Você está na página 1de 22

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ CAROLINE DANIELA BUSETTI

ASPECTOS CLÍNICOS E HISTOLÓGICOS DA CHIKUNGUNYA

CURITIBA

2015

2

CAROLINE DANIELA BUSETTI

ASPECTOS CLÍNICOS E HISTOLÓGICOS DA CHIKUNGUNYA

Trabalho apresentado à disciplina Seminário Integrado de Enfermagem II - Biologia Celular, do curso de graduação em Enfermagem, Setor de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Paraná. Orientador: Manoel Carlos Toth Quintilham

CURITIBA

2015

3

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO

4

2. DESENVOLVIMENTO

 

5

2.1 ASPECTOS GERAIS

5

2.2 TRANSMISSÃO

7

2.3 FEBRE CHIKUNGUNYA

SINTOMAS DA

9

2.4 DIAGNÓSTICO DA FEBRE CHIKUNGUNYA

19

2.5 TRATAMENTO

DA FEBRE

CHIKUNGUNYA

20

3. CONSIDERAÇÕES

FINAIS

21

4. REFERÊNCIAS

22

4

1. Introdução

Este trabalho, desenvolvido na Disciplina Seminário Integrado de Enfermagem II Biologia Celular (BC046) tem como proposta descrever os aspectos clínicos e histológicos da chikungunya. (BRASIL, 2014). Neste estudo, intitulado Aspectos clínicos e histológicos da Chikungunya, temos por justificativa temática a importância histológica dos casos de febre causada pelo vírus Chikungunya (CHIKV). Este que recentemente tem registrado casos na América.

Nosso objetivo foi apresentar, a partir de evidências, o tecido conjuntivo como alvo de infecção pelo vírus.

Assim sendo, apresentaremos um estudo direcionado a febre da Chikungunya, enfatizando a sintomatologia: erupção cutânea (hipersensibilidade vascular), artralgia e o seu efeito no sistema nervoso.

5

2.

DESENVOLVIMENTO

2.1

ASPECTOS GERAIS

A febre de Chikungunya é uma arbovirose causada pelo vírus Chikungunya, da família Togaviridae e do gênero Alphavirus. O nome chikungunya deriva de uma palavra em Makonde que pode ser traduzida por “aqueles que se dobram”, descrevendo a aparência encurvada de pacientes que sofrem de artralgia intensa. Chamada em português de febre chicungunha, é uma doença provocada por um vírus, que apresenta sintomas semelhantes aos da dengue, tais como febre alta, dores pelo corpo, dor de cabeça, cansaço e manchas avermelhadas pelo corpo, pode ser transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, os mesmos que transmitem o vírus da dengue e da febre amarela, motivo pelo qual essa virose conseguiu recentemente chegar ao Brasil.

Desde os primeiros relatos de sua existência em África na década de 1950, onde foi isolado pela primeira vez em Makonde, mas na ausência de casos em países desenvolvidos, os estudos foram deixados de lado. No entanto, em 2005, a febre chikungunya inesperadamente ressurgiu na forma de devastador epidemias e em torno do Oceano Índico. Estes surtos foram associados a mutações no do genoma viral que facilitou a replicação do vírus em mosquitos Aedes albopictus.

6

6 Figura 1 – Padrão de dispersão de CHIKV da África para o Oceano Índico e

Figura 1 Padrão de dispersão de CHIKV da África para o Oceano Índico e na Europa durante os

últimos 20-50 anos. FONTE: Thiberville et al. Antiv Res 99 (2013) 345370

Local de transmissão do vírus Chikungunya
Local de transmissão do vírus Chikungunya

Figura 2 PAÍSES E TERRITÓRIOS COM CASOS DE CHIKUNGUNYA REGISTRADOS julho de

2014. FONTE: http://www.cdc.gov/chikungunya/geo/

7

Local de transmissão do vírus Chikungunya
Local de transmissão do vírus Chikungunya

Figura 3 PAÍSES E TERRITÓRIOS COM CASOS DE CHIKUNGUNYA REGISTRADOS novembro

de 2014. FONTE: http://www.cdc.gov/chikungunya/geo/

A partir das figuras 2 e 3 podemos concluir o aumento de casos do vírus CHIKV pelo mundo.

