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Semente da paixio: a semente da sustentabilidade Paula Almeida Na agricultura, a semente ¢ muito mais do que um mero insumo. Sendo Angela Cordeiro amp portadora de "mensagens" bloldgicas e soctoculturais repassadas. de Bafra.a salra alravés das geragdes de agrcultores, € por excelencia 0 principal recurso. regenerative, das contigles. de. producao agricola Portando um “eddigo genético", permite a adaptabilidade das espécies Gomesticadas As condigtes ecologeas locals’ Contendo um. “eSdigo cultural”, responde pelas necessidades ¢_preferéncis populagées locais, Na semente, essa convergencia entre Eenttica e cultural ocorre mediante um processo co-evolutive Soclalmente gerido, envolvendo estratégias individuals e coletivas, Nesse sentido, mutto mais do que um simples meio de producao, a Ss tt d peaetie nian copeeninds: mebeome Se repenniyad ‘Go masta dc emente da oO vida das familias agricultoras. pice ee Estratégia comunitiria de conservacito de da_paixéo. Por trés desse clogiente simbolismo, encontramos variedades Locais no semi-drido complexas estratégias adotadas pelas familias de agricultores da regiao voltadas para manutencio de um verdadeiro patriménio genético do qual sao detentoras. Séo diferenciados mecanismos de selecdo, armazenamento ¢ intercambio que infelizmente vem sendo negligenciados pelos formuladores de politicas piblicas no momento fem que conceituam a semente da paixao como grdo, desqualificando-as socialmente ¢ induzindo a um intensivo processo de erosio genético- cultural. Essa publicagdo apresenta o trabalho que vem sendo desenvovido por organizagées de agricultores familiares do agreste da Paraiba no sentido de fortalecer as estratégias tradicionais de conservacao das sementes da palxdo. Além de contrapor-se frontalmente com a concepcao € os métodos prevalecentes nas politicas publicas vigentes, apontando caminhos eficientes ¢ sustentaveis para 0 estabelecimento de sistemas de seguridade de sementes descentralizados nas comunidades rurals, esse trabalho evidencia que qualquer estratégia para a conservacdo da diversidade biologiea na agricultura deve andar de par com uma estratégia de revitalizacao da diversidade sociocultural nas comunidades rurais, Paulo Petersen Rio, janeiro de 2002 ELT RON crd FUNBIO Paula Almeida Angela Cordeiro Semente da Paixao Estratégia comunitdria de consenvagdo de variedades Locais no semé-drido Esperanca - Paraiba Janeiro, 2002 & asia {SSEHORA e seRG05 A MOIETON Ew ‘AGRICULTURE ALTERNATIA Copyright: © 2002 by AS-PTA - Assessoria © Servicos a Projetos fem Agricultura Allemativa © Articulacao do Semi-Arido Paraibano ‘Todos os direitos reservados e protegidos pela Lel 5.988, ‘de 14.12.1973, autorizada a reproducao parcial ou total desta obra para fins ‘ndo-comerelals desde que citada a fonte, Coordenaciio Edltorial: Silvia Cristina de Mendonea & ‘Manoel Roberval da Silva Revisao Teentca: Paulo Petersen Revisso Gramatieal: Maria Correia Lina de Almeida ustragées: Ivalde Guedes Fotos: Arquivo da AS-PTA Projeto Gratioo: Forma Livre Programagio Viswal Diggramacdo: Naja Soraia Magalhaes Impressdo: Blue Chip Catalogacao na fonte Fundapdo Biblioteca Nacional Amel, Paula ‘Semnete da pabsio; estratéga comunttra de conservago de vrartedades locals no sem arido 7 Paula Almeida, Angela Cordeio, (ustragio Waldo Guedes) fo de Janeiro: AS-PTA, 2002 Tapa Ms 18.8921,5em, ISHN #5-47116-10-X Ines btiograta, 1. Agricultura - Aspectos ambientais - Paraiba. 2. Desenvolvimento sustentavel - Brasil, 9. Sementes, Armavenamento. Cordero, Angela Tule ~ Ponta cpp-228. 1099199 Rio de Janeiro '2002 AS-PTA ~ Assessoria e Servicos a Projetos em Agricultura Alternativ ‘Rua da Candelaria, 9-6" andar - Centro "BP 2091-020 - Ro de Janeiro/RI ‘Tel: 21) 2283 8317 Fax: (21) 2233 8363 E-mail: aspta@alternex.com.br “Articulagao do Seml-Arido Paratbano BR 104, Km 6 - Distrito de Sso Miguel - Caixa Postal 33 ‘Cep 88135-000 - Esperanca/PB “Tel: (83) 361-9040/361-9081 E-mail: asptapb@ucl.com.br Semente da Paixao Agradecimentos Agradecemos as centenas de agricultores ¢ agricultoras que tem se esforgado para permanecerem com sua se- mente da paixdo, a sua cultura ea sua tradicao no semi- Arido, Este texto ¢ baseado nesta resistencia, Agradecemos também aos amigos da comissao de se- mentes da articulacao do Semi-érido Paraibano, que jun- tos, com alegria e boa vontade tém caminhado por toda a nossa Paraiba, levando ¢ trazendo a semente da paixao. Ea toda equipe da AS-PTA na Paraiba. stem se Seguridade da Semente da Patio Sistema de Seguridade da Semente da Tatsio EI —— term ecg a Someta no Sumario 1. Apresentagao. 9 2. Introdugio uM 3. Agricultura e biodiversidade no semi-drido nordestino 15 Contexto ambiental ¢ sécio-economico _ 15 A cestratégia técnica dos agricultores 19 Limites para a conservacao da biodiversidade_ 23 4. Os Bancos de Sementes Comunitarios 31 Genese € evolucaio 31 Os bancos de sementes comunitarios no Agreste da Paraiba, 34 Os bancos de sementes comunitarios e 08 programas governamentais na Paraiba 55 5, Propostas para um sistema de seguridade de sementes no semi-Arido paraibano 62 6, Referéncias bibliograficas 69 sistem de Sagrada Semen arse QB —— > 81210 6e equstdae da Semente da Pato Apresentagao Este texto reflete os actimulos do programa de recursos {genéticos do Projeto Paraiba da AS-PTA e seus parceiros nos seus sete anos de existéncia, Seu contetido é pro- duto do trabalho e das reflexes coletivas envolvendo as organizacdes de agricultores, a equipe da AS-PTA ¢ entti- dades que compoem a Articulagao do Semi-Arido Paraibano que estiveram e esto presentes na busca do desenvolvimento agricola sustentavel para o estado da Paraiba. Estas paginas significam o esforgo de sistematizagdio mais importante que ja realizamos a respeito da construcao da problematica da semente e de solucoes téenicas, metodolégicas ¢ organizativas para a construgao de um sistema de seguridade! de sementes oricntado para a conservacdo da diversidade agricola no semi-arido nor- destino, Muitas coisas aprendemos durante este pro- cesso mas uma delas evoca o valor da conservacao da diversidade para a agricultura familiar. O termo criado pelos agricultores, que designa as variedades locais ¢ a semente da paixéo, ou seja, a semente desejada para cultivar, desenvolvida em harmonia com o ambiente e a cultura da regiao. Esta publicacao relata a experiéncia de implantacao deste sistema a partir de Bancos de Sementes Comunitarios na regido do Agreste Paraibano. Ela ciscute os limites e potenciais desta iniciativa para a conservacao da diver- ‘sidade biolégica nos sistemas agricolas locals e a sequ- Fangano abastecimento de sementes. Inictalmente, é feita ‘a desericao do contexto ambiental e sécio-econémico em que esta experiéncia se desenvolve. Em seguida, faz-se um relato dos antecedentes dos bancos de scmentes na Siotema de Seguridad da Semente da Pato J —— elie Hordeste ¢ justifica-se o motivo desta linha de agao lor ne tornado uma prioridade para a AS-PTA. Informa- ‘Goon nobre a organizacao dos bancos € sua evolucao nos Uillimos clneo anos S20 sucedidas por uma discussio pobre as diliculdades estruturais e conjunturais enfren- (ada pelos agricultores para manter 0 seu sistema de abasteclmento de sementes. Finalmente, é apresentada luina série de propostas para o aperfeigoamento deste sis- Leta © para um melhor aproveitamento do potencial dos hancos de sementes comunitarios como um meio de ga- da seguridade de sementes em condicoes adver- no aquelas presentes nas regides semi-dridas. Psperamos que ele seja um instrumento importante de referencia para a AS-PTA e seus parceiros, para a Arti- culagaio do Semi-arido Paraibano, bem como para as ins~ tiluigdes de desenvolvimento e para as organizagées de wricultores do Nordeste do Brasil. QD 120 de Segura da Semen da Paso Introducgaéo Desde os primérdios da agricultura, o manejo da diver- sidade de espécies ¢ da diversidade varietal dos cultivos tem sido um elemento importante para a sustentabilidade dos sistemas agricolas. E esta diversidade que vem per- mitindo aos agricultores, ao longo do tempo, tanto en- frentar os limites quanto aproveitar as potencialidades que 0 ambiente local oferece. Sistemas de producao tra- dicionais encontrados nos diferentes centros de diversi- dade dos cultivos agricolas atestam que esta € uma op- ‘¢40 consciente dos agricultores e ndo apenas um resul- lado natural de processos evolucionarios. Um estudo sobre a dinamica de espécies de batata do genero Solanum na regiao dos Andes peruanos, por exemplo, mostra que 05 agricultores locais nao apenas manejam um sistema taxonémico bastante complexo, como tam- ém orientam suas decisoes de plantio a partir de uma série de critérios bem elaborados (Brush et al. 1981). A mesma complexidade pode ser observada no manejo da diversidade varietal do arroz. (Oryza sativa) na Asia, fato que levou recentemente 0 setor académico a reconhecer © importante papel dos agricultores na conservagao da diversidade genética deste cultivo (Bellon et al. 1996). A diversidade biologica na agricultura é particularmen- te importante em regides nas quais algum tipo de estresse ambiental manifesta-se com freqiiéncia, assim como nas regldes semi-Aridas, Nestas condigées, a diversificacao de cultivos ¢ do ntimero de variedades utilizadas es- tratégia comumente adotada por agricultores de varias partes do mundo para contornar situacées de deficit hidrico (Cecarelli et al, 1996). No Estado do Rajasthan, zona semi-arida no noroeste da india, variedades locais de milheto (Penisetum glaucum) sao consorciadas com ‘Sta de Seguridad da Semsente da Paso 9) —— diversas espécies de leguminosas (Weltzien et al, 1996). s restos de cultura, por sua vez, so fonte importante de alimentacao para os animais, componente vital dos sistemas de producao locais. Situacao semelhante pode ser observada nos sistemas de producao familiar do nor- deste brasileiro. Os rocacos caracterizam-se como ver- dadeiros mosaicos de cultivos e variedades, sendo pos- sivel encontrar em uma mesma leira diferentes varieda- des de feijao ~ géneros Phaseolus e Vigna -, consorcia- dos com mitho (Zea mays), mandioca (Manihotesculenta), batata doce (Ipomoea batatas), entre outros. E a partir desta mistura ordenada que os agricultores conseguem conviver com 0s riscos ¢ instabilidades de um ambiente com oferta limitada de agua. No entanto, os tiltimos cingdenta anos tem sido marca- dos pela tendéncia de simplificacao exagerada dos sis- temas agricolas. Os dados sobre a situacdo mundial da conservacao dos recursos genéticos das espécies alimen- tares divulgados pela FAO, em 1996, sao alarmantes (FAO, 1996). Todos os paises que contribuiram com in- formacdes confirmaram um proceso acelerado ¢ conti- nuo de erosdo genética. Desmatamento, expansao de monocultivos e degrada¢aa da vegetacao por excessiva carga animal sdo alguns dlos fatores que tém causado perdas incalculavels a biodiversidade agricola e silves- tre, comprometendo significativamente a sustenta- bilidade da producao de alimentos. Em situacao de bat- xa diversidade biologica, a producao agricola 56 se man- tém com um consumo elevado de adubos quimicos, agrotoxicos e irrigacao. Ainda que este modelo venha sendo adotado ha poucas décadas, ja so evidentes os impactos negativos que provoca (Bell, 1998). Além da reducao do ntimero de espécies ¢ da homogeneidade genética das variedades e racas empregadas atualmente na agricultura, a contaminacao das aguas ¢ dos solos causada por adubos quimicos e agrotéxicos € outra fon- te de impacto sobre a diversidade biologica. Estes problemas ocorrem com bastante intensidade em_ paises como o Brasil. A promocao da “modernizacao" tecnolégica e dos monocultivos de exportagao posta em marcha desde 0s anos setenta, resultou em indicadores: @ 8:02 Segura da Semen da rao ambientais ¢ sécio-econdmicos nada satisfatorios (Almeida, 2001). No Nordeste do Brasil, regido pobre e de grande concentracao de agricultores familiares com sis- temas tradicionais de cultivo, estas mudancas vém ocor- rendo de forma menos aceleracia mas com repercussdes igualmente danosas para a populacdo € o melo ambien- te. As politicas publicas vem de encontro a estrategia técnica dos agricultores familiares que é fundamenial- mente orientada para a convivéncia com o sem{-arido. A organizacao nao-governamental AS-PTA — Assessoria Servicos a Projetos em Agricultura Alternativa - vem tra- balhando desde meados da década de 80 com a promo- cdo da agroecologia. agricultura familiar ¢ desenvolvi- mento sustentavel. Suas atividades incluem programas locais de geracao e diftsao de inovages para agriculto- res familiares ¢ 0 desenvolvimento de metodologias par- tictpativas para este tipo de intervencao. Os en- sinamentos obtidos através da a¢ao local tem se consti- ‘tuido em fonte de reflexao para a formulacao de propos- tas de politicas pablicas, compartilhados com outras or- ganizagoes por intermédio de articulacdes em redes. Em 1999, a AS-FTA iniciou um projeto de desenvolvimento local no Agreste da Paraiba, concentrando-se numa regiao cle grande diversidade ambiental, alta densidade populacional ¢ presenca marcante da agricultura familiar. A proposta que ‘vem sendo implementada desde entao busca a geracio, a adaptagiio ea difusdo de inovagées técnicas e sociais eapazes de gerar sistemas agricolas sustentaveis, tenco como elemento fundamental a participacao efetiva dos agricultores em todas as fases do processo (Sidersky, 1997) AAS-PTA € seus parceiros fazem parte da Articulacao do Semi-arido Paraibano que € um forum estadual de debate reflexdo acerea da convivéneia com 0 semi- Arido. Ela foi estruturado em 1994 a partir de repre- sentacées de organizacées de agricultores, ong’s € ou- tras organizagoes da Sociedade civil. Suas principals acées estao voltadas para a construcao de referencias praticas e politicas puiblicas no que diz. respeito & pro- blematica da agua e da semente no semi-arido. As refle- x6es contidas neste documento so também fruto da ‘atuagao da comissao de sementes da Artictilacao, Sistema de Seguridade da Semente da Patsio I —— >see Serta da Sees di Paso ae a9 etn gt Agricultura e Biodiversidade no Semi-Arido Nordestino Contexto ambiental e sécio-econédmico ONordeste do Brasil ocupa uma area de 1,8 milhoes de Km®, 0 que representa cerca de 18% do territério nacio- nal. Em 1996, ai viviam 28,5% da populagao brasileira ou 44,8 milhoes de pessoas (IBGE, 1996). Cerca de 60% da regiao ¢ caracterizada como semi-arida, condigao que atinge oito entre os nove estados nordestinos. Esta érea de semi-arido € conhecida como poligono das secas (Andrade, 1999), sendo que a Paraiba possui cerca de 98% de seu territério dentro do poligono. A dominancia do sem!