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Aula 02

Português p/ Auditor Fiscal do Trabalho - AFT 2017 (Com videoaulas)

Professores: Janaína Efísio, Rafaela Freitas

Língua Portuguesa p/ MTE Auditor-fiscal do Trabalho Teoria e Questões Comentadas Profª Rafaela Freitas に

Língua Portuguesa p/ MTE Auditor-fiscal do Trabalho Teoria e Questões Comentadas Profª Rafaela Freitas Aula 02

AULA 02

Ortografia e Acentuação. Letras e grafemas, encontros vocálicos e consonantais, dígrafos, sílabas, acento tônico.

A

Olá, queridos e estudiosos alunos!! Juntos mais uma vez!

A aula de hoje será bem interessante. Vamos começar com o estudo do

que vem a ser fonologia e os conteúdos vinculados a ela, como: encontros

vocálicos, consonantais, dígrafos, acento tônico e acentuação. Tudo isso

servirá como base para o estudo daquilo que é mais importante para o

certame: ortografia oficial da nossa língua.

O Novo Acordo Ortográfico está valendo! Vou comentar tudo sobre ele e

esquematizar as novas regras!

SUMÁRIO

FONOLOGIA

2

FONEMA E LETRA

3

ENCONTROS VOCÁLICOS

4

ENCONTROS CONSONANTAIS

7

PROSÓDIA (SÍLABA TÔNICA)

11

NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO

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12

ACENTUAÇÃO GRÁFICA

15

ORTOGRAFIA OFICIAL

26

EMPREGO DO HÍFEN

42

RESUMO

60

QUESTÕES COMENTADAS

67

LISTA DE QUESTÕES QUE FORAM COMENTADAS NESTA AULA

93

GABARITO

111

O MEU ATÉ BREVE

112

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“Seja como os pássaros que, ao pousarem um instante sobre ramos muito

leves, sentem-nos ceder, mas cantam! Eles sabem que possuem asas”.

FONOLOGIA

Victor Hugo

Fonologia é o ramo da Linguística que estuda o sistema sonoro de um

idioma. Ao estudar a maneira como os fones (sons) se organizam dentro de

uma língua, classifica-os em unidades capazes de distinguir significados,

chamadas fonemas.

capazes de distinguir significados, chamadas fonemas. FONEMA A palavra fonologia é formada pelos elementos

FONEMA

A palavra fonologia é formada pelos elementos gregos fono (som, voz) e

log, logia (estudo, conhecimento). Significa literalmente "estudo dos sons" ou

"estudo dos sons da voz". O homem, ao falar, emite sons. Cada indivíduo tem

uma maneira própria de realizar esses sons no ato da fala. Essas

particularidades na pronúncia de cada falante são estudadas pela Fonética.

Dá-se o nome de fonema ao menor elemento sonoro capaz de estabelecer

uma distinção de significado entre as palavras. Observe, nos exemplos a

seguir, os fonemas que marcam a distinção entre os pares de palavras:

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amor ator

morro corro

vento cento

Cada segmento sonoro se refere a um dado da língua portuguesa que está

em sua memória: a imagem acústica que você, como falante de português,

guarda de cada um deles. É essa imagem acústica, esse referencial de padrão

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sonoro, que constitui o fonema. Os fonemas formam os significantes dos

signos linguísticos. Geralmente, aparecem representados entre barras. Assim:

/m/, /b/, /a/, /v/ etc.

Fonema e Letra

1) ATENÇÃO! O fonema não deve ser confundido com a letra. Na língua

escrita, representamos os fonemas por meio de sinais chamados letras.

Portanto, letra é a representação gráfica do fonema. Na palavra sapo, por

exemplo, a letra s representa o fonema /s/ (lê-se sê); já na palavra brasa, a

mesma letra s representa o fonema /z/ (lê-se zê).

2) Às vezes, o mesmo fonema pode ser representado por mais de uma

letra do alfabeto. É o caso do fonema /z/, que pode ser representado pelas

letras z, s, x:

Exemplos: zebra / casamento / exílio

3) Em alguns casos, a mesma letra pode representar mais de um fonema.

A letra x, por exemplo, pode representar:

- o fonema sê: texto

- o fonema zê: exibir

- o fonema chê: enxame

- o grupo de sons ks: táxi

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4) O número de letras nem sempre coincide com o número de fonemas.

Exemplos:

t ó x i c o

Número de fonemas: 7

/t/ó/k/s/i/c/o/

Número de Letras: 6

g a l h o Número de fonemas: 4 /g/a/lh/o/ Número de letras: 5 ENCONTROS

g a l h o

Número de fonemas: 4

/g/a/lh/o/

Número de letras: 5

ENCONTROS VOCÁLICOS

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Os encontros vocálicos são agrupamentos de vogais e semivogais, sem

consoantes intermediárias entre elas. É importante reconhecê-los para dividir

corretamente os vocábulos em sílabas. Existem três tipos de encontros: o

ditongo, o tritongo e o hiato.

O que são semivogais?

Saibam primeiro que em uma sílaba só é possível haver uma única

vogal, nunca mais de uma! Certo! Quando temos palavras como “lei”, não

temos duas vogais na mesma sílaba, temos uma vogal e uma semivogal,

sendo a mais forte considerada vogal e a mais fraca semivogal:

Lei >> uma única sílaba, sendo “e” a vogal e “i” a semivogal.

66151598725

sendo “e” a vogal e “i” a semivogal. 66151598725 A mais forte é aquela que se

A mais forte é aquela que se sobressai na pronúncia!

Outros exemplos:

Bei – jo >> ditongo na primeira sílaba, sendo “e” a vogal e “i” a

semivogal.

