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Formas de Aplicação e Eficiência Agronômica de Fertilizantes

Fosfatados Acidulados
As quantidades de fósforo (P) aplicadas no solo geralmente superam em muito a extração
desse nutriente pelas culturas, diferindo neste aspecto do nitrogênio (N) e do potássio (K)
que apresentam relações mais estreitas entre aplicações nas adubações e aproveitamento
pelas plantas, principalmente em produtividades elevadas. Essa diferença de desempenho
tem sido atribuída à “fixação” de P, a qual ocorre em todos os solos, e que é mais importante
em solos tropicais, que possuem em sua grande parte elevados teores de óxidos de ferro e
alumínio (Raij, 2004). A fixação é responsável pelo baixo aproveitamento desse nutriente
fornecido via adubação.

Segundo Novais & Smyth (1999), o fósforo é o nutriente mais limitante da produtividade de
biomassa em solos tropicais. Trabalhos conduzidos pela FUNDAÇÃO MT nas safras 97/98 e
98/99, em solos de cerrado, mostram na prática a realidade desta afirmação. Neles, avaliou-
se qual a ordem de limitação de nutrientes para a produtividade de soja num solo de
abertura de área e com baixo teor de fósforo. Comparou-se a produtividade da soja que
recebeu um tratamento completo de adubação (macros + micronutrientes) com os outros
tratamentos, nos quais foram eliminados um nutriente de cada vez, visando avaliar qual
seria o mais limitante. No tratamento sem fósforo, a produtividade da soja foi a menor
quando comparada com os outros tratamentos (Tabela 01). A redução em produtividade
provocada pela deficiência de fósforo tem sido observada por agricultores e pesquisadores
em diversas situações de campo.

Tabela 01. Produtividade de soja em função da resposta à ausência de um nutriente


em comparação com adubação completa, de macros + micros.

Quando fertilizantes fosfatados são aplicados ao solo, após a sua dissolução, praticamente
todo o P é retido na fase sólida do solo, formando compostos menos solúveis. Todavia, parte
do P retido é aproveitada pelas plantas (Sousa et al, 2002). Diversos fatores determinam a
magnitude desse reaproveitamento, dentre eles, destaca-se um, sobre o qual abordaremos
um pouco mais neste boletim: a forma de aplicação.

Os dois principais motivos que fazem com que o produtor rural deva ter uma maior
preocupação com a forma de aplicação são: a baixa mobilidade do fósforo no solo e o modo
como esse nutriente chega até à planta, via difusão (caminhamento do íon fosfato que
ocorre a curtas distâncias).

Diante da influência desses aspectos e visando aumentar a eficiência dos fertilizantes


fosfatados sobre as culturas, uma alternativa é a sua aplicação de forma adequada. E para a
definição da forma correta, muitos fatores precisam ser considerados em conjunto, como: os
níveis de fertilidade do solo, espécie cultivada, sistema de preparo do solo, classe textural,
etc. Todavia, as formas mais utilizadas de aplicação são: no sulco de plantio, em cova, em
faixas; aplicação a lanço, em superfície, com ou sem incorporação.

Segundo Lopes (1998), a aplicação de fertilizantes fosfatados de forma localizada apresenta


várias vantagens:

1. Permite a aplicação de doses menores do que a aplicação a lanço, para alcançar os


mesmos níveis de produção em solos de baixa fertilidade;
2. É vantajosa para quem é arrendatário, pois ao aumentar os níveis de fertilidade do solo,
traz maiores custos e beneficia o proprietário da terra;
3. Diminui a fixação de fósforo;
4. Coloca o fósforo em posição disponível para o sistema radicular ainda reduzido das
plântulas em início de desenvolvimento.

Já a aplicação de fertilizantes a lanço, em pré-semeadura, também permite uma série de


vantagens, que são relacionadas abaixo:

1. Doses maiores podem ser aplicadas sem o risco de ocorrer injúrias às plantas;
2. Possibilita a aplicação de fertilizantes à taxa variável, utilizando a tecnologia de Agricultura
de Precisão. Com isso, pode-se buscar uma redução na desuniformidade dos teores de
fósforo existentes dentro de um mesmo talhão;
3. Antecipação do recebimento do fertilizante fosfatado na propriedade para períodos onde a
entrega nas unidades industriais é mais tranqüila, diminuindo os riscos de atraso caso deixe-
se para receber o fertilizante em épocas de pico de entrega;
4. Maior rendimento operacional na semeadura;
5. Permite a aplicação de doses maiores de P2O5 visando principalmente à correção de
fósforo (fosfatagem) em áreas onde a disponibilidade desse elemento é baixa, possibilitando
posteriormente maior resposta das culturas;
6. Para culturas anuais, a aplicação de fertilizante fosfatado a lanço e incorporado, promove
um sistema radicular mais volumoso;
7. Em pastagens estabelecidas, a aplicação a lanço é a única maneira prática de aplicar o
fósforo;
8. Pode ser feita em épocas que não sejam de muito trabalho.

Conforme acima, apesar de existirem uma série de vantagens na aplicação a lanço, em pré-
semeadura, devemos ter o critério de avaliar quando e onde podemos efetuar tal prática.

Trabalhos de pesquisa mostram que em solos de baixa fertilidade a aplicação de doses de


fósforo 100% antecipada é uma prática não recomendada, principalmente em áreas de
primeiro ano de cultivo. É o que revela um destes trabalhos realizado pela Fundação MT, na
região de Sapezal – MT, avaliando forma de aplicação de fósforo e quantidade de P aplicado
num solo com baixo teor de P, com 50% de argila (Tabela 02).

Tabela 02. Produtividade da soja em função da forma de aplicação e quantidades


aplicadas.
Os resultados deste trabalho mostram que em solos deficientes em fósforo, a aplicação na
linha de semeadura é mais eficiente, já que para produzir a mesma quantidade de soja foi
necessário aplicar uma maior quantidade a lanço do que na linha de semeadura.

Porém, nesse mesmo experimento podemos verificar algo que também deve ser considerado
as vantagens em combinar uma aplicação inicial a lanço (fosfatagem), efetuando-se
complementações anuais no sulco de semeadura (manutenção), obtendo-se bons
rendimentos desde o primeiro cultivo. É o que se observa no tratamento em que a aplicação
de 83 kg/ha de P2O5 na linha e 240 kg/ha de P2O5 a lanço, como fosfatagem, proporcionou
a obtenção de 22,1 sacas de soja/ha a mais, comparado à adubação com somente os 83
kg/ha de P2O5 na linha.

Um questionamento pode ser feito no campo quando se fala neste assunto: sendo o fósforo
um fertilizante susceptível à fixação no solo, a aplicação a lanço não expõe o fertilizante a
um maior contato com o solo, favorecendo este processo?

Alguns fatores podem ser abordados nesse aspecto. O primeiro deles é que a grande parte
dos fertilizantes fosfatados solúveis são comercializados na forma de grânulos. A granulação,
além de facilitar sua aplicação na lavoura, limita a quantidade de solo que entra em contato
com o fertilizante, diminuindo a fixação de P no solo, sendo então uma forma de localizá-lo
mesmo em aplicações feitas a lanço (Sousa et al, 2004).

A afirmação acima pode ser comprovada por Sousa e Volkweiss (1987) em experimento onde
estimaram o volume de solo com o qual o fertilizante fosfatado reage de acordo com o
tamanho do grânulo do fertilizante. Nesse trabalho, verificaram que, para a dose de 87 kg/ha
de P (200 kg/ha de P2O5) aplicada a lanço, o volume de solo ocupado com P foi de 25%,
15% e 9,5%, para grânulos de 2, 4 e 6 mm, respectivamente.

