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yam unisiddha

Arhapiagha

M e s t r e - R a i z

da

Escola

de

Sí nt e se

F.

R i v a s

N e t o

r e - R a i z da Escola de Sí nt e se F. R

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Escola de Sí nt e se F. R i v a s N e t o

ücone r

editora

U m b a n d i s t a

"Rivas Neto (Yamunisiddha Arhapiagha) veio à Terra com a missão espiritual de resgatar e replasmar

"Rivas Neto (Yamunisiddha Arhapiagha) veio à Terra com a missão espiritual de resgatar e replasmar a Umbanda em sua total pureza. Nesta obra ímpar ele reitera a ancestralidade e a universalidade da Umbanda que remete-nos à Convergência e à Paz Mundial."

espírita

Reynaldo Leite, advogado, escritor renomado e orador internacionalmente conhecido.

"Concordamos integralmente com Yamunisiddha Arhapiagha quando diz que a Paz Mundial é o reflexo da paz interna de cada indivíduo. A cura das doenças físicas, afetivas ou mentais não é apenas uma busca compassiva de aliviar o sofrimento, mas uma necessidade na evolução kármica do planeta." Japy Angelini, médico cardiologista, livre-docente da UNIFESP e espiritualista.

"A Psiquiatria e a Medicina em geral tendem atualmente a uma visão organicista dos distúrbios da personalidade, compreensível por ser a Ciência de que dispomos. Contudo, cabe também à Ciência não fechar ou dogmatizar o conhecimento, estando aberta também aos insights que podem ser proporcionados por uma visão metafísica da mente. O livro Sacerdote, Mago e M édico é uma contribuição de valor inestimável para a Espiritualidade e para a Ciência em geral." Sérgio Paulo R igonatti, psiquiatra forense, professor de psiquiatria da USP, leitor crítico da literatura espiritualista.

"Filosofia, Ciência, Mística e Arte se entrelaçam de tal forma nos textos de Mestre Arhapiagha que o leitor se vê numa nova dimensão de percepção da realidade. Muitas das doenças que nos afligem na prática médica encontram não apenas explicação, mas um caminho de resolução. Ler Sacerdote, Mago e M édico apazigua nossa alma." K átia Stanigher, pediatra, especializada em pneumologia infantil.

"Um grande livro o aqui apresentado. Fica claro que o conhecimento só é vivo quando reflete a experiência prática, a vivência pessoal. Não basta saber, é preciso fazer, viver e ser." Bruno Barbosa, médico ginecologista e obstetra, terapeuta sexual da Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana e fundador de um movimento pela humanizaçâo da medicina.

"A neuroimunoendocrinologia estuda a interligação entre os sistemas nervoso, endócríno e imunológico, que regulam diversas funções corpóreas que mantêm o equilíbrio orgânico e são também reponsáveis por muitas doenças. Tudo funciona de maneira integrada e reflete a herança genética de cada um. Neste livro, descobrimos que antes da forma vem o Ser, e que se o próprio código genético é função do espírito, então a doença está no espírito e ali também a sua cura." I Roger T. Soares, neurologista clínico, médico da Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Sacerdote, Mago e Médico

Cura e Autocura Umbandista

Terapia da Alma

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Arhapiagha, Yamunisiddha Sacerdote, mago e médico

umbandista

:

terapia da alma

: cura e autocura / Yamunisiddha

Arhapiagha.

-

São Paulo

:

Ícone,

2003.

ISBN

85-274-0699-3

1. Cura pelo espírito

2. Espiritualidade

3. M agia

(Culto)

umbandista.

4. M isticism o

I. Título.

5. Tantrismo

6. Umbanda

II. Título: Cura e autocura

III. Título: Terapia da alma.

02-6076

C D D -299.672

índices para catálogo sistemático:

1. Autocura tântrica : Umbanda

:

Religião

299.672

2. : Umbanda

Cura tântrica

:

Religião

299.672

3. M edicina espiritual

299.672

: Umbanda

:

Religião

V am w nisiddka

.A elaapiagK a

Ades+ee X arvieico

O u ead oe

F. R iv a s A leto

Sacerdote, Mago e Médico

Cura e Autocura Umbandista

Terapia da Alma

Xcone

editora

© Copyright 2003 ícone Editora Ltda.

Coordenação Geral Yamunisiddha Arhapiagha

Revisão Yamashala (Ana Cristina Kashiwagi)

Diagramação Araobatan e Yamashala (RogerT. Soares e Ana Cristina Kashiwagi)

Capa

Yarananda

(Alexandra Abdala)

Pinturas em Tela Yacybhava (Cristina Márcia Gonçalves)

Proibida a reprodução total ou parcial desta obra, de qualquer forma ou meio eletrônico, mecânico, inclusive através de processos xerográficos, sem premissão expressa do editor (Lei n° 9.610/98).

Todos os direitos reservados pela ÍCONE EDITORA LTDA. Rua das Palmeiras, 213 - Santa Cecília CEP 01226-010 - São Paulo - SP Fone/Fax: (11) 3666-3095 www.iconelivraria.com.br e-rnail: cditora@editoraicone.com.br edicone@bol.com.br

A presentação da E ditora

O livro Sacerdote, M ago e M édico Cura e Autocura

Umbandista traz a esta editora a honra de colaborar, de alguma forma, para a aproximação dos homens e dos povos. Nosso com­ promisso com a universalidade e principalmente com a conver­ gência nos impeliu a lançar este livro. Não teríamos ousado en­ trar nessa empreitada se não tivéssemos a confiança que temos no caráter universal deste texto e no seu autor. Conhecemos Yamunisiddha Arhapiagha como sacerdo­ te, mago, médico, escritor e amigo; todas essas facetas demons­ tram a versatilidade de sua personalidade, mas não abrangem a totalidade do ser humano, que só pode ser conhecida na convi­ vência e na troca de experiências. Dessa amplitude de senti­ mentos, pensamentos e idéias compartilhadas é que adquiri­ mos a certeza de que a mente humana não está confinada à pequena caixa craniana, para ela não existem limites ou frontei­ ras; o ser está além do humano.

Esperamos que este livro proporcione ao leitor uma nova visão de saúde e doença, e o auxilie a vislumbrar uma nova pers­ pectiva para as relações humanas que devemos esperar para os novos tempos.

O Editor

Mandala-Yantra dos Arashas da Medicina, os Supremos Iluminados do Mundo Revelada ao Mestre Tântrico Curador

Mandala-Yantra dos Arashas da Medicina, os Supremos Iluminados do Mundo

Revelada ao Mestre Tântrico Curador Yamunisiddha Arhapiagha

Oshala

16 pétalas

Yemanja

14 pétalas

Yori

12 pétalas

Shango

10 pétalas

Ogun

8 pétalas

Oshossi

6 pétalas

Yorima

4 pétalas

Ogun 8 pétalas Oshossi 6 pétalas Yorima 4 pétalas Centros de Iluminação (Chakras) sob o comando

Centros de Iluminação (Chakras) sob o comando dos Sete Arashas, segundo a Escola de Síntese

Mandala-Yantra de Conexão com Mestre Yamunisiddha Arhapiagha Yantra de permissão para os exercícios tântricos

Mandala-Yantra de Conexão com Mestre Yamunisiddha Arhapiagha Yantra de permissão para os exercícios tântricos

Introduzindo

O sofrimento, incapacidade de experimentar a vida de maneira agradável, pode ser manifestado de várias formas, inclusive como doenças do corpo físico. Todo esforço do Ser Humano, ao longo do tempo, tem sido para minimizar e, se possível, extinguir a dor de qualquer origem. Podemos, tal­ vez, dizer que todo o progresso da sociedade visa, em última instância, melhorar a qualidade de vida, construir as bases necessárias à felicidade. Entretanto, por algum motivo, nossas estratégias não parecem produzir resultados satisfatórios. Apesar de todo avanço tecnológico, ainda carecemos de Paz Interna e Ex­ terna. Vivemos em busca de valores que nos façam sentir plenos e acreditamos que conquistando vários objetos mate­ riais obteremos conforto e, principalmente, seremos aceitos e amados

S a ce.rd o\ e.,

M a g o

e M éd ico

As intenções são justas e louváveis, porém devemos ad­ mitir que o caminho que tomamos tem-se revelado incipiente. Em algum momento da trajetória da humanidade perdemos o fio que nos guiava e nos tornamos errantes em desacordo com toda harmonia que nos cerca, expressa na Natureza. Em conseqüência desse desalinho com a Naturalidade, criamos doenças e distúrbios, através de processos espirítico- psicossomáticos ainda pouco conhecidos pela Ciência Aca­ dêmica. Yamunisiddha Arhapiagha conduz o leitor de Sacerdo­

te, M ago e M édico Cura e Autocura Umbandista a uma via­

gem às origens espirituais da Raça Humana, apontando os momentos críticos de desvio do curso, o elo perdido entre a vida e a naturalidade, explicando os processos decorrentes do extravio do caminho. Avança nas causas das doenças físi­ cas e espirituais, nos mecanismos energéticos envolvidos e suas manifestações biológicas. Assim, atinge desde as mani­ festações mais concretas das doenças até suas origens kármicas, desvelando a primeira causa e a primeira doença para a compreensão de todos. Como Mestre Tântrico Curador (Sacerdote, Mago e Médico), aprofunda-se em suas várias encarnações como Sa­ cerdote entre os vários povos da antigüidade, na Ásia e na África e, em tempos longínqüos, na própria América. Hoje, como Mestre Espiritual em missão no Brasil, mostra em seus livros que as vivências kármicas transcendem o tempo e o espaço e fazem eclodir a verdade do espírito a todos os po­ vos, onde quer que estejamos. Reafirma que o espírito livre é universal, sua morada é em todos os lugares e sua família, a humanidade. Este é um livro que agradará o leitor por sua profundi­ dade filosófica e sua correlação direta com a prática, uma

14

Y am um siddka .A rkapiaghc

K

característica de Yamunisiddha Arhapiagha, que com uma linguagem clara e precisa proporciona aprendizado, cresci­ mento espiritual e harmonia física ao mesmo tempo. Com a ajuda deste Mestre Espiritual poderá o leitor adentrar pelas causas de seu próprio sofrimento e descobrir que a Autocura é possível. Principalmente, entenderá o que vem a ser a ver­

dadeira Autocura, que passa pelas moléstias físicas e alcança a essência de cada ser, onde Autocura, Verdade, Libertação e

Iluminação compõesm

A Yamunisiddha Arhapiagha agradecemos a oportu­ nidade de compartilhar este momento de reconciliação do homem consigo mesmo e, humildemente, pedimos sua bênção.

a Realidade indissolúvel e eterna

Discípulos de Yamunisiddha A rhapiagha

15

“In M emoriam”

A Woodrow W ilson da M atta e Silva, Mestre Yapacany

(1917-1988), Meu Pai, Meu Mestre, Meu Amigo, que com sua sabedoria milenar me alçou aos últimos degraus da Filosofia do Oculto - A Proto-Síntese Cósmica.

Men Mestre

A Ti dedico mais este livro, na certeza de que me inspiras e me susténs na jornada do hoje e do porvir Mestre,Tuas bênçãos! Com todo o respeito, permita-me desejar-

te que os ARÀSH AS te abençoem sempre.

Haverão de abençoar-te, eternamente!

yc\w\L\v\\s\ddWc\ y\**kapia0ka

)'A e.s\re. "U cm fnco CS ugad o »*

A M eus Pais

Minha eterna gratidão, pela bênção do recomeço.

Aos Irmãos

Wilson, Regina e Iara.

À Sacerdotisa Yamaracyê

Esposa, companheira e mãe, por sua tolerância, amor e sabedoria milenares.

A Meus Seis Filhos

Domingo, Marcelo, Márcio, Thales, Athus e Thetis, meus agradecimentos sinceros, pela compreensão das horas que não pudemos estar juntos. Que Arashala - Senhor Luminar de todos os Iluminados os abençoe sempre.

À Terezinha

Irmã Espiritual e Amiga milenar, meu fraternal agradecimento.

Aos Irmãos Espirituais de Todos os Sistemas Filosófico-Religiosos

Estamos em busca da Proto-Síntese Cósmica, da Tradição de Síntese que reformulará idéias, conceitos, derrubando dog- matismos estéreis, unindo-nos nos Princípios da Convergência Universal onde, acima de Sistemas Filosóficos, Científicos, Artísticos e Religiosos, prevalecerá a Síntese Cósmica firmada naTriunidade Amor / Sabedoria / Atividade Cósmicos. Assim, congratulo-me com todos os Irmãos Planetários que, como nós, estão vivenciando os tempos chegados da UNIDADE, da PROTO-SÍNTESE CÓSM ICA.

A M eus Discípulos Templários

Membros integrantes da O.I.C.D., nos graus de Mestres

Espirituais, Mestres de Iniciação, Iniciados Superiores, Guardiões do Templo, Artesões do Templo, Neófitos em Provas e Neófitos, meus agradecimentos pela dedicação e amor à vivência templária e à minha pessoa.

abençoem com o Poder da Verdade e

esta traga Paz e Alegria eternas!

Que os ARASH AS os

OM

ARANAUAM*

RÁ-ANGÁ

EUÁ

ARASHA**

OM!

Aos “Irmãos Espirituais”

Que como eu tiveram a alvissareira oportunidade de conviver com o homem e vivenciar, como discípulos, Mestre Yapacany em sua última e iluminada missão planetária.

;At*kcipiacjka

A^Wst^e X c m tric o C u m d o i*

*ARANAUAM (ARA ANAUAM) — Significa Bênçãos Divinas, de paz e luz. Pode tam­ bém ser saudação: Salve! Glória! Regozijo! Saravá! ** ARASHA — Vocábulo paroxítono, denominação dos Senhores da Luz. O mesmo que Orisha, que é o vocábulo mais recente.

Sum ário

Excertos Introdutórios : Resgatando as Vivências

21

Introdução

A

Doença Primeva (Caboclo Urubatão da Guia)

67

Doença: Sinônimo de Imperfeição (Caboclo Sete Espadas) 75

Umbanda e Medicina (Yamunisiddha A rhapiagha)

81

Parte I — Conceitos Introduzindo a Doutrina do Tríplice Caminho Visão de Síntese Sobre Doentes e Doenças Saúde e Doença — Vida e Morte.

87

Parte II — Medicina de Síntese

Fundamentos da Medicina de Síntese

109

Fisiologia da Energia Sutil:

Canais — Chakras

115

Humores: Líquor - Sangue - Sêmen - Linfa - B ile

147

Dialética da Medicina Umbandística

167

Etiologia das doenças

A. Doenças Kármico-Espirituais

177

Doença Primeva — Karma Causai Doenças Adquiridas — Karma Constituído

179

B.

Doenças Provocadas Pela

Atração e Atuação de Seres Espirituais

1S7

C.

Doenças Infecto-Contagiosas

(Doenças

Planetárias)

 

193

D.

Doenças Provocadas por Conflitos:

D .l. Doenças devido aos conflitos mento-psicológicos

202

 

Desestrutura dos três veículos da personalidade Desestrutura mental Desestrutura emocional Desestrutura etéreo-física

D.2. Doenças devido aos conflitos

psico-emotivos

206

Comportamento anômalo. Desestabilização emocional D.3. Doenças devido aos conflitos emotivo-energéticos

227

Erros dietéticos Erros respiratórios Sexo - tóxicos - vícios Exposição a fatores mesológicos negativos

Parte III — Terapia Umbandística

Introdução à Terapia da A lm a 237

243

Casos Clínicos e Nosológicos Espirituais

Mapa Kármico; Mapa Genético e Imunogenético

Explicando as Doenças

307

O Sacerdote, o Mago e

Cura e Autocura Umbandista — A Realização Espiritual .319

Manifestadas pelos Doentes

o M édico

299

Excertos Finais

407

Glossário

477

Excertos Introdutórios R esgatando as V ivências

Nesta obra pretendemos de forma simples, com total transparência, remeter o Leitor Irmão Planetário à compreen­ são da etiologia (causa) primeva das doenças e para isto vamos fixar nossa atenção no homem, no doente, que é a “causa” de

todas as doenças.

Nossa assertiva pode ser impactante; todavia, lendo o li­ vro, melhor entenderemos o axioma básico da Medicina

Umbandística: o Homem é a causa de todas as doenças. Se é causa delas, nele encontram -se também os meiospara neutralizá-las.

Muitos de nossos Leitores e mesmo aqueles que se simpatizam com nossa visão doutrinária — a propagada pela Escola de Síntese — podem não entender o porquê de escre­ vermos sobre as doenças e sua cura. A esses Irmãos e a todos os interessados em nossa filosofia e mesmo em nossas revelações doutrinárias, pedimos especial atenção ao que se seguirá. Todos nós tivemos um início, uma origem. Qual origem, qual início? Como seres espirituais tivemos o início existencial

S>a<ze.rc\o\e., JV\ago e Médico

no Reino Natural, desde quando rodamos pela primeira vez a Roda do Destino, o Karma Constituído. Quanto à nossa essência espiritual, nós em espírito, essa é adimensional (não está afeta a local, espaço ou tamanho) e atemporal (não é regida pelo tempo). Isto é, não está em lo­ cal algum, portanto não tem manifestação; não está, não é, “inexiste” nesta dimensão. Isso significa que, sendo a Essên­ cia espiritual imaterial, não haverá fim para o Espírito, as­ sim como também não houve início. Quando falamos em início ou fim, nos referimos sempre ao Universo Astral, rei­ no das realidades transitórias. No Reino Virginal não há espaço/tempo; o espírito é a única realidade. Pelos motivos já discutidos em nossas outras obras, interpenetramos o Reino da Energia, o Universo Astral, em suas diversas dimensões e densidades, onde consubstanciamos, manifestamo-nos em “veículos ou organismos” dimensionais. O Ser Espiritual Essencial — adimensional e atemporal — , portanto imanifesto, penetra no aspecto manifesto, existen­ cial (dimensional e temporal). Aí é regido por espaço/tempo — possui existência, pois se manifesta na substância (veículo de manifestação ou existência). Falamos até aqui da metafísica umbandista, levantando um pouco do véu que cobre a Realidade, cuja conquista é o interesse primordial da iniciação espiritual. São discussões de caráter abstrato que tocam o íntimo daquele que busca a neutralização da ilusão, da dor e do sofrimento. Mais uma vez pode o leitor amigo perguntar qual a rela­ ção disso tudo com a Umbanda, com sua ritualística, conhecida nos vários templos do Brasil e do Mundo. Respondemos que a Umbanda procura estabelecer um caminho que vai da forma mais material até a essência espiritu-

22

Q

\Umumsicldha lA^hcipicigka K

al. Nos vários templos adaptam-se, em proporções distintas, esses dois aspectos, servindo ao grau de amadurecimento já alcança­ do por aquele grupo. Em nosso templo, na Ordem Iniciática do Cruzeiro Di­ vino, temos como proposta filosófica o que denominamos Es­ cola de Síntese, que é a visão não-dualista da Realidade. Por esse motivo temos várias formas de rito, reproduzindo a mar­ cha da Umbanda da forma à essência. E claro que hoje temos a possibilidade de realizar uma amostragem significativa do Movimento Umbandista em fun­ ção de nossa experiência pessoal, nessa vida e em outras. Para a melhor compreensão de Sacerdote, M ago e Médico

Cura e Autocura Umbandista, respeitosamente devassaremos as cortinas do tempo e do espaço onde nosso ser espiritual vem tecendo o pano de fundo existencial que resultou na presente encarnação desse Sacerdote que lhes escreve. Melhor entende­ remos o porquê de a Umbanda interessar-se não só pelas doen­ ças, mas também por suas causas e, principalmente pelos aspec­ tos de cura e autocura. Esperamos, apresentado esse resumo biográfico, expor a trajetória também da Umbanda e de nossa tarefa, deixando re­ gistrado para as futuras gerações a história de nossa família es­ piritual, que se dilata a cada dia e procura se solidarizar com todos os irmãos planetários para que vivamos, enfim, uma fa­ mília planetária, sem nenhum tipo de exclusão. Sucintamente, partiremos de nossa reencarnação atual e dela, com total fidelidade, interpenetraremos outros tempos em várias plagas planetárias. Esperamos que o Leitor Irmão Pla­ netário melhor entenda, por intermédio de nossa saga, o amor, o respeito e a humildade ao Sagrado, os quais nos acompanham nas várias existências, onde invariavelmente estivemos vincula­ dos ao Sacerdócio, à Magia Superior e à Medicina (Curandeiro ou Médico).

23

S>ace-v'c\o\e., ]\Aago e AAédico

Antes de explicarmos nossa afinidade desde o passado longínquo até o presente pelo Sacerdócio, pelas ArtesTeúrgicas e pela Medicina, façamos esquematicamente a Linha do Tem­ po e melhor entenderemos nossa odisséia, ora no plano astral, ora no plano físico.

LINHA DO TEMPO

PASSADO

<------------------------------------------------->

V ID A P R E G R E S S A

V ID A A S T R A L IZ A D A

V ID A E M B R IO N Á R IA

PRESENTE

<----------- >

EX ISTÊN CIA P R E S E N T E

FUTURO

<---------- >

V ID A A S T R A L IZ A D A

Morte

Nascimento

Morte

Por ora, focalizemos nossos estudos e conclusões no perí­ odo de tempo compreendido do nascimento da presente exis­ tência até os dias atuais. Todavia, não percamos de vista os pe­ ríodos da vida intra-uterina, da vida astralizada e da vida pregressa (o esquema da Linha do Tempo é cíclico, rítmico, repetindo-se, podendo remeter-nos ao início de nossa história planetária).

A RODA DO TEMPO

F/P (Ausência de Dualidade)

planetária). A RODA DO TEMPO F/P (Ausência de Dualidade) Pr 24 (P) Passado (Inconsciente) (Pr) Presente

Pr

24

(P) Passado (Inconsciente)

(Pr) Presente (Consciente)

(F) Futuro (Supra-Consciente)

^am um siddko A rk a p ia g k a

$

Na dependência da evolução ou do grau consciencial tem o indivíduo maior ou menor consciência dos períodos citados, embora também receba as influências destas fases. Alguns médiuns têm como acréscimo kármico, visando melhor servirem aos necessitados, acesso a suas vivências passa­ das e mesmo a vidas passadas, sem nenhum dano à consciência (estado superior de consciência) ou ao psicossomatismo, pois estas são percebidas via Dimensão-Mediunidade e não por pro­ cessos antinaturais. (Dimensão-Mediunidade: penetrar na Li­ nha do Tempo, trazendo informações fidedignas das épocas em estudo ou que se deseja. E uma clarividência-vivência que pe­ netra no espaço/tempo). Neste excerto entraremos direto em nossa presente exis­ tência, que teve início no final da década de quarenta, avançan­ do para o primeiro ano da década de 50 do século passado (séc.XX); no adendo constante no final do livro (excerto final) entraremos em nossas reminiscências do passado próximo e lon­ gínquo. Esperamos assim demonstrar o motivo de há muitas exis­ tências estarmos diretamente ligados com o Sacerdócio, com a Magia ou Teurgia e com a Medicina (cura das mazelas do cor­ po físico denso e sutil). Quando estávamos em vias de voltar a habitar um corpo físico, havia poucos anos que o planeta saíra de uma tormentosa e vergonhosa guerra fratricida (Segunda Guerra Mundial), com danosos agravos e embaraços kármicos para a Comunidade Pla­ netária. Sob os impactos desastrosos da miséria, da dor, de sofri­ mentos atrozes e da desolação, havería o início da reconstrução de um mundo novo, de uma nova humanidade, onde augurava- se não mais serem deflagradas ignominiosas guerras. Houve e ainda há uma tentativa de mudança de valores, mobilizando os

25

Sacerdo te, J\Aago e jSAédico

cidadãos planetários para manter o planeta, seu ambiente, pois se o mesmo for agredido como vem sendo, com explosões nu­ cleares, desmatamentos, alterações significativas da camada de ozônio, com graves repercussões sobre a continuação da vida, a mesma estará seriamente comprometida em futuro não tão dis­ tante.

Atualmente, embora guerras ainda sejam deflagradas (o que é inadmissível para o “homem civilizado”; será mesmo civi­ lizado?), há uma conscientização dos danos ao planeta e à hu­ manidade. Tanto isto é verídico que o desarmamento das “gran­ des potências”mundiais é uma constante preocupação da ONU, principalmente no que se refere ao arsenal de armas atômicas, químicas e biológicas. Antes da Perestroika, da queda do muro de Berlim, o mundo estava sempre em alerta, temeroso de uma guerra nu­ clear desencadeada pelos desentendimentos entre os EUA e a então União Soviética, ou entre o Capitalismo e o Comunis­ mo.

Na atualidade, século XXI, talvez não haja mais o perigo iminente de uma guerra nuclear, pois não há mais a União So­ viética e conseqüentemente o Comunismo. Porém, há o Capi­ talismo voraz e desumano que faz vassalos, traz misérias, ini- qüidades e desigualdades sociais, políticas, econômicas, cultu­ rais e étnicas, fomentando os conflitos geradores de violências várias.

