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PTR – 453 Construção e Pavimentação

Prof. José Tadeu Balbo

Terminologia dos Materiais

puramente

estrutural, para receber e transmitir esforços; para que funcione

adequadamente, todas as

deformações compatíveis com sua natureza e capacidade portante, isto é, de modo que não ocorram processos de ruptura (pelo menos de forma prematura e inadvertida) nos materiais que constituem as camadas do pavimento.

a

A estrutura

de

pavimento

é

concebida,

que

a

em

seu

sentido

devem

peças

co mpõe

trabalhar

As cargas são transmitidas de forma aliviada à fundação também de maneira criteriosa, de forma que não ocorram recalques incompatíveis com

a utilização da estrutura, ou mesmo rupturas na fundação, gerando estados

de tensão não previstos inicialmente nos cálculos e que induzem toda a

estrutura ao mau comportamento e à degradação acelerada.

Tão-somente tentando uma definição, diz -se que o pavimento é uma estrutura composta por camadas sobrepostas de materiais compactados e assentadas sobre o subleito do corpo estradal.

Cada uma das camadas do pavimento possui uma ou mais funções específicas, sendo que o conjunto das mesmas deve proporcionar aos veículos as condições adequadas de suporte e rolamento em qualquer condição climática.

As cargas aplicadas sobre a superfície do pavimento acabam por gerar determinado estado de tensões na estrutura, que muito dependerá do comportamento em campo de cada uma das camadas. Deve ser recordado que as cargas são aplicadas por veículos, sendo portanto cíclicas (repetitivas).

Em linhas gerais pode-se dizer que as cargas geram esforços solicitantes verticais e horizontais. Os esforços verticais podem ser reduzidos a solicitações de compressão e de cisalhamento; os esforços horizontais podem inclusive solicitar certos materiais à tração. Como tais solicitações podem condicionar uma escolha de camadas?

Considere-se, por exemplo, uma camada de material britado compactado sobre o subleito. Esta camada poderia suportar as tensões verticais aplicadas sobre si; entretanto, não resistiria às tensões horizontais oriundas de uma carga cinemática aplicada diretamente sobre sua superfície (além de não ser impermeável, o que poderia ser desejável ou não). Um revestimento é então necessário sobre uma base granular para absorver determinados esforços que não são compatíveis com as funções estruturais da mesma.

Que nomes devem ser dados a estas camadas seria uma dúvida básica. De uma forma mais completa possível, o pavimento possui as seguintes camadas: revestimento, base, sub-base, reforço do subleito e subleito, sendo este último a fundação e parte integrante da estrutura (Figura 1.1) Dependendo do caso o pavimento poderá não ter camadas de base, sub- base ou reforço; revestimento, nem que seja primário e fundação (subleito) são condições mínimas para que a estrutura seja chamada de pavimento, razão pela qual descarta-se por completo o emprego do termo “pavimento sobre ponte”.

Figura 1.1 Camadas constituintes de um pavimento O revestimento deverá, dentre outras funções, receber as

Figura 1.1 Camadas constituintes de um pavimento

O revestimento deverá, dentre outras funções, receber as cargas, estáticas ou dinâmicas sem sofrer por si só grandes deformações ou desagregação de componentes ou ainda perda de compactação, devendo portanto ser composto de materiais bem aglutinados ou dispostos de maneira a evitar sua movimentação horizontal.

Alguns materiais permitem tais condições: pedras cortadas justapostas, paralelepípedos, blocos pré -moldados de concretos, concreto de cimento Portland, concreto compactado com rolo, tratamentos superficiais betuminosos e misturas betuminosas em geral.

Quanto ao subleito, os esforços impostos sobre sua superfície serão aliviados em sua profundidade. Deve-se portanto, ter maior preocupação com seus estratos superiores onde os esforços solicitantes serão de maior magnitude. O subleito será constituído de material natural consolidado, por

exemplo nos cortes do corpo estradal, ou por um material transportado e compactado no caso dos aterros.

