Você está na página 1de 141

INSTITUTO DE PSICOLOGIA E ACUPUNTURA

ESPAÇO CONSCIÊNCIA

Darcio Henrique Lorenço

TRATAMENTO DE ACUPUNTURA COM A UTILIZAÇÃO D0 INSTRUMENTO DE MEDIÇÃO RYODORAKU:

Estudo de Caso Clínico.

ESPECIALIZAÇÃO EM ACUPUNTURA

São Paulo

2011

INSTITUTO DE PSICOLOGIA E ACUPUNTURA ESPAÇO CONSCIÊNCIA

Darcio Henrique Lorenço

TRATAMENTO DE ACUPUNTURA COM A UTILIZAÇÃO DO INSTRUMENTO DE MEDIÇÃO RYODORAKU:

Estudo de Caso Clínico.

ESPECIALIZAÇÃO EM ACUPUNTURA

Monografia apresentada ao Instituto de Psicologia e Acupuntura Espaço Consciência, como exigência parcial para obtenção do grau de Especialização em Acupuntura, sob orientação do Professor Delvo Ferraz da Silva e co-orientação da Ms. Carolina de Alvarenga Sales.

SÃO PAULO

2011

LORENÇO, Darcio Henrique. Tratamento de acupuntura com a utilização do instrumento de medição ryodoraku: estudo de caso clinico.São Paulo, 2011.

140p.

Monografia Instituto de Psicologia e Acupuntura / Espaço Consciência - Curso de Especialização em Acupuntura

1.Medicina Tradicional Chinesa. 2.Acupuntura.

3. Ryodoraku.

Dedico este trabalho a todos os meus amigos e em especial àqueles da jornada do curso de acupuntura e com especial carinho a minha paciente que me confiou sua saúde e a todos que tem a coragem de se arriscar em novos conceitos filosóficos com a certeza de construir de maneira justa com os modos científicos.

AGRADECIMENTO:

Ao TAO e a todos os entes e mestres que a mim confiaram estes ensinamentos.

Quem sabe não fala. Quem fala não sabe. Calar a boca. Cerrar as Portas. Temperar o ardor. Libertar-se dos laços do pensamento. Harmonizar sua luz. Ser um com o que esta a seu redor. Isso se chama união misteriosa. Não se pode cansá-la e ter afetos. Não se pode cansá-la e ter lucros. Não se pode cansá-la e prejudicar outrem. Não se pode cansá-la e prezar isto, desprezar aquilo. Não há nada mais precioso no mundo.

RESUMO

Este estudo objetou mapear utilizando o aparelho Ryodoraku, a evolução do tratamento de acupuntura para o sofrimento físico por tensão nervosa por meio de um estudo de caso clinico. Foram descritas dez sessões realizadas uma vez por semana. Os instrumentos utilizados para o diagnóstico foram: exame do pulso, exame da língua e medição com o aparelho Ryodoraku. Em seguida foi elaborada uma estratégia de tratamento através da técnica de acupuntura de acordo com o diagnóstico etiológico da Medicina Tradicional Chinesa. O procedimento em cada uma das dez sessões, constou de uma rotina, a saber: A medição do Ryodoraku; o exame do pulso e o exame da língua; a estratégia de ação da terapêutica da acupuntura; nova medição com o Ryodoraku. Foram elaborados gráficos a partir da mensuração dos dados levantados pelo instrumento Ryodoraku. que demonstraram a evolução da terapêutica da acupuntura. Concluiu-se que aparelho Rydoraku mostra a evolução do tratamento para a avaliação da evolução do caso e sugere-se a realização de outros trabalhos para que possam ser aprimorados e comprovados a eficácia do tratamento através da terapêutica da acupuntura.

Palavras-chave: Medicina Tradicional Chinesa. Acupuntura. Ryodoraku.

ABSTRACT

We presented a case study in a patient with physical suffering caused maintenance nervous acquired in their day to day. Were given ten sessions held once a week. The instruments used were: an instrument for measuring electrical Ryodoraku, in order to demonstrate the measurement of electrical meridians before and after each session, using figures obtained from the measurement with the device. After, we did the etiologic diagnosis. Namely interview opened with the purpose of leaving the patient free speech and open, in order to see how he fits into the way you live your life as it is and how it interprets itself. Examination of the tongue, which is intended to measure how will the health of the organs of the body as well as their integration energect because the tongue is seen as a micro system of a larger system that is the whole body . Examination of the wrist in order to diagnose how is the energy of each organ by comparing by palpation of Radial Pulses 12. Next was developed a treatment strategy using the technique of acupuncture according to the etiological diagnosis of Chinese medicine. The procedure in each of the ten sessions, consisted of a routine. The measurement of Ryodoraku, the etiological diagnosis, the strategy of action of acupuncture therapy, re-measurement with Ryodoraku. Graphs were drawn from the measurement data collected by the instrument Ryodoraku that aims to demonstrate the evolution of therapy of acupuncture. Each session was discussed and compared through the charts and, was also prepared a discussion comparing all the data in a general way by which it was prepared an analysis of the development of therapeutics that can be analyzed through the marking shown Ryodoraku.

Keywords: Traditional Chinese Medicine. Acupuncture. Ryodoraku.

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 Representa o Vazio

21

Figura 2 Representa o Princípio Binário

21

Figura 3 Diagrama Simbólico Yin-Yang

22

Figura 4 Representa o PANGU

23

Figura 5 Simbolismo Universal

25

Figura 6 Princípio Quartenário

31

Figura 7 As Estações

32

Figura 8 Ciclo Diário do Yin-Yang

33

Figura 9 Representação dos Cinco Elementos

34

Figura 10 Pentagrama e os Cinco Elementos

35

Figura 11 Representação do Ciclo Geração (sheng) e Inibição (Ko)

41

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 Relação dos Cinco Elementos com as Forças Naturais

37

Tabela 2 Relação dos Cinco Elementos com o Homem

37

Tabela 3 Correspondência dos Elementos

38

Tabela 4 Relação dos Cinco Elementos com função Yin-Yang

40

Tabela 5 Sistemas Yin e Yang

49

Tabela 6 Descrição do Exame do pulso

77

Tabela 7 Quadro das Doenças Correspondentes ao Revestimento Linguais

80

Tabela 8 Modificações Habituais da Cor da Língua em Casos de Doenças

81

ABREVIATURAS E SÍMBOLOS

O significado dos pontos adotados segundo a Medicina Chinesa:

BP3.

Ponto fonte do meridiano do Baço Pâncreas.

BP2.

Ponto de tonificação do meridiano do Baço Pâncreas

F3.

Ponto fonte do meridiano do Fígado.

F2.

Ponto de sedação do meridiano do Fígado.

VB38. Ponto de sedação do meridiano da Vesícula Biliar

P9. Ponto fonte do meridiano do Pulmão e ponto de tonificação do Pulmão.

C7.

Ponto de sedação do meridiano do Coração e ponto fonte.

C3.

Ponto Ho (Mar) tranqüiliza o Shen.Meridiano do Coração.

VB40. Ponto Fonte do meridiano da Vesícula Biliar CS9. Ponto de tonificação do meridiano de Circulação e Sexualidade.

CS7. Ponto fonte do meridiano de Circulação e sexualidade e ponto de sedação. IG4. Ponto fonte do meridiano do Intestino Grosso.

R3.

Ponto fonte do meridiano dos Rins.

R7.

Ponto de tonificação dos meridianos dos Rins.

B64.

Ponto fonte do meridiano da Bexiga.

B67.

Ponto de tonificação do meridiano da Bexiga.

VC4. Ponto de comando do TR inferior do meridiano Vaso Concepção

ID3.

Ponto de tonificação do meridiano do Intestino Delgado.

ID4.

Ponto fonte do meridiano do Intestino Delgado.

VG20 Ponto do meridiano Vaso Concepção In-Trang. Ponto extra sobre o Meridiano Vaso Concepção. R6-P7. Vasos Maravilhosos. In Tisiao Mo. P7-R6. Vasos Maravilhosos. Jen Mo. ID15 ou 14. Ponto local no Intestino Delgado para sedar a dor local.

B14 ou 13. Ponto local meridiano da Bexiga para sedar a dor local. Os pontos usados na estratégia terapêutica são pontos SHU referente aos cinco elementos, considerados pontos de manipulação energética. Os pontos usados chamados Vasos Maravilhosos, são considerados pontos de manipulação energética Yin/Yang. Além dos pontos de manipulação energética foram usados os pontos para ação local no sentido de eliminar a dor.

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO

13

2 A FILOSOFIA TAOÍSTA

15

3 O EQUILÍBRIO NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA

.17

3.1

O Tao

18

3.1.2 O Tao e o Yin-Yang

19

3.1.3 As leis universais e as forças do céu e da terra interagindo com o homem

20

3.1.4 Fundamentos da Medicina Tradicional Chinesa - MTC

24

3.2

Os Oito Trigramas

25

3.2.1

A Família dos Trigramas

26

3.3 Teoria do Yin e Yang

26

3.4 As Estações

30

3.5 Os Cinco Elementos

34

3.5.1 Propriedade dos Elementos

36

3.5.2 Interação e Equilíbrio dos Cinco Elementos e as Forças de Oposição

39

3. 6 Os Vasos Maravilhosos

42

3.7 Canais e Sistemas

46

3.8 As Cinco Emoções ou os Sete Sentimentos

60

3.9 A Importância do Espírito

63

3.9.1

Os Cinco Shen ou Entidades Viscerais

64

3.10

Diagnóstico na M.T.C

66

3.10.1 Exame da Língua

74

3.10.2 Diagnóstico

76

4

MÉTODO

84

4.1

Participantes

84

4.2

Instrumentos

84

4.2.1 Entrevista Aberta

84

4.2.2 Tomada de Pulso

85

4.2.3 A Apalpação

85

4.2.4 O Exame do corpo da Língua

85

4.2.5 O Ryodoraku

86

4.3

O Procedimento

86

5

RESULTADO

88

5.1 História Clínica

88

5.2 Hipótese Diagnóstica

88

5.3 Proposta Terapêutica

90

6 DISCUSSÃO

92

7 CONCLUSÃO

97

REFERÊNCIAS

98

ANEXO 1 Termo de Consentimento

101

ANEXO 2 Procedimento Terapêutico

103

ANEXO 3 Comparação dos Dados Obtidos através da Medição do Ryodoraku

116

ANEXO 4 Comparação das Medidas da Energia do Instrumento Ryodoraku

124

13

1 INTRODUÇÃO

Entender o processo físico e metabólico das doenças não é suficiente para identificar o sofrimento humano e seus processos e evolução. É preciso ir além, procurando entender também, o processo mental e mecanismos psíquicos como sendo, muitas vezes, responsáveis pelo aparecimento de sintomas em um dado momento da história de vida de uma pessoa. Para Breves (2001) é necessário entender a pessoa como um todo. Visualizar a pessoa, suas queixas e sofrimento em sua totalidade. Neste caso existe maior possibilidade de esclarecimento da doença, sua origem e causa mesmo assim, muitas vezes, tal conhecimento se torna limitado no que toca ao tratamento terapêutico e cura. A própria MTC (Medicina Tradicional Chinesa) centra-se nos estados físico e mental da pessoa para saber sobre o seu estado de saúde. Quando temos a oportunidade de ver o sofrimento humano como uma das possibilidades da própria existência, estamos muito mais próximos de desvendar como o modo de ser saudável se manifesta através da doença. A filosofia e a psicologia vistam pela ótica da interpretação fenomenológica existencial acaba por verificar também, como o sofrimento humano é uma das possibilidades da própria existência, que é em nossa vida cotidiana que se expressa a própria existência. (Heidegger, 2009). É na estrutura da existência que está incluída, a priori, no cotidiano de cada um de nós, mesmo nos modos impróprios. O modo da pessoa se relacionar com o mundo é a maneira dela se mostrar neste mesmo mundo. Uma pessoa doente se encontra, de algum modo, em algum tipo de desequilíbrio e seu organismo físico passa a procurar espontaneamente um equilíbrio, na tentativa de reorganizar-se. Mesmo não conseguindo um estado de equilíbrio ideal, nosso corpo procura, equilibrar-se mesmo em um estado precário. Breves (2001) comentou em seu livro que vendo somente a enfermidade, se perde a oportunidade de ver a pessoa, pois esta mesma enfermidade esconde suas causas porque o organismo procura seu próprio equilíbrio. No entanto, quando falhar qualquer tentativa de equilíbrio o organismo poderá ser acometido pela falência do órgão afetado e por conseqüência os outros órgãos vitais entraram em falência, podendo levar à morte. O objetivo do presente estudo foi mapear utilizando o aparelho Ryodoraku, a evolução do tratamento de acupuntura para o sofrimento físico por tensão nervosa por meio de um estudo de caso clinico. O instrumento de medição Ryodoraku teve a finalidade de

14

demonstrar a variação das energias ou corrente elétrica nos meridianos antes e após cada uma das sessões aplicadas semanalmente na paciente. Entende-se que a terapêutica da acupuntura atua nos desequilíbrios de energias que são responsáveis por diversas doenças sendo capaz de equilibrar as energias orgânicas e atuar sobre as possíveis doenças melhorando a condição orgânica e mental. O aparelho Ryodoraku com seus gráficos demonstrou a evolução de cada sessão. Foram realizadas dez sessões uma vez por semana. Os instrumentos utilizados para o diagnóstico foram: exame do pulso, exame da língua e medição com o aparelho Ryodoraku. Em seguida foi elaborada uma estratégia de tratamento através da técnica de acupuntura de acordo com o diagnóstico etiológico da Medicina Tradicional Chinesa. O procedimento em cada uma das dez sessões, constou de uma rotina, a saber: A medição do Ryodoraku; o o exame do pulso e o exame da língua; a estratégia de ação da terapêutica da acupuntura; nova medição com o Ryodoraku. Foram elaborados gráficos a partir da mensuração dos dados levantados pelo instrumento Ryodoraku que de demonstraram a evolução da terapêutica da acupuntura. O relato de caso contido neste trabalho referiu-se ao sofrimento físico de uma paciente ocasionado por tensão nervosa. Nos capítulos denominados Método, Resultado e Discussão encontram-se os detalhamentos da terapêutica aplicada, seu desenvolvimento e resultados obtidos. No capitulo intitulado anexo encontra-se os gráficos obtidos com base no Ryodoraku. No capítulo denominado Equilibrio na Medicina Chinesa e em seus sub-itens refere-se ao referencial teórico.

15

2 A FILOSOFIA TAOÍSTA

Para os chineses, existem duas correntes de pensamento: o confucionismo e o Taoísmo. Este último mostra uma orientação mística e se interessa pela sabedoria através da intuição, desprezando o conhecimento racional. Reconhece o racional como limitado e relativo. Para o povo chinês, o Taoísmo significa uma liberação das regras rígidas da convenção. O raciocínio lógico, é considerado pelos taoístas, como parte de um mundo artificial do homem, inserido nos usos e costumes sociais e morais. Os taoístas não se interessavam por tal mundo e concentravam sua atenção integral na observação da natureza para discernir as “características do Tao”; eles consideram as mudanças da natureza como manifestações da interação dinâmica entre a polaridade de opostos Yin e Yang, da qual cada um dos pólos se acha dinamicamente vinculado a outro. Os ditados “não devemos seguir e olhar o certo e por de lado o errado” e “não devemos seguir e olhar os que asseguram o bom governo e por de lado os que geram desordem”, demonstram uma falta de familiaridade com os princípios do Céu e da Terra e com as diferentes qualidades das coisas. “É como se sugeríssemos e olhássemos o Céu e não levássemos em conta a Terra; é como se seguíssemos e honrássemos o Yin e deixássemos de considerar o lado o Yang. É claro que não se deve seguir esse percurso”. (LAO TSÉ, 2001,

p.21)

Entretanto, Heráclito de Efeso, compartilhavam com Lao Tsé a questão da mudança contínua que expressou sua famosa afirmação: “tudo flui”; este pensamento mostra que todas as mudanças são cíclicas. “Heráclito comparou a ordem do mundo a um fogo eternamente vivo, ascendendo-se em medidor e extinguindo-se em medidas”, imagem muito semelhante à idéia chinesa do Tao que “se manifesta na interação cíclica do Yin e do Yang” (CAPRA, 1983, p.56).

Ainda uma vez, as palavras de Heráclito: “As coisas frias se aquecem, o quente esfria, o úmido seca, o seco se torna úmido”, lembra incisivamente as palavras de Lao Tsé: “O

fácil gera o difícil (

2001, p.21). Observa-se, aqui, certa semelhança no pensamento entre os dois sábios, Heráclito e Lao Tsé, que data de 500 anos a.C.

),

a ressonância harmoniza o som, o depois segue o antes” (LAO TSÉ,

No livro “O Ser Quântico” de Danoh Zohar (1990) o autor cita:

16

Considerando muito seriamente a possibilidade de que a consciência, assim como a matéria, emerge no mundo dos acontecimentos quânticos e que ambas embora completamente diferentes uma da outra, têm uma “mãe” em comum na realidade quântica. Se assim for, nossos padrões de pensamento e, mais do que isso, nosso relacionamento com nós mesmos, com os outros e com o mundo como um todo, poderão, em alguns casos, ser explicados pelas mesmas Leis e padrões de comportamento que governam o mundo de prótons e elétrons, em outros podem refletir essas mesmas Leis e padrões. Se de fato nosso intelecto tira suas Leis da natureza, segue-se que nossa percepção dessas Leis deve, em alguma medida, refletir a realidade da própria natureza. (ZOHAR, 1990, p.38)

17

3 EQUILÍBRIOS NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA

Equilíbrio e bem-estar para a MTC (Medicina Tradicional Chinesa) abrangem o estado físico, mental, e o que podemos também chamar de estado espiritual. Para se saber sobre o estado de saúde de uma pessoa, será necessário um grande número de informações sobre a pessoa. Na verdade será importante desvendar tudo o que se pode saber sobre a pessoa e não somente sobre a doença que a acomete, naquele momento. O desequilíbrio observado na queixa do paciente ou examinado através do diagnóstico, visível ou não a olho nu, será importante para orientar o terapeuta no como e de onde veio o desequilíbrio que causou a doença. Para tal será necessário saber não somente sobre seu estado físico; mas também o que levou o paciente a procurar o tratamento, como ele vive, mora, se veste, relaciona-se com os outros, sobre seu trabalho, como ele pensa, sobre suas emoções, sobre sua família, saber sobre outras doenças ou evolução delas, etc. Para Breves (2001), é necessário focalizar a pessoa como um todo, visualizar suas queixas em sua totalidade, ver uma pessoa inserida em seu meio, assim como o próprio terapeuta. Pode-se inferir que é como se a certo momento, nos afastássemos do paciente para se ter a possibilidade de vê-lo inteiramente. Em contrapartida, no ocidente a medicina acaba por favorecer o estudo da doença, A medicina ocidental passa a estudar a doença ou o que causou a doença no sentido de eliminá- la ou controlá-la. O médico ocidental está muito bem equipado com conhecimento abrangente sobre os mecanismos de ação das doenças, como elas invadem e atuam no organismo humano.

Segundo Breves (2001), a Medicina, a Biologia, e a Engenharia, foram e são capazes de desenvolver métodos e meios de diagnóstico em ritmo rápido e acelerado, através de vários equipamentos com tecnologia avançada e de ponta. No entanto, esta mesma medicina muitas vezes não consegue evitar ou curar muitas doenças, porque por uma questão de metodologia, acaba por romper com o seu principal alvo, que é a pessoa em questão. Ainda, segundo Breves (2001), é interessante observar que, vendo somente a enfermidade, se perde a oportunidade de ver a pessoa, porque a enfermidade mostra ao médico o que não está bem no organismo humano, no entanto, esta mesma enfermidade muitas vezes esconde suas verdadeiras causas, porque o organismo humano sempre procura seu próprio equilíbrio em detrimento de qualquer tratamento médico ou terapêutico. Sabe-se

18

que na China antiga os chineses já praticavam o que no ocidente existe há tão pouco tempo e que chamamos de medicina preventiva ou tratamento preventivo. Desta forma pode-se entender que para se cuidar da saúde de uma pessoa é preciso conhecê-la por inteiro. É preciso entender que queixas e sintomas parecidos ou semelhantes geralmente não têm as mesmas causas, sendo necessário avaliar e diagnosticar cada pessoa em detrimento de outras com sintomas parecidos. Uma queixa de dores de cabeça, por exemplo, de pessoas semelhantes, sempre terão provavelmente causas muito diferentes, e se tais dores forem motivadas por um mesmo evento sugerem emoções diferentes para cada pessoa envolvida. Para tanto, a MTC vê cada pessoa como um ser totalmente diferente dos outros. Todas as pessoas são diferentes e têm motivos e motivações diferenciadas. Conforme Auteroche (1992), o que entendemos por diagnóstico etiológico através da palpação, exame de pulso; exame da compleição; exame do corpo da língua; exame do pavilhão auricular e exame dos odores, entre outros de cada paciente, é de suma importância para poder se diagnosticar as causas do sofrimento de cada pessoa de acordo com a MTC. Quando se identifica um desequilíbrio energético através da MTC, pode-se utilizar técnicas para se restabelecer o equilíbrio da pessoa, dessa forma minorizando o sofrimento e impedindo o agravamento e desenvolvimento do desequilíbrio energético e por conseqüência interferindo no agravamento da doença.

3.1 O TAO

O homem segue as Leis da Terra; A Terra segue as Leis do Céu; O Céu segue as Leis do Tao; O Tao segue as Leis da natureza intrínseca. (LAO TSÉ, 2001, p. 25)

Tao é tudo que existe no universo, se origina de um principio único que é o próprio Tao. A seu respeito conhece-se, somente seu efeito e não sua essência.

