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#0. rffll1izo.upesqM;sas verdade;-' Iraz uma.imporlilnte contribuição

C0~~me"te(1rigitzai~,.Blifeo Verón

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.S;miolRg~a,di~ciplitUI a que. hoje. se de<lica integralmente

cQ"l(n~!J$âi~fae.comoi]jrelot

de (!stilJ.os .da u8cole Pr~t/quf1 des

'.,f:lauJé~.8tUdev". liolt4(/Q de prelerênçid para o. que to.s~1}I4~h.,.

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marde/.~(ailál d~ Ji$CU1~O",vem elepropOlldo. uma novlJlJis44l1

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de' . sua pr?b!em4ticae de SlIas,técnicàs o.Pe;4lQrias, visillla def/Íle ,

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V ~Í ' ó" se preocupd em l)(Jft;t:ilii~ ,

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com ai presença do idetJl6gic() no:s discursos sOCiais, f/Nf 4ft!e . S . ~ !

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Ijues.#ãg da ideC)logia estão"IJIWII

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( t o ' clJn(,á"ió do conliec;mento"~ &0",0 oqlleJ'/céfto mtmdilflO miope, e si", a eotttliri.o necessária dele,. EstaperspeelitJll JesmiS~

tiJit;adMa, a eu;a funJamentllf40 teórica estão dedicados ",lIitos passos deste volume, ele a IIplica~ em oultos, a inst4,,~.hÍfI6-

ricJf( específicas, d~ qMe $ão.exemplos memorlÍveis a sll4

' iInáli~~ .

'<d0Cour5 lh. Sausstm: em terfllosdo posjtif)isHl.oc(}mte~~ ,>,delimita ideologicamente. e do' ~tJuplo disémso' da cltifie' <"Ilnie" cu;tJs leis de. proátlção elevaj Jesentyanhllf, co",' invillgar, 'dá linguagê",tle se11Jtlnbios argentinos e franceses'., da ànprensa dita "popula,",como da m,prenS{l,J~ ••btigjgsi ' f( ' ,_,

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A PRODUÇÃO DE SENTI D O

,

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V629p

CIP-Brasi1. Catalogação-na-Fonte Câmara Brasíle i ra do L'vro, SP

••

Verón, Eliseo.

A produção de sentido / Eliseo Ve r ón ; tradução d e Alceu

: ' Ed. da

Dias Lima

Universidade de São Paulo , 1980

[et a1.]. -

São Paulo

: Cultrix

1. Análise do discurs o 2. Semântica '

3. Semiótica

ciolingüístics 1. Lima, Alceu Dias

II . Título.

4 . So-

17. e 18. CDD-41 O

17.

-

4 01

18.

-301.21

e 18.

-412

301.21

(18. )

81)-1548

17.

Índices para catálogo sistemático:

410 (17.

1. Análise do discurs o

e 18.)

2

3. Semântica : Lingüística

4. Semiologia : Lingüística

5 ' . Semiótica : Lingüística

6.

Linguagem : Sociologia

401 (17 . )

412 (17. e 18.)

410 (17. e 18 . )

410 (17. e 18.)

301. 21 (18.)

Sociolingüistica

401 (17.)

EL I SEO VERÓ N

-

A PRODUÇAODE SENTIDO

Tradução de

Alceu D i as Lima , Anna Maria Balogh Ortiz, Diana Luz Pessoa de ' Barro s , Ed w ard Lopes, Ignácio Assis Silva e Jo sé Paulo Pa e s

EDITORA CULTRIX EDITORA DA UNIVERSIDADE DE S Ã O PAULO

Obra publicada com a colaboração da

UNIVERSIDADE

DE SÃO PAULO

Reitor: Prof, Dr. Waldyr Muniz Oliva

EDITORA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

Presidente: Praf. Dr . Mário Guimarães Ferri

Comissão Editorial:

Pres i dente: Prof. Dr. Mário Guimarães Ferri (Instituto de Biociênclas). Membros: Prof. Dr. Antonio Britoda Cunha (Instituto de Biociênciasl, Prof. Dr. Carlos da Silva Lacaz (Faculdade de Medicil)a), Prof. Dr. Pérsio de Souza S-antos (Escola Politécnica) e Prof. Dr. Roque Spencer Maciel de Barros (Faculdade de Educação).

l

~

I

I

T ít ul o do ori g in a l :

.

.

PRODUC T ION DE S EN S .

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M CML XXX I

D i r ei tos d e tradução para a l í n g ua p o r t ugues a

Rua . Dr. M á rio

~ dq ui rido s com exclusividade p e la

EDITORA CULTRIX LTDA .

Vic e nte , 374, fone 63-3141, 04270 Sã o Paulo, SP,

que se reserva a propriedade literária d es ta ' tradução,

Impr ess o e m São Paulo , Bra s il ,

p e l a EDIPE ArtesGráfi ca~ ,

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(

SUMÁRIO

PREFÁC IOD A ED I ÇÃ O BR AS ILE I RA

PREF Á CIO ( CHRISTIAN M ETZ )

L

LIN Gü l STIC A

E S OC I O L OG I A:

PARA U MA ' L Ó GICA NATURAL'DOS

1

10

M

UNDOSSOC I AI S

22

n. P AR A UMA SEM I OLOGIA DAS O P E R AÇÕES TR ANSLING üIS TIC AS

64

n r. PERTINENC IA [ I DEOLOGICA]

I

V

V , FUNDAÇÕES A S E M IO S E SOCIAL NA C O S D E U M TECIDO

V

.

I .

DO ' CODIGO '

87

9

173

205

7

i

I

PREFACIO DAE D I Ç ÁO

B RAS / LE IRA

. A m aior part e da obr a d e Eliseo Ve r ó n

s e m o ve n os domí n ios

fro nteiriç os

d a l ing ii t stica, d a s emiolog i a

e d a te or i a m arxis t a da id eo-

l ogi a , in vesti g a d a s , s em p re, n a p ers pe c t iva c o nv e rge n t e de uma . ma t é ri a

significante, o discurso, e-de . um problema

torno dos efe i tos

n os discursos / sociais . Não estranha, portanto, q u e seus ensaios se iniciem comumente, por uma densa introdução metateárica dedicado à r econs-

tituiçãodas linhas de força

reque r a natureza das leituras e das

pr á ticas, que não se r e al i zam sob r e a realidad é ilus ór i a das frases c o ns-

m

ções"e terminem ~ . sempre provisoriamente, como

cent r al , o da pesq ui sa em

de sentido

ac a rretados pela presença do ideológico

atuantes no momento crucial das "funda-

n o chão ma i s sól i do

e sma do gên e ro ens aist i c o ~ ,

tituintesdo discurso, mas , sim ; sobre o todo que elas constit u em,o

. que aponta, precisamente,

/ güística da f ra se, que tem por suporte um típico "geom e tr i s m oeuCli ·

próprio discurso;

.uma de suas concepções mais impo r tantes é aquela

para a deficiência

de q u e padece toda a lin-

( d i ano ": "a · p r oduçãodo

\ discursioa: é n e c e ssá r io, poi s , d i scutir o limite frase / dis éu rso como sendo
I

associ a das a segmentos fixos n o pla n o d a mat ér ia

sentid o

:

: - escreve Vé r 6 n -

é i n{eirame n t e

n ão

Ness e Ba r -

n

ã o p e rtinente

ao n í v el das ope r ações subjacentes .

Estas últ im as

1 sãon e . cessa [ ia men te

I s i gnific a nte

( quer se t r ate . de " frase' ?

ou d e outr a u n ida d e)') .

)

"

partic u lar,. Ve r ón pertence-à linhagem dos se m iólo g os q u e , co,! ! o

\ thes e Kristeua ,

1

por e x e m plo,

.

ultrapassa m a pr e t en s a separaçao ent r e

.

.

\ a s in ta x e e a sem ân tica, p a ra ver na sign i fic a ção , de

um l ad o, um fenô -

I m e no da orde m do discurso, do todo const i t u ído

n.~fica n t:, não . d e s e us constit u intes ,

p o r uma ma téria sig- \

qu a isquer q ue , . ?oss~m .s~ r as su a s .

azmensoes, e , de o u t r o lado ; o produto de uma pratrca sig nificante que

i n gênuas e / ou

\ não se deix a reduzir, de modo algum, às simpl i ficações

\

, abusivas da dicotomia denotação/conotação . Na adm i ssão , assim con-

mostra especi a l p r edileção pela

leituraideólógica, o que a · levaa investigar as problemas da natureza da ideologia e das formas de s ua articulação com o conjunto dos níve i s

fessada, de uma leitura plural; Verón

1

de

pr od u ç ã o , te n do e m vist a 'J u ,e est e posst~t ltta o es.cla, !czme~ to . ~ a ~ - u e l e ,

re fere nt e à n atureza id e olôg i ca. A v esso a co ntam t naça o sub,etzvzs ta da s

V e r ó n se af e rra à ideolog ia t a l co m o ela

em q ue s e a n al i s a a soci edade, pa r t i c ~ l~~ m e n te

co m .0 do m od o

te o ria s d e f un do p s i co l óg i co ,

as . a fin i dades do se n t id o,

p os ici o n am ent o qu e o le v a a . rejeita r t ant o a co n c e pç ã o altb u sser iana

se ma nifesta

no i n te r io r

dos disc ur sos,

s u rpree n dendo

ent re uma teoria da ideolog ia

e u ma t eo ria d a p r odução

-

I c omo cada comporta m en t o e ntra em i nte r ação co m uma plu ralida de d e

( prá tic as, cada u m del e s é obje t o de mú lt i plo~ ~ nv est i me'!t os , eco n ô m i co ,

\ polít ico, sex u al , etc:,

de di jere nte s

~ artic u lações do p r oduto (o textual) co m as suas-co n dições de prod u ção

o q u e f r:z de ca da . frattca u m d i sc u rso c ~jo s e n- ·

e uma var z a v e l depe n de nt e

I t ido , lon ge de s er zmanent e ,

·(O e x trate x tual),

I

. A ltb u sser,

Mas , não se s u pon?~ qu e V eró n se li mit e

~ ver, co m o

os

po r ex e mp lo ,

na s condições de ' p r od uç ão, uni c amente

da i deolo g i a c om o " u m siste ma de r ep re s entaçõ es " , q uan to a do i n s t r u -

a

sp e c t os r ep r o du ti o os :

p a r a o n osso au tor, a forç a da i de olog ia r e s i d e

menta l ismo q ue

a vê numa "[unçã o de co munic aç ã o ",

p a r a t e n ta r ultr a-

n

essa s ua poss ib il ida d e

de u l t r a p a ss ar o p ap el d e m e ra r ep r o du t ora

do

p a ssá-I a n o r um o . de u ma co n cepç ã o op era c i o na l i s ta.

l

I

í Es s a inve r s ão d o s "nív e i s ",

o d e slo camento

d a atençã o p ara o

( pólo d a p r o du ç ã o

J de V e r ó n , É el a q u e r espald a a s ua co n v i c ç ão de q ue as postur as "re-