Meu >> uma única sílaba, sendo “e” a vogal e “u” a semivogal.

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He

-

rói >>

semivogal.

ditongo na segunda sílaba, sendo “e” a

vogal e

“i”

a

Fre quen – te >> ditongo na segunda sílaba, sendo “e” a vogal e “u” a

semivogal.

Observem, queridos alunos, que a tendência das letras “i” e “u”, quando

juntas de outra vogal, é de serem semivogais! É isso mesmo, tanto que na

fonética são representadas por “y” e “w”!

Bem legal perceber essas coisas, não é?

Vamos continuar! Saiba tudo sobre os tipos de encontros vocálicos

1) Ditongo

É o encontro de uma vogal e uma semivogal (ou vice-versa) numa mesma

sílaba. Pode ser:

a) Crescente: quando a semivogal vem antes da vogal.

Exemplos: sé-rie (i = semivogal, e = vogal). Quadro, trégua, miséria,

gávea.

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b) Decrescente: quando a vogal vem antes da semivogal.

Exemplos: pai (a = vogal, i = semivogal). Flauta, caixa, fortuito, sótão,

pônei.

c) Oral: quando o ar sai apenas pela boca.

Exemplos: pai, série, flauta, quadro

d) Nasal: quando o ar sai pela boca e pelas fossas nasais.

Exemplos: mãe, comunhão, esperam, vem

2) Tritongo Língua Portuguesa p/ MTE Auditor-fiscal do Trabalho Teoria e Questões Comentadas Profª Rafaela

2) Tritongo

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É a sequência formada por uma semivogal, uma vogal e uma semivogal,

sempre nessa ordem, numa só sílaba. Pode ser oral ou nasal.

Exemplos:

Paraguai - Tritongo oral

Quão - Tritongo nasal

três letras são pronunciadas! Você ouve tanto o som do “u” quanto do “a” e

três letras são

pronunciadas! Você ouve tanto o som do “u” quanto do “a” e do “i”, sendo a

letra “a” a mais forte, pois ela é a vogal (as outras são semivogais).

O

“uai” em “Paraguai” só é

um tritongo porque as

E por que eu falei isso?

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Nas palavras “também” e “ninguém”, embora possa parecer que temos

tritongo, uma vez que “uém” é pronunciado “ueim”, NÃO TEMOS! São, na

verdade, ditongos nasais!

Lembrem-se: para ser um tritongo, o "u" tem que ser pronunciado, como

na palavra Paraguai.

Observe a pronúncia de ninguém: nin - gey (não esquece de nasalizar o

"i" de "nin" e o "e" final). Assim fica mais fácil perceber o ditongo "ei" ou “ey”.

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O "u" e o "e" formam um único som vocálico. Trata-se então de uma Vogal +

uma Semivogal (V + SV = ditongo decrescente).

Devo lembrar que expliquei o exposto acima em linguagem simples, sem

explorar os recursos técnicos da fonética e fonologia, visando à fácil

compreensão de todos (aqueles que conhecem e aqueles que não conhecem a

linguagem técnica)!

3) Hiato

É a sequência de duas vogais numa mesma palavra que pertencem a

sílabas diferentes.

Exemplos:

Saída (sa-í-da)

Poesia (po-e-si-a)

- É tradicional considerar hiato o encontro entre uma semivogal e uma vogal ou entre

- É tradicional considerar hiato o encontro entre uma semivogal e uma

vogal ou entre uma vogal e uma semivogal que pertencem a sílabas

diferentes, como em ge-lei-a (hiato da semivogal “i” e da vogal “a”).

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que pertencem a sílabas diferentes, como em ge-lei- a (hiato da semivogal “i” e da vogal

ENCONTROS CONSONANTAIS

O agrupamento de duas ou mais consoantes, sem vogal intermediária,

recebe o nome de Encontro Consonantal. Existem basicamente dois tipos:

- os que resultam do contato consoante + l ou r e ocorrem numa mesma

sílaba, como em: pe-dra, pla-no, a-tle-ta, cri-se

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- os que resultam do contato de duas consoantes pertencentes a sílabas

diferentes: por-ta, rit-mo, lis-ta

Há ainda grupos consonantais que surgem no início dos vocábulos e são

inseparáveis: pneu, gno-mo, psi-có-lo-go

DÍGRAFOS

De maneira geral, cada fonema é representado, na escrita, por apenas

uma letra.

Exemplo: Lixo - Possui quatro fonemas e quatro letras.

Há, no entanto, fonemas que são representados, na escrita, por duas

letras.

Exemplo: Bicho - Possui quatro fonemas e cinco letras.

Na palavra acima, para representar o fonema |xe| foram utilizadas duas

letras: o c e o h.

Assim, o dígrafo ocorre quando duas letras são usadas para representar

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um único fonema (di = dois + grafo = letra). Em nossa língua, há um número

razoável de dígrafos que convém conhecer. Podemos agrupá-los em dois tipos:

consonantais e vocálicos.

Dígrafos Consonantais

Letras

Fonemas

Exemplos

Lh

Lhe

Telhado

Letras Fonemas Exemplos Lh Lhe Te lh ado nh Nhe mari nh eiro ch Xe Ch
Letras Fonemas Exemplos Lh Lhe Te lh ado nh Nhe mari nh eiro ch Xe Ch
nh Nhe mari nh eiro ch Xe Ch ave

nh

Nhe

marinheiro

ch

Xe

Chave

nh Nhe mari nh eiro ch Xe Ch ave
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Re (no interior rr da palavra) se (no interior ss da palavra) Ca rr o
Re (no interior rr da palavra) se (no interior ss da palavra)
Re
(no
interior
rr
da palavra)
se
(no
interior
ss
da palavra)

Carro

Passo

que (seguido de

qu

e

e i)

 

gue (seguido de

gu

e

e i)

sc

Se

se

xc

Se

queijo,

quiabo

guerra,

guia

Crescer

 
 

Deo

 
 

exceção

Dígrafos Vocálicos: registram-se na representação das vogais nasais.

