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A EDUCAÇÃO NA PERSPECTIVA DA IGUALDADE RACIAL Autor 1 Autor 2 Universidade (nome da universidade)

A EDUCAÇÃO NA PERSPECTIVA DA IGUALDADE RACIAL

Autor 1

Autor 2

Universidade (nome da universidade) Departamento de *** (nome do curso) AV. Universitária, Nº *** Setor Universitário Fone (**) 5555-5555. CEP: 0000-000 São Paulo - SP (estado e sigla).

RESUMO

Nos últimos anos é possível perceber uma mobilização dos vários grupos sociais no intuito de buscarem igualdade de direitos, bem como, o respeito às suas especificidades. Assim, objetivamos discutir as desigualdades raciais na educação, buscando dados que evidenciem essas diferenças, retratando o papel da escola e dos profissionais da educação na ampliação dos direitos humanos. Portanto as considerações feitas apontam alguns avanços obtidos pelos movimentos negros no Brasil, através de ações que possibilitaram acesso dos afrodescendentes às condições de igualdade econômica, cultural e intelectual, até pouco tempo atrás improváveis. Os avanços podem ser percebidos, porém ainda há muito no que avançar rumo a igualdade social. Nessa perspectiva de igualdade, o espaço escolar assume papel de destaque e relevância, sendo os educadores as peças fundamentais na promoção do respeito à diversidade em seus múltiplos desdobramentos. Para tanto, nos fundamentaremos em Cavalleiro (2008), Pinho (2010), Gonçalves (2007), entre outros.

Palavras-chave: Diversidade. Educação. Igualdade Racial

ABSTRACT

In the past few years, its noticeable a mobilization of several social groups in order to pursue equal rights as well as respect to their specificities. Thus, we aimed to discuss racial inequalities in education, seeking data that demonstrate these differences, portraying the role of schools and education professionals in the expansion of human rights. So the considerations point to some advances made by black movements in Brazil, through actions that allowed access of African descent to the conditions of economic, cultural and intellectual equality, until recently improbable time. Advances can be perceived, but there is still much in progress towards social equality. This equality perspective, the school takes a prominent space and relevance and educators the fundamental parts in promoting respect for diversity in its multiple ramifications. To do so, we will base ourselves in Cavalleiro (2008), Pine (2010), Gonçalves (2007), among others.

Keywords: Diversity. Education. Racial equality

1 Acadêmico do curso de (nome do curso) da (nome da universidade). (e-mail do autor) 2 Profº do departamento de (nome do curso) da (nome da universidade). (e-mail do autor)

1 INTRODUÇÃO A educação ao longo dos anos tem apresentado índices de crescimento, oportunizando o

1 INTRODUÇÃO

A educação ao longo dos anos tem apresentado índices de crescimento, oportunizando o ingresso de milhares de pessoas nas escolas. O aumento do número de vagas infelizmente não significou a melhoria na qualidade da educação ofertada nem diminuiu as desigualdades de desenvolvimento dos alunos negros.

Os números mostram que a defasagem ano/série, pouco tempo de escolarização, ingresso tardio e abandono precoce dos alunos negros continuam ocorrendo. Entender os mecanismos que mediam esse processo é um fator necessário para que nós educadores, possamos tornar o ambiente escolar verdadeiramente inclusivo, possibilitando ingresso, permanência e conclusão do processo escolar dos alunos negros.

As políticas de igualdade racial promovidas pelo governo, com o objetivo de superação do déficit na escolarização dos alunos negros, esbarram em conceitos estereotipados, vinculados às questões sociais, econômicas, culturais, alimentadas ano após ano por um discurso de igualdade e oportunidade para todos, sendo assim, torna-se responsabilidade individual o sucesso dentro e fora das escolas. O ambiente escolar, assim como os profissionais da educação necessitam se despirem desses conceitos de falsa igualdade e se atentarem para o fato de que o espaço escolar não pode segregar, negar ou tornar invisível a diversidade étnica e racial:

as ideologias contidas no silêncio da intervenção do Estado por

meio do tecnicismo; do livro didático; dos conteúdos; apresentam uma relação tênue com os resultados da educação e, por conseguinte, com a condição social do jovem negro (PINHO, 2011, p.05).