19

Segundo Blofeld (1979), no Tao te King encontramos: ignoro seu nome, por isso o chamo de Tao. Se insistir, em uma descrição, chamar-lhe-ei vasto, ativo, que se move em grandes círculos

Há algo completamente entorpecido, anterior a criação do céu e da terra, quieto e ermo, independente e inalterável. Move-se em círculos e não se exaure. Pode-se considerá-lo

a mãe sob o céu. (LAO TSÉ, 2001, p. 25) Segundo Blofeld (1979), o Tao é a potencialidade que está na origem de tudo. O mundo das formas não pode ser apreendido a menos que se conceba o vazio; o vazio não será compreendido sem a previa compreensão do mundo das formas. São dois aspectos em um.

Para conceber “as coisas” é necessário conceber as “não coisas”. É através do “nada”, do vazio, que se concebe “a coisa”. Aqui, observa-se que, um não existe sem o outro

e somente isso. Porém, para conceber “isso”, dizemos que: o nome é nada (vazio) antes do aparecimento das coisas e o nome é ser (existir) depois do aparecimento das coisas. Quando buscamos a compreensão ela habita o vazio, mas quando observamos as coisas descobrimos que ela existe. O Tao como “nada” ainda não diz nada sobre ele, mas como vazio, o Tao é Tao como ele é. Ele é quieto, ermo, independente. Somente essa compressão do Tao é que possibilita o aparecimento de todas as coisas do mundo. Assim, quando buscais a compressão do seu mistério, ele surge como vazio infinito; quando observais seu conteúdo, descobres que ele é ser.

3.1.2 O Tao e o Yin-Yang

O Universo não tem preferências, Todas as coisas lhe são iguais. Assim, o sábio não conhece preferências, Como os homens as conhecem. O Universo é como o fole de uma forja, Que, embora vazio, fornece força, E tanto mais alimenta a chama quanto mais o acionamos. Quanto mais falamos no Universo, Menos o compreendemos. O melhor é auscultá-lo em silêncio. (LAO TSÉ, 2001, p.40)

20

O Tao engendrou o Um, o Um o Dois, o dois o Três e todas as coisas que harmonizam entre si, o Yin-Yang. (Lao-tsé). Tudo se originou do Um, o absoluto, porém as outras coisas, que são o céu, a terra e o homem apresentam-se como Céu-pai, terra-mãe, homem, aquele que interage com céu e terra e transforma as energias do céu e da terra. O Tao concebido como interação, Yin-Yang, pode significar que da compressão do Tao nascem às potencialidades das formas, produzindo o Um; o princípio ativo e passivo do Um (yin-yang), construiu o Dois; e a duplicidade da combinação do Dois, engendrou o Três. Daí nasceu todas as coisas do universo. Entretanto, tudo está no Um que no nível final é o vazio; porém no nível da verdade relativa, a possibilidade de existir o Um e várias coisas, remete a dois níveis de apreensão: o absoluto e o relativo. Quando o absoluto se manifesta, esta é a soma de todas as coisas. O Um é a síntese do todo. Conforme escreve Blofeld (1992), o Tao é um mar sereno de puro vazio, ilimitado, imaculado. Dele nascem dois dragões gêmeos: o macho brilhante como o sol e estriado de ouro, senhor da ação; e a fêmea, radiante como a lua e entretecida de fios de prata, dada à passividade. Sua cópula dá início aos ritmos da mudança cíclica os movimentos dos planetas, o avanço das estações, a alternância do dia e da noite. De seu jogo procedem cinco vapores luminosos, nas cores: azul, vermelho, branco, amarelo e preto, que se envolvendo, toldando-se, lutando e mesclando-se, dão ao céu sua forma redonda, a terra, seu achatamento, aos milhões de objetos, sua forma perfunctória. Aqui podemos evidenciar claramente a presença do Tao, do yin-yang, e os cinco elementos. Neste cenário estão presentes o Tao, inominável, único, vazio; o céu (pai yang); a terra (mãe yin); e o homem, interagindo com essas forças antagônicas, mas complementares.

3.1.3 As Leis universais e as forças do céu e da terra interagindo com o homem

Segundo Blofeld (1992), na tradição chinesa, há mais de 5.000 a.C., encontramos o pai da filosofia taoísta, Fo-Hi. Ele aborda a concepção chinesa do universo. FO-HI, indaga sobre possíveis leis universais que possam reger o universo. Se tudo parte do nada, então existe um nada, um “vazio”. O Tao só pode ser concebido se existir um movimento constante.

21

21 Figura 1- Representa o Vazio. Desse nada surge algo, a energia única e primordial (Lei

Figura 1- Representa o Vazio.

Desse nada surge algo, a energia única e primordial (Lei da evolução).

algo, a energia única e primordial (Lei da evolução). Figura 2 - Representa o um. Fonte:

Figura 2 - Representa o um.

Fonte: SILVA, D. F In: Instituto de Psicologia e Acupuntura Espaço Consciência. São Paulo. Anotações de Darcio Henrique Lorenço sobre a aula. Material não publicado. 2006

A energia polarizada deu origem ao princípio binário. A partir de duas entidades verifica-se um movimento de repetição infinita, um movimento cíclico, (Lei das palavras). Segundo Blofeld (1992), o Tao, em seu aspecto não diferenciado é visto como um fluxo infindável, e todas as coisas se acham sujeitas a mutação a cada instante. Não obstante as mudanças se fazem em ciclos regulares, enquanto cada esquema se repete ao infinito. Tais ciclos são possíveis, como por exemplo, a alternância do dia e da noite e as quatro estações do ano.

O diagrama simbólico yin-yang, é apresentado em duas partes contidas em um todo, cada parte contém em si a força da oposição e ambas circundadas pelo TAO. A isso se chama o princípio da polarização.

22

IANG

Jovem Inn
Jovem Inn
22 IANG Jovem Inn INN Jovem Iang Representa o Dois, o princípio Binário. Fonte: (CORDEIRO, 2001,

INN

Jovem Iang

Representa o Dois, o princípio Binário.

Fonte: (CORDEIRO, 2001, p 24).

Figura 3 Diagrama Simbólico Yin-Yang

Yin-Yang como símbolo binário significa que dentro do Yin existe o Yang e dentro do Yang existe o Yin. Este movimento remete à idéia de movimento contínuo de ascensão e queda, a que todas as coisas estão submetidas. Quando uma energia atinge seu ponto máximo acaba por declinar e transformando-se na outra. Segundo FO-HI, citado em Blofeld (1992), existem ainda outras leis, e é importante ressaltar que essas leis são utilizadas até os dias atuais, são elas:

Lei da evolução: Tudo está em movimento, a natureza evolui em forma e espécie. Tudo se transforma em matéria e em força, tudo se move e nada está parado. As plantas, os animais, o homem, tudo que está vivo, nasce cresce e morre. Nada é permanente e tudo se transforma. Todas as coisas evoluem de outra. Lei da polaridade: Em tudo existem dois pólos que são opostos, dois extremos da mesma característica - norte e sul, leste e oeste, frio e calor, cima e baixo - tudo tem seu princípio feminino e seu princípio masculino. Lei da causa e efeito: Nada acontece por acaso, tudo tem causa e efeito, e para cada efeito tem uma causa. Lei da ação e reação: tudo que sobe desce, movimento para cima e para baixo, para diante e para traz, fluxo e refluxo.

23

FO-HI observou o céu e a terra e percebeu que o homem é suscetível a várias forças naturais, do céu e da terra. São elas: os diferentes climas, estações do ano, entre outras, também influenciam o homem, as forças do sol, da lua e da terra em que vive. Concluindo que deve existir uma força, uma energia que rege o universo, chamou essa força de energia “QI”. Esta energia rege um universo maior “macrocosmo” e o reflexo desta energia, rege o homem, universo menor ”microcosmo”; esta “energia” se altera e se complementa. Chamou-as de energia yang (céu) e energia yin (terra). O homem é um reflexo do mundo em movimento, reflexo do universo. O homem responde ao céu (pai) e a terra (mãe). O homem é influenciado pelas energias que vem do céu (yang) e da terra (yin) e passa, assim, a ser um elemento transformador dessas energias. Entre o céu e a terra, o homem incorpora-se a esta cosmologia, suas ações físicas e seu funcionamento orgânico seguem o mesmo ritmo universal (TYMONSKI, 1986).

PAN GU
PAN GU

Yang Ar (Céu)

Transformador (Homem)

Yin Alimentos (Terra)

Fonte:TYMOWSKI, J.C.; GUILLAUME, M.J; IZARD, M.F. A Acupuntura. R.J.: Ed. Jorge Zahar, 1986, p.93

Figura 4 Representa o PANGU

Ainda, seguindo os princípios de FO HI, existe uma lenda, onde se diz que o velho sábio, meditava sempre se indagando a respeito de sua existência, quando se defrontou com um dragão que emergiu das águas do Rio Amarelo e que trazia consigo um misterioso quadro octogonal contendo oito trigramas. O Dragão trouxe os símbolos e FO HI desvelou as informações contidas nestes símbolos que foi chamado PAKUA de FO HI.

24

3.1.4 Fundamentos da Medicina Tradicional Chinesa (MTC)

Os Fundamentos da Medicina Tradicional Chinesa depende da compreensão da filosofia Taoísta, do conceito de energia e do estudo das relações entre o Homem o céu e a terra, se divide em três grandes princípios.

O homem é visto como um todo em um conceito filosófico de integridade e unidade

do toda a unidade do organismo humano em si e a unidade maior do ser humano como a natureza. Vivemos na natureza, ela representa a condição vital para nossa sobrevivência. Assim somos influenciados direta ou indiretamente por seus movimentos e mudanças. A qualidade desta relação que estabelecemos determina nosso grau de harmonia e

saúde.

As diferentes partes do homem também estão sempre inter-relacionadas, formando

uma unidade. Assim emoções e pensamentos influenciam o funcionamento dos diferentes sistemas. O que faz a interligação entre as duas partes é a energia que circula no corpo, algo entre o sutil e o concreto. Se equilibrarmos as energias terá o equilíbrio físico e mental.

O homem também corresponde ao céu e a terra, porque ele é sensível aos diferentes

climas, às estações as radiações que agem sobre ele, provenientes do sol da lua e ou da terra, em que vive.

FO-HI observou o Céu e a terra onde concluiu a existência de uma força: a energia que chamou de energia “QI”, energia que rege o universo-macrocosmo e seu reflexo, o homem=microcosmo, e que se manifesta sob duas formas alternantes e complementares: a energia yang e a energia yin.

O homem pode ser visto como um reflexo de arquitetura do mundo e do movimento

do universo: ele “responde ao céu e a terra”, portanto o homem é influenciado pela energia

que vem do céu (yang) e a energia que vem da terra (yin), e cabe a ele o papel de transformador. Entre o céu e a terra, o homem incorpora-se a essa cosmologia, suas ações físicas e seu funcionamento orgânico seguem o mesmo ritmo universal. (TYMONSKI, 1986).

25

3.2 OS OITO TRIGRAMAS

Existe uma lenda, onde se diz que FO-HI, meditando e indagando a respeito de sua

existência as margens do rio amarelo, viu surgir de suas águas um dragão que trazia consigo

um misterioso quadro octogonal, contendo oito trigramas. O antigo sábio decifrou os

símbolos dos oitos trigramas que foi chamado de Pakua de Fo-Hi.

dos oitos trigramas que foi chamado de Pakua de Fo-Hi. Chi´ien, o criador, é forte, é
dos oitos trigramas que foi chamado de Pakua de Fo-Hi. Chi´ien, o criador, é forte, é

Chi´ien, o criador, é forte, é o céu,

Sun, a suavidade, a penetrante, é o vento/madeira,

K´an, o abismal, é perigo, é a água,o céu, Sun, a suavidade, a penetrante, é o vento/madeira, Ken, a quietude, é repouso, á

Ken, a quietude, é repouso, á a montanha,é o vento/madeira, K´an, o abismal, é perigo, é a água, K´un, o receptor, é abnegado,

K´un, o receptor, é abnegado, é a terra,é a água, Ken, a quietude, é repouso, á a montanha, . Chên, o Incitar, é

á a montanha, K´un, o receptor, é abnegado, é a terra, . Chên, o Incitar, é

.

Chên, o Incitar, é movimento, é o Trovão,

Li, o aderir, é luminoso, é o fogo,é a terra, . Chên, o Incitar, é movimento, é o Trovão, o pai. a filha

é o Trovão, Li, o aderir, é luminoso, é o fogo, o pai. a filha maior.

o pai.

a filha maior.

o segundo filho.

o filho menor.

a mãe.

o filho maior.

a segunda filha.

Fonte: WILHELM, R. I Ching. O Livro das Mutações. São Paulo: Editora Pensamento, 1956, p.160

Figura 5 - Simbolismo Universal.

26

3.2.1 A Família dos Trigramas

O criativo é o céu, por isso é chamado o Pai. O receptivo é a terra, e por isso é chamada a Mãe. No trigrama do incitar o feminino, procura pela primeira vez o poder do masculino e recebe um filho. Por isso o incitar chama-se o Filho mais velho. No trigrama da suavidade o masculino procura pela primeira vez o poder do feminino e recebe uma filha; por isso a suavidade chama-se Filha mais velha. No abismal o feminino procura pela segunda vez o masculino e recebe um filho; por isso ele se chama o Filho do meio. No aderir o masculino procura o feminino pela segunda vez e recebe uma filha; por isso ela se chama a Filha do meio. Na quietude ela procura masculino pela terceira vez e recebe um filho; por isso ele chama o Filho mais moço. Na alegria ele procura o feminino pela terceira vez e recebe uma filha; ela, então, se chama a Filha mais moça (WILHELM, 1956, p. 211).

3.3 Teoria do Yin e Yang

Só temos consciência do belo, quando conhecemos o feio. Só temos consciência do bom, quando conhecemos o mau. Porquanto, o Ser e o Existir, se engendram mutuamente. O fácil e o difícil se completam. O grande e o pequeno são complementares. O alto e o baixo formam um todo. O som e o silêncio formam a harmonia. O passado e o futuro geram o tempo. Eis porque o sábio age pelo não agir. E ensina sem falar. Aceita tudo que lhe acontece. Produz tudo e não fica com nada. (LAO TSE, 2001, p.61)

“Yin e Yang estão contidos no “Tao”, o princípio básico de todo o universo. Criaram toda a matéria e suas transmutações. TAO é o começo e o fim, vida e morte e é encontrado no

27

templo dos deuses, se deseja curar a moléstia deve-se procurar a sua causa básica” (Bing Wang, 2001, pag. 49). O céu é alto, a terra é baixa, assim, o criativo e o receptivo se determinam. As posições inferiores e superiores se estabelecem de acordo com essa diferença entre o baixo e o alto.

Wilhelm (1956), em seu livro I Ching, O livro das mutações coloca que o movimento e o repouso têm suas leis definidas de acordo com as quais, distinguem-se as linhas firmes e maleáveis. Os acontecimentos surgem em seus rumos próprios, cada qual segundo sua natureza. As coisas distinguem-se uma das outras de acordo com a classe específica. Desse modo, tem origem a boa fortuna e o infortúnio. Os fenômenos surgem do céu, as formas surgem da terra. Assim, a mutação e a transformação se manifestam. A reunião de duas partes opostas está em todos os fenômenos; olhar para o céu (alto), olhar para terra (baixo), o quente, o frio, assim é o Yin e o Yang. O Yin corresponde à falta de movimento e sua energia simboliza a terra; o Yang corresponde ao movimento e sua energia simboliza o céu, portando, o Yin e Yang são os caminhos da terra. Bing Wang (2001, 49). Bing Wang (2001, p. 49) declara: “O Yang puro é o céu, o Yin turvo é a terra. O QI da terra sobe como nuvem, o QI do céu desce como chuva”. Há um Yin, há um Yang, que se chama TAO. Todos os fenômenos do universo encerram os dois aspectos opostos do Yin e do Yang, como o dia e a noite, o tempo claro, o tempo sombrio, o calor e o frio, a atividade e o repouso. Tudo é constituído pelo movimento e as transformações dos aspectos Yin e Yang. O Yin e o Yang são as Leis gerais das transformações, das estruturas do mundo material. A teoria do “Yin e Yang” permite classificar os fenômenos e as manifestações da natureza:

a) Conforme os caracteres físicos o que é animado, em movimento, exterior, ascendente, quente, luminoso, funcional, é Yang. O que está em repouso, tranqüilo, interior, descendente, frio, sombrio, material, cujas funções decrescem , é Yin.

b) Conforme a natureza a manifestação: O céu é Yang, a terra é Yin. O céu está no alto, assim é Yang, a terra está embaixo, assim é Yin. A água Yin, o fogo Yang, a água é de natureza fria e escorre, assim é Yin, o fogo é de natureza quente suas chamas se elevam, assim é Yang.

28

d)

Conforme as três formações: o Yang muda-se em princípio, em QI; o Yin transforma-se em forma, aparência.

Em relação à posição entre o Yin e o Yang, Bing Wang (2001, pag.160) diz: O Yin é mais forte, quando o Yang está doente, o Yang é mais forte quando o Yin está doente”. Em um corpo humano em boa saúde, os dois aspectos opostos de Yin e Yang, não coexistem de modo pacífico e sem relações de um sobre o outro, sendo contrário, elas se afrontam e se repelem mutuamente. Porém, sua oposição cria um equilíbrio dinâmico, e origina o desenvolvimento e a transformação dos objetos. Na relação recíproca do Yin e do Yang, nenhum dos dois existe separadamente. Logo: O alto é Yang, baixo é Yin. Se não houver o baixo não se pode falar do alto. A esquerda é Yin, a direita é Yang, sem esquerda não se pode falar de direita e vice e versa. Cada um a tem como condição de existência. Essa relação mútua é denominada “Raiz recíproca”, Bing Wang (2001, p, 50) diz: “O Yin está no interior é o sustentador do Yang que está no exterior, o Yang é o enviado do Yin”.

O Yin determina a matéria, portanto, a substância do corpo humano, que está no

interior. O Yang é a função, o que se manifesta externamente. O Yin é a base material da

capacidade de funcionar, o sustentador do Yang. O Yang é a manifestação do exterior, pode ser chamado o enviado do Yin.

O Yin e o Yang não estão em repouso, mais estão sempre em movimento de

crescimento e de decrescimento recíproco. Quando o Yang decresce o Yin cresce e vice e versa. As estações do ano é um exemplo dessa verificação. No corpo humano para que a atividade física (atividade fisiológica), Yang se produza

é necessário consumir matéria nutritiva, Yin, em um processo de decrescimento do Yin e de

crescimento do Yang, inversamente o metabolismo de matéria nutritiva Yin, requer, para ser

realizada, a contribuição de certa energia Yang seguindo o mecanismo em que o Yin cresce

e o Yang decresce. O excesso de um transforma-se no outro.

A elevação demasiada ou em declínio demasiado de um ou de outro aspecto, causa o

aparecimento de uma doença. Bing Wang (2001, pág. 50) diz: “O Yin exagerado deve torna- se Yang, o Yang exagerado deve tornar-se Yin”. O frio no máximo produz o calor, o calor ao

máximo produz o frio. Por exemplo, das doenças infecciosas que se prolongam ao calor extremo esgota o

Zheng Qi do organismo. Neste caso uma febre intensa e contínua, leva a temperatura do corpo

a baixar bruscamente; a tez de o rosto empalidecer; os membros tornam-se frios; o pulso fica

29

tênue como se fosse parar. Todos esses sintomas representam uma manifestação de frio Yin. Isto denotada “uma passagem do Yang ao Yin”. Com o aumento do Yang há excreção do Yin (urina abundante, transpiração, etc.). Na medicina tradicional chinesa, utilizam-se duas propriedades:

- A oposição do Yin e do Yang;

- O crescimento e o decrescimento; sua relação recíproca.

Bing Wang (2001, p.162), relata: “o Yin é calmo, o Yang é controlado, o espírito essencial pode então ser normal” (Iing Shen). O princípio do Yin e do Yang está presente em todos os aspectos da teoria chinesa. Segundo o Yin e o Yang, o corpo humano é um todo organizado. Logo, a parte alta do corpo é Yang e a parte baixa é Yin. A superfície do corpo pertence ao Yang, o interior ao Yin, a parte dorsal pertence ao

Yang e a parte ventral ao Yin. As cinco vísceras (FU) é Yang, e os cinco órgãos (Zang) e duas funções (CS e TR) são Yin, porém se reclassificarmos o interior:

- ÓRGÃOS- C, P, R, F, BP são Yin (Zang);

- VÍSCERAS (FU)- ID, IG, B, VB, e E são Yang; E as funções -CS - Yin

- TR - Yang

Em relação à evolução das doenças a teoria Yin e Yang, explica: O aparecimento das doenças é resultado do desequilíbrio relativo: uma subida acentuada ou um declínio acentuado do Yin e do Yang. O equilíbrio relativo dos dois é condição fundamental da saúde. O aparecimento das doenças está ligado a dois fatores:

1)

Fator de resistência à doença: energia de defesa (Wei QI) do homem;

2)

Energia Perversa (Xie Qi).

a) O reforço de um aspecto Yin ou Yang gera o enfraquecimento do outro. Por exemplo, energia perversa: frio. (frio interno + frio externo); enfraquecimento do Yang interno;

b) A fraqueza constitucional do Yin ou do Yang, por exemplo, a deficiência (Xu), acarreta o aumento relativo do outro. Logo, a fraqueza interna do Yang produz a preponderância do Yin com aparecimento da síndrome: Frio. A diminuição do Yin causará a supremacia do Yang acarretando a síndrome: Calor.

30

c) Fraqueza simultânea dos dois aspectos: o Yin é a base material do Yang, e o Yang a causa do Yin. Um déficit do Yin acarretará a formação insuficiente de energia Yang, e um déficit do Yang, uma baixa na produção de substância Yin.

