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julho-agosto 2016 N.º 65
julho-agosto 2016 N.º 65

InfoCEDI julho-agosto 2016 N.º 65

Ficha Técnica

Direcção de Publicação:

Ana Tarouca

Pedro Pires

Revisão de texto:

José Brito Soares

Edição:

Instituto de Apoio à Criança Largo da Memória, 14 1349-045 Lisboa

Periodicidade: Bimestral

ISSN: 1647-4163

Distribuição gratuita

Endereço Internet:

www.iacrianca.pt

Blogue:

Serviço de Documentação:

Tel.: (00351) 213 617 884 Fax: (00351) 213 617 889 E-mail:iac-cedi@iacrianca.pt

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digital envie-nos uma mensagem para iac-cedi@iacrianca.pt gettyimages Definições sobre Cyberbullying Cyberbullying

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Definições sobre Cyberbullying

Cyberbullying é qualquer comportamento realizado através de meios de comunica- ção eletrónicos ou digitais por indivíduos ou grupos que, repetidamente, comunicam mensagens hostis e ou agressivas de forma a infligir dano ou desconforto a outros. (Tokunaga (2010).

É importante fazer a distinção entre os meios pelos quais o cyberbullying é levado a cabo, por exemplo o e-mail ou os telemóveis, e os comportamentos que são reali- zados através desses meios e que podem ser descritos como cyberbullying.

Meios utilizados no Cyberbullying

1. Bullying através de mensagens de texto As mensagens de texto são muito recorrentes no fenómeno do cyberbullying e podem ser enviadas por telemóveis ou por outro tipo de tecnologias que permita difundi-las (…). Este serviço permite enviar e receber mensagens de texto curtas, cujo conteúdo passa por palavras, números ou combinações alfanuméricas (…). Em relação ao cyberbullying, o conteúdo destas mensagens geralmente é ameaçador, insultuoso, ou prejudicial para a vítima. Para além disso, as mensagens podem ter como finalidade difundir falsos boatos, humilhar, ou ainda excluir alguém (…).

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2.

Bullying por imagens/videoclip através de câmaras de telemóveis

 

Geralmente recorre-se a fotografias tiradas por telemóveis cujo objetivo é humilhar ou lesar alguém,

sendo remetidas para diversas pessoas ou publicadas num espaço online de acesso

público. A título de

exemplo, pode-se referir fotos íntimas que foram tiradas quando duas pessoas mantinham uma relação amorosa (…).

3.

Bullying por chamada telefónica através de telemóvel

Aqui é possível referir as "chamadas silenciosas" que o agressor faz para a vítima, ou então o envio de mensagens abusivas em que o ofensor oculta a sua identidade ou utiliza o telemóvel de outra pessoa. Para além disso, o ofensor pode ainda utilizar o telemóvel da vítima para lesar outras pessoas, pensan-

do estas que o proprietário do telemóvel é o responsável em causa (…).

4.

Bullying por e-mail

O

e-mail é um tipo de comunicação assíncrona, acessível através da internet, que passa pelo envio de

mensagens que podem ser difundidas para uma ou mais pessoas, sendo estas recebidas em contas particulares de e-mail (…). Relativamente ao cyberbullying, é possível referir o envio de e-mails amea-

çadores, em que geralmente o ofensor utiliza um pseudónimo inventado ou então o e-mail ou o nome

de outra pessoa de forma a não ser detetado (…). Uma das razões pela qual o e-mail é uma das formas

mais recorrentemente utilizadas no cyberbullying prende-se com o facto do ofensor

ser capaz de divul-

gar de uma só vez para centenas de pessoas imagens ou outro tipo de informação sobre a vítima (…).

5.

Bullying em salas de chat

As salas de chat são um tipo de comunicação síncrona e geralmente existem para

que os utilizadores

possam interagir sobre alguma área de interesse em específico (…). Muitas vezes, os jovens que no mundo real dispõem de uma fraca rede de amigos recorrem a estas salas de forma a obter amizade ou algum tipo de intimidade com terceiros, podendo ser alvo de mensagens embaraçosas ou ameaçadoras (…). Importa referir que, não raras vezes, os utilizadores destas salas não prestam a sua verdadeira

identidade, falseando a idade, o género, a ocupação, o que pode ser útil para certos nomeadamente os cyber stalkers e os predadores sexuais (…).

grupos de pessoas,

6.

Bullying através de mensagens instantâneas

O

recurso a esta tecnologia é bastante popular não só entre os jovens, como também pelos adultos. As

mensagens instantâneas permitem que indivíduos separados geograficamente possam comunicar de forma instantânea, havendo programas que também incluem a possibilidade de utilização de microfo- nes e webcams (…). Neste âmbito, e de forma sucinta, o ofensor envia à vítima mensagens desagradá- veis ou ameaçadoras em tempo real (…).

7. Bullying através de websites

 

É possível referir a criação de blogues difamatórios, websites que têm por objetivo humilhar alguém ou

então sites de votação (polling sites) (…). Em relação aos blogues, estes podem

ser caracterizados

como uma espécie de diário pessoal interativo na internet, em que a pessoa responsável pela página

publica regularmente conteúdo e solicita comentários daqueles que a visitam (…). Já nos sites de vota-

ção, o ofensor faz o upload de uma fotografia da vítima e as pessoas que visitam o certos aspetos físicos da mesma (…).

site podem avaliar

(continua)

 

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8.

Bullying através de sites em redes sociais

 

As redes sociais online são plataformas na internet que incluem as seguintes características:

a) interação social entre duas ou mais pessoas;

b) permitem a criação de perfis pessoais nos quais as pessoas podem divulgar informação;

c) permitem a comunicação entre pessoas através de serviços de mensagens instantâneas ou de e- mail;

d) incluem funções de pesquisa para que o utilizador seja capaz de pesquisar

outros utilizadores

com os quais possa comunicar. Este tipo de sites são propícios à prática de cyberbullying não só porque permitem a publicação de comentários, fotografias e vídeos, mas também porque é possível criar perfis ou contas falsas sobre

alguém (…). Segundo Kowalski, Limber e Agatson (2012) este tipo de redes sociais

podem ser utiliza-

das como “burn pages”, páginas na internet onde os jovens publicam boatos ou outro tipo de informa- ção negativa sobre os seus colegas de escola. Para além disso, como modalidade das redes sociais que permite a prática de cyberbullying, os autores mencionam ainda os “social web sites” (ex. Youtube e o Google Video).

Formas de cyberbullying

Segundo Willard (2005), as oito principais formas de cyberbullying são:

1. Flaming – Diz respeito a discussões realizadas através de mensagens eletrónicas cuja linguagem é vulgar e são perpetradas com sentimentos de raiva (…). Este tipo de comentários somente pretendem lesar a pessoa social e psicologicamente, bem como exercer autoridade sobre ela. Esta forma de cyber- bullying geralmente ocorre nos espaços de discussão online, nos fóruns, e nas secções de comentários de notícias (…).

2. Harassment (assédio) - Envio repetido de mensagens insultuosas e desagradáveis (…).

3. Denigration (difamação) Difamar alguém no ciberespaço através do envio ou da publicação de

rumores sobre essa pessoa cujo intuito é lesar a sua reputação (…). Segundo Hinduja e Patchin (2015)

a disseminação de rumores sobre alguém na internet pode ser levado a cabo muito facilmente e, por norma, é perpetrada com maior frequência pelas raparigas, em comparação com os rapazes. Assim, num curto espaço de tempo estas mensagens podem tornar-se virais e a generalidade dos alunos pode ter acesso a esse rumor e começar a tratar a vítima de forma pejorativa (idem).

4.

Impersonation (representação) Fazer passar-se por outra pessoa e enviar ou publicar material

de forma a prejudicá-la (colocar a pessoa em problemas, em perigo ou lesar a sua reputação) (…). Para Hinduja e Patchin (2015), esta forma de cyberbullying não é tão recorrente como publicar fotografias, ou fazer comentários sobre terceiros, e requer maior planeamento e premeditação. Para além disso,

segundo os autores, outra forma de impersonation que pode levar ao cyberbullying

é o catfishing, que

se refere à prática da criação de perfis falsos em que geralmente o intuito é atrair pessoas para um relacionamento amoroso que não corresponde à verdade (…).

5. Outing – Divulgação online de segredos, de informação constrangedora ou de imagens (…).

6. Trickery – Falar com alguém online no sentido de obter informação pessoal e depois divulgá-la (…).

7. Exclusion (exclusão) – Excluir alguém de um grupo online de forma intencional

e cruel (…).

8. Cyberstalking – Assédio repetido e intenso de forma a denegrir e a provocar medo na vítima (…).

Hoje em dia as redes sociais permitem aos stalkers obter informação sobre as vítimas de forma muito mais acessível, já que podem conectar-se aos seus perfis e obter informação pormenorizada, nomeada-

mente sobre os interesses pessoais, a sua rotina diária, etc. (…).

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A par destas formas de cyberbullying, Kowalski, Limber e Agatson (2012) acrescentam o “happy slap- ping” e o “sexting”:

 

1.

Happy Slapping Este fenómeno, que teve origem nas estações de metro em Inglaterra, caracteri-

za-se por grupos de jovens agredirem alguém com uma bofetada, cuja vítima pode ou não ser conheci-

da do ofensor, e o incidente ser gravado por jovens desse mesmo grupo através de

telemóveis. Poste-

riormente, o vídeo é publicado na internet com o intuito de ser visualizado por inúmeras pessoas.

2.

Sexting – Diz respeito ao envio ou publicação de fotografias ou vídeos de alguém em poses de

nudez ou semi-nudez através de mensagens de texto ou de outros meios eletrónicos. O fenómeno do sexting pode ser utilizado com intuito de prejudicar terceiros, quando, por exemplo, após o fim de um

relacionamento amoroso, e como forma de vingança, um dos elementos do casal divulga na escola este tipo de fotografias do(a) ex companheiro(a).

Por fim, Hinduja e Patchin (2015) apresentam ainda mais quatro formas de cyberbullying:

1.

Photoshopping – o termo é um neologismo referente a um software informático de edição de ima-

gens muito popular, o Adobe Photoshop, e que no contexto do cyberbullying refere-se à manipulação de imagens em que a vítima é colocada num contexto comprometedor ou embaraçoso.

2.

Confession Pages são páginas na internet que permitem aos utilizadores

partilhar segredos, sem reconhecer a

rumores, ou qualquer outro tipo de conteúdo para que outros tenham acesso, mas

identidade dos seus autores, podendo haver comentários cruéis e que claramente se identificam com o

 

cyberbullying.

3.

Tagging and Untagging Os tags são conexões que se estabelecem entre perfis ou contas online

de pessoas com um determinado conteúdo nas redes sociais. Geralmente, os tags usam-se para identi- ficar pessoas em fotografias ou em vídeos. No caso do cyberbullying, geralmente a vítima é identificada (tagged) numa determinada afirmação, imagem ou vídeo em que não se pretende associar.

4.

