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UMA FORMULAÇÃO PARAMÉTRICA ELASTOPLÁSTICA DO MÉTODO DAS CÉLULAS PARA ESTRUTURAS DE MATERIAIS COMPÓSITOS

Márcio André Araújo Cavalcante Severino Pereira Cavalcanti Marques marciocivil@ctec.ufal.br smarques@ctec.ufal.br Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil, Centro de Tecnologia, Universidade Federal de Alagoas. Campus A. C. Simões, 57072-970, Maceió-AL - Brasil

Resumo. Apresenta-se uma formulação paramétrica elastoplástica bidimensional para análise de estruturas de materiais compósitos elaborada com base no conhecido Método das Células. A formulação permite a análise de compósitos com constituintes elásticos ou elastoplásticos perfeitos ou com endurecimento. O modelo utiliza uma estratégia do tipo incremental, usando uma matriz de rigidez tangente deduzida através da teoria da plasticidade associada. Considera-se nas análises um critério de plastificação apropriado

para materiais metálicos com uma regra de endurecimento isótropo. Diferentemente das versões anteriores do método das células, a presente formulação permite o uso de células quadrilateriais, não necessariamente retangulares, o que viabiliza a geração de malhas mais adequadas para a análise de estruturas de contornos irregulares ou curvos. Além do mais, o modelo possibilita uma simplicação nos procedimentos de análise, uma vez que não utiliza o conceito de células constituídas por sub-células empregado nas versões anteriores. O modelo é formulado em coordenadas locais paramétricas e adota campos de deslocamentos aproximados por polinômios do segundo grau para cada célula. Exemplos foram analisados e comparações de resultados evidenciam a eficiência do modelo apresentado.

.

Palavras Chave: Análise elastoplástica, células, compósitos.

1.

INTRODUÇÃO

Os avanços da tecnologia têm motivado o aparecimento de uma nova geração de materiais estruturais avançados, manufaturados para atendimento às necessidades dos modernos setores industriais. Tais materiais, em geral, exibem comportamentos bastante diferentes em relação aos materiais convencionais. Nesta geração de materiais avançados, destacam-se os compósitos reforçados por fibras. Os compósitos avançados são constituídos por uma matriz envolvendo fibras de alta resistência tais como aquelas de carbono, de boro e de vidro. Fibras metálicas e de cerâmica também são utilizadas. As matrizes usuais são feitas de polímero, cerâmica ou metal (Jones, 1999). Uma grande vantagem dos compósitos é que, se bem projetados, eles podem exibir as melhores qualidades de seus constituintes, assim como características desejáveis não apresentadas por estes últimos. Atualmente, muitos modelos computacionais, assim como métodos analíticos, vêm sendo empregados para avaliação do comportamento dos materiais avançados, especialmente dos compósitos. Dentre os modelos utilizados nos estudos de modelagem computacional do comportamento de tais materiais destacam-se aqueles baseados nos métodos dos elementos finitos e de elementos de contorno (Ochoa & Reddy, 1992; Mattheus, 2001; Knight et al., 2003). Um método alternativo, no qual o comportamento do material é analisado considerando-se o acoplamento entre microestrutura e macroestrutura, é aquele formulado com base no Método das Células e apresentado em Aboudi et al. (1999). Neste método, a estrutura é discretizada em células paralepipédicas, constituídas por sub-células e com campos de temperatura e de deslocamentos aproximados por polinômios do segundo grau. No presente trabalho é apresentada uma formulação paramétrica bidimensional não linear baseada em uma versão do Método das Células (Cavalcante, 2006) e destinada à análise de estruturas de materiais compósitos com matriz e fibras elastoplásticas. A formulação é do tipo incremental e baseada na teoria da plasticidade associada (Chen & Han, 1988). Os materiais podem ter comportamento elastoplástico perfeito ou com endurecimento. O critério de plastificação de von Mises com um modelo de endurecimento isótropo é empregado na formulação. Exemplos numéricos são apresentados e os resultados encontrados demonstram a eficiência da formulação.

2.

