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Universidade do Sul de Santa Catarina

Auditoria Ambiental

Disciplina na modalidade a distância

Palhoça

UnisulVirtual

2011

Créditos

Universidade do Sul de Santa Catarina | Campus UnisulVirtual | Educação Superior a Distância

Avenida dos Lagos, 41 – Cidade Universitária Pedra Branca | Palhoça – SC | 88137-900 | Fone/fax: (48) 3279-1242 e 3279-1271 | E-mail : cursovirtual@unisul.br | Site : www.unisul.br/unisulvirtual

Reitor

Vice-Reitor

Coordenadores Graduação

Ailton Nazareno Soares

Sebastião Salésio Heerdt

Aloísio José Rodrigues Ana Luísa Mülbert Ana Paula R.Pacheco Artur Beck Neto

Chefe de Gabinete da Reitoria Willian Corrêa Máximo

Bernardino José da Silva Charles Odair Cesconetto da Silva Dilsa Mondardo

Pró-Reitor de Ensino e Pró-Reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação Mauri Luiz Heerdt

Diva Marília Flemming Horácio Dutra Mello Itamar Pedro Bevilaqua Jairo Afonso Henkes Janaína Baeta Neves

Pró-Reitora de Administração Acadêmica Miriam de Fátima Bora Rosa

Jorge Alexandre Nogared Cardoso José Carlos da Silva Junior José Gabriel da Silva José Humberto Dias de Toledo

Pró-Reitor de Desenvolvimento e Inovação Institucional Valter Alves Schmitz Neto

Joseane Borges de Miranda Luiz G. Buchmann Figueiredo Marciel Evangelista Catâneo Maria Cristina Schweitzer Veit

Diretora do Campus Universitário de Tubarão Milene Pacheco Kindermann

Maria da Graça Poyer Mauro Faccioni Filho Moacir Fogaça Nélio Herzmann

Diretor do Campus Universitário da Grande Florianópolis Hércules Nunes de Araújo

Onei Tadeu Dutra Patrícia Fontanella Roberto Iunskovski Rose Clér Estivalete Beche

Secretária-Geral de Ensino

Diretora do Campus

Vice-Coordenadores Graduação

Solange Antunes de Souza

Universitário UnisulVirtual Jucimara Roesler

Adriana Santos Rammê Bernardino José da Silva Catia Melissa Silveira Rodrigues Horácio Dutra Mello Jardel Mendes Vieira

Coordenadores Pós-Graduação

Aloísio José Rodrigues

Equipe UnisulVirtual

Joel Irineu Lohn José Carlos Noronha de Oliveira

Diretor Adjunto

José Gabriel da Silva José Humberto Dias de Toledo

Moacir Heerdt

Luciana Manfroi

Secretaria Executiva e Cerimonial

Rogério Santos da Costa

Jackson Schuelter Wiggers (Coord.) Marcelo Fraiberg Machado Tenille Catarina

Rosa Beatriz Madruga Pinheiro Sergio Sell Tatiana Lee Marques

Assessoria de Assuntos Internacionais

Murilo Matos Mendonça

Assessoria de Relação com Poder Público e Forças Armadas

Valnei Carlos Denardin Sâmia Mônica Fortunato (Adjunta)

Anelise Leal Vieira Cubas Bernardino José da Silva

Adenir Siqueira Viana Walter Félix Cardoso Junior

Carmen Maria Cipriani Pandini Daniela Ernani Monteiro Will

Assessoria DAD - Disciplinas a Distância

Giovani de Paula Karla Leonora Dayse Nunes Letícia Cristina Bizarro Barbosa

Patrícia da Silva Meneghel (Coord.) Carlos Alberto Areias Cláudia Berh V. da Silva Conceição Aparecida Kindermann Luiz Fernando Meneghel Renata Souza de A. Subtil

Luiz Otávio Botelho Lento Roberto Iunskovski Rodrigo Nunes Lunardelli Rogério Santos da Costa Thiago Coelho Soares Vera Rejane Niedersberg Schuhmacher

Gerência Administração

Assessoria de Inovação e Qualidade de EAD

Denia Falcão de Bittencourt (Coord.) Andrea Ouriques Balbinot Carmen Maria Cipriani Pandini

Acadêmica Angelita Marçal Flores (Gerente) Fernanda Farias

Secretaria de Ensino a Distância

Assessoria de Tecnologia

Osmar de Oliveira Braz Júnior (Coord.) Felipe Fernandes Felipe Jacson de Freitas Jefferson Amorin Oliveira Phelipe Luiz Winter da Silva Priscila da Silva Rodrigo Battistotti Pimpão Tamara Bruna Ferreira da Silva

Coordenação Cursos

Samara Josten Flores (Secretária de Ensino) Giane dos Passos (Secretária Acadêmica)

Adenir Soares Júnior Alessandro Alves da Silva Andréa Luci Mandira Cristina Mara Schauffert Djeime Sammer Bortolotti Douglas Silveira Evilym Melo Livramento Fabiano Silva Michels Fabricio Botelho Espíndola

Coordenadores de UNA

Felipe Wronski Henrique

Diva Marília Flemming Marciel Evangelista Catâneo Roberto Iunskovski

Gisele Terezinha Cardoso Ferreira Indyanara Ramos Janaina Conceição

Auxiliares de Coordenação

Jorge Luiz Vilhar Malaquias Juliana Broering Martins

Ana Denise Goularte de Souza Camile Martinelli Silveira Fabiana Lange Patricio Tânia Regina Goularte Waltemann

Luana Borges da Silva Luana Tarsila Hellmann Luíza Koing Zumblick Maria José Rossetti

Marilene de Fátima Capeleto Patricia A. Pereira de Carvalho Paulo Lisboa Cordeiro Paulo Mauricio Silveira Bubalo Rosângela Mara Siegel Simone Torres de Oliveira Vanessa Pereira Santos Metzker Vanilda Liordina Heerdt

Gestão Documental

Lamuniê Souza (Coord.) Clair Maria Cardoso Daniel Lucas de Medeiros Jaliza Thizon de Bona Guilherme Henrique Koerich Josiane Leal Marília Locks Fernandes

Gerência Administrativa e Financeira

Renato André Luz (Gerente) Ana Luise Wehrle Anderson Zandré Prudêncio Daniel Contessa Lisboa Naiara Jeremias da Rocha Rafael Bourdot Back Thais Helena Bonetti Valmir Venício Inácio

Gerência de Ensino, Pesquisa e Extensão

Janaína Baeta Neves (Gerente) Aracelli Araldi

Elaboração de Projeto

Carolina Hoeller da Silva Boing Vanderlei Brasil Francielle Arruda Rampelotte

Reconhecimento de Curso

Maria de Fátima Martins

Extensão

Maria Cristina Veit (Coord.)

Pesquisa

Daniela E. M. Will (Coord. PUIP, PUIC, PIBIC)

Mauro Faccioni Filho (Coord. Nuvem)

Pós-Graduação

Anelise Leal Vieira Cubas (Coord.)

Biblioteca

Salete Cecília e Souza (Coord.) Paula Sanhudo da Silva Marília Ignacio de Espíndola Renan Felipe Cascaes

Gestão Docente e Discente

Enzo de Oliveira Moreira (Coord.)

Capacitação e Assessoria ao Docente

Alessandra de Oliveira (Assessoria) Adriana Silveira Alexandre Wagner da Rocha Elaine Cristiane Surian (Capacitação) Elizete De Marco Fabiana Pereira Iris de Souza Barros Juliana Cardoso Esmeraldino Maria Lina Moratelli Prado Simone Zigunovas

Tutoria e Suporte

Anderson da Silveira (Núcleo Comunicação)

Claudia N. Nascimento (Núcleo Norte-

Nordeste)

Maria Eugênia F. Celeghin (Núcleo Pólos) Andreza Talles Cascais Daniela Cassol Peres Débora Cristina Silveira Ednéia Araujo Alberto (Núcleo Sudeste) Francine Cardoso da Silva Janaina Conceição (Núcleo Sul) Joice de Castro Peres Karla F. Wisniewski Desengrini Kelin Buss Liana Ferreira Luiz Antônio Pires Maria Aparecida Teixeira Mayara de Oliveira Bastos Michael Mattar

Patrícia de Souza Amorim Poliana Simao Schenon Souza Preto

Gerência de Desenho e Desenvolvimento de Materiais Didáticos

Márcia Loch (Gerente)

Desenho Educacional

Cristina Klipp de Oliveira (Coord. Grad./DAD) Silvana Souza da Cruz (Coord. Pós/Ext.) Aline Cassol Daga Aline Pimentel Carmelita Schulze Daniela Siqueira de Menezes Delma Cristiane Morari Eliete de Oliveira Costa Eloísa Machado Seemann Flavia Lumi Matuzawa Geovania Japiassu Martins Isabel Zoldan da Veiga Rambo João Marcos de Souza Alves Leandro Romanó Bamberg Lygia Pereira Lis Airê Fogolari Luiz Henrique Milani Queriquelli Marcelo Tavares de Souza Campos Mariana Aparecida dos Santos Marina Melhado Gomes da Silva Marina Cabeda Egger Moellwald Mirian Elizabet Hahmeyer Collares Elpo Pâmella Rocha Flores da Silva Rafael da Cunha Lara Roberta de Fátima Martins Roseli Aparecida Rocha Moterle Sabrina Bleicher Verônica Ribas Cúrcio

Acessibilidade

Vanessa de Andrade Manoel (Coord.) Letícia Regiane Da Silva Tobal Mariella Gloria Rodrigues Vanesa Montagna

Avaliação da aprendizagem

Claudia Gabriela Dreher Jaqueline Cardozo Polla Nágila Cristina Hinckel Sabrina Paula Soares Scaranto Thayanny Aparecida B. da Conceição

Gerência de Logística

Jeferson Cassiano A. da Costa (Gerente)

Logísitca de Materiais

Carlos Eduardo D. da Silva (Coord.) Abraao do Nascimento Germano Bruna Maciel Fernando Sardão da Silva Fylippy Margino dos Santos Guilherme Lentz Marlon Eliseu Pereira Pablo Varela da Silveira Rubens Amorim Yslann David Melo Cordeiro

Avaliações Presenciais

Graciele M. Lindenmayr (Coord.) Ana Paula de Andrade Angelica Cristina Gollo Cristilaine Medeiros Daiana Cristina Bortolotti Delano Pinheiro Gomes Edson Martins Rosa Junior Fernando Steimbach Fernando Oliveira Santos Lisdeise Nunes Felipe Marcelo Ramos Marcio Ventura Osni Jose Seidler Junior Thais Bortolotti

Gerência de Marketing

Eliza B. Dallanhol Locks (Gerente)

Relacionamento com o Mercado Alvaro José Souto

Relacionamento com Polos Presenciais

Alex Fabiano Wehrle (Coord.)

Karine Augusta Zanoni Marcia Luz de Oliveira Mayara Pereira Rosa Luciana Tomadão Borguetti

Assuntos Jurídicos

Bruno Lucion Roso Sheila Cristina Martins

Marketing Estratégico

Rafael Bavaresco Bongiolo

Portal e Comunicação

Catia Melissa Silveira Rodrigues Andreia Drewes Luiz Felipe Buchmann Figueiredo Rafael Pessi

Gerência de Produção

Arthur Emmanuel F. Silveira (Gerente) Francini Ferreira Dias

Design Visual

Pedro Paulo Alves Teixeira (Coord.) Alberto Regis Elias Alex Sandro Xavier Anne Cristyne Pereira Cristiano Neri Gonçalves Ribeiro Daiana Ferreira Cassanego Davi Pieper Diogo Rafael da Silva Edison Rodrigo Valim Fernanda Fernandes Frederico Trilha Jordana Paula Schulka Marcelo Neri da Silva Nelson Rosa Oberdan Porto Leal Piantino

Multimídia

Sérgio Giron (Coord.) Dandara Lemos Reynaldo Cleber Magri Fernando Gustav Soares Lima Josué Lange

Conferência (e-OLA)

Carla Fabiana Feltrin Raimundo (Coord.) Bruno Augusto Zunino Gabriel Barbosa

Produção Industrial

Marcelo Bittencourt (Coord.)

Gerência Serviço de Atenção Integral ao Acadêmico

Maria Isabel Aragon (Gerente) Ana Paula Batista Detóni André Luiz Portes Carolina Dias Damasceno Cleide Inácio Goulart Seeman Denise Fernandes Francielle Fernandes Holdrin Milet Brandão Jenniffer Camargo Jessica da Silva Bruchado Jonatas Collaço de Souza Juliana Cardoso da Silva Juliana Elen Tizian Kamilla Rosa Mariana Souza Marilene Fátima Capeleto Maurício dos Santos Augusto Maycon de Sousa Candido Monique Napoli Ribeiro Priscilla Geovana Pagani Sabrina Mari Kawano Gonçalves Scheila Cristina Martins Taize Muller Tatiane Crestani Trentin

Carlos Henrique Orssatto

Auditoria Ambiental

Livro didático

Design instrucional Cristina Klipp de Oliveira

1ª edição revista

Palhoça

UnisulVirtual

2011

Copyright © UnisulVirtual 2011 Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio sem a prévia autorização desta instituição.

Edição – Livro Didático

Professor Conteudista Carlos Henrique Orssatto

Design Instrucional Cristina Klipp de Oliveira

Assistente Acadêmico Jaqueline Tartari (1ª ed. rev.)

Projeto Gráfico e Capa Equipe UnisulVirtual

Diagramação Diogo Rafael da Silva Daiana Ferreira Cassanego (1ª ed. rev.)

Revisão Ortográfica Amaline Boulus Issa Mussi

657.45

O86

Orssatto, Carlos Henrique Auditoria ambiental : livro didático / Carlos Henrique Orssato ; design instrucional Cristina Klipp de Oliveira ; [assistente acadêmico Jaqueline Tartari]. – 1. ed. rev. – Palhoça : UnisulVirtual, 2011.

180 p. : il. ; 28 cm.

Inclui bibliografia.

1. Auditoria ambiental. I. Oliveira, Cristina Klipp de. II. Tartari, Jaqueline. III. Título.

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul

Sumário

Apresentação

7

Palavras do

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Plano de estudo

11

UNIDADE 1 - Aspectos Conceituais e Formais da Auditoria

 

15

UNIDADE 2 - A Auditoria e a Gestão Empresarial

59

UNIDADE 3 - Auditoria em Gestão Ambiental

87

Para concluir o estudo

 

135

Referências

137

Sobre o professor conteudista

141

Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação

143

Glossário

147

Biblioteca Virtual

179

Apresentação

Este livro didático corresponde à disciplina Auditoria Ambiental.

O material foi elaborado, visando a uma aprendizagem

autônoma. Com este objetivo, aborda conteúdos especialmente selecionados e relacionados à sua área de formação. Ao adotar

uma linguagem didática e dialógica, objetivamos facilitar-lhe

o estudo a distância, proporcionando condições favoráveis às

múltiplas interações e a um aprendizado contextualizado e eficaz.

Lembre-se de que sua caminhada nesta disciplina será

acompanhada e monitorada constantemente pelo Sistema Tutorial

da UnisulVirtual. A indicação ‘a distância’ caracteriza apenas a

modalidade de ensino por que você optou para a sua formação.

E, nesta relação de aprendizagem, professores e instituição

estarão continuamente em conexão com você.

Então, sempre que sentir necessidade, entre em contato. Você tem à sua disposição diversas ferramentas e canais de acesso, tais como telefone, e-mail e o Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem, este que é o canal mais recomendado, pois tudo o

que for enviado e recebido fica registrado para seu maior controle

e comodidade. Nossa equipe técnica e pedagógica terá o maior

prazer em lhe atender, pois sua aprendizagem é o nosso principal objetivo.

Bom estudo e sucesso!

Equipe UnisulVirtual

Palavras do professor

Palavras do professor Seja bem-vindo(a) ao estudo da disciplina Auditoria Ambiental . A auditoria ambiental é

Seja bem-vindo(a) ao estudo da disciplina Auditoria

Ambiental. A auditoria ambiental é uma das áreas precursoras

da gestão ambiental. Para estudar a história do surgimento

desta ferramenta de gestão é necessário conhecer um pouco da própria história da indústria moderna.

Durante as décadas de 1960 e 1970, as indústrias passaram a ampliar o uso de tecnologias para o tratamento da poluição decorrente de sua produção. Este procedimento ficou

posteriormente conhecido como utilização de tecnologias de fim de tubo, uma vez que eram aplicadas para resolver o problema

da poluição depois de ela ter sido gerada. Foi justamente neste

período que as auditorias surgiram, de modo voluntário, nos Estados Unidos. Os requisitos da Securities and Exchange Commission (SEC) iriam consolidar as auditorias como ferramenta de avaliação.

O processo acelerado da distribuição da produção e venda de

produtos pelo Mundo incrementou as aquisições e fusões de empresas, fazendo surgir a necessidade das auditorias como uma forma de verificar o estado das empresas, seus problemas, suas estruturas, máquinas, tecnologias, trabalhistas, legais e ambientais. Mesmo após o processo de migração da produção entre países, é necessário proceder a auditorias de verificação

no sentido de manter o nível das atividades dentro das metas e procedimentos projetados.

