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Viver

,
C O L E Ç Ã O

Aprender 6 Ensino
o
Fundamental ANO

Contextos de vida e trabalho
Carolina Amaral de Aguiar • Claudio Bazzoni
Denise Mendes • Dulce Satiko Onaga
Fábio Madeira • Helena Henry Meirelles
Heloisa Cerri Ramos • José Carlos Fernandes Rodrigues
Maria Cecilia Guedes Condeixa • Marina Marcos Valadão
Mirella Laruccia Cleto • Roberto Giansanti
Rosane Acedo Vieira • Sueli Aparecida Romaniw

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

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Hino Nacional
Letra: Joaquim Osório Duque Estrada
Música: Francisco Manuel da Silva

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas Deitado eternamente em berço esplêndido,
De um povo heroico o brado retumbante, Ao som do mar e à luz do céu profundo,
E o sol da liberdade, em raios fúlgidos, Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante. Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Se o penhor dessa igualdade Do que a terra mais garrida
Conseguimos conquistar com braço forte, Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
Em teu seio, ó liberdade, “Nossos bosques têm mais vida”,
Desafia o nosso peito a própria morte! “Nossa vida” no teu seio “mais amores”.

Ó Pátria amada, Ó Pátria amada,
Idolatrada, Idolatrada,
Salve! Salve! Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido Brasil, de amor eterno seja símbolo
De amor e de esperança à terra desce, O lábaro que ostentas estrelado,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido, E diga o verde-louro desta flâmula
A imagem do Cruzeiro resplandece. – Paz no futuro e glória no passado.

Gigante pela própria natureza, Mas, se ergues da justiça a clava forte,
És belo, és forte, impávido colosso, Verás que um filho teu não foge à luta,
E o teu futuro espelha essa grandeza. Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada, Terra adorada
Entre outras mil, Entre outras mil,
És tu, Brasil, És tu, Brasil,
Ó Pátria amada! Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil, Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada, Pátria amada,
Brasil! Brasil!

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Carolina Amaral de Aguiar
Doutora em História Social pela Universidade de São Paulo
Claudio Bazzoni
Licenciado em Letras e professor de Língua Portuguesa para a EJA
Denise Mendes
Mestre em História e professora de História para o Ensino Médio
Dulce Satiko Onaga
Licenciada em Matemática e autora de livros didáticos para a disciplina
Fábio Fernandes Madeira Lourenço
Pós-doutor em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas
Helena Henry Meirelles
Licenciada em Matemática e professora de Matemática para a EJA
Heloisa Cerri Ramos
Licenciada em Letras e formadora de professores para a disciplina de Língua Portuguesa
José Carlos Fernandes Rodrigues
Licenciado em Matemática e mestre em Educação Matemática
Maria Cecilia Guedes Condeixa
Licenciada em Biologia e consultora para o ensino de Ciências
Marina Marcos Valadão
Enfermeira, doutora em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo
Mirella Laruccia Cleto
Licenciada em Letras e professora de Língua Portuguesa para o Ensino Médio
Roberto Giansanti
Licenciado em Geografia e autor de livros didáticos para a disciplina
Rosane Acedo Vieira
Licenciada em Arte, formadora de professores e autora de materiais didáticos para a disciplina
Sueli Aparecida Romaniw
Licenciada em Letras e professora de Língua Espanhola para Ensino Médio e Superior

2a edição, São Paulo, 2013

© Ação Educativa, 2013
2ª edição, Global Editora, São Paulo 2013

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Diretor editorial Diretoria
Jefferson L. Alves Maria Machado Malta Campos
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Dulce S. Seabra Orlando Joia
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Coordenadora editorial Coordenação editorial
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Edição e produção editorial Consultoria
Todotipo Editorial Denise Delegá (Língua Inglesa)
Assistente editorial Assistentes editoriais
Rubelita Pinheiro Dylan Frontana
Fernanda Bottallo
Revisão de texto
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Alexandra Fonseca Camila Cysneiros
Ana Luiza Couto Apoio
Aracelli de Lima EED – Serviço de Igrejas Evangélicas na
Enymilia Guimarães Alemanha para o Desenvolvimento
Hires Héglan
Isaura Kimie Imai Rozner
Izabel Cristina Rodrigues
Luciane Boito
Marcos Santos
Marcos Visnadi
Teresa Cristina Duarte Silva
Vera Lucia da Costa
Pesquisa iconográfica
Tempo Composto
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Pingado Sociedade Ilustrativa
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Colabore com a produção científica e cultural.
Proibida a reprodução total ou parcial desta obra
sem a autorização do editor.
No de Catálogo: 3489

Apresentação

E sta obra é destinada a jovens e adultos que iniciam ou retomam seus estudos
no segundo segmento do Ensino Fundamental.
A elaboração da coleção parte do princípio de que a educação, além de um
direito, é uma chave importante para o exercício da cidadania e para a plena par-
ticipação na vida social. Dessa forma, a coleção tem o propósito de oferecer livros
de qualidade, que atendam às necessidades específicas de aprendizagem de jovens
e adultos.
O livro compõe um conjunto de quatro volumes integrados, com propostas
de leitura e escrita, conhecimentos matemáticos e científicos, além de temas rele-
vantes da área de Ciências Humanas, que possibilitam uma melhor compreensão
de aspectos da realidade brasileira e mundial. Como em toda obra didática, não
temos a pretensão de esgotar conteúdos. Realizamos uma seleção de assuntos e
conceitos que consideramos essenciais para jovens e adultos que buscam ampliar
a sua formação acadêmica e prosseguir em seus estudos.
As abordagens das diferentes áreas de conhecimento orientaram-se pelo res-
peito à dignidade humana, à igualdade de direitos, à participação e pela correspon-
sabilidade pela vida social. Estudar significa aprender em uma multiplicidade de
sentidos: aprendemos conceitos básicos das diversas áreas do conhecimento, desen-
volvemos habilidades e podemos nos tornar também mais competentes para refletir
sobre o mundo que nos cerca, em seus muitos aspectos.
Desejamos, assim, que esse material didático seja um meio para que jovens e
adultos consigam maior qualificação escolar. Mas, além disso, criamos um mate-
rial didático com a intenção de proporcionar um conhecimento significativo aos
estudantes, que trazem para a sala de aula muitas vivências pessoais e profissionais.

Os autores

Sumário

UNIDADE 1 – LÍNGUA PORTUGUESA

Capítulo 1 – O mundo da leitura, a leitura do mundo 9

Capítulo 2 – A vida contada em versos 20

Capítulo 3 – Acesso ao universo da ciência 33

Capítulo 4 – O que é que o jornal tem? 49

Bibliografia 70

UNIDADE 2 – ARTE

Capítulo 1 – Arte, para quê? 75

Capítulo 2 – Quem faz arte? 90

Bibliografia 107

UNIDADE 3 – LÍNGUA ESTRANGEIRA MODERNA

Capítulo 1 – Língua Inglesa – Comece tentando entender 111
Capítulo 2 – Língua Inglesa – Brasileiros ilustres 127

Capítulo 3 – Língua Espanhola – ¿Hispánico o hispanoamericano? 140

Capítulo 4 – Língua Espanhola – ¿Con quién vives? ¿Dónde vives? 156

Bibliografia 172

UNIDADE 4 – HISTÓRIA

Capítulo 1 – Quem são os brasileiros? 177

Capítulo 2 – Brasil antes e depois de Cabral 193

Capítulo 3 – Trabalho livre e escravo no Brasil 213

Bibliografia 229

UNIDADE 5 – GEOGRAFIA

Capítulo 1 – Espaço geográfico e vida humana 233

Capítulo 2 – O campo e a cidade 255

Capítulo 3 – Mundo em movimento 277

Bibliografia 297

UNIDADE 6 – CIÊNCIAS

Capítulo 1 – Água, saúde e ambiente 301

Capítulo 2 – Ambiente e saneamento básico 318

Bibliografia 332

UNIDADE 7 – MATEMÁTICA E FATOS DO COTIDIANO

Capítulo 1 – Descobrindo regularidades 337

Capítulo 2 – Mulheres, mercado informal e a Matemática 353
Capítulo 3 – Relações de trabalho e Matemática 373

Capítulo 4 – Escolaridade e trabalho 386

Bibliografia 400

UNIDADE 1 Língua Portuguesa .

.

como o porquinho da tira. lemos o mundo.Capítulo 1 LÍNGUA O mundo da leitura. menino despacha- cas a Xaxado.. criada pelo quadrinista baiano Antonio Cedraz. Já recebeu rotina mais lúdica da vida na roça prêmios importantes por suas histórias em quadrinhos. Ele é acompanhado por outras personagens. que Intercontinental Press Antonio Cedraz têm humor e um toque de crítica Nasceu em Miguel Calmon. falam dos encantos e pro- de ser quadrinista. com base na nossa experiência. estamos fazendo leituras. Zé Pequeno entrega algumas ervas fres. o arrogante Arturzinho. reúna-se com seus colegas para responderem juntos às se. flores. cascas. trabalhou também como professor e blemas da nossa terra: a seca. componentes que popularmente são considerados medicinais e também capazes de afastar o azar. banho de cheiro. É um banho no qual se misturam ervas. ou seja. Que finalidades podem existir nesse ato? do. pal é Xaxado. As histórias. por exemplo) pode ter mais de um sentido. Turma do Xaxado guintes questões: É formada por personagens tipicamente brasileiras. Quando avaliamos o que nos cerca e atribuímos um sentido a isso. um dos cangaceiros de 3. na Bahia. a ecologista Marinês e seu irmão. Em 1998 criou a Turma do Xaxado. Veja como o que lemos (um gesto. A princi- 1. O que o porquinho achou que os dois fariam com aquelas ervas? do avô. folhas. banho-cheiroso. o músico Capiba. No primeiro quadrinho. Leia a tirinha abaixo. as atitudes das pessoas. 6º ano 9 . Le- mos o ambiente. como o pre- texto.. Além social. seus olhares. Enfim.. resinas etc. essências. As pessoas constroem sentidos diante de uma situação ou de um Lampião. Que exemplos do dia a dia vocês guiçoso Zé Pequeno. PORTUGUESA a leitura do mundo E stamos sempre lendo. e as figuras do folclore nacional. RODA DE CONVERSA Pensando nos muitos sentidos que podemos atribuir a um texto. Estúdio Cedraz/Intercontinental Press GLOSSÁRIO Banho de folha: conhecido também como banho de ervas. a intelectual podem citar para confirmar essa declaração? Marieta. em 1945. que está sempre alerta para preservar as tradições herdadas 2. a bancário.

2012...] O Capitão. algo. Todavia um deles fitou o colar do colares. ao Capitão. Disponível em: <www. brancas. precisa dele. por exemplo. já os bichinhos teriam o que temer. Acesso em: 17 jul. sinal que lhas dessem e folgou muito com elas.. O sentido do que lemos não é único. havia ouro na terra. Manuel. aos pés uma alcatifa por estrado. como se dariam ouro por aquilo. como os animais.] Folgar: ficar satisfeito...dominiopublico. O PAPEL DO LEITOR Um texto pode ter vários significados. pulseiras etc. ao pescoço [. Tudo isso mostra que o leitor é muito importante no processo de leitura. e lançou-as Rosário: fileira de contas usadas para fazer ao pescoço. como eram as terras recém-conhecidas e que expectativas havia em relação às explorações das terras. que uma amiga de Zé Pequeno e Xaxado também tenha observado a cena. Você acha que ela teria a mesma reação que os animais? Provavelmente nenhuma das possibilidades deixaria a amiga deles preocupada. como se lá também houvesse prata! [.gov. como o terço.. E também olhou para um castiçal de prata e Estrado: suporte sobre o qual se apoia assim mesmo acenava para a terra e novamente para o castiçal. com um colar de ouro. Leia a seguir um trecho de uma carta que ele escreveu a dom Manuel: [. Fitar: olhar fixamente. Trata-se da carta do achamento do Brasil.... nem a alguém. Nas esquadras que faziam as longas e perigosas viagens marítimas nos séculos XV e XVI. Tem três vezes o acenava para a terra e novamente para as contas e para o colar tamanho do terço.. o escrevente era um português chamado Pero Vaz de Caminha. E eles Castiçal: peça que tem um bocal para apoiar uma vela. banquinho para descanso dos pés. Suponha. terra. entraram. mui grande. e depois tirou-as e meteu-as em volta do braço. E o sentido que damos a cada um des- ses possíveis significados pode variar de acordo com o ponto de vista de quem lê. Carta a el rei d. havia um escrevente. e que ela tenha pensado nas mesmas possibi- lidades que o porquinho. do Capitão. alegrar-se. mas esperando ser descoberto. como se quisesse dizer-nos que Escrevente: pessoa que escreve. fez Mui: forma antiga da palavra “muito”.]. você vai ler um trecho de um documento muito importante na história do nosso país. nem imutável. No caso da esquadra que chegou ao Brasil em 22 de abril de 1500. Viu um deles umas contas de rosário. nem de falar Conta: peça pequena usada em rosários. e depois para o colar. Pero Vaz de. Sua função era relatar ao rei tudo que acontecia.pdf>. ainda que tenham entendido a mesma coisa por meio do gesto.. e bem vestido.br/download/texto/bv000292. O sentido não está pronto nas coisas.] CAMINHA. 10 Língua Portuguesa . Leram o mesmo gesto de formas distintas.. Podemos então afirmar que essa menina e os animais atribuíram sentidos di- ferentes às mesmas ideias. Alcatifa: tapete espesso e bem macio. e orações. quando eles vieram. estava sentado em GLOSSÁRIO uma cadeira. e começou a fazer acenos com a mão em direção à Cortesia: gentileza. Mas nem sinal de cortesia fizeram. LER CARTA Para esta atividade. Capitão. O sentido depende do leitor. [.

Caminha poderia ter atribuído outros sentidos aos gestos dos nativos. Depois de ser sua resposta. quando observamos e sentimos as coisas que nos cercam. AS PALAVRAS. que se chama Torre do com pares de colchetes – [ ] – a parte que mostra a interpretação que ele Tombo. sem dessas terras a) Qual era o comportamento esperado? que os portugueses haviam conhecido. lida pelo rei. Em “Mas nem sinal de cortesia fizeram. No início desse trecho da carta. sublinhe a parte que indica esses gestos e marque Português. alguém”. Daí a importância da linguagem verbal. nem de falar ao Capitão. o que fez Caminha interpretar que havia essas Marinha Real do Rio riquezas nas nossas terras? de Janeiro. Um navio da a) Que detalhes são apresentados? esquadra levou a b) Com base nesses detalhes. Central do Estado prio texto reproduzido. Qual é o nome do capitão que o escrevente cita na carta? achamento do Brasil 3. Foi nessa época que ela se tor- 7. Responda às questões a seguir. a carta foi guardada como 4. não nos satisfazemos apenas em perceber ou sentir. O escrevente Pero Vaz de Caminha lê alguns gestos dos nativos. faz barulho? Essa pergunta. Pero Vaz de Caminha mostra que provavelmente esperava certo para evitar que os espanhóis soubes- comportamento dos nativos. logo somos dominados por uma vontade de comunicá-lo. No pró. Ao trazer o mundo para dentro de nós. o escrevente descreve o capitão. OS SENTIDOS Uma árvore que cai no meio da floresta. ao menos um. no primeiro parágrafo? A carta do 2. da carta foi encon- trada no Brasil em 6. A quem o escrevente se refere quando redige “eles”. Mas. de repartir com outras pessoas o nosso testemunho. parece que as coisas não acontecem. Essa reflexão revela também que. na maioria das vezes. da lingua- gem que usa palavras. sem ninguém ali por perto para ouvir. b) Por que o escrevente teria essa expectativa? Ficou guardada (e c) Que leitura você faz dessa expectativa do escrevente? esquecida) por mui- tos anos no Arquivo 5. Cite nou pública. expressá-lo. 6º ano 11 . Elas ajudarão você a interpretar o texto. CONHECER MAIS 1. que leitura você faz do capitão? carta de Pero Vaz de Caminha para Por- c) Você acha que os nativos do Brasil fizeram a mesma leitura? Explique tugal. Se não há olhos para ver nem ouvidos para escutar. tem um sentido profundo e ajuda-nos a refletir sobre a necessidade de haver alguém para testemunhar as coisas. nem a documento secreto. Na sua opinião. que parece brincadeira. isto é. Uma cópia fez dos gestos. trazemos o mundo para dentro de nós. Só bem depois de a carta ter sido escrita foram encontrados ouro e prata 1817 no Arquivo da no Brasil.

poderemos ampliar a capacidade de compreensão e admiração do mundo. Mas o que tudo isso tem a ver com o estudo de língua portuguesa? Muita coisa! Vamos esclarecer! A palavra também é um signo. isto é. Assim. representa algo. estu- dando qualquer língua). 12 Língua Portuguesa . em sinal de afeição. Podemos perceber essa aproximação quando pensamos em indústria têxtil. Um sinal ou símbolo sempre se refere a outra coisa. ouve e vê. o amor. Para refletir sobre o funcionamento da linguagem verbal. Costumava-se também usar desse meio para reconhecer pessoas. por trás da moeda partida ou de qualquer outro sinal ou símbolo. Assim. significa aquilo que foi tecido. OS TEXTOS. está presente a ideia dos fios que são tramados. leitores das palavras e do mundo. depois de uma longa separação. Tanto no texto como no tecido. havia sempre um significado: a amizade. que é perceptível para quem o lê. O que define um texto é o sentido ou os sentidos que o autor pretendeu alcançar quando o criou. É importante lembrar que a palavra texto tem relação com tecido. pois há também textos visuais (um quadro. Pois bem. E. cabendo uma parte a cada um – cada metade era um sinal de amizade. por trás deles está o que é simbolizado por eles. as palavras também precisam de alguém que revele seus sentidos. verbais e visuais (um filme. Texto. sinais e símbolos são considerados signos. entrelaçados para criar um todo. quando tinham de separar-se dos filhos por longo tempo. Também era comum. uma foto). um objeto. estudando a língua portuguesa (na verdade. vamos partir de um exemplo. É por isso que temos de assumir nosso papel de leitores. entre os amigos. uma coisa que torna presente outra coisa. E quando olhamos para esse todo – seja o tecido. Palavras faladas ou escritas nos levam a refletir sobre fatos da realidade. ela evoca algo. costumava lhe dar. Nesse sentido. Era um sinal de reconhecimento. lançavam mão de algum símbolo para posteriormente reconhecê-los. como signo. certa unidade. enxergamos algo que é uma unidade. fazem- -nos conhecer experiências humanas que alimentam os desejos e os sonhos. Os pais. Na Grécia antiga. uma história em quadrinhos). Não há como negar: as palavras são signos com os quais lidamos a todo instante. um signo linguístico. Elas são organizadas em textos para expressar sentidos aos leitores e ouvintes. a união. Se para fazer barulho a árvore precisa de alguém que a ouça. seja o texto – nem percebemos os vários fios. você refletirá sobre os diversos modos como as palavras são usadas. Aprimorando nossa maneira de ler. quando alguém recebia a visita de um hóspede. o que define um texto não é a presença de palavras. OS SENTIDOS As palavras não são empregadas isoladamente. partir uma moeda pelo meio. em seu sentido original. sonoros (uma sinfonia).

Essa definição e a ideia de que “textos são objetos simbólicos que pedem para
ser interpretados” nos dão uma dica importante: não é possível ler sem interpre-
tar. E a interpretação de um texto não ocorre depois, mas durante a leitura. Ao ler,
o leitor vai estabelecendo relações entre as ideias apresentadas, refletindo sobre
a maneira como o texto foi organizado, inferindo a intenção do autor, enfim, vai
descobrindo os sentidos.

LER TIRA

L eia a tira da turma do X axado. E m segui da, responda à s questõe s.

Estúdio Cedraz/Intercontinental Press
1. Ginuíno levantou suspeitas contra o goleiro. Em que dado a leitura dele se baseia?
2. O colega de Ginuíno não fez a mesma leitura.
a) O que ele alega para justificar sua discordância?
b) Em que circunstância a justificativa do colega de Ginuíno seria coerente?
3. Em um diálogo, as falas podem revelar a imagem que as pessoas têm umas das outras. Que ima-
gem Ginuíno provavelmente tem de seu colega?
4. Que nome se dá à situação que envolve o goleiro?
5. A tira usa a linguagem verbal? Justifique sua resposta.
6. A tira usa alguma linguagem não verbal? Em caso afirmativo, mencione.
7. Quando queremos mencionar o que está no interior dos balões, costumamos usar a palavra texto.
Neste caso, a que tipo de texto, especificamente, estamos nos referindo?
8. Essa tira da Turma do Xaxado, formada por dois quadrinhos, é um texto. Que característica da
tira nos permite fazer essa afirmação?

TEXTOS FICCIONAIS E NÃO FICCIONAIS
Para ler bem um texto, um procedimento importante é avaliar logo de início se
ele é ficcional ou não ficcional. Ficção quer dizer “invenção”, “simulação”, “imagi-

6º ano 13

nação”. O autor de um texto ficcional inventa um mundo que pode ser totalmente
diferente do nosso ou reinventa nosso mundo real na imaginação dele. Como fez o
quadrinista Antonio Cedraz, autor da tira que você leu no começo deste capítulo.
Os textos ficcionais podem ser escritos em prosa, ou seja, organizados em
frases e parágrafos. É o caso dos romances, por exemplo. E também podem ser
escritos em versos, organizados em estrofes, com ou sem rimas, conforme você
verá no próximo capítulo.
Os textos que apresentam um “toque poético” são considerados obra de arte,
pois produzem um tipo de emoção que as obras de arte costumam provocar. Você
já ouviu uma música ou uma história, ou viu um quadro ou uma foto, e sentiu
o coração bater mais forte? Sentiu um nó no peito, os olhos cheios de água, uma
vontade maluca de rir? Emoções assim costumam ser geradas por obras de arte,
entre elas o texto literário.
Para fazer a leitura pessoal do mundo, o autor de um texto literário seleciona
e combina palavras. É essa combinação cuidadosa de palavras que torna o texto
artístico. Por isso, diante de textos artisticamente pensados, é importante obser-
var o que o autor “diz” (o conteúdo) e “como ele diz” (a maneira como o texto está
escrito). A maneira especial como as palavras estão organizadas e encadeadas
produz efeitos que geram reações emocionais.
Já o autor de um texto não ficcional não se preocupa com isso. Um cientis-
ta, por exemplo, procura apresentar de forma objetiva a realidade. Ele busca en-
tender a natureza e escrever os textos científicos a partir do que observa. Claro
que ele pode imaginar teorias e escolher palavras belas para seu texto, mas sua
intenção principal não é inventar. O cientista quer explicar, com objetividade, o
funcionamento do mundo.

LER TEXTOS FICCIONAIS E NÃO FICCIONAIS

Leia os três textos a seguir.

Coveiros da natureza
A vida de um organismo costuma ser dividida em quatro fases: nascimento,
crescimento, reprodução e morte. Após a morte, o ser vivo será consumido aos poucos
por diversas criaturas – como fungos, bactérias e animais – chamadas necrófagas,
palavra de origem grega que significa “que come os mortos”. [...] a atividade dos
necrófagos é fundamental para o equilíbrio da natureza, pois promove a reciclagem de
nutrientes da cadeia alimentar.
Os besouros do gênero Coprophanaeus formam um grupo interessante de
besouros-carniceiros. Ao encontrarem um animal morto, usam as pernas e a cabeça
para arrancar pedaços de carne, que são usados para alimentar suas larvas.
[...]
COSTA, Henrique Caldeira. Coveiros da natureza.
Disponível em: <http://chc.cienciahoje.uol.com.br/coveiros-da-natureza>. Acesso em: 18 maio 2012.

14 Língua Portuguesa

O velho ambicioso
Um velho tinha um filho muito trabalhador. Não podendo ganhar a vida como
desejava em sua terra, despediu-se do pai e seguiu viagem para longe a fim de trabalhar.
A princípio mandava notícias e dinheiro, mas depois deixou de escrever e o velho o
julgava morto. Anos depois, numa tarde, chegou à casa do velho um homem e pediu
agasalho por uma noite. Durante a ceia conversou pouco e deitou-se logo para dormir.
O velho, reparando que o desconhecido trazia muito dinheiro, resolveu matá-lo. Relutou
muito, mas acabou cedendo à tentação e assassinou o hóspede, enterrando-o no quintal
do sítio. Voltou para a sala e abriu a mala do morto. Encontrou a prova de que se tratava
do próprio filho, agora rico, e que vinha fazer-lhe uma surpresa. Cheio de horror, o pai e
matador foi entregar-se à justiça e morreu na prisão, carregado de remorsos.
Contado por Mons. Alfredo Pegalo, em Natal, Rio Grande do Norte
CASCUDO, Luís da Câmara. Contos tradicionais do Brasil para jovens. São Paulo: Global, 2006. p. 56.

Cidade italiana cria lei que proíbe moradores de morrer
Município com 4 000 habitantes alega que não tem mais onde enterrar mortos
O prefeito da cidade de Falciano Del Massico, Giulio Cesare Fava, assinou um
decreto inédito para o município com cerca de 4 000 habitantes. A lei proíbe que os
residentes morram, como indica o texto:
“Os cidadãos não poderão cruzar as fronteiras da vida terrestre e adentrar o além.”
Fava alega que o cemitério da cidade está lotado e que não tem verba suficiente
para construir outro. O município da cidade vizinha, Carinola, também está cheio.
O prefeito não divulgou como será feita a punição para o decreto. Desde que ele
anunciou a lei, dois idosos morreram.
Fava diz que pretendia provocar as autoridades do governo central e a prefeitura
de Carinola, que não estaria colaborando ao abrir novas vagas no cemitério. Ele afirma que
os moradores de Falciano Del Massico se divertiram muito com a medida.
“As pessoas na cidade estão fazendo abaixo-assinados e já tem dono de terra
prometendo oferecer áreas para a prefeitura usar para construção de cemitérios.”
Disponível em: <http://noticias.r7.com/internacional/noticias/
cidade-italiana-cria-lei-que-proibe-moradores-de-morrer-20120315.html>. Acesso em: 21 set. 2012.

Classifique os textos em ficcional ou não ficcional. Em seguida, justifique por que você deu
essa classificação.

a) “Coveiros da natureza”

b) “O velho ambicioso”

6º ano 15

c) “Cidade italiana cria lei que proíbe moradores de morrer”

PLANEJANDO A FALA

No seu dia a dia são comuns as situações de fala. Nesta seção você também vai praticar a lín-
gua portuguesa na modalidade oral. A diferença é que a fala aqui será planejada, pois fará parte
de uma situação de apresentação pública.
Junto com alguns colegas, você vai se encarregar de contar uma história a um grupo da classe.
E esse grupo também vai se organizar para contar uma história a vocês.

Sigam estas etapas:

1. Conforme as orientações do professor, formem grupos de 4 ou 5 alunos.
2. Leiam o texto que o professor indicar a cada grupo. Será um dos tex-
tos transcritos nas páginas seguintes. O professor também vai orientá-los
como realizar a leitura.
3. Dividam o texto em algumas partes. O tamanho dessas partes pode va-
riar, o importante é que cada uma tenha unidade de sentido.
4. Encarreguem cada componente do grupo de contar uma parte do texto.
5. Estudem, individualmente, o conteúdo que ficou por sua conta.
6. Ensaiem, no próprio grupo, a apresentação oral. Para isso, o aluno que fi-
cou com a primeira parte começa a contar a narrativa, seguido por aquele
que ficou com a parte seguinte, e assim sucessivamente até o última pes-
soa do grupo.
7. Comentem a apresentação de cada colega, observando:
• o tom de voz;
• se a pessoa transmitiu o conteúdo do texto original;
• se deu destaque aos detalhes importantes;
• se buscou envolver quem estava ouvindo.

8. Ensaiem quantas vezes julgarem necessário.
9. No dia marcado pelo professor, dois grupos que prepararam narrativas
diferentes ficarão juntos. Um grupo conta sua história ao outro.
10. Após o término da apresentação, conversem sobre o que acharam das
histórias e da experiência de falar em público.

16 Língua Portuguesa

Uma questão de interpretação
Havia certa vez, em certo reino, um mosteiro habitado por monges jovens e
idosos, que passavam o dia em preces, contemplações e estudos.
Um dia, um novo rei subiu ao trono e quis conhecer melhor seus domínios.
Ao passar pelo mosteiro, ficou maravilhado com os jardins e a paisagem do
lugar. Imediatamente cobiçou o mosteiro para si, já pensando em transformá-lo em
residência de veraneio.
No entanto, não podia expulsar assim, sumariamente, os religiosos. Isso o indisporia
com seus súditos e ministros. Resolveu, então, conseguir o que queria de modo mais sutil.
Proclamou que desconfiava de que aqueles monges não tivessem, ali, a austeridade e
a vida dura necessárias para ampliar seus conhecimentos. Assim, seria melhor saírem de lá e
mendigarem pelas aldeias. Para comprovar que os monges eram ignorantes, promoveria um
debate. Os monges poderiam escolher um dentre eles para debater com o sumo sacerdote
da corte. Se o sacerdote ganhasse o debate, ficariam comprovadas as desconfianças do rei, e
os monges seriam expulsos. Mas se, porventura, o sacerdote viesse a reconhecer sua derrota,
então os monges ganhariam o direito de habitar o monastério para sempre.
Os monges tremeram ao saber da resolução do rei. O sumo sacerdote era famoso
por seus conhecimentos, sendo especialista em filosofia, teologia e todas as outras ciências
da época. Convocaram uma reunião e tentaram decidir quem seria o debatedor. Porém,
nenhum dos monges se propunha a tão difícil tarefa. A reunião estava num momento de
impasse, quando o jardineiro do convento, um homem muito simples, apresentou-se como
voluntário. Houve um murmúrio de desaprovação, mas o monge superior foi prático:
– Não temos voluntário algum. Isso quer dizer que, se não há outra saída, esta
é a única saída.
E no dia marcado para o debate, o jardineiro, acompanhado por alguns
monges, apresentou-se no palácio, onde já o esperavam o rei, o sacerdote e todos os
homens doutos e poderosos da corte.
Teve início o debate. O sacerdote prometera a si mesmo que derrotaria o
adversário sem nem sequer pronunciar uma palavra. Depois de olhá-lo com desprezo,
apontou o dedo para cima. O jardineiro, sem se perturbar, apontou o dedo para o chão.
O sacerdote pareceu ficar desconcertado. Mostrou-lhe então um dedo, diante de seu
nariz. O jardineiro não teve dúvidas: mostrou-lhe os cinco dedos, com a mão toda aberta.
O sacerdote titubeou. Com uma expressão de raiva e desespero, tirou do bolso
uma laranja. O jardineiro, muito tranquilo, tirou do bolso um pãozinho.
O sacerdote empalideceu e pediu ao rei que encerrasse o debate. Ele reconhecia
a derrota e declarava que nunca encontrara um oponente tão sábio.
O rei foi obrigado a cumprir sua palavra e assinou o compromisso de que os monges
conservariam o monastério para sempre. Assim que os vencedores deixaram o palácio, todos
se reuniram com o sacerdote, querendo que ele explicasse, o que, afinal, tinha sido discutido.
– Quando apontei o dedo para cima – disse o sacerdote –, quis declarar que só a
sabedoria dos céus é o que conta neste mundo. Mas ele, apontando para a terra, rebateu
dizendo que, embora não possamos deixar de considerar os céus, somos homens e
vivemos na terra. Então, mostrando-lhe um único dedo, argumentei que somos frágeis,
pois estamos sozinhos. E ele sabiamente me fez pensar que não, que estamos cercados
por outros homens, nossos irmãos. Finalmente, ao mostrar a laranja, rebati suas ideias,
lembrando-o de que a natureza é mais forte do que o homem, pois sabe criar coisas que
ele jamais criaria. Foi aí que ele me deu o golpe de misericórdia: ao mostrar-me o pão,
lembrou-me de que o homem é capaz de conhecer e modificar a natureza, criando obras
que, sozinha, ela não pode fazer.

6º ano 17

Todos ficaram estupefatos com a sabedoria revelada pelos monges.
Enquanto isso, no monastério, os monges se reuniam ao redor do jardineiro,
que explicava:
– Foi muito simples. Quando ele apontou para cima, mostrando que ia chover,
eu mostrei-lhe o chão, dizendo que seria bom, pois a terra necessita de chuva. Depois
ele me pareceu aborrecido e me mostrou um calo no seu dedo. Querendo ser gentil,
mostrei-lhe minha mão toda, para que ele visse que isso não tem importância: eu
tenho calos em todos os dedos! E, quando ele tirou a laranja do bolso, pensei que
fosse hora do lanche e peguei meu pão.
PAMPLONA, Rosane; MAGALHÃES, Sônia (Org.). O homem que contava histórias. São Paulo: Brinque-Book, 2005. p. 28-31.

