ÍNDICE

Capa: Adriana Dee, a Agente Laranja – Arte de Nei Lima
Índice e Tira de Omar Viñole: Coelho Nero - Cerveja
Novos tempos, saudades antigas - Editorial de André Carim
A Garota do Silêncio – Agente Laranja – André e Nei
O Olhar do Vampiro – André Carim e Clodoaldo Cruz
Entrevista do Mês: Edgar “Ciberpajé” Franco
Biosimca – HQ de Edgar Franco
E Que Haja Fanzines – André Carim
Encontro Macabro – Carlos Henry
Seção de Cartas e Opiniões
Tira Coelho Nero, de Omar Viñole
Jeito Meio Dark e Rebelde de Ser – Thina e Lafaiete
De Olho no Universo HQ
Tira do Coelho Nero – Omar Viñole
Ensino de Maça – Flávio Calazans
Ilustração de Rafael Viana
Contracapa – Ed Oliver
Nota: A capa teve finalização de Clodoaldo Cruz
As Seções de Cartas e Divulgação de Edições tiveram ilustrações
de Omar Viñole e Clodoaldo Cruz

COELHO NERO DE OMAR VIÑOLE

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Novos tempos, saudades antigas...
André Carim

Essa nova experiência de produzir um fanzine on-line traz uma
grande satisfação do alcance de cada publicação, além do que, em tempos de crise,
fica meio complicado a reprodução em larga escala de um periódico, ainda mais
quando se quer manter o fanzine mensal.
Antes, quando eu produzia um fanzine (o Múltiplo era
bimestral), e utilizava a xerox para reproduzir cada edição, vindo a seguir a
preparação do exemplar e o envio aos amigos e contatos, havia uma última fase
que sempre deixa a gente apreensivo: a resposta e os comentários das cartinhas
que chegariam até minhas mãos.
Hoje isso está meio diferente, e acho que ainda não me acostumei
ao fato de não receber os comentários da edição on-line... acho que o pessoal anda
muito ocupado para parar alguns minutos e comentar a edição, mas quem sabe
isso não começa a mudar, afinal, nesta edição já teremos a seção de cartas com
alguns leitores do fanzine... sejam eles on-line ou por cartinha mesmo...
Vale lembrar também que está rolando uma promoção especial
com o impresso do Múltiplo 1 (até 10 de fevereiro), vai lá, participa... e divulga
o trabalho do fanzine, assim você estará divulgando também o trabalho de
grandes amigos e colaboradores...
Confesso que existe uma certa nostalgia quando se publica um
fanzine, e antes mesmo de terminarmos o exemplar, já vai dando saudades e
vontade de produzir de novo... boa leitura e até o próximo Múltiplo...

MÚLTIPLO – FANZINE DE HQs e Afins
Editor: André Carim de Oliveira
Periodicidade: Mensal
Número: 3 – janeiro de 2017
Fanzine online que pode ser baixado em:
http://multiplozine.blogspot.com.br/
Ou solicitado pelo e-mail:
andrecarim@outlook.com
FADA EMPOLEIRADA NO POSTE – ARTE DE FLÁVIO CALAZANS
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MÚLTIPLO 3 / JANEIRO DE 2017

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Um Ser Mutante Como o
Cosmos
Nascido a 20 de setembro de 1971, em Ituiutaba,
Minas Gerais, a arte entrou cedo na vida de Edgar
Franco. Aos 12 anos publicou sua primeira
história em quadrinhos (HQ) em um fanzine,
desenvolvendo um amor constantemente
renovado por esta forma de expressão. Graduouse em arquitetura e urbanismo na Universidade
ARTE DE CLODOALDO CRUZ de Brasília (UnB), onde iniciou suas pesquisas
sobre a linguagem dos quadrinhos e suas conexões com a arquitetura.
Anos depois o avanço dessa pesquisa veio resultar no livro História em
Quadrinhos e Arquitetura, publicado pela editora Marca de Fantasia,
em 2004, com segunda edição lançada em 2012. Em seu mestrado em
Multimeios na Unicamp, estudou as HQs na Internet, batizando essa
linguagem híbrida de quadrinhos e
hipermídia de HQtrônicas (Histórias
em
Quadrinhos
Eletrônicas),
pesquisa que serviu como base para
o livro HQtrônicas: Do Suporte Papel
à Rede Internet editado em 2005,
pela parceria entre as editoras
Annablume e a FAPESP, com sua
segunda edição publicada em
janeiro de 2008. Em 2006 concluiu o
doutorado em Artes na ECA/USP. Foi
professor dos cursos de Ciência da
Computação e Arquitetura e
Urbanismo da PUC-MG (Unidade
Poços de Caldas) durante 7 anos
(2001-2008), atualmente é docente
adjunto III da FAV - Faculdade de
Artes Visuais da UFG - Universidade
Federal de Goiás, em Goiânia, onde
BIOCYBERDRAMA SAGA
também é professor permanente no
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MÚLTIPLO 3 / JANEIRO DE 2017

Programa de Pós-graduação - Mestrado & Doutorado - em Arte e
Cultura Visual. Como pesquisador nas áreas de arte e tecnologia,
desenho e histórias em quadrinhos, possui diversos artigos publicados
em livros e periódicos e tem apresentado suas pesquisas há mais de
vinte anos em congressos como Intercom, Lusocom, Compós, Anpap e
SBPC. Sua pesquisa de doutorado, Perspectivas Pós-Humanas nas Cibe
artes, foi premiada no programa “Rumos Pesquisa 2003” do Centro Itaú
Cultural em São Paulo. Como ilustrador e quadrinhista possui centenas
de páginas publicadas em revistas do Brasil e exterior como: Quadreca,
Brasilian Heavy Metal, Nektar, Metal Pesado, Quark, Fêmea Feroz,
Ervilha, Mephisto (Alemanha), Dragons Breath (Inglaterra), Ah, BD!
(Romênia), além dos álbuns solo Agartha, Transessência e Elegia,
publicados pela Marca de Fantasia, e de BioCyberDrama Saga, em
parceria com Mozart Couto, editado pela Editora UFG em 2013, com
segunda edição em capa dura lançada em 2016. Em 2009 ganhou o
Troféu Bigorna, premiação nacional concedida aos melhores das
histórias em quadrinhos brasileiras, o prêmio foi criado pelo notório
portal de quadrinhos Bigorna. O trabalho premiado com o troféu foi a
revista em quadrinhos Artlectos e Pós-humanos # 3. O trabalho de
Franco como artista multimídia envolve também obras criadas para
suportes hipermidiáticos, entre elas as HQtrônicas Ariadne e o
Labirinto Pós-Humano, que integrou a Mostra de Artes - Sesc SP/2005;
NeoMaso Prometeu, menção honrosa no 13º Videobrasil - Festival
Internacional de Arte Eletrônica (Sesc Pompéia/2001) e O Mito
Ômega,
web
arte
envolvendo
vida
artificial e algoritmos
evolutivos. Também é
mentor do projeto
musical
Posthuman
Tantra com o qual
realiza performances
cíbridas multimídia e
que lançou em 2016
terceiro CD oficial pela
LANÇAMENTO DE BIOCYBERDRAMA SAGA
gravadora inglesa 412
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Records, tento já lançado CDs também na França, Suíça e Japão. As
performances ao vivo do Posthuman Tantra já passaram por 4 regiões
do Brasil e a banda foi pioneira no uso de efeitos computacionais de
realidade aumentada no palco. Em 2011 concluiu o pós-doutorado em
Artes no Programa de Pós-graduação em Arte da Universidade de
Brasília, Linha de Pesquisa Arte e Tecnologia. Desenvolveu a pesquisa
Aurora Pós-humana: Expansão de um Universo Artístico Ficcional
Transmídia no Grupo de Pesquisa Arte e Tecnociência, junto ao o
Laboratório de Pesquisa em Arte e TecnoCiência, na FGA GAMA/UnB,
como bolsista PDJ CNPq. Também em 2011, através de uma série de
ações performáticas transmidiáticas, declarou-se Ciberpajé,
identidade que assume desde então.

Entrevista exclusiva do Ciberpajé
Edgar Franco
Por André Carim
Múltiplo: Antes de mais nada, por que você adotou o nome
“Ciberpajé”? O que foi e por que aconteceu a transmutação para
Ciberpajé?
Edgar Franco: Ciberpajé é meu nome de ser renascido, a partir de meus
40 anos de idade adotei-o em minha vida cotidiana como uma forma
de conectar diretamente vida e arte. É da tradição de várias correntes
do
ocultismo
e
do
exoterismo o ato simbólico
de renascimento que é
acompanhado por um novo
batismo.
No
meu
aniversário de 40 anos de
idade, em 2011, alguns
meses depois de ter vivido
uma
experiência
transcendente
muito
poderosa
e
CIBERPAJÉ
FRANCO SAGA 01
DEEBDGAR
IOCYBERDRAMA
transformadora após o FIGURA 1 – LANÇAMENTO
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MÚLTIPLO 3 / JANEIRO DE 2017

uso de um enteógeno, eu estava passando internamente por uma
profunda crise de valores e decidi reavaliar minha vida. Através de um
sistema ritualístico desenvolvido por mim com base em meu universo
ficcional e magicko da "Aurora Pós-humana", em uma contagem
regressiva que durou 10 dias, até a data de meu aniversário - 20 de
setembro - eu realizei um processo de transmutação selecionando 10
valores que acredito serem essenciais em minha existência. Descobri
que sou um criador de mundos ficcionais e que esses mundos servem
como caminhos para transformar minha realidade ordinária, então sou
como um pajé, crio conexões entre as cosmogonias fantásticas que
invento e a realidade para transmutá-la. O prefixo ciber está
diretamente ligado à ideia de cibernética da difusão de minha arte e
através das conexões digitais. É importante dizer que o Ciberpajé não
é guru de ninguém, uso a arte como uma forma de auto cura rumo à
minha integralidade de ser.