-arido na regiao faz. com que ela seja conhecida e apontada pela midia como lugar de seca e fome. No en- tanto, o Nordeste apresenta grande diversidade climati- a, varlando de regiées muito secas com precipitacées de 300 mm/ano até arcas timidas ao leste denominadas Zona da Mata. Entre o litoral timido e o interior semi- 4rido” encontra-se o Agresie, regio de transicao. Apesar dos desafios que o clima estabelece, a maior parte dos agricultores familiares do pais esta na regiao Nor- deste. Existem na regiao 2.055.157 estabelecimentos agri- colas familiares, o que equivale a 49,7% do total do pais. Todavia, os mesmos ocupavam apenas 43,5% das terras agricolas regionais, confirmando o elevado indice de con- centragao de terra (FAO/INCRA. 2000). Apesar de em- pregar cerca de 70% da forea de trabalho rural regional € da sua relevancia em termos nacionais, a agricultura familiar da regiao participou em apenas 8,5% dos finan- ciamentos destinados agricultura no ano de 1985. Den tro deste quadro de dificuldades, a renda monetaria mé Sbtema de Sepurdade da Smente da Paso EB —— Ceard dia dos estabelecimentos rurais é bem menor do que nas dlemais regides do pais, ou seja, 8 saldrios minimos ao ano, enquanto que na regiao sudeste chega até 31 salarios mi- nimos ao ano (Armani, 1999) Em comparagao com outros estados nordestinos, o ter- ritorlo da Paraiba € relativamente pequeno, ocupando 56.372 Km®. A partir do litoral, sua area estende-se por cerca de 443 km em sentido oeste, rumo ao interior do pais. Neste trecho, a paisagem revela diferentes mesor- Tegioes, claramente demarcadas pela variaao de preci- pitacdo que caracteriza cada uma delas (Figura 1). Aocu- Pacao agricola esta subordinada as possibilidades ¢ li- mites das caracteristicas climaticas, havendo uma con- centragao do monocultivo de cana-de-acticar no litoral; predominio do sistema de policultivos associado com pe- cuaria na regiao do Agreste; e concentragao de pecudria bovina no Sertao. ‘Quanto a ocupacao humana, a Paraiba reproduz os mes- mos padrdes nordestinos. Atualmente, de uma popula- Mesorregides da Paraiba Rio Grane do Norte é to ur: Mapado creambienta! do Pernambuco ‘stood Paraiba, Fonte: Adapiado de MOREIRA, Sosa 1997" aaParata — GG Bssteina ce seguridad aa Semente da Patio ses r heen Seen cdo total de 3,2 milhdes de pessoas, 36% vivem na area rural. Todavia, a maior parte dos municipios do estado tem sua economia dependente da atividade agricola. Ha um fluxo de migracao intenso, tanto do meto rural para 0 urbano como para grandes e médias cidades, principal- mente do Sudeste do pais. A distribuicao fundiaria da Paraiba € extremamente desigual. Os pequenos estabe- lectmentos de até 50 ha. correspondem a 90% do total de propricdades rurais do estado. mas ocupam apenas 22% da area agricola total (IBGE, 1996). Aagricultura familiar paraibana se concentra na mesor- regiao do Agreste, onde esto 49% dos estabelecimentos agricolas desta categoria. Esta é uma das regides de mai- or densidade populacional de todo o pais, chegando a 91,5 habitantes por km? (IBGE, 1996). O Agreste apresenta grande diversidade de paisagens resultante sobretudo da Variacao espacial dos padrdes pluviométricos que 0 ca~ raeteriza, Embora a média de precipitacao seja de 1.000 mm/ano no leste (zona do Brejo), dentro de uma distan- cla de apenas 40 km ela cai para cerca de 400 mm/ano a este (ona do Curimatati). Essa variacdo termina por induzir tanto uma grande diversidade na vegetacdo na- tural, como uma enorme variedade de sistemas agrico- las, 05 quais sao policultores por exceléncia (Andrade, 1980). ‘Ao norte de Campina Grande, municipio polo da mesor- regio do Agreste, ha um predominio absoluto da pequena propriedade, o que faz desta a tinica regiao mi-nifundiaria do estado (Moreira, 1997)", E nesta regido. que poderia- mos chamar cle “agreste da agricultura familiar"’, que se localizam Soldnea, Remigio e Lagoa Seca, municipios em que a AS-PTA concentra suas atividades. Eles reprodu- zem todas as caracteristicas acima citadas: alta densida- de populacional, presenca mareante da agricultura fami- liar ¢ diversidade ambiental ¢ agricola. Apopulacdo rural destes 8 municipios esta estimada em 48.4% da total de habitantes ou 6,8 mil familias distri- buidas em cerca de 125 comunidades rurais (Goncalves, 2000 citando FNS/PACS, 1999). A densidade popu- Sisieme de Segurdade da Semente da Pasto EJ —— GB seer de Sega da Smet da Pt Jactonal média aleanga o nivel incrivel de 218 hab./Km?. (Goncalves, 2000). Ha uma concentragao de minifiindios tendo 86,8% dos scis mil estabelectmentos uma area inferior a 10 has. Em contrapartida, nos municipios de Solanea € Remigio, as propriedades acima de 100 has chegam a ocupar até 71% da area agricola. Os diagnésticos participativos realizados pelas organi- zag0es de produtores com o apoio da AS-PTA, identifica- ram de cinco a seis micro-zonas ambientais em cada municipio, como demonstra a figura 2, exemplificadas pelo caso de Remigio. Isto confirma em uma menor es- cala a varlacdo ambiental j4 mencionada no nivel das mesorregides. Foram identificados também seis sub-sis- temas de producao, quais sejam: cultivo anual, cultivo permanente, criagao animal, quintal, extrativismo ¢ agri- cullura trrigada em pequena escala. Estes sub-sistemas ‘se combinam em formas diferenciadas segundo critéri- 05 ambientais ¢ sécfo-economicos. Neste contexto, a forte Mapa do Municipio de & Ey iI =| AASPTA gu 2 Mapa das mottras abies de Renigo, deena uri to Damo nt Perper de Agrostis nese haa, Forte: ASPTAe Seto de Thos far de Reno diversidade ambiental faz com que os limitantes a pro- ducao agricola familiar se manifestem de forma diferen- clada e, conseqtientemente, demandem solugées e ino- vagdes especificas (AS-PTA, 1997). Aestratégia técnica dos agricultores No semi-arido nordestino, 0 manejo da biodiversidade © principal pilar da sustentabilidade da agricultura fa- miliar. Alguns fatores determinam a opeao pela diversi- ficagao. A producdo esta voltada tanto para o abasteci- mento alimentar da familia e dos animais quanto para a geragaio de excedentes para comercializacao. Esta logica privilegia sistemas de policultivo associados a criagdo de varias espécies de animals, estabelecendo uma interdependéneia entre os diferentes sub-sistemas. Esta organizacao técnica conduz, necessariamente, a diver- sifleacdo de espécies manejadas, resultando em diferen- tes parcelas de cultivo, com diferentes arranjos, dentro da mesma unidade produtiva, como pode ser visto na figura 3. As unidades de producao familiar néo estao especializadas em um tinico cultivo, ja que esta opeao levaria, inevitavelmente, a uma maior fragilidade do siste ura 3 Intopreta (0 de um roc te pico da regiao do fgreste paraibano fade pero ere. {ples consdrcios HP contendo mio, feja0 Dalotardocd meando. ‘mesma porela Sistema de Seeurdade a Semen dn Paso IQ —— ma e a0 aumento dos riscos, tanto do ponto de vista agro- némico quanto econdmico. Conseqiientemente, é comum encontrar na regio, rocados diversificados consorctan- do mais de 5 especies e imtimeras variedades de cada espécic. A criacao animal © as culturas perenes complementam esta diversidade de producao. Uma segunda razao para a diversificagao é a pouca im- portacao de insumos externos a unidade de producao. Como utilizam pouco ou nenhum insumo industrial ow manufaturado, os sistemas dependem do manejo da biodiversidade disponivel para se sustentarem. A légica esta na otimizagao dos recursos locais através da capa- cidade recicladora das milltiplas espécies utilizadas, se- Jam elas introduzidas e/ou silvetres. Os resultados do Diagnéstico Participativo de Plantas Nativas realizado em 1998 nos municipios de Solanea ¢ Remiglo confir- mam Isto. Neste estudo, os agricultores e agricultoras identificaram 257 espécies de plantas nativas e/ou introduzidas presentes no ambiente local (Lima,2000). Deste total, apenas 20% nao sao utilizadas pelas famili- as de agricultores. Estas plantas se encontram nos ro- cados, quintais, capoeiras, matas e, em geral, sao espé- cies nao-cultivadas. Neste mesmo diagnéstico, somente no municipio de Solanea foram levantadas 192 espécies de uso medicinal, sendo a maior parte delas menciona~ das pelas mulheres. Encontra-se também uma diversidade notavel de varie- dades das distintas espécies de cultivos. Isto se deve em particular a variagdo ambiental, a qual subordina a co- Iheita a fatores alheios ao controle dos agricultores. No semi-arido so comuns os veranicos prolongados out mes- mo secas que perduram de dois a trés anos. Ao mesmo tempo, sdo raras as situacdes onde ha a possibilidade de irrigacdo. Conseqtientemente, em anos criticos, 0 abastecimento de alimentos para os animais torna-se bastante comprometido, assim como a seguranca ali- mentar da familia. Mais uma vez, a diversificacdo ¢ es- senclal para garantir alguma colheita. Com esta finali- dade, os agricultores manejam um grande nimero de variedades de cada espécie, joganclo com caracteristicas QD sea ce Seguridade da Semente da Paixio ma a La Se too de capi a eae que ¢ como tamanho do ciclo e data de plantio para enfrentar a irregularidade das chuvas. Ao mesmo tempo, selecio- nam espécies c variedades que melhor se adaptam as condigGes de estresse hidrico, aos diferentes propositos de uso e ao paladar da familia. No Diagnéstico da Diversidade de Feijoes realizado na regiao do agreste da Paraiba em 1997 pelos Sindicatos deTrabalhadores Rurais (STRs) de Solanea ¢ Remigio, a AS-PTA € agricultores locais, foi possivel identificar em apenas 6 comunidades, 67 variedades das 3 espécies de feijao plantados na regiao. Deste total, 28 variedades eram de feljao de arranque (Phaseolus vuigaris), 22 de feijao macassa (Vigna unguiculata) e 17 de fava (P. le natus) (Kenofonte, 1999). Além do fator ambiental, esta diversidade é fruto de uma cultura alimentar bastante rica desta regiao, a qual inclut muitos tipos de feijoes. A tradigao das familias rurals do semi-arido de produzir ¢ guardar sua propria semente em casa tem consolida- do, ao longo das décadas, através do uso, praticas de conservacao da diversidade agricola como adaptacao € selecdo de materiais, troca e experimentagao de recur- 808 genéticos. Allada aos materiais ha a mobilizagao ea perpetuacao do conhecimento sobre a biodiversidade, sem 0 qual nao seria possivel 0 uso. A cada ano* se repete 0 mesmo ciclo. As sementes 8&0 plantadas, colhidas, tratadas ¢ estocadas até o proximo plantio por caca uma das familias de agricultores. Dian- te das inconstancias climéticas da regido, a pratica de estocagem a nivel familiar, nao so de sementes mas de gua, alimentos e forragem assume uma importancla cen- tral na estratégia de convivéencia com o semi-arido. © mercado da regio, tal como funciona hoje, apresen- ta caracteristicas que facilitam o manejo de diferentes espécies nas unidades produtivas. Ele tem uma peculi- aridade que o diferencia de outros do pais ¢ o torna mais relacionado a vida local das cidades: a grande fetra livre municipal. Cada uma das cidades em estudo® possui uma feira municipal que funciona em um dia determi- Sistema de Seaurdads a Semente de Pixs I —— mals, de frutas, de verduras, de graos (principalmente fet. 440, macassa, milho ¢ fava), de farinha e outros. A diversi. dade da feira é muito grande ¢ ha bastante oferta de pro- dutos locais como batata-doce, inhame, muitos feijées, fel- ‘Boverde, milho,coentro, banana, lara, muitos produ: wvadlos da mandioca, macaxeira ¢ outros. Os agri- cultores comparecem as fetras tanto para comercializar seus produtos como para comprar mercadorias que nao tem em casa. Portanto, a organizacdo do mercado local reflete com fidelidade a estratégia dos agricultores: inten- sificagao com diversificagao, Esta forma de organizacao do mercado ina mea particular. Em primero lugar o mercad lal pos, mite que os agricultores consigam escoar seus diferentes produtos, mesmo que em pequenas Quantidades. Em segundo lugar, a feira € local de acesso a material genético. Visitando a felra de Campina Grande vemos que grande parte do feijéo oferecido a venda é de variedade local, A Mango conser Daconsta do Imandocar ne ‘Sto Meta Pa (aca. Prope