Ameaças físicas (physical threats) Formas de cyberbullying que passam por ameaças à segu-

rança física e ao bem-estar da vítima, devendo merecer a atenção o mais atempada ridades, de modo a verificar-se se as ameaças em causa são ou não credíveis.

possível das auto-

O cyberbullying reveste-se de determinadas particularidades que o diferenciam de outras formas de bullying, nomeadamente: consistir num tipo de agressão apenas a nível psicológico e emocional; o ano- nimato, tanto relativamente ao agressor como à vítima, este anonimato também potencia a alternância de papéis agressor/vítima, sendo que o agressor pode ser conhecido ou desconhecido relativamente à vítima e vice-versa; o contexto online da agressão contribui para o aumento exponencial de testemu-

nhas do abuso quando comparado com o bullying convencional; a agressão não se

limita a um espaço

físico, podendo estender-se a todo um universo cibernauta, aumentando, desta forma, a exposição da vítima a um número maior de testemunhas e é ampliada, também de forma exponencial, a sensação de insegurança; é significativamente maior no cyberbullying a rapidez de disseminação de informação;

e por fim, mas não menos relevante, a existência de um registo eletrónico (fotografia, filme, blogue,

tweet, comentário numa rede social) que conduz à perpetuação da agressão, a qual em diferentes ciclos (…).

pode ser reavivada

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Although many different definitions of cyberbullying exist in the literature, most academics define it as ‘an aggressive act or behaviour that is carried out using electronic means by a group or an individual repeatedly and over time against a victim who cannot

easily defend him or herself’. The following elements characterizing cyberbullying emerge in the literature:

The use of electronic or digital means through which the abuse is perpetrated;

Intentional harm, which represents the intention of the perpetrator to inflict harm on

the victim putting in place unpleasant and distressing behaviours against him/her;

Imbalance of power, which is the advantage of the perpetrator over the victim, where

the latter cannot easily defend him/herself. Although some scholars consider this element hard to align with cyberbullying due to the fact that both the victim and the perpetrator may have advanced ICTs skills, the imbalance of power is still considered to be present in cyberbullying since the bully holds a dominant position compared to the victim at least at

psychological

level. Therefore, while recognizing the complexity of measuring the

imbalance of power online, some scholars stress the need to assess the difficulty of the victim to defend him/herself on a case-by-case basis.

Repetition which should be interpreted as the possibility to quickly share harmful

content with a

broad audience in a virtual environment with one single action. Moreover,

harmful content can be reposted, shared, or liked causing significant harm to the victim even without the repetition of the act over time.

Sense of anonymity and lack of accountability which refer to the possibility for the

perpetrator to

remain anonymous and the feeling of not being accountable for his/her

own actions. Anonymity may intensify the negative perception of the act by the victim who feels powerless as a result of not knowing where the attack comes from. For some authors, anonymity may reduce the need for an imbalance of power as a criterion for

defining cyberbullying due to the fact that not knowing where the attack comes from puts

the cyberbully

in a powerful position compared to that of the victim. Moreover, the

perceived anonymity of the online environment encourages adolescents to act in ways they would not in face-to-face interactions. Therefore, anonymity may empower those

who are unlikely to carry out traditional bullying to perpetrate bullying online .

Publicity which refers to the ability of cyberbullying actions to be accessible to multiple

people exponentially increasing the breadth of the audience (i.e. the cyberbullying action may register numerous views by bystanders). pp. 23-24

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O QUE NUNCA DEVES FAZER:

Fornecer dados pessoais (teus, de membros da tua família ou de amigos) a pessoas que conheces na internet - nome completo, número do documento de identificação (bilhete de identidade, cartão de cidadão), número de telefone/telemóvel, morada, número/informações das tuas contas bancárias ou das dos teus pais.

Preencher informação com dados pessoais, sem verificar anteriormente o endereço do website que os solicitou, o motivo do pedido e a credibilidade da entidade que o regula.

Expor demasiada informação sobre ti em blogues ou redes sociais.

Abrir ou responder a emails de destinatários que não conheces.

Abrir links ou consultar páginas que te pareçam duvidosas ou com conteúdos estranhos.

Partilhar

a tua password com alguém (mesmo com alguém em quem confies

totalmente).

Fazer compras online, sem o consentimento e ajuda dos teus pais.

Combinar encontros com pessoas que conheceste online.

Responder a mensagens ou contactos desagradáveis, humilhantes ou provocadores (mesmo que sejam de uma pessoa que até conheces).

Usar a internet para magoar, prejudicar ou humilhar alguém.

Site da APAV para Jovens (consultado em 27/09/2016)

a internet para magoar, prejudicar ou humilhar alguém. Site da APAV para Jovens (consultado em 27/09/2016)

flickr

photobucket

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O QUE DEVES

SEMPRE FAZER:

Fornecer o teu email apenas a pessoas que conheces e a entidades que sejam legítimas.

Atualizar regularmente o antivírus do teu computador.

Proteger

o teu email com um filtro de spam/lixo eletrónico, para evitares receber

emails ou publicidade indesejada ou de destinatários que não te interessam.

Alterar regularmente as tuas passwords.

Efetuar sempre logout quando queres sair do teu email ou de uma página da web em que tenhas efetuado login.

Falar com um adulto em quem confies quando tiver acontecido alguma coisa que te tenha incomodado ou quando tens alguma dúvida.

Contactar o administrador da página da web em que estás se perceberes que o conteúdo do website é inadequado ou impróprio.

Não responder a qualquer mensagem provocatória ou desagradável e guardar essa informação para a enviar ao administrador do website ou fórum.

Site da APAV para Jovens (consultado em 27/09/2016)

informação para a enviar ao administrador do website ou fórum. Site da APAV para Jovens (consultado
InfoCEDI julho-agosto 2016 N.º 65 Página 8 Sobre o Cyberbullying recomendamos Cyberbullying e cyberstalking (2016)
InfoCEDI julho-agosto 2016
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Página 8
Sobre o Cyberbullying recomendamos
Cyberbullying e cyberstalking (2016)
Tese de Doutoramento de Luzia
Pinheiro: “A presente tese de
doutoramento versa sobre os
fenómenos do cyberbullying e
do cyberstalking, a violência e a
comunicação na cibercultura.
Tendo-se centrado a investiga-
ção no estudo do comportamen-
tam
os
indivíduos
perante
o
to
dos indivíduos face aos obje-
cyberbullying
e
o
cyberstal-
tos de estudo (cyberbullying e
cyberstalking), e visando orien-
king?”.
tar os trabalhos empíricos, for-
mulou-se a seguinte pergunta
de partida: “Como se compor-
Disponível on-line »
O uso da internet, o bullying, o cyberbullying e o suporte social em jovens do 3º
ciclo – um estudo não experimental correlacional realizado numa escola portuguesa
(2016)
Dissertação de Mestrado de Ana
Rita Garcia: “O bullying, visto
como “um comportamento
consciente, intencional, delibe-
rado, hostil e sistemático, de
uma ou mais pessoas, cuja
intenção é ferir os outros” (…)
existe desde sempre, embora
seja considerado recente o seu
estudo, enquanto fenómeno
com grande impacto, principal-
mente na vida das crianças e
jovens. E as novas tecnologias
trouxeram uma nova dimensão
ao bullying tradicional – o
cyberbullying - ou seja, a vio-
lência perpetrada através da
internet. Havendo um vínculo
estreito entre os dois conceitos,
e
estando tão presentes na
sociedade contemporânea, prin-
cipalmente entre os adolescen-
tes, sentimos necessidade de
desenvolver uma investigação
mais profunda sobre esta temá-
tica. Optámos assim por corre-
lacionar o bullying, com o
cyberbullying, com o apoio
social e ainda com o isolamento,
porque é relevante e urgente
compreender a ligação entre
estes fenómenos. Procurámos
então saber se na sociedade
vítimas ou como agressores) e
se há também alguma relação
com o isolamento, dado que
esta geração
parece mais afas-
tada das relações offline, entre
outros fatores devido ao tempo
que passam
na internet. Neste
sentido, o nosso interesse final
está na prevenção e intervenção
com os jovens e com as rela-
ções interpessoais que viven-
ciam. O estudo incidiu sobre
alunos do 3º
ciclo de uma esco-
la portuguesa, tendo uma
atual, os jovens que se sentem
mais satisfeitos com o apoio
que recebem dos outros, estão
menos sujeitos ao bullying/
cyberbullying (quer seja como
amostra de
uma idade
145 alunos, com
média de 13,52
anos”.
Disponível on-line »
compfight

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“As novas tecnologias têm permitido a utilização criativa e autónoma de um conjunto de

 

novos meios de comunicação e de interação que se revelam benéficos,

mas também

trazem riscos e perigos evidentes (…). Neste sentido, o desenvolvimento das TIC contribuiu para que o bullying fosse transferido para o mundo virtual, o que veio a criar uma nova forma de violência, o cyberbullying (Campos, 2009). A este fenómeno está associada a violência psicológica intencional, que envolve comportamentos negativos como a mentira, a ameaça, o insulto, a difamação, a intimidação, o rumor, a provocação e a exclusão social, entre outras atitudes (…). Este tipo de violência é praticado através

do envio de emails, mensagens de texto, divulgação de fotos e vídeos ofensivos, manipulação de imagens, insultos em salas de conversação ou em redes sociais. Todas estas agressões podem ser anónimas e abranger um enorme público de espectadores no menor tempo possível (…). A viralidade dos conteúdos e a audiência exponencialmente aumentada é uma realidade no ciberespaço. Nos meios digitais, o anonimato também

estimula um comportamento mais agressivo e prejudicial por parte dos agressores. Esta

variável faz com que os agressores vejam reduzida a oportunidade de detetados ou punidos (…). Outra característica que tem vindo a estimular

virem a ser os agressores

no ciberespaço são os limites de tempo e espaço que os meios digitais fornecem a essas

mesmas pessoas. O comportamento de cyberbullying assombra e está

presente em

espaços e lugares digitais onde anteriormente a vítima considerava que estava protegida e

segura (…). As consequências do cyberbullying são tão profundas e devastadoras como as do bullying, senão mais, porque evidenciam uma audiência maior e, consequentemente, uma humilhação numa escala substancialmente superior ao meio escolar. Neste sentido, as consequências podem traduzir-se em risco de suicídio e automutilação (…). Pinheiro

(2009) considera que o comportamento de cyberbullying, no que concerne ao agressor, se

pode dividir em duas tipologias. A primeira diz respeito aos agressores

acidentais. A

segunda tipologia são os agressores aditos que praticam este ato uma primeira vez e, tirando proveito, esse mesmo comportamento torna-se um hábito ou vício. Os agressores aditos do Cyberbullying passam bastante tempo nas páginas pessoais das suas vítimas, a criar situações que podem levar ao total desespero (…).

Influencia del clima escolar y familiar en adolescentes, víctimas

de ciberacoso

(2016)

Artigo de Jessica Ortega Barón [et al.]:”El ciberacoso es un fenómeno de creciente preocu- pación social que afecta cada vez más a niños y adolescentes de todos los países desarrolla- dos. A diferencia de la conside- rable literatura que hay sobre las relaciones entre el acoso escolar y el contexto familiar y

escolar, todavía hay pocos tra- bajos sobre la influencia de es- tos entornos sociales en el pro- blema del ciberacoso. Mediante una metodología cuantitativa, el objetivo principal del presente estudio fue analizar la influencia del contexto escolar y familiar en víctimas de ciberacoso. La muestra estuvo formada por

 

1.062 adolescentes (51,5% chi-

cos y 48,5%

chicas), de edades

comprendidas entre los 12 y los 18 años (…)”.

