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Introdugao: Visdo Panoramica sobre a Estrutura, Eh ws alensleelecmear! Evolugao das Células PMA Uitex leer tetee Me eRU EU STe = Aparelho de Golgi, 6 Ei stseoener esos eso cekoy ky Seto +aZ0, 6 proliferam no interior de uma célula completa, 3. Peco oet = Ha apenas dais tipos basicos de células: procariontes & PCO rere F Parner coe) eee ne USO Ser eect eM cM ees SU SCR _ctoplasma por membrana dupla, o envoltério nuclear, 9 = Ocitoplasma é constituido por matriz, organelas e = Caracteristicas que distinguem as células eucariontes depésitos diversos, 5 Pesce tree uur Sees Eee eet ce) Peirce) Persone eer ct an aE] Pisce ees coes een ea) cae 6 ——— + Para sua multiplicagio os virus, estrutuas que no so constitudas por céllas,usama maquinarasinttca das ulas que parasitam para produzir macromoléculas vitals ‘= Hé apenas dos tipos celulares bisicos: as células procariontes as eucariontes ‘= Ascéllasprocrintes no tém nécleo ~0 genoma éseparado do ctoplasma por um envltério—e, geralmente, ‘no apresentam membranas que dividem o citoplasma em compartimentos = Asbactérias do grupo dasriquétsiase camidiassdocéluas procariontesincompletas, que se multiplicam somente dentro das cls completas(céiulas eucaronte) = As lula eucarontes so malores, estrturalmente mals complerasecontém muito mals DNA; seus cromosso- 1mos io complexos contém numerass protenas, inclusive histonas,efcam separados do ctoplasma por uma ‘membrana dupla, que contém poros, denominada envoltério nuclear * O étoplasma das célulaseucriontes¢dvidido por membranas em compartimentos que contém moléculas di tintas © que executam fungies especializadas em cada compartimento, aumentando muito a eficiéncia dessas éluas. 0 Gtopiasma das procarontes é muito pobre ema membrana, que ndoformam compartimentosfunco- ais As clas eucariontes das plantas, geralmente,apresentam um grande vacolo dtoplasmatica,t€m plastos e parede de celuose, armazeram amido como reserva energética ese comunicam por meio de plasmodesmos, Nas células eucariontes,a reserva energética principal éo glicogénio + Coropastos e mitocindras provavelmente se originaram de bactériassimbiontes que se estabeleceram de modo definitive no citoplasma '= Os seres vivos podem ser agrupados em cinco grandes grupos ou reinos: moneras, protistas, plantas, fungos e animals = Estudos filogenéticos moleculares, fundamentados principalmente no RNA ribossémico, separam os seres vivos em apenas trés grandes grupos cu dominios: bata, équea e eu, Os dos prmeiros dominios so constitu os por células procarontes; apenas o dominio eucériaapresenta células eucarontes. 1 | Introdugéo: Visio Panoramica sobre a Estrutra, as Funes ea Evolugio das Células Neste capitulo seré apresentada uma visto panoramica de cestrutura, das fungdes e da evolucao das células, que servird de base para o estudo da matéria que seré tratada mais minucio- samente nos capitulos seguintes. A célula é a unidade que constitui os seres vivos, podendo existirisoladamente, nos seres unicelulares, ou formar arran- jos ordenados, 0s tecidos, que constituem 0 corpo dos seres pluricelulares. Em geral, os tecidos apresentam quantidades variaveis de material extracelular, produzido por suas células. = Virus sao parasitos intracelulares obrigatérios Em razdo de suas relagdes com as oélulas e seus efeitos sobre elas, podendo causar doencas de gravidade varidvel, os virus serdo estudados neste livro, embora de modo resumido (Capitulo 16). Um virus nao é capaz de se multiplicar, exceto quando parasita uma célula de cujas enzimas se utiliza para a sintese das macromoléculas que irio formar novos virus. Eles ‘no contam com todas as enzimas nem as estruturas necessa- ras para a fabricagdo de outros virus; sdo, portanto, parasitos intracelulares obrigatérios, Na verdade, 0s virus sio parasitos moleculares, uma vez que induzem a maquinaria sintética das células a sintetizar as moléculas que irdo formar novos virus em ver de produzirem moléculas para a propria célula. (Os virus que atacam as células animais nao atacam as vege- tais, e vice-versa. Distinguem-se, pois, os virus animais e os virus vegetais. Ha, porém, alguns virus vegetais que, invadin- do-as, multiplicam-se nas oélulas de insetos disseminadores desses virus de uma planta para outra. Os virus das bactérias, so chamados bacteridfagos, ou simplesmente fagos. Cada virus ¢ formado basicamente por duas part = uma porgao central, que leva a informacao genética isto € ‘um genoma constitufdo, conforme o virus, de um filamento simples ou duplo de cido ribonucleico ou desoxirribonu: cleico, no qual estio contidas, em cédigo, todas as informa- ‘Goes necessérias para a producdo de outros virus iguais = uma porgao periférica, constituida de protefnas, que pro- tege o genoma, possibilita ao virus identificar as células que ele pode parasitare, em determinados virus, facilita a pene- tragdo nas células, Alguns virus maiores e mais complexos apresentam um invélucro lipoproteico. A parte lipidica desse invélucro ori- gina-se das membranas celulares; mas as proteinas sio de natureza viral, isto &, so codificadas pelo dcido nucleico do virus. No exterior das células, os virus se apresentam como particulas constituidas de um agregado de macromoléculas e recebem a denominagao de virions. = Riquétsias e clamidias sao células incompletas e, por essa razao, s6 proliferam no interior de uma célula completa As bactérias dos grupos das riquétsias e das clamidias sio ‘muito pequenas econstituidas por células procariontesincom- pletas, que ndo tém a capacidade de autoduplicacao indepen- dente da colaboragio de outras células. Como os virus, as riquétsias e clamidias so parasites intracelulares obrigatérios, pois s6 proliferam no interior das células completas; todavia, as células incompletas diferem dos virus em dois aspectos fandamentais. Ein primeiro lugar, os virus carregam, codifi- cada no seu écido mucleico, a informacio genética para a for- ma¢do de novos virus, mas no contém organelas e, por isso, utilizem-se da maquinaria das células para se multiplicar. As células incompletes, a0 contrério, tém parte da maquina de sintese para reproduair-se, mas necessitam da suplementaco fomnecida pelas céhulas parasitadas. Fin segundo lugar, as célu- las incompletas tém uma membrana semipermeével, através da qual ocorrem trocas com 0 meio, o que nao acontece com os virus. O invélucro que alguns virus tm, e que é constituido principalmente por moléculas celulares, perde-se quando esses virus penetram nas células. Provavelmente, as células incompletas sao células “degene- radas’ isto é, que, no correr dos anos, perderam parte do seu. DNA, de suas enzimase, portanto, sua autonomia, tornando-se dependentes das células que se conservaram completas = Ha apenas dois tipos basicos de células: procariontes e eucariontes ‘A mictoscopia eletrOnica demonstrou que existem fun- damentalmente duas classes de células: as procariontes (pro, primeito, cario, nticleo), cujos cromossomos nio sio separa~ os do citoplasma por membrana, e as eucariontes (eu, verda- deiro, ¢cario, niicleo), com um nticleo bem individualizado delimitado pelo envoltério nuclear. Como sera visto a seguir, embora a complexidade nuclear seja utilizada para nomear as duas classes de células, hé outras diferengas importantes entre procariontes e eucariontes. = Células procariontes sao “pobres” em membranas As células procariontes caracterizam-se pela escassez de ‘membranas. Nelas, geralmente a tinica membrana existente a membrana plasmtica. Ao contrério das células eucarion- tes, as procariontes nao contém membranas que separam os cromossomos do citoplasma, Os seres vivos que tém célu- Jas procariontes sio denominados procariotas; essas células constituem as bactérias (as cianoficeas, ou algas azuis, tam- bém sto bactérias).. ‘A célula procarionte mais bem estudada ¢ a bactéria Escherichia coli (Figura 1.1), que, por sua simplicidade estru- tural e rapider de multiplicagio, revelou-se excelente para estudos de biologia molecular. A E. coli tem a forma de bastio, com cerca de 2 um de comprimento, e ¢ separada do meio externo por uma membrana plasmatica semelhante & que envolve as células eucariontes, Por fora dessa membrana existe uma parede rigida, Conforme a bactéria, a espessura dessa parede é muito variével, Ela é constituida por um complexo de proteinase glicosaminoglicanas. A parede bacteriana tem, sobretudo, fungéo protetora. Nucleoide Figura 1 + Célula procarionteactra Escherichia cl, Actus &ervovida por uma parede gia press 8 membrana plasmaica. Na face interna da membrana, {econtrom eencimasrlacionadascom a espiraio que estiorepresentaas,n0 R+H,0, 0s peroxissomos conttm a maior parte da catalase celular, ‘enzima que converte peréxido de hidrogénio (H,O,) em égua eoxigenio: 2H,0, "$ 2H,0 + 0; A atividade da catalase ¢ importante porque o peréxido de hidrogénio (H,0,) que se forma nos peroxissomos € um oxi- dante enérgico e prejudicaria a célula se nio fosse eliminado rapidamente. Os peroxissomos apresentam, ao microsc6pio eletrOnico, ‘uma matriz granular envolta por membrana, ¢ tamanho varié- vel. Muitos peroxissomos exibem um cristaloide, elétron- denso e constituido de catalase. Os peroxissomos sto iden- tificados a0 microseépio eletrénico por conferirem reagdo positiva para a enzima catalase Essas organelas tém sido bem estudadas nas células do rim e do figado de mamiferos. Entre outras enzimas, contém catalase, enzimas da B-oxidagio dos Acidos graxos, urato- oxidase e D-aminoécido-oxidase. Participam da metabo- lizagdo do écido trico, resultante das bases puiricas. A pre- senga da enzima D-aminoicido-oxidase esta provavelmente relacionada com a metabolizagio dos D-aminoscidos da parede das bactérias que penetram no organismo, pois as proteinas dos mamiferos sio constituidas exclusivamente por L-aminodcidos. Os peroxissomos tém também urn papel na desintoxicacio, Por exemplo, cerca da metade do alcool elilico (etanol) consumido por uma pessoa é destruido por oxidagio nos peroxisomes, principalmente nos peroxisso- ‘mos do figado e dos rins. Os peroxissomos participam, como as mitocndrias, da B-oxidacdo dos acidos graxos, assim chamada porque os dcidos graxos so rompidos no carbono da posigio dois ou beta. Os peroxissomos catalisam a degra- dagao dos dcidos graxos, produzindo acetil-CoA, que pode penetrar nas mitocondrias, na qual iré participar da sintese de ATP por meio do ciclo do cide citrico (ciclo de Krebs). ‘As moléculas de acetil-CoA podem ser utilizadas em outros compartimentos citoplasmiticos para a sintese de moléculas diversas. Calcula-se que 30% dos dcidos graxos sejam oxida- dos em acetil-CoA nos peroxissomos. © contetido enzimitico dos peroxissomos varia muito de uma célula para a outra, notando-se ainda que, em uma ‘mesma célula, nem todos os peroxissomos tém a mesma com- posico enzimstica. Essas enzimas sio produzidas pelos poli ribossomos do citosol, conforme as necessidades da célula e, ruitas vezes, como uma adaptacao para a destruigdo de molé- Biologia Celular e Molecular cculas estranhas que penetram na célula, como cool etilico e diversos firmacos, = Receptores da membrana dos peroxissomos captam protefnas que apresentam sinal especifico e sao sintetizadas no citosol Os peroxissomos crescem pela incorporagio de protet nas sintetizadas nos polirribossomos livres no citosol, con- tendo uma sequéncia especial de trés aminodcidos préxi- mos a extremidade carboxila da molécula proteica. Essa sequéncia é reconhecida por receptores da membrana, ¢ a proteina é transportada para o interior dos peroxissomos. Assim, os peroxissomos crescem e, apés atingirem deter- minado tamanho, dividem-se por fissdo (Figura 1.6). O processo foi bem estudado, tomando-se como modelo a catalase. A molécula de catalase & constituida por quatro polipeptidios idénticos, cada um deles ligado a um grupo heme. A catalase ¢ liberada pelos polirribossomos no cito- s0l sob a forma de polipeptidios, sem o grupo heme, deno- minados apocatalase. As moléculas de apocatalase, que contém o sinal para os peroxissomos, sdo reconhecidas pela ‘membrana dos peroxissomos e penetram nessa organela, na qual se unem para formar os tetrimeros, que, em seguida, recebem quatro grupos heme. ‘As moléculas receptoras, que ficam presas nas membra~ nas dos peroxissomos, provocando saliéncia na face cito- plasmitica, também so sintetizadas nos polirribossomos livres e captadas ~ porém nao introduzidas ~ no peroxis- somo, permanecendo presas na superficie da membrana dessa organela, Proteinas no citosol Receptor que auxiia a penetragio das proteinas com sinal para o peroxissomo Crescimento 0 peroxissomo ce Duplcagéio do peroxissomo Figura 1.6 = Os perossomos se multiplicam por um proceso ainda pouco co- rhhecid de divisions. lustraio mesta que as proteins paraessaorganela Sio sintetzadas no citoso.Algumas fam presas& membrana do peroxisome potim,determinadas protenas tim sinas peptidcassequinciasdeaminosidos) ‘Que marca sua destinagsopara0inerir dos poroisiomes. sas mollis pro {eieasavavessam a membrana eaumentam otamanho da organel, a qual enim, idee em duas. 1 | Introdugao: Visdo Panordmice sobre a Estrutura, as FungGes ea Evolucéo das Células Doencas humanas por defeitos os peroxissomos ‘Asindrome cérebro-hepatorenal, ou sindrome de Zeliaeger,& um dstirbio hereto rar, no qual aparece dversosdefitosneuroliics,hepatios «ereais, que lear & morte muito ceo, geralmente ma infin, Fi obser. tl quo fgad eos rns desses pacientes apresentam peroxsomos azo, conttudos somente pels membrana, sem a5 enzimas normalmente localizedasno interior dessasorganelas. Eas envimas aparecem lives no ios, no qual néo podem funcionarnormaimente,Portant, as clulas esses pacientes no prdem a capacdade de sntetzar as enzimastpcas dos peronissomes, mas, sin, a pesiblidade de transferr para os perxisso- mos as enzimas produzdas. O estudo getio dos prtadores da sindtome de Zellaeger detect mutagoes em ceca de diversos genes, todos cdf- caderes de proteinas que partcpam do proceso de importacio de encima los peroxisomes. Ess genes foram isolados, fi demonstado que as Drotenas que eles cdticam slo receptores para enimas ds pravsomos, ‘enti, dealgum cuto modo, patcpam da maquinara response! pela introduc das enzinas nos peoxsomos 0 nimero de genes e proteins ‘ervcvdo mostra a compleidade do process de transloagio de enaimas ara o interior dessas rganeas. Outras doencas hereditirias dos peroxissomos sio decor- rentes da falta de apenas uma enzima, 20 contrério do que acontece na sindrome de Zellweger. A adrenoleucodistrofia € um exemplo de deficiéncia em apenas uma enzima dos peroxissomos. Trata-se de uma muta¢io no cromossomo X que, geralmente, manifesta-se nos meninos antes da puber- dade, quando aparecem sintomas de deficigncia na secrecio da glindula adrenal e disfungies neurolégicas. Os defeitos resultam do actimulo nos tecidos de numerosas moléculas de dcidos graxos saturados de cadeia muito longa, porque os eroxissomos desses doentes nao oxidam os acidos graxos saturados de cadela muito longa. = Citoesqueleto Muites células apresentam forma irregular, existindo algumas, como os neurdnios ou células nervosas, com pro- longamentos muito longos. Além disso, 0 miicleo, as orga- nelas, vesiculas de secresao ¢ outros componentes celulares tém localizacéo definida, quase sempre constante, conforme © tipo celular, Essas observacdes levaram os pesquisadores a. admitirem a existéncia de um citoesqueleto que desempe- nharia apenas um papel mecinico, de suporte, mantendo a forma celular ea posicao de seus componentes, Estudos pos- teriores, além de confirmarem a existéncia do citoesqueleto, ‘mostraram que seu papel funcional é muito mais amplo, Ele «estabelece, modifica e mantém a forma das células. E respon sivel também pelos movimentos celulares como contragao, formagao de pseudépodos e deslocamentos intracelulares de organelas, cromossomos, vesiculas e grimulos diversos. Os principais elementos do citoesqueleto sé0 os microtabulos, filamentos de actina e filamentos intermedidrios. Os micro- tibulos e 0s microfilamentos de actina, com a cooperacio das protefnas motoras (Capitulo 7), participam dos movi- mentos celulares e dos deslocamentos de particulas dentro das células. = Depésitos citoplasmaticos O citoplasma pode conter, conforme o tipo celular estudado e seu estado funcional, acimulos, geralmente temporirios, de substincias diversas, ndo envoltas por membrana. Sio frequentes os depésitos do polissacaridio glicogénio, sob a forma de grinulos esféricos com 30 nm de diametro, que podem existir isoladamente ou agrupados (Figura 1.7). glicogenio, um polimero da glicose, é uma reserva energé- tica para as células animais. Muitas células contém goticulas lipidicas (Figura 1.8) de constituigio quimica ¢ tamanho muito variaveis Depésitos de pigmentos também nao sio raros; um exem- plo éamelanina, encontrada nos cromatéforos enas células da epiderme (camada mais superficial da pele), e outro exemplo €a lipofuscina, pigmento pardo que se acumula em algumas células de vida longa, como neurdnios ¢ eélulas musculares cardiacas, a medida que elas envelhecem. (Os depésitos que contém pigmento séo, em parte, respon- sveis pela cor dos seres vivos, com implicagées nos processos de mimetismo, na atracio para acasalamento e na protecio contra as radiagGes ultravioleta da luz do sol = Onticleo contém os cromossomos e é separado do citoplasma por membrana dupla, o envoltério nuclear Uma das principais caracterstcas da clulaeucarionte éa pre- senga deumniicleode forma variével, porém bem individualizado € separado do restante da célula por duas membranas. Todavia, Figura 17 « Mirogrataeletrnice:rdnulos de lcagnis a mairia dels forms aglomerados (ets). Calula do igado Aum: 62.000%. Figura1.s » Eletromicroeafia depéstostemporitos de ipidios ne ctoplsmade ‘ula absortva do itestino delgado, Esas clas apresentam multos rolonga- ‘mentos em sua superice Ive, o§ micros ou micevisdades que aumentam a superficie fatima absorco de nutientes. Ntarmitocéraas () eluossomos (Li Depois de absorvides peas celia, os lipidios se acum temnporviamente na cisteras do reticle endoplasmic liso, extandoerwoligos por membrana este reticuo sets). Aumente: 10000x.