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PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA Portal Educação CURSO DE FARMÁCIA HOSPITALAR Aluno: EaD -

PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA Portal Educação

CURSO DE FARMÁCIA HOSPITALAR Aluno:
CURSO DE
FARMÁCIA HOSPITALAR
Aluno:

EaD - Educação a Distância Portal Educação

AN02FREV001/REV 4.0

CURSO DE FARMÁCIA HOSPITALAR MÓDULO I Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como
CURSO DE FARMÁCIA HOSPITALAR MÓDULO I Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como
CURSO DE
FARMÁCIA HOSPITALAR
MÓDULO I
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SUMÁRIO MÓDULO I 1 FARMÁCIA HOSPITALAR: HISTÓRICO, OBJETIVOS E FUNÇÕES 1.1 HISTÓRICO E CONCEITOS DA
SUMÁRIO MÓDULO I 1 FARMÁCIA HOSPITALAR: HISTÓRICO, OBJETIVOS E FUNÇÕES 1.1 HISTÓRICO E CONCEITOS DA
SUMÁRIO
MÓDULO I
1 FARMÁCIA HOSPITALAR: HISTÓRICO, OBJETIVOS E FUNÇÕES
1.1 HISTÓRICO E CONCEITOS DA FARMÁCIA HOSPITALAR
1.2 OBJETIVOS DA FARMÁCIA HOSPITALAR
1.3 FUNÇÕES DA FARMÁCIA HOSPITALAR
2 ÁREA FÍSICA TOTAL DA FARMÁCIA E LOCALIZAÇÃO IDEAL
3 PLANEJAMENTO, CONTROLE E FUNÇÃO DO FARMACÊUTICO
4 CENTRO DE ABASTECIMENTO FARMACÊUTICO (CAF)
4.1 LOCALIZAÇÃO DOS MATERIAIS
5 AQUISIÇÃO DE MATERIAIS: LICITAÇÕES
5.1 PRINCÍPIOS DA LICITAÇÃO
5.2 MODALIDADES DA LICITAÇÃO
7 CONTROLE DE ESTOQUE
7.1 ESPECIFICIDADES DO CONTROLE DE ESTOQUES
7.1.1 Parâmetros de compra
7.1.1.1 Média aritmética móvel
7.1.1.2 Último período
7.1.1.3 Média móvel ponderada
7.1.1.4 Média ponderada exponencial
7.1.1.5 Mínimos quadrados
7.1.2 Estoque de segurança
7.1.3 Curva ABC
7.1.3.1 Elaboração da curva ABC
7.1.3.1.1 Coleta de dados
7.1.3.2 Comportamentos da curva ABC
7.1.4 Ponto de ressuprimento
7.1.5 Lote de ressuprimento
7.1.6 Estoque Máximo

7.1.7 Lote econômico

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7.2

MÉTODOS DE CONTROLE FÍSICO DE ESTOQUES

7.2 MÉTODOS DE CONTROLE FÍSICO DE ESTOQUES 7.2.1 Inventário 8 SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS 8.1
7.2.1 Inventário 8 SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS 8.1 SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO COLETIVO 8.1.1
7.2.1 Inventário
8 SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS
8.1 SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO COLETIVO
8.1.1 Desvantagens do sistema de distribuição coletivo
8.2 SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO INDIVIDUALIZADO
8.1.2
Vantagens do sistema de distribuição coletivo
8.2.1
Desvantagens do sistema de distribuição individualizado
8.2.2
Vantagens do sistema de distribuição individualizado
8.3 SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO MISTO OU COMBINADO
8.3.1 Acondicionamento e embalagem de dose unitária
8.3.2 Materiais utilizados no preparo de dose unitária
8.3.3 Considerações específicas de embalagem das seguintes formas farmacêuticas
8.3.3.1 Líquidos para uso oral
8.3.3.2 Sólidos de uso oral
8.3.3.3 Medicamentos para o uso parenteral
8.3.4 Requisitos para implantação do sistema de distribuição por dose unitária
8.3.5 Vantagens do sistema de distribuição por dose unitária
8.3.6 Desvantagens do sistema de distribuição por dose unitária
MÓDULO II
9 SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS
9.1
O PROCESSO DE SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS
9.2
VANTAGENS DA SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS
9.3
ETAPAS DA SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS
9.4
CRITÉRIOS PARA SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS
10
COMISSÃO DE PADRONIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS
10.1 COMISSÃO DE FARMÁCIA E TERAPÊUTICA
10.2 ESTRUTURA DAS COMISSÕES DE SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS
11 FORMULÁRIO FARMACÊUTICO
12 REALIZAÇÃO DE SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS

12.1 SELEÇÃO QUALITATIVA DE MEDICAMENTOS: REVISÃO DE CLASSE

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TERAPÊUTICA 12.2 MÉTODO QUANTITATIVO PARA A SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS 12.2.1 Definição do problema, dos objetivos

TERAPÊUTICA

12.2 MÉTODO QUANTITATIVO PARA A SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS 12.2.1 Definição do problema, dos objetivos e
12.2 MÉTODO QUANTITATIVO PARA A SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS
12.2.1 Definição do problema, dos objetivos e identificação das alternativas
12.2.2 Definição dos critérios de avaliação
12.2.3 Caracterização das informações necessárias à análise de decisão
12.2.4 Análise de decisão
12.3 SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS REALIZADA POR SISTEMA DE ANÁLISE
DE AVALIAÇÃO POR OBJETIVO – SYSTEM OF OBJECTIFIED JUDGMENT
ANALYSIS (SOJA)
13 SELEÇÃO DE MEDICAMENTO PARA REDUZIR CUSTOS COM ASSISTÊNCIA
FARMACÊUTICA
14 INFECÇÕES HOSPITALARES E COMISSÃO DE CONTROLE DE INFECÇÕES
HOSPITALARES (CCIH)
14.1 COMISSÃO DE CONTROLE DE INFECÇÃO HOSPITALAR (CCIH)
15
15.1
MANIPULAÇÃO DE MEDICAMENTOS NÃO ESTÉREIS
FORMAS FARMACÊUTICAS NÃO ESTÉREIS DE IMPORTÂNCIA NA
MANIPULAÇÃO HOSPITALAR
15.2
ESTRUTURA FÍSICA LABORATORIAL PARA MANIPULAÇÃO DE
MEDICAMENTOS NÃO ESTÉREIS
16 QUIMIOTERAPIA E AS ATRIBUIÇÕES DO FARMACÊUTICO ONCOLÓGICO
16.1
ATENDIMENTO ÀS PRESCRIÇÕES MÉDICAS
16.2
CENTRAL DE MANIPULAÇÃO DE ANTINEOPLÁSICOS
16.3
PROCEDIMENTOS TÉCNICOS PARA MANIPULAÇÃO DE
ANTINEOPLÁSICOS
16.4 SEGURANÇA NA MANIPULAÇÃO DE QUIMIOTERAPIA
16.5 CARACTERÍSTICAS E CLASSIFICAÇÃO DOS ANTINEOPLÁSICOS
16.6 ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA AO PACIENTE ONCOLÓGICO

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MÓDULO III 17 NUTRIÇÃO PARENTERAL: NUTRIENTES E VIAS 17.1 VIAS DE ADMINISTRAÇÃO 17.2 COMPLICAÇÕES MECÂNICAS,
MÓDULO III 17 NUTRIÇÃO PARENTERAL: NUTRIENTES E VIAS 17.1 VIAS DE ADMINISTRAÇÃO 17.2 COMPLICAÇÕES MECÂNICAS,
MÓDULO III
17 NUTRIÇÃO PARENTERAL: NUTRIENTES E VIAS
17.1 VIAS DE ADMINISTRAÇÃO
17.2 COMPLICAÇÕES MECÂNICAS, SÉPTICAS E METABÓLICAS
17.2.1 Complicações pela inserção do cateter
17.2.2 Complicações sépticas
17.2.3 Complicações metabólicas
17.2.3.1 Glicosúria
17.2.3.2 Síndrome hipoglicêmica
17.2.3.3 Hipofosfatemia
17.2.3.4 Hipomagnesemia
17.2.3.5 Concentrações séricas de lipídios
17.2.3.6 Deficiência de ácidos graxos essenciais
17.2.3.7 Alterações Hepáticas
17.2.3.8 Vitaminas
17.2.3.9 Alterações ósseas
17.3 COMPOSIÇÃO DA NUTRIÇÃO PARENTERAL
17.3.1 Macronutrientes
17.3.1.1 Fontes nitrogenadas
17.3.1.2 Fontes de carboidratos
17.3.1.3 Fontes de lipídios
17.3.2 Micronutrientes
17.3.2.1 Vitaminas
17.3.2.2 Eletrólitos
17.3.2.3 Oligoelementos
17.4 OSMOLARIDADE DAS SOLUÇÕES
17.5 NOVOS SUBSTRATOS EM NUTRIÇÃO PARENTERAL
17.6 REQUISITOS ESTRUTURAIS, AMBIENTAIS E FÍSICOS DO SETOR DE
NUTRIÇÃO
17.6.1 Estrutura física
17.6.2 Barreira de isolamento

17.6.2.1 Estrutura física da barreira de isolamento

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17.6.2.2 Ambiente interno da barreira de isolamento Tecnológica de interação da barreira de isolamento Sistema

17.6.2.2

Ambiente interno da barreira de isolamento Tecnológica de interação da barreira de isolamento Sistema de monitoramento da barreira de isolamento

17.6.2.3 17.6.2.4 17.7 BOAS PRÁTICAS DE MANIPULAÇÃO DA NUTRIÇÃO PARENTERAL 17.7.1 Estrutura organizacional 17.7.2
17.6.2.3
17.6.2.4
17.7 BOAS PRÁTICAS DE MANIPULAÇÃO DA NUTRIÇÃO PARENTERAL
17.7.1 Estrutura organizacional
17.7.2 Recursos humanos e responsabilidade
17.7.3 Saúde, higiene e conduta
17.7.4 Vestuário
17.7.5 Material
17.7.6 Seleção do recipiente
17.7.7 Técnicas de preparo da nutrição parenteral
17.7.7.1 Preparo com misturadores automáticos
17.7.7.2 Preparo utilizando soluções parcialmente prontas
17.7.7.3 Preparo de lotes
17.7.7.4 Rotulagem e embalagem
17.7.7.5 Conservação e transporte
17.7.7.6 Validação
17.7.7.7 Prazo de validade
17.8 ESTABILIDADE E COMPATIBILIDADE DA NUTRIÇÃO PARENTERAL
17.8.1 Incompatibilidade entre íons cálcio e fosfato
17.8.2 Magnésio
17.8.3 Sódio, potássio, acetato e cloreto
17.8.4 Bicarbonato
17.8.5 Interações entre nutrientes e medicamentos
17.8.6 Interações entre nutrientes
17.9 GARANTIA E CONTROLE DE QUALIDADE DA NUTRIÇÃO PARENTERAL
17.9.1 Garantia da Qualidade
17.9.2 Controle de Qualidade
18 POLÍTICA NACIONAL DE MEDICAMENTOS E RENAME
18.1 DIRETRIZES E PRIORIDADES DA PNM
18.1.1 Adoção de uma relação nacional de medicamentos essenciais
18.1.2 Regulamentação sanitária de medicamentos

