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ALFABETIZANDO NA DIVERSIDADE

É um universo bastante grande, que merece atenção e esforços na busca de uma qualificação permanente das práticas pedagógicas que a ele se dedicam.

Sabe-se que, hoje, algumas escolas de ponta, como é o caso da escola SummerHill na Inglaterra, da Escola da Ponte, em Portugal, do Colégio de Aplicação da UFRGS, em Porto Alegre/RS, e da escola Zeferino Lopes de Castro, em Viamão/RS (estas últimas duas no Brasil), veem a diversidade de grupos multisseriados como uma importante aliada para a aprendizagem dos alunos.

Além disso, teremos acesso a materiais de diagnóstico que poderão nos auxiliar a identificar os diferentes níveis de conhecimento de cada um dos nossos alunos. A intenção é reunir

elementos que sustentem

o

planejamento

de

aprendizes na sua diversidade.

ações

que

atendam às necessidades dos

Classes multisseriadas costumam ser alvo de pré-conceitos que acabam construindo uma ideia negativa da multisseriação. Para Arroyo (2010),

as escolas multisseriadas merecem outros olhares. Predominam

… imaginários extremamente negativos a ser desconstruídos: a escola multisseriada pensada na pré-história de nosso sistema escolar; vista como distante do paradigma curricular moderno, urbano, seriado; vista como distante do padrão de qualidade pelos resultados nas avaliações, pela baixa qualificação dos professores, pela falta de condições materiais e didáticas, pela complexidade do exercício da docência em classes multisseriadas, pelo atraso da

formação escolar do sujeito do campo em comparação com aquele

ALFABETIZANDO NA DIVERSIDADE É um universo bastante grande, que merece atenção e esforços na busca de

da cidade

(ARROYO, 2010, p. 10).

Superar essa visão desfavorável não é simples, já que requer um olhar crítico, político e analítico sobre o sistema que o abarca, mas é possível e necessário.

Estudos recentes, como o da pesquisadora da Universidade de La Plata Claudia Molinari, que coordena um programa de formação docente desenvolvido na província de Buenos Aires envolvendo estudantes de Pedagogia e professores de 26 escolas rurais, destacam os benefícios das classes multisseriadas para o processo de aprendizagem. Em entrevista à revista Nova Escola, em 2013, Claudia diz:

“A interação entre alunos de diferentes níveis, antes considerada um obstáculo, transformou-se em vantagem pedagógica. Elaboramos um projeto didático totalmente baseado nesse

princípio. E deu certo nas 26 escolas que participaram do curso de formação” (MOLINARI, 2013).

uando se trata de uma classe multisseriada, muitos professores desenvolvem planejamentos diferentes para cada série, desvinculados de um projeto ou plano comum de trabalho. Assim, perdem a oportunidade de se valer da diversidade como forma de compartilhamento, de troca e aprendizagem mútua.

Para Ana Teberoski (2005), práticas sociais cada vez mais individualizadas não ajudam a formar uma comunidade alfabetizadora. E, neste viés, Molinari complementa:

Ainda

que

ninguém

em

um

determinado

grupo

saiba

ler

e

escrever

convencionalmente,

todos

se

ajudam,

não

permitindo

mas

também

facilitando

a

socialização

dos

conhecimentos. Dessa forma, cria-se um ambiente favorável à

aprendizagem.

 

(MOLINARI,

 

2013).

Neste nosso início de conversa, o que queremos destacar é que o trabalho coletivo, que valoriza a diversidade de uma turma multisseriada, não tem como meta fazer com que todos os alunos desenvolvam as atividades de forma correta, mas que, juntos, possam mobilizar os conhecimentos de cada um, complementando suas diferenças. Para isso, sugere-se como organização de classe aquela em que os participantes

trocam informações e se ajudam

mutuamente.

Planejar situações didáticas para que

os alunos realizem atividades em colaboração é sempre um bom caminho.