E como se compõe as camadas intermediárias dos pavimentos? Admita-se

um dado subleito composto de solo com pequena resistência aos esforços verticais que ocorreriam sobre sua superfície. Ora, neste caso é preciso pensar em se executar sobre o subleito uma camada de solo com melhor

qualidade, que sirva como um reforço sobre sua superfície, de maneira que

a fundação receba esforços de menor magnitude , compatíveis com sua resistência.

Isto não é obrigatório, mas geralmente procura -se fazer por razões de viés econômico, pois subleitos de resistência muito baixa exigiriam, do ponto de vista de projeto, camadas mais espessas de base e sub-base. Logicamente,

o reforço do subleito por sua vez resistirá a solicitações de maior ordem de

grandeza, respondendo parcialmente pelas funções do subleito.

Assim, pode-se concluir que os esforços verticais transmitidos ao subleito devem ser compatíveis com sua capacidade superficial de resisti-los. Esta assertiva é naturalmente válida para qualquer outra camada superior do pavimento.

Para aliviar as pressões sobre as camadas de solo inferiores, surgem também as camadas de base e sub-base, que também podem ter papel importante na drenagem sub-superficial dos pavimentos.

Quando a camada de base exigida para desempenhar tal função (melhor distribuir os esforços para camadas inferiores) é muito espessa, procura-se por razões de natureza construtiva e econômica dividi-la em duas camadas, criando-se assim uma sub-base.

As bases podem ser constituídas por solo estabilizado naturalmente, misturas de solos e agregados (solo -brita), brita graduada, brita graduada tratada com cimento, concreto compactado com rolo, solo estabilizado quimicamente com cimento ou betume, etc.

Para as sub-bases podem ser utilizados os mesmos materiais citados para o caso das bases. No caso de solos estabilizados quimicamente, de maneira geral os teores em peso de agentes aglomerantes são menores. Os revestimentos betuminosos, como é o caso das bases, poderão ser subdivididos em duas ou mais camadas por razões técnicas, construtivas e de custo.

Na Tabela 1.1 são apresentados os tipos mais comuns de materiais encontrados nas camadas de pavimentos com sua respectiva abreviatura normalmente empregada no meio rodoviário. Na Tabela 1.2 são apresentadas as aplicações dos materiais referidos em camadas de pavimentos.

Um aspecto importante deve ser recordado quanto ao emprego dos termos base e sub-base, no caso dos pavimentos de concreto. Não é incomum engenheiros atribuírem o nome de sub-base à camada imediatamente inferior a uma placa de CCP. A razão de tal fato reside em uma justificativa de que a placa de CCP já faria o papel de revestimento e de base simultaneamente, o que não se pode concordar pois o papel da base não pode ser tomado como meramente estrutural, mas também hidráulico no caso de material granular.

Outra justificativa para tal fato talvez seja um apego ao passado quando então se prescrevia tal terminologia. Modernamente nos congressos e

revistas internacionais o termo base é empregado indistintamente para aquela camada subjacente à placa de CCP ou CCR, razão pela qual adota-se neste texto, quando necessário for, esta terminologia.

Tabela 1.1 Tipos mais comuns de materiais encontrados nas camadas de pavimentos

Material ou Mistura

Nomenclatura

Abreviatura

 

Concreto Asfáltico

CA

Lama Asfáltica

LA

Macadame Betuminoso

MB

Micro-Concreto Asfáltico

MCA

Pré- Misturado a Frio

PMF

Asfálticos

Pré-Misturado a Quente

PMQ

Solo- Betume

SB

Tratamento Superficial Duplo

TSD

Tratamento Superficial Simples

TSS

Tratamento Superficial Triplo

TST

 

Concreto Auto-Nivelante

CAN

Concretos

Concreto Compactado com Rolo

CCR

Concreto de Cimento Portland

CCP

 

Concreto de Elevada Resistência

CER

 

Brita Graduada Tratada com Cimento

BGTC

Solo Melhorado com Cimento

SMC

Cimentados

Solo- Brita-Cimento

SBC

Solo- Cimento

SC

 

