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THE FLINCH. A vacilada

by Julien Smith

© 2011Julien Smith

The Domino Project

Publicado por Do You Zoom, Inc.

The Domino Project é realizado pela Amazon. Inscreva-se para atualizações e coisas de graça em www.thedominoproject.com

Essa é a primeira edição. Se você quiser fazer alguma sugestão para edições futuras, por favor visite o nosso site.

Smith, Julien, 1979

Flinch / Smith

p. cm

ISBN 978-1-936719-22-8

Foto da capa: Luca Pierro Fotografia/Getty Images

A vacilada

Por Julien Smith

INTRODUÇÃO

Existe um lugar perto da minha casa uma academia de boxe chamada Hard Knox. Qualquer dia que quiser, você pode ir lá, se sentar, e assistir pessoas lutarem.

A placa lá em cima diz “Entrada VIP”, porque qualquer um que entra, pode ser um campeão. Mas para se tornar um, você precisa aprender como ser atingido.

Em uma luta, existe uma diferença funtamental entre boxeadores e todas as outras pessoas. Os caras que treinam são diferentes. Se você acertar eles, eles não vacilam. É preciso praticar para chegar lá, mas se você quer lutar, você não tem escolha. É a única forma de ganhar.

Este é um livro sobre se tornar um campeão, e o que é preciso para chegar lá. Também é sobre decisões, e como saber quando você está tomando as decisões certas. É também sobre você: o atual, do presente; o potencial, o seu eu do futuro; e a única diferença entre eles.

É sobre um instinto, the flinch, a vacilada ou recuada (aquela encolhida que damos quando pensamos que logo logo iremos sentir dor) e porque masterizar isso, é vital.

Esse é um livro sobre como parar de vacilar. É sobre enfrentar a dor.

***

flinch: /flinCH/ - verb (used without object) 1. to draw back or shrink, as from what is dangerous, difficult, or unpleasant. 2. to shrink under pain; wince.

Flinch: flinCH/ - verbo (usado sem objeto)

1. Recuar ou encolher, daquilo que é perigoso, difícil ou desprazeroso.

2. Encolher quando está com dor; tremer

***

Nota do tradutor:

Flinch também pode ser traduzido como titubear, hesitar, encolher perante a dor, ou sobre dor imaginária ou que achamos que é difícil, perigoso, uma dor que está por vir, etc.

O OPONENTE

Parar de fumar. Perder peso. Começar um negócio. Conseguir um encontro.

Para qualquer coisa que você quiser fazer, descobrir como, é fácil. Faça uma pesquisa online e faça acontecer. Ou é isso que qualquer livro está tentando fazer você acreditar. Ainda assim, todo dia, você fuma, ganha peso e fica no seu velho emprego. Todo dia, exatamente o oposto do que você planejou. Porque?

Essa é a era da informação. Os passos para concluir qualquer objetivo são fáceis de procurar, inventar, escrever em um guardanapo, e seguir. Mas você ainda não está executando. Parte do filme está faltando. Uma página foi rasgada do livro. Existe um grande X na equação. Você sabe o que é?

O X é a vacilada.

A vacilada é o seu verdadeiro oponente, e informação não

vai ajudar você a enfrenta-lo. Ela está atrás de cada casamento infeliz, cada vício oculto, cada vida vazia. Atrás de cada vacilada está evitar a dor, e lidar com a dor exige força que você pode achar que não tem.

A vacilada é o motivo pelo qual o ator preguiçoso nunca é

descoberto- porque ele não realmente sua a camisa para fazer acontecer. E o porque as empresas que são monolíticas (inflexível, indivisível) acabam indo a falência por causa de uma boa startup. É porque a cultura das grandes empresas evita as perguntas difíceis. É a razão

pela qual você toma as decisões erradas, mesmo quando você sabe qual é a correta.

Atrás de cada ato que você é incapaz de fazer, o medo de vacilar está lá, como quem controla um fantoche, te tirando do caminho certo.

Enfrentar a vacilada é difícil. Siginifica ver as mentiras que você conta pra si mesmo, e lidar com a dor que a jornada demanda. Tudo, sem hesitar.

A vacilada é o momento aonde cada dúvida que você já teve, volta e te acerta com força. É quando o seu corpo fica tenso. É um instinto que diz para você sair correndo. É um momento de tensão que acontece no corpo e no cérebro, e deixa você congelado.

Quando a maioria das pessoas cruza com algo que as faz vacilar, elas estão treinadas para recusar o desafio e dar meia volta. E é isso que fazem. É a reação que trás a tona velhas memórias e te assombra com elas. Ela aperta o seu peito e te faz querer fugir.

Ela faz o qualquer coisa que precisa fazer para te impedir de se mover para frente. Se a vacilada funcionar, você não vai conseguir fazer o trabalho que importa, porque o medo que ela cria é forte demais.

Os indivíduos dão vaciladas, mas as organizações e as culturas também tem. Eles podem invocar um medo de um certo tipo de pessoa, um tipo de racismo ou xenofobia, ou um medo de novas tecnologias e influências externas.

Não importa em qual forma, a vacilada está la para ajudar o status quo.(Permanecer constante, igual, sem mudança) Ela sussurra no seu ouvido para que você recuse uma boa

idéia que requer grandes mudanças. Ele para você, para que não veja um competidor que acabou de chegar, como uma ameaça. É a razão pela qual a maioria dos filmes modernos são remakes e os livros mais bem sucedidos são sequências. Ela se esconde sob o disfarce do chefe cabeça dura, o editor cético ou o amigo cauteloso.

Mas o problema com a vacilada é que ela é baseada em um cérebro que quer te proteger. Ele ve sombras como ameaças e cria pontos cegos. É endêmico para as culturas que abraçam “o velho”, mesmo que “o velho” não funcione mais. Ambos, indivíduos e os grupos precisam desenvolver sistemas para lidar com a vacilada, ou eles serão presas fáceis para forças exteriores.

Em qualquer lugar aonde a sua vacilada se esconde, você precisa encontrá-la, e enfrenta-la. Você precisa pegar o controle de volta e parar a vacilada, como o boxeador no ringue, porque você tem um trabalho a fazer. Você tem uma luta que você precisa ganhar.

Para a maior parte da sua vida ou da existência do seu negócio, a vacilada esteve lá, guiando você. Conforme você vai descobrindo o seu mundo e aprendendo as melhores práticas com os outros, a vacilada estava aprendendo também. Ela te pressiona a julgar algumas idéias como boas e outras como ruins, guiando o seu comportamento através do tempo, até as suas decisões ficarem simplificadas.

O que quer que seja que você evitou, seja o que você ou as autoridades consideram uma ameaça, se transformou um ponto cego. Virou algo que pode fazer você vacilar.

A vacilada tem uma história complexa. Ela aparece quer

você queira quer não. Todos os dias você toma decisões baseadas nela. E você não deve nem pensar muito sobre ela. Mas é exatamente isso que ela quer.

Enfrentar a vacilada é um trabalho interno e duro, que não vem com nenhuma promessa de recompensa. Mas um dia, seu mundo vai mudar, talvez drasticamente, e ele mudará sem avisar. Nesse dia você não estará preparado. A não ser que você tenha lutado com a vacilada antes.

Faça esse trabalho agora, e o seu eu do futuro irá lhe agradecer.

Encontrar a vacilada revela uma passagem secreta, que está escondida à vista. É o porque algumas pessoas sabem vender, e outras não. Porque elas enxergam a vacilada nos outros. É porque você não consegue sair do seu trabalho ou ser a pessoa que você quer ser. Você não está vendo a vacilada em você mesmo.

A vacilada é o motivo de você não fazer o trabalho que

importa, e é porque você não vai tomar as decisões difíceis. É o porque da sua organização não estar competindo. É o porque de você não liderar a vida que você quer.

Tire um tempo para aprender sobre isso. Não vai levar muito tempo. Logo que você a ver, ela passará a ser visível para você, para sempre.

UM POUCO DE PASSADO

Antes do capacete de bicicleta, o cinto de segurança, e o colete a prova de balas, existia a vacilada.

A vacilada é como o reflexo Moro, que protege as crianças de caírem. Vacilar te protege do inesperado. Protege seus olhos e pescoço. É um dos poucos instintos com os quais você nasce, e mantem, pelo resto da vida.

Em qualquer acidente, as partes que se machucam mais do corpo das vítimas, são as mãos. Isso é porque a vacilada é o seu goleiro pessoal. Ela te protege de um urso, um valentão, ou uma bola de baseball. Qualquer hora em que é necessária, a vacilada aparece, usando suas mãos para proteger do dano, partes essênciais do corpo.

Acidentes de carro. Acidentes de bicicleta. Explosões. Em momentos como esses, você precisa da vacilada. É o porque você sobrevive ao inesperado. Se já pularam pra cima de você, você sabe disso. Seres humanos precisam da vacilada para viver.

