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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ

Setor de Educação
Curso de Especialização em Organização do Trabalho Pedagógico na
Educação Popular
Disciplina: Categorias Teóricas da Análise Dialética da Educação e das
Dimensões do Trabalho Pedagógico
Professor: Ms. Vilson Aparecido da Mata
Aluna: Eliane Abel de Oliveira

RESENHA

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Crítica da educação e do ensino. Lisboa:


Moraes Editores, 1978.

Karl Marx nasceu em 1818 na Renania, nessa época a Alemanha ainda


não existia como nação. Sua família era de classe média: seu pai era médico e
sua mãe do lar. Começou a estudar em Berlim e mais tarde cursou Filosofia,
fato este que o levou a ser deserdado pelo pai. Também cursou Direito e
História nas Universidades de Bonn e Berlim Seu desejo era se tornar
professor universitário, porém, devido à sua formação hegeliana, não
conseguiu realizar esse sonho. Depois que se formou, começou a trabalhar
como chefe de redação na Gazeta Renana.
Em 1843, mudou-se para Paris onde conheceu seu melhor amigo e
também parceiro nos escritos e ideias: Engels. Em 1864, Marx foi co-fundador
da Associação Internacional dos Operários, depois chamada I Internacional.
Em 1867 publicou o primeiro volume da sua obra principal, O Capital.
Faleceu em Londres, Inglaterra, em 14 de março de 1883, deixando
muitos seguidores de seus ideais. Até hoje, as idéias marxistas continuam a
influenciar muitos historiadores e cientistas sociais que, independente de
aceitarem ou não as teorias do pensador alemão, concordam com a idéia de
que para se compreender uma sociedade deve-se entender primeiramente sua
forma de produção.
Friedrich Engels nasceu em Barmen, na província do Reno na Prússia,
na atual Alemanha, a 28 de novembro de 1820. Engels nasceu de uma família
burguesa. Seu pai era dono de uma indústria têxtil em Barmen e também sócio
da firma algodoeira Ermen & Engels em Manchester, um dos principais centros
da revolução industrial na Inglaterra. Cursou a escola secundária, mas a
abandonou um ano antes de formar-se, pois o pai insistiu que fosse trabalhar
na expansão de seus negócios. Engels, concordando, passou os três anos
seguintes (1838-41) em Bremen adquirindo experiência nos escritórios da
empresa de exportação Leupold. Conhece Marx em 1843 e separa-se dele
somente após a morte de Marx. A amizade entre ambos é tão profunda que,
em determinada época, Engels decide trabalhar como operário para ajudar no
sustento seu e da família de Marx. Com a venda das empresas da família,
Engels garante o sustento da família de Marx pelo resto da vida.
Em 1844 Engels conhece sua futura esposa, e, mesmo não acreditando
na instituição do casamento, passa a viver maritalmente com ela. Em 1863,
Mary Burns, companheira de Engels de vários anos, vem a falecer. Um ano
depois passará a viver com sua irmã Lizzy até a sua morte, em 1878.
Alguns dos principais escritos dos autores são: As lutas de classes em
França(1872) eo 18 Brumário de Luís Bonaparte (1852); Guerras
Camponesas na Alemanha (1850),Revolução e contra-revolução na
Alemanha (1851), A questão militar na Prússia e o Partido Operário
Alemão (1865), e A questão da habitação (1873) de Engels.

O PROLETARIADO, A CULTURA E A CIÊNCIA


O livro “Crítica da educação e do ensino” escrito por Marx e Engels, traz
um compilado de ideias contidas em outras obras dos autores. Na obra e, em
especial no capítulo II, há uma crítica ao modelo de educação existente, pois o
mesmo é mera reprodução da forma societária e as ideias aplicadas são
“destiladas pelo Estado”.
Para os autores o modelo de educação imposto, em especial, na escola
pública, é o modelo tecnicista, com o ensino voltado para a formação de mão
de obra para trabalhar nas fábricas, ou seja, “um treino para uma prisão
assalariada”. Esse modelo tem como uma das consequências, a separação
entre o trabalho intelectual, destinado à burguesia e o trabalho braçal,
destinado às classes proletárias.

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Marx e Engels acreditam em uma educação que seja contextualizada
com a realidade do educando e que lhe sirva para o pensamento crítico e não
apenas para o exercício de uma profissão.
Neste capítulo do livro, os autores fazem distinção entre o homem do
campo e o homem da cidade. Isto porque, segundo os mesmos, o homem do
campo tem uma vantagem natural no desenvolvimento físico sobre o homem
da cidade. Para eles o homem da cidade é “fisicamente atrofiado e
intelectualmente mutilado”, isto se deve ao fato do homem da cidade ser
sedentário e, como a maioria trabalha em fábricas, ter um trabalho com
movimentos repetitivos, além de não precisarem pensar para realizar seu
trabalho. Quando do surgimento de alguma demanda, esta não é solucionada
pelo trabalhador das fábricas, já o homem do campo tem que resolver suas
demandas, necessita da elaboração de hipóteses e da tentativa e erro até
solucionar determinado problema.
Para Marx e Engels é a cidade quem prepara a síntese do ser social,
isto porque é a cidade quem detém os saberes considerados superiores e
também as artes.
Outro ponto defendido pelos autores é a combinação do ensino com o
trabalho produtivo a fim de vencer a oposição entre trabalho intelectual e
trabalho corporal. Esta forma de ensino é chamada por eles de “saber fazer
prático”. Esta posição é baseada na concepção de que o trabalho humaniza o
homem e o forma um ser social.
Defendem também uma atividade produtiva das crianças e adolescentes
para assegurar base prática a uma atividade científica, uma vez que no sistema
capitalista as relações entre o saber e o fazer se separam.
Outro ponto a se considerar é que os autores acreditam que todo
trabalho intelectual deve ser realizado em benefício da sociedade. Para eles é
um desperdício um trabalho que não seja desta forma, pois aqueles que têm o
privilégio de poder utilizar do aparelho científico devem fazê-lo para contribuir
para a melhoria de vida de todos.
Também fazem uma crítica ao desenvolvimento da tecnologia e seus
fins. Engels e Marx acreditam que se a tecnologia não for pensada e
repensada, ela acabará sendo um instrumento para subjugar o proletariado.

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Particularmente concordo com as ideias de Engels e Marx,
principalmente no que tange a função social da educação e do trabalho
intelectual. Podemos ter os melhores pesquisadores, os mais reconhecidos
intelectuais, mas se tudo o que for produzido na academia não se reverter em
melhoria para a sociedade, todo esforço terá sido em vão. Outro ponto que me
chamou a atenção foi em relação ao desenvolvimento tecnológico. Assim como
os autores acredito que toda a tecnologia seja necessária e deverá trazer o
benefício de todos, portanto, cabe à sociedade a discussão e reflexão de
alguns pontos como que deixo aqui: para quê e para quem a tecnologia está
sendo desenvolvida? Como ela está sendo usada? A quem ela serve? Qual o
uso se faz de toda a tecnologia desenvolvida?