Você está na página 1de 7

12/01/2017

Classificaçãodasnormasjurídicasesuaanálise,nosplanosdavalidade,existênciaeeficácia­JusNavigandi

(https://jus.com.br/) ARTIGOS(HTTPS://JUS.COM.BR/ARTIGOS)
(https://jus.com.br/) ARTIGOS(HTTPS://JUS.COM.BR/ARTIGOS) 

ARTIGOS(HTTPS://JUS.COM.BR/ARTIGOS)TEXTOSELECIONADOPELOSEDITORES

Classificaçãodasnormasjurídicasesuaanálise,nosplanosda

validade,existênciaeeficácia

Classificaçãodasnormasjurídicasesuaanálise,nosplanosdavalidade,existênciaeeficácia

Publicadoem02/2002.Elaboradoem10/2001.

2

SUMÁRIO: 1. Introdução­2. Classificaçãodas normas

SUMÁRIO: 1. Introdução­2. Classificaçãodas normas jurídicas –3. A normajurídicanos planos davalidade, existênciaeeficácia–3.1. Planodavalidade–3.2. Planoda

existênciaouvigência–3.3.Planodaeficácia–4.Conclusão–5.Referênciasbibliográficas.

1.INTRODUÇÃO

Anormajurídicatemsidoobjetodeprofundosestudosporpartedejuristasdeescol.Noúltimoséculo,produziu­seumvaliosolegadodoutrinárioacercadanormajurídica,

quepelasuaamplitudeevariedade,vaiinfluenciargerações,emmatériadeCiênciadoDireito.

Nossoestudonãotemapretensãodetratardamatériadeformaexauriente,nemproporqualquerinovação.Destina­se,sim,aapresentaraoleitorumbreveresumo

informativo,querevelaaausênciadeuniformidadequantoàformulaçãodeclassificaçõesparaasnormasjurídicas.Damultiplicidadedeclassificaçõesexistentes,detivemo­nos

nasquemelhordelinearamoscontornosdasnormasjurídicassobseusdiversosenfoqueseprismasdeobservação.

Procuramos,igualmente,emrápidaeobjetivasíntese,retrataroentendimentodoutrinárioacercadosplanosdevalidade,existênciaeeficáciadanormajurídica.

12/01/2017

Classificaçãodasnormasjurídicasesuaanálise,nosplanosdavalidade,existênciaeeficácia­JusNavigandi

O campo do normativo, conforme se infere das assertivas de CARLOS ALCHOURRÓN y EUGENIO BULYGIN, encontra­se distante da homogeneidade e, em conseqüência,sepodemdistinguirdiversostiposdenormas.Nobojodesuasconsiderações,osautoresobservamqueVONWRIGHTdistingueseistiposdenormas,sendotrês principais(prescrições,regrastécnicaseregrasdeterminativas)etrêssecundáriosouintermediários (queseriamas normas morais, os costumes eas regras ideais). Paraos autoresmexicanos,oscritériosdeclassificaçãodeVONWRIGHTsãodiscutíveis,cabendoadotarem­seoutrasclassificações,dadaaambigüidadedotermo"norma"emesmo limitando­seotermoaoâmbitodasnormasdeconduta,comoenunciadosqueprescrevemcertasaçõesouatividades,aindarestaumresquíciodeambigüidade,aindaquemais

sutilemenosperigoso.

(1)

Otermo"norma",portanto,édaquelesqueenfrentamoproblemadapolissemia,porsuamultiplicidadedesignificados.Mesmoquevenhamosarestringirseusignificado,

acrescentando­lheumcomplementoetornando­oumtermocomposto, comopropõemos autores acima(nocaso, normadeconduta, oumesmonormajurídica), aindaassim

restaráumlaivodeimprecisão,dadaalarguezasemântica,quecontinuaacomportarambigüidades.

(2)

Adespeitodessasdificuldades,muitassãoaspropostasdeclassificaçãoparaasnormasjurídicas,conformeveremosaseguir.

Buscandoelucidaraestruturadoordenamentojurídico, partindodeumadefiniçãodecarátergeral, pelaqual "oordenamentojurídicoéum conjuntodenormas",

NORBERTOBOBBIOrefere­seamodalidades normativas oudeônticas deregras deconduta, traduzidas no"obrigatório", no"proibido" eno"permitido". Assim, tem­seque,

segundoaforma,asnormasjurídicaspodemserimperativas,proibitivasoupermissivas.