Letras

Fonemas

am

ã

Letras Fonemas am ã

Exemplos

tampa

Na

em

em
em

en

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66151598725

im

im
im
im

in

 
 

om

õ

Na em en 66151598725 im in   om õ on   Um Um
Na em en 66151598725 im in   om õ on   Um Um

on

 
 

Um

Um
Um
Um

Um

Um
Um

Canto

Templo

lenda

Limpo

Lindo

tombo

 
 

tonto

Chumbo

 
 

Corcunda

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"Gu" e "qu" são dígrafos somente quando seguidos de "e" ou "i", representando os fonemas

"Gu" e "qu" são dígrafos somente quando seguidos

de "e" ou "i", representando os fonemas /g/ e /k/: guitarra, aquilo. Nesses

casos, a letra "u" não corresponde a nenhum fonema. Em algumas palavras,

no entanto, o "u" representa um fonema semivogal ou vogal (aguentar,

linguiça, aquífero

há dígrafos quando são seguidos de "a" ou "o" (quase, averiguo).

Sendo assim, "gu" e "qu" não são dígrafos. Também não

).

Questão para ilustrar:

Questão para ilustrar: Prefeitura Municipal de Monte Belo/2011/Administração. A palavra “sagrado” apresenta a)

Prefeitura Municipal de Monte Belo/2011/Administração.

A palavra “sagrado” apresenta

a) hiato.

b) encontro vocálico.

c) ditongo.

d) encontro consonantal.

e) dígrafo.

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Comentário: vejamos:

a) hiato. – ERRADO. Não há encontro vocálico na palavra “sagrado”

b) encontro vocálico. ERRADO. Não há encontro vocálico na palavra

“sagrado”

c) ditongo. – ERRADO. Não há encontro vocálico na palavra “sagrado”

d) encontro consonantal. CORRETA. O encontro consonantal presente na

palavra “sagrado” é o “gr”.

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e) dígrafo. – ERRADA. O encontro consonantal “gr” não é um dígrafo, pois

não as duas letras, ainda que juntas, NÃO correspondem a um único fonema,

como ocorre em “pássaro”, por exemplo.

GABARITO: D

Muito bem, candidatos!! Antes de falarmos sobre acentuação e

ortografia, quero ainda falar sobre tonicidade. Pode parecer “bobo” para

alguns, mas pode ser de grande valia para outros!

Prosódia (sílaba tônica)

Trata-se da correta emissão de palavras quanto à posição da sílaba tônica,

segundo as normas da língua culta. Existe uma série de vocábulos que, ao

serem proferidos, acabam tendo o acento prosódico deslocado. Ao erro

prosódico dá-se o nome de silabada. Observe os exemplos.

1) São oxítonas (sílaba tónica é a última da palavra):

condor

novel

ureter

mister Nobel ruim

mister

Nobel

ruim

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2) São paroxítonas:

austero

caracteres

ciclope

Madagáscar

recorde

filantropo

pudico

rubrica

austero caracteres ciclope Madagáscar recorde filantropo pudico rubrica
austero caracteres ciclope Madagáscar recorde filantropo pudico rubrica

3) São proparoxítonas:

aerólito

alcíone

lêvedo

munícipe

quadrúmano

trânsfuga

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Existem palavras cujo acento prosódico é incerto, mesmo na língua culta.

Observe os exemplos a seguir, sabendo que a primeira pronúncia dada é a

mais utilizada na língua atual.

acrobata acróbata

réptil - reptil

Bálcãs Balcãs

xerox - xérox

projétil projetil

zangão - zângão

Novo Acordo Ortográfico

A partir de 1º de janeiro de 2009 passou a vigorar no Brasil e em todos os

países da CLP (Comunidade de países de Língua Portuguesa) o período de

transição para as novas regras ortográficas que se finaliza em 31 de dezembro

de 2015. Desde então, os concursos têm cobrado as novas regras a fim de

saber se os alunos estão “por dentro”. A partir deste ano, 2016, termina o fase

de transição e o acordo começa a valer! Nesta aula, apresentarei a ortografia e

acentuação já adaptadas ao novo acordo e ressaltarei as mudanças que

aconteceram!

Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi assinado em Lisboa, em 16

de dezembro de 1990, por Portugal, Brasil, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo

Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e, posteriormente, por Timor Leste. No

Brasil, o Acordo foi aprovado pelo Decreto Legislativo no 54, de 18 de abril de

1995. Esse Acordo é meramente ortográfico; portanto, restringe-se à língua

escrita, não afetando nenhum aspecto da língua falada. Ele não elimina todas

as diferenças ortográficas observadas nos países que têm a língua portuguesa

como idioma oficial, mas é um passo em direção à pretendida unificação

ortográfica desses países.

O

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Unificar a ortografia do nosso idioma não é uma preocupação atual! No

quadro a seguir tem-se, resumidamente, as principais tentativas de unificação

ortográfica já ocorridas entre os países lusófonos. No Brasil, note que já houve

duas reformas ortográficas: em 1943 e 1971. Assim, um brasileiro com mais

de 65 anos está prestes a passar pela terceira reforma. Em Portugal, a última

reforma aconteceu em 1945.