3.4 AS ESTAÇÕES

Os chineses observaram o movimento aparente do sol em torno da terra. Com uma vara posicionada no chão, através da evolução de sua sombra, foi possível determinar as posições diferentes da terra em relação ao sol. Estas diferenças determinaram os solstícios e os equinócios e, conseqüentemente as quatro estações do ano. A este fenômeno, chamaremos de princípio quaternário, que se relacionam com as quatro fases da vida do homem, os quatro pontos cardeais, as quatro fases do dia e as quatro fases da lua. Com a ajuda do “gnomom”, que consiste numa simples vara fincada no sola, cuja sua sombra aumenta e diminui de tamanho em ciclos distintos. Isto significa que observam o movimento aparente do sol em torno da terra e a evolução do tamanho da sombra que o sol determina na vara, descobrindo os solstícios e os equinócios e, em conseqüência, as quatro estações. (CORDEIRO, 2001)

31

Primavera

Jovem Yang

Verão

Velho Yang

Céu

Outono

Jovem Yin

Primavera Jovem Yang Verão Velho Yang Céu Outono Jovem Yin Terra Velho Yin Inverno . linha
Primavera Jovem Yang Verão Velho Yang Céu Outono Jovem Yin Terra Velho Yin Inverno . linha

Terra

Velho Yin

Inverno

Velho Yang Céu Outono Jovem Yin Terra Velho Yin Inverno . linha do horizonte gnomom equinócio

.

linha do horizonte
linha do horizonte
linha do horizonte
linha do horizonte

linha do horizonte

Jovem Yin Terra Velho Yin Inverno . linha do horizonte gnomom equinócio de primavera solstício de
Jovem Yin Terra Velho Yin Inverno . linha do horizonte gnomom equinócio de primavera solstício de
Jovem Yin Terra Velho Yin Inverno . linha do horizonte gnomom equinócio de primavera solstício de
Jovem Yin Terra Velho Yin Inverno . linha do horizonte gnomom equinócio de primavera solstício de

gnomom

Yin Terra Velho Yin Inverno . linha do horizonte gnomom equinócio de primavera solstício de verão

equinócio

de

primavera

solstício

de

verão

equinócio

de

outono

solstício

de

inverno

Fonte: CORDEIRO, A.T Acupuntura: Elementos Básicos. São Paulo: ed Polis, 2001, p. 53

Figura 6- Princípio Quaternário

32

A figura 7 mostra a representação dos Solstícios e Equinócios juntamente com a 5ª

Estação.

Solstício de Verão 5ª Estação 5ª Estação Equinócio Equinócio da Primavera de Outono 5ª Estação
Solstício
de Verão
5ª Estação
5ª Estação
Equinócio
Equinócio
da Primavera
de Outono
5ª Estação
5ª Estação
Solstício
de Inverno

Fonte: AUTEROCHE, B.; Mainville, L;Solinas, H. Atlas de Acupuntura Chinesa: Meridianos e Colaterais São Paulo: Andrei Editora, 2000. p. 46

Figura 7-As estações

33

12 11 13 10 14 09 15 Coração 08 Intestino Estômago 16 Delgado Baço Pâncreas
12
11
13
10
14
09
15
Coração
08
Intestino
Estômago
16
Delgado
Baço
Pâncreas
07
17
Rim
Bexiga
06
18
Pulmão
Intestino
Grosso
05
19
Triplo
Aquecedor
Fígado
CS
Vesícula
04
20
Biliar
03
21
02
22
01
23

24

Fonte: AUTEROCHE, B.; Mainville, L;Solinas, H. Atlas de Acupuntura Chinesa: Meridianos e Colaterais São Paulo: Andrei Editora, 2000. p .46

Figura 8- Ciclo diário do Yin-Yang

34

3.5 Os Cinco Elementos Cordeiro (1994) revela que os quatro elementos da doutrina ocidental foram encontrados no oriente sob a representação simbólica dos quatro bigramas, foi dinamizada no Taoísmo dando origem à doutrina dos cinco elementos. Na doutrina dos quatro elementos o elemento Terra está como ponto central, lugar de transformação, para que os outros elementos aconteçam deve haver um lugar que se possa engendrar, ou seja, a Terra, passando a ser descentralizada e sendo constituída como o quinto elemento, posicionado entre o Fogo e o Metal. Dando origem ao modelo Pentagonal.

Fogo Terra Metal Madeira Água
Fogo
Terra
Metal
Madeira
Água

Fonte: SILVA, D. F. Vasos maravilhosos. In: Instituto de Psicologia e Acupuntura Espaço Consciência. São Paulo. Anotações de Darcio Henrique Lorenço sobre a aula. Material não publicado. 2006

Figura 9 Representação dos Cinco elementos.

35

Os Cinco Elementos são a estrutura do universo, como se fossem “tijolos”, eles estão presentes em todos os tipos de materiais e energias, incluindo-se o homem. Cada elemento está ligado à natureza, macrocosmo; é simbolizado pelas estações do ano, o clima, as cores, o sabor e as direções. Sendo o homem o microcosmo, o seu organismo obedece as mesmas leis da natureza, cada um dos elementos é simbolizado pelos órgãos e pelas vísceras, obedecendo as mesmas leis naturais das energias Yin-Yang. Os órgãos são: fígado, coração, baço pâncreas, pulmão, Circulação e Sexualidade, rim. As vísceras são: vesícula biliar, intestino delgado, estômago, intestino grosso, bexiga, Triplo Reaquecedor. As energias Yin-Yang, estão presentes no organismo humano, considerando que para os órgãos ou tesouros a energia é Yin e para as vísceras ou oficinas a energia é Yang. Da concepção dos Cinco Elementos (madeira, fogo, terra, metal e água) se estabelece um modo sistemático para interpretar o funcionamento do organismo humano. As energias Yin-Yang devem estar distribuídas no pentagrama.

Fogo Verão Coração ID Madeira Terra Primavera 5ª Estação Fígado B.P Vesíc. Biliar Estomago Água
Fogo
Verão
Coração
ID
Madeira
Terra
Primavera
5ª Estação
Fígado
B.P
Vesíc. Biliar
Estomago
Água
Metal
Inverno
Outono
Rim
Pulmão
Bexiga
IG
Fonte: SILVA, D. F. Vasos maravilhosos. In: Instituto de Psicologia e Acupuntura Espaço Consciência. São
Paulo. Anotações de Darcio Henrique Lorenço sobre a aula. Material não publicado. 2006

Figura 10 - Os Cinco Elementos

36

3.5.1 Propriedade dos Elementos:

Madeira: Primavera, nascimento, energia vital aumenta, da produção, movimento, flexibilidade, crescimento, ocupação de espaço, abrir caminho para obter lugar ao sol, como uma árvore que brota na primavera. Breves, (2001) Sua cor é verde, sabor azedo, direção leste, clima vento, estação primavera, órgão:

fígado: víscera vesícula biliar.

Fogo: Verão, inflamação para o alto, energia vital é alta como o sol do meio dia de verão, irradia luz e calor em todas as direções. A semente que se transformou em planta na primavera já solta botões, flores e frutos. Sua cor é vermelho, sabor amargo, direção: sul, o clima: calor, estação: verão, órgão coração, víscera: intestino delgado. Breves, (2001)

Terra: Quinta estação, desenvolvimento e transformação, a energia vital fica estável, concentrada, é da terra que vem a força e o sustento para logo voltar ao movimento. Sua cor é amarelo, sabor: doce, direção: centro, clima: úmido, estação: quinta, órgão:

baço- pâncreas, víscera: estômago. Breves, (2001)

Metal: Outono, as folhas caem e os últimos frutos são colhidos e armazenados para garantir o sustento no inverno, a energia vital é descendente, pesada, pura e robusta, é a maturidade do crepúsculo. Sua cor é branco, sabor: apimentado, clima: seco, direção: oeste, estação: outono, órgão: pulmão, víscera: intestino grosso. Breves, (2001)

Água: Inverno, frio úmido, energia vital fluídica, latente e inerte. O momento de espera para nascer, as sementes repousam aguardando quietas o momento de brotar.

Sua cor é preto, sabor: salgado, direção: norte, clima: frio, estação: inverno, órgão:

rim, víscera: bexiga. Breves, (2001) Assim, é possível estabelecer uma relação dos Cinco Elementos com as forças naturais e também com o Homem, como mostrado nas tabelas a seguir:

Na Natureza:

37

Tabela 1 Relação dos Cinco Elementos com as forças naturais.

Cinco

         

Elementos

Direção

Estação

Fator Clima

Cor

Sabor

Madeira

Leste

Primavera

Vento

Verde

Azedo

Fogo

Sul

Verão

Calor

Vermelho

Amargo

Terra

Centro

Inicio e Fim de Verão

Úmido

Amarelo

Doce

Metal

Oeste

Outono

Seco

Branco

Apimentado

Água

Norte

Inverno

Frio

Preto

Salgado

Fonte: SILVA, D. F. Vasos maravilhosos. In: Instituto de Psicologia e Acupuntura Espaço Consciência. São Paulo. Anotações de Darcio Henrique Lorenço sobre a aula. Material não publicado. 2006.

No Homem:

Tabela 2 - Relação dos Cinco Elementos com o Homem.

Cinco

   

Órgãos

     

Órgãos

Vísceras

do

Emoção

Som

Emoção

Elementos

 

Sentido

   

Madeira

Fígado

Vesícula Biliar

Olhos

Zanga

Grito

Azedo

   

Intestino

       

Fogo

Coração

Delgado

Língua

Alegria

Riso

Amargo

 

Baço

         

Terra

Pâncreas

Estomago

Boca

Pensamento

Canto

Doce

Metal

Pulmão

Intestino Grosso

Nariz

Preocupação

Choro

Apimentado

Água

Rins

Bexiga

Ouvidos

Medo

Gemido

Salgado

Fonte: SILVA, D. F. Vasos maravilhosos. In: Instituto de Psicologia e Acupuntura Espaço Consciência. São Paulo. Anotações de Darcio Henrique Lorenço sobre a aula. Material não publicado. 2006.

38

Tabela 3 Correspondência dos Elementos.

Elemento

Madeira

Fogo

Terra

Metal

Água

Planeta

Júpter

Marte

Saturno

Vênus

Mercúrio

Direção

Leste

Sul

Centro

Oeste

Norte

Horário

Das 23 as 3h

Das 11 as 15 e das 19 as 23 h

Das 7 as 11 h

Das 3 as 7 h

Das 15 as 19 h

Período

Madrugada

Meio dia

Começo da

Anoitecer

Noite

tarde

Estação

Primavera

Verão

Quinta estação

Outono

Inverno

Órgão

Fígado

Coração

Baço

Pulmão

Rins

   

Intestino

 

Intestino

 

Vísceras

Vesícula biliar

delgado

Estômago

grosso

Bexiga

 

Gônadas

       

Glândulas

endócrinas

(testículos e

ovários)

Pituitária

(hipófise)

Timo

Tireóide

Adrenais

Clima perverso

Vento

Calor

Umidade

Secura

Frio

Cor

Verde

Vermelho

Amarelo

Branco

Negro

Nota musical

Mi

Sol

Som

Estridente

Riso

Canto

Choro

Gemido

Número

8

7

5

9

6

       

Ombro e

 

Enfermidade

Cabeça

Vasos

Língua

Costas

Ossos

Orifício

Olhos

Língua

Boca

Nariz

Orelha

Sentido

Visão

Palavra

Paladar

Olfato

Audição

         

Ossos,

Nutre a

Unhas e

Tendões

Pulso e Tez

Músculos e

Lábios

Pele e Pêlos

Cabelos e

Medulas

Humor

Lágrimas

Suor

Saliva

Muco

Cuspe

Sabor

Ácido

Amargo

Doce

Picante

Salgado

Odor

Putrefato

Queimado

Perfume

Pútrido

Rançoso

Aspectos

Hun

Shin

I

Tsching

psíquicos

Valores

Espírito

Consciência

Idéias

Espírito animal

Vontade e

psíquicos

ambição

     

Obsessão e

   

Emoções

Cólera

Alegria

ansiedade

Tristeza

Medo

Energia

Sangue

Psíquica

Física

Vital

Vontade

Dinâmica

Expressão

Grito

Riso

Canto

Soluço

Gemido

Alimentos

Trigo, Galo

Sorgo,

Painço, Vaca

Arroz, Cavalo

Fava, Porco

Carneiro

     

Abuso da

Abuso da

 

Esforço

excessivo

Abuso ocular

Abuso no

caminhar

posição

sentada

posição

recostada

Abuso da

posição parada

Fonte: CORDEIRO, A.T Acupuntura: Elementos Básicos. São Paulo: ed Polis, 2001, p 73

39

3.5.2 Interação e Equilíbrio dos Cinco Elementos e as Forças de Oposição

Deve haver interação e equilíbrio entre os Cinco Elementos e para que isto ocorra, há uma energia circular no sentido horário denominado: geração ou ciclo que gera. O “QI” é a energia que possibilita o ciclo de geração como energia pura ou vital. Entende-se que, em cada elemento, existe energia Yin e Yang e no ciclo de geração dos elementos, também estão presente às mesmas energias. Os alimentos consumidos da mãe terra (Yin), a luz do sol e o ar inspirado do pai céu (Yang), nutrem a energia pura o “QI”, que é transformada, no homem, em energia iong. Toda a geração deve ser controlada para que possa interagir e manter o equilíbrio e, para que isto aconteça, existe o ciclo de inibição.

Na natureza, o lapso das quatro estações e as alterações dos Cinco Elementos, produzem as cinco energias - frio, calor, secura, umidade, vento a fim de promover o nascimento, o crescimento, a colheita e o armazenamento de todas as coisas. Já que a natureza e o homem se combinam numa só, há uma correspondência dos Cinco Elementos para o homem. As cinco vísceras do homem produzem as cinco energias que surgem respectivamente como: excesso de alegria, raiva, melancolia, ansiedade, e terror (BING WANG, 2001, p. 52).

O objetivo supremo da vida é alcançar o mais alto grau de desenvolvimento e

virtude, transformar em ação o que o homem leva dentro de si. Para que isso seja possível, seu

instrumento é o corpo, constituído em meio e fim para se alcançar o TAO.

Os elementos do pentagrama devem manter o equilíbrio assim como as energias Yin-

Yang. Se houver falha no equilíbrio de uma função do órgão ou da víscera, isso afetará a função seguinte ou outra função, fazendo com que haja aumento ou sobrecarga das energias, ou diminuição das energias das funções dos elementos. Para se garantir o equilíbrio há duas forças: energia geradora e a energia dominadora,

denominadas ciclos. O ciclo de geração ou produção (Sheng) e o ciclo de inibição ou contenção (ko).

É importante ressaltar que cada órgão está relacionado com uma víscera e com

energia Yin-Yang, assim como cada elemento ou função está relacionado com o outro nos ciclos Sheng e ko. Os órgãos também são chamados de tesouros, são aqueles que guardam a essência das energias. As vísceras são chamadas de oficinas, onde são transformadas as energias. Os Cinco Elementos da natureza estão relacionados com os órgãos (Yang) e as vísceras (Yin), como demonstrados na tabela a seguir:

40

Tabela 4 - Relação dos Cinco Elementos com as funções Yin-Yang.

Elemento

Função (yin)

Função (yang)

Fogo

Coração

Intestino delgado

Terra

Baço / Pâncreas

Estômago

Metal

Pulmão

Intestino grosso

Água

Rim

Bexiga

Madeira

Fígado

Vesícula Biliar

Fonte: SILVA, D. F. In: Instituto de Psicologia e Acupuntura Espaço Consciência. São Paulo. Anotações de Darcio Henrique Lorenço sobre a aula. Material não publicado. 2006.

Existem dois ciclos de energia, o Ciclo geração (Sheng) e o Ciclo inibição (Ko):

Ciclo geração (Sheng): Noção de geração ou produção gira no sentido horário, também pode chamá-los, de relação mãe e filho. Madeira: gera fogo; fogo gera terra; terra gera metal; metal gera água, e água gera madeira. (CORDEIRO, 2001) Madeira por combustão gera e/ou controla fogo, as cinzas vão para a terra, a terra produz metais e rochas, de onde brotam fontes de água e a água gera vida aos vegetais, gerando a madeira. Ciclo inibição (Ko): Noção de inibição, contenção, controle, move-se em direções opostas, também, podemos chamá-lo de relação esposo e esposa. A madeira inibe a terra; a terra inibe a água; a água inibe o fogo; o fogo inibe o metal, e o metal inibe a madeira. (CORDEIRO, 2001). Metal corta a madeira e a rocha e, metais e madeira no solo impedem o

crescimento das raízes das árvores e, as árvores, absorvem nutrientes da terra, empobrecendo-

a e, as raízes das árvores quando muito longas, perfuram e racham a terra. A terra impede que

a água se espalhe e absorve água, inibe e apaga o fogo. O fogo inibe ou derrete o metal. Ressalta-se que o ciclo de geração (Sheng) sem o ciclo inibição (Ko), irá produzir somente geração sem controle, e a geração aumenta de forma desenfreada, por tal motivo o ciclo inibição (Ko) existe para equilibrar os elementos do ciclo Sheng. Os ciclos Sheng e Ko, são inseparáveis, e somente assim mantém o pentagrama em equilíbrio. (CORDEIRO, 2001) Existem situações, em que uma função do elemento domina o outro de modo excessivo ou de maneira enfraquecida. Existem situações, onde a inibição ou controle é excessivamente forte e pode causar o enfraquecimento de outra função. Existem outras situações que a dominação é mutua. Existem situações em que a função dominada passa a dominar, contra dominação. Portanto, quando houver excesso de geração, ou de dominação, ou contra dominação, isso causa desequilíbrio de ordem energética no organismo humano.

41

Na figura abaixo está representado o ciclo de geração e inibição ID TR FOGO CS
Na figura abaixo está representado o ciclo de geração e inibição
ID
TR
FOGO
CS
VB
E
MADEIRA
TERRA
F
BP
B
IG
ÁGUA
METAL
R
P

Legenda:

E MADEIRA TERRA F BP B IG ÁGUA METAL R P Legenda: Ciclo de Geração ou
E MADEIRA TERRA F BP B IG ÁGUA METAL R P Legenda: Ciclo de Geração ou

Ciclo de Geração ou Produção (Sheng) Ciclo de Inibição (Ko)

Fonte: CORDEIRO, A.T Acupuntura: Elementos Básicos. São Paulo: ed Polis, 2001, p 54

Figura 11 Representação do Ciclo de Geração (Sheng) e Inibição (Ko).

A importância do pentagrama é fundamental para o terapeuta de acupuntura aplicar

no diagnóstico de seu paciente, facilitando a compreensão de como estão organizadas as

energias naquele organismo, para que seja promovido o equilíbrio da pessoa a ser tratada.

Esta é a maneira de recuperar a condição de equilíbrio das energias Yin e Yang; tanto quanto

o equilíbrio das funções de cada elemento, canalizando as energias de maneira apropriada

para que seja restabelecida a condição saudável do organismo.

42

3.6 Os Vasos Maravilhosos

Os Meridianos de Circulação; os Meridianos Ligamentários; os Meridianos Distintos; os Meridianos de passagem LOs e os Meridianos Principais, conduzem energias continuamente. Os Vasos Maravilhosos, também chamados os Meridianos Extraordinários ou Meridianos Curiosos, não são como os outros meridianos e sim como se fossem meridianos virtuais que só se fazem manifestar nos estados de patologia. Os transtornos da circulação da energia que não são absorvidos se drenam através dos Vasos Maravilhosos correspondentes, ou seja, o desequilíbrio energético da circulação é equalizado através dos Vasos Maravilhosos correspondentes. Os Meridianos da Grande Circulação têm pontos de Sedação, Fonte e Tonificação. Os Vasos Maravilhosos têm somente pontos de abertura, que podem ser chamados de pontos mestre, que abrem os Vasos para reconectarem-se com os Meridianos da Grande Circulação. O ponto de abertura ou ponto mestre será chamado de ponto de comando para o Vaso Maravilhoso. Entretanto os vasos maravilhosos possuem diversos pontos dentro do seu trajeto, esses pontos não são próprios, são pontos dos meridianos principais. Os Vasos Maravilhosos não tem pontos próprios, estes estão distribuídos em pontos que correspondem a outros pontos dos meridianos, que se pontuados de maneira correta, mobilizam energias que circularão nos Vasos Maravilhosos. Dizemos que é uma correlação virtual, mas também se distribuem bilateralmente, exceto para o chamado Tou-Mo e Jenn-Mo. Indada (2000), em seu livro Vasos Maravilhosos e Cronoacupunturaescreveu: o “Qi” circula dentro dos doze canais de energia, como a água do rio que corre ao longo do seu leito. Em época de chuvas abundantes, a água do rio pode transbordar e inundar os vales, formando lagos. Durante a estiagem, a água acumulada no lago pode abastecer o leito do rio. Na 27ª questão de dificuldades do Nan-Ching está escrito que os sábios da Antigüidade construíram diques e reservatórios para acumular as águas nos casos de chuvas abundantes. Em linguagem figurada, os rios correspondem aos canais principais de energias' e os lagos correspondem aos Vasos Maravilhosos. Assim, os Vasos Maravilhosos (Gk Jing Ba Mai) funcionam como um reservatório de energia e devem ser utilizados principalmente nos casos em que há deficiência de energia nos Canais Principais. Os Oito Vasos Maravilhosos encerram energias nutritivas (Yong); de defesa (Wei) e ancestral e irrigam os espaços compreendidos entre os canais principais de energia (Man-

43

Ching, 30ª questão). Destes oito, especialmente o Ren Mai, Du Mai e Chong Mai controlam a circulação de energia de defesa Wei do corpo. Assim sendo, contribuem para a prevenção de doenças. A energia de defesa é responsável pela abertura e fechamento dos poros. Entendemos que a energia de defesa “Wei Qi”, também é responsável pela abertura e fechamento dos poros, porque se estiverem relaxados abrem e fecham aleatoriamente, ou se ficarem abertos ou fechados, isto sugere um desequilíbrio da energia Qi, e consequentemente a energia Wei Qi esta deficiente. Dos Oito Vasos Maravilhosos, sete apresentam trajeto vertical ao longo do corpo e apenas um circula horizontalmente à cintura, por isso é denominado Vaso Cintura ou Du Mai. Os sete Vasos estão distribuídos na frente, nos lados e atrás do corpo:

Frente: Ren Mai, Chong Mai, Yin Qiao Mai e Yin Wei Mai. Lado: Yang Qiao Mai e Yang Wei Mai. Atrás: Du Mai.

