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CRITÉRIOS ESPECÍFICOS DE CLASSIFICAÇÃO

ES/3
JOÃO DE BARROS PERGUNTA DE DESENVOLVIMENTO (ITEM 22)
CORROIOS
Decreto-Lei Nº24/2006 de 6 de Fevereiro

V OLIMPÍADAS DE BIOTECNOLOGIA’10 | Prova Escrita


Turmas A e C | 12º Ano de Escolaridade | Curso Científico-Humanístico de Ciências e Tecnologias
1ª Eliminatória | 3 páginas
Duração da Prova: prazo acordado nas turmas.

Prof. Renato Costa | Março 2010 | Ano Lectivo de 2009/2010

PERGUNTA DE DESENVOLVIMENTO
ITEM Nº22: ITEM DE RESPOSTA ABERTA

A resposta deve contemplar os seguintes três tópicos cognitivos específicos da disciplina (domínio A) que
também fornecem informação, ainda que parcialmente, sobre o nível de desempenho B a adoptar para a
classificação do item (vide critérios gerais de classificação dos testes de avaliação escrita, ponto VI, e a tab. I
abaixo retirada destes critérios):

 Em embriologia, chamam-se células estaminais ou células-tronco às células não-diferenciadas presentes em


qualquer altura da vida de um indivíduo. Estas células são, numa primeira fase, as protagonistas da ontogénese,
um processo de seriação de transformações ocorridas após a fecundação, estendendo-se ao longo do
desenvolvimento embrio-fetal. Servem-se nesta génese da sua extrema capacidade de diferenciação numa
vasta gama de tecidos, materializando a polipotência que as caracteriza.
As células estaminais podem ser divididas em dois grandes tipos: embrionárias e adultas. As primeiras
concentrações significativas de células embrionárias encontram-se ao nível do blastocisto e manifestam um
índice de polipotência acentuado, percorrendo vários níveis de diferenciação ao longo da gastrulação. De cada
folheto germinativo gerado, assiste-se à constituição de tecidos especializados.
Manipuladas, as células estaminais embrionárias possuem uma capacidade de totipotência.
As células estaminais adultas, sendo células indiferenciadas, encontram-se já em tecidos especializados. Têm
uma capacidade de auto-renovação durante toda a vida do organismo. É esta tipologia celular a responsável
pelos fenómenos mitóticos de regeneração. A placenta, cordão umbilical, medula óssea, retina, córnea, polpa
gengival, pele, fígado, tracto gastro-intestinal e pâncreas constituem fontes de células estaminais adultas.
Percebe-se então que as células estaminais adultas são mais limitadas na sua amplitude de diferenciação
tecidual que o outro tipo de células. Deste modo, aquelas resultam em tecidos mais específicos.

 [O aluno determina a sua tomada de posição face à lei favorável à investigação sobre células estaminais].

 [A fundamentação da posição revelada pelo aluno implica uma discussão assente em caracteres éticos ligados
ao estatuto embrionário e início da vida e/ou pessoa numa perspectiva multifactorial de considerações].
[Este tópico terá que abordar problemáticas como o estatuto do embrião in vivo, in vitro ou as formulações éticas
diversas consoante a idade do embrião. A reflexão de outros assuntos implicará uma avaliação do professor
relativa à sua contextualização para o caso, além da correspondente argumentação usada para debate].
[Simultaneamente, é necessário que o aluno examine a complexidade da execução das técnicas de clonagem
e/ou terapia génica dadas as entidades biológicas nelas usadas para se atingirem as finalidades].

