê-la, e pode exigi-la, desde que preencha certos requisitos, ex. licença para dirigir
veículo.

DIREITO DO USUÁRIO/CONSUMIDOR:

Atuando como destinatário direto da prestação de serviços públicos, os usuários participam da Administração Pública, com
direito a reclamação relativa à qualidade na prestação de serviço publico em geral, sendo assegurada a manutenção de serviços de
atendimento ao usuário e avaliação constante e periódica, seja externa ou interna, da qualidade e efetividade dos serviços colocados
à disposição da coletividade.
Todos os cidadãos têm direito a receber dos órgãos públicos informações corretas de seus interesses particulares, ou então de
interesse coletivo em geral. Na hipótese de desatendimento, o interessado tem o direito de impetrar a medida conhecida como habeas
data, visando assegurar o conhecimento das informações pedidas.
É ainda direito dos usuários de serviços públicos a faculdade de representação contra o exercício negligente, abusivo ou irregular
de cargo, emprego ou função na Administração Pública, cobrando das autoridades administrativas providencias para sanar tais
irregularidades ou abusos.

8 CONTROLE E RESPONSABILIZAÇÃO
DA ADMINISTRAÇÃO: CONTROLE
ADMINISTRATIVO; CONTROLE JUDICIAL;
CONTROLE LEGISLATIVO; RESPONSABILI-
DADE CIVIL DO ESTADO.

CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA:

É através do exercício das funções administrativas, ou, pela expedição de atos administrativos que o Estado, no uso de suas
prerrogativas em face do indivíduo, estabelece a formação de relações jurídico-administrativas entre a Administração
Pública e o Administrado.

30
Noções de Direito Administrativo
Com a edição dos atos administrativos pela Administração Pública deve atender, alem da manifestação da vontade, do objeto e
da forma, ao motivo e ainda à finalidade, dentro de um contexto rígido de legitimidade e de legalidade.
Ao divergir com qualquer um dos princípios constitucionais, quais sejam: legalidade, moralidade, publicidade ou impessoalida-
de, o administrador público ofende o próprio Estado, além de violar direitos diversos do administrado. Observa-se então que, quando
tais questões são levadas em juízo, em quase todas as ações são ajuizadas em face do administrador e não contra o Estado.
Por controle entende-se a faculdade atribuída a um Poder para exercer vigilância, garantida a faculdade de correção, sobre a
conduta de outro, dentro dos limites previstos constitucionalmente.
Como é sabido, todo ato emanado da Administração Pública deve ser motivado, que justifica o próprio ato, e funciona como
meio de controle dos atos administrativos, seja ele vinculado ou discricionário.

CONTROLE ADMINISTRATIVO

O Controle Administrativo, ou também chamado de controle interno, tem como finalidade principal obter a harmonia e a padro-
nização da ação administrativa, a eficácia dos serviços administrativos e, bem assim, a retidão e a competência dos funcionários que
guarnecem a administração.
A auto-revisão do ato administrativo fundamenta-se na hierarquia que, como vínculo que subordina os demais órgãos adminis-
trativos, graduando a autoridade de cada um, deriva o poder de vigilância e o poder de direção, bem como o poder de revisão, pelos
quais se garante a completa unidade de direção ao sistema administrativo.
Temos então que controle interno é aquele controle exercido pela entidade ou órgão responsável pela atividade controlada, na
esfera da própria Administração, assim, qualquer controle efetivo realizado pelo Poder Executivo sobre os seus serviços ou agentes
é considerado interno, assim como o controle do Poder Legislativo ou do Poder Judiciário, por seus órgãos de Administração, sobre
seus agentes e também sobre os atos administrativos praticados.
Assim, com o objetivo de serem observadas as normas fundamentais, os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhe-
cimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade, dela deverão dar ciência imediata ao Tribunal de Contas respectivo, sob pena de
responsabilidade solidária, sendo considerada parte legitima para a prática dos atos de denuncia, qualquer cidadão, partido político,
associação ou sindicato.

Da Revisão “Ex-officio”:
A revisão “ex-officio” pode ser entendida de maneira geral como a revisão espontânea exercida pela Administração sobre seus
próprios atos, que decorre em virtude da hierarquia e da autotutela.

Diante da verificação de que o ato administrativo não atende aos requisitos prescritos em, ou em presença reconhecida da incon-
veniência ou da inoportunidade, a autoridade prolatora pode rever diretamente o ato ou ele pode ser revisto pelo agente de hierarquia
superior, independente de provocação de parte interessada.

Da Revisão Provocada:
A revisão provocada, na instância administrativa, realiza-se através de recurso, de pedido de reconsideração, de reclamação ou
de representação.
Tal recurso, além da tranquilidade psicológica que assegura ao administrado ou servidor, visa corrigir os possíveis e eventuais
erros do ato administrativo, inscrevendo-se como um direito potestativo do administrado, com natureza subjetiva, que ele pode usar
sempre que julgar preterido um direito seu ou incorreto, em seu desfavor, um ato administrativo.
Diante de uma situação desfavorável, de natureza subjetiva, ou repleto de desobediência às formalidades legais, de natureza ob-
jetiva, ao administrado prejudicado é assegurado o direito à interposição de recurso através de petição dirigida à autoridade superior,
devidamente motivada, como forma de provocação da atuação do controle interno da Administração.
A representação tem o conceito voltado à exposição direcionada à autoridade superior, é um recurso com natureza constitucional
que consiste na denuncia formal de irregularidades existentes em um ato administrativo.
A reclamação nada mais é do que um pedido dirigido à autoridade hierárquica superior, em forma de protesto ou queixa, por
meio do qual o autor da reclamação reivindica a reparação de ato que reputar injusto.
O pedido de reconsideração é dirigido à própria autoridade que editou o ato, buscando nova deliberação.

CONTROLE JUDICIAL

Controle judicial pode ser assim entendido como sinônimo de reexame ou revisão, ou seja, é a verificação, pelo Poder Judiciário,
quando provocado, da legalidade dos atos praticados pela Administração Pública, isto porque a jurisdição civil, contenciosa e volun-
tária, é exercida pelos juízes, em todo o território nacional.

31
Noções de Direito Administrativo
Para que haja a ocorrência do controle jurisdicional, através da propositura de uma ação, além da ilegalidade dos atos da Admi-
nistração, há que existir, por parte de quem aciona o Poder Judiciário, legítimo interesse econômico ou moral e legitimidade, enten-
dendo-se por interesse a possibilidade de haver benefício ou prejuízo como decorrência da ação da Administração e por legitimidade
a conformidade com a lei.
Assim, em razão da atuação administrativa, no decorrer da execução de seus fins, podem ocorrer conflitos de interesses entre a
Administração e o administrado que levem ao estabelecimento de incertezas e dúvidas a respeito da razão ou da justiça do ato prati-
cado, o que demanda a necessidade de eleição de um árbitro alheio e parcial à relação jurídica.
O modelo de Estado de Direito impõe-se, de um lado a sujeição do Estado à ordem jurídica por ele mesmo estabelecida, decor-
rente do princípio da legalidade, e, de outro lado, o controle jurídico dessa sujeição, em busca da eliminação do árbitro.
Desta feita, diante da presença de um conflito de interesses entre a Administração e o administrado, ao Poder Judiciário, quando
provocado, compete à solução do litígio, tendo lugar o conhecido controle jurisdicional. O controle jurisdicional somente ocorre
quando houver provocação da parte interessada em presença de um fato concreto.
Todo direito é protegido por uma ação e a Constituição Federal assegura aos administrados o direito de petição ao Poder Judi-
ciário em defesa de direito ou contra ilegalidade ou ainda eventual abuso de poder, conforme garante o artigo 5º, inciso XXXIV, da
Constituição Federal.
O reexame da ação da Administração pelo Poder Judiciário limita-se à verificação da legalidade do ato, isto porque à Adminis-
tração e só a ela compete a análise da oportunidade e da conveniência da ação administrativa.
Assim, só o direito e não o interesse do administrado poderá ser objeto da ação revisória do Poder Judiciário. Não pode o Poder
Judiciário adentrar no mérito do ato administrativo para indagar a oportunidade e a conveniência, mas tão somente a legitimidade,
isto é, a sua conformidade com a lei.
Quando o Poder Judiciário é provocado, chamado a se manifestar deve circunscrever o âmbito da sua real atuação ao caso sobre
o qual tenha sido chamado ou provocado a atuar.
É sabido que a Administração Pública somente pode agir de acordo com o que prescreve a lei, contudo, pode deixar, por motivada
por flagrantes interesses públicos, de cumprir exatamente com a lei, isto é, deixar de executá-la em um determinado momento, sem
que isto implique em quebra de princípio da legalidade.
Apesar da disposição constitucional prevista no artigo 5º, inciso XXXV, que não exclui da apreciação do Poder Judiciário lesão
ou ameaça de direito, em presença da independência dos Poderes, regularmente definida no artigo 2º, da Constituição Federal, são
impostas restrições legais à apreciação dos atos administrativos pelo Poder Judiciário.
Há uma grande necessidade de subtrair a Administração a uma prevalência do Poder Judiciário, capaz de diminuí-la, ou até mes-
mo de anulá-la em suas atividades peculiares, se põem restrições à apreciação jurisdicional dos atos administrativos, no que respeita
à extensão e consequências, para que assim se respeite a autonomia constitucionalmente firmada entre os três Poderes.
É vedada ao Poder Judiciário a apreciação do ao administrativo quanto ao mérito, protegendo assim o poder discricionário que
a Administração Pública goza, ficando assim restrita essa análise e apreciação somente quanto à sua conformidade com a lei, respei-
tando o principio da legalidade.