TEXTOS COMPLEMENTARES:

Claudia Molinari defende a diversidade no avanço de classes multisseriadas

Pesquisadora argentina afirma que todos podem aprender em turmas que reúnem estudantes de diversas idades e níveis de conhecimento

Paola Gentile

CLAUDIA MOLINARI "É preciso imaginar as diferentes situações e a melhor maneira de aproveitar a diversidade em cada uma delas"

Uma das características da Educação feita em regiões rurais é a organização da turma em classes multisseriadas. Por causa das grandes distâncias entre as propriedades e do baixo número de crianças em cada ciclo ou série, é comum encontrar as que estão em fase de alfabetização estudando com quem já sabe ler e escrever - e todos sob a orientação de um só professor.

Geralmente, a diversidade de faixas etárias, de maturidade e de níveis de conhecimento é apontada como razão para o alto índice de fracasso escolar dos que moram no campo. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios divulgada em setembro do ano passado mostram que a taxa de analfabetismo das pessoas com mais de 15 anos no campo é três vezes maior do que na cidade. Atualmente, esse índice é de 7,6% nas regiões urbanas e 23,3% nas rurais.

Contudo, um programa de formação de professores desenvolvido na província de Buenos Aires - envolvendo docentes e estudantes de Pedagogia, inspetores de ensino e professores de 26 escolas rurais - mostrou que é possível conseguir bons índices de aprendizado nessas condições quando são desenvolvidos projetos ou sequências didáticas que explorem a interação a favor do ensino. Claudia Molinari, professora de Ciência da Educação da Universidade Nacional de La Plata, na Argentina, e uma das coordenadoras do projeto, fala sobre o trabalho.

Muitos professores que lecionam em escolas rurais acreditam que a presença de alunos de várias faixas etárias e com níveis de conhecimento diferentes dificulta o aprendizado. Isso realmente acontece?

CLAUDIA MOLINARI Apesar de a diversidade estar presente em qualquergrupo, na escola rural ela chama muito mais a atenção por concentrar no mesmo espaço - e ao mesmo tempo - crianças de idades muito díspares, da Educação Infantil aos últimos anos do Ensino Fundamental. E, geralmente, o professor não tem um auxiliar trabalhando com ele. A responsabilização da multisseriação pelo fracasso escolar nessas turmas sempre aparece no discurso dos professores. Eles veem nisso um problema que prejudica principalmente o ensino dos menores - os que demandam mais atenção -, mas que também dificulta o dos maiores, que acabam não tendo tarefas ou atividades específicas que osajudem a progredir.

Qual é a principal dificuldade enfrentada pelos que lecionam em classes multisseriadas?

CLAUDIA O maior problema é organizar o tempo didático. Quando se deparam com crianças de várias séries ou ciclos, com diferentes necessidades de aprendizagem, dividindo o mesmo espaço e a atenção deles, os docentes pensam que a solução é fazer planejamentos distintos para cada grupo. Porém essa nunca foi uma estratégia eficiente, pois o professor, durante a aula, precisa correr de um lado para o outro tentando atender a todos e, obviamente, ele não dá conta de acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos. Se tiver de optar por dar mais atenção a um determinado grupo, certamente se dedicará aos que estão em fase de alfabetização, deixando os outros com atividades fáceis de executar para o nível deles - não demandando a intervenção docente -, o que não lhes propicia a construção de conhecimento.

Dedicar tempos iguais para os diferentes grupos seria uma solução mais

adequada nesses casos?

CLAUDIA Também não. Alguns professores acham que estão sendo justos quando reservam, por exemplo, meia hora ou outra fração qualquer de tempo para cada agrupamento. Porém nem assim eles conseguem dar um bom atendimento, já que cada um pede um tipo de intervenção. Outros ainda têm a iniciativa de propor tarefas coletivas. Sem dúvida, essa é uma maneira mais interessante do que desenvolver atividades separadas, mas também fica mais fácil cair na armadilha de achar que todos estão envolvidos, quando, na verdade, a mesma proposta pode ser adequada para uns, muito fácil para alguns e difícil demais para outros. Com isso, os alunos deixam de enfrentar situações específicas que estejam de acordo com seus saberes e com os desafios que precisam enfrentar para progredir.

