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Edição especial v.1, Ago. – Dez. 2016 ISSN 1982 – 2065 OCUPE ESTELITA ENQUANTO NOVO

Edição especial v.1, Ago. Dez. 2016 ISSN 1982 2065

OCUPE ESTELITA ENQUANTO NOVO MOVIMENTO SOCIAL CONDUZINDO À GESTÃO PÚBLICA SOCIETAL

Tainã Gomes Barbosa dos Santos 1 José Luiz Alves 2

RESUMO

O presente artigo apoia-se em dados bibliográficos e em trechos publicados por

integrantes do movimento “Ocupe Estelita, em Recife. Sua base teórica se assenta tanto na dimensão sociopolítica, que relaciona Estado e sociedade, cuja referência na

Gestão Pública é a abordagem societal; quanto na abordagem culturalista-acionalista,

no que se refere à Teoria dos Novos Movimento Sociais. Parte-se da Gestão Pública

Societal para apresentar a democratização da participação social como eixo que a liga aos Novos Movimentos Sociais, cujas características serão apresentadas com o objetivo tanto de evidenciar a vinculação do Ocupe Estelitaa esta categoria de análise, quanto de tornar clara a similitude entre o projeto político da vertente societal e do ator social Novo Movimento Social Ocupe Estelita. A partir destas duas propostas, teórico e analítica, respectivamente, o artigo situa, dentro de uma leitura societal, as críticas que o Ocupe Estelita faz à Gestão Pública Municipal da Cidade do

Recife.

Palavras-Chave: Gestão Pública Societal, Novo Movimento Social, Ocupe Estelita, Participação Social.

1 Especialista em Planejamento e Gestão Pública pela Faculdade de Ciências da Administração de Pernambuco da Universidade de Pernambuco FCAP-UPE 2 Professor Doutor junto a FCAP-UPE

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1 INTRODUÇÃO Tradicionalmente alvo de estudo das ciências sociais, os movimentos sociais integram, no decorrer dos séculos XX e XXI, novos aspectos à sua natureza, sistema de valores e dinâmicas, podendo ser, a partir de então, classificados como “novos” (LUCAS, 2006) (SILVA, 2012). Em grande medida decorrente da mútua influência entre eles e as variáveis contextuais (GOHN, 2003), bem como devido à importância das redes, que, como observado por Egler (2005, apud EGLER, 2010, p.214), abre caminho para a “nova possibilidade de exercício da política” e redefinição de sujeitos no locus virtual, os Novos Movimentos Sociais apresentam ineditismo de contornos e comportamentos que impelem atualização de perspectivas teóricas, bem como incentivam esforços interdisciplinares no intuito de uma compreensão mais holística sobre o tema, conduzindo a sociologia política ao aperfeiçoamento de abordagens sobre o aspecto cultural-político destes “novos atores coletivos”, com destaque para

a sua relação com a esfera pública (Krischke apud SCHERER-WARREN, 2015, p.

48-49).

Neste recorte sociológico está contida a realidade recifense uma vez que se adote o movimento Ocupe Estelitacomo objeto de análise e se reconheça, pelas qualidades inerentes aos Novos Movimentos Sociais, sua potencialidade em trazer inovações para o setor público, criar legitimidades (VIEIRA, 2001), e conduzir a esfera político-institucional a novos arranjos democráticos. Direcionado a contestar o projeto urbanístico denominado Novo Recife, que propõe a construção de 12 torres no terreno da União onde se localiza o Cais José Estelita, o movimento Ocupe Estelita ator coletivo descentralizado, não hierárquico

e aberto (ANDRADE, 2015) reclama participação popular nas decisões tomadas na

esfera pública. O fortalecimento das abordagens aqui congregadas Novos Movimentos Sociais e Gestão Pública Societal compartilham no contexto nacional um mesmo intervalo temporal: dos anos 60 até os fins dos 90 observou-se o fortalecimento dos movimentos sociais e a consequente elaboração da Constituinte, cuja proposta é elaborar um novo “referencial das relações entre Estado e Sociedade”. (PAULA, 2005, p. 154). O presente trabalho se desenvolveu em atenção a este fato e à escassez de produções que problematize o foco de luta do Ocupe Estelita e trace paralelo entre a

