MEDIÚNICOS
E OUTROS
FENÔMENOS
PSÍQUICOS
Dante Labbate
CIP-Brasil. Catalogação na Fonte
Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ
________________________________________________________________________________________________
L12d
Labbate, Dante, 1928-2007
Desdobramentos mediúnicos e outros fenômenos psíquicos / Dante Labbate - Belo Horizonte MG : Fonte Viva, 2008 168p.
ISBN: 978-85-7428-058-5
1. Mediunidade. 2. Espiritismo. I. Título
CDD: 133.93
CDU: 133.7
8-3233.
________________________________________________________________________________________________
Índice para catálogo sistemático:
1. Desdobramentos mediúnicos e outros fenômenos psíquicos
Título Original:
Desdobramentos mediúnicos e outros fenômenos psíquicos
Revisão:
Julia Marinho
Capa e editoração:
Luciano Rocha Barbosa
Projeto gráfico e diagramação:
Tatiana Yamada / Casa de Idéias
Organização:
Fernando Hungria
1ª edição: setembro 2008
© Copyright by
Editora Espírita Fonte Viva Rua Dona Euzébia, 100 Bairro Providência
Telefone (31) 433-0400 CEP 31814-180
Belo Horizonte - MG - Brasil
fonteviva@fonteviva.com.br
http://www.fonteviva.com.br
A renda líquida da vendagem deste livro é destinada às obras assistenciais da Casa Maria de
Magdala, em Niterói, RJ
Impresso no Brasil
Presita en Brazilo
EDITORA ESPÍRITA FONTE NOVA
O autor expõe nesta obra suas experiências de saída
provisória do corpo material e ingresso no mundo extrafísico,
com objetivo determinado, e narra outros fenômenos - os
resultantes da interação com os seres espirituais.
Estudioso dos fenômenos anímicos e mediúnicos
acumulou, ao longo de sessenta anos, extenso registro sobre
o assunto.
Nascido em 5 de janeiro de 1928, na mineira Tarumirim,
teve, muito jovem, os primeiros contatos com a notícia
espírita por intermédio de seu pai Jerry Labbate. Aos 18 anos,
noviciou como aluno na Mocidade do Centro Espírita Amor e
Caridade, em Belo Horizonte. Em dois anos ingressou no
Centro Espírita Oriente - mais tarde Grupo da Fraternidade
Irmã Scheilla onde presenciou fenômenos de efeitos físicos e
materializações.
Ativo militante do movimento espírita, um dos
promotores do I Congresso de Mocidades Espíritas de Minas
Gerais (década de 40), participou do I Congresso de Grupos
da Fraternidade (São Paulo, 1954) e inspirou a realização do
próximo congresso (Minas, 1955). Atuou na implantação das
instituições Casa do Caminho Irmão Jerry, Casa de Saúde
André Luiz, Cidade da Fraternidade Oscal, Hospital Espírita
André Luiz.
Precursor do espiritismo em Massachusetts, Estados
Unidos, onde residiu por quase vinte anos, Dante fundou e
dirigiu o Centro Espírita Caminho, Verdade e Vida, em
Sommerville, e impulsionou a criação de outros núcleos em
Lowell, Marlborough, Quincy e Peabody. Em 1997, participou
da fundação do Conselho Espírita Americano, sediado em
Washington, D.C., quando exerceu o cargo de conselheiro por
três anos.
Recentemente, organizou a instalação da Allan Kardec
Spiritist Society for Studies and Research, em Charlotte,
Carolina do Norte
Em 2002, lançou MATERIALIZAÇÕES LUMINOSAS - LEIS
CÓSMICAS EM AÇÃO (Ed. Espírita Fonte Viva), uma coletânea
de relatos de exteriorizações ectoplásmicas e de efeitos
físicos por ele presenciados.
Dante admite consolidada a fase de popularização dos
fenômenos psíquicos porquanto já se encontram com-
provados e entendidos por muitos os fundamentos da doutrina dos espíritos. das realizações superiores. . vivenciamos a era da reconstrução íntima. Contudo. Para ele. fatos relevantes e instrutivos ainda precisam ser divulgados com o objetivo de promover a transformação do antiquado modelo materialista e a expansão da bibliografia pertinente.
Lá. estado em que maior amplitude adquire suas faculdades. Como subsídio para melhor compreensão do fenômeno de saída do corpo . que é um estado de sonambulismo imperfeito.INTRODUÇÃO As narrativas aqui descritas se reportam aos casos de sonambulismo por mim experimentados durante quase duas décadas.” No texto de número 455. E aí que se pode estudar a alma. da mesma obra. com meu pai e com terceiros. capítulo VIII. Kardec assevera: “Para o espiritismo. achando-se de certa forma em estado de catalepsia. Os órgãos materiais. A alma tem então percepções de que não dispõe no sonho.” . deixam de receber as impressões exteriores.um dos temas desta publicação reproduzo a pergunta 425 de Kardec em O livro dos espíritos: “O sonambulismo natural tem alguma relação com os sonhos? Como explicá-lo?” A resposta: “É um estado de independência do espírito. mais completo do que no sonho. ao projetar-me fora do corpo físico. Conforme intuições que recebia do mentor espiritual. por considerá-los importantes registros. o espírito está na posse plena de si mesmo. em caridosa iniciativa. pelos espíritos que me conduziam àquelas paragens. o sonambulismo é mais do que um fenômeno psicológico. cujas lembranças foram bloqueadas. pude também testemunhar cenas estarrecedoras. esses desdobramentos destinavam-se a cooperar. é uma luz projetada sobre a psicologia. com os trabalhos de amor em zonas umbralinas. embora minhas naturais limitações. Além de algumas experiências por mim vividas. relato outros fenômenos psíquicos comigo sucedidos. No sonambulismo. porque é onde esta se mostra a descoberto. Parte 2a.
. sediada em Niterói. a Providência nos dá a prova irrecusável da existência e da independência da alma.os soropositivos para o HIV/AIDS. e nos faz assistir ao sublime espetáculo da sua emancipação. Com esse propósito. o livro do nosso destino. a renda líquida da comercialização será destinada às atividades assistenciais da Casa Maria de Magdala. por isso. em especial. Estado do Rio de Janeiro.Ainda no 12° parágrafo do mesmo texto: “Pelos fenômenos do sonambulismo. quer natural. esta pequena obra se destina. a contribuir com irmãos que sofrem de enfermidade ainda incurável . quer magnético. benção de Deus manifestada pelos corações de devotados companheiros no trabalho de amor e de amparo a adultos e crianças. dessa maneira. Abre-nos. será casualmente citada por se tratar de um livro de exposição de fatos. Por fim.” A literatura espírita pertinente é ampla e elucidativa. Paz com Jesus! O autor.
ocorridos apenas com um solitário e anônimo médium. amplamente tratados pela ciência do espírito. em estado de transe. o agente produtor é o espírito encarnado.PREFÁCIO Denomina-se desdobramento espiritual o processo espontâneo ou induzido. o fenômeno vem ratificar a realidade da sobrevivência do espírito e a sua autonomia em relação ao corpo. se limita a breve comentário no ambiente familiar. No processo espontâneo. a observação da vida no Além. as manifestações são provocadas pelos espíritos. Os fenômenos psíquicos são os anímicos e os mediúnicos. regressão de memória. ficam relegados importantes inventários da natureza transcendental da ação dos espíritos sobre o homem. Na tarefa espírita o desdobramento objetiva a realização de atividade nobre. nos mediúnicos. não repercuta com igual relevância e amplitude como as publicações de consagrados pesquisadores. em que o espírito encarnado se afasta temporariamente do corpo. Em consequência. utilizando as energias psíquicas do médium. . Nos anímicos . A lamentar.telepatia. no entanto. Aglutinadas ambas as faculdades desencadeiam os fenômenos medianímicos. instrutiva. leitura do pensamento e outros -. Ademais. no induzido. quando muito. clarividência. que a divulgação de fenômenos psíquicos. é capaz de deslocar-se a grandes extensões tanto no plano físico como no da espiritualidade. Isso porque o sensitivo raramente os revela. a difusão seletiva desses fenômenos contribui para a mudança do pensamento materialista. Tais fatos são próprios da natureza humana e seus efeitos bastante noticiados desde o advento do homem. a alma se desliga durante o sono ordinário e permanece geralmente a curta distância. Em consequência. A História é rica de episódios no gênero.
a iluminarem apenas um indivíduo. Yeda Hungria Niterói. Este livro reflete a sua proposta. sem tecnicismos. zoantropia. 2002). a necessidade de divulgá-los. quando se vêem fora do corpo físico. ideoplastia. criteriosamente. transcomunicação instrumental. para a consideração do leitor. Fonte Viva. RJ. em ordem direta. bastante informativa. com o objetivo de contribuir para a sua discussão e o incremento da literatura conexa. A obra é endereçada também àqueles que se aturdem. apenas registrar fatos sob a óptica da doutrina dos espíritos.O autor Dante Labbate envolvido há muitos anos com o estudo do desdobramento espiritual e da materialização dos seres invisíveis prefere não manter herméticas as realidades dos fenômenos psíquicos . Nada pretende provar sequer convencer. Defende. emancipação do espírito. obsessão. magnetismo espiritual e outras manifestações da fenomenologia espírita. Publicação despretensiosa. É uma coletânea de narrativas de vivências pessoais no campo de efeitos físicos. apresenta texto e estrutura expositiva simples e concisa. a exemplo de MATERIALIZAÇÕES LUMINOSAS — FORÇAS CÓSMICAS EM AÇÃO (Ed. por desinformados. de fácil leitura. viagem ao passado. projetados na dimensão espiritual. por importante. setembro de 2007. Expõe. por isso.desde que instrutivos e relevantes . . também. fatos irrefutáveis oriundos de fontes idôneas. do mesmo autor.
após quase oitenta anos em regime de aperfeiçoamento na carne. quis o Pastor das Almas que o autor regressasse ao Seu rebanho.IN MEMORIAM No ensejo da finalização deste livro. gravou merecidamente o seu nome na galeria dos consagrados obreiros do Consolador Prometido. dado o esforço e a perseverança na implantação e orientação de núcleos espiritistas nos Estados Unidos. Presença marcante no movimento espírita. . e em especial. Ainda. Dante se destacou como estudioso dos fenômenos psíquicos e aplicado cultor da literatura da Terceira Revelação.
atônito com o acontecimento inédito. a cidade comentava o crime que testemunhei fora do corpo. orei. a sua atenção está no espaço? De volta à casa. aos 20 anos de idade. No calor do embate. isto é. Encontrava-me no cruzamento das ruas Rio de Janeiro com Guaicurus. como de hábito. Surpreso. como atesta o registro da Sociedade de Pesquisas Psíquicas de Londres. prejudicava até mesmo a atenção às aulas. Não mais consegui conciliar o sono. No fim do dia. extraído da Revista Planeta. à época local mal afamado de Belo Horizonte. vi-me de repente fora do corpo. como na puberdade.Dante. em espírito. dois deles passam a agressões físicas.” Foi o que me aconteceu. um dos contendores recebe violento golpe de punhal no peito e tomba encurvado ao chão. na adolescência e na maturidade. não esquecia da terrível cena. Corria o ano de 1948. Despertei trêmulo. Pela manhã. recolhido ao leito. bastante perturbado com o episódio. n° 137.O ASSASSINATO Com esse fato. cidade onde residia. Tal sensitividade pode surgir com um acidente chocante. seus últimos lamentos: “Lauro! Lauro!” Assustado. O professor de matemática. quando deparei com quatro rapazes envolvidos em acalorada discussão. no colégio. . ao demonstrar no quadro um teorema de trigonometria espacial. percebeu o meu alheamento e inquiriu: . desabrochou-me a sensibilidade mediúnica na juventude. Isso não constitui algo surpreendente. nitidamente. Presente na memória. Ouvi. retornei rapidamente ao corpo. Em seguida. assinado por Elsie Dubugras: “A eclosão da mediunidade pode ocorrer em diversas épocas.
A partir daquela experiência. Aprendi. a fim de merecermos a assistência dos seres de luz. assim. Habitualmente. a importância da preparação para o sono através da prece. raras eram as noites em que esses fenômenos não sucediam. que informaram ser um fenômeno de desdobramento mediúnico.Narrei o acontecimento a alguns companheiros de doutrina espírita. concluí pela necessidade de aprofundar-me no estudo das obras de Allan Kardec e subsidiárias. Lá encontrava outros encarnados em desdobramento com idêntica atribuição. Diante disso. Ao término dessas excursões muitas vezes resultava exausto. um espírito me conduzia ao umbral para exercitar a cooperação com os mais necessitados do que eu. . mas os benevolentes amigos espirituais me recompunham as energias.
Scheilla e Fritz se . consciente da produção do fenômeno. Na sede provisória do Grupo da Fraternidade Irmã Scheilla. A noite. cabiame. durante as reuniões. pois me faltou a vigilância pregada por Jesus a Pedro: “Orai e vigiai. em Belo Horizonte. A entidade que o atacou estava por demais impregnada de energias negativas. Flutuava a pouco mais de meio metro acima do corpo. decidi recorrer à meditação para restabelecer a sintonia com os planos superiores.” O despreparo permitiu a aproximação daquele ente sofredor. apresentou-se um espírito do astral inferior. fortalecido espiritualmente. o desprendimento iniciou antes da prece habitual.INVIGILÂNCIA Esta narrativa enfatiza a importância da manutenção do equilíbrio emocional e espiritual. participei de uma reunião de ectoplasmia destinada a tratamento de saúde. encaminhar os enfermos ao tratamento espiritual ali realizado. forma animalesca. Certa vez. vamos proceder a limpeza psíquica do ambiente. por descuido.” Perturbado pelos efeitos negativos da experiência. porém logo me tranquilizei ao receber intuitivamente as palavras dos amigos do Além: “Tenha calma. olhos enormes. A imagem da triste ocorrência produziu mal estar. Dias depois.. feições de tigre. Avançou rapidamente sobre num e cravou as garras em meu pescoço. O instinto de defesa prevaleceu e refugiei-me no corpo. para não nos tornarmos presas dos irmãos na erraticidade ou nos firam os espinhos da negligência. Em seguida. Enquanto os espíritos Joseph Gleber. na Praça do Cruzeiro 27.. envolvera-me em um acontecimento bastante desagradável e as emoções se me desorganizaram sensivelmente.
porquanto o Grupo Scheilla mantinha albergados alguns enfermos sob nossos cuidados. receberá novos conhecimentos para exercitá-los. foi louvável. Alcançamos uma enfermaria iluminada por suave luz azul e aproximei-me do paciente. para não nos magoarmos onde pisamos. os sensores do Grupo Scheilla acusaram a intenção. em desdobramento. devemos estar sempre atentos às nossas ações e pensamentos. . prontos a atendê-los em suas necessidades. Era o espírito mencionado no capítulo anterior que me atacara. . Projetei-me no ambiente espiritual e encontrei uma entidade que me convidou a acompanhá-la em longo corredor de hospital. Observe-o com atenção e projete-lhe sentimentos de paz. E uma extensão criada pela condensação da energia emitida pelas vibrações de amor dos frequentadores encarnados e desencarnados desta casa. nesses últimos dias. Sua atitude. José Grosso distribuía sábias palavras. Reco- . e os escudos magnéticos prontamente imobilizaram-no. Finda a reunião. Uma das entidades a mim se dirigiu reservadamente: . espreitava-o à espera de oportunidade para subjugá-lo. Visitaremos agora alguém que dorme sono profundo de recuperação. permaneci no local em companhia de dois companheiros. As emissões magnéticas do instrutor esclareceramme: . Valendo-se de suas defesas abertas.Ele foi atraído por suas reações inferiores no episódio em que se envolveu. Hoje.confirmou o benfeitor.Meu amigo. embuçado de animal. senti o prenuncio de saída do corpo.Meu Deus. Dirigimonos aos aposentos. Durante o repouso.surpreendi-me. O instrutor indicou a saída e esclareceu: .Esta dependência situa-se aqui no Grupo Scheilla. porém. empenhada em superar os dissabores provados. Ao buscar a meditação desintoxicou a alma e vestiu a túnica da sensatez.revezavam nas aplicações radioativas nos enfermos. é ele! . em meio aos habituais gracejos.Sim .
também será abordado no capítulo “Um Caso Invulgar” (Pág. denominado zoantropia a metamorfose do perispírito em forma animal -. Restou-me a lição da necessidade de vigilância dos pensamentos e ações em conformidade com os postulados cristãos.lhido a este ambiente. o seu perispírito deixará aos poucos a matriz animal e. para que o pedido de socorro alcance os planos etéreos. renovado. Esse fenômeno. 41). . recobrará a consciência e a busca do progresso.
. a ambientação após a extinção física será pacífica. Sua voz é ouvida com atenção: .. atraiu-me a atenção a aproximação de uma estrela luminosa.. Cessada a exortação. sem atribulações. Que a paz os envolva e prossigam como bons tarefeiros no vale das sombras. se transfigura Os semblantes transmitem emoção incontida. Amigos. o espírito encarnado conquistar valores e virtudes. onde gravitam espíritos que exorbitaram da vida terrena.NO UMBRAL A referência ao vocábulo umbral pode ensejar receio.)”. onde acontecia grande assembléia. olhar agudo. a exibir autoridade. entretanto. até pousar na relva. “Bemaventurados os que choram.. Longa e alva barba. e a cada um será dado conforme o merecimento.Amados. que a chama da boa vontade aqueça seus corações e dignifique o trabalho de amor a oferecer àqueles que se desviaram do aprisco do Senhor. A narrativa a seguir reproduz um fato ocorrido na zona umbralina. Permitam. o benfeitor novamente em luz e ascende ao infinito.. porque serão consolados (. a flutuar como pluma. onde seres aptos a receber os anjos do amor como pastor divinos vivem a expectativa do retorno em nova experiência na carne. os tempos são chegados.. O brilho arrefeceu e dela surgiu uma figura translúcida. Entidades amigas me conduziram a uma região plácida. Isso porque a faixa vibratória não se identificará com a das forças desajustadas daquele território sombrio. Pleno de sentimentos sublimes. Outra entidade se manifesta. assim.)”. Se. a paz do Divino Amigo conosco! “Bemaventurados os mansos. “Eu estou no Pai e o Pai está em Mim (. porque herdarão a Terra (.)”. tal a proposta do Mestre. refere-se: .
- Filhos de Deus, convido-os à missão sublime que os
aguarda. Penetraremos agora em uma faixa vibratória de
angústia, de revolta, habitada por irmãos imantados ao erro,
à matéria. Aqui, somos todos simples obreiros, conscientes da
importância da tarefa a cumprir. De vocês, cooperadores a
nós trazidos, esperamos dedicação, altruísmo e doação de
fluidos.
Companheiros em desdobramento como eu se
aprestam para atingir a zona de sofrimento com o intuito de
recolher aqueles que desejarem se libertar dos desvios.
Em levitação, entramos em queda brusca por longo e
nebuloso desfiladeiro. As vibrações se tornam cada vez mais
densas. Fortes odores de bolor e elementos cáusticos
dificultam a respiração, mas prossigo confiante.
Transportado a grande pavilhão, destinado a irmãos em
infortúnio, dirigi-lhes expressões de ânimo e conforto.
Enquanto falava, um após outro deixava o recinto até poucos
restarem. Conclui a mensagem e desejei-lhes a paz de Jesus.
Frustrado com o desinteresse ouvi do mentor espiritual:
- Não se preocupe, isso acontece também conosco.
Mantenha-se em harmonia, outras oportunidades virão.
Aguarde.
Despertei impregnado de boas lembranças e concluí
que, embora a pretensão seja ajudar a todos, se pudermos
ser úteis a alguém devemos nos dar por realizados.
UMA ENCARNAÇÃO
A mediunidade se expressa por diversas modalidades
durante o processo regenerativo do espírito. No exercício
mediúnico-educativo,
iniciava-me
na
prática
de
desdobramento espiritual.
Certa vez, viajei ao passado distante no Nordeste do
Brasil. Vi-me criança, caminhando por uma estrada de terra
em direção à minha casa. Lá, encontrei meu pai naquela
existência, debruçado em uma das janelas. Indaguei por
mamãe e ele indicou a cozinha, onde a vi chorando. Comovido, envolvi ternamente a mãezinha nos braços e notei que
era cega.
Decorridas algumas semanas estive em Belo Horizonte
com o médium Chico Xavier, de quem era amigo. Depois de
breve diálogo, abraçou-me carinhosamente e disse:
- Dante, tenho algo a revelar. E sobre a sua encarnação
passada...
Não consegui controlar a emoção e a curiosidade.
Categórico, sem rodeios, informou:
- Meu amigo, você foi filho de José Grosso (Entidade
espiritual participante de reuniões de ectoplasmia, com fins
terapêuticos).
O espírito em questão retornara à carne, no Nordeste,
onde vivera dolorosa experiência. Arregimentado ao bando
de Virgulino Ferreira da Silva, o notório cangaceiro Lampião,
teve os olhos extirpados a faca e, abandonado na caatinga,
veio a morrer (Veja capítulo 10 do livro "Materializações
luminosas - Leis cósmicas em ação", deste autor. Ed. Espírita
Fonte Viva, 2002). Hoje, está a serviço do plano superior.
Ainda emocionado pelo impacto da revelação, participei
de reunião no Grupo da Fraternidade Irmã Scheilla, em Belo
Horizonte. José Grosso se apresentou materializado e
indaguei-lhe:
- Há dias eu tive um “sonho”e...
O amigo espiritual não me deixou concluir:
- Eu sei. Foi isso mesmo - e encerrou o breve diálogo.
Sabedor do episódio, César Burnier, conhecido
pesquisador da fenomenologia espírita, perguntou ao espírito
se fora um caso de ideoplastia (Criação mental, modelagem
da matéria fluídica pelo pensamento).
- Não - e novamente terminou o assunto.
Concluí ter ocorrido a exteriorização de lembrança
arquivada nos porões do subconsciente.
outras caminham lentamente. com algum esforço. fora do corpo. sempre sob a supervisão de um mentor espiritual. dirigi-me a um prédio com vários pavimentos. pessoas repousam em bancos. O mentor me convidou à travessia e. adormeci e novamente desdobrei-me. com a finalidade de contribuir para o restabelecimento de órgão comprometido. No interior do amplo dormitório. pelo poder do pensamento. Consagra intensa atividade ao bem e necessita da nossa solidariedade. mãos e pés. Comecei a me elevar pela fachada principal e me detive em uma das janelas. O instrutor esclarece: . transpus o obstáculo como num passe de mágica.É um médium vidente. O espírito dera a entender que a visita àquele companheiro destinara-se a doação de energias de ente encarnado. dedicado trabalhador na lavoura divina. um rapaz repousa sob alvos lençóis. O mentor sempre me incentivava a estudar a nossa abençoada doutrina e a observar os acontecimentos durante as viagens em desdobramento.A VISITA Por diversas vezes. insinua perceber-me e sorri amistosamente. expondo limitações físicas e deformações de rostos. O mentor esclarece: . Para minha surpresa. deslocava-me a hospitais e residências com o propósito de servir e de instruirme. Companheiros espirituais me conduziram a uma estância terrena circundada por grande muralha. Numa dessas excursões. Enlevado com a experiência. Sob árvores frondosas. Despertei reconhecido pela instrução.
. desejoso de remir abusos que lhe torturavam a alma. não pudemos nos encontrar quando eu estava na carne abençoada. embora se conheçam apenas por cartas. entretanto. mas aqui estou em espírito! Emocionado. a caminho do progresso. Finda a instrução retornei ao corpo. Desperta-me a atenção alguém cercado de visitantes encarnados. Em seguida. O guia atende a minha curiosidade: . O paciente vive sua terceira existência sob esse mesmo mal. Passado algum tempo. o médium amoroso observou que intensos focos de luz irradiavam dos membros inferiores de Jésus. uma figura caminha suavemente em sua direção. Chico me dissera que durante uma das práticas de receituário no Centro Espírita Luiz Gonzaga. já conquistou a libertação. em Pedro Leopoldo. amigo de Chico Xavier. Adiante. Humilde. Em outra existência você fora enfermo voluntário dessa experiência regenerativa. onde a hanseníase lhe marcara mais severamente. É um missionário do amor para aqueles aqui em resgate..a lepra.Estamos em visita a uma colônia destinada a portadores do mal de Hansen . diz: . Jésus desencarna. o ambiente se iluminara intensamente.Aquele é Jésus Gonçalves.Chico. alcançamos um pavilhão destinado aos irmãos que perderam os membros inferiores em decorrência da enfermidade.
notável repositório de ensinamentos. eu residia na Fazenda Eureka. igual descarga magnética. construíra expressivo círculo de amigos e fascinara-se pelo Brasil. no município de Itanhomi. e assim iniciei o desdobramento. era o ápice dos propósitos de minha vida. O processo alternava momentos agradáveis e desconfortáveis. a intervenção cessou. Sob ação magnética. que me paralisou por completo. confiante na ação da espiritualidade amiga. casado. absorvia o conteúdo e os conhecimentos doutrinários de meu pai. Vezes sem conta comentávamos aqueles ensinos. Cada vez mais me aprofundava no seu exame. Busquei reagir. movido exclusivamente por vontade própria. Em viagens pelo interior do país produzia reportagens com fotos de cidades históricas e da natureza.DESDOBRAMENTO CONSCIENTE Aos 23 anos. Era um estudioso das obras de Kardec. especialidades da publicação. Porque possuísse condições orgânica e psíquica julgadas satisfatórias pelos mentores. Pouco depois. ao contrário do que ocorria. Em seguida. Minas Gerais. O ideal do missionário lionês. um dos braços perispirituais se afastou do corpo físico e sobre a cama restou o correspondente material. o americano Jerry Labbate. Dominara a língua portuguesa. Nesse ambiente de harmonização espiritual ocorrerame experimentar uma possível variação do desdobramento mediúnico. No dia seguinte. recebi forte influxo na região da nuca. Tentei erguer-me. o mesmo prenúncio. Deitei-me e relaxei. mas era intuído de que a prática se . coloquei-me à disposição dos acontecimentos. mas sem sucesso. de propriedade de meu pai. Jerry era correspondente de importante revista de Nova York. fui intuído a produzir espontaneamente a saída do corpo físico. Novamente. todas as células vibravam intensamente.
desenvolvia espirituais. de Divaldo Franco. Com a mesma dificuldade experimentada na tentativa de saída reassumi o corpo. No livro "Seara de luz". a pergunta na página 84 aborda a questão do desconforto por mim experimentado: “Por que algumas pessoas. As pernas e o quadril não conseguiam se projetar.para uns.” Entendi que essas energias me atuaram no plexo solar. para outros. o centro cardíaco. o indivíduo entra em contato com a vida transcendental e assimila a energia exteriorizada por intermédio dos outros centros de força . têm tanta sensibilidade no plexo. Através do centro coronário. quase dolorosa. organizado por Fernando Hungria. na base do cérebro.é para onde convergem as energias captadas do mundo exterior. conforme a expectativa dos instrutores Desdobrado um dos braços. situado na glândula pineal. .os chacras ou plexos. Aos poucos cessou a força de atração. consegui o mesmo com o outro. como uma espécie de choque?” Divaldo responde: “Porque o plexo solar . Animado pelo êxito experimentei o resto do corpo perispiritual mas a ele parecia imantado. O mentor decidiu encerrar o exercício. durante o desdobramento ou a vigília. o digestivo . mas em perfeito acoplamento.
Desperto. o primeiro ímpeto foi de olhar para a caixa. divisei uma caixa de fósforos e pelo pensamento transferi-a para o lado oposto. Parcialmente em desdobramento. sobre um criado-mudo.A CAIXA DE FÓSFOROS Após a experiência anterior. Essas práticas mediúnicas eram orientadas por um amoroso e dedicado amigo espiritual. habituados à ação magnética. na data e horário intuídos. os membros se imobilizaram.Dar-se-á que a matéria inerte se desdobre? Ou que haja no mundo invisível uma matéria essencial. Ao lado do leito. após o término do experimento. estava no mesmo lugar! O mentor veio em auxílio: . penetrei em toda a estrutura do vaso físico e cessaram os fluxos magnéticos. Sobre os elementos materiais disseminados por todos os pontos do . predispus-me. à continuação do novo processo de treinamento. o capítulo VIII. A propósito. item 128. uma força me fixava ao corpo. senteime com pequeno esforço e tentei andar. de "O livro dos médiuns" indaga: “4ª . Novamente os pés pareciam chumbados ao chão. terão estes um duplo etéreo no mundo invisível como os homens são nele representados pelos espíritos?” Respondem os instrutores: “Não é assim que as coisas se passam. Consciente e bastante curioso ansiava por ver a nova localização. Sem demora. Concluída a prática..Decepção. capaz de tomar a forma dos objetos que vemos? Numa palavra.Você produziu apenas um fenômeno de ideoplastia. e o hábito dotara-me de maior responsabilidade perante os espíritos e a doutrina que abraçara..
Podem. pois.inquiri.Eu é que pergunto. Na ante-sala meu pai lia como de costume. comentou: . senão vou atacar vocês! Fábio avança destemido em direção à entidade e a desafia: .esconderijo seguro dos encarnados. na vossa atmosfera. Considerei prudente não confrontar o agressor e reassumi o corpo . incorporação. Enquanto conversávamos. Manhã seguinte. vidência.A ideoplastia é uma habilidade que possuímos e ainda não nos demos conta. efeitos físicos. de Belo Horizonte para Itaiumi. a serviço.Saiam daqui.Talvez porque pensara muito nas reuniões antes de dormir. . Despertei. Fábio fora transferido.O que você fazia ontem naquele lugar? .O que vai fazer? Mal conclui. Alguém se aproxima. Enquanto depositava o livro sobre a mesa. sob gargalhadas do agressor.. eles concentrar à sua vontade esses elementos e dar-lhes a forma aparente que corresponda à dos objetos materiais”.Uma comprovação do poder da mente . Fábio me pergunta: . Vi-me diante da sede do Grupo da Fraternidade Joseph Gleber. . Aproximei-me e relatei o que acontecera durante o desdobramento. desdobramento. em nossa Fazenda Eureka. surgiu um espírito do umbral inferior e se pôs a ameaçar-nos: ..completei. Voltei a dormir e novamente entrei em desdobramento. reconheço o médium Fábio Machado. Reunia notáveis recursos medianímicos de ectoplasmia. e morava na fazenda. fundado por Jerry. consegue aprumar-se e se evade rapidamente. têm os espíritos um poder que estais longe de suspeitar. e participava ativamente conosco dos trabalhos de materialização consagrados ao tratamento de saúde. Desequilibrado. o espírito lhe desfere violento golpe.espaço. também em desdobramento. Por que estava lá? . . psicografia.
Meu pai, sem entender o estranho diálogo, pediu que o
esclarecêssemos. O médium narrou o episódio e justificou-se:
- Julguei que ele não me pudesse atingir. Só depois do
golpe recebido me dei conta de que, como espíritos,
tínhamos a mesma densidade. Assim, éramos igualmente
vulneráveis, só que ele me surpreendeu!
Rimos todos da situação.
A REVELAÇÃO
Dois anos se passaram.
Os trabalhos em desdobramento no plano espiritual me
faziam sentir útil. Ainda não podia ver o mentor responsável
pelas práticas, mas percebia-lhe a presença amorosa e
registrava intuitivamente as instruções. A intenção de
cooperar para o alívio de irmãos nas províncias das sombras,
a despeito dos escassos recursos, revestia-me de confiança e
de disposição.
Uma noite, bastante cansado, decidi não me dispor ao
exercício mediúnico. Um espírito interveio com rigor:
- O que está fazendo? Quer renunciar ao trabalho?
As indagações procederam do meu instrutor Fritz
Schein.
Compungido, aquiesci e projetei-me.
Alcançamos uma região envolvida em densa penumbra.
Espíritos soluçavam em desespero, clamavam por ajuda, por
lenitivo. A tarefa consistia em doação de amor e de energias
a esses sofredores.
Outros colaboradores, também desdobrados, se faziam
acompanhar de seus orientadores espirituais.
A atividade se prolongou o suficiente por exaurir outra
vez o corpo físico. Acordei surpreso por desconhecer essa
possibilidade e consultei "O livro dos espíritos", pergunta 412
do sábio Kardec: “Pode a atividade do espírito, durante o
repouso, ou o sono corporal, fatigar o corpo?” Dizem os
instrutores: “Pode, pois que o espírito se acha ligado ao corpo
qual balão cativo ao poste. Assim como as sacudiduras do
balão abalam o poste, a atividade do espírito se transmite ao
corpo e pode fatigá-lo.”
Ainda, no final do sexto parágrafo do item 455, Kardec
expõe: “(...) Essa separação parcial da alma e do corpo
constitui um estado anormal, suscetível de duração mais ou
menos longa, porém, não indefinida. Daí a fadiga que o corpo
experimenta após certo tempo, mormente quando aquele se
entrega a um trabalho ativo.”
Igual a outras visitas, estivera diante de espíritos
pervertidos, isolados por barreiras magnéticas, a exibirem
cenas de sexualidade degradante, com a intenção de
afrontar.
Noite seguinte, à espera dos sinais prenunciadores da
emancipação da alma nada percebi, mas registrei a intuição:
- Em razão da boa vontade como servidor iniciante
sugerimos, para o seu equilíbrio psíquico, a audição de
músicas suaves, capazes de proporcionar sono tranquilo e
reparador.
Recordei o ensinamento de Chico Xavier de que os
espíritos das sombras não toleram a música que fala à alma e
abandonam o local.
Orei e adormeci, não sei por quanto tempo. No decurso,
projetei-me outra vez e encontrei duas entidades espirituais
que me aguardavam. Envolvido por sensação de bem-estar e
de paz, voamos sobre campos cobertos de lírios matizados de
branco e amarelo.
Ao atravessarmos essa dádiva da natureza, avistamos
centenas de espíritos reunidos e nos acomodamos junto a
eles. Eram companheiros devotados ao trabalho de edificação
da paz em nosso planeta. A energia das vibrações reinantes
soava como um hino de hosana ao Divino Mestre, e o céu
estrelado nos saudava com a cintilação dos astros.
Ouve-se uma voz:
- Irmãos, vocês são testemunhas de que o Senhor da
Vida não nos desampara. As procelas do passado não nos
podem vencer nos mares da indecisão. Cada um de vocês,
atrelados ao veículo da carne, conquistou ao longo das
existências valores capazes de libertar-se e alçar vôo à
morada do Supremo. A Humanidade cresce em sapiência, é
tempo de repudiarmos os propósitos obscuros daqueles que
operam no erro. Vocês, inteligências vivas do universo,
espíritos esclarecidos e em ascendência, permitam que a luz
da Consciência Superior os ilumine para o encontro da senda
oferecida pelo Mestre dos mestres. Rogo a paz do Cristo para
seus corações!
angélica se .Concluída a mensagem. Emocionado. reassumi o corpo. a entidade iluminou a ponto de fundir-se com a luz.
tão forte que me impactou totalmente. O mentor espiritual esclareceu que me preparava contra adversidades e ardis do astral inferior. simpatizando com os bons espíritos. desisti da prática. recebi uma descarga. Ao despertar. no entanto. Uma delas gentilmente me apresentou a outra. Ao tocá-la. Médium perfeito seria aquele contra o qual os maus espíritos jamais ousassem uma tentativa de enganá-lo. O timbre. encontrei em "O livro dos médiuns". por isso eles são raros. encontrei duas entidades. pairava acima do corpo quando uma voz.Não. semelhante a de José Grosso.OBSESSORES Iniciado o desdobramento.” . em desdobramento. sem o que não estaríeis nela. tem sido o menos enganado. Dize. igual a choque elétrico. bom médium e já é muito. me chamava de fora do quarto. Agradeci a Jesus e ao mentor por não me iludir. de mão estendida. O melhor é aquele que. deveria prestar atenção à qualidade das vibrações dos espíritos e assim distinguir suas reais intenções. Por isso. a pergunta de Kardec: “9ª. descobri que a voz do benfeitor fora falseada com a intenção de preparar-me uma armadilha. Mesmo atordoado. Dias depois. Voltei ao corpo tomado pela dolorosa sensação. ah! Bem sabes que a perfeição não existe na Terra. Receoso. “Da influência moral do médium”. Qual o médium que se poderia qualificar de perfeito?” “Perfeito. portanto. Incentivado a me apurar nas práticas de desdobramento. ouvi o diálogo: . não me soava bem aos ouvidos psíquicos. capítulo XX.Você conseguiu? .
Prossegue o codificador:
“10ª. Se ele só com os bons espíritos simpatiza, como
permitem estes que seja enganado?”
“Os bons espíritos permitem, às vezes, que isso
aconteça com os melhores médiuns, para lhes exercitar a
ponderação e para lhes ensinar a discernir o verdadeiro do
falso (...).”
Ao nosso Chico Xavier, certa vez perguntaram:
- Você já foi tentado por um espírito mistificador?
- Muitas vezes, meus queridos, porém, com Jesus no
coração e Emmanuel a me amparar, fazia-me fortalecido e
emitia amor, a couraça de Deus para nós. Lembro-me do que
Emmanuel me disse: “Chico, se por acaso um dia eu disser a
você para abandonar Kardec e seguir-me, você deve me
deixar e seguir Kardec.” Na verdade, Emmanuel me
preparava para a eventualidade de algum ser espiritual se
apresentar com a sua aparência com o propósito de
confundir-me.
O OBSESSOR
Na década de 50, os trabalhos do Grupo Joseph Gleber,
na Fazenda Eureka, realizavam-se com dedicação e amor aos
necessitados dos dois planos existenciais.
Ao término de uma reunião, fui conduzido pelo mentor
a um local de vibração incompatível com a minha.
Encontrei um espírito, vestido com terno marrom, e ao
iniciar um diálogo deu-me as costas. Intrigado com a atitude
apenas desejei um novo encontro.
No dia seguinte, surpreendi-o no mesmo local. Olhoume fixamente e inquiriu agressivo:
- Você outra vez?
- Sim - respondi - gostaria de conversar.
Irritado, balbuciou algo confuso, e preferi encerrar a
visita àquele mundo sombrio.
Semanas depois, recebemos na fazenda uma senhora e
o filho Sebastião, 23 anos, com severo processo obsessivo. O
rapaz viera de Belo Horizonte para se tratar, recomendado
pelos mentores do Grupo Scheilla, vez que a nossa instituição
situava-se longe de centros populosos, tumultuados por
vibrações heterogêneas.
Conforme a orientação dos espíritos, o atendimento
iniciara com passes mágicos tranquilizantes. Horas depois, no
entanto, Sebastião procedia furioso.
Em desdobramento, fui ao seu quarto na sede da
fazenda e encontrei-o afastado do corpo. Levantou-se
bruscamente da cadeira e insinuou me agredir. Olhei-o
fixamente, e sentou-se ao ver a minha disposição. Iniciei a
aplicação de passes, mas novamente ergueu-se, bastante
hostil. Enérgico, levei-o de volta à cadeira. Mentalmente
tentava convencê-lo da intenção de ajudá-lo e esperava
cooperação. Por fim, acedeu.
Dias depois, ouvi gritos vindos da casa. Entrei
rapidamente e encontrei a mãe de Sebastião estática,
aterrorizada. O rapaz, faca a mão, ameaçava a quem se
aproximasse. Ao me ver, estacou. Confiante, retirei-lhe a
lâmina. Subitamente saltou-me às costas, cruzou as pernas
em torno do meu quadril e tentava me estrangular.
Os benfeitores me intuíam para manter a calma e emitir
sentimentos de amor. Por fim, Sebastião desiste e, trôpego,
toma a direção do quarto.
Avaliei o quanto o obsessor perturbava o pobre rapaz.
Se não me temia, que podia vê-lo, o que fazia oculto a outros
olhos?
O espírito Joseph Gleber solicitou uma reunião para
assistir àquele ente.
Trazido materializado ao salão, dialogou rispidamente
com o dirigente e veio a mim:
- E você, não vai dizer nada? - perguntou com
sarcasmo.
De pronto, identifiquei-o como o mesmo espírito que
trajava roupa marrom no encontro já descrito e respondi:
- Meu amigo, estive com você por duas vezes. Na
primeira, deu-me as costas; na segunda, vislumbrei, em vão,
a possibilidade de conversarmos. Agora estou satisfeito, pois
sinto que suas vibrações se unem às minhas.
Emiti sentimentos de amor até que o espírito repousou
as mãos em meus ombros e disse:
- Gostei de você - e desapareceu.
Aprendi que os fenômenos de desdobramento
produzem, também, o toque acalentador que favorece irmãos
equivocados a despertar do erro.
N.A.:
este
episódio
está
relatado
no
livro
"Materializações luminosas - Leis cósmicas em ação", deste
autor.
pairávamos sobre um campo pedregoso. olhar plangente. fixos em mim. foi-se a madrugada. Rapidamente intervieram os mentores: “Não faça isso! Ele é um irmão. Num ato insano. distante quase duzentos metros. e fiz-me algo aterrador: agigantado. O chefe. Com um suave movimento retirei-o do corpo. divisamos vultos escuros. unhas como garras. Figura monstruosa. Aguarde aqui .Elas vão nos atacar! Só vejo um recurso para a nossa defesa. entidades espirituais infelizes. entretanto. simulacro de tigre. e o encontrei dormindo placidamente. ressecados. coberto de arbustos rasteiros. amedrontado. a avançar ameaçadoras em nossa direção. Pouco depois. em extrema submissão. assustadora! Os irmãos debandaram assustados. amanheceu o dia. Em um desses momentos fui à casa de meu pai. arrependido da atitude desatinada. cabelos negros cobrindo-me o corpo. Não mais consegui dormir. . manipulado pela mente. Cenário bastante inóspito. se prostrou aos meus pés. cravei-lhe as garras no pescoço. Durante o trajeto. Pelo processo mental inverso. Rapidamente. espinhosos. seja fraterno!” A entidade fugiu em disparada. De volta. decidimos atravessá-lo rapidamente. . As descargas magnéticas me projetavam fora do corpo em fração de segundos. olhos arregalados. braços alongados. recompus-me e voltamos à casa.disse a meu pai. Caminhei alguns passos em direção à turba. modelei o perispírito através de processo magnético. sem qualquer desconforto.UM CASO INVULGAR Os exercícios de desdobramento se processavam mais serenos. Acordei trêmulo. encontro meu pai assustadíssimo.
Por fim. Não me foi difícil assumir a forma hedionda em virtude de ter gravitado no umbral inferior.. na expansibilidade do perispírito. espírito trevoso. tive um sonho muito estranho. foi autoprovocada em defesa própria. A faculdade de o perispírito se modelar de acordo com a vontade do espírito é abordada em "O livro dos médiuns". mente conturbada. pai! Como passou a noite. usava o poder magnético em uma entidade feminina. item 56. Rebelde. por favor. dormiu bem? . de André Luiz. caso semelhante é descrito no capítulo 5.“Da ação dos espíritos sobre a matéria”.. . Gregório. Por invigilância não recorri à oração. músculos da face contraídos. altamente comprometido com o mal. quando poderia ter recebido o concurso dos espíritos amigos. Bastante aturdido. ouviu-me em silêncio. prefiro não ir! O fenômeno em questão denomina-se zoantropia . criadora da metamorfose.. Diante da ameaça de agressão atuei.Pois eu vou lhe recordar. O caso aqui relatado guarda analogia com o de Gregório. transformava-me em animal para a defesa contra outros iguais. Dante. transformando-a em loba. a indução magnética.Foi isso mesmo.Não. mas quando você for a esses trabalhos. face o acúmulo de pesados débitos com a lei divina. Na obra "Libertação". . contudo. em existências não muito remotas.Bom-dia. exclamou: . meu filho.a transfiguração da forma perispiritual humana em animal. capítulo I . voluntariamente. revoltado.
Antes que o socorro chegasse. não uma prova. À noite. o que me preocupou. recolheu-se após o noticiário da televisão. era o meu pai! Quanta alegria! Parecia mais jovem. Vencido um semestre. tossia muito. Alegou estar gripado e com muitas dores nas costas.. meu pai novamente me visitou. recebi uma breve visita de meu pai. ainda sofria a dor da saudade. relatei os sintomas ao seu médico e enquanto o aguardava Jerry anunciou com naturalidade: Não preciso de médico. mas não conseguiu dormir. Bem disposto. Transportado a uma região desconhecida avistei à curta distância um vulto caminhando em minha direção. defronte ao jardim florido. mas a alegria da presença perispiritual. hábito comum. em Patos de Minas. propuslhe um trato: quando um de nós desencarnasse daria ao outro. embora isso nada signifique para o espírito. Que surpresa. O médico se prontificou a prepará-lo e indagou se preferíamos que removesse a prótese dentária. . Senti um frêmito de felicidade. leve toque magnético na glândula pineal prenunciava o desdobramento. Ao final.. conversávamos sobre fenômenos espíritas.pensei. À noite. Por telefone. remoçado.DEMONSTRAÇÃO DA IMORTALIDADE No ano de 1975.Será que ele está sem os dentes? . ele se desprendera do corpo. Concordei. . Minha hora chegou. meu filho. Quatro meses decorridos. foi à cidade passear com os netos. para nós obviamente desnecessária. vou desencarnar. da separação do grande amigo e sábio instrutor. Na varanda.
o curso se bifurca e rodeia pequena ilha arborizada com farta vegetação multicor.e sorriu com os novos dentes. embalado pelos doces momentos. . Alcançamos uma região banhada por um rio caudaloso. em maravilhosa glorificação da natureza! Ali. pois os lábios não se moviam: “Ora. vocês tiraram a minha dentadura!” . Convidou-me a caminhar. despertei. Só mais tarde dera-me conta de que o fato acontecera em cumprimento ao nosso trato. olhou-me nos olhos e enviou o pensamento por resposta. Falou-me de suas atividades no mundo novo. conversamos mentalmente por longo tempo. águas límpidas a desaguar em plácida cachoeira. dos encontros e reencontros com os queridos que o antecederam na grande viagem.Aproximou-se calmamente. Adiante. Sentia-me em paz e desfrutava da magnífica paisagem ao lado do pai amado. Findo o encontro.
. A obra abordava o budismo. valorizo o aprendizado colhido na relação com os benfeitores espirituais. Kardec indaga: “Influem os espíritos em nossos pensamentos e nossos atos?” Respondem os instrutores: “Muito mais do que imaginais. seres agrilhoados à carne. . a mediunidade é um canal conectado às energias cósmicas. sua história. vestindo batas cor de laranja. alce o olhar ao Universo e aguarde o que lhe venha acontecer”. respire profundamente. são eles que vos dirigem”. Concluída uma viagem de negócios a Belo Horizonte. como atuar em nós. Um deles. religiosos adeptos de filosofia espiritualista originária da índia.. Sabem eles. portanto.). Na questão 459 de "O livro dos espíritos".Tenho ordem para entregar-lhe este livro. indaguei: . vem confirmar a atuação do plano espiritual na vida dos encarnados.O GURU Fato ocorrido em desdobramento. de ordinário. Às 18 horas coloque-se em frente a uma janela.Saberá depois. cabeça raspada. Iniciei a leitura no ônibus. disse-me: . Rodeou-me um grupo de rapazes. por favor. nos idos de 1978. por isso. Por outro lado. Surpreso. Influem a tal ponto que. dirigi-me à estação rodoviária. destaquei um período: “Leia e memorize as palavras a seguir (. portando grande bandeira. conceitos e convidava à associação.Quem o mandou? . No texto final. Receba-o.
por três vezes. olhos cerrados. meus olhos se voltaram atraídos para o lado do leito. hare. À noite. Diante da janela repeti. Avistei um espírito com bata colorida. para reunir-me ao budismo. as palavras recomendadas: “Hare. nada lhe perguntei. ainda não vivenciada. Nunca mais tive contato com aquele espírito. hare Krishna!”. Aos poucos. invadiu-me forte emoção. sentado no chão. braços e mãos na clássica posição yoga de meditação. Nada me disse. embora honroso. fora do corpo. .Ao chegar à casa assim procedi. Com nobres sentimentos agradeci a oportunidade do encontro. bastante prazerosa. pernas cruzadas. mas por pertencer à outra denominação religiosa declinava do convite.
França! Nos arquivos das memórias jazem plasmadas cenas do Outrora que ainda me sensibilizam. banhavam a natureza e refletiam nas gotas de orvalho a magnífica aquarela do espectro solar. para ser lapidado. em companhia do confrade Carlos Cavalcante. e os primeiros raios de sol. As folhas balançavam suavemente. ao surgirem no horizonte. Para essa jóia bruta exibir as arestas aparelhadas necessita de rolar através dos tempos. "Podemos ter algumas revelações a respeito de nossas vidas anteriores?" Resposta: "Nem sempre.Bom-dia. assim. lança no Universo regido por Suas leis harmoniosas. sentia a fragrância da relva molhada. Embevecido. dirigi-me ao jardim. Ao amanhecer. França." Aconteceu comigo. respirava o ar puro das primeiras horas do dia. acompanhamos o querido Chico Xavier a sua casa. assistia. admirava a dádiva da mãe-natureza. polindo-se para adquirir a consciência reta.FRANÇA. à reunião do Grupo Espírita Luiz Gonzaga. A madrugada fora muito fria. refletir a luz do amor. quando ouvi a voz meiga do Chico: . no contínuo produzir. muitos sabem o que foram e o que faziam. andarilho na estrada da evolução inexorável. mas predestinados ao aprimoramento. Dante! Está a apreciar a beleza da vida? É o espetáculo do amor divino na sua criação maravilhosa! . em Pedro Leopoldo. e lá pernoitamos. Tal possibilidade é descrita na questão 395 de "O livro dos espíritos". Encerra-os trabalhos. como seixo no rio. Em 1949. sopradas pela brisa matinal. a sublimação e. Contudo. transita por caminhos tortuosos até entender que o Divino Pai nos criou simples e ignorantes. Somos como diamante que Ele. Contemplava as plantas. FRANÇA! Nosso espírito milenar.
a notícia não é boa.Pode falar. Chico! Estou pronto a ouvi-lo . com certa frequência. consciente de que o pretérito fora algo execrável. vejo ao seu lado. em silêncio..Coração delicado.. justificou que a História descreve aquele ofício como tradição de família. . olhos azuis a emitir-lhe amor e carinho. quem se ajustasse à notícia.e novamente fez longa pausa. .. A notícia superara em muito a pior expectativa.insisti. Olhou-me fixamente nos olhos. uma entidade feminina.Meu caro. Você a conhece? Busquei no repositório das recordações. sinto pena do amigo. em Belo Horizonte. na Mocidade Espírita Nina Aroeira.Dante. eu estava totalmente perturbado. Finalmente: . . Esforçava-me por controlar a ansiedade. como disse. senti-me profundamente aturdido. . indaguei ao querido médium sobre o meu passado espiritual. Como pudera ser tão ignóbil? O médium me abraçou piedoso. O coração acelerou. modelava bonecos de barro e em seguida decepava-lhes as cabeças. sem sucesso.. aos sete anos.Dante.. entretanto a revelação permaneceu gravada. Parecia constrangido. pensativo. estendeu-se longamente na exaltação do cenário com a sensibilidade dos inspirados poetas. O impacto da revelação estampara em meu rosto a dor indisfarçável. quando. de estatura alta. revelou com naturalidade: . a notícia não é boa.. O seu nome é Margarida. contudo. mas você foi um degolador na França revolucionária. arrasado! Era como o céu desabasse sobre mim ou se me atingisse uma explosão!. A memória viajou à infância. Após o que. A expressão melancólica sugeria má notícia. Lamento dizer. tentou abrandar o choque. Em outra oportunidade.
Vi-me à mesa. acompanhado de Norma Hoppe. a psicosfera soturna. conversando com três pessoas. Extremamente lúgubre o magnetismo e irresistível a força que a ela me imantava. . em Lisboa. . Lá assisti a uma cena estarrecedora. de triste memória. Em outubro de 1998. de imediato. desfaleci. ícone da Revolução Francesa.o primeiro pensamento ao despertar. o lugar reverencia a queda da Bastilha. Alvo privilegiado do atirador. Regressamos ao hotel.. Passaram-se cinco anos. As vibrações negativas se manifestaram mais intensas e aumentaram a angústia.Guillotine! Guillotine!. desnudadas pelo médium amigo. inserem-se no conteúdo deste capítulo. desdobrei-me e retornei involuntariamente àquela praça. Detonada a arma. viajei a Paris com alguns companheiros. Apavorado. Perturbou-me. contemplamos o palácio onde a rainha Maria Antonieta foi encarcerada e seguimos à Praça 14 de Julho.As notícias da presença do espírito Margarida e do cruel ofício na França. Em vão tentava abandonar o lugar e gritava: “Não quero ficar aqui!” Súbito. com uma carabina apontada para mim. Adiante. Perdi as forças. mórbido cenário onde milhares de pessoas passaram pelas lâminas da guilhotina. asfixiante e decidi sair rapidamente. desligamo-nos do grupo e fomos a lugares históricos. uma pequena janela quase ao nível da rua. após participar do II Congresso Espírita Mundial. no porão de uma casa com requintadas acomodações. meus olhos se voltam para aquela direção e surpreendo alguém deitado. de Nova York.. De repente.Meu Deus. acompanhado de estrondo ensurdecedor. no dia seguinte. fui transportado à França em desdobramento. fui assassinado! . Palco de sangrentas lutas no passado. a Praça do Louvre. (guilhotina. sequer tive tempo de reagir. Atravessamos o Rio Sena. em francês). Visitamos diversos pontos turísticos e. Em 1984. À noite. reassumi o corpo. gritos em coro: . recebi no crânio o forte impacto do projétil. Era o início do século XVII. Ao meu lado.
participava de pilhagens e enriquecia com este expediente. consegui voltar ao corpo. sua tropa combatia os insurgentes contra a coroa francesa. Charles se enamorou pela filha do hospedeiro e. Cada página. de Bernard Lecherbonnier (Ed. Em três anos. Mercuryo). ainda arraigados no ódio centenário. A moça teve morte imediata e ele. As visitas aconteciam repetidamente. surpresa e emoção. Aos 21 anos. retornou à França e. Pesquisei a extensa bibliografia e encontrei a obra "Carrascos de Paris: A dinastia dos Sanson". de que uma entidade de mesmo nome me era afim. decidiu revê-la. Veio à tona a revelação de Chico Xavier. lançou-os à distância durante forte temporal. Recorri à sintonia com os mentores espirituais e finalmente consegui pacificar as emoções. seriamente ferido. Sempre que mergulhava na leitura. Um dos personagens que mais me despertou a atenção foi o francês Charles Sanson. Insuportável a investida de energias desequilibradas. sem nunca se ter declarado. e com ela comprometidos. Destacado para a guarnição do Quebec. há mais de cinquenta anos. Recentemente interessei-me por conhecer a história dos carrascos franceses. o carroção que os transportava. decidira alistar-se na Guarda Real. foi recolhido pelo proprietário de luxuosa mansão nos arredores. O rapaz não esquecia da imagem da criatura que amava. manteve vida nababesca na glamurosa sociedade parisiense. Ao ler o nome Margarida. curiosamente favorecia-me a volta ao passado. senti um impacto. Charles e Margarida se tornaram amantes. convergem para aquele sítio atraídos pelo magnetismo ambiente. mas com o coração oprimido. livre dos ferimentos. no Canadá. . atingido por um raio. sem dinheiro. Desesperado. Em viagem com a prima ao sul do país. fruto dos excessos da Revolução Francesa. Assim o fez. Passaram-se meses. Era um notório galante.O pânico me invadira. Obedecendo aos impulsos do coração. que o tratou com desvelo. considerou por bem retornar a Paris. por outros 14. Os amigos do Além esclareceram que muitos espíritos. sempre na ausência do pai. Além disso.
Encerroua reencarnado como o seu próprio tataraneto Henry Clément Sanson. Em permanente conflito entre o fazer e o deixar de fazer. o que lhe abalou profundamente as emoções. Os ajudantes deram cabo da execução. Corre o ano de 1675. Aos 17. por dever. Aos 13 anos. Casado. obrigado a dar continuidade à tradição da família. Tornou-se adulto e. A estreia como verdugo não constituiu um ato de bravura.Informado de que o pai da amada descendia dos Jouënne. Charles ocupa o cargo de carrasco na guilhotina e inicia a funesta dinastia dos Sanson. depois de acalorada discussão. A despeito. desmaiou sobre o patíbulo. que veio a falecer. fora designado para a sua primeira decapitação. ao longo de cinco gerações. o mesmo ofício macabro. Cumprira. a ponto de ausentar-se com freqüência do patíbulo e de incumbir os auxiliares de substituir-lhe. O patriarca descobrira a presença constante do rapaz na casa e. Perambulou pela erraticidade por muitos anos até seguirem-se duas vindas à Terra. não escondia o repúdio e o desprezo pelo repugnante ofício. insistia em se avistar com Margarida. A ameaça de consumar tamanha violência contra a vida humana atingia-lhe os valores morais. Henry Clément teve duas filhas e um filho. face ao pactuado no plano espiritual de pôr fim à trágica dinastia Sanson de carrascos. em substituição ao pai enfermo. sabia que ao se casar com ela assumiria. O sensível rapaz. com pequenos intervalos e . Sem sucessor e desencarnado em 1889 encerrou a dinastia dos Sanson. por tradição. conhecida família de carrascos. mas libertou-se do jugo que o atormentava. praticou degolamentos que o transtornavam profundamente. mas um grande malogro. assim. Perdeu o cargo. assentiu em conceder a mão da filha em casamento. o convencionado no mundo espiritual. Angustiado e deprimido. ainda segundo a revelação dos espíritos. sob apupos da multidão frustrada e enfurecida. o adolescente Henry Clément foi induzido pelo pai a assistir a um degolamento. decidiu se declarar homossexual. como ansiava o povo. ao ver a vítima desesperada e indefesa diante da pesada lâmina. conforme revelaram os amigos espirituais. no cutelo e na força.
Ao redigir este capítulo. acolhido como filho por um ser que hoje atua no plano espiritual em trabalhos de materialização dedicados a tratamentos de saúde do corpo. pelos amorosos mentores. São indícios muito fortes e. Foi-me dito. julgo não os devo ignorar. Os dois desdobramentos espirituais ora descritos e relacionados à França. em busca do meu passado na França. também. recebi por psicografia a advertência do mentor espiritual: “O que escreveste é semelhante ao que te aconteceu. pelas correlações existentes. Satisfaze-te.” . com o que já escreveste. que sua penúltima vinda acontecera no Nordeste do Brasil. mas um alerta: não insista em lembrar o que tens arquivado no subconsciente.José Grosso. Afianço-te que nem sempre é útil desenterrar o pretérito. a fim de permitir a reconstituição do metabolismo psíquico.retornos em tenra idade. Seu nome . portanto. as revelações do querido Chico a meu respeito. que fora eu a reencarnação de Charles Sanson e do tataraneto Henry Clément Sanson. por isso. levam-me a supor.
Embotado. por insensatez. fui levado ao médico. É quando nos domina a inércia mental e não mais somos espíritos conscientes.EFEITOS DE UMA CAUSA Nas intercalações reencarnatórias mergulhamos. ao longe. contudo. assistia ao esforço dos médicos na reanimação mecânica. em cidade próxima. de suas leis justas. Curiosamente eu sentia prazer naquele sofrimento. levava a delírios. A notícia de que o filho de Jerry Labbate poderia morrer propagou-se pela pequena Caratinga. Perdemos a forma perispíritica. O mal desorganizava o metabolismo. a essência divina não se extingue. não possibilitaram o diagnóstico e meus pais recorreram a um centro mais bem equipado. No Brasil não havia o medicamento prescrito. Internado. de sofrimentos é para que abrandemos os corações e descubramos a grandeza do Criador. fui acometido de grave infecção. Assim. alucinava. quando. imutáveis e absolutas. mas amorfos. caminhando para a autodestruição. a necessidade de palmear o caminho reto que nos direciona ao Senhor. em abismos onde a queda nos parece interminável. Convulsões me produziram a sensação de estar à morte. aos 13 anos. mas a febre insistia alta. Mesmo com esses cuidados. semiafastado do corpo. Transgredi-las é estacionar. todavia. apenas na Alemanha em guerra com o mundo. Pela graça divina. Em 1941. Se habitamos um planeta de dores. Meu pai se esforçava na aplicação de passes magnéticos. sofri reação violenta e incontrolável. muitas vezes. Por isso. Como o quadro se agravasse. Os exames. onde éramos bastante conhecidos. o remédio chegou ao hospital. ouvi chamarem o . Foi recomendado iniciar com pequena dose e aumentar gradualmente as aplicações posteriores. sob rigorosa observação de possíveis efeitos colaterais. a cura parecia difícil. como se isso pudesse acontecer. o que de fato estava em curso. soube sofrer de esquistossomose. desencadeava febre alta e desequilíbrios emocional e espiritual.
algo mínimo. Decorridos três meses. Dera-se. pois duvidariam da saúde mental do filho.meu nome. Tal alucinação me consumira a adolescência por quatro anos. Voltara à vida física. a ponto de desorientar-me. mas experimentava a sensação de diminuir de tamanho! Essa ideia insensata me levava a temer fosse lançado às regiões abissais do microcosmo. indivisível e quis ir além. entendo que tal padecimento. . inacreditável. a reação era oposta. relatado no capítulo anterior. Não mais suportava o desespero em que vivia. temia que meus pais soubessem. o fenômeno inverso: via o globo terrestre reduzir o tamanho enquanto eu crescia absurdamente! Tudo isso parecia loucura. Por outro lado. de expansão da massa física. Hoje. insuportável! Após muito analisar o fato. iniciei o desdobramento e mentalizei intensamente para reduzir-me ao máximo de tamanho. Passado o episódio. no mínimo estapafúrdia. ultrapassar a condição de minúsculo organismo vivo e autodestruir-me. instalara-se a síndrome do pânico. produzia a dolorosa perturbação e o sofrimento constante. Lentamente recuperei o controle dos sentidos e da realidade. pude superar as alucinações. além de promover o expurgo de resíduos tóxicos do psicossoma. algo absurdo passou a suceder. Em duas semanas. Tão logo prenunciou a sensação de encolhimento. Reagi à idéia suicida e retornei ao corpo fluindo em velocidade por um túnel interminável. graças às forças do bem que me auxiliaram. Felizmente arrependi-me. Era terrível. recebi alta hospitalar. mas acontecia comigo no mundo das emoções. vi-me como um ponto. Julgava que a febre alta. Uma voz. no entanto. Findo algum esforço. sequela da esquistossomose. Muito tempo depois. em eco. Incrível. Para culminar. de viver oprimido e assustado. Os incríveis episódios não mais se repetiram e consegui recuperar o equilíbrio psíquico. convocava-me energicamente a reassumir o corpo. tomei uma decisão. isto é. concorrera para desoprimir da consciência o peso de um passado iníquo vivido na França.
.
o filhinho foi a um ângulo do recinto onde mantinha os brinquedos.disse comovida -. me impede a passagem e diz-se enviado para velar por mim. cuidava da prole. surge uma entidade feminina. orei e indaguei ao mentor se teria outra oportunidade de amar. todavia sem manifestarem disposição para uma relação responsável e duradoura. um vazio persistente no peito fazia-me sofrer a dor da solidão. . contudo. fui ao quarto do menino. sob o impulso natural da idade. viajava frequentemente a serviço ao interior de Minas. Tivera ensejo de conhecer diversas moças. A entidade acariciou seus cabelos e. Na época. Em seguida. A filha não estava em casa.Quanto tempo estivemos longe um do outro . 34 anos. A resposta veio em seguida: “Sim. dava continuidade à vida. desprendi-o do corpo e o trouxe a sua presença. Um espírito. Uma noite. de ser amado. Por longo tempo trocamos vibrações. Falei do meu casamento e dos filhos. Em 1955. Sentia suas lágrimas deslizarem na minha testa e enlaçava com alegria aquela entidade espiritual. bastante acabrunhado. Jovem. . mas Jesus em seu infinito amor nos concedera novamente a dádiva do reencontro! Tomou-me a mão e fomos à sala. Aguarde”.A NAMORADA COM QUE SONHEI Muitas vezes. Embora não a conhecesse. você terá. porém. desdobrado. Contei a meu pai o encontro e partilhamos a emoção. emocionei-me com sua presença e a envolvi nos braços. nos tortuosos caminhos da vida. o casamento se desfez. tinha uma ocupação rendosa. que insinua me abraçar. que apenas sabia querida. tomamos rumos supostamente acertados quando deparamos com os do plano espiritual. Anos depois. caminhei em direção à porta do quarto. Pela manhã despertei com a alma em festa.
na janela do apartamento. passaram-se meses sem contato com a moça. esclareci o engano. venci fácil o percurso em cinco horas. quase indiferente. . papai? . Jesus os abençoe.” . Mostrava-se embaraçada diante da abordagem intempestiva.A moça de quem lhe falei! Embora a mudança na cor dos cabelos reconheci-a de imediato.Quem. elevei o pensamento ao pai desencarnado e disselhe que. nariz retilíneo. o coração vibrou por uma delas e pensei: é esta! Cabelos castanhos. enquanto aguardava a presença da matriarca. vi passar duas jovens. beijava-a ternamente na face. Por fim. decidi emigrar para os Estados Unidos. na estação rodoviária de Rio Casca. Coloquei-me à sua frente. reconheci uma delas e exclamei: . embora não me conhecesse.espantou-se a filha. e ali estava a serviço da escola em que trabalhava. Pelos seus fui recebido com gentilezas e atenções. pretendia participar da família. Encontramo-nos à tarde. Na ante-sala. Estou feliz. cidade onde ela morava e da planejada viagem ao país da Norte América. concluíra um trabalho em Ponte Nova. estudava pedagogia em Caratinga.No abril de 1969. Imediatamente veio a resposta: “Eu o conheço por intermédio dos amigos espirituais. Enlevado.É ela! . Adiada temporariamente a viagem. alegara me ter visto aos beijos com a ‘namorada’. Certa manhã. convidei-a a conhecer minha família. correspondeu discretamente o sorriso. semblante luminoso. Surpreso. Imediatamente. mas procedia retraída. A dois meses do embarque. Decidi segui-la. Com destinos diferentes. abraçado à minha filha de 16 anos. nossos ônibus logo partiriam. Despedimonos e lhe prometi um cartão tão logo chegasse aos Estados Unidos. Pouco disse de si: universitária. mas os breves minutos foram suficientes para falar de mim . era a mesma do encontro em desdobramento. Entre risos. Ultimava as providências quando.residente em Caratinga. em 1955. quando um grupo de jovens saídas de uma loja nos observava. não tive dúvida.
mas nossos espíritos sempre estiveram juntos. durante a cerimônia. Trinta e seis anos passados. São tesouros que se adicionam aos dois primeiros e se amam verdadeiramente. “A namorada que sonhei” e. come te amo”. A noiva entrou ao som de “Tema de Lara”. Casamo-nos em novembro de 1970. somos eternos namorados e flores ainda lhe ofereço. Para completar a nossa união. surpresos com a escolha das músicas nas vozes do coral. Deus nos confiou três espíritos maravilhosos.Convidado à sala principal. finalmente viajei. ao final. . Vencido um mês. Regressei ao Brasil ansioso por abraçar a família e rever a namorada. “Dio. com a igreja repleta de convidados e de curiosos. disse o motivo da visita e fui aceito. A distância nos separou fisicamente durante um ano e dois meses.
o dirigente do Dias da Cruz recebe uma comunicação do mentor endereçada ao poeta: sua presença é solicitada na próxima reunião. Valado segue o curso da vida. um dos fundadores do Grupo Espírita Dias da Cruz. a ele refratário por professar a doutrina espírita. Muito obrigado! A voz do médium vibra de emoção. fala da alegria do momento e dirige-se carinhosamente ao poeta: .VALADO ROSAS Poeta versátil. O vigário da cidade. Abriram-me um novo caminho e me aproximaram mais de Jesus. um espírito se manifesta.Meu querido amigo e irmão. Lázaro Fernandes do Val nasceu em 1871 em Portugal. em Pedro Leopoldo. A mineira Caratinga os recebeu para uma vida nova. aproximou-se na esperança de o demover das “idéias demoníacas”. Certa vez. No dia previsto.Dante. Aos 14. Anos depois. de pseudônimo Valado Rosas. personagem de grande envergadura moral. o pároco desencarna. fez-se conhecido como trovador. você já ouviu falar de Valado Rosas? . sabe que ali está o vigário de Caratinga. transferiu-se para o Brasil. em companhia de seus pais. comovido. Na década de 40. espírita estudioso. As visitas passaram a quase diárias do que nasceu grande amizade. agradeço os livros espíritas que me emprestava quando na carne ia visitá-lo. incansável trabalhador da seara de Jesus. indagou-me o querido Chico Xavier: . As divergências de fé não mais se constituíam em polêmica e a troca de ideias processava-se em harmonia. Valado. o tempo passa. Na juventude.
Deixo a minh’alma falar aqui. Perdi na Terra doces afetos. Com a transcrição de um deles homenageio Chico e Valado: Na Paz do Além Dento da noite grandiosa e calma. na dor terrestre. Na vida obscura e transitória. Subi o gólgota dos meus pesares. Seguir o Mestre com Sua cruz! . Que os avatares da redenção São todos feitos de amarguras. E a morte trouxe-me a liberdade. Nas desventuras da provação. A piedade. A nossa glória vive na dor. Dor de quem sofre sonhando e espera Com fé sincera no Pai de Amor. Chico. De ser vencido no mundo vão.. Mas recebendo na grande escola. Graça divina de haver sofrido. A grande esmola do meu Senhor. foi meu conterrâneo. Aos companheiros de luta e crença. O luminoso amigo comentou então que em "Parnaso de além-túmulo" estão insertos alguns de seus poemas. o amparo e a luz. Graça de haver sofrido tanto O amargo pranto da ingratidão. Da graça imensa que recebi. Feliz quem pode. Sonhos diletos de sofredor.Sim.
Um dos presentes. A noite. . conversava no salão de refeições a respeito da possibilidade de regressão de memória. especialmente com fins superiores. até mesmo em outra possível existência? . inquiriu: .Você agora se encontra em outra dimensão. A seguir.Tenha confiança e preste atenção na minha voz. Em uma de suas viagens. O rapaz ouvia atentamente. Meu pai inicia: . aplica-lhe passes magnéticos e o leva a sono profundo. Jerry se hospedou em pequena cidade do interior paulista. atendemos num hospital em Jundiaí. É possível demonstrar-nos? Jerry lança o olhar no refeitório e vê o garçom. um jovem de aparência adequada à experimentação. Gostaríamos de saber mais sobre a regressão com vistas à possibilidade de utilizá-la na clínica. . . por hipnose.Farei algumas perguntas e as responderá se quiser prossegue. . O interlocutor se apresentou: . e expunha sua experiência no assunto. Convidado a submeter-se ao teste.Sim.O senhor é realmente capaz de transportar alguém ao passado.O que é dimensão? — perguntou.REGRESSÃO I Este fato me foi narrado por meu pai. bastante interessado no assunto. toma assento entre os três.Eu e o meu amigo aqui somos médicos. Dizia empregar essa técnica para tratamento de desordens psíquicas. São Paulo.
).. Corriam velozes. Diante disso.. em Curitiba. Os médicos fizeram anotações e se retiraram. depende da circunstância. informamos que eu e o meu colega fizemos uma pesquisa no Cartório de Registro Civil. Para nós. Tempos depois. De repente. Apoiara-me no corrimão para apreciar as águas do rio que subiram muito. (.Antônio Amâncio. . isso é irrelevante e em nada diminui o valor da regressão.) e (. fui lançado ao rio e afoguei-me.Em que cidade viveu? . Jerry recebe uma carta em que se lê: “Prezado senhor. ressalvado o fato de que o laudo do óbito de Antônio Amâncio concluiu por suicídio e não por morte acidental.É onde você está no presente ou no passado.Depois de uma forte tempestade eu estava na ponte sobre o ribeirão... pesquisaremos o assunto. Constatamos a veracidade do exposto na sua demonstração. . Atenciosamente.Como foi sua morte? O rapaz mantém curto silêncio e prossegue: . pois supúnhamos uma fraude produzida por magnetismo. Confessamos que a prova nos surpreendeu. o suporte cedeu. com referência ao episódio de regressão realizada no Hotel X. Qual o seu nome na última existência? ..Curitiba. . lamacentas.
paciente e magnetizador passaram a experimentar momentos difíceis. Súbito.REGRESSÃO II Jerry atendia a quem o procurasse em busca de alívio de seus males físicos ou psíquicos. está melhor? . visitou meu pai com esse propósito.E agora. da cidade de Inhapim. Jerry tomou a sábia decisão de não mais atender à curiosidade alheia. mas relaxe e ouça: o que lhe aconteceu pertence ao passado. Hoje. a prática se processava normalmente. entrei em pânico! . Chamado pelo nome e convocado ao presente. exibia expressão de intenso pavor. Por meio do magnetismo espiritual.Vou insistir com os passes para remover as energias que restaram. você vive outra realidade — a do presente! Em razão da desagradável ocorrência. um amigo farmacêutico. meu pai aperfeiçoava a cada dia os recursos mediúnicos. para desarticular as energias nocivas que o envolviam. Desperto. somente a enfermos do corpo e da alma. abria as portas da alma dos angustiados que o procurassem e penetrava nos compartimentos do inconsciente profundo. mas ainda vejo a cena terrível! . Jerry encerrou a sessão e iniciou a aplicação de passes mediúnicos dispersivos. Consciente da resolução. Levado o visitante ao estado sonambúlico. Raramente recebia alguém interessado em recorrer à regressão de memória apenas para saber do seu passado em outra existência. O visitante. o farmacêutico confessou aterrorizado: . Mas.Jerry. olhos arregalados. aos poucos se recompôs. dentes cerrados. inteligente e culto. eu ia ser esmagado por uma geleira! Não queria morrer.Sim. . Diante do quadro.
Eu não quero ver isso! .. Longo silêncio. Correram todos e o retiraram enlameado. de 15 anos. ainda sob estado hipnótico. não haveria interferência negativa no processo de reabilitação.argumenta Jerry . eu sei.você tem o direito de recusar nosso auxílio. Vem na minha direção. segundo ela. porquanto. A pobre mulher gritava em desespero para ajudarem o rapaz.Deus é misericordioso e o ajudará. como providência inicial. à procura de tratamento espiritual.. mas estou certo que lhe fará bem.Confie. Entre soluços. chegou à Fazenda Eureka uma senhora em companhia do filho Francisco. num brado incontido: . ao entardecer. Verá. oferecemos o remédio para o seu mal. Ela o guiará aos recônditos do inconsciente em busca do porquê de suas agruras atuais. levaram-nas ao desespero. perdoaria os seus inimigos espirituais que o perseguiam.Meu amigo . E amargo. acometido de crise epiléptica. enrijecido. quer entrar em mim! . e por eles poderia ser perdoado. reveladas as recordações do passado. esclarecidos e afastado o assédio. o rapaz finalmente exclama. o menino tomou rumo inesperado e chafurdou-se no lamaçal de um córrego. O tratamento orientado pelo abnegado mentor Joseph Gleber recomendava a regressão de memória. .Um dia.Agora vejo! Eu estava cego. o que vê ao seu lado? . Francisco reagia com firmeza à intenção do magnetizador e se negava a defrontar com a imagem apresentada: .Uma luz. Ao se aproximarem. com certeza. não lhe deixará em desamparo! Abra-Lhe o coração. perdoe aqueles que o perseguem e rogue-lhes a indulgência pelo mal que lhes causou!. Assim. . A propósito. que seus excessos atormentaram pessoas. Conduzido ao sono hipnótico. como pude ser tão perverso! Por orgulho persegui e destruí toda uma família! Meu Deus! Jerry se vale do instante de arrependimento e o traz à reflexão. no entanto. no entanto.
. com regressão e doutrinação de dois obsessores. agora reunidos no mesmo núcleo familiar em regime de correção e aperfeiçoamento. curado do mal.Findo o atendimento. Jerry remove os fluidos negativos e harmoniza as emoções de Francisco. Francisco decidiu educar a mediunidade e ingressou na doutrina espírita. indutores das crises epilépticas. teve quatro filhos. um deles paraplégico. Meses depois.seus antigos obsessores. O tratamento prosseguiu em outras sessões. Casado. o outro deficiente mental . inimigos de outrora.
Bastante pitoresca.indaga Jerry . .UM CASO DE POLÍCIA Numa das viagens a serviço. Na parte de trás. A mulher se acalmou até silenciar. quase nivelada com o nariz. Ao dono da casa. Inspirado. Introduzido no dormitório. bastante intumescidos. está me ouvindo? . de nome Antônio. meu pai fora fotografar um povoado indígena na periferia de Barra do Caeté. somente alcançada por transporte rudimentar. ao mesmo tempo em que emitia sugestões para relaxar e dormir. próximo a Caratinga. sugeriu-lhe um profissional de outra cidade. Seus lábios. se deformaram a ponto de impedi-la de falar e de comer. acometida de grave infecção dentária. a mulher sofria em desespero. O lugarejo dispunha apenas de um dentista prático que. a localidade dispunha de uma pensão onde repousavam os viajantes. comentava-se o sofrimento da esposa de um comerciante local. meu pai disse do desejo de tentar aliviar as dores de sua esposa. a caminho do refeitório. ansiava por um milagre que não vinha.Maria. diante da gravidade do caso. distante mais de cem quilômetros. Durante o jantar. bela cascata de águas cálidas oferecia banhos revigorantes. rogou em prece a misericórdia divina para a sofredora e levou-a ao sono profundo. tamanho o inchaço. encontrou um aglomerado de pessoas atraídas pelos lamentos da padecente. Entre gemidos e soluços. surpreendeu-se ao ver a face esquerda do rosto de Maria. Impossibilitada de empreender a jornada. Inteirado do assunto. Jerry manifestou o desejo de visitá-la e para lá se dirigiu na manhã seguinte. Iniciou a aplicação de passes longitudinais. Próximo à residência. para que a espiritualidade agisse.
somente até às sete horas. Já consegue inté falá!. você vai dormir até às sete horas de amanhã. preste atenção. A voz insiste: .Polícia! Abra a porta! Sou o delegado e quero falar com o senhor! Jerry se depara com a autoridade. semblante em desalinho. .. Ainda não está na hora. vão à residência do comerciante.. não mais! repetiu enfático.. Não fugirá se Maria morrer. eu fico com ele.... Com a simplicidade interiorana. O delegado interpela-o autoritário: . De longe avistam curiosos em volta da casa.Mas. e se ela estiver morta? . Hum. mas ela não acordou! O que fez com Maria? Responda! Jerry respira aliviado e calmamente orienta o assustado marido: .Ouça. alguém responde: .Eu prendo este homem. O delegado se desculpou com Jerry: .. . Meu pai convida o delegado para o desjejum e.Antônio. após as sete horas. sonolento. o magnetizador não atina com o motivo da vigorosa intervenção. No dia seguinte. sua esposa vai acordar às sete horas.. ..Polícia! Abra a porta! Confuso.O que houve? .A comadre Maria acordou. Mas. seguidas de uma voz enérgica: . às seis horas. Vá para casa e aguarde.Hum. Antônio . Jerry é despertado por fortes pancadas à porta do quarto.pergunta. Tá boa que nem coco.O senhor esteve ontem em casa do Antônio? Pois hoje ele beliscou a esposa várias vezes. O policial indaga o motivo da aglomeração.reage o delegado Volte para casa. . Antônio ao lado.Eu confiava no senhor.
Maria? . não é? Na residência foram recebidos pelo casal... veja os meus braços!. Não sinto mais dor. . você é quem seria preso! .Estou bem. .O que foi isso? . .exclamou Jerry. pensou que eu estava morta. você quase matou a esposa.O Antônio tentou me acordar.. Estavam cobertos de equimoses. A barriga e as pernas também estão todas marcadas pelos beliscões! . heim? Assim.Como está. E riram todos.. . graças a Deus.Mas me escoltou para eu não fugir. .espantaram-se..Antônio.indagou meu pai. Mas.
para acordá-la. procedia sempre que a dor lhe visitava. e os mensageiros do amor o estimulavam e intuíam a recorrer aos conhecimentos de magnetismo espiritual. que o manteve hospitalizado por quase três meses.Veja. A esposa se assustou com o barulho e. Finalmente. olhou ao redor. o despertador foi jogado ao chão de cima daquele móvel. Em prantos correu ao quarto da empregada: . próximo da cama. dona Telízia. ouviu o tic-tac do relógio. na A recuperação prosseguia lenta. foi internado em razão de forte traumatismo no joelho direito. ele agora é alma penada! . viu o despertador que sabia com defeito e.Vige. sem resposta. Ansioso por lhe falar. o Jerry morreu! Eu sei que ele morreu! Pobre Jerry! Foram ao quarto de mamãe.Firmina. . prognóstico de que em breve receberia alta. Em desdobramento foi à casa e encontrou a companheira em sono profundo. Lá. Com este propósito.O AVISO Meu pai decidira adquirir uma máquina para beneficiar arroz. e pouco expressivo o alívio das dores. duzentos quilômetros distantes. Rogava o amparo da espiritualidade. Orou com o pensamento na esposa. bastante precários cidade. Comunicação e transporte. surpresa. a notícia animadora: a infecção começara a ceder. atirou-o ao chão. dificultavam avisar a família passados trinta dias. vamos rezar pro seu marido. Assim. nos quatro filhos pequenos e adormeceu. acordei com o barulho! Agora funciona! Foi um aviso do Jerry! . viajou para Ponte Nova. Convocou-a diversas vezes. quatro dias a cavalo. Jerry ansiava por avisar à família.
mas tem momentos de liberdade.Quase me matou de susto.Foi a única maneira de avisá-la! . . no futuro. Quando mamãe relatou o acontecido com o relógio. O fenômeno de desdobramento mediúnico evidencia a independência da alma em relação ao corpo. se não o conhecesse diria que está maluco! . . Dias depois. Eu mesmo já os avisei. creia. Amanheceu. em breve alguém virá me buscar. ainda que fugazes. Jerry! Pensei que houvesse morrido. . em sonho. A pobre Firmina disse que você era alma penada.Olá. -Não precisa. não é um simples escravo de suas funções orgânicas.Estive na minha casa essa noite. Demonstra que o espírito a ele não está preso.Presumo que em pouco mais de uma semana você possa ter alta.. depois de tanto sofrimento era mesmo para enlouquecer! Mas.Muito bem! . Por méritos próprios. doutor.. meu avô materno e um ajudante se apresentaram no hospital.indagou o médico.Jerry.Passava de meia-noite quando meu pai acordou no hospital. ouviu a justificativa: . Vou mandar alguém levar notícias a sua família. Nítida era a impressão de que visitara a companheira e se fizera notar. será desligado para sempre do corpo material e viverá como espírito puro. Jerry! Como passou a noite? .Você? Como? . .Doutor. .
Está bem. circunspecto. Como você sabe.Dante. o Astolfo desencarnou há pouco tempo.Que o ‘falecido’ não pode fazer isso. recordamos a narrativa de André Luiz a respeito de um espírito excessivamente apegado à crosta terrestre. a viúva me procurou.Verdade? E o que o senhor disse a ela? . pessoas simples. Astolfo está ‘morto’. e que dormia no mesmo local onde desencarnou.ela respondeu. Lourdes. mesmo assim ele vem! . faça um esforço. Militante estudioso da doutrina espírita.Acredito.Mas.SEXO APÓS A MORTE Os trabalhos espirituais nas reuniões da Fazenda Eureka desenvolviam-se com pleno êxito. aos fluidos vitais da família. como o casal Astolfo e Lourdes. Nos terrenos da fazenda viviam agregados e meeiros. . . tenho um assunto para lhe falar . Quanto a você. . . Devotado aos deveres do amor ao próximo. . deparava-se frequentemente com pessoas em desequilíbrio psíquico. vou fazer isso. e vou orar por ambos. por ignorar não mais pertencer ao mundo material. Disse que após quatro meses da partida do marido.disse meu pai.Mas. A propósito. . bastante preocupada. de boa índole. Deus há de ajudá-los.Não é mais. é o meu marido! . Diante disso. seu Jerry. não pudemos descrer do relato da nossa meeira. tente não pensar muito nele durante o dia. Outro dia. ele retorna todas as noites para dormir e fazer sexo com ela. Jerry conduzia com aplicação e competência as reuniões de materialização do Grupo Irmão Joseph Gleber. .
como tem passado? . esse relato se refere a alguém excessivamente vinculado à materialidade. ignora a sua condição de espírito desencarnado e utiliza o campo fluídicoenergético dos familiares. no caso. Na questão de número 200 de "O livro dos espíritos". mas baseados na concordância dos sentimentos.É. se prontificou a ajudar o casal. o da esposa. . Findo um mês. . pois que os sexos dependem da constituição orgânica. o espírito materializado. mas estou sentindo tanta falta!. O meu marido não apareceu mais. seu Jerry.. a viúva retorna. Kardec interroga os mensageiros: “Têm sexo os espíritos?” Resposta: “Não como o entendeis..Que bom! .Bem. Lourdes.Então. Há entre eles amor e simpatia. contudo. .” A questão diz respeito a sexo entre casais no mundo dos espíritos.Na reunião seguinte. José Grosso.
. entidade por Fábio Machado e revelou: manifestou-se uma . centenas de vidas dos primeiros cristãos e dos infratores da lei temporal. E a ovelha que volve renascida ao rebanho do Senhor.. Colocado à cabeça. mas o seu calvário chega ao fim.O CENTURIÃO Há poucos quilômetros da Fazenda Eureka.. com deleite e crueldade. Apesar das deficiências.apresentava na infância porte e gestos marciais. ri. Mergulhado na ignorância. os. movimentava os braços e o olhar como à frente de um batalhão. Foi um destacado oficial militar. Perguntado por um dos frequentadores se apreciava o trabalho dos amigos espirituais. há séculos.es. Locomovia-se com muita dificuldade. o seu espírito cristalizou o orgulho.O irmãozinho sofre... seguido de mal pronunciadas palavras: ... Esta será a última existência no corpo desfigurado. empertigava o . tos... A lei natural oferece a mais perfeita e bem acabada justiça.. O semblante irradiava alegria e bem-estar entre nós...o seu nome .. mãos apoiadas ao chão. a arrogância e deu-se a eliminar. es. e destina-se à reparação das lesões à sua ordenação. sentia prazer em relacionar-se e comparecia regularmente às reuniões doutrinárias. alguém o presenteara com um velho quepe militar.. a resposta foi qual um guincho.. que não nos premia ou pune.Sim. Sabemos que todo efeito provém de uma causa. mas educa.. pí. apenas balbuciava alguns vocábulos. contemporâneo do Mestre Jesus. protegidas por luvas de couro.. a injunção da deformidade física.os. Certa feita. Para contar o sofrimento. residia uma família numerosa com um dos filhos portador de atrofia das pernas. difíceis de serem tendidos. Na reunião de ectoplasmia... ri. Licério .
Muitos riam da situação grotesca. . o que mais o estimulava à imitação. A presença do rapaz em nosso grupo trouxe-me à lembrança o livro "Jesus". de Charles Aches.peito e assumia postura de comando. que narra a vida de um centurião de nome Licerius.
assentou-se a transpirar. completamente extenuado. mamãe dizia: "Ele vai morrer!" A despeito do ocorrido. Ao fim do prazo. O desagradável. Imediatamente. Como nos ensina Emmanuel. que se iniciavam pela cabeça. Por fim. calmo. em "Opinião espírita".DOAÇÃO Guardo na lembrança o dia em que meu pai se doou inteiramente e restabeleceu-me a vida. aconteceu.nossa mente deve sintonizar com os planos mais elevados e assim receber o suporte de que carecemos. "O passe não é unicamente transfusão de energias anímicas. Sempre que nos dispomos a aplicá-lo . Na infância. Muito aflita. a língua perdeu a sensibilidade. ao plexo solar (estômago) até os pés. e olhos adquiriram coloração azulada. Sob intenso mal-estar eu tudo ouvia sem conseguir falar nem entender o que se passava. porém. tive permissão para regressar à casa e prosseguir o tratamento com injeções intravenosas. ocorreu-me uma sensação de síncope. Levado ao hospital fui imediatamente internado. tentava em vão tranquilizá-la. como reagisse bem. atacou-me um cão infectado pelo vírus da raiva. Meu pai se esforçava na aplicação prolongada de passes longitudinais. pus-me a expelir pela boca placas de sangue. e aqueciam-me como fogo. Experiência crucial e bastante sofrida para os meus pais. . Lentamente. O passe espírita é transfusão de energias psíquicas em que ocorre a associação da energia psicomagnética do médium com a do espírito.um momento especial de doação . desciam ao tórax. Em seguida a uma aplicação. consegui recuperar-me. O médico prescreveu a medicação e recomendou à enfermagem observação durante uma semana. usava de máximo desvelo para cumprir a instrução. sempre criterioso. Meu pai. Jerry.
você retribui ao permitir-lhe mais alguns dias na carne”. no aguardo de sua recuperação. enviei meu filho para trazê-lo. conforme planejara. papai retornou ao mundo dos espíritos (Ver “Demonstrações de Imortalidade” (pág. empunhei as mãos e plasmei a imagem das curas de Jesus. a fim de se recuperar. Em sua casa. Bem disposto e animado fez a caminhada habitual. apoio eficaz de todos os tratamentos". teve um dia agradável. . hoje. Pleno de amor àquele ser tão querido. disse sentir-se enfraquecido e se deitou. 43)). passeou com os netos. retornado há pouco do hospital.Também é o equilibrante ideal da mente. pediu que lhe ministrasse um passe. Ambos morávamos em cidades distantes e como sua saúde estivesse comprometida pretendi trazê-lo para minha companhia. Correram 36 anos. conforme a intuição recebida. Pouco depois. De imediato recebi a intuição: “Ontem ele lhe deu energias com amor para a continuação de sua vida na Terra. Preferi não retornar com Jerry. Dias depois. Na madrugada do dia seguinte.
que exibia resquícios do fausto monarquista na pompa da decoração. um centro modesto em bairro pobre da periferia. Outrora. da reunião exagera nas . Vaidoso. paredes forradas em papel francês. Longa espera.DESPREPARO Em meados da década de 40. elitizou a instituição e permitiu que a invigilância abrisse graves fendas em suas defesas. despretensioso. No vasto salão. Apresenta-se como mentor da instituição e saúda mansamente: . funcionava na capital mineira um centro espírita. O dirigente insiste na mentalização dos médiuns. Cadeiras confortáveis artisticamente trabalhadas. aconchegante. o público aguarda ansioso as comunicações dos espíritos. Finda a prece. assoalho em madeira de lei concorriam para o requinte do ambiente.A paz de Jesus com todos! Elogia os trabalhos e pede que mantenham a confiança nos emissários do Plano Maior. Por fim. uma entidade se comunica. ávidos de manifestações ruidosas nas reuniões de desobsessão. o esclarecimento. A mudança de endereço e de orientação. a consolação compunham a tônica dos trabalhos. o orientador reverências e agradecimentos. sustentáculo daquelas tarefas. Os elegantes e bem trajados frequentadores. extensa mesa em carvalho com pequenas placas de latão gravadas com os nomes do presidente e dos médiuns nos lugares a eles reservados. O presidente encarece o concurso de todos para os labores da noite. procediam como se fossem elas peças teatrais. reposteiros de veludo. pregava com simplicidade o Evangelho para o povo humilde. A reunião se inicia. A caridade. no entanto. considerados a nata espiritista da cidade.
No salão. o doutrinador fraqueja. os pescoços não cabem mais de tanto esticar. é necessário empreender a reforma moral dos participantes e frequentadores das atividades da instituição. devemos observar que.. Finda a demonstração de “poder”. o mistificador é ele! A segunda reage com energia: . exalta o valor do presidente. como um relâmpago. não sabe como tratar o acontecimento inédito. dá-se. a outra entidade decide apresentar também suas credenciais: outra explosão e maior a intensidade! Apavorados. bengalas caídas. Perplexo.. Desafiada. concomitantemente com o estudo da doutrina espírita. restam apenas poucos e assustados médiuns refugiados sob a luxuosa mesa. leques.. O orgulho e a vaidade são grandes empeços ao progresso da Humanidade. os frequentadores fogem em atabalhoada correria. Atrás do médium espouca forte clarão. pois se trata de um mistificador. médium: a primeira entidade retruca veemente pelo . mas adverte-o para se acautelar com quem o antecedeu. o dirigente emudece. tomam partido dos dois espíritos como torcedores em uma competição esportiva qualquer. então. A reunião é rapidamente encerrada.Em seguida. Kardec ensina que o verdadeiro espírita é reconhecido pela sua . Assustam-se todos. Grupos vibram com o embate. Cochichos. tão exuberante e elitista. um fenômeno de efeito físico. O semblante grave e impávido se desmorona. As portas daquele centro. Por outro lado. Cadeiras derrubadas. chapéus e pacotes abandonados. depois temores e silêncio tumular.Irmão presidente. outra entidade se apresenta. Com doces palavras. sua dedicação à causa espírita.. Ágil. iluminando o ambiente.Vou provar que sou o “guia” da casa e não você! Lançada a confusão. Cumprindo a ameaça. nunca mais se abriram.
transformação moral e pelos esforços que empreende para domar as más inclinações. .
Para surpresa e frustração. Caminhei em sua direção.O EMPREGO Na minha juventude.Bom-dia! . os interioranos que quisessem estudar além do curso primário. quase sete horas da manhã. semblante alegre. ciente da inquietação. indeciso em mudar para outra cidade ou retornar à mesada. precisavam ir às grandes cidades. Palminha e outros amigos queridos. Na capital. Assim. . decidi me tornar independente. acordei com um chamado insistente: “Dante! Dante!” Preparei-me e fui confiante para o centro da cidade. além das atividades escolares. esquina com Tupinambás. frequentava as reuniões de materialização do Grupo Scheilla. Lancei o olhar para o interior e divisei ao fundo um senhor por detrás de uma escrivaninha. Joseph Gleber. orientou-me a nada decidir no momento e prosseguiu no atendimento ao público. Atraído. Na Rua Espírito Santo. Ao completar 21 anos. José Grosso. . compareci à reunião do Grupo Scheilla. Scheilla. incansável na procura diária sem sucesso já não mais sabia o que fazer. transferi-me de Caratinga para Belo Horizonte. o expediente não havia iniciado. Por mais de dois meses. A porta de aço estava semi-aberta. Terminados os trabalhos. Dia seguinte. conduzidas pelos espíritos José Grosso. logo descobri que não havia empregos.cumprimentei-o. Iria trabalhar e dispensaria a mesada de meu pai. despertou-me a atenção o sugestivo nome de um estabelecimento: Papelaria Confiança. aproximei-me. recolhi na cabine do médium algumas quadras daquele espírito amigo renovando-me o ânimo. Olhos fixos em mim. Acabrunhado.
de pé. aqui na loja.disse o querido amigo. Dante? Conseguiu o que queria? O médium Fábio Machado quis saber espiritual como ele produzira aquele fenômeno. informa que os benfeitores da outra dimensão interferem em nossos pensamentos e atos “muito mais do que imaginais.Está à procura de emprego. Um fenômeno de ideoplastia . mas quase sempre nos passam despercebidos. do amigo .Satisfeito.. iniciei no dia seguinte. A resposta à questão 459 de "O livro dos espíritos". Influem a tal ponto. o espírito José Grosso indagou de sopetão: . não é? . Surpreso e em silêncio.Eu projetei a imagem do Dante na mente do comerciante quando ele estava em desdobramento e o tornei acessível às pretensões do companheiro. Pois você o terá! Admissão combinada. dele ouvi: . Na reunião imediata do Grupo Scheilla.” . que de ordinário são eles que vos dirigem.Esta noite.indagou sorridente. em busca de trabalho. Exatamente como está. Fatos como esse acontecem com frequência. eu sonhei com você.
agitado. Muito educadas e solícitas. Diariamente. Na tarde seguinte. O que você tem contra mim? . compras. no terceiro andar de um prédio de propriedade de um italiano. Em desdobramento encontrei um espírito a vagar no quarto. mas não o quero aqui! .exclamaram surpresas. e o entendia perfeitamente. cuidados.Digam-me. . Embora americanas. logo tornamo-nos amigos.Por que pergunta? . Repliquei: . Instruíam-me sobre os costumes do país. enfim. Certa noite. noticiário dos jornais e da TV. ordenou: . sentia a impressão de que alguém me acompanhava ao subir a escada para o quarto. bastante cooperativas. que ocupava o térreo com as três filhas. por favor — insisti. Residia na cidade de Filadélfia. ao regressar do trabalho. em razão da experiência dos pais. as manifestações do invisível não me inquietavam.FENÔMENOS NA FILADÉLFIA No mês de junho de 1969. bastante cansado. aguardavam-me para saber do meu dia. Estado da Pensilvânia. eu não o quero aqui! Saia! Expressava-se em italiano. com mais de trinta anos. indaguei às moças: . .Não vou sair. sabiam das dificuldades do imigrante.e tomou a direção do corredor. Com o tempo. já falecido? . acabei por me habituar.Morou alguém aqui.Saia. logo adormeci. Passadas algumas semanas. Face à vivência e à compreensão dos fenômenos espíritas. providências. Nervoso.Nada. os Estados Unidos me envolveram completamente.
Por que não? Católicas. Iniciada a reunião. Um ano depois. a pedido de seu guia espiritual. as moças disseram ter lido obras de um pastor. desencarnaram em Nova York). com fotos de materializações de espíritos produzidas na Inglaterra e nos Estados Unidos. O ministro. Narrei-lhe. diante dos assistentes.Ontem à noite conversei com ele. Terminada a reunião. . Nova York. eu mesmo farei a revelação — e iniciou: . assim chamado o dirigente.Pode deixar. Faleceu de ataque cardíaco ao subir a escada. que o tem em grande estima. em 1970. em Hydesville. desencarnado aos 86 anos. encontrei um confrade que falou do movimento espírita pátrio e do meu grande amigo e companheiro de doutrina Jacques Aboab. Entendi que o mentor sabia da minha vivência e interesse no assunto.. voltei ao Brasil para me casar. e se mostraram interessadas em conhecê-la. testemunha dos fenômenos produzidos com as irmãs Fox. boa pessoa. Comigo pôs-se em silêncio. no centro de Filadélfia. Vejo seus avós paternos (não os conheci. então. os fatos ocorridos na reunião da Igreja Espiritualista Americana e . Esvaziado o recinto. trouxe pequeno arquivo. a sensitiva. por saber não existir centro espírita na região ou talvez no país. Por quê? . descrevia os espíritos que os acompanhavam. um espírito. pois terá longa tarefa a cumprir. hábito das igrejas americanas. Notei o interesse de ambas e disse do desejo de localizar uma instituição espiritualista. ignora que “morreu” e me quer fora daqui. desencarnado aos 86 anos. o ministro sinalizou para que o aguardasse e foi a porta despedir-se dos fiéis. Dizem que você irá a sua pátria.Dante. morou um alfaiate. mas não entendo o seu idioma. No aeroporto do Rio de Janeiro. Está confuso. também. italiano. adiantou-se: .Sim. mas retornará aos Estados Unidos. Oito horas da noite de uma sexta-feira.Você veio de um país muito grande e pertence ao movimento “espiritual” de lá. você acha isso possível? . Vejo. Elas mencionaram a Igreja Espiritualista Americana.
em que Kardec se apoiou nas entrevistas com diversos médiuns. item 159. a influência dos espíritos é.presumimos que a entidade referida pelo ministro poderia ser o querido Jacques. conforme a revelação do guia espiritual do pastor? . empenho-me na fundação e no desenvolvimento de núcleos espiritistas em Massachusetts. um privilégio exclusivo. O capítulo XIV. onde residi. por esse fato. de "O livro dos médiuns" esclarece que “Todo aquele que sente. Estados Unidos. médium. Há muitos anos. portanto.” Entendemos. que a mediunidade tanto pode ser manifestada entre os membros de outras denominações religiosas. Seria essa a “longa tarefa a cumprir”. Essa faculdade é inerente ao homem. não constitui. portanto. Os fatos aqui descritos demonstram a universalidade das comunicações dos espíritos. num grau qualquer. quanto àqueles que não possuem crença alguma.
risos e gargalhadas de alguém mediunizado. O visitante. gostaram daqui! — e gargalhava. O dirigente interrompe-o: . decidiu visitá-la.Cansamos de enganar esses bobos! A tapeação já perdeu a graça. boa vontade são alguns dos requisitos essenciais à qualidade e êxito dos trabalhos mediúnicos. . aos médiuns. militantes do espiritismo. movido pela experiência. mas eles não quiseram. concentração. responsabilidade. Um viajante. união. Pouca relevância. no entanto. então propus aos meus companheiros procurar outro lugar para nos divertir. discernimento.VAIDADE O estudo e o exercício da doutrina espírita. Ao público ansioso o dirigente pede silêncio. sabedor da instituição. O visitante é convidado à mesa. A narrativa a seguir exprime um alerta a nós. humildade. eu disse aos meus companheiros que um dia a nossa farsa cansaria! Este lugar agora está muito monótono respondeu. além de disciplina. Minutos depois. Numa cidade do interior de Minas havia um centro espírita que realizava reuniões de desobsessão com entrada livre e grande assistência. se dava à análise das obras basilares de Kardec. Anuncia a condição de membro da diretoria da União Espírita Mineira e obtém permissão para assistir aos trabalhos. surpreendeu-se com o elevado número de frequentadores de atividade necessariamente reservada. em especial aos que exercemos a direção de grupos. cultor da soberba e da empáfia. não conhecia a humildade evangélica.De que ri o irmão? .Ora. solicita a palavra e pede ao espírito esclareça a sua fala. Ao chegar. . O dirigente.
a brincadeira já cansou! Basta! O forasteiro conclama a assistência para emitir os melhores sentimentos e rogar a Jesus em favor daquelas entidades. nós Te pedimos pão e mandaste-nos pedras! A reunião é encerrada sem a prece final.Oh. Franqueá-la ao público é o mesmo que abrir as portas do hospital e expor as mazelas dos pacientes à curiosidade alheia. depois a porta se escancarou e agora nós é que somos os guias deles! Mas.Pelo que vejo. O triste episódio demonstra que onde campeia a vaidade e o desconhecimento doutrinário haverá sempre oportunidade para irmãos equivocados atuarem.Por outro médium uma entidade se dirige ao colega: . Este bando de palermas na mesa pensa que sabe tudo. Só o estudo atento do espiritismo nos dá a compreensão de que a reunião mediúnica de desobsessão tem caráter privativo.. o irmão. olhos revirados para o alto.Cale a boca. . Nenhuma manifestação do invisível. que apenas querem se divertir. Longo silêncio.corta o espírito .. você não sabe o que fala! Sereno. de atendimento a espíritos enfermos. fortalecidos em nossos erros e fraquezas. o doutrinador se ergue lentamente. . Senhor. o acesso foi difícil. o visitante interfere na discussão: . De braços abertos exclama magoado: .Vou contar o que acontece aqui. No princípio. mas nada sabe.Que irmão nada! . Abatido.
sequer raciocinava. um dos melhores do país. no entanto. Enquanto os familiares solicitavam a ambulância. Acreditei-o médico. já não mais reconhecia os meus. Regulou o fluxo para gotejar lentamente e deixou o ambiente em penumbra. assistia apenas a movimentação nos corredores.O PODER DA PRECE Integrado profissional e socialmente nos Estados Unidos. Certa noite fui surpreendido por forte mal-estar. estava em curso. Estatura além da média americana. . Verdade e Vida. Acena com leve sorriso e me desperta a atenção a simpatia irradiante. mesmo sem a vestimenta própria. participava do Grupo Espírita Caminho. Pouco depois. Atenderam-me rapidamente e solicitaram autorização da esposa para a coleta de líquido raquidiano. decidiram por minha transferência para o Massachusetts General Hospital. sentia-me desfalecer. Horas mais tarde. elevei o pensamento a Jesus. entre outros. debelada a crise. A piora. em Boston. substituía os frascos de medicação intravenosa semi-esvaziados. pele clara. quarenta e cinco anos. o relógio apontava uma hora e vinte minutos da madrugada. a equipe médica já me aguardava. com indicação cirúrgica. e roguei inspirasse os médicos na melhor conduta. recebi a visita de uma enfermeira. A cabeça parecia girar. Enquanto conversávamos. terno marrom. alguém se aproxima. No ingresso no hospital. talvez. Imediatamente conduziram-me à umidade de tratamento intensivo e iniciaram os procedimentos de urgência. O diagnóstico dera conta de um |aneurisma. Na parede. Após a análise do material. minha vida estava organizada. Embotado e apático. sem nada atinar. Massachusetts. retornei à lucidez. que concluíra um ano de atividades produtivas. Residente em Somerville. Lá. Súbito.
assusta-se: . . outro enigma.Não é possível! Como é esse médico? Descrevi-o em minúcias. Ao ver os frascos quase vazios.. Saiu apressada e retornou acompanhada de dois médicos e quatro enfermeiras. Durante alguns dias seria submetido a novos exames e mantido em observação. Caminhou para a saída. grande reboliço! Não conseguiram localizar o aneurisma antes identificado. Na parede. Sem nada dizer. mantinha o sorriso nos lábios. sempre as mesmas.solicitaram. . Sereno. Contornou o leito e procedeu igualmente com o outro frasco. Examinadas as novas imagens. A enfermeira retorna. monitores exibiam a atividade cardíaca e outros sinais vitais. em inglês). meu Deus! O soro quase acabou! Como isso pôde acontecer? Relatei o ocorrido e ela indagou cética: . o estranho reduziu os fluxos. a fisionomia serena. Testes e perguntas cansativas. Senti acelerar os batimentos cardíacos e comuniquei o desconforto. Decidiram avaliar-me a lucidez. entre sorriso e aceno de mão. Intrigados.Em um dos frascos aumentou a velocidade de gotejamento. aproximou-se e disse uma única palavra: “Better” (melhor. Movia-se vagarosamente no ambiente e sua tranquilidade inspirava segurança. Um deles exclamou: . suspenderam a cirurgia e devolveram-me à UTI. Entreolharam-se admirados. como último procedimento..disse-me. Pouco depois. Para eles. Repeti o relato.Conte-nos exatamente o que aconteceu .Impossível! Inacreditável! Poucos minutos antes das sete horas fui radiografado a caminho do centro cirúrgico.Oh. e o coração readquiriu o batimento normal. repetidas a cada 30 minutos por diferentes profissionais: “Qual o seu nome? Sua .Aqui não tem essa pessoa e ninguém entra sem identificação . bastante surpresos.
profissão? Onde trabalha? Onde está agora? Em que cidade vive? É casado? Tem filhos? Quantos? Os nomes deles? O número do seu seguro social?” Sabia que precisavam examinar a acuidade mental. mas aos poucos o repetitivo e fatigante inquérito levou-me à exaustão. o paciente está bem e lúcido! . em Boston.Sim.respondi entediado. doutor.Muito bem.Onde você está agora? .Em Berlim. Como está passando? . . Após cinco dias. Dante.Bom dia.verdadeiros apóstolos da profissão. já disse! Saíram rapidamente e retornaram com o médico assistente. . O médico se volta para as enfermeiras: . .Estou no Massachusetts General Hospital. Na quietude da UTI orava a Jesus e rogava amparo para os enfermos e para os servidores do hospital . respostas coerentes. os exames não mais recomendavam cirurgia. diga-me onde está! . Decidira reagir. transferir-me para uma unidade intermediária. Entraram duas enfermeiras.Dante Labbate . mas há pouco ele disse que estava em Berlim! Riso geral.Senhor Labbate.Onde você está? . . Decidiram. então. obrigado. . Outras perguntas.Em Berlim. A mais jovem logo atacou: .Qual o seu nome? . inicialmente diagnosticado com severo quadro de aneurisma. .Ora.insistiu. destinada a pacientes em recuperação.
A propósito. Entra no quarto outro médico. os elegantes prédios de Harvard — a melhor universidade do mundo. de . .Oh.É João Batista Figueiredo.Pela ampla janela admirava a bela paisagem do Rio Charles. internado no quarto ao lado. é o presidente do Brasil. fez anotações do fato e. doutor. .Espere um pouco. sou o doutor Magavel.Sim. . você é brasileiro? Pois saiba que visitei esta semana uma personalidade de seu país.Não. Há vários anos aprofundo-me nos estudos psíquicos.Então você admite manifestação de um espírito? que sucedeu comigo a .Problema cardiovascular. . ao sair.Sim? Qual o nome? . E você. . prevista para breve. perguntou: . mas ainda terá alguns anos de vida. Antes da alta.Isso é para tranquilizar-me? . Confirma? . a cidade de Cambridge.Sem dúvida! Era o que eu gostaria de ter ouvido dos outros médicos. Logo retornou. os colegas me relataram um episódio extraordinário de que teria participado recentemente.Bom-dia. outros médicos me quiseram ouvir a respeito da materialização de um espírito na Unidade de Tratamento Intensivo. O que ele teve? . Com grande interesse. Eles me abriram um portal para o desconhecido.Sem dúvida! . acredita? . vou verificar. É incontestável que a prece sincera nos permite sintonizar com as regiões elevadas do plano espiritual. Estou a par do seu quadro clínico e vou acompanhá-lo até a alta hospitalar. do Massachusetts General Hospital.Dante. senhor Dante.
onde recebemos os recursos carecidos. autorizadas pelo Alto. guiadas pelo poder de nossas súplicas sinceras. almas benfazejas e protetoras. intervém providencialmente em nosso socorro. . Acima de nós.
a sensibilidade psíquica rapidamente o alerta tratar-se de manifestação de efeito físico produzido por entidades do mundo espiritual. Com a vinda da autoridade. O dirigente daquela instituição. revela a origem à família e promete adotar providências. para transmitir os verdadeiros valores e as riquezas espirituais de que o Mestre Jesus nos fala. Bady. Devotados trabalhadores lá aportam. surpresa!. Alegam que o vizinho o acusara e aos filhos de lançarem pedras em seu telhado.Bady. encerrada a reunião mediúnica. Seus familiares despertam assustados e Bady os tranquiliza. Mas. regressa despreocupado ao lar. então. hesita em lavrar a ocorrência e solicita a presença do delegado. De nada valem os argumentos de Bady e conduzem-no à delegacia. ouve um barulho semelhante a grande quantidade de pedras lançadas sobre o telhado da casa vizinha. Recolhido ao leito. Chamam-lhe pelo nome e se dizem policiais. Esclarecido o caso.. talvez uma brincadeira de rapazes dos arredores. pois ambos se relacionam na comunidade espírita local. homem íntegro. o policial comenta: . exerce papel relevante na difusão da doutrina. O escrivão. diante do insólito. Ao abrir a porta. e por demais conhecidos os valores morais do acusado.MAIS EFEITOS FÍSICOS A União Espírita Mineira (UEM). Admirado. batem insistentemente na porta de sua casa. cumprimentos fraternos. o delegado o conduz de volta à residência.. Bady Cury. se eu contar o que acabo de assistir será muito difícil alguém acreditar! . Mas. O fenômeno se repete na noite seguinte. Casa Máter do nosso movimento em Minas Gerais. outra saraivada de pedras atinge o telhado do queixoso. respeitado na sociedade belorizontina. Ao chegarem.
Roguemos a Jesus o amparo a todos.O que acontece na casa do vizinho se deve ao fato de os moradores canalizarem e dirigirem fluidos deletérios para você e sua família. Estupefatos. Na data ajustada. os seres das sombras persistem em atacar os frequentadores. não cessaram. Tranquilo. Na outra residência ao lado. manifesta-se o mentor na reunião mediúnica da UEM e informa ao dirigente Bady: . Brilha. Disso. mesmo entre os membros da diretoria. Ademais. Os ataques das trevas. atingir este templo de luz. tranquilo como se nada tivesse acontecido. Calmamente dirige-se ao seu posto. resulta que a casa onde são lançadas as pedras procede como embrião do ambiente psíquico favorável à manifestação de tais fenômenos. incólume. contudo. antes do início dos trabalhos. por extensão. Bady os detém à porta e solicita confiança na espiritualidade amiga. os participantes se apressam a socorrer o companheiro. . O aviso produz coesão de sentimentos e de propósitos. Na federativa. Com o lápis conectado ao plano maior. Ato contínuo é lançado à rua. Alguém desce as escadas e vai abri-la. roga aos mentores que retornem o médium à mesa. Surge no salão o projetado à rua.Na mesma semana. impassível. é sabido que nada acontece por acaso. os obsessores subitamente dominam um dos médiuns e o levam veloz em direção à janela. então. mora uma irmãzinha médium. Ouvem-se batidas à porta. Emocionado. a matériaprima utilizada na produção de efeitos físicos. A diretoria convoca uma reunião para atender aquelas entidades errantes. Chico Xavier envia à União Espírita Mineira mensagem para que vinculem os corações a Jesus e estabeleçam uma corrente de preces contra as trevas ameaçadoras. uma luz projetada da pequena Pedro Leopoldo. A manipulação desses elementos permite aos obsessores atuarem livremente. provocar doenças e dissensões. de altura superior a cinco metros. fornecedora inconsciente de ectoplasma. Tais energias são manipuladas por espíritos malfazejos com a intenção de causar-lhes desassossego e desequilíbrio e.
Finda a reunião. A ação dos espíritos.Lembra-se do que aconteceu com você? . mais nada! A União Espírita Mineira fora alvo das investidas das trevas. sim.Como? Oh. ao precipitar o médium à rua sequer feriu-se. o que favoreceu a atuação dos benfeitores espirituais. porquanto amparado pelos mentores pretendia desmoralizar a valorosa instituição e levá-la a cerrar as portas. no entanto. .Uma prece abre a reunião. o dirigente interroga o personagem: .E o que mais? .Ora. Saí e dei umas voltas por aí. pois se assim não fosse seria obstado pela barreira fluídica que se formaria pelos componentes da mesa. Sabemos ser imprescindível a mente no bem. . a prece no coração. os braços em serviço. Diante da impossibilidade de romper as defesas os perturbadores abandonaram a infeliz empreitada. O guia esclarece que o obsessor se apoderara do medianeiro antes do início dos trabalhos. a aliança. para repelirmos as influências das entidades espirituais desajustadas. a firme disposição dos companheiros transformaram-na em muralha inexpugnável.
Aqui na fazenda não mais se matará qualquer animal! . pouco adiante. Ao passarem próximo do local do abate. um fato surpreendente. mesmo nas pequeninas coisas. deparamos com um dos nossos bois zebu espojado no chão. a carne fora retalhada e distribuída. para inspecionar ferimentos e parasitos. Farejava o capim. onde o abateram. embora restrito ao instinto. A despeito dos esforços dos peões. sofrida. melancólica. O sol banhava a Fazenda Eureka e espargia alegria e vida. A manada se dispôs em torno do sangue remanescente do companheiro. O lamento aumentava cada vez mais. Conforme o costume. Comovidos. Caminhava com meu pai pela estrada que liga as cidades de Itaiumi e Tarumirim quando. Jerry solicitou a alguns colonos que o deslocassem até uma vargem próxima. as demais tomaram o mesmo rumo.Filho. as rezes à frente dispararam naquela direção. Como ocorre em acidentes dessa natureza o animal seria sacrificado por impossibilidade de cura. Dirigiu-se aos peões e determinou: . Sabia que ali fora sacrificado um igual. respeitamos a dor dos chamados irmãos menores. como uma ode fúnebre. os animais têm sentimento. Deu-se então. Caíra de uma ribanceira a dez metros de altura e fraturara as pernas traseiras. Meu pai comentou: . Coincidiu que acontecia o ajuntamento de mais de cem cabeças de gado no curral.O SENTIMENTO DOS ANIMAIS Aos dez anos presenciei uma cena extraordinária. olhos marejados de lágrimas. erguia a cabeça. urrava em uníssono.
(. do mestre lionês. haverá neles algum princípio independente da matéria?” “. entretanto. Kardec inquire: “Há. animais que carecem de voz.” Os espíritos também respondem a pergunta 597. os animais possuem meios de se prevenirem e exprimirem as sensações que experimentam. na mesma obra: “Pois que os animais possuem uma inteligência que lhes faculta certa liberdade de ação. só dispondes da palavra? E os mudos? Facultada lhes sendo a vida de relação. homens.” ...). não?” A sábia resposta vem em seguida: “Compreendem-se por outros meios. Pensais que os peixes não se entendem entre si? O homem não goza do privilégio exclusivo da linguagem.Há e que sobrevive ao corpo. Parece que esses nenhuma linguagem usam. Para vos comunicardes reciprocamente.Na pergunta 594ª de "O livro dos espíritos". vós outros.
Eu trouxe para vocês. em Governador Valadares. atual Cidade da Fraternidade. Aguardava apenas a possibilidade de transporte e de montagem. e recostamo-nos sonolentos. a Cidade da Criança. com entusiasmo e dinamismo. não mais de oito anos. Tão logo produzisse comercialmente. pouco iluminada. Porque frequentasse o Grupo da Fraternidade Marta Figner. Através do vidro nada vimos. Pouco depois. No quintal. encontrei um maquinário desmontado. em construção. roupinha rota. em Belo Horizonte. implantou em 500 alqueires no planalto central goiano. e apoio do companheiro Rogério. propus ali colocá-lo em operação. em bom estado. Em uma das reuniões do movimento fraternista. a renda reverteria em benefício da organização. Lydio solicitou-me transportar e instalar o equipamento no destino. Empreendedor. graças ao patrocínio dos irmãos Afonso e Simão Bittar. o exemplo da verdadeira ação cristã. chegamos a Coronel Fabriciano. . Bracinho magro estendido. com as peças que o veículo comportava. encontramos uma criança. legou. Aberta a porta.O BOTÃO DE ROSA O doutor Lydio Diniz Henrique. pusemo-nos eu e o bom amigo Jayder na manhã seguinte a caminho de Governador Valadares. ofereceu a Jayder um botão de rosa vermelha e disse: . às onze da noite. Estacionamos próximo à delegacia de polícia. Autorizado. em uma rua deserta. incansável trabalhador da doutrina espírita. ouvimos leves batidas na porta do carro. dispostos a descansar e a prosseguir tão logo amanhecesse. Devido ao excesso de peso viajamos em velocidade reduzida e. descalça. Disse o amigo tê-lo recebido em doação para a marcenaria da Cidade da Criança. até que a Cidade da Criança pudesse recebê-lo. Lydio convidou-me à sua casa.
até que me que o botão de rosa é o símbolo da Cidade da frêmito percorreu-me o corpo.Recolhendo-o. ao descanso e partimos ansiosos por chegar ao Supomos que a espiritualidade quisesse demonstrar apreço àquela insignificante tarefa.. Rua deserta.. Jayder passou-o a mim e voltou o rosto para agradecer.e apontou. Não mais a vimos. aspirou o delicado perfume e perguntou: . em proveito das crianças. recebe a assistência do plano maior.Onde você conseguiu isto? . Todo trabalho no bem. Minhas dei conta de Criança! Um renunciamos destino.Foi ali . mãos sustentavam aquela dádiva. . A menina desaparecera. mas realizada com amor. Imediatamente. buscas infrutíferas. por certo.
Um companheiro esboça revidar. de outros estados. Por que o Chico me escolhera? Abro o livro. O tema da leitura recebe a contribuição dos companheiros. abra este livro. Muitos dos companheiros na mesa são bastante conhecedores da doutrina.CHICO ENTRE DOIS AMIGOS Oito horas da noite no Centro Espírita Luiz Gonzaga. Chico lê bela mensagem de Emmanuel e a seguir.Meus amigos. Proferida a prece inicial. gesticulo para que não interfira. de Belo Horizonte. que se revezam nos comentários. . alguém na assistência é tomado por uma entidade espiritual. fomos ameaçados por espíritos perturbadores com o propósito de tumultuar os trabalhos.É com você mesmo. indago com o olhar. Com palavras brandas passa a demolir o comentário e a atacar o livro em questão. discreto participante da Mocidade Espírita Bezerra de Menezes. de São Paulo. Enquanto o amoroso médium psicografa. um deles conseguiu transpô-lo devido ao elo . Ouço-o pacientemente. em Pedro Leopoldo. Em poucos minutos o espírito se retira. Quase ao término. Tomado de surpresa. leia um capítulo e comente-o. Minas Gerais.Por favor. da União Espírita Mineira. Dante. encontro o capítulo 21: “Falsos cristos e falsos profetas”. informa: . Ao término. Emmanuel prontamente convocou os tarefeiros de Jesus e formou-se um escudo psíquico contra a invasão. Mesmo assim.confirma. sereno. confrades do Rio. Chico Xavier empunha "O Evangelho segundo o espiritismo" e dirige-se a mim: . eu. ao iniciar a reunião. Dante . E dirija a reunião. mas ergo o braço. um jovem aprendiz. concluo a leitura e passo à explanação. Num rápido olhar diviso representantes da Federação Espírita Brasileira.
No céu. Quando um membro na mesa quis replicar. apenas uma grande cama antiga onde acomodamos o médium no centro. Tranquilizoume ao dizer que nada aconteceria e intuiu o nosso companheiro a não responder à provocação. Um dos meus braços se apoiava no tórax de Chico. porque se assim não fosse. não os atrairíamos.responde o caridoso médium. No modesto quarto. Alguns. A misericórdia divina. Adiante. a sugar os fluidos vitais. que intuitivamente reproduziu o gesto. . os primeiros raios de sol penetravam por uma fresta na janela. verdadeiros vampiros. adormecidos.vibratório com quem o acolheu. São irmãos cujos perispíritos deformados tentam revitalizar-se. A caminhada prossegue. Assim. o que ensejara a pergunta: seria habitada? . perguntamos o porquê do aviso.Queridos. companheiro na mocidade espírita. o relógio indica pouco mais de meia-noite. no subsolo lunar.Chico. zela por eles. divisei vultos escuros a elas abraçados. para pernoitarmos em sua casa. o que aconteceu? . Carlos acordou e também percebeu o fato. Existem. Curiosos. .indagamos. Chico nos adverte para desviarmos o olhar de um açougue. se agora viessem à Terra reencarnados no estado em que se encontram. soterrados há séculos. Carlos e eu assumimos os lados e entramos em sono profundo. Indaguei a Emmanuel como Dante deveria proceder naquela circunstância. recolhidos ao hospital cósmico do Senhor. Finda a intervenção. . Lágrimas deslizavam em sua face. por intermédio de missionários. incendiariam o planeta. a reunião prosseguiu em paz. sobre as postas retalhadas. onde se encontram suspensas partes de carnes sangrentas. São enfermos da alma. Em casa. em preparação para despertarem.Emmanuel nos diz que não . ao desviarmos o olhar. Devido ao adiantado da hora. espíritos em hibernação. o benfeitor amigo ergueu o braço e emitiu um jato de luz em direção a Dante. a lua resplandecia sobre nossas cabeças. Chico me convidou e a Carlos Cavalcante. contudo. Quando despertei.
. quando a humanidade vivenciará esta fraternidade tão pura e legítima que agora presenciamos?” Após secar os olhos.Choro porque estou feliz! Carlos e eu lhe tomamos as mãos para um comovido beijo.Meus amigos. há pouco Emmanuel esteve aqui com um grupo de espíritos e ao nos ver. o inesquecível servidor do Cristo concluiu: .. exclamou: “Chico.
o respeito e a amizade das pessoas. constituída principalmente do “povo do 13 de maio”. aconselhava. Homem simples. fazia rezas. Jamais recebera vantagem de qualquer espécie. meu pai adquirira uma propriedade próxima àquela região e a denominara Fazenda Eureka. No prelúdio da formação mental do homem constituiu-se no suporte para que adquirisse intuição. que assentaram tetos em terras devolutas. a mediunidade é exercida pelo ser humano. trazia consigo o sincretismo religioso de sua gente.ANTÔNIO CONSELHEIRO Desde tempos remotos. pois ali se abrigara pouco tempo depois da publicidade da carta de alforria. Em fins do século XIX. abolida a escravatura em nossa pátria. um medianeiro da espiritualidade. Era. Curava doenças sem ervas ou medicamentos. senão o carinho. cujo chefe contava 88 anos. de nação Monjolo. a euforia dos outrora cativos extravasava o sentimento de liberdade. ao nome fora acrescentado “Conselheiro”. no entanto. na verdade. contudo. Logo incorporaram usos e costumes locais. depositário de notáveis recursos psíquicos. necessária ao seu aprimoramento. conforme antigos registros da Coroa lusa. nada mais sublime ainda do que o velho diálogo mediúnico entre a Terra e o Céu. Na vizinhança. íntegro. Bastante sabido nos arredores. no 13 de maio de 1888. atendia os vizinhos em suas aflições. Por isso. iniciara-se um movimento migratório para os estados centrais. A época. Em 1930. não tinha nome africano. residia uma família. . guardavam o temor da volta ao tronco. Na atualidade. vez que é parte inerente das leis da natureza. Agia de acordo com a máxima do Cristo: “Dai de graça o que de graça recebeste”. ensaiamos voos siderais com máquinas sofisticadas. e o leste de Minas Gerais recebia milhares de ex-traficados. Alguns. atendia apenas por Antônio.
. porém. escolhidas com extrema exigência e apuro. Aproxima-se bem trajada senhora. maior a que lhe dilacerou o coração ao ver em lágrimas seus velhos pais. sob sol inclemente ou chuva cortante. ele.Belo negro. é aceita avidamente pelo sagaz leiloeiro. de lado. bastante generosa.eles próprios as mercadorias. Ignoravam o porquê de tamanha violência e aonde seriam levados. Por que estava ali? Aonde levaram suas irmãs? O que fariam com eles? Quem sabe aqueles dois entendessem a sua língua? Timidamente arriscou: . Precisava saber o que acontecia. que o tempo jamais apagara. Quando chegar na senzala não diga que conversamos. com enfeites e bordados.Antônio Conselheiro e Jerry se tornaram bons amigos. aqui chamam de Espírito Santo. doenças e mortes. duas irmãs e muitos conterrâneos foram lançados ao porão de um navio. Nos encontros frequentes.Está no Brasil. anunciam: . abarrotados em local infecto. Vez por outra. extraía recordações doridas ou felizes. Na juventude. de costas. acompanhada de empertigado cavalheiro. robusto. O trabalho se desenvolve arduamente na lavoura canavieira.Onde estou? Entre sussurros responde um deles: . alcançam a praça onde se realizam leilões . viviam em promiscuidade entre fome.. em fila. Deduz que seus ‘donos’ ocupam o veículo da frente. No destino. de frente. o liberto lhe confiava o passado. o navio atraca. Meses depois. da mente cansada. terrivelmente quente. opressão e dor. do nascente ao poente. Examinam-lhe minuciosamente. boa estatura. Pequena multidão aguarda os cativos no cais. bons dentes. Lançada a oferta. Na vez de Antônio. aos poucos. de alto a baixo. sabendo nunca mais encontrá-los. Os elos das correntes provocavam intensa dor. . Acorrentados. tristeza. escuro. mas lúcida. descanelado!. Na viagem. jovem. após luxuosa carruagem. Antônio embarca em rude carroção conduzido por dois robustos negros.
os proprietários criam pequeno salário e concedem-lhes relativa independência. Alguém se anuncia emissário da Coroa. o senhor do engenho manda que se abram as portas. sem rumo. Oito meses no corte de cana. Os anos se escoam. ficam a cismar. Solitário. explícito: . Certa madrugada. O grupo arromba as portas. uniforme garboso. esforça-se por manter o ânimo forte. Sem saber aonde ir. todos livres! Alegria para muitos. sabe pelos companheiros que o tráfico negreiro para o Brasil fora proibido. Sonolento. A saudade da família lhe oprime o coração.Quer ser minha companheira? Tímida. Antônio Conselheiro se acomoda temporariamente na fazenda. faz a leitura da Lei Áurea que declara extinta a escravatura no Brasil. as conveniências? A fim de garantir a permanência dos remanescentes. Os mais afoitos deixam o engenho. mas a lei descumprida. ouvem uma voz vigorosa: .Quero! . chora a dor da separação. Para os fazendeiros. a fazenda é despertada por gritos dirigidos à casa grande. estampado com o timbre da Coroa. esforçam-se por entender o motivo da intervenção. Quem se ocupará da lavoura. o caos.Abram a senzala! — ordena enérgico alguém no comando. Logo.Tempos depois. dos pastos. dos animais. Os cativos não atinam com o burburinho e. o ócio. Aberta a sobrecarta. do serviço bruto? Quem lhes manterá o conforto. o coração bate forte por uma bela negra faceira. incerteza para outros. em silêncio. Enfim. não obstante rodeado de sua gente. Longe do feitor. apenas para usufruir a liberdade. sussurra: . E faze-o com tamanha destreza que causa admiração. aproxima-se. envelope a mão. o que fazer. embora a vigilância das naus inglesas. da habitação. Os escravos se deparam com um jovem alferes de cavalaria. mesmo sabendo o triste destino. que bem sabe manejar o cutelo. Oito escudeiros guardam a autoridade.
Amanhã o pasto estará livre. O homem examinou atento o capim. decretou: . meu pai e o capataz. lançadas de cada vez. No local descobriram. mãos trêmulas. Separou-a em três partes iguais. sem olhar. amarradas no meio. fiz a reza errada! Depressa. De início. no entanto.Conselheiro.repetiu o mesmo ritual com as partes restantes. entre a vegetação e o solo. Entre sussurros ininteligíveis . o capataz da fazenda avisou a Jerry que o pasto estava esmaecido. Ao término. à maneira de quem puxa algo. outra espiga! . ergueu os braços em direção ao pasto e abaixou-os. Em seguida. ansiosos. palha tenra separada em três partes.exclama assustado meu pai. o fogo cresce e alcança as copas das árvores maiores.Enquanto Conselheiro narrava esse fato os olhos brilhavam. em mau estado. vão ao local. o sol de verão e a longa estiagem castigavam as plantações. .quiçá alguma reza em sua língua nativa . Pediu uma espiga de milho. Jerry requisita o Conselheiro. passos largos. exibiam a felicidade da conquista e do longo convívio com a mulher. Antônio era uma usina de fenômenos psíquicos a deslumbrar o povo da região. Mas. uma substância viscosa. Certa feita. 14 anos mais nova. sem espuma. Jovem ainda eu os assistia extasiado. espumante. ameaçava não alimentar o gado. . O capataz entra afobado e avisa que um incêndio no morro avança rapidamente e ameaça a plantação. por muito tempo não deitava água. debilitadas pelos muitos anos de vida. provavelmente saberia o que fazer. atribuíram a fortes chuvas. deu um nó no meio e lançou-a para trás. retirou as primeiras palhas e escolheu a mais tenra. Tirou do bolso uma das palhas.Meu Deus.Seu Jerry. O sábio toma uma espiga de milho e repete idêntica cerimônia a que já assistíramos: rezas. o fogo aumentou! . . Ao amanhecer. o capim está seco! Não tem mais praga! Em outra ocasião. pelos ombros. Os agregados sugeriram convocar Conselheiro. por eles desconhecida.
finalmente cede contrariado. sempre dispostas a ajudar. que a receberam de meus avós e. repugnante. o que de fato aconteceu. . que não alardeava os talentos ou deles se envaidecia. infestada de vermes. Semblante plácido. Em pouco tempo. outros mais continuam a cair. Insistido várias vezes.Herdei a sabedoria de meus pais. palhas a mão.Conselheiro. Antônio reluta bastante. nenhum sinal deles.indagou Jerry.Esta árvore morrerá amanhã! . Espantado. . Finda a intervenção. fiz isso quando jovem. a drenar escura salmoura. E nossa tradição invocar as almas boas do espaço. fazer secar e morrer uma árvore? . intrigava-me a razão do seu sucesso. a exalar forte odor. escorre um líquido esverdeado escuro. A cada dia. O pobre homem transpira aos borbotões. mas não devemos atrair as más. Ao lançar a última palha o fogo se extingue. você já cometeu alguma ação reprovável com os seus recursos? Por exemplo. mas meu pai me repreendeu e disse que as árvores pertencem a Deus. fita os olhos de Jerry e revela: . o cavalo Poeta exibe extensa ferida. .Suas mãos parecem mais trêmulas enquanto reinicia a prática. como de costume. Aspecto horrível. Eu. Meu pai quisera saber como ele adquirira o poder de curar e mesmo de interferir em a natureza. a segunda palha. dos ancestrais. o grupo vê grande quantidade de vermes precipitarem-se ao solo.Sim.e conclui: . Dominaria também os elementos da natureza? Tempos depois. Antônio lança a última palha. O animal padece de ulceração na garupa. estes. inicia a rezar baixinho. Joga para trás a primeira palha. Jerry mais admirava o potencial mediúnico daquele homem simples. afirma que a cicatrização logo se dará. O curador. jovem ainda. por não conhecer o espiritismo. Do ferimento. Olha fixo para a planta e com um movimento rápido abre os braços e determina: . Conselheiro se apresenta e vão todos à estrebaria. olhos fixos na chaga.Pois eu gostaria que você secasse aquele mamoeiro.
você não as vê. brisa amena. . Imaginei. e para abri-la bastava usar o pensamento. ao contrário dos animais. conhece o compadre Teodoro? . você o secou! . Éramos do mesmo povoado na África e sofremos juntos no cativeiro. Papai tentava afugentá-los. Impressionadas. faziam barulho. algo para contê-los e tracei mentalmente um cercado.Meu sítio não tem cercas. surge à distância o vulto de Conselheiro.Ora.Aquele que mora no sítio Beija-Flor? . sol claro. Condoído. pediu-me uma cerca igual a minha. Prendi. Mantive a casa do compadre fora da cerca. lutava para viver que nem árvore quando perde a casca. que pediram para repetir o feito. Quando me lembrei dos bichos voltei depressa onde os havia deixado. Em seguida.respondeu com um largo sorriso. pergunta: -E o mamoeiro. o cachorro e uma galinha. A propósito.Sim. para os dois animais. em suas terras.Eu trabalho apenas para o bem das pessoas em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo! . Conselheiro? . Libertos.. mas não tinha forças para trabalhar. mas ainda permaneciam confinados no quadrado imaginário. jogava pedrinhas. Antônio. mas ele temia não saber . parece desfrutar do frescor da manhã primaveril. percorri o enorme terreno. Sem dinheiro. Munido de palhinhas. então. Os animais não saem e os dos vizinhos não entram. seu Jerry? . enquanto projetava mentalmente o cercado. Criei uma porteira imaginária para a passagem do gado.A propósito. . . Teodoro se esforçava muito em sua propriedade. Como é possível? . as irmãs contaram para meus pais. mas a seu pedido. o gato. Corriam incansáveis por todos os lados.e deixa o amigo absorto em seus pensamentos sobre a ética do amigo e o magnetismo espiritual. decidi ajudá-lo. . mas dali não saíam. Dias depois. Sem pressa. então. derrubavam objetos. tiravam o sossego de meus pais. eu brincava com meu cachorro e um gatinho ao redor da palhoça.Quando menino. fui atender minha mãe por longo tempo..perguntou Jerry. Após os cumprimentos. na África. brigavam.Ainda faz isso. o seu sítio não tem cercas.Ele mesmo..
podem ser condensadas e submetidas aos poderes da mente. por demais plásticas. com a ajuda da Terceira Revelação. Inteligências cristalizadas no mal também utilizam essas energias. As palhas de que se servia durante os rituais eram simbólicas. . os animais podiam vê-las por meio de suas forças intuitivas. ao contrário dos interessados somente em assistir os efeitos. Anos depois. Vale lembrar que o Mestre Jesus condensava e materializava energias cósmicas para produzir fenômenos. no século XVI. as energias cósmicas. o que ainda acontece. Por fim. não os animais. descreve o reduto do sinistro personagem Gregório. façamos uma analogia com a criação da colônia Nosso Lar. pelo lápis magistral de Chico Xavier. As cercas invisíveis. Para melhor entender o arsenal das energias mentais. sob limites restritos. André Luiz. Era o que fazia o talentoso médium. no entanto. convenci-o de que somente ele passaria. Esses e outros fatos o velho Conselheiro narrava apenas àqueles que preferiam discutir a causa dos fenômenos. informa que essa antiga cidade espiritual é obra da criação mental de alguns dos primitivos portugueses desencarnados no Brasil. André Luiz. inconscientemente. elaborado de matéria cósmica manipulada por sua mente doentia. sem consequência. como o da multiplicação de pães e de peixes. as quais.controlar a entrada invisível. que Antônio Conselheiro utilizava. descobri. em "Libertação".
Quando sucedia ferir-me.respondi. povo alegre. sem diálogo em casa. Seus olhos pareciam maiores. vem me pegar! . as aparições não mais me assustavam e enfrentava-as sem temor. de cor escura e olhos esbugalhados. cidade simpática. O obsessor negou."Na infância. Cansado do assédio. reunimo-nos em seu escritório. enchi-me de coragem.Se não tem medo. Entre gargalhadas. Além de castigos pesados e corporais. e considerava-me a pessoa indicada para extravasar essas confidências. zombeteiro. Com o passar do tempo. Devo mantê-lo no anonimato. obrigavame a trabalhos na lavoura incompatíveis com minha idade e forças. própria de adolescente. ser humano de caráter irrepreensível. sofria muito com o tratamento recebido de meu pai. Confessou-me. em cumprimento à missão de médium espírita. mas reprimido. surgiu-me à curta distância. faiscavam intensamente. Uma delas. acalentar por mais de quatro décadas o desejo de revelar passagens de sua vida pródiga de fenômenos psíquicos.Você vai fugir . vermelhos como brasa. acolhedor. Sentia medo. mais me perseguia. Noite seguinte. não era medicado ou interrompia o serviço. surgiam-me figuras monstruosas com forma humana ou animal. Em um pôr-do-sol.. desafiava-me: .A OBSESSÃO DE JD Próximo ao Triângulo Mineiro localiza-se Patos de Minas. Sem rodeios. Fechei a mão e . Como se não bastasse. estático. alimentava o sentimento de ódio contra aquele que me dera a vida. nada revelava. E outros absurdos inconcebíveis que um pai faça ao filho! Na adolescência. Ali tornei-me amigo de J. iniciou: .D. braços cruzados. certa vez. Ele. posto que ainda se encontra no vaso carnal. e avancei a passos rápidos.
o chefe do terreiro abriu os ritos. monstruosamente deformado. desoprimido. ouvi dele que me via bastante 'carregado'. ouvi um grunhido tenebroso. conheci o dirigente de um terreiro de umbanda. Estupefato. estava à sua espera.ele serve de isca e você de peixe. Mal avancei. Além disso. Em poucos minutos. Disse que eu era médium vidente e convidou-me para assistir a uma sessão. Na penumbra ainda conseguia enxergar o caminho.D. Decidi retornar à casa. Exemplo disso é o ressentimento com o seu pai . Ao sair daqui retorne ao seu pai. Pus-me a caminho de casa bastante aliviado.Eu te amo. mas eu iria saber o porquê das agruras com meu pai. ao seio da família e vivam em paz. você não tem medo. Avancei em sua direção e logo desapareceu. foi tomado por uma entidade que me anunciou: Meuzinho. mas uma força maior me impediu e decidi enfrentá-lo. por onde andava? Já é tarde.o que não fazia . narra outro fato: ."Tempos depois. alegre. Recebido com carinho. mas precisava vencer um pequeno bosque escuro.desferi-lhe violento golpe no tórax. Venha cá! Envolveu-me em um abraço . Mas. Papai me recebeu com largo sorriso: . filho! A demonstração de ternura foi a recompensa pelos anos de dor. Tive ânsia de fugir.e disse comovido: . Iniciados os trabalhos. avançou em minha direção. atacam-no por intermédio dele. recebe o amparo de espíritos do bem. Mesmo assim vou preparar-lhe uma surpresa. de agonia. o desassombro e os valores morais de que você é portador impede os obsessores de subjugá-lo. na medida do permitido. a súplica de perdão pelos maus- . com muito amor. tudo que o atormenta é obra de espíritos trevosos que o querem usar para o mal. como não acontecia. mesmo feliz. vi a mão transpassar-lhe." J. A partir de agora a sua vida mudará.Filho. Enorme animal como porco.É. O espírito exclamou: . é um dos nossos.
. A característica da perseguição espiritual ao amigo configura outro caso de zoantropia. Felizmente sublimei os acontecimentos.tratos. ao criar mentalmente a metamorfose perispíritica. fora produzida pela própria entidade. mediante indução magnética. graças ao estudo e ao exercício dos princípios da nossa doutrina libertadora. agradeceu por lhe ouvir e despedimo-nos com emocionado abraço." Desoprimido do silêncio por tantos anos. aprontada pelo ente do mal para assustá-lo. A “surpresa”. J.D.
aguardamos a manifestação dos espíritos. a lua ora despontava. um ruído estranho. em máximo silêncio. entretanto. iniciamos o registro e. No dia imediato. igual zumbido arrastado. o vento repercutia longínquos e abafados latidos. munidos de um gravador de som com duas rotações. às margens do Paranaíba. filha de Adélio. Convidei um telegrafista aposentado. estabelecidas as diretrizes. rumamos à noite para fora da cidade. inteligente. a fita correu em rotação normal. de nome Adélio. Ao reproduzi-la. concluímos quanto à necessidade de apoio de alguém com experiência em gravação de som. mensagens de conforto àqueles que aqui ficaram saudosos dos seus queridos. Tudo preparado. Evanir se dispôs a participar. recebemos outro integrante: universitária. apenas os sons dos cães. . Mais adiante. Durante muito tempo estudamos minuciosamente as pesquisas consagradas e. fato ainda sob investigação de estudiosos. de nome Nelma. No céu. ativo na doutrina espírita. Sem intenção de provar ou comprová-los. Longe dos ruídos. o que permite a comunicação dos espíritos com os encarnados. Vez por outra. decidi pesquisar os fenômenos da transcomunicação. ora desaparecia. mas de trazer notícias. Por quarenta minutos. Inicialmente. inquiridora. procurei reunir-me com pessoas interessadas. por meio de som e de imagem. Convidado.TRANSCOMUNICAÇÃO Ao transferir-me para a cidade de Patos de Minas. A quietude era tamanha que percebíamos as nossas respirações e o leve sussurrar das águas do rio. Adélio tinha a pessoa certa: um técnico de áudio da emissora de rádio da cidade. que volveram ao plano invisível. Os equipamentos utilizados para esse fim têm a propriedade de penetrar em determinada dimensão do campo magnético. que os sabia verídicos.
Nenhum ruído. os gemidos cada vez mais se aproximavam do alto-falante. cujas formas foram modeladas por eles ou por outras entidades.Não consigo entender o que aconteceu. Atentos e em silêncio. estalidos. pude identificar. . de sofrimento. espaçados ou contínuos. sem qualquer interferência sonora. sinalizava identificar alguns . o domínio hipnótico exercido pelo espírito Gregório em uma entidade feminina. Olhares assustados e interrogativos se voltaram para mim.. Eram uivos prolongados. Narra André Luiz. Passados cinco dias. como estática em recepção de rádio. ouvimos. Desta vez. Embora um pouco prejudicado. em razão das características de plasticidade e elasticidade do perispírito. Local ermo. Adélio. ruídos. Evanir se mostrava .Nelma comentou: “Que barulho esquisito!” Ao trocar a velocidade de reprodução para lenta. era ouvido. Transcende os meus conhecimentos! O fenômeno registrado é esclarecido à luz da doutrina espírita. inicialmente. por mais sutil. Ouvi algo em código Morse. Diante do temor dos companheiros. Findos 30 minutos. continue. o telegrafista. de angustia. Amedrontada. Acomodados inconformado: no carro.. ainda em "Libertação". Estranhamente. mais afastados da cidade.. reproduzimos o registro em rotação lenta. Nelma segurava com força o braço do pai. desliguei o gravador e retornamos à cidade. que durante a gravação infiltraram-se seres com os perispíritos transfigurados em animais. nitidamente: “Continue.”.. Aos poucos os sons se transformaram em intensa crepitação. condicionando-a a proceder como se loba fosse. Concluí.É quase impossível acreditar! — disse empolgado. então. os sons soavam claros e intensos. De posse de uma fita virgem iniciamos a gravação em rotação normal. repetimos a experiência.
pois aquilo não fazia parte do ambiente. ora mais baixo. As moças estavam certas.Retornamos à cidade. Iniciada a reprodução. sabemos que é espírita. Depois. quis identificar qualquer manifestação acaso houvesse. concentrei-me. amedrontadas mesmo. Vou telefonar para um amigo que o possui e logo estará aqui.responderam em coro. igual a chiado..Sim. algo indefinido.. desligamos o gravador e nos pusemos a indagar o que acontecera. mas resolvemos guardá-la. O senhor sabe dessa tragédia. Duas moças se postavam na entrada de conhecida loja de roupas para noivas. nos divertíamos com o gravador ligado. no centro comercial. Imaginei que contariam um caso de assombração. quer ouví-la? .respondi.Seu Dante. Precisamos de um gravador que reduza a velocidade de reprodução. Pode ouvir-nos agora? . Semana seguinte. mais adiante ouvimos um som estranho. cantamos algumas músicas. Galgamos três degraus da loja e alcançamos luxuoso ambiente. Queremos mostrar algo para que nos esclareça. Havia um lampejo de sucesso em nossos olhos. . Roseane . Ouvi apenas um chiado.iniciou uma delas -. Estamos assustadas. mas a fita usada era virgem ou regravada? . Percorri discretamente os semblantes e notei ansiedade e preocupação. Aqui está. Três outras jovens me indicaram uma poltrona. . porém.Esperem! Nada ainda posso afirmar. Havia um som bizarro. . Assustadas. Desliguei o aparelho e crivaram-me de perguntas. ora mais alto. agucei os ouvidos.Virgem! . nós o conhecemos. alguém chamou pelo meu nome. Ao reproduzirmos a gravação nenhuma anormalidade. que variava de intensidade.apontou para uma das moças .parodiava o repórter de televisão que narrara cenas do recente desastre em que perderam a vida um fazendeiro e três crianças.Ontem à noite . . Pensamos em destruir a fita.Com prazer .
Colocamos a fita em rotação lenta. Ouve-se nitidamente.. . As vozes femininas se arrastavam graves. Discutimos os mecanismos do fenômeno por algum tempo e despedimo-nos quando se mostraram mais tranquilas e menos impressionadas. Somente agora ouvimos essa voz!. Voltei para dizer que lá posso amar!” Três das assustadas. delicada melodia cuja letra ainda conservo: “Voltei. Voltei de um mundo encantado.Havia algum rapaz com vocês? . voltei para você vivendo. jamais supunham a possibilidade de ocorrer o fenômeno que as aturdiram. .indaguei. a ‘reportagem’ das perdas de vidas como entretenimento. ininteligíveis.Está bem. Logo surge uma voz masculina a cantar. inadvertidamente. Evanir não se demorou. entretanto... com boa qualidade. Voltei com a alegria de poder voltar. eram sons iguais a arranhados. A intenção das moças era apenas de divertir-se.Não. um campo psíquico favorável a que uma entidade espiritual interferisse na reunião. Vamos fechar a loja. para não nos interromperem. Ao simularem.É natural .o gravador de vocês só tem uma rotação. criaram. .expliquei . Antes. moças não resistiram e se retiraram .
o desemprego. assim como eu. vivíamos os brasileiros entre crises econômicas e inflação acelerada. sem qualquer aviso. A esposa cobria a ausência da secretária e. ao ver o meu semblante amargurado. penalizado. era o endividamento. Enquanto vocês tentavam as cobranças tive a . sobretudo porque necessitava de recursos para resgatar um título vencível naquele dia.Eles também nada conseguiram. Com despesas fixas. aquele que dispunha de recursos financeiros mais lucrava. pagamentos inadiáveis e sem realizar vendas. agradeci-lhes o empenho e fui para o escritório. disse calmamente: . A dívida não seria saldada e a empresa restaria em má situação.A DÍVIDA Na década de 1980. Empresário da indústria de artefatos pré-moldados de concreto para a construção civil .assisti. Como o governo nem sempre conseguia debelá-las. também. com a ajuda dos vendedores. Abatido. então. senão. outros. preocupe. Nada mais a fazer.O que disse? .Dante. eu estava muito angustiada. pensando na ameaça de perder a fábrica. Decidi. crescia o meu passivo financeiro. Um grande desânimo me invadiu. À tarde. Experimentei. de volta à fábrica. descumpriam o contratado. Clientes me solicitavam a prorrogação do vencimento das faturas. está tudo resolvido! mas não se . não tiveram sucesso.setor fortemente atingido pela retração de investimentos . essa conjuntura adversa. percebi ao longe que os vendedores. caminhei lentamente pelo pátio em direção aos rapazes. não conseguia manter a atenção no serviço. à paralisação de inúmeras obras. cobrar pessoalmente os créditos.
Fatura quitada. se é verdade o que Dante fala sobre a vida espiritual. quando entrou um senhor idoso. Endereço: Rua da Consolação. Até pagou adiantado! Mas. Conferia a relação de pagamentos. aprovou o orçamento sem discutir o preço e combinou retirar a mercadoria em 30 dias. simpático. “Comprador: Jonathan (apenas). A encomenda fora fabricada e estocada. ajudem-nos por favor! Voltei ao trabalho. . veja. é exatamente a quantia de que precisamos hoje! Não é incrível a coincidência? Consultei o relógio. Encomendou um lote de lajes. fui examinar o contrato de venda.. aliviado..idéia de recorrer aos nossos pais falecidos e pensei: Seu Jerry e papai. não conheço essa rua. Em poucos minutos encerraria o expediente do banco. Nunca mais alguém procurou por ela.” Estranho — pensei -. s/n°. Saí velozmente. embora ande por toda a cidade.
. não ocultava a timidez. Ingressara num convento em cidade próxima do Rio de Janeiro. Os pais. a necessidade de trabalhar. dominou rapidamente a rotina administrativa e o funcionamento da fábrica. Bruna? Desalentada.Sim.BRUNA Dezenove anos. simpática. Inteligente. Acabou o namoro? .Seu Dante. para tudo há solução desde que . contestei: . por não disporem de meios para custear os estudos da adolescente. Sofrendo a sua dor.Pior. decidiram pela vida religiosa onde teria segurança e instrução de qualidade. não sei o que fazer! Meus pais ignoram e estou sem coragem de contar-lhes. interessada.Algo errado com você.. Não pude me omitir: .Aborto. disse da falta de experiência profissional e do motivo de somente agora ingressar no mercado de trabalho. embaraço. Por isso. Entrou no meu escritório à procura de emprego. não. morena clara. Na entrevista. rosto bonito emoldurado pelos longos cabelos lisos cor de ébano. As faces de Bruna enchiam-se de lágrimas e desespero. Na face pálida. olhou-me em silêncio. Estou desesperada. Embora o sorriso fácil. Cabisbaixa. mas com o passar dos anos convencera-se de que a clausura não era o ideal de sua vida. Engravidei e ele não quer saber de mim. o sorriso fácil e a alegria de viver escasseavam no seu rosto. Bruna! É um crime. Admiti-a para iniciar na semana seguinte. a inexperiência. lembra-se de lhe ter dito que estava namorando? . por fim desabafou: . não dê ouvido a essa monstruosidade! Ademais. constrangimento. Aconselharam-me o aborto. De volta à família. Decorrido quase um ano.
calada. Estava deprimida. rápido!” Não vacilei. Bruna me pede a tarde de folga. Dois meses após a notícia da gravidez. Colocada no leito.Mas. seu Dante. olhos fixos no teto. as amigas em vão se empenhavam em ajudála.Muito obrigada. Insisti. respiração curta. À porta. parecia hipnotizada. devem ser os primeiros a saber. uma corda enlaçada ao pescoço e amarrada no caibro do telhado. o senhor foi enviado! Ela está trancada no quarto e não responde aos chamados! Tenho medo que cometa um desatino! Bati na porta com força. chamei-a pelo nome.Santo Deus. Iniciei imediatamente a aplicação de passes magnéticos distensivos. Elevei-a rapidamente e pedi à genitora que livrasse o laço. sem nada fazer ou falar. com sopros nas faces e .não se agrida as leis divinas. decidiram apoiar a filha. Os pais se mostraram bastante inconformados. Os dias passam. Terrível cena! Bruna. Longo diálogo se estendeu até o difícil convencimento. hebetada. Novamente a voz imperativa: "Arrombe a porta. Não percebera a invasão. Tomei distância e joguei o corpo. permanece longo tempo deitada. recebi um influxo intuitivo: “Vá urgente à casa de Bruna! Depressa!” Fui o mais rapidamente possível. Em casa. Não afronte a lei de Deus e a dos homens. Bruna. ela vem. por seu intermédio. A criança precisa nascer. a mãezinha me atende aflita: . pensativa. envolvido com o serviço. Nenhuma resposta. Silêncio. em busca da luz do mundo. procedia estática. de pé sobre a cadeira. O que acha? à minha esposa para . Quanto a seus pais. Horas depois. . peço ajuda acompanhá-la. O preço por tirar a vida que lhe foi confiada será pago com muito sofrimento.Se quiser. como lhes contar? . tristonha. Vamos tratar disso amanhã. Sem alternativa. A família.
pergunta em desespero: profundo suspiro antecedeu a mãezinha a . A Providência Divina interveio a tempo de livrar Bruna de grande sofrimento espiritual e de proporcionar a vinda à Terra de um ser que.Agora sei de tudo. por pior que pareça. o que faz aqui? Voltou os olhos para a contemplava assustada. Finalmente. fiz-lhe ver que o suicídio jamais será solução para qualquer dificuldade. Perdoa-me. chorosa. para desabafar. . eu te amo muito. com as vidas geradas.Seu Dante. corda.O que houve? O que aconteceu? Segurou as minhas mãos e exclamou: . necessita de oportunidade para reparar os desvios do passado. À noite. perdoa-me! Precisavam conversar e ninguém melhor do que a primeira amiga. igual a todos. mamãe.têmporas. A . e enorme é a responsabilidade com o nosso corpo.
. Extremamente fraca. dorida.Sou eu. saudável. sua vida mudou.. Diplomado. de aconchego dos familiares. alquebrada. numa das principais avenidas do centro da cidade.IBILINA Tarde quente na capital mineira. César.Foi a vida que escolhi. César. rosto sulcado. mísera criatura.César!. César. caminha entre os transeuntes. com você? - indaga . bonita. cabelos desgrenhados. embora discreta.. envolvido com o mundo das leis. Sua presença. Agora estou morrendo. Relacionaram-se por algum tempo. bem-sucedido advogado. uma voz débil. a criatura balbucia: . irreverente. esquelética. Para.. César se aproxima pressuroso. estudante de Direito. zeloso colaborador nas reuniões de materialização do Grupo Irmã Scheilla. Súbito. nada vê. Recua intrigado e volta os olhos para um beco. o que aconteceu extremamente comovido. jovem. em total decadência física e emocional. O povo cansado retorna ao lar em busca de refazimento. chama o seu nome. novamente a voz: . Apoiada à parede.. Trinta anos passados.. habituado às noitadas com seus colegas. indiferente à hipocrisia da sociedade e aos preconceitos mundanos. bela silhueta.. conheceu-a na parte da cidade onde viviam as chamadas “damas da noite”. . irradiava alegria. Mais alguns passos. Nunca mais se encontraram. arrebatava aonde fosse. admirava a postura descontraída. ..Ibilina. Ibilina. olha para os lados.
As lágrimas de gratidão de Ibilina falam mais do que a voz combalida.O antigo visitante se põe de joelhos junto à infortunada. ouve pesaroso a sua desdita. Populares se aglomeram intrigados com a cena insólita. Surdo aos comentários. César ergue facilmente aquele corpo frágil. onde será assistida com desvelo. boa aparência. Olhos marejados. e propõe conduzi-la a um pequeno hospital. caminha em direção a um táxi e acomoda-o suavemente no banco de trás. César se doa com extremo carinho e misericórdia. Inaceitável um homem bem trajado. caem em si e aplaudem o anônimo benfeitor. no Grupo Irmã Scheilla. Os curiosos. extravasa a imensa compaixão que lhe vai na alma. se afasta . de condição social superior palestrar com um farrapo humano. diante da manifestação de fraternidade. Sob olhares emocionados o veículo rapidamente e desaparece nas ruas da cidade.
Entre os internos. No Departamento de Assistência. José se debate em estertores. O prognóstico médico lhe dá pouco tempo de vida. incontrolados.O sangue entra em estado trombótico e os coágulos prenunciam o início do déficit energético que reduz a temperatura das extremidades dos membros inferiores. em movimentos frenéticos. o nosso José está desencarnando.Dona Ana.. mal incurável à época. Voz pausada. Um espírito me convida a aproximar da massa semiinerte. Coloque as mãos nos pés de José e leve-as em direção ao plexo solar. mas na porta. vez que os pulmões se encontram totalmente comprometidos. Avalio o quadro e confidencio: . O que sente? Percebo nitidamente a diferença de temperatura muito fria nas extremidades. Deparara-se com José caído ao chão. Prossegue o instrutor: . um jovem definha no leito.JOSÉ No Grupo Irmã Scheilla dedicava-me. leciona: . o rompimento dos laços perispirituais se inicia pelos pés. encontro aflita. quente à medida que sobe àquele centro digestivo.. pois nessa o “cordão de prata” (laço perisperitual) se fixa por . A atividade da região do plexo solar é a última a arrefecer. meu amigo: no processo de desencarnação. Peça uma toalha e cubra a boca do enfermo. onde se mantém normal. intui-me uma voz: “Não entre. Com extremo carinho. Dirijo-me ao local. bondosa colaboradora. ao plantão de assistência aos pacientes acometidos de tuberculose. para não se contaminar”. além de outras atividades.Observe. deponho-o no leito e projeto-lhe sentimentos de paz e conforto.
Mesmo sem definhar fisicamente não aceitava a “ironia do destino”. Estava fria. O espírito. Mas. para adensar o corpo perispiritual e direcioná-lo à verdadeira vida. Dá-se. sempre se mostrara inconformado com a doença e explosivo nas crises nervosas. . como costumava dizer.Neste instante . Adeus! Diante do companheiro inerte orei por sua paz. tranquilidade.meio dos fluidos vitais oriundos das energias físicas. tratá-lo com carinho e paciência.Estão eles em uma colônia de recuperação esclareceu . apesar da manifesta insatisfação.exceto José. . Sua recuperação foi mais rápida que a dos demais e os está ajudando. não como pensam. . se liberta da carcaça corporal e a desencarnação está consumada. Assumi as providências para o sepultamento e registrei as instruções do benfeitor. alguém indagou ao mentor espiritual a situação dos assistidos recémdesencarnados no Grupo Scheilla. José. . Durante uma reunião mediúnica. outros quatro assistidos retornaram ao mundo invisível. mas a equipe estava preparada para entendê-lo. então. então. o desprendimento paulatino das células perispíriticas do desencarnante. a chama da consciência se desvencilha da prisão das células do cérebro.Coloque a mão na cabeça de José . porquanto possuía valores espirituais não demonstrados. repouso. Espero tenha assimilado o mecanismo de transição entre as duas existências. O quadro clínico requeria medicação. enquanto o assistíramos. aceitar as insatisfações.conclui -. mas a doença avançava rapidamente nos pulmões. Após José.orienta.
alguém de passagem pela cidade. indaga: . Pânico geral! Num piscar de olhos. surpreendi-me com desenfreada correria em direção à certa casa. projeta o corpo frágil para frente e leva de roldão a escolta. Ao vêlo a moça tenta se erguer. sabendo do ocorrido. Encontrei a residência repleta de enxeridos . sua constituição física justificava o epíteto. O visitante assoma no quarto. A moradora. a sala se esvazia aos trambolhões. Sei que tem razão. reagia à limitação física e exibia força descomunal. vejo-me diante de Maria Pequena. distante 12 quilômetros. Dessa forma. A pobrezinha agitada.como eu a transitar. conhecida como Maria Pequena. Aos 17 anos.Você é o filho de Jerry. Esgueirei-me com dificuldade entre os adultos e vi Maria Pequena a gritar a plenos pulmões: “Quero ir pro céu!”. O forasteiro se acerca e inicia a falar com a entidade perseguidora. Contida por dois homens robustos.MARIA PEQUENA Na idade escolar. mas eu quero ir pro céu! No dia seguinte. porque meus pais viviam na fazenda. Voz suave. nervosa. Ao retornar das férias escolares para a cidade. acompanhantes ao lado. enlouquecera. Na balbúrdia. o acesso ao colégio era mais rápido. recua bruscamente e lança-a ao solo. Inesperadamente. Maria se aquieta. residia com meus avós maternos na cidade natal de Tarumirim. disseram. Tranquilo. Curioso. os guardiões a dominam. igual formigueiro. A casa novamente abarrotada de curiosos. Eu estava lá. fita-a brevemente e pede à dupla que se afaste. coloquial. Para minha surpresa estende as mãos finas e diz: . atada à cadeira. num vai-e-vem frenético. solicita permissão ao pai de Maria para visitá-la. não é? Há tempos ele me disse que a gente não morre. Ato contínuo. esbraveja. alcancei o local.
Por que tanta irritação? O que se passa com você? . Restam poucos e eu. nada Tempos depois.Vou soltá-la.Estou na minha casa. Porta fechada. ao seu lado está uma querida companheira. o entendera. Agora diga por que atormenta esta criatura.Eu não a atormento. a entidade se expressa pela médium Maria Pequena: . mas quero ir pro Céu! . A médium estremece levemente.convida o doutrinador. vou embora. Ela mostrará a estrada florida e iluminada por onde você deverá seguir. bastante confuso. Jerry me esclareceu aquele caso de obsessão. solte-me! .Sim! ..Minha irmã. Minutos depois. sim. pende a cabeça no encosto da cadeira. . . os curiosos debandam assustados. é a verdadeira Maria Pequena!” Eu. estou viva! Descoberta a presença da finada. O espírito logo se afasta. Confie e vai com ela . falo e ninguém me ouve. Concorda? . põe-se de pé.Eu não morri coisa alguma. Silêncio. dou ordens e não me atendem! Então. mas para conversarmos. lúcida e reage enfezada à presença do desconhecido. Sou a mãe de Maria e ela só fala o que eu quero! Alguém sussurra ao doutrinador que a genitora falecera havia dois anos. ao que o espírito contesta com rispidez: . Os assistentes exclamam aliviados e sorridentes: “Esta.Muito bem.Não vê? Estou amarrada. garoto abelhudo.
Logo. Por demais rigoroso com a moral e a disciplina. a cidade amanhece em festa. Como à época as missas eram assim celebradas. romeiros. pequeno comércio. Ninguém entende o porquê e o que vai à cabeça do sacristão. o distanciamento do ovo. devotos extremados. o pároco responsável pela orientação espiritual dos fiéis extremava-se no serviço religioso. Muitas vezes era visto na rua a murmurar palavras em latim. de reverências na bela manhã ensolarada. aguarda a convocação para a missa congratulatória. eufórico. A praça da matriz se agita. esforçava-se por minimizar as críticas dos progressistas. alimentos. a hierarquia quase militar. enchem o ar de animação. o celibato. modelo de lealdade. imaginaram que aprendera as falas com o padre e as repetia para memorizar. O povo.O SACRISTÃO Há muitos anos. o sacristão. o auxiliar do vigário prega a necessidade de mudanças na administração da Igreja. badalam. param de repicar. a venda de . Tudo é alegria! Antônio sobe lépido ao campanário e aciona o carrilhão para inaugurar os festejos. Manhã de domingo. Moradores. jogos. os vistosos paramentos. curiosos. uma voz tonitruante se faz ouvir do alto da torre. Alto-falantes estridentes lançam no ar o repertório sertanejo. Sucede que o povo começou a perceber estranho comportamento no ajudante do vigário. numa pequena cidade de Minas. agradava bastante os paroquianos conservadores. Os sinos badalam. Em latim. párocos vizinhos se aprestam para prestigiar as comemorações à santa padroeira local. enquanto transita entre barracas de bugigangas. A zoada na praça diminui lentamente até o silêncio completo. Censura a pompa na liturgia. Antônio. os dogmas. Súbito.
Não sou espírito do mal e tampouco sairei antes do que tenho a dizer.Antônio. o padre local reage e brada inflamado: .sacramentos. Com esforço é retirado da torre por destemidos que se dispuseram à fatigante empreitada. os clérigos se indagam como aquele homem inculto consegue expressar-se fluentemente em uma língua de domínio restrito e com suficiente conhecimento da intimidade eclesiástica. Sabemos que a mediunidade pode aflorar em qualquer pessoa. mas hoje. de local. Finalmente. sem nada entender. do poder temporal. de credo religioso. mas energias em forma de luz adquiridas pelo trabalho enobrecedor. Emudecidos e cabisbaixos os prelados acusam no íntimo o contundente recado. todavia aquele que a tem educada mantem-na sob controle. dos paramentos suntuosos sou apenas um humilde colaborador na seara do Divino. de hora. igual a tantos outros egressos da Santa Igreja. . desfalecido. Aqui estou para lembrá-los de que a Igreja é o sustentáculo da moral cristã em nossas consciências. Aqui não temos títulos. Para manifestar-se independe de cultura. Este homem por quem eu falo exprime a minha vontade. de tudo mais. Não permitam que a vaidade e a poeira do orgulho formem uma argamassa sedimentada em seus corações. a profissionalização. porquanto interage com as energias psíquicas. Clamo a Nosso Senhor Jesus Cristo despertá-los para restabelecer a verdadeira vocação da Igreja original! A multidão assiste espantada. o “espírito do mal” é alijado e o sacristão silencia. de dia. o desestímulo às vocações e outros desvios da igreja primitiva. Tenham em mente as palavras do senhor Jesus: “Os mansos herdarão a Terra. Combinados o magnetismo dos religiosos com os do povo.” Como vocês. bem fundamentadas. Apresenta razões e propostas coerentes. livre do orgulho. Perplexos. servi ao Cristo na batina. liberte-se desse espírito do mal e desça já daí! Do campanário ouve-se ainda em latim: .
sempre sorridente.Loucura. para deslocar-me em estradas estreitas. não podemos chegar à porteira da outra estrada no escuro . e indica o caminho mais longo. João. Concluído o percurso e atendidos os objetivos. . seu Dante. esburacadas.Por que não? . consulta o relógio. Vencidos dez quilômetros deparamos com uma bifurcação na estrada. alegre.O lugar é mal-assombrado. Por desconhecer os caminhos do roteiro a cumprir. . tão logo ultrapassamos a cancela. . o assustado guia estaca. Se chovesse as condições pioravam.Agora eu vou à frente e o senhor toca as mulas resmunga contrariado. .São quase seis horas. acontecem coisas terríveis às pessoas! . Indago o porquê da estranha decisão. Temperatura agradável iniciamos a cavalgada por volta de uma hora da madrugada. equipamos três mulas com os apetrechos. não sabe o que o espera! Ao chegarmos à porteira.Pois é por lá que eu vou. com forte aclive. iniciamos a viagem de volta. sinuosas. bastante sabedor dos caminhos. Gosto de lugares malassombrados. muitas vezes preferia o cavalo ao carro.disse-me convicto. contratei o guia João. ouvimos fortes zunidos. Coincidentemente. entre surpreso e ansioso por regressar à casa. espirituoso. João hesita. Comunicativo. como varas a cortar o vento e a . conhecido como Risadinha.O ClCERONE Nos contatos comerciais com fazendeiros e sitiantes do interior de Minas. Além de nossas montarias.
seu Dante.despedi-me daqueles brincalhões. as mulas fogem espavoridas. Em meio à confusão. temos que cavalgar bastante de volta à casa e precisamos dos animais. o que vai fazer? Eu não ria do fenômeno de poltergeist (efeito físico produzido por espíritos zombeteiros). Mal concluí.Calma.Obrigado. Em seguida. não mexa com essas coisas! Vamos embora daqui! . agradecemos por comunicarem as suas presenças. Por isso. Por favor. os outros dois. . . surgiu um deles. a bafejar.estalar no cavalo de João.Seu Dante.Pode ser. Descontrolado. mas é tarde. . João protesta: . Tremendo. trouxeram as mulas de volta. deixe as mulas pra lá! Pelo amor de Deus. agitado. ouvíamos a porteira ranger ao abrir e bater ao fechar.Valha-me. mas não me acreditou! Viu o que aconteceu? E agora. meus amigos. mesmo ao longe. Diante do alvoroço.Meus amigos. Saibamos interpretá-los e lidar com eles. espavorido. João. muito obrigado! . cansado. dirigi-me aos espíritos galhofeiros que nos queriam assustar: . desistem da brincadeira. seu Dante. João gritava: . Esporeamos os cavalos e. na mesma condição. estamos cansados. vamos esperar pelos animais. mas eu não passo por onde eles estiverem! Fenômenos acontecem. Virgem Maria! Mãe Santíssima! Eu avisei. Esclareci que se os espíritos zombeteiros percebem que a vítima não os teme. podem trazê-los? Silêncio. O amedrontado guia dissera nunca ter visto alguém falar com os “zumbis”. mas do pavor do cicerone.
Zaíra. iam a um pequeno córrego para lavar os utensílios e refrescar as pernas. soube que em Urucânia acontecia intensa romaria de fiéis. espirituosa. sempre disposta a servir. o triste diagnóstico: . Zaíra incorporou-se à cadeira de rodas.Os movimentos das pernas estão seriamente comprometidos . Certa vez. Embora o sofrimento de meus avós. Acudida. fios. cinco anos. Aqui em Minas ela não vai conseguir andar. a vida no interior era simples. em volta do fogo. recebia panelinhas com água e folhas. a viagem não aconteceu. Alegre. exercia com amor as artes do bordado. como o fato é recente. naturalmente com o corpo aquecido. Era o “faz-de-conta”. talvez possa recuperar-se com cirurgia no Rio de Janeiro. cresceu e jamais se rebelou contra o destino. Uma das brincadeiras consistia em cozinhar. sem pilhas. Multidões ansiosas para lá se dirigiam em .ZAÍRA Antigamente. no entanto. a musculatura tibial retesou como um elástico e contraiu em seguida. Pequeno fogão improvisado com tijolos. Em consequência. ao sair da água. no quintal. chorava e chamava pela avó. o que lhe impossibilita os movimentos. divertiamse. levada nos braços para casa. As meninas. controles remotos. Aos 35 anos.Minhas pernas doem! Meus pés não se mexem. não consigo andar! Estática. botões. não sofisticada. pôs-se a gritar para as amiguinhas: . A menina sofreu um choque térmico brusco causado pela diferença de temperatura do fogo e da água fria. tecnologia e as crianças se divertiam imitando os adultos. Vez por outra.disse o médico.
a multidão se espreme a rezar o terço à espera do ofício do “santo padre”. Finalmente. destaca a imagem do Cristo crucificado. Se tantos os recebiam. contrito. pequeno altar improvisado. Na praça. igual poderosa antena. por que não ela? Minha mãe se propusera a realizar-lhe o desejo e ambas viajaram. Breve pausa. uma Nossa Senhora das Graças. a intervenção das hostes espirituais superiores. em nível elevado. tudo pode acontecer. Aos poucos. mas confiantes. como era chamado. surdos. a apoteose. profundo silêncio. O franzino sacerdote inicia a santa missa. Paralíticos.A paz de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja conosco! Em uníssono a multidão repete a conhecida saudação. caminhões. soa uma voz branda do alto-falante: . ao lado de milhares de esperanças. a quem padre Antônio atribui a autoria das benesses. cidade em que o caridoso padre atenderia durante breve estada. Zaíra vive a apoteose do momento mágico. acompanhadas de auxiliares. consolidam-se forte e solidária psicosfera de fé a emitirem. olhos cerrados. a Rio Casca. No final da praça. cansados. O povo.a absolvição das penas pela graça divina. cegos. Não há desconforto ou dor. . e sejam todos beneficiados. Zaíra quis ir aonde os milagres aconteciam. em fervorosa oração. invocações ao Ser Supremo. Assim. o momento esperado! A ansiedade se estampa nos rostos sofridos. caravanas. ignora o sol escaldante.busca de alívio das enfermidades. É o clímax. enfermados de toda ordem. Prossegue o rito até que as mãos do sacerdote traçam no ar o sinal da cruz e abençoa a multidão sofrida. ansiosos de que se estabeleça um elo divino entre o Céu e a Terra. a sagração da eucaristia. deficientes. dos sofrimentos. A cidade fervilha. mudos. Não restava dúvida quanto à eficácia das intervenções do bondoso padre Antônio durante as bênçãos. ônibus. Automóveis. doentes eram curados. Brilham os olhos. As invocações ao Ser Supremo se unem em igual propósito . os joelhos magoados pelo calçamento irregular. Ao lado.
Como chuva de graças divinas as curas se dão instantaneamente. a luz divina banha a grande assembléia. impregnada de vibrações magnéticas salutares. dá alguns passos. Manifestada. virase e pergunta: . lança as muletas para os lados e grita num turbilhão de felicidade: . O Mestre o aguarda. A flexibilidade do perispírito favoreceu o relaxamento da musculatura das pernas e permitiu a movimentação física. minha mãe e as auxiliares não contêm as lágrimas. Este fato lembra a passagem evangélica relatada por Mateus. No momento da bênção coletiva. item 7 de "A gênese". O capítulo XIV. quando Pedro. o corpo empertiga. o rosto se transfigura. ergue-se da cadeira. de Kardec. Nunca mais andou. O apóstolo hesita. sobretudo. Súbito. instrui: “O perispírito.De repente. ao ver Jesus caminhar sobre as águas. oscila o corpo. pôde andar. O Amoroso . no entanto. galga com segurança a escadaria do santuário. No topo. Os músculos repuxam. Zaíra. movida. 14:31. eu posso andar! Graças à Nossa Senhora estou curada! Quero ir à igreja agradecer! Emocionadas. Faltou-lhe a fé. passos lentos.” Significa que o perispírito é o agente que exerce funções sob o comando da alma. decide ir ao Seu encontro. desencadeou-se uma contra-ordem que lhe reverteu à antiga paraplegia.Meu Deus. em abundância! A euforia explode entre lágrimas de gratidão pelas dádivas recebidas! Centenas de braços se erguem em hosanas aos Céus! Zaíra sente forte atividade nas pernas. os pés tocam o solo. é um dos mais importantes produtos do fluido cósmico: é uma condensação desse fluido em torno de um foco de inteligência ou alma. Zaíra caminha radiante. mas soçobra.distendem-se. ou corpo fluídico dos espíritos. pela força de vontade. a dúvida da cura pela solicitação das muletas.Onde estão minhas muletas? Ato contínuo rodopia no ar e prostra-se pesadamente ao solo.
Nazareno o atende e diz: “Homem de pouca fé. por que duvidaste?” .
difícil se torna cumprir o sublime mandamento de amar o próximo.exclamam surpresos a uma só voz. as crianças estudavam em escolas diferentes e a presença às missas dominicais acontecia alternadamente. Numa sociedade em que predomina a desavença. Às vésperas das comemorações natalinas. Estevão reúne a família e comunica que tomara importante decisão. ao congraçamento. estabeleciam em seus roteiros pequenos núcleos abastecidos de águas cristalinas. o povo se contaminara pela rixa e dividira-se em partidários dos litigantes. mas setenta vezes sete vezes. desbravadores das florestas em busca das esmeraldas encantadas. Eufórico. Uma residia na parte norte e a outra na sul. .O quê? . Surgiu assim. viram brotar a semente da discórdia entre dois ricos fazendeiros. futuras cidades. Esposa e filhos aguardam ansiosos a notícia. no Centro-Oeste de Minas. de corações duros.”(Mt. . Aos poucos. à renovação espiritual.RECONCILIAÇÃO “Quantas vezes perdoarei a meu irmão?” “Perdoarás não sete vezes. 21-22) No Brasil Colônia.diz o patriarca -. Muitos deles deram origem a povoados. intransigentes. destemidos bandeirantes. no entanto. . Suas quatro mil almas. uma comarca onde a terra fértil favoreceu a instalação de prósperas fazendas e a expansão da economia local. Tamanha a desavença não mais frequentavam os mesmos lugares. 18.Vamos todos à missa . mas antes visitarei o Eduardo. o sol ilumina a cidade num convite à reflexão. Disso nascera o ódio entre as duas famílias.
Nervosa. Emocionada.Quer morrer. Estamos velhos e não será bom levar mágoas para o túmulo.Há muito tempo penso nessa tola desavença com o Eduardo. espantados e temerosos. Enche-se de coragem e bate suavemente à porta. agora humilde. Os antigos desafetos se abraçam diante da família de Eduardo. dócil. Isolina propõe: .Como tem passado. olha por cima dos grossos óculos. Noite passada. Atônita. O sacerdote faz uma pausa na celebração. tranquilo. e exclama agradecida: .Vamos selar a paz na igreja com a bênção de Deus! Missa iniciada. dona Isolina . A família de Estevão se põe de pé. em paz. venho em paz. Gostaria de conversar com o Eduardo e pedir-lhe perdão pela animosidade.não se perturbe. Os fiéis se entreolham. Minha consciência é como fogo ardente a queimar e quero propor a reconciliação. sem nada entender. prepotente. a mulher o repreende: . Estevão ruma à casa de Eduardo. devemos terminar com esse tolo desentendimento.Ouvi emocionado o que disse a minha esposa e também lhe devo perdão. e que ele também está disposto a terminar com a discórdia. O templo silencia. . A esposa do rival se surpreende com o inesperado visitante. Eduardo e Estevão entram juntos. pacificador. Esta manhã tão radiante finalmente me fez tomar a iniciativa. Isolina vê diante de si aquele homem antes orgulhoso. Eduardo assoma à sala. Vocês vão à igreja e aguardem-me em orações. inflexível. .O Senhor seja louvado! Nesse momento. intrigado e apreensivo com as . justifica: . Afável. homem? Quem vai manter nossos filhos? Eles precisam de você! Estevão. estende a mão e convida Estevão a entrar. sorridente . tive uma visão que me aconselhou a procurá-lo.saúda Estevão. Realmente.
Antes da bênção final. ao bom convívio. Eduardo pede a palavra.” Os fiéis se levantam e deixam o templo em silêncio. Emocionado. também vosso Pai Celestial vos perdoará a vós. Emocionado. Sorrisos nos lábios.intenções dos litigantes. . acenam para o reverendo prosseguir. a partir de então. retornem à concórdia. pensativos e sensibilizados com as belas lições de renúncia e perdão. Conclama que. os dois sentamse lado a lado. Afirma que. que a tantos envolvera. em 6:14: ”Pois se perdoardes aos homens as ofensas. igual a eles. o padre cita Mateus. enaltece a nobre iniciativa de Estevão. o povo da cidade assistirá ao retorno da antiga paz e desculpa-se pelo infeliz episódio.
todas infrutíferas. o técnico da concessionária de energia elétrica recomendara enviá-lo para a retifica. os fusíveis voltaram a explodir. roguei com fervor a resolução do problema. Mãos alçadas. ergui os olhos em sua direção e. Recentemente adquirido. Mesmo descrente quanto à possibilidade de defeito. Vinculada a esta. as energias do bem. fui ao local do transformador. Outra tentativa. meu irmão me convocou. Reinstalado. despachei-o para o Laboratório de Eletrotécnica da Escola de Engenharia. Convocado. embora sua grande capacidade. A concessionária enviou um engenheiro e na sua presença mais fusíveis se queimaram. Depois de ouvi-lo. mentalizei o Divino Mestre. Seis pessoas me aguardavam. expandi a produção da fábrica de pré-moldados de concreto. afastada 20 quilômetros da fábrica. compacta. nova explosão. Uma tarde fui informado que o transformador de energia elétrica que alimentava a olaria queimava sucessivamente os fusíveis. Próximo aos postes que o sustentavam. onde habitualmente eu permanecia. gerenciada por um dos meus irmãos. Surpreso. vi surgir ao redor do equipamento grande massa escura. com profundo sentimento de amor. O engenheiro relatou as providências. e disse não atinar com o defeito. Desolado. Em quase uma semana o equipamento fora devolvido sem os testes apontarem qualquer defeito. adquiri uma cerâmica.O ENIGMA Na fase áurea da construção civil. o transformador operava em regime econômico. Permaneceu imóvel por alguns segundos e deslizou . aspecto horrível. causando a paralisação da produção.
Não adianta. Partida acionada. Ato contínuo. O grupo assistia espantado. Certo concorrente. esbugalhados. desde que de forma ética e leal. A oração e o pensamento positivo. como se varrida por um vendaval. os fusíveis se queimarão novamente. o transformador funcionou perfeitamente. em oposição às leis divinas. no entanto. incomodado com o nosso sucesso. Admirados. Pedi para colocarem engenheiro foi categórico: emudecido. A explicação não tardou. Na cidade havia um terreiro que se prestava a esse tipo de serviço. deslocou-se em incrível velocidade. no entanto. Sumira na poeira. quis nos excluir do mercado e recorreu à magia negra. viera alguém sabedor das nossas dificuldades alegando ser a causa um “despacho” encomendado e.pelos postes até o solo. Simularia ajudar-me e lucraria com as duas partes. plasmei mentalmente uma luz azul a envolver o transformador e agradeci comovido o benefício.Se já perdemos tantos. por alguma quantia. De lá. podemos perder mais três respondi. De pronto recusei. É comum a competição agressiva no comércio. . olhos novos fusíveis. realizam prodígios! . oferecera-se para neutralizar o mal. Tempos depois. assistiram todos ao fim do enigma. soube que o mesmo indivíduo fora pago para fazer o “trabalho” contra a fábrica. Ainda com as mãos erguidas. O .
quando deveria tomar posição a respeito do futuro espiritual. Passou-se um ano. militante. convidado por meu pai. umbandista convicto. nuvens avermelhadas anunciavam a noite. percebo o semblante de insatisfação do visitante. dotado de grande carisma e de coração generoso. Nosso primeiro diálogo foi estabelecido em seu consultório odontológico. eu. profitente da Terceira Revelação do missionário Kardec. até que nos encontramos em sintonia de ideias. com apenas alguns dissabores. e as primeiras estrelas matizavam o firmamento. que estive diante de duas estradas: uma. Vejo. Com o tempo. na Fazenda Eureka. Os assistentes. . outrora denominado Posto de Socorro. enquanto o médium Fábio Machado atende o receituário. pessoas modestas dos arredores e alguns agregados da fazenda. passo a projetar o filme do meu passado. todos bastante interessados. A conversação abordou diversos assuntos. Ao aproximar-se o início dos trabalhos. Os explanadores do Evangelho e de "O livro dos espíritos" interpretam com simplicidade as mensagens de Jesus e Kardec. surge Guilherme. Sorridente. Iniciam-se as atividades doutrinárias com a prece de Jerry e os comentários preliminares. estreita. criamos laços de amizade e respeito.O PERDÃO Após 50 anos a defrontar-me com inúmeras provações. outra. o amigo umbandista. causando profundos sulcos na alma por centenas de anos. Num pôr-do-sol. então. larga. No início de 1951. conheci Guilherme. Seria mais um dia de reunião no Grupo da Fraternidade Joseph Gleber. a despeito de algo nos diferenciar: ele. um carro estaciona defronte à instituição. mas não indago o motivo. poderia levar-me ao abismo do sofrimento. Avançados os trabalhos.
em apoio às reuniões de materialização para tratamento de saúde de encarnados. julgou lhes terem sido negado o acesso. de harmonização de vibrações. Jerry. Minha querida companheira iniciara acentuado retrocesso em seu comportamento . Guilherme. o desagrado.inicia . recebemos a notícia de sua desencarnação. Jerry reuniu os cooperadores do grupo e oramos pelo irmão que partira. ao notar suas ausências. daí. a minha vida doméstica. solicitado a opinar sobre a reunião responde secamente: . Dois anos decorridos. o entendimento se desvaneceram. Fábio e eu soubemos do ocorrido no dia seguinte. Conhecedor das limitações do grupo usa de linguagem acessível. O visitante. tampouco desfigurar a verdade. Surpresos e desconcertados. Jerry. Fritz. Na reunião imediata.Não gostei. para não alimentar ressentimentos. se apresentavam revestidos de matéria visível. os inquiridores silenciam. preferiram não ingressar no ambiente. o dirigente. Onde não entram os “meus caboclos”. rodeado por gentis companheiros. alcançáramos o objetivo de implantar o estudo da mensagem espírita e o exercício da prática evangélica.Ao final da vivência evangélica e da distribuição das receitas. Tempos depois. começou a desmoronar. Joseph Gleber. Não voltarei aqui. passa a elucidar o fato. O mal-entendido que envolveu o nosso convidado se deveu à falta de sintonia.graças aos estudos aqui realizados. vocês aprenderam o que são vibrações. os amorosos mentores espirituais Scheilla. e o médium Fábio Machado contribuía com a doação de ectoplasma . o salão se esvazia lentamente. José Grosso e outros. eu também não entro. A paz. Nessas práticas. então de alegria e de tranquilidade. os componentes do grupo aguardam esclarecimentos sobre a declaração de Guilherme.Amados companheiros .. luminosa. Embora perdurasse o relacionamento amistoso. Guilherme não mais nos alegrou com a presença nas reuniões. . Após meses de atividades. Por isso.. nossa reunião não se destina a rituais ou a manifestações a que estão habituados. contudo. Os espíritos que trabalham com ele em terreiros de umbanda merecem respeito.matéria prima da materialização.
respondeu meu pai tranquilamente. jurou voltar. algo desagradável revelou o poder das trevas. Infelizmente. Ao chegar à casa. Avancei em sua direção. mas procedia igual robô. “o velho” era o meu pai! De imediato percebi o jogo das sombras e contestei: “Jamais farei isto!”. reagira com palavras à altura das que a pobre criatura me lançara . surpreendia-me a cada instante. obreiros assíduos do Grupo Irmã Scheilla. Em um final de semana. Por oito dias. A vida prosseguia entre grandes tribulações e dissabores constantes produzidos pela querida companheira. mantinha os .o que jamais houvera feito. Lamentavelmente. Manhã ensolarada. movimentaram a tranquilidade daquela pacata região rural. Jerry. para orar e vigiar. os amigos encheram de alegria a nossa casa. de Belo Horizonte. desfrutávamos de agradável conversação quando. irrompe minha esposa e passa a agredir-nos com expressões duras e ofensivas. Cansado de suas atitudes estapafúrdias. repliquei ao inspirador da idéia: “Vá para o inferno!” A imprecação contrariara a advertência de José Grosso. repuxada. me repreendeu com brandura. Agressiva e emocionalmente descomposta.Pois venha . no entanto. dirigia-me à sede da fazenda para o encontro habitual com Jerry. boca Jair e meus irmãos impediram o ato insano e retiraramme do local. Uma tarde. No curso de uma reunião de materialização José Grosso me advertiu: “Dante. perdi o controle emocional e tornei-me um joguete nas mãos de um espírito maldoso.habitualmente sensato.Não se meta. com a mente subjugada por forças obscuras. Uma entidade espiritual me lançou terrível indução: “Esbofeteia aquele velho”. braços erguidos. senão eu lhe pego! . A despeito da influência maléfica. como bom pai. com Jesus sempre! Orai e vigiai”. Durante a altercação percebia a gravidade do episódio. recebemos a amorosa visita da família Jair Soares. Jerry abriu largo sorriso. inesperadamente. voltei-me agressivo: . No trajeto. E insistia. semitransfigurado. Mas. O espírito se afastou furioso. todavia. e o abracei com profundo carinho.
Desta vez. porém. tentava recobrar a consciência. a boca desalinhada. no entanto. vamos.Meu pai . A razão relutava em aceitar o confronto. sintonizavam com o astral infeliz. Aguarde!” Em casa. Tempos sofridos. ouvia Jair me chamar e. o obsessor incentivava-me a atacá-lo: “A porta está aberta.Dante.. desfez-se a carga nociva lançada pela entidade. por minha vez. Ao me ver mais tranquilo. o abdômen sugado. Jerry comentou: . Aparência horrível! À distância. uma luta íntima havia iniciado. arqueado. quando a entidade novamente se apossara de mim. Refeito.. tornei-me vulnerável às influenciações sutis e danosas. ao mesmo tempo. quando intervi na discussão percebi o seu envolvimento por forças negativas. pai! A entidade trevosa se afastou irada. privaria da convivência com o meu pai e com o . totalmente: o plexo solar entorpecido. surpreso e constrangido com a invigilância do filho. Meu pai e Jair me aplicavam passes. tormentosos. e ainda enfrentava o dilema: se deixasse a fazenda. aflorou o amor filial que sempre lhe devotei e fui iluminado pela máxima paulina: “Uma fagulha de amor pode apagar a multidão de pecados”. Os desdobramentos não mais me ocorriam. mas tudo aconteceu rapidamente e avancei incontrolável em sua direção. Aos poucos.justifiquei -. . roguei ajuda a Jesus. Jair indagou sobre o ocorrido.reflexos aguçados e lutava contra o domínio pernicioso. e. sofria a sensação de abandono. aos brados: “Sua reação atrapalhou meus planos. mesmo sem controle. Ao olhar em seus olhos. os pés voltados para dentro. não perca tempo”. mas a guerra não acabou. disse da minha vergonha ao querido pai. ainda imperava a discórdia. Em conflito. Perdoe-me. eu o tenho em minhas garras”. Iniciara a respondê-lo. que anunciava: “Você não pode reagir. as preces sempre entrecortadas e sem concentração. antes de ouvir a sua reprimenda. Minhas inferioridades. as mãos retorcidas quase a contornar os pulsos. Minha mulher não queria viver na fazenda. Decidira não mais aceitar as agressões verbais da esposa. Tenho outros meios para atacá-lo.
obra da tenacidade de Jerry e do esforço dos colaboradores da fazenda. Grande emoção me invadiu com as recordações dos tempos felizes! No peito. perderia a esposa e as crianças. onde aprendera os verdadeiros valores da vida! Nos seis anos seguintes engoli. mas duas lágrimas diziam tudo: “Seja feliz!” Mudei-me com a família para uma pequena cidade afastada.. Pensamentos macabros me assaltam com a terrível ordem: .Você tem que matar! Tem que matar! — repetia o obstinado perseguidor. o prédio do Grupo Joseph Gleber. admirava as folhas verdes que acobertavam os robustos cachos de uvas.Jamais! . sem qualquer palavra. Finalmente. se ficasse. Uma onda de paz. Recebido carinhosamente. . nada significa! A resposta ao apelo divino não tardou. das reuniões mediúnicas... e da fazenda negociada.Jesus amado. arrependido. Mal se passaram noventa dias senti a necessidade de visitar Jerry. por misericórdia! O obsessor insiste: . para mim.Você sempre se esconde por detrás dele que.Mas. implorei com fervor: . me ajude. mas hoje quero reparar o erro. de renovação me envolveu e descobri que nada estava . os soluços diante dos desgostos com o casamento desfeito. solitário. De repente. você já fez isso e muito! . à pouca distância. da mágoa de ver o meu pai acabrunhado. Desejei rever o vinhedo. a dor do abandono daquele lugar tão querido. as emoções entram novamente em desequilíbrio.. Do íntimo.repliquei. e meu pai comentou que a safra seria promissora. dos amigos e vizinhos. conversamos descontraídos. . A sós.trabalho no Joseph Gleber. divisara. Embora os olhos toldados de lágrimas. na França. tínhamos muito a dizer um para o outro.Sim. a decisão: resolvi deixar meu pai. Olhou-me entristecido.
manter a porta fechada às influenciações negativas. Quase ao término. visitei meu pai em Caratinga.e retorna à cabine. ruma em minha direção. Iniciamos suavemente: “Um doce olhar/ Um bom pensamento/ A Ti. de imediato.perdido.Companheiros. confessou: . A voz de José Grosso se faz ouvir com o retumbante “Boa-noite!” e vai aos assistentes: .. o amigo do distante 1951. Surpreende-me ao pronunciar entre soluços: . eu venho lhe pedir perdão! Reconheço. com o concurso do conhecido médium Antônio Sales. Em instantes. a entidade anunciada por José Grosso. Finalmente terminaram os dias de amargura.Sim. dei um passo à frente e o abracei. desejosa de conversar com alguém da assistência . músicas espiritualizadas enlevam a preparação do ambiente. amado Jesus. Como José Grosso me dissera. . peço a vocês muito amor e compreensão para a entidade que se vai materializar. a dor da consciência me traz aqui. Anos depois. salão repleto. Jerry pede para entoarmos uma canção e ligar-nos ao Mestre. lembra-se de quando um espírito o induzira a agredir seu pai e você o mandara para o inferno? Pois fora eu aquele atormentado. convidou-me para uma reunião de materialização. À noite. dos assistidos e dos mentores espirituais. os amigos espirituais Scheilla. Instintivamente. . Em seguida. Todos nos postamos em recolhimento. Dele recebo um beijo na testa e retribuo num impulso de amor fraterno. bastava orar.Guilherme! . apresenta-se visível. Também o afastei da convivência com . Enquanto isso. irrompe da cabine do médium forte luminosidade. Joseph Gleber. Findo longo diálogo. Jerry busca o Senhor Jesus em comovente rogativa em favor dos trabalhos. Fritz e outros se preparam para o atendimento fraterno.” sobre a melodia da “Serenata” de Schubert.Dante.A paz de Jesus conosco! — saúda-nos.. Enlaçados.Dante. entre a cabine do médium e o salão dos assistentes.
Obrigado por esta noite que ficará plasmada para sempre no santuário de nossas almas.. tudo isso me amargura. ao perdão para que ficasse bem nítida a sua importância em nossas relações com o próximo. que aprendam os homens a se perdoar mutuamente. assim se apresentou materializado. Antônio Sales. Lembramos de seu precioso ensinamento: “Reconcilia-te com o adversário enquanto estás a caminho com ele. Guilherme. Seja este amor também vitorioso em nosso mundo. sábia advertência contra o perigo das obsessões. Senhor Jesus! Acesas as luzes.Obrigado.Jerry e provoquei a destruição de seu lar.Obrigado. de estatura mediana em sua vida carnal. Amado Amigo.. que palpita em nossos corações! Em coro. amigo! As lágrimas de arrependimento do sofrido personagem misturavam-se com a profunda emoção. era mais alto do que a entidade. pela fresta de luz a iluminar estes seres que aliviaram suas consciências com amor puro e fraterno. Não consigo viver em paz! Perdoa-me. . Divino Mestre. o médium doador de ectoplasma. pesa bastante na consciência. Comovido. sobre a mesa. todos agradecem: .”. Inúmeras vezes Jesus se referiu. Jerry extravasou os sentimentos em breve agradecimento: . em suas pregações. Mas. Sois vós. uma mensagem em escrita direta exalta os valores do arrependimento e perdão.
afloram. ponderam que é dever de todos. zeloso cumpridor de seus deveres. O vigário abusa da força do seu carisma e da fraqueza das beatas. A economia da pacata cidade se apoiava na agropecuária e no comércio varejista. porque bons cristãos. naturalmente dotadas de espiritualidade mais apurada. realizar batizados e dispensar outros sacramentos. em Minas Gerais. celibatário e quarentão. Pedra Escondida. no afã de bem servi-lo. no entanto. encontram campo propício no padre e no ajudante. Com o progresso. Maridos furiosos clamam por vingança. As forças das trevas. iluminados pela chama divina. a formação de muitas cidades originava-se. começam a fermentar nas ruas. Entreaberta a cortina da privacidade. a primitiva capelinha dera lugar à igreja de médio porte. nos bares. o vigário lá comparecia para celebrar missas. 35 anos. no entanto. dotado de magnetismo e de carisma. no comércio. Propõem. a sentença é prolatada: morte para a dupla de depravados e para as esposas infiéis! Três participantes. Reunem-se secretamente e após rápido julgamento. Jovem padre. age como sórdido intermediário. A vida corria em aparente normalidade. no Brasil. O sacristão. no entanto. Surgira. de povoados constituídos nas redondezas de uma capela. perdoar as . em toda parte. então.AS TRÊS PRAGAS DO VIGÁRIO Antigamente. por fim. em especial as mulheres. exigem “lavar a honra com sangue”. tinha o dom especial de saber agradar o sacerdote e de adivinhar-lhe os desejos. Sensibilizara. cenas sórdidas. dessa forma. granjeara obediência integral dos simplórios paroquianos. o sacristão. que atuam como médiuns receptores de energias negativas. Vez por outra. Os comentários. testemunhar a sua crença. além das características já mencionadas. compatível com o número de habitantes.
o séquito se põe a caminho. ergueu as mãos ao céu e bradou: Oh. porque serão mortos. Dele.“Em seguida. Finalmente estacionam diante da igreja. a comitiva desata-lhes os pulsos e ordena: . Sol forte de meio-dia. com o povo em festa. quero que sofra o povo ingrato de Pedra Escondida. reproduz o que ouvira: . Conduzidos ao pico da serra. unta-lhes o corpo com mel e os fazem montar em trôpegos pangarés.esposas que fraquejaram e punir tão-somente maquiavélicos sedutores com a expulsão da cidade. amarra-lhes os pulsos. ajoelhado. Eu temia um desatino qualquer pela sua fisionomia terrivelmente transtornada. mandou-me fizesse o mesmo. contemplava a cidade lá em baixo. Relata que o sacristão escorraçado passara por sua cidade durante a retirada. o povo retorna à rotina. o padre apeou do cavalo e. equipados somente com rédeas. alguém aparece em Pedra Escondida. não mais precisava de mim. Um grupo irado captura os condenados. já sabem o que os esperam! Espaventadas as montarias dos proscritos. Tempos depois. raspa-lhes as cabeças. o reverendo se pôs de pé e ordenou que seguíssemos caminhos opostos. a igreja destruída pelo fogo e a cidade transformada em pântano. Execrados e cabisbaixos. são notificados do motivo da humilhação e de que jamais retornem à Pedra Escondida.“No alto da serra. divisa com outro distrito. os O ‘tribunal’ aplica a pena.” Conclui o sacristão: . a lançar apupos e imprecações à dupla. como em típica procissão. fora de si. Ser Onipotente. que me humilhou. Padre e sacristão à frente.Sumam-se daqui para sempre! Se voltarem. a cidade volta à calma. o disse-me-disse se esgota. Sob fúria incontrolável. Rogo-lhes três pragas: seja uma rua banhada de sangue. Abandonou-me com desprezo o ingrato! Teve coragem de . desfilam lentamente pelas ruas e contornam a grande praça por três vezes. Colérico. mas os executores radicalizam no cumprimento. coloca-os em trajes sumários. em lamentável estado emocional.
Diante da sucessão dos fatos lamentáveis. somente deixa as casas ao amanhecer. Brotam sob diversas casas fluxos intensos de água a encharcar as ruas. desaparece a apreensão. Concluído o cortejo. à fé. Aos poucos. só se fala do assunto. Menos de dois anos. a O tempo passa. Para o povo. conclama à penitência. Em poucos dias. consuma-se o último dos flagelos lançados. Do vigário. Mais tarde. O novo sacerdote tenta acalmar-lhes. Novamente. O pároco agita o aspersório e se dá a benzer as moradias onde ocorre o estranho fenômeno. . A notícia se propaga e atribui-se o banho de sangue à primeira das três maldições do vigário. tenho que reconstruir a vida!” Em Pedra Escondida estabelece-se o alvoroço. pois nada mais de ruim irá acontecer. porém. inquietação. nunca mais se teve notícia. as nascentes secam. alguns se mudam para outras cidades. o temor domina o povo. outro acontecimento trágico: a igreja amanhece em chamas. A vizinhança. de maus antecedentes. até ele não mais duvida das maldições do antecessor. A chacina acontecera durante a madrugada e as vítimas fuziladas enquanto dormiam. a rua principal é tomada de sangue. Por semanas. Sete anos decorridos. Temerosos. pede que regressem às casas e mantenham a fé na Providência Divina. que não mais duvida das pragas do reverendo. A incrível coincidência entre as três pragas conjuradas e os estranhos fatos ocorridos em Pedra Escondida até hoje é comentada pelos mais velhos. mas os pessimistas afirmam que a terceira tragédia está por vir. cumpridor fiel de seus desejos! Agora. Escoa de uma casa onde moravam onze pessoas tidas como de má fama. Dobram os sinos a convocar os fiéis à procissão. a ameaça é esquecida. nova desgraça. que legam aos descendentes uma história real e ainda inexplicada. assustada com os disparos. a cidade retorna à paz.fazer isso comigo.
Texto corrigido em 16 de julho de 2014. .Digitalizado em 11 de agosto de 2013.