I p r esentacionais" e "inst r umentais"

da o b ra

do di scur so ,

é c a p ital p ara o entendiment o

deve m se r abandonad a s : a n oção de

J i deolog ia não pode mais ser conf un did a

com a de represent a ção po r-

\ q u anto a ideologi a não . é algo d a . orde m do co n teú do ( a ind a q u e aí

tam b é m ela se manifeste) , n e m é, t ampo u C f l , da o rd em d a comun i cação

I po r q u anto ela não se pri vilegia n o momento ~ a perfo r mance; em s u m a ,

\

i

; a n oç ão de id eo l og ia nã o desi gn a um pr oduto , "u m co njunto [inito de m en s agens" ma s uma "ca p acida d e ", a de p r o du z ir in f inita s men s a g en s,

(

dev e nd o

e l a ser est u d ada , assim, co m o uni conjun t o de regr a s de p r ó-

\

dução do sentido, defin f vel na sua condição de competênc i a soci a l . A

 

(

ques'.ão.4a

i~eologia s: entr~nca, p~is, na !ua . orig;m, como ~ q~es : ~o

\ da signiiicação ,

I t i co, m as, mais p r ofunda m en t e,

! lógica da compet ê ncia semân t ica. Eis porq u e se u problema

esta nao

ma t s res t rzta n o âmbito .{puramente ! l z ngu z s-

ao âmbito de um a teori a sêmio-socio-

não é o

de

k

investigar o conteúdo

de uma mensagem,

mas} sim, as regras p r o-

i dutoras do sentido

: qu er co n te ú do,

C po r iS$o , no ensaio sobre " O ideológico como produção de se n tido " ,

de um sistema ideológico

coisa que nos sit ua n o domín i o

capaz de investigar qu a l-

da inter t e x t u alid a de;

l Ve r ón escreverá: "não se a n alisa jamais um tex to: analisa-se pelo menos

, dois, quer se t r ate de u m segundo texto escolhido explicitamente

p ar a

. r a co m pa r ação ; que r se t r ate de um texto implícito ,

oirtual, intr oduzido

p e lá ana lis ta , mu i t a s uezes sem que ele O saib a " (p . 14) ; já se vê que

a ideologia

textual e o extratextual"

mente lúcida~pois,

) são suas

aparecerá , assim , como "um

sistema

de relações entr e o extrema-

(p. 15), concepção,

a nosso ver,

de fato , "o que constitui

u m texto (

, d i fere n ças relativamente

, Um dos trabalhos da ideologia é o de p r oduzir práticas sociais a

a outros textos"

(p. 14) .

parti r do comportamento

como matéria significante a s er inuestida pelos sistemasideológ í cos;

dos indivíduos na sociedade, tomados estes

2

s i ste m a pa r a funcion a r , tamb ém , como uma dim en sã o c onst ituti va d o

p r óp rio processo , do m odo de p r oduçã o capit a lis ta. A ss im, o nd e A I IM s -

pre -

e s tab e l e c ida" de co r re nte da d o m i n ação d o tod o p o r u ma

assi na la que o p r ocesso da prod u ção c a p i tal i sta s e a sse n t a n u ma co n t r a - dição , implícita no próprio conce i to de classes, q u e fal a, já po r si, do

dialog i smo co n flituoso cepç ã o altb a sse r i ana,

m e nt e os an tago n is m o s q u e as f u nda m , co m o supo r um a bo m oge n e iz a -

ç ão o u un i dade de sent i do ao níve l d a p r odu ç ão s ocia l? Da í qu e Ve rón

i m pl i c ita ~

co n -

s

e r p r e ss u p õe

o u nitá ris m o d o so âal,

uma e sp écie d e "harmonia

c l a sse , V e r ó n

entre as classes; portanto ,

se n a p r óp ri a

n ão h á fala r d e classes sem m e n c i ona r

propon h a

cla ss e e a s i g ni f i c a ção qu e el a p r od u z p a r a " o

se m que o ví nc u lo e ntr e a m b a s sej a reduz i do u n i ca m en t e a uma dalidade de "in t eresse". Tais são os delineamentos metodológicos que Verón mobilizará reiteradamente ao longo de sua obra , atualiza n do-os

se m cessa r, em c a da oc a sião , par a a pr á tica

Um bom e x emplo de s u a utilizaç ã o ap a rece , n este l iv ro, no e n sa i o q ue ele dedicou para i nvestiga r as co n di ç õ e s de prod u ção do " du plo d i s- curso da classe domina n te", tal como ele se realiza na i m prensa esc r i t a

dos seminá r ios a r gentinos, de n unciando o se u encam in ha m e nt o,

das p r opostas de s i g ni ficações difere n tes q u e tais disc u rsos p r od u zem

ao e n ge n dr a mento

p

e, po r

conseqüência, de "bistoricidades"

m o-

um a d e f ini ç ão d o se ntido à ba se de uma arti c u l ação entre a

me s m o " di s cur s o s o c i al,

de um a . l e it ur a co n c r et a.

a t r a oés

a r a u m mesmo

a ss un to,

de "ideo-lógicas "

diferenci ai s pa r a classes d i ferentes.

Aded i cação de Veró n ao p r oblem a ag u do das condições d e p r od u -

na den ún cia d as

r eduções sim plistas da questão: com v i stas à. const r ução de um edifício · teórico e metodológico alicerçado em bases mais sólidas e du r ado ur as,

Daí o e m penho com

d a

produção de conhecimentos , denuncia n do os preconce it os cultos q u e tis inspi r am: os teóricos co n tinuístas tanto quanto osdescontinuistasI como os partidários da famosa "ruptu r a epistemol ô gica", hoje na moda), se

assemelham ,

desde logo , no d u plo fato d e, primeiro, . t ere m

t inu istas quanto as descontin u ístas,

ção dos . discursos so ci ais desemboca , f r eq ü entemen t e,

que ele critica , po r exemplo,

tanto as teo r ias co n -

acerca do p r ocesso histó r ico

m o n tado

,

a .

\

.

3

h ist óri a no suporte de uma unidimensionalidade

l i near, e de, depois,

t e re m e n cont r ado para ela um mesmo quadro de referên c ias no in f erio r

d o q ual, am b a s as mod a lidades

p a rte id eo l óg ica

-r e p ticiamen t e na opostçao u n idi m ensi o n al d a tem por a l i dade b i stô ric a

de concepção se vêem como a contr a-

u m a d ~ :! ut ra~ . A:ss im, . a teori a

da ruptu '. a ' reco r :a !U; b -

(antes / depoi s ) ,

a pass a g em do do m ín i o ideo l ó gi co (ante s)

ao do mí n i o

do científico ( de po i s).

u m a co nc e pção "mel bor i s ta"

I n s inu a-se,

com isto , o ris co de fazer passar

r e squ íci o a na crô ni co d o

a h i stóri a

d

-

p

o s itivi smo

-

no s e io mesm o d e u m a d a s conce p ç õ e s m a i s t í p i c a s d o

m

o derno

Na medida em q u e a n oç ão d e " ruptur a"

entr anha

di s curs o ma rxi st a. n e cess ari amen te

e ssa diferença e ntre o i de o ló gico

e o c i e n t í -

f ic o, el a se ch oca i rrem e d i ave lm en te

co m as at ua is c o nce p çõe s do i deo-

lógic o , segu n do as qua i s e ste investe qualq ue r m at é ria significante, s en-

do, por isso, uma dimensão

estrutural imanente

a toda e qualquer

prática social, aí compreendida, também, a das ciências. Outro motivo '

pelo qual se, impõe

que vem sendo formuladas, desde Altbusser, é a sua incapacidade para explicar como seria possível , produzir-se co ' 1 t hecimento (ciência), num

pela falácia e nem pode ter

pelo e r ro (a área do i d e ológico); esse p r oblema não t e m

resposta porque consoante Verón, ele está equacio n ado em bases falsas,

a rejeição da teoria da ruptura,

nos termos

em

instante dado, a partir de uma área dominada

até e ntão

a saber, o de uma presumida

r logia. No sent i r dê Verón,

ampo

Ao dem o n strar

diferença radical entre a c iência e a idea-

d e slocada para o âmbito enfocado no . interior do "

é o tra ço da origem social dos

a questão deve ser

ou seja,

dó processo de produção do sentido,

~

mais a bra ngente da produção soc ial do se n tido .

q u e o ideológico

,

d

i scursos , Veró n desm ist i f i ca

um certo tipo de marxism o

vulgar muito

o

c orrente que r e produz a ideologia no mo m ento

mes m o em que pre-

- , I

tende er i gir-se e m discurso da ciência, contrapo n do-se , co m o a Verdade

o ideológico qu an to

o dis c ursivo

se constituem

co m o " oestigios "

"

traços" do social, situ an do-se

aquele no pólo da produção

ao Erro, aos discursos ideológ i cos da Classe domina n te. Para ele , tanto
I

e este no

1 pólo do consumo dos t ex tos ~ termo que , para o semiôlogo argenti n o , não se restringe à escrita , nem a uma matéria significante homogênea, dado que a m aio r parte dos textos com que e ntramos em contato todos os dias apresenta-se como u m ( ( feixe"de significantes material e subs-

ou

' tancialmente heterogêneos , escrita-imagem, escrita-imagem-som, e assim por diante; as operações que produzem o discurso constituem descri-

ções, ~ diferente

mesmo texto-objeto que equivale a Um feixe de matérias significantes heterogêneas, matérias essas cuias 'óperações de descrição constituem

operações de investimento de sentido. Assim, ' a pertinéncia de uma

nível -

sintático, semântico " pragmático + - s de um ,

4

1

d a s s u a s 1

lei t u~a,_ e n quanto prá~ca p r oduto r ~

condições de produção, do relacioname n to , portan t o , de r te xt o co m

de u m di s curso, depende

fatores extrate x tuais que dei x aram vestígios no pr ó p r io discurso:

i nfini d á de de ele men tos que pode ri am compor o unive r so ex tr a t e x t ua l

d e . qualquer discurso só co n tam , port a nto,

tuais pe rti n e nt e s

d o, efetiv amente, da sua prod uç ão , dei x ar am s e us tr aç os n o discurso ; na

med ida e m q ue 1) se t r a ns f ormam,

em " t r a ç o d iscu rs io o ",

tra -semiáti c a

i m p o rtâ n cia

r e ce i ns p ~r ad ora e opo rt u n~, . po r possib il itar rue bo a pa r t e d o ex trate x-

u al pertinente ele também,

- ainda ' que V erón não abuse da _denominação

- , bem) o fenômeno da pluralidade de leituras a que se sujeita um mesmo i texto, na dependência ' sempreda atualização, pelo leitor, de de t er~ina-

\

das condições de p r odução privilegiadas na , artic u la çã o par a com o texto- l

t

d a

co m o ele m e n tos extrate x -

q ue, p or te r e m pa r tic i p a.

para a a ná l i se, os ele m e n tos

a s si m, de "co ndiçõ es d e pr o duçã o "

da co nd i ç ão e x-

de s uma ,

2) p as sa n do , e m c onseq üên c ia,

à c on d i ç ã o se m iática ,

ta i s fatores se re ve stem

p ara a aná l ise sem iológic a .