Sousa et al (2002), em suas recomendações para o cerrado, afirma que a aplicação de


fertilizantes fosfatados a lanço deve ser utilizada para doses superiores a 100 kg/ha de
P2O5. No caso de doses inferiores a estas, serem aplicadas em culturas anuais, recomenda-
se à localização em sulcos, o que possibilitará melhor uso do P do fertilizante solúvel em
água pelas plantas, além da praticidade da operação conjunta com a semeadura.

Esta diferenciação em relação ao modo de aplicação do fertilizante, de acordo com a


quantidade a ser aplicada, foi relatada por Anghinoni (1992) em experimento realizado na
cultura do milho para avaliar o aproveitamento de fósforo por esta cultura, de acordo com a
fração do solo fertilizada com fosfato solúvel. Verificou-se que, para pequenas doses de
adubação, a maior eficiência no aproveitamento do P pelo milho ocorreu quando da mistura
do fertilizante com pequenas frações de solo (aplicação localizada). À medida que as doses
aumentaram, aplicações que submetiam o fósforo a um maior contato com o solo também
passaram a ser mais eficientes. Já para doses elevadas, a forma de localização do fertilizante
passou a não ser importante.

Aplicação de fertilizantes fosfatados acidulados, a lanço, em pastagens

Sousa et al (2004) relata que em pastagens já estabelecidas, sem problema de


compactação, é possível adicionar o fertilizante em cobertura, sem incorporação. Doses de
30 kg/ha de P2O5 a cada dois anos, aplicados na superfície do solo, aumentaram a
produtividade da pastagem entre 98% e 110%, conforme mostra a Tabela 03:

Tabela 03. Produção acumulada de matéria seca de Brachiaria decumbens em um


período de cinco anos, em latossolo argiloso que recebeu adubação de
estabelecimento a lanço e incorporada, e adubação de manuntenção aplicada a
lanço na superficie sem icorporação.
A aplicação de fertilizantes fosfatados solúveis em pastagens, a lanço e sem incorporação,
tem eficiência agronômica e pode trazer bons resultados em incremento de produção de
matéria seca em pastagens estabelecidas.

Aplicação de fertilizantes fosfatados acidulados, a lanço, no sistema plantio direto

No sistema de plantio direto, a dinâmica do fósforo no solo é diferente. Segundo Sá (1993),


existem dois aspectos básicos que causam diferenças no comportamento deste nutriente no
sistema de plantio direto em relação ao sistema de preparo convencional:

• O não revolvimento do solo reduz o contato entre os colóides e o íon fosfato, amenizando
as reações de fixação;
• A mineralização lenta e gradual dos resíduos proporciona a liberação e redistribuição de
formas orgânicas de P mais estáveis e menos susceptíveis às reações de fixação.

Devido à presença de palhada e do maior nível de matéria orgânica na decomposição destes


resíduos são liberados ânions orgânicos que seqüestram cátions como Fe e Al, diminuindo a
fixação de P. Portanto, as práticas que visam a manutenção ou o incremento dos níveis de
matéria orgânica no solo podem resultar em beneficio para que se tenha um melhor
aproveitamento do P pelas plantas. De modo geral, o aproveitamento do P aplicado no solo
em áreas de plantio direto tende a ser maior do que quando comparado com o
aproveitamento do P em preparo convencional.

Devido à impossibilidade de incorporação do fertilizante no sistema de semeadura direta, a


aplicação de fertilizantes fosfatados em área total tem sido realizada em superfície, sem
incorporação. Percebe-se então, como primeira conseqüência deste método de aplicação,
uma maior concentração de fósforo na camada de 0 a 5 cm, devido a baixíssima mobilidade
deste elemento. Porém, segundo Sá (2004), as raízes das culturas funcionam como veículo
de distribuição de P no perfil do solo, aumentando a disponibilidade de P em camadas mais
profundas.

Devido a estes fatores, a aplicação de fertilizantes fosfatados a lanço sem incorporação no


plantio direto, é uma prática viável, como adubação de manutenção e/ou restituição para
solos que já vem sendo adubados e apresentam teores médios a altos de fósforo. Entretanto,
ressalte-se que em solos com baixos teores de fósforo é recomendado adubação em sulco.

Model et al. (1992), em experimento avaliando resposta do milho a modos de aplicação de


adubos e tipos de preparo de solo, demonstraram que em áreas de plantio direto, a aplicação
a lanço proporcionou melhor produtividade de milho do que a aplicação a lanço no sistema
convencional, conforme mostra a Tabela 04.

Tabela 04. Rendimento de grãos de milho em função do preparo do solo e do modo


de aplicação dos fertilizantes.
Neste trabalho é interessante observar os resultados em produtividade do milho nos
tratamentos com adubação a lanço e no sulco. No modo de aplicação a lanço, a produção de
milho na área em sistema de plantio direto foi 1.100 kg/ha maior, quando comparada com a
resposta do milho em sistema convencional. A maior resposta da cultura deve-se, em parte,
ao melhor aproveitamento do fósforo proporcionado pelos benefícios do manejo do sistema
de semeadura direta, já relatados acima.

Concluindo, a escolha do método mais adequado para aplicação depende de uma série de
fatores, dentre os quais: níveis de fósforo no solo, cultura a ser adubada, quantidade de
P2O5 a ser aplicada, sistema de preparo de solo, disponibilidade de maquinário e de
recursos.

Autor desta edição:


Antonio Saraiva Muniz Junior,
engenheiro agrônomo com especialização em Fertilidade do Solo pela UFLA - MG. Assessor
Agronômico da Serrana Fertilizantes nos estados do PR e MS.

Fontes Bibliográficas:
As informações contidas nesse boletim foram compiladas e adaptadas de:

RAIJ, B. van. Fósforo no solo e interação com outros elementos. In: Yamada, T.; Abdalla, S.R.S. (Ed.). Fósforo
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NOVAIS, F.R.; SMYTH, T.J. Fósforo em Solo e Planta em Condições Tropicais. Viçosa: UFV, 1999. 399p.

SOUSA, D.M.G.de; LOBATO, E.;REIN,T.A. Adubação com fósforo. In: SOUSA, D.M.G. de; LOBATO, E. (Ed.).
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LOPES. A.S. Manual Internacional de Fertilidade do Solo. Piracicaba: Potafos, 1998. 177p.
Fundação MT. Boletim Técnico de Pesquisa de Soja. Rondonópolis, MT: Fundação MT, 2001. 144 p.

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S.R.S. (Ed.). Fósforo na Agricultura Brasileira. Piracicaba: Potafos, 2004. p.157-200.

SOUSA, D.M.G.de; VOLKWEISS, S.J. Reação do superfosfato triplo em grânulos com solos. Revista Brasileira de
Ciência do Solo, Campinas, v.11, p. 133-140, 1987.

ANGHINONI, I. Uso do fósforo pelo milho afetado pela fração de solo fertilizada com fosfato solúvel. Revista
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Sá. J.C.M. Manejo da Fertilidade do Solo no Plantio Direto. Castro, Fundação ABC, 1993. 96p.

SÁ. J.C.M. Adubação Fosfatada no Sistema Plantio Direto. In: Yamada, T.; Abdalla, S.R.S.

(Ed.). Fósforo na Agricultura Brasileira. Piracicaba: Potafos, 2004. p.201-222.