Com exceção de Ren Mai e Du Mai, que possuem os acupontos próprios, os demais, não os possuem, utilizando os acupontos dos canais principais de energia. Os Vasos Maravilhosos não foram descritos como tendo uma circulação energética como nos canais principais. “Maravilhosos” é o nome justo e, Extraordinário é o mais correto. Para tentar entende-los é necessário ler e rever os comentários das questões difíceis do Nan- Ching “refletir” (TETSUO INADA, 2000). Os Vasos Maravilhosos são em número de oito, sendo 4 de natureza Yang e 4 de natureza Yin e se distribuem em pares.

1 Os quatro Vasos Maravilhosos Yin

a) Tchrong-Mo Ponto Mestre: 4 BP (Kong-Soun)

b) Inn-Oe Ponto Mestre: 6 CS. (Nei-Koann)

c) Jenn-Mo Ponto Mestre: 7 P (Lie-Tsfue)

d) Yin Tshao-Mo Ponto Mestre: 6 R (Tchao-Bae)

44

2- Os quatro Vasos Maravilhosos Yang

a) Tae-Mo (Vaso da Cintura) Ponto Mestre: 41 VB (Linn-Trsi)

b) Iang-OE (Vaso Conservador dos Iang) Ponto Mestre: 5 TR (Oae-Zoann)

c) Tou-Mo (Vaso Governador) Ponto Mestre: 3 iD (Reou-Tsri)

d) Iang-Tshao-Mo (Vaso Acelerador dos Iang) Ponto Mestre: 62 V (Chenn-Mo)

O Vaso concepção (JennMo) e o Vaso governador (TouMo) são encontrados também como meridianos da pequena circulação, no entanto fazem parte dos Vasos Maravilhosos. Os Vasos Yin e os Vasos Yang, se agrupam em pares, a seguir:

PRIMEIRO PAR:

1. Tchrong-Mo (4 BP) (Vaso Desobstructor)

2. Yin-Oe (6 CS) (Vaso Conservador dos Yin)

SEGUNDO PAR:

1. Tae-Mo (41 VB) (Vaso Cintura)

2. Yang-Oe (5 TR) (Vaso Conservador dos Yang)

TERCEIRO PAR:

1. Tou-Mo (3 iD) (Vaso Governador)

2. Yang-Tsiao-Mo (62B) ( Vaso Acelerador dos Yang)

QUARTO PAR:

l. Jenn-Mo (7 P) (Vaso da Concepção) 2.Yin- Tsiao-Mo (6 R) (Vaso Acelerador dos Inn) Relembrando o que disse Fo Hi (FUXI): Céu Homem Terra, a energia do céu descende para Terra; a energia da Terra ascende para o céu, sendo energias Yang e energias Yin respectivamente. Entre o Céu e a Terra está o Ser Humano (homem) por onde passa estas energias e este a transforma em energia YONG para si e seu corpo, estas energias devem estar em equilíbrio, não de forma estática, inerte, mas fluindo permanentemente.

45

45 EQUILÍBRIO Fonte: SILVA, D. F. In: Instituto de Psicologia e Acupuntura Espaço Consciência . São

EQUILÍBRIO

Fonte: SILVA, D. F. In: Instituto de Psicologia e Acupuntura Espaço Consciência. São Paulo. Anotações de Darcio Henrique Lorenço sobre a aula. Material não publicado. 2006.

Ao nascer trazemos um fator hereditário, em termos energéticos, pode-se chamar esse fator hereditário de energia ancestral, que deve ser interpretada, além da hereditariedade dos genitores. Todos os seres que nascem estão comprometidos com uma evolução que, na verdade, não significa melhor nem pior, nem bom nem mal, mas sim a evolução de cada um.

O homem já nasce com uma reserva dessa energia que é consumida, gradativamente,

através dos anos da vida. (INADA, 2000, p.55)

O homem transforma as energias Yang do Céu e Yin da Terra em energia nutridora

“Yong”. Pode-se dizer que na transformação da energia Yang, que vem do ar que respiramos mais a energia Yin dos alimentos, que ingerimos, é utilizada uma pequena parte da energia ancestral (INADA,2000, p.55). Neste sentido observamos que todas as impurezas que ingerimos, tanto pelo ar como pelos alimentos, irão interferir na energia transformadora Yong, logo poderá ser necessária mais energia ancestral para a sobrevivência. Podemos imaginar que se fossem tiradas as energias transformadoras do ar seriam mais adequadas.

46

Oito Vasos Maravilhosos contém neles energias nutritivas Yong, energia de defesa Wei e energia ancestral, que irrigam os espaços compreendidos entre os canais principais de energia. Os oito Vasos irrigam energia ancestral para todo o corpo. Wan Nghi, uma refêrencia na acupuntura do ocidente, afirma:

Os Vasos Maravilhosos são condutores que transportam energia ancestral dos rins para as diferentes partes do corpo e também para os meridianos principais, recebendo energia nutridora (Yong) e Wei (defensiva) de sorte que tanto nos meridianos como fora deles, na superfície e no aprofundamento, nos órgãos e vísceras as energias circulam sem parar, que são três energias Oe Yong, ancestral. Os Vasos Maravilhosos tem como função irrigar os espaços compreendidos entre os Meridianos Principais. Transporta energia ancestral do rim para todo o corpo em oito canais. (INDADA, 2000, p.55)

A “principal função destes meridianos consiste em regularizar a circulação do “QI” e do “XUE” nos 12 meridianos”. “Pega água suja e devolve água limpa”. Os 360 pontos estão a mando dos 60 pontos Su antigos e esses 66 pontos Su antigos estão a mando dos oito Vasos e, por isso, são chamados de Vasos Maravilhosos. A energia ancestral e os Vasos Maravilhosos são como se fossem pontos cardeais e que ficam abertos de duas em duas horas, (método da Tartaruga Sagrada), sendo que de duas em duas horas um vaso se abre e a energia ancestral banha a região correspondente. Por duas horas os Vasos Maravilhosos se abre e banha o corpo, depois volta e fecha, depois vai para outra região, banha, volta e fecha.

3.7 Canais e Sistemas

Uma das principais funções dos Sistemas Internos consiste em assegurar a produção, manutenção, abastecimento, transformação e movimento das Substâncias Vitais. Cada uma destas Substâncias Vitais Qi, Sangue (Xue), Essência (Jing) e Fluídos Corpóreos (Jin-Ye) está relacionada a um ou mais desses Sistemas como segue:

Coração (Xin) governa o Sangue (Xue);

Fígado (Gan) armazena o Sangue (Xue);

Pulmão (Feí) governa o Qi e influencia os Fluídos Corpóreos (Jin-Ye);

Baço (Pí) governa o Qi dos alimentos, mantém o Sangue (Xue) e influencia os Fluídos Corpóreos (Jin-Ye);

Rim (Shen) armazena a Essência (Jing) e influencia os Fluídos Corpóreos (Jin-Ye).

47

Cada Sistema influencia um dos tecidos do organismo: isto significa que há um relacionamento funcional entre certos tecidos e cada sistema, de maneira que o estado do sistema pode ser deduzido pela observação do tecido a ele relacionado. Desta forma, o Coração (Xin) controla os Vasos Sangüíneos (Xue Maí) e manifesta-se no aspecto; o Fígado (Gan) controla os tendões e manifesta-se nas unhas; o Pulmão (Feí) controla a pele e manifesta-se nos pêlos do corpo; o Baço (Pí) controla os músculos e manifesta-se nos lábios, o Rim (Shen) controla os ossos e manifesta-se no cabelo. (BING Wang 2001) Da mesma forma, cada sistema está relacionado a um dos órgãos dos sentidos. Assim, a saúde e a acuidade de um determinado órgão do sentido dependem da nutrição do sistema interno. O Coração (Xin) controla a língua e o paladar, o Fígado (Gan) controla os olhos e a visão, o Pulmão (Feí) controlam o nariz e o olfato, o Baço (Pí) controla a boca e o paladar e o Rim (Shen) controla o ouvido e a audição. Outro aspecto de relevância da Teoria Chinesa dos Sistemas Internos que ilustra a unidade do corpo e da mente na Medicina Chinesa é a relação dos Sistemas Internos com as emoções. O mesmo Qi que é a base de todos os processos fisiológicos, também o é para os processos mentais, emocionais, uma vez que o Qi existe em diversos estados de refinamento. Ao contrário do pensamento ocidental que atribui os processos mentais ao cérebro, a Medicina Chinesa propõe que eles são partes da esfera de ações dos Sistemas Internos, a relação entre cada sistema e uma emoção em particular é mútua, o estado do sistema afetará as emoções e vice e versa.(BREVES, 2001) Portanto, o Coração (Xin) relaciona-se à alegria, o Fígado (Gan) à fúria, o Pulmão (Feí) à tristeza, o Baço (Pí) à preocupação e ao pensamento, e o Rim (Shen) ao medo. Estas emoções, somente se tornam uma causa de desequilíbrio quando são excessivas e prolongadas. Por meio do tratamento de um sistema específico, podemos influenciar na respectiva emoção relacionada. (BREVES, 2001) Outro ponto que a Teoria dos Sistemas Internos considera é a relação com o clima. O calor influencia o Coração (Xin; o vento influencia o Fígado (Gan); a secura influencia o Pulmão (Feí); a umidade influencia o Baço (Pí), e o frio influencia o Rim (Shen). De acordo com Ross (1994), há dois tipos de Sistemas Internos Yin (chamado Zang) e Yang (chamado Fu). O nome chinês para os Sistemas Internos é Zang-fu. Os Cinco Sistemas Yin estocam a essência Jin e o Qi, mas não excretam: podem estar completos, mas não em excesso. Os Seis Sistemas Yang transformam e digerem, mas não estocam: podem estar em excesso, mas não completos. De fato, após os alimentos terem

48

adentrado a boca, o estômago está repleto e os intestinos vazios. Quando os alimentos descem, os intestinos estão repletos e o estômago vazio. Assim, os sistemas Yin estocam as Substâncias Vitais Sangue (Xue), Essência (Jing) e Fluídos Corpóreos (Jin Ye). Eles somente estocam substâncias refinadas e puras que recebem dos sistemas Yang após a transformação dos alimentos. Os sistemas Yang, ao contrário, não estocam, entretanto, estão constantemente repletos e vazios. Transformam e refinam os alimentos e os líquidos para extrair as Essências (Jin) puras que serão armazenadas pelos sistemas Yin. Assim como realiza o processo de transformação, os sistemas Yang também excretam produtos decompostos. A Essência Jin dos sistemas Yang consiste, portanto em receber, mover, transformar, digerir e excretar. (BREVES, 2001) As funções dos sistemas Yang são freqüentemente resumidas em duas palavras:

Chuan e Xing, que significam transmitir e mover pelo fato de estarem constantemente recebendo. Talvez por causa deste constante movimento. O relacionamento entre os sistemas Yin e Yang é de caráter estrutural-funcional, os sistemas Yin correspondem à estrutura, ao armazenamento das Substâncias Vitais, enquanto os sistemas Yang correspondem à função. A estrutura e a função são interdependentes e pode- se observar cada sistema Yang como um aspecto funcional do seu sistema Yin correspondente. Por exemplo, pode-se observar a Vesícula Biliar (Dan) como um aspecto funcional do Fígado (Gan). Embora o Yin e o Yang possam ser vistos como uma unidade, o Fígado (Gan) é uma estrutura e a Vesícula Biliar (Dan) a sua expressão funcional. Essa visão do relacionamento entre os sistemas Yin e Yang são particularmente útil no diagnóstico do pulso, que pode ser mais significativo para observar cada posição do pulso no nível superficial como um aspecto funcional do sistema Yin relevante, em vez de considerar cada uma das doze posições do pulso individual e isoladamente. Na Teoria Chinesa dos Sistemas, os sistemas Yin são o centro: são mais importantes que os sistemas Yang em termos de patologia e fisiologia, pois estocam todas as Substâncias Vitais, enquanto os sistemas Yang são o seu aspecto funcional. Por esta razão, o principal foco de atenção está sob os sistemas Yin. Todavia, deve-se enfatizar que a prioridade dos sistemas Yin sob os sistemas Yang não está refletida na Teoria dos Meridianos: a partir da perspectiva da acupuntura os quatorze meridianos são igualmente importantes. Há doze sistemas: seis Yin e seis Yang:

49

Tabela 5 Sistemas Yin e Yang

Sistemas Yin

Sistemas Yang

Coração (Xin)

Intestino Delgado (Xiaochang)

Fígado (Gan)

Vesícula Biliar (Dan)

Pulmão (Fei)

Intestino Grosso (Dachang)

Baço (Pí)

Estômago (Wei)

Rim (Shen)

Bexiga (Pangguang)

Circ e Sexualidade (Ximbao)

Triplo Aquecedor (Sanjiao)

Fonte: AUTEROCHE, B.; NAVAITH, P. O Diagnóstico na Medicina Chinesa. São Paulo: Andrei Ed, 1992,

p.129

Huang Di, ou Imperador Amarelo, é visto geralmente como o ancestral do povo chinês. Entre suas várias contribuições importantes ao povo chinês, um exemplo marcante é a compilação do clássico de medicina interna, Huang Di Nei Jing, ou Clássico de Medicina do Imperador Amarelo. Conta à lenda, que ele viveu até a idade avançada de 117 anos e permaneceu no trono durante um século. Por praticar a política da benevolência, os funcionários e o povo estavam sempre bem, e o país gozava de abundância e prosperidade. No Clássico de Medicina Chinesa do Imperador Amarelo, de (BING WANG, 2001), os órgãos do corpo humano são denominados de “Os 12 Funcionários”. Os aspectos de cada um destes órgãos ou sistemas serão discutidos mais detalhadamente a seguir.

Coração: Órgão com a função de Monarca.

Pulmão: Órgão com a função de Primeiro ministro;

Fígado: Órgão com a função de General;

Vesícula Biliar: Órgão com a função de Juiz;

Estômago/Baço-Pâncreas: Órgão com a função de administrar os celeiros públicos;

Intestino grosso: Órgão com a função de notário;

Intestino Delgado: Órgão com a função de receber subvenções;

Rim: Órgão com a função de Ministro do trabalho;

Bexiga: Órgão com a função de Administrador local.

Além disso, existem três aquecedores: TR Superior, TR Médio e TR Inferior.

Segundo Maciocia (1996) cada sistema Yin e Yang possui um meridiano correspondente, e está associado ao seu elemento natural correspondente. Os itens dispostos nas tabelas abaixo descrevem cada meridiano correspondente a cada sistema.

50

Pulmão, (Chao Tae Inn ou Shou Tai Yin do Pulmão). Entidade: Pro Órgão (Zang): Pulmão Víscera (Fu): Intestino Grosso Manifestação externa: pele e pêlos Abertura: nariz Horário máximo de circulação de Qi: das 3 às 5 horas Cor: branca Elemento: Metal Sabor: picante (pungente) Estação: Outono Gera, produz: Água. É controlado por: Fogo Atitude: introspecção, acúmulo, instinto, reflexo. Emoção: tristeza

Funções do sistema Pulmão (meridiano) Governar o Qi e a respiração Controlar os meridianos e os Vasos Sangüíneos Controlar a dispersão e a descendência Regular a passagem das águas Controlar a pele e os pêlos corpóreos Abrir-se no nariz Abrigar a Alma Corpórea Ação sobre a função cardíaca Ação sobre a laringe e a voz.

Baço Pâncreas (Tso Tae Inn ou Zu Tai Yin do Baço Pâncreas) Entidade I Órgão (Zang): Baço/ Pâncreas Víscera (Fu): Estômago Elemento: Terra Manifestação externa: lábios Abertura: boca

51

Horário máximo de circulação de Qi: das 9 às 11 horas Cor: amarela Elemento: Terra Sabor: doce Estação: 5ª estação (verão tardio) Gera/produz: Metal É controlado por: Madeira Atitude: reflexão, introversão, comedimento. Emoção: preocupação Fatores de adoecimento: pensamentos repetitivos, excesso de trabalho, ambientes úmidos e frios, alimentação desregrada, perda de sangue. Quanto aos estados de Vazio e Plenitude:

Qi do Baço em estado de Vazio manifesta-se por depressão, astenia mental. Qi do baço em estado de Plenitude manifesta-se por obsessão, idéia fixa.

Funções do sistema Baço Pâncreas Governar a transformação e o transporte Controlar o sangue (mantém o sangue no sistema vascular) Controlar os músculos e os quatro membros Abrir-se na boca e manifestar-se nos lábios Controlar a “ascendência do Qi” Abrigar o pensamento Extrair o Qi dos alimentos Separar as partes puras das impuras Está relacionado com a forma.

Rim (Shen) Entidade: Tche Órgão (Zang): Rim Víscera (Fu): Bexiga Manifestação externa: nos cabelos Abertura: Abri-se nos ouvidos. Manifesta: Manifesta-se nos cabelos. Horário máximo de circulação de Qi: das 17 às 19h horas

52

Cor: Preto Sabor: Salgado Estação: Inverno Gera/produz: Madeira É controlado por: Metal Atitude: Vontade Emoção: Medo Fatores de adoecimento: Baixa energia vital, não ter vontade, problemas no desenvolvimento orgânico. Quanto aos estados de Vazio e Plenitude:

Qi do Rim em estado de Vazio, manifesta-se por indecisão e apreensão. Qi do Rim em estado de Plenitude, manifesta-se por autoritarismo e extravagância.

Funções do sistema Rim Armazenar a Essência (Jing) e governar o nascimento, crescimento, reprodução e desenvolvimento. Produzir a Medula, abastecer o cérebro e controlar os ossos. Governar a Água. Controlar a recepção do QI Abrir-se nos ouvidos Manifesta-se no cabelo Controla os dois orifícios inferiores Abriga a força de vontade

Coração (Chem) Entidade: Chenn Órgão (Zang): Coração Víscera (Fu): Intestino Delgado Manifestação externa: Na face Abertura: Abre-se na língua Manifesta: Manifesta-se nos olhos, (onde se exterioriza o Shen) Horário máximo de circulação de Qi: das 11h às 13 horas Cor: Vermelho Elemento: Fogo

53

Sabor: Amargo Estação: verão Gera/produz: Calor

É controlado por: Água

Atitude: Emoção Emoção: Alegria Fatores de adoecimento: “calor severo” Quanto aos estados de Vazio e Plenitude:

O Qi do Coração em estado de Vazio, manifesta-se por choros. O Qi do Rim em estado de Plenitude, manifesta-se por risos ininterruptos.

Funções do sistema Coração Governar o Sangue (Xue) Controlar os Vasos Sangüíneos (xue Mai) Manifesta-se na Compleição Abrigar a Mente Abrir-se na Língua Controlar a Sudorese.

Fígado (Gan) Órgão (Zang): Fígado Víscera (Fu): Vesícula Biliar Manifestação externa: Nas Unhas

Abertura: Nos olhos Horário máximo de circulação de Qi: da 1 às 3 horas Cor: Verde Elemento: Madeira Sabor: Azedo Estação: Primavera Gera/produz: Fogo

É controlado por: Metal (Pulmão)

Atitude: Resolução Direção, Planejamento. Emoção: Raiva; Fúria; Irritabilidade. Fatores de adoecimento: Vento, problemas nas articulações e músculo.

54

Quanto aos estados de Vazio e Plenitude:

Qi do Fígado em estado de Vazio, manifesta-se por medo. Qi do Fígado em estado de Plenitude, manifesta-se por raiva.

Funções do Fígado (Gan) Armazenar o Sangue (Xue) Assegurar o Fluxo Suave do QI Controlar os Tendões Manifesta-se nas Unhas Abri-se nos Olhos Abriga a Alma Etérea

Circulação e Sexualidade Shou Jue Yin

Pericárdio Membrana que reveste o Coração. Mestre do Coração.

O CS está intimamente relacionado ao Coração.

A visão tradicional do CS consiste no fato de que ele funciona como uma cobertura externa

do C, protegendo-o dos ataques dos fatores patogênicos externos.

O CS é um embaixador, sendo que desta deriva a alegria e a felicidade.

O Imperador Amarelo refere-se ao CS como sendo o centro do tórax. O C e o CS influenciam as relações das pessoas umas com as outras. Os pontos sobre o seu meridiano são usados para tratar alterações emocionais causadas por dificuldades de relacionamento.

Quanto às funções, cabem ao CS muitas das funções do Coração. Pode ser agredido pelo Calor Externo: delírio, confusão mental, afasia e temperatura corpórea elevada.

As Funções do Estômago (Wei) O Estômago (Wei) é o mais importante dos sistemas Yang; junto com o Baço, chama-se de “Raiz do QI Pós Celestial”. Controla o amadurecimento e a decomposição dos alimentos. Controla o transporte das Essências (Jing) dos alimentos. Controla a descendência do QI.

É a origem dos Fluídos Corpóreos.

Funções do Intestino Delgado:

55

O Intestino Delgado (Xiaochang) recebe alimentos e líquidos após a digestão feita

pelo Estômago e o Baço. Posteriormente o Intestino Delgado separa as partes puras das impuras. As funções do Intestino Delgado são: Controlar a recepção e a transformação; Separar os Fluídos Corpóreos.

