Você está na página 1de 1

RELATRIO DE ESTUDO:

Edith Derdyk: o processo criativo de enxergar o invisvel

Renata Damus
Esttica e Teoria da Arte II
Professor Paulo Antonini

As obras de Edith Derdyk tm como ponto de partida o desenho. Como a prpria artista
relata em entrevistas, pelo desenho que ela constri o seu processo criativo. na ao de
desenhar que ela constri e expe seu raciocnio imagtico e torna perceptvel ao outro um
fragmento extrado do seu processo ininterrupto de pensar e refletir sobre uma questo.
No caso, o objeto de pesquisa da artista a linha, ou se seguirmos o processo contnuo
de suas obras, o desenho da linha em diversos suportes. Em seu processo, Derdyk explora a
linha tanto bi quanto tridimensionalmente e a trata como agente perceptivo, capaz de
desencadear diversos ncleos poticos com aes e procedimentos que levam o espectador
experincia da passagem da linha sobre o plano para a sua projeo e concreo no espao.
No caso de Derdyk, o desenho que ela produz ultrapassa as barreiras de modelos e
normas prontas, para transmitir suas sensaes e seus gestos, criados a partir do seu olhar que
passeia pelas superfcies em busca de seu objeto de trabalho, a linha, e a ela deixa aberta todas as
possibilidades de criao.
Nas palavras de Merleau-Ponty: O olho v o mundo (MERLEAU-PONTY, 2004, p.
19). atravs do exerccio da observao que o olhar se sensibiliza e enxerga o que s vezes ao
outro invisvel. Quando a artista se encontra em seu processo criativo, suas ideias surgem a
partir da observao sensvel do real aliando isso sua capacidade de imaginar e projetar
significados. Durante esse processo, ela, enquanto artista, pensa e imagina solues para seus
problemas e como ir materializar suas ideias. Acontece uma relao de troca entre o olhar que
tateia, o que se sente e o que se imagina. No h uma linearidade, uma sequncia, e s possvel
se chegar a algum ponto quando se confronta o real, o percebido e o imaginado.
Assim, nesse relacionamento da artista com seu objeto, no se sabe quem olha, quem
v, entre o real e a e imaginao, enfim, entre o olho e o esprito.

REFERNCIA

MERLEAU-PONTY, Maurice. O olho e o esprito. In: _____. O olho e o esprito seguido de A


linguagem indireta e as vozes do silncio e A Dvida de Czanne. So Paulo: Cosac & Naif,
2004. p.13-46.