(3)

Propõe,ainda,trêscritériosdeavaliação,asseverandoque,frenteaqualquernormajurídicasepossaexaminá­laporumatrípliceordemdeproblemas:1)seanormaé

justaouinjusta;2)seéeficazouineficaz;e3)seéválidaouinválida.

(4)

Antes porém de adentrarmos na essência da norma jurídica, mister se faz observar que a multiplicidade facetaria do termo norma comporta as mais variadas classificações,quesãodiferentementedispostassegundoaóticadecadaautor.

ARNALDOVASCONCELOS afirmaquetaldiversidadeclassificatórianãodecorredemeras razões pessoais deordem doutrináriaeque, mesmorestritas aomeio

acadêmicotaisclassificaçõesnãoperdemsuaimportância,jáquesetornamindispensáveisdopontodevistadapráticajurídica,pormotivosmetodológicosdeordenaçãodos

conhecimentos.

(5)

Buscandoidentificarasclassificaçõesdanormaqueseafigurammaisrelevantes,oautorelegeosseguintescritérios:quantoàdestinação(normasdeDireitoenormasde

Sobredireito ),quandoaomododeexistência(normas explícitas enormas implícitas),quantoàfonte(teorias deKelseneSavigny,apontandocomoformas deexpressãodo

Direitoounormasjurídicas,alei,ocostume,ajurisprudência,adoutrinaeosprincípiosgeraisdodireito),quantoàmatéria(normasdeDireitoPúblico,normasdeDireitoPrivadoe

(6)

(7) (8)

normasdeDireitoSocial ).

SegundoMIGUELREALE"( )háregrasdedireitocujoobjetivoimediatoédisciplinarocomportamentodosindivíduos,ouasatividadesdosgruposeentidadessociais

emgeral;enquantoqueoutraspossuemumcaráterinstrumental,visandoaestruturaefuncionamentodeórgãos,ouadisciplinadeprocessostécnicosdeidentificaçãoeaplicação

denormas,afimdeassegurarumaconvivênciajuridicamenteordenada."

(9)

Quandopropõeadogmáticaanalíticaouaciênciadodireitocomoteoriadanorma,TÉRCIOSAMPAIOFERRAZJUNIORpassaaidentificarodireitocomoexpressão

normativa,queéumconceitonuclearparaadogmáticaanalíticaeumfenômenocomplexo.Asnormasqueinteressampeculiarmenteaojurista,nouniversomúltiplodenormas,

sãoasjurídicas.

(10)

Comfinsdidáticos,TÉRCIOSAMPAIOFERRAZJUNIORoferece­nosalgumasclassificaçõesdosdiversostiposdenormasjurídicas,alertandoquenãohácritérios

rígidosnemumsistemaclassificatório,nosentidológicodaexpressão.

Aclassificaçãodasnormasjurídicas,idealizadaporFERRAZJUNIORafigura­secomoumadasmaiscompletaserevelacritériosquepodemseradotadoscomomodelo,

emfacedoquecuidaremosdeespecificá­laemseuspontosessenciais,emboradeformaresumida.

Seuscritériossãoestabelecidossegundoumpontodevistasemiótico(teoriadossignos–signoslingüísticosdaspalavras)dasnoçõesderelaçãosintática,semânticae

pragmática.

(11)

Quantoaoscritériossintáticos,oautorclassificaasnormaspelasuarelevância,pelasubordinaçãoepelaestrutura.Ocritériodarelevânciaclassificaasnormasem primáriasesecundárias.Nopassado, adoutrinaatribuíaoepítetodenormas primárias àquelas queestabelecemumpreceitoparaaaçãoe, desecundárias, às queprevêem sanção.TERCIOSAMPAIOFERRAZJUNIORobservaqueKelseninverteuessaordemclassificatória,priorizandoemrelevânciaasnormasdotadasdeprevisãosancionatória. Paraonotáveljuristaaustríaco,primáriassãoasnormasdotadasdesanção,podendoserclassificadasemtermossecundáriosaquelasqueapenascontêmomandamento,sem

prever sanção. Atualmente, segundo FERRAZ JUNIOR, a avaliação da importância cedeu lugar à mera relação inclusiva: se uma norma tem por objeto outra norma, ela é

secundária;setemporobjetoaprópriaação,éprimária.

(12)

Ocritériodasubordinaçãoasclassificaemnormas­origem(primeirasdeumasérie,remontandoatéanormafundamental)enormas­derivadas(quesãoasdemaisnormas

decorrentesdaprimeira);ocritériodaestruturaapontaaexistênciadenormasautônomas(quetêmporsiumsentidocompleto)enormasdependentes(queexigemcombinação

comoutrasnormasparaexpressarseusentido).

(13)

Ocritériosemântico,porsuavez,segundoTÉRCIOSAMPAIOFERRAZJUNIOR,levaemcontaoâmbitodevalidadedasnormasereporta­seaosdestinatáriosmatéria, aoespaçoeaotempo. No âmbito dos destinatários, classificam­seem gerais (comuns – destinadas à generalidade das pessoas) e individuais (particulares – que

disciplinam o comportamento de uma pessoa ou grupo); quanto à matéria, as normas podem ser gerais­abstratas (que têm por facti species um tipo genérico), especiais

(disciplinamotipogenéricodeformadiferente)eexcepcionais(contidasnasgerais­abstratas,masqueexcepcionamseuconteúdo).

(14)

Ocritériodoespaçodizrespeitoaolimiteespacialdeincidênciadanorma(nacional,estadual,municipal–local,etc.).Jáocritériodotempodizrespeitoàvigência,

classificandoas normas em permanentes (quandoalei nãoatribui prazodevigência–vigem indefinidamente)eprovisórias outemporárias (aquelas para a qual a lei prevê previamenteumprazodecessação).Quantoaotempo,aindapodemserirretroativas(emprincípiotodasosão),ouretroativas(retroagemparabeneficiaroagente),deincidência

imediata(cujoiníciodevigênciasedáapartirdapublicação)oudeincidênciamediata(sujeitasàvacatiolegis).

(15)

Háaindaocritériodafinalidade,segundooqualasnormasjurídicasclassificam­seemnormasdecomportamento(disciplinadorasdaconduta)enormasprogramáticas

(queexpressamdiretrizes,intenções,objetivos).

Pelocritériopragmático, aasserçãopodesermodalizadaporfuntores. As normas distinguem­sepelofuntor. Otermofuntorvemdalógica. Trata­sedeoperadores

lingüísticos quenos permitemmobilizaras asserções.Assim,diz Tércio,aasserção"istoécomprar"podesermodalizadaporfuntores como:éproibidocomprar,épermitido

comprar,éobrigatóriocomprar.

(16)

JáMARIAHELENADINIZcatalogaasnormasjurídicassegundocritériosdiferenciados,dentreosquaisrelacionamos:quantoàimperatividade,quantoaoautorizamento,

quantoàhierarquia,quantoànaturezadesuasdisposições,quantoàaplicação,quantoaopoderdeautonomialegislativaequantoàsistematização.

(17)

Quantoàimperatividadeasnormaspodemserimpositivas(oudeimperatividadeabsoluta),ordenandoaaçãoouabstençãodeconduta,semqualqueralternativaouopção diferenciada, oudispositivas (de imperatividade relativa), que por sua vez subdividem­se em permissivas, supletivas ou também impositivas por interpretação doutrinária ou

jurisprudencial.

(18)

Quantoaoautorizamento,classificam­seemmaisqueperfeitas(queautorizamduassanções–nulidadedoatoerestabelecimentodostatusquo,comaplicaçãodepena

aoviolador),perfeitas(autorizamadeclaraçãodoatoqueasviola,masnãoaaplicaçãodepenaaoviolador),menosqueperfeitas(autorizamaaplicaçãodepenaaoviolador,mas

nãoanulidadedoato)eimperfeitas(cujaviolaçãonãoacarretaqualquerconseqüênciajurídica).

(19)

Quantoàhierarquia,aautoraasclassificacomonormasconstitucionais,leiscomplementares,leisordinárias,delegadas,medidasprovisórias,decretoslegislativose resoluções, decretos regulamentares,normas internas e normas individuais. Quanto à naturezadas suas disposições as normas podem ser substantivas (definem e regulam relações jurídicas, criam direitos e impõem deveres – normas de direito material) e adjetivas (regulam o modo ou processo(https://jus.com.br/tudo/processo) de efetivar as

relaçõesjurídicas–normasdedireitoprocessual).Quantoàaplicaçãopodemserclassificadasemdeeficáciaabsoluta(insuscetíveisdeemendaecomforçaparalisantetotalda lei que as contraria), de eficácia plena (apresentam todos os requisitos necessários para disciplinar as relações jurídicas), de eficácia relativa restringível (de aplicabilidade imediata,maspassíveisdereduçãodesuaeficáciapelaatividadelegislativa–eficácialimitada),edeeficáciarelativacomplementável(possibilidademediatadeproduzirefeitos,

dependendodenormaposterior–eficáciacontida).

(20)

12/01/2017

Classificaçãodasnormasjurídicasesuaanálise,nosplanosdavalidade,existênciaeeficácia­JusNavigandi

Finalmente,asclassificaçõesquantoaopoderdeautonomialegislativa,ondeasnormaspodemsernacionaiselocais(emboraoriundas damesmafontelegiferante, podemvigoraremtodoopaísousóempartedele),federais,estaduaisemunicipais(conformesetratemdeleisdaUnião,dosEstadosfederadosoudosmunicípios);equantoà

sistematização: esparsas ouextravagantes (se editadas isoladamente), codificadas (corpo orgânico sobre certo ramo do direito em códigos) e consolidadas (reunião de leis

esparsasvigentessobredeterminadoassunto).

(21)

Além destas, muitas outras classificações são oferecidas pela doutrina, revelando que inexiste uniformidade ou um padrão rígido de exigência de adoção (https://jus.com.br/tudo/adocao)decritérios metódicos paraclassificaras normas jurídicas. Todas as classificações idealizadas sãoválidas nosentidodeapresentarfocos de visãodanormajurídica,conformeaóticaemqueestejasendoinvestigada,daíporqueafunçãodidáticadetaisproposiçõesévoltadaaoprocessocognitivo,deapreensãodo objetodoconhecimento,queéanormajurídicacientificamenteestudada.

3.ANORMAJURÍDICANOSPLANOSDAVALIDADE,EXISTÊNCIAEEFICÁCIA

SegundoasseveraTÉRCIOSAMPAIOFERRAZJUNIOR,aquestãodavalidadejurídicadasnormasedopróprioordenamentojurídicoéumaquestãodezetética,logo,

uma questão aberta. Do ângulo dogmático, porém, é uma questão fechada, portanto, diferente, pois não se pergunta que é validade e como se define, mas sim, busca­se

identificaravalidadedasnormasdentrodeumdadoordenamentojurídico.

(22)

Adoutrinaaponta,combaseemKelsen,aexistênciadeduas teorias quetêmlugarconformeoconhecimentojurídico­científicodirija­seàs normas quedevemser aplicadasouaosatosdeproduçãoeaplicação,quaissejam:ateoriaestáticaeateoriadinâmica.Paraaprimeira,oDireitoafigura­seumsistemadenormas,estudadoemseu estadoderepouso. As normas dedireitopositivosãoconfrontadas entresi, numaunidadecoerenteesistemática, soboenlacededutivodepreceitos normativos edanorma básica,mostrandoouno(sistema)nomúltiplo(pluralidadedenormas).

Paraateoriadinâmica,oDireitoéestudadoemmovimento,tendoporobjetooprocessojurídicoemqueéproduzidoeaplicado,sóinteressandoàCiênciaJurídicaosatos

deproduçãoeaplicaçãodoDireito,enquantoformamoconteúdodasnormasjurídicas.

(23)

HANSKELSENsituaosfatoseacontecimentosdavidanocampoontológicodoser,aopassoqueanorma,queemprestaaofatoocaráterdeatojurídicoouantijurídico

quersignificaralgoquedeveser.DizKELSENque,"Comotermo‘norma’,sequersignificarquealgodeveserouacontecer,especialmentequeumhomemsedeveconduzirde

determinadamaneira".

(24)

Oatodevontade,segundoaóticakelseniana,fixaanormaequandodirigidocomoumcomandoreguladordavontadedeoutrem,estabeleceum"deverser",uma

prescrição.

Considerandoqueanormaresultadaemanaçãodavontadedeseucriadorouconstituinte,conclui­sequeestanormamanifesta­secomoosentidosubjetivodosatosque

aprescrevem.Enessaóticavemaafirmativadeque"osentidosubjetivodeumatohumanodirigidoàcondutadeoutremsóéinterpretadocomoosentidoobjetivodesseatose

forumanormaválida".

(25)

3.1.PLANODAVALIDADE

Navisãodadogmáticajurídica,umanorma,paraserválida,deveprimeiramenteestarintegradanoordenamentojurídico,ondecumprir­se­ãoseusprocessosdeformação

eprodução,emconformidadecomasdiretrizeserequisitosdopróprioordenamento."Cumpridoesseprocesso",dizTERCIOSAMPAIOFERRAZJUNIOR,"temosumanorma válida."( )"Sancionadaanormalegal,paraqueseinicieotempodesuavalidade,eladeveserpublicada.Publicadaanorma,diz­se,então,queanormaévigente.( )Vigente,

portanto,éanormaválida(pertencenteaoordenamento)cujaautoridadejápodeserconsideradaimunizada,sendoexigíveisoscomportamentosprescritos".

(26)

Masnãoéesteoúnicosentidoqueseatribuiàvalidadedanorma.LUIZANTONIORIZZATTONUNES,asseveraqueavalidadetantopodereferir­seaoaspectotécnico­ jurídicoouformalquantoaoaspectodalegitimidade. "Noprimeirocaso, fala­sedeanormajurídicaserválidaquandocriadasegundoos critérios jáestabelecidos nosistema

jurídico( ).Nooutro,fala­sedofundamentoaxiológico,cujaincidênciaéticaseriaacondiçãoquedarialegitimidadeànormajurídica,tornando­aválida".

(27)

InduzemàreflexãoasponderaçõeslançadasporREINALDODESOUZACOUTOFILHO,aodizerquenoordenamentojurídiconacional,avalidadedeumanormajurídica

dependedocritérioadotadopelotitulardoPoderConstituinte,sejaoriginárioouderivado,nãopelojuristaquerepresentaapenasumagenteinterpretadordoscritériosdevalidade

adotadospelanormajurídica,semqualquerpoderrealdecriaçãodoDireito.

Segundooautor,osquetêmumavisãodoDireitocomolinguagemafirmamqueojuristatemumpapelfundamentalnopreenchimentodoconteúdosemânticodeuma

norma,mas,aindaassim,omesmonãotemopoderdecriar,poisninguémnegaqueoDireito,hodiernamente,seoriginabasicamentedoEstado.Ecomplementa:"Avalidadeda

normajurídicapodeservistacomoovínculoestabelecidoentreaproposiçãojurídica,consideradanasuatotalidadelógico­sintáticaeosistemadeDireitoposto,demodoqueela

éválidasepertenceraosistema,masparapertenceratalsistemadoisaspectosdevemserobservados:aadequaçãoaosprocessosanteriormenteestabelecidosparaacriação

daproposiçãojurídica(excetonocasodarecepçãopelaConstituição)eacompetênciaconstitucionaldoórgãocriador.Porisso,ojuristanãotemocondãodecriarumanorma

jurídicaválida."

(28)

Nomesmodiapasão,quevinculaavalidadedanormaàcondiçãodeemanardeumaautoridadesuperioremedianteoprocessolegislativopróprio,éoensinamentode

MIGUELREALE,quandoafirma:"Paraempregarmosumaexpressãopopular,densadesignificado,aprimeiraimpressãoquenosdáaleiédealgofeito‘paravaler’,istoé,deuma

ordemoucomandoemanadodeumaautoridadesuperior."

(29)

NORBERTOBOBBIO,aotratardasoluçãodosconflitosgeradospelaantinomiadeduasnormasválidas,apontaaexistênciadequatroâmbitosdistintosdevalidadeda

normajurídica:temporal,espacial,pessoalematerial.

(30)

EstemesmoentendimentoéesposadoporANDRÉFRANCOMONTORO,quandoafirmaque"Todanormajurídicatem,assim,umâmbitotemporal,espacial,materiale

pessoal,dentrodosquaiselatemvigênciaouvalidade."

(31)

PAULODEBARROSCARVALHOsituaaquestãodavalidadecomorelaçãodepertinênciadanormacomosistemaeassevera:"Separtirmosdopostuladosegundoo

qual o sistema é formado pelo conjunto das normas válidas, a validade passou a ser critério indispensável para pensar­se o sistema de direito positivo. Mas os conceitos fundantessãosemprededifícildelimitaçãoeavalidadeexperimentaforteinstabilidadesignificativaentreosváriosmodelosconhecidos.DaíporqueDiegoMartinFarrelldeclare que‘Lasnormasjurídicasseconsideranválidascuandoconcuerdanconelcriterioadoptadoporeljurista.Puededecirse,entonces,quelavalideznoesunapropiedaddelas

normas,sinounarelaciónentrelanormayelcriterioelegido:cuandolanormaseajustaalcriterioselaconsideraválida’.".

(32)

EconcluiPAULODEBARROSCARVALHO:" aodizermosqueu’anorma‘n’éválida,estaremosexpressandoqueelapertenceaosistema‘S’.Sernormaépertencerao

sistema,o‘existirjurídicoespecífico’aquealudeKelsen."

(33)

Assim,paraqueumanormapossaserconsideradaválidaénecessário,primeiramente,quetenhaintegradooordenamentojurídicovigente,atravésdeprocessolegítimo

decriaçãonormativa.

(34)

3.2.PLANODAEXISTÊNCIAOUVIGÊNCIA

SegundoKELSEN,"comapalavra‘vigência’designamosaexistênciaespecíficadeumanorma.Quandodescrevemososentidoouosignificadodeumatonormativo

dizemosque,comoatoemquestão,umaqualquercondutahumanaépreceituada,ordenada,prescrita,exigida,proibida;ouentãoconsentida,permitidaoufacultada.Se,como

acimapropusemos,empregarmosapalavra‘deverser’numsentidoqueabranjatodasestassignificações,podemosexprimiravigência(validade)deumanormadizendoquecerta

coisadeveounãodeveser,deveounãoserfeita."

(35)

Háoutrasconsideraçõesimportanteslançadaspelonotávelautoralemão,paraexplicitarqueaexistênciadeumanormapositivatorna­seautônomaeindependenteem

relaçãoàexistênciadavontadequeacriou,afirmandoKELSENque,emverdade,quandoanormaentraemvigor,oatodevontadedeseuinstituidorjádeixoudeexistir. A

norma,portanto,expressasuaforçaeimpõeaconduta,mesmoqueseuinstituidorjánãoqueiraqueissoocorraecontinuavalendomesmoquandoestejánãomaisfigurenorol

dosvivos.

(36)

Apropósito,segundoKARLLARENZ,"ateoria‘objectivista’dainterpretaçãoafirmanãoapenasquealei,umavezpromulgadapode,comoqualquerpalavraditaou

escrita,terparaoutrosumasignificaçãoemquenãopensavaoseuautor–oqueseriaumtruísmo­,masaindaqueojuridicamentedecisivoé,emlugardoquepensouoautorda

lei,umasignificação‘objectiva’,independentedeleeimanenteàmesmalei.Comoquesesustenta,antesdetudo,queháumaoposiçãofundamentalentreainterpretaçãojurídica

eahistórico­filosófica.Enquantoestaprocuradescobrirnaspalavrasosentidoqueoautorlhesligou,ofimdainterpretaçãojurídicaserápatentearosentidoracionaldaleiolhada

como um ‘organismo espiritual’, no dizer de Kohler. As opiniões e intenções subjectivas do legislador, dos redactores da lei ou das pessoas singulares que intervieram na

legislação,nãotêmrelevo;aleié‘maisracional’doqueoseuautore,umavezvigente,valeporsisó."

(37)

12/01/2017

Classificaçãodasnormasjurídicasesuaanálise,nosplanosdavalidade,existênciaeeficácia­JusNavigandi

ParaPAULODEBARROSCARVALHO,"Vigeréterforçaparadisciplinar,parareger,cumprindoanormaseusobjetivosfinais.Avigênciaépropriedadedasregras

jurídicasqueestãoprontasparapropagarefeitos,tãologoaconteçam,nomundofático,oseventosqueelasdescrevem.Hánormasqueexistemeque,porconseguinte,são

válidas no sistema, mas não dispõem dessa aptidão. A despeito de ocorrerem os fatos previstos em sua hipótese, não se desencadeiam as conseqüências estipuladas no

mandamento.Dizemosquetaisregrasnãotêmvigor,sejaporquejáoperderam,sejaporqueaindanãooadquiriram."

(38)

Pode­sedetaisexcertosinferir,portanto,queotermo"vigência"traduzaexistênciaespecíficadeumanormaequenãoseconfundecomvalidade.Umanormapodeser válida, seregularmentecompletouoprocessodeintegraçãoaoordenamentojurídico, cumprindoos requisitos deproduçãoparaquesuagêneseatendesseàs exigências do ordenamento,maspodeaindanãoservigente,pordependerdaverificaçãodecondiçãosuspensivaoudevacância,oumesmotertidosuavigênciaexauridaouencerrada.

Aocontrário,todanormavigentehaveráquesernecessariamenteválida,postoqueavalidadeésinônimodeintegraçãoaoordenamento,queporsuavezépressuposto

paraavigência.

Damesmaforma,umanormapodetervigênciamasnãoserdotadadeeficácia,postoquevigênciaeeficáciatambémconstituemcaracterísticasdiferentesdanorma

jurídica.

Avigênciadeumanormapodesertemporáriaouindeterminada,conformedisponhaoseuinstituidornomomentodaelaboração.Sefixadoumperíododelimitadode

vigência,estacessaráaotérminodomesmo,quandochegaráaoseutermofinal.Naausênciadefixaçãodeprazodevigência,presume­seaindeterminação.

Avigênciatambémpoderáserobstadapelaocorrênciaderevogação,sejanahipótesedeab­rogação(supressãototaldanormaanterior),ouderrogação(supressãoparcial

danormaanterior).Noprimeirocasoanormaperdeseusefeitostotalmente,enquantoque,nosegundo,apenasemrelaçãoàpartereguladapornovaleioucujosefeitostenham

sidoexpressamenterevogados.

Dependendo,ainda,nomomentoemqueanormaingressanomundojurídicooufazincidirseusefeitos,poderemosfalaremvigênciaimediata,vigênciafutura,oumesmo

emvigênciaretroativa,quesedáquandoasdisposiçõesdanormajurídicaalcançamumfatoocorridonopassado.

Oordenamentopátrioaceitaaretroatividadedanorma,emcertoscasos.Aregra,entretanto,équeanormaemvigortemefeitoimediatoegeral,valendoparaofuturo,

respeitadosoatojurídicoperfeito,odireitoadquiridoeacoisajulgada.

3.3.PLANODAEFICÁCIA

Quandofalamosemeficáciadanorma,devemostomaraexpressãoemdoissentidos,quesãoaeficáciasocialeaeficáciajurídica.

Aeficáciasocial,segundoJOSÉAFONSODASILVA,"designaumaefetivacondutaacordecomaprevistapelanorma;refere­seaofatodequeanormaérealmente obedecidaeaplicada; nessesentido, aeficáciadanormadiz respeito, comodiz Kelsen, ao‘fatorealdequeelaéefetivamenteaplicadaeseguida, dacircunstânciadeuma

conduta humana conforme à norma se verificar na ordem dos fatos’. É o que tecnicamente se chama efetividade da norma. Eficácia é a capacidade de atingir objetivos

previamentefixadoscomometas."

(39)

Tratando­sedenormasjurídicas,complementaoautor,aeficáciaconsistenacapacidadedeatingirosobjetivosnelatraduzidos,quevêmaser,emúltimaanálise,realizar

osditamesjurídicosobjetivadospelolegislador.Porissoéquesedizqueaeficáciajurídicadanormadesignaaqualidadedeproduziremmaioroumenorgrau,efeitosjurídicos,

aoregular,desdelogo,assituações,relaçõesecomportamentosdequecogita;nessesentido,aeficáciadizrespeitoàaplicabilidade,exigibilidadeouexecutoriedadedanorma,

comopossibilidadedesuaaplicaçãojurídica.

(40)

MARIAHELENADINIZ apontaaseguintedistinção:"Comosevê,aeficáciaécondiçãodavalidade.Aeficáciadeumanormaconsisteemqueestaé,emgeral,

efetivamentecumpridae,senãocumprida,éaplicada.Avalidadeconsisteemqueanormadevesercumprida,ou,senãoofor,deveseraplicada.Assim,seumanormaproíbe

mataranimaldeumacertaespécie,aoligaratalmatarumapenacomosanção,perderiasuavalidadeseaquelaespéciedeanimaldesaparecessee,porconseguinte,nãofosse

possívelnemocumprimentonemaaplicaçãodanormajurídica."

(41)

(42)

Vigência,validadeeeficácia,portanto,podematéinteragirnoquedizrespeitoànorma,masconstituemqualidadesdistintasdamesmaenãoprecisamnecessariamente

coexistiremtodasashipóteses.

Tantoéassimqueumanormapodeserválida,vigenteeeficaz;podeserválidaevigenteenãotereficácia;podeserválidaenãopossuirvigêncianemeficácia,como

tambémpodeapresentar­sedestituídadetodasessasqualidades,nãopossuindovalidade,nemvigência,nemeficácia.

Assim,porexemplo,seumadeterminadanorma,editadasegundooprocessotécnico­normativo,portantoválida,devidamentesancionadaepublicada,logovigente,que disponhaquetodos os carros deverãopossuirobrigatoriamenteumdeterminadoitemdesegurança,queporforçadaquebraoudesativaçãodaúnicaindústriaqueoproduzia, deixoudeexistirnomercado,seráineficazquantoaestaimposição.

HANSKELSENassinalaqueumanormajurídicaéconsideradacomoobjetivamenteválidaapenasquandoacondutahumanaqueelaregulalhecorrespondeefetivamente,

pelomenosnumacertamedidaeque,seumanormanuncaéaplicadanemrespeitadaempartealguma,nãoseráconsideradacomonormaválida.

(43)

Contraestaassertivainsurge­seFERRAZJUNIOR,paraquemaineficáciadeumanorma,faltando­lheomínimodeeficáciaaqueserefereKelsen,nemassimdeixariade

serválida,postoqueanormaeditadavalidamenteentrouparaoordenamentojurídico,aindaquenuncatenhaproduzidoefeitos.Lembra,ainda,queaeficáciasocialouefetividade

deumanormanãoseconfundecomsuaobservância,jáquehánormasquenuncasãoobedecidasemesmoassimguardamrelevânciasocial.Asquenãosãoobservadaspor

longotempocaemnodesuso,podendofalar­senaperdadeseusentidonormativo,masnãodavalidade.

(44)

Aeficácia,nosentidojurídico,dizrespeitocomacapacidadedanormadeproduzirefeitos.Essacapacidadepossuiumalargafaixadeincidência,podendosertotalou

parciale,ainda,cabendofalar­seemnormasquesãoapropriadasaproduzirefeitosmaisoumenosintensoserelevantes.

EmsededeDireitoConstitucional,costuma­sedizerqueaeficáciasocialprecedeaeficáciajurídica,poisumaconstituiçãoquenãoatendeaosanseiosdeseupovoenão

mereceobservânciajamaischegaaserrespeitadacomoumaLeiMaior.

Nocampodaslegislaçõesordinárias,entretanto,ocorreoinverso,anossover.Sóapósintegraroordenamentojurídicoetornar­seaptaaproduzirefeitos,logo,dotadade

validade,vigênciaeeficácia,équeumaleipoderápassarpelocrivodaobservânciasocial,paratereficáciasocial.Nestecaso,aeficáciajurídicaéqueprecedeàsocial.

Finalmente,aeficáciadeumanormapodeaindasofrerlimitaçõesoumesmodependerdeoutranormaparaserealizar.Éocasodasnormasdeeficácialimitadaoude

eficáciacontida,queadespeitodeerigiremprevisãodeconduta,asseveramquedeterminadoconceitooufatorseráditadopornormacomplementar,ounostermosdalei,quando

aleiaindanãofoieditada.

Obviamente,porestarumbilicalmentedependentedavalidade,qualquerfatorexternoquealcanceanormaparainvalidá­laouobstarseusefeitos,totalouparcialmente,

comoocorrenoscasosderevogação,declaraçãodeinconstitucionalidadeoususpensãodeefeitosporliminardotadadeamplitudeergaomnes,atingiránamesmaintensidadea

suaeficácia.

‹Páginaanterior

1
1

12/01/2017

12/01/2017 Classificaçãodasnormasjurídicasesuaanálise,nosplanosdavalidade,existênciaeeficácia­JusNavigandi

Classificaçãodasnormasjurídicasesuaanálise,nosplanosdavalidade,existênciaeeficácia­JusNavigandi

AdvogadoeProfessornoParaná,EspecialistaemDireitoCivileProcessualCivilpelaFundaçãoGetúlioVargas(FGV/RJ),MestreemDireitoCivilpelaUniversidade

EstadualdeMaringá(UEM/PR)

Falecomoautor

Informaçõessobreotexto

Comocitarestetexto(NBR6023:2002ABNT)

Softwarepara Condomínio Anúncio CondomíniosVirtuais

Comentários

0

Coloqueaquiseucomentário

Coloqueaquiseucomentário

C o m e n t a r Regrasdeuso Comentar Regrasdeuso

t a r Regrasdeuso LIVRARIA(HTTP://JUS.COM.BR/LIVRARIA)

12/01/2017

Classificaçãodasnormasjurídicasesuaanálise,nosplanosdavalidade,existênciaeeficácia­JusNavigandi

SuspensãoCondicionaldaPenaedoProcessoPenal AçãoRescisória Comprar Comprar R$33,00 R$48,00
SuspensãoCondicionaldaPenaedoProcessoPenal
AçãoRescisória
Comprar
Comprar
R$33,00
R$48,00
(http://jus.com.br/livraria/suspensao­condicional­da­pena­e­do­processo­penal)
(http://jus.com.br/livraria/acao­rescisoria)
DespenalizaçãopelaReparaçãodeDanos
DesconsideraçãodaCoisaJulgadanaInvestigaçãodePaternidade
Comprar
Comprar
R$78,00
R$75,90
(http://jus.com.br/livraria/despenalizacao­pela­reparacao­de­danos)
(http://jus.com.br/livraria/desconsideracao­da­coisa­julgada­na­investigacao­de­paternidade)

JusNavigandi. Todososdireitosreservados.Proibidaareproduçãototalouparcialsemautorização.

12/01/2017

Classificaçãodasnormasjurídicasesuaanálise,nosplanosdavalidade,existênciaeeficácia­JusNavigandi