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FUNDAMENTOS PARA A COMPREENSAO CONTEMPORANEA DA PSIQUI io Ly OS INTEGRANTES DA SEGUNDA GERAGAO DA ESCOLA DE aa ae 4 eee Te A PSICOLOGIA SOCIAL, FOCALIZAM 0 TEMA DO CONFLITO eee ANN IMPORTANCIA DO RECONHECIMENTO Oa - SEUS PARES Neda VAS} ON at r4 ene keane er Bae aN ee ere ae HRA) EDITORIAL Teoma crtica Hore sta edigao de Mente, Gérebro & Filosofia ~ 0 século XX aborda um processo ainda em andamento; a adaptagio da ‘Teoria Critica da chamada Escola de Frankfurt a8 condicées da sociedade contemporinea, A iniciativa coube a Jurgen Habermas, representante da “segunda geracio” frankfurtiana. Fle insistiu na necessidade de criar uma teoria da sociedade que apontasse ilo somente para as patologias da sociedade capitalista do século XX, mas também para as possihilidades de uma emancipagao humana nos moldes «da almejada pelo jovem Marx. Dessa perspectiva, Habermas viu, nas con- cepgoes de Freud, mais que um recurso conceitual para explicar atitudes autoritirias tipicas das sociedadles do capitalismo tardio, um paradigma metodol6gico de teoria essencialmente cxtica, leinira da psicanslise feita pelo filésofo enfatizou as dimensdes da auto-eflexio ¢ da lingua- gem e submeteu a uma critica impiedosa a chamada metapsicologia de Freud, marcada por elementos naturalisas. Com o tempo, porém, a énfase de Habermas na linguagem como fundamento de ages comunicativas expressdes de uma racionalicade ndo-instrumental ~ diluiu os lagos entre 4 teorla critica e as concepgées psicanalitcas ‘A “comecio de nimo” viria com a terceira geracio da Escola de Frankfurt, ¢ em especial com a obra de Axel Honneth, Ble retomou idéias € temas presentes nos textos dos pioneiros da ‘Teoria Critica e restabeleceu a cstratégiatedrica de entlagamento da teoria da sociedade com a psicans- lise. A critica aos mecanismos de pocler voltou a ocupar papel destacado, ao lado da luta pelo reconhecimento travada por determinadas categorias sociais. Apresentadas por Honneth como elemento central de uma teoria critica da sociedade, as reflexdes sobre os conflitos por reconhecimento social fundamentaram-se em textos do jovem Hegel © em pesquisas de representantes do pés-freudismo. Todos esses desdlobramentos, que se apékam na psicanilise, depois se distanciam dela para em seguida a retomarem, sto apresentados ao Ieitor ‘em artigos instigantes, escritos por especialistas. Sua leitura tomaré mais cen acessiveis os fen menos sociais deste inicio de século, um tempo ao qual 4 reivindicagio do discurso pelos setores sociais subordinados e a mobili zagio dessas camadas pelo reconhecimento despontam como instrumentos para a construgdo de uma sociedade mais justa CaRLos EpuaRDo Maros Editor de Mecte, Cérebra & Fosobi ~ 0 séevlo XX MENTE-CEREBROS FILOSOFI OMEND: Ara Cu Ferat Ute tse Mare Kah Tot sete come gxecur9o Jone Caer Ears at iit rnd Pane usucoAne Iniletiowrsinostamtictcrn TOP Lene ance DBEDVIWO DECONTAS Wate Fete ‘orcuLagko € waren ASSSTEYTES lara reso Fred) ERENT De NUTS Done Come SSSTENTE Ant ERENT LE ENDS ALS ‘He OSE ah Modis tus eos ‘eon (CqTRAL OE AEADIENTO 0 ASANTE RAS: (01) 3088-00 (tnsnertnBdtoeaeratcoms) NOWS ASSAATUAASueoasita dutta cor) DIGOES LSA E SPE odcensaeubasOeveedtnl comb) Eg SE 9T885 ans 00, itis com ciate partido BSL: NUP SA fs Dou Ki Sone 178. tne aot] 098-800 - pel se wt comte oro ti ek oso ts cnc poses. Inenessto ae rites mA RTOR RESPORSAVEL: Rite Mestar ANER IPP SUMARIO ete Perens ncaa HABERMAS LITO S8 Rar HoNnera EDITORIAL DE KOHLBERG O Aspe denies nas has A oie et 0 farisciatecirena oo ‘penas es patoogias do ‘ouenis ana bert oe ams mun cai, mas ¢ anal formas de deseo TMIANCIPAG AO, ESPERA facet a Pistia i PUBLICA E DIRATTO val mciact sa clea comand, ‘Ateria crten de flingen Becmactchedl Patera repress da aaa prea asain ec en ta Beola de Fran A4Oiwowivtie t Socios HON : Basado na poclegia soca! [NREIFICACAO de Goong Herbert Med, Honma etna conceo 2 6 sscsrme Ferro indian, de vefceo, orm nos JORGEN TADERMAS wa haen oecelone nes09 ens ma vlad Poralgum ope, fo ode consi de fare recto eli sce : ieeloc a eclenNe tina Btn de ida (2 rcleade cntempordnes 5 id pends autconscteiee meade (comp de iris hen jel eect 76 weconiveintsto 2 jaca 4Srxconntcinexro EPSICANALISE = Q4 vancemase EEMANCTPACAO {Bm sua verso da toria erica, a 1A METAPSICOLOGIA Faoe Renee we deel Honma efor : “A prepindi poeandie ingle deer stays ene pcan ¢ pascal na tinguagen ena peconbecimerin ga chave pera teria da soca, rao, i auc rts Cmpreonder a dindca das cavocericn de abortagen ved ptone relogbs edo compe socials dla clade renin esfera publica " e direito A teoria critica 0 fil6sofo insiste no + . ase comprometimento de Jiirgen Haberma cca earl orientada por uma praxis emancipatéria, baseada nas proprias lutas politico-democraticas empreendidas ow B6LIPK GoNgaIvES sitvA JORGEN HaneRwas £ TRATADO como o principal representante da chamada “segunda geragao” da teoria critica da sociedade. Vale dizer, como 0 filsofo que, por um lado, dedica-se & recepgo da heranga deixada pelos intelectuais ligados a0 Instituto de Pesquisa Social, em Frankfurt, em Fac envieee sua composicio primeira, anterior ao fechamen- Seip peso a ee to provocado pela ascensio. do nazismo, tais freinds Reece eo Oo como Adomo, Horkheimer, Fromm e Marcuse; ee ee eer €, por outre, como aquele que funda novas i since sil wives corceasasociaos a uma pris emancipate plea das por boa parte de uma geragio seguinte de 4 eto, presen em irs como ‘Muck etre da fr bla, Tora glo comune Dire ¢ Axel Honneth, Jean Cohen e Iris Young once bases para essa tradigao de per mento, assumi- autonis @ autores criticos como Seyla Benhabib, Com base na he sanga recebide, Habermas insise no comprometiment com um teoria social orientada por uma préxis cemancipatsra, Ente os eh legado mais fortemente assumicios pela _geragio seguinte, encontramos a defest ide que 0 contetido de uma tl p pode ser previamente fixado pela teori, ‘mas deve ser determinado pelas propsias Iutas politico demoeriticas historicamente ‘empreendidas. Nesse sentido, Habermas € apresentado como © responsivel por uuma nova conducio da teoria erica em regio ao pensamento democritico. OBSESSAO Desde a public tural da efor pli, ex 1962, 0 terna glo de Mudanca este dda esfera piiblica nunca mais sai das preccupagtes de Habermas: ‘A esfera ppaiblica como um espago de wocas comu- ricativas racionais € o tema que me prec ‘eupou durante toca minha vida. A trade cconceintal de ‘esfera publica, ‘discurso’ € ‘radio, de fato, dominow meu trabalto como ‘aeadémico © minha vida politic, Uma obsessio como essa $6 pode ter Habermas observa que a linguagem nao €0 espelho do mundo, mas oferece acesso ao mundo raives biogrdtica. (Habermas, Zuischert Naturalismstend Religion. Pileaophiscle Aujfiatze, pig. 16) Com 0 awor esereve fem um de seus simos trabalhos, entre cos elementos de sua vide pessoal que mais fortemente marcam essa “obsessto" com una esfora de comunicagao livre d conisuan-se as debilides de comunica@o oriundas de uma mi-for- smacio congeeuta (fissura labiopalara, as cexperigneias antidemocriticas do nazismo © © longo processo de elemocratizacio lena do psguer, ara Habermas, as falas sa comuni- cago derivadas de seu “Libio leporino” & 18 experlénclas de rjeiclo q panhavam teram deste muito cede dire cionado sua atencio para © papel fun damental cumprido pela cormunicacio lings nos processes de socaliza Por inter individual édio de per 0 SECULO XX — CIENCIA eau, te retress ‘orpurculr do fu composts Sepals Some re aura. 1908 fo ynicavas malsucedk 4 comunicagao lingUistiea teria se expli- eitado como um meio compartilhado de sociallzagio com o qual apenas se eexpressa, mas também se consti sim: bolicamente a realidad objetiva. “A lin- -quagem mo € 0 espelho do mundo, mas nos oferece acesso a0 munca, Com ss, ela sempre orienia nosso olar sobre 0 mundo de una mancira|é determinada ela se encontra insciito algo como tuma visio de mundo.” (dem, pie, 20) aboragao Mesmo no que se refere dos sentimentos mais peswoais € exci- tagoes intimas, a consciéncia individal também seria constinuida por redes de ccategorias, pensamentos © signficados tuocados.intersubjetivamente. Segundo Habermas, esse pano de fondo origi niirio que adquisimos ao fazer parte de uuma Comunidade lingdisica especiica