Cronologia das Reformas Ortográficas na Língua Portuguesa

Séc XVI até ao séc. XX - Em Portugal e no Brasil a escrita praticada

era de caráter etimológico (procurava-se a raiz latina ou grega para

escrever as palavras).

1907 - A Academia Brasileira de Letras começa a simplificar a escrita

nas suas publicações.

1910 - Implantação da República em Portugal foi nomeada uma

Comissão para estabelecer uma ortografia simplificada e uniforme para ser

usada nas publicações oficiais e no ensino.

1911 - Primeira Reforma Ortográfica tentativa de uniformizar e

simplificar a escrita de algumas formas gráficas, mas que não foi extensiva

ao Brasil.

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1915 - A Academia Brasileira de Letras resolve harmonizar a

ortografia com a portuguesa.

1919 - A Academia Brasileira de Letras revoga a sua resolução de

1915.

1924 - A Academia de Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de

Letras começam a procurar uma grafia comum.

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1929 - A Academia Brasileira de Letras lança um novo sistema

gráfico.

1931 - Foi aprovado o primeiro Acordo Ortográfico entre o Brasil e

Portugal, que visava suprimir as diferenças, unificar e simplificar a língua

portuguesa, contudo não foi posto em prática.

1938 - Foram sanadas as dúvidas quanto à acentuação de palavras.

1943 - Foi redigido, na primeira Convenção ortográfica entre Brasil e

Portugal, o Formulário Ortográfico de 1943.

1945 - O acordo ortográfico tornou-se lei em Portugal, mas no Brasil

não foi ratificado pelo Governo. Os brasileiros continuaram a regular-se

pela ortografia anterior, do Vocabulário de 1943.

1971 - Foram promulgadas alterações no Brasil, reduzindo as

divergências ortográficas com Portugal.

1973 - Foram promulgadas alterações em Portugal, reduzindo as

divergências ortográficas com o Brasil.

1975 - A Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de

Letras elaboram novo projeto de acordo, que não foi aprovado

oficialmente.

1986 - O presidente brasileiro José Sarney promoveu um encontro

dos sete países de língua portuguesa - Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-

Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe - no Rio de Janeiro.

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Foi apresentado o Memorando Sobre o Acordo Ortográfico da Língua

Portuguesa.

1990 - A Academia das Ciências de Lisboa convocou novo encontro

juntando uma Nota Explicativa do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

as duas academias elaboram a base do Acordo Ortográfico da Língua

Portuguesa. O documento entraria em vigor (de acordo com o 3º artigo do

mesmo) no dia 1º de Janeiro de 1994, após depositados todos os

instrumentos de ratificação de todos os Estados junto do Governo

português.

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1996 - O último acordo foi apenas ratificado por Portugal, Brasil e

Cabo Verde.

2004 - Os ministros da Educação da CPLP reuniram-se em Fortaleza

(Brasil) para propor a entrada em vigor do Acordo Ortográfico, mesmo

sem a ratificação de todos os membros.

ACENTUAÇÃO GRÁFICA

As regras da ortografia baseiam-se na constatação de que, em nossa

língua, as palavras mais numerosas são as paroxítonas, seguidas pelas

oxítonas. A maioria das paroxítonas termina em -a, -e, -o, -em, podendo ou

não ser seguidas de "s". Essas paroxítonas, por serem maioria, não são

acentuadas graficamente. Já as proparoxítonas, por serem pouco numerosas,

são sempre acentuadas.

Proparoxítonas

Sílaba tônica: antepenúltima

As proparoxítonas são todas acentuadas graficamente.

Exemplos: trágico, patico, árvore

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Paroxítonas

Sílaba tônica: penúltima

Acentuam-se as paroxítonas terminadas em:

L

cil

N

len

R

caver

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ps

ceps

x

x tó rax

rax

tó rax

us

rus

i, is

ri, pis

om, ons

iândom, íons

iân dom, í ons

um, uns

álbum, álbuns

ã(s), ão(s)

 

órfã, órfãs, órfão, órfãos

ditongo

oral

(seguido

 

ou não de s)

quei, neis

 
 
1) As paroxítonas terminadas em "n" são acentuadas (hífen), mas as que terminam em "ens",

1) As paroxítonas terminadas em "n" são acentuadas (hífen), mas as que

terminam em "ens", não. (hifens, jovens)

2) Não são acentuados os prefixos terminados em "i" e "r". (semi, super)

3) ATENÇÃO: algumas palavras podem ser classificadas como

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paroxítona eventuais ou proparoxítonas! Isso vai depende da gramática

base e, muitas vezes, da banca. Trata-se do seguinte:

ri as / Fé rias >> qual das duas formas de separação silábica

está correta?

II. As palavras férias, comércio, história, entre outras que terminam com

ditongo, são paroxítonas eventuais, ou seja, são separadas assim: fé rias, co

mér - cio, his ria, sendo acentuadas pela seguinte regra: paroxítonas

terminadas em ditongo.

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II. É possível, ainda, encontrar as mesmas palavras em outras gramáticas

classificadas como proparoxítonas: fé ri - as, co mér ci - o, his ri -

a, sendo acentuadas pela seguinte regra: toda proparoxítona deve ser

acentuada.

O Cespe/UnB não deixa claro qual regra de acentuação seguir para esses

casos, mas não fiquem preocupados! A banca cobra da seguinte forma:

Afirmação: As palavras comércio e história são acentuadas pela mesma

regra.

CERTO! Independente da regra (paroxítonas eventuais ou proparoxítonas)

podemos dizer que são acentuadas pelo mesmo motivo!