2.2 TRANSMISSÃO A febre chicungunha é uma infecção transmitida pelo vírus Chikungunya (CHIKV), que é um arbovírus, ou seja, um vírus transmitido por artrópodes. No caso específico da febre chicungunha, o artrópode que transmite o vírus são os mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. A transmissão do vírus artritogênico ocorre através da picada dos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus infectados pelo CHIKV, este último, desde 2006, devido a mutações adaptativas do genoma viral (Figura 4).

devido a mutações adaptativas do genoma viral (Figura 4). Figura 4 – MOSQUITOS Aedes aegypti (A)

Figura 4 MOSQUITOS Aedes aegypti (A) e Aedes albopictus (B). FONTE: Chikungunya a re-

emerging virus 2012

8

Assim como o ocorre na dengue, o Aedes aegypti e o Aedes albopictus não conseguem transmitir o vírus Chikungunya imediatamente após a sua contaminação. Quando o mosquito pica alguém infectado pela febre chicungunha, o sangue contaminado entra pelo seu sistema digestivo e é absorvido. A partir daí, o vírus passa a se replicar dentro do organismo do inseto, só indo aparecer nas glândulas salivares após alguns dias. Esse intervalo de tempo necessário para o mosquito contaminado tornar-se um mosquito contaminante é chamado de período de incubação extrínseco. O período de incubação extrínseco do vírus Chikungunya é de cerca de 10 dias. Todavia, este período pode variar. Em geral, quanto mais quente for a temperatura do ambiente, mais curto é o período de incubação extrínseco. Em locais onde a temperatura ambiente é baixa, o mosquito pode morrer antes que o período de incubação extrínseco esteja completo, o que justifica a maior incidência da doença em áreas tropicais. A transmissão através da picada de mosquito é responsável por praticamente todos os casos de febre chicungunha. Porém, há outras formas possíveis de se contaminar com o CHIKV. Uma delas é a chamada transmissão vertical, que ocorre da mãe para o bebê durante o parto. Até onde sabemos, o vírus Chikungunya não causa má-formações no feto, pois, aparentemente, a transmissão não ocorre dentro útero, mas sim no momento do parto, seja ele natural ou por cesariana. Os recém-nascidos contaminados costumam desenvolver a doença entre 3 a 7 dias, e o quadro clínico costuma ser bem mais grave que nos adultos. Não há evidências de que o CHIKV possa ser transmitido pelo aleitamento materno. Outra forma possível de contaminação é através do contato com sangue de pacientes infectados. Acidentes com agulhas contaminadas ou transfusão de sangue são vias potenciais. O transplante de órgãos também é forma possível de transmissão do vírus. (BRASIL, 2014)

9

2.3 SINTOMAS DA FEBRE CHIKUNGUNYA

O termo chikungunya vem de um dialeto da Tanzânia e significa algo como “aquele que se dobra”. O termo surgiu pelo fato dos pacientes acometidos pela doença terem intensas dores articulares, que fazem com que o mesmo fique com o tronco sempre arqueado.

fazem com que o mesmo fique com o tronco sempre arqueado. Figura 5 – CARTAZ INFORMATIVO

Figura 5 CARTAZ INFORMATIVO SOBRE A FEBRE CHIKUNGUNYA.