Ou precisam? Em sua vida diária, você pode nunca ter uma experiência perigosa. Sua vida é segura. Mas você está vacilando de qualquer forma. Você não vacila com ursos, porque não tem nenhum. Mas você vacila com a possibilidade de falar publicamente ou de entrar numa academia. Você vacila no consultório do médico. Você vacila até por personagens de seriados! Qualquer hora que existir mudança potencial, tem uma vacilada te esperando, vindo uma ameaça junto ou não.

Você pensa que a vacilada é natural, e parte da sua vida, e é. Mas você já se perguntou porque é que o seu estomago se tensiona e você não consegue assistir personagens

imaginários em uma tela de televisão, fazerem coisas estranhas e embaraçosas? Você deveria.

SEU SISTEMA DE ALARME DEFEITUOSO

Seriados são ruins, mas não são perigosos. E nem o que te faz vacilar. Então pare de se defender. Foque a sua energia em algo que importa.

Seu mundo tem uma rede de segurança. Você não está em queda livre, e nunca estará. Você trata erros e enganos como derradeiros(sem chance de consertar), mas eles quase nunca são. Dor e cicatrizes são parte do caminho, mas levantar também faz parte, e se levantar é mais fácil que nunca.

Ainda sente que está em perigo? Olhe da seguinte forma. A vida dos primeiros homens durava algo em torno de 35 anos. Se você se machucasse, você estava frito. Não existia a medicina moderna, então cada encontro significava perda de sangue, infecção, ou morte. A sua vida não é assim. A ciência e a tecnologia significam que você pode sobreviver a quase qualquer coisa. Pode até ser caro, mas ainda assim é uma melhoria significante sobre morrer por causa de um corte infectado.

Mas apesar desta rede de segurança, a vacilada ainda está lá, na parte de trás do seu cérebro, continua sendo um goleiro, mas um goleiro para coisas que não estão nem perto de serem tão perigosas quando elas costumavam ser.

Pense em um urso. Você vê, e você reage, instantaneamente. Você sabe como lidar com ele porque o seu cérebro foi construído para sobreviver a isso: você corre, pula, luta ou se esconde. Mas esse não é o mundo

em que você vive, então ao invés disso, a vacilada acontece em entrevistas de emprego, ou quando você está convidando uma garota para a formatura. Essas coisas ficam ampliadas. O seu mundo privilegiado se torna o urso, e você trata ele desta maneira.

O que esses encontros tem em comum com os ursos é que eles mudam o status quo. Eles antigamente significavam perigo, então o seu reflexo da vacilada vê eles. Ele tenta impedir que as mudanças aconteçam, usando o mesmo mecanismo de fight-or-flight (lutar ou correr) que ele sempre usou.

Então o seu coração começa a bater mais forte. As palmas da sua mão começam a ficar molhadas. O tempo se distorce. Não por causa dos ursos, mas por causa de conversas difíceis e de largar seu trabalho. Mas essa reação está invertida, para trás. Você não precisa de adrenalina para superar essas coisas, você apenas precisa fazê-las. Cruzar esses obstáculos vai colocar a vacilada no lugar dela.

A sua vacilada se tornou o seu maior inimigo. Deveria ser um convocação, um desafio para ir em frente, avançar. Ao invés disso, o desafio continua sendo recusado.

Escute: o novo já não significa mais ursos. O mundo está mudando mais rápido do que nunca. Agora, novo, significa negócios. Se você se recusar a enfrentar a vacilada, significa que o medo está te enforcando.

UMA LISTA DOS SEUS VERDADEIROS MEDOS

Em algum lugar do mundo, um leão acorda todas as manhãs não sabendo o que ele vai comer. Todo dia, ele encontra comida. O leão não está preocupado, ele só faz o que precisa ser feito.

Em outro lugar, num zoológico, um leão enjaulado fica sentado o dia inteiro e espera pelo funcionário do zoológico. Ele pode relaxar, e também não está preocupado.

Ambos animais são leões. Somente um deles é rei.

Te jogam em uma floresta, do nada, sozinho. Você consegue sobreviver? Claro! Você para de se importar com o seu imposto de renda? Definitivamente. Dentro de 48 horas, só restam as vaciladas que ajudaram você a sobreviver.

Tudo que não é necessário para sua sobrevivência é descartado. A vacilada é um aliado novamente. É isso que estamos procurando, reprogramação.

Vamos fazer uma lista com os medos que nasceram com você: cair, ser abandonado, barulhos muito altos. É mais ou menos isso aí. Você nasce com estes medos porque você precisa deles para sobreviver. Estes medos te mantém em segurança.

O resto são apenas histórias de terror aonde a vacilada te dominou. São placas de sinalização. Procure por elas. Elas apontam para as barreiras que você precisa enfrentar, as portas que você precisa abrir.

CONSTRUINDO UM PADRÃO

Qualquer hora dessas, vá para um parquinho e assista as crianças brincarem . O que você vê? Não vê medo e não vê a vacilada.

Algumas crianças não tem medo de cicatrizes. Eles assumem riscos naturalmente. Eles não se preocupam com dor; eles apenas lidam com ela. Veja crianças caírem e você verá o que é ser destemido, em ação. Elas caem, machucam e choram. Logo logo, como outras crianças do nosso planeta, elas se levantam e voltam a brincar.

Existem outra tipo de crianças no entanto. Elas se sentam

à margem. Elas assistem as outras. Elas tem cuidado. Se

você tem crianças, você pode assisti-las e ver como elas se

comportam. Você provavelmente pode rotular você mesmo. Cuidadoso? Aventureiro? Nervoso? Ousado? Qual era você?

Se você ver as crianças no parquinho durante uma tarde, você vai ver algumas crianças cometendo muitos enganos, se machucando, errando e aprendendo muito. Eles usam a tentativa e erro, a maneira básica com a qual você aprendeu a andar, pular, e andar de bicicleta. O processo de tentativa e erro é inerente a vida. É simples, e funciona se o que você quer é entender o ambiente.

A curiosidade é o que faz as crianças tocarem coisas que

as queimam. Eles querem saber como as coisas funcionam. Eles estão interessados e eles não estão mimados pela vacilada. Eles apenas fazem. Eles testam o ambiente e param quando machuca.

As cicatrizes são medalhas que eles ganharam, não deformidades que eles precisam esconder. Eles usam as cicatrizes e a dor para entender como o mundo deles funciona, e para ficarem mais confiantes. Por um tempo, essas crianças pensam que podem fazer qualquer coisa.

E as crianças quem não caem? Como elas aprendem? Veja: ele vai querer relar na panela quente, ele pode até tentar, mas quando os pais dele dizem não, ele fica congelado. Ele acredita no que os pais disseram e pronto.

Então no final, não houveram consequências, e nada foi realmente aprendido. É como se o aviso fosse lido em um livro; é de segunda mão, um pouco de sabedoria sendo passada de uma geração para a próxima.

Mas nenhuma história surge daí, sem lições e sem cicatrizes. Com o tempo, conforme essas crianças vão aprendendo, elas ficam mais cuidadosas. Ao invés de escalarem árvores, elas assistem as outras crianças escalar. Elas decidem que não é uma boa idéia.

O negócio é o seguinte: as lições que você aprende melhor são aquelas que te queimaram. Sem a cicatriz, não há evidência ou memória forte. O evento não aconteceu de verdade ou deixou uma marca no seu cérebro, você só confiou em quem sabia mais.

Adultos sabem o que é seguro, então você escuta. Conforme a vida vai passando, aqueles que escutam demais, constroem um hábito de confiar e se conformar. Infelizmente, com o passar do tempo, esse hábito se torna inquebrável.

Isso é perigoso.

Geralmente, esse processo começa devagar e com boas intenções. Talvez, quando você era uma criança, seus pais não queriam que você ficasse sujo, ou você não gostasse de alturas.

Evitar sujeira ou alturas constrói um padrão de evitar a dota, o que se soma com o habito da vacilada. Os medos dos seus pais, se tornaram os seus medos, as suas vidas se tornaram a sua vida. Eles vacilaram com algumas coisas então você começou a fazer o mesmo.

Mas atrás de cada vacilada não descoberta, existe uma lição. Se você fizer tudo do jeito do seus pais, você nunca vai descobrir a verdade. Você nunca vai descobrir o limite. Você nunca vai aprender as lições que você precisa.

TESTANDO SEUS LIMITES

Algumas coisas coisas precisam acontecer do jeito difícil, mas não todas. Você não precisa se jogar no meio do fogo pra saber que isso é ruim. Mas a maioria das lições não é desse jeito. Elas não são fatais, e elas vão fazer você mais forte, e não mais fraco. Você deveria procurar elas.

Esqueça essa de aprendizado em segunda mão. Não deixa cicatrizes. Não prove o entendimento básico que fica no seu corpo e no seu cérebro. Não deixa traços de que passou. Poderia ter sido até um sonho.

Entretanto o conhecimento em primeira mão, é visceral, doloroso e necessário. Usa o consciente e inconsciente para processar a lição, além de usar todos os seus sentidos. Quando você cai, todo o seu sistema motor está envolvido. Você não consegue aprender isso nos livros. Simplesmente não funciona, porque você não caiu de verdade. Você precisa sentir nas suas entranhas e nas suas canelas e mãos ralados, para que a lição faça efeito.