A

partir do final da década de 1980, as auditorias ambientais

se

tornaram uma ferramenta comum de gestão nos países

desenvolvidos, e é cada vez maior sua aplicação nos países em desenvolvimento, tanto pelas empresas internacionais quanto pelas nacionais. Inicialmente, as auditorias consistiam de análises críticas do desempenho ambiental ou de auditorias de conformidade, uma vez que seu objetivo era reduzir os riscos dos investimentos em ações legais resultantes das operações

das empresas. Hoje há uma enorme pressão sobre os aspectos

ambientais das empresas, exercida pelos órgãos de fiscalização

e pela sociedade. Cresceu também o papel dos consumidores,

que buscam por produtos mais saudáveis, produzidos de forma

menos agressiva, e as universidades e instituições de ensino de modo geral, as ONGs e a opinião pública sinalizam às empresas

a necessidade de esforços na proteção ambiental.

A auditoria tornou-se um instrumento de orientação, mediação

e regulação, capaz de fazer com que o setor produtivo e, mais

recentemente, a administração pública possam estar engajados na manutenção da qualidade ambiental para as gerações presentes e futuras.

Prof. Carlos Henrique Orssatto

Plano de estudo

Plano de estudo O plano de estudos visa a orientá-lo(a) no desenvolvimento da disciplina. Ele possui

O plano de estudos visa a orientá-lo(a) no desenvolvimento da

disciplina. Ele possui elementos que o(a) ajudarão a conhecer o contexto da disciplina e a organizar o seu tempo de estudos.

O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva

em conta instrumentos que se articulam e se complementam, portanto, a construção de competências se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das diversas formas de ação/mediação.

São elementos desse processo:

„ o livro didático;

„ o Espaço Virtual de Aprendizagem (EVA);

„ as atividades de avaliação (a distância, presenciais e de autoavaliação);

„ o Sistema Tutorial.

Ementa

Conceitos de auditoria. Tipos de auditoria. Escopo da

auditoria e regulamentos para auditoria ambiental. Auditoria

de conformidade legal. Diretrizes para auditoria ambiental.

Procedimentos de auditoria. Auditoria de sistemas de gestão ambiental. Perícias e laudos ambientais. Conceitos de qualidade e produtividade. Sistemas de gestão da qualidade total. Ferramentas e métodos para melhoria da qualidade.

Certificação pelas Normas ISO; Sistemas de Premiação para Qualidade e Produtividade. Planejamento e condução da auditoria ambiental. Instrumentos da auditoria ambiental.

Universidade do Sul de Santa Catarina

Objetivos

A auditoria passa a ser um instrumento de gestão ambiental

que visa ao desenvolvimento documentado e objetivo de um processo periódico de inspeção, análise e avaliação sistemática das condições, práticas e procedimentos ambientais de um agente poluidor. Neste sentido, o objetivo desta disciplina é capacitar o tecnólogo em gestão ambiental para compor o grupo responsável pela realização da Auditoria Ambiental, que poderá ser constituído por Auditores Ambientais, por técnicos habilitados do agente poluidor ou com a participação simultânea de ambos, obedecidas as competências e responsabilidades estabelecidas, encaminhado ao agente poluidor, que consolida os resultados da mesma em termos de não conformidades legais identificadas, e

sua respectivas evidências.

Carga Horária

A carga horária total da disciplina é de 30 horas-aula.

Conteúdo programático/objetivos

Veja, a seguir, as unidades que compõem o livro didático desta disciplina e os seus respectivos objetivos. Estes se referem aos resultados que você deverá alcançar ao final de uma etapa de estudo. Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de conhecimentos que você deverá possuir para o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias à sua formação.

Unidades de estudo: 3

Auditoria Ambiental

Unidade 1 - Aspectos Conceituais e Formais da Auditoria (8 h/a)

Serão observados os conceitos e tipos de auditoria de modo que o estudante não confunda esta atividade profissional, que possui uma grande amplitude de aplicações, entendendo aplicações, modelos e metodologias de trabalho.

Unidade 2 - A Auditoria e a Gestão Empresarial (4h/a)

A auditoria pode ter uma conotação negativa na medida que pode ser entendida como uma intervenção externa na empresa. Esta unidade busca desmistificar este entendimento demonstrando que mesmo nos processos compulsórios é possível identificar aspectos a serem melhorados, tornando a auditoria uma excelente ferramenta de melhoria de desempenho, independente de ser deliberada ou imposta, refletindo de modo positivo na produtividade e por consequência na proteção do ambiente.

Unidade 3 - Auditoria em Gestão Ambiental (15 h/a)

Existem metodologias de trabalho, procedimentos e protocolos. Esta unidade explora os elementos e procedimentos formais ligados às atividades de auditoria. A unidade aborda também aspectos ligados ao desempenho ambiental, apontando para a convergência entre as atividades de auditoria com a melhoria da performance ambiental das empresas.

Universidade do Sul de Santa Catarina

Universidade do Sul de Santa Catarina Agenda de atividades/ Cronograma „ Verifique com atenção o EVA

Agenda de atividades/ Cronograma

„ Verifique com atenção o EVA e organize-se para acessar a sala da disciplina periodicamente. O sucesso nos seus estudos depende da priorização do tempo para a leitura, da realização de análises e sínteses do conteúdo e da interação com os seus colegas e professor.

„ Não perca os prazos das atividades. Registre as datas no espaço a seguir, com base no cronograma da disciplina disponibilizado no EVA.

„ Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas ao desenvolvimento da disciplina.

Atividades obrigatórias Demais atividades (registro pessoal)
Atividades obrigatórias
Demais atividades (registro pessoal)

UNIDADE 1

Aspectos Conceituais e Formais da Auditoria

Objetivos de aprendizagem

„ Contextualizar e conceituar a auditoria.

„ Identificar a inserção da auditoria nos diferentes sistemas de fiscalização, certificação e controle.

„ Compreender os aspectos legais e os procedimentos formais envolvidos nas auditorias.

„ Conceber as situações em que são aplicados os diferentes tipos e formas de auditoria, em especial aquelas de Conformidade Legal, dos Sistemas de Gestão da Qualidade Total, tanto quanto as auditorias de Certificação pelas Normas ISO.

Seções de estudo

1

Seção 1

Conceitos de auditoria. Tipos de auditoria

Seção 2

Estrutura dos sistemas de regulação e normalização, diretrizes e procedimentos de auditoria

Seção 3

Auditoria de conformidade legal

Seção 4

Conceitos de qualidade e produtividade. Sistemas de gestão da qualidade total

Seção 5

Certificação pelas normas ISO

Universidade do Sul de Santa Catarina

Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Caro(a) aluno(a): Nesta unidade você poderá,

Para início de estudo

Caro(a) aluno(a):

Nesta unidade você poderá, entre outras coisas, contextualizar e conceituar a auditoria. Contextualizar significa dizer que você entenderá quando ou em que situações as auditorias ocorrem. Por outro lado, conceituar também é importante uma vez que as auditorias servem a várias finalidades e propósitos, tendo inclusive aspectos legais envolvidos no seu desenvolvimento. Portanto, mais do que definir formalmente o seu significado trata-se de saber, ao longo do seu desenvolvimento, se ela atinge os objetivos formais que justificaram a sua existência.

Você também verá nesta unidade conteúdos referentes à identificação e inserção da auditoria nos diferentes sistemas de fiscalização, certificação e controle. Em grande parte é esta inserção que define o próprio de conceito da auditoria.

Em geral, o que difere uma auditoria de outra em grande parte deve-se pela existência de finalidades e formalidades decorrentes dos aspectos legais e dos procedimentos formais envolvidos nas auditorias. Estes conteúdos fazem parte desta unidade, como também, as situações em que são aplicados os diferentes tipos e formas de auditoria, em especial aquelas de Conformidade Legal, dos Sistemas de Gestão da Qualidade Total, tanto quanto as auditorias de Certificação pelas Normas ISO.

Seção 1 - Conceitos de auditoria. Tipos de auditoria

Nesta seção, você poderá observar vários conceitos de auditoria ambiental, conceitos que não são excludentes, uma vez que possuem aplicações distintas e partem de vários atores sociais diferentes.

Auditoria Ambiental

De maneira geral, a auditoria ambiental é entendida como um processo planejado e sistêmico, utilizado para avaliar a natureza e a extensão das questões ambientais existentes em uma determinada organização, como também para verificar o grau de conformidade em relação a critérios legais e normativos.Auditoria Ambiental Pode ser realizada em qualquer tipo de planta industrial, comercial, prestação de serviços, de

Pode ser realizada em qualquer tipo de planta industrial, comercial, prestação de serviços, de pequeno ou de grande porte, ou em qualquer outro local onde há existência de problemas ambientais, de não atendimento à legislação, de poluição, identificando-os ou mesmo prevendo a sua ocorrência. É também utilizada para fornecer dados sobre a extensão dos impactos ambientais, quantificar a escala dos problemas ou examinar as causas e efeitos de uma possível remediação para determinada organização.

La Rovere (2000, p. 13) define um dos conceitos mais disseminados de auditoria ambiental, como sendo:

] [

a um determinado assunto, realizada por especialista no

objeto de exame, que faça uso de julgamento profissional

e comunique o resultado aos interessados (clientes). Ela pode ser restrita aos resultados de um dado domínio, ou mais ampla, abrangendo aspectos operacionais, de decisão e de controle.

um exame e/ou avaliação independente, relacionada

Uma auditoria ambiental também poderá ser utilizada para verificar o desempenho ambiental de qualquer tipo de organização, podendo ser pública ou privada, industrial, comercial ou de serviços, como também para verificar o nível de conformidade, com relação ao atendimento a padrões normativos, a exemplo das normas ISO 14001.

Falando em ISO, você sabe qual é o significado da sigla?o nível de conformidade, com relação ao atendimento a padrões normativos, a exemplo das normas ISO

Unidade 1

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Universidade do Sul de Santa Catarina

A ISO é a sigla da Organização Internacional de Normalização,

International

Organization for

Standardization

com sede em Genebra na Suíça, voltada para a normalização (ou normatização) em nível mundial. A ISO cria normas nos mais diferentes segmentos, variando de normas e especificações de produtos, matérias-primas, em todas as áreas (existem normas, por exemplo, para classificação de hotéis, café, usinas nucleares, etc.). Não se preocupe em gravar esta importante informação por agora: mais adiante, na Seção 5, você irá aprofundar os conhecimentos sobre este tema.

Bem, voltando ao assunto, pelo que você viu na definição de La Rovere (2000) a auditoria ambiental deve ser entendida como uma ferramenta técnica capaz de identificar, reduzir

e até eliminar os conflitos e possibilidades de processos

legais decorrentes dos problemas ambientais de empresas potencialmente poluidoras. Trata-se de um conjunto de atividades voltadas à prevenção ou correção de desvios de conduta no cumprimento dos procedimentos que regem a estrutura de funcionamento de uma empresa.

A auditoria auxilia as empresas a entenderem as suas operações

e os impactos que produzem no ambiente e na comunidade.

Identifica partes dos processos, etapas, atividades e funções, que poderiam atuar de maneira mais econômica, minimizando a geração de rejeitos e facilitando a reciclagem. Pode constituir, portanto, um poderoso instrumento de análise e aprimoramento de ações relativas ao gerenciamento ambiental, assegurando o fechamento do ciclo que une o planejamento ao desempenho das organizações públicas e privadas.

A comunidade empresarial usa a auditoria ambiental

como ferramenta de gestão que lhe possibilita controlar seu desempenho ambiental e evitar possíveis acidentes. A apresentação de resultados ao governo reduz a necessidade de fiscalização, mas não exclui a responsabilidade da supervisão, inspeção e gerenciamento do desempenho ambiental das empresas.

e gerenciamento do desempenho ambiental das empresas. Em nível mundial é a ISO que se preocupa

Em nível mundial é a ISO que se preocupa com as normas. E, no Brasil, você sabe quem faz este papel?

Auditoria Ambiental

No Brasil, as normas para auditoria ambiental foram publicadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT (1997),

a qual define Auditoria do Sistema de Gestão Ambiental - SGA

como:

um processo sistemático e documentado de verificação, executado para obter e avaliar, de forma objetiva, evidências que determinem se o sistema de gestão ambiental de uma determinada organização está em conformidade com os critérios de auditoria do sistema de gestão ambiental estabelecido, e para comunicar os resultados desse processo à administração.define Auditoria do Sistema de Gestão Ambiental - SGA como: Segundo a NBR ISO 14001/96, revisada

Segundo a NBR ISO 14001/96, revisada em 2004, a organização deve estabelecer e manter procedimentos para identificar os impactos ambientais de suas atividades, produtos ou serviços, adequando-os à política ambiental que formulou.

A ABNT NBR é a sigla de Norma Brasileira aprovada pela ABNT, de caráter voluntário e fundamentada no consenso da sociedade. Torna-se obrigatória, quando essa condição é estabelecida pelo poder público. Se você se deparar com apenas NR, trata-se da sigla de Norma Regulamentadora estabelecida pelo Ministério do Trabalho e Emprego, com caráter obrigatório.serviços, adequando-os à política ambiental que formulou. No Brasil, conforme você poderá ver mais tarde, na

No Brasil, conforme você poderá ver mais tarde, na seção 5,

a busca pela certificação de acordo com a norma NBR ISO

14001, além do aumento do rigor na aplicação da legislação ambiental, como também a determinação da realização de auditorias ambientais específicas para alguns setores, como por

exemplo, portos, terminais marítimos e atividades de exploração

e produção de petróleo em Estados como Santa Catarina,

Paraná, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Ceará e Amapá, levou as auditorias ambientais a fazer parte do cotidiano das empresas. Sobre o assunto da auditoria no âmbito da legislação brasileira,

você terá farto material na seção 2.

Adiantando um pouco o assunto, é necessário dizer que a auditoria ambiental está cada vez mais presente no dia-a-dia das instituições públicas através da cobrança empreendida pelos

Unidade 1

19

Universidade do Sul de Santa Catarina

Tribunais de Contas, os quais têm definido o uso da auditoria como um conjunto de procedimentos aplicados ao exame e avaliação dos aspectos ambientais envolvidos em políticas, programas, projetos e atividades desenvolvidas pelos órgãos e entidades sujeitos ao seu controle.

pelos órgãos e entidades sujeitos ao seu controle. Então, somente as empresas privadas estão sujeitas às

Então, somente as empresas privadas estão sujeitas às auditorias?

Cada vez mais cresce a importância das auditorias, inclusive aquelas de caráter ambiental, nas ações e contas públicas. Os Tribunais de Contas também exercem o controle externo das ações de responsabilidade do Governo Federal e Estadual, assim como da aplicação de recursos federais e estaduais em atividades relacionadas à proteção do meio ambiente.

A legítima competência para a atuação das Cortes de Contas

na proteção ao meio ambiente está amparada em diversos dispositivos legais. O artigo 225 da Constituição Federal de 1988, ao dispor que “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público

e

e

à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para presentes

futuras gerações”, consagra uma concepção inteiramente nova para a tutela dos valores ambientais, é extremamente abrangente, não deixando margem para outras interpretações quanto a essa questão.

Segundo a Organização Internacional das Entidades Superiores de Fiscalização – INTOSAI, a auditoria ambiental requer um critério totalizador, compreensivo, holístico e, para o caso das Entidades Fiscalizadoras Superiores (no Brasil, os Tribunais de Contas), necessariamente um enfoque governamental.

de Contas), necessariamente um enfoque governamental. O Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento

O Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento

- BIRD, em suas normas operacionais, define a auditoria

ambiental como um instrumento para determinar a natureza

e a extensão de todas as áreas de impacto ambiental de uma atividade existente.

Auditoria Ambiental

A auditoria identifica e justifica as medidas apropriadas

para reduzir as áreas de impacto, estima o custo dessas medidas e recomenda um calendário para a sua

implementação. Para determinados projetos, o Relatório

de Avaliação Ambiental consistirá apenas da auditoria

ambiental, em outros casos, a auditoria será um dos componentes do Relatório. (World Bank, 1999).

será um dos componentes do Relatório. (World Bank, 1999). Você acha que a atuação nas auditorias

Você acha que a atuação nas auditorias tende a diminuir ou aumentar nos próximos anos? Por quê? Descreva, a seguir, os motivos que levariam ao seu aumento ou à diminuição.

Os diferentes tipos de auditoria ambiental

Existem diferentes aplicações do termo “auditoria ambiental”, de acordo com os motivos que levam a empresa, os agentes externos ou órgãos públicos a aplicá-la. As aplicações variam de auditorias únicas até sofisticados programas, que se desenvolvem junto com a gestão empresarial de algumas empresas.

Independentemente de qual seja a sua solicitação, se externa ou interna à organização, é possível adequar a auditoria ambiental às reais necessidades da organização. Diferentes tipos de auditoria servem a esse propósito.

Os tipos mais comuns de auditoria utilizados pelas empresas são auditoria de gestão ambiental, auditoria de conformidade legal, auditoria de sistemas gerenciais, auditoria técnica e de processos, auditoria de risco, auditoria de desempenho e due diligence (ou de responsabilidade).

As auditorias podem ser classificadas em diferentes tipos, levando-se em consideração a natureza da parte auditada, seus objetivos e os critérios de auditoria.

Unidade 1

levando-se em consideração a natureza da parte auditada, seus objetivos e os critérios de auditoria. Unidade

21

Universidade do Sul de Santa Catarina

As auditorias, de acordo com a parte auditada, podem ser de primeira parte, segunda parte ou terceira parte.

As auditorias de primeira parte são conduzidas pela própria

também são

conhecidas como

auditorias internas.

organização, ou em seu nome, para análise crítica pela direção

e outros propósitos internos, e podem formar a base para uma autodeclaração de conformidade da organização. Em

muitos casos, particularmente em pequenas organizações,

a independência pode ser demonstrada pela liberdade de responsabilidades pela atividade sendo auditada.

Auditorias externas incluem aquelas auditorias geralmente chamadas de auditoria de segunda e terceira partes.