Oxítonas

Sílaba tônica: última

Acentuam-se as oxítonas terminadas em:

a(s):

sofá, sofás

e(s):

jacaré, vocês

o(s):

paletó, avós

em, ens:

ninguém, armazéns

Monossílabos

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Os monossílabos, conforme a intensidade com que são proferidos, podem

ser tônicos ou átonos.

Monossílabos Tônicos

Possuem autonomia fonética, sendo proferidos fortemente na frase onde

aparecem. Acentuam-se os monossílabos tônicos terminados em:

a(s): lá, cá

e(s): pé, mês o(s): só, pó, nós, pôs Monossílabos Átonos Língua Portuguesa p/ MTE Auditor-fiscal

e(s): pé, mês

o(s): só, pó, nós, pôs

Monossílabos Átonos

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Não possuem autonomia fonética, sendo proferidos fracamente, como se

fossem sílabas átonas do vocábulo a que se apoiam.

Exemplos:

o(s), a(s), um, uns, me, te, se, lhe nos, de, em, e, que etc.

1) Os monossílabos átonos são palavras vazias de sentido, vindo representados por artigos, pronomes oblíquos,

1) Os monossílabos átonos são palavras vazias de sentido, vindo

representados por artigos, pronomes oblíquos, elementos de ligação

(preposições, conjunções).

2) Há monossílabos que são tônicos numa frase e átonos em outras.

Exemplos:

Você trouxe sua mochila para quê? (tônico) / Que tem dentro da sua

mochila? (átono)

Há sempre um más para questionar. (tônico) / Eu sei seu nome, mas não

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me recordo agora. (átono)

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Muitos verbos, ao se combinarem com pronomes oblíquos, produzem formas oxítonas ou monossilábicas que devem

Muitos verbos, ao se combinarem com pronomes oblíquos, produzem

formas oxítonas ou monossilábicas que devem ser acentuadas por acabarem

assumindo alguma das terminações contidas nas regras. Exemplos:

beijar + a = beijá-la

dar + as = dá-las

fez + o = fê-lo

fazer + o = fazê-lo

Regras Especiais

Além das regras fundamentais, há um conjunto de regras destinadas a pôr

em evidência alguns detalhes sonoros das palavras. Observe:

Ditongos Abertos

Os ditongos éi, éu e ói, sempre que tiverem pronúncia aberta em

palavras oxítonas (éi e não êi), são acentuados. Veja:

éi (s): anéis, fiéis, papéis

éu (s): troféu, céus

ói (s): herói, constrói, caubóis

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Essa regra é nova! A antiga foi alterada pelo novo acordo ortográfico.
Essa
regra
é
nova!
A
antiga
foi
alterada
pelo
novo
acordo
ortográfico.
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• Nova Regra: Ditongos abertos (ei, oi) não são mais acentuados em

palavras paroxítonas

• Regra Antiga: assembléia, platéia, idéia, colméia, boléia, panacéia,

Coréia, hebréia, bóia, paranóia, jibóia, apóio, heróico, paranóico

• Como ficou: assembleia, plateia, ideia, colmeia, boleia, panaceia, Coreia,

hebreia, boia, paranoia, jiboia, apoio, heroico, paranoico

Atenção: a palavra destróier é acentuada por ser uma paroxítona

terminada em "r" (e não por possuir ditongo aberto "ói").

Hiatos

Acentuam-se o "i" e "u" tônicos quando formam hiato com a vogal

anterior, estando eles sozinhos na sílaba ou acompanhados apenas de "s",

desde que não sejam seguidos por "-nh".

Exemplos:

sa - í da

e - go - ís -mo

sa - ú de

Não se acentuam, portanto, hiatos como os das palavras:

ju iz

ra - iz

ru - im

ca - ir

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Razão: -i ou -u não estão sozinhos nem acompanhados de -s na sílaba.

Observação: cabe esclarecer que existem hiatos acentuados não por

serem hiatos, mas por outras razões. Veja os exemplos abaixo:

po-é-ti-co: proparoxítona

bo-ê-mio: paroxítona terminada em ditongo crescente.

ja-ó: oxítona terminada em "o".

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A lguns acentos Ortográfico. não existem mais, segundo o Novo Acordo • Nova Regra: o

Alguns

acentos

Ortográfico.

não

existem

mais,

segundo

o

Novo

Acordo

• Nova Regra: o hiato 'oo' não é mais acentuado

• Regra Antiga: enjôo, vôo, corôo, perdôo, côo, môo, abençôo, povôo

• Como ficou: enjoo, voo, coroo, perdoo, coo, moo, abençoo, povoo

• Nova Regra: o hiato 'ee' não é mais acentuado

• Regra Antiga: crêem, dêem, lêem, vêem, descrêem, relêem, revêem

• Como ficou: creem, deem, leem, veem, descreem, releem, reveem

• Nova

Regra:

não

existe

mais

o

acento

diferencial

em

palavras

homógrafas

 

Regra

Antiga:

pára

(verbo),

péla

(substantivo

e

verbo),

pêlo

(substantivo), pêra (substantivo), péra (substantivo), pólo (substantivo)

Como

ficou:

para

(verbo),

pela

(substantivo

e

verbo),

pelo

(substantivo), pera (substantivo), pera (substantivo), polo (substantivo)

Observação:

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O acento diferencial ainda permanece no verbo 'poder' (3ª pessoa

do Pretérito Perfeito do Indicativo - 'pôde') e no verbo 'pôr' para diferenciar da

preposição 'por'

acentua mais a letra 'u' nas formas verbais

rizotônicas, quando precedido de 'g' ou 'q' e antes de 'e' ou 'i' (gue, que, gui,

qui)

• Nova Regra: não

se

• Regra Antiga: argúi, apazigúe, averigúe, enxagúe, enxagúemos, oblique

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• Como ficou: argui, apazigue, averigue, enxague, enxaguemos, oblique