InfoCEDI julho-agosto 2016 N.º 65 Página 10 “Segundo a Childnet Internacional (…) e o Centro
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Página 10
“Segundo a Childnet Internacional (…) e o Centro Multidisciplinar de Estudos e
Orientação sobre o Bullying Escolar (…), os prejuízos na socialização e a baixa
autoestima são as consequências mais comuns para as vítimas de cyberbullying, sendo que
estas tendem a isolar-se como forma de se protegerem. A saúde física e emocional da
vítima também se vai manifestando em múltiplos aspetos como ansiedade, tristeza, stress,
medo, apatia, angústia, raiva reprimida, dores de cabeça e estômago, distúrbios do sono,
perda de apetite, isolamento, entre outros (…). Muitas dessas consequências prosseguem
ao longo da vida da vítima, mesmo findados os ataques (…). De acordo com
um estudo de
Li
(2005), 67,1% de crianças acredita que se contarem a adultos que são vítimas de
bullying ou cyberbullying serão apoiadas no sentido de findar comportamento, mas só
34,1% das crianças é que assume contar a um adulto o acontecimento. Segundo Aricak et
al. (2008), as crianças e adolescentes vítimas de algum tipo de agressividade demonstram
uma enorme resistência a contar a verdade às suas famílias e professores. Maidel (2009)
considera que cabe aos pais e educadores a grande tarefa de informar e explicar as várias
consequências de todos os comportamentos do uso das tecnologias, tanto
na vida real,
como vida virtual. A informação implica formação, que se pode traduzir em debates sobre
o
tema do cyberbullying, promovendo assim práticas de deteção deste tipo de
comportamento. Ainda de acordo com Maidel (2009), o acompanhamento
que os pais e
educadores devem prestar relativamente às atividades que as crianças e adolescente vão
desenvolvendo no mundo digital é imperativo para que os consigam ajudar e direcionar
para a utilização consciente e correta dessas tecnologias”.
Garcia, 2016:4
Relaciones predictivas entre los valores humanos de los adolescentes, el acoso
cibernético y la sensibilidad al acoso cibernético (2016)
Artigo de Bülent Dilmaç [et al.]. Disponível on-line »
Cyberbullying among young people (2016)
Publicação da responsabilidade
do Parlamento Europeu: “This
study provides an overview of
the extent, scope and forms of
cyberbullying in the EU taking
into account the age and gender
of victims and perpetrators as
well as the medium used. Com-
missioned by the Policy Depart-
ment for Citizens' Rights and
Constitutional Affairs at the re-
quest of the LIBE Committee,
the study illustrates the legal
and policy measures on cyber-
bullying adopted at EU and in-
ternational levels and delineates
the EU role in this area. An
analysis of legislation and poli-
cies aimed at preventing and
fighting this phenomenon across
the 28 EU Member States is also
presented. The study outlines
the variety of definitions of cy-
berbullying across EU Member
States and the similarities and
differences between cyberbully-
ing, traditional bullying and cy-
ber aggression. Moreover, it
presents successful practices on
how to prevent and combat cy-
berbullying in nine selected EU
Member States and puts for-
ward recommendations for im-
proving the response at EU and
Member State levels”. Contém
dados sobre Portugal.
Disponível on-line »
InfoCEDI julho-agosto 2016 N.º 65 Página 11 La evaluación del "cyberbullying": situación actual y retos
InfoCEDI julho-agosto 2016
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Página 11
La evaluación del "cyberbullying": situación actual y retos futuros (2016)
Artigo de Beatriz Lucas Molina
[et al.]:”En la última década se
ha asistido a un notable incre-
mento del interés de la comuni-
dad educativa y científica por el
cyberbullying, una nueva forma
de maltrato e intimidación entre
iguales. A pesar de la amplia
proliferación de estudios y de
instrumentos de evaluación so-
bre el fenómeno, siguen exis-
tiendo importantes lagunas con-
ceptuales y metodológicas. Este
trabajo ofrece una revisión ge-
neral y actualizada de los resul-
tados de la investigación sobre
la definición del constructo, su
prevalencia y su impacto en las
personas implicadas. Finalmen-
te, se centra de manera especí-
fica en la evaluación del cons-
tructo y proporciona una breve
revisión de las características
generales y psicométricas de
aquellos instrumentos utilizados
en algunos de los estudios na-
cionales e internacionales más
relevantes realizados sobre el
tema. El trabajo hace especial
hincapié en los retos presentes
y futuros y finaliza con algunas
recomendaciones generales que
pretenden guiar en la selección
y/o construcción adecuada de
instrumentos
de evaluación en
este campo de estúdio”.
Disponível on
-line »
Cyberbullying: competencia social, motivación y relaciones entre iguales (2016)
Artigo de Eva Romera [et al.]:
acoso cibernético. El objetivo de
la investigación fue estudiar el
ajuste social de los implicados
en cyberbullying y analizar las
diferencias en la percepción de
la competencia social, la moti-
vación y el apoyo de los iguales,
entre víctimas, agresores y
agresores victimizados del cy-
berbullying.
Un
total
de 505
“El reconocimiento de cierto
solapamiento entre el acoso
cara a cara (bullying) y el cibe-
racoso (cyberbullying) puede
indicar que variables de cogni-
ción social, cuya influencia ha
sido reconocida en el bullying,
también estén presentes en el
adolescentes
(47,3% chicas)
con edades comprendidas entre
los 12 y 16 años (…) participa-
ron en el estudio.
Disponível on
-line »
“O cyberbullying apenas começou a ter destaque a partir do século XXI, em parte devido à
cobertura que os media fizeram relativamente a casos de jovens que foram
vítimas deste
fenómeno e que acabaram por se suicidar (…), o que nos leva a concluir que, enquanto
objeto de estudo científico, o cyberbullying é relativamente recente”.
Montalvão, 2015:19
gettyimages

Página 12

 

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Cyberbullying: caracterização do fenómeno em Portugal (2015)

 

Dissertação de Mestrado de Nuno Montalvão: “Nas últimas décadas temos vindo a assistir a um grande desenvolvimento no plano das tecnologias de infor- mação e comunicação. Não obs- tante os indubitáveis benefícios

 

dados foram recolhidos em duas escolas secundárias do concelho de Chaves e a amostra final contou com 194 inquiridos com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos de idade. Os resultados demonstram que cerca de metade dos inquiridos (47%) reportou já ter visto alguém ser vítima de cyberbull-

ção

entre a vitimação e a práti-

ca. Quanto ao género, constata- ram-se diferenças estatistica- mente significativas na prática

de

cyberbullying, apresentando

os

rapazes níveis superiores,

em

comparação com as rapari-

que este tipo de

trouxe, é importante não esque-

tecnologias

gas. Por fim, verificou-se que a maior parte das vítimas referiu conhecer identidade do ofensor

reportou o incidente a

e

cer, por outro lado, os riscos que potenciou, como por exem-

plo o cyberbullying.

ying refere-se a comportamen-

tos reiterados e que são levados a cabo com recurso às tecnolo-

O

cyberbull-

ying; cerca de 6% referiu ter sido vítima pelo menos uma vez nos últimos meses e também 6% referiu ter praticado cyber-

alguém, maioritariamente aos amigos. É fundamental que os

pais, os jovens, e todos os ele- mentos da comunidade escolar estejam devidamente informa-

sobre o fenómeno do cyber-

dos

gias de informação ção, cujo objetivo

e

comunica-

bullying sobre terceiros com a mesma frequência. Por sua vez, verificou-se a relação existente entre o bullying e o cyberbull- ying, em que vítimas e agresso- res tendem a assumir a mesma ordem de papéis nos dois fenó- menos. Ao nível do cyberbull- ying comprovou-se ainda a rela-

é magoar/

lesar a vítima. A presente dis- sertação teve como objetivo descrever a magnitude e as

características do cyberbullying em jovens estudantes portugue-

bullying, de modo não só a ado- tar estratégias preventivas, como também a reagir eficaz- mente perante a sua ocorrên- cia”.

ses, bem como as

característi-

 

cas dos seus intervenientes. Os

 

“Após a análise das diversas investigações é possível concluir que o bullying e o cyberbullying são fenómenos interrelacionados, uma vez que a generalidade da evidência empírica produzida neste âmbito demonstra que grande parte dos indivíduos envolvidos no fenómeno de cyberbullying, seja como vítima, ofensor, ou vítima-ofensor, também estão envolvidos no bullying tradicional como vítimas ou ofensores”.

 
 

imagesource

imagesource
 
Página 13 julho-agosto 2016 N.º 65 “Para McQuade, Colt e Meyer (2009), o cyberbullying é
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julho-agosto 2016
N.º 65
“Para McQuade, Colt e Meyer (2009), o cyberbullying é uma extensão do bullying
tradicional, contudo é realizado com recurso às novas tecnologias…”
Montalvão, 2015:25
No contexto português, em 2009, Amado, Matos, Pessoa e Jäger (2009) referiram que a
escassez de estudos efetuados até então impedia que se obtivesse um panorama geral
deste fenómeno em Portugal. (…)
Ainda assim, é
possível citar algumas investigações realizadas em solo português, a maior
parte das quais enquadradas no âmbito de dissertações de Mestrado. Desde logo,
Campos (2009), contando com uma amostra de 115 indivíduos, constatou que
aproximadamente 9% dos inquiridos reportou ser vítima e cerca de 6% de praticar
cyberbullying.
Também Bento (2011), com uma amostra de 305 estudantes, concluiu que
cerca de 22% dos inquiridos já teria sido vítima e 9% já teria praticado cyberbullying. Cruz
(2011) verificou que cerca de 5% reportou já ter praticado cyberbullying sobre terceiros;
cerca de 27% reportou já ter sido vítima; e cerca de 20% reportou já ter testemunhado
situações de cyberbullying. Por sua vez, Pinto (2011) verificou que a maior parte dos
indivíduos do seu estudo (cerca de 58%) já teria praticado algum tipo de comportamento
que se enquadra no cyberbullying e cerca de 38% já teria sido vítima. Já Souza (2011),
contando com
uma amostra de 118 estudantes do ensino superior português, constatou
que cerca de 18% dos inquiridos referiu já ter sido vítima de cyberbullying; cerca de 59%
já testemunhou este tipo de incidentes; e nenhum elemento da amostra reportou alguma
vez ter praticado este tipo de comportamentos. Por seu turno, Andrade (2012) concluiu
que cerca de 6% dos jovens inquiridos reportou ter sido vítima de cyberbullying no ano
letivo em que a investigação foi levada a cabo; cerca de 13% referiu ter conhecimento de
alguém ter sido vítima e menos de 2% referiu ter praticado cyberbullying durante aquele
período temporal. Por fim, Freire, Alves, Breia, Conceição e Fragoso (2014) verificaram
que aproximadamente 20% dos jovens inquiridos já teria sido vítima de cyberbullying e a
maior parte da amostra (cerca de 60%) admitiu conhecer alguém que foi vítima deste
fenómeno.
Montalvão, 2015:28-29

Página 14

julho-agosto 2016

N.º 65

 