Mas se você estiver cercado de acolchoamentos, aprendizado sem cicatriz é tudo que te resta. Ele define quem você é. Isso limita você, mas na verdade esses não são os seus limites, são os limites daqueles que vieram antes de você. Mas os limites dos outros não vão mais servir.

Diplomas universitários desatualizados, contatos influentes, pacotes de aposentadoria, essas coisas não vão te salvar mais. O mundo mudou. Seu mapa precisa mudar com ele.

Você não pode se acomodar com alcançar os limites das outras pessoas. Você tem de alcançar os seus.

Se você não testar a você mesmo, você não crescerá até os seus verdadeiros limites. Para que você possa mapear este mundo novo, você precisa testa-lo, e estar do que você é capaz dentro dele. Você precisa cometer enganos, resistir a vacilada e sentir as lições que vem com esse processo.

As crianças começam naturalmente nesse caminho. É por isso que o mundo delas está sempre crescendo. Elas encontram obstáculos, pulam eles e ficam mais fortes. Quando eles percebem que conseguiram, eles passam para obstáculos maiores. Se eles caírem, eles tentam de

novo mais tarde. É um ciclo básico. É como as crianças descobrem que eventualmente elas podem mudar o mundo, fundar uma startup, construir uma casa. É experimentando, aprendendo, sofrendo e crescendo. É um processo. Mas para que esse crescimento continue, elas precisam evitar escutar demais o que lhes é dito. Eles precisam manter a mente aberta.

Mas tem um problema: a medida em que você vai aprendendo, você também vai levando tombos e ganhando cicatrizes. A dor te repele. Você vacila tanto que você começa a ter medo e a ficar prevendo a dor. Você combina com as lições que você aprendeu com as outras pessoas. Finalmente, você começa a proteger você mesmo de coisas que nem ao menos aconteceram.

No final desse caminho, você vai para a defensiva. Você desiste dos obstáculos. Seu mundo começa a diminuir ao invés de aumentar. Você não se adapta para o que vem até você. Você para de seguir a sua curiosidade e começa a buscar segurança.

Por dentro, sentimos como se estivéssemos ficando mais

sábios, mas não estamos. Evitar a vacilada te faz secar, como uma velha árvore que se quebra ao invés de se envergar durante uma tempestade. Infelizmente, é aqui que

a maioria dos adultos acaba.

Mas aqui está o antidoto. Você pode fazer o seu mundo crescer de novo. O instinto que você tem é a semente. Você só precisa cultiva-lo.

A ansiedade que a vacilada te faz sentir é quase sempre

pior do que a própria dor. Você se esqueceu disso. Você

precisa aprender novamente. Você precisa de mais cicatrizes. Você precisa viver.

A FORJA / FORNALHA

Aqui vai algo que você provavelmente já sabe: o mundo é uma fornalha de implacável e constante pressão. Ou você é esmagado por ela, ou ela te transforma em um diamante. Ou você ela te queima, ou te forja em aço inquebrável.

Entretanto, o mundo te transforma, e geralmente faz isso devagarzinho, assim você não percebe. Você se assiste o tempo todo e você sempre pensa sobre essa pessoa como sendo você. Mas através dos anos, você muda. Tanto, talvez, que seus velhos amigos nem consigam te reconhecer. Você mesmo também não consegue ver. Você se sente como sempre se sentiu.

Se pergunte isso: o seu eu criança, neste momento, estaria orgulhoso ou com vergonha de você do futuro?

O mundo é uma prova final de 7 bilhões de pessoas com pouco ou nenhum tempo de aula antes da prova. Você entra na sala, eles te entregam um lápis e te falam pra fazer a prova. Pior, o pedaço de papel que você recebe está em branco.

Mas passar no teste, ou não, não é um acidente. O teste é em grande parte sobre sua resposta contra a vacilada; é um desafio aonde ou você é espancado e recua, ou você fica firme e enfrenta a vacilada.

Qualquer decisão que você toma, reforça o que você vai fazer da próxima vez. Depois, qualquer que seja o seu hábito, você ensina aos outros. Você os convence de que é

importante. Isso mostra o quão forte os medos podem se espalhar, criando culturas doentes dentro de famílias, companhias e países inteiros.

Então, tome cuidado com as lições que você evita e a quem você escuta. Decida cuidadosamente o que é perigoso.

Decida você mesmo !

BETWEEN YOU AND THE FIGHT

Isso tudo é muito fácil de se concordar em teoria, é fácil dizer sim agora. Mas o agora não é o seu problema. Mudar

é fácil em princípio mas difícil na prática.

A vacilada é um abismo, com uma ponte de cordas

amarrada nos dois lados. O seu corpo não quer que você a cruze. Você não pode olhar para baixo. Cada músculo está lutando contra você. Você sente isso visceralmente, na sua cabeça e no seu estômago. Ela te interrompe no seu caminho. O seu cérebro não pode te forçar a continuar a travessia.

Conforme você cruza a ponte, você vai querer gritar, chorar

e desistir. Porque não é um lugar natural de se estar.

Parece perigoso, e você não pode ficar la muito tempo. A vacilada amplifica tudo. As falhas, o sucesso, alegria ou a dor. Se você desistir, você vai justificar mais tarde, dizendo que você trabalhou duro e que foi “bom o suficiente”, mas você estará errado. Você desistiu.

Lembre-se: Ninguém tem um problema na primeira milha de uma jornada. Até mesmo uma criança pode ir bem por um tempo. Mas não é a partida que conta. É a linha de chegada.

Olhe para a linha de chegada agora. Ela está longe e parece impossível. Talvez ela esteja lá nas nuvens e a jornada é traiçoeira, ou a montanha é muito alta. De certo modo, você está certo. Você está desistindo antes mesmo de sentir a dor. Você está desistindo de medo da vacilada.

O que você não está vendo é que o próprio caminho te muda. Você é fraco porque você ainda não pisou no caminho. Quando você pisar, um processo irá começar. Conforme você escala a montanha, você fica mais forte. Seu cérebro de plástico irá ser moldado pelo caminho. Você pode pensar que esse caminho não é para você, mas ele é. Você simplesmente irá mudar no caminho. O caminho mesmo irá te endurecer para que você enfrente o final.

Agora mesmo, tudo o que você precisa, é de começar!

LIÇÃO DE CASA No 1

Quer um exemplo real, visceral, de como é uma vacilada? Tente isto.

Quando você estiver em casa e tiver cinco minutos, vá até o banheiro, entre no chuveiro e ligue a água no FRIO. Espere um segundo; e teste para ter certeza de que a água está o mais gelada o possível.

Você vê o que está por vir?

Se você vê, você vai ficar tenso imediatamente. Você vai sentir no seu peito. Você talvez até ira começar a rir, parar aliviar a tensão. E você nem entrou no banho ainda. Você está prevendo uma vacilada que ainda nem aconteceu. E você já está ansioso com ela. Com algo que ainda nem

aconteceu e que não vai te matar. Ansioso por causa de algo que nem ao menos dói ou machuca.

Ok, agora entre. Agora é a hora de entrar no chuveiro.

A medida em que a água fria te acerta, pode ser que você grite ou se contorça. Mas o desconforto dura apenas um segundo. Você rapidamente se acostuma com ela. Você fica confortável com o frio, ao invés de tentar evitá-lo. Você procura entrar cada vez mais na água para acelerar o processo de ajuste.

Lembre-se da sua reação. Você pode usar esse método para tudo.

Um momento antes, a vacilada parecia tão desconfortável que você poderia se convencer de não fazer isso. Você diria para si mesmo que isso não faz sentido, mas faz; é treino. Você precisa construir o hábito de ver a vacilada e ir pra cima dela, não de racionalizar o seu medo e fugir dele.

Comece a fazer o contrário dos seus hábitos. Isso aumenta a sua tolerância contra a vacilada e o seu poder.

Você fez a lição de casa? Bom! Continue fazendo ela, todas as manhãs, pelo resto da semana.

Ah, e se você não fizer, não importa o motivo, vamos ser bem claros: você está vacilando. Esse exercício não tem nenhuma consequência, física ou social. Se você se recusar a fazê-lo, pergunte a você mesmo o porque.

Porque o exercício é bobo, ou sem sentido?

Como você vai saber sem tentar?

SEU MUNDO COMO UM CORREDOR

Estudante que só tira 10, direto. Direto para a faculdade. Direto para o trabalho. Direto pra cima na escada corporativa. Direto para os subúrbios.

Porra, te assustam direto!

Esse é você? Corredores levam você da cama, para o café, para o carro, para o trabalho e depois para casa. Você tem um cubículo aonde você vai todo dia. Você vai almoçar no mesmo lugar. Você assiste aos mesmos programas de TV. Você come a mesma comida.

Eles poderiam te substituir por um pequeno e previsível robô. E um dia, logo, eles provavelmente o farão.