• Nova Regra: não se acentua mais 'i' e 'u' tônicos em paroxítonas quando

precedidos de ditongo

• Regra Antiga: baiúca, boiúna, cheiínho, saiínha, feiúra, feiúme

• Como ficou: baiuca, boiuna, cheiinho, saiinha, feiura, feiume

Verbos Ter e Vir

Acentua-se com circunflexo a 3ª pessoa do plural do presente do

indicativo dos verbos ter e vir, bem como nos seus compostos (deter, conter,

reter, advir, convir, intervir etc.). Veja:

Ele tem

Ela vem

Ele retém

Ele intervém

Ele intervém

Eles têm

Elas vêm

Eles retêm

Eles intervêm

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Obs.: nos verbos compostos de ter e vir, o acento ocorre

obrigatoriamente, mesmo no singular. Distingue-se o plural do singular

mudando o acento de agudo para circunflexo:

Ele detém - eles detêm

Ele advém - eles advêm

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Questão TRE-MG/2013 Assinale a alternativa em que todas as palavras graficamente pelo mesmo motivo. a)

Questão TRE-MG/2013

Assinale

a alternativa

em

que

todas

as

palavras

graficamente pelo mesmo motivo.

a) é têm ética

b) só porém política

c) até também mínimo

d) democrática ético único

e) excluído legítimas ilegítima

são

acentuadas

Comentário: as palavras da alternativa D são todas acentuadas por serem

proparoxítonas, por tanto, este é o gabarito da questão. Vejamos a acentuação

dos outros vocábulos;

a) é monossílabo tônico terminado em “e”

têm acentuado para indicar que o verbo está no plural

ética acentuado por ser proparoxítono

b)

porém – oxítono terminado em “em”

política - acentuado por ser proparoxítono

– monossílabo tônico terminado em “o”

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c) até oxítono terminado em “e”

também – oxítono terminado em “em”

mínimo acentuado por ser proparoxítono

e) excluído – “i” tônico formando hiato com a vogal anterior

legítimas ilegítima acentuados por serem proparoxítonos

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GABARITO: C

Questão Telebrás/Cespe/2015

A palavra “está” recebe acento gráfico em decorrência da mesma regra

que determina o emprego do acento no vocábulo “três”.

(

) CERTO

(

) ERRADO

Comentário: observem, queridos, que NÃO é a mesma regra que exige a

acentuação das palavras “três” e “está”:

Está = oxítona acentuada por terminar em “a”

Três = monossílabo tônico acentuado por terminar em “es”.

Sendo assim, questão ERRADA.

Questão TRT/Cespe/2013

Os vocábulos juízes e país são acentuados de acordo com regras de

acentuação gráfica distintas.

(

) CERTO

(

) ERRADO

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distintas. ( ) CERTO ( ) ERRADO 66151598725 Comentário: Nas palavras "raiz" e "país",

Comentário: Nas palavras "raiz" e "país", há um o hiato, certo? (a-i), mas,

apesar de aparentemente se tratar do mesmo contexto ortográfico,

correspondem a regras diferentes, pois a consoante que segue esse hiato é

diferente, o que corresponde a pontos diferentes do Acordo Ortográfico. Em

"raiz" a consoante que segue o hiato é "z", em "país" é "s". Trata-se de

pequenas diferenças, que justificam, por exemplo, uma diferença de

acentuação gráfica entre o singular raiz e o plural raízes.

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Assim, em raiz, trata-se de um - i - tónico antecedido de uma vogal com a

qual forma um hiato, seguido de um -z que faz parte da mesma sílaba. Veja a

regra:

“As vogais tónicas/tônicas grafadas i e u das palavras oxítonas e

paroxítonas não levam acento agudo quando, antecedidas de vogal com que

não formam ditongo, constituem sílaba com a consoante seguinte, como é o

caso de nh, l, m, n, r e z: bainha, moinho, rainha; adail, paul, Raul; Aboim,

Coimbra, ruim; ainda, constituinte, oriundo, ruins, triunfo; atrair, demiurgo,

influir, influirmos, juiz, raiz, etc.”

Em país ou em raízes, trata-se de um - i - tónico antecedido de uma vogal

com a qual forma um hiato, mas que em país é seguido de um -s, que faz

parte da mesma sílaba, e que em raízes é seguido de um -z, que faz parte da

sílaba seguinte. Regra:

“As vogais tónicas/tônicas grafadas i e u das palavras oxítonas e

paroxítonas levam acento agudo quando antecedidas de uma vogal com que

não formam ditongo e desde que não constituam sílaba com a eventual

consoante seguinte, excetuando o caso de s: adaís (pl. de adail), aí, atraí (de

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atrair), baú, caís (de cair), Esaú, jacuí, Luís, país, etc.; alaúde, amiúde,

Araújo, Ataíde, atraíam (de atrair), atraísse (id.), baía, balaústre, cafeína,

ciúme, egoísmo, faísca, faúlha, graúdo, influíste (de influir), juízes, Luísa,

miúdo, paraíso, raízes, recaída, ruína, saída, sanduíche, etc.”

raízes e país fazem parte sim da mesma regra gramatical de

acentuação! Questão ERRADA!

Então

Cantinho de livro

esse Cespe

ORTOGRAFIA OFICIAL Língua Portuguesa p/ MTE Auditor-fiscal do Trabalho Teoria e Questões Comentadas Profª Rafaela

ORTOGRAFIA OFICIAL

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A ortografia, fruto de uma convenção (acordos ortográficos), caracteriza-

se por estabelecer padrões para a forma escrita das palavras. Essa escrita está

relacionada tanto a critérios etimológicos (ligados à origem das palavras)

quanto fonológicos (ligados aos fonemas representados). A melhor maneira de

treinar a ortografia é ler, escrever e consultar o dicionário sempre que houver

dúvida.

