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UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA

CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS – CCH
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA – DH

CHARLECION COSTA PAIVA

SÃO JOÃO DA BALIZA:
DE VILA À CIDADE de 1974 a 1985

Boa Vista/RR
2013

CHARLECION COSTA PAIVA

SÃO JOÃO DA BALIZA:
DE VILA À CIDADE de 1974 a 1985

Monografia de conclusão de curso apresentada à
Universidade Federal de Roraima com instrumento
de avaliação do curso de Bacharelado e
Licenciatura em História.
Orientador: Prof. Dr. Jaci Guilherme Vieira

Boa Vista/RR
2013

Dados Internacionais de Catalogação na publicação (CIP)
Biblioteca Central da Universidade Federal de Roraima

P148s

Paiva, Charlecion Costa.
São João da Baliza : de vida à cidade de 1974 a 1985 / Charlecion
Costa Paiva – Boa Vista, 2013.
97 p. : il.

Orientador : Profº. Dr. Jaci Guilherme Vieira.
Monografia (graduação) – Universidade Federal de Roraima,
Curso de História.

1 – Cidade. 2 – Emancipação. 3 – Migração. 4 – Amazônia. 5 –
Roraima. I - Título. II – Vieira, Jaci Guilherme (orientador).
CDU – 981(811.4)

defendida em 19 de Abril de 2013 e avaliada pela seguinte banca examinadora: __________________________________________ Prof. Jaci Guilherme Vieira Departamento de História/UFRR Orientador ____________________________________________ Profª Msc.CHARLECION COSTA PAIVA SÃO JOÃO DA BALIZA: DE VILA À CIDADE DE 1974 Á 1985 Monografia apresentada como pré – requisito para a conclusão do Curso de Licenciatura e Bacharelado em História da Universidade Federal de Roraima – UFRR. Maria José dos Santos Departamento de História/UERR Membro _____________________________________________ Profª Msc. Ciência e Tecnológia/IFRR Membro . Elisangela Martins Instituto Federal de Educação. Dr.

Dedico:
À minha mãe, Maria dos Milagres Costa Paiva,
meu padrasto Teodozio Huzar, minha irmã
Charlene Costa Paiva, meu Orientador Jaci
Guilherme, e ao meu fiel amigo Félix Conceição
da Silva.

Aos meus grandes amigos da UFRR: Elisangela
Andrade, Lidiane Santana, Francisco Marcos
Nogueira, Mayara Lima, Thiago Braga e Andréia
Alencar pelo grande incentivo.

AGRADECIMENTOS

Durante a construção desse trabalho, grandes dificuldades surgiram, por
isso agradeço a Deus em primeiro lugar, grato as pessoas que citarei aqui, como
também algumas instituições.
Dentre estes, aos professores do PIBID/CAPES/UFRR: Profª Sueli Pinto,
José Darcísio Pinheiro e a Profª Dra. Maria Luiza Fernandes.
Aos Professores do Departamento de História da Universidade Federal de
Roraima, aos Professores do Departamento de Geografia da UFRR, em especial a
Profª Dra. Gersa Maria Neves Mourão ao Profº Dr. Paulo Rogério de Freitas Silva
como também a Profª Msc. Maria José dos Santos do Departamento de História da
Universidade Estadual de Roraima.
Aos meus amigos da turma de 2007, em destaque Anderson Barbosa,
Teotônio, Wagner Tenório, Cícero, Luciana, Edilson, Manoel Aires, André King e
Vanessa Sampaio, aos amigos do cotidiano (Maria Leidimar, Maizia, Iadria, Anne
Kelly, Eliane e Thiago).
À minha família e amigos que residem na cidade de São João da Baliza,
como também aos primeiros moradores dessa cidade que me concederam
gentilmente preciosas informações: o Senhor João de Deus, mais conhecido como
“Didi”, João Pereira, Dona Verônica do Rosário e a Senhora Maria Dionízia.
Nesse momento agradeço ainda aos funcionários da Câmara Municipal de
São João da Baliza.
Às Instituições: Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária –
INCRA/RR na pessoa da funcionária Ligiane, a FECOMÉRCIO (Federação do
Comércio do Estado de Roraima), IBGE – RR, a Biblioteca do SEBRAE – RR, a todo
quadro de funcionários da Biblioteca Central da Universidade Federal de Roraima
em especial aos amigos: Francisco Revilson, Marcilene Feio e Shirdoill Batalha.
E a todas as pessoas que contribuíram direto, ou indiretamente para que
esse trabalho acontecesse, meu muito obrigado.

RESUMO

O presente trabalho aborda a formação da cidade de São João da Baliza, desde o
seu desenvolvimento histórico quando vila, passando pela sua emancipação, até ao
ano de 1985, quando foi eleito o primeiro prefeito pelo voto direto. Busca
compreender em linhas gerais o porquê da criação de novos municípios no ex –
Território Federal de Roraima na década de 1980. O trabalho tem início com alguns
apontamentos da política de colonização na Amazônia sob a estratégia da Ditadura
Militar Brasileira (1964 – 1985). Nessa conjuntura, a partir da abertura de Rodovias
como a BR – 174 e principalmente a BR – 210 (Perimetral Norte) no Sudeste do
Território Federal de Roraima, observa – se o processo de migração oriundo de
diversas partes do País para essa região, uma enorme parcela de migrantes se
dirigia para o Sul do então Território Federal de Roraima, momento esse que
impulsionava o surgimento dos projetos de colonização espontâneo, depois seguido
dos projetos de assentamento regularizados e associados à política clientelista do
primeiro governo de Ottomar de Souza Pinto (1979 – 1983). Dessa forma,
originando assim as pequenas cidades do Sul do ex – Território destacamos aqui o
município de São João da Baliza, que surgiu do chamado eixo rodoviário a partir da
abertura da Rodovia Perimetral Norte, esse desenvolvimento ocorre devido à
insistência de um grande número de migrantes que chegavam a esse longínquo
aglomerado em busca de um pedaço de terra para assentar suas famílias no qual
verificaremos ao longo da pesquisa, quando da análise de alguns autores como
também através das narrativas orais. Por outro lado, o trabalho tende a esclarecer
que a emancipação da vila de São João da Baliza e o seu crescimento está atrelado
a interesses políticos, é nesse instante que a classe política percebe na localidade a
possibilidade de seus grupos partidários estabelecerem e exercerem o poder de
influência na política local.

Palavras-chave:
Assentamentos.

Cidade;

Emancipação;

Migração;

Amazônia;

Rodovias;

The task begins with a few notes about the Amazon colonization policy under the strategy of the Brazilian Military dictatorship (1964 – 1985). or rather. from its historical development while village. which emerged from the so – called road from the opening of the Perimeter Highway North. until we get to the year 1985. when examining some authors and also through oral narratives. being followed by legal settlement projects. the municipality of São João da Baliza. However. from the opening of Highways such as the BR – 174 and the BR – 210 (North Perimeter) in the southeast of the Federal Territory of Roraima. Amazon. Settlement. Being so. We feature here.ABSTRACT The present research deals with the formation of the city of São João da Baliza. Emancipation. On the other hand. small towns originated on the South of the former Territory. which drives the emergence of spontaneous colonization projects. politicians discover the possibility of the establishment of their political party groups and the influence that they hold over local politics. We observe the migration process from various parts of the country for that region. associated with political patronage of the first elected Governor: Ottomar de Souza Pinto(1979 – 1983). Keys words: City. a large portion of migrants go to the south of the then Federal Territory of Roraima. with the first elected mayor by direct vote. at this moment. the research tends to clarify that the emancipation of the village of São João da Baliza and its growth is tied to political interests. The research tries to understand in general terms the reason of creation of new municipalities in former ex – Federal Territory of Roraima in the 1980. passing by it´s emancipation. In this context. Highways. . Migration. This development occurs at the insistence of a large number of migrants who came to this distant cluster in search of a piece of land to settle their families in which we find along the research. due to the fact that.

................................................................................................................. 72 Tabela 3: Evolução populacional de São João da Baliza de 1980 a 1991................... 86 Tabela 6: Prefeitos eleitos de São João da Baliza a partir de 1985 .. 87 ............................ 35 Tabela 2: Seguimentos determinantes para o surgimento das cidades em Roraima ................. Tabela 4: A emancipação política dos municípios de Roraima ........LISTAS DE TABELAS Tabela I: Principais elementos da Estratégia de Ocupação da Amazônia – (1953 – 1985) ... 81 Tabela 5: Relação dos prefeitos eleitos pela “Aliança Democrática” .................................... 77 ...................................................................

... 74 Mapa 5: Divisão do Estado de Roraima em Municípios a partir de 1995 ... Mapa 4: Divisão Política de Roraima em Municípios a partir do ano de 1982......... até a fronteira com a Colômbia......................................... 70 ............. 82 ........ 47 Mapa 3: Divisão de Roraima em Municípios anterior ao ano de 1982 ............................LISTA DE MAPAS Mapa 1: BR 210 ligando Porto Grande no Amapá...... 40 Mapa 2: Detalhe da malha rodoviária no Sudeste de Roraima ...............................................................

............................ 44 Foto 3: Ponte de madeira na BR 210....... 42 Foto 2: Destaque da Perimetral Norte no Jornal Boa Vista de 15 de Dezembro de 1974 .............. também conhecida como Perimetral Norte........... e Pacaraima...... 45 Foto 4: Trecho da BR 174.... Roraima ....... importante Rodovia Federal com 970 km entre Manaus........................................210........................ Capital do Amazonas...... Terra indígena Yanomami ................ 46 ............................... trecho dentro do município de São João da Baliza ...............................................................LISTA DE FOTOS Foto 1: Índios Yanomami na rodovia federal BR .........................................

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS BASA – Banco da Amazônia CETREMI – Centro de Recepção e Triagem de Migrantes CODAM – Conselho de Desenvolvimento da Amazônia CPRM – Companhia de Pesquisas e Recursos Minerais DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral ESG – Escola Superior de Guerra FIDAM – Fundo para Investimentos Privados do Desenvolvimento da Amazônia FPM – Fundo de Participação dos Municípios FUNAI – Fundação Nacional do Índio I PND – I Plano Nacional de Desenvolvimento IBAD – Instituto Brasileiro de Ação Democrática IBAMA – Instituo Brasileiro do Meio – Ambiente IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ICM – Imposto de Circulação de Mercadorias II PDA – Plano de Desenvolvimento da Amazônia II PND – II Plano Nacional de Desenvolvimento INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária IPES – Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados ITERAIMA – Instituto de Terras e Colonização de Roraima PAD – Programa de Assentamento Dirigido PAEG – Programa de Ação Econômica do Governo .

PAR – Programa de Assentamento Rápido PDAS – Planos de Desenvolvimento da Amazônia PDT – Partido Democrático Trabalhista PFL – Partido da Frente Liberal PGC – Programa Grande Carajás PIN – Programa de Integração Nacional PMDB – Partido do Movimento Democrático Brasileiro POLOAMAZÔNIA – Programa de Pólos Agropecuários e Agrominerais da Amazônia PPS – Partido Popular Socialista PROTERRA – Programa de Redistribuição de Terras e Estímulo á Agroindústria do Norte e Nordeste PSDB – Partido da Social Democracia Brasileira PST – Partido Social Trabalhista PTB – Partido Trabalhista Brasileiro SNI – Sistema Nacional de Informação SPVEA – Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia SUCAM – Superintendência das Campanhas de Saúde Públicas SUDAM – Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia SUDENE – Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste SUFRAMA – Superintendência da Zona Franca de Manaus USAF – United States Dir Force .

...................... 79 À GUISA DE CONCLUSÃO............................. 57 Capítulo III SÃO JOÃO DA BALIZA: DE VILA A CIDADE – DE 1974 Á 1985 65 3......... Projetos de Assentamento na BR – 210 e sua política de colonização............. 16 1... 23 Capítulo II A ABERTURA DA BR 210.......................................................................1 A Dinâmica da Emancipação........ 93 ACERVOS E FONTES............................................. 18 1........................................................................................................ Escola Superior de Guerra – ESG e a Doutrina de Segurança Nacional e Desenvolvimento........................................................SUMÁRIO INTRODUÇÃO............... NO SUDESTE DE RORAIMA E OS PRIMEIROS PASSOS PARA A COLONIZAÇÃO ........................................1.......2..................................................... 97 ................................... 89 REFERÊNCIAS......... A Política Desenvolvimentista dos militares para a Amazônia............................................... 47 2.1......................2 Projeto de Assentamento Rápido Jatapu...1 A Gleba Jauaperi ou Projeto de Assentamento Rápido Jauaperi..1............................................. 37 2.......................1..... 50 2................................... 53 2................................ 13 Capítulo I A POLÍTICA DE COLONIZAÇÃO SOBRE A ESTRATÉGIA DO REGIME MILITAR (1964 – 1985): A PROJEÇÃO DA AMAZÔNIA COMO GRANDE FRONTEIRA ......2 A chegada do migrante........................................................ PERIMETRAL NORTE...............

as populações indígenas e tradicionais da região. Nesse período o território Federal de Roraima passou a receber uma maior atenção por parte dos militares para ocupar toda região. assentamentos rurais) nessa região tão inóspita do Brasil. muito embora saibamos que ainda tem muito por se fazer e outras áreas para serem exploradas estrategicamente por diversos pesquisadores.1985) a União dá início a sua política de integração nacional.13 INTRODUÇÃO O Estado de Roraima está se tornando objeto de estudo um pouco mais que em outras épocas. assim a Amazônia era vista como um lugar de oportunidades e por isso despertava esperanças aos que visualizavam essa região com perspectivas de melhores condições de vida por causa de suas riquezas naturais. ideia que de certa forma perdura até hoje. sobretudo. e foi através deste discurso que o Governo apropriou-se de suas terras. bem como viabilizou condições para que o latifúndio controlado por grupos privados nacionais e estrangeiros fizessem o mesmo. Com o advento do período militar (1964. Trabalhos. O Governo falava em ocupar os espaços “vazios” da Amazônia. ignorando. no senso comum essa grande área era considerada um lugar de muita terra sem homens para produzir. O Governo Federal precisava encontrar uma forma para povoar a vasta região amazônica. monografias e teses fazem parte do cotidiano acadêmico da região. artigos. Era o desejo de integrar a Amazônia ao mercado nacional e internacional. Alguns trabalhos que chamam muita atenção e despertam o desejo pela pesquisa ressaltam a ocupação do Estado. Destacam quais foram às ações e políticas públicas para incentivar a vinda de migrantes para esta região de difícil acesso e a situação que estes encontraram após adentrarem nas localidades (lotes. para tanto era necessário .

A localização dessas cidades mostra uma concentração do povoamento ao longo dos eixos de circulação fluvial. Todas foram gravadas em uma máquina digital com duração média de 40 minutos.14 abrir estradas. que previa a implantação dos eixos rodoviários BR 174. nos meses de Julho e Novembro/2012. isso com o predomínio da colonização espontânea presente nessa localidade desde 1974. Para tanto será necessário apontar as estratégias do Governo Federal no período militar (1964 – 1985) para a ocupação da Amazônia. Porém o foco deste trabalho compreende a região sudeste de Roraima. onde destacaremos que o seu processo de surgimento se remete ao eixo rodoviário. BR 401 e BR 210 que articulados á malha rodoviária da região iriam integrar as vias de penetração para ocupação e desenvolvimento econômico do ex. Baseado em Santos (2006) essas ações estão relacionadas a objetivos estratégicos dentro do PIN – Programa de Integração Nacional.Território Federal de Roraima. As cidades na Amazônia assumem diferentes significados para os diversos agentes sociais envolvidos na produção do espaço urbano rural aponta Castro (2008). O presente trabalho tem como objetivo maior analisar a criação do município de São João da Baliza. Veremos nesse estudo que a partir da década de 1970 a região Sudeste de Roraima com a abertura da BR 210 (Perimetral Norte) seguido depois da organização de projetos de colonização começa a receber maior destaque. distribuir lotes e implementar incentivos fiscais para que os brasileiros sentissem tentados a vir para Roraima com todas essas vantagens. buscando através delas abranger ao máximo o recorte temporal proposto nessa pesquisa. quando ocorre o processo de ocupação dos primeiros lotes nas margens da BR 210. que foi incluído entre as quinze áreas da Amazônia legal. bem como entender como ocorrerá seu surgimento quando vila ao longo da Rodovia Perimetral Norte. seguido depois dos projetos de assentamentos oficiais. precisamente o município de São João da Baliza. . No decorrer da pesquisa foram realizadas quatro entrevistas orais. Visa também compreender a abertura da BR 210 na região Sudeste de Roraima. Para o trabalho utilizamos as quatro narrativas.

no intuito de coletar informações. Destacam-se também as consultas a órgãos públicos: Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). livros. visa explicar a recente política de assentamento nessa região através dos projetos de assentamento e sua política de colonização. realizamos três viagens a esse município. Palácio da Cultura. com o objetivo de buscar informações.. matriz da ideologia da segurança nacional associada ao desenvolvimento. o início bem difícil da chegada dos migrantes. Destacaremos ainda os primeiros passos. a presente monografia foi dividida em três capítulos: na primeira parte são expostas diferentes considerações acerca da política de colonização e desenvolvimento para a Amazônia sob a estratégia da Ditadura Militar Brasileira (1964-1985). Porém o início dessa análise parte ainda do segundo mandato de Getúlio Vargas (1951-1954) e posteriormente o estudo abrange o pensamento geopolítico da Escola Superior de Guerra. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).. Núcleo de arquivos do Departamento de História e Biblioteca da Universidade Federal de Roraima. O capítulo II descreve a ocupação na região sudeste de Roraima a partir da abertura da BR – 210 também conhecida como Perimetral Norte. como também considerou a existência dos moradores mais antigos que ainda residem na localidade de São João da Baliza. imagens etc. No terceiro e último capítulo vamos destacar a formação da cidade de São João da Baliza. documentos.RR. mapas. que contribuíram para o estudo do surgimento da localidade citada. observando o seu surgimento ainda como vila até quando postula sua emancipação política como também analisaremos a dinâmica brasileira para a criação de novas unidades municipais. Sistema Fecomércio.15 É válido frisar que a escolha dos entrevistados obedece à chegada destes quando da abertura da Rodovia Perimetral Norte. Ressaltamos ainda que. Sebrae. No bojo dessas questões. .

é que foi regularizado o artigo 199 da Constituição de 1946.16 CAPÍTULO I A POLÍTICA DE COLONIZAÇÃO NA AMAZÔNIA SOBRE A ESTRATÉGIA DO REGIME MILITAR (1964-1985): A PROJEÇÃO DA AMAZÔNIA COMO GRANDE FRONTEIRA Iniciamos esse primeiro capítulo fazendo uma pequena revisão do segundo mandato presidencial de Getúlio Vargas. Do ponto de vista geopolítico. 1806. o Governo Federal. Segundo Mattos (1980). através da Lei nº. até o dia 26 de Junho de 1954. nem sempre obedecendo a uma determinada cronologia. somente em 1953. começou-se a falar em Plano de Valorização da Amazônia. p. criando condições propícias para o capital privado atuar nessa região dentro de uma política nacionalista. A partir daí esboçam a evolução da política governamental em relação a Amazônia no que respeita a sua ocupação e valorização.111/112) considera que a SPVEA: . foi criada em 1953 a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA). o Primeiro Plano Qüinqüenal de Valorização Econômica da Amazônia. Entre as principais tarefas conforme Ribeiro (2005) a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA) deveria elaborar. a partir desse plano e dos que lhe sucederam. Durante o último período desse Governo (1951-1954) com objetivo de equacionar os problemas da Amazônia. esse ainda a elaborar. assumiu a promoção e o controle do desenvolvimento. ainda em 1946. econômico e social da Amazônia. a qual definiu a Amazônia Legal1 e conceituou o Plano de Valorização Econômica da Amazônia como um esforço nacional de ocupação da região. Contudo. justifica Cardoso e Muller (1979). Nessa perspectiva de atribuições segundo Cardoso e Muller (1979.