A co nce p ç ã o d e Verón n os p a- J

u m texto é )

pa r a a análise de que Se vel a claramen t e '

da o r dem textu a l .

Ora, essa "intcrtextualidade"

pois, afinal, é disso que se trat a , I

e

x plica, igualmente

I

que se lê. As leituras i deológicas, um texto literário, por exemplo,

a disc arsioidade n em a ' especificidade tipolôgica dess a modalidade de

nem

psic a nalíticas, so c iológicas, etc., de

não esgotam, de modo n enhum,

discurs? ' socia~: a "!ite . rariedad< ' , enfim, p'ara ~s~r u m termo c~ro a o!

f?rmaltstas, nao ~e 1 !xa reduzz.~

,

e

nem~i o tdeologt,co, nem a o pstc ana l t - - ,

t coçnen:

ao sociolô gico ,

etc . , Ia que,

.

.}uga::

;oc.

t al J J

~

iJ

de um tesia.é : » f,:?\

t

espaço de ma n if es tação de múltiplos

determinações que estão na sua origem. Não admi r e po i s , q u e e m alguns , \'

de seus trabalhos mais i n fluentes (veja-se , por exemplo, aq ui mesmo , o · ~

i

t e oria da circulação dos textos como modalidade das trocas signif i cantes

de u m a sociedade capaz de articular dois modelos d i scursiuos, um r el a -

t i vo à produção, outro ao consumo dos discursos , teoria ess a que ai n da espera uma e x pl íc ita [ormaliza ç âo,

d ifere n t e s J ':~

traços tn orm a dor e s de

n tit ulado Fundações)

Verón ins i nue a necessidade

de se f u ndar uma

. De qualquer forma, parece desde já ponto pacífico que semelha' ; te '

'

e de fixação , a

concepção do ideológico e do científico

c

na origem social dele, para lá da sua ulterior especijicação tipológica na

c lasse dos discursos científicos

ou não . Isto significa, claro está, que a

teoria há de reter como

um de seus pontos de partida

não mais como um tipo, mas

omo uma dimensão do discurso, traço ou marca que se poderastrea r

cientificidade e o ideológico revestem, agora, na obrado semiólogo que

e x aminamos,

arriscamo-nos a inter-

o estudo dos "efeitos

de sentido";

I

I

'

5

preta r o efeito i deol ó g ic o

amo s -

con;o o e fe it o

s eja , d o di scurso que s u rge a ii rmand o - s e

do ob j et o que e l e visa , a quel e que - co m o

do " d i s ;u~ so a bs~ luto )),

o u

como o unt co pos s t~el a &erc a as palavras da lzn g u a q u e

J J

t

~ :.na., ura

. ((

·Z))

que

di

do natural nao e

ver d a dei ezro

cc ,

fal

d ele acabam os por n os esque c er de quea .

natura l ,

prime i r o , uma "verd ade d o r e al", um e f eit o ideológico ( = r e l aç ão e ntre

z~nt :

a t a l ponto n os pa r ece

deiiniçâo

é c u l t u r a l:

ass im , a p rá t ica h i stór i c a

do Ocid e nte inve n to u,

o discu rso e o seal ), e i n ventou ,

uma "cientiiicidade

depois, ao re f erir -se a essa "verdade" ,

(= re l a-

do di s cu r so", um e fe i t o da cien tificid ade

ção e ntr e o discurso e o e feito i d e ológico) .

da ciênci a o ciden t a l n o m ome nto

Co nc lusã o? qu e o d i sc u rso

qua " d is-

m esmo d e s u a co n stitu ição

numa e sp écie de ca ç ada a OS "antec e dent es "

q uanto

qu a l c om po r t a, inv e r sa men te, u ma v is ã o re t r ospe ctiva

d

tica de p r od u ç ã o deconheci m e nt o s .

q

im

e a os " p r e cur s ores "

a a bo rdag e m de s c o ntinuísta i n sp irada na t eo ri a da ru p tura - a

da d i sc i pl ina ten-.

de cada f un dação n o in te r ior da p rá -

ente a sup e r e stima r a novidade

Veró n s e encarrega de dem o n s t rar

n o d e poi s se t o r na

o en foq u e

des-

ue se o en f oque c ont inuí sta , p e lo fa to d ecentra r - se

p o t en t e

p ar a exp l icar a n o vida d e de cada f und a ção,

continui s ta,

paz de c l arif icar a o rigem d o que é,e m c a d a f undaç ã o de uma discip lina,

n ovo, a n o vidade a p arecen d o -lh e,

l

c e n t r a d o no an t es, p adece d o ma l ino er so, p o i s q u e é in c a -

então, co mo

O r ec ur s o mu i to

algo m i sterioso, algo

comum à s biograf i a s

indan t e co m o sobr enatur al .

j'

I

c

ur s o", ass entou- se

sobr e uma d e o n tolo g i a

-

a " e p i ste m ologia"

e a

co

rrespo n de , n os q u a dr o s d esse en te ndimento ,

à nece s sidade

que se n -

"

metod olog i a "

da c i ê nci a - q ue é a gar a n t i a de um a "verd a de "

qu e

tem os pr a t i c an tes do d e sco nti n ui s m o

de "explica r "

as ru p tura s d e u m

parado xal mente tem por fundamento

poss í v e l d eixar de ass ina l ar , a esta a l tu ra, q u e o qu e V eró n p rati ca, aq u i ,

um e f e ito (do) ideológico. N ~ o é

aut o r co n s i go m es m o -o jo vem Freud, Marx , Saussure

Marx> S a u s sure

a ma t ur ida de - , ho m oge ne i zan do -as

d

us o Freud,

n o se i o da

é

a ma is cora j o s a e n ecess á ria, posto q u e às vezes cruel, den ún c ia

do

co

n t inu i da de do te m po de v ida do i ndi ví d u o . O co rre, n o e nt an t o> que

á

l i b i d o idealism o i n e rente a o e n foque que sob o n o m e da "r uptura "

essa e x plicação n ã o expl i c a cois a al gu m a, po i s se é i n e g áv e l q u e os tr a ço s

e

a p r ete x to

d e um suspeito

ci e nt ificis m o ma t xista , faz p a ss ar a falá c i a

q

ue o indivíd u o

p r odu t o r deix a no disc ur s o qu e ele produz a p r es entam

d

a existência de "um a f r onteira

absoluta e n tre d u as instân cia s irre du -

 

ce

r to intere s s e pa r a a c om p re e n s ão

do i ndiví d u o

con c r e to qtfe el e f oi ,

t ioeis", a d a Ciênci a, e s paç o d a Ve rd ad e,

F a ls i d a de ; s e não s e r e c o nhec e · isso , se nã o se rec b aça essa "ru pt u r a"

que p r ete nde f azer da ide ologi a um a esp éc ie de pré-bistôria d a ciê n c i a ,

não s e che gará j ama is a co m p r e ende r q Ue, co m o d i z Verón (Fundações,

2 4 ) , l ong e d e s er o co n tr á r i o do conhec im ento ,

"o n o m e d a s co n dições qu e tor n a m poss í vel o conhecimen t o " .

o id e ológico é , a pe n a s,

e a d a Ide ologia,

e s p aço d a

A questão acerca da distinção entre

c i dade nã o se esclarece senão n o âmbito

a cientif ici dade e a ideolog i - da r e lação intern a que. cada

e nquan t o a g ente ex t ratextual, e l e s não a pre s entam , c ontudo, a m ín i ma

co ntribuiç ã o

enq ua n t o texto de fu n d a ç ã o; de um l ad o p orqu e, co m o é e vidente ,

s e t r ata de co m p r ee nder um i n di vídu o j

po r q ue, a r igo r, um a fundação

n ão tem um fundador

um a f und ação .

p ara a elucidação do di sc ur so em s i , p o r eles p ro d uzidQ,

ma s , . si m,

nã o

um d i sc ur so , d e o utr o

éum - tex t o int e rtext u al ,

(cf . Fundaç õe s ,

p . 38).

Verón dá a mais c a bal demonstração do ac e rto dessa suaconc ep çã o

a propósito

do que ele chama de a pri me ir a

fu n dação

da l in g üí s tica

d

i scu r so i n s t a ura pa r a com suas r elações co m o real: é. essa "relaç ã o de

conte m po râ nea , efetu a da p e lo Cou r s de Lingui s tique Gén é rale, d e Ee r -

2

.° gra u " -

r e l a ç ã o ent re o d i scur so e o e feito i deológico que é, por

di

n and de S au ssu r e. Re c o r dando q u e após o est u do d e s uas fo n tes po r

s ua vez , uma r e l a ç ã o e nt re o d i scurso e o . r eal - que, oc a sio nan do o

desoen da ment o d a ideolog i a

ção do se u e feito id eológico e de fin e,assi m, por d esdobramen t o , o efeito

d

cut a e xemplarm ente

desco n t in u í stas

ci ên c ia, propo n do a su a su b stit u ição

te xt o d e se u s tr abalhos , ele u ti l iza t a l ter m o pa ra aludir aos vá r ios

apo n ta e exe-

quanto as

d a

co n ti d a n um d i scu r so op e ra a n eu t r a l i z a -

e ci en tijicid a de

desse disc u rso. É uma tarefa que Verón

ao cri ticar tanto as teo r ias continuístas

a cerc a . do dese n volvimento

do p r ocesso histórico

pela n oç ã o d e · f undação .

No co n -

r e c o me ças p e los q u a i s p a ssa u ma d i s c ipl ina a o ' lo n go d a s ua h i s tó ria, a

partir do m o m e n to

q u e assi na lou a sua e m e r g ên c ia.

A recursi vidade

i ner e n te à id § ia de u m i n cessante rec omeço pe r mite-lbeultrapassar

ta n to

a abordagem continuísta --- , q u e , privilegia n do

t rosp e ct i vo , anedotiza o caráter produti v o d a ciênc i a transformando- a

um ângulo de visão re -

God e l , dep a r am o-nos , i n evita v el m e n te,

i

co m dua s oersões uariadamen t e

a d a s " [o n t e s "

do Co urs,

n co in cide n t e s

do pe n s am ento

s a us s ur i ano ,

o r g aniz a d as p or Ball y e

Secbebnye, V erón cha m a a atenç ã o para a inan i dade da cons id eração da primeira quando se p r etende estudar não "o pensa m ento de Saussure"

pr

fu n daç ã o d a l i n gü íst i ca a tual , q u e foi, se m ne nh uma d ú vid a possí ve l ( e

a t é po r que o que q uer que tivesse sido o "a utêntic o p en s am e n to de

r astrea das po r Godel, e a do Cou r s ele -m es m o,

e sam i oelm e nte

aut ên tico , mas , sim,

a o b r a r espons áv el pel a p rim e ira

Saussure" ele permaneceu veda d o para todos a t é q ue Go d el p ubli cass e

o u não: de fa to ,

à su a ob r a), o Cours, t a l como e le se edito u , perf e i to

foi e sse texto, não outros que s e possam ext r air do se u conf r onto

co m

a monOgrafia de Godel, que produziu

b

eje i tos no mundo

ci e n tífico at é

e m r e cente m ent e ; é e l e, portanto ,

para l á e a lé m d e quaisq ue r inj ide -

lidadesde que se possam responsabilizar Bally e Secbebaye n a re-pro-

dução do "oerdadeiro pensamento de Saussure", o texto Uoriginal' t res-

é

ponsável pela primeira fundação da lingüística

necessário dizer que tais "infidelidades",

no século XX. Nem

tomadas por aquilo

que de

. fato são, "efeitos de reconhecimento",

consubstanciam um dos aspectos

ideológicos das condições da p r odução textual: ainda aqui se vê o alcance

p. 24, acerca de o ideológico

constituir não "o contrário do conhecimento"

cessária dele.