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Gestão Pública Societal, as potenciais contribuições dos Novos Movimentos Sociais e o incentivo que este tipo de amarração teórica daria ao avanço da democracia participativa. A Gestão Pública Societal, abordagem aqui utilizada, evidencia a democratização das instituições pela via da participação social. A partir deste eixo, o artigo evolui para a discussão alinhada à necessidade, no campo da ciência, em investir na dimensão sociopolítica da relação entre Estado e sociedade como meio de elucidação dos problemas sobre participação. Há íntima relação entre estes atores. O surgimento dos Novos Movimentos Sociais remete a um resgate do contexto dos anos 60 aos 80, no qual a sociedade passa a propor o aumento da participação e a consequente desmonopolização do exercício do poder público centralizado, então, no Estado. A culminação desta proposta popular se dá, nos anos 90, com a Gestão Pública Societal. (PAULA, 2005b) A primeira secção do artigo trata sobre a Gestão Pública Societal, destacando as principais características. Na secção posterior, tais características serão associadas à identificação dos elementos que compõem os Novos Movimentos Sociais, o qual será apresentado a partir de seis características, dentro das quais são trazidos trechos que demonstram a pertinência do Ocupe Estelita à esta categoria analítica. Com a crítica tecida pelo Ocupe Estelita, propõe-se desvelar a profundidade da retórica contestatória da qual se empodera este Novo Movimento Social para a conquista da democracia participativa in locus conquista que se fará através da superação dos obstáculos apontados pelo movimento. Ao final da última secção trata um quadro com os principais pontos definidores da Gestão Pública Societal, dos Novos Movimentos Sociais e do Ocupe Estelita. O presente artigo parte do pressuposto advogado por diversos estudiosos de que a dimensão sociopolítica, que dá sustentação à relação entre Estado e sociedade, encontra-se enfraquecida, configurando-se esta debilidade a condição catalisadora para o surgimento do Ocupe Estelita 3 . A partir desta premissa foi levantada uma

3 Segundo Rocha (2008, p. 132), a ausência de canais oficiais de comunicação entre população e governo ou a impermeabilidade deste às demandas sociais pode ter como consequência a utilização de vias alternativas de manifestação, isto é, uso de canais não oficiais de participação. Essa perspectiva também está presente nas preocupações de Tatagiba (2005) quando trata de incentivar a compreensão sobre a relação entre permeabilidade das instituições políticas e participação social nos Conselhos.

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revisão bibliográfica que lograsse vincular o aprimoramento da interação entre governo e sociedade à superação dos obstáculos atuais na Gestão Pública Municipal da cidade do Recife, que se fazem vistos na crítica do Ocupe Estelita, e o direcionamento que este ator social aponta rumo ao fortalecimento da participatividade que a Gestão Pública Societal tanto defende. Para tanto, inserido nestas temáticas, este artigo apoia-se em bases bibliográficas que, junto à trechos publicados por integrantes do Ocupe Estelita, logram esclarecer: O Ocupe Estelita, entendido como um Novo Movimento Social, aponta caminhos para promoção de melhoria na participação social na gestão pública, conduzindo à Gestão Pública Societal? Através da causa defendida pelo Ocupe Estelita, através de suas características, de suas ações, e da denúncia que o movimento faz contra o que constrange, esse artigo responde a esta pergunta em etapas: 1) identificando os gargalos que obstaculizam a viabilização da Gestão Pública Societal em Recife, e, a partir deles, 2) elucidando por quais pontos deve passar o processo de aprimoramento da interação entre governo e sociedade.