Por sua vez, o socialismo está cada vez mais frágil, pois o poder emana da política econômica em que são privilegiadas as oligarquias, a globalização da miséria. Há poucos ricos (con­ centração de riquezas) e muitos miseráveis (concentração de pobreza), conseqüência direta de formas de governo que não interferem, por pouco que seja, na economia, produzindo con­ centração ou reserva de mercados que não permitem a livre cir-

26

\!an\un\s\ddU.a yW h ap iag k a

$

culação de capitais e mercadorias, o mínimo que poderia se es­ perar para uma humanidade mais justa e fraterna, onde o cooperativismo sobrepujasse a competição. Mesmo que houvesse competição, que se dispensassem

reservas para o social, teríamos um “capitalismo

mais humano, que não desprezasse o Sagrado — ponto de equi­ líbrio e convergência entre o capitalismo e socialismo, que de­ nominamos cooperativismo sinárquico, isto é, o governo que emana do povo sagrado, sendo todos os homens, países, conti­ nentes e povos sagrados. Haveremos de preservar os mananciais do mundo, prin­ cipalmente as fontes de água potável e também nossos mares, nossas florestas. No caso específico do Brasil esses investimen­ tos trariam recursos diversos para serem aplicados no social, produzindo trabalho, havendo trabalhadores, pois certamente diminuir-se-ia o êxodo rural, invertendo-se naturalmente este fluxo.

A inversão do fluxo (então da cidade para o campo) cria­ ria trabalho no campo com justiça social, podendo estar aí a queda dramática da guerrilha urbana, da guerra civil não decla­ rada e, principalmente, da fome e da morte. Para tal evento re­ dentor acontecer, precisamos contar com a boa-vontade de nossa plutocracia desaliando-se dos modelos imperialistas que nos impõem outros países — tudo sob nossa aquiescência. Tudo isto acontece pois não pensamos no próximo, na interdependência e muito menos no fato de que somos transitórios, mortais. Sim, quem nasce (talvez por isto chore­ mos quando nascemos) cedo ou tarde morre. Só não morre quem não nasce. Não sendo niilista e nem reverenciando os existencialistas, não podemos negar que agimos como se nunca fôssemos morrer, nem cogitamos se vivemos bem, se morrere­ mos bem. Contudo, caso haja vida pós-morte, como seria? Não

socializado” ou

27

Sacerdote/ hAago e .Médico

seria de acordo com nossa conduta, principalmente com nossos semelhantes? E então? Desdenhamos da interdependência, quando não a olvi­ damos completamente. Somos renitentes, revéis às Leis do

Universo que afirmam: enquanto houver alguém sofrendo, um in­ divíduo que seja, a paz e a felicidade de ninguém será completa.

Precisamos urgentemente ir atrás destas verdades, antes que elas venham atrás de nós desnudando nosso egoísmo, vergastando nossa vaidade. Antes, porém, reavaliemos condutas, sigamos nossas vidas como quisermos, mas não nos distanciemos do

Sagrado — a Espiritualidade U niversal inerente a todo ser huma­ no, viven te em seu interior.

Após estas ilações, que refletem nossa posição e visão no âmbito social, econômico e político, retornemos ao tema cen­ tral que muito tem a ver com cura e autocura. Com a tarefa de vencer a guerra e banir definitivamente os sofrimentos, as dores e a morte é que em todos os quadrantes do planeta encarnaram e encarnam espíritos com senso de uni­ versalidade, para atuar nas Religiões, restaurando-as, fazendo- as conviver pacificamente, sem excluir e nem se contrapor às Filosofias, às Ciências e às Artes. Esses missionários estão tra­ balhando sem alarde e com denodo têm procurado derrubar as barreiras e tabus que separam os homens, como se os homens fossem realmente diferentes entre si. Ensinam os vanguardeiros

do amanhã que devemos pautarm o-nos pelas semelhanças, que

superam as diferenças. Esses Seres Espirituais, missionários anô­ nimos, tiveram experiências em vários setores Filosófico-Reli- giosos, Científicos e Artísticos, conquistando a visão universal

do Sagrado, passando a trabalharp or sua difusão em todos os setores, não só religioso, pois o Sagrado pode estar na Filosofia, na Arte, na

Ciência ou mesmo fora delas, além delas. Não

esteja nelas, maspode estar, ser encontradofora delas.

afirmamos que não

28

^am unisi dd ka jAi»ha p ia g k a

$

P o r

isso

dizem os

que

o

S ag rad o

é

a

E sp iritu a lid a d e

U n iv ersal

ineren te

a

todo ser hum ano,v iv en te no in terio r dele.

Depois destas considerações, que acreditamos merecer ser discutidas amplamente, penetremos sucintamente nas várias fases de nossa presente reencarnação e melhor entenderemos os motivos de sermos Sacerdote de Umbanda, Mestre Tântrico

(Grau Superior de Mago pois faz a conexão entre o Sacerdote,

o Mago e o Médico) e Sacerdote de Asclépio (médico). Penetremos respeitosamente no portal do Tempo, inici­ ando pela nossa existência presente, deixando para o excerto final as reminiscências de nossas existências passadas, onde explicitaremos nossa ligação indestrutível com a Tradição de Síntese, onde o Sacerdote, o Mago e o Médico eram e são a mesma pessoa. Mas agora, visando o entendimento do real encadeamento do ontem com o hoje, dissertemos, observando cronologica­ mente as fases do destino, em que fica patenteado o compro­ misso de sermos, assim como muitos, divulgador e guardião do Sagrado.

' Ia Fase - do nascimento aos 4 anos J

Do nascimento (1950) aos quatro anos, é digno de nota afirmar que nasci no mês sete, à meia-noite, com perfeita saúde

e, segundo meus pais, sob os influxos de exuberante plenilúnio.

Nasci em família de “classe média”, sob o desvelo amoro­ so de pais e familiares, amparado por vibrações auspiciosas de Mestres Astralizados Superiores, segundo as predições feitas a

29

S>o.c.e.v-Áo\e., A á a g o e M é d ic o

meus pais pelo Sr. Mirabelli, espiritualista conceituado e pa­ rente de meu avô materno. Meus familiares, principalmente meus pais, eram simpa­ tizantes da “Umbanda”, mais precisamente do Culto de Nação Africano, algo que alhures explicarei. Os familiares maternos, tios e tias, eram respeitáveis diri­ gentes espíritas (kardecistas), nas erroneamente denominadas “mesas brancas”. Mal denominadas, pois se há a branca é por­ que há a negra. E qual o motivo de diferenciá-las? Seria devido ao preconceito dos cultos oriundos dos africanos? Ou por causa de o negro não poder freqüentar (naqueles idos tempos) a famigerada “mesa branca”? Em qualquer dos dois ou mesmo nos dois motivos apresentados já estava caracterizado o racis­ mo espirítico Sinceramente, preferiria estar errado em meu juízo sobre o tema; apesar de tudo, gostaria de render homenagens aos tios de minha mãe, principalmente à tia Angélica Terni Bergamo e ao tio Antônio Bergamo, inclusive ao Sr. Fernando Terni (pai da tia Angélica) que dirigia, na época, um Centro Espírita na Rua Catumbi, no Canindé, em São Paulo. Há muito tempo não vejo a querida “tia Angélica”, hoje com mais de 85 anos, sendo assídua trabalhadora e médium do “Núcleo Paz e Amor em Jesus”, no Tatuapé. A ela e a todos dessa saudosa época, nossas mais puras vibrações de paz! Quanto aos familiares paternos, o irmão de meu pai (tio Paco) e seu cunhado (tio Ernesto) eram prosélitos do Culto de Nação Africano. Ernesto de Xangô era um babalorixá concei­ tuado da Nação Kêto (Yorubá ou Nagô), sendo que com ele, como veremos nas linhas que se seguirão, “aprendi” os “awôs” do axé, das “comidas de santo” (o ajeum, como ele dizia), como prepará-las para dar no ossé semanal, os rituais de padê; o xirê e, principalmente, o bori que antecedia a feitura; os ebós a exu;

30

Vornwnisiddkci .A rk a p ia g k a

$

as qualidades de exu (ólobé, elebó, jelú, alaketo, enugbarijó, lonan e outros); o erindilogum e o opele-ifá, a alubaça (alubosa = ce­ bola); como partir (cortar) o obí para o jogo; como usá-lo no bori etc. Por tudo isso e mais sou-lhe muito grato, pois mnemonicamente despertou em mim os fundamentos que eu aprendera e vivenciara num passado distante, em África, onde fora um humilde Babalawô real cuja dijina era Ifa t’osho M etalafi Alabá Ogunjá. Isto, fiquei sabendo mais tarde, mas cito para todos entenderem o porquê de meus pais, nos primeiros quatro anos de minha vida, levarem-me ao Candomblé, ao Ilê do tio Ernesto de Xangô (tivera laços profundos com o Culto dos Orixás). Na realidade, conheci-o profundamente de meus 9 a 12 anos de idade, algo que relataremos quando discorrermos sobre esta fase.

2a Fase - dos 5 aos 9 anos

V

sobre esta fase. — 2a Fase - dos 5 aos 9 anos V Não saberia explicar

Não saberia explicar (talvez por influência do irmão de minha mãe, o Sr. Olivério Bontempi, na época diretor do cen­ tro) a razão de meus pais naquele tempo freqüentarem tam­ bém, e de forma até assídua, o Centro Espírita Ubiratan na Rua Ipanema, no Brás. Era um templo espírita dirigido pelo médium Sr. Romualdo, que soube muito depois ser funcionário da antiga Central do Brasil, tendo se radicado em São Paulo oriundo do Rio de Janeiro. O Sr. Romualdo, a quem muito res­ peitava, era um senhor de uns 60 anos de idade. Hoje tenho consciência que o centro tinha fortes influências de Umbanda, pois quem “baixava”era o espírito que dava o nome de Ubiratan, expressando-se de forma simples, com um sotaque próprio dos indígenas brasileiros (será?), sendo o dirigente espiritual dos trabalhos lá desenvolvidos.

31

S a c e rd o te ^

.Meigo e A âédico

Não posso me esquecer que, embora na época freqüen- tássemos mais assiduamente o C.E.U. (Centro Espírita Ubiratan), não deixamos de pelo menos uma vez por mês ir ao Ilê ou Roça do tio Ernesto, onde nessa época ensinavam-me alguns toques nos ilus (atabaques), com os cânticos sagrados e uma série muito grande de orikis (atributos ou louvores aos Orishás) e danças sagradas. Que saudades! Quando completara nove anos, já acostumado e gostan­ do da práxis do Culto de Nação, onde participava ativamente segundo minhas possibilidades (as dos 9 anos), ele resolveu “le­ vantar” meu Eledá, Olori, Elemi e o Bará, e o fez com o Opelê Ifá, do qual se orgulhava, lembro-me bem, pois dizia ser um dos únicos a saber a adivinhação pelo Opelê Ifá — o Rosário de Ifá, gabando-se por saber de cor muitos odus e suas historietas, os itanifá que pacientemente me contava e me explicava. Em­ bora tendo nove anos, acreditem ou não, eu entendia tudo, nada me parecia novo, é como se eu estivesse revendo algo, sabia que tinha aquilo dentro de mim. Lembro-me perfeitamente que numa manhã, ou melhor, ao meio-dia, ao som do canto do galo muitas vezes repetido, ouvi dele algumas palavras mágicas (ofás) que também não me eram estranhas, e ele deu início ao “levantamento” de meu odu pessoal que não posso revelar. Mas posso dizer que ele vatici- nou ser eu filho de Ogum, uma qualidade interessante de Ogum e Oxaguiã (Oxalá novo). Cantou (korin) e dançou (jo) alegremente, como sempre, juntamente com suas ebamis e iaos e muitas abiãs, algumas ekedis e da Yaná d’Ogum que era sua Sidagã (aquela que saía com o pade e ebó, para dar omi, oti e outras coisas para Exu). Conheci seus axoguns (aqueles que sacrificavam os animais de duas ou quatro patas). Também não posso me esquecer da Yabassê Dofma, uma moreninha muito generosa, com a qual

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Tam unisicldka A rk a p ia g h a

$

aprendí alguns dos segredos da “Comida Ritualística”, o “Man­

muito respeito, carinho e gratidão por

todos e principalmente por ele, o querido tio Ernesto como o chamávamos.

jar dos Deuses”. Tenho

Mo Juba Olugbon Ernesto.

/ --------------------------------------------------------------

V

3a Fase -

dos 9 aos 12 anos

Sr. Romualdo, do Centro Espírita Ubiratan, dizia a

meus pais que eu era médium de Umbanda, não adiantando eles me levarem a outros “centros”, pois eu tinha vindo com compromissos seríssimos na Umbanda, tudo planejado com a aquiescência de sapientíssimos mentores espirituais. Isto tudo aconteceria na hora certa; assim, orientou meus pais que me levassem a uma Tenda de Umbanda, pois minha tarefa seria por lá, segundo ele, com o passar do tempo eu iria torná-La conhe­ cida e reconhecida, pois de há muito eu havia sido preparado “pelo mundo espiritual” para a tarefa. Não me pediu para não ir à roça do tio Ernesto, o mesmo acontecendo quanto ao seu centro. Disse sim que poderia ir onde quisesse, todavia, minha missão seria na Umbanda e que antes dos vinte anos eu estaria no comando de uma Tenda de Umbanda e mais, que ele me via escrevendo várias obras. Vati- cinou que no momento previsto pelo mundo espiritual eu co- nheceria um médium (era Mestre mesmo) que me daria a Ini­ ciação, tal qual eu fizera num passado distante, em outras ter­ ras, em outro setor filosófico-religioso. Antes porém, eu teria, como no passado (em outras vidas), de conhecer todos os as­ pectos de Umbanda, desde os mais simples aos mais comple­ xos, com os devidos Mestres. Embora não o tenha dito, quis dizer-me que não desde­ nhasse de nada, de ninguém e que, para aprender ou mesmo

O

33

S a c e r d o ie ./ J \A a g o

e. ]\A é d ic o

reaprender, teria de ter humildade, ser paciente, pois aprenderia desde os aspectos míticos, étnicos, culturais, sincréticos (que atendem às necessidades kármicas regionais ou superficiais), o que realmente aconteceu, começando pelos ensinamentos ím­ pares do Ernesto de Xangô. Mas quando ele disse que no futuro seria iniciado, que entendería a Umbanda em seus aspectos universais, essenciais, que teria importância capital na difusão dela, confesso que ouvi atentamente e guardei em meu interior, pois na época o que queria mesmo era estar no Candomblé do tio Ernesto (Obá Omolokan Adê Ojuba), Ernesto de Xangô Airá, para aprender os toques especiais nos ilus ensinados por ele mesmo. Após um ano e meio eu conhecia, pelos menos sabia identificar os vários toques e mesmo tocá-los, inclusive com os aguidavi (como se fossem baquetas ritualísticas compridas e finas). Além dos toques, aprendi a consagrar no axé os atabaques, algo maravilhoso e de singela relevância mágica-espiritual. Aprendi como consagrar para cada Orisha com os devi­ dos elementos para assentá-lo, pois segundo ele, os atabaques deveriam ser consagrados, assentados, pois os mesmos “comi­ am” como os orixás, sendo este um grande awô, de altíssima relevância, e os irmãos dos Cultos de Nação Africanos que re­ ceberam o deká sabem do que eu estou dizendo. Assim, aprendendo muitas coisas, falando um pouco da “língua de santo”, percebendo e respirando o fundamento, os ixés inesquecíveis, aprendi muitos erós, certos ofás, palavras mágicas-sagradas (mantras na verdade) que eram proferidas ora mastigando-se obí, ora outra erva e mesmo atarê (pimenta); conheci alguns assentamentos para EWE (folhas) e outros fun­ damentos importantes, e mesmo aprendi como se assentava o ixé (o mastro central do ilê); estava próximo de ser raspado, catulado, enfim iniciado.

34

T^amurnsidclhei .A iT a p ia g h a

$

Próximo aos meus doze anos, ele disse que eu não pode- ria mais fazer somente bori branco (havia feito vários boris sem sangue, menga ou ejé), haveria de começar a dar o bori verda­ deiro que eu sabia ser com sangue dos ejilê (pombo); antes po­ rém, fez o ritual de lavagem das contas; algo por mim jamais esquecido. Os colares de contas de 7 fios foram lavados com sabão da costa, colocados sobre umas ervas, sendo vertido sobre eles dendê, sangue do galo e ervas, as mesmas que eu utilizei no ariaxé (banho de limpeza). Depois deste rito de lavar as contas, tendo eu passado por uma série de aprendizados “teóricos” e principalmente práticos (danças, comidas votivas dadas no ossé, palavras sagradas — ofas etc.), foi marcado o dia do bori (dar de comer à cabeça, fortalecê-la) como também de eu raspar, catular, fazer o “santo” — que no caso era Ogum — , cujas contas eram azuis escuras, além de um de contas brancas para Oxalá. Tudo preparado. No dia anterior ao marcado para o ritual fomos para a roça, pois não iríamos deitar no roncó, mas num local contíguo. Ficaríamos em obrigação três dias, só dormiria­ mos na esteira, como só comeriamos comidas votivas, sendo que três vezes ao dia tomávamos banho de abô (que cheirava muito mal), mas que não passava pelo ori (eu não jogava na cabeça). Muito bem, eis que era chegado o grande momento! Ele se prepara, deixa-me sentado na esteira (cissa) e pró­ ximo a ela os pombos, o mel, o dendê, os galos, sabão da costa, navalha, comida votiva, vasilha de louça e barro, água, ervas, obé (faca) e obi, e os elementos para assentar o “santo”. Eu esta­ va, apesar de tudo, sumamente calmo, sereno, embora sob for­ tes e impactantes vibrações que não obstante faziam-me pro­ fundamente feliz. Parecia que estava em “estado de ere”

35

Sacefclo+e, .Mago e .Médico

Quando ia iniciar o ritual, ele fez sua invocação a Orungam e confirmou o odu. A seguir, nova jogada, e acontece o inespe­ rado, o imprevisto, pois segundo ele não podería dar corte no meu ori, pois além de eu ser um Babatundé (um ancestral reencarnado), era abicô (o santo já trazia a obrigação feita), mas precisaria dar ejé na terra, com muito omi. E assim não verteu sangue em meu ori, mas em meus pés, o que segundo ele repre­ sentava uma oferenda aos meus ancestrais, que não eram meus pais carnais, pois os mesmos estavam vivos; meus pés represen­ tavam os ancestrais (pé direito - pai; pé esquerdo - mãe). Como meus pés foram lavados com sangue, creio que meus guardiões ancestrais — os Exus, tomaram conta para que eu tivesse poderes (agbara) para pisar onde eu deveria pisar e piso (seria o sangue dados aos Eguns para vencer ijá). Quanto à “morte”, deve-se aos aspectos ancestrais desse respeitável culto, que estava permitindo que eu em boa paz de lá me retirasse para cumprir a missão, agora confirmando o Opelê Ifá que o Sr. Romualdo me dissera dois anos antes da data. Interessante que o tio Ernesto conhecia os “rudimentos” de Umbanda (Umbanda Traçada), mas principalmente do Catimbó, da Encantaria, onde com ele conheci Mestre Serapião, Mestre Marujo entre outros Mestraços ou Mestre do Catimbó, que quando baixavam diziam, lembro-me bem, estar acostando no médium. Muitas coisas aprendi, mormente nas garrafadas, nos fei­ tiços (bozós) e contra-feitiços, as firmezas da esquerda e as flo­ res com mel para as firmezas da direita. Nesta época vi, aprendi e vivi coisas impressionantes, im­ possíveis de serem descritas ou relatadas, mas com certeza ja­ mais esquecidas. O mesmo acontecia com certas Entidades da Encantaria (Caboclos Encantados, Orixás-Caboclos e outros) que segun-

36

M am unisiddka A rk a p ia g k a

do ele eram encantados. Mas muitos eram empregados dos Exus, enquanto outros nunca haviam nascido aqui na Terra, eram en­ cantados dos rios, do mar, do barro, da gameleira, alguns que

e uma

série de mulheres com nomes e atitudes estranhas. Enfim, achei tudo muito diferente da nação, mas confesso que tanto no Catimbó, como na Encantaria muito aprendi, muito vivi e, muito mais ainda vi. É, meus caros Irmãos Planetários estive lá e vi e como vi Ao encerrar este tópico quero agradecer a todas as Enti­ dades que tanto me ajudaram e ensinaram pela fidelidade, pois disseram-me que meu caminho seria outro, mas que não me esqueceriam, pois seríamos inseparáveis. Disseram que muito eu precisaria de auxiliares, e que quando o “penachudo” (Cabo­ clo) chegasse e trouxesse as “ordens e direitos de trabalho” jun­ to com os Exus, eles me escorariam por baixo, e que não temes­ se nada, estariam comigo com a permissão de meus guias espi­

rituais, que atuariam desde os planos da Encantaria (com os espíritos afins) até níveis inimagináveis por dentro da Umbanda. Lembro-me bem destas palavras; também disseram que eu te­ ria muitos amigos, mas que teria inimigos ocultos, de outras vidas, que de todas as formas tentariam inverter os conceitos que traríamos. Que ficássemos sempre em paz, pois a verdade vencería, mas a demanda das trevas, da mentira e da impostura seria grande, todavia venceriamos. É, bem Continuando, pois alhures explicaremos o que estas enti­ dades disseram, o que foi confirmado pelo insigne Mestre, Pai e Amigo W .W . da Matta e Silva, o Pai Matta, com quem tive a felicidade rara de ser iniciado e consagrado Médium-Magista, no grau de Mago, após convivência de dezoito anos. Lembro- me ainda das palavras das Entidades do Ernesto que diziam:

me lembro, diziam-se marinheiros das águas quentes

37

S a c e r d o t e ,

J^Aago e. A áéd ieo

“quanto mais alto o prédio, mais para baixo devem estar firma­ dos os alicerces”. O interessante é que muitos fenômenos fabulosos pre­ senciei in loco, outros via clarividência, que todavia não me cabe revelar. Quero deixar claro que Ernesto de Xangô era do culto de nação africano, havia sido iniciado por um Babalorixá famoso, que infelizmente não sabería dizer quem foi, mas como alguns outros respeitáveis irmãos do Candomblé, derivou para as prá­ ticas de Umbanda ou suas derivadas. No Culto de Nação os Orixás não falam, sendo que mui­ tos consulentes queriam mesmo conversar com os espíritos para resolverem seus problemas, fossem eles quais fossem, portanto não vejo nisto uma mistura, mas sim uma necessária e inteli­ gente adaptação, que já ocorre em quase todo Ilê Axé, de forma declarada ou subjacente. No término da dissertação sumarizada desta fase, não podemos deixar de registrar nossa eterna gratidão ao Sr. Romualdo e a todos do C.E.U. (Centro Espirita Ubiratan) pela atenção e desvelo a nós dispensados. Especialmente ao nosso querido Ernesto de Xangô (tio) pelo carinho paternal e pelos inolvidáveis ixés, assentamentos de santo, no dia do orunkó (dar o nome), quando o orisha dava seu brado (ilá), nos ossés anuais onde permitiu minha partici­ pação não só de forma passiva assistindo, mas ensinando-me a “botar a mão”, a práxis que tão útil me é nos dias de hoje. Por seu intermédio travei contato muito intenso com entidades do Catimbó e da Encantaria, às quais quero firmar minhas ho­ menagens, reverências, por tudo que me ensinaram e pela amizade Foi para mim uma honra iniciar minha jornada mediúnica com todas estas entidades e seus médiuns — Babalorixás, Tatas e tantos outros. A todos, muito obrigado em dimensão-eternidade.

38

V

yam un isi ddk a .Ark ap\agi\a x,

4a Fase - dos 12 aos 17 anos

J

Aquiescendo aos desígnios superiores como sempre fize­

mos, fomos direcionados à Tenda de Umbanda Xangô Kaô, ap ri­ meira tenda que conhecemos.

Por intervenção de minha mãe conheci a Tenda Xangô Kaô dirigida por Dr. Carlos Cruz (era médico), um Senhor baiano que fazia “Umbanda Branca”, segundo suas próprias palavras. Para mim era tudo muito diferente do que vivenciara com tio Ernesto no Candomblé, confesso que no início me senti

triste e desanimado, inclusive pela ausência dos toques e das danças que lá eram desconhecidos. Ele e sua esposa, Dona Helena, eram médiuns dos bons, tanto que ele, “incorporado”com o Caboclo da Luz, contou-me muitas passagens ocorridas lá na Roça do Ernesto de Xangô, acontecendo o mesmo com o Preto-Velho, Pai Julião, algo que

me animou

Foi nesta Tenda, que se situava na rua Lacerda Franco, próximo à rua Heitor Peixoto, que tivemos a primeira manifes­ tação mediúnica. A Entidade Espiritual apresentou-se em per­ feita incorporação (não temos consciência desse fato), mas an­ tes vimos uma luz forte e penetrante chegar. Não dava para identificar forma alguma, a não ser a intensa luz. A Entidade apresentou-se como uma criança, denominando-se Doum. No mesmo dia, quando seu Doum subiu, “desceu” em terra o Ca­ boclo Angarê de Ogum. Esse caboclo, segundo meus pais, logo foi cantando seu “ponto” e disse ter vindo em nome de Caboclo Urubatão da Guia que, quando eu estivesse preparado, assumi- ria a responsabilidade pelo meu mediunismo.

um pouquinho.