18.1.3 Reorientação da assistência farmacêutica

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18.1.4 18.1.5 Promoção do uso racional de medicamentos Desenvolvimento científico e tecnológico 18.1.6 Promoção
18.1.4 18.1.5 Promoção do uso racional de medicamentos Desenvolvimento científico e tecnológico 18.1.6 Promoção
18.1.4
18.1.5
Promoção do uso racional de medicamentos
Desenvolvimento científico e tecnológico
18.1.6
Promoção da produção de medicamentos
18.1.7
Garantia da segurança, eficácia e qualidade dos medicamentos
18.1.8
Desenvolvimento e capacitação de recursos humanos
18.1.9
Responsabilidades das esferas de governo
18.2
MEDICAMENTOS GENÉRICOS
19
ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA: ATENÇÃO FARMACÊUTICA E FARMÁCIA
CLÍNICA
19.1
A
EVOLUÇÃO
DA
FARMÁCIA
HOSPITALAR
E
O
SURGIMENTO
DA
FARMÁCIA CLÍNICA
19.2
FARMÁCIA CLÍNICA: DEFINIÇÃO, OBJETIVOS E METODOLOGIA
19.2.1 Objetivos da Farmácia Clínica
19.2.2 Metodologia da Farmácia Clínica
19.3
ATENÇÃO FARMACÊUTICA: CONCEITO, FILOSOFIA E PRINCÍPIOS
MÓDULO IV
20
FARMACOECONOMIA
20.1
CUSTOS
20.1.1 Custos diretos
20.1.2 Custos indiretos
20.1.3 Custos intangíveis
20.2
ANÁLISE FARMACOECONÔMICA
20.2.1 Análise de custo-benefício
20.2.2 Análise de custo-efetividade
20.2.3 Análises de custo-utilidade
20.2.3.1 Avaliação da qualidade de vida associada à saúde
21
FARMACOVIGILÂNCIA
21.1
ESTUDOS DE FARMACOVIGILÂNCIA
21.1.1 Caso Controle
21.1.2 Coorte

21.1.3 Ecológicos

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21.1.4 Transversais 21.2 PROJETO HOSPITAL SENTINELA 22 CENTRO DE INFORMAÇÕES SOBRE MEDICAMENTOS (CIM) 22.1 A

21.1.4 Transversais 21.2 PROJETO HOSPITAL SENTINELA 22 CENTRO DE INFORMAÇÕES SOBRE MEDICAMENTOS (CIM) 22.1 A UTILIZAÇÃO E A PRODUÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE MEDICAMENTOS PELO CIM 22.2 CENTROS DE INFORMAÇÃO SOBRE MEDICAMENTOS NO BRASIL REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

PELO CIM 22.2 CENTROS DE INFORMAÇÃO SOBRE MEDICAMENTOS NO BRASIL REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AN02FREV001/REV 4.0 9

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MÓDULO I 1 FARMÁCIA HOSPITALAR: HISTÓRICO, OBJETIVOS E FUNÇÕES A atuação do farmacêutico nas instituições
MÓDULO I 1 FARMÁCIA HOSPITALAR: HISTÓRICO, OBJETIVOS E FUNÇÕES A atuação do farmacêutico nas instituições
MÓDULO I
1 FARMÁCIA HOSPITALAR: HISTÓRICO, OBJETIVOS E FUNÇÕES
A atuação do farmacêutico nas instituições hospitalares é importante para
garantir uma assistência farmacêutica adequada dentro de critérios técnico-
científicos. Além disso, o farmacêutico hospitalar está habilitado, por meio de
mecanismos gerenciais, a contribuir na redução de custos por intermédio de uma
administração eficaz e racional. A modernização das atividades hospitalares
acarretou a necessidade da participação cada vez mais efetiva deste profissional na
equipe de saúde.
1.1 HISTÓRICO E CONCEITOS DA FARMÁCIA HOSPITALAR
No início do século XX, o farmacêutico atuava e exercia influência sobre
todas as etapas do ciclo do medicamento. Para a sociedade, era um profissional de
referência nos aspectos do medicamento sempre consultado por todas as classes
de cidadãos. Responsável pela guarda e dispensação de medicamentos, nesta fase
inicial, o farmacêutico hospitalar, também, manipulava praticamente todo arsenal
terapêutico disponível na época. Com a expansão da indústria farmacêutica, a
prática de formulação pela classe médica foi abandonada, somando-se a
diversificação do campo de ação do profissional farmacêutico, levaram-no a se
distanciar da área de medicamentos, descaracterizando a farmácia. Entre 1920 e
1950, as farmácias hospitalares converteram-se num canal de distribuição de
medicamentos produzidos pela indústria devido à intensificação da
descaracterização das funções do farmacêutico.

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A partir de 1950, os serviços de farmácia, representados na época pelas Santas Casas de

A partir de 1950, os serviços de farmácia, representados na época pelas Santas Casas de Misericórdia e Hospital das Clínicas de São Paulo, passaram a desenvolver-se e modernizar-se. Um nome inesquecível na luta pela reestruturação da farmácia hospitalar no país é o do professor José Sylvio Cimino, que dirigia o serviço de farmácia do Hospital das Clínicas de São Paulo e que publicou em 1973 o livro Iniciação a Farmácia Hospitalar, primeira obra científica da área. Em 1975, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) introduziu no currículo do curso de Farmácia a disciplina Farmácia Hospitalar, tornando-se mais tarde uma realidade em diversas universidades. Além disso, em 1980, foi implantado o curso de pós-graduação em Farmácia Hospitalar na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A partir de 1982, o Ministério da Educação (MEC), passou a incentivar programas de desenvolvimento para a farmácia hospitalar, colaborando para a formação de um número elevado de profissionais. Em 1985, o Ministério da Saúde, preocupado com os problemas de infecção hospitalar, passou a incentivar a reestruturação das farmácias hospitalares, promovendo cursos de especialização. Já em 1995, foi criada a Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar (SBRAFH), contribuindo intensamente para a dinamização da profissão e para o desenvolvimento da produção técnico-científica nas áreas de assistência farmacêutica hospitalar. Nesse momento, vivemos uma fase clínico-assistencial da farmácia hospitalar, como expressa o conceito da SBRAFH: “Unidade clínica, administrativa e econômica, dirigida por profissional farmacêutico, ligada, hierarquicamente, à direção do hospital e integrada funcionalmente com as demais unidades de assistência ao paciente”. A atuação da farmácia hospitalar se preocupa com os resultados da assistência prestada ao paciente e não apenas com a provisão de produtos e serviços. Como unidade clínica, o foco de sua atenção deve estar no paciente, nas suas necessidades e no medicamento, como instrumento.

de sua atenção deve estar no paciente, nas suas necessidades e no medicamento, como instrumento. AN02FREV001/REV

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1.2 OBJETIVOS DA FARMÁCIA HOSPITALAR Em uma farmácia hospitalar, os objetivos devem ser definidos visando
1.2 OBJETIVOS DA FARMÁCIA HOSPITALAR Em uma farmácia hospitalar, os objetivos devem ser definidos visando
1.2 OBJETIVOS DA FARMÁCIA HOSPITALAR
Em uma farmácia hospitalar, os objetivos devem ser definidos visando a
alcançar eficiência e eficácia na assistência ao paciente e integração às demais
atividades desenvolvidas no ambiente hospitalar.
São objetivos básicos da farmácia hospitalar:
 Desenvolver, em conjunto com a Comissão de Farmácia e Terapêutica,
ou similar, a seleção de medicamentos necessários ao perfil assistencial do
hospital;
 Contribuir para a qualidade da assistência prestada ao paciente,
promovendo o uso seguro e racional de medicamentos e correlatos.
Considerado o principal objetivo da farmácia hospitalar pela SBRAFH;
 Estabelecer um sistema eficaz, eficiente e seguro de distribuição de
medicamentos;
 Implantar um sistema apropriado de gestão de estoques;
 Fornecer subsídios para avaliação de custos com a assistência
farmacêutica e para elaboração de orçamentos;
 Propiciar suporte para as unidades de produção de propedêutica e
terapêutica.
Com o intuito de atingir seus objetivos, a farmácia hospitalar deve contar
com um sistema eficiente de informações, dispor de sistema de controle e manipular
corretamente os fatores de custos. É essencial, também, o planejamento e
gerenciamento adequado do serviço.

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FIGURA 1- QUADRO RESUMO DOS OBJETIVOS DA FARMÁCIA HOSPITALAR SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS USO SEGURO E
FIGURA 1- QUADRO RESUMO DOS OBJETIVOS DA FARMÁCIA HOSPITALAR SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS USO SEGURO E
FIGURA 1- QUADRO RESUMO DOS OBJETIVOS DA FARMÁCIA HOSPITALAR
SELEÇÃO DE
MEDICAMENTOS
USO SEGURO E
RACIONAL DE
MEDICAMENTOS
FARMÁCIA
HOSPITALAR
GESTÃO DE
ESTOQUES
AVALIAÇÃO DE
CUSTOS E
ORÇAMENTOS
SUPORTE AS
UNIDADES DE
PRODUÇÃO
FONTE: Arquivo pessoal do autor.
1.3 FUNÇÕES DA FARMÁCIA HOSPITALAR
A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e o Ministério da Saúde do
Brasil definem como funções fundamentais da farmácia hospitalar:
 Seleção de medicamentos, germicidas e correlatos necessários ao
hospital, realizada pela comissão de farmácia e terapêutica (CFT) ou
correspondente e associada a outras comissões quando necessário;
 Aquisição, conservação e controle dos medicamentos selecionados
estabelecendo níveis adequados para a aquisição por meio de um
gerenciamento apropriado dos estoques. O armazenamento de
medicamentos deve seguir as normas técnicas para preservar a qualidade

dos medicamentos;

DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS
DISTRIBUIÇÃO DE
MEDICAMENTOS
as normas técnicas para preservar a qualidade dos medicamentos; DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS AN02FREV001/REV 4.0 13

AN02FREV001/REV 4.0

 Manipulação, produção de medicamentos e germicidas, seja pela indisponibilidade de produtos no mercado, para

Manipulação, produção de medicamentos e germicidas, seja pela

indisponibilidade de produtos no mercado, para atender prescrições especiais ou por motivos de viabilidade econômica;
indisponibilidade de produtos no mercado, para atender prescrições
especiais ou por motivos de viabilidade econômica;
 Implantação de um sistema de informação sobre medicamentos para
obtenção de dados objetivos que possibilitem à equipe de saúde otimizar a
prescrição médica e a administração de medicamentos. O sistema deve ser
útil na orientação ao paciente no momento da alta ou nos tratamentos
ambulatoriais.
Essas funções são prioritárias em uma farmácia hospitalar e, portanto,
suporte fundamental para o desenvolvimento de vários programas assistenciais na
instituição.
Podemos estabelecer, de forma didática, uma proposta de desenvolvimento
escalonado da farmácia hospitalar em quatro fases. Na fase um, dedica-se à
estruturação do serviço; na fase dois, inicia-se a especialização dos serviços; na
fase três, aprimora-se a especialização; e, na fase quatro, implementam-se as ações
clínico assistenciais (Figura 2).
FIGURA 2 - PROPOSTA DE DESENVOLVIMENTO ESCALONADO DA FARMÁCIA
HOSPITALAR

FONTE: Adaptado de Gomes, M. J. V. M. Ciências Farmacêuticas: Uma Abordagem em Farmácia Hospitalar, 2006.

