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FACULDADE ANHANGUERA DE JUNDIAÍ PSICOLOGIA AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA I

Janaina Braga de Santana

Joel Pedro dos S. Junior

Marcos Daniel Soares

Rodrigo Lopes Cazassa

Wesley de Freitas Silva

RA 7250597542

RA 8491204867

RA 8071842001

RA 8056787894

RA 8486213979

HISTÓRIA DA AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA NO BRASIL

Profª Esp. Edilene Pelissoli Picciano

JUNDIAÍ

2016

AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA NO BRASIL

Desde o início do surgimento da chamada Psicologia moderna no final do século XIX, o uso de instrumentos de mensuração passou a ser regra entre adeptos da nova ciência psicológica. Com o passar dos anos novos instrumentos não apenas quantitativos ou psicrométricos, foram criados com objetivos de extrair dados quantitativos das pessoas testadas como, por exemplo, a escala de Alfred Binet criada para medir o numero de quociente de inteligência (QI) de crianças francesas com dificuldades de aprendizagem para poder descobrir possíveis déficits cognitivos; como também foram criados os instrumentos projetivos usados para descobrir aspectos da personalidade do individuo como, por exemplo, as pranchas de Rorschach; outros instrumentos usados para avaliar habilidades motoras; outros para avaliarem interesses pessoais, profissionais, vocacionais e assim por diante. Partindo deste principio mencionado acima, não se pode reduzir a Avaliação Psicológica em apenas testes aplicados em pessoas como veremos a seguir na definição e no modo como a Avaliação Psicológica pode ser entendida. De acordo com Noronha, Beraldo e Oliveira (2003, p. 47) “Avaliação Psicológica é um processo de coletas de dados, cuja realização inclui métodos e técnicas de investigação”. Analisando esta definição percebe-se que os instrumentos ou testes fazem parte do processo da Avaliação Psicológica, ou seja, tem por objetivo oferecerem o máximo de informações sobre aquilo que se está sendo testado ou investigado, mas não caracteriza- se como todo o processo de Avaliação Psicológica. É importante salientar que mesmo quando o profissional da psicologia tenha em mãos todos os dados do individuo levantados através de questionários de entrevistas, Anamnese ou mesmo que já tenha um resultado obtido através de um teste psicológico a Avaliação Psicológica não está finalizada; como afirma Prime (2010, p. 26) “A avaliação psicológica é uma atividade mais complexa e constitui-se na busca sistemática de conhecimento a respeito do funcionamento psicológico das pessoas, de tal forma a poder orientar ações e decisões futuras”. Diante dessas palavras fica nítida a importância e a necessidade de saber avaliar, interpretar e compreender todo um processo ao qual não se restringe apenas a dados objetivos, mas também faz necessário a capacidade e a sensibilidade de observar e escutar para que com isso possa se fazer uma síntese de todo um processo envolvido na avaliação psicológica para não apenas chegar a um diagnóstico, mas para poder compreender o que levou a pessoa a chegar na situação atual e também para planejar medidas para mudança. A história da avaliação psicológica no Brasil antecede a própria história da psicologia

como profissão que só foi regulamentada com a lei 4.119 de 1962. No inicio do século XX com a influência da área medica é possível constatar na literatura vários trabalhos científicos com temas como Neurologia, Psiquiatria e Saúde Mental. Percebe-se com os respectivos temas abordados nas teses citadas um grande interesse pelos processos psicológicos, caracterizando-se com isso a influência da medicina não somente na psicologia de outros países, mas também na psicologia brasileira. Também no inicio do século XX, a área da educação exerceu fortes influências na psicologia e principalmente no que se diz respeito a testes psicológicos. Prova disso foi à inauguração em São Paulo em 1914 do Laboratório de Pedagogia Experimental que tinha como foco de interesse os estudos sobre memória, inteligência infantil e psicomotricidade. (ALCHIERI; CRUZ, 2012). A partir da década de 1950 o Instituto de Seleção e Orientação Profissional (ISOP) passou a fazer uso dos testes como questionário de entrevistas, prova de aptidão e personalidade para avaliarem candidatos a condutores que tinham como objetivos a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para dirigir veículos automotores; como também a partir da década de 1960 o Conselho Nacional de Transito (CONTRAN) passou a exigir o exame psicotécnico também para todos os candidatos à obtenção a Carteira Nacional de Habilitação. (ALCHIERI; CRUZ, 2012). Com a regulamentação da Psicologia no Brasil em 1962, ocorre uma proliferação com respeito ao numero de matriculas nas universidades brasileiras de pessoas que passaram a buscar o titulo de Psicólogo (a) no país. O grande problema dessa demanda que se iniciou na década de 1960 e que vem sendo discutida até os dias de hoje é com relação ao quanto esses cursos de graduação estavam ou estão preparados para atender uma profissão que exige tanto do profissional como a psicologia. O curso de psicologia no mínimo é extenso, compreende- se de 10 a 12 semestres dependendo da universidade, no entanto, a grade de formação se mostra um tanto quanto deficiente quando se avalia a qualidade. Um bom profissional deveria ser colocado no mercado de trabalho apto a realizar um bom serviço a população utilizando todas as ferramentas que estão a sua disposição. Entretanto, quando se fala da qualidade de um profissional, através da ótica da população revela-se uma imagem desfavorável da profissão. Como o objetivo desse trabalho é discorrer sobre a Avaliação Psicológica, não cabe aqui avaliar todos os aspectos da formação desse profissional, mas apenas o quanto esse profissional sai apto das universidades para fazer uma avaliação psicológica de qualidade baseada na ética.