O Alfabeto

O alfabeto da língua portuguesa é formado por 26 letras (antes do novo

acordo ortográfico eram 23, acrescentou-se agora o K, W e Y).

Emprego das letras K, W e Y

Utilizam-se nos seguintes casos:

a) Em antropônimos originários de outras línguas e seus derivados.

Exemplos: Kant, kantismo; Darwin, darwinismo; Taylor, taylorista.

b) Em topônimos originários de outras línguas e seus derivados.

Exemplos: Kuwait, kuwaitiano.

c) Em siglas, símbolos, e mesmo em palavras adotadas como unidades de

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medida de curso internacional.

Exemplos: K (Potássio), W (West), kg (quilograma), km (quilômetro),

Watt.

ENTÃO

do alfabeto.

Tais casos continuam em uso, mas as letras fazem parte

Emprego de X e Ch

Emprega-se o X : 1) Após um ditongo. Exemplos: cai x a, frou x o,

Emprega-se o X:

1) Após um ditongo.

Exemplos: caixa, frouxo, peixe

Exceção: recauchutar e seus derivados

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2) Após a sílaba inicial "en".

Exemplos: enxame, enxada, enxaqueca

Exceção: palavras iniciadas por "ch" que recebem o prefixo "en-"

Exemplos: encharcar (de charco), enchiqueirar (de chiqueiro), encher e

seus derivados (enchente, enchimento, preencher

)

3) Após a sílaba inicial "me-".

Exemplos: mexer, mexerica, mexicano, mexilhão

Exceção: mecha

4) Em vocábulos de origem indígena ou africana e nas palavras inglesas

aportuguesadas.

Exemplos: abacaxi, xavante, orixá, xará, xerife, xampu

5) Nas seguintes palavras: bexiga, bruxa, coaxar, faxina, graxa,

lagartixa, lixa, lixo, puxar, rixa, oxalá, praxe, roxo, vexame, xadrez, xarope,

xaxim, xícara, xale, xingar etc.

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Emprega-se o dígrafo Ch:

1) Nos seguintes vocábulos: bochecha, bucha, cachimbo, chalé,

charque, chimarrão, chuchu, chute, cochilo, debochar, fachada, fantoche,

ficha, flecha, mochila, pechincha, salsicha, tchau etc.

Emprego de G e J

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Para representar o fonema /j/ na forma escrita, a grafia considerada

correta é aquela que ocorre de acordo com a origem da palavra. Veja os

exemplos:

Gesso: Origina-se do grego gypsos

Jipe: Origina-se do inglês jeep.

Emprega-se o G:

1) Nos substantivos terminados em -agem, -igem, -ugem

Exemplos: barragem, miragem, viagem, origem, ferrugem

Exceção: pajem

2) Nas palavras terminadas em -ágio, -égio, -ígio, -ógio, -úgio

Exemplos: estágio, privilégio, prestígio, relógio, refúgio

3) Nas palavras derivadas de outras que se grafam com g

Exemplos: engessar (de gesso), massagista (de massagem), vertiginoso

(de vertigem)

4) Nos seguintes vocábulos: algema, auge, bege, estrangeiro, geada,

gengiva, gibi, gilete, hegemonia, herege, megera, monge, rabugento, vagem.

Emprega-se o J:

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1) Nas formas dos verbos terminados em -jar ou -jear

Exemplos:

Arranjar: arranjo, arranje, arranjem

Despejar: despejo, despeje, despejem

Gorjear: gorjeie, gorjeiam, gorjeando

Enferrujar: enferruje, enferrujem

Viajar: viajo, viaje, viajem

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2) Nas palavras de origem tupi, africana, árabe ou exótica

Exemplos: biju, jiboia, canjica, pajé, jerico, manjericão, Moji

3) Nas palavras derivadas de outras que já apresentam j

Exemplos:

Laranja Laranjeira

Loja Lojista

Lisonja lisonjeado

Nojo nojeira

Jeito ajeitar

Cereja cerejeira

Varejo varejista

Rijo - enrijecer

4) Nos seguintes vocábulos: berinjela, cafajeste, jeca, jegue, majestade,

jeito, jejum, laje, traje, pegajento

Emprego de S e Z

Emprega-se o S:

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1) Nas palavras derivadas de outras que já apresentam s no radical

Exemplos:

Análise analisar

Catálise catalisador

Casa casinha, casebre

Liso - alisar

2) Nos sufixos -ês e -esa, ao indicarem nacionalidade, título ou origem

Exemplos:

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burguês- burguesa

chinês- chinesa

inglês- inglesa

milanês- milanesa

3) Nos sufixos formadores de adjetivos -ense, -oso e -osa

Exemplos:

Gostoso gostosa

Amoroso amorosa

Teimoso teimosa

Catarinense

Palmeirense

4) Nos sufixos gregos -ese, -isa, -osa

Exemplos: catequese, diocese, poetisa, profetisa, sacerdotisa, glicose,

metamorfose, virose

5) Após ditongos

Exemplos: coisa, pouso, lousa, náusea

6) Nas formas dos verbos pôr e querer, bem como em seus derivados

Exemplos: pus, pôs, pusemos, puseram, pusera, pusesse, puséssemos,

quis, quisemos, quiseram, quiser, quisera, quiséssemos, repus, repusera,

repusesse, repuséssemos

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7) Nos seguintes nomes próprios personativos: Baltasar, Heloísa, Inês,

Isabel, Luís, Luísa, Resende, Sousa, Teresa, Teresinha, Tomás

8) Nos seguintes vocábulos: abuso, asilo, através, aviso, besouro, brasa,

cortesia, decisão, despesa, empresa, freguesia, fusível, maisena, mesada,

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paisagem, paraíso, pêsames, presépio, presídio, querosene, raposa, surpresa,

tesoura, usura, vaso, vigésimo, visita etc.