Na auditoria de segunda parte, o cliente da auditoria é o próprio cliente, atual ou potencial, do auditado, ou outra parte com interesse no sistema de gestão. Auditorias de segunda parte são realizadas por partes que têm um interesse na organização, tais como clientes, ou por outras pessoas em seu nome.

Já as auditorias de terceira parte são destinadas exclusivamente

à certificação independente. Auditorias de terceira parte são

realizadas por organizações externas de auditoria independente, tais como organizações que proveem certificados ou registros de conformidade com os requisitos da NBR ISO 9001 ou NBR ISO 14001.

Quando sistemas de gestão da qualidade e ambiental são auditados juntos, isto é chamado de auditoria combinada. Quando duas ou mais organizações de auditoria cooperam para auditar um único auditado, isto é chamado de auditoria conjunta.

As auditorias ambientais, de acordo com os seus objetivos, podem ser de:

„

certificação;

„

acompanhamento;

„

verificação de correções (follow-up);

„

responsabilidade (due diligence);

„

sítios;

„

compulsória.

Auditoria Ambiental

Nas auditorias de certificação avalia-se a adequação, também conhecida como conformidade, da empresa com princípios estabelecidos nas normas pelas quais a empresa esteja desejando certificar-se.

A auditoria de certificação ambiental (ISO 14001) é muito

semelhante à auditoria de SGA, porém deve ser conduzida por uma organização comercial e contratualmente independente da empresa, de seus fornecedores e clientes, além de ser credenciada pelo organismo competente.

As auditorias de acompanhamento têm como objetivo verificar

se

as condições de certificação continuam sendo cumpridas.

as auditorias de verificação, também conhecidas como de

correções (ou, em inglês: follow-up) têm por finalidade verificar se

as não-conformidades de auditorias anteriores foram corrigidas.

Por sua vez, nas auditoria de responsabilidade (due diligence), avalia-se o passivo ambiental das empresas, ou seja, suas responsabilidades ambientais efetivas e potenciais. Em geral, contabilizam-se como passivo ambiental os seguintes custos:

multas, taxas e impostos ambientais a serem pagos, gastos para implantação de procedimentos e tecnologias que possibilitem

o atendimento às não-conformidades, dispêndios necessários

à recuperação da área degradada e indenização à população afetada.

A auditoria de responsabilidade ou de “diligência devida” busca

a avaliação dos custos ambientais. Normalmente, as auditorias de

responsabilidade são associadas às fusões e aquisições de empresa para avaliações de potenciais obrigações pendentes e custos relativos a reparações ambientais de qualquer natureza.

As auditorias de sítios são bastante específicas, uma vez que se destinam a avaliar o estágio de contaminação de um determinado local. Trata-se de ferramentas importantíssimas na avaliação de passivos ambientais.

As auditorias ambientais compulsórias estão dispostas em

A seção 2 desta unidade irá tratar deste tipo de auditoria com maior profundidade.

vários estados brasileiros. Os Estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e Santa Catarina já exigem a realização de auditorias ambientais compulsórias. É aplicável independente do porte das empresas, pois é o potencial de poluição que vai

Unidade 1

23

Universidade do Sul de Santa Catarina

sugerir a necessidade de auditoria ou não. A realização de uma

auditoria ambiental compulsória dentre outras finalidades, auxilia

a empresa a conhecer seu desempenho ambiental e adequar-se à legislação ambiental aplicável a sua atividade.

Pesquise na internet sobre o desastre ambiental que ocorreu no chamado Love Canal, nos Estados Unidos da América (EUA), incidente ambiental que se desenvolveu entre as décadas de 1950 a 1970. A partir da análise deste caso, avalie o potencial das auditorias de sítios como ferramenta técnica, de investigação, nos casos de crimes ambientais.à legislação ambiental aplicável a sua atividade. De acordo com os critérios , as auditorias ambientais

De acordo com os critérios, as auditorias ambientais podem ser de:

„ conformidade legal;

„ desempenho ambiental;

„ sistemas de gestão ambiental.

A auditoria de conformidade legal (do inglês compliance)

busca avaliar a adequação da unidade auditada com a legislação

e os regulamentos aplicáveis. É chamada de auditoria da

conformidade, porque busca avaliar a ação, através de documentos, por exemplo, do auditado para determinar a conformidade.

Na auditoria de higiene e segurança é feita uma avaliação das questões de higiene (saúde) e segurança em relação a instalações ou processos específicos. Este tipo de auditoria será amplamente discutido na seção 3, fique atento(a).por exemplo, do auditado para determinar a conformidade. A auditoria de desempenho ambiental avalia a conformidade

A auditoria de desempenho ambiental avalia a conformidade

da unidade auditada com a legislação, os regulamentos aplicáveis e indicadores de desempenho ambiental-setorial aplicáveis à unidade. A ISO 14031 é a norma internacional que

Auditoria Ambiental

estabelece o procedimento relativo à avaliação do desempenho ambiental. Trata-se de uma avaliação de todos os aspectos da instituição quanto às ações sobre o meio ambiente. Inclui

a avaliação de desempenho da gerência, o cumprimento

de políticas ambientais internas, condicionantes externas e legislação existente.

Já no caso das auditorias de sistemas de gestão ambiental,

é realizada uma avaliação sistemática para determinar se o

sistema da gestão ambiental e o desempenho ambiental de uma empresa estão de acordo com sua política ambiental e se o sistema está efetivamente implantado e adequado para atender aos objetivos ambientais da organização.

A auditoria de sistema de gestão é uma ferramenta de gestão,

compreendendo uma avaliação sistemática, documentada, periódica e objetiva sobre como os equipamentos, gestão e organização ambiental estão desempenhando o objetivo de ajudar a proteger o meio ambiente.

A maioria das auditorias ambientais constitui uma combinação

de uma e outra forma de auditoria. Contudo o objetivo principal de qualquer auditoria ambiental é a realização de um diagnóstico da situação atual para verificar o que está faltando para que as empresas possam promover ações futuras que tragam a melhora do desempenho ambiental da empresa.

que tragam a melhora do desempenho ambiental da empresa. Deste modo, reflita alguns instantes e faça

Deste modo, reflita alguns instantes e faça uma pequena lista sobre os pontos que são comuns a todas as auditorias. Reconhecendo-os, você terá condição de saber avaliar qualquer auditoria, se ela possui os requisitos mínimos necessários.

Unidade 1

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Seção 2 - Estrutura dos sistemas de regulação e normalização, diretrizes e procedimentos de auditoria

O sistema brasileiro envolvido com a regulação ambiental

é descrito por uma estrutura de múltiplas competências representadas pelas ações no âmbito da União Federal (soberana), pelos Estados da Federação (autonomia) e pelos Municípios (com autonomia local).

Órgãos Nível Órgãos Reguladores Executores Executivo e Legislativo Federal Federal IBAMA CONAMA (Conselho
Órgãos
Nível
Órgãos Reguladores
Executores
Executivo e Legislativo Federal
Federal
IBAMA
CONAMA (Conselho Nacional)
Executivo e Legislativo Estadual
Estadual
Secretaria
Estadual de MA
CONDEMA (Conselhos Estaduais)
Executivo e Legislativo Municipal
Municipal
Secretaria
Municipal de MA
Conselhos Municipais de MA

Figura 1.1 - Sistema Nacional de Regulação Ambiental. Fonte: Do Autor, 2009.

A figura 1.1 representa o Sistema Nacional de Regulação

Ambiental, onde:

„ o Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) atua como órgão consultivo e deliberativo. Possui como finalidades assessorar, estudar e propor ao Conselho de Governo, diretrizes de políticas governamentais para o meio ambiente e os recursos naturais, além de deliberar, no âmbito de sua competência, sobre normas e padrões compatíveis com o meio ambiente ecologicamente equilibrado;

„ a Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da República é o órgão central que possui como finalidade planejar, coordenar, supervisionar e controlar a política nacional e as diretrizes governamentais fixadas para o meio;

Auditoria Ambiental

„ Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (IBAMA) é

o

o

órgão executor das políticas de meio ambiente e tem

como finalidade executar e fazer executar, como órgão federal, a política e diretrizes governamentais fixadas para o meio;

„ os estados da federação possuem autonomia através dos seus órgãos e entidades ambientais do âmbito do Estado, como por exemplo, as Secretarias Estaduais, bem como as fundações instituídas pelo Poder Público,

responsáveis pela proteção e melhoria da qualidade ambiental, constituindo o Sistema Estadual de Meio Ambiente – SEMA, assim estruturado:

No caso de Santa Catarina, a FATMA ou Fundação Estadual de Meio Ambiente.

I – órgão consultivo e deliberativo: o Conselho Estadual do Meio Ambiente – CONSEMA;

II – órgão central: a Secretaria Estadual do

Desenvolvimento Econômico Sustentável – SDS;

III – órgãos executores: a Fundação do Meio

Ambiente – FATMA e Polícia Militar Ambiental –

PMA;

IV – órgão julgador intermediário: Junta

Administrativa de Recurso de Infrações Ambientais –

JARIA;

V – órgãos locais: os órgãos ou entidades municipais

responsáveis pela execução de programas, projetos e

pelo controle e fiscalização de atividades capazes de provocar a melhoria da qualidade ambiental no âmbito

do município.

A própria Constituição Federal do Brasil, promulgada no ano de 1988, instituiu os principais Instrumentos da Legislação Brasileira sobre Meio Ambiente, sendo o principal deles, inserido na sua estrutura, de modo formal, o princípio do desenvolvimento sustentável.

Em sua essência, este princípio propõe no art. 225 que o “Desenvolvimento Sustentável é a utilização dos recursos

ambientais sem prejudicar ou impedir o uso pelas gerações

futuras” “[

]

e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.

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Embora o sistema legal esteja estruturado dentro de uma lógica bem elaborada de funcionamento, existem elementos que apontam para a desarticulação e falta de integração entre as políticas e os programas ambientais. Resultam daí ineficiências próprias de um sistema de aplicação das políticas públicas e ações governamentais, em que a tônica predominante é a da sobreposição espacial e de atribuições entre as instituições responsáveis por este processo. As instâncias responsáveis pela gestão das políticas e programas trabalham de maneira isolada, transparecendo elementos de desarticulação e coordenação.

elementos de desarticulação e coordenação. Uma política ambiental traduz-se em um instrumento legal

Uma política ambiental traduz-se em um instrumento legal que oferece um conjunto consistente de princípios doutrinários os quais conformam as aspirações sociais e/ou governamentais no que concerne à regulamentação ou modificação no uso, controle, proteção e conservação do ambiente. As normas, leis, políticas e demais instrumentos compõem a estrutura de gestão ambiental do país.

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) entende a gestão

ambiental como o conjunto de princípios, estratégias e diretrizes de ações e procedimentos para proteger a integridade dos meios físico e biótico, bem como a dos grupos sociais que deles dependem.

O IBAMA, órgão vinculado ao MMA entende a gestão

ambiental como sendo o processo de articulação das ações dos diferentes agentes sociais que interagem em um dado espaço com vistas a garantir a adequação dos meios de exploração dos recursos ambientais – naturais, econômicos e socioculturais – às especificidades do meio ambiente, com base em princípios e diretrizes previamente acordados/definidos.

Os recursos ambientais, nos termos da Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981, são:

„ a atmosfera;

„ as águas interiores, superficiais e subterrâneas;

„ os estuários;

„ o mar territorial;

Auditoria Ambiental

„ o solo;

„ o subsolo;

„ os elementos da biosfera;

„ a fauna; e

„ a flora.

Apenas estes dois exemplos indicam que a definição da gestão ambiental é, por si só, ampla e, em alguns aspectos, divergente. Frequentemente gestão ambiental é entendida como sinônimo das técnicas e dos instrumentos da política ambiental que visam minimizar os impactos antrópicos.

ambiental que visam minimizar os impactos antrópicos. O termo ANTRÓPICO é relativo à humanidade, à sociedade

O termo ANTRÓPICO é relativo à humanidade, à sociedade humana, à ação do homem. Termo de criação recente, empregado por alguns autores para qualificar um dos setores do meio ambiente, o meio antrópico, compreendendo os fatores políticos, éticos e sociais (econômicos e culturais) como um dos subsistemas do sistema ambiental, o subsistema antrópico.

O

Estado brasileiro utiliza basicamente três tipos de instrumentos

de

política pública:

„ comando e controle (padrões de emissões, licenciamento ambiental, proibição e restrições sobre a produção, comercialização e uso de determinados produtos);

„ econômico (tributação sobre a poluição, sobre o uso de recursos naturais, incentivos fiscais, criação e sustentação de mercados); e

„ não-econômico (educação ambiental, informações ao público, áreas de proteção ambiental).

As auditorias ambientais são exemplos de ferramentas acessórias à disposição dos órgãos públicos para aplicação e aprimoramento dos instrumentos de comando e controle. Na área privada, a auditoria ambiental passa a ser considerada como instrumento usado por empresas para auxiliá-las a controlar o atendimento a políticas, práticas, procedimentos e/ou requisitos estipulados, de modo a evitar a degradação ambiental.

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Você identificou a existência de um Sistema Nacional capaz de legislar sobre o Meio Ambiente, ou seja, de fazer as leis voltadas para esta finalidade. Veja agora quem faz e o que é a normalização.Universidade do Sul de Santa Catarina A normalização é definida por um Sistema Nacional que estabelece

A normalização é definida por um Sistema Nacional que

estabelece as diretrizes e procedimentos de auditoria no âmbito do mercado. Normalização é a maneira de organizar atividades através da criação e utilização de regras e normas, elaboração, publicação e promoção do emprego destas normas e regras, visando contribuir para o desenvolvimento econômico e social de uma Nação. Ou seja, estabelece soluções para problemas de caráter repetitivo, existentes ou potenciais.

problemas de caráter repetitivo, existentes ou potenciais. Conforme você já sabe, a ABNT, como único Organismo

Conforme você já sabe, a ABNT, como único Organismo Nacional

de Normalização Brasileiro, tem a seu encargo a representação

internacional e, consequentemente, a responsabilidade pelas atividades de normalização no âmbito nacional e do MERCOSUL. As Normas Brasileiras, cujo conteúdo é de responsabilidade dos Comitês Brasileiros (ABNT/CB) e dos Organismos de Normalização Setorial (ABNT/ONS), são elaboradas por Comissões de Estudo (CE), formadas por representantes dos setores envolvidos, delas fazendo parte produtores, consumidores e neutros (universidades, laboratórios e outros).

e neutros (universidades, laboratórios e outros). A ABNT é uma entidade privada, sem fins lucrativos,

A ABNT é uma entidade privada, sem fins lucrativos,

reconhecida como Foro Nacional de Normalização

do Sistema Nacional de Metrologia, Normalização

e Qualidade Industrial (SINMETRO), à qual compete

coordenar, orientar e supervisionar o processo de

elaboração de normas brasileiras, bem como numerar

e editar as referidas normas.

No Brasil existe um Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (SINMETRO) congregando vários órgãos do Serviço Público Federal, como por exemplo:

„ CONMETRO (Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) e seus Comitês Técnicos;

Auditoria Ambiental

„ INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial);

„ OCC (Organismos de Certificação Credenciados) em Sistemas da Qualidade, Sistemas de Gestão Ambiental, Produtos e Pessoal; e

„ ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).

Agora que você já sabe qual é o papel da ABNT, faça uma visita ao site da associação e leia as 10 razões para utilizar normas em seu negócio. Identifique as três principais razões.e „ ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Elas serão importantes para argumentar com os seus

Elas serão importantes para argumentar com os seus clientes, quando lhe perguntarem por que devem adotar sistemas de certificação, que dependem de normas, nos seus negócios.

Fique atento(a), pois existem normas de abrangência INTERNACIONAL. A Normalização Internacional é importante, pois facilita o comércio internacional, remove barreiras técnicas, conduz a novos mercados e gera crescimento da economia. Normas que resultam de cooperação e acordos entre um grande número de nações soberanas e independentes, com interesses comuns, destinam-se ao uso internacional, possibilitando o aumento da qualidade de bens e serviços.

Reforçando o que já foi dito na seção 1, o papel central de normalização em nível mundial fica a cargo da ISO.possibilitando o aumento da qualidade de bens e serviços. A ABNT representa o Brasil nas entidades

A ABNT representa o Brasil nas entidades internacionais de normalização técnica e delas participa, colaborando com organizações similares estrangeiras na troca de normas e informações técnicas, além de intermediar, junto aos poderes públicos, os interesses da sociedade civil no tocante aos assuntos de normalização técnica.

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Encerrando, visto que você já tem uma noção sobre normalização, resta abordar a classificação das normas. Elas estão separadas em 7 (sete) tipos:

„ de Procedimento;

„ de Especificação;

„ de Padronização;

„ de Ensaio;

„ de Classificação;

„ de Terminologia; e

„ de Simbologia.

Conheça, a seguir, as especificidades de cada uma.

Normas de Procedimento

Especificam como proceder ou quais os passos a seguir para a realização de algo, ou seja, trata-se de Norma que se destina a fixar rotinas e/ou condições para execução de cálculos, projetos, obras, serviços e instalações; emprego de materiais e produtos industriais; rotinas administrativas; elaboração de documentos em geral, inclusive desenho; segurança na execução ou na utilização de obras, equipamentos, instalações ou processos. Por exemplo: NBR ISO 14011, procedimentos de auditoria, auditoria de sistemas de gestão ambiental, substituída pela NBR ISO 19011:2002 – Diretrizes para auditorias de sistema de gestão da qualidade e/ou ambiental.

