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CONCURSO DE ADMISSÃO À CARREIRA DIPLOMÁTICA (CACD) 1. NORMAS JURÍDICAS 1.2 − HIERARQUIA

DISPOSIÇÕES GERAIS SOBRE A HIERARQUIZAÇÃO DAS NORMAS JURÍDICAS NO ORDENAMENTO BRASILEIRO

1) No Brasil, vigora o princípio da Supremacia da Constituição, que prega que as normas constitucionais, aquelas que emanam do poder constituinte originário, estão em uma hierarquia superior às demais leis.

2) No princípio da Supremacia da Constituição, esta serve de fundamento de validade para as normas infraconstitucionais e infralegais.

3) Não há hierarquia entre normas de um mesmo grupo, mas sim um campo de atuação diferenciado, específico entre as normas que compõem o mesmo grupo. Há hierarquia entre os grupos, sendo disposto que as normas constitucionais são hierarquicamente superiores às normas infraconstitucionais que, por sua vez, são hierarquicamente superiores às normas infralegais.

4) O direito brasileiro se orienta segundo uma hierarquia (ordem de importância), na qual as de menor grau devem obedecer às de maior grau. O conceito de hierarquia trata-se, portanto, de uma escala de valor, representada por um triângulo, a Pirâmide de Hans Kelsen.

CONCURSO DE ADMISSÃO À CARREIRA DIPLOMÁTICA (CACD) 1. NORMAS JURÍDICAS 1.2 − HIERARQUIA DISPOSIÇÕES GERAIS SOBRE

5) O Poder Legislativo Federal é bicameral, ou seja, composto por duas casas: a Câmara dos Deputados Federais e o Senado Federal, compondo o Congresso Nacional. A votação de leis ordinárias pode acontecer por votação da maioria simples (primeiro número inteiro após a metade) e a votação de lei complementar por maioria absoluta (primeiro número inteiro após a metade, mas é metade dos membros, ou seja, conta mesmo quem não estiver presente).

HIERARQUIZAÇÃO DAS NORMAS JURÍDICAS SEGUNDO HANS KELSEN · NORMAS CONSTITUCIONAIS

1) CONSTITUIÇÃO FEDERAL: Trata-se da lei fundamental (Magna Carta), é um conjunto de normas de governo, que podem ser positivadas ou consuetudinárias. Tem como função elencar e limitar os poderes e funções de uma entidade política, além de definir a política fundamental, princípios políticos, a estrutura jurídica, procedimentos, poderes e direito de um governo. A maioria das constituições garante direitos para o povo. Em suma, o termo Constituição pode ser aplicado a qualquer sistema global de leis que definam o funcionamento de um governo, codificando ou não. Tem seu fundamento na Soberania Nacional (independência e autonomia na organização político-jurídica). A Constituição é formulada a partir do Poder Constituinte Originário, expressão máxima da soberania, já que instaura originariamente o Estado e a ordem jurídica, criando um novo modelo e rompendo por completo com o status quo ante. Em 1987 foi formada a Assembléia Constituinte com os deputados federais e senadores eleitos em novembro de 1986. A Assembléia foi presidida por Ulisses Guimarães e teve como objetivo a produção da atual Constituição (CF/88). A partir do documento, inicia-se uma nova fase no país, com novas normas orientadoras e baseadas no princípio da dignidade humana (art. 1º, III, CF).

2) ATO DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS TRANSITÓRIAS (ADCT): Seu principal objetivo é regulamentar o período de transição que se dá do regime jurídico estabelecido por uma constituição velha para o regime estabelecido pela nova. Em certas situações em que a nova constituição pede lei infraconstitucional que regule alguma de suas normas, e para que tal norma não tenha sua aplicabilidade afetada, os ADCTs a regulamentam até a promulgação de lei específica.

