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Universidade Federal do Rio de Janeiro Instituto de Estudos de Saúde Coletiva -IESC/UFRJ METAIS CARMEN

Universidade Federal do Rio de Janeiro

Instituto de Estudos de Saúde Coletiva -IESC/UFRJ

METAIS

CARMEN CARMEN ILDES ILDES R. R. FRÓES FRÓES ASMUS ASMUS carmenfroes@iesc.ufrj.br carmenfroes@iesc.ufrj.br
CARMEN CARMEN ILDES ILDES R. R. FRÓES FRÓES ASMUS ASMUS
carmenfroes@iesc.ufrj.br carmenfroes@iesc.ufrj.br

METAIS

• Existem na natureza: carga de fonte antropogênica excede as contribuições de fontes naturais;

• Dispersão para o ambiente: extração, produto utilizável; descarte, reciclagem e destruição

• A toxicidade dos metais é apenas uma questão de concentração, local e tempo

METAIS

POTENCIAL CARCINOGÊNICO

Metal

EPA

IARC

Chumbo

B2

2B

Cádmio

B1

1

Zinco

D

------

Cobre

D

3

Arsênio Cromo VI Níquel metálico

A

1

A

1

A

2B

METAIS PESADOS

• Metal de alta gravidade específica;

• Têm grande afinidade por grupamentos orgânicos em solos, sedimentos e tecidos biológicos:

– Bioacumulação;

– Biomagnificação na cadeia alimentar e;

– Persistência no ambiente.

METAIS PESADOS

FONTES ANTROPOGÊNICAS PARA O AMBIENTE

• Fertilizantes

• Pesticidas

• Água de irrigação contaminada e queimadas na zona rural

• Combustão de carvão e óleo

• Emissões veiculares

• Incineração de resíduos urbanos e industriais

Mineração, fundição e refinamento

EXPOSIÇÃO PROFISSIONAL: trabalho em metalúrgicas, mineração e aplicação de pesticidas

FATORESFATORES QUEQUE INTERFEREMINTERFEREM NANA TOXICIDADETOXICIDADE

DOSDOS METAISMETAIS

1. Interação com elementos essenciais: ferro, proteínas, fósforo, cálcio, vitamina A, C e D;

2. Formação de complexos de metal – proteína;

3. Interação entre metais;

4. Idade e estágio de desenvolvimento;

5. Hábitos: fumo, álcool.

6. Forma química e especificação

7. Reações imunológicas: reações de hipersensibilidade, anafiláticas; hipersensibilidade retardada,

8. Nível e duração da exposição

EFEITOS DOS FATORES NUTRICIONAIS E CONTAMINANTES DA DIETA SOBRE A CAPTAÇÃO DE CHUMBO

FATOR

Nível na dieta

EFEITO

CÁLCIO

BAIXO

Aumento da absorção Aumento da retenção no osso

ALTO

FERRO

BAIXO

Aumento da absorção

ZINCO

BAIXO

Aumento da absorção e da transferência pelo leite materno

COBRE

BAIXO

Aumento da absorção

FÓSFORO

BAIXO

Aumento da captação e retenção

CHUMBO

FONTES DE EXPOSIÇÃO

Fabricação e reforma de baterias elétricas; Fabricação de pisos, azulejos e cerâmicas;
Fabricação de pisos, azulejos e cerâmicas;Fabricação e reforma de baterias elétricas;

Fabricação de vidros e cristais;elétricas; Fabricação de pisos, azulejos e cerâmicas; Funilaria de automóveis; Mineração de chumbo Fabricação

Funilaria de automóveis;azulejos e cerâmicas; Fabricação de vidros e cristais; Mineração de chumbo Fabricação e uso de ligas

Mineração de chumboFabricação de vidros e cristais; Funilaria de automóveis; Fabricação e uso de ligas e compostos de

Fabricação e uso de ligas e compostos dee cristais; Funilaria de automóveis; Mineração de chumbo chumbo:pigmentos, tintas, vernizes, esmaltes Cerâmica.

chumbo:pigmentos, tintas, vernizes, esmaltese cristais; Funilaria de automóveis; Mineração de chumbo Fabricação e uso de ligas e compostos de

Cerâmica.Mineração de chumbo Fabricação e uso de ligas e compostos de chumbo:pigmentos, tintas, vernizes, esmaltes Gráfica

GráficaMineração de chumbo Fabricação e uso de ligas e compostos de chumbo:pigmentos, tintas, vernizes, esmaltes Cerâmica.

