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EME 802 Elementos de Máquinas
EME 802
Elementos de Máquinas

Dimensionamento de Parafuso de Acionamento

de Máquinas Dimensionamento de Parafuso de Acionamento Prof.Marcos Moura Galvão IEM - Instituto de Engenharia

Prof.Marcos Moura Galvão

IEM - Instituto de Engenharia Mecânica

Introdução

o

Os parafusos de acionamento (de movimento ou de potência) são utilizados para converter movimento rotacional em movimento linear em atuadores, máquinas de produção e macacos, entre várias outas aplicações.

o

Eles são capazes de produzir grande vantagem mecânica, portanto, podem levantar e mover grandes cargas.

grande vantagem mecânica, portanto, podem levantar e mover grandes cargas. UNIFEI – Universidade Federal de Itajubá

UNIFEI Universidade Federal de Itajubá

grande vantagem mecânica, portanto, podem levantar e mover grandes cargas. UNIFEI – Universidade Federal de Itajubá

Roscas Usadas nos Parafusos de Acionamento

Devido as altas cargas atuantes nas roscas é necessário um tipo de rosca muito forte.

o

Os principais tipos de rosca utilizados estão apresentados abaixo.

o

o

A rosca quadrada e a rosca ACME (trapezoidal) são as mais utilizadas.

e a rosca ACME (trapezoidal) são as mais utilizadas. UNIFEI – Universidade Federal de Itajubá entre
e a rosca ACME (trapezoidal) são as mais utilizadas. UNIFEI – Universidade Federal de Itajubá entre

UNIFEI Universidade Federal de Itajubá

utilizadas. UNIFEI – Universidade Federal de Itajubá entre filetes adjacentes, medida paralela ao eixo; =

entre

filetes adjacentes, medida paralela ao eixo;

= distância que o

parafuso desloca relativamente a

porca, em uma rotação;

L = i. p ( i = número de entradas na parafuso);

= ângulo da hélice, está

relacionado ao avanço e ao raio médio r m pela seguinte equação:

p

passo

distância

=

=

L = avanço

λ

tg

 

L

L

2

 

d

 

r

m

m

Roscas Usadas nos Parafusos de Acionamento

(a) Parafuso de 1 entrada; (b) Parafuso de 2 entradas;
(a)
Parafuso de 1 entrada;
(b)
Parafuso de 2 entradas;

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Torque no Parafuso de Rosca Quadrada

Torque no Parafuso de Rosca Quadrada T  P d m   tg  
Torque no Parafuso de Rosca Quadrada T  P d m   tg  

T

P d

m

tg

 

2

1

tg

 

Equação do torque para levantar uma carga com parafuso de rosca quadrada, em função do ângulo λ.

T

 

d

P d

m

L



d

m

2

m

L

Equação do torque para levantar uma carga com parafuso de rosca quadrada, em função do avanço e do diâmetro médio da rosca.

1. Para um λ grande, obtém-se um grande avanço mas com carga elevada;

2. Para um λ pequeno, obtém-se um pequeno avanço mas com carga baixa. Por isso, aplica-se mais de uma entrada.

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Torque no Parafuso de Rosca Trapezoidal

Torque no Parafuso de Rosca Trapezoidal α n = ângulo da rosca no plano normal T

α n = ângulo da rosca no plano normal

Trapezoidal α n = ângulo da rosca no plano normal T  P d m 2

T

P d

m

2

d

L

cos

n



m

d

m

cos

n

L

Equação do torque para levantar uma carga com parafuso de rosca trapezoidal (rosca ACME).

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Torque de Atrito no Pivô ou Mancal de Escora

Torque de Atrito no Pivô ou Mancal de Escora UNIFEI – Universidade Federal de Itajubá As

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de Escora UNIFEI – Universidade Federal de Itajubá As posições destacadas nos exemplos são onde se

As posições destacadas nos exemplos são onde se encontram o adicional de torque devido ao pivô ou mancal de escora.