Base Telford

BT

Bica Corrida

BC

Brita Graduada Simples

BGS

Macadame Hidráulico

MH

Macadame Seco

MS

Granulares e Solos

Solo Arenoso Fino Laterítico

SAFL

Solo Argiloso Laterítico

SAL

Solo Laterítico Concrecionado

SLC

Solo Saprolítico

SS

Solo- Brita

SB

Tabela 1.2 Aplicações dos materiais referidos em camadas de pavimentos

Camada

Asfáltico

Concreto

Cimentado

Granulares e Solos

 

CA

CAN

 

Tratamento primário com cravação de brita ou cascalho sem controle de granulometria

LA

CCR

MCA

CCP

PMF

CER

Revestimento

PMQ

TSD

 

TSS

TST

 

MB

CCR

BGTC

BT

PMF

CCP

SBC

BC

PMQ

SC

BGS

SB

MH

MS

Base

SAFL

SAL

SLC

SS

SB

 

SB

 

BGTC

BT

PMQ

SMC

BC

SBC

BGS

SC

MH

MS

Sub- base

SAFL

SAL

SLC

SS

SB

     

SMC

SAFL

SAL

Reforço

SLC

SS

A Questão do Subleito

Para se tentar abordar de uma maneira simples, mas conceitual, de que forma um pavimento flexível responde mecanicamente às ações verticais impostas, pode-se recorrer ao modelo apresentado na Figura 1.2.

As camadas de revestimento, base e subleito, são neste modelo admitidas como molas com rigidez decrescente. Sob a ação de uma carga a mola de menor rigidez fica sujeita a maior deformação quando trabalham conjuntamente.

Logicamente o modelo não representa a realidade se pensado em termos de tensão sobre cada camada, pois neste caso todas as molas ficam sujeitas a esforços de compressão idênticos, o que não é verdade no sistema real (Figura 1.3).

idênticos, o que não é verdade no sistema real (Figura 1.3). Figura 1.2 Modelo hipotético de

Figura 1.2 Modelo hipotético de um pavimento flexível

Figura 1.3 Distribuição de tensões no pavimento flexível Contudo o modelo é útil para elucidar

Figura 1.3 Distribuição de tensões no pavimento flexível Contudo o modelo é útil para elucidar a preocupação imediata com a deformação vertical excessiva que pode ocorrer no subleito, comparado às

demais camadas, uma vez que normalmente o solo do subleito é o material com piores características quanto à deformação.

É importante compreender que embora cada uma das camadas apresente

independentemente uma dada deformação vertical, a deformação total da estrutura será o somatório das deformações parciais sofridas por cada uma das camadas.

Tendo em vista que todas as camadas trabalham em conjunto e de forma solidária, o deslocamento total sobre a base do pavimento é também condicionado pela deformação do subleito, que pode ser incompatível com a capacidade de deformação da base, gerando um estado de tensões que levariam a mesma a apresentar comportamento anômalo.

Desde o início do século XX, com o crescimento da indústria automobilística

e a evidente necessidade de se pavimentar grande quantidade de vias, ao

menos para permitir uma melhor traficabilidade, os subleitos tornaram-se o ponto central de análise para serem tomadas decisões quanto ao pavimento mais adequado a cada caso, dando ensejo ao primeiro modelo empírico de

dimensionamento de pavimentos flexíveis (CBR, em 1929), quando então tomou-se como critério predominante de ruptura a deformação plástica excessiva do subleito.

É importante neste ponto realizar um contraponto entre os pavimentos flexíveis e aqueles ditos rígidos quanto à tal questão. O modelo hipotético apresentado na Figura 1.3 anteriormente poderia intuir o entendimento quanto ao comportamento de um pavimento flexível, que a bem da verdade seria no sistema real um sólido elástico, por exemplo. As placas de concreto com uma espessura e comprimento tal que as tensões de cisalhamento verticais tornem -se desprezíveis (placas

medianamente delgadas), trabalham sob a ação de cargas em estado plano de tensões, muito mais próximo de uma laje totalmente apoiada. Dada a elevada rigidez do concreto face às demais camadas inferiores do pavimento (até de 100 a 1.000 vezes), deforma-se praticamente absorvendo em sua toda extensão aos esforç os aplicados, sendo que a deformação elástica unitária do concreto em termos práticos desprezível.