CONTROLE LEGISLATIVO

O controle legislativo, integrante do sistema de controle externo, que muitos denominam parlamentar sem que vigore no país o
regime parlamentarista, que é exercido sob os aspectos de correção e fiscalização, tendo em vista o interesse publico.
O controle externo legislativo é desempenhado de forma direta e indireta. Será direto quando exercido pelo Congresso Nacional,
em nível federal; pelas Assembleias Legislativas, nível estadual e distrital; e pelas Câmaras Municipais, em nível municipal.
Será legislativo indireto o controle exercitado pelos Tribunais de Contas, que funcionam como órgãos auxiliares de Poder Le-
gislativo.
Controle Legislativo Direto: Compete ao Congresso Nacional, ou seja, às duas Casas Legislativas Federais (Senado Federal
e Câmara dos Deputados), de acordo com o que dispõe o artigo 49, V, da Constituição Federal, sustar os atos normativos do Poder
Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. Possui também como função, no exercício
do controle externo de acompanhamento da execução orçamentária, com parecer técnico de Comissão Mista (artigo 166, §1º, II da
Constituição Federal) e em atendimento a solicitação do Tribunal de Contas da União, sustar ato do Poder Executivo que possa causar
dano irreparável ou grave lesão à economia pública.
O Congresso Nacional, ou qualquer de suas comissões, poderão convocar Ministro de Estado ou qualquer titular de órgãos
diretamente subordinados à Presidência da República para, caso haja necessidade, prestar de maneira pessoal, informações sobre
assuntos previamente determinado, podendo ser enquadrado como crime de responsabilidade, a ausência a tal convocação, sem
justificação adequada.

32
Noções de Direito Administrativo
Compete ainda ao Congresso Nacional, para apuração dos fatos controversos, instaurar Comissão de Inquérito, nos termos da
Lei 1.579/52.
Dentro das atribuições de controle externo, o Congresso Nacional é competente para realizar o julgamento das contas que o Pre-
sidente da República deve apresentar anualmente, e ainda apreciar os atos sobre a execução dos planos de governo.
É de competência privativamente ao Senado Federal, no exercício do controle externo, nos termos do artigo 52 da Constituição
Federal, processar e julgar o Presidente da República bem como o Vice-Presidente nos crimes de responsabilidade, e os Ministros de
Estado nos crimes com a mesma natureza conexos com aqueles.
Da mesma maneira, compete ao Senado Federal, o processamento e consequente julgamento dos Ministros do Supremo Tribunal
Federal, o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade.
Ao Senado Federal incumbe a função de aprovar, previamente, mediante voto secreto, depois de realizada arguição pública a
escolha de magistrados (nos casos específicos normatizados pela Constituição Federal), escolha de Ministros para composição do
Tribunal de Contas da União, previamente indicados pelo Presidente da República (um terço), escolha de Governado de Território,
presidente e diretores do Banco Central, Procurador-Geral da República, escolha (após arguição em seção secreta) dos chefes inte-
grantes de missão diplomática de caráter permanente.
Deve ainda ser apreciado e autorizado pelo Senado Federal a realização de operações externas de natureza financeira, de interesse
da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios e estabelecer limites globais e condições para o montante
da dívida mobiliária dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Além de dispor sobre limites e condições para a concessão
de garantia da União em operação de crédito externo e interno.
Já a competência da Câmara dos Deputados, nos exatos termos do artigo 51, inciso I, da Constituição Federal, autorizar, pelo
voto de dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o Presidente da República e o Vice-Presidente da República,
assim como os Ministros de Estado.
A Câmara dos Deputados, no exercício do controle externo, é competente a tomada de contas do Presidente da República, quando
não apresentada ao Congresso Nacional, dentro do prazo de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa, nos termos do artigo
51, inciso II da Constituição Federal.
O controle exercido pelas Câmaras Municipais, diante do Poder Executivo Municipal vem definido nas Leis Orgânicas próprias
de cada Município.
Controle Legislativo Indireto: Durante o Império brasileiro não existiu no país nenhum Tribunal de Contas, embora em Portugal
tivesse existido as Casas de Contas que eram responsáveis pela arrecadação e fiscalização das receitas públicas, mas em nada pode
ser comparado com as Cortes de Contas.
Os primeiros esboços da ideia da formação de um Tribunal de Contas surgiram com a observância da ineficiência dos parlamen-
tos na função da fiscalização dos bens e gastos públicos, quando do surgimento das monarquias parlamentaristas.
Assim, verificou-se a necessidade de um Tribunal, auxiliando o exercício do Poder Legislativo de fiscalização e controle dos gas-
tos públicos. Assim, os Tribunais de Contas da União, dos Estados e de alguns Municípios, atuam como órgãos auxiliares do Poder
Legislativo, exercendo o controle externo, ou indireto, da Administração Pública, buscando em sua atuação a fiscalização da gestão
financeira, orçamentária e patrimonial do Estado.
O Tribunal de Contas da União é regularmente composto por nove ministros, devidamente sediado no Distrito Federal e possui
jurisdição em todo território nacional e tem suas atividades regulamentadas pela Lei nº 8.443, de 16 de julho de 1992.
É de competência do Presidente da República a nomeação, após aprovação pelo Senado Federal por votação secreta e após
arguição pública, de um terço dos membros do Tribunal de Contas da União. O restante, ou seja, os outros dois terços são escolhidos
pelo Congresso Nacional, obedecida a regulamentação definida pelo Decreto Legislativo nº 6, de 22 de abril de 1993.
Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão nomeados dentre brasileiros, com idade superior a 35 anos e inferior a 65
anos, que possuam idoneidade moral e reputação ilibada, com notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros
ou administração pública, que tenha mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija tais conhe-
cimentos, de acordo com o que dispõe o artigo 73, § 1º da Constituição Federal, seguido do artigo 71 da Lei nº 8.443/92.
No caso de ausência ou impedimentos legais os Ministros são substituídos, mediante convocação do Presidente do Tribunal,
pelos Auditores, observada a ordem de antiguidade no cargo, ou a maior idade, no caso de idêntica antiguidade.
O artigo 71 da Constituição Federal normatiza que o controle externo, de competência do Congresso Nacional, será exercido com
auxilio do Tribunal de Contas da União, cujo texto constitucional assim garante:
Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União, ao
qual compete:
I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer prévio que deverá ser elaborado
em sessenta dias a contar de seu recebimento;
II - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da administração direta
e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público federal, e as contas daqueles que derem
causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público;

33
Noções de Direito Administrativo
III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na administração direta e
indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, excetuadas as nomeações para cargo de provimento em
comissão, bem como a das concessões de aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem
o fundamento legal do ato concessório;
IV - realizar, por iniciativa própria, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de Comissão técnica ou de inquérito, ins-
peções e auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas unidades administrativas dos
Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, e demais entidades referidas no inciso II;
V - fiscalizar as contas nacionais das empresas supranacionais de cujo capital social a União participe, de forma direta ou
indireta, nos termos do tratado constitutivo;
VI - fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumen-
tos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município;
VII - prestar as informações solicitadas pelo Congresso Nacional, por qualquer de suas Casas, ou por qualquer das respectivas
Comissões, sobre a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial e sobre resultados de auditorias e
inspeções realizadas;
VIII - aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as sanções previstas em lei, que
estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano causado ao erário;

IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, se verificada
ilegalidade;
X - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Fe-
deral;
XI - representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados.
§ 1º - No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional, que solicitará, de imediato, ao
Poder Executivo as medidas cabíveis.
§ 2º - Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de noventa dias, não efetivar as medidas previstas no parágrafo
anterior, o Tribunal decidirá a respeito.
§ 3º - As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia de título executivo.
§ 4º - O Tribunal encaminhará ao Congresso Nacional, trimestral e anualmente, relatório de suas atividades.