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2 GESTÃO PÚBLICA SOCIETAL As raízes da Gestão Pública Societal remontam aos movimentos sociais que começaram a se reorganizar na década de 60 e 70, porém ela nasce efetivamente no contexto da redemocratização do Brasil, a qual recebe bastante impulso do campo movimentalista que ganha força na década de 80 composto por movimentos sociais, partidos políticos, Comunidades Eclesiais de Base, ONGs e, de outros atores. Como consequência, este projeta muito de seus valores e demandas nesta abordagem da Gestão Pública. (PAULA, 2005). Assim, na década de 1990 aqueles atores sociais encabeçaram a proposta de reforma e rearticulação entre Estado e a sociedade combinando a democracia representativa e a participativa. Dando ênfase à participação social, emerge o conceito de esfera pública não estatal para a promoção de um projeto político e de desenvolvimento nacional, envolvendo “a elaboração de novos formatos institucionais que possibilitem a co-gestão e a participação dos cidadãos nas decisões públicas.” (PAULA, 2005, p.40) É reclamada uma reconfiguração da gestão pública que abra espaço para maior participação social. É dessa forma que os Conselhos e o Orçamento Participativo aparecem como alternativas ao modelo tradicional de gestão. (PAULA, 2005). Inserida na concepção da Gestão Pública Societal, são incentivadas experiências locais para reconfiguração da gestão no sentido de democratizá-la. O êxito ou o fracasso desse novo modelo ancorado em experiências locais é, em grande medida, dependente da vontade política da autoridade no poder e de seu projeto político para a dada localidade, como foi apontado por Santos (2005). Os Conselhos carregam limitações próprias do arranjo (ALMEIDA; TAGIBA, 2012), entre as quais são fardos costumeiramente presentes na cultura política do país o clientismo, a ausência de cultura cívica, legitimidade débil, etc. (SANTOS, 2005), (ALMEIDA; TAGIBA, 2012), se fazendo vistos notórios obstáculos para o alcance da “partilha do poder de decisão” (TATAGIBA, 2002, p.79). A efetivação dos Conselhos como eficiente canal de diálogo entre o público e o social espaço de negociação e deliberação é condicionada à superação destes obstáculos.

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Apesar de se verificar a presença destes problemas 4 nestas arenas de participação, compreende-se que aquele ideário gestado no campo movimentalista, que fez nascer os Conselhos, não arrefece, mas se reinventa assim como os próprios atores que o dão origem. De maneira análoga à reelaboração da identidade coletiva dos Novos Movimentos Sociais no processo de interação entre seus componentes (GOHN, 2007), que será explicada na secção seguinte, também as ações do grupo vão sendo atualizadas em função das respostas que vão recebendo. Assim, segue- se adiante com o projeto político, porém, redefinindo a estratégia de ação e devendo

preservar lucidez quanto às dificuldades que vão surgindo. As propostas do projeto político defendido pela Gestão Pública Social são: 1) enfatizar a participação social; 2) estruturar um projeto político que repense: a) o modelo de desenvolvimento, b) a estrutura do aparelho de Estado e c) o paradigma de gestão (PAULA, 2005). Porém, a estratégia que o grupo tomará para seu alcance

é definida localmente pelos Novos Movimentos Sociais, movimentos populares,

Organizações Não Governamentais, etc. Avançaremos a análise com base nestes aspectos estruturantes da Gestão Pública Societal.

A ênfase dada à participação. A ampliação da participação deve passar pela

reconfiguração da gestão pública ancorada na elaboração de novos arranjos institucionais. Estes precisam ser permeáveis à demanda social para que seja possível a atualização governamental frente às transformações pelas quais a democracia deve passar. Segundo Paula (2005, p.171), apenas com “infiltração do

complexo tecido mobilizatório” no aparelho estatal este será participativo e legítimo.

A estruturação do projeto político. A realização deste item deve contemplar

o questionamento à monopolização estatal da formulação e controle das políticas

públicas, a promoção da participação social na definição da agenda política e o maior

controle social que daí deriva. Sua estruturação a nível nacional ainda não foi atingida.