Nessas condições o deslocamento sofrido no topo da placa de concreto é idêntico àquele ocorrente no fundo da placa, seja no concreto ou no topo da camada inferior. Em outras palavras está-se dizendo que a deformação nas camadas inferiores é controlada pela placa (além de bastante aliviada). Assim, preocupações excessivas em torno da capacidade portante de subleitos no caso de pavimentos de concreto não seriam a princípio justificáveis, obviamente não se admitindo tais pavimentos sobre solos sujeitos a recalques.

Embora tais diferenças de significado na capacidade portante dos solos seja evidente entre pavimentos rígidos e pavimentos flexíveis, o engenheiro deverá ter em conta que aspectos relacionados à drenagem do pavimento e à expansibilidade do solo à água são extremamente relevantes para a decisão final da aceitação de um dado tipo de solo para subleito, mesmo no caso de pavimentos de concreto.

Classificação dos Pavimentos

Na obra “Pavimentos Asfálticos – Patologias e Manutenção” procuramos enfrentar conceitualmente a questão de como classificar os pavimentos, o que procuramos reproduzir e ampliar neste texto para melhor situar uma classificação do ponto de vista prático, o que é desejado neste momento. Para iniciar, nos apoiaremos em dois manuais clássicos de pavimentação, um de origem inglesa e outro americano.

Croney & Croney [1] classicamente dividem em dois grupos os pavimentos, empregando tão somente rígido (que obriga a presença de revestimento em concreto de cimento Portland) e flexível (que sempre comportaria um revestimento betuminoso), de tal forma que o uso de um dos mesmos elimina a hipótese restante.

Yoder & Witczak [2] também se restringem aos termos rígido e flexível, apresentando definições similares, de maneira que tais escolas tradicionalmente, na linguagem técnica internacional, acabaram impondo estas duas classes aparentemente bem definidas de pavimentos.

Classificar os pavimentos, fugindo da simplicidade da classificação tradicional anteriormente mencionada, sempre foi motivo para alguma polêmica (por exemplo: “uma porta está aberta ou fechada e nunca semi- aberta,; portanto um pavimento não pode ser semi–rígido”); aliás, nunca se tirou algo muito didático ou conceitual deste tipo de discussão. A terminologia empregada especialmente na Europa parece ser mais maleável e guia para as tentativas de classificação.

Certa ocasião o Prof. Willy Wilk me relatou que teria resolvido esse tipo de dúvida muito freqüente em salas de aula, ou seja, se um pavimento é rígido

ou flexível, por meio de um artifício imaginativo: tome-se uma viga bi– apoiada com uma carga sendo ciclicamente aplicada no meio de sua extensão; após inúmeras aplicações de tal carga, duas condições seriam possíveis de ser averiguadas.

Em uma das possibilidades, a viga apresentaria uma capacidade de deformação elástica (recuperável) de magnitude muito superior à deformação plástica (permanente) ocorrida, esta última representada por uma alteração da superfície superior da viga em relação ao plano original, após cessada a ação das forças repetitivas; em tal situação dever-se-ia considerar a estrutura como rígida. No outro caso, após inúmeras aplicações de carga, o somatório das deformações plásticas ocorridas na viga seriam de maior magnitude que a deformação elástica verificada a cada aplicação de carga; ter-se-ia então uma estrutura flexível (i.e., sujeita a deformações residuais significativas).

Da explicação infere-se que tal definição esbarra no fato de o material que constitui a viga ter maior ou menor capacidade de acumular energia de deformação. Ou seja, os termos rígido e flexível dependerão essencialmente da natureza dos materiais que compõe a peça estrutural.

Isto gera alguma dificuldade já que um pavimento é composto por diversas camadas, em geral, pelo menos duas delas com propriedades elásticas muito diferentes. E como ficaria neste caso, classificar a estrutura como um todo para se afastar do fato de que o pavimento é composto simultaneamente por materiais mais rígidos e outros mais flexíveis?

As definições clássicas [1,2] são concordantes: pavimentos rígidos obrigam a presença de uma camada superficial em concreto de cimento Portland e

pavimentos flexíveis, po r sua vez, são compostos por camadas de rolamento elaboradas com algum tipo de mistura asfáltica.