POSTHUMAN TANTRA

Múltiplo: O que é o “Posthuman
Tantra”?
Edgar Franco: É a minha banda
musical
performática.
O
Posthuman Tantra é um projeto
musical transmídia, nasceu em
2004 como mais uma das formas
de expressar-me no contexto de
meu universo ficcional, como
uma trilha sonora da “Aurora Póshumana”. Nos primeiros anos era
uma one-man-band de estúdio,
através da qual eu desenvolvia
meus experimentos ritualísticos
sonoros num estilo que eu defini
como
Sci-fi
Ambient
Experimental (ambiente sonoro
experimental
de
ficção
científica). A “Aurora Póshumana” é uma ficção científica
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MÚLTIPLO 3 / JANEIRO DE 2017

através da qual realizo um deslocamento conceitual acelerando todos
os avanços da tecnociência contemporânea nos campos da
nanoengenharia, biotecnologia, robótica e telemática, para discutir
seus impactos no humano, destacando o papel da transcendência e
tecnognose nesse futuro possível. Cada CD traz narrativas musicais
diferentes ambientadas nesse universo. De 2004 até hoje (2016), já
lancei 4 álbuns oficiais por selos da Suíça e Brasil, 8 split CDs por
gravadoras da França, Japão e Inglaterra, várias boxes e inúmeras
participações
em
compilações
nos
5
continentes do planeta. Em
2010 iniciei as apresentações
ao vivo do Posthuman Tantra
que no palco é uma banda
mesmo, com músicos e
performers convidados que
integram o grupo de pesquisa
CRIA_CIBER que coordeno. O
Posthuman Tantra foi a banda
brasileira pioneira no estilo
dark ambient a assinar com
uma gravadora europeia
(Legatus Records, da Suíça) e
POSTHUMAN TANTRA
também a banda pioneira no
Brasil a utilizar efeitos
computacionais de realidade aumentada em suas performances que já
passaram por 4 regiões do país.
Múltiplo: Há quanto tempo trabalha com HQs?
Edgar Franco: Publiquei minha primeira HQ aos 12 anos de idade em
um fanzine de um amigo do interior de São Paulo, então tenho 33 anos
criando HQs, a idade de cristo quando morreu. Desde o princípio
utilizando as HQs como uma forma genuína de expressão artística e
por isso invisto na criação de obras autorais e experimentais.

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MÚLTIPLO 3 / JANEIRO DE 2017

Múltiplo: Tem algum outro tipo de arte que você curte e cria?
Edgar Franco: Considero-me um artista transmídia. Desde 1999 tenho
criado obras em múltiplos suportes e plataformas, com técnicas
diversas, mas todas contextualizadas em meu universo ficcional da
“Aurora Pós-humana”. A abrangência conceitual desse universo tem
me permitido criar além de histórias em quadrinhos, obras em
múltiplas mídias, muitas delas tendo como suporte o computador,
convergindo linguagens artísticas diversas, das HQtrônicas – como
“Ariadne e o Labirinto Pós-humano” e “Neomaso Prometeu”, passando
pela música eletrônica de base digital com a banda Posthuman Tantra
e o projeto musical Ciberpajé, por um site de web arte baseado em vida
artificial e algoritmos evolucionários, O Mito Ômega, e chegando a
performances transmídia com o meu projeto musical performático
Posthuman Tantra. Também tenho criado videoclipes, animações,
HQforismos, aforismos, contos, poemas, instalações interativas como
“Immobile Art” e “La Vero”,
HQs expandidas utilizando
tecnologia de navegação em
360 graus, dentre outras
criações
em
suportes
diversos. A produção de
histórias em quadrinhos
ambientadas na Aurora Póshumana tem sido explorada
em dois contextos, o álbum
BioCyberDrama
Saga,
parceria com o lendário
quadrinhista Mozart Couto,
e outros álbuns que estão em
desenvolvimento;
assim
como
a
revista
em
quadrinhos anual Artlectos e
Pós-humanos, que traz HQs
curtas desenhadas por mim,
nas quais se destacam os
HQFORISMO
processos
criativos
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MÚLTIPLO 3 / JANEIRO DE 2017

experimentais. A revista já teve 10 números publicados, somando mais
de 300 páginas de quadrinhos, e é editada pela Marca de Fantasia
(UFPB).
Múltiplo: Como você se define?
Edgar Franco: Um ser mutante como o Cosmos, em constante
transmutação. Livre de apegos, dogmas e verdades, pronto a
experimentar a novidade, e focado em viver o único momento que
existe: o agora!
Múltiplo: Seus desenhos são, digamos, abstratos? Como você define o
seu traço?
Edgar Franco: Na verdade trabalho muito pouco com abstração, meus
desenhos sempre representam algo, mas nunca tratam da realidade
ordinária, eles retratam cosmogonias fantásticas e transcendentes, a
obscuridade e a luminosidade de meus mundos interiores que
espelham o Cosmos, pois sou um holograma do Universo, assim como
cada ser vivo o é. Não defino meu traço, apesar das pessoas já
reconhecerem o meu desenho por algumas características, eu não
tenho um “estilo”, considero um “estilo” a prisão e a morte do artista.
Sou livre para experimentar sempre com o meu traço e divertir-me com
o processo criativo, estilo engessa e cria determinismos.

BIOCYBERDRAMA SAGA

Múltiplo: Além do desenho, parece que você
cria também para teatro e vídeo, nos fale um
pouco a respeito.
Edgar Franco: Na verdade crio performances
artísticas
e
vídeos,
principalmente
videoclipes para a minha banda Posthuman
Tantra. No entanto as performances
artísticas que realizo nos shows do
Posthuman Tantra bebem da tradição do
teatro no estilo Grand Guignol, mas numa
perspectiva pós-humana e também do
chamado rock horror. Os videoclipes
também bebem das mesmas fontes e
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MÚLTIPLO 3 / JANEIRO DE 2017

traduzem o meu ideário e o do Posthuman Tantra. Já tenho mais de 10
deles, incluindo alguns com técnicas de animação em stop motion e
3D, um deles feito em parceria com o grande quadrinhista e zineiro
mineiro Luciano Irrthum.
Múltiplo: Por que você se veste de preto e usa uma cartola vermelha?
Tem algo a ver com estilo “Zé do Caixão”?
Edgar Franco: Para explicar objetivamente usarei um aforismo do
grande livro "Tao Te King": "O Vencedor da batalha sempre deverá
trajar luto". E a batalha que considero estar vencendo é a batalha
comigo mesmo, meu maior inimigo me olha no espelho! A batalha para
ser eu mesmo, a minha revolução individual em busca da integralidade.
Vivemos em um mundo que julga pelas aparências e eu resolvi adotar
roupas que gosto com as quais me divirto para vivenciar meu
renascimento como Ciberpajé. É também uma forma de ruído e
provocação. Trata-se de uma indumentária simples, mas que investe
totalmente em aspectos simbólicos, cada elemento tem um significado
poderoso, cada anel, os coturnos e tênis de cores diferentes, os colares,
pulseiras, a cartola vermelha, o preto. Tudo se une para mim e traduz
signos não verbais que eu considero fundamentais para uma
compreensão mais efetiva do que sinto em relação ao mundo e à vida.

