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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO


TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO
ACÓRDÃO/DECISÃO MONOCRÁTICA
REGISTRADO(A) SOB N°

ACÓRDÃO llilllllllllll!|lllj|!llllllllllllllll

Vistos, relatados e discutidos estes autos de


Agravo de Instrumento n° 990.10.236191-8, da Comarca
de São Paulo, em que é agravante COOPERATIVA
HABITACIONAL DOS BANCÁRIOS DE SAO PAULO -BANCOOP
sendo agravado FABIANA ALESSANDRA DA SILVA ARIMITSU.

ACORDAM, em 8 a Câmara de Direito Privado do


Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte
decisão: "NÃO CONHECERAM DO RECURSO. V. U.", de.
conformidade com o voto do Relator, que integra este
acórdão.

O julgamento teve a participação dos


Desembargadores CAETANO LAGRASTA (Presidente) e
RIBEIRO DA SILVA.

São Paulo, 16 de junho de 2010.

SALLES ROSSI
RELATOR
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Voton0: 12.544
Agravo de Instrumento n°: 990.10.236191-8
Comarca: São Paulo - 22a Vara
Ia Instância: Processo n°: 109933/2009
Agte.: Cooperativa Habitacional dos Bancários de São
Paulo - BANCOOP
Agda.: Fabiana Alessandra da Silva Arimitsu

VOTO DO RELATOR

EMENTA - COMPROMISSO DE COMPRA E


VENDA - COBRANÇA - In ter posição em face de
decisão que rejeitou embargos declaratórios -
Inadmissibilidade - Intempestividade e inadequação
recursal manifestas - Insurgência que deveria ter sido
dirigida, tempestiva e adequadamente, em face da
primeira decisão, cujo prazo para agravar há muito
decorreu - Ademais, ato do Juiz, ao rejeitar embargos
declaratórios, não pode ser caracterizado como
decisão interlocutória - Decisão mantida - Recurso
não conhecido.

Cuida-se de Agravo de Instrumento interposto


contra o r. despacho proferido em autos de Ação de Cobrança que,
apreciando embargos declaratórios opostos pela autora, rejeitou-os,
mantendo a r. decisão anterior (despacho saneador) e, bem assim, a
realização de prova pericial, compelindo à autora arcar com a
honorária do profissional nomeado para tal mister.
Inconformada, recorre a agravante, sustentando a
necessidade de reforma da r. decisão recorrida, tendo em vista que
ajuizou em face da ora agravada ação de cobrança, objetivando o

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recebimento da importância de R$ 79.987,24, oriundo do custo


adicional da unidade habitacional do empreendimento Bela Cintra.
Que o r. despacho saneador determinou a realização de prova pericial,
carreando à ora recorrente o pagamento da honorária pericial.
Prossegue a agravante dizendo que, embora na
inicial tenha protestado genericamente pela produção de todos os
meios de prova, no transcorrer do feito pugnou pelo julgamento do
estado, entendendo suficientes as provas constantes dos autos. Que a
perícia contábil não foi postulada expressamente por nenhuma das
partes. Ademais, a relação em questão não é de consumo, devendo a
controvérsia ser dirimida à luz da Lei 5.764/71. Por tais razões,
requereu a concessão de efeito suspensivo e, ao final, o provimento
recursal, afastando-se a realização da perícia contábil.
Alternativamente, caso se entenda pela necessidade dessa prova, que a
respectiva honorária seja carreada à parte contrária e aqui agravada.
Não houve concessão do efeito postulado.
r

E o relatório.
O recurso não comporta ser conhecido, conquanto
patente sua intempestividade e inadequação.
O inconformismo da cooperativa agravante se
dirige em face da r. decisão juntada por cópia a fls. 21, que rejeitou os
embargos de declaração por ela opostos. Se a r. decisão saneadora que
determinou a realização de prova pericial contábil, carreando à ora
recorrente o pagamento da respectiva honorária, foi contrária aos seus
interesses, deveriam ter manejado o recurso cabível contra a mesma,
no momento próprio e não apresentar embargos, que restaram

AGRAVO DE INSTRUMENTO N° 990.10.236191-8-SÃO PAULO- VOTO N" 12.544 f 2

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rejeitados, para somente então se insurgir contra o decidido


anteriormente. A decisão que desacolheu os embargos nada modificou
aquela proferida antes, que, repita-se, deveria ter sido alvo de recurso
no momento oportuno.
Ora, a r. decisão juntada por cópia a fls. 25 foi
proferida aos 16 de abril de 2010 e disponibilizada no DJE no dia 23
daquele mesmo mês. Tendo sido o presente agravo protocolizado
apenas no dia 20 de maio do corrente, evidente sua intempestividade.
Ademais, os embargos de declaração não reúnem
o condão de suspender ou interromper o prazo para interposição do
recurso cabível.
Anote-se ainda ser inadmissível a interposição de
agravo de instrumento em face de decisão que rejeita ou simplesmente
não conhece dos embargos declaratórios. Assim é que o Magistrado,
ao não conhecer ou rejeitar os embargos declaratórios, pratica ato que
não pode ser caracterizado como decisão interlocutória.
Nesse sentido e direção, decidiu a 10a Câmara de
Direito Privado deste E. Tribunal, no julgamento do Agravo de
Instrumento n. 236.699-4, que teve como Relator o Desembargador
PAULO DIMAS MASCARETTI, cuja ementa possui a seguinte
redação:
"AGRAVO DE INSTRUMENTO
Interposição em face de decisão que não conheceu dos embargos
declaratórios manifestados pelo ora agravante e aplicou a multa
prevista no artigo 538, parágrafo único, do Código de Processo
Civil - Inadmissibilidade - Ato do Juiz que não conhece dos

AGRAVO DE INSTRUM ENTO N° 990.10.236191-8- SÃO PAU LO - VOTO N° 12.544 / " 3

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embargos, ou deles conhece para o fim de rejeitá-las ou mesmo de


acolhê-los que não pode ser categorizado como decisão
interlocutória, desafiando agravo - Recurso não conhecido".
Isto posto, pelo meu voto, não conheço do
recurso.

SALLES ROSSI
Relator

AGRAVO DE INSTRUMENTO N° 990.10.236191-8 - SAO PAULO - VOTO N° 12.544

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