O paradigma de gestão. Dando atenção a aqueles elementos estruturantes, a

Gestão Pública Societal apoia a elaboração de propostas locais que repensem o paradigma de gestão no sentido de democratizá-lo. Porém, o encadeamento destas

4 Como “centralidade do Estado na elaboração da pauta, a falta de capacitação dos conselheiros, problemas com a representatividade.” (TATAGIBA, 2005, p. 210)

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experiências locais a nível nacional tão necessário à estruturação do projeto político, ainda não foi observado. (PAULA, 2005) O modelo de desenvolvimento. A vertente societal enfatiza que a solução de problemas que envolvam escassez de recursos pode ser encontrada na participação cidadã, através do seu capital cívico. O aspecto cultural tem grande valor uma vez que pode “mobilizar capacidade política e administrativa” no sentido da formulação e implementação do projeto nacional. (PAULA, 2005, p.158) Reorganização da estrutura do aparelho de Estado. Apesar do incentivo às experiências locais e à ampliação da participação social na gestão pública, não se pode dizer que haja proposta para organização do aparelho de Estado (PAULA,

2005b)

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3 CARACTERÍTICAS DOS NOVOS MOVIMENTOS SOCIAIS E ADEQUAÇÃO DO OCUPE ESTELITA À CATEGORIA DE NOVO MOVIMENTO SOCIAL

Ainda em evolução, a compreensão dos Novos Movimentos Sociais apresenta

várias perspectivas de análise, dentro das quais foi aqui escolhido o paradigma

europeu devido à sua forte influência sobre o paradigma latino americano (GOHN,

2007). A abordagem culturalista-acionalista, orienta a apresentação das

características trazidas nesta secção.

Seus representantes,

Tourine, Offe, Melucci, Laclau e Mouffe, entre outros, partiram para a criação de esquemas interpretativos que enfatizavam a cultura, a ideologia, as lutas sociais cotidianas, a solidariedade entre as pessoas de um grupo ou movimento social e o processo de identidade criado. (GOHN, 2007, p. 121)

O conjunto destas características dos esquemas interpretativos apresentados

por estes estudiosos são observáveis nos movimentos sociais europeus surgidos a

partir dos anos 60. A existência das particularidades destes movimentos trás uma

importante implicação sobre a ciência: revela que as tentativas descritivas adequadas

para movimentos sociais clássicos, ancorados prioritariamente na congregação em

função de classes sociais, se fazem inadequadas para este novo ator nascido nos

anos 60. (GOHN, 2007). Vários fatores o diferenciam dos movimentos sociais

tradicionais 5 , tais como: composição plural em torno de um objetivo comum,

capacidade de promover mudanças, cultura política, identidade coletiva definida no

processo de interação, etc.

O esquema interpretativo compõe a estrutura do paradigma do Novo

Movimento Social, que apresenta cinco características principais, as quais serão

desenvolvidas nos próximos parágrafos.

Devido à grande aderência ao tema tratado, será enxertado àquela estrutura

um último fator observado por Johnston; Laraña; Gusfield (1994) apud Gohn (2007).

5 Melucci apud Gohn, 2007 aponta que os Novos Movimentos Sociais se tratam mais de um construção analítica do que organizacional.

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Dentro de cada um dos tópicos se dará o estudo do Ocupe Estelita através de trechos que amarrarão a teoria à prática. A começar:

Marxismo não é mais capaz de explicar os Novos Movimentos Sociais. No marxismo há a hierarquização do domínio econômico sobre o político e cultural e a compreensão da ação coletiva é tida apenas a nível estrutural e da ação de classes. (GOHN, 2007) Por este motivo, os Novos Movimentos Sociais não podem ser adequadamente explicados pelo marxismo, uma vez que a sua composição não mais gira em torno da estrutura de classes (JOHNSTON; LARAÑA; GUSFIELD, apud GOHN, 2007). Sua composição é plural tanto a nível de faixas sociais quanto de bandeiras estandarte de ideias e valores , levando ao seu interior variados estilos de vida. Estes, se congregam em torno de um objetivo comum. Ou seja, verifica-se que o aspecto pessoal se insere e se confunde com a coletividade (JOHNSTON; LARAÑA; GUSFIELD, 1994 apud GOHN, 2007) numa amarração social cuja dimensão coletiva pode ser chamada de Novo Movimento Social, mas que, apenas quando se observa mais detidamente sua composição, contém indivíduos das mais plurais orientações. A luta de classes cede lugar para a luta por democracia, pois os Novos Movimentos Sociais se congregam em torno de uma reivindicação específica, pragmática, “e para a busca de reformas institucionais que ampliem o sistema de participação de seus membros no processo de tomada de decisões” (JOHNSTON; LARAÑA; GUSFIELD (1994) apud GOHN, 2007, p. 127). Segundo Laclau (1986, p. 45) “O potencial radicalmente democrático dos novos movimentos sociais reside precisamente ─ em suas exigências implícitas de uma visão indeterminada e radicalmente aberta da sociedade”. Em anuência a esta compreensão, o movimento Ocupe Estelita é composto por artistas, estudantes, movimentos Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis, Transexuais e Transgêneros, defensores de direitos dos animais, trabalhadores do comércio informal, urbanistas e diversos outros profissionais (ROCHA, 2015), (ROCHA, 2014). Vai além da composição tipicamente classista dos movimentos sociais tradicionais, abraçando a pluralidade de bandeiras ideias. Segundo Andrade (2015), o fenômeno possui um “corpo heterogêneo” com amplitude de faixa etária, horizontalidade,