Evitar a vacilada significa que o seu mundo se transforma em um corredor. Tudo está no piloto automático. Claro você pode viver mesmo sem estar acordado. Existem mais opções agora do que nunca, mas os nossos hábitos estão tão encrustados que nós não exploramos mais nada. Você está preso em um corredor com uma vacilada atrás de cada porta. Você não pode virar para outro lado ou ser surpreendido, então você continua andando para frente, na mesma direção, até você morrer.

Ralph Waldo Emerson disse, “Não vá aonde o caminho te levar; ao invés disso, vá aonde não há caminho e deixe o seu rastro.

Considere isto: no seu corredor, cada vacilada é uma porta que você pode abrir, com uma nova cicatriz e uma nova lição atrás dela, da mesma forma que uma criança aprende ao relar em uma panela quente. É uma experiência, uma tentativa de fazer algo novo. Nem todos os experimentos

machucam, mas todos eles são valiosos. E se você não abrir as portas, você nunca vai ganhar as cicatrizes e nem as lições. Portas abertas significam opções expandidas. A vacilada vai te bloquear, mas assim que você abrir a porta, a ameaça some. Um novo caminho aparece.

Abrir novas portas significa se confrontar com a possibilidade de ficar perdido. Se perder parece com falhar, algo que deve deixar uma cicatriz ou ser embaraçoso. Então a vacilada começa o trabalho dela e te empurra de volta para o que é familiar, para distrair você. Antes que você possa para-la, você está de volta no corredor.

Mas cada porta, cada lugar não marcado no mapa, é também um desafio. Significa que o território é inexplorado. Algumas vezes perigoso e dolorido, mas também um desafio. É o porque de tantas pessoas terem vontade de conhecer a Antártida, ou o espaço, mas tão poucos realmente o fazem, porque você não sabe o que vai encontrar lá. Isso te assusta e te compele, mesmo que lá possa ter qualquer coisa, até mesmo a morte.

Mas aqui também existe um segredo: se perder não é fatal. Quase toda vez, irá fazer o seu mundo crescer. Você pode olhar para as bordas do seu mapa, os lugares que você tinha dúvida. Os antigos exploradores até tinham uma frase para isso: “Que aqui tenha dragões”

A maioria das pessoas olham para um mapa e enxergam perigo. Elas ficam em casa. Você fica?

Agora, as fronteiras mudaram. Aqueles que exploram encontram coisas neles mesmos com a mesma frequência que encontram no mundo exterior. Eles encontram os próprios dragões, como São Jorge fez. Eles encaram a

vacilada e conquistam ela. Os mapas deles ficam mais claros. Você precisa clarear o seu mapa também. Você precisa encontrar os seus dragões, olhar eles nos olhos, e destruí-los.

GRANDES HISTÓRIAS SEM VACILADAS

Adivinha só: não existem. Se Luke Skywalker não tivesse enfrentado a vacilada, não teria existido o Star Wars. Se Sócrates não tivesse a enfrentado, a maior parte da filosofia ocidental não teria acontecido. Harry Potter sem a vacilada, é só uma criança triste em um porão.

“Eu vi ela, do outro lado da sala, dançando, e ela era linda. Eu estava com medo. Mas eu disse a mim mesmo que eu poderia fazê-lo, eu fui até lá e falei com ela. E estamos casados faz 50 anos.”

Atrás de cada momento de coragem, estava um homem ou uma mulher, que lutaram com uma dificuldade interna. Quando eles a enfrentaram, isso se torna uma história incrível. Eles viram lendas. Mas se eles tivessem fugido da vacilada, as histórias deles são corriqueiras, sem graça. Eles passam a ser como todo mundo. Eles desaparecem.

Você acha que a sua história vai ser a grande exceção à regra? Que você vai chegar no jardim do prazer sem sofrer, como aqueles que chegaram lá antes de você? Nunca acontece desse jeito, porque sem estes desafios, você não tem propósito.

Samurais e suas contrapartes modernas, os praticantes de kendo, dizem que as lutas são ganhas internamente, antes mesmo de se acertar o golpe fatal. Eles encaram uma luta interna antes sequer de encarar o inimigo. E assim vai ser com você. Pare de fugir envergonhado disso.

LUTANDO CONTRA A VACILADA

O medo da vacilada vai sendo construído conforme o tempo passa, pelos pais, as escolas e amigos cuidadosos. Baseado no que ela vê lá fora, a vacilada constrói uma fortaleza impenetrável. Ela senta lá e fica com um sistema de alarme, esperando por comportamentos perigosos, e te avisando quando eles acontecerem.

Infelizmente, ela está errada com frequência.

Algumas vezes, parece até que a vacilada tem uma voz.

“Você não vai conseguir seguir essa dieta. Você nunca consegue.” “Você não vai conseguir esse emprego, porque você não é qualificado de verdade para isso, não é mesmo?”

Ela usa a sua própria voz contra você mesmo. Ela usa o seu julgamento, mas decide com base em uma imperativa biológica desatualizada. É construída sem a cicatriz. Então você evita a vacilada tendo aquilo consequências ou não.

Escute a ela e você não chegará a lugar nenhum. Você nunca vai se machucar. Você nunca vai aprender.

Você deve até estar se segurando agora mesmo, do medo de vacilar. Você pode estar persuadindo você mesmo de que ler isso não é importante. Não cometa esse engano; você precisa continuar.

Fato: Você pode até assistir a si mesmo vacilar. Aja de qualquer forma. Esqueça a voz interna e siga em frente. Apenas vá lidando com as consequências conforme elas vem aparecendo. Isso raramente é fatal, e com frequência, não machuca e nem dói nada.

Qualquer hora em que você vacilar, você vai ouvir a voz ou sentir a picada do julgamento. Mas mesmo que esse sentimento seja muito forte, nenhum raio cai na sua cabeça. Nenhuma enchente, gafanhotos ou morte dos primogênitos. Nada realmente acontece.

A verdade é que esse julgamento e o medo nunca vão parar, mas eles não fazem nada de verdade com você. Não existem consequências negativas de se libertar do hábito de vacilar. Nada vai acontecer se você deixar de sentir medo. Você está livre.

APRENDA OS SEGREDOS DELA

O medo da vacilada tem crescido a sua vida toda. E todas

as figuras de autoridade que você conhece tem ajudado ela, então você aprendeu a obedecer à vacilada. É natural. As táticas dela funcionam como um animal perfeitamente adaptado, dentro de você.

Então como você sabe quando um medo significa algo, e quando ele é sem base? Como você sabe quando a vacilada está realmente te protegendo?

Existe um processo para isso. Aqui está:

Primeiro, encontra um lugar seguro para se decidir. Se você se sente ameaçado pelo homem sentado do seu lado, no metro, saia de lá primeiro. Deste ponto de vista, uma decisão melhor pode surgir seguramente. Então os seus relacionamentos, saúde, dívidas, tudo. Tenha certeza de que nenhuma dessas coisas esteja em perigo, porque elas são razões para vacilar. Quando menos dessas situações

te provocarem, mais você consegue se concentrar.

Depois, quando estiver pronto, escute a você mesmo. Quando você enfrenta a vacilada você usa as palavras tipo, estúpido, seguro, sem sentido, ou qualquer coisa que é covarde, que julga demais e que parece embaçada. A vacilada prospera ao fazer riscos parecerem maiores do que eles são. Então procure por estas palavras, e trate de agir mesmo assim, e julgue só depois do resultado.

Você só saberá que abriu a porta certa quando você sentir um forte e irresistível impulso de fazer outra coisa, qualquer coisa. Isso geralmente significa que você está no limiar de fazer algo importante, e que você precisa prestar atenção e continuar indo. AGORA!

ENCONTRE A CURA

A criança que quer conquistar o mundo ainda está dentro de você. Ela quer sair de novo. Ela quer aprender e crescer. Ela quer fazer algo incrível.

Infelizmente você só fala e não continua. Ainda está vacilando.

Quando você sente a vacilada, você pode calar a boca dela, ao falar bem alto. Faça uma clara e forte pergunta:

“Do que você está com medo?” Diga isso sempre que você evitar a vacilada; depois se force a responder. Ou diga a si mesmo: “Vacilando.”

Verbalize a sua desculpa. Muitas vezes ela é ridícula, paranóica ou obsessivo compulsivo. Você soa como um marinheiro se afogando quando, na verdade, você não está nem perto da água.

Acalme-se e siga em frente!

LIÇÃO DE CASA, PARTE 2

Você precisa de mais treino. Vamos mais adiante.

Preparado? Vá até a cozinha e pegue uma caneca que você não goste. Caneca na mão, vá para um lugar na sua casa que tenha o chão duro. Segure a caneca na sua frente, e estique o braço. Diga tchau para ela.

Agora, deixa ela cair.

Qualquer racionalização que você está usando agora, é um ponto fraco seu. Marque ele. Você o verá de novo e de novo.

Deixa logo a porra do copo cair.

Você o fez? Se sim, você vai perceber uma coisa: quebrar a sua programação requer um único momento de força.