MODEL, N.S.; ANGHINONI, I. Resposta do milho a diferentes modos de aplicação de adubos e técnicas de
preparo de solo. Revista Brasileira de Ciência de Solo, Campinas, v.16, p.55-59, 1992.
Aplicação de Corretivos e Fertilizantes
As operações agrícolas envolvidas no manejo da nutrição mineral de diversas culturas,
relacionadas com a aplicação de corretivos e fertilizantes, ganham importância fundamental,
pois associadas aos outros fatores produtivos, podem maximizar a produtividade das
culturas.

Muitas vezes os aspectos ligados à tecnologia de aplicação de insumos são neglicenciados


pelos produtores, e até mesmo por técnicos de setor agropecuário, que somente despertam
para a questão, quando se deparam no campo com os problemas que podem surgir
decorrente da falta de cuidado com a interação produto x implemento.

Encontra-se distinção entre as modalidades de adubação, sendo essas subdivididas em


corretivas e manutenção.

No tocante às corretivas, destacam-se: calagem (Cálcio e Magnésio), gessagem (Cálcio e


Enxofre), fosfatagem (Fósforo) e potassagem (Potássio).

Por outro lado, destacam-se as adubações de manutenção, que estão associadas aos
macronutrientes primários Nitrogênio, Fósforo e Potássio, mais Enxofre, cuja recomendação
de reposição, através da adubação, é feita com base na extração e exportação pelos grãos
(Souza et al 1997). Normalmente o fornecimento desses nutrientes é feito no momento da
semeadura, posicionando-se preferencialmente ao lado e abaixo da semente, em sulco
separado da semente (Figura1). Atualmente, em alguns casos, em solos de fertilidade
elevada os produtores têm aplicado os fertilizantes a lanço em área total, na condição de
pré-plantio, esse procedimento aumenta a capacidade operacional, pois no momento da
semeadura a adubadora semeadora não fará a distribuição do fertilizante.

Além dos macronutrientes, vem ocupando posição de destaque, em termos de utilização, os


micronutrientes, quer seja pelos baixos níveis do solo ou pela baixa disponibilidade desses
devido a calagem excessiva ou com desuniformidade de distribuição o que está diretamente
ligado a tecnologia de aplicação. Os micronutrientes podem ser supridos via agregação aos
fertilizantes sólidos, ou através da adubação foliar.

O desempenho dos aplicadores de corretivos e fertilizantes, segundo Coelho et al. (1992),


está relacionado tanto a parâmetros construtivos como operacionais. Segundo Vitti e Luz
(1997), nos dias atuais, a discussão de desempenho passa por programas de produtividade e
qualidade, de forma que a produção é vinculada a aspectos operacionais, nos quais os
agricultores respondem pela quantidade de trabalho realizada. Por outro lado, a avaliação
qualitativa, que trata do aspecto de como ficou o serviço, é na maioria dos casos,
negligenciada pelos produtores, talvez pelo desconhecimento, devido a natureza do
parâmetro, (perfil transversal e longitudinal, simetria e segregação), e é justamente sobre
esta o principal enfoque a ser dado na discussão sobre o desempenho dos aplicadores de
corretivos, fertilizantes, bem como dos adubadores, cujos principais parâmetros de avaliação
estão resumidos no quadro abaixo:

Com o intuito de relembrar e facilitar o entendimento das variáveis relacionadas com o


desempenho dos aplicadores de corretivos e fertilizantes, é colocado a seguir os conceitos
de:

Vazão = massa ou quantidade do produto liberada na unidade de tempo, por exemplo,


kg/min, t/h;

Dose = massa ou quantidade do produto aplicado por unidade de área, podendo ser
expressa em kg/ha, t/ha, kg/alq, t/alq;

Perfil Transversal = vem a ser a distribuição do produto no sentido perpendicular ao eixo da


aplicação, definindo a largura ou faixa total de alcance do mesmo. Para coletá-lo utiliza-se de
coletores dispostos transversalmente ao sentido de deslocamento do trator;

Perfil Longitudinal = vem a ser a distribuição do produto no sentido do deslocamento do


equipamento, sendo também recolhido por meio de coletores dispostos sobre o eixo de
aplicação.

Simetria = diz respeito ao posicionamento do produto em relação ao eixo de aplicação, ou


seja, se as quantidades que são aplicadas do lado esquerdo são iguais às do lado direito.

Pode ser avaliada através do Coeficiente de Simetria - CS = média direita / média esquerda.
Quando CS ?1,0 significa que estaremos diante de um perfil transversal assimétrico, e que
quando CS > 1,0 a média do lado direito é superior à do lado esquerdo e vice versa quando
CS < 1,0

Segregação = é o processo que ocorre na distribuição das frações granulométricas originais


do produto, quando este é submetido a lançamento mecânico, ou seja, compara-se a
distribuição das diferentes frações granulométricas do produto antes e depois da aplicação.

O estabelecimento da dosagem no mecanismo dosador do tipo gravimétrico é função da ação


da gravidade, que por sua vez relaciona-se com a altura de carga do produto sobre o orifício
de saída. Como esse mecanismo é responsável pela regularidade do perfil longitudinal, o seu
uso implica em variação da dose no sentido do eixo de aplicação do trator x aplicador, sendo
uma característica intrínseca. Sendo assim, quando se utilizar esse tipo de dosador, para se
alcançar uma dose média na área, compatível com a esperada, o aplicador deverá ser
regulado com 50% da altura de carga na caçamba. Cabe lembrar, que esse comentário sob o
enfoque qualitativo, não significa que esse tipo de dosador não possa ser utilizado, talvez
para aplicar corretivos, mesmo assim com ressalvas, pois a dosagem obtida na área sempre
estará compreendida num dado intervalo de variação.
Por outro lado, os dosadores volumétricos se comportam de maneira satisfatória quanto ao
perfil longitudinal de aplicação dos corretivos, sendo o tipo "esteira" o predominante, para os
aplicadores de corretivos, podendo ser de taliscas ou reticulada, sendo a de taliscas, mais
largas, usadas para os produtos com piores tendência de escoamento, como o gesso, e a
reticulada para aqueles com melhores condições de escoamento. Para as adubadoras, o
mecanismo dosador tipo helicoidal é o mais usado atualmente, promovendo um perfil
longitudinal mais uniforme.

O mecanismo distribuidor está relacionado com o desempenho do perfil transversal da


aplicação, quer na sua uniformidade (regularidade da dose), simetria e segregação.

Alguns fertilizantes segregam mais que outros, pois a variação da segregação está
diretamente relacionada ao tamanho e densidade do granulo do fertilizante. As misturas de
grânulos são muito sujeitas à segregação, sendo que o potássio apresenta densidade maior
que o nitrogênio, por isso a distância que os grânulos de potássio são lançados é maior em
relação ao nitrogênio, implicando no processo de segregação gerando maiores teores de
potássio nas maiores distâncias do perfil transversal, enquanto que o nitrogênio
terá maiores teores próximo ao centro de acordo com a figura 4.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

VITTI, G.C.; LUZ, P.H.C. Nutrição e Adubação de Plantas. Manual Técnico para Serrana Fertilizantes, Piracicaba,
2002. (Divulgação interna)
Manejo do Nitrogênio em Alguns Sistemas de Produção
O principal objetivo do uso racional do nitrogênio é aumentar a eficiência na sua utilização,
considerando os custos financeiros e energéticos, e os riscos ambientais envolvidos. Como
destacado anteriormente, o caminho passa inevitavelmente pela atenuação do processo de
nitrificação e através do manejo de resíduos com relação C/N superior a 20, reduzindo o
fenômeno da oxidação da matéria orgânica.

