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Vaca Holstein Frísia vs. Vaca ProCross: comparação de parâmetros produtivos e reprodutivos

Vitorino A. 1 , Vicente A.A. 1,2,3 , Arriaga e Cunha A. 4 e Carolino N. 2,3,5

1 Escola Superior Agrária de Santarém. Quinta do Galinheiro. Apart. 310. 2001-904 Santarém, Portugal (andreia.vitorino93@gmail.com).

2 Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I.P., Fonte Boa, 2005-048 Vale de Santarém, Portugal.

3 CIISA - Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade de Lisboa, 1300-477 Lisboa, Portugal;

4 Casal de Quintanelas, Sabugo, 2715-127 Pero Pinheiro - Sintra;

5 Escola Universitária Vasco da Gama, Av. José R. S. Fernandes 197 Lordemão, 3020-210 Coimbra, Portugal.

Ao longo do tempo a raça Holstein Frísia tem sido sujeita a uma pressão de seleção elevada, conduzindo a um aumento da sua consanguinidade média e, consequentemente, a um declínio da fertilidade, da adaptabilidade e de sobrevivência, conduzindo à depressão consanguínea. O cruzamento entre raças de aptidão leiteira, nomeadamente o programa

ProCross, tem vindo a ser opção por melhorar a saúde, fertilidade e longevidade dos animais devido à complementaridade entre raças e à heterose. Este programa baseia-se em cruzamentos de rotação de três raças: Holstein Frísia (HOL), Montbéliarde (MON) e Vermelha Sueca (VS). Este estudo realizou-se no Casal de Quintanelas, uma exploração agropecuária produtora de leite, situada no Sabugo, Sintra, com o objetivo de analisar e comparar diversos parâmetros produtivos de vacas Holstein Frísia e resultantes do ProCross, de forma a compreender quais os benefícios trazidos por este programa de cruzamentos e se realmente

é compensadora a adoção do mesmo.

Analisou-se a produção média diária de leite (PMDL), a produção média diária de proteína (PMDP) e de gordura (PMDG), através do PROC MIXED do programa SAS, considerando-se como fatores fixos o ano e mês de parto, a duração da lactação, a idade ao parto (efeito linear e quadrático) e a proporção de HOL, MON ou VS. A fêmea foi considerada como um efeito aleatório. Compilaram-se 1064 registos de lactação de vacas HOL e ProCross, com uma idade média ao 1º parto de 24.91±2.44 meses; idade média ao parto de 41.18±17.50 meses; duração da lactação de 278.17±111.49 dias; produção média diária de leite de 38.62±6.78 litros e teor butiroso e proteico de 3.78±0.69% e 3.27±0.32%, respetivamente. A proporção de HOL, MON e VS na população afetou significativamente a PMDL (p<0.05 para HOL e p<0.01 para MON e VS), apresentando um coeficiente de regressão linear de 0.0337±0.013, 0.0360±0.011 e -0.0539±0.011 por cada 1% a mais de HOL, MON e VS, respetivamente. A proporção de HOL, MON e VS não influenciou significativamente (p>0.05) a PMDG, mas a proporção de MON (p<0.05) e VS (p<0.01) influenciou a PMDP. Relativamente aos restantes efeitos fixos estudados apresentaram, na sua globalidade, um

efeito significativo nas características estudadas, à exceção da duração da lactação na PMDG

e na PMDP e do mês de parto na PMDG.

Também através da rotina PROC MIXED do programa SAS, analisaram-se alguns parâmetros reprodutivos, nomeadamente os dias em aberto, número de inseminações artificiais (IA) por conceção e intervalo entre partos (IEP), considerando-se como fatores fixos o ano de IA, o

mês de IA, a idade à IA (efeito linear e efeito quadrático) e a proporção de HOL, MON ou VS.

A fêmea foi considerada como um efeito aleatório. Foram analisados 1391 dados

reprodutivos de animais HOL e ProCross, com uma idade média à IA de 34.09±18.71 meses; uma média de 60.57±24.02 dias em aberto; uma média de 2.66±2.00 inseminações artificiais e intervalo entre partos médio de 395.46±71.83 dias. A proporção de Holstein Frísia e Montbéliarde na população afetou significativamente os dias em aberto (p<0.05 para HOL

e MON), apresentando um coeficiente de regressão linear de 0.1601±0,045 e -

0.1577±0,0372 por cada 1% a mais de HOL e MON, respetivamente. Também a proporção

de Holstein Frísia e Montbéliarde na população afetou o número de inseminações artificiais

por conceção (p<0.01 para HOL e p<0.05 para MON), com um coeficiente de regressão linear de 0.0083±0.0031 e -0.0065±0.0026. Quanto ao IEP, a proporção de Holstein Frísia e Montbéliarde na população afetou significativamente o seu número de dias (p<0.05 para HOL e p<0.01 para MON), com um coeficiente de regressão linear de 0.3328±0.1614 e - 0.3381±0.1279, respetivamente. A proporção de Vermelha Sueca não foi significativa em nenhuma das três características reprodutivas analisadas. Quanto aos outros elementos fixos estudados, estes foram maioritariamente não significativos nos dias em aberto, e foram significativos (p<0.01) para todos os fatores no número de IA por conceção e IEP, embora o ano da IA na HOL tenha tido uma menor significância no IEP (p<0.05). Globalmente observa-se que a introdução do genótipo VS poderá fazer reduzir a PMDL, não

se verificando alterações significativas na PMDG, e que o genótipo MON poderá fazer

reduzir os dias em aberto, número de IA por conceção e IEP. Interessa continuar a aprofundar o estudo comparativo entre HOL e ProCross, nomeadamente no que diz respeito a outros parâmetros, pois, regra geral, existe uma tendência de melhoria em alguns parâmetros reprodutivos, de longevidade e saúde, com respetiva redução dos custos envolvidos.

de melhoria em alguns parâmetros reprodutivos, de longevidade e saúde, com respetiva redução dos custos envolvidos.
de melhoria em alguns parâmetros reprodutivos, de longevidade e saúde, com respetiva redução dos custos envolvidos.