Agora, limpe a bagunça. Não foi tão mal assim foi?

Se isso foi muito fácil, porque um copo é simples de se substituir, tente algo mais difícil, tipo seu Blackberry(telefone). A força que você ganha ao se desapegar, é mais importante do que qualquer objeto que você possua.

O PARADOXO

Se você não vacilar, você provavelmente nem vai sabe o porque. Você acha que é natural sair escalando montanhas, fazer parkour, ou conhecer pessoas novas o tempo todo. Você assume que todo mundo é igual você, mas você está enganado.

Se você vacila o tempo todo, você acha que isso é natural, também. A vacilada é tão inata que você não a considera

um problema. Mas ela é, e você está preso com ela a não ser que você comece a resistir a ela.

A habilidade de suportar a vacilada vem com o conhecimento de que o futuro será melhor do que o passado. Você acredita que você pode atravessar desafios e ficar tão bem quanto você era antes deles. Quanto mais positivo você for, mais fácil é para você acreditar nisso. Você continua seguindo em frente e aceita situações difíceis, então não importa o que aconteça, o trabalho, a perda, o machucado, você acredita que irá se recuperar e que ira acabar bem. Se você acreditar nisso, você está certo.

Se você não tem fé, você acredita que cada ameaça potencial pode ser o seu fim. Você não tem certeza sobre como lidar com desafios, porque você questiona a sua habilidade de supera-los. E se você acredita nisso, você também esta certo.

Esse é um cenário tipo “o ovo ou a galinha”, ou no seu caso, um cenário de “ação e fé”. Você não sabe qual veio primeiro e fez alguém ser confiante, mas você pode ter certeza de uma coisa, só tem um lado da equação que você pode controlar. Você não pode fazer você mesmo se sentir positivo, mas você pode escolher como agir. E se você escolher certo, isso constrói a sua confiança. Com o passar do tempo, esse processo vira um ciclo positivo. Ele se alimenta e cresce por si só, assim como as crianças no playground ganham confiança conforme vão escalando mais e mais alto nos brinquedos. Quando você menos percebe, todo o seu jeito de pensar mudou.

COMO SE MACHUCAR

Em uma luta, um bom oponente procura por padrões e espera para que você de a vacilada. É o ponto aonde ele pode te acertar com mais força.

No rugby, me disseram, “Mostre me um cara que dá a vacilada e eu te mostrarei um cara que vai machucar”

Em mountain biking, eles dizem que a melhor forma de se machucar é brecando. Andar rápido ajuda.

A vida inteira é assim. Você é tão forte quanto os seus momentos mais fracos. Aprenda a reforçar esses pontos fracos antes que eles te destruam.

COMO NÃO SER ENTEDIANTE

Você não conhece ninguém naquela festa, então você não quer ir. Você não gosta de queijo cottage, então você fica anos sem comer. Essa escolha é sua, claro, mas não se engane, isso também é a vacilada.

Sua personalidade não é esculpida em pedra. Você pode pensar que tomar um café, durante a manhã, é a coisa mais agradável do mundo, mas na verdade é apenas um hábito. Trinta dias sem ele e você ficará bem. Você acha que tem uma alma gêmea, mas na verdade você poderia ter qualquer número de esposas. Você iria ter evoluído diferentemente, mas ser tão feliz quanto.

Krishnamurti, um grande sábio indiano, um dia disse: “Você pode pegar um pedaço de madeira que você trouxe do seu jardim, e cada dia o presentear com uma flor. No final de

um mês, você irá adorá-lo, e a idéia de não dar uma oferenda para ele, será um pecado.” Em outras palavras, tudo que você se acostuma, quando feito durante tempo o suficiente, começa a parecer natural, mesmo que não seja.

A vacilada não quer que você mude. O plano dela é ter manter no status quo. Ela acredita que a sua identidade é o que te manteve vivo e estável, e que acostumado é melhor do que morto. Mas isso é uma cilada bino !!!!1, porque quase nenhum dos riscos que o homem moderno toma, é fatal.

Toda vez que você cede, você na verdade faz com que o caminho errado fique mais fácil de ser seguido. Mas toda vez que você vai pelo caminho certo, você fica mais forte. Eventualmente, o novo hábito se torna automático. Bingo.

Você pode mudar o que você quiser sobre si mesmo a qualquer hora. Você vê a si mesmo com alguém que não pode escrever ou tocar um instrumento, que sempre cede a tentação ou toma más decisões, mas isso não é realmente você. Isso não está arraigado. Não é a sua personalidade. Sua personalidade é outra coisa algo. É algo mais profundo do que apenas preferencias, e esses detalhes na superfície, você pode mudar sempre que quiser.

Se for útil fazê-lo, você deve abandonar a sua identidade e começar de novo. Algumas vezes, esse é o único jeito.

LIÇÃO DE CASA, PARTE 3

Faça esse experimento, quer goste quer não. Concorde agora, antes de ler a próxima frase. Você irá falar com o próximo estranho com quem cruzar. Seja ele interessante ou não, se você é atraído por ele ou repelido por ele, ou se você consegue ou não pensar em algo para dizer, nada disso importa. Comece a conversa, mesmo que for por 15 segundos. Olhe a pessoa nos olhos conforme você fala.

Sorria.

Faça isso para testar a sua habilidade de se forçar através do desconforto.

Conforme você faz este exercício, uma de duas coisas irá acontecer. Primeiro, você vai só começar uma conversa rapidamente. "Com licença, para que aonde está indo este metrô?” Você vai perceber que quanto mais rápido fizer isso, mais fácil será. Esse é o truque, passar pela vacilada rapidamente.

Se você achar fácil, tente o exercício de novo com outra pessoa.

O que acontece quando você chega à alguém que você não consegue falar, ou que você não quer falar, ou que você tem a intenção de falar, mas não consegue? Esse sentimento é na verdade bem primitivo, você sente que você QUER falar com a pessoa que está na sua frente, mas você literalmente não consegue, como se alguma força estivesse te impedindo.

Enquanto isso acontece, assista cuidadosamente como a sua falha vai indo embora. Não se esconda dela. Observe a

oportunidade perdida enquanto ela sai e te deixa sozinho com a sua imperfeição. Não fuja disso. Sinta a ansiedade no seu peito conforme você vai assistindo a oportunidade desaparecer, PARA SEMPRE !

O que a vacilada acabou de fazer com você, ela vai fazer com a sua vida inteira, até você parar ela.

EM TEMPOS DE STRESS

Em tempos de stress, qualquer que seja o padrão que você está acostumado, ele emerge. Se você está acostumado a correr, você corre. Se está acostumado e entrar na defensiva, a mesma coisa acontece. É como você vai agir sobre pressão. Para os homens antigos, essa tendência era um mecanismo de proteção, que funcionou bem para escapar de ursos. Revertendo para padrões trabalháveis significa tomar decisões mais rápido, que durante uma ameaça real, é a diferença entre a vida e a morte.

Mas essa reversão é também o porque uma briga com a sua esposa pode parecer com uma briga com seus pais, porque ela é. Voltar ao seu velho padrão de discussão é fácil, daí você o faz de novo e de novo, o jeito que a água sempre flúi pelo mesmo caminho descendo uma montanha. No seu cérebro, as ranhuras já estão profudamente embutidas, então os comportamentos são automáticos. Eles são corredores.

A maior parte das suas vaciladas não te protege de fogo, ursos ou a morte. Reverter para uma resposta tipo, lutar ou correr, mesmo quando não existem ameaças físicas presentes, não é útil. Está resposta defende você inutilmente, aumentando a pressão sanguínea e os níveis de cortisol por nenhum motivos, e talvez tomando anos da

sua vida. E também te previne de aprender o que é necessário para se adaptar.

Então você precisa começar a reconhecer a sua resposta lutar ou correr. Esse é o verdadeiro desafio, no que você vai gastar mais tempo? Porque isso é um instinto tão forte. Cada alternativa que você desenvolve é muito valiosa porque abre as suas opções dramaticamente.

Ainda bem que você pode treinar você a ter novos padrões, e você não será o primeiro a fazer isso. Novos padrões podem incluir aprender coisas que são mais adaptadas a certas situações, e irá acontecer automaticamente quando você for coagido, seja nas artes marciais ou em maneiras de se comunicar com a sua esposa. O treinamento não é nada sobre lutar, mas sobre algo mais importante: quebrar seus padrões.

O primeiro passo é parar de ver tudo como se fosse uma ameaça. Você não querer que isso aconteça, isso requer ficar mais exposto. Se você já tomou um soco na cara antes, você não vai se preocupar do mesmo tanto, com um assaltante, por exemplo. Se você enfrenta a vacilada na meditação, você não se preocupa quando pega uma fila gigante no banco. Construa a sua base de confiança, tendo um maior conjunto de experiências para usar, e perceba que você pode lidar com mais do que você está acostumado. Fazer o que é desconfortável é chave. Isso aumenta o seu círculo de conforto.

Segundo, refaça o padrão da resposta contra ameaças. Aprenda hábitos que te façam trocar a escolha de lutar ou correr por um padrão mais efetivo.