FORMULAÇÃO PARAMÉTRICA ELASTOPLÁSTICA BIDIMENSIONAL

2.1

Parametrização de uma célula

Como no método dos elementos finitos, pela presente formulação a estrutura é discretizada através de uma malha constituída por células quadrangulares. A geometria e a localização de cada célula, por sua vez, são definidas pelos seus quatro vértices e quatro faces, conforme ilustrado na Fig. 1. As coordenadas cartezianas x e y estão relacionadas com as correspondentes coordenadas paramétricas pelas seguintes expressões:

()

()

x η,ξ

y η,ξ

= N

1

= N

1

()

()

η,ξ x + N

1

2

η,ξ

y

1

+ N

2

()

η,ξ x

2

()

η,ξ y

2

+ N

3

+ N

(

η,ξ x

3

)

3

(

η,ξ y

)

+ N

4

(

η,ξ x

4

)

3

+ N

4

(

η,ξ y

)

4

(1)

onde as funções de forma dadas por:

N

i

(

η

, ξ ) , usadas para parametrização da geometria da células, são

Figura 1 – Parametrização da célula. N N 1 3 ( η ξ ) (

Figura 1 – Parametrização da célula.

N

N

1

3

(η ξ ) (η ξ )

,

,

=

=

1

4

1

4

(1

(1

)(1 ξ ) )(1 + ξ )

η

+ η

, N

2

e N

(η ξ ) = (η ξ ) =

4

,

,

4

(1 + η )(1 ξ )

1

4

(1 η )(1 + ξ

)

1

(2)

Se F representa um campo genérico definido no domínio considerado, o uso da regra da cadeia permite que se chegue às seguintes relações entre derivadas:

⎧ ∂ F

⎧ ∂ F

⎡ ∂ x

 

y

⎤ ⎧ ∂ F

 

⎧ ∂ F

η

F

= J

 

x

F

= ⎢

η

x

 

η

y

x

F

=

A

A

1

3

+ ξ

A

2

+ A

η

2

A

A

4

6

+

+

A

A

5

ξ

η

5


x

F

ξ

y

ξ

onde J é a matriz Jacobiana e:

 

ξ

⎦ ⎥ ⎩ ⎪

y

⎪ ⎪ ⎩ ⎭

y

 

1

)

 

1

(

x

 

)

 

A

1

=

4

(

x

1

+ x

2

+ x

3

x

4

,

A

2

=

4

1

x

2

+ x

3

x

4

 

1

)

 

1

)

 

A

3

=

4

(

x

1

x

2

+ x

3

+ x

4

,

A

4

=

4

(

y

1

+ y

2

+ y

3

y

4

 

1

4

(

y

 

4

)

 

1

)

A

5

=

1

y

2

+ y

3

y

e A =

6

4

(

y

1

y

2

+ y

3

+ y

4

(3)

(4)

Na formulação apresentada a seguir, para efeito de simplificação, admite-se a matriz Jacobiana como constante, podendo ser avaliada de forma aproximada para qualquer ponto dentro da célula, como segue:

J

1 A 1 1 ⎡ A ⎤ 1 4 J = ∫ ∫ Jdηdξ =
1
A
1
1
⎡ A
1
4
J
=
∫ ∫
Jdηdξ
=
4
1
− 1
A
A
3
6

(5)

Assim, a inversa da matriz Jacobiana pode ser estimada por:

J

1

1 ⎡ A − A ⎤ − 1 6 4 J = J = ⎢
1
A
A
− 1
6
4
J
=
J
=
A A
A A
− A
A
1
6
3
3
1

(6)

Através da equação (3), pode-se escrever a seguinte relação entre as derivadas do campo

F:

⎧ ∂ F ⎫ ⎧ ∂ F ⎫ ⎪ ⎪ ∂ x ⎪ ⎪ ⎪
⎧ ∂ F ⎫
⎧ ∂ F ⎫
⎪ ⎪
x
⎪ ⎪
⎪ ⎪
η
⎪ ⎪
= J
F
∂ F
⎪ ⎪
y
⎪ ⎪
ξ
⎩ ⎪

(7)

a qual leva às seguintes expressões para derivadas de segunda ordem:

∂∂ FF =+ ∂

( J 2
(
J
2

x

22 2

11

)

 

2

F

 

2

JJ

+

(

J

2

11

12

η

∂∂

ηξ

12

)

2

2

F

2

ξ

2

F

2

F

2

F

 

2

F

2

F

     

=

= J

J

+

J

J

+

J

J

+ J

J

x

y

y

x

11

21

22 2

η

2

(

11

2

F

22

 

12

)

21

)

2

η ξ

2

F

 

12

22

ξ

2

( J 2
(
J
2

)

 

2

JJ

 

+

(

J

   

∂∂ FF =+ ∂

y

21

η

2

21

22

∂∂

ηξ

 

22

2

ξ

(8)

Nesta formulação, faz-se necessário definir versores normais às faces da célula (Fig. 2), como mostrado a seguir:

n

n

n

n

(1)

(2)

(3)

(4)

= n

(1)

12

ij+ n

(1)

(

=−sen θ

1

)

i cos

=+=n

n

12

(2)

i

(2)

j

(

cos θ

2

)

i + sen

(

θ

2

(

)

θ

1

j

)

j

=+=n

= n

ijn

12

(4)

ij+ n

(4)

12

(3)

(3)

(

sen θ

3

)

(

=− cos θ

4

i + cos

(

θ

3

)

)

(

i sen θ

4

j

)

j

(9)

) ( =− cos θ 4 i + cos ( θ 3 ) ) ( i

Figura 2 – Versores normais às faces da célula.

2.2

Análise Mecânica Elastoplástica Bidimensional

Para materiais anisótropos, as equações básicas para a realização de uma análise incremental elastoplástica bidimensional, expressas em termos de coordenadas globais x e y , são as seguintes:

Equações diferenciais incrementais de equilíbrio

As equações incrementais de equilíbrio bidimensionais, considerando a atuação de forças

de corpo

b

1

e

b

2

, são dadas por

∂Δσ

11

+

∂Δσ

21

x

y

b

1

=

0

∂Δσ

12

+

∂Δσ

22

x

y

b

2

=

0

(10)

onde as grandezas indicadas por

Δσ

ij

representam as componentes do tensor tensão e

Δb

2

são os incrementos das mencionadas forças nas direções

x e y , respectivamente.

Δb

1

e

Relações incrementais cinemáticas:

Admitindo o caso de pequenas deformações, os incrementos das componentes de

nas

deformação

direções

Δε

ij

estão relacionados com os incrementos de deslocamentos

Δu

1

e

Δu

2

x e y , respectivamente, através das expressões:

Δ

ε

11

=

∂Δ u

1

x

Δ

ε

22

=

∂Δ u

2

y

Relações constitutivas incrementais:

Δ

γ

12

2

ε

12

=

∂Δ

u

1

+

∂Δ

u

2

y

x

(11)

Para um material elastopástico anisótropo, nos casos de estado plano de tensão e de deformação, a relação entre os incrementos de tensão e os incrementos de deformação pode ser escrita nas formas

ou

⎪ ⎪

⎧Δ

⎨ ⎬

⎪ ⎪

σ

11

Δ

σ

22

σ

12

Δ

⎪ ⎪

⎧Δ

⎪ ⎪

σ

11

Δ

Δ

σ

22

σ

12

σ

33

Δ

=

=

CCC

CCC

ep

11

ep

21

ep

ep

12

ep

22

ep

ep

13

ep

23

ep

33

CCC

31

32

⎤ ⎧Δ

Δ

Δ

⎥ ⎦

⎪ ⎩

11

22

γ

12

ε

ε

(Estado plano de tensão)

CCCC

11

12

13

CCCC

21

ep

22

ep

23

ep

CCCC

31

ep

32

ep

33

ep

CCCC

41

42

43

ep

ep

ep

ep

ep

ep

ep

14

ep

24

ep

34

ep

44

⎤ ⎧Δ

Δ

Δ

⎦ ⎩

11

22

ε

12

0

ε

ε

⎪ ⎪

(Estado plano de deformação)

(12)