Assim. que interligou. ainda o aumento demográfico e o desenvolvimento do crédito bancário. sem dúvida. um para cada setor geral do plano. PINTO. Entretanto o destaque maior durante a vigência da Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA) é descrito por Vizentini (2003) quando esse autor afirma que o governo “JK retoma o projeto de industrialização. cujos pontos fundamentais deveriam prever o desenvolvimento da produção agrícola e animal. In: O tempo do liberalismo excludente: da proclamação da República á Revolução de 1930. de energia. Marieta de Moraes. fruto de um conceito político e não de um imperativo geográfico. Rio de Janeiro: Civilização brasileira. a Amazônia ao Centro. p. . Assim para Magalhães (2008.59).01. 2 Erroneamente identificada como Revolução de 1930. 24 da Lei nº 1806). contou com uma série de fatores conjunturais. Mattos (1980) acentua 1 (Lei nº 1806 de 06.403 a 411. Foi à necessidade do governo de planejar e promover o desenvolvimento da região. “O projeto mais importante realizado sob sua administração foi. de saúde. o golpe de outubro de 1930. FERREIRA. de aproveitamento dos recursos minerais e. p. ressalta-se aqui que este grupo tinha suas funções geridas pelo poder executivo dando continuidade ao dirigismo estatal imposto por Vargas desde a Revolução de 19302. Surama Conde Sá.Sul do País”. Além disso. a rodovia Belém-Brasília. na gestão do Presidente Juscelino Kubistchek.17 (…) deveria elaborar um primeiro plano Qüinqüenal. A Crise dos anos 1920 e a Revolução de 1930. a partir de 1960. a pesquisa e a preparação de pessoal técnico da região.1953) a Amazônia brasileira passou a ser chamada de Amazônia Legal. de comunicação. Nesse contexto a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA) marcou o início do planejamento da região Amazônica em termos globais. deslocou as tradicionais oligarquias do epicentro do poder pondo fim à chamada República Velha. Esta Comissão era formada por quinze membros (seis técnicos. Através dessa comissão o Governo Vargas pretendia manter ainda mais sua presença na Amazônia. e nove representantes dos Estados e Territórios localizados na região). (org) Jorge Ferreira e Lucilia de Almeida Neves Delgado. ainda destaca Cardoso e Muller (1979) a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA) contava com um Superintendente que presidia também a Comissão de Planejamento da Valorização Econômica da Amazônia (art. 2003. bem como a melhoria do sistema de transportes. só que agora apoiado no setor de bens de consumo durável para as classes de média e elevada renda. consegue conjunturalmente um espaço em que se harmonizam os interesses da potência hegemônica e de um projeto de industrialização alterado”.

sobretudo á tentativa de expansão da revolução cubana na América Latina”.24) “Era uma espécie de resposta do imperialismo norte-americano aos movimentos “nacionalistas” e. Uma Geopolítica pan – amazônica. 1980. não permitiram que a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA) alcançasse o desenvolvimento econômico esperado e os resultados foram aquém da magnitude dos objetivos esperados. MATTOS. sobretudo na Escola Superior de Guerra. 4 Ressurgiu . e conseqüentemente no ano de 1966 já no regime militar (1964-1985) a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA) foi substituída pela Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia a (SUDAM). No entender de Ariovaldo Umbelino de Oliveira (1991.4 em substituição a doutrina da “fronteira geográfica”.18 ainda outros progressos ao longo dos doze anos de vigência da Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA) destacando-se no setor de energia. p. os poucos recursos de que se dispunha a imensidão de problemas a resolver. pode se afirmar que foi o no Governo Vargas através dessa quem primeiro definiu e implantou uma política efetiva de ocupação e valorização na região Amazônica. isso ocorre no momento em que os golpes militares começavam a acontecer em grande parte dos países latino-americanos na década de 60. a implantação dos sistemas termoelétricos de Belém e Manaus e a abertura de uma via terrestre de “Cuiabá a Porto Velho”.96 a 97. Segundo a mesma fonte é nesse contexto que o Estado acaba implantando a doutrina da “fronteira ideológica”. Carlos de Meira. sob o disfarce de uma .3 Porém ressalva Mattos (1980). a tese: “Entrega-se ao comunismo aquilo que não se entrega aos norte – americanos”.364. o Presidente Juscelino Kubitschek decidiu construir a então BR – 364 ligando Cuiabá a Porto Velho. no Acre. Em 02 de Fevereiro de 1960.ESG e a doutrina de Segurança Nacional e Desenvolvimento No Brasil a retomada do poder pelos militares é comungada no ano de 1964. a partir daí 3 Via terrestre de Cuiabá a Porto Velho – denominada BR . em 1964. em meio a uma reunião com os governadores dos estados do Norte. A Escola Superior de Guerra . depois estendia até Rio Branco. entre certos oficiais. Entretanto apesar de todos os problemas que a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA) enfrentou. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército.1. p. 1.

visível ou não. 2004. como acentua Santos (2004) na segunda fase dessa. como também o quadro de evolução das idéias políticas dos militares brasileiros naquele período. . conferencistas e alunos. das minas. pretendendo assim colocar a seu serviço todos os recursos minerais dos países capitalistas entre eles o Brasil. 200 ministros de Estado e burocratas de primeiro escalão. 23 juízes federais e estaduais e 107 tecnocratas. graduados da ESG vieram a ocupar muitos dos cargos importantes nas instituições políticas e econômicas brasileiras. Cordeiro de Farias) todos militares participantes ativos dos quadros da Escola Superior de Guerra (ESG).24).110). 224 industriais. mas também com civis das classes mais altas em seu quadro permanente e entre esses professores convidados. Essa diferença pode ser constatada segundo Stepan (Apud Moreira Alves. por norte – americanos. Entre os que concluíram cursos na ESG estavam 599 altos oficiais militares. no entanto. De acordo com Oliveira (1991) a Escola Superior de Guerra. Entre 1950 e 1967. nem sempre a Escola Superior de Guerra identificou-se inteiramente com as idéias dos geopolíticos americanos ou com as medidas daquele governo como justifica Tambs (Apud Santos. a ocupação da indústria. p. 1984. entre 1953 e 1967. 97 diretores de órgãos governamentais. No Brasil.19 acrescentam – se os interesses dos americanos procurando atrelar a América Latina a economia estadunidense.22) aponta que: Os conspiradores sustentavam idéias marcadamente anticomunistas desenvolvidas na ESG (Escola Superior de Guerra). Para tanto é nesse contexto que se destaca a Escola Superior de Guerra (ESG) e seus ideólogos (General Golbery do Couto e Silva. Após o golpe. p. Ernesto Geisel. da administração pública. do comércio. 646 dos 1276 graduados da ESG eram civis. p. estava escudada nos acordos militares Brasil-Estados Unidos de 1948 e 1953. Convivendo com rápidas transformações econômicas e políticas. Em segundo a ESG não contava apenas com os oficiais militares. 39 parlamentares. quando se iniciou o estudo da Doutrina de Segurança Nacional com ênfase na segurança. segundo o modelo do National War College dos Estados Unidos. Neste último aspecto Thomas Skidmore (1988. A participação civil tendia a aumentar com o passar dos anos. os militares brasileiros davam especial atenção a teoria do “ataque indireto” por parte da União Soviética e á ameaça da guerra subversiva ou revolucionária. abrangendo inclusive o tempo do Governo Castelo Branco. sobretudo por duas razões: Em primeiro lugar. a ESG já era um doutrina de fronteira ideológica. Com isto. que por sua vez havia sido fundada em 1949 no bojo da Guerra Fria. assumiu ímpeto sem precedentes em nossa História. por mais de três décadas na vida brasileira. a Escola Superior de Guerra esteve presente. Juarez Távora.

a uma doutrina política exposta claramente por autoridades brasileiras. Da doutrina ali ensinada constava a teoria da “guerra interna” introduzida pelos militares no Brasil por influência da Revolução Cubana. obedecia. o processo de internacionalização da economia brasileira.285/286): O Governo Castelo Branco abdicou da soberania nacional.. dessa forma acentua Pereira (1967 pp. para a realização da maior pilhagem que os Estados Unidos jamais praticaram antes. Todas essas categorias representavam séria ameaça para o país e por isso teriam que ser todas elas neutralizadas ou extirpadas através de ações decisivas. exemplo neste sentido ocorreu no ano de 1954 quando o Presidente Getúlio Vargas fora levado ao suicídio por uma conspiração militar semelhante a que desestabilizou o governo João Goulart culminando com o Golpe Militar de 1964. Chegaram a impor ao País uma constituição. ocorreram nos anos de 1964 a 1967.20 centro altamente influente de estudos políticos através de seus cursos de um ano de duração freqüentados por igual números de civis e militares destacados em suas áreas de atividade. sob o pretexto de segurança das fronteiras ideológicas. Para Santos (2004) o Golpe militar de 1964 não correspondia somente à inserção do Brasil no contexto do capitalismo mundial. Nesse momento evidenciava-se a Doutrina de Segurança Nacional. é válido destacar que esse pensamento anticomunista não era inédito no país. do clero e dos estudantes e professores universitários. que deveriam as fronteiras geográficas do Brasil ceder lugar a uma fronteira ideológica. como o General Golbery do Couto e Silva. a principal ameaça vinha não da invasão externa. Assim. influenciando pelo pavor do comunismo que lhe incutiram os oficiais norte-americanos engajados na Escola Superior de Guerra. mas dos sindicatos trabalhistas de esquerda. Em outras palavras esta nova doutrina passava personificar como novo instrumento para pilhar as riquezas nacionais. Dessa forma estava suplantado na política brasileira o discurso ferrenho anticomunista selado pela Escola Superior de Guerra. em que o conceito de segurança nacional contido na defesa do território e das riquezas passou a ser o de segurança dos monopólios que se apoderaram de nossos recursos naturais. de nossas indústrias. Fizeram crer a um grupo de oficiais brasileiros. de nossa economia. a título de defesa de fronteiras ideológicas. influenciados profundamente por uma concepção de “defesa nacional”.. Segundo Oliveira (1991) estava ratificado assim. dentro da instituição Escola Superior de Guerra (ESG). também. muito mais importante. dos intelectuais. das organizações de trabalhadores rurais. fora de suas fronteiras. uma nova estratégia de dominação do país que a ditadura militar implanta sob o pretexto de “segurança e desenvolvimento”. avalia Skidmore (1988). Segundo essa teoria. conseqüentemente de domínio e acesso .

Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES) e Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD) antes da tomada do poder de Estado terão sido talvez. assim o complexo IPES/IBAD representava a fase política dos interesses empresariais. . era capaz de exercer ações estrategicamente planejadas e manobras táticas por meio de uma campanha cuidadosa e elaborada que. a partir desses a elite orgânica se constituía em um poderoso aparelho de classe e. passando os americanos a possuir as informações sobre as áreas mineralógica em território brasileiro. Dessa forma o Complexo IPES/IBAD possuía a tarefa de agir contra o governo nacional – reformista de João Goulart combatendo o alinhamento de forças sociais que sustentavam a sua administração. a realização de parte do levantamento aerofotogramétrico do Brasil. considerada necessária a um Estado eficaz centralizado. A partir daí os planos governamentais dos militares estavam formulados. como tal. Na coordenação dos trabalhos estava o General Golbery do Couto e Silva.000 cidadãos brasileiros. esses trabalhavam incansavelmente com o General Golbery no delineamento do complexo de informações e no desenvolvimento de uma sofisticada Doutrina de Segurança Nacional e Desenvolvimento. vitoriosamente. este grupo já possuía em mãos um completo e detalhado dossiê de informações sobre mais de 400. ou seja.21 aos recursos minerais. a criação e implantação de uma rede de informações abrangente constituído de elementos ideológicos e de diretrizes como também o planejamento político – econômico de programas governamentais. Nesse momento destacamos aqui especificamente o complexo IPES/IBAD. opunha seu organizado poder de classe ao poder do Estado do bloco histórico populista e a incipiente formação militante das classes trabalhadoras conforme Dreifuss (2008). pela United States Air Force – USAF. a evidência maior foi calcada quando conforme a mesma fonte o Presidente Castelo Branco autorizou. sem nenhuma concorrência pública. Anteriormente ao golpe de 1964. tanto o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática foram os principais catalisadores do pensamento anti – Goulart. também alguns oficiais da Escola Superior de Guerra integravam a equipe do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais. Para Moreira Alves (1984) a mais importante tarefa do complexo Escola Superior de Guerra (ESG). no ano de 1965.

nesse sentido ressalta Oliveira (1991. embora nunca deixem de atuar solidariamente. em substituição a Lei nº 4131/1962 aprovada no governo de João Goulart. um árduo defensor da tese entreguista aos norte-americanos das riquezas nacionais”. psicossociais e militares que visam concorrentemente á consecução dos objetivos nos quais se consubstanciam as aspirações nacionais de unidade. a Estratégia Política e uma Estratégia Psicossocial. Dessa forma a política de internacionalização da economia brasileira no governo Castelo Branco começava a se concretizar. Não fosse a Estratégia. econômicas. como a própria guerra. pois. Um outro incentivo permitia que as empresas estrangeiras tivessem reduzidos de 30% para 15% seus impostos sobre . assim. p. o General Golbery do Couto e Silva discutia o desenvolvimento de uma grande estratégia em face da “guerra fria permanente”: Temos. os lucros reinvestidos também eram legalmente tratados como capital original. uma Estratégia. todas as atividades políticas. Esta nova Lei estava totalmente atribuída aos planos governamentais. arte da competência exclusiva do governo e que coordena. seja no espaço.25). neste sentido Moreira Alves (1984. no fundo.26) “Papel singular passava a ser desempenhado pelo então Ministro do Planejamento Roberto Campos. p. seja no tempo. Não se estabeleciam limites para a repartição de capital.por muitos denominada Grande Estratégia ou Estratégia Geral. indivisível e total (SILVA. dentro de um conceito Estratégico fundamental. pois essa Lei restringia e procurava controlar o capital estrangeiro no Brasil. as quais se diferenciam umas das outras pelos seus campos particulares de aplicação e pelos instrumentos de ação que lhes são próprios. uma vez que o chamado PAEG. tanto a Estratégia Militar como a Estratégia Econômica. na cúpula da Segurança Nacional. p. A essa Estratégia se subordinam. 1981. A única exceção era um limite de oito por cento a remessa de lucros de capitais investidos na produção de bens e serviços de luxo. esse solicitou ao Congresso Nacional uma nova Lei de Remessa de Lucros. Além do General Golbery do Couto e Silva personagem emblemático dentro do regime militar como também na doutrina de segurança nacional.390 (29 de agosto de 1964) não fixava limites a percentagem de capital registrado que poderia ser remetida como lucro.Programa de Ação Econômica do Governo buscou em linhas gerais a colaboração de capital estrangeiro. Roberto Campos nesse período continuavam. No entender de Oliveira (1991) as medidas tomadas pelo Sr. de segurança e de propriedade crescente.76) argumenta: A Lei nº 4.22 Na obra Conjuntura Política Nacional – O Poder Executivo e Geopolítica Brasil. através dessa política o Programa considerava importantes esses recursos para acelerar o desenvolvimento do país.

Santos (2004. A partir de então Silva (2007). Para Becker (1990). todas as idéias da ideologia da segurança nacional elaborada na Escola Superior de Guerra estavam sendo efetivados nos acordos militares assinados entre o Brasil e Estados Unidos. quando. Durante o Estado Novo. aponta que o Estado a partir de 1964. p. que teve continuidade e conseqüências futuras.23 lucros.2. A Política desenvolvimentista dos militares para a Amazônia Há décadas existia o interesse por parte dos militares brasileiros na Amazônia. ficando livre de impostos. com isso o país passa a concentrar investimento estrangeiro e através dessa estratégia consolida de vez a Doutrina de Segurança Nacional e Desenvolvimento vigente durante os vinte anos da ditadura militar. a ocupação da Amazônia se torna prioridade máxima após o golpe militar de 1964. principalmente durante a Segunda Guerra. qualquer maquinaria ou equipamento importado para a utilização em projetos considerados de interesse do desenvolvimento do país era classificado como investimento estrangeiro direto. acelerando para uma radical reestruturação do Brasil. Então. caracterizando neste momento a internacionalização da economia brasileira. Além disso. o objetivo básico do governo militar torna-se a implantação de um projeto de modernização nacional. caso estes fossem destinados a um fundo para reinvestimentos em instalações industriais. principalmente após a década de 1920. foi montada uma estrutura administrativa com intensa participação militar. sob forte controle social. por se tratar de uma região estratégica. . Neste aspecto. introduziu uma série de novas diretrizes de desenvolvimento para a região norte buscando viabilizar a acumulação e a reprodução de capital. incluindo a redistribuição de investimentos de mão-de-obra. 1. fundamentado na Doutrina de Segurança Nacional.101) diz que: A antiga idéia de sua integração a economia e à vida nacional vinha sendo defendida por inúmeros geopolíticos.

31) “dentro da ideologia que serviu de lema ao Projeto Rondon5 “Integrar para não Entregar”. 1991. seu relançamento aconteceu na cidade de Tabatinga (AM) no dia 19 de Janeiro de 2005. o regime endurece e o processo de internacionalização da economia brasileira é implementado.32).folha. definiram-se os interesses dos empresários do Centro-Sul e os objetivos da adesão empresarial ao projeto governamental: só investir se o lucro fosse certo. tornando-se conhecido em todo Brasil. 5 O Projeto Rondon foi criado em 1967 e durante as décadas de 1970 e 1980. Desta forma estava inserida a Operação Amazônia pelos militares calçada na concepção do discurso da Escola Superior de Guerra. p.com. favorecendo assim os capitalistas. Acesso em 30 de maio de 2012. Com esse objetivo foi realizado a bordo de um navio transatlântico. configurando dessa maneira o Projeto Rondon como. mais uma ponte para as estratégias do governo militar. o Rosa da Fonseca um grande seminário: As intenções desenvolvimentistas dos governos militares com relação à Amazônia foram iniciadas com a primeira “Reunião de Investidores da Amazônia”. em nove dias de viagem pelo rio Amazonas (dezembro de 1966).br/folha/educacao/ult305u16905. Disponível em: http://www1. acrescenta-se a presença e a necessidade do Brasil assegurar a exploração dos recursos naturais da Amazônia. procurando a integração dessas com o restante do país. quanto à ordem externa as implicações incluíam a vulnerabilidade da extensa e isolada região quanto a organização de focos revolucionários. (OLIVEIRA. 1991.uol. esta tinha a finalidade de promover a implantação de um novo sistema institucional de ação para a Região. p. O Projeto Rondon foi retomado mais de quinze anos depois de sua pelo Governo Federal. paralelamente a essa preocupações. . mais objetivo os recursos naturais do país passa a ser entregues. permaneceu em franca atividade. No entender de Bertha Becker (1990) no plano interno é vista como capaz de promover uma solução para os problemas de tensão social do Nordeste e ainda para a continuidade do crescimento do centro dinâmico do Sudeste. sendo. realizada através de um cruzeiro a bordo do navio Rosa da Fonseca. consubstanciada segundo (OLIVEIRA. Nesse contexto a Amazônia assume posição estratégica frente às prioridades econômicas e geopolíticas de ordem interna e externa.shtml.24 As medidas tomadas para o norte do país naquele período faziam parte do que se chamou “Operação Amazônia” (1965-1967). Nesta reunião.

Porém.97/98).)” (MATTOS. Mito também porque. O ideal da integração física foi traduzido em projeto.115) acentuam: A mesma lei que introduziu estas modificações no Plano de Desenvolvimento da Amazônia extinguiu a SPVEA e substitui-a pela SUDAM. Até o ano de 1966 prevaleceu na região Amazônica à política estabelecida pela Superintendência de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA). estradas que não haviam sido consolidadas. 1980. totalmente fragilizada. eram inseparáveis. algumas estradas já haviam sido abertas nas duas décadas que antecederam o golpe militar. quando essa diz: Num outro ângulo. 1979. dessa forma: “São do Presidente Castelo Branco um conjunto de medidas que inovam e revigoram o esforço federal na grande bacia. e das sociedades locais. pois a integração física deveria ser realizada possibilitando a ocupação social da região. esse discurso é combatido por Becker (1990). Mito porque nega a existência das populações indígenas e caboclas. por acusações de corrupção administrativa. sendo a principal encarregada da elaboração e . p. existe uma diferença fundamental entre a fronteira da década de 1970 e suas predecessoras. 9º da Lei n. A partir daí surgiram às novas políticas e estratégias concebidas pelo governo militar que resultaram na implementação de várias leis.º5. a integração física da Amazônia com todo o país passa a ser uma idéia dominante.. MULLER. Transforma a SPVEA em Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia a (SUDAM). autarquia destinada a elaborar o plano de valorização e da promoção quanto ao desenvolvimento dessa região. nesse período. se essa noção de “espaço vazio” é antiga e recorrente no Brasil.. Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (art. os estrategistas do governo militar entendiam que os dois grandes objetivos. p. situa-se o mito da imagem oficial difundida sobre a fronteira como “espaço vazio”. aumentando o poder de coordenação regional através desse novo órgão (.25 Para Ribeiro (2005) com ascensão dos militares ao poder. de maneira que a ocupação efetiva dessa grande Região deixasse de ser um “vazio demográfico”. Para Mattos (1980). como registra Ribeiro (2005) a Belém-Brasília (BR 010) e Cuiabá-Porto Velho (BR-364). de 27/10/66). noção que estrategicamente serve de válvula de escarpe a conflitos sociais em áreas densamente povoadas e de campo aberto para investimentos. Exemplo neste sentido (CARDOSO. Para tanto.173. A SUDAM tem como função coordenar a ação federal na Amazônia. integração e ocupação.

coordenando a ação de todos os demais com as quais guardava uma interface. em face dos fatores locais e da grande distância a que se encontram os centros consumidores de seus produtos”. Neste sentido a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). p. no desejo de colocar em prática a estratégica de ocupação lançou mão da política de incentivos fiscais que previa a criação do Fundo para Investimentos Privados do Desenvolvimento da Amazônia (FIDAM) junto a SUDAM no ano de 1966. deveriam ser disciplinados e ampliados os incentivos fiscais e creditícios ás novas indústrias e aos projetos agropecuários instalados na região. O governo federal dando continuidade ao quadro de complemento e definição do novo sistema institucional inserido na Amazônia. possuía o papel de coordenar e supervisionar os programas e planos de outros órgãos federais que estejam atuando na Amazônia. em Banco da Amazônia S/A – BASA dispondo esse de amplos poderes e recursos financeiros. assim como faixa de fronteiras (MATTOS. Além do mais a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). assim conforme Mattos (1980) transforma o Banco de Crédito da Amazônia. passa a ser a entidade que define e programa a política de desenvolvimento regional. comercial e agropecuário. através do chamado Conselho de Desenvolvimento da Amazônia – CODAM. 1980. área beneficiada pelos incentivos da SUFRAMA. (BASA). prestando assistência técnica aos projetos considerados prioritários para o desenvolvimento da região. segundo Oliveira (1988). a mais continental. utilizando como agente financeiro o Banco da Amazônia. através da criação de uma “área de livre comércio de importação e exportação e de incentivos fiscais especiais. S. Castelo Branco próximo do término de seu mandato presidencial estabeleceu a criação da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) que estava: (…) destinada a atrair interesses financeiros e econômicos para este pólo da Amazônia Ocidental. observado em Cardoso e Muller (1979). dotado de condições econômicas que permitiam o seu desenvolvimento. A legislação seguinte delimitou a Amazônia Ocidental. . diretamente ou mediante convênios com entidades públicas ou privadas. ou seja. O ciclo de incentivos e definição do novo sistema institucional para a região ainda não estava completo. estabelecida com a finalidade de criar no interior da Amazônia um centro industrial.98).26 execução do Plano de Valorização.A.