Começe com este abaixo. Ele deve ajudar.

USANDO A VACILADA

A vacilada não pdoe ser eliminada. Isso é um fato básico.

Não importa o quão forte você seja, se uma borboleta vier no seu ponto cego, você sempre vai te assustar(mais para

o lado de surpreender.) Isso é biologicamente programado.

Então a vacilada não pode ser desfeita, mas ela pode ser

transformada. Lutadores treinam por anos pra aprender. Aqui vai o como fazer.

Em um estado de medo, a maioria das pessoas levanta as mãos para se defender. Elas recuam, essa é a resposta de fugir. Mas o truque de verdade é fazer o que os profissionais fazem. Eles usam a velocidade da vacilada, eles usam a sua intensidade, para a própria vantagem.

Oficiais da lei, lutadores profissionais e membros do exército, todos eles aprendem sistemas que se aproveita, se alavancam da vacilada. Eles usam isso para reagia mais rápido do que os seus oponentes conseguem perceber. Ao invés de vacilar e recuar, eles vacilam para frente, em direção ao oponente deles e em direção da ameaça.

Quando você vacila para frente, você está usando a velocidade dos seus instintos, mas você não recua. Ao invés disso você se move para frente tão rápido, sem pensar, que o seu oponente nem consegue reagir. Você usa as suas mãos levantadas como armas ao invés de escudos. Você usa o seu medo para ganhar uma vantagem.

Imagine usar essa tática contra o valentão da escola. Ou no mercado.

Treine a si mesmo para vacilar para frente, e o seu mundo muda radicalmente. Você responde aos desafios se empurrando para frente, ao invés de se encolher para trás. Você fica maior ao invés de menor; você fica mais estável e confiante. O seu mundo se torna uma série de obstáculos a serem superados, ao invés de uma série de ataques dos quais você tem que se defender.

Você vai para a ofensiva ao invés da defesa. Você pode mudar o mundo novamente, ao invés de ficar se protegendo dele.

USANDO O SEU AMBIENTE

Um acrobata não nasce andando com as mãos. O processo de aprendizagem é lento e só depois que ele consegue fazer isso sem esforço.

Vacilar para frente, assim como andar com as suas mãos,

é um teste do seu ambiente. Aprender a se equilibrar

significa cair, e quando o acrobata o faz, ele vê o que é

perigoso e o que não é. Somente depois do fato. Conforme ele vai melhorando ele consegue entender o método. Se o ambiente dele o empurra de volta, ao fazê-lo cair, ele começa a entender os limites dele. Quanto mais pratica, mais chão ganha e maior o seu mundo fica. Eventualmente, ele estará fazendo handstands (se equilibrando com as mãos, de cabeça para baixo) naturalmente.

A maioria das pessoas olham alguém andar com as mãos e

pensam: “Eu não consigo fazer isso,” mas elas estão enganadas. Você pode usar esse mesmo processo para chegar em qualquer lugar que quiser. Aqueles que aprenderam o fizeram vacilando para frente, atravessando

a reação inicial, uma vez, depois de novo e de novo, até que virou segunda natureza. Você pode fazer isso com tudo.

Vacile para frente na natureza, na sua casa, no seu local de trabalho, em qualquer lugar. Tente qualquer coisas que você gostar ou achar interessante. Escale árvores, coma coisas novas ou aprenda a dançar. Todas essas coisas são provocações para o status quo, que você usa como trampolim para explorações maiores e mais difíceis.

Comece com pequenas ameaças em ambientes seguros. Elas irão construir confiança para seus pulos maiores.

Eventualmente, você irá se acostumar. Você vai encontrar você vacilando para frente contra tudo, como um hábito. Vai ser parte do seu processo, do mesmo jeito que um acrobata pode tentar um novo movimento ou um dançarino pode aprender coreografia.

Logo, logo você vai estar preparado contra qualquer vacilada. Depois disso, você pode entrar no ring.

THE RING

É hora de descobrir do que é que você é feito.

É hora de você fazer o mundo vacilar, não o contrário.

Fato: Aqueles que enfrentam a vacilada, fazem a diferença. O resto não faz.

Aqueles que deixam novos corredores encontram novas

fronteiras, avenidas para o crescimento e a felicidade, que

a maioria nunca encontra, enquanto o resto vai ser

esquecido em desertos antigos, como abutres comendo lixo.

Enfrentar a vacilada, e querer as cicatrizes que vem com ela, é a única coisa que divide o seu presente do seu futuro. Aqueles que lutam contra ela são facilmente identificados, você pode ver o fogo nos olhos deles e a determinação que praticamente corre nas veias deles. A determinação deles é como uma aura; você pode sentir só de estar perto deles.

Aqueles que não estão querendo enfrentar a vacilada, também são óbvios. Os olhos deles são mortos. As vozes deles soam derrotadas. Eles tem linguagem corporal defensiva. Eles só falam. Eles enxergam os obstáculos como assaltantes ao invés de adversários. A vacilada deles é o elefante na sala, e eles não querem ouvir sobre isso.

Qualquer luta que você quiser ganhar, um hábito de enfrentar logo de cara a vacilada, pode fazer você conseguir. Uma vez que você tenha se ajustado à pressão, quando tiver aprendido a vacilar para frente, você passa a ter a determinação para passar pelo impassível. De fato, é certo que você conseguira, é só uma questão de tempo.

Daí, você pode decidir pelo que você irá lutar.

ENTRE NO RING

Pronto? Vamos começar.

Você diz que quer ser bem sucedido. Você se vê como um futuro Richard Branson, uma Oprah ou um Bill Gates. Alguém de quem o mundo irá se lembrar. Alguém de quem você possa ficar orgulhoso, que trabalha com o que ama e que muda o mundo.

Você acha que você está trabalhando duro. Você acha que tudo que você precisa é de um pouco de sorte.

ERRADO. Você não fez nem o que é necessário.

Você não fez os sacrifícios. Você não colocou o tempo. Você não aprendeu as lições e não tem as cicatrizes. Não para as lutas que importam.

Veja, tem uma luta acontecendo agora, algumas, na verdade. Você pode ligar a TV e assistir elas em qualquer canal. A fome no mundo, AIDS, o próximo negócio de bilhão de dólares, até mesmo na sua própria família, elas estão todas lá. Você assiste essas lutas todo o tempo, mas será que você está realmente lutando agora?

A maioria das pessoas raramente entra no ring por aquilo

que importa. Ao invés disso, a luta é lutada por outras

pessoas, em outro lugar. Todo mundo fala sobre, como se eles quisessem estar envolvidos, mas só falam.

A verdade é que eles não conseguem lidar com a pressão.

Eles não estão no ring porque eles não estão prontos para fazer o que é preciso para vencer. Eles não estão prontos para a luta que importa.

A maioria das pessoas não quer enfrentar a vacilada; elas

só querem estar em um filme sobre ela. Elas querem a glória e não o sofrimento. Eles não querem as cicatrizes porque eles gostam de ser macios e moles. Eles não querem ser humilhados; eles querem respeito, eles só não querem conquistar, merecer, esse respeito. Eles querem as chaves entregues de bandeja para eles. Mas não é assim que funciona.

Se você escolher o ring, você já é melhor que a maioria. Por que? Porque você escolheu lutar. Você é um competidor, e quase ninguém pode dizer isso sobre eles mesmos.

O ring é diferente para todos, mas qualquer que seja o seu , é aonde o risco de verdade acontece e aonde os prêmios são gigantes. É aonde as lutas são ganhas, sim, mas também é aonde você pode perder tudo. Por dentro, você vai enfrentar a dor, de novo e de novo, sem promessa de recompensas, mas não importa, porque dentro do ring, você sabe que pode fazer diferença.

Entrar no ring significa que você pode se chamar de competidor, talvez até mesmo um campeão. É aonde se fazem reis e aonde aqueles que entraram são forjados, como armas. Rico ou pobre, esperto ou lerdo, qualquer um pode entrar, à qualquer hora, não importa aonde ou quem eles são.

Bem vindo ao ring. Entram aqueles que são ousados, e deixem eles dividirem os prêmios. Somente à eles pertence essa conquista.

Se você vai ganhar? O ring não te promete nada. Mas uma coisa é certa: a não ser que você entre no ring hoje, você não tem a menor chance.

Decida o que realmente importa, e entre no ring por isso. AGORA.

Hoje, exatamente agora, elimine todas as desculpas do seu vocabulário. Se recuse a medir palavras ou ações. Se recuse a viver uma vida sem cicatrizes.

Escolha a vacilada. Escolha o que importa. Entre no ring.

ABRA O CAMINHO

O ring é diferente para todo mundo, mas é sempre feito de lugares, pessoas e projetos que valem a pena enfrentar a vacilada. Os hábitos obscurecem ela.

Abra os olhos. Bloqueie todas as rotas de escape. Elimine todo o barulho.

