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CANTICO

dos Cânticos de Salomão

1\. CANTICO dos Cânticos de Salomão Autor De acordo com o título em 1.1. o Cântico

Autor De acordo com o título em 1.1. o Cântico dos Cânticos pertence a Salomão. A expressão hebraica "de Salomão" (1.1) pode ser traduzida "de"

Salomão (como o seu autor) ou "para" Salomão

(como a pessoa à qual o livro é dedicado). A opinião tradicional entre

L --

judeus e cristãos éa de que Salomão foi

o seu autor (cf. 1Rs4.32).

1

rii·-- · Data e Ocasião Se o Cântico dos Cânticos

foi escrito por Salomão. ele teria sido composto em

meados do século X a.C. A sua dedicação a Salo-

i ~

~~

mão poderia apontar também para a mesma data, assim como o fazem outras características presentes no livro (cf.

6.4. nota). Muitos estudiosos. tanto judeus quanto cristãos. têm conside- rado o Cântico dos Cânticos como uma alegoria do amor de Deus por Israel ou pela Igreja. A associação do livro com Salomão, no en- tanto. nos leva em direção à literatura sapiencial do Antigo Testa- mento. Entre outras coisas. a literatura sapiencial se distingue por concentrar-se no âmbito comum dos relacionamentos humanos. Provérbios utiliza uma linguagem semelhante à do Cântico dos Cânticos de Salomão no que se refere ao amor conjugal (Pv 5.15-19). que constitui o assunto do Cântico dos Cânticos. Em últi- ma análise. esse amor deve ser visto no contexto do amor infinito de Deus. que a Bíblia como um todo nos revela. A beleza e o mérito do amor sexual são expressos no início da Bíblia. onde a diferença e o relacionamento entre os sexos são associados à criação da hu- manidade à imagem de Deus (Gn 1.27; cf. 2.19-25). Se o amor se- xual fosse um mal em si mesmo, seria inadequado como uma alegoria do amor de Cristo pela sua Igreja. O Cântico dos Cânticos de Salomão revela três qualidades do

desejo e com-

amor entre um homem e uma mulher: autodoação.

promisso. Em todas essas três categorias. o amor humano reflete o amor maior de Deus. nosso Criador. Deus se compraz em nós e dá-se a nós. Deus nos deseja inteiramente para ele. Deus sente profundamente tanto a dor quanto a alegria do seu relacionamento

conosco. Embora não seja próprio atribuir sexualidade a Deus. há uma analogia entre o amor que experimentamos no casamento e o amor que Deus tem por nós. Os profetas do Antigo Testamento comparam o amor de Deus pelo seu povo ao amor do noivo para

Jr 2.2; Os 2.14-20). O matrimônio cristão. se-

com a noiva (p. ex

gundo Paulo. deve ser modelado na mais perfeita expressão desse amor. o amor de autodoação de Cristo pela sua igreja e a reação voluntária desta (Ef 5.22.33). Oclímax do Cântico dos Cânticos é o louvor do amor veemente e fiel (8.6- 7).

Cântico dos Cânticos nos apresenta o amor fora do jardim do Éden. que não está livre de tristezas. mas que ainda assim é belo e representa um reflexo do próprio amor de Deus por nós. O livro relembra o dom do amor na criação e aponta para a perfei- ção do amor em alguém maior do que Salomão. o Senhor Jesus Cristo.

1

'"-'=--

1·--1 Características e Temas oCântico dos

damor. Os versos são curtos e ritmados. a linguagem é

Cânticos está escrito em versos. como poesia de

-- rica em figuras de linguagem e altamente sensual. O

poema lida mais com emoções do que com idéias racionais, exigin- do uma sensibilidade especial do leitor. Torna-se irrelevante. por exemplo. saber se a mulher descrita em 6.9 é realmente "imacula- da" em qualquer sentido que pudesse ser provado. Essa palavra é uma expressão da profunda afeição de seu amado por ela, e isso é tudo o que a figura de linguagem pretende comunicar. O Cântico dos Cânticos é uma rapsódia do amor: uma efusão de palavras e sentimentos de pessoas que vivem o amor humano. sexual. com todas as suas dores e prazeres. É um livro para aqueles que dese- jam saber ou lembrar-se do que significa estar apaixonado. Embora não se trate de um drama formal. há, contudo. as inte- rações entre as personagens no decorrer do poema. É possível identificar as personagens que falam em determinados versos com base nas evidências fornecidas pelo gênero. número e a pessoa dos verbos e pronomes hebraicos. embora os estudiosos não se- jam unânimes na sua identificação ou divisão precisas. As persona- gens foram identificadas por títulos inseridos na tradução (esses títulos não fazem parte do texto hebraico). As personagens mais importantes são a "sulamita" (6.13). uma jovem do campo; o "amado", o seu namorado pastor (1. 7; 6.3); e as "filhas de Jerusa- lém", que funcionam mais como o coro em um drama (2.7). Há numerosas personagens menores - o próprio Salomão é mencio- nado (1.5; 3.7,9.11; 8.11-12). assim como as mães dos jovens enamorados (6.9; 8.5). os seus irmãos (cf. 8.8-9). os seus amigos (5 1) e os guardas da cidade (3.3; 5.7). A presença dessas personagens tem levado muitos comenta- ristas a propor que o livro trata do relacionamento entre a moça e o pastor, tendo em Salomão apenas um intruso. Mas é difícil imagi- nar que Salomão pudesse aparecer de forma tão desfavorável em um livro que é da sua autoria ou dedicado a ele. Tem sido difícil identificar uma seqüência clara que caracterize um trama nas inte- rações entre essas três personagens ou mesmo estabelecer quais palavras são de Salomão e quais do pastor. Em razão desses pro- blemas. muitos escritores têm defendido a idéia de que o livro é uma antologia de poemas de amor com temas comuns. ao invés duma obra unificada. Mas tal divisão do livro em poemas separa- dos é inadequada e desnecessária. Talvez o poema seja melhor compreendido como a expressão da profundidade do amor entre a jovem sulamita e o seu pastor amado em uma linguagem de fantasia romântica. Ela o imagina como um rei galante. o príncipe dos seus sonhos. Segundo essa interpretação, Salomão é o arquétipo do amante. não um intruso. Entretanto. ele não é apresentado como alguém que deva ser invejado. OCântico dos Cânticos nos apresenta um mundo em que uma jovem camponesa e um pastor podem ser felizes e sentir-se tão realizados como um rei em seu trono (8.11-12).

779

CANTICO DOS CANTICOS

Em três momentos do Cântico dos Cânticos (2. 7; 3.5; 8.4), en- contra-se um refrão dirigido às "filhas de Jerusalém". A sua essên- cia é: "Não tente forçar a situação. Deixe o amor seguir o seu curso natural e o seu devido tempo." Esse refrão cria movimento e sus-

pense. Os amantes experimentam a separação, a hostilidade, a in-

terferência, porém orefrão antecipa que o relacionamento, apesar disso, continua progredindo. Há uma sensação de realização ao fi- nal do livro, quando os amantes, finalmente unidos e sem constran- gimento diante de todos, caminham de braços dados para a casa dos pais, o lugar onde seu relacionamento teve início (8.5) Os dois versos seguintes louvam a excelência do amor (8.6-7). Este é o clí- max do Cântico dos Cânticos, mas não o seu final. Otexto termi- na ecoando suavemente alguns dos elementos-chave da obra

(8.8-14).

Entre as expressões de anseio, no início, e de consumação, no final, há o que parece ser a seqüência de um sonho nos caps. 3-6 (3.1; 5.2). Nessa seção, ajovem sonha com oseu casamento ecom a vivência sexual que se seguirá. Há de tudo o que se possa esperar:

devaneios eróticos, pesadelos, medo de perder o seu amado e experiências românticas que o transformam num príncipe. Em seus

sonhos, o matrimônio da jovem se torna uma ocasião esplêndida e principesca, e o seu amado é identificado com o próprio Salomão. Apesar das imagens efantasias românticas encontradas nes- te livro, o realismo está ali presente. O autor conhece o desejo

erótico,

lacionamento diante da separação e das hostilidades. Ele compre-

ende que já não vivemos no jardim do Éden, mas em um mundo

decaído, onde também o amor traz sofrimento. Mas ainda assim persiste o idealismo. A impressão marcante que permanece no lei-

tor após a leitura do Cântico dos Cântico é

vilhoso e pode trazer profunda satisfação e contentamento.

os parentes intrusos e a luta

para estabelecer um bom re-

a de que o amor é mara-

luta para estabelecer um bom re- a de que o amor é mara- Título Otítulo tem

Título Otítulo tem sido traduzido como "Os Cân- ticos de Salomão", "Cântico dos Cânticos" e "Canta- res". O termo "cântico", que aparece no título, é o termo hebraico comum que designa uma canção ale- gre, sem qualquer conotação religiosa especial. A combinação "Cântico dos Cânticos" consiste numa bela expressão superlativa que significa "o maior de todos os cânticos", anunciando que o livro é um cântico de qualidade inigualável.

Esboço do Cântico dos Cânticos de Salomão

1. O desejo de amar {1.1-2.7)

A. Título (1.1)

O. A ansiedade no amor (5.2-6.3)

Ili. Elogio e anseio mútuos (6.4-8.4)

 

B. Elogio e anseio mútuos ( 1.2-2. 7)

A.

O elogio da sulamita (6.4-1 O) A união da sulamita com o seu amado

 

C.

A visita

 

do amado (2.8-17)

B.

li.

O devaneio

da noiva (3.1-6.3)

(6.11-8.4)

 

A.

O sonho da separação (3.1-5)

IV. Ovalor do amor na união (8.5-14)

B.

O cortejo nupcial (3.6-11)

A.

Em louvor ao amor (8.5-7) Conclusão (8.8-14)

C.

O elogio da sulamita (4.1-5.1)

B.

l

CÂNTICO DOS CÂNTICOS 1

1 ªCântico dos cânticos de Salomão.

1 Esposa

2 Beija-me com os beijos de tua boca; bporque melhor é o 2 teu amor do que o vinho. 3 Suave é o aroma dos teus ungüentos, como ungüento derramado é o teu nome; por isso, as donzelas te amam_

4 eleva-me após 3 ti, d apressemo-nos.

O rei me eintroduziu nas suas recâmaras.

780

6 Não olheis para o eu estar morena, porque o sol 6 me queimou.

Os filhos de minha mãe se indignaram contra mim

e me puseram por guarda de vinhas;

a /vinha, porém, que me pertence, não a guardei. 7 Dize-me, ó amado de minha alma:

onde apascentas o teu rebanho, onde o fazes repousar pelo meio-dia, para que não ande eu 7 vagando junto ao rebanho dos teus companheiros?

Coro

Em 4 ti nos regozijaremos e nos alegraremos; do 5 teu amor nos lembraremos, mais do que do vinho; não é sem razão que 5 te amam.

Esposa

s Eu estou morena e formosa,

ó filhas de Jerusalém,

como as tendas de Quedar,

como as cortinas de Salomão.

Esposo

8 Se tu não o sabes, g ó mais formosa entre as mulheres,

8 sai-te pelas pisadas dos rebanhos

e apascenta os teus cabritos junto às tendas dos pastores.

9 h Às éguas dos carros de Faraó te comparo, querida minha. to iFormosas são as tuas faces entre os teus enfeites,

o teu pescoço, com os colares .

--

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CAPÍTULO 1

l a 1Rs4.32

2 bCt 4.1 O 1 Sulamita, uma jovem palestina, Ct 6.13. Oradores e audiência são identificados pelo número, gênero

e pessoa das palavras hebraicas. Em alguns casos, a identificação é incerta 2Masc. sing

4514-15; Jo 14.2; Ef 2.6 3Masc. sing

fonne LXX, Se V; TMporque seria eu como alguém que se encobre

IOiEz 16.11

o amado

4 cos 11.4; Jo 6.44; 12.32 dFp 3.12-14 es1

o amado 4Fem. sing.: a sulamita 5Masc. sing. o amado 6/Ct 8.11-12 6\jt. olhou sobre mim 7 7Con-

9h2Cr1.16 iCt 2.2,10,13; 4.1,7; Jo 15.14

8 gct 5.9 Bsegueos rastros

•1.1 Ver aIntrodução: Autor; Título. •1.2-4 Expressões postas na terceira pessoa em 1.2 e 1.4 ("Beija-me com os beijos

O rei me introduziu") abrem e fecham o parágrafo, que noutras

"teu amor")_ A jovem oscila entre

pensar sobre seu amado ausente e dirigir-se a ele como se ele estivesse presente.

passagens estão na segunda pessoa ("teu nome"

da tua boca

•1.4 O rei me introduziu nas suas recâmaras. Temos aqui a primeira das cin-

co ocorrências da palavra "rei" (1.4, 12; 3.9, 11; 7.5). Aqui, no v. 4, há duas possibi- lidades: ou o rei é Salomão, que havia tentado, sem sucesso, conquistar os afetos da jovem, ou ele é o amado, a quem ela, romanticamente, fantasia como o seu

rei. Essa última interpretação é apreferida (ver a Introdução: Características eTe- mas). Oparágrafo tennina, como começou, com ajovem referindo-se a seu ama- do ausente na terceira pessoa do singular (vs. 2-4, nota)_ Em ti nos regozijaremos e nos alegraremos. As "filhas de Jerusalém" (v. 5) concordam com a jovem em que o amor do seu amado é melhor do que o vinho

(v 2)

•1.5-6 A iovem responde à crítica sobre a cor da sua pele (vs. 5, "eu estou more- na") por parte das filhas de Jerusalém (5.10-16, nota)_ Ela estava profundamente

bronzeada de sol, porque os irmãos

e,

em conseqüência, ela não foi capaz de cuidar apropriadamente de sua "vinha" (o corpo dela, v. 6).

tendas de Quedar. As tribos beduínas que residiam na fímbria dos desertos situados a leste de Israel fabricavam suas tendas de pêlos escuros de cabra.

f -N- 1 QUEDAR 100mi 1-- 100km
f
-N-
1
QUEDAR
100mi
1--
100km

dela a tinham posto a trabalhar nas vinhas,

1. 7 para

•1.8 ó mais formosa entre as mulheres. Em outros lugares do Cântico dos Cânticos, esta forma de tratamento só é usada pelas "filhas de Jerusalém" (5.9; 6.1 ). Se quem fala aqui são as mesmas "filhas de Jerusalém", cujos olhares críticos são referidos no v. 6, então a atitude delas parece ter mudado. Mais

provavelmente, porém, as palavras delas aqui sejam sarcásticas (5.8-9).

•1.9 Às éguas dos carros de Faraó. Salomão começou o seu reinado fazendo uma aliança de casamento com Faraó (1 Rs 3.1 ). Ele também comerciou com

que não ande eu vagando. A jovem não quer parecer uma prostituta.

Locais citados no Cântico dos Cânticos de Salomão.

Das montanhas do Líbano às ruas de Jerusalém (Ct 4.8; 6.4), a história de amor do Cântico dos Cânticos de Salomão ocorre em uma grande variedade de cenários. Os amantes falam um do outro e para o outro com muitas figuras de linguagem, incluindo "a rosa de Saram" (Ct 2.1), "o lírio dos vales" (Ct 2.1) e as "vinhas de En-Gedi" (Ct 1.14)

781

CÂNTICO DOS CÂNTICOS 1, 2

t t Enfeites de ouro 9 te faremos, com incrustações de prata.

Esposa

Esposa

3 Qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amado entre os jovens; desejo muito a sua sombra

12

Enquanto o rei está assentado

e

debaixo dela me assento,

à sua mesa,

e

o ªseu fruto é doce ao meu paladar.

o

meu 1 nardo exala o seu perfume.

tJ O meu amado é para mim

um saquitel de mirra, posto entre os meus seios.

14 Como um racimo de flores de hena nas vinhas de En-Gedi,

é para mim o meu amado.

4 Leva-me à 1 sala do banquete,

e o seu estandarte sobre mim é o amor. 5 Sustentai-me com passas, confortai-me com maçãs,

pois desfaleço de amor. ó A bsua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça,

e a direita me abrace.

Esposo

15 'Eis que és formosa, 2 ó querida minha, eis que és formosa; os teus olhos são como os das pombas.

Esposa

Como és mformoso, amado meu, como és amável!

O nosso 3 leito é de viçosas folhas,

17 as traves da nossa casa são de cedro,

2

e os seus caibros, de cipreste. Eu sou a rosa de Sarom, o !frio dos vales.

7 cconjuro-vos 2 ' ó filhas de Jerusalém, pelas gazelas e cervas do campo, que não acordeis, nem desperteis o amor, até que este o queira. 8 Ouço a voz do meu amado; ei-lo galgando os montes,

pulando sobre os outeiros. 9 O d meu amado é semelhante ao gamo ou ao filho da gazela; eis que está detrás da nossa parede, olhando pelas janelas, espreitando pelas grades. to O meu amado fala e me diz:

Esposo

2 Qual o !frio entre os espinhos, tal é a minha querida entre as donzelas.

Esposo

Levanta-te, querida minha, formosa minha, e vem.

fill»

11 9Fem. sing.:

a sulamita

12 1 Fragrância produzida da planta do mesmo nome

1S 1Ct4.1; 5.12 2companheira, amiga minha

16 mct

5.10-16 3cama

CAPÍTULO 2

3 a Ct 4.16; Ap 22.1-2

4 1 Lit. casa de vinho

ó b Ct 8.3

7 e Ct 3.5; 8.4 2 /ntimo-vos

9 d Pv 6.5; Ct 2.17

cavalos egípcios (1Rs 10.28), e os carros de combate de Faraó, com seus dois cavalos iguais tornaram-se muito conhecidos e admirados em Israel. O que é contemplado aqui teria sido excepcional: uma égua enfeitada entre os garanhões, causando admiração e excitação.

•1.11 (Nós) te faremos. No v. 4, as "filhas de Jerusalém" fazem ecoar os elo- gios da jovem a seu amado; aqui, porém, elas respondem semelhantemente aos elogios dele a ela. O sujeito no plural (nós, subentendido em português) é contra tomarmos este versículo como uma fala do amado da jovem a usar uma lingua- gem própria da corte. Ochamado plural de majestade não era usado na literatura do antigo Oriente Próximo. •1.12 o rei. O amado da jovem novamente aparece como um rei, conforme é indicado no versículo seguinte. à sua mesa. Ooriginal hebraico tem aqui uma expressão incomum, literalmente, sua volta". Essa volta não é uma mesa, mas erva e árvores (vs. 16-17). Ajo- vem estava pensando nos tempos em que ela e seu amado passavam tempos sozinhos nos bosques. •1.14 En-Gedi. Esse oásis luxuriante se situa a meio caminho para quem desce para as praias ociàenta·1s ào mar Morto.

•1.15 Os teus olhos são como os das pombas. O ponto da comparação não é declarado. Talvez esteja em foco a meiguice de seu olhar. A jovem retribui o elogio indiretamente, em 5.12. •2.1 a rosa. O original hebraico indica uma planta da família do bulbo, como um açafrão ou narciso. Sarom. Esta planície que se estende para o sul desde o monte Carmelo,

seguindo a costa do mar Mediterrâneo. Neste versículo, a jovem compara-se, modestamente, a alguma flor silvestre bem conhecida.

•2.4 sala do banquete. Lit. "sala do vinho". Ocenário é ao ar livre (1.12, nota). A "casa" dos amados, até essa altura, tem sido a floresta (1.16-17). Agora, eles passam para uma "casa" diferente, a saber, a vinha do jovem, a sua "casa" do vinho. Essa expressão continua a linguagem figurada da realeza de 1.4, 12 (o pas-

tor é um rei), e a comparação entre o amor e o vinho aparece em

o seu estandarte. Estandartes, comumente, adornavam salões de banquete reais, mas esta sala do banquete ou "casa do vinho" é diferente. Tem somente um estandarte, o amor, e este também era o único "vinho" que seria consumido durante o banquete.

•2.5 passas

tros lugares do Antigo Testamento, com ritos religiosos, algumas vezes até em um contexto pagão (2Sm 6.19; Os 3.1 ). Isso tem levado alguns comentaristas a suporem que o Cântico dos Cânticos de Salomão originou-se como uma peça es- crita de um rito de fertilidade pagão envolvendo o sexo ritual (cf. Os 4.11-14). Mas

os atos de amor no Livro do Cântico dos Cânticos não têm uma dimensão religio- sa óbvia. As passas, nesse caso, tal como as maçãs, são simples afrodisíacos. A jovem pede passas e maçãs para renovar as suas forças. •2.7 Quanto a comentários sobre este refrão, que também ocorre em 3.5; 8.4,

ver a Introdução: Características

e Temas. Aqui, o refrão é uma lembrança de que

o ato de amor até aqui tem sido só imaginado, sem tornar-se real, a despeito da linguagem vívida. •2.8-17 A linguagem figurada do pastor amado como uma gazela ou um gamo novo, nas colinas, introduz e conclui esta seção, outro encontro imaginário entre

1.2.

maçãs. As passas ou "bolos de passas" são associadas, em ou-

CÂNTICO DOS CÂNTICOS 2, 3

782

11

Porque eis que passou o inverno, cessou a chuva e se foi;

2 Levantar-me-ei, pois, e rodearei a cidade, pelas ruas e pelas praças;

12

aparecem as flores na terra, chegou o tempo de cantarem as aves,

buscarei o amado da minha alma. Busquei-o e não o achei.

e a voz da rola ouve-se em nossa terra.

13 A figueira começou a dar seus figos,

e as vides em flor exalam o seu aroma;

levanta-te, querida minha, formosa minha, e vem. 14 •Pomba minha, que andas pelas fendas dos penhascos,

3 Encontraram-me bos guardas, que rondavam pela cidade.

Então, lhes perguntei:

vistes o amado da minha alma? 4 Mal os deixei, encontrei logo o amado da minha alma; agarrei-me a ele e não o deixei ir embora,

no esconderijo das rochas escarpadas,

até que o fiz

entrar em e casa de

minha mãe

mostra-me o 3 rosto,

e

1 na recâmara daquela que me

concebeu.

!faze-me ouvir a tua voz, porque a tua voz é doce,

s d Conjuro-vos 2 , ó filhas de Jerusalém,

pelas gazelas e cervas do campo,

e

o teu rosto, amável.

que não acordeis, nem desperteis o amor, até que este o queira.

Esposa

15

Apanhai-me 8as raposas, as raposinhas, que devastam os vinhedos, porque as nossas vinhas estão em flor.

16

O hmeu amado é meu, e eu sou dele;

ele apascenta o seu rebanho entre os lírios. 11 ;Antes que refresque o dia

e fujam as sombras,

volta, amado meu; faze-te !semelhante ao gamo ou ao filho das gazelas sobre os montes 4 escabrosos. 3 De ªnoite, no meu leito, busquei o amado de minha alma, busquei-o e não o achei.

Coro

6

eoue é isso que sobe do deserto,

como colunas de fumaça, perfumado de mirra, e de incenso,

e

de toda sorte de pós aromáticos do mercador?

7

É a liteira de Salomão; sessenta valentes estão ao redor dela, dos valentes de Israel.

8

Todos sabem manejar a espada

e

são destros na guerra;

cada um leva a espada à cinta, por causa dos temores noturnos.

9

O rei Salomão fez para si um 3 palanquim de madeira do Líbano.

14 •Ct 5.2/Ct 8.13 3Ut.a tua aparência

ou de, separação

CAPITULO 3 1 a Is 26.9 3 bCt 5.7; Is cadeira coberta, para ser carregada

15 gs1 80.13; Ez 13.4; Lc 13.32

21.6-8, 11-12

16 hCt 6.3

17 iCt 4.6 iCt 8.14 4Qu de Beter, lit de fendas

5 dCt 2 7; 8.4 2/ntimo-vos 6 ect 8.5 Q 3uma liteira,

4 cct 8.2 I no quarto

os

dois amados. Após ter-se dirigido de modo breve às filhas de Jerusalém, no v.

começa ou termina, mas, por certo, esta é uma das grandes características do

7,

a jovem retornou

a seus pensamentos meditativos.

livro (Introdução: Características e Temas)

•2.14 mostra-me o rosto. Otexto hebraico traz a partícula possessiva "teu". No hebraico. a troca do pronome possessivo "teu" para a forma feminina sugere que este versículo e o seguinte devem ser atribuídos ao pastor, "o amado"

•2.15 as raposinhas, que devastam os vinhedos. As raposas são o único elemento negativo no cenário da primavera, em tudo o mais ideal, dos vs. 10-15.

O imperativo sem qualquer sujeito específico é como se fosse um passivo ("Que

as raposas sejam apanhadas"), e o versículo inteiro exprime o desejo, da parte

dos amados, de que coisa alguma deve ter permissão de interferir em seu ato de

amor

•2.16 ele apascenta o seu rebanho entre os lírios. Em face do contexto, o

mais provável é que tenhamos aqui uma metáfora para a intimidade do amor. Ver

a nota no v. 15 e 6.2.

•2.17 Antes que refresque o dia, e fujam as sombras. Tradicionalmente, es- tas linhas têm sido interpretadas 1untamente com aquilo que se segue, mas elas

podem fazer um melhor sentido se lidas junto com o v. 16. Os amados estiveram juntos a noite inteira e, quando o dia irrompe, eles precisavam separar-se. Oretor-

no do jovem às colinas assinala o fim da unidade que se abriu no v. 8 (ver 2.8-17,

nota).

•3.1 De noite, no meu leito. A jovem não estava mais com o seu amado, mas sozinha, no leito dela, imaginando vários encontros com ele. Uma indicação mais explícita de que ela estava sonhando aparece em 5.2. Não é claro onde o sonho

•3.2-4 Esta busca da jovem pelo seu amado ou segue o sonho dela durante a noite ou é. em si, um de seus sonhos. A presença dos guardas, a patrulharem as ruas da cidade, indica que é noite e que temos aqui, provavelmente, um sonho. O paralelismo de 5.2-8 é um sonho (5.2). Ambos os sonhos têm característica de pesadelo, e aquele do cap. 5, é mais obviamente pesadelo do que este (ver especialmente 5.7).

•3.4 em casa de minha mãe. Presumivelmente, este era o lugar onde a jovem solteira dormia (v. 1). Em seu sonho, ela trouxe o seu amado para a casa dela.

•3.5 Esta segunda ocorrência do refrão confirma que o ato de amor, neste estágio,

era imaginário e não real. A consumação penmanece no futuro (2.7, nota).

•3.6-11 Posta entre as duas indicações de que a jovem está em casa, no leito

(3.1; 5.2). esta cena de casamento é melhor tomada como parte do sonho da jo-

vem.

transfonmado em uma ocasião real, tendo seu amado como rei, o magnificente

Salomão.

•3.8 por causa dos temores noturnos. Os homens de Salomão formariam um corpo de guarda-costas como proteção contra assaltantes, visto que os casa- mentos eram celebrados ao anoitecer Mas este versículo tem uma referência dupla. Há também a "noite", introduzida em 3.1, que foi estragada pelo próprio "temor noturno" da jovem. Esses temores foram banidos. pelo menos durante al- gum tempo, pela esplêndida visão de Salomão com seus homens de guerra (vs 2-4, nota).

Um pesadelo cede lugar à fantasia. Ela

sonha com o dia do seu casamento,

Não foi esta a primeira vez em que ela o imaginou assim (1.4, 12; 2.4).

783

CÂNTICO DOS CÂNTICOS 3, 4

10 Fez-lhe as colunas de prata,

a espalda de ouro, o assento de púrpura,

e tudo interiormente ornado com amor pelas filhas de Jerusalém. 11 Saí, ó filhas de Sião,

e contemplai ao rei Salomão com a coroa com que sua mãe o coroou no dia do seu desposório, no dia do júbilo do seu coração.

Esposo

4

Como ªés formosa, querida minha,

como és formosa! Os teus olhos são como os das pombas

e brilham através do teu véu.

Os teus cabelos são como o brebanho de cabras

que descem ondeantes do monte de Gileade. 2 São os cteus dentes como o rebanho das ovelhas recém-tosquiadas, que sobem do lavadouro,

e

e

das quais todas produzem gêmeos,

nenhuma delas há sem / crias.

3 Os teus lábios são como um fio de escarlata,

e tua boca é formosa;

das tuas faces, como romã partida, brilham através do véu. 4 O eteu pescoço é como a torre de Davi, edificada !para arsenal; mil 2 escudos pendem dela, todos broquéis de soldados valorosos. s Os gteus dois seios são como duas crias,

gêmeas de uma gazela, que se apascentam entre os lírios .

Esposa

6 hAntes que refresque o dia,

e fujam as sombras,

irei ao monte da mirra

e ao outeiro do incenso.

Esposo

7 iTu és toda formosa, querida minha,

e em ti não há defeito.

8 Vem comigo do Líbano, noiva minha, vem comigo do Líbano; olha do cimo do Amana, do cimo do Senir ie do Hermom, dos covis dos leões, dos montes dos leopardos.

9 Arrebataste-me o coração, minha irmã, noiva minha; arrebataste-me o coração com um só dos teus olhares, com uma só pérola do teu colar. 10 Que belo é o teu amor, ó minha irmã, noiva minha! 'Quanto melhor é o teu amor do que o vinho,

e

o 3 aroma dos teus ungüentos

do que toda sorte de especiarias! 11 Os teus lábios, noiva minha, destilam mel.

mMel e leite se acham debaixo da tua língua,

e a fragrância dos teus vestidos é ncomo a do Líbano.

12 Jardim 4 fechado

manancial recluso, fonte selada. 13 Os teus renovos são um pomar de romãs, com frutos excelentes: a hena e o nardo;

és tu, minha irmã, noiva minha,

CAPÍT~Ul4 1-~Ct~15;5-;bCt 6 ~ 2 CCt6 6~spoj;;;-a~:~uascrias~ -~-

-- --

J dCt 6.7

10 ICt 1.2,4 3a fragrância

4eCt7.4/Ne3192Escudospequenos

sgPv5.19;Ct7.3

6hCt2.17

7iCt1.15;Ef5.27

8/Dt3.9;1Cr5.23;Ez27.5

11 m Pv 24.13-14; Ct 5.1 n Gn 27.27; Os 14.6-7

12 4fechado à chave ou trancado

•3.11 Sião. Um nome alternativo para Jerusalém (p. ex , Is 40 9) a coroa. Não temos aqui uma alusão à coroa do rei, mas ao tipo de coroa usada pelas noivas e pelos noivos nos casamentos judaicos. Esse costume foi abando- nado pelos judeus em sua tristeza causada pela trágica guerra contra os romanos e pela perda de Jerusalém 170 d.C.) Há um provérbio rabínico que diz que "um noivo se assemelha a um rei".

sua mãe. A estrutura da família reftetida em Cântico dos Cânticos parece ser matriarca! 11.6; 3.4; 6.9; 8.1-2,5). Não há qualquer referência a um pai, e, dentro do relacionamento entre os amados, parece haver mutualidade. Não obstante, há elementos de domínio masculino no Livro de Cântico dos Cânticos, notavelmente o papel desempenhado pelos irmãos da jovem (1.6; 8 8-9) e pelos guardas (5 7) no dia do seu desposório. O Salomão verdadeiro teve muitos casamentos (1 Rs

11.3) O dia em vista aqui

tem um ideal romântico lvs 6-11, nota).

•4.1-5.1 Nesta única unidade, o homem elogia a sulamita 14.1-15); ela responde com um convite 14.16); e ele aceita o convite 151 )_

•4.1 monte de

•4.4 a torre de Oavi. A localização dessa torre é desconhecida. Não se trata da atual torre de Davi, do lado de dentro do portão de Jafa, em Jerusalém, visto que essa torre não é mais antiga do que os tempos de Herodes, o Grande. O pescoço da jovem estava adornado com jóias, tal como aquela famosa torre estava adornada com escudos. •4.6 Antes que refresque o dia. Aproximava-se o tempo em que os amados deveriam separar-se 12.17, nota).

Gileade. Um elevado platô, situado a leste do rio Jordão.

monte da mirra

ciaria aromática ·importada (cf. Mt 2.11 ). Apesar da linguagem exótica. a referên-

cia mais provável é à região montanhosa local. perfumada com as florescências da primavera lcf 113-17)

•4.8 noiva minha. Estas palavras, !"esposa", no hebraico original) não estão usa- das literalmente, mas como um termo de afeto, em antecipação ao casamento.

Líbano

remota ao norte da Palestina. Não devemos imaginar que a jovem habitava no cume do monte Hermom. Antes. esses nomes de lugar são símbolos do caráter

inacessível da que o cortejo deveria vencer.

•4.9 minha irmã. Nos idiomas do Oriente Próximo, "irmã" é comumente usado pelos apaixonados como termo de carinho. Expressa uma proximidade entre pes- soas que não são membros de uma mesma família.

•4.1 O do que o vinho. Volta agora o elogio de 1.2.

•4.12 Jardim fechado és tu guagem da virgindade.

manancial

anela por águas refrescantes IPv 5.15-20).

•4.13-14 Os teus renovos. A imagem do jardim fechado é desenvolvido mais ainda lv. 12, nota). A palavra "renovas" !plantas) alude aos deleites antecipados do ato de amor.

fonte. O seu amado anelava por ela como um viajante sedento

manancial recluso. Estas são figuras de lin-

outeiro do incenso. Oincenso. como a mirra. era uma espe-

Amana

Senir

Hermom. Todos estes locais estão na região mais

CÂNTICO DOS CÂNTICOS 4, 5

784

14 o nardo e o açafrão, o cálamo e o cinamomo, com toda a sorte de árvores de incenso,

a mirra e o aloés,

com todas as principais especiarias. ts És fonte dos jardins, poço das ºáguas vivas,

torrentes que correm do Líbano!

Esposa

Levanta-te, vento norte,

e vem tu, vento sul;

assopra no meu jardim,

para que se derramem os seus aromas. Ah! PVenha o meu amado para o seu jardim

e coma os seus qfrutos excelentes!

Esposo

5 ªentrei no meu jardim, minha birmã, noiva minha; colhi a minha mirra com a especiaria, ecomi o meu favo com o mel, bebi o meu vinho com o leite. Comei e bebei, d amigos; bebei fartamente, ó amados.

Esposa

2 Eu dormia, mas o meu coração velava; eis a voz do meu amado, que e está batendo:

Esposo

Abre-me, minha irmã, 1 querida minha, pomba minha, imaculada minha, porque a minha cabeça está cheia de orvalho,

os meus 2 cabelos, das gotas

da noite.

Esposa

J despi a minha túnica, hei de vesti-la outra vez? Já lavei os pés, tomarei a sujá-los?

4 O meu amado meteu a mão por uma 3 fresta,

e o meu coração se comoveu por amor dele. s Levantei-me para abrir ao meu amado; as minhas mãos destilavam mirra,

e os meus dedos mirra preciosa

sobre a maçaneta do ferrolho.

6 Abri ao meu amado, mas já ele se retirara e tinha ido embora;

a minha alma se derreteu quando, antes, ele me falou; /busquei-o e não o achei; chamei-o, e não me respondeu. 7 Encontraram-me gos guardas que rondavam pela cidade; espancaram-me e feriram-me; tiraram-me o manto os guardas dos muros. 8 Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, se encontrardes o meu amado, que lhe direis? Que desfaleço de amor.

Coro

9 Que é o teu amado mais do que outro amado, tu, a mais formosa entre as mulheres? Que é o teu amado mais do que outro amado, que tanto nos 4 conjuras?

Esposa

10 O meu amado é alvo e rosado, 5 o mais distinguido entre dez mil.

11 A sua cabeça é como o ouro mais apurado, os seus cabelos, cachos de palmeira, são pretos como o corvo.

12 Os iseus olhos são como os das pombas junto às correntes das águas, lavados em leite, ôpostos em engaste.

~~~~~~~~~~~

t5ºZc14.8;Jo4.10;7.38 lóPCt5.1 qct7.13

ó/Ct 3.1

7 gct 3.3

CAPÍTULO 5 l ª Ct 4.16 b Ct 4.9 e Ct 4.11 d Lc 15.7, 1O; Jo 3.29 2 e Ap 3.20 1 companheira, amiga minha 2 cachos ou mechas

4 3abertura (da porta)

1.15; 4.1 ó adequadamente ajustados

9 hCt 1.8; 6.1 4inümas

10 5Lit. contemplado, como um estandarte ou bandeira

12 iCt

•4.15 poço rias águas vivas. Esta imagem exprime como ojovem gostaria que sua querida ~se: não mais uma fonte selada (v. 12, nota). Há um convite implíci- to à entrega' sexuàl.

•4.16 Venha o meu amarlo para oseu jardim. Ajovem destrancou o"jardim" de sua virgindade para o seu amado (v. 12, nota). •5.1 Já entrai no mau jardim. Oamado aceita o convite de sua amada. minha innã, noiva minha. A natureza inacessível da jovem foi finalmente venci- da (4.8. nota).

Comei e bebei 6 amados. Aqueles que falam não são especificados, mas imitam alinguagem usada pelo pastornas duas linhas anteriores ("comi", "bebi"). Comer e beber são, com freqüência, linguagem figurada para o ato do amor. Ajo- vem sonha com o tempo em que sua relação com seu amado não somente será consumada, mas também terá a aprovação da família e dos amigos.

•5.2 Eu dormia velava. Ver notas em 3.1 e 3.2-4.

•5.5 mirra preciosa. A mirra, em seu estado líquido e virgem, exatamente

como flui da árvore, era uma substância rara e preciosa lcf. Êx 30.23). Não é claro, no original hebraico, se a jovem aplicou a mirra liberalmente em si mesma, antes de ir à porta, ou se seu amado, desapontado, deixou a mirra no trinco da porta. como prova de seu amor. A repetição da expressão exata, do v. 13 favore- ce um pouco esta última possibilidade. •5.6 tinha ido embora. Neste ponto, o sonho da jovem se transforma em um pesadelo, quando os seus temores se erguem para assustá-la. Primeiramente, houve o temor de perder o amado. •5.7 espancaram-me e feriram-me; tiraram-me o manto. Opesadelo conti- nua, quando a jovem agora sonha que está sendo atacada (v. 6, nota). A noiva fu- tura tanto anela pelo amor como teme oamor. eosonho combina esses anelos e esses temores. •5.10-16 Em reação à desvalorização implícita de seu amado, feita pelas filhas de Jerusalém (v. 9), a jovem o elogia em termos elaborados. A situação é paralela à de 1.5-6, onde a jovem responde a uma crítica implícita de sua cor, feita pelo mesmo grupo de mulheres.

13 As suas faces são como um canteiro de bálsamo, como colinas de ervas aromáticas; os seus lábios são lírios que gotejam mirra preciosa; 14 as suas mãos, cilindros de ouro, embutidos de jacintos;

o seu ventre, como alvo marfim,

coberto de safiras. ts As suas pernas, colunas de mármore, assentadas em bases de ouro puro;

o seu aspecto, como o Líbano,

esbelto como os cedros. 16 O seu falar é muitíssimo doce;

sim, ele é totalmente desejável. Tal é o meu amado, tal, o meu esposo,

ó filhas de Jerusalém.

Coro

6 Para onde foi o teu amado, ªó mais formosa entre as mulheres? Que rumo tomou o teu amado?

E o buscaremos contigo.

Esposa

2 O meu amado desceu ao seu bjardim, aos canteiros de bálsamo, para pastorear nos jardins

e para colher os lírios.

785

CÂNTICO oos CÂNTICOS 5, 6

3 rEu sou do meu amado, e o meu amado é meu; ele pastoreia entre os lírios.

Esposo

4 Formosa és, querida minha, como Trrza, aprazível como Jerusalém, formidável como um exército com bandeiras. s Desvia de mim os olhos, porque eles me 1 perturbam.

Os teus cabelos descem ondeantes d como o rebanho das cabras de Gileade. 6 esão os teus dentes como o rebanho de ovelhas que sobem do lavadouro,

e

das quais todas produzem gêmeos,

e

nenhuma delas há sem 2 crias.

7 As tuas faces, !como romã partida,

brilham através do véu.

8 Sessenta são as rainhas, oitenta, as concubinas,

e as &virgens, sem número.

9 Mas uma só é a minha pomba, a minha himaculada, de sua mãe, a única,

a predileta daquela que a deu à luz;

viram-na as donzelas e lhe chamaram ditosa; viram-na as rainhas e as concubinas e a louvaram.

Coro 10 Quem é esta que aparece como a alva do dia, formosa como a lua, pura como o sol, 'formidável como um exército com bandeiras?

o sol, 'formidável como um exército com bandeiras? JCCt216:710 •5.12 Os seus olhos são como os

JCCt216:710

•5.12 Os seus olhos são como os das pombas. O elogio de 1.15 e 4.1 re-

torna (1.15, nota). Ocontraste com "cachos

rior, é notável. A descrição feita pela jovem sugere que o amado dela exibe tanto

força quanto ternura. lavados em leite. Essa figura de linguagem se referia, provavelmente, ao branco dos olhos. A descrição dos olhos, neste versículo, serve de exemplo de metáfora

rn1sta

pretos como o corvo", na linha ante-

•5.13 gotejam mirra preciosa. Lit "gotejando mirra fluente". Ver a nota no v. 5. •5.14 jacintos. Não se pode determinar a pedra preciosa exata aqui menciona- da. Em Êx 28.20, o mesmo tipo de pedra é engastada em ouro, no peitoral usado pelo sumo sacerdote. •5.16 Tal é o meu amado. tal. o meu esposo. Orelacionamento entre um ho- mem e uma mulher em Cântico dos Cânticos, é mais amplo do que o ato do amor, embora seja central ao mesmo. Envolve também o companheirismo. •6.1 o buscaremos. Oanimado elogio da 1ovem ao seu amado parece ter con- vencido as filhas de Jerusalém de que ele é digno de ser procurado (cf. 5.9). Mas não fica claro se elas querem encontrá-lo por amor à jovem ou por interesse pró- prio •6.2-3 A linguagem destes dois versículos é extraída das duas passagens ante- riores que tratam de encontros imaginários entre a jovem e seu amado (5.1 e 2.16) O mais provável é que ela suspeite dos motivos delas (v 1, nota). motivo pelo qual na realidade ela tivesse rejeitado o oferecimento das filhas de Jerusa- lém para ajudá-la na busca do amado dela e tenha voltado a pensar sobre seus momentos de intimidade com ele.

•6.4 Tirza. Esta cidade, situada a quase 1Okm a nordeste de Siquém, na Palesti- na central, está localizada num território de grande beleza natural. Foi a capital do reino separado do Norte, por aproximadamente cinqüenta anos, após a morte de Salomão. Continuou sendo um local de intrigas políticas até que foi destruída no

SdCt4_1 lassombram

6eCt422despojadadesuascrias

7/Ct

século VII a.C. (1 Rs 14.17; 15.21; 16.8-18; 2Rs 15.14-16). A referência positiva a Tirza, aqui, particularmente no paralelismo com Jerusalém, dá apoio ao ponto de vista tradicional de que o Livro de Cântico dos Cânticos originou-se nos dias de Salomão, antes que a hostilidade entre as tribos do Norte e do Sul levasse à divi- são em dois reinos distintos.

•6.5 Gileade. Ver a nota em 4. 1.

•6.8-9 As duas referências a rainhas e concubinas indicam que os vs. 8-9 for- mam uma unidade. Aos olhos de seu amado, a jovem é mais bela do que todas as mulheres do harém de Salomão (8.11-12 e notas)

•6.8 Sessenta

oitenta. No seu apogeu, o harém de Salomão continha muito

mais esposas e concubinas do que isso (1Rs 11131. e já há a sugestão de seu crescimento futuro na expressão "virgens, sem número"

concubinas. Uma concubina não era uma parceira ilícita ou casual, mas uma es- posa de situação secundária (Gn 25.6; 36. 12; Jz 204).

•6.9 pomba, a minha imaculada. Em seus sonhos. a mente da jovem retorna por várias vezes aos termos de carinho usados por seu amado (5.2).

entre a filha e sua mãe aparece

em toda parte deste livro (311, nota). mas não há qualquer sinal de possessão

por parte da mãe.

•6.10 Ouem é esta. Éajovem que estava sendo elogiada aqui. provavelmente pelas rainhas e concubinas (v. 9).

alva do dia

formidável como um exército com bandeiras. A frase é uma repetição exata da linha final do v. 4. Oelogio dado aqui é um eco do elogio do amado da jovem e completa a unidade (vs 4-10).

de sua mãe, a

única. O relacionamento íntimo

lua

sol. A jovem é descrita quase como uma deusa.

l

CÂNTICO DOS CÂNTICOS 6, 7

786

Esposa

11 Desci ao jardim das nogueiras,

para mirar os renovas do vale, !para ver se brotavam as vides, se floresciam as romeiras.

12 Não sei como, imaginei-me no carro do 3 meu nobre povo!

Coro

13 Volta, volta, ó 4 sulamita, volta, volta, para que nós te contemplemos.

Esposa

Por que quereis contemplar a sulamita na dança de 5 Maanaim?

Esposo

7 Que formosos são os teus passos dados de sandálias, ª6 filha do príncipe! Os meneios dos teus quadris

o teu nariz, como a torre do Líbano, que olha para Damasco.

5 A tua cabeça é como o monte Carmelo,

a tua cabeleira, como a púrpura;

um rei está preso nas tuas tranças. 6 Quão formosa e quão aprazível és,

ó amor em delícias!

7 Esse teu porte é semelhante à palmeira,

e os teus seios, a seus cachos.

s Dizia eu: subirei à palmeira, pegarei em seus ramos. Sejam os teus seios como os cachos da vide,

e o aroma 2 da tua respiração, como o das maçãs. 9 Os teus beijos são como o bom vinho,

Esposa

vinho que se escoa suavemente para o meu amado, Jdeslizando entre seus 4 lábios e dentes.

10 dEu sou do meu amado,

e eele tem saudades de mim.

11 Vem, 6 meu amado, saiamos ao campo,

são como colares trabalhados por mãos de artista. 2 O teu umbigo é taça redonda,

passemos as noites nas aldeias.

12 Levantemo-nos cedo de manhã para ir às vinhas;

13 As gmandrágoras exalam o seu perfume,

a

que

não falta 1 bebida;

!vejamos se florescem as vides,

o

teu ventre é monte de trigo,

se se abre a flor, se já brotam as romeiras;

cercado de lírios. 3 bOs teus dois seios, como duas crias,

dar-te-ei ali o meu amor.

gêmeas de uma gazela. 4 co teu pescoço, como torre de marfim; os teus olhos são as piscinas de Hesbom, junto à porta de Bate-Rabim;

às nossas portas h há toda sorte de excelentes frutos, novos e velhos; eu tos reservei, 6 meu amado.

e

~

11 i Ct 7.12 12 3 Hebr. Ammi Nadib 13 4 Natural de Sulam ou de Suném; ou uma variante feminina do nome de Salomão, indicando aqueta que pertence a Salomão; ou noiva de Salomão 5 Ou de dois bandos ou campos CAPITULO 7 1 ªSI 45.13 2 I Lit.bebidamisturada ou condimentada 3 bCt 4.5 4 cct4.4 8 2Ut. do teu nan:Z 9 3f!uindo 4Conforme

LXX. Se V; TM os lábios dos que dormem 10 dCt

2.16; 6.3 e SI 45.11

•6. 12 O original hebra·1co deste versículo é difícil. No mínimo, o versículo indica que a jovem está ainda sonhando ou fantasiando que ela é uma princesa e que o seu amado é um príncipe ou um rei. Ver a nota em 3.6-11.

•6.13 Volta. Os oradores eram do sexo masculino, conforme é indicado pela res-

posta da jovem aqui: "Por que quereis (masculino plural no original) contemplar a

sulamita

presumivelmente, ela havia fugido Essa identificação explicaria a sugestão de sensualidade na chamada deles. Nesse caso, ela continuava sonhando. Uma qualidade de pesadelo retorna brevemente neste versículo, apenas para desapa- recer, devido ao aparecimento oportuno do amado da jovem.

sulamita. Esta designação se referia, provavelmente, à cidade natal da jovem, como uma variante do nome "sunamita" (1Rs 1.3, 15; 2.17-22)

Maanaim. Ver a nota textual. Maanaim é o nome de uma cidade situada a leste do rio Jordão (Gn 32.2). A natureza da "dança de Maanaim" é desconhecida, mas os verbos "contemplemos" e "contemplar" sugerem que a honra da jovem teria sido comprometida se ela dançasse, levando seu amado a intervir, como ele aca- bou intervindo.

•7.1 ó filha do príncipe. "Príncipe", aqui, é a mesma palavra traduzida como "nobre", em 6.12. Lá a jovem imaginou ser uma princesa; aqui, ela imagina seu amado chamando-a como tal. Na vida diária, ela é uma jovem camponesa

{15-6)

•7.4 Hesbom. Esta cidade, situada a leste do rio Jordão, defronte de Jerusalém, foi capturada pelos israelitas nos tempos de Moisés (Nm 2125-26). Escavações

?" Esses homens, provavelmente, sejam os guardas de 5.7, de quem,

12/Ct 6.11

13 gGn

30.14 h Ct 2.3; 4.13, 16; Mt 13.52

têm revelado ali grandes reservatórios próximos da cidade, talvez as piscinas aqui mencionadas.

à porta de Bate-Rabim. Bath Rabbim ("filha de muitos"). provavelmente, seja o nome de um portão, possivelmente um dos portões de Hesbom.

a torre do Líbano. A identidade dessa torre é desconhecida. A sua grande altu- ra. sugerida por "que olha para" Damasco, tem levado alguns comentadores a pensarem que a referência é às montanhas do Líbano (cf v. 5).

Lit. "como o Carmelo" Há dois lugares no Antigo

Testamento com esse nome. Um deles fica no Sul relativamente árido, nas coli- nas situada a oeste do mar Morto (1Sm 15.12). Ooutro éofamosomonteonde o profeta Elias confrontou os profetas de Baal (1Rs18). no Norte viçoso. Éprovável

que a referência aqui seja ao segundo desses lugares, como uma comparação fa- vorável. O monte Carmelo fica na costa do mar Mediterrâneo, um tanto a oeste do mar de Quinerete (da Galiléia).

um rei. Ohomem se imagina um rei, encantado pela beleza de sua princesa (v. 1; cf. 1.4,12; 612)

•7.5 como o monte Carmelo.

•7.8 subirei

pegarei. Estas são figuras de linguagem do ato do amor (v. 7; cf.

5.1).

•7 .9-13 Aqui, como em 4.16,

a mulher corresponde aos gestos de namoro de

seu amado com uma entrega feliz.

•7. 13 mandrágoras. Essa planta tinha flores púrpuras e um fruto alaranjado, pa- recido com o tomate, e acreditava-se que era um afrodisíaco (Gn 30.14-16).

às nossas portas. O lugar imaginário de encontros dos amados é ao ar livre (v.

787

CÂNTICO DOS CÂNTICOS 8

8 Tomara fosses como meu irmão,

que mamou os seios de minha mãe!

Quando te encontrasse na rua, beijar-te-ia,

e não me desprezariam!

2 Levar-te-ia e te introduziria

na ªcasa de minha mãe,

e tu me ensinarias;

eu te daria a beber bvinho aromático

e mosto das minhas romãs.

3 A esua mão esquerda estaria debaixo da minha cabeça,

e a sua direita me abraçaria.

4 dConjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, que não acordeis, nem desperteis o amor, até que este o queira.

Coro s eouem é esta que sobe do deserto

e vem encostada ao seu amado?

Esposo

Debaixo da macieira te despertei, ali esteve tua mãe com dores; ali esteve com dores aquela que te deu à luz.

ó/Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte,

e / duro como a 2 sepultura,

o gciúme;

as suas brasas são brasas de fogo, 3 são veementes labaredas. 7 As muitas águas não poderiam apagar o amor, nem os rios, afogá-lo; hainda que alguém desse todos os bens da sua casa pelo amor, seria de todo desprezado.

Coro

B iTemos uma irmãzinha que ainda não tem seios; que faremos a esta nossa irmã, no dia em que for pedida? 9 Se ela for um muro, edificaremos sobre ele uma torre de prata; se for uma porta, cercá-la-emas com tábuas de cedro.

Esposa

10 Eu sou um muro,

e os meus seios, como as suas torres; sendo eu assim, fui tida por digna da confiança do meu amado.

·-CAPÍ~~LO--;ZªCt~~~9~-3;;;;~·~dC~2;15~~tJ6~6fl~~91~;Jr2;-24;~g2-23 g;,:-5;;; lc;uelou;ev~ro

2 Hebr. Sheo/ 3 Lit é uma labareda de YAH, forma poética de YHWH, o SENHOR

7

h Pv 6.35

8 iEz 23.33

12); "às nossas portas" significa simplesmente "pronto, à mão". Notar ouso figu- rado de "casa" em 1.17.

•8.1 como meu innão. A palavra-chave aqui é "como" Naturalmente, ela não desejava que seu amado seja realmente seu irmão, mas somente que ela tivesse a liberdade de beijá-lo em público e ir na companhia dele a qualquer lugar, sem atrair comentários.

•8.2 casa de minha mãe. Ver a nota em 3.4.

ensinarias. O original hebraico também poderia ser traduzido por "tu (o

ensinarias". E o contexto parece requerer essa última possibilidade

de tradução. O homem conduziria a mulher na arte do amor.

•8.3 Este versículo é idêntico a 2.6. Em ambos os casos. a jovem está sonhando estar nas bra~os de seu amado.

•8.4 Ocorrendo aqui pela terceira e última vez, o refrão aponta para a consuma- ção que ainda ocorrerá (2 7; 3.5; Introdução: Características e Temas)

•8.5 Quem é esta que sobe do deserto. Essa frase é uma repetição exata de 3 6. onde introduz a seção de casamento no sonho da jovem (3.6-11, nota) Ago- ra, o sonho cedeu lugar à realidade. Opar feliz, casado finalmente, não mais tem de ocultar seu relacionamento, mas pode andar em público de braços dados (contrastar com o v. 1, nota).

e tu me

homem) me

encostada ao seu amado. Esta declaração simples capta uma pose íntima e tí- pica de um homem e sua mulher.

despertei. Ou seja, "comecei a cortejar-te". O próprio texto hebraico não dei-

xa claro se é a jovem ou o amado dela quem fala aqui e nas próximas três linhas. A tradição, conforme éindicado pelos sinais vocálicos adicionados mais tarde, faz a jovem ter talado. Oconteúdo das linhas sugere que o homem é que estava fa- lando, pelo menos até o fim do v. 5. Seja como for, a passagem indica que a con-

sumação foi realizada. e os amados relembram como tudo começou.

te

ali. Presumivelmente, isso não se referira à "macieira", mas ao lar dos pais de/a, do qual estão agora se aproximando. A jovem tinha sonhado em trazer para a sua casa o seu amado (3.4; 8.2); agora. ela faz isso, na realidade.

•8.6 selo. O "selo" é um sinete feito de metal ou de pedra e usado em um colar sobre o coração ou como um /aço no braço (Gn 38.18).

forte como a morte. Oamor é tão forte quanto a mais poderosa e negativa ex- periência humana. Esta frase assina/a o começo de um breve "hino ao amor", pro- ferido pela noiva.

o ciúme. Em paralelismo corri o "amor", aqui, o "ciúme" é um zelo positivo, se- melhante ao ciúme de Deus (Ex 20.5; Jo 2.17). Tal como o amor de Deus, o amor aqui celebrado não tolera rivais.

brasas de fogo. L1t "a chama de Jah", onde 'Jah" é uma forma abreviada do nome divino Javé. O uso desta expressão confirma que há uma comparação im- plícita com o amor divino.

•8.8-1 OOclímax do Cântico dos Cânticos de Salomão fora atingido e ultrapassa- do (ver a Introdução: Características e Temas), mas ainda havia espaço para algu- mas lembranças. Nesta unidade, a mulher relembra quão possessivos e protetores foram seus irmãos, quando ela ainda era jovem demais para casar-se

(16)

•8.8 em que for pedida. Ou seja, pedida como noiva.

•8.9 Se ela for um muro. Ou se1a. se ela for firme em sua recusa à proposta de casamento. A reação dos seus irmãos a essa resposta será edificar sobre esse muro uma torre de prata, isto é, eles confirmarão a recusa dela e a honrarão por isso.

se for uma porta. Ou seja, se ela aceita a proposta. Então. os seus irmãos a cerca- riam com "tábuas de cedro", ou seja, lhe recusarão a permissão para ela casar-se.

•8. 1O Eu sou um muro, e os meus

afirma a força de sua integridade moral, mas também a sua maturidade sexual (contrastar com o v. 8).

fui tida por digna da confiança. Um completo bem-estar. No hebraico origina/ temos aqui a palavra shalom Por implicação, o Cântico dos Cânticos de Salomão aponta para o relacionamento do casamento como a situação em que a paz e a realização devem ser achadas.

seios, como as suas torres. A jovem

CÂNTICO DOS CÂNTICOS 8

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Coro 11 Teve Salomão uma vinha em Baal-Hamom; ientregou-a a uns guardas, e cada um lhe trazia pelo seu fruto mil peças de prata.

Esposa

12 A vinha que me pertence está ao meu dispor; tu, ó Salomão, terás os mil siclos, e os que guardam o fruto dela, duzentos .

Esposo

13 ó tu que habitas nos jardins, os companheiros estão atentos para ouvir a tua voz; lfaze-me, pois, também ouvi-la.

Esposa

14 mvem 4 depressa, amado meu, nfaze-te semelhante ao gamo ou ao filho da gazela, que saltam sobre os montes aromáticos.

1tiMt21.33

131Ct2.14

t4mAp22.17,2QnCt2.7,9,174Lit.Foge

•8.11 uma vinha em Baal-Hamom. Alguns intérpretes têm considerado essa "vinha" como uma metáfora do harém de Salomão, mas a designação de um lugar específico sugere outra coisa. A localização de Baal-Hamom é desco- nhecida. pelo seu fruto. Os guardas trariam o dinheiro apurado com a venda das uvas. •8.12 A expressão "a vinha que me pertence" sugere que este versículo foi dito pela mulher. Aqui, tal como em 1.8, o uso literal da "vinha" é seguida por um uso metafórico. A "vinha" da jovem é o corpo dela, com sua beleza natural e rústica.

Ela contenta-se com seu tesouro para compartilhar com aquele a quem ela ama. Salomão pode guardar a preciosidade dele.

convidados para a cerimônia do casa-

mento. faze-me, pois, também ouvi-la. Onoivo anela estar sozinho com a sua noiva. •8.14 Vem depressa, amado meu. Odesejo é mútuo. Ela oconvidou avir com ela, usando de uma linguagem que fazia lembrar seus sonhos com o ato do amor (2 8-9; 4.6).

•8. 13 companheiros. Provavelmente, os