Bem, daí já surge um problema interessante; atualmente, os europeus têm aplicado com certa freqüência um tipo de pavimento denominado composto, que consiste de um pavimento de concreto (continuamente armado) revestido por uma camada de rolamento de mistura asfáltica porosa ou densa (3), de pequena espessura. Será um pavimento dessa natureza flexível? O bom senso negaria tal possibilidade.

Caso similar ao anterior, dentre tantos, é aquele da Avenida Brasil na capital paulista, como em tantas outras vias, onde trechos originalmente executados em pavimento de concreto sofreram sucessivos recobrimentos com misturas asfálticas. Outro caso relevante é a execução de whitetopping sobre um pavimento asfáltico (aplicação de nova camada de rolamento em concreto); o pavimento assim reforçado será então rígido ou flexível, como era anteriormente classificado?

Existe em meio a tantas colocações, algo a ser recordado. Tome-se novamente as definições clássicas de pavimentos anteriormente citadas (1,2). A diferença evidentemente notável, pois facilmente mensurável, entre o pavimento rígido e o pavimento flexível é que este último apresenta uma maior e mais expressiva deformação elástica (chamada no meio rodoviário por deflexão).

Tal diferença de comportamento pode ser entendida intuitivamente considerando a rigidez de uma placa de concreto comparada àquela de um revestimento asfáltico, material com módulo de deformação muito inferior ao concreto e normalmente empregado com espessuras esbeltas. Todo o domínio da placa trabalha para absorver as cargas aplicadas, ocorrendo

ainda que de maneira aproximada, um estado plano de tensões, quando as deformações verticais sofridas pela placa seriam desprezíveis comparadas às demais deformações em um plano horizontal.

Este efeito faz com que ocorra uma distribuição mais uniforme das pressões verticais sob a placa (Figura 1.4), podendo-se admitir que tais pressões distribuem-se igualmente so bre toda a área de apoio, em contraposição ao caso do revestimento em mistura asfáltica, quando as pressões verticais tendem a se concentrar nas proximidades da região carregada. Em tais condições, os efeitos de cargas sobre os subleitos tornam-se bem mais amenos no caso de um pavimento de concreto.

bem mais amenos no caso de um pavimento de concreto. Figura 1.4 Formas de distribuição de

Figura 1.4 Formas de distribuição de pressões verticais em pavimentos

Neste ponto é necessário um extremo cuidado, pois novamente as definições clássicas apresentadas estão sujeitas a algumas objeções; exem plo de tais restrições são pavimentos com revestimentos asfálticos muito espessos devido a sucessivos serviços de reforços (recapeamentos) que apresentam em conseqüência baixos níveis de deformação, pelo menos durante o tempo em que a base do pavimento se encontre íntegra.

Em estados da região norte e nordeste dos EUA é comum a aplicação de pavimentos com base asfáltica e revestimento asfáltico, resultando em grandes espessuras de misturas asfálticas aplicadas diretamente sobre o subleito (tipo full depth asphalt). Quando tal pavimento é submetido a temperaturas muito baixas fica sujeito a uma alteração peculiar: o módulo de resiliência do material aumenta expressivamente, a ponto de aproximar- se daquele de um concreto compactado com rolo, além de ocorrer retração

térmica (o asfalto é termosuscetível), manifestada através de transversais espaçadas durante invernos rigorosos.

fissuras
fissuras

Observe-se que no caso narrado estar-se-ia diante de verdadeiras placas de concreto asfáltico que apresentariam então compo rtamento rígido quanto à distribuição dos esforços sobre o subleito. Desta maneira, as definições clássicas sobre tipos de pavimento caem por terra, pois a resposta do pavimento asfáltico às cargas seria semelhante ao um pavimento de concreto.

Já se ouviu também a opinião de que pavimento flexível é aquele cujo revestimento asfáltico não fica submetido a esforços de tração, o que não pode ser tomado como verdadeiro pois pavimentos flexíveis com pequenas espessuras de revestimento asfáltico (40 mm por exemplo) apresentam esforços de tração em vários pontos de seu revestimento.