nto é fixido de uma vez por todas: Podemos sempre revisar o signi de predicados ou de conceit a luz das cexperiéncias que tivemos por seu inter médio". Pontanio, por meio da propria linguagem, encontariamos a possibili 1915 | ade de problematizar © 11 ia nga simbélica em melo 8 qusl somos rianios aprend ‘em nosso tato com o mundo ou quando discutimos sobre ele, Uma tal possibil dade, entretanto, estasia sempre sujeit 1clferentes tpos de bloquelos, os quais m muito aqueles derivados de debilidades fisicas de cariter pessoal blog! principalmente por duas experi. superam A percepsto de bord cas que revelam as dimensdes alargacks E de sua faceta politica, Em primeiro lugar 30 tera Jevado As uitimas conse ficialmente extados por um pode $ tino, Nee, alive circ de argume apenas por meio. de Bloqueids nae uum “fechamento. cultural” que impede submissio de um universo simbdlico 8s ransformadores prove nientes de dento ou de fora, ms tame pela elimi comunidad linglstica pc inago criminose de ist pate da meio de assas sinatos administativamente onganizados Em segond higar longo e tomas po leaner Femina ascot a pantie HABERMAS DISCURSA 20 ser Rorsenageado em Frankfurt, em 2001, peas edtres a Alma sma do pos ceo de redemocratizaglo a goema teria mostrado a impossialic implementa tiea langando mo apenas de mudangas instticionais. As cifculdades em superar de uma democracia autem a heranga autonria do nazismo, expres ss ma teconéacia com que olism, © aniisemissmo € as exigencias de unk dade cultunl subsantiva tomavam parte cdo ambiente poliico-insttucional alemio, teriam revelado a necessidade de direcio- locas | rane lor |e cae 2s condigdes de tansformagto da cultura politica formagio pablica da vontade crtica da_sociedade incusiva me ofereccu uma p pode avaliar (9 a8 tentativas malsice- dus de estabelecimento da, democrac ectva pela qual ria Alemanba num contexto mais ampk mizagio social, No final dos anos $0, 2 cultura politica nao havia sik estabelecida firmemente entre nds, Nao cera certo que os principios de uma orcem democritica que bavia sido imposta de fora podetiam ser enraizados nas corigies fe mas mentes cos cidados alemies.F era fevidente que uma tal mudanga na me Iidade poltce mio podera acontecer no Isolamento ou ser conduzida por meios adkinisativos. Apenas uma forma vibran- te © possivel de formacao discursiva db ‘opinito pblica podera levar adiance um. tal processo.” idem, pig, 25) Ao pretender inscrever sua obra. no Interior da “teoria cxica da socieds- de’, Habermas compromete-se com 0 desenvolvimento de uma erica social jimanente, orientada por potenciais de cemancipagio contides na propria realida de unalisada, Quer dizer: 0 tipo de teoria joi condurida no se limita 2 descrigio da rotita de fancionamento das cesruturs © relagoes sociais observadas, mas busca submeté-las a uma reflexio avaliaiva, Esa avaliagio, entretanto, no se pauta em modelos de sociedade “ut pos’ ou “idealstas, impostas 2 socic~ dade como que “de fora", mas sim em 10 MENTE, C#RERRO ¢ FILOSOFIA Habermas vé 0 "mundo da vida" ser invadido pela l6gica instrumental da economia e da burocracia ppossibilidades de emancipagao inscrta, ainda que em germe, na propria rea ‘dade observada, Assim, a perspectiva da ‘emancipacio no € assumida como um ideal” vislumbrado pelo teérico, mas sim como ma possbilidade real, obrigando a teoria 2 se pautar em dlagnésticos do tempo presente capazes de descortinar tendéncias do desenvolvimento histérico 4 serem delineadas coma potenciais blo- queios a emaneipacio. COLONIZAGAO PELO SISTEMA Gom essay comsidegbes inks, i go. petebe. qe. Hebron precisa Pe peensio de “emancipaclo soc, em Como com sua inscigio na relktde das sodlededes contemporincas. Dade Thorta da gto comunicatio, bl 18 cada em @ emancipagao social passa a ser delineada em ternos de aproveitamento dos potenciais comu- nicativas liberados na_modernidade. Para Habermas, a8 sociedades modernas seriam marcadas pelo ¢ ‘das autoridades religion fe por uma crescente pluralizagio das for cclturais, permitindo 2 bbe: ragao de potenciais comunicativos antes bloqueados pelas garantias do “sagrado™ pela forga normativa do costume, A pair de entio, @ reproduglo do saber te6xico, das normas sociais e das mani festagdes este set submetidas a processos crescentes de reflexao e cilica, cujas pretensties de validade, para serem comprovadas, pre~ ccisim contar com a aceitagto racional- mente motivada de todos os envolvides Vale dizer, com © enfraquecimento de autoridades que detinham © monopélio de interpretacio sobre aquilo considera- 3 do “verdadeio pretensoes de validade passim a poder ser assumidas apenas como o resultado, dos melhores argumentos apresentados ico-expressivas passam a fem discussos isentos de coergdes. 8 ‘LHS DO SILENCED ed ‘encontra-se seit uma vs £ claro que uma tal a “modemidade soci lizagdes fortes ligadas as condigoes ¢ possbilidades de um t Habermas, entreanto, essas ideal discusso. Pa if se encontram inscritas em todo discur $0 cotidiano volado ao entendiment: toda ver que interiocutores proc se entender sobre lgo no mundo ou quesionam « conegio de uma norma de ago, eles ineviavelmente utilizam ‘pressupostos idealizantes ligidos a uma pmunicagio sem entraves, cOmO, por exemplo, 0 pressuposto de que as pal vris € 08 enunciados utiizados tém os rmesmos significadas para as pares eo de que entze elas nto existem desigualdades ¢ relagbes de poder que impecam 6 livre fluxo de argumenos, Part Habermas embora eS6e8 preSSupOstas tedidos “ideais’, “contafaticos’, eles px csam ser assumidos em toda eomunic lo real, jd que compoern as condlicoes nnecessifias a todo ato de fala; vale dizer todos aqueles que apresentam argu rmentes numa interaglo comunicativa pressupdem, ainda que implicitamente 8 posibiidade de um entendimento linge pau mento, Segundo © auto 130 no livre convenc ‘esse tipo de ‘comunicagao sem (rm raves no apenas possibilia dar inicio a processos de entendimento e aprend como também permite que eventuais age social NOVOS HORIZONTES discorgoes comuntcaivas enconadas em tals processos possam ser constatadas © aiticadas pelos prépris falantes. Para Haberms, uma teoria. social que se wola aos potenciais de reflexio € cca imersos nas interagbes linguisticas cotidianas vé-se imbuida da tarefa de cexpliciar as exigéncias inesgotiveis de ma comunicagao isenta de coergbes fem diferentes Ambitos da ida. socal, Principals entraves, F nese segundo pponto que ele nos fala de uma tendéneia de *colonizacto do mureio da vida pelo sistema’, quer dizer, de uma tenlénecia sbservada nas sociedades capitalists tar dias de terem suas esferss simbélict Croundo da vida") invades pela Kbgica instrumental da economia © do poder auministative Csistema’). Bssa reprodiiio fnvasto € apresentada nos termos de luma “monetartzagio" e hurocratizacio" crescentes da vida social, segundo as {quais as relagdes interpessoais.passam a ser coordenadas io pelo entend meato reciproco dos panieipantes, mas tes lings. do dinheiro e do pelos meios padronizs mente empobrec controle burocritico. Como efeitos ca colonizagio sistémica, Habermas apre senta diferentes formas de patologias da comunicagio, descritas como “pera de sentido” (incapacidade de interioizar c imterrelacionar as manfestagbes cult ‘Enbora Sirgen Habermas abermas considera que, comunicago lingistica Para o autor de Teoria da {anna enraqueido os lagos tanto nas cincis rcas _—_sstomalicamentecstorcta. ago comunicativa, eve- cenire a teria rica da quanto na pica, a Outro aspecte de inteesse se descararonaturalismo socodade a picandlise, _esutura da inquagem ea reside naleitura habermasiana freuiana eiterprtar 0 ‘ceractarisions da primeira auto-efleo desempenham dos esfrgos trios de _—projtopsicanaftico como ceragdo da Escola de Frankiur, papel central. lém disso, a Freud, Habermas arta tum esforeo, baseado na iris aspectosaconslnam nica analica ea ciéncia sobre o isooo de uma auto reflex, para tomar viamente aleitura de suas social que se estutura como compreensio poivista __—_constinteoinconscente, Obras por todos 0 interessados crea da ieologia dam com motvada peo préprio Osinteressados em ‘es estidos do psiquismo. mesmo bjeto em panos. criador da psicanise por psiclagiaepsicandlise ‘Acomecar elo ato de que, diferentes, ndvdualecoatie, exemple, por sua preocupagio ‘alex vsumbrassem por agum tempo, ele vu na mas intrigados: neuroses em descrever oaparelho novos horizons, a0 Peicandlseoprpro paradigms inviduois einstiuigdes_—psiquca mecaricamenta, _percorrero caminho e uma teria erica ‘socials dependem de uma como dstrbuiglo do enorgia. _apontado por Habermas, . FoRMAcho DO INDIVIDUO E SOCIALIZAGAO 17 CRONOLOGIA 1929 Nascatasro De Jona Haoious £4 DUSSDORF 1949 Desewvcuve #810908 De Gomscex, Zomoce £ Bow, (QU Se ESTENDEW AT 1954 10986 £ coneaDyo0 rom TasoDon AO UE INIRCR ATE 1958. 