Funções do Intestino Grosso (Dachang)

A principal função do Intestino Grosso (Dachang) consiste em receber alimentos e

líquidos do Intestino Delgado (Xiaochang). Após a reabsorção de uma parte destes fluídos corpóreos (Jin Ye), as fezes são excretadas. A MTC é em geral extremamente breve em relação às funções do Intestino Grosso. Isto não ocorre porque suas funções não sejam importantes, mas pelo fato de que muitas das funções atribuídas a ele na medicina ocidental, também são atribuídas ao Baço (Pi) sob a perspectiva

da Medicina Chinesa.

O Baço (Pí) controla a transformação e o transporte dos alimentos e dos fluídos

corpóreos (Jin Ye) por todo o aparelho digestivo, incluindo os Intestinos. Por esta razão, na patologia, sintomas e sinais tais como diarréia, distensão e dor abdominal, são freqüentemente, atribuídos ao desequilíbrio do Baço (Pi).

Funções da Vesícula Biliar (Dan)

A Vesícula Biliar (Dan) ocupa um lugar importante entre os sistemas Yang, porque é

a única que não lida com os alimentos líquidos e produtos excretáveis; mas armazena a Bile que é um produto refinado e, além disso, não se comunica com o exterior diretamente como acontece com os outros sistemas Yang (através da boca, reto ou uretra), nem recebe os alimentos ou transporta a nutrição, como fazem os outros sistemas Yang. Na verdade, pelo fato de estocar substâncias refinadas, a Vesícula Biliar (Dan) se assemelha a um sistema Yin. Sob a ótica psicológica, a Vesícula Biliar influencia a capacidade de tomar decisões. A Vesícula Biliar (Dan) é o oficial honesto que toma decisões. As funções da Vesícula Biliar (Dan) são: estocar e excretar a bile; controlar o julgamento; controlar os tendões.

Funções da Bexiga (Pangguang)

A Bexiga apresenta uma esfera maior de atividade na Medicina Chinesa do que na

medicina ocidental. É a responsável pelo armazenamento e excreção da urina, além de

56

participar da transformação dos fluídos corpóreos (Jin Ye) necessários para produzi-la. A Bexiga (Pangguang) é como um oficial de distrito; armazena os fluídos corpóreos (Jin Ye), para que possam ser excretados por meio da ação de transformação do Qi. Sob o aspecto mental, um desequilíbrio na Bexiga pode provocar emoções negativas, tais como ciúmes, desconfiança e rancor por um longo período. A função da Bexiga (Pangguang)

é o de remover a água por meio da transformação do Qi.

Funções do Triplo Aquecedor (Sanjiao)

O Triplo Aquecedor (Sanjiao) é um dos aspectos mais evasivos da Medicina Chinesa

e um dos temas de maior controvérsia há séculos. Embora seja "oficialmente" um dos Seis Sistemas Yang, os médicos chineses sempre se questionaram sobre a natureza do Triplo

Aquecedor (Sanjiao) e, em particular, se apresentava uma "forma" ou não, ou seja, se de fato

é um sistema ou uma função. Em vez de listar as suas funções, melhor seria discutir os três diferentes aspectos do Triplo Aquecedor (Sanjiao), os quais tomarão suas funções mais nítidas. Eles são: Triplo Aquecedor (Sanjiao) como um dos Seis Sistemas Yang, Triplo Aquecedor (Sanjiao) como uma "via para o Qi Original" e Triplo Aquecedor (Sanjiao) como as três divisões do organismo.

Triplo aquecedor (Sanjiao) como um dos Seis Sistemas Yang

O Triplo Aquecedor (Sanjiao) é o oficial encarregado da irrigação; e controla as

passagens das águas. Ele é considerado como um dos seis Sistemas Yang. Se este é o caso, o Triplo Aquecedor (Sanjiao) apresenta uma forma, ou seja, é substancial, como todos os outros

sistemas. Sua função é similar às funções dos outros sistemas Yang, ou seja, recebimento de alimentos e líquidos, digestão e transformação, transportação dos nutrientes e excreção dos detritos.

A função dos sistemas Yang, em geral, é freqüentemente expressa na palavra chinesa

Tong, que significa “fazendo as coisas atravessarem" ou "assegurando a passagem livre", etc. A função do Triplo Aquecedor (Sanjiao), além disto, é usualmente expressa na palavra

chinesa Chu, que significa "excretando" ou mais exatamente "saindo".

O Triplo Aquecedor (Sanjiao) desempenha a função de libertar em relação ao Qi

defensivo no Aquecedor Superior, Qi nutritivo (Yiag Qi) no Aquecedor Médio e fluídos corpóreos (Jin Ye) no Aquecedor Inferior. A pessoa recebe o Qi dos alimentos, estes

57

penetram no Estômago (Wei), dispersam-se no Pulmão (Fei) e nos cinco sistemas Yin e seis sistemas Yang; a parte pura vai para o Qi nutritivo (Yin Qi), a parte impura vai para o Qi defensivo. “A capacidade do Qi nutritivo (Yin Qi) e do Qi defensivo de se dispersarem no Estômago (Wei) para o Pulmão (Fei) depende da função de „„escoamento” do Triplo Aquecedor (Sanjiao). Em outras palavras, é o Triplo Aquecedor (Sanjiao) que controla o movimento de vários tipos de Qi em vários níveis de produção, em especial, na garantia de que muitos tipos de Qi são "escoados" de maneira suave. Desta forma, o Triplo Aquecedor (Sanjiao) é um estágio triplo de passagem e caminho, contribuindo para a produção do Qi defensivo e do Qi nutritivo (Yin Qi) após a separação dos alimentos em partes puras e impuras, e a excreção dos fluídos corpóreos (Jin Ye). O Aquecedor Superior libera o Qi defensivo (direcionando para o Pulmão (Fei)), o Aquecedor Médio libera o Qi nutritivo (Yin Qi (direcionando-o para todos os sistemas) e o Aquecedor Inferior libera os fluídos corpóreos (Jin Ye) (direcionando-o para a Bexiga (Pangguang). Há descrições na literatura que descrevem de várias maneiras: as funções do Triplo Aquecedor (Sanjiao) como "abrindo", "escoando o Qi”, liberando o Qi. O funcionamento deficiente do Triplo Aquecedor (Sanjiao) é descrito várias vezes como "não fluir suavemente", “Fluir em abundância" ou "ser bloqueado”. Na prática, isto significa que uma obstrução na função do Triplo Aquecedor (Sanjiao) provocará uma dificuldade para os vários tipos de Qi ou fluídos corpóreos (Jin Ye) nestes três estágios: um bloqueio do Qi defensivo no Aquecedor Superior, dificuldade na função dispersora do Pulmão (Fei), um bloqueio do Qi nutritivo (Yin Qi) no Aquecedor Médio, problemas da função transportadora do Baço (Pí) e um bloqueio dos fluídos corpóreos (Jin Ye) no Aquecedor Inferior, dificuldade na função da Bexiga de transformar o Qi. Estas situações podem causar espirros, distensão abdominal e retenção urinária respectivamente. Segundo Maciocia (1996) o sistema Triplo aquecedor se divide em três . Os itens dispostos nas tabelas abaixo descrevem o correspondente a cada sistema.

Triplo Aquecedor (Sanjiao) como uma "via para o Qi Original” A idéia do Triplo Aquecedor (Sanjiao) surgiu do Classic Of Difficulties, segundo a obra, o Triplo Aquecedor (Sanjiao) "tem um nome, mas não uma forma", ou seja, não é um sistema, mas um conjunto de funções, sendo, portanto insubstancial. O Classic of Difficulties afirma que o Qi, original reside no baixo abdome, entre os dois Rins, se dispersa para os Cinco Sistemas Yin e seis sistemas Yang através do Triplo Aquecedor (Sanjiao) e depois,

58

penetra nos doze meridianos e emerge nos pontos Fonte. A partir disso, apareceu à interpretação do Triplo Aquecedor (Sanjiao) como uma "via para o Qi Original", ou seja, o meridiano para a viabilização do Qi Original. O Qi Original também é descrito na mesma obra como "a força motriz entre os Rins (Shen)", ativando todas as funções fisiológicas do organismo e fornecendo calor para a digestão. Esta "força motriz entre os Rins (Shen)"

executa suas funções com o intermédio do Triplo Aquecedor (Sanjiao). Como foi mencionado anteriormente, o Qi Original fornece o calor necessário para a digestão e a transformação dos alimentos. Pelo fato de o Triplo Aquecedor (Sanjiao) ser uma "via para o Qi Original", ele exerce, obviamente, uma influência sobre o processo digestivo. Maciocia (1996) explica que, o Triplo Aquecedor (Sanjiao) é a via dos alimentos e líquidos, o início e fim do Qi. Controlando o recebimento, mas não a excreção, o Aquecedor Médio (Jiao Médio) governa o "amadurecimento e a decomposição dos alimentos e líquidos"

e o Aquecedor Inferior (Jiao Inferior) a excreção, mas não o recebimento. Todas estas

expressões recebimento, "amadurecimento, decomposição" e "excreção" descrevem o processo de transportação, transformação e excreção dos alimentos e líquidos através do Triplo Aquecedor (Sanjiao). A partir deste ponto de vista, há uma convergência de opiniões do conceito do Triplo Aquecedor (Sanjiao) no Yellow Emperor's Classic e no Classic of

Difficulties, ou seja, entre o Triplo Aquecedor (Sanjiao) como um sistema ou função, embora

o ponto de partida destes dois clássicos seja diferente. Todavia, o Yellow Emperor's Classic enfatiza o desempenho do Triplo Aquecedor (Sanjiao) na sua função escoadora, considerando

o Triplo Aquecedor (Sanjiao) como três avenidas de excreção ou escoamento. O Classic of

Difficulties, ao contrário, enfatiza o trabalho de recebimento, "amadurecimento, decomposição e excreção dos alimentos e líquidos, observando a digestão como um processo de "transformação do Qi” ativado pelo Qi Original por meio da ação intermediária do Triplo Aquecedor (Sanjiao). Maciocia(1996) divide os aquecedores em três sistemas abaixo descrito.

Triplo Aquecedor (sanjiao) como as três divisões do Organismo Este enfoque do Triplo Aquecedor (Sanjiao) é originário do Classic of Difficulties e do Spiritual Axis. A divisão tripla do organismo consiste: do diafragma para cima está o Aquecedor Superior (Jiao Superior), do diafragma até umbigo encontra-se o Aquecedor Médio (Jiao Médio), e abaixo do umbigo está o Aquecedor Inferior (Jiao Inferior). Na medida em que os sistemas e as partes anatômicas estão interligados, o Aquecedor Superior (Jiao Superior) inclui o Coração (Xin), Pulmão (Feí), Cs (Xinbao), garganta e cabeça: o Aquecedor Médio (Jiao Médio) inclui Estômago (Wei), Baço (Pí) e a Vesícula Biliar (Dan) e o

59

Aquecedor Inferior (Jiao Inferior) inclui Fígado (Gan), Rim (Shen), intestinos (Xiaochang e Dachang) e Bexiga (Pangguang).

Aquecedor Superior como uma Névoa

O principal processo fisiológico do Aquecedor Superior consiste na distribuição dos

fluídos corpóreos (Jin Ye) por todo o organismo por meio do Pulmão (Feí) na forma de vapor suave. Este é um aspecto da função dispersora do Pulmão (Feí). Por esta razão o Aquecedor Superior (Jiao Superior) é comparado a uma "névoa”.

O Spiritual Axis diz: "O Aquecedor Superior (Jiao Superior) abre-se externamente,

dispersa os cinco sabores das essências dos alimentos, penetra na pele, abastece o organismo, umedece a pele, similar a uma névoa".

Aquecedor Médio (Jiao Médio) como uma Câmera de Maceração Os principais processos fisiológicos do Aquecedor Médio consistem no que se refere

à digestão e transportação dos alimentos e líquidos (descritos como "amadurecimento e

decomposição") e transportação dos nutrientes extraídos dos mesmos para todas as partes do

organismo. Por esta razão, o Aquecedor Médio (Jiao Médio) é comparado a uma "câmera de maceração" ou "caldeirão efervescente". O Spiritual Axis afirma: "O Aquecedor Médio (Jiao Médio) está situado no Estômago (Wei), recebe o Qi, expele as impurezas, vaporiza os fluídos corpóreos (Jin Ye), transforma as Essências (Jing) refinadas dos alimentos e conecta-se em ascendência com o Pulmão (Fei)"

Aquecedor Inferior como um Fosso

O principal processo fisiológico do Aquecedor Inferior (Jiao Inferior) é a separação

das essências dos alimentos em partes puras e impuras, com a excreção destas. Em particular,

o Aquecedor Inferior (Jiao Inferior) elabora a separação da parte pura da impura dos fluídos

corpóreos (Jin Ye) e facilita a excreção da urina. Por esta razão, o Aquecedor Inferior (Jiao

Inferior) é comparado a um "fosso de drenagem".

O Spiritual Axis relata: "Os alimentos e os líquidos penetram primeiro no Estômago

(Wei), os produtos decompostos vão para o Intestino Grosso (Dachang) no Aquecedor

60

Inferior (Jiao Inferior), o qual flui em descendência, secreta os fluídos corpóreos (Jin Ye) e os transmite à Bexiga (Pangguang)". Para concluir, a tripla divisão do Triplo Aquecedor (Sanjiao) é um resumo das funções de todos os sistemas Yang, mas incluindo também o Pulmão (Fei) e o Baço (Pí) no seu trabalho de receber, digerir, transformar, absorver, nutrir é excretar. Os sistemas dentro de cada divisão não estão separados do Triplo Aquecedor (Sanjiao) em si mesmos. A partir da perspectiva da Acupuntura em particular, o Pulmão (Fei) e o Coração (Xin) estão no Aquecedor Superior (Jiao Superior), Estômago (Wei) e Baço (Pí) estão pó Aquecedor Médio (Jiao Médio) e o Rim (Shen), Bexiga (Pangguang) e Intestinos (Dachang e Xiaochang) estão no Aquecedor Inferior (Jiao Inferior). As três divisões do organismo podem também ser observadas como um resumo do auxílio mútuo e transformação dentro de cada Qi Torácico [Aquecedor Superior (Jiao Superior)], Qi Central [Aquecedor Médio (Jiao Médio)] e Qi Original [Aquecedor Inferior (Jiao Inferior)].

3.8 As Cinco Emoções ou os Sete Sentimentos

Hicks (2007), explica que dos ataques externos e internos existe e deve ser levado em consideração o estado afetivo da pessoa a ser tratada. Chamaremos de os Sete Sentimentos:

Raiva, Alegria, Preocupação, Pensamento, Tristeza, Medo, Pavor. Tais sentimentos representam modificações do Espírito da pessoa, que reage ao perceber as mensagens transmitidas pelo ambiente. Esses sentimentos fazem parte da atividade normal da mente humana e não encerram em si próprios agentes patogênicos. Ross (1994), Explica que nos excessos de sentimentos, que podem ser brutais, extremos, violentos, prolongados, interativos, estressantes, entre outros, provocam uma desordem funcional no Qi dos órgãos e vísceras (Zang-fu), podendo ocasionar a origem do aparecimento de uma doença. A ação patogênica dos Sete Sentimentos se dá por via direta ao órgão, não precisando penetrar no organismo como nos seis excessos que se referem à energia perversa externa. No que se referem à teoria dos Cinco Elementos, os Sete Sentimentos, se resumem em Cinco Emoções que são: Alegria, Raiva, Tristeza, Pensamento, Medo.

61

A atividade mental necessita do “Jing Qi” dos órgãos “Zang”, como base mental. Bing Wang (2001, pág.163) diz: “O homem tem cinco órgãos que elaboram os cinco sopros “Qi” que geram a Alegria, a Raiva, a Tristeza, o Pensamento e o Medo”. Cada Órgão está diretamente relacionado a uma emoção. Relações das Cinco Emoções com os órgãos “Zang”:

Órgão Coração está relacionado com a emoção Alegria.

Órgão Baço está relacionado com a emoção Pensamento.

Órgão Pulmão está relacionado com a emoção Tristeza.

Órgão Rim está relacionado com a emoção Medo.

Órgão Fígado está relacionado com a emoção Raiva.

Aja visto que já dissemos que as atividades mentais necessitam do Jing Qi dos órgãos, entretanto, as emoções fazem parte das atividades mentais e seus excessos ferem seus referidos órgãos. O excesso de Raiva prejudica o órgão Fígado e assim por diante. Quando se trata de emoções em excesso o órgão correspondente é ferido e afeta sua atividade funcional e isso faz com que haja um desregramento na “subida e descida do Qi” criando uma desordem entre o Qi e o Sangue ”Xue”. As cinco emoções em excesso esvaziam os cinco órgãos e o Qi e o Xue (sangue) perdem conteúdo (essência Jing). Pode-se entender que haverá também um desequilíbrio entre o Yin e o Yang. Para Maciocia (1996), cada emoção entendemos que seu desregramento se manifesta da seguinte forma:

Quanto houver excesso de emoção referente à Raiva o “Qi subirá”. Isso acarreta em um distúrbio da função de drenagem fazendo com que o Qi do Fígado suba em sentido contrário, e seguindo o Qi o sangue irá velar “os orifícios puros” e tal ocorrência irá provocar a perda de sentido, que pode ser brutal.

Quando houver excesso da emoção referente à Alegria o “Qi se dissolve”. Isso faz com que haja a dispersão do Qi do Coração; o espírito (Shen) não pode se concentrar.

Quando houver excesso de emoção referente à Tristeza o “Qi será diminuído”. Isso provoca a depressão de Espírito, o Qi do Pulmão diminui “com a tristeza o Qi desaparece”.

62

Quando houver excesso de emoção referente ao Pensamento o “Qi fica atado”. Isso faz com que haja uma parada do Qi do Baço, que não tem a força de efetuar sua função de transporte. Com a preocupação o Qi é bloqueado. Entendemos também que excesso de pensamentos é diretamente proporcional a preocupações.

Quando houver excesso de emoção referente ao Medo ou Pavor, o “Qi desce”. Isso faz com que o Qi dos Rins diminua sua solidez. Observa-se o relaxamento dos esfíncteres e incontinência urinaria e anal, o Medo faz o Qi descer.

Em seu livro o diagnóstico na Medicina Chinesa, Auteroche (1992, p. 127), descreve: A manifestação das emoções revela a natureza do distúrbio de excesso ou insuficiência que afeta cada órgão”.

Qi do Baço em estado de vazio manifesta-se por: depressão, astenia mental.

Qi do Baço em estado de plenitude manifesta-se por: obsessão, idéia fixa.

Qi do Rim em estado de vazio manifesta-se por: indecisão, apreensão.

Qi do Rim em estado de plenitude manifesta-se por: autoritarismo, extravagância.

Qi do Pulmão em estado de vazio manifesta-se por: angústia tristeza.

Qi do Pulmão em estado de plenitude manifesta-se por: super excitação.

Qi do Fígado em estado de vazio manifesta-se por: Medo.

Qi do Fígado em estado de plenitude manifesta-se por: Raiva.

Qi do Coração em estado de vazio manifesta-se por: Choro.

Qi do Coração em estado de plenitude manifesta-se por: risos ininterruptos.

Entretanto, um excesso descontrolado das Cinco Emoções pode transformar-se em Fogo ou em um severo desequilíbrio do “Yin-Yang” e perturbam o curso natural do “Qi”, originando irritabilidade, insônias, amargor na boca, dores torácicas, tosse, hemoptise. Auteroche (1992) refere que os órgãos mais influenciados são: o Coração que governa o Espírito (Shen), o Fígado que governa o descongestionamento e a drenagem, e o Baço que governa a transformação e o transporte do “Jing Qi”. Ainda existem sintomas combinados além dos que atacam somente um órgão. Nas doenças combinadas onde à doença de um órgão suscita a doença de outro órgão, descobre-se nos sintomas a expressão das emoções de dois órgãos, a saber:

Quando não há troca entre o Rim e o Coração observa-se nervosismo, insônia, agitação; se houver temores e vertigens, significa que o Baço pode estar também atacado.

63

Quando um excesso de pensamento ou preocupação e reflexões fatigam o Coração e o Baço, conduzem ao estado de Vazio. De modo geral dizemos que: insônia, palpitação, abundância de sonhos, são emoções ligadas ao Coração; amnésia está ligada ao Baço; temperamento irascível está ligado ao Fígado; mente deprimida com suspiros (exala suspiros) está ligado ao Baço. Quando por motivo de excesso de raiva o Fígado e o Baço podem ficar desarmônicos.

3.9 A importância do Espírito

A raiz da doença está na Mente ou no Espírito, Bing Wang (2001), refere que: Na acupuntura, o que se vê é a pessoa e não a doença. A pergunta que se faz é: Como essa pessoa pode ser tratada e não como vamos tratar o sintoma ou a doença da pessoa. O diagnóstico e o tratamento devem ser voltados para a saúde e não para a doença. Os sintomas físicos são manifestações da doença (biao), que se origina da raiz. Assim sendo, se entende que a raiz da doença está na mente ou no espírito. Esse posicionamento exclui aquelas doenças causadas por traumatismo ou por epidemia, porque neste caso a raiz se deve a causas externas. Em relação a estas colocações a saúde da mente e do espírito é considerada de fundamental importância, além do que uma pessoa é considerada única e exclusiva em seu universo. A palavra Shen tem vários significados, e de modo geral significa: a mente, o espírito, e ou mais do que um espírito, mas aquilo que engloba toda a esfera emocional, mental e espiritual de um ser humano. É o que dá às pessoas a consciência humana. Segundo Bing Wang (2001), ter os espíritos de Shen é o esplendor da vida. Perder os espíritos (shi shen) é a aniquilação.

Deixe-me discutir o shen, o espírito. O que é o espírito. O espírito não pode ser escutado com o ouvido. O olho deve ser brilhante de percepção e o coração deve ser aberto e atencioso e, então, o espírito é subitamente revelado através da própria consciência da pessoa. Não pode ser expresso pela boca; apenas o coração pode expressar tudo aquilo que pode ser considerado. Se uma pessoa prestar muita atenção, ela pode, de maneira inesperada, saber aquilo, mas também pode perder muito rápido esse conhecimento. Mas o Shen o espírito torna-se claro ao homem como se o vento tivesse levado a nuvem para longe. Portanto, a pessoa fala sobre o assunto com o espírito. (BING WANG, 2001, p. 46).