Normas de Especificação

Definem a estrutura e as características físicas, químicas, etc., que os produtos ou as matérias-primas devem apresentar. Trata-se de Norma que se destina a fixar as características de materiais, processos, componentes, equipamentos e elementos de construção, bem como as condições exigíveis para aceitação e/ou rejeição de matérias-primas, produtos semiacabados ou acabados. Por exemplo: NBR ISO 14064 parte 1 Gases de efeito estufa.

Auditoria Ambiental

– Parte 1: Especificação para a quantificação, monitoramento e relato de emissões e remoções de entidades.

Normas de Padronização

Estabelecem como reduzir a variedade de tamanhos de produtos ou de opções de serviços. Trata-se de Norma que se destina

a restringir a variedade pelo estabelecimento de um conjunto

metódico e preciso de condições a serem satisfeitas, com o objetivo de uniformizar as características geométricas e/ou físicas de elementos de fabricação, produtos semiacabados, desenhos e projetos. Por exemplo: NBR 8662:84 - Identificação por cores de condutores elétricos nus e isolados; NBR 11301:90 - Cálculo da

capacidade de condução de corrente de cabos isolados em regime permanente (fator de carga 100%).

Normas de Ensaio

Indicam como testar as propriedades dos materiais ou artigos manufaturados. Trata-se de Norma que se destina a prescrever a maneira de determinar ou verificar as características, condições ou requisitos exigidos de um material ou produto, de acordo com as respectivas especificações; uma obra ou instalação, de acordo com o respectivo projeto. Por exemplo: ABNT NBR 14937 - Sacolas plásticas tipo camiseta - Requisitos e métodos de ensaio.

Normas de Classificação

Definem como agrupar ou dividir em classes um determinado campo de conhecimento. Trata-se de Norma que se destina a ordenar, designar, distribuir e/ou subdividir conceitos, materiais ou objetos, de acordo com uma determinada sistemática. Por exemplo: NBR 5980 - Estabelece critérios para designação dos diferentes estilos de caixas de papelão.

Normas de Terminologia

Indicam como definir os termos e expressões associadas a um dado campo de conhecimento. Trata-se de Norma que se destina a definir, relacionar e/ou dar equivalência em diversas

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línguas de termos técnicos empregados, em um determinado setor de atividade, visando ao estabelecimento de uma linguagem uniforme. Por exemplo: NBR 9896/93 - Glossário de poluição das águas Terminologia. NBR 8969/85 - Poluição do ar - Terminologia. NBR 10703/89 - Degradação do solo - Terminologia.

Normas de Simbologia

Dispõem sobre como definir símbolos visuais que devem ser associados a produtos e indicações de serviços. Trata- se de Norma que se destina a fixar convenções gráficas, ou seja, símbolos, para conceituar grandezas, sistemas ou partes de sistemas, com a finalidade de representar esquemas de montagem, circuitos, componentes de circuitos, fluxogramas, entre outros. Por exemplo: NBR 11379: Símbolos gráficos para máquinas agrícolas.

Algumas normas de referência ou aplicáveis em auditorias ambientais:

ABNT NBR ISO 14010:1996 – Fornece diretrizes sobre os princípios gerais comuns à área de realização de qualquer auditoria ambiental (norma cancelada);

ABNT NBR ISO 14011:1996 – Fornece diretrizes sobre os procedimentos para a realização de auditorias de SGA, incluindo os critérios para seleção e formação de equipes de auditoria (norma cancelada);

ABNT NBR ISO 14012:1996 – Fornece diretrizes sobre as

qualificações de auditores e auditores líderes ambientais internos

e externos (norma cancelada);

ABNT NBR ISO 14015:2003 – Ajuda a organização a identificar

e avaliar os aspectos ambientais e suas consequências para a

empresa, a fim de dar suporte à transferência de propriedades, responsabilidades e obrigações de uma parte para outra;

Auditoria Ambiental

ABNT NBR ISO 19011:2002 (substitui as normas ABNT NBR ISO 14010, 14011 e 14012) – Fornece diretrizes sobre os princípios de auditoria; a gestão de programas de auditoria; a realização de auditorias de sistemas de gestão; e a competência de auditores;

ABNT NBR ISO GUIA 66:2001 – Requisitos gerais para organismos que operam avaliação e certificação/registro de sistemas de gestão ambiental;

ISO 14060: gerenciamento ambiental – No caso de auditoria do meio físico (“site assessment”), para avaliação do local onde se situam atividades operacionais da empresa, as normas correlatas são a ISO/TC 146 (Água), ISO/TC 147 (Ar) e ISO/TC 190 (Solo). Dentre os efeitos ambientais geradores de passivo, destacam-se a contaminação do solo e da água subterrânea.

Seção 3 - Auditoria de conformidade legal

O primeiro estado brasileiro que estabeleceu a Auditoria

Ambiental de forma obrigatória foi o Rio de Janeiro. A Lei nº

1.898, de 26 de novembro de 1991, que dispõe sobre a realização

de auditorias ambientais no estado do Rio de Janeiro, tem como

objetivo primordial dar conta de tornar a auditoria ambiental obrigatória para algumas atividades ambientalmente impactantes. Define, em seu Art. 5º, que deverão, obrigatoriamente, realizar

auditorias ambientais periódicas anuais as empresas ou atividades

de elevado potencial poluidor, entre as quais:

I - as refinarias, oleodutos e terminais de petróleo e

seus derivados; II - as instalações portuárias; III - as

instalações destinadas à estocagem de substâncias tóxicas

e perigosas; IV - as instalações de processamento e de

disposição final de resíduos tóxicos ou perigosos; V - as unidades de geração de energia elétrica a partir de fontes

térmicas e radioativas; VI - as instalações de tratamento e os sistemas de disposição final de esgotos domésticos; VII

- as indústrias petroquímicas e siderúrgicas; e VIII - as indústrias químicas e metalúrgicas).

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Após a promulgação da lei pelo estado fluminense, foi a vez do estado de Minas Gerais, o qual, na data de 06 de janeiro do ano de 1992, promulga a lei que obriga auditorias ambientais compulsórias em um intervalo mínimo de 03 anos. A lei mineira, em partes, é cópia da lei fluminense. O terceiro estado brasileiro a obrigar a incidência de auditorias ambientais foi o estado do Espírito Santo.

O estado do Espírito Santo promulgou sua lei de auditoria

ambiental em 02 de agosto de 1993. A lei capixaba autoriza

as entidades estaduais responsáveis pela implementação das

políticas estaduais de meio ambiente a requerer auditorias ambientais ocasionais e periódicas, como também estabelecer as respectivas diretrizes e prazos específicos. No caso das auditorias

periódicas, a elaboração das diretrizes deverá incluir consulta à comunidade afetada.

O Estado do Paraná, motivado por acidente de derramamento

de óleo ocorrido naquela região, publicou, através do Conselho Estadual do Meio Ambiente, a Resolução CEMA 007, de 2 de maio de 2001, que obriga as empresas com atividade na área de petróleo a derivados a realizar “auditoria ambiental independente” em suas instalações industriais, marítimas a terrestres.

A Lei do estado de Santa Catarina nº 10.720, de 13 de janeiro

de 1998, tornou obrigatória a realização de auditorias ambientais, periódicas ou eventuais, em empresas que desenvolvam atividades poluidoras ou mesmo potencialmente poluidoras e que importem em risco à qualidade de vida.

poluidoras e que importem em risco à qualidade de vida. A partir desta lei, todas as

A partir desta lei, todas as empresas que de alguma forma contribuírem para a modificação das características naturais do meio ambiente, provocando impacto ambiental negativo, são obrigadas à realização de auditorias ambientais, onde o Poder Executivo estabelecerá diretrizes e prazos para a sua aplicação, tendo um prazo máximo de dois anos entre as auditorias.

A lei define a auditoria ambiental como um estudo que visa a

determinar:

„ os níveis efetivos e/ou potenciais de poluição ou degradação provocados pela atividade;

Auditoria Ambiental

„ os fatores de risco advindos da atividade;

„ as condições de operação e manutenção dos equipamentos e dos sistemas de controle de poluição, bem como planos de contingenciamento de risco e atendimento a emergências;

„ as medidas necessárias para assegurar a proteção do meio ambiente e da saúde do trabalhador e para garantir a minimização de impactos negativos e regeneração de ambientes degradados.

O art. 4º descreve as atividades que serão objetos de auditorias ambientais periódicas, dentre elas: instalações portuárias, terminais de minério, petróleo e produtos químicos, complexos e unidades industriais e agroindustriais, aeroportos, ferrovias, rodovias, complexos viários, terminais intermodais e terminais rodoviários, oleodutos, gasodutos, troncos coletores e emissários de esgotos sanitários, marinas, barragens, canais para navegação, drenagem, irrigação, retificação de cursos da água, abertura de barras e embocaduras, transposição de bacias e diques, extração’ de combustível fóssil, extração de minério, aterros sanitários, incineradores, processamento e destino final de resíduos tóxicos ou perigosos, usinas de geração de eletricidade, distritos industriais e zonas estritamente industriais, exploração econômica de madeira ou de lenha, projetos urbanísticos, projetos agropecuários.

de lenha, projetos urbanísticos, projetos agropecuários. Conheça, a seguir, o conceito de auditoria ambiental de
de lenha, projetos urbanísticos, projetos agropecuários. Conheça, a seguir, o conceito de auditoria ambiental de

Conheça, a seguir, o conceito de auditoria ambiental de conformidade legal.

o conceito de auditoria ambiental de conformidade legal. A auditoria ambiental de conformidade legal é também

A auditoria ambiental de conformidade legal é também conhecida como auditoria ambiental compulsória. Rovere et al. (2001) definem a auditoria ambiental de conformidade legal como uma ferramenta utilizada para verificar a real situação da empresa mediante a legislação ambiental vigente no país. Porém os autores esclarecem que o cumprimento da legislação ambiental é um critério que deve ser considerado em qualquer tipo de auditoria ambiental, seja ela uma auditoria ambiental baseada em códigos privados.

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Resumindo: a auditoria de conformidade consiste na verificação

do cumprimento da legislação existente, aplicável para cada caso.

É

a aplicar e regular as questões existentes na legislação, na maioria das vezes em caráter “defensivo”.

uma auditoria de reduzida amplitude, uma vez que se restringe

Auditoria Ambiental, sob a ótica legal, está focada em objetivos

específicos voltados para a definição, ordenamento e classificação dos fundamentos legais sobre as operações empresariais relacionadas com aspectos ambientais das operações, elencando

os principais diplomas legais da legislação ambiental federal e do estado de Santa Catarina que incidem quando da aplicação de uma auditoria ambiental de conformidade legal.

Pela ótica das empresas, a Política Ambiental deve orientar para

a conformidade legal, em obediência à legislação de proteção

ambiental, incentivando à adoção de práticas que levem ao cumprimento da legislação, à melhoria da qualidade ambiental, à utilização sustentável dos recursos naturais, à redução de danos à saúde, no sentido de reduzir os impactos ambientais provenientes da sua operação. Caso isso não seja voluntário, a auditoria de conformidade sempre poderá constituir um interessante instrumento de regulação e justiça, na medida em que orienta todos os atores a jogarem sob as mesmas regras.

que orienta todos os atores a jogarem sob as mesmas regras. Você sabe como as auditorias

Você sabe como as auditorias ambientais de conformidade legal influenciam as atividades das empresas?

A empresa precisa se adaptar aos parâmetros exigidos para

não agredir o meio ambiente e, por meio do reconhecimento e divulgação do seu passivo ambiental e da comunicação dos ativos ambientais e dos custos e despesas com a preservação, proteção

e controle ambiental, ela torna claro para a sociedade o nível dos esforços que vem desenvolvendo, com vistas ao atendimento de tais objetivos.

No estudo dos impactos ambientais, tal participação é imprescindível: a contabilidade se constitui em importante

Auditoria Ambiental

ferramenta seja através dos programas de gestão ambiental, dos relatórios e das avaliações, ou ainda, na auditoria ambiental.

Desta forma, ao desenvolver os temas propostas neste trabalho, ficaram nítidas as vantagens quando da aplicação de uma auditoria ambiental compulsória. O maior motivador deste tipo de auditoria é determinar onde a empresa está atendendo

a legislação ambiental em vigor, e onde estão as oportunidades

para corrigir os problemas. As empresas que resistem em realizar

a auditoria ambiental de conformidade legal ignoram seus

benefícios, já que os problemas precisam ser conhecidos para que depois possam ser eliminados.

Alguns procedimentos nas auditorias de conformidade legal

O auditor obterá conhecimento mínimo quando da aplicação de

uma auditoria ambiental de conformidade legal, pois elas tratam

o assunto meio ambiente de forma geral. Para desenvolver este

tipo de auditoria, não basta apreciar apenas estas legislações, pois, dependendo da atividade da empresa, a qual está sendo auditada, deverá o auditor obter conhecimentos específicos dos ordenamentos jurídicos que regem aquele determinado setor.

É necessário verificar se a empresa demonstra conformidade com

a legislação ambiental em relação aos aspectos de licenciamento

nos termos da Lei Federal 6.938/1981; validade da Licença Ambiental; alterações e atualizações do Cadastro Industrial em decorrência de mudanças no processo produtivo.

Neste tipo de auditoria, são analisados:

„ a adequação e atualização da base legal;

„ os procedimentos internos para atualização;

„ a caracterização de responsabilidade pelo acompanhamento e divulgação da legislação pertinente;

„ manutenção e arquivo dos documentos de referência.

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A organização da informação é uma boa pista do nível de orientação da empresa em relação aos quesitos ambientais. Nestes termos, é necessário verificar a existência da legislação básica pertinente à atividade; sistema de arquivamento; responsabilidade pela atualização; participação, divulgação e pesquisa das tendências legislativas; e avaliar o conhecimento dos documentos relativos à sua área funcional junto aos gerentes e funcionários.

Um importante protocolo de condução das auditorias de conformidade é oferecido pela Agência de Proteção Ambiental Americana (United States Environmental Protection Agency - Usepa), com os seguintes elementos:

„ aplicabilidade;

„ legislação federal;

„ legislação estadual e local;

„ requisitos-chave de conformidade;

„ definições e termos-chave;

„ registros típicos a revisar:

ƒ instalações físicas típicas para inspecionar;

ƒ índices para usuários de lista de verificação;

ƒ lista de abreviações e siglas; e

ƒ lista de verificação.

Em relação às plantas industriais, ainda pode ser interessante verificar alvarás de localização, em geral emitidos pelas Prefeituras, consulta aos Planos Diretores, Zoneamentos existentes (nível federal, estadual e municipal), existência de Unidades de Conservação, Aprovações do Corpo de Bombeiros, Vigilância Sanitária, cadastro sobre atividades poluidoras (Lei 6.938/1981), certidões de destinação de resíduos industriais, outorgas do uso de águas, além de licenças federais (Polícia Federal e Exército) e estaduais para uso de produtos químicos controlados.

Auditoria Ambiental

Auditoria Ambiental Fique atento(a)! Participe dos movimentos de consumo consciente. Nenhuma atividade industrial pode

Fique atento(a)!

Participe dos movimentos de consumo consciente.

Nenhuma atividade industrial pode operar legalmente sem licença ambiental, concedida pelo órgão ambiental estadual. A existência da licença não

é garantia ao meio ambiente, mas a sua ausência

praticamente elimina qualquer possibilidade de

respeito à lei. Alguns órgãos da federação possibilitam

a consulta através do nome completo da empresa e

da unidade da federação, enquanto outros órgãos exigem o fornecimento do número do processo. Caso o órgão da federação só possibilite a consulta da licença ambiental através do número do processo, solicite ao fabricante uma cópia da licença ou número do protocolo e confirme a validade da licença dos sites

dos órgãos estaduais.

Seção 4 - Conceitos de qualidade e produtividade. Sistemas de gestão da qualidade total

Vamos viajar mais um pouco na história industrial. Antes da Revolução Industrial, o artesão se ocupava de todas as tarefas:

desde a escolha e aquisição da matéria-prima até a fase de acabamento e entrega do produto. O controle da qualidade era exercido pelo próprio artesão. As características do modelo artesanal eram a baixa produção e um padrão de qualidade errático, oscilante e sujeito e alterações frequentes.

Com o advento da industrialização, surgiu o processo de divisão

e depois a multidivisão das tarefas na confecção de um produto.

Progressos formidáveis foram alcançados. Em 1908, ano de lançamento do automóvel Modelo T da Ford, a montagem do automóvel demorava doze horas e vinte minutos. Na década de 20, uma hora e vinte minutos bastava. Produto de massa e barato,

o modelo vendeu 15 milhões de unidades.

Unidade 1

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Universidade do Sul de Santa Catarina Como esta melhoria foi conquistada? Henry Ford, o fundador da

Como esta melhoria foi conquistada? Henry Ford,

o fundador da empresa, não estava de brincadeira.

Primeiro ele buscou identificar com quantas operações

o automóvel poderia ser montado, chegando à

impressionante marca de 7.882 operações para a montagem do Ford T. Destas, 949 tarefas exigiam

pessoas robustas, e outras 3.338 tarefas poderiam ser executadas por homens com uma força física normal. E

o resto? Estava ao alcance de mulheres ou de crianças

grandes. Ford foi mais longe, pois identificou que havia um conjunto de operações as quais poderiam ser efetuadas por pessoas portadoras de deficiência, especificando o tipo mais adequado de tarefa para cada categoria de deficiência. Veja os resultados: pessoas sem uma das pernas poderiam executar 2.637 tarefas; outras 715 operações poderiam ser executadas por pessoas sem um dos braços; 670, por deficientes sem ambas as pernas; 10 tarefas, por deficientes visuais; 2, por pessoas amputadas dos dois braços.