(Certasia de Hedman essa membrana dupla, chamada envoltorio nuclear contém poros que regulam o intenso transito de macromoléculas do ntileo para 0 citoplasma e deste para o nicleo, Todas as moléculas de RNA. do citoplasma sdo sintetizadas no miicleo, ¢ todas as moléculas protcicas do nticleo sio sintetizadas no citoplasma. A membrana externa do envoltério nuclear contém polivibossomos, fazendo parte do reticulo endoplasmatico rugoso (Figura 1.2). = Cromatina A observacio microscépica dos preparados fixados mos- tra que 0 miicleo celular contém grinulos de tamanho varié- vel e forma irregular, que se coram intensamente por corantes basicos. © material que constitu’ esses grinulos foi chamado de cromatina, em uma época em que nada se conhecia sobre a sua constituigdo quimica. Atualmente, sabe-se que a cro- matina é constitufda por écido desoxirribonucleico (DNA) associado a proteinas. As células eucariontes, em comparagio com as procariontes, contém uma quantidade muito maior de DNA, que apresenta grande complexidade, estando asso- ciado a diversas proteinas como as histonas. As proteinas tém importante papel nas fungdes enna organizacio do DNA, tanto 1no mticleo interfésico, isto é, que nao esta em mitose, como na condensagio dos cromossomos na divisio celular. = Nucléolo Os nucléolos sio corpisculos em geral esféricos, geral- mente visiveis nas células vivas, examinadas a0 microscépio sem qualquer coloracéo, Biologia Celular e Molecular Os nucléolos contém grande quantidade de écido ribo- nucleic (RNA) e de proteinas basicas, ao lado de pequena quantidade de DNA. Geralmente, os nucléolos sio basofilos, em razdo do RNA, que se cora por corantes basicos; contudo, ‘0s que apresentam elevado teor de proteinas basicas, que tém afinidade pelos corantes acidos, s80 acidéfilos (0 significado a basofilia e da acidotilia seré explicado no Capitulo 2), = Caracteristicas que distinguem as células eucariontes vegetais das animais As células dos vegetais superiores (plantas) so eucariontes ¢ assemelham-se, em sua estrutura basica, is eélulas animais. AAs principais diferencas serao citadas a seguir. ¢, para mais, detalhes, consulte o Capitulo 13. > Presenca de paredes. Além da membrana plasmitica, as células das plantas contém uma ou mais paredes rigidas que Ihes conferem forma constante e protegem o citoplasma prin- Presenca de plstidios. Uma das principais caracteristicas das células das plantas é a presenca dos plastidios, também chamados plastos, que sio organelas maiores do que as mito- cOndriase, como elas, delimitadas por duas unidades de mem- bbrana, Os plastidios que nao contém pigmentos so chamados eucoplastos. Os que contém pigmentos so os cromoplastos, dos quais os mais frequentes sio os cloroplastos,ricos em clo- rofila, principal pigmento fotassintético, » Vaciolas citoplasmiatices. As células das plantas contém, com frequéncia, vaciiolos citoplasméticos muito maiores do que 05 que existem no citoplasma das células animais, Os vactiolos das células vegetais podem ocupar a maior parte do Volume celular, reduzindo-se o citoplasma funcional a uma delgada faixa na periferia da célula, > Presenca de amido. Ao contrério das células eucarion- tes animais, que utilizam © polissacaridio glicogénio como reserva energética, nas células das plantas 0 polissacaridio de reserva é 0 amido. > Presenca de plasmodesmas. As células vegetais tém tubos com 20 a 40 nm de di&metro ligando células adjacentes. Essas conexies so chamadas plasmodesmos e estabelecem canais para o transito de moléculas. As eélulas animais nio apresen- tam plasmodesmos; porém, muitas se comunicam por meio das jungdes comunicantes (Capitulo 5), que sto morfologics mente muito diferentes, mas apresentam semelhancas funcio- nais com os plasmodesmos. = Origem e evolucao das células ‘Admite-se que o processo evolutivo que originou as pri- meiras células comegou na Terra a aproximadamente 4 bilhées de anos. Naquela época, a atmosfera provavelmente continha ‘vapor digua, am6nia, metano, hidrogenio, sulfeto de hidroge- nio e gis carbénico. O oxigénio livre sé apareceu muito depois, gracas a atividade fotossintética das células autotroficas HA 4 bilhGes de anos, a superficie da Terra estaria coberta por grande quantidade de gua, disposta em grandes “oce- anos” e “lagoas’, Essa massa liquida, chamada de caldo pri- 1 | Introdugéo: Viséo Panoramica sobre a Estrutura, as Fungies ea Evolugio das Clulas mordial, era rica em moléculas inorganicas € continha em solucio os gases que constituiam a atmosfera daquela época. Sob a agio do calor e da radiacio ultravioleta, vindos do sol, e de descargas elétricas, oriundas das tempestades que eram. muito frequentes, as moléculas dissolvidas no caldo primor- dial combinaram-se quimicamente para constituirem os pri- meiros compostos contendo carbono. Substancias relativa- mente complexas como protefnas € acidos nucleicos, que, nas condigdes terrestres atuais, sé se formam pela agdo das células 2 por sintese nos laboratérios quimicos, teriam aparecido espontaneamente, a0 acaso. Esse tipo de sintese, realizada sem a participacio de seres vivos, & denominada prebistica, ¢ jf foi demonstrado experimentalmente que ela & possivel (Figura 1.9). O acimulo gradual dos compostos de carbono fi favorecido por trés circunstancias: (1) a enorme extenséo é2 Terra, com grande variedade de nichos, onde provavel- mente ocorreu a formacio de moléculas que foram mantidas préximas umas das outras ¢, certamente, diferentes das exis: fentes em outros locais; (2) 0 longo tempo, cerca de 2 bilhes de anos, perfodo em que ocorreu a sintese prebidtica no caldo primordial; e (3) 2 auséncia de oxigénio na atmosfera,jé men- cionada, e importante porque assim as moléculas neoformadas Figura 1.9 « Aparelho cato por Stanley L Miler para demonstra sntese de ‘poléculas orcicas ema participa deseres ios antes prebistal rascan 205 da atmosfera terete hi crea de 4 hoes de anos. O aparene conte =o" ¢squa,proveniente do aquecmente do baldo inferior Pela tener superior ‘queda intredusiamse, na coluna, retano,aménia,hidrogénio «gs carbonic, 0 pasar pelo balo superior dito, amistua era submetide acentehas elvis. ‘mista tomaras liquide no cndensador eee recolida pele torn inferior. srvoi-e que ese liquid continha diversas molculas de composts ee cerbono ica) inclusive aminocidos, no foram logo destruidas por oxidacao. Na atmosfera tual da ‘Terra, a sintese do tipo prebidtico é impossivel E provavel que no caldo primordial tenham surgido poli- eros de aminodcidos e de nucleotidios, formando-se assim as primeiras moléculas de proteinase de acidos nucleicos. ‘Todavia, somente écidos nucleicos sio capazes de autoduplica- 0, e a demonstragio experimental recente de que, em labo- rat6rio, moléculas de RNA simples sio capazes de evoluir para ‘moléculas mais complexas, sem auxilio de proteinas enziméti- «as, faz supor que a evolugio comegou com moléculas de RNA. ‘Como ser visio adiante, no Capitulo 3, o RNA pode ter ativi- dade enzimética, propriedade que ja se pensou ser exclusiva das proteinas. Aparecidas as primeiras moléculas de RNA com capacidade de se multiplicarem e de evoluir, estava iniciado 0 caminho para as primeiras células. Porém, era necessirio que © sistema autocatalitico ficasse isolado, para que as moléculas nfo se dispersassem no liquido prebistico. Provavelmente a0 caso, formaram-se moléculas de fosfolipidios que, esponta- neamente, constituiram as primeiras bicamadas fosfolipidicas, € estas podem ter englobado conjuntos de moléculas de éci- dos ribonucleicos, nucleotidios, proteinas e outras moléculas. Estava, assim, constitulda a primeira célula, com sua mem- brana fosfolipidica. Os fosfolipidios sio moléculas alonga- das, com uma cabeca hidrofilca duas cadeias hidrofbicas. Quando estdo dissolvidas em gua, as moléculas de fosfolipi- dios se prendem por interagao hidrofébica de suas cadeias € constituem bicamadas espontaneamente, sem necessidade de ‘energia (Capitulo 5), Osdados hoje disponiveis permitem supor que, em seguida a0 dcido ribonucleico (RNA), deve ter surgido 0 dcido desoxir- ribonucleico (DNA), formado pela polimerizacao de nucleo- ‘dios sobre um molde (template) de RNA, e os dois tipos de 4cidos nucleicos passaram a determinar os tipos de proteinas a serem sintetizadas. Considerando a enorme variedade de proteinas celulares, formadas por 20 mondmeros diferentes (0s 20 aminoscidos), é pouco provivel que todas as proteinas se tenham formado por acaso, A sintese das proteinas deve ter sido dirigida pelos acidos nucleicos, com eliminagéo das protefnas intiteis, pelo proprio processo evolutivo. razodivel supor que a primeira célula que surgiu era estru- turalmente simples, certamente uma procarionte heterotré- fica, ¢, também, que essa célula foi precedida por agregados de RNA, DNA e protefnas, envoltos por bicamada de fosfo lipidios. Esses agregados continuaram 0 processo evolutivo iniciado pelas moléculas de RNA, e deram origem as primei- ras células, que devem ter sido procariontes estruturalmente simples. ‘Como essas primeiras células procariontes eram heterotr6- ficas e, portanto, incapazes de sintetizar compostos ricos em ‘energia (alimentos), 0 processo evolutivo teria sido interrom- pido pelo esgotamento dos compostos de carbono formados pelo processo prebistico, nos nichos em que surgiram as célu- las primordiais. Essas primeiras células, além de procariontes e heterotréficas, eram também anaerébias, pois nao existia oxigenio na atmosfera. Teria sido dificil sustentar 0 processo evolutivo das células primitivas, se elas tivessem permanecido dependentes, para sua nutri¢do, das moléculas energéticas for- ‘madas por sintese prebidtica no caldo primordial. ‘A manutengio da vida na Terra dependeu, entio, do apare- cimento das primeiras células autotréficas, ou seja, capazes de sintetizar moléculas compleras a partir de substincias muito simples ¢ da energia solar. Admite-se que tenha surgido, em células procariontes, um sistema capaz de utilizar a energia do sol e armazend-la em ligagdes quimicas, sintetizando assim alimentos e liberando oxigénio, Esse novo tipo celular seria provavelmente muito semelhante as “algas azuis” ou cianofi ceas, que sio bactérias ainda hoje existentes. Iniciou-se, assim, a fotossintese, que ocorreu em virtude do aparecimento, nas células, de determinados pigmentos, como a clorofila (pig- mento de cor verde), que capta as radiagdes azul e vermelha da luz do so, utilizando sua energia para ativar processos sin- téticos. 0 oxigénio liberado pela fotossintese realizada pelas bacté- ras autotréficas foi-se acumulando na atmosfera. Isso produ- iu grandes alteragdes na atmosfera, pois as moléculas do gés oxiginio (0, se difundiram para as alturas mais elevadas da atmosfera, onde se romperam sob acio da radiacao ultravioleta, originando étomos de oxigénio, muitos dos quais se recombi- naram para formar ozénio (O,), que tem grande capacidade de absorver o ultravioleta. Desse modo, formou-se, poucoa pouco,, uma camada de ozinio que protege a superficie da Terra contra a radiagio ultravioleta, mas que ¢transparente aos comprimen- tos de onda visiveis. inicio da fotossintese e as moditicagdes da atmosfera foram de grande importincia para a evolugdo das células ¢ das formas de vida hoje existentes na Terra. Gracas 4 fotos- sintese, surgiu o oxigénio na atmosfera, e isso permitiu 0 apa- recimento de células aerdbias, ao mesmo tempo em que criou uma cobertura protetora de o7énio nas camadas superiores da Célula procarionte Reticulo ‘endopiasmatico Poro nuclear Poliribossomo DNA. Nacleo — Biologia Celular e Molecular atmosfera. As bactérias anaerdbias ficaram restrtas a nichos especiais, onde nao existe oxigenio. SupSe-se que o passo seguinte no processo evolutivo, depois das células procariontes autotréfica, foi o surgimento das célu- Jas eucariontes. Tudo indica que as eélulas eucariontes, carac- terizadas por seu elaborado sistema de membranas, tenham se originedo a partir de procariontes, por invaginacées da mem- brana plasmtica, que foi puxada por proteinas contriteis pre- viamente aparecidas no citoplasma (vejaadiante, neste capitulo). ssa hipotese & apoiada pela observagio de que as membranas intracelulares mantém, aproximadamente, a mesma assimetria que existe na membrana plasmética. A face das membranas {nternas que esté em contato com o citosol (matriz citoplas- midtica) assemelha-se & sua equivalente na membrana plasmé: tica, ¢ 0 mesmo acontece com a face voltada para o interior dos compartimentos intracelulares, que tem semelhan¢a com a face externa da membrana plasmatica (Figura 1.10). A interioriza~ fo da membrana foi fundamental para a evolucio das células eucationtes, pois formou diversos compartimentos intracelula- res, como 0 reticulo endoplasmitico, endossomos,lisossomos e aparelho de Golgi, que sio microrregides, cada uma com stia composicao enzimatica tipica e atividades fancionais especi- ficas. Esta separacéo molecular e funcional aumenta muito a ficiéncia dos processos celulares. Ha evidéncias sugestivas de que as organelas envolvidas nas, transformagbes energéticas, cloroplastos e mitocondrias, ori- ginaram-se de bactérias que foram fagocitadas, escaparam dos ‘mecanismos de digestio intracelular e se estabeleceram como simbiontes (endossimbiontes) nas células eucariontes hospe- deiras, criando um relacionamento mutuamente benéfico © que se tornou irreversivel com o passar dos anos (Figura 1.11), Célula eucarionte Figura 1.10 « Ailusvacie mostra coma, provvel ‘mente apaeceram cs compatimentes insaceluaes, PorinvaginagSes da membrana plasmic Esa hipd- ‘ese €apolde pela obsevacio de que s membre nas inteceluares tem consitucdo molecular muito semelhante& da membrana pasmitia, 1 | Introdugéo: Visdo Panoramica sobre a Estrutura, as FungGes ea Evolucéo das Células Bactétias primitvas anacrobias ‘com membrana e cépsula a, Célula primitive ‘anaersbia fagoritando J bactéria aerobia Bactéria aerdbia 7X, ja sem cépsula Célula eucarionte aersbia Mitooéndtia com membrana dupla: aintema, de ongem bacterana, © 2 extema, do origom celular. ‘A membrana bacieviana passou a formar dobras: as erstas mitocondais Figura 1.17 » Desenho esquemstico que mostra a tera da origem bacteriana as mitocndtas, por endossimbiose Callas eucariotessnasrcbias primis, teram fagocitado basérasardbins as qui, de algum modo, excaparam a ciges tao inuacellare estabeleceram intereelacbes mutuamente tls com 3s ules hospadeitas queassim etomaram aerbbias Ao mesmo tempo, as baci, ene ‘utes vantagen,receberam protaio e alimentacio em sua rovalcaliagio no citoplasma 6 clus hospedela, ‘em razdo de mutagSes ocorridas no endossimbionte (chama-se endossimbionte um simbionte intracelular). As principais evi- déncias a favor dessa hipdtese so: + mitocdndrias e cloroplastos contém um genoma de DNA circular, como o das bactérias = essas organelas t8m duas membranas, sendo a interna seme- Thante, em sua composicio, as membranas bacterianas, en- quanto a externa, que seria a parede do vaciolo fagocitirio, assemelhia-se & membrana das células eucariontes hospedeiras. Além disso, simbiose entre bactérias e célilas eucariontes continua acontecendo, sendo intimeros os casos atualmente existentes. ‘Ao longo da evolugao, tanto as mitocdndrias como os clo- roplastos foram perdendo seu genoma para 0 miicieo da célula hospedeira, tomando-se dependentes do DNA dos cromosso- ‘mos das células hospedeiras. A maior parte das proteinas das mitocdndrias e dos cloroplastos € codificada por RNA mensa- geiro proveniente do micleo celular, sintetizadas nos polirri- bossomos da matriz citoplasmatica e, depois, transferidas para dentro das mitocéndrias e cloroplastos. = Como surgiram as células eucariontes? © surgimento das células eucariontes, durante o lento pro- sesso evolutivo, é um aspecto de dificil elucidagio, principal- mente porque nao existem hoje células intermediarias entre procarionies e eucariontes, o que facilitaria o esclarecimento dessa modificagio evolativa. Parece claro que, embora as mitocondrias e os cloroplastos sejam derivados de células procariontes, ¢ dificil imaginar a for- magio de uma célula eucarionte pela simples uniio entre duas ‘Ellas procationtes tipicas. Uma delas deve ter sofrido modifica- ‘gbes evolutivas que nao foram conservadas nas céiulas procarion- tes atuais.£ possivel que as células eucariontes tenham evoluido ‘gradualmente, na sequéncia exposta a seguir (Figura 1.12). ‘Uma célula procarionte heterotrfica e anaerSbi, jd com o sis- tema DNA>RNA—Proteina funcionando, teria perdido parede ‘elulare, aos poucos, aumentado detamanho eformado invagina- ‘bes na membrana plasmaética, Admite-se que, nessas reentrancias, acurmularam-se enzimas digestivas que permitiram uma melhor Microtomia, Fm sua maioria, as células fazem parte de tecidos que precisam ser cortados em fatias finas para exame 1no microseépio. Esses cortes so feitos em um aparelho deno- ‘minado micrstomo (Figura 2.2). Para ser cortado no micré- tomo, o fragmento de tecido fixado € geralmente protegido por um material que o envolve e nele penetra, devendo con- tar com propriedades fisicas que facilitem o corte. Os tecidos destinados ao estudo no microscépio dptico sao protegidos, isto é incluidos em parafina ou em resinas plasticas espe- ciais, e cortados com uma espessura de 1 a 6 micrémetros, geralmente, Para estudo no microscépio eletrOnico, os teci- dos devem ser incluidos em resinas mais rigidas, como as do tipo epéxi. Os cortes para 0 microscépio eletrdnico sio mito finos, medindo 0,02 a 0,1 mm. Os micrétomos que cortam tecidos incluidos em parafina utilizam navalhas de ago, € 05 que cortam tecidos inclufdos em resinas usam nava- Ihas de vidro ou de diamante, > Coloracdo. Quase todas as organelas sio transparentes incolores, 0 que dificulta seu estudo microscépico. Para ven- cer essa dificuldade, foram criados numerosos processos de coloragae que tornam visivels os diversos componentes celu- lares. A maioria dos corantes comporta-se como base ou como dcido. Nos corantes bisicos, o grupamento quimico respon- sdvel pela cor ou grupamento crométoro (cromo, cor, e foro, conduzo) € catiénico. Os croméforos desses corantes combi- snam-se com 0s grupamentos fcidos (anidnicos) das moléculas, celulares. Portanto, as moléculas écidas, como as do DNA ¢ RNA, sio baséfilas, isto é, tém afinidade pelos corantes bi cos. O azul de toluidina e o azul de metileno sao exemplos de corantes bésicos. A hematoxilina, um corante muito utilizado, comporta-se como corante basico, ligando-se as estruturas baséfilas dos tecidos Figura2.2 » Micrétormomodorno especialmente ergondmico, xa cortes detec Microscépio de polarizacéo. O emprego de um feixe lumi- noso polarizado permite estudar determinados aspectos da organizagao molecular dos constituintes celulares. Ao atra- vvessar a célula ofeixe de luz pode passar por estruturas crista~ linas ou constituidas por moléculas alongadas e paralelas, que dividem o feixe polarizado em dois, cujos planos sia perpen- diculares. Bssas estruturas so chamadas anisotr6pices e so birrefringentes, pois apresentam dois indices de refragio dife- rentes, conforme a incidéncia da luz, As estruturas celulares que nao apresentam tal organizagio nao modificam o plano de polarizacao da luz e sio ditas isotr6picas. © microscépio de polarizacao é semelhante a0 microsco- pio dptico comum, acrescido de dois prismas ou dois discos polaroides. Um desses elementos é colocado no condensador funciona como polarizador; 0 outro & colocado na ocular e é chamado analisador. A fungio do polarizador é iluminar a <élula com um feixe de luz polarizada. O analisador verifica feito das estruturas celulares sobre o feixe polarizado. ‘Quando o polarizador e 0 analisador estdo com seus planos de polarizaggo perpendiculares (cruzados), somente as estru- u turas birreftingentes ou anisotropicas podem ser vistas. Iss0 ‘ocorre porque elas dividem o feixe polarizado em dois; um deles absorvido pelo analisador, mas o outro, perpendicular ao pri- meiro, atravessa o analisador e forma a imagem. As estruturas Isotrépicas ndo sio observadas, pois nao desviam o plano de polarizagio da luz, ¢ 0 feixe que passa pelo polarizador chega inalterado ao analisador, no qual éretido. > Micoscopio de contraste de fase. Esse microscdpio é dotado de um sistema éptico especial que transforma diferencas de {ase dos raios luminosos em diferencas de intensidade. Assim, as diferencas de fase, para as quais 0 olho nao é sensivel, tornam-se visfveis, pois sio transformadas em diferengas de intensidade luminosa, facilmente perceptivels (Figura 2.7). 