Os três homens atentos
Três homens caminhavam juntos por uma estrada quando passou por eles um
velho muito apressado.
– Por acaso vocês viram o meu camelo? – ele perguntou, cheio de preocupação.
O primeiro homem respondeu-lhe com outra pergunta:
– Seu camelo é cego de um olho?
– É sim – disse o cameleiro.
– Ele não tem um dos dentes da frente? – continuou o segundo homem.
– É isso mesmo.
– É manco de uma perna? – completou o terceiro.
– Com certeza – ele afirmou.
Os três homens o aconselharam a seguir na direção de onde eles tinham
vindo, que logo encontraria seu camelo. O cameleiro agradeceu muito a indicação e se
foi. Mas nem sinal do camelo.
“Vou voltar correndo para falar mais uma vez com aqueles viajantes”, ele disse para
si mesmo. “Quem sabe poderão me dizer mais claramente em que lugar eles o viram.”
No final do dia, já quase sem forças, o dono do camelo avistou os três homens
descansando debaixo de uma amendoeira à beira da estrada.
– Não achei nada – ele gritou.
– O camelo levava duas cargas, de um lado mel e do outro milho? – perguntou
o primeiro homem.
– Sim – respondeu o cameleiro, bastante ansioso.
– Uma mulher grávida estava montada nele? – quis saber o segundo.
– Era minha mulher – falou o cameleiro.
– Sinto muito – disse finalmente o terceiro homem. – Nós não vimos o seu camelo.
O cameleiro foi embora desapontado, mas no caminho começou a juntar os fatos.
“Se eles sabem de tudo isso, é claro que estão escondendo de mim alguma coisa importante.
E se estão escondendo, é porque foram eles que roubaram meu camelo, a carga e também
minha mulher. São ladrões perigosos, mas não vão me enganar.” Correu até o juiz e contou
toda a história, muito nervoso. O juiz achou que o cameleiro tinha motivos mais que justos
para suspeitar daqueles homens, e ordenou que os prendessem como ladrões. Enquanto
isso, iria mandar investigar os fatos, para confirmar a culpa dos viajantes.
Algum tempo depois, o cameleiro voltou para casa e encontrou a mulher
cozinhando um delicioso carneiro para o jantar. Ela disse que deixara o camelo no
campo perto da casa de sua comadre, onde tinha parado para conversar.
O cameleiro retornou à corte e, pedindo desculpas por ter se enganado, disse
ao juiz que podia libertar os homens.

18 Língua Portuguesa

O juiz mandou chamar os três viajantes.
– Se vocês nem sequer tinham visto o camelo, como podiam saber tantas
coisas sobre ele? – perguntou, cheio de curiosidade.
– Bem – disse o primeiro homem –, nós vimos suas pegadas no caminho.
– Uma das pegadas era mais fraca que as outras, por isso deduzimos que era
manco – disse o segundo.
– Além disso, ele tinha mordiscado o mato de um lado só da estrada e, assim,
devia ser cego de um olho – continuou o terceiro.
O primeiro seguiu falando:
– As folhas estavam rasgadas, o que indica que o camelo tinha perdido um dente.
E o terceiro:
– De um lado do caminho vimos abelhas sobre os restos de alguma coisa no
chão e, do outro lado, havia formigas sobre um outro monte. As abelhas comiam o
mel que havia caído da carga, e as formigas recolhiam os grãos de milho.
– Também vimos alguns fios de cabelo humano bem compridos que só
podiam ser de uma mulher. Eles estavam bem no lugar onde alguém tinha parado um
animal e depois descido – disse o primeiro homem.
– No lugar onde a mulher sentou, observamos as marcas das duas palmas das
mãos, o que nos levou a pensar que ela precisara apoiar-se, tanto para sentar como para
levantar. Assim deduzimos que a mulher estava grávida – completou o segundo homem.
O juiz ficou impressionado.
– Mas por que não se defenderam, se não tinham culpa de nada?
– Porque nós sabíamos que ninguém iria roubar um camelo manco, cego
de um olho, sem um dente, levando uma mulher grávida! E que logo seu dono iria
encontrá-lo. Sabíamos também que ficaria envergonhado e viria até a corte para
corrigir o erro – disseram os três juntos.
Naquela noite, o juiz, antes de dormir, ficou um tempão sentado na cama
lembrando do seu camelo. Nunca tinha reparado se ele era manco, ou se era cego de
um olho, ou se lhe faltava um dente.
Quanto aos três homens, até hoje viajam pelos caminhos do mundo, realizando
o trabalho que lhes foi destinado.
MACHADO, Regina. A formiga Aurélia e outras formas de ver o mundo. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1998. p. 19-22.

PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS
Livro Dezenove poemas desengonçados
O poeta apresenta várias situações em que ocorrem experiências de leitura e que não têm
obrigatoriamente relação com o texto verbal.
Aula de leitura. In: AZEVEDO, Ricardo. Dezenove poemas desengonçados. São Paulo: Ática, 1999.

Sites Série formação do leitor – parte 1
O site traz um episódio do programa Categorias Literárias, exibido pela Biblioteca Virtual do
Estudante de Língua Portuguesa (BibVirt). É possível baixar um arquivo de áudio que descreve
o processo de leitura e as habilidades necessárias para entender um texto. Inclui a narração do
conto “A primavera da lagarta”, de Ruth Rocha, para exemplificar.
Disponível em: <http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/handle/mec/2792>. Acesso em: 18 jul. 2012.

Série formação do leitor – partes 8 e 9
Mais episódios do programa Categorias Literárias, exibido pela Biblioteca Virtual do Estudante
de Língua Portuguesa (BibVirt). Aqui é abordada a “certidão de nascimento do Brasil”, ou seja, a
carta de Pero Vaz de Caminha.
Disponível em: <http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/handle/mec/2799>; <http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/handle/mec/2800>. Acesso em: 18 jul. 2012.

6º ano 19

Capítulo 2
LÍNGUA A vida contada em versos
PORTUGUESA

N este capítulo, você vai ler e analisar poemas que se referem a momentos
pessoais e especiais da vida. Um dos poemas expressa o sentimento de sau-
dade e nostalgia de quem está vivendo longe da terra natal; o outro relembra um
episódio querido da infância, e o terceiro mostra a euforia de quem está chegando
saudoso para rever sua cidade.

Francisco Aragão/Getty Images
Retirantes nordestinos, escultura do pernambucano Abelardo Germano da Hora. Além da literatura, o tema do exílio ou do abandono
da terra natal está muito presente em outras expressões artísticas, como as artes plásticas.

RODA DE CONVERSA I

Nossa identidade está relacionada à origem, isto é, a nossos antepassados e à terra onde nas-
cemos. Quando estamos na nossa terra, sabemos quem somos e nos sentimos seguros. Viver fora
do nosso país pode ser uma experiência rica, mas também é difícil, pois são muitas as diferenças
que precisam ser enfrentadas: climáticas, ambientais, geográficas, culturais, linguísticas etc.

20 Língua Portuguesa

o exílio passa a ser incluído no direito penal. degredo. Você já ficou fora de seu país ou de sua cidade por algum tempo? A saída foi obrigatória ou vo- luntária? Como foi essa experiência? 2. uma atitude voluntária do Rio de Janeiro: Nova Fronteira. Peça ao professor de História que fale sobre exilados políticos da história recente do Brasil. de exsul. a palavra exílio tem origem em exsilium. Etimologicamente. de exílio tem se modificado ao longo dos séculos. 2006. 5. p. LER IMAGENS Observe as imagens a seguir. QUEIROZ. 1. desterro. Se você tivesse que escolher entre esses dois lugares para viver. exiliu. 1986. Você sabe de alguém que já viveu no exílio? Por que essa pessoa se exilou? O exílio foi forçado ou voluntário? 6. Charles Chusseau-Flaviens/George Eastman House/Getty Images Cidade de Coimbra. no início do século XX. Historicamente. em Portugal. Explique o que você entende por exílio. por qual deles optaria? Explique oralmente sua escolha. m. era um direito. os romanos. Dissertação (Mestrado). sendo considerado uma punição. Antes de continuar refletindo sobre isso. Compare sua resposta com as explicações do significado da palavra exílio abaixo.C. 6º ano 21 . A poesia de exílio de Jorge de Sena. cidadão a fim de evitar incorrer em pena mais grave. [do lat. Quais foram seus sentimentos ao se lembrar da terra distante? 3.] S. 4. Somente a partir de 63 a. p. o sentido voluntária. e se refere ao significado de exílio. Rio de Janeiro: UFRJ/Faculdade de Letras.(z). Expatriação forçada ou “ausência de solo pátrio”. Flávia Tebaldi Henriques. faça uma dupla com um colega e respondam juntos às seguintes questões: 1. 741. Entre Novo dicionário da língua portuguesa. 13-14.

O navio naufraga na costa mara- dos em nenhum verso do poema. O tex. Jornal de Poesia – Gonçalves Dias. 1835. Brasil. conhece Ana Amélia Ferreira do Vale. de Gonçalves Dias. nele ingressou em 1840. olhar de quem está longe dela e que. filho de pai português e mãe pro- Gonçalves Dias. Antes. Após a morte do cidos da literatura brasileira. cinco a família dela não o aceitou por ele ser anos depois de partir para Portugal. Atravessando graves problemas financeiros. Seus versos mistu. mente adoentado. publica Primeiros cantos. Sal- terra do poeta é apresentada com o vam-se todos a bordo. Orgulhava-se de ter no sangue as três raças forma- e é sem dúvida um dos mais conhe. navio Ville de Boulogne para retornar ao Mas esses lugares não são nomea. com Olímpia da Costa. no ano seguinte. mulato. a partir de então. Esse livro lhe trou- da para o Hino Nacional do Brasil: xe fama e admiração e. Casa-se. Gravura publicada em Viagem pitoresca através do Brasil. to compara a paisagem da terra do Já bem debilitado. Acesso em: 2 jul. sua vida. Em 1847. 1851. / Nossa vida no teu seio assuntos. mas Biblioteca Nacional. / Nossos bosques têm nacionalista na nossa literatura ao incorporar mais vida. de Nasceu em 1823 no Maranhão. É um pai. então. saudoso. vai se tratar na Europa. seria- ram nostalgia e nacionalismo. 2012. LER POEMA I O primeiro poema que você vai ler é “Canção do exílio”. povos e paisagens brasileiras. encontra no exílio. onde poema autobiográfico. foi escrito em 1843 vavelmente cafuza. o grande e até versos de Osório Duque Estra. Canção do exílio Antônio Gonçalves Dias O poema “Canção do exílio”. a índia e a negra. exalta os valores que não jor.br/gdias1bio. A nhense no dia 3 de novembro de 1864. 22 Língua Portuguesa . Em 1862. Disponível em: <www. Em mais amores”. sua madrasta mandou-o para a Universidade em Coimbra. Procurou formar um sentimento mais flores.html>. lindos campos têm nomeia para diversos cargos públicos. quis casar-se com Ana Amélia. saiba um pouco sobre o poema e a vida do poeta nos textos abaixo.jornaldepoesia. Biblioteca Nacional. Gonçalves Dias com. Minas Gerais. Gon- o poeta conta um momento real de çalves Dias é sustentado por amigos até se graduar bacharel em 1844. doras do povo brasileiro: a branca. menos o poeta. onde fora estudar. amor de sua vida. em 1864. Barbacena. Rio de Janeiro pôs o poema em Coimbra. Inspirou inúmeras paródias Retornando ao Brasil. isto é. Rio de Janeiro Johann Moritz Rugendas retrata a natureza brasileira no século XIX. embarca no exílio com a paisagem da terra natal. o Imperador Dom Pedro II o “Teus risonhos.

Nossos bosques têm mais vida. quem é o autor. Minha terra tem primores. Onde canta o Sabiá. Durante a leitura do poema. Observe como o poeta. Quando lemos um texto. à noite. As questões a seguir têm o objetivo de auxiliar seu diálogo com os versos de “Canção do exílio”. Que tais não encontro eu cá. Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá. 1. no exílio. DIAS. da qual está distante. Nossa vida mais amores. Onde canta o Sabiá. Onde canta o Sabiá. Não permita Deus que eu morra. 2. Sem qu’inda aviste as palmeiras. suas expectativas se confirmaram? Explique sua resposta. Sem que eu volte para lá. Nossas várzeas têm mais flores. à noite – Mais prazer encontro eu lá. com a linguagem poética e sentir a emoção que os versos são capazes de provocar no leitor. relembre todas as informações que conseguiu reunir até aqui: o tí- tulo do poema. Minha terra tem palmeiras. Antes de iniciar a leitura. sozinho. Minha terra tem palmeiras. em que momento da vida ele escreveu o poema. ou escute um colega lendo-o.11. o que você pensa que o poeta dirá? Leia o poema em voz alta. Gonçalves Dias – Poesia. da sua terra natal ou da terra onde ele está exilado? Justifique sua resposta. é importante estabelecer um diálogo com ele. a) De que lugar fala o poeta. Canção do exílio Minha terra tem palmeiras. expressa seu sentimento em relação à terra natal. Não gorjeiam como lá. g) Qual é o desejo do poeta? 6º ano 23 . As aves que aqui gorjeiam. Nosso céu tem mais estrelas. 1967. Onde canta o Sabiá. b) O que o poeta diz que a sua terra tem? c) O que o poeta chama de “lá”? d) O que ele chama de “cá”? e) O que a terra do poeta tem mais do que a terra do exílio? f) Qual é o provável nome do lugar exaltado pelo poeta? Explique sua resposta. Em cismar – sozinho. Gonçalves. p. Rio de Janeiro: Livraria Agir Editora. É esse diálogo entre leitor e texto que facilita a compreensão do que lemos. Em cismar. A partir desse conhecimento. o significado de exílio etc. Mais prazer encontro eu lá. O objetivo desta seção é ler para encantar-se com os poemas.

4. às vezes. Os co- mentários das outras pessoas nos ajudam a elaborar ou reelaborar interpretações que. Poemas são escritos em versos. chamamos de verso cada unidade rítmica de um poema. Na escrita. Segundo o poeta José Paulo Paes: […] a poesia não é mais do que uma brincadeira com as palavras. Em dupla. RODA DE CONVERSA II Conversar sobre um texto lido numa roda favorece sua compreensão e interpretação. José Paulo. 3. verso é cada linha de um poema. Se não tiver. Vocês concordam com essa afirmação? Por quê? 7. não faríamos sozinhos. Escolha uma cidade brasileira e compare-a com sua cidade natal. PAES. 2005. 1. e não próprio? 6. estando em terra estrangeira? Explique. ed. 5. se você fosse o autor do poema? Explique. b) em nomes próprios. Faça um círculo com seus colegas e conversem sobre as seguintes questões. De que aspectos da natureza da sua terra você provavelmente teria saudade. não é poesia: é papo furado. Sabemos que dois casos gerais delimitam o uso da letra maiúscula: a) em começo de um enunciado ou frase. 24 Língua Portuguesa . VERSO E ESTROFE Na linguagem oral. Nessa brincadeira. 2. cada palavra pode e deve significar mais de uma coisa ao mesmo tempo: isso aí é também isso ali. discutam por que o poeta teria escrito Sabiá com letra maiúscula. a) Qual verso surpreendeu você no poema “Canção do exílio”? Por quê? b) Compare sua escolha com a de um colega. São Paulo: Salamandra. O poeta repete algumas expressões e alguns versos. Vocês escolheram versos iguais ou diferentes? Con- versem sobre o motivo da escolha. 2. Ele usa a repetição para enfatizar a superiorida- de da terra natal em contraponto à terra do exílio. Toda poesia tem que ter uma surpresa. É isso ali. O poeta não diz o nome de sua terra nem da terra onde está exilado. Por que o poeta teria omitido o nome dos países? Que efeito de sentido tem essa omissão? ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DOS POEMAS Os poemas apresentam uma estrutura própria e também algumas caracterís- ticas particulares. Conheça algumas delas. Como seria a última estrofe da “Canção do exílio”. enaltecendo as qualidades de sua terra. Que palavras ele usa para indicá-las? 8. se a palavra sabiá é um nome comum.

. pelo amor e pela cidade de o cometa volta Nilson Carvalho Brasília. LER POEMA II Agora leia em voz alta o poema “cometa poesia”.nicolasbehr. As estrofes são separadas entre si por um espaço em branco. Boa companhia: poesia.. A percepção da rima não é visual. sendo julgado e absolvido no ano seguinte. faça uma moldura em cada estrofe e numere os versos. no interior deles. de Nicolas Behr.br/LARANJA_ SELETA/.>.travessa. em mimeógrafo.com. (Texto adaptado. as rimas são percebidas pela audição. São Paulo: Companhia das Letras. pela crítica aos o cometa aparece e desaparece poderes.com. Ele tem mais o cometa seguiu seu curso de vinte livros editados pelas pró- nós voltamos pra cama prias mãos. foi preso e processado para vermos o cometa ikeia-seki durante a ditadura militar. Para isso. Ou seja. Iogurte com farinha. Quais são as palavras que rimam com Sabiá e flores? Destaque no texto essas palavras. São estro- fes de 4 versos e de 6 versos. O poema Canção do exílio tem 24 versos distribuídos em 5 estrofes. BEHR. Em 1978. APLICAR CONHECIMENTOS 1. Um agrupamento de versos chama-se estrofe. br> e <www. Disponível em: <www. rias da infância. foi integrante da Ge- (ela sabia que nós ração Mimeógrafo. Acesso em: 4 jul.. e vive em Brasília des- era noite de julho de 1967 de 1974. Em 1977. pela questão ecológica. às vezes. Não são os olhos que a percebem. em 1958. Releia o poema “Canção do exílio” em voz alta para perceber as rimas. mas sim os ouvidos. lançou seu primeiro livrinho. sem rodeios. sem pontuação e sem letra maiúscula. É um belo poema sem rima. Nicolas Behr cometa poesia Nasceu em Cuiabá. Mas não é obrigatório que o poema tenha rimas./90967367-d4f5-42ed-. 2003. de Kubitschek aos a infância não dias de hoje. Vendeu 8 mil exempla- mamãe nos acordou de madrugada res de mão em mão. nunca o esqueceríamos) A poesia de Nicolas Behr é sim- ples. 2012. Nicolas.) 6º ano 25 . Veja os versos e as estrofes do poema.. 2. RIMA Rima é um recurso sonoro baseado na repetição de sons semelhantes ou idên- ticos no final dos versos e. Os temas de seus poemas passeiam pelas memó- caixeiro-viajante do céu. Poeta marginal.

O poema revela lembranças do poeta de um tempo que já passou: a) Quais são essas lembranças? b) Que sentimentos provocam no poeta? c) Que sentimentos o poema provocou em você? Compartilhe com a classe o que sentiu. Salomão. Waly em desuso para publicar. sanal. 4. CONHECER MAIS Geração Mimeógrafo A utilização do mimeógrafo para publicação e distri. V. Que comparação fez o poeta para chegar a chamar o cometa de “caixeiro-viajante do céu”? 26 Língua Portuguesa . A ambiguidade é uma das características da linguagem poética. Como vocês interpretam o título do poema? 3. 2. fazer. tem duplo sentido. Por trás da expressão “caixeiro-viajante do céu” existe uma comparação. S. poesia e outros gêneros literários.gov.br/noticias/arquivos/2011/06/01/biblioteca-nacional-comemora-dia-da-imprensa-com-exposição- de-impressos-da-geração-mimeografo>. de forma extremamente arte. Chacal. ao aproximar-se do Sol. Acesso em: 28 jul. 5. ambíguo. Responda agora às seguintes questões sobre o poema “cometa poesia”: 1. levar a efeito. conhecendo dois significados possíveis da a dos planetas e com maior grau de inclinação em palavra cometa. Rio de Janeiro: Objetiva. Corpo celeste que se move em torno do Sol em trajetória mais excêntrica que a) Agora. revelou poetas como Nicolas Beher. a palavra cometa pode ser um verbo e um substantivo. Capinam. cercado por um envoltório gasoso e como o outro? Expliquem a resposta. manifestos e buição de mão em mão era uma forma de driblar a cen. Nessa obra de Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa 3. textos de protesto. executar. Nicolas Behr. Valia-se de uma tecnologia hoje cada de 1970. 2009. apresentando. 2012. tanto pode ser cometer. por vezes. o sentido do título é quilômetros de extensão. Que expressão o poeta usa para designar o cometa? Destaque no texto. Movimento cultural que marcou a dé- sura da ditadura militar. m. mudou o sentido que vocês atribuí.0. consiste em um núcleo de fraca luminosidade formado por pequenas partículas ram ao título? Ou o título pode ter tanto um sentido sólidas. Disponível em: <www.brasil. Astr. isto é. Observem que a palavra cometa pode estar relacionada aos seguintes significados: cometa. Explique essa afirmação. entre outros. Torquato Neto. uma coisa como outra. uma cauda luminosa que pode atingir milhões de b) Como vocês podem perceber. relação à eclíptica.

já não me conhecem?. vou chegar! saudade e o da vida simples na natureza.. São Paulo: Lisa. Seu nome ficou co- cife.. e faleceu no Rio de Janeiro.. aparece.. e teima. vou chegar! Vocês. Adelmar Tavares O poeta está chegando ao Recife. e sua”. Meu livro de português. Olavo Bilac (1865-1918). magistrado e Pernambuco. Ele escolhe palavras e frases que melhor expressam seus sentimentos e sua visão da vida. lirismo e sensi- bojando de vento.. e lima. que surpreende o leitor ou o ouvinte. Por esse motivo.org. nhecido em todo o Brasil como o maior cultor do gênero poético trova.. João da Penha. E emo- ciona também porque é a expressão de sentimentos comuns a todas as pessoas. Os poetas exploram o ritmo e a sonoridade.. 6º ano 27 .) Lá está uma torre. Olinda. Adriano da Gama.. e sofre. – Recife.academia. minha terra! Meu Deus. bilidade. sendo recorrentes temas como o da Meu Deus. jangadeiros. Diviso o farol. Escolher palavras e brin- car com elas é o trabalho do poeta.. KURY. querida. não serve qualquer palavra. da minha saudade!. que gozo aspirar! Escuto umas vozes que vêm das jangadas. mas dita de um jeito original. capital do Estado de Advogado. (Texto adaptado. A linguagem da poesia emociona por causa da sonoridade e do ritmo. de velas inchadas. gritando tão alto que abala a amplidão: – Alô... diferente do comum. Sua obra poética Lá vêm as jangadas. Chegando a Recife Suas trovas sempre mereceram referência na história literária brasileira. Não me reconhecem? Mudei tanto assim? – Você. nasceu no Recife (PE). minha terra! Meu Deus. em 1888. jurista. “Trabalha. Ilustração digital: Llinares Meu Deus. caracteriza-se por romantismo. O autor Adelmar Tavares nasceu no Re. lá longe.. 2012.. do meu coração!. que nova me traz? Aquela morena dos olhos magoados se lembra de mim? me espera no cais? Que lenço querido me espera no cais? Mas vão as jangadas bojando no vento. mas viveu no Rio de Janeiro..br>. Pernambuco. dão novos sentidos a pala- vras conhecidas e fazem uso criativo dos recursos da linguagem. Acesso em: 3 jul. afirma-se que o poeta é um artesão da palavra. tal como a minha alma bojando ansiedade.O POETA BRINCA COM AS PALAVRAS Para um poeta. 35-36. em 1963. Lá vêm as jangadas branquinhas de sol. Disponível em: <www. no poema “A um poeta”. poeta. Que céus diferentes! Tão verdes as águas! Que leves os ares. LER POEMA III O terceiro poema deste capítulo mostra a euforia de quem está chegando saudoso para rever sua cidade.. p.. 1973. branquinhas no mar. professor. já dizia que o poeta. distante. quando está criando.

jangada ou navio? Justifique sua resposta. De que lugar está falando o poeta: do continente ou do mar? Por quê? 28 Língua Portuguesa . 2. 2009. conte aos colegas que não as conhecem como são sua cultura. Que cores o poeta cita na descrição da paisagem que ele avista. Que efeito de sentido tem essa referência a nome de cores? Se o poeta não citasse as cores. que diferença faria para o sentido do poema? 3. Que cidades estão indicadas nesse mapa? Você as conhece? Em caso afir- mativo. ônibus.90. automóvel. Em que transporte o poeta está chegando: avião. Rio de Janeiro: IBGE. chegando ao Recife? Copie os versos em que as cores são citadas. música. artesanato etc. ed. 5. O Estado de Pernambuco Ilustração digital: Mario Yoshida N O L S 0 890 1 780 km N 0 80 160 Km O L Fonte: Atlas geográfico S escolar. Agora observe o mapa. trem. 4. 1. p.

na sua opinião? Explique sua resposta. Analise os usos dos sinais de pontuação que o poeta usou. 6º ano 29 . com a finalidade de sugerir dúvida. tal como a minha alma bojando ansiedade. com a finalidade de indi- car estados emocionais de espanto. dor. Com um colega. para isolar a fala da per- sonagem da fala do narrador. • Ponto de exclamação (!): empregado no final de frases exclamativas. A expressão “tal como” indica uma comparação. hesita- ção. para destacar ou isolar palavras ou expressões no interior das frases. Explique a comparação que o poeta faz entre sua alma e as jangadas: Mas vão as jangadas bojando no vento. • Reticências (…): indicam a interrupção da frase. 7. surpresa. b) Os sinais de pontuação do poema também têm influência na leitura em voz alta? Explique sua resposta. sabendo que: • Ponto de interrogação (?): empregado no final de frases interrogativas. identifiquem as palavras que rimam com: Inchadas Mar Farol Assim Traz Ansiedade Amplidão 6. súplica. surpresa. supressão de trecho sem grande importância no texto. Releia o poema “Chegando a Recife”. alegria. quebra de sequência na fala ou no pensamento do narrador ou da personagem. • Travessão (—): usado para indicar a mudança de interlocutor nos diálogos.5. a) Por que o poeta usou tantos sinais de pontuação? Esse uso tem algum efeito para o sentido do poema? Qual seria a intenção do poeta.

Elas são pronunciadas como uma unidade sonora. ou verso setissílabo. O verso de sete sílabas. Disponível em: <www. Achado é algo diferente. “Canção do exílio” e “Chegando a Recife” para responder às questões a seguir: a) Relate quais são as lembranças dos poetas em seus poemas. uma surpresa. Para determinar a medida de um verso. Versos.com. tradicional em língua portuguesa. sem título. ritmos. A trova. CONHECER MAIS Trovas Trova é o nome dado a pequenos poemas de quatro versos com sete sílabas poéticas e esquema rímico de rimas alternadas (abab) ou cruzadas (abba). faz quatro ver- sos. uma conclusão no último verso. Adelmar Tavares diz: “Nem sempre com quatro versos setissílabos a gente consegue fazer a trova. Norma. Uma definição interessante para o que é trova é do próprio trovador Adelmar Tavares: Que linda trova perfeita. sons. Esse verso. Talvez por isso ele seja predominante nas quadrinhas e canções populares. tão difícil de fazer! Métrica A métrica é a medida dos versos. é o mais simples. São Paulo: Ática. E a contagem das sílabas é feita até a última sílaba tônica. dividimos o verso em sílabas poéticas. Nilton Manoel de A. os demais acentos podem cair em qualquer outra sílaba. 1991 e TEIXEIRA. GOLDSTEIN. ou redondilha maior. a divisão silábica poética segue princípios diferentes da divisão silábica gramatical. O verso de sete sílabas poéticas é chamado de redondilha maior. do ponto de vista das leis da métrica. (Texto adaptado. Os versos da trova devem ser obrigatoriamente redondilha maior.br/didaticadatrova>. Basta que a última sílaba poética seja acentuada. já era frequente nas cantigas medievais. Releia os poemas “cometa poesia”.) 30 Língua Portuguesa . Observe a diferença: 1 2 3 4 5 6 7 8 Este verso tem oito Divisão silábica gramatical: Que lin da tro va per fei ta. b) De qual poema você mais gostou? Justifique sua resposta. Ou seja: não é trova se não houver o achado. Esse processo recebe o nome de escansão. Por ter base na oralidade. tem de ter um achado.  que nos dá tanto prazer!   Tão fácil. para ser bem-feita. 1 2 3 4 5 6 7 Este verso tem sete Divisão silábica poética: Que lin da tro va per fei ta. As vogais átonas são agrupadas numa mesma sílaba. sílabas poéticas. sílabas gramaticais. 2012.falandodetrova. Didática da trova. depois de feita. 8. somente”. Acesso em: 20 jul.

dentro do meu coração. levo à cova. imitando os poetas. Com os colegas. por não poder te banhando. se for uma trova. que qualquer outra que eu ame. de Adelmar Tavares: Eu vi o rio chorando quando te foste banhar. pois fará parte de uma situação de apresentação pública. com ou sem rimas. Nesta seção. Acesso em: 3 jul. de preferência de cor. faça rascunhos. como música. mas se quiser use outros recur- sos. passe a limpo seu poema. revise e. 2. Nesse dia. o suspiro de uma trova e o gemer de um violão. 1. Você pode se inspirar numa das trovas abaixo.. considere o seguinte: • Recursos audiovisuais: A linguagem predominante é a verbal. Planeje. com o coração de menino. você vai praticar a escrita. redijam um texto relatando livremente o que vocês aprenderam neste capí- tulo. Para esquecer-te. PLANEJANDO A FALA Agora você vai praticar a modalidade oral da língua. 6º ano 31 . MOMENTO DA ESCRITA 1. mas vejo. 2012.. parece sempre contigo. cada um declamará.. Mas. Quando eu morrer.. Disponível em: <www. não ponha título. Para um texto ficar bom. 3. Só mesmo em versos defino.br>.org.... é preciso escrevê-lo e reescrevê-lo muitas vezes. dar-te um abraço. Para definir o Poeta. um encontro literário. Pode ser uma trova. Você e seus colegas vão organizar um sarau na sala de aula. quando se sentir satisfeito. Escreva um poema. – É um homem que fica velho. de livre escolha. Relatem o que mais gostaram de aprender. A fala será planejada.academia. por meu castigo.. outras amo. o poema que elaborou e também outro poema. Ao preparar sua apresentação. Dê um título a ele. e ficar. Esco- lham um título para o painel e caprichem na apresentação dos trabalhos. Junto com um colega. Lembre-se de que nenhum texto nasce pronto. ou seja. como fazem os escritores experientes. montem um painel no pátio da escola expondo as produções da turma.

comentem a apresentação de cada colega. como: “né”. olhando sempre de frente para seu público. • Fala: Fale alto. por exemplo? PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS Recital Combinem com o professor uma ida à biblioteca para todos escolherem alguns livros de poesia. Conversem sobre o que acharam da experiência de fazer um sarau. Diga o que vai falar. Dos livros escolhidos. Ao final do sarau. Vocês gostariam de repeti-la em outros locais. “aí”. 32 Língua Portuguesa . 3. claro e com entonação variada. como em casa com os familiares. Evite certos usos da linguagem oral. 2. “ahn”. no bairro ou no clube. • Postura: Fale em pé. no pátio ou no lugar que vocês preferirem. entre outros. selecionem um ou mais poemas para decorar ou para ler em voz alta na sala de aula. “tá”. • Linguagem: Cumprimente a todos.

