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Introdução

Escolhemos esse tema, pois as escolas da rede pública de ensino estadual


possuem em seu acervo, TV, Vídeo/DVD e Computadores, porém percebemos pouca
utilização e quando utilizam não existe vinculação ao conteúdo desenvolvido. A
utilização dessas tecnologias não consta muitas vezes, nem do planejamento anual do
professor, e nem está no Projeto Político Pedagógico da escola. Portanto tornar esses
equipamentos ferramentas didáticas de apropriação do professor é o nosso desafio.
Consideramos vital que a escola utilize tudo o que possui de material didático
organizadamente e consciente de sua função no processo ensino e aprendizagem. Então
decidimos juntar a tecnologia com essa dificuldade e elaborar um projeto que
possibilite ao professor utilizar as tecnologias com seus alunos pára melhorar a
leitura, escrita e a oralidade
Os docentes estão habituados a conviver com esses recursos no seu dia-a-dia,
porém tem muita dificuldade de torná-los parte de seu cotidiano no fazer da escola, isto
é, utiliza-los normalmente nas aulas incorporando-as aos seus conteúdos. Pois não
conseguem visualizar as mídias como ferramentas didáticas e nem incorporar ao
conteúdo programático.
Com esse projeto estaremos apresentando a real importância do uso das mídias
no seu dia-a-dia, tornando-as parceiras no aprimoramento da leitura e escrita dos alunos.
Abre espaço para novos olhares em relação à aprendizagem dos alunos, não ficando
somente no giz e lousa. O nosso objetivo específico é Sensibilizar e demonstrar aos
professores o funcionamento e as possibilidades de utilização como ferramenta didática
das mídias TV, Vídeo/DVD, computador. E também elaborar atividades junto com os
professores de uso das mídias levando-os a diversificar seu trabalho no cotidiano
escolar, dando acompanhamento a aplicabilidade das atividades elaboradas.
Nosso objeto de estudo será a aplicação do projeto através de orientações
técnicas para 40 docentes de 3ªs e 4ªs séries e acompanhar a sua aplicação junto aos
seus alunos. Estaremos em contato com os mesmos e recebendo os resultados da
aplicação do projeto no mês de outubro de 2007.
Estaremos no primeiro capítulo conceituando mídia e tratando da importância
de uma formação continuada docente para o uso das mídias no processo ensino e
aprendizagem. No segundo capítulo apresentaremos o projeto elaborado para aplicar
com os docentes das 3ªs e 4ª séries do Ensino Fundamental, onde utilizaremos um vídeo
Kiriku e a Feiticeira, faremos um texto coletivo, depois um roteiro para uma
radionovela com todos os passos e encaminhamentos, culminando com a gravação no
computador utilizando o gravador de som do Windows. No terceiro capítulo faremos
nossas considerações finais, inclusive com opiniões dos docentes que participaram
desse projeto e que estarão colocando em prática em suas escolas.
Capítulo I

A conceituação de mídia e a formação do professor quanto ao uso das tecnologias.

O Conceito mídia, de acordo com o curso Mídias na Educação é o seguinte:


“termo usado para referenciar um vasto e complexo sistema de expressão e de
comunicação”. Ainda segundo colocações relacionadas ao conteúdo do curso, a palavra
“mídia” é o plural da palavra “meio”, cujos correspondentes em latim são “média” e
“medium”, respectivamente. O significado da palavra foi se transformando através dos
tempos, de acordo com as novas formas de comunicação desenvolvidas pelo homem.
Na atualidade, mídia é uma terminologia utilizada para suporte de difusão e
veiculação de dados comunicados acerca de alguém ou algo (rádio, televisão, jornal),
para gerar informação (máquina fotográfica e filmadora). Ela pode ser organizada pela
maneira como um fato conhecido é transformado e disseminado (mídia impressa, mídia
eletrônica, mídia digital), pois além do seu aparato físico ou tecnológico também pode
ser utilizada como registro de informações (fitas de videocassete, CD-ROM, DVDs).
Além disso, formam o substrato da mídia a palavra escrita, o discurso oral, o som, a
imagem estática e em movimento.
Buscamos a definição de mídia para ressaltarmos a importância da utilização
dessas tecnologias pelos professores no processo de ensino e aprendizagem, pois as
mesmas fazem parte do cotidiano dos alunos e possuem uma linguagem que eles
conhecem bem. Portanto, utilizá-las na sala de aula deve fazer parte da rotina do
professor.
De acordo com BELLONI (2006), a escola deve integrar as novas tecnologias de
informação e comunicação, pois elas estão presentes em todas as esferas da vida social.
Neste sentido, acreditamos que a escola pública deverá atuar para compensar as terríveis
desigualdades sociais e regionais (que estas máquinas estão gerando) causadas pelo
analfabetismo digital. Segundo a autora, para responder a esse desafio as tecnologias de
informação e comunicação deverão estar integradas no cotidiano escolar e sala de aulas,
de modo criativo e competente. Para isso será necessário investimentos: na formação de
professores, materiais didáticos, equipamentos, novas metodologias de ensino (e
criatividade).
Tudo isso vai acontecendo gradativamente, pois segundo BELLONI (2006), a
entrada das TIC nas escolas ocorreu, sobretudo como resultado da pressão do mercado,
estando a instituição escolar em franca defasagem com relação às demanda sociais e
culturais das gerações mais jovens. As escolas e universidades estão (com grande
defasagem) muito atrasadas em relação a aprendizagem das mídias no que diz respeito
às questões éticas (conteúdos, mensagens) e estéticas (imagens, linguagens, modos de
percepção e expressão). Esta diferença, torna ainda maior o impacto das TIC na cultura
jovem. Podemos citar como maior exemplo o impacto causado pelo vídeo games, que
com aumento de sua demanda entre os estudantes vem agravando a situação da
violência nas escolas. Esses jogos causam profundas transformações de ordem
psicossocial provocado pelo uso intenso destas máquinas de comunicação e informação
que permitem aos jovens não mais assistir passivamente um acontecimento, mas
interagir com outras pessoas no ciberespaço. A escola tem papel importante na
orientação de uso dessas, mídias, pois o professor pode a partir de momentos de debates
discutir sobre os tipos de jogos que os alunos costumam usar nos seus videogames e
desenvolver uma discussão sobre o que poderia ser bom ou não para eles, destacando
atitudes consideradas prejudiciais do ponto de vista humano e ético.
Utilizar as ferramentas informacionais que fazem parte do dia-a-dia dos alunos e
levá-las para o exame em sala de aula é uma das alternativas que o professor tem para
ajudar na escolha daquilo que pode ou não banalizar a vida do ser humano.
Para BELLONI (2006) alguns outros campos serão emergentes: a mídia-
educação, a educação à distância e a comunicação educacional podem vir contribuir
para a transformação dos métodos de ensino e da organização do trabalho nos sistemas
convencionais, bem como para a utilização adequada das tecnologias de mediatização
na educação. Segundo ela cabe lembrar que as TIC não são necessariamente mais
relevantes ou mais eficazes do que as mídias tradicionais em qualquer situação de
aprendizagem. Mas é preciso também não esquecer que embora estas técnicas ainda não
tenham demonstrado toda sua eficácia pedagógica, elas estão cada vez mais presentes
na vida cotidiana e fazem parte do universo das pessoas que possuem menos idade,
sendo esta a razão principal da necessidade de sua integração à educação.
A escola no decorrer dos anos vem se transformando, aquela escola onde o
professor era o detentor do saber, onde sua palavra era lei, já não mais existe, o
professor que ainda insiste em somente utilizar giz, lousa e saliva, fazendo cópia de
livros, já não mais consegue a atenção de seus alunos, isso porque o aluno necessita de
algo mais, ele já não aceita mais esse tipo de aula, ocorreu uma transformação em
nossos jovens eles precisam agir e interagir, como dizem “é a juventude do controle
remoto, da tecnologia, das mídias”.
Os professores são os mesmos, mas os alunos não, com certeza eles esperarão
uma relação diferente com a escola. Partindo deste ponto de vista, o professor pode
abrir um vasto campo para pesquisa, no que diz respeito aos “ modos de aprendizagem
mediatizada”. Este campo deverá ser interdisciplinar e considerar os principais
componentes dessa nova pedagogia: a utilização cada vez maior das tecnologias de
produção, estocagem, transmissão de informações e redimensionamento do papel do
professor. Este, por sua vez tende a ser amplamente mediatizado: como produtor de
mensagens inscritas em meios tecnológicos, destinadas a estudantes a distância, e como
usuário ativo e crítico, além de mediador entre estes meios e os alunos.
Sendo papel da escola e do professor inserir essa mídia no cotidiano da
aprendizagem, pois conforme BELLONI (2006), é ilusório pensar que as mídias irão
renunciar ao seu poder e se adaptar aos objetivos das instituições de ensino. Também é
uma abstração esperar que todas a famílias, sobretudo aquelas que se encontram nas
camadas mais pobres, possam conscientizar seus filhos e educá-los para leitura crítica
das mensagens apresentadas diariamente na televisão e em outros meios de
comunicação. (A escola teoricamente teria esse papel de educar para a utilização das
mídias) Teoricamente seria da escola o papel de educar o indivíduo para utilização das
mídias. Contudo, isto não acontece. O que aumenta de forma considerável a
responsabilidade dos sistemas educativos frente a este novo desafio: será preciso formar
educadores para esta tarefa e também promover o desenvolvimento dessa “nova
disciplina universitária, as ciências da informação e da comunicação que se encontra,
de fato, no cruzamento destas reflexões e tenta estruturar o conjunto destas questões”.
Internet.
De acordo com FARIA (2005) é importante que o professor além de conhecer
as mídias saiba quais são suas aplicabilidades, perceba a necessidade de seu uso em
sala de aula e consiga fazer uma relação com os conteúdos a serem desenvolvidos; que
o uso de uma única ferramenta tecnológica em sala de aula não restringe a sua atuação
como professor e a dos alunos como construtores de seu aprendizado. Mas esse uso
deve ser consciente e maduro, pois depende muito dos objetivos a serem atingidos, dos
procedimentos adotados e dos conteúdos abordados. O trabalho deve ser integrado, com
uma abordagem multidisciplinar. Além disso, a interação dos alunos deve se dar de
forma compartilhada (co-autoria). A autora cita como exemplo o Curso TV Escola os
Desafios de Hoje, que tinha como objetivo envolver o professor no uso da tv em sala de
aula, com propostas de ações.
De acordo com MORAN (2003), esquecemos das mídias mais comuns que as
escolas possuem como tv e o vídeo, hoje pensamos só nos computadores e internet.
Inclusive Moran foi um dos primeiros a publicar textos sobre o uso da tv e do vídeo em
sala de aula. Pois para ele a imagem na televisão, no cinema e no vídeo é sensorial,
sensacional, passa muitas informações que as vezes não captamos claramente. Por isso,
explorar essa mídia em sala de aula é importante, pois ainda segundo MORAN(2003) a
televisão e o vídeo combinam a comunicação sensorial-cinestésica, com a audiovisual,