FONTE: PREFEITURA MUNICIPAL DE RIBEIRÃO PRETO 2015

10

A chamada fase aguda da febre chicungunha começa com uma febre alta de início súbito, geralmente ao redor do 40ºC, associada à mal-estar e intensa poliartralgia (dor em várias articulações). As dores articulares costumam surgir nas primeiras 48 horas e acometem cerca de 90% dos pacientes com febre chicungunha. As dores surgem no corpo inteiro, mas os locais mais afetados costumam ser as mãos, punhos, pés e tornozelos. Intensa dor lombar também é comum. O paciente pode ter dor em mais de 10 grupos articulares ao mesmo tempo, o que o deixa bastante incapacitado. Nos primeiros 2 ou 3 dias de doença, até 75% dos pacientes apresentam um rash maculopapular na pele, que são pequenos pontos avermelhados e agrupados, que podem ou não ter algum relevo. O rash surge com predomínio no tronco, mãos e pés. Cerca de 1/4 dos pacientes queixam-se de prurido nas lesões. Dor de cabeça, dor muscular, cansaço, diarreia, vômitos, conjuntivite, dor de garganta e dor abdominal também são sintomas comuns na fase inicial da doença. A fase aguda dura de 3 a 7 dias, período no qual os sintomas começam a desaparecer. Em cerca de 80% dos casos, porém, o paciente entra em uma fase chamada subaguda, que se caracteriza pela continuidade ou mesmo exacerbação das dores articulares. Apesar de não ter mais febre, o paciente pode permanecer semanas com poliartralgia. Se as dores articulares durarem mais de 3 meses, dizemos que o paciente entrou na fase crônica da doença, que pode durar por até 3 anos. Os pacientes sintomáticos geralmente relatam um início abrupto da doença caracterizada por febre alta, poliartralgia, dor nas costas, dor de cabeça e fadiga. Febre e sintomas clínicos característicos aparecem dentro de 4-7 dias.

Poli-artralgia é relatada em 87-98% dos casos e representa o sintoma mais característico. Dor nas articulações é principalmente poliarticular, bilateral, simétrica e ocorre principalmente nas articulações periféricas (pulsos, tornozelos e falanges) e algumas grandes articulações (ombros, cotovelos e joelhos). Inchaço das articulações é menos frequente: 25-42% dos casos. Dores nos ligamentos (pubalgia, esternocleidomastóideo, inserções occipitais e talalgia), temporomandibular ou articulações esternocostoclavicular e

11

tenossinovite, também têm sido descritas. Mialgia foi observada em 46-59% dos casos em estudos prospectivos recentes, enquanto estudos retrospectivos relataram uma prevalência mais elevada (93%). Mialgia. Foi observado predominantemente nos braços, coxas e panturrilhas sem miosite. As manifestações cutâneas foram relatadas em 40-50% dos casos e caracterizada por erupção macular ou maculopapular envolvendo principalmente das extremidades, tronco e face. As lesões de pele são transitórias e ocorrem na maior parte alguns (2-5) dias após o início da doença. Prurido generalizado foi relatado em um quarto dos casos. A grande variedade de lesões da pele e membranas mucosas também tem sido relatados durante a fase aguda da doença: hipermelanose, hiperpigmentação, fotossensibilidade, dermatite esfoliativa, vesículas, bolhas, lesões de vasculite, eritema nodoso como lesões, exacerbação de dermatoses como psoríase pré-existente e ulceração da mucosa.

como psoríase pré-existente e ulceração da mucosa. Figura 6 – porcentagem de articulações mais afetadas.

Figura 6 porcentagem de articulações mais afetadas. FONTE: Thiberville S-D. Chikungunya fever: a

clinical and virological investigation of outpatients on Reunion Island, South-West Indian Ocean. PLoS Negl Trop Dis. 2013;7(1):e2004.

