Você está na página 1de 4

INSTITUTO POLITÉCNICO DA GUARDA

ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO, COMUNICAÇÃO E DESPORTO

Mestrado em Ensino do 1º e 2º Ciclos do Ensino Básico

Docentes: Professor Doutor António Pissarra


Professor Doutor Carlos Brigas

Discente: Luís Manuel Rodrigues Pires, nº3893

Guarda, Junho de 2010

Reflexão: A IMPORTÂNCIA DAS TIC NA EDUCAÇÃO

A invenção do computador, e da Internet


contribui para a constante evolução da
sociedade, melhorando a qualidade de vida
do indivíduo (Godinho et al., 2004).

Os progressos tecnológicos da civilização põem ao nosso alcance instrumentos


que nos acompanham e ajudam no nosso labor diário. O aparecimento de eventos como
o telefone, a televisão, a rádio deram lugar a uma proliferação constante de toda uma
gama de sistemas tecnológicos muito aperfeiçoados, que nos permitem comunicar e
explorar novos campos do saber.
Esta sociedade poderá ser responsável por grandes diferenças sociais, tendo em
conta o seu grau de exigência. Como é uma sociedade que vive do poder da informação,
tendo como base as novas tecnologias, ela poderá ser muito discriminatória, quer entre
países, quer internamente, entre empresas, entre pessoas. Até algum tempo atrás, o saber
ler e interpretar textos, bem como efectuar cálculos matemáticos simples, era
obrigatório para se viver em harmonia e bem-estar na sociedade. Este novo cenário
mudou e as necessidades de qualificações profissionais e académicas aumentaram
consideravelmente (Lyon, 1998).
Cada dia que passa as chamadas novas tecnologias tornam-se obsoletas,
ultrapassadas por outras mais recentes. Desde o aparecimento dos primeiros
computadores, criados para uso doméstico, passaram muitos anos e gerações de
aparelhos. Estes fazem já parte da nossa vida quotidiana, porque em casa temos um
computador, porque os nossos filhos o utilizam na escola, porque nos servimos dele no
local de trabalho, porque através dele se processam as operações da nossa conta
bancária, porque controla os nossos ordenados e os impostos que devemos pagar ao
Estado, porque nos faz a soma das nossas compras, etc. (Godinho et al., 2004).
Do ponto de vista da educação o uso que fazemos do computador abre muitas
possibilidades educativas. Em muitas escolas este aparelho é já um instrumento de
trabalho tão habitual e útil como a esferográfica e as máquinas calculadoras.
A escola é um espaço privilegiado para a apropriação e construção de
conhecimento. O seu papel fundamental é instrumentalizar os seus estudantes e
professores para pensar de forma criativa em soluções tanto para os antigos como para
os novos desafios emergentes desta sociedade em constante renovação. O uso das
Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) podem contribuir para ajudar e
viabilizar o ensino, criando novas possibilidades a toda a comunidade educativa.
É importante que todas as escolas contem com aulas equipadas com
computadores e quadros interactivos, para que os alunos aprendam diferentes
possibilidades desta nova ciência.
Para mim, como docente de Educação Especial, as TIC têm-me auxiliado no
processo ensino-aprendizagem das crianças com Necessidades Educativas Especiais
(NEE) uma vez que me permitem, desde logo, a vivência de um conjunto de
experiências e actividades, que promovem capacidades cognitivas, motoras, de
comunicação ou pré-aptidões para as aprendizagens escolares.
Para além desta vertente habilitativa, o computador tem uma vertente
instrumental, através de inúmeras adaptações, que possibilitam o acesso e a participação
a pessoas com deficiências físicas ou sensoriais. Constituem instrumentos de
compensação ou substituição de capacidades perdidas por défices motores e sensoriais,
conseguindo alargar as possibilidades de realização e participação dos portadores de
deficiência, bem como facultar o acesso a actividades que lhes estavam vedadas. A
evolução das tecnologias da informação e comunicação permite cada vez mais a
integração de crianças com NEE nas nossas escolas, facilitando todo o seu processo
educacional e visando a sua formação integral. No fundo, surge como um meio
fundamental à inclusão de crianças especiais num ambiente educativo.
Como resposta a todas estas necessidades surge a tecnologia, o desenvolvimento
da informática veio abrir um novo mundo recheado de possibilidades comunicativas e
de acesso à informação, manifestando-se como um auxílio a todas as crianças.
Partindo do pressuposto que aprender é fazer, a tecnologia deve ser encarada
como um elemento cognitivo capaz de facilitar a estruturação de um trabalho
viabilizando a descoberta, garantindo condições propícias para a construção do
conhecimento. Na verdade são inúmeras as vantagens que advêm do uso das tecnologias
no campo do ensino – aprendizagem no que diz respeito a crianças com NEE.
Na área comunicação, os sistemas aumentativos e alternativos, o software de
digitalização da fala, de codificação da linguagem, entre outros, constituem outro
conjunto de importantes estratégias com vantagens para o desenvolvimento sócio-
afectivo e integração escolar e social.
A educação especial desenvolve-se em torno da igualdade de oportunidades, em
que todos os indivíduos, independentemente das suas diferenças, deverão ter acesso a
uma educação com qualidade, capaz de responder a todas as suas necessidades. Desta
forma, a educação deve-se desenvolver de forma especial, numa tentativa de atender às
diferenças individuais de cada criança, através de uma adaptação do sistema educativo.
(Correia 1997).
As TIC são, por isso, uma das áreas chave dos serviços de apoio à Inclusão, pelo
seu enorme potencial, para melhorar a qualidade da educação dos alunos com NEE,
sendo fundamental o reforço na formação dos docentes das escolas e da educação
especial em particular. Com as TIC cada pessoa poderá trabalhar ao seu próprio ritmo,
facilitando a inclusão no mercado de trabalho de indivíduos portadores de deficiências,
no sentido que o indivíduo poderá produzir a partir de sua casa ao seu próprio ritmo. O
tempo é gerido pelo trabalhador que se vê obrigado a apresentar um resultado. Uma
competência profissional necessária é a autonomia e gestão do tempo (Morato, 1995).
Assim, o uso da tecnologia pode despertar em crianças especiais um interesse e a
motivação pela descoberta do conhecimento tendo em base as necessidades e interesses
das crianças. A deficiência deve ser encarada não como uma impossibilidade mas como
uma força, onde o uso das tecnologias desempenha um papel significativo.
Bibliografia

CORREIA, Luís M., (1997). Alunos com Necessidades Educativas Especiais nas
Classes Regulares. Porto: Porto Editora.

GODINHO, F. et AL (2004). Tecnologias de Informação sem Barreira s no Local de


Trabalho. Vila Real: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

LYON, David (1998). A Sociedade da Informação – Questões e Ilusões. Oeiras:


Editora Celta.

MIRANDA, G. (2000) As Crianças e os Computadores. In cadernos de Educação de


Infância nº 56

MORATO, P. P., (1995). Deficiência Mental e Aprendizagem. Lisboa: Secretariado


Nacional de Reabilitação.

PONTE, J. (1997) As Novas Tecnologias e a Educação. Texto Editora

PERRENOUD, P.(2002) A prender a negociar a mudança: Novas estratégias de


Inovação. Porto. Asa