Ampliando o campo de atuação do Tribunal de Contas da União, dentro dos limites constitucionais, a Lei nº 8.443/92 estabelece,
em seu artigo 1º, as limitações de competência do mesmo Tribunal, que assim garante o texto legal:

Art. 1° Ao Tribunal de Contas da União, órgão de controle externo, compete, nos termos da Constituição Federal e na forma
estabelecida nesta Lei:
I - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos das unidades dos poderes
da União e das entidades da administração indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo poder público
federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte dano ao Erário;
II - proceder, por iniciativa própria ou por solicitação do Congresso Nacional, de suas Casas ou das respectivas comissões, à
fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial das unidades dos poderes da União e das demais entida-
des referidas no inciso anterior;
III - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, nos termos do art. 36 desta Lei;
IV - acompanhar a arrecadação da receita a cargo da União e das entidades referidas no inciso I deste artigo, mediante inspe-
ções e auditorias, ou por meio de demonstrativos próprios, na forma estabelecida no Regimento Interno;
V - apreciar, para fins de registro, na forma estabelecida no Regimento Interno, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a
qualquer título, na administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo poder público federal, exce-
tuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão, bem como a das concessões de aposentadorias, reformas e pensões,
ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório;
VI - efetuar, observada a legislação pertinente, o cálculo das quotas referentes aos fundos de participação a que alude o pará-
grafo único do art. 161 da Constituição Federal, fiscalizando a entrega dos respectivos recursos;
VII - emitir, nos termos do § 2º do art. 33 da Constituição Federal, parecer prévio sobre as contas do Governo de Território Fe-
deral, no prazo de sessenta dias, a contar de seu recebimento, na forma estabelecida no Regimento Interno;
VIII - representar ao poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados, indicando o ato inquinado e definindo res-
ponsabilidades, inclusive as de Ministro de Estado ou autoridade de nível hierárquico equivalente;
IX - aplicar aos responsáveis as sanções previstas nos arts. 57 a 61 desta Lei;

34
Noções de Direito Administrativo
X - elaborar e alterar seu Regimento Interno;
XI - eleger seu Presidente e seu Vice-Presidente, e dar-lhes posse;
XII - conceder licença, férias e outros afastamentos aos ministros, auditores e membros do Ministério Público junto ao Tribunal,
dependendo de inspeção por junta médica a licença para tratamento de saúde por prazo superior a seis meses;
XIII - propor ao Congresso Nacional a fixação de vencimentos dos ministros, auditores e membros do Ministério Público junto
ao Tribunal;
XIV - organizar sua Secretaria, na forma estabelecida no Regimento Interno, e prover-lhe os cargos e empregos, observada a
legislação pertinente;
XV - propor ao Congresso Nacional a criação, transformação e extinção de cargos, empregos e funções de quadro de pessoal
de sua secretaria, bem como a fixação da respectiva remuneração;
XVI - decidir sobre denúncia que lhe seja encaminhada por qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato, na
forma prevista nos arts. 53 a 55 desta Lei;
XVII - decidir sobre consulta que lhe seja formulada por autoridade competente, a respeito de dúvida suscitada na aplicação
de dispositivos legais e regulamentares concernentes a matéria de sua competência, na forma estabelecida no Regimento Interno.
§ 1° No julgamento de contas e na fiscalização que lhe compete, o Tribunal decidirá sobre a legalidade, de legitimidade e a
economicidade dos atos de gestão e das despesas deles decorrentes, bem como sobre a aplicação de subvenções e a renúncia de
receitas.
§ 2° A resposta à consulta a que se refere o inciso XVII deste artigo tem caráter normativo e constitui prejulgamento da tese, mas
não do fato ou caso concreto.
§ 3° Será parte essencial das decisões do Tribunal ou de suas Câmaras:
I - o relatório do Ministro-Relator, de que constarão as conclusões da instrução (do relatório da equipe de auditoria ou do téc-
nico responsável pela análise do processo, bem como do parecer das chefias imediatas, da unidade técnica), e do Ministério Público
junto ao Tribunal;
II - fundamentação com que o Ministro-Relator analisará as questões de fato e de direito;
III - dispositivo com que o Ministro-Relator decidirá sobre o mérito do processo.

A composição dos Tribunais de Contas dos Estados vem definida nas Constituições e nas legislações complementares de cada
Estado.
Para o regular desempenho de sua competência o Tribunal de Contas receberá da Secretaria de Estado da Fazenda e das Prefeitu-
ras Municipais, em cada exercício, o rol dos responsáveis por dinheiro, valores e bens públicos, e outros documentos ou informações
que considerar necessários.
Cumpre destacar que os pareceres emitidos pelo Tribunal de Contas referentes às contas prestadas pelo Governador e pelos Pre-
feitos Municipais não têm poder vinculante, podendo ser aceitos ou não pelo Poder Legislativo.
As contas que devem ser prestadas pelas Mesas da Câmara dos deputados, do Senado Federal, das Assembleias Legislativas, das
Câmaras Municipais e ainda pelos Tribunais (Poder Judiciário Federal e Estadual), eram julgadas pelos Tribunais de Contas da União
ou dos Estados, dependendo da esfera a qual pertence.
Entretanto, a Lei Complementar nº 101, de 04 de maio de 2000, estabelece, em seu artigo 56, que as contas prestadas pelos Che-
fes do Poder Executivo incluirão, além das contas próprias, as dos Presidentes dos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário e do
Chefe do Ministério Público, as quais receberão parecer prévio, separadamente, do respectivo Tribunal de Contas.
Assim, a nova legislação desvincula os Chefes dos outros Poderes das disposições normativas contida no artigo 71, inciso II, da
Constituição Federal.
Só com relação às contas dos Chefes do Executivo é que o pronunciamento do Tribunal de Contas constitui mero parecer prévio,
sujeito à apreciação final do Poder Legislativo, antes do qual não há inelegibilidade. As contas de todos os demais responsáveis por
dinheiro e bens públicos são julgadas pelo Tribunal de Contas e suas decisões geram inelegibilidade.

RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO NO DIREITO BRASILEIRO:

Temos pacificado o entendimento em nosso ordenamento jurídico que um ato praticado por uma pessoa poderá gerar consequên-
cias a outrem, em três esferas distintas do Direito Brasileiro.
Inicialmente, se o ato praticado pelo autor for tipificado em lei como crime ou contravenção, este responderá na esfera penal.
Caso o ato praticado caracterizar infração a normas administrativas, o autor do ato deverá responder na esfera administrativa, entre-
tanto, se o ato ocasionar dano ao patrimônio de outrem ou sua moral, o autor da pratica do ato deverá responder de acordo com as leis
civis do nosso ordenamento jurídico.

35
Noções de Direito Administrativo
Assim, via de regra, as esferas do direito acima descritas são autônomas e independentes entre si, com ritos e procedimentos di-
ferentes para a apuração da responsabilidade e aplicação das sanções aplicáveis em cada caso e em cada esfera do Direito, entretanto,
poderá ocorrer à imputação de responsabilidade cumulativa, caso o ato praticado pelo autor gere sua responsabilização nas diferentes
esferas acima demonstradas.

EVOLUÇÃO HISTÓRICA E FUNDAMENTOS JURÍDICOS:

Para chegarmos ao modelo de Responsabilidade do Estado diante dos prejuízos causados a terceiros, passamos a discorrer rapi-
damente sobre a evolução histórica deste instituto bem como seus fundamentos jurídicos.

- 1ª Etapa: Irresponsabilidade do Estado - inicialmente tínhamos o entendimento majoritário em diversas escolas do Direito pelo
mundo que o Estado não tinha qualquer responsabilidade pelos seus atos, ou seja, o Poder Público era isento de qualquer responsabi-
lidade perante terceiros, essa período ficou conhecido como “The King can do no wrong” ou “O Rei não erra nunca”.