(13)

onde as matrizes

rigidez elastoplásticas tangentes incremental do material. A obtenção de tais matrizes de rigidez é descrita no item 2.3. Na presente formulação, admite-se que o campo de incrementos de deslocamentos em cada célula, referido às coordenadas paramétricas, é definido pelos seguintes polinômios do segundo grau :

⎤ ⎦ que aparecem nas equações (12) e (13) representam as matrizes de

C

ep

Δ=uU

1

1(00)

Δ=uU

2

2(00)

+ηξU

1(10)

+

U

1(01)

+

1

2

(

+ηξU

2(10)

+

U

2(01)

+

1

2

2

31

η

)

(

2

31

η

U

1(20)

+

)

U

2(20)

1

2

+

(

1

2

2

ξ

(

ξ

31

2

)

U

1(02)

)

U

2(02)

31

(14)

onde valores

Usando as equações (14), os valores médios das derivadas do campo de incrementos de deslocamentos nas faces da célula, em relação às coordenadas paramétricas, são definidos e avaliados pelas expressões:

U

i(

)

representam os coeficientes do campo a serem determinados.

∂Δ u 1 1 ∂Δ u 1 1 = ∫ dU ξ =± 3 U
∂Δ
u
1
1
∂Δ
u
1
1
=
dU
ξ
=± 3
U
1(10)
1(20)
η
2
1
η
η
1
∂Δ
u u
1
1
∂Δ
1
1 =
d
ξ
=
U
1(01)
ξ
2
1
ξ
η
1
∂Δ
u 1
1
∂Δ
u
1
1 =
d
η
=
U
1(10)
η
2
1
η
ξ
1
∂Δ
u
1 u
1
∂Δ
1
= 1
dU
η
=± 3
U
1(01)
1(02)
ξ
2
1
ξ
ξ
1
∂Δ
u
1
1
∂Δ
u
2
2
=
dU
ξ
=± 3
U
2(10)
2(20)
η
2
1
η
η
1
∂Δ
u
1
1
∂Δ
u
2
2
=
d
ξ
=
U
2(01)
ξ
2
1
ξ
η
1

,

∂Δ u 1 u 1 ∂Δ 2 2 = ∫ d η = U 2
∂Δ
u
1 u
1
∂Δ
2
2
=
d
η
=
U
2 2(10)
η
1
η
ξ
1
∂Δ u 1 1 ∂Δ u 2 2 = ∫ dU =± 3 η 2(01)
∂Δ
u
1
1
∂Δ
u
2
2
=
dU =± 3
η
2(01)
ξ
2
1
ξ
ξ
=± 1

U

2(02)

(15)

Para o cálculo dos valores médios das derivadas do campo de incrementos de deslocamentos nas faces da célula em relação às coordenadas globais utiliza-se a equação (7). Usando as derivadas do campo de incrementos de deslocamentos em relação às coordenadas globais e as relações cinemáticas (11), os incrementos de deformações médias nas citadas faces podem ser calculados através das equações:

∂Δ u Δ ε = 1 11 η =± 1 ∂ x η =± 1
∂Δ
u
Δ
ε
= 1
11
η =±
1
x
η =±
1
∂Δ
u
Δ
ε
= 1
11
ξ =±
1
x
ξ =±
1
∂Δ u Δ ε = 2 22 η =± 1 ∂ y η =± 1
∂Δ
u
Δ
ε
= 2
22
η =±
1
y
η =±
1
∂Δ
u
Δ ε
= 2
22
ξ =±
1
y
ξ =±
1
∂Δ u ∂Δ u 2 Δ= γ 1 + 12 η =± 1 ∂ y
∂Δ
u
∂Δ
u
2
Δ=
γ
1 +
12
η =± 1
y
x
η =±
1
η =±
1
∂Δ
u ∂Δ
u
2
Δ=
γ
1 +
12
ξ =± 1
y
x
ξ =±
1
ξ =±
1

(16)