3) EMENDAS CONSTITUCIONAIS: É um mecanismo criado pela Constituição da Pensilvânia, de 1776, mas consagrada como uma inovação da Constituição dos Estados Unidos, promulgada em 1787. Visa à alteração ou reforma de algum ou alguns artigos da Constituição. A carta 1998 classifica-se como rígida, logo, a sua alteração existe um processo legislativo especial e difícil. A proposta de emenda deve ser discutida e votada em cada casa, em dois turnos, considerando aprovada se obtiver, em ambos, 3/5 dos votos. A emenda deve ser proposta por, no mínimo, 1/3 dos membros da Câmara dos Deputados, do Senado, pelo Presidente da República ou pela maioria absoluta das assembléias legislativas das unidades da Federação. O texto constitucional não pode ser alterado durante intervenção federal, estado de defesa (preservação ou restabelecimento da ordem pública ou da paz social ameaçadas por grave ou iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidade de grandes proporções) e estado de sítio (utilizado para fins pessoais ou de disputa pelo poder, apenas para agilizar as ações governamentais em períodos de grande urgência e necessidade de eficiência do Estado). No entanto, nem tudo pode ser alterado, como as cláusulas pétreas, de acordo com o artigo 60 da CF.

Art. 60 § 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:

I - a forma federativa de Estado; II - o voto direto, secreto, universal e periódico; III - a separação dos Poderes; IV - os direitos e garantias individuais.

4) TRATADOS E CONVENÇÕES INTERNACIONAIS SOBRE DIREITOS HUMANOS: Tratado internacional é um acordo resultante da convergência das vontades de dois ou mais sujeitos de direito internacional, formalizada num texto escrito, com o objetivo de produzir efeitos jurídicos no plano internacional. Em suma, é um instrumento pelo qual sujeitos de direito internacional (Estados nacional e organizações internacionais)

estipulam direitos e obrigações entre si. Após a Emenda Constitucional 45/04 (reforma do poder judiciário), os tratados e convenções internacionais sobre direito humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos, serão equivalentes às emendas constitucionais. Dessa forma, os tratados sobre direitos humanos ingressarão no ordenamento jurídico brasileiro com status constitucional, exigindo, a partir de então, a mesma complexidade de votação para a sua retirada. Os demais tratados e convenções internacionais de que o Estado brasileiro seja signatário, de acordo com o entendimento da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, possuem natureza supra-legal, ou seja, estão em patamar intermediário entre as normas constitucionais e as normas infraconstitucionais. O trâmite para aprovação e integração no ordenamento jurídico é o mesmo das leis ordinárias (votação da maioria simples).

· NORMAS INFRACONSTITUCIONAIS

5) LEI COMPLEMENTAR: Tem o propósito de complementar, explicar ou adicionar algo à Constituição. Diferenciam-se das leis ordinárias:

LEI COMPLEMENTAR

LEI ORDINÁRIA

MAIORIA ABSOLUTA

CAMPO MATERIAL DEFINIDO PELO CONSTITUINTE

MAIORIA SIMPLES CAMPO MATERIAL DEFINIDO

SEM HIERARQUIA (STF)

POR EXCLUSÃO SEM HIERARQUIA (STF)

COM HIERARQUIA (STJ)

COM HIERARQUIA (STJ)

CAMPO DE ATUAÇÃO DIVERSO

CAMPO DE ATUAÇÃO DIVERSO INFERIOR

SUPERIOR

A lei ordinária existe maioria simples de votos, já a complementar exige maioria

absoluta. A lei ordinária tem seu campo material alcançado por exclusão, de modo que se a

Constituição não exige a elaboração de lei complementar, então a lei competente para tratar daquela matéria é ordinária. Já a complementar tem seu campo material

determinado pelo constituinte. O STF entende que não existe hierarquia entre as duas. O STJ acredita que existe a

hierarquia pelo fato da diferença de quóruns, sendo assim, a lei complementar é hierarquicamente superior à lei ordinária.

6) LEI ORDINÁRIA: É um ato normativo primário e contém, em regra, normas gerais e abstratas. Seu campo é residual, ou seja, tudo o que não for regulamentado por lei complementar, decreto legislativo ou resoluções, será regulamentado por lei ordinária. O STF tem entendido que os atos normativos de efeitos concretos, por não terem conteúdo material de ato normativo, não se sujeito ao controle abstrato de constitucionalidade.