12

12 Figura 7. Artrite crônica Induzida por CHIKV (parte inferior) é uma reminiscência da mais distinguível

Figura 7. Artrite crônica Induzida por CHIKV (parte inferior) é uma reminiscência da mais distinguível da artrite reumatóide canônica auto-imune (RA). Nas figuras A e B, está representado uma articulação com artrite reumatoide durante o CHIKV à esquerda, e pós CHIKV à direita. Em detalhe, RA tem fortes componentes imunes inatos e adaptativos (neutrófilos, CD4 e linfócito B / plasmócitos) para dirigir a resposta auto-imune. Ocorre também uma hiperplasia da membrana sinovial. O desenho à direita ilustra o paradigma que está emergindo na artrite pós-CHIKV. Células como os neutrófilos, linfócitos B e plasmócitos não estão envolvidas e poucas células T imunitárias estão presentes nas articulações afetadas. Curiosamente, CHIKV parece persistir em níveis baixos em fibroblastos e macrófagos. Na CHIKV também se observa macrófagos com grandes vacúolos presentes no fluido sinovial. FONTE: Chikungunya virus takes centre stage in virally induced arthritis: possible cellular and molecular mechanisms to pathogenesis. Microbes and Infection 11 (2009) 1206-1218.

Na figura 7 visualizamos um espassamento da membrana sinovial (camada de tecido conjuntivo coberta por células sinoviais que produzem o líquido sinovial, este é rico em ácido hialurônico, glicoproteínas e leucócitos) devido à proliferação (hiperplasia) e aumento (hipertrofia) das células sinoviais de revestimento.

13

13 Figura 8 – Coloração em HE com reação para imunoperoxidade indicando a presença do vírus

Figura 8 Coloração em HE com reação para imunoperoxidade indicando a presença do vírus (seta) da membrana sinovial de paciente 18 meses após a infecção por CHIKV.

FONTE: Felicity J Burt , Micheal S Rolph , Nestor E Rulli , Suresh Mahalingam , Mark T Heise Chikungunya: a re-emerging virus.The Lancet, Volume 379, Issue 9816, 2012, 662 671.

O

processo

proliferativo

da

membrana

sinovial

causa

erosão

da

cartilagem articular e destruição do osso subjacente.

da cartilagem articular e destruição do osso subjacente. Figura 9 - Artrite no idoso causado por

Figura 9 - Artrite no idoso causado por CHIKV. A. inflamação do periósteo (entesopatia) é claramente mostrada no raio-X no paciente idoso e é indicativo de reação de fibroblastos por infecção de CHIKV.

FONTE: M.C.Jaffar-Bandjee et al. Microbes and infection 11(2009) 1206-1218.

O periósteo no adulto, representado na figura 9, contém células inativas do tecido conjuntivo.

Após a fase aguda, alguns pacientes a experiência recidiva ou sintomas persistentes. Entre os sintomas declarados durante a fase tardia, artralgia ou dores músculo-esqueléticas foram as mais frequentes de longa duração.

14

14 Figura 10 – Manchas típicas causadas pela infecção por CHIKV. Manchas maculopapulares petéquias e eritroderme

Figura 10 Manchas típicas causadas pela infecção por CHIKV. Manchas maculopapulares petéquias e eritroderme nos braços (A), pernas (B) e pés (C). FONTE: Felicity J Burt , Micheal S Rolph ,

Nestor E Rulli , Suresh Mahalingam , Mark T Heise Chikungunya: a re-emerging virus.The Lancet, Volume 379, Issue 9816, 2012, 662 671.

As lesões cutâneas estão normalmente presentes durante a infecção aguda do CHIKV, afetando mais frequentemente do tronco, membros de um paciente, e face. A incidência varia, mas geralmente é relatado como afetando cerca de 50% de pacientes. A manifestação mais comum é uma mancha maculopapular nas pernas e braços dos pacientes que dura durante 2-3 dias (Figura 10), com prurido que acompanha erupção cutânea em alguns casos. Várias apresentações foram descritas, incluindo úlceras aftosas, lesões com descamação, e lesões de vasculite.

aftosas, lesões com descamação, e lesões de vasculite. Figura 11 – Homem de 48 anos com

Figura 11 Homem de 48 anos com CHIKV. (a) Máculas púrpuras.

(b) Vesículas e bolhas sobre as

máculas púrpuras.

(c) Hipopigmentação pós-

inflamatória.

(d) Histologia da pele lesionada mostrando bolhas pubepidérmicas, acantólise, queratinócitos necróticos, degeneração celular basal exocitose linfocítica e infiltrado linfocítico perivascular.