O que o programa elaborado para a capacitação dos educadores rurais da província de Buenos Aires propôs para resolver o problema da organização do tempo e da diversidade?

CLAUDIA A interação entre alunos de diferentes níveis, antes considerada um obstáculo, transformou-se em vantagem pedagógica. Elaboramos um projeto didático totalmente baseado nesse princípio. E deu certo nas 26 escolas que participaram do curso de formação. Hoje sabe- se, por meio de várias pesquisas realizadas na área da Psicologia Social, que o trabalho com os pares é favorável à aprendizagem. Pesquisas conduzidas pela educadora Mirta Castedo, também da Universidade de La Plata, atestam a eficiência dos grupos. Neles, as crianças sempre apresentam desempenhos cognitivos superiores aos que mostrariam se realizassem as mesmas tarefas individualmente. E isso é verdade tanto para as mais avançadas como para as que têm algum tipo de dificuldade, para as mais velhas e para as mais novas.

As vantagens dessa organização também aparecem em turmas que estão no início da escolaridade, em que o principal objetivo do professor é promover a alfabetização?

CLAUDIA Com certeza. A pesquisadora argentina Ana Teberosky, responsável junto com Emilia Ferreiro pelas pesquisas pioneiras sobre a psicogênese da língua escrita, analisou a maneira como os pequenos da Educação Infantil com o mesmo nível de conhecimento realizam diversos intercâmbios em atividades relacionadas à escrita. Ainda que ninguém em um determinado grupo saiba ler e escrever convencionalmente, todos se ajudam, não só permitindo mas também facilitando a socialização dos conhecimentos. Dessa forma, cria-se um ambiente favorável à aprendizagem.

Qual foi o objetivo didático do projeto desenvolvido com escolas rurais da província de Buenos Aires?

CLAUDIA Nosso objetivo foi fazer com que os alunos de diversas idades aprendessem a ler e a escrever em contextos de estudo. Optamos por tratar de animais em vias de extinção, mas poderíamos ter abordado qualquer outro assunto. Os estudantes tinham de produzir um texto que divulgasse o resultado dos trabalhos. Decidiu-se pela elaboração de uma enciclopédia como produto final. As crianças escolheram os destinatários: os leitores seriam os futuros estudantes da escola, colegas de outras unidades rurais e usuários da biblioteca escolar. Nos acordos feitos, os menores de 1º e 2º anos ficaram responsáveis por escrever as epígrafes, os do 3º ao 5º fizeram os textos sobre os bichos e os de 6º e 7º, a apresentação do problema relativo à ameaça de extinção de animais do nosso planeta. Juntos, todos elaborariam a página de introdução da enciclopédia. Tínhamos um só planejamento, no qual foram previstas tarefas individuais, coletivas e em grupos, menores ou maiores, que estavam sempre se alternando. Esses últimos poderiam se organizar por ciclo (ou série, de acordo com a escola) ou por níveis de conhecimento, parecidos ou não, dependendo dos objetivos de cada etapa.

Em que momentos os alunos trabalharam juntos?

CLAUDIA A turma toda participava do planejamento, dos registros em cartazes das tarefas

e dos compromissos assumidos, das exposições feitas pelo professor, das discussões sobre vídeos e materiais selecionados e das decisões sobre as fontes a serem consultadas e as informações para a edição do texto final da enciclopédia. Houve também momentos em que os menores contaram aos maiores o que haviam descoberto durante a pesquisa e vice-versa. Os mais velhos, por sua vez, ouviram os colegas, leram em voz alta todo o material para os pequenos, comentaram e avaliaram com eles a pertinência das informações encontradas de acordo com o objetivo do projeto.

Quais os critérios usados para a formação de grupos?