É assim, também, que o discurso positiuista de Comte funcionará como uma das condições (textuais). de produção do discurso do Cours,

da observação

mas, sim, a condição n e -

de Verón, in Fundações,

/'

.

na medida em que o discurso positivista apóia - se essencialmente numa ambígua irresolução das contradições entre o determinismo natural e a

intervenção voluntária do homem, entre o individual

irresoluçâo

dependendo a resposta que o positiuismo ofereceu . para a

questão da ordem social. Assim também a linguagem,

cebe oCours, sendo uma instituição soc i a ~ dotada de especificidade

inconfundível, nem por isso deixa de ser

e o social, dessa

tal como a con-

natural e de conter uma subs-

tanciálidade também ' natural. A r elação inequívoca entre tais concep-

ções, leva Verón a concluir que Comte e Saussure para lá das diferenças que sob outros aspectos os separamçse circunscrevem} ambos, no mesmo

con-

dições de leitura de A [no nosso caso, a obra de Comte] a partir de B [aqui,o Coursj fazem parte das' condições de produção de B", então,

deve ser encarada como uma das condições de

produção do Cours. Em ambos, a natureza social da língua explica-se

por sua função, comunicar, tomado este termo na sua acepção intran- sitiua, não na transitiva: sendo "a mais social das instituições" 'r--r- prin- cipio observado tanto por. Comte quanto por Saussure ~, nenhuma impressão verdadeiramente pessoal, subjetiva pode exprimir-se adequa-

tanto para que um

damente na lfngua; desse modo, a língua não serve

horizonte ideológico do . positioismo: se; como pensa Verón,({as

a ideologia positivista

indivíduo comunique a outro o que ele sente, serve, antes eprimordial-

mente, para que ambos se comuniquem, isto é, entrem em

contato e se

sociabilizem. Afirma-se, aqui, o predomínio do social sobre o particular,

nodominio da língua, sim, mas, também, no do pensamento e do sen- timento, todos eles, conjormemente a Com te, vistos não mais como

[aculdades individuais, senão sociais, desenvolvidas

forma de uma linguagemii'tVoluntária (à semelhança do que ocorre

para os animais), no seio da família, primeiro,

uma linguagem progressivamente voluntária, no da sociedade, depois. Esses dados sustentarão a distinção entre a concepção, algo da ordem do pré-comunicâoel, e a expressão, comunicável,' repousando, na vin-

e logo, sob a forma de

quase que sob a

8

culação entre uma influência objetiva e uma impressão subjetiva, a base referenci~l d~ significação na teoria comtiana do signo, elemento que sendo prtmezramente involuntá r io e voluntário, depois, há de conceber- -se, por via disso, como "artificial", mas nunca "arbitrário" .

A idéia da linguagem como instituição social de signos artificiais,

com suas passagens orgânicas do involuntário ao voluntá r io, do natural ao artificial, prepara o terreno em que Saussure há de trabalhar o Cours, reordenando o pensamento comtiano, e lhe imprimindo uma nova coe-

rência a partir da dissoluçáo,

entre d

po r ele efetuada,

da distinção

"arbitrário" e o "natural" : para

um sinônimo pe r feito de

"imotioado", para afiançar ' que o significante não guarda nenhum vín-

o Cours, a natureza é arbitrária: neste

novo contexto,

((arbitrário" se tornapóis

culo necessário torce, o signo,

mo, explica-se autonomamente

para com o significado que a ele adere. Por um tour de enquanto elemento componente de um sistema autôno-

a

na e pela língua; e esta, finalmente,

língua, encerrada em si mesma, se ergue como um domínio autônomo frente ao natural.

As linhas acima

não dão senão uma pálida idéia vaga e parcial da

atualidade dos temas tratados por Verón, nem exibem mais do que um

reflexo da riqueza e argúcia do seu pensamento. Restringimo-nos,

caso pensado, ao exame de algumas das contribuições dentre inúmeras outras que ele aportapara o domínio das ciências humanas, sublinhan-

de

do, por nos parecerem de extrema importância, seus pontos. de vista acerca da ideologia enquanto ejeito discursiuo, como modo de demons-

trar o papel que esse efeito

desempenha na produção do sentido dos

J'

discursos sociais. Não, é certamente uma tarefa fácil apresentâ-los ao

leitor sob a forma digestiva entre todas de um prefacio, modalidade . de discurso em que aquele mesmo efeito conta como uma de suas condi- ções de produção: demasiado bem sabemos que o resumo e a citação, sendo da ordem das paráfrases, correm todos os riscos, dos equívocos

malgrado nossos desejos. Cremos, contudo, que o que aí

fica se por um lado está longe de representar

pensamento de Verón, bastará, pelo menos, para evidenciar algumas das razões pelas quais se pode considerar a sua obra como um dos marcos decisivos na evolução do meta-discurso nos quadros das ciências sociais' da atualidade.

lntertextuais,

a melhor introdução

ao

Ribei~ão Preto, 14 de maio de 1979,

EDW ARD LOPES(UNESP)

EDUARDO pENVELA

CA'NIZAL (USP)

9

r

PREF Á C I O

Qual é, h oj e,

a situ a ção da s emiologia ?

Qu e ro dizer: s ua sit u ação (já q u e em o utras parte s ,

em pa í s e s que, co m o a . França, a produziram

mai s afastada s do e p icent r o , s ua virtud e d e p urante, co m relação a o

impr ess io n i s m o id e alist a , à af et ad a t ri ste za d o di sc ur so e ste t izan te , ainda

não e s g o t o u

a ca deia d e seus ef ei to s ) .

"

Neste m o ment o , o m o viment o s emi ó ti co co nhece, em n o s so âmbit o ,

trê

sit á ri a , em cert a s pub l icaçõ e s,

d a nt es , con v erte-se , sob s ua forma degradada,

s "de sti n os "

si mul t âneos.

E m ce r t os s e to r ~ s da instituiç ã o

na s dis s e r taçô e s

univer -

o u tes es de algun s es tu-

nu m a espé c ie de triste

m o r -

. triturador, eng ol ido pela vertigem tecno c rát i ca: instrumentozinb o

t íf er o q ue fragmenta - im pl a cauel m enie todos os " t e xtos " do m u n do em

unidade s e s u b unidades,

nã o a única . D e to da p arte nó s ata -

cam o utra s escol á st i c a s co ntem p o r â nea s ,

cos

algun s g rande s n o me s pr ó pri os, do enl o uque c imento daqueles q ue nada

t êm a d izer, e tc . A s emiologia, nera l i z ada.

e

p arti c i p a d e s sa in f laçã o ge-

s inta g ma s e pa r adigma s ,

e tc.: em s uma, uma

. nova esco l â stica, Ma s , c ertamente,

, e p igô nic o s ;

é o produt o

d ilúvi os re pe t itio o s, m i méti-

da mod a, da má gica a tra ção ex erc i d a po r

co ntud o ,

d

E m ou tr o nível , qu e de f iniria co m mai s e x a tid ã o o co e f iciente

dema s i a da s f rase s vaz i as; eu p r ef erir i a f alar de um "mínimo d e rig or e

p

recis ã o " .

.

Te rceiro d e s t in o , c o n t em po râne o

d os o utr os d o i s: e n q uant o e sco la

d a s d os c e ná c ulos de imaginação inte -

v iva, c ritério de reag r upamento s

tirân i co s ) , enquanto prin c ípio

lectual, de júb i l o teórico, a semiologia

e stá em vias de desapare c er.

r e a i s (di fe rente s mot o r de inv e nção,

(aqui, di a nt e dos n o ssos olho s )

A semiolog i a . O grande pr o jeto d e unif ic açã o m et o dológica, o fa n -

(D a

ta s m a integr a do r q u e h a bito u

o e s p ír ito de alg u ns pesquisad o res.

. minha parte, e não . sou o único , a c r enç a nu m a semiótic a co m pr e e n d i d a

es sa maneir a durou poucos tempo . )

d

anos> ' ela me abandono u

já faz algu m

Tal se mi olo gia est á de s a p arecend o ,

e nã o po deria

se r de o utro

. m o d o. N o c am po de p e s qu is a s q u e el a ocupou tr a n si t ori am ent e

escrit os, orai s , [ ilmic os , et c. -

outra c o i s a qu e , em cert os casos > já tomou

d ig a-

m os, p ara s er bre ve s , o est ud o do s di sc ur sos soci ai s , d a s p ráti c a s si gn i -

o u t ra c o i s a es tá c o rp o . Algo q ue

não é mai s exa t a m ente "a" semio lo gia , ma s que lhe deve muito; q ue

[icante s , d os "textos "

surgind o ,

-

n ela se apói a (às vezes por m e i o d e r etor n os cr í ticos e autocrít i c o s:

que é uma maneira de a po iar- s e); alg o que, com b a se n e la (mas nun c a uni ca men te ne la: ei s o que é a p aix o nante, o q u e muda, o que dá vida

à s co i s a s ), co m e la e c o m s eu s in s trum e n tos ,

tuais na s cid os em regiõe s autôn o ma s da reflexão, tr a ta de ir mai s l o nge,

de ex pl orar novo s camin hos ,

a

O lhem os um p o uco em n os s o red o r . N os e st ud os literários , é pos -

sível enxer g ar, po r e xem plo, ce r tos e l e m ent os semíolôgicos que se rvem

e po r -

men oriz ado s

da s idéi as e da s

o

in t ere sses , so n hos i n t e le c -

de abrir j anela s, d e trazer um po uc o d e

e c an s ada .