Não exaurindo a questão da classificação dos pavimentos ainda restam os casos de estruturas que apresentam uma camada de base ou de sub-base (ou ainda ambas) tratadas com cimento, sendo o revestimento composto por mistura asfáltica ou tratamento superficial. Como classificar tal tipo de pavimento?

Recorrendo a resultados obtidos de testes em escala real nos laboratórios da Portland Cement Association (4), alguns esclarecimentos são possíveis sobre a capacidade de difusão de tensões sobre o subleito inerentes às bases estabilizadas com cimento Portland, seja o material básico da mistura constituído de solo fino ou de agregados, bem ou mal graduado. Os experimentos mostraram que as pressões transmitidas ao subleito, por cargas idênticas, eram equivalentes para espessuras de 250 mm de material granular não tratado e de 100 mm de materiais tratados com cimento, refletindo assim a grande capacidade desses últimos no que concerne à difusão de pressões sobre o subleito.

Pavimentos asfálticos que utilizam bases ou sub-bases cimentadas são genericamente denominados por pavimentos semi-rígidos na literatura técnica internacional. Deve-se estar atento a tal definição face ao processo de fadiga que tais materiais tratados com cimento podem apresentar decorrente da interação das cargas dinâmicas com a estrutura, fazendo com que a capacidade de difusão de tensões inicialmente apresentada pelos materiais tratados com cimento diminua consideravelmente, alterando assim o comportamento mecânico da estrutura do pavimento, que passaria então a responder como uma estrutura flexível.

Algumas vezes também se referência a um suposto tipo de pavimento semi-flexível, aplicável àqueles pavimentos com revestimento em blocos pré-moldados de concreto e demais camadas granulares. Observe que nesse caso, se a área de contato do pneu fosse aproximadamente do mesmo tamanho que a área de um bloco, ou dois que sejam, esse novo termo não necessitava ter sido criado, pois intuitivamente tal pavimento responderia à ação das cargas como um pavimento flexível.

Ainda ocorrem outras tentativas de classificação dos pavimentos que parecem tentar escapar das dificuldades tradicionais de classificação:

classificar não a estrutura como um todo mas sim, camada por camada, agrupando cada uma delas em tipos rígidos, flexíveis ou ainda semi-rígidos (sem muita clareza neste último caso). Ainda assim, tais tentativas acabam por se tornar muito longas e não obrigatoriamente dizem respeito ao comportamento da estrutura como um todo, além de pouco conceituais, pois não abrem a possibilidade de se aprender a raciocinar sobre a resposta mecânica dos pavimentos.

Muitas idéias e conclusões podem decorrer da reflexão dos parágrafos anteriores. Apresentam-se aqui duas considerações importantes do ponto de vista conceitual:

Ao classificar um pavimento é necessário ter presente que os termos rígido e flexível dizem respeito ao comportamento da estrutura como um todo (com especial destaque para a diferença existente no que tange à transmissão de tensões para o subleito); os mesmos termos podem ser enganosos quanto aos tipos de materiais empregados, pois, dependendo de condições climáticas, como exemplo, o concreto asfáltico será um material bastante rígido ou bastante flexível.

Quando se empregar as expressões “pavimento asfáltico” ou “pavimento de concreto” se consegue definir com precisão o tipo de camada de rolamento existente na estrutura; mas não obrigatoriamente seu comportamento mecânico no caso de pavimentos asfálticos.

Assim, julga-se oportuno aqui dizer que ao classificar um pavimento é conveniente que seja empregada terminologia consagrada pela literatura internacional (os anos hoje são da Globalização e da Internet, não havendo

desculpas portanto), como no caso de pavimentos compostos (3) ou de pavimentos semi-rígidos (5), ou procure -se esclarecer o porquê do emprego de uma dada expressão. Na Tabela 1.3 é apresentado uma proposta auxiliar para a classificação de pavimentos.

Cada tipo de estrutura de pavimento apresentará, no decorrer de sua vida de serviço, patologias (ou defeitos) bastante relacionadas não somente aos materiais empregados como também relacionadas ao seu comportamento mecânico, peculiar de cada pavimento.

