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Limpeza das matas no Milharado

Freguesia Milharado

No tempo dos nossos avs, principalmente em dias bonitos, muita


gente ia para os pinhais cortar mato, tal como o senhor Casimiro
Alexandre: "Ia-se cortar mato para fazer a cama ao gado, era mais
assim no vero".
Alm da cama do gado, arrecadava-se lenha para aquecer as casas,
de inverno, e para cozinhar. Desta forma, as matas estavam mais
limpas e havia menos incndios.
Conta o senhor Casimiro que a malta andava quase sempre a p,
abrindo caminhos de terra batida por esses campos fora. Era assim
que se deslocavam e que, naturalmente, se conheciam "Agora vai
tudo de carro! Mesmo l no meu stio, a gente tem muitas vezes que
no v as pessoas".
As estradas propriamente ditas, de alcatro, eram escassas e pouco
movimento tinham. O senhor Casimiro lembra-se que, quando andava
com as ovelhas, s via passar na estrada, durante toda a manh, a
carreira das nove e a camioneta do vinho que vinha do lado de Torres
e ia para Lisboa, com aqueles barris grandes".
Hoje em dia j nada disto acontece. As estradas esto cheias de
carros e os caminhos, cobertos pelo mato, j nem se veem.
So memrias de um tempo difcil em que, mesmo com pouco
dinheiro, as pessoas viviam satisfeitas e aproveitavam e cuidavam
dos recursos naturais. "Eu s vezes converso com os meus netos,
assim essas coisas, e eles pensam que mentira", desabafa o senhor
Casimiro.

Texto de Ana Frana, Jacqueline Duarte e Pedro Moura, com base num dos motivos
do depoimento de Casimiro Estevo Alexandre (natural de Vila de Canas e nascido
em 1935), entrevistado a 3 de fevereiro de 2016 por Patrcia Peres e Salete Pereira.
Ilustrao de Nuno Reis, da EB Prof. Joo Dias Agudo, AE da Venda do Pinheiro