São escritos pelos próprios cientistas ou por jornalistas.Capítulo 3 LÍNGUA Acesso ao universo da ciência PORTUGUESA P or muito tempo. Essa divulgação cumpre o papel democrático de facilitar a inserção de todos os indivíduos no mundo do conhecimento. A finalidade dos artigos de divulgação científica é permitir o acesso à ciência. Escrito por cientistas. era compre- endido apenas por especialistas. Neste capítulo você vai ler um artigo que discute um tema atual e muito importante para nós. habitantes do planeta Terra. Saber ler textos que abordam temas científicos é fundamental para quem quer pros- seguir os estudos. Ilustração digital: Llinares RODA DE CONVERSA Leia a lista de temas a seguir: anencefalia biodiversidade célula-tronco desenvolvimento sustentável biotecnologia hipertensão arterial obesidade dengue aquecimento global quimioterapia fontes de energia alternativas acidente vascular cerebral (AVC) produto biodegradável transgênicos reciclagem DNA 6º ano 33 . sites e seções de ciência nos jornais e revistas marcam a presença da divulgação científica no país. Foi só no início do século XX que surgiram no Brasil os primeiros jornalistas especializados na divulgação científica. com linguagem mais próxima do leitor leigo. o acesso do grande público ao universo da ciência foi impedido pela dificuldade da linguagem do texto científico. O texto é mais leve do que o cien- tífico. Hoje. ampliar conhecimentos e participar do mundo contemporâneo. blogs.

com Estátuas de pedra na ilha de Páscoa. cinema. Examine a imagem das estátuas da ilha de Páscoa: Viktor Gmyria/Dreamstime. Que tema vocês acrescentariam nessa lista? 5. Em grupo. O grande desafio é conseguir transmitir conhecimento científico em linguagem interessante e clara para o grande público. jornais e revistas. blogs. Marquem onde buscariam informações. Qual tema lhes interessa mais? 4. se quisessem estudar algum dos temas: ( ) site de busca ( ) jornal ( ) revista ( ) livro LER ARTIGO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA Para que assuntos científicos cheguem ao conhecimento de todos. Como esses conhecimentos chegaram até vocês? 3. 2011. das universidades e dos laboratórios e ganhem espaço nos meios de co- municação: sites. é necessário que saiam dos limites dos livros. no Pacífico Sul. televisão. rádio. Vocês conhecem os assuntos do quadro? 2. 34 Língua Portuguesa . conversem sobre as questões: 1.

algumas chegando a vinte. o holandês Jacob Roggeveen. Em que lugar do mundo elas estão? Se você sabe responder a essas perguntas. b) Qual é o provável público-alvo do autor? ( ) O leitor adulto do jornal. 7. converse com o professor e os colegas sobre as próximas questões: 5. O título do artigo que você lerá é “A misteriosa (e trágica) ilha de Páscoa”. leremos a seguir um artigo de divulgação científica que vai ajudar a esclarecê-las. Como você acha que elas foram construídas? 4. O texto foi publicado no jornal Folha de S. Sabendo dessas informações. centenas delas. 2 O mistério da ilha de Páscoa já existia quando o primeiro explorador europeu. ( ) Divulgar conhecimento científico. se você não faz a menor ideia de qual seja a resposta para essas perguntas. Localizada a 3 500 quilômetros da costa do Chile. Somente as enormes cabeças esculpidas em rocha vulcânica.Paulo. todas pesando dezenas de toneladas. e o autor é o cientista Mar- celo Gleiser. Agora leia o texto. se não existe material na ilha para fazê-lo? 3 Durante quase três séculos. responda: a) Qual é a provável intenção desse texto? ( ) Narrar uma história de suspense. provavelmente é porque viu ou leu uma explicação para a origem desses monumentos em documentários. centenas de livros e artigos foram escritos tecendo teorias fantásticas sobre a origem e a função das misteriosas estátuas. a ilha é local da mais completa desolação. de algum modo. Não existem animais nativos ou pássaros. 4 Décadas de investigações por antropólogos e arqueólogos resolveram o mistério das gigantescas estátuas. Justifique as respostas dadas. elas foram transportadas e erigidas. Qual será o assunto de um texto com esse título? 6. na seção de ciência. Nenhuma árvore com mais de três metros pode ser vista em toda a sua superfície. ( ) O leitor infantil do jornal. desembarcou lá em 5 de abril de 1722. Dois livros publicados recentemente nos EUA. durante a Páscoa. jornais ou revistas que fazem divulgação científica. com suas gigantescas e sombrias estátuas. A misteriosa (e trágica) ilha de Páscoa 1 Poucos lugares despertam tanto fascínio quanto a ilha de Páscoa. que atravessou oceanos em embarcações primitivas para ilustrar a sua hipótese. a maioria com ao menos cinco metros de altura. como sugeriu o escritor suíço Erich von Däniken? Ou talvez elas tenham sido feitas por incas ou egípcios que. perguntou-se Roggeveen após encontrar a pedreira de onde saíram as estátuas. No entanto. Antes de ler o texto a seguir. Você tinha conhecimento dessas enormes estátuas de pedra? 2. Como. Responda às perguntas: 1. Teriam elas sido produzidas por seres extraterrestres usando ferramentas ultramodernas antes de voltarem ao seu planeta. sugeriu o explorador norueguês Thor Heyerdahl. chegaram até lá no passado. Os 6º ano 35 . Quem você acha que as construiu? Há quanto tempo? 3.

real ou imaginária. ou quase (sobraram principalmente ratos). Segundo ele. imediatista. Mas como se não existem árvores na ilha? 7 Não existem agora. 36 Língua Portuguesa .br/n_2_a1/entrevista. Foi possível também reconstruir como a alimentação dos nativos variou durante os séculos. Disponível em: <www.htm>. existiam seis espécies de aves nativas e 25 de aves marinhas. 9 O homem é um predador ineficiente. de Jo Anne van Tilburg. A ilha chegou a ter uma população de 15 mil pessoas. antes que só restem nossas estátuas e monumentos. Marcelo. A poluição continua crescendo. Entrevista com Marcelo Gleiser. 6 E como as estátuas foram transportadas e erigidas? Como nenhum europeu viu isso acontecer. Os nativos passaram a devorar sistematicamente os animais da ilha. Ossos de atum e golfinho. 21 mar. 5 Entre 1914 e 1915. não era mais possível construir canoas transoceânicas. antes da chegada dos humanos.br/fsp/ciencia/fe2103200402. Fabricio. Joseph Mehling Marcelo Gleiser É físico. no passado.pdf>. Caderno Ciência. e aprender com sua trágica história.com. o que se pode fazer é construir uma explicação consistente com os achados científicos. à ilha de Páscoa. Nas- ceu na cidade do Rio de Janeiro em 1959. golfinho e outros animais transoceânicos. Várias ferramentas usadas para esculpir as estátuas foram encontradas na região de RanoRaraku. Acesso em: 11 maio 2012. a arqueóloga Katherine Routledge visitou a ilha. Todas elas foram sistematicamente derrubadas para serem usadas nas grades de transporte e em grandes canoas para a pesca de atum. e Entre os gigantes de pedra. em 11 tribos. mas certamente existiram no passado. que tende a não calcular o quanto pode consumir antes de se autodestruir. Florestas inteiras são derrubadas diariamente.folha. a ilha entrou em uma era de canibalismo.univerciencia. enigmas da ilha de Páscoa. o objetivo da divulgação não é formar cientistas. Todos essas aves desapareceram. contam uma história talvez não tão fascinante como a dos incas ou alienígenas. cidades faziam o mesmo com suas catedrais. MAZOCCO. em geral apoiadas sobre grades feitas de madeira e puxadas por cordas. Acesso em: 11 maio 2012. provou que. a ilha continha uma floresta subtropical rica em árvores enormes. é tornar o conhecimento mais acessível. eles passaram a devorar a si próprios: em torno de 1700. desapareceram em torno de 1600: com todas as árvores derrubadas. incluindo uma palmeira gigante encontrada no Chile. abundantes durante os primeiros séculos. Flenley. Disponível em: <www1. Os chefes competiam entre si. o salmão e o bacalhau estão ameaçados. melhor.uol. Talvez todos devêssemos fazer uma visita.ufscar. de John Flenley e Paul Bahn. 2004. que chega a ter 30 metros de altura. uma cratera. obtendo relatos dos descendentes das tribos polinésias que chegaram lá em torno do ano 900 d. Astronomia e História da Ciência. como um trenó.C. Folha de S. erigindo as estátuas como símbolo de seu poder. mas muito mais importante para a nossa sobrevivência. Defende a necessidade de levar a ciência ao conhe- cimento de todos.Paulo. Quando acabaram. É autor de vários livros sobre Física. Quanto maior. usando técnicas que permitem identificar o pólen e restos carbonizados de plantas extintas. Pedras gigantescas foram transportadas por várias outras civilizações. Na Idade Média. O atum. GLEISER. 8 Estudos de ossos encontrados pela ilha mostram que.

4. 2. 4.. Que motivo levou os chefes das antigas tribos da ilha de Páscoa a construir gigantescas estátuas de pedra. Que livros americanos contam a história das estátuas da ilha de Páscoa? Parágrafo 5: 1. objetos etc. [Do grego archaiologia. Nesse parágrafo. Quem resolveu esse mistério? 2. Novo dicionário da língua portuguesa. destruição. Estrago causado por calamidade. Ao fim da leitura de cada parágrafo. grife as hipóteses pensadas pelo suíço Däniken e pelo norueguês Heyerdahl para explicar a origem e a função das estátuas. responda às perguntas em dupla. desamparo. Parágrafo 4: 1. Por que é um lugar que desperta tanto fascínio? 3. Onde está situada a ilha de Páscoa? 2. desolatione. 1986. Releia o texto. Sublinhe no texto o trecho em que o autor descreve esse quadro de desolação.. Ciência que estuda a vida e a cultura dos povos antigos por meio de escavações ou através de documentos. 5.] S. Novo dicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. desolação. no verbete a seguir. Aurélio B. arqueologia. de acordo com a arqueóloga Katherine Routledge? 6º ano 37 . monumentos. Leia no verbete a seguir o que é “arqueologia” e grife no parágrafo 5 a palavra que indica o espe- cialista em arqueologia. Aurélio B. Grande tristeza. f. Reproduza a pergunta feita nesse parágrafo pelo holandês Roggeveen.] S. Parágrafo 2: 1. ruína. 1. Parágrafo 1: 1. f. O que significa “desolação” no texto? Para responder. Hoje sabe-se quem e como as estátuas foram construídas. FERREIRA. por eles deixados. FERREIRA. Devastação.H. [Do lat. 2. solidão. Ato ou efeito de desolar(-se). consternação.. 3.H.] a ilha é local da mais completa desolação”. O autor escreve que “[. 1986. escolha. no século XVIII. 2. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. Isolamento. os significados mais adequados. O que levou o explorador holandês a fazer essa pergunta? Parágrafo 3: 1.

como um trenó. c) predador do ambiente. 2. 1986. por volta de 1600? 3. b) predador da flora. Veja como isso acontece. FERREIRA. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. Aurélio B. nem imediatista? 3.] Adj. FERREIRA. Como os cientistas têm essas informações a respeito do passado da ilha? 2. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. m. Novo dicionário da língua portuguesa. [Do latim praedatore. Para quem ele dá a sugestão? Explique sua resposta. predador. Existe uma explicação para o transporte das enormes pedras. Novo dicionário da língua portuguesa.H. 38 Língua Portuguesa . 1986.H. Leia o verbete no quadro a seguir e responda: Como os nativos da ilha se tornaram canibais? canibalismo. o que os nativos passaram a comer? 4. real ou imaginária. O autor prova que o homem é um predador. à ilha de Páscoa? 4. Como agiria o homem se ele não fosse um predador ineficiente. e s. Parágrafo 9: 1. Diz-se do ser que destrói outro com violência. Ato de um animal devorar outro da mesma espécie ou da mesma família. Por que ossos de atum e golfinhos desapareceram da ilha. m. Existia uma floresta subtropical com árvores enormes e a ilha era habitada por espécies de aves nativas e aves marinhas. Ele incorpora tanto os recursos da linguagem científica como os da linguagem jorna- lística. Por que o autor sugere uma visita. Qual é a dúvida que o autor tem e que vai ser explicada para o leitor no parágrafo seguinte? Parágrafos 7 e 8: 1. PARA REFLETIR Um dos objetivos do artigo de divulgação científica é levar informações da área científica ao leitor leigo. S. Sem embarcações para sair para o mar e pescar. Aurélio B. Parágrafo 6: 1. Complete os itens com os argumentos citados no texto que comprovam que o homem é: a) predador da fauna. Acredita-se que elas foram trans- portadas apoiadas sobre grades feitas de madeira e puxadas por cordas. Os cientistas dizem que antes da chegada dos humanos existiram árvores na ilha.

scielo. 268. Disponível em: <http://cienciahoje. engenharia e tantas outras ciências. é possível identificar para que leitor o texto foi escrito? Explique. medicina. Leia no quadro a seguir algumas características da linguagem científica: 6º ano 39 . 3.H. Leia o título de um artigo publicado em uma revista de botânica. Acesso em: 11 maio 2012. v. p. Qual deles é mais fácil de en- tender? Por quê? LINGUAGEM CIENTÍFICA A linguagem científica é usada por especialistas para expor um assunto a outros especialistas. S. Disponível em: <www. f. 29. FARIA. Fenologia da floração e biologia floral de bromeliáceas ornitófilas de uma área da Mata Atlântica do Sudeste brasileiro Caio Graco Machado e João Semir Revista Brasileira de Botânica. Pelo título. não especialistas. Acesso em: 11 maio 2012. FERREIRA. 163-174. Novo dicionário da língua portuguesa. 1986. isto é. Leia o título e a chamada de um artigo de zoologia. biologia. jan. Compare os títulos dos artigos de botânica e de zoologia citados.br/scielo.-mar. 2. 1. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. Aurélio B. Lei- gos. n. Júlia. Parte da biologia que estuda as plantas.com. física. Ela está presente em revistas e livros científicos. Revista Ciência Hoje. Caramujo pode disseminar doenças Estudo brasileiro comprova que o caramujo-gigante-africano pode se infectar naturalmente por vermes que são transmitidos aos humanos por meio de alimentos mal lavados e podem causar grave infecção intestinal.php?script=sci_arttext&pid=S0100-84042006000100014&lng=pt&nrm=iso>. meningite e até a morte. têm dificuldade de entender textos de botânica. Leia o verbete a seguir: botânica. 2010. É possível identificar para que leitor ele foi escrito? Justifique sua resposta. 1. março.br/revista-ch/2010/268/caramujo-pode-disseminar-doencas>. 2006. astronomia.uol. química.

de quem escreve. Disponível em: <www. evitam-se termos polissêmicos (aqueles a que se pode atribuir mais de um significado). e não ao conheci- mento científico. gráficos. o termo é definido dentro do contexto em que está inserido. ele não emprega verbos e pronomes na 1ª carregada de um ponto de vista.br/html/pesquisa/Pibic/Elaboracao%20de%20Artigo%20Cientifico2006. • Linguagem concisa e formal. Cada ramo da ciência possui termos téc- nicos próprios. que com o padrão culto da língua. mesmo quando não é explicitada. pois a linguagem está sempre objetividade. • Verbos em geral no presente. Normalmente apresenta descrição do ob- jeto observado. Ela deve ser precisa e estar de acordo uma palavra sempre implicará uma interpretação. ou seja. • Emprego de vocabulário técnico. • O título permite rápida identificação do assunto. isto é. a objetividade. mapas. É dever do jornalista não revelará certo ponto de vista. em observações ou experiências. • As obras de referência. porque tais expressões são associa- das ao ponto de vista pessoal. Para conseguir um efeito de lidade são impossíveis. Quando a polissemia não pode ser evitada. • Emprego de linguagem objetiva. Utiliza as palavras em seu significado mais comum. No texto de Marcelo pessoa. como imagens. • Desenvolve um conceito ou expõe uma teoria com base em dados objetivos.) Linguagem jornalística A linguagem jornalística busca parecer impessoal. A escolha de objetiva. própria da modalidade escrita culta da língua. O discurso científico tenta fazer com que seu leitor creia que o que está sendo exposto é verdadeiro. na 3ª pessoa do singular ou na 1ª do plural “nós”– ocasionando o apagamento do sujeito (eu). subjetivo. direta. (Texto adaptado. Mesmo nas matérias in- expressar explicitamente sua opinião sobre os fatos e formativas. ele expressa um ponto de vista. é impossível não expressar a opi. Gleiser. Essa linguagem não admite expressões como: “eu penso”. fotografias para complementar o texto. • Geralmente termina com uma conclusão ou uma síntese das ideias expostas. duplo sentido. os livros e artigos que foram consultados para a elaboração do artigo devem ser citados no final no texto. não há ambiguidade. tabelas. O objetivo do uso de tais recursos é dar ao discurso científico um caráter de neutralidade. Acesso em: 11 maio 2012.doc>. BARBA. Clarides Henrich de. nas Referências bibliográficas. “eu acho”.unir. a imparcialidade e a neutra- acontecimentos que relata. que deve ser fruto de pesquisas e experimentos. No entanto. Orientações básicas na elaboração do artigo científico. a linguagem figurada/metafórica (co- notação) é evitada. 40 Língua Portuguesa . “parece-me”. • Habitualmente utiliza recursos ilustrativos. nião.

erigindo as estátuas como símbolos de seu poder.. O atum. mas muito mais importante para a nossa sobrevivência. Assim. Florestas inteiras são derrubadas diariamente. o leitor vai crer no que está lendo porque outros cientistas já disseram a mesma coisa. d) Estabelecer comparações: “Os chefes competiam entre si. Os enigmas da ilha de Páscoa. Quando se opta pela 1ª pessoa do plural (nós). o salmão e o bacalhau estão ameaçados. que tende a não calcular o quanto pode con- sumir antes de se autodestruir. cidades faziam o mesmo com suas catedrais. de John Flenley e Paul Bahn. A poluição continua crescendo”.” (4º parágrafo) b) Apagamento do sujeito: Verbos na 3ª pessoa do singular ou na 1ª do plural são usados para dar ao tex- to um caráter de neutralidade..LINGUAGEM DO ARTIGO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA Características da linguagem do artigo de divulgação científica estão presen- tes no texto “A misteriosa (e trágica) ilha de Páscoa”. como um trenó.” 6º ano 41 ... contam uma história talvez não tão fascinante como a dos incas ou alienígenas. Ele não diz “eu penso”..” “[. e Entre os gigantes de pedra. ou seja.. não se trata de uma opinião pessoal. Exemplo: “O homem é um predador ineficiente.]..] em geral apoiadas sobre grades de madeira e puxadas por cordas. Exemplo: “Dois livros publicados recentemente nos EUA. ela é sustentada por um grupo. parece que não é o autor que está fazendo tais afirmações. imediatista [. [. “parece-me”. ao utilizar essas pessoas do verbo.]”. c) Dar exemplos: “O homem é um predador [. “eu acho”. isto é. é comum o autor citar nomes de pesquisadores ou de órgãos e institutos renomados. de Jo Anne van Tilburg.. o efeito criado é o de que toda a comunidade em questão dá aval para aquela declaração.] Na Idade Média. Observe: a) Presença da voz do cientista: Para dar credibilidade ao ponto de vista defendido no texto.

o adjetivo que se eles animados ou inanimados. Por exemplo. reais ou imaginários. Exemplos do texto “A misteriosa (e trágica) ilha de Páscoa”: Substantivo Adjetivo Explorador norueguês Rocha vulcânica Animais transoceânicos Estátuas misteriosas APLICAR CONHECIMENTOS I Nesta seção. O adjetivo racterística ao substantivo. substitua a “ilha de Páscoa” por “arquipélago de Fernando de Noronha”. copo. lavras: lobo. são substantivos as pa. Que modificações na linguagem você precisou fazer? Por quê? 42 Língua Portuguesa . você vai estudar alguns conteúdos gramaticais relacionados ao efeito de sentido que eles provocam no texto “A misteriosa (e trágica) ilha de Páscoa”. Lembre-se de que a gramática deve concordar com o substantivo em gênero e número. Observe como o autor os utiliza e responda: a) Por que o autor caracteriza a ilha de Páscoa com os adjetivos “misteriosa” e ‘trágica”? b) No título “A misteriosa (e trágica) ilha de Páscoa”. concordância chama-se concordância nominal. Sergipe. Se chama de substantivo o nome dos seres em geral. refere a ele também deverá ser masculino e singular. O texto de Marcelo Gleiser sobre a ilha de Páscoa contém muitos adjetivos. Pedro e alegria. fada. con. Essa cretos ou abstratos. 1. sejam um substantivo for masculino e singular. CONHECER MAIS O adjetivo e a construção de sentidos Adjetivo é a palavra que tem a função de atribuir ca.

Que efeito de sentido esses adjetivos provocam no texto? Substantivo Adjetivo Estátuas gigantescas Cabeças enormes Teorias fantásticas Ferramentas ultramodernas Árvores enormes Palmeira gigante História trágica Canoas grandes Floresta rica d) Responda junto com um colega: As expressões a seguir indicam mistério ou desolação? Justifiquem a resposta. estátuas sombrias estátuas misteriosas seres extraterrestres nenhuma árvore 2. Todos eles expressam ideia de exagero. a ideia da grande devastação que a ilha de Páscoa sofreu fica reforçada. pois os números são uma prova inquestionável. 6º ano 43 . c) Leia os adjetivos que acompanham os substantivos a seguir. Localize no texto as expressões que citam números e sublinhe aquelas que se relacionam com a história da devastação da ilha. Por meio de números.

Transformem a dúvida em uma pergunta que poderia ser o início de uma pesquisa científica. Parênteses são um sinal de pontuação usados para incluir no texto uma informação que não é essencial. Para encaminhar bem o processo de investigação. ampliar o estudo sobre determinado assunto ou modificar conceitos estabelecidos. que pode ser uma explicação. começa a investigação em busca de comprovação dessas hipóteses. por meio de novas pesquisas. Ele inicia o trabalho levantando hi- póteses para a solução do problema. Depois. APLICAR CONHECIMENTOS II Leia mais uma vez o texto de Marcelo Gleiser e responda às questões a seguir: 1. 44 Língua Portuguesa . Esse é um procedimento que você deve pôr em prática quando realiza uma pesquisa: transformar em perguntas aquilo que quer descobrir. 3. 2. a fim de saber se elas estavam certas ou não. uma reflexão ou um comentário. Explique qual efeito de sentido o uso dos parênteses produziu no título do texto “A misteriosa (e trágica) ilha de Páscoa”. Converse com seu colega sobre alguma dúvida que vocês tenham em alguma área científica. se os parênteses fossem excluídos? INDAGAÇÕES E O TRABALHO DO CIENTISTA O trabalho do cientista é investigar problemas para os quais ainda não exis- te solução. Identifique no texto as perguntas dos cientistas para o mistério das estátuas gigantes da ilha de Páscoa. é necessário que o cientista saiba transformar em perguntas aquilo que quer descobrir. Que mudança de sentido provocaria no título.

real ou imaginária. imediatista. escrito.” c) “Talvez todos devêssemos fazer uma visi. badas diariamente. tem se autodestruído. e apren- der com sua trágica história”. que tende a não calcular o quanto pode consumir antes de se auto- destruir.” b) “O atum. ( ) O autor dá uma sugestão. imediatista. que tende a não calcular o quanto pode consumir antes de se autodestruir”? Usem argumentos para defender o ponto de vista de vocês e convencer os colegas. 5. à ilha de Páscoa. É cada vez mais co. A imagem ções mesclando texto e imagem. 6º ano 45 . o salmão e o bacalhau estão ( ) O autor exemplifica como o homem ameaçados. 4.3. ( ) O autor faz uma advertência. ta. Florestas inteiras são derru. Na frase “Talvez todos devêssemos fazer uma visita. à ilha de Páscoa. pois coloca diante dos mum que apareçam em reportagens e em artigos de olhos do leitor informações que são usadas no texto divulgação científica. Relacione as frases da coluna da esquerda com as afirmações da coluna da direita: a) “O homem é um predador ineficiente. A poluição continua crescendo. e aprender com sua trágica história. facilita a compreensão do texto.” respeito do ser humano. CONHECER MAIS Infográfico Infográficos são quadros que apresentam informa. Os infográficos são grande atrati. real ou imaginária.” d) “antes que só restem nossas estátuas e ( ) O autor expressa seu ponto de vista a monumentos. vo para a leitura das matérias jornalísticas. Qual é a palavra que indica essa inclusão? Destaque no texto. DEBATER Organize-se em roda com seus colegas para discutir a seguinte questão: O autor do texto tem razão quando diz que “O homem é um predador ineficiente. Como ficaria a frase da questão anterior se o autor não tivesse se incluído entre os que devem visitar a ilha? Escreva-a. o autor se inclui entre aqueles que devem visitar a ilha de Páscoa.

representava o cabelo do morto – os rapanuis usavam um coque no topo da cabeça. LER INFOGRÁFICO Observe o infográfico e responda às questões propostas: CIVILIZAÇÕES Teoria do pulinho O passeio dos gigantes Outra explicação para o transporte da O transporte dos moais deve ter estátua afirma que eles a levantavam com consumido boa parte da madeira da Ilha cordas e tábuas e usavam um suporte de de Páscoa madeira em forma de um “V” invertido. Em sua opinião. Teoria dos trilhos Não se sabe como os rapanuis transportavam cada estátua. Identifique pistas que indicam que o infográfico está apresentando hipóteses de como aconteceu o transporte das estátuas. Qual é o sentido da palavra passeio no título “O passeio dos gigantes”? 2. Usando hastes. Feito de um tipo avermelhado de rocha. 3. Uma teoria diz que as imagens eram carregadas sobre um trilho de madeira. o pukao. o título grifado e o texto explicativo. como se Os moais mais recentes têm um adorno remassem. Você acha que o texto e a ilus- tração se completam? Por quê? 46 Língua Portuguesa . as estátuas eram esculpidas nas paredes do vulcão Rano Raraku. qual das teorias apresentadas no infográfico parece ser mais consistente? Por quê? 4. na cabeça. Coque vermelho dezenas de homens empurravam. o moai era projetado para a frente. Outros puxavam. em uma das pontas da ilha. Observe os pontos brancos. Fábrica de moai Com ferramentas de pedra. Eram feitas para “incorporar os espíritos” dos mortos mais ilustres do local. 1. Conforme puxavam o suporte.

Os moai que hoje estão em pé foram levantados com modernos guindastes. pensem no que vocês diriam a quem não sabe nada sobre a ilha e suas famosas estátuas. O moai saía do vulcão com a cavidade pronta e tinha seus olhos esculpidos na aldeia. Junto com um colega. Os olhos eram a última parte a ser feita. Releiam o estudo que fizeram do texto. Ilustração digital: Beto Uechi/Estúdio Pingado 5. Antes de iniciar a produção. Para o alto Não se sabe como as estátuas eram levantadas. o morto usava o olhar para transmitir bons fluidos ao vilarejo. É possível que elas fossem postas num suporte de madeira e erguidas com a construção de uma rampa de pedra. escrevam um texto que explique a história dos gigantes de pedra da ilha de Páscoa. decorados com coral e pedras. Olhai por nós As estátuas eram colocadas sobre um altar de pedra. Para os rapanuis. O infográfico ajudou na compreensão do texto de Marcelo Gleiser? Por quê? MOMENTO DA ESCRITA 1. Utilizem a imagem do infográfico 6º ano 47 . o ahu.

com resumos de seus artigos. Disponível em: <http://cienciahoje. Direção de Kevin Reynolds.com. 2012 48 Língua Portuguesa .br/>. Considerem também: a) a intenção do texto: explicar a história dos gigantes de pedra da ilha de Páscoa. Essas revistas em geral têm também páginas na internet.abril.com. Vejam um quadro do plano do texto. bem como sobre costumes e tradições dos antigos povos que habitaram Rapa-Nui ou a ilha de Páscoa. b) o leitor do texto: escolham o leitor que querem atingir e escrevam um texto adequado a ele. Disponível em: <http://guiadoestudante. Usem em seu texto escrito o que descobriram graças a esse recurso. 1994.abril. c) onde o texto será publicado: jornal da classe. 2012. 2012 Galileu. Lembrem-se de dar um título ao texto.globo.uol. Disponível em: <www.com/>.com. Disponível em: <http://viajeaqui. Com a ajuda desse quadro.br/estudar/historia>. Superinteressante.br>. antes de passar a limpo. planejem o que vão escrever. Acesso em: 20 jul. façam um rascunho e. Acesso em: 20 jul. façam uma revisão. Algumas delas: Ciência Hoje.superinteressante.br/national-geographic>. Acesso em: 20 jul.com. mural da escola etc. É possível perceber no filme algumas das hipóteses mais aceitas sobre como as grandes estátuas foram construídas e levadas até os mais diversos pontos da ilha. PLANO DO TEXTO Localização e descrição da ilha: Qual é o mistério? Principais hipóteses para explicar o mistério: Informações importantes do infográfico: Posicionamento do autor do texto: PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS Filme Rapa-Nui: uma aventura no paraíso O filme é uma aventura que envolve o romance de um jovem casal. revistas revistas especializadas A produção do conhecimento científico é divulgada para o público em revistas especializadas para despertar a curiosidade e o interesse pela ciência. 2012 NationalGeographic. Acesso em: 20 jul. como complemento ou ilustração. 2012 Aventuras na História. Disponível em: <http://revistagalileu. Acesso em: 20 jul. Estados Unidos.

que aquele que lê jornal é bem informado. Em que lugar estão as pessoas das fotos? Você acha que elas têm o mesmo objetivo ao ler jornal? É provável que elas estejam lendo a mesma matéria? Delfim Martins/Pulsar Imagens Gary Buss/Taxi/Getty Images O jornal tem uma enorme variedade de gêneros de texto.Capítulo 4 LÍNGUA O que é que o jornal tem? PORTUGUESA R epetidas vezes ouvimos que ler jornal é importante.. como o resultado da loteria. a programação de cinema e TV. Esses gêneros todos não são lidos da mesma maneira – nem quando são lidos pela mesma pessoa.. que ele é meio “desajeitado” para manusear. é possível fazer leituras muito diferentes de um jornal. Você conhece todos os gêneros e assuntos presentes nesse meio de comuni- cação? Nele você pode se informar sobre acontecimentos relevantes. Pode obter informações práticas... mas também sobre fatos curiosos. Por isso. Observe estas imagens. No entanto. um índice econômico. que repercu- tem sobre sua vida. sabe das coisas. que é muito grande e fica complicado encontrar nele o que estamos procurando. também é comum ouvir que ler jornal é difícil. Pode também encontrar diversão e entretenimento (nos quadri- 6º ano 49 . cada um com uma finalidade.

horóscopo. o jornal é comprado. pode ser lido gratuitamente em bibliotecas e salas de leitura e acessa- do pela internet. Além disso. pode achar difícil localizar tudo isso. viagens.) e) Onde leem jornal? f) O que costumam ler no jornal? (Por exemplo: notícias da cidade e do país. crônicas). vamos fazer um levantamento entre os alunos da classe. descobrir uma vaga de emprego. o jornal pode ser vendido por assinatura (e nesse caso é entregue no local indicado pelo assinante) e pode tam- bém ser vendido nas ruas: em bancas de jornal. Se você não costuma folhear o jornal. O professor vai fazer um quadro na lousa para anotar os resultados. Pode até se sentir desmotivado a procurar. Sobre o acesso a esse veículo de comunicação. por exemplo)? COMO FAZER A LEITURA DO JORNAL? Com diversos gêneros de texto. qual é o motivo para isso? h) Entre os que leem (não importa com qual regularidade). Mas é uma questão de hábito. propagandas etc. em que dia(s) da semana isso é mais comum? (Investiguem se há um mo- tivo para isso. fotografias e variados recursos gráficos. essa fonte é renovada a cada 24 horas! Esse dado em princípio pode até assustar. A questão é que.. RODA DE CONVERSA Para começar. mas naturalmente não há nenhuma pressão para que o leitor leia da pri- meira à última página de um jornal no espaço de um dia. orientações de como proceder em certas situações etc. O objetivo deste capítulo é justamente proporcionar experiências para que você conheça a estrutura e a organização do jornal e possa tirar proveito de sua leitura. Neste capítulo você terá a oportunidade de se familiarizar com o jornal impresso e vai começar a desenvolver estratégias para ler seu conteúdo. resumo de novela. livrarias e supermercados. o jor- nal é uma vasta fonte de informações sobre o mundo.) g) Entre os alunos que nunca leem jornal. lojas. classificados.. livros. o jornal é lido na versão impressa ou digital? i) Entre os que leem a versão impressa. 50 Língua Portuguesa . palavras cruzadas. muitas vezes. receber dicas de passeios. um imóvel para alugar. a) Quantos alunos têm o costume de ler jornal pelo menos uma vez por semana? b) Quantos leem jornal de vez em quando no mês? c) Quantos alunos nunca leem jornal? d) Entre os que leem. nhos. um carro usado que pode comprar. entregue gratuitamente ou de uso público (da biblioteca da escola.

• o tamanho da letra nos textos (pequena ou grande. Seu grupo vai receber alguns jornais (um por vez). 1. Depois de examinar um jornal. a classe vai se dividir em grupos. • o preço do jornal. • a periodicidade (diário. Para registrar o que você observou. LER JORNAL I Nesta atividade. • o número de páginas. • as cores (preto e branco ou colorido). O rodízio vai continuar até todos os jornais disponíveis circularem por todos os grupos. O número de colunas que você vai usar depende de quantos jornais forem examinados. Para isso. segundo a avaliação subjetiva do grupo). Escreva na primeira linha o nome do jornal examinado. • o público provável. semanal ou outra). Em cada etapa é preciso anotar o que foi visto. você vai começar a pôr as mãos no jornal. • o tipo de papel. o grupo vai entregar o exemplar manuseado para outro e vai receber um novo exemplar. Nome do jornal Formato do jornal Número de páginas Tipo de papel Número de maços de folhas Cores Número de colunas na página Tamanho da letra Preço Público provável Periodicidade 6º ano 51 . Em cada um é preciso observar: • o formato (tabloide: 29 × 39 cm ou padrão: 38 × 58 cm). • o número de colunas na página. faça tabelas com base no modelo a seguir. • a organização das folhas (separadas em vários maços de papel ou em um único maço).

entre textos que não eram de anúncios classificados? f) As notícias internacionais estavam no começo. sem prejudicar seu manuseio. meio. Manifeste sua opinião: qual dos jornais examinados você escolheria para ler? Por quê? O professor vai realizar uma pesquisa na classe para todos saberem das escolhas feitas pela turma. 3. com a orientação do professor. em grupos. as cartas de leitor. Nesse momento. No final. depois todos passam ao b). Localizem em suas páginas os itens a seguir e anotem no caderno em que página cada um estava. e assim por diante. o rendimento da caderneta de poupança e o obituário? d) E quanto às propagandas? e) Os anúncios classificados estavam em uma parte separada ou estavam em pontos variados. g) cartas de leitor. 2. Agora. 4. Cada um desses maços é chamado de caderno. 52 Língua Portuguesa . e) uma sequência de classificados de emprego. d) uma sequência de classificados de imóveis. E quantas folhas são reunidas em cada caderno? Isso varia. selecionem um dos jornais aleatoriamente. talvez alguns estivessem formados por vários maços de folhas. as tiras de humor. Eles não têm a mesma quantidade de folhas. mas é sempre uma quantidade que permite que o caderno seja dobrado ao meio. no meio ou no final do jornal? g) E as de esportes? h) Você acha que existe um motivo para a localização de certos textos no jornal? A ORGANIZAÇÃO DO JORNAL DIÁRIO Entre os jornais que você já manuseou. i) o rendimento da caderneta de poupança. c) uma propaganda. final) onde estavam as informações meteorológicas. Primeiro. b) informações meteorológicas. a) uma notícia sobre esporte. j) o obituário. h) uma notícia internacional. cada grupo vai mostrar a página na qual localizou o que foi pedido. f) tiras de humor. todos os grupos apresentam o item a). você e seus colegas vão discutir os seguintes pontos: a) O item procurado ocupou mais espaço em um jornal do que em outro? b) Aparentemente a linguagem empregada para tratar determinado item muda ou é a mesma de um jornal para outro? c) Há semelhança no que diz respeito à parte do jornal (começo.

Um suplemento pode sair diariamente ou ter outra periodicidade. Você imagina qual seja? Uma dica: se examinar os vários cadernos de um jornal diário. Ecologia. Polí- tica. Quando um caderno reúne matérias de mais de uma editoria (por exemplo: Local + Educação + Polícia). por exemplo. Certos cadernos coincidem com as editorias do jornal. Polícia. vai perceber que cada um tem um nome. mas é tam- bém uma unidade do jornal. turismo. Transportes. E vai perceber também que esse nome tem a ver com o conteúdo do que foi publicado ali. Saúde. Noticiário Internacional. Repare que o ter- mo “caderno” tem dois sentidos: é meramente um conjunto de folhas. é chamado de caderno. Religiões. Interior. Artes. Educação. Local. entre outras. esporte. Economia. Veja o nome do caderno que costuma reunir as três editorias mencionadas no parágrafo anterior em três jornais diferentes: Jornal Origem Nome do caderno Jornal do Commercio Pernambuco Cidades Folha de S. ele é chamado de suplemento.CADERNO E SUPLEMENTO A divisão do jornal em cadernos é aproveitada para outro propósito.Paulo São Paulo Cotidiano Gazeta do Povo Paraná Vida e Cidadania Fernando Favoretto/Criar Imagem Os jornais costumam dividir seus conteúdos em cadernos para facilitar a leitura. A editoria é uma es- pécie de departamento do jornal que fica responsável por cobrir uma área – por exemplo: Esportes. 6º ano 53 . Quando um caderno trata de um só assunto.

e pode até escolher não ler naquele dia. Ilustração digital: Estúdio Pingado 54 Língua Portuguesa . os cadernos que o leitor deixa para o fim. Além do nome da seção. A3. para um caderno é usada a letra A. e também a data de publicação. A16. há outro procedimento que facilita a localização dos cadernos. B3 etc. Se ele quer primeiro se inteirar do noticiário local (aquele que trata dos fatos relativos a sua cidade). Há. estão indicadas a página. Arquivo/Agência Estado Detalhe da seção Internacional do jornal O Estado de S. O trabalho será realizado em grupos.. usa-se a letra B. começando pela edição de segunda-feira. Além do nome. pois tra- balharemos com as edições de um mesmo jornal ao longo de uma semana. LER JORNAL II Nesta atividade você vai explorar o uso que o jornal faz dos cadernos. e suas páginas são A1. Pode acontecer de algumas serem puladas. pode separar esse suplemento com facilidade para lê-lo. para outro. Nem sempre as letras do alfabeto são seguidas uma por uma. Esse jeito de organizar o jornal facilita muito a vida do leitor. Al- guns jornais os identificam por letras. As notícias não vêm misturadas. O ideal é que você e seus colegas se dividam em sete grupos. Se ele gosta do noticiário esportivo. B2. Elas são distribuídas para facilitar a leitura. Paulo. também pode com rapidez pegar o caderno que lhe interessa. A4 etc. mostrando que pertence ao primeiro caderno. Assim. que origina as páginas B1. que são inseridas à esquerda do número da pá- gina. A2. po- rém.