O cálculo do torque no pivô é

definido pela seguinte equação:

c

Pd

T c

c

P r

c

 

c

2

Onde:

μ c = coeficiente de atrito no pivô

ou mancal de escora;

P = carga aplicada;

r c

=

raio de atrito para um

superfície plana;

d c = diâmetro médio no pivô.

Torque Total no Parafuso

T

total

T

parafuso rosca

/

T

mancal pivô

/

T total

P d

m

2

L

cos

n



d

m

d

m

cos

n

L

c

Pr

c

Torque total no parafuso de rosca trapezoidal (rosca

ACME) no levantamento de uma carga.

T

total

P

d

2

m

 



d

m

L cos

n

d

m

cos

n

L

 

Pr

c

c

Torque total no parafuso de rosca trapezoidal (rosca ACME) no rebaixamento de uma carga.

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Valores de Coeficiente de Atrito

O coeficiente de atrito (μ) varia com a qualidade de lubrificação, com os materiais usados e com a pressão sobre os filetes. Muitos parafusos de acionamento são feitos de aço com porcas de ferro fundido ou bronze.

de acionamento são feitos de aço com porcas de ferro fundido ou bronze. UNIFEI – Universidade
de acionamento são feitos de aço com porcas de ferro fundido ou bronze. UNIFEI – Universidade

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Valores do Ângulo do Filete no Plano Normal

Valores do Ângulo do Filete no Plano Normal α é padronizado (ACME: α = 14 °

α é padronizado (ACME:

α = 14° 30ou 20°) Dado α deve-se obter α n , que é o valor que se aplica nos cálculos do torque.

Conforme a figura acima, o ângulo da rosca medida no plano normal (α n ) e no plano axial (α) são os seguintes:

b

b

tg

n

h

tg

h.cos

Logo :

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tg

n

tg

cos

Parafuso de Auto-retenção e Desmontagem

Auto-retenção: é o parafuso que necessita de um torque positivo para baixar a carga;

Desmontagem: é o parafuso que tem um coeficiente de atrito muito pequeno, que possibilita a carga a baixar sozinha, mas também, pode ser identificado por um torque

negativo externo que abaixa a carga;

Para se verificar se o parafuso é de auto-retenção é feito o seguinte cálculo:

L cos

n

d

m

Auto-retenção para parafuso de rosca trapezoidal

L

d

m

,

ou

tg

Auto-retenção para parafuso de rosca quadrada

Observação: Um parafuso é de auto-retenção sobre condições estáticas, e pode baixar

sobre vibrações. Neste caso devem ser usados roscas e dispositivos especiais.

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Eficiência

A eficiência no parafuso é o trabalho na saída dividido pelo trabalho na entrada, ficando então:

P L

trabalho na saída

e

2T

trabalho na entrada

Substituindo na equação acima a equação do torque T, temos:

 

L

dm

cos

n

L

e

 

L

dm

L

 

e

dm



dm

L

cos

dm



dm

L

e   dm    dm  L cos   dm  
 

n

 

Eficiência para rosca trapezoidal

Eficiência para rosca quadrada

Agora, substituindo tg λ em ambas as equações anteriores da eficiência, temos:

 

cos

n

tg

1

tg

 
 

e

cos

n

cotg

 

e

1

cotg

  e  cos  n   cotg    e  1  

Eficiência para rosca trapezoidal

Eficiência para rosca quadrada

As equações apresentadas acima não consideram o torque devido ao atrito no pivô.

 

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Eficiência

Eficiência Eficiência de um parafuso de acionamento de rosca ACME (desconsiderando o atrito de colar ou

Eficiência de um parafuso de acionamento de rosca ACME (desconsiderando o atrito de colar ou atrito no pivô)

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Exemplo 1

Aplica-se um momento à extremidade inferior de um parafuso, como mostra

a figura. A porca está carregada e fixada de tal modo que não pode girar.