39

S>cxc.e.Y-Áo\e., ]\/\ago e Médico

A Tenda de Xangô Kaô era em um salão de uns lOm x 5m nos fundos da residência dos citados médiuns, sendo o cor­ po mediúnico formado por umas 20 pessoas. Lembro-me bem que havia poucas imagens, porém não me esqueço de ter visto a de “Jesus”, a de “São Jerônimo” em destaque, a de “São Jorge”, de “São Sebastião”, entre outras. Nesta abençoada Tenda fica­ mos de uns dois a três meses, portanto pouco tempo, mas re­ cordamos com saudades, pois foi lá que pela primeira vez cede­ mos nossa máquina física aos Mentores d’Aruanda. Ah! Que saudades!!! Onde estarão aquelas pessoas maravilhosas? Não importa onde estejam, o importante é que continuem maravi­

lhosas

Prosseguindo, pois como dissemos estamos sintetizando, na época encontramos por intermédio de amigos de meus pais o médium Antônio Romero — o Sr. Toninho. Médium ímpar de Caboclo Pedra Branca (Xangô), Pai Serafim, Pedrinho e Exu Tiriri.

Lembro-me bem que o conheci na casa dos amigos cita­ dos, quando vi pela primeira vez o Caboclo Pedra Branca. Este, quando chegou perto de mim contou muitas coisas que o mé­ dium com certeza não sabia, inclusive o “sundidé”, o sangue derramado nos pés (lá na Roça do Ernesto de Xangô), entre outras coisas. Após este dia, a seu pedido resolvemos acompanhá-lo em seus trabalhos, mesmo porque havíamos sido convidados pelo Caboclo Pedra Branca, que no dia afirmou sermos filho de

Elas continuam

Ogum

O Sr. Antônio Romero era motorista particular de uma abastada família do Ipiranga na rua Oliveira Alves, próximo à rua Silva Bueno. Seus patrões permitiram, pois também parti­ cipavam das giras, que um dos aposentos para os funcionários fosse cedido para organizar-se a Tenda de Umbanda do Cabo­

clo Pedra Branca.

(o que batia com o vaticínio do Ernesto de Xangô).

40

V a m w n is id d K a

.A r K a p ia g k a

X,

No local citado vimos o Caboclo Pedra Branca fazer ver­

dadeiros milagres, tanto desmanchando trabalhos de Magia Negra, como encaminhando pessoas desnorteadas, levantando os doentes, amparando os fracos, animando os desanimados e fortalecendo ainda mais os fortes. A partir daí começamos abrir nosso coração à Umbanda pois inútil seria negar os fenômenos

que presenciamos, como muitas outras coisas maravilhosas vis­

tas na clarividência

terra e que me fizeram amar as propostas da Umbanda. Sabia que ele, o Sr. Antônio, havia recebido a coroação por intermédio de seu Pai, Caboclo Guarantan.

Fazendo ele questão que eu conhecesse o cavalo do Sr. Guarantan, em um determinado dia fomos com o Sr. Antônio conhecê-lo. O local era no Brooklin, lembro-me que era próxi­ mo da indústria de máquinas Vigorelli, na época importantíssi­ ma fábrica de máquinas de costura (era na Rua Alvorada).

O Sr. Antônio Romero era uma pessoa simples, havia

nascido no interior paulista, era um verdadeiro “caboclo”, em­ bora de pele clara, com os cabelos já encanecidos, pois já estava alcançando a casa dos 60 anos.

O Sr. Roberto Getúlio de Barros, o “cavalo” do Caboclo

Guarantan e de Pai Sebastião do Congo era um “senhor” de aproximadamente 35 anos. Seus predicados mediúnicos na época foram a mim demonstrados pela sua clarividência apurada quan­ do, no mesmo dia, conversava com ele em sua residência e per­ guntou-me se estava com dor de cabeça. De fato estava, parecia que ela ia explodir. Apesar disto continuou a conversa e, quan­ do já conversávamos por uns quinze minutos, ele me pergun­ tou, aliás afirmou: sua dor de cabeça passou; realmente havia passado.

No dia que estivemos com o Sr. Antônio na casa do Sr. Roberto Getúlio de Barros, acompanharam-nos meus pais. Fo-

que sons, inexistentes aqui nesta

que cores

41

Sa ce rd o te ., JV\ago e ,/VAédico

mos no automóvel do Sr. Antônio, na verdade um Oldsmobile preto de propriedade da família Japhet. Lá chegamos por volta de umas nove horas, ocasião em que fomos muito bem recebi­ dos pelo Roberto e por sua consorte, a Sra. Cida. Num ambiente de paz, cortesia e alegria ouvíamos aten­ tamente as palavras do Sr. Roberto, do Sr. Antônio; realmente estávamos felizes, pois sentíamos que havíamos reencontrado velhos e grandes amigos. Ficamos lá por umas três ou quatro horas, e confesso que pareceu-me ser apenas uns 20 a 30 minutos. Como era tarde, agradecemos a recepção e quando íamos nos retirando, nos cum­ primentos, Roberto pediu aos meus pais e ao Sr. Antônio que me levassem na semana seguinte ao Templo de Sr. Guarantan na Rua Alencar de Araripe, no Sacoman, e que eu fosse com minha “vestimenta branca”. Realmente, na semana seguinte, como combinado, lá estivemos e pela primeira vez vi o Sr.

Guarantan; vi-o na clarividência

Para encurtar nossa dissertação, diremos apenas que o Templo era pequeno, seu piso era de areia do mar e coberto espiritualmente por verdadeiras constelações de entidades es­ pirituais de alta escol da Espiritualidade Superior. Ficamos tra­

balhando lá durante uns três meses. Só nos retirando porque os trabalhos terminavam muito tarde e, como estudávamos, não conseguíamos acordar. Assim pedimos um agô, e obtivemo-lo. Embora não fôssemos ao terreiro do Sr. Guarantan, não perdemos o contato com o Sr. Roberto. Com autorização dele e do Sr. Guarantan freqüentávamos na medida de nossas possi­ bilidades o terreiro do Sr. Pedra Branca, onde ficamos até 1967. No mesmo ano, 1967, fomos sem avisar visitar o terreiro do Sr. Guarantan, que agora estava funcionando na Av. Santa Catarina, 414, no Aeroporto. Neste dia o Terreiro estava lotado e ele, Roberto, não poderia ter me visto. Mas o Sr. Guarantan

que alegria!

42

0

VVmumsiddka j\Á\apiagl\a

^

sim, mandou chamar em voz alta o “cavalo” do Sr. Urubatão da Guia, dizendo que o mesmo era o chefe da falange A partir deste dia Sr. Urubatão da Guia iniciou sua tare­ fa, tal qual havia vaticinado o Caboclo Angarê, algo que o Roberto não sabia, mas o Sr. Guarantan, sim. Que pena que raros hoje possuam a mediunidade como a de um Roberto Ge- túlio de Barros, um Antônio Romero, de Dona Mercedes DTomasso e de Maria das Dores Francisco da Cruz, respecti­ vamente, médiuns do Caboclo Guarantan, Caboclo Pedra Bran­ ca, Caboclo Mata Virgem dos Astros e Caboclo Arruda. Muitos devem ter conhecido os médiuns Antônio Ro­ mero e Roberto Getúlio de Barros, com os quais eu tive a rara felicidade e o karma de mérito para junto deles trabalhar na Casa de Caridade do Caboclo Guarantan. Sim, na época, em­ bora com 17 anos, era um médium pronto para trabalhar no abençoado terreiro de Sr. Guarantan, onde também trabalhou o Sr. Antônio Romero. Fiquei neste abençoado e luminoso terreiro, que tinha mais de 100 médiuns, até quando fui consagrado e coroado segundo os fundamentos expostos e preconizados por Roberto Getúlio de Barros, que afirmava fazer uma “Umbanda Pura”, uma “Umbanda Branca”. Para lá acorriam milhares de pessoas todas as semanas, fazendo com que invariavelmente os ritos terminassem quase ao raiar do dia. Aproveitando a impossibilidade do Sr. Antônio Romero de ficar até altas horas, pois trabalhava todas as manhãs e bem cedo, e como eu estudava também muito cedo, em boa paz, pe­ dindo agô pelos motivos aludidos, me retirei. Permaneci com Sr. Antônio, que depois de uns meses montaria o templo do Caboclo Pedra Branca na rua Bom Pastor, próximo ao Sacoman;

43

Sacerdote/ Mago e A^édico

para ser bem exato, na sua subida, para aqueles que vinham da Via Anchieta. Ficamos por lá um tempo e também aprendemos muitís­ simas outras coisas; como tínhamos recebido a consagração e ordenação sacerdotal, pedimos um agô ao Caboclo Pedra Branca para montar nosso templo nos fundos da casa de nossos pais. Ele e Caboclo Guarantan deram-me o agô.

^ 5a Fase -

dos 17 aos 19 anos ^

Tínhamos obtido o agô de Caboclo Guarantan e de Ca­ boclo Pedra Branca, e dos dois médiuns, que eram excelentes, mui principalmente por suas entidades espirituais. Realmente, eram verdadeiros porta-vozes do Astral Superior, da Sagrada Corrente Astral de Umbanda e mesmo abrindo o Templo do Caboclo Urubatão e do Caboclo Arruda com a médium Maria das Dores Francisco da Cruz, continuei indo ao Templo do Sr. Pedra Branca (do Sr. Antônio Romero). íamos às 2as e 6as feiras, pois nas 4as feiras fazíamos a “gira em nosso Templo”, e assim fizemos até o final de 1969, quando o Sr. Antônio Romero desencarnou, devido a um Acidente Vascular Cerebral (derrame cerebral). Não mais nos esquece­ mos de seu desencarne, pois o mesmo ocorreu no dia 30 de Dezembro, sendo seu corpo inumado em 31 de Dezembro de 1969 às 17:00 horas, no Cemitério de Congonhas. Foi aí, somente aí, que começamos a questionar a morte. Que por mais que a evitássemos um dia ela teria de vir, não só para os outros, mas inclusive para mim. Na época isto terrificou- me, desolou-me. Cheguei a pensar se valia a pena nascer, cres­ cer, sofrer, adoecer e depois morrer. Com esta crise existencial, resolvi auxiliar a combatê-la e assim dediquei-me ainda mais ao espiritual.

44

y< a m u m s id d k a 7 ^ r K a p ia g K c i )(

Na época, com 19 anos, já freqüentávamos uma Faculda­ de de Engenharia pela manhã e a de Física à noite.

A Faculdade de Engenharia deveu-se ao fato de traba­

lhar com meu pai em um “ferro-velho”que se cogitava transfor­

mar em uma metalúrgica; por isso estava fazendo engenharia, seria engenheiro metalúrgico

Se gostava da Física, não estava nem um pouco satisfeito

com o curso de engenharia, e assim desisti. Resolvi, ouvindo meu íntimo, minhas predisposições naturais e as intuições de Sr. Urubatão da Guia, fazer medi­ cina, pois queria auxiliar na erradicação da dor e do sofri­ mento; constrangia-me pungentemente a dor do próximo, queria de todas as formas possíveis exterminá-la, manter a vida. Assim, depois de um ano de estudos intensos, ingres­ sava no curso de medicina. Infelizmente, nem sempre a medicina consegue sucesso contra a morte, pois todos que nascem, obrigatoriamente têm de morrer, eu só desejava que não morressem antes da hora e que quando morressem, o fizessem da forma mais amena, tran- qüila e natural possível. Talvez seja interessante o Leitor Irmão Planetário saber que quando trabalhamos na metalúrgica de meu pai, muitas vezes conduzi “o velho” Mercedes 1113 trucado ou a carreta Scania, mas mesmo assim encontrava tempo para o estudo (an­ tes de entrar na Faculdade de Medicina) e tempo para o lazer. Dos nossos estudos já falamos; quanto ao lazer, gostávamos de música e tocávamos bateria, tocando na noite e em alguns bons conjuntos (mas sempre não podia continuar por causa dos estu­ dos). Era um admirador do Jazz e da Bossa Nova. Enfim, mes­ mo sendo espiritualista não deixei de viver como todos. Toda­ via, o sentido da vida encontrava com os espíritos, com os quais não raras vezes conversava

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S a c e rd o te ., ]\A a g o

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M é d i c o

6a Fase - dos 20 aos 21 anos

v

Estudando ou trabalhando, nunca mais havíamos deixa­ do a Umbanda, pois nela encontramos nossa razão de vida, como também não tínhamos mais os vazios até então incompreensí­ veis e impreenchíveis. Foi nessa época que Sr. Urubatão da Guia pediu-nos para buscar um local fora da residência de nossos pais, e foi o que fizemos. O Templo no fundo de casa tornara-se pequeno, e já re­ cebíamos mais de 100 pessoas nos rituais das 6a feiras. Com o pedido do Caboclo Urubatão da Guia alugamos um prédio de

300 m2 na Via Anchieta 308, no Moinho Velho.

Para nossa satisfação e alegria, na inauguração — dia 28/ 07/1970, recebemos a visita do médium Roberto Getúlio de Barros, o qual tínhamos, na época, como um de nossos Mestres e ao qual devotávamos amizade, respeito e lealdade. Foi muita a alegria, o regozijo que sentíamos, principal­ mente por parte de nossos Mentores Espirituais, no caso o Mago do Cruzeiro Divino — o Caboclo Urubatão da Guia. Nossos ritos eram como são muitos atualmente. Possuía­ mos quatro atabaques; nosso peji tinha quatro imagens: Jesus, “São Jorge”, “São Sebastião” e “Yemanjá”, e era só. Eram dis­ postas de forma especial, mas o grande divisor de águas eram os Pontos Riscados, que eram diferentes, mas que Sr. Guarantan e Sr. Pedra Branca afirmavam ser “mironga” de Sr. Urubatão da

Guia, dizendo que só nos competia aceitar os mistérios revela­ dos por esse grande Mestre d’Aruanda. Dissemos divisor de águas, pois foi por causa desses si­ nais que em 1971 procuramos o escritor W .W . da Matta e Sil­ va.

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U am unisiddka ^ArKapiagKa ^

Expliquemos sucintamente, pois o que relataremos é a pura verdade, fundamental não somente para explicar o divisor de águas, mas para respondermos como chegamos à Umbanda em seus aspectos universais e por que escolhemos a Medicina como profissão. Portanto, pedimos a sua paciência, caro Irmão Planetário, pois melhor entenderá esta Umbanda; teu entendi­ mento te iluminará na percepção de tão agudos pormenores de minhas tarefas Sacerdotal-Mediúnica, Magística e Médica, que no fundo são as mesmas coisas, como veremos. Retomando, em 1970, quando da fundação e inaugura­ ção de nosso Templo, além de recebermos a visita de Roberto Getúlio de Barros (médium do Caboclo Guarantan), recebe­ mos outros Pais e Mães de Santo, inclusive o Sr. Isaías, que na época já contava com mais de 80 anos. O Sr. Isaías, o conhecíamos há anos, pois ele freqüentava uma loja de artigos religiosos e lá ficava praticamente o dia todo (na Rua Bom Pastor, próximo à Rua Silva Bueno). Era um crioulo desempenado de quase dois metros de altura, uma alma bondosa de predicados insofismáveis em seu coração, com conhecimentos irrefutáveis sobre a “Lei de Umbanda”. Alguns dias após a inauguração, conversando com ele, pois como dissemos, conhecia muito de Umbanda, disse-nos que há muito não ia a uma gira tão firme como a nossa e mais, que o Sr. Urubatão da Guia revelou a ele coisas maravilhosas, inclusi­ ve um segredo que ele mesmo havia esquecido, tanto o tempo que passara. Lembro-me dele dizer, estando próximo de uns dez “Pais de Santo” que estavam na loja: “olhe gente, esse menino que vai ser doutor, é bom mesmo no “santo”, fazia tempo que não via Caboclo pegar tão firme o cavalo, montar para valer. Estarei lá na próxima gira, pois Caboclo, além de me revelar algumas coi-

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Sacerdote, J V \a g o e .Médico

sas importantes, vai fazer-me um ajuste no ori, pois realmente eu preciso e só vou lá fazer, pois lá tem Caboclo mesmo. Olha menino, continue assim, a Umbanda precisa de pessoas como você, que não interfiram no trabalho do Caboclo e gostem da Umbanda, que queiram vê-la brilhar para melhor a todos aju­ dar

Quando estava dizendo a ele que não eram para mim os elogios, mas sim para o Caboclo, que se não “bambeava” é por­ que ele era bom e não eu, ele respondeu-me que sim. Que eu não ficasse envaidecido com que ele dizia, pois eu era bom mes­ mo, incorporava muito bem e com certeza alguma coisa a Umbanda me reservava, podendo ser que eu viesse a escrever. E disse-me: “você verá”!!! Quando ele disse escrever, incontinente olhei para a vi­ trine da loja que estava à minha frente e havia, na parte de bai­ xo, um livro de capa branca cujo título era Doutrina Secreta de Umbanda, do autor W .W . da Matta e Silva. Obvio que pedi ao vendedor para pegar o livro, obtendo o aval do Sr. Isaías, que afirmou ser o autor o melhor escritor de Umbanda. Pediu-me para ler com atenção redobrada a obra, mas que não deixasse de ler Umbanda de Todos Nós, do mesmo autor, que afirmou ser a “Bíblia” da Umbanda. Depois das reco­ mendações comprei, é claro, as duas obras. Abrindo Umbanda de Todos Nós, chamaram-me a atenção os encartes e os mapas, principalmente o da Lei de Pemba. Não é que os sinais que conhecíamos eram ligeiramente diferentes daqueles, mas havia profundas semelhanças?! Essas foram com­ provadas mais tarde quando encontrei-me com o autor, W .W . da Matta e Silva, o qual mostrou-me as variações, afirmando- me que os mentores espirituais têm uma “Pemba” na verdade similar à que ele havia transcrito no livro, pois a do livro era para alguns médiuns invocá-los. Os guias espirituais podiam

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Tam unisiddha A ^ h ap iagk a

x,

traçar sinais que obedeciam a flecha, a chave e a raiz, todavia diferentes dos sinais do livro. Retornando àqueles idos tempos, antes de conhecer o “Pai Matta” e após a leitura às pressas dos dois livros, não tivemos dúvidas. Fomos ao encontro do autor, pois sabia que o conhecia

e precisava que ele me iniciasse, me consagrasse. Ele era um

Mestre consumado, e eu precisava de sua benção e de sua Inici­ ação, conforme reza aTradição de Síntese, a qual para ser trans­ mitida só pode ser de Mestre para Mestre, num encadeamento de consagrações que se perdem nas noites do Tempo. Na verdade, fui buscar o ashé, os siddhis que só um Mes­ tre Espiritual pode transmitir, e feliz daquele que encontra o verdadeiro Mestre da sua atual existência.

Sou feliz e realizado, e também bem-aventurado por ter encontrado um verdadeiro Mestre; que ele me abençoe sempre, pois hei de louvá-lo eternamente. Após esta sincera exortação ao Mestre continuemos e ve­ jamos como foi nosso primeiro contato com ele, comigo mesmo.

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V

7a

Fase - dos 21 aos 38 anos

reencontro com o Mestre (W .W . da Matta e Silva) foi

o reencontro comigo mesmo desnudo das limitações do espa-

ço-tempo. Abria-se a dimensão-mediunidade. Numa tarde de 1971, após chegarmos ao Rio de Janeiro, nos dirigimos à rua Sete de Setembro, onde pela primeira vez encontramos o Mes­ tre Matta e Silva. Estávamos ansiosos, pois esperávamos obter o telefone ou mesmo o endereço do autor de Umbanda de Todos Nós e, para nossa surpresa o encontramos pessoalmente na Livraria Freitas Bastos, na época a editora que detinha os direitos de publicação das obras de Matta e Silva.

O

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Sacerdote, TVlago e Médico

Sinceramente, quando o vimos não nos surpreendemos, pois sentimos que mais que um encontro, era um reencontro, logo confirmado por ele, que nos disse:

— Há tempo que te aguardo, por que demoraste tanto? Ficamos perplexo, deslumbrado, pois no dia citou, sem nunca nos ter visto, algumas funções importantíssimas das en­ tidades espirituais que nos assistem desempenhavam, como outras importantíssimas constatações. Afirmou que havíamos vindo do “Candomblé” e o por­ quê de nossa cabeça (ori) não ter sido “banhada” com sangue (menga, ejé). Contou-nos detalhes do Candomblé do tio Ernesto e que o mesmo tinha um catimbó que havíamos fre- qüentado, que a priori era um Candomblé de Caboclo, derivan­ do para as encantarias e outras amalgamações (que hoje sei se­ rem importantes). Revelou-me que realmente deveria ter começado pelos Cultos Africanos, pois no passado havia sido um Sacerdote ou Mago dos oráculos — Babalawô em plagas da África Ociden­ tal, embora houvesse em tempos mais remotos vivido em plagas geladas no sopé do Himalaia. Muito chamou-me a atenção quando ele perguntou so­ bre uma moça que eu havia namorado, descrevendo-a pormenorizadamente. Interessante que, ao descrevê-la, disse- me também que o genitor dela levava sempre no bolso da cami­ sa um cravo vermelho. Realmente, era tudo como ele havia des­ crito.

Depois dos primeiros contatos por nós descritos, robus- teçamos o quadro mental; para tanto, tentarei ser mais minuci­ oso na narrativa de nosso primeiro encontro (reencontro) até o dia em que vimos seu corpo ser inumado em Itacurussá, em 17 de Abril de 1988.

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YLmwmsiddha j\vU.ap\agU.c

A Iniciação e as V ivências com o M estre

“AIniciação não se resume a ensinamentos e ri­ tos, mas às vivências que a mandala do Mestre des­ perta no discípulo preparado.

Yamunisiddha Arhapiagha

Relatando o convívio iniciático que tive com W .W . da Matta e Silva (Mestre Yapacany) durante dezoito anos, na pre­ sente existência, não estou negando o valor dos outros que o antecederam em nossa “Iniciação”. Seus antecessores despertaram-me, cada um à sua ma­ neira, para o Sagrado, que desde tempos remotos eu vivenciara. Levaram-me ao conhecimento dos aspectos periféricos, porém necessários do Sagrado, sem os quais não teria reencon­ trado Mestre Yapacany, o qual proporcionou-me o feliz ensejo de reencontrar-me comigo mesmo.

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Sacandote, Aáago e Aáédico

Este reencontro comigo mesmo abriu o portal de minhas várias existências em várias plagas do planeta, onde vivi o Sa­ grado manifesto no Sacerdócio, na Magia e na Medicina (como Mestre Tântrico Curador - curador das mazelas do mundo). Sabia que havia algo em mim (espírito) que era imortal, eterno, e isto me acalmava. Resignado, pensava por que tantos desencontros, se todos éramos iguais no nascimento e na mor­ te; possuíamos algo em comum, estávamos intimamente liga­ dos, mesmo àqueles a quem não conhecia. Então, por que as desavenças e as desigualdades? Compreendi que embora cada um tivesse seu destino, as dores eram de todos; portanto haveria de colaborar na sua erradicação, pois a sentia como se fosse minha. No reencontro com o Mestre Yapacany, voltei a sentir as mesmas coisas, não que ele tenha me falado algo neste sentido. Suas lições foram inarticuladas, tácitas Relembrei-me que, embora extrovertido e bem aceito no grupo, fora um adolescente que pensava no espiritual, pois des­ de cedo houvera tido contato com o mundo dos espíritos, in­ clusive, como disse, pela vidência e, principalmente, pela clari­ vidência. Além de estudar, praticar esportes, sempre questionava os grandes enigmas do mundo, principalmente as doenças. Por que nascíamos se depois morreriamos? Todo nasci­ mento implica em morte; seja esta como for, traz sofrimento, senão ao indivíduo morto, mas aos que ficam. Por que a união e depois a separação? Isto tudo me fazia, muitas vezes, ficar alheio ao mundo externo com seu “burburinho”, para debruçar-me longamente em meu mundo interno, buscando respostas para o grande de­ safio — a vida.

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^am unisiddka ^KrUapiagUa

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Talvez questionasse tudo isto pois o vivenciara em várias e várias existências, algo confirmado e esclarecido por Mestre Yapacany. Após este mergulho em nossas reminiscências, que na época foram trazidas à tona pela simples presença dele, que­ remos reiterar o quanto nos foi importante o seu mestrado em nossa vida, em nossa Iniciação (são a mesma coisa). Sua clarividência apuradíssima (atemporal) proporcionou- nos verdadeiro êxtase espiritual. Assim fê-lo, pois sabia que pau­ latinamente iríamos deixar a forma e penetrar na essência; sere­ na e silenciosamente nos preparava para outras realidades. Alinhavou o porquê de termos sido sacerdote, mago e médico no passado, algo recorrente no presente pois nosso karma pedia que assim fosse, e que na presente encarnação estivésse­ mos em missão no Brasil. A conversa foi longa, muito longa, e era tão real que me vi em várias épocas, nos quatro cantos do planeta, em vários seto­ res Filosóficos, Artísticos, Científicos e Religiosos, mas sempre interessado no tratamento das doenças da sociedade, do ho­ mem, do corpo e da alma. As revelações concedidas pelo meu próprio “eu” fizeram com que visse no Mestre Yapacany o Mestre do passado, o Mestre consumado, sendo ele o único a transmitir-me a Inicia­ ção, o que para mim significaria reunir o passado ao presente, cumprindo com alegria a tarefa a mim destinada. Muito se poderia dizer de Iniciação, como também nada O tudo e o nada na Iniciação neutralizam a dualidade, reme­ tem à unidade. Nas outras obras de nossa autoria explicamos o relacio­ namento Mestre x Discípulo. Nesta, quero reiterar o porquê de nossa Iniciação ser com Mestre Yapacany e de a mesma aconte­ cer na Umbanda.