0 microscépio de contraste de fase pode ser utilizado de modo que as estruturas celulares aparegam escuras (fase positiva) ou claras (fase negativa) ~ comparar a Figura 2.7C e D, A velocidade da luz ao atravessar um corpo e 0 indice de refragio deste dependem da quantidade de matéria presente, {sto 6, da densidade do corpo. Quanto maior for a densidade, ‘menor seria velocidade da luz no interior desse corpo; menor sera também 0 indice de refracao. ‘As diversas estruturas celulares apresentam quantidades diversas de matéria e causam atrasos diferentes na luz que as atravessa. Isso provoca diferencas de fase na luz emergente, ‘que, por interferéncia, s20 transformadas em diferengas de amplitude, ocasionando diferencas de intensidade luminosa, as quaisa retina é sensivel (0 microscépio de contraste de fase & empregado, em especial, para estudo de células vivas. F de grande utlidade paraa obser- vvagio de células cultivadas, cujos crescimento divisio mitética podem ser facilmente seguidos sem o emprego de corantes, © microscépio idealizado por Normaski é um tipo de microscdpio de contraste de fase que se utiliza da luz polari- ada, Assim como no microscépio de fase comum, as estrutu- ras celulares se tornam visiveis em razio da interferéncia dos raios luminosos emergentes (Figure 2.7B). > Microscépio confocal. Céulas isoladas e cortes de tecidos tém espessura maior do que o plano de foco do microscpio 6ptico. Na pratica, as liminas sio examinadas usando-se 0 artificio de variar o plano de focalizacao por meio do botio micrométrico do microscépio, o que modifica distancia entre as células e a lente objetiva. Com a movimentagio do bolo micrométrico, um plano da eélula entra em foco, enquanto 6s outros planos saem de foco. Todavia, esse procedimento temo inconveniente de oferecer uma imagem do plano focali zado que perde nitide pela interferéncia dos raios luminosos que passam pelos planos fora de foco. Na realidade, forma-se ‘uma imagem nitida do plano focalizado e, simultaneamente, a ela esta superposta a imagem “borrada” dos outros planos da célula. O microscépio confocal (Figura 2.8) soluciona esse inconveniente do microscépio éptico comum, No micros- cépio confocal, a iluminasao é feita por um delgado feixe de raios laser, que varre o corte iluminando apenas, ponto por ponto, um determinado plano da célula, realizando um ver- dadeizo “corte Optico”. A imagem & formada exclusivamente pelas estruturas que estio no plano da varredua, sem que 05 componentes celulares situados em outros planos contribuam para a formacao da imagem. Nao somente a imagem é muito Biologia Celular e Molecular nitida, como também a célula pode ser “cortada” durante a microscopia, e as “fatias” obtidas podem ser utilizadas de varias maneiras. Geralmente, as células sio submetidas a um composto fluorescente ¢ a luz emitida é processada em um computador, que envia os sinais para formagao da imagem na tela de um monitor de video. As imagens dos “cortes épticos” assim obtidas podem ser armazenadas no disco do computa- dore utilizadas para construir uma imagem tridimensional, ou para céleulos de comprimento, érea, volume e outras anlises, de acordo com a fnalidade do estudo. Uma ver digitalizadas, as imagens podem ser arquivadas para estudos posteriores, = 0 microscépio eletrénico possibilitou a visualizacao de estruturas celulares nao visiveis ao microsc6pio dptico por contar com poder resolutivo muito maior A capacidade resolutiva de qualquer microscépio & limi- tada pelo comprimento de onda da radiagdo empregada. A radiagio visivel permite distinguir detalhes de 0,2. mm; porém, a forma de objetos menores nao € visivel. Recentemente, © microscépio eletrénico foi aperfeigoado (Figura 2.9); ele emprega feixes de elétrons, que, acelerados por uma diferenga de potencial de 60.000 volts, apresentam um comprimento de onda de 0,005 nm, No momento, nfo se consegue aproveitarinteiramente a capacidade resolutiva dos melhores microscépios eletrénicos em razao das dificuldades em preservaras células e, sobretudo, em obter cortes extrema- ‘mente finos, imprescindivels para a resolugdo méxima. Os componentes do microscépio eletrénico, representa- dos de modo esquemitico, lembram um microscépio éptico (Figura2.10). Oselétrons sto produzidos gracasao aquecimento, no vicuo, de um filamento de tungsténio ~ o cétodo ~ que emite létrons. Essas particulas so aceleradas em razao de uma dife- renga de potencial de 60 a 100 KV existente entre 0 citodo e 0 Aanodo, Este iltimo é uma placa perfurada no centro es6 permite a passagem de parte dos elétrons, formando um feixe. Os elé- ‘rons passam por uma bobina ou lente magnética, também cha- mada condensadora, que os dirige em feixe uniforme na dire- 20 do objeto. Apés atravessar o objeto, no qual muitos elétrons sho desviados,o feixe passa por outra bobina, que corresponde objetiva do microscépio éptico. Por fim, uma terceira bobinia projeta os elétrons sobre uma tela fluorescente ~ na qual eles for: ‘mam uma imagem visivel ~ ou sobre um filme fotografic. Os elétrons desviados por determinadas estruturas da célula em estudo néo contribuirdo para formar a imagem. Essas estra- turas aparecem escuras-esio chamadas elétron-densas. Os com- ponentes celulares que desviam uma pequena porcentagem de elétrons aparecerao em diversas tonalidades de cinza. ‘Atela fluorescent em que a imagem se forma ¢ uma placa revestida por ZnS (sulfeto de zinco), substancia que emite luz ao ser excitada pelos elétrons. Na pratica, as observacoes mais cuidadosas sio efetuadas nas micrografias obtidas pela reti- ada da tela do trajeto dos eétrons, os quais incidirao sobre um filme fotogréfico. Como as emulsdes fotogrificas sao sensiveis aos elétrons, elas registram a imagem fornecida pelo aparelho. 2 | Tecnologia da Biologia Celular e Molecular: mioscopiacomum es tposdemicroscopia de interferénca contrast de fase) ra cbservao de uma celia eptetal semcooragd. Microscopainterferencal segundo Normask.cncrscdpio de contrasted fase com fase posta D.Mcrscopia de conrastede fase, com ua. (Asfetoicroaafs foram gentimentecedidas pelo Profesor Raul Machado) Figura 2.8 « iicroscépio confocal Zs. Reproczide por cortesiado fabricate) Depois de revelados, os filmes so ampliados 2 a 4 vezes ¢ as ‘icrografias podem ser examinadas & vontade, A tela fluorescente, constituida por particulas relativa- mente grosseiras, emite pouca luz em relagio aos elétrons que recebe e fomnece imagem menos contrastada do que a obtida nas ampliagdes fotogriticas; por isso, os estudas de micros- copia eletrénica sio realizados principalmente nas ampliag6es «em papel fotogrifico, mais do que diretamente no microscépio eletronico. No microscépio eletrOnico, todo o trajeto dos elétrons & feito no vicuo, condigio necesséria para a obtencio de um Figura 29 « Wicroscépi eletnico, modelo E6910 da empresa Cal Zeis, (Cor tesla do fabricane) Biologia Celular e Molecular Filamento Anodo Condensadora Objetiva Projatora Gy Tela fluorescente Figura 2.10 « Tajto dos elétrons no microscéploeletdnic. 0 corte de tecido 6 colocado logo acima da bobina ou lente abjetva, A imagem, aumentada pela ‘objet € novamente ampli por outrabobin, que 3 projets em uma tela flu ‘escent, feixe de elétrons, que seriam desviados ao colidirem com os tomos do ar; por isso, nio se podem examinar células vivas, ‘mas apenas célulasfixadas e completamente secas, Todavia, ha aparelhos em que so usados baixo vacuo, os quais podem ser utilizados para exame de material que contém dgua, embora sem que se possa obter a boa resolugio fornecida pelo micros- cépio eletronico comum, que é de alto vécuo. ‘A preparagao das células para a microscopia eletrénica requer cuidados muito especiais. A fixacio, em geral, éfeita em solugio de aldefdo glutirico (glutaraldeido) tamponado a pH 7,2. Utiliza-se também afixagio em solugdo de tetréxido de 6smio, Na maioria das vezes, esses dois fixadores sio empregs- dos em sequéncia: primeito fixa-se o tecido em glutaraldetdo depois, em dsmio. © dsmio, além de fixador, atua como Microscépio eletrinico de varredura, Como o microscépio cletrSaico comum ou de transmissio, o microscépio eletrd- nico de varredura também usa um feixe de elétrons. Mas, dai em diante, eles pouco tém em comum e, na verdade, sio apa- Figura2.13 » Atécnica do sombteamento conse na deposgodefnacamada Proteinas. As reacdes para demonstracio das proteinas sorais das células sto baseadas em técnicas que identificam eminodcidos. Entre essas técnicas estéo a de Millon, para Sirosina: a do diaminoazobenzeno, para triptofano; ¢ a de Sakaguchi, para arginina, As diversas proteinas celulares sfo constituidas pelos mes- mos aminodcidos; por isso, as técnicas baseadas na identifica- «20 de aminodcidos nao permitem individualizar as proteinas, © que pode ser feito com métodos de imunocitoquimica (veja adiante, neste capitulo). > Polissacardios. Um exemplo & a técnica para evidenciar © glicogénio, conhecida como técnica do PAS (periodic acid Schif). Como indica a Figura 2.16, a reagao baseia-se na oxi- dacio, pelo écido periddico, de grupamentos OH adjacentes, formando grupamentos aldefdicos que conferem cor ver- melha com 0 reativo de Schiff. Como foi explicado anterior- mente, 0 reativo de Schiff a fucsina bisica descorada pelo anidrido sulfuroso. A reagao nao ¢ especifica para glicogénio, e modo que se aplica um artificio semelhante ao descrito para 2 demonstracao do RNA: tomam-se duas laminas com cortes 0 mesmo tecido, uma das quais é previamente tratada pela enzima alfa-amilase. Essa enzima hidrolisa e remove o glico- énio; portanto, a estrutura que aparecer corada pelo PAS na :mina nao tratada pela alfa-amilase, mas nao aparecer corada na lamina tratada pela enzima ¢ glicogénio. CHO CHLOH H po © H 4 H oH + HIO, —> " 0 oe HOH ° PZ) > Enzimas. Muitas enzimas podem ser estu- dadas por técnicas citoquimicas. Algumas vveres, para impedir que o fixador inative a enzima, € preciso usar cortes de tecidos nio fixados, obtidos por congelacio. As desidroge- nases € as fosfatases sdo exemplos de enzimas demonstréveis citoquimicamente, [As desidrogenases retiram 0 hidrogénio de tum substrato, transferindo-o para outro com- posto. Existem nas células muitas desidrogena ses diferentes, que se distinguem pela natureza do substrato sobre o qual atuam. Chama-se substrato 0 composto atacado pela enzima. A demonstragio citoquimica das desidrogenases é feita pela incubacio de cortes de tecidos fres- 0s (nao fixados) em uma solugao contendo o substrato adequado e um tetrazol. Sob a acio da enzima, o substrato cede hidrogénio, que, entdo, serd fixado pelo tetrazol. Ao ser reduzido pelo hidrogénio, 0 tetrazol transforma-se em um composto corado e insolivel, chamado formazana, que se precipita no local em que se processow a rea¢io enzimatica. Assim, aparece uma colorado nos locais da célula que tém a desidrogenase expecifca para 0 substrato utilizado no meio em que o tecido foi incubado. As fosfatases écidas sdo enzimas que hidrolisam ésteres do Acido fosférico em pH dcido. Existem diversas técnicas para demonstracio dessas enzimas. Uma das técnicas para as fosfatases dcidas utiliza meio de incubago contendo glicerofosfato de sédio e nitrato de chumbo, em tampio pH5,0. A enzima hidrolisa o glicerofos- fato, formando-se um precipitado insolavel e incolor de fosfato de chumbo. Em seguida, 0s cortes sto mergulhados em solucio de sulfeto de aménia, que transforma o precipi- tado incolor do fosfato de chumbo em um precipitado negro de sulfeto de chumbo. Como os sais de chumbo so elétron- densos, a reagdo pode ser vista ao microscépio eletrinico. Essa técnica é utilizada para o estudo dos lisossomos ~ orga- nelas ricas em enzimas hidroliticas, entre as quais estio as fosfatases Acidas. = Amicroscopia de fluorescéncia é geralmente aplicada com técnicas citoquimicas As substancias fluorescentes contam com a propriedade de emitir luz quando excitadas por radiagées de determinados comprimentos de onda. Na pritica utiliza-se a radiacao ultra violeta como excitadora HOH oO 9 H 2 0 Fo(SO.H,) —> 7 4 + FE(SOLH) How cH ow GQ t NF 0 FD Figura 2.16 « Reaciode dido peridcioereatvo de Sch (ago PAS) Fb fucsina bss : (en - (te Cm -e@ 9-darinobencina é » 28-darrinobonzing, Ree Biologia Celular e Molecular (sa Precipitade) Figura2.17 + Técncaimunoctoquinica deta.O composto (precptado) formato pela ao da peroxidase sobre 3-¥daminabansidna dds cormarron-lar elétion- dango. Por sso, a técnica pode ser aplicada tanto &icroscopia Spica como eletrnica, Alguns constituintes celulares, como a riboflavina (vita- ‘mina B.), a vitamina A ¢ as porfirinas, sio fluorescentes ¢ podem ser identificados e localizados por meio da microsco- pia de fluorescéncia. Utilizam-se também corantes fluorescentes que se combi- nam e identificam determinadas substincias nao fluorescentes normalmente presentes nas células. Um dos corantes fluores- ccentes mais utilizados ¢ 0 alaranjado de acridina, que se com- bina com 0s dcidos nucleicos, permitindo a sua localizagao. ‘Todavia, a principal aplicagéo da microscopia de fluores céncia ocorre em combinagao com métodosimunol6gicos, nas técnicas imunocitoquimicas que utilizam anticorpos conjuga- dos a compostos fluorescentes, e que serio descritas a seguir. = Aimunocitoquimica localiza moléculas proteicas especificas As técnicas de imunocitoquimica permitem o estudo da localizagio intracelular de proteinas especificas. Ela localiza, com preciséo, um determinado tipo de molécula proteica, excluindo todas as outras proteinas existentes nas células. Como a imunocitoquimica se baseia na reacio antigeno- anticorpo, devem-se estudar antes algumas nogdes bisicas dessa reagio, cujo estudo detalhado pertence a0 dominio da imunologia. Textos de imunologia devem ser consultados para ‘mais esclarecimentos. > Imunocitoquimica deta. Suponha-se que, de um determinado ‘rgio de rato, se possa extrair e purificar quimicamente uma proteina, que seré chamada proteina X. O problema citoquimico consiste em descobrir em que cétulas ou parte da cSlula estéloca- lizada a proteina X, pois ela foi isolada de um érgéo inteiro. Injetando-se a proteina X (antigeno) em um coelho, este formar uma gamaglobulina (anticorpo) com a propriedade de se combinar exclusivamente com a proteina X, nao se com- binando com qualquer outra. O anticorpo aparece porque a proteina X pertence a um drgio de rato e, portanto, estranha para o coelho no qual foi injetada. Algum tempo apds a injegio da proteina X no coelho, pode-se abter do sangue desse animal um anticorpo especifico contra aquela proteina, Esse anticorpo pode ser, por exemplo, combinado com a enzima peroxidase, que serve como marca, A identificagao citoquimica da peroxidase identifica também ‘o anticorpo ligado & enzima, Colocando-se, sobre um corte do drgao de rato que con- ‘ém a proteina X, uma solugdo do anticorpo marcado com a peroxidase, haverd uma combinagio do antigeno (proteina 20) com seu anticorpo (gamaglobulina anti-X) marcado com peroxidase (Figura 2.17). O complexo antigeno-anticorpo que se forma nio é visivel ao microscépio éptico nem ao eletr6= nico, mas iré tormat-se visivel se a peroxidase for evidenciada por uma reagio citoquimica apropriada. Essa evidenciagio € feta colocando-se sobre 0 corte uma substincia que, sob a apo da peroxidase, forme um composto corado ¢ elétron-denso, No exemplo da Figura2.17,0composto sobre o quala peroxidase atua €a 3-3'-diaminobenzidina; ao ser atacada pela peroxidase, 3-3'-diaminobenzidina transforma-se em um composto insokivel, marrom-claro e elétron-denso. Em substituigdo & peroxidase, pode-se usar, como marca~ dor, um corantefluorescente ligado ao anticorpo (Figura 2.18) Nesse caso, o preparado obtido pela aco do anticorpo sobre 0 corte que contém o antigeno pode ser imediatamente exami- nado ao microscépio de fluorescéncia. Todavia, a peroxidase permite melhor localiza¢ao, pois 0 corte pode ser estudado com 0 microscépio eletrOnico e 0 antigeno localizado, com alta resolugio, nas organelas celulares. Uma terceira maneira de marcar 0 anticorpo consiste em sua conjugagdo com ferritina. A ferritina, uma proteina que, em razio do seu alto teor em ferro, € muito elétron-densa, ossibilita o estudo da localizagao de proteinas (antigenos) 40 microscépio eletronico. Essa marcagio nao serve para 0 estudo ao microscépio éptico. Anticorpo ee fluorescants eeoece Figura2.18 + Imunecitoquinkcadlieta com antcorpo fuorescente 2 | Tecnologia da Biologia Celular e Molecular: Alguns Exemplos Proteina A Gomplexo do estafilococo, _proteina A ‘Ainidede pela. + ouro Particula —“Petma"do coll de ou arco a oot e+ = Antigeno celular ——_Anticorpo. Os"bragost ——Antigeno tem afinidade + pelo antigens _anticorpo Fgura 2.19 « Estes desenhos esqueméticos mostram os fundamentos da ténice = munackequimia,tiizande como mareadr