junta lógica com intuição e emoção com razão. Tudo começa pelo sensorial, passa pelo
emocional e intuitivo, atingindo depois o racional. A televisão e o vídeo são as mídias
que mais os jovens assistem, pois segundo MORAN (2006) as suas linguagens
respondem à sensibilidade deles e da grande maioria da população adulta.
Pois segundo MORAN(2003):
A linguagem audiovisual desenvolve múltiplas atitudes
perceptivas: solicita constantemente a imaginação e reinveste a
afetividade com um papel de mediação primordial no mundo,
enquanto a linguagem escrita desenvolve mais o rigor, a
organização, a abstração e a análise lógica.
Utilizar essas mídias em sala de aula requer algumas técnicas e ter os objetivos bem
traçados, inclusive podemos aproveita-las para melhorar a leitura e a escrita dos alunos
com um projeto que tenha esse objetivo. Existem algumas propostas de uso de vídeo
feitas pelo MORAN(2003) como por exemplo: vídeo como sensibilização: utilizado
para despertar o interesse do aluno por um assunto; vídeo como ilustração: usado para
apresentar aos alunos cenários desconhecidos; vídeo simulação: um vídeo que simule
uma experiência de química por exemplo; vídeo como conteúdo de ensino: usado para
mostrar um assunto tratado direta ou indiretamente; vídeo produção: professor e alunos
produzem os seus vídeos, durante (estudo de meio), que é o método de apreensão do
real no entendimento dos problemas ambientais e na mudança de comportamentos,
visualizando soluções no âmbito das iniciativas individuais e coletivas. É um processo
de pesquisa ambiental, no interior da sala de aula e fora dela, de forma associada a sua
disciplina escolar. É uma estratégia que possibilita uma interação maior com o meio
ambiente, há uma construção mais evidente, mais profunda de relações entre o
conhecimento e o mundo, ou uma feira cultural, onde os alunos poderão expor seus
trabalhos de pesquisa etc. Essas propostas de uso do vídeo foram publicadas pelo autor
há muito tempo e são sempre muito atuais, pois o mesmo indica como utilizar o vídeo
no processo de ensino e aprendizagem com planejamento e objetivos claros, não
apresentando o vídeo apenas como um meio para substituir uma aula não preparada.
Integrar as mídias no processo ensino e aprendizagem, como por exemplo
televisão, DVD e computador, é nossa ambição nesse trabalho, para isso o professor
precisa ter o domínio desses canais de comunicação. Os cursos de graduação hoje
possuem em seus currículos o uso da tecnologia educacional que desenvolve atividades
práticas de uso das mídias. Mas o professor que está na sala e formado há um bom
tempo, precisa se atualizar para o uso dessas tecnologias da informação. Quando
elaboramos atividades ou projetos com esse objetivo que é integrar o uso das mídias em
sala de aula, sabemos que a primeira ação é investigar o quanto familiarizado o docente
está com esse uso, depois organizar cursos de formação para os que gostariam de
utilizar mais as novas ferramentas educacionais e não sabem, e por fim dar a formação
para a implementação do projeto.
Nos dias atuais precisamos buscar mecanismos diferenciados para incentivar os
alunos a se apropriarem da leitura e da escrita, dominar as linguagens, pois é desse o
cidadão que a sociedade precisa. Podemos fazer isso utilizando as mídias como a Tv o
DVD e os computadores. Essa última também faz parte da rotina da maioria dos
cidadãos de alguma forma, caixas eletrônicos, aparelhos eletrônicos domésticos, todos
são computadorizados nos dias de hoje. Ignorar isso na escola é excluir o cidadão do
seu direito de se apropriar dessa tecnologia tão presente em sua vida.
Segundo Ferreiro (2001), as crianças aprendem a escrever nos computadores,
muitos antes de escrever com lápis e papel., é responsabilidade da escola por as crianças
em contato com o que haja de melhor em seu tempo.
Portanto aperfeiçoar a leitura e a escrita das crianças nas primeiras séries do
Ensino Fundamental é o objetivo do projeto que desenvolveremos, utilizaremos
métodos que incentivarão os alunos a se expressarem através da escrita, com a
elaboração de um texto coletivo e de um roteiro, em seguida a expressão oral será
explorada, propiciando a possibilidade de todos participarem e expressarem o seu
conhecimento.
O texto coletivo permite que aqueles que tem maior domínio da língua escrita
ajudem aqueles que tem mais dificuldades, a aprendizagem passa a ser compromisso de
todos. A correção vai acontecendo numa parceria entre colegas e professores, pois
perceberão as concordâncias corretas conforme vão lendo os textos produzidos pelos
grupos.
O uso das mídias como TV e vídeo e em seguida os computadores tornarão esse
domínio mais efetivo. De acordo com MORAN (2003), é importante integrar
tecnologias, metodologias, atividades, integrar textos escritos, comunicação oral,
escrita, hipertextual e multimídica. Cada vez mais aproximar as mídias, experimentar
as mesmas atividades em diversas mídias, trazer cada vez mais o universo do
audiovisual para dentro da escola.
Podemos utilizar a televisão, o DVD e o computador para incentivar o aluno a
desenvolver-se mais na leitura e na escrita, ler o mundo que o cerca e interferir nele
quando for preciso. Pois ele tem esse direito. O professor em sala de aula utilizando as
mídias a partir de projetos que atendam a esse uso e com uma metodologia que
incentive o aluno a se expressar, estará com certeza possibilitando a apropriação da
língua escrita e falada pelos alunos. O aluno também poderá se apropriar desta cultura
da seguinte forma:
Através da cultura audiovisual eletrônica proporcionando aos jovens
informações, valores, saberes, outros modos de ler e perceber. Para Martin-Barbero
(1999), os complexos processos de comunicação da sociedade difundem linguagens e
conhecimentos que descentram a relação escola-livro, âmago do sistema escolar
vigente.
Contemporaneamente, a TV é o meio de comunicação predominante,
instrumental de socialização, entretenimento, informação, publicidade, composto em
função dos interesses dos mercados. Por ela gerações aprendem a consumir e a conhecer
a si e ao mundo. Reuniões públicas, antes nas ruas, têm como cenário e como
mediadora a TV: campanhas políticas e pronunciamentos oficiais substituem interações
coletivas. O diálogo ficção-realidade perpassa fronteiras e mostra a telenovela - o
programa mais visto por crianças e adultos - superar o entretenimento meramente
alienatório e discutir temas sérios, oportunos, que antes eram ignorados ou não
admitidos, devido aos preconceitos.
Como preparar o jovem para analisar a televisão, ler um mundo recortado por
ela, compreender-lhe os recortes (essa edição da realidade)? Como analisar sua presença
cotidiana em nossa cultura? Como usá-la criticamente a serviço da educação? Como
integrar TV/vídeo à escola? Educa-se pela televisão? Que postura têm os consumidores?
Quais os papéis de produtores e proprietários de TV na educação? É viável produzir
programas interessantes com a intenção de educar?
Espera-se que a escola (en)foque o mundo audiovisual, faça da TV objeto de
estudo, conheça-lhe linguagem, programação, condições de produção e de recepção e a
incorpore pedagogicamente. Estudos garantem que se deve abordar a relação educação-
televisão a partir de três perspectivas complementares: educação para uso seletivo da
TV; educação com a TV; educação pela TV. O consumo seletivo e crítico da TV objetiva
desenvolver a competência dos alunos para analisar, ler com criticidade e criativamente
os programas. Na educação com a televisão se utilizam programas como estratégia
pedagógica para motivar aprendizados, despertar interesses, problematizar conteúdos. E
educar pela televisão significa comprometer emissoras a ofertar mais e melhores
programas ao público infanto-juvenil.
A relação juvenil com a TV e as outras mídias tornou mais complexa a
socialização. As crianças acessam ilimitadamente informações adultas, mães e pais
trabalham fora e está decretada a realidade do difícil controle sobre o saber do filho.
Adultos não mais detêm singularmente a informação - propiciadora de status - sobre as
crianças, que desafiam a autoridade adulta.
Capítulo II