date de Arvo fio Dandon Rogado a versificade JJelaomocas sae frutet Familia de Pedro Pere reeemEapoa Seni QB sse1s de Seguetdnde da Seacente da Paso aquisigao de novas variedades para plantio € muito co- mum, da mesma forma que os agricultores deixam suas varledades para outros adquirirem, Portanto, 0 manejo da diversidade no semi-Arido nordes- tino € uma estratégia antt-risco, proporcionando flexibill- dade de opcoes e oportunidades de mercado tals varila- Jjosas. Desta forma, 0 manejo integrado da diversidade de espécies cultivadas e silvestres, das variedades locais € da producao animal é vital para a sustentabilidade cco- némica e ecolégica dos sistemas agricolas e para a garan- tia da seguranca alimentar da regio. Limites para.a conservacéo da biodiversidade . Muito embora esta diversidade seja essencial para a sustentabilidade da agricultura familiar e para a segu- ranea alimentar do povo do semi-Arido, cla vem sofrendo muitas presses, resultando em prejuizos ao meio ambl- ente € vida das familias. Existem alguns principais fa- tores que exercem influencia negativa sobre a biodiversidade ¢ desaflam a estratégia dos agricultores: o mercado, a seca, a minifundizacao e as politicas gover- namentais. Apesar da dinamica propria que o modelo de feiras livres impée ao comércio regional, a influéncia global do mer- ‘eado na regio € cada vez mais forte ¢ os agricultores sa0, continuamente pressionados a se adaptarem a estas mu- dancas. O mercado pressiona para a uniformidade. Um bom exemplo é dado pela variedade carioca do felja0 Poulgaris. Esta variedade foi introduzida na regio no final dos anos setenta e hoje é a mais cultivada na regiao, © a comercializada em maoir volume na feira de Campi- na Grande. As adversidades ambientals, cuja maior expresso é a limitacao na oferta de agua, manifestam-se em diferen- tes intensidades e freqiténcias. Na regido semi-arida, ha dois fenomenos diferenciados denominados generica- mente de “seca”, mas cada qual com caracteristicas es sistema de Seguridade da Semente da Paxan J —— itm pecificas. O primeiro deles é propria divisao das estagdes do ano em duas fases bem marcadas: o inverno, periodo de concentracdo de chuvas ¢ o verao, quando ha nume- Tosos meses sem chuva. As chuvas concentram-se no inverno, mas com distribuiczio bastante irregular, conf. gurando-se, em alguns anos, veranicos dentro da esta- G0 de inverno. Diante desta meonstancia das chuvas aparece a necessidade de estocagem de graos, alimen- tos, sementes, agua e forragem. Mas é comum que estes estoques se esgotem em apenas poucos meses, antes de chegar 0 periodo chuvoso seguinte Um segundo fendmeno sto as secas ie, acet propriamente ditas, as quais podem —_/em Campin se estender por 2 ou mais anos. Da- rade gresteda dos pluviométricos do periodo de 1911 19a Nos ane ove a 1998 coletados em Campina Gran- 6 nto tonne de tlustram 0 carter ciclico deste fe- 8" sams. nomeno (Grafico 1). Desde a chegada dos portugueses ao Brasil ha desericao de secas no Nor- deste. Porém, as suas consegtiéncias tém-se agravado proporcionalmente ao aumento das pressdes ambientais, Os agricultores sentem a irregularidade das chuvas, con. forme resultados de Diagnéstico de Recursos Hidricos realizado em 1999 em pareeria com comunidades agri. colas da drea mais seca do municipio de Solanea. Neste Ievantamento, os agricultores identificaram que, a cada 10 anos, apenas quatro stio considerados norinais de chuva, possibilitando colheita farta, estocagem de ali. mentos, agua e forragem (Rocha, 2000). QB ssse1a ce Segurtdace da Semente da Pains ‘As conseqiténcias de uma seca sao devastadoras. Nor- almente ocorre um colapso geral no abastecimento de gua para consumo humano ¢ animal, uma diminui¢ao sensivel dos rebanhos ¢ a descapitalizacao das familias com a conseatiente desestruturacao de algumas proprie- dades. Em certas situacdes, isto acaba levando a fuga da populacdo atingida para outras regides. Do ponto de vis tada biodiversidade, as pressdes sobre os recursos genk licos locais se ampliam. Ha pouguissima ou nenhuma. producao agricola durante os anos de seca, o que afeta enormemente o estoque familiar de alimentos bem como © estoque de sementes. Nestas situagdes extremas, as sementes acabam sendo destinadas ao consumo alimen- tar das familias, pots sao as imicas fontes disponiveis de alimento, Isto coloca em xeque o plantio da safra seguin- te e aumenta os riscos de erosao genética das varledades locais, Outra conseqiiéneia ¢ a pressdo sobre os recursos forrageiros nativos, uma vez que qualquer vegetagao se torna alimento para os rebanhos famintos. A estrutura fundlaria local € as relagoes entre os gran- des proprietarios de terra e pequenos agricultores torna a situacao ainda mais grave. Em 1996, os micro-propri- etarios, ou seja. aqueles com Areas inferiores a 5 has, representavam 73,3% dos estabelecimentos cadastrados em Solanea, Remfgio ¢ Lagoa Seca. Além disso, nos tilti- mos anos houve uma expulsao em massa dos “morado- res" agricultores que antes moravam nas grandes fa- zendas ¢ ali plantavam como arrendatarios ou parcei- ros. Mudou também o tipo de contrato oferecido pelos donos de terra. Atualmente, na maior parte das areas, a terra € “cedida” sem Onus no primeiro ano mas, em contrapartida, quem recebeu a terra tem que deixar a pastagem plantada para o fazendeiro. O preco de com- pra das terras é também muito elevado, variando entre RS 500,00 a R$ 1.000,00 por hectare, dependendo da localizagao. Conseqitentemente, a dificuldade de acesso a terra acaba contribuindo para 0 aumento da pressao sobre 05 recursos naturais nas poucas terras disponi- veis, © tamanho reduzido dos rocados acarreta produ- (Ges insuficientes, o que resulta também em uma com- Sistema de Segre dn Semente da Pasi J —— “tdci QB 8008 de Seguridad da Semente da Rado peticdo desleal entre producao de graos para alimenta- cdo e para sementes, A pouca disponibilidade de terra, associada ao seu uso intensivo € As relacoes de arrendamento que requerem © pagamento do direito de uso da terra com metade ou uuu (ergo da producao, compromete o estoque familiar de graos e obriga os agricultores a fazerem a venda da producdo imediatamente apds a colheita, Em condigses Ideats, a producao agricola deveria permitir a conforma- ‘cdo de um estoque familiar de alimentos suficiente para © ano inteiro, incluindo ainda uma reserva de sementes para plantio dos rocados da safra seguinte. No entanto, em muitos casos, isto ndo ocorre e os agricultores aca. bam ingressando num circulo vicioso de dependéncia da semente do “patrao” © No semt-arido paratbano existe uma espécie de “mercado Popular de sementes” formado por dois setores: as fami- lias de agricultores que s40 ao mesmo tempo produtores € consumidores e os comerciantes locais de grao. Estes dois elos da cadeia sao responsaveis pela maior parte da capacidade de armazenamento ¢ manutencdo de esto- ques de sementes que sao efetivamente consumidas na época do plantio. Nos anos de seca ou pés-seca, este mercado popular encontra-se desabastecido, comprome- tendo a oferta do produto, o que acarreta um aumento expressivo dos precos da mercadoria. O abastecimento de sementes para o rocado ¢ obtido de varias formas. Se nao ha semente no estoque familiar, a primeira opeao deveria ser a compra na feira ou mereado local. 0 preco da semente chega a triplicar nos anos normais ¢ a custar alé seis vezes mais nos anos de seca. No municipio de Solanea, por exemplo, a saca de feijao macassa (.unguiculata) fot comerctalizada por RS 20,00 em tem- po de colheita, chegando a R$ 65,00 ou 70,00 em entre- safra. No auge da seca em 1999, a saca chegow a custar a incrivel cifra de R$ 120,00. A variagio do custo da se- mente do carioca é inferior (2,6 vezes de aumento na en- tre-safra) porque ha um suprimento deste insumo oriun- do de outras regioes produtoras. Como a compra de semente no mercado é uma opeao pouco acessivel, restam apenas formas menos nobres de acesso a semente e que também sao menos vantajo- sas para os agricultores (Figura 4). O patrao ou outra pessoa com melhores condigdes financeiras pode, por exemplo, oferecer semente “a mei oque significa que metade ou um terco da producao iré para 0 dono da semente como pagamento. O grau aviltante nessa “relacdo contratual” revela por si a natureza mai- ‘ascula da problematica do acesso a semente por parte da agricultura familiar da regiao. Politicos em campa- nha ou prefeitos doam semente como forma de atrair ou manter seus eleitores. Todavia, as sementes dos “po- liticos” so doadas em pequenas quantidades e muttas vezes chegam depois da época adequada de plantio. Em estudo realizao no ano de 1996 pela AS-PTA e sindica- tos de trabalhadores rurais parceiros, constatou-se que em 5 comunidades dos municipios cle Sokinea e Remigio somente 48% da semente plantada originava-se de esto- que familiar 52% vinha da compra, do patrao ou da prefeitura (AS-PTA, 1997) Por fim, é importante salientar que as politicas gover- namentais implementadas pelo sistema de pesquisa, ex- tensao ¢ crédito rural pouco contribuem para solucao ou enfrentamento destes problemas. Ao inves de serem aliadas, elas se contrapdem a estratégia de uso © con- servacao da biodiversidade tradicional dos agricultores familiares do Agreste da Parafba. Como afirma Andrade Rigura 4; Pluxo de ered rde Eros Bement Seaton] Sue tempo e no eapagn zuprestano pe | Forte ASPTA. Bee MEA OUTERGA, | iso Jol consirado ‘oletioamente com Sgrieulores repre ‘Sentantes dos baw ‘on de semontes do (tad da Paras, Sistem de Segre dt Semente de Pio J —— (1999), as politicas publicas tém poucas “preocupagdes com a solucéo do problema, limitando-se mais a uma politica assistencialista que atue no momento da crise, @ exploragdo da miséria (...) por grupos dominantes, uti: lzancio os pobres como méo-de-obra barata para a cons- truedo de obras que os beneficiam, o controle do dinhet: ro ptiblico e das méquinas que sao enviadas 4 regido, através de uma politica que se convencionou chamar de ‘indtistria da seca’ (citando Calado, 1963} e do uso elet- toral dos chejes politicos para controlar os postos publi cos locais, regionais e nacionais.” Por outro lado, 0 impacto negativo das politicas publi cas sobre a conservacao da diversidade agricola esta ba- seado no enfoque técnico-cientifico que prevalece entre as instituicdes oficiais dedicadas a pesquisa, & extensao © a0 crédito rural, A logica que ainda predomina no pro- cesso de geracao e difusao de tecnologias esta orientada para a obtencao de altos rendimentos por unidade de area a partir da artificializacdo do meio natural. Este modelo cria ¢ recria o mito da produtividade por inter- médio da pureza genética. Segundo um pesquisador da Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuaria, a EMEPA, subordinada a Secretaria de Agricultura da Paraiba, “os agricultores nao produzem sementes ¢ sim graos. O'ide- al seria que a cada ano eles renovassem seus plantios adquirindo sementes fiscalizadas produzidas pelos cen- tros de pesquisa’. A EMATER, empresa piiblica estadu- al responsdvel pelos servigos de asistencia técnica aos agricultores, compartilha do mesmo enfoque. Esta concepedio técnica que termina por introduzir a uni- formizagao genética ¢ por desvalorizar a agrobiodi- versidade esta apoiada nas legislagdes federais sobre se- mentes expressas nas Lets de Sementes e de Cultivares, Com a justificativa de garantir a qualidade no mercado de sementes, a Let de Sementes estabelece que semen- tes certificadas ou fiscalizadas sao as tinicas modalida- des a serem adquiridas por programas governamentais, negando a possibilidade de oferecer, sob as penas da lei, variedades locais. A Lei de Cultivares, por sua vez, re. quer que as variedades a serem registradas no Ministé- stem e Segura da Semente da Pato rio da Agricultura sejam uniformes, estdveis e homoge- neas, ou seja, de estreita base genética. Os programas de sementes do governo do estado da Paraiba sfo a expressao conereta deste tipo de enfoque. Em primeiro lugar, estes programas utilizam somente sementes produzidas por centros de pesquisa e com- pletamente desconhecidas dos agricultores. Muitas des- tas varicdades tém origem em outras regides do pais, portanto com condigées ambientais completamente di- ferentes das da Paraiba. Em segundo lugar, o numero de variedades olerecido é infimo, geralmente ficando restrito a uma variedade-para cada uma das espécies cultivadas. No ano de 1999, por exemplo, o governo do estado da Paraiba ofereceu, no seu programa de distri- buigao de sementes, 30 toncladas de apenas uma vari edade~ EMEPA 1- do fetjao faseolous. © mesmo aconte- ceu com 0 feijao de arranque, sendo ofertadas 100 tone- ladas da variedade carioca pérola ¢ apenas uma varie~ dade de milho desenvolvida pela EMBRAPA, 0 BR1O6. Importante salientar que estas variedades nunca havi- am sido testadas pelos agricultores que receberam es- tas sementes e tampouco foram consideradas boas pe- os agricultores em suas avallacies. Quanto ao sistema de erédito, pode-se dizer que ha dois tipos de limitantes. O PRONAF € hoje o programa de crédito rural especifico para a agricultura familiar e que apresenta as melhores condigées de financiamento. No entanto, um estudo realizado pela AS-PTA nos trés mu- nicipios cm quesiao, permitiu estimar o impacto extre- mamente modesto deste programa de crédito. No perio- do de 1997 a novembro de 1999, apenas 5% da totalida- de dos produtores foram beneficiados, tendo