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espontaneidade que se congregam em torno do objetivo do movimento, ou seja, participar das decisões políticas concernentes à cidade enquanto espaço coletivo. Eliminação do sujeito histórico redutor da humanidade. Elimina-se a compreensão do ator social definido pelos constrangimentos estruturais do capitalismo, de modo que assume-se que ele é capaz de se autodefinir. “(O) novo sujeito que surge é coletivo difuso, não hierarquizado, em luta contra as discriminações de acesso aos bens da modernidade e, ao mesmo tempo crítico de seus efeitos nocivos” (GOHN, 2007, p. 122) Se, por um lado, ao avaliar os Novos Movimentos Sociais no contexto europeu, Mouffe diz que “a novidade dos Novos Movimentos na Europa deriva de novas formas de subordinação ao capitalismo.” (MOUFFE, 1988 apud GOHN, ano); por outro, Scherer-Warren afirma que a novidade destes atores advém do seu esforço e

potencial em promover a mudança, ou seja, em “construir uma nova política de base” (SCHERER-WARREN, 1987, p.36). Isto é, os participantes de ações coletivas são entendidos como atores sociais (GOHN, 2007). Verifica-se que “novo” que se refere aos Novos Movimentos Sociais ainda é uma questão em discussão, conforme apresentou Melucci. O esforço em transformar, observado por Scherer-Warren como qualificador do

adjetivo “novo” é encontrado no Ocupe Estelita. Como endossa Chris Bueno, “(

) o

grupo (Ocupe Estelita) não quer apenas impedir a destruição do cais, mas também mais participação pública nas decisões da cidade e aproveitamento máximo.” No seguinte trecho escrito pelo professor e integrante do movimento, Érico Andrade, observa-se que é pretendido promover uma nova forma de atuação política, um projeto que torne a democracia mais efetiva. “(O Ocupe Estelita) Ele pretende aprofundar a democracia no sentido de substancializá-lo com uma maior participação popular.” (ANDRADE, 2014, p.109) Pode-se inferir dessa colocação a defesa de uma nova forma de atuação política que valorize a participação social na gestão da cidade:

aproximação entre governo e sociedade que coletivize a deliberação acerca da tomada de decisões relativas à política, aos projetos e às ações públicas. Identidade coletiva. A dimensão identitária segundo a qual a teoria dos Novos Movimentos Sociais se define (FOWERAKER (1995) apud GOHN, 2007), tem grande adesão à prerrogativa apresentada por Sherer-Warren (1987); chamando atenção a

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noção de ação coletiva e apresentando o grupo como ator social capaz de se autodefinir e de influenciar o entorno (MELUCCI apud GOHN, 2007), rejeitando a noção de passividade, de serem preconfigurados em função das estruturas sociais nas quais estão inseridos. Segundo Ilse Scherer-Warren (1987) a identidade coletiva é assenta-se no fator estrutural e no cultural. O primeiro se refere aos problemas emergidos do capitalismo, os quais cotidianamente oprimem os povos. Uma vez tomada consciência da existência destes obstáculos estruturais ao bem viver, a crítica a eles tende à internacionalização; fortalece-se e integra-se a diversos movimentos de orientações diversas que no processo de interação entre si compõem uma identidade coletiva cuja construção, segundo Melucci (1995) apud Fominaya, passa por um processo de negociação que envolve definições cognitivas sobre finalidade, significação e campo de ação. A identidade coletiva é definida por “membros, fronteiras e ações do grupo” (GOHN, 2007, p.124). Esse reconhecimento crítico e abrangente da problemática estrutural que assola os atores sociais compõe o fator cultural. Entende-se que a mudança dos Novos Movimentos Sociais em relação aos movimentos tradicionais está pautada não na submissão ao capitalismo, mas à crítica das problemáticas que ele gera e promoção de uma “nova política de base” que atenda às demandas específicas destes atores. Participação, horizontalidade são valores presentes nas propostas. No caso concreto do Ocupe Estelita, a estreita simbiose do poder público com iniciativa privada é alvo de crítica. O reconhecimento das amarras estruturais tecidas pela influência do capital sobre a dimensão pública é pano de fundo sobre o qual se erige a denúncia aos efeitos perniciosos desta relação para a democracia. Esta denúncia se justapõe aos dois fatores da dimensão identitária dos Novos Movimentos Sociais: o estrutural, quando o Ocupe Estelita busca a democratização das instâncias públicas através da contestação da lógica capitalista que torna permissiva a apropriação do público pelo privado devido à “concentração de poder dos vereadores e, consequentemente, das empreiteiras que lhes financiam” (ANDRADE, 2015); e o cultural, de cuja apreensão desta problemática conjuntural assume tônica cosmopolita

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por estar aberto ao externo, uma vez que se incentiva uma democratização que contemple “veicular outras percepções de mundo e de cidade” (ANDRADE, 2015). Centralidade e redefinição da política. Como se vê, o aspecto cultural assume importância superior àquelas dedicadas por análises marxistas. Cultura, política e economia não são consideradas hierarquicamente, mas como dimensões da vida social. Observa-se na abordagem dos Novos Movimentos Sociais que a grande atenção dada ao processo tácito de negociação interna referente à definição da identidade, e as características marcantes deste ator social descentralização, ausência de hierarquias internas, abertura para participação (GOHN, 2007, p.126), em si reforçam a proposta de uma participação que não esteja submetida a determinantes econômicos, bem como revelam que esta nova forma de organização dos Novos Movimentos Sociais reflete que há “(m)udança de demandas econômicas para as culturais” (GOHN, 2007, p.126) A própria resistência do Ocupe Estelita parte de um apelo cultural que diz respeito à preservação do patrimônio histórico-cultural da área do Cais José Estelita, ameaçado com o projeto desenhado pelo Consórcio Novo Recife, uma vez que as duas torres já existentes, bem como as outras que se planeja construir, quebram a harmonia visual urbanística daquela área. As novas formas de organização dos Novos Movimentos Sociais expressam- se, no Ocupe Estelita, em sua composição plural e no fato de “não possui um centro de representação” (PINTO, 2014), isto dá ao movimento a aparente falta de unidade e o aspecto de horizontalidade (ANDRADE, 2015). Tais elementos são congruentes com o formato “difuso, segmentada(o) e descentralizado” do Novos Movimentos Sociais já estudados por Johnston; Laraña; Gusfield (1994, apud GOHN, 2007)

Modelo teórico baseado em cultura. A compreensão de todos os elementos anteriormente apresentados pauta-se na cultura como tônica em torno da qual se estrutura este novo ator social. No paradigma do Novo Movimento Social, a cultura desvincula-se da concepção marxista de ideologia como falsa representação do real e da estrutura de classes. Assim, há uma releitura desta dimensão da vida social. Com foi apresentado nos pontos anteriores, a emergência da cultura não se dá em função de determinantes

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econômicos, nem tampouco se trata de “um conjunto fixo e predeterminado de normas

e valores herdados do passado” (GOHN, 2007, p.122), mas transforma os Novos

Movimentos Sociais como o Ocupe Estelita em atores capazes de congregar integrantes de diversas classes sociais em torno de objetivos comuns, os quais não se voltam para questões meramente econômicas, mas culturais e democráticas. Crise nos canais convencionais de participação. A “organização e proliferação dos Novos Movimentos Sociais” se vinculam à “crise de credibilidade dos canais convencionais de participação nas democracias ocidentais” Johnston; Laraña;

Gusfield (1994, apud GOHN, 2007, p.127), em torno da qual orbitam críticas à representação, participação e legitimidade e a partir da qual se intensifica “a busca de reformas institucionais que ampliem o sistema de participação de seus membros no processo de tomada de decisões” (JOHNSTON; LARAÑA; GUSFIELD apud GOHN, 2007, p. 127). As limitações do poder público em administrar com equidade a negociação das discordâncias perante as partes presentes nos espaços institucionalizados causa sucessão de fracassos no diálogo entre elas e, no caso específico de Recife, na reelaboração do projeto Novo Recife. Esta conjuntura é impulsora de denúncia por parte do movimento e da edificação de crítica sobre a legitimidade da representação

e sobre as arenas de participação e seu hiato perante a democracia participativa. Conforme expressa o integrante do movimento e professor Érico Andrade no seguinte trecho: “O que faltou na votação fraudulenta do projeto Novo Recife na câmara dos vereadores em 5 de maio de 2015 6 transbordou nas ruas do Recife, a saber, a legitimidade popular.” (ANDRADE, 2015) Tal repreensão mostra que, “Com

o advento do Ocupe, o conceito de democracia representativa está em questão, não

a democracia.” (ANDRADE, 2014, p.109) Isto porque, ainda segundo Andrade (2014), a democracia representativa, uma vez estando submetida às interferências do capital influência apresentada no tópico “identidade coletiva” –, mina a confiança da própria dimensão democrática que a sustenta. A desconfiança em relação à legitimidade da representação contida nas palavras de Andrade (2015) se infiltra para os Conselhos onde representantes do

6 Se refere ao evento em que os manifestantes do Ocupe Estelita foram impedidos de entrar na Câmara Municipal.

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poder público, Conselheiros, etc., enfraquecem estas arenas ao reproduzirem nelas velhos vícios tais como a verticalização dos componentes (TATAGIBA, 2002 apud ROCHA, 2009), que atrofia a autonomia das lideranças populares e o clientismo (SANTOS, 2005). 7 Como consequência efetiva-se o desprezo à execução da função básica deste espaço institucionalizado, qual seja funcionar como uma arena de negociação. Assim, a legitimidade débil dos representantes cria contiguamente a crise de credibilidade nos canais convencionais de participação. Esta foi fator impulsionador para o surgimento do Ocupe Estelita em função da defesa de direitos urbanos que não encontraram apoio nos canais de participação, como os Conselhos de Desenvolvimento Urbano e Conselho da Cidade. Assim, o problema vivenciado e criticado pelo Ocupe Estelita é denunciado como: “farsa das audiências públicas; estéreis porque nelas somos apenas ouvidos para as atrocidades da prefeitura e não temos poder de rejeitá-las” (ANDRADE, 2014) Assim, com base na exposição feita, é possível encontrar similitudes entre a Gestão Pública Societal, os Novos Movimentos Sociais e o Ocupe Estelita. O quadro 1.0 abaixo as expõe:

7 Para maior aprofundamento em temas relativos legitimidade da representação, à compartilhamento de gestão, e limitações próprias dos Conselhos enquanto arranjo institucional, ler Santos (2005), Almeida; Tatagiba(2012), Pontual (2016), (Zani; Kronemberguer(2010), Lüchmann, (2002), (2007) apud Vivas (2010)

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Gestão Pública Societal

Novos Movimentos Sociais

 

Ocupe Estelita

Ênfase à participação

Os Novos Movimentos Sociais buscam ampliar a participação no processo de tomada de decisão Além desta característica, estes atores são horizontais, plurais.

A contestação do Projeto Novo Recife passa pela luta por maior participação pública nas decisões da cidade.

Estruturação

do

projeto

Rejeita-se a concepção de passividade do ator social, passa-se a enxergá-lo como capaz de lutar, criticar aquilo que o prejudica, participar e promover mudanças.

O

movimento não o apoia

político. Está adjacente a

o

projeto urbanístico para

este

item

o

o

Cais José Estelita, e

questionamento

da

exerce sua operosidade para buscar construir junto com o poder público 8 uma alternativa ao Projeto Novo Recife.

monopolização

Estatal

sobre

questões

que

impactam a sociedade.

Paradigma de gestão. Deve mudar, e esta mudança deve ancorar-se em experiências locais para que sirvam de alternativas ao paradigma vigente.

Sua “nova política de base” deve promover mudanças. Fortalecida por seu potencial para luta e transformação, o compartilhamento da gestão é o resultado da busca pela ampliação do sistema de participação.

Busca uma democracia mais efetiva. A experiência de Recife evidencia críticas à falta de isonomia nas audiências públicas, causando prejuízos à participação. Infere-se disso a insatisfação quanto à gestão pública, que obstaculiza a participação social.

Modelo

de

A ênfase dada à cultura e

Questionam-se os projetos formulados e promovidos pelo poder público em conluio com a iniciativa privada, rejeitando a concepção iníqua de desenvolvimento projetada no desenho urbanístico da área do Cais.

desenvolvimento. Nesse aspecto, a participação cidadã e a dimensão cultural têm potencial para resolver problemas e rumar para um modelo de desenvolvimento

alternativo.

às

lutas

cotidianas

perpassa

a

insatisfação

quanto

ao

estado de

coisas.

Reorganização

do

   

aparelho

Estatal.

(ainda

em desenvolvimento)

Quadro 1.0 Elaboração da autora

8 Segundo Gohn (2007) os Novos Movimentos Sociais não querem cooperar com o poder público. No caso do Ocupe Estelita, verifica-se que não há consenso no que diz respeito à presença em arenas institucionalizadas de participação. Parte do movimento participa dos Conselhos e buscam, nela, diálogo, já outra parte rejeita esta estratégia.

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4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Se a ciência demanda transversalidade de estudos, alcançando o campo da administração, da política e sociologia, o faz em nome da necessária atualização do conhecimento frente aos fatos e contextos que continuamente mudam. A realidade é dinâmica, tanto o é que se verifica que as duas abordagens teóricas aqui apresentadas buscam trazer uma nova perspectiva para o entendimento tanto do modo como deve ser conduzida a Gestão Pública fomentando a aproximação entre

a administração e a política, quanto do que se denomina Novos Movimentos Sociais

rejeitando propostas analíticas que o limitem. Como foi visto, o paradigma dos Novos Movimentos Sociais aqui apresentado possui o mesmo direcionamento da Gestão Pública Societal, uma vez que chama atenção para o caráter “radicalmente democrático” deste novo ator. Ao se definir e ter o potencial de interferir no meio ambiente que o circunda, os Novos Movimentos Sociais promovem, na prática, uma leitura de participação que integre à matriz democrática uma perspectiva sociopolítica de gestão. Assim, ao perceber que o movimento Ocupe Estelita apresenta fortes elementos característicos dos Novos Movimentos Sociais, fica mais palpável estabelecer o paralelo entre os temas Gestão Pública, democracia e Novos Movimentos Sociais. Entende-se que a busca de reforma pelo Ocupe Estelita se bem não tenha adquirido tônica peremptória no que diz respeito à proposição de solução para democratizar Gestão Pública recifense, contribui para retraçar o caminho perdido

entre sociedade e poder público. As críticas elaboradas pelo movimento acerca da democracia representativa e sua legitimidade, acerca do sistema de financiamento privado a representantes públicos, da ausência de permeabilidade da administração pública às demandas da sociedade, contribuem para dar um direcionamento ao poder público no que diz respeito ao que a sociedade almeja da Gestão Pública. O movimento demonstra que são estes os pontos a serem melhorados. Cabe

à sociedade dar seguimento à esta crítica e edificar o modelo de Gestão Pública que logre dar escape às tensões sociopolíticas da cidade.

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O caso estudado trata-se de uma iniciativa local que se insere no contexto brasileiro e que, para alcançar o encadeamento a nível nacional de propostas democratizantes para a Gestão Pública brasileira, precisa ter continuidade de propósito. Talvez assim será possível construir a proposta de reorganização do aparelho estatal necessária à Gestão Pública Societal.

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