FONTE: Felicity J Burt , Micheal S Rolph , Nestor E Rulli , Suresh Mahalingam , Mark T Heise Chikungunya: a re-emerging virus.The Lancet, Volume 379, Issue 9816, 2012, 662 671.

15

15 Figura 12 – Amostras de tecidos humanos com imunomarcação para CHIKV. As setas mostram antígenos

Figura 12 Amostras de tecidos humanos com imunomarcação para CHIKV. As setas mostram antígenos virais em fibroblastos do epimísio de músculo esquelético (A), na derme (B) e na cápsula articular (C).

FONTE: Couderc, T., Lecuit M. (2009). Microbes and Infection. 11, 1197-1205.

T., Lecuit M. (2009). Microbes and Infection. 11, 1197-1205. Figura 13 – Imunocoloração de CHIKV em

Figura 13 Imunocoloração de CHIKV em criossecções tecido de IFN-A / bR - / - camundongos inoculados com CHIKV e sacrificados em infecção pós D3 (A e D). Os núcleos estão em azul (A, B, C e D) e lâmina basal (colágeno IV) (AEC) aparece em verde. Fibroblastos musculares, identificados por células não rodeados por uma lâmina basal, mostram forte imunocoloração para CHIKV no epimísio e endomísio do músculo esquelético (A). Os fibroblastos estão marcados para antígenos CHIKV na inserção miotendínea (B). (C) Fibroblastos corados para CHIKV na derme profunda e na cápsula articular (D).

FONTE: Couderc, T., Lecuit M.Microbes and Infection 11 (2009) 1197-1205.

Nas imagens 12 e 13 estão destacados os fibroblastos. Estes são células presentes no tecido conjuntivo. O epimísio (Fig. 12 a e Fig. 13 a), composto por tecido conjuntivo que circunda todo o músculo, e o endomísio

16

(Fig. 13 a e b), também composto por tecido conjuntivo que envolve cada fibra muscular, demarcam a presença do vírus nos fibroblastos.

muscular, demarcam a presença do vírus nos fibroblastos. Figura 14 – Acúmulo de proteínas em macrófagos

Figura 14 Acúmulo de proteínas em macrófagos 21 dias após a infecção por CHIKV.

FONTE: S.-D. Thiberville et al. / Antiviral Research 99 (2013) 345370

Os macrófagos, um dos principais componentes celulares do tecido conjuntivo, possuem propriedades fagocitárias e na figura 14, apresentam um acúmulo das proteínas mesmo após a infecção pelo vírus.

das proteínas mesmo após a infecção pelo vírus. Figura tropismo nos tecidos de SNC de camundongo
das proteínas mesmo após a infecção pelo vírus. Figura tropismo nos tecidos de SNC de camundongo

Figura

tropismo nos tecidos de SNC de camundongo inoculado com 20 p.f.u/cell sacrificados em D3 pós-infecção e imuno- marcação foram feitas secções de tecido cerebral. Núcleo aparece em azul, o CHIKV em

e

15

CHIKV

vermelho. FONTE: Couderc, T., Lecuit M. (2009). Microbes and Infection. 11, 1197-1205.

Figura 16 Na lâmina basal, o colágeno IV está marcado em púrpura. Células da lepto-meninge

(setas). FONTE: Couderc, T., Lecuit M. (2009). Microbes and Infection. 11, 1197-1205.

17

17 Figura 17 – Astrócitos em verde (marcador GFAP). Células ependimárias ( vermelho) mostram forte marcação

Figura 17 Astrócitos em verde (marcador GFAP). Células ependimárias ( vermelho) mostram forte marcação para CHIKV. FONTE:

Couderc, T., Lecuit M. (2009). Microbes and Infection. 11, 1197-1205.