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A concepção de igualdade consiste no respeito, oportunidades, direitos e deveres iguais para todos, porém, o que se observa são as diferenças socioeconômicas que interferem no acesso das crianças negras em idade correta na escola, assim dificultando

que as mesmas possam concluir a educação básica no tempo regular, além disso, percebemos que

que as mesmas possam concluir a educação básica no tempo regular, além disso, percebemos que muitas delas entram tardiamente à escola, abandonam-na precocemente para ingressarem no mercado de trabalho, onde provavelmente reproduzirão a história de seus pais, pois com baixa escolaridade estarão sujeitos a subempregos, com baixos salários, distanciando-se ainda mais da igualdade tão sonhada.

2 FUNDAMENTAÇÃO

A diversidade racial na educação infantil, segundo Cavalleiro, quando trata da pré-escola, afirma estar nesse período, “o início do fim da intolerância”, se trabalhadas adequadamente através de ações de afirmação racial, acabam fortalecendo a identidade e o sentimento de pertencimento. Cavalleiro aponta que, geralmente, as relações etnicorraciais são tratadas com descaso pelos profissionais desta fase, onde existe um “entendimento” que não há necessidade de fortalecer a identidade porque as diferenças não são percebidas, porém os efeitos de um tratamento diferenciado aberto ou implícito por parte do educador contribui para a baixa autoestima da criança negra, bem como,

ninguém nasce

, a base de uma construção respeitosa se dá nos primeiros anos

odiando, aprende-se

“ignora” a valorização das diferenças, como aponta Mandela “[ ”

de formação quando o individuo toma para si valores, conceitos daqueles tidos como referencial, assim é necessário e urgente que se reavalie as ações desenvolvidas na educação infantil.

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Ao apontar os avanços na inclusão dos alunos negros, Oliveira ressalta o papel de relevância da escola e do educador na superação das desigualdades raciais:

São frequentes as perguntas de educadores sobre como lidar com as

questões relacionadas ao preconceito. Como fortalecer a identidade da criança negra? Evidentemente não há receitas. Mas não podemos deixar de intervir positivamente nas ações de preconceito que ocorrem

As diretrizes curriculares Nacionais para a Educação

das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e cultura da Afro-Brasileira e Africana impõem novas responsabilidades a escola (IBIDEM, 2005, p.91-94).

na escola. [

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O poder público tem ampliado o diálogo com os movimentos negros, aonde é possível observar

O poder público tem ampliado o diálogo com os movimentos negros, aonde é possível observar avanços significativos, porém os índices divulgados pelo IPEA (2011) mostram que, ainda existe muito para avançar, pois o número de analfabetismo no Brasil entre brancos e negros chega a (5,9% contra 13,4%), entre pessoas de 15 a 17

anos os estudo realizado entre 1992 a 2009, mostra que os alunos brancos (60,3%) estão na série correta em detrimento dos alunos negros (43,5%) em idade/série defasada, os números apontam a necessidade de continuidade de ações voltados para superação dessas desigualdades.

A lei 10.639/03 torna obrigatório o ensino da história e cultura da África nas escolas, pretende reparar séculos de silenciamento, frente à contribuição de homens e mulheres na construção do país, em seus múltiplos aspectos, colaborando para desconstruir o discurso de passividade frente às barbáries cometidas no passado, valorizando o clã de pertencimento grupal dos vários indivíduos trazidos ao Brasil no período colonial. O estatuto da igualdade racial prevê garantir e ampliar o acesso dos cidadãos negros a justiça tendo resguardados e preservados todos os seus direitos. A política de cotas, apesar de duramente criticada por alguns, busca inserir os jovens estudantes no ensino superior, medida essa ainda necessária em função das deficiências e desigualdades da educação básica, apontadas anteriormente pelos números do IPEA.

Pretendemos ressaltar que, as ações governamentais, só serão efetivadas na prática quando integradas na formação humana, passando necessariamente pela aplicação de uma educação de qualidade, que irá preparar alunos para concorrerem no mundo globalizado em condições de igualdade.

Os índices do IPE apontam que em 2003, de cada dez jovens negros de 18 a 24 anos de idade, quatro encontravam-se desempregados, já entre os jovens brancos o número é de um para seis. Quando falamos dos jovens que ingressam no mercado de trabalho não podemos deixar de questionar o tipo de trabalho ao qual estão submetidos. Como afirma Pinho (2010, p. 08) “no mundo do trabalho, o processo de exclusão vivido pelos jovens pretos e pardos não é diferente: maior dificuldade em encontrar uma ocupação, maior informalidade nas relações trabalhistas e menores rendimentos”.

