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Munhoz Advocacia

Tiago C. Pereira OAB-SP 333.562

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EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ (A) DA VARA DO TRABALHO DA COMARCA DE INDAIATUBA/SP

RECLAMANTE, por meio de seu advogado e procurador adiante assinado, vem à presença de V. Excelência com fulcro nos artigos 852-A e seguintes da CLT c/c art. 282, CPC, aplicado por força do art. 769, CLT, mover a presente RECLAMAÇÃO TRABALHISTA contra RECLAMADA, pelos motivos de fato e de direito que seguem expostos:

DO CONTRATO DE TRABALHO

A reclamante fora contratada pela reclamada em 18.11.2013 para exercer a função de estoquista com jornada de segunda a sábado das 09:00hs as 18:12hs com 2 horas de intervalo para descanso e refeição, percebendo salário de R$ 902,00 (novecentos e dois reais).

percebendo salário de R$ 902,00 (novecentos e dois reais). Rua Antônio Angelino Rossi, 733, Jardim Morada
percebendo salário de R$ 902,00 (novecentos e dois reais). Rua Antônio Angelino Rossi, 733, Jardim Morada

Rua Antônio Angelino Rossi, 733, Jardim Morada do Sol, Indaiatuba/SP 19 3016-8965

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O término da relação obreira se deu em 05.08.2014 quando a

reclamante fora surpreendida com dispensa por justa causa, percebendo como último salário o valor de R$ 983,00 (novecentos e oitenta e três reais).

DO NÃO CABIMENTO A JUSTA CAUSA

A reclamante fora dispensada por justa causa em 05.08.2014

sendo informada que o motivo da sanção aplicada seria a apresentação de atestados

falsos.

Sem razão a reclamada, pois a reclamante apresentou atestados verdadeiros para justificar suas faltas por ter um dos filhos com problemas de saúde.

A reclamante sempre foi funcionária exemplar trabalhando de

forma honesta e sempre subordinada ao poder diretivo da reclamada, sendo isso o que será verificado através das testemunhas.

O poder disciplinar deriva do poder diretivo do empregador no

qual tem como finalidade além de conduzir o negócio, aplicar sanções por faltas

cometidas pelos empregados subordinados durante o pacto laboral.

Com efeito, o poder disciplinar tem como punições a advertência (admitida pelos costumes trabalhistas) a suspensão e justa causa, ambas as últimas previstas na legislação pátria.

Especificamente a justa causa é aplicada quando o empregado cometer alguma das faltas previstas no art. 482 da CLT e que ensejam rompimento do vínculo laboral por quebra de fidúcia, impossibilitando a sua continuidade.

Não se vê dos autos, motivo pelo qual a justa causa é aplicável, pois todos os atestados apresentados são verdadeiros, assinados por um médico e exarado pelo sistema de saúde municipal.

Portanto, não há motivo para aplicação de punição tão severa como é a justa causa em comento. Mesmo assim, se houver alguma falta por parte da empregada, não seria medida cabível a justa causa porquanto a desproporcionalidade da punição aplicada.

porquanto a desproporcionalidade da punição aplicada. Rua Antônio Angelino Rossi, 733, Jardim Morada do Sol,
porquanto a desproporcionalidade da punição aplicada. Rua Antônio Angelino Rossi, 733, Jardim Morada do Sol,

Rua Antônio Angelino Rossi, 733, Jardim Morada do Sol, Indaiatuba/SP 19 3016-8965

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Depreende-se dos fatos que há desproporcionalidade entre a falta e a sanção aplicada, sendo este requisito imprescindível para validade da justa causa, bem como de que não há gradação da pena, sendo também a tese mais acolhida na doutrina e jurisprudência atual.

Nos dizeres de Vólia Bomfim Cassar, “a justa causa é aplicada à falta gravíssima, que torne desaconselhável e insuportável a continuidade da relação de emprego, por quebra total da fidúcia contratual” (CASSAR, Vólia Bomfim, Direito do Trabalho. – 8ª ed. rev. e atual. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2013. Pag.

1050).

Já Maurício Godinho Delgado, atual ministro do TST, aduz que

a “

um dos critérios essenciais de aplicação de sanções no contexto empregatício.” (DELGADO, Maurício Godinho, Curso de Direito do Trabalho, 11. ed. São Paulo: LTr, 2012, pag. 1232).

doutrina e a jurisprudência firmemente têm considerado a gradação de penalidades

Se houvesse alguma falta por parte da reclamada, a medida mais adequada a ser aplicada seria de advertência, no mais a suspensão se repetida a falta.

Como já descrito, a jurisprudência atual tem defendido a tese de gradação da penalidade em caso da falta cometida pelo empregado, senão vejamos:

JUSTA CAUSA. GRADAÇÃO DA PENA.