Prevenir a ocorrência do cyberbullying requer uma estratégia conjunta e articulada entre os professores, os pais, os estudantes e os diversos elementos da comunidade. Desde logo, os professores devem avaliar a prevalência e o impacto que o cyberbullying possa ter na comunidade escolar, para que os recursos possam ser canalizados nos grupos que estão em maior risco. Isto é possível através da aplicação de inquéritos anónimos não só aos estudantes e aos respetivos encarregados de educação, como também aos restantes profissionais do estabelecimento de ensino. Outra estratégia que deve ser levada a cabo pela

escola prende-se com a formação dos professores, restantes funcionários, alunos e dos pais relativamente ao cyberbullying (…). As escolas podem solicitar a especialistas nesta área que façam apresentações para os professores e restantes funcionários, de modo a informá-los do que a investigação científica tem descoberto sobre o fenómeno, como este se caracteriza, que impacto tem junto dos estudantes, e que estratégias podem ser levadas a cabo para prevenir, identificar e mitigar a sua ocorrência. Posteriormente, os professores devem transmitir a informação aos seus alunos, explicando-lhes como utilizar a internet de forma segura e responsável e que princípios devem pautar a sua conduta em todo o tipo de atividades que realizam online (…). A título de exemplo, as escolas podem solicitar o apoio

das autoridades

locais, nomeadamente aos departamentos que se dedicam ao cibercrime,

para que os agentes possam dar palestras relativamente a práticas seguras quando se

navega na internet (…). As escolas devem trabalhar com os seus alunos competências como

a capacidade de de decisão (…).

estabelecer empatia com terceiros, de resolução de problemas e de tomada Deve ser incutido aos alunos a necessidade de “fazer uma pausa” antes de

publicar o que quer que seja na internet, não deixando que estados emocionais, ou mesmo a urgência na resposta, possa interferir na racionalidade e ponderação das suas ações (…). Os jovens devem ser devidamente informados das consequências legais que este fenómeno acarreta, bem como do impacto que o cyberbullying causa a terceiros (…). Convém referir

ainda a importância das escolas promoverem um “clima escolar” saudável, em que todos os profissionais se empenhem na criação de um ambiente de conforto e segurança e procurem apoiar os alunos em múltiplas setores, nomeadamente ao nível do seu bem-estar emocional, da aprendizagem, do aproveitamento escolar e ainda da promoção da autoestima (…). Por fim, as escolas também podem trabalhar conjuntamente com outros estabelecimentos de

ensino locais no

sentido de fornecer informação para toda a comunidade escolar ao nível da

prevenção do cyberbullying (…), sem esquecer os encarregados de educação, de modo a que

estes também o

façam junto do seus educandos (…). Perante o conhecimento da ocorrência

de cyberbullying entre alunos, as escolas têm o dever de reagir. Desde logo, os professores

devem transmitir o sucedido aos pais dos alunos envolvidos (…). Para além disso, e caso seja possível, é importante guardar cópia do conteúdo que esteve em causa no incidente, não só para evitar que este seja posteriormente alterado/eliminado, como também identificar o seu autor. Se eventualmente o incidente comprometer o “clima escolar” do estabelecimento de ensino, a escola deve aplicar algum tipo de medida sancionatória, nomeadamente a

suspensão do

aluno, contudo é preferível que estes problemas sejam resolvidos

informalmente e com a máxima descrição possível.

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julho-agosto 2016

N.º 65

 

“Por fim, as escolas podem instalar nos seus servidores informáticos software que filtre informação imprópria, nomeadamente através do site blocking e do content monitoring. Em relação ao primeiro, o utilizador fica interdito de aceder a uma série de sites previamente definidos como inadequados. Já o segundo utiliza um sistema de bloqueio de determinadas palavras-chave também elas definidas previamente (…). A supervisão levada a cabo pela escola torna-se importante ao nível da prevenção, deteção e dissuasão da ocorrência destes incidentes, já que os estudantes que os pratiquem têm consciência que provavelmente serão identificados e alvo de consequências. A par das tecnologias referidas anteriormente, as escolas podem recorrer também a análises de

 

conteúdo inteligente (intelligent content analysis), que controlam todo o tipo de atividade

que os jovens

desempenham online e detetam conteúdo “suspeito” que pode ser

analisado à posteriori pelos adultos. Por fim, há ainda tecnologia que permite visualizar

em tempo real

todas as tarefas que terceiros desempenham nos computadores (…)”.

 
 

Geração digital

riscos e competências (2015)

 

Artigo de Catarina Maia [et al.]. Disponível on-line »

 

Ciberbullying y privacidade: guía para professores (2015?)

 

Guia realizado no âmbito do

 

a

los docentes esta tarea: la

la prevención del ciberbullying y la importancia de cuidar la pri-

 

projeto “European Superkids

formación de los alumnos/as en

Online”, integrado

no Programa

el

uso seguro y responsable de

vacidad en Internet”.

Daphne III: “Esta guía pretende

las TIC, centrándose en dos de los aspectos más importantes:

ser un recurso útil

para facilitar

 

Guía de actuación contra el ciberacoso (2015)

  Guía de actuación contra el ciberacoso (2015)  
 

Da responsabilidade do projeto

 

actuación necesarios para com- batir el ciberacoso escolar (ciberbullying) y el ciberacoso sexual a menores (grooming). Esta guía es fruto de la colabo- ración de un grupo de expertos desde diferentes ámbitos y experiencias han puesto su conocimiento a disposición del entorno familiar y educativo”. Disponível on-line »

Chaval.es que é uma iniciativa

da Secretaría de

Estado de

Telecomunicaciones y para la Sociedad de la Información do governo espanhol: “Segunda

edición de la guía

de actuación

contra el ciberacoso para padres y educadores. A lo largo de la

gettyimages

misma se abordan

los aspectos

educativos, preventivos y de

Página 16

 

julho-agosto 2016

N.º 65

 

Os pais devem colocar os computadores em espaços que tenham fácil acesso e

visibilidade de modo a monitorizar mais facilmente as atividades que os filhos realizam no computador (…). Para além disso, é importante que os pais mantenham uma relação de

confiança com

os filhos, fomentando o diálogo, de modo a que os jovens não se sintam

inibidos em conversar sobre incidentes que ocorram online (…). Assim, os pais não devem desencorajar/desvalorizar as atividades que estes realizam online, sob pena dos jovens considerarem que estes não compreendem, nem são as pessoas indicadas para conversar sobre este tipo de experiências (…). Os pais devem alertar os seus filhos sobre o fenómeno do cyberbullying e encorajá-los a reportar este tipo de comportamentos. Por outro lado, devem consciencializá-los sobre a gravidade e as consequências que o cyberbullying causa a terceiros (…).

Quanto aos estudantes, estes devem adotar uma série de estratégias que previnam a

vitimação de

cyberbullying, tais como nunca fornecer informação pessoal online, se não conhecerem a identidade da pessoa com quem contactam e não

especialmente

expor nem fornecer a outras pessoas a password do seu e-mail ou de contas em redes

sociais (…).

Caso os jovens

sejam vítimas de cyberbullying há uma série de ações que devem levar a

cabo, desde logo reportar o incidente a um adulto e não retaliar, uma vez que tal comportamento pode contribuir para que o ofensor reforce a prática dos comportamentos. Por sua vez, caso consigam estabelecer algum tipo de contacto com o ofensor, devem solicitar-lhe que pare com aquelas ações e que retire qualquer tipo de conteúdo que seja lesivo para a vítima. A vítima pode também simplesmente ignorar ou bloquear o ofensor. Para além disso, a vítima deve guardar uma cópia do conteúdo em causa e, caso consiga identificar a identidade do ofensor, pode enviá-la para os pais deste

e solicitar ajuda para que os comportamentos cessam o mais rapidamente possível. Por sua vez, as vítimas devem também pedir apoio junto de psicólogos escolares, dos seus

professores e, caso sintam que a sua integridade física esteja a ser ameaçada, devem reportar às autoridades (…).

 

Adolescentes y

violencia de género en las redes sociales (2015)

 

Artigo de Lorena

Concejero

Este estudio se plantea conocer y revisar la violencia de género que se promueve en las redes sociales de más auge actual- mente. Las consecuencias que tienen en las personas que la

 

e María Ángeles Muñoz: “El ob- jetivo de este trabajo es anali- zar la influencia de las redes sociales en la violencia de géne- ro en adolescentes y jóvenes.

padecen y su impacto en la sa- lud”.

Página 17 julho-agosto 2016 N.º 65 photopin Finalmente, é importante que os professores e os
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julho-agosto 2016
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photopin
Finalmente, é
importante que os professores e os pais estejam atentos a uma série de
sinais que podem indiciar que os jovens tenham sido vítimas de cyberbullying, como por
exemplo ocorrer uma alteração repentina na forma como utilizam as tecnologias,
nomeadamente por deixarem de o fazer ou de se recusarem a utilizá-las quando
solicitados. Para além disso, os jovens que experienciaram este tipo de comportamentos
podem sentir-se nervosos ou demonstrar sintomas de ansiedade quando recebem algum
tipo de mensagem ou notificação, ou então podem expressar emoções de raiva,
aborrecimento
falar sobre as
ou tristeza quando interagem online. Estes jovens podem ainda evitar
suas atividades online. Por último, há elementos que indiciam que um
jovem possa estar a praticar cyberbullying sobre terceiros, nomeadamente quando se ri
excessivamente ao utilizar aparelhos eletrónicos; evita falar sobre as atividades que
realiza online;
utiliza várias contas online, ou então utiliza uma conta que não lhe
pertence; esconde o aparelho eletrónico quando algum adulto está por perto, ou então
muda rapidamente de página no computador; utiliza o seu computador várias horas
durante a noite e fica muito aborrecido se não o conseguir fazer; apresenta problemas de
comportamento em contexto escolar e é alvo de medidas disciplinares (…).
Montalvão, 2015:39-40
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A perceção da aceitação - rejeição interpessoal, a solidão e o cyberbullying (2015)

Tese de Mestrado de Filipa Alves: O principal objetivo da presente dissertação de mestrado é analisar

a relação entre a aceitação-rejeição interpessoal percecionada pela criança/adolescente, a solidão e o cyberbullying”.

 

Com o avanço da tecnologia apareceu um novo conceito ligado ao bullying,

designadamente, o cyberbullying. As primeiras publicações sobre o cyberbullying iniciaram há mais ou menos meia década atrás, sobretudo nos Estados Unidos e na

Europa, o que

faz com que este fenómeno seja considerado como um facto ainda recente

(…). O cyberbullying é um fenómeno que emergiu com as novas tecnologias, principalmente com a difusão da internet. Com o aparecimento da internet e o alargamento da rede, as redes sociais tornaram-se parte do nosso modo de vida, pois é

através desse

meio que podemos comunicar, interagir, socializar com as pessoas de

diferentes países (…). O cyberbullying é especialmente frequente entre crianças e

adolescentes,

isto porque, as crianças em idades precoces são usuários ávidos e com as novas tecnologias e com a internet (…). Ou seja, devido ao facto

familiarizados

de crianças e jovens em idades precoces estarem hoje em dia mais expostos a

determinados

tipos de comunicação como por exemplo a televisão, internet, jogos,

divulgações de vídeos no Youtube, redes sociais, entre outros, verifica-se um elevado número de situações de insultos, intimidação e insinuações”.

