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FICHAMENTO CAPÍTULO 3 – Que disciplina estuda a literatura?

- Há uma diversidade de designações concorrentes para disciplinas relacionadas ao estudo da

literatura (poética, história da literatura, crítica literária, ciência da literatura, teoria da literatura, retórica, estética e a própria palavra literatura)

- A literatura não é objeto de estudo de apenas uma disciplina, mas de várias disciplinas distintas entre si, que a estudam de forma específica, cada uma à sua maneira, tornando-se necessário, portanto, estabelecer as devidas distinções entre elas.

- A partir de 1949, com a publicação do livro Teoria da Literatura, de autoria do austríaco René

Wellek e do norte-americano Austin Warren, o termo teoria da literatura, o qual já havia sido citado no título de duas outras obras russas: Notas para uma teoria da literatura (1905), de Alexander Portebnia, e Teoria da literatura (1925), de Boris Tomachevski, passou a ser largamente empregado

e difundido como sendo uma espécie de saber geral sobre a literatura, no qual estariam contidas todas as outras disciplinas, sendo estas reduzidas a simples compartimentos seus.

- Tornou-se usual, também, o entendimento de que a teoria da literatura seria apenas uma disciplina

preparatória para o estudo das diversas literaturas nacionais ou clássicas, ou seja, um conjunto de noções básicas e teóricas que poderiam ser utilizadas nesse estudo. Entendimento igual se difundiu também no meio universitário de que a teoria da literatura se constitui como uma "teoria" distinta de uma prática.

- O termo "Teoria da Literatura"

tradicionalmente dedicadas à Literatura, mas, na verdade, nomeia uma nova disciplina.

não se trata apenas de nova designação para as disciplinas

- A retórica e a poética são as disciplinas mais antigas na área dos estudos literários.

RETÓRICA:

- surgiu no século V a.C, com o objetivo de sistematizar os recursos que poderiam ser empregados para torar argumentação oral eficiente, atraente e convincente;

- inicialmente abrangia cinco partes: invenção, disposição, elocução, pronunciação e memória;

- teve sua área de interesse restringida ao longo da história, mudando o foco de sua aplicação

inicial, da palavra oral para palavra escrita e fixando-se em apenas uma única operação, a elocução;

POÉTICA:

- surgiu na Grécia do período clássico, com a célebre Poética de Aristóteles, o seu primeiro

tratado sistemático; - desdobra-se em torno dos seguintes conceitos-chave definidos em Aristóteles: mimese, verossimilhança, catarse e gêneros literários;

- até o século I d.C, a poética distinguia-se da retórica com base em suas áreas de atuação, esta dedicava-se à oratória e ao raciocínio; aquela aos gêneros hoje incluídos no que chamamos

literatura. A partir de então até o século XV, deixa de fazer sentido a distinção apontada acima, pois

a poética foi absorvida pela retórica, no momento que esta passa a incorporar a composição escrita em geral;

- a partir do final do século XV até o século XVIII, a poética recobra sua autonomia, voltando a

distinguir-se da retórica, transformando-se em disciplina de caráter filosófico-técnico-formal, enquanto a que a Retórica reduzia-se a uma disciplina de caráter apenas técnico-formal.

- com do advento do Romantismo, que se contrapunha ao normativismo clássico e utilizava como

forma de produção textual a prosa de ficção, especialmente o romance, a poética entra em declínio,

justamente porque seus conceitos-chave associavam-se automaticamente ao ultrapassado Classicismo, bem como o próprio termo poética estava associado exclusivamente com a ideia de

poesia, no sentido de texto metrificado; A partir de fins do século XIX, o termo poética voltou a ser empregado, mas com significado diverso do anterior, desta feita, seu objeto de aplicação passa a ser a literatura em geral, entendida como conjunto de formas em prosa ou verso dotadas de propriedades consideradas artísticas e/ou ficcionais, fato que torna este termo equivalente à expressão teoria da literatura;

Os critérios da beleza

- Em razão de sua importância para o pensamento ocidental, questões relativas ao belo, ao bem e ao

verdadeiro ensejaram a criação de disciplinas filosóficas dedicadas aos estudos destes temas. Dessa forma, a ética e a política refletem sobre o bem; a lógica e a metafísica, sobre o verdadeiro; e a estética sobre o belo.

- A estética, como disciplina autônoma, surge apenas no século XVIII, com a obra do alemão

Alexander Gottlieb Baumgarten, intitulada justamente Estética, momento em que passa a ser designada por esse título.

- No século XIX, a história da literatura passa a ocupar a lacuna deixada pela retórica e pela

poética, superadas pelo antinormativismo da escola romântica. Nesse contexto, os estudos da literatura acompanham e adaptam a seu campo as grandes tendências intelectuais do século XIX; a pesquisa passa a ser histórica e, ao mesmo tempo, científica.

- Dois modelos de história da literatura se desenvolvem no século XIX, a partir da busca das origens

da literatura em fatores externos a ela: um de natureza biográfico-psicológcia, com ênfase na vida do autor e não no texto; outro de natureza sociológica, centrado nos fatores políticos, econômicos, sociais, ideológicos.

- No final do século XIX se consolida um terceiro modelo de história da literatura, o modelo

filológico, fiel aos princípios cientificistas e historicistas, que busca: reconstruir textos que se tenham truncado ou se afastado da concepção original de seus autores; explicar textos que tenham ficado obscuros para o leitor contemporâneo; e inventariar as fontes das obras e as influências a que se sujeitaram.

- Ainda no século XIX surge um outro termo para designar a disciplina que estuda literatura, a expressão ciência da literatura, de origem alemã (Literaturwissenschaft).

- O uso da expressão Crítica Literária, originária do grego (kritikós e grammatikós), também torna- se amplo no século XIX, para designar o sistema do saber sobre a Literatura.

- No século XX, observa-se que os estudos afetos ao tema literatura se utilizam dos seguintes

termos concorrentes: crítica literária, poética, ciência da literatura e teoria da literatura.

O relativismo subjetivo dos julgamentos

Em face da dominante tendência cientificista, a investigação da literatura usa métodos científicos que pretendem atingir o maior rigor e objetividade possíveisContra essa tendência cientificista,

orientada

para

a

especialização

e

propensa

a

privilegiar

as

obras

do

passado

como

objeto

de

análise,

em

 

torno

da

década

de

1880

desenvolveu-se

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uma

reação.

Assim,

reabilita-se

a

emoção,

o

prazer

da

leitura

e

o

relativismo

subjetivo

dos

julgamentos,

bem

como

se

fortalece

o

interesse

pelas

obras

contemporâneas.

 

Essa

reorientação

se

associa

ainda

à

produção

de

ensaios

sobre

literatura

escritos

em

linguagem

menos

técnica

e

especializada,

destinados

a

público

mais

diversificado

e

numeroso,

cujo

veículo,

mais

do

que

livros

e

tratados,

passa

a

ser

as

colunas

de

jornais

e

revistas.

A

consumação

dessa

tendência

anticientificista,

à

qual

fizemos

referência

no

item

do

capítulo

2

"Estudo

versas

fruição",

se

deu

pela

chamada

crítica

impressionista

ou

impressionismo

critico,

termos

empregados

pejorativamente

pelas

correntes

contemporâneas

dos

estudos

literários

empenhados

em

alcançar

objetividade

em

suas

análises.

Segundo

Jules

Lemaître,

um

dos

principais

representantes

 

franceses

dessa

orientação,

juntamente

com

Anatole

France,

a

crítica

se

define

pelo

seu caráter pessoal, relativo e artístico, avesso, portanto, à objetividade do tratamento científico.

Assim,

 

de

acordo

com

tal

concepção,

a

crítica

literária

se

definiria

nos

seguintes

termos:

[

]

representação

do

mundo

tão

pessoal,

tão

relativa,

tão

e,

por

conseguinte,

tão

interessante

quanto

aquelas

que

constituem

os

demais

gêneros

literários6;

[

]

arte

de

fruir

os

livros

e,

através

deles,

enriquecer

e

refinar as impressões que suscitam7.<br style=" font-style: normal; font-variant: normal; font-

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