GRAVANDO PARA POSTHUMAN TANTRA
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Zé do Caixão costuma ser a primeira referência para as pessoas por
causa da cartola, outras lembram de Slash, King Diamond, mas no meu
caso, simbolicamente, a cartola vermelha resgata o arquétipo do Exu e
o que ele significa no contexto de nossa cultura, e a essência do mito
Luciferiano - prometeico.
Múltiplo: Suas HQs tem um lado poético, os desenhos têm a ver com
poesia ou o contrário, a poesia é que tem a ver com os desenhos?
Edgar Franco: Minhas
narrativas
sempre
incomodaram
os
puristas das HQs que as
acusam
de
serem
poesias ilustradas ou
coisa que o valha. Isso
não me incomoda, o
que
faço
são
quadrinhos, que na
perspectiva narrativa
das artes sequencias, se
fizermos um paralelo
com a literatura, estão
mais para a poesia do
que para a prosa. Mas
também crio narrativas
mais tradicionais, não
tenho amarras para as
minhas
criações
quadrinhistas ou em
qualquer outra mídia.
ARTE DO CIBERPAJÉ
Sou inclusive o criador
do
neologismo
“quadrinhos poético-filosóficos”, que criei para nomear o gênero de
quadrinhos que eu crio e no qual se enquadram outros artistas como
Gazy Andraus. O termo foi adotado pelo saudoso amigo e pesquisador
Dr. Elydio dos Santos Neto em seu doutorado em artes na UNESP que
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estudou
os
Quadrinhos
poético-filosóficos e os situou
como
um
gênero
genuinamente brasileiro. A
produção e pesquisa sobre
esses quadrinhos rendeu
inclusive uma coleção de livros
teóricos que já inclui 6 livros, a
coleção “Quadrinhos Poéticofilosóficos” da editora Marca
de Fantasia, 3 desses volumes
são sobre a minha obra e
indico-os aos interessados em
saberem mais sobre meus
processos criativos, são eles:
“Os Quadrinhos Poéticofilosóficos de Edgar Franco”,
escrito pelo Dr. Elydio dos
Santos Neto; “Edgar Franco e
suas Criaturas no Banquete de
BIOCYBERDRAMA SAGA
Platão, escrito pela Dra. Nadja
Carvalho;
e
“Processos
Criativos de Quadrinhos Poético-filosóficos: A revista Artlectos e Póshumanos”, escrito por mim em parceria com a doutoranda da FiocruzRJ e pesquisadora da minha obra IV Sacerdotisa Danielle Barros.
Múltiplo: Você fala no seu blog a respeito de ‘experimentos’, o que são,
para que são e como os vê?
Edgar Franco: Sou um artista experimental, sempre pronto a inventar
novas formas, processos e métodos para o desenvolvimento de minhas
obras nas múltiplas mídias. O que me instiga a criar é a completa
liberdade de gestação de meus trabalhos, sem nenhum vínculo com
editores, público ou qualquer forma de cerceamento de minha
liberdade criativa. O artista que não experimenta morreu, pois acredita
que chegou em uma “receita de bolo” e irá repeti-la sempre,
tediosamente, para agradar mercado, público, editores, produtores,
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etc. É um defunto esperando ser enterrado. Só existe criatividade na
liberdade. Experimentar o novo é viver!
Múltiplo: Fale a respeito do novo sigilo sonoro-visual, o que é? O que
é o ‘noisigil’?
Edgar Franco: Noisigil é um single de minha banda Posthuman Tantra,
foi o resultado de uma ação mágicka com o objetivo claro de
transformar um aspecto de minha realidade como ser, fazendo emergir
uma das forças atávicas e animistas de um de meus totens animais. Eu
não o chamaria de música, prefiro chamá-lo de "sigilo sonoro". Na
tradição mágicka ocidental, um dos magistas que mais me
influenciaram é o artista cósmico inglês Austin Osman Spare, criador
de uma das técnicas mais eficazes de sigilos que eu já pratiquei. A ideia
do single foi transmutar o conceito sigilístico do visual para o sonoro,
para isso, após desenhar o sigilo
baseado na minha sentença da
vontade
eu
utilizei
um
sintetizador analógico Gakken
SX-150
Mark
II
para
efetivamente redesenhar o sigilo
com sua caneta analógica
durante a gravação das partes
noises da faixa, em um estado de
transe induzido. As outras partes,
com as batidas mais tradicionais
do Posthuman Tantra foram
gravadas enquanto recitava a
versão mântrica do sigilo que
também aparece em minhas
vozes gravadas. O termo
NOISIGIL é um neologismo em
língua inglesa criado para
nomear o sigilo, a mistura da
palavra noise (barulho) com a
palavra sigil (sigilo), o nome
POSTHUMAN TANTRA
veio da base ruidosa sonora que
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estrutura parte da faixa. Noisigil pode ser ouvido no canal do
Posthuman Tantra no Youtube.
Múltiplo: Quantos são os sigilos criados por você? Defina cada um
deles.
Edgar Franco: Já criei muitos sigilos mágicos atávicos visuais, com
intenções de auto transmutação. Os sigilos para seres efetivados
devem ser esquecidos, então prefiro falar o mínimo possível sobre eles.
Quanto aos sigilos sonoros do Posthuman Tantra, foram 2, o Noisigil,
detalhado na questão anterior e DOUOSVAVVM. Um sigilo nasce de
uma intenção clara do magista, um objetivo certeiro de transmutação,
autotransformação. Meu envolvimento com sigilos é algo que recorre
à tradição mágica de Austin Osman Spare recontextualizada para a

POSTHUMAN TANTRA

tradição contemporânea da chamada "magia do caos" e ambientada
em meu universo ficcional magísticko "A Aurora Pós-humana". Criar
um sigilo que envolva também o som como forma de transe e fixação
da mensagem no inconsciente é algo recente em meus experimentos,
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MÚLTIPLO 3 / JANEIRO DE 2017

o primeiro foi Noisigil e agora realizei DOUOSVAVVM. Dessa vez o
processo foi diferente. Após ter a intenção atávico-animista do sigilo
claramente definida, ao invés de escrever textualmente essa intenção
eu parti para um transe conduzido por sons ruidosos aliado a algo
próximo da chamada postura da morte na tradição caoísta.
Obviamente preparei todos os sintetizadores e equipamentos de
gravação antes. Os ruídos eram produzidos por minha mão esquerda
atuando sobre um sintetizador "Korg Monotrom Dellay". A fixação do
sigilo aos poucos gerou um desejo de emitir sons quase mântricos,
quando entrei em sintonia profunda com a intenção primal liguei o
play e gravei a parte final do transe sonoro que resultou na faixa
sigilística DOUOSVAVVM. Esse processo durou cerca de uma hora.
Mas nesse caso o
sigilo

se
completaria quando
a partir do som eu
criasse a sua imagem
síntese. Então criei o
sigilo visual que é a
capa do single.
Desenhei-o sob a
audição intensa da
faixa,
coloquei-a
para tocar em loop
11 vezes e criei o
desenho
básico,
depois
fiz
o
desdobramento
final do sigilo visual
em um software
gráfico. Ao final,
para
fechar
o
processo completo
de minha fixação do
sigilo,
ouvi
ARTE DO CIBERPAJÉ
novamente 11 vezes
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MÚLTIPLO 3 / JANEIRO DE 2017

a faixa enquanto olhava para o sigilo visual ocupando toda a tela do
meu computador. O processo completo demorou um pouco mais de 3
horas.
Múltiplo: Ser ou ter? Há uma certa magia na sua arte? É isso que atrai
as pessoas?
Edgar Franco: SER INTEGRAL! Amar-se completamente para assim
amar o universo inteiro. Minha arte é uma forma ritual de
transmutação, é completamente mágica, se encararmos magia como
uma forma de manipulação de símbolos para a transformação da
realidade ordinária. O objetivo maior de cada uma de minhas criações
é agir sobre mim mesmo, mudando aspectos de minha vida. Depois de
mais de 30 anos como criador, aos poucos compreendo mais
profundamente o sentido de cada uma de minhas obras em minha vida
e como elas agem mudando meus caminhos, nesse sentido a minha arte
é minha religião, pois é através dela que promovo a reconexão
profunda com a minha essência cósmica transcendente. Quando
minhas obras encontram pessoas que vibram nas mesmas frequências
energéticas elas podem promover transformações também nessas
pessoas e costumam impactá-las profundamente, a ponto de algumas
buscarem conhecer-me pessoalmente e outras desenvolverem uma
ojeriza absoluta de mim e de minhas criações.

POSTHUMAN TANTRA

Múltiplo: Tem alguns
videoclipes de sua
banda
Posthuman
Tantra no Youtube, do
que eles falam e para
quem?
Edgar Franco: Durante
os 12 anos de
existência
do
Posthuman Tantra, já
foram
disponibilizados 12
videoclipes oficiais da
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MÚLTIPLO 3 / JANEIRO DE 2017

banda no Youtube e alguns outros foram criados por fãs. São
produções baratas, na tradição D.I.Y., mas com muito envolvimento
emocional e investimento nos aspectos simbólicos e ritualísticos. Todos
os videoclipes tratam de aspectos de meu ideário artístico e de vida,
enfatizando o retorno da selvageria, a reconexão com a natureza e o
Cosmos, a emergência do pós-humano e suas implicações
tecnognósticas. Alguns tem uma perspectiva mais distópica, outros
utópica. Em muitos deles eu estabeleci parcerias com diretores e
criadores afinados com meu ideário e proposta poética. Inclusive
criamos alguns vídeos em animação, um deles “Killed by my low tech
bot golem slave”, foi uma parceria com o notório quadrinhista
underground Luciano Irrthum, que fez todas as filmagens e criou
personagens em stop motion. Também uso alguns vídeos criados
exclusivamente para as performances da banda que não foram
divulgados na internet e só podem ser vistos nos shows, dentre eles está
uma animação especial criada com o artista George Chiavegato. Em 01
de janeiro de 2017 lancei o novo videoclipe do projeto Ciberpajé, para
a faixa “Aforismo 1” do EP Cura Cósmica, O videoclipe explora aspectos
conceituais do meu ideário, sobretudo a chamada "Reconexão
Cósmica", a redescoberta de nossa essência primal animal e da
necessidade de nos sentirmos como parte integrante do complexo
sistema sinergético
e simbiótico Gaia.
Também trata da
reverência à vida e a
tudo que nos gerou,
sendo uma singela
homenagem
do
Ciberpajé ao seu
pai,
o
Granciberpajé
Dimas Franco, que
recita o aforismo na
CIBERPAJÉ COM SEUS PAIS
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MÚLTIPLO 3 / JANEIRO DE 2017

obra
e
é
também
convidado especial no
vídeo. Para assistir a esse e
aos demais videoclipes
oficiais da banda basta
acessar o canal do
Posthuman Tantra no
youtube.
Múltiplo: O que seria a
“Aurora Pós-humana”?
Edgar Franco: A Aurora
Pós-humana é um universo
transmídia
de
ficção
científica criado por mim
com o objetivo de servir
como ambientação a
trabalhos artísticos em
múltiplas mídias. A poética
HQFORISMO
surgiu do desejo de
vislumbrar um novo planeta Terra inspirado em perspectivas póshumanas. Um mundo futuro onde as proposições de cientistas,
ciberartistas e transumanistas tornaram-se realidade, no qual a raça
humana, como a conhecemos, está em
processo de extinção. O corpo e a mente
estão reconfigurados e em constante
mutação. Limites entre animal, vegetal e
mineral estão se dissipando, a morte não
é mais algo inevitável e novas formas de
misticismo
e
transcendência
tecnológica, a “tecnognose” (Erik Davis,
1998), substituíram quase por completo
as religiões ancestrais. A Aurora Póshumana é um universo em expansão, já
que constantemente estão sendo
agregados a ela dados e novas
características que regem essa futura
HQFORISMO