O que é comum vai capturar a sua atenção somente durante o tempo que for permitido na sala. Qualquer coisa que seja que você está acostumado a fazer, seja cigarros, compras, twitter, tem que ser eliminado na sua jornada para entrar no ring. Você tem que fazer um sacrifício para o altar da grandeza e estar pronto para realizar atos que outros não farão.

Se você não está disposto a sacrificar o seu conforto, você não tem o que é preciso.

Ponha fogo no seu velho eu. Ninguém precisa dele aqui. Ele está muito ocupado comprando, fazendo fofocas sobre os outros, e assistindo os dias passarem e perguntando porque você não chegou tão longe quanto queria. Esse velho eu vai morrer e ser esquecido por todos exceto sua família, e substituído por alguém que faz diferença.

Seu novo eu não é assim. Seu novo eu é como o grande incêndio de Chicago, esmagador, avassalador e que vai consumindo tudo que vê pela frente.

LIÇÃO DE CASA, PARTE 4

Pare por um momento, para respirar.

Se você chegou até aqui, você deveria apreciar a força que você construiu. Você deve ser mais confiante, mais

determinado e talvez até mais extrovertido. Todas essas coisas são boas. E mais. Continue indo.

A próxima lição de casa é simples. A próxima vez que

alguém pedir por um voluntário, seja qual for o motivo, diga sim.

Se um mendigo pedir esmola, dê a ele a maior nota que você tiver. Se alguém estiver de mudança, ofereça a sua ajuda imediatamente. Se você ver uma propaganda sobre alguma caridade para crianças, ligue para eles. Faça logo que sentir a vacilada.

Não espere até que você se convença a não fazer isso. Você já é muito bom nisso. Ao invés disso, aja antes que sua fala te vença. Se coloque em uma posição aonde você não pode mais recuar. O seu velho eu recuaria aqui, ao invés, queime a sua ponte, para que você não possa mais andar para trás.

Quebrar a vacilada é sobre eliminar as coisas sem sentido, covardes e habituais e escolher o que é útil. Mas o útil não pode ser abstrato. Ele tem que realmente acontecer.

ATRÁS DA PORTA NÚMERO 1

Atrás de cada vacilada está um medo ou uma ansiedade, algumas vezes racional, outras não. Sem o medo, não tem vacilada. Mas apagar o medo não é importante, enfrenta-lo é que é. Enfrentar o medo mostra que você pode lidar com

a pressão e o desafio de um novo ambiente, colocar o

medo no lugar dele, com um conselheiro, não um capitão.

Algumas vezes o que está atrás da vacilada machuca, como quando você tem “a conversa” no seu relacionamento. Ela pode até levar ao término, ou a

grandes mudanças que você acha desconfortável. Está tudo bem, você provavelmente deveria ter essa conversa de qualquer forma, mesmo que ela te faça contorcer de tão desconfortável. Outras vezes, o que está atrás da vacilada não machuca. Tipo quando você tem medo de falar em público. Você sobe no palco, faz seu ato ou fala em público e tudo dá certo. A ansiedade era apenas sobre se envergonhar em público. Nada demais.

Ambas vaciladas precisam ser enfrentadas. Seja existe dor atrás dessa vacilada não interessa. A única coisa que importa é o hábito de cruzar terrenos internos complicados, simplesmente porque são difíceis de cruzar. Julgar a vacilada de antemão, ficar perguntando se ela vai doer ou não, não é ponto. Você só pode julgar pela experiência.

A VERDADE DESCONFORTÁVEL

A pressão que você sente, essa vacilada que você

encontra todo dia, nunca irá acabar. Depois de ter lidado com uma, outra vai aparecer no seu caminho. A pressão aumenta conforme você vai indo. Qualquer que seja a tensão que você já consegue lidar, o ring vai te colocar em

uma tensão um pouco a maior que ela(para que você possa continuar crescendo)

Ajuste-se a ela. Você nunca vai estar totalmente confortável. Essa é a verdade atrás do campeão, ele está sempre lutando contra algo. Não estar sempre lutando, é se acomodar.

O sucesso trabalha como um ciclo, crescimento e

contração, equilíbrio e desequilíbrio, tudo enquanto você encontra obstáculos que ficam maiores e maiores com o passar do tempo. Antes de pular um obstáculo, você

precisa de se equilibrar e depois se lançar em desequilíbrio, isso é a definição de pulo. Daí você repete isso para o próximo problema. Isso também é o que acontece quando você aprende a andar. É natural, mas a parte do desconforto é necessária para o progresso.

Isso significa que você está no caminho certo, a pressão nunca vai desaparecer completamente. Se ela o fizer, você está no caminho errado. Você está no corredor. É simples assim. Você precisa de achar uma porta novamente. Você precisa de uma luta maior.

COMO FALHAR COM CERTEZA

Nesse ponto na maioria dos livros, os autores te prometem que se você fizer o que eles estão falando, você com certeza irá ter sucesso.

No caso desse livro, você terá certeza de que irá falhar. Ser rejeitado. Descobrir caminhos errados. Ver o que é ser humilhado, de primeira mão.

É

certo que irá viver.

E

depois sim, talvez, você possa atingir os seus objetivos.

Você gostaria de atingi-los de qualquer outro jeito?

JUNTE-SE A NÓS

Todo mundo que está no ring se sente só. Você quer mudar a cultura da empresa em que trabalha, mas parece que ninguém vai te apoiar. Ninguém quer falar com você na festa, ou pelo menos é o que você pensa, daí você não vai atrás de falar com ninguém. Não importa qual vacilada seja, você precisa enfrentar ela você mesmo. Sozinho. Pode ser uma jornada solitária. Essa é a dura verdade.

Quando olhamos de fora, todo mundo parece ser conformista. Mas na verdade, ninguém é; eles estão apenas esperando por uma pessoa que lidere.

A pergunta é, porque esse líder não pode ser você? Você

acha que vai ser julgado, que ninguém vai te dar moral? Você acha que vai ser ignorado e humilhado? Você se

sente impotente? A verdade é provavelmente, bem diferente.

Todo mundo quer progredir, mas pouquíssimas pessoas querem liderar.

Então um grupo inteiro de pessoas espera pela primeira mão se levantar antes da mão delas se levantar também. De repente, uma votação vai de um não unanimo para um sim unanimo. Tudo que foi preciso foi uma voz dissidente, e de repente tudo mudou.

O segredo para superar a vacilada é que todo mundo quer

que você seja bem sucedido. As pessoas estão procurando por provas de que você pode ser incrível, para que elas possam ser incríveis também. A internet é ótima porque você pode ver os outros serem verdadeiramente eles mesmos, e terem sucesso nisso. Isso diminui o poder do consenso. A pressão diminui. Você pode ser quem você gosta de ser. Entrar no ring fica mais fácil porque você tem pessoas te apoiando.

Então, se você ver que ninguém gosta de você, ninguém concorda com você, não se preocupe. Na verdade existem centenas de pessoas como você, e elas estão esperando por um líder. Essa pessoa é você.

Pare de vacilar. Manifeste-se. Junte se a nós.

100 TIPOS

Existem milhões de jeitos de evitar a vacilada, um milhão de jeitos errar ao fugir dela. Existem centenas de nomes para essas pessoas e comportamentos: preguiçoso, fujão, cínico, arrogante, e tudo que se pareça com isso. Todos esses nomes transmitem atitudes que encorajam você a se enganar e não ver o que está bem na frente do seu nariz, cada um de um jeito diferente, e cada um fica defendendo

a sua atitude.

Em contraste, existe somente uma maneira correta de fazer

e de ver a verdade. É procurar essas formas de agir em

você ou nos outros e cruzar pelas suas defesas verbais, e não acreditar neles de jeito nenhum.

Todo mundo tem seu próprio jeito de ser fujão ou confiante além da conta. É impossível dar nome à todos os jeitos que as pessoas fazem isso. Mas a solução é sempre a mesma:

honestidade implacável porém com compaixão, em cima todas as mentiras que você diz pra si mesmo.

A vacilada vai manter você fujão a sua vida toda se você

deixar. Você não vai ver nada da mágica ou da sorte ou experiências incríveis que os outros tem se você não tirar os tampões da sua visão. Por esta razão, tirar eles pode

ser o desafio mais importante que você enfrentará na vida.

Já existem espectadores o suficiente. Líderes de torcida o suficiente. Técnicos o suficiente e comentaristas suficiente. O que não há suficiente são jogadores.

Não acabe de ler esse livro e volte para a sua vida normal.

LUTE. NÃO VACILE.

NUNCA MAIS TENHA MEDO DE NOVO.

SOBRE A ELLA

Ella é uma amiga com uma história incrível.

Quando Ella tinha quatro anos de idade, ela estava cozinhando alegremente na cozinha com a mãe dela. Daí, em um instante, tudo mudou.

Ella estava curiosa, ela queria saber o que é que estava no fogão, e ela foi tentar pegar. Por acidente, ela colocou o cotovelo no pote, que estava cheio de água fervendo. Aquilo machucou ela, então ela deu uma recuada brusca, arrastando o pote para cima dela e derrubando aquela água fervente nela mesma.