Emprega-se o Z:

1) Nas palavras derivadas de outras que já apresentam z no radical

Exemplos:

Deslize deslizar

Razão razoável

Vazio esvaziar

Raiz enraizar

Cruz cruzeiro

2) Nos sufixos -ez, -eza, ao formarem substantivos abstratos a partir de

adjetivos

Exemplos:

Inválido invalidez

Limpo limpeza

Macio maciez

Rígido rigidez

Frio frieza

Nobre nobreza

Pobre pobreza

Surdo - surdez

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3) Nos sufixos -izar, ao formar verbos e -ização, ao formar substantivos

Exemplos:

Civilizar - civilização

Hospitalizar - hospitalização

Colonizar - colonização

Realizar - realização

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4) Nos derivados em -zal, -zeiro, -zinho, -zinha, -zito, -zita

Exemplos: cafezal, cafezeiro, cafezinho, arvorezinha, cãozito, avezita

5) Nos seguintes vocábulos: azar, azeite, azedo, amizade, buzina, bazar,

catequizar, chafariz, cicatriz, coalizão, cuscuz, proeza, vizinho, xadrez, verniz

etc.

6) Nos vocábulos homófonos, estabelecendo distinção no contraste entre

o S e o Z

Exemplos:

Cozer (cozinhar) e coser (costurar)

Prezar (ter em consideração) e presar (prender)

Traz (forma do verbo trazer) e trás (parte posterior)

Tra z (forma do verbo trazer) e trá s (parte posterior) Em muitas palavras, a letra

Em muitas palavras, a letra X soa como Z. Veja os exemplos:

Exame

Exato

Exausto

Exemplo

Existir

Exótico

Inexorável

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Emprego de S, Ç, X e dos dígrafos Sc, Sç, Ss, Xc, Xs

Existem diversas formas para a representação do fonema /S/. Observe:

Emprega-se o S:

Nos substantivos derivados de verbos terminados em "-andir",

"-ender", "-verter" e "-pelir".

Exemplos:

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Verter -

Expelir

versão

expulsão

Converter

-

Repelir

conversão

repulsão

Emprega-se Ç:

Nos substantivos derivados dos verbos "ter" e "torcer"

Exemplos:

Ater - atenção

Torcer - torção

Deter - detenção

Distorcer -distorção

Manter - manutenção

Contorcer - contorção

Emprega-se o X:

Em alguns casos, a letra X soa como Ss

Exemplos: auxílio, expectativa, experto, extroversão, sexta, sintaxe,

texto, trouxe

Emprega-se Sc:

Nos termos eruditos

Exemplos: acréscimo, ascensorista, consciência, descender, discente,

fascículo, fascínio, imprescindível, miscigenação, miscível, plebiscito,

rescisão, seiscentos, transcender etc.

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Emprega-se :

Na conjugação de alguns verbos

Exemplos:

Nascer- nao, naa

Crescer- creo, crea

Descer- deo, dea

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Emprega-se Ss:

Nos substantivos derivados de verbos terminados em "-gredir", "-mitir",

"-ceder" e "-cutir"

Exemplos:

Agredir

-

Demitir

-

Ceder -

Discutir

-

agressão

demissão

cessão

discussão

Progredir

-

Transmitir

-

Exceder

-

Repercutir

-

progressão

transmissão

excesso

repercussão

Emprega-se o Xc e o Xs:

Em dígrafos que soam como Ss

Exemplos:

exceção, excêntrico, excedente, excepcional, exsudar

Observações sobre o uso da letra X

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1) O X pode representar os seguintes fonemas:

/ch/ - xarope, vexame

/cs/ - axila, nexo

/z/ - exame, exílio

/ss/ - máximo, próximo

/s/ - texto, extenso

2) Não soa nos grupos internos -xce- e -xci-

Exemplos: excelente, excitar

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Emprego das letras E e I

Na língua falada, a distinção entre as vogais átonas /e/ e /i / pode não ser

nítida. Observe:

Emprega-se o E:

1) Em sílabas finais dos verbos terminados em -oar, -uar

Exemplos:

Magoar - magoe, magoes

Continuar- continue, continues

2) Em palavras formadas com o prefixo ante- (antes, anterior)

Exemplos: antebraço, antecipar

3) Nos seguintes vocábulos:

Cadeado, confete, disenteria, empecilho, irrequieto, mexerico, orquídea

Emprega-se o I:

1) Nas sílabas finais dos verbos terminados em -air, -oer, -uir

Exemplos:

 

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Cair- cai

Doer- dói

Influir- influi

2) Em palavras formadas com o prefixo anti- (contra)

Exemplos:

Anticristo, antitetânico

3) Nos seguintes vocábulos: aborígine, artimanha, chefiar, digladiar,

penicilina, privilégio

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Emprego das letras O e U:

A oposição o/u é responsável pela diferença de significado de algumas

palavras.

Veja os exemplos:

Comprimento (extensão) e cumprimento (saudação, realização)

Soar (emitir som) e suar (transpirar)

Grafam-se com a letra O: bolacha, bússola, costume, moleque

Grafam-se com a letra U: camundongo, jabuti, Manuel, tábua

Emprego da letra H

Esta