 
 

Quando a agressão virtual coloca em risco a vida real: cyberbullying, perceção do suporte social e ideação suicida (2015)

Tese de Mestrado de Carla Faria: “O presente estudo tem como principal objetivo verificar se existe uma relação entre o fenómeno de cyberbullying e a

 

família, dos professores e dos outros em geral). (…) Os parti- cipantes serão 375 adolescentes estudantes (175 estudantes do sexo masculino e 200 estudan- tes do sexo feminino), com ida- des compreendidas entre os 12 e os 17 anos, que estejam a frequentar entre o 5º ano e o

12º ano de escolaridade, de duas escolas básicas e secundá- rias situadas no distrito de Lis- boa”.

ideação suicida,

sendo esta

relação mediada pela perceção dos jovens quanto ao suporte social (por parte dos amigos, da

Página 19

 

julho-agosto 2016

N.º 65

 

(…) os estudos mostram que as vítimas de cyberbullying podem estar mais propensas a tentativas e risco de suicídio, assim como apresentam uma maior vulnerabilidade no que concerne ao desenvolvimento de problemas sociais e emocionais, revelam uma baixa autoestima, assim como absentismo escolar e o decréscimo relativamente ao desempenho académico (…). As pesquisas mostram ainda que os envolvidos neste fenómeno apresentam um elevado risco no que diz respeito ao abuso de substâncias psicoativas e desenvolvimento de sintomas de ansiedade e depressão, comparativamente com

indivíduos que

não vivenciaram esta forma de agressão entre pares (…)”.

 
 

Cyberbullying:

análisis de su incidencia entre estudiantes y percepciones del

professorado (2015)

Tese de Doutoramento de Ana

 

la escuela y utiliza como medio de expresión las nuevas tecno- logías, sucede lo que se viene denominando como cyberbull- ying: acoso entre iguales en la red. Bajo un diseño de investi- gación cuantitativa no experi- mental de corte descriptivo, este trabajo se plantea dos objetivos generales: a) analizar el fenómeno del cyberbullying en escolares de Educación Pri- maria, ESO y Bachillerato; y b)

identificar la percepción del pro- fesorado sobre la violencia escolar en sus centros educati- vos. A partir de un diseño ad hoc del cuestionario “Cyberbull”

María Gualdo: “La

agresividad,

y en concreto, la que se mani-

fiesta en forma contra otro igual

de violencia

se conoce

como bullying. Una violencia injustificada, donde impera una claro desequilibrio de poder

y

el cuestionario de percepción

docente se recoge numerosa

información sobre la incidencia

entre el agresor y

la víctima, y

y

características del bullying y

mantenida en el tiempo gene-

cyberbullying en la Región de

ralmente bajo el

código del

Murcia”.

 

silencio. Pero cuando esta vio- lencia sobrepasa las paredes de

“Em Portugal,

não existe atualmente uma moldura penal para o cyberbullying, na medida

em que este ato não é reconhecido como crime. Assim, muitas das queixas relacionadas são classificadas como crimes informáticos de índole sexual ou devassa da vida privada,

dificultando a

obtenção de uma estatística real. Por sua vez, também a inexistência de penal dificulta o combate eficaz a este tipo de bullying. A nível em contrapartida, tem sido efetuado um esforço para criminalizar o

uma moldura

internacional,

cyberbullying, destacando-se o Canadá e alguns Estados dos Estados Unidos da América,

onde já é considerado um ato criminal e existe uma moldura penal adequada (…)”.

 
 

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Bullying e cyberbullying: estudo do fenómeno em jovens estudantes do Ensino Secundário (2015)

 

Tese de Mestrado

de Patrícia

a eventual existência de uma ligação entre as duas modalida- des de bullying; perceber como estarão ligados o bullying e o cyberbullying, em contexto do ensino secundário; e capturar aspetos como a associação entre o sexo e o papel do indiví- duo nos fenómenos. A amostra constituiu-se de 116 alunos do ensino secundário de duas esco- las da zona centro do país, com idades compreendidas entre os 16 e os 23 anos de idade, de ambos os sexos. Os resultados obtidos denotaram a ascensão

do cyberbullying, num mundo que está cada vez mais tecnoló- gico e virtual, dada a maior fre- quência desta modalidade, com- parativamente com a tradicio- nal. Mais ainda, os resultados demonstraram uma forte liga- ção entre as duas formas de bullying, dado que os interve- nientes de uma se tornam nos intervenientes da outra, aler- tando para a urgência de inter- vir nesta problemática”.

Fonseca: “A presente investiga- ção debruça-se sobre o estudo

do bullying, cujos

desenvolvi-

mentos se têm dado não só de

uma forma mais

direta nas

escolas, mas também através

do uso das novas

tecnologias,

numa modalidade que se chama

cyberbullying. Para

isso, preten-

deu-se analisar o fenómeno de

bullying, nas duas presencial e

modalidades

virtual

(cyberbullying), captar a preva-

 

lência do bullying

e do cyber-

bullying, nas escolas; averiguar

 

Existem algumas especificidades nesta nova modalidade. Antes de mais, o cyberbullying é ubíquo, isto é, pode ocorrer a qualquer momento, seja de dia ou de noite, em qualquer lugar (dentro ou fora da escola), e ser testemunhado por um grande número de pessoas

desconhecidas, desde que se tenha disponível um dispositivo eletrónico (…). Tal leva a que

as vítimas se

sintam encurraladas e inseguras quando recebem uma mensagem

ameaçadora cada vez que veem o telemóvel ou estão online (…).

 

Além disso, o cyberbullying pode não ocorrer apenas com pessoas conhecidas, uma vez que as novas tecnologias permitem conectar-se com amigos/familiares/conhecidos, mas também com desconhecidos. Neste mundo “virtual” as pessoas podem esconder-se atrás de uma “máscara” e agir muito mais vezes (…) devido ao anonimato, invisibilidade e existência de pseudónimos, que protegem a sua privacidade e facilita o comportamento antissocial, agressivo, visto que podem dizer algo que não o diriam pessoalmente e não veem a reação da vítima, criando medo e intimidação na mesma (…).

O anonimato envolvente nesta modalidade representa assim poder, uma vez que dificulta

a identificação

da fonte de agressão (…), onde o agressor pode agredir as vítimas mesmo

estando longe fisicamente, e cria uma sensação de segurança, pois diminui o medo de

serem apanhados (…). O facto de muitos agressores serem anónimos torna o combate ao cyberbullying muito difícil (…).

 

Página 21

 

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Cyberbullying

na

adolescência:

perfil

psicológico

de

agressores,

vítimas

e

observadores (2015)

 

Tese de Mestrado

de Mariana

por caracte-

de-se, ainda, compreender as diferenças de género no que se refere aos níveis de empatia, autoestima e atitudes face à violência, bem como analisar de

que forma estas últimas variá- veis se relacionam entre si”.

Santos: “O principal objetivo

deste estudo passa

 

rizar o perfil psicológico dos agressores, vitimas e observa- dores de cyberbullying. Preten-

 
 

“O cyberbullying, conhecido pelo “fenómeno sem rosto” (…), distingue-se do bullying

 

tradicional através de algumas características específicas, que lhe conferem dimensões muito peculiares. A dificuldade em identificar o agressor, o significativo aumento de

testemunhas, o

facto de ser possível uma inversão de papéis, onde uma vítima se pode

tornar agressor

e vice-versa, bem como a inexistência de feedback verbal são os principais

aspetos que distinguem o cyberbullying do bullying tradicional (…).

 

Usos problemáticos y agresivos de las TIC por parte de adolescentes implicados en cyberbullying (2015)

 

Artigo de Ana María Giménez- Gualdo [et al.]:”Los menores se enfrentan en la red a diversos riesgos entre los que destaca el uso problemático de las tecno- logías y el cyberbullying. Esta investigación analiza ambos

muestra re-

taje de cyberbullying del 8%, y niveles altos de ansiedad, agre- sividad y cambio de intereses relacionadas con el uso pro- blemático de las TIC en agreso- res y víctimas respecto a los no implicados. Ambos grupos indi- can experiencias de cyberbull- ying muy recientes aunque con una frecuencia leve, destacando entre las formas más comunes insultos, amenazas y denigra-

ciones, y como aplicaciones el WhatsApp y las redes sociales. Se analiza la influencia del sexo y el nivel educativo para cada variable. En conclusión se seña- la que conocer estas problemá- ticas desde el perfil de agreso- res y víctimas ayuda a la identi- ficación y prevención de situa- ciones futuras”.

problemas en una

presentativa de 1914 adoles- centes de educación primaria, secundaria y bachillerato. Los resultados muestran un porcen-

 

“Muitos autores acreditam que existe uma forte correlação entre cyberbullying e bullying

 

sendo que este

poderá conduzir a episódios de cyberbullying. Um estudo orientado por

Raskaukas e Stoltz (2007) permitiu concluir que indivíduos que confessaram serem vítimas via Internet ou telemóvel estavam também envolvidos em episódios de bullying, enquanto bullies, confirmando-se, assim, uma correlação entre bullying e cyberbullying. As vítimas de

bullying percebem que as tecnologias de informação e comunicação lhes proporcionam o

anonimato que

precisam para iniciarem a provocação e intimidação para com os bullies.

Agora, as vítimas no recreio escolar são os agressores por detrás de um computador ou telemóvel”.

 
Página 22 julho-agosto 2016 N.º 65 Relativamente ao género dos participantes do cyberbullying, investigações
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N.º 65
Relativamente
ao género dos participantes do cyberbullying, investigações sobre o
fenómeno encontram diferenças no que diz respeito ao tipo de agressões praticadas e no
processo de vitimização. Os rapazes mostram-se mais agressivos e utilizam com maior
frequência formas diretas de agressão (…). Olweus (1993) defende, também, que são os
rapazes que perseguem mais e são mais perseguidos que as raparigas, sendo o bullying
físico menos comum entre elas que tipicamente recorrem a formas mais subtis e indiretas
de agressões, rumores ou comentários pejorativos. Assim, de acordo com Nelson (2003, cit.
por Li, 2005) e
Hinduja e Patchin (2008) as raparigas parecem preferir o cyberbullying. Por
outro lado, os rapazes recorrem com mais frequência a gravações e imagens de colegas em
situações embaraçosas e agressões através do telemóvel e, consequentemente, publicações
online (…).
(…)
No que se refere à idade dos participantes do fenómeno sem rosto, as investigações
realizadas encontram diferenças significativas. Deste modo, é um fenómeno praticado
essencialmente
manuseamento
por adolescentes, uma vez que este envolve o conhecimento e
hábil das novas tecnologias, o que é menos propício em crianças (…).
Assim, os comportamentos de cyberbullying intensificam-se a partir do 5ºano de
escolaridade, atingindo o seu auge no 3º ciclo do ensino básico, isto é, no 7º, 8º e 9º ano de
escolaridade. Na transição para o ensino secundário verifica-se um declínio deste
fenómeno (…).
Santos, 2015:11-12
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Estrategias de afrontamiento ante el cyberbullying. Una mirada cualitativa desde la

 

perspectiva de las escolares (2015)

 

Artigo de de Ana María Giménez -Gualdo: “Los jóvenes de ahora hacen un uso diario de las tec- nologías de cuya relación, a ve- ces no tan positiva y responsa- ble, puede derivarse el consumo excesivo, la ciberadicción, acce-

 

so a contenidos inapropiados o el cyberbullying (acoso online entre iguales). A partir de la metodología de análisis cualita- tivo, el presente estudio descri- be las estrategias de afronta- miento que escolares de prima-

ria, secundaria y bachillerato de la Región de Murcia afirman desarrollar ante su posible im- plicación en cyberbullying”.

 
 

Factores implicados en las dinámicas de cyberbullying con estudiantes de

 

educación primaria (2015)

 

Artigo de José Ruiz e Javier

 

pectiva del agresor como de la víctima, y qué papel juegan va- riables como el género, lugar de residencia, números de horas de acceso a internet y contexto. También se analizó el papel que juega el género en función de las diferentes aplicaciones móvi- les y programas informáticos que se utilizan en las dinámicas de ciberacoso entre los escola- res. La muestra definitiva ha

estado constituida por 786 alumnos de centros públicos de Educación Primaria, a los cuales se les aplicó un cuestionario construido a tal efecto. Los re- sultados contrastan con los ob- tenidos en otras investigaciones sobre cyberbullying, tanto a nivel nacional como internacio- nal”.