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S a c e rd o te ./ J\A a g o e J V \é d ic o

Primeiro reitero, como venho fazendo há 40 anos, que escolhi a Umbanda, pois Ela é universalista, mesmo que muitos não A percebam como tal, preconizando-A como um apêndice das Tradições Africanas, denominando-A de religião afro-des- cendente. Respeitando os que citam a Umbanda como sendo afro- descendente, achamo-La Universo-descendente, não estando interessada na Tradição de uma só raça ou etnia mas em todas,por­ tanto, universalista. É do negro, do mestiço, do amarelo, do branco, de todos nós E tão universalista que sua Tradição se edifica nas mu­ danças constantes; está sempre penetrando em novos ângulos da Realidade, que é uma marcha, um processo, uma espiral cons­ tituída de ciclos e ritmos, até o momento de neutralizar-se com­ pletamente a ilusão, penetrando-se na Realidade Absoluta. O Espirito é a única Realidade imutável. Se dissermos isto ser dogma, estaremos afirmando, por absurdo, que a Reali­ dade Absoluta também o é, pois a mesma é o próprio Espírito. Deixando as digressões metafísicas que gostaríamos de continuar, penetremos sem mais delongas nos meandros de nossa Iniciação. Quando reencontramos o Mestre, queremos relembrar ao Irmão Planetário que havíamos fundado nosso Templo em 1968, nos fundos da casa de meus pais, onde permanecemos até os idos de 1970, nos mudando no mesmo ano para um prédio si­ tuado na Via Anchieta, 308, no Sacoman. Conversando seriamente, Mestre Yapacany disse-me es­ tar cumprindo o determinado, consolidando nossa Iniciação. Era o Mestre de que precisávamos, pois teríamos de receber a Consagração, encadeamento de egrégoras consonantes astralizadas que eram transmitidas desde o início dos tempos.

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V am um siddka A rk ap ic ^ k a

Mestre Yapacany insistiu em dizer-me que eu era um Mestre do passado reencarnado, e que ele só nos tornaria con­ sagrado, consumado, segundo os desígnios do Astral Superior. Suas palavras ainda ecoam em meus ouvidos; disse-me que eu era um Mestre Espiritual em missão no Brasil e que nas duas últimas reencarnações havia reencarnado em Terras oci­ dentais (não no Brasil) para me acostumar vibratoriamente com a presente existência em solo e astral brasileiros, já que era “oriun­ do” de outras plagas. Estas revelações me foram importantíssimas, pois deram- me o substrato, o fio de Ariadne para penetrar em meu destino por intermédio da simplicidade e humildade do “Terreiro” de Umbanda. Na época, o terreiro de Mestre Yapacany em Itacurussá era uma edificação de uns 50 m2. O lugar reservado às coisas espirituais tinha o piso de areia. O reservado aos consulentes ou assistentes tinha uns cinco ou seis bancos toscos e só. O peji tinha os sinais sagrados com as Ordens e Direitos estendidos a ele por Pai Guiné (Mestre Yoshanan), encimado por uma efígie de “São Miguel”. No solo havia algumas efígies simbólicas de “Caboclos” e “Pretos-Velhos”, mas todos sobre uma madeira onde estavam riscados os sinais da Lei de Pemba. Com o passar do tempo estas estatuetas foram retiradas, sendo levadas a um local que chamávamos “Casa das Almas”, nos fundos do terreno onde se localizava o “terreiro”. Nesse ter­ reno, à direita de quem entrava havia uma casinhola com os assentamentos dos Exus Guardiões onde havia sinais riscados, velas, aguardente, ponteiros, mas nenhuma estátua que repre­ sentasse este ou aquele Exu. Após a retirada das imagens, inclusive a de São Miguel (Mikael), só restou a efígie de Jesus Iniciado, pois estava coroa-

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S>c\ce.vdo\e., J V [a g o e

M é d ic o

do de espinhos, muito significativamente encimando todo o peji, demonstrando que aqueles que desejassem a “coroa” soubessem que a mesma é amor, dedicação, doação e nunca privilégio. Descrevendo e relembrando o saudoso e iluminado tem­ plo da extinta T.U.O. (Tenda de Umbanda Oriental), não po­ deriamos deixar de citar o pioneirismo da produção literária de Mestre Yapacany. Na época, sua produção literária era muito superior a qual­ quer outra existente e isto citamos não por proselitismo, mas por mera constatação, principalmente por causa dos portento­ sos livros que me levaram até Itacurussá: Umbanda de Todos Nós,

D outrina Secreta de Umbanda, Sua Eterna Doutrina, Lições de Umbanda (e Quimbanda) na Palavra de um Preto Velho, Segredos

da M agia de Umbanda, Umbanda e o Poder da

M ediunidade,

Macumbas e Candomblés na Umbanda e, fmalmente, um com­ pêndio sintético — Umbanda do Brasil.

Os aspectos práticos externos, em verdade, não confir­ mavam a teoria, pois aquela seria uma fase ulterior; a maioria, embora percebesse que os fundamentos eram transcendentais e universais, se demorava ainda na forma do “terreiro”, algo natu­ ral para a época. Poucos se interessavam pelos aspectos iniciáticos, subje­ tivos, se demorando na forma, no objetivo, no externo, segundo palavras do próprio Mestre. Muitas vezes conversando com o insigne Mestre Yapacany, dizia-nos, contristado, que a maioria estava interessada em seus dons mediúnicos, em receber esta ou aquela mandala, este ou aquele fundamento ou eró (principalmente se fosse de Exu), mas raríssimos interessavam-se em conhecer-se melhor, em entender a profundidade da vida, os motivos de suas próprias dores, as do mundo, enfim, para a maioria a Iniciação não era o conhecimento de origem das coisas ou de si mesmo, mas do

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Mamumsiddkci j\A\ap\agWa $

exterior, do mundo objetivo, o que de sobejo sabemos não ser este o mote da Iniciação Superior. Com a exposição fica patenteado que na época valoriza­ va-se mais o “terreiro” (que também era e é importantíssimo) do que o Templo (que ainda seria erigido). Terreiro significa terceirizar os problemas, entregar a alguém a resolução que com­ pete só à pessoa. O Templo, ao contrário, traz responsabilida­ des; o Mestre consumado que deseja o melhor a seus discípulos é um vergastador de egos, algo raríssimo na atualidade, que di­ zer há 30 anos. A Iniciação não é algo prosaico, requer decisão, convic­ ção no Sagrado e certeza de que nossa essência imortal se ma­ nifesta em corpos mortais. Estes, embora mereçam cuidado e respeito não devem ser tidos como imortais, pois esta é a maior inversão de valores, sendo o maior óbice à Iniciação. Após estas ligeiras elucubrações, que sutilmente demons­ tram as diferenças fundamentais do Mestre Espiritual, não há dúvidas que o pioneiro nesta denominação e aplicação na Umbanda foi W .W . da Matta e Silva, o qual iniciou e elevou alguns de seus discípulos ao grau de Mestre de Iniciação. Por sua vez, seus discípulos Mestres de Iniciação iniciaram outros Mestres sob a égide de uma sólida Tradição que esbarra nas noites do tempo Portanto, não podemos negar a primazia do Mestrado em Umbanda a Mestre Yapacany e, aposteriori , a seus Iniciados no grau de Mestre de Iniciação, queforam apenas sete. Atualmente, outras Escolas ou Segmentos de Umbanda, se assim denominarem seus Iniciados, não podem negar que estão seguindo as revelações ofertadas por Mestre Yapacany, mesmo que seus Fundamentos sejam completamente diferen­ tes dos preconizados por ele — os da Augusta Corrente Astral

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S a c.e .rd o íe ., .Mago e Médico

de Umbanda no Brasil e, no mundo, da Confraria Cósmica de Ombhandhum. Prosseguindo, seremos breve em nossas citações, pois este excerto não comportaria e nem suportaria as vivências-experi- ências proporcionadas pelo relacionamento com nosso Mestre Espiritual — Mestre Yapacany. Como afirmamos, a Iniciação não se resume a conheci­ mentos, ritos ou fundamentos transmitidos por um Mestre con­ sumado ao discípulo preparado. Isto é epidérmico, periférico, pois a Iniciação é algo interno, do interior do indivíduo, sendo que ritos seletos e secretos são catalizadores ou mesmo galvanizadores de vivências passadas, resultado de um karma, de uma missão que deve continuar nesta e em outras existênci­ as.

O que posso afiançar a todos é que conheci muitos Fun­ damentos, mas o eró, o awô não é transm itido por ritu ais ou pela p alav ra do M estre, maspor sua m andala. O discípulo o in tu i e sob estes influxos consolida sua Iniciação e constrói sua m andala pesso­ al.

Para não divagarmos, pois estamos escrevendo ou ten­ tando retratar aspectos seletos e reais da Iniciação Superior, queremos ressaltar que a mandala do Mestre Yapacany desper­ tou-nos o pretérito que se une ao futuro. Primeiro, vi-me em “terras americanas”, há centenas de milhares de anos, no seio da Raça Solar — o Povo de Cristal — que seria esquecida, como a Raça Vermelha, que era sua rema­ nescente. Que áureos tempos de paz e luz! Esta era é muito anterior à Atlântida, muitas vezes citada por Platão e outros sábios que o antecederam. Na Atlântida, em seu “Reinado da Luz e da Glória”, fui um Sacerdote-Médi- co que cultuava o Sagrado, a Religião Cósmica, a qual era a

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Yamunisiddhci j\À\ap'iagl\a k

panacéia do esculápio, do mago e do sacerdote daqueles áureos tempos, em que atendia pelo nome Neshthale. Vi-me em plagas asiáticas, como um humilde Sacerdote da Mongólia; igualmente, em terras do Indo, Asceta e Médico Vedanta Advaita e mesmo um Yogue que praticava e respeitava todas as Escolas de Yoga, mas principalmente, a Bhakti Yoga, a Jnâna Yoga e o Tantra Yoga. Deixarei de citar os nomes das várias personalidades por mim vivenciadas pois são esteios para minha pequena, mas árdua tarefa a cumprir. Em obediência à Lei dos ciclos e ritmos que rege nosso planeta e nossa existência, deixei as terras gélidas de Ásia e fui ter em terras tépidas de África, onde novamente fui Sacerdote, Mago e Médico devotado a Iphá em Ifé, onde tinha a dijina de Iphat’osho Metalofm Alaba Ogunjá. Então, por intermédio da caída dos ikin, no opon, traçava o destino dos seres, seu kpoli, seu odu pessoal. Ah! que bons tempos de vivência pura e plena do Sagrado — do Mundo Divino, o Reino dos Orishas no Orun e no Aye. E assim, rodando sobre o destino, no pião do universo, vi-me emergir mais uma vez no topo do mundo, nas terras das neves, onde retomei e reencontrei a paz, o amor, a sabedoria da compaixão, a Senda do Caminho, o Mantra Secreto, enfim no Tibete vivi a pureza da vida dedicada ao Sagrado (como Mahasiddha), à medicina, à cura e autocura tântricas — lou­ vando todas as Escolas e participando da formação de outras onde, em nome do Rei do Mundo, venerava a Siddartha Gautama — o Buddha Shakya Muni e sua Linhagem de Buddhas Primevos. Em rápidas, sutis e descoloridas pinceladas colocamos na tela vivencial uma pequena seqüência de nossa odisséia, que tor­ nou-se consciente com a Iniciação. Portanto, espero com isto ter reafirmado que a Iniciação se encontra totalmente afastada

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Sacerdote, /VGg0 e Médico

das glórias do mundo e de suas honrarias. Aliás, isto tudo é oposto à Iniciação, ao reencontro com o Sagrado, com a essên­ cia espiritual que não pode ser conferida por nenhuma mercê, mas somente conquistada por aqueles discípulos despertos. Assim, peço escusas ao Leitor Irmão Planetário por ser lacônico nestas informações, mas é isto mesmo, os Iniciados longe se encontram da ribalta, embora respeitem quem a dese­ je, mesmo que seja ilusória. Isto também cederá, a nós compete tolerância, compreensão e amor a todos. Ritualisticamente, fui consagrado em Itacurussá, em 28/ 07/1978, no grau de Mestre de Iniciação, num ritual singelo e singular, mas de farta assistência espiritual, principalmente pe­ las presenças de Mestre Yoshanan (Pai Guiné D’Angola) e Mestre Arashamanan (Urubatão da Guia). Na época tínhamos 28 anos de idade (anos terrestres), completávamos nosso primeiro ciclo solar e o quarto ciclo lu­ nar. Tanto o sete (as Potestades) como o quatro (os elementos), são a meta do Iniciado, pois se utiliza do Poder Espiritual para atuar na Energia (nos quatro elementos — originário do Éter) (Magia Etéreo-Física). Nessa época, em 1978, tínhamos nosso Templo no mes­ mo local onde edificamos nossa primeira “tenda” em 1968, na Rua Lord Cockrane, 613, no Ipiranga. A Primeira Tenda, fundada em 1968, funcionava sema­ nalmente, às 4a feiras, no fundo da casa de meus pais, num re­ cinto de uns 10m2, sendo que os consulentes ficavam no corre­ dor.

No ano de 1973, construímos no pomar da casa citada um recinto de uns 70 m2, onde recebíamos mais de 150 pessoas. Neste local ficamos até o final de 1980, quando mudamos para a rua Chebl Massud, 157, onde estamos até os dias atuais.

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\^amunisiddKa j\rl\ap'\agl\a $

Interessante como o “astral” encaminha as coisas. O tem­ plo da Chebl Massud era de um ex-discípulo do Mestre Yapacany, Eduardo da Costa Manso, e o que é mais incrível, ele havia conhecido e sido “filho de santo”do tio Ernesto, o Ernesto de Xangô. Nos fins de 1980, em dezembro, nos mudamos para a Travessa Magalhães 681, onde nos encontramos até hoje (lá há os três templos públicos). Além das mudanças que ocorreram neste período, queremos citar que o nome da rua hoje é Chebl Massud, 157, Agua Funda, São Paulo. Haveriamos de narrar muitos acontecimentos ocorridos neste período, em que íamos a Itacurussá uma vez por mês, e mesmo das muitíssimas vezes que nosso Mestre esteve nos hon­ rando com sua presença em nosso Templo. Uma de suas vindas foi-me profundamente significativa, pois seria o início de uma tomada de posição que só mais tarde seria entendida e confirmada, portanto, mais uma vez penetre­ mos na estrada do tempo e recuemos aos idos de 1983. Numa quarta-feira, julho de 1983, estávamos completando trinta e três anos de vida terrena na presente existência. Qual não foi nossa surpresa quando vimos Mestre Yapacany e sua esposa (Salete) entrarem porta a dentro em nosso templo, para­ benizando-nos ao mesmo tempo que presenteava-nos com um “presente do passado e do futuro”. Sim, após os cumprimentos e a forte comoção que conta­ giou o templo, Mestre Yapacany nos pediu para abrir o presen­ te. O mesmo estava embrulhado em papel de presente, mas sua forma era a de um retângulo de uns 50 x 40 cm, com menos de 5 mm de espessura. Claro, só poderia ser um pedaço de madei­ ra, e quando abrimos constatamos ser o Ponto Riscado de Pai Guiné d’Angola em que ele, Mestre Yapacany, recebera como

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Sacerdote., ]\/\a g o e .AAédico

suas Ordens e Direitos de Trabalhos (Ordenação Superior) em

1946.

No verso dos Sinais Riscados de Pai Guiné, estendido ao insigne Mestre, ele nos escreveu:

“Filho de meu “Santé”, coroado na Raiz do Pai Guiné d’Angola. Sei que coisa alguma material seria mais importante a você ou seria tão marcante para o seu consciencial do que os sinais que estão grafados nesta simples área de madeira. Nesta data do teu aniversário, transponho os sinais ou os sig­ nos da L ei de Pemba do P ai Guiné (As Ordens e D ireitos de Traba­ lhos que Ele próprio riscou, em perfeita incorporação sobre mim, em 1946), comoprova de minha estim a epara que você tenha, “on­ tem, hoje e sempre”, este amparo de corpo presente na suajo rnada espiritual e mediúnica. ” Não temos nada a acrescentar a não ser agradecer ao inolvidável Pai, Mestre e Amigo pela sua sabedoria milenar e pela honra a mim concedida de ser seu discípulo, por ter-me

aceito em sua luminar e coroada mandala. Finalizando a narrativa deste sublime momento de mi­ nha eternidade, reitero o que escrevi em outras obras. Na oca­ sião, tínhamos as Ordens e Direitos de Trabalhos que Caboclo Urubatão da Guia nos estendera. Sobre esses sinais colocamos os de Pai Guiné, que lá permaneceram até o final do ano de 1995, algo que alhures explicamos. Prosseguindo, em 1984 fomos convidados a escrever num matutino paulistano um artigo semanal. Escrevemos exatamente

52 artigos, na ocasião bem aceitos pela Com unidade

Umbandista, principalmente pelos adeptos e simpatizantes dos conceitos propugnados por Mestre Yapacany. No mesmo rumo, fomos entrevistados pela Revista Pla­ neta onde em várias páginas esmiuçamos os fundamentos do Opele e Opon Ifá. Foi um sucesso, pois recebemos centenas de

62

yamwmsiddka A T apiagha

>(

cartas, muitas das quais repassamos ao Pai Matta (Mestre Yapacany), e outras mais de Irmãos de Fé que tivemos a honra de conhecer na Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino, quando nos presentearam com sua visita. Outro artigo de impacto foi no jornal “O Estado de São Paulo”, quando o jornalista Jary Cardoso escreveu que - “o Cardiologista F. Rivas Neto, também Sacerdote de Umbanda há 15 anos, afirma que o divã do psicanalista foi trocado pelo banquinho de Preto-Velho”. Como podemos constatar, Mestre Yapacany na época dava-nos total apoio, tanto que em meados de 1987 enviamos a sua apreciação a obra Umbanda a Proto-Síntese Cósmica, psicografada pela Entidade Espiritual que se identificava como Caboclo Sete Espadas Também enviamos Umbanda Luz na Eternidade, que, assim como a obra anterior, fora psicografada pela mesma En­ tidade Espiritual. Pai Matta disse-me, nos idos de 1987, que gostara muito das duas obras, as quais eram revolucionárias (vide prefácio es­

crito por Ele em Umbanda —A Proto-Síntese Cósmica), que se­

riam um marco importante para a Umbanda, afirmando-me que estava feliz em saber que sua obra continuaria e seria des­ dobrada, pois os tempos eram chegados, e maiores esclareci­ mentos eram inadiáveis. Nesse mesmo ano, 1987, uma Entidade Espiritual que

escreveria o livro Exu — O GrandeArcano, o Exu Sr

que a árdua, penosa mas iluminada tarefa de Mestre Yapacany estava em seu epílogo. Ao vitorioso as loas da glória! e Ele mais uma vez havia sido vitorioso, venturoso

Não quisemos acreditar, pois nosso Mestre era o esteio da Umbanda, aquele que havia modificado a opinião de leigos e doutos sobre os Fundamentos da Umbanda de todos nós, mas eis

disse-nos

63

Sacerdote, Mago e .Médico

que não demorou sete dias e Ele me chama para ter uma con­ versa lá em Itacurussá. Como sempre fizemos, aquiescemos e

partimos para lá. Lembro-me bem, era novembro de 1987. Num crepús­ culo de tarde ensolarada eis que chegamos, felizes como sem­ pre, a Itacurussá, à rua Boa Vista, 157, no bairro de Brasilinha, local de sua residência e da famosa Tenda de Umbanda Orien­ tal (T.U.O.). Como sempre, a emoção tomava conta de nosso “Ser Es­ piritual”, pois mais uma vez estaríamos revendo o ser encarna­ do que tínhamos como a luz norteadora da nossa vida, nosso

Mestre

Silva, nome de um Presidente dos Estados Unidos da América, um cidadão do mundo nascido em Garanhuns, Pernambuco. Interessante que, embora emocionado espiritualmente como sempre ficara e com uma certa ansiedade em revê-lo — apesar de nos falarmos por telefone todas as terças-feiras em que ficava no Rio, na Livraria Freitas Bastos (e isto fez por mais de 15 anos), desta vez estávamos calmos, serenos, mais que o habitual. Diria estar pensativo, ensimesmado, mas repito, cal­ mo, tanto que quando o vi abracei-o, pedi sua benção e ele, sem rebuços, convidou-me para ir ao congá e a seguir ao recinto contíguo ao templo, que denominávamos “suíte presidencial” (um recinto de uns 5 m2), onde muitas vezes tivemos o privilé­ gio de lá recostar nosso corpo após as inolvidáveis “Giras de Pai Guiné”. Perguntou-me sobre a viagem, sobre a família, sobre a medicina, mas principalmente sobre a “Ordem”, o templo e de­ pois de ouvir minhas respostas, disse-me que havia me chama­ do pois o Pai Guiné queria que fosse a São Paulo fazer um ritual de transmissão, e que eu me apressasse, pois também sa­ bia que seus dias terrenos estavam terminando.

milenar travestido na roupagem de W .W . da Matta e

64

\GmLmisicldka yVkapiagka

Falou-nos com serenidade, com naturalidade, tendo certeza de que estávamos preparado. Todavia, percebendo que eu sentiría sua falta, lembrou-me do presente que me ofertou em 1983 — os sinais ou signos sagrados da Lei de Pemba que Pai Guiné grafara em 1946 como sendo suas Ordens e Direitos de Trabalhos, onde

dissera-me, “que eraprova de sua estima, e também era um amparo de

corpopresente

Pronto,

entendera tudo mais uma vez a Lei Di­

vina manifestando-se, afirmando que a transitoriedade atende a

evolução

do

que a mudança é a constante do mundo, move o mun­

termina um ciclo, hora de recomeçar.

Estávamos os dois frente a frente, o que era e o que seria, a própria dialética da vida, o velho vendo no novo sua “imorta­ lidade”, sua permanência. Esta é a Lei da vida, falou-me sem dizer nenhuma palavra à audição grosseira, mas ao espírito que a tudo sobrevive, pois ele é o Imutável, a Verdade Absoluta e Suprema.

Sobre o Ritual de Transmissão, temos pouco a dizer, pois já o fizemos em outras obras. Como dissemos, não são os ritos, mas sua oportunidade que consumam aqui no mundo das for­ mas o que já era no mundo da essência. Para não ser tácito ou mesmo lacônico, diremos que o im­ portante do Rito foi, quando mediunizado por Pai Guiné, ele me

deu a “Taça de Vinho”(a essência, o espírito das coisas) e me disse:

“Bebas da Taça Sagrada que dei ao meu aparelho; ao beberes, se­

que

guirás o determinado. Nunca deixes o vinho faltar na Taça ”

O leitor, sagaz como é, deve ter percebido que quando disse para beber do vinho quis alertar-me para que nunca me esquecesse da essência das coisas (vinho). E, ao afirmar que podia beber da Taça Sagrada de seu aparelho, consumava a Tradição Mestral, sobre a qual selo meus lábios, mas afirmo que Ele, o Pai Guiné, pediu-me que deixasse os Sinais ou Signos Sagrados de

Orixalá e todos os Sete Orixás te abençoem sempre

65

S a ce rd o te .; JV\ago e .M éd ico

Pemba que me dera em 1983 até o sétimo ano após a passagem de seu “cavalo” a outras dimensões da vida e que colocasse as Ordens e Direitos que Sr. Urubatão da Guia havia me concedido.

D esde aquele dia (07/12/1987) a té os dias atuais nunca dis­ semos o quefiz em os com os sinais sagrados que Pai Guiné, p or in­

term édio de M estre Yapacany, nos outorgou; continuarem os centes

reti­

Encerramos este excerto inicial lembrando que em abril de 1988, em obediência às leis que regem a vida, Mestre Yapacany desencarnava em plena paz. Não desencarnava, ape­ nas seu “corpo sutil” deixava o escafandro, libertava-se para al­ çar vôo, mais uma vez com as glórias de um vencedor indômito. Mestre Yapacany — concretizador da Sabedoria do Mun­ do dos Aráshas (Orishas) — grato por sua dedicação ao nosso planeta, pelas lições deixadas que, se seguidas, farão de todos nós cidadãos planetários felizes e realizados, construindo um mundo de glórias, de homens-espíritos bem-sucedidos, pois não haverá mais desigualdade, não havendo conflito, guerra e mor­ te fratricida. Que as bênçãos da Tua Luz iluminem nosso mundo in­ terno, e grato pela honra de sucedê-lo na tarefa que me foi dada pelos nossos maiores da Espiritualidade — Os Mestres Ariândicos. Mestre Yapacany, permita-me abençoá-lo, pois me aben­ çoaste com tua espada de ouro e com teus louros de glória para sempre.

Aranauam

Angá

Euá

^/am tm isiddka ;A t*kapiagka A^estre-T^aiz d a E s c o la de .Síntese

66

0

3

C D

A Doença P rim eva

Filhos Planetários, Aranauam - Saravá! Por maiores que sejam os avanços conquistados pelo ho­ mem por intermédio da Tecnologia e das Ciências, não se con­ seguiu ainda debelar os inumeráveis sofrimentos que assolam a humanidade terráquea. Não obstante a disparidade cultural, social, étnica, política e econômica dividindo o planeta em vários segmentos geopolíticos, todos os países, por conseqüência todos os homens, sem exceção, são acometidos de enfermidades. Nossas afirmações não pretendem invalidar os pertinazes esforços da Ciência Acadêmica e, dentro dela, da nobre e abnegada Medicina Oficial nem de seus asseclas, muitos deles dedicados médicos, os quais cumprem sua tarefa de forma exem­ plar.