7) MEDIDA PROVISÓRIA: É um ato unipessoal do Presidente da República com força de lei. Não há participação prévia do Poder Legislativo, que somente será chamado a discuti- la e aprová-la em momento posterior. Os requisitos de uma medida provisória são urgência e relevância.

O STF entende que a medida provisória é um veículo idôneo para a instituição de tributos. É vedada a edição de medidas provisórias sobre:

  • a) Nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral.

  • b) Direito penal, processual penal e processual civil.

  • c) Organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, acerca da carreira e garantia

dos seus membros.

  • d) Planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e

suplementares, salvo casos do artigo 167 § 3º.

8) LEI DELEGADA: É um ato normativo elaborado pelo chefe do poder executivo no âmbito federal, estadual e municipal, com a autorização da sua respectiva casa legislativa, para casos de relevância e urgência, quando a produção de uma lei ordinária levaria muito tempo para responder a situação. O chefe do executivo solicita a autorização e o poder legislativo fixa o conteúdo e os termos de seu exercício. Depois de criada, é remetida ao legislativo para avaliação e aprovação. Caso houver aprovação, a norma entra no sistema jurídico como lei ordinária. Leis delegadas não admitem emendas.

9) DECRETO LEGISLATIVO: É um ato normativo de exclusiva competência do poder legislativo e eficácia análoga à de uma lei. São matérias exclusivas de decretos legislativos, por exemplo, as relações jurídicas decorrentes de medida provisória não convertida em lei, resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos ao patrimônio nacional, autorização para o Presidente da República declarar guerra ou celebrar a paz e autorização para o Presidente e Vice-Presidente da República a se ausentarem do país por mais de quinze dias.

10)

RESOLUÇÃO: É uma norma jurídica destinada a disciplinar assuntos do interesse nacional ou do interesse interno do Congresso Nacional ou do Conselho de Ministros (em Portugal). É elaborada e finalizada no âmbito legislativo. Os temas mais freqüentes tratam sobre concessão de licenças ou afastamentos de deputados ou senadores, atribuição de benefícios. Para sua aprovação necessita de um quórum de maioria simples (art. 47, CF), sendo que sua sanção, promulgação e publicação ficam a cargo do presidente do respectivo órgão que a produziu, seja o Congresso, o Senado ou a Câmara dos Deputados.

11)

TRATADOS E CONVEÇÕES INTERNACIONAIS EM GERAL: O trâmite da integração da norma internacional ao direito interno é dividido em etapas:

  • a) Celebração do tratado internacional (negociação, conclusão e assinatura) pelo órgão

do poder executivo.

  • b) Aprovação (ad referendum), pelo parlamento, do tratado, acordo ou ato

internacional, por intermédio de decreto legislativo, resolvendo-o definitivamente.

  • c) Troca dos instrumentos de ratificação pelo Órgão do Poder Executivo em âmbito

internacional.

  • d) Promulgação por decreto presidencial, seguida da publicação do texto em português

no diário oficial. No momento o tratado, acordo ou ato internacional adquire

executoriedade no plano interno, guardando estrita relação de paridade normativa com as leis ordinárias.

· NORMAS INFRALEGAIS

12)

DECRETO: É uma ordem emanada de uma autoridade superior ou órgão (civil, militar, eclesiástico ou leigo) que determina o cumprimento de uma resolução. No sistema brasileiro, os decretos são atos meramente administrativos da competência dos chefes dos poderes executivos (presidente, governadores e prefeitos). Um decreto é usualmente usado pelo chefe do executivo para fazer nomeações e regulamentações de leis. Decreto é a roupagem dos atos individuais ou gerais. Determinam a fiel execução de uma lei já existente, e dispor sobre a organização da administração pública.

13)

PORTARIA: É um documento de ato administrativo de qualquer autoridade pública, que contém instruções acerca da aplicação de leis ou regulamentos, recomendações de caráter geral, normas de execução de serviço, nomeações, demissões, punições, ou qualquer outra determinação da sua competência.

14)

INSTRUÇÃO NORMATIVA: É um documento que vem explicar de que forma será

cumprido o que estabelece a portaria, ou seja, é o processo de concretização do

estabelecido em portaria.

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