1961 Pemwen Bownavme« poumcs Dabs na UNVERSDADE Pouch Menusea meri be Hani 1964 As 4 canema be soaOLOGA z mowona ba Urovesiaoe Jonas Wourcave Gost bs asa, ANTS OCUEND FOR Homies 1968 Lasca Covarcreco eran Dk xcs b Nowa Yous, ni New Scio rom Soca estan, 1971 Asse Diao 9 IssnriTe Max Puincx, Nt Bevan 1976 Purmca Para ascosincto 1981 Lea Tres a0 1983 Reasee 4 canna a ‘asonog Jouass Wourcans INSMTUTO De PASQUSA SOCAL PuRuca, CONSENT OR O88 Lasca Pensauenro Peace Die # occu 24 Arasext-s Dn UNWESDADE 2001 Peauca O remix ne 0 direito presta servigos tanto aos individuos livres quanto aos sistemas ras), anomia social” (perda de validade das normas sociais) © novos tipos de psi ccopatologias (bloqueios & capacidade de socializagao dos individuos) ~ além de diversas formas de reificarto, segundo as quals 05 sujitos So tomados entre st ‘como simples meios para @ persecuco de fins egoistas. Contra a tendéncia ce colonizaglo sistémica, Habermas apon- ta na Teoria da agdo comunicativa 2 proliferagao de-movimer estudantil,ecoldgico e de minorias én: ‘as; eles estariam ocupados com a tarefa defensiva de impedir © avango da légica sistémica em direglo ao mundo da vida, preservande formas de interago com: nicuvamente reguladas. Desa mancin, © modelo critica hhabermasiano pretende deslocar de sua perspectiva emancipatdria « assuncio de {qualquer padrio substantivo de socied de jus ou viruosa, comprometendo: se com a investigagio das condigbes comunicativas necessirias para que os proprios envolvides possum decidir acer ca de sua vida mediate processos de 808 socials de centendimenta livres dle coergties. A 160 fa erica, portanto, mio assume aqui o contetkio” daquelas solugdes histOricas prodhuzir formas de vida emancipadas, ‘que poderiam ser realizadas por meio de uma revolugio; ela confia tas decisdes 4 uina prixis comunicativa constante de swjekos histérica e socialmente enraiza os, cujas resultados = faliveis e sem- [Pre modificdveis pretendem expressar acordos aleangados entre si por meio do livre convencimento. AMBIVALENCIA DO DIREITO Dsl Dirt democracta, publicado em 1992, essa compreen substancialzadi” de emancipacio social cenconra seu nileo normativ na preten- Sio de ‘ato-organizarao democritica de tuna comunidad jude”, qual expres sia expecatva de uma auo-reguliclo eficente por meio de. procecimentos 10 discussiva e “des- deliberative decisrias mdicalmente incl vos. O proceslimento jurkdicn-democrti- co exigiri, em sua compreensio ampla, nllo aperas a distrbuiglo das lberdades politieas © a eriagio das estntaras inst Tucionais a pemnitiem que as opinioes, tematizagbes e questionamientos de todos 8 envolvides posum ser apreseniados fem fgualdade de condigoes nos pro- cessos formas de geragio da vontade coletiva, também seri preeiso que as contribuighes partculares af apresentadas possam ser consideradis autonomamente procuridas, exigindo, pois, a disribuicio Sguabitiia "de iberdades individuais de acho e de condigdes mate das entre todos Por outro lado, por expressar s resultados segundo a forma coercitiva do dete positive, a auto-organiza- Ws adequse- EL GRECO, Retrata do um cardeal, 1000, Personificagde de uma autoriade ‘raailonal coda ver mals questionada eto democxit apenas pprocessas de formacio da opinito e da vontade, cenvolve nto. mas também decisbes de carlter obrigatGrin, Desse modo, os ps cessos juridico-democriticos alimentam a expectativa de transformar 0 poder ‘comuinicativo gerado ras bases sociais do mundo da vida em imperativos zes diante no apenas de seus cidadios- Ldestnatirios, como também dos sistemas econmico € politica, Com isso, a prisis comunicativa, que no Ambito da Teoria da agi comnsnicatiow podia apenas coferecer resistencia 2 expanslo da ldgica ‘sstémica, passa a ser considerada capa de agir sobre o funcionamento clos sist mas insrumentais Ge acto por meio das insicuigbes juridico- jetividade culturalmente constituidas. Por mais que busquer hhoronte particular em que se apre- senta © objeto simbdlico a ser interpre tado, as chamadas cigncias do espirite cescolhem seus padtdes de interpretacio ‘com base na situacio em que realmente se encontrum, também com 9 objetivo de compreendé-la, permitindo assim uma comunicacao entre tempos histori cos diferentes ¢ uma autocompreensio ccultural mais arpa AAs cidncias socials ericas. buscam, 0 as cléncias empiricoanaltica, pro duzic um saber nomolégieo, um sabe sobre regularidacles empiricas, mas, akém disso, esforgam-se por examinar relagbes de dependéncia iMleoldgica que sto em principio akerveis, de modo que o saber assim produzido desencadeie nos sujitos afetados um processo dle rellexio e auto: reflexio, E essa, em links gers, pre cevtica da ideologia © da psicanslise Nas ciéncias enitiess, © interesse pela emancipacio revelz-se no conceito de auio-rellexdo, F na reflexto que © sijelo faz sobre Si mesmo i respeite de representagdes_injustificiveis que se descobre o momento do interesse A mesmo tempo, fesse interesse fundamenta-se_ a priori pela emancipagio, na estrutura da linguagem: com el 2 maioridade € posta pet ns, com a primeira proposicio, a intengio de dz mitico de ‘Conhecimento ¢ inleresse neni io progri- chamado de hermas em um ens 965, tambet do conhecimente dimensdes do tabalho (interes nico) e da interaedo Cinteresse pritico & base © emancipatério>, que forma dla hist6ria natural da espécie human: © nas quais ocome seu provesso de formagio, ‘Trabalho © interagio por meio da linguagem sio as condicoes das quuais a espécie humana se desen dle soxializagio de valve. Os cada ser humana tem de passar por cessas dimensdes, Ainda que as formas concreias de tabla e de ink madifiquem © se diferenciem a cada etapa de processo formative da espé- interna nos provessos de dominagio da ratureza, de um lada, € nos prt de organizagio da sociedade, de outro LUTA POR RECONHECIMENTO. Os processos de trabalho © de inte ago também se_implicam podem scr simplesmente reduzidos uns aos outros, A divisio. social do trae. Iho supoe le dominac’ que se busca legitimae em visoes de mundo, Por sua vez a legitimagoes da organizagio do poder rmolifeades nas esiruturas do trabalho, téenieas, O importante, para Habertas, 8 lutas © 08 contlitos socials, que possam ser motivados pela que Histribuigde. desig. duzidas, nie podem ser corretamente inerpretados apenas com base na como lutas por recunhiecimento. social reportando-se as idgias morais e polit cas que legitimavam a distibuigio des gual de poder. Ou seja, desenvolvem-se ra esfera da interscto que 36 € possivel por meio da socializagao linghistica ANAGAO BO INDIVIBUO E SOCIALIZAGAO 79 HABERMAS ‘TRABALHO NO CAMPO, ministre redo. ora era entca na dio social dotrablbouma determina rela ay aes reals (Se doninagdo, que se busca oglimar en ses de mundo Enquanto as esferas do ubalho se constituem por uma interligagi densa de agbes instrumentals, isto é, agdes vol: tadas para a realizacao de determinados fias, nas quais importa a escolha ade- quada de meios, as esteras da interago Constituem-se como um tecido de agbes Ccomunicativas, isto , agdes em que os sujeltos buscam orientar sua aclo por conviegbes ou consensos relativamente ccompartihados. O que motiva alteragdes ra configuragio da interago socal S80 as exigneias intemas da linguagem, fenguanto meio para obter consensos. (Ou sejt, a linguagem pressupoe condi- ‘Goes ce liberdade e igualdade entre os falanes que no mais das vezes sto saio- ‘cadas pelas configuragtes historicamente determinadas. Se com cada proposiclo se express a intengio de uma vida emancipada, com ela surge, diante da no. satis fagio dessa exigéncia, uma reflexto sobre as condigdes dadas_de_inters gio social e uma auco-refleo dos sujeltos a respeito de seu processo de formagio, Naturalmente, © potencial femancipatério © cxtico da linguagem 