Apesar dos avanços citados, no atual estágio evolutivo espiritual do planeta a maioria das enfermidades, das doenças,

Sacerdote/ Abago e Médico

ainda são rotuladas de idiopáticas (não se conhece as causas desencadeadoras) ou, quando não, as causas aventadas são obs­ curas, plausíveis de serem mudadas no decorrer do tempo, o que achamos muito natural, estando apenas constatando tal fato. E lícito complementar que apesar de eminentes inteli­ gências estenderem seu concurso às Ciências Médicas, utili­ zando dos recursos tecnológicos oferecidos na atualidade (sé­ culo XXI), ainda não se consegue entender a causa e os meca­ nismos desencadeantes de muitas moléstias que infelicitam o homem hodierno, não se conseguindo também, pelo motivo aludido, a terapêutica devida. Afinal, chegará o tempo em que todas as moléstias terão cura, serão curadas? Se a resposta for afirmativa, isto implicará em uma sobrevida planetária maior? Estas e outras questões encontram-se na mente de mui­ tos Filhos Planetários, inclusive você, que neste instante está tendo a paciência de seguir o raciocínio deste Caboclo. Para você e demais interessados no bem-estar da huma­ nidade, afirmamos que por mais nobre que seja o corpo físico denso, ele é transitório, portanto perecível. Foi nos outorgado a título precário para neutralizarmos os desacertos, os desvarios conscienciais que embotam a visão de nossa realidade, qual seja

a de sermos seres espirituais imortais, eternos, portanto divinos.

O

Ser

E sp iritu a l

im o rtal,

eterno,

sagrado, d ivin o

é a R ealid ad e A bsoluta

Enquanto não sublimarmos nossa essência, e isto temos oportunidade de fazê-lo no dia-a-dia, necessitaremos de veícu­ los de manifestação, sejam eles sutilíssimos, sutis, etéreos ou mesmo de energia condensada ou dos feixes eletromagnéticos que formam a matéria física densa.

68

^am unisidclKa .A ^hapiagka

}{

Estamos afirmando que possuiremos organismos da men­ te, do sentimento, da ação e reação enquanto não tomarmos “ciência” de quem somos, de nossa unidade espiritual. Havere­ mos de substituir o “quem sou”pelo “quem somos”, pois a cons­ ciência do “eu”, do “ego” nos fez doentes gravíssimos, precisan­ do sermos internados em diversos “organismos”ou “corpos”que, por contágio, também adoecem, manifestam sofrimentos vári­ os, inclusive o de nascer, adoecer, sofrer e morrer, quantas vezes se fizerem necessárias. Como os organismos manifestam os desvarios do doente

(o Espírito), é justo afirmar-se que a causa das doenças é o pró­

prio doente, o espírito insubmisso. Sim, renegamos nossa natu­ reza divina, nossa Unidade Consciencial Incriada, surgindo desta negação a dualidade (eu/outros) e desta a pluralidade, com gra­ ves danos à Coletividade do Reino Natural (Cosmos) ou Uni­

verso Astral (os vários planos onde há o domínio da energia em seus diversos graus de densidade). Como o conceito expendido não é comum, não sendo discutido pela maioria, tampouco pelas “elites dominantes”, e os “tempos são chegados”, queremos pedir aos Filhos Planetá­ rios que atentem para nossa humilde exposição. Na Eternidade Absoluta a única realidade é a “Suprema C onsciência E sp iritu a l', onde há o incriado, a unidade consciencial.

Em um determinado “instante” desta Eternidade Abso­ luta tivemos a “Consciência de Si” (individualidade), condição necessária e suficiente para deixar a Unidade, a Eternidade Ab­ soluta, penetrando no Reino Virginal ou Eternidade Relativa, onde não há mais a “Suprema Consciência Espiritual”, mas a

“Coroa Divina”, os “Sete Espíritos Virginais” - Consciência-Una.

A

Suprema

69

Sacerdote, ]\Z \a g o e /VAédico

E

Una pois há H ierarquia e, na dependência

do

p lano , h á m aior ou menor percepção da

Consciência-Una. E starem Consciência-Una

é diferente de Ser U nidade Consciencial.

Nesse Reino Virginal onde há Hierarquia, havendo o Karma Causai (reação à perda da Unidade), mais uma vez iría- mos perder a conexão com a Eternidade, não mais absoluta, mas relativa. Perdemo-la pois o abalo que nos causou a “Consciência de Si” (individualidade) nos fez sair da unidade (Unidade Consciencial), fator desencadeante da dualidade, que foi “per­ cebida”como o “outro” do “par vibracional”. Sim, nossa nature­ za no Reino Virginal era una, não possuíamos mais a unidade, mas este uno era dual (o par vibracional) e, quando polarizado, (não era) nos fez descer às imensas mas finitas regiões do Uni­ verso Astral, onde há domínio da energia, sendo esta temporal e dimensional, portanto destituída de eternidade, sendo transi­ tória, sujeita a constantes mudanças, à pluralidade e à diversi­ dade (diferenças conflitantes).

A

d im en sio n al,

tem poral, po rtan to

constantes

m utante, p lu ral, geradora de diversidade.

e n e rg ia

ou

m a té ria

é

tran sitó ria, su jeita a

Sua

n a tu rez a

é

m udanças.

Neste Reino Natural ou Universo Astral esta “dualidade” espiritual se manifesta como “aspecto masculino” ou ativo e “as­ pecto feminino” ou passivo. Também nesse Universo Astral há Hierarquias e a conseqüente Lei Regulativa denominada Karma Constituído, que tem como causa o que vimos discutindo e prin- *

70

\Cmunisiddka yW k ap iagk a

4

cipalmente o fato de ser o “Eu Superior” (Ser Uno) diferente do “Eu Inferior” (Ser Pluralista). Após estas ligeiras incursões em nossa Metafísica, onde iremos encontrar a causa-raiz, a causa primeva de todas as do­

enças (sofrimentos e dores existenciais), centralizemos a aten­

Espiritual” no mundo

da energia, seja ela sutilíssima, sutil ou densa. Ao “Ser Espiritual” que faz uso de organismos mental e astral, constituídos de energia sutilíssima e sutil, respectivamente, denominamos genericamente de “alma”, vocábulo muito conhe­ cido por todos os estudiosos das ciências teológicas e mesmo pelos leigos.

A “alma”pode utilizar-se de um corpo físico denso (reen­ carnação), sendo que nele as humanas criaturas acreditam estar as doenças (manifestação do doente). Neste corpo físico denso onde manifestam-se as doenças, estudemos sua composição oculta, infelizmente ainda arcano indecifrável para a Ciência Oficial terrena. Os estudantes do espiritualismo, sejam iniciantes ou avan­ çados, sabem que tanto no âmbito sutil ou denso pode-se afir­ mar que tudo é composto da agregação dos “cinco elementos sutis”. Nestes “cinco elementos sutis” temos um arquetipal, indiferenciado, dando origem aos demais. No processo agregativo, este quinto elemento (Espaço ou Éter) dá origem ao elemento eólico, este por sua vez ao ígneo, que se transforma em hídrico, para fmalmente haver a transformação para o telúrico. Como se pode avaliar, partimos do mais sutil até o mais denso. O processo inverso também acontece, isto é, do mais denso ao mais sutil, sendo que ambos os processos se dis­ solvem no éter, que contém os quatro demais. Mas qual a intenção em citar os elementos sutis?

ção nas enfermidades que assolam o “Ser

71

Sacerdote, J\/\ago e ,/VUdico

É simples. A constituição dos organismos, desde o mais sutil ao mais denso, é feita pelos “cinco elementos” e, como as doenças se manifestam nos organismos e estes são compostos dos elementos, é nestes que vamos encontrar a “origem-causa” das doenças e como neles encontraremos a terapia, tomando por base o processo de expansão e contração, ou agregação e desagregação.

Elementos purificados produzem bio-energias sad i­ as, neutralizadoras das doenças em suas etiologias.

Esta é a proposta fundamental desta obra, demonstrar que na dependência dos “elementos sutis” (formadores dos organis­ mos) pode-se exteriorizar a doença ou a cura, embora possa­ mos sublimar os elementos, purificando-os, produzindo bioenergias sadias que poderão aumentar a qualidade de vida, inclusive a longevidade, se a consciência sobre a Realidade for a constante do espírito encarnado. Necessitamos fazer o caminho de retorno e, o mais rápi­ do possível, neutralizar o “homem-constituído” (Reino Natu­ ral), responsável pelos sucessivos nascimentos e mortes que, em­ bora nobilitantes, ainda demonstram a instabilidade ou labilidade dos elementos (mudanças constantes) e principalmen­ te que o espírito ainda encontra-se doente, que não conseguiu subtrair de si mesmo as diversidades, conflitos e todo séquito de dores, sofrimentos, angústias e aflições existenciais próprias do “Reino das Mudanças”. Enfim, não se conseguiu vencer os apegos e desejos de corpos, pois nosso “Eu” insiste e resiste em não querer o Uno, a Consciência-Una. Que dizer então da Unidade Espiritual? Eis a causa das doenças; o próprio doente, a insubordina­ ção aos aspectos incriados (Unidade) e o amor-próprio (orgu-

72

\Vmunisidcll\a .AA\apiagka

^

lho, egoísmo e vaidade) exaltando a pluralidade, a diversidade e os conflitos vários.

A E tiologia das doenças é opróprio “espírito

doente” (visão

disto rcida

da

realid ad e).

Esperamos que estes humildes apontamentos que esten­ demos ao médium possam localizar a causa das doenças huma­ nas, mas principalmente a origem primeva delas, que se encon­ tra em todos nós, em nossa essência polarizada, degradada em criações pluralistas, geradoras de uma diversidade imensa de “doenças”, que têm sua base discursiva, sua explicação, na pró­ pria conduta do doente, que poderá debelá-la ou agravá-la. Que a “Suprema Consciência Espiritual”, através dos Sete Arashas/Orishas Virginais - a Coroa Divina e toda a Hierar­ quia Sagrada, abençoe-nos a todos com suas vibrações de uni­ dade, que neutralize toda diversidade e pluralidade causadoras de doentes e doenças. Com as bênçãos do Augusto Arashala, de Oshala e de todos os Arashas - Orixás.

Aranauam

Savatara

Samany

Caboclo Urubatão da Guia (Arashamanan)

73

D oença: Sinônim o de Im perfeição

Filhos Planetários, Aranauam! Mais uma vez retornamos ao convívio salutar com todos, sejam umbandistas ou não, pois o que realmente importa é o quanto se deseja o bem de todos, e apressamos em explicar o porquê. Na verdade todos os seres astralizados responsáveis são universalistas, nunca sectaristas ou fomentadores de cizânias ou inverdades. Mesmo sendo seres espirituais astralizados humil­ des sabemos da Religião Cósmica, daTriunidade Cósmica: Sa­ bedoria - Amor - Poder Divinos, sendo isto o que propaga­ mos.

A R e lig iã o

hom ens,

Cósm ica é o Sagrado, que é a

E sp iritu alid ad e U niversal,inerente a todos

os

v iv e n te

no

in te rio r

deles.

S a c e r d o te ,

M a g °

e

M é d ic o

No momento afirmamos pertencer ao M ovimento Umbandista, o que é verdadeiro, pois o mesmo, no menor espa­ ço de tempo possível, busca restaurar a Religião Cósmica e não fomentar sectarismo e a ortodoxia geradores da ignorância, que é a visão distorcida da realidade e que leva ao pernicioso fana­ tismo, a factóides insufladores de conflitos que culminam em violência em todos os âmbitos do relacionamento humano. Os Filhos Planetários haverão de convir que a “Religião”, que preferimos denominar de re(união) ou conexão com o Sa­ grado, deveria ser uma só, pois um só éo espírito, a essência eternal que a tudo sobrevive. Mas se é verdade o que Caboclo está di­ zendo, por que não é assim a realidade, é o contrário? Concordamos com o questionamento pois o mesmo é pertinente, todavia todos reconhecem que as diferenças são realçadas muito mais que as semelhanças, e isto se deve ao ego­ ísmo, o orgulho e a vaidade de muitos Filhos Planetários.

H á v á ria s R eligiõ es pois se v alo riz am m ais as diferenças do que as sem elhanças.

Muitos permanecem em suas cidadelas acreditando ser inexpugnáveis mas em verdade não suportam a mínima aragem da realidade, de consistência, de boa lógica espiritual ou huma­ na. Mas, afinal, o que é a tal realidade? Realidade é uma marcha, um processo de mudanças cons­ tantes, pois no mundo das formas a prevalência é da transitori- edade, da fmitude de todas as coisas. Teorias, Ciências, Filosofias, Artes e Religiões são tran­ sitórias, pois estão no “universo da energia” cuja lei é a constan­ te mudança; tudo o que “nasce” “morre” e tudo passa por este processo. Negá-lo, como muitos vêm fazendo, é atravancar o

76

y c

5iddka .A rk a p ia g h a

^

progresso e contribuir para a estagnação evolutiva da humani­ dade terrena e de sua contraparte astral contígua, onde se “aco­

modam” milhões de seres espirituais totalmente humanizados, em ­ bora não possuam mais corposfísicos densos.

Estas humanas criaturas desencarnadas (muitas delas quando encarnadas se diziam espiritualistas) têm trazido mui­ tos óbices à evolução, ocasionando uma série imensa de iniqüi- dades, pois ao perder a noção de si mesmas, da realidade, levam muitos encarnados desatentos a cometer verdadeiros acintes ao bom senso e à ética espiritual. Este intercâmbio entre encarnados e desencarnados “en­ louquecidos” distancia a humanidade terrena da paz, da luz e da harmonia indutoras da convivência pacífica. Após esta nefasta constatação, deve-se entender o quanto deve ser dificultosa a convergência - o retorno à unidade em todos os setores humanos. Quando a convergência for conquistada, elevará o plane­ ta à condição de Superior, reinado da paz, do amor, da sabedo­ ria e da concórdia. Nestes auspiciosos tempos ter-se-ão venci­ do as iniqüidades, as guerras fratricidas, as diferenças sociais, políticas, econômicas, étnicas e a ignóbil diferença religiosa, pois religião é unidade, nunca pluralidade ou conflitos. Muitos afirmam não ser justo possuir um só sistema reli­ gioso. Não é democrático, fere a liberdade, o livre-arbítrio, sen­ do truculência e intransigência espiritual propagar-se tal con­ ceito

Sem querer polemizar, pois nenhum ser espiritual res­ ponsável se interessa em instigar discussões improdutivas, que­ remos externar nossa humilde opinião a respeito. No atual estágio evolutivo do planeta Terra temos muitas diferenças que dia a dia, lentamente, estão sendo aparadas, pois muitos homens perceberam que não vivem só e necessitam se

77

Sacerdote, ]\Aago e AAédico

relacionar com os outros homens. Há profunda interdependência entre todos. O Sistema funciona de forma integrada e não indi­ vidualizada. Se não é individual e sim coletiva, é justo pleitear- se, o que já está acontecendo, a união dos povos em seus aspec­ tos econômicos, sociais e, principalmente, geopolíticos. Para breve estaremos vencendo as barreiras geopolíticas, raciais e lingüísticas, pois deixaremos o exclusivismo (orgulho, ignorância e vaidade) nacionalista e falaremos do Planeta Terra como nossa pátria. Estes tempos chegarão, só precisamos ven­ cer a avareza (apegos), as aversões (ódio) e os enganos (igno­ rância) de acharmos que as diferenças são melhores que as se­ melhanças, que o pluralismo é melhor que o monismo.

O monismo d ev erá ser conquistado

pelo

consenso liv r e , nunca

imposto.

Todos desejamos um mundo de paz onde haja igualdade, mas esta depende de todos e não só deste ou daquele grupo; repetimos, há a necessidade de esforços unificados - resgatar a Unidade Planetária, onde não mais haja lugar à guerra, pois venceu-se a ignóbil ambição, o egoísmo e o orgulho destruido­ res. Só haverá interesse no homem universal independente do território, que, aliás, será abolido, sendo todo e qualquer terri­ tório denominado planetário. Bons tempos estes, não é, Filho Planetário? E como desencadear o processo? O mesmo já foi desen­ cadeado, é só aguardar No término de nossos pensamentos expressos neste des­ pretensioso texto, queremos reiterar que aceitamos a todos como são, mas aqueles que alhures questionaram sobre o livre-arbí- trio, a liberdade de expressão, a truculência espiritual, que acham de nossa proposta de união?

78

^amMnisiddka ;Ai*hapiagka

}{

Somos por uma pátria una, isto em nível planetário, para no decorrer do tempo pleitearmos não mais um solo uno, mas o cosmo único, todos como Cidadãos Cósmicos. Claro que, mais uma vez, insistimos; respeitamos quem assim não entende, todavia:

Não seria bom termos uma só pátria planetária? Não seria interessante termos justiça para todos, quer nos âmbitos social, econômico, cultural, político? Não seria espiritualizante pensarmos em igualdade em todos os setores, onde venceriamos o karma coletivo auxiliando a neutralização do karma individual? Não seria mais acertado um só povo para um só planeta? Onde todos tivessem condições de evoluir e progredir? onde todos cooperassem? onde houvessem interesses comuns pela evolução de todos? Acreditamos que todos sejam favoráveis por estes estági­ os avançados de sociedade. Portanto, não vemos nenhum in­ conveniente em termos no planeta um só povo, unido e imbuí­ do de elevados sentimentos de progresso e evolução; uma só Religião, ou melhor, uma Re(união) direta e imediata com o Sagrado, sendo esta a Religião Cósmica - a do Amor, Sabedo­ ria e Poder Divinos.

A

evolução

não

desdenha

do

tempo

necessário ao aperfeiçoam ento consciencial, algo que sabemos esb arrar nos m ilênios.

Enquanto isto não acontecer haveremos de ter muitas dis- sensões e guerras, prova insofismável das mazelas ou imperfei­ ções humanas, estas mesmas geradoras de doenças espirituais, sociais, psíquicas e somáticas. Eis, pois, a causa básica das do-

79

S a c e r d o t e ,

J\Aago e /vAédico

enças, a qual será esmiuçada nesta obra que, por aquiescência do “Mago do Cruzeiro Divino” (Mestre Arashamanan), o Arhapiagha está estendendo a toda a Coletividade Terrena. Como pergunta final podería questionar-se: como debe­ lar definitivamente as doenças?! Caboclo responde: eliminando as imperfeições citadas. Para eliminá-las é que, pelos quatro cantos do Mundo, milha­ res de enviados do Plano Astral Superior transmitem as mes­ mas exortações; pena que nem todos as entendam da mesma forma. Não importa, Caboclo estará sempre próximo de você.

Estaremos sempre juntos; somos

imortais e ainda estaremos haurindo da Unidade Consciencial.

Fiquem em paz, e muito grato pela tolerância e amizade

dispensada a Caboclo. Que Oxalá os recompense. Que os Sete Arashas/Orishas neutralizem toda desigual­ dade. Salve Ogun que me ordena

Fique próximo de Caboclo

Yama

Uttara

Ogun

ôôô

T at

Vam

Asi

Caboclo Sete Espadas (Orishivara)

80

U m banda e M edicin a

“Há duas espécies de conhecimento. Há uma Ciência Médica e uma Sabedoria Médica. A com­ preensão animalpertence ao homem animal, mas a compreensão dos mistérios divinos pertence ao es­ pírito de Deus neles.

(Fundamento Sapientiae)

A Umbanda como Doutrina-Sabedoria entende medici­

na como poção alquímica quintessenciada e não somente como ciência que se preocupa basicamente com o estudo das doenças e doentes alicerçados em anatomia, Fisiologia, bioquímica, pa­ tologia, Semiologia, terapêutica etc.

A patologia, tão bem retratada em seus aspectos morfo-

fisiologicos, encontra sérias restrições para definir o que sejam desconforto, dor, angústia, moléstia etc. Além do mais, pode-se objetar contra as definições, pois

como delimitar a fronteira individualizada entre conforto e des-

Sacerdote, .Mago e .Médico

conforto, bem-estar e mal-estar? Não há como fazê-lo de for­ ma absoluta, pois varia de indivíduo a indivíduo e mais, os pro­ cessos adaptativos são fatores limitantes e impossibilitam sepa­ rar os sãos dos doentes segundo fundamentos abertos à discus­ são. A Umbanda preconiza que o grau de saúde é a nossa acei­ tação e consonância com o natural, com o reconhecimento da unidade e supremacia da Lei. Esta Lei é o que denominamos harmonia, estabilidade e equilíbrio. Se a esta triunidade associ­ amos a saúde, à reciproca associamos a doença, que com clareza meridiana percebe-se ser decorrência do indivíduo desconexo, portanto doente.

A

conduta a n ti-n a tu ra l (condicionada) f a z

o

in divíduo doente. O retorno ao n a tu ra l

devolve-lhe a saúde esp iritu al e corporal.

Não se entenda nossas assertivas como fatores conflitantes entre Umbanda e Medicina Acadêmica, pois sempre ouvimos de ‘ nossos Mentores Espirituais”que, para o momento, a nobre arte de Hipócrates cumpre sua função, sendo merecedora de nosso irrestrito respeito, tal qual os outros setores científicos. Enfatizando os benefícios incontestáveis proporcionados pelas Ciências Médicas e os avanços de outras ciências utiliza­ das também em medicina, só temos a lamentar a falta de pene­ tração e percepção de que há uma Lei Universal que quando respeitada traz harmonia e saúde. O contrário, isto é, sua trans­ gressão, acarreta desarmonia ou doença. Assim, temos doença como desarmonia. A toda e qualquer desarmonia denomina­ mos doença, seja ela espiritual, mental, psicológica, somática ou social.

82

^amunisidclKa ;A rk ap iag ka

$

A Umbanda aceita a Medicina da atualidade, pois sabe que a mesma está em processo adaptativo, em constante avan­ ço. Como também utiliza-se de outras ciências, tal qual a Físi­ ca, que está chegando à conclusão que a matéria é composta por feixes ou “campos eletromagnéticos” (é ilusório o que ve­ mos); concluirá a medicina que deverá focar sua atenção e seus estudos na energia sutil, nas energias ainda não detectadas mas que não invalidam sua existência. Completando, pois esperamos que o livro demonstre o que aqui resumimos, e como também somos um assecla de Asclépio, embora umbandista (universalista), antes de qualquer coisa procuramos não ferir a diceologia médica, tentamos interfacear as duas, pois cremos que na Umbanda encontramos o subsídio para todas as explicações nos âmbitos da Ciência, da Filosofia, da Arte e da Religião. Na Umbanda temos que tudo é universo, isto é, o mesmo se expressa tanto no macro como no micro. A própria cosmogênese, em obediência à Lei Suprema, suprimiu o caos e se fez ordem (Cosmo).Temos convicção de que o mesmo acon­ teceu na antropogênese, onde o Ser Espiritual subtraiu de si o caos (desarmonia) e no Universo encontraria meios para en­ contrar a ordem e a harmonia (Cosmo = Homem) perdidas. Eis, pois, a causa e também a cura das doenças.

A teia da vid a demonstra a conexão direta

entre osfenômenos macrocósmicos (Universo)

e microcósmicos (Homem). Portanto, o homem sábio e hígido im ita , observa o Cosmo.

Doença é a não-percepção da integração e da conexão do Homem (microcosmo) com o Universo (macrocosmo) e suas

83

Sacerdote/ JV\ago e. Médico

Leis. Esta é a visão umbandística de saúde e doença, de sua Medicina de Síntese, que preconiza a Harmonia e a Conexão entre macro e micro através dos Centros de Iluminação (chakras), sendo estes projeção do próprio macro no microcosmo. Que os Arashas, Supremos Curadores e Senhores de nos­ sos centros de iluminação, nos abençoem. Aranauam!

^amunisiddka yWkapiacjka

T cm fn co (Sumdot*

84

P arte I

Conceitos

Introduzindo a D outrina do Tríplice Caminho

Visão de Síntese Sobre Doentes e Doenças

Saúde e Doença

Vida e M orte

sta obra introdutória à Medicina Umbandística, tam E bém denominada Medicina de Síntese ou Medicina Tântrica (são sinônimos), dará subsídios a profundas reflexões e, sem dúvidas, alguns e necessários questionamentos. E o que realmente esperamos.

Prezados Irmãos Planetários, sejam vocês umbandistas ou não, atentem para as seguintes considerações:

No passado remoto o Sacerdote, o Mago e o Médico eram

a mesma pessoa. Era profundo conhecedor dos Mistérios do

Sagrado, do Universo e do Homem. Sabia das Leis que regiam

o relacionamento do Homem (microcosmo) com o Universo

(macrocosmo), tendo como elo de ligação entre ambos o Sa­ grado, o Divino.

O Sacerdote, o M ago e o M édico não

estão dissociados; colocados nesta ordem,

são inseparáveis, são a mesma pessoa.

Este conceito foi amplamente discutido e aceito, mas no decorrer do tempo foi sendo esquecido e postergado, principal­ mente após o advento do método cartesiano, o qual é pedra angular das ciências físicas, biológicas e sociais.