complexo d= proteins & ume Protein de estflocoea) particule de ovo cool Mais recentemente, surgin a marcagdo com o complexo de ouro coloidal + proteina A (Figuras 2.19 ¢ 2.20). Essa técnica consiste na adsor¢ao, pelas moléculas da proteina A, de parti- culas de ouro, muito pequenas (5 a 20 nm) e elétron-densas A proteina A é extraida das bactérias Staphylococcus aureus e, além da afinidade pelo ouro coloidal, tem afinidade por uma regio comum as moléculas de todos os anticorpos (segmento Fc). Essa técnica apresenta grande precisio para localizar moléculas proteicas e grande resolugio, pois as particulas de ouro coloidal sao muito pequenas. O processo pode ser reali- zado em trés etapas: 1 incubar o tecido a ser estudado com o anticorpo desejado e lavar; 0 anticorpo, entio, fixa-se proteina = incubar 0 tecido em solugdo de ouro conjugado a proteina Aelavar 1 estudar no microscépio eletrénico. A técnica direta de imunocitoquimica nao & muito sensivel «, por isso, pouco utilizada atualmente, Ela foi descrita para facilitar a compreensio da técnica indireta, muito mais iil na praética por sua alta sensibilidade. > Imunocitoquimica indireta. Nessa técnica, 2 marcagio é colocada em um antianticorpo, isto , uma antigamaglobu- lina, Por sua maior sensibilidade (Figura 2.21), permitindo a demonstracio de quantidades minimas de antigeno, a téenica indireta é a mais utilizada na pratica. ‘As etapas da técnica indireta, que utiliza dois anticorpos, estdo esquematizadas na Figura 2.22. Supondo-se que se queira saber a localizagao celular da proteina Y, também contida em tum 6rgio de rato, a primeira etapa consiste na colocagio, sobre © corte de tecido, de uma solugdo do anticorpo (gamaglobu- lina) anti-Y, obtido pela injegdo da protefna Y em um coelho. Haverd combinagdo de Y com seu anticorpo. Figura220 « Hetnicrogafiade um preparade otal dabactra Haemophilus aegyptvs, causadore da febe purpiica rasa. Noten-s na igura dois ips cetulaes, que as celles assnelads pr estes mostram projetesflamenosas arcades pelo complex protene -our igadoa um antissoro polclona ant-254D.Aprotena 1D uma subuidade protic da fmbria. cBlulasialada por um asters na mostra projecoesflamentesas Observe emalgumas opotunidades,adspsiio near (querevela a estrutraflamentosa de fbi, sta das partials de ou elévor-ispetsantes, que medem aproximadamanteS nm de dima Aument:63.000s (Gentileza da Dra, Hatune Tanakde nso Adif Lutz, So Paul) Antigamagiobulina Figura2.21 « Esquema para demonstar a maior sensiilidade da imunactoqu mica inet, ele técnica dirt, eseatigeno celular vara quatro molcuas do antcorpe; pla técnica indie, ele fxou 20 moléculs de atigamaglbulina, ‘& Biologia Celular e Molecular Na segunda etapa, coloca-se sobre 0 corte uma solucao de anticorpo contra gamaglobulina de coelho. Esse anticorpo, que é uma antigamaglobulina ¢, portanto, um antianticorpo, pode ser obtido pela injecio de gamaglobulina de coetho em cameiro ou cabra. Por fim, ter-se-4 um complexo constituido pela protefna ¥, seu anticorpo e uma antigamaglobulina. A antigamaglobulina pode ser evidenciada por conjugagéo com substincias fluo- rescentes (Figura 2.23), ferritina ou peroxidase, conforme fot descrito na técnica direta = Macromoléculas como proteinas, DNA e RNA podem serisoladas Por cromatografia em coluna [As proteinas e 0s dcidos nucleicos isolados das células so frequentemente separados pela técnica de cromatografia em coluna. Essa t8enica baseia-se no fato de que, quando se faz, ‘uma mistura de proteinas dissolvidas em Agua passar por uma coluna constituida por uma matri2 sélida e porosa, contida Cito) —e (etn, 2 (oto ee Ant ‘gamaglobuina Anti ———> [antigeno( ¢ antico ee WA Anti: ‘gamagiobulina 3:9'dlaminobenaidina Figura2.22 » Esquema demansratvo des etapas da écicalmunocitquimica indrets. Na etapa 1, antigeno cujalocaizacio se desladeterinar combina secomo _amcorpeespectca,frmand um camplexo que no vsel nem pe miroscdpio Spo tempouco no elena. ralidade das tapas seglnts€ tna esse con- exo vise. Na etapa 2, agrege-se atiqamar)obulne marcad com perexidase 20 complex formade, Neetapa 3 por meio daténica ctoquimica para peroxidase, erra-seprecitadovishel nos micrscbpios Optio eeletonico, evlando-se assim olocal em que ests presente antigeno cue localzacio er desea, Figura 2.23» Exemples 2 técnica imunecltogu- mca indie. A. Clues hipofisétasprodutoras do horménioutelnzante. Fo ‘omicrografano micoscé- opto comm. Auer ‘to 500x.(Corteia do Dr. FioFovade Moraes edo Burton R Baker) B.C lulas da glindulatreoide. Fotomicroaraianomicos: cbpiodefuorescincia. A mento: 40x. (Cortexa do De MisioCararga) 2 | Tecnologia da Biologia Celular e Molecular: Alguns Exemplos em um tubo de vidro, a velocidade de migracio das diferentes proteinas varia conforme a interagdo de cada uma delas com a matriz, Mandando-se um fluxo continuo de proteinas, que sai pela parte inferior da coluna, podem-se coletar separada- ‘mente as proteinas contidas na amostra inical. grat e o tipo de interagéo das proteinas com a matriz da coluna podem ser de natureza variavel, a saber: = interacéo de trocaiénica: em que a matriz & constituida por Particulas com carga positiva ou negativa e na qual a sepa- ragio das proteinas depende das cargas elétricas na super- ficie de suas moléculas + imteracéo hidrofébica: as particulas da matriz apresentam superficie hidrofobica, retardando a migracio das proteinas hidrofébicas, que tém afinidade pelas particulas da matriz + filtagzo em gel: nesse caso, 2 matriz atua apenas como um: peneira, por ondeas protefnas migram com velocidade va vel, dependendo do tamanho e da forma de suas moléculas, iteracéo por afiidade: muitas moléculas biolégicas intera- ‘gem com alto grau de especifcidade, como acontece entre as enzimas e seus substratos, entre determinados segmentos de DNA e RNA e entre antigenos e anticorpos. A técnica é por exemplo, muito utilizada para purificagao de anticorpos. Nesse procedimento, as moléculas (anticorpos) ligam-se as particulas da matriz que contém o respectivo antigeno. As outras proteinas passam pela coluna, mas os anticorpos se prendem a matriz com alta especificidade e afinidade, Posteriormente a passagem das outras proteinas, o anticorpo € removido da coluna, por meio de solugéo apropriada. = 0 tamanho das moléculas proteicas pode ser determinado por eletroforese em gel de poliacrilamida A técnica de eletroforese em gel tern diversas variantes, para esclarecer diferentes problemas. Uma dessas variantes ¢ empre- sada para determinar 0 tamanho das moléculas proteicas e con- siste na dissolugio das proteinas em solugio de sédio dodecil sulfonato (SDS), Esse composto éum detergente fort, cujas molé- culas sdo carregadas negativamente. Na presenca de um excesso de moléculas negativas de SDS, todas as moléculas proteicas se tornam também negativas, porque todas as cargas positivas das proteinas sto neutralizadas. Alm disso, adiciona-se um agente redutor, gealmente mercaptoetanol, que rompe as ligagées §-S das subunidades proteicas, destruindo a forma original das molé- culas de proteinas, que pode ser muito complexa. Colocando-se a mistura de proteinas sobre o gel e submetendo-se este a um campo elétrico, todas as moléculas proteicas migrarSo na direcéo do polo positivo, ea velocidade dessa migracio dependeri exclu- sivamente do tamanho da molécula de cada cadeia polipeptidica, pois todas as proteinas terio a forma alongada. = Aradioautografia é muito empregada para se estudar os locais de sintese 0 destino de macromoléculas A radioautografia pode ser aplicada como uma técnica citoquimica para a detecgao de isétopos radioativos. Baseia-se na sensibilidade das emulsdes fotogrificas as radiagées ioni antes. Como nao existem stomos radioativas nas células, podemse seguir, pela radioautografia, a incorporacio e a migragio de compostos radioativos introduzidos nas células com finalidades experimentais, Por exemplo, desejando-se saber quais as células de um tecido que estio sintetizando DNA, injeta-se em um animal um precursor desse écido nucleico, a timidina redioativa mar- cada com tricio (EP). A timidina seré incorporada apenas nos niicleos celulares que estiverem sintetizando DNA. Cobrindo-se a lamina que contém cortes do tecido, com ‘uma emulsao fotografica esta serd impressionada pelos nticleos celulares radioativos (particulas bela emitidas pelo tricio). Revelando-se a emulsio, aparecerdo grinulos negros de prata metilica sobre 0 niicleo celular cujo DNA foi sintetizado com a timidina-HP. Depois de revelada a emulsio, as células podem ser coradas para faciltar seu estudo a0 microseSpio. A emulsao fotogrifica é basicamente uma suspensio de microcristais de brometo (ou outro halogeneto) de prata em gelatina. Os cristais de brometo de prata sio os detectores da radioatividade. A radioautografia pode ser aplicada também ao microscé- pio eletrOnico. © processo é basicamente o mesmo utilizado para 0 microscépio éptico; porém, os grémulos de prata em geral aparecem como filamentos enovelados em razio do ‘maior poder de resolucéo do microscépio eletronico. Das diversas técnicas radioautogrifices, a mais empregada em biologia celular é técnica da emulsio liquida. Essa técnica ‘emprega emulsdes fotogréficas especiais, sob a forma de um gel que se torna liquido & temperatura de 45°C. As etapas sio as seguintes (Figuras 2.24 e 2.25): = Mergulha-se a lamina contendo as células radioativas na cemulsio fundida a 45 + Remove-se com papel absorvente a emulsio do verso da lamina ¢ deixa-se secar & temperatura ambiente + Colocam-se os preparados em caixas & prova de luz, para operiodo de exposicio, durante o qual a radiacao iré atuar sobre a emulsio + Apésa exposicio, revela-seaemulsio fotogritica, tratando-se a lamina como se fosse uma pequena chapa fotogrifica + Em seguida, as células sdo coradas e examinadas ao micros- cépio. Granulos negros de prata metilica indicario as par- tes radioativas das células. A radioautografia & muito utilizada para o estudo da sintese de diversas moléculas, Para isso, como no exemplo do DNA ja citado, injeta-se em um animal ou coloca-se no meio de cul- tura de células um precursor radioativo da substancia que se deseja estudar. Para o estudo do RNA, pode-se usar adenina ou uridina (Figura 2.26) e, para o estudo da sintese e migragio de protei nas, empregam-se aminodcidos. Em geral, as moléculas radio- ativas utlizadas nesses experimentos sio marcadas com hidro- ginio (H), carbono (C) ou enxofre ($*). Esses trés isétopos emitem particulas beta (elétrons) de fraco poder de penetra #0, de modo que nao causam dano as céiulas. Para estudar © metabolismo normal, é preciso utilizar radiacio fraca para ‘que nao haja alteragio do funcionamento celular pela radia- ‘gio. Outros isétopos radioativos também muito utilizados em radioautografia sdo 0 1"!, Pe P®, nn wn i —c i i i i We Figura 2.24 » Téerica adioautogrfica com emul liquid. As tapas demons luadasnestes desonhs sso executedasna camara escura com luz vermelha de sequarca, = Por centrifugacao é possivel obter organelas celulares em estado de pureza e, em seguida, estudar suas propriedades quimicas, fisicas e biolégicas As técnicas que permitem 0 fracionamento celular ¢ @ obtengio de fragGes relativamente puras de organelas Biologia Celular e Molecular contribuiram muito para o desenvolvimento da biologia celular nos iltimos anos. ‘As organelas sio separadas pela centrifugacio de um homogeneizado de células em que as membranas plasmiti- cas S20 rompidas e os constituintes celulares dispersos em um meio liquide, geralmente contendo sacarose. Esse glicidio é ‘muito utlizado porque mantém a integridade dos componen- tes celulares e evita a tendéncia de as organelas aglutinarem-se quando as células se rompem. ‘A ruptura das membranas plasmiticas para a obtencio do homogeneizado em geral éfeita pela aco mecinica de um pis- tao girando em um cilindro que contém as células na solugo de sacatose (Figura 2.27). Pode ser feita também por meio de ultrassom ou de um aparelho parecido com um liquidificador doméstico. Durante a homogeneizacao as centrifugagdes que se seguem, a maioria das organelas mantém sua forma intacta Todavia, o reticulo endoplasmatico se rompe, e, como suas, membranas tendem a se soldar, formam-se vesiculas lisas, ou granulares, conforme se trate do reticulo endoplasmé- tico liso (REL) ou do rugoso (RER). As vesiculas formadas a partir deste tiltimo, cuja superficie ¢ carregada de ribos- somos, recebem a denominagio de microssomos. Portanto, ‘95 microssomos sio fragmentos do reticulo endoplasmatico rugoso. 0 isolamento de uma organela por meio da centrifugacio depende do seu coeficiente de sedimentagao, isto é, do seu tamanho, sua forma e densidade, bem como da densidade e viscosidade da solugdo em que esté sendo centrifugada, A separacio de componentes celularespor centtifugagioem geral € efetuada pela técnica conhecida por centrifugacao fracionada ou centrifugagao diferencial, que consiste em uma série de centrifugagées a velocidades crescentes (Figura 2.27). ‘As organelas ou inclusGes maiores e mals densas sedimentam primeiro, e 0 sobrenadante de cada centrifugagio ¢ centrifu- ¢gado de novo, porém com maior velocidade. Desse modo, os ‘componentes celulares vao sendo sucessivamente separados, como mostra a Figura 227, As fragdes assim preparadas muitas vezes contém mais de ‘um componente celular, mas podem ser purificadas por res- suspensio nova centrifugacio. Por exemplo, a fragéo das mitocdndrias quase sempre contém lisossomos ¢ peroxisso- ‘mos, mas as trés organelas podem ser separadas por novas centrifugagses. Em geral, o sobrenadante que permanece apés a iltima centrifugagao & denominado fragao sohivel. Outra técnica de fracionamento celular € a centrifuga~ sao contragradiente, em que as particulas sao separadas por suas diferengas de densidade. O gradiente consiste em uma solugdo ~ que pode ser de sacarose ~ cuja concentra- ‘do & maxima na parte profunda do tubo de centrifugagao ¢ minima na superficie. Existe, portanto, no tubo, um gra- diente de densidade crescente de cima para baixo. Logo apés ter sido preparado o gradiente, coloca-se 0 homogeneizado sobre sua superficie e faz-se a centrifugacao. Impulsionadas pela force centrifuga, as particulas penctram no gradiente Cada tipo de particula para no local em que hé equilibrio entre a forga centrifuga da particula e a concentracao do gradiente (Figura 2.28). 2 | Tecnologia da Biologia Celular e Molecular: Alguns Exemplos Injeta-se timicina-H* em um animal que seré sacrificado uma hora depois. As células que estiverem sinteizando DNA incorporardo 2 ‘imidina radioatvainjetada. Os tovidos so fixados, incluidos em parafina (04 resina, cartados no micrétomo o presos om lamina histologica [Na cémara escura, a lamina é coberta com delgada camada de emulsdo fotografia e {uardada em caixa & prova de luz por alguns dias ou meses, para que a racioatvidade atue a emulsdo (exposigso), ‘Apds esse periodo,a lamina 6 revelada, aparecendo granules negtos de prata sobre (0 ntcieos radioativos. Conclusio: das és céluias, apenas uma - Injegdo de timidina-H As fragdes obtidas por qualquer técnica de fracionamento devem ser examinadas quanto & sua pureza, Para isso, podem ser empregados 0s microscépios dpticos ¢ eletrOnico ou méto- dos bioquimicos que demonstram na fragio a predominancia de um composto que Ihe é caracteristico; por exemplo, a frago dos lisossomos apresenta quantidade muito elevada de fosfa- tase dcida, enquanto a fragio nuclear é muito rica em DNA. ‘Uma vez isoladas, as Organelas e as inclusées podem ser estudadas por diversos métodos. Sua composicio quimica pode ser determinada ¢ sua atividade metabélica estudada {fora da célula e, portanto, em um meio rigorosamente contro- lado. Isoladas, as organelas nao estio mais sujeitas aos meca- nismos intracelulares de controle, de modo que seu funciona- ‘mento pode ser testado mais livremente pelo experimentador, embora as condigées sejam artifciais, em comparagéo com 0 meio intracelular. stave sintetizando DNA no momento da (© mesmo processo pode ser executado para Imicroscopie elerénica. Nesse caso & ecesséno incuiro tecido em resina, fazer ‘cories ultafinos e colocd-los nas telas _apropriadas, e nao em laminas. Em razao da grande resolugao do microscbpio fletfnioa, as granulo de praia geralmente aparocom come flamantos snovelados. Figura 2.25 » Esquemas das diversas fases da tenia radioautog fica. Temourse como ‘exemplo estado da shtese de DNA pela ije- ‘do de tidinaracoatva, = E possivel separar as células de um tecido eisolar um determinado tipo celular ‘Varios procedimentos possibilitam a separagio das células que constituem os tecidos. A primeira etapa geralmente consiste nna destrnigo da arquitetura da matriz extracelular (por meio de cenzimas como colagenase¢ tripsina) e das jungdes que unem as <élulas, muito frequentes nos epitelios glandulares e de revesti- ‘mento, Para iss0, 6 preciso retirar os fons Ca", que participam daaderéncia entre as células, com auxilio do EDTA (ethilenedia- minetetraacetic acid) que capta 0s ions Ca®* removendo-os do meio, Depois de separadas, as células continuam misturadas, ¢ 10s tipos celulares desejados precisam ser isolados. 0 isolamento das oflulas pode ser feito de diversas manei- ras, Blas podem ser isoladas por centrifugagio, de acordo com 3 4 y intactas fibres Homogeneizagao, A “10,000 6 20 min Dasoxicolato de socio 0,2656 "105.000 6 20 min Biologia Celulare Molecular Figura 2.26 » Célulashepticsincubadas durante 1 hem slugio nutritive contend uridine, se rudleositi € tlizado pea clula para friar ANA Nota a predominanciados granules de pata sobre ‘onicleoceluayincicandosintee de RNA, Colorago pela hematawine-cosina, Aumento: 1 S00. 1.000 6 20 min | Figura 227 « Esquema de énicade centrifuge dererca. 