Com estes valores de incrementos de deformações, os incrementos de tensões médias nas faces da célula podem ser obtidos pelas relações constitutivas (12) ou (13) expressas em termo de valores médios. Utilizando a fórmula de Cauchy, os vetores de incrementos de tensão média nas faces da célula são dados em função dos incrementos de componentes de tensões médias pelas seguintes expressões:

⎧Δ

Δ

⎧Δ

Δ

tn ⎫⎡ = ⎬

t

(1)

(1)

11

(1)

2

⎭⎣

0

tn ⎫⎡

(2)

(2)

11

(2)

2

=

⎭⎣

t

0

⎧Δ

Δ

tn ⎫⎡ = ⎬ ⎭⎣

t

(3)

(3)

11

(3)

2

0

⎧Δ

Δ

tn ⎫⎡

(4)

(4)

11

(4)

2

=

⎭⎣

t

0

⎧ Δ σ ⎫ 11 ξ =− 1 (1) ⎪ 0 n ⎤ ⎪ ⎪
Δ
σ
11
ξ
=− 1
(1)
0 n
⎪ ⎪
2
Δ
σ
⎥ ⎨
(1)
(1)
22
ξ
=−
1
nn
2
1
Δ
σ
12
ξ
=− 1
⎪ ⎭
Δ
σ
11
η
=+
1
(2)
0 n
⎪ ⎪
2
Δ
σ
⎥ ⎨
(2)
(2)
22
η
=+
1
nn
2
1
Δ
σ
12
η
=+
1
⎪ ⎭
(3)
0 n
2
⎪ ⎪
2
(3)
(3)
nn
1
⎪ ⎭
Δ
σ
11
η
=−
1
(4)
0 n
⎪ ⎪
2
Δ
σ
⎥ ⎨
(4)
(4)
22
η
=−
1
nn
2
1
Δ
σ
12
η
=− 1
⎪ ⎭

(17)

Por sua vez, os incrementos de deslocamentos médios nas referidas faces podem ser definidos e avaliados pelas expressões dadas a seguir:

1 1 F 1 Δ u =Δ u = ∫ Δ ud η = U
1
1
F
1
Δ
u
u
=
Δ
ud
η
=
U
U
+
U
1
1
ξ
1
1(00)
1(01)
1(02)
=−
1
2
1
1
1
F
2
Δ
u
u
=
Δ
ud
ξ
=
U
+
U
+
U
1
1
η
11(00)
1(10)
1( 20)
=+
1
2
1
1
1
F
3
Δ
u
u
=
Δ
ud
η
=
U
+
U
+
U
1
1
ξ
1
1(00)
1(01)
1(02)
=+
1
2
1
1
1
F
Δ
u 1 u
4 =Δ
=
Δ
ud
ξ
=
U
U
+
U
1
η
11(00)
1(10)
1(2 0)
=−
1
2
1
1
1
F
Δ
u
1 =Δ
u
=
Δ
ud
η
=
U
U
+
U
2
2
ξ
2
2(00)
2(01)
2(02)
=−
1
2
1
1
1
F
Δ u
2 =Δ
u
=
Δ
ud
ξ
=
U
+
U
+
U
2
η
2
2(00)
2(10)
2(20)
2
=+
1
2
1
1
1
F
Δ
u
3 =Δ
u
=
Δ
ud
η
=
U
+
U
+
U
2
2
2
2(00)
2(01)
2(02)
ξ
=+
1
2
1
1
1
F
Δ u
4 =Δ
u
=
Δ
ud
ξ
=
U
U
+
U
2
2
η
2
2(00)
2(10)
2(20)
=−
1
2
1

(18)

Através das equações apresentadas acima, é possível se obter a seguinte expressão relacionando os vetores de incrementos de tensão média e incrementos de deslocamentos médios nas faces dada por:

Δ=tK

ep

Δu

(19)

(1)

(1)

(2)

(2)

(4)

2

}

T

,

K

ep

onde o vetor

como a matriz de rigidez incremental elastoplástica da célula e o vetor

é interpretado

{

Δ=Δt

ttttttttΔ

1

Δ

21

Δ

2

Δ

1

Δ

2

Δ

1

Δ

(3)

(3)

(4)

{

F

2

F

4

}

T

Δu uuuuuuuuΔ Δ Δ Δ Δ Δ Δ . A matriz de rigidez

1

21

2

1

2

1

2

FFF 112

F

3

F

3

F

4

incremental elastoplástica da estrutura é obtida somando-se convenientemente as contribuições das células utilizadas no processo de discretização, através de um procedimento semelhante ao empregado no método dos elementos finitos.