29
MÚLTIPLO 3 / JANEIRO DE 2017

sociedade pós-humana. O meu desejo ao criá-la, não foi apenas refletir
sobre o que os avanços tecnológicos futuros poderão significar para a
espécie humana e para o planeta, mas também produzir uma
ambientação que gere o “deslocamento conceitual” descrito por Philip
K. Dick e assim criar obras que discutam a implicação dessas
tecnologias no panorama contemporâneo, ou seja, problematizar o
presente por meio de narrativas e obras deslocadas para um futuro
ficcional hipotético. A ideia inicial foi imaginar um futuro, não muito
distante, onde a maioria das proposições da ciência & tecnologia de
ponta fossem uma realidade trivial, e a raça humana já tivesse passado
por uma ruptura brusca de valores, de forma física e conteúdo ideológico/religioso/social/cultural. Um futuro em que a transferência
da consciência humana para chips de computador seja algo possível e
cotidiano, onde milhares de pessoas abandonarão seus corpos
orgânicos por novas interfaces robóticas. Também que neste futuro
hipotético a bioengenharia avançou tanto que permite a hibridização
genética entre humanos, animais e vegetais, gerando infinitas
possibilidades de mixagem antropomórfica, seres que em suas
características físicas remetemnos imediatamente às quimeras
mitológicas.
Essas
duas
"espécies"
pós-humanas
tornaram-se
culturas
antagônicas e hegemônicas
disputando o poder em cidades
estado ao redor do globo
enquanto
uma
pequena
parcela da população, uma
casta oprimida e em vias de
extinção, insiste em preservar
as características humanas,
resistindo às mudanças.
Múltiplo:
O
HQforismos?

que

são
HQ BIOSIMCA
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MÚLTIPLO 3 / JANEIRO DE 2017

Edgar Franco: HQforismo é um neologismo que batiza a união do
gênero textual ‘aforismo’ com a linguagem das ‘histórias em
quadrinhos’ (HQs). Em sua
composição,
os
HQforismos enquadramse na linguagem dos
quadrinhos pela estrutura
narrativa, a união de
imagens e textos, mas
especificamente pautamse pela inspiração e
intenção eminentemente
filosófica. Integram o
gênero de quadrinhos
poético-filosóficos, por
apresentarem
como
características
básicas
experimentalismo,
brevidade
e
intencionalidade
filosófica. Essa forma
contemporânea
de
narrativa
visual
flui
perfeitamente nos novos
formatos digitais pela
HQ BIOSIMCA
rapidez de sua leitura e
absorção
no
fluxo
dinâmico das redes telemáticas, o que facilita sua difusão. Mesmo
assim, os HQforismos circulam também no suporte impresso em
revistas em quadrinhos e fanzines. O neologismo HQforismo foi criado
pela artista e pesquisadora Danielle Barros, a IV Sacerdotisa da Aurora
Pós-humana, em parceria comigo. Os HQforismos têm sido tema de
pesquisa sobre processos criativos e linguagem quadrinhística
desenvolvida por mim, Danielle Barros (mestre em ciências e
doutoranda da Fiocruz-RJ) e pela bolsista de iniciação científica
Natasha Hoshino (graduanda em Design Gráfico – FAV/UFG), no
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MÚLTIPLO 3 / JANEIRO DE 2017

contexto do grupo de pesquisa “Criação e Cibe arte” da Faculdade de
Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás. A pesquisa envolveu o
mapeamento de HQforismos no país, entrevistas a artistas e a criação
de um blog para a difusão das criações com mais de 50 convidados em
todo o país realizando seus próprios HQforismos, entre eles alguns
artistas reconhecidos do cenário da HQ brasileira e muitos outros
jovens emergentes. Entre os convidados que criaram seus HQforismos
tivemos Laudo Ferreira Jr., Gazy Andraus, Gian Danton, Fábio Purper,
Beralto, Catia Ana, Guilherme Infante, Jorge Del Bianco, Henrique
Magalhães, Bira Dantas, Hugo Piantino, André Ceo, Núbia Andrade,
Denise Xavier, Sara Gaspar, Soter Bentes, Will Simões, Antar Mikosz,
George Chiavegato, Joseniz Guimarães, Lucan Henrique, Marcos
Garcia, Marcos Guerra, Omar Viñole, Oberon, Celso Moraes, José
Loures, Rubens César Baquião, e muitos outros.
Múltiplo: Seus desenhos têm alguma mensagem implícita? Sobre o que
eles falam?
Edgar Franco: Todos os meus desenhos, quadrinhos, HQtrônicas,
músicas, performances e obras transmídia são processos ritualísticos e
mágicos de busca de minha integralidade como ser, são a minha
alquimia pessoal de transmutação na busca do equilíbrio e amor
incondicional, são pulsos de energia visando a reconexão cósmica.

CIBERPAJÉ PALESTRANDO

Múltiplo:
Você
geralmente dá palestras?
Sobre qual tema? Para
qual público?
Edgar Franco: Sim, tenho
ministrado palestras e
conferências nos mais
diversos ambientes, desde
colégios até abertura de
eventos
acadêmicos
internacionais.
Minhas
palestras versam sempre
em sua essência sobre o papel
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MÚLTIPLO 3 / JANEIRO DE 2017

transformador da arte e dos processos criativos na minha vida e na vida
das pessoas, mas os assuntos são diversos, dentro do escopo de minhas
investigações na academia e fora dela, pois sou pós-doutor em artes e
professor permanente do programa de pós-graduação em Arte e
Cultura Visual da UFG. Alguns dos temas principais são: transmídia,
criação de universos ficcionais, HQtrônicas, processos criativos
artísticos, arte e tecnologia, pós-humano, arte visionária, HQforismos,
processos criativos e enteógenos, dentre outros.
Múltiplo: Como você vislumbra o movimento de HQs nacionais? Como
vê os artistas que participam desse movimento?
Edgar Franco: É um momento muito produtivo, são centenas de
quadrinistas independentes criando HQs em todas as regiões do país.
Com grande variedade de estilos e acabamento gráfico de qualidade.
Nos anos recentes surgiram muitas novas alternativas para a edição,
desde leis de incentivo, passando por sites de crowfounding e
chegando às pequenas editoras que investem em tiragens reduzidas.

BIOCYBERDRAMA SAGA
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MÚLTIPLO 3 / JANEIRO DE 2017

Tecnicamente temos centenas de excelentes desenhistas, mas
infelizmente as histórias – os roteiros – não acompanham, falta ousadia,
inventividade, liberdade, originalidade. Em sua grande maioria é tudo
muito derivativo. Nesse sentido sinto falta da criatividade e
inventividade pulsante que via nas HQs independentes das décadas de
80 e 90, época da explosão nacional dos fanzines, e na qual, mesmo
com a carência de informação e as dificuldades de edição, surgiam
propostas narrativas de grande inventividade. Mas eu creio em uma
evolução desse cenário, já que ainda estamos vivendo um momento de
deslumbramento diante das possibilidades de impressão gráfica que se
tornaram viáveis e da busca por um desenho refinado.
Múltiplo: Alguém inspirou a sua arte em algum momento?
Edgar Franco: As minhas experiências de vida são a fonte primária de
minha inspiração, experiências imanentes e transcendentes. Tenho
experimentado e investigado estados ampliados de consciência para a
criação artística e em anos recentes já criei quadrinhos e músicas em
viagens psiconáuticas com o cogumelo Psylocibe Cubensis, com a
Ayahuasca, com a Respiração Holotrópica e também em rituais
mágicos e sigilos. Essas experiências têm sido detalhadas em artigos
científicos e entrevistas que podem ser lidas em meu blog “A Arte do
Ciberpajé Edgar Franco”.

HQFORISMO

Múltiplo: Como vê o movimento de
fanzines? O que te leva a colaborar com
fanzines?
Edgar Franco: O fanzine é a explosão da
liberdade criativa, da arte genuína, sem
amarras de mercado e de público. É uma
forma pura e libertária de expressão.
Muitos dos quadrinhistas das novas
gerações não compreendem a essência do
que é fanzine e tolamente creem tratar-se
de publicações amadoras e mal impressas.
Eles – mesmo diante da explosão da
hiperinformação – ainda acreditam no
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MÚLTIPLO 3 / JANEIRO DE 2017

mito da fama, de que devem publicar em grandes editoras e com
grandes tiragens para tornarem-se famosos, mesmo criando obras
derivativas. Fanzine para mim é o ESPÍRITO DA LIBERDADE CRIATIVA
SEM AMARRAS, portanto todas as publicações que lancei até hoje
foram fanzines, mesmo álbuns lançados por editoras como
“BioCyberDrama Saga” é um fanzine para mim, pois eles foram criados
como forma pura de expressão artística e sem nenhum vínculo com
mercado, editor, público, sem visarem lucro. Nunca admiti, em
nenhuma hipótese a intromissão de terceiros em minhas criações, boas
ou ruins, elas são o resultado original de minha expressão criativa, por
isso sou e serei sempre um FANZINEIRO!
Múltiplo: Qual o seu gosto com relação às artes? E com relação aos
fanzines e HQs?
Edgar Franco: Toda arte genuína feita com o coração e o espírito
interessam-me. Infelizmente vivemos uma era de espíritos fracos e
decadentes tomando de assalto a auto expressão e produzindo muito
lixo baseado em suas vidas decadentes e suas neuroses urbanoides.
Essas produções – que os intelectuais niilistas decadentes exaltam – são
erroneamente chamadas de arte. Mas idiotas só produzirão idiotices,
você só pode dar o que tem. E veja, não estou falando que a arte deve
ser luminosa, isso não é papo de nova era não, a arte pode e deve
explorar a luz e a sombra da essência humana e cósmica, mas jamais
ficar restrita ao decadentismo materialista de ranço marxista de
criaturas urbanas desconectadas da natureza, depressivas e vazias. A
arte genuína trata sempre de transcendência, é essa arte que me
interessa, independente de gênero, forma ou suporte. Pode ser álbum
de HQ, fanzine, pintura, poesia, instalação, game, performance,
literatura, cinema, vídeo, etc.
Múltiplo: Fale-nos sobre o seu álbum em quadrinhos ‘Biocyberdrama
Saga’, criado em parceria com o lendário Mozart Couto?
Edgar Franco: A primeira edição do álbum "BioCyberDrama Saga" foi
lançada em agosto de 2013 pela Editora UFG, por tratar-se de uma
obra densa com quadrinhos autorais, foi surpreendente o fato de em
menos de dois anos ela esgotar-se. A obra, uma edição luxuosa, com
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MÚLTIPLO 3 / JANEIRO DE 2017