uma resposta geopolítica no sentido de acelerar o processo de interiorização do território. FIDAM e SUFRAMA. A ideia inicial da Zona Franca de Manaus foi do Deputado Federal Francisco Pereira da Silva (PSD/AM).imposto sobre produtos industrializados. Porém os incentivos fiscais só vieram dez anos depois. não só pela corrupção generalizada ocorrida nas aplicações. autarquia vinculada ao Ministério do Interior e destinada a administrar a Zona Franca de Manaus mediante o surgimento de um centro industrial e agropecuário dentro da estratégia da “Operação Amazônia”. mas principalmente devido o impacto ambiental degradante aplicado sobre essa região. . o Estado passa a estabelecer condições fiscais especiais através da isenção de impostos (IPI . sendo Brasília destinada a ser o grande pólo de conquista do interior. de 06 de Junho de 1957. 39) aderisse a “Operação Amazônia”. Este projeto é que. A estratégia amazônica do Presidente Castelo Branco. No pensamento de Meira Mattos (1980) a criação da Zona de Franca de Manaus representou. Conforme José Seráfico e Marcelo Seráfico (2005) a proposta inicial era a construção de um porto franco em Manaus. imposto de importação e exportação) buscando facilitar o comércio tanto para o exterior quanto para o sul do país. No entanto considera Ribeiro (2005). em 1967.27 Neste momento com a criação da SUFRAMA – (Superintendência da Zona Franca de Manaus). uma espécie de “galinha dos ovos de ouro” para localizar o “pote de ouro ao pé do arco-íris”. emendado pelo Deputado Mauricio Joppert. foi quando o Estado Militarizado por meio do Decreto – Lei Nº 288 já citado acima ampliou essa legislação e reformulou o modelo estabelecendo incentivos fiscais por 30 anos. transformando o porto em Zona Franca de Manaus. maturada nos anos de 1965 e executada em 1966 através desses projetos: SUDAM. assim como a anterior transferência da Capital para Brasília. (Decreto-lei nº 288. Já a Zona Franca de Manaus. a política de incentivos fiscais direcionada para a Amazônia se revelou inadequada. era a contrapartida para que o Governo convencesse o empresariado nacional e estrangeiro segundo Oliveira (1991 p. BASA. 3.173. em proporções regionais respondia aos anseios de se tornar o pólo acelerador do desenvolvimento da Amazônia Ocidental. ICM – imposto de circulação de mercadorias. de 28 de fevereiro de 1967). foi convertido na Lei n º.

objetivo seria atingido através de um grande programa de construção rodoviária. temiam possíveis incursões de peruanos e venezuelanos pelo vasto. O Presidente chamou a atenção para a solução dos dois problemas utilizando-se da célebre frase: “homens sem terra do Nordeste e terras sem homens na Amazônia”. o gigantesco projeto florestal do bilionário americano Daniel Ludwig. a idéia significava deslocar o pólo de irradiação de ação governamental militar para a Amazônia Ocidental.000 famílias. “O PIN deveria incluir três elementos: (1) abertura do vale amazônico através de uma nova rodovia que facilitaria a colocação de 70. (2) irrigação de 40. Na visão de Skidmore (1988). o período de 1970/1975 caracterizou-se pelo aumento significante da importância do papel do Governo Federal na Amazônia. em conjunto com assentamentos de patrocínio oficial ao longo das vias principais. Nesse período o tema dominante foi a “integração nacional”. agora. Gerações de cadetes do Exército brasileiro foram conscientizados sobre a significação geopolítica da Amazônia. que está muito atrasado”. os homens que não possuíam terras no Nordeste seriam levados para a região Amazônica. especialmente os militares. p. atraídos pelas terras férteis e baratas do referido programa. os objetivos desse programa são analisados por diferentes autores. mas segundo Mattos (1980) nessa gestão estabeleceu-se a transferência da sede do Comando Militar da Amazônia. Neste sentido Médici lançou o Programa de Integração Nacional – PIN (Decreto-Lei nº1106 de 16/06/70).290 – 291): (…) A elite brasileira. Nas palavras de Médici. Esta preocupação aumentou quando a extraordinária riqueza mineral da região – especialmente jazidas de ferro . conforme ainda a análise de Skidmore (1988. . e (3) criação de corredores de exportação no Nordeste. há muito receava que o país perdesse a Amazônia por falta de colonização.” No entanto. Assim a seca nordestina ofereceria um novo estímulo á histórica aspiração brasileira de desenvolver a Amazônia.28 No governo Costa e Silva (1967/1969) foram quase nula sua participação dentro da estratégia amazônica. p. Com aporte ainda em (SKIDMORE. mas esparsamente povoado território rio acima. de Belém para Manaus. 289). o verdadeiro interesse de Médici pela Amazônia tinha outra lógica. como oficiais.se tornou conhecida.000 hectares no Nordeste no período 1972-1974. por concessão do governo Castelo Branco. 1988. Para Magalhães (2008). A controvérsia sobre a exploração por estrangeiros dos recursos da Amazônia acentuou-se com o lançamento do Jari. “precisamos adiantar o relógio amazônico.

de 100 a 300 famílias. ambulatório médico-odontológico. ligando Mato Grosso á Transamazônica e ao próprio porto de Santarém.63). centro telefônico e hotel. citadas aqui: A primeira referia-se a abertura de duas rodovias na Amazônia a Transamazônica (ligando o Nordeste e a Belém-Brasília á Amazônia Ocidental . o governo do General Médici lançou uma campanha ufanista constituída pelo . posto de saúde.Rondônia . 1980.29 Para Mattos (1980) o Programa de Integração Nacional – PIN concebeu a ocupação do espaço amazônico a base da construção das duas grandes rodovias são elas: a Transamazônica e Cuiabá-Santarém.100).(MATTOS. contando com escola. e aproveitando-se do clima festivo que a nação brasileira estava vivenciando devido à conquista do Tricampeonato Mundial de Futebol no México (1970). com cerca de 3000 habitantes. 1991. pequenas agroindústrias. paralisou a implantação desse modelo de colonização. como também a escassez de recursos somados a crise do petróleo de 1973. • Rurópolis .Programa de Integração Nacional.englobando 20 agrovilas. a segunda medida foi a implantação. dispondo de escola secundária. em faixa de terra de 10 km de cada lado das novas rodovias. de 500 a 1500 habitantes.(OLIVEIRA. a colonização a margem dessas estradas eram implementadas assim: • Agrovilas . no entender desse autor. Segundo Oliveira (1991) em torno do PIN – Programa de Integração Nacional havia três decisões importantes a serem estabelecidas pelo governo do General Médici. no rio Amazonas. através do PIN. Dentro do PIN foi estabelecido um plano de colonização espelhado na estratégia de pólos do desenvolvimento. de um programa de “colonização e reforma agrária” e o início da primeira fase do plano de irrigação do Nordeste.Acre) e a Cuiabá – Santarém. correios e telégrafos. p.com um raio de ação de 140 km. as dificuldades que surgiram na execução desses projetos de colonização. apoiando diversas agrovilas e duas ou três agrópolis. e a terceira medida referia-se á transferência de 30% dos recursos financeiros dos incentivos fiscais oriundos de abatimento do imposto de renda para aplicação no programa. centro administrativo e armazém. p. • Agrópolis . Entretanto. dessa maneira. cooperativa. Porém.

rádio..30 “falso nacionalismo” de que era preciso “integrar a Amazônia para não entregá-la aos estrangeiros”. Conforme se lê em Oliveira (1991 p. o PROTERRA – Programa de Redistribuição de Terras e Estímulo á Agroindústria do Norte e Nordeste. p. através da política dos projetos agropecuários (. enfim. em 1971.63-64). mas sua data de criação corresponde ao Decreto – Lei nº 1. Já o II PDA – Plano de Desenvolvimento da Amazônia. Na realidade observa Cardoso e Muller (1979. alimentá-lo ainda mais. Resumindo o Governo Federal começa a colocar em prática o processo de integração da Amazônia com outras regiões do Brasil. etc). A partir de então o regime militar dava ênfase as campanhas do Projeto Rondon: “Integrar para não entregar”.110 de 09/07/70. Para Oliveira (1991) esta estratégia de abrir caminhos aos recursos naturais da Amazônia já havia se concretizado na política entreguista do então Ministro do Planejamento Roberto Campos. a promoção da colonização particular e a execução da colonização oficial e do desenvolvimento no . um período em que a sociedade foi massacrada pela propaganda feita pelos veículos de comunicação de massa (TV. que era aquela de não interferir no processo de aquisição de terras por estrangeiros. quando no governo do Marechal Castelo Branco (1964 – 1967). quando a questão referente á colonização no Brasil passou a ser tratada. Nessa estratégia de ocupação da Amazônia o Governo Federal criou o INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária em Julho de 1970 e. Em linhas gerais estava se constituindo o processo de integração para melhor permitir a entrega dos recursos nacionais dessa região aos grupos econômicos nacionais e internacionais. Estas propagandas eram veiculadas de modo a encobrir a verdadeira intenção deste mesmo governo. “Era.122) “O INCRA tem como objetivos principais a realização da reforma agrária no Brasil. Esta última será tema da nossa pesquisa posteriormente.)”. Dando continuidade ao processo de intervenção estatal na Amazônia. implementado entre 1975 e 1979. jornais. revistas.. correspondeu ao período de inauguração das rodovias BR – 174 e BR – 210 (Perimetral Norte) em Roraima. o governo elaborou o I PND – I Plano Nacional de Desenvolvimento (1972 – 1974) e em 1974 foi elaborado o II PND – Plano Nacional de Desenvolvimento válido para os anos de 1975 a 1979. As origens do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) remontam a 1934. ao contrário.

7 Título emitido pela União para pagamentos de desapropriação para a reforma agrária.. p. o que correspondia a 30% da população brasileira. em 1980. Bahia e parte de Minas Gerais. agora. Rio Grande do Norte. através do cooperativismo e da eletrificação rural”.br/producao/dossies/JK/artigos/Economia/Sudene. de 15 de Dezembro de 1959. p. criada pela lei nº 3. estimulando.4% do território nacional. criar melhores condições de emprego. esse foi lançado com o objetivo de complementar o Programa de Integração Nacional (PIN). para fomentar a agroindústria nas áreas de atuação da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM) e Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE)6. O PROTERRA corrigiria o problema ao atacar as principais fontes de pobreza rural. Becker (1990.jusbrasil.br/topicos/290170/titulo-da-divida-agraria. com o objetivo de promover e coordenar o desenvolvimento da região. povoar a fronteira inclusive em locais estratégicos e ao mesmo tempo criar bacias de mão-de-obra locais. antes de tudo. Magalhães (2008) afirma que este tinha como metas promover o mais fácil acesso do homem á terra. trata-se de distribuir a terra sim. cerca de 35 milhões de habitantes. absorvendo produtores sem terra.31 campo. Ou seja. Esse conjunto equivale a 18. Ceará. orientando e / ou prevenindo os movimentos espontâneos da população. A colonização é uma estratégia que retira o controle da terra dos governos estaduais para o governo central. Pernambuco. Para Oliveira (1991. passa esta desapropriação a ser feita “mediante prévia e justa indenização em dinheiro” (.. Acesso em 03 de Junho de 2012. Entretanto. Sergipe. Piauí. . através do PROTERRA. 6 A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste. Paraíba.com. é entendida como capaz de solucionar conflitos sociais. a definição do espaço que seria compreendido como Nordeste e passaria a ser objeto da ação governamental: os estados do Maranhão. Alagoas. Disponível em: WWW. que previa a desapropriação através de pagamento com “Títulos da Dívida Agrária”7. abrigava.fgv.82) numa visão bem mais crítica “O PIN. surgiu o PROTERRA – Programa de Redistribuição de Terras e Estímulo á Agroindústria do Norte e Nordeste (Decreto – Lei nº 1.692. a desigual distribuição da propriedade da terra e sua ineficaz utilização.32) tem uma análise sobre esta instituição: Na verdade. No ano de 1971. criava no governo do General Médici um programa que simplesmente contrariava o Estatuto da Terra. Sua instituição envolveu.) Estava estabelecido mais um elo da “contra-reforma agrária”. foi uma forma de intervenção do Estado no Nordeste. mas sob o controle do Estado.cpdoc. o INCRA e o PROTERRA formavam um esquema articulado nos bastidores do governo militar. Acesso em 28 de Maio de 2012.178 de 01/06/71). de mão-deobra. uma “reforma a favor dos latifundiários”. ou seja. Disponível em: http://www.

” (BECKER. segundo Silva (2007). com a abertura da amazônia pela radiofusão e com a nova infra-estrutura das Forças Armadas na região. . 1990. com medidas para integrar bacias fluviais da região com as bacias do centro-sul. esse concedeu grande ênfase aos objetivos implícitos no PIN e no PROTERRA. adquirindo grande poder de barganha.187) esclarece que “Em compensação. p. p. dissolvendo suas organizações. o governo federal passa a controlar a distribuição de terras. Textualmente as metas nacionais do I PND para a região amazônica Freitas (Apud Magalhães. com a instalação de dois sistemas de telecomunicações entre a região amazônia e o resto do país. p. econômica e cultural na comunidade brasileira. nessa perspectiva: “Só para o Estado do Pará.5% desse Estado) para as mãos federais. desde os seus primeiros dias a Ditadura Militar praticou uma firme política de repressão contra os sindicatos de trabalhadores rurais. contra as lideranças camponesas.”. se configurava nesse momento a superposição de territórios federais sobre os estaduais. a União determinou que uma faixa de 100 km de ambos os lados de toda estrada federal pertencia á esfera pública. sendo aplicada de forma quase nula. e ocupação econômica e desenvolvimento econômico. 18). prendendo e exilando suas lideranças.32 Para Becker (1990) a manipulação do território pela apropriação de terras dos Estados foi um elemento fundamental da estratégia do Governo Federal. o I PND preconizava que esta Integração Nacional se realizaria com a construção das estradas Transamazônica e Cuiabá-Santarém. 65) eram: (…) Integração física. Através dessa estratégia. com uma rede de aeroportos de função estratégia. Posteriormente dando continuidade a esse processo de intervenção estatal na Amazônia. o governo elaborou o I PND – Plano Nacional de Desenvolvimento válido para os anos de 1972 a 1974. Essa inquietação central do governo militar com o campo fixava-se na busca da segurança e consolidação do novo modelo econômico. Dessa forma Linhares (1989. que criou por decreto territórios sobre os quais exercia jurisdição absoluta ou direito de propriedade. Com isso se preconizava a distribuição de terras para camponeses nos projetos de colonização. Segundo Linhares (1989) no que diz respeito á política fundiária do período militar embora fundamentada em seguros estudos técnicos sua ação foi tímida e vagarosa. isto significou a perda de 83 000 000 ha (66. 2008. Mais adiante. Nos anos de 1970 e 1971.

67) também afirma que o II PND e o POLOAMAZÔNIA causaram enorme efeito estruturante na Amazônia. dessa forma “era uma tentativa de retomar. Dentro das políticas territoriais do governo Geisel. 349). Como exemplos ainda dessa estruturação.100). Seus efeitos foram visíveis no então Território . de acordo com a realidade do momento. Apresentando o plano. foi lançado em 1975 o programa de pólos Agropecuários e Agrominerais da Amazônia. p. em áreas produtoras da Amazônia. As diretrizes básicas do II Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND) do II PDA expressavam concordância plena com estas ações. 1980. esta política só foi realmente efetivada com a criação do POLORORAIMA em 1975. foi elaborado o II Plano Nacional de Desenvolvimento para os anos de 1975/1979. como a BR 174 e a BR 210 (Perimetral Norte). Preconizavam a ocupação ao longo dos eixos rodoviários recém-implantados. p. agroindustrial. O programa Poloamazônia se propõe a impulsionar os pólos já criados. florestas e minerais. tinha por finalidade promover o aproveitamento integral das potencialidades agropecuárias. O Programa de ação do Governo de Roraima (1975-1979). p. o presidente Geisel admitiu que “não havia motivo para exagerado otimismo”. Este programa conforme se lê em Skidmore (1988. Conforme Barbosa (1993) o Poloamazônia fez parte do II Plano de Desenvolvimento da Amazônia (II PDA). mais conhecido por Poloamazônia. segundo Freitas (Apud Barbosa.180/181) assim: (…) se enquadrava dentro da estratégia do governo federal para a efetiva ocupação físico-territorial desta região. constituindo-se em um instrumento complementar. se teve a implantação dos projetos de mineração e a Hidrelétrica de Tucuruí. Nessa conjuntura para o então Território Federal de Roraima. Em linhas gerais o Poloamazônia. Nelvio Paulo Dutra Santos (2004. concentrando sobre os mesmos a ação governamental. a partir da abertura de rodovias. Silva (2007). com a instalação ou reestruturação de núcleos habitacionais para a prestação de serviços e apoio a população de colonos. “fixava uma taxa de crescimento de 10 % ao ano a ser alcançada mediante a mudança de ênfase sobre os bens de consumo duráveis para a de produtos industriais intermediários e bens de capital (…).33 No governo do General Ernesto Geisel (1974 – 1979). 1993. em face das dificuldades financeiras do Tesouro. o plano de colonização anterior. p.” (Mattos. Silva (2007). nascido dentro do programa Poloamazônia.

o mesmo fora chefe do Gabinete Militar no período Médici e chefe do SNI (Sistema Nacional de Informação) no Governo Geisel. p. Com o governo do Presidente Geisel (1974-1979) chegando ao fim. 2007 no Anuário Estatístico do Brasil 1994. a política dos setores sociais e a descentralização administrativa para fortalecer os órgãos regionais e urbanos. Os objetivos principais do governo João Figueiredo. desconcentração industrial. o mesmo consegue fazer seu sucessor. a política energética. dados extraídos de: Estatísticas do Século XX. Foi eleito o General João Batista Figueiredo. o Programa Grande Carajás (PGC). Rio de Janeiro: IBGE.” Porém é preciso destacar que a partir da década de 1980. proporcionando uma estratégia geopolítica contida nos projetos dos governos militares para a Amazônia”. reformulação e intensificação do desenvolvimento agrícola. cuja população teve aumento expressivo entre 1970-1980. conforme Skidmore (1988) no que diz respeito ao passado de Figueiredo. Vol. Rio de Janeiro: IBGE. Assim considera Miranda Neto (Apud Magalhães. p. Este fato permitia o cunho de segurança nacional a esta ação. 1993. foram expressos no III Plano Nacional de Desenvolvimento 1980/1985. lançado pelo “Decreto 8 Até 1991. 1994. “Uma parte da verba para a construção destas estradas era proveniente do Ministério do Exército. Assim aponta Albert (Apud Barbosa. Dessa forma ressalva Becker (1990). Dessa maneira as ações vigentes naquele período correspondiam ao programa governamental que mantinha firme a base de estruturação para uma expansão mais abrangente com a conclusão da BR – 174 e parte da BR – 210 entre os anos de 1974/77. o último da era militar. A partir desse momento estas duas rodovias federais podem ser consideradas precursoras da recente história de ocupação humana na região.180). “As linhas básicas deste plano que interessam a região Amazônica estão contidas na parte que trata das Políticas Regionais e Urbanas que podem ser definidas com relação à questão migratória. . os governos estaduais.34 Federal de Roraima. passando de 41. o novo estilo de ocupação econômica na Amazônia teve como premissas a intervenção estatal na busca da integração através dos Grandes Projetos de Mineração.018 conforme dados do IBGE (2007) 8. 54. 2008.638 habitantes para 82.67). e municipais.

p. decidir sobre incentivos fiscais. apresentados os planos de desenvolvimento para a Amazônia por parte do Governo Militarizado nesse capitulo. que observando do ponto de vista geopolítico. resto do País. de 24/11/1980”9. o Programa Grande Carajás (PGC). p. econômica da Amazônia. devido à descoberta da grande jazida de ferro da Serra dos Carajás. DNER. alcançando os estados do Pará. 10 RIBEIRO. Então. 1986. Uma realidade desafio. José de Almeida. Amazônia. apesar de ter sido institucionalizado somente em novembro de 1980. PROJETOS E ÓRGÃOS EXECUTORES OBJETIVOS planejamentos 1953 SPVEA – Superintendência do Plano Elaborar de Valorização Econômica da qüinqüenais para valorização Amazônia/ Presidência da República. 244. Brasília: Senado Federal. manganês.13. e também outros produtos disponíveis na área do Programa. Maranhão e Tocantins. consumada pelo Geólogo Breno Augusto dos Santos10. integrado e acelerado de uma área selecionada da Amazônia Oriental.Implantar um eixo pioneiro para 364)/ Ministério dos Transportes. esse começou a esboçar-se no final da década de Sessenta. Nelson de Figueiredo. 1960 Rodovia Cuiabá – Porto Velho (BR . cobre. 813. ouro. ecologia e desenvolvimento. 1958 Rodovia Belém – Brasília (BR – 010) / Implantar um eixo pioneiro para articular a Amazônia Oriental ao Ministério dos Transportes. In: Carajás. verificaremos a seguir os principais elementos dessa estratégia na tabela I. com vistas a explorar o potencial mineral e as riquezas de bauxita. caulim. argila. 2005. desafio político. ferro. A questão geopolítica da Amazônia da soberania difusa á soberania restrita. São Paulo: Brasiliense. madeira e carvão. Contudo convém mencionar Ribeiro (2005).35 Lei nº1. Tabela I: Principais elementos da Estratégia de Ocupação da Amazônia – (1953 – 1985) ANO PROGRAMAS. Abrangeu uma área de aproximadamente 900 mil quilômetros quadrados. articular a porção meridional da DNER. (Org’S) José Maria Gonçalves Dias. têm na extração de minérios o seu principal componente. . – Superintendência do Coordenar e Supervisionar 1966 Sudam Desenvolvimento da Amazônia / programas e planos regionais. 9 Esse decreto tinha o objetivo de criar condições para o desenvolvimento sócio-econômico planejado. Ministério do Interior. GONÇALVES JÚNIOR.

mediante a criação um centro industrial Interior. fiscalizar a circulação e assistir aos índios. da de e de 1968 Comitê Organizador dos Estudos Supervisionar estudos referentes Energéticos da Amazônia / Ministério ao aproveitamento do potencial das Minas e Energia. energético. fundiária. Pavimentar a BR – Transporte e Interior promover a colonização. Agr. elevação Amazônia /Min. Elaboração: Charlecion Costa Paiva . em grande escala recursos minerais e agroflorestais da região. Promover investimentos na região. 1968 Incentivos fiscais /SUDAM 1970 PIN – Programa de Integração Nacional Estender a rede rodoviária e implantar projetos de colonização oficial nas áreas de atuação da SUDENE e SUDAM 1970 Proterra – Programa de Redistribuição Estímulo a Agroindústria do Norte e Nordeste / Promover a de Terras capitalização rural a estratégia de 1970 INCRA – Instituto Nacional de Executar Colonização e Reforma e Agrária / distribuição controlada de terra Ministério do Interior 1974 Polamazônia – Programa de Polos Concentrar recursos em áreas Agropecuários e Agrominerais da selecionadas visando o estímulo de fluxos migratórios. Amazonas – SGCSN/PR 1980 PGC . agropecuário e isenção impostos. 1981 Polonoroeste Ministério da Agricultura.36 1967 Suframa – Superintendência da Zona Integrar a porção ocidental Franca de Manaus/ Ministério do Amazônia. Cardoso.. 1985 PCN – Projeto Calha Norte SGCSN/PR 364. Muller (1979). In. Fonte: Becker (1990).Programa Seplan/RR Grande Carajás Explorar de forma integrada. 1980 Getat – Grupo Executivo de Terras do Regularização Araguaia – Tocantins Gebam – Grupo discriminação de terras e Executivo para a Região do Baixo distribuição de títulos. por meio de deduções tributárias significativas. e Transp. do rebanho e melhoria da infraestrutura urbana. Vicentini (2004). assegurar a soberania nacional. Oficialmente.