- 2ª Etapa: Responsabilidade Subjetiva – A partir dessa fase, o Poder Público passou a responder baseado no conceito de culpa,
culpa anônima, quando o serviço que deveriam prestar ou não prestou, ou ainda quando prestou de forma deficiente. A culpa não
recaia em alguém particular, bastava para tanto constatar que o serviço não foi efetuado, ou então feito com deficiência para a culpa
recair sobre o serviço e não sobre a pessoa. Este período ficou conhecido pela expressão “Culpa do Serviço”.

- 3ª Etapa: Responsabilidade Objetiva – O Poder Público passa a responder com fundamento no nexo de causalidade, ou seja, a
relação de causa e efeito entre o fato ocorrido e as consequências dela resultantes. O Estado responde sem a comprovação de dolo
ou culpa.
A teoria da responsabilidade objetiva surge com a Constituição Federal de 1946, substituindo a teoria subjetiva baseada na “Cul-
pa do Serviço”. O texto constitucional de 1946 estabelece a responsabilidade direta do Estado, exigindo culpa ou dolo do funcionário
apenas para estabelecer o direito regressivo do Estado contra seu agente.

DA REPARAÇÃO DO DANO

Denomina-se responsabilidade na esfera civil a obrigação imposta a uma pessoa de indenizar ou ressarcir os danos experimenta-
dos por alguém. A responsabilidade pode ser contratual ou extracontratual.
Quando estamos diante da responsabilidade civil contratual, a mesma segue os princípios gerais dos contratos, entretanto, a res-
ponsabilidade civil extracontratual baseia-se na culpa do agente causador do dano.
A responsabilidade civil patrimonial extracontratual decorre de atos que causem lesão patrimonial, dano moral, ou ambos. Via
de regra, para a imputação de responsabilidade civil deve restar cabalmente demonstrada não só a ocorrência do dano, mas também
a relação entre um ato e o dano, ou seja, é necessária a comprovação de que o dano é resultado de um ato praticado por determinado
agente, este elo entre o ato, dano e o agente causado a doutrina jurídica nomeou de nexo causal, sendo utilizado como parâmetro para
averiguar a culpa do agente que praticou o ato que resultou em dano.
Assim, comprovado a ocorrência do nexo causal, o grau de culpabilidade do agente que praticou o ato e a extensão do dano,
esgota-se a responsabilidade civil com a correspondente indenização pela lesão causada.

Temos então, diante da introdução explanada, que a essa modalidade de responsabilidade civil, a qual exige a comprovação da
culpa do agente para sua caracterização, o caráter subjetivo, ou seja, a responsabilidade civil subjetiva leva em consideração a con-
duta do agente causador do dano, exigindo que ele tenha atuado com culpa, para que ele possa ser responsabilizado e compelido ao
pagamento de indenização correspondente a extensão do dano (patrimonial e/ou moral).
Entretanto, ao Poder Público não é aplicado este modelo de responsabilidade civil subjetiva, visto que, de acordo com o ordena-
mento jurídico vigente, inclusive constitucional, e os posicionamentos doutrinários majoritários, temos que a Administração Pública
possui o dever de indenizar aquele que for lesado por ação ou omissão de seus agentes públicos (ou delegatário de serviço público),
que agindo nesta qualidade, praticou o ato gerador do dano
.Assim, o particular lesado, deverá ajuizar ação diretamente contra a Administração Pública, e não contra o agente público que
praticou o ato lesivo, bastando ao particular comprovar em juízo a relação de causa e consequência entre a atuação lesiva da Admi-
nistração Pública e o dano decorrente, bem como a valoração patrimonial do dano.
Isto ocorre porque, diferentemente da responsabilidade civil subjetiva, a Administração pública responde perante os usuários
dos serviços públicos de forma objetiva, bastando à demonstração do nexo causal e o dano para surgir à obrigação de indenizar, não
sendo necessária a demonstração de que houve culpa do agente público (ou delegatário de serviço público) na falha da execução de
suas funções públicas, que originaram a lesão ao particular.

36
Noções de Direito Administrativo
Para o jurista Celso Antônio Bandeira de Mello, o conceito de responsabilidade objetiva do Estado é “a obrigação de indenizar
que incumbe a alguém em razão de um procedimento licito ou ilícito que produziu uma lesão na esfera juridicamente protegida de
outrem. Para configurá-la basta, pois, a mera relação causal entre o comportamento e o dano”.
Diante de tais esclarecimentos, temos que a responsabilidade civil do Estado, bem como de seus prestadores de serviço público
é objetiva, bastando para tanto a demonstração da relação de causa e efeito entre o serviço público e o dano, para gerar a obrigação
de indenização.
Dessa maneira não se cogita a ideia de que, aquele que sofreu danos, comprovar culpa ou dolo, quando figure no pólo passivo,
a administração pública, bastando para tanto a incidência do nexo de causalidade. É dessa maneira que garante o artigo 37, § 6º da
Constituição Federal, senão vejamos:
“As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado, prestadoras de serviços públicos, responderão pelos danos que
seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou
culpa.”
Neste sentido, estão enquadrados a Administração Pública em todas as suas vertentes, ou seja, toda a esfera administrativa está
sujeita a responsabilidade objetiva pelos danos que causar a terceiros, seja a Administração Direta, Indireta, Concessionárias e/ou
Permissionárias de Serviços Públicos.

DO DIREITO DE REGRESSO:

Cumpre ressaltar o direito que a Administração Pública tem de ingressar com ação judicial visando à apuração das responsabi-
lidades de seus agentes no cometimento do dano a terceiros, dai surge o direito de regresso conferido ao Poder Público visando à
verificação de dolo ou culpa de seus agentes e possível ressarcimento de valores.
Há dois aspectos peculiares que ensejam o direito de regresso da Administração Pública contra seu agente:

- A Administração Pública para ingressar com ação regressiva contra seu agente, deverá comprovar previamente já ter sido con-
denada a indenizar o particular lesado, haja vista que seu direito regressivo é originário a partir de sentença final condenatória, sem
possibilidades de reversão recursal.

- Ocorrência de dolo ou culpa do agente público na lesão experimentada pelo particular, ou seja, é necessária a comprovação de
que o agente agiu com dolo ou culpa para ser responsabilizado (responsabilidade subjetiva do agente).
Em linhas gerais, temos que a Administração Pública, ou delegatária de execução dos serviços públicos, cujo agente praticou o
ato lesivo, indeniza o particular independentemente de comprovação de dolo ou culpa do Poder Público, entretanto, o agente público
somente será condenado a ressarcir a Administração Pública regressivamente se houver a comprovação de dolo ou culpa de sua parte,
durante o exercício de suas funções públicas.

LEI Nº. 8.429/92 E ALTERAÇÕES POSTERIORES (DISPÕE SOBRE AS


SANÇÕES APLICÁVEIS AOS AGENTES PÚBLICOS NOS CASOS DE ENRI-
QUECIMENTO ILÍCITO NO EXERCIO DE MANDATO, CARGO,
EMPREGO OU FUNÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA,
INDIRETA OU FUNDACIONAL E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS).
.

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

A Improbidade Administrativa é caracterizada, genéricamente, pela violação aos princípios da moralidade, impessoalidade e
economicidade e enriquecimento ilícito cometido por agente público, em seu conceito mais amplo, no exercício de suas funções
administrativas, ou em decorrencia dela, conforme previsto por lei.
A Lei Federal n° 8.429/92 trata dos atos de improbidade praticadas por qualquer agente público, bem como estabelece as sanções
e dever indenizar e/ou restituir o patrimonio público.
As disposições desta lei alcançam todas as pessoas qualificadas como agentes públicos, seja na administração direta, indireta e
fundacional, mesmo que transitoriamente, remuneradas ou não. Atingem de forma direta ainda as empresas incorporadas ao patrimô-
nio público e as entidades para criação ou custeio onde o erário público haja concorrido ou concorra com mais de 50% do patrimônio
ou da receita anual.

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Noções de Direito Administrativo
São abrangidos ainda, na referida lei, aqueles que, mesmo não sendo agentes públicos, induzam ou concorram para a prática
do ato de improbidade ou dele se beneficiem sob qualquer forma, direta ou indiretamente. Neste sentido, são equiparados a agentes
públicos, ficando sujeitos às sanções previstas na Lei de Improbidade Administrativa, os responsáveis e funcionários de pessoas ju-
rídicas de direito privado que recebam verbas públicas e promovam o seu desvio, apropriação, ou uso em desconformidade com as
finalidades para as quais se deu o repasse.
As penalidades envolvem ressarcimento do dano, multa, perda do que foi obtido ilicitamente, perda da função pública, suspensão
dos direitos políticos, que podem ser de 3 a 10 anos, conforme a hipótese e o caso concreto, e ainda proibição de contratar com o
poder público por período definido na lei.