2.3 Considerações sobre o modelo elastoplástico

As equações (12) e (13) apresentam as relações constitutivas do material para o caso de estados planos de tensão e de deformação, repectivamente. Os incrementos de deformação e

, a

qual é formulada sob a hipótese de material elastoplástico que satisfaz o postulado de Drucker-Prager. Na formulação é empregado o critério de plastificação de von Mises, o qual pode ser expresso na forma:

de tensão estão relacionados através da matriz de rigidez incremental elastopástica

C

ep

f σ

(

ij

,

ε

p

)

=

J

2

k ε

(

p

)

2

=

0

(20)

onde

(

endurecimento do material que depende da deformação plástica efetiva

material elastoplástico perfeito

total é dado pela soma dos incrementos de deformações elástica e plástica, escrito na forma:

J

2

representa o segundo invariante do tensor tensão desviador e

k ε

p

ε

é o parâmetro de

p . Para o caso de

)

k é constante. Admite-se que o incremento de deformação

Δε

ij

= Δε

e

ij

+ Δε

p

ij

( 21)

onde, em termos diferenciais, tem-se:

d

ε

p

ij

=

f

λ σ

d

ij

dε

e

ij

=

(

C

e

ijkl

)

1

σ

kl

(22)

Nestas expressões, dλ é uma função escalar que varia com a história da deformação e

representa o tensor constitutivo elástico do material. Através de (20), obtém-se a seguinte expressão

df

=

f

f

σ

ij

ij

ε

p

d

σ

+

d

ε

p

= 0

C

e

ijkl

(23)

a qual é conhecida como a condição de consistência. O incremento da deformação plástica efetiva é dado por

dε

p

= C

p p dε dε ij ij
p
p
dε dε
ij
ij

( 24)

2 3
2
3

onde C é uma constante que vale

Com base nas equações (21) – (24), é possível mostrar a seguinte relação entre os vetores de incrementos de tensão e deformação (Chen and Han, 1988):

para material incompressível.

{}dσ

= [

C ep

]

{dε

}

( 25)

sendo

[

C

ep

][

=

C

e



][

I

]

T


⎧ ∂ f

⎧ ∂ f


[ C

e ]

σ

σ

T T ⎧ ∂ f ⎫ ⎨ [ ⎩ ⎧ ∂ f ⎫ ∂ f
T
T
⎧ ∂ f ⎫
[
⎧ ∂ f
∂ f
e ]
⎧ ∂ f
C
C
⎧ ∂ f
σ
∂ σ
ε
⎩ ⎭
σ
∂ σ
p

(26)

onde [

{σ}tais

que

formulação adota uma estratégia de correção que consiste em fazer com que os mesmos

a

C

e ] é a matriz de rigidez elástica do material e [I] indica a matriz identidade.

Como

durante

a

análise

incremental

podem

resultar

estados

de

tensão

(

f σ

ij

,

ε

p

) > 0

,

correspondentes

a

pontos

externos

à

superfície

de

plastificação,

estejam sempre sobre a mencionada superfície. Para isto, utiliza-se a condição {σ

onde { } indica as tensões corregidas e β é o fator de correção dado por

σ

c

c

}= β{σ}

,

k ( ε p ) β = (Estado plano de tensão) 2 2 2 σ
k (
ε
p )
β
=
(Estado plano de tensão)
2
2
2
σ
+ σ
σ
σ
+ 3
σ
11
22
11
22
12
k (
ε
)
p
β
=
(Estado plano de deformação)
2
2
2
2
+ σ
+
σ
σ
σ
σ
σ
σ
σ
+ 3
σ
σ 11
22
33
11
22
11
33
22
33
12
3.
EXEMPLOS NUMÉRICOS
3.1.
Análise de uma chapa de material homogêneo