Despreza-se o atrito no rolamento de esferas. O diâmetro externo do parafuso

é de 2 pol (5,0 cm), a rosca é ACME de tripla entrada e 4 fios por

polegada. O coeficiente de atrito nos filetes é 0,15. Determinar a carga que pode ser levantada por um momento T = 460 kgf.cm. Também, verificar se este parafuso é de auto-retenção e calcular a sua eficiência.

se este parafuso é de auto-retenção e calcular a sua eficiência . UNIFEI – Universidade Federal

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Tensões nos Filetes da Rosca

P
P

Filete de Rosca

Desenvolvida.

Tensões nos Filetes da Rosca P Filete de Rosca Desenvolvida. a) Devido a flexão do filete

a) Devido a flexão do filete de rosca:

M c

I

3 Ph

2

r

m

nb

2

M c I  3 Ph 2  r m nb 2 Para: n = número

Para: n = número de espiras;

h = altura do filete;

r m = raio médio da rosca;

b = largura / base do filete.

b) Devido ao cisalhamento da raiz do filete de rosca:

P P     A r 2 r m nb
P
P
 
A r
2
r m
nb

Para: n = número de espiras em contato;

h = altura do filete;

r m = raio médio da rosca;

b = largura / base do filete.

do filete; r m = raio médio da rosca; b = largura / base do filete.

P

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Tensões no Núcleo ou Cilindro-Base do Parafuso

a) Devido à tração ou compressão do núcleo do parafuso:

P 4 P    2 A  d i i
P
4 P
 
2
A
 d
i
i

Para: A i = área no diâmetro interno; d i = diâmetro interno do parafuso;

b) Devido a torção do núcleo do parafuso:

T c 16 T    s 3 J  d i
T c
16 T
 
s
3
J
 d
i

Para: T = torque aplicado no parafuso; d i = diâmetro interno do parafuso;

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do parafuso; UNIFEI – Universidade Federal de Itajubá Núcleo ou cilindro-base do parafuso sobre tração ou

Núcleo ou cilindro-base do parafuso sobre tração ou compressão, para uma carga P.

parafuso sobre tração ou compressão, para uma carga P . Núcleo ou cilindro-base do parafuso sobre

Núcleo ou cilindro-base do parafuso sobre

torção, para uma torque T.

Tensões Combinadas

Tensão de cisalhamento máxima no filete da rosca no parafuso:

máx

2  2          2 
2
2
 
 
 
2

  3 Ph

2

 

 

  4

 

 

m

P

m

2

 

r

nb

2

2

r

nb

Tensão de cisalhamento máxima no cilindro-base do parafuso:

máx

2  2          2 
2
2
 
 
 
2

2 2  2 P   16 T      
2
2
2
P
16 T
2
3
d
d
i
i

A análise é feita através da comparação entre a tensão de cisalhamento máxima no

parafuso e a tensão de cisalhamento permissível (admissível) no material mais frágil (parafuso ou porca), então , temos:

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máx



adm.material

Exemplo 2

Um parafuso de acionamento possui rosca com as seguintes características:

d e = 25 mm; d i = 21 mm; p = 1,2 mm, i = 2 entradas; coeficiente de atrito dos

filetes/porca (μ) = 0,15; coeficiente de atrito do pivô (μ c ) = 0,2; ângulo da rosca trapezoidal (α) = 29°; raio de atrito do pivô (r c ) = 12 mm e carga a ser levantada

pelo parafuso (P) = 120 kgf.

Calcular:

a). Torque necessário ao parafuso para elevar a carga; b). Potência fornecida ao parafuso em watts, para uma rotação de 5 rpm; c). Tensão máxima de cisalhamento no parafuso considerando torção e compressão; d). Tensão máxima de cisalhamento no filete considerando a flexão e o cisalhamento na raiz do filete; e). Fator de segurança (C.S.) para um aço SAE 1020 (laminado a frio) como material do parafuso e da porca; f). Eficiência do parafuso.

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