O pioneiro da indústria do automóvel quis provar que era

possível especializar as tarefas e decompor o trabalho em gestos elementares, racionalizando a produção e aumentando

o rendimento. Foi o que ele fez: o operário deixou de girar em torno do automóvel que estava a ser montado. As modernas técnicas da linha de montagem nasceram nesta fábrica Ford de Highland Park. Dois princípios básicos orientavam a montagem do Ford: o trabalho deveria ser trazido ao homem, não o homem

ao trabalho, e o trabalho deveria ser trazido ao homem na altura da cintura. Foi a cadeia que passou a desfilar face ao posto

de trabalho. Basta, em seguida, cadenciar os movimentos e

padronizar o todo – os veículos devem ser idênticos, como dois

alfinetes saídos de uma fábrica de alfinetes.

Com o crescimento na venda de automóveis, Henry Ford decidiu criar uma filial no Brasil em 1919 e declarou: “O automóvel está destinado a transformar o Brasil numa grande nação”. A

primeira fábrica se instalou em São Paulo, que montava o Ford

T (o famoso “Fordinho”), o grande sucesso de vendas. Em 1924,

foram vendidos 24.450 destes veículos. Foi também o ano em que

se realizou a I Exposição Automobilística do Brasil.

Auditoria Ambiental

Auditoria Ambiental Figura 1.2 - Ford Modelo T. Fonte: <http://img161.imageshack.us/img161/2374/

Figura 1.2 - Ford Modelo T. Fonte: <http://img161.imageshack.us/img161/2374/

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cid00e301c81d8c1f8ab4b0em4.jpg>. Figura 1.3 - Linha de montagem Ford Modelo T. Fonte:

Figura 1.3 - Linha de montagem Ford Modelo T. Fonte: <http://www.fourhourworkweek.com/blog/wp-

content/uploads/2007/09/ford_assembly_line_-_1913.jpg>.

Com estas inovações, em vez de um operário ficar responsável pela produção de todas as etapas de um carro, várias pessoas ficavam responsáveis pela produção de etapas distintas de vários carros. Henry Ford criou um engenhoso sistema de esteira, que movimentava o carro em produção em frente aos operários, para que cada um executasse a sua etapa. Isto aumentou, em muito, a produtividade, pois um carro ficava pronto a cada minuto.

Em consequência, o custo de cada unidade caiu em relação aos concorrentes existentes no mercado. E a queda de preço foi constante: em 1908, ano de seu lançamento, a unidade custava US$ 850; em 1927, último ano de sua fabricação, o preço havia despencado para US$ 290.

de sua fabricação, o preço havia despencado para US$ 290. Por que Ford teve tamanho sucesso?

Por que Ford teve tamanho sucesso?

Ele inaugurou o que seria chamado mais tarde a era da Produção em Massa! A característica da Produção em Massa passou a ditar o padrão industrial, determinando que fossem produzidos grandes volumes de produtos extremamente padronizados, isto é, com baixíssima variação nos tipos de produtos finais. Foram

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Universidade do Sul de Santa Catarina

introduzidos novos conceitos: linha de montagem, posto de trabalho, estoques intermediários, individualização do trabalho, arranjo físico, balanceamento de linha, produtos e processos,

motivação, sindicatos, manutenção preventiva, controle estatístico de qualidade e fluxograma de processos. A era da produção em massa provocada por Ford mexeu fortemente com a noção dos resultados da produção industrial, estabelecendo novas formas de

se ver a produtividade.

A invenção das máquinas automotoras trouxe enorme impulso à produção, e as oficinas transformaram-se em fábricas, com produções cada vez maiores.estabelecendo novas formas de se ver a produtividade. Até 1950, a indústria de transformação era a

Até 1950, a indústria de transformação era a que se destacava no cenário político e econômico mundial. As chaminés das fábricas eram símbolos de poder, pois empregavam um grande número de pessoas e eram responsáveis por 90% do Produto Interno Bruto dos países industrializados.

Com mais empregos, cada vez mais pessoas podiam comprar, e mais bens eram demandados. As fábricas cresciam em tamanho e precisavam se planejar para não terem falta de materiais. A qualidade e os custos tiveram de ser aprimorados tão logo a concorrência aumentou e igualou a produção com a demanda.

Reflita brevemente sobre o problema de a concorrência igualar a produção com a demanda. Que tipo de implicações sociais e ambientais pode derivar desta situação?concorrência aumentou e igualou a produção com a demanda. A programação e o controle da produção

A programação e o controle da produção desenvolveram-se a

fim de atender basicamente as necessidades de organização das empresas, aumentando o ritmo de lançamento de novos produtos para fazer frente aos desafios impostos pela maior concorrência. Várias mudanças internas e externas acabaram por ocorrer, em especial, tornando a mudança um elemento de pressão como

jamais visto. Justamente por isso que as empresas industriais e de serviços, sejam elas pequenas, médias ou mesmo de grande porte, necessitam de gestores que tenham uma visão integrada dos processos produtivos, entendendo os fluxos e as dinâmicas envolvidas na geração de resultados.

Auditoria Ambiental

O controle da qualidade passou às mãos do mestre industrial, que

exercia a supervisão desses grupos. Com o aumento das escalas

de produção e do número de trabalhadores, o sistema tornou-se

inviável, pois não era possível um só mestre supervisionar todo

o processo. A resposta para o problema foi a padronização

dos produtos. Com o advento da 2 a . Guerra Mundial, houve uma grande evolução tecnológica, acompanhada por uma complexidade técnica de materiais, processos de fabricação e produtos. Essa situação ameaçava inviabilizar a inspeção total da produção.

Logo surgiu a necessidade de entender a dinâmica do mercado (competitividade) e a capacidade produtiva (produtividade) através de critérios mais condizentes com os novos cenários, formulando políticas consistentes com esta priorização para as diversas áreas de produção.

Por falar nisso, você sabe o que significa o termo produtividade? Observe a fórmula a seguir e reflita sobre este conceito. Mais a frente, o conceito está inserido no texto.

Produtividade = OUTPUT INPUT
Produtividade = OUTPUT
INPUT

É importante entender que “competitividade” e “produtividade”

são dois conceitos que, sob o ponto de vista técnico, significam coisas completamente diferentes. Para concluir isso, basta ter presente que a produtividade pode aumentar sem que a competitividade cresça. Inversamente, a competitividade pode crescer sem que seja necessário aumentar a produtividade.

A produtividade é uma medida que se obtém dividindo a

quantidade de produtos obtidos pela quantidade de recursos utilizados. Já a competitividade empresarial está mais ligada à

capacidade, ou conjunto de capacidades, que uma empresa possui,

de obter uma rentabilidade no mínimo igual, preferencialmente

superior, aos rivais no mercado.

O problema de se controlar a qualidade ao final do processo

já não era suficiente para garantir os resultados, surgiu, então,

a necessidade de se fazer um controle estatístico, baseado em inspeção por amostragem e gráficos de controle (timidamente começava a despontar o conceito de prevenção de falhas).

Unidade 1

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Entretanto as ações corretivas desencadeadas ainda eram de

eficiência restrita. Esta ineficiência das ações corretivas e a acirrada competição pelo mercado consumidor acabaram contribuindo significativamente para que se adotasse um novo enfoque em termos de controle de qualidade, o Controle da Qualidade Total

- CQT (em inglês, Total Quality Control - TQC, também conhecido por Total Quality Management - TQM).

Pode-se dizer que o CQT foi um modelo para o sistema da garantia da qualidade e apresentava certos aprimoramentos em relação ao sistema anterior (controle estatístico), tais como:

„ preocupação com a satisfação do cliente;

„ conceito de aperfeiçoamento contínuo;

Os japoneses diziam que o dia não poderia passar sem que algum tipo de melhoria fosse feita em algum lugar na empresa.

„ envolvimento e participação de todos os funcionários (desde a alta gerência até o escalão mais baixo da empresa); e

„ valorização do respeito ao indivíduo.

O CQT é mais do que uma simples utilização de metodologias,

técnicas, sistemas ou ferramentas. Deste modo, estabelecer um sistema da qualidade não significa aumentar ou reduzir

a qualidade dos serviços ou produtos, mas sim, aumentar ou

reduzir a certeza de que os requisitos e atividades especificados sejam cumpridos. A figura 1.4 descreve em linhas gerais os elementos que hoje estão amplamente reconhecidos como a base

da sustentação dos esforços empresariais relativos à qualidade e

produtividade. Normalização Certi cação Qualidade Ensaios e Metrologia
produtividade.
Normalização
Certi cação
Qualidade
Ensaios e
Metrologia

Produtividade

Figura 1.4 - A qualidade como elemento de melhoria da produtividade. Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas, Transporte, Normalização e a Qualidade, CB-16 Transportes e Tráfego.

Auditoria Ambiental

O ponto central nesta evolução do conceito de qualidade foi

a mudança do enfoque tradicional (baseado no controle da

qualidade e na garantia de qualidade) para o controle de gestão

e melhoria de processos, o qual garante a produção da qualidade especificada logo na primeira vez.

No contexto atual, a qualidade não se refere mais à qualidade

de um produto ou serviço em particular, mas à qualidade do

processo como um todo, abrangendo tudo que ocorre na empresa.

O conjunto de elementos que integram a figura 1.4 contribuiu

para o surgimento dos sistemas de gestão da qualidade total.

A ABNT NBR ISO 9001 é a versão brasileira da norma

internacional ISO 9001 que estabelece requisitos para o Sistema

de Gestão da Qualidade (SGQ ) de uma organização, não

significando, necessariamente, conformidade de produto às suas respectivas especificações.

de produto às suas respectivas especificações. Se está curioso(a), pesquise agora mesmo o site da

Se está curioso(a), pesquise agora mesmo o site da ABNT/CB-25 - Comitê Brasileiro da Qualidade da Associação Brasileira de Normas Técnicas, na internet. Saiba uma pouco da história do surgimento destas normas no Brasil.

O

objetivo da ABNT NBR ISO 9001 é lhe prover confiança

de

que o seu fornecedor poderá fornecer, de forma consistente e

repetitiva, bens e serviços de acordo com o que você especificou.

A ABNT NBR ISO 9001 não especifica requisitos para bens ou

serviços os quais você está comprando. Isto cabe a você definir,

tornando claras as suas próprias necessidades e expectativas para

o produto. Sua especificação pode se dar através da referência

a uma norma ou regulamento, ou mesmo a um catálogo, bem como da anexação de um projeto, folha de dados.

Hoje, mais do que nunca, existe a necessidade de que sejam otimizadas todas as funções que dão suporte à organização de uma empresa, seja em termos do fluxo das informações que geram as decisões, como também em relação às rotinas normais

de procedimentos e ações técnicas e operacionais, sem falar das

demais áreas da organização.

Unidade 1

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Seção 5 - Certificação pelas normas ISO

A ISO, cuja sigla significa International Organization for

Standardization, é uma entidade não governamental, criada em 1947, com sede em Genebra - Suíça. O seu objetivo é promover, no mundo, o desenvolvimento da normalização e atividades relacionadas, com a intenção de facilitar o intercâmbio internacional de bens e serviços, além de desenvolver a cooperação nas esferas intelectual, científica, tecnológica e de atividade econômica.

Os membros da ISO (cerca de 90) são os representantes das entidades máximas de normalização nos respectivos países, como por exemplo, ANSI (American National Standards Institute), BSI

(British Standards Institute), DIN (Deutsches Institut für Normung)

e o INMETRO/Brasil (Instituto Nacional de Metrologia).

O trabalho técnico da ISO é conduzido por comitês técnicos

(TCs). O estudo sobre a emissão das normas da série ISO 9000, por exemplo, foi feito pelo TC 176 durante o período 1983-1986 (no Brasil, o comitê técnico responsável pelas normas da série NBR-ISO 9000 é o CB 25, da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT).

As normas ISO não são de caráter imutável. Elas devem ser revistas e revisadas ao menos uma vez a cada cinco anos. No caso específico das normas da série 9000, inicialmente publicadas em 1987, sofreram revisões em 1994 e em 2000.

publicadas em 1987, sofreram revisões em 1994 e em 2000. Falando em normas, por que mesmo

Falando em normas, por que mesmo é necessário padronizar?

Na seção 4, foi mostrada uma figura (figura 1.4) que apresenta uma forma interessante de entender como a qualidade pode sofrer influência da normalização/padronização, podendo resultar na melhoria da produtividade. Este é um importante ponto a ser explorado. Acontece que, nos dias atuais, as empresas estão adotando sistema de gestão da qualidade na tentativa de manter

o

padrão constante de fornecimento aos seus clientes de produtos

e

serviços com uma grande qualidade percebida. Chamam

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de qualidade percebida, pois de nada adianta um produto ter qualidade, se os clientes não enxergarem esta qualidade.

Entretanto, com as atuais tendências de globalização da economia (queda de barreiras alfandegárias: MCE, Mercosul, NAFTA), torna-se necessário que clientes e fornecedores, em nível mundial, usem o mesmo vocabulário e tenham procedimentos unificados no que diz respeito aos sistemas da qualidade. Caso contrário, ocorreriam problemas do tipo: uma empresa fornecedora do México possui um sistema de gestão da qualidade próprio que, além disto, utiliza um vocabulário diferente do utilizado pela possível empresa compradora inglesa, a qual tem conhecimento somente das normas de gestão da qualidade britânicas BS 5750. Portanto o cliente inglês tem de se inteirar do sistema de gestão da qualidade do fornecedor em questão, o que significa uma perda de tempo e dinheiro.

Para evitar conflitos desta natureza, foram emitidas, pela ISO, normas internacionais sobre sistemas de gestão da qualidade.

A Implantação e Certificação

Várias são as vantagens de se implementar um sistema da gestão de qualidade baseado nas normas ISO 9000. Entre elas podemos destacar:

„ aumentar a credibilidade da empresa frente ao mercado consumidor;

„ aumentar a competitividade do produto ou serviço no mercado;

„ evitar e prevenir a ocorrência de deficiências; e

„ evitar riscos comerciais, tais como, reivindicações de garantia e responsabilidades pelo produto.

Analisando-se estas vantagens, pode-se imaginar que o desejo de implantação de um sistema da qualidade parte da direção da empresa que, desta maneira, pretende aprimorar o seu processo produtivo. Mas isto nem sempre é o caso. A grosso modo, podemos identificar quatro razões que levam uma empresa

Unidade 1

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a implantar um sistema de gestão da qualidade baseado nas normas ISO série 9000:

„ conscientização da alta administração (“por livre e espontânea vontade”): a mais eficaz entre todas;

„ razões contratuais (“por livre e espontânea pressão”) no fornecimento de produtos/serviços para outros países, para órgãos/empresas governamentais e também para um número cada vez maior de empresas de iniciativa privada:

evidentemente menos eficaz que a anterior. O tempo para a maturação é maior, mas normalmente se alcança a conscientização;

„ competitividade (“ou nos enquadramos ou quebramos”):

embora não tão eficaz quanto a primeira, consegue-se de um modo geral chegar à conscientização da alta administração; e

„ modismo (“temos que dançar o que está tocando”): a menos eficaz de todas, normalmente não se chega a alcançar o objetivo maior, que é a conscientização da alta administração, e aí, então, o processo é abandonado no meio do caminho.

Uma vez expressado o desejo de se adotar um sistema da qualidade baseado nas normas ISO 9000, a empresa seguirá uma série de etapas, dentre as quais podem ser citadas:

„ definição da política da qualidade e seleção do modelo de norma mais adequado às propostas da empresa (ISO 9001, ISO 9002 ou ISO 9003);

„ análise do sistema da qualidade da empresa (se existir algum) e determinação das mudanças que devem ser feitas para adaptá-lo às exigências das normas ISO 9000;

„ treinamento e conscientização dos funcionários diretamente envolvidos com a implementação (ou modificação) do sistema da qualidade, bem como dos demais funcionários da empresa;

„ desenvolvimento e implementação de todos os procedimentos necessários ao sistema da qualidade (este é geralmente o ponto mais demorado durante o

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processo de implementação). É importante que, durante o processo de desenvolvimento de procedimentos, estes sejam feitos em conjunto com as pessoas que deverão segui-los;

„ seleção de um órgão certificador (também conhecido como órgão registrador). Trata-se de uma organização independente da empresa, que irá avaliar se o sistema da qualidade da empresa está de acordo com as normas ISO 9000. Alguns exemplos de órgãos certificadores: o Bureau Veritas Quality International (BVQI) e a Fundação Carlos Alberto Vanzolini (FCAV);

„ pré-auditoria para avaliar se o sistema da qualidade implantado está de acordo com os padrões especificados pelas normas;

„ eliminação das eventuais não-conformidades (às normas) detectadas durante o processo de pré-auditoria; e

„ auditoria final e certificação.

A maior parte das não-conformidades detectadas durante as

auditorias do sistema da qualidade diz respeito à inapropriada documentação do sistema. Por outro lado, deve-se tomar o cuidado de não exagerar na quantidade de documentação, correndo o risco de tornar o sistema da qualidade excessivamente burocratizado.

tornar o sistema da qualidade excessivamente burocratizado. Uma vez certificada, a empresa deve zelar pela manutenção

Uma vez certificada, a empresa deve zelar pela manutenção do certificado, pois perdê-lo pode ser muito mais danoso para uma empresa do que não tê-lo.

O processo de implementação pode durar de alguns meses a dois

anos, dependendo do tamanho da empresa e, principalmente,

da existência de um sistema da qualidade e do seu grau de desenvolvimento.

É

necessário ressaltar que são auditorias externas que avaliam

se

uma empresa (ou processo) está apta a receber o certificado

da série ISO 9000. Trata-se de auditorias realizada sob a responsabilidade de uma empresa independente da que está sendo

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Universidade do Sul de Santa Catarina auditada. A vantagem é o caráter de independência associado à

auditada. A vantagem é o caráter de independência associado à experiência trazida pelos auditores de outras organizações.