(27)

Trata-se este exemplo da análise de uma chapa de material elastoplástico perfeito sob estado plano de tensão (Fig. 3). Tal análise teve como objetivo verificar a eficiência da formulação no que diz respeito à posição dos pontos correspondentes aos estados de tensão, obtidos no regime plástico, em relação à superfície de plastificação.

plástico, em relação à superfície de plastificação. Figura 3 – Chapa de material homogêneo Os dados

Figura 3 – Chapa de material homogêneo

Os dados da chapa estão apresentados na Tabela 1. A análise foi realizada em 500 passos incrementais e uma única célula foi considerada. A chapa foi submetida a deslocamentos

verticais

resultados da análise. A Fig. 5 mostra a trajetória dos pontos representativos dos estados de tensão e a curva de plastificação de von Mises. Como se observa, no regime plástico, os pontos estão praticamente em cima da referida curva.

p , prescritos sobre seu bordo horizontal superior. As figuras 4 e 5 apresentam os

v

Figura 4 – Curva tensão normal x deformação vertical da chapa homogênea Figura 5 –

Figura 4 – Curva tensão normal x deformação vertical da chapa homogênea

tensão normal x deformação vertical da chapa homogênea Figura 5 – Trajetória das tensões e curv

Figura 5 – Trajetória das tensões e curva de plastificação da chapa homogênea

Tabela 1 – Parâmetros adotados na análise da chapa

Parâmetro

Valor

L

100 unidades

E

72700 MPa

ν

0,20

σ Y

275 MPa

3.2. Análises de chapas de alumínio perfuradas

Este caso consiste em quatro chapas de alumínio dotadas de furos circulares regularmente distribuídos. Os dados geométricos e os números de furos estão mostrados na Tabela 2. A Fig. 6 mostra a distribuição dos furos na chapa 4. A Fig. 7 apresenta um elemento representativo

das chapas, o qual foi analisado como submetido a um deslocamento prescrito vertical

v

p .

como subme tido a um deslocamento prescrito vertical v p . Figura 6 – Distribuição de

Figura 6 – Distribuição de furos da chapa 4

O diagrama tensão–deformação uniaxial do alumínio, ou seja da chapa sem furo, está apresentado na Fig. 8 (Öchsner, 2004). Para a realização das análises numéricas foi empregado o diagrama tensão-deformação bilinear aproximado mostrado nesta última figura. A tabela 3 apresenta os parâmetros do material utilizados no estudo, sendo E o módulo de

a tensão de escoamento e H a inclinação do

elasticidade, ν o coeficiente de Poisson, segundo ramo do diagrama tensão-deformação.

σ

y

Tabela 2 – Parâmetros geométricos das chapas analisadas.

Chapa

Fração de

L

r

Nº de furos

vazios

1

7,07%

2,5

0,75

5 x 5 (25) 8 x 8 (64) 10 x 10 (100) 11 x 11 (121)

2

19,63%

1,5

0,75

3

28,27%

1,25

0,75

4

38,48%

1,07

0,75

Figura 7 – Elemento representativo da chapa de alumínio com furos circulares Tabela 3 –

Figura 7 – Elemento representativo da chapa de alumínio com furos circulares

Tabela 3 – Parâmetros do material adotados nas análises

Parâmetro

Valor

E

72700 MPa

ν

0,34

σ Y

290 MPa

H

1400 MPa

A Fig. 9 mostra a malha com 850 células utilizadas na análise da chapa 1. As análises foram feitas em 500 passos incrementais. Na Fig. 10 estão apresentados os diagramas tensão média x deformação média das quatros chapas. Os resultados experimentais foram obtidos em Öchsner (2004). Como se observa, os resultados numéricos podem ser considerados satisfatórios.