 

Sánchez: “El propósito de este

trabajo es analizar

la incidencia

del Cyberbullying entre el alum-

nado del segundo y tercer ciclo de Educación Primaria para ve-

rificar si en estas edades se eje-

cutaban dinámicas

de ciberaco-

so entre el alumnado. Con el estudio pretendemos analizar la prevalencia del fenómeno ciber- bullying, tanto desde la pers-

Bullying y cyberbulling: diferencias entre colegios públicos-privados y religiosos- laicos (2015)

 

Artigo de Maite Landazabal [et al.]:”Objetivo. Analizar diferencias en el bullying presencial y el cyberbu- lling entre colegios públicos-privados y religiosos-laicos. Método. Participaron 3026 adolescentes y jóve- nes del País Vasco (España), de 12 a 18 años (48.5% varones y 51.5% mujeres)”.

 

e-sticks@nd_text-stones: -/cyberbullying_in_post-16_education : a phenomenological investigation into cyberbullying: a mixed methods study with specific focus on 16-19 year old students in post-16 education (2015)

Tese de Doutoramento de Dean

 

integration. Previous research on cyberbullying is considered, including a discussion of the definition and criteria of both bullying and cyberbullying”.

cyberbullying is considered, including a discussion of the definition and criteria of both bullying and cyberbullying”.

West: “This thesis berbullying in the post-16 education

explores cy-

context of

in England,

considering, in particular, four

research questions

relating to

prevalence, involvement of par- ticular groups, reasons for cy- berbullying, and consequences on feelings, learning, and social

 

photobucket

Página 24

 

julho-agosto 2016

N.º 65

 

Cyberbullying and adolescent mental health: systematic review (2015)

 

Artigo de Sara Bottino [et al.]:”

 

parents, educators and re- searchers. In this paper, an as- sociation between cyberbullying and adolescent mental health will be assessed through a sys-

tematic review of two data- bases: PubMed and Virtual Health Library (BVS).

Cyberbullying is a

new form of

violence that is expressed

through electronic has given rise to

media and

 

concern for

 

Effects of Cyberprogram 2.0 on "face-to-face" bullying, cyberbullying, and empathy

(2015)

Artigo de Maite Landazabal e

 

para prevenir y/o intervenir so- bre este tipo de violencia. El estudio tuvo como objetivos evaluar los efectos de Cyberpro- gram 2.0 en las conductas de bullying "cara-a-cara", de cy- berbullying y en la empatía.

Método: se utilizó una muestra de 176 adolescentes del País Vasco (España), de 13 a 15 años, que cursan Educación Se- cundaria Obligatoria”.

Vanesa

Valderrey:

Antecedentes: la relevante prevalencia del cyberbullying y sus nocivos efectos sobre todos

los implicados evidencia la ne- cesidad de plantear programas

 

Cyberbullying, anxiety, depression and stress among adolescents (2015)

 

Artigo de Cecília Fernandes dos Santos [et al.]. Disponível on-line »

 

Explicative factors of face-to-face harassment and cyberbullying in a sample of primary students (2015)

Artigo de Cristina María García Fernández [et al.]. Disponível on-line »

 

Les collégiens et les lycéens sont-ils égaux face au risque d’être victimes et/ou auteurs d cyberviolence et de cyberharcelement? (2015)

Artigo de Aurélie Berguer: “The purpose of this study is to ana- lyze the effect of the school (middle/high school) and of the age on the risk to be victim and/or author of cyberviolence or cyberbullying. The data are from a victimization and self-

reported violence survey carried

 

school students have a higher probability of being authors of cyberviolence and cyberbully- ing, independtly of their digital practices. They are also more likely to be victims of cybervio- lence, which can be explained by their higher propensity to be authors, the victim and author status being strongly linked, particularly among 10-12 years. These results put forward the need to develop cyberviolence prevention among middle school

students, in particular actions to promote appropriate coping strategies”.

photopin

photopin

out in France on

3589 secon-

dary school students aged from

10 to 21. The results of the

bivariate and multivariate ana-

lyzes show mainly

that middle

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N.º 65

 

As TIC: violência, bullying e cyberbullying: estudo exploratório em alunos do 3º, 4º,

5º e 6º anos de escolaridade num agrupamento de escolas do interior norte de Portugal (2014)

Dissertação de Mestrado de Pedro Simões: “Esta investiga- ção tem como principal objeti- vo, para além de avaliar a dimensão do cyberbullying num

 

na atualidade. Foi aplicado um questionário (autopreenchi-

cyberbullying. Os resultados revelam que esta temática ain- da é pouco abordada, quer

mento) aos alunos do 3º, 4º, 5º

6º anos de escolaridade para um melhor conhecimento dos

e

pelas famílias, quer pelas esco- las. Comportamentos e hábitos diários perante as TIC revelam- se preocupantes, nomeadamen- te em questões de horários e

agrupamento de

escolas no

hábitos relativos com os meios de comunicação (internet, tele- móveis e televisão), bem como,

interior norte de Portugal, saber

qual a relação que

as crianças e

jovens tem com as TIC no seio

a

questão da supervisão paren-

falta de supervisão”. Indica legislação em Portugal relacio- nada com o bullying e cyber- bullying.

familiar. Apesar de

ser um fenó-

tal. Por se tratarem de temas que ultimamente tem vindo a ser abordados pelos media, pro- curou-se também inquirir se têm, ou não, conhecimento sobre os conceitos de bullying e

meno com pouca incidência em faixas etárias inferiores a 12

anos, diversas investigações indicam que o cyberbullying é uma das maiores preocupações

 

A melhor forma para prevenir o cyberbullying consiste em usar as tecnologias de informação e comunicação de forma ética, responsável e segura; educar os mais novos sobre os riscos de colocarem fotografias, vídeos e outros dados pessoais online que possam

ser usados por ou educandos

outros para ações de cyberbullying; preste atenção aos que os seus filhos lhe dizem sobre potenciais casos de cyberbullying e não se limite a

subestimar, criar falsos sentimentos de segurança ou até ignorar as situações que lhe são

reportadas; não reaja intempestivamente para proteger a criança/jovem. Nunca ajude uma vítima castigando-a. Se a criança/jovem é vítima de cyberbullying, não lhe retire o direito de acesso ao computador ou à Internet, ajude-a e esteja presente; se se deparar com um caso de bullying, tente encontrar em conjunto com a criança/jovem, uma solução;

esteja atento à

utilização do computador pelos mais novos. Escolhendo cuidadosamente o

local e o posicionamento do computador, evitando compartimentos isolados como quartos e espaços que limite a sua monitorização, escolha espaços como salas onde haja presença constante de adultos. Existe também a possibilidade de utilização de programas de controlo parental como por exemplo o que a Google oferece. Este possibilita-lhe controlar o conteúdo que os mais novos podem partilhar online quer sejam fotografias, blogues pessoais e/ou informações de perfil, ao mesmo tempo que pode selecionar com quem compartilhar este conteúdo, com muitas ou poucas pessoas, conforme achar mais

conveniente. Deverá informar-se também sobre os outros locais os mais novos possam aceder à internet.

 

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N.º 65

 

An empathic virtual buddy for social support (2014)

 

Tese de Doutoramento de J. M.

of the Cyberbullying project

tual environments. The work

 

van der Zwaan: “The work pre-

were to chart the problem of

presented in this thesis explores

sented in this thesis is part of

cyberbullying in the Nether-

how emotional ECAs can con-

the multi-disciplinary project

Protecting

lands, and to design and ana- lyze social, legal, and techno-

tribute to protecting and em- powering cyberbullying victims.

‘Empowering and

Children and

Adolescents

logical interventions to protect

 

against Cyberbullying’ (the Cy-

and empower children and ado-

berbullying project). The goals

lescents against bullying in vir-

 

Experts and machines united against cyberbullying (2014)

 

Tese de Doutoramento de Maral Dadvar: “One form of online misbehaviour which has deeply affected society with harmful consequences is known as cy-

as an inten-

topic in the

been intro-

quences have been explored in detail. There are also studies which have investigated the intervention and prevention strategies and have proposed guidelines for parents and adults in this regard. However, studies on the technical dimen- sions of this topic are relatively rare. In this research the overall goal was to bridge the gap be- tween social science approaches and technical solutions. In order to be able to suggest solutions that could contribute to mini-

mizing the risk and impact of cyberbullying we have investi- gated the phenomenon of cy- berbullying from different an- gles. We have thoroughly stud- ied the origin of cyberbullying and its growth over time, as well as the role of technology in the emergence of this type of virtual behaviour and in the po- tential for reducing the extent of the social concern it raises”.

 

berbullying. Cyberbullying can

simply be defined

tional act that is conducted through digital technology to

hurt someone. Cyberbullying is

a widely covered

social sciences. There are many

studies in which the problem of

 

cyberbullying has

duced and its origins and conse-

Escárnio

de

corpos,

cyberbullying

e

corrupção

do

lúdico (2014)

 

Artigo de Cynara Gonçales [et

pressuposto

converte os

objetos de

Nós estuda-

no tempo de do ensino

comunidades praticam o cyber- bullying sobre colegas da esco- la, sendo que o corpo é o foco principal das agressões. Enten- demos que aulas de educação física tanto podem reproduzir quanto questionar esse tipo de assédio, ainda que este compor- tamento desviante de cyberbull- ying seja resultante do amplo contexto cultural e social dos adolescentes”.

compor- tamento desviante de cyberbull- ying seja resultante do amplo contexto cultural e social dos adolescentes”.

al.]: Partimos do

que o bullying é um comporta- mento cruel, presente nas rela- ções interpessoais, em que a

pessoa mais forte mais frágeis em diversão e prazer.

mos o bullying no ambiente vir-

tual, a fim de tentar compreen-

der sua ocorrência lazer de alunos

médio. Para tanto, realizamos pesquisa documental, selecio- nando três comunidades da rede social Orkut como material de análise. Analisamos as for- mas como os membros dessas

gettyimages

gettyimages

(2014)

terizado como um

estudo inserido

entre los que se

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N.º 65

Cyberbulling - Questões e desafios atuais (2014)

Artigo de Teresa Pessoa e João Amado: “Neste artigo refletem- se as principais linhas de inves- tigação que se produziram, nos últimos anos, na área do Cyber- bullying. Apresenta-se assim, neste trabalho, uma leitura criti- ca e fundamentada na recente investigação, de alguns temas

relevantes nesta área de inves- tigação, nomeadamente a defi- nição do conceito de cyberbull- ying, a caracterização dos ato- res envolvidos, a referenciação das tecnologias usadas, a iden- tificação e descrição dos com- portamentos associados, bem como o alcance, a prevalência e

o impacto do fenómeno e das

emoções e sentimentos associa-

dos. Finalmente tecem-se al- guns comentários relativos às dificuldades da investigação sobre a temática e aos desen- volvimentos da mesma no futu- ro”. Disponível on-line »

Cyberbullying: perceções acerca do fenómeno e das estratégias de enfrentamento

gal pretendeu compreender o fenómeno a partir das vivências de 118 estudantes do primeiro ano do Ensino Superior público português, que responderam a um questionário. Pudemos per- ceber a perceção dos alunos sobre o fenómeno e a importân- cia que pares, professores e pais apresentam no enfrenta-

Artigo de Sidclay Bezerra Souza [et al.]:” O cyberbullying, carac-

dos tipos de

violência em contexto educati- vo, apresenta-se como uma das principais causas do mal-estar

mento e prevenção do cyberbullying. Tais resulta- dos orientam-se no sentido do desenvolvimento sistêmico de comunidades que se fortalecem internamente para que cada um

se sinta autorizado a intervir e a

cuidar dos que nelas são vítimas de violência”.

vivido por seus protagonistas. O

no Proje-

to Cyberbullying - o diagnóstico da situação em Portu-

Acceso a las tecnologías, rendimiento académico y cyberbullying en escolares de secundaria (2014)

cyberbullying. Este estudio ana- liza la accesibilidad, el consumo diario y los usos preferentes del móvil y el ordenador, además de la prevalencia del cyberbull- ying, aplicaciones utilizadas y su relación con el acceso a las tec- nologías, el sexo, nivel educati- vo y rendimiento académico. La

Artigo de Ana Giménez-Gualdo:

información se recabó de una muestra representativa de 1353 estudiantes de educación secun- daria seleccionados aleatoria- mente”.