TOXICOCINTOXICOCINÉÉTICATICA

TOXICOCIN TOXICOCIN É É TICA TICA 1. ABSORÇÃO 1.1. Via Respiratória Principalmente em exposição ocupacional

1.

ABSORÇÃO

1.1. Via Respiratória Principalmente em exposição ocupacional

1.2. Via oral Principalmente em crianças (tintas, poeiras) jejum

1.3. Via cutânea: pequena

2.

DISTRIBUIÇÃO Carga corpórea total: 3% circulante 50% ligado a hemoglobina

TOXICOCINTOXICOCINÉÉTICATICA

3. ACUMULAÇÃO Ossos

4. AÇÃO TÓXICA: fração livre no plasma

5. ELIMINAÇÃO Principalmente renal, suor, leite materno

6. MEIA VIDA Sangue: 28 a 36 dias Tecidos moles: 46 dias Osso: 10 a 20 +

Chumbo ossos,

não difusível

aos

duros:”

cabelos.

Chumbo ligado

nos “tecidos

eritrócitos

(reservatório)

dentes,

rins,sistema

Chumbo

“tecidos

proteínas ligado

óssea.

nos

moles”. fígado,

medula

plasmáticas

Chumbo

às

nervoso,

moles”. fígado, medula plasmáticas Chumbo às nervoso, INGRESSO NO ORGANISMO V.RESP. 35-50% V. GASTRO. 5-10% CHUMBO
moles”. fígado, medula plasmáticas Chumbo às nervoso, INGRESSO NO ORGANISMO V.RESP. 35-50% V. GASTRO. 5-10% CHUMBO
moles”. fígado, medula plasmáticas Chumbo às nervoso, INGRESSO NO ORGANISMO V.RESP. 35-50% V. GASTRO. 5-10% CHUMBO

INGRESSO NO ORGANISMO V.RESP. 35-50%

V. GASTRO. 5-10%

INGRESSO NO ORGANISMO V.RESP. 35-50% V. GASTRO. 5-10% CHUMBO CHUMBO DIFUS DIFUS Í Í VEL VEL

CHUMBOCHUMBO DIFUSDIFUSÍÍVELVEL NONO PLASMAPLASMA

EXCREÇÃO:

URINA,

FEZES,

SUOR

TOXICODINTOXICODINÂÂMICAMICA

TOXICODIN TOXICODIN Â Â MICA MICA VASOESPASMO AÇÃO TÓXICA DIRETA ► Alteração na função de vários

VASOESPASMO

AÇÃO TÓXICA DIRETA

Alteração na função de vários neurotransmissores (colinérgicos, noradrenérgicos e dopaminérgicos).

Bloqueio das enzimas necessárias à formação das hemácias.

EFEITOSEFEITOS SOBRESOBRE OSOS SISTEMASSISTEMAS ORGORGÂÂNICOSNICOS

- ALTERAÇAO DA SÍNTESE DO HEME; REDUÇÃO DA

VIDA MÉDIA DAS HEMÁCIAS

- ANEMIA

- ALTERAÇÃO DA FERTILIDADE MASCULINA

- ALTERAÇÕES DA REPRODUÇÃO

- MODIFICAÇÕES

CROMOSSÔMICAS?

DA REPRODUÇÃO - MODIFICAÇÕES CROMOSSÔMICAS? HIPORREGENERATIVA VASO ESPASMO PB++ AÇÃO TÓXICA DIRETA -
DA REPRODUÇÃO - MODIFICAÇÕES CROMOSSÔMICAS? HIPORREGENERATIVA VASO ESPASMO PB++ AÇÃO TÓXICA DIRETA -
DA REPRODUÇÃO - MODIFICAÇÕES CROMOSSÔMICAS? HIPORREGENERATIVA VASO ESPASMO PB++ AÇÃO TÓXICA DIRETA -
DA REPRODUÇÃO - MODIFICAÇÕES CROMOSSÔMICAS? HIPORREGENERATIVA VASO ESPASMO PB++ AÇÃO TÓXICA DIRETA -

HIPORREGENERATIVA

VASO ESPASMO PB++

AÇÃO TÓXICA DIRETA

- ENCEFALOPATIA AGUDA

- ENCEFALOPATIA VASCULAR

- ENCEFALOPATIA CRÔNICA

- ARTERIOSCLEROSE CEREBRAL

- EPILEPSIA

- ESCLEROSE LATERAL AMIOOTRÓFICA (?)