legri a à pa i s agem teór ica, já de si bem m o n ó t o na

de b a se a p e sq ui sas h i stó ri cas, a pe rcur so s a m plos , d esco ntínu os

a o me s m o

t em po ,

atravé s da h i stó ria

"suce s so" d a o nda s emi ó tica h oje em d e cadência, verif ica-se; s em grande

fo

r ma s ;

i ss o se rá, em G érar d G enette ,

a d emar c açã o da " imagina ç ã o

difi c u l dade, q u e a lgu mas noçõe s e a l guma s d ili g ência s bá s ica s d o p en -

m

o tivan t e"

da l inguagem, obs e ss ã o s e c u l ar d a t r adiçã o oc id e n t al (o u

s ame n t o se m iolá gi co e xa m i n ar am o conj u nto das c iên cia s soc iais , u m

certo j o rnalism o d e s tina do à bur g ue s ia esc o lari z ada, a l guma s ob ra s de

arte q ue têm, c om mai s o u men os in t en s idade,

p r opós i tos de r u pt ura .

e

dado s n o se ntid o de de f inir o p a st icbe, a p ar ó di a , a "ret o mada do texto "

em gera l , co ncebida com o uma da s matri z e s da evo l uçã o em l i t eratura ) ;

nt ã o, n o me s m o

au tor ,em

s eu atua l s emin á r i o,

os p ri m e i r os p a ssos

A

inte l i g entzia, passa da s as p r i m e ir as r ej ei ções p â n i cas d o s ano s sessenta ,

em Tz uetan Todoro v,

t o da u ma sé ri e d e "ante c i p aç õ e s "

(copios a s , ali -

ab

so rveu

c erta d ose de semi olo gia,

co m a qual,

ma l o u be m a ss im ila d a,

m

e n t a d as . na s fo n tes) r e lativa s a algu ma s da s eme rg ên ci a s, d a Anti-:

hoje f un c i o na . F oi po s s ioe l f a l ar d e sse p equen o fun d o se miôtico ,

em dia f a z e n d o pa rte dos co s t ume s ,

lóg i co", e e u de bom g r ado esta r ia de aco r do com isso nã o f osse o f a t o

ep ist e m o-

h o je

c o mo de um "minimum

. de o termo

{ (ep is temolôgic o "

in f undi r -me certo re c eio p or ac o bertar

.

.

1 0

guidade Clá ss i c a a o s no ssos d i a s , d o tip o de p en s amento interpretatioo, da v isã o de mundo em t e rm os d e " s im bolis m o " e, tam b ém , u lt ima -

me nt e , d a p re gn ânc ia do "g ên er o"

do gênero que , em d i a cr o nia, de sloc a sem ces s ar, s uas f r o n t eira s ,

( tant o em l it e ratura como alhu re s),

s uas

1 1

~--~==~~~~~~----

e •••••••••••••••••••••••••••••••••• •

j

distribuições internas, paramelbor reorganizá-tas, de conformidade com outros traçados que "germinarão" por sua vez.

vemos o trabalho de

um historiador como Pierre Sorlin que, retomando um caminho aberto por Marc Ferro, pratica a análise "textual" de filmes e dela faz um dos

sua

f

No dominio dos estudos cinematográficos,

instrumentos-chave de um projeto sociológico que se inspira, por

vez, nas pesquisas de Pierre Bourdieu e [ean-Claude Passeron. Vemos Marie-Claire Ropars, em análises fílmicas particularmente sólidas, inte-

grar estas ou aquelas conquistas semiológicas num projeto mais amplo e pessoal, visando a esclarecer a noção de "escritura" no cinema. Vemos Raymond Bellour, através de uma certa semiologia do cinema (e tam- bém da literatura), através de mediações psicoanalíticas, e mostrando seu grande talento numa descrição minuciosa, fascinada, plenamente

"escrita", amparada em numerosos e diversos textos-orientadores, caminhar-se, pouco a pouco, para uma definição do século XIX

amparada em numerosos e diversos textos-orientadores, caminhar-se, pouco a pouco, para uma definição do século XIX

en-

como

espaço específico da enunciaçào, grande período histórico em que as

formas

romanescas atingem seu auge,' em Ç{ue se inventam, ao

mesmo

tempo,

o cinema, a neurose e a psícoanálise;

em que a família nuclear

(restrita, patriarcal, edipiana)

acaba de se estabelecer

e, sobretudo,

(na-burguesia) toma a seu cargo a tarefa de se autobiografar. Ao mesmo

tempo, outros pesquisadores

recorrem livremente à segunda semiologia, à história da retórica clássi-

ca; à teoria da ficção, a idéias vindas de Freud ou de Lacan, esforçan- do-se. para compreender. melhor o cinema (ou um certo cinema?) como

' dispositivo socializado, não-natural, de exercício da pulsâo escópica, como regragem institucional do imaginário e da crença, que não sobre- oioerâ às condições históricas que a produziram.

etc . ) s

(J ean-Louis Baudry,

eu próprio,

Arrolei tão-somente alguns exemplos, entre os muitos que poderiam

ser citados, dessas pesquisas que eu definiria,

ao mesmo tempo,

como

"pós-s'emiológicas" e como combinação dessa herança com outras; va-

os casos . A escolha de tais exemplos

acaso de minhás leituras e de minhas amizades, mas isso em nada pre- judica o que eu pretendia mostrar.

riáveis segundo

deve muito

ao

ao afirmar que a semio-

logia integradora está em viàs de desaparecer, não me junto, de maneira

Minha intenção era mostrar o seguinte:

alguma; ao coro sonoro daqueles que, aqui ou acolá, proclamam

a morte

da semiologia. Esse coro ,hoje,

está disposto em duas partes:

do lado

direito e do lado esquerdo, como num oratório

tempo teatro. Existe o grupo para o qual essa morte da semiótica

uma boa notícia

ameaça se afasta: "Finalmente livres!" (a peça de teatro poderia ser de

que fosse ao mesmo

):

é

alívio, a

(de que só souberam

recentemente

12

I onesco ). Existe o grupo adverso (belamente colocado defronte),

cortejo dos que tinham suposto que a semiologia

o

os dispensaria de re -

fletir e lbes daria, de uma vez por

todas, "um método":

morte da semiologia -

zação, a situação de ruína, a orfandade.

um tipo de morte imaginária -

para eles, a é a desvalori-

Ora, um movimento científico-ideológico

de alguma consistência,

como a semiologia, como muitos

"morre"

nesse sentido.

outros na história das idéias, jamais

ma-

Deixa trás si traços, palavras, conceitos,

neiras de pensar que irrigam de modo duradouro numerosas pesquisas, que se combinam multiplamente com outras correntes trazidos pelo processo normal e permanente de deslocamento do campo intelectual

(sem o qual adviria algo de morte, e de morte verdadeira).

Inversa-

mente, porém; os entusiasmos e as cristalizações históricas sempre che-

gam (o movimento

anos, a um momento que lhes determina o desaparecimento enquanto

com o transcorrer dos

semiológico não é o único),

escola viva, isto é, a um momento

em que se faz necessário

escolher

entre a manutenção da escola e a manutenção da vida (ainda

que sua

fase anterior, de alegre emergência, se definia ao contrário pela fusão provisória dessas duas exigências).

e, como é necessann

escolher, coloco-me do lado daqueles que escolhem um rumo contrário à Escola.

A semiologia,

hoje, atingiu esse momento

Quanto ao coro (desdobrado)

que glosa a morte da semiologia,

parece-me que seu erro, no fundo, pouco tem a ver com a semiologia, pois tem origem em representações mais gerais, numa concepção um pouco crispada e psicodramática da evolução intelectual, muito influen- ciada pelo jornalismo das "páginas culturais", desatenta por demais às leis objetivas ( sociológicas) do desenvolvimento de tendências e cor- rentes - tendências e correntes que Se imbricam e ramificam, nos que verdadeiramente trabalham, de uma maneira cuja complexidade' e rigor diferem muito da fabulosa disputado de tipo retro (medieval) em que aparecem em atividade "o semiálogo", "asociólogo", "o esquizo-ana- lista", etc. Tal representação, demasiado rígida, fecunda em artefatos, funda-se tambem em outro descuido: ela subestima abertamente outras leis objetivas, de ordem sâcio-psicoanalistica, que dão conta do desvio . (considerável) entre a realidade do trabalho executado . (quando o foi) e sua metaclassificação em setores petrificados; em suma, do desvio que se observa entre dois níveis. do imaginário intelectual: o que permite escrever e o que impede isso. O segundo é feito de angústia, de insegu- rança; enlouquece diante da necessidade (ilusória) de subir a Um trem bem definido (ou de perder nenhum, no caso dos mais desamparados);

••~~ ••••.••~ ••,,"""""""---------------------,~----------~~-~~=-== =-=--=-=-=-==--==~~==.=====-~-~~~~= ~.==~~

.

)

co n srs . ' t e . n uma espécie de b u s ca parental

está a " [ aoo r " de X e "co nt ra

quan d o e s . co meçar. E s q u e m a

an . mo es socia l d a l u t a p e l o reco n hec i m e n to,

e

escandalosa in s u f i c i ên ci a d e ca r g os d ispo ní v eis

;:~da na situaçã o a tua l de de s em p r e g o

e

Y '

m q u e só se pode a v anç a r

d

uot a , ma s t am em meca-

"

d

t

·

d

" ne c es s ita

.

. ~

.

e

d' i d

e a b ' oersanos

P'

a ris , e ma t s

.

e d a

edi p i an o , se m

.

so b r e tu o e m

d

n d êm ico d os d i pl oma dos

Até aqu i , fale i de s emi olog i a. Ma s não h á se n ão i sso . S e s e q ui s e r

de q ue s e t r ata em A P ro du ç ã o d e S enti d o , é nece ss á rio

de vis ão, t e r em co n ta u m a

co m preender

retro c e der u m pouc o , alar ga r o h o rizo n t e paisagem " c i entí f i c a " ma i s v a s ta.

De sse q uadr o f a ri a pa rt e a antr opolog ia e s t ru t u ral, q ue s oi rebo j e

(

r a do po r u m r e ce n te

Ca t h é rin e Cl ém en t e R a ymo n d Bello u r. Lendo A P rodução de Sentid o ,

ver -se-á q u e a an t r opolog i a

coletiva sobre Léui-Strcuss " editado " po r

em P ari s )

de est ran h o

e i n j u sto esque cim en to ,

est r utural,

b rilb an tem e n ter ep e -

l iv ro

enqu a nto t a l, aparece pouco,

m es m o conside ran do-se que a matéria t t a J a da relaciona-se principal-

e Xx. Mas cum-

p r e não dei xar enga nar -s e por isso. E liseo V e rón, q u e trabalhou no La-

bora tório d e An tropol ogi a S oc i al de C laude Léoi-Strauss, e stá se m pre

men t e com as sociedades industriais dos séculos XIX

a

t en to às lições d a a n t r opolo gi a. Elas

podem ser lidas , na sua obra, em

p

e lo m eno s dois n í ve i s : e m todo u m siste m a de alusões,

algumas das

q

uaí s mui to pre c isas (e n u t r in do

a reflexão

desde dentro)

e, po r outro

l a do , n o in t ere sse

d o s " e m o m eto d ôlogos ' t e m so ci olog ia ( a q ui , a i n fluência e v iden tem e n te

e s t á desl oc a da, já q u e a etn olo g i a te m , n os Es t ados U n idos, s ua p r ópr ia

h i s tóri a , e a so c iolog i a t amb é m ).

d a do à s pesqu i sas . a t uais do g r upo n orte-a m erica n o

r

P r odu ç ão de Sentido, na p r ópri a lógic a de se u projeto, nã o te nh a le va do

na d e v i d a cont a a q ui s i ções ,

a l gum as " reduç õ e s " exce ss iva s , d a s pesq ui s a s q ue fo r am c o n duzid o s

ne s sa d i r eç ão . -

o n . -

D i ga m o-Ia f ran c a m e n t e : la m e n to

um po u co q ue o a u to r de A

i r reoe r sioeis apes ar de

te m p o reco n h e ço be m o

n o m e u e n te n d er

m as a o m e s m o

La men t o-o,

pr o b l em a : é im poss íve l "a rticu l a r "

(

c o m o se d iz )

t u do co m tud o .

O

tra ba lho d e Pierr e B o r d i e u é pr i n c i pal m e nte ,

ne i ra e x clu siva ,

d e El i seo Veró n s e i n s c rev e n a já r ic a t rad iç ã o d a aná l i s e d o di scu rso

conseguin do

se be m q u e n ã o de ma -

ao p a ss o q ue o

um a s o c i o l o g ia dos campos c u l t ura i s ,

r en ou á -la de m o d o d e c i s i vo. Não s e tra t a , co m c e rte z a , d~

p

leitear, co m o qúer u m e cu men is mo

f á c il, uma si m p les "dual idade d o s

n

í v e i s ".

T rata -se d e a l g o mai s co m ple x o:

da p r óp rz a rel a çã o

d o s oc ial

e do si gni f ic a nte q u e , d e Bo ur die u

orde m mui t o d i ferente, se m dúoida p r oviso r ia mente

e n caixe e de anco r age m

a V e r ó n " é co n c e b i da s e g un do uma

in co n c i l i ável d e

recíprocos. E, em razão disso , será neces;ário

u m dia enfr entar essa g r a n de dificuldade e , p r ova v el m e n te , pe n sá-ta e m

termos mais amplos ção" , coisa semp r e

real da

próp r ia problemá ti ca , para o qual ainda não poss uím os meios). Deix e -

m os para ma i s t ar d e e ssa . t arefa , que só pod erá s e r ' r e alizad a coletiv a- me nte e que n ã o e stá n os propásitos do livro q ue p re f a ci am os neste

começo de 1979. L em b r emos

meça a configura r -se co m o

g üí stic a "ua r i a cion i st a "

(o que não seria , por consegu i nte ,

um tan t o a rtificial,

uma "articula -

mas u m d e sloca m ento

também , não obsta nte,

q ue t a l t a refa co-

algo viável , so b retudo a t ravés da socioli n -

na li n ha de Willia m La b o u .

Antropolog ia . Sociologi a. E a in d a ess a co i s a d e ou tra o r de m a q u e

s e cha m a "m ar x is m o ",

ou dois anos pa ra c á , m as e m nome do qu a l ti n h a m s id o e sc rita s (t am -

es tu p i da m e n te

desacred i t ad o

(e m P a r i s) ' de u m

 

E de p o i s

ve m a s o c i olog i a. Por su a f orma ç ã o p r i m e i ra ,

E l ise o

b

ém ) muitas bob a g en s ronron a ntes e dog m át i c as, p r in c i p alm e nt e n o

e r ó n

V

é so ci ól og o ;

fo i p e squ i sador ,

e não dos m e n or e s ,

do célebre

q

ue di z r esp e it o a s u p e r e stru t uras

e " ideolog i a "

=: » o m arx is m o

q u e

I n st it ut o

v á rio s p aí s e s l ati no- american os , bem co m o n os Est a d os U n idos. A so cio-

l o g ia, co m o s e s a b e, é, e m seu co n ju nt o,

z

ou fec h ados , · d e v er ifica ç ão p e lo

ch i q ua dr ad o , et c . ) u m a di s c ipl in a e m que e x i ste m pouc a s hipóteses fir-

de

e ntr e vi stas, de q ue s t io nári os

Di T e l a, de Bu e n o s Aires, e a tu o u am i ú d e co m o sociólogo e m

u m a

di s ciplin a po u co fo r mali-

a d a (sa l v o

n o n íve l , a n t e s pe r ifé r ico ,

a b e r tos

d a s t é c ni c a s d e i n q u iri ção ,

m

es , hipót e s e s cuj a di s t ânci a em rel a ção ao senso comu m, estimada em

te

r mos de i n for ma ç ã o , seria co n siderável. E x iste, tod av ia -

mesmo no

desse

campo uma sociolog i a q u e pensou com vigor o estatuto teórico dos

em torno de Bordieu e Passe-

e stado atual dos m eus conhecimentos,

bastan te incompletos,

I fenômenos culturais, a que se desenvolve

li· !

f

14

m a n tém com a so c iolo g i a, desde a fundação de a m bos n o século XIX ,

rela ç ões (e x pl í citas

o u n ão , s eg undo os c a sos) q u e ' s ã o , a o m es m o te m -

po, estr eit a s e alta men t e

a o que me parec e, co n tribu i ção muito i m po r t a n t e

c, co n seqüente m ent e , cr i tica u m ce r to out r o. No . q ue ta n g e a o fa m oso

e n i gmá ticas. -'- A Produção de S enti d o tr a z,

a u m c e r to m a r x i s m o

proble m a d a "ruptura " ,

ap r esenta pontos de vista realmente

alguma agitação , mas farão sem dúvida

que e stava num beco se m sa í d a Eliseo V eró n

novos, q u e poder ã ;

c a usar t a l v ez

e n trar , e m di versos

recintos

f e chados, boas lufadas de ar fresco. Quanto à rela ç ão e n tre a dimensão

da ideologia e a do poder, ambos onipresentes na sociedade e portanto no discurso, o livro de Verón, prolongando certas análises de Michel Foucault, traz uma proposição de contornos nít i dos, sus c etível de escla-

. 15

r

te r al g um in~eresse) : o ef e ito ideológic~ f a z! . a;;e da p r o,dução ,10 dis-

ece r as cois a s (e de tal maneira precis a qu e ' su a eventual c rítica tt:

cur s os, o efe z t o do pode r da s u a r ecep ç ao c= que r V eró n ) .

reconh e c im e n to

> com o

 

D

e ma n ei ra mais geral , o grande p r obl em a

, com o mar xis mo

(e

que

não ~ . no ~ o)

est ~( em el e não n~s, t e r d~d? até o ~o~~nto

uma

t e oria satisjatária da superestrutura:

efeito do discurso

c

do stqetto, do signiiicante,

i n terna dos textos,

do

como tal> da economia

etc. O

o n ju n to

dess e s e tor, às ueze s chamado

cultural,

não " acompanhou"

o p r o gr esso d eci si v o politi c as, h i s t órica s.

que o marx i smo

troux e às ciê nc ias eco n ômicas,

U m di a, talvez, g ene r a l izar - se-à a opinião -

par-

tilbadajâ

po r algun s, . ent r e os quai s m e c o n to -

de que > no fundo, a

' . s emi o l o g ia, pelo me n os em alguns de s eus aspectos, não é senão u m a decepção do mar x ismo, um mergulho mate r i a lista na [urna que ele de i -

x ou. Não sou o prime i ro a diz é -lo. Visto desta perspectiva,

de Sentido se i n stala solidamente

num canto da [urna.

l i

A Produção '

Agora, a lingüística. Dela se fala muito nesta obra que contém,

en t re outras coisa s , observ a ções

h i stória . ~ pré-b ist or i a dessa "ci ê n c iasocial ' J

de grand e força teórica no tocante à

e ao seu futuro

imediato

previ s í vel . A l in gü í stica de Saussure, , a de Chomsky , .catedrais intelec- tuais de nossos éc ulo , que só pudera m conhecer seu imponente desen-

na própria noção

d e "lingua" ( s eja e le refo rm ul a da em te rm os de "código" ou de "com-

v olvi m e n to a o pr eç o de u m a e xc lusão ma i or inscrita

p

etê n cia "): a e xc lusão do social - de todo o social, qu e não aquele

(

c o n s i derá v el)

q ue se investe a i n ferioridade da máquina-lí n gua - ,

do

soci a ique

s em pre lá (= relações .da língua com . os

to " , com a situação de f ala, com as condições s ociológicas de seu uso

est á adiante da linguage m, ao seu redor, embai x o,

no meio ,

seus usuários,com o "contex-

real, problemas diversos de "pragmática", etc. etc.), Ex c lusão, t ambém,

d e toda a di men são referen c ial da linguage m

mercê da noção de "signi- é ((amorjo " e ((extralin-

i c a do"

f

(qu e en velheceu

m a l) :

o refere n te

g üí s t i co ": q u a n t a s v e z es nã o

men o r convi cç ão (porque, n u m de t ermi nado m o m e n to , deseja-se ir mais

isso , com maior ou

ou vim os

e d i ssem os

. lo n ge e é necess á rio ,

e

n tão, adiar as gr a n de s interrog a ções)?

Ora , o

cha m ad o referen te é soci a l m ent e co n strui do ( in formado, formado) pelo

I

t

,I

própr i o m ovi m e n to que produ z a l i nguagem segundo o caso . Eu m esm o me interesse i,

ou que produzo discurso ,

certo tempo ,

"Le perçu et le nommé"

por um dos

a spectos dess e problema,

cepção sensorial do mundo, encaradas no seu nível "projundo" de pro-

dução social, num artigo de 1975 intitulado ("O p ercebido e o nomeado") .

as relações entre o léxico da língua e a per-

16

o que fora rec al cado na qual el a, se constru i u,

ma s

po r

isso que suas primeiras irrupções, que o livro de Veró n avali a co m , mu ita acuid a d e , apresentam a dupla càracteristica, p a rado xa l e sob er -

tamb é m , por

recalc a do sobre o

lin g , üí stica . Quero dizer: o

Hoje , de todas as par t es , vemos reto m a r

co n s e qüên ci a,

o r e calcado que ela é. É p r ecisa m ente

' bamente lógic a> de serem i n t e riores ao g r ande edifício lingüístico e, a o '

mesmo tempo, ameaçarem, a curto prazo, seus próprios alicerces. Estou

p e rsuadido, assi m Como o autor de A Produção de Sentido e, em part e,

por sua influên c i a,

para uma situação e m que " a l i ngiiistica "

atu a l) dei x ar á

d e existir e s e tor n ará um dos compone n t e s

cias da linguagem, so c iológ i c a s e psicoanali t i cas .

de que nos e n caminha m os> não m u ito le n tament e,

(no sent i do

de u m vast o f e i xe de ciên -

I .

'

Já se vêem , antecipada m e n te , contribuiçõe s para essa mudança fu- tura> talvez próxima: a lingüística da enunciação (= Benueniste e seus continuadores ) , certo s estudos de "pragmática' norte-americanos" a espetacular retomada dos ' problemas da enunciação pela semântica ge-

ratiua, com suas "[rases'ícada vez mais profundas, todas elas dependen- ,

t e s , (de maneira diferente)

Mas os abalos que sacodem o edifí ci o li n güístico nem sempre v êm do seu inter i or. Acabo de falar de "speecb acts". Uma palavra mais,

do ato

de fala , alocutório ou perlocutorio.

por conseguinte , sobre essa "[dosojia da linguagem", no . se n tido mode r- no da expressão , que nos vem do mundo angio-saxão c= lógicos, filó -

, sojas , quase - lingüistas , etc.) e . que

conheceu, na França , desenuoloimen- '

tos o r iginais, princip a lmente

suposições , graças aos trabalhos de Oswald . Ducrot e seu grupo. No momento em que escrevo estas linhas, a editora Seuil acaba de publicar um livro muito bem feito,La transparence et I'énonciation, de François Récanati, que, ' por primeira vez em língua francesa, ' nos o f erece tt,m

panorama introdutório (preciso) do conjunto da s pesquisas nesse cam-

po. -

no q u e diz resp e ito aos estudos das pres -

A "filosofia

da linguagem" (que Récanati, desempoeirando

Charles William Morris, prefere chamar de pragmática) ma n tém co m a

l

atualizada do tradicional e impagáuel duo li n güista e do lógico, episód i o

i n evitável em qualquer congresso i nternac i onal sobre a linguagem. Mas

esse aspecto anedótico não dev e ocultar o essen c ial: a teoria da enun- ciação, ou pelo m enos o q u e dela existe por enquanto, foi [eitasem bo a

(tal expressão ,

queno mundo , é, no fundo , de grande comicidade e ' remete ao proble-

versão

i ngü í stica , co m o

s e sabe, r e lações de [raternidade conflitiva ,

parte, por "não-lingüistas "

tão habitual em nosso pe-

ma de que estou tratando: como se "não-lingüista" fosse um ofício, uma

não-

esp é cie de intermediário entre o full t ime e o freelance

-lingü i stas, então , que tanto refle tiram sobre a enunciação lingüística,

). Esses

1 7

j

i

!

!

I

I ,

.

,' , ~ l q ; . fªp ,. so m e n l e

os fi l ó;ofos da linguagem; são ta m bém

(voltare ~

ao

"

ti 5 S U f J t.o)certos p s z c analzstas.

 
 

·"· E '

entanto a que falta ainda para um ala r gamento decisivo

da

zn guls ; t' zca .noe da pr~gmática "

Z

·

produção.

para que se 'avenham com a vida d sacial da .

os estu os r=

linguagem e .a

(notáveis) sobre a enuncta ç aose abram ele~ proprtos para. uma dime n -

[icaram, as mais das vezes,

(como bem mostra V erán ) na inten ç ão. consciente e pontual do locutor

são realmente sociol á gica . Por enquanto

.so:ial do referente,

é ,q~e

individual. Certamente tendo sempre a precisão.

não prete n do

que seja fácil ir mais longe man-

Não será de estranhar que me disponha, agora, a falar um po u co de psicoanálise . Eliseo V érón tr~~alhou, e~ Bu:nos -:4ir~;, ~unto a insti- tuições psiquiátricas e psicoanalztzca;; A dimensão psz1uzatr~a, raramen . te falta nos portenhos (nisto, como alzas em o~~ras partzcul~r~~ades, mt~zt.o -

pa r isienses ), impregna const~n:emente

•. en : . p:o~uça?

como .dma

o autor -

A P rodução d e Sentido. Um dos gra n des méritos deste livra -

tanto o vocabularzo quanto as ' 1 lzlzgenctas intelectuais de

e, desta

feita , bas t ante singular em P aris, onde somente os ignorantes são. ~nci-

clopédicos -

riorizada acerca de numerosos e diuersos dominios: em seus dijerentes

capítulos, a obra está "por dentro" daquilo de que fala (o que é raro)

e isso lhe permite

tivamente abstrata) propor soluções que não flutuam no votivo, noima- ginário programático tão em moda entre nós, proposições de futuro que, contrariamente às que freqüentem ente escuto à minha volta, não são de natureza a serem imediatamente rejeitadas por todas as partes interes- sadas, pela simples razão de que o autor do projeto não tomou o cui- dado de conbecer-lbes a lógica interna antes de lançâ-la a público.

(em função do nível escolhido, o de uma teoria rela-

ado é m, aliás, de ap~iar-se num~ ~nformação rea~ e znte -

' "

Reto r no à psicoanâlise.

Ela está aqui e ali em todo o livro de

Verón, chegando até a fornecer o objeto, o material; de, um dos estudos

nele contidos e, no entanto, não participa do propósito

da obra, pois o

problema que ela coloca (lncontornâoel)

a qualquer teoria do discurso,

a qualquer' teoria da cultura, só é abordado no final, sem insistência, com o estatuto manifesto de . um compasso de espera.

Por ser assunto · de monta, tal reserva.parece assaz prudente.j\{as já que sou o prefaciador e, como tal, socialmente autorizado acabriolar à vontade, sinto-me na obrigação de dizer uma ou duas coisas. De

pensar no sujeito, no Ima-

ginário e no Simbólico; impossível fazer sociologia das operações dis-

início: é impossível fazer sôcio-semi á ticasem

r

cursivas sem pensar no processo primário, na figu r ação, na condensação

(Verón sabe disso tão bem quanto eu, mesmo que,

nesta oportunidade, tenha decidido não intervir nesse nível). Esse pen-

e no deslocamento

samento existe: muitos dos seus elementos, já bem elabo r ados, encon-

t r am-se em Freud, em L acan e em outros. Mas o que, neste momento,

aind~ é difícil de conceber (diria melhor: de imaginar) é como . essa

' . conquista irreversível poderia p r oduzir reais e feitos de trabalh o n u ma

perspectiva sociológica ou histórica . Não ignoro a existência de algumas tentativas nesse sentido e reconheço que não carecem de interesse. Mas

não são sufi cientes.

Sem dúvida, deve ser muito cedo ainda. Muito cedo

de duas maneiras . De um lado, a maioria dos sociólogos desconhece a

ps i co a nâlise, ou desco n fiam uisceralmentedela

a maioria dos psicanalistas (inclusive Freud em numerosas passagens

a

dimensão propriamente sócio-política dos fenômenos humanos, para a história e a economia (a dos economistas ). Muito freqüenteme1ite aga r - ram-se à idéia de que Édipo é universal e trans-bistôrico, de que tem

pouco a ver com a família

de seus escritos) é vítima de perturbadora e súbita cegueira para

ou a r ejeitam. De outro,

como instituição social

de que o papel central do fal o na c a deia simbólica inde-

pende da opressão das mulheres e da desigualdade dos sexos como fato histórico, etc.

Para que as autênticas junções (e não simples pontes) se tornem possíveis, será mister pensar o próprio campo de validade do discurso psicoanalítico. De minha parte, acredito seja muito amplo, mas não sem

quanto as condições sácio-bis-

tôricasque objetivamente produziram , no mesmo movimento, a neurose

n u clear entendida

(temporária),

limites:

tão amplo (o que já é muito)

e a psicoanâlise

(mais ou menos como quando

os países industriais

avançados inventaram a poliomielite e sua vacina). Essa . adequação, po r si mesmo de natureza sociológica, garante a validade do instrumento psicoanalitico em muitos estudos (nos de cinema, por exemplo, produto da mesma ' sociedade). É essa adequação, outrossim, que . nos obrigará cedo ou tarde a modificar profundamente oinstritmento (sem , anular a possibilidade de rejeitâ-lo ) quando quisermos defrontar o fato de que tanto o Imaginário quanto o Simbólico são sociais, por conseguinte va-

riáveis no tempo eno

é que não acredito numa junção durável (que desejo profundamente)

entre a psicanálise ea s á cio-semiática antes de. a própria psicanálise ter começado a sociologizar-se. · ·

Em suma, o que estou tentando dizer

j

!

j

i

.

,

1

1

! I

espaço. ~

Existem contudo pontos, ainda muito limitados,

magistral de A Produção de Sentido,

a que <e "/"'1:., ,J

onde esse movi-

i ~

mento em profundidade poderia começar. Um deles me é sugerido por

uma panag,m

-

~ " s omente. A o fi m de u m a argu me nt a ç ão

c

s

. o mskiana

m o stra q u e o b' t n narts d . m o

({ } J

so m

e

o

o b ina . , ri s m o d o

({

c e rr ada , e ru d ita " co n -

d a z n gü t s ttca . s a uss u -

qu e

c~n c e p ç õ e s mai s a n t i g a s da s ignific a ção ( semiosis ), co n -

na o , S to 40 ) " ceniseo Ve r ó n

a

I '

,

s sun .,

' d " f

'

s en t i o " ez c o m

, ~ ~ ' ~ ss em o s

l ~ep ç õ e s q u e, s en d o dE ! fundo _te r n , á ri o , . ofere c ~ m mai s. oc~~iõe s p a '!

u m ~

anál i se s o c io l ógi c a d a produção d z scu rsz va. Ale m

c hen, o u Wort , ou A usd r u ck em G o ttlob

em Cha r l e s

d o s zg / 'J z fzc a n t e (- . Zei -

F r ege , s i g n o u r epre senta m e n sig n i f i c ad o - refe r e n te-den ot ado

S a n d e rs

P eir c e ) ,

a l ém do

o

ma i s im port ante ne sses do i s a ut or es,

dia çã o so c i a l que p r oduz o p ró p ri o s enti d o r .o " Si n n " d e Frege , o " in-

(= Bedeutun g

em F r ege , object e m P e i r c e ) , h á o t e r c e i r o t e r m o ,

o qu e m elho r c o r r e s pon deria à me -

t e rpr e tante"

cia, que se e x p r i m e no terceiro te rm o (a { (t b i rd ne s s" d e P eirce , po r

e xem plo) ,

ordem lacanianad o S im bólico

g

termos de uma triangulaçáo radical (no ca s o ' 4 edip ia n a, com certeza) ,do Simbólico que, s em pre , c oloca o Outro entr e d o is suje ito s dos quais cada qual é o outro para o o u tro?

em

não a prox im â-lo da a lei social, a l i n-

d e Pe i r ce . Ora , e sta fu n da m e n t al s o c ia l i d a d e d a s ignific ân -

o t ermo qu e esoa z i ou a l i ngüísti c a , como

do Si mb ól i c o

( que é p r ec i s amente

que se define

também

p e l a terceiridade,

uagem),

Falei d e semi olog i a, d e a n t r opologi a, de .s ociolo g i a , de marxismo ,

d e li n güíst i ca , d e filosofia da li ng uage m , de psicanálise e , n o fundo, não

' diss e na d a do l i vro de Eliseo VefÓ n . Ess es d ivers os c am pos ' por m im

ar r o lados c onst it u e m o h o r iz o nt e da ob r a , não a obra p r o p riamen te d i t a .