CLAUDIA Em algumas ocasiões foi interessante juntar alunos em diferentes fases de aprendizagem, nas quais um ajudava o outro a avançar em um determinado aspecto. Noutras, era mais conveniente que crianças com grau de conhecimento equivalente da língua estivessem envolvidas na mesma tarefa para que levantassem hipóteses e discutissem sobre elas sem a presença de um membro que já tivesse se apropriado do modelo convencional de escrita. O agrupamento com crianças do mesmo nível também foi usado nos momentos em que o professor precisava intensificar o ensino de um aspecto específico, como a elaboração de notas sobre os aspectos mais relevantes dos textos lidos e a revisão conjunta dos escritos. Sozinhos, os estudantes leram parte do material de pesquisa, fizeram anotações sobre o tema e elaboraram os primeiros textos, que posteriormente foram compartilhados com toda a turma.

Como é a atuação do professor em projetos como esses?

CLAUDIA É ele quem organiza e agenda os combinados para que os trabalhos avancem - o que não significa que eles não possam ser revistos pela turma, com progressiva autonomia durante o decorrer do tempo. Ele também lê, escreve, comenta ou expõe para os alunos, planeja atividades com propósitos claros para cada etapa e cuida para que haja à disposição uma diversidade de fontes de pesquisa. Além do mais, cabe ao docente organizar a classe da forma mais interessante para atingir as metas, optando por sugerir tarefas individuais, coletivas ou em grupos. É importante também ele atuar no sentido de coordenar o intercâmbio de significados que são construídos no decorrer das atividades, compartilhar as decisões sobre os conteúdos e revisar as produções.

Qual foi a principal dificuldade encontrada ao sugerir esse projeto para classes multisseriadas?

CLAUDIA O primeiro obstáculo foi romper com a prática habitual de sala de aula. Os professores tinham consciência de que os resultados não apareciam com a prática que mantinham até então. Mesmo assim, sempre existe uma resistência natural à mudança. Certamente, o uso de projetos como o que elaboramos requer um planejamento mais detalhado e difícil, pois é preciso imaginar as diferentes situações e a melhor maneira de aproveitar a diversidade em cada uma delas. Porém tudo muda quando os docentes percebem que a aula se torna menos desgastante para eles e mais aproveitável para todos. Tivemos ainda de fazer esforços para acabar com ideias como a da fragmentação dos conteúdos, o que não pode acontecer em projetos didáticos.

Essa forma de organizar a classe e usar a heterogeneidade e a interação a favor do ensino pode ser usada em qualquer disciplina?

CLAUDIA Dá para ensinar a ler e a escrever com conteúdos de Ciências Naturais, Ciências Sociais ou de qualquer outra matéria. Também é possível ter outros objetivos e produtos finais relacionados a qualquer área do saber.

Muitas vezes os professores de escolas rurais não se animam em fazer projetos didáticos por não ter uma comunidade ao redor para compartilhar o produto final. Como é possível romper com esse isolamento?

CLAUDIA Especificamente no projeto que desenvolvemos, a interação entre escolas foi facilitada pelo contato que os professores estabeleceram durante a formação. Mas uma

das coisas que eles aprenderam foi a possibilidade de criar situações didáticas que acabem com o trabalho solitário. Para isso, pensou-se no uso de diferentes mídias, que conseguem atingir até os destinatários mais distantes. As escolas que trabalharam conosco no programa de formação produziram material impresso, pois as unidades que participaram do programa tinham computador, mas não acesso à internet. Porém é possível também fazer gravações em áudio e vídeo para serem enviadas pelo correio ou eletronicamente quando houver esse recurso.

Ana Teberosky:

''Debater e opinar estimulam a leitura e a escrita''

Para a educadora argentina, nas sociedades em que se valoriza a interação entre as pessoas e a cultura escrita, o processo de alfabetização é mais eficiente

por:

PG
PG

Paola Gentile

29 de Agosto 2016 - 17:10

ANA TEBEROSKY (Crédito: Foto: Gustavo Lourenção) Ana Teberosky é uma das pesquisadoras mais respeitadas quando o

ANA TEBEROSKY (Crédito: Foto: Gustavo Lourenção)

Ana Teberosky é uma das pesquisadoras mais respeitadas quando o tema é alfabetização. A Psicogênese da Língua Escrita, estudo desenvolvido por ela e por Emilia Ferreiro no final dos anos 1970, trouxe novos elementos para esclarecer o processo vivido pelo aluno que está aprendendo a ler e a escrever. A pesquisa tirou a alfabetização do âmbito exclusivo da pedagogia e a levou para a psicologia. "Mostramos que a aquisição das habilidades de leitura e escrita depende muito menos dos métodos utilizados do que da relação que a criança tem desde pequena com a cultura escrita", afirma. Para ela, os recursos tecnológicos da informática estão proporcionando novos aprendizados para quem inicia a escolarização, mas as práticas

sociais, cada vez mais individualistas, não ajudam a formar uma comunidade alfabetizadora.