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CAPÍTULO II

A ABERTURA DA BR 210, PERIMETRAL NORTE,
NO SUDESTE DE RORAIMA
E OS PRIMEIROS PASSOS PARA A COLONIZAÇÃO

Iniciamos esse segundo capitulo ressaltando que um dos objetivos do
Estado Militarizado estava inserido na estratégia de manter o controle sobre o
território amazônico. Nesse entendimento a chamada “conquista” da Amazônia para
consolidar o Estado – nação brasileiro, era mais consistente, através de uma
estratégia, sobretudo terrestre, contrapondo o pensamento político do General
Golbery do Couto e Silva, para quem a região do Rio da Prata teria maior
importância para a estratégia geopolítica brasileira, afirma Mattos (1980). Então é
nessa conjuntura e sustentado na estratégia das ligações rodoviárias que o
pensamento de Mattos (1980, p.147-148) ganha destaque:
Durante 200 anos tentamos a conquista do nosso interior e particularmente
da imensa Bacia Amazônica apoiados em estratégia essencialmente fluvial.
Fracassamos porque a navegação fluvial é caprichosa; não nos leva onde
queremos a navegação dos rios amazônicos sofre a influência das estações
de águas altas e águas baixas; há inúmeras quedas e cachoeiras que
interrompem a navegação dada maioria dos cursos d´água. Mudamos de
estratégia nos anos 50, e começamos a implantá-la nos anos 60. A nova
tentativa seria a conquista do Planalto Central, onde se encontra o
divortium aquarum en entre as três maiores bacias brasileiras – do Prata,
do Amazonas e do São Francisco; montados nesse divisor (instalação de
Brasília), tentaríamos baixar á planície amazônica pelos grandes espigões
que separam as águas dos afluentes da margem sul do “grande rio”. E
assim o fizemos, descemos pelo divisor que separa o Tocantins do
Araguaia para alcançar Belém na foz do Amazonas. Descemos pelo
espigão que separa o Xingu do Tapajós, até Santarém, no Baixo Amazonas. Baixamos pelo espigão separador das bacias do Madeira e do
Tapajós para chegar a Manaus, no médio Amazonas. Ai está à ossatura da
nossa estratégia de conquista da Amazônia. O êxito desse empreendimento
animou-nos Depois veio a grande transversal, cortando os espigões de leste
para oeste, e ligando entre si as artérias longitudinais que seguiram esses
divisores – a Transamazônica.

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Observamos que o enfoque geopolítico dado à questão da integração da
Amazônia materializa os anseios de Mattos (1980) que afirma que a abertura da
Rodovia Perimetral Norte (BR – 210) enquadrava-se dentro da mesma estratégia,
visando o espigão entre o Jari e o Trombetas, para chegar a Tiriós, na fronteira com
o Suriname e daí a Roraima e as fronteiras da Venezuela e República da Guiana e,
consequentemente em futuro vindouro, a fronteira colombiana.
Para Mattos (1980) os projetos rumo ao Norte e ao Noroeste amazônico
despertaram nossa vocação continental. Permitiram – nos reavaliar capacidades.
Desse modo descreve:

Do conjunto de projetos rodoviários do governo Médici, alguns estão
praticamente concluídos, como a Transamazônica e as ligações do Planalto
Central com Manaus e Rio Branco (Acre); prosseguem as obras nos trechos
Manaus – Boa Vista (Roraima) e Rio Branco (Acre) – Cruzeiro do Sul
(Acre). A Perimetral Norte teve suas obras suspensas até que vençamos
completamente a borrasca econômica resultante da crise mundial
provocada pela alta do preço do petróleo. (MATTOS, 1980, p.150).

Conforme Santos (2004) a linha de pensamento político de Meira Mattos seria
designada por uma composição político-econômica e pela necessidade de
dominação do ambiente pelo homem. Ou seja, conforme Mattos (1980), esta
estratégia correspondia aos meios técnicos e científicos que atualmente estão à
disposição dos projetos políticos e econômicos.
Assim, o pensamento de Meira Mattos entende – se que para se obter
sucesso na ocupação e desenvolvimento da região, é necessário levá-la em conta
em sua totalidade, pensando sempre no conjunto das diversas amazônias nacionais.
Dessa maneira o progresso da Amazônia teria, portanto, um projeto comum a todos
os países amazônicos, é nesse momento que Meira Mattos (1980, p.122-123)
sugere o conceito de Pan – Amazônia e chega a destacar que:

(...) a regionalização ou consagração da vocação regional da Amazônia
é o melhor antídoto para coibir o aparecimento de modernas
reencarnações da desmoralizada, mas persistente manobra da
internacionalização.

Contudo, constatamos que a tese geopolítica elaborada por Carlos de Meira
Mattos para a Pan – Amazônia, assente na interpretação dos estímulos geográficos
fundamentais e no planejamento de um esquema de desenvolvimento chamado inter

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– regional, onde conforme Tilio Neto (2005) assinala que a pedra – angular são as
“áreas interiores de intercâmbio fronteiriço”.
Então é nesse contexto de ocupação da amazônia de forma terrestre que a
abertura da BR 210 e a organização de projetos de colonização na região Sudeste
de Roraima veio a se inserir a objetivos maiores dentro do PIN – Programa de
Integração Nacional, que teve como referência o resultado da pesquisa e
levantamentos do RADAM BRASIL e da Companhia de pesquisas e recursos
minerais (CPRM), que previa implantação dos eixos rodoviários BR 174, BR 401 e
BR 210 que articulados a malha rodoviária da região iriam constituir as vias de
penetração para ocupação e o desenvolvimento econômico do Território Federal de
Roraima, que foi incluído entre as quinze áreas da Amazônia Legal, selecionadas
para o programa de pólos agropecuários e agrominerais da Amazônia –
Polamazônia. Conforme Santos (2006) a extensão selecionada do pólo Roraima
abrange uma área aproximadamente 122.550km, ou seja, 53,2% de seu território.
Previa – se o período de 1974 a 1979 para a realização das obras e implantação dos
projetos com recursos na ordem de Cr219. 830 000,00 do Governo Federal,
repassados ao governo do Território que teria o papel de órgão executor e financeiro
nesse período.
Para Barbosa (1993) o primeiro período do Programa Pólo Roraima (19751979), previa gastos que poderiam ser considerados pequenos se comparados com
os efetuados a outros estados da região amazônica. Assim, os US$53,8 milhões
(valor convertido) orçados para este período, corresponderiam a 50,8 vezes a
arrecadação do Imposto de Circulação de Mercadoria (ICM) pelo Governo de
Roraima em 1980. Quanto à distribuição dos valores deste total, 45% estavam sob a
responsabilidade direta do POLOAMAZÔNIA. O restante deveria ser desembolsado
por diversos ministérios (41,9%) e pelo próprio governo local, que participaria com
13,1% do total previsto. Ainda conforme esse autor o programa governamental
mantinha firme a base de estruturação para uma expansão mais abrangente com a
conclusão da BR – 174 e parte da BR – 210 entre 1974/77. Uma parte da verba para
a construção destas estradas era proveniente do Ministério do Exército. Este fato
permitia o cunho de segurança nacional a esta ação, proporcionando uma estratégia
geopolítica contida nos projetos dos governos militares para a Amazônia. Estas

586km e orçamento inicial de 884 milhões de . com a Guiana Francesa. ligando assim os dois extremos no Norte. seu traçado tem início em Macapá. a BR – 210. Suriname. Ao sair de Roraima. onde toma o sentido leste para oeste. ligando no sentido leste – oeste as áreas fronteiriças da fronteira norte.htm. a BR – 210 atravessa o estado do Amazonas até atingir Mitu.gov. atravessa o estado do Pará e corta o território de Roraima na altura de Caracaraí.149) “era a Perimetral Norte.40 rodovias impulsionaram a ocupação humana na região.br/bit/02-rodo/3-loc-rodo/locrodo/210. no Amapá. Fonte: Disponível em: http://www2. a abertura dessa rodovia representava a concretização do desejo por parte da ditadura militar brasileira em criar uma ligação via terrestre por toda a Amazônia dentro de uma estratégia de integração e de soberania nacional. Acesso em 15 de maio de 2012. p. a construção da BR – 210. inserida no Programa de Integração Nacional (PIN) com percurso de 2. na fronteira do Brasil com a Colômbia. ou seja. a chamada Perimetral Norte. Venezuela e Colômbia”. ponto final da navegação permanente do Rio Branco. Então. Veja o mapa I abaixo mostrando o projeto inicial da BR – 210 ligando Porto Grande no Amapá.transportes. No caso específico do então ex – Território Federal de Roraima dentro da estratégia de ocupar a Amazônia via terrestre. a partir daí Roraima quebrava seu relativo isolamento com o restante do país. República de Guiana. até a fronteira com a Colômbia. onde segundo Santos (2006). Nesse sentido argumenta Mattos (1980.

Ao longo da estrada que cortava a região sudeste da área yanomami. e atualmente inexiste ponte sobre o rio. mas deixou um saldo de mortos dificilmente calculável (aproximadamente mil). como sarampo. no Amapá. a construção da Perimetral Norte no trecho de Caracaraí em direção a Colômbia causou muita repercussão. trecho de Novo Paraíso no município de Caracaraí especificamente no quilômetro 500 da BR – 174 sentido leste.41 cruzeiro. . A estrada continuou mais para leste. Os sobreviventes daquela região não conseguiram recuperar – se: as aldeias foram destruídas ou abandonadas e.33/34). que assim descreve: A construção parcial da Perimetral Norte (1974 – 1976). malária. e a obra continuou por mais 25 quilômetros. A estrada não chegou a ser concluída por falta de verbas – astronômicas – necessárias a construção e manutenção. abriu caminho ás empresas de mineração. gripe. deveria ter sido completada no ano de 1977 ligando Porto Grande. sendo que nesta parte não se desenvolveu colonização. uma das estradas amazônicas projetadas no âmbito do programa de integração nacional do regime militar. As obras de abertura tiveram início dentro do ex – Território Federal de Roraima. inclusive no âmbito internacional. registra Martins (2010). os índios foram exterminados pela violência dos invasores. por suas máquinas e por doenças desconhecidas. é possível encontrar alguns índios vagando por aqueles poucos trechos de estrada que a floresta ainda não engoliu. isso no ano de 1974. Em três anos foram abertos 83 quilômetros. doenças venéreas. Este acontecimento fica claro em Eusebi (1991. e sobre o Rio Jatapu foi construída uma passagem provisória. até a fronteira com a Colômbia. p. até hoje. atingindo o que é hoje a localidade de Caroebe. tuberculose. Para Santos (2010). pelo fato de adentrar terras indígena Yanomami acabando em resultar na morte de índios por meio de doenças infecto contagiosas e venéreas devido a facilitação e entrada de centenas de garimpeiros as suas terras.

realizada pelo projeto Radam Brasil. no Pará. no . Então em agosto de 1971. divulgada em Fevereiro de 1982 pelo Diretor do DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral. Massacre. também conhecida como Perimetral Norte. em Roraima. anos antes de iniciar a construção dessa rodovia a construtora Paranapanema acabou mudando sua razão social. Silvano. passando a se chamar Paranapanema Mineração Indústria e Construção. Alalaú e Anauá. essa mudança ocorreu decorrente a descoberta da Província Mineral do Mapuera12. mas a empresa nunca chegou a concluir a obra.br/paranapanema/port/empresa/historico.com.paranapanema. e. Acesso em 05 de Junho de 2012. Os trabalhos de abertura da Perimetral Norte ficaram sobre a tutela da Construtora Paranapanema11. São Paulo: Conselho Indigenista 12 A mais importante descoberta do RADAM. José Belfort uma vasta concentração de jazidas minerais que se espalha pelas bacias dos rios Mapuera.org/pt/povo/yanomami/575. Para Sabatini (1998) 11 A Companhia foi constituída em 1961 para atuar no setor de construção civil pesada. Ver também: SABATINI. em 1977.asp.210.socioambiental. Acesso em 20 de Maio de 2012. Disponível em: http://www.42 Foto I: Índios Yanomami na rodovia federal BR . Terra indígena Yanomami Fonte: Disponível em: http://pib. somente 800 quilômetros de estradas tinham sido construídos. Assim Sabatini (1998) afirma quando o projeto foi abandonado. por não possuir motivação econômica ou razões geopolíticas suficientes. com ingresso na área de mineração. As atividades foram diversificadas a partir de 1965.

p. p. por parte da FUNAI. .000 exemplares aos setores de mineração. que foram envolvidos em choques armados e acometidos com surtos epidêmicos que quase os devastaram. Abonari e Pitinga. a mudança da razão social da empresa ocorreu menos de 30 dias após o Decreto de nº68.com. Até a década de 60. 907/71. 13 Grupo lingüístico da família Karib. provocando conseqüências dramáticas para os Waimi – Atroari. Anuário Estatístico 2009: Roraima.0 bilhões de dólares.66. 14 A jazida de Pitinga continha não apenas um dos minérios de mais alto teor de cassiterita já encontrado no mundo.911 hectares. 13 de julho de 1971. 1998. os trabalhos da “Frente de Atração e Contato” dos Waimiri – Atroari intensificando o contato com a sociedade nacional.43 coincidentemente. a Paranapanema Mineração. São Paulo: Conselho Indigenista Missionário. Segundo Sabatini (1998) das jazidas anunciadas em 1982 pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). mas se revelaria a maior jazida desse minério no planteta. o Decreto n° 979783837/89 homologou a demarcação da Área Indígena Waimi – Atroari. Disponível em: http://www. SABATINI. assente ainda em Sabatini (1998).66. Indústria e Construção estimavam as reservas de Pitinga em 50. esse grupo viveu praticamente isolado mantendo raros contatos com caçadores. pescadores e extrativistas. com uma área que correspondia a apenas 20% do território ocupado pelos índios. distribuídos em 14 aldeias. Silvano. ex – Uatumã. ao iniciar sua exploração. e dono da Paranapanema. numa área demarcada com superfície de 2. foi escolhido “minerador do ano” pela revista Minérios15. do General Emílio Garrastazu Médici criando assim a reserva Waimiri – Atroari13. Porém no ano de 1984. p. Acesso em: 05 de junho de 2012. 15 É uma publicação mensal dirigida verticalmente e com circulação controlada de 10. São Paulo: Conselho Indigenista Missionário. Silvano.revistaminerios. SABATINI. mas que incluía a região em que a Paranapanema realizava suas pesquisas. quando Octávio Cavalcanti Lacombe.aspx. Federação do Comércio do Estado de Roraima. Massacre. a mais importante era sem dúvida a reserva mineral de Pitinga14.67 que “Pitinga foi o único fruto positivo da Perimetral Norte”.585. com um valor calculado em 3. Amazonas. 2009. Em 1980.53. metarlugia e siderurgia no Brasil.br/Conteudo/7/perfil.000 toneladas de estanho. habitantes das regiões Sul do Estado de Roraima e Norte do Amazonas. No final dessa década iniciaram – se. 1998. Em 16 de Junho de 1989. já havia sido comprovada a existência de 291 mil toneladas. Massacre. esse mesmo autor ainda vai mais além quando ele diz na p. Boa Vista: FECOMÉRCIO.

Então. a construção da estrada garantiu a chegada de uma grande leva de migrantes. Dessa forma fica o entendimento que o planejamento da BR 210. a BR 210. Fonte: MARTINS. autores como Mattos (1980). . (MARTINS. Na sequência a foto III. 2010. a exemplo do que ocorria com outras estradas. graças ao forte discurso do desenvolvimento e da integração imposto pelo regime militar brasileiro. atraída pela distribuição de lotes de terra no entorno da rodovia. Abrindo caminho na região sudeste do Território. importante impacto sobre Roraima. provocou. trecho dentro do município de São João da Baliza.75). Barros (1995) e Martins (2010) destacam a importância da Perimetral Norte em seus trabalhos. p. se tornara realidade. ponte de madeira na BR 210. 2010.44 Foto 2: Destaque da Perimetral Norte no Jornal Boa Vista de 15 de Dezembro de 1974. a exemplo da BR 174. em seu trecho que liga Novo Paraíso a Ente Rios. essa última sobre essa Rodovia descreve o seguinte: Mesmo não sendo concluída em toda a sua extensão.

sediado em Boa Vista e inaugurada no ano de 1977. passando por seu maior núcleo urbano. a estrada cruzou o Território Federal de Roraima de norte a sul. Adalberto Pereira dos Santos. Martins (2010. em sua extensão total. p. foi motivo de grande cerimônia. descreve o seguinte: Ligando a capital do estado do Amazonas a Santa Helena do Uairén.45 Fonte: Próprio autor. Sua inauguração oficial.73) sobre a BR 174. . e também ao mesmo tempo manter o controle sobre essa fronteira com esse País. no ano de 1977. essa Rodovia era apresentada como ferramenta estratégica para promover uma maior integração com a Venezuela. Batalhão de Engenharia de Construção. essa foi aberta pelo 6º. Quanto a BR 174. a cidade de Boa Vista. com a presença do então vice – presidente da República. na Venezuela.

portanto a idéia da Perimetral Norte em ligar os dois extremos no norte. capital do Amazonas.br/album/rota174_album. vindo a contribuir para a chegada de vários migrantes nessa região. . Porém. somente a comunicação. fica. e Pacaraima no estado de Roraima. pois essa até hoje se tornara fundamental para expansão e a formação de áreas de fronteira de colonização no sudeste do estado de Roraima. Logo abaixo se observa o mapa 2 com detalhes da malha rodoviária no Sudeste de Roraima.uol. Então. a rodovia acabou facilitando a comunicação com a capital Boa Vista.com. importante Rodovia Federal com 970 km entre Manaus.jhtm#fotoNav=4. Não se pode negar a importância da BR 210. já que o acesso só foi possível no ano de 1979 quando foi criada a primeira linha de ônibus. Fonte: Disponível em: http://viagem. ligando o então povoado de São João da Baliza á cidade de Boa Vista. atendendo aos anseios desses em criar uma ligação via terrestre por toda a região Amazônica dentro de uma estratégia de integração e de independência nacional. embora á época a BR 210 não tivesse sido concluída nem pavimentada.46 Foto IV: Trecho da BR 174. se fosse concluída significaria a concretização de um “sonho” por parte dos militares. Acesso em: 06 de junho de 2012. Segundo Santos (2010).

p. Projetos de Assentamento na BR 210 e sua política de colonização Ao iniciarmos esse tópico sobre a recente política de assentamento na região Sudeste de Roraima. o trabalhador deve ser livre para trabalhar para o capital. Acesso em 06 de Junho de 2012. que esta estrutura fundiária não abre precedentes de acesso a terra para uma grande parcela dos trabalhadores do campo.47 Fonte: Disponível em: http://pt. em sua marcha. porém todos com raízes fincadas na questão da estrutura fundiária concentrada do País.org/wiki/BR-210. Nesse entendimento verificamos em Oliveira (1993). 2. e não ser livre para trabalhar para si próprio” (OLIVEIRA. 1993.1. é importante nos remeter e frisar que a presença dos projetos de colonização na Amazônia tem servido a processos diversos.wikipedia. .91). fazendo com que esses busquem nas terras distantes a tentativa de se reproduzirem como trabalhadores livres. liberado uma fração de trabalhadores. Dessa forma o processo de expropriação do campo brasileiro tem. Baseado nessa estrutura observa-se que “Esta é uma lei da economia capitalista. que têm negado a proletarização iminente.

p. . em terras virgens. aumentando os conflitos e a violência instaurada pelas grandes empresas de exploração e latifundiários. 1993. Isto se tornou possível devido à construção. em segundo lugar. o governo tem se utilizado da colonização como alternativa de dupla mão de sentido: em primeiro lugar.p. para criar uma “válvula de escape” para a pressão exercida pelos expropriados nas regiões de concentração fundiária acentuada. o sudeste do então ex – território federal de Roraima era aberto a colonização e a exploração madeireira. conduzindo assim milhares de famílias para essa região inóspita.48 Então a partir do levantado acima é necessário destacar que esse processo se inicia direcionado a Amazônia segundo Barbosa (1993. cito aqui o já mencionado I PND – I Plano Nacional de Desenvolvimento vigente para os anos de (1972 a 1974) e o II PND – Plano nacional de Desenvolvimento (1975 a 1979). A partir daí a colonização na Amazônia se propagava então como alternativa a reforma agrária necessária. e. buscando resolver a médio prazo a escassez de mão-de-obra nas novas áreas ocupadas pelos grandes grupos econômicos. como a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM) e a Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA). foi necessária a adoção de algumas medidas de base. Em meados da década de 1970.178) no momento em que: A interiorização da capital federal (Brasília). Para que isso tomasse forma organizada. o Governo incentivou a migração de colonos do Nordeste e Sul do país para ganharem lotes ao longo das rodovias federais. de duas estradas pioneiras: a BR 174 e a inacabada BR 210. Corroborando para essa compreensão apontamos que: Nesse sentido. foi um marco na expansão de frente pioneiro de colonização em direção a Amazônia.92). Visando a implementação de projetos de colonização rural na região Amazônica. conseqüentemente essas ações se enquadravam no processo de intervenção estatal na Amazônia que o governo central elaborou. de modo a viabilizar seus projetos. em 1960. essas estradas estavam sendo abertas sob a ótica geopolítica do regime militar brasileiro.(OLIVEIRA. A implantação definitiva de rodovias federais que interligassem a Amazônia ao restante do País (Belém – Brasília e Cuiabá – Porto Velho) e a criação de órgãos de apoio financeiro e fiscal á política governamental. formavam a infraestrutura dos planos federais para a região a partir dos anos 1960.