A realização da avaliação psicológica é uma atividade privativa do psicólogo estabelecida por lei. Neste sentido a avaliação psicológica faz parte da identidade desse profissional. Como foi dito no inicio desse texto, o uso dos testes psicológicos passaram a ser regra dentro da psicologia, e será a partir desse momento que se faz importante a critica a respeito da falta de preparo do profissional que não consegue de fato realizar ou interpretar de forma correta os resultados, por exemplo, de um teste psicométrico aplicado por ele próprio. A psicologia ao longo de sua pequena história já provocou muitos danos pelos usos de testes de maneira indiscriminada visando na maioria das vezes selecionar o mais apto a alguma coisa ou a classificar/rotular, mesmo que na maioria das vezes não sendo essa a intenção, e sim por uma falta de preparo ou conhecimento do teste que foi utilizado. É importante salientarmos que no Brasil o uso de testes não adequado no início da profissão era por conta de muitos destes testes estarem descontextualizados por terem vindos de outros países, neste caso o profissional pouco podia fazer para evitar danos. Justamente por essa dificuldade em saber quais testes realmente eram fidedignos ao que se propunha medir no caso de um teste objetivo, foi que o Conselho Federal de Psicologia (CFP) criou em 2003 o Sistema de Avaliação dos Testes Psicológicos (SATEPSI) ao qual resultou na elaboração de critérios de avaliação da qualidade dos testes psicológicos e em uma lista de testes que apresentam evidências para utilização profissional. O surgimento do SATEPSI foi fundamental para avaliar os testes já que o desenvolvimento na área de avaliação psicológica vem crescendo muito no Brasil desde a década de 1990. Apesar do grande crescimento da área mencionada acima e conseqüentemente uma quantidade cada vez maior de testes desenvolvidos e validados pelo SATEPSI, o preparo do profissional não tem andado no mesmo ritmo das necessidades que os testes exigem para serem aplicados. Com a baixa qualidade oferecida nos cursos pelas instituições formadoras, e pelos próprios profissionais que após obter o titulo de psicólogo (a) não buscam uma especialização tem se colocado em jogo toda uma categoria profissional. A especialização mencionada no caso da avaliação psicológica ainda não existe apesar dos pedidos ao CFP, por isso é de suma importância que se reveja a matriz curricular das universidades para que se consiga adotar medidas e estratégias para capacitar melhor esse futuro profissional principalmente ao que se refere à avaliação psicológica. Nos dias atuais este cenário é promissor principalmente com os diversos trabalhos publicados e apresentados inclusive em eventos internacionais fruto de novas pesquisas em avaliação psicológica principalmente no que diz respeito à intervenção profissional. (HUTZ; BANDEIRA, 2003 apud ALCHIERI; CRUZ, 2012).

Que fique claro que uma avaliação psicológica pautada na Ética e no compromisso com o ser humano não é apenas baseada em saber aplicar um teste ou saber interpretar dados quantitativos do mesmo, ao contrario, uma avaliação psicológica consiste na busca sistemática de todo um processo que é muito maior. A esse sentido, apenas foi abordado de maneira mais intensa os testes psicométricos propriamente ditos, porque à falta de preparo dos profissionais envolvendo os conhecimentos necessários para utilizá-los foram o ponto central das criticas feitas nas referências consultadas para elaboração deste texto.

REFERÊNCIAS

ALCHIERI, João Carlos; CRUZ, Roberto Moraes. Avaliação Psicológica no Brasil. In:

ALCHIERI, João Carlos; CRUZ, Roberto Moraes. Avaliação Psicológica:

Conceitos, Métodos e instrumentos. 5. ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2012. Cap. 1. p. 9-20.

NORONHA, Ana Paula Porto; BERALDO, Flávia Nunes de Moraes; OLIVEIRA, Katya Luciane de. Instrumentos psicológicos mais conhecidos e utilizados por estudantes e profissionais de psicologia. 2003. Disponível em:

<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141385572003000100005>.

Acesso em: 13 ago. 2016.

NORONHA, Ana Paula Porto; REPPOLD, Caroline Tozzi. Considerações Sobre a Avaliação Psicológica no Brasil. 2010. Disponível em:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932010000500009 . Acesso em: 13 ago. 2016.

PRIMI, Ricardo. Avaliação Psicológica no Brasil: Fundamentos, Situação Atual e Direções para o Futuro. 2010. Disponível

em:<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010237722010000500003&script=sci_abs

tract&tlng=pt>. Acesso em: 13 ago. 2016.