Doutora em psicologia e docente do Departamento de Psicologia Evolutiva e da Educação da Universidade de Barcelona, ela também atua no Instituto Municipal de Educação dessa cidade, desenvolvendo trabalhos em escolas públicas. Em setembro, quando esteve no Brasil para participar do Congresso Saber 2005, ela deu a seguinte entrevista à ESCOLA.

De quem é a culpa quando uma criança não é alfabetizada?

Ana Teberosky - A responsabilidade é de todo o sistema, não apenas do professor. Quando a escola acredita que a alfabetização se dá em etapas e primeiro ensina as letras e os sons e mais tarde induz à compreensão do texto, faz o processo errado. Se há separação entre ler e dar sentido, fica difícil depois para juntar os dois.

Como deve agir o professor especialista ao

deparar com estudantes de 5ª a 8ª série não alfabetizados? Ana Teberosky - Todo educador precisa saber os motivos pelos quais a alfabetização não ocorre. Sou contra usar rótulos como alfabetizado e não- alfabetizado, leitor e não-leitor. Quando se trata de conhecimento, não existe o "tudo ou nada". Uma

criança que tenha acabado as quatro primeiras séries, apesar de dominar os códigos da língua, pode ter

dificuldade em compreender um texto e não estar habituada a estudar. Algumas apresentam resistência a tudo o que se refere à escola por motivos vários. Outras têm mesmo dificuldades e, por não saber superá-las ou não contar com alguém para ajudar, evitam contato com textos. Cada caso exige atenção e tratamento diferentes.

A atitude positiva do professor tem impacto na alfabetização da turma?

Ana Teberosky - Acreditar que o aluno pode aprender é a melhor atitude de um professor para chegar a um resultado positivo em termos de alfabetização. A grande vantagem de trabalhar com os pequenos é ter a evolução natural a seu favor. Se não existe patologia, maus-tratos familiares ou algo parecido, eles são máquinas de aprender: processam rapidamente as informações, têm boa memória, estão sempre dispostos a receber novidades e se empolgam com elas. Um professor que não acha que o estudante seja capaz de aprender é semelhante a um pai que não compra uma bicicleta para o filho porque esse não sabe pedalar. Sem a bicicleta, vai ser mais difícil aprender!

Os defensores do método fônico culpam o construtivismo, base dos Parâmetros Curriculares Nacionais, pelos problemas de alfabetização no Brasil. O que a senhora pensa disso? Ana Teberosky - Para afirmar se a culpa é ou não de determinada maneira de ensinar, seria necessário ter um estudo aprofundado das práticas pedagógicas dos

alfabetizadores em todo o país. Uma coisa é o que eles declaram fazer, outra é o que eles executam de fato. Quem afirma que uma forma de alfabetizar é melhor que a outra está apenas dando sua opinião pessoal já que não existe nenhuma pesquisa nessa linha. A dificuldade em alfabetizar no Brasil é histórica e já existia mesmo quando o método fônico estava na moda.

O bom desempenho de alguns países nas avaliações internacionais pode ser atribuído à utilização do método fônico?

Ana Teberosky - Não dá para comparar um país com outro, porque não é somente a maneira de ensinar que muda. Outros fatores aliás, importantíssimos influenciam no processo de aquisição da escrita, como as características de cada idioma. É muito mais fácil alfabetizar em uma língua em que há correspondência entre o sistema gráfico e o sonoro ou naquelas em que as construções sintáticas são simples, por exemplo.

O método fônico e a psicogênese da língua escrita são incompatíveis?