“Las tecnologías se han conver- tido en acompañantes impres-

cindibles en la cotidianidad de los adolescentes. Cada día acce- den más a ellas y las consumen con más avidez, aunque pocos son conscientes de sus riesgos,

encuentra el

Cada día acce- den más a ellas y las consumen con más avidez, aunque pocos son

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N.º 65

 

Cyberbullying en tercer ciclo de Educación Primaria: variables moduladoras y consecuencias sobre la ansiedad (2014)

Artigo de María Isabel Polo del Río [et al.]:” El dominio y fami-

 

nicación para acosar conensa- ñamiento a la víctima. Esta nue- va forma de maltrato se deno- mina cyberbullying y presenta aspectos comunes con las for- mas tradicionales de bullying, pero también unas característi- cas particulares que lo diferen- cian. Con nuestro estudio pre- tendemos responder a las si- guientes cuestiones: cuál es la prevalencia entre el alumnad de

Educación Primaria del fenóme- no cyberbullying en la Comuni- dad de Extremadura?, qué pa- pel juegan el género y la edad en la prevalencia de víctimas y agresores en el fenómeno cy- berbullying?, y cuáles son las consecuencias sobre la ansiedad en las víctimas del cyberbull- ying?”

liaridad de nuestro con las nuevas

adolescentes

tecnologías

(generación interactiva) ha pro-

vocado que las formas tradicio-

nales de maltrato

entre iguales

cambien con el transcurrir del tiempo, apareciendo manifesta- ciones más específicas que se sirven de las nuevas tecnologías de la información y de la comu-

Conductas de ciberacoso en niños y adolescentes: hay una salida con la educación y la conciencia social (2014)

 

Artigo de María José Bartrina

 

dad de aplicaciones que presen- tan. Entre las conclusiones que resultan de un estudio empírico realizado a partir de 185 expe- dientes tramitados en la provin- cia de Barcelona, destacan la conexión con el acoso tradicio- nal (bullying) y la necesidad de incidir en la concienciación y en la responsabilización del autor del maltrato, en cuyas acciones es imprescindible la implicación

de la familia y de la escuela. Desde el ámbito penal juvenil, la acción educativa se centra en un abordaje de la cuestión reali- zado priorizando las soluciones extrajudiciales y, para los casos más graves, las medidas educa- tivas en medio abierto”.

Andrés: “La generalización ac- tual de la conectividad en niños y niñas y en adolescentes pro- voca una problemática al alza en los centros educativos y en los casos que llegan a la justicia juvenil buscando una solución. Se trata de las conductas de acoso entre iguales mediante el

uso inadecuado de vos tecnológicos y

los dispositi- de la diversi-

 
 

El uso de estrategias de afrontamiento y habilidades metacognitivas ante situaciones de bullying y cyberbullying (2014)

Artigo de Lydia Rodríguez e Joaquin Merchán. Disponível on-line »

 
 

Cyberbullying and students' engagement in school: a literature review (2014)

 

Artigo de Feliciano Henriques Veiga [et al.]. Disponível on-line »

 
 

y

actuar:

guía

de

recursos

didácticos

para

Centros

Ciberbullying: prevenir Educativos (2014)

Da autoria de José Luengo Latorre. Disponível on-line »

 

flickr

Página 29

debullying.com.br.

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Cyberbullying victimization and mental health in adolescents and the moderating role of family dinners (2014)

of family dinners attenuate these associations. Objec- tives: To examine the unique association between cyberbully- ing victimization and adolescent mental health (after controlling differences in involvement in

traditional, face-to-face bully- ing) and to explore the potential moderating role of family con- tact in this association”.

Artigo de Frank J. Elgar [et al.]:

Importance: This study pre- sents evidence that cyberbully- ing victimization relates to in- ternalizing, externalizing, and substance use problems in ado- lescents and that the frequency

Relationship between peer victimization, cyberbullying, and suicide in children and adolescents a meta-analysis (2014)

among children and adoles- cents. Objective. To examine the relationship between peer victimization and suicidal idea-

tion or suicide attempts using meta-analysis”.

Artigo de Mitch van Geel [et al.]: Importance. Peer vic- timization is related to an in- creased chance of suicidal idea- tion and suicide attempts

Apostila para adolescentes - prevenção do cyberbullying (2014?)

cia com os demais na Internet e aprender como agir diante de uma situação de cyberbullying. Você também vai dispor de ati- vidades e ferramentas que serão úteis para pensar e agir

Da responsabilidade de chega-

Inclui pautas

para as mães, pais e educado- res: “Nesta apostila, você vai encontrar algumas propostas

em relação ao tema, junto com os adultos, seus irmãos, irmãs, amigos e amigas”.

para promover a boa convivên-

junto com os adultos, seus irmãos, irmãs, amigos e amigas”. Disponível on-line » para promover a

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julho-agosto 2016

N.º 65

 

Os jovens, a escola e o cyberbullying (2013)

 

Dissertação de Mestrado de

 

bullying ou violência na escola é visível logo sendo mais fácil de ser detetado pelos intervenien- tes escolares, em contrapartida o cyberbullying é mais difícil de ser detetado, pois estes casos só chegam ao conhecimento de terceiros através de denúncias das próprias vítimas de cyber-

de realçar e advertir para o aumento do número de vítimas que cada vez mais lutam para se libertarem do “pesadelo” do cyberbullying mas também com incidência nos bullies (agressores), para que estes tomem consciência dos seus atos e o que estes acarretam. Constituído por um estudo a 110 alunos do 3º Ciclo e do Curso de Educação e Formação inseridos num Agrupamento de Escolas, este projeto tem como finalidade a obtenção de respos- tas sobre as formas, conse- quências e prevenção do cyber- bullying em relação às vítimas e seus agressores, tendo em con- ta a relação que existe entre o bullying escolar e o cyberbull- ying”.

Madalena Ferreira:

“Este projeto

surge na necessidade de inter-

venção e criação

de medidas

para a sensibilização, combate e

prevenção ao cyberbullying nas

escolas. O cyberbullying é neste momento um dos problemas com que os jovens se debatem

e

que

dia

para

dia está a à afluência

bullying aos quais estão sujei- tas. Esta necessidade de inter- venção nas escolas surge devi- do a que em determinados casos, as próprias vítimas de bullying na escola acabam por tornar agressores de cyberbull- ying, como forma de vingança e através do anonimato. Através do acesso à internet em sua casa, a vítima de bullying sente- se segura, longe do seu agres- sor e pronta para atacar. Este Projeto de Intervenção intitula- se “Os Jovens, a Escola e o Cyberbullying”, tendo o objetivo

aumentar devido

destes às redes sociais. Muitos dos jovens desconhecem os

 

perigos do mundo cibernético acabando por vezes o virtual a

se

transformar numa realidade

que destrói o bem-estar físico, emocional e psicológico, poden-

do

em casos mais

graves levar

os

jovens ao suicídio. As escolas

não têm conhecimento de quan- tos casos de cyberbullying ocor- rem em relação aos seus alu-

nos, mas têm a noção de que o

problema existe.

Enquanto o

 

O

conceito de

cyberbullying foi aplicado pela primeira vez por Bill Belsey em 2005 e

 

provem dos termos ingleses “cyber” quando refere-se à utilização das novas tecnologias de informação e de “bullying” relativo à forma tradicional de importunar, ridicularizar e ameaçar os outros de forma intencional. Surge através de telemóveis a partir de SMS e MMS ou pela Internet, associado às redes sociais (Facebook, H5, Twitter, entre outras) ou por correio eletrónico através de e-mails.

Segundo Kowalski, Limber e Agatston (2008) o cyberbullying é simplesmente uma versão

 

eletrónica do

bullying direto, podendo ser considerado uma forma de bullying mais

sofisticada.

O

cyberbullying consiste num ato aplicado ao uso das novas tecnologias da informação

para ameaçar,

chantagear, denegrir e humilhar as crianças e jovens.

 
   
Página 31 julho-agosto 2016 N.º 65 “Outra questão em relação ao cyberbullying que se deve
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julho-agosto 2016
N.º 65
“Outra questão em relação ao cyberbullying que se deve ter em atenção é a homofobia,
pois para além
do sexting também muitos dos jovens que se suicidaram, foram vítimas de
homofobia, por serem lésbicas, gays e bissexuais ou mesmo em relação a rumores sobre a
sua orientação
sexual. Entre estas vítimas destaca-se o jovem Ryan Halligan, o primeiro
caso de vítima de suicídio por cyberbullying que se tem conhecimento”.
Ferreira, 2013:23
Cyberbullying: as múltiplas faces de um problema real (2013)
Monografia de Carolina Longhi-
ni: “Realizei uma pesquisa
exploratória realizada com o
intuído de conhecer e levantar
questões importantes referentes
ao fenômeno do cyberbullying.
O referido conceito, neste estu-
do, foi encarado como um com-
plemento ao tema do bullying
se dados estatísticos de pesqui-
sas divulgadas e por último,
apresentou-se os resultados da
pesquisa de campo que envol-
veu adolescentes envolvidos em
casos de cyberbullying e demais
pessoas identificadas observa-
dores no contexto dos casos
ocorridos. A principal conclusão
zado pelas novas tecnologias
enraizadas na rotina de uma
sociedade de consumo. Além
disso, as consequências das
práticas de assédio moral onli-
ne, são iguais ou maiores que
aquelas sentidas por adolescen-
tes que lidam com o bullying
tradicional”.
nas escolas. Para
tal análise,
primeiramente realizou-se um
levantamento bibliográfico
sobre os temas, apresentaram-
do trabalho é a de que o cyber-
bullying é um fenômeno presen-
te na realidade dos adolescen-
tes e é possibilitado e maximi-
Disponível on-line »
Uma ferramenta de defesa decorrente do Cyberbullying em comparação ao bullying é o
fato de que as informações colocadas na internet ficam registradas e dessa forma há uma
maior possibilidade de se comprovar que tais práticas ocorreram e consequentemente
confrontar o agressor na tentativa de cessar as práticas negativas”.
Longhini, 2013:23
gettyimages

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O cyberbullying a partir do contexto escolar: como se dá a relação corpo-mídia- violência? (2013)

 