mais
de
250
páginas, formato
próximo do A4 e
sobrecapa especial,
foi uma iniciativa
inédita de uma
editora acadêmica
brasileira que a
publicou
como
parte de uma
coleção de livros de
arte,
chamada
"Artexpressão",
reconhecendo no
âmbito
da
universidade
os
quadrinhos autorais
como
legítima
expressão artística.
O álbum teve uma
recepção
excepcional
por
parte da imprensa
especializada em
BIOCYBERDRAMA SAGA
quadrinhos no país,
recebendo
resenhas positivas em dezenas de veículos impressos e online que
destacaram a singularidade de seu roteiro inspirado em perspectivas
pós-humanas e também a arte surpreendente de Mozart Couto.
BioCyberDrama Saga foi selecionado pela curadoria do 8 FIQ – Festival
Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, para a programação
oficial de lançamentos. Outro fato marcante foi a indicação do álbum
a uma das categorias mais importantes do "Troféu HQMIX" 2014,
considerado o "Oscar" dos quadrinhos brasileiros. BioCyberDrama
Saga foi a única obra do estado de Goiás indicada ao troféu em 2014 e
concorreu na categoria "Edição Especial Nacional". Sua indicação,
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comemorada por veículos da imprensa goiana, foi uma prova da
qualidade ímpar da obra, já que o ano de 2013 foi um dos anos mais
prolíficos da história dos quadrinhos autorais brasileiros com mais de
600 lançamentos na área. Além da mídia impressa, aconteceram
apresentações de artigos sobre a obra em eventos acadêmicos e de
quadrinhos, BioCyberDrama Saga foi divulgado também em
telejornais e na web amplamente, a ponto da obra despertar até o
interesse do pesquisador prof. Dr. Ed King, da Universidade de Bristol,
na Inglaterra, um estudioso da ficção científica no contexto da América
Latina, com livros publicados sobre o tema. King está estudando a obra
como um dos objetos de análise para um de seus próximos livros que
trata de obras de ficção científica com o tema do pós-humano criadas
na América Latina, e inclusive realizou longa entrevista comigo
enfocando meus processos criativos. Após a primeira edição de
BioCyberDrama Saga esgotar-se recebemos, com muito entusiasmo, o
convite da Editora UFG para o lançamento de uma segunda edição.
Para a criação de BioCyberDrama Saga, eu (Ciberpajé Edgar Franco,
artista transmídia, quadrinhista e pós-doutor em artes), realizei
parceria com ao lendário e premiado quadrinhista Mozart Couto para
o desenvolvimento dessa saga de ficção científica em quadrinhos. A
segunda edição, apresentada na forma de um álbum em formato A4,
com 280 páginas e capa dura, inclui a saga completa em quadrinhos,
além de uma descrição detalhada do universo ficcional da “Aurora Póshumana”, criado por Edgar Franco e ainda um making of do trabalho
nos anexos, com artes do processo criativo da obra. A segunda edição
em capa dura e com epílogo inédito pode ser adquirida diretamente
no site da Editora UFG.
Múltiplo: Quem, na sua opinião, se destaca nesse universo alternativo?
Pode citar quantos quiser, mas nos diga porquê.
Edgar Franco: Citarei aqui alguns quadrinhistas brasileiros de nosso
cenário alternativo que admiro, pois são artistas genuínos que criam
com seus corações: Mozart Couto, Shimamoto, Elmano Silva, Gazy
Andraus, Antônio Amaral, Luciano Irrthum, Henrique Magalhães, Gian
Danton, Matheus Moura, Guilherme Silveira, Octavio Aragão, Carlos
Patati, Celso Moares, Laudo, Omar Viñole, José Veríssimo, Marcos
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Guerra, Carlos Alberto Oliveira, Marcos Garcia, Rubens César Baquião,
Danielle Barros, George Chiavegato, Thina Curtis, Leandro Moura,
Cátia Ana, Rafael Senra, Fábio Purper, Beralto, Guilherme Infante, Bira
Dantas, Soter Bentes, Will Simões, Joseniz Guimarães, Lucan Henrique,
André Martuscelli do Amaral, Alexandre Winck, Law, Sandro Andrade,
Denilson Reis, João Carpalhau, Marsal, Hylio Lagana, Carlos Hollanda,
Kiko Garcia, Luiz Elson, Érico San Juan, Antônio Éder, Paula
Mastroberti, Márcio Baraldi, Ronilson Caetano, Kipper, Eberton
Ferreira, Nestablo Ramos, Carlos Reno, Rom Freire, Marcio Sennes,
Rosemário, Al Greco, Edgard Guimarães, Cesar R. T. Silva, Lafaiete
Nascimento, Lupin, Emir Ribeiro, Dark Marcos, Joacy Jamys (R.I.P.),
Sávio Morais Cristofolleti, Carlos Henry, Gilvan Lira, José Aguiar,
Marcatti, Índio San, Kris Zullo, Will Sideralman, Beto Martins, Lelis,
obviamente existem muitos outros em nosso país continental, a todos
eles minha reverência e admiração!
Múltiplo: O que você teria a dizer sobre reciclagem e
reaproveitamento de materiais? Utiliza alguma prática?
Edgar Franco: Procuro levar uma vida muito simples, não tenho carro,
não tenho celular, ainda utilizo um computador com monitor de tubo.
Reflito muito antes de cada ato de consumo. Também defendo a causa
da libertação animal, sou vegetariano a 17 anos, e vegetariano restrito
a 4. Crio em minha casa muitos animais abandonados, são 10 gatos e 3
cães, todos recolhidos das ruas em que foram abandonados.
Realizamos em casa a chamada coleta seletiva de materiais. Penso que
diante da iminente sexta extinção massiva no planeta Terra temos que
agir com consciência diante de cada mínimo ato de consumo nosso.
Infelizmente a única revolução possível é a do indivíduo, podemos sim
transformarmo-nos e mudarmos nossos hábitos.
Múltiplo: Para você, o que é ‘Arte Sequencial’?
Edgar Franco: “Arte Sequencial” é um nome pomposo para dar maior
legitimidade acadêmica às nossas histórias em quadrinhos. Eu prefiro
usar “histórias em quadrinhos” mesmo, acho que é uma das nomeações
mais interessantes dessa arte centenária.
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Múltiplo: Você é professor na Universidade Federal de Goiás, né?
Sobre o que leciona?
Edgar Franco: Sou professor da Faculdade de Artes Visuais da UFG nos
cursos de graduação em Design Gráfico e bacharelado em Artes
Visuais, e também oriento mestrados e doutorados no Programa de
Pós-Graduação em Arte e Cultura Visual. Na graduação ministro
disciplinas de arte e tecnologia, mídias interativas e uma que criei
chamada “histórias em quadrinhos de autor”, na Pós atuo na linha de
pesquisa “Poéticas Visuais e Processos de Criação”, investigando