Ella teve queimaduras de terceiro grau em mais de 30% do corpo dela. Precisou de fazer cirurgia, com médicos cortando o corpo dela de novo e de novo para que ela não perdesse mobilidade por causa de todas cicatrizes.

Agora, existe uma intensidade nos olhos da Ella, que você não encontra em muitas pessoas. Ela não tem vergonha de ser política. Ela enfrenta a vida com uma coragem que poucas pessoas conseguem entender. Ela não vacilou sobre a vida que apareceu na frente dela. Ela abraçou essa vida.

Mas isso aqui não é nem um pouco sobre a história dela. É sobre você.

Aqui está o que aconteceu. Ella começou a fazer performances com fogo. Ela abraçou a coisa que machucou ela. Ela descobriu como usar tochas e álcool para acender partes dela mesma para fazer um show. Ela fez isso em palcos por todo o Canadá.

Pense nisso por um segundo. A garota que se queimou com quatro anos de idade, com cicatrizes pelo corpo todo, transformou o fogo na arma dela. Parece até um filme.

Mas as existem pessoas assim. Elas são diferentes. Elas escolhem aonde elas querem ir. A vida ensina lições a eles que o resto de nós não tem chance de aprender. Eles escolhem caminhos que os outros não pegam.

Você quer saber o que mais? Você pode ser um deles, se você quiser.

A CHECKLIST ANTI-VACILADA

1. Desafie a si mesmo ao fazer coisas que machucam, de propósito. Tenha uma prática que exija força de vontade, tipo fazer exercícios muito difíceis, meditação, provas de resistência ou banhos frios. Escolha algo que faz o seu cérebro gritar, de tão difícil, e tente tolerar isso. O objetivo não é só se acostumar com isso. É entender que você pode sobreviver à dor.

2. Lembre-se de coisas que são fáceis de esquecer. Melhore os seus relacionamentos atuais. Crie desaniversários (tipo Alice no país das maravilhas) para os seus amigos, e não se esqueça deles, celebre-os. Mexa nas suas mensagens de texto antigas e reacenda amizades dormentes. Pode ser estranho, mas esse é o ponto. Você vai gerar um impacto ao fazer o que deixa os outros nervosos só de pensar em fazer.

consideração que blogs ou notícias. Encontre analises profundas e minuciosas de assuntos que você achar interessante, ou coisas irreverentes que te façam sentir vivo. Leia coisas que com o que você discorda. Leia coisas que são difíceis demais de você entender, e depois supere o seu desconforto para se motivar a entende-las.

4. Arrume algumas cicatrizes trabalhando com as suas mãos. Tente entender como as coisas no mundo funcionam, tipo o seu carro, seu sistema de som, ou até mesmo a sua cozinha. Tenha um jardim ou um cachorro para te ajudar a ser pé no chão e não ficar no mundo da lua.

5. Desligue o seu telefone todos os dias por algumas horas. Não ter nada para fazer enquanto espera em uma fila ou o ônibus pode ser entediante, mas é só quanto você está entediado que os pensamentos que dão medo vem para a superfície. Use um telefone velho (do tipo que não é smartphone) para não ficar checando suas mensagens (whatsup, facebook, instagram, twitter etc)

6. Encontre novos amigos, que te façam sentir desconfortável, seja porque eles já fizeram mais do que você ou porque eles nunca fizeram nada do que você já fez ou faz. Encontre artistas que fazem tatoos ou pessoas sem teto, milionários ou autores de best seller. Organize jantares para eles. Sirva-os comidas bizarras. Por que diabos não?

7. Renegocie o seu trabalho. Se você conseguir entregar X, então o seu empregador entregará Y? Pergunte de antemão e entregue, ou se você não conseguir permissão, faça mesmo assim e peça perdão. Crie um novo nome de cargo para você e construa esse cargo.

8. Comece a se vestir como se você sempre tivesse um trabalho muito importante ou uma reunião, ou como se você tivesse 20 anos novamente e pensasse que é a pessoa mais legal do mundo. O que você varia de diferente? Como as pessoas te tratariam se você fizesse isso?

9. Imagine que você precisa deixar um legado, e que todo mundo no planeta vai ver o trabalho que você fez. Seja voluntário. Crie algo que dure e que possa existir fora de você, algo que faça as pessoas maravilhadas e suspirando. Construa uma estrutura de apoio para outros. Dedique uma quantidade do seu tempo ou dinheiro nisso.

10. Faça algo surpreendente, algo que seja

para você. Fique desconfortável. Lute

contra a vacilada em qualquer lugar que você a encontrar. Não deixe pedra sobre pedra. Abra todas as portas.

aterrorizante

HOMEWORK ASSIGNMENT, PART 5

Parabéns. Quase ninguém conhece as próprias vaciladas tão bem, as vê e as enfrenta com tanta frequência.

Você conhece a você mesmo melhor, e por causa disso, conhece melhor o seu mundo. Você agora pode crescer sem limites. Você é um conquistador e um campeão. Mas ainda tem mais uma coisa.

O medo da vacilada está se espalhando. É como uma doença, viajando por toda a sociedade, pela mídia e pelo

boca a boca. Está em todo lugar, e infecta a todo mundo de maneiras diferentes.

É

por isso que pais se recusam a vacinar suas crianças, e

o

porque vizinhos e membros da mesma família não falam

mais uns com os outros.

Eles querem segurança. Mas que buscar segurança não é nada seguro.

Não podemos resolver esse problema sozinhos. Para fazer

a diferença, isso precisa se tornar um movimento. A

vacilada é um vírus, então aprender sobre ela precisa se

espalhar como um vírus também.

Então a sua tarefa final é dar este livro para outra pessoa. Talvez escolher aquela que precise dele mais. Ou escolha um estranho. Escolha a pessoa que você acha que realmente vai entender este livro, ou a pessoa que já se encontra no ring e precisa de alguma ajuda.

Não importa para onde o livro vai. Mas você precisa abandoná-lo. Esqueça seu medo de perder. Você aprendeu

o que você precisa saber, agora, dê a outra pessoa a chance de fazer o mesmo.

É por isso que fizemos esse livro ser grátis.

Então mande o por aí. Espalhe ele. Ou nos conte a sua história. Mande um email para stories@theflinch.com e nós faremos algo legal com as melhores.

Vá em frente. Faça isso AGORA MESMO.

SOBRE O AUTOR

Julien Smith é um autor de best seller na lista do New York Times e palestrante que já se envolveu com organização de comunidades onlines por mais de 15 anos, desde Fóruns à flashmobs nas redes sociais como as conhecemos hoje.

Além de ser o co-autor de Trust Agents, um dos livros mais reconhecidos nas redes sociais, ele é contribui para publicações como a GQ, Sirius Satellite Radio, Cosmopolitan, a CBC e mais.

O trabalho de Julien é frenquentemente sobre se lançar ao desconforto e a dor, ao auto exame e disciplina, com a intenção de provocar e desequilibrar. As lições do The flinch vieram de profissionais de defesa pessoal, experts em segurança, levantadores de peso, praticantes de parkour e mais.

Você pode aprender mais sobre ele ao visitar o blog dele.

SOBRE THE DOMINO PROJECT

O que acontece quando um editor tem uma conexão próxima e direta com os leitores, e consegue produzir propriedade intelectual que se espalha rapidamente, com um custo baixo? Um novo tipo de publicação surge. A criação filha de Seth Godin, e executada pela Amazon.

O projeto dominó tem esse nome por causa do efeito dominó, uma idéia poderosa se espalha pela linha, empurrada de pessoa para pessoa. O projeto representa uma mudança fundamental na maneira que livros (e mídias digitais baseadas em livros) tem sempre sido publicadas. Eventualmente consistindo de um pequeno grupo de autores estrelas, essa é uma editora organizada em torno de um novo canal de distribuição, um que não era nem fantasia quando a maioria dos editores começaram.

Nós estamos reinventando significado de ser um editor, e ao longo do caminho, espalhando ideias que temos orgulho de espalhar.

Isso é tudo pessoal. Obrigado por lerem a minha tradução de The flinch. Iniciada em 4 de janeiro (um dia depois de terminar de ler.) Concluída dia 17 de Janeiro de 2014.

Foi muito osso terminar esse badboy aqui. Vacilei várias vezes, comecei forte e fui fraquejando. Voltei e parei. Cedi à vacilada. Mas ao traduzir, acabei lendo novamente conceitos importantes que me motivaram a terminar esse projeto.

Percebi que finalmente eu consegui completar algo em minha vida. Começar e terminar. E isso foi uma lição muito importante. Tenho muito orgulho de ter feito algo bom para a humanidade. Espero que esse livro possa servir de inspiração para vocês assim como serviu para mim.

Muita força galera. Não deixem de enfrentar as vaciladas. Realizem os projetos de vocês. E quando se sentirem abatidos lembrem-se desta frase. “It’s not over, until I win.” Só acaba quando eu ganhar.

Boa luta a todos.

Leo Sad Falleiros o/