86 pode aumentar quando na evolugio ca espécie as visdes religiosas © metali- sicas do mundo perdem sua forga, ¢ a5 interagdes socials passam a depender irctamente de obtengdes de consensos aparentemente no-coercitivas. Ou seja, 20 MENTE, CfRENRO & FiLoSOrIA quando se chegs as sociedades capita listas modernas, nas quais as ideologias burguesas de igualdade e liberdade desempenham 0 papel de legitimagio da ordem existent PARADIGMA PSICANALITICO ‘AS mizdes que levam Habermas a des- tacar a psicanaise como paradigma de ciéacia essencialmente erica dever-se 2 pos reflexio ede lingua a tecnica ana- lkea. a parr da relagio cerapéatia, da relagto imersubjeva entre analita fe amalisando que € preciso reconstuit 6s eaforgos tednccs de Freud, evtando ‘uma compreensto positivist motvada pelo proprio crsdor da psicandlise, iso é por seus intentos de descrever © apurelho. psiguico seja mecanic mente como disidbuigio de ener, sea estrtural © funcionalmente como formado de ts insncisstopica: x0, ide superego, © conhecimento.psica- nallico tem de ser interpretado, segun do Habermas, como um conhecimento aque comega, desenvolve-se termina fia auto-ellexao, no esforgo de tomar consciente o inconscente (© pano de fundo dessa interpretagio da pstanalise, em grande media insp- rada pelos wubalhos tedricos de Alfie Lonenzer, &constituide pelo papel-chave atbuide & linguagem, seja na Formagio central das eategorias de auto- dos descjos inconsciente gio analiies mesma, seja como uma forma especial de interpretacio. No iltimo aspecto, a psicindlise integra um procedimento proprio das ciénciashermentuticas. Desde 0 inicio cla esti remetida a uma hermen€uti profunda, a um wabalho de interprets S80 que tem paralelos com a exegese de textos antigos que foram adulterados © mutilados. Mas enquanto 0 fildlogo procura suprir as lacunas ou comrgir as dlistorgbes por meio de uma compree io das intengbes do autor, & luz de seu hhorizonte cultura, a hermenéutica ps ccanalitica busca compreender © porque chs lacunas e distorgdes de um texto fem um campo nao-iniencional. F nesse sentido a psicandlise também integra procedimentos das ciéncias empirico analiticas, ela também pretende estabe- lever relagdes causais, ainda que a cau salidade, na prdem dos sintomas, seja 0 objeto da terapia, aquilo que preciso superar como forga causal INTERPRETE DE SONHOS Na intexpretagdo psicanaltica, 08 cex- tos ~ isto €, as falas, comportamentos de agio e expressbes corporais - sto constiuidos pelos auto-enganos de seu autos, Eles slo pereepuveis mas per turbagées de jogos de linguagem mais fou menos habitus, em que hi uma ‘erroouedo A linguagem ea auto-reflexao ocupam uma a enw 0 que & expres posicao central Interpretar © explicar Hla resutta de samente dito e as agdes e expresses uma limitagdo da comunicagao publica, relativa coe! extraverbais. Os atos falhos so repre: na tecnica imposta por relagbes de dominagio, Na seastier ie pemaiage os cate i Osh iq cocuapesaspe fonno taste, OF ntact analitica ‘Eades rue patont wana aa ae ope on ore pg sel rap nme Sate sateen Sesser me ain de ples eles Dee vac Coomen soeniee mum alandingieceMsliecal qecnionder” nosis Veeet sees cosas ee ca tcao ncompreenstel Hanne Ge hecauledas nigel Commies plea ahead ‘O modelo normal de um tal texto dis. tivas sejam tematizacas publicamente. a comunicaglo consigo mesmo. Ele torcido e incompreensivel para 0 autor € © recalque equivale a uma exclusao da nao consegue compreender seus pro- ‘© sonho, diante do qual 0 analista deve comunicagio piblica de necessidades prios textos e, com iss0, suas prOprias cexercer uma atiude de lntérprete. Ele fundamentals, nto sancionadas pelas necessidades. Porem, uma falsa comu- deve buscar © pensamento onitico que insttuigoes das interages socials, ricagio pUblica ji indica processos foi transformado em contedo oniri Desa mancira ot descjos incons- de privatizaglo da esfera piblica em ‘co simbolico, descobrindo os mecanis- cientes si os simbolos banidos da grande escala. A privatizaclo psiquica mos de resisténcia que provocaram essa comunicaglo paiblica, que encontram corresponde a uma privatizagio social ‘wansformagao € que atuam também nas no sonho uma linguagem apropriada, que se choca com as pr6pri dificuldades do analisanco de fizer asso- mas privatizada por vedar 4 comuni- ras lingUlsticas. Dat que o a ciagbes, motivadas pelo analista, entre os cago intersubjetiva. Na vida desperta, apenas precisa desprivatizar a lingua- Ccontetidas dos sonhos ¢ das falas com- essa linguagem privatizada manifest-se gem do analisendo, mas também desli- plementares a rospeito deles, ‘como simbolos incompreensiveis que mitar disearso pablieo em que aquela (Os textos oniricos © 08 auto-enganos perturbam os jogos de linguagem coti- pode ser compreendida, lista no | docmteeteamn plcncmcnians Ginis eke! wrmuiescn como oi = 3 de resistencia e recalque, uma lingua- tomas, como formas substitutivas para AUTO-REFLEXAO. = gem simbdlica que Habermas entende a satisfiacio de desejos recalcados e 20 Habermas interpreta entao a técnica 2 como o resultado de uma privatiza- mesmo tempo expresses das sangdes _analfica como um prooesso de esclare- 2 Gao da linguagem publica, A insdn- operadas pela instinia de defesa._cimento e de crtca da ideologia. Nao 3 Gia poquct defensive, representando tal prvatlzagho da linguagem que se tata apenas de esclarccero analisan- Ef repressio social, impede que deter 0 hermenevia psicanalico procura do sobre'0.que ele nfo sabe a respeito A MOT la de Fernand Woe, 1200.0 psicanaista deve ata como npele de snos wetness FORMACAO DO INDIVIDU F SOCIALIZACAO 27 de si mesmo, mas de mostrar como € por que ele nio sabe, ou seja, por que a Jnformagio sobre si mesmo lhe & veda dda por ele mesmo sistematicamente Por isso uata'se de um: sno apenas na dimensio também afetiva, Para esse processo de esclarecimento wahalho intelectual entre analisa e analisando € preciso haver uma divisto de Enguanto © métieo reconav6) a histria de vida do paciente fundamentando-se em seats texas fragmentirios, como se fosse tum arquediogo dante de vestigios pré-his- tériens, © paciente se recorda, rememors seu pasado, Reconstrugo hipowtica & rememenicio Sto dois aspecias de um sresmo proceso rellexwo. Mas somente a recordagto do paciente pode compro= var, em tina insncia, a petinénes da recenstnagio do analist. Tal diviio de teabalho também ocorre na forma cle uma hata, verfcada nos fendmenos de rencis. Também esse conflto, que a 1 stuag0 anaiea os motivo do A cisio da vida psiquica precisa ser dolorosa, para 0 paciente ter interesse em supera-la ‘como par a rememonao do pacente (© poder erica do saber analtice se realizaria na dissolucto de atitudles dogmaticas que cindem a vida psiquiea do paciente. Mas esse poder 56 € ef nna medida em que essa cisio sentida como dor. Habermas fala de uma “pai xo da critica” como condigo de toda analtica, Sem 0 pressuposto da dor, do. sofriments superick ‘Outro pressuposto da siuaclo anal ca, vinculada a “painto da exten’, € rs ‘ponsabilidade com a propria doenca, com (© reprimido © o snconscente, Habermas interpre ess responsabiidade em um sentido dio, nos termos oa dnktica da cetiidade de Hegel. Neka esth em jogo a ceausilidade do. destino prevocido por lum ato criminoso que rompe a simesria de celagdes intersubjetivas medidas pela xguagers. Na dor dk cpa assim susie «0 criminoso € levado a perceber que; se aliena 20 alienar a vida do out simesmo, pos sua identidade se consti por relagdes de roconbecimento com 0 ‘outro, Algo semelhante Habermas erxeqga ra sesponsibilidade pelo reprimido. O ego precist reconhever em seu cutro 0 eu proprio alienado, identificando-se com ele, Sem essa responsabidade como reconbe- > eimento de si mesmo em seu outro, nZ0 se poderia entender nem efetvar a tenict analtica como auto-reflesao, Todos esses aspectos da situagio ¢ dda técnica analitica s30 (or premissas para defender a tese de que 1 psicandlise € a cincia da auto-refle- io, Fla tem por objeto uma comuni- distorcida, com ‘efeitos patoldgicos recorrentes. Porém, interior dessa comunicagac ais distorcida que seja, que se encon- tua o impulso ‘ mesmo a linguagem privatizada se sua superagio, reporta ainda a linguagem piblica. 