Ana Teberosky - A psicogênese não é método, e sim uma teoria que explica o processo de aprendizagem da língua escrita. Nesse contexto, defendemos a integração de várias práticas pedagógicas. Mas o importante é que se leve em conta, além do código específico da escrita, a cultura e o ambiente letrados em que a criança se encontra antes e durante a alfabetização. Não dá para ela adquirir primeiro o

código da língua e depois partir para a compreensão de variados textos. Nós acreditamos que ambos têm de ocorrer ao mesmo tempo, e aí está o diferencial da nossa proposta.

Como o processo de alfabetização deve ser avaliado?

Ana Teberosky - O professor deve se basear no momento inicial de aprendizagem de cada aluno, verificando o que ele conquistou em determinado período. Além do mais, a avaliação passa pela análise do próprio trabalho: o professor tem condições materiais e estruturais para ensinar? Ele criou um ambiente alfabetizador favorável à aprendizagem e necessidades de usar a língua escrita?

O que é um ambiente alfabetizador?

Ana Teberosky - É aquele em que há uma cultura letrada, com livros, textos digitais ou em papel , um mundo de escritos que circulam socialmente. A comunidade que usa a todo momento esses escritos, que faz circular as idéias que eles contêm, é chamada alfabetizadora.

Nós vivemos em uma comunidade

alfabetizadora? Ana Teberosky - Cada vez menos a sociedade auxilia a alfabetização por não promover situações públicas

em que seja possível a circulação de escritos, debates, discussões e reuniões em que todos sintam necessidade e vontade de usar a palavra. O

individualismo vai contra a formação de leitores e escritores. Há uma tese brasileira que mostra como os sindicatos, durante sua história, desenvolveram uma cultura alfabetizadora entre seus membros. Como os líderes tinham de convencer os filiados sobre determinadas teses, buscavam informações para embasar seus argumentos, levantavam questões e respondiam às apresentadas. Os sindicalizados, por seu lado, também precisavam ler documentos, participar de reuniões, colocar suas dúvidas e opiniões para decidir.

Quais atividades o professor alfabetizador deve realizar?

Ana Teberosky - Formar grupos menores para as crianças terem mais oportunidade de falar e ler para elas são estratégias fundamentais! É preciso compartilhar com a turma as características dos personagens, comentar e fazer com que todos falem sobre a história, pedir aos pequenos para recordar o enredo, elaborar questões e deixar que eles exponham as dúvidas. Se nos 200 dias letivos o professor das primeiras séries trabalhar um livro por semana, a classe terá tido contato com 35 ou 40 obras ao final de um ano.

É correto o professor escrever para os alunos quando eles ainda não estão alfabetizados?

Ana Teberosky - Sim. A atuação do escriba é um ponto bastante importante no processo de alfabetização. O estudante que dita para o professor já ouviu ou leu o texto, memorizou as principais informações que ele

contém e com isso consegue elaborar uma linha de raciocínio. Ao ver o que disse escrito no quadro-negro, ele diferencia a linguagem escrita da falada, seleciona as melhores palavras e expressões, percebe a organização da escrita em linhas, a separação das palavras, o uso de outros símbolos, como os de pontuação. A criança vê o seu texto se concretizar.

O computador pode ajudar na alfabetização?

Ana Teberosky - O micro permite aprendizados interessantes. No teclado, por exemplo, estão todas as letras e símbolos que a língua oferece. Quando se ensina letra por letra, a criança acha que o alfabeto é infinito, porque aprende uma de cada vez. Com o teclado, ela tem noção de que as letras são poucas e finitas. Nas teclas elas são maiúsculas e, no monitor, minúsculas, o que obriga a realização de uma correspondência. Além disso, quando está no computador o estudante escreve com as duas mãos. Os recursos tecnológicos, no entanto, não substituem o texto manuscrito durante o processo de alfabetização, mas com certeza o complementam. Aqueles que acessam a internet lêem instruções ou notícias, escrevem e-mails e usam os mecanismos de busca. Ainda não sabemos quais serão as conseqüências cognitivas do uso do computador, mas com certeza ele exige muito da escrita e da leitura.