CIBERPAJÉ

narrativas híbridas e transmídia, incluindo HQ, e também arte e novas
tecnologias.
Múltiplo: É natural de onde? Por que se mudou?
Edgar Franco: Sou filho do Cerrado, nasci na região mais ancestral do
planeta, o “Triângulo Mineiro”, no município de Ituiutaba, minha fonte
telúrica para onde sempre retorno para rever amigos e meus amados
pais. Minha esposa, a I Sacerdotisa Rose Franco, também é da mesma
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região, então passamos sempre pelo menos um mês por ano em nossa
terra natal. O Cerrado é o bioma de maior diversidade do planeta. Só
de vegetação são mais de duas mil espécies. Alguns biólogos hereges
creem que a vida surgiu no planeta justamente nessa região, eu
intuitivamente tenho certeza disso. Sinto em meu espírito a
ancestralidade e não por acaso nasci no seio do Cerrado. Mas
considero-me um cidadão cósmico, abomino toda forma de fronteira e
bandeira, não passam de dogmas que só ampliam o ódio entre os
povos. Escolhi Goiânia como minha segunda casa, está também
plantada na dorsal do Cerrado, e é uma cidade interessante, onde se
localiza a FAV/UFG faculdade que eu escolhi para lecionar.
Múltiplo: Tem alguma mensagem para o artista que quer seguir o seu
caminho?
Edgar Franco: Por favor, NÃO SIGA O MEU CAMINHO! Não siga o
caminho de NINGUÉM! Crie o seu próprio caminho, acredite em sua
unicidade como ser, procure experienciar a vida e refletir essas
experiências naquilo que cria. Use a sua arte como uma forma de
autotransformação rumo à transcendência. Não creia em um estilo, ou
em uma escola, não se alie a grupelhos e associações que irão
inevitavelmente podar tudo que você tiver de genuíno e formatar sua
expressão segundo os seus dogmas. Só ouça as críticas de quem tiver
real afeição por você, e mesmo assim desconfie delas. Crie muito,
transforme sua vida em um ato criativo, tenha coragem de
experimentar com todas as formas expressivas possíveis, da quantidade
florescerá a qualidade. Estude muito, aprenda as técnicas, mas não
deixe que elas te engessem e robotizem, aprenda-as para superá-las.
Viva a vida com plenitude é uma incognoscível e mágica licença
poética do Cosmos!
Múltiplo: Acredita numa melhora dos quadrinhos nacionais em termos
financeiros?
Edgar Franco: Existem muitos analistas e diletantes discutindo tais
questões de ordem financeira. A verdade é que entramos na era
hiperinformacional em que o conteúdo gradativamente deixará de
gerar lucros, infelizmente é uma realidade. Na verdade, o problema é
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mais grave, trata-se de um
erro
de
proporções
catastróficas, a forma em
que o mundo se organizou
diante da ideia de trabalho e
capital, a competitividade
em
detrimento
da
colaboração, a egolatria, a
desconexão com a natureza,
esses fatores colocaram-nos
na catástrofe que é a
humanidade atualmente, e
as pseudo soluções como
socialismo e marxismo se
mostraram tão deploráveis
quanto as anteriores. Na
verdade, tudo aquilo que é
criado pelo espírito humano
deveria ser mesmo de livre
acesso a todos os seres
humanos, mas no sistema
HQ BIOSIMCA
que criamos, precisamos
de dinheiro para efetuar
trocas e aí tudo se vende, e arte passa a ser lixo formatado! O hediondo
hipercapitalismo está sempre inventando termos para mascarar seu
desejo de destruir todo ato criativo genuíno e transformá-lo em uma
fonte de lucros, veja o recente oximoro torpe utilizado como termo da
moda em todos os cantos a tal “economia criativa”, tenho calafrios de
horror ao ouvir tal disparate. Infelizmente tudo que disse aqui pode
parecer uma grande utopia, mas sinceramente não creio na livre
expressão criativa como fonte de lucro e não vejo boas perspectivas de
retorno financeiro para criadores de conteúdo nessa era digital.
Múltiplo: O que seria preciso para que isso se tornasse realidade?
Edgar Franco: A reconexão de toda espécie humana à sua dimensão
animal e natural, a percepção renovada que somos parte integrante da
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natureza, do complexo e simbiótico sistema vivo chamado Gaia, isso
restauraria nossa compaixão, empatia e amor incondicional.
Múltiplo: Ciberpajé Edgar Franco por Ciberpajé Edgar Franco.
Edgar Franco: Um mutante simbionte cósmico, navegando nas ondas fascinantes
da licença poética vida!
Múltiplo: Você é casado? Como sua família vê sua arte?
Edgar Franco: Sim, minha amada companheira de 25 anos é a I Sacerdotisa Rose
Franco. Ela sempre me apoiou incondicionalmente – inclusive é musicista e
performer nas apresentações do Posthuman Tantra, e é uma das responsáveis ao
lado de meus amados pais por eu seguir o meu coração e o caminho da arte como
alquimia em minha busca transcendente. Meu pai, Dimas Franco, é o maior
admirador de meu trabalho e sempre me incentivou a realizar os meus sonhos,
segue acompanhando com entusiasmo cada obra que crio, cada entrevista que
concedo. Tive a sorte de ainda na tenra infância contar com sua biblioteca de
mais de 5 mil volumes envolvendo-me e isso foi fundamental. Minha mãe,
Alminda Salomão, também sempre me incentivou, ela canta e tem a mais bela
das vozes que conheço. O Cosmos presenteou-me com essas três incríveis
estrelas luminosas que são Rose, Dimas e Alminda, com eles a vida é ainda mais
incrível!
Múltiplo: Sua arte traz alguma crítica ao momento que o país atravessa?
Edgar Franco: Sim, minha arte trata do drama humano de desconexão com sua
essência e, portanto, da razão de todos os males que assolam nossa espécie,
incluindo os revezes políticos de nossa nação.
Múltiplo: Planos para o futuro, tem algum especial?
Edgar Franco: Não existe futuro, ele é só uma ilusão a nos causar ansiedades. Vivo
o agora, ele me basta!
Múltiplo: Deixe uma mensagem.
Edgar Franco: Viver é celebrar cada segundo, jogue no lixo toda angustia,
ansiedade, tristeza, olhe o Sol, uma árvore, um animal, tudo é tão mágico!
Perceba o milagre cósmico que é estar vivo, respirando, usufruindo desse planeta
esplêndido! VIVA!
Múltiplo: Para finalizar, nos deixe todas as formas de contato com sua obra.
Edgar Franco: Agradeço o generoso espaço no lendário zine MÚLTIPLO! Para
saberem mais sobre as minhas criações em múltiplas mídias, visitem os links:
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- Blog “A Arte do Ciberpajé Edgar Franco”, atualizado semanalmente com minha
produção
nas
múltiplas
mídias: http://ciberpaje.blogspot.com.br/
- Loja da “ Aurora Pós-humana”, loja virtual, onde é possível adquirir com cartão de
crédito ou boleto bancário meus CDs, álbuns de quadrinhos, fanzines e outros itens:
http://www.elo7.com.br/auroraposhumana
- Página “Aforismos do Ciberpajé”, atualizada diariamente com meus aforismos,
HQforismos
e
fotoforismos:
https://www.facebook.com/aforismosdociberpaje/?ref=bookmarks
- Canal do Posthuman Tantra no youtube com videoclipes da banda e trechos de
performances
ao
vivo:
https://www.youtube.com/channel/UC7fUH6Se-WAIUKKhwYQmm4A-- Projeto musical Ciberpajé – ouça na íntegra o primeiro EP “A Invocação da
Serpente” e os outros 5 Eps lançados:
https://lunarelabel.bandcamp.com/album/ciberpaj-invoca-o-da-serpente
- Projeto Ciberpajé – Ouça na íntegra o EP “Lua Divinal”:
https://lunarelabel.bandcamp.com/album/ciberpaj-lua-divinal
- Para adquirir os 10 números lançados de minha revista em quadrinhos “Artlectos &
Pós-humanos”,
da
editora
Marca
de
Fantasia
visite
o
link:
http://marcadefantasia.com/revistas/revistas.htm#artlectos

CRÉDITO: Fotos do Ciberpajé Edgar franco e Posthuman Tantra por:
Anésio neto, Daniel Rizoto, Luiz Fers, Rodolpho Junior, Diogo Vilela, &
Rose Franco.
Um agradecimento mais do que especial ao Edgar “Ciberpajé” Franco
pela disponibilidade em nos conceder essa entrevista e avisar aos
leitores que as fotos desta entrevista, bem como outras que não foram
utilizadas, estarão logo no blog do Múltiplo em:
http://multiplozine.blogspot.com.