A Lei 8429/92 estabelece três espécies de atos de improbidade:

- os atos que importam enriquecimento ilícito, devidamente previsto no artigo 9º;

- os atos que causam lesão ao patrimônio público, previsto no artigo 10, e;


- os atos que atentam contra os princípios da Administração Pública com previsão legal no artigo11.

Importante salientar que a responsabilidade pode ser apurada cumulativamente, ou seja, o agente do ato de improbidade poderá
ser enquadrado e penalizado tanto na lei de Improbidade Administrativa, como também criminalmente, respondendo por suas condu-
tas tipificadas no Código Penal, ai sim, se condenado, poderá sofrer penas restritivas de liberdade.
A Lei além de prevêr punições de caráter penal ou criminal, dispõe ainda sobre as penas de natureza civil e política, ou seja,
incluem a perda da função pública, suspensão dos direitos políticos, multas, reparação do dano e ressarcimento de valores.

Dessa forma, para os estudos acerca das sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício
de mandato, cargo, emprego ou função da administração pública direta, indireta ou fundacional, suas hipóteses de improbidade ad-
ministrativa e penalidades, é imprescindível a leitura atenta do que dispõe a Lei 8.429/1992, que a seguir segue:

LEI Nº 8.429 DE 2 DE JUNHO DE 1992

Dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo,
emprego ou função na administração pública direta, indireta ou fundacional.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei:

CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 1° Os atos de improbidade praticados por qualquer agente público, servidor ou não, contra a administração direta, indireta
ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios, de Território, de empresa incor-
porada ao patrimônio público ou de entidade para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com mais de cinquenta
por cento do patrimônio ou da receita anual, serão punidos na forma desta lei.
Parágrafo único. Estão também sujeitos às penalidades desta lei os atos de improbidade praticados contra o patrimônio de enti-
dade que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de órgão público bem como daquelas para cuja criação ou
custeio o erário haja concorrido ou concorra com menos de cinquenta por cento do patrimônio ou da receita anual, limitando-se,
nestes casos, a sanção patrimonial à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos.

Art. 2° Reputa-se agente público, para os efeitos desta lei, todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remunera-
ção, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou
função nas entidades mencionadas no artigo anterior.

Art. 3° As disposições desta lei são aplicáveis, no que couber, àquele que, mesmo não sendo agente público, induza ou concorra
para a prática do ato de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta.
Art. 4° Os agentes públicos de qualquer nível ou hierarquia são obrigados a velar pela estrita observância dos princípios de legali-
dade, impessoalidade, moralidade e publicidade no trato dos assuntos que lhe são afetos.

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Noções de Direito Administrativo
Art. 5° Ocorrendo lesão ao patrimônio público por ação ou omissão, dolosa ou culposa, do agente ou de terceiro, dar-se-á o
integral ressarcimento do dano.

Art. 6° No caso de enriquecimento ilícito, perderá o agente público ou terceiro beneficiário os bens ou valores acrescidos ao seu
patrimônio.

Art. 7° Quando o ato de improbidade causar lesão ao patrimônio público ou ensejar enriquecimento ilícito, caberá a autoridade
administrativa responsável pelo inquérito representar ao Ministério Público, para a indisponibilidade dos bens do indiciado.
Parágrafo único. A indisponibilidade a que se refere o caput deste artigo recairá sobre bens que assegurem o integral ressarcimen-
to do dano, ou sobre o acréscimo patrimonial resultante do enriquecimento ilícito.

Art. 8° O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio público ou se enriquecer ilicitamente está sujeito às cominações desta
lei até o limite do valor da herança.

CAPÍTULO II
DOS ATOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

SEÇÃO I
DOS ATOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA QUE IMPORTAM ENRIQUECIMENTO ILÍCITO

Art. 9° Constitui ato de improbidade administrativa importando enriquecimento ilícito auferir qualquer tipo de vantagem patri-
monial indevida em razão do exercício de cargo, mandato, função, emprego ou atividade nas entidades mencionadas no art. 1° desta
lei, e notadamente:
I - receber, para si ou para outrem, dinheiro, bem móvel ou imóvel, ou qualquer outra vantagem econômica, direta ou indireta,
a título de comissão, percentagem, gratificação ou presente de quem tenha interesse, direto ou indireto, que possa ser atingido ou
amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público;
II - perceber vantagem econômica, direta ou indireta, para facilitar a aquisição, permuta ou locação de bem móvel ou imóvel, ou
a contratação de serviços pelas entidades referidas no art. 1° por preço superior ao valor de mercado;
III - perceber vantagem econômica, direta ou indireta, para facilitar a alienação, permuta ou locação de bem público ou o forne-
cimento de serviço por ente estatal por preço inferior ao valor de mercado;
IV - utilizar, em obra ou serviço particular, veículos, máquinas, equipamentos ou material de qualquer natureza, de propriedade
ou à disposição de qualquer das entidades mencionadas no art. 1° desta lei, bem como o trabalho de servidores públicos, empregados
ou terceiros contratados por essas entidades;
V - receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indireta, para tolerar a exploração ou a prática de jogos de azar,
de lenocínio, de narcotráfico, de contrabando, de usura ou de qualquer outra atividade ilícita, ou aceitar promessa de tal vantagem;
VI - receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indireta, para fazer declaração falsa sobre medição ou avaliação
em obras públicas ou qualquer outro serviço, ou sobre quantidade, peso, medida, qualidade ou característica de mercadorias ou bens
fornecidos a qualquer das entidades mencionadas no art. 1º desta lei;
VII - adquirir, para si ou para outrem, no exercício de mandato, cargo, emprego ou função pública, bens de qualquer natureza
cujo valor seja desproporcional à evolução do patrimônio ou à renda do agente público;
VIII - aceitar emprego, comissão ou exercer atividade de consultoria ou assessoramento para pessoa física ou jurídica que tenha
interesse suscetível de ser atingido ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público, durante a ativi-
dade;
IX - perceber vantagem econômica para intermediar a liberação ou aplicação de verba pública de qualquer natureza;
X - receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indiretamente, para omitir ato de ofício, providência ou decla-
ração a que esteja obrigado;
XI - incorporar, por qualquer forma, ao seu patrimônio bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das
entidades mencionadas no art. 1° desta lei;
XII - usar, em proveito próprio, bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no
art. 1° desta lei.

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Noções de Direito Administrativo
SEÇÃO II
DOS ATOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA QUE CAUSAM PREJUÍZO AO ERÁRIO

Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que
enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no art. 1º
desta lei, e notadamente:
I - facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorporação ao patrimônio particular, de pessoa física ou jurídica, de bens,
rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei;
II - permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo
patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei, sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis
à espécie;
III - doar à pessoa física ou jurídica bem como ao ente despersonalizado, ainda que de fins educativos ou assistências, bens, ren-
das, verbas ou valores do patrimônio de qualquer das entidades mencionadas no art. 1º desta lei, sem observância das formalidades
legais e regulamentares aplicáveis à espécie;
IV - permitir ou facilitar a alienação, permuta ou locação de bem integrante do patrimônio de qualquer das entidades referidas no
art. 1º desta lei, ou ainda a prestação de serviço por parte delas, por preço inferior ao de mercado;
V - permitir ou facilitar a aquisição, permuta ou locação de bem ou serviço por preço superior ao de mercado;
VI - realizar operação financeira sem observância das normas legais e regulamentares ou aceitar garantia insuficiente ou inidônea;
VII - conceder benefício administrativo ou fiscal sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à
espécie;
VIII - frustrar a licitude de processo licitatório ou dispensá-lo indevidamente;
IX - ordenar ou permitir a realização de despesas não autorizadas em lei ou regulamento;
X - agir negligentemente na arrecadação de tributo ou renda, bem como no que diz respeito à conservação do patrimônio público;
XI - liberar verba pública sem a estrita observância das normas pertinentes ou influir de qualquer forma para a sua aplicação
irregular;
XII - permitir, facilitar ou concorrer para que terceiro se enriqueça ilicitamente;
XIII - permitir que se utilize, em obra ou serviço particular, veículos, máquinas, equipamentos ou material de qualquer natureza,
de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades mencionadas no art. 1° desta lei, bem como o trabalho de servidor público,
empregados ou terceiros contratados por essas entidades.
XIV – celebrar contrato ou outro instrumento que tenha por objeto a prestação de serviços públicos por meio da gestão associada
sem observar as formalidades previstas na lei;
XV – celebrar contrato de rateio de consórcio público sem suficiente e prévia dotação orçamentária, ou sem observar as forma-
lidades previstas na lei.