As duas folhas destacadas vão continuar fazendo parte daquele jornal. c) Por fim. 3. Seu grupo também vai receber um jornal no qual foi feita a mesma coisa. • arte. apenas separe do caderno uma folha dupla. os jornais diários apresentam alguns cadernos e suplementos comuns. Discuta com os colegas e o professor que critérios foram seguidos para ordenar as folhas soltas e os cadernos. • economia (cobrindo o dia a dia das empresas e finanças pessoais). passe a outro grupo o jornal no qual você realizou esses procedimentos. c) Se houver cadernos de classificados. • de questões ligadas à cidade em que o jornal circula e a outras cidades (cobrindo segurança.).1. você vai reunir os cadernos em qualquer ordem. comportamento). O CONTEÚDO DOS CADERNOS E SUPLEMENTOS E AS SEÇÕES DOS JORNAIS Geralmente. • ciência. execu- tivo e judiciário e movimentos sociais). • ambiente. Em algum desses cadernos os jornais também incluem temas como: • saúde. porém soltas. Um componente do grupo que lhe passou o jornal vai avaliar se as folhas soltas voltaram ao ca- derno original. com a dobra no meio. • de política internacional. • esporte. do jeito que ele fica na banca. b) Encaixe no caderno de origem as folhas que estavam soltas. 6º ano 55 . b) Terminada essa etapa. e um componente do seu grupo vai fazer o mesmo com o grupo ao qual vocês passaram o jornal. • educação. Faça o mesmo com outro caderno. televisão etc. deixe-os separados. juntar a eles as duas folhas duplas (que estão separadas) e dobrar o jornal ao meio. Eles normalmente tratam: • de política nacional (cobrindo questões dos poderes legislativo. a) Escolha um caderno e tire dele uma de suas folhas. Seu grupo vai receber aleatoriamente uma edição do jornal. habitação. Você não deve rasgá-la ou recortá-la. teatro. literatura. 2. A tarefa consiste no seguinte: a) Espalhe os cadernos do jornal que você recebeu (sem desfolhá-los) e procure colocá-los na ordem em que estão quando são vendidos. transporte. cultura e entretenimento (cobrindo cinema.

Pode ha- ver também um suplemento especial por ocasião de um fato relevante inesperado. entre outros. quadri- nhos. saem diariamente. Nem todo jornal tem os mesmos suplementos. horóscopo. informações meteorológi- cas.. coluna social. Cada jornal dá um nome diferente para esses cinco cadernos ou suple- mentos diários. Há ainda os suplemen- tos especiais. gastronomia. há outras tratadas de forma especial. turismo. Alguns veículos têm suplementos mensais. Eles também costumam dedicar espaço ao público Folhapress jovem e ao público infantil. charge.. ou seja. Eles circulam em dias determi- nados. artista pop Michael Jackson. Por exemplo: “Cursos de idiomas” ou “Compra de imóvel” ou “Copa 2014” ou ainda “Eleições”. São exemplos de se- ções: cartas dos leitores. ao longo dos cadernos e suplemen- tos. por exemplo: todo último domingo do mês ou toda primeira terça-feira. É comum que os suplementos semanais tratem de informáti- ca/tecnologia. Além das áreas enumeradas. palavras cruzadas. por exemplo. em 2009. Eles podem ocorrer planejadamente por parte do jornal para apre- sentar um tema de interes- se. Um novo suplemento pode ser introduzido se o jornal perceber que o público tem interesse por deter- minado tema. 56 Língua Portuguesa . em su- plementos que circulam uma vez por semana. Elas normalmente estão distribuídas por cinco cadernos. Página de suplemento especial publicado pelo jornal Folha de S. São os suplementos semanais.Paulo após a morte do sudoku. Essas áreas estão presentes em todas as edições do jornal. a morte de alguém. Os cadernos costumam ter seções fixas. obitu- ário.

No primeiro caderno. há as seções de opinião.Paulo com informações metereológicas. com as colunas assinadas por colaboradores fixos do jornal e com as colunas assinadas por pessoas convidadas a escrever naquela edição. Folhapress Página do jornal Folha de S. 6º ano 57 . Elas contam com os editoriais (texto em que o jornal manifesta seu ponto de vista sobre um fato recente e de inte- resse público).

Sex. LER JORNAL III Nesta atividade. Você vai continuar trabalhando com o exemplar que manuseou na atividade anterior. Folha de S. trabalharemos mais uma vez em grupo. Opinião A Primeiro caderno Poder Mundo B Mercado Ciência + Saúde C Cotidiano Saber Folha Corrida D Esporte E Ilustrada The New York Times p/ FSP Folhateen Tec Equilíbrio * Fovest Comida Turismo Guia da Folha Folhinha Ilustríssima São Paulo ** Serafina * Circula em determinado período do ano. Qua. Segue abaixo um modelo que toma por base um jornal paulistano. Seu professor vai fazer adaptações se isso for necessário.Paulo – de ___/___/___ a ___/___/___ Seg. Qui. 1. Ter. Dom. O professor vai fazer na lousa um quadro que todos ajudarão a preencher. Sáb. ** Encarte mensal 58 Língua Portuguesa .

Apenas os cadernos de classificados ficarão de fora na listagem. Ele vai dizer os cadernos e suple- mentos que existem no jornal recebido. Em outro dia. Nesse momento inicia-se uma análise dos dados. faça o mesmo com os cadernos de classificados. Terminada essa etapa. Veículos Imóveis Empregos Negócios 5. compare: a) Há semelhança de conteúdo entre os cadernos diários dos dois jornais? b) Há suplementos semanais com o mesmo tema nos dois jornais? Eles circulam no mesmo dia ou em dias diferentes? Qual é a justificativa para cada caso? c) Há cadernos com o mesmo nome nos dois jornais? d) Que tipo de caderno só um dos dois jornais tem? 6º ano 59 . Qui. 7. Todos os grupos vão falar. seu nome será inserido na tabela e marcado com . Qua.Paulo – de ___/___/___ a ___/___/___ Seg. suplementos ou outros encartes circulam uma vez por semana? c) Há alguma razão para um caderno ou suplemento ou encarte circular naquele dia da semana? Se sim. qual? d) Há nessas sete edições encartes que circulam uma vez por mês? e) Em que dia da semana há mais cadernos de classificados? Qual dia vem em segundo lugar? Que justificativa se pode dar para essa ocorrência? f) Os anúncios classificados estão divididos por temas? Quais? 6. Veja um modelo de tabela a seguir. 3. 4. Sex. Se houver um caderno diferente. faça o mesmo procedimento com outro jornal. Dom. No final. Sáb. O grupo que está com a edição de terça-feira vai continuar. Folha de S. para indicar que o jornal de determinado dia tem determinado caderno ou suplemento. Ter.2. a) Que cadernos circulam diariamente? b) Que cadernos. na ordem que consideraram certa para eles. O grupo que está com a edição de segunda-feira vai começar. O professor vai colocar o símbolo üna tabela.

como: • manchete. • fotografias (com legenda e crédito). Essa indicação é o crédito da foto. • infografia. É escrita com as maiores letras e fica sempre na metade superior da primeira página. No jornal. A primeira página tem alguns elementos característicos. • chamadas de diferentes tipos. setas. Os demais títulos são chamados de “títulos” mesmo. Com a ajuda do professor. e às vezes usando uma ilustração. Ele apresenta basicamente o nome do jornal. A fotografia é sempre acompanhada por uma legenda e pela indicação do fotógrafo ou da instituição responsável por ela. Uma chamada pode ser ilustrada ou não. A parte da primeira página que apresenta a identificação do jornal é o cabeça- lho. Esses resumos e amostras são constituídos por textos verbais e não verbais. PRIMEIRA PÁGINA – A VITRINE DO JORNAL A primeira página é também denominada capa do jornal. para rápida visualização e compreensão do leitor. tudo se pas- sa de um jeito diferente. o local onde ele circula. como gráficos. A grande diferença entre a capa de um livro e a de um jornal está no modo como ela mostra o conteúdo daquela publicação. Ela é extremamente importante. Na sua capa há resumos e amostras do que o leitor vai encontrar no seu interior. é importante ser chamativo e atrair o leitor. Depois passe para o segundo jor- nal. pode ser uma espécie de título ou pode ter um título e um pequeno texto. Registre o resultado desse levantamento. o número da edição e o preço. há a infografia: conjunto de informações transmitidas de forma es- quemática. Baseia-se em dese- nho e outros recursos visuais. mapas. A manchete é o título principal. A chamada sempre indica a página interna na qual a matéria pode ser lida integralmente. a classe vai fazer uma relação de todos os cadernos de um dos jornais que foram examinados e vai esclarecer o conteúdo de cada um. mas pode haver outros elementos. e é isso que você vai estudar nesta seção. Cada edição do jornal tem apenas uma manchete. a fim de ser lida quando o jornal está dobrado. sua data de publicação. Por fim. Tanto no livro como no jornal. pois é na capa que está a identificação da obra. 8. 60 Língua Portuguesa . O livro faz isso indicando o título e o autor. Os textos são sempre curtos. porém. As chamadas são os resumos das matérias que poderão ser lidas dentro do jornal. mas o jornal tem uma estrutura própria. Essa designação nos lembra que a primeira página tem pontos em comum com livros.

por exemplo. Mas há elementos que variam de um para o outro. Distrito Federal). Compare estes dois jornais: Endereço virtual Arquivo CB/D. A Folha de S. a data. por sua vez.A Press Nome do jornal Número do Local Data jornal No de páginas da edição Preço Data de fundação Nome do jornal Lema Endereço virtual Folhapress Data Responsável Horário Preço pelo jornal Ano e número do jornal de fechamento da edição Os cabeçalhos desses jornais apresentam elementos comuns. apresenta o lema do jornal e o horário do fechamento da edição. Você reparou quais? Ambos apresentam o nome do jornal. o preço e o endereço virtual. O Correio Braziliense. o número da edição. apresenta explicitamente o local onde o jornal circula (Brasília. 6º ano 61 .Paulo.

Agora localize a manchete na primeira página destes jornais: Arquivo CB/D.A Press 62 Língua Portuguesa .

6º ano Folhapress 63 .

as páginas não exploraram em grande escala o recurso da infografia. Correio Braziliense Chamada sobre bombardeios em Gaza. Apenas uma delas apresenta um mapa.5% este ano”? 64 Língua Portuguesa . Jornal Chamada Folha de S. Jornal Chamada Folha de S. Para responder às questões a seguir. Nas edições analisadas. a) Em que caderno de um jornal você encontraria matérias sobre o Congresso Nacional? b) Em que caderno de um jornal você encontraria uma matéria sobre a explosão de uma bomba em Bagdá. no Iraque? c) Em que caderno de um jornal você encontraria uma matéria cujo título é “Mercado prevê inflação acima de 4.Paulo Chamada sobre a gravação de um videoclipe dos Racionais MCs. Veja os exemplos desse último tipo de chamada. E as chamadas? Todas as primeiras páginas têm ao menos uma chamada composta de título e texto e também têm chamadas que são praticamente títulos. As manchetes são: “Imagine quando vier um temporal” e “Volume de investi- mento do governo cai em 2012”. Veja exemplos.Paulo “São Paulo verá mostra com várias versões da obra de Caravaggio” Nas duas primeiras páginas há chamadas baseadas em fotografias. APLICAR CONHECIMENTOS 1. consulte o quadro que serviu de exemplo na atividade “Ler Jornal III”.

em Brasília (DF). 2012. e) Em que caderno de um jornal você encontraria uma matéria cujo título é “Congestionamento foi o maior do ano”? f) Em que caderno de um jornal você encontraria uma matéria cujo título é “Seu Jorge chega com disco novo”? 2. Que editoria foi responsável por uma matéria cujo título é “Venda de antibióticos sobe e preocupa especialistas”? 6º ano 65 . d) Em que caderno de um jornal você poderia encontrar a foto a seguir? Dida Sampaio/AE Operários em momento de descontração durante a reconstrução do estádio Mané Garrincha.

3. Escreva o nome dos itens indicados nesta primeira página de jornal. Gazeta do Povo 66 Língua Portuguesa .

Gazeta do Povo 6º ano 67 .

Escolham uma ou mais fotografias para ilustrar um ou mais fatos. Variem o tipo de chamada: com título e texto e com uma frase-título. vocês vão compor a primeira página. Decidam cinco outros fatos que serão relatados naquela edição. 5. Criem uma legenda para as fotografias. 68 Língua Portuguesa . 3. As matérias que o jornal vai apresentar são relativas aos acontecimentos nas aulas.. Decidam se. Delimitem a lápis. 6. No espaço que sobrou. Decidam que fato é o mais importante naquela edição do jornal. bem de leve. Por exemplo: A1 é página do primeiro caderno. PLANEJAMENTO Sigam as etapas abaixo: 1. Classifiquem cada chamada para um caderno ou suplemento diário. Escolham o nome do jornal. haverá algum outro elemento no cabeçalho. 8. data. Vocês po- dem escolher algo que tenha ocorrido ou podem imaginar uma situação. 3. E1 do caderno de arte e entretenimento. além de nome. MOMENTO DA ESCRITA PROPOSTA Você vai trabalhar em trio para produzir uma primeira página de jornal diá- rio. marquem a lápis o espaço que a manchete vai ocupar. Se vo- cês não conseguirem. Delimitem também um pequeno espaço para os outros dados do cabe- çalho. e seu pú- blico-alvo são os alunos e demais pessoas do universo escolar. com todos os elementos que a compõem. 1.. 2. podem desenhar o que imaginaram fotografado. 2. 4. Suponham que o jornal no qual está essa página circula na escola. Ele vai ser indicado pela numeração de página que você vai inventar. ELABORAÇÃO Em uma folha de papel sulfite. número de edição e preço. local. 7. 9. o espaço que o nome do jornal vai ocupar. Para cada um vocês vão criar uma chamada. transporte. educa- ção. Escrevam uma manchete para apresentar esse fato. que abriga também segurança. D1 do caderno esportivo. B1 do caderno de economia. nos intervalos e no dia a dia pessoal dos alunos.. C1 do caderno local.

Paulo digitalizou todo o seu acervo. Cada um vai avaliar o trabalho do outro. segundo estes critérios: 1. como outros. 4. Os alunos obedeceram à proporção de tamanho entre o nome do jornal e os demais elementos do cabeçalho? 2. pode adaptar a criação da página por meio de um programa de edição.estadao. 5.br/>. PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS Site Acervo do Jornal O Estado de S. O caderno que cada chamada indica é coerente com o tema tratado pela chamada? REESCRITA Façam os ajustes que forem necessários e passem caneta na primeira página. Paulo O jornal O Estado de S. teve ao longo do tempo. Disponível em: <http://acervo. 6.com. Depois. delimitem o espaço que a(s) fotografias(s) vai(vão) ocupar e o espaço que cada chamada vai ocupar. Acesso em: 6 ago. Escrevam a lápis diretamente na folha de sulfite o que vai ficar em cada espaço deixado. Os textos da chamada são claros e atrativos? 3. 2012. Se a classe dispuser de computador. tornando possível examinar edições que estamparam fatos históricos e acompanhar a mudança do projeto gráfico que o jornal. Coloquem o crédito na fotografia. 6º ano 69 . A letra precisa ser bem regular e caprichada em todo o trabalho. O trabalho pode ser entregue ao professor. AVALIAÇÃO Troque as páginas com outro grupo. 7.

(Aprender e ensinar com textos. 2006.) ______. São Paulo: Martins Fontes. São Paulo: Parábola. Brasília: MEC/SEF. BRANDÃO. ______.) ______.) BRASIL. Ministério da Educação. ______. V. (Aprender e ensinar com textos. 54. Helena Nagamine. O estudo analítico do poema. 2011. Antonio. Gêneros do discurso na escola. (Aprender e ensinar com textos. BAKHTIN. Não é errado falar assim. São Paulo: Cortez. Educação de jovens e adultos. v. 2. 12. Preconceito linguístico: o que é. Rildo. Estética da criação verbal. 3. A língua de Eulália. VOLOCHINOV. v. 1998. BRANDÃO. São Paulo: Loyola. Guaraciaba. v. Produção e leitura de textos no Ensino Fundamental. São Paulo: Cortez. São Paulo: Contexto. Mikhail. 2003. 2006. 1999. 6. BRONCKART. BAKHTIN. São Paulo: Parábola. São Paulo: Cortez. 2003.) COSSON. 70 Língua Portuguesa . Letramento literário. Ministério da Educação. 2002. 1997. Proposta Curricular segundo segmento do Ensi- no Fundamental: 5a a 8a séries. 7. 2003. Aprender e ensinar com textos didáticos e paradidáticos. 2000. ______. 2001. São Paulo: Educ. v. 1997. Adilson. São Paulo: Contexto. CANDIDO. _______. São Paulo: Hucitec. (Aprender e ensinar com textos. São Paulo: Humanitas. ed. ed. Marxismo e filosofia da linguagem. Atividade de linguagem. Jean-Paul. Helena. BAGNO. Aula de português: encontro e interação. 2011. Outras linguagens na escola. MICHELETTI. N. São Paulo: Parábola. textos e discursos: por um inte- racionismo sociodiscursivo. 1996. Aprender e ensinar com textos não escolares. Irandé Costa. Bibliografia LÍNGUA PORTUGUESA ANTUNES. Brasília: MEC/SEF. como se faz. 1992. CITELLI. Marcos. 2001. São Paulo: Cortez. Mikhail. A norma oculta. São Paulo: Cortez. Parâmetros Curriculares de Língua Portuguesa: 3o e 4o ciclos.

Artur Gomes. Gêneros textuais & ensino. São Paulo: Editora 34. 1998. GERALDI. ______. Texto e leitor: aspectos cognitivos da leitura. M. 2004. FIORIN. Belo Horizonte: Ceale- Autêntica. 1995. Gêneros orais e escritos na escola. Campinas: Editora Unicamp. Marli Quadros. Michele. ______. Linguagem e ensino: exercícios de militância e divul- gação. 4. SCHNEUWLY. 1996. A prática de linguagem em sala de aula: praticando os PCNs. Auxiliadora (Orgs. Leitura e interdisciplinaridade: tecendo re- des nos projetos da escola. 2003. Por que (não) ensinar gramática na escola. SOLE. 6º ano 71 . TEIXEIRA. 1993. Sírio. 2006. Joaquim.). análise de gêneros e compreensão. ed. H. Educ. de Castro. Oficina de leitura: teoria e prática. 2006. Magda. Luiz Antônio. KLEIMAN. MARCUSCHI. JOUVE. São Paulo: Cortez. Miguel (Org. MORAIS. Letramento: um tema em três gêneros. 1999. 2008. 1998. Tânia et al. Como usar o cinema na sala de aula. Braulio. MORAES. Campinas: Pontes. 2000. PENNAC. Introdução ao pensamento de Bakhtin. Estratégias de leitura. Inês A. Produção textual. Jaime Luiz. LEITE. A leitura. 1999. ZORZI. SOARES. Itaú Cultural.). Porto Alegre: Artmed. Bernard. São Paulo: Ática. Campinas: ALB. Campinas: Mercado de Letras. Preconceito e intolerância na linguagem. Ângela. Anna Rachel. Vincent. 2002. NAPOLITANO. POSSENTI. PELLEGRINI.). BEZERRA. Sílvia. São Paulo: Contexto. Isabel. João Wanderley. Contando histórias em versos: poesia e romanceiro popular no Brasil. Campinas: Mercado de Letras. 1998. cinema e televisão. Ortografia: ensinar e aprender. Ângela. (Org. São Paulo: Artes Médicas. R. KLEIMAN. Aprender a escrever: a apropriação do sistema ortográfico. Da fala para a escrita. Campinas: Mercado de Letras. NOVERRAZ. A escola vai ao cine- ma. Belo Horizonte: Autêntica. 2003. José Luiz. MACHADO. São Paulo: Parábola Editorial. José S. R. Marcos. São Paulo: Contexto. 2000. Rio de Janeiro: Lucerna. 2005. 1997. Com um romance. 2002. ROJO. 6. Campinas: Mercado das Letras.DIONISIO. ed. Rio de Janeiro: Rocco. São Paulo: Ática. Mercado de Letras. DOLZ. Angela. São Paulo: Senac. 2000. 2008. LOPES. São Paulo: Editora Unesp. Literatura. TAVARES. Daniel.

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UNIDADE 2 Arte .

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De que forma a arte está presente no nosso cotidiano? No lugar em que você mora é possível encontrar algo semelhante ao que está retratado nesta foto? U ma das primeiras questões que encontraremos ao longo deste capítulo é: arte. para quê? Cesar Diniz/Pulsar Imagens Beco do Batman ou Beco do Grafite. 6º ano 75 . compreendê-la melhor. dessa forma. A partir de algumas análises. 2011. que incluem também leitura e interpretação das imagens apresentadas. vamos nos relacionar com a arte e suas manifestações e. para quê? Essa e outras perguntas orientarão as reflexões que faremos sobre arte. situado na zona oeste de São Paulo (SP).Capítulo 1 ARTE Arte. seus sentidos e sua função.

as repre. gestos. Apesar de o termo se referir aos regis- sentações se tornaram um meio potente para esse fim. Em todos os continentes encontramos a presença da arte nos resquícios das culturas dos antigos povos que ali habitavam. palavras ou imagens. NUM TEMPO DISTANTE. ter outras épocas mais recentes. design. Para iniciarmos nossa reflexão. Não é novidade que a origem do que cha- mamos de arte é muito antiga. exemplares produzidos em quer coisa que possa transportar esperança de conseguir alimentos e. RODA DE CONVERSA I Que papel a arte desempenha em nossa vida? Para que estudar e compreender a arte? O que ela representa para nós? Vamos imaginar nossa vida sem a arte. teatro. ca do Sul e na Califórnia. Para isso recorriam a diversos materiais e técnicas. tros gráficos realizados na Pré- GLOSSÁRIO ta-se que quando pintavam animais e caçadas história. esculturas e pinturas-murais. assim. podem exprimir às pinturas ou às gravações pensamentos. tem nos apresentado inúmeros indícios de que a arte esteve presente na origem dos seres humanos nos mais diferentes e distantes locais. muito do seu modo de viver. mas concordam em um ponto: os po- vos antigos expressavam. medos e desejos. pro- placas etc. telenovela.Como os encontrados na Áfri- (apitos do guarda de trânsito. a pintura ti. Ásia. eles demonstravam a dicam que é possível localizar Signos: sinal indicativo. escultura. provavelmente. faziam dramatizações. América e Ocea- nia. por meio de gestos. por meio de representações simbólicas. sobre suporte rochoso. Traduziam por meio de sig- Arte rupestre nos o que conheciam e o que sentiam. ciência que estuda os modos de vida do passado por meio de vestígios materiais. latim rupes (rocha) e se aplica que. Pense em retirar do cotidiano as manifestações artísti- cas com as quais nos relacionamos: música. mas é possível levantar hipóteses a partir dos achados arqueológicos: obje- tos pessoais de uso cotidiano − como potes e armas −. As inscrições – pinturas ou incisões em pedras – e outros objetos encontrados e estudados por pesquisadores nos contam como viviam nossos ancestrais nos territórios que hoje conhecemos como África. pintura. Mas o que levou os seres humanos a elaborarem objetos e pinturas a que atribuímos o caráter de arte? As pesquisas indicam muitos motivos. dança. dançavam e. uma informação: palavras. sinais físicos e sonoros sua sobrevivência garantida. Isso mudaria algo em sua maneira de viver? Pense bem antes de responder e discuta essas questões com seus colegas. cinema. vamos fazer uma viagem a um tempo muito distante: ao nascimento da humanidade. A arqueologia. os seres humanos desenhavam. além da imaginação.) nha um caráter mágico e a arte foi a maneira en- duzidos no século XIX. Na Pré-história.. Europa. ideias. Desde que viviam em cavernas. qual. alguns estudiosos in- nas paredes das cavernas. Assim. contrada para se comunicar com os deuses ou 76 Arte . pintavam. O termo rupestre vem do O desejo de se comunicar é próprio dos seres humanos. Acredi. arquitetura. Sem a ajuda de documentos escritos não se pode reconstruir a história desses povos com exatidão..

pode ser utilizado para repre- sentar uma coisa na ausência desta. A arte nasceu como uma atividade social. em Carnaúba dos Dantas (RN). para dominar a natureza. uma linguagem visual que hoje apreciamos e estudamos. poder sobre os inimigos. Palê Zuppani/Pulsar Imagens Pintura rupestre encontrada na Toca da Entrada do Pajaú. Isso se aplica também às outras formas de expressão. 6º ano 77 . Criaram também como representação da paz. no município de São Raimundo Nonato (PI). os Símbolos: signo que. Por exemplo. Animais e caçadas são temas comuns nesse tipo de pintura. Rubens Chaves/Pulsar Imagens Pintura encontrada no Sítio Arqueológico Talhada do Gavião. como a dança. que teve origem nos rituais de preparação para a caça e as lutas. dançavam e emitiam sons evocando poder e proteção. Teremos herdado deles os gritos de torcida que muitas vezes intimidam os adversários? GLOSSÁRIO Ao dançar. 2010. envolven- do o coletivo. por convenção ou “artistas” pré-históricos criaram signos e símbolos para analogia. cantar e pintar nas paredes de pedra. Pode representar o que desejavam. também representar uma ideia ou um sentimento. E a razão desse poder era fortalecer a coletividade humana. 2007. Era uma forma de aumen. Em grupos. As representações lhes conferiam a sensação de poder sobre o natural. a pomba branca tar seu poder e enriquecer sua vida. poder sobre a realidade.

A personagem Piteco interage com as pinturas. Mauricio de Sousa Produções Cartaz da 35ª Mostra de Cinema de São Paulo. criado por Mauricio de Sousa. que relação existe entre a ilustração criada por Mauricio de Sousa e o cinema? 78 Arte . • Em sua opinião. PARA REFLETIR Observe esta imagem. faz referência à arte rupestre. em 2011.

pelos de animais ou mesmo com os dedos.CONHECER MAIS Pinturas nas cavernas Javier Etcheverry/Alamy/Otherimages Como eram feitas as pinturas nas cavernas e quais materiais eram empregados? Estas são algumas das tan- tas indagações que movem cientistas em seus estudos. na Itália. Pintar sobre muros e paredes é uma atividade que os seres humanos têm desenvolvido ao longo de sua história. Para realizá-las. Assim como os demais temas rupestres. cera de abelha e até sangue. 2007. em suas paredes. los. Isso lhe lembra algo? SOBRE PAREDES E MUROS As obras de arte rupes- Bridgeman Art/Keystone tres que se preservaram até os dias atuais exercem certo fascínio sobre nós. Argentina. história da batalha entre Sansão e os filisteus. en- quanto a parte que havia sido coberta ficava em negativo. como carvão. obtinham um pó colorido moendo rochas e depois. em sua maioria. Uma das técnicas mais intrigantes é a que foi aplica- da às mãos em negativo. com o auxílio de um canudo – provavel- Mãos pintadas em gruta na Patagônia. mente um osso –. cenas bí- blicas. 6º ano 79 . Reme- tem-nos a tempos e a locais distantes e nos revelam nos- sa própria humanidade. analfabetos. ainda que distantes entre si. Acredita-se que te- nham sido feitas antes das pinturas que representavam animais e seres humanos. vegetal ou mineral. A área em volta da mão ficava colorida. essas representações se repetem em muitos locais. Tudo indica que usavam pigmentos naturais de origem animal. Essa era uma forma de contar sua história aos fiéis. sopravam esse pó na mão estendida sobre a pedra. Desde a construção das primeiras igrejas percebeu-se a necessidade de pintar. em Roma. O painel mostra a seus palácios e seus túmu. As pinturas podem ter sido feitas com gra- vetos. uma vez que eles eram. os reis e as pessoas que tinham algum poder mandavam pintar Afresco do século IV no interior da catacumba da Via Latina. Vejamos: na Antiguidade.

com imagens repletas de significados. presente em muitas partes do o termo “grafite”. sobre muros urbanos. grafitos. sgraffite e De forma espontânea. mas foi nos anos 1980 que se consagrou Graffito é original do italia- como linguagem artística. se repetem em diversos lugares. postes. sobre pedra em épocas remo- muitas vezes. ao pensar em muros e Apesar de nos dicionários fachadas com pinturas. muros. ou com objetos pontiagudos tos urbanos servem de suporte para grafismos e imagens que. na década de 1950. RODA DE CONVERSA II Historicamente. grafito. Seu conteúdo tas. Rio de Janeiro (RJ). Podemos concluir que sentimos realmente a necessidade de deixar marcas por onde passamos ou vivemos? Que efeitos podem trazer à sociedade as marcas deixadas sobre muros e fachadas? Discuta com seus colegas essas questões. em seu plural graffiti. essa manifestação começou a surgir usar a palavra graffiti. 80 Arte . E hoje. viadutos e outros elemen. sgraffito. os graffitis interferem na paisagem ur. fachadas. tenham se lembrado do graffiti. revelam o contexto alguns lugares ela pode rece- ber outros nomes: esgrafiado. paredes e muros serviram de suporte para a pintura e para passar alguma men- sagem. sem distinção. uma de língua portuguesa constar forma de arte bastante atual. histórico. A CIDADE COMO SUPORTE Graffiti ou grafite É possível que você e sua turma. muros e fachadas ainda recebem pinturas. social e econômico da sociedade em que se inserem. Aqui no Brasil. Luciana Whitaker/Pulsar Imagens Graffiti em escadaria da favela Vila Cruzeiro. pode ir da crítica social à fantasia. artistas e críticos brasileiros preferem mundo. aproximando-a do cidadão. democratizam e desburocratizam a arte. descontraídos e para denominar a arte feita até bem-humorados. como toda manifestação artística. no e refere-se a inscrições ou desenhos feitos a carvão Paredes. A palavra foi incorporada ao inglês. Em bana e. Coloridos. 2012.

Suas intervenções nas ruas são cheias de humor. porém. Muitas vezes. Los Angeles. Figurativos ou abstratos. os graffitis são obras com vida limitada. 6º ano 81 . obra da dupla de grafiteiros conhecidos como 6emeia pintada em bueiro na rua do Bosque. acabam desgastados pela ação do tempo. ganham espaço privilegiado em museus e centros culturais. Brian Cahn/ Corbis/Latinstock Painel com cores fortes e muito bom humor do artista estadunidense Kenny Scharf. mas sua origem foi marginal. No início eram pinturas simples. Permane- cem nas ruas até que alguém os cubra de tinta ou os substitua por outro graffiti. afinal. Alguns. 2007. história. Levou cer- to tempo para que os grafi- teiros fossem reconhecidos como artistas. Museu de Arte Contemporânea. O graffiti está presen- Filipe Redondo/Folhapress te em muitas partes do mundo e a cada dia ga- nha novos adeptos. 2011. em São Paulo (SP). era preciso ser rápido para não ser pego pintando. suas produ- ções ganhassem espaço e sua linguagem fizesse Che e Fidel.

utilizarem a cidade como suporte. CONHECER MAIS Graffiti e pichação Apesar de terem as mesmas raízes. o graffiti e a pichação têm certas diferenças entre si. o graffiti tem sua origem nas artes plásticas e os grafiteiros desenvolvem estilos próprios com resultados muito diferentes das pichações. derivada da escrita. Folhapress 82 Arte . as tintas como material e possuírem o mesmo espírito transgressor. Enquanto a pichação. é uma produção anônima menos elaborada graficamente e sem projeto definido.

Publicam suas precursores dessa arte no Brasil – Alex Vallauri. ideias a céu aberto para que todos as apreciem. Ela explora o universo feminino e a natureza. 2011. As imagens dos muros refletem por meio de símbolos os valores de Coleção Particular nossa sociedade. povoam nossa imaginação. Rivaldo Gomes/Folhapress Nina Pandolfo é uma das pioneiras em arte de rua. Criam 27 de março foi declarado o Dia Nacio- personagens. fazem nal do Graffiti. como o consumismo. ironizam. Suas obras podem ser apreciadas nas ruas de São Paulo e em muitas galerias pelo mundo. Hoje o graffiti não só é reco- São muitos os grafiteiros brasileiros que têm nhecido como tem seu dia de glória e comemoração decretado por lei. denunciam. em homenagem a um dos protestos. O GRAFFITI NO BRASIL Os tempos de marginalidade ficaram para trás. O dia seu trabalho valorizado aqui e no exterior. como neste graffitti que fica na região central de São Paulo. falecido nesse dia. mesmo aqueles que queremos negar. mas atuam também sobre as pessoas que por elas passam. Se elas diminuem o ritmo ou param para ver a transformação. os temas CONHECER MAIS abordados pelos grafiteiros são extraídos do cotidiano O Dia do Graffiti ao mesmo tempo em que interferem nele. • Alguma obra de grafitti já chamou a sua atenção? O que ela representava? Comente sobre sua reação. 6º ano 83 . As interferências feitas na paisa- gem das cidades alteram não apenas o local. o intuito dos artistas foi alcançado. em 1987. Assim como as pinturas pré-históricas.