0 sobrenadante de cada tubo &cersfugedonovarante cade vezcom maior fora certeFuga.Os desenos sda dete mosvam es componente cellates do sedimento de cada tuba. orga centrituga érepresentd por; 7.000 G significa 1.900 vezes fore de avid, 2 | Teenoogia da Biologia Celular e Molecular: Alguns Exemplos Figua228 « Ceniugaioconva gadente Acsqverd,ares ca centfusnta, ‘oma amos coloadasobe ogadlente de concen desacaroseA area, ‘sp3sacentrfugaco,mestando as fasas cada ura dels contenc,gerament, Stipa decxgncla seu tamanho e sua densidade, Determinadas células, como os macrifagos, t8m tendéncia para aderir a0 vidro e a plisticos «assim, podem ser isoladas das células que néo tém essa ten- déncia, Contado, a maneira mais precisa ¢ eficiente de isolar ‘um tinico tipo celular em grande quantidade ¢ pelo uso de um aparelho denominado FACS (fluorescence-activated cell sor 4er), AS células em suspensdo sio tratadas com um anticorpo fluorescente que se ligue especificamente & superficie de deter- ‘minadas eélulas. A medida que a suspensio de células passa pelo aparelho, as células fluorescentes sdo desviadas para um recipiente, enquanto as ndo fluorescentes sero coletadas em. outro recipiente = Estudo de células vivas e culturas de células animais e vegetais AAs células retiradas do corpo de um animal ou de uma planta podem ser estudadas, por algum tempo, enquanto esto vivas. Para isso elas devem ser colocadas em meio iso- ‘nico, que nao Ihes causa alteracdo de volume. Como quase sempre os consttuintes celulares so incoloresetransparentes, torna-se necessério 0 uso do microscépio de contraste de fase. Emalguns casos, podem-se empregar corantes suprevitais, que pouco toxicos e penetram na célula viva, corando determi- znadas estruturas. Um corante supravital bastante empregado & o verde-jano, que cora as mitocbndrias. Quando se quer estudar células vivas por tempo maislongo, costuma-se cultivé-las em solugdes nutritivas (meios de cul- tura), em que o comportamento e metabolismo celulares s40 estudados em condigdes mais bem definidas do que no corpo de um animal. As culturas possibilitam 0 estudo dos movi- mentos celulares, da mitose, da agio de diversas substincias sobre as células eda sectecdo, pela célula, de produtos que iréo acumular-se no meio de cultura. ‘As culturas sio feitas principalmente em frascos, com células isoladas das tecidos pela aplicagio de diversas técni- 2s, como foi mencionado anteriormente. A maioria das célu- las néo vive em suspenséo em meio liquido, necessitando de ‘uma superficie s6lida sobre a qual crescem e se dividem. Essa superficie pode ser a propria parede dos frascos de plistico «em que sio feitos os cultivos; porém, a maioria das células ndo adere & parede do frasco, a no ser que esta esteja recoberta por moléculas teciduais extracelulares, como o colégeno. O cultivo em frasco possibilita emprego de meios de cultura quimicamente definidos, constituidos por aminodcidos, glici- dios, sais minerais,vitaminas e fatores de crescimento, que sio proteinas especificas, estimuladoras da proliferacio e diferen- Ciagdo de determinados tipos celulares. Um exemplo & 0 fator de crescimento para células nervosas ou NGF (nerve growth factor). Na auséncia desse fator, ndo se podem cultivar células nervosas. ‘As células reticadas do corpo de um animal e cultivadas diretamente constituem as culturas primérias. Em geral, as células das culturas primétias morrem apés certo mimero de mitoses (50 100 mitoses), mas, as vezes, algumas células sofrem mutaglo e se tornam imortais, isto é multiplicam-se indefinidamente, constituindo as culturas secundirias. As células imortais formam as linhagens celulares, que ndo sio constituidas de células inteiramente normais, pois softeram alguma mutaggo, sendo chamadas células transformadas. Todavia, elas conservam muitas caracteristicas das células normais, sendo muito utilizadas em diversos experimentos. ‘As linhagens derivadas de células transformadas in vitro ‘ou de células cancerosas apresentam determinadas.par- ticularidades; por exemplo, clas podem crescer sem se pren- derem & parede do frasco e multiplicam-se muito mais do que as células normais, atingindo uma densidade populacional ‘mator. Gragas dissociagio, combinada com engenhosas técnicas de isolamento celular, foi posstvel a obtencio de cultivos de clones derivados de uma tinica célula. As células desses clones podem expressar mnitas de suas especializagées funcionais. (s cultivos vém sendo utilizados para estudos do metabo- lismo de células normais e cancerosas e, além disso, tem sido valiosos para experiéncias com virus, que s6 se multiplicam no interior das células. Alguns protozoarios foram estudados, também, em culturas de células por se desenvolverem no cito- plasma. Na citogenética, as culturas celulares sdo de grande util dade, facilitando muito o estudo dos cromossomos de células vegetais e animais. A determinacéo de cariétipos humanos (estudo do mimero € morfologia dos cromossomos de uma pessoa) é geralmente feita em culturas de células do sangue. Quando se generalizou o emprego de culturas de células para cultivar virus, observou-se que alguns virus tém moléculas fasogénicas, com a propriedade de induzir as células ase fun- diem, formando células binucleadas e células multinucleadas (sincicios), mesmo quando se trata de células de animais de espécies diferentes. Formam-se assim eélulas com cromosso- mos de espécies diferentes, denominadas heterocérios. (Os heterocérios tém sido utilizados para o estudo da fisio- logia do nticleo celular e, principalmente, dos efeitos do cito- plasma sobre 0 micleo. O virus Sendai, do grupo dos mixovirus, é 0 preferido para a obiencao de heterocérios. Esse virus, que causa no homem uma doenga parecida com a gripe, foi isolado pela primeira ‘vez em Sendai, no Japao, dat recebendo o nome. Os virus inati- vados pela radiacio ultravioleta nao perdem a propriedade de promover a fusio das células, sendo preferidos para se obter heterocirios, pois assim nao ha proliferacéo viral, 0 que dif cultaria a observacio dos fendmenos celulares. Nos heterocérios binucleados, os niicleos geralmente entram em mitose de modo sincrOnicos mas, como se forma ‘um tinico fuso, o resultado sio duas células-fithas, cada uma com um niicleo constituido por cromossomos de ambos os niicleos iniciais do heterocério, Desse modo, formam-se célu- Jas mononucleadas, mas que contém cromossomos de espécies, animais diferentes. Essas células podem multiplicar-se aume. rosas veves, embora frequentemente ocorra a eliminacio de algum cromossomio em cada divisio, havendo tendéncia para permanecerem os cromossomos de uma espécie, enquanto os da outra vo sendo parcialmente eliminados. heterocétio formado pela fusio de células HeLa, que sintetizam DNA e RNA, com eritrécitos de galinha ~ os quais nao sintetizam DNA e quase nao sintetizam RNA ~ forneceu importantes resultados quanto aos efeitos do citoplasma sobre ‘o micleo, O estudo dese heterocério é facilitado pela lise que © virus provoca no eritrécito de galinha, Destruindo a mem- brana do eritrécito, o virus isola 0 niicleo dessa célula, que penetra no citoplasma da célula HeLa, A eélula HeLa é uma linhagem celular obtida a partir de um carcinoma uterino humano. Uma vez que 0 citoplasma do heterocario deriva exclusivamente da HeLa, qualquer modificagio no néicleo do eritrécito $6 pode ser promovida pelo citoplasma da célula HeLa. Observe-se que, apds penetrar na HeLa, 0 micleo do eritrécito, que é condensado, aumenta de volume e sua cro- matina se torna frouxa, conferindo ao niicleo um aspecto claro. Ao mesmo tempo, esse micleo adquire a capacidade de Sintetizar DNA e RNA. Esse experimento demonstra que a atividade sintética do miicleo e sua capacidade de multiplicar ‘© material genico sao influenciadas pelo citoplasma. Biologia Celular e Molecular ‘Muitos tipos de células vegetais também podem ser man. tidas em meios de cultura, nos quais crescem e se multi- plicam, como o fazem as células animais (Capitulo 13). A separagio das células dos vegetais exige procedimentos diferentes. Inicialmente, necessério submeter as células & aco da enzima celulase, que digere a celulose, principal constituinte de suas paredes. A destruigio das paredes libera as células envoltas apenas pela membrana plasmitica e que, nessa condigdo, so denominadas protoplastos. Os proto- plastos podem ser cultivados em meios de cultura adequa- dos, de composicéo quimica definida, que possibilitam que «les crescam e se dividam por mitoses, Quando as condigdes, da cultura sio adequadas, os protoplastos, depois de diver- sas divisdes mitéticas, acabam formando pequenos agrega- dos de células indiferenciadas, Bsses agregados podem ser induzidos a originar plantas inteiramente novas, indicando que as células vegetais sio totipotentes, o que no acontece com as células animais. Essa propriedade das células vege- tais cultivadas de dar origem a um novo individuo completo (planta) ¢ inexistente nas células animais e tem sido uti zada na agricultura. As células vivas, animais e vegetais, podem ser subme- tidas a diversas técnicas de microcirurgia que utilizam ins- trumentos com extremidades de dimensGes microscépicas. Entre esses instrumentos, geralmente feitos de vidro, estio agulhas de diversas formas, bisturis, pipetas e eletrodos. Por meio da mictocirurgia, é possivel proceder a determinacio do pH intracelular, a0 deslocamento e remocio de organelas ¢ vesiculas, a0 transplante de partes de uma célula para outra € & remogio, por seccionamento, de fragmentos celulares. A microcirurgia ¢ feita com aparelhos especiais, denominados micromanipuladores, que proporcionam movimentos muito precisos e delicades. =— Resumo Os conhecimentos sobre as eétulas progridem & medida ‘que as técnicas de investigacao se aperfeicoam. O surgimento de um novo instramento de trabalho, ou a aplicagto mais engenhosa de um aparelho jé existente, leva sempre a novas descobertas ¢ & elucidacio de algumas fungdes celulares. O estudo da célula comecou com 0 microscépio dptico ou de luz, que, jd em 1896, alcangava grande eficiéncia gragas as primei- ras objetivas de grande resolucio. O emprego desse aparelho em combinagio com a descoberta de técnicas de microtomia e coloragio permitiu 0 estudo morfolégico das células com grandes detalhes. O microscépio éptico tem evoluido, com 0 microscépio de contraste de fase, 0 microscépio confocal ¢ os sistemas eletrdnicos de intensificacio, armazenamento e pro- cessamento de imagens. Outro passo foi representado pela utilizagio sistematica de técnicas citoquimicas. Essas técnicas permitiram 0 conhe- cimento da composicio quimica de muitos componentes celulares que antes eram estudados apenas do ponto de vista morfolégico, O isolamento de organelas por centrifugacso diferencial ou fracionada representou outro grande avango, ois assim foi possivel estuda, in vitro, tanto a composicéo ‘quimica precisa como também as fungées das organelas. © advento do microscépio eletronico com seu emprego para estudos morfolégicos ecitoquimicos representou enorme impulso para o conhecimento das fungdes celulares. A influén- cia do microscépio eletrOnico foi tao grande que levou a uma revisio completa nos conceitos morfoldgicos dos constituintes celulares. Atualmente, a forma e a estrutura das organelas sio geralmente descritas conforme observadas no microseépio dletrinico. (© emprego conjuunto das técnicas modemas, incluindo a radioautografia, a cultura de células em meios nutritivos definidos, 0 emprego do microscépio de fluorescéncia, do microscépio confocal, dos microscdpios eletronicos, das té nicas de criofratura e das técnicas bioquimicas, veio ampliar de tal maneira 0 estudo das células, que se tornou usual desig nar essa nova abordagem sob a rubrica de Biologia Celular ¢ ‘Molecular. — 2 | Tecnologia da Biologia Celulare Molecular: Alguns Exerplos Bibliografia IRD: New obserations on cellar nd yams by video Tanced contas pial microscopy. Ann. Re. Bhi, Che. 14265 bes Sake LL: Aatracogply A Compreonsine Overview Oxford Un. Pres, 189, Benlayan M ProtinA-gold electron miroscopcimmanocyochessy: ‘Methods, pplictons and imtatons J Heron Mio Tc 1233, 158, oztla and Ross. Echo Mroscany. 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Wischnitzes, S Introduction 10 Electron Microscopy: Pergamon Press, 1981 Ascélulassdo constituidas de macromoléculas poliméticas, 43 PTD eel TEN ce suiciess O grav de afinidade pela dla apresenta papel relevant nas propriedades biologicas das macromoléculas, 44 Coeieee emt eee rs ‘Asequendia de aminodcidos influ na forma tridimensional e no papel biolégico das moléculas proteicas, 45 Moléculas craperonas auxiliam na formagéo das complexas Dee acest ot cr oc Pee ee cons RNa see Eg ume Sree Aatividade enzimatica & muito sensivel ago de diversos Cre Pare aumentar ua eficiénca as enzimasse agrupam em erect ea ee Suen oe Cadeias enzimaticasfunconam sob regulagso,51 ere tee erect eeroy reread Bases Macromoleculares da Constituicao Celular s vinte aminodcidos possibilitam a construgéo da Cree se i eo crc Ono Te ceeel Acidos nucleicos sao polimeros de nucleotidios, 54 ODT eee cote st cee ice Pees a ess ORNA transferea informacao genética do DNA para as Poe OL act eree cna cna As moléaulas de cidos nucleicos podem ser caracterizadas peered (slipidios formam reservas nutitivas e tém papel estrutural eee oad Os polissacaridios formam reservas nutritivas e nnem-sea protenas para formar glicoproteinas(funcao enzimaticae estrutural) e proteoglicanas (funcio estrutural), 63 pean} ceca y Roteiro . = Aestrutura eo funconamento das lulas dependem prncipalmente de macromnoléculas frmadas pela polime- rizagio de monémeros = Armolécula da égua é um dipolo com caracteristicasespecias que a tornam indispensavel& vida ‘= Asproteinas séo polimeros de 20 aminodcidos diferentes = estrutura das moléculas das proteinasapresentaquatio nels de organzacSo:pimério,secundsrio, terri e quaternério = Ometabolismo celular deve-se atividade da enzimas = Pela acio do fri, pode-se babar ou parr temporariamente aco das enzimas + Agrupadas em sequéncl,mutasvezespresas a membranas, as enzimas auam de modo mais efiiente += lsoenzimas so molécula ligeiramente ferentes que atuam sobre o mesmo substat; porém, com velocdades diferentes, + OsScidosnudleicos (DNA e RNA) so polimeros denucleotitios + Hates tipos de RNA, com fungbes diferente: RNA detransferénia RNA mensageroeRNA ribosémico + ORNApode apresentaracio enzimatica = Aibidizaco molecular permite cracterzarbem as molécuas deRNA ede DNA + Oslipiias so componentes importantes das membranascellaeseformam reservasnutitvas = Ospolssacaritosconstituem reserva energétca sb a forma de glcogénio (nas lls animals) eamido (nas clulas ‘eget, edesempenham pape estrtural como parte dasmoléulas de gicaprtenas eproteoglicanas. 3 | Bases Macromoleculares da Constituicéo Celular ‘As moléculas que constituem as células séo formadas pelos ‘mesmos dtomos encontrados nos seres inanimados. Todavia, 1a origem e evolucdo das células, alguns tipos de étomos foram selecionados para a constituigdo das biomoléculas. Noventa ¢ nove por cento da massa das células sio formados de hidroge- nio, earbono, oxigénio e nitrogénio, enquanto, nos seres inani- rmados da crosta terrestre, os quatro elementos mais abundan- tes sio oxigénio, silico, aluminio e s6dio, Excluindo-se agua, existe nas eélulas predominincia absoluta dos compostos de carbono, extremamente raros na crosta da Terra, Portanto, a primeira célula e as que dela evolufram selecionaram os com- postas de carbono (compostos orginicos), cujas propriedades quimicas sio mais adequadas & vida. As células sao constitufdas de macromoléculas poliméricas E caracteristica da matéria viva a presenca de moléculas de alto peso, ou macromoléculas, que so polimetos constituidos, pela repetigio de unidades menores, chamadas mondmeros, Os polimeros formados por monémeros semelhantes sto chamados de homopolimeros. Eo caso do glicogénio, que é constituido exclusivamente por moléculas de glicose. Os hete ropolimeros so constituidos por monémeros diferentes. Os, 4cidos nucleicos, por exemplo, sio heteropolimeres. ‘As macromoléculas existem nas celules com grande diver- sidade, néo sé quanto ao seu tamanho, mas, principalmente, quanto & variedade dos seus monémeros constituintes. Os, polimeros encontrados nos seres vivos (biopolimeros) seréo aqui estudados quanto a sua constituigéo ¢ quanto & impor- tincia biolégica dos processos de interagao dessas mactomo- culas. Os biopolimeros de maior importincia sao as protei- as, constituidas por aminoacidos; os polissacaridios, que s80 polimeros de monossacaridios; e os écidos mucleicos (DNA e RNA), formados por nudleotidios. ‘Além dos polimeros, moléculas menores como lipidios, gua, sais minerais e vitaminas tm relevante papel na consti- 2i¢ao e no funcionamento das células. ‘A diversidade estrutural € funcional de um polimero depende da variedade de seus mondmeros. Na constituigio 43 das proteinas participam 20 aminoacidos diferentes, enquanto 08 dcidos nucleicos séo formados por apenas cinco tipos de nucleotidios (mondmeros); por isso, as proteinas tém maior polimorfismo e, consequentemente, maior diversidade fun- ional do que 0s dcidos nucleicos. Frequentemente, macromoléculas de diferentes tipos se associam para formar complexos como as lipoproteinas, glicoproteinas ¢ proteoglicanas (proteinas combinadas com polissacaridios) e as nucleoproteinas (écidos nucleicos mais proteinas). = Amolécula da agua é assimétrica Conforme estudamos no Capftulo 1, as primeiras oélulas surgiram na mass liquida que cobria a maior parte da super- ficie terrestre ha bilhées de anos. Provavelmente ao acaso € a partir de moléculas orginicas originadas antes da existéncia de qualquer ser vivo (origem pré-bidtica), formaram-se mice- las que evoluiram pelo aparecimento de uma membrana, ori- ginando-se, assim, as primeiras células. A origem das célalas esti associada & agua de tal modo que esta é sem excegao, a ‘molécula mais abundante em todas as células. As moléculas de pproteinas, lipidios e polissacaridios variam de uma célula para ‘outra, mas todas as células contém agua. Esse composto nao é ‘uma molécula inerte, coma tinica fancio de preencher espacos; ao contrétio, a Agua e seus fons influem poderosamente na con- figuragio e nas propriedades bioldgicas das macromoléculas. ‘A molécula de agua é morfologica e eletricamente assimé trica, Os dois dtomos de hidrogénio formam com o de oxigt- rio um angulo que, em média, 6 estimado em 104,9°. Portanto, apesar de ser representada pela férmula H-O-H, a molécula de agua nio é um bastio reto. Por outro lado, em razao da forte atracio exercida pelo niicleo do oxigénio sobre os elé- trons, a molécula de gua ¢ relativamente positiva, no lado dos dois hidrogénios, e negativa no lado do oxigénio; isto & a molécula de gua é um dipolo. No espago, em virtude da forma das 6rbitas do hidrogénio e oxigénio, as cargas eletricas, estio distribufdas de tal modo que o oxigénio ocupa o centto € 0s hidrogénios (relativamente positivos), os dois extremos de um tetraedro, conforme mostra a Figura 3.1. Figura3.t + A-esquedo, equema do dipolo da dus @ deta forma tridimensional de sia molécla, Por sua natureza dipolar, a égua € um dos melhores solven tes conhecidos. Ela dissolve