S a c e r d o te ,

]\Aago e M é d ic o

Na atualidade, renomados cientistas que fazem ressalvas ao “Método Científico” retomaram os estudos da conexão macro-microcosmo (Doutrina Tântrica), sendo levantadas in­ teressantes hipóteses e mesmo teorias, entre as quais citamos a do Caos (fractais) e das Supercordas ou de Campos Unificados, ambas avançados estudos da Teoria da Relatividade (Einstein) e da Teoria Quântica (Max Planck). As duas, ramos da Física da Alta Energia, têm tentado explicar muitos fenômenos que até o presente não haviam sido sequer discutidos. Citando Einstein e Planck, a bem da justiça e da verdade, não podemos olvidar o genial Heisenberg, que afirmou ser impossível ao mes­ mo tempo saber a posição e a velocidade do elétron, na então denominada Teoria da Incerteza.

Estes estudos, embora desconhecidosp or muitos, são pertinen­ tes à Teologia Umbandista, que tem no Sagrado a Espiritualidade U niversal inerente a todo ser espiritual, o elo de ligação e unidade entre Filosofia, Ciência, Arte e Religião.

A C iên cia D iv in a se m an ifesta na gnose

hum ana (Filosofia, Ciência, A rte e R eligião).

Após estas ligeiras mas necessárias digressões no âmbito da Física, penetremos nos meandros da existência do Ser (ontologia), perscrutemos sua alma, sintamos seus anseios, an­ gústias, sofrimentos, dores, verdadeiro martirológio para mui­ tos, onde as doenças espirituais, morais, mentais, psicológicas, físicas e sociais constituem em suas mais variadas formas de manifestação a maioria das misérias do Ser e do Mundo. Mas, afinal, o que é doença? Quem são os doentes? Seria mais acertado, segundo a visão umbandística, afir­ mar que antes da doença, há o doente. O doente manifesta sua desarmonia interior, espiritual, psíquica e psicológica como do-

88

^amunisiddkci .AAvapiagha

ença; portanto, doenças são efeitos e não causas. As causas en-

contram-se no próprio indivíduo, na unidade Espírito-Homem,

onde o imaterial, atemporal, adimensional se apresentam na energia em seus diversos graus de condensação (desde a energia sutil até a matéria densa), sendo que as imperfeições espirituais se exteriorizam como alterações na mesma, rebaixando suas vi­ brações, tendo como conseqüência funesta as doenças, que ti­ veram início no espírito e se deflagraram nas energias sutilíssimas (Organismo Mental), destas para as sutis (Organismo Astral), para finalmente atingir o organismo etéreo-físico como um todo. Embora respeitando os avanços tecnológicos e científi­ cos alcançados pelas Ciências Médicas, e não há como negá- los, não concordamos quando elas fragmentam o todo (orga­ nismo) em partes (órgãos), mormente para diagnosticar e curar esta ou aquela enfermidade. A diagnose das doenças, segundo a Medicina Acadêmi­ ca, baseia-se nas alterações dos órgãos ou mesmo de sistemas, todavia acreditamos ser esta uma visão parcial do processo e não o processo em si. Há uma hipervalorização do “órgão doente”, preterindo- se o organismo, o complexo mente-corpo. Esta postura talvez não beneficie o enfermo como a priori se pensava. O doente é beneficiado quando é observado de forma una, como um todo, e não como uma somatória de parcelas como: sistemas, órgãos, tecidos, células, organelas e complexos biomoleculares. Achamos justa tal investigação, como veremos ainda nes­ tes estudos, mas preteriu-se, mais uma vez afirmamos, o todo em favor da parte. Olvida-se que os próprios órgãos atuam de forma interdependente para atender à homeostasia, sendo justo inferir-se os reais benefícios ao doente quando o mesmo é ana­ lisado como uma unidade psicossomática, visão esta defendida pela Medicina Umbandística e por renomados cientistas e mé­ dicos de escol.

89

Sacerdote, ]\Aago e .Médico

Assim, como conceituados médicos, que também podem ser umbandistas universalistas, pois o umbandista é essencial­ mente pela convergência e universalidade, preconizamos que o indivíduo doente manifesta a doença e nunca o contrário; a doença pode ter como pano de fundo este ou aquele órgão- alvo, porém, insistimos, não são os órgãos que estão doentes, mas o indivíduo como um todo, seu complexo psicossomático. Como depreende-se, a base discursiva que defendemos e sustentamos difere da tradicional e, para continuarmos nesta linha, anexaremos uma pequena Introdução à Doutrina do Tríplice Caminho, que consta na obra de nossa autoria - Intro­

dução à Autocura Tântrica —Volume I.

Ao Leitor Irmão Planetário, indicamos a leitura da obra citada, pois nela encontram-se firmados alguns fundamentos da Medicina Oficial Acadêmica e sua conexão com a Medicina de Síntese, preconizada pela Umbanda. Esperamos que a introdução que faremos ilustre melhor nossa vertente una, ou seja, os Fundamentos da Teologia Umbandista aplicados na Medicina de Síntese, verdadeira Te­ rapia da Alma. O livro que está em suas mãos, Prezado Leitor Planetá­ rio, Princípios da Cura e Autocura, pretende demonstrar de for­ ma fidedigna a realidade sobre as “doenças”, como a Umbanda (OMBHANDHUM), por intermédio de sua D outrina-Sabe- doria, percebe, entende e propõe soluções para debelar as dores, os sofrimentos vários que aqui são apresentados como “doenças”. As “doenças” se manifestam na mente, no sentimento, no corpo, no comportamento, como sofrimentos da existência, sen­ do os mesmos na visão Umbandista meros reflexos do desequilíbrio, da desestabilidade e da desarmonia do indivíduo doente.

90

Vanunisicldka .Arkapiagka

O doente é tido como a causa primeva da etiologia de

todas as doenças ou enfermidades, sendo estas decorrência, re­ ação à causa, portanto, efeito.

Isto estando claro, penetremos nos meandros das dores e sofrimentos que têm ascendentes espirituais; antes porém en­ tendamos em suas nuances e minudências a Doutrina do Tríplice Caminho - a Tradição Una, o OMBHANDHUM que o M o­ vimento Umbandista pretende resgatar.

“A base discursiva, a pedra angular em que se fundamen­

ta esta obra é a Doutrina do Tríplice Caminho1. Para mais fa­ cilmente penetrarmos naTriunidade Cósmica, expressa na Dou­ trina do Tríplice Caminho, é necessário entendermos seu rela­ cionamento direto com a “Cura”e a “Autocura” do Mundo e do Indivíduo. Para tanto, haveremos de remontar um passado longínqüo, perdido e por muitos desconhecido, mas que per­ manece vivo nos anais do Plano Astral Superior - Plano dos Arashas/Orishas. Esses registros fazem alusão à saga da Poderosíssima e Augusta Raça Solar ou Raça Dourada2 (os denominados Ver­ melhos). Foram Eles, segundo os arquivos citados, a Primeva Raça a habitar o planeta Terra, a propiciar condições superiores de vida às civilizações que a sucederiam. Eram os Augustos e Iluminados Espíritos Solares, que se tornariam os Ancestrais Divinos do Planeta. Como esta obra é introdutória, resumiremos o fastígio espiritual, moral e cultural da Venerável Raça Solar e de seu inigualável Sistema de Síntese. Como pretendemos escrever várias obras onde desdobra­ remos, aprofundaremos fundamentos, queremos explicitar ao Leitor Irmão Planetário que o faremos iniciando pelas coisas mais simples até atingir as mais complexas, sem perder o prin­ cípio de Síntese, vertente una de nossa proposta doutrinária.

91

Sacerdote, .Mago e A^édico

Objetivamos provar que a quebra da Proto-Síntese Cós­ mica tornou o Mundo e o Homem doentes. Por outro lado, queremos demonstrar quais os meios e formas, os caminhos que nos farão retornar ao equilíbrio, à estabilidade e à harmonia perdidos. Iniciemos nossos estudos afirmando que todos os Siste­ mas Filosófico-Religiosos de tradição do passado e do presente tiveram e têm conhecimento da passagem pelo planeta de po­ derosa civilização da Raça Solar. Possuíam elevados padrões evolutivos que os faziam se­ nhores de ciclópicos monumentos arquitetônicos, construídos de

sutilíssimos elementos desconhecidos até a presente data pela Co­

munidade Planetária. Assemelhavam-se ao mais puro e diáfano cristal, de sutileza ímpar. Por isto foram chamados de Civiliza­ ção do Puro Cristal. Se fizemos alusão a suas construções arquitetônicas, não podemos deixar de citar seus poderosos mananciais de cultura, sociedade e vida voltada à Realidade Absoluta. Os organismos físicos ou corpos físicos desses augustos seres eram totalmente diferentes dos atuais, pareciam constitu­ ídos de material etérico. Eram como cristal eterizado, pois esta­ vam em conexão estreita com os “Arashas”. Possuíam um organismo físico que mais se assemelhava ao organismo astral. Não havia tantas diferenças entre ambos, pois no início de sua odisséia planetária apenas possuíam um corpo astral densificado, que dava a aparência do mais puro cris­ tal, ora “esbranquiçado”, ora “translúcido” Ratificando, pois isto nos será deveras importante nas páginas seguintes, seus corpos físicos assemelhavam-se aos seus corpos astrais.Tudo se passava como se tivessem apenas corpos astrais, pois além de serem sutilíssimos eram maravilhosos, em tudo havia beleza simples e harmonia.

92

V om unisiddK a .A ^ h a p ia g k a

Todo esse requinte e beleza, na forma que desconhecia a desarmonia ou doenças, refletia suas conquistas no âmbito Es­ piritual. Seus Templos dos Sete Sinos Cósmicos evocavam em seus ritos a presença do Amor, da Sabedoria e do Poder Divi­ nos. Sua “Religião” era o trinômio Poder - Sabedoria - Amor Divinos que denominavam de O M BH AN D H UM - A PROTO-SÍNTESE CÓSMICA.

era sagrado, tratando a

tudo como tal. Só vivenciavam a Paz, a Harmonia, o Amor, a Sabedoria, a Atividade Efetiva, sendo Puros, Simples e Humil­ des, e não menos Sábios, Amorosos e Diligentes. A felicidade conquistada os fazia desconhecer em seus mundos a dor, as guerras, o domínio escravagista, o poder tirâ­ nico e, principalmente, as doenças, a contundência (efusão de sangue) e a morte como aniquilação.

Tinha -se a convicção de que tudo

Tinham vindo de seus Mundos ou Pátrias Siderais dis­ tantes, de progresso e evolução inimagináveis, para ajudar nos­ so planeta e sua humanidade a alcançar a evolução e o progres­ so. Fariam do Planeta um Mundo de Paz, Alegria e Felicida­ des Eternas. Embora cientes que o Karma Coletivo do Planeta, de seus Tutelados, era negativo por motivos que discutiremos no de­ correr desta obra, queriam auxiliar no resgate, nos processos evolutivos. Assim, tornaram-se, em obediência aos desígnios das Hierarquias Constituídas, Condutores Morais e Espiritu­ ais de toda Coletividade Terrena. Outros Sistemas Filosófico-Religiosos, veneráveis por seus feitos incontestes à humanidade, sem o saber, preconizam em suas mais lídimas Tradições o que estamos afirmando sobre a Augusta e não menos Poderosa Civilização da Raça de Cris­ tal (Raça Solar).

93

S a c e rd o te .; J^Aago e A^édico

Afirmam da passagem pelo planeta de Iluminada Civili­ zação que teria deixado seus ensinamentos e, após longo tempo de permanência entre nós, se desmaterializado, retornando à sua Pátria de Luz e Felicidade perenes. Por ora não entraremos nestes pormenores, pois a Tradi­ ção é patrimônio de todos, e cada Sistema Filosófico-Religio- so, segundo seu grau consciencial-kármico, interpreta-o conso­ ante a sua óptica, que deve ser respeitada por nós, embora tam­ bém tenhamos nossa visão, que pode ser total ou parcialmente diferente das preconizadas por outros. Cremos que muitos Sistemas Filosófico-Religiosos con­ solidaram seus Princípios baseados no sentido metafórico, mítico, mas que velam o apogeu da Raça Vermelha, de seus maravilhosos poderes, principalmente de seus Fundamentos de

Síntese, infortunadamente perdidos. Somos cientes que seus avançados sistemas no âmbito das Ciências eram completamente diversos dos atuais, pois atua­ vam primeiro no plano das energias sutis, consolidando-as no plano físico denso. A recíproca também era verdadeira, pois podiam atuar desmaterializando, o que também faziam com seus organismos etéreo-físicos. No nascimento, seus corpos astrais exsudavam prana vi­ tal que era condensado, formando um corpo físico denso mais belo, delicado, sutil e, não obstante, mais resistente que os atuais. O fenômeno da morte não tinha a conotação terrificante

e de aniquilação de nossos dias, havia simplesmente um pro­ cesso de desmaterialização do organismo etéreo-físico, sendo a energia livre reabsorvida pelo corpo astral. Resquícios de ener­ gias livres insignificantes eram absorvidas pelas correntes eólicas

e hídricas do planeta, propiciando a renovação da vida.

94

^amumsiddka .Arkapiagka

A Gnose H um ana (R eligião, Filosofia, A rte e

C iência) é m anifestação da Ciência D iv in a ou Sagrado, que é a E spiritualidade Universal, ine­ rente a todo ser humano, vivente em seu interior.

Após a descrição que fizemos, reiteramos que haviam materializado seus Mundos no nosso, em obediência aos de­ sígnios do Senhor do Verbo dos Iluminados, sob a égide de A R A SH A L A — OAugusto Senhor Detentor da Coroa do Amor, Sabedoria e Poder Criativo Cósmicos — SENHOR FONTE DA LUZ DOS ILUMINADOS — SENHOR LUMINAR — A PRÓPRIA LUZ ESPIRITUAL QUE

SOL ILUMINA OS PLANETAS (OS ILUM I­

NADOS).

Deixemos a portentosa civilização dos “Vermelhos” bem como seus feitos, que veremos em outros livros, e penetremos, mesmo que superficialmente, na sua emigração do planeta, há quase meio milhão de anos.

A Augusta Civilização, gradativamente, foi deixando o

planeta, permanecendo apenas raros missionários que, mesmo poderosos, não puderam impedir o crescimento das egrégoras dissonantes, frutos da ignorância, do ódio e da tirania (inação).

Finalm ente, “d esm a teria liz a ra m ' sua Civilização, retornando às suas pátrias de Luz, Harmonia e Felicidades, deixando porém, como legado de seu Amor Cósmico, uma Doutrina que representasse e concretizasse a Tradição de Síntese que um dia seria restaurada, resgatada, conquistada pelo cidadão terráqueo.

COM O

A essa Tradição de Síntese ou Proto-Síntese Cósmica

denominaram e denominam de O M B H A N D H U M ,

AUMBHANDHAN, UMBHANDHA ou OMBOUDDHA.

95

S a c e r d o t e ,

JS/\ago e .M é d ic o

Introduzindo, afirmamos que a Doutrina do Tríplice

Caminho, através de Três Caminhos convergentes, nos levará à reconquista da Paz e Felicidades perdidas, nos redimiremos dos sofrimentos, das dores, da roda das sucessivas reencarnações, encerrando assim o ciclo dos renascimentos dolorosos. Os Três Caminhos eram e são os do Tantra, Mantra e Yantra Cósmicos expressando, respectivamente, a Luz, o Som e o Movimento Sagrados (eventos cosmogenéticos).

O Tríplice Caminho ou aTriunidade Cósmica tem como

escopo trazer-nos à Unidade através de seus Três Caminhos Convergentes — ao reencontro da Proto-Síntese Cósmica, da Tradição Cósmica um dia perdida e vilipendiada. A fragmentação desta Tradição Cósmica é a causa de nossas dores, nascimento e morte, das doenças do espírito, da mente e do soma, como veremos em nossos estudos. Essa Doutrina do Tríplice Caminho é expressa através de três doutrinas: a Doutrina Tântrica; a Doutrina Mântrica e a Doutrina Yântrica. Temos estes vocábulos como primevos, originários da pri­ meira língua ensinada aos terráqueos pelos “Vermelhos” — o Abanheenga. Há estudos que tentam provar que as línguas protonostráticas, tal qual o Sânscrito, originaram-se do Abanheenga (Linguagem da Raça Solar). Segundo a COROA DA PALAVRA OU DO VERBO, à qual gentilmente enviamos o Leitor, os termos citados têm significados diversos dos atuais. Mas estudemos as noções prelim inares sobre as Doutrinas propostas.

A Doutrina Tântrica, segundo a Tradição de Síntese, é a

Doutrina ou Caminho que proporciona a Iluminação. Como pode-se depreender, nada tem em comum com aqueles que ba- seiam-na apenas em magia sexual grosseira. E de lastimar que

96

Yam unisiddka yW k ap iag k a

tenham apreendido a metáfora e não a Verdade, que é Luz Criadora ou Luz Crescente.

A Doutrina Tântrica é o Caminho dos Iluminados. E a

D outrina da Luz Cósmica, da Sabedoria Espiritual, da Iluminação Interna e Externa. Para melhor compreensão e futura aplicação em ritos ou exercícios tântricos, dividamos a Doutrina Tântrica em três ní­ veis convergentes, resultando a Triunidade:

Io

Grau - Tantra Substancial ou da Ação.

2o

Grau - Tantra Existencial ou da Tradução.

3o

Grau - Tantra Essencial ou da Interiorização.

O

Tantra que sintetiza os três graus convergentes, embo­

ra não seja constituído deles, é o Tantra da Síntese ou dos Ilu­

minados—Tantra da Luz Crescente (Tantra da Re(união) com os Arashas). Ainda que respeitemos os que preconizam o vocábulo Tantra como sendo rito ou conjunto de ritos constituídos de

invocações, mantras, mudhras e outras práticas e exercícios yogues, não é apenas disto que cogitaremos em nossa Autocura Tântrica. Obvio que não iremos reinventar a roda ou cunhar

complicados concei­

tos, mas queremos deixar patente que não discutiremos Tantra, mas Doutrina Tântrica, que o tem como um dos componentes, portanto diferente do Tantra conhecido e praticado por outras veneráveis Escolas.

Deixaremos para o interior do livro a citação das Doutri­ nas Mântrica e Yântrica. Por ora, penetremos apenas ligeira­ mente na Doutrina Tântrica.

neologismos que só viriam

complicar os já

97

S a c e rd o te ., ]\Aago e .Médico

A Doutrina Tântrica, segundo a Coroa da Palavra ou do

Verbo, traduz:

TAN

TR A —> Caminho, Veículo, Libertação

—> Luz, Iluminação, Fogo

Portanto, TANTRA:

O CAMINHO QUE CONDUZ À ILUMINAÇÃO INTERNA E EXTERNA. A Doutrina Tântrica a que fize­ mos alusão não é somente as práticas oriundas do período das Ortodoxias ou Heterodoxias Brahmânicas, de onde surgiram o JAINISMO de M AHAVIRA e o BUDISMO de SIDARTA GAUTAM A (vide nota complementar). Particularmente em relação ao venerável Sistema Filosó­ fico-Religioso denominado Budismo, em suas várias Escolas, e dentre elas citamos a Mahayana e seus aspectos Tântricos pre­ conizados pelos VAJRAYANA, não podemos negar o saber do Lama revolucionário Tsong Ka Pa, fundador da Escola Tibetana dos Geluk-Pa, e seus discípulos, como os Tulkus (Lamas reencarnados) e todos os merecidamente alcunhados de Rimpoche. Manifestamos a todos nosso apreço, ainda que não concordemos com todos seus fundamentos, pois nos mesmos, desde o Tantra da Ação até o Tantra da Iluminação Superior, acreditamos haver algumas interpolações e até inversões de valores que produzem quebra de Síntese, tornando seus fundamentos essencialmente Yônicos (Princípios Lunares), contrários aos nossos que são Dóricos (Princípios Solares)3. Ao mencionarmos a ESCO LA ou ORDEM GELUK- pa do Budismo Tibetano, não poderiamos olvidar as Ordens:

NYINGMA-pa, SAKYA-pa e KAGIU-pa, todas merece­ doras de nosso irrestrito respeito. Mesmo que com elas não

98

y a m u n is id d k a j\rl\ap\agUa

tivéssemos muito em comum ou houvesse discordâncias conceituais e de métodos, reconhecemos e irmanamo-nos com seus nobres propósitos e aspirações.

Contudo, não é ao passado recente que devemos nos reportar, mas sim aos TEM POS ÁUREOS DA AU GUSTA R AÇ A VERMELHA, seus Templos de Luz Divina e suas Cidades Astrais onde brilhavam e brilham, além de Arianda

— Pátria da Luz, T A N A LA , C A E M A L A , G A O V A LA , DAURALA, SHAM PAKALA, TSAIZALA e BAHALA, fontes de Luz referenciais dos Iluminados, dos SETE AR ASH AS, seus O KH A-R A (Templos dos Iluminados).

A Doutrina Tântrica cogita dos processos de Ilumina­

ção do Indivíduo. E a vastíssima Doutrina dos Iluminados que nos aponta o Caminho da Iluminação, utilizando-se dos

Tantras, que vêm o in divíduo -

microcosmo - como reflexo do macrocosmo. Com isto podem os p er­ ceber, concluir que a interdependência entre o microcosmo e o macrocosmo é a base da D outrina Tântrica.

Reafirmando, a Doutrina Tântrica pretende proporci­ onar o Caminho da Iluminação Interna (micro) e do Plane­ ta (macro). É, portanto, o Caminho, a Doutrina de todos os Iluminados que passaram, passam e passarão pelo planeta, Iluminados pelo LUMINAR AR ASH ALA, que é Luz, Vida

e Sabedoria que neutraliza as trevas - a morte - a ignorância.

O adepto que quiser se iniciar nesta Doutrina, assim

quatro graus ou classes de

como nas demais, terá de cultivar a Humildade, que comba­ te ou neutraliza os apegos, o egoísmo, o orgulho e tantos outros “vírus” de difícil controle. “Vírus” que invadem o in­ divíduo de forma generalizada, contaminando seus organis­

mos dimensionais, tornando-os desequilibrados, instáveis e desarmoniosos. Este é o substrato básico para a eclosão de várias patologias, que influencia decisivamente a evolução

99

S a c e r d o t e ,

A áag o

e .Aóédico

do indivíduo, impedindo-a. Sim, muitos estão com seus pro­ cessos evolutivos comprometidos, doentes, precisando de CURA, de AU TO CURA” Esperamos que, após estas ligeiras elucidações, que de­ sejamos completar no decorrer desta e de outras obras que surgirão, tenha-se percebido onde pretendemos chegar e quais os objetivos desta Introdução à presente obra. Leitor Am igo— Augusto Irmão Planetário, por favor, ao iniciar a leitura desta obra, queira aceitar nossas sinceras e serenas vibrações positivas pelo seu bem-estar, proporcio­ nando-lhe muita paz, muita luz, e longa vida de sucessos em sua presente reencarnação. Esta obra não pretende aprofundar-se nos conceitos da Cura e Autocura Umbandistas, mas proporcionar ao pre­ zado Leitor Irmão Planetário não-versado no assunto a pos­ sibilidade de iniciá-los e desenvolvê-los em nossas obras que virão ou nas de outros autores. Assim, iniciamos afirmando que a visão que temos so­ bre doenças difere da tradicional, do jargão acadêmico ou dos discípulos do Sábio de Cós; aliás, somos um deles. Temos certeza que doença não é somente a dor física ou moléstia decorrente do desequilíbrio ou comprometimen­ to fisiológico e anatômico de Sistemas, Aparelhos, Órgãos, Tecidos, Células, Organelas Celulares ou mesmo do Desar­ ranjo Biomolecular.

E ntendem os p o r doença todo e q u a lq u e r

sofrimento, seja ele espiritual, m oral oufísico.

Nosso

e

entender as causas reais, a etio lo gia das doenças em sua essência, em sua realidade.

propósito

é

estudar,

d isc u tir

100

V a m u n is id d K a

j\rWap\aghc

Não cremos que as causas das doenças ou patologias várias sejam deflagradas somente por alterações funcionais, hormonais, metabólicas, bioquímicas e estruturais; isto são apenas efeitos. As causas das doenças serão motivos de discussão, a pedra angular desta obra, mas desde já afirmamos que as mesmas podem ser devidas à própria conduta do indivíduo em relação a si mesmo, aos outros e ao próprio planeta. Toda e qualquer conduta que prejudique a quem quer que seja produz, como reação, um rebaixamento vibratório, indutor básico das várias doenças, que são manifestações reacionais em quem a produziu (a conduta negativa). Por­ tanto, as impurezas, imperfeições devidas à conduta inade­ quada são as causas das doenças ocasionadas pelo rebaixa­ mento vibratório que se processa em nível sutil, nos chakras ou núcleos vibratórios e no organismo etéreo-físico, como desarranjo eletromagnético, indutor fundamental da que­ bra de homeostasia funcional e estrutural, surgindo as do­ enças. Após nossa ligeira dissertação sobre doença, queremos ressaltar que antes da mesma ter existência concreta, uma manifestação palpável já encontrava-se latente no doente, ou seja, o que realmente há não é doença, mas sim doente ou doentes, sendo as doenças conseqüência das condutas ina­ dequadas do indivíduo, ontem ou hoje. Sim, mazelas ou “vírus espirituais”como ódio, ira, ego­ ísmo, apegos vários, ignorância, mente fechada, orgulho, vai­ dade, inação, preguiça e tantas outras são causas reais das doenças ou enfermidades4.