Museu d'Orsay. Imagem cedida pela Editora Zupi Graffiti de Maurício Villaça. no bairro Planalto Paulista. inseriu a figura de um super-herói. Na irreverente releitura da obra Almoço na relva (1863) do pintor francês Édouard Manet. 208 × 264 cm. da década de 1980. Almoço na relva. Paris Édouard Manet. justamente numa época em que a sociedade brasileira se ressentia da ausência de líderes. Musée d’Orsay. Óleo sobre tela. São Paulo. 84 Arte . Uma releitura da obra de Manet. Maurício Villaça foi um dos precursores do graffiti brasileiro. Almoço na relva. Paris. 1863.

no entanto. recortando em papel grosso ou em acetato o que deve ser impresso. Em 1980. 6º ano 85 . Desde a Pré-história. no século XXI. essa influência norte-americana despon- tou em São Paulo. discuta as ideias apresentadas e anote suas conclusões. Isso lhe lembra algo? APLICAR CONHECIMENTOS 1. grafiteiro brasileiro. porém. onde os simpatizantes reuniam-se para dançar. Com um colega. o homem come. existe algo em sua essência que permanece igual e que nos faz. fala. procure identificar essa essência da arte presente em todas as suas manifestações. em cada tempo e em cada lugar. produzindo pinturas com técnica apura- da. pincéis. Com base no que você leu. ouvir rap e pintar. spray e látex são alguns dos materiais utilizados para criar for- Oli Scarff/Getty Images mas. o graffiti da cultura hip-hop segue determinado estilo. O GRAFFITI E O HIP-HOP O graffiti está intimamente ligado ao movimento hip- Julia Grossi/Corbis/Latinstock -hop. Inovaram também nos materiais. Distinguiam-se por ter um estilo próprio de vestir e por usar gírias próprias. com figuras com movimento e cores muito vivas. apreciar as pinturas pré-históricas. aparece a imagem delineada em positivo. Pintando diretamente com o spray ou utilizando máscara ou estêncil. Com influência americana. hip-hop. características do graffiti americano. conheceu e discutiu sobre o assunto. símbolos e imagens em diversos espaços da cidade. CONHECER MAIS Técnicas e materiais Giz. Apoia-o sobre a parede e passa um jato de spray. ainda refletem o universo a lado. Ao retirar a máscara. Leia as citações a seguir de dois grafiteiros. desempenha a mesma função que as mãos nas gra- vações em negativo sobre a pedra na Pré-história. os gra- fiteiros têm procurado inovar constantemente. introduzindo a tinta O grafitti e o movimento hip-hop andam lado látex. O artista faz um molde vazado. Alguns grafiteiros brasileiros ino- varam e foram além das letras coloridas. que mudou pouco desde a Pré-história e ainda guarda a mesma origem. não utilizando máscaras e sendo traçado e pintado diretamente com spray. Decidi voltar ao desenho. ou estêncil. 2. A máscara. dança e grafita. A razão de ser da arte pode se alterar em cada sociedade. grafiteiro nova-iorquino. Maurício Villaça. Suas imagens. Keith Haring.

Em sua opinião. Picture Hooked/Loop Images/Latinstock Banksy faz das ruas de Londres. na Inglaterra. E no primeiro plano? . Que manifestação artística você identifica no segundo plano? 2. LER IMAGEM Observe a obra do artista britânico Banksy realizada na Inglaterra. Esta obra foi apresentada em 2008 num festival de arte urbana no metrô londrino. Banksy produziu uma obra bastante inquietante ao mostrar a imagem do fundo sendo lavada e apagada pelo homem. Por meio da aplicação de técnicas diferentes de pintura. temos a impres- são de que vemos dois planos. em que participaram pinturas feitas com estêncil. que está em primeiro plano. 1. uma galeria para seus trabalhos. o que ele expressa por meio dessa obra? 86 Arte . Que imagens evidenciam a aplicação da técnica de pintura com estêncil? . um mais ao fundo e outro à frente. A pintura representa duas manifestações artísticas.

Museo Nacional de Historia. cobriram fachadas de prédios públicos e privados com temas históricos e de louvor ao trabalho e aos brasileiros.AINDA SOBRE PAREDES E MUROS Algumas décadas antes do surgimento do graffiti. acreditava que a arte era uma arma. Diego Rivera. Usando técnicas diversas. Durante as décadas de 1920. 1957. Surgiu no México após 30 anos de ditadura. alguns artistas deixaram-se influenciar pelos muralistas mexicanos. das ruelas mal projetadas até as imponentes fachadas de prédios modernos. Afresco. Cenas da história do país exaltavam o poder popular e a beleza era parte integrante do projeto de governo. in- clusive pintura sobre azulejos. O movimento revolucionário. A revolução. No Brasil. 1930 e 1940. Museo Nacional de Historia. Além dele. A política cultural do novo governo buscava a renovação cultural e o combate ao analfabetismo. nos lugares mais variados. 6º ano 87 . Cidade do México. políticos e artistas. Di Cavalcanti e Candido Portinari estão entre eles. um dos mais expressivos muralistas mexicanos. o muralismo instalou-se como uma forma de falar ao público. um ins- trumento de luta contra a opressão. composto de uma estreita aliança entre campone- ses. destacaram-se nesse movimento David Alfaro Siqueiros e José Clemente Orozco. intelectuais. projetava uma nação democrática. Cidade do México David Alfaro Siqueiros. murais foram pintados por todo o país.

Consulte livros. Você encontrará um catálogo completo dos murais que Portinari pro- duziu. Clique em relações com outras obras e descubra outros trabalhos. local em que se encontra ou nome do proprietário.br. entre em obras e. produzir: isso é o que se pretende nesse envolvimento com o mundo da arte. revistas. de trigo uma base de papelão ou outro material que en. com os 250 mL restantes da água. tamanho. escolha a opção técnica para che- gar até pintura-mural. 2º passo: o assunto Pense no tema. alguns estudos preli- minares e obras com o mesmo tema. busque pelas pinturas- -murais de Portinari. além de outras informações. Coloque o vinagre e mexa receita ao lado. Em uma tigela. Confira e relate suas impressões. técnica e matérias empregados. refletir. ou seja. PESQUISAR Que tal conhecer os murais de Portinari? No site www. Selecione uma das obras e veja a ficha técnica que contém dados sobre a obra: nome. ano de produção. até ela Dica: Para produzir um suporte com jornal dissolver totalmente.portinari. PARA CRIAR Apreciar. Se não souber desenhar. Você será um produtor e poderá trabalhar em grupo ou individualmente na criação e pintura de um painel.org. Essa visita virtual certamente valerá a pena. em seguida. Jogue a água fervente utilize cola feita de polvilho ou farinha. misture a farinha resistente e bastante interessante. Um tapume usado. você pode se apropriar de algumas imagens e adequá-las às suas ideias e ao seu painel. uma placa de zinco. depois. compartilhando-as com seus colegas. internet e também reveja as imagens deste livro para se inspirar. por mais 2 minutos. Resfrie antes de usar e conserve em geladeira. 3º passo: o desenho e a técnica Não precisa se acanhar. • • contrar também poderão ser suportes para seu painel. não im- • porta. Veja a na mistura com a farinha e mexa por 5 minu- tos até engrossar. Folhas de jornal coladas umas às outras Modo de preparo: em várias camadas se transformam numa base Ferva 750 mL da água em uma panela grande. com o nosso mundo. Selecione acervo. 1º passo: o suporte e o local Cola caseira Se não conseguir uma parede ou um muro Ingredientes: e a devida autorização para pintá-lo. Para a pintura poderá escolher entre as técnicas que utilizam tinta látex co- mum ou entre as que utilizam spray. 88 Arte .

sobretudo quando o painel precisa ser visto a distância. mas valoriza bem a pintura. Itaú Cultural Disponível em: <www. Um encontro de hip-hop seria ideal.ig. (Coleção Primeiros Passos) Sites Arte rupestre Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham) Disponível em: <www. html. deixando-as vazadas. Acesso em: 18 jul. (Acesso em: 7 ago. Organize com seus colegas um evento de arte. mas pode-se inovar utilizando essa ideia. definindo as áreas de cor. poesia. 6º ano 89 . Pintura com tinta spray A pintura pode ser aplicada diretamente com o spray.) 4º passo: a exposição O trabalho concluído precisa ser visto e merece um lançamento festivo. 1999.br>. quem sabe. Pintura com látex Amplie seu desenho sobre o suporte e aplique a pintura. O link dá dicas de como fazer seu próprio estêncil: http:// jovem. As máscaras também podem ser usadas na pintura com outras tintas e com o auxílio de pincéis.com. 2012. Acesso em: 18 jul. Acesso em: 18 jul.com. Celso. 2012. PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS Livro O que é graffiti GITAHY.com. São Paulo: Brasiliense. É inte- ressante que haja música e dança e.htm>. O que é graffiti. Coloque a máscara sobre o suporte e lance um jato de tinta spray. Graffiti Stencil Brasil Disponível em: <www. pois é necessário controlar o jato. O contorno é opcio- nal.fumdham. Acesso em: 18 jul. Recorte as partes que receberão a tinta.br/aprenda+a+fazer+stencil+art+em+5+passos/n1597070997083. 2012. 2012.br>.stencilbrasil.br/textos_4.arteforadomuseu.org. 2012. Arte fora do museu Disponível em: <www.org.itaucultural. Essa técnica exige certa experiência.br>. O uso de máscaras ou estênceis é bem interessante e consiste em desenhar um motivo sobre papelão ou acetato (pode ser de raio X).

seja ela visual. escultura. Se alguém decide se expressar. cinema. e se alguém estabelece alguma relação diante de uma expressão artística. qualquer árvore. Os artistas utilizam os símbolos de sua cultura e de seu tempo para produzir suas obras. A linguagem dá forma às ideias de seus criadores. seja em pintura. Neste capítulo. a importância de estudarmos arte. dança ou em outras expressões artísticas. é porque. desejos etc. já conhece seus símbolos e é capaz de decifrá-los. Daí. mais uma vez. para podermos apreciar a arte de outros povos. sentimentos. Ne- cessidade de se expressar e de conferir qualidades estéticas ao seu ambiente. precisamos conhecê-la melhor.Capítulo 2 ARTE Quem faz arte? J á vimos anteriormente que o ser humano produz arte por necessidade. poderemos então apre- ciar a arte criticamente. veremos como o ser humano produz arte e como a arte se apresenta a todos nós. Assim. embora saibamos que nem todas as árvores têm essa forma. possivel- mente. tempos e culturas. 90 Arte . Portanto. Para nos relacionarmos com a arte ou por meio da arte. imediatamente identificamos que se trata de uma árvore. Com esse conhecimento. é mais fácil com- preendermos manifestações próprias de nossa própria cultura do que de outras culturas diferentes da nossa. necessitamos também de um conhecimento mais aprofundado dos elementos de cada linguagem artística. recorre aos símbolos que conhece para tornar visíveis seus pensamentos. trata-se de um símbolo para representar árvore. Ilustração digital: Llinares Os seres humanos inventam símbolos continuamente. Por exemplo. teatro. ao olharmos para o de- senho a seguir. sonora ou gestual. Também estudamos que toda ideia de criação necessita de uma linguagem para poder se concretizar.

Diante do que já vimos até aqui sobre linguagem. podemos realmente dizer que a natureza produz arte? Llareggub/Dreamstime. dizen- do: isso é uma obra de arte da natureza! Luis Salvatore/Pulsar Imagens Formações rochosas no Baixão da Pedra Furada. ou ainda muito raras. 6º ano 91 .com A natureza produz belas formas. como se pode ver neste detalhe de um girassol. sobretudo aqueles que têm formas complexas ou muito detalhadas. São Raimundo Nonato (PI). RODA DE CONVERSA A arte é sempre intencional? É sempre resultado da ação humana? Frequentemente nos manifestamos com entusiasmo perante alguns fenômenos da natureza. símbolo e arte. 2010. no Parque Nacional da Serra da Capivara.

PARA REFLETIR As questões propostas em “Roda de conversa” são um tanto polêmicas. E os animais. ed. p. discuta-as com seus colegas. intelectual do século XIX em sua obra O capital. 202. livro I. 3. e a abelha supera mais de um arquiteto ao construir sua colmeia. Karl. Ele não transforma apenas o material sobre o qual opera. Karl Marx. • Que diferenças você consegue identificar ao comparar o processo de trabalho de um pássaro ou de uma aranha com o do ser humano ao criar e transformar materiais para se expressar? 92 Arte . o qual constitui a lei determinante do seu modo de operar e ao qual tem de subordinar sua vontade. No fim do processo do trabalho aparece um resultado que já existia antes idealmente na imaginação do trabalhador. O capital. Uma aranha executa operações semelhantes às do tecelão. fazem arte? Ivan Bondarenko/Dreamstime. mas não é difícil che- garmos a uma conclusão se nos basearmos em algumas informações. MARX. Reflita sobre essas questões e. Mas o que distingue o pior arquiteto da melhor abelha é que ele figura na mente sua construção antes de transformá-la em realidade. Vejamos o que disse a esse respeito. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. como você já deve ter feito até então.com A aranha trabalha incessantemente para produzir sua teia. depois. 1975. ele imprime ao material o projeto que tinha conscientemente em mira.

pensamos. Haia. composta de sinais e expres- sões relativos a suas necessidades e seus desejos primários: acasalamento. Gemeentemuseum den Haags. a linguagem deles é instintiva. ótimo! Sim. 70 × 99 cm. Ao elaborar minuciosamente sua teia. Gemeentemuseum den Haags. mas eles não criam códigos para representar sua realidade. porque o que torna os seres humanos racionais é a capacidade de criar símbolos. Haia Piet Mondrian. nos apropriamos de alguns recursos da natureza. perigo etc.O PODER DE SIMBOLIZAR Se em sua resposta à pergunta de “Para refletir” você destacou o poder huma- no de simbolizar. 1908. Nós. Óleo sobre tela. contudo. Árvore vermelha. O mesmo acontece com os pássaros ao construir seus ninhos ou com as abelhas ao compor sua colmeia.. Os animais não chegam a tanto. Sentimos. idealizamos e procuramos formas de comunicar tudo isso por meio de códigos simbólicos. Veja as obras a seguir. a aranha o faz por instinto de preservação. 6º ano 93 . nos inspiramos nela e a representamos de forma realista ou não. e por meio deles ocorre a comunicação. seres humanos. Não lhe resta outra opção senão reproduzir por toda sua vida o mesmo padrão. Tudo isso intencionalmente e por meio de símbolos. alimen- tação.

São realizada no Parque do Ibirapuera. Paisagem com touro. São Paulo (SP). Foto: Romulo Fialdini Tarsila do Amaral. Árvore. 2000. 94 Arte . Rio de Janeiro. 12 × 8 × 5 m. Escultura em Frans Krajcberg. aço.2 cm. Coleção Roberto Marinho. 1991. localizada no Parque do Ibirapuera. 1925. Fernando Favoretto/Criar Imagem Sérgio Castro/Agência Estado/AE Cleber Machado. Flor de mangue. Exposta na Mostra do Redescobrimento – Brasil +500. escultura. 50 × 65. Paulo (SP). Óleo sobre tela.

muito particular. embora nesse caso estejamos utilizando uma linguagem figurada para qualificá-la. Ela é sua e representará sua forma de ver e imaginar. mas eles tiveram a liberdade de interpretá-las e recriá-las. 6º ano 95 . Mas. Referimo-nos às for- migas ou às abelhas como símbolos do trabalho. Você poderá desenhar. representa a paz para grande parte dos ocidentais. paisagens. Se não for possível. observe-os bem por algum tempo. Também atribuímos valores simbólicos à natureza. ao observarmos uma ár- vore na natureza. atribuímos às flores a represen- tação de sentimentos etc. Os artistas. que fazemos essas associações e adotamos elementos naturais como símbolos. o ser humano é movido por intenções. reflita sobre seu processo de criação e sobre o produto final. por exemplo. Muitas vezes. Ainda que nenhuma delas seja uma representação fiel. Pense bem num motivo que possa lhe interessar. por sua beleza ou outras qualidades que apresente. madeira. O processo de criação também é muito pes- soal. Podem ser animais. afeto. Lembre-se de que a interpreta- ção é pessoal e. de acordo a interpretação que fez deles. mas é muito interessante que você fique atento ao seu. É importante destacar que o resultado esperado pode não ser alcançado na primeira tentativa. plantas. Mesmo as crianças pequenas. em pouco tempo nos damos conta de que todas representam o mesmo tema: árvores. algo que envolva memória. sucatas etc. utilize os materiais de que dispõe. papel. pois realmente são símbolos que representam árvores. Caso esses elementos estejam ao alcance de sua visão. Quando representa. Em sua produção: ( ) Você procurou ser fiel à natureza. O importante é que você os represente. seres humanos. seres humanos etc. quando de- senham. Depois de terminar a obra. A ação humana ao representar é transformadora e vai além do que já existe. não há nenhuma dúvida de que se trata de árvores. A pomba branca. conheciam bem as árvores na natureza e possivelmente elas tenham sido sua fonte de inspi- ração. pintar ou até mesmo fazer composições tridimensionais com barro (argila). também iniciam seus trabalhos esboçando suas ideias livremente e depois se decidem pelos melhores registros para sua obra final. ( ) Sentiu-se livre para interpretar a natureza e representá-la a seu modo. é preciso experimentar mais até conseguirmos nos satisfazer com o resultado. utilize a memória. os artistas que as criaram. Para realizar esta atividade. 1. têm o propósito de colocar no papel aquilo que desejam tornar visível. Quanto às representações de árvores. Cada cultura pode ter suas próprias referências simbólicas em contato com a natureza em que se insere. em geral. poderemos considerá-la uma “obra de arte”. Mas não podemos nos esquecer de que esses valores são culturais e que somos nós. Ao observarmos esse conjunto de obras. portanto. PARA CRIAR I Selecione um aspecto da natureza que você deseja representar. curiosidade ou outros sentimentos. res- pondendo às questões a seguir. varia de pessoa para pessoa.

O resultado final atendeu às suas expectativas: ( ) totalmente ( ) parcialmente ( ) em nada . como você a superou? . Caso tenha tido alguma dificuldade. . Quanto à ideia: ( ) Manteve-se fiel à sua ideia original. Pense e descreva o modo como você gostaria de expor sua obra ao público. selecione alguns dos termos a seguir e utilize-os na produção de um pequeno texto explicativo sobre o fazer arte. MOMENTO DA ESCRITA Com base no que você estudou até agora. sentimentos técnica semelhança pensamentos linguagem cópia símbolo representação materiais imaginação desejo conhecimento público artista transformação liberdade cultura nat�reza tradição ideias 96 Arte . Encontrou dificuldades em representar? ( ) muitas ( ) algumas ( ) poucas ( ) nenhuma . ( ) Alterou seu projeto algumas vezes. Os materiais que utilizou atenderam às suas necessidades expressivas? Por quê? . 2. Dê um título à sua obra: .

curso noturno da Escola de Ar- tes Decorativas. Como ele. Rouault trabalhou com diversas técnicas: gravura. deve ser adequado a essa função. É comum ouvir que o artista cria e o artesão repete. A imaginação precede a ação. Em ambos os artes gráficas. dançarinos. couro evoluíram tecnicamente. a arte não deixa de ser um trabalho. mas também ao fazer mental. os levam a abandonar tes em Paris. Muitos artistas começam como ama. aquarela. Podemos dizer que o artesão tra- balha com o concreto: um pote serve para guardar líquidos e. Filho de um marceneiro. Já o artista popular atua no campo da abstração e da criação. músicos. nem todo artesão é considerado um artista. mas essa afirmação não explica tudo. lhos manuais. Re- presentamos o que vemos de acordo com o que sentimos ou imagina. Seu trabalho será usar a técnica. chifres. taurador de obras medievais. PARA REFLETIR Arte é trabalho? Quem faz arte trabalha? Quem trabalha faz arte? Reflita um pouco sobre essas questões e discuta-as com seus colegas. do local em que vive etc. 6º ano 97 . consequen. têm outras profissões. O trabalho na arte se estende da ideia até a concretização da obra. portanto. Em ge. Evoluímos da pintura com os dedos para os pincéis. maior qualidade. sendo aprendiz numa oficina de vitrais e res- Outros fazem arte por puro prazer. em seguida. a óleo. O artista é aquele capaz de transformar a matéria em poesia e representar o espírito de um povo. são artistas amadores. respeitando padrões preestabelecidos. escritores etc. George Rouault nasceu e vi- veu na França entre 1871 e 1958. George Rouault mos. O ARTESÃO E O ARTISTA POPULAR Embora o trabalho artesanal seja a base para a arte popular. A arte é transformação – uma ação sobre a forma. e seu talento. realizamos. ainda que ele esteja vinculado às tradições da família. canetas e sprays. mas continuaram a ser feitos com recursos naturais. Também as ferramentas utilizadas no fazer artístico são fruto de um trabalho apurado. E não nos referimos apenas ao trabalho físico. Continuou os temente. de uma cultura. mas recorrem à criação e à expressão além de frequentar as aulas do artística para conferir mais significado à sua vida e. mas isso não o coloca num patamar inferior. o que faziam para se dedicar à arte como profissão. entre outras. transformando-a. des- co”. É bastante discreta a diferença entre os dois e há quem diga que essa diferença não existe. ARTE E TRABALHO Se a arte se constitui num fazer que dá forma às ideias e transforma materiais. às ideias. é evidente que ela supõe trabalho. ral. pintura casos. Outro exemplo: a construção de instrumentos musicais que inicial- mente eram feitos de ossos. muitas pessoas têm na arte sua profissão: artistas de cedo se dedicou aos traba- plásticos. estudos na escola de Belas-Ar- dores. atores. unido a outros fatores. podendo expressar em seu trabalho suas ideias e sentimentos. à criação. O pintor Georges Rouault disse: “Sou um trabalhador plásti. pois é dessa forma que os seres humanos se apropriam do que veem e coletam na natureza. à concepção. coreógrafos. Sonhamos e.

sua obra foi adquirida por galerias e museus e. fugir de casa. de simples recipientes para uso doméstico. continuou a fazer potes. afinal. Os pássaros. 98 Arte . aos 16 anos. com ape- nas um ano de idade. No entanto. A folclorista Regina Lacerda sugeriu que começasse a assinar suas peças como Antônio Poteiro. do Ministério da Cultura. Com liberdade para criar e inventar. na categoria escultura. cheios de figuras complexas e ornamentos e. hoje. Seus potes passaram a ser verdadeiras es- culturas. foi como poteiro que havia começado a trabalhar. autodidata e so- nhador deu aulas na Alemanha e recebeu importantes prêmios. sempre com a mesma forma e tamanho. seguindo as orientações dele. fazia po- tes. mas não mais aqueles padronizados e em série. a cerâmica. LER TEXTO BIOGRÁFICO ANTÔNIO POTEIRO: O ARTESÃO E O ARTISTA Antônio Batista de Souza nasceu Coleção paricular em Portugal em 1925. Antônio Poteiro. ca e demonstrava uma fantástica ima- ginação. trabalhou com seu pai como oleiro – profissional que trabalha o barro – e. ele figura como um dos mais destacados artistas brasileiros. mas. Produzia muitos por dia. imigrou com sua família para o Brasil. representou nas telas os mesmos motivos de suas peças de barro. Escultura em cerâmica. não foi suficiente como meio de expressão. seu trabalho ganhou expressão. seu primeiro ofício e matéria-prima para sua arte. Foi também homenageado com a comenda da Ordem do Mérito Cultural. Desde criança. 1995. começou a pintar e. Mais tarde. O artista de origem simples. Alternou entre uma técnica e outra. In- conformado com o trabalho repetitivo e pouco expressivo e sem alternativas no meio familiar de produção. com cores vibrantes. Antônio Poteiro viveu grande parte de sua vida em Goiás. Estimulado pelos artistas Siron Franco e Cleber Gouvêa. Para sobre- viver. Realizou diversas exposições no Brasil e no exterior. passaram a obje- tos de arte. decidiu. trabalhando até sua morte em 2010. como o da Asso- ciação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). Antônio dominava a técni. 50 × 138 cm. Antônio Poteiro não considerava arte o trabalho que fazia a mando de seu pai: reproduzir potes.

quando jovem. Nessa obra de Antônio Poteiro. Você reconhece alguns dos elementos que ele representou? Quais? 2. idealizado por Oscar Niemeyer. Anos mais tarde. Que cores se destacam nessa obra? Como elas estão distribuídas? . na próxima página. também sentiu uma grande necessidade de se expressar por outros meios além da cerâmica. 6º ano 99 . Antônio Poteiro declarou que. em Brasília. . As proporções das figuras correspondem à realidade? O que você notou a esse respeito? . Veja a foto desse conjunto arquitetônico. ele faz referência ao Congresso Nacional. Que diferenças existem entre o trabalho de Antônio Poteiro nessas duas fases? 2. sentia um enorme desejo de criar e de contrariar as ordens de seu pai. Você já sentiu alguma coisa parecida? O que foi determinante para que ele conseguisse se expressar segundo seus desejos? LER IMAGEM Observe bem essa obra de Antônio Poteiro: Coleção José Roberto Maluf 1. Em sua opinião. Agora. Comente esse impulso de criação sentido por Antônio Poteiro. responda: 1. Em um depoimento. o que Poteiro quis expressar com essa obra? Compartilhe com a classe a sua opinião.

a arte popular manifesta uma enorme riqueza criativa. No Brasil. além das possíveis funções utilitárias. 100 Arte . não frequentaram escolas de arte e retiram da tradição de sua cultura a técnica que utilizam. Possuí- mos um gigantesco acervo cultural. fruto da miscigenação e da mescla de costumes. procurando colocar autenticidade e beleza em suas obras. Geralmente nascidos no meio rural ou na periferia das grandes cidades. reflexos da diversidade cultural de seu povo. E é justamente isso que se converte numa inesgotável fonte de inspiração aos artistas populares. quadro. um humor apurado e muita poesia. mitos. Criam intuitivamente. Os artistas populares observam e captam detalhes da vida cotidiana e do imaginário de sua cultura e os transformam em escultura. religiosidade. inúmeros artistas brasileiros têm origem hu- milde. Compare a pintura de Poteiro e o projeto de Niemeyer e faça algumas observações. Brasília (DF). Confira agora os dados da obra de Antônio Poteiro apresentada em “Ler imagem” na página anterior: Título: Congresso Nacional Ano em que foi pintada: 1985 Técnica utilizada: tinta a óleo sobre tela Tamanho: 135 × 155 cm ARTE POPULAR BRASILEIRA Assim como Antônio Poteiro. 2010. São conhecidos como artis- tas populares. composto de lendas. brinquedo e muito mais. memórias e tradições. Palê Zuppani/Pulsar Imagens Prédio do Congresso Nacional.

com os recursos técnicos de que dispõe. cresceu trabalhando com argila. pensativas. Sem nunca ter visto uma boneca. “Faço bonecas alegres. o artista capta sensivelmente o que vê e. responda às questões propostas. 2004. Como já vimos. a figureira Foi o desejo de fazer bonecas que levou Izabel Mendes da Cunha. Conhecer nossa arte popular nos permite saber mais sobre como vive e como pensa grande parte do povo brasileiro. 6º ano 101 . colocan- do-a ao alcance de todos para que apreciem os resultados e reflitam sobre a pró- pria realidade ou a realidade de outras sociedades. artista do Vale do Jequitinhonha (MG). desde menina. a modelar figura sem barro. Fabio Colombini Fabio Colombini Artesanato de João Alves. a dona Iza- bel. em seguida. LER TEXTOS BIOGRÁFICOS Os textos a seguir falam sobre dois artistas populares brasileiros: Isabel Mendes da Cunha e Naninho. revela sua percepção de forma poética. À noite. Bonecos de linha produzidos em Pedro II (PI). Leia-os e. De dia fazia utensí- lios para vender na feira e garantir o sustento da família. a análise de suas obras nos possibilita ler a realidade de nosso país em toda a sua diversidade. Tudo imaginação”. diz. a arte é resultado do meio em que é produzida. pensava em como poderia fazer uma ao ver a mãe modelando vasilhas de barro. bravas. tristes. Se os temas trabalhados pelos artistas populares são os da vida cotidiana. ou seja. Suas criações logo se destacaram em meio às outras em razão de sua originalidade e do cuidado com que decorava as peças. sonhava e fazia bonecas. 2012. Dona Izabel. Seguindo o ofício familiar.

E. arriscou-se a criar e esculpir uma imagem de Cristo. onde nasceu. não tinha uma imagem para realizar a procissão da Semana Santa. Naninho esculpindo um rosto em madeira. artesã do Vale do Jequitinhonha (MG). assim. 2004. O que há em comum entre a carreira de dona Izabel e a de Naninho? 2. Você conhece um artista popular? Já apreciou obras de arte popular? Converse com a classe sobre isso. começar a esculpir em madeira: o povoado de Bichinho (MG). O resultado agradou a todos e principalmente a ele mesmo. Largou o tra- balho como pedreiro e com o estímulo do artista Toti (Antonio Carlos Bech) montou um ateliê onde produz desde imagens sacras até personagens mineiras. 102 Arte . Naninho das imagens Foi a necessidade que fez Martiniano Moreira de Carvalho. Fabio Colombini Fabio Colombini Dona Izabel. Bichinho (MG). surgiu a figura que havia idealizado. 1. que nunca mais deixou de esculpir. 2006. Nani- nho. de uma tora de madeira. conhecido como Naninho. que quando criança produzia seus próprios brinquedos com barro ou ma- deira.

o vestuário etc. as personagens (baseados na realidade ou na ficção). Muitos dos fol- guedos como bumba meu boi. a elas destinadas. intelectuais brasileiros: João Cabral de Melo Neto e Ariano ao mesmo tempo. contribuiu para Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estu. dantes (UNE) do Rio de Janeiro. os espetácu- los atingem o público já familiarizado com seus códigos e técnicas: o linguajar. 6º ano 103 . inicial- mente. da cidade de São Luís (MA). o conceito de teatro popu. onde encontramos produções de grande valor cultural. as coreografias. pastoril e mamulengo são carregados de dramaticidade que. O TEATRO POPULAR NO BRASIL A cultura popular tem forte expressão também no teatro. A ditadura militar. São manifestações originadas nas camadas populares e. No Brasil. os ritmos musicais. a sátira. que o movimento se mantivesse discreto por muito tempo. provocando reflexões sobre seus desdo- Suassuna e também com o movimento promovido pelo bramentos. valorizando-a e. Delfim Martins/Pulsar Imagens Grupo Folclórico Bumba Meu Boi da Liberdade. a confecção e o manejo dos bonecos. CONHECER MAIS O teatro popular nos tempos da ditadura No final da década de 1950. chegança. sobretudo no Nordeste. no entanto. com seus rituais e estruturas. apresenta-se em Olímpia (SP) em 2007. as danças. Geralmente apresentados em ruas e praças. pode- mos encontrar inúmeras manifestações ligadas a essa linguagem. expressam e revelam situações sociais e políticas. A intenção era envolver as mas não impediu a identificação do público com essa arte. O bumba meu boi é uma expressão artística popular que mistura elementos do teatro e da dança. camadas populares oferecendo-lhes textos e encenações de lar ganhou força com a participação de dois importantes qualidade que refletissem a sua realidade.

tristezas. a magia é intensa quando manipula- dor e boneco se transformam em um só. A cultura bra. conhecidos como mamulengos. os folgazões e ajudantes (manipulam bonecos. O mamulengo é um boneco manipulado pelas mãos. Exis- te ainda uma figura muito interessante. É por meio desses bonecos. mória são muito importantes na preserva- ção da cultura de um povo. que também faz parte do bumba meu boi. Esse gênero de teatro popular tem raízes no teatro medieval europeu e é praticado no Brasil desde a época colonial. triângulo. os tocadores ou instrumentistas (tocam sanfona de oito baixos. dominar a arte G. faz a ligação do mundo da fantasia TÉCNICAS E MATERIAIS dos bonecos com o mundo real do público. outras formas de teatro popular de bonecos podem ser observadas pelo Brasil afora e. apenas a cabeça é esculpi- ou consideradas inferiores. pois é a música que determina o ritmo do espetáculo tanto nas danças como nas brigas). necessariamente. Os bonecos do mamulengo podem ser tanto de luva – os mais comuns – como de vara. Mamulengo Ele deve. acrescentando falas e fatos. o Mateus. o próprio mamulengueiro constrói e manipula seus bonecos. com muita graça e agi- lidade. É ele que. pois as brigas e pancadarias realizadas que. mas existem também bonecos feitos com papel machê e ca- das artes populares sejam menosprezadas baças. outros elementos são fundamentais: o contramestre (auxilia o mestre. Além do mamulengo. Nas apresentações. Conhecê-las e da. em todas elas. cantam em coro e par- ticipam das lutas. que o povo se vê representado em suas alegrias. ganzá e zabumba e são importantíssimos. a tradição e a me. mas há quem afirme que a pala- vra deriva de “mão molenga”. zar nossa cultura e preservar sua essência. Os roteiros das peças são apenas indicados e. com humor e ironia. A simplicidade de recursos é sempre suplantada pela grande criatividade. Como podemos ver. e o corpo é feito de tecido. TEATRO DE MAMULENGOS A origem do nome mamulengos é discutível. é fundamental nos improvisos). diante da massificação imposta pelos com muita graça e humor fazem parte desse gênero. Nos bonecos de luva. retratando situações cotidianas. temores e aventuras. O meios de comunicação. Ambos precisam ser sileira é riquíssima e não podemos deixar bem resistentes. Em geral. os artistas fazem improvisos. sendo conhecido como mestre. por causa dos movimentos para a manipulação dos bonecos. pois uma das carac- terísticas do teatro de mamulengos é justamente a improvisação. dependendo da participação dos espectadores. mas quase nunca falam). as manifestações melhor material para sua confecção é a madeira. Além do mestre. Já os bonecos de vara têm o corpo todo feito de madeira e possuem articulações estudá-las são também formas de valori- que lhe dão movimento. Evangelista/Opção Brasil Imagens do improviso. a interação com o público é intensa. 104 Arte . o cotidiano vira fantasia e o fantástico se torna cotidiano. pois ele dirige todo o espetáculo.