muitas substincias cristalinas e ‘outros compostos ionicos porque sua tendéncia a se combinar com fons negativos ou positives é, frequentemente, maior que a tendéncia de os fons se combinarem entre si, Por exemplo, os cristais de NaCl dissolvem-se com facilidade em Agua porque, apesar da atragio eletrostitica entre o Clr e 0 Ne* do cristal, cada um desses fons é atraido ainda de modo mais forte pelo dipolo da dgua. Assim, o cristal se rompe, formando-se os fons hiidratados de Cle Na’, altamente estéveis, = 0 grau de afinidade pela agua apresenta papel relevante nas propriedades biolégicas das macromoléculas Os polimeros celulares contém em sua estrutura grupa- ‘mentos quimicos que apresentam afinidade pela agua (grupa- mentos polares) ou que ndo apresentam afinidade pela égua (grupamentos apolares),repelindo-a. Os grupamentos polares rincipais so carboxila, hidroxila, aldeido, sulfato e fosfato. ‘Moléculas com alto teor de grupamentos polares séo franca- ‘mente sohiveis na égua e sio chamadas de hidrofilicas (hidro, gua, e filos, amigo). A maioria dos hidratos de carbono, os 4cidos nucleicos e muitas proteinas séo hidrofilicas, Em con- trapartida, ha moléculas sem ou com poucos grupamentos polares e que, consequentemente, so insoliveis na dguas so as moléculas hidrofobicas (hidro, égua, ¢ fobos, aversdo). Como exemplos, podem ser citados 0s lipidios, a parafina e os ‘leos ~ essas moléculas sio repelidas pela agua Existem também macromoléculas, geralmente elongadas, ‘que apresentam uma regido hidrofilica e outra hidrofSbica; so as moléculas chamadas anfipiticas, dotadas da capacidade de associar-se simultaneamente a agua ¢ a compostos hidrofi- licos, por uma de suas extremidades, ¢ a compostos hidrofobi- cos, pela outra extremidade, As moléculas anfipéticas exercem importantes fungoes bioldgicas, e estio presentes em todas as ‘membranas celulares. ‘A anilise das forgas responsiveis pela coesdo dos moné meros nos biopolimeros demonstrou que existem dois tipos .gerais de forgas que podem ser agrupadas de acordo com @ sua intensidade. Essa intensidade, por sua vez, pode ser avaliada pela energia necesséria para se realizarem ou se desfazerem essas unides (Tabela 3.1), De um lado estdo as ligacdes for es, chamadas covalentes. S40 resultantes da superposicdo das érbitas externas das moléculas e sio unides fortes e estiveis ‘que consomem altas quantidades de energia para sua reali- zagao. Eo tipo de unido que se observa nas ligacées peptidicas entre os aminodcidos e que 86 podem ser desfeitas por pro- cedimentos drésticos como a hidrélise em acido forte a alta temperatura, Essas ligagdes necessitam de cerca de 100 kcal por mol para se formarem, Do outro lado, estio as ligagbes fracas, de natureza variada, que se formam com pequeno gasto energético ¢ podem ser desfeitas por procedimentos staves como aquecimento moderado ¢ alteragéo da concentragio idnica do meio. As principais ligacdes fracas séo as: pontes de hidrogenio, ligagdes eletrostaticas e interagGes hidrofdbicas, Aspontes de hidrogénio ocorrem em razao do uso em comum Biologia Celulare Molecular Energia Tipo deligarao (teatime) Ligaiescovalents fortes) eth, simples, ¢ ‘7 iu) Wen 25a) Ligagesniocolentes(faas) forteéeH 5 ean 5 Imeagiohicotibia 13, de um atomo de hidrogénio por radicais diferentes. No caso das proteinas, isso tem lugar entre o nitrogénio e a carbonila de ligagées peptidicas diferentes (Figura 3.6). As pontes de hidrogénio sio também importantes na ligacio entre as duas cadeias do DNA, ligacdo essa que ocorre em funcio de pontes ‘que se estabelecem entre duas bases (Figura 3.19). As lig eletrostiticas séo ligagBes que se formam quando um grupo Acido se prende a um basico; so exemplos as ligagdes entre aminoécidos basicos ¢ acidos, entre corantes acidos (geral- ‘mente com grupos sulfénicos) e proteinas bisicas dos tecidos ou entre as glicosaminoglicanas (que contém grupamentos sulfato) ¢ proteinas basicas, As interagoes hidrofbicas ocor- rem entre moléculas apolares que sio comprimidas umas con- tra.as outras pela repulsio que sofrem da égua que as envolve. Nao é portanto, propriamente uma ligacio, como ocorre nas pontes de hidrogénio ou ligacio eletrostatica, sendo mais ade ‘quadamente definida como uma intera¢io. © exemplo mais importante de interagdo hidrofbica em biologia tem lugar nas membranas da céula (Capitulo 5), onde as duas camadas de lipidios associam-se principalmente em virtude desse tipo de interacio. A importincia biolégica dessas interagbes e ligagdes de baixa energia reside no fato de que elas permitem & céhula ate- rar, montar e desmontar estruturas supramoleculares, como, por exemplo, os microtibbulos e microfilamentos, aumen- tando, assim, sobremaneira a sua versatilidade e eficiéncia funcional, sem grande gasto energético. Se as interacoes das macromoléculas fossem realizadas apenas com ligagdes fortes, a.estrutura celular seria estivel, eas modificagSes dessa estru- ‘ura implicariam um gasto de energia tao alto que a atividade celular seria impossivel. = Proteinas sdo polimeros de aminodcidos [As proteinas so macromoléculas que contém um mimero variével de L-aminodcidos, unidos por ligagées peptidicas (Figuras 3.2 e 3.3); sao, portanto, polimeros de aminodcidos. As cadeias assim constituidas chamam.-se cadeias polipeptidi- as €, a0 atingirem determinada dimensio, recebem 0 nome de proteina. E comum considerar proteinas os polipeptidios com peso molecular a partir de 6.000 daltons (6 kDa). Embora existam mais de 150 aminodcidos, s6 20 sio encon- trados nas proteinas (Figura 3.4) Esses 20 aminodcidos celulares fo todos de estrutura L, o que reforca a hipétese, apresentada 3 | Bases Macromoleculares da Constituigéo Celular ‘80 Capitulo 1, segundo a qual todas as células hoje existentes derivam de uma célula ancestral tinica. A célula ancestral teria aproveitado os L-aminodcidos, sendo a capacidade de utilizé- los transmitida a todas as células descendentes. Os aiinoicidos encontrados nas proteinas tim em comum, 2 presenca de um grupo NH, (amino) e um grapo COOH (car- boxila)ligados ao carbono alfa da molécula (Figuras 3.2 e 3.3) So excegao a prolina e a hidroxiprolina, que contém 0 grupo NH (imino) em substituicio 2o grupo NH. Na realidade, a prolina ea hidroxiprolina sao iminoécidos (Figura 3.4), mas se incluem entre 0s aminodcidos por apresentarem propriedades, semelhantes. We R-“NH, i bo01 Figura.2 + Fomula geal sat amino. @ 6 N-GH HN-GH oH, Figura 3.3 + Formacio da lgarso peptiiainieada em sombreade, pela iso {edoisaminoicidoseformagio de uma molécuiade 6g, HOH ea Chae La Cvaa A Taree 0H fot bbe ate wel f 4 4 ‘o H CH, Oo H ea No H ia oO aay ean de [Le Gh) tech) Crane vy || eewanman HS) Crom ng lay anol] wep 4p mae’ weed” | weed wiebd A oH 'o 4 GH, Yo GH ‘oO A Go” i a ‘OH | re ha ae emsmang Acido-L-Aspiitico Acido-L-Glutémico || L-Lisina (LYS) Largining (ARG) ‘L-Histidina (HIS) ug fom an BH p ye Hg HI a on tg Boe | | "i i i [ i HON malls | cae nce L-Aspargina L-Glutamina LCisteina (CYS) L-Metionina (MET) | LProlina (PRO) | Wares ey HH 9 | HH OO HH oO HH med wed wteged mteed’ | nied d? tig Mig> hepe || SN i | 's i oF | fm m || \ | s-cH || os ee ‘Wee «+ Moléculasdos 20 aminoscios enconrados nas proteinas As codes ate Stieoe sombreado, Yas, esponsivels por eres propiedadesquimics ds aminoicidos, esta ince As proteinas podem ser classificadas em duas categorias: as proteinas simples, cujas moléculas so formadas exclusi- vamente por aminodcidos, ¢ as proteinas conjugadas, que se caracterizam pela presenca, em suas moléculas, de uma parte no proteica denominada grupo prostético, Entre as protel- nas conjugadas podem ser mencionados os seguintes exem- plos: nucleoproteinas, com grupo prostético constituido por dcidos nucleicos; glicoproteinas, que contém polissacari- dios; lipoproteinas, que contém lipidias; fosfoproteinas, eujo grupo prostético contém fisforo; hemeproteinas (catalases, peroxidases e citocromos) contendo o grupo heme, que é tuma ferroporfirina; flavoproteinas contendo riboflavina no grupo prostiético; ¢, finalmente, metaloproteinas, nas quais © ‘grupo prostético é um metal (insulina e anidrase carbdnica, ‘que contém zince) ou um composio inorganico que contém ‘metal, como, por exemplo, a ferritina, cujo grupo prostético é0 Fe(OH). Os grupamentos NH, € COOH sio ionizaveis, o que con- fere carga létrica ds proteinas e condiciona.a sua migragio em ‘um campo elétrico, Conforme haja predominancia de grupos NH, ou COOH, as proteinas sdo basicas ou dcidas, respecti- ‘vamente; por exemplo, as histonas, ricas em lisina e arginina (aminoécidos com dois grupos NH, por molécula), sio eletri- camente positivas em pH 7, portanto, bisicas e, por isso, com- ‘inam-se com 0s grupos fosfaio do dcido desoxirribonucleico (DNA) para formar nucleoproteinas. = Asequéncia de aminoacidos influi na forma tridimensional e no papel biolégico das moléculas proteicas A forma tridimensional da molécula de uma proteina esta relacionada com a sequéncia de aminogcidos e com o mimero de cadeias polipeptidicas que constituem sua molécula, Ha proteinas cuja molécula tem apenas uma cadeia polipeptidica, enguanto outras apresentam miiltiplas cadeias, em geral umas diferentes das outras, Por exemplo,ahemoglobina éconstituida por duas cadeias alfa (iguais entre si) ¢ duas cadeias beta (tam- bém iguais entre si). Do ponto de vista biol6gico, o conhecimento da forma tri- dimensional das moléculas proteicas em estado nativo (confi- ‘guracdo nativa) & muito importante, pois é assim que, dentro a célula, as moléculas mostram atividade e interagem umas com as outras, Chama-se configuracio nativa a forma tridi mensional que uma molécula apresenta nas condigdes de pH temperatura existentes nos organismos vivos (Figura 3.5). A estrutura das moléculas proteicas é mantida pelas seguin- tes forgas de establizacio: + ligacio peptidica: resultante de ligacao covalente = interagio hidrofibica = pontes de hidrogénio + ligagies dissulfeto ou S-S: ligages covalentes entre molé- clas do aminodcido cisteina © mvimero e 2 sequéncia dos residuos aminodcidos em ‘uma cadeia polipeptidica determinam a estrutura priméria da proteina, A estrutura priméria ¢ mantida por ligagdes peptidi- Biologia Celular e Molecular Moléeula ativa Moléeula coosnaturada Molécuia ranaturads Figura3.5 + Emcima desquerd, aparece uma molécuaprotecaglobosa em sua configura atv rma da molécula rat. condgbes nature dentodacalua). No centr mesma malécua, orem desraturada, Como adesnatuacao¢ requerte- mente revesel a molécula pode volar 8 sua forma iii, comme mostra gu embaia.a dita. As pequenas bas pets reresentam o radicals que se nem para estabelecer a configuragio natvada poten. as, mas, se estas fossem as tinicas ligagGes existentes, as molé- culas das proteinas seriam dobradas ao acaso, irregularmente. Entretanto, o estudo das propriedades das moléculas pro- teicas em estado native revela que elas so constituidas por cadeias polipeptidicas dobradas de maneira bastante regular e constante para cada tipo de proteina. ‘As cadeias se dobram e se enrolam de modo complexo, para constitairem um arranjo espacial definido e tipico da proteina conhecido como sua estrutura secundiria, Uma estrutura secundéria muito frequente entre 25 proteinas globulares que formam a meioria das proteinas da célula é a alfa-hélice (Figura 3.6). Essa configuraglo se deve & formagia de pon- tes de hidrogénio entre aminodcidos de uma mesma cadeia, qual adquire a forma de saca-rolha ou hélice. A cadeia que contém a estrutura secunddria dobra-se novamente sobre si mesma, formando estruturas globosas ow alongadas, adquirindo, assim, uma estrutura tercidria (Figura 3.7). Muitas proteinas tém moléculas constitufdas por varias cadeias peptidicas, que podem ser iguals ou diferentes. Essas cadeias chamam-se subunidades ou monémeros. 0 modo especifico de as subunidades se juntarem para formar a molé- cula proteica tem o nome de estrutura quaternéria da proteina (Figura 3.8). Essa estrutura ¢ mantida gracas & cooperacio, de numerosas ligages quimicas fracas, como as pontes de hidrogénio, Por meio da organizacdo proteica quaternéria, formam-se diversas estruturas de grande importancia biol6- gica, como os microtubulos, microfilamentos, capsémeros dos virus e 0s complexos ertzimaéticos que serao descritos adiante, neste capitulo, Também as fibrilas colagenas (Figura 3.9) 3 | Bases Macromoleculares da Constituigéo Celular i i 36 « Esruturasecundsra(ala-lce) de ura proteina. As pntesdeidre= entre os aminadldos eto reeesertadas por acs paralelos. contradas no espaco extracelular do tecido conjuntivo sio -constituidas pela agregacio de cadeias polipeptidicas de tro- -pocoldgeno. Diz-se que uma proteina é globular quando a sua molécula uma relagdo comprimento-largura menor do que 10:1. A. de maioria das proteinas das células ¢ globular, como a ‘oglobina, a mioglobina, a hemocianina, as proteinas com -stvidade enzimatica e as proteinas das membranas celulares. ‘Quando @ relacéo comprimento-largura & maior que 10:1, @ ‘proteina & dita fibrosa. Deatre as proteinas fibrosas intracelulares, a queratina é a s bem estudada (Figura 3.10). A proteina mais abundante ‘=o corpo dos mamiferos é o colgeno, proteina fibrosa extra- “celular que constitu as fibrilas colégenas jé mencionadss. ‘Bowa37 « Esquema das estruturasprinsisecundiri eters de ua pote se Nata negra esta epresentades os residuosaminoscidosfestucura primera) es Sie forma por les etruturasecundti). As dobras da molécul, demeonstradas j= seucantorn externa, em pontihado fine, conttuem a estrutura tec = Moléculas chaperonas auxiliam na formagao das complexas moléculas proteicas ena destruicao das proteinas defeituosas Nos diversos locais do ambiente intracelular, muitas protel- nas estio se formando simultaneamente, o que dificulta a estruturagio dos complexos proteicos. Essa dificuldade, pro- vocada pelo aglomerado de moléculas nascentes no ambiente intracelular,é contornada pelas moléculas chaperonas, que io proteinas cuja fungao principal ése unirem as cadeias polipep- Udicas nascentes, até que elas se liguem a outras cadeias poli- peptidicas, para formar corretamente as complexas moléculas finais. Sem o trabalho das chaperonas, formar-se-iam muitos agregados proteicos sem atividade funcional, pela unido, 20 caso, das numerosas cadeias polipeptidicas que sio conti- nuamente sintetizadas na célula, ‘As moléculas chaperonas néo s6 minimizam a agregacio errada das cadeias polipeptidicas, como desfazem as agrega- .6es defeituosas e promovem a eliminagao, por hidrélise, das ‘moléctlas proteicas incorretamente formadas. Muitas tarefas ‘das moléculas chaperonas sao realizadas com gasto de energia fornecida por ATP. [As chaperonas desempenham ainda outras fungdes, como impedir o enovelamento das moléculas proteicas sintetizadas ‘no citosol, porém, destinadasas mitocéndrias. Os mecanisinos de transferéncia de proteinas para dentro das mitocOndrias s6 funcionam para transportar moléculas distendidas, e nunca moléculas ja dobradas em sua configuracdo final. Depois da penetragio da proteina mitocondrial distendida pela chape- zona respectiva, as duas se separam, ea proteina mitocondrial assume sua forma retorcida final, ativa. Em outros locais, as chaperonas desempenham ainda outras fungées. Nas cisternas do reticulo endoplasmatico existe uma chaperona que auxilia a orientagio do dobramento de moléculas proteicas para que clas assumam a conformagio tridimensional correta, AAs principais chaperonas so denominadas hsp60 ¢ hsp70. ‘A abreviatura provém de leat shock protein, porque elas ‘aumentam de quantidade quando as células sao levadas a tem- pperaturas mais elevadas, ¢ o nfimero indica 0 peso molecular ‘expresso em quilodéltons (kDa). = Os genes controlam o metabolismo celular por meio das enzimas ‘As enzimas so moléculas proteicas dotadas da proprie- dade de acelerar intensamente determinadas reagdes quimicas, tanto no sentido da sintese como no da degradagio de moké- culas. $0 elas as principais responsiveis pela eficiéncia da ‘maquinaria quimica intracelular. Gracas as enzimas, as células executam, em milésimos de segundo, a sintese de moléculas ‘que, in vitro, sem enzimas, necessitariam de semanas de tra- balho para serem sintetizadas. Além da rapidez, as sinteses enzimiticas apresentam alto rendimento, isto & no final da reagio gera-se apenas 0 produto desejado ou alguns produ- tos, mas todos titeis as células. Ao contrério, nas sinteses de laboratério, no enziméticas, formam-se, além das moléculas Biologia Celular e Molecular Figura3.8 + Estaseletomicogrefiesmostram um exemplods estrutuequatemsria de uma ula produtore de homocianing,cujas moléculas se agrupam formando crstalaldes cxistaoides hemodia ci que emolécula de hemocieninaé um erimero ques aspectos diferentes e observed (ae) Sua subunidade ou monémera es inl Sets quato monimeros gbulares bem visves(ee ) (Mcrorafias da WA, Farenbach, Jounalofel Blog, 45,1970, Reproducio atid) 3 | Bases Macromoleculars da Consituigéo Celular Fgure3.9 + Cleromiccografedo tecidoconurtvo da ple humans. etratursalongadas to fils coligerasconsttuidas pla agreqacio de moléculasdetropocalige- a (proteins fos) As elas sto esrutuesprotecas quaterniriacujomandmero € 0 vopocolgenc. A exquerd, cortes oblquos desssfllas,Aumento: 3.000%. SSS eS ESS eae cura 3.10 = Eletromizograta de cll episamica de pie Assets indica limite ene duas las. Observe os numerossflamentos de queraina (potefna ‘053 mitocindn; i, mocinda em dab Unvaginagae) do ener clea. Aumntc: 12000x Amicogra mena, @ esquede most os laments de ‘seins aumentas 200.00. desejadas, numerosos subprodutos, originando-se assim uma ristura dz qual a molécula desejada deve ser separada. Se isso acontecesse no meio intracelular, haveria uma concentracso de produtos indesejaveis que perturbaria o metabolismo, Sendo catalisadores to eficientes, as enzimas tém sido usa~ das para sintese in vitro, tanto no laboratério experimental como na produsio industrial. ‘As enzimas so proteinas e, como tais, produzidas sob 0 controle do DNA. Elas sio 0s efetores da informacio genética contida no DNA, e é por meio delas que o DNA comanda todo ‘o metabolismo celular. Embora praticamente todas as molécu- las enziméticas sejam proteinas, ha alguns RNA, denominados ribozimas, que apresentam atividade enzimética, constituindo tuma excecio & regra geral. > Agdo enzimatica. © composto que sofre a agdo de uma ‘enzima chama-se substrato. A molécula da enzima contém ‘um ou mais centros ativos, aos quais o substrato se combina para que seja exercida a ago