3 uma espécie de iva O FUTURO DE UM PROGRAMA Emsua interpretaclo de Freud, Habermas considera que Ihe falta uma teoria adequada da linguagem. No entanto, 0 Proprio Alsofo ainda nao dispunha de uuma tal teoria em Gonbecimento ¢ inte- passa a elaborar, haseado na teoria dos ntos de fila, uma concepeo pragenitica dda linguagem que poderia fundamentar © potencial emancipatério atrbuide a cla, com a qual desenvolve uma teoria da ‘aedo comunicativa, que se toma a ect fundamental de suas explicagdes socioligicas filos6 Neste momento, isto é, desde 08 anos 70,0 programa inleiro de Conbecimento @ inleresse parece completamente aban- donado. A psicandlise j4 nio desponta ‘como paradigmética nem metodoligi- cca nem teoricamente. Porém Habermas nunca negou de maneira explicita sua interpretagio de Pred. As mizdes desse afastameato referen-se menos a tal inter retaglo do que a0 programa inteiro de Combecimento ¢ interes, Ow se, ‘dein de fundamentar a teorta entiea no quadro de uma teoria do conhecimento, A concepeio sobre 0 nexo intemo entre conhecimenio e fnteresse apresenton proble nuto-aplicagto. Ou set, & que interesse cla se ligava em um plano prévio, se m0 eria nem a um interesse ‘Gentoo, was tio logo encontrava uma hem pritico, nem emancipatério? Mais enfaticamente, Habermas pas- sou a considerar que uma fondament «do no aivel da teoria do conhecimen fo era uma via indireta dispensive Na _medida em que a agio com nicaliva se torna 0 fundamento de sua teoria social, 08 padres normati vyos da critica e'0 potencial de trans formagao imanente 4 realidade j4 se cencontram dados no ambio des obje- tos que se pretende analisa Em parilelo com isso, le ambém desenha um diagndstico ‘mais preciso das socledades do capitalismo rardio € de suas patologias. Estas se devem a ee maodernas tipicas sho © resultado da expansao do sistema economico capita- lista ¢ do sistema buroctitico moderne pam além dos ambitos em que cles rlogias {WOMAS GAMSBOROUGH, As fas do plat perseauno uma ortteta. Segundo Habermas, os sistemas ‘ir pir invader parte cede anomeric david quench a eacoes famitars ee azote deseavolvem originalmente — isto (© Ambito da reprodugio material -, de modo que esses sistemas invadem [lnvennod ia pb Data elisa red eS rls OTICVINP) outros Ambitos da sociedad, cujas for- —rukend nse Fandane ep) Aion, mus de reproducio nto podem ser subs fdas sem causar patologias crises. (hp, 205) eles ‘econémi- dapoomtnlaiy er song 85,206 Tas ‘eyes flora canoe = aber en > 0, camado por Habermas de sisema ‘Nasselade pr earteca dinheieo, e sistema estatal-burocsitico, dea ibems lie Fens 00). chamado de sistema poder, invadem aquela parte da sociedde denominada mundo da vida", ito &,a esfera privada RM e nS da fami, das relagdes de amizade © de izinhangt e a esfera publica constituida de insitulgdes © discussbes cultunuis e politcas. A Isgica prdpria de reprodugao do mundo da vida ¢ definida entdo pela racionalidade comuniativa Nesie comexto, a8 neuroses tipi studies por Freud fi mo desempe ‘aham um papel significative. Mas, por outro lado, idéia bisice continua a ser praticamente a mesma: as parole its socinis, entee as quais as psiquics, Sempre se reportam a ums distorgao de corigom externa com repercussdes. na cetrutust interna da Tinguagem, @ ‘0 PONTO De PARTIOA = Conhecimeniaeinfreso. gen Haba, ‘nest ce Fane Os Perse 0 MA Cute 875. (ESSENCIAL DO AUTOR ‘= Conecimentoe inieesse. Jigen Habermas ge Ze, 182 ‘Consciéncla morale agi comico. “gan Habarmas Tempo Base, 003 ‘Tora e le accion comuniete iran Habermas Taurus, 187 PARA IR MAS LOWE Tora cron #psicandiio. ir ouane. Temps Basie, 186s ron css seo nd da jehel Haat, op de ced Habermas e a A proposta de uma psicandlise livre do positivismo ® Habermas considera que a psicandlise pode oferecer parametros para uma disciplina que tenha a auto-reflexaio metédica como caracteristica maior EM SiNTES! 0 argo focal alguns specs da rca POR NEY ARANCO DE MIRANDA cenprendda por Habermas rRANALHO DE HABERWAS pode ser inserido As concepdes de Fred, feed oem na linhagem das anélises que consolida- pee eres. ram aquilo que ficou conhecido como a formulagies do eradoe da psicanlise.fabordad, teoria critica da sociedade. Sabe-se que os em para propsta habermasins da conigasdo deuna na meupsioga —-—samento freqientemente discordam entre le do postsmo,baseada ua herent ao rela que lev em ont, intérprete importante como o americano os parimetos da inguger a intra, Apiando-se ras conepes do pscamlisa obra le Habermas, pode atestar esse fato Are Lorenz, 0 fsa trabalhos dessa variada corrente de pen- si, Todavia, ainda assim é possfvel — um ‘Thomas McCarthy, leitor atento da ampla keene = situar a interpretacao de Freud realizada Falcadle como uma tearit pelo fil6sofo alemio, ¢ mesmo o uso da a comuniasto dsr, Nel inguagem e seus psicanilise feito pelo autor na consecucio smbols do priatzades, de seu projeto tedrico maior, na adigao prodzingo sintomas que sépodem sercompreendios inaugurada pelas primeiras reflexes da Panic vertente de pensamento também identifi- partcularidadesbiogrcas tenis: es ie ember enh do pacene cada como Escola de Frankfurt, metapsicologia A Sa a HABERM, McCarthy ensina-nos que a abordagem que Habermas fiz de Freud pode ser localizada em relaglo a essas prime discusses. Como fica evidente desde a dliscussio dos interesses emancipatdrios no capinula 2 de seu famoso livro de 1968, Gonhecimento etnteresse, 0 filbso- fo continua a usaz 08 conceites psicana- lticos para estabelecer os vinculos entre a estrutura instiuicional da. sociedade psicologia individual. Malgrado os tragos de identifieaglo, McCarthy nots que nto € © papel de especificago dos elos entre os dois plinos mencio ade rnados que vai marcar a particular da abordagem habermasiana, ¢ vies sobretudo metodolégico que sua investigago adquiria, £ na medida em aque a psicanilise pode oferecer para metos paca uma dlsciplina que tenha a autoreflesio metédica como sua caracteristica maior, que o campo de conhecimento inaugurado por Freud vai imponar a Habermas, © seminal intér pete americano observa: “Tomando a obra de Alired Lorenzer como ponto de partida, cle entio val reconstvir a psicanilise como uma teoria da comuni feaglo distorcida As ligbes que ele deri va dessa reconsiruei0 s20 largamente ‘metodologicas; ela nos supre com uma mais precisa concepgio da l6gica da 26 MENTE, CEREBRO 6 FILOSOFIA Habermas estabelece vinculos entre a estrutura institucional da sociedade e a psicologia individual acia reflexiva ¢ entio nos prové com as linhas diretivas para a construgio de usu teoria entica da sociedade” Uma tal woria tende a se encontrar ‘com aquilo que Habermas identifica como um telos emanciparério proprio A autoformagio do. genero humano. Rowanet, um dos leitares brasileiros de Habermas, resume © papel que a auto- reflesto tem em Habermas, quando esse relos se explicita em seu interesse, nos sequintes {ermos: “As teorias cor espondentes 2 esse interesse slo a dlisciplinas critcas (a psicandlise © a critica da ideologia) e de modo mais cespeclico as cléncias sociais critic: mente orientadas, Cujo objeto vai além dda mera descrigl0 de fatos e da simples formulagao ce regularidades nomo: lopicas. O quadro metodologico que estabelece a validade das proposigoes derivadas do interesse emancipatério & a auto-efle 1. Nela, © sujeito libera-s ddos poderes hipostaciados que alimen- tam a ilusto objetivista e bloqueiam a livre comunicagio entre os homens’ erzog, 1974: DUPLICIDADE FREUDIANA A perspectiva que Habermas consiruiu da obra de Freud € notivel em pelo menos mais dois aspectos. Em primeiro lugar, ela opera uma leitura erica, mas milativa, do setor da teoria psicana ltica envolvido com o sentido ~ a0 qual © conceitoy de interpretaglo se aplica dliretamente ~ € busca fundamentar os procedimentos e aperfeicoar os conce\- tos que sto conelatvos dessa dimen: sho explorada pela psicanilise. Nesse Ambito, sua leitura pode ser entendi- da como uma contribuigio substantiva para a psicanilise, Em segundo lugar Habermas az i luz aspectos dessa mesma obra comprometidos com pro- ccedimentos teGricos calcados no espiri to da cigncia empirica da Natureza que parecem contrite as abordagens que © primeiro plano desenvolveu, Com sso, a leitura feita por ele tenta contri bois para a definicho da especificidade cessencial da psicanilise, afastando-a de reflexoes deturpadoras e permitindo 0 ccontraste