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UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ

DEPARTAMENTO ACADÊMICO DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO


CURSO DE LICENCIATURA EM LETRAS PORTUGUÊS E INGLÊS

RODRIGO LUCIANI FARIA

IMMANUEL KANT: RESPOSTA À PERGUNTA: QUE É


“ESCLARECIMENTO”?

RESENHA

CURITIBA
2010
RODRIGO LUCIANI FARIA

IMMANUEL KANT: RESPOSTA À PERGUNTA: QUE É


“ESCLARECIMENTO”?

Resenha apresentada para avaliação do


1º semestre da disciplina de Filosofia
Geral do Curso de Licenciatura em
Letras Português – Inglês sob orientação
da professora Luciana de Lima..

CURITIBA
2010
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RESENHA

Resposta à pergunta: Que é “Esclarecimento”?

Immanuel Kant inicia seu texto definindo Esclarecimento como “a saída do homem
de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado” e, mesmo que essa definição esteja inserida
em uma obra publicada em 1784, a partir do desenvolvimento da idéia do autor, acabamos por
reconhecê-la como algo ainda presente em nossa sociedade.
Kant atribui à covardia o fato de que muitos homens passam toda a vida como
“menores”, nunca fazendo uso de seu entendimento. Assim sendo, o próprio homem é
responsável pela sua menoridade, quando ele não toma suas decisões e deixa ser levado por
outros. Em suma, a menoridade acontece quando falta coragem ao homem.
Na visão do filósofo, isso ocorre porque “é cômodo ser menor”. Uma vez que o
homem encontra algo que possa substituir seu entendimento, seja isso um livro ou até mesmo
outra pessoa, ele não tem necessidade de se encarregar de seus próprios pensamentos,
deixando que os outros façam isso por ele. Então, uma vez que o homem se encontra nessa
situação, de não fazer uso de seu próprio entendimento, é difícil que o ser em questão passe a
andar com suas próprias pernas. Kant chega a comparar tais pessoas ao gado, criado para
nunca “ousarem dar um passo fora do carrinho”. Como é difícil sair da menoridade, ela acaba
por tornar-se uma natureza do homem, e esse cria amor por ela, sendo poucos aqueles que
conseguem se livrar dessas limitações.
Porém, todo homem é capaz de se libertar da menoridade, por mais difícil que seja
essa tarefa. Basta que, para isso, lhe seja dada liberdade.
Essa liberdade é tida para Kant como “a de fazer um uso público de sua razão”. Mas
essa liberdade acaba por ser limitada de todos os lados. Podemos usar nossa razão, mas não
podemos expressá-la. Temos, assim, um uso privado da razão que, embora limitado, já
constitui um importante passo no progresso atrás do esclarecimento. Por sua vez, o uso
público da razão é o responsável pela realização do esclarecimento, e é justamente esse uso
que nos é negado. Define, então, como uso público da razão, aquele que “qualquer homem,
enquanto sábio, faz dela diante do grande público do mundo letrado” e uso privado como
“aquele que o sábio pode fazer de sua razão em um certo cargo público ou função a ele
confiado”.
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Esses cargos, por sua vez, para Kant, necessitam de uma passividade para serem
exercidos, precisam sofrer certo controle do governo para que não tenham suas finalidades
destruídas. Nessa situação, o uso do raciocínio não é proibido, mas as ordens devem ser
obedecidas. Porém, o filósofo acredita que no momento em que homem se vê como membro
da comunidade, ele aparece como um sábio que pode, então, raciocinar, sem sofrer as
consequências a que está sujeito quando é apenas um membro passivo da máquina. Cita,
então, o exemplo de um cidadão que não deixa de pagar seus impostos, mas que pode expor
suas idéias contra essas imposições. E, além disso, na condição de sábio o homem tem o dever
de passar ao público as suas idéias sobre os erros da instituição.
Em linhas gerais, podemos identificar muito dessa menoridade a que Kant faz
referência, seja no poder público ou no clero, mesmas instituições citadas por ele em sua obra.
Livrar-se das amarras que nos são impostas por nós mesmos, na nossa falta de vontade de
fazer uso de nossas próprias idéias nos livraria da menoridade. Kant ainda diz que “vivemos
em uma época de esclarecimento”.
Para um raciocínio desenvolvido no século XVIII, arrisco-me a dizer que ainda
estamos nessa época de esclarecimento. O homem continua sujeito a menoridade, apoiando-se
nos outros quando não consegue se colocar como um participante da sociedade ficando, ainda,
como um ser passivo na sociedade.