2.

Fundamentação Teórica

Gestão energética
Hoje, um dos pilares da sociedade é a energia elétrica. Com relação a indústria e
desenvolvimento econômico, essa importância pode ser refletida na relação apresentada
entre a variação do consumo de energia e o Produto Interno Bruto (PIB), onde o
aumento do consumo energético significa um aquecimento da economia. Entretanto,
desde 1970, os derivados do petróleo (que são fontes não renováveis) são a maior fonte
de consumo, indicando que deve-se procurar por fontes alternativas e/ou meios de
diminuir o consumo. Tal necessidade é intensificada pelo fato de o consumo de energia
ser algo crescente e preocupante. (LIMA, 2014)
Como se sabe, diariamente a indústria busca formas de diminuir os gastos. Neste
contexto, a gestão energética apresenta-se como fundamental. A gestão da energia pode
ser definida como um conjunto de fundamentos, técnicas e ferramentas de ordenamento
e conservação de energia, visando seu melhor aproveitamento com base em ideias
sustentáveis. (SAIDEL, 2005, apud CASTRO, 2015)

Biogás

Resíduo orgânico é um componente biológico resultante de origem animal ou vegetal,
que recentemente fez parte de um ser vivo, tendo como resultado desse processo a
matéria orgânica. Esse resíduo é considerado poluente e propício para o
desenvolvimento de microrganismos nocivos à saúde. Ele constitui uma fonte geradora
de gases e odores, quando iniciam sua decomposição. (ENEGEP, 2007 apud GARZA,
2014).

A Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída pela lei nº 12.305/10, estabelece
instrumentos necessários para o avanço do país em relação aos problemas gerados pelos
resíduos sólidos. Portanto, para a solução desse problema temos a gestão e o
gerenciamento destes, que consiste em atividades intrínsecas ao controle, transporte e
processamento. (GARZA,2014).

A digestão anaeróbica tem sido um processo usado como uma forma alternativa para a
remoção de altas concentrações de matéria orgânica presente em vários tipos de
resíduos. Essa digestão é dada em dois estágios; o primeiro com bactérias anaeróbias e

O biogás é um gás formado pela mistura de outros gases.3 kWh. Independente disso essa mistura é formada essencialmente por metano seu poder calorifico do biogás depende diretamente da quantidade de metano existente na mistura. Sendo que existe um percentual de metano de 60% a 80% no biogás e quanto maior o teor mais puro é o biogás. o potencial de geração de energia hoje é baseado na produção diária de biogás. a proporção desses vai depender de alguns parâmetros como tipo do biodigestor e o substrato a digerir.facultativas. Em termos teóricos. formadoras de ácidos e o segundo atuam bactérias exclusivamente anaeróbias que convertam ácidos orgânicos em metano (CH 4) e gás carbônico (CO2). Segundo a Agencia Embrapa de Tecnologia e Informação (AGEITEC). Figura 1 – Volume total de biogás produzido . 2013). A Agencia Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) regulamenta em 1996 a compra de energia produzida por biodigestores. Em relação a quantidade de biogás produzido podemos fazer uma estimava. Segundo ________ a produção de biogás não está associada a estabilização da matéria orgânica. (GARZA. (SANTOS e NARDI. (GARZA.2014).2014). na qual cerca de 1m³ de biogás pode gerar cerca e 1. para vegetais e resíduas orgânicos a cada 1 kg de resíduos é possível produzir cerca de 0. Observa-se em experimentos que a partir do 19º dia houve uma parada de produção para alguns tipos de biodigestores. A figura 1 apresenta os níveis de produção de biogás por um período de 20 dias.04 m³ de biogás.