SEÇÃO III
DOS ATOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
QUE ATENTAM CONTRA OS PRINCÍPIOS DA
ADMINISTRAÇÃO Pública

Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou
omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, e notadamente:
I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na regra de competência;
II - retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício;
III - revelar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições e que deva permanecer em segredo;
IV - negar publicidade aos atos oficiais;
V - frustrar a licitude de concurso público;
VI - deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo;
VII - revelar ou permitir que chegue ao conhecimento de terceiro, antes da respectiva divulgação oficial, teor de medida política
ou econômica capaz de afetar o preço de mercadoria, bem ou serviço.

CAPÍTULO III
DAS PENAS

Art. 12. Independentemente das sanções penais, civis e administrativas previstas na legislação específica, está o responsável
pelo ato de improbidade sujeito às seguintes cominações, que podem ser aplicadas isolada ou cumulativamente, de acordo com a
gravidade do fato:

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Noções de Direito Administrativo
I - na hipótese do art. 9°, perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, ressarcimento integral do dano, quando
houver, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de oito a dez anos, pagamento de multa civil de até três vezes o valor
do acréscimo patrimonial e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios,
direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de dez anos;
II - na hipótese do art. 10, ressarcimento integral do dano, perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, se
concorrer esta circunstância, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos, pagamento de multa civil
de até duas vezes o valor do dano e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou credi-
tícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de cinco anos;
III - na hipótese do art. 11, ressarcimento integral do dano, se houver, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de
três a cinco anos, pagamento de multa civil de até cem vezes o valor da remuneração percebida pelo agente e proibição de contratar
com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de
pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de três anos.
Parágrafo único. Na fixação das penas previstas nesta lei o juiz levará em conta a extensão do dano causado, assim como o pro-
veito patrimonial obtido pelo agente.

CAPÍTULO IV
DA DECLARAÇÃO DE BENS

Art. 13. A posse e o exercício de agente público ficam condicionados à apresentação de declaração dos bens e valores que com-
põem o seu patrimônio privado, a fim de ser arquivada no serviço de pessoal competente.
§ 1° A declaração compreenderá imóveis, móveis, semoventes, dinheiro, títulos, ações, e qualquer outra espécie de bens e
valores patrimoniais, localizado no País ou no exterior, e, quando for o caso, abrangerá os bens e valores patrimoniais do cônjuge ou
companheiro, dos filhos e de outras pessoas que vivam sob a dependência econômica do declarante, excluídos apenas os objetos e
utensílios de uso doméstico.
§ 2º A declaração de bens será anualmente atualizada e na data em que o agente público deixar o exercício do mandato, cargo,
emprego ou função.
§ 3º Será punido com a pena de demissão, a bem do serviço público, sem prejuízo de outras sanções cabíveis, o agente público que
se recusar a prestar declaração dos bens, dentro do prazo determinado, ou que a prestar falsa.
§ 4º O declarante, a seu critério, poderá entregar cópia da declaração anual de bens apresentada à Delegacia da Receita Federal
na conformidade da legislação do Imposto sobre a Renda e proventos de qualquer natureza, com as necessárias atualizações, para
suprir a exigência contida no caput e no § 2° deste artigo.

CAPÍTULO V
DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO E DO
PROCESSO JUDICIAL

Art. 14. Qualquer pessoa poderá representar à autoridade administrativa competente para que seja instaurada investigação desti-
nada a apurar a prática de ato de improbidade.
§ 1º A representação, que será escrita ou reduzida a termo e assinada, conterá a qualificação do representante, as informações
sobre o fato e sua autoria e a indicação das provas de que tenha conhecimento.
§ 2º A autoridade administrativa rejeitará a representação, em despacho fundamentado, se esta não contiver as formalidades
estabelecidas no § 1º deste artigo. A rejeição não impede a representação ao Ministério Público, nos termos do art. 22 desta lei.
§ 3º Atendidos os requisitos da representação, a autoridade determinará a imediata apuração dos fatos que, em se tratando de
servidores federais, será processada na forma prevista nos arts. 148 a 182 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990 e, em se tra-
tando de servidor militar, de acordo com os respectivos regulamentos disciplinares.

Art. 15. A comissão processante dará conhecimento ao Ministério Público e ao Tribunal ou Conselho de Contas da existência de
procedimento administrativo para apurar a prática de ato de improbidade.
Parágrafo único. O Ministério Público ou Tribunal ou Conselho de Contas poderá, a requerimento, designar representante para
acompanhar o procedimento administrativo.

Art. 16. Havendo fundados indícios de responsabilidade, a comissão representará ao Ministério Público ou à procuradoria do
órgão para que requeira ao juízo competente a decretação do sequestro dos bens do agente ou terceiro que tenha enriquecido ilicita-
mente ou causado dano ao patrimônio público.

41
Noções de Direito Administrativo
§ 1º O pedido de sequestro será processado de acordo com o disposto nos arts. 822 e 825 do Código de Processo Civil.
§ 2° Quando for o caso, o pedido incluirá a investigação, o exame e o bloqueio de bens, contas bancárias e aplicações financeiras
mantidas pelo indiciado no exterior, nos termos da lei e dos tratados internacionais.

Art. 17. A ação principal, que terá o rito ordinário, será proposta pelo Ministério Público ou pela pessoa jurídica interessada,
dentro de trinta dias da efetivação da medida cautelar.
§ 1º É vedada a transação, acordo ou conciliação nas ações de que trata o caput.
§ 2º A Fazenda Pública, quando for o caso, promoverá as ações necessárias à complementação do ressarcimento do patrimônio
público.
§ 3o No caso de a ação principal ter sido proposta pelo Ministério Público, aplica-se, no que couber, o disposto no § 3o do art. 6o
da Lei no 4.717, de 29 de junho de 1965.
§ 4º O Ministério Público, se não intervir no processo como parte, atuará obrigatoriamente, como fiscal da lei, sob pena de nu-
lidade.
§ 5o A propositura da ação prevenirá a jurisdição do juízo para todas as ações posteriormente intentadas que possuam a mesma
causa de pedir ou o mesmo objeto.
§ 6o A ação será instruída com documentos ou justificação que contenham indícios suficientes da existência do ato de improbidade
ou com razões fundamentadas da impossibilidade de apresentação de qualquer dessas provas, observada a legislação vigente, inclusive
as disposições inscritas nos arts. 16 a 18 do Código de Processo Civil.
§ 7o Estando a inicial em devida forma, o juiz mandará autuá-la e ordenará a notificação do requerido, para oferecer manifestação
por escrito, que poderá ser instruída com documentos e justificações, dentro do prazo de quinze dias.
§ 8o Recebida a manifestação, o juiz, no prazo de trinta dias, em decisão fundamentada, rejeitará a ação, se convencido da ine-
xistência do ato de improbidade, da improcedência da ação ou da inadequação da via eleita.
§ 9o Recebida a petição inicial, será o réu citado para apresentar contestação.
§ 10. Da decisão que receber a petição inicial, caberá agravo de instrumento.
§ 11. Em qualquer fase do processo, reconhecida a inadequação da ação de improbidade, o juiz extinguirá o processo sem
julgamento do mérito.
§ 12. Aplica-se aos depoimentos ou inquirições realizadas nos processos regidos por esta Lei o disposto no art. 221, caput e § 1o,
do Código de Processo Penal.

Art. 18. A sentença que julgar procedente ação civil de reparação de dano ou decretar a perda dos bens havidos ilicitamente de-
terminará o pagamento ou a reversão dos bens, conforme o caso, em favor da pessoa jurídica prejudicada pelo ilícito.

CAPÍTULO VI
DAS DISPOSIÇÕES PENAIS

Art. 19. Constitui crime a representação por ato de improbidade contra agente público ou terceiro beneficiário, quando o autor
da denúncia o sabe inocente.
Pena: detenção de seis a dez meses e multa.
Parágrafo único. Além da sanção penal, o denunciante está sujeito a indenizar o denunciado pelos danos materiais, morais ou à
imagem que houver provocado.