- NEUROPATIA PERIFÉRICA

- ALTERAÇÃO DA HABILIDADE PSICOMOTORA

- ALTERAÇÃO DO SÓCIO-EMOTIVO

- ALTERAÇÃO DA FUNCIONALIDADE SENSORIAL

DO SÓCIO-EMOTIVO - ALTERAÇÃO DA FUNCIONALIDADE SENSORIAL - CÓLICA SATURNINA - AUMENTO DA PREVALÊNCIA DE ÚLCERA/
DO SÓCIO-EMOTIVO - ALTERAÇÃO DA FUNCIONALIDADE SENSORIAL - CÓLICA SATURNINA - AUMENTO DA PREVALÊNCIA DE ÚLCERA/
DO SÓCIO-EMOTIVO - ALTERAÇÃO DA FUNCIONALIDADE SENSORIAL - CÓLICA SATURNINA - AUMENTO DA PREVALÊNCIA DE ÚLCERA/
DO SÓCIO-EMOTIVO - ALTERAÇÃO DA FUNCIONALIDADE SENSORIAL - CÓLICA SATURNINA - AUMENTO DA PREVALÊNCIA DE ÚLCERA/
DO SÓCIO-EMOTIVO - ALTERAÇÃO DA FUNCIONALIDADE SENSORIAL - CÓLICA SATURNINA - AUMENTO DA PREVALÊNCIA DE ÚLCERA/

- CÓLICA

SATURNINA

- AUMENTO DA

PREVALÊNCIA

DE ÚLCERA/ GASTRITE

- INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA

- NEFROANGIOSCLEROSE SATURNINA

- ARTROPATIA GOTOSA

A A ÇÃ ÇÃ O O DO DO CHUMBO CHUMBO SOBRE SOBRE O O SISTEMA
A A ÇÃ ÇÃ O O DO DO CHUMBO CHUMBO SOBRE SOBRE O O SISTEMA
A A ÇÃ ÇÃ O O DO DO CHUMBO CHUMBO SOBRE SOBRE O O SISTEMA
A A ÇÃ ÇÃ O O DO DO CHUMBO CHUMBO SOBRE SOBRE O O SISTEMA
A A ÇÃ ÇÃ O O DO DO CHUMBO CHUMBO SOBRE SOBRE O O SISTEMA
A A ÇÃ ÇÃ O O DO DO CHUMBO CHUMBO SOBRE SOBRE O O SISTEMA
A A ÇÃ ÇÃ O O DO DO CHUMBO CHUMBO SOBRE SOBRE O O SISTEMA
A A ÇÃ ÇÃ O O DO DO CHUMBO CHUMBO SOBRE SOBRE O O SISTEMA

AAÇÃÇÃOO DODO CHUMBOCHUMBO SOBRESOBRE OO SISTEMASISTEMA RENALRENAL

CHUMBO Alteração da parede vascular Hipóxia tecidual Dano tubular proximal Degeneração esclerohialina dos
CHUMBO
Alteração da parede vascular
Hipóxia tecidual
Dano tubular
proximal
Degeneração
esclerohialina dos
glomérulos
Nefro – angioesclerose
esclerohialina dos glomérulos Nefro – angioesclerose Redução do transporte ativo Reabsorção e excreção de
esclerohialina dos glomérulos Nefro – angioesclerose Redução do transporte ativo Reabsorção e excreção de
esclerohialina dos glomérulos Nefro – angioesclerose Redução do transporte ativo Reabsorção e excreção de

Redução do transporte ativo Reabsorção e excreção de solutos

do transporte ativo Reabsorção e excreção de solutos vaso - espasmo das arteríolas renais aferentes Ativação
do transporte ativo Reabsorção e excreção de solutos vaso - espasmo das arteríolas renais aferentes Ativação

vaso - espasmo das arteríolas renais aferentes

Ativação do Sistema R-A-A

Elevação da pressão arterial

de solutos vaso - espasmo das arteríolas renais aferentes Ativação do Sistema R-A-A Elevação da pressão
de solutos vaso - espasmo das arteríolas renais aferentes Ativação do Sistema R-A-A Elevação da pressão

Gota

Insuficiência renal

ALTERAÇÕES CAUSADAS PELO Pb E OUTROS AGENTES NO CICLO DE SÍNTESE DO HEME

PELO Pb E OUTROS AGENTES NO CICLO DE SÍNTESE DO HEME CICLO DE KREBS SUCCINIL -
PELO Pb E OUTROS AGENTES NO CICLO DE SÍNTESE DO HEME CICLO DE KREBS SUCCINIL -