enzimética. A forma tridimen- sional da enzima ¢ importante para a sua atividade, pois os centros ativos sao regides cuja conformagao tridimensional écomplementat da molécula do substrato. Essa estereocom- plementaridade é essencial para que se verifique 0 encaixe tridimensional preciso entre a enzima e seus substratos (Figura 3.11); é por meio dese encaixe que a enzima reco- nhece e se prende com maior ou menor intensidade (afini- dade) a seus substratos. ‘A especificidade das enzimas & muito varidvel. Algumas atuam exclusivamente sobre um tipo de molécula, néo ata- cando sequer seu estereoisémero. Por exemplo, a desidroge- nase lictica € especifica para 0 L-lactato, e a D-aminoacido- ‘oxidase s6 ataca os D-aminodcidos. Por outro lado, ha enzimas ue atuam sobre varios compostos com alguma caracteristica estrutural comum. E 0 caso, por exemplo, das fosfatases, que hidrolisam diversos ésteres do Acido fosférico. ara exercerem sua atividade, muitas enzimas necessitam de cofatores, que podem ser um fon metalico ou uma molécuila. Quando 0 cofator é uma molécula, recede 0 nome de coen- ima. Ao contrério da prépria enzima, que, sendo protein, & desnaturada e inativada por temperaturas muito elevadas, em, geral as coenzimas sao termoestiveis. Alguns cofatotes estéo ligados de modo permanente e {ntimo & molécula da enzima, enquanto outros a ela se unem temporariamente, durante a agio enzimitica. O complexo formado pela enzima com o cofator, independentemente do grau de uniéo quimica entre eles, chama-se holoenzima, Removendo-se o cofator, esta a parte proteica da enzima, que entio inativa ese chama apoenzima. Quando 0 cofator esté fortemente ligado & molécula da ‘apoenzima, ele constitul un grupo prostético ea enzima deve ser considerada uma proteina conjugada. A parte ativa de muitas coenzimas contém vitaminas do grupo B, como riboflavina, tiamina, écido pantoténico e nico- tinamida. » Nomenclature. Muitas enzimas so designadas pelo nome do substrato sobre o qual atuam mais 0 sufixo -ases por exemplo, 0 cio ribonucleico (substrato) é hidrolisedo por ‘uma enzima que recebeu 0 nome de ribonuclease. Contudo, outras enzimas inclusive algumas dentre as mais bem-es- Biologia Celular e Molecular ‘Adenosina-trifosfto (ate) & 3 \ i ii || © [pomp & P Giicose-6-fostato O Figura3.11 + Combinardoreversvl enveossubsratose0 centro atv daeraima, Demonstra-eramibém a acéo enzimstica ATP =-gcose>ADP + licose-6tosat), sta igurailsrasimportnca ds attra riimensional ums poten enna) or sta atirdade biologica Enecessirio que o substato se encabe na molecule enzimatica para que 2 enams ae. tudadas ~ sio conhecidas por nomes que nao s-guem essa regra; sio exemplos a pepsina e a tripsina, que hidrolisam proteinas. ‘A Comiss4o de Enzima da Unido Internacional de Biogui- mica adotou uma classificacao das enzimas em seis categorias principais (Tabela 3.2), cada uma com subdivisbes, e estabele- ‘cou normas para a designagio mais precisa e informativa de cada enzima. Por exemplo, pela nomenclatura da Comissio, ‘a enzima em geral chamada hexoquinase e que catalisa a rea- do ATP + glicose > glicose-6-fosfato + ADP deve ser cha- mada ATP; hexose-fosfotransferase, Esta tltima denominagéo indica mais precisamente a acio da enzima, que & transferir um grupo fosfato do ATP para uma hexose (Figura 3.11). ‘Todavia, a nomenclatura internacional ¢ pouco usada na pri- tica, porque as enzimas recebem designagdes muito longes, «em comparagao com seus nomes corriqueiros. 3 | Bases Macromoleculaes da Constituigo Celular ae te quad ésubdi Nome Gatalisam, Exemplos dae exes rasqsisum engost eic eorda Dsiogenases ass peas Trnfeass Tasers de rupsmestos eins éunamolnis praouta Tanase, arses tes umpimenn encklascam aig de dona Pept ats esses lias emogiodeun gp uli nando un ape igpomasbstat;euado Desc denims eumgrupsaus ula lg, quasi desta 5 amar earansinramaecbes ue meicom aesrutua versal osustato —_Rxcomases aimenses ‘ Ligne Uniodediasmolaias om tse de AP eaoutocinpesorioemensa _—Aetcesima Aste ctx dpi = Aatividade enzimatica é muito sensivel a aco de diversos fatores A atividade das enzimas, muito sensivel a diversos agentes quimicos e fisicos, & capaz de ser inibida de varias maneiras. A inibigdo pode ser competitiva ou nao competitiva. Entre os fatores que afetam a atividade enzimética, chamam 2 atencio: temperatura, concentracio do substrato e presenca de ativadores ou inibidores que alteram a velocidade de atua- <0 das enzimas. efeito da temperatura tem grande importancia pritica, uma vez que o frio deprime a atividade enzimética, retardando 1s processos de lise celular e a deterioragéo de amostras de tecidos, sangue, urina etc. utilizadas em exames de laboraté- Ho, No transplante de 6rgaos, & comum o uso de temperaturas, baixas para melhor preservagio dos tecidos a serem transplan- tados. ‘Temperataras muito baixas obtidas, geralmente, pelo uso de nitrogénio liquido (ponto de ebulicéo ~195,8°C) séo utili- zadas de rotina na preservacio de culturas de tecidos, amos- tras de tecidos para posterior andlise bioquimica, sementes de plantas, espermatozoides para inseminagio artificial e embri- Ges para transplante. > Inibigdo competitiva. Quando uma substancia resistente & agio enzimatica, porém de molécula muito parecida com ado, substrato da enzima, se fixa nos centros ativos da molécula enzimitica, diz-se que a inibicio é competitiva. Nesse caso, 0 inibidor compete com o substrato para se localizar no centro ativo, eo grau de inibigdo ¢influenciado pela concentracio do substrato. Quanto maior a concentracao do substrato, menor a probabilidade de o inibidor chocar-se com as moléculas da enzima e ocupar seus centros ativos. > Inibigéo néo competitiva. Esse tipo de inibicao nao é afe- tado pela concentragio do substrato, dependendo exclusiva mente da concentragdo do inibidor. O caso mais frequente de inibicao nao competitiva ¢ representado pela combinagio reversivel de metais pesados com os grupos —SH da molécula enzimitica, Isso altera a forma tridimensional da molécula da cenzima e impede sua atividade. Ocorre também inibigao nio competitiva quando a enzima precisa de certos ions eestes sio removidos da solugdo; por exemplo, as enzimas que necessi- tam de Mg* sio inibidas pelo EDTA (etilenodiaminotetrace- ‘ato de s6dio), pois esse composto forma um complexo com citions divalentes e, desse modo, remove o Mg”* da solucao. A inibigdo é reversivel pela adigdo de cdtions Mg”. = Para aumentar sua eficiéncia, as enzimas se agrupam em complexos ou se prendem a membranas ‘Na célulaviva, a maioria dasenzimas funciona em sequéncia, de modo que o produto resultante da aggo de uma enzima ¢ ‘0 substrato para a enzima seguinte. Esse conjunto de enzimas que trabalham em cooperacio é denominado cadeia enzims- tiea, Um sistema muito eficiente e frequente nas eélulas ¢ 0 representado pelos complexos de moléculas envimiticas, Nele, todas as enzimas da cadeia se associam para formar um con- junto de moléculas que se mantém unidas por forgas quimicas fracas (estrutura proteica quaternaria). Na célula da levedura, por exemplo, as enzimas que sintetizam dcidos graxos a par- tir de pequenas moléculas formam uma cadeia que consiste em sete enzimas que se associam para formar um complexo multienzimético. As reag6es processam-se em sequéncia € as moléculas intermedirias mantém-se presas ao complexo até a formagio da molécula do cido graxo. Isso torna o sistema mais rapido, uma vez que 0s substratos nao precisam deslo- car-se muito de uma enzima para outra, Outro complexo enzimético bem estudado é 0 da desidro- genase do piruvato. No microscépio eletronico, 0 complexo enzimético da desidrogenase do piravato mostra aspecto poliédrico, e foi sugerido um modelo segundo o qual suas enzimas devem estar organizadas (Figura 3.12) ‘As cadeias enziméticas mais bem organizadas e, portanto, ‘ais eficientes séo as que estio ligndas a membranas, como, por exemplo, a cadeia das enzimas respiratérias (transporta- doras de elétrons) que estéo presas & membrana interna das mitocéndrias, Nesses casos, no hi separacio entre molécula enzimética e molécula estrutural, pois as diferentes proteinas G0, 20 mesmo tempo, parte da membrana e também dotadas de atividade enzimitica. = Cadeias enzimaticas funcionam sob regulacéo ‘A maioria das enzimas néo presenta constincia em suas atividades, podendo facilmente ser modulada. Isso representa, ‘uma importante propriedade biologica porque possibilita as células modificar seletivamente 2 atividade de determinadas Biologia Celular e Molecular \-hidrolipoato desicrogenase 16 [HII ~ rai esaontse 6+ (III unsconuts reeatnse Figura3.12 + Modele do complexe enaimatco da desiéragenase do prwate. Cada ester colorida representa uma molécuaeramtica. enzimas, para adequé-las as necessidades momentaneas que surgem durante a vida da célula, ‘Muitas cadeias enzimaticas sio moduladas por autorregu- lagio, sobretudo pelo efeito do produto final da cadeia sobre a primeira enzima da sequéncia. Por exemplo, a L-treonina é transformada em L-isoleucina por meio de uma cadeia de cinco enzimas (Figura 3.13). A primeira enzima dessa cadeia (El) & a L+treonina-desaminase, cuja atividade € diminuida ow suprimida pela L-isoleucina. Desse modo, a falta de Lisoleucina provoca 0 funcionamento da cadeia em toda a sua intensidade, enquanto 0 excesso de L-isoleucina faz a cadeia diminuir de ritmo, ou mesmo parar a producao de mais, L-isoleucina, Assim sendo, a concentragdo desse aminodcido nna célula permanece dentro dos limites normais. No caso, trata-se de uma regulacio alostérica, A enzima sensfvel a esse tipo de controle — no exemplo citado, a L-treonina-desaminase ~ chama-se enzima reguladora, e a substincia inibidora - no caso a L-isoleucina - 6 conhecida como efetor ou modulador, Na regulagdo alostérica, que € um tipo muito frequente de regulagio enzimdtica, 0 efetor combina-se com a enzima em uum local diferente do centro ativo e denominado centro alos- térico, Em consequéncia, ocorre uma modificagao na confor ‘macfo tridimensional da molécula enzimética, com alteragio do centro ativo da enzima, cuja atividade catalitica é inibida (Figura 3.14) ‘Outras vezes, a atividede da enzima é modulada pela inte- ago com ontras proteinas ou entio pela adico covalente de radicais fosfato aos aminodcidos serina, treonina ou tirosina presentes na molécula enzimatica. A fosforilacio de protefnas desempenha importante papel regulador nao apenas em rea- es metabélicas, mas também em muitos outros processos celulares como crescimento, diferenciacio celular, desmonta- gem do envoltério nuclear na préfase e sua reorganizagéo na telofase. = Isoenzimas sao moléculas ligeiramente diferentes da mesma enzima Determinadas enzimas existem sob formas moleculares ligeiramente distintas nos diversos tecidos, ou na mesma célula de determinada espécie animal. Nesses casos, a molé- 3 | Bases Macromoleculares da Consttuigo Celular r HON, CooH le enemas ‘ -Cetebutato | Ervine 2 -Cetebutato | Eraima 8 ep. Dihiox6- rativalorato| | ine ‘e-Cete-p-metivalraio | srs 3-5-9 cooH Lisoleucina Figura 3.13 + Regulagéo nibicao) alostrica A Ltreonina €tansformada em _'leucina por melode ume cadeia de cncoenzimas Mas aprimra encima des ‘adsiag uma protanaalosériea que éinbida pala solucina Assim, oexessode Lseleucina bloquelaa sintesedesse aminccido sua fata esimua. cula da enzima é constituida por cadeias polipeptidicas (mondmeros) diferentes, agrupadas em proporgées variéveis. As diferencas de atividade entre as enzimas sio consequéncia das diversas proporgbes dos monémeros em suas moléculas. As enzimas de uma mesma espécie animal que atuam sobre © mesmo substrato, mas que exibem diferencas na atividade, no pl étimo de ago, na mobilidade eletroforética ou em outras caracteristicas, sfo chamadas isoenzimas. As diferen- a8 de atividade das isoenzimas so utilizadas pelas células para modular os efeitos dessas enzimas, de acordo com suas necessidades. Um exemplo bem estudado é isoenzima desidrogenase do 4cido lictico, Sua molécula é constituida por quatro cadeias polipeptidicas (monémeros), de dois tipos diferentes, chama- dos Me H. Conforme a proporcio desses dois monémeros, existem cinco desidrogenases do Acido léctico, cujas moléculas podem ser assim representadas: + 1% 4 cadeias M (Maio) + 2% 3cadciasM+1cadeiaH © (MH) = 3% 2cadeiasM-+2cadeiasH — (MsH.) + 4% LcadeiaM+3:cadeiasH == (M,HH,) + 5% 4 cadeias H (MoH) Essas cinco desidrogenases lécticas foram isoladas em forma pura. Todas atacam o mesmo substrato (Acido léctico); pporém, ofazem em velocidades diferentes. Portanto, do ponto Modilador —9 Figura 3.14 » Esquemadiditico de regulagio aloséics A fxasdo do modulador ‘no centro alstricoda protein (enzima) media o centoativo, mpede a fixase0 Go substratoeinibe a acioerzimatic, de vista biolégico, a principal distingao entre as isoenzimas é0 grau de atividade de cada uma. Esté demonstrado que existe um gene que determina a sequéncia de aminodcidos do monémero M ¢ outro que determina a do monémero H. Conforme a maior ou menor atividade de cada um desses genes, h maior producio do mRNA para M ow para He 05 politribossomos produzem diferentes quantidades de M e H. Como esses mondmeros se ‘unem espontaneamente, ao acaso, para constituir as enzimas, as proporgies de M e de H dependem da atividade daqueles genes. Trata-se de um controle génico, pelo qual, alterando as ropor;des dos monémetos produzidos (cadeias polipeptidi- cas), 0s genes influem na estrutura quaternédria das proteinase podem modular a sua atividade enzimitica. A desidrogenade do cido lactico é muito importante para a producéo de energia nas células anaerdbias, como algu- mas bactérias. Fm mamiferos, que sio seres aerébios. Elas enttram em aco quando hé queda no fornecimento de oxigé- nio pela circulagao sanguinea (hipoxia); isso pode acontecer, por exemplo, no miisculo estriado esquelético, quando se executa atividade muscular muito intensa. Quando as fibras musculares necessitam de mais oxigénio do que a circulagao sanguinea pode fornecer, elas entram em hipoxia. O piru- vato é total ou parcialmente reduzido a lactato, em vez de ser oxidado completamente, como acontece quando nao existe hipoxia. = Os vinte aminodcidos possibilitam a construcao da enorme variedade de moléculas proteicas, com func6es diversificadas As proteinas sio 0s componentes quimicos mais diver- sificados da céhula, em virtude de serem constituidas de 20 aminodcidos diferentes, Essa diversificagao estrutural se reflete nas suas miitiplas fungées biolégicas (Tabela 3.4), pois, dos componentes macromoleculares das células, sAo os mais poli- fancionais, ‘Além da atividade enzimética, as proteinas tém importante fungdo estrutural (nos filamentos intermediirios, microfila- ‘mentos e microtabulos), informacional (nos horménios pro- teicos) no movimento das células (exemplificado pela ativi- dade motora do complexo actina-miosina) ¢, finalmente, uma pequena importancia como fonte energética. A quase totali- dade da energia consumida pelas células é fornecida pelas moléculas de lipidios e hidratos de carbono. # Acidos nucleicos sao polimeros de nucleotidios 5 dcidos nucleicos séo constitufdos pela polimerizagao de unidades chamadas nucleotiios, Cada nucleotidio contém residuos de uma molécula de Acido fosfbrico, uma de pentose e uma de base plirica ou piri- midica (Figura 3.15). As bases pairicas mais encontradas nos cidos nucleicos séo aadenina e a guanina (Figuras 3.15 e 3.16), em geral designa- Biologia Celular e Molecular Adenina Guanina RNA, Adenia Guanina Figura 3.15 » Nuceotéios do RNA edo DNA. Astsescferents(uraclzetimina) esto asinaladas No carbeno 23, desorbase cntém um atomode cxigénio a smenes obsoraro5etanguls zz) das pelas iniciais A e G, respectivamente. As principais bases pirimidicas sio a timina, a citosina e a uracila (Figura 3.16), designadas pelas letras T, Ce U. Além dos polimeros de nucleotidios, que constituem as ‘moléculas dos cidos nucleicos, as células contém quantidades relativamente grandes de nucleotidios livres, desempenhando, sobretudo, as fungdes de coenzimas. Por hidrélise parcial ¢ possivel retirar o radical fosfato dos anucleotidios. Aparecem entao compostos denominados nile ‘osidios, constituidos por uma pentose ¢ uma base pirica ou pirimidica (Figura 3.17) Os acidos nucleicos so moléculas informacionais que controlam os processos bisicos do metabolismo celular, a sintese de macromoléculas, a diferenciagao celular e a trans- missio do patriménio genético de uma célula para as suas descendentes. = Baga “ 5, i . 3 : a 5 K 7 3 Th lhe a H hi idan a 9 a 0 3 oC aia aye 2 I J PAA ay huh 4 4 4 Sst ea ba g HOKE o_ OH HOC o_O i | é On On on i ee ; ° oda i jeeps Figura 3.16 « Componentes dos cidornuceces RNA DNA}. 