com outros procedimentos de atuaglo psicol6gicos. Para Habermas, a psicanalise Freud sempre esteve envolvida com eset duplicdade na medida em que ele ‘mesmo a ergucu segundo bases duplas, sem tera clareza metodol6gica das com- pprometimentos que 0 desenrolar de sua nova disciplina exiglam. HERMENEUTICA AMPLIADA Segundo 0 filésofo, a psicanilise tem inicio © se caracterizn essencialmente como interpretago de conjuntos. sim- bolicos = tl € 0 caso da inerpretaco dos sonhos, dos sintomas ¢ atos falhos =e deve ser entendida como tenclo esenvolvido uma forma especial de interpretacio. Assim, ela ndo é uma her- ‘menéutiea tradicional, o que poderia ser ilustrado pelo pensimento de Wilhelm Ditthey, mas deve ser entendida como tuna hermengutica ampliada © especial ‘que Ulirspassa os procedimentos inter prettivos encontrados nas cncias do ‘epinit, ou, para falar numa linguagem ‘a ‘env sol’ sHogaager to HISTORIA DE VIDA (0 ponto de apoio para atividade dos homens. Habermas mostrar a3 Para Ditthoy, na ‘04 0s produtos da via ‘novagdes da hermenéutica reconstrugéo habermasiana, _objetivados que a substitem, eee psteanaltica fot encontrado a autbiografa permitprequeem mterpretagio, pela compreensio dos aos na obra de Wilhelm Dilthey _apresentar modelarmente __1s50 porque eles nao exivern ea (1833-1811). Em sua © ato de compreender sou sentido diretamente, grupo “ao conjuntointencanal Iraetria, oss fésofo cconjuntos simbolicos. Elana medida em que podem — da ae fstabelocou uma distingdo raz a dimensdo temporal a ser,em azo de inluéncias da experiénctaitima”, ou Cada vez mais niida entre as ser apreendida no esforco externas — como aaa Cinolas da Natureza — que de rememoracdo biogrfico, a passagem da tempo, ‘operam explicatvamente portant ama a imenséo pera total ou parcial de ‘mediante 0 estaelecimonto histica envovida ra vida material documental ec, eles gerais-e as ciéncias humana e coloca, com isso, - parcits, deterorados, ‘do espirito, que tetam das também o problema de ou desconectados. realizagées humanas lagadas _compreander 0 sentido de _O papel da filoogia na Pormeio de procedimentos linguagens distantes; a0 _~hermenutica de Dithey ica ‘ompreensivos,aplicades mesmo tomo, ovidencia #6 mals claro desde ese panto 420s sentidos consolidados_ificuldades encontradas Assim oomoo seu iit. Como nas experineias vividas nano material ue se pbe & Habermas mostra Ditey mais proxima a.nés, nas ciéncias huma- nas, Dai sua importincia camo dlscipli- nae etodol A leitura de Habermas aricula.se a relevan por meio de uma concepeio ave ide linguagem na qual °a gramitica da linguagem cotidiana nao apenas regula © conjunto simbdlico mas, igualmente 1 imbricagio de elementos da lingua- gem, modelos de aglo © expressoes’ Partindo desse pressuposto, Habermas vai afastar-se de Dilthey e aproximar-se Freud, 20 aflrmar que 2 psicandlise trabalha com conjuntos simbslicos que rio exibem sev sentido diretamente fem fungio de inluencia rompem os jogos de linguagem usvats (Habermas usi um conceito extraido imernas qui de Wingenstein, muito embora_nio The dé uma interpretagao candnica). Por esse motivo, esses conjuntos. sim holicos nto podem ser reconstruides encaminhados ao Ambito da opiniio subjetiva comum, Tais sistemas simbdlicos est¥o cin idos da linguagem que prcpria a fopinito subjetiva patifhada no nivel do agente. Por iso ele mesmo nao compre: tende 0 sentido do que proxduziu, como ‘come ngs sonlios e em todas as forma (goes que a psicanslise estuda © com as ‘quais trabalha clinica sintomas ¢ todos ¢s aspectos de sentido mutilado ou distoreido que aparecem no tratamento analitico balizido por Freud rene: atosfulhos © CO fato € que, como o criador da psica lise ensinou, o individuo se express por meio. dessa mio pode ser recuperada sem mais por cle. Qualquer tentativa que nto leve em conta os fatores operantes na expresso i estudar—, {que tente produzir sentido por meio de = justamente os que Freud ‘uma operagio hermenéutica regular, que Cconthiza sew trajeto por meio de um jogo de Tingagem subjetivo da linguagem cotidiana, levaridiretamente 2 ilusdo, HABERMAS Se os limizes de sentido encontrados ‘0, eles prdprios, plenos de sentido, ‘como afiema Habermas, isso significa que 6 agente esti de posse de uma seman: tica que pertence a0 dominio do senso ‘comuim, numa tradugio feudiana, © céiente, mas, ao mesmo tempo, esti cond donado por um movimento que expressa 1 relagto dele, agente, com tum sentido, Em outras palavras, a comunicagto do sujet que fala © age esti intertompids ‘com ele mesino, De que maneira uma tal ssmmagao podesia ocoret ‘A tee de Freud, redescrita por Habermas, € que, em funcao de confi tos existentes entre uma instincia limi- tante — entendida como agencia capaz de, em cortelagio com um jogo de linguagem integrativo, evar adiante inte- ragbes ajustadas zo sistema de permuta sotiais ~ € motivos de ago nao assimmi= tacos peto jogo regular de interagbes, 0 meio psfquico mais eficaz de neutralizar 48 disposigtes indesejivels consiste em exclutlas “da comunicacio publica, isto &, em recalcar as inveapretacces As quais esas necessidades estio acopladas ‘Ao encontrar essa linha de contato com 0 texto de Freud, Habermas dé Inicio a uma verdadeira reconstrugio 28 MENTE, CEREBRO € FILOSOFIA hermend ica do trabalho do pai da psicandlise, na direci0 de evidenciar © seu cartier de hermeneutics pro: funda. Vai acompanhar uma série de cconceitos centrais & teoria psicanalitca de Proud © apresentar sua versio imenéutica, Mas a ligagio do filésofo com a psicandlise, ou melhor, com a teoria psicanalitica, nao pra aqui. Peto ‘DANO PASSADO EM MARIEWBAD, fle Ge lain Reena, 195: ral, imagindrio imancoes tmporals ve entelagar conttitic, coma jé indicamos, todo tum movimento crtico val reafirmar 0 posicionamento da psicanilise como hermengutica ampliada e evidenciar as dificuldades em que Freud se colocou 20 tentar conjugar 0 trabalho interpre tativo com 0 universo das explicagdes clentificas de tipo positivist PSICOLOGIA NATURALISTA. A histéria da formaio do jovem Freud € mobilizada para elucidar 0 campo a0 ‘qual pertencem algumas das idéias utli- zadas pela psicandlise para desenhar sua parte te6rica mais especulativa, cone Cia como metapsicologia, segundo as ditetizes mais préximas das ciéncias da Nanureza, A formagio de Freud como médico aplicado sobretudo & neurofisio- Jogia ganhou uma Iiteranara imensa ~em grande medida escrita depois do texto ide Habermas, mas nao dirctamente 1 da a ele ~ © no podemos langar mio dla aqui. O importante é marcar como Habermas monta sua leftura na crenga freudiana de que, se © conhecimento clentitico progsedir amplamente, pode remos influir nas quaniidades de ener- fia, assim como em sua disiibuigio, por meio do uso de substincias quimicas, METAPSICOLOGIA EM FREUD eitceira de Freud cespeculagies sobre 0s Como lembram Laplanche ~ametapsicdogiajé _aspectos dnaricos, oe Pniasem sett foiobjetodeincontavle pcos econdmicas_nsuperada Vocaburio Cdszassbes. isos asprocessnspsiquios. da psicndi, todo 0 ‘eanalistas buscaram, esse modo, enconrames _conjunio dos conetas fem consenso,e ainda considragSes sobre da tora das pulses, ‘buscam, ating o sentido principios hipottices que descr do proceso ‘esse setnr complex embasamadescricio ——_—de rcaloamento, enim, ‘do univers conceal propria pioologia Aamaior parte do aparato fapscanalse. Pao psicanaica,modelos__teco que peri a Criadr desse campo _—‘tercos ou concetns_—_—Frendexpcar os eventos do coneciment, a ‘undamentas em vrs ques identi no ‘metapscalogia &0 fos estos de Froud mundo mental guards una ‘dominio teorico em {que dovem ser reides _relaco muito estreta com ‘que se deservolvem as como metapsicoligicos._ametapsicoogia. Na visio de Habermas, o pai da psicandlise ria subsivie « pritea SCA aprisionada ae espevtear sy haves materia, ong Series a parers, UM, Mal-entendido . ena ex Gal tah eree marae Shes ey yee modelo de disrikio, enema tom cientificista ‘coach, gue brie 06 oi origem nos anos de formagio de Freud fe Se manteve presente em todos os nal, propria das experién momentos eruciais di do. pen: sador ausiaco. Fla qualifica um aban- de serem especficada ‘dono do enqukidramento he:menéutico, Jos inaulivos e livres dos. mare ‘om isso, tom eo da apres ‘comiracigdo” Freud. fem que a psicanilise se Para Habermas, a continuidade