CICLO DE KREBS

SUCCINIL - COA + GLICINA

ALA - SINTETASE

HEME CICLO DE KREBS SUCCINIL - COA + GLICINA ALA - SINTETASE + PORFIRIA, FENOBARBITAL -

+ PORFIRIA, FENOBARBITAL

- CHUMBO

ÁCIDO DELTA-AMINOLEVULÍNICO

ALA-DESIDRATASE

- CHUMBO ÁCIDO DELTA-AMINOLEVULÍNICO ALA-DESIDRATASE - ÁLCOOL CHUMBO PORFOBILINOGÊNIO UPG-ISOMERASE - PORFIRIA

- ÁLCOOL CHUMBO

PORFOBILINOGÊNIO

UPG-ISOMERASE

- ÁLCOOL CHUMBO PORFOBILINOGÊNIO UPG-ISOMERASE - PORFIRIA UROPORFIRINOGÊNIO III UPG-DESCARBOXILASE COPRO

- PORFIRIA

UROPORFIRINOGÊNIO III

UPG-DESCARBOXILASE

- PORFIRIA UROPORFIRINOGÊNIO III UPG-DESCARBOXILASE COPRO PORFIRINOGÊNIO III CBG-DESCARBOXIL ATIVIDADE

COPRO PORFIRINOGÊNIO III

CBG-DESCARBOXIL

UPG-DESCARBOXILASE COPRO PORFIRINOGÊNIO III CBG-DESCARBOXIL ATIVIDADE ENZIMÁTICA + ATIVIDADE ENZIMÁTICA - - CHUMBO ,

ATIVIDADE ENZIMÁTICA

+

ATIVIDADE ENZIMÁTICA

-

- CHUMBO, ÁLCOOL

PROTOPORFIRINA IX + FERRO

- CHUMBO

HEME-SINTETASE

HEME
HEME

CONCENTRAÇÃO DE CHUMBO NO SANGUE e EFEITOS SOBRE A SAUDE

PbS (µg/dL)

10

PbS (µg/dL) 10 20 30 40 100

20

PbS (µg/dL) 10 20 30 40 100

30

PbS (µg/dL) 10 20 30 40 100

40

100

ADULTOS

Hipertensão

Protoporfirina eritrocitária

audição

Infertilidade; efeitos renais; neuropatia Fadiga, cefaléia, dor abdominal

síntese do Heme, Hg;

anemia, sintomas gastrintestinais, cefaléia, tremor

Letargia, tonteiras

Encefalopatia

CRIANÇAS Alts. Desenvolvimento Lesão QI; Protoporfirina eritrocitária

Velocidade de condução nervosa

Metabolismo vit. D

Alteração da síntese de Hemoglobina (Hg)

Cólica abdominal, neuropatia Encefalopatia, anemia, nefropatia, tonteiras.

50
50

50

50

BIOMARCADORES

DE EXPOSIÇÃO:

1. Chumbo no sangue (PbS):

Níveis elevados: exposição recente

Níveis baixos: exposição crônica

2. Chumbo no cabelo

Exposição intermediária (2 meses): crianças

3. Chumbo na urina

Níveis baixos e flutuantes de excreção.

4. Chumbo nos ossos

Fluorescência por raio X

Exposição crônica

5. Chumbo nos dentes

Exposição crônica

Esmalte (pré-erupção) ; Dentina

BIOMARCADORES

DE EFEITO: por inibição da VIA de síntese do HEME

1. Inibição da Delta ALA-desidratase

ALA desidratase no sangue:

Açido delta aminolevulínico (ALA-U) na urina:

2. Inibição da Heme-sintetase

Acúmulo de protoporfirinas nos eritrócitos:

Zincoprotoporfirina eritrocitária (ZPP): 90% - método de hematofluorimetria. Protoporfirina eritrocitária livre (FEP), Protoporfirina eritrocitária (EP): método de extração

Excreção de coproporfirinas na urina:

BIOMARCADORES

DE EFEITO: por inibição da VIA de síntese do HEME

1. Zincoprotoporfirina eritrocitária (ZPP):

Exposição passada: últimos 4 meses.

Concentração aumenta a partir de níveis de PbS 25 – 30 µg/dL: “crianças”.

2. Outras doenças ou condições que alteram a síntese do Heme:

- porfiria, cirrose, deficiência nutricional de ferro, idade e alcoolismo: das protoporfirinas

Tabela: Biomarcadores de exposição e efeito para o chumbo correlacionados com os níveis de chumbo no sangue a partir dos quais são alterados.

BIOMARCADOR

Nível de chumbo no sangue (PbS)

PbS

>

10 g/dL

Inibição da atividade da ALA-D nos eritrócitos

21 - 30 g/dL

Aumento dos níveis de ALA-U

> 35 g/dL (adultos) > 25 - 75 g/dL (crianças)

Inibição da atividade da NADS (adenina dinucleotideo sintetase) nos eritrócitos

>

40 g/dL

Aumento dos níveis de ZPP

> 25 - 30 g/dL

Fonte: Toxicological profile for Lead, ATSDRa/1999.

BIOMARCADORES DE EXPOSIÇÃO E EFEITO E PARÂMETROS DE NORMALIDADE ACEITOS PELA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA

BIOMARCADOR

VALOR NORMAL

NÍVEL

LIMÍTROFE

Chumbo no sangue

Até 40µg/dL

60µg/dL

Chumbo na urina

Até 60µg/dL

150µg/dL

ZPP

Até 75 µg/dL

200

µg/dL

Protoporfirinas

Até 60

300

livres

ALA-U

Até 4,5mg/g de creatinina

15mg/g de creatinina

Coproporfirina U

Até 150 µg/dL

200

µg/dL

Classificação, segundo o CDC, da intoxicação pelo Chumbo na infância e tratamento sugerido

CLASSE

PbS (µg/dL)

INTERPRETAÇÃO E AÇÃO

I

<= 9

Normal

IIA

10

– 14

Educação dos pais, comunicação ao serviço de saúde da comunidade, re-screnning em 3 meses.

IIB

15

– 19

Educação dos pais, avaliação e correção de deficiência de ferro, re -screnning em 3 meses. Caso nível persista considerar CLASSE III.

III

20

– 24

Re - testagem em 1 mês; avaliação médica completa; considerar QUELAÇÃO.

IV

45

- 69

Re - testagem em 24 horas; avaliação médica completa; avaliação ambiental e tratamento médico incluindo QUELAÇÃO, dentro de 48 horas.

V

>= 70

Emergência médica: re-testagem imediata, hospitalização e início do tratamento imediato. Identificação e remoção da fonte de chumbo.

ESTAGIAMENTOESTAGIAMENTO DADA INTOXICAINTOXICAÇÃÇÃOO PELOPELO CHUMBOCHUMBO

INTOXICAÇÃO LEVE

1. DOSE CORPORAL BAIXA:

.

Processo de trabalho não muito precário e/ou

.

Tempo de exposição curto e/ou

.

Ausência de fatores de aumento de risco

INDICADORES BIOLÓGICOS NÃO MUITO ELEVADOS ( Pb-S < 70mcg/dl; ALA - U<15mg/l ).

2. AUSÊNCIA DE COMPROMETIMENTO DOS

SISTEMAS RENAL E/OU NERVOSO:

.Provas de função renal sem alterações e ausência de sintomas / sinais de neuropatia central ou periférica.

ESTAGIAMENTOESTAGIAMENTO DADA INTOXICAINTOXICAÇÃÇÃOO PELOPELO CHUMBOCHUMBO

INTOXICAÇÃO MODERADA

1. Ausência de comprometimento dos sistemas renal

e/ou nervoso:

- Provas de função renal sem alterações e ausência de de sintomas / sinais de neuropatias central ou

periférica.

2. Dose corporal elevada:

.

Processo de trabalho precário e/ou

.

Tempo de exposição elevado e/ou

.

Presença de fatores de aumento de risco

. INDICADORES BIOLÓGICOS ELEVADOS ( Pb-S > ou = 70 mcg/dl; ALA - U > ou = 15mg/g ).

ESTAGIAMENTOESTAGIAMENTO DADA INTOXICAINTOXICAÇÃÇÃOO PELOPELO CHUMBOCHUMBO

INTOXICAÇÃO GRAVE

1. Dose corporal elevada:

.

Processo de trabalho precário e/ou

.

Tempo de exposição elevado e/ou

.

Presença de fatores de aumento de risco

. INDICADORES BIOLÓGICOS ELEVADOS ( Pb-S > ou = 70 mcg/dl; ALA - U > ou = 15 mg/g ).

2. Presença de comprometimento dos sistemas renal e/ou nervoso:

TRATAMENTOTRATAMENTO DADA INTOXICAINTOXICAÇÃÇÃOO CRCRÔÔNICANICA PORPOR CHUMBOCHUMBO

. INTOXICAÇÃO LEVE

1. Afastamento do trabalho

2. Hidratação oral

. INTOXICAÇÃO MODERADA

1. Afastamento do trabalho

2. Hidratação oral

3. Terapia quelante

TRATAMENTOTRATAMENTO DADA INTOXICAINTOXICAÇÃÇÃOO CRCRÔÔNICANICA PORPOR CHUMBOCHUMBO

. INTOXICAÇÃO GRAVE

Função renal normal

1. Afastamento do trabalho

2. Hidratação oral

3. Terapia quelante

4. Acompanhamento especializado

Função renal comprometida

1. Afastamento do trabalho

2. Hidratação oral

3. Acompanhamento especializado (nefrologia)

e definição de condutas específicas

ARSÊNICO

ARS ÊNICO Amplamente distribuído na natureza USOS E FONTES DE EXPOSIÇÃO: Impureza em minas de

ARS

ÊNICO

Amplamente distribuído na natureza

USOS E FONTES DE EXPOSIÇÃO:

Impureza em minas de : cobre, chumbo, zinco, estanho, ouro;

Fabricação e utilização de inseticidas, herbicidas e fungicidas ( principal uso nos USA);

Industria de colorantes;

No passado: uso terapêutico Ex: tratamento da Psoríase

ARS ÊNICO Empalhamento de animais; Algumas etapas na industria de vidro; Industria eletrônica; Fumaça de
ARS
ÊNICO
Empalhamento de animais;
Algumas etapas na industria de vidro;
Industria eletrônica;
Fumaça de cigarros: tabaco cultivado em solo
tratado com herbicidas arsenicais → câncer
A água em geral contém poucos microgramas por
litro: USA: 5µg/L. Algumas regiões (México, Argentina,
Chile) tem água enriquecida de arsênico inorgânico
por razões geológicas.
Seafood: 90% arsênico orgânico que tem baixa
absorção.
ARS ÊNICO Mecanismo de ação celular: provável interferência em enzimas mitocondriais → alteração na

ARS

ÊNICO

Mecanismo de ação celular: provável interferência em enzimas mitocondriais alteração na respiração celular Absorção Via Oral

Intoxicação criminosa ou acidental Exposição profissional: mãos - pesticidas Via Respiratória Exposição profissional : poeiras e vapores Via Cutânea: absorção importante ácido arsênico, cloreto de arsênico

ARS ÊNICO Biotransformação Transformação in vivo de formas inorgânicas em metabólitos metilados:
ARS
ÊNICO
Biotransformação
Transformação in vivo de formas inorgânicas
em metabólitos metilados: detoxificação.
Exposição pode exceder a capacidade de
biotransformação: detoxificação parcial.
meia-vida: aproximadamente 10 a 30 horas.
transferência placentária: correlação mãe-feto
(RELATO)
Eliminação: urina.
ARS ÊNICO Toxicidade Aguda Via Oral (altas doses): • dor abdominal, vômitos, queimaduras na boca,
ARS
ÊNICO
Toxicidade Aguda
Via Oral (altas doses):
• dor abdominal, vômitos, queimaduras na boca, diarréia
abundante, desidratação (~= cólera), choque hipovolêmico
• insuficiência renal aguda: orgânica e funcional
• Hepatite
• pancitopenia: granulopenia
• taquicardia ventricular
• óbito: 12 a 48 horas
ou: dermatite esfoliativa e polineuropatia sensitivo -
motora, 1 a 2 semanas. Reversível.
ARS ÊNICO Aguda Via Respiratória irritação das vias respiratórias alteração SN: cefaléia, vertigem, dor em
ARS
ÊNICO
Aguda
Via Respiratória
irritação das vias respiratórias
alteração SN: cefaléia, vertigem, dor em membros
inferiores e superiores
alterações digestivas: vômitos, diarréia, dor
abdominal
alterações oculares: dermatite palpebral,
conjuntivite
cianose da face
ARS ÊNICO Toxicidade (aguda/crônica) Neuropatia periférica sensitivo – motora (desmielinização dos axônios
ARS
ÊNICO
Toxicidade (aguda/crônica)
Neuropatia periférica sensitivo – motora
(desmielinização dos axônios longos):
parestesia simétrica dolorosa proximal para
distal;
dor nos membros inferiores e superiores;
alterações da marcha;
fraqueza muscular.
ARS ÊNICO Toxicidade Crônica ALTERAÇÕES CUTÂNEAS multiformes principalmente mãos e pés • edema e

ARS

ÊNICO

Toxicidade Crônica

ALTERAÇÕES CUTÂNEAS

multiformes principalmente mãos e pés

edema e rubor facial;

lesões ulcerativas, dolorosas;

hiperqueratose palmoplantar;

hiperpigmentação;

bandas brancas nas unhas;

despigmentação “gotas”.

ARS ÊNICO Hepáticas Vias oral e respiratória: icterícia, aumento de transaminases cirrose Circulação

ARS

ÊNICO

Hepáticas Vias oral e respiratória: icterícia, aumento de

transaminases

cirrose

Circulação periférica:

Água (Taiwan e Chile): acrocianose, fenômeno

de Raynaud

gangrena MIS (blackfoot disease)

ARS ÊNICO CARCINOGENICIDADE Grupo 1 (IARC): pulmão (epidermóide, 35 a 45 anos) • Cutâneo (VO/VC)
ARS
ÊNICO
CARCINOGENICIDADE
Grupo 1 (IARC): pulmão (epidermóide, 35 a 45
anos)
• Cutâneo (VO/VC) : basocelular (múltiplas lesões
em palmas e solas ππππ luz UV).
• Hemangiosarcoma do fígado.
• Leucemia, linfoma, outros (bexiga, rim, próstata)
POPULAÇÃO GERAL: próximo a fundição de
cobre, chumbo, zinco
CADMIO
CADMIO

É um metal tóxico moderno. Até 50 anos atrás, pouco

uso industrial

USOS E FONTES DE EXPOSIÇÃO

galvanização: propriedade não corrosiva

pigmentos de tintas e plásticos

baterias níquel-cádmio

cigarro

sub-produto da mineração e fundição do Zinco e

chumbo

alimentação: ostras / vegetais que absorvem Cd a

partir do solo ou água (de irrigação) contaminados ou

de fertilizantes usados na agricultura

CADMIO Metabolismo Absorção Via respiratória: 15% a 30% (importância em cigarros: 1 a 2 microgramas

CADMIO

Metabolismo

Absorção Via respiratória: 15% a 30% (importância em cigarros: 1 a 2 microgramas / cig.) Via Digestiva: 5% a 8% Deficiência de cálcio, ferro, proteínas.

Transporte: hemácias e albumina Depósito: 50% a 75% - fígado / rins Eliminação: urina

Meia-vida incerta: muitos anos

CADMIO Toxicidade Aguda Via oral (alimentos e bebidas contaminados) • náuseas, vômitos, dor abdominal. Via

CADMIO

Toxicidade

Aguda

Via oral (alimentos e bebidas contaminados) náuseas, vômitos, dor abdominal.

Via Respiratória: (aquecimento de materiais) pneumonia química, edema pulmonar.

CADMIO Crônica 1- Doença tubular renal: túbulo proximal •alterações morfológicas (inespecíficas): fibrose.
CADMIO
Crônica
1- Doença tubular renal: túbulo proximal
•alterações morfológicas (inespecíficas): fibrose.
•alterações funcionais:
-
proteinúria tubular: PTN de baixo peso molecular
B2Microglobulina.
-
presença de PTN de elevado peso molecular
albumina e transferrina: lesão glomerular.
- patogênese desconhecida.
- lesão progressiva: persistência de alterações
após cessada a exposição (elevada carga corporal
/ deslocamento do complexo cádmio-ptn do
fígado)
CADMIO 2 - Doença do sistema esquelético Excreção de cálcio: dor óssea, osteomalácia e/ou osteoporose.

CADMIO

2 - Doença do sistema esquelético

Excreção de cálcio: dor óssea, osteomalácia e/ou osteoporose. Doença Itaí-Itaí: deformidade óssea e doença renal crônica (provavelmente existência de co- fatores: deficiência de vitamina D).

Hipertensão e efeitos cardiovasculares Efeito hipertensor?

3- Doença pulmonar obstrutiva crônica

CADMIO INDICADORES BIOLÓGICOS Cádmio urinário : exposição recente, carga corporal, concentração renal de cádmio

CADMIO

INDICADORES BIOLÓGICOS

Cádmio urinário: exposição recente, carga corporal, concentração renal de cádmio índice para exposição alta.

bom

Metalotioneína na urina: relação com cádmio.

TRATAMENTO Indução da metalotioneína: zinco, cobalto e selênio.

METAIS ESSENCIAIS

• Com potencial para toxicidade: cobalto, cobre, ferro manganês, magnésio, molibdêmio, selênio e zinco.

• Metais essenciais nutricionalmente:

deficiência produz alterações funcionais ou estruturais, que estão relacionadas ou são consequência de alterações bioquímicas específicas que podem ser revertidas pela presença do metal.

ZINCO

• Metal sólido, azul claro, amplamente distribuído na natureza;

• É um metal essencial ao metabolismo humano: interage com proteínas para regular a síntese de DNA e RNA, controlar a neurotransmissão, atua junto ao hormônio do crescimento, mantém a integridade da membrana celular ;

• Forma metálica pura: revestimento metálico, ligas metálicas para formar latão e bronze, baterias de células secas;

• Compostos (cloreto, acetato, óxido, sulfato): tintas, cerâmicas, preservação de madeiras, indústria farmacêutica (bloqueadores solares, desodorantes, bebidas para atletas, preparados para acne, etc.)

ZINCO

TOXICOCINÉTICA

ABSORÇÃO

• Via digestiva: dieta

• Via respiratória: fumos e poeiras

• Via cutânea: preparados tópicos

BIOTRANSFORMAÇÃO

• No sangue: liga-se a proteínas

• Concentração: fígado (50%), pâncreas, retina, rins, próstata e músculos

• Forma complexos com proteínas intracelulares ELIMINAÇÃO:

• fezes (70%), urina (15%), suor (25%) e leite materno

ZINCO

TOXICODINÂMICA

INTOXICAÇÃO AGUDA Sintomas gastrointestinais Cloreto de zinco:

• Ingestão: lesões cáusticas ao esôfago e estômago

• Inalação: irritação de vias aéreas, olhos (irite, glaucoma), pele (úlceras), faringe - tosse e dispnéia. Edema pulmonar e pneumonite tóxica; Óxido de zinco: febre dos fumos metálicos (inalação) – febre, calafrios, mialgia e cefaléia 4 a 6 horas após exposição Sais de zinco: dermatites irritativas de contato INTOXICAÇÃO CRÔNICA Ingestão de altas doses de suplementos: leucopenia e anemia sideroblástica

ZINCO

MONITORAMENTO

DA EXPOSIÇÃO: dosagem de zinco

• no sangue (soro e plasma): 95 a 110µg/dl

• na urina: 0.5mg/24h

• nas fezes DOS EFEITOS

• Exposição aguda: dosagem dos níveis de metalotioneína eritrocitária

• Controle pulmonar e hematológico

 

COBRE

Metal sólido avermelhado

Elemento essencial para o organismo: participa da respiração celular, defesa contra radicais livres, neurotransmissão e síntese de tecido conectivo. FONTES DE EXPOSIÇÃO

• Indústria elétrica: produção de cabos e interruptores;

• Galvanoplastia de níquel, zinco, cromo;

• Fabricação de tubulações resistentes a corrosão;

• Produção de utensílios

• Acetato de cobre: pigmento de tintas de cores verde ou azul; inseticida e fungicida; impressão

COBRE

FONTES DE EXPOSIÇÃO

• Brometo de cobre: indústria fotográfica; preservação de madeiras; eletrólito de baterias;

• Cloreto de cobre: desinfetantes; fogos de artifício; catalisador de reações eletro-químicas

• Carbonato de cobre: pigmentos; fogos de artifício; inseticidas e fungicidas; adstringente em pomadas.

• Sulfato de cobre: agricultura, indústria têxtil e do petróleo; curtimento do couro, fabricação de borracha e aço

• Óxido cúprico: pigmento negro para cerâmicas

COBRE

TOXICOCINÉTICA

INGESTÃO: 1.2 – 5mg/d (adulto) INALAÇÃO: poeiras e fumos ABSORÇÃO DÉRMICA: preparados tópicos

BIOTRANSFORMAÇÃO

• 75% ligado a proteínas plasmáticas;

• Acúmulo no fígado, músculos e ossos

ELIMINAÇÃO

Fezes

COBRE

TOXICODINÂMICA

Febre dos fumos metálicos INALAÇÃO:Irritação de narinas, olhos e cavidade oral; perfuração de septo nasal e úlceras; cefaléia, tonteiras INGESTÃO: Anorexia, naúseas e diarréia, cólica abdominal INGESTÃO INTENCIONAL:lesão renal e hepática e óbito

Doença granulomatosa hepática Angiosarcoma hepático (agrotóxicos ?) Alterações reprodutivas ?

Níveis séricos: 0.87 a 1.37mg/l