Apesar de o espírito ser indivisível assim como o “Tao” na filosofia Taoista, os chineses discutem em termos de cinco diferentes espíritos que se interagem entre si. Isto significa que haveria cinco Shen, e esses estão ligados aos órgãos Yin.

64

Se neste caso for entendida e aplicada a Teoria dos Cinco Elementos, e do Yin-Yang (já visto anteriormente) pode-se entender que para cada elemento existe um espírito, ou uma entidade, que é seu representante em uma esfera anterior a vida humana ou natural, que será de natureza Yang porque é mais fluídica, mais leve. Esses espíritos ou entidades estão associados a cada um dos órgãos Yin , que são os “Oficiais”. No livro de Bing Wang (2001), está escrito: “Para fazer com que a acupuntura seja perfeita e eficaz, deve-se primeiro curar o espírito; como uma doença pode ser curada se não há nenhuma energia espiritual no corpo”.

3.9.1 Os Cinco Shen ou Entidades Viscerais

SHEN

De acordo com Hicks (2007) entende-se que o Chenn do Coração ou a mente, ou espírito, alinha a consciência de uma pessoa com o mundo e permite que ela se comunique com os outros. É o mais visível dos espíritos, uma vez que permite que as pessoas pensem com clareza e ajam de maneira apropriada nas relações sociais, bem como se tornem sossegadas e calmas para relaxar e dormir. O estado de espírito de uma pessoa, em especial do

Coração propriamente dito, geralmente se reflete no brilho dos olhos e na capacidade que ela tem de fazer um contato visual.

I

De acordo com Hicks (2007) entende-se que o I do Baço é às vezes traduzido como o intelecto ou intenção. O I nos permite transformar nossos pensamentos e idéias, e fazer com que se manifestem no mundo. Quando o Baço está fraco, a pessoa fica incapaz de realizar coisas e pode se sentir insatisfeita com o que faz. A incapacidade de transformar as coisas tem sido traduzida como “incapacidade de aceitar uma colheita”.

PRO

Conforme Hicks (2007) entende-se que o Pro do Pulmão ou Alma Corpórea é um aspecto do espírito associado ao corpo físico. Ele permite que as pessoas tenham reações instintivas, por exemplo, a capacidade de estender a mão para pegar um objeto quando ele ainda está no ar. Também capacita as pessoas a se tornarem animadas. Por exemplo, quando uma pessoa fica animada ou excitada, os chineses usam o termo “poli”, este termo significa

65

que uma pessoa esta vigorosamente envolvida em uma atividade. O PRO está alinhado de forma íntima com a respiração da pessoa, que é chamado de “pulsação” do PRO. Uma boa respiração permite que o PRO se enraíze no corpo e permite que as pessoas se sintam mais animadas e vivas. O PRO também fornece a pessoa à capacidade da sensação e percepção corporal. Pulmões fracos fazem com que as pessoas se tornam menos capazes de registrar as sensações físicas que surgem de coisas como sentir, ver e ouvir. Como conseqüência elas podem começar a ficar distantes, inertes ou desvinculadas do outros quando os pulmões estão em desequilíbrio.

TCHE

Segundo Hicks (2007) entende-se que o Tche do Rim é na maior parte das vezes traduzido como vontade ou impulso. Já foi chamado de “vontade que não pode ser controlada”, porque permite que as pessoas sigam adiante em suas vidas sem que conscientemente forneçam ou impulsionem a si mesmas. A pessoa com Rins fortes refletirá

um forte espírito do Rim, por meio de um “impulso para estar animada”. Ao contrário as pessoas com Rins menos fortes podem apresentar uma falta de (energia) ou podem agir de modo compensatório em função dessas carências, forçando a si mesma de modo rigoroso e parecendo ter uma energia extrema ou um forte poder de vontade.

ROUN

Para Hicks (2007) o Roun do Fígado ou Alma Estérea está mais relacionada ao que no Ocidente chamamos de “alma” da pessoa. Considera-se que o Roun entra no corpo da pessoa no momento em que ela nasceu, mas continua a existir depois que ela morre. Quando as pessoas relatam que se separam do corpo, como exemplo durante as “experiências fora do corpo” ou ”experiências no momento da morte”, ou se as pessoas andam durante o sono, ou ficam em transe, essas experiências envolvem o Roun. O fortalecimento do espírito do Rim pode ajudar a manter o Roun no corpo caso ele se encontre patológico. Em casos menos extremos as pessoas se encontram mais vagas e sonhadoras. Outro fato útil para um diagnóstico é que o Roun está associado à capacidade das pessoas realizarem os planos de suas vidas, bem como a capacidade de ter visão e discernimento espiritual. Se uma pessoa tem sonhos de maneira constante, seja na forma de sonhos durante a noite, ou em sonhar acordado, ou simplesmente é um tanto vaga, ou “aérea”, isso, pode ser decorrente de um desequilíbrio do Fígado que afeta o Roun. Isto é com freqüência evidente em pessoas que já tomaram quantidades significativas de drogas recreativas.

66

3.10 Diagnóstico na M.T.C.

A inspeção geral tem as seguintes etapas:

A - Expressão do rosto (O Shen)

B - Cor da pele.

C - Aspecto geral do corpo (forma, postura e movimento)

D - Cabeça e cabelos

E - Aspecto dos olhos.

F - Inspeção dos dentes e gengivas.

G - Inspeção da garganta

H - Inspeção da pele.

I - Furúnculos e ulcerações

J - Inspeção das excreções. Os escarros, os vômitos, as fezes a urina.

K - Audição.

L - Olfação

A) O Exame da Expressão do Rosto (O Shen)

Segundo o livro “O Diagnóstico na Medicina Chinesade Auteroche (1992) o termo “Shen” designa ao mesmo tempo a manifestação externa da atividade vital do corpo o estado mental.

Neste sentido, para saber sobre o que acontece com o organismo da pessoa basta olhar sua face, olhar com atenção sua tez. É através da observação da tez do paciente que poderemos saber sobre a manifestação do desequilíbrio e equilíbrio de suas energias internas, da atividade vital do corpo. O Shenexpressa a abundância ou a fraqueza do Qi e do Sangue dos órgãos na expressão do rosto, na respiração e na elocução. Desta forma, o Shen significa a vida, e é observando o Shen que será possível ver o estado do Qi, do Qi correto (Zeng Qi). São nos olhos que se encontra a energia dos órgãos (Jing Qi dos órgãos), porque são

a

abertura do Fígado, o emissário do coração, este se comunica com o cérebro. Quem guarda

o

Shen é o Coração e sua manifestação está nos olhos. Na observação dos olhos e de seu

67

brilho, podemos avaliar o estado de consciência, força dos movimentos, qualidade de reflexos do paciente. Quando o Shen está em abundância de Jing Qi, o estado do Zheng Qi será normal, o que indica uma atividade normal dos órgãos e vísceras (Zang-Fu). Neste caso os olhos são vivos, brilhantes, a consciência clara, elocução distinta, respiração regular, cor brilhante no rosto, gestos normais. Quando o Shen está fraco o Zheng Qi estará ferido, portanto os órgãos e vísceras (Zang-Fu) estarão afetados. Neste caso os olhos serão baços, o olhar fixo, haverá apatia com reações lentas, a respiração será irregular, os gestos anormais, com cor esmaecida do rosto. Quando o Shen é falso, geralmente encontrado em pacientes com doenças graves, o Shen muda repentinamente de um estado fraco para abundante. Neste caso provavelmente o paciente morrerá. De acordo com Ross (1994), quando o Shen se afasta ou fica isolado haverá transtornos mentais: astenia mental, apatia, elocução espaçada, mente embotada, risos e choros sem motivo, neste caso o Qi das mucosidades se aglomera e isola o Shen do coração. Extrema agitação, gritar, injuriar, quebrar objetos, bater nas pessoas, não reconhecer seus entes próximos; neste caso o fogo das mucosidades perturba o coração. Epilepsia, perda brutal dos sentidos, cair bruscamente de costas, corrimento de saliva, agitação espasmódica dos membros; neste caso as mucosidades obstruem os orifícios do Coração e o vento do Fígado agita-se no interior. Segundo Auteroche (1992), observando-se a cor da pele o brilho e a consistência da pele, podemos ter uma idéia de como esta a energia da pessoa observada. As tabelas abaixo demonstram cada cor e o significado de cada uma delas segundo o autor.

B) A Inspeção da Cor da Pele

De acordo com Bing Wang (2010), se a tez for verde, como a grama molhada; amarela como o Fructus Aurantii; preta, como a fuligem; vermelha como o sangue coagulado; e branca como o osso ressequido, a morte é esperada. Para Auteroche (1992), o verde-preto denota uma algia; o amarelo avermelhado, uma plenitude do calor; o branco, um estado de frio. No exame de sangue, se este for muito vermelho, trata-se de uma plenitude de calor; se for muito verde, um sinal de hiperalgia; muito preto, um sinal de dor crônica. O aparecimento das três cores na tez indica uma doença

68

de Frio-Calor com sensação dolorida em todo o corpo. A tez ligeiramente amarela com os dentes e unhas igualmente amarelas são sinais de icterícia. Para Auteroche (1992), o brilho e a cor do rosto, é na cor e brilho do rosto que se expressa o Qi e o sangue das vísceras. Uma tez fresca, com brilho e luminosa, o Qi e o Sangue das vísceras são normais, sendo o (Zhang Qi) normal. Uma tez baça e macilenta mostra um ataque ao Jing Qi sendo o (Zhang Qi) enfraquecido. Para a medicina chinesa Auteroche (1992), refere-se, as cores dos cinco elementos estão associadas aos cinco órgãos, são: azul ou verde ao Fígado, vermelho ao Coração, amarelo ao Baço Pâncreas, branco aos Pulmões, negro aos Rins, descritos a baixo.

Cor Branca: A cor branca é a cor do Pulmão, elemento metal (Secura). A cor da pele muito branca indica Frio, Vazio, perda de Sangue. Isto significa vazio de Yang ou excesso de Yin.

No branco brilhante, falta de Yang Qi. No branco baço, falta de Yin Qi com perda de Yang Qi.

Cor Amarela: Amarela é a cor do baço; elemento terra (Umidade). A cor da pele amarelada indica Vazio e Umidade. Tez amarela, baça, sem brilho, indica vazio, o Sangue não nutre a luminosidade do rosto, Vazio do Baço Pâncreas. Tez amarela e inchada, o Qi do baço está fraco e vazio a umidade obstrui o interior (umidade xie). Tez amarela, baça, como fumaça, indica Umidade e frio (Yin). Tez amarela e brilhante, vivo cor de laranja, indica calor e umidade (Yang). Corpo todo amarelo inclusive os olhos indica icterícia.

Cor Vermelha: O vermelho é a cor do coração, do Sangue, elemento fogo (Calor). Tez vermelha indica presença de calor, Yang nos órgãos e vísceras. Tez com somente as bochechas vermelhas indica calor vazio com excesso de Yang e vazio de Yin. Tez vermelha, como pintado e macilenta indica que o aquecedor inferior está em estado de vazio e frio e o Yang se eleva produzindo frio embaixo e calor aparente em cima.

Cor Verde ou Azul: O verde é a cor do Fígado; elemento madeira (Vento). O órgão Fígado armazena o sangue e se houver obstrução mostra-se através da tez, através da cor azul esverdeada. Tez esmaecida com azul significa frio, yin do Fígado não pode armazenar o sangue. Tez esverdeada de maneira geral significa estagnação ou elevação do Qi do Fígado. Tez esverdeada ou azulada pode ser encontrada em pessoas com cólera.

69

Cor negra: Negro é a cor dos Rins; elemento água (Frio). Os Rins contém água e fogo, sendo o Yang e o Yin dos Rins. A água dos Rins ficará estagnada se o Yang dos Rins falharem, Yang Vazio e Fogo declinante. Tez enegrecida e ou órbitas enegrecidas nos olhos significa Yin do Rim Vazio ou Yang declinante, estagnação da água dos Rins. Neste caso a água pode se espalhar no corpo causando edema. Tez enegrecida e ressequida significa um estado crônico de estado de Jing dos Rins.

C) Aspecto Geral do Corpo.

Auteroche (1992), explica que quanto aos aspectos geral do corpo basta observar a robustez ou fraqueza, grossura ou magreza e também as deformidades. O corpo robusto reflete o interior florescente. O corpo fraco reflete o interior declinante. O corpo gordo com pele branca, sem brilho e a mente pesada reflete o Vazio de Qi e Yang Qi insuficiente. O corpo magro com rosto cavado e peito estreito com pele ressequida reflete insuficiência de Yin e insuficiência de sangue (Xue). O corpo com magreza extrema o Jing está esgotado. Quanto às deformidades do tórax, por exemplo: “tórax em quilha” sugere insuficiência congênita com perda do Qi do Pulmão e fraqueza do Baço, do Estômago e falta de Jing dos Rins. Quanto aos movimentos: Yang rege os movimentos e o Yin rege o repouso. O corpo agitado e que se move fácil e leve é Yang e pode ter calor e plenitude de Yang. O corpo quieto, parado, pouco móvel, pesado, rosto virado para baixo e mente abatida estará Yin e pode ter frio e vazio. Auteroche (1992), demonstra como observar os aspectos geral do corpo segundo os itens descritos abaixo.

D) Cabeça e Cabelos

É na cabeça que se reúnem todos os Yangs e encerra a “medula do cérebro”, é a moradia do Jing Ming. É através da observação da cabeça que se pode verificar como está a energia dor Rins. Os cabelos são as aberturas dos Rins e a medula é governada pelos Rins. Cabelos secos, fracos, quebradiços, brancos e pouco espessos, com tendência para cair, refletem o estado de insuficiência dos Rins ou vazio dos Rins e de Jing (essência do sangue). Cabeça grande ou pequena demais reflete um déficit do Jing dos Rins.

70

E) Aspecto dos Olhos

Os olhos são as aberturas do Fígado. Pálpebras superiores vermelhas e inchadas correspondem ao vento calor nos meridianos do Fígado. Órbitas afundadas significam Calor- Umidade. Órbitas protuberantes significam Baço insuficiente ou vazio.

F) Inspeção do Pavilhão Auditivo

As orelhas são as aberturas dos Rins. Orelha fina, branca, enegrecida, flácida, significa falta de Jing dos Rins. A cor avermelhada do contorno da orelha significa boa energia no meridiano dos Rins.

G) Inspeção do Nariz

O nariz é a abertura dos Pulmões. Secreção clara significa ataque de vento frio

externo.

Secreção turva e mal cheirosa significa acúmulo de calor no meridiano da Vesícula. Secreção significa calor no Pulmão e no Estômago. Batida das asas do nariz significa calor no Pulmão quando o Jing Qi do Pulmão, e dos Rins se esgotam.

H) Inspeção dos Lábios

Os lábios é a aparência externa do Baço. Lábios pálidos, vazio do Qi e do Sangue. Lábios cor violeta, acúmulo de sangue, congelado pelo frio. Lábios vermelhos, calor que está no Sangue. Lábios secos rachados enrugados, os líquidos Jing foram secos pelo calor. Lábios ulcerados, calor no Baço e Estômago que se vaporiza. Salivar durante o sono, vazio do Baço com excesso de umidade e calor no Estômago.

J) Inspeção dos Dentes e Gengivas

Os dentes são regidos pelos Rins, representam os ossos. O meridiano do Estômago se ramifica nas gengivas. Dentes sem brilho, ferimento grave nos líquidos pelo calor do Estômago. Dentes ressecados e baços, esgotamento do jing dos rins, esgotamento de água.

71

Gengivas vermelhas e inchadas, inflamação no alto pelo fogo do Estômago. Gengiva cor clara, sem brilho, sangue em estado de vazio.

K) Inspeção da garganta

A garganta é a via do Pulmão e do Estômago. Os meridianos do Rim, Fígado, Baço e Estômago, têm ramificações na garganta. Assim sendo, muitas doenças Zang-Fu podem se manifestar. Garganta vermelha, inchada, dolorida, purulenta ou não significa acumulo de calor no Pulmão e no Estômago. Garganta vermelha, cor viva, pouco dolorida, com aparência delicada, vazio de Yin, com fogo vivo. Garganta vermelha, pálida, não inchada, deficiência de Yang dos Rins, é caso de frio interno.

L) Inspeção da Pele

A pele é a tela de proteção do organismo, onde está a energia de proteção Wei ou OÈ, e é a comunicação externa do Pulmão. A modificação da pele obedece às cores e aos cinco movimentos. Pele inchada e com edemas, infiltração de umidade. Pele ressecada, enrugada é por falta de água e Jin Ye.

M) Furúnculos e Ulcerações

Vermelhos, inchados, quentes e dolorosos pertencem à energia Yang. Inchaço de modo difuso, cabeça profundamente enterrada nas massas musculares sem mudança da cor da pele, pertencem as energia Yin.

O) Inspeção das Excreções: os Escarros, os Vômitos, as Fezes e a Urina.

Os Escarros:

Excreções brancas e fluídicas são sintomas de frio, portanto Yin.

Excreções turvas amarelas e viscosas são sintomas de calor, portanto Yang.

Excreções em forma de mucosidade, pouco abundantes, com extrema aderência e difícil de expectorar são mucosidades da secura.

Excreções de cor branca, fácil de expectorar e abundante, é mucosidade da umidade.

72

Os Vômitos:

Vomitar humores claros, saliva, fluídos, Yin do frio.

Vomitar alimento sem cheiro e sem acidez, Qi do estômago vazio e frio.

Vomitar resíduos de cor amarela e amarga, calor do Fígado no Baço, e o Estômago não cumpre mais sua função de descida.

Vomitar resíduos sujos, mal cheirosos, ácidos, calor do Estômago.

Vomitar sangue vermelho fresco ou escuro, fogo no Fígado que ataca o Estômago.

As Fezes:

Fezes pastosas, desagregadas, amarelo escuro, viscosas, calor e umidade nos intestinos.

Fezes líquidas como água, com alimentos não digeridos, Frio e Umidade.

A Urina:

A Poliúria, Frio-Vazio.

A Oligúria, Calor.

Hematúria, calor ferindo os vasos sanguíneos.

Urina turva: umidade impura embaixo, ou Qi do Baço e do Rim vazio.

Urina forte corresponde a calor e umidade.

Com dor nauseante, plenitude e calor.

Com dor forte, vazio e frio.

P) Audição

A audição consiste em ouvir os sons do paciente, que permite determinar anomalias quanto ao Frio, Calor, Vazio, Plenitude.

O som da voz quanto à força:

Voz alta, sonora, logorréia com agitação, Plenitude e Calor.

Voz fraca, baixa, palavras escassas, prostração, Vazio e Frio.

Voz afônica com excitação da voz, Plenitude ou Vazio.

Voz surda, ataques externos e obstrução por umidade.

73

Palavras desordenadas:

Palavra é a voz do coração.

Elocução confusa e desordenada, patologia do Coração.

Elocução com delírio verbal, com palavras incoerentes e voz forte, o Calor contraria o Shen do coração (Plenitude).

Voz lânguida, consciência obscura, o Qi do coração foi atingido e a mente divaga.

Palavra de louco, ou demência verbal, linguagem grosseira e incoerente, injúrias, gritos sem motivos, perda da razão e do próprio controle, Fogo das mucosidades que ferem e perturbam o Coração.

Colóquios, resmungos, Qi do coração vazio, o Jing não alimenta o Coração.

Gagueiras e dificuldades nos fonemas, ataque do vento que perturba o alto do corpo.

Respiração:

Respiração fraca, insuficiência do Qi dos Rins e dos Pulmões, Vazio.

Respiração desigual e sonora, Plenitude e calor no corpo com passagem difícil nos brônquios.

Arquejo de Plenitude: respiração desigual, sonora e precipitada sempre com expiração rápida, Plenitude no Pulmão.

Arquejo de Vazio, respiração emite um som fraco e curto com muita expiração, Vazio do Qi do Pulmão e dos Rins que não tem força para fazer sair e recolher.

Respiração fraca, insuficiente, deficiência de Qi e estado de Vazio. Opressão no peito com suspiros longos e gemidos, isso ocorre quando há retenção dos sentimentos e o Fígado não consegue mais drenar.

Tosse:

A Tosse e a incapacidade do Pulmão assegurar a sua função de propagação, o Qi em vez de descer torna a subir em contra corrente.

Som da tosse grave e indistinto, Plenitude.

Som da Tosse fraco e hesitante, Vazio.

Soluços e Eructações:

Soluços e eructações correspondem à subida na contracorrente do Qi do Estômago e

agrupam duas manifestações:

Soluço sonoro e forte, Calor-Plenitude.

74

Soluço abafado e longo, Frio-Vazio.

L) Olfação:

Corresponde a olfação dos odores:

Hálito fétido é sinal de calor no Estômago.

Hálito ácido e azedo, alimentos que ficaram retidos no Estômago.

3.10.1 Exame da Língua.

Na MTC interpreta-se a língua como um dos mais importantes microssistemas que podem ser usados para se fazer um diagnóstico adequado. Através da inspeção lingual, quanto

a sua forma, cor, revestimento, mobilidade e outros aspectos gerais podem se identificar, à luz das teorias Yin Yang e dos Cinco Elementos, as patologias existentes no organismo humano.

Para tanto, é preciso conhecer a topografia da língua e identificar os pontos que apresentam sinais diferenciados que podem ser interpretados como sinais patológicos. De modo geral esse microssistemas nos permite fazer uma avaliação da condução energética do organismo, quanto às energias nutritivas (“energias Qi”) e sua circulação. É através da inspeção adequada da língua que se pode verificar se o organismo apresenta patologias e o grau de sua evolução.