ele tinha todo o aval do governador na época. outro lote. e a Perimetral Norte já chegara. cuja colonização segue com mais ou menos dois anos de atraso. Na BR 210. através do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) a partir de 1979. para explicar o acontecido. que no ano de 1976 a BR 174 é entregue ao tráfego. o Sr. p. Diante do exposto quanto a não regularização das terras na região Sudeste do ex-Território Federal de Roraima por parte do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) expomos a seguir parte da entrevista com a Sr. Barros (1995. mais conhecida na cidade de São de João da Baliza pelo apelido de “Maria das Tranças” assim identifica essa realidade afirmando o seguinte: O João Pereira já morava aqui.209) afirma que: Coube á administração do município de Caracaraí as primeiras ações de distribuição ordenada de terras. ele dava outro terreno.49 Vale destacar aqui. naquele tempo ele era o administrador daqui. e precipita – se a frente pioneira para o sudeste de Roraima. ainda. os imigrantes colonos e madeireiros começam a chegar a área. O Governo Federal. em 1975. o ex – Território Federal de Roraima deu início a fase dos programas de assentamento humano dirigido. a primeira linha de ônibus criada no ano de 1979. uma vez que o INCRA estava ausente da área. se tivesse um terreno e alguém construísse a casa em cima. aqui naquela época. Cria – se uma linha regular de ônibus ligando Manaus a Boa Vista.ª Maria Dionízia da Silva ex – comerciante agora com 70 anos. não tinha o INCRA. perante autoridades federais do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). casa. Diante dessa conjuntura patrocinada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Porém o líder das primeiras distribuições de lotes para os colonos que chegara à região onde se formou a cidade São João da Baliza. ligando o então povoado de São João da Baliza á cidade de Boa Vista. órgão do Governo Federal que detém a competência sobre as questões agrárias do país. principalmente entre o . usando a BR 174. A partir daí. na localidade onde hoje é situado o município de Caroebe. só passará atuar na regularização fundiária e criação e expansão de projetos de colonização. em caminhões e ônibus. Ele distribuía lotes. João Pereira representando o município de Caracaraí. terreno. quando foi criado o Projeto Anauá. né. Organizam – se então as primeiras colônias. foi intimado a se apresentar à capital Boa Vista. Porém. ao longo das Brs.

ao longo da Brs 174 e 210. anos depois (1982). ficara sobre a responsabilidade do Território Federal de Roraima e a Prefeitura de Caracaraí a iniciativa da colonização. Segundo Barbosa (1993).50 final dos anos 70 e início dos anos 80. estes por estarem próximo a capital Boa Vista e. Esse projeto de assentamento teve 16 Caminho aberto na mata para futura passagem de estrada. vamos nos remeter somente a dois Projetos de Assentamentos originados ao longo da BR 210 (Perimetral Norte) são eles: Projeto de Assentamento Rápido Jauaperi e o Projeto de Assentamento Rápido Jatapu. a partir daí foram surgindo às estradas vicinais. quando foi criado em 31 de Março de 1982. que ao chegarem ao ex – Território se deslocava em grupos familiares ou com ajuda de vizinhos já instalados para as terras livres ao longo da BR 210. a partir dos anos de 1975/1976. transformando – se em embrião das chamadas cidades pioneiras como é o caso das cidades de São João da Baliza. a base dos projetos de maior expressão foi montada nas regiões (A) centro – oeste e leste do Território. tendo como direção à floresta virgem. No sentido de sintetizar o nosso objetivo.1. diversas pequenas vilas agrícolas foram se organizando dentro desses projetos. com o PAR – Jauaperi e os Programas de Assentamento Dirigido (PAD) Anauá e Jatapú. o Projeto da Gleba Jauaperi ou Projeto de Assentamento Rápido Jauaperi. (B) ao Sul. de Novo Paraíso até a altura da sede do que é atualmente o município de São João da Baliza. na margem sul da estrada. De acordo com Silva (2007). .1 A Gleba Jauaperi ou Projeto de Assentamento Rápido Jauaperi O eixo da BR 210. São Luíz do Anauá e Rorainópolis. a partir destes núcleos. Então o início destes projetos era de iniciativa dos próprios migrantes. por resolução do INCRA de nº130. respectivamente com a escassez destas começaram a abertura dos chamados picadões16. 2. com a colônia do Alto Alegre e os Programas de Assentamento Rápido (PAR) Apiaú e Barauana. pois o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) só passou a atuar como regularizador das situações fundiárias.

por migrantes que constantemente se deslocam para a região. praticam um verdadeiro comércio. estas famílias já estavam. uma titulação definitiva mais rápida. p. Segundo Barros (1995). ao mesmo tempo desrespeitando os princípios da legislação Agrária. como seja. De acordo com os documentos analisados no próprio Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). considerava como área prioritária para se implantar o mais rápido possível. . na realidade. a ocupação desordenada da terra. A própria sigla do programa. visto que todas as terras do sudeste de Roraima pertenciam a este município. convém destacar que o surgimento de todas as aglomerações no sudeste do Estado. constitui que por um lado. e ainda.6). a ação de aventureiros ou presumíveis grileiros que. os PARs (Projeto de Assentamento Rápido). um sistema de Reforma Agrária. fixar o homem a terra e. e daqueles que viriam a ser assentados. e o projeto visava apenas regularizar juridicamente a situação dos mesmos. Nesse sentido Mourão (2003). Nessa perspectiva o projeto tinha como meta principal o assentamento e a regularização fundiária de aproximadamente 500 (quinhentas) famílias em lotes de 60 até 100 ha. a justificativa para a criação do Programa de Assentamento Rápido Jauaperi (1982. evitando-se dessa forma conseqüências graves no futuro. Posteriormente a implantação do PAR – Jauaperi é justificada como a maneira mais veloz e objetiva de controlar a corrente migratória. responde a pressa envolvida. antes e depois da ação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) teve a BR 210 e BR 174 como eixo orientador. finalmente. PAR (Projeto de Assentamento Rápido). tendo como exemplo as cidades de São João da Baliza e São Luiz do Anauá que tiveram seus planos (feitos) pela Prefeitura de Caracaraí. e. quanto a uma melhor distribuição da terra para aqueles que realmente dela necessitavam. sobretudo de colonização espontânea de migrantes que retiraram seus lotes em meados da década de 1970. têm como meta principal regularizar a imigração espontânea no estado de Roraima e por outro. De fato tratava-se mais de uma malha de controle institucional e de segurança/dirigismo. aproveitando-se da ingenuidade do homem rural. nessa região. causando dessa forma sérios inconvenientes e dificultando o trabalho que está sendo desenvolvido. que viesse alcançar os anseios do homem rural. para que possam produzir e gerar divisas para o Território. produzindo alimentos e explorando a madeira. assentadas na área.51 um caráter.

esclarecia que os lotes situados a margem da BR – 210 encontravam-se com benfeitorias (casas. formando as “espinhas”. poços. também com 500 me tros de frente. Segundo o INCRA (1982). quatrocentos e noventa e um hectare) e um total de 1531 lotes demarcados. Conforme o INCRA (1982). A dois quilômetros de distância Perimetral Norte. o município de Caracaraí e a administração do Território Federal foram abrindo vicinais de quatro em quatro quilômetros aproximadamente. sendo que. Estas vicinais receberam numeração ímpar. o restante distribuído para os demais Estados citados. os lotes já ocupados antes da regularização fundiária estavam demarcados somente nas frentes. e par. Formaram-se então áreas não demarcadas e pouco conhecidas. o limite máximo dos lotes seria 100 hectares. A numeração é crescente no sentido oesteleste.214) aponta que: (…). À proporção que as terras ao longo da Perimetral Norte iam escasseando. Pontes de madeira foram sendo construídas para vencer as linhas de drenagem nas vicinais. Entendia-se que os lotes teriam 2 quilômetros de profundidade. Santa Catarina. Posteriormente o Projeto de Assentamento Rápido Jauaperi (1982). entretanto nesse período o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) não conseguia avaliar o volume da produção agrícola nessas localidades. estavam em preparo do solo. nesse direcionamento Barros (1995. a área já ocupada pelos colonos correspondia aproximadamente a 312. o que foi efetivamente seguido. derrubada e queimada. roças. adentrando a floresta. e de ambos os lados. tal como broca. p. onde os fundos dos lotes se encontravam. ao norte da BR. 17 Lugar do nascimento de alguém e/ou pátria. Isto já a par tir de 1976.52 os PADs (Projetos de Assentamento Dirigido) buscam atender a grande demanda de famílias sem terras e procedentes de outras regiões do País. Rondônia e Maranhão. marcavam-se os lotes das vicinais. 50% dos migrantes são constituídos de maranhenses. . ao longo da BR 210.491 ha (trezentos e doze mi. Analisando a documentação desse projeto foram constatados que as maiorias das famílias provenientes eram de outros Estados como: Paraná. Esta é uma das razões das primeiras questões em torno de limites de lotes. ao sul da mesma. en tre colonos. pastos. galpões. os quais não conseguiram estabilização em seus torrões natais17. na vicinal. Esta situação resultou da delimitação de 500 metros de frente para os migrantes que iam chegando á área. no fundo do lote da rodovia. etc) e os já existentes nas vicinais.

Santos (2010). que este projeto divide-se em três glebas ou subunidades. cobrindo uma área correspondente a 1. em terras que constituem hoje parte do município de São João da Baliza e todo o município de Caroebe. café e mandioca que foram ocupando espaço. que dispõe ao norte da BR 210. no período entre 1975 a 1985. culminando finalmente com a expedição do título definitivo de propriedade em favor dos colonos.524 hectares. . nesse município prevaleceu à economia madeireira e pecuária. Importa destacar. e seu extremo leste situa-se onde parou a construção da rodovia Perimetral Norte. faria com que os mesmos teriam acesso aos créditos subsidiados. consideram que os dez anos iniciais da frente.525 ha. de forma alongada e disposta na margem Sul da rodovia. coleta de castanha. caracterizou – se pela intensa atividade da exploração madeireira.Gleba Branquinho. no Sul do Estado. do ponto de vista financeiro. fica entendido que quanto a sua execução. com 685. .53 Após a análise documental deste projeto. conforme análise documental no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). e ocupando uma área de 271. desde a Vila Moderna até Entre Rios.524 hectares. 2. desde Caroebe até Entre Rios. . trazendo com isso melhores condições quanto a novos empreendimentos e conseqüentemente a estabilização sócio – econômica de toda região.Gleba Baliza. assim distribuídas: . do INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária é considerado o segundo maior projeto do estado. com 44. atingindo as nascentes do rio Jatapu na fronteira com Guiana.0001.1. Na prática Santos e Damasceno (2008). Atualmente. estendendo-se ao Sul da anterior até a divisa com o estado do Amazonas. banana. suas dimensões são gigantescas. a menor.º200 de 26 de Setembro de 1983.Gleba BR 210/I. o arroz.2 Projeto de Assentamento Rápido Jatapu O Projeto de Assentamento Rápido Jatapu foi criado pela resolução de n. A área deste projeto chega aos limites da República Cooperativista da Guiana e do estado do Amazonas. a maior parte desse projeto corresponde ao município de São Luís do Anauá e.475 há. cacau.

tendo como órgão gestor e executor o governo do Território Federal de Roraima. de modo que os órgãos específicos assumam de fato a responsabilidade na execução das atividades promocionais. . dentro de um prazo de implantação de três anos.493. e assentar os novos migrantes. no Projeto Jatapu eram cerca de 500 colonos. De acordo com o (INCRA. que deveriam ser migrantes dos estados do Nordeste e da Região Centro – Sul.54 O Projeto de Assentamento Rápido Jatapu. estabelece – se o prazo de execução determina – se os custos e define – se as fontes dos recursos. No seu detalhamento. V) Promover o acesso de 1. Então assim como no caso do Projeto de Assentamento Rápido Jauaperi.000. quantifica – se as metas de infra – estrutura viária e social. os lotes de todas as glebas apresentavam dimensão em torno de 100 hectares e Caroebe.857. quatrocentos e noventa e três milhões. oitocentos e cinqüenta e sete mil cruzeiros) a preço de março de 1983. 1983:62). II) Construir 160 km de estradas. devendo seu crescimento a esta função.456 (mil quatrocentos e cinqüenta e seis) famílias de agricultores.456 (mil quatrocentos e cinqüenta e seis) famílias. III) Construir 22 escolas rurais e um posto de saúde. a integração institucional. o Projeto Jatapu recebeu o valor global de CR$ 2. VI) Promover. sob todas as formas. foi elaborado no sentido de assentar 1. 297 m² de área coberta.00 (dois bilhões. IV) Implantar toda uma infraestrutura administrativa capaz de atender a demanda de serviços dos núcleos populacionais.456 (mil quatrocentos e cinqüenta e seis) famílias em parcelas de 100 ha. baseado em Barros (1995). totalizando 2. que já se encontravam naquela região. ao crédito rural de custeio e investimento. objetivava – se regularizar a situação fundiária de pioneiros já instalados. discrimina – se a natureza dos serviços a serem realizados. Quantas as metas físicas eram essas: I) Assentar 1. aglomerado já existente passou a desempenhar a função de sede da administração local desse projeto.

A cultura de maior expressão era o 18 Dono de uma parcela de terra. Bomfim. milho. VIII) Promover a participação dos parceleiros18 na implementação do projeto. Então os objetivos de infraestrutura apresentados acima jamais foram executados. Nesse aspecto quem colabora com essa análise é (Lobo Junior. posto que as aberturas das novas rodovias federais. As culturas permanentes encontram – se em fase de implantação. foi nesse período que ocorreu um grande esforço de povoamento do Território. A economia da área correspondente ao Projeto Jatapu tinha como base a exploração agrícola. Santos (2010.000 há de culturas permanentes de seringa.32) apontando o seguinte: Mas foi no projeto de colonização que o governo de Ottomar Pinto se destacou.55 VII) Formar 5. portanto. sobretudo no seu interior. Cantá e Mucajaí e novas frentes foram abertas como: no São João da Baliza. entre eles destaca – se o de auxiliar aos migrantes dos estados do Nordeste e da região Centro – Sul. a BR 210 e BR 174. porém estes migrantes ficaram deixados a própria sorte. p. especialmente de culturas anuais. tidas de subsistência. 2008. Três Corações. que possibilitou a consolidação de várias colônias como: Alto Alegre. no entanto as práticas populistas dos políticos da época refletem utilização destas para o clientelismo que marca ainda hoje estes assentamentos. São Luiz do Anauá . em caráter experimental. Taiano. através do associativismo. . Confiança I. feijão e mandioca. governando de forma assistencialista. Novo Paraíso. guaraná e castanha até a emancipação do projeto. proporcionaram um novo incremento ao fluxo migratório a partir daí a política de colonização inserida por Ottomar Pinto previa apenas para as absorções políticas futura do mesmo criando sua base eleitoral através da política migratória.” Esta intervenção por parte da classe política local é visível quando se inicia em 1979 o primeiro mandato (1979 – 1983) do Brigadeiro da Aeronáutica Ottomar de Souza Pinto e este passa a incentivar a migração maciça para essa região visando apenas o interesse de sustentação política da elite detentora do poder local. 80) vai mais além quando diz: “quanto às construções e estruturação deste assentamento não constatamos a sua existência. p. como arroz. II e III. não sendo representativas na composição da renda da unidade de produção.

Esses fatores acabaram impulsionando esta divisão espacial e social. pelas visitas para tomar café.209. não dispunha de infra – estrutura de educação. a sua comercialização era feita através da COPORAISO19 e também de atravessadores. passar uma chuva. 20 Oficialmente criado por resolução do INCRA nº. distante cerca de 50 km do local da sede do projeto. Quanto aos aspectos sociais. a vici nal representa o espaço onde se constituem as amizades pelas tro cas de favores. Dada a existência de famílias localizadas ao longo da BR – 210 funcionam. com 807. outras unidades também existiam. escola.900 hectares de área. . Porém o descaso por parte do governo do ex – Território Federal de Roraima era maiúsculo. constituindo-se assim: pela vicinal. nesse sentido Santos (2010. posto de saúde. constituindo – se no ambien te familiar e seguro. p. com professoras leigas. É visível que todos os moradores se conhecem e sabem informar sobre seus vizinhos. filhas de migrantes. funcionara um posto de saúde com médico residente. porém como essa atividade exige áreas maiores é explorada por clientela de maior poder aquisitivo. principalmente pelos seus 19 Cooperativa Agrícola Mista do Novo Paraíso. A Secretaria de Educação vem desenvolvendo programa de construção de escolas nas comunidades em formação. aponta que: Nas vicinais não existiam quaisquer condições de moradia perma nente como poços d´ água. com o apoio da comunidade local. Recife: Editora da Universidade Federal de Pernambuco. como é o caso do posto de saúde na sede do Projeto de Assentamento Dirigido Anauá (PAD ANAUÁ)20. A pecuária começara a se desenvolver. referente a saúde no município de São João da Baliza. por se encontrar em processo de ocupação. lote e vila. em caráter precário.83). face aos incentivos recebidos do Governo do Território. Roraima: Paisagens e tempo na Amazônia Setentrional. de 11 de Junho de 1979. 1995. BARROS. As sedes dos municípios e vilas recém criadas estão sendo equipadas com escolas de primeiro grau. Nilson Cortez Crócia de. porém localizadas em pontos mais distantes. o extrativismo vegetal era outro importante componente da renda familiar. enquanto as vilas representavam um espaço de convivência e integração. Em relação à educação a área do projeto. na troca de sementes para plantar a roça.56 arroz. escolas improvisadas junto á residências. 95/79. porém vinha cedendo lugar ás atividades de cultivos. especialmente a de corte. É importante destacar que um projeto de assentamento engloba – se em uma organização espacial. p. conforme constatação analisada em documentos do Programa de Assentamento Rápido Jatapu. construídas pelo Governo do Território.

fomentado na década de 1940 com a criação do então Território Federal do Rio Branco e intensificada no período militar. Atualmente o Projeto Jatapu corresponde ao município de Caroebe. pe las mulheres e filhas. de safras agrícolas ou rumo as cidades. estes geralmente não possuem casa no lote. e retornavam para a vila somente nos finais de semana. que ficam para trabalhar.57 apelidos. os migrantes são o resultado do processo político e econômico do país.2. Ou tros. para 215. Assim.950 no ano de 1991. A vila ainda continua sendo habitada. já citado nesse capitulo é quando ocorreu um movimento migratório quase inalterável. Ocorreu em virtude da criação de gado não necessitar o traba lho diário do trabalhador rural. Porém sua efetivação de fato veio a acontecer nas eleições municipais de 1996. fontes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a população passou de 82. A partir daí observa-se uma trajetória onde desfilam rostos. anteriormente suas terras pertencia ao município de São João da Baliza. . vindo assumir o cargo em 1º de Janeiro de 1997. Dessa forma a migração passa a ser um fenômeno presente no Estado de Roraima desde os projetos de ocupação da Amazônia. 2.018 no período de 1980. veio a tornar-se parte de um processo muito mais amplo de mobilidade de massa. Nesse sentido podemos afirmar para o que seria uma trajetória aparentemente individual. quando foi eleito para administração municipal o Senhor Antônio Martins Filho. mas também com muita esperança e força para enfrentar a luta pela sobrevivência. A Chegada do Migrante As migrações internas no Brasil contribuem para a compreensão do modo como se formou a atual sociedade brasileira. em sua maioria. Exemplo disso. Os mari dos e filhos mais “velhos” passavam e ainda passam a semana nos lotes. Apesar das condições também serem precárias estão mais seguras. estudar. o mais recente da BR – 210. impulsionado a partir de 1979 pelo governador da época Ottomar de Sousa Pinto. criado pela Lei Nº082 de 04 de Novembro de 1994. vidas com muito sofrimento. como também incentivados pelo sonho de uma vida melhor ou movidos pela própria necessidade de sobreviver. ainda passam somente o dia trabalhando no lote e no final da tarde retornam para casa. Migrando atrás de novas terras. arrastado pelas promessas oficiais de sucessivos governos aponta Valim (1996).

na década de 80 com os militares. porém não. sendo assim.Território Federal de Roraima em Estado. vindos pela Rodovia que hoje não existe mais (BR – 319). Para tanto os projetos de colonização do então Território só irá se firmar enquanto área de migração. entre outros. a prática da mineração tornou-se um setor atrativo para vários atores sociais. 1995. afirma que ocorre uma explosão demográfica no final da década de 1980 para a década de 1990. os primeiros esforços de colonização em Roraima derivaram de decisão do governo do então recém-criado Território Federal do Rio Branco. comerciantes. Dessa forma. sobretudo nos anos de 1950 visava dar início a produção de gêneros alimentícios para a capital do ex. “Visando à implementação de projetos de colonização rural na Amazônia. de Rondônia – Brasília e de Gi – Paraná – Manaus – Caracaraí ou Baliza. alcançado até os dias atuais. o lema era “Homens sem terra para terra sem homens”. para ganharem lotes ao longo das rodovias Federais. Neste período ao contrário de várias partes da Amazônia que no passado foram ocupadas por seringüeiros e coletores de castanha. atribuiu a colonização a natureza de “rush” na região sudeste do Estado de Roraima. foi neste momento que ocorreu a formação de várias vilas que deram início a maioria dos municípios do Estado. foi o que efetivou a colonização na região. estes previam o incentivo a migração de colonos do Nordeste e Sul do País. O primeiro projeto foi á criação da colônia Fernando Costa. hoje o município de Mucajaí. objetivo esse. Boa Vista. como exemplo temos empresários. De acordo com Barros (1995).Território. nesta região a colonização era aberta pelas Brs 210 e 174. conseqüentemente devido à distribuição de terras e também dos garimpos que atraíram muitos para a região. Todos estes primeiros esforços foram se arrastando pelos anos 50 e 60. momento em que se dá a transformação do ex. O caminho dos migrantes era feito muita das vezes dos seus estados de origem. Santos. formando assim um cinturão de abastecimento. considerados como forte classe econômica que acompanhara o desenvolvimento da região em relação ao processo demográfico. 2004) outorga esse crescimento migratório mais a expansão dos garimpos nessa região. pecuaristas. atualmente o município do Cantá e a colônia de Alto Alegre. seguido da colônia Brás de Aguiar.58 Lobo Junior (2008). Este fato conduziu milhares . Mas o objetivo básico dessas colônias estabelecidas no fim dos anos de 1940 e. Nesse sentido outros estudos (Barros. porém sem sucesso até o momento que o evento rodoviário dos anos de 1970.

assim o governo tentava desmontar os conflitos . “(SANTOS. Contudo. Durante os vinte anos de ditadura militar ocorrida no Brasil. e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). portanto. nesse período os governos militares queriam a ocupação da Amazônia. Banco da Amazônia (BASA). p. “Vemos. ainda que o garimpo seja considerado um fator de atração considerável para o contexto das migrações.27)”. (…) argumenta que não é capaz de produzir uma ocupação efetiva.36). se transformará no foco de atração. levando em conta a própria dinâmica da atividade garimpeira que é a de exploração. durante a ditadura militar (1964 – 1985).59 de famílias para a Amazônia. Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA). outros são pela corrida do ouro nas terras de Roraima”. onde estrangeiros e pessoas de vários lugares do país. A partir daí a década de 1980. que enquanto alguns são “atraídos” pelos projetos de colonização. Assim a corrente migratória para o sudeste do ex – Território Federal de Roraima se intensificou ao longo da Rodovia Perimetral Norte. Porém a ocupação da região Amazônica obteve mais ênfase. que a origem dos migrantes que chegavam aos assentamentos ao longo da Rodovia Perimetral Norte. isso na década de 70. Então contribuindo com esse pensamento coadunamos com Nogueira (2011. considerando-se que o país nesse período enfrentava diversos problemas relacionados a questão fundiária. passando a partir daí a implementar programas de incentivos para atrair pessoas de todo o país. no chamado período do novo Eldorado. e neste direcionamento criaram Instituições capazes de dar suporte – Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). indicava que 50% dos colonos eram naturais do Maranhão e os outros 50% constituía – se entre Catarinenses. teve um cuidado peculiar com a Amazônia. enxergavam essa região como uma terra de oportunidades e de “enriquecimento fácil”. porém ainda mais com a região Nordeste dessa forma a política de colonização para a Amazônia surgia como alternativa á reforma agrária. quando passou a ganhar um caráter de aceleração. Paranaenses e Gaúchos. o governo Médici (1969 – 1974) visto como mais ferrenho de todos. contribuindo para aumentar os conflitos e a violência instaurados pelas grandes empresas de exploração e latifundiários.” É válido salientar novamente conforme documentação analisada no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). A Amazônia passou por um intenso processo de migração. 2006. p.