É possível alfabetizar em classes numerosas?

Ana Teberosky - Depende da quantidade de alunos. Em quatro horas de aula por dia com 40 crianças, é

muito difícil e eu não saberia como fazer

Seria melhor

... se cada sala tivesse 20, 25. Em Barcelona, estamos

experimentando os agrupamentos flexíveis, que misturam grupos de diferentes níveis, com 12 estudantes e com três ou quatro professores à disposição para orientação. Existem algumas possibilidades desde que haja contribuição da gestão pública.

Quer saber mais?

Psicogênese da Língua Escrita, Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, 300 págs., Ed. Artmed, 46 reais

Psicopedagogia da Língua Escrita, Ana Teberosky, 151 págs., Ed. Vozes, tel. (24) 2233-9000, 24,40 reais

profundando

muito difícil e eu não saberia como fazer Seria melhor ... se cada sala tivesse 20,http://acervo.novaescola.org.br/politicas-publicas/modalidades/diversidade- ajuda-avanco-427132.shtml MOLINARI, Claudia e SIRO, Ana. Um Proyecto Didáctico Para Leer Y Escribir em Contextos de estudio . Experiência em Aulas Multigrado rural. Programa de Ayuda La Escuelas Rurales. Fundação Perez Companc e Fundação Bunge y Born, 1975/2004. OLIVEIRA, Adriana Almeida. Alfabetização, leitura e escrita em sala multisseriada . https://novaescola.org.br/conteudo/1979/alfabetizacao-leitura-e-escrita-em- sala-multisseriada TEBEROSKI, Ana. Debater e opinar estimulam a leitura e a escrita . https://novaescola.org.br/conteudo/251/ana-teberosky-debater-e-opinar- estimulam-a-leitura-e-a-escrita " id="pdf-obj-13-20" src="pdf-obj-13-20.jpg">

MOLINARI,

Claudia.

A

diversidade

ajuda

no

avanço

de

classes

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multisseridas.

MOLINARI, Claudia e SIRO, Ana.

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Contextos de estudio. Experiência em Aulas Multigrado rural. Programa de Ayuda La Escuelas Rurales. Fundação Perez Companc e Fundação Bunge y Born, 1975/2004.

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OLIVEIRA,

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Adriana

Almeida.

Alfabetização,

leitura

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escrita

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Debater

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escrita.

 

Referências

ARROYO, M. G.

Escola: terra de direito. In: ROCHA, M. I. A.; HAGE, S. M. (Orgs.) Escola de

direito: reinventando a escola multisseriada. Belo Horizonte: Autêntica, 2010. p. 119- 140.

Referências ARROYO, M. G. Escola: terra de direito . In: ROCHA, M. I. A.; HAGE, S.http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/educacao/conteudo_425087.shtml? func=2 Identificando o nível de alfabetização de cada aluno - Por que e como fazer? mas ainda não conseguiu progressos visíveis em relação ao alcance do pleno domínio de habilidades hoje tão importantes para a participação completa na sociedade letrada. Para explicitar sob qual perspectiva entendemos o que é estar alfabetizado hoje, nos apoiamos nas palavras de Emilia Ferreiro, para quem a alfabetização supõe: " id="pdf-obj-14-11" src="pdf-obj-14-11.jpg">
Referências ARROYO, M. G. Escola: terra de direito . In: ROCHA, M. I. A.; HAGE, S.http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/educacao/conteudo_425087.shtml? func=2 Identificando o nível de alfabetização de cada aluno - Por que e como fazer? mas ainda não conseguiu progressos visíveis em relação ao alcance do pleno domínio de habilidades hoje tão importantes para a participação completa na sociedade letrada. Para explicitar sob qual perspectiva entendemos o que é estar alfabetizado hoje, nos apoiamos nas palavras de Emilia Ferreiro, para quem a alfabetização supõe: " id="pdf-obj-14-13" src="pdf-obj-14-13.jpg">

MOLINARI,

Claudia.

A

diversidade

ajuda

no

avanço

de

classes

multisseriadas.

Planeta

Sustentável/

Editora

Abril.