sido desti- nados 1,48 milhées de reais para 324 contratos, ou uma média de 4,5 mil por contrato (Goncalves, 2000). Alem do pequeno volume de recursos, os agricultores recla- maram das dificuldades de acesso ao programa, as quais ineluem burocracia exagerada, exigéncias legais li- mitadoras, atrasos na liberacaio dos recursos, interferén- cia politica local, apacrinhamento ¢ outros. Somando-se a estas dificuldades de acesso, 0 sistema de crédito im- Shtema de Seguridade da Semente da Passio I —— Oe, muitas vezes, um pacote tecnologico que caminha contra-mnao da conservagao da biodiversidade. Para dar um exemplo, nos municipios de Soldnea e Remigio, diver- sas cercas vivas compostas por plantas nativas ou adap- tadas como pinhao, burra leitetra, mulungu, cajé e prin- cipalmente aveloz. foram substituidas por estacas mortas €m fungao de ereditos bancarios feitos pelos agricultores para erlacao de pastos cercadios. Portanto, ao inves de con tribuir, odirecionamento de financiamentos segundo a pri- oridade dos bancos ¢ para deter- minados pacotes tecnolé-gicos, acaba somando-se e agu-dizando os demais problemas enfrentados pelos agricultores para a reprodu- cao de sistemas agricolas diversi- ficados. Putsagem no tnuemo (perioda de chuval, Silo Jacare= Agreste de Remeio/ PE, Palsagem de verdo, Obseroar a denstdlade populacionat. Sito Mota Fetaca“Agrestede fega, Conte de cerca uted por sta a. Crimea ‘te Stance, sen de Senta Serene a Pao Os Bancos de Sementes Comunitarios Génese e evolucao 0 contexto descrito evidencia que o esforgo dos agriculto- res em produzir e estocar sementes ao nivel familiar nao tem sido suficiente para o abastecimento anual de semen- tes. E neste quadro que surge o Banco de Sementes Co- munitario (BSC), um modelo de gestao local de estoques de semenies que existe na regido Nordeste do Brasil. As familias associam-se ao banco espontaneamente ¢ tém 0 direito a empréstimo de uma certa quantidade de semen- tes, a qual ¢ restituida ap6s a colheita em uma quantia superior aquela emprestada, segundo regras definidas pelo conjunto de associados do banco, Bste sistema asse- gura que cada familia produza ¢ beneficie sua propria se- mente, destinando parte da producao para um estoque comunitario gerenciado coletivamente. Ha experiéncias em que nao apenas o gerenciamento, mas também a produ- ‘cao de sementes é feita de forma coletiva. A idéia central € que 0 cstoque do banco de sementes eresca com os “juros” aplicados aos volumes emprestados, permitindo assim aumentar o mimero de beneficiados, a quantidade em- prestada por familia ou formar estoques-reserva de se- mentes para enfrentar periodos de adversidades climati- cas mais prolongados. Projetos desta natureza nao sao exclusivos do Nordeste brasileiro, havendo relatos de iniciativas similares em diversas partes do mundo, prineipalmente em contex- tos adversos, tais como as pemirias causadas por con- flitos armados e catastrofes ambientais. Em 1988, no norte da Etiopia, um programa de bancos de sementes Sistema de Seguridade da Semente da Fast 3 —— comunitarios fol instituido com o objetivo de suprir a es- cassez de sementes provocada pela guerra e a seca que afctaram a regiao durante muitos anos. Apés o fim da guerra, esie programa de bancos de sementes evoluiu de uma agaio de emergéncia para um programa perma- nente, tendo como particularidade o fato de promever ¢ distribuir sementes de variedades locais produzidas pe- los proprios agricultores e nao aquelas oriundas dos pro- gramas de ajuda internacional (Teekens, 2000). Na Co- Jombia, a organizacao de bancos de sementes e viveiros comunitarios para recuperagao da diversidade de culti- vos agricolas € um dos pilares do programa de seguran- sa alimentar que vem sendo implementado Junto a co- munidades rurais expulsas pelos conflitos armados que afetam o pais ha décadas (Marin et al, 2000). No Brasil, os bancos de sementes comunitarios origina- ram-se na década de setenta, a partir da acao da ldreja Catélica junto as comunidades eclesiais de base, as CEBs, em diversas dioceses e paroquias do Nordeste. O relato do Padre Bernardo Holmes, na época vigario de Taud, estado do Ceara, ajuda a entender a historia da formacao dos bancos de sementes. So apontados dois motivos para inicio da experiéncia: as condicoes de vida no Sertao de “plantar quando a chuwa vem" para nao perder uma safra ¢, principalmente, para “escapar da dependencia do patrao”. Os agricultores “trabalha- vam na terra sem possuir nada, (...) arrendado, sem terra” e por isso eram obrigados a vender forca de tra- balho ou pedir empréstimos aos grandes proprietarios Para poderem comprar a semente na época do plantio. Além disso, na década de setenta, havia muita repres- a0 A organizagao dos agricultores ¢ perseguigao aos que iam contra o poder vigente. Assim, de acordo com o Padre Holmes “fota partir destas realicacles: 0 povo mutto reprimido e sem ter condligses de se reuntt, acuado (..) € depois a quesido das terras preparadlas, da chuwa que veio e cade a semente? Comecou eniéio a idéia de garan- lira semente. Isso fot um pouco do porque comecou" (ESPLAR, 1992) Na Paraiba, com 0 apoio da Comissao Pastoral da Terra — Bieterna de Seguridad in Semente da Paseao Singers oar iin vin Sk cePrs en al FS ein Novdese Se do Sertao, os assentamentos de reforma agraria do Alto Sertdo percorreram trajetoria semelhante. Segundo An- tonio da Vitiva, agricuitor e lideranca da regiao, “o que desencadeou a luta pela terra no Sertdo (no fim da déca- dade 1980) foramos bancos de sementes porque a quetxa sobre 0 patrao néo dar semente para plantar era grande eal as pessoas se organizaram para fundar os bancos e dai surgiu a idéia de ocupar terra para plantar". Vé-se, portanto, que a criagao de um espaco organizativo para 08 agricultores fol uma motivaeao central dos bancos de sementes comunitarios apoiados pela Igreja, sendo este © principal resultado do periodo em que “os bancos de sementes foram uma das ratzes da luta sindical e da luta partidéria’, para mais uma vez citar Padre Holmes. No inicio da década de 1990 comecou uma nova fase dos bancos de sementes comunitarios. Sindicatos de Tra- balhadores Rurais, associagdes de produtores e organi- zacoes nao governamentais, principalmente aquelas vin- culadas a Rede PTA NE’, passaram a fomentar e quali- ficar tecnicamente a proposta e articular as experiénci- as locais através de diversas redes estaduais, regionals € nacionafs". Destacam-se, neste periodo, trés preocu- pacdes centrals: methoria na gestao dos bancos: melhoria na qualidade fisica das sementes; valorizagao e conser- vacao da diversidade local. A melhoria da gestao busca- va um maior compromisso dos agricultores com a devo- Tucdo da semente, o aumento do estoque dos bancos uma maior responsabilidade com a administracao do bem coletivo, como descreve o senhor Raimundo Januério de Taua, em 1992, “agora nés temos um novo banco de sementes (...) mas a gente foi ver quais foram as pessoas que levaram a semente’e ndo trouxeram e elas néio vado ter mais o direito de levar” (ESPLAR, 1992). Com 0 propésito de melhorar a qualidade da semente produzida ¢ armazenada, surgem financiamentos para a compra de silos e eventos de formacao tratando o tema de selecao € pureza fisica das sementes. Em 1992, no I Encontro da Rede de Intercambio de Sementes do Cea- ré, promovido pelo ESPLAR, 0 papel dos bancos ¢ das comunidades na conservacao da diversidade local das ‘especies cultivadas no Nordeste foi a ténica do debate. ‘Sttma de Seguridad da Serene da Paisto Jy —— Desde entao, muitas experiéncias de bancos de semen- tes comunitarios surgiram e tém avaneado no Nordeste, tendo grande expressao nos estados do Ceara, Paraiba e Pernambuco. Em 1996 foram contabilizados pela Rede de Intercambfo de Sementes do Nordeste, 250 bancos envolvendo 9.250 familias nesta regio do Brasil Os bancos de sementes comunitdrios no Agreste da Paraiba No Agreste da Paraiba, os bancos de sementes ja eram utilizados pelos agricultores antes do inicio da agao da AS-PTA. Em 1992, havia pelo menos duas experiénci- as com bancos de sementes na regido, conduzidas res- pectivamente pelo Sindicato de Trabalhadores Rurais de Solanea e pelo Grupo de Mulheres de Cacimba de Dentro. No final de 1993, quando a AS-PTA iniciou seus trabalhos na regiao, a auséncia e/ou baixa qualidade das sementes para plantio e 0 desaparecimento de im- portantes cultivos de renda (figura 5) destacaram-se como os principais problemas identificados no Diag- néstico Rapido ¢ Participativo de Agroccossistemas [* Cieheeie dan Baia renda |) {7 Aispoaivel ua Ti Fouva cobertura vegetal oferta de produtesflorestais t lpouceatimento Falta de cultvos de reada | Falls de Seaave semenies para | | invernos +» | Brosio genética das variedades plant levegulares E f erda de gris esementer par ng | alta de condigies de Fonte: AS-PTA, 1996 atamiente ‘Rgura 5: Relacto de causa efeKo da problematien da ‘conseroasco da biodiersdade Wentieadas 1 Denes Teo Repo ¢ Partepattoo de Agrowssststemas, © 8120 ce Segurtade da Semente da Pato (DRPA), que envolveu pelo menos 20 organizagées lo- cais € regionals e mais de 60 agricultores nos grupos de trabalho (AS-PTA, 1993) Face a importancia estratégica dos bancos de sementes ja anteriormente comprovada na regio ¢ a sua capaci- dade de mobilizacao social, decidiu-se por centrar 0 de- senvolvimento do programa de uso © conservacao dos Tecursos genéticos neste espaco organizativo. Refe- renciando-se em um conjtmto de hipoteses de trabalho (ver box 1), este programa vem priorizando aspectos de gestao dos bancos, a melhoria da qualidade fisica e ge- neética dos estoques de sementes, tendo como principio 0 uso ¢ a valorizacao social do conhecimento dos agricul- tores e agricultoras sobre a biodiversidade local. (1.Um manento da verte deepsea pre meno bale rler atria da eda ota uae de poate "rei pate eet ay seria acres ones de 0 Umut ae ete ones a Ire gp para o morta, eri dhmiiso das pens or problemas eager de ro, hier pees de fannnento do seme pda de taba do pro “mespac de forario ede matr nies ce recuse enc cinfrmagies | Gramma de uso ecor ‘ates gieulines, Serougdo dos recu= ‘tlectnento dr pita de reraapo conus se8 genéticos om ‘ib peste de arulgan ene as ogc desgreutorssem ress | execpt pela AS par de referencias comune PDA na regio Ages te da Paraib. As primetras aces ap6s 0 diagnéstico junto aos bancos de sementes iniciaram-se em 1994, visando a melhoria do banco do sindicato de Solanea e a expansao desta Sistema de Seguridad da Sement da Pateto J —— ‘he gue tom por ane ‘oats cowpeas experiencia para Remigio, j4 que o STR deste municipio havia mostrado interesse. No inicio de 1995 surgi uma oportunidade de expansao substancial do nimero de bancos organizados através da participacao em um pro- grama governamental de sementes. Este, resultado de um convénio entre 0 Governo Federal (Ministério de Agri- cultura ¢ Reforma Agraria - 0 MARA) e a ASSOCENE", propos a Articulacao do Semt-Arido da Parafba que dis. tribuisse um estoque de aproximadamente 140 tonela~ das de sementes. Isto levou os Sindicatos de Trabalha- dores Rurais de Solanea ¢ Remigio a fazerem rapidamen- te um levantamento das quantidades que seriam capa~ zes de administrar. Em 1995, os bancos de sementes co- munitérios repassaram 14 toneladas de sementes dle fel- Jo, macassa e milho a 530 familias de agricultores orga- nizados em 17 bancos de sementes comunitarios. A ex- periéncia da descentralizacao dos bancos de sementes comecou e se delinear, multiplicando-se os grupos orga- nizados em torno das dinamieas comunitarias. O fortalecimento das organizacées de agricultores Muitas das associacdes comunitarias rurais desta regiao nasceram no decurso da década de 1980, por incentivo das Comunidades Eclesiais de Base da Igreja Catélica, € outras tantas foram criadas a partir da aco de politicos locais com intuitos eleitoreiros. Este tltimo formato foi favorecido pela intermediacao de politicos para obtencéio de infra-estruturas, prineipalmente a eletrificacao rural e outros financiamentos a fundo perdido para as comunt- dades associadas, 0 que acabou gerando uma cultura de assistencialismo ¢ de oportunismo mesmo naquelas as- sociacées mais antigas. Com 0 tempo, a falta de autono- mia e de dinamica propria acabaria por esvaziar a maior parte dessas instituigdes. Nos anos 90. a partir das inici- ativas dos sindicatos de trabalhadores rurais, que viam nestas onganizagoes um capital institucional nao despre- zivel, inicia-se um processo de renovacao desse movimento associativo. O fator que mais contribuiu para este renas- cimento foi sem diivida, 0 banco de sementes comunita- (GB S101 de Seuridade da Semente da Pabxto rio, que passa a ser gerido pelas associagdes ou por gru- pos organizados de agricultores (Goncalves. 2000) Desde 1995, a parceria entre sindicatos de trabalhado- res rurais ¢ associacées, iniciada pelos bancos, deu um novo folego a algumas dessas antigas associagées, in- clusive originando outras, e, sobretudo favoreceria, pouco a pouco, a eclosao de uma nova cultura associativista, através do exercicio da gestdo coletiva democratica. Os bancos foram se constituindo em uma inovacao social viavel que fortaleceu a dinamizacao das associacdes € da gestao publica, contribuindo para o fortalecimento das organizacdes dos agricultores. Entre 1995 ¢ 1999. 