Cultura da cana-de-açúcar

A mudança do sistema de colheita de cana, com prévia despalha 'a fogo, para cana crua
colhida mecanicamente, é um processo irreversível, estando previsto na legislação do setor
sucro-alcooleiro. Essa mudança representa vantagens, dentre outras, para a conservação do
solo, manutenção da umidade e reciclagem de nutrientes. No entanto, implicará numa maior
dificuldade para a aplicação dos fertilizantes, devido a necessidade de incorporá-los durante
o cultivo para a recomposição da porosidade do solo devido ao tráfego agrícola.

Essa dificuldade é preocupante haja visto que a uréia é o fertilizante utilizado em maior
quantidade devido a sua economicidade, ampliando os riscos de perdas por volatilização,
comparada 'as demais fontes. Para tanto, é indispensável que esse fertilizante seja aplicado
em profundidade, utilizando implementos que apresentem disco de corte acoplados, para
proceder o corte da palhada e dispor o fertilizante no interior do solo, sendo suficiente o
enterrio a 5 cm de profundidade para reduzir as perdas 'a níveis que não ultrapassa 5%.
Quando a uréia é alocada superficialmente em solos cobertos por palha, as perdas por
volatilização foram elevadas atingindo níveis entre 50% a 94% (Wood et al. 1991 e Oliveira
et al. 1997). Tais resultados originam da atividade da enzima urease na presença de
umidade, altas temperaturas, exposição 'a ação dos ventos e pela ausência de sítios de
adsorsão da amônia. O fenômeno pode ser agravado em conseqüência da baixa capacidade
de retenção do gás produzido, ou parcialmente controlado pelas condições climáticas como
chuva e irrigação com vinhaça, as quais podem arrastar o fertilizante em profundidade
diminuindo a volatilização, estimando que sejam suficientes para tanto 15mm de chuva após
a adubação. A hidrólise da uréia não ocorre na falta de umidade , entretanto o orvalho e a
ascensão da umidade do solo durante o período noturno são suficientes para desencadear o
processo.

Fontes de nitrogênio como nitrato de amônio, nitrato de cálcio e sulfato de amônio não estão
sujeitas 'as perdas por volatilização da amônia, no entanto, qualquer uma delas, inclusive a
uréia podem sofrer perdas por desnitrificação como conseqüência da diminuição da aeração,
pela maior umidade combinado com os problemas físicos de compactação e na presença de
compostos de carbono solúveis (Cantarella, 1998).
A reciclagem de nutrientes imobilizado na palhada da cultura no sistema de cana crua é mais
lento, conforme indicam os dados da Tabela 1, verificando-se que apenas 20% da matéria
seca e 18% do N são mineralizados, enquanto a totalidade do P e do S permanecem
inalterados após 12 meses do corte da cana-de-açúcar.

Os dados indicam que o manejo do N no sistema de cana crua deve ser modificado em
relação ao tradicionalmente adotado com despalha pelo fogo. As altas relações C/N, C/P e
C/S, iguais a 97, 947 e 695 na palha recém colhida e 68,552 e 455 na palha remanescente
respectivamente, evidenciando que o N não está disponível para a cultura no período
considerado (Oliveira, et al. 1999).
Portanto, a cultura provavelmente responderá 'a aplicação do nutriente, e nesse caso a
escolha da fonte recairá sobre aquela que apresenta a melhor relação custo x benefício,
considerando a necessidade da sua incorporação com implementos apropriados.
A imobilização, embora represente uma forma de aproveitamento do nitrogênio, reduzindo
os riscos de perdas, deve no sistema de cana crua acelerado devido a composição química da
palha em consideração, desde que tal procedimento não implique na redução da eficiência no
aproveitamento do nitrogênio. Da análise de tais implicações surge a possibilidade do
incremento da utilização de fontes nitrogenadas obtidas a partir das misturas das mesmas
como descrito a seguir:

a) Uran - adubo fluído obtido da mistura do nitrato de amônio com uréia; NH4NO3 (44,3%)
+ CO(NH2)2 (35,4%) = H2O (20,3%), apresentando 32% N (14% NH2; 9% NH4 e 9%
NO3) com densidade de 1,356g.cm-3;

b) Sulfuran - adubo fluído obtido da mistura de uran com sulfato de amônio; apresentando
20% N (8,0% NH2; 8,0% NH4; 4,0% NO3 e 4% S) com densidade de 1,26g.cm-3;

c) Sulfonitrato de Amônio - adubo sólido obtido da mistura de nitrato de amônio (76%)


com sulfato de amônio (21%) mais condicionador 3%, apresentando 5 a 6% de S e 28 a
29% de N.

d) Uréia + Sulfato de Amônio - mistura que reduz a volatilização de NH3, devido a menor
quantidade de uréia, bem como pelo efeito acidificante do sulfato de amônio. Outra
vantagem é a relação N/S, bem mais adequada para as culturas, que pode ser proporcionada
pela mistura de 500Kg de uréia com 500Kg de sulfato de amônio, originando a fórmula: 32-
00-00-12.

Estas misturas, praticamente não apresenta, perdas por volatilização, que combinado com o
fornecimento de N e S (com exceção do uran), poderão aumentar a mineralização da
palhada, pelo abaixamento das relações C/N e C/S respectivamente, bem como constituem
fonte para o suprimento desses nutrientes para as soqueiras de cana.

Culturas anuais sob plantio direto

O plantio direto tem sido adotado considerando a sua eficiência na conservação dos recursos
naturais solo e água, apresentando-se como uma alternativa viável em substituição ao
sistema convencional. Para um manejo adequado da adubação nitrogenada no referido
sistema é necessário desenvolver estudos de médio e longo prazos inseridos dentro de uma
planificação de rotação de culturas.
Quanto ao uso da fonte nitrogenada sabe-se que o maior problema é a aplicação de uréia,
pois nesse sistema o maior teor de umidade implicará inevitavelmente na sua volatilização.
No plantio direto, como no sistema de cana crua, os riscos de perdas de nitrogênio, além da
volatilização, há também a desnitrificação, processo que poderá ser aumentado, resultando
da transformação do nitrogênio da forma nítrica para a forma gasosa, em ambiente
aneróbico e pH próximo 'a neutralidade.
A desnitrificação não é limitada aos períodos de excessiva umidade, comum sob plantio
direto, devido a falta de revolvimento do solo e a redução da porosidade total, em especial
dos macroporos. Esse processo ocorre também no sistema convencional, principalmente nos
solos com textura argilosa mesmo quando o teor de água encontra-se abaixo da capacidade
de campo (Allison, 1996).
Embora os macroporos contenham ar, os microporos podem estar deficientes de oxigênio,
devido a difusão apresentar-se excessivamente lenta para repor a quantidade de oxigênio
demandada pelos microorganismos. Nestas condições o NO3- é utilizado como aceptor de
elétrons em substituição ao O2, levando 'a perda de nitrogênio. Já foi demonstrado que a
desnitrificação pode ocorrer em solos bem drenados, confirmando a existência de regiões sob
condições de anaerobiose (Bremner & Shaw, 1958).
Quanto 'a maior intensidade de lixiviação do nitrato em sub-superfície, através do fluxo de
massa, sob plantio direto, argumentado através da preservação de canalículos não
destruídos pelo preparo do solo não é suficiente. Esta hipótese fundamenta-se nos resultados
obtidos em ecossistemas diferentes daqueles que ocorrem nos trópicos, e formulada por
(Thomas et al. 1980).
A movimentação de nitrato depende da combinação de excedente hídrico sem a alternância
de períodos de umidade e secura, comportamento que na realidade não se verifica. O
elevado potencial térmico do ambiente induz, nos intervalos entre as precipitações, a
ascensão capilar do nutriente. A descontinuidade do fluxo descendente é condição suficiente
para refutar a hipótese que a lixiviação é mais acentuada sob plantio direto, desde que não
haja grande acúmulo de resíduos na superfície do solo, comum na região temperada e sub-
tropical.
Além disso, os solos tropicais possui limitada capacidade para armazenamento de água, ao
redor de 0,5 mm.cm-1 de solo, valor 3 a 4 vezes inferior 'aquele determinado nos solos das
regiões temperadas. Finalmente, há diferenças quanto 'a dinâmica da atividade biológica sob
plantio direto, sem os picos verificados após o preparo do solo e a incorporação do resíduo
como ocorre no sistema convencional. A disposição dos resíduos na superfície do solo sob
plantio direto é responsável pela maior constância na oferta de alimento para a atividade
microbiana, cuja atividade será maior e contínua enquanto durar a fonte. Pode-se inferir que
nessas condições imobilização poderá também ser mais duradoura, diminuindo os riscos de
perdas de nitrogênio.

Cultura de milho

Alguns experimentos e também várias áreas de produções comerciais sob plantio direto no
Sul do Brasil tem mostrado que doses de até 30 Kg/ha de N no sulco de plantio foi superior
'a aplicação de até 120 Kg/ha de nitrogênio em cobertura.
O fornecimento de 30Kg/ha de nitrogênio eliminou a carência inicial devido 'a imobilização,
proporcionando 'as plantas uma coloração verde intenso e crescimento normal, diminuindo
os problemas causados da imobilização de N pela decomposição dos resíduos de aveia de
elevada relação C/N (Sá, 1995). O retorno para a colocação de N no sulco de semeadura
(30Kg/ha) variou de 30 a 90Kg de milho, superior 'a aplicação em cobertura, a qual
proporcionou retorno de 18Kg de milho, confirmando que a definição do potencial de
produção do milho ocorre nos estágios iniciais, até a emissão de 4 folhas (Fancelli & Dourado
Neto, 1996).
Avaliando o efeito da irrigação sobre a volatilização de amônia após a aplicação de uréia
combinado com sulfato de amônio (relação N/S=2,1/1,0) na primeira cobertura, e apenas
uréia na segunda cobertura na cultura de milho, verificou-se que a substituição parcial da
uréia por sulfato de amônio apresentou eficiência superior a irrigação para diminuir a perda
por volatilização. De acordo com (Cabezas, 1997) a presença do sulfato de amônio contribui
para a geração de prótons (H+) neutralizando o efeito alcalino da base (OH-) originado da
hidrólise da uréia, bem como propiciou o arraste de bases em profundidade pelo íon sulfato
(SO4-).
Os resultados da volatilização de amônia após a aplicação de 100Kg/ha de N através das
fontes como: uréia, sulfato de amônio e nitrato de amônio, em cobertura, na cultura do
milho, sob plantio direto - em solo argiloso com resíduo de aveia preta, e, no plantio
convencional - em solo arenoso.
Observa-se que o fornecimento de uréia na superfície é inviável, principalmente sob plantio
direto, apresentando perdas de até 78% do N aplicado, enquanto que a sua incorporação
proporciona eficiência semelhante ao nitrato de amônio e sulfato de amônio, cujas perdas
foram inferiores a 10%. Na impossibilidade de proceder a incorporação do fertilizante, deve-
se evitar fontes de N amídico como a uréia.
A deficiência de N no tecido foliar constatado para a cultura do milho e trigo sob plantio
direto, na seqüência exclusiva de gramídeas, milho/trigo/milho, de acordo com Muzilli 1981 e
1983, deveu-se a imobilização. Entretanto, esse fenômeno poderia ter sido facilmente
contornado pela aplicação de nitrogênio no sulco de semeadura, como indicam os resultados
obtidos com a inclusão de uma leguminosa na seqüência de cultura, soja/trigo/milho,
eliminado a carência de N.
A aplicação de uréia e sulfato de amônio sobre resíduo e milho e Crotolária junceae
evidenciam que, independente da natureza do resíduo, o sulfato de amônio, pode ser
posicionado na superfície, sem que apresente perdas significativas, confirmando os
resultados já obtidos por outros experimentos. As pequenas taxas de volatilização de NH3
comparativamente 'a outros trabalhos podem ser explicadas pela ocorrência da baixas
temperaturas entre 19 a 22°C e a alta precipitação ocorrida, contribuindo para a dissolução,
transporte e incorporação do fertilizante no solo.

Comportamento de Fontes Nitrogenadas no Solo


As principais fontes de nitrogênio utilizadas no Brasil, a uréia, sulfato de amônio, serão
sucintamente avaliadas quanto ao comportamento quando aplicadas no solo

Uréia - CO(NH2)2

Após a hidrólise da uréia, a amônia formada é imediatamente hidrolisada formando íons


bicarbonato (HCO3-) e principalmente a hidroxila (OH-) resultando numa sensível elevação
do pH.

Como conseqüência, nos locais onde é aplicado o fertilizante o pH poderá atingir valores
iguais a 10 (Nommik & Nilsson, 1963), e nestas condições parte da amônia (NH3) será
inevitavelmente perdida por volatilização. Entretanto, parte da amônia em ambiente ácido
será convertida pelos organismos amonificadores na forma amoniacal (NH4+), como segue
(IFDC/UNDO, 1998):

O nitrogênio na forma amoniacal (NH4+) formado pela aplicação da uréia ou pelo uso do
sulfato de amônio ou nitrato de amônio poderá ser absorvido pelas plantas, promovendo a
acidificação da rizosfera. Neste aspecto a sua utilização pode ser avaliada como vantagem,
pela possibilidade de aumentar a eficiência na utilização dos micronutrientes metálicos, cuja
disponibilidade é influenciada pela diminuição do pH. A acidificação das rizosfera significa
também uma amplificação de problemas fitossanitários, quando a área possui histórico de
doenças causadas por fungos de solo. A preferência por ambientes ácidos pelos fungos pode
ser resultante da menor concorrência proporcionada pela menor população de actinomicetos
e principalmente de bactérias.

Como discutido anteriormente, a redução na transformação da forma N-amoniacal para a


forma N-nítrica, que depende, dentre outros, do pH do solo e da relação C/N dos resíduos
vegetais, são caminhos que podem modificar a dinâmica do nitrogênio, reduzindo a sua
perda do sistema, com benefícios para o agricultor e o ambiente.

A lixiviação de nitrogênio embora citada com muita freqüência na literatura, é questionável,


considerando que a maior parte do nitrogênio do solo encontra-se na forma orgânica, na
biomassa de resíduos vegetais e de microorganismos. Destaque-se que a biomassa
microbiana é muito grande, variando de 400 a 5.000kg.ha-1 para fungos (Siqueira, 1988),
de 700(1) a 1000(2)kg.ha-1 para actinomicetos (Loures(1), 1988 e Siqueira, 1988(2)),
enquanto a bacteriana é estimada em 100 a 4.000kg.ha-1 (Siqueira, 1988). Portanto a maior
parte do N encontra-se imobilizada, inferido pela sua participação nas células bacterianas -
5% de N (Siqueira, 1988), superior à composição das culturas agrícolas. Finalmente, merece
também destaque a grande aptidão dos microorganismos para extrair do solo o nitrogênio e
demais nutrientes que necessitam, apresentando maior capacidade comparativamente às
plantas superiores.

Além disso o comportamento do nitrogênio no solo sob agricultura depende da ocorrência de


excedente hídrico, que devido a estacionalidade nos trópicos, limita-se ao período chuvoso e
em períodos definidos, quando a taxa de infiltração excede a evapotranspiração.

Estudos desenvolvidos para quantificar a taxa de movimento do N-NO3- no solo variam em


função do mesmo, alcançando valores entre 0,5mm.mm-1 de chuva (Wild, 1972) a
1,5mm.mm-1 de chuva (Suhet et al. 1986). Do exposto, considerando uma precipitação
média de 1500mm.ano-1 durante o período de 180 dias, de outubro a março, com
evapotranspiração média de 5mm.dia-1, o excedente hídrico, considerando 100% de
infiltração, seria de 600 mm.ano-1. Adotando-se uma taxa média de lixiviação de N-NO3-
igual a 1,0mm.mm-1 de chuva, chega-se a conclusão que o deslocamento do nitrato
ocorrerá até 60cm de profundidade, dentro da faixa de exploração pelas raízes. Resultados
semelhantes foram observados por (França et al. 1986), após a aplicação de 30, 60 e
240kg/ha de N em Latossolo Vermelho-Escuro, no período chuvoso, os quais constataram
que o nitrato movimentou da camada de 20 a 40cm para a profundidade de 40 a 60cm.

De acordo com o balanço de 15N no sistema solo planta realizado por Coelho (1978) foi
encontrado 67% do 15N aplicado dentro dos primeiros 15cm do solo, estando a maior parte
imobilizado na matéria orgânica, enquanto que a sua perda por lixiviação correspondeu a
2kg/ha do total de 60kg/ha aplicados. As perdas de N por lixiviação não constituem
problema, tendo sido encontrados valores entre 2 a 4kg/ha, na maioria dos trabalhos
realizados sobre o assunto no Brasil, para aplicações de até 100kg/ha de N (Reichardt et al.
1982).

Nitrato de amônio - NH4NO3 e Nitrocálcio

Os argumentos discutidos anteriormente considerando a simulação da aplicação de uréia e


sulfato de amônio ao solo podem ser extrapoladas para as referidas fontes, seja nitrato de
amônio ou nitrocálcio.

Quanto à eficiência no aproveitamento das fontes analisadas é do conhecimento que a uréia


devido as perdas por volatilização apresenta a menor eficiência comparativamente às
demais. Para o sulfato de amônio as perdas por lixiviação, se ocorrer, dependeriam das
condições já abordadas, pH da solução do solo e relação C/N dos resíduos, enquanto que o
nitrato de amônio, por apresentar 50% na forma nítrica (NO3-) dependente das mesmas
condições, o mesmo aconteceria apenas com menor intensidade.

Não há uma fonte ideal para o fornecimento de nitrogênio, pois a eficiência das mesmas
dependem, com intensidades diferentes, das interações biológicas que o nutriente é
submetido no solo, do manejo do sistema de produção agrícola e obviamente da relação
benefício: custo para cada situação.

Se o manejo do nitrogênio for orientado no sentido de reduzir o processo de nitrificação,


haverá possibilidades de elevar a eficiência no aproveitamento das fontes amoniacais, como
sulfato e nitrato de amônio. Para a uréia o mesmo não se aplica pois a natureza do fator de
risco é diferente, ocasionado nesse caso pela volatilização, processo inerente a hidrólise do
próprio fertilizante com produção de íons bicarbonato e hidroxila os quais elevam o pH
próximo do grânulo, promovendo a sua transformação no gás amônia (NH3). Esta
certamente é a principal causa de perda de nitrogênio do solo cultivado, podendo atingir
valores entre 50 e 80% do total de nitrogênio adicionado ao solo através da referida fonte
(Volk, 1959; Allison, 1965, Cabezas, 1998).

Dinâmica do Nitrogênio no Solo


O nitrongênio é um nutriente que apresenta outras peculiaridades que dificultam ainda mais
o seu manejo, originadas das múltiplas e complexas reações bioquímicas que influenciam a
sua dinâmica, disponibilidade e eficiência no aproveitamento pelas plantas.
Alguns conceitos fundamentais sobre as transformações no solo e a relação com a matéria
orgânica, devem ser conhecidos para o entendimento e a implementação de um manejo
adequado em função dos diferentes sistemas de produção agrícola.
As plantas, com exceção das leguminosas e de outras espécies vegetais que fixam o
nitrogênio molecular (N2) em simbiose com microorganismos, absorvem o nitrogênio
mineral, principalmente nas formas nítrica (NO3-) e amoniacal (NH4+), enquanto o solo
predominam a forma orgânica (RCOOHNH2), o que implica necessariamente na ocorrência
do seguinte transformação:

A mineração do N-orgânico depende principalmente dos teores relativos de C,N,S e P da


matéria orgânica e das atividades microbianas, as quais estão associadas as condições
ambientais como : temperatura, umidade, aeração e pH da solução do solo. O processo
inverso, no qual o N- mineral, oriundo da decomposição da M.O, é transformado em
compostos orgânicos participando da composição de plantas ou microorganismos, após a sua
incorporação, é denominado de imobilização. Os dois processos descritos, na realidade
ocorrem simultaneamente, podendo ambos serem englobados e apresentados e
apresentados conforme a expressão:

Sendo essa expressão uma reação de equilíbrio, conclui-se que as características do meio,
assim com alterações dessas características deslocam o equilíbrio para uma das direções. Ou
seja, sempre haverá situações em que a mineralização pode ser maior, menor ou igual a
imobilização e vice-versa.

Dinânica do nitrogênio no ecossistema natural

Partindo do pressuposto que o ecossistema natural encontra-se em equilíbrio dinâmico é


aceitável admitir-se que a perda de matéria por exemplo de nitrogênio, se ocorrer, é
insignificante, senão como poderia ser explicado a sustentabilidade do sistema ao longo dos
séculos sem a interferência do homem tempo.
Neste sistema, o nitrogênio contido na forma orgânica (R - COOHNH2) é pelos organismos
amonificadores na forma de amônia (NH3) produzindo concomitantemente uma grande
quantidade de ânions orgânicos (R-COO).
Como a natureza os solos tropicais são naturalmente ácidos, a disponibilidade de umidade,
permite a continuidade do ciclo do nitrogênio não ocorrendo acúmulo da forma NH3 devido a
reação com a água, passando para a forma amoniacal(NH4+), liberando no ambiente íons
hidroxila (OH-), conforme esquematizado a seguir:

Nas condições naturais em meios ácido, predomina a forma e a absorção de nitrogênio


amoniacal (NH4+) que para a manutenção do equilíbrio de cargas elétricas a planta excreta
íons hidrogênio (H+)pelas raízes. A ocorrência desse fenômeno indus acreditar que haveria
uma intensificação da acidificação da área. Entretanto, tal fato não ocorre devido a presença
de grande quantidade de íons ânions orgânicos (R-COO) bem como pela neutralização
proporcionadas pela hidroxila resultante da amonificação e da excreção pelas raízes
originada da absorção de N-NO2-. Da reação e os ácidos orgânicos solúveis de baixo peso
molecular.

Devido a existência de espécies de bactéria nitrificantes mesmo em pH ácido, parte do


nitrogênio amonical (HH4-) será transformado para forma nítrica, resultando na liberação de
íons H+ na solução do solo. Nas condições descritas, em meio ácido, o processo de
nitrificação é pouco significativo não devendo ocorrer perdas de matéria do sistema, na
forma de N-NO2-, na maior mobilidade que a forma N-NH4+ devido a grande biomassa de
raízes para absorvê-lo, bem como pela intensa atividade da massa microbiana incorporandO-
o novamente na forma orgânica.
A absorção na forma nítrica, pelo motivo apresentado anteriormente levará a excreção pelas
plantas de íons bicarbonato (HCO3-) e hidroxila (OH-), os íons H+ formados durante a
nitrificaçào , e também liberados pela absorção de HH4+, impedindo que haja intensificação
de acidificação do sistema.
Da análise da dinâmica do nitrogênio no ecossistema natural pode-se depreender indicações
para o manejo eficiente do nutriente nos diferentes sistemas de produção agrícola,
merecendo destaque :

1º) o predomínio do processo de amonificação em relação à nitrificação,


2º) a reação ácida da reação do solo, e,
3º) a oferta constante de ânions orgânicos de baixo peso molecular.

Dinâmica do nitrogênio no ecossistema agrícola

Nos diferentes sistemas de produção as formas minerais de nitrogênio, nítrica ou amoniacal ,


são provenientes das ações dos microorganismos do solo, pelos processos de amonificação e
nitrificação. A amonificação é um processo inevitável, que ocorre em quaisquer condições
ecológicas pois resulta da intervenção de uma grande diversidade de microorganismos, entre
os quais destacam-se várias espécies de bactérias, actinomicetos e fungos.
Como o N orgânico do solo ocorre em maior proporção como um complexo lignO-proteico,
pode representar as transformações do mesmo adotado uma proteína como modelo, a qual é
submetida inicialmente a animação, aminizando ou proteólise, conforme esquematizado:

Na seqüência ocorre a amonificação propriamente dita , correspondente a uma desaminação


hidrolítica (Malavolta, 1982), ou seja:

Ao término do processo a amônia leberada, poderá ser transformada em amônio (NH4-),


conforme esquema a seguir:
O amônio formado serve de substrato para um grupo específico de microorganismo, as
bactérias nitrificantes que o utilizam para a obtenção de energia metabólica. Esse processo
denominado de nitricação, dá-se em duas etapas : a nitritação, através da atividade de
bactérias do gênero nitrosomas, e a nitritaçào desencadeado por bactéria do gênero
nitrobacter, cujo substrato é o nitrito (NO2-)produzido na etapa anterior, que será
finalmente. oxidado a nitrato (NO2-), descrito na ordem:

A nitrificação é um processo biológico realizado por um grupo específico de microorganismos,


as bactérias nitrificantes, com particularidades que a diferem da amonificação , pois, para a
sua viabilização em níveis adequados exige condições ambientais bem definidas conforme
tratado a seguir.

Temperatura do solo

De acordo com Hilder (1963), citado por Loures (1988), há uma correlação estreita entre a
temperatura do solo e a atividade respiratória dos microorganismos aí presentes, como pode
ser inferido pelo nível de CO2 desprendido (Figura 1). Enquanto a microfauna amonificante
manisfesta-se mesmo sob baixas temperaturas, a atividade dos nitrificantes é beneficiada
quanto a temperatura situa-se na faixa entre 25 a 30ºC.

Figura1. Influencia da temperatura do solo sobre a atividade biológica (Hilger, 1963)

Quando a temperatura ultrapassa a faixa de 25 a 30º C haverá desequilíbrio entre a


mineralização e a imobilização, intensificando o primeiro processo, liberando uma quantidade
maior de nitrogênio afetando o nível de equilíbrio da matéria orgânica do solo . Pode-se
afirmar que reside aí a origem do monor teor de matéria orgânica nos solos tropicais,
comparativamente àqueles da regiões temperadas, destacandO-se que a velocidade de
decomposição nos tópicos é 5 a 10 vezes superior (Sanches, 1981).
A interação simbólica leguminosa-rizóbio é sensível aos extremos de temperatura, muito
mais que o fornecimento de nitrogênio através da adubação, sendo que temperaturas baixas
retardam a infecção e a formação de nódulos (Franco & Dobereiner, 1988). O plantio
antecipado em regiões frias ou o plantio em safrinha, com o florescimentono período de
outonO-inverno, época que a fixação é intensa, poderá haver resposta da soja à adubação
nitrogenada.
De maneira geral a temperatura na faixa de 25 a 35ºC favorece a nodulação, condição que
pode não ser atendida,nos exemplos citados anteriormente, bem como nos sistemas de
produção convencional devido a elevada temperatura do solo, normalmente superior a 45ºC
na camada superficial.
Essa pode ser uma das justificativas das respostas da cultura da soja à adubação nitogenada
de início de ciclo "start dosage" ser mais comuns nas regiões de clima temperado.

Reação da solução do solo


Quanto a influência do pH do solo sobre os microorganismos verifica-se que a atividade dos
amonificadores é indiferente à reação a solução, entretanto, a atividade dos nitrificadores é
extremamente dependente do pH.
A intensidade da nitrificação é maior quando o pH H2O é próximo da neutrlidade, o que
justifica o efeito da calagem sobre o fenômeno (CAMARGO et al., 1968). Embora a
nitrificação seja beneficiada por valores de pH próximos da neutralidade, o processo é
acidófilo, particularmente na primeira fase da nitrificação. A calagem eleva o pH, que
estimula as atividades das bactérias nitrificantes, responsável junto com os fertilizantes
nitrogenados pela reacidificação do solo.
Aparentemente há um paradoxo , não estaria o homem, neste aspecto, agindo de maneira
contrária a natureza ?
A análise do sistema sugere que o processo agrícola seria beneficiado se fosse desenvolvido
em solos com pH mais ácidos, não tão próximos da neutralidade. Nestas condições poderia
ser utilizado qualquer fonte nitrogenada, com benefício para a matéria orgânica do solo, pois
intensificaria a sua mineralização, obtendo maior teor de C- orgânico em equilíbrio, os riscos
de contaminação dos recursos hídricos pelo nitrato seriam bem menores, predominado a
forma de N-NH4+. Outra vantagem de um ambiente mais ácido é o aproveitamento dos
micronutrientes metálicos existentes no solo ou fornecidos via adubação.
Para a fixação biológica de nitrogênio, a calagem deve ser também realizada com critério,
pois a elevação demasiada do pH aumenta consideravelmente a proporção actinomicetos no
solo, organismos produtores de antibióticos que podem inibir o estabelecimento do rodízio
(Franco & Dobereiner, 1988).

Umidade de solo

Entre as condições ambientais abordadas, a umidade do solo influência grandemente as


atividades microbiológicas e consequentemente a dinâmica do nitrogênio.
As plantas de interesse agrícola, na sua maioria, sofrem murchamento quando a tensãoda
água atinge valor próximo de 15atm, enquanto que, um grande número de microorganismos
ainda continuam ativos. Essa atividade é explicável, em parte, pela elevada pressão osmótica
de muitas espécies microbianas, e também pela maior absorção de água pela massa
protoplasmática, comparatividade às plantas.
Para os actinomicetos e os fungos e tensão de água não é tão crucial pois desenvolvem-se
mesmo quando a tensão supera o posto de murcha permanente, indica que a
amonificaçãonão é comprometida em solos ressecados , podendo ocorrer acúmulo de N-
amonical. Já as bactérias nitrificantes, são mais exigentes, paralisando suas atividades
quando a tensão da água no solo aproxima-se do nível de 15atm (Loures, 1988).
Nas associações leguminosa e rizóbio a deficiência de unidade diminui a infecção dos pêlos
absorventes e o crescimento dos nódulos. Ouro efeito constatado é a influência na interação
planta-rozóbio afetado a transferência de carboidratos para a atividade também o transporte
de produtos contendo nitrogênio dos nódulos para a planta.
Considerando as condições ambientais que influenciam as atividades dos microorganismos
do solo e o ciclo do nitrogênio, pode-se afirmar que a forma amonical (NH4+) estará
presente , desde que o pH do meio não intensifique a volatização como amônia ou estimule a
sua transformação para a forma crítica.
As indicações da natureza são no sentido de não estimular a nitrificação resultando em
vantagens para o sistema de produção agrícola. Para tanto, o uso com critério da calagem,
sem elevar excessivamente o pH do solo , é uma alternativa viável, já que os fatores como a
aeração e a umidade, que também influenciam a nitricação, se reduzidas afetariam a
nitrificação, se reduzidas afetariam sobremaneira as culturas agrícolas. Esta opção tem
sustentação empírica, através das evidências observadas em regiões de Cerrado, que
continuam a hipótese, pois a atividade com a saturação por bases variado entre 40 a 50% e
o pHH2O da solução entre 5,0 a 5,5, sugerindo que o assunto merece novas pesquisas,
principalmente em solos com predominância de argilas sesquioxídicas de elevado ponto de
carga zero (PCZ) e baixa CTC efetiva.
Outra possibilidade para diminuir a nitrificação consiste na utilização de resíduos vegetais
com relação C/N maior que 30,pois, nestas condições o processo é reduzido drasticamente
devido ao estímulo à imobilização do N-mineral. Esse processo poderá, momentaneamente ,
implicar em deficiência do elemento para a cultura, conforme estudo desenvolvido sobre a
dinâmica de nitrogênio, verificando que a imobilização sob plantio direto pode ser acentuada
pela relação C/N (Salet, 1994), ou ainda, por altas relações C/S e C/P conforme observado
em condições de colheita de "cana crua" (Oliveira et al. s/d).
Diferente do que ocorre no ecossistema natural, onde os processos de minelização e
imobilização estão em equilíbrio, no sistema agrícola convencional a mineralização é
freqüentemente superior a imobilização, exceto após o preparo do solo, enquanto quer sobre
o plantio direto, a imobilização poderá ser prolongada em relação ao modelo convencional,
devido a persistência do resíduo na superfície com decomposição mais lenta do que quanto
incorporado.
A princípio, a imobilização não deve ser motivo de maiores preocupações, pois não há
grandes dificuldades para contornar a carência provisória do nutriente, bastando para tanto
fornecer nitrogênio em quantidade adequada e suficiente na implantação da cultura,
reforçando a tese da necessidade de maior suplementação do elemento no sulco de plantio.
Essa conclusão pode ser estendida para o sistema convencional, considerando nesse caso a
mineração será amplificada pela incorporação do resíduo no solo, aumentando a superfície de
contato entre ambos, bem como a aeração do ambiente, favorecendo grandemente a
atividade microbiana.
Do exposto, quando no sistema for realizado o cultivo de um adubo verde, o mesmo deve ser
mantido em superfície e jamais incorporá-lo ao solo.

Cabe mencionar aspectos fisiológicos que concorrem para incentivar a utilização de maiores
doses de nitrogênio no sulco do plantio. Primeiro, a eficiência na absorção do elemento é
superior no estágio inicial das plantas de milho (Megel & Barber 1974), cujo fluxo de
nitrogênio através das raízes (unidade de comprimento), nos primeiros 20 dias após
emergência foi de 226,9mmol.m-1.dia-1, reduzido sensivelmente para 32,4mmol.m-1.dia-1
aos 30,40,50 e 60 dias, respectivamente. A diminuição da eficiência por unidade de
comprimento das raízes em função da idade pode ser compensada pelo maior tamanho das
mesmas. No entanto, este fato pode ser comprometido por inúmeros impedimentos de
natureza física, química e biológica, comuns nos sistemas agrícolas, impedindo o crescimento
radicular na proporção necessária para compensar a diminuição da eficiência. Ressalta-se
que a alocação de carboidratos para o crescimento radicular implica na competição entre as
partes da planta, em especial da parte aérea, podendo diminuir o saldo de fotossimilados
para o desempenho do processo produtivo (Favarin & Geoget, 1998).
Outro aspecto fisiológico que merece referência é a importância do hormônio que merece
referência é a importância do hormônio citocinina para as divisões celulares e o
desenvolvimento do câmbio, biossíntetiza nas regiões meristemáticas, nos quais os ápices
radiculares são os locais de maior importância para a sua síntese (Garcia &Martinez -
Laborde, 1994). Os hormônios vegetais contém nitrogênio em sua composição , e a adição
de nitrogênio no início do ciclo da cultura, no sulco de plantio ou em coberturas antecipadas,
é uma prática recomendada pela capacidade de estimular a produção e a atividade da
citocinina, resultando no maior desenvolvimento do sistema radicular (Fahl (1), 1999) e no
aproveitamento dos nutrientes (Gass et al., 1971).
Analisando o descrito anteriormente verifica-se que a umidade so solo, temperatura, reação
do solo, relações C/N, C/S, C/P, aeração, bem como a presença de outros nutrientes são
fatores que interferem na mineralização do nitrogênio do solo (Malavolta & Neptune, 1983).
Assim, devido a rapidez com que o fenômeno se processa, o NO 3- não aproveitado pela
cultura pode ter os seguintes caminhos: absorção pelos microorganismos, lavagem ou
lixiviação, permanência como NO3-, erosão e desnitrificação.
Quanto a desnitrificação a mesma ocorre em condições anaeróbicas, sendo um processo
microbiológico realizado por microorganismos como Pseudomonas, Micrococcus, Spirillum,
Thibacillus, os quais utilizam substâncias orgânicas como doadoras de elétrons, reduzindo
rapidamente o NO 3- que é convertido em nitrito (NO2-) e hiponitrito (H0N2O2), e depois em
N elementar (N2), óxido nitroso (N2O) e nítrico (NO) cujo destino é a atmosfera, com
conforme esquema simplificado:

Esse processo outrora valorizado somente para solos encharcados e campos de arroz
irrigados, é também de suma importância para as áreas de plantio direto com altos teores de
matéria orgânica e umidade, quando do uso de adubação nitrogenada.
No processo de mineralização do nitrogênio, é obedecida portando, as seguintes etapas : N
orgânicO- N amídicO-N amoniacal - N nitritO- N nitrato, e devido às perdas do nitrogênio na
forma de nitrato (NO3-), não é desejável que todo N orgânico passe para N amoniacal e para
N nítrico, mantendo assim uma reserva de N no solo na forma orgânica. Do exposto, é
relevante para o manejo do N que a velocidade de nitrificação seja manor, com práticas, que
levem principalmente à redução da exidação da M.O do solo ou ainda mediante o
parcelamento da adubação nitrogenada, bem como o emprego de adubos nitrogenados
protegidos ("slow release"), como uréia revestida com enxofre.
Em outras palavras, mesmo que a antecipação das adubações nitrogenadas seja uma prática
recomendada em certas condições, até que a pesquisa prove o contrário, o parcelamento da
adubação nitrogenada é prática fundamental para o melhor aproveitamento do nitrogênio.