Ilustração digital: Estúdio Pingado 2o passo: construção • Bonecos – São as figuras principais e poderão ser construídos de diversas formas. Aqui há apenas uma sugestão para a elaboração dos bonecos de luva. Sobre a cabeça. Ela pode ser executa- da ao vivo. caso haja instrumentistas. existem outros modelos para teatro de bonecos. você e seu grupo possuem um bom reper- tório de cenas do cotidiano que. Além dos bonecos-luva. como os bonecos de vara e as silhuetas para o teatro de sombra. por- tanto ele precisa ser claro e bem construído. Deixe secar completamente antes de pintar. poderão criar sua peça. usando sua mão como guia para as proporções. Os cabelos podem ser feitos com lã. Pesquise e selecione as músicas que mais se adequarem ao argumento e ao texto. Acrescente o nariz e outros detalhes usando também papel. 1o passo: ideias • Argumento – Com certeza. 6º ano 105 . • Personagens – A construção das personagens deve contar com a defi- nição de sua personalidade. poderão ser transformadas em um argumento teatral. Selecionando algumas delas. EXPRESSAR E FAZER Inspirado no teatro de mamulengos. A cabeça poderá ser feita com papel. para montar o corpo-luva.PARA CRIAR II TEATRO DE BONECOS: CONHECER. Deverá conter os diálogos entre as personagens e opcionalmente incluir um narrador. cabaça ou com massa Ilustração digital: Estúdio Pingado de papel machê. acrescente música à sua peça. • Música – Se puder. e forma. nome. Não se esqueça de deixar espaço para que a mão possa se movimentar dentro do fantoche. Veja a forma mais simples de fazer o boneco: amasse bem uma folha de jornal até lhe dar o formato de um ovo. faça primeiro um molde de jornal. Se desejar. aparência e figurino. jeito de falar e de se movimen- tar. ou pode ser gravada. Com o dedo. crie com seus colegas uma peça teatral utilizando bonecos. faça um pequeno buraco onde encaixará um canu- do de papel-cartão ou um tubo de papel higiênico para ajudar a prender a cabeça ao corpo. cole pequenas tiras de papel − com cola branca ou cola feita de farinha de trigo − para obter uma superfície mais lisa. cômicas ou dramáticas. • Texto – É por meio do texto que a trama (história) será contada. palha ou tecido. voz.

2012. Brasil na arte popular. A peça é baseada no poema “Cobra Norato”. Giramundo: teatro de bonecos. ed. Disponível em: <www. 3o passo: apresentação Na apresentação.museucasadopontal. São Paulo: Companhia Editora Nacional. Ensaie antes e procure fazer tudo com muita arte.br/index. Mostra a tê- nue diferença entre a arte popular e a erudita que aparece em algumas obras. apesar de podermos improvisá-lo de diversas formas: ele pode ser simplesmente um pano estendido entre duas ca- deiras. 1. Abrange diferentes períodos e varia- das técnicas de construção na produção do artista. 2002. suas ideias e criações. Arte popular nas geringonças de Mestre Molina. que narra as aventuras de um menino-cobra. Arte popular nas geringonças de Mestre Molina O livro documenta a produção do artista Mestre Molina. Sites Centro Brasileiro de Teatro para a Infância e Juventude O site contém muitas informações sobre o histórico e as técnicas de teatro de animação. TIRAPELI.com. Acesso em: 27 jul.br/arquivo_aberto/pesquisa.php?option=com_zoo&view=item&item_id=5120>. Museu Casa do Pontal O site apresenta informações e imagens sobre a arte popular brasileira. Rio de Janeiro: Casa do Pontal. Disponível em: <http://tvescola. o pal- co é muito importante. 1. LIMA. 106 Arte .htm#rela>. Acervo Museu Casa do Pontal. por exemplo. ed. de Raul Bopp. Percival. • Palco ou anteparo – Para a apresentação do teatro de bonecos. 2011 (Coleção Arte Brasileira).org. 2012. São Paulo: Sesc. Manoel. Disponível em: <www. você e seu grupo comunicarão à plateia seus conhecimentos.cbtij. O palco só precisa ser grande o suficiente para acomodar os manipuladores de bonecos. do grupo de teatro de bonecos Gira- mundo. 2012. Acesso em: 27 jul. Acesso em: 27 jul.br>. Trabalhe bem e aproveite o momento: divirta-se! PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS Livros Arte popular Apresenta a produção de arte popular realizada por artistas tradicionais brasileiros. Enfoca ainda a arte de origem africana. Arte popular. MOLINA. 2011.gov. TV Escola Apresenta uma adaptação televisiva da peça Cobra Norato. inspirado no folclore da Amazônia. 1. São Paulo: Com Arte. ed. 2003. Jefferson Vieira. Giramundo: teatro de bonecos Livro em CD-Rom sobre o grupo de teatro de bonecos Giramundo.mec. Brasil na arte popular Livro ricamente ilustrado com obras do acervo do Museu Casa do Pontal.

______. Marco. René Marc da Costa (Org. Cultura popular e educação.). LIMA. 2001. Cristina. Rio de Janeiro: Funarte. COSTA. Brasília: MEC. Questões de arte. 1988. São Paulo: Moderna. 1999. Belo Horizonte: Minas Gráfica. Alice. n. Mamulengo: um povo em forma de boneco. 1979. Dawn. Walfrido. CAMAROTTI. 9. (Salto para o futuro) 6º ano 107 . São Paulo: Perspectiva. SANTOS. In: Mamulengo: re- vista da Associação Brasileira de Teatro de Bonecos. Ernest. BRILL. Em nome do autor. Recife: Editora UFPE. Fernando Augusto G. Resistência e voz: o teatro do povo do Nordeste. Mamulengo: o teatro de bonecos popular no Brasil. SILVA. São Paulo: Proposta Editorial. 1997. Bibliografia ARTE ADES. Beth. 2008. Arte na América Latina. FISCHER. São Paulo: Cosac & Naif. LIMA. 1980. A necessidade da arte. 2008. Rio de Janeiro: Zahar Editores. Da arte e da linguagem. 1981.

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UNIDADE 3 Língua Estrangeira Moderna .

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um privilégio de alguns para se tornar uma necessidade diária de grande parte da popu- lação. foi anunciada nos jornais brasileiros com uma palavra da língua inglesa: impeachment. Folhapress A deposição do presidente paraguaio Fernando Lugo. Isso não é muito fácil. Quando apren- demos uma nova língua.Capítulo 1 LÍNGUA Comece tentando entender INGLESA A aprendizagem de uma nova língua deixou de ser. torna-se imprescindível que possamos lidar com algumas desses idiomas massivamente usados nesses diversos meios. Os próximos capítulos têm como objetivo que você desenvolva estratégias de leitura para permitir o entendimento de um campo variado de textos em inglês. seja para ler. escrever ou falar. Aprender um novo idioma envolve aspectos que levam a um mesmo obje- tivo: fazer uso dele. Para que a tarefa de apren- der ou ensinar uma nova língua seja atingida. Ler os textos e realizar as atividades propostas será um bom caminho para se fa- miliarizar com o novo idioma. aumentamos nossa capacidade de acessar informações e de nos comunicar com outras pessoas. Devemos lembrar que. atualmente. Você sabe o que essa palavra significa? 6º ano 111 . como é o caso da língua inglesa. mas vale a pena o esforço. Para conseguirmos nos posicionar no mundo de hoje. é preciso que a utilizemos de alguma forma. em uma sociedade que privilegia o uso de diversos meios de comunicação. é cada vez mais comum que deparemos com informa- ções em diversos idiomas que não o nosso. em 2012.

pois muitas delas você já conhece e compreende. 112 Língua Inglesa . verá que é possível captar a ideia principal de um texto sem. Quanto mais contato tiver com a língua. Observe as palavras do quadro: stop vip spray self-service stress marketing relax shopping center gay light love diet impeachment on-line hobby site baby sitter e-mail designer hot-dog Essas são palavras em inglês presentes em nosso dia a dia. Pense um pouco nas palavras usadas em seu cotidiano. É provável que você as use sem saber ou sem ter consciência de que são palavras da língua inglesa. fazer exercícios ou decorar palavras. mas de sempre tentar compreender a mensagem passada. Lembre-se de que você não precisa entender cada palavra. é importante que você fique atento a qualquer oportunidade de contato com esse idioma. Aos poucos. Pense: que palavras de seu cotidiano são da língua inglesa ou de outra língua? Aprender uma nova língua não é apenas uma questão de estudar gramática. Procure identificar as palavras em inglês que você vê todos os dias. Tente. conhecer todas as palavras que estão nele. A ideia é não desistir! Não pare porque você desconhece um termo ou outro. outras talvez não. Você conseguirá entender muito mais do que imagina. mais fácil e prazeroso será seu processo de aprendizagem. necessariamente. RODA DE CONVERSA Agora que se iniciam seus estudos da língua inglesa. Algumas você já deve conhecer.

home page . • É importante manter um ambiente de trabalho sem stress. como se fossem palavras da nossa língua. Image Source/Folha Imagem Maryunin Yury Vasilevich/Shutterstock SXC. • Janis Joplin morreu aos 27 anos. link. 2. • Eu não gosto daquele lugar. funk. tem muito playboy. staff. rap.HU De que área são as palavras a seguir? a) rave. coffee break. usamos várias palavras da língua inglesa em nosso dia a dia. • Meu principal hobby é navegar na internet. c) rally. b) site. • Apenas os jovens têm energia para raves. e) top model. e-mail. mountain bike . a) Circule aquelas que você já conhece: • Gisele Bündchen é uma top model famosa no mundo todo. CD player . d) expert. t-shirt. skate. marketing . • Ela ficou famosa por causa do Big Brother. • Primeiro você precisa entrar no site e depois clicar no link “mais informações”. reggae. fashion. look. 6º ano 113 . royalties. APLICAR CONHECIMENTOS I 1. topless. As frases a seguir contêm palavras da língua inglesa. DJ (disk jockey). game. software. web. Como você viu. track. business. hacker. sweater. os gays vêm lutando por mais direitos e menos discriminação. • O trabalho exige escrever grande quantidade de e-mails! • Não sei dançar música country. • Desde os anos 1980. hardware. baby look . • Consumir bacon em excesso é prejudicial à saúde. surf. jazz. motocross. só rap e rock. vítima de uma overdose.

• Country music. c) Agora. mas que não o impediram de compreender o sentido geral da frase. observe aquelas mesmas palavras e mais algumas outras empregadas em frases da lín- gua inglesa. • Some professional site designers make a lot of money. Não se preocupe em traduzir as frases ou escrevê-las. • Elis Regina died of a drug overdose on January 19th. mesmo que parcialmente. 1982. rock and blues are popular music styles in the USA. • Americans eat a lot of bacon and hamburgers. • He is a famous playboy. • The police are investigating drug use in raves. • Brazilian women are famous for being beautiful and sexy. • Click the link and go to Gilberto Gil’s website. b) Agora. verifique quantas frases do item b) você conseguiu entender. • The best method of communication is by e-mail. • His hobby is playing golf. • Stress is common in modern society. • Top models are noted fashion models. Assinale-as. 114 Língua Inglesa . Apenas tente entendê-las. e) Você conhece ou se lembra de outras palavras inglesas usadas em nosso dia a dia? Pense em palavras que usamos com frequência e que já estão adaptadas à nossa língua. • Gays can adopt children in many states in the USA. d) Escreva algumas palavras que você não conseguiu entender. • Big Brother is now a popular TV program. e procure entender o que expressam.

Leia-o mais uma vez e discuta breve- mente com um colega: Quais informações vocês já conheciam? Quais não conheciam? Há alguma informação sobre o Brasil que vocês julguem importante e que não apareceu? Elaborem uma lista com informações novas que poderiam ser acrescentadas ao texto. Peru. is located. Veja o que você con- segue compreender somente com essa estratégia. Rio de Janeiro: IBGE. Guyana. LER TEXTO DESCRITIVO Observe o mapa e leia o texto a seguir. Suri- name. Uruguay and Venezuela. Não se preocupe em entender todas as palavras agora. No texto. ed. There are 26 states in Brazil. Bolívia. há palavras que você não conhece. registrando-as. 4. French Guiana. você apenas vai tentar descobrir o significado de algumas delas. Por que eles foram mencionados? Note que Equador e Chile não estão na lista. the capital. 2009. observe nomes e palavras parecidas com as da língua portuguesa. It is the largest and most populous country in South America. Colômbia etc. South America Ilustração digital: Maps World N 0 640 1 280 km O L S Fonte: Atlas geográfico escolar. Paraguay. 6º ano 115 . Colombia. mas ainda assim consegue imaginar seu significado? Anote as palavras ou expressões cujo significado você conseguiu deduzir. Bolivia. Brazil has one district. called the Federal District. No texto. in the North region. 2. In addition to the 26 states. Observe os nomes dos países presentes no texto: Argentina. Brazil borders on Argentina. where Brasilia. O texto nos oferece algumas informações sobre o Brasil. p. 1. The biggest state in Brazil is Amazonas. Por quê? 3. 41. 5.

Around half of the nation’s industrial production comes from the state of São Paulo. 94. Brazilian Regions N 0 640 1 280 km O L S Ilustrações digitais: Maps World N 0 125 250 km O L S Fontes dos mapas: Atlas geográfico escolar. 116 Língua Inglesa . 2009. ed. Rio de Janeiro: IBGE. particularly in the greater São Paulo region. 5. LER TEXTOS SOBRE O BRASIL EMPLOYMENT TRENDS IN BRAZIL Texto 1 The Brazilian economy is concentrated in the southeastern part of the country. p.

Another negative aspect is that agribusiness destroys the rainforest to graze cattle. Texto 2 Employment in agribusiness is still very important in Brazil. Roberto Assunção/Folha Imagem Call center in São Paulo (SP). 2009. Employment in sectors like tourism and continued professional education are growing in a significant pace. Luis Salvatore/Pulsar Imagens Sergio Ranalli/Pulsar Imagens Cow farm in Miranda (MS). Texto 3 The services sector is expanding faster than manufacturing and agribusiness. 2004. Corn harvest in northen Paraná. It is used as a negative term con- trasting with family farm. 2009. 6º ano 117 .

2012. Disponível em: <www. Texto 4 Industrial activity in Brazil today accounts for 38% of Brazil’s economy and 65% of exports. The Brazilian industry is very diversified and employs around 20% of the total Brazilian working population. 1.ibge. Acesso em: 23 nov. Diretoria de Pesquisas. Cadastro Central de Empresas 2002.gov. The main industries in Brazil are related to agriculture.br/ibgeteen/atlasescolar/mapas_pdf/brasil_distribuicao_industrias. Você conhece as palavras cognatas? São termos em outra língua similares a palavras em português. Veja alguns exemplos: prepare political president study student service exercise university submit identify society idea 118 Língua Inglesa . mining and manufacturing.pdf>. Industrial activity in Brazil Ilustração digital: Maps World N 0 320 640 km O L S Fonte: IBGE.

ao mesmo tempo. observe as imagens que os acompanham. Note que existem também os chamados falsos cognatos. economy. Qual é o assunto de cada um dos textos? Para facilitar a compreensão. mas com significados diferentes. a cu sa d o exit → realize → p e r ce b e r Essas palavras não são o “bicho de sete cabeças” que podem parecer. 6º ano 119 . você vai aprender uma característica importante da língua inglesa e. que região do Brasil é economicamente mais desenvolvida? Justi- fique sua resposta com palavras do texto. UM POUCO DE GRAMÁTICA: A ORDEM DAS PALAVRAS EM INGLÊS Agora. Você verá como se organiza a ordem das palavras em língua inglesa e apren- derá algumas siglas. que são importantes e estão sem- pre em jornais e em discussões sobre diferentes assuntos. Qual dos textos faz uma crítica à realidade brasileira? O que está sendo criticado? 4. e m p u rra r data → d a d o s defendent → r é u . 2. enriquecer seus conhecimentos gerais. Para não se confundir. Por exemplo: international. preste atenção ao contexto em que elas aparecem. intend → p re te n d e r pretend → push → a p e rta r. São palavras muito parecidas com algumas em português. em inglês e em português. faça uma lista de palavras encontradas nos quatro textos anteriores que são parecidas com as equivalentes em português. De acordo com as informações. Observe em que situa- ção elas ocorrem e será mais fácil logo perceber seu significado. Texto 1: Texto 2: Texto 3: Texto 4: 3. Isso é muito importante. Agora.

Veja um exemplo para ajudá-lo a se familiarizar com essa regra da língua in- glesa: American Chamber of Commerce A tradução. É importante lembrar que. Escócia e Irlanda do Norte. ou Ela mora numa antiga casa. mas apenas “antiga casa”. 120 Língua Inglesa . Essa é uma informação fundamental para ajudá-lo a entender textos em inglês. os adjetivos vêm antes dos substantivos. de maneira geral. Em português. Otan – Organiza. em inglês. CONHECER MAIS Siglas internacionais conhecidas ONU ONU ONU UN – United Nations NATO – North Atlantic Treaty IMF – International Monetary Em português. no caso. Observe algumas siglas referentes a países ou comunidades de países: • EU – European Union TRADUÇÃO UE – União Europeia • USA – United States of America TRADUÇÃO EUA – Estados Unidos da América • UK – United Kingdom TRADUÇÃO Reino Unido. por exemplo. em português. é “Câmara de Comércio Americana”. porém não é muito usada. O Reino Uni- do é formado por quatro países: Inglaterra. Monetário Internacional. FMI – Fundo ção do Tratado do Atlântico Norte. podemos dizer: Ela mora numa casa antiga. ONU – Organi. Em português. Em termos gramaticais. há mais palavras em ordem inversa. não utilizamos. País de Gales. A estrutura da língua inglesa não permite usar “casa antiga”. “Americana Câmara de Comércio”. Por exemplo. Em português.Organization Fund zação das Nações Unidas. na qual podem aparecer em ordem inversa. a ordem das palavras no nome desses países é diferente da língua portuguesa. em alguns casos. Em português. a sigla RU existe. Uma observação mais atenta mostra que muitas vezes. é a seguinte: em inglês. a regra.

Central-West. Observe alguns exemplos traduzidos. Se não co- nhecer alguns termos. Northeast. sem modificação. conforme demonstram os exemplos que seguem. c) Barack Obama is the first black president of the United States. Algumas delas são pronunciadas como no inglês. Southeast and South. após a Segunda Guerra Mundial. COMPREENDENDO AS SIGLAS E A ORDEM DAS PALAVRAS EM INGLÊS Veja a seguir frases que empregam siglas e outros grupos de palavras em uma ordem diferente da usada em português. algumas siglas provenientes do inglês continuam sendo usadas nessa língua. TRADUÇÃO O Reino Unido foi o poder industrial e marítimo dominante do século XIX. UN – United Nations UN was founded in 1945. tente descobrir seu sentido. to replace the League of Nations. d) Brazil is divided into five regions: North. after World War II. TRADUÇÃO A Organização das Nações Unidas foi fundada em 1945. Mesmo havendo tradução. IMF – International Monetary Fund Brazil paid its debt with the IMF in advance. enquanto ou- tras são faladas do modo como são lidas em português. Brazil is the biggest country in South America. pratique sua habilidade de deduzir significados e traduza as frases a seguir. Belgium. TRADUÇÃO O Brasil é o maior país da América do Sul. APLICAR CONHECIMENTOS II Agora. b) The European Union (EU) is a political and economic union of 27 member states. a) NATO (North Atlantic Treaty Organization) is located in Brussels. TRADUÇÃO O Brasil pagou sua dívida com o FMI antecipadamente. para substituir a Liga das Nações. 6º ano 121 . The United Kingdom was the dominant industrial and maritime power of the 19th century.

PCs are more vulnerable to virus attacks. Tradução: . VIPs have special identification cards. também como uma palavra: VIP. o que é muito importante. Tradução: . usamos a mesma sigla e pronunciamos cada letra: pe. como se vê no exemplo abaixo: Exemplo: A direção do Inter vai inaugurar uma área vip para cerca de 2 mil convidados. HD – Hard Disk (disco rígido) Pode-se dizer que o HD é o arquivo do computador. tente traduzir as frases que não foram traduzidas. 2. Só que agora mesclaremos as habilidades de leitura e escrita com as habilidades de fala e escuta. ce. usamos a mesma sigla: Nasa. 3. The IRA attacked Heathrow Airport. os PCs ficam mais vulneráveis aos ataques de vírus. Nasa – National Aeronautics and Space Administration (Administra- ção Nacional da Aeronáutica e do Espaço) Em português. TRADUÇÃO A cada dia. Depois de aprimorar um pouco a sua audição e exercitar a pronúncia em inglês. Nasa is making preliminary plans to launch a new spacecraft. Lembre-se de que a língua é sempre oral (falada) e que a escrita só apareceu tempos mais tarde. 122 Língua Inglesa . Todas as siglas e orações em inglês desta atividade podem ser ouvidas no CD de áudio que acompa- nha a nossa coleção. usamos a mesma sigla. PC – Personal Computer (Computador Pessoal) Em português. Nasa 5. usamos a mesma sigla. Every day. Há variações no uso da expressão “vip”. faremos algo semelhante ao que foi feito na atividade anterior. ATIVIDADE COM ÁUDIO A seguir. Ouça e leia os textos ao mesmo tempo. The HD in my laptop is very good. 1. IRA – Irish Republican Army (Exército Republicano Irlandês) Em português. Tradução: . Isso vai ajudá-lo a se familia- rizar com os sons da língua. TRADUÇÃO A Nasa está fazendo estudos preliminares para lançar uma nova aeronave. Exemplo: O IRA aceita a inspeção internacional de seus depósitos de armas. 4. VIP – Very Important Person (Pessoa Muito Importante) Em português. também como uma palavra: IRA.

TRADUÇÃO A CIA tem prisões secretas pelo mundo todo. The national Aids program in Brazil is an example of a broadly successful response to the epidemic. TRADUÇÃO Perguntas frequentes são listas de perguntas e respostas que mais aparecem em algum contexto. em português. utilizam-se as iniciais do nome da doença em língua portuguesa: Sida. Assim. 10. Frequently Asked Questions are listed questions and answers. Exemplo: O manual traz um índice de FAQs. mas em Portugal. FBI – Federal Bureau of Investigation (Agência Federal de Investigação) O FBI é um órgão federal dos Estados Unidos que equivale à Polícia Federal brasileira. TRADUÇÃO O programa nacional da Aids no Brasil é um exemplo de resposta de grande sucesso contra a epidemia. pe. fingerprint significa “impressão digital”. Aids – Acquired Immune Deficiency Syndrome (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) No Brasil. No caso de database. CIA has secret prisons around the world. Observe dois casos de palavras que se incorporaram e formaram uma palavra única: no caso de fingerprints. u. database significa “banco de dados”. i. TRADUÇÃO O FBI está digitalizando o banco de dados nacional de impressões digitais. 6º ano 123 . Exemplo: A velocidade da CPU é essencial para que um computador tenha bom desempenho. FAQ – Frequently Asked Questions (Perguntas Frequentes) Em português. be. finger significa “dedos” (digital) e print significa “impressão” (no sentido de “impri- mir”). usamos a mesma sigla. CPU – Central Processing Unit (Unidade Central de Processamento) Em português. Tradução: 8. The CIA – Central Intelligence Agency (Agência Central de Inteligência) CIA Em português. A Central Processing Unit (CPU) is a machine that can execute computer programs. frequently asked in some context. data significa “dados” e base significa “base” (banco). 6. também como uma palavra: CIA. 7. The FBI is digitizing the nation’s fingerprint database. Ao se referir a essa sigla. usamos a mesma sigla. se pronuncia cada letra que a constitui: efe. assim como em outros países de lín- gua portuguesa. também como uma palavra: FAQ (diz-se “fáqui”). 9. geralmente. Assim. usamos a sigla inglesa Aids. pronuncia-se cada letra: ce.

The United Nations Children’s Fund (Unicef) works for children’s rights. para evitar confusão ou mensagens equivocadas. Unicef — United Nations Children’s Fund (Fundo das Nações Unidas para a Infância) Originalmente. Interpol – International Police (Polícia Internacional) Interpol is still investigating that video tape officially attributed to Osama Bin Laden. desenvolvimento e proteção. A sigla WWF tornou-se tão forte internacionalmente que. não se traduz mais seu nome para qualquer significado literal. e foi traduzido como “para a infância”. Ou seja. TRADUÇÃO A BBC é uma emissora de rádio e televisão com base no Reino Unido e é a maior companhia de radiodifusão do mundo. sua sobrevivência. WWF – World Wide Fund For Nature (Fundo Mundial para a Natureza) WWF Em português. efe. Usa-se a mesma sigla que em inglês: BBC. BBC – British Broadcasting Corporation (Companhia de Radiodifusão Britânica) O nome traduzido não é utilizado em português. ce. Tradução: 13. Tradução: 14. uma organização de conservação global. dábliu. reproduzindo os sons: dá- bliu. 11. agora a organização é conhecida sim- plesmente como WWF. 12. Unicef Em português. 124 Língua Inglesa . The WWF is one of the world’s largest and most experienced independent conservation organs. pronuncia-se letra por letra. Children’s significa “da criança”. usamos a mesma sigla: Unicef. BBC is a UK based broadcasting corporation and is the world’s largest broadcasting corporation. be. o significado da sigla é United Nations Inter- national Children’s Emergency Fund. their survival. develop- ment and protection. TRADUÇÃO O Unicef trabalha pelo direito das crianças. pronunciando-se as letras como em português: be. Atualmente. usa-se United Nations Children’s Fund. Veja que a tradução para o português não é literal.

em português) e) Organization of Petroleum Exporting Countries (Opep. b) National Institute for Space Research (Inpe. TRADUÇÃO O CEO é responsável pela administração da companhia. Escreva uma frase em inglês utilizando uma ou mais siglas. a) National Institute for Colonization and Agrarian Reform (Incra. Para os dias úteis. para o fim de semana. ou. em português) d) Non Governmental Organization (ONG. Tome como exemplo as frases lidas no capítulo. a expressão usada é weekdays. em português). Diretor geral) Às vezes. Se não existir tradução da sigla para o português. TRADUÇÃO A internet comercial foi introduzida no Brasil na segunda metade de 1995. os dias da semana devem ser escritos com letra inicial mai- úscula. use-a em inglês. APLICAR CONHECIMENTOS III 1. 16. Observe a versão em inglês de algumas siglas e tente traduzi-las. Exemplo: Encontrar uma pessoa para a função de CEO é uma tarefa difícil. Internet – Inter-networking (rede interna ou inter-rede) Commercial internet started in Brazil in the 2nd half of 1995.15. essa sigla é utilizada em português. 3. 2. Crie três frases em português que utilizem as siglas apresentadas neste capítulo. i. em português) DIAS DA SEMANA Na língua inglesa. é weekend. CEO – Chief Executive Officer (Diretor executivo. Incra c) Brazil’s Landless Workers Movement (MST. The CEO is responsible for the management of the company. com a pronúncia das letras em inglês: ci. Days of the week Sunday Monday Tuesday Wednesday Thursday Friday Saturday 6º ano 125 . em português).

uma frase usando o nome de um dos dias da semana. associado a Marte. FORMAÇÃO DOS NOMES DOS DIAS DA SEMANA Conheça agora a formação dessas palavras e seu significado. deus da guerra e do céu. associado a Mercúrio. rei dos deuses. Leia para os colegas e peça que a traduzam. Wednesday (quarta) → Woden. faz referência direta ou indireta aos planetas – por influência dos antigos romanos. associado a Saturno. Diferentemente do português. deus do trovão. Monday (segunda) → Moon. que identificavam os dias baseando-se na galáxia – ou a personagens da mitologia escandinava. 126 Língua Inglesa . associada a Vênus. Friday (sexta) → Frigg. deus da agricultura. APLICAR CONHECIMENTOS IV • Escreva. em inglês. mulher de Woden. Observe: Sunday (domingo) → Sun. Thursday (quinta) → Thor. dia da Lua. o nome dos dias da semana. Saturday (sábado) → Saturn. associado a Júpiter. Tuesday (terça) → Tiw. em inglês e em outras línguas ociden- tais. dia do Sol.

você conhecerá mais sobre brasileiros ilustres. pois. dos esportes e da arte do Brasil. Herbert José de Souza. você vai estudar algumas personalidades da his- tória. o desafio de leitura será maior. talvez. conhecido como Betinho. 1995.Capítulo 2 LÍNGUA Brasileiros ilustres INGLESA P ara mostrar como o contato com um novo idioma pode ser importante para ampliar seus conhecimentos. Converse com seus colegas e discuta por que Leônidas da Silva e Betinho são considerados personalidades ilustres da nossa história. Nesses casos. 6º ano 127 . você não conheça. A história não é feita somente de celebridades e personalidades. o Diamante Negro. o que tornará mais fácil a compreen- são dos textos em língua inglesa. Você reconhece esses brasileiros? Acervo Iconographia Luciana Whitaker/Folhapress Leônidas da Silva. Outras. além de aprender inglês. mas também poderá ser mais proveitoso. mas aqui vamos destacar aquelas pessoas que são frequentemente citadas por suas inovações. habilidades ou importância em uma atividade específi- ca. Algumas figuras são bastante conhecidas.

→ Os militares e os setores conservadores queriam impedir a posse do vice-presidente e convocar novas eleições. No entanto. em geral. sobre o político Leonel Brizola. que. Zagallo – The only one to win 4 World Cups. Na frase sobre ele há palavras com letras maiúsculas e o número 4. e traz os principais nomes do século XX. ESTRATÉGIAS DE LEITURA E COMPREENSÃO A lista de celebridades que utilizaremos neste capítulo foi publicada pela pri- meira vez na revista IstoÉ. Neste próximo exemplo. Procure jogador e técnico relacionar a palavra Cup com o contexto do futebol. Você consegue se lembrar de alguma palavra semelhante na língua portuguesa? 20 greatest sports celebrities 3. técnico de futebol) e a palavra Cups. vemos a palavra sport. deputado estadual e gover- resistência civil nador do Rio Grande do Sul. termo bastante conhecido dos brasileiros. é diferente do português e pode causar estranheza. Consi- dere todo o contexto (o que vem junto com o texto) para entender melhor. Em sua vida política. você pode deduzir? O título contém o número 20 e as palavras sports e celebrities. Depois. 128 Língua Inglesa . é preciso sempre estar atento à ordem das palavras. as palavras são parecidas com as equivalentes em português. que defendia Commanded civil resistance in 1961. nomes próprios. a posse do vice João Goulart como presiden- te do Brasil. Este é o momento de continuar aplicando o que você aprendeu no capítulo 1. segundo a publicação. → Nome da lista: observando o título. no contexto do futebol. após a renúncia do presidente Jânio Quadros. 1961. Liderou um movimen- Leonel Brizola to conhecido como Legalidade. conforme você já viu. Você pode relacionar o assunto geral (Zagallo. em 2000. significa “Copa”. pois nem todas as palavras são parecidas com o português. Na frase a seguir. Leonel Brizola era governador do Rio Grande do Sul. ral e duas vezes governador do Rio de Janeiro. O que da seleção. foi começando frases são. O número 3 que aparece antes do nome Zagallo indica que o ex-técnico da seleção é o terceiro da lista de celebridades do esporte. Brizola foi prefeito de Porto Alegre. será preciso utilizar seus conhecimentos prévios so- bre o assunto. essa lista foi traduzida para a língua inglesa e dis- ponibilizada em vários sites. por exemplo. que. Zagallo foi jogador de futebol e técnico da seleção brasileira. → É uma pessoa → Palavras iniciadas com maiúsculas e que não estão do futebol. Vamos tentar compreender o sentido dos textos lidos em língua inglesa. Leonel Brizola (1922-2004) Acervo Iconographia Em 1961. pois são listadas vinte celebridades do esporte. deputado fede- Leonel Brizola.

mas trarão informações novas sobre esse assunto. Consulte seus colegas de sala ou seu professor e observe imagens. apresentaremos algumas listas de celebridades brasi- leiras que se destacaram em cinco áreas distintas: política. Já é um início de compreensão. esporte. Cada nome é acompanhado de um pequeno texto descritivo. Considerando o texto como um todo. no modo de escrever. Uma das grandes vantagens de estudar uma língua é aprender muitas coisas novas. adquirir conhecimentos aos quais você não tinha acesso. Se isso não for o suficiente. será mais fácil compreendê-los. Antes de ler. Peça ajuda ao seu professor. Nesse exemplo. não fica difícil deduzir que Maria Esther Bueno foi uma grande tenista. com pequena variação na ortografia. há um nome de mulher e reconhecemos as palavras Brazilian e tennis. Lembre-se de que nem sempre é preciso entender todas as palavras. talvez seja possível deduzir que a frase diz algo como “Zagallo 4 Copas”. e também conheceu uma grande tenista brasileira. caso existam. procure saber algo sobre o tema do texto. • Outros textos podem abordar pessoas ou assuntos desconhecidos. será procurar obter um pouco mais de informação so- bre o assunto. • Alguns podem tratar de um assunto (ou pessoa) que você já conheça. Reunindo as informações que você tem sobre o assunto e sabendo que Zagallo venceu quatro Copas do Mundo. teatro e literatura. para que sua compreensão das palavras seja facilitada. portan- to. Nesse caso. Na maio- ria das vezes. mesmo em língua inglesa. Tenha em mente essas três possibilidades em relação à compreensão dos textos: • Alguns textos podem conter informações que você já conhece. o próximo passo será procurar no dicionário o significado da(s) palavra(s) que você não conhece. Veja outro exem- plo retirado da lista de celebridades esportivas: Maria Esther Bueno – The lady of Brazilian tennis. THE TWENTY GREATEST IN BRAZIL Nas próximas páginas. a compreensão de apenas algumas delas é suficiente para que você entenda o significado geral do texto. mesmo que parcialmente. você aprendeu mais algumas palavras em inglês. Tennis é uma palavra cog- nata – ou seja. Assim. música. então. tudo o que você já sabe vai ajudar a entender a informação nova. Com esse estudo. ela tem a mesma raiz na língua inglesa e na língua portuguesa –. 6º ano 129 . você verá que esse nome faz parte de uma lista de personalidades do esporte no Brasil. A es- tratégia. Procure entender o que dizem esses textos.