Nas figuras 15, 16 e 17, vemos respectivamente o plexo coroide (epitélio simples cúbico que reveste os ventrículos encefálicos que produz o líquido cefaloraquidiano) de camundongo, as células da leptomeninge (camada fina de duas membranas pia máter e aracnóde que revestem o cérebro e a medula espinhal) e as células ependimárias (formam um epitélio cúbico simples que reveste as cavidades ventriculares do cérebro e o canal central da medula espinhal, o domínio basal destas está em contato com os processos dos astrócitos) demarcando a presença do CHIKV.

18

18 Figura 18 – Ressonância magnética do encéfalo de um recém-nascido (12 dias de vida) com

Figura 18 Ressonância magnética do encéfalo de um recém-nascido (12 dias de vida) com transmissão secundária encefalopatia de mãe para filho da infecção CHIKV no 7º dia após o início da doença. (a) A difusão de imagem ponderada:

sinais de hiperintensidade no corpo

caloso, subcortical e substância branca periventricular. A redução do coeficiente de difusão aparente é compatível com edema citotóxico.

(b) Petéquias e hematomas (lesões

nodulares) com hiperintensidade no frontal e subcortical periventricular substância branca occipitoparietal.

(c) Gradiente eco MRI: hematoma

subtentorial do hemisfério cerebelar esquerdo. (d) Hiperintensidade no subcortical e periventricular com a

matéria correspondente a áreas de hemorragia. Anomalias de MRI aparecem como área branca.

FONTE: Chikungunya fever: CNS infection and pathologies of a re-emerging arbovirus. Progress in Neurobiology 91 (2010) 121

129.

arbovirus. Progress in Neurobiology 91 (2010) 121 – 129. Figura 19 – Tomografia de recém-nascido com

Figura 19 Tomografia de recém-nascido com infecção no SNC por CHIKV. As setas mostram

áreas perivasculares com inflamação. FONTE: M.C.Jaffar-Bandjee et al. Microbes and infection 11(2009)

1206-1218.

19

19 Figura 20 – CHIKV infecção e replicação em astrócitos. As células foram infectadas durante 24-48

Figura 20 CHIKV infecção e replicação em astrócitos. As células foram infectadas durante 24-48 h com CHIKV. As células foram então duplamente coradas utilizando anticorpos contra CHIKV (verde), marcadores de astrócitos GFAP (vermelho). Cluster de neurônios embrionários de ratinho

foram fortemente coradas para CHIKV. FONTE: Chikungunya fever: CNS infection and pathologies of a re- emerging arbovirus. Progress in Neurobiology 91 (2010) 121129.

2.4 COMPLICAÇÕES DA FEBRE CHIKUNGUNYA Como não possui uma fase hemorrágica, a febre chicungunha costuma ser uma virose mais benigna que a dengue. O seu problema não costuma ser o risco de morte, mas sim o risco de incapacitação pelas intensas e prolongadas dores articulares. Porém, quando adquirida por bebês, pacientes com mais de 65 anos ou por pessoas já previamente com múltiplas doenças, principalmente de origem cardíaca, pulmonar ou neurológica, a febre chicungunha costuma ter uma evolução mais agressiva, podendo, inclusive, levar esses pacientes ao óbito. A taxa de mortalidade da febre chicungunha é 50 vezes maior nos idosos quando comparados a adultos com menos de 45 anos. Entre as complicações possíveis do CHIKV nesta população mais debilitada podemos citar: meningoencefalite, síndrome de Guillain-Barré, hepatite aguda, insuficiência renal aguda, surdez, lesão ocular, miocardite, pericardite e insuficiência respiratória.

2.4 DIAGNÓSTICO DA FEBRE CHIKUNGUNYA

Assim como na dengue, a febre chicungunha pode ser diagnosticada pela sorologia, que é um exame de sangue que consiste na pesquisa de anticorpos

20

contra o CHIKV. Os anticorpos do tipo IgM já podem ser identificados no sangue do paciente a partir do 5º ao 7º dia de sintomas. Uma forma mais rápida de diagnosticar a doença é através de uma exame chamado RT-PCR, que pesquisa a presença do material genético do vírus Chikungunya no sangue. Esse exame é mais caro, mas costuma ser capaz de diagnosticar a febre chicungunha já nos primeiros dias de doença. Nas análises de sangue comum, é habitual encontrarmos linfopenia (valores baixos de linfócitos), trombocitopenia (valores baixos de plaquetas) e alterações nas enzimas hepáticas (TGO e TGP).