Alguns dos órgãos certificadores possuem programas de consultoria para auxiliar as empresas durante o processo de implementação. Caso a empresa opte por um destes programas, ela deverá escolher um outro órgão certificador para avaliar e certificar o seu sistema da qualidade, pois seria antiético um órgão certificador avaliar e certificar um sistema da qualidade que ele mesmo ajudou a implementar.

As auditorias dos sistemas de gestão da qualidade (baseados nas normas da ISO série 9000) possuem algumas características específicas:

„ São autorizadas pela administração superior.

„ Avaliações de práticas reais evidentes, comparadas com requisitos estabelecidos.

„ Têm métodos e objetivos específicos.

„ São programadas com antecedência.

„ São realizadas com prévio conhecimento e na presença das pessoas cujo trabalho será auditado.

„ São realizadas por pessoal experiente, treinado e independente da área auditada.

„ Resultados e recomendações são examinados e, em seguida, acompanhados para verificar o cumprimento das ações corretivas.

„ Não têm ação punitiva, mas corretiva e de aprimoramento.

A empresa certificada é periodicamente avaliada por auditorias de acompanhamento (realizadas de 6 em 6 meses). Estas auditorias são feitas para verificar se a empresa continua atendendo aos requisitos estabelecidos e verificados em auditorias anteriores. No caso de a empresa não atender aos requisitos estabelecidos anteriormente, duas atitudes podem ser tomadas pelo órgão certificador. Primeiro, se forem encontradas não-conformidades razoáveis, é determinado um prazo para uma nova auditoria.

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Segundo, se forem encontradas não-conformidades graves, a empresa pode perder o certificado.

Até este momento, você já deve ter uma idéia da importância deste tipo de ferramenta gerencial, então faça uma lista de benefícios decorrentes da implantação da ISO 9000.

A ISO série 9000 compreende um conjunto de normas (ISO

9000 a ISO 9004). Entretanto estas normas, oficializadas em 1987, não podem ser consideradas normas revolucionárias, pois foram baseadas em normas já existentes, principalmente nas normas britânicas BS 5750.

Além destas normas, deve-se citar a existência da ISO 8402 (Conceitos e Terminologia da Qualidade), da ISO 10011 (Diretrizes para a Auditoria de Sistemas da Qualidade) e de uma série de guias ISO pertinentes à certificação e registro de sistemas da qualidade.

à certificação e registro de sistemas da qualidade. Já foi dito, mas é sempre importante lembrar

Já foi dito, mas é sempre importante lembrar que as normas ISO 9000 podem ser utilizadas por qualquer tipo de empresa, seja ela grande ou pequena, de caráter industrial, prestadora de serviços ou mesmo uma entidade governamental.

Deve ser enfatizado, entretanto, que as normas ISO série 9000 são normas que dizem respeito apenas ao sistema de gestão da

qualidade de uma empresa, e não às especificações dos produtos fabricados por esta empresa. Ou seja, o fato de um produto ser fabricado por um processo certificado segundo as normas ISO 9000 não significa que este produto terá maior ou menor qualidade que um outro similar. Significa apenas que todos

os produtos fabricados segundo este processo apresentarão as mesmas características e o mesmo padrão de qualidade.

As normas ISO 9000 não conferem qualidade extra a um produto (ou serviço): garantem apenas que o produto (ou serviço) apresentará sempre as mesmas características. As normas individuais da série ISO 9000 podem ser divididas em dois tipos:

I - diretrizes para seleção e uso das normas (ISO 9000)

e para a implementação de um sistema de gestão de qualidade (ISO 9004);

Unidade 1

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II - normas contratuais (ISO 9001, ISO 9002, ISO 9003), chamadas assim por se tratarem de modelos para contratos entre fornecedor e cliente.

Pode-se dizer que a ISO série 9000 é um modelo de três camadas em que a ISO 9001 engloba a ISO 9002, a qual, por sua vez, engloba a ISO 9003.

A decisão sobre qual das normas contratuais da série ISO 9000

utilizar depende da finalidade das atividades da indústria em questão. A ISO 9002 é mais apropriada para a maioria das

fábricas baseadas em processos de manufatura bem estabelecidos.

A ISO 9001, por sua vez, é mais apropriada para processos que

envolvem atividades de pesquisa e desenvolvimento. A ISO 9003 engloba somente a inspeção e ensaios finais e, por isso, tem um valor limitado. Na prática, esta norma não é mais utilizada.

limitado. Na prática, esta norma não é mais utilizada. Figura 1.5 - Exemplo de certificado emitido

Figura 1.5 - Exemplo de certificado emitido pós-certificação. Fonte: Bureau Veritas.

emitido pós-certificação. Fonte: Bureau Veritas. Você lembra que existem normas específicas sobre

Você lembra que existem normas específicas sobre auditoria? Em especial, sobre auditoria ambiental?

As normas de auditoria são importantes, porque garantem a credibilidade do processo de certificação. São dirigidas

Auditoria Ambiental

às auditorias de terceira parte, por entidades externas e independentes, que verificam se o sistema de gestão implantado está de acordo com a ISO 14001. Em 1996, três normas de auditorias ambientais foram aprovadas e publicadas pela ISO:

„ ISO 14010, Diretrizes para Auditoria Ambiental – Princípios Gerais;

„ ISO 14011, Diretrizes para Auditoria Ambiental – Procedimentos de Auditoria;

„ ISO 14012, Diretrizes para Auditoria Ambiental – Critérios de Qualificação para Auditores Ambientais.

Estas três normas foram substituídas em outubro de 2002 por uma única, que uniu os procedimentos de auditoria ambiental

e da qualidade, a ISO 19011: Diretrizes para Auditorias de Qualidade e Ambiental, publicada no Brasil pela ABNT em novembro de 2002.

publicada no Brasil pela ABNT em novembro de 2002. Síntese Você aprendeu até agora os conceitos

Síntese

Você aprendeu até agora os conceitos de auditoria e tipos de auditoria ambiental. Lembre que as auditorias são importantes para garantir o pleno funcionamento das estruturas voluntárias de proteção ambiental, tanto quanto para a regulação e normalização.

Em especial, pela maior rigidez dos sistemas legais voltados para

a proteção do ambiente, você viu salientado que as auditorias de

conformidade legal têm-se tornado um instrumento à disposição dos órgãos públicos, não somente para controlar as ações que afetam o ambiente, mas, acima de tudo, para prever e contornar situações críticas. Os instrumentos de controle previstos na legislação ambiental tratam de exame periódico e ordenado dos aspectos normativos, técnicos e administrativos relativos às atividades de um empreendimento capazes de provocar efeitos prejudiciais ao meio ambiente.

Unidade 1

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Universidade do Sul de Santa Catarina

É necessário também salientar que as ações de proteção e

preservação não ocorrem somente de modo prescritivo pela

autoridade pública, mas cresce a noção da necessidade de

as empresas terem ações efetivas voltadas para a melhoria

da qualidade e produtividade, com vistas a melhorar a sua performance ambiental. As empresas adotam Sistemas de Gestão Ambiental (SGAs) que tratam do estabelecimento de políticas de atuação ambiental e programas de racionalização ambiental, buscando a melhoria da sua performance ambiental.

Os processos de verificação, de natureza voluntária ou compulsória, visam avaliar a gestão ambiental de uma atividade econômica, analisando seu desempenho ambiental, e, ainda, verificar, entre outros fatores, o grau de conformidade com a legislação ambiental vigente e com a própria política ambiental da instituição.

A prática de auditoria ambiental pode ser de natureza interna

(como instrumento de gestão ambiental da empresa) ou externa (como meio de se obter uma certificação ambiental para a empresa). Pode ter também caráter compulsório, quando é legalmente exigida por um órgão regulador de meio ambiente.

Por fim, você entendeu que os sistemas de gestão da qualidade total, tanto quanto as ações deliberadas de certificação, a exemplo das normas ISO, têm demonstrado de modo voluntarioso que é possível lucrar e preservar.

Auditoria Ambiental

Auditoria Ambiental Atividades de auto-avaliação Efetue as atividades de auto-avaliação a seguir. Lembre que este tipo

Atividades de auto-avaliação

Efetue as atividades de auto-avaliação a seguir. Lembre que este tipo de atividade serve para estimular o desenvolvimento da sua aprendizagem com autonomia.

Responda a todas as questões. Somente após, verifique as respostas e comentários do professor ao final do livro.

1. Como as auditorias ambientais podem agir, no sentido de amenizar os impactos antrópicos?

2. No Brasil existem, pelo menos, três tipos de instrumentos de política pública: de comando e controle, econômicos e os não-econômicos. Identifique dois exemplos atuais de cada um destes instrumentos.

Unidade 1

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Universidade do Sul de Santa Catarina Saiba mais Para aprofundar seus conhecimentos sobre os aspectos conceituais

Saiba mais

Para aprofundar seus conhecimentos sobre os aspectos conceituais e formais da auditoria, consulte as seguintes obras:

LA ROVERE, E. B. (Coord.) Manual de auditoria ambiental. Rio de Janeiro: Qualitymark; 2000.

FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DE SÃO PAULO. Melhore a competitividade com o Sistema de Gestão Ambiental - SGA / Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. São Paulo: FIESP, 2007. (Normas e Manuais Técnicos).

FATMA. Portaria nº 002/03, de 09/01/2003. Disciplina o ordenamento e a tramitação dos processos de licenciamento ambiental e dá outras providências.

UNIDADE 2

A Auditoria e a Gestão Empresarial

Objetivos de aprendizagem

„ Compreender a evolução da organização e gestão das empresas.

„ Caracterizar a gestão empresarial na atualidade.

„ Entender a relação da auditoria no âmbito do mercado

e da gestão empresarial.

„ Relacionar os conceitos da qualidade e produtividade com a auditoria.

„ Familiarizar-se com as ferramentas e métodos para melhoria da qualidade.

„ Reconhecer os Sistemas de Premiação para Qualidade

e Produtividade.

Seções de estudo

Seção 1

Organização empresarial e a produtividade

Seção 2

Ferramentas de melhoria da qualidade e da produtividade

Seção 3

Sistemas de premiação para qualidade e produtividade

Seção 4

Sistemas integrados de gestão

2

Universidade do Sul de Santa Catarina

Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Caro(a) aluno(a): Você estudou na unidade

Para início de estudo

Caro(a) aluno(a):

Você estudou na unidade anterior, em profundidade, o assunto auditorias ambientais, seus conceitos, os tipos de auditoria, bem como sistemas de regulação e normalização, além das diretrizes e procedimentos de auditoria.

Também aprendeu que as auditorias tiveram impulso nos processos empresariais voluntários, em especial em decorrência do surgimento dos sistemas de qualidade e produtividade, em especial em relação aos sistemas de gestão da qualidade total que acabaram por colaborar com o surgimento das certificações e os esforços de normalização internacional.

Nesta unidade, você poderá aprofundar os conhecimentos relativos às práticas focadas na organização empresarial e na produtividade com vistas ao estabelecimento dos procedimentos e bases para implantação de sistemas integrados de gestão.

Seção 1 - Organização empresarial e a produtividade

Embora existam, tradicionalmente, diferentes perspectivas e maneiras de se conceituarem as empresas, a medida do sucesso em alcançar seus objetivos muitas vezes tem sido resumida apenas na obtenção do lucro. Deste ponto de vista, focalizando-se os lucros essencialmente, o problema geral das atividades de uma empresa consiste em configurar e dirigir o processo de conversão de recursos de maneira a otimizar a reprodução do capital.

Muito embora esta seja uma dimensão importante para qualquer empresa, modernamente tanto os analistas de negócio quanto a própria sociedade têm buscado por conceitos mais amplos, de eficácia organizacional, ampliando a noção dos objetivos das empresas, consequentemente ampliando-se a própria concepção das organizações e suas finalidades. Consolidando-se, por exemplo, uma forte tendência em se reconhecer a importância das ações e esforços em prol da chamada responsabilidade social entre outras coisas.

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Por outro lado, se for privilegiada apenas a questão do processo, uma empresa pode ser vista como um conjunto de funções interligadas, interagindo, ou não, entre si, para produzir resultados. Mesmo admitindo-se apenas este enfoque de produção, é necessário ampliar a noção dos objetivos da empresa, uma vez que, para produzir, vários esforços desenvolvem-se de maneira conjunta e simultânea, principalmente se a “empresa” tiver vários níveis, setores, funções e responsáveis. Entende-se que todas as funções – produção, finanças, marketing –, são importantes e fundamentais, porém, conforme o ângulo em que se observem os fatos, pode-se reduzir a importância de algumas delas, o que é errado.

Vive-se agora uma época em que a busca pela competitividade leva a um repensar dos processos empresarias, o qual transcende a redoma da área financeira. Por outro lado, o excesso de focalização na produção pode constituir um posicionamento restritivo. O que vemos é a necessidade de uma permanente revisão de orientação e da natureza da empresa exigida pela complexidade e turbulência do meio ambiente.

Basicamente, a lição que fica é a de que o objetivo central na gestão empresarial não é levar a excelência a uma área apenas da empresa, mas sim, buscar a integração das diferentes áreas para aproveitar as habilidades distintas ou superar as deficiências, convergindo para a consolidação do todo e adquirindo maior sinergia entre os componentes.

do todo e adquirindo maior sinergia entre os componentes. Com o incrível aumento da concorrência, principalmente

Com o incrível aumento da concorrência, principalmente a partir do final da década de 90, o advento de novas tecnologias e o surgimento de novos paradigmas que refletem a própria evolução por que passa a sociedade, as empresas perceberam que são eminentemente mortais. Então ficou evidente que é preciso melhorar a qualidade continuamente, aumentar a produtividade, reduzir custos e encurtar os prazos de entrega, sempre em prol da manutenção e melhoria da competitividade.

As empresas neste cenário devem desenvolver uma maior capacidade de adaptação. Isto é, para absorver continuamente as indicações que o ambiente impõe, devem ter capacidade de se moldarem internamente para alcançar mais efetivamente a adaptação às novas necessidades do mercado em que atuam. Ao empreenderem mudanças, para alinharem-se às condições

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adversas, elas absorvem novos estilos de gestão que implicam muitas vezes mudanças complexas, de concepção, análise, entendimento e racionalidade. Isto leva, ou até mesmo acaba por exigir, alterações na estrutura e na cultura da organização. Deste modo, evidencia-se a necessidade cada vez maior de se analisarem as organizações através de modelos capazes de explicar e entender o que ocorre. Aqui a visão sociotécnica da organização empresarial parece ser um bom caminho.

alcunhado de

maquinofatura

As empresas como “Organizações” – o modelo sociotécnico

Durante o último século, houve uma passagem dos modos de funcionamento caracterizados por estruturas organizacionais hierárquicas mais rígidas, métodos clássicos de gestão da produção e circuitos de informações formalizados, nos quais a comunicação não conseguia permear toda a organização, para outras formas ou modos de funcionamento mais adaptados ao ambiente e ao estágio atual do avanço tecnológico. Na verdade, um processo de transformação das formas de trabalho

mecanicista para modelos inspirados numa abordagem sistêmica

da organização. As figuras 2.1 e 2.2 registram alguns momentos históricos referentes à maquinofatura. Na figura 2.1, uma célebre passagem do filme “Tempos Modernos”, estrelado por Charles Chaplin. Na figura 2.2, um exemplo de uso da mão-de-obra infantil do início do século XX.

de uso da mão-de-obra infantil do início do século XX. Figura 2.1 - Imagem do filme

Figura 2.1 - Imagem do filme Tempos Modernos. Fonte: <http://images.google.com.br/>.

Modernos. Fonte: <http://images.google.com.br/>. Figura 2.2 - Crianças trabalhando na linha de produção de

Figura 2.2 - Crianças trabalhando na linha de produção de uma indústria têxtil. Fonte: <http://images.google.com.br/>.

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Dentro de uma nova visão de organização, são identificáveis alguns pressupostos básicos que devem servir de suporte para as

análises e avaliações dos impactos das alterações da organização

e da gestão, como também podem servir de pilar para a própria inovação na estrutura das organizações, a fim de acomodarem novos elementos:

„

organizações são entidades dinâmicas;

„

comportamento organizacional existe em múltiplos níveis (individual, grupo ou em sistemas);

o

„

as organizações são construídas com base em componentes sociais e técnicos e, portanto, são caracterizadas como sistemas sociotécnicos;

„

organizações têm características de sistemas abertos; e

„

as suas ações devem respeitar aos indivíduos, a sociedade

e o meio ambiente.

Como sistemas, as organizações são constituídas de componentes

ou partes que interagem entre si, formando os distintos processos. Em cada um dos componentes dos processos deve existir um grau de balanceamento, consistência ou “fit” com o restante (NADLER et al., 1994). Nadler & Tushman (1977) apresentam um modelo representativo que auxilia a inclusão da perspectiva sistêmica dentro do campo organizacional, contribuindo para

a formação de uma concepção sociotécnica. Na figura 2.3,

descreve-se o modelo proposto inicialmente por Nadler & Tushman (1977), revisado por Nadler et al.(1994), onde se denota uma clara preocupação com os aspectos comportamentais. As variáveis de entrada são representadas pelo ambiente; recursos disponíveis; histórico e estratégias organizacionais. As variáveis do processo de transformação são as tarefas; os indivíduos; os arranjos organizacionais formais e a organização informal. As variáveis de saída são resultados das interações entre componentes, dadas às entradas. Os componentes básicos da organização, segundo Nadler e Tushman (1977), são:

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„ TAREFA - este componente se refere à natureza do trabalho, tarefas e cargos que devem ser executados pelas organizações, pelos grupos e pelos indivíduos;

„ INDIVÍDUOS - as principais dimensões deste componente se relacionam com as diferenças sistemáticas que tenham relevância para o comportamento das organizações;

„ ARRANJOS ORGANIZACIONAIS - inclui todos os mecanismos formais de direção, estruturação, ou de controle. Estes são projetados para motivar e avaliar os indivíduos no desempenho das tarefas organizacionais; e

„ ORGANIZAÇÃO INFORMAL - além dos arranjos organizacionais formais, surgem também na organização estruturas informais. Estas incluem padrões de comunicação, poder de influência, valores e normas que caracterizam o funcionamento da organização.