3 | Bases Macromoleculares da Consttuiao Celular HOH Wy en Soke 52 NH 2 bu 4 2 1 rr OH Figura 3.17 « Esvutura molecular dos noceotios No example © nucecsdio consttuido pela aderina combinada &desoxnibose, Cada molécula de dcido nucleico contém pelo menos uma cadeia de mucleotidios (polimucleotidio), formada por ligagSes diéster-fosfato entre os carbonos 3” ¢ 5’ da pentose, como mostra a Figura 3.18. Distinguem-se dois tipos de acidos nucleicos: 0 desoxirsi- bonticleico ou DNA eo ribonucleico ou RNA.No DNA, a pen- tose encontrada ¢ a desoxitribose, eas bases sio adenina, gua- nina, citosina e timina. No RNA, a pentose & ribose, e existe uridina em substituicao a timina: as outras bases so comuns 4205 dois tipos de acidos nucleicos (Tabela 3.3). Nucci os edenina Nuceotiéo de ctesina Nuceotiao a guanina Nucseotido Lipiios de reserva nutitva, As reservas nutritivas de natu- reza lipidica consistem principalmente de triacillicerois (tri gliceridios). S40 compostos formados de acidos graxos com- Dinados a glicerol por ligagdes ésteres que séo formadas com a remocio de égua (Figura 3.25). Os trigliceridios sao sintetiza- dos pela adigdo de um dcido graxo de cada vez. Assim sendo, ‘monoglicérides contém apenas um écido graxo esterificado; diglicérides contém dois e trigliceridios,trés écidos graxos. Os glicérides, com predomindncia de trigliceridios, esto presen- tes no citoplasma de quase todas as células: porém, ha células cespecializadas para 0 armazenamento desses compostos ricos em energia, denominadas células adiposas. Os dcidos graxos de um trigliceridio podem ser idénti- cos, mas geralmente variam no tamanho de suas moléculas € no grau de saturagio. Diz-se saturado o dcido graxo que nio apresenta ligagbes duplas entre seus étomos de carbono endo podem receber mais dtomos de Hf. Embora representem principalmente reserva energética, 0s triacilglicérides desempenham outras fungdes. Por exemplo, como sio bons isolantes térmicos, oferecem protegéo contra 6 frio para animais que vivem em ambientes em que a tempe- ratura € baixa, como ursos, pinguins e outros. Nesses animais existe uma camada de ceélulas adiposas sob a pele, que fun- ciona como eficiente isolante térmico. liceridios que contém muitos dcidos graxos satu- rados sio sélidos ou semissélidos na temperatura ambiente, sendo chamados de gorduras. As gorduras predominam no corpo dos animais. Nas plantas, a maioria dos trigliceridios sfo liquidos na temperatura ambiente e sio conhecidos como Gleos vegetais. A abundancia de écidos graxos insaturados, cujas moléculas tém forma irregular, impede a ordenacio das moléculas para constituir 0 estado sélido. Por isso, 08 éleos vvegetais tém ponto de fusdo mais baixo, Esses dleos so meta- bolizados mais facilmente pelo organismo dos animais. Todavia, os dleos vegetais podem ser convertidos em uma massa sélida pelo processo industrial de hidrogenacio. » Lipidios estruturais, Esses lipidios so componentes estra- turais de todas as membranas celulares: membrana plasmé- tica, envoltério nuclear, reticulo endoplasmtico, aparelho de Golgi, endossomos, mitocdndrias, cloroplastos, lisossomos etc. Muitas propriedades dessas membranas decorrem das caracteristicas quimicas ¢ fisicas de seus lipidios. Os lipidios estruturais sio mais complexos que os de reserva. Suas molé- culas sio longas e dotadas de uma extremidade polar — isto é com carga elétrica - e uma longa cadeia apolar, nio ionizada, A extremidade polar é hidrofilica, enquanto a porcao apolar, constituida geralmente por duas cadeias alifiticas, € hidroto: bica ¢, portanto, sohivel em lipidios. Os lipidios que exercem papel essencialmente estrutural, fazendo parte do sistema de membranas das células, so os fosfolipidios (Fosfogliceridios e esfingolipidios), os glicolipi dios e 0 colestero. 4 H-G-0-6-1cHa.ch, pao no otc) on GHO HHO OCICHE\cH, S—*H-G-0-E-(CH,.CH, +340 G40 HHO Oo(CHy,cH, 9 | 2 neg-o-b (ony i Figura3.25 = Substtui¢io das heros da glicerna por dldosgraxos, para formar uma molécua de tiacglicerol ou tiger (gordura neu > Fosfoglcerdios. Nesses fosfolipidios, uma das hidroxiles primérias, isto é, a do carbono 1 ou ado 3 do glicerol, éesteri ficada pelo acido fosférico. As outras duas hidroxilas so este- rificadas por acidos graxos, sendo o dcido graxo do carbono 2 ‘em geral insaturado (Figura 3.26). O fosfogliceridio mais simples oid foslatiico,constituido apenas por um residuo de glicerol, um de Acido fosforico e dois de dcidos graxos. O écido fosfatidico existe em pequena quantidade nas membranas celulares. Os fosfogliceridios mais encontrados nessas membranas sio fosfatidilcolina, fostatid letanolamina, fosfatidilserina e tosfatidilinositol » Esfingolipiios. Um exemplo de esfingolipfdio &a esfingo mielina, muito abundante nas bainhas de mielina do tecido nervoso. A bainha de mielina funciona como isolante elétrico de prolongamentos das células nervosas, sendo formada por obras concéntricas da membrana plasmtica de células espe- cializadas. A esfingomielina é constituida por uma molécula de colina, uma de dcido fosférico, uma de esfingosina uma de écido graxo (Figura 3.27), Ccadeia no polar (hidotsbia) cH, cH, Acido go Acido graxo ‘saturago insatrado Figura3.26 + Férmula dos osfogieriios.O radical pode ser a colina etano- lamina, aserinaoua treorina. ses fosfliicos sto denominados osftidcoina, fesfatiletanclamina,fefticiseriaefostatiditeonina, respecivaente by | | Biologia Celular e Molecular 5 A principal caracteristica estrutural dos esfingolipidios & a presenga da longa cadeia de esfingosina, ao lado de uma cadeia, de dcido graxo, que se prende esfingosina por uma ligacio éster (Figura 3.27). Tal como os fosfogliceridios, os esfingolipi- dios tém uma extremidade polar e duas candas apolares Os glicolipidios tam extremidades polares formadas por gli- is, principalmente D-galactose (Figura 3.28). Suas molé- culas sao, em geral, constituidas por moléculas glicidicas, uma molécula de glicerol e duas de acidos graxos. Os glicolipidios no contém acido fosférico. Entre os glicolipidios importan- tes, encontram-se os gangliosideos, que apresentam glicidios muito complexos. Por exemple, do tecido nervoso isolou-se © gangliosideo Gy constituido pelas seguintes moléculas: um ‘Acido graxo, esfingosina, D-glicose, D-galactose, N-acetil-D- ¢galactosamina e dcido N-acetilneuraminico. Os cerebrosideos (Figura 3.29) sio_glicoestingolipidios, pois suas moléculas contém esfingosina e glicidios. Os cere- bbrosideos séo abundantes nas membranas das células do tecido nervoso, sobretudo nas bainhas de mielina. » Colestetol. O colesterol é um esterol, isto é, um composto que contém 0 micleo peridrociclopentanofenantreno, com cH. HoH cH | eremdade por (icotica) Estingosina ‘ Hs Acido grax0 Figuca 3.27 » Féemulada moleul de esfingomielinn 3 | Bases Macromoleculares da Consttuigéo Celular i ‘OH or.oH | tw a n ody [EF nee | bo deo Gi Or be oe by da ba, ou bs be bn, by, a by oy | BE Re it by dy 8 oy de ba om be Oe be Oo by bb Figura 3.28 « Féxmula da meléeua de um gicoipido, sama hidroxila no carbono 3 e uma cadeia alifitica, com oito ou mais étomos de carbono, ligada ao carbono 17 do nticleo (Figura 3.30). Ocolesterolesté presente na membrana plasmitica dascélu- les animais, ocorrendo, porém, em quantidade muito menor ‘nas membranas das mitocondrias e do reticulo endoplasmi- tico, O colesterol reduz.a fluidez das membranas (Capitulo 5). wots a H ; i rif pala 8 eae) eg | 3, a3 ie oe | 42 sas | (Ade 2aaiomos a cstorone Figura 3.29 + Fouad moléula de um cerebrosgo, Ho’ Figura 3.30 + F&:mula da molécula do colesterol A part cic da molécla & comuma todosos estes, ‘As céhilas dos vegetais nao contém colesterol, que é entio substituido por outros esterdis, denominados coletivamente de fitoesterdis, ‘A presenca de longas cadeias hidrofébicas nos lipidios & de ‘grande importancia biologica, pois sio elas que possibilitam a interacio hidrofibica responsivel pela associagdo de lipidios para formar a bicamada lipidica das membranas celulares. A fixagio das proteinas integrais das membranas se da pela inte- ago das porgdes hidrofébicas das moléculas dessas protei- nas com 0s lipidios das membranas. A interacdo hidrofubica também é importante no transporte de lipidios no plasma, Por exemplo, 0s esteroides circulam presos a uma regio hidrofs- bica da superficie da molécula de albumina, que € sohivel em gua. 3s lipidios tém menor diversidade funcional do que as proteinas e polissacaridios; apresentam, principalmente, fun- ‘fo energética e estrutural, Sua atividade informacional é res- trita a alguns hormdnios esteroides. = Os polissacaridios formam reservas hutritivas e unem-se a proteinas para formar glicoproteinas (funcao enzimatica e estrutural) e proteoglicanas (funcao estrutural) Os polissacaridios so polimeros de monossacarfdios. Ha polissacaridios com moléculas lineares, enquanto outros tém moléculas ramificadas. A molécula de alguns polissacaridios € constituida pela repeticio de um tinico tipo de monossaca- 1idio; sio os polissacarfdios simples ou homopolimeros. Por exemplo, 0 amido e 0 glicogenio séo polimeros simples de D-glicose ¢ no contém outro tipo de molécula, Os polis- sacaridios complexos (heteropolimeros), constituides por mais de um tipo de monossacaridio, sio menos frequentes nas células, porém alguns sao biologicamente muito impor- tantes. Os polissacaridios associados & superficie externa da ‘membrana celular desempenham papel estrutural ¢ informa- ional, muitas vezes fazendo parte das moléculas dos recep- tores. Sio encontrados também como reserva nutritiva, que a célula utiliza quando ha necessidade metabstica. » Polissacariios de reserva. Os polissacaridios de reserva S80 6 glicogénio, nas células animais, e 0 amido, nas eélulas das plantas; ambos sio polimeros da D-glicose. > Glicogénio. O glicogénio ocorre no citoplasma das célu- las animais sob a forma de grinulos, com didmetro de 15 a 30 nm, geralmente dispostos em aglomeredos (Capitulo 1, Figura 1.7). Os granulos de glicogénio, além do polissacaridio, contém proteinas, como as enzimas responséveis pela sintese € despolimerizacio do glicogénio. A Deglicose recebida em excesso pela célula é adicionada, or processo enzimético, as extremidades da molécula de gli- cogénio. Nos momentos de necessidade, também poratividade enzimatica, libertam-se moléculas de D-glicose, que serao uti- lizadas para os processos metabsticos da célula. Algumas célu- las, como as do figado, langam glicose no sangue, para manter estivel a concentracio desse acticar no plasma sanguineo, 0 que é de grande importancia para as fungGes dos diversos teci- dos do corpo. Amolécula de glicogénio tem dimensoes variveis eé muito ramificada em todas as direcdes do espaco. A Figura 3.31 éa sita representagio esquematica, em duas dimensées. Biologia Celular e Molecular > Amido, Ao contririo da célula animal, que armazena gli- cogénio, a célula vegetal tem amido como reserva energética © amido é composto de dois tipos de moléculas: a amilose, uum polimero linear, e @ amilopectina, um polimero ramifi- cado, ambos constituidos por unidades de glicose. > Polissacardios estruturais e informadonais. Além dos polis- sacaridios de reserva nutritiva (glicogénio e amido), as células sintetizam outros polissacaridios que fazem parte da super- ficie celular, onde participam do reconhecimento entre as células para constituir 0s tecidos, da constituigdo dos recep- tores celulares e das ligagbes estruturais entre o citoplasma e a matriz extracelular (Capitulo 12). Combinados com proteinas, os polissacaridios estrutu- rais fazem parte do glicocilice das células animais, da parede das células bacterianas e da parede das células das plantas. A maioria dos polissacaridios estruturais e informacionais sio heteropolimeros. Devido & sua complexidade, ¢ estru- ‘tura de muitos deles nao foi ainda elucidada. Eles constituem as glicosaminoglicanas, que se ligam a proteinas para for- ‘mar as proteoglicanas, e 2 porgao glicidica das glicoprotei- nas, cuja estrutura geral seré explicada no Capitulo 12. A Tabela 3.4 oferece uma visdo geral da diversidade funcional € estrutural dos principais componentes macromolecula- res das células. Os polissacaridios tém funcdes energéticas, estruturais e informacionais (glicocilice, hormonios glico- proteicos). Figura 3.31 » Esquoma plan da melécula de glcogéio que na realidad, ramifica-se em todas a direcBes d espace, como os galas de uma drvore, Cada ciclo represenia um restive degliose 3 | Bases Macromoleculares da Constituigao Celular ee Tipo de molécula ‘Acido nuclico (DNA e RNA) “Graude diversdade funcional 1 Funes lnbomadona Frei stad Ielrmaconal a Polssacaritio| Proteina 2 3 4 era Encinitia srt fut Infra ead oimertagocelar neritic ——— =— Resumo Existe, nas células, preponderdncia absoluta dos compos- tos de carbono, embora eles sejam extremamente raros na Iitosfera (crosta terrestre). Isso sugere que as primeiras células foram constituidas com esses compostos e que essa selecto foi ‘transmitida as células seguintes, durante o processo evolutivo. As fungies vitais dependem da presenga de macromoléculas poliméricas de compostos de carbono. Esses polimeros s20 constituidos pela associagdo, em ntimero varidvel, de unida- des ou monémeras, que podem ser iguais, nos homopolime- s0s, como o glicogénio, ou diferentes, nos heteropolimeros, como os fcidos nucleicos. Os biopolimeros mais importantes io as proteinas, formadas por aminodcidos, os polissacari- ios constituides de monossacaridios ¢ 0s dcidos nucleicos formados por nucleotidios. £ muito comum a associagio de mactomoléculas para formar complexos como lipoprotei- as, glicoproteinas, proteoglicanas ¢ nucleoproteinas (écidos saucleicos e proteinas). A associagio entre égua e vida é bem conhecida, ¢ toda ila é obviamente rica em gua. A molécula de agua é um cipolo, com uma extremidade eletricamente mais negativa (mais rica em elétrons) do que a outra. Por suas proprieda- des, as moléculas de agua influem poderosamente nos pro- cessos metabélicos, tendo papel também na configurasio espacial das macromoléculas ¢, portanto, na atividade fun- cional destas. ‘As proteinas tém papel enzimitico e participam da estru- tura e dos movimentos celulares. O papel dos dcidos nuclei- cos é principalmente informacional: constituem os genes € siio responsiveis pela expresso da informagao neles contida. Excepcionalmente, o RNA pode ter atividade enzimética, Os lipidios estao presentes em todas as membranas celulares, nas quais tém papel estrutural, , como depésitos citoplasmaticos, representam também reserva nutritiva que ¢ metabolizada para fornecer energia para a célula, Os polissacaridios em ‘combinacao com protefnas tém papel estrutural. soladamente, ‘G0 encontrados sob a forma de amido, nas células vegeteis, ¢ de glicogénio, nas células animais, representando importante ‘material energético. aa Bibliografia song, EB: Blochemistry Seed. 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Ne célula vegetal (Capitulo 13), esses compostos sao sinteti- zados com a energia resultante da transformacao de energia solar em energia quimica durante o processo de fotossintese photon, uz, e sintess, sintese). Na fotossintese, gracas princi- pelmente ao pigmento clorofila, processa-se a acumulagdo da -energia solar sob 2 forma de ligagées quimicas nos hidratos de carbono, principalmente hexoses, que se polimerizam para ‘Srmar amido. As hexoses originadas na fotossintese so fonte ‘de energia e, também, de carbono em condigoes de ser utili- fo paraa sintese de diversas macromoléculas Ascélulas, porém, no usam diretamente a energia liberada hidratos de carbono e gorduras, mas se utilizam de um :posto intermediério, a adenosina-trifosfato (ATP), geral- Nos animais, os dcidos graxos sito, do ponto de vista quan- tivo, uma fonte energética muito mais importante do que carboidratos. Enquanto uma molécula-grama (mol) de gli- gera 38 mols (moléculas-grama) de ATR, uma de acido itico gera 126 mols de ATP. Um homem adulto tem ener- depositada em glicogénio suficiente apenas para um dia, s gordura (acidos graxos) suficiente para fornecer ener- Se durante 1 més. Quando o organismo esté em repouso, as, as usam mais glicose, proveniente do glicogénio, porém, rante 0 exercicio fisico, hd mobilizagao dos dcidos graxos ositados nas gorduras. (© ATP (Figura 4.1) tem duas ligagdes ricas em energia resentadas pelo sinal ~); quando uma delasse rompe,libera sximadamente 10 quilocalorias por mol. Geralmente, ape- tuma ligagio & rompida, segundo a equacéo ATP > ADP + + energia (Pi significa fosfato inorganico e ADP, adenosina- Efosfato). 0 citoplasma contém energia acumulada nos depésitos de léculas de triacilgliceridios (gorduras neutras), de molé- Jas de glicogenio e, também, sob a forma de compostos ermedisrios (metabdlitos) ricos em energia, dos quais 0 's importante é 0 ATP, principal combustivel das células. Os cilgliceridios e o glicogénio representam aciimulo de ener- sob forma estavel e concentrada, mas dificilmente acessf- “sel, 20 passo que o ATP é um composto instavel, que no con- sem energia tao concentrada, mas facilmente utilizével porque = enzima que rompe a molécula de ATP (ATPase) & muito Sundante na célula. A decomposigao da glicose em agua e is cerbOnico, que ocorre durante a respiragao celular, rende ee Ho-b-0-b~0-P~0-cH, oe °. ar) On OH + Frmulad festa de adenosina abrevadamentechamade ATRO indica sigagbesquimics que so muito cas em energia 4 | Papel das Mitocéndras na Transformacao eno Armazenamento de Energia £690 kcal/mol, enquanto a hidrdlise das duas ligagdes ricas em energia do ATP rende somente 20 kcal/mol. Glicogénio ¢ gor- duras podem ser comparados a dinheiro no banco, e ATP a dinheiro no bolso. De fato, 0 dinheiro depositado no banco & estivel (teoricamente, nio sujeito @ roubo ou perdas) e pode ser acumulado em grandes somas. Jé 0 dinheito no bolso (ATP) éinstavel, s6 pode ser guardado em quantidades limita- das, mas é facilmente acessivel quando necessitio. ‘A queima da glicose libera uma quantidade certa de energia e consome oxigénio. O resultado dessa operacao, que pode ser realizada em um aparelho chamado calorimetro, produz calor (690 kcal/mol), gua e gis carbonico, segundo a equag: CH:0, + 60,» 6CO, + 6H,0 + calor (energia) ssa combustao da glicose &, porém, um processo abrupto, ‘que leva 0 calorimetro rapidamente a altas temperaturas. Se isso ocorresse dentro de uma célula, ela se queimaria instanta- neamente. Contudo, as céhulas desenvolveram um sistema que oxida lentamente os nutrientes, liberando energia gradual- mente, ¢ produzindo agua e CO,, Esse proceso, que consome (0; produz CO., chama-se respiragdo celular. As células utilizam dois mecanismos para retirar energia dos nutrientes:a glicdise anaerSbia, que tem lugar no citosol, ea fosforilacio oxidativa, que se realiza nas mitocondrias. = Aglicélise anaerdbia produz apenas 2 mols de ATP por cada mol de glicose A glicdlise anaerébia é 0 processo pelo qual uma sequéncia de aproximadamente 11 enzimas do citosol promove transfor- magdes graduais em uma molécula de glicose, sem consumo de oxigénio, produzindo duas moléculas de piruvato e libe- rando energia que é armazenada em duas moléculas de ATP. © ATP se forma a partir do ADP e do fosfato inorganico (Pi) existentes no citosal, segundo a equagio: 2 ADP +2 Pi+ energia da glicose >2. ATP. Nesse processo, a célula armazena 20 keal para cada mol de glicose degradada. Essa degradacdo da glicose no necessita de oxigénio, razio pela qual & chamada de glicdlise anaerébia ‘ou fermentagéo. No fungo levedo de cerveja, em condigoes anaerdbias, a glicélise prossegue, transformando-se o piruvato em etanol apés uma série de reagdes enzimiticas. A fermen- tagdo fornece ao levedo de cerveja 2 energia necessiria para sua manutengdo e reprodugao, sendo chamada fermentagao alcodlica, porque o produto final é 0 flcool etic. A glicélise éum processo pouco eficiente, pois, das 690 keal/ mol presentes na glicose, apenas 20 keal sio aproveitadas e as células desenvolveram, a0 longo da evolusio, mecanismos mais eficazes para extracio da energia dos nutrientes = Gracas a fosforilacao oxidativa, cada mol de glicose produz mais 36 mols de ATP Apés o surgimento do oxigénio na atmosfera, desenvol- yeu-se uma nova via metabdlica de maior rendimento energé- tico do que a glicdlise, a fosforilacio oxidativa. De cada mol de