Formas de elaboração de projetos e propostas de atividades com a utilização da


TV, DVD, e Computador.

A utilização das mídias para aperfeiçoar a leitura e a escrita das crianças é o


nosso principal objetivo, visto que a escola possui essas tecnologias e faz pouco uso
delas, ou não aproveita adequadamente focando a leitura e a escrita dos alunos.
De acordo com XAVIER (2007), nas sociedades que a escrita da língua
prevalecem, as instituições escolares, desenvolvem papel fundamental no processo de
alfabetização e letramento dos alunos, com o auxílio dos meios de comunicação
tradicionais (rádio, tv, jornais, revistas etc.) e atualmente com a Internet (CD, Cd-rom, e
DVD).
Percebemos nas últimas avaliações externas que os alunos têm dificuldade para
ler e escrever, na escola essa tarefa sempre fica a cargo do professor de língua
portuguesa ou apenas com o professor alfabetizador. Pensando nisso, elaboramos um
roteiro de trabalho para professores das 3ª e 4ª séries. Esta iniciativa que
desenvolveremos com os docentes tem o seguinte roteiro:

Utilizando às mídias para aperfeiçoar a leitura e a escrita nas 3ªs e 4ª séries do


ensino fundamental
I– Diagnóstico e justificativa com indicação das necessidades e Prioridades:

Como na Diretoria de Ensino da Região de Mauá quase 100%


das escolas já possuem salas ambientes de informática, sentimos uma
necessidade cada vez maior de tornar o docente apto para utilizar esse
ambiente. Sendo assim, estamos elaborando um projeto, que permitirá
aos professores a apropriação não só do uso dos computadores, mas
também do vídeo como um parceiro no processo de ensino e
aprendizagem, a partir de uma diversificação metodológica.
De Acordo com MORAN (2003), nos deslumbramos com o que
existe de mais novo em tecnologia, computadores e internet e nos
esquecemos da televisão e do vídeo cassete como se já estivessem
ultrapassados. Estas linguagens são muito importantes, pois fazem
parte do cotidiano do aluno que as conhece bem. Partido desse
princípio, entendemos que o estudante poderá utilizar posteriormente
o computador (que tem todas as linguagens audiovisuais e é
interativo)como um meio que congrega todas essas possibilidades
audiovisuais.
Percebemos pelos resultados do SARESP e da Prova Brasil que os alunos da
rede pública de ensino ainda possuem muita dificuldade no domínio da leitura. Com
base nessa situação crítica e na possibilidade de utilizar outras metodologias que
auxiliem os estudantes a alterar o presente quadro, é que desenvolvemos esse projeto.
Sabemos que há mais de dez anos a Secretaria de Educação vem oferecendo cursos de
atualização para os professores com base na Informática Educacional, dando
oportunidade para os professores terem contato com a Informática Básica e com vários
cursos específicos nas áreas de formação, mas isso não é suficiente, pois muitos
professores mudam de escola e de diretoria e necessitam ser incentivados
constantemente no uso da tecnologia como uma prática cotidiana. Tendo em vista que as
escolas estão equipadas com as Salas de Informática e novos cursos com a utilização da
tecnologia estão sendo incorporados ao currículo para uma prática pedagógica mais
dinâmica e prazerosa.
No ano de 2006 desenvolvemos uma orientação técnica que abordava a inclusão
digital e o uso da sala ambiente de informática com atividades de elaboração de jornal e
história em quadrinhos. Esse ano diversificamos nossa atividade, a partir da utilização
do vídeo e do computador para a produção de uma radionovela. O vídeo foi utilizado
como sensibilização (Filme – Kiriku e a Feiticeira) para elaboração de um roteiro para
que os docentes percebam que aquelas tecnologias que estão há muito tempo na escola
podem ser utilizadas juntamente com as mais novas como o computador, por exemplo.
Syd Field define o Roteiro como sendo "uma história contada em imagens, diálogo e
descrição, dentro do contexto de uma estrutura dramática”, tem que ter começo, meio e
fim, isso deve ser feito para que a radionovela seja produzida. A sensibilização gerou a
reescrita num texto coletivo. O trabalho descrito no parágrafo anterior nos leva a
discussão, reflexão e produção de um texto coletivo, que posteriormente culminará num
roteiro com personagens/ narrador/ diálogo e efeitos sonoros, tendo por finalização a
gravação da radionovela no mediaplayer no computador.
De acordo com o PCN do Ensino Fundamental de 1ª a 4ª série, é necessário saber
utilizar diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos para adquirir e construir
conhecimentos, portanto todos somos responsáveis por oferecer esse recuso ao aluno
que é nosso principal objetivo, permitindo que todos tenham acesso às tecnologias
existentes na sociedade hoje, e não seja um excluído digital
Pretendemos utilizar essa metodologia diferenciada para permitir ao aluno o
acesso as tecnologias, o que conseqüentemente poderá melhorar sua leitura e escrita,
pois de acordo com Emília Ferreiro:
A presença da escrita na tela do computador é hoje um fato
universal. A tecnologia da informação e da comunicação está
trazendo mudanças importantes não apenas no mercado de trabalho,
mas também nas práticas de leitura e escrita.
“o Pará foi um dos pioneiros na implantação do Programa de
Informática na Educação quando implantou o Centro de Informática
e Educação - CIED-Pa, em 1987 (QUEIROZ, 2002, p.28)”

II – Objetivos

Desenvolver no professor o hábito de utilizar as tecnologias de informação e


comunicação no processo ensino e aprendizagem.
Incentivar o uso dos computadores e do vídeo como instrumentos para melhor
desenvolver a leitura e a escrita do aluno.
Perceber que o uso de metodologias diferenciadas de
aprendizagem como o computador e o vídeo permitirão aos alunos que
se expressem de forma diferenciada, inclusive no que diz respeito a sua
oralidade?
III – Público Alvo
Professores do Ensino Fundamental Ciclo I,
Critérios: Abertura de inscrições para 40 professores das 3ª e 4ª séries com
noções básicas de informática; formação de duas turmas sendo 20 vagas no período da
manhã e 20 vagas no período da tarde.