Campos Sales – Sanitized public finances at the beginning of the century. Castello Branco – First president of the military regime. . 2 . 1 . elected president. Quais dessas pessoas são muito conhecidas e estimadas na re. Luís Carlos Prestes – The Knight of Hope. 1 . Cândido Rondon – Braved the frontier but res- pected the indians. 12. assunto conhecido ou outras estratégias? estratégias na compreensão de . Brasilia (DF). Tancredo Neves – Guaranteed democratic transition. Fernando Henrique Cardoso – Beat inflation Ulysses Guimarães with the new constitution of Brazil. 2. Rodrigues Alves – Got rid of Yellow Fever. que levou você a entender melhor o texto e empregue as mesmas tuguês. Que frases você conseguiu entender mais facilmente? Que fato. . 1988 and got re-elected. Jânio Quadros – Rapid rise of a moralist. Brigadeiro Eduardo Gomes – Hero of the “Upraising of the 18 in the fortress”. 1. gião Nordeste? 130 Língua Inglesa . Getúlio Vargas – Led the nation into the indus- trial era. Oswaldo Aranha – The “soul” of the 1930 revolution. Barão do Rio Branco – Redrew the map with- out firing even one shot. Juscelino Kubitschek – Pioneer of Brazilian in- Lula Marques/Folha Imagem dustrialization. 1 . Que nomes você não conhecia dessa lista? O que sabe sobre eles agora? Dica 2. 1 . Procure sempre identificar o res ajudaram nessa compreensão: palavras semelhantes ao por. . 1 . outras leituras. 1 . . Leonel Brizola – Commanded civil resistance in 1961. Teotônio Vilela – Minstrel of Alagoas. Luiz Inácio Lula da Silva – Main labor union leader. João Goulart – Overthrown in 1964. . Betinho – Mobilized the nation in the fight against misery. didn’t re- sist to avoid bloodshed. Ulysses Guimarães – Mr. . 1 . LER LISTA DE PERSONALIDADES DO MEIO POLÍTICO THE GREATEST LEADERS AND STATESMEN 1. 11. 1 . . Miguel Arraes – A legend in the backlands of the Northeast. Direct Elections.

in 11. Quais são os esportistas da área do futebol? Detaque seus nomes na lista. João do Pulo – One of the most versatile track athletes. a myth of race car driving all over the world. Adhemar Ferreira da Silva – Brazilian athlete Havana (Cuba). . Qual outro atleta brasileiro você acha que mereceria estar nessa lista? Escreva o nome dele e ela- bore uma pequena frase (se possível. O que você já sabia sobre alguma das personalidades listadas e como isso o ajudou a entender o texto? . . Pelé – The best soccer player of all times. 1 . Zico – A crack player of the post-Pelé era. Oscar Schmidt – World record holder with 41 thousand points. 1 . 6º ano 131 . Quais dos esportistas citados participaram de Olimpíadas? . Ronaldo (“Fenômeno”) – A soccer star of the 1990s. . 1 . One of the most popular sports figures of the planet. Ayrton Senna – Three times champion of For- Sergio Berezovsky/AE mula 1. with two Olympic gold medals. Nelson Piquet – First to win a triple Formula 1 championship. 12. 1 . Você sabe se alguns desses atletas são conhecidos fora do Brasil? Quais? . Éder Jofre – The first name in Brazilian boxing. 2. Leônidas – High scorer at the beginning of the century. Paula – The Americans call her Magic Paula. . Maria Esther Bueno – The lady of Brazilian tennis. 1 . The basketball player Hortência in Pan-American Games. 1. Considered the best driver of all times. Garrincha – The angel with the crooked legs that enchanted stadiums. 2 . invented the “bicycle” kick. . 1 . Joaquim Cruz – Gold in the 800 meters in the Los Angeles Olympics. 1 . . Hortência – Queen of basketball. em inglês) para dizer quem ele é. Emerson Fittipaldi – Champion on all race tracks. commanded the Brazilian victory in Australia. LER LISTA DE PERSONALIDADES DO MEIO ESPORTIVO THE GREATEST SPORTS CELEBRITIES 1. Guga – The best ranked Brazilian tennis player. 1 . Gustavo Borges – Won the silver medals in the 100 m in Barcelona and in the 200 m in Atlanta. where he got the bronze in the 100 m free style. Aurélio Miguel – First Olympic gold medal in Judo. 2. Zagallo – The only one to win four World Cups. . 1991. 1994.

Flamengo.283 first-class goals – 12 of them in World Cup final tournaments –. 1961. São Paulo State Cham- pionship (1958. scorer of 1. Leia os textos a se- guir em inglês e conheça um pouco mais da vida desses dois atletas. Corinthians. in Rio de Janeiro. 1970). 1964. Individual Honors: South American Player of the Year (1973). A veteran of four World Cups. his left leg was 6 centimeters shorter than his right one. He died on January 20. Atlético Júnior. 1983. 1968. Pelé Date of birth: 23 October. Athlete of the Century (1999). a member of those magical Brazilian squads that won soccer’s greatest prize in 1958. Pelé: Garrincha: 132 Língua Inglesa . 1962 and 1970. World Club Championship (1962. 1963). 1940 Place of birth: Três Corações. 1933 Place of birth: Pau Grande. GRANDES NOMES DO FUTEBOL Pelé e Garrincha foram dois jogadores importantes do futebol brasileiro. Olaria Born in Pau Grande. 1960. Brazil International Goals: 77 Teams: Santos. but he managed to surpass his birth defects and become a famous soccer player. 1969. 1962. Garrincha Date of birth: 28 October. New York Cosmos Team Honors: World Cup (1958. 1962. Escreva o que você descobriu sobre cada uma das personalidades. 1967. 1973). 1965. Brazil – a small city near Rio de Janeiro Teams: Botafogo.

The fading voice of a Rio de Janeiro that is long gone. 6º ano 133 . João Gilberto – João Gilberto is probably one of the best known Brazilian mu- sician worldwide. It is all in the details. full of conflicts. 2. . Based upon her vocal work at Atlântida. Maria Bethânia. Elis Regina – 100% voice and feeling. Rio de Janeiro (RJ). Noel Rosa – Bohemia in Vila Isabel. she deserves to be at the top of any list. a district in Rio. . Elis Chico Buarque. Milton Nascimento – There is no bet- ter song in the world than “Travessia”.LER LISTA DE PERSONALIDADES DO MEIO MUSICAL THE GREATEST IN BRAZILIAN MUSIC 1. He basically invented Tro- picália. Pixinguinha – Considered as one of the geniuses of Brazilian popular music. . Chico Buarque – One of the greatest Bra- Daryan Dornelles/Folha Imagem zilian composers and one of the best in the world. a guitar and ins- piration. Luiz Gonzaga – “Asa branca” is one of the most touching songs about the drought in the Northest of Brazil. His songs are timeless. a typical Brazilian music style. . Ari Barroso died on a carnival Sunday. but he is more and more popular as time passes. in 1964. 11. was probably the greatest Brazilian female vocalist ever. . Roberto Carlos – A true romantic. Millions of women love this singer. is also a famous Brazilian singer. he is the father of the “choro” or “chorinho”. Ari Barroso – His tunes are all classic: his most famous song is “Aquarela do Brasil”. Noel Rosa was famous in the 1930’s. Tom Jobim – One word: class. Jobim was the Mozart of Brazilian music. Caetano Veloso – An interesting person. the melodies are always in our minds. 12. 2009. Vinicius de Moraes – The result of mixing a couple of drinks. Carmen Miranda – An actress and singer that reached Hollywood. . 1 . She was unique. He sings to all and each of them. 1 . Nascimento’s work is a journey into the human soul. . His songs are quiet reflections of Brazilian hopes and dreams. Caetano is at his best when expressing the inconsistencies of life in Brazil. His sister. He is considered the creator of Bossa Nova.

Raul Seixas – Raul Seixas was a master of rhythm – one of the country’s most genuine rock’n’roll rebels. BRAZILIAN MUSIC Brazilian music is full of passion. steady. Você conhece todos os nomes da lista? Quais informações você conhecia e foram confirmadas? . LER TEXTOS INFORMATIVOS A seguir. Onde quer que você vá no Brasil. Justifique. você vai ler dois pequenos textos para aprofundar seus conhecimentos sobre a música brasileira e um de seus artistas. 1 . not influenced by the pagode. For about 60 years Cartola was a major influence on the evolution of samba. numa esquina qualquer. Martinho da Vila – Martinho da Vila is a famous samba singer and composer from Vila Isabel. Milton and Caetano. It is the result of a mix of Amerindian. 1 . portuguesa e africana. Resulta de uma mistura de origens indígena. 2 . Heitor Villa-Lobos was born in Rio de Janeiro on March 5. Paulinho da Viola – Consistent. sem influência do pagode? Destaque seu nome na lista. Leia a tradução somente após tentar fazer as atividades propostas. que se unem a influências do mundo todo para criar um estilo musical místico e mágico. sentiment and joy. Qual músico está associado ao samba puro. números e palavras parecidas com o português. Villa-Lobos – Brazil’s man in the classical world. Observe nomes. ou numa discussão intelectual sobre os temas carnavalescos do ano. in Rio. mystical music. Cite alguns exemplos de palavras que o ajudaram a compreender o texto. along with Chico. Gilberto Gil – A great singer and former Minister of Culture [2003-2008]. 1 . 1887. a música sempre está presente – seja no ritmo de instrumentos de percussão. 2. 1 . 1 . Isso o ajudará a entender pelo menos uma parte de cada texto. TRADUÇÃO A música brasileira é cheia de paixão. sentimento e encanto. and very uniform. he is one of the four “sacred monsters” of Brazilian Popular Music (MPB). Paulinho da Viola is known as a samba purist. 1 . Portuguese and African sources meeting global influences to create a magical. Wherever you go in Brazil there is always music – whether it is the rhythms from percussion instruments at a street corner or a sophisticated discussion of the current year’s Carnival songs. 134 Língua Inglesa . 1. Cartola – A legend in his own time. Elba Ramalho – The voice of the modern “nordestina” woman Elba Ramalho is a great vocalist and one of the most famous female singer from the Northeast region of Brazil.

Gil was arrested by the military government of Bra- zil for “anti-government activity” and then exiled to London. inclusive samba e forró. Ele é o melhor exemplo da diversidade musical brasileira. 2. GILBERTO GIL Gilberto Gil is famous for his musical inno- Felipe Dana/FotoArena/Folha Imagem vation and his political commitment. He is the best example of the Brazilian Gilberto Gil. Gil foi preso pelos militares por “atividades contra o governo” e depois se exilou em Londres. como composer. expressando-se em língua portu- guesa. mostrem a lista que vocês elaboraram para o resto da sala e tentem lê-la em voz alta com o auxílio do professor. voice etc. musical diversity. Destaque trechos no texto “Brazilian music” que expressam qualidades da música brasileira. Gil’s musical style incorporates rock. he served as his country’s Minister of Culture in the administra- tion of president Luiz Inácio Lula da Silva. tentem incluir outros quatro nomes à lista de celebridades do meio musical. De acordo com as informações sobre Gilberto Gil. singer. African music and reggae. Revise-o com atenção duas vezes depois de pronto. Rio de Janeiro (RJ). Para obter informações sobre os músicos escolhidos. In 1968. song. 6º ano 135 . juntos. TRADUÇÃO Gilberto Gil é famoso por sua inovação na música e por seu engajamento político. 2009. . 1. Aproveitem termos que já apareceram na lista. qual é a maior qualidade desse cantor e com- positor? Você concorda com isso? Justifique. Em 1968. Entre 2003 e 2008. O estilo musical de Gil incorpora rock e gêneros musicais brasileiros. Brazilian genres including samba and forró. Reescreva o texto “Brazilian music” com suas próprias palavras. No final. pesquisem em jornais. quais são as origens da música brasileira? . ele foi ministro da Cultura du- rante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. em revistas ou na internet. Então. From 2003 to 2008. Procurem palavras em inglês que possam descrever os músicos que vocês escolheram. De acordo com esse texto. música africana e reggae. leia a sua tradução para os colegas. PESQUISAR Há algum músico do qual você gosta muito e que não está na lista? Reúna-se com um colega e.

. . 11. Cacilda Becker – Paradigm of the actress. LER LISTA DE PERSONALIDADES DO CINEMA E DO TEATRO THE GREATEST IN CINEMA AND THEATRE 1. Gianfrancesco Guarnieri – Actor and playwright of the resistance [against the government]. Antunes Filho – Creative and restless theatre director. 2005. died in 2007. Quais nomes relacionam-se ao humor? Observe as palavras que indicam isso no texto da lista. . . . 1 . Oscarito – The greatest comedian in the history of Brazilian movies. . Quais das pessoas da lista não são atores ou atrizes? Destaque seus nomes na lista. Maria Clara Machado – The greatest name in children’s theater. Fernanda Montenegro – The Great Lady of Bra- J. Glauber Rocha – Leader of the “New Cinema” movement. 1 . Paulo José – One of the most well known Brazilian actors. 1 . Sérgio Cardoso – An actor that will never be forgotten by the public. 1 . Paulo Autran – One of Brazil’s most important actors. Ziembinski – The Pole [from Poland] that revolutionized our stage. Dias Gomes – Award winning author/writer for TV and theater. Plínio Marcos – The wizard of the “outlaw” theatre. Nelson Pereira dos Santos – One of the pioneers of the “Cinema Novo”. A legend in his own time. Vespa/WireImage/Getty Images zilian cinema and theater. 2. Bibi Ferreira – Fiery actress. Marília Pêra – Daughter. 2. 2 . he was adopted by the “New Cinema” movement [Cinema Novo]. 1. Fernanda Montenegro at Toronto International Film Festival. Dercy Gonçalves– The queen of debased humor. His soap operas are probably the best ever written. She was an inspiration to a whole generation of actors. she went on stage for the first time at age 6. pesquise na internet e descubra. she died on stage. 12. granddaughter and niece of actors. Nelson Rodrigues – The pornographic angel of the Brazilian theater. 136 Língua Inglesa . rebellious and talented. Se necessário. Procópio Ferreira – A sacred monster of Brazilian theater. 1 . 1 . Grande Otelo – Consecrated in the “B movies”. 1 . . 1 .

faça como no exemplo a seguir: Glória Pires: Brazilian actress / interesting person / woman / famous / cinema / theater / humor. fala sobre uma das grandes humoristas de nosso país. at the age of 100. deduza o significado da palavra sublinhada. adoro a vida. 6º ano 137 . músicos. com 100 anos. A contro- versial figure. I love life. ou seja. televisão e carnaval. She died on July 19.” 1. em inglês. “Dercy was famous for her outrageous sense of humor. Dercy era famosa por seu senso de humor escandaloso. in 2007. elas têm a mesma raiz na língua inglesa e na língua portu- guesa. Dercy was famous for her outrageous sense of humor. palco. Não tenho mágoa de nada nem saudade de nada. Vivo o hoje. 2008. Sou feliz por estar viva. In an interview one year before her death. Em seguida. at the age of 101. and carnival star. Pense em atores. her irreverent style and her habit of cursing. com 101 anos. rádio. television. I’m happy to be alive. Leia a tradução somente após tentar fazer as atividades propostas. Em seguida. stage. Morreu em 19 de julho de 2008. Em uma entrevista um ano antes de sua morte.” TRADUÇÃO Dercy Gonçalves foi uma estrela do cinema. . cantores ou cantoras de que você gosta e escolha um.” 2. Dercy disse: “O ontem acabou. DERCY GONÇALVES Dercy Gonçalves was a film. Observe as palavras empregadas na lista e selecione algumas que possam ser relacionadas à pessoa que você escolheu. her irreverent style and her habit of cursing. I live for today. seu estilo irreverente e seu hábito de falar palavrões. I’m not hurt by anything and I don’t miss anything. radio. Pense no que você sabe sobre Dercy Gonçalves para tentar entender esta frase. em 2007. que trata das características que a tornaram famosa. LER TEXTO INFORMATIVO I O texto a seguir. atrizes. Uma figura controversa. Qual é a tradução da expressão “irreverent style”? Dica Lembre-se de que essas palavras são cognatas. Dercy said: “Yesterday is over.

as well patriot struggles. 12. Gilberto Freyre – Creator of the concept of racial mixing. João Cabral de Melo Neto – Brainy poet and critic of injustice. De acordo com as informações da lista. It was very common to see people reading his books in buses or just sitting in a park. 1 . 1 . Carlos Drummond de Andrade – The greatest poet of the 20th century. . She wrote about problems of the Northeast. Guimarães Rosa – A bridge between the old and the new Brazil. 1 . Cecília Meireles – A spiritualist poet. . 1890. Vinicius de Moraes – Lyric poet of human sentiment. Clarice Lispector – A writer of extreme and profound feelings. Machado de Assis – Irony and humor that trans- Instituto Moreira Sales cends the ages. 1 . 1. revolutio- nized children’s literature. 2. 2 . quais autores escreviam poesias? 2. anthropologist and politician. 1 . Nelson Rodrigues – A damned and passionate writer. Machado de Assis. Darcy Ribeiro – Writer. . Você conhece os autores citados na lista? As informações da lista confirmaram algo que você já sabia sobre algum deles? Justifique. 11. Você conhece alguma das obras escritas por esses autores? Qual(is)? . Mário de Andrade – Poet and founder of Brazilian Modernism. Graciliano Ramos – A master of the frugal writing style. . 1 . Jorge Amado – One of the most popular writers in the country. . 1 . . Rachel de Queiroz – First woman to get a chair in the Brazilian Academy of Letters (ABL). Monteiro Lobato – Ahead of his time. Euclides da Cunha – The reporter that narrated the Canudos War. Qual autor escreveu um livro em que relata a Guerra de Canudos? Destaque seu nome na lista. . 1 . such as for nationalizing oil. José Lins do Rego – One of the main regional authors. 138 Língua Inglesa . LER LISTA DE PERSONALIDADES DO MEIO LITERÁRIO THE GREATEST IN LITERATURE 1. such as drought and misery. Manuel Bandeira – A precursor to modern poetry. Erico Verissimo – The author of O tempo e o vento (The Time and the Wind). Mario Quintana – An angel disguised as a poet. .

His work have been translated into 30 lan- guages and was popularized in film. He was the best- -known of modern Brazilian writers. Clove and Cinnamon: Dona Flor and Her Two Husbands: Tent of Miracles: Kiko Farkas e Elisa Cardoso/ Máquina Estúdio/ Companhia das Letras Capas de livros de Jorge Amado na edição brasileira da Companhia das Letras. escreva os títulos em português. notably Dona Flor and her Two Husbands in 1978. A maior parte dos livros de Jorge Amado foi traduzida para outras línguas. Só depois leia a tradução em português. Captains of the Sand: Gabriela. JORGE AMADO Jorge Amado was a Brazilian writer of the Modernist school. Para auxiliá-lo. His work dealt largely with the poor urban black and mulatto communities of Bahia. ao lado. 6º ano 139 . LER TEXTO INFORMATIVO II Jorge Amado é um de nossos escritores mais conhecidos dentro e fora do Brasil. Leia o texto em inglês e tente fazer a atividade proposta. Leia como ficaram os títulos em inglês e. observe as capas das edições brasileiras.

cómo viven y qué hacen y también descubrir qué tenemos en común con ellos. ¡A HABLAR! Antes.php>. S soespanhol. ¿Sabías que hispánico es todo lo que pertenece o se refiere a España y que hispanoamericanos son los países e individuos de América que tienen el español como su idioma? Pues. es esta lengua tan rica y variada y estos pueblos tan diversos que vamos a conocer a partir de ahora. vamos a pensar un poquito en cuáles son tus referencias. Acceso el: 14 nov. Vamos a saber qué piensan.br/conteudo/Diversos_ Espanhol_pelo_mundo. ¿Qué cosas te contó? ¿Y sus hábitos? ¿Son muy diferentes de los nuestros? 140 Língua Espanhola .com. en qué somos parecidos y cuáles son nuestras diferencias. 2011. Disponible en: <www. ¿qué sabes de GLOSARIO este nuevo mundo al que estás entrando? Ahora: agora.Capítulo 3 LÍNGUA ¿Hispánico o hispanoamericano? E S PA N H O L A Ilustración digital: Mario Yoshida Países hispanohablantes N 0 1 070 2 140 km O L Fuente: Só Espanhol. ¿Sabes cómo es una persona de España o Hispanoamérica? Nuestros: ¿Ya conversaste con alguien de un país que habla español? nossos.

que el uso de la palabra español para definir la lengua podría Podría: poderia. especie de reacción o “rebeldía patriótica” ante cierta sumisión a Es- O sea: ou seja. Paraguay o Bolivia. S Fuente: Almanaque Abril 2011. 2011. paña. el portugués. Si no conoces a ninguna persona de esos países. Dudas: dúvidas. Esta es la respuesta más común cuando se hace esta pregunta. 456. los extranjeros piensan en fútbol. Cuba. Vas a leer un texto que acla- ra esta duda. En España son cuatro las len- guas oficiales: 6º ano 141 . ¿ESPAÑOL O CASTELLANO? “En España se habla español y en Argentina. hay un glosario con palabras que pueden ser desconocidas para ti. ¿cuál es la primera imagen que te viene a la cabeza? Y si hablamos de Argentina. para que lo entiendas bien. Usar castellano en España se justificaría para diferenciarla de otras len. intenta N 0 145 290 km O L comprenderlo por el contexto. Cuando piensas en España. guas oficiales que también son españolas. GLOSARIO El uso de la palabra castellano por los países de América sería una A veces: às vezes. la lengua que vas a aprender a partir de ahora. p. castellano”. São Paulo: Editora Abril. pero. Viene: vem. pero a veces en algunos países de América y también en algunas regiones de España se prefiere denominarla castellano. Antes. Se puede usar español o castellano para definir la lengua indistintamente. Sumisión: submissão. ¿en qué piensas? ¿QUÉ LENGUA ESTÁS APRENDIENDO? Mucha gente tiene dudas sobre Comunidades autónomas de España el uso de las palabras español y caste- Ilustración digital: Mario Yoshida llano para definir la lengua que está estudiando y pocos saben si hay o no alguna diferencia entre ellas. o sea. Como se trata de un idioma muy parecido al que hablas. Español y castellano son dos palabras usadas para definir un mismo idioma. Carnaval y Amazonia. Consúltalo cuando no consigas entender el significado de alguna palabra o expresión. ¿cómo imaginas que son ellos? ¿Crees que hay diferencias entre el español que se habla en España y en los demás países? Cuando se habla de Brasil. seguro que en- contrarás facilidades en compren- derlo. o sea. insinuar.

• el español o castellano es el idioma de Castilla. entonces. donde está la ciudad de Bilbao. S soespanhol. Ahora ya sabes que puedes decir tanto español como castellano para referirte a este nuevo idioma que está entrando en tu vida. 2011.php>. • el vascuence. 142 Língua Espanhola .br/conteudo/Diversos_ Espanhol_pelo_mundo. • el catalán. actualmente euskera. Disponible en: <www. Ilustración digital: Mario Yoshida Hispanoamérica N 0 1 000 2 000 km O L Fuente: Só Espanhol. cuya ciudad más conocida es San- tiago de Compostela. Lo más importante es que disfrutes mucho. es lo que se habla en Cataluña. Acceso el: 14 nov. LEER MAPA DE HISPANOAMÉRICA Ya sabes que español o castellano es la lengua que se habla en España y en muchos otros países. común a todas las re- giones del país. Puedes ampliar tus conocimientos y entender mejor esta cuestión del uso de los términos español o castellano si investigas un poco sobre la historia del origen de la lengua española. • el gallego.com. observa el mapa y busca en él las informaciones que te ayudarán a completar el cruci- grama con los nombres de algunos de los países donde el español es la lengua oficial. lengua del País Vasco. es de la región de Galicia. por ejemplo. donde está Barcelona.

. Fue donde la selección brasileña ganó el tricampeonato mundial de fútbol. que hace frontera con Brasil. El poeta Pablo Neruda es uno de sus nombres más conocidos en el mundo. Quien nace allí es nicaragüense. En Brasil. . . La capital es Bogotá. Este país está muy cerca de Estados Unidos. allí también se toma el mate. Fue escenario de una gran revolución. . Es un país conocido por sus colores fuertes y alegres. Es un país vecino de Brasil y su primera letra también es la B. San José es el nombre de la capital de este país que está en Centroamérica. La capital es Montevideo. 2. 1. famosa por la fabricación de puros. 11. Este país tiene dos sílabas y hace frontera con Argentina. en portugués. la gente dice que el país tiene el nombre de un ave y su capital tiene el nombre de una fruta. Este país de América del Sur es conocido por las ruinas de Machu Picchu. Como en Rio Grande do Sul. . Es un país de América del Sur. Su capital es Buenos Aires. en 1970. Es una isla del Caribe. 1 . . La Habana es su capital. 6 1 7 5 8 C 4 O * 9 2 3 11 10 A 6º ano 143 . . Caracas es la capital de este país que está cerca de Roraima en Brasil. Es un país famoso por la belleza de sus mujeres en los concursos de misses. La cantante Shakira y el café allí producido tienen fama mundial.

EL ALFABETO ESPAÑOL El alfabeto español es muy parecido con el portugués. Observa las que están destacadas: A (a) B (be) C (ce) CH (che) D (de) E (e) F (efe) G (ge) H (hache) I (i) J (jota) K (ka) L (ele) LL (elle) M (eme) N (ene) Ñ (eñe) O (o) P (pe) Q (cu) W (uve Y R (erre) S (ese) T (te) U (u) V (uve) X (equis) Z (zeta) doble) (i griega) Observa que: • o músicu. e leiti. pero tiene algunas le- tras más. Repítelas en voz alta: a b c ch d e f g h i j k l ll m n ñ o p q r s t u v w x y z 144 Língua Espanhola . • a o u e i • ll y • e o ll ll y y • r • r rr ACTIVIDAD CON AUDIO 1. recuerda la pronunciación de cada una de las letras. Ahora. escucha y luego repite las palabras abajo. e / o (siempre cerradas): argentino – boliviano – chileno – colombiano – cubano – costarriqueño/costarricense – ecuatoriano español – guatemalteco – hondureño – mexicano/mejicano – nicaragüense – panameño – paraguayo peruano – puertorriqueño – dominicano – uruguayo – venezolano 2. Las palabras que vas a repetir se refieren a las nacionalidades de las personas que nacen en los países que hablan español y la pronunciación destacada es la de las letras a (siempre abierta). pensando en la forma de pronunciar cada letra del alfabeto que acabas de aprender. Como ya conoces el alfabeto.

¿no? Primero escucha y luego lee en voz alta las siguientes palabras: chico – muchacho – muchedumbre llave – lluvia – calle – paella – bollo moño – sueño – español – dueño LOS PRONOMBRES PERSONALES ¿Sabes cómo nos dirigimos. Ya te has dado cuenta de que hay diferencias. en español. Ahora que ya conoces las personas gramaticales. . vamos a conocer las personas gramati- cales para saber quién dice qué: Español Portugués Yo Eu Tú Você Él/ella/usted Ele/ela/o senhor. ¿Sabes a qué correspondería yo en portu- gués? ¿Y usted? Ilustración digital: Estúdio Pingado Antes de aprender a conjugar verbos. en ellas tenemos una situación de forma- lidad y otra de informalidad. de manera formal o informal a una persona? Observa la imagen a continuación. ¿cómo traducirías cada diálogo? 6º ano 145 . as senhoras Observa las figuras a continuación. a senhora Nosotros(as) Nós Vosotros(as) Vocês Ellos/ellas/ustedes Eles/elas/os senhores.

¿vas al fútbol mañana? Sí. pero no es así en todas las regiones del país. entonces. ¿y vosotros vais a comprarle algo? Marco: ¡Hasta luego! Antonio: ¿Por qué no le damos un DVD de su película preferida? Lola: ¡Vale! Enrique: ¡De acuerdo! 146 Língua Espanhola . chicos. En los demás países. ¿ustedes van a la clase Antonio: Hola. Enrique: Yo también. ¿es usted el señor López? Eh. ¿y tú? Entre por favor. Ve la diferencia: Hispanoamérica España Marco: Hola. Nos vemos allá. creo que será muy interesante. chicos ¿vosotros vais a la fiesta de sobre Mitología esta tarde? Maricarmen? Ana: Yo sí. Pablo. soy yo Creo que sí. Situación formal Situación informal Ilustración digital: Estúdio Pingado Buenos dias. pues la quiero mucho. se usa ustedes tanto para el registro formal como para el informal en plural. Observa los pronombres personales de acuerdo con su uso en cada país o región: Registro España Hispanoamérica tú tú/vos Informal vosotros(as) ustedes usted usted Formal ustedes ustedes España es el único país en el que se usa la forma vosotros para el tratamiento informal y ustedes para el tratamiento formal en plural. creo que no. Pedro: Yo también. No sé. Hay variaciones. Lola: Yo creo que sí.

SER yo soy tú eres él/ella/usted es nosotros(as) somos vosotros(as) sois ellos/ellas/ustedes son 6º ano 147 . LEER DIÁLOGO Observa el siguiente diálogo. ¿Notaste que se trata de verbos que usamos para presentarnos? Vamos a aprender un poco más sobre esos verbos y cómo los conjugamos. me llamo Soy trabajo me llamo te llamas? soy soy es se llama es Ilustración digital: Estúdio Pingado ¿Crees que se trata de un diálogo formal o informal? ¿Qué elementos te dan la pista sobre si es formal o informal? CONJUGACIÓN DE VERBOS En el diálogo anterior hay algunas palabras destacadas. pensando en lo que aprendiste al estudiar el uso de los pronom- bres y personas gramaticales.

él. como llamarse. me llamo Paco y soy estudiante. vosotros. nosotros nos llamamos. ellas. lavarse. ella. Él (llamarse) Pedro. Hola. él se llama. nosotras. (ser) de Porto Alegre y (trabajar) como cocinero en un restaurante. en Presente de Indicativo. ¿son de Brasil? Juanito. ¿verdad? somos estudiantes de español. se llaman Pablo y Fernando. Ana y Rosa son amigas de aquellos chilenos. sois argentinas. Completa las frases. tenemos que colocar el pronombre correspondiente a cada persona antes de conjugarlo. Ejemplos: yo me llamo. 148 Língua Espanhola . nosotros. du- charse. usted. se llama María y es colombiana. Doña Regina. siguiendo la terminación de los verbos regula- res terminados por -ar. Esta es mi amiga. Aquellas son las amigas de María. 2. se llaman Ana y Rosa. tú. APLICAR CONOCIMIENTOS I 1. ellos. ¿es paraguaya? Señores. Y sobre los primeros regulares. (llamarse) Rúber y (ser) periodista. Ella (llamarse) María y (ser) chilena. entre otros. Completa las frases con el pronombre personal adecuado: yo. (ser) de Bolivia. ustedes. eres un niño muy agitado. vosotras. terminados por -ar: Amar Llamarse Dedicarse yo amo me llamo me dedico tú amas te llamas te dedicas él/ella/usted ama se llama se dedica nosotros(as) amamos nos llamamos nos dedicamos vosotros(as) amáis os llamáis os dedicáis ellos/ellas/ustedes aman se llaman se dedican Observa que cuando el verbo viene con el pronombre.

¿y usted? Le presento a… él ella Para saber más sobre la persona que estamos conociendo. transforma el diálogo anterior en una situación formal. sin dejar de usar los pronombres de tratamiento Don y Doña antes de los nombres.USOS DE LA LENGUA: SALUDOS Y PRESENTACIONES INICIALES Para saludar. ¿y tú? Te presento a… Formal ¿Cómo le va? ¿Cómo está usted? Bien. Y tú. – Hola. presentarse. ¿cómo te llamas? – Me llamo Juan. ¿a qué te dedicas? – Yo soy estudiante y también soy brasileño. y tú. – Adiós. dar las gracias y despedirse hay las siguientes expresiones: Buenos días ¡Hasta luego! Gracias Uso común Mucho gusto Buenas tardes ¡Adiós! Muchas gracias a todos Encantado(a) Buenas noches ¡Hasta otro día! De nada Informal ¡Hola! ¿Qué tal? ¿Cómo estás? Muy bien. 6º ano 149 . ¿De dónde eres. Hasta luego. – Bueno. Ana? – Yo soy de Brasil y soy dentista. Marca en el diálogo a continuación todos los elementos que indican la informalidad. Ahora. pasando los verbos y pronombres para el uso de usted. 2. me llamo Ana. me voy. hay estas expresiones: Informal Formal ¿Cómo te llamas? ¿Cómo se llama (usted)? ¿De dónde eres? ¿De dónde es (usted)? ¿A qué te dedicas? ¿A qué se dedica (usted)? ¿Qué haces? ¿Qué hace (usted)? APLICAR CONOCIMIENTOS II 1.