CIBERPAJÉ E A ESPOSA - I
SACERDOTISA

LANÇAMENTO DE
BIOCYBERDRAMA SAGA
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E que haja Fanzines, sejam impressos, sejam on-line...
Sinal dos tempos também no Universo de HQs
nacionais. Já foi o tempo que tínhamos limitações no
que se refere à produção de quadrinhos, artigos,
caricaturas, entre outras formas de expressão. Hoje a
produção de quadrinhos nacionais extrapolou todos
os limites físicos e veio se abrigar on-line, em blogs,
redes sociais, grupos entre outros.
Os fanzines surgiram como um movimento de
CAPA MÚLTIPLO 2 resistência numa luta árdua contra o monopólio das
grandes editoras americanas que nos impunham a produção de
quadrinhos vindos dos Estados Unidos.
As edições eram distribuídas a todo custo pelos correios, o que
gerava uma expectativa muito grande no retorno de cada edição, o que
representaria para o leitor aquela produção que lhe chegava às mãos de
forma tão demorada?
Os fanzines resistiram e transcenderam também os limites da
distribuição, e agora estão aí, bem ao alcance de um clique do mouse, e
se transformaram muito mais do que um movimento de resistência, hoje
eles são um canal de escape para os artistas que necessitam produzir e
divulgar o seu trabalho de forma massiva, que atinja o maior número de
leitores e amantes dos quadrinhos (entre outros gêneros, claro), bem
como propagar o artista nacional além das fronteiras físicas.
Como já disse em outras
oportunidades, é muito bom sentir o
cheiro do material impresso, mas muito
mais importante é demonstrar que
estamos vivos e atuantes, buscando um
reconhecimento maior por parte de
todos.
Uma nova mentalidade necessita
surgir daí, onde cada um dê a sua
contribuição para o fortalecimento de
todos. Fanzines de qualidade e
CENA DE O GAÚCHO, DE SHIMAMOTO
conteúdo ainda são raros, mas os
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editores querem mudar isso, tornando cada edição um grito pedindo
passagem.
Temos grandes exemplos de
que a perseverança e o amor aos
Quadrinhos podem vencer o tempo, e
estão ao alcance de todos, seja
impresso, seja on-line. Posso citar
dois: O Quadrinhos Independentes,
do amigo e editor Edgard Guimarães,
e o Tchê, do amigo Denílson Reis, que
estão aí na ativa há mais de dez anos.
Não poderia deixar de citar um dos maiores
ícones de resistência que eu tive o prazer de conhecer:
Flávio Calazans. Flávio não se cansa de nos brindar com
excelentes trabalhos, seja HQ, ilustrações ou como no
trabalho que está finalizando, a Cartilha de Direitos
Autorais. Um batalhador pela divulgação e pelo
reconhecimento dos trabalhos de quadrinhos no Brasil.
Um amigo sempre disposto a colaborar bem como a
aceitar qualquer trabalho que siga pelo caminho da
CAPA DE O BARATA, busca pela excelência.
DE CALAZANS
E o que dizer de Laudo,
amigo de tantos fanzines, um
bravo com tantos excelentes trabalhos; e Omar
Viñole, um expert em cores e ilustrador de
primeira, um amigo sempre pronto a atender um
pedido de fanzine. Dois ícones, dois grandes
amigos, que povoam o mundo alternativo, mas que
se aventuram também pelo mundo editorial.
Que outros ícones surjam, que os “velhos”
artistas venham fazer parte com a gente dessa
busca incessante pela qualidade e pela
periodicidade. Não me canso de buscar essa
LAUDO E OMAR VIÑOLE
qualidade, que você possa refletir e me
acompanhar nessa jornada...
André Carim
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Cartas, e-mails e resenhas
O Fanzine Múltiplo, editado por André Carim está
de volta e em grande estilo, dezesseis anos
depois. Este fanzine, nascido nos anos 80, foi
idealizado por Edgard e André Carim, que ficou
encarregado de produzir e distribuir o zine. No
Projeto Múltiplo, cada autor poderia produzir
ARTE DE OMAR VIÑOLE certo número de páginas e elas seriam publicadas
mensalmente neste fanzine. Grandes nomes
como Henry Jaepelt, Flávio Calazans, Laudo Ferreira Jr., Júlio
Shimamoto, Eduardo Manzano, Clodoaldo Cruz, entre tantos outros,
desfilaram seus talentos pelas páginas da publicação.
Nesta nova fase a edição 1 vem com 50 páginas e muitas atrações. O
destaque editorial vai para a longa entrevista com Flávio Calazans, que
ocupa boa parte do zine. Dentre as colaborações, além do próprio
Calazans, que participa com “Anarquista” (HQ que faz parte de Guerra
das Ideias, próximo lançamento da Atomic Books) colaborações de
Ciberpajé com “Ousado Redesenho”, quadrinho poético-filosófico pós
moderno, Márcio Sennes em “Uma droga de caso”, HQ com as
personagens Agente Laranja e o Detetive San Marco (aqui poderia
haver um cuidado maior no Photoshop para equalizar tons e limpar o
fundo), Edgard Guimarães com seus “Cotidianos Alterados” e mais uma
HQ de Agente Laranja “Marcas” com texto e desenhos de Jean (mesma
recomendação do Photoshop para esta HQ). A parte jornalística fica
com a seção “De olho no Universo HQ” com divulgações de
publicações independentes e artigos do editor André Carim “O que
uma paixão pode fazer” e “Formatos” artigo técnico de Edgard
Guimarães sobre este importante recurso para os desenhistas de HQs.
Múltiplo ainda traz ilustrações de Mozart Couto, Laudo e Omar Viñole
e no humor “Miudins” de Sidney. Bela contracapa de Raphael Viana dos
Santos. São 50 páginas de muita paixão fanzineira, uma publicação
com alma de fanzine e recomendada com honras!
- Marcos Freitas – Atomic EditoraObrigado pela ótima resenha, meu amigo. Vamos aos poucos melhorando as
edições e corrigindo alguns erros. Realmente, as HQs que ficaram manchadas
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poderiam ter tido um tratamento melhor, o que farei daqui para frente. Vale
destacar que a ideia do fanzine Múltiplo vem lá de trás mesmo, o Edgard
Guimarães me sugeriu a edição de um fanzine bimestral onde cada um
participaria com duas páginas, eu aceitei o desafio de pronto e daí surgiu o
Múltiplo. Dezesseis anos depois estou voltando com a ideia original, mas com
algumas modificações, onde o limite de páginas, por exemplo, não existe, dando
mais liberdade ao artista de produzir HQ e material para o fanzine. Grande
abraço e mais uma vez obrigado pelas dicas e sugestões.
Caro André. Em primeiro lugar, parabéns pela iniciativa do seu fanzine
Múltiplo (mesmo preferindo publicações físicas ao invés das virtuais,
porém sei que os custos praticamente deixam de existir, e nessa época
de crise, isso se faz muito necessário). Estou enviando duas
publicações: O IC #3 de quadrinhos e o meu mais recente – ÁGUA
GELADA – de caráter mais experimental, com poesia visual,
fotográfica, etc. Espero que você aprecie, além de aguardar ansioso
pela resenha, assim como a HQ que fiz com a Thina. Fico por aqui. Um
grande abraço e meus votos por muito sucesso nesse 2017 que vem
chegando por aí!!!
- Lafaiete Nascimento –
Obrigado, meu amigo, pelo envio dos fanzines e pelas considerações sobre o
Múltiplo. O fanzine é on-line, mas também pode ser pedido impresso pelo Clube
de Autores, estou em busca de baratear os custos para que todos possam adquirir
sem pesar muito no bolso, está um pouco difícil de achar uma gráfica que faça
sob demanda, mas vamos em busca. Grande abraço.
Uma grande alegria receber essa primeira edição da retomada do zine
"Múltiplo" do André Carim após 16 anos de recesso. Parabéns ao querido
André e sucesso nesse retorno deste sempre ótimo zine. A edição ficou
ótima. Foi um tremendo prazer rever a incrível arte do Marcio Sennes nas
páginas da "Agente Laranja". Toda edição está muito boa. Parabéns. Se
me permitir uma dica: para próxima edição, diminua aquele rodapé com
o nome do zine, edição e página, ele está puxando toda a atenção do olho
para isso, tirando o foco, numa primeiríssima leitura da página em si, HQs,
entrevista, ilustras. Pode fazer um rodapé bem pequeno, só para marcar
mesmo. De resto, está excelente!
- Laudo Ferreira Jr. –
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Que bom que você gostou da edição, meu amigo. Realmente, você tem razão
quanto ao rodapé, tanto que nessa edição eu já diminuí os créditos e acho que a
edição ficou mais limpa. A arte do Márcio Sennes é muito boa mesmo, uma pena
que eu não consegui contato com ele ainda, inclusive, quem tiver e puder me
passar, ficarei grato. Obrigado pelas suas considerações e pelo carinho sempre
demonstrado com apoio e participação. Grande abraço.
Olá, Carim, tudo beleza? Vi seu recado no QI. Meus sites no Face são
administrados por Wagner Moloch e Francisco Sato, de forma
independente,
sem
a
minha
participação.
Obrigadão
pelo MÚLTIPLO #1, belíssima edição de estreia que traz entrevista
com qualificado quadrinhista e doutor catedrático, além de
consagrados artistas, como Laudo. Meus parabéns, e grande sucesso
com o lançamento! Grande abraço.
Curti o Múltiplo 2, sobretudo da descontraída entrevista com Laudo.
NOTA DEZ. Obrigadão pela grande generosidade comigo. Abraços.
- Julio Shimamoto –
Meu caro amigo Shimamoto, obrigado pelo carinho em comentar o fanzine. A
edição número 2 teve uma matéria com você, espero que você curta. Obrigado
também pelos comentários e tenho certeza que, com apoio de mestres dos
quadrinhos como você, o Múltiplo irá alçar grandes voos. Pode ter certeza, meu
amigo, tudo que falei no artigo é apenas uma fração de tudo que você nos deu
com seu trabalho, grande referência mesmo dos quadrinhos nacionais. Abração.
Em tempo, recebi ontem os dois livros do Clube de Autores, muito bom,
parabéns. O Múltiplo eu ainda não li inteiro, mas ficou ótimo com
páginas coloridas.
- Edgard Guimarães –
Que bom, meu amigo, fico feliz que as edições do Clube de Autores sejam de boa
qualidade, e a intenção é sim dar cores a todas as edições, acho que o fanzine
ganha mais vida... sem deixar, claro, de valorizar as artes em Preto e Branco onde
temos grandes mestres nesse quesito.
Rapaz, eu li online. A entrevista com o Mestre Flávio Calazans, está
demais, a HQ Marcas da Agente Laranja feita pelo Jean imperdível,
bem desenhada. Márcio Sennes, sem comentários, sou fã do trabalho
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dele. Aliás, alguém tem notícias dele? As pinups e a capa "Laudianas",
embelezaram ainda mais a revista, o Laudo Ferreira Jr. é fera. Edgar
Franco, o Ciberpajé, também deixa registrada filosoficamente a sua
participação em Redesenho. Edgard Guimarães apresentando o
formato dos Quadrinhos. As tirinhas dos Miudins do Sidney
Falcão também sou fã. E seu texto “O que uma paixão pode fazer? ”
condiz com a realidade de muitos artistas brasileiros. Imprima o 2
também, não curto muito virtual, gosto de folhear. Está de parabéns,
amigo. Vida longa ao Múltiplo.
- Clodoaldo Cruz –
Essa nossa luta vai continuar, pode ter certeza, e a intenção é sempre imprimir
os fanzines, vai depender, claro, das possibilidades que surgirem, mas é essa a
intenção. Mas os interessados podem solicitar via Clube de Autores, assim que
tiver uma gráfica bem viável financeiramente para todos e de qualidade nos
trabalhos, vou informar por aqui. Obrigado pela divulgação e pelos comentários.
O Fanzine Múltiplo chega a sua segunda edição com uma encorpada em
seu número de páginas, pulando para 78 páginas. Esta edição, de
dezembro de 2016, traz capas de Ciberpajé e muitas colaborações. Nos
quadrinhos Omar Viñole (tiras de Coelho Nero), Flávio Calazans (Aves y
Ovos, Canção do Centauro, Al Qontráryw e Minimal Monotony) Carlos
Henry (Vítimas ao acaso com desenhos de Antonieto Pereira e A Senha),
Edgard Guimarães (Cotidiano Alterado), Thina e Fabi (Somos Seres
Fragmentados) e Ciberpajé (Dilema da Despedida). André Carim, editor
da publicação comparece com artigo sobre Shimamoto, com enfoque em
sua passagem pela Cetpa, suas incursões pela xilogravura, com
experimentações em sacola e outros itens incomuns e também a parceria
com Ivan Saidenberg em Histórias Macabras da Ed. Outubro. O
Entrevistão é com Laudo, um dos maiores quadrinhistas em atividade. Ele
fala de tudo, da infância ao último álbum Cadernos de Viagem (Devir)
além dos novos projetos. O zine tem ampla seção com divulgação de
projetos independentes, todos recomendados, ilustração de Nei
Rodrigues e um editorial que nos leva a muitas reflexões. Um dos pontos
que chama a atenção em seu texto introdutório e que traz um paralelo a
minha chegada aos quadrinhos e fanedição, é que tivemos uma infância
diferente da geração internet. Onde líamos efetivamente quadrinhos. No
meu caso, Disney e Maurício e depois as mensais da Editora Abril, que para
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mim era religião na época, sabia até o dia que chegava cada título nas
bancas. Marvel com Capitão América e Heróis da TV, depois
Superaventuras Marvel (fechando com Hulk e Homem Aranha) e DC
especialmente com Superamigos e Novos Titãs... fora Conan. Isso me
levou aos fanzines e a HQB. Historieta inicialmente (tive sorte de começar
com a Bíblia dos Fanzines do mestre Oscar Kern). Aí temos formado um
leitor. Apaixonado por quadrinhos. A pergunta que fica hoje no ar é: como
formar mais leitores? Meus filhos, por exemplo, leem alguma coisa de
Mangá vez em quando, mas a praia deles é games, séries e smarthfones...
e isso é um pequeno retrato de nossa juventude. Um amplo debate sobre
o assunto pode ser uma pedida para futuras edições, já que trata da
sobrevivência dos fanzines e revistas impressas, que tem dificuldades, na
maioria, de chegar aos leitores e consequentemente, se auto financiar. O
que leva a um encolhimento dos fanzines impressos. É o fim?! Temos como
remar contra a maré? O Fanzine Múltiplo, que possui versão on line e
impressa vai mostrando a que veio e começa a deixar sua marca
novamente na fanedição do Século XXI. Não perca o bonde da história. E
que venha o número 3.
- Marcos Freitas Obrigado pelos ótimos comentários, meu amigo Marcos, e realmente, você tem razão,
há que se ter uma discussão sadia em busca de melhores dias para a HQ nacional,
bem como para os fanzines, que outros venham fazer parte dessa retomada do
Múltiplo e que também consigam ocupar o seu espaço no coração dos amantes das
HQs.