Art. 20. A perda da função pública e a suspensão dos direitos políticos só se efetivam com o trânsito em julgado da sentença
condenatória.
Parágrafo único. A autoridade judicial ou administrativa competente poderá determinar o afastamento do agente público do
exercício do cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração, quando a medida se fizer necessária à instrução processual.

Art. 21. A aplicação das sanções previstas nesta lei independe:


I - da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público, salvo quanto à pena de ressarcimento; (Redação dada pela Lei nº 12.120,
de 2009).
II - da aprovação ou rejeição das contas pelo órgão de controle interno ou pelo Tribunal ou Conselho de Contas.

Art. 22. Para apurar qualquer ilícito previsto nesta lei, o Ministério Público, de ofício, a requerimento de autoridade administra-
tiva ou mediante representação formulada de acordo com o disposto no art. 14, poderá requisitar a instauração de inquérito policial
ou procedimento administrativo.

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Noções de Direito Administrativo
CAPÍTULO VII
DA PRESCRIÇÃO

Art. 23. As ações destinadas a levar a efeitos as sanções previstas nesta lei podem ser propostas:
I - até cinco anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de função de confiança;
II - dentro do prazo prescricional previsto em lei específica para faltas disciplinares puníveis com demissão a bem do serviço
público, nos casos de exercício de cargo efetivo ou emprego.

CAPÍTULO VIII
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 24. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 25. Ficam revogadas as Leis n°s 3.164, de 1° de junho de 1957, e 3.502, de 21 de dezembro de 1958 e demais disposições
em contrário.
Rio de Janeiro, 2 de junho de 1992; 171° da Independência e 104° da República.

FERNANDO COLLOR

9 LEI N° 9.784/99 E ALTERAÇÕES


POSTERIORES (LEI DO PROCESSO
ADMINISTRATIVO).

LEI FEDERAL Nº 9.784/99:

Para os estudos acerca da regulamentação do processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, é imprescin-
dível a leitura atenta do que dispõe a Lei 9.784/1999, sobre as disposições gerais, os direitos e os deveres dos administrados.

LEI Nº 9.784, DE 29 DE JANEIRO DE 1999

Regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 1o Esta Lei estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta,
visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração.
§ 1o Os preceitos desta Lei também se aplicam aos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário da União, quando no desempenho
de função administrativa.
§ 2o Para os fins desta Lei, consideram-se:
I - órgão - a unidade de atuação integrante da estrutura da Administração direta e da estrutura da Administração indireta;
II - entidade - a unidade de atuação dotada de personalidade jurídica;
III - autoridade - o servidor ou agente público dotado de poder de decisão.

Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade,
proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.
Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de:
I - atuação conforme a lei e o Direito;
II - atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei;

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Noções de Direito Administrativo
III - objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades;
IV - atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé;
V - divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição;
VI - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estrita-
mente necessárias ao atendimento do interesse público;
VII - indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão;
VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados;
IX - adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos admi-
nistrados;
X - garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos,
nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio;
XI - proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei;
XII - impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados;
XIII - interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada
aplicação retroativa de nova interpretação.
CAPÍTULO II
DOS DIREITOS DOS ADMINISTRADOS

Art. 3o O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados:
I - ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que deverão facilitar o exercício de seus direitos e o cumprimento de
suas obrigações;
II - ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter
cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas;
III - formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente;
IV - fazer-se assistir, facultativamente, por advogado, salvo quando obrigatória a representação, por força de lei.

CAPÍTULO III
DOS DEVERES DO ADMINISTRADO

Art. 4o São deveres do administrado perante a Administração, sem prejuízo de outros previstos em ato normativo:
I - expor os fatos conforme a verdade;
II - proceder com lealdade, urbanidade e boa-fé;
III - não agir de modo temerário;
IV - prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos.

CAPÍTULO IV
DO INÍCIO DO PROCESSO

Art. 5o O processo administrativo pode iniciar-se de ofício ou a pedido de interessado.

Art. 6o O requerimento inicial do interessado, salvo casos em que for admitida solicitação oral, deve ser formulado por escrito e
conter os seguintes dados:
I - órgão ou autoridade administrativa a que se dirige;
II - identificação do interessado ou de quem o represente;
III - domicílio do requerente ou local para recebimento de comunicações;
IV - formulação do pedido, com exposição dos fatos e de seus fundamentos;
V - data e assinatura do requerente ou de seu representante.
Parágrafo único. É vedada à Administração a recusa imotivada de recebimento de documentos, devendo o servidor orientar o
interessado quanto ao suprimento de eventuais falhas.

Art. 7o Os órgãos e entidades administrativas deverão elaborar modelos ou formulários padronizados para assuntos que importem
pretensões equivalentes.

Art. 8o Quando os pedidos de uma pluralidade de interessados tiverem conteúdo e fundamentos idênticos, poderão ser formula-
dos em um único requerimento, salvo preceito legal em contrário.

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Noções de Direito Administrativo
CAPÍTULO V
DOS INTERESSADOS

Art. 9o São legitimados como interessados no processo administrativo:


I - pessoas físicas ou jurídicas que o iniciem como titulares de direitos ou interesses individuais ou no exercício do direito de
representação;
II - aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada;
III - as organizações e associações representativas, no tocante a direitos e interesses coletivos;
IV - as pessoas ou as associações legalmente constituídas quanto a direitos ou interesses difusos.

Art. 10. São capazes, para fins de processo administrativo, os maiores de dezoito anos, ressalvada previsão especial em ato nor-
mativo próprio.
CAPÍTULO VI
DA COMPETÊNCIA

Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi atribuída como própria, salvo os casos
de delegação e avocação legalmente admitidos.

Art. 12. Um órgão administrativo e seu titular poderão, se não houver impedimento legal, delegar parte da sua competência a
outros órgãos ou titulares, ainda que estes não lhe sejam hierarquicamente subordinados, quando for conveniente, em razão de cir-
cunstâncias de índole técnica, social, econômica, jurídica ou territorial.
Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo aplica-se à delegação de competência dos órgãos colegiados aos respectivos
presidentes.

Art. 13. Não podem ser objeto de delegação:


I - a edição de atos de caráter normativo;
II - a decisão de recursos administrativos;
III - as matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade.
Art. 14. O ato de delegação e sua revogação deverão ser publicados no meio oficial.
§ 1o O ato de delegação especificará as matérias e poderes transferidos, os limites da atuação do delegado, a duração e os objeti-
vos da delegação e o recurso cabível, podendo conter ressalva de exercício da atribuição delegada.
§ 2o O ato de delegação é revogável a qualquer tempo pela autoridade delegante.
§ 3o As decisões adotadas por delegação devem mencionar explicitamente esta qualidade e considerar-se-ão editadas pelo dele-
gado.

Art. 15. Será permitida, em caráter excepcional e por motivos relevantes devidamente justificados, a avocação temporária de
competência atribuída a órgão hierarquicamente inferior.

Art. 16. Os órgãos e entidades administrativas divulgarão publicamente os locais das respectivas sedes e, quando conveniente, a
unidade fundacional competente em matéria de interesse especial.

Art. 17. Inexistindo competência legal específica, o processo administrativo deverá ser iniciado perante a autoridade de menor
grau hierárquico para decidir.
CAPÍTULO VII
DOS IMPEDIMENTOS E DA SUSPEIÇÃO

Art. 18. É impedido de atuar em processo administrativo o servidor ou autoridade que:

I - tenha interesse direto ou indireto na matéria;


II - tenha participado ou venha a participar como perito, testemunha ou representante, ou se tais situações ocorrem quanto ao
cônjuge, companheiro ou parente e afins até o terceiro grau;
III - esteja litigando judicial ou administrativamente com o interessado ou respectivo cônjuge ou companheiro.

Art. 19. A autoridade ou servidor que incorrer em impedimento deve comunicar o fato à autoridade competente, abstendo-se de atuar.

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Noções de Direito Administrativo
Parágrafo único. A omissão do dever de comunicar o impedimento constitui falta grave, para efeitos disciplinares.

Art. 20. Pode ser arguida a suspeição de autoridade ou servidor que tenha amizade íntima ou inimizade notória com algum dos
interessados ou com os respectivos cônjuges, companheiros, parentes e afins até o terceiro grau.

Art. 21. O indeferimento de alegação de suspeição poderá ser objeto de recurso, sem efeito suspensivo.