Segundo Yamamura, (2008) o exame da língua é importante para um diagnóstico adequado de uma pessoa. No livro, Nei King, já se encontra indicações semiológicas

importantes tiradas do exame e inspeção da língua. Pode-se dizer que existe uma relação entre

o aspecto da língua e o estado patológico.

A língua é o broto do coração. A raiz da mente! ”(Ling Gen). “Abertura do coração” (Xin Chiao)

Segundo Yamamura (2008), o Ling Shu, assinala que o Qi do coração se manifesta através da língua. Quando o coração está harmônico, podem-se conhecer os cinco gostos e a língua é a mecânica dos sons. O Baço se manifesta na boca, órgão (Yin) que se relaciona com a víscera, estômago (Yang) que está relacionada nos Cinco Elementos com a Terra, entretanto, é na aparência, forma (Corpo da Língua), no revestimento lingual e na cor da

75

língua que temos a possibilidade de diagnosticar o estado da pessoa e como está suas energias “QI” para bom diagnóstico.

Segundo Yamamura (2008), a transformação em energia Qi acontece em dois movimentos: a energia leve que sobe considerada energia Yang. Energia sutil que sobe e a energia impura, pesada, que vai para fora é o estômago que se encarrega de passar para o intestino. No caso do refluxo a energia impura se coloca no contra fluxo. Influxo que sugere umidade impura.

A MTC estuda os Sistemas Internos, e considera o organismo como um sistema integrado, relacionando aspectos funcionais do organismo com as emoções, atividades mentais, tecidos, órgãos dos sentidos e influência ambiental. Analisa o organismo humano como um sistema complexo incluindo, além do aspecto anatômico, as inter-relações com os aspectos de emoções, tecidos, órgãos dos sentidos, atividades mentais, cor, clima e demais correspondentes.

O exame da língua é de fundamental importância para um diagnóstico adequado de uma patologia. Esse método data de tempos antigos, tendo sua origem na China antiga, a mais de 5.000 a.C. com base na filosofia Taoísta, nas teorias Yin Yang e na escola dos Cinco Elementos.

Na filosofia Taoísta se diz que: “O uno está presente no todo”. O homem se relaciona com a natureza e está sob a influência do Céu e da Terra, que por sua vez representa a mesma natureza que o influencia. Pode-se dizer que “tudo que está dentro está fora”. Isso significa que o organismo humano é o representante do todo que é a natureza. Nesse sentido o organismo humano deverá ser um Micro Cosmo de Um Macro Cosmo, como, seu único representante. Entretanto, poderemos entender também que no corpo humano deve haver algo que pode encerrá-lo como um todo.

Considerando que existira sempre um universo menor que encerra e representa um maior podemos entender que deve haver partes do corpo que encerram o corpo como um todo, ao qual vamos entender como os microssistemas. (SILVA, 2007). Continuando na mesma interpretação os microssistemas são vários, são eles: pés; mãos; olhos, íris; crânio; nariz; língua; orelha entre outros. No momento vamos nos deter apenas no microssistemas chamado Língua.

No livro, Nei King, já se encontra indicações semiológicas importantes tiradas do exame e inspeção da língua. Pode-se dizer que existe uma relação entre o aspecto da língua e

76

o estado patológico.

Assim sendo, o exame da língua quanto a aspectos de sua coloração, consistência, revestimento, mobilidade e a correlação entre esses aspectos irá servir para um bom diagnóstico da quantidade de energia de cada órgão e a mobilização e circulação das energias no organismo humano.

De acordo com Yamamura (2008), a inspeção da topografia da Língua nos permite ver sinais de como circulam as energias naquele organismo assim como identificar possíveis patologias em órgãos ou acoplados. Cada parte do corpo da língua está associada a uma parte específica do corpo todo da pessoa, podendo ser vistos e analisados sob o prisma da teoria dos Cinco Elementos e também do Triplo Aquecedor. De maneira geral o corpo da língua com sua topografia e a identificação de suas partes irá auxiliar de modo fundamental para um bom diagnóstico quanto às patologias.

3.10.2 DIAGNÓSTICO

Pelo exame do pulso, o médico chinês constata toda perturbação do equilíbrio energético do indivíduo, o que lhe permite aplicar uma terapêutica eficaz que consiste em restabelecer o equilíbrio. Os pulsos estão situados sobre a artéria radial, de ambos os lados, ao nível da apófise do rádio e correspondem aos pontos P7, P8 e P9 da acupuntura. O médico que reconhece o estado da doença pela inspeção é genial; pela audição, talentoso; pelo interrogatório, perspicaz; pela palpação, judicioso. Para se fazer bom diagnóstico através da Medicina Tradicional Chinesa M.T.C. a consulta o paciente deve ser conduzida segundo um conjunto de procedimentos que permitam ao terapeuta obter uma soma de numerosas informações sobre a vida da pessoa e a história de suas queixas. Apresenta-se a seguir, de acordo com Auteroche (1992), as várias fases do exame com o paciente, que tem o objetivo de perceber o organismo como um todo.

77

Tabela 6 Descrição do exame de pulso

Níveis

Pulso Esquerdo Yin, Fisico, Sangue.

Pulso Direito Yang, Psiquico, Ar

Nível 1 (Polegar, Céu)

   

superficial

Intestino delgado

Intestino Grosso

Médio

Coração

Pulmões

Profundo

   

Nível 2 (Barreira, Homen)

   

superficial

Vesícula Biliar

Estômago

Médio

Fígado

Baço

Profundo

 

Pâncreas

Nível 3 (Pé Terra)

   

superficial:

Bexiga

T.R.

Médio

Rins Filtrdor

Cir

profundo

Rim Excretor

Circ. Sex

Fonte: BREVES, R. Acupuntura Tradicional Chinesa. São Paulo: Editora Robel, 2001, p.210

Entende-se por superficial o que se percebe com a pressão leve do dedo no local indicado; nível médio se percebe com uma pressão pouco mais acentuada; profundo com forte pressão.

Sobre o exame do pulso destacam-se três pulsos principais: o Superior, o médio e o inferior, que corresponde respectivamente ao Céu, ao Homem e a Terra. Céu Yang, Terra Yin,

o homem é aquele que está entre o céu e a terra que absorve a energia yin- yang e a transforma em energia Yong ou nutritivas. Em Bing Wang (2001), está escrito que existem nove postos de observação, correspondendo ao Céu, a Terra e ao Homem, tanto para o pulso superior, para o médio e para

o inferior. No caso particular deste trabalho, adotou-se o método de análise do exame do pulso chamado (Qi Kou) que se situa ao nível do pulso propriamente dito, mais precisamente sobre

a artéria radial. Esses pulsos estão distribuídos da seguinte maneira.

78

Esquerdo

Direito

Polegar

Intestino Delgado

Intestino Grosso

Coração

Pulmões

Barreira

Vesícula Biliar

Estômago

Fígado

Baço

Bexiga

Triplo Aquecedor

Rim

Circulação e Sexualidade

Fonte: BREVES, R. Acupuntura Tradicional Chinesa. São Paulo: Ed. Robel, 2001, p. 213

Ao Tomar o Pulso, pode-se entender que é possível conhecer os seis Zang (órgãos) e os seis Fu (Vísceras).

O modo da Verificação do Pulso consiste em três tipos de pressão dos dedos.

Pressão leve: consiste em leve pressão sobre a pele.

Pressão forte: consiste em pressionar ate os tendões.

Pressão Média: consiste em pressionar até os músculos.

Segundo Auteroche (1992) a pressão sobre o pulso será sempre exercida usando-se

os dedos médios, indicador e anular tanto da mão esquerda como o da mão direita de cada

pulso verificado ao mesmo tempo.

Ainda segundo o mesmo autor, existem vários tipos de pulso. O pulso normal, que

consiste em quatro pulsações por ciclo respiratório com ritmo regular e tranqüilo, calmo e

forte, tanto o profundo como o de superfície com a mesma intensidade e força. O pulso

patológico, que consiste nas modificações dos pulsos que reflete uma doença. Todo o pulso

que não corresponde às variações fisiológicas normais é considerado patológico.

Auteroche (1992) existem variações do pulso quanto à idade, ao sexo, a estação do

ano, no entanto, não abordaremos tais diferenças neste momento.

Auteroche (1992) Os Pulsos superficiais (Fu) podem expressar a localização de

agentes patológicos na superfície do corpo. Quando pleno o patogênico ataca a superfície, por

79

isso forte. Quando vazio expressa insuficiência do Yang, e pode ocorrer em doenças crônicas

e ataque grave. Os pulsos profundos, só se percebem na profundidade, portanto denotam sintomas internos (Li), com força, plenitude, sem força, vazio, sempre interno. Se o “QI” e o Sangue estiverem estagnados, o pulso profundo será forte. Se os órgãos estiverem fracos com sangue

e energia deficiente o pulso será fraco em sua profundidade. Existem vários outros tipos de pulso patológicos que serão citados a seguir, no entanto não serão feitas suas descrições porque nosso objetivo será o de situar o leitor no que consiste a leitura dos pulsos. São eles: Pulso Retardado; Pulso Rápido; Pulso Vazio; Pulso Deslizante; Pulso Cheio; Pulso Áspero; Pulso fino Pulso Vasto; Pulso Periódico; Pulso em Corda.

Quanto ao Prognóstico, sempre que houver concordância, observando-se os sintomas

e os pulsos, o prognóstico é favorável. Entretanto, quando não for observada concordância

entre sintomas e pulso o prognóstico não será favorável. Exemplificando: Se a queixa principal é de calor em excesso e isso é observável pelo terapeuta e o pulso superficial estiver enfraquecido, estará havendo discrepância, e a energia nociva será muito forte ou já se aprofundou. Outro exemplo de mau prognóstico: uma tez avermelhada, com língua avermelhada com respiração ofegante e o pulso do coração fraco significam que o órgão está deficiente e o prognóstico não será bom, caso o pulso do coração estiver forte e cheio o prognóstico será melhor, ou favorável. Para Auteroche (1992), a tomada do pulso; significa verificar a pulsação sob os dedos, no sentido de verificar a freqüência, o ritmo, a intensidade; como se manifesta, a fluidez das ondas; seu nível e amplitude. Esta verificação tem a finalidade de identificar a

natureza da doença, os estados de deficiência e a força do Qi correto e a do Qi nocivo.

80

Tabela 7 Quadro das doenças correspondentes ao revestimento lingual

Branco

Frio Superfície.

Amarelo

Calor

Preto

Frio ou calor nas doenças graves

 

Branco fino

Estado de saúde ou doença da superfície

 

Branco gorduroso

Frio umidade.

Branco seco

Frio nocivo se transforma em calor e diminui os líquidos orgânicos

Amarelo fino

Calor na superfície

Amarelo gorduroso

Calor unidade

ou

estagnação

de

mucosidades úmidas de origem alimentar.

Amarelo rugoso

Calo de estômago fere os líquidos orgânicos

 

Amarelo espesso

Calor em plenitude no estômago e intestino

 

Preto fino

Vazio frio

Preto espesso

Plenitude absoluta de calor

 

Sem revestimento

Qi do estômago prestes a parar

 

Língua rugosa seca, gretada como a pele de

Líquidos orgânicos a ponto de esgotarem

 

um tubarão

 

Corpo da língua contraído como galhos de

Líquidos esgotados

“letchies”

Língua vermelha como um caqui ou seca e

Qi Xue destruído

baça como fígado de porco

Língua encarquilhada, como se fosse uma

Qi do fígado a ponto de parar

 

argola.

 

Revestimento branco flocoso

Sintoma grave, a produção de Qi cessa, (a produção de Qi pára)

Fonte: AUTEROCHE, B.; NAVAITH, P. O Diagnóstico na Medicina Chinesa. São Paulo: Andrei Editora, 1992, p. 170

81

Tabela 8 Modificações habituais da cor da língua em casos de doenças

Tipo

Modalidades

Significado patológico

Pálido

Cor vermelha, levemente pálida.

Vazio Frio

Vermelho

Vermelho vivo.

Excesso de calor

Escarlate

Vermelho escuro

Calor nocivo penetra as camadas nutrientes (Ying) do Sangue; Yin vazio; Yang em excesso.

Escarlate

Vermelho escuro com presença de cor púrpura, pouca saliva.

Calor nocivo grave; líquidos orgânicos diminutos.

púrpuro

Azul

Púrpuro levemente azulado, a cor é brilhante.

Yin Frio.

púrpuro

Púrpuro

Púrpuro escuro, a cor é baça.

Língua seca: calor nocivo penetra o sangue. Língua úmida: calor na zona nutriente (Ying). Revestimento sujo: Calor-Umidade no sangue.

escuro

Azul

Azul baço

Acarreta a formação de acúmulo de sangue. Yang Qi em estado de vazio extremo.

Fonte: AUTEROCHE, B.; NAVAITH, P. O Diagnóstico na Medicina Chinesa. São Paulo: Andrei Editora, 1992, p. 165

82

3.11 O RYODORAKU

O Ryodoraku é um aparelho eletrônico que pode ser utilizado para o diagnóstico e tratamento em Medicina Tradicional Chinesa, sendo que em nosso caso será utilizado como instrumento de medida diagnóstica. Este aparelho tem a propriedade de medir a resistência da energia que conduz os feixes musculares do Sistema Nervoso Autônomo (SNA). Consiste na medição da energia através de eletrodos apropriados em pontos específicos nos doze meridianos, a saber: P9; CS7; C7; TR4; IG5; BP3; F3; B65; R4; VB41; E42. Essa leitura é editada pelo aparelho em micro amperes, e deverá ser mensurada adequadamente, para saber se a média da energia encontrada, está nos parâmetros médios ou existem discrepâncias significativas. Com a medição da resistência, medida nos pontos específicos de cada meridiano, podemos avaliar o estado energético desses meridianos no sentido de verificarmos como se encontra o desequilíbrio energético de todo o organismo. Para Breves (2007), quando a resistência for alta, os valores em micro amperes serão baixos e vice e versa. Assim interpretado, poderemos saber se a condução de energia está equilibrada, baixa ou alta em cada meridiano. O valor esperado se encontra entre 40 e 60 micros amperes, sendo que o distanciamento desta média em torno de 20 ou 10 micros amper sugere uma degeneração do órgão envolvido naquele meridiano e um aumento da energia. Em torno de 100 ou mais micro amper sugere uma inflamação no órgão envolvido naquele meridiano. Breves (2007 p.25), autor do livro Acupuntura Tradicional via Radiônica, cita no capítulo intitulado Ryodoraku, que O Diagnóstico dos Caminhos Permeáveis foi o fruto de infinita paciência do DR. Nakatami na década de 1950. Cita ainda ”que o pesquisador Dr. Nakatami foi enfático em dizer” Os Caminhos Permeáveis, não são os meridianos principais e que o método não mensura especificamente a energia circulante por eles, e sim a informação do (SNA). No entanto, alguns acupunturistas criaram a acupuntura Ryodoraku, e não acupuntura tradicional, cita ainda o autor do livro que o objetivo será o de somar recursos ao diagnóstico em acupuntura. O uso do Ryodoraku, neste trabalho, será considerado como um instrumento de medição e observação da evolução do tratamento convencional comparando com sua medição. Assim, poderemos verificar se realmente houveram mudanças dos marcadores em

83

micro amperes e se após algumas sessões o organismo da pessoa tratada obteve um melhor equilíbrio energético, segundo os gráficos construidos. A energia elétrica de cada meridiano foi medida pelo Ryodoraku, mensurada e interpretada antes e depois de cada sessão tradicional e comparadas aos dados do início e do final do tratamento.

84

4 MÉTODO

Este estudo objetou mapear utilizando o aparelho Ryodoraku, a evolução do tratamento de acupuntura para o sofrimento físico por tensão nervosa. Foram descritas nove sessões realizadas uma vez por semana. Os instrumentos utilizados para o diagnóstico foram:

exame do pulso, exame da língua e medição com o aparelho Ryodoraku. Em seguida foi elaborada uma estratégia de tratamento através da técnica de acupuntura de acordo com o diagnóstico etiológico da Medicina Tradicional Chinesa. O procedimento em cada uma das nove sessões, constou de uma rotina, a saber: A medição do Ryodoraku; o diagnóstico etiológico; a estratégia de ação da terapêutica da acupuntura; nova medição com o Ryodoraku. Foram elaborados gráficos a partir da mensuração dos dados levantados pelo instrumento Ryodoraku, que de demonstraram a evolução da terapêutica da acupuntura.

4.1 PARTICIPANTE

A paciente foi uma mulher, cuja iniciais do nome são: ZSA, de 55 anos de idade, nascida no dia 10 de agosto de 1952, às 21:00 horas, com peso atual de 65 quilos. A paciente era atendida em um consultório de psicologia com o diagnóstico de neurose. Foi convidada a fazer parte deste trabalho, mostrando-se interessada. Autorizou, por escrito, assinando o termo de consentimento livre e esclarecido conforme modelo anexo. (vide anexo 1).

4.2 INSTRUMENTOS

Os instrumentos utilizados foram: entrevista aberta; tomada do pulso; palpação; exame do corpo da língua; medição das energias com o Ryodoraku.

85

4.2.1 Entrevista Aberta

A entrevista aberta tem a finalidade de perceber a paciente como um todo, como se

insere em seu meio social, sua educação e cultura, como pensa e elabora seus pensamentos, o

que faz no dia a dia, qual sua alimentação, seus sentimentos, sua vida de modo geral. (AUTERCHE, 1992)

4.2.2 A Tomada do Pulso

Este modo de investigação consiste em examinar como estão às energias dos doze meridianos por meio da comparação do batimento de cada um dos doze pulsos radiais. (AUTERCHE, 1992)

4.2.3 A Palpação

A palpação, também consiste em pressão leve e profunda em diversas partes do

corpo da paciente, a fim de identificar regiões que podem apresentar anomalias. Os pontos arautos ou pontos alarmes são pontos específicos distribuídos nos meridianos que ajudam a

identificar quais são os meridianos desequilibrados. (AUTERCHE, 1992)

4.2.4 O Exame do Corpo da Língua

O exame do corpo da língua consiste na observação visual da língua do paciente,

através da exibição da mesma. Esta observação pode mostrar sinais de quais órgãos, vísceras e seus respectivos meridianos, podem apresentar desequilíbrio. O corpo da língua mostra sinais gerais do corpo da pessoa, sua observação de modo adequado mostra sinais da saúde da pessoa. (AUTERCHE, 1992)

86

4.2.5 O Ryodoraku

O Ryodoraku, tem a capacidade de medir a energia encontrada nos diversos

meridianos do corpo da paciente, que através da elaboração dos dados aplicados em tabelas e devidamente mensurados, demonstram quais meridianos apresenta desequilíbrios de energias. Demonstram ainda, através dos números mensurados, gráficos previamente elaborados, que tem a função de propor uma terapêutica que pode ser aplicada ao paciente. Entretanto, em nosso caso, a terapêutica proposta por tais gráficos foi dispensada, e em seu lugar utilizada aquela proposta pelo diagnóstico etiológico descrito acima. (BREVES, 2007)

4.3 O PROCEDIMENTO

O tratamento foi feito em dez sessões, uma vez por semana no terceiro dia de cada semana, às 14h00min. As sessões constituíram em: entrevistas abertas com foco na evolução da queixa inicial ou em sua modificação; exame do corpo da língua; exame dos doze pulsos radiais com a paciente confortavelmente sentada em uma cadeira, à mesa á sua frente. Em seguida, a paciente era convidada a seguir para um divã maca, na qual deitava em decúbito dorsal e com a maca levemente inclinada na região das costas, era feita a palpação no corpo da paciente. A descrição da entrevista, palpação, tomada do pulso, exame da língua e medição com Ryodoraku foi feita em cada uma das sessões com o objetivo de fazer o diagnóstico etiológico. (vide anexo 2)

O instrumento de medição Ryodoraku demonstrou a evolução da terapêutica

aplicada. As mudanças foram descritas através das medições de antes e depois de cada sessão

e da comparação geral de todos os gráficos durante as dez sessões.

A cada medição dos meridianos era anotada a energia mostrada no monitor em

formulário adequado. Em seguida a maca era colocada em posição horizontal, e se iniciava o processo da terapêutica por agulhamento, de acordo com o diagnóstico etiológico proposto. Após o agulhamento nos diversos pontos de comando, passados aproximadamente vinte minutos, as agulhas eram retiradas e descartadas em lugar adequado. A seguir era realizada

87

nova medição com o instrumento Ryodoraku com as devidas anotações e elaboração de gráficos.

Depois do término de cada sessão, eram elaborados os gráficos Ryodoraku, (vide anexo 3) com a finalidade de comparar as medições colhidas antes e depois de cada sessão (vide anexo 4). Após a décima sessões foi feita a comparação geral das mudanças nos gráficos para se ter uma avaliação geral. No final compararam-se os dados da seguinte forma: análise de tomada de pulso, exame da língua e compleição; a seguir a medição do Ryodoraku. Na seqüência a estratégia do tratamento de acordo com a avaliação do pulso; ao final da sessão, nova medição com o Ryodoraku. Em todas as sessões, foi usado o mesmo procedimento. Todos os dados foram comparados, sendo que a última medição do Ryodoraku mostra a evolução em cada sessão. Por último, foi comparada a evolução de todos os gráficos do Ryodoraku em todas as sessões, mostrando a evolução da terapêutica em todas as sessões.

88

5 RESULTADO

Nesse capítulo será apresentada a história clínica da paciente, coletada por meio da entrevista e a hipótese diagnóstica levantada a partir da queixa e dos exames descritos no capítulo anterior. Também será exposta a proposta terapêutica elaborada com base nas informações da história clínica da hipótese de diagnóstico e o procedimento terapêutico com as descrições de cada sessão e os comentários do autor e finalmente há uma comparação das medidas antes e após cada sessão, e no início e no fim do tratamento.