IV– Conteúdo e metodologia de desenvolvimento da Orientação Técnica


Durante a orientação técnica daremos instruções básicas sobre o uso do vídeo e
do computador. Explicação sobre o que é um texto coletivo e sua importância para o
aprendizado dos alunos, assim como o significado do roteiro de uma radionovela.
Desenvolveremos as regras de utilização desses ambientes de
aprendizagem. Será uma orientação técnica de dezesseis horas
divididas em quatro dias. No primeiro dia apresentaremos um vídeo
que será o desencadeador das outras atividades, após a transmissão do
mesmo faremos uma dinâmica de sensibilização em seguida o grupo
elaborará um texto coletivo, e formatação específica do Word. No
segundo dia elaboração do roteiro a partir do texto coletivo para a
gravação de uma radionovela no computador. No terceiro dia a
radionovela será o produto final dessa orientação técnica quando serão
testados os sons e apresentada aos colegas. No quarto dia de
Orientação Técnica acontecerá após um mês, pois os professores terão
esse período para desenvolver a atividade com os seus alunos e trazer
para o encontro as dificuldades, facilidades e variações de aplicação
do projeto.

V- Estratégias e recursos selecionados


Serão utilizadas como estratégias para a implementação da orientação técnica:
abertura de inscrição dos professores no período de 30 de julho de 2007 a 06 de Agosto
de 2007, divulgada em rede para as escolas e no site da Diretoria de Ensino
www.demaua.com.br. Os primeiros 40 inscritos farão a orientação técnica que será por
convocação, no horário de aula dos professores.

VI - Recurso materiais:
Sala de Informática (computadores), televisão e DVD.

VII- Desenvolvimento da Atividade:


Especificação do Data Horário Tratamento Metodológico
Conteúdo
A importância do uso do 22/08 Explicação e entrega de textos sobre o tema
vídeo e dos computadores 1ª turma
no processo ensino e 8h30 às Texto: O desafio da TV e do Vídeo à escola – José
aprendizagem. 12h30 Manuel Moran.
A importância da produção
do texto coletivo a partir de 2ª turma Dinâmica de uso do vídeo: sensibilização: 4 grupos de
um tema desencadeador: 13h30 5 pessoas.
Vídeo – Kiriku e a às 17h30 1) O que vejo?
feiticeira 2) O que ouço?
3) O que sinto?
4) O que compreendo?
Os grupos apresentam suas observações e passam a
elaborar o
texto coletivo no Word com uma formatação
direcionada, correção, título e finalização.
Explicação sobre as 24/08 1ª turma 1)Apresentar uma radionovela feita por outros
radionovelas e a 8h30 às professores, para que tenham idéia de como funciona.
importância delas em um 12h30 2)Elaboração do roteiro, usando como ponto de partida
período da história. o texto coletivo elaborado no primeiro encontro.
Textos sobre a importância 2ª turma 4)Seleção dos sons para colocar no roteiro, sons
do roteiro e como deve ser 13h30 às produzidos pelos participantes, sons encontrados no
elaborado para ser 17h30’ ambiente e pesquisa de sons nos computadores, etc.
interpretado devendo ter: 5)Incluir os sons que estarão no roteiro.
narrador, personagens e 6)Revisar os roteiros, fazendo as correções
seleção dos sons - necessárias.
A importância de trabalhar 29/08 1ª turma 1)Gravação da Radionovela a partir do roteiro
a oralidade a partir de uma 8h30 às elaborado no encontro anterior.
produção desenvolvida 12h30 2)Testar os sons, ouvir, corrigir quando for necessário.
pelos participantes. 3)Fazer a gravação final e apresentar aos colegas o
A importância de como 2ª turma resultado do trabalho desenvolvido.
funciona o microfone e o 13h30 Avaliação
gravador de som do às 17h30
Windows, como resolver
os problemas técnicos.
A prática da sala de aula, 26/09 1ª turma 1)Relato da experiência dos professores, sobre as
resultado da aplicação do 8h30 às facilidades, dificuldades e variações na aplicação do
projeto. 12h30 projeto. Também relato referente as mudanças
percebidas pelos professores no desempenho dos
2ª turma alunos: na leitura, escrita e oralidade.
13h30 2)Apresentação de algumas das radionovelas trazidas
às 17h30 pelos professores.
3) Elaboração de um relatório de avaliação com os
itens acima.

VIII – Formas de acompanhamento e de avaliação dos participantes da orientação


técnica
Os professores farão uma avaliação:
a) O que já sabe sobre o uso das tecnologias?
b) .b) O que foi acrescentado para o uso da tecnologia com o seu aluno?
c) c) Possibilidades de aplicação.

Capítulo III
Considerações Finais

A aplicação do projeto junto aos professores trouxeram resultados que podemos


citar em nossas considerações finais, com algumas observações. Percebemos que
alguns não utilizavam os computadores por insegurança, outros por não entender o
processo e organização da sala de aula na sala de informática, e como esta ferramenta
poderia ajudar o desenvolvimento do aluno na aquisição da leitura de a escrita. Outros
recursos os docentes utilizam, mas como ilustração não de forma proposital, mas de
lazer, principalmente o vídeo. Alguns disseram não receberem incentivo da gestão
escolar para utilizar os equipamentos, aliás o acesso aos mesmos são dificultados e com
isso os docentes sentem-se desmotivados.
Quando da abertura das inscrições para os docentes a surpresa foi o grande
número de interessados em fazer o curso, mas percebemos que esse interesse estava
vinculado à participação dentro do horário de aulas, visto que a instrução previa ao
inscrito o certificado de participação fora do horário de trabalho. Houve o encerramento
das inscrições e início do curso. No decorrer das orientações não tivemos praticamente
falta dos professores, compareceram nos três dias previstos e participaram ativamente
das atividades propostas. No segundo encontro entregamos cópias do vídeo utilizado, e
no terceiro encontro a maioria já havia iniciado as atividades com os alunos. Temos um
último encontro agendado em que os docentes deverão trazer as atividades
desenvolvidas com os alunos, solicitamos, um exemplar de texto coletivo, um exemplar
de roteiro da radionovela e uma radionovela gravada.
Com base nas leituras desenvolvidas percebemos a importância da diversificação
na metodologia para aprimorar a leitura e a escrita das crianças, também incentivar os
alunos a expressarem sua oralidade através da radionovela ajuda na produção escrita.
Esse trabalho repercutiu positivamente nas escolas, e docentes que não tinha
interesse pelo trabalho com a utilização da tecnologia, pretende começar, pois percebeu
o interesse dos alunos por esse tipo de atividade.
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QUINTÃO, Vera Lúcia Carneiro, -PGM 3 - A televisão e o vídeo na escola
Televisão e educação: aproximações Site:
http://www.eproinfo.mec.gov.br/fra_def.php?sid=3D84E43587C5554401D96E99B726
C2CF, acessado em: 19/07/2007.
http://www.tvebrasil.com.br/SALTO/boletins2002/tedh/tedhtxt3a.htm
Usina do Roteirista.O roteiro. 2001.Disponível em:
<http://screenwriter.sites.uol.com.br/formate.htm > Acesso em 02/01/2007.
VALENTE, José Armando. Pesquisa, comunicação e aprendizagem com o computador.
O papel do computador no processo ensino-aprendizagem. In: ALMEIDA, Maria
XAVIER, Antonio Carlos dos Santos, Letramento Digital e Ensino], Inc PUC Rio de
Janeiro- 2007.