Insumos
Insumos

Ambiente

Recursos

Estratégias

História

Dinâmica Interna dos Processos Estruturas e Processos Informais
Dinâmica Interna
dos Processos
Estruturas e
Processos Informais

Trabalho

Disposição

Organizações Formais

Informais Trabalho Disposição Organizações Formais Pessoal Produto Sistema Grupo Indivíduo Figura 2.3

Pessoal

Trabalho Disposição Organizações Formais Pessoal Produto Sistema Grupo Indivíduo Figura 2.3 - Visão
Trabalho Disposição Organizações Formais Pessoal Produto Sistema Grupo Indivíduo Figura 2.3 - Visão
Produto
Produto

Sistema

Sistema Grupo Indivíduo

Grupo

Sistema Grupo Indivíduo

Indivíduo

Figura 2.3 - Visão sistêmica do funcionamento organizacional. Fonte: Adaptado de Nadler e Tushman (1977), Nadler et al.(1994).

É importante assinalar que a aplicação específica da visão dos sistemas não pode ser comparada com técnicas gerenciais prescritivas, mas sim, analisada por um prisma mais amplo. Assumir este tipo de compreensão significa aceitar que é impossível intervir em qualquer um dos componentes sem que haja impacto desta intervenção nos demais componentes. Isto

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equivale a dizer que tão importante quanto o elemento em si é a

ligação que ele possui com os outros elementos do modelo. Assim,

o grau de ajuste, ou fit em inglês, existente entre os elementos

influencia na efetividade do sistema como um todo. Hoje, mais do que nunca, isso é real, pois, da efetiva capacidade de articular os elos, internos e externos, resulta a sobrevivência da empresa.

Entre cada par de componentes existe, ou pelo menos deveria existir, um grau de congruência, ou “fit”. Assim, a congruência entre dois componentes é definida como “o grau em que as necessidades, demandas, objetivos e/ou a estrutura de um componente são consistentes com as necessidades, demandas, objetivos e/ou a estrutura de outro componente.” Estas congruências estão representadas na figura 2.3 e descrevem em linhas gerais as inter-relações existentes entre os componentes de um processo de transformação.

Na avaliação dos sistemas organizacionais, deve-se determinar

a localização e a natureza dos “fits” inconsistentes. Estas

inconsistências podem, por exemplo, ser identificadas por mecanismos formais focados na análise de desempenho, ou mesmo, pelo uso conjunto das auditorias internas de análise de todo o sistema. O modelo também dá a entender que diferentes configurações de componentes chaves podem conduzir a um comportamento eficaz.

Então é isso? Basta ajustar os tais fits para que a produtividade melhore?

Não é bem assim: a intensificação da concorrência trouxe alguns reflexos mais significativos que puderam ser sentidos, em especial uma forte escalada em busca de melhoria dos procedimentos e processos produtivos com vistas à melhoria da produtividade.

Esta escalada se consolidou pelo menos em duas frentes: uma, voltada aos esforços em um nível geral, que afeta a todos os atores no chamado nível macro (nível da economia nacional); do outro lado, no nível micro (nível das organizações), couberam as preocupações pontuais como elementos específicos dos processos produtivos. Juntos, os níveis dão a base para a visão da produtividade que passou a ser chamada de sistêmica.

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Para o Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade - IBQP,

a noção da produtividade deve ser vista dentro de um conceito

sistêmico e integrado, que visa, acima de tudo, a sinergia e a dinâmica de todos os fatores diretos e indiretos de produção. Ou seja, não basta que a empresa tenha ajuste (fit) interno: o próprio desempenho da economia, os aspectos sociais e ecológicos são imprescindíveis para a qualidade de vida e de trabalho de todos os cidadãos. Portanto estes elementos devem estar em sintonia. Para o IBQP, a produtividade significa criar condições para o desenvolvimento sustentável juntamente com um melhor padrão de vida para a sociedade.

Fique atento(a), pesquise o conceito da Produtividade Sistêmica!

No nível macro econômico ou da economia nacional, faz-

se necessário que as políticas econômicas estejam formuladas através do prévio conhecimento dos vários setores industriais ou da performance das diversas regiões ou estados que compõem

o país. Este conhecimento prévio faz-se necessário para que

os governantes saibam se a produtividade apresentada está alcançando os objetivos preestabelecidos ou se está sendo suficiente para permitir melhores salários, melhores preços dos produtos e serviços ou redução nos percentuais de inflação.

No nível micro, os esforços de produtividade são essenciais às organizações, pois direcionam, com base mais segura,

o planejamento, permitindo o estabelecimento de metas

quantificadas e o seu desdobramento na organização. Nos

dois níveis, emerge a necessidade da existência de indicadores indispensáveis ao monitoramento e ao controle, possibilitando

a análise crítica do desempenho, daquilo que está planejado, na tomada de decisão ou na agilidade relacionada à mudança de rumos.

Como já foi dito anteriormente, os cenários sociais e econômicos globais obrigam as empresas a se adaptarem a novas condições, ou, pelo menos, caso sejam alterações mais brandas, servem de indicativo para que desenvolvam padrões mais adequados de competitividade.

Para Hanna (1988), a dinâmica do meio ambiente provoca, em uma visão mais extremada, as chamadas descontinuidades, exigindo o estabelecimento de padrões mais elevados para

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obter alta performance organizacional. Isso passa pelo processo de avaliação e desenvolvimento de um design organizacional apropriado às demandas externas. O balanceamento do sistema depende de como é feito o equilíbrio entre as demandas no tempo, além de exigir a devida atenção aos recursos e à energia necessária para se obter uma melhor performance.

Um reflexo possível do não-acompanhamento das tendências do ambiente leva a diferenciais de performance, que, temporalmente, influencia direta e significativamente o potencial de competitividade da empresa. Mas, cuidado! As questões ambientais podem levar a uma mudança total da concepção lógica e funcional da empresa. A ruptura provocada pela dinâmica ambiental pode levar à fragmentação da empresa.

Seção 2 - Ferramentas de melhoria da qualidade e da produtividade

No Brasil, o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) possui vários programas e ações desenvolvidas na área da qualidade e produtividade, em direção à melhoria da competitividade das empresas brasileiras. Outros importantes atores possuem programas e ações nesta área, a exemplo do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), que faz parte do Sistema Confederação Nacional da Indústria (CNI), e o Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP).

O IBQP disponibiliza às empresas e instituições brasileiras

tecnologias de gestão que incorporam conceitos e práticas de excelência em gestão da qualidade e da produtividade sistêmica, com foco na criação de ambientes inovativos. Dos estudos e

práticas destas ferramentas e metodologias originou-se o conceito

da produtividade sistêmica, que já foi apresentado na seção anterior.

A fórmula básica utilizada pelo IBQP para a medição da

produtividade é a mesma que você conheceu na seção 4 da Unidade 1, que é: produtividade = output/input.

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O output pode ser representado pelo resultado quantitativo ou

qualitativo em um determinado período, ao passo que o input, pelos recursos utilizados para se alcançar este resultado. De modo mais detalhado, vale ressaltar que o input refere-se aos recursos, tanto os tangíveis quanto os intangíveis, necessários para produzir mercadorias ou serviços.

Para ajudar, veja algumas definições: um produto pode constituir-se de uma composição de elementos observados diretamente (tangíveis) e de outros, presentes mas não tão

evidenciados, porém percebidos (intangíveis). Simplificando

as coisas, é possível dizer que um bem tangível traduz-se pela

oferta de bens, por exemplo, o sabão, onde nenhum serviço acompanha o produto. Agora, um bem tangível pode estar acompanhado de serviços, “a oferta acompanhada por um ou mais serviços amplia seu apelo de consumo”, a saber, um automóvel com uma garantia. Outros elementos podem tornar um automóvel mais que uma simples máquina, por exemplo, aparecendo em um filme estrelado por um ator famoso, ou sendo o ponto central de uma campanha de preservação ambiental -- caso o automóvel tenha este tipo de característica, outros elementos passam a ser “visíveis” e muitas vezes podem “mensuravelmente” diferenciar aquele produto, pois passam a ser um símbolo complexo que revela status, gosto, categoria. Resumindo, o intangível pode ou não estar presente, mas, sem sombra de dúvida, representa fortemente um significado.

Voltando para a produtividade, é necessário registrar que o modelo do IBQP considera que os input dividem-se em três diferentes classificações: trabalho, capital e input intermediários. Observe no quadro a seguir alguns exemplos.

1. Trabalho

2. Capital

3. Input intermediários

Número de empregados. Despesas com pessoal. Total de horas trabalhadas.

Volumes físicos (tempo de utilização de uma máquina). Valores monetários (ativo permanente, máquinas e equipamentos, ativo total).

Compra de materiais, energia e serviços medidos em volumes físicos (kg, toneladas ou kWh de energia comprada) ou valores em termos monetários (valor da energia comprada, dos materiais, etc.).

Quadro 2.1 - Exemplos das três classificações - Modelo IBQP Fonte: IBQP

Para mensuramos a produtividade de recursos materiais,

humanos ou tecnológicos, é necessário utilizar algumas medidas

de output, por exemplo:

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„ quantidade de produção - quando expressamos o output em termos de volume físico. Por exemplo, o output de um hotel pode ser representado pelo número de clientes atendidos ou o total de ocupação deste hotel, em um determinado período;

„ valor da produção - quando o resultado da produção está expresso em termos monetários. Pode estar representado pela receita ou valor das vendas ou do produto ou serviço prestado, durante um determinado período; e

„ valor adicionado (VA) - o VA é uma medida de output mais real, expressa em valores monetários, e representa a riqueza gerada pela empresa através de seu processo de produção ou serviços. Pode ser obtido através do resultado das vendas menos os valores pagos a fornecedores/terceiros.

Neste momento, é possível afirmar que a produtividade ultrapassa a noção matemática descrita pela razão entre outputs e inputs, assumindo, acima de tudo, uma função social, nos termos do conceito de produtividade sistêmica. Ou seja, a produtividade significa criar condições para o desenvolvimento sustentável e um melhor padrão de vida para a sociedade.

Tendo como principal objetivo promover o desenvolvimento sustentável, de forma que todos os fatores envolvidos sejam medidos e verificados sistemicamente, é necessário modificar a representação matemática (produtividade = output/input) para uma representação gráfica mais adequada, conforme descrito na figura 2.4. Uma análise rápida da figura 2.4 permite identificar como output tanto o resultado da receita total (Vendas) como o da riqueza gerada (VA).

Fornecedores

Organização Valores pagos a VA terceiros
Organização
Valores
pagos a
VA
terceiros

Clientes (vendas)

Figura 2.4 - Representação gráfica do Valor Adicionado. Fonte: <http://www.mct.gov.br/html/objects/_downloadblob.php?cod_blob=582>

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Neste modelo, todos os fatores – Gestão, Humano, Meios de Produção, Inventário e Recursos Naturais – voltam-se para um objetivo central, o desenvolvimento socioeconômico sustentável da empresa. A definição dos fatores e referenciais e alguns indicadores (IQs) utilizados na sua medição são apresentados na sequência.

„ Fator Gestão: é a relação entre os recursos utilizados e os resultados obtidos através do gerenciamento efetivo de todos os fatores que compõem o sistema. Indicadores analisados: Resultado das vendas e do Valor Adicionado - VA, % do VA em relação às vendas, Produtividade do Capital (Contribuição do ativo no VA), Rentabilidade do ativo e Margem líquida.

„ Fator Humano: é a relação entre o resultado obtido em um determinado período e o número de pessoas envolvidas ou o valor investido nessas pessoas (despesas com pessoal). Indicadores analisados: Produtividade do trabalho, Vendas por empregado e Contribuição das despesas com pessoal no VA.

„ Fator Meios de Produção: é a relação entre o resultado da produção e os meios utilizados para a sua obtenção. Indicadores analisados: Contribuição dos meios de produção nas vendas e no VA.

„ Fator Inventário: é a relação entre a produção e o estoque. Indicadores analisados: Contribuição dos estoques nas vendas e no VA.

„ Fator Recursos Naturais: é a otimização do uso racional dos recursos naturais, visando minimizar ou eliminar os efeitos ambientais decorrentes das atividades humanas. Indicadores analisados: Percentual do recurso natural utilizado (água, luz, carvão etc.) em relação às vendas ou ao VA.

Os processos de produção da empresa não se limitam à transformação física de bens e serviços intermediários em bens e serviços produzidos pela empresa. O processo produtivo da empresa deve ser capaz de gerar “produto(s)”, agregando valor. A agregação de valor vai além da produção, pois depende também de como e em que condições a empresa compra bens e serviços

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intermediários e efetivamente vende os bens e serviços que produz.

O Programa SEBRAE de Qualidade Total para Micro e Pequenas Empresas dispõe de um sistema de acompanhamento e medição dos resultados que pode ser interessante para analisar um negócio, em relação a sua capacidade de gerar o valor esperado. Alguns procedimentos adotados:

a) os aspectos a serem medidos devem ser os mais

importantes na ótica do cliente, pois são aspectos que influenciam decisões de compra;

b) para cada um desses aspectos, devem ser construídos

indicadores da qualidade, que sejam capazes de medir a

satisfação do cliente;

c) definir o que fazer e como as coisas devem ser feitas

para permitir a evolução dos indicadores da qualidade e, após, fazer a seleção dos indicadores da produtividade, de forma a completar cada aspecto analisado;

d) os indicadores devem permitir coleta e análise de

dados de forma simples e direta;

e) sistemáticas e periódicas, as medições devem ser

transformadas em gráficos, para melhor visualização; e

f) os resultados devem ser disseminados dentro da empresa e acompanhados por todos.

Dada a importância desta temática, é necessário que as empresas implantem sistemas próprios de Medição de Desempenho baseados em indicadores de qualidade e produtividade. Para ajudar este tipo de análise, foram desenvolvidos os 5 indicadores definidos pelo IBQP, para auxiliar a tomada de decisões.

Para a implantação de Sistema de Medição do Desempenho (SMD), algumas questões devem ser analisadas, por exemplo: se existem pessoas qualificadas para trabalhar com os indicadores; como será a estruturação dos indicadores; como se dará o processo de coleta de dados; qual o grau de confiabilidade dos dados; e se estes indicadores serão efetivamente usados para a tomada de decisões.

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Após a análise destas e de outras questões pertinentes, a empresa decide sua implantação, pois nada é pior do que iniciar a implantação de um sistema e concluir que não lhe servirá para atingir o objetivo pretendido.

que não lhe servirá para atingir o objetivo pretendido. Na efetiva implantação do SMD, é necessário

Na efetiva implantação do SMD, é necessário o comprometimento de todo o pessoal que tem função de planejamento e coordenação de atividades. Dependendo do tamanho da empresa (menor que 20 funcionários), todos devem participar, não necessariamente no efetivo desenvolvimento das atividades, mas sim, em atividades de apoio e sugestões.

As atividades das equipes estão relacionadas ao planejamento do SMD, determinação dos IQs necessários e seus parâmetros, análise crítica do SMD, auxílio na coleta de dados e nas soluções dos problemas, treinamento e difusão aos funcionários.

dos problemas, treinamento e difusão aos funcionários. A página do Sebrae, na internet, oferece conteúdos

A página do Sebrae, na internet, oferece conteúdos interessantes a respeito deste tema. Faça uma visita.

Igualmente importante é determinar o que medir. O item

mais importante na determinação dos indicadores (IQs) é

o planejamento, e inicia pela determinação das metas que

a empresa deseja atingir, na determinação das melhorias

necessárias para acompanhar essas metas e na determinação dos indicadores necessários para acompanhar as melhorias e, consequentemente, as metas.

Para cada IQ determinado, desenvolvem-se seus parâmetros para acompanhamento e controle, que são: o que medir; por que medir; como medir; quando medir; onde medir; padrão desejado; como atuar quando não atingir o padrão desejado; custo para medição; recursos necessários; vida útil do indicador; viabilidade do indicador e forma de apresentação dos resultados.

Após definidos os parâmetros dos IQs de todas as áreas, inicia- se o processo de avaliação de todo o SMD e da viabilidade de cada IQ determinado, com vistas a detectar possíveis falhas, desentendimentos, evitar redundâncias e assegurar a eficácia da implementação.

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Realizar as atividades descritas pelos parâmetros de cada IQ , providenciando os meios para a coleta dos dados, que poderá resultar em uma profunda alteração no sistema de informações da empresa. Algumas fontes de dados certamente já existem, e outras deverão ser criadas. Um ponto importante nesta etapa é a confiabilidade dos dados.

Por fim, é necessária a avaliação dos dados e a tomada de decisões. Nesta etapa, os usuários das informações para tomada de decisões já estão recebendo seus relatórios e gráficos, iniciando-se o processo de análise das informações. Podem surgir algumas dúvidas a respeito destas informações, do tipo:

não acreditamos nos resultados; as informações não estão sendo obtidas no momento adequado; como será o uso destas informações; elas são coerentes, ou não, com a realidade; a informação compensou o custo?