Esta problemática se evidencia na fala da Senhora Verônica . por outro. centro – oeste e sul. facilitando o acesso a outras regiões do país e conseqüentemente fomentando a migração para a ocupação da Amazônia. Para Oliveira (1993) sendo estes problemas os causadores da criação do Plano de Integração Nacional (PIN) que culminou com a construção das rodovias.Trabalhadora rural do município de São João da Baliza – migrante do Estado de Minas Gerais. o processo de ocupação do então Território Federal de Roraima veio a ser tornar mais intenso. destaca-se como um dos principais fatores que desencadearam a vinda de migrantes para Roraima. como também de forma espontânea em primeiro plano. sempre foi muito dependente da iniciativa oficial. desta vez para Roraima. O então Território Federal de Roraima era sempre a segunda ou terceira migração interna na Amazônia. observado em Oliveira (1993) e Santos (2006). lá em Rondônia era bom pra quem tinha terra. então diante das dificuldades de acesso á terra em Rondônia estes migravam novamente. para quem não tinha era fraco. tradicionalmente. vim de pau de arara. estes seguiam a seguinte trajetória: chegava ao Estado de Rondônia porta de entrada aos demais estados da região Norte.60 sociais que explodiam nas regiões agrícolas do Nordeste e Sudeste. Diante disso o processo de ocupação humana de Roraima se. por um lado. diante da implantação das rodovias federais BR – 174 que liga Manaus – Boa Vista em 1977. A migração para o estado se deu tanto de forma dirigida incentivada pelo governo que disponibilizava terras através dos projetos de colonização e de assentamentos. No caso específico de Roraima. em seguida com a construção inacabada da BR – 210. Eu cheguei aqui no Baliza em 1981. A constituição de fluxo migratório para a região pode ser associada. quando assim descreve: Morei 18 anos no Espírito Santo de lá vim para o Paraná e depois Rondônia. Dessa forma os incentivos da migração realizada pelo governo no exTerritório Federal de Roraima que propagandeava o fácil acesso a terra para a agricultura familiar. chegando a ter mais de cem mil famílias acampadas aguardando lotes. . á disponibilidade de terras. é nesse contexto que Roraima torna – se para muitos a última rota de migração. oriundos especialmente das regiões nordeste. apresenta alto grau de espontaneidade.

RG e principalmente o Título de Eleitor. arroz. A alimentação era preparada no decorrer da viagem em fogareiros. 2004. sem maiores planejamentos e estrutura. Essa realidade de assistencialismo se verifica na fala da Senhora Verônica do Rosário: O Ottomar ajudava muito o povo. á beira dos rios e igarapés. porcos. coivara. tomar banho e alimentar – se durante a viagem. Na visão dos autores Becker e Egler (Apud Santos. em grande parte porque as formas tradicionais de fidelidade eleitoral – .61 por terra (. tem muitas pessoas aí que tem casa até hoje que ele deu. parava na estrada pra cozinhar. dava sementes de feijão.) todo mundo que vinha pra cá só vinha de pau de arara. era muita cesta básica. atingiu níveis sem precedentes na história brasileira. p. Nessa época. Na verdade.. enquanto não se plantava no lote. galinhas.141): O clientelismo. em todas as semanas no aglomerado de São João da Baliza chegavam paus – de – arara lotados. milho. como também a tiragem de documentos como: CPF. a mudança geralmente era realizada com poucos móveis. Conforme o relato da depoente acima. o então Governador Ottomar de Souza Pinto (1979 – 1983) nesse primeiro mandato fez uma política assistencialista com recursos do Governo Federal. brocando roças alheias. como batimento de arroz. aproveitando para fazer a política assistencialista em torno da distribuição de cestas básicas. vimos em duas. Então os políticos neste período já se aproximavam dos futuros eleitores. o Ottomar foi um governador muito lutador pro povo. tem gente que chegava fraquinha. com o passar do tempo construíam seus barracos provisórios e desenvolvia algum tipo de economia informal. só carro lonado por cima. com duas ou três famílias em cada um deles. instrumento para obter votos através da troca de favores e bens públicos. construção de barracões para as famílias. o Ottomar era gente fina. baseado em Santos (2006) e Lobo Junior (2008). tudo isso vinha nos paus – de – araras. e outros. prática que veio a se tornar marca registrada de seus governos posteriores. mulheres e crianças ficavam em busca de alimento e casa para alugar. nós e outra família nesse pau de arara. nós gastamos oito dias. eu falo o que é o que é certo né. Ao chegarem às localidades ao longo da Rodovia Perimetral Norte os homens. muitas das vezes eram levados animais domésticos: cachorros. lugares esses onde se constituíam em espaços para se lavar as roupas das crianças..

e com a quantidade de chuvas. regionalizados denominado de Pólos Agropecuários e Agrominerais da Amazônia (POLAMAZÔNIA)21. Já outras famílias se dirigiam da BR – 174 diretamente para BR – 210 até conseguirem retirar sua terra e seu lote. então chegando a Manaus. Depois meus pais vieram pa 21 O Polamazônia no ex – Território Federal de Roraima denominou-se POLORAIMA. . Em Rondônia estávamos bem estruturados na agricultura. criar colônias. a classe política local liderada pelo ex – Governador Ottomar Pinto se institui através de relações clientelistas. é um dos membros mais antigos do Sindicato – Cearense criado no Mato Grosso. Inclusive tra balhava com semente de arroz e milho fiscalizada para plantio em outros estados no ano de 78 a 81. Nesse aparato a intermediação por acesso a terra. 2010). primeiro tive um estágio em Rondônia onde vivi 11 anos na cidade de Ouro Preto. pela BR – 319. e as políticas públicas custeada pelo Governo Federal. assim como a ação de instalar os assentados vieram através do grande programa de gastos Federais. e sempre trabalhei na agricultura. Os recursos estavam previstos e não foram poucos. feijão e arroz. até chegarem a antiga Vila do Incra² (hoje município de Rorainópolis). passaram a ser vistas como liberalidade e trabalho dos políticos locais. ainda reside no município do Baliza com sua esposa e filhos (SANTOS. este programa de âmbito regional seria a estratégia da política de desenvolvimento e integração nacional. Segundo Santos (2010).62 baseadas na propriedade da terra – foram profundamente abaladas pela mobilidade da força de trabalho e ameaças pelas novas territorialidades. 22 Ex – Diretor do Sindicato Rural de São João da Baliza. os recursos das Brs 174 e 210. mas por causa dos meus pais que são nor destinos e gosta de andar e eu como filho obediente aos meus pais e sempre acompanhei para que a família não se separa. onde vendia muita semente para Roraima era semente para plantio. em entrevista concedia a Maria José dos Santos (2010) o depoente assim afirma: Eu sou da Bahia. trabalhei em Mato Grosso e em Rondônia com a semente fiscalizada por causa disso passei a ter conhecimento das regiões da Amazonas. fui criado no Mato Grosso. a viagem de Rondônia até Manaus durava de oito até quinze dias. tinha uma área boa e éramos produtores na região de milho. onde aguardavam para fazerem seus cadastros no Instituto. articulada pelas forças políticas de então. provir a regularização fundiária. Contribuindo para esta evidência me utilizo aqui do relato do Senhor Eupidio Leite Araújo22. esta variação conseqüentemente seguia de acordo com a época. passou a ser uma nova forma de comprar votos. por exemplo. Para Lobo Junior (2008). esses migrantes seguiam para Roraima pela BR – 174.

pois com os novos colonos sendo oriundos de outras frentes de colonização na Amazônia. para os indivíduos ou grupos sociais que a compõe e a caracterizam. 1993. com graus diversos de autonomia.14). que 60. apresenta interações particulares com as heterogeneidades de uma formação história – social concreta que tende assumir feições próprias. 2005. o mesmo Barbosa (1993).7% (2. apesar de pouca expressão no contexto nacional. Conjunto de agricultores de uma região. constatou de acordo com as informações colhidas no Centro de Recepção e Triagem de Migrantes (CETREMI) no ano de 1981. pois seu conceito varia bastante. diferenciadas e com implicações distintas.24) que considera a migração: (…) fenômeno complexo essencialmente social com determinações diversas. a minha chegada em Roraima foi em Novembro de 83. p. representariam uma forma de expansão da fronteira caracterizada por um campesinato23 diferenciado. Destes. 1993). se dedicam a atividades agrícolas. 4% dirigiam – 23 São grupos sociais de base familiar que.500 pessoas) da população de migrantes triados destinava – se á zona rural. onde ele considera que “O processo de migração deve ter como unidade de análise o grupo social. nessa perspectiva o nosso trabalho terá como base a definição apresentada por Salim (Apud vale. onde estou até hoje. uma vez que as memórias que estamos partilhando são dos migrantes. Observamos em Silveira & Gatti (Apud Barbosa. mas já estão recu perando e vai voltar funcionar novamente. ao mesmo tempo devemos distinguir muito bem as causas estruturais de ordem – econômica que impulsionam as populações a migrar. que hoje não existe mais. Considerando aqui a importância dos migrantes. como sujeitos históricos que carregam as estratégias de lutas construídas nas próprias experiências sociais destes convêm destacar nesse momento José Vicente Tavares dos Santos na obra: “Matuchos: exclusão e luta: do Sul para a Amazônia”. e os motivos subjetivos dos migrantes para seu deslocamento” (SINGER apud SANTOS. Estes teriam sofrido o impacto de uma maior demanda por terras ou mesmo passado pelo processo de “fracasso” dentro da agricultura nestas áreas. adotaremos também a definição de migração. de um Estado. . que a oferta de terras em Roraima e o surgimento de um fluxo migratório mais intenso. na época tinha estrada a gente vinha de Porto Velho a Manaus por estrada era a Br 319. De modo geral não é tarefa simples conceituar migração.63 ra Roraima e gostaram muito e agente acabou mudando. p. Nessa conjuntura.

só permaneceu no papel.6%). fato esse que nunca se concretizou como também a distribuição de recursos para a construção de casas. atingindo áreas rurais e urbanas. . os obstáculos de acesso aos lotes que ficavam distantes dos pequenos aglomerados urbano. Constata – se ainda conforme Barros (1995). Plasmodium malarial e Plasmodium ovale: os dois primeiros ocorrem em nosso País e são mais freqüentes na região Amazônica. Porém. onde atualmente estão localizados os municípios de São Luiz do Anauá e São João da Baliza.000 famílias em lotes agrícolas. leishmaniose e tuberculose. somadas a esse ambiente inóspito. como o Plasmodium vivax. que estavam inseridas em projetos. com isso era precário o acesso aos técnicos da SUCAM atual (Fundação Nacional da Saúde). esta se associa a presença de fluxos migratórios em direção a garimpos. Plasmodium falciparum.64 se para áreas de garimpo e 96% para as novas fronteiras agrícolas que estavam sendo abertas. além disso. uma dramática realidade nas áreas de colonização ao longo da Rodovia Perimetral Norte: trata – se da malária24. diferentes daquelas que fugiram. pois ainda não existiam as vicinais. e ao aumento da disponibilidade hídrica no período das chuvas. na chegada aos lotes começam a aparecer às dificuldades. Nesse sentido o Governador Ottomar Pinto. anunciou sua intenção de estabelecer 50. A malária é endêmica em Roraima. com um total de 1. outras doenças alcançavam grandes números de colonos como à hepatite. Contudo o maior fluxo dirigia – se ao trecho do Sudeste da BR – 210. tirando proveito da prática assistencialista. esta reduz a qualidade de vida e a capacidade de trabalho do colono e de sua família.339 pessoas (53. mas tão difíceis quanto. nesse sentido a década de 80 fora marcada por um abandono dos colonos que não recebiam incentivos por parte do governo local. pois não podemos afirmar o que é pior: a falta de terra ou a falta de condições para permanecer nela. 24 A malária é causada por protozoários do gênero Plasmodium. a chegada aos lotes só era possível apenas através de picadões. na verdade as famílias nunca receberam nenhum tipo de material ou recurso.

dessa forma o princípio de ocupação está relacionado a aspectos determinantes ligados a esse fim: como através de acampamentos da Construtora Paranapanema e de Assentamentos espontâneos ao . os primeiros moradores se instalaram durante a abertura dessa rodovia de forma espontânea. foi quando o João Pereira chegou na mesma época em 1975. deixei o arroz grande. a empresa era a Paranapanema. eu sai da firma e fiz uma roça. tinha um morador ali na frente no Caroebe. em 1974. fui buscar a família. eu sai daqui. Essa ocupação pioneira se deu pela estrada recém-aberta. uma queimada e fiz outra bem ali. eu colhi. Essa entrevista acaba dando indícios ao processo de surgimento onde hoje se localiza o município de São João da Baliza na década de 1970. porém. trabalhei nessa estrada (BR 210). Nessa época de oito meses. deixei plantada. apresentamos a realidade vivenciada pelo Senhor João de Deus – um dos primeiros moradores da localidade em um dos trechos da entrevista concedida para esse autor: Cheguei aqui. não morava ninguém aqui. que vieram a incentivar a expansão dessas. tirando madeira pra fazer ponte. São Luíz do Anauá e. de trabalhar em serviço de ponte. retornei dois meses depois. a partir de então. tiveram suas origens a partir da abertura da Rodovia Perimetral Norte. outro no Anauá e no quinhentos. quando eu cheguei o arroz tava todo maduro. Não tinha nada aqui. mas eu cheguei primeiro. de acordo como os projetos governamentais. e que. mais tarde Caroebe. Eu era empreiteiro. Aí quando foi já em 1975. o primeiro que fez o barraquinho fui eu. eu passei oito meses nessa estrada. localizadas no Sudeste de Roraima. eu comprei a roça de um homem lá no quinhentos.65 CAPITULO III SÃO JOÃO DA BALIZA: DE VILA A CIDADE DE 1974 A 1985 Com a abertura da BR – 210 foram se organizando diversos projetos agrícolas. Essa ressalva nos permite observar que tanto São João da Baliza. se criaram os projetos de colonização agrícola. Para clarear essa observação. aí plantei. eu plantei e fui embora.

se deparavam com uma realidade não muito promissora. na expectativa de adquirir um lote vizinho ao que ele estava residindo. os migrantes chegavam em grande número de várias partes. portanto negando a importância da chegada destes migrantes na região: Aqui. entre eles maranhenses. . quando demos fé chegou. nós era invasor. chegou 18 policiais. para desenvolverem a agricultura de subsistência. formando-se a partir da iniciativa simples de alguns aventureiros. mas não recebiam assistência técnica e nem apoio por parte do Governador da época Ramos Pereira (1974-1979). não houve por parte deste interesse nenhum em apoiar a criação de assentamentos. assim o aglomerado vai surgindo. Posteriormente a partir dos anos de 1978 e 1979. era uma área que não pertencia ao Estado. Mas ao chegarem à região. e daí ninguém saiu. haja vista que seus lugares de origem já não lhe ofereciam oportunidades de possuir um pedaço de terra. paranaenses e catarinenses.25 Ainda conforme o relato do Senhor João de Deus esse afirma que no governo de Ramos Pereira. Nesse espaço de tempo entre os anos de 1977 a 1982 o aglomerado de São João da Baliza foi se intensificando. Nesse processo os indivíduos foram chegando e se assentando naquela área. aí com pouco tempo ele. Essa é uma informação importante o que acaba evidenciando o não apoio governamental. lembrando que ainda não existia nenhum projeto de assentamento oficial para a área. tampouco a documentação legal que lhe assegurasse “o título definitivo da terra”. ele queria que nós não ficássemos aqui. p. muitos moradores ao se estabelecerem mandavam buscar suas famílias. aí nós fiquemos com a cara pra riba. não deixou nenhuma arma nossa. ele não deu apoio de nada. ele ainda tava no governo. aí ele mandou os policiais.92) descreve o seguinte: 25 Título emitido pela União para pagamentos de desapropriação para a reforma agrária. por que ele disse que aqui não pertencia.66 longo de seu percurso. Isso foi em 1976. nós morava lá em cima ali. pois muitos deles vinham sozinhos conhecer a realidade da região. ele usou o termo que nós éramos invasores. pois havia divergências no tocante ao modo pelo qual a colonização ocorreria e interesse em conter a colonização espontânea e “desregrada”. tomou tudinho. isso aí ele falou. gaúchos. ele queria era expulsar nós daqui. uma vez que se apossavam das terras. Contudo segundo Santos (2010. tomou tudo quanto que foi arma nossa não deixara nós com nenhuma espingarda aqui.

pra cá do São Luiz um pouco. nada. Então. o mesmo definia os lotes. . aí chegava aqui não tinha terra mas na beira pra distribuir que eu distribuir daqui pro Taboca. nada era o João Pereira eu dava um documento. chegavam de pau – de – arara de todo o jeito. do Goiás pra cá. se auto denominou administrador do vilarejo a partir do ano de 1977. com a chegada dos primeiros migrantes. quem tira é eu. coberto de palha e os cabas se arranchavam aí. antes mesmo do término da construção do trecho concluído até o rio jatapu. já que não existia qualquer intervenção política efetiva na área e nenhum projeto de regularização por parte do Instituto Nacional de Colonização e Reforma e Agrária (INCRA). (72) anos. quando o pessoal chegava. Este grupo de migrantes vindos da região de Goiás foram os primeiros a retirarem lotes e iniciar a abertura da floresta. do Sul. eu sou governador. um documentinho que eu dava. mas o povo que vinha lá de fora me acompanhando de lá. cabia pro banco recebia o financiamento como fosse um título definitivo que eu achava melhor que o título definitivo hoje. governador não gostava deu. graças a deus e foram minha vida continuou aqui. admi nistrador quem bota sou eu. fazer os primeiros traçados para as construções de casa na margem da Perimetral Norte. se vocês quiserem trocar o administrador. 36 anos já aqui. inventei vicinais. nessa casa. Ele vinha aqui chegava e falava: Olha gente. onde até hoje se encontra suas residências. aí abrir essa daqui.67 As primeiras construções da antiga vila de São João da Baliza foram basicamente iniciadas por seis famílias que chegaram á região ainda da década de 1970. Dentre estas famílias podemos citar a do João Pereira e João de Deus. do Maranhão. eu tinha uma casa que eles chamavam Hotel Calango (risos). ficava aí. nada. Vila Moderna. migrante do Estado do Maranhão um dos pioneiros da cidade de São João da Baliza e administrador único a partir do período de 1977 a1982. não tinha nada. do Maranhão. Não tinha INCRA. mas eu nunca eu achei durante esses sete anos. medindo-os e distribuindo. feito aí a granel. pelo o que eu fazia o governador não gostava deu. mas ir fechava os olhos. Nesse contexto destacamos a seguir o importante depoimento de João Pereira da Silva. daqui pro. dois precursores da futura vila de São João da Baliza. era aberto. uma pessoa pra levantar a mão e dizer: eu quero que tire o João Pereira. gente não brasileira e eu enfiava gente aí nas vicinais. eles chamava. Nessa conjuntura o Senhor João Pereira. eu nunca achei. de acordo com a ordem cronológica foram se formando as seguintes vilas na região sudeste do Território Federal de Roraima: Vila do Novo Paraíso. uma forte liderança no processo dessa conquista: Eu fui administrador do dia que eu cheguei até o dia que passou a ser cidade. abrir 10km. Vila São Luiz do Anauá. se vocês quiserem qualquer pode levantar a mão aí. e pedir a saída do João Pereira. (apontando para a direita).