COELHO NERO, DE OMAR VIÑOLE
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Artigo
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De olho no Universo HQ
Este espaço é seu... divulgue, comente, critique,
elogie, fique à vontade... participe, sua opinião é
superimportante para evolução do Fanzine e para
crescimento do artista...
Recebi este mês o número 142 do
ARTE DE OMAR
Quadrinhos Independentes, fanzine
VIÑOLE
editado e distribuído por Edgard
Guimarães. A edição tem 36 páginas e traz um excelente
artigo sobre o personagem nacional Hydroman, criado
em 1965 por Gedeone Malagola e Momoki Akimoto
(artigo de Edgard Guimarães). Também nessa edição a
sequência do depoimento de José Ruu sobre o periódico
português Tintin, além de artigos de e. Figueiredo e Lio
Guerra Bocorny. Na parte de quadrinhos destaque para Chagas Lima,
Carlos Rico, Assis Lima, Luiz Cláudio Lopes Faria e também Edgard
Guimarães. Muito boas as colunas “Mistérios do colecionismo”,
“Mantendo contato”, “Fórum” e “Edições Independentes”, mantendo a
sempre divulgação feita por Edgard ao longo desses anos e valorizando
a arte nacional. Junto do fanzine veio Artigos sobre Histórias em
Quadrinhos 4: Buffalo Bill, Os grandes mitos do Oeste, fascículo de 12
páginas, com autoria do colecionador português Carlos Gonçalves. O
QI é distribuído por assinaturas e no site da Editora Marca de Fantasia
(http://marcadefantasia.com/). Maiores informações podem ser
obtidas com o editor através do seu e-mail: edgard@ita.br.
A lobisomem Malaya continua sua saga, agora com
atualizações todas as segundas no site 99 Balões
(http://www.99baloes.art.br/), 5 páginas semanais, a
tendência de HQ’s eletrônicas e publicadas na web se
torna cada vez maior. O que antes era impensável, se
tornou realidade e há um crescente nesse sentido.
Confiram, vale a pena, bom roteiro e ótimos desenhos.
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Família Falcote – O casal resolveu sair dos
quadrinhos e abrilhantar com um canal no
Youtube. O cartunista Jerri Costa e Taíse Teixeira
começaram à partir de 1º de janeiro de 2017 a
produção de programas pelo canal. Houve um
cuidado grande na produção dos programas a
serem exibidos, pois o público alvo é o infantil.
Haverá muita diversão. Os programas terão em
média dez minutos de duração e desafiará as crianças a fazerem um
desenho em dez segundos. O canal vai também interagir com as
crianças ao longo da semana com um desafio que será publicado no
canal e nas redes sociais em forma de enquete perguntando qual o
desenho que elas gostariam de aprender no programa seguinte. Os
Falcotes estão completando 10 anos esse ano e farão muitas ações para
comemorar. Vale a pena conferir.
Facebook: https://www.facebook.com/familiafalcote/
Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=4uO3uuONA5s
Mais uma edição do Quadritos, fanzine editado por
Marcos Freitas. Excelente a edição desde o começo,
com bate papo entre grandes nomes dos quadrinhos
com ilustrações e perguntas e respostas, com num
formato de entrevistas mas entre vários artistas e
autores. Entrevista com Elmano. “O Homem do
Patuá”, “A Maldição de Nhabô” e “A Encomenda”
intercalam com o bate papo. Segue artigo e HQ de
Maciota. Mozart Couto se faz presente com a HQ “O
jogo dos opostos” e nos presenteia com seu talento
tanto nas ilustrações quanto no roteiro. O fanzine traz HQ de Edgar
Franco, nosso entrevistado dessa edição, solo e em parceria com Danielle
Barros. Bons artigos e muita HQ (Calazans, Shimamoto, Lafaiete e
Guabiras) recheiam a edição de 64 páginas que traz também uma seção
do grande Edgard Guimarães, vale muito a pena conferir. O fanzine é
vendido a R$ 9,90 e pode ser pedido no blog do editor:
http://atomiceditora.blogspot.com.br/ ou através de seu facebook:
https://www.facebook.com/profile.php?id=100007210154924
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O Inconsciente Coletivo # 3 / Outono 2015.
Lafaiete Nascimento me enviou esse fanzine e foi
grato o recebimento. Um fanzine com um ótimo
conteúdo contendo bons artigos e ótimas HQs.
Destaca nessa edição a arte do amigo Flávio
Calazans, sempre arrasando em suas HQs com um
certo erotismo mas com uma mensagem no roteiro,
Ogre tecnologia com era medieval além da
sedução da cavaleira, que usa de suas “táticas de
guerra” para derrotar o ogro. Também destaco a arte do amigo Henry
Jaepelt e suas HQs filosóficas, com traços únicos. Lafaiete nos
apresenta algumas HQs de sua autoria onde há um humor único, como
em Dioneia, Coffea Mistica, Dioneia II e III e algumas tiras genéricas.
Ainda no fanzine Josiel Vieira, Kiko Garcia e Marcelo Siqueira. O
fanzine é de 2015 mas vale a leitura. Contatos com o editor através do
Facebook : https://www.facebook.com/lafaiete.nascimento
Água Gelada, também de Lafaiete Nascimento. Um
fanzine, como o próprio editor define,
experimental, com Poesia visual, fotografia e
humor. Traz alguma poesia em fotografia bem
como fotografias em preto e branco. Um bom
começo, fanzine em formato de ¼ de ofício, 16
páginas e como o editor definiu, vale o
experimento, que venham outros. Contatos através
do Facebok ou do e-mail: lafaietecn@gmail.com.
O Cabal # 1, do amigo Clodoaldo Cruz.
Destaque para a capa de Romão e contracapa
de Reno, trazendo personagem da HQ que é
carro chefe do fanzine, Cat’s City. Ótimo roteiro
e execelente arte de Reno. Ótima retomada do
fanzine sucesso de anos atrás que traz outros
destaques na edição: ilustração de Alcione;
HQs de Paulo Will/Laudo; Edméia/A.
Marcelino; Os Canibais de Nei Rodrigues;
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Execelente HQ de Flávio Calazans, Chica; O Herói Esquecido de Nei
Rodrigues; Cat’s City Piloto, de Reno; Cat’s City, o Teste, de
Clodoaldo/Hélcio; e ilustração de Omar Viñole. Qualidade na
impressão e montagem do fanzine. Contatos com o editor através do
e-mail: zinecabal@gmail.com e do Facebook do amigo Clodoaldo
Cruz: https://www.facebook.com/clodoaldo.cruz.5

Contato:
André Carim de Oliveira
Fanzine Múltiplo
Rua Vicente Celestino, 56 A – Bairro Santa Emília
Carangola – Minas Gerais – CEP: 36800-000
E-mail: andrecarim@outlook.com / k.rim.andre@gmail.com

2COELHO NERO, DE OMAR VIÑOLE
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