0 crescimento dos bancos de sementes comunitarios foi expressivo, envolvendo uma média de 370 familias de agricullores, ou 7.3% das familias rurais dos 3 munici- pios, e 25 associacées ou grupos organizados, o que re- presenta 40% das 64 associacdes rurais dos muntefpi- 0s. Esse processo Ievou, inclusive a outras infciativas para atender a novas demandas das associacoes como a criagao de novos bancos ou a incluso de sementes de cultivos de renda como inhame ou amendoim nos ban- cos, fundos rotativos para financiamento de adubos or- ganicos, cultivos forrageiros ¢ infra-estrutura hidrica, A gestao de bancos de sementes, de forma participativa ¢ democratica em nivel comunitario, nao é um proceso simples, Problemas como concentracao de trabalho na mao de um grupo pequeno ou de uma familia, devolu- 40 de sementes de ma qualidade por parte de alguns s6clos, concentracao de poder do presidente da associa- 40, ma administracao do grupo gestor ocorrem fre qilentemente e sao de difiell solucdo. Todos esses fato- res, que causam prejuizo a comunidade, comprometem de alguma forma o desempenho do banco. Foi impor- tante desenvolver instrumentos de gestdo que facilitas- sem a transparéncia e a participagao dos associados. Considerando a grande importancia da gestao, estes fo- ram os principais elementos tratados nos eventos de for- macao ¢ na assessoria prestada 4s comunidades pelos sindicatos com apoio da AS-PTA. Talvez esta seja uma Stern de Sepia da Semen da Paci J —— ce “alae epancfmentor as das razées para 0 fato de que dos 32 bancos organizados no periodo, apenas sete nao tenham se consolidado. E importante salientar que a forma de tratar este tema da gestdo passou por um processo de erros e acertos. Num primetro momento, a AS-PTA teve uma maior presenca na definicao dos instrumentos de gestao. Isto, de ceria forma, dificultou que os grupos se apropriassem da pro- posta de tmediato, vendo 0 banco durante certo tempo, como algo do sindicato ou da AS-PTA. No entanto, com a tempo esta presenca fol diminuindo até o ponto em que os sindicatos de trabalhadores rurais e as associagbes comunitarias ¢ grupos assumiram a gestdo de forma au- tonoma. © que se aprende deste processo é que, em termos de gestéo, 0 que se pode generalizar s8o prineipios e nao modelos. Mais do que formatos rigidos de controle de estoques e de cobranea das devolugoes, a grande contri- buigdo que a assessoria pode dar a um grupo recém- onganizado é discutir mecanismos que possibilitem uma pratica transparente e democratica, sem esquecer que a boa gestdo nao depende apenas da preciso com que estes mecanismos sao definidos, mas também de um con- Junto de fatores subjetivos que permeiam todas as rela- (0es sociais nas comunidades. pana che ‘iaraipto dae comenine pers | ‘anna secae | sa Reomnde awa 6: Dinarea global de funconamento de wn Danco de sementes comuntaras As ses que se apre ‘sentam mats excuras na eure so aconteteos que ‘Se repetom ano a ane, nas comunidades (© rma ae Seguridad da Semente da Parao No municipio de Solanea, onde ja havia uma antiga ex- periéncia de gestao de banco de sementes por parte dos dirigentes sindicais, foram desenvolvidos dots mecanis- mos organizativos para apoiar a gestéo dos bancos no contexto da descentralizacdo: 0 banco mae ¢ a comissao, municipal dos bancos de sementes. © banco mae esta localizado na sede do municipio no prédio do sindicato e funciona como uma central. Ele recebe anualmente uma cota de sementes de cada ban- co comunitario do municipio e armazena. Quando ha algum banco com necessidades, ele empresta semente © também utiliza seu estoque para formar novos bancos nas comunidades. Ja foram criados 3 novos bancos a partir destas sementes. desde 1996. Quando ha aporte de semente de fora é 0 banco mae que centraliza a re- cepeaio € redistribui, conforme as demandas. Portanto, ele apéia a gestéo dos bancos do municipio ao mesmo tempo em que funciona como uma reserva estratégica. Para dar conseqiiéncia a esta complexa gestéo, fot cria- dia a comisso municipal dos bancos de sementes, que se retine periodicamente contando com a presenca de agricultores ¢ agricultoras representantes de cada uma das comunidades envolvidas no processo, cerca de 20 pessoas. Esta comissao tem se fortalecido como um es- pago de formagao técnica e politica que aborda temas como a conservacao de reeursos genéticos, as politicas ptiblicas de se- mentes, a problematica do acesso a semente no semi-arido a constru- ao de um sistema de Seguridade de sementes da paixao. O sindicato Reuasa da Comisso M real dos Bane de Se- monies Conunuaros de Soianea, 1999. Sista de Segurade da Semente da Patio J —— de Remigio, a partir do éxito obseavade #m Soléniea, tem adotado um modelo semelhante. O acesso 4 semente Amelhoria do acesso a semente, problema central identi- ficado no DRPA no inicio do programa, foi notavel. Pode- se afirmar que, nos tiltimos cinco anos (1995-1999), pe- riodo em que foram coletados dados sobre o desempenho dos bancos, as 500 familias associadas tiveram acesso a Iho e fava, o que permitiu o plantio de mais de 1.500 ha. Esta oferta de sementes forcou, se nao a extingao, a dimi- nuic3o severa do sistema de semente “de mela” ou "se- mente do patrao", bem como a “semente em troca de voto" (wer grafico 2) Na expectativa de que 0 banco de semente passa permi- tir também 0 acesso 4 semente de cultivos de maiores retomos econémicos, alguns bancos diversificaram om mero de espécies em seus estoques. Em outras comuni- dades foram eriados no- vos bancos com 0 propé- sito de financiar cultivos de renda. O custo eleva- do de sementes de tubér- culos como o inhame, é um dos maiores proble- mas freqdentemente a- | pontados pelos agriculto- res familiares da regiao do Agreste. O inhame é um Origem da semente famfia vinculadas a banco rigor da semente i z : i Grin 2: Origen cla semente dos griclteres, compara Familias vincutadas © nao ‘neladas aos bans dee Fonte: Sindicatos de Tra- Dalhadores Rurais © AS-PTA tubéreulo bastante consumido regionalmente e que al- canca bons precos no mercado, mas o inhame-semente tem pregos elevados 0 que impede as familias de planta- rem. Em quatro anos de existéncia, 197 familias vem participando de 5 bancos de sementes de inhame, nos quais giraram em toro de 20.000 Kg de inhame-semen- te, Dinamica semelhante vem sendo repeticia no caso da cultura do amendoim. Desta forma, o banco de semente comunitario tem-se mos- trado como potencial financiador dos sistemas produti- vos. Dados do monitoramento realizado em Solanea em 1997 mostram que um grupo de sécios dos bancos plan- tou 44% a mais do que os nao sécios. A economia por safra e por familia para o feijao varia entre R$ 21,00 ¢ R$ 40,00 ¢ para o inhame entre R$ 60,00 e R$ 100,00, Pode parecer pouco, mas deve-se levar em conta certos fato- ‘Assembla do Banco de Semente Comamitris do Golana/ Sone para devolugoda semen, 1896, : a res, para entender porque um micro-sistema de crédito € tao importante para estas familias. Em primeiro lugar, clas praticamente nao dispdem de recursos para a aqui sigdo de sementes, situacdo esta que se agrava no ini cio do plantio, devido a descapitalizacao e ao consu- ‘mo das tiltimas reservas para ultrapassar overdo. Em caso de nao conseguir os recursos necessarios, a opcao pode ser simplesmente nao plantar ou plantar menos. sistema de Seria Semente a Psi, QB) —— O grau de acesso a semente nao basta como indicador do éxito dos bancos, 0s quais somente se consolidam como onganizacao de gestao coletiva de sementes no momento em que seus Socios € seus dirigentes apropriam-se da proposta conferindo-Ihe sustentabilidade. Neste caso, 0 indice de restitttigdn ce sementes foi tomacia coma indi- cador para avaliar a performance dos bancos de semen- tes comunitarios, assim como a evolucao do estoque nos, Reunlda do Banco de Semente Comunitari do Bam Sucesso Sotanea/ Para. quatro primeiros anos em Solanea ¢ Remfgio eno ano de 1999 em Lagoa Seca (Box 2). De 1995 a 1999, em média, 69% das familias restituiram semente aos bancos, re- compondo mais de 85% do estoque. Este desempenho glo- bal ¢ considerado bastante positive porque demonstra participacao e interesse das comunidades pela proposta. ‘A funcao do banco para a comunidade ¢ evidenciada por dona Hozana, no sitio Filgueiras, em Solanea quando diz que “no banco de semente a gente abre na hora que quer € (..)edistribuiu para cada pessoa. Eu estou satisfetta. Por Teaco = TSS TBRE] ax 2: maicadores We de bans 7 Te [25] de resultado dos Tae Sevens so Tsei-| 7eH-] hrancoe de semen Kg de Serene de TIT T3B._[ 4235 | ter comuntarne de ge ANT DENTE TA. TERS THEBHT Selanea. Remo © THF greleres que eebera RTE [590 13 _[ 467} Lagoa Secu. O5 rh sede agi quraceras | 80 Trt 85] sca sdoncgutes ae de semen esta por Sa [18 TS] Fontes ag A @ 8012.4 Seiad da Semen da Pato { : exemplo eu mesma me sat mutto bem este ano porque a gente plantouno ‘rastro da chuva” e quem esperoua terra molhar bem nao vai fazer feifa0". A qualidade dos estoques Um banco se apresenta como um instrumento socialmente reconhecido de acesso a semente apenas quando esta é de qualidade. Portanto, nenhuma familia vai querer de- positar sua semente ou mesmo fazer empréstimos em um. banco quando ha riscos de que a baixa qualidade venha comprometer a producao. Assim sendo, ha duas premis- sas basicas. Primeiramente, cada s6cio deve se compro- meter a fazer seu depésito, ano a ano, com sementes de- vidamente secas ¢ escolhidas para que nao tragam docn- ‘cas no grao, tenham alto vigor e tenham pureza elevada. Em segundo lugar, 0 banco de sementes deve ter meca- nismos de controle de qualidade e estrutura apropriada para secagem e armazenamento, Os mecanismos utiliza~ dos pelas comunidades tém sido os de aceitar somente sementes bastante secas, realizando a selegao destas atra- vés de uma comisséo de controle de qualidade. Outra forma é realizar a analise da semente antes da entrega para aprovar ou rejeitar a sua qualidade e uso. Para avancar na qualidade das sementes, a AS-PTA € 0s sindicatos estimularam os agricultores a realizarem anu- almente andlise de germinacao, umidade, pureza e infestacdo. Através de um convénio com 0 Laboratério de Analise de Sementes da Universidade Federal da Paraiba, estas anélises estao sendo realizadas desde 1996, a'partir de amostragem feita pelos agricultores. No decorrer dos 4 anos em que foram feitas estas anali- ses, pode-se comprovar a evolugao da qualidade da se- mente produzida (Gréfico 3). Estas analises permitiram que, por diversas vezes, se tomassem decisOes mals apro- priadas, de acordocom a qualidade da semente armaze- nada. Estoques foram vendidos ou trocados por graos quando apresentavam baixa germinagéo ou armazena- dos por mais tempo quando se obtinha resultados de ana- lises satisfatorios. Sistema de Soguridae da Semente da Paixto I —— © armazenamento das sementes foi outro aspecto ie enfatizado, Tradicionalmente, o armazenamento de semen- Evolugéo da germinacdo em Palma tes do estoque familiar tem como principio a baixa umida- de ea vedacao, sendo utilizados cabacas, lates de quero- sene, garrafas e garrafves de vidro ou de plastico, baldes ou silos de zinco. sempre vedadios. Os silos de zineo foram introduzidos ha poucas décadas e apresentam boas con- digdes de armazenagem, além de serem praticos e bara- tos. Mesmo assim, muitos agricultores ou mesmo as asso- clagdes nao tém condicao de possui-los. Por isso foi criado um sistema de produgao e financiamento de silos de zin- co. Alguns agricultores aprenderam a fabricar silos em oficinas praticas organizadas por eles mesmos ¢ as uni- — dades confeccionadas sao repassadas para as comunida- aso _-s-an2. sd sio4 des que tém dever de paga-los a prazo. Como resultado, : ha hoje um conjunto de 175 a silos com eapacidade de ar- mazenar mais de 35.000 Kg de sementes distribuidos % germinagao nos diversos bancos e 8 agri- eed cultores capacitados a pro- incite ea diuzir silos. fdas sementes no loances de semen les comuntartos Mie rime, om Soe Fite: Boks dos BSC: Comisco Seca sementereaizada pte ep on 9 de fanaa Neco eveena, Gena lSotanes ‘Solanen/ Pui [-+-siot slo? sio3 slog ten De um modo geral, os bancos de sementes comunitarios acompanhados nao conseguiram resolver todos os pro- blemas operacionais relacionados ao manejo dos esto- ques. Apesar dos avancos conseguidos no arma- zenamento, a auséncia de estruturas adequadas para ‘secagem impede que as sementes sejam secas de manel- ra apropriada, de forma a viabilizar uma maior longevidade. Como o baixo teor de umidade é um fator Bae ae chave para a qualidade da semente armavenada, é fun- tere do Almei-Lag Se damental considerar estes aspecios de infra-estrutura sats ae de secagem como parte da proposta de seguridade de se- dade de somente, mentes, tanto nas propriedades dos associados como na @ 8si211 ce Sesutace da Semente de Pato i Stem de Seguridad da Semente da Patio EB —— sede das associagdes. Melhores infra-estruturas para pre- Este esiudlo teve como produtos: parar as sementes nas propriedades resultariam em be- ( aidentificacao e a localizagao de 67 variedades neficios nao apenas para o banco como também para os de feijao de trés espécies sendo, 28 variedades estoques familiares. Outro problema freqientemente de feljao de arranque (Phaseolus vulgaris), 22 apontado pelos agricultores € a mistura varictal das se- de feija0 macassa (Vigna unguiculata) € 17 de mentes que causa a depreciacao comercial dos graos, fava (Phaseolus lunatus), resultando em um mapa da diversidade de especies de feljao por munieipio e por moldura ambiental (Figura 7); A biodiversidade nos bancos de sementes (1) _umalista de variedades em situacao de risco de ita eros: fee aie (i) uma lista de 20 deseritores (Box-3) utilizados pelos agricultores na caracterizacao das varie- O aspecto mais importante do enfoque de seguridade de dades. Estes descritores diferem daqueles utt- semente trabalhado nestas experiéncias é a conserva- lizados pela pesquisa académica, baseando-se ¢40 da diversidade local. Com o objetivo de conhecer me- essencialmente em caracteristicas “iteis” para Ihor os limites € potenciais dos bancos de sementes co- 0s agricultores familiares"; munitarios para a conservacao da variabilidade genéti- (IV) acaracterizagao, a partir destes descritores, de «a dos culivos agricolas eo mapeamento da variabilida- 16 variedades de feijao: le local, promoveu-se juntamente com as organizacoes (W) a distribuicao quantitativa das variedades nos de agricultores um diagnéstico da diversidade dos feijoes, iversoe amblontes cultivadoe, Este estudo envolveu 6 comunidades representativas do —— com a participacao de grande ntimero de agricul- Estes resultados foram debatidos junto ao piiblico dos pet e eee cad e buscou conhecer a diversidade ge- eee 18 bancos dos municipios de atuagdo. Posteriormente, pao ek Ae ge cena ie cup re- eenietacesdes ets | foram coletadas informacdes complementares sobre 0s 9, monit ica das variedades locais, "ttsasbaciage es familiares ymuni- identificar os varios sistema de consércios utilizados e as ee ee ae tev eine tau eprodlgin, dades, com entrevistas sobre formas de producao, seca- gem, tratamento armazenamento de sementes na uni- dade familiar. Estes levantamentos permitiram a identificagao da vari- abilidade e das diferentes estratégias de uso existentes. estratégias de uso ¢ manejo da diversidade. ‘Deseritores utilizados pelos agricultores ‘para caracteriaarfejte ‘wom Quid de olan cae) cite | anti de ren por pe Facldade de comerilzacio ‘ued ds flme na cokers | aldae de utero deulhar eset ctu Mantenr da ce eo Heiter deca Maule do aber ne ariaxoamtlo Feist co "eb sox 9 Desert Peso dos rion Saher mad foes ttn Poesidade lean sense Saber verde peter agricul ‘Aarera crater ——— tres para co ee Penal de plano vn épca secs Benny ee a trent 0 dase Preside de plano oa pmetras chivas | eoldade do cones ae J sen de Serta da Semente da Fas ‘stema de Segurdade da Semen da Passo @ —— Mapa da divorsidade dos feijées aaa ] Ne Curimatas | Viu-se que, ao mesmo tempo em que ha uma enorme gama de variedades sendo utilizadas e portanto, conser- vadas pelos agricultores familiares da regido, ha ume grande fragilidade dos sistemas agricolas colocando esti. diversidade ¢ 0 conhecimento sobre ela em uma situa- 40 de risco. Partindo desta constatacdo ¢ a partir da interagéio com as. organizagées locais dos agricultores, algumas estratégias Fc 1 pa da rst gerats de conservagto da variabiti-. tl foto de ara, dade local foram definidas: a valo- Fonte: Diagndstico da Dt rizacao do papel dos agricultores “ts#arede Fees. AS PTA agricultoras como produtores, ° SS uillizadores, conservaddores e detentores de conhecimento sobre os rectursos genéticos; 0 estimulo aos processos soc! J Bsterna ce Seguridad da Semente da Patio ais de acesso ¢ intercémbio de material genético e infor- magées sobre eles e a qualificacao das nuiltiplas estratégi- as de producao c estocagem de sementes empregadas pe- Jas familias rurais. Olhando sob este angulo, percebeu-se a necessidade de um sistema de seguridade de sementes de qualidade adaptado, no qual o banco de sementes comunttario fan- ciona como um espaco politico organizativo, mobilizador de processos coletivos de conservacao da dliversidade. Mas ele nao € o tinico, Um sistema de seguridade deve partir das praticas de estocagem de sementes da familia, arti- culando outros espacos como a comunidade, ¢ a feira municipal. Segundo essa concep¢ao, atribulu-se uma ex- pectativa diferenciada aos bancos de sementes, sendo eles, diversificados mas nao possuindo todas as variedades uti- lizadas na comunidade mas sim aquelas plantadas em matores quantidades ou aquelas consideradas mais im- portantes do ponto de vista comercial. A experiencia mos- tra que as variedades voltadas predominantemente ao autoconsumo sao reproduzidas, armazenadas e se- lecionadas pelas familias nas suas propriedades e somente algumas vezes passam pelos bancos. Por outro lado, as estruturas de armazenamento exis- tentes nos bancos de sementes comunitarios nao tém facilitado a en- trada de variedades que chegam aos bancos em quantidades menores - os silos padroes sao de 250 Kg - limitando as- sim sua diversificacao. Mediante esta limitagao foram realizadas acdes com o intuito de estimu- lar a diversificagaio dos Betoque Jamar de. sementes, dio Agpeste da Paraiba. ‘Sistema de Seguridade da Semente da Passio IQ —— bancos. Uma delas fot a realizacio de oficinas de produ- ¢40 de silos de tamanhos variados para que fosse possi- vel armazenar variedades produzidas em merior escala. Em Lagoa Seca, municipio cuja experiéncia é mais re- cente, 90% dos silos tém capacidade inferior a 100 Kg Como diz Vero da comunidade de Retiro “estes silos pe- quenos detam a gente trangttlo porque sabemos que qual- quer variedade que 0 agricultor devolva, nés peclemos guar- dar sem prejuizo". Articulado a este processo ha que se dar a melhoria da estocagem a nivel familiar. B por isso que recentemente tem sido vislumbrada uma acéo no sentido de se viabilizarem estruturas de armazenamento familia. Outra iniciativa dos agricultores que vai no sentido da protecdo da diversidade local é a troca de variedades vin- das de programas de sementes do governo ¢ que nao se adaptam a regiéo. Dos 7 bancos de Lagoa Seca, 5 realiza~ ram troca total da semente do programa do governo do estado em 1999. Esta troca pode ser feita de varias ma- neiras, Uma delas consiste em plantar esta variedade nova € outras variedades locais e devolver ao banco somente diversidade. O senhor Jilio, por exemplo, criou o feljao pintadinho a partir de selecdo. Esta semente tem-se es palhando pela sua comuntdade. Isto mostra a capaci de inovadora ¢ a criatividade destas pessoas. ‘Ao longo desta trajetoria. tem-se buscado estreitar as relagdes com érgios de pesquisa piiblica e Universida des. Um sistema de pesquisa que tenha extrema in terago com as demandas ¢ avaneos técnicos dos agri cultores familiares da regiao se faz necessario. Esta evo- lugao somente se dara a mais longo prazo e através de Veronii comuny A recriagio da semente da paixio . filha da AntOnio Vicente da jade de Palma, em Solanea contou a seguinte historia. Seu pai vin na feira uma semente de fava e colocou apenas uma no bolso, Plantou perto de ca: molhanda todos os dias porque era verdo ¢ jé no havia mais chuva. Conseguiu colher 30 grios. Plantou todos e no ano seguinte colheu 2 litros, Para saber o sabor da fava, separou a metade para cozinhar e comer. Plantow o que restou. Hoje ele come desta fava ¢ ja reservou uma parte para seus vizinhos que querem plantar. as varledades locais, consumindo a variedade nao dese- Jada, Outra possibilidade € 0 banco trocar com algum agricultor da regido aquela semente/grdo por semente de variedade local. Em 2000 existiam nos 25 bancos de se- mentes comunitirios, 6 espécies de cultivos, com pelo menos 18 diferentes variedades de feijao de arranque, ‘macassa e fava. Mas este ntimero varia de ano para ano. A produgao de material informativo sobre a localizacdo © a descricao das variedades foi de grande importancia tanto para facilitar 0 acesso a materiais entre comuni- dades e municipios como para valorizar o papel das co- munidades enquanto conservadoras dos recursos gené- ticos. Foram produzidos cartilhas, calendario ¢ mapa da diversidade de cada municipio. Estes materiais tém sido amplamente divulgados em reunides dos bancos pelos sindicatos, Muitos agricultores e agricultoras tém contado suas experiencias em seleca0, armazenamento, tratamento e secagem de sementes, com apoio de mate- ox $ investimentos no dialogo entre as organizagoes de asri- cultores ¢ os érgaos de pesquisa regionals. A AS-PTA tem incentivado agées desse tipo através de uma relagao com © setor de fitoteenia da UFPb que para além da analise da qualidade, vem apoiando eventos de formacao € a ca- racterizacao de variedades locais identificadas nos dias- nésticos. Em parceria com os sindicatos de trabalhado- res rurais, ja foram caracterizadas 8 variedades de feija0 através de 47 descritores utilizados pelo CIAT © CGIAR." tendo participado desta acdo 20 agricultores das comis- soes municipais. a a niais didaticos, Alguns tém também criado e recriado a oguee ape ar bse Serta da Seen de Paso Staton de Sept da ements da Paso QI) —— Se por um lado é facil construir um consenso sobre a importancia dos bancos como reserva estratégica de se- mentes, predomina inqufetude sobre a sua eficacia na conservacao da diversidade local. Desde o inicio da de- cada de noventa, esta questao é motivo de debate entre as organizages que vem trabalhando os bancos de se- ‘mentes comunitarios dentro da perspectiva de conser- vacdo da agrobiodiversidade. Parte disto se deve a gran- de expectativa que alguns colocam em relagao a diversi- dade que deve passar pelos bancos. No entanto, os es- tudos feitos ao longo desta experiencia sugerem que os bancos nunca vao conter nos seus estoques toda a di- versidade existente em uma comunidade. Isto faz senti- do, uma vez que eles sao uma reserva estratégica para épocas de crise e nao a reserva principal das familias. Por muitas razdes, a reserva que retine maior diversida- de ¢ mantida sob gestdo familiar ¢ ndo comunitaria. E claro que melhorias simples, como silos de menor ta~ manho para comportar pequenos volumes de sementes ce regras mais flexiveis que permitam a devolucao de ou tras variedades ou espécies no lugar daquela empresta~ da, favorecem a ampliagao da diversidade nos bancos. Todavia, a andlise do papel que os bancos cumprem na promocao e conservacao da diversidade nao pode ficar restrita @ avaliacdo quantitativa do nimero de varieda~ des e espécies mantidas nos silos comunitarios. E ne- cessario considerar o impacto dos bancos de sementes ‘comunitarios sobre os fluxos e dindmicas de troca de sementes que tradicionalmente acontecem entre os agri- cultores familiares, bem como nos estoques domésticos. ‘S6 este lipo de informagao pode dar uma dimensao pre- isa da influéncia dos bancos na diversidade local, seja ela positiva ou negativa. No caso das experiéncias desenvolvidas na Paraiba, ha um longo caminho a percorrer na busca por um sistema ideal de seguridade de semente que incorpore esta mensao, Na seca de 1998 e 1999, algumas variedades baixaram substancialmente sua freqhencia em algumas comunidades ¢ entraram na lista de variedades em situ- acao de risco. As multiplieagdes deveriam ser efetuadas Bsc de Segusitate da Semente da Paro em Areas irrigadas, 0 que é raro no ambiente em que estes agricultores se situam. Portanto, além de manejar estoques estratégicos, 0s bancos terao que incorporar na sua rotina um trabalho sistematico de resgate, mul- tiplicagao c devolugéo as comunidades de variedades em situagao de risco. Neste caso, as sementes nao deverao passar necessariamente pelo estoque comunitario, mas quando articulados em rede, os bancos poderao exercer um papel ativo, facilitando a troca de informacdes entre agricultores de diferentes comunidades ¢ municipios. Formacao técnica, metodolégica e politica dos agricultores e agricultoras familiares Em paralelo A difuso de um modelo téenico que fol desen- volvido segundo um principio organizador que privilegia 0 Iucro e a dependéncia tecnolégica. enraizou-se na consci- éncia social dos agricultores uma série de mitos e valores relacionados a pretensa modernidade e eficiéncia das teenologias baseadas na quimico-mecanizacdo. A forca ide- ‘olégica do paradigma técnico-clentifico veiculado pela Re- voltigao Verde terminou por desqualificar em meio aos pré- prios agricultores a sua vocacdio como portadores e gera- dores legitimos de conhecimentos de extrema valia para 0 desenvolvimento tecnologico (Petersen ¢ outros, 2001). 