REQUISITO. Justa causa, regra geral, exige a aplicação prévia de

punições pedagógicas (advertência e suspensão), sob pena de restar

caracterizada desproporcionalidade entre a conduta do trabalhador e a

penalidade adotada. (TRT-1 - RO: 4866920125010047 RJ , Relator:

Dalva Amelia de Oliveira, Data de Julgamento: 09/07/2013, Oitava

Turma, Data de Publicação: 30-07-2013)

Em recente decisão o TRT da 1ª região destaca a inobservância a gradação da pena e a proporcionalidade entre a falta e a punição no qual configura rigor excessivo do empregador, vejamos:

CAUSA.

DESCONSTITUIÇÃO. FALTA GRAVE NÃO CONFIGURADA.

JUSTA

DESCONSTITUIÇÃO. FALTA GRAVE NÃO CONFIGURADA. JUSTA Rua Antônio Angelino Rossi, 733, Jardim Morada do Sol,
DESCONSTITUIÇÃO. FALTA GRAVE NÃO CONFIGURADA. JUSTA Rua Antônio Angelino Rossi, 733, Jardim Morada do Sol,

Rua Antônio Angelino Rossi, 733, Jardim Morada do Sol, Indaiatuba/SP 19 3016-8965

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RIGOR EXCESSIVO. PRINCÍPIOS DA

PROPORCIONALIDADE E GRADAÇÃO DA PENA.

INOBSERVÂNCIA. RESOLUÇÃO CONTRATUAL

DESQUALIFICADA. Se o empregador age com rigor

excessivo, inobservando a gradação da pena e a

proporcionalidade entre o ato do trabalhador e a punição, dá

azo à desqualificação da resolução contratual. Apelo patronal

improvido e obreiro parcialmente provido. (TRT-1 - RO:

00006874920125010051 RJ , Relator: Rosana Salim Villela

Travesedo, Data de Julgamento: 14/05/2014, Décima Turma,

Data de Publicação: 06/06/2014)

Como se vê dos fatos, a reclamada arbitrariamente dispensa a reclamante sem observar os requisitos para aplicação da punição em comento, razão pela qual se requer a conversão da justa causa em dispensa imotivada com o consequente pagamento das verbas rescisórias, sendo o aviso prévio, 13º salário, férias acrescidas de 1/3 e FGTS acrescido de 40% de multa bem como guias para requerimento do seguro desemprego.

DAS MULTAS DOS ARTs. 477 E 467 DA CLT

Requer que seja a reclamada condenada ao pagamento das verbas incontroversas no ato da audiência sob pena de pagá-las acrescidas de multa de 50% nos termos do art. 467 da CLT.

Requer ainda a condenação da reclamada a multa prevista no art. 477, §§ 6º e 8º da CLT pelo não pagamento das verbas rescisórias na data prevista em lei.

DOS PEDIDOS

Diante de todo o exposto requer:

1 – A citação da reclamada para que no momento oportuno apresente defesa sob pena de incorrer em revelia e seus efeitos;

defesa sob pena de incorrer em revelia e seus efeitos; Rua Antônio Angelino Rossi, 733, Jardim
defesa sob pena de incorrer em revelia e seus efeitos; Rua Antônio Angelino Rossi, 733, Jardim

Rua Antônio Angelino Rossi, 733, Jardim Morada do Sol, Indaiatuba/SP 19 3016-8965

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2 – A conversão da dispensa por justa causa em dispensa

imotivada condenando a reclamada ao pagamento das verbas rescisórias sendo estas o aviso prévio, férias acrescidas de 1/3, 13º salário, FGTS e multa de 40% bem como

3.569,75

liberação das guias para requerimento do seguro desemprego (três mil quinhentos e sessenta e nove reais e setenta e cinco centavos);

R$

3 – multa art. 477 e 467, CLT (novecentos e oitenta e três reais);

R$

983,00

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Protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos

em direito.

Requer ainda a concessão da justiça gratuita, tendo em vista que a reclamante não tem condições financeiras de arcar com as custas processuais sem prejuízo do próprio sustento.

Dá-se a causa o valor de R$ 4.552,75 (quatro mil quinhentos e cinquenta e dois reais e setenta e cinco centavos).

Termos em que

Pede deferimento

Indaiatuba 18 de julho de 2014

Tiago Cunha Pereira OAB/SP 333.562

18 de julho de 2014 Tiago Cunha Pereira OAB/SP 333.562 Rua Antônio Angelino Rossi, 733, Jardim
18 de julho de 2014 Tiago Cunha Pereira OAB/SP 333.562 Rua Antônio Angelino Rossi, 733, Jardim

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