Es ta se si tua en t r e t o das ess a s b a l iz as , m a s p a r a ai i n s c r ever s eu ' próp r i o

t raba lho e d e l e não f arei ne st a s p áginas

c i ar e i (não é ess e o meu p a p e l , t a l CO mO o c on cebo ) .

O l ivr o fa l a por

s i , p o ss u i a m p l i d ão e f o rça .

n e nhu m

re s u m o, não o an un -

Meu amigo E l i s eo V eró n uem-nos de u m gr an de p aí s , a Ar g enti na;

q ue ho j e e m d {a a tr av ess a u m dos perí od o s

Ve m - n os

que nin gué m esquec e depois de tê-Ia co n h e c id o, q u e Hilda Herrera e

Gris e lda G am b a r o , nu m ta n ge ad m irave l m e n t e c an ta d o por Susana R i -

naldó ' (Vu e lve

que um di a r e na sce r ia d e s u a e xtinç â o atu a l .

m a is d ur os de su a histó r i a .

um a d essas c i dades

de u ma be li s s im a

ci d a de, B u e n o s A i re s ,

Ciudad), souber a m dizer, co m p a l avra s sim ples e justas ,

Na Améric a (do Sul e do Norte),

a reputaç ão d e Eliseo

Verón está

feita . É autor, e m l í ngua espanhola, de trê s liv r os ( u m deles

em colabo-

ração com G.

rante muito tem p o dirigiu importantes cole çõ e s d as E d ições Tiem po Contem porâ ne o, ete.

editor de outras du as o b r a s c o letivas e du-

Sl u zl e i) ,

2 0

 

r

 

am bé m

T

n a F r a n ç a , as at i vidad es

c ie nt í f i c a s

d e V e r ó n s ã o múl -

 

t

i p l a s e já an t i g as. Es t á l iga do aos traba lhos

da l ' Éc ol e

des Ha u t e s

E

t ud es e n

S c i e n ce s S o ci a l es e do Ce n tre d ' Et u de s Tr an sd i s c iplinaires

("C E T SAS " ) . T e m s ob s ua respo n sa b i l idade

U171. se m inár io e or i e n ta

nume ro s as p e sq uis a s i n di v id u a i s

ou , c o l e tiv a s . I n spi ro u

e

re a l izo u do i s

'

n úme r os d a rev i st a C om mu nic a tion s ,

o 2 0 ( 1 9 7 3 ) e o 2 8

(1 9

78).

"

To davia, no context o d e penú r ia

po r q u e pa s sa a p esqu i sa f r an ce s a,

s

u a s dive rs a s ativid a des ,

ape s ar do s e u a lt o r igor , nã o r e ceb e ra m ainda ,

em ter m os , d e est a tut o

p er ma n en t e ,

o reco n h eci m e n to

que

me r e cem .

A P r o du ção

d e Se n tid o é s e u pr i m eiro l iv r o fr an c ês . J á que me pro nti-

i q u ei a f a z e r-lh e o Pre f áci o , seja - m e pe rmiti do fa z er Um voto : q ue n oss o

f

p

a í s, e m su a s in s ti tuições de en sin o e pesq u isa , nã o d e ix e pass ar,

c om o

e z e m tantas outras oportun i dades , a oportu ni dade q u e rep r esenta p a ra

f

e

l e, P3 r a a cons t ituição progressiva aqu i de uma teo r ia do d i scurso co m o

p

rodução , a contribuição decisiva que lhe traz Eliseo Verón .

 
 

CH RIS TIAN

METz

(

P a r i s , f eve r eiro d e 1979 )

 

21

I

I

t"

,

í

,

,

(

3 ) . Co ns t i tu i ç ã o

de u m a pa r e l ho con cep t u a l q u e n os p er m i t a de s -

L IN G ü1 S T I C A E S O C I OLOG I A :

P ARA UMA " LO GICA N A TU R AL " D OS

MUNDOS SOCIAIS

~J

o p on t o d e p art i da d es t e tra b a l h o s i t u a - se nu m d u p l o in teres s e p e l os f e nô m e n o s di sc u r s i vo s c p e los [ c n ô r n c n o s i d e o l ó g i c o s . Di t o d e

ou t r a

c u rsos . Um a f o rmu l a ç ão d essa n at u r ez a d a d a a s u a g e n e r a l i d a d e e a impre c is ão d os t ermos , é o b v i a men t e i ns u f i c i e nt e . M a s p a r e c e - me i m- p o r t a nte c e r car, d e in í c io , o conju n t o d o d omín io e m c uj os l imite s

sem e lh a nte f or mul açã o se col oca . E is um a nu m e ra ç ã o m ínima de qu a tr o objet i vos , ordenados desde o ma i s a mbic i o s o at é o mais modesto:

( 1) Constituição de uma t e ori a dos processos super e str ut u ra í s, como p a rte essenci a l de uma teo r i a glob a l do s modos d e produção e , por conseguint e , do fun c ionam ento das d iv er sa s form a çõ e s soci a is; ( 2 ) Consti t uição de um aparelho conceptual que nos permit a des - cre v er os processos de significação (di s cursi v os e e x tr a discursi v os ) 1

co mo processos d e prod uç ão (d e s e ntido), is t o é , como t r a balho socia l

dentro do conjunto produtivo de uma soci e dade d ad a ou d e um tipo de

s

ma n e i r a , p e l o " m o d o d e e x i s t ênc ia "

d a id e o l og i a . no s e i o d o s d is-

o cied a de ;

1. Neste trabalho, reser v o os termos "discurso" e "discursivo" par a os' fen ô-

m e nos que ocorrem no interior da matéria significante lingüística, o que não quer

d

de ide o logia no seio do s oci a l . M a s aqui só 'nos iremos ocupar da linguagem e de

su a s r e lações com a ação. P a ra uma primeira

ma t ér i as si g nificante s , ver meu ensaio "Para Uma Semiolo g i a d a s Operações Tr a ns -

l in g ü ísticas ", nes te mes mo volum e ,

i z e r -

bem longe di s so -

que esta seja a úni ca matér i a sign i ficante portadora

abordagem do estudo de outras

22

crev er os p r oc e ssos d a p r od u ç ã o socia l d e di s c ur sos + T a l a p a re lh o s eri a,

p or sua v e z, u m a p a r te c e n t ra l d o já m e n ci o n ado e m ( 2 );

( 4 ) D e terminaç ão das cond iç õ e s que de ve m se r s at i sf eit a s pe l o

apa r elh o conceptu al d e qu e s e tra t a em (3) , a fim d e qu e e s t e úl tim o

s e j a , no mom e n to o p or t u n o, um i ns tr u m ent o a d e q u a d o de a ná l i s e e m

r e l ação a ( 2) e a ( 1 ) .

Esta ú l t ima f or mul a çã o ta l v ez já dei xe ad i v inh a r qu al é m inh a

a v a li açã o d o es t ado at ual d e ssa pr o bl e má t i ca. A t e ori a a q ue m e re firo em ( 1 ), assi m c o mo os a p a r e lho s co n ceptu a is d e q u e s e t r a t a e m ( 2 )

e (3 ) , só e x iste m na f o r m a d e pro j e tos ou in te n ç õ e s ( de forma ima- g i n á ri a, por consegu i nte) enunciados mediante discu r sos de natureza

pu ra men t e esp ec uIativa, is t o é, na forma de hipótes e s impossíveis de

provar na realidade e mpíric a . Ap ó s essa a v aliação puramente negativa , eis, agora, a hipótes e posit i v a : por meio de um certo trabalho (cuj a natureza cumpre discutir) já é possí v el estimular o desenvolvimer t to de ( 4 !. P orta n to, . e nt re os ob j et iv os e numerados , o único d e que se pode se ria me n te co g it ar n o mo m e n to a tual é, em minh a o p inião, (4). (Não t e n h o a mínim a int enção d e n egar a p ossibilid a d e o u sequer a n ec e ssi-

d a d e d e um tra b a l ho pre d o m i n ante m e nt e ideoló g ico - no qu a dro da

l ut a po lí tic a , por exe mp l o -

mínios ass im c a ra c t e ri z ad os e, m e s mo , e nt e nd a - s e b e m, sobre outro s d o mí nios a ind a m a i s pro bl emá ticos) . A a va liaç ão q u e acabo d e f a z er di z r e speito ex c lusi v a m e nt e à p r od u ção de co n heci m entos ,

s ob re não imp o rt a qu a l dos quatro do-

A o r dem d ess a · e numer a ção deve ser in t erpretad a num sentido

" f r aco", ou seja , d a c once r n e às condições concre t a s do trabalho em r e l a ção à tota l id a de de cada domínio; considerad a em ' toda a sua com - pl e x idade, mais que a p r incípios "teóricos" : a ordem não implica a idé ia de que o d e senvolvimen t o pormenorizado e completo de um do - m í nio seja condição s i n e q ua n on para que ' se passe ao objetivo "se - gui n te". De fato, a p r ópri a formulação de (4) indica ser necessá r io t e r j á hipóteses e conc e itos conc e rnentes a (1) p a ta estimula r opei' ~ c urso rumo ao mai s modesto do s quatro objetivos. Mas uma coisa é d ispor de hipóteses, d e ori e ntações gerais, de modalidades particulares , Ou c o l o car problemas, ,e outra, muito diferente, poder dar às hipótese s a cerc a dos fenômenos superestruturais forma que devem ter para que seja possível decidir do seu valor de verdade. Para tanto, cumpre que

e -

2 . "Dis c ursos":

aqui , no plural.

2 3

t e nh a mo s uma teo r ia co n s tituída e f o rtement e

seu s nívei s de a b s tr a ç ã o .

não ex i ste em nen hum a

in t egrada,

e m to d ~ s os

O ra, p ar ec e -m e e vid ente

p a rte .

que t a l t eo r ia a i nd a

De

li mita do

n ess e co n t e xt o ,

o objet i v o

( 4 ) con ce rne u nica men te

a a s a -

uma p~rt e d o co n junto c ons t i t uído

be r, n a med i d a em q u e

t udo , pode r mos t r ar

dom ínio d e p e squi sa j á i mpl i c a neces s ar iam e n t e

t es e s s obre o s f e n ô m e n os nã o -di scu r s iv o s .

p

e los f e n ô menos id e o l óg ico s,

o s d i s c u r sos.

a e labo r a ção

Es per o , con -

qu e, m e s mo nu ma deli mit a ção . dessa e spéc i e, t a l

de hip ó -

ele s " a tra v e ss am"

O

que precede s ó tem sent i do

par a a qu e les . q u e se propõem co mo

ob j e ti v o

(p o r ma i s dis tan te

q u e e l e p o ss a p a r ec e r n o m o m e nt o

atu a l )

ch egar a um a aná lis e . da i d e o l og i a

al é m dessa " leitur a " pu r ament e interpret a tiva d e

no s d i s c u rso s

q u e seja capaz d e i r tex tos, a qual sempre

e

x istiu enquanto

prátic a . T a l prátic a , bem