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2 ÁREA FÍSICA TOTAL DA FARMÁCIA E LOCALIZAÇÃO IDEAL Há na literatura algumas publicações que
2 ÁREA FÍSICA TOTAL DA FARMÁCIA E LOCALIZAÇÃO IDEAL Há na literatura algumas publicações que
2 ÁREA FÍSICA TOTAL DA FARMÁCIA E LOCALIZAÇÃO IDEAL
Há na literatura algumas publicações que relacionam a área física da
farmácia com o número de leitos hospitalares: 1,5m²/leito (JOSÉ SYLVIO CIMINO),
1,2m²/leito (OPAS) e 1,0m²/leito (SOCIEDADE ESPANHOLA DE FARMÁCIA
HOSPITALAR).
Ao prever o dimensionamento de uma farmácia hospitalar, o ideal, é
considerar, além do número de leitos, outros fatores de suma importância que
influenciarão no desenvolvimento das atividades a serem executadas. Destacam-se
entre esses fatores:
 Tipo de hospital (especializado, geral, policlínico, de ensino,
filantrópico);
 Nível de especialização da assistência médica prestada no hospital;
 Fonte mantenedora e tipo de atendimento (particulares, convênio com
o SUS e outros);
 Programação das necessidades da farmácia em função das atividades
propostas;
 Região geográfica onde se localiza o hospital, considerando as
dificuldades de aquisição e transporte de medicamentos.
Devido às suas peculiaridades e independentemente da diretoria a que
esteja vinculada, a farmácia deve desenvolver um relacionamento integrado com as
divisões clínicas e administrativas.
A localização da farmácia deve ser tecnicamente correta, devendo ser
observados os seguintes aspectos:
 Facilidade de circulação e reabastecimento;
 Equidistância das unidades usuárias e consumidoras, permitindo um
fácil acesso;
 Certo grau de isolamento devido aos ruídos (quando houver produção
industrial ou semi-industrial), assim como odores e poluição;

Critérios técnicos e administrativos empregados.

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3 PLANEJAMENTO, CONTROLE E FUNÇÃO DO FARMACÊUTICO Instrumento de gestão indispensável em uma farmácia hospitalar
3 PLANEJAMENTO, CONTROLE E FUNÇÃO DO FARMACÊUTICO Instrumento de gestão indispensável em uma farmácia hospitalar
3 PLANEJAMENTO, CONTROLE E FUNÇÃO DO FARMACÊUTICO
Instrumento de gestão indispensável em uma farmácia hospitalar é o
planejamento, processo de estabelecer objetivos e linhas de ação adequadas
para alcançá-los. O controle, por sua vez, encarrega-se de assegurar o êxito dos
planos elaborados.
O planejamento na farmácia hospitalar, como em todas as organizações, se
inter-relaciona com as demais funções administrativas. O sucesso do planejamento
depende da eficiência de outras funções, e essas existem em consonância com o
planejamento. Portanto, a organização, a direção e o controle não têm razão de ser
se não existir um planejamento para assegurar a organização e que defina a direção
a caminhar e o que controlar.
Um serviço de farmácia deverá ser administrado por um profissional
farmacêutico com qualificação e experiência em farmácia hospitalar.
O serviço de farmácia deve dispor de um número adequado de farmacêuticos
e profissionais de apoio (nível médio) qualificados e competentes. A SBRAFH
preconiza que a unidade de farmácia hospitalar deve contar com, no mínimo, um
farmacêutico para cada 50 leitos. O número de auxiliares de farmácia dependerá da
disponibilidade de recursos e do grau de informatização da unidade. Na ausência
destes recursos, deve existir, no mínimo, um auxiliar para cada dez leitos.
O perfil do farmacêutico hospitalar deve abranger as habilidades, destrezas,
comportamentos e atitudes consideradas fundamentais para o farmacêutico
moderno segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), que inclui na descrição
das características do farmacêutico moderno:
Capacidade técnica de prestação de serviço
O
farmacêutico é um prestador de serviços clínicos, analíticos e tecnológicos
aos indivíduos, comunidades e instituições. A prática assistencial deve ser contínua,
de alta qualidade e integrada aos sistemas de saúde. Portanto, exige-se boa formação

técnica.

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 Poder de decisão A base de trabalho do farmacêutico deve ser a utilização adequada,
 Poder de decisão A base de trabalho do farmacêutico deve ser a utilização adequada,
 Poder de decisão
A base de trabalho do farmacêutico deve ser a utilização adequada, eficaz,
com análise de custo e efetividade dos recursos (materiais e humanos) empregados.
Para atingir esta meta é necessária habilidade de avaliar, sintetizar e decidir pela
estratégia de ação mais eficaz.
 Capacidade de comunicação
Habilidade de comunicação verbal, não verbal, escrita e escuta são
essenciais para a prática assistencial, pois o farmacêutico interage com pacientes,
com as equipes de saúde e administrativa.
Liderança
O
farmacêutico deve assumir, muitas vezes, uma posição de liderança para
desenvolver suas atividades. Liderança envolve solidariedade e empatia, assim
como a habilidade para decidir, comunicar e gerenciar de forma efetiva.
 Habilidade gerencial
O farmacêutico deve gerenciar de forma eficaz os recursos (humanos e
físicos) e a informação. Como gerente de nível intermediário deve possuir boa
integração e relação com os níveis hierárquicos da instituição.
 Aperfeiçoamento profissional
O avanço tecnológico e a produção técnico-científica do mundo moderno
exigem a atualização constante dos profissionais. A disponibilidade para aprender
novas metodologias e reciclar conhecimentos é essencial.
Capacidade de ensinar
O
farmacêutico, na vida profissional, necessita transmitir o conhecimento e

elaborar procedimentos, visando melhorar as habilidades da equipe de trabalho. Os níveis de autoridade e áreas de responsabilidade devem ser claros; a supervisão e o controle do pessoal devem ser desenvolvidos adequadamente. As atribuições de cada categoria profissional devem estar bem estabelecidas e deverão

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ser revisadas quando necessário. É importante o serviço dispor de manual contendo essas atribuições para

ser revisadas quando necessário. É importante o serviço dispor de manual contendo essas atribuições para conhecimento e consulta de todos os funcionários. Uma gestão de recursos humanos adequada, coordenada pelo chefe do serviço com auxílio dos supervisores, irá garantir aos funcionários uma satisfação no trabalho e cumprimento dos planos de atividade, colaborando, assim, para que a farmácia da instituição atinja seus objetivos.

 Gerenciamento de recursos materiais A gestão dos recursos materiais deve ser executada pela seção
 Gerenciamento de recursos materiais
A gestão dos recursos materiais deve ser executada pela seção
administrativa do serviço de farmácia e supervisionada pelo farmacêutico.
Na dinâmica hospitalar contemporânea o impacto dos preços dos
medicamentos nos gastos assistenciais é muito grande, impondo uma gestão de
estoques de controle rígida, capaz de obter, coordenar e analisar fatos, para tomar
decisões corretas a tempo e a hora, visando a redução dos custos sem prejuízo da
assistência ao paciente.
A administração de estoques de medicamentos compreende gerir estoques
essenciais e padronizados, exigindo, para sua especialidade, a atuação de
profissionais qualificados e conhecimento profundo em:
 bases farmacológicas dos medicamentos em estoque;
 similaridade;
 condições ideais e exigências de conservação;
 controle do prazo de validade dos medicamentos estocados, de modo
que com habilidade profissional conduza ao escoamento mais rápido os
estoques mais antigos e cujos prazos de validade estão mais próximos.
Dessa forma, torna-se imprescindível a implantação de um sistema bem
estruturado em todas as fases do processo de controle de estoque, para que a
continuidade do processo de assistência farmacêutica seja assegurada e não haja
ruptura do estoque, garantindo o atendimento da demanda das prescrições.
 Análise de prescrição e distribuição eficiente
A farmácia deve ser responsável pela aquisição, distribuição e controle de
todos os medicamentos utilizados no hospital.

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Deve ser prioridade a implantação de sistemas apropriados de distribuição de medicamentos. O farmacêutico deve

Deve ser prioridade a implantação de sistemas apropriados de distribuição de medicamentos.

O farmacêutico deve analisar as prescrições de medicamentos antes de serem dispensadas, exceto em situações
O farmacêutico deve analisar as prescrições de medicamentos antes de
serem dispensadas, exceto em situações de emergência. As dúvidas devem ser
resolvidas com o prescritor e as decisões tomadas precisam ser registradas para
que o resultado seja a distribuição correta do medicamento.
Fornecimento de informações sobre medicamentos
O
farmacêutico é responsável pelo fornecimento de informações adequadas
sobre medicamentos para a equipe de saúde. Para tal, os farmacêuticos devem se
manter atualizados por meio de literatura, visitas técnicas, participação em grupos
de estudos e em grandes eventos científicos. A equipe deve elaborar e divulgar
boletins informativos sobre o uso de medicamentos.
 Otimização de terapia medicamentosa
Visando melhorar e garantir a qualidade da farmacoterapia, o farmacêutico
tem participação importante na elaboração de uma política de uso racional dos
medicamentos. Este trabalho deve ser executado com o apoio da diretoria clínica e a
colaboração da comissão de farmácia e terapêutica.
O uso racional de medicamentos consiste em obter o efeito terapêutico
adequado à situação clínica do paciente utilizando o menor número de fármacos,
durante o período mais curto e com o menor custo possível.
A otimização da terapia medicamentosa é função precípua da unidade de
farmácia hospitalar. Contribui para diminuir a permanência do paciente no hospital e
para a melhoria de sua qualidade de vida.
4 CENTRO DE ABASTECIMENTO FARMACÊUTICO (CAF)
A Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF) é a unidade de assistência

farmacêutica que serve para o armazenamento de medicamentos e correlatos, onde são realizadas atividades quanto à sua correta recepção, estocagem e distribuição.

AN02FREV001/REV 4.0

A CAF exerce atividades operacionais e de planejamento, tais como:  Receber os produtos comprados

A CAF exerce atividades operacionais e de planejamento, tais como:

 Receber os produtos comprados acompanhados das notas fiscais e conferi-los, adotando as normas técnicas
 Receber os produtos comprados acompanhados das notas fiscais e
conferi-los, adotando as normas técnicas de recebimento de produtos
farmacêuticos. O recebimento deve seguir a rotina descrita no manual da
farmácia;
 Realizar os lançamentos de entrada por meio de sistema informatizado
ou manualmente e guardar os produtos em locais apropriados de acordo
com as normas técnicas;
 Receber requisições das unidades assistenciais e da dispensação
promovendo a separação, distribuição e registro de saída;
 Realizar as atividades relacionadas à gestão de estoques;
 Conservar os medicamentos em condições seguras, preservando a
qualidade e permitindo o uso do sistema PEPS (primeiro a entrar, primeiro a
sair, considerando o prazo de validade) para movimentação dos
medicamentos;
 Realizar levantamentos periódicos dos estoques e elaborar relatórios
gerenciais.
4.1 LOCALIZAÇÃO DOS MATERIAIS
A perfeita identificação e localização dos materiais estocados sob
responsabilidade da CAF é o principal objetivo da utilização de um sistema racional
de localização de materiais, utilizando os seguintes aspectos:
 Rotatividade do item
Os itens que apresentam grande rotatividade, que entram em grandes
volumes e com elevado peso devem ser armazenados próximos à área de
expedição, facilitando assim a distribuição.
 Ordem de entrada e saída

AN02FREV001/REV 4.0

Os medicamentos com menor prazo de validade devem ser armazenados à esquerda e na frente

Os medicamentos com menor prazo de validade devem ser armazenados à esquerda e na frente para serem dispensados primeiro.

 Utilização de pallets Consistem em estrados de material resistente de dimensões diversas que evitam
 Utilização de pallets
Consistem em estrados de material resistente de dimensões diversas que
evitam o contato dos produtos com o piso, evitando, assim, a ação da umidade e da
poeira sobre os medicamentos.
 Utilização de prateleiras
Devem ser utilizadas prateleiras de material resistente de preferência de
metal por serem imunes a ação de insetos e roedores, por suportarem maior peso e
por apresentarem grande durabilidade.
Forma de empilhamento
O
empilhamento é uma forma de armazenamento de caixas que diminui a
necessidade de divisões nas prateleiras (ou formando uma espécie de prateleira por
si só) e permitindo assim o aproveitamento máximo do espaço vertical.
Ordenação do estoque
O
sistema de ordenação mais indicado é o dividido por forma farmacêutica
em ordem alfabética.
 Equidistância
O armazenamento deve ser feito mantendo-se certa distância entre os
produtos para facilitar a circulação de ar e permitir a limpeza.
5 AQUISIÇÃO DE MATERIAIS: LICITAÇÕES
A aquisição no setor público é regulamentada por conceitos e princípios do
direito administrativo que, no conjunto, são denominados de licitações.

AN02FREV001/REV 4.0

A licitação é o procedimento administrativo mediante o qual a administração pública seleciona a proposta

A licitação é o procedimento administrativo mediante o qual a administração

pública seleciona a proposta mais vantajosa para o contrato de seu interesse. Visa a proporcionar
pública seleciona a proposta mais vantajosa para o contrato de seu interesse. Visa a
proporcionar iguais oportunidades aos que desejam contratar com o Poder Público.
5.1 PRINCÍPIOS DA LICITAÇÃO
 Procedimento formal
Significa que a licitação está vinculada às prescrições legais que a regem
em todos os seus atos e fases.
 Publicidade de seus atos
Não há nem pode haver licitação sigilosa. A publicidade da licitação abrange
desde a divulgação do aviso de sua abertura, até a adjudicação do edital.
 Igualdade entre os licitantes
A igualdade entre os licitantes é o princípio irrelegável na licitação. Nem o
Estado pode oferecer condições especiais a um fornecedor, nem o fornecedor pode
se colocar em uma situação de privilégio.
 Sigilo na apresentação das propostas
O sigilo há de ser guardado até a apresentação de documentação e
propostas, no final do prazo fixado pela administração.
 Vinculação ao edital
A vinculação ao edital é princípio básico de toda licitação. Servindo para a
administração divulgar a existência e as condições para licitar, o edital é um dos
instrumentos mais importantes da licitação.
 Julgamento objetivo
A avaliação deve ser realizada, dentro do possível, com critérios verificáveis,

levando em conta sempre a qualidade, o rendimento, o preço, os prazos de entrega

AN02FREV001/REV 4.0

e o pagamento. Devido à diversidade e à especificidade dos materiais utilizados nos hospitais, o

e o pagamento. Devido à diversidade e à especificidade dos materiais utilizados nos hospitais, o julgamento não pode ser feito somente por compradores. É necessária a participação do farmacêutico e de outros profissionais da equipe multidisciplinar para elaboração dos pareceres técnicos.

 Adjudicação compulsória ao vencedor A adjudicação compulsória do objeto da licitação ao vendedor é,
 Adjudicação compulsória ao vencedor
A adjudicação compulsória do objeto da licitação ao vendedor é, também,
princípio irrelegável no procedimento licitatório. Ao vencedor fica reservado o
fornecimento. Não se pode comprar de quem não venceu, enquanto o procedimento
licitatório tiver validade.
5.2 MODALIDADES DA LICITAÇÃO
A legislação brasileira prevê as seguintes modalidades:
 Lei 8666/1993
 Concorrência
É a modalidade de licitação entre quaisquer interessados que, na fase inicial
de habilitação preliminar, comprovem possuir os requisitos mínimos de qualificação
exigidos no edital. Deve ser utilizada para compras acima de R$ 650 mil e seu edital
deve ser publicado com antecedência mínima de 45 dias.
 Tomada de preço
É a modalidade de licitação entre interessados devidamente cadastrados ou
que atendem a todas as condições exigidas para cadastramento até o terceiro dia
anterior à data do recebimento das propostas, observada a necessária qualificação.
Utilizada para valores entre R$ 80 mil e R$ 650 mil. Seu edital deve ser publicado
com antecedência mínima de 30 dias.

Convite

AN02FREV001/REV 4.0

Modalidade de licitação entre interessados cadastrados ou não, escolhidos e convidados em número mínimo de

Modalidade de licitação entre interessados cadastrados ou não, escolhidos e convidados em número mínimo de três pela unidade administrativa, a qual afixará, em local apropriado, cópia do instrumento convocatório (com antecedência mínima de cinco dias) e o estenderá aos demais cadastrados que manifestem seu interesse com antecedência de 24 horas da apresentação da proposta. Modalidade realizada para comprar de até R$ 80 mil.

 Lei 10520/2002  Pregão O pregão é realizado mediante propostas e lances em sessão
Lei 10520/2002
Pregão
O pregão é realizado mediante propostas e lances em sessão pública para
qualquer valor de contrato. O autor da oferta de menor valor e os das ofertas de até
10% superiores a ela poderão fazer novos lances verbais e sucessivos, até a
proclamação do vencedor, sempre pelo critério de menor preço. Seu edital deve ser
publicado com antecedência mínima de oito dias úteis.
6 AQUISIÇÃO EM ÓRGÃOS PRIVADOS
Hospitais privados podem fazer suas aquisições por meio de pesquisas de
preços, contrato de fornecimento com fornecedores previamente selecionados ou
adotando normas particulares estabelecidas pela instituição para assegurar
competitividade e transparência nas negociações.
Nos processos de compras em órgãos privados é recomendável observar os
aspectos relacionados a seguir:
Número mínimo de cotações
Para
encorajar
novos
competidores,
recomendam-se,
no
mínimo,
três
cotações.
Cadastramento de fornecedores

AN02FREV001/REV 4.0

A pré-seleção dos concorrentes qualificados evita o dispêndio de tempo com um grande número de

A pré-seleção dos concorrentes qualificados evita o dispêndio de tempo com

um grande número de fornecedores dos quais, boa parte, muitas vezes, não tem condições adequadas
um grande número de fornecedores dos quais, boa parte, muitas vezes, não tem
condições adequadas para um bom negócio.
 Preço objetivo
O conhecimento prévio do preço justo, além de ajudar nas decisões do
comprador, proporciona uma verificação no sistema de cotações. Pode, ainda,
ajudar os competidores a serem competitivos mostrando que suas bases comerciais
não são reais, e que seus preços estão fora de concorrência. Fornece ao comprador
parâmetros para negociar com segurança.
 Aprovação da compra
Estabelece uma defesa da empresa pela garantia de um melhor julgamento,
protegendo o comprador ao possibilitar a revisão de uma decisão individual. A
aprovação da compra nos aspectos técnicos é feita pelo setor solicitante por meio de
parecer técnico. Em algumas instituições é necessária uma aprovação administrativa
para avaliação das condições da negociação da compra.
 Registro da compra
A documentação escrita anexa à solicitação de compras permite a revisão
do processo e deve estar sempre disponível para esclarecer dúvidas posteriores.
O farmacêutico geralmente não executa as compras, mas deve participar do
processo de compras elaborando especificações do produto, indicando
fornecedores, emitindo parecer técnico e fazendo o recebimento dos produtos.
7 CONTROLE DE ESTOQUE
A crise financeira que o Brasil enfrentou nas décadas de 1980 e 1990 e a
elevação dos custos da assistência à saúde influenciaram e ainda têm afetado muito
os hospitais brasileiros, levando a mudanças significativas na administração

AN02FREV001/REV 4.0

hospitalar. As instituições hospitalares têm procurado se adaptar às novas realidades, buscando otimizar a aplicação

hospitalar. As instituições hospitalares têm procurado se adaptar às novas realidades, buscando otimizar a aplicação dos recursos financeiros que dispõem.

O objetivo atual da administração hospitalar é adaptar-se às contínuas mudanças do mercado para promover
O objetivo atual da administração hospitalar é adaptar-se às contínuas
mudanças do mercado para promover meios necessários para assistência aos
pacientes de forma efetiva.
Nesse contexto, a administração de materiais possui importante papel, já
que estes produtos são parte significativa dos gastos dos hospitais, pois os
medicamentos comprometem cerca de 5% a 20% dos orçamentos dos hospitais.
Embora, aparentemente, o peso das despesas com medicamentos não seja alto,
este é um instrumento crucial para a assistência ao paciente e sua participação nas
despesas com saúde vem subindo de forma progressiva nos últimos anos.
Além do aspecto econômico, a preocupação com a qualidade é um requisito
essencial, pois o paciente tem direito a uma assistência de qualidade
independentemente da situação financeira da instituição. A participação do
profissional de saúde dentro do processo logístico de materiais é imprescindível,
pois é ele que normalmente solicita o produto com a correta especificação, controla
a qualidade do que vai ser comprado, realiza o recebimento qualitativo e, finalmente,
em várias situações, é também usuário destes materiais nas suas atividades.
7.1 ESPECIFICIDADES DO CONTROLE DE ESTOQUES
O controle de estoques é um dos componentes de gestão de materiais
caracterizado por um subsistema incumbido de determinar “Quando” e “Quanto”
comprar para uma aquisição adequada.
O quanto comprar é obtido a partir da média aritmética móvel aliada ao
estoque de segurança, análise ABC de valor e outros parâmetros.
7.1.1 Parâmetros de compra

AN02FREV001/REV 4.0

7.1.1.1 Média aritmética móvel O método para a previsão de estoques mais utilizado no meio

7.1.1.1 Média aritmética móvel

O método para a previsão de estoques mais utilizado no meio hospitalar é a média
O método para a previsão de estoques mais utilizado no meio hospitalar é a
média aritmética móvel. Este método permite orientar a previsão de consumo para o
próximo período por meio da média aritmética dos valores nos “n” últimos períodos (n
= número de meses). A escolha do valor de “n” é arbitrária e depende da experiência
do gerente. Quanto maior for o “n”, menor a resposta a variações de consumo e vice-
versa. Recomenda-se trabalhar com o “n” superior a 3 e inferior a 12.
No meio hospitalar, as variações de consumo, principalmente de
medicamentos, ocorre com maior frequência de acordo com o modelo de evolução
sazonal. Considera-se a variação como sazonal, quando apresenta um desvio
mínimo de 25% do consumo médio mensal (CMM) e surge atrelada a causas
específicas (verão, inverno, epidemias e outros).
Outra variação de consumo que ocorre com materiais hospitalares é o
modelo de evolução de consumo sujeito e tendências. Isso fica em evidência
quando o consumo médio aumenta ou diminui com o tempo, retratando itens novos
que começam a ter maior aceitação ou itens que vão caindo em desuso.
Existe ainda a evolução de consumo modelo horizontal, que retrata uma
tendência constante por não sofrer influências.
Assim, ao se estabelecer o valor de “n” deve-se ter em conta o modelo de
evolução de consumo no período.
CMM= consumo de “n” últimos meses
n
CMM = consumo médio mensal
n = número de meses
A cada novo mês, acrescenta-se o mês mais recente e despreza-se o mais
antigo. Além da média móvel, têm-se outras formas de previsão de consumo,

praticamente não empregadas em hospitais.

AN02FREV001/REV 4.0

7.1.1.2 Último período Baseia-se em uma determinação simples com utilização dos mesmos dados coletados no
7.1.1.2 Último período Baseia-se em uma determinação simples com utilização dos mesmos dados coletados no
7.1.1.2 Último período
Baseia-se em uma determinação simples com utilização dos mesmos dados
coletados no período anterior. Sua aplicabilidade é direcionada a produtos de
consumo uniforme, em que na representação gráfica, constatam-se duas curvas
idênticas em períodos de tempos diferentes.
7.1.1.3 Média móvel ponderada
Utilizada quando o método do último “período” torna-se inaplicável por
ocorrência de grandes variações nos períodos mais próximos. Os pesos são valores
decrescentes dos consumos mais recentes para os mais antigos. Objetiva ajustar da
melhor maneira a tendência da curva de consumo, sendo uma variação do método
da média móvel. Alguns programas para controle de estoque têm trabalhado com
este tipo de média.
7.1.1.4 Média ponderada exponencial
Considera-se o erro de previsão do período anterior. Determina-se a próxima
previsão a partir da “adição da previsão anterior ao produto da constante de
amortecimento pelo erro de previsão”. Utilizando a seguinte fórmula:
X t = X (t-i) + α (X (t-i) – X (t-i) )

X t = Previsão de consumo

AN02FREV001/REV 4.0

X

(t - i) = Consumo ocorrido no período anterior

t - i ) = Consumo ocorrido no período anterior X (t - i) = previsão
X (t - i) = previsão de consumo no período anterior X de previsão (t
X
(t - i) = previsão de consumo no período anterior
X
de previsão
(t - i) - X (t - i) = Erro
Erro de previsão - é a diferença entre consumo ocorrido no período anterior e a previsão
de consumo no mesmo período.
α = Constante de amortecimento (dado empírico, estabelecido normalmente entre 0,1 e
0,3). O valor escolhido deve ser menor para consumos uniformes e maior para variações maiores de
consumo.
7.1.1.5 Mínimos quadrados
Método que permite fazer previsão para mais de um período. É de difícil
aplicação por exigir utilização de muitos dados. Não recomendado na área de
medicamentos e materiais médico-hospitalares por apresentar o hospital dados de
consumo sazonais e pela falta de interesse da administração hospitalar em fazer
previsões para grandes períodos.
A média aritmética móvel é a média de consumo eleita para funcionar como
precursora de outros parâmetros de dimensionamento de estoques na área
hospitalar. Na determinação do quanto comprar é necessário empregá-la juntamente
com o estoque de segurança e análise ABC de valor.
7.1.2 Estoque de segurança
Estoque de segurança, também conhecido como estoque mínimo, é a
quantidade de cada item que deve ser mantida como reserva para garantir a
continuidade do atendimento, em caso de ocorrência não previstas – como elevação
brusca do consumo e atraso no suprimento. O estoque de segurança evita ruptura
do estoque que teria como consequência a queda no nível de atendimento e o
próprio custo da ruptura.

AN02FREV001/REV 4.0

O custo da ruptura de estoque pode ser avaliado levando em conta os seguintes parâmetros:

O custo da ruptura de estoque pode ser avaliado levando em conta os

seguintes parâmetros:  Custo do não atendimento;  Custo com o pessoal que estará, temporariamente,
seguintes parâmetros:
 Custo do não atendimento;
 Custo com o pessoal que estará, temporariamente, subutilizado pela
falta do material;
 Custo adicional do material adquirido para manutenção do nível de
atendimento;
 Custo do trabalho desenvolvido.
O estoque de segurança depende do consumo, do tempo de abastecimento
e da classificação ABC do produto. O consumo utilizado para esta determinação é
geralmente representado pala média móvel.
O tempo de abastecimento (TA) é o intervalo de tempo entre o início do
processamento interno da compra (incluindo a emissão do pedido) e a chegada do
material ao local de armazenamento. O tempo de processamento interno (TPI)
compreende o período do planejamento, elaboração do pedido, emissão e
processamento da compra. Já o tempo de processamento externo (TPE) abrange o
espaço entre a emissão da ordem de fornecimento e a entrega do produto no hospital.
TA = TPI + TPE
TA = Tempo de Abastecimento
TPI = Tempo de Processamento Interno
TPE = Tempo de Processamento Externo
O tempo de abastecimento pode variar de região para região e de uma
instituição para outra. Por exemplo, no caso das instituições governamentais, a
aquisição de materiais é regida pela Lei 8.666, de 21 de junho de 1993, e suas
alterações que tornam o tempo de abastecimento prolongado devido aos trâmites
burocráticos estabelecidos para a licitação.
Além do tempo de abastecimento, a determinação do estoque de segurança
requer a classificação do item obtida por meio da curva ABC.

AN02FREV001/REV 4.0

7.1.3 Curva ABC Itens de um estoque apresentam normalmente diferentes posições no fluxo de materiais
7.1.3 Curva ABC Itens de um estoque apresentam normalmente diferentes posições no fluxo de materiais
7.1.3 Curva ABC
Itens de um estoque apresentam normalmente diferentes posições no fluxo
de materiais e variados graus de utilização. O estudo técnico dessas ocorrências por
meio do agrupamento de itens de acordo com seu custo, preferencialmente anual,
permite a elaboração da curva ABC. A administração tem utilizado a curva ABC para
os programas de suprimento e produção, aplicação do capital de giro e
disponibilização de recursos em situações de urgência.
A curva ABC, conhecida também como curva 80-20 ou gráfico de Pareto, foi
aplicada à administração de empresas, inspirada no estudo de Vilfredo Pareto,
realizado na Itália em 1897. O estudo constatou que a grande porcentagem de renda
(80%) estava concentrada nas mãos de pequena parcela da população (20%). Daí o
princípio foi adaptado à administração de materiais onde a definição das classes
ABC obedece a faixas predeterminadas e onde se tem, no máximo, 20% de itens
classe A, de 20% a 30% classe B e 50% de itens classe C. Estes valores têm uma
correspondência em porcentagens de custo ou investimento.
TABELA 1 - CLASSES DA CURVA ABC OU GRÁFICO DE PARETO
Classes da curva ABC
% de itens
% de custos
Classe A
20
50
Classe B
20-30
20-30
Classe C
50
20
FONTE: Adaptado de Gomes, M. J. V. M. Ciências Farmacêuticas: Uma Abordagem em
Farmácia Hospitalar, 2006.

AN02FREV001/REV 4.0

A classificação da tabela 1 demonstra que aproximadamente 20% do total dos itens correspondem a
A classificação da tabela 1 demonstra que aproximadamente 20% do total dos itens correspondem a
A classificação da tabela 1 demonstra que aproximadamente 20% do total
dos itens correspondem a quase 50% do custo ou investimento (classe A). E que
50% do total de itens correspondem a apenas 20% do custo, o que constitui a classe
C. A partir desta determinação, conclui-se que a classe A detém maior importância
administrativa, devendo cada classe receber tratamento diferenciado.
7.1.3.1 Elaboração da curva ABC
Será apresentado um exemplo constituído por dez itens apenas, para
exemplificar didaticamente a elaboração de uma curva 80-20 ou curva ABC.
Os seguintes dados são necessários para construção da curva ABC:
 Relação dos itens ou artigos pertencentes a um mesmo grupo ou
subgrupo. Por exemplo: medicamentos em geral, materiais médico
hospitalares entre outros;
 Custo unitário médio de cada item, fornecido por uma mesma tabela ou
de uma mesma época;
 Consumo anual de cada item (preferencialmente);
 Custo anual ou capital investido;
As fases para elaboração da curva são: coleta e ordenação de dados.
7.1.3.1.1 Coleta de dados

Relacionar todos os itens, seu custo unitário e, preferencialmente, o consumo anual. Por meio do produto destes valores, obtém-se o custo total ou custo anual. A partir do custo anual de cada item, realiza-se a ordenação dos dados e relacionam-se os itens segundo o valor decrescente do custo anual. Segue-se com a relação acumulada dos custos anuais a partir da qual se determinam as porcentagens.

AN02FREV001/REV 4.0

TABELA 2 - RELAÇÃO DO CUSTO ANUAL FICTÍCIO Relação do custo anual Custo unitário Consumo
TABELA 2 - RELAÇÃO DO CUSTO ANUAL FICTÍCIO Relação do custo anual Custo unitário Consumo
TABELA 2 - RELAÇÃO DO CUSTO ANUAL FICTÍCIO
Relação do custo anual
Custo
unitário
Consumo
Custo
anual
Itens
(R$)
anual
(R$)
X1
0,4
600
240
X2
2,3
1000
2300
X3
1,1
300
330
X4
19
10
190
X5
1,2
1200
1440
X6
6,3
800
5040
X7
0,35
4000
1400
X8
0,25
6000
1500
X9
4,1
2000
8200
X10
0,82
500
410
FONTE: Adaptado de Gomes, M. J. V. M. Ciências Farmacêuticas: Uma Abordagem em
Farmácia Hospitalar, 2006.

AN02FREV001/REV 4.0

TABELA 3 - Montagem da curva ABC de 10 itens fictícios Classificação ABC de 10
TABELA 3 - Montagem da curva ABC de 10 itens fictícios Classificação ABC de 10
TABELA 3 - Montagem da curva ABC de 10 itens fictícios
Classificação ABC de 10 itens
Custo anual
Custo anual
acumulado (R$)
%
Grau
Item
(R$)
acumulada
Classificação
X9
8200
8200
38,95
A
X6
5042
13240
62,89
A
X2
2300
15540
73,8
B
X8
1500
17040
80,9
B
X5
1440
18480
87,7
B
X7
1400
19880
94,4
C
X10
410
20290
96,3
C
X3
330
20620
97,9
C
X10
240
20860
99,09
C
10°
X4
190
21050
100
C
FONTE: Adaptado de Gomes, M.J.V.M. Ciências Farmacêuticas: Uma Abordagem em
Farmácia Hospitalar, 2006.
7.1.3.2 Comportamentos da curva ABC
Os itens classe A são aqueles que correspondem à maior parte do
investimento e devem ser priorizados administrativamente e, portanto, se tornam
importantes para a determinação do estoque de segurança.
O estoque de segurança dos itens A deve ser calculado como o suficiente
para garantir o atendimento contínuo durante uma fração do tempo de
abastecimento. É recomendável que os itens classe A tenham alto índice de
rotatividade para permitir maior capital de giro disponível, evitando imobilização de
recursos. Os itens B terão um estoque de segurança maior do que os de classe A e
os de classe C maior do que os da classe B.

AN02FREV001/REV 4.0

Podem ser utilizadas as seguintes fórmulas na determinação do estoque de segurança (ES): ES item
Podem ser utilizadas as seguintes fórmulas na determinação do estoque de segurança (ES): ES item
Podem ser utilizadas as seguintes fórmulas na determinação do estoque de
segurança (ES):
ES item A = CM. 1/3 (estoque para 10 dias)
ES item B = CM. ½ TA (estoque para 15 dias)
ES item C = CM. T (estoque para 30 dias)
ES = estoque de segurança
CM = média aritmética móvel
TA = tempo de abastecimento (em meses)
É necessário calcular o tempo de abastecimento (TA), sendo este sempre
transformado em meses, por exemplo: 45 dias correspondem a TA = 1,5; 120 dias
correspondem a TA = 4,0. O coeficiente de tempo de abastecimento (fração que
multiplica TA) é determinado de forma empírica, baseado na realidade administrativa,
podendo ser estabelecidos valores menores que os exemplificados acima.
7.1.4 Ponto de ressuprimento
O ponto de ressuprimento (PR), também conhecido como ponto de
requisição, é um parâmetro de alerta no dimensionamento de estoques. É um nível
de estoque que ao ser atingido sinaliza o momento de se fazer uma nova compra,
evitando posterior ruptura do estoque, devendo ser atualizado após cada reposição.
O ponto de ressuprimento deve ser determinado para garantir a continuidade
do atendimento durante o tempo de abastecimento, respeitando a classificação ABC
do item. Nesse caso, o PR coincidirá com o estoque de segurança sendo,
normalmente, aplicado às instituições que têm facilidade e rapidez para o
ressuprimento.

Em outras instituições, cujo processo de aquisição é mais demorado,

justifica-se a determinação do PR igual ao estoque máximo.

AN02FREV001/REV 4.0

PR – CM . TA + ES CM = Média aritmética móvel TA = Tempo
PR – CM . TA + ES CM = Média aritmética móvel TA = Tempo
PR – CM . TA + ES
CM = Média aritmética móvel
TA = Tempo de abastecimento (em meses)
ES = Estoque de segurança (calculado de acordo com a classificação ABC)
Exemplo de um item classe A:
CM
= 200 unidades
TA = 30 dias (1 mês)
ES = 33 unidades
PR
= 200 x 1 + 33 = 233 unidades
PR
= 233
Portanto , quando o estoque atingir 233 unidades, sinaliza o momento que o
novo pedido deve ser processado para que não haja falhas no estoque.
7.1.5 Lote de ressuprimento
O lote de ressuprimento, também conhecido como lote de reposição (LR), é
a quantidade de itens a ser adquirida para que o estoque atinja seu valor máximo.
Fórmula para calculando o LR:
LR = Emax - ES
Emax = Estoque máximo
Es = Estoque de segurança
LR = CM
FC

CM = Média aritmética móvel FC = Frequência de compras (transformado em meses)

AN02FREV001/REV 4.0

7.1.6 Estoque Máximo O Estoque máximo (Emax) é a maior quantidade do item que se
7.1.6 Estoque Máximo O Estoque máximo (Emax) é a maior quantidade do item que se
7.1.6 Estoque Máximo
O Estoque máximo (Emax) é a maior quantidade do item que se pretende
manter em estoque. É determinado em função da política financeira da instituição,
da frequência de compras, disponibilidade de local adequado para armazenamento
ou de acordo com entregas programadas junto ao fornecedor.
Calcula-se Emax por meio das seguintes fórmulas:
Emax = ES + LR
ES = Estoque de segurança
LR = Lote de ressuprimento
Emax = ES + CM
FC
ES = Estoque de segurança
CM = Média aritmética móvel
FC = frequência de compras (transformado em meses)
Para o cálculo do Emax, é necessário conhecer o ES que depende da
classificação ABC, assim como o valor de FC. A frequência de compras mais
favorável é conhecida por meio da determinação do lote econômico.
7.1.7 Lote econômico
Há inúmeros fatores que dificultam o estabelecimento de um número
aproximado de compras anuais ou da frequência em que se deve comprar. Esses
fatores estão relacionados ao aspecto econômico, ao custo de manutenção de

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estoques maiores ou de várias aquisições de estoques menores. Para isso, deve-se basear no processo

estoques maiores ou de várias aquisições de estoques menores. Para isso, deve-se basear no processo de LEC para as compras. LEC é o processo que indica, matematicamente, a frequência das compras e a quantidade a ser adquirida. O que oferece maiores vantagens econômicas. O lote econômico é aquele obtido quando o custo de aquisição e o custo de armazenamento estão mais próximos. Esse parâmetro interfere no valor do Emax e no LR. Para a realização dos cálculos, é necessário determinar os custos de aquisição e armazenamento. A determinação com o auxílio do serviço de custos da instituição evita cálculos incorretos ou o fato de minimizar a sua importância. Podemos citar como exemplo a tendência de se desprezar as áreas físicas de armazenamento como componente do custo. O custo de aquisição corresponde ao total dos gastos com salários do pessoal vinculada à programação e à execução das compras, gastos administrativos com artigos de escritório, publicações, comunicações, viagens, recebimento de materiais, inspeção, transporte, contabilização, pagamento de impostos, seguros, fretes entre outros. O custo de armazenamento é calculado em função do custo da área ocupada, capital empatado, seguros sob material estocado, obsolescência, depreciação, desvios, pessoal vinculado, juros sobre financiamento da compra e outros. Pode-se notar que no exemplo a seguir o custo de armazenamento decresce com o aumento do número de aquisição (Tabela 4). O custo de aquisição é inversamente proporcional ao custo de armazenagem. Quanto ao custo total, verifica-se que, com uma aquisição, ele se apresenta alto, com tendência a redução e, logo a partir de um número de aquisições, volta a aumentar. Por meio do menor valor do custo total, obtém-se o número de aquisição para o LEC:

a aumentar. Por meio do menor valor do custo total, obtém-se o número de aquisição para

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TABELA 4 - DETERMINAÇÃO DO LOTE ECONÔMICO (LEC) Determinação de LEC Aquisições Quantidade/aq Custo de
TABELA 4 - DETERMINAÇÃO DO LOTE ECONÔMICO (LEC) Determinação de LEC Aquisições Quantidade/aq Custo de
TABELA 4 - DETERMINAÇÃO DO LOTE ECONÔMICO (LEC)
Determinação de LEC
Aquisições
Quantidade/aq
Custo
de
Custo
de
anuais
uisição
armazenamento
Aquisição
Custo total
1
12000
480
50
530
2
6000
240
100
340
3
4000
160
150
310
4
3000
120
200
320
5
2400
96
250
346
6
2000
80
300
380
FONTE: Adaptado de Gomes, M. J. V. M. Ciências Farmacêuticas: Uma Abordagem em
Farmácia Hospitalar, 2006.
1
ano = 12 meses
compra-se três vezes (para quatro meses)
1
mês
x
= FC
FC = Frequência de compras (transformado em meses)
FC = 0.25 (significa o número de compras ao mês)
Emax = Es + Cm/FC
Emax = ES + 1000
0,25
Emax = ES + 4000
Dependendo da classificação ABC o ES será maior ou menor. Para um item
classe A no caso exemplificado, considerando-se um tempo de abastecimento 1,5
mês, o Emax será:

ES = 1/3 TA. CM TA = 1,5 ES = 0,5 CM se CM = 1000 ES = 500 unidades Emax = 500 + 4000 = 4500

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A tendência atual é existência de estoques menores e compras mais frequentes. Com essa visão
A tendência atual é existência de estoques menores e compras mais frequentes. Com essa visão
A tendência atual é existência de estoques menores e compras mais
frequentes.
Com essa visão dos parâmetros para dimensionamento dos estoques,
conclui-se que a logística deve ser priorizada pela sua importância administrativa.
7.2 MÉTODOS DE CONTROLE FÍSICO DE ESTOQUES
7.2.1 Inventário
O inventário é um instrumento utilizado para confrontar o estoque registrado
em ficha ou computador com o estoque real ou físico.
São diversas as causas de divergências entre o estoque registrado e o
estoque físico, sendo possível citar:
 Saídas e entradas feitas erroneamente;
 Liberação de material sem o devido registro;
 Problemas com hardware ou com o software;
 Erros de contagem;
 Desvios.
Os inventários podem ser classificados como:
 Permanentes;
 Periódicos;
 Rotativos.

Ainda é comum no Brasil a realização de inventários periódicos anuais, apurando todas as discrepâncias no final do encerramento do ano fiscal em dezembro. Em uma farmácia hospitalar que trabalha com sistema de distribuição por doses individualizadas ou unitárias, há milhares de movimentações de itens por ano, pois as saídas e entradas (ou devoluções) se dão pela unidade de produto. O

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inventário anual não é a melhor estratégia, pois as divergências de estoques que normalmente acontecem,

inventário anual não é a melhor estratégia, pois as divergências de estoques que normalmente acontecem, serão descobertas tardiamente dificultando a apuração das causas em tempo hábil.

É aconselhável fazer inventário utilizando-se a classificação ABC e também incluir alguns tipos de medicamentos
É aconselhável fazer inventário utilizando-se a classificação ABC e também
incluir alguns tipos de medicamentos que interessam à administração, realizando
sobre estes um controle mais rigoroso. Os itens A (maior custo), produtos sujeitos a
controle legal (por intermédio da Portaria 344/1998, do Ministério da Saúde) e itens
que são imprescindíveis ao inventário devem ser realizados todo mês. Os itens B
poderão ser controlados a cada dois meses e os itens C a cada seis meses.
Atualmente, com os recursos cada vez mais poderosos da informática e o
advento do código de barras, pode-se ter uma redução dos erros de contagem e do
tempo gasto para ser feito um inventário, sendo possível obter a qualquer momento
os estoques atualizados de todos os itens.
A administração deve planejar com antecedência que tipo de inventário que
irá utilizar na farmácia e resolver, também, o que será feito com as divergências de
estoque que são possíveis e esperadas, dentro de um limite em um inventário.
8 SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS

Atualmente, os medicamentos representam uma alta parcela no orçamento dos hospitais e são de suma importância no tratamento de grande parte das patologias, o que justifica a implementação de medidas que assegurem o uso racional destes produtos. Uma das medidas de grande impacto neste contexto é uma efetiva dispensação e/ou distribuição dos medicamentos. Deve-se ressaltar que a dispensação de medicamentos é uma atividade técnico-científica de orientação ao paciente, de importância para a observância ao tratamento e, portanto, eficaz, quando bem administrada, devendo ser exclusividade de profissional farmacêutico. E que a distribuição racional de medicamentos consiste em assegurar os produtos solicitados pelos usuários na quantidade e especificação solicitadas, de forma segura e no prazo estabelecido, empregando métodos de melhor custo versus eficácia e custo versus eficiência.

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Nos hospitais, o contato diário do serviço de farmácia com as unidades de internação e

Nos hospitais, o contato diário do serviço de farmácia com as unidades de internação e demais serviços acontece, principalmente, por meio do setor de

distribuição, fazendo dele o setor de maior relevância da farmácia hospitalar. Vários fatores interferem na
distribuição, fazendo dele o setor de maior relevância da farmácia hospitalar. Vários
fatores interferem na implantação e/ou implementação de um sistema de distribuição
de medicamentos (SDM), e os principais são:
 Supervisão técnica adequada;
 Características do hospital como complexidade, tipo de edificação e
fonte;
Mantenedora;
Existência de padronização de medicamentos atualizada;
Gestão de estoque eficiente;
Existência de controle de qualidade de produtos e processos;
Manual de normas e rotinas aplicável.
Os sistemas de distribuição de medicamentos podem ser classificados em:
coletivo, individualizado, dose unitária, combinado ou misto.
Em qualquer um destes sistemas, se houver farmácia satélite, o mesmo será
considerado como descentralizado e, quando não houver, centralizado.
8.1 SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO COLETIVO
O sistema de distribuição coletivo é o mais arcaico dos sistemas, entretanto,
ainda existem alguns hospitais brasileiros que o adotam por diversos motivos.
O sistema de distribuição coletivo é caracterizado pelo fato de os
medicamentos serem distribuídos por unidade de internação e/ou serviço a partir de
uma solicitação da enfermagem, implicando a formação de vários estoques nas
unidades assistenciais. Neste sistema, os medicamentos são liberados sem que o
serviço de farmácia tenha as seguintes informações:
 Para quem o medicamento está sendo solicitado?
 Por que está sendo solicitado?
 Por quanto tempo será necessário?

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Neste modelo, a farmácia hospitalar é um mero repassador de medicamentos em suas embalagens originais,

Neste modelo, a farmácia hospitalar é um mero repassador de medicamentos em suas embalagens originais, segundo o solicitado pela enfermagem. No sistema de distribuição coletivo, constata-se que a assistência ao paciente fica prejudicada pela não participação do farmacêutico na revisão e análise da prescrição médica. E também pelo fato de a enfermagem estar mais envolvida com as questões relacionadas aos medicamentos do que à própria farmácia. Inúmeros trabalhos relatam que a enfermagem, neste sistema, gasta aproximadamente 25% do seu tempo de trabalho em procedimentos relacionados aos medicamentos como: transcrever prescrição, verificar o estoque existente na unidade, preencher solicitação, ir à farmácia, aguardar separação dos mesmos, transportá-los até a unidade, guardá-los nos seus devidos lugares, separar os que são necessários a cada horário, fazer cálculos, prepará-los e administrá-los. Uma grave consequência é o alto índice de erros de administração de medicamentos que este sistema gera, desde o ato da prescrição até o momento da administração dos mesmos. Os principais erros descritos são:

 Duplicação de doses;  Medicamentos, dosagem e/ou via incorretos;  Administração de medicamentos não
 Duplicação de doses;
 Medicamentos, dosagem e/ou via incorretos;
 Administração de medicamentos não prescritos.
Outro aspecto importante é o alto custo deste sistema para a instituição
devido às perdas, por existirem vários pontos de estoque facilitando desvios,
armazenamento inadequado ou caducidade dos medicamentos.

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FIGURA 3 - FLUXOGRAMA DO SISTEMA DE DOSE COLETIVO Médico Prescreve Enfermagem Solicita por unidade
FIGURA 3 - FLUXOGRAMA DO SISTEMA DE DOSE COLETIVO Médico Prescreve Enfermagem Solicita por unidade
FIGURA 3 - FLUXOGRAMA DO SISTEMA DE DOSE COLETIVO
Médico
Prescreve
Enfermagem
Solicita por unidade
assistencial
Farmácia
Distribui
Enfermagem
Recebe, estoca,
prepara e administra
FONTE: Adaptado de Gomes, M. J. V. M. Ciências Farmacêuticas: Uma Abordagem em Farmácia
Hospitalar, 2006.
8.1.1 Desvantagens do sistema de distribuição coletivo
O sistema de distribuição coletivo apresenta as seguintes desvantagens:
 Transcrições das prescrições médicas;
 A não existência de revisão da prescrição por parte do farmacêutico;
 Maior incidência de erros na administração de medicamentos;
 Consumo excessivo do tempo da enfermagem em atividades
relacionadas ao medicamento;

Aumento de estoque nas unidades assistenciais;

Uso inadequado de medicamentos nas unidades assistenciais;

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 Perdas de medicamentos; Impossibilidade de faturamento real dos gastos por paciente; Alto custo institucional.

Perdas de medicamentos; Impossibilidade de faturamento real dos gastos por paciente; Alto custo institucional.

  8.1.2 Vantagens do sistema de distribuição coletivo O sistema de distribuição coletivo apresenta
8.1.2 Vantagens do sistema de distribuição coletivo
O sistema de distribuição coletivo apresenta as seguintes vantagens:
 Grande disponibilidade de medicamentos nas unidades assistenciais;
 Redução do número de solicitações e devoluções de medicamentos à
farmácia;
 Necessidade de menor número de funcionários na farmácia.
8.2 SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO INDIVIDUALIZADO
O sistema de distribuição individualizado se caracteriza pelo fato de o
medicamento ser dispensado por paciente, geralmente para um período de 24
horas. Este sistema pode se apresentar como indireto ou direto.
 Sistema de distribuição individualizado indireto
A distribuição é baseada na transcrição da prescrição médica e a solicitação
à farmácia é feita por paciente e não por unidade assistencial como no coletivo.
 Sistema de distribuição individualizado direto
A distribuição é baseada na cópia da prescrição médica, eliminando a
transcrição. Nesse contexto, é possível uma discreta participação do farmacêutico
na terapêutica medicamentosa, sendo já um grande avanço para realidade
brasileira, na época em que este sistema foi adotado.

As prescrições podem ser encaminhadas à farmácia de diversas formas, como:

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 Prescrição com cópia carbonada Prescrição em duas vias, com carbono entre as folhas ou
 Prescrição com cópia carbonada Prescrição em duas vias, com carbono entre as folhas ou
 Prescrição com cópia carbonada
Prescrição em duas vias, com carbono entre as folhas ou impresso
confeccionado de modo a se obter uma cópia direta. Essa forma proporciona ao
farmacêutico uma via da prescrição e não requer equipamentos especiais.
 Prescrição por fotocópias
Utilização de máquinas copiadoras para produzir uma cópia exata da
prescrição médica.
 Prescrição via fax
Utilização de aparelho de fax para emissão na unidade assistencial e
recepção na farmácia. Os inconvenientes do uso desta tecnologia são:
 Permitir o envio de uma mesma prescrição mais de uma vez;
 Gerar emissão de documentos ilegíveis induzindo aparecimento de
novas fontes de erros de administração de medicamentos;
 Permitir a perda das informações com o passar do tempo. Porém,
diminui o tempo gasto com o transporte de documentos.
 Prescrição informatizada
Em cada unidade assistencial existe um terminal de computador no qual os
médicos fazem diariamente a prescrição que é remetida à farmácia. Algumas das
vantagens deste processo são à eliminação de falhas devido à má qualidade da
grafia médica e a redução do tempo gasto com transporte de documentos.
 Sistema de radiofrequência interligando computadores e leitores
óticos

O médico utiliza um terminal com uma tela que pode ser operado por meio de uma espécie de caneta eletrônica. Essa forma permite a verificação imediata de dados do paciente e a agilização da prescrição, que poderá ser feita próximo ao leito. Implica diminuição do número de terminais de computador na área hospitalar, redução de cabos de interligação e agilização da disponibilidade da prescrição para a farmácia e serviços de apoio.

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Atualmente, o sistema de distribuição individualizado é adotado em diversos hospitais brasileiros, existindo algumas
Atualmente, o sistema de distribuição individualizado é adotado em diversos hospitais brasileiros, existindo algumas
Atualmente, o sistema de distribuição individualizado é adotado em diversos
hospitais brasileiros, existindo algumas variações de acordo com as peculiaridades
de cada instituição, como: forma da prescrição médica, o modo de preparo e
distribuição das doses e fluxo da rotina operacional.
O sistema de distribuição individualizado pode ser operacionalizado de
várias formas:
 Os medicamentos são dispensados em único compartimento, podendo
ser um saco plástico identificado com a unidade assistencial, o número do
leito, nome do paciente, contendo todos os medicamentos de forma
desordenada semelhante ao sistema de distribuição coletivo e para um
período determinado que, geralmente, pode ser 12 horas, 24 horas ou por
turno de trabalho.
Os medicamentos são fornecidos em embalagens, dispostos segundo
o
horário de administração constante na prescrição médica, individualizados
e identificados para cada paciente e para no máximo de 24 horas. Sua
distribuição pode ser feita em embalagem plástica, com separações obtidas
por termossolda ou em escaninhos adaptáveis a carros de medicamentos
adequados ao sistema de distribuição.
Para o êxito deste sistema, é fundamental que todos os profissionais
envolvidos (farmacêutico, enfermeiro, médico, administrador hospitalar) participem
de todo o processo de implantação, elaboração de impressos, aquisição de
materiais e equipamentos e definição da rotina operacional.
8.2.1 Desvantagens do sistema de distribuição individualizado
O sistema de distribuição individualizado apresenta algumas desvantagens:
 Erros de distribuição e administração de medicamentos;
 Consumo significativo do tempo de enfermagem em atividades
relacionadas aos medicamentos;

Necessidade por parte da enfermagem de cálculos e preparo de doses;

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 Perdas de medicamentos devido a desvios, caducidade e uso inadequado. 8.2.2 Vantagens do sistema

Perdas

de

medicamentos

devido

a

desvios,

caducidade

e

uso

inadequado. 8.2.2 Vantagens do sistema de distribuição individualizado O sistema de distribuição individualizado
inadequado.
8.2.2 Vantagens do sistema de distribuição individualizado
O sistema de distribuição individualizado apresenta as seguintes vantagens:
 Possibilidade de revisão das prescrições médicas;
 Maior controle sobre o medicamento;
 Redução de estoques nas unidades assistenciais;
 Pode estabelecer devoluções;
 Permite faturamento mais apurado do gasto por paciente.

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FIGURA 4 - FLUXOGRAMA DO SISTEMA DE DOSE INVIDUALIZADO Indireto Direto Prescreve Médico Prescreve Transcreve
FIGURA 4 - FLUXOGRAMA DO SISTEMA DE DOSE INVIDUALIZADO Indireto Direto Prescreve Médico Prescreve Transcreve
FIGURA 4 - FLUXOGRAMA DO SISTEMA DE DOSE INVIDUALIZADO
Indireto
Direto
Prescreve
Médico
Prescreve
Transcreve
Enfermage
Remete a cópia
m
Analisa, separa
Farmácia
Analisa, separa
e acondiciona
e acondiciona
Entrega
Transporte
Entrega
Recebe e
Enfermage
Recebe e
administra
m
administra
FONTE: Adaptado de Gomes, M. J. V. M. Ciências Farmacêuticas: Uma Abordagem em Farmácia
Hospitalar, 2006.

8.3 SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO MISTO OU COMBINADO

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No sistema de distribuição combinado, também conhecido como misto, a farmácia distribui alguns medicamentos mediante
No sistema de distribuição combinado, também conhecido como misto, a farmácia distribui alguns medicamentos mediante
No sistema de distribuição combinado, também conhecido como misto, a
farmácia distribui alguns medicamentos mediante solicitação e outros por cópia de
prescrição médica, portanto, parte do sistema é coletivo e parte individualizado.
As unidades de internação, de forma parcial ou integral, são atendidas pelo
sistema individualizado e os serviços (radiologia, endoscopia, ambulatórios, serviços
de urgência e outros) são atendidos pelo sistema coletivo. É indicado que, neste
sistema, as solicitações encaminhadas pelas unidades assistenciais sejam
embasadas em relação de estoque previamente estabelecida entre farmácia e
enfermagem. Estes estoques deverão ser controlados e repostos pela farmácia
mediante documento justificando o uso do medicamento.
8.3.1 Acondicionamento e embalagem de dose unitária
No sistema de distribuição de medicamentos por dose unitária, os
medicamentos são acondicionados e embalados de uma forma bastante
característica.
Portanto, a escolha do acondicionamento e/ou da embalagem é bastante
importante e, consequentemente, devem-se considerar os seguintes fatores:
 A adequação às condições físicas do hospital;
 As condições financeiras da instituição;
 As considerações farmacológicas, tais como estabilidade,
fotossensibilidade, entre outros;
 As vantagens econômicas.
8.3.2 Materiais utilizados no preparo de dose unitária

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Para garantir a qualidade dos produtos preparados por dose unitária, é de suma importância que,

Para garantir a qualidade dos produtos preparados por dose unitária, é de suma importância que, para cada produto, seja verificado em publicações científicas atualizadas o tipo de envase mais apropriado. O fracionamento ou reembalagem de medicamentos para o sistema de distribuição individualizado e/ou por dose unitária deve se efetuar em condições semelhantes às utilizadas pelo fabricante, de forma a impedir, tanto uma possível alteração de estabilidade como a contaminação cruzada ou microbiana. Entre os materiais mais utilizados são: o plástico, laminados, vidros e alumínio.

8.3.3 Considerações específicas de embalagem das seguintes formas farmacêuticas 8.3.3.1 Líquidos para uso oral O
8.3.3 Considerações específicas de embalagem das seguintes formas farmacêuticas
8.3.3.1 Líquidos para uso oral
O envase deve ser suficiente para liberar o conteúdo total etiquetado. É
aceitável que seja necessário um acréscimo de volume conhecido, dependendo da
forma de envase, do material e da formulação do medicamento. A concentração do
fármaco deve ser especificada em unidade de peso por medida (mg/ml; g/ml). As
seringas para administração oral devem ser específicas para estes usos, não
devendo permitir a colocação de agulha. Os envases devem permitir a
administração de seu conteúdo corretamente ao paciente.
8.3.3.2 Sólidos de uso oral
Para embalagem tipo blister, deve-se ter um verso opaco que permita
imprimir informações e o outro deverá ser de material transparente. O mesmo deve
permitir fácil remoção do medicamento.

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8.3.3.3 Medicamentos para o uso parenteral Uma agulha de tamanho apropriado deve ser parte integral
8.3.3.3 Medicamentos para o uso parenteral Uma agulha de tamanho apropriado deve ser parte integral
8.3.3.3 Medicamentos para o uso parenteral
Uma agulha de tamanho apropriado deve ser parte integral da seringa. A
seringa deve estar pronta permitindo que o seu conteúdo seja administrado ao
paciente sem necessitar de instruções adicionais.
A proteção da agulha deve ser impenetrável, preferencialmente de um
material rígido, evitando acidentes.
A seringa deve permitir fácil manuseio e visualização de seu conteúdo.
Quanto a outras formas farmacêuticas, os medicamentos para uso oftálmico,
supositórios, unguentos, entre outros, devem ser adequadamente etiquetados,
indicando seu uso, via de administração e outras informações importantes.
8.3.4 Requisitos para implantação do sistema de distribuição por dose unitária
 Farmacêutico hospitalar com treinamento específico para este fim;
 Laboratório de farmacotécnica;
 Central de preparações estéreis;
 Padronização de medicamentos;
 Dispositivos para entrega de doses unitárias (carrinhos, cestas e
outros);
 Impressos adequados;
 Máquinas de soldar plásticos;
 Material de embalagens: sacos e potes plásticos; frascos de plásticos,
de vidro, de alumínio; caixas de madeiras ou acrílico;
 Envelopadora – máquina de selagem e etiquetagem de comprimidos;
 Envasadora (líquidos, cremes e pomadas);
 Máquina de cravar frascos;
 Rotuladora;

Impressora;

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 Máquina para lavar frascos; Terminal de computador.  8.3.5 Vantagens do sistema de distribuição

Máquina para lavar frascos; Terminal de computador.

 8.3.5 Vantagens do sistema de distribuição por dose unitária O sistema de distribuição por
8.3.5 Vantagens do sistema de distribuição por dose unitária
O sistema de distribuição por dose unitária apresenta as seguintes
vantagens:
 Identificação do medicamento até o momento de sua administração,
sem necessidade de transferência e cálculos;
 Redução da incidência de erros de administração de medicamentos;
 Redução do tempo de enfermagem com atividades relacionadas ao
medicamento, permitindo maior disponibilidade para o cuidado do paciente;
 Diminuição de estoques nas unidades assistenciais com consequente
redução de perdas;
 Otimização do processo de devoluções;
 Auxílio no controle da infecção hospitalar devido à higiene e à
organização no preparo de doses;
 Grande adaptabilidade e sistemas automatizados e computadorizados;
 Faturamento mais exato do consumo de medicamentos utilizados por
cada paciente;
 Maior segurança para o médico em relação ao cumprimento de suas
prescrições;
 Participação efetiva do farmacêutico na definição da terapêutica
medicamentosa;
 Melhoria do controle sobre o padrão e horário de trabalho desenvolvido
pelo pessoal de enfermagem e farmácia;
 Redução do espaço destinado à guarda do medicamento nas unidades
assistenciais antes da administração aos pacientes;
 Melhoria da qualidade da assistência prestada ao paciente.

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8.3.6 Desvantagens do sistema de distribuição por dose unitária O sistema de distribuição por dose
8.3.6 Desvantagens do sistema de distribuição por dose unitária O sistema de distribuição por dose
8.3.6 Desvantagens do sistema de distribuição por dose unitária
O
sistema
de
distribuição
por
dose
unitária
apresenta
as
seguintes
desvantagens:
 Dificuldade de se obter no mercado farmacêutico todas as formas e
dosagens para uso em dose unitária;
 Resistência dos serviços de enfermagem;
 Aumento das necessidades de recursos humanos e infraestrutura da
farmácia hospitalar;
 Necessidade da aquisição de materiais e equipamentos específicos;
 Necessidade inicial de alto investimento financeiro.

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FIGURA 5 - FLUXOGRAMA DO SISTEMA DE DOSE UNITÁRIA Médico Prescreve Enfermagem Apraza o horário
FIGURA 5 - FLUXOGRAMA DO SISTEMA DE DOSE UNITÁRIA Médico Prescreve Enfermagem Apraza o horário
FIGURA 5 - FLUXOGRAMA DO SISTEMA DE DOSE UNITÁRIA
Médico
Prescreve
Enfermagem
Apraza o horário
Transporte
Encaminha a cópia
Farmacêutico
Elabora o perfil
farmacoterapêutico
Farmácia
Separa
Farmacêutico
Revisa e confere
Transporte
Entrega
Enfermagem
Confere, registra e
administra

FONTE: Adaptado de Gomes, M. J. V. M. Ciências Farmacêuticas: Uma Abordagem em Farmácia Hospitalar, 2006.

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FIM DO MÓDULO I AN02FREV001/REV 4.0 56
FIM DO MÓDULO I
FIM DO MÓDULO I

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