CAPÍTULO VIII
DA FORMA, TEMPO E LUGAR
DOS ATOS DO PROCESSO

Art. 22. Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir.
§ 1o Os atos do processo devem ser produzidos por escrito, em vernáculo, com a data e o local de sua realização e a assinatura
da autoridade responsável.
§ 2o Salvo imposição legal, o reconhecimento de firma somente será exigido quando houver dúvida de autenticidade.
§ 3o A autenticação de documentos exigidos em cópia poderá ser feita pelo órgão administrativo.
§ 4o O processo deverá ter suas páginas numeradas sequencialmente e rubricadas.
Art. 23. Os atos do processo devem realizar-se em dias úteis, no horário normal de funcionamento da repartição na qual tramitar
o processo.

Parágrafo único. Serão concluídos depois do horário normal os atos já iniciados, cujo adiamento prejudique o curso regular do
procedimento ou cause dano ao interessado ou à Administração.

Art. 24. Inexistindo disposição específica, os atos do órgão ou autoridade responsável pelo processo e dos administrados que dele
participem devem ser praticados no prazo de cinco dias, salvo motivo de força maior.

Parágrafo único. O prazo previsto neste artigo pode ser dilatado até o dobro, mediante comprovada justificação.

Art. 25. Os atos do processo devem realizar-se preferencialmente na sede do órgão, cientificando-se o interessado se outro for o local
de realização.
CAPÍTULO IX
DA COMUNICAÇÃO DOS ATOS

Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência
de decisão ou a efetivação de diligências.

§ 1o A intimação deverá conter:


I - identificação do intimado e nome do órgão ou entidade administrativa;
II - finalidade da intimação;
III - data, hora e local em que deve comparecer;
IV - se o intimado deve comparecer pessoalmente, ou fazer-se representar;
V - informação da continuidade do processo independentemente do seu comparecimento;
VI - indicação dos fatos e fundamentos legais pertinentes.
§ 2o A intimação observará a antecedência mínima de três dias úteis quanto à data de comparecimento.
§ 3o A intimação pode ser efetuada por ciência no processo, por via postal com aviso de recebimento, por telegrama ou outro meio
que assegure a certeza da ciência do interessado.
§ 4o No caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido, a intimação deve ser efetuada por meio
de publicação oficial.
§ 5o As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado
supre sua falta ou irregularidade.

Art. 27. O desatendimento da intimação não importa o reconhecimento da verdade dos fatos, nem a renúncia a direito pelo ad-
ministrado.

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Noções de Direito Administrativo
Parágrafo único. No prosseguimento do processo, será garantido direito de ampla defesa ao interessado.

Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus,
sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse.

CAPÍTULO X
DA INSTRUÇÃO

Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizam-se
de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações
probatórias.
§ 1o O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo.
§ 2o Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizar-se do modo menos oneroso para estes.

Art. 30. São inadmissíveis no processo administrativo as provas obtidas por meios ilícitos.

Art. 31. Quando a matéria do processo envolver assunto de interesse geral, o órgão competente poderá, mediante despacho mo-
tivado, abrir período de consulta pública para manifestação de terceiros, antes da decisão do pedido, se não houver prejuízo para a
parte interessada.
§ 1o A abertura da consulta pública será objeto de divulgação pelos meios oficiais, a fim de que pessoas físicas ou jurídicas pos-
sam examinar os autos, fixando-se prazo para oferecimento de alegações escritas.
§ 2o O comparecimento à consulta pública não confere, por si, a condição de interessado do processo, mas confere o direito de
obter da Administração resposta fundamentada, que poderá ser comum a todas as alegações substancialmente iguais.

Art. 32. Antes da tomada de decisão, a juízo da autoridade, diante da relevância da questão, poderá ser realizada audiência públi-
ca para debates sobre a matéria do processo.

Art. 33. Os órgãos e entidades administrativas, em matéria relevante, poderão estabelecer outros meios de participação de admi-
nistrados, diretamente ou por meio de organizações e associações legalmente reconhecidas.

Art. 34. Os resultados da consulta e audiência pública e de outros meios de participação de administrados deverão ser apresenta-
dos com a indicação do procedimento adotado.

Art. 35. Quando necessária à instrução do processo, a audiência de outros órgãos ou entidades administrativas poderá ser reali-
zada em reunião conjunta, com a participação de titulares ou representantes dos órgãos competentes, lavrando-se a respectiva ata, a
ser juntada aos autos.

Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a
instrução e do disposto no art. 37 desta Lei.

Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração
responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos
documentos ou das respectivas cópias.

Art. 38. O interessado poderá na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligên-
cias e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo.
§ 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão.

§ 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilí-
citas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.

Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão
expedidas intimações para esse fim, mencionando-se data, prazo, forma e condições de atendimento.

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Noções de Direito Administrativo
Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a
omissão, não se eximindo de proferir a decisão.

Art. 40. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado,
o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo.

Art. 41. Os interessados serão intimados de prova ou diligência ordenada, com antecedência mínima de três dias úteis, mencio-
nando-se data, hora e local de realização.

Art. 42. Quando deva ser obrigatoriamente ouvido um órgão consultivo, o parecer deverá ser emitido no prazo máximo de quinze
dias, salvo norma especial ou comprovada necessidade de maior prazo.
§ 1o Se um parecer obrigatório e vinculante deixar de ser emitido no prazo fixado, o processo não terá seguimento até a respectiva
apresentação, responsabilizando-se quem der causa ao atraso.
§ 2o Se um parecer obrigatório e não vinculante deixar de ser emitido no prazo fixado, o processo poderá ter prosseguimento e
ser decidido com sua dispensa, sem prejuízo da responsabilidade de quem se omitiu no atendimento.

Art. 43. Quando por disposição de ato normativo devam ser previamente obtidos laudos técnicos de órgãos administrativos e
estes não cumprirem o encargo no prazo assinalado, o órgão responsável pela instrução deverá solicitar laudo técnico de outro órgão
dotado de qualificação e capacidade técnica equivalentes.

Art. 44. Encerrada a instrução, o interessado terá o direito de manifestar-se no prazo máximo de dez dias, salvo se outro prazo
for legalmente fixado.

Art. 45. Em caso de risco iminente, a Administração Pública poderá motivadamente adotar providências acauteladoras sem a
prévia manifestação do interessado.

Art. 46. Os interessados têm direito à vista do processo e a obter certidões ou cópias reprográficas dos dados e documentos que
o integram, ressalvados os dados e documentos de terceiros protegidos por sigilo ou pelo direito à privacidade, à honra e à imagem.

Art. 47. O órgão de instrução que não for competente para emitir a decisão final elaborará relatório indicando o pedido inicial,
o conteúdo das fases do procedimento e formulará proposta de decisão, objetivamente justificada, encaminhando o processo à auto-
ridade competente.
CAPÍTULO XI
DO DEVER DE DECIDIR

Art. 48. A Administração tem o dever de explicitamente emitir decisão nos processos administrativos e sobre solicitações ou
reclamações, em matéria de sua competência.

Art. 49. Concluída a instrução de processo administrativo, a Administração tem o prazo de até trinta dias para decidir, salvo
prorrogação por igual período expressamente motivada.

CAPÍTULO XII
DA MOTIVAÇÃO

Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando:
I - neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses;
II - imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções;
III - decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública;
IV - dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório;
V - decidam recursos administrativos;
VI - decorram de reexame de ofício;
VII - deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais;
VIII - importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.
§ 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de
anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato.

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Noções de Direito Administrativo
§ 2o Na solução de vários assuntos da mesma natureza, pode ser utilizado meio mecânico que reproduza os fundamentos das
decisões, desde que não prejudique direito ou garantia dos interessados.
§ 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo
escrito.
CAPÍTULO XIII
DA DESISTÊNCIA E OUTROS CASOS
DE EXTINÇÃO DO PROCESSO

Art. 51. O interessado poderá, mediante manifestação escrita, desistir total ou parcialmente do pedido formulado ou, ainda, re-
nunciar a direitos disponíveis.
§ 1o Havendo vários interessados, a desistência ou renúncia atinge somente quem a tenha formulado.
§ 2o A desistência ou renúncia do interessado, conforme o caso, não prejudica o prosseguimento do processo, se a Administração
considerar que o interesse público assim o exige.

Art. 52. O órgão competente poderá declarar extinto o processo quando exaurida sua finalidade ou o objeto da decisão se tornar
impossível, inútil ou prejudicado por fato superveniente.

CAPÍTULO XIV
DA ANULAÇÃO, REVOGAÇÃO E CONVALIDAÇÃO

Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e