Autonomia e diálogo na Web 2.

0 O mundo moderno traz uma nova realidade educativa com uso de tecnologias na educação como um novo domínio do paradigma cientifico, que traz consigo os conceitos de pluralidade, interrelação, flexibilidade e dialogo crítico entre ideias, concepções e saberes sobrevindos de distintas áreas de conhecimento e das contribuições de tecnologias, entre as quais se destacam no presente a web 2.0 pelo potencial que oferece de concretizar processos de construção colaborativa de conhecimento, ressaltando a autonomia e o diálogo no processo formativo. Autonomia entendida como “liberdade política de uma sociedade capaz de governar-se por si mesma e de forma independente, quer dizer com autodeterminação”. (Aurélio). Em Kant, entendemos autonomia como o caráter da vontade pura que só se determina em virtude de sua própria lei, que é a de conformar-se ao dever ditado pela razão prática e não por um interesse externo. Etimologicamente temos autonomia como auto: movimento, impulso, direito de passagem, ação, por em movimento; nomia: nomos, uso, costume; opinião geral, máxima; regra de conduta. Retomando Kant, o sujeito moral é aquele que é livre para fazer suas escolhas, determinando que a razão é que autoriza a escolha e essa está apoiada na “vontade boa”, fundamentada e legitimada na moralidade,garantindo, assim, a personalidade moral. Com o advento e difusão da internet surgiram, espaços diversificados e diversos de construção dessa autonomia, os ambientes virtuais de aprendizagem caracterizados como “sistemas computacionais disponíveis na internet, destinados ao suporte de atividades mediadas pelas tecnologias de informação e comunicação.” (Almeida, 2008). Assim a integração de ferramentas virtuais organiza informações, desenvolve e gere processos comunicativos e contribuem para a participação consciente e autônoma da percurso formativo, favorecido, dentre outros valores, pelo diálogo e flexibilidade da informação na construção do conhecimento. “Toda educação genuína acontece pela experiência” (Dewey, 1938, apud Merrian e Cafarella, 1999: 223) e pela reconstrução ou reorganização da prática consciente, autônoma, dialética e dialógica. Segundo Almeida (2008b) a “integração de múltiplas ferramentas situadas em ambientes diferentes é uma questão a ser considerada, uma vez que poderá ocorrer concorrência entre os ambientes”, que, portanto devem ser planejados no sentido de convergirem à aprendizagem e não de divergirem à mesma. Conforme afirma Almeida (2008b)

“Este trabalho torna-se possível com a mediação colaborativa na aprendizagem, que “constitui não só um processo de construção da interacção social entre os membros da comunidade, mas também é a forma de realização da liderança partilhada dos processos de interação no domínio da elaboração das aprendizagens no âmbito da rede.” (Dias, 2008: 4 Apud Almeida, 2008b).

Se considerarmos que não existe neutralidade na educação, e que portanto, todo o fazer pedagógico pode ser ideológico a categoria autonomia tem um espaço imperativo para o fazer pedagógico no sentido que mesmo sabendo-se ideologicamente situado, não pode essa “ideologia” servir à escravidão ou opressão, mas à libertação e autonomia do individuo, utilizando-se de todos os recursos possíveis e acessíveis. Freire, como um autor comprometido com o desenvolvimento da autonomia e da liberdade possível com os recursos e ações da educação, tem, nas relações de poder como ação política, um foco especial, tanto como meio que oprime quanto como meio que liberta “ninguém educa ninguém e ninguém se educa a si mesmo, mas os homens se educam entre si, mediatizado pelo mundo” (FREIRE, 2000).

Referências

ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini de . Web 2.0 e tecnologias digitais como suporte à pesquisa em currículo. In: Encontro sobre web 2.0, 2008, Braga. Actas do Encontro sobre web 2.0. Braga, Portugal : CIEd, UM, 2008b. ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini de. Currículo, tecnologias e formação de educadores. III Workshop de Informática Aplicada a Educação. 2008a. FREIRE, Paulo – Pedagogia da Autonomia – saberes necessários à prática educativa, São Paulo, Paz e Terra, 2000. 16ªed.
COSTA, R. M. E. M ; MARINS, V. ; COSTA, A. C. R. P. ; MACÁRIO COSTA, R. J. . Comunidades de prática e ferramentas Web 2.0: uma experiência em um curso de especialização em Matemática. In: Workshop de Informática na Escola-WIE2009, 2009, Bento Gonçalves. Anais do XXIX Congresso da Sociedade Brasileira de Computação 2009, 2009. v. V 1

COSTA, Rosa Maria E. M. da; Marins, Vânia Marin.Aula 4b – Ambientes Virtuais de Aprendizagem

Merrian, S. B. e Cafarella, R. S. Learning in Adulthood – A Comprehensive Guide. San Francisco, USA: Jossey-Bass Publishers. 1999

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