ANEXOS
Anexos1

Radionovela Título - Data /


Folha n°
__________________________________ /

Direção __________________________ Duração ____________________

Narrrador/Per
Fala Sonoplastia
sonagem
Anexo 2
1. ROTEIRO
Como toda história possui um começo, meio e fim, um roteiro também é
construído por etapas, um passo a passo:
a) Idéia ou "o que". O tema ou fato que motiva o autor a escrever. É sobre esta idéia que
o autor fixará a atenção durante todo o roteiro, pois deseja transmitir algo para o
público.
b) Conflito ou "onde": o autor tem uma idéia, mas esta deve ser transmitida ao público
por meio de um conflito. Se não há conflito, não há interesse por parte do público. O
conflito sempre é definido através do story line. É o universo onde se passará a idéia.
c) Personagens ou "quem": são aqueles que viverão o conflito idealizado pelo autor. São
os responsáveis por passar ao público o que o autor está tentando expressar em sua
narrativa.
d) Ação dramática ou "como": quando o autor já tem definidos a idéia, o conflito que
transmitirá a idéia e os personagens que viverão este conflito, chega o momento de
definir de que maneira este será vivido pelos personagens.
e) Em nível prático, estas etapas podem ser definidas assim:
1)Logo no início do roteiro deve-se definir onde e quando a ação transcorre.
2)Época - Localizar a história no Tempo – Quando. Local - Localizar a história no
Espaço – Onde.
Exemplo a seguir:
Radionovela Título- Data
Folha n°
__________________________________ / /

Direção __________________________ Duração ____________________

Narrrador/
Fala Sonoplastia
Personagem

1)Será preenchido o nome da Radionovela que deverá ser o título do livro, número da
página, direção (nesse momento o grupo distribui as tarefas, o narrador, personagens e
direção).Escreverão o roteiro utilizando como base o livro escolhido, em forma de
narração, identificando sempre quando o narrador entra e as falas dos personagens.
2)Leitura e correção do roteiro elaborado pelo grupo, em seguida cada
grupo irá inserir som (sonoplastia) no seu roteiro, isso deverá ser feito
utilizando os sons do ambiente ou sons pesquisados na Internet.
Escreverão exatamente que som será ouvido de acordo com as ações
dos personagens ou narrador, (passos, batidas na porta, etc.).
Sugestão de avaliação para os professores aplicarem com os alunos:
São itens primordiais para observação do professor, em relação à:
Participação do aluno na:
a) Negociação em grupo no momento das atividades;
b) Disponibilidade para contribuir na produção digital;
c) Interesse em explorar as linguagens (verbal, não-verbal, sonora) para
desenvolvimento das propostas;
d)Empenho no desenvolvimento de roteiro e sonorização;
e)Interação estabelecida para desenvolvimento do trabalho;
f)Revisão do material produzido por seu grupo e compromisso do aluno com o grupo.
Sites sobre roteiro: http://screenwriter.sites.uol.com.br/formate.htm e
http://www.cinemanet.com.br/introducaoroteiro.asp

Anexo 3

O que vejo? (procurem prestar atenção às imagens) converse depois com o grupo e
apresentem aquelas que chamou mais atenção.

O que Ouço ( prestem atenção aos sons, quais são mais marcantes,
converse com o grupo e apresentem o que chamou mais atenção)

O que sinto? (procure destacar os sentimentos despertados durante o filme e relate


para o grupo)

O que compreendo? ( O que entendeu de toda história, quais são as mensagens,


apresente aos colegas)

Anexo 4
A EMOÇÃO PELAS ONDAS DO RÁDIO

Informação: AESP - Associação de Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de