Identificando o nível de alfabetização de cada aluno - Por que e como fazer?

Referências ARROYO, M. G. Escola: terra de direito . In: ROCHA, M. I. A.; HAGE, S.http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/educacao/conteudo_425087.shtml? func=2 Identificando o nível de alfabetização de cada aluno - Por que e como fazer? mas ainda não conseguiu progressos visíveis em relação ao alcance do pleno domínio de habilidades hoje tão importantes para a participação completa na sociedade letrada. Para explicitar sob qual perspectiva entendemos o que é estar alfabetizado hoje, nos apoiamos nas palavras de Emilia Ferreiro, para quem a alfabetização supõe: " id="pdf-obj-14-64" src="pdf-obj-14-64.jpg">

mas ainda não conseguiu progressos visíveis em relação ao alcance do pleno domínio de habilidades hoje tão importantes para a participação completa na sociedade letrada.

Para explicitar sob qual perspectiva entendemos o que é estar alfabetizado hoje, nos apoiamos nas palavras de Emilia Ferreiro, para quem a alfabetização supõe:

… poder transitar com eficiência e sem temor numa intrincada trama de práticas sociais ligadas à escrita. Ou seja, trata-se de produzir textos nos suportes que a cultura define como adequados para as diferentes práticas, interpretar textos de variados graus de dificuldade em virtude de propósitos igualmente variados, buscar e obter diversos tipos de dados em papel ou tela e também, não se pode esquecer, apreciar a beleza e a inteligência de um certo modo de composição, de um certo ordenamento peculiar das palavras que encerra a beleza da obra literária. Se algo parecido com isso é estar alfabetizado hoje em dia, fica claro por que tem sido tão difícil. Não é uma tarefa para se cumprir em um ano, mas ao longo da escolaridade. Quanto mais cedo começar, melhor. (FERREIRO,

2006. Disponível em:

Então, professor(a), quando falamos em alfabetização neste curso, estamos

considerando o processo que vai além das habilidades de codificação e decodificação

da escrita. Entendemos a

alfabetização

como a habilidade de usar a escrita em diferentes

situações, em diferentes práticas sociais, incluindo, nesse contingente, a escrita digital.

Segundo Emilia Ferreiro,

as

mudanças

exigências ao trabalho de alfabetização.

tecnológicas

e

sociais

trouxeram

maiores

FIQUE LIGAD@!

Confira o vídeo de Emilia Ferreiro sobre Alfabetização e novas tecnologias.

Se temos como princípio que o processo de alfabetização não se resume às habilidades de codificação e decodificação de sinais, então também entendemos que ele não se encerra no primeiro ou segundo ano escolar. A ideia é que inicie no primeiro ano e continue sendo aprimorado nos anos seguintes.

Dedicaremos este espaço à exploração de atividades que possibilitem

conhecer o nível

de leitura e escrita de nossos alunos, um importante passo para auxiliá-los na

construção da língua.

Sugerimos que leia o documento

(i)
(i)

em que são apresentadas atividades de sondagem divididas em duas etapas -

Alfabetização e letramento (1º ao 3º Ano)

4º Ano).

e (ii) Apropriação da escrita (a partir do

Apresentamos também uma

escrita dos alunos, que ajudará a do grupo de aprendizes.

realizar um acompanhamento do desenvolvimento

Dedicaremos este espaço à exploração de atividades que possibilitem conhecer o nível de leitura e escritaConhecendo o nível de escrita e leitura do aluno , em que são apresentadas atividades de sondagem divididas em duas etapas - Alfabetização e letramento (1º ao 3º Ano) 4º Ano). e (ii) Apropriação da escrita (a partir do Apresentamos também uma sugestão de tabela para mapeamento das hipóteses de escrita dos alunos , que ajudará a do grupo de aprendizes. realizar um acompanhamento do desenvolvimento Assista ao vídeo: Diagnóstico na Alfabetização Inicial (Revista Nova Escola) Confira também um simulador de escritas: " id="pdf-obj-16-36" src="pdf-obj-16-36.jpg">

Assista ao vídeo:

Confira também um simulador de escritas:

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