do mo auto-reflexio, e withar 0 Inicio da pers no Projet de uma MAL-ENTENDIDO- os Bnaurf, texto de Nesta sempre se evidenclari um jogo a intro 0 paciente, © pert nilise fazer uma espécie de retuterpre- Assim, um dos primeiros modelos. de dos termos conceitusis Freud, aquele encontrado em Fotdos >. © que sobre a histeria, notadamente no texto fem ene os dois campos primeims palavea 0, Freud a fcologia cletiico-nat- ralista, ou sea, apresentar processos psi-advindos do. campo fis quicos como estados quanttativamente significa isso? Basicamente que Freud ‘Comunicscao preliminar® — trabalho indo o projeto escrito em colaboracio. com Joseph ‘determinados de partes materiais capazes vai, 408 poucos, abandoi ‘ACUBA DE MESWER, ‘tba pstanise encontrar a nies Breuer -, 0 modelo energético jt estava presente (ab-eagio), juatamente com hipnose, que permiiia a a téenica da tidos. i hip- nose @ a adocdo da livre associaeao, sagrada de acesso la em termas de linguagem ordi- nia, No entanto, no final, ele voltaria a tagio dos s¢ estamos apenas lidando com um fator ligado a ordem das descoberias psicol6- gicas, mas, é fundamental reconhecé-lo, 1 da propria intligibilidade ‘com um f dos Vista 0 que foi dito Habermas busca firmar alguns marcos fore psicandlise em um campo nto contracli- Iério ou nao afelto as confusdes me dol aquelas que afetaram recair no plano objetvista, ao proclamar a ab-reagao como modelo dos efeitos Para o Filésofo, Fret esti aprision do desde 0 comeco de suas formulacoes ‘no mal-entendico cientficita, Chegando lar em descaminho. metodoldgico, # mais origindrio, esboco das categorias psicanait ambito de sua_metapsicologia — entendida aqui, por ele, no plano de um horizonte de ddoagio conceitval ~ foi estabelecido poe jermas insiste que 0 primeieo, 0 inclusive no 30 MENTE, CEREBRO € FILOSOFIA Preud, Ressaltam nesse esforco & con- Aguragio de uma nova metapsicolo, © a delimitaglo, pela via hermené dde uma nogio de causa adequada nos requisitos avangados ale aqui, Em particular, © empenho em redeseniuar tum coneeito de causa adequado aos parimetros da psicandlise ganha impor- ia especial, pois, part lo ceniifcista, tal conceito parece idepto do exclusivo, netapsicologia deve estudar, aos do filbsofo, 0 pano de fundo eda interagao em seus aspectos parol sicos: deformacdes da linguagem e de ‘comportamentos, Tal teori como. reguladora da. priixis cotidiana, com adeias de agbes motivadas exis: tindo em todos os niveis que afetam a Interagio humana. Eli desenvolve-se ao “demonstrat que este cis normal € 0 caso-limite de uma estrutura de motivagio que depe remente, de interpretagoes que afetam tanto necessidades comunicadas publi ccamente quanco necessidades reprim: le, concomitan (CENARIOS DE UM DRAMA le Alfred Lorenzer ganha mento do traballio de = Os simbolos da linguagem do paciente s6 podem sos que eram pensados na chave posi ser entendidos feagmentada com o dominio de uma ek ae pokey” cer menianes ~ VICVANGO-SOCM CONIA: mem de cama mice inerre Droprios As dimensdes da linguiagem ¢ tado. A verdade do que foi afirmado Hi Go poe ea cootiahea Crane ©. SUA IMStOMAUE:VIdd: 9 can eerete nmi etegeactl cic © confit aparece, sao extrrdos do mundo de objetos exterior 20 sujeito, sistema de comunicago ondindrio frag como se tratissemos com proposicoes menos de linguayem que ganham ums. cemupirieas, mas da eficicia aarrativa do vinculacto simbéliea suf generis, cuja ruzio da impossibiidade de usar um esclarecimento oferecido, do movimen- chave interpretativa no ¢ nisis definkia jogo de linguagem que bavia sido, de to de auto-reflexto desencadeado. FE pelo discurso corrente, com suas regras alguma maneita, condenado, a auto-aplicagzo, pelo individuo, dos intersubjetivamente reconhecidas, De novo, a aulo-reflexao encontra- elementos propostos pelo analists, que somente por uma conextio semintica se em conkligdes de desfazer esses ns garante a verificago das hipoteses Idiossincritica, dependente das parti pore, ao aproximar os simbolos priva-nartativas, das historias. generalizadas Jente. Os tizados do jogo de linguagem interswb- de modo sistemético a seu caso — nas podem jetivo, permite 0 eneadeamento normal palavras do fildsofo, das constelacoes cularidades bogralicas do ps simbolos assim formados 2 ser dissolvidos por interpretacoes 3 dis rmotivagdes antes recaleadas, agora de eventos ¢ modelos de aco. Dai posicio dos envolvides numa conversi- tomadas conscientes. surgem 2 verucidade das hipéteses © a ‘G20 comum ¢, por essa razio, insistem Em continuidade com © proved eficicia terapéutica fem sua presenca deslocada, discrepan- mento de redescricao, Habermas define. inconseiente para Habermas, te, 0 que thes dio traco impulsive um plano na psicandlise no qual ope seguada natureza simbolicamente fi- ‘que reconhecemos nas pulsoes, Tal rum inierpreugoes generico-universals mada pelas colbigoes descritas pela concepgio abre-e para nm novo modo siwadas na base dos processos «le inferpretagao genérico-universal, ins de acolher os nexos causais em psicané- constituiglo da subjetividade perturba creve-se no dominio da histéria do lise, Nao se trata mais de reconhecé-los_ dos - € no qual slo fixadas mauizes individuo com uma forgs especial: no como relagoes. entre pares narrativas que acompanham o desen- sentido de que se aprofunda, sem se ‘especiliciveis do sisiema nervoso = 0 volvimento infantll em suas vicissitudes integrar, em nossos jogos de lingua ‘que acubava acontecendo, em siltima —formativas, em face dhs sucessivas inte- gem cotidianos, ele marca os limites insiincla, no pensimento de Freud -, rages primficias usuais. Nas palavras de de nossas interagoes, define © ponte 1s de apreendé-los comio decoméncias Habermas, elas nos apresentam cen de retomno de nossas necessidades sem fans le a0 wnsconer de nome ae sg & Se gu foam ona den pa Ms devi Tons guns consicnmocs wl | SSS9GAL00 OR Giowestcubetce cntecsyeaoee| ela ai mex. objeto da pesquisa, referente a verdade Mampi eto de pesmi, reference 3 vetade | Seder e og emule cen scmieinems Ares "Omaimm ee St uidte cnisn ew peraze _| ARAB LOE Taracoercocpas aise meow a | Mme mao 9 Pb ‘oPONTO DE PARTIR = Conhecimetoeinteresse ren Habeas. bg Ze, 1882. : E envolvido em sua vida: sua capacidade | , Ravenet Tempo Brain, 1868, gets eee racic | «guns ene. ara ace J Pa Tera 2000, de, em anilse, esabelecer uma cone- | $ {em antes to. sabernes: Tees 2 DRFTEESeninedsepmBeeReed *20.qve posst arranjar linhas de senti- |” Meta Tow, 107 ‘ie eo-auores ds Etides sobre 7st do. que ajudlem a compor a linguagem wwe atentecerchro.com.br FORMAGAO DO INDIVIDLO E SOGIALIZACKO 37 ee evra Certo eee er Habermas eitor de Kohlberg O desenvolvimento moral da sociedade pds-convencional ror ausssuono Piva O ivtexess# pe JORGEN Hanerwas pela psicologia remonta ao perfodio em que ele foi assistente de ‘Theodor Adorno no Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt, Habermas ingressou no Instituto em 1956; naquele ano, por ocasiio do centenirio do nascimento de Sigmund Freud e do grande congresso organizado em Frankfurt por Horkheimer e pelo psicanalista Alexander Mitscherlich (fundador do Sigmund-Freud-Institut, em cujos “semninarios da quarta-feira” Habermas participava ativamente), Marcuse ministrou duas conferéncias sobre © pai da psicanilise, que entusiasma- ram 0 jovem pesquisador. Ao mesmo tempo, Habermas dedicou-se com dois colegas (Christoph Oehler e Friedrich Weltz) a uma pesquisa empiri- ca sobre a atitude © © comportamento politicos dos jovens estudantes xalemies (0s resultados foram publicados no livro Student und Politik 3 de 1961). Em 1968, em seu livro Conbecimento e interesse, que teve um impacto relevante no mundo cultural alemio, Habermas dedica uma parte impomante & psicandlise freudiana, que ele considera como exemplo de zuma ciéncia humana caracterizada por um interesse emancipatério e, © portanto, como um possivel modelo a ser seguido por uma ciéncia social 3 critica, cujo desenvolvimento sera o objetivo principal do autor. A teoria critica de Habermas aponta nao apenas para as patologias da sociedade capitalista, mas também para as possibilidades de emancipagao humana EM SiNTESE 0 ay ein itu de Lasene Kerr dsahineo eas conepgies de arg Herm Uimconce- psicanalise er rea (UBIDE Zreit )LITIKOEN ALDE HONNETI Apés a Segunda Guerra