Assim, não apenas material, mas material e comportamento, serão informações muito úteis ao engenheiro na tentativa de entender os problemas que se manifestam em pavimentos e terão bastante influência nas técnicas que serão empregadas para serviços de manutenção.

Tabela 1.3 Classificação de pavimentos

Classificação

 

Definições

   

Observações e Associações

 
 

Composto por revestimento em concreto de cimento Portland

O

termo diz respeito ao material usado no

revestimento, podendo ser empregado qualquer

Pavimento de

vibrado ou compactado, com ou

que

fosse o tipo de base presente na estrutura

Concreto

sem

juntas, armado ou não,

desde que o revestimento fosse em algum tipo de concreto.

incluindo

os

blocos

pré-

moldados.

   
 

Pavimento

 

que

 

possui

Talvez o termo menos preciso dentre os demais possíveis; o termo refere-se ao material usado no revestimento, sendo comum empregá-lo ao caso de pavimentos que além disso apresentem comportamento flexível.

Pavimento Asfáltico

revestimento asfáltico.

 

Pavimento full

Composto exclusivamente por camadas de misturas asfálticas aplicadas sobre o subleito. Termo consagrado e não traduzido.

A expressão precisa com clareza o tipo de material presente em camadas. Dependendo das espessuras

e

de

condições

climáticas,

poderá

ter

depth asphalt

comportamento rígido ou flexível.

 
 

É o pavimento cuja camada superior, absorvendo grande parcela de esforços horizontais solicitantes, acaba por gerar pressões verticais bastante aliviadas e bem distribuídas sobre as camadas inferiores.

O

termo dá noção de comportamento. Se um

Pavimento Rígido

revestimento asfáltico for muito espesso ou vier apresentar módulo de resiliência muito acima dos padrões normais, poderá conceder ao pavimento comportamento rígido. É comum aplica-lo aos pavimentos de concreto excluídos aqueles de blocos pré-moldados e os whitetoppings ultradelgados.

 

É o pavimento no qual absorção

O

termo dá noção de comportamento. Um

de

esforços

se

de

forma

pavimento semi-rígido na medida que sua camada cimentada degrada e fissura, vai pouco a pouco apresentando comportamento flexível em termos

de

distribuição de tensões. É aplicado ao caso de

dividida

entre

 

as

camadas,

Pavimento Flexível

tendo -se as tensões verticais em camadas inferiores mais concentradas em região próxima da área de aplicação da carga.

pavimentos asfálticos com bases não tratadas com

cimento podendo ser aplicado sem nenhuma dificuldade aos tradicionais pavimentos revestidos

 

com

paralelepípedos.

 
 

Composto

por

revestimento

Estrutura híbrida ou mista: base em mistura betuminosa e sub-base em material tratado com cimento. Estrutura sanduíche: base granular não tratada e sub-base tratada com cimento.

asfáltico e base ou sub -base em

material tratado

com

cimento

Pavimento Semi–

(brita

ou

solo)

de

elevada

Rígido

rigidez,

excluídos

quaisquer

tipos

de

concreto.

 

Termo

 

internacionalmente consagrado pela PIARC.

Pavimentos de Blocos de Concreto

Pavimentos com blocos intertravados ou articulados de concreto como revestimento. Termo internacionalmente adotado. A PIARC classifica tais pavimentos dentro de um senso geral como Compostos. Algumas vezes são denominados arbitrariamente no Brasil por semi–flexíveis, que é um termo não consagrado e que deve ser evitado

Termo diz respeito ao tipo de revestimento (bloco de concreto pré-moldado) empregado. Seu comportamento será rígido ou flexível em função da presença de camada tratada com cimento ou não. (Em língua inglesa empregam -se as expressões precasted block).

 

Possui revestimento asfáltico

Um

pavimento de concreto que depois de certo

esbelto (em geral poroso) sobre concreto de cimento Portland.

período

de

serviço

recebesse

um

reforço

em

mistura asfáltica poderia ser classificado dessa

Este

termo

é

consagrado

maneira.

 

Pavimento

internacionalmente. Também se aplica aos whitetoppings ultradelgados devido ao seu comportamento estrutural dependente da aderência entre CCP e CA.

 

Composto