Tese de Mestrado de Lis Silves-

 

contexto de uma escola pública

cia do bullying e do cyberbull-

tre: “Esta pesquisa versa sobre

do Distrito Federal. Objetivou-se

ying no contexto geral e do

a

análise das expressões de vio-

descrever a autoperceção dos

cyberbullying no contexto das

lência simbólica

manifestadas

jovens sobre o que significa bullying e cyberbullying e iden-

aulas de Educação Física dos alunos de 9º ano do campo pes-

por meio do bullying e cyber-

bullying como elementos defini-

tificar os motivos (padrões cor-

quisado”.

dores de padrões

corporais no

porais) que levaram a ocorrên-

 

Acoso y ciberacoso en escolares de primaria: factores de personalidad y de contexto entre iguales (2013)

 

Tese de Doutoramento de Cris-

 

lugar la primera intervención del

iguales, que podrían influir en la

tina Fernández:

El presente

fenómeno y cyberbullying en

implicación en estas dinámicas.

estudio tiene como

primer obje-

una región donde la escasez

Y el tercer objetivo se centra en

tivo conocer la prevalencia e implicación de los escolares

estudios en esta etapa es patente. El segundo objetivo

conocer la conexión existente entre la implicación en bullying

andaluces de primaria en fenó-

está dirigido a analizar los fac-

tradicional y cyberbullying (…)”.

menos bullying,

después de

tores explicativos, de carácter

más de diez años que tuvo

personal y de contexto entre

 

Convivir en redes sociales virtuales. Diseño, desarrollo y evaluación del programa ConRed, una intervención psicoeducativa basada en la evidencia (2013)

Tese de Doutoramento de José Bolaños: “La estructura de esta tesis doctoral se comprende en dos partes fundamentales. En la

 

mas tradicionales contra el aco- so escolar tradicional como la empatía y clima escolar. En este apartado, se presenta el signifi- cado y las consecuencias más trascendentes del acoso entre estudiantes, destacando el rol de las variables examinadas y que pueden actuar como facto- res de riesgo o de protección en

apartado empírico, donde se exponen los objetivos de la investigación, el método y los resultados más destacados obtenidos durante la elabora- ción de esta tesis, que en su conjunto consta de cuatro estu- dios redactados con formato de artículo.

primera parte, se antecedentes de científica sobre las

explican los

la literatura

variables de

acoso escolar tradicional, cyber-

bullying, riesgos del uso de las redes sociales como la adicción

a

Internet, el control de la infor-

el desarrollo psicosocial de los escolares. La segunda parte del trabajo se corresponde con el

 

mación personal y

otras varia-

bles importantes de los progra-

Influencia de la

exposición a la violencia en conductas de agresión en cyberbullying

(2013)

Artigo de Ángela Luque e Eva M. Félix: “En el presente trabajo se ha tratado de explorar el fenó- meno del cyberbullying, un tipo

 

contextos donde los jóvenes se desarrollan. El objetivo está di- rigido a conocer si las experien- cias previas de exposición a si- tuaciones violentas podrían es- tar vinculadas a una mayor im- plicación en conductas de agre- sión en cyberbullying”.

de maltrato entre

iguales re-

ciente cuya trascendencia va en aumento, y su relación con la exposición a la violencia en los

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Cyberbullying: risk and protective factors, consequences and prevention (2013)

Tese de Doutoramento de Anja Schultze-Krumbholz: The aim of the present dissertation was to contribute to existing knowl- edge on cyberbullying in adoles- cence regarding definitional cri-

 

haviors and definitional criteria perceived by adolescents and which term do they use for these behaviors?; (b) Are cogni- tive and affective empathy as well as different subtypes of aggression risk factors for cy- berbullying perpetration and victimization?; (c) Are depress- iveness, loneliness, social with-

consequences of being a victim or perpetrator of cyberbullying? and (d) Can a preventive inter- vention implemented in a class- room context and targeting cog- nitive and affective empathy, among others, successfully re- duce cyberbullying?”

teria, potential risk

factors, con-

sequences of cyberbullying vic- timization and perpetration and to evaluate a preventive inter- vention based on these results. The research questions were:

(a) How are cyberbullying be-

drawal, psychopathological symptoms and different sub- types of aggression potential

 

Traditional

bullying

and

cyberbullying

among

swedish

adolescents:

gender

differences and

associations with mental health (2013)

Tese de Doutoramento de Linda

 

ability, and to gain insight into health staff’s experience of bul-

as well as focus groups of 16 people consisting of school so- cial workers and school nurses”.

Beckman: “The aim

of this the-

sis is to study the differences

between traditional

bullying and

lying in schools. The four studies in this thesis were based on surveys under- taken among 3,800 adolescents in Grades 7, 8 and 9 in Sweden,

 

cyberbullying among adoles- cents, focusing on gender, psy- chosomatic problems, and dis-

 

Cyberbullying en Centros de Enseñanza Basica y Secundaria del Alentejo (2013)

Artigo de B. del Barco [et al.]:” El dominio y familiaridad de nuestro jóvenes con las nuevas tecnologías (generación interac-

tiva) ha provocado mas tradicionales

entre iguales cambien con el transcurrir del tiempo, apare-

que las for- de maltrato

las siguientes cuestiones: 1. ¿Cuál es la prevalencia del fenó- meno cyberbullying y de los

muestral de 3% y un nivel de confianza de 95,5%”.

diferentes tipos en estudiantes de Educación Básica y Secunda-

 

ria del Alentejo? y 2. ¿Qué pa- pel juegan el género, la edad y ser usuario de redes sociales en la prevalencia de víctimas y agresores en el fenómeno cy- berbullying? La selección de los estudiantes se realizó mediante un muestreo polietápico estrati- ficado por conglomerados y se- lección aleatoria de los grupos en los centros que disponían de varias líneas en los cursos, 7º, 8º, 9º y 10º. El número de par- ticipantes fue de 750 estudian-

que disponían de varias líneas en los cursos, 7º, 8º, 9º y 10º. El número de

ciendo manifestaciones más específicas que se sirven de las

 

nuevas tecnologías

de la infor-

mación y de la comunicación para acosar con ensañamiento a

la víctima. Esta nueva forma de maltrato se denomina cyberbull- ying y presenta aspectos comu-

nes con las formas

tradicionales

de bullying, pero también unas características particulares que

lo diferencian. Con tudio pretendemos

nuestro es-

responder a

tes pertenecientes a 10 centros públicos, considerando un error

visualhunt

 

Página 34

 

julho-agosto 2016

N.º 65

Tu e a internet:

(ab)uso, crime e denúncia (2013)

 

Brochura da responsabilidade do Gabinete Cibercrime da Pro- curadoria-Geral da República:

 

e iniciativas. O nosso objetivo é contribuir, através da informa- ção, para uma utilização ainda mais segura da Internet. Escla- receremos que algumas atitudes

alertaremos para a existência de uma resposta que, não sen- do criminal, pode completar a defesa dos direitos das crianças e jovens vítimas de uso ilícito

“Existem várias publicações e

iniciativas de entidades vocacio-

nadas para alertar

para os peri-

e

atuações são crime e que

da Internet”.

gos da Internet e recomendar a sua utilização de forma segura. Não é propósito desta brochura substituir-se a essas entidades

delas podem ser vítimas crian- ças e jovens. Falaremos sobre a queixa criminal, como fazê-la e

a

quem dirigi-la. Finalmente,

 

“Se quiseres apresentar queixa e precisares de apoio

Se quiseres apresentar queixa mas

te sentires só, desacompanhado ou precisares de apoio, procura os teus pais, familiares, um dos teus professores, o teu médico de família, ou qualquer outra pessoa da tua confiança. Podem também auxiliar-te os procuradores (Ministério Público) dos Tribunais de Família e Menores, a Comissão Nacional de Crianças e Jovens em Risco (www.cncjr.pt), ou a comissão de proteção de crianças e jovens da área da tua residência, pois todos eles têm por missão, auxiliar-te, informar-te e, sobretudo, proteger-te”.

(…)

“Não esqueças

que se fores vítima de um crime podes apresentar queixa…

 

…mesmo que não conheças a identidade do suspeito.

 

As autoridades

têm diversas formas de descobrir a identidade do autor de um crime. As na Internet ficam todas registadas. Os fornecedores de serviço de

comunicações

comunicações são obrigados a guardar os dados de tráfego por um ano. Por isso, em muitos casos, as autoridades podem obtê-los e usá-los para identificar culpados.

mesmo

que o

suspeito seja menor.

 
 

Se quem violou os teus direitos tiver menos de 16 anos não será o tribunal criminal a

julgar o caso,

mas poderá ser aberto um processo no Tribunal de Família e Menores.

Existem diversas medidas que podem ser aplicadas. A mais simples é uma espécie de advertência, que é feita pelo juiz, e a mais grave é o internamento num centro educativo, havendo outras como, por exemplo, ser obrigado a frequentar programas de formação ou realizar certas tarefas para a comunidade”.

Página 35

 

julho-agosto 2016

N.º 65

 

Bullying e cyberbullying: um estudo num contexto escolar particular cooperativo

(2012)

Tese de Mestrado de Luísa Andrade: “O presente estudo tem como objetivo analisar a existência dos comportamentos de bullying e de cyberbullying, numa escola particular coopera-

 

tiva, da Região Autónoma da Madeira, bem como as caracte- rísticas associadas a cada um destes fenómenos. A amostra é constituída por 651 alunos que frequentam os 2º e o 3º ciclos,

 

com idades compreendidas entre os 10 e os 16 anos”.

 

Prevalência

 

Muitas

vezes

negligenciada,

a

vitimização

online

não

é

um

mero

problema

sem

significado.

Aproximadamente,

20

a

40%

dos

jovens

afirmam

serem

vítimas

de

cyberbullying (…).

 

Alguns estudos realizados na área do cyberbullying têm encontrado resultados consistentes. Cerca de 11% a 17% dos estudantes afirmam ter molestado alguém,

enquanto um quarto dos estudantes, entre 19% a 29%, admitem terem sido vítimas de cyberbullying (…).

No estudo realizado por Wade e Beran (2011), com uma amostra de 529 alunos, concluiu-

se que 21,9%

dos alunos alegam terem sido vítimas de, pelo menos, uma forma de

cyberbullying nos últimos 3 meses. Os tipos de cyberbullying mais frequentes incluem

chamar nomes

(30,3%), espalhar rumores sobre a vítima (22,8%), fazer-se passar pela

vítima (16,1%), ser ameaçado (13%) e receber conteúdo sexual indesejado (11,5%).

Relativamente

aos agressores, 29,7% relatam terem cometido atos de cyberbullying nos

últimos 3 meses. As formas mais utilizadas incluem o chamar nomes às pessoas (20,1%), imitar alguém online (13,2%) e espalhar boatos sobre alguém (9,9%).

 

Riscos online: compreendendo os perfis de vulnerabilidade para uma prevenção da vitimização online (2012)

 

Artigo de Fátima al.]:” As novas

Ferreira [et

inapropriados, etc. Com base nesta premissa, o principal objetivo desta investigação con- siste em identificar que variá- veis preditivas conseguem explicar a vitimização online nos seguintes riscos: cyberbullying, cyberstalking, solicitações sexuais, riscos comerciais, for- necimento de dados pessoais e

 

acesso a sites de conteúdo ina- propriado”.

tecnologias

constituem um importante e valioso recurso social e informa- tivo, no entanto, também criam uma plataforma que expõe os jovens a um vasto leque de ameaças online, como sendo o

 

cyberbullying,