Mundial, porém, fesse objeto de estudo perdeu impor- ‘ncia, Com a sua volta a Alemanha Go pos-guera, os representantes da teodla cea pereeberam que, no: novo contexto, © principal problema 2 ser analisado residia na apatia © na inc pacidade de resistencia da populagio flema 2 dominagio nazista, As per fontas que passaram s incomodar os filésofos judeus da teoria critica fl nao cstavam mais relacionadas apenas 20 {gripo social dos trabalhadores. Como entender © fato de um povo inteiro nao ser capaz de perceber os erimes contra 1 umanidade cometidos pelo nazismo? (Qual a razao da falta de resistencia con ta a arbre? Mais ainda, por que a populaio slema do pos-guemi parecla apiitca fneapaz de pacticipar ativamente na aa se desen: democracin que comes volver na Alemanha Oc sadores da tworia cri resposta, também para esses proble ental Os pen: ‘mas, na psicanslise, Fm sua perspect va, a decadéncia do mercado capitalista dacteretava © surgimento de uma “crise do individuo”, de uma *pesda do Bu’ Uma teoria critica deve estar ligada 4 psicandlise, sob pena de perder parte de sua criticidade que pareciam, por sva vex, poder ser inerpretadas como uma ‘perda da sawcoridade paterna SEGUNDA GERAGAO. Representante da segunda fa Ciitica da Escola dle Prank’ Habermas tentou, nos anos retomar © desenvolver essa estatégia te6rica (principalmente em seu livro Gonbecimionio @ tnterese). No entanto, Jogo abandonou a tentativa inicial de integsagio de intengdes psicanalticas em. 1a tora da sociedade e, principalmente 4 pamtir da publicacio de Tooria da agao cttica da sociedade que manteve, ainda mantém, distancia da psicandlise esse moda, o lds passou a fun- damentar 0 desenvolvimento da cons éncia moral no nos textos de dda Teoria n, Jorgen 50 € 60, Freud fe sim nos estudos de Piaget e Kohlherg, Com essa muclanca de foco e devide 78 MENTE, CEREBRO 6 FILOSOFIA do esperado, o regime ‘apenas a dimensao social do comunistareveou-ectatoria, trabalho. Adome, por outro Wolo tra. A sonhada lad, conegui desprend-so dass excessivavalorizagio 4p rabalo, No eta, sua Droposta de sokicaatedriea Sopuitou defnitivamente ‘tusiqerposibildade de {nie de ma dimensdo pretendic pratica da critica pré- ancoiualmente as oteras _cintea, pore ale pasoua Gavica cultural ona consider todas as dons desu soca ms @ de ag cial como um puro {exminoogis da sua flosofia__proiongamento da dominagoo a histra,deinspracao humana da Naurza, mania, no pernita {ue essa estoresfossem adequaamenteexpicitadas, ——pgjcotg spat as. Omaamo aque ela conemplava ue viewaciien a grande influéncia dos escritos de Habermas no mundo academe, pst canilise vivenciou, no Ambito da tora cftica dos anos 70 até os anos 90, wm pe riodo de esquecimento, Nentium estudo relevante de teoria erica patecia mostrar iteresse em retomar 4 integngio entre 1 € teoria da sociedade. psc VOLTA AS ORIGENS Nop anos 9, historia da Teoria Critica sofie uma guinada: com a publieacio lo livro Latta por roconbecimento, Axe! Honneth reioma a inteyraclo entre teo ria da sociedade e psicanalise, buscando levar a woria exten de volta as suas ra zes, Honneth pate do principio de que uma teoria erica nao pode preseindlr da cestratégia de concctar uma teoria exten dda sociedade com a psicandlise, sob pena de perder clementos importantes de sua enticidade seu livre Critica do poder Honneth busca salient prineipais da tadicao da Escola de Frunklur, a fim de que a preocupagio = tipica de uma teoria extica da sociedade © Ficue em evidencts horace © quadro categoral de ur. an como deve ser ef "TROPA DE ELITE, fm lise, que, ao mesmo tempo, soja capa, de’ contemplas lominagio socal quanto os procesios Tanto as estumuras de sociais de sua superigho pritica? Fm sua resposta, Honneth susteria que a teoria ‘conseguir dlesenvoher seus abjetivos inicals e2s0 se apie tum canceito desenvolvide pelo. jovem Hegel: o seconhecimeeto, En Lita por recanbecmento, Honnelh presenta, pela primeira vez, sua teoria de forma sistematics, desenvolvendo 0 que se pode chamar de conceito negativo do reconhedmento, Negeri signiica aqui que Honneth mio pretend, inicialmente definir © que significa reconhecimento, mas propoe-se, fundamentado em uma anaiise das expeniéneias de desrespeio, a comprovar de forma diletica a neces -conheeimento, le clferencta us esfiras do recenheci- sidade dhs relagdes de mento (as esferas do amor, do direto dla solidariedade), ts formas priticas de auro-elacio (autoconfianga, alwo-respet to e atko-enima) © ues formas de dew respeito (maus-iratos € violagio, privagio de direitos e exelusto, prvagio de honra das © de dignidade), Flas si consider ‘como fonte de conflitos sociais que, por sua vez, S40 conedtadlos 2 processor his tericos de aprendizagem, cujo objeivo principal € @ ampliagio horizontal das relagoes de reconhecimento, Nes fase do desenvolvimento de sua leorit, a psicandlise eserce uma fungio especifica: cla esdarece como se forma e como se caracteriza a esfera do reconhecimento do amor. Honnet, José Paha, 2007: desrespelto a dieltosuniversais porém, procura conferir plusibilidade 3s suas affrmagdes tedricis comparando-as ‘com os estudos empiricos © psicanalt cos de Donald W. Winnicor Honnet parte do principio de que 4 esfera de reconhevimento do. amor ‘esti ancorada estruturalmente na dimen sio da natureza afetiva ¢ dependente dda personalidade humana. Ele encontra cas primeiros elementos da rit do reconhecimento na categoria ca Depondéncia absoluta de Winnicot. Ela ddesigna a primeica fase do desenvol- simento infantil, a qual tanto a. mae dle eal form ladon ete en supe ua cp ae de relago simbi6tica. os poucos, quanto 0 bebe se porém, com © retorna gradativo «a mae sos afazeres da vida didria, 2 simbiose vai se disolvendo, pois a mae no esti mais em concligtes de satistazer de imediao as necessidades da erianga. O bebé, entio em médlia com 6 meses de vida, precist se acostumar com 3 ausén Ga miaterna, Tal sito estimula na crianga 0 desenvolvimento de cxpacida des que a tornam capiz de se diferenctar do seu ambiente, Winnicot nova fase o nome de Re inibui a ess tiv indepen déncia, Nessa fase, a crlanga reconbece 4 mie nia mais come uma parte do seu mundo subjetivo e sim como um obj com direitos proprios. A ering irabualla cia por meio de dois mecanismos, que Honneth chama de Desiruigiio © Fenémeno de transicao. O primeite: mecanisme é interpretado com, base nos estudlos de Jessica Benjamin. A essa nova exper sic de expressio agressiva da crianga nessa fase acontecem na forma de uma espécie dle lata, que ajuda a erianga a reconhecer 1 me como um set independente, A mie precisa, por outro lado, aprender a sceitar processo de amadurecimento do beb& A parts (os dois comecam a. viven- sta constata que os fendmenos do seconbecimento reciproco, ar também uma expentneia de amor sem regredic a um estado porém, $6 esters recipnace, simbiotico. A cri fem condligdes de desenvolver 0 segundo mecanismo se 0 primeito levi-la a fazer ‘wma experiacia elementar de confianga na dedicagio da mie ‘Quando a erianga experimenta a con: duradouro da mic, ela passa a estar em condictes de religlopositiva consigo mesma, Honneth chama €ss ova capacidude de atioconfianga, De posse dessa capacidade, a crianga esti fem condigoes de desenvolver de forma ssudia sua personalidade. Esse desen- volvimento primdsio da capacidade de astaconfianga € visto por Honneth como dks a base das 6 Hee vai além e sustenta que o nivel do reconhecimento do amor € 0 miicle fu damental de tods a moralidade. Poranto, ese tipo de reconhecimento & respon: savel nao $6 pelo desenvolvimento ‘auo-respelto, mas também pela base de ‘autonornin nocessivia para a panici RECONHECER E CONHECER Em Zuta por reconbecimento, Honneth nao deixou claro se as esferas de reco: rnhecimento ceveriam ser interpretadas ‘como parte de uma antropologia ou se deveriam scr vistas como resultado de lum processo hissrico, A esfera do amor, fem especial, caracterizava-se porter for- squat as do direko e da solidariedade pareciam ser definidas historicamente: te no debate com Nancy que Honneth cefiniu de forma ntida os con: antropols- tes elementos. antropol6gicos, Foi somer Fraser tornos das dimensbes soc tese de pode ser estabelecida «prior, Ao contro, as informagdes de uma que a dimensio antropolgca

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