vamos morar numa cidade aqui. fiquei sabendo da região através de amigos. No caso da Vila de São João da Baliza o espaço físico dessa. assim os barracos foram sendo estruturados. o povo dizia que tava sonhando. aí eu fiz um negócio com ele mil e quinhentos metros de terra. um dos pioneiros da cidade: Eu tava passando uma temporada em Goiás. como também o nome de santos que indicam uma filiação religiosa dominantemente católica nos anos primeiros de sua colonização e por fim Baliza devido uma disputa entre topógrafos que estavam abrindo a BR. desejaram – lhe mudar o nome para a Edna Lúcia. foi crescendo. vim de lá pra cá. pra fazer uma cidade eu dizia nós vamos ter uma cidade aqui. rapaz sai daqui.. Isso foi em 1975. foi criada a Vila de São João da Baliza. onde nunca andou gente. cunhado. tava caducando. Caroebe.. primo. terminou fazendo uma cidade. Entre Rios e Jatapulândia. Quando eu cheguei fizemos esse quarteirãozinho aqui pra se municipalizar. iluminei ficou bonitinha. nossa profissão era matar gato e onça naquela época tirava o couro pra vender nesse tempo era melhor do que garimpo. Macapá não presta não. comprei esses mil e quinhentos metros de terra dele. ele veio em Outubro com a família e eu vim em Dezembro. Em 1977. No ano de 1978. aí aquilo foi se agrupando aqueles que moravam lá no mato eu ía lá. o motor encostado aqui. era mole demais agente pegava bicho manso besta aí foi quando eu falei pro Raimundo Bezerra que eu vinha mariscar em Macapá. Quando chegamos aqui a firma tava trabalhando aqui a Paranapanema. aí ele me tirou.. montei aqui. aí eu me agradei demais eu gostei. aí o povo passava aí na cidade faltava era cair. aí foi fechando. permanecendo o nome original que se relaciona devido à quantidade de “João” do vilarejo. Nesse contexto de surgimento da vila de São João da Baliza. Foi quando ele disse: Se besta rapaz. anos após a fundação desse aglomerado. pensava eu que a terra aqui era que nem no Estado de Goiás difícil. Eram poucos moradores. expomos aqui trechos da entrevista realizada com o Sr. vamos se agrupar. nós trabalhávamos. floresta nova. já tava compadre Didi. foi tudo assim de imediato. eram trinta e poucas pessoas. As construções foram melhorando. tio. Entretanto segundo o Senhor João de Deus os moradores não aceitaram.210 pela empresa Paranapanema foi quando a baliza caiu no igarapé Santa Lúcia (igarapé Baliza atualmente) e daí deriva este nome São João da Baliza. aí vim direto pra essa terra aqui trazendo minha família toda. bom é Roraima. filho irmão. eu tava querendo ir pra Macapá aí ele foi e me tirou. vamos pra cá. né. aí eu fiz um negócio com ele.68 Vila de São João da Baliza. quando eu cheguei aqui. Porém autoridades governamentais. enfiei nesses quadrinhos aqui. sogro. eu botei luz aqui. comprei um motorzinho. lentamente transformara-se e aquele minúsculo aglomerado que muitos encontraram com uma ou duas ruas. . constatado em Santos (2006). rapaz – olha aqui uma cidade bonitinha dentro do mato. no que ele me falou que tinha tirado uma terra aqui muito boa na beira da BR. larga isso de mão. João Pereira da Silva.

já que haviam despontado anteriormente. Então a partir da BR 174 e 210 é que o fluxo migratório tornou-se mais intenso. e de parte da BR – 210 que se verificou a expansão da atividade madeireira. Dessa forma a mesma ressalta que foi a partir da construção da BR – 174 Manaus/ Boa Vista. aos colonos.Território Federal de Roraima.69 Com a formação de novos povoados. particularmente em Roraima. a trabalhadores madeireiros. feijão e também se praticava o extrativismo vegetal. O final dos anos de 1970 e início dos anos de 1980 foram de intensa exploração de madeira. para evitar os então assentamentos espontâneos”. Silva (2007). p. ratificando a figura do posseiro culminando com os projetos de assentamentos rurais executados no sul do ex. e a partir dessa ocupação espontânea. Segundo informações dos primeiros moradores esses produziam arroz. O princípio da ocupação onde atualmente se localiza o município de São João da Baliza ocorrerá na década de 1970. colaborando assim para o surgimento de pequenas vilas. adotando medidas de distribuição de terras. “Essa ocupação pioneira se deu pela estrada recém aberta. a administradores do projeto.133). Nesse entendimento conforme se lê em Silva (2007. tais como o de São João da Baliza. devido ao grande número de migrantes que chegavam a meados dos anos de 1970 até 1985/1988. esses surgiam como ofertadores de serviços a viajantes. milho. Então com a criação dos Projetos de Assentamentos (Jauaperi 1982 e depois Jatapu 1983) diversas pequenas vilas agrícolas foram se formando dentro desses projetos. Para Maria das Graças Santos Dias Magalhães (2008) a atividade extrativista sempre esteve presente no processo de ocupação e de colonização da Amazônia. . temos o exemplo à vila de São João da Baliza que se transformou em embrião das chamadas cidades pioneiras. a administração do município de Caracaraí ficou encarregada de dirigir a migração e a colonização.

localizada numa faixa de floresta tropical densa. em outras palavras a gleba Jauaperi. baseado nas entrevistas citadas até o presente. 2007 Importa destacar que nesse momento. Deste modo. englobando parte das colônias de Vila . o Território Federal de Roraima tinha apenas dois municípios eram eles: Boa Vista e Caracarai. que até os primeiros anos da década de 1980. Fonte: SILVA. percebemos que Maria José dos santos (2010) acaba tendo razão ao afirmar que o poder público realmente era completamente ausente desse processo de colonização.70 Mapa 3: Divisão de Roraima em Municípios anterior ao ano de 1982.419ha. compreende uma área de 312. conforme o Mapa 3 acima.

São Luíz. conforme Barros (1995) de quatro em quatro quilômetros aproximadamente e em seguida pontes de madeira foram sendo construídas para vencer as linhas de drenagens nas vicinais. Partindo da idéia de sistematizar o surgimento das cidades em Roraima o Professor Drº Paulo Rogério de Freitas Silva (2007) em “Dinâmica territorial urbana em Roraima – Brasil”. A agricultura na vila de “Baliza” como em toda região Sudeste de Roraima. elaborou uma tabela que especifica o processo disposto para cada uma delas. banana e mandioca. era baseada na pequena produção de arroz. No ano de 1982. as frentes dos lotes já apresentavam inúmeras benfeitorias como: casas. pelo fato da produção ser tão pequena que servia apenas para subsistência dos próprios agricultores. O período de 1981 a 1984 caracterizou-se por grande chegada de imigrantes ao Território Federal de Roraima. milho. feijão. São João da Baliza e Caroebe á margem esquerda da Perimetral Norte surgiu de uma colonização espontânea no final da década de 70. que se tornou o caminho principal (rodoviário) de chegada a Roraima. Devido à proporção que as terras ao longo da Perimetral Norte iam escasseando. galpões. o então município de Caracaraí e a administração do ex. Com o decorrer do tempo a vila de São de João da Baliza começou a se formar como núcleo urbano e aos poucos a localidade foi ganhando corpo de cidade. .71 Moderna. as margens da BR 210. dirigiam-se as colônias localizadas as margens das BRs 210 e 174 para a região sudeste. pastos e roças e as vicinais estavam em conquista. pela BR 174 (vindos por Manaus). neste período.Território Federal de Roraima foram abrindo vicinais. quando da abertura da estrada. Segundo Barros (1995) cerca de 42% dos imigrantes que chegaram a Roraima.

a apresentação da Tabela 2 acima sistematiza o tempo desse despertar e o processo determinante para cada uma. das fazendas nacionais e privadas. Final do século XIX e início do século XX Final do século XIX e início do século XX Década de 1910 Caracaraí Pioneirismo pecuário/espontâneo Bonfim Pioneirismo pecuário/espontâneo/ Garimpo Atividade garimpeira Década de 1930 Normandia Uiramutã Atividade garimpeira Ano de 1944 Colônia Agrícola Fernando Costa/ Mucajaí Primeiro projeto de assentamento agrícola Ano de 1944 Colônia Agrícola Braz de Aguiar/ Cantá Alto Alegre Primeiro projeto de assentamento agrícola Ano de 1968 Ano de 1972 Assentamento espontâneo/ projeto de assentamento Década de 1970 Vila Nova/ Iracema Vila Brasil/ Amajari Vila de BV8/ Pacaraima São João da Baliza Década de 1970 São Luiz do Anauá Evento rodoviário Década de 1970 Caroebe Evento rodoviário Ano de 1975 Década de 1970 Ano de 1979 Vila do Incra/Rorainópolis Evento rodoviário Atividade garimpeira/pecuária Pelotão militar de fronteira Evento rodoviário Projeto de assentamento agrícola Fonte: SILVA. dos aldeamentos. até chegar à condição de freguesia.72 Tabela 2: Seguimentos determinantes para o surgimento das cidades em Roraima. Tempo No decorres dos Séculos XVII. XVIII e XIX Nome do Lugar Processos determinantes Boa Vista Interrelacionam –se fatos referentes á instalação do forte. . onde se classificam as atuais quinze sedes dos municípios. 2007 Nesse ensejo em que se periodiza o surgimento das atuais cidades de Roraima.

obedeceriam aos interesses vinculados aos políticos da elite local. Paulo Barbosa que segundo o Sr. Normandia. afirma o Sr. Mais tarde no ano de 1992. João Pereira. João Pereira o mesmo residia na capital Boa Vista. É a partir daí que a cidade começa a ser organizar politicamente para a conquista de espaço territorial e como também a formação de redutos políticos que aos poucos vão se formando e se consolidando. São Luiz do Anauá e o já citado aqui São João da Baliza. contudo. Percebe – se que os interesses político – eleitorais podem ser apontados como incremento para o processo de “independência” de São João da Baliza. Bonfim. eleito pelo voto direto e novamente sob a vanguarda do ex – governador Ottomar de Souza Pinto. Mucajaí. Entretanto são necessárias novas pesquisas para avaliar melhor essa discussão. Na sequência abaixo Mapa 4 com a divisão política de Roraima em Municípios a partir do ano de 1982. Na sua primeira gestão (1982 á 1895) sob a tutela do Governo do Território abriu vicinais. já se aproximara o fim da ditadura e mediante o decreto – Lei Federal nº 7009 de 1º de Julho de 1982. . foi criado o município de São João da Baliza com terras desmembradas de Caracaraí. A emancipação política de seis novos municípios foram esses: Alto Alegre. com sua municipalização Baliza passaria a responder também pela vila de Caroebe. pois foi marcado por várias irregularidades ressalta o entrevistado desse autor. o surgimento dessas novas unidades municipais absorveria o aumento populacional como também pleiteava a articulação visando á passagem de Território para Estado.73 Em 1982. inaugurou a primeira escola no ano de 1982 na sede do município. Paulo Barbosa se torna novamente prefeito dessa mesma cidade dessa vez. porém era amigo do então Governador. poderia ter feito mais. Nesse ano de 1982 o governador Ottomar de Souza Pinto nomeia o primeiro prefeito do recém-criado município de São João da Baliza trata-se do Sr. no seu segundo mandato pouco fez pela cidade.

Também iniciaram as instalações dos órgãos oficiais do governo como Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). 2007 A cidade de São João da Baliza foi sendo organizada de início. as construções foram melhorando. Santos (2006) aponta que em seguida a prefeitura estipulou lotes de 30 a 50 metros para os colonos. Instituto de Terras e . e estes já organizavam passando a escolher os nomes de avenidas e ruas. essas construções segundo a entrevistada Maria Dionísia ocorriam as margens da Rodovia 210 e só depois que surgiram as primeiras ruas que estavam voltadas para as vicinais. Neste ambiente começavam a chegar os primeiros caminhões vendendo alimentos de Manaus e da Capital Boa Vista. de maneira espontânea. os barracos foram sendo estruturados.74 Fonte: SILVA.

75 Colonização de Roraima (ITERAIMA). as culturas permanentes do café. Contudo. Aos poucos. Superintendência das Campanhas de Saúde Públicas (SUCAM). milho. quando esse dirige para os trabalhos na roça. João Pereira da Silva apresentado agora: . galinhas. isto é perceptível no forte depoimento do Sr. com a conquista do solo a floresta. a caça de peles. Este arroz atingia os mercados de Manaus e Boa Vista. mandioca e feijão. denominada “mariscagem” foi muito significativa devido à grande presença de animais como os gatos maracajás e a onça pintada. a pele desses animais era comercializada na região local e em seguida era negociada no comércio de Manaus. Nesse sentido a mariscagem desponta dentro do campo das atividades econômicas. e começo da ocupação (1976/1983) dessa área que corresponde à cidade de São João da Baliza. 1982). grande parte do arroz produzido. ou para caminhadas mais longas. coleta ou visita. a anta. É necessário frisar que a caça. o veado mateiro e aves como: mutum e o jacamim. aquela em que o indivíduo dedica horas. que também passou a ser combatida de todas as formas. exerceu e exerce grande importância nessa região. A agricultura da região era constituída basicamente pelas culturas de subsistência. do cacau. como também a chamada caça de “esperas”. e em destaque a da banana foram sendo introduzidas. o colono conduz sua espingarda para abater um animal que eventualmente apareça á sua frente. Segundo Santos (2010) a atividade da mariscagem aparece como primeira forma de obtenção de capital e representou uma estratégia importante para a compra de alimentos e a sobrevivência na chegada dos migrantes. pelo perigo que elas representam para as crianças quando caminham ao longo das vicinais. No caso da pecuária era pasmada. organizando-se ás vezes a caçada dela que passa a freqüentar os lotes. e por comer as pequenas criações (porcos. era comercializada pela Cooperativa Agrícola Mista de Novo Paraíso – COOPARAÍSO (INCRA. e mais voltada para o consumo de leite da família do parceleiro. patos e bois). tais como: arroz. a cotia. nos anos iniciais da construção da Perimetral Norte (1974/1976). Os animais mais freqüentemente caçados são o porco do mato. o feijão e a mandioca eram produzidos para consumo próprio. No ano de 1982. Sua importância deriva da participação da carne de animais silvestres na alimentação da família do colono.

em 1983. Quanto à pesca essa nunca se constituiu numa atividade de destaque na faixa da BR 210. era mole demais agente pegava bicho manso e besta.76 Nossa profissão era matar gato e onça naquela época tirava o couro pra vender. em Baliza havia 1768 casas. Barros (1995) aponta que esse declínio está associado às chuvas intensas nos anos de 1988/1989. A partir de sua emancipação e abertura de novas vicinais fora crescente a chegada de novas pessoas na cidade. inclusive ás margens do Rio Branco. No período correspondente (1987/1990). e o criatório e a formação de pastos se aceleraram. Em relação à derrubada de árvores com o tempo foi se esgotando a madeira de valor nas margens da BR 210. Já caça de grande importância para os moradores da cidade e vicinais nesse período tem se reduzido e exclusivamente se restringe á caça para fins alimentares. as vezes intrafegáveis devido às condições das rodovias e das vicinais. por vezes abrindo picadas (trilhas) para dentro da floresta. São João da Baliza ainda quando . as culturas permanentes não se expandem.509. e no começo das vicinais. verificando-se uma duplicação no número das mesmas nestes cinco anos. coleta de castanha e a pecuária. tendo o café e o cacau desaparecido. Nesse momento o mercado de terras se tornou lucrativo. restando a banana. onde nunca andou gente. Na visão econômica predominam a exploração de madeira. que somadas às difíceis condições de escoamento da produção agrícola. Conforme dados da antiga Superintendência das Campanhas de Saúde Pública – SUCAM.de proibição á atividade. a grande distância para os mercados de Manaus e Boa Vista. e em 1988 foram constatadas 3. paradoxalmente do que acontece em amplas partes da bacia amazônica. Em 1980. então as serrarias vão buscar madeira nas áreas mais longínquas das vicinais. nesse tempo era melhor do que garimpo. pois a ação o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente – IBAMA. tem contribuído para o declínio da mariscagem. É partir daí que surge a atração da força de trabalho familiar dos colonos para os garimpos no oeste de Roraima. Através dessa narrativa é possível confirmar que no contexto econômico as primeiras experiências nessa região foram atribuídas a mariscagem. tão quanto em São João da Baliza.

uma vez que esses acabavam passando mais tempo na beira da estrada ou em grandes viagens do que propriamente na sala de aula.77 vila. p. Na década de 1980. nesses momentos se formavam uma relação de identidade apesar das diferenças culturais. percorrendo uma distância de 313 km. em forma de lotação. . Tabela 3: Evolução populacional de São João da Baliza de 1980 a 1991 Ano 1980 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 São João 1. seria preciso se deslocar para a Capital Boa Vista. esse da instalação do agora já Estado de Roraima.170 8. conforme palavras do Senhor João de Deus como todos eram recém-chegados. Então. de acordo com o censo de 1980 (Apud BARROS.170 10. Contudo Santos (2006) registra que a situação dos alunos assistidos na área rural (vicinais) no final dos anos de 1980 era bem pior. caso os moradores precisassem de atendimento especializado. na saúde havia exigüidade de médicos.113 8. esses festejos era a oportunidade dos moradores da sede da cidade e colonos das vicinais fazerem amizades. quando São João da Baliza ainda vivenciava uma pequena Vila percorrendo os períodos que datam logo após a sua emancipação. Nogueira (2011) Elaboração: Charlecion Costa Paiva Essa tabela apresenta o salto populacional a partir do ano de 1980.143 Fonte: IBGE/RR.225). namoros e até casamentos aos poucos esses moradores se conheciam proporcionando a integração entre eles. 1995. alcançando até o ano de 1991.316 6.843 5. hospitais e medicamento. para os colonos as vicinais eram servidas por caminhões e caminhonetes. momento.531 habitantes. No ponto de vista educacional o município logo depois de sua emancipação estava à mercê de uma única escola inaugurada no ano de 1982 na sede do mesmo. a população residente totalizava 1. dança do “bumbá meu boi” forte tradição maranhense).531 da Baliza 4. quermesses da igreja. Entretanto os finais de semana eram muito festivos (forrós. Barros (1995).000 5.

1995. postos médicos. Mas inicialmente a pauta de reivindicações girava em torno dos financiamentos públicos como estruturação das vicinais. Essa mesma igreja teve ligação intensa com a organização do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras rurais de São João da Baliza no ano de 1982. o período de trabalho mais árduo ainda. entretanto não chegavam até os colonos. Constatando esse momento. uma vez que para o Território destinavam milhões em recursos financeiros. “Essa rotina se realizava de segunda a sexta. pois necessitavam se deslocar para a mata realizando a derrubada da floresta para fazer a roça.163) pertencem a terras indígenas da etnia Wai Wai. Quanto á área de colonização possui “749 lotes e 26 Disponível em: http://www.78 A Igreja Católica foi a primeira a chegar ao município. escolas. Acesso em 12 de Junho de 2012. .7km². e alguns a prolongam até os sábados” (BARROS. O cotidiano dos colonos nessa localidade era difícil. final da década de setenta e início de oitenta. Esta organização buscou enfrentar os desafios impostos aos rurais e propor meios alternativos de desenvolvimento da agricultura familiar. como também a busca por benefícios previdenciários. com a orientação e apoio da CPT – Comissão Pastoral da Terra do Amazonas começaram as discussões para a construção do movimento dos rurais. 2009. Maria José dos Santos (2006.324. O embate por terras com pecuaristas e latifundiários a princípio não aconteceram.rr. com os padres Diocesanos Nilvo Pasa e Vitélio Pase.”26 sendo que (41. nesse sentido as primeiras lutas do sindicato ocorreram a partir das reivindicações aqui citadas. trazida pelos fundadores da cidade (João de Deus. 56%) (FECOMÉRCIO. com apoio. salário maternidade e título definitivo dos lotes.56) em A Implantação dos Projetos de Assentamento e a Criação do Sindicato Rural em São João da Baliza nas décadas de 1970 a 1990 descreve: Neste período. inclusive financeiro. João Bezerra). estradas.br/index. p. p. da Paróquia de São João Batista. Acrescenta-se que o município de São João da Baliza possui uma área de “4. aposentadoria. sua primeira sede localizava-se onde hoje se encontra a Agência do Banco do Brasil.php?option=com_content&view=article&id=8714:saojoao-da-baliza&catid=161&Itemid=238. Segundo o Senhor João Pereira inicialmente conduzido pelo Padre Zezinho.232). p.gov.

mediante a aprovação da população diretamente interessada através de plebiscito e do congresso nacional por lei complementar.se entre si.se ou desmembrar – se para se anexarem a outros. freqüentemente.php?option=com_content&view=article&id=8714:saojoao-da-baliza&catid=161&Itemid=238. Acesso em: 12 de Junho de 2012 . ou formarem novos Estados ou Territórios Federais. territórios da dimensão de países do velho continente. subdividir . 3.br/index. além das últimas zonas povoadas. não era sem fundamento. MELLO. Observamos nesse momento o pensamento preconceituoso desses autores quando rejeitam a existência de povos indígenas nas localidades. Óbidos. encontram-se.52) 27 Disponível em: http://www. conforme reza a constituição Federativa do Brasil de 05 de Outubro de 1988. unidades autônomas e independentes. milhares de quilômetros quadrados de florestas ocupadas apenas por grupos indígenas” (THÉRY. do Distrito Federal. Cametá). no outro extremo.rr. a precocidade da criação municipal é notável.778 habitantes. Os municípios que nasceram durante o extenso período colonial (as primeiras emancipações datam dos anos de 1530) são em geral localizados próximo do litoral. (THÉRY& MELLO. que não se sabia se seriam executadas.79 10 vicinais”27. nos Estados de Minas Gerais e Goiás ou na Amazônia (Tefé. Dados do IBGE (2010) registram que sua população atual totaliza 6. Os prazos para enviar um pedido de informação e para esperar a resposta contavam-se em meses.1 A Dinâmica da emancipação Para o IBGE (2000). e se os pequenos são mais ou menos equivalente aos europeus. a estrutura político administrativa da República Federativa do Brasil constitui-se da União. porque a Coroa não dava facilmente o título de vila ou de cidade.gov. e dos Municípios. “Estes incluem.50). já que os novos municípios eram protegidos das interferências de Lisboa pelas inúmeras semanas de navegação difícil necessárias a qualquer correspondência. vejamos: Essa cautela. p. dos Estados. para não falar das ordens. mas alguns núcleos antigos de povoamento são visíveis no interior. p. Neste último caso. Estes podem incorporar . Os municípios brasileiros estendem-se sobre um território colossal. 2005. ano. causada pelo medo de perder o poder em proveito de elites locais nem sempre dóceis.