os mesmos se alimentam de matéria orgânica e outros nutrientes contidos nos resíduos orgânicos. 2011). (2011) Biodigestor Um biodigestor é basicamente um tanque fechado onde os microrganismos entram em contato com o resíduo em condições anaeróbias. 2000 apud GARZA. outro subproduto gerado pelos biodigestores é um biofertilizante rico em nutrientes essenciais as plantas. Segundo Fornari (2002. Sendo assim.2014). em seguida a câmara é selada para que o processo de digestão anaeróbia inicie. No continuo a carga é feita quase que diariamente. (ANTUNES. O de batelada o resíduo orgânico é introduzido de uma só vez. (SANTOS. esse produto final é utilizado como adubo em . esse fertilizante possui teores de nutrientes iguais e até maiores que o do material original. Fonte: Adaptado de Parzianello. 2014). Pode-se classificar os biodigestores em dois tipos: batelada e continuo. 1981 apud GARZA. Fertilizantes Além do biogás. apud BARBOSA e LANGER. A produção de biogás atinge um pico e depois os valores vão decrescendo. sendo necessário desabastecer o biodigestor para carrega-lo com outra matéria orgânica. tendo como efeito uma eficiência maior além de dispensar limpezas frequentes.

b) Consumo o médio mensal de energia elétrica do R. a presença de coliformes. Porém. além de não gerarem problemas quanto a acidez e degradação do solo. que o efluente (biofertilizante) gerado era rico em nitrogênio e fósforo. 2012) realizou um estudo com os resíduos das cozinhas de algumas comunidades da Índia e observou. o que aumenta a viabilidade para utilização como fertilizante. Também apresentam a vantagem de ter um baixo custo. 3.U. Esse aproveitamento do subproduto dos biodigestores contribui ainda mais para aumentar a sustentabilidade do sistema produtivo. quando comparado a um fertilizante industrial. apud Reis. Metodologia Para estipular a quantidade de biogás a ser gerado foi realizada uma pesquisa bibliográfica e documental na revista do campus Paulo VI da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). diferente do que ocorre com parte dos fertilizantes de origem química Estoppey (2010. c) Cálculos para estimativa de produção do biogás a partir das informações obtidas em a). que foi utilizado em uma cultura de cevada levando a um rendimento maior dessa espécie. no município de São Luís. A partir dessa metodologia. apud Reis. a linha de pesquisa adotada para o presente artigo foi: a) Obter a quantidade de resíduos desperdiçados.1 Delimitação do universo de estudo . Resultado e discussão 4. por meio de análises. d) Comparação do consumo energético com o início da proposta de implantação do sistema de energia elétrica a partir do biogás Além disso. o que implica sua utilização em culturas que não serão comidas cru. ao tratar resíduos de alimentos em escala laboratorial. Já Haraldsen et al.U (Restaurante Universitário) do campus a fim de obter a quantidade de resíduos desperdiçados diariamente ao final das refeições (sendo que a refeição servida é apenas uma refeição diária). analisaram o efluente gerado. também. notou-se. e também uma entrevista com o gerente do R. (2011.cultivos de culturas e pastagens. 4. 2012). foi avaliado qual seria o destino final da biomassa pós-produção do biogás.

Tal desperdício é fruto dos resíduos orgânicos deixados pela cozinha e pelas bandejas dos alunos. e os resíduos de bandeja. com apenas um pequeno percentual que é aproveitado pela Fazenda Escola – UEMA. Sendo que o RU-UEMA tinha uma parceria com a Fazenda Escola – UEMA. gerados na preparação da refeição. com intuito de produzir adubo orgânico.Junho) Total Diário Resíduos Cozinha Resíduos Bandejas Média Diária de Resíduos Fonte: Próprio autor Com base nos dados fornecidos pela gerência do R. que gerenciava e monitorava parte dos resíduos destinados da Fazenda Esola. 23 dias). são os resíduos de cozinha.Atualmente o RU-UEMA localizado no município de São Luís – MA dois tipos de resíduos que são desperdiçados diariamente. em parceria com Agencia de Gestão Ambiental (AGA – UEMA).U. onde é possível visualizar o desperdício orgânico total em 1 mês letivo (no caso. para o processo de compostagem. Figura 2: Desperdício orgânico diário 300 250 200 Desperdício Orgânico (kg) 150 100 50 0 0 5 10 15 20 25 30 35 Período de 1 mês (Maio . . Dessa forma. totalizando 4200 kg no mês. que são deixados nas bandejas após o termino das refeições dos usuários (alunos e servidores). foi feito a Figura 2. a média diária dos resíduos é de aproximadamente 182 kg. que consistia em levar os resíduos orgânicos para compostagem dos mesmos.