3.3. Análises de um elemento de material composto

Neste exemplo, um volume representativo de um compósito constituido por matriz de alumínio e fibras de boro é tracionado como mostra a Fig. 11. Os dados dos materiais constituintes são mostrados na Tabela 4. O alumínio tem comportamento elastoplástico e o boro é admitido como elástico linear. Os dados geométricos estão mostrados na Tabela 5. As análises foram realizadas em 200 passos incrementais. A Fig. 12 mostra os diagramas tensão média x deformação média encontrados para a malha de 1229 células mostrada na Fig. 13. Para efeito de comparação, o volume representativo foi analisado usando o programa de elementos finitos FEMOOP, empregando o elemento Q8 com a mesma malha mostrada na Fig. 13 e admitindo a condição de tensão prescrita. As análises com o métodos dos elementos finitos foram do tipo incremental/iterativa e utilizou como estratégia de controle o método dos deslocamentos generalizados.

Figura 8 – Diagrama tensão-deformação do alumínio Figura 9 – Malha de células uti lizada

Figura 8 – Diagrama tensão-deformação do alumínio

Figura 8 – Diagrama tensão-deformação do alumínio Figura 9 – Malha de células uti lizada na

Figura 9 – Malha de células utilizada na análise da chapa 1

Figura 10 – Diagramas tensão média x deformação média das chapas perfuradas (a) (b) Figura

Figura 10 – Diagramas tensão média x deformação média das chapas perfuradas

tensão média x deformação média das chapas perfuradas (a) (b) Figura 11- Volume representati vo de

(a)

(b)

Figura 11- Volume representativo de um compósito boro/alumínio: a) deslocamento vertical prescrito; b) tensão vertical prescrita.

Tabela 4 – Parâmetros dos materiais utilizados na análise.

Material

E

ν

σ Y

H

Alumínio

72,7 GPa

0,34

290 MPa

1400 MPa

Boro

420 GPa

0,20

-

-

Tabela 5 – Parâmetros geométricos do composto analisado.

Fração de

Boro

L

r

19,635%

10

5

do composto analisado. Fração de Boro L r 19,635% 10 5 Figura 12– Diagramas tensão média

Figura 12– Diagramas tensão média x deformação média do elemento de boro/alumínio

Figura 13– Malha de células usada na an álise do elemento de boro/alumínio 4. CONCLUSÕES

Figura 13– Malha de células usada na análise do elemento de boro/alumínio

4.

CONCLUSÕES

O presente trabalho apresentou uma formulação paramétrica incremental elastoplástica formulada com base no Método das Células e destinada à análise mecânica de estruturas de materiais compósitos. Para mostrar a eficiência da formulação, diversos exemplos numéricos foram apresentados. Foram feitas comparações com resultados experimentais e também com outros provenientes do método dos elementos finitos. Para os exemplos analisados, a formulação proposta se mostrou bastante adequada, tanto no que diz respeito a aspectos computacionais quanto na descrição do comportamento estrutural.

Agradecimentos

Os autores agradecem à CAPES pela concessão de bolsa de estudos e ao CNPq/PACDT pelo apoio financeiro ao projeto de pesquisa que motivou o presente trabalho.

REFERÊNCIAS

Aboudi, J.; Pindera, M.-J.; Arnold, S. M. (1999). Higher-order Theory for Functionally

Graded Materials. Composites: Part B, Engineering, v. 30, p. 777-832.

Cavalcante, M. A. A., 2006. Modelagem do Comportamento Termo-Mecânico Transiente de Estruturas de Materiais Compósitos pela Teoria dos Volumes Finitos, Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Alagoas.

Chen, W. F. & Han, D. J., 1988. Plasticity for Structural Engineers. Spring-Verlag New York Inc.

Jones, R. M., 1999. Mechanics of Composite Materials, 2 ND , MacGraw Hill Book Company.

Knight M. G., Wrobel, L. C. & Henshall, J. L., 2003. Micromechanical response of fibre- reinforced materials using the boundary element technique. Composite Structure, 62,

341-352.

Ochoa, O. O. & Reddy J. N., (1992). Finite Element Analysis of Composite Laminates, 1

edition, Springer.

Mattheus, F. L., 2001. Finite Element Modelling of Composite Materials and Structures, Woodhead Publishing Limited.

Öchsner, A., 2004. Relatório de Pesquisa, Universidade de Aveiro/Portugal.