A avaliação dos dados a cada medição, a análise crítica de cada

indicador, seus parâmetros de execução e seus planos de ação corretiva dão a segurança de que o Sistema de Medição está em um processo contínuo e evolutivo, tendendo à melhoria do desempenho dos processos da empresa e levando-a a competir para se tornar uma organização do futuro.

Os sistemas de medição de desempenho – SMDs podem ser auferidos, utilizando-se auditorias. Reflita: que tipo de auditoria caberia nesta situação?

Seção 3 - Sistemas de premiação para qualidade e produtividade

Várias instituições atuam na implantação e monitoramento dos sistemas de qualidade e produtividade. Alguns exemplos: o Fórum Nacional de Qualidade, Produtividade e Competitividade (QPC) e o Movimento Brasil Competitivo (MBC).

A Fundação Nacional da Qualidade – FNQ é uma entidade

privada e sem fins lucrativos, criada em outubro de 1991 por representantes de 39 organizações brasileiras dos setores público e

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privado. Sua principal função era administrar o Prêmio Nacional

da

Qualidade® (PNQ ).

O

modelo proposto pelo Prêmio Nacional da Qualidade

(PNQ ) enfatiza o fato de que os Indicadores de Desempenho (IDs), devem contemplar os efeitos interativos das funções na organização e das interações desta com o meio em que atua.

Salienta ainda que as medidas de desempenho, como ferramentas

de planejamento e controle, devem ser de fácil utilização, e não

ambíguas, possibilitando sua utilização na tomada de decisões e sua compreensão por todos na empresa.

O PNQ propõe a classificação dos IDs em quatro categorias:

„ Satisfação do cliente: como exemplo, temos número de reclamações de clientes, ou volume de vendas empresa/ volume total do mercado;

„ Desempenho financeiro: é associada a fatores econômicos da organização, com indicadores do tipo retorno sobre o investimento, margens sobre vendas, ou custo médio dos produtos;

„ Desempenho operacional: associa fatores ligados à qualidade e produtividade da empresa, como número de processos capazes/número de processos existentes, peças/ hora, ou produtos refugados/quantidade total produzida; e

„ Clima organizacional: associa fatores motivacionais dos empregados. Alguns indicadores seriam a taxa de rotatividade de pessoal, taxa de absenteísmo. As medidas de desempenho propostas permitem uma avaliação de toda a organização.

Por sua vez, o PNQ foi constituído a partir da adaptação dos Critérios de Excelência do PNQ.

Os Critérios adotados são os seguintes: Liderança, Estratégias e Planos, Clientes, Sociedade, Informações e Conhecimento, Pessoas, Processos e Resultados da Organização.

O modelo de avaliação da gestão constitui um poderoso

instrumento para dirigentes de espírito empreendedor e de visão estratégica, interessados em conduzir suas organizações a uma

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profunda mudança gerencial, impulsionando o desempenho operacional a níveis cada vez mais elevados. O modelo de avaliação não prescreve ferramentas e formas de implementação de ações voltadas para a melhoria da gestão.

Entretanto representa uma série de requisitos básicos e específicos, inter-relacionados e orientados para resultados,
Entretanto representa uma série de requisitos básicos e
específicos, inter-relacionados e orientados para resultados,
criando um ambiente positivo para a acomodação dos princípios
da Gestão pela Qualidade Total.
2.
Estratégias e Planos
(90)
6.
Processos
(90)
1.
3.
7.
Liderança
Clientes e
Resultados
(90)
Sociedade
(460)
(90)
5.
Pessoas
(90)
4.
Informações e Conhecimento
(90)

Figura 2.5 - Modelo de excelência do pnq ® - uma visão sistêmica de organização. Fonte: Disponível em: <www.ethos.org.br/_Uniethos/Documents/texto_Antonio_Tadeu_Pagliuso. pdf>

A figura 2.5 representa a disposição dos elementos da gestão de uma organização. Os elementos, ou seja, os Critérios de Excelência, assim representados, formam o modelo de gestão preconizado pelo Projeto Excelência. Tais critérios estão imersos num mesmo ambiente e devem interagir de forma harmônica e sincronizada. Para se manter e se desenvolver, a organização necessita de um perfeito relacionamento com outros organismos, externos a ela (sociedade, clientes, governo, fornecedores, órgãos representativos de classes, etc.).

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A

figura central do Modelo de Excelência é o critério Clientes

e

Sociedade. Os clientes são a razão de ser da organização e, em

função disto, suas necessidades devem ser atendidas para que os produtos (bens ou serviços) possam ser desenvolvidos, criando o

valor necessário para conquistá-los e retê-los. Por outro lado, para que haja continuidade em suas operações, a organização também deve apurar e satisfazer as necessidades da sociedade, cumprindo

as leis, preservando os ecossistemas e contribuindo com o desenvolvimento das comunidades ao seu redor.

com o desenvolvimento das comunidades ao seu redor. O Sistema de Liderança estabelece e dissemina os

O Sistema de Liderança estabelece e dissemina os

valores e as diretrizes da organização que promovem a excelência do desempenho, vivenciando os fundamentos, impulsionando-os para formar uma cultura da excelência

na organização. Os líderes, principais responsáveis pela

obtenção de resultados que assegurem a satisfação de todas

as partes interessadas e a perpetuidade da organização,

analisam criticamente o seu desempenho global e tomam, sempre que necessário, as ações requeridas.

As estratégias são formuladas para direcionar o desempenho

da organização e determinar as diretrizes que possibilitarão o atendimento de vantagens competitivas. Estas são desdobradas em planos de ação, para curto e longo prazos, que servem como referência para a tomada de decisões e para a aplicação de recursos na organização. Esta é a componente do Modelo que se preocupa com o planejamento do sistema de medição do desempenho global, de forma a comunicar claramente a visão

e as estratégias da organização para as partes interessadas e a

permitir a análise crítica do desempenho global pela liderança.

As pessoas que compõem a força de trabalho, capacitadas e satisfeitas, atuando em um ambiente propício à consolidação da cultura da excelência, executam processos, identificam as melhores alternativas de captações e aplicações de recursos e utilizam os bens e serviços provenientes de fornecedores para transformá-los em produtos (outros bens, serviços, tecnologia, etc.), criando valor para os clientes, preservando os ecossistemas

e contribuindo para o desenvolvimento das comunidades ao

seu redor, de acordo com o que estabelecem as estratégias e os planos da organização.

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Os resultados da organização servem para acompanhar seu desempenho e suas tendências em relação aos clientes e ao

mercado, às finanças, às pessoas, aos fornecedores, aos processos relativos ao produto, aos processos de apoio, aos processos organizacionais e à sociedade. Os efeitos gerados pelas práticas

de gestão e pela dinâmica externa à organização podem ser

comparados às metas estabelecidas durante a definição das estratégias e planos, para eventuais correções de rumo ou para reforços das ações implementadas.

Por fim, a experiência acumulada e o aprendizado adquirido constituem a memória histórica da organização e sua principal fonte de melhoria e inovação. As informações e o conhecimento podem ser considerados como o centro nervoso da organização, propiciando a análise crítica e a tomada das ações necessárias, em todos os níveis. Assim, a gestão das informações e o capital intelectual são elementos essenciais para a busca da excelência.

são elementos essenciais para a busca da excelência. Visite o site do Banco de Boas Práticas

Visite o site do Banco de Boas Práticas da FNQ. Consiste em uma biblioteca das melhores práticas executadas por empresas Classe Mundial, organizada segundo os oito Critérios de Excelência do MEG.

O Banco busca disseminar os fundamentos da excelência em

gestão, estimulando a troca de experiências. Em 2007, 63 novas empresas participaram, totalizando 220 novas práticas inseridas. No somatório geral, estão armazenadas 421 práticas, de 120 empresas, que podem ser acessadas no Portal FNQ.

Seção 4 - Sistemas integrados de gestão

Fazendo uma retrospectiva, é possível identificar que, há 10 anos, havia no mundo somente três especificações de sistemas

de gestão: a ISO 9001, para a gestão da qualidade; a ISO 14001,

para a gestão ambiental; e a OHSAS 18001, para a gestão da segurança e saúde no trabalho. De lá para cá, entretanto, mais

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de uma dezena de novas normas de SGs surgiram nos mais diferentes campos e setores de atividade, como na indústria automotiva, de equipamentos médico-hospitalares, de alimentos, de tecnologia da informação, de petróleo e gás, de transporte público, etc.

Um dos principais argumentos que tem compelido as empresas

a integrarem os processos de Qualidade, Meio Ambiente e de

Segurança e Saúde no Trabalho é o efeito positivo que um SIG – Sistema Integrado de Gestão – pode ter sobre o capital humano da empresa.

As metas de produtividade, progressivamente mais desafiadoras, requerem que as empresas maximizem sua eficiência. Múltiplos Sistemas de Gestão são ineficientes, difíceis de administrar e difíceis de obter o efetivo envolvimento das pessoas. Ao que parece é mais simples obter a cooperação dos funcionários para um único sistema do que para 3 sistemas separados. A sinergia gerada por um SIG tem levado as empresas a atingirem melhores níveis de desempenho, a um custo global muito menor.

A ISO 14001:2004 não incluiu requisitos específicos dos

outros sistemas da gestão, como por exemplo, aqueles relativos

à qualidade, segurança e saúde ocupacional, ou gerenciamento

de risco. Apesar disso, seus elementos podem ser alinhados ou integrados com os de outros sistemas da gestão. É possível a uma organização adaptar seu(s) sistema(s) de gestão pré-existente(s) para estabelecer um sistema da gestão ambiental que esteja em conformidade com os requisitos da ISO 14001:2004.

É necessário salientar que a aplicação de vários elementos do(s)

sistema(s) de gestão existente(s) podem diferir, dependendo dos

objetivos pretendidos e das partes interessadas que estiverem envolvidas. A versão de 2004 da ISO 14001 esclareceu diversos itens, tanto para facilitar entendimento como para permitir a consideração das disposições da ISO 9001:2000, promovendo-

se mais compatibilidade entre as duas normas, em benefício da comunidade de usuários.

Por exemplo: as empresas podem utilizar um sistema de gestão coerente com a NBR ISO 9001, como base para a implementação de um sistema de gestão ambiental. A aplicação

Auditoria Ambiental

de vários elementos do sistema de gestão pode variar de acordo com os diferentes propósitos e com as diversas partes interessadas. Enquanto sistemas de gestão da qualidade tratam das necessidades dos clientes, os sistemas de gestão ambiental atendem às necessidades de um vasto conjunto de partes

interessadas e às crescentes necessidades da sociedade relativas

à proteção ambiental. Nestes termos, a integração das questões ambientais ao sistema global da organização pode contribuir para a efetiva implementação do sistema de gestão ambiental, bem como para a eficiência da clareza de suas atribuições.

A norma OHSAS 18001, de 1999, sobre requisitos de sistema

de gestão de segurança e saúde no trabalho é outra norma para sistema de gestão, que foi desenvolvida para poder entrar a

qualquer momento em revisão, de modo a permanecer sempre compatível com a ISO 9001 e ISO 14001:2004, facilitando assim a integração de sistemas de gestão da qualidade, ambiental e de segurança e saúde no trabalho (SST), por parte das organizações que assim desejem proceder. A OHSAS 18001 é a primeira de uma série de normas sobre o tema, que conta também com a norma OHSAS 18002, sobre diretrizes para adoção da OHSAS 18001. Apenas a OHSAS 18001 é

passível de certificação, tratando de requisitos para que, com

o sistema de gestão de SST, as organizações se habilitem a

controlar riscos relacionados à segurança e saúde no trabalho e

a melhorar seu desempenho.

Do mesmo modo que a ISO 9001 e a ISO 14001:2004, a especificação OHSAS trata de segurança e saúde no trabalho em uma organização, e não de segurança de seus produtos e serviços.

O que tem ocorrido é que, por não disporem de mecanismos

confiáveis de integração de sistemas de gestão, as organizações acabam por recorrer ao gerenciamento conjunto desses sistemas, quando os possuem todos, ou, pelo menos, dois deles implantados e rodando, apresentando, eventualmente, relatórios/ comunicações que sintetizam as conclusões sobre os respectivos desempenhos. Também ocorre, muitas vezes, a centralização do

gerenciamento desses sistemas num mesmo departamento da organização, sob a responsabilidade de um mesmo representante da alta administração.

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Fica ainda mais clara a diferença entre sistema integrado de gestão e o gerenciamento em conjunto, de dois ou mais sistemas de gestão, quando a organização tem seus sistemas certificados por organismos certificadores diferentes, precisando, num dado momento, reavaliá-los. Isso pode significar o envolvimento de várias equipes de auditorias diferentes para conduzir avaliações e produzir resultados que podem se sobrepor ou, até mesmo, levar a conclusões contraditórias.

Fica evidente a necessidade, portanto, de uma alternativa para que a administração e as partes interessadas possam ver os diversos sistemas de gestão implementados por uma organização como um sistema único, integrado: um mecanismo que una os elementos comuns de tais sistemas.

Imagine a dificuldade que uma empresa tem ao obter a certificação em três sistemas distintos (ISO 9001:2000, ISO 14001:2004 e OHSAS 18001), ao ter que sofrer auditorias por três organismos diferentes. Isso pode significar o envolvimento de três equipes de auditoria diferentes para conduzir três avaliações diferentes, e produzir resultados que podem se sobrepor ou, até mesmo, contradizer um ao outro.

Segundo De Cicco (2008), até pouco tempo estes esforços de união de sistemas resultaram em sucessos considerados limitados. A entidade britânica de normas, a BSI British Standards, desenvolveu a primeira especificação em nível global de requisitos comuns capazes de compor um Sistema Integrado de Gestão, criando a PAS 99:2006. Pode ser considerado o primeiro passo rumo a uma futura normatização internacional no padrão da ISO. A PAS significa Publicly Available Specification (Especificação Disponível Publicamente).

A PAS 99 fornece um modelo simples para as organizações integrarem em uma única estrutura todas as normas e especificações de sistemas de gestão que adotam. O principal objetivo da PAS 99 é simplificar a implementação de múltiplos sistemas e sua respectiva avaliação de conformidade. Ela enfatiza que as organizações que a utilizarem deverão incluir como entrada do sistema integrado os requisitos específicos das normas que adotam, tais como, por exemplo, os requisitos específicos da ISO 9001, ISO 14001, ISO/IEC 20000 (Sistema de Gerenciamento de Serviços de Tecnologia da Informação) e OHSAS 18001.

Auditoria Ambiental

A conformidade com a PAS 99 não garante em si a

conformidade com essas outras normas de sistemas de gestão. Os requisitos específicos de cada norma ainda terão de ser cobertos e

atendidos, para que a certificação seja obtida. A certificação com

a PAS 99:2006, por si só, não é apropriada. Ela foi elaborada, portanto, com o propósito de auxiliar as organizações a se

beneficiarem com a consolidação dos requisitos comuns de todas

as normas/especificações de sistemas de gestão e com a gestão eficaz desses requisitos.

O modelo utilizado para a estrutura da PAS 99 está intimamente

relacionado aos elementos comuns propostos no ISO Guide

72:2001, que é um guia para elaboradores de normas. O Guia

72 inclui uma estrutura que foi desenvolvida como um modelo o

qual possibilita aos elaboradores produzir normas que cubram os diversos elementos principais de maneira consistente.

Os especialistas que desenvolveram a PAS 99 consideram que a sua estrutura é a mais apropriada para a nova especificação, uma vez que permite que toda e qualquer norma de sistema de gestão seja contemplada, ensejando o gerenciamento eficaz e eficiente dos requisitos comuns dos sistemas de gestão.

No ISO Guide 72, os requisitos principais estão categorizados nos seguintes temas:

„ Política;

„ Planejamento;

„ Implementação e operação;

„ Avaliação de desempenho;

„ Melhoria; e

„ Análise crítica pela direção.

Cada norma de sistema de gestão possui seus próprios requisitos específicos, mas esses seis temas estão presentes em todas elas

e podem ser adotados como base para a integração. A PAS

99

utiliza a mesma categorização. A Figura 2.6 mostra como

os

requisitos existentes em normas/especificações são comuns

e podem ser acomodados em um único sistema de gestão

genérico. A redução de duplicações através da união de dois

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ou mais sistemas, dessa maneira, tem o potencial de diminuir significativamente o tamanho total do Sistema Integrado de Gestão e de melhorar a sua eficiência e eficácia.

A figura 2.6 ainda mostra que, se os diversos requisitos de

sistemas de gestão puderem ser organizados de forma que

os principais requisitos sejam cobertos de maneira comum,

é possível integrar os sistemas na intensidade que for mais apropriada para a organização, ao mesmo tempo que as duplicações são minimizadas.

O modelo usado na PAS 99 tem como base o ISO Guide 72 com

algumas modificações, já tendo sido testado na prática. Os seis requisitos comuns mencionados acima devem ser observados em

conjunto com a abordagem PDCA (Planejar, Executar, Verificar

e Agir), que todos os sistemas de gestão seguem.

Requisitos especí cos

Norma

Ambiental

A

- Política;

- Planejamento;

- Implementação

e operação;

- Avaliaçao de

desempenho;

- Melhoria; e

- Análise crítica

pela direção

Requisitos Requisitos especí cos específicos norma Norma Saúde e Saúde e Segurança Segurança S S
Requisitos
Requisitos
especí cos
específicos
norma
Norma
Saúde e
Saúde e
Segurança
Segurança
S
S

Requisitos especí cos

Requisitos especí cos

Norma

Outras

Qualidade

Normas

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