04m³/kg kg de resíduo orgânico Quantidade média de resíduos orgânicos totais gerados Qtd 182 kg/dia diariamente no RU – UEMA.04 x 182=7. temos que obter a quantidade de metano do biogás: 7.4. no período acadêmico η Eficiencia do gerador 30% Fonte: Adaptado de Bueno et al.822. pode nos proporcionar um ganho energético (térmico) de 155. foram usados os dados da tabela 1.96 kJ /dia 4 Diante desse resultado.2 Estimativa do potencial energético de biogás Para fazer uma estimativa mensal do potencial de a ser produzido e posteriormente e gerar energia elétrica. Tabela 1 – Variáveis utilizadas para a estimativa mensal de biogás Variável Descrição da Variável Valor K´ CH 4 Concentração média-teórica de metano (CH4) no biogás 50% PC I C H 4 Poder calorifico inferior do metano 35.28 m /dia x K´ C H =3. 4 temos que: PC I C H x 3.64 m3 /dia=130.04 . diariamente.739 kJ/m³ Taxa de produção do volume de biogás (m³) por cada TP 0. de um único biodigestor. Para poder estimar a quantidade de energia elétrica que pode ser gerada a partir da queima do biogás. 2016 Por meio da quantidade média de resíduos orgânicos totais desperdiçados diariamente no RU – UEMA e da taxa de produção do volume de biogás. aproximada de biogás será de 7.089.64 m /dia 3 3 4 Agora usando o PC I C H e a quantidade de metano contida no biogás.28 m³ de biogás é a produção por um período de incubação e biodigestão de 15 a 30 dias. Portanto teremos que a produção mensal.28 m3 de biogás Sendo que esse valor de 7.28 m³/dia. podemos dizer que em 1 dia de produção de biogás e a eventual queima do mesmo. um biodigestor projetado para receber essa carga de biomassa pode produzir um volume de biogás de: TPxQtd=0. a partir dos resíduos orgânicos.

é de kWh 10. teremos cerca de 36.00 350000.00 250000.00 COFP (kWh) 150000.00 0. e que transformando para ganho energético elétrico.00 50000.13 kWh /dia x η=10. De acordo com ANEEL (2016).13 kWh/dia. com base em dados da própria universidade.00 100000.3 Comparativo energético O Gráfico 1 apresenta a variação do COFP (consumo fora de ponta) no período de 1 ano para todo o Campus. termos a energia elétrica gerada para o Campus Paulo VI será de: 36. o horário do COFP da distribuidora de energia do Maranhão refere-se a energia elétrica utilizada entre 23h e 16h – e é exatamente nesse intervalo que o restaurante universitário funciona.kJ.00 300000. Porém.00 Fonte: Próprio autor .83 x 23 dias=249.09 kWh /mês dia 4.83 kWh /dia Diante disso podemos dizer que o uso de um biodigestor que receba a carga de biomassa fornecida pelo RU – UEMA teremos uma perspectiva de produção de energia elétrica de 10. Gráfico 1: Variação energética Variação do COFP 400000.00 200000.83 kWh por dia Dessa forma. com o uso de um gerador com eficiência de 30%. temos que a produção de energia para o período letivo estudado.

ou seja. 11800 kWh/mês.Pode-se afirmar que a média mensal do consumo de energia elétrica é de aproximadamente 297000 kWh.2% do consumo mensal de energia elétrica Comparativo energético 400000 350000 300000 250000 200000 Consumo energético (kWh) 150000 100000 50000 0 42156 42217 42278 42339 42401 42461 42125 42186 42248 42309 42370 42430 Sem o Biodigestor Com o Biodigestor .U consome cerca de 4% da energia total. Segundo estimativas da administração do Campus. o R. Sendo assim. o biodigestor poderá realizar um abatimento de 2.

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