Imagina la situación de un chileno que visita a Brasil. (1) apellido ( ) barbear (2) apodo ( ) criações (3) niños ( ) crianças (4) crianzas ( ) apelido (5) adosado ( ) unido/geminado (6) afeitar ( ) adoçado (7) endulzado ( ) sobrenome ¿Encontraste las palabras correspondientes? Verifícalo aquí: se afeita apellido apodo. los falsos amigos: aquellas palabras que son idénticas. por ejemplo. Sus amigos le preparan un almuerzo especial. CURIOSIDADES DE LA LENGUA FALSOS AMIGOS El español y el portugués son lenguas muy parecidas y también muy diferentes en algunos casos. con comidas típicas. niños crianza endulza adosadas 150 Língua Espanhola . que es muy sabroso. Ilustración digital: Estúdio Pingado El pobrecito del chileno sólo estaba queriendo ser gentil y amable. pero con significados completamente diferentes entre las dos lenguas. Hay. pero sus amigos no lo comprendieron. pues en español se usa exquisito para describir algo que está muy bueno. APLICAR CONOCIMIENTOS III Relaciona las palabras en español con sus traducciones. Veamos algunas situaciones que pueden provocar algunos conflictos.

LA CULTURA HISPANOAMERICANA En este y en otros capítulos de este libro encontrarás informaciones sobre per- sonas que hicieron algo de importante para la cultura de su país y que por su trabajo se hicieron famosas. Toda a Mafalda. Sus trabajos retratan el momento en el que vivía su autor y su visión crítica de la sociedad y de la cultura argentina. el dibujante argen- tino. usando las palabras del recuadro. apellido es se llama es apodo Quino. QUINO. autor de personajes notables como Mafalda y su pandilla y también de varia- dos libros de humor. completa las informaciones sobre Quino y Mafalda. pero la gente lo conoce por Quino. São Paulo: Martins Fontes. p. 411 Él Joaquín Salvador Lavado. Su es Lavado. una niña muy inteligente que habla de las cosas de su país. que es su . A continuación encontrarás informaciones sobre Quino. de su preocupación con el destino de la humanidad y la indignación ante las injusticias sociales. 6º ano 151 . un dibujante argentino de mucha expresión en el mundo hispano. ARGENTINA La primera personalidad de la que vamos a hablar es Quino. Su personaje más conocido Mafalda. 1993. como si él estuviese presentándose. Ricardo Ceppi/Corbis/Latinstock me llamo soy soy es APLICAR CONOCIMENTOS IV Ahora.

PARA CONOCER MÁS Ilustración digital: Estúdio Pingado Panadero Cocinero Maestra Obrero Niñera Secretaria dibujante camarero periodista carnicero albañil abogado ingeniero cura sastre azafata fontanero guardia portero jugador deportista reportero salvavidas guardaespaldas zapatero dependiente LOS ARTÍCULOS Lee los siguientes textos. los artículos son los siguientes y siguen básicamente las mismas reglas del portugués: Artículos determinados Artículos indeterminados Singular el / la un / una Plural los / las unos / unas 152 Língua Espanhola . observa las palabras destacadas y luego verifica las reglas de uso a continuación: El la la el el al de la La al a la a los El del una En español.

y viceversa? Observa la siguiente situación: Ilustración digital: Estúdio Pingado Palabras femeninas Palabras masculinas Palabras femeninas o masculinas la leche. hay palabras que en portugués son mas- culinas y son femeninas en español. el el/la estudiante. el/la joven. el puente. la nariz. se siguen las mismas reglas del portugués: el amor la libertad la alegría el corazón la plaza la calle el actor/la actriz el hombre/la mujer el padre/la madre Pero hay unas reglitas diferentes en español. Observa las siguientes palabras femeninas en singular y los artículos que van delante de ellas: el agua fría el alma buena el ama de casa ordenada el hambre canina 6º ano 153 . el el/la violinista. la radio. el origen. el viaje. el/la cantante. en España Inglaterra CURIOSIDADES DE LA LENGUA FEMININA O MASCULINA? ¿Sabías que a pesar de tener el mismo origen en latín. la costumbre. las color/los colores. la miel. el/la legumbres árbol.No se debe usar el artículo: • Lisboa Antonio María • mi tus nuestra • Portugal. el dolor. el manzano canadiense En la mayoría de los casos.

Por eso. espero que chilenos la conserven con mucho cuidado y que turistas la preserven. ¿puedes colocarlos tú. y escribió una postal a sus amigos. brasileños. ciudad del Rio de Janeiro es más conocida internacionalmente. hombre de edad de piedra era muy creativo. En Inglaterra están ingleses y en Brasil. cuando necesario: En Italia ellos hablan italiano. Antonio realizó un viaje a Santiago. También fui a visitar Cordillera de los Andes y estoy convencido. Acabo de encontrar libro de Pablo Neruda que tanto quería. Estoy aquí en Chile. LAS CONTRACCIONES En portugués juntamos las preposiciones con varios elementos. países que tienen frontera con Brasil son: Argentina. Distraído como es. Venezuela. no colocó los artículos en su texto. cuando necesario? Debes usar el – la – los – las. en Chile. Bolivia. a ha el mi tad APLICAR CONOCIMIENTOS V 1. 2. planeta Tierra es lugar donde viven seres humanos. Completa las siguientes frases con el artículo adecuado (el – la – los – las). Colombia. más que nunca que. disfrutando un montón. En español solo se puede juntar los siguientes elementos: a + el = al (en portugués corresponde a ao) de + el = del (en portugués corresponde a do) Los demás se escriben todos separados: en este en el de la de los a la a los 154 Língua Espanhola . Paraguay y Uruguay. Hola. y a nosotros nos cabe cuidar para que naturaleza se mantenga libre de contaminación. amigos. Guarda la regla la la.

Gretel. b) aguas río Amazonas bañan algunos países América Sur y es- tados brasileños. Puedes usar como base los textos y diálogos que leíste. Te ayudamos con sugerencias: • puedes escribir sobre las diferencias entre las dos lenguas que más te llamaron la atención e incluso buscar otras en diccionarios y páginas de internet. c) brasileños van a playa en verano. cuando estas sean necesarias: a) libro alumno nuevo está en mesa de secretaria. de dónde eres. ellos van a playas de Santa Catarina.es>. En él encontrarás palabras en español con traducción en portugués y también el contrario. 2008. Eugênia. 6º ano 155 .. Acceso el: 21 nov. ¿Dónde están los ejercicios de los alumnos? APLICAR CONOCIMIENTOS VI Completa los espacios con los artículos (el – la – los – las) o contracciones (al – del). FLAVIAN. a qué te dedicas etc. São Paulo: Ática. Debes contar cómo te llamas. Vamos al baile del club. ¿Vas a la escuela por la noche? Voy a la playa por la mañana. Es un diccionario monolingüe. las explicaciones también están en español y es el principal diccio- nario de la lengua española. En este armario están guardados todos tus libros. PARA AMPLIAR TUS ESTUDIOS Diccionarios Diccionario de la lengua española (real academia española) Esta es una herramienta que se puede consultar gratis por internet. MOMENTO DE LA ESCRITURA Escribe un pequeño texto identificándote.rae. Lo que hemos aprendido Para terminar y verificar si has entendido bien los termos de este capitulo haz una lista de todas las cosas nuevas que conociste sobre el mundo hispánico. FERNANDEZ. Observa estos ejemplos: Voy al centro de la ciudad. 2012. • elige las informaciones más interesantes sobre la gente que habla español. Minidicionário Espanhol/Português – Português/ Espanhol. junto con el material de español. Minidicionário espanhol/português – português/espanhol Se trata de un pequeño diccionario de bolsillo para que puedas llevar contigo. usando todos los recursos que aprendiste hasta aquí. Disponible en: <www. d) Muchos argentinos vienen litoral de Brasil en verano también. o sea.

en Cochrane (Chile). ¿Con quién vives? ¿Cómo vive la gente en tu ciudad? ¿Conoces una tradicional familia hispanoamericana o española? ¿Cómo son? En este capítulo vamos a hablar de las relaciones familiares y también de las costumbres de los países que hablan español. una pareja cocinando en su casa.Capítulo 4 LÍNGUA ¿Con quién vives? ¿Dónde vives? E S PA N H O L A Bridget Besaw/Aurora Photos/Corbis/Latinstock En la fotografía. 2010. ¿Será que hay muchas diferencias entre ellos y nosotros? !A HABLAR! ¿Cómo es una familia brasileña tradicional? ¿Crees que el modelo de familia brasileña cambió mucho? ¿Cómo son las familias brasileñas actuales? ¿Cómo es tu familia? 156 Língua Espanhola .

Casa de Su Majestad el Rey/Reuters/Latinstock Trés geraciones de la familia real española: el Rey Juan Carlos. Nueva web. ¿Te atreves a intentarlo? Señala las palabras que no conoces. 6º ano 157 . Don Felipe de Borbón y Grecia – casado con la Princesa de Asturias. intenta ver si el contexto te ayuda con la comprensión de lo que está escrito y luego comprueba si lo acertaste consultando un diccionario.] Disponible en: <www. Acceso el: 5 feb. las Infantas Doña Elena y Doña Cristina y su marido. [. Doña Letizia Ortiz.html>. a convertirse en Reina de España. Se trata de un texto informativo. Don Iñaki Urdangarin.FAMILIAS DEL MUNDO HISPÁNICO: LA FAMILIA REAL ESPAÑOLA Vas a leer un pequeño texto.. Príncipe Felipe y la Infanta Leonor. el Rey. pero antes de bus- car su significado. a punto de cumplir siete años. misma familia real Por primera vez.elmundo. Está formada por el Rey Don Juan Carlos. con quien tiene las hijas Leonor y Sofía –.es/elmundo/2012/09/10/espana/1347267344.. Este es el inicio de una noticia sobre el lanzamiento de la página web www. no hay un glosario aquí. el Príncipe de Asturias. La familia real es presencia constante en las revistas del corazón y también en los principales vehículos de la prensa española. el Príncipe de Asturias y la Infanta Leonor posan juntos para mostrar a los españoles la imagen del futuro: una sucesión monárquica que llevaría a la hija mayor de Don Felipe. sus hermanas.es en la cual se puede encontrar informaciones sobre la familia real espa- ñola y sus actividades. casareal. 2013. pero seguro que conseguirás entenderlo. con un lenguaje simple y bastante parecido con el portugués en lo que se refiere al vocabulario y a este tipo de texto. Por esta razón. la Reina Doña Sofía. en septiembre de 2012. sobre la familia real española.

2. ¿Sabes de qué se trata? Te proponemos que investigues el tema. sobre cine y muchas otras más. consúltalo y relaciona los datos de las dos columnas para completar las informaciones sobre los parientes de Laura y Antonio. que verifiques si hay alguna publicación equivalente en tu país y que después traigas a clase algún ejemplo de lo que encontraste. En el texto se mencionan las revistas del corazón. Los grados de parentesco en español son muy parecidos con el portugués. (8) Pablo y Maricarmen son los de Ana y Beatriz. La familia real sigue el modelo tradicional. las deportivas. ACTIVIDAD CON AUDIO I 1. las de economía. como muchas familias actuales de todo el mundo. ¿Cómo imaginas que es una familia española en los días de hoy? ¿Y una familia hispanoamericana? ¿Sería diferente? ¿Cuál de ellas piensas que se parece más a la familia brasileña? ¿Por qué? ¿Crees que hay nuevos modelos de familia? ¿Cómo son? INVESTIGAR I Existen varios tipos de publicaciones en la prensa. ( ) hijas – hermanas (7) Ana y Beatriz son las de Juan y Francisca. como por ejemplo. Ahora que ya tienes el árbol genealógico de esta familia. Para este ejercicio necesitarás la ayuda de un diccionario. pero hay algunas di- ferencias. ( ) suegros (6) Pablo y Maricarmen son los de Laura. PARA REFLEXIONAR Elegimos empezar el capítulo con la familia real española para hacernos pensar en la formación de las familias. ( ) mujer/esposa – marido/esposo (3) Inés es la de Antonio. pero no es el único modelo. 158 Língua Espanhola . (1) Juan y Francisca son los de Laura. sean españolas. ( ) yerno – nuera (5) Ana y Beatriz son las de Antonio y Laura. las revistas de moda. ( ) abuelos (4) Antonio es el de Juan y Francisca y Laura es la ( ) cuñada de Pablo y Maricarmen. ( ) padres (2) Laura es la de Antonio y este es su . Escucha los relatos y luego elabora el árbol genealógico de esta pareja que acaba de casarse. hispanoamericanas o brasileñas. por ( ) nietas tanto son .

una que va antes del sustantivo y otra que va en su lugar. porque ya no se usa más la forma vós. ambos serán traducidos como: meu. en portugués. seu/dele/dela. Recuerda que vosotros es el tratamiento informal y tra- ducimos como vocês. sobre todo en el lenguaje coloquial. Juan. 6º ano 159 . teu. Laura y sus hijos van al parque los domingos. nosso. El tuyo está en el armario.LOS POSESIVOS Observa la siguiente imagen. seus/deles/delas. Algunos ejemplos de uso de los posesivos: Aquí está mi libro. Marco llevó tu cuaderno prestado porque no encontró el suyo. de vocês. sustituyéndolo. ¿A quién pertenecen los recuerdos mencionados? Ilustración digital: Estúdio Pingado Los posesivos tienen dos formas en español. Observa la siguiente tabla: Adjetivos posesivos Pronombres posesivos (antes del sustantivo) (en lugar del sustantivo) mi(s) mío(a) / míos(as) tu(s) tuyo(a) / tuyos(as) su(s) suyo(a) / suyos(as) nuestro(a) / nuestros(as) nuestro(a)/ nuestros(as) vuestro(a) / vuestros(as) vuestro(a) / vuestros(as) su(s) suyo(s) En portugués.

Ilustración digital: Estúdio Pingado a) – Hijo mío. Ahora tienes que usar los pronombres posesivos adecuados para completar los minidiálogos. 160 Língua Espanhola . los están en mi habitación. ¿de quién son estas revistas? ¿No son ? – No. Vosotros también podéis ver las ya. estas son las . ¿son estos zapatos? – No. mis notas están en el tablón. Ustedes también pueden ver las ya. e) ¿Dónde tú dejas cosas cuando vas a la gimnasia? 2. b) – Chicos. –¿Será que las notas fueron buenas? ¡Nos esforzamos tanto! (Hispanoamérica) d) – Rita. b) Yo siempre hablo con amigos por teléfono. Completa las frases del ejercicio con el adjetivo posesivo adecuado. las están en mi mochila. de acuerdo con el sujeto des- tacado: a) Mi sobrina siempre coloca cuaderno en la mochila. d) Aquellos chicos llevan dinero en el bolsillo de la chaqueta. mis notas están en el tablón. APLICAR CONOCIMIENTOS I 1. c) Las hermanas nunca guardan zapatos en el armario. Pedro. –¿Será que las notas fueron buenas? ¡Nos esforzamos tanto! (España) c) – Chicos.

¿Sabes decir a qué persona gramatical pertenece cada uno de ellos? Vamos a aprender a conjugar el verbo estar y también los verbos regulares de 2ª (-er) y 3ª (-ir) conjugaciones. – ¡Qué bueno! – ¿Otro café? En el diálogo anterior.CONJUGACIÓN DE VERBOS Lee el diálogo de dos amigos en la oficina: – Rose. así aprovecho para contarte las novedades. ¿Por qué no tomas un café conmigo? – ¡Claro!. Observa: Verbo Estar yo estoy tú estás él/ella/usted está nosotros(as) estamos vosotros(as) estáis ellos/ellas/ustedes están Verbos regulares terminados por -er / -ir: Comer Subir Esconderse yo como subo me escondo tú comes subes te escondes él/ella/usted come sube se esconde nosotros(as) comemos subimos nos escondemos vosotros(as) coméis subís os escondéis ellos/ellas/ustedes comen suben se esconden 6º ano 161 . – ¿Qué novedades? – ¿No sabes que Asunta parte para Europa este mes? – ¿En serio? – Sí. Son verbos conjuga- dos en Presente de Indicativo. ella se corresponde con un chico portugués y van a encontrarse. hay algunas palabras destacadas.

. Recuerda que cuando el verbo viene con el pronombre. inscribirse esconderse meterse someterse sorprenderse Ilustración digital: Estúdio Pingado Estos niños siempre me cuando se por estas partes de la casa. No te olvides de conjugarlos. siguiendo la terminación de los verbos regu- lares terminados por -ar. inscribirse. pero no engorda. 162 Língua Espanhola . nosotros nos inscribimos. tenemos que colocar el pronombre correspondiente a cada persona antes de conjugarlo. f) ¿Vosotros (subir) por estas escaleras para llegar a la habitación de la niña? g) Tú (inscribirse) en todo tipo de curso sobre culinaria porque te vas a casar. par- tirse. e) Nosotros (escribir) poemas bonitos a nuestros tíos y abuelos cuando llegan las Navidades. él se somete. b) Aquellos niños (esconderse) de su madre a la hora del baño. c) Jorge no (someterse) a las órdenes de sus hermanos mayores.. APLICAR CONOCIMIENTOS II 1. como someterse. Mira la imagen y completa lo que se dice ahí con dos de los verbos de la lista que sean adecuados a la situación. Completa las frases con los verbos de los paréntesis debidamente conjugados de acuerdo con el sujeto destacado o indicado por el contexto: a) Mi hija (comer) muchos dulces. Ejemplo: yo me escondo. d) Los trenes (partir) de la estación todos los días a la misma hora. entre otros. ellos se ins- criben. ¿verdad? h) ¿Quién (vender) los mejores productos para bodas? i) ¿A qué hora (partir) el avión de los novios que se van en luna de miel? j) ¿Con quién (vivir)? ¿Con tu familia? 2.

g) La carne se compra en una . Inspírate en una familia en un parque u otro lugar cualquiera. puedes recurrir a un diccionario e incluso a internet. b) Si compras una casa. incluso revistas del corazón. conjugados en Presente de Indicativo. j) Cuando el automóvil da problemas. puedes usar más verbos. d) Quien lee mucho también puede ir a un y encontrar las más variadas publicaciones. Para la realización de este ejercicio. escuela taller carnicería academia panadería ayuntamiento notaría tienda gasolinera gimnasio quiosco a) En este lugar. si te casas o si nace tu hijo. e) Cuando queremos mejorar la forma física y hacer la gimnasia. Si quieres. zapatos y otras cosas se compra en una . trabaja el alcalde y los funcionarios que admi- nistran y cuidan las ciudades. Busca en el cuadro los lugares correspondientes a las definiciones a continuación y complé- talas. Esto lo encuentras en una .3. puedes comprar en la el pan fresquito y también otras delicias. estar correr comer beber escribir subir bajar esconderse meterse vender sorprender temer INVESTIGAR II Vamos a conocer qué es lo que podemos encontrar en una ciudad. c) Toda ciudad debe tener una o más de una para garantir el futuro y la educación de sus ciudadanos. llamado . debes ir a la para registrarlo todo. lo llevamos al del mecánico. f) Todas las mañanas. Escribe un pequeño diálogo en el que aparezcan por lo menos tres de los verbos de la siguiente lista. h) Ropas. i) Un automóvil necesita gasolina para moverse. vamos a un . k) Lenguas extranjeras se estudian en un centro de lenguas o una de idiomas. 6º ano 163 .

− ¿Dónde están las llaves del coche? − Están en el armario de la cocina. Hay es invariable. se usa para indicar o preguntar por la existencia de algo y normalmente va acompañado de: un / una / unos / unas algún/ alguna / algunos / algunas ningún / ninguna / ninguno algo / nada Ahora. se usa para indicar la loca- lización de algo y normalmente va acompañado de: el / la / los / las en / por / debajo de / en cima de / al lado de… APLICAR CONOCIMIENTOS III 1. c) En este supermercado no ningún tipo de alimento fresco. b) El Teatro Municipal al lado de la Secretaria de los Deportes. o sea. Completa las siguientes frases con hay o está/están: a) En aquella casa muchas ventanas. ESTÁ(N) / HAY: ¿CUÁNDO Y CÓMO SE USA? Lee las frases siguientes: − ¿Dónde hay una farmacia por aquí cerca? − En esta calle no hay ninguna. a la derecha. tiene singular y plural. Pide pizza. d) ¿Dónde los documentos de la venta de la casa? e) ¿ algo para comer en esta casa? No. pero en aquella esquina hay una muy buena. ve la diferencia del uso de estar: − ¿Sabes dónde está la biblioteca municipal? − Sí. f) ¿Dónde un buen restaurante francés en esta ciudad? g) ¿Sabes dónde una pescadería aquí cerca? h) ¿Sabes dónde la casa de la modista que te indicó Ana? 164 Língua Espanhola . Está(án) es variable. hoy no nada. está en aquella calle.

2. No te olvides de agradecer al final del diálogo: T: Oiga. farmacia. M: De . completa con tus palabras este diálogo entre un madrileño (M) y un tu- rista (T) que necesita informaciones sobre la localización de algún lugar (puede ser un museo. para consolidarlo. Y. allá. T: . 6º ano 165 . se prefiere el uso de acá. ahí. parque. ALLÍ. ACÁ. estación de metro. en aquella . allí. ¿dónde ? M: . al de la . usted es muy amable. AQUÍ. ¿CÓMO SE USA? • Aquí/acá – para lo que está cerca de quien habla. En España se usa aquí. En muchos países de Hispanoamérica. o lo que quieras). • Allí/allá – para lo que está distante de los dos. esto muy cerca de aquí. ¿dónde ? M: Ah. un lugar pra ti que quiero comprar. por favor. ALLÁ Observa los dibujos siguientes: Ilustración digital: Estúdio Pingado Ahí donde estás sentado Aquí a mi lado hay Allí están los zapatos hay mucho viento. AHÍ. • Ahí – para lo que está cerca de quien escucha. ahí. T: Y el . Hasta luego.

f) Los libros están la mesa de la cocina. h) Si quieres subir. mira hacia . gire y luego . en estas bolsitas hay de todo: ropas. allá o allí. g) No busques por ahí. – Entonces. y pa dentro. Pedro. Está la iglesia. e) Paré una heladería y no pude resistir. Completa las siguientes frases con expresiones de localización que presentamos en el cuadro. Me tomé un helado enorme. acá. según el contexto y también según el uso de cada lugar indicado. maquillaje. a) Mi casa está muy mi trabajo. . elige uno y es tuyo. Voy a pie y llego en cinco minutos. Ve algunas de las expresiones que pueden ser utilizadas: cerca de lejos de al lado de a la izquierda a la derecha al centro detrás de delante de encima de debajo de arriba abajo APLICAR CONOCIMIENTOS IV 1. Necesito ir en autobús y tren y tardo casi dos horas. 166 Língua Espanhola . ¿qué haces en Buenos Aires? – Pues estoy para visitar a unos clientes. cayeron cuando te levantaste. tienes que mirar hacia y si quieres bajar. d) ti hay un armario lleno de libros. tus lápices están sofá. zapatos… – Vamos en aquel café y me muestras todo lo que compraste. personas y lugares. ¡cuánto tiempo! ¿Qué haces en Madrid? – Pues nada. b) Yo trabajo mi casa. a) – Hola. ahí. Completa los diálogos con aquí. OTRAS EXPRESIONES Hay otras formas de localizar objetos. c) Para llegar al banco. vamos en aquel bar a tomar un café. –¿Qué llevas en esas bolsas? – Bueno. i) Así se brinda en español: . 2. estoy de vacaciones y aprovechando para hacer unas compritas. b) – Rosa. Puedes repetir algunas.

La quarta-feira me enteré de que Prestes me esperó la terça. menos los nombres de los días de la semana en portugués. Héroe militar y político de Brasil. Íbamos a almorzar los dos solos. feira inútilmente con la mesa puesta mientras que yo pasaba las horas en la playa Mientras: enquanto.) 6º ano 167 . etc. complemento. ed. (Texto adaptado. hasta el poeta chileno Pablo Neruda pasó por algo semejante. Todo lo he podido aprender en mi vida. vinos excelentes guém soubesse. quarta-feira. señala los demás días de la semana como lunes. Sentí que de alguna manera yo formaba parte de una resurrección. Por eso. Lee el texto a continuación y solidarízate con el poeta. Confieso que he vivido. recordándome a mí mismo a cada momento que al día siguiente me había llamado Me enredo: me Prestes para almorzar. 2. p. la acepté de inmediato. que tan difícil era conseguir en el Brasil. miércoles. de Ipanema. Me buscó por todas partes sin que nadie supiera mi paradero. no te preocupes. Barcelona: Plaza & Janés. El Nadie supiera: nin- ascético capitán había encargado. Vas a leer un texto en el que él cuenta una anécdota sobre sus problemas con días de la semana en portugués. Entonces me Endiabladas: endia- sucedió una de esas catástrofes sólo atribuibles al destino o a mi irresponsabilidad. cuando en la Isla Negra recibí una invitación para visitar el Brasil y conocer a Prestes. Me acuerdo: me Me fui a pasar algunas horas en la playa con una bella amiga brasileña. saltándose la primera feira para Leyenda: lenda. Señala: marca.. Sucedió: aconteceu. Pablo. Sucede que el idioma portugués. Yo me enredo enteramente en esas feiras. su verdad y su leyenda traspasaron hace mucho tiempo las restricciones ideológicas. confundo. Prestes Ningún dirigente comunista de América contó con una vida tan increíble como Luis Carlos Prestes. en honor a mis predilecciones. lembro. GLOSARIO Prestes me invitó a almorzar para un día de la semana siguiente. 2001. Cada vez que me acuerdo de esta historia. no Había encargado: tinha encomendado. sin saber de qué día se trata. no obstante tener su sábado y su domingo. las endiabladas denominaciones de. sino con Invitación: convite. 405-409.PARA CONOCER MÁS Días de la semana. martes. NERUDA. bradas. y él pasó a ser una encarnación viviente de los héroes antiguos. Saber que no había otro invitado extranjero me agradó. me quisiera morir de vergüenza. meses y estaciones del año ¿Conoces los días de la semana en español? ¿Ya te metiste en alguna confusión por no saber usarlos? Los días de la semana: lunes – martes – miércoles – jueves – viernes – sábado – domingo Los meses del año: enero – febrero – marzo – abril – mayo – junio julio – agosto – septiembre – octubre – noviembre – diciembre Las estaciones del año: primavera – verano – otoño – invierno LEER FRAGMENTO DE AUTOBIOGRAFÍA Si alguna vez has confundido los días de la semana. Me enteré: soube.

LEER TEXTO INFORMATIVO FIESTAS TRADICIONALES DE CHILE Chile tiene una gran diversidad de festejos en los cuales participan miles de personas entre locales y turistas de todas partes. entre otras. La fiesta de la ciudad de Curicó es vinho. los chilenos celebran. ¿Qué día sería el almuerzo? ¿Y qué día apareció Neruda? 3. bailes y frutos de la zona que prometen abundancia. Vendimia: colheita da uva. Veamos algunas de estas celebraciones típicas: CARNAVALÓN En febrero. La vendimia también elige a su 168 Língua Espanhola . pero sólo para las palabras que serían desconocidas para ti. Símbolo de la alegría. Los preparativos comienzan con la llegada del verano y los festejos Mostos: extrato da uva do qual se produz o culminan en las últimas semanas de marzo. los Carnavales de Invierno. con música. en San Miguel de Azapa. regado a vino tinto y bebidas típicas acompañadas de la tradicional empanada. ambos en lenguas nativas). el Carnavalón. la más antigua y comienza con una ceremonia religiosa para bendecir los pri. Son fiestas para celebrar la vendimia. Putre y Socoroma. Se trata. al mismo tiempo. vas a leer un texto con informaciones sobre las fiestas tradicionales de Chile. de un saludo a la pachamama (la madre tierra) y al tata inti (el padre sol. y también lo profano y lo religioso. la independencia del país. el personaje y su carnaval atraen a miles de habitantes de los pueblos altiplánicos. ¿A qué “catástrofe” se refiere el autor en el texto? 2. la Fiesta Tapati de Rapa Nui. meros mostos y dar paso a los carros alegóricos. se realiza un ceremonial para desen- terrar de modo figurativo a Ño Carnavalón. GLOSARIO tral del país. Al ritmo de mucha música y también de la cueca. Las demás debes entender por el contexto. Es una fiesta tra- dicional mestiza que se celebra 40 días antes de la cuaresma católica. las Fiestas Patrias y la Fiesta de San Pedro. la Fiesta de la Vendimia. Encontrarás un pequeño glosario. ¿Conoces otros textos de Pablo Neruda? ¿Qué tipos de texto escribía este importante poeta? LA CULTURA HISPANOAMERICANA ¿Cómo son las fiestas en tu país? ¿Tu región tiene alguna fiesta típica o exclu- siva? ¿Ya has ido a alguna fiesta típica de otra región o de otro país? Ya que estamos con el poeta chileno Pablo Neruda en este capítulo. que es el baile nacional. la fertilidad y la fortuna. 1. para resucitar al legendario personaje mítico que augura felicidad todo el año. FIESTAS DE LA VENDIMIA El prestigio del vino chileno es celebrado de modo especial en la zona cen. el Año Nuevo Indígena.

mientras GLOSARIO se realiza la competencia de pisadores de uva. chilenos celebram en las calles de Santiago (Chile) una fecha importante para su país. quien es pesada en botellas de vino en una romana o balanza. ( ) Las carreras a la chilena son un tipo de corrida a caballo en las que el hombre que monta el caballo lo hace sólo agarrado a las crines del animal. Vas a descobrir lo que están celebrando cuando escuches la grabación. ¿Qué representa el Ño Carnavalón que se “desenterra” en estas fiestas? 2. Botellas: garrafas. Es un texto semejante a los que acabas de leer. festivos. a veces graciosos. 6º ano 169 . reina. Vas a escuchar una grabación con informaciones sobre otra fiesta de Chile. 1. Durante la audición. 1. extrato. pero siempre incentivo. ¿Cuándo se celebra el Carnavalón? 3. Competencia: competição. de acuerdo con la grabación: ( ) 19 de noviembre es el día nacional de Chile. ¿Cuándo comienzan y cuándo terminan las fiestas de la vendimia? 4. rante diez minutos sobre las uvas hasta convertirlas en jugo. ¿Como compararías alguna de las fiestas de Chile con las que tienes en tu región o país? ACTIVIDAD CON AUDIO II Marcelo Hernandez/LatinContent/Getty Images En septiembre de 2010. ( ) Las fondas o ramadas son los espacios donde la gente come y bebe durante la fiesta y tam- bién donde se bailan las danzas típicas. Jugo: suco. intenta identificar las siguientes informaciones: a) ¿De qué fiestas se habla en la grabación? b) ¿Qué estación del año estas fiestas anticipan? c) Verifica si las informaciones a continuación son verdaderas o falsas. con equipos que compiten du. Las palmas y los Gritos de aliento: gritos de gritos de aliento acompañan los movimientos.

la ciudad donde vives. o. • los grados de parentesco. subir. allí. sin nasalizaciones. en por- tugués. cuerda que no pite esta secuencia: hay el acento ortográfico (^) código ocio hotel ojo ojos hora circunflexo en español. qué haces allí y qué lugares te gusta frecuentar. partir. en es- pañol. ahí. a la derecha. e. • verbos regulares en Presente de Indicativo terminados por -er /-ir (comer. Puedes imaginar que estás hablando con un visitante que necesita saber la localización de cada cosa. igual que “casa”. al lado. 2. Escucha y repite esta secuencia: ánimo mañana campo canto encanto casa Pronuncia de carne cubano santo mango manguera las letras e / o en español La letra e se pronuncia siempre de manera cerrada. ão en español. esconderse. Pero re- La letra o se pronuncia también de manera cerrada. Escucha y re. • las cosas de una ciudad. Observa que la letra a se pronuncia siempre de manera bien abierta. No hay los sonidos ã. es- cribir. MOMENTO DE LA ESCRITURA Para verificar si entendiste bien los temas de este capítulo. En este capítulo vamos a practicar la pronunciación de las letras a. te proponemos que escribas un pequeño texto. Piensa que tu texto será bastante rico si usas: • expresiones de localización: aquí. • estar / haber. Escucha y re- pite esta secuencia: Las letras e / o san pronun- leche médico centro diente cuerpo ciadas. como la método café mujer enero técnico idea ê y la ô en por- tugués. vender…). 170 Língua Espanhola . en español. contando cómo es tu familia. • los posesivos. órgano oratório oración corazón óbito INVESTIGAR III ¿Por qué no buscas más información sobre fiestas populares en los países donde se habla es- pañol y después presentas a la clase lo que encontraste? Puedes incluso dramatizar algunas para que los demás adivinen de cuál se trata.

Acceso el: 10 feb. ca y en Brasil? • Cuando estás en otra ciudad.cl>. como cultura. ¿qué lugares te gusta visitar? ¡Buen trabajo! PARA AMPLIAR TUS ESTUDIOS Sitios web This is chile Esta es la página web oficial de Chile en la que puedes encontrar no sólo informacio- nes sobre las fiestas. 2013. sino también mucho más.cl>. Neruda vive Si te gustó el texto de Pablo Neruda. Icarito Este es otro sitio para consultas a enciclopedias y biografías. 2013. ¿vamos a reflexionar sobre lo que • ¿Qué tipo de comercio es imprescindible en una ciu- aprendiste? dad? • De la fiestas populares. ¿qué dirías que ya sabes en • ¿Y una familia moderna hoy en día.thisischile. en Hispanoaméri. deportes y negocios.cl>. Acceso el: 10 feb. Disponible en: <http://nerudavive. Disponible en: <www. Disponible en: <www. turismo. Acceso el: 10 feb. para terminar. puedes conocer más sobre el poeta y su obra en este sitio web.icarito.Lo que hemos aprendido Y. de qué elementos español? Lista las cosas que ya sabes e indica qué se compone?¿Es igual en España. 6º ano 171 . 2013. ¿cuáles te gusta celebrar? • ¿Cómo está compuesta tu familia? ¿Cuáles no soportas? ¿Por qué? • ¿Cómo es la familia real española? • Al final de este capítulo. consigues hacer con ellas.

) ______. CADMAN. Michael. SILVA. (Série Letras. Gretel. Mark. 49-68. