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MÉTODO DE ENSINO DO PROFESSOR DE LÍNGUA PORTUGUESA NA

ESCOLA DE ENSINO MÉDIO


Leonardo, Luana, Maria Claudia, Mônica, Rodrigo e Vitor.

JUSTIFICATIVA
Como alunos recém- egressos do Ensino Médio, interessamo-nos pelo
assunto por termos vivenciado as dificuldades enfrentadas por muitos
professores no que diz respeito aos métodos de ensino. Essas dificuldades são
confirmadas por Santos e Nunes (2002, p. 1) no texto "Práticas pedagógicas
dos professores de Língua Portuguesa do Ensino Médio: perspectivas de
mudança". As autoras afirmam que o atual método de ensino do português tem
enfoque na gramática tradicional, cobrando que os alunos apenas decorem um
conjunto de regras. Informam, ainda, que "ao serem questionados sobre o
conhecimento dos PCNEM (1998), todos os professores afirmaram já terem
sido apresentados a estes [...] No entanto, ao serem indagados sobre a forma
como conduzem suas aulas, ficou claro que os professores recorrem ao ensino
tradicional em sala de aula".
Por sermos futuros professores de Língua Portuguesa, direcionamos
nossa pesquisa a essa área para que quando estivermos atuando possamos
contribuir para a melhoria da educação, visto que esta depende de uma boa
qualificação docente. Tal como afirmam as autoras do referido texto, faz-se
essencial o surgimento e estudo de novas técnicas de ensino, de modo que o
ensino de Língua Portuguesa se torne útil para a vida do aluno, "otimizando a
competência, que ele já possui, de se comunicar verbalmente".

REVISÃO DE LITERATURA

Quando se submete a docência a análises, vê-se que esta é uma área


de grande divergência de pontos de vista: as impressões que ela está sujeita a
causar são variadas e influenciadas por fatores sociais. As referidas análises
pautam-se principalmente em duas perspectivas: cognitiva e econômica.

Em se tratando desse assunto, pode-se levar em consideração a


pesquisa realizada por Nogueira e Ferreira (2002, p. 6). Ao entrevistarem 80
professores de escolas públicas e privadas do Ensino Médio de Fortaleza, elas
concluíram que 73% dos entrevistados veem sua profissão como sendo
desvalorizada. As pesquisadoras atentam para o fato de que “Nossa sociedade
tende a estabelecer o status social com base no nível de renda salarial"
(Esteve, 1999), o que contrasta com o tempo no qual o professor era
considerado um profissional privilegiado e constituinte da elite letrada,
pensante e culta (Odelius e Ramos, 1999). Além de tais desmistificantes
conclusões, puderam-se extrair da pesquisa de Nogueira e Ferreira
informações como o aumento do número de homens na docência e a baixa
participação de professores na política, mesmo em sindicatos.

Tomando-se por base os estudos de Stetsenko (2010, informação


verbal) acerca dos pensamentos vigotskianos, percebemos que somente um
professor apaixonado pelo que faz consegue exercer com excelência sua
profissão, mesmo com todas as constatações feitas pela referida pesquisa.
Segundo a pesquisadora, o desenvolvimento e a aprendizagem devem possuir
um mútuo entrelaçamento, sendo esta última a responsável pela criação da
identidade do indivíduo.

Pensar nas maneiras com que um professor pode exercer tal função nos
leva a outra questão: a dos métodos de ensino. Este se define por “caminho
para se chegar a um fim, para se alcançar um objetivo” (NÉRICI, 1981, p.54). É
uma maneira de conduzir o pensamento e as ações para se atingir uma meta
e, também, para se obter maior eficiência. É importante utilizar-se de método;
agir sem este quase sempre resulta em perda de tempo e esforços. No ensino,
o método adquire semelhante fim e importância.

Os métodos de ensino têm sofrido alterações no que diz respeito ao


predomínio de utilização. Martins (1985, p.30) expressa essa evolução em:
“Método expositivo -> método interrogativo -> apresentação de objetos ->
método intuitivo -> método ativo”. Essas alterações ocorrem porque os
métodos a serem utilizados dependem muito dos objetivos que pretendem ser
alcançados, ou seja, a finalidade da educação e o tipo de aluno.

A elaboração de um método de ensino passa pelo menos por três fases:


planejamento, execução e avaliação. Esta última é muito importante, já que
esses procedimentos precisam levar a ação didática ao seu melhor
desempenho. Este não se caracteriza apenas pela simples regulação de
interação entre ensino e aprendizagem. Um método de ensino deve
proporcionar, além de outras coisas, a autonomia ao aluno - que deve ser
levado ao exercício mental esclarecido -, a criação, na sala de aula, de um
ambiente de confiança e liberdade e, principalmente, o respeito à
personalidade do educando.

Considerando-se, no entanto, a abrangência da questão dos métodos de


ensino, delimitamos aqui o ensino da Língua Portuguesa, especificamente:
nota-se que este é - no Brasil - direcionado pelos PCN's, que são referências
elaboradas pelo Governo Federal. O documento introdutório deste afirma que
"Os Parâmetros Curriculares Nacionais trazem uma contribuição efetiva que
ajudará os educadores no direcionamento de sua prática pedagógica, levando
em conta as demandas prementes numa sociedade em contínua
transformação."

Santos (2006, p. 3), ao analisar os PCN’s, afirma que no que se refere à


Língua Portuguesa, eles vêm apresentar propostas de trabalho que valorizam a
participação crítica do aluno diante da sua língua e que mostram as variedades
e pluralidade de uso inerentes a qualquer idioma.

Uma das críticas feitas aos PCN’s, entretanto, refere-se à necessidade


de professores atualizados para que as propostas sejam aplicadas em sala de
aula. Problemas à parte, é possível imaginar um ensino de língua portuguesa
diferente do tradicional e que aplique as ideias propostas nos PCN’s. Em
Travaglia (1996, 2003), discute-se o ensino de língua e apresenta-se a
importância de o professor desenvolver a competência comunicativa dos
alunos, em vez de meramente mostrar-lhes regras gramaticais. Para Travaglia,
a língua, mais que teoria, é um “conjunto de conhecimentos lingüísticos que o
usuário tem internalizados para uso efetivo em situações concretas de
interação comunicativa” (2003, p.17), e só assim se pode conceber o ensino
dessa disciplina.

No entanto, ainda é necessário discutir os PCN’s e divulgar seu


conteúdo, motivando os professores a debater as propostas e a sugerir
atividades. Afinal, por mais que se questione sua origem e utilidade, os PCN’s
têm como principal objetivo fazer com que o ensino forme cidadãos, e essa é a
finalidade primeira de todo processo educativo.

Vale lembrar, ainda, que os aqui referidos métodos de ensino sofrem


modificações de acordo com o público-alvo. Por esse motivo, delimitamos
nossa pesquisa ao Ensino Médio, o qual possui especificidades que em muito
influenciam o ensino e a aprendizagem.

Um dos obstáculos inerentes ao Ensino Médio é o do paradigma acerca


de sua função: para muitos, ela é a de apenas possibilitar ao aluno ingressar
no Ensino Superior. Sem negar a factual existência dessa função, devemos
atentar para a necessidade de uma revolução nesse nível de ensino, de modo
que ele passe a efetivamente representar mais para os alunos do que a
referida definição, extremamente limitada.

Sobre essa questão, devemos levar em consideração “a histórica falta


de identidade desse nível de ensino e a inconsistência das políticas
educacionais que o enfocam" – Zibas (1992, p.56). Podemos perceber
claramente como é tratado o assunto Ensino Médio a partir das diversas
reformas aplicadas a este nos últimos anos: ainda não chegamos a um
consenso sobre como essa etapa da educação deve ser encarada. Aliás, um
consenso sobre o que deve ser buscado nela também é inexistente, o que
pode ser verificado claramente na indecisão sobre os assuntos que devem ser
tratados nessa etapa da educação. Ainda segundo Zibas (1992, p.57) temos
uma "composição curricular inchada, demasiadamente livresca e inorgânica [...]
destinado a profissionalizar jovens provenientes de certas camadas e preparar
os mais privilegiados para a universidade". Não temos como não perceber que
essa afirmação se encontra em uma via oposta àquela ideia convencional do
objetivo do Ensino Médio. Considerando que o ingresso no Ensino Superior
ainda não é uma realidade para a maior parte da população, temos apenas
mais um dado a ser colocado no currículo.

A análise das literaturas aqui revisadas nos mostra, pois, as muitas


dificuldades inerentes à função do professor de Língua Portuguesa do Ensino
Médio. Tendo em mente os objetivos principais do ensino-aprendizagem
definidos por Stetsenko (2010, informação verbal) – a contribuição com as
práticas sociais, a criação da identidade do indivíduo e a transformação
pessoal –, percebe-se a necessidade de uma revolução nessa área da
educação. O primeiro passo desse processo constitui-se na análise dos muitos
métodos de ensino existentes, visando a adequá-los aos referidos objetivos.

PROBLEMA

Quais os métodos de ensino mais utilizados pelos professores de Língua


Portuguesa no Ensino Médio das escolas públicas estaduais de Curitiba?

OBJETIVO
Analisar quais os métodos de ensino mais utilizados pelos professores
de Língua Portuguesa no Ensino Médio das escolas públicas estaduais de
Curitiba.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

SANTOS, Lilian; NUNES, Célia. Práticas pedagógicas dos professores de


Língua Portuguesa do Ensino Médio: perspectivas de mudança. Disponível em
<http://www.ichs.ufop.br/memorial/trab/e3_1.pdf>. Acesso em: 25 mai. 2010.

NOGUEIRA, Jaana Flávia Fernandes; FERREIRA, Eveline Andrade. Profissão


professor do Ensino Médio. Disponível em
<www.anped.org.br/reunioes/25/jaanaflavianogueirat08.rtf>. Acesso em: 17
mai. 2010.

STETSENKO, Anna. Educação como um projeto de expansão de


transformação histórica: uma posição ativista transformadora para o
aprendizado e o desenvolvimento. In: VIDEOCONFERÊNCIA. Curitiba:
UTFPR, 2010.
NÉRICI, Imídeo Giuseppe. Didática geral dinâmica. 6 ed. São Paulo: Atlas,
1981.

MARTINS, José do Prado. Didática geral: fundamentos, planejamento,


metodologia, avaliação. São Paulo: Atlas, 1985.

SANTOS, Leonor Werneck dos. Abordagem textual e ensino da Língua


Portuguesa. Disponível em
<http://www.filologia.org.br/ileel/artigos/artigo_085.pdf >. Acesso em: 19 mai.
2010.

ZIBAS, Dogmar L. Ser ou não ser: O debate sobre o Ensino Médio. Disponível
em <http://www.fcc.org.br/pesquisa/publicacoes/cp/arquivos/320.pdf>. Acesso
em: 23 mai. 2010.