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Por exemplo, a controvérsia da abordagem à entidade embrionária como um material biológico e humano,
assumindo ponderações de ordem moral e jurídica. Este aspecto pode ser complexado se variados os cenários
de concepção do embrião – métodos naturais ou de reprodução assistida – e se introduzidas as facções
humanas de opinião de carácter científico e religioso.
OU
Por exemplo, a própria controvérsia biológica quanto ao conceito de embrião. Há que considerar o efeito da
cariogamia, da qual se produz um novo património genético, ou seja, um novo cariótipo dentro da espécie
humana. Nesta visão, fica constituído um novo ser-humano neste embrião em análise. Contudo, desta
designação até à noção de “pessoa humana” há um hiato a esclarecer. Aqui entram termos como o potencial
humano e a componente metafísica extra-biológica.
OU
Por exemplo, à semelhança do ponto anterior, a Biologia sustenta muitos autores que defendem a formação de
um ser-humano e/ou ”pessoa humana” a partir da altura em que o embrião sofre nidação. Esta afirmação
acaba por relegar para segundo plano as hesitações humanistas ligadas às metodologias de reprodução
assistida nas quais existem excedentes de embriões in vitro.
OU
Por exemplo, independentemente da definição da formação do ser-humano e/ou “pessoa humana”, deve-se
analisar os pareceres favoráveis à investigação de células estaminais embrionárias se as suas motivações
convergirem para a terapia génica e/ou cromossómica de correcção de anomalias, no sentido do explícito
benefício do próprio embrião no presente e no futuro.
OU
Por exemplo, a controvérsia filosófica do que é a vida humana ou “pessoa humana”, para além das contra-
argumentações incidente na aquisição, por parte do embrião, da vida humana ou nas interrogações sobre que
ser é o embrião humano. Neste domínio, pode surgir o desafio de agregar a um dado estado de desenvolvimento
embrionário a moral, equiparando-se assim o embrião a uma pessoa adulta.
OU
Por exemplo, à semelhança do ponto anterior, alguns espectros da Filosofia apoiam-se num problema a colocar
sempre que se tende a associar a um embrião a um estatuto moralista. Uma vez que o Homem é um ser social,
é necessário avaliar o impacto dessa “pessoa humana” nas outras pessoas.
OU
Por exemplo, ainda no contexto filosófico, não pode ser defendida a ideia redutora de que a pertença biológica
à espécie humana comporte automaticamente um estatuto moral, uma valorização do ser-humano, a
constituição da “pessoa humana”. Estas qualidades surgem quando se desenvolve a consciência, a
racionalidade e o sentido da moral.
OU
Por exemplo, posições mais moderadas que intersectam os domínios biológico e filosófico reflectem a opinião de
que um embrião é uma pessoa potencial, resolvendo aparentemente a obrigatoriedade de ser provido de
consciência e conservando o carácter biológico fecundatório do qual se forma um cariótipo cujas transcrições
darão origem a uma futura “pessoa humana”, se também houver condições ambientais favoráveis para que tal
aconteça. Neste âmbito, há quem diferencie os embriões in vivo dos in vitro. Os embriões desenvolvidos fora do
útero materno, antes de qualquer episódio posterior intracorporal, não têm a possibilidade de lhes verem
aplicadas as noções de potencial humano porque, segundo alguns autores, não foram sujeitos às mesmas
condições contextuais homólogas a este estado embrionário.
OU
O Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV), em Portugal, partilha de uma visão equilibrada
sobre o estatuto embrionário. Considera-o, em qualquer fase e desde a formação do ovo, suporte físico e
biológico indispensável ao desenvolvimento da “pessoa humana”. Portanto, o CNECV trabalha o potencial
humano associado ao embrião, defendendo que este só pode originar um elemento da espécie humana e não
de uma outra qualquer. Esta uniformidade de encarar, independentemente do tempo e métodos de
gestação/desenvolvimento, a estrutura embrionária como entidade portadora de condições que permitirão o
desenvolvimento de uma consciência impede a construção de uma escala de respeitos de embriões.

As técnicas de clonagem criam problemas de ordem ética referentes: (realçar uma destas alternativas)
 Á proveniência da célula que será a fonte da informação genética do clone, sendo essencial definir
critérios, tendencialmente não consensuais na actualidade, das condições que fazem de alguém ser
indivíduo biológico dador;
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 Ao próprio estatuto do embrião in vitro;
 À constituição da mãe de aluguer cuja moralidade e direitos jurídicos urgem por revisões;
 Á “pessoa humana”/vida humana expressa no clone geneticamente igual ao indivíduo biológico dador,
seus papéis moral e jurídico.
OU
As técnicas de terapia génica podem suscitar problemas ético-científicos. A própria Genética possui reservas
quanto à frequência da aplicação destas metodologias pela ausência de estudos dos efeitos colaterais da
diversidade e actuação dos rDNA envolvidos nestes processos, mesmo quando se trata de terapia génica
somática, não envolvendo embriões.
É preciso ponderar nas terapias genicas somáticas, por exemplo, questões como: (referir uma destas
alternativas)
 A relevância das motivações integrantes de uma terapêutica clínica que leva à punção de células
estaminais adultas da medula óssea ou de outro órgão-fonte de um indivíduo doente;
 A viabilidade do estudo do gene afectado, que depende da facilidade de identificação e isolamento do
fragmento cromossómico, e respectiva projecção de cura a partir da inserção do alelo saudável;
 A escolha do vector, emergindo todo o cuidado na adopção da entidade biológica a transportar o
alelo saudável e que implicará, à excepção, por exemplo, dos lipóides, a formação de rDNA. É
preponderante uma avaliação objectiva da capacidade interactiva do vector com outras entidades
virais, procariontes e eucariontes para estimar relações entre o rDNA e os DNA originais dos
organismos envolvidos. Interacções genéticas desta natureza podem potenciar mutações nestes
agentes etiológicos que fazem naturalmente parte do meio interno humano e nas próprias células
saudáveis do organismo submetido à terapia génica;
 O estudo do mecanismo de inserção do alelo saudável a partir da entidade vector no cariótipo
humano do indivíduo;
 A monitorização da evolução da resposta orgânica do indivíduo à recepção das células
geneticamente modificadas;
 O estatuto embrionário, se estiver no horizonte a aplicação de uma terapia génica embrionária.

Tabela I: combinação da aplicação das regras classificativas trabalhadas para cada domínio (A e B) referente aos Ensinos Básico e Secundário; no caso de a resposta não atingir o
nível 1A de desempenho, a classificação a atribuir é nula, independentemente do nível B de desempenho atribuído.

DOMÍNIO B: NÍVEIS DE ENSINO SECUNDÁRIO (PONTOS)


DESEMPENHO CLASSIFICAÇÕES
ENSINO BÁSICO (%)

DOMÍNIO A: NÍVEIS DE
DESEMPENHO 1B 2B 3B

3A 26 29 32

2A 14 17 20

1A 2 5 8

FIM

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