2.5 TRATAMENTO DA FEBRE CHIKUNGUNYA

Tal como na dengue, não existe tratamento específico contra a febre chicungunha. Não há um medicamento que aja diretamente contra o vírus de modo a eliminá-lo do organismo mais rapidamente. A imensa maioria dos pacientes irá se curar de forma espontânea após cerca de 7 a 10 dias. O tratamento que se propõe, portanto, é apenas sintomático e de suporte. Para evitar a desidratação, que é muito comum, indica-se o consumo de 1,5 a 2,0 litros de água por dia. Para o controle da febre e das dores articulares, as drogas mais indicadas são o paracetamol e a dipirona. O uso de

anti-inflamatórios ou aspirina deve ser evitados na fase aguda, pois se o paciente, na verdade, tiver dengue em vez de febre chicungunha, esses medicamentos aumentam o risco de eventos hemorrágicos.

21

3. Considerações Finais

A partir das informações trazidas a este trabalho, podemos concluir que alcançamos o nosso objetivo em comprovar que o tecido conjuntivo é o tecido alvo de infecção para o vírus da febre chikungunya. Durante a inflamação o tecido afetado pelo vírus justifica a sintomatologia. Sendo caracterizada por febre, erupção cutânea e artrite severa, em casos mais graves podem ocorrer manifestações neurológicas. A doença é auto- limitada, mas uma parte dos pacientes sofre de uma artrite de longa duração semelhante à artrite reumatoide. Quanto que o tratamento é sintomático. Podemos perceber também, que mesmo após a infecção pelo CHIKV, o tecido ainda apresenta vestígios da inflamação.

22

4.

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Febre de chikungunya: manejo clínico / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Secretaria de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. 28p. : il.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Preparação e resposta à introdução do vírus chikungunya no Brasil / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. 100p. : il.

Felicity J Burt , Micheal S Rolph , Nestor E Rulli , Suresh Mahalingam , Mark T Heise Chikungunya: a re-emerging virus. The Lancet, 379. v9816. (2012). 662 671.

Marie Christine Jaffar-Bandjee, Trina Das, Jean Jacques Hoarau, Pascale Krejbich Trotot, Me´lanie Denizot, Anne Ribera, Pierre Roques, Philippe Gasque. Chikungunya virus takes centre stage in virally induced arthritis:

possible cellular and molecular mechanisms to pathogenesis. Microbes and Infection 11 (2009) 1206-1218.

Simon-Djamel Thiberville, Nanikaly Moyen, Laurence Dupuis-Maguiraga, Antoine Nougairede, Ernest A. Gould, Pierre Roques, Xavier de Lamballerie. Chikungunya fever: Epidemiology, clinical syndrome, pathogenesis and therapy. Antiviral Research 99 (2013) 345370.

Trina Das, Marie Christine Jaffar-Bandjee, Jean Jacques Hoarau, Pascale Krejbich Trotot, Melanie Denizot, Ghislaine Lee-Pat-Yuen, Renubala Sahoo, Pascale Guiraud, Duksha Ramful, Stephanie Robin, Jean Luc Alessandri, Bernard Alex Gauzere, Philippe Gasque. Chikungunya fever: CNS infection and pathologies of a re-emerging arbovirus. Progress in Neurobiology 91 (2010) 121129.

Yiu-Wing Kam, Edward K.S. Ong, Laurent Re´nia, Joo-Chuan Tong, Lisa F.P. Ng. Immuno-biology of Chikungunya and implications for disease intervention. Microbes and Infection 11 (2009) 1186-1196.

The´re`se Couderc, Marc Lecuit. Focus on Chikungunya pathophysiology in human and animal models. Microbes and Infection 11 (2009) 1197-1205.