0 programa de formaczio em recursos genéticos da AS-PTA e seus parceiros do Agreste esta baseado em dois principios: primeiro, valorizar 0 papel dos agricultores e agricultoras enquanto detentores de conhecimento e conservadores da biodiversidade. E ainda aportar contetidos técnicos ¢ metodologicos que permitam a reflexao e a melhoria das praticas de procucao, conservacao, tratamento, arma- zenamento de sementes e da gestao coletiva. Familias de agricultores tém apresentado as suas semen- tes da paixdo e suas experiencias em producao de se- mentes, dentro do contexto da cultura local, onde ha, grande expressao artistica de fé, masica e poesia. Os espagos e piiblicos desta formagao sao, no primeiro nivel, as comunidades rurais e os s6cios dos bancos (Figu- Sistema de Seguridade da Semente da Passio Ey —— ra 8), Foram realizados até 2000, 6 eventos de formacao envolvendo 10 bancos ¢ 148 agricultores ¢ agricul- toras. No segundo nivel estao os ad- ministradores dos bancos cle semen- tes que participam das comiesées mu- nicipais envolvendo representantes de todos os bancos de cacla municipio. Para este grupo foram realizados 26 eventos de formacao, dos quais parti- ciparam 40 agricultores agricultoras dos $ municipios. Por fim, as lideran- as dos sindicatos, grupos parceiros 08 agricultores expeimentadores ¢ di- rigentes dos ban- cos participaram one autem, do Programa de ‘reseninm as: Formacao em De- Nedatesedscuem — senyvolyimento votre pata ar Tanstnenocye — Sustentavel Para {io de BSC. Carte estes tltimos dois dora 2000 aves, a formacas : extrapola 0 con- tetido técnico € metodologico ¢ avanga para o campo das politicas publicas, debatendo o papel do estado e da soci- edade civil no uso e conservagiio da biodiversidade. Figura 81 Espacos © ‘lblcos do prograna de Jormacao em recursos ‘aenencos sistema ce Seguridad da Semenie da Patio o cnjuns de ates eat (quantiade, Sa Alena Slcetara de et sr ge sce So Scene Sar Os bancos de sementes comunitarios € os programas governamentais na Paraiba Este sistema de seguridade de sementes implantado em Solanea, Remigio e Lagoa Seca foi uma inovacao social que fortaleceu e dinamizou as associagdes comunitarias, garantindo o acesso a semente de boa qualidade e adap- tada, aumentando as opedes de variedades para 500 fa- milias de agricultores durante 4 anos. Todavia, a seca de 1998/99 levou os bancos de sementes comunttarios a um colapso, uma vez. que 0s-cstoques nao foram suficientes para suportar dois anos sem producao agricola. No pri- meiro ano de seca, as comunidades decidiram pela distri- buicdo de somente uma parte do estoque dos bancos devi- do a auséncia de chuvas para o plantio no periodo da en- trega das scmentes. No entanto, a seca se prolongou por mais outro ano e quase todo o estoque de sementes que restava nos bancos foi plantado e perdido. Assim, em toda a Paraiba, os agricultores ainda no inicio do ano de 1999 estavam sem sementes para 0 plantio. Diante desta situacao, 0 Polo Sindical da Borborema rel- vindicou junto ao governo do estado um programa de abastecimento de sementes que atendesse aos anselos dos agricultores. Esta iniciativa do Polo ganhou a ade- sao da Articulacao do Semi-arido Paraibano, que deu inicio a uma série de acdes para intervir no Programa de Sementes do Estado da Paraiba. Apos a apresentacao de uma anélise critica e de propostas alternativas!? ao programa governamental, as entidades-membro da Ar- ticulagao do Semi-arido Paratbano participaram de uma série de negociagdes com a Secretaria de Agricultura do estado para tentar solucionar o problema da escassa quantidade de sementes dispontbilizada pelo programa, © custo elevado ¢ 0 baixo indice de germinacao (caso de alguns lotes de milho) e das poucas € nao adaptadas variedades oferecidas. Como saldo desta negociacéo 85.000 kg de sementes foram destinadas para a criacao e fortalecimento de 130 bancos de sementes comuntta- ios nas regiées do Litoral c Agreste da Paraiba. A restri- ao do programa a estas regides se deveu ao atraso na ‘Sistema de Seguridad da Semen da Paso J —— Mberacao das sementes pelo governo, inviabilizando a in- clusio do Sertao, devido ao fato de ter sido ultrapassada a época de plantio para aquela regiao. Acxperiénefa anterior da Articulagao do Semi-Arido com bancos de sementes comunitarios foi vital para esta acau Junto ao govern. Em 1995 a Articulacdo do Semi-arido Paraibano ja havia Iiderado, no nivel de estado, um sis. tema de distribuicdo ¢ gestao de sementes para as fami- lias rurais, tendo como propésito a formagao de bancos de sementes comunitarios. Naquela ocasiao as semen- tes procederam do Ministério da Agricultura Abasteci- mento ¢ Reforma Agraria (MAARA) que movia, naquele ano, uma grande “campanha contra a fome no Nortes- te’, uma vez que havia ocorrido seca nos dois anos ante- riores. Dos 9 estados do Nordeste beneficiados pela cam- panha, somente a Paraiba teve envolvimento da socie- dade civil no programa de distribuigao de sementes, Para um total de 115,000 Kg, foram envolvidas 76 entidades ligadas ao melo rural, tendo a participacdo de diversas organizacdes nao governamentais, sindicatos de traba- Ihadores rurais, associagdes, CUT. etc e formados 113 Bancos de Sementes Comunitarios, No primeiro ano, ou Seja, 1995, 6.430 familias foram beneficiadas em 52 mu- nicipios paraibanos. O processo de distribuicao fot gil, eficiente e bastante democratico. Em menos de um més houve 115 assembléias das organizacoes dos trabalha- dores para a formacdo de bancos, escollia de beneficiarios €distribuigao das sementes. © retorno da semente no final de 1995 representou 0 empenho destas organizacées e dos agricultores em for- mar os bancos de sementes comunitarios, Dos 115 ban- cos iniciados, 82 receberam retorno da semente que so- mou ao final 60% da semente original. Foram articula- das outras acées para possibilitar a continuidade des- ses bancos: a capacitacao de agricultores e a confeccao de 559 silos de zinco para armazenar as sementes. Alem do acesso a semente de boa qualidade, os agricultores ¢ agricultoras beneficiados se motivaram para o debate do problema de falta de semente na época do plantio, tao comum em todo o estado. Foram promovidos varios pe- GB sso te Serta dn Semen a Pteso — quenos seminérios ¢ um estadual para discutir 0 accesso 4 semente e a proposta de bancos de sementes. 0 pro grama teve a dimensao e envergadura de um programa de estado coordenado e conduzido pela sociedade civil organizada. Entre os programas de sementes imple. mentados pelo MAARA no Nordeste em 1995. este foi con- siderado 0 mais exitoso. No ano de 1999 a participagao das organizacoes da soci- edade civil foi mais intensiva, atuando nao apenas na distribuicao de sementes como em 1995, mas conseguin- do influenciar a formulacao e a implementacaio do pro- grama no estado, Conseqtientemente, isto aumentou a responsabilidade dos membros da Articulagao ¢ trouxe novas inquictagdes. Se por um lado fol possivel avancar no didlogo com os orgaos governamentais e participar de forma mais ativa nas negociagdes, na pratica, as altera- ‘ces no programa foram pouco substanciais. Isto susci- tou uma nova indagacao sobre o papel cxercido pela Ar- ticulagao do Semi-Arido que estava apenas operacio- nalizando “uma fatia” do programa de sementes do esta~ doe nao “mudando” a concepeao do programa sobretudo no que se refere a pouca diversidade genética dos mate- riais distribuidos, Essas inquictacdes motivaram a organizagao de um Se- mindrio de Politicas Pablicas e Sementes com 0 intuito de aprofundar o debate e aperfeicoar a proposta para nego clagao com 0 governo no ano seguinte. Este Semi- nario contou com a pre- ssenca de 60 pessoas en- 1 Encore Bata ‘de Seenten pro novi peta Artes Ingto de Semtare prosenga de 60 yieuleres © aor ttorae de todo © Ststema de Seguridad da Semnente da Fatxio J —— Asemente humana tre agricultores, agricultoras, representantes de sindi- catos de trabalhadores rurais, pélos sindicals, orge.niza- es nao governamentais e pastorais do estado e resul- tou na elaboracao confunta do “Programa Especial de For- talecimento e Ampliacdo dos Bancos de Sementes Co- munitarios da Paraiba". Com a continuidade da seca em 1999 e do processo de mobilizacao das organizacoes en- volvidas no processo até entdo, no ano de 2000 foram fornecidas mais 85 toneladas ce sementes para os ban- Cos ja existentes ¢ para a formagao de novos bancos. Foi a partir destas mobilizacdes socials que as referencias téonicas e metodologicas acumuladas na regido do Agres- te passaram a se constitwtir como um insumo fundamen- tal na dinamica de generalizacao, no nivel do estado da Paraiba, dos bancos de sementes comunitérios como ele mento estratégico para a constituicao de um programa de seguridade de sementes. Mesmo nao sendo o banco uma novidade para muitas regiées do estado, a experi- éncia dos agricultores do Agreste tem subsidiado a dis- cussio politica a respeito do tema € possibilitado inclusive a organi- Bata éa histéria do banco de semente d ‘comunidade de Santa Cruz e Santa Maria, ‘no municipio de Sao Joao do Cari, Paraiba. Ele foi eriado em 1983, send Jum quilo de semente para cada uma das 35 familias sicias. Nos anos seguntes. 0 Danco de sementes cresceu bastante mas ai velo a seca que detxou Banco sem sementes, Dona Maria de Lourdes, agricltora, interrogada, responde *Mesmo sem semente nosso banco estava vivo. Ele surgiu num tempo sofiida, Com cle nés plantamos a semente da uta’ Fizeram um jogo de bingo para recuperar ‘9 banco e consegulram novamente o mill Jabatae que haviam perdido na seca. ‘0 Senhor Adelaide repassou a semerte ppara o banco. Hoje ele tem mallao Jabotao, Imacassa corujinha, macassa garan}ao e fava manteiga. "A semente do governo & sente néo planta. A nossa ¢ mellor == | zagao de um programa de forma- 0 para os sécios. Este progra- ma tem tido 0 apoio do Coletivo de Educadores do Agreste da Paraiba que tem uma vasta experiencia coma formacao de agricultores fa- mailiares no tema de recursos ge- néticos adquirida ao longo de sete anos em Remigio. No ano de 2000 foram acompa- nhados pela Artieulacao do Semi- arido Paraibano 220 Bancos de Sementes Comunitarios, distribu- dos cm 55 municipios da Paraiba tendo 6.900 familias socias (ver fi- gura 9), Esto envolvicas 240 or- ganizacées entre associagdes co- munitarias, pastorais, sindicatos de trabalhadores rurals organiza- sna de Sera da Senet da Pasan des ndo govemamentals. A disposieéo mostrada por este conjunto de organizagées sugere uma ampliagao gradu al e consistente da experiencia, a qual deve se consoli- dar nos proximos anos como tuma importante politica pui- blica para os agricultores familiares parafbanes, na me dida em que for sendo elaborada c implementada de for- ‘ma partieipativa, através de uma pareeria entre « soc dade civil e 0 estado. Estas organizacaes também estao conscientes da necessidade de construir referencias, que ‘sejam ao mesmo tempo praticas e sustentavels, que apon- tem para a superagao do problema de falta de sementes de qualidade, adaptadas as condigées locais e acessivels na época de plantio. jo que permitir 0 acesso a semente para esta gran- MeiAanfldade de fama, esta trajtéra orgnou um resultado muito mais poderoso: a consciencia, por parte de um grupo de agricultores familiares de que estes 840 conservadores de um patriménio cultural e genético im- portante. Com facilidade encontramos agricultores de vi- rias regides do estado afirman- do que “temos que salvar € guardar a nossa semente da paixao", como as variedades lo- cais vem sendo chamadas. Es- tas expresses estao presentes em manifestacdes culturais muito comuns na nossa regiso como poesia ¢ miisica. A auto valorizagdo da agricultura fa- miliar é que trara a mudanca para a sustentabilidade dos sistemas tradicionais. Fetra Estadual da. Se tment das Paap. Car ‘pa Grande, 2001 “Sistema de Seguridade da Semenie da Patio 9 —— Rede Estadual de Bancos de Sementes Comunitarios quem somos e aonde estamos? tadas pelos 220 bancos de sementes comunitarios, 13 variedades de macassa, 4 de feljao de arranque, 2 de fava, 6 de miiho, 5 de algodao, alem de outras 6 espécies de cul tivos normalmente ausentes no programa. Pelas razbes ja expostas no item anterior, 0 programa governamental for- nieceu apenas uma variedace de mitho e uma de faifio. O descontentamento dos agricultores foi grande, expresso em ayaliacées como “este milho do governo é muito baixo e ndo produz, palha para os animais” de acordo com agricultores de Sao Vicente do Serido; ou “este feiiao a gente s6 planta Porque nao tem outro mas ele apresenia uma doenga no tnicto @enrama muito e dé pouca vager’, como disse Pedro Perei- ra de Lagoa Seca. No box 6 apresentamos como exemplo a avaliacao de duas variedades de milho. Esta indignagao traz, reagdes isoladas como troca da semente recebida do governo por sementes de variedades locais adquiridas na feira ou de outros agricultores, Além deste problema da aceitagao das variedades. ha outro de dificil percepeao mas que a longo prazo pode ser ainda mais grave. Esta injecdo de grandes volumes de scmentes cerlificadas no sistema dos agricultores provo- ca uma competicao desleal entre as variedades locais € as oriundas da pesquisa, o que pode gerar a erosdo ge- nética de variedades locais. MILHO JABATAO - Variedade Local + resistente a estiagem elo longo de 105 dias + sabugo fino Figura 9; Mapa de ‘+ graos gratidos teentzogdo dos BSC * planta alta, produzindo bastante palha es + planta toda boa para ragdo animal Box 6 Avaliago de , + resistente a pragas de armazenamento fins varedades de + mitho doce, Bom para pamonha ph ae na valida por um een - | MILHO CRUZETA- Variedade Methorada ] (fa"uPorumeen- Esta experiencia da Articulacao do Semi-Arido de influ- sgropecurio, por eniciar o programa estadual de sementes na Paraiba ¢s- Sauihenmasreuee sercltores do ban barra em varias dificuldaces, mas sem duvida a maior Sedbug geste ‘tonto de Ls delas fot a dificil compatibilizacdo entre as demandas por { + giles pequenos fs de Trabant diversidade de espécies e variedades por parte das orga- ‘Siisaae pabealiepeiuaindo pomca palha, |. Se eee eaads nizagdes dos agricullores e a limitada oferia por parte do ee eae meee raTa S| Geen penta, overno. Para exemplificar, no ano de 1999 foram solici- eee Ponte: CEPA 810 de Sexuritade da Semente ua Patio Sistema de Segura a Semente da Passo GB —— Propostas para um Sistema de Seguridade de Sementes no Semi-Arido Paraibano ‘A tradigdo das familias rurais do semi-arido paraibano de produzir e guardar sua semente em casa tem sido o ele mento chave da estratégia de conservacao € de evolugao da diversidade agricola e da clencia popular sobre a agrobiodiversidade. Mas infelizmente este formato no tem sido suficiente nem para garantir 0 finaneiamento do instumo semente para a agricultura nem para conserva- ao da diversidade agricola. E necessario, em consonan- Gia com os estoques familiares, estabelecer formas de apoio coletivo/organizativo de gestao de sementes nos moldes dos bancos de sementes comunitarios, estabelecendo-se,, para isso, politicas ptiblicas favoravets. Os bancos de sementes comunitarios tém conseguido minimizar alguns fatores indutores de erosao genética - pouco acesso ai terra, seca, politicas agricolas e mercado + que incidem negativamente tanto sobre 0 ambiente como sobre a arte dos agricultores de explorar as condi- Bes favoravels para produzirem em situacdes agrestes. Detalhemos como. Para os mais pobres ¢ com menos terra, ha indicagées de que estes sao muito impactante: Ja que permitem menor dependéncia do patrao. Os ban- ‘cos favorecem 0 fortalecimento das praticas de organi- zacéo comunitaria ¢ a maior articulagao entre as orga nizagdes de agricultores. Neste caso, estes sao, por as: sim dizer, um espaco de exceléncia para discuttr politi cas piiblicas de abastecimento em sementes. Possibili- tam mobilizar os agricultores, intervindo na politica de sementes, 0 que diminuiu 0 efeito da seca para aquelas familias vinculadas aos bancos. Quanto a pressao pare a uniformidade, o sistema atual tem dado conta de in- @ 1208.0 Seta da Semen a Pato centivar plantios de cultivos de renda diversificados e de ‘manter algum equilibrio entre variedades agricolas para consumo € para o mercado, além de fomentar o inter- ‘cambio genético e de conhecimento. Todavia, nas condicdes de gesto ¢ de funcionalidade aiu- als, os bancos nao dao conta do suprimento de sementes em periodos prolongados de seca. Analisando o fluxo de sementes nos bancos de sementes do Agreste antes da seca (1995 a 1997) e durante a seca (1998 ¢ 1999). Obser- va-se que durante a scca 0 estoque total dos bancos bal- xou muito ¢ houve uma grande injecdo de sementes no sistema, Foi este aporte que permitiu a continuldade dos bancos no periodo seguinte, Caso contrario a maioria de- Ies teria problemas para abastecer seus s6cios. Este fato coloca a questao sobre os limites do banco de sementes comunitario como reserva estratégica de se- mentes para regularmente suprir as deficléncias dos e3- toques domésticos nos periods prolongados de adver- sidade ambiental que ocorrem na regiéo do semi-arido, ‘A-cxperiéncia no Agreste paraibano sugere que é possf- vel aumentar a longevidade das sementes armazenadas através de melhorias no beneficiamento e armaze- namento. No entanto, esta capacidade ¢ limitada. Por melhor que sejam o planejamento e a administracdo dos estoques, os Veranicos sticessivos ou secas prolongadas inviabilizam o papel securitizador dos bancos de semen- tes comunitarios no longo prazo Portanto, num contexto de adversidades ciclicas, a sus- tentabilidade do sistema depende de sua insereao em ‘uma estratégia de longo prazo que articule diversos ban- cos entre si, os estoques. as feiras munieipais, apoiados por um sistema municipal, que por sua vez deve ser apoi- ado por um programa estadual Se analisarmos 0 quadro do ponto de vista da sus- tentablidade da agricultura e do meio ambiente, pode- mos dizer que os agricultores familiares sao prestadores de um servico ambiental ¢ social porque preservam in sifu a variabilidade agricola de diversos ultivos funda- mentais para a nossa seguranga alimentar. Mas este ‘Sistema de Seguridad da Semente da Passio BY —— servico tem um custo para os agricultores, que continu- am produzindo em més condigdes e vivendo com difieul- dade. Faltam-Ihes as sementes quando mais precisam. Este onus nao pode ser arcaco somente pelos agriculto~ res, mas a sociedade que usufrui deste beneficio deve viabilizar o sistema através de paliticas piblicas favora~ veis. Esta politica deve ser destinada organizacao e ma- nuteneao de um Sistema de Seguridade de Semente da Paixdo para o Estado da Paraiba. © potencial dos bancos de sementes comunitarios grande, mas em situagao de adversidades ambientais Ciclicas dependem de suportes externos esfera comu- nitaria. Neste sentido, a incorporacao destes como ins- tancias mediadoras da formulacéo € implementacao de programas govcrnamentais de seguridade de sementes pode aumentar a eficiencia destes programas e erlar condicées de plena operacao para os bancos. Os indica- dores de sucesso da participacdo das organizagoes da sociedade civil nos programas implementados na Paraiba em 1995 e 1999 so uma pequena amostra do que possivel fazcr através desta parceria. Uma andlise mals detalhada dos limites de programas governamentais em curso ajuda a identificar os entraves para estas parce- rias ¢ a avancar na elaboracao de propostas para as suas superagoes. 0 programa de abastecimento de sementes do governo do estado da Paraiba é de responsabilidade da Secreta- ria de Agricultura. No scu formato atual, volume de sementes para cada muniefpio € definido a partir de um levantamento de demanda feito pelos escritérios locais da EMATER. Com a demanda em maos, a Secretaria de Agricultura solicita a EMEPA (Empresa Estadual de Pes- quisa Agropecuaria) a producao ¢/ou licttagao para com- pra das sementes que nao serao produzidas pelos ér- aos governamentais. A EMEPA. por sua vez, contrata ‘empresas privadas licenciadas para producao de semen- tes certificadas ou fiscalizadas. Os estoques produzicios ou comprados siio destinados aos escritérios da EMATER que realizam a venda para os agricultores. GB 205 ae Sega da Sent a Patio Oficialmente 0 programa € formulado com base em um levantamento de demandas a campo. Todavia, a forma, como este levantamento € feito gera dados distantes da realidade, tanto em termos quantitativos como qualitati- vos. Nao se levam em conta, por exemplo, as espe- cificidades de cada regio do catado, tais como as espéci es ¢ variedades plantadas localmente, 0 uso que ¢ dado a cada cultivo, eo déficit real de semente em cada comuni- dade, o qual varia se 0 ano agricola sucede uma seca ou nao, Esta disparidade entre a demanda real e a oferta do programa deve-se essencialmente a ndo participacao das comunidades nas consultas e decisoes. A centralizagio do Programa esta presente também no proceso de aquisi¢ao de sementes. Da forma como esta organizado, com 0 plantio de sementes basicas feito ex- clusivamente pelos cadastrados da EMEPA e a compra por parte da Secretaria de Agricultura, nao € possfvel in- cluir nas aquisicves de variedades locats adaptadas a cada regldo, Pelo contrario, 0 Programa deposita grande quan- tidade de sementes de poucas varledades, muitas delas vindas de outras regides do pais, as quals s40 multiplica- das e produzidas por empresas rurais que trabalham com ‘gendtipos dependentes de insumos agroquimicos. (mau planejamento na distribuigao complica ainda mais a situacdo, sendo freqientes os atrasos na liberacao de sementes que chegam aos municipios ap6s 0 inicio das chuvas. Como ha poucos mecanismos de controle social do bem ptiblico, ¢ comum que os grandes proprietarios sejam os maiores beneficiados, ainda que sejam os que menos necessitam do Programa. Portanto, o planejamen- to ea execugao centralizados, somados a batxa partici- pacdo. limitam os aleances do Programa que, ao contra- rio dos bancos, acaba perpetuando a dependencia das familias por sementes vindas de fora. © governo, por sua vez, sustenta sua posicao com 0 ar- gumento que “semente de agricultor nao é semente, & grao”. Este argumento tem por base a legislacao de se- mentes, a qual estabelecc limites rigidos para definir 0 que pode ser qualificado como “semente”. Ainda que a intengao da legislacao seja garantir semente de boa qua- Sistem de Seguridade da Semente da Paxao GB —— lidade, os critérios utilizados inviabilizam o uso de varie~ dades locais. Neste sentido, a legislacao vai contra a di- versidade. Isto acontece sobretudo porque, para que uma variedade possa ser multiplicada como semente, neces- sita passar por ensaios conduzidos por institutcoes de pesquisa pablica por um periodo minimo de dois anos. As variedades que entram nestes ensaios sao definidas ‘em comissées setoriais por cultivo, muitas das quais tem forte participacdo das indistrias transnacio-nais de se- mentes. Nestas comissées, no ha representacao dos agricultores familiares argumentando em favor das suas variedades. Portanto, ha pouco espaco para a inclusdo de variedades locais nos ensaios que originaram os da- dos para elaborar a lista de variedades autorizadas para producao como sementes. A aprovacao da Lei de Cultivares marginaliza ainda mais as variedades locais. Esta lel cria 0 Servigo Nacional de Protecao de Cultivares para proteger as variedades comercializadas no mercado de sementes. Para ser re- gistrada neste sistema, a variedade tem que obedecer a ritérios de estabilidade, uniformidade e homogeneidade genética. Estes critérios dificilmente sao preenchidos por variedades locais, as quais caracterizam-se por sua am- pla varlabilidade genética, ou sefa, por populacoes de plantas nao uniformes e nao homogéneas. Portanto, ambas as leis criam sérios limitantes a intro- duo de inovacdes nos programas governamentais de abastecimento de sementes, uma vez. que as variedades locais nao se adequam aos critérios que definem 0 que é “semente” e aos parametros que estabelecem qual varie- dade pode ser utilizada para produzir semente. Superar estes entraves é o grande desafio que a Articulacao do ‘Semi-Arido Paraibano enfrenta, no sentindo de alean- car mudangas substanciais no programa implementado pelo governo estadual. Para se contrapor a estes limites, énecessario dar vistbilidade a todo um conjunto de leis positivas, a maioria delas na area ambiental, que reco- nhecem 0 valor da agrobiodiversidade. O papel dos agri- cultores enquanto conservadores da diversidade é reco- nhecido na Convengao da Biodiversidade. @ 8-10 ce Segre da Semente da Pease Tanto organizacdes dos agricultores, como sindicatos, pé- los sindicais, central sindical, associagdes ¢ bancos de sementes comunitarios, como entidades de assessoria € pastorais da [greja tém-se envolvido na construcéo ¢ operactonalizagan dle 1m sistema ce seguridade da se- mente da paixdo para o estado da Paraiba. Bsta acao tem suseitado o debate sobre a idealizacao deste sistema. Mas, se analisarmos as politicas vigentes, tanto as leis nacio- ais que regem a producao de sementes como a execucao do programa de abastecimento de sementes do estado da Paraiba, percebemos que muitos entraves terao que ser ultrapassados, Para a construcdo deste sistema ha a ne- cessicade de mudancas na legislagao vigente. Os miultiplos atores envolvidos teriam seu papel confir- des toces, mado ou construido a partir de um fluxograma ideal de abastecimento de sementes (ver figura 10). Esta organi- zagao envolveria primeiramente a familia produtora e con- sumidora de sementes diversificadas e de qualidade, ten- do como espaco central os estoques familiares. Estes es- toques estariam estre{tamente articulados a uma reserva de seguranca coletiva capaz de abastever a comunidade e diminuir 0 déficit de sementes, tendo como instancia 0 banco, com estoques grandes e diversificados. Para per- mitir a reposicao destes bancos comunitérios e dos esto- ques familiares ¢ até mesmo para construir novas organi- stem de Sept da Senet a Puc zagoes em outras comunidades, apareceria uma estrutu- ra em proporgao maior: o banco municipal. Este tera um carater municipal, sendo administrado pelo sindicato ou pela prefeitura. Para anos normais de chuva com capaci- dade de produgao de graos, este esquema seria suficiente para manter 0 abastecimento de sementes de qualidade, adequado ¢ em tempo. ‘Mas em periodos prolongados de seca haveria um pla- nejamento detalhado onde se acionaria um sistema de resgate e multiplicacao de sementes de variedades lo- cais. Poderia também ocorrer compra de sementes de agricultores de regides mais umidas que conseguiram produzir. Outra possibilidade seria a multiplicacdo de materiais em Areas irrigadas em cada regiao do estado, de tal forma que, entre secas € pos-secas, os estoques se mantivessem grandes ¢ diversificados. Para a implanta- ‘40 e manutencao deste esquema, seria imprescindivel uma infra-estrutura descentralizada e beneficiamento, armazenagem e tratamento de sementes. Neste caso o que se almeja ¢ a ampliacao € a busca da sustentabilidade do mercado popular de sementes onde esizio envolvidos agricultores familiares, a feira livre © 0s bancos de sementes. Nao se pretende ajustar as leis atu- almente existentes, mas sim, estabelecer novos pa- rametros de normatizacao compativeis com as concep- des gerais de um sistema de seguridade de sementes. Evidentemente, seria necessario um apoio da estrutura e dos recursos governamentais, sendo estadual e/ou mu- nicipal. Esta descentralizacio do sistema de abastect- mento permitiria a recomposicéo dos estoques familia- res e dos baneos, minimizando a erosao genética, mes- mo sob secas severas. Para implementar esta comple- ‘xa gestéo coletiva haver-se-ia de articular os diversos atores envolvidos no processo de modo a se estabelecer uma comissao estadual de controle da seguridade da semente. GB *te1n de Seguridad da Semente da Pao Referéncias bibliograficas ALMEIDA, Silvio G.: PETERSEN, Paulo F., CORDEIRO, ‘Angela. Crise Socloamblental e Conversao Ecolégica a Agricultura Brasileira. Rio de Janeiro, AS-PTA, 2001. 121. ALMEIDA, Paula. 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