101

Sacerdote, AAago e Adédico

Os deflagradores das doenças, como estamos observando, somos nós mesmos. Precisamos

pois alterar nosso comportamento, nossa forma de encarar a vida eprincipalmente de

vivenciá-la. Necessitamos q uestionar a

ra z ã o d a m esm a e q u ais os m otivos

nossa presença fís ic a

e fin a lid a d e s

de

ou de nossa p erso n alid ad e no p la n e ta .

Será que estamos somente para “gozar a vida”, sermos apologistas do hedonismo, essencialmente apegados ao “Eu”? Será que não conseguimos perceber a misteriosa sabedoria da vida? Serão nossas mazelas frutos da inconsciência de que um dia, mais cedo ou mais tarde, haveremos de morrer? É, um dia

nascemos e disto temos certeza, embora não nos lembremos. Contudo, parece que nos esquecemos que um dia morreremos. E por quê? Porque temos medo; a fonte de todos nossos enga­ nos, inconseqüências e inconsciências várias Sim, a causa primeva do medo é o próprio medo de viver, portanto, da morte, das transformações. Talvez por isto seja­ mos misoneístas, conservadores, avessos às mudanças, pois a morte é a grande mudança ou transformação e, como não que­ remos morrer, não aceitamos as mudanças e vice-versa Sabemos que isto acontecerá um dia, mas não queremos

cogitar, preferimos

Se nascemos um dia e a vida segue sua marcha dialética, nos encaminhando para a morte, por que não procurarmos entendê-la sem preconceitos, receios ou terror? Devido aos nossos apegos, cujos objetos acreditamos se­ rem eternos e não transitórios, também nos julgamos eternos, tendo receio da morte. Não queremos nos afastar do que acha-

só “viver”. Aliás, achar que “vivemos”

102

Vamunisiddha j\*'U.ap\agl\c

mos bom; pior, não somos apenas apegados, mas estamos jungidos aos nossos desejos, que nos fazem concretizar o pior dos apegos — o do “Eu”, a Egolatria, fonte de toda ilusão Vivemos iludidos, numa grande ilusão, num sonho que geralmente transforma-se em terrível pesadelo.

D epois do nascim ento cam in h am o s, inexoravelm ente, p a ra a morte. Caminhamos 'fatalm ente "para ela. E a única certeza que temos, sendo todo o resto incertezas, portanto, devem os e n c a r á -la com n a tu r a lid a d e .

Pensando nisto precisamos entender que tudo se enca­ deia, se relaciona. Estamos todos enlaçados, entrelaçados pelas Leis do Karma, sejam elas relativas ao indivíduo, ao grupo fa­ miliar, ao grupo étnico, ao karma planetário etc. O Karma pode mudar todo o contexto de nossas vidas em poucos segundos. De repente, quantos projetos podem ser mudados? Muitos dizem ser a fatalidade da vida; nós afirma­ mos que não há fatalismo ou determinismo, a não ser que a própria conduta inconseqüente do indivíduo assim o permita. Somos dotados de Consciência, Inteligência, Amor e Vontade e, utilizando-nos deles com sabedoria através de nossa personalidade trina (Organismo Mental, Organismo Astral e Organismo Etéreo-Físico), podemos alterar nosso karma que, na dependência de nossa conduta, pode ser amenizado, suavi­ zado ou exacerbado, diminuído ou aumentado em suas reações. Nascer e morrer faz parte de nosso descaso perante a Lei, perante o planeta e sua humanidade. Haveremos de entender que é muito fácil morrer e não tão simples nascer ou renascer. Embora os renascimentos nos

103

Sacerdote, AAago e Adédico

tragam sofrimentos, são oportunidades de socorro, elevação, reparação e, principalmente, de amplificar a consciência de nossa transitoriedade e de nossa integração com todos os demais se­ res planetários. Encerremos por aqui, para retornar com outros porme­ nores nos capítulos que se seguirão. Acalmemos o psiquismo! Serenemos e abramos o coração! Tomemos a decisão sóbria de agir rumo à evolução e pe­ netremos com toda isenção de ânimos no cerne deste livro

104

yamwmsiddka .A^kapiagka

NOTAS COMPLEMENTARES

1 - A Doutrina do Tríplice Caminho ou da triunidade cósmica preconiza:

DOUTRINA TÂNTRICA — Doutrina da Luz, da Sabedoria, da Hu­ mildade, como sendo a via dos Iluminados que buscam neutrahzar de si mesmo e da humanidade as trevas, a ignorância, a morte e a tirania. DOUTRINA MÂNTRICA — Doutrina do Verbo, do Amor, da Pure­ za, como sendo a via dos Iluminados que buscam a Libertação e a Reali­ zação. Expressa-se pelo Verbo Sagrado, pela Coroa da Palavra, sendo por isto confundida com o Mantra. O Mantra é somente a unidade básica da Doutrina Mântrica. DOUTRINA YÂNTRICA — Doutrina do Movimento, da Simplicida­ de, da Ação Efetiva, como sendo a via dos Iluminados que buscam a com­ preensão da impermanência e da não-estaticidade. Associam-na à Forma e à Geometria, que são unidades componentes da Doutrina Yântrica que em verdade vela os ciclos e ritmos da Lei Cósmica, da Lei Kármica.

2 - 0 Cristal é considerado o “avô”do mundo. Tem impressas todas as fases- vivências pelas quais passou o planeta e a vida planetária.

3 - 0 que ressalvamos, a bem da verdade, é que o título de Iluminado faz pressupor um Mestre que o iluminou. Tal como a Lua é luz polarizada e amenizada da coroa solar, o Iluminado é o reflexo de um Luminar(!ü). Só se esta for a explicação do porque associar o Buddha à Lua, pois, caso contrário ?!

4 - Estamos utilizando o vocábulo doença de forma generalista, pois, a rigor, há diferenças conceituais que agora relataremos ao Leitor Irmão Planetá­ rio. O Médico estuda doenças e trata enfermidades. Portanto, ambas as palavras não são sinônimos. O raciocínio médico jamais poderá confundir doença com enfermidade, embora precise ter conhecimento de ambas. Infelizmente, o ensino médico compartimentalizado, que divide a teoria da pragmática médicas, pode levar ao erro crasso de confundir-se enfer­ midade (algo concreto do indivíduo que apresenta sinais, sintomas) com doenças (reação tecidual, celular, microbiologia, etc.).

105

P arte I I

M ed icin a U m bandística ou de Síntese

Fundamentos da Medicina de Síntese

Fisiologia da Energia Sutil:

Canais

Chakras

Humores:

Líquor —Sangue - Sêmen Linfa —Bile

Dialética da Medicina Umbandística

Etiologia das Doenças

Fundam entos da M ed icin a de Síntese

aprendizado, em geral, melhor se dá através da vivência ou participação efetiva naquilo que denominamos ex­ periência direta; outra forma complementar é a do conhecim ento por meio das leitu ras, conversas, do questionamento verbal, enfim, do estudo, da erudição.

vivência ou participação efetiva deve ser considera­

O

A

da o verdadeiro aprendizado, embora não absoluto, pois a erudição vem dar explicações, confirmando. Portanto, a prá­ tica é primordial, imprescindível, mormente a experiência direta.

A alusão feita ao aprendizado como vivência pretende

introduzir à “Doutrina do Tríplice Caminho”, base discursiva

da M edicina de Síntese, segundo os Fundamentos de Umbanda (Ombhandhum) — a Triunidade Cósmica — a Proto-Síntese Cósmica. Se não conhecermos e praticarmos o Tríplice Caminho, dificilmente seremos capazes de reali-

Sacandote, A úago

e A âédico

zar a Medicina de Síntese. Observemos, então, as bases do Tríplice Caminho. Segundo rezam os conceitos adoutrinários da “Doutri­

na” do Tríplice Caminho

muito antes dos fenômenos cosmogenéticos pré-existia o Rei­ no Virginal ou Cosmo Espiritual, onde a única realidade era o Espírito isento de veículos dimensionais (relativos à energia, a

qual era inexistente). Neste Reino Virginal não havia e não há tempo (atemporal) ou espaço (adimensional), cogita-se só do infinito, da “eternidade relativa”. Seus domínios pertencem ao chamado Vazio-Neutro.

(sem ortodoxia, sem limites, aberta),

Cosmo

E sp iritu al há o Reino N atu ral ou Universo

E s p ir itu a is

posicionados em vário s grau s hierárquicos

faz en d o

v ir g in a is :

percepção,

os

A lém

desse

R eino

h á

V irg in a l

Seres

ou

A s tra l,

onde

uso de veículos d im ension ais que

suas

afin id ad es

in telig ên c ia

etc.

m anifestam

consciência,

Neste Reino Natural, ao contrário do Reino Virginal, há

o limite da finitude, regido pelos conceitos de espaço-tempo

(temporal, dimensional). Seus domínios estão sob as vibrações da energia-massa (galáxias, sistemas solares, planetas etc.). Separando os dois Reinos, formando verdadeira barreira vibratória, há a Substância Etérica, protoforma de antimatéria

e matéria que, quando associadas, retornam à origem, a Subs­ tância Etérica. O que até o momento afirmamos é o que ensinam os Sa­ grados Princípios de Tuyabaé-cuaá — a Tradição dos Velhos — a Sabedoria — Amor e Atividade Cósmicos preconizados

110

^am um siddka A rk a p ia g k a

K

pela pura Raça Solar, a primeira a habitar o planeta, sendo que seu fastígio moral-científico-espiritual estendeu-se até os tem­ pos imemoriais quando “desmaterializaram” seus “Mundos de Luzes e Felicidades”, retornando aos Planos Ariândicos (Aruanda), Sagrados Cimos da mais alta espiritualidade.

A Cosmogênese, segundo esses princípios, foi concreti­

zada através do Poder Operante ou Poder Volitivo dos SETE A R A SH A S ou Orishas, os quais adaptaram a Substância Etérica através de seus poderosos influxos espirituais concreti­ zados em ciclos e ritmos, originando a vibração original que se expressou em Luz, Som e Movimento — ou Princípios Eletro­ magnéticos, a Gravitação.

A “Adoutrina do Tríplice Caminho”baseia-se, alicerça-se

em analogias com os eventos da Cosmogênese, quando se consolidaram os três fenômenos da criação: a Luz, o Som e o Movimento.

A Doutrina do Tríplice Caminho ou do Ombhandhum

— A Proto-Síntese Cósmica, baseia-se: no Caminho da Luz, no Caminho do Som, no Caminho do Movimento. Ao Cami­ nho da Luz associamos a Doutrina Tântrica. Ao Caminho do Som associamos a Doutrina Mântrica. Finalmente, à Doutrina do Movimento associamos a Doutrina Yântrica.

P ortanto, as D o u trin as: T ân trica

Sabedoria U niversal); M ân trica (Som — Amor

(L u z

do Verbo U niversal) e Y ântrica (M ovim ento

P o d er

Caminhos que convergem àT riunidade Cósmi­

O perante

U n iv e rsa l),

são

os

Três

ca ou Verdade Absoluta

Realidade Suprema.

lll

S a cerd o te, ]\Aago e .M édico

Com estas ligeiras mas necessárias considerações sobre os Fundamentos da Doutrina do Tríplice Caminho melhor en­ tenderemos, nos capítulos que se seguirão, a Medicina de Sín­ tese e, principalmente, a AutocuraTântrica— a Realização Es­ piritual — Corolário Sublime e Supremo de Umbanda ou Ombhandhum.

A ntes de encerrarm os estes F undam entosqueremos reiterar que a M edicina de Síntese teve sua origem na R aça Vermelha, h á cente­ nas de m ilhares de anos, onde surgiram os vo­ cábulos Tantra, M a n tra e Yantra, que tinham conotações completamente diferentes dos tem ­ pos atu ais (de dez milênios até os dias de hoje).

Sim, Tantra não era apenas práticas ou ritos e muito me­ nos deturpações conscienciais sobre a nobreza da reunião do par vibracional Homem-Mulher que derivou para os aspectos grosseiros do sexo.

T antra era o reencontro do P a r V ibracional

Essência-Existência que deixava de existir,

d iversid ad e

n e u tra liz a v a na un icid ad e d a

pois

a

da

d u alid ad e

se “u n id a d e ”.

No desenrolar do enredo deste livro perceberemos que a Medicina preconizada pela Umbanda compreende não apenas os aspectos fisiogônicos e androgônicos mas baseia-se, funda­ mentalmente, nos aspectos cosmogônicos e teogônicos do

112

\Cur\unisiclclk<a A ^ k a p ia g k a

K

Tantra. A esse enredo dos Tantras em seus aspectos superlati­ vos ou da Luz Crescente denominamos Doutrina Tântrica.

M a n tra , p o r sua vez, não é apenas

p a la v r a de poder, m as po der do verbo,

do Logos Solar, do Verbo Solar. E opoder do

A m or R ed iv iv o a expressar-se p e la

p

a la v r a sagrad a, em seus v ário s g rau s

e

aspectos. O Poder Sagrado dos Textos

D o u trin ário s e p rin cip alm en te

A d o u trin ário s constituem a D o utrin a

M ântrica.

Yantra, instrum ento do M ovim ento, não é simplesmente o estudo do M ovim ento, da geom etria sagrada ou da E scrita Cósmica,

m as os p ró p rio s ciclos e ritm os da L e i aplicados ao p laneta, a sua L ei K árm ica

R egu lativ a com seusfluxos e refluxos, ações

e reações, nascimento, morte e renascimento,

p o rtan to , são esses eventos da L e i que são tratados na D o u trin a Y ãn trica.

Embora tenhamos divergências conceituais com alguns Irmãos Planetários oriundos das zonas gélidas dos Himalaias, ainda neste livro iremos ressaltar que hindus, chineses, mongóis, tibetanos e outros respeitáveis povos são reencarnações de re­ manescentes da Raça Solar, são novas expressões reencarnató-

113

S a c e r d o te ,

AAago e AAédico

rias de seres espirituais que cindiram o famoso Tronco Tupy (Raça Vermelha). Este Tronco Racial, ao cindir-se no perigeu da Atlântida, deu origem aos Tupy-Nambás e Tupy-Guaranys. Os últimos, através da Migração Espiritual Kármica, foram animar novos grupos reencarnatórios, levando às Américas, África, Ásia e demais plagas do planeta seus ensinamentos. Esses ensinamentos já se haviam deturpado; como simples exemplo, citemos o Prin­ cípio Espiritual, associado ao Sol, que foi permutado pelo Prin­ cípio Natural, associado à Lua. Deixaremos aos Irmãos Planetários, que são perspicazes

e não sectaristas, a interpretação do que afirmamos, principal­ mente a inversão dos valores citados e suas conseqüências. No epílogo, não podemos deixar de aditar que para nós, adeptos dos Princípios Universais de Umbanda ou Ombhandhum, a Doutrina do Tríplice Caminho contém em seu bojo a Medicina Tântrica, a qual é também denominada de Medicina Cósmica ou de Síntese e que visa curar a Essência do Ser Espiritual, fazendo-o retornar ao estado de equilíbrio, per­ dido quando de sua descida do Reino Virginal ao Reino Natu­ ral. Em verdade, este fato acarretou a Doença Primeva, mani­ festada nas mais variadas formas de doenças ou enfermidades, que discutiremos nos próximos tópicos com total isenção de ânimos. Recobremos a serenidade, a leveza da mente e do coração

e com determinação e bom ânimo penetremos nos pródromos da Terapia da Alma, do entendimento da Fisiologia da Energia Sutil.

114

^amunisidclka Arkapiagha

K

F isio lo gia da E n ergia S u til:

C an ais

C hakras

O s Princípios Espirituais, através do Poder Operante

dos Arashas ou Orishas (Senhores da Luz Espiritu­

al), foram manifestados na Cosmogênese.

A

Gênese Cósmica deveu-se aos SETE AR ASH AS,

cujos Poderes Volitivos expressos em ciclos e ritmos particula­

res foram impressos na Substância Etérica, subtraindo-lhe a indiferenciação e o aspecto caótico.

O instante primevo da Cosmogênese, como reação ou

efeito do Poder Volitivo dos Arashas, produziu Três Fenôme­ nos Arquetipais:

da Cosmogênese, como reação ou efeito do Poder Volitivo dos Arashas, produziu Três Fenôme­ nos Arquetipais:

115

Sacerdote., J\Aago e Médico

Os Sete Arashas Virginais — Senhores da “Coroa Divi­ na” estenderam seus Atributos Unos modificados à Hierarquia Virginal. Os atributos inerentes à “Coroa Divina” eram: Onis- ciência, Onipotência, Onipresença. Esses atributos virginais manifestaram-se nos Seres Es­ pirituais como percepção, consciência, inteligência, amor, von­ tade etc. Os A tributos Unos aludidos se expressaram na Cosmogênese através dos Três Fenômenos Arquetipais. Assim, tivemos:

/*--------------------------------------------------------------------------------

Onisciência manifestada como Luz Cósmica Sete Cores Fundamentais Onipotência manifestada como Som Cósmico Sete Notas Fundamentais Onipresença manifestada como Movimento Cósmico Sete Forças Fundamentais

Apreciando com atenção o que até aqui expusemos, não terá o Prezado Irmão Planetário dificuldades em entender a relação ou analogia que fizemos com a Doutrina do Tríplice Caminho, que pretende interpretar para os diversos graus conscienciais, o significado da Luz Cósmica (D outrina Tântrica), do Som Cósmico (Doutrina Mântrica) e do M ovi­ mento Cósmico (Doutrina Yântrica).

A van çan d o poderem os

em a firm a r

nossa

exposição,

é

a

m anifestação ou concretização do Poder Volitivo ou Operante dos Sete Arashas e

que o Cosmos

Hierarquia e, p o rtan to , S agrad o , D iv in o .

116

\?am u n \sicldl\a j\ rU .a p \ a g l\ a

K

Centralizemos nossa percepção e atenção em nosso Sis­ tema Solar e, em especial, no Planeta Terra. Este órbita sob os influxos vibracionais do Sol, luminar que lhe dá sustentação, vida e luz. Remontemos, então, há aproximadamente cinco bi­ lhões de anos e penetremos na Planetogênese (Criação do Pla­ neta Terra).

A Planetogênese imitou a Cosmogênese (Criação do

Cosmos). A Substância Fundamental do Sol (Hélio e outros elementos — luz) sofreu sobre si o Poder Volitivo dos SETE AR ASH AS SOLARES, o que deu origem ao Sistema Solar. Dentro desse Sistema, focalizemos nossos estudos no Planeta Terra, nosso mundo de evolução e vida. Mais uma vez, o Poder Operante dos Sete Arashas, ma­ nifesto em ciclos e ritmos, deu origem à Setessência da matéria, em analogia com os Três Princípios Arquetipais. Esta Setessência apresenta-se, em obediência aos “Três Princípios”, posicionada em três planos coexistentes e interdependentes, denominados:

Plano Mental: associado à Luz Espiritual, pedra angular

da D outrina T ântrica ou da

dos fundam entos Luz Divina.

Plano Astral: associado ao Verbo Espiritual, pedra angular dos fundamentos da D outrina M ântrica

ou do Verbo Divino.

Plano E téreo-Físico: associado ao M ovim ento Espiritual, pedra angular dos fundamentos da Doutrina Yântrica ou da Lei Divina.

A “m atéria” que constitui o Plano M ental é dita

sutilíssima, origem ou arquétipo das forças vivas ou energias sutis.

117

S a c e r d o t e ,

]\Aago e M é d ic o

A “matéria” que constitui o Plano Astral é nomeada sutil,

sendo a primeira manifestação da energia sutilíssima. Esta Ener­ gia Astral é origem das forças sutis, ares vitais, prana, tattwas etc. No Plano Etéreo-Físico temos a densificação máxima permitida à Energia-Massa segundo os limites vibracionais e gravitacionais relativos ao planeta Terra. Esta Energia-Massa possui cinco estados físicos: sólido, líquido, gasoso, plasmático e boseano, que são consolidações de elementos sutis, também denominados de elementais: terra,

água, fogo, ar e éter.

O estado etérico (Fluido Gerador ou Espaço Inercial), o

AKASH A, está inteiramente aderido ao plano físico, sendo o quinto elemento, que é, na verdade, geratriz dos demais. Após esta descrição da constituição da matéria física e hiperfísica do planeta (veículos concretizadores dos vários pla­ nos e manifestações da energia), façamos o mesmo com o Ho­ mem. Entenderemos, assim, as íntimas relações deste (microcosmo) com o Planeta e mesmo com o Cosmos (macrocosmo).

A Planetogênese imitou a Cosmogênese

analo gam ente,

afirm am os

que

“aAntropogênese imitou a Planetogênese'.

A última assertiva faz-nos concluir que os Sete Arashas

Planetários nos influenciam tanto quanto ao Planeta Terra e são nossos Genitores Kármicos, com a particularidade de que a cada nova reencarnação, segundo o momento de nosso nasci­ mento, ficamos sob o influxo mais direto de um Arasha. Antes de compreendermos o mecanismo de, a cada nova reencarnação, ficarmos sob os influxos vibracionais de determi­ nado Arasha, penetremos nas analogias entre macrocosmo e

microcosmo.

118

\^amum'siddka j\rV\apiagl\a K

O Ser Espiritual, o Homem Reencarnado, tal qual o pla­

neta, é constituído de elementos densos, sutis e sutilíssimos.

O Organismo ou Veículo Dimensional constituído de

energia sutilíssima é o Mental. Este Organismo é sede da Cons­

ciência, vela a Essência Espiritual, a Autoconsciência — a Luz Espiritual. É o organismo mais rarefeito, refletindo de forma mais fidedigna o Ser Espiritual em essência.

O Veículo intermediário entre o mais sutil e o denso é o

Organismo Astral, sede eletiva dos sentimentos, das emoções. Vela a vontade, a percepção, o Verbo Espiritual. Nele encon­ tramos os chakras ou núcleos vibracionais, que são a represen­ tação do Organismo Mental no Organismo Astral. Os chakras superiores regulam a atividade dos órgãos as­ trais e físicos relacionados; mais diretamente, as funções men­ tais propriamente ditas; os chakras intermediários a vida astralizada; e os inferiores, a vida física. No último Organismo, o Etéreo-Físico, constituído de sólidos, líquidos, gases e éteres, é onde se situa a sede das sensa­ ções, das ações, da manifestação; é considerado a concretização dos demais veículos dimensionais. Resumindo, diremos que o Organismo Mental está afe­ to ao Pensamento, o Organismo Astral ao Sentimento, o O r­ ganismo Etéreo-Físico àAção. Recorrendo novamente aos pro­ cessos analógicos, associemos os três Organismos a sistemas e órgãos de equivalência no Organismo Etéreo-Físico. Assim fazemos com a finalidade de demonstrar que os Organismos Dimensionais são um contínuo vibracional, ou seja, feixes de vibrações que vão gradativamente se condensando até manifestarem o Organismo Físico Denso. Neste Organismo Físico Denso, segundo nossas afirma­ ções, poderemos encontrar representantes dos outros dois or­ ganismos mais sutis (feixes vibracionais ou campos eletromag­ néticos menos condensados).

119

Sacerdote, ]V\ago e Médico

Assim, o Organismo Mental tem seu ponto de equiva­ lência no Corpo Físico, na cabeça (cérebro ou encéfalo, ou todo sistema nervoso central), principalmente nos órgãos de relação, visão (olhos) e audição (ouvidos). Fazendo a interconexão com os demais organismos há o fluido nervoso, consolidado no lí­ quido cefalorraquidiano (líquor).

O Organismo Astral tem seu ponto ou região de equiva­

lência no tórax, principalm ente no Sistem a Fono- Cardiorrespiratório (laringe/coração/pulmões), Sistema

Hematológico, Órgãos Hematopoéticos, Sistema Endócrino ou Imunoendocrinológico. O elemento de ordem astral condensado que faz a conexão com os demais organismos é o fluído prânico (sangue — com suas duas partes: sérica [soro] e celular [hemácias, leucócitos, plaquetas]).

O Organismo Etéreo-Físico tem sua expressão máxima

na Região Abdominal, nas vísceras. O elemento conector é o

fluido mecânico (linfa). Resumindo, para melhor compreensão do tema alhures exposto, vejamos o quadro sinóptico.

 

O

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A b d o m e

 

In

B

te s tin o s

ex ig a

 

L in fa

 

O Fluido Nervoso (consolidado no líquor) é a expressão

do Organismo Mental no Organismo Físico.

O Fluido Prânico (consolidado no sangue) é a expressão

do Organismo Astral no Organismo Físico.