Nesse sentido, a educação escolar gera uma transformação profunda e global da sociedade, funcionando como

Nesse sentido, a educação escolar gera uma transformação profunda e global da sociedade, funcionando como um fator de democracia dentro dessa mesma sociedade, possibilitando as condições fundamentais para a compreensão dos grupos sociais e de suas lutas por emancipação. Construir uma sociedade pautada nos princípios da igualdade e fraternidade requer uma ampliação da utilização dos espaços formativos dos educadores para discutir com os representantes dos movimentos sociais estratégias que

favoreçam a percepção da diversidade étnica, racial, sexual, religiosa como algo positivo, observando que o diferente esta associada ao meu olhar sobre o outro.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os avanços de ações de afirmação racial ainda esbarram em uma estrutura educacional forjada no discurso de uma classe dominante, que detém os meios de produção, assim, precisamos repensar as unidades escolares, currículo, metodologias utilizadas, materiais pedagógicos e a postura de educadores. Repensar essa estrutura educacional é reavaliar nossas ações, pois é real os níveis desiguais de escolarização dos alunos negros e a pergunta que não cala é até onde contribuímos com essa realidade? Segundo Oliveira:

A cultura negra é imprescindível, ela é o referencial histórico para a identidade do aluno negro, o elemento chave para a ruptura da dominação. Mas o conhecimento elaborado não pode continuar sendo propriedade da burguesia. Portanto, um currículo que contemple, a classe popular e respeite as diversidades culturais, deve se basear no conhecimento do aluno dessa classe (IBIDEM, 1987, p. 45).

A valorização do conhecimento prévio do aluno cria mecanismo de troca de saberes, quando mediado corretamente pelo professor rompe com a “ignorância” de julgamento do outro segundo os valores pessoais de cada um. O acesso ao outro diferente do eu, proporciona trocas e diversificação de ponto de vista.

Desta forma, os grupos sociais buscam junto ao poder público condições para aperfeiçoar as políticas

Desta forma, os grupos sociais buscam junto ao poder público condições para aperfeiçoar as políticas compensatórias, afim de que, em um futuro não tão distante, não sejam mais necessárias, porém esse projeto só será consolidado a partir do momento em que as escolas venham a abrir as suas portas para todos sem distinção e os trabalhadores da educação se dispam de conceitos previamente formados e enxerguem em cada aluno um potencial único, garantido pela sua individualidade, onde o mesmo possa sentir-se como sujeito, parte do projeto ensino/aprendizagem.

Ao discutir a contribuição da escola para ampliar a desigualdade racial na educação, percebemos que, mesmo tendo uma legislação que garanta a igualdade, ainda convivemos com o preconceito, segregação, racismo, estereótipos, entre outros, onde reforçamos a necessidade de comprometimento dos educadores para reverterem essa situação, tornando as escolas espaços de diálogos que levam não a tolerância, mas a uma sociedade pautada pelo respeito. Praticar o respeito ao outro em seus múltiplos desdobramentos é parte dos princípios dos direitos humanos, contribuindo na construção de uma autoimagem positiva.

4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS PINHO. Vilma Aparecida de. Relações raciais no cotidiano escolar: percepções de

4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

PINHO. Vilma Aparecida de. Relações raciais no cotidiano escolar: percepções de professores de Educação Física sobre alunos negros. Programa de Pós-Graduação da UFMT/IE. Dissertação de Mestrado, 2004.

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CAVALLEIRO, Eliane Dos Santos. Educação pré-escolar: o início do fim da intolerância. In: BRASIL. Ministério da Educação. CAVALLEIRO, Eliane dos Santos.

Educação pré-escolar: o início do fim da intolerância. Educação Africanidades Brasil, 2008, p. 227-235.

MOURA, Glória. Superando o Racismo na Escola . Segunda edição/ Kabengele Munanga, organizador.-Ministério da

MOURA, Glória. Superando o Racismo na Escola. Segunda edição/ Kabengele Munanga, organizador.-Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade,2005.

OLIVEIRA, Rachel de. Tramas da Cor: enfrentando o preconceito no dia-a-dia escolar. São Paulo: Selo Negro, 2005.

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