80 Esta citação nos coloca diante de uma nova realidade. criaram-se os demais municípios roraimenses agora já na democracia. eleitorais e outros. pois hoje há um grande interesse por parte de lideranças políticas regionais e nacionais no aguardo de criar novas prefeituras e sob a expectativa de inúmeros interesses sejam eles financeiros. Ressalta-se que em Roraima. o impulso de independência tomou novo vigor. administrativo e militar na parte norte do Amazonas. ainda que dezenas de milhares de quilômetros quadrados de terras novas tivessem sido então conquistadas. que daria origem ao Território Federal em 1943. é criado o município de Boa Vista em 1890. porém o Território Federal de Roraima passou a ter mais seis. Porém. quando poucos municípios foram criados. principalmente na Amazônia. Constatamos que a criação de novos municípios corresponde a diversos períodos é como se a cada período forte da vida política excitasse uma onda de criação de novas unidades municipais como foi o caso: na proclamação da República (1889) e no restabelecimento da democracia após a queda do regime autoritário do Estado Novo (1945). Seguido a Constituição do Brasil. não foi o caso da ditadura militar (1964-1985). Considera-se que com a volta ao poder dos civis. No período militar brasileiro (1964-1985) foram criados poucos municípios a nível nacional. que facilitou a emancipação de novas comunidades. a criação das novas unidades municipais obedece ao transcurso histórico apresentado acima dessa forma: Com a proclamação da República. como um núcleo político. A criação de Boa Vista se dá oficialmente com a Constituição de 1891. Fortalecido pelas frustrações acumuladas e pela Constituição de 1988. . se esse período de regime democrático foi rico em emancipações.

cabe aqui observamos o porquê da criação das unidades municipais? Nem todas as implantações novas estão destinadas ao progresso.1991. A instalação de vários municípios na região amazônica. Fernando Collor de Mello. o Município de Boa Vista. Sua área total é de 654. p. Exemplo disso é a criação do Município de Pacaraima no Contexto da “Área Indígena São Marcos”28. até então geridas pelo Governo Federal. (que instalaram aí muitas reservas indígenas e parques naturais).81 Tabela 4: A emancipação política dos municípios de Roraima Municípios Ano da emancipação política Boa Vista 1890* Caracaraí 1955** Alto Alegre 1982** Mucajaí 1982** Bonfim 1982** Normandia 1982** São Luiz do Anauá 1982** São João da Baliza 1982** Iracema 1994*** Caroebe 1994*** Amajari 1995*** Uiramutã 1995*** Pacaraima 1995*** Rorainópolis 1995*** Cantá 1995*** Fonte: Freitas (Apud Silva. demarcada e homologada sob Decreto Homologatório Nº 312 de 29. não deixa de provocar conflitos. ao Sul. ao Norte o Município de Pacaraima e em menor parte. Então.110 hectares. pelo ex – Presidente da República Federativa do Brasil.160) Elaboração: Silva (2007) OBS. e ocupa em grande parte. Na .: * Como parte do estado do Amazonas./ *** Como Estado.10. está localizada ao Norte do Estado de Roraima. 2007./ ** Como Território Federal. a emancipação da vila de Pacaraima 28 A Terra Indígena São Marcos.

bem como garantir a posse da terra para os fazendeiros. Waipixana e Taurepang (MANDUCA. posseiros e comerciantes. 2009. . Dessa forma e com o transcurso de que a intervenção Federal sob o estado de Roraima estava prejudicando a ocupação econômica desta localidade. dentre os quais: Cantá. bem como para o próprio Estado. p.82 entre 1995 e 1996. Assim com a descentralização do poder o Governo Estadual pretendia ocupar os espaços mais longínquos da região de forma racional e organizada. Amajari e Pacaraima. SILVA. Rorainópolis.Cria o Município de Pacaraima e dá outras providências. 2007 Terra Indígena São Marcos está situado 38 comunidades indígenas dos povos Macuxi. p. de acordo com a “Lei nº096 de 17 de Outubro de 1995” 29 fazia parte do conjunto de medidas que tinha entre outros objetivos a ocupação econômica da Amazônica. centrado no velho discurso do Governo Federal.59/60). ALMEIDA. 29 Ver FREITAS (1997.151) a Lei n° 096 de 17 de Outubro de 1995 . Uiramutã. MAPA 5: Divisão do Estado de Roraima em Municípios a partir de 1995 Fonte: SILVA. o Governo do estado viabilizou o processo emancipatório de novas localidades a categoria de município no período de 1995.

Então “são essas unidades as unidades autônomas de menor hierarquia na organização político administrativa do Brasil. as novas unidades formam-se pelo desmembramento das antigas.565 municípios”30. a unidade históricocultural do ambiente urbano e os requisitos previstos em lei complementar. bem como pelo próprio Governo Estadual. seis novos municípios. em 1982. para criar. que a demarcação das terras indígenas. claro isso não implica no desenvolvimento do estado. a formalização jurídica ratifica a formação de fato de uma nova unidade dentro da antiga: um novo núcleo de povoamento forma-se numa região até então vazia (ou ocupada apenas por 30 http://www. sobretudo as que se localizam nas áreas de fronteiras tornam-se necessidades primitivas do Governo Federal. . a intervenção do Governo Federal. no objetivo de realizar melhor os próprios projetos e tendo seu governo pressionado pelos políticos locais. criou. com população distribuída no campo e na cidade. coloca-se como obstáculo aos interesses da elite local.gov. Acesso em 02 de Agosto de 2012. reconhece oficialmente a Terra Indígena São Marcos. já que desde 1982 o ex-governador Ottomar de Souza Pinto. É tanto que neste período que o então Presidente Fernando Collor de Melo (1990-1992). O território brasileiro possui “5.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza. Na realidade. Essa estratégia de criação de novos municípios não se constitui como um aspecto novo no contexto da demarcação das terras indígenas em Roraima. Em geral.83 Destacamos baseados em Santos (1998).ibge. Baseados em Théry & Mello (2005). fundir e desmembrar municípios. é necessária a criação da lei estadual. atestamos que. pois mais da metade da superfície territorial do Estado. gerou um clima de insatisfação para os políticos e fazendeiros locais. sendo que. incorporar. observando como critérios a continuidade territorial. bem como intensifica o processo de demarcação de outras áreas no estado de Roraima. uma vez partes dessas terras já foram ou estão em processos de ocupação por parte de particulares. Dentro desse contexto de municipalização. três dos quais em área indígena. é importante observar que a demarcação de áreas indígenas. corresponde a terras que estão sob o controle da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA).php?id_noticia=1766.

são requisitos mínimos para a criação de novos: I . quando no Artigo 1º explica que: “Ficam criados. eles não suportam mais ficar sem a representação política de seus interesses específicos. e dá outras providências. IV – receita tributária anual não inferior á menor quota do Fundo de Participação dos Municípios. a qualquer outro Município do País. de 11 de Outubro de 1977”. conseguem. sobretudo. atividades urbanas. toda uma vida econômica e social local.Mantidos os atuais Municípios. geralmente. os Municípios deveriam apresentar os seguintes requisitos: . No que tange a criação de Município.eleitorado não inferior a 10% (dez por cento) da população. Conforme Nogueira (2011) esses foram criados através da Lei nº. À medida que esta se desenvolve. segundo o Artigo 3º da Lei em destaque. 448. observamos que o texto da Lei n º 7009.centro urbano com número de residências superior a 500 (quinhentas). III .31que dispõe sobre a organização política e administrativa dos municípios e dos Territórios Federais. núcleo centrado numa aglomeração. apesar das reservas dos seus (antigos) conterrâneos.domtotal.com/direito/pagina/detalhe/1412/lei-n-6. onde se desenvolve comércio. Nesse processo destacamos a “Lei nº6. Bonfim e São Luis do Anauá) no ano de 1982 não foram respeitados. Em face de tal. no Território Federal de 31 http://www. distribuída.448-de-11-de-outubro-de-1977. Considerando a referida Lei. Alto Alegre. Normandia. Acesso . de 1º de Julho de 1982. cabe ressaltar que os critérios que resultaram na criação do município de São João da Baliza e de outros cinco (Mucajaí.000 (dez mil) habitantes.84 grupos indígenas). aprovado pelo na época presidente do Brasil João Figueiredo da Silva (1979 – 1985). II . A partir daí inicia o processo de criação de um município.população estimada superior a 10. em 03 de Agosto de 2012. e. 7009 de 1982. fica insuportável para seus habitantes ir até a sede do município para afazeres administrativos. seguem os procedimentos previstos pela lei e. no exercício anterior.

que estavam centralizadas nas cidades de Boa Vista e Caracaraí.85 Roraima. haveria a criação de novos cargos políticos. No geral. Santos (2004) ressalta ainda. já visava à transformação daquele território em estado. Colaborando com essa análise Silva (2007. Normandia e São Luiz. Paulo Barbosa para o cargo de Prefeito para o recém-criado município de São João da Baliza no ano de 1982. os Municípios de Mucajaí. que a partir de 1982 no governo de Ottomar Pinto (1979-1983) quando do surgimento destas unidades municipais abrirá campo para novas lideranças. Então. uma pecuária extensiva e uma agricultura familiar em crise. apresentam dados mais desfavoráveis. independentemente de comprovação dos requisitos previstos na Lei nº 6. São João da Baliza.gov. pois. p. junto ás rodovias BR 174 e BR 210.” 32. Mais metade deles nasceram de antigas colônias agrícolas e assentamentos. Acesso em: 15 de Agosto de 2012. Os que se situam no norte do estado.html. é nesse direcionamento que o Governador do Território Ottomar Pinto indica o Sr. que com a criação desses novos municípios em 1982.163) afirma que: A emancipação política desses novos municípios aconteceu graças a uma medida do então governo do Território Federal que.) vai mais além quando diz que: Os 15 municípios de Roraima têm em comum. pois é necessária uma mediação para aprovação e a liberação de recursos. criados em áreas reconhecidamente indígenas. Santos (2004. validouse o ensejo político de legitimar a entrada de recursos da União. problemas crônicos de falta de recursos e conseqüente dependência do estado e da União. Alto Alegre. de 11 de Outubro de 1977. sendo uma diligência e uma preparação para a criação do estado em 1988. o mesmo segue na prefeitura até o ano de 32 http://www2.camara. como mostra a sensível diminuição de sua população rural. a economia inclui atividades extrativas. na época. Essa transformação era justificada também pela captação de recursos financeiros através da coleta de impostos. Os pactos políticos que se estabelecem entre prefeitos e os grupos dominantes no estado expressam visivelmente isso.br/legin/fed/lei/1980-1987/lei-7009-1-julho-1982-356778-publicacaooriginal-1pl. as quais. p.448. que até então eram os dois únicos municípios do Território Federal de Roraima. Resulta daí. em sua maioria estavam ligadas mais a cargos e compromissos com a administração que á economia tradicional. além da descentralização das ações políticas administrativas para cada área. . como adiante se mostrará. Bonfim.

conforme Lobo Júnior (2008) entre dois partidos PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) e o PFL (Partido da Frente Liberal). Tabela 5: Relação dos prefeitos eleitos pela “Aliança Democrática” PREFEITO MUNICÍPIO Silvio Leite Boa Vista Sebastião Portela Caracaraí Roldão Almeida Mucajaí Gentil Gomes São Luiz do Anauá Sebastião Oliveira da Costa Normandia Fernando Alves Nicaço Alto Alegre Vicente Josemar Saraiva Bonfim Fonte: Lobo Júnior (2008) Elaboração: Charlecion Costa Paiva Porém. . a cidade de São João da Baliza teve como primeiro prefeito eleito por voto popular em 1985. Darcy Pedroso da Silva. que foi o único candidato do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) a vencer o pleito em um município do Território na época. Ainda segundo Lobo Júnior (2008) a chamada “Aliança Democrática” saiu vitoriosa nas eleições municipais de 1985. liderado pelo também ex – Governador Hélio da Costa Campos. elegendo sete prefeitos dos oito municípios do Território.86 1985. que em seguida numa manobra política se aliam formando a chamada “Aliança Democrática” sob o comando do Governador Getúlio Alberto de Sousa Cruz (1985 – 1987). Na outra vertente estava o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro). liderado pelo ex – Governador Ottomar de Souza Pinto e o PDT (Partido Democrático Trabalhista). É quando que nesse ano (1985) a disputa política no Território Federal de Roraima se acirra.

ANOS PREFEITO PARTIDO 1986 – 1989 Darcy Pedroso da Silva PTB 1990 – 1993 Antônio Martins Filho PTB 1993 – 1996 Paulo Barbosa PTB 1997 – 2000 José Serafim Muniz PTB 2000 – 2004 Raimundo Pereira Lima PST33 2005 – 2008 Maria Lúcia Cavalcante Muniz PPS34 2009 – 2012 Francisco Maia da Silva PSDB35 2013 – 2016 José Divino Pereira Lima PSDB Fonte: Freitas (1996). . Elaboração: Charlecion Costa Paiva Somada essas informações a criação de novos municípios em 1982. Tornar-se município significa maior possibilidade de atrair funções 33 PST – Partido Social Trabalhista. Lobo Júnior (2008). Tornar-se município representa que a nova área vai passar a receber exatamente a transferência federal de recursos denominada Fundo de Participação dos Municípios (FPM). no sentido de fortalecer sua dominância nessas regiões. serviu apenas para atender aos interesses particulares da elite local. Neste prisma Nogueira (2011). 34 PPS – Partido Popular Socialista. que chegavam de várias regiões do Brasil. SEPLAN – Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento. e não estadual. Nesta consolidação. principalmente do estado do Maranhão. formando base de apoio junto às novas municipalidades. ficavam então garantidos a constituição de redutos eleitorais. que só cumpriam o seu objetivo se tivesse uma população residente. que é partilhada a nível nacional.87 Tabela 6: Prefeitos eleitos de São João da Baliza a partir de 1985. entre eles o de São João da Baliza. o poder público como provedor de funções tem exercido importante papel. A política implantada pelo governador Ottomar Pinto atraiu muitas pessoas para Roraima. afirma que com a criação de novos aparatos político-administrativos. TSE – Tribunal Superior Eleitoral. e de outros na década de 1990 no estado de Roraima.

Desta maneira. comunicações.88 públicas. saúde. observamos a falta de uma política clara e precisa por parte dos prefeitos destas localidades. tornam-se as diferenciadoras entre as novas localidades centrais. que representa atualmente. essas unidades municipais se estabelecem passando a receber a instalações de funções públicas de educação. bancos oficiais e outros. que a falta de dinamismo dos agentes privados. 35 PSDB – Partido da Social Democracia Brasileira . nessa conjuntura engloba-se entre tantos o município de São João da Baliza. Contudo. na maioria das vezes a sua fonte principal de renda. pois esses municípios ficam na dependência do repasse do Fundo de Participação dos Municípios.

que tinha interesse em promover uma política desenvolvimentista para essa região integrando . vimos que o atual processo de ocupação da Amazônia iniciou-se no último governo de Getúlio Vargas (1951 – 1954). No campo político social o governo investiu todo o poder de Estado no controle político social por meio do combate ao inimigo interno. Esse processo ganhou mais fôlego a partir da década de 1960. na migração e na conquista amazônica. Na era militar o Território Federal de Roraima passa a receber um maior destaque. que teve como projeto principal a construção da Rodovia Belém – Brasília. período do governo militar. Dentro da esfera econômica a União lança o Programa de Ação Estratégica do Governo (PAEG) que previa investimentos federais em infra – estrutura.89 À GUISA DE CONCLUSÃO Observamos nessa pesquisa a partir da leitura das fontes e também das narrativas orais que alcançamos no decorrer da construção desse trabalho.a a outras áreas do país. com o uso aberto da extrema violência. obedecendo nesse momento certa cronologia. nesse momento foram criados diversos projetos e órgãos estrategicamente para que a Amazônia assumisse uma posição estratégica frente ás prioridades econômicas e geopolíticas. Levantando essa questão à região amazônica foi incorporada a política do Governo Federal. que fez do desenvolvimento da Amazônia uma de suas prioridades e formulou um projeto de desenvolvimento que tinha como objetivo a integração econômica e especial da Amazônia ás demais regiões do país. com a abertura das Rodovias BR – 174 e BR – 210 essa última na região . Nesse período fora criada a Superintendência para a Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA). Diante da ditadura militar no Brasil (1964 – 1985) entram em cena os conhecimentos adquiridos pelos militares na Escola Superior de Guerra. desencadeando uma política de controle e repressão jamais vista no país. assim o governo militar que se inicia é fortemente influenciado pela ideologia da segurança nacional.

As pessoas vinham atraídas pela propaganda feita pelo Governo que usara vários incentivos na perspectiva de uma política assistencialista fomentando a migração para Roraima. beneficiado pela abertura de duas estradas (BR – 174 e BR – 210). Todavia as pequenas cidades do Sul do ex – Território Federal de Roraima surgiu a partir da implementação das rodovias federais 174 e 210. no então aglomerado de São João da Baliza destacou-se a . mas recomeçaram e conquistaram seu pedaço de terra. tendo que vender o pouco que tinham para aventurar em outro lugar. as suas conquistas de toda uma vida para arriscarem construí – la novamente em um lugar distante e sem muitas perspectivas. casa própria e outros bens.) os principais projetos de assentamento: Jatapu e Jauaperi passam a ser regularizados. Neste prisma. onde estas surgiram como forma de colonizar o ex – Território em situação de precariedade sem a menor capacidade de oferecer condições básicas de infraestrutura para acomodar esses migrantes que migravam tanto por iniciativa oficial como de forma espontânea. depois com a presença do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA. percebemos que estes sujeitos sociais saíram de seus lugares de origem deixando tudo para trás. uma vez que estava dentro desse contexto. pois os militares estavam preocupados somente com a questão da integração do país. no qual o governo militar na tentativa de proteger as fronteiras do país impulsionou um grande fluxo demográfico para a região. É válido destacar que esses migrantes que se fixaram em São João da Baliza são pessoas que quando migraram não dispunham de poder aquisitivo. através das narrativas coletadas com os primeiros migrantes que chegaram ao aglomerado de São João da Baliza. Ressaltamos que a colonização na Amazônia não ocorrera de forma planejada. a povoação de Roraima e também por conseqüência a de São João da Baliza não fora diferente. O extrativismo vegetal desempenhou papel importante no âmbito da economia local no sudeste de Roraima. Dessa forma. Sabemos que a migração fora a mola mestra para a efetiva ocupação da Amazônia que ocorrera com mais intensidade a partir da década de 70.90 sudeste de Roraima passa a concentrar os projetos de colonização “espontâneos”.

Com pouco tempo de existência despertou interesse de várias pessoas ligadas à política que logo tentaram formar sua base eleitoral na localidade e posteriormente no ano de 1982 ocorre a sua emancipação. disso ressalta – se que. surgiram mais cinco novas unidades municipais. historicamente. poucos municípios foram criados no Brasil.se um novo espaço social. O então aglomerado de São João da Baliza aos poucos foi crescendo. entre 1964 e 1985 (período militar). Bonfim. Dessa forma tanto São João da Baliza quantos os demais municípios que surgiram solidificavam o campo de interesses da classe política local visando à passagem de Território para Estado sustentado graças ao aumento do fluxo migratório como também a promoção e garantia da entrada de recursos federais extras através do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). em seguida a extração da madeira passou a ser o carro chefe do seu extrativismo vegetal. o que pode atestar a necessidade de instalar o poder central na fronteira. o que ocasionou uma concentração demográfica nesses novos núcleos urbanos. problematizando essa questão nesse mesmo período mais cinco municípios alcançam sua independência política foram eles: Alto Alegre. nesse primeiro momento o trabalho analisou o seu nascimento e posterior crescimento ainda vinculado ao município de Caracaraí. Os inúmeros problemas que os primeiros moradores que se aventuraram para essa localidade encontraram nos anos iniciais de seu surgimento são visíveis nas entrevistas dos moradores até aqui concedidas. na época. a década de 1980 iniciou com um novo tempo na vida dos habitantes do Território Federal de Roraima e instaurou . De maneira geral. faziam fronteira com a Venezuela e com . de 01 de Julho de 1982.448 de 11 de Outubro de 1977 que apresentavam vários requisitos e regras não alcançadas por esses novos municípios. em Roraima.009.91 coleta da catanha. porém no início da ocupação prevaleceu o trabalho de mariscagem. São Luiz do Anauá. pois todos os municípios criados com exceção de São Luíz do Anauá. Mucajaí e Normandia através da Lei nº 7. passando a ser vila a partir de 1978. mas. Atentamos também que emancipação política de São João da Baliza tem uma relação direta com a BR – 210 e com os projetos de assentamentos ocorridos no decorrer da década de 1970. Além. com a criação desses seis novos municípios. A criação dessas novas unidades municipais no Território Federal de Roraima atropelou a Lei nº 6.

mas. Entendemos que a emancipação da cidade de São João da Baliza não foi acompanhada de desenvolvimento. . emanciparam – se os últimos municípios no estado. inexistência de escolas e estradas precárias em várias vicinais e na área da saúde ausência de profissionais. que contabilizam os quinze até então existentes. percebemos isso na falta de infraestrutura. Em suma a emancipação política dos municípios roraimenses ocorre a partir do final do século XIX. e Municipais que passaram pela sua administração no período analisado. sobretudo na última década do século XX. adicionada clara a falta de uma política transparente e planejada por parte dos gestores tanto das esferas Federais.92 a Guiana.

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