5.1 HISTÓRIA CLÍNICA.

A paciente relatou que se encontrava preocupada com seu estado de saúde geral. Referiu dores nas costas, na região cervical, pescoço e ultimamente fortes dores de cabeça, todos os dias. Tal dor localizava-se geralmente na região temporal, dos dois lados, com maior intensidade do lado esquerdo. Referiu-se ainda a dores na região lombar, na altura dos Rins, que sobe por dentro das costelas, e termina sentindo-se agoniada, segundo suas palavras. Relatou calor exagerado durante a noite, chegando a transpirar muito na região das costas e do pescoço, sendo que depois acaba por ficar gelado nesta parte do corpo, entretanto não sente frio. Referiu-se à dificuldade para dormir, seguida muitas vezes de insônia. Relatou que por meio de exame de ultrassonagrafia, feito poucos dias antes da entrevista, o médico identificou cálculo no Rim esquerdo. Relatou ainda, que se sentia agitada e muito agoniada. Em entrevistas posteriores relatou que, há treze anos atrás, fez cirurgia da tireóide, extraiu parte delas e agora seu médico diagnosticou que pode desenvolver Bócio, e se preocupa com este fato.

89

5.2 HIPÓTESE DIAGNÓSTICA

ZSA apresentou características Yang, fato este observado na tomada de pulso na maior parte das sessões. Quanto à observação do microssistema língua, mostra durante as primeiras sessões calor na linha do TR Superior e Frio na linha do TR inferior. Fato este observado através da saburra espessa de cor branca, observada na Raiz do corpo Lingual e calor observando pontos avermelhados na linha do TR Superior, parte superior do corpo Lingual. Observa-se ainda, os bordos do corpo da língua cor vermelha na linha do Fígado e da Vesícula Biliar. Os desequilíbrios de energia que se manifestaram através da tomada do pulso nas doze posições, sendo seis direito e esquerdo e seis profundas direito e esquerdo, mostraram desequilíbrio nos seguintes meridianos:

Primeira sessão: não foi feito à tomada de pulso

Segunda sessão: BP. insuficiência, F. aumentado VB. excesso, P. excesso, R insuficiência.

Terceira sessão: BP. insuficiência, R. insuficiência, F. excesso.

Quarta sessão:

Quinta sessão:

BP. insuficiência, VB excesso, IG excesso, CS insuficiência.

BP. insuficiência B insuficiência, R insuficiência, CS insuficiência, IG excesso.

Sexta sessão:

Sétima sessão:

Oitava sessão:

E. excesso B. insuficiência, R. insuficiência, CS insuficiência.

F. insuficiência, C excesso, R insuficiência.

BP. insuficiência B insuficiência CS insuficiência

Comparando a freqüência dos dados obtidos na inspeção do pulso conclui-se que a paciente mostra claramente quanto a seu diagnóstico:

Desequilíbrio no meridiano do Baço, com insuficiência de energia.

Desequilíbrio no meridiano do Fígado e Vesícula, com excesso de energia.

Desequilíbrio no meridiano do Rim, com insuficiência de energia.

Desequilíbrio no meridiano da Circulação com insuficiência de energia.

Desequilíbrio no meridiano do Pulmão, com excesso de energia.

90

A princípio pode-se inferir, quanto ao diagnóstico que a ação aumentada das energias

do meridiano do Fígado e Vesícula Biliar pode estar controlando em demasia a energia do Baço através do ciclo controle, (ciclo Ko), esgotando as energias do Baço. Isto traz severa

conseqüência para a energia QI do Baço.

A proposta terapêutica para o tratamento através da acupuntura para a paciente será

descrita a seguir:

Quanto aos dados colhidos na entrevista inicial, observou-se: Preocupação exagerada com sua saúde, que sugere desequilíbrio de energia no sistema do Baço. Calor na parte superior do corpo acompanhado de sudorese no início da noite, que sugere calor no TR superior, parte superior do corpo. Dores de Cabeça principalmente na região temporal, sugere desequilíbrio de energia no sistema Fígado e Vesícula Biliar. Quanto aos dados colhidos no exame do corpo da língua: Observando a raiz da língua que apresenta saburra espessa, sugere frio no TR inferior. Observando pontos

avermelhados na linha do TR superior do corpo da língua, sugere calor no TR superior. Observando os bordos da língua de cor avermelhados, sugere calor na linha do Fígado e Vesícula Biliar. Quanto aos dados observados no exame de pulso: Nas tomadas de pulso observou-se predominância da energia Yang. Observou-se também a energia do sistema do Baço na maioria das vezes insuficiente. A energia do sistema do Fígado e Vesícula Biliar em excesso na maioria das vezes. Desequilíbrio da energia do sistema do Rim. Desequilíbrio no sistema da Bexiga. Desequilíbrio no sistema da Circulação e desequilíbrio no sistema do Pulmão. Estes desequilíbrios, observados acima, serão considerados os principais a serem tratados nesta terapêutica, através da técnica da acupuntura, visando proporcionar maior equilíbrio das energias dos sistemas, no sentido de tratar as causas das doenças a fins de eliminá-la.

5.3 PROPOSTA TERAPÊUTICA

O tratamento foi através dos pontos denominados na Medicina Tradicional Chinesa,

como Ponto SHU, considerados pontos capazes de manipular as energias dos meridianos

91

afetados ou em desequilíbrio, esses pontos foram aplicados a cada sessão, de acordo com a evolução do caso.

A estratégia de ação será a descrita a seguir:

Equilibrar as energias dos meridianos do Baço através de pontos Fonte e de Tonificação.

Equilibrar as energias dos meridianos do Fígado e Vesícula biliar através de Pontos Fonte e pontos de sedação.

Equilibrar as energias do TR inferior através dos pontos de comando situados no meridiano do Vaso Concepção, a fim de trabalhar as energias estagnadas para fluir energia entre os três aquecedores.

Equilibrar as energias dos meridianos dos Rins e da Bexiga através dos Pontos Fonte e tonificação.

Foi considerado, neste caso, que existe estagnação de energia no TR inferior causando frio que pode ser responsável pelo diagnóstico de cálculo renal, indicado no exame de imagem apresentado pela paciente. Assim considerado, deve-se promover a desobstrução no canal das águas agindo-se nos pontos do TR através dos comandos dos pontos do canal do meridiano Vaso Concepção. Uma vez liberado e resolvida a estagnação no TR inferior, espera-se que se modifiquem as condições de calor no TR superior, melhorando as dores de cabeça, sudoreses, e calor com dor na região cervical. Entretanto, será aplicada a terapêutica de sedação e tonificação e ponto Fonte nos meridianos em desarmonia, e também em pontos locais, para eliminar a dor.

92

6 DISCUSSÃO

ZSA mostrou claramente características Yang, pois na sua queixa principal, na primeira entrevista, referiu à agitação, sudorese e insônia, acompanhada de dores na cabeça, com quentura, no trajeto dos meridianos Yang. Segundo Auteroche (1992) explica a tomada do pulso permite analisar o estado e as modificações da doença. Bing Wang (2001) nos diz que o Yin é calmo, o Yang agitado. No exame de pulso foram confirmadas as características Yang, a contar da primeira tomada do pulso na segunda sessão, a saber: direito maior do que esquerdo (D>E), superficial maior do que o profundo (S>P), o primeiro pulso maior do que o terceiro pulso (I>III). Durante todas as sessões subseqüentes mostrou a mesma característica Yang, a não ser na última quando seu pulso mostrou que estava com característica Yin. Segundo Auteroche (1992, p. 268) o Yin e o Yang devem estar equilibrados se estiverem em desequilíbrio um se sobrepõe ao outro. Segundo Auteroche (1992, p.154) a língua é importante na inspeção, quanto à cor e textura, revestimento, a topografia do corpo lingual. Através da inspeção da língua, foi analisado, como estavam as energias dos órgãos e vísceras. No exame do corpo lingual denotou a mesma característica Yang, a considerar a ausência de saburra na região do TR superior e nos bordos com cor avermelhada e em algumas sessões com pequenas brotoejas avermelhadas no corpo da língua. Na observação do corpo da língua concluiu-se que há calor na parte superior do corpo, no TR superior. Entretanto, observando-se a Linha do TR inferior no corpo da língua, constatou-se saburra espessa e branca, indicando a presença de frio. Frio no TR inferior, parte baixa do corpo, com calor no TR superior, denota que a energia QI do TR inferior está estagnada, e não tem ascendência; não vai para cima, contribuindo para que a parte superior do organismo se torne Yang, o que culminou com o relato da paciente sobre calor com sudoreses no pescoço e na cabeça, acompanhada de dores na cabeça. O fato da saburra espessa na raiz da língua mostra que existe frio no TR inferior o que culminou com o relato da paciente sobre as dores que sente na altura dos Rins e sobe por entre as costelas ate a região do peito na parte interna. Quanto à técnica do procedimento do tratamento poderia ser a da desobstrução dos canais do meridiano do Triplo Aquecedor através dos pontos de comando do canal do Vaso

93

Concepção, na linha do TR inferior VC2; VC3; VC4, do TR Médio VC12 e TR superior VC17. Segundo Bing Wang (2001), a energia deve fluir entre os três aquecedores havendo obstrução, a energia não flui, e ficará estagnada em um dos aquecedores.

Entretanto, foram tomados como estratégia de tratamento, os pontos SHU antigos, usando os pontos Fonte, Tonificação e Sedação, orientados pela tomada do pulso e referenciados do exame do micro sistema língua juntamente com os relatos da entrevista da paciente a cada uma das oito sessões. Na primeira sessão a opção foi somente para tranqüilizar a paciente. (ver primeira sessão). Na segunda sessão a leitura do pulso foi, (D>E) (S>P) (I>III), com características Yang, e P; VB; F. em excesso; BP; R. insuficiente. Neste caso, considerou-se que o QI do Rim se encontrou estagnado e não ascendeu para o Estômago prejudicando o Baço e Pulmão. O Fígado e a Vesícula Biliar estavam em excesso, causando calor. O Yang do Fígado aumentado, fogo falso do Fígado no TR médio ascendendo para cima causando dor na cabeça e pescoço, sudorese com agitação.

O canal do Rim estagnado com friagem pode ser a causa do cálculo renal e das dores

que sobem por dentre as costelas. A dor na região lombar em ascendência pressupõe o TR inferior e a dor nos ombros e na cervical e cabeça pressupõe o TR superior acrescido do Yang em excesso do Fígado no TR médio. (ver segunda sessão) Em relação à terceira sessão, quanto ao exame do corpo da língua como um micro sistema, observou-se como dado relevante, a presença de saburra mais espessa na raiz da língua, TR inferior, pequena marca na região do Baço e Estômago. Os bordos sem saburra e avermelhados, que é a região do Fígado e Vesícula Biliar, e na região do TR superior sem saburra e cor vermelha indicando calor na parte superior do TR.

O pulso continuou Yang, porém com uma diferença quanto ao pulso profundo maior

que o superficial (S<P); BP; R insuficiente; F em excesso. O Vaso da Vesícula Biliar e

Pulmão normalizaram.

A energia do Rim se encontrava insuficiente apesar de ter sido estimulado na sessão

anterior. Pode-se também supor que o Yang do Fígado estava muito aumentado passando a controlar por demais o Baço que também continuou inalterado. Se assim for interpretado necessitaria de um ponto proteção para o Baço a considerar o ciclo de controle com exagero nesta função. No entanto este ponto não foi usado. (ver terceira sessão). Durante a quarta sessão a paciente referiu considerável melhora, sendo que os sintomas continuaram, porém com fraca intensidade. No exame de língua continuou com saburra espessa na raiz do corpo da língua, com pequena linha pouco acentuada na região do

94

estômago e intestino grosso. Continuou mostrando calor na linha do TR superior. O pulso continuou com características Yang como na segunda e terceira sessão. IG; VB em excesso; BP; CS Insuficiente. Rim que se encontrava sempre insuficiente e Fígado sempre em excesso foram normalizados. Mostrando aumento no IG; e VB com insuficiência do BP e CS. Neste caso, observou-se que são as vísceras Yang que estão em excesso, denotando uma movimentação do calor nos órgãos passando para as vísceras, podendo ser uma forma de saída de calor, além do mais, o órgão Pulmão, se encontrava em excesso nas primeiras tomadas de pulso, ora é seu acoplado que estava em excesso. Quanto ao BP, continuou insuficiente, entretanto, a insuficiência do CS nos mostrou ainda a dificuldade de circulação de QI. Todavia, inferimos que com a terapêutica aplicada até o momento, estava com tendência a modificação do quadro original quanto à estagnação do QI no TR inferior, no surgimento do CS diminuído uma vez que este vaso é responsável pela circulação dos líquidos orgânicos. (ver quarta sessão). Na quinta sessão, no exame do micro sistema língua, encontrou-se pouca saburra no na linha do TR inferior, e calor na linha do TR superior com pontos avermelhados no TR médio e superior. O pulso quanto às tomadas Yin/Yang modificou-se para Yin, mostrando apenas a

tomada do pulso (I>III). IG, em excesso. BP; CS; ID; B; R. insuficiente. A paciente relata que se encontra mais tranqüila, dorme bem e os suores diminuíram muito, entretanto, se encontra resfriada e com coriza leve. Esta situação denota claramente modificação do quadro mostrando mudanças em seu quadro de desequilíbrio energético apesar de apresentar resfriado com coriza. No entanto com

a insuficiência dos vasos CS; B; R; mostra que a via das águas e circulação ainda estão com dificuldades de circulação. Entretanto, o F e o VB se encontram normalizado. (ver quinta sessão).

Na sexta sessão, o exame da língua denota pouca saburra e ainda calor no TR médio

e

superior. E, em excesso. CS; B; R; insuficiente. Apesar da insuficiência descrita logo acima

o

Estômago estava em excesso, mas o Baço normalizou mostrando diferenças significativas

promovidas pela terapêutica aplicada. O QI no TR inferior não estava mais estagnado e já está ascendente apesar do Rim e Bexiga e Circulação estarem insuficiente. Isso mostrou que as

águas começaram a circular trazendo uma significativa melhora para a paciente. Verificada também que a função do Fígado e Vesícula e Baço estava sendo restabelecida. No entanto ainda existia calor no TR superior.

95

Na sétima sessão, em especial na entrevista, a paciente relatou um dado novo em sua vida. A presença de seu ex-marido que teria voltado a morar na casa dos fundos a sua e como ele é alcoólico isso a incomodou muito. Este novo fato contribuiu para algumas alterações em seu estado geral energético. Quanto ao exame da língua continuou conforme sessão anterior, com pouca saburra na raiz do corpo lingual e calor no TR médio e superior. O pulso estava Yang, mas com o pulso profundo maior que o superficial (S<P). C; F;em excesso. R. insuficiente. CS se encontrava normalizado. Quanto as energia do vaso no meridiano do Coração estava em excesso, o calor no TR superior aumentou, entretanto este calor ou fogo é natural do Coração, apesar do Fígado também aumentado o Baço continua normal. Isto significa que o Yang do fígado estava controlado, apesar do Coração estar aumentado. O meridiano do Coração em excesso foi considerado normal na nova situação de vida da paciente. No momento que relatou a presença no novo fato, interpelou para si mesma na entrevista que iria com certeza resolver esta nova situação e que logo não iria mais ser

incomodada. Nesta situação percebeu-se que apesar do vaso do Rim se mostrar em insuficiência nas maiorias das sessões, a paciente possui força de vontade e não mostra medo

e nem temor. Inferimos que o Rim é o órgão das águas, e força da vontade. Todavia, o

equilíbrio energético se encontraram bem mais adequado. (ver sétima sessão) Na oitava sessão, na entrevista referiu-se a se sentir bem, dorme bem não tem mais calor e nem suores exagerados e nem está mais agitada. Diz: "Não estou mais engolindo as coisas a seco. Mas estou agora preocupada com minhas contas para pagar e estou sem dinheiro é isto que às vezes tira meu sono". No exame da língua se encontrou saburra fina e

corpo da língua de cor rósea. BP; CS; B. insuficiente. F. em excesso. A terapêutica alcançou seu objetivo que foi o de eliminar a estagnação do QI no TR

inferior e abrir o caminho das águas fazendo-a fluir. Apesar da insuficiência acima verificada no exame do pulso, a paciente mostrou que agora tem condições de tomar seu curso natural de vida, sendo que, relata claramente que estava preocupada com seus problemas atuais de vida,

e já estava tentando resolvê-los. Quando relata espontaneamente, que não estava mais

engolindo mais as coisas de sua vida a seco, nos deu à impressão que agora têm condições e

motivação para atuar em sua vida cotidiana de maneira mais suave e resolutiva, sem tanto medo e preocupação que apresentava nas primeiras sessões. Foram feitas prescrições para continuar o tratamento para evitar futuras manifestações do agravamento do quadro. As recomendações sugeridas foram no sentido

96

profilático: Tonificar os Vasos dos Rins e dos Vasos do CS, com a sedação dos vasos do Fígado e da Vesícula Biliar. Se estes procedimentos não melhorarem as energias do meridiano do Baço, este deve ser tonificado, juntamente com a escolha de um Vaso Maravilhoso que recupere as energias Yin, pois a paciente tem característica Yang, e tendência a inflamar o Yang do Fígado. Observações: Poderiam ser adotadas outras estratégias para a terapêutica, assim como usar os Pontos “HO” (água) do meridiano do Rim, usar pontos de comando do Triplo aquecedor que se encontram no meridiano Vaso Concepção, ou o próprio meridiano do TR. Em tais sugestões, poderiam ser acrescentadas as estratégias adotadas nesta terapêutica. Quanto aos Vasos Maravilhosos escolhidos, foram a princípio o R6-P7, no sentido de regular as energias Yin e resolver problemas genitais. Posteriormente o V.M. P7-R6, para captar energia Yin, entretanto poderia este último ser trocado pelo V.M. BP4-CS6, para buscar a energias Yin na parte interna do organismo.

97

7 CONCLUSÃO

Este estudo objetou mapear ultilizando o aparelho Ryodoraku, a evolução do tratamento de acupuntura para o sofrimento físico por tensão nervosa por meio de um estudo de caso clinico. O instrumento Ryodoraku mediu e mostrou a evolução da terapêutica aplicada, na qual pode-se observar mudanças significativas a cada sessão, das dez terapêuticas aplicadas à paciente. Os gráficos do Ryodoraku mostraram a evolução das sessões e a evolução geral do tratamento. Nas tomadas de pulso, verificou-se nas primeiras sessões, que a energia Yang estava muito evidente e nas últimas sessões esta energia foi equilibrada. As energias do Baço em franca diminuição nas primeiras sessões foram equilibradas por meio das terapêuticas subseqüentes. A energia do Fígado e Vesícula Biliar, igualmente foi sendo harmonizada. Quanto ao exame do Micro Sistema Língua, também foi observado modificação importante quanto à aparência da compleição do corpo Lingual. Nas primeiras sessões mostrava excessivo calor na linha do TR Superior e Frio no TR inferior, nas sessões subseqüentes mostrou evolução e na última, o corpo da língua já mostrava ter regularizado seu sistema interno. A estagnação de energia do TR inferior e dos Rins, considerado um elemento água, foi resolvida por meio dos pontos de manipulação de energia chamados pontos SHU da teoria dos cinco elementos. Foi juntamente aplicado à técnica dos Vasos Maravilhosos, que resultou em um equilíbrio mais confortável das energias Yin/Yang. Quanto aos dados da entrevista a cada sessão foi observada claramente a evolução do caso, sendo que a paciente se mostrava mais calma e os sintomas que se referia a princípio, de excesso de calor a noite acompanhados de dores de cabeça e dores na região cervical haviam diminuído a freqüência e seu sono havia regularizado. Portanto, considera-se que foi alcançado o êxito da terapêutica através da manipulação de energia usando-se a técnica dos pontos “SHU” acrescido de pontos locais na região cervical e do trapézio onde existia dor e alguns pontos para tranqüilizar seu estado de agitação emocional.

98

REFERÊNCIAS

AUTEROCHE, B.; Mainville, L;Solinas, H. Atlas de Acupuntura Chinesa: Meridianos e Colaterais São Paulo: Andrei Editora, 2000.

AUTEROCHE, B.; NAVAITH, P. O Diagnóstico na Medicina Chinesa. São Paulo: Andrei Editora, 1992.

BING WANG. Princípios de Medicina Interna do Imperador Amarelo. São Paulo: Ícone,

2001.

BLOFELD, J. Taoísmo. O caminho para a Imortalidade. São Paulo: Editora Andrei, 1992.

BREVES, R. Acupuntura Tradicional Chinesa. São Paulo: Editora Robel, 2001.

BREVES, R. Acupuntura Tradicional Via Radiônica. São Paulo: Edição Pessoal do Autor,

2007.

CAPRA, F. O Tao da Física: Um paralelo entre a Física Moderna e o Misticismo Oriental. ão Paulo: Editora Cultrix, 1983.

CHUACAL, Z. Clássicos de Medicina do Imperador Amarelo. Tratado Sobre Saúde e Vida Longa. São Paulo: Editora Roca, 1999.

CORDEIRO, A.T. Acupuntura e Teosofia, Filosofia Chinesa: Cinco Elementos, Tai-Chi- Chuan, Psiquismo, Homeopatia, I King, Macrobiótica, Astrologia Chinesa. São Paulo: Editora Ensaio, 1994.

CORDEIRO, A.T. e CORDEIRO, R.C. Acupuntura: Elementos Básicos. São Paulo: Editora Polis, 2001.

HEIDEGGER, Martin. Ser e Tempo. 3 ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 2008.

INDADA, Tetsuo. Vasos Maravilhosos e Cronoacupuntura, São Paulo: Editora Roca,

2000.

MACIOCIA G. A. Pratica da Medicina Chinesa. São Paulo: Editora Roca, 1996 HIKCS A; HICKS J; MOLER P. Acupuntura Constitucional dos Cinco Elementos, São Paulo:Editora Roca, 2007

LAO-TSÉ. Tao Te King.