120

^am w nisiddkci j\A\aplagl\a A

O Fluido Mecânico (consolidado na linfa) é a expressão de elementos etéricos no Organismo Físico. Depois de demonstrar como no Organismo Físico, espe­ cificamente em suas três regiões, cabeça, tórax e abdome, se expressam e se relacionam os Organismos Mental, Astral e Fí­ sico, tomemos um dos segmentos, a cabeça, e observemos como nela há representantes dos três Organismos. O mesmo pode se fazer com os dois outros segmentos: tórax e abdome. Observando-se atentamente a cabeça (crânio e face) per­ ceberemos Sete Orifícios. Estes Sete Orifícios, podefnos afir­ mar, estão praticamente em três planos diferentes e relacionam- se com os três Organismos citados. No primeiro plano, ligeiramente inclinado, denominado superior, encontram-se quatro orifícios. Dois orifícios onde se adaptam os globos oculares (olhos) e dois orifícios onde se adap­ tam os dois pavilhões auditivos (orelhas). Este plano é relativo ao Organismo Mental. Em um segundo plano, por nós denominado de médio, encontram-se dois orifícios. São os orifícios das narinas (nariz). Este plano é relativo ao Organismo Astral. No último, o terceiro plano ou inferior, encontra-se um único orifício (boca). É o plano relativo ao próprio Organismo Etéreo-Físico. Assim, conclui-se que: o primeiro plano relaciona-se com a visão (cérebro) e audição (Cerebelo). O segundo plano liga a cabeça com o tórax, através da nasofaringe, laringe, traquéia e finalmente pulmões e coração. O terceiro plano liga a cabeça com o abdome através da boca, língua, dentes, faringe, esôfago (que passa pelo tórax), estômago, duodeno, intestino delgado, intestino grosso e ânus. Implicações várias têm essas citações. Vimos que da boca chega-se ao fim do intestino grosso (reto-ânus). São “entrada”e

121

S a c e r d o te ,

A áago

e

A lé d ic o

“saída” que devem controlar os alimentos ingeridos pela boca. Contudo, devemos considerar alimentos também o que entra pelos outros orifícios, tais como: imagens (visão), sons (audi­ ção), sensações táteis (tato), ar e sucedâneos etc., devendo haver excreções correspondentes para cada um. Assim explicamos, pois queremos relacionar a anatomia e fisiologia do organismo físico com a de ordem sutil, das forças vivas, das energias de ordem astral, como os canais sutis e “ór­ gãos ultérrimos” — (chakras).

Continuando, é de v ita l im portância entender-se

que o Princípio Espiritual (imanifesto) ou Essência,

ao m anifestar-se (Existência)fê-lo no Universo A s­ tral, onde, como vimos, h a v ia domínio da Substân­ cia, da E nergia em seus vários graus de densidade.

Interpenetrando fundamentos e rasgando arcanos, afir­ mamos que o Ser Espiritual gerou, exsudou a Substância Etérica, sendo a mesma protoforma para a Cosmogênese, onde, repisa­ mos, teria domínio a Energia-Matéria. Recapitulando e aprofundando, visando o melhor enten­ dimento, afirmamos que o Princípio Espiritual Uno (Essência) ao se bipolarizar, separando-se objetivamente (Existência), gerou de moto próprio, devido à sua atribuição criadora (Substância), a Substância Etérica que é indiferenciada, caótica, sem movimentos coordenados. E a essa Substância Etérica que a Coroa Divina, os Sete Arashas Supremos — Espíritos Virginais de Máximo Poder — através da Potenciação de suas Vontades, de seus Po­ deres Volitivos, propiciaram movimentos ordenados, diferenci­ ando-a, imprimindo-lhe um ciclo e ritmo particular.

122

^/amunisiddka FW kap iag kc

8 ■<

Esse ciclo e ritmo, na verdade, deu formação à Energia Bipolarizada. A essa Energia Bipolarizada denominamos Ener­ gia Primeva Positiva e Energia Primeva Negativa.

A Energia Primeva Bipolarizada deflagrou a constitui­

ção setenária da Matéria no Universo Astral. Assim, o Poder Volitivo dos Sete Arashas Supremos, apli­ cado à Substância Etérica, gerou o Universo Astral. A concretização desse Poder Volitivo pode ser expressa na Cosmogênese, no “Big Bang”, que gerou três fenômenos que perduram até nossos dias. A Luz, o Som e o Movimento são as expressões concretas do Poder Volitivo dos Arashas. São o Tantra (Luz), Mantra (Som) e Yantra (Movimento) Cósmicos. Antes de prosseguirmos em nossos estudos que nos con­ duzem aos Fundamentos de Medicina de Síntese, observemos como, analogamente à constituição cósmica, desdobram-se a Matéria e a Energia em nosso planeta, pois os mesmos consti­ tuem a pedra angular da Terapêutica Psico-Espiritual.

A matéria constitutiva do planeta Terra é, igualmente,

Setenária. A Energia Bipolarizada em Energia Mental Positiva

(M atéria M ental Abstrata) e Energia M ental Negativa (Matéria Mental Concreta) dá origem, por rebaixamento de sua vibração essencial, à Energia Astral.

A Energia Astral, por dissociação ou emissão, dá forma­

ção a quatro Energias, totalizando o Setenário. A Energia Astral é a base constitutiva da dimensão sutil, hiperfísica do planeta.

Na dimensão grosseira, densa, é a deflagradora de quatro estados da manifestação ou concretização.

O primeiro estado de manifestação é o Eólico (Ar), es­

sencialmente expansivo.

O segundo estado de manifestação é o Igneo (Fogo), es­

sencialmente radiante.

123

S a ce rd o ie ., JV\ago e JV\édico

O terceiro estado de manifestação é o Hídrico (Água), essencialmente fluente. O quarto e último estado de manifestação é o Telúrico (Terra), essencialmente coesivo. Concluindo, os elementos Ar, Fogo, Água e Terra com­ põem o Plano Físico denso do planeta, sendo que as Linhas de Forças (Energias Sutis) os sustentam através do Poder Atuante dos Emissários Executores dos Arashas ou Orishas — os Esséias ou Eshus (concretizadores).

Demonstramos como o microcosmo está relacionado com o macrocosmo, como am bos possuem características sim ilares. Reiteramos que, embora o

Ser E sp iritu alpossua Sete Veículos Dimensionais de

sua consciência, os agrupam os em Três Organismos, relacionando-os aos P rincípios Cosmogenéticos.

Após as exaustivas demonstrações analógicas sobre a interdependência entre Cosmos, Planeta e Homem, concluí­ mos que o binômio Espírito— Corpo é uno, indivisível, sendo assim considerado pela Medicina de Síntese preconizada pelo OMBHANDHUM — ou PROTO-SÍNTESE CÓSM ICA.

INTERDEPENDÊNCIA

Cosm os

COSMOGÊNESE

(D

P laneta

PLANETOGÊNESE

(2)

124

H om em

ANTROPOGÊNESE

(3)

\?avr\ur\\s\ciclWa j\ A \ a p \ a g U a

X,

(1) O Poder Operante ou Volitivo dos Arashas Virginais aplicado à Substância Etérica conferiu-lhe ciclos e ritmos que se expressaram através de: Luz, Som e Movimento Cósmicos. (2) OPoder Operante ou Volitivo dos Arashas Solares apli­ cado à Substância Solar conferiu-lhe ciclos e ritmos particula­ res. Estes se expressam através de: Equilíbrio, Estabilidade e Harmonia Planetárias. (3) O Poder Operante ou Volitivo dos Arashas Planetários ou “Ancestrais” aplicado à Setessência da Matéria confere-lhe ciclos e ritmos particulares. Sua expressão dá-se através dos:

Organismo Mental, Organismo Astral e Organismo Etéreo- Físico. A Medicina de Síntese, o médico ou o curador tântrico procuram harmonizar o Homem com sua essência, não se es­ quecendo, porém, que o m tsm o possui Organismos Dimensionais. Não fragmenta o binômio Espírito-Corpo; ao contrário, procura incrementar-lhe a unidade.

A

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Universo Espiritual

Universo Astral

Planeta Terra

Onisciência

Luz - Sabedoria

Organismo Mental

Onipotência

Som -

Amor

Organismo Astral

Onipresença

Movimento - Atividade

Organismo Etéreo-Físico

Outrossim, tem ciência que os Organismos Etéreo-Físi- co, Astral e Mental demonstram que o Ser Espiritual perdeu a Unidade, pois no planeta necessita de Três Organismos ou Sete Corpos para se manifestar.

125

Sace-rdoie., J\Aago e A^édico

Como estaTriunidade deveria expressar-se de forma una

e isto não acontece, surgem as polarizações em um ou outro

organismo, acarretando a quebra de unidade, de síntese. Veremos em capítulos subseqüentes que isto deve-se à queda do Reino Virginal, onde a Unidade Espiritual se tripartiu em Percepção, Consciência e Inteligência, gerando a Doença Primeva, substrato de todas as demais desarmonias, inclusive as enfermidades físicas. Finalmente, concentremos nossos estudos na Organiza­ ção Astral do Homem, em sua anatomia, fisiologia e patologia sutis, e entenderemos a etiologia das doenças, os meios de tratá- las e, se possível, evitá-las, propósito fundamental da M edi­ cina de Síntese. O Organismo Mental do Ser Espiritual envia certos

impulsos-mensagens através dos Condutores Vibráteis (Li­

nhas de Forças Condutoras das Forças Sutis), que veiculam

a matéria mental, fazendo-a condensar-se, rebaixando o teor vibracional a freqüências menores que a da matéria mental abstrata e maiores que a da matéria mental concreta e da matéria astral. Esta condensação deu formação, no Orga­ nismo Astral, aos Chakras.

E im portante d eixar firm ad o que os Núcleos

V ibracionais ou C hakras se fo rm aram p e la condensação da m atéria m en tal em certas regiões do O rganism o A stra l; é como se no

Organismo A stral, nesses locais de condensação,

estivesse

o próprio

O rganism o

M en tal.

Essa Energia Mental, rebaixada em suas vibrações, além de dar formação aos Centros ou Núcleos Vibracionais ou

126

\^amunisidclka .Arkapiagka K

Chakras, forma verdadeira rede condutora de energias vi­ tais, tanto aferentes (que vão ter aos chakras) como eferentes (que saem dos chakras). Estes condutores são os denomina­ dos canais, veias ou condutos sutis de energias vitais. Aprofundando-se nesse estudo, sem querer esgotá-lo, após ter entendido o mecanismo ou processos de formação dos chakras de ordem astral, sabe-se que também o Orga­ nismo Astral, por sua vez, projeta e condensa seus “órgãos vitais” através de mecanismos da transformação de energia, fazendo com que os mesmos fiquem assentados através de um circuito oscilatório, eletromagnético, no “corpo etérico”. Dessa nuvem eletrônica ou “campo vibracional transdutor”, as linhas de força que dão condições à formação do Orga­ nismo Físico Denso penetram no processo embriogênico e presidem, como equivalentes mento-astrais e etéricos toda a formação das Glândulas Endócrinas, Sistema Nervoso Cen­ tral (encéfalo-medula), Sistema Nervoso Periférico com seus plexos e feixes nervosos. Como pode-se depreender, o Organismo Físico é uma projeção condensada de Organismos Superiores, sendo que os Sistemas Condutores são equivalências dos canais e veias de ordem astral, condutoras de energias sutis. As Energias Bioelétricas ou Sutis, que mantêm os tônus e os ciclos neural, cardíaco e visceral, provêm de “comandos superiores” oriundos, respectivamente, do Organismo M en­ tal e do Organismo Astral, sendo os Chakras importantes núcleos receptores e emissores de energias vitais, além de captarem energias primárias (eletricidade, magnetismo, kundalini etc.) que vitalizam e são importantíssimos aos pro­ cessos da Vida e sua manutenção, proporcionando equilí­ brio, estabilidade e harmonia astro-psíquica ao indivíduo. E importante salientar que também captam outras energias

127

Sace^do+e, ]V\ago e ^Vládico

ultra-sutis que são delicadíssimos alimentos para a tessitura do corpo causai Sucintamente, iremos descrever a morfologia básica dos chakras. Os núcleos vibracionais ou Centros de Iluminação, morfologicamente, são constituídos de dois elementos: o ele­ mento central captador e a haste condutora até os canais su­ tis. Pálida idéia do chakra encontraremos no neurônio, a cé­ lula nobre do Sistema Nervoso, no Corpo Físico Denso. O corpo ou soma do neurônio com seus dendritos se­ riam o elemento central ou “corpo” do chakra, e o axônio do neurônio seria a haste condutora e de fixação do núcleo vibracional. As ilustrações a seguir demonstram o que descreve­

mos.

As ilustrações a seguir demonstram o que descreve­ mos. B A - Neurônio A l -

B

As ilustrações a seguir demonstram o que descreve­ mos. B A - Neurônio A l -

A - Neurônio

A l - Dendritos

A2 - Núcleo

B - Axônio

Neurônio

128

^/amwmsiddka A+kapiagka K

^/amwmsiddka A+kapiagka K A - Centro de Iluminação A l - Pétalas Irradiantes Pulsáteis A2 -

A - Centro de Iluminação

A l - Pétalas Irradiantes Pulsáteis

A2 - Núcleo - Passagem de Energia

B - Condutor - Haste Fixadora

Observando as ilustrações apresentadas, veremos que o neurônio é o equivalente do chakra no Organismo Físico. Foi, como dissemos, pela condensação das projeções dos Núcleos Vibracionais ou Chakras do Organismo Astral no Corpo Etérico que esses (os neurônios) se consubstanciaram no corpo físico denso, sendo, como vimos, a unidade fundamental do Sistema Nervoso. Assim, podemos associar, por equivalência, certas funções neuronais, algumas extremamente delicadas e complexas, com o funcionamento dos Chakras. No Organismo Astral há cinqüenta e sete Núcleos

Vibracionais fundamentais, sendo oito considerados Principais,

Ia Ordem ou Magnos. Em verdade 1 + 7, pois o primeiro é

de

de transição entre o Organismo Mental e o Astral. No Corpo Etérico há a mesma rede vibracional; os sete chakras principais

129

Sa ce rd o te ., J^Aago e TVlédico

se localizam no corpo astral em topografia que avante discuti­ remos, mas além deles há os canais, as “veias”, os “vayus” (ares ou ventos) e os chakras secundários e terciários.

E importante reiterar que entre os núcleos vibracionais

há uma profusa rede de ligação e comunicação, interligando-os de forma idêntica à que existe no Sistema Nervoso.

A rede que conecta os diversos chakras não guarda coin­

cidência anatômica com seu equivalente no Corpo Físico Den­ so, mas existe uma projeção desta no campo eletromagnético do soma, correspondendo aos denominados meridianos. Temos também uma importante equivalência física dos chakras nas mãos. As mesmas representam ação, e seus compo­ nentes digitais e das zonas hipotenar e tenar se equivalem a Núcleos Superiores do Encéfalo, principalmente de suas regi­ ões diencefálicas: Zonas Talâmicas, Epitalâm icas e

Hipotalâmicas. Retomando, descrevamos

Chakras, por equivalência, no Corpo Físico:

a localização

dos

Sete

r> Io Chakra — associado a Oshala

A

u

z

L

N A

\

Chakra Coronal ou da Coroa, se assenta no cor­ po astral no alto da cabeça, em sua região póstero-superior, apresentando uma Proemi­

nência iluminada para mais ou para menos, se­

gundo o grau evolutivo do Ser Espiritual. Sua cor é branco-azulado com laivos dourados.

2o Chakra — associado a Yemanja

Chakra Frontal, localizado na região frontal interorbital, sua cor é amarelo-prateado.

130

\^amwmsiddka yAi^kapiagka 3o Chakra — associado a Yori Chakra Laríngeo, localizado na região cervical (pescoço).
\^amwmsiddka yAi^kapiagka 3o Chakra — associado a Yori Chakra Laríngeo, localizado na região cervical (pescoço).
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\^amwmsiddka yAi^kapiagka 3o Chakra — associado a Yori Chakra Laríngeo, localizado na região cervical (pescoço).

\^amwmsiddka yAi^kapiagka

3o Chakra — associado a Yori

Chakra Laríngeo, localizado na região cervical (pescoço). E de cor vermelho puro com laivos dourados se bem desenvolvido, sem bloqueios ou interferências. É esverdeado escuro, até es­ carlate (vermelho escuro) quando sob influên­ cias, bloqueios e interferências várias.

4o Chakra — associado a Shango

Chakra Cardíaco, localizado no tórax, na re­ gião do precórdio (região intermamária). Sua cor é o verde puro, tendo laivos amarelo-dou­ rados se estiver em atividade superior e bem de­ senvolvido. Caso contrário, sua cor é verde-es- curo com laivos escarlates.

5o Chakra — associado a Ogun

Chakra Gástrico, localizado na região abdomi­ nal superior. Sua coloração é alaranjado bri­ lhante puro. Estando em atividade superior, bem desenvolvido, é alaranjado muito brilhan­ te e claro com laivos radiais verde musgo bri­ lhantes; caso contrário, é alaranjado afogueado, sem vida, com laivos verdes escuros.

6o Chakra — associado a Oshossi

Chakra Esplênico ou do umbigo, localizado na região que denominamos, no corpo físico den­ so, região umbilical ou mesogástrio. Sua colo­ ração, quando em atividade superior, é azul-cla- ro com laivos anil brilhante; caso contrário, é azul escuro com laivos roxos.

131

S>a.ce-v‘do\e./ A A ago e A áéd ico

S>a.ce-v‘do\e./ A A ago e A áéd ico 7o Chakra — associado a Yorima Chakra Genésico

7o Chakra — associado a Yorima

Chakra Genésico ou Secreto, localizado na região hipogástrica. Sua coloração é o violeta claríssimo e brilhante. Em atividade superior e desenvolvido emite a cor violeta com laivos dourados; caso contrário, é roxo-escuro- avermelhado com laivos acinzentados, plúmbeos.

Queremos ressaltar que cada chakra citado, portanto prin­ cipal, divide-se em 7 núcleos secundários, e esses em terciários etc., através da rede de “veias”, os condutores vitais interconectores. Antes de penetrarmos na Fisiologia dos chakras e das Energias sutis, elaboremos a correlação, a equivalência dos mes­ mos a órgãos do Organismo Etéreo-Físico.

---- ---------------------------------------------------------------------------- '

>

Chakra Coronal associa-se à Epífise Chakra Frontal associa-se à Hipófise Chakra Laríngeo associa-se à Tireóide/Timo Chakra Cardíaco associa-se ao Timo/Gânglio Cardíaco Chakra Gástrico associa-se ao Fígado/Pâncreas Chakra Esplênico associa-se à Supra-Renal/Baço Chakra Secreto associa-se aos Testículos/Ovários

Continuando, estudemos os aspectos “fisiológicos” e “pa­ tológicos” da Energia Sutil, dos canais e dos chakras. É de máxima importância entender-se que todo o pro­ cesso inicia-se na mente sutil que, como vimos, é a primeira manifestação do Ser Espiritual imaterial.

132

yam u n isid d ka

A ^ k a p ia g k a

K

A própria Energia Sutil deve sua origem às Mentes

Excelsas dos Sete Arashas Planetários. Devidamente compreendidos estes fatores, observemos a seqüência de eventos vibracionais que se concretizam no Orga­ nismo Físico. Todo o processo inicia-se na Mente Sutil, a qual através da Energia Mental produz os Canais sutis primários, secundá­ rios, terciários, que por sua vez se reúnem para dar formação aos chakras ou Rodas de Poder, Núcleos Vitais ou Centros de Iluminação, mantenedores da vida astralizada e da vida plane­ tária (encarnação). Os chakras emitem vibrações sutis que se condensam for­ mando um complexo gravitacional eletromagnético denomi­ nado corpo etérico, intermediário e conector entre os processos de ordem astral e os de ordem densa. E verdadeiro campo de forças, nuvem vibratória (ondas) que circunda e interpenetra o corpo físico denso, sendo pois regulador dos processos energéticos vitais.

O “Corpo Etérico” permite ao “Organismo Físico Den­

so” manter sua constituição (forma e função) por meio dos ca­ nais sutis, que se manifestam interpenetrando a intimidade vibracional dos tecidos embriológicos (ectoderme, mesoderme e endoderme), dando formação aos Nervos que conduzem Ener­ gia Mental Sutil através da Energia Nervosa consubstanciada no Líquor aos Vasos Sangüíneos, que conduzem Energia As­ tral sutil através da Energia Vital ou sangue, e finalmente aos Vasos Linfáticos, condutores de Energia Cinética Física atra­ vés da linfa.

A observação atenta do diagrama a seguir pode fazer-nos

entender melhor as patologias de ordens sutilíssima, sutil e gros­ seira ou densa.

133

Sacerdote, AAago e Adédico

Mente Sutil

i

Energia Mental Sutil

Canais Sutilíssimos

I

Chakras

I

Canais Sutis

i

Corpo Etérico ou Energético

J'

Corpo Físico Denso

I

Humores Básicos

i

Líquor — Sangue — Linfa

Sim, podemos ter bloqueios, desde os oriundos da Mente Sutil (expressão do código kármico da Personalidade ou Ser Espiritual Encarnado), passando pelas Energias Mental Sutil (interferências negativas), Canais Sutilíssimos (rompimentos, bloqueios vibracionais), Chakras (alterados em suas funções - desestrutura com rompimentos de suas pétalas ou bloqueios nos canais sutis aferentes ou eferentes), Corpo Etérico ou Aura Total (solução de continuidade vibracional, dissociação entre Aura interno, médio e externo) e Corpo Físico (desarmonias funcio­ nal e morfológica consubstancia-das nas doenças). Nos capítulos que seguirão demonstraremos como surgem as doenças em vários níveis, segundo os conceitos por nós declinados.

134

^amunisidclka j\ r U a p \ a g l\ a

X,

Antes do término deste capítulo, tentemos penetrar em alguns fundamentos essenciais que muito nos ajudarão na com­ preensão da Medicina de Síntese e de sua Terapêutica. Como vimos afirmando, no Universo Astral tudo é cíclico e rítmico, tudo vibra, tudo se move. Ciclos e ritmos são caracte­ rísticas de ordenação estrutural e funcional, objetivando con­ cretizar ou manifestar faculdades ou atributos espirituais.

O Universo A stral,povoado p ela energia em

d iv e rsa s dim ensões (fo rm a), reflete em sua m anifestação o Poder O perante

dos A rashas. Sim , suas Ideações e Criações

de teor essencialmente espirituais, im ateriais,

são expressas em ciclos e ritmos particulares, base fu n d a m e n ta l do U n iverso A s tra l.

Pela Lei das Analogias ou das Correspondências, estan­ do o planeta Terra no U niverso A stral, sua Gênese (planetogênese) deve ter obedecido aos mesmos ciclos e rit­ mos, os quais são manifestações do Poder Operante das Sete Potestades Planetárias — os Sete Arashas Kármicos — os Genitores Planetários ou Ancestrais Divinos. O Homem Planetário, estando sob os influxos vibracionais da Terra (Ciclos e Ritmos), também é regido por Ciclos e Ritmos proporcionais ao Planeta que o alberga. Como o Planeta Terra recebe influências, segundo a M e­ cânica Celeste, de outros Planetas de nosso Sistema Solar e do Astro ou Estrela que o ilumina e vivifica, de toda a Galáxia e dem ais constituintes, podemos afirmar que há profunda e total interdependência entre Homem e Universo A stral, Microcosmo e Macrocosmo.

135

S a c e rd o te , /V\ago e ]\Aéd\co

Particularizando o raciocínio em nosso Planeta, vejamos como seus Ciclos e Ritmos se relacionam com os do Homem Planetário. Sabemos que nosso Planeta tem dezesseis movimentos;

em nossos estudos nos ateremos aos dois mais conhecidos: Ro­ tação e Translação.

A Rotação Planetária faz-se em aproximadamente

24 horas, produzindo períodos de luz e sombra, dia e noite. ATerra, girando sobre si mesma com um eixo imaginário que corta seus dois pólos, ora recebe luz solar em determinada região, enquanto outra região não é iluminada. Há aproximadamente 12 horas de luz seguidas por 12 horas de sombra, durante os equinócios. Após estes ligeiros e superficiais conceitos conhecidos por

todos, vejamos o Movimento de Translação.

O mesmo é executado pela Terra em torno do Sol, atra­

vés de uma trajetória elíptica, que ora se aproxima do Sol (periélio), ora se afasta do mesmo (afélio).

As quatro estações são resultantes do eixo da Terra (23,5°

de inclinação) em relação ao Sol (na prática diz-se eclíptica so­

lar).

No hemisfério austral ou sul, abaixo da linha do equador (linha que divide a Terra em dois hemisférios) as quatro esta­ ções iniciam-se nos equinócios (primavera e outono) e solstícios (verão e inverno), com fase invertida em relação ao hemisfério norte. (Solstício — quando o Sol atinge suas posições mais afas­ tadas do equador. No inverno do hemisfério sul sua posição é mais boreal.) Prestemos atenção ao esquema que se segue :

P rim a v e ra - Verão-- Outono -- Inverno

136

\!an\un'is\dcii\a j\ A \ a p \ a g U a

K

O Ciclo dura aproximadamente 365 dias, sendo subdivi­ dido ou ritmado em quatro períodos denominados estações. Inicia-se no Equinócio Vernal (primavera) e termina no Solstício Hibernai (inverno). Segundo a Lei das Analogias, podemos considerar:

P rim avera

— do Nascimento à Juventude;

Verão — da Juventude à Maturidade;

Outono — da Maturidade à Senilidade;

In vern o — da Senilidade à Morte.

Utilizando-se mais uma vez o recurso das analogias, fa­ çamos um quadro demonstrativo que explicará melhor nossas inferências.

Prim avera

Verão

O utono

Inverno

Infância

M aturidade

Velhice

M orte

Cabeça

Coração

Estômago

Sexo

Líquor

Sangue

Linfa

Bile

Criativo

Sanguíneo

Linfático

B ilioso

A r

Fogo

Água

Terra

Leste

Sul

Oeste

N orte

N ova

Crescente

Cheia

M inguante

Filosofia

Ciência

A rte

Religião

Valaga

Uarada