São Paulo - 05/01/2006
Folha de São Paulo Equilíbrio - Rádio
Quando eu era pequena, fazia muito esforço e prestava muita atenção para
entender o mundo das "gentes grandes". Percebia que os adultos eram bem diferentes
das crianças.
Eles falavam de guerra, banco, dinheiro, duplicata, despejo e tudo o mais que
estava na órbita das necessidades e trocas materiais. Sobre sentimentos e emoções, os
adultos de então pouco se manifestavam e, quando o faziam, era tudo sem palavras, por
gestos e olhares. Talvez entre si eles falassem, desde que longe das crianças. Mas nós
tínhamos vias por onde as emoções dos adultos nos chegavam: era pelo rádio.
Chegou a mim, há poucos dias, a notícia de que as radionovelas vão voltar, e
isso me inspirou alguns pensamentos e lembranças que vou contar a vocês, evocando
tardes de 60 anos atrás. Cada novela tinha sua música e, se eu bem me lembro, eram
predominantemente orquestrais, o que não foi para mim uma má introdução, lenta, é
bem verdade, para o universo da música clássica. E não só mas especialmente para a
trama emocional da vida adulta. Aí sim, na radionovela, conseguíamos perceber o que
havia atrás dos rostos sérios e compenetrados dos familiares, vizinhos e mestres, tudo
gente grande.
Colocado desta forma, poderia parecer que vivíamos uma vida hipócrita, mas
não era, não. Havia, é verdade, muito mais contenção, tolerância à angústia, tudo isso
em nome do respeito ao outro, especialmente à mente pura de nós, crianças. Nossas
cabecinhas eram vistas como frágeis, o que não chega a ser mentira, nem hoje.
Estou torcendo para a novela de rádio voltar e nos trazer de volta o uso da mão e
do olho para criar, transformar, em resumo, para que possamos voltar a fazer enquanto
podemos continuar a sonhar
As emoções que nos chegavam pelas ondas do rádio, nós sabíamos que era
ficção, e aceitávamos de bom grado esse faz-de-conta. Enquanto isso, os adultos
preservavam-se. Lembro-me de que a troca de olhar dos adultos era freqüentemente
muito expressiva, para dar a entender que certas coisas "não eram para ser ditas na
frente das crianças". A gente sabia disso e não reclamava. Inveja, ciúme, saudade, dores
de ruptura existiam, mas não éramos informados sobre isso.
A radionovela nos esclarecia sobre o que era vivido, o que acontecia
naturalmente no mundo dos adultos. Nós éramos, até um certo ponto, preservados disso
tudo. Sobre radionovela, não me lembro que existisse censura. A confiança da família
parecia ser total sobre o que ia ser apresentado nas rádios. Ninguém se preocupava em
desligar o rádio em certos momentos. Talvez alguns programas cômicos, que só
passavam tarde da noite, não fossem para crianças, mas elas já estavam dormindo.
Avós, mães e filhas acompanhavam as novelas sempre juntas. Os meninos
ficavam de longe, mas não deixavam de saber o teor das narrativas. A radionovela fazia
parte do mundo feminino. Era o mundo visto pela ótica das mulheres e apresentado
sempre à tarde.
Parece que pensam em trazer de volta esta maravilha da minha infância, e vou
tentar explicar por que acho a notícia tão maravilhosa. Porque, enquanto se escuta,
continua-se a fazer. Enquanto se escuta, tricota-se, lava-se o cabelo, trata-se da pele, faz-
se mãos e pés. Era em volta do rádio que aprendíamos essas artes do feminino. Uma
geração aprendia com a outra. As mais velhas passavam para as mais novas tudo sobre o
cuidado do corpo, da roupa, da limpeza e da feitura dos alimentos. Por observação e
imitação, a sabedoria era passada adiante, sem ordem expressa e sem receita.
Compartilhava-se enquanto se tricotava, se crocheteava, bordava, cerzia, e o rádio
continuava descrevendo as emoções não expressas do cotidiano e, muitas vezes,
também hábitos e costumes que não conhecíamos. Estou torcendo para a novela de
rádio voltar e nos trazer de volta o uso da mão e do olho para criar, transformar, em
resumo, para que possamos voltar a fazer enquanto podemos continuar a sonhar.
Espero que a idéia vingue e o fazer junto retorne às nossas horas vagas. Além de
fazer, enquanto o rádio toca e fala, uns podem montar quebra-cabeça, recortar, arrumar
coleções. E, como algo a mais, ainda temos uma janela aberta para o universo
emocional, onde os mitos podem ser revividos e, mais tarde, até criticados e execrados,
se for o caso. Enquanto sonhávamos, não parávamos de viver. Tão diferente do semi-
autismo da nossa atitude diante da tela da televisão.
ANNA VERONICA MAUTNER , psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise
de São Paulo, é autora de "Cotidiano nas Entrelinhas" (ed. Ágora)
http://www.radiojornalismo.com/midiatexto/midiatexto208.htm - 26/07/2006

Anexo 5

Desafios da televisão e do vídeo à escola


Estamos deslumbrados com o computador e a Internet na escola e vamos
deixando de lado a televisão e o vídeo, como se já estivessem ultrapassados, não fossem
mais tão importantes ou como se já dominássemos suas linguagens e sua utilização na
educação.
A televisão, o cinema e o vídeo - os meios de comunicação audiovisuais -
desempenham, indiretamente, um papel educacional relevante. Passam-nos
continuamente informações, interpretadas; mostram-nos modelos de comportamento,
ensinam-nos linguagens coloquiais e multimídia e privilegiam alguns valores em
detrimento de outros.
A informação e a forma de ver o mundo predominante no Brasil provêm
fundamentalmente da televisão. Ela alimenta e atualiza o universo sensorial, afetivo e
ético que crianças e jovens – e grande parte dos adultos - levam a para sala de aula.
Como a TV o faz de forma mais despretensiosa e sedutora, é muito mais difícil para o
educador contrapor uma visão mais crítica, um universo mais abstratelas e nos reality-
shows como o Big-Brother e semelhantes.
Diante desse panorama, nós educadores costumamos contrapor a
diferença de funções e da missão da televisão e da escola. A TV somente
entretém enquanto que a escola educa. Justamente porque a televisão não
diz que educa o faz de forma mais competente. Ela domina os códigos de
comunicação e os conteúdos significativos para cada grupo: os pesquisa, os
aperfeiçoa, os atualiza. Nós educadores fazemos pequenas adaptações,
damos um verniz de modernidade nas nossas aulas, mas fundamentalmente
continuamos prendendo os alunos pela força e os mantemos confinados em
espaços barulhentos, sufocantes, apertados e fazendo atividades pouco
atraentes. Quem educa quem a longo prazo?
Como a televisão se comunica
O meio de comunicação, principalmente a televisão, desenvolve formas
sofisticado multidimensionais de comunicação sensorial, emocional e racional,
superpondo linguagens e mensagens, que facilitam a interação, com o público. A TV
fala primeiro do "sentimento" - o que você sentiu", não o que você conheceu; as idéias
estão embutidas na roupagem sensorial, intuitiva e afetiva.
A televisão e o vídeo partem do concreto, do visível, do imediato, próximo, que
toca todos os sentidos. Mexem com o corpo, com a pele, as sensações e os sentimentos -
nos tocam e "tocamos" os outros, estão ao nosso alcance através dos recortes visuais, do
close, do som estéreo envolvente.
Isso nos dá pistas para começar na sala de aula pelo sensorial, pelo afetivo, pelo
que toca o aluno antes de falar de idéias, de conceitos, de teorias. Partir do concreto para
o abstrato, do imediato para o mediato, da ação para a reflexão, da produção para a
teorização.
A eficácia de comunicação dos meios eletrônicos, em particular da televisão, se
deve também à capacidade de articulação, de superposição e de combinação de
linguagens diferentes - imagens, falas, música, escrita - com uma narrativa fluida, uma
lógica pouco delimitada, gêneros, conteúdos e limites éticos pouco precisos, o que lhe
permite alto grau de entropia, de flexibilidade, de adaptação à concorrência, a novas
situações. Num olhar distante tudo parece igual, tudo se repete, tudo se copia; ao olhar
mais de perto, por trás da fórmula conhecida, há mil nuances, detalhes que introduzem
variantes adaptadoras e diferenciadoras.
A força da linguagem audiovisual está em que consegue dizer muito mais do que
captamos, chegar simultaneamente por muitos mais caminhos do que conscientemente
percebemos e encontra dentro de nós uma repercussão em imagens básicas, centrais,
simbólicas, arquetípicas, com as quais nos identificamos ou que se relacionam conosco
de alguma forma.[2]
Televisão e vídeo combinam a dimensão espacial com a sinestésica, ritmos
rápidos e lentos, narrativas de impacto e de relaxamento. Combinam a comunicação
sensorial com a audiovisual, a intuição com a lógica, a emoção com a razão. A
integração começa pelo sensorial, o emocional e o intuitivo, para atingir posteriormente
o racional. Exploram o voyeurismo, e mostram até a exaustão planos, ângulos, replay de
determinadas cenas, situações, pessoas, grupos, enquanto ignoram a maior parte do que
acontece no cotidiano. Mostram a exceção, o inusitado, o chocante, o horripilante, mas
também o terno – um bebê desamparado, por exemplo. Destacam os que detêm
atualmente algum poder – político, econômico ou de identificação/projeção: artistas,
modelos, ídolos esportivos. Quando o perdem, desaparecem da tela.[3]
A organização da narrativa televisiva, das situações, idéias e valores é muito mais
flexível e contraditória do que a da escola. As associações são feitas por semelhança,
por contraste, muitas vezes estéticos. As temáticas evoluem de acordo com o momento,
a audiência, o impacto.
Os temas são pouco aprofundados, explorando os ângulos emocionais,
contraditórios, inesperados. Passam a informação em pequenas doses (de forma
compactada), organizadas em forma de mosaico (rápidas sínteses de cada assunto) e
com apresentação variada (cada tema dura pouco e é ilustrado).
A televisão estabelece uma conexão aparentemente lógica entre mostrar e
demonstrar. Mostrar é igual a demonstrar, a provar, a comprovar. Uma situação isolada
converte-se em situação paradigmática, padrão, universal. Ao mesmo tempo, o não
mostrar equivale a não existir, a não acontecer. O que não se vê, perde existência.[4]
Estratégias de utilização da TV e do vídeo
Diante dessas linguagens tão sofisticadas a escola pode partir delas, conhecê-las,
ter materiais audiovisuais mais próximos da sensibilidade dos alunos. Gravar materiais
da TV Escola, alguns dos canais comerciais, dos canais da TV a cabo ou por satélite e
planejar estratégias de inserir esses materiais e atividades que sejam dinâmicas,
interessantes, mobilizadoras e significativas.
A televisão e a Internet não são somente tecnologias de apoio às aulas, são mídias,
meios de comunicação. Podemos analisá-las, dominar suas linguagens e produzir,
divulgar o que fazemos. Podemos incentivar que os alunos filmem, apresentem suas
pesquisas em vídeo, em CD ou em páginas WEB - páginas na Internet. E depois analisar
as produções dos alunos e a partir delas ampliar a reflexão teórica.
A escola precisa observar o que está acontecendo nos meios de comunicação e
mostrá-lo na sala de aula, discutindo-o com os alunos, ajudando-os a que percebam os
aspectos positivos e negativos das abordagens sobre cada assunto. Fazer re-leituras de
alguns programas em cada área do conhecimento, partindo da visão que os alunos têm,
e ajuda-los a avançar de forma suave, sem imposições nem maniqueísmos (bem x
mal).[6]

Conclusão
A televisão, o cinema, a Internet e demais tecnologias nos ajudam a realizar o que
já fazemos ou que desejamos. Se somos pessoas abertas, nos ajudam a comunicar-nos
de forma mais confiante, carinhosa e confiante; se somos fechadas, contribuem para
aumentar as formas de controle. Se temos propostas inovadoras, facilitam a mudança.
Educar com novas tecnologias é um desafio que até agora não foi enfrentado com
profundidade. Temos feito apenas adaptações, pequenas mudanças. Agora, na escola, no
trabalho e em casa, podemos aprender continuamente, de forma flexível, reunidos numa
sala ou distantes geograficamente, mas conectados através de redes de televisão e da
Internet. O presencial se torna mais virtual e a educação a distância se tornam mais
presencial. Os encontros em um mesmo espaço físico se combinam com os encontros
virtuais, a distância, através da Internet e da televisão.
Estamos aprendendo, fazendo. Os modelos de educação tradicional não nos servem
mais. Por isso é importante experimentar algo novo em cada semestre. Fazer as
experiências possíveis nas nossas condições concretas. Perguntar-nos no começo de
cada semestre: “O que estou fazendo de diferente neste curso? O que vou propor e
avaliar de forma inovadora?” Assim, pouco a pouco iremos avançando e mudando.
Podemos começar por formas de utilização das novas tecnologias mais simples e ir
assumindo atividades mais complexas. Experimentar, avaliar e experimentar novamente
é a chave para a inovação e a mudança desejadas e necessárias.
Caminhamos para uma flexibilização forte de cursos, tempos, espaços,
gerenciamento, interação, metodologias, tecnologias, avaliação. Isso nos obriga a
experimentar pessoal e institucionalmente a integração de tecnologias audiovisuais,
telemáticas (Internet) e impressas.
Vivemos uma época de grandes desafios no ensino focado na aprendizagem. E
vale a pena pesquisar novos caminhos de integração do humano e do tecnológico; do
sensorial, emocional, racional e do ético; do presencial e do virtual; de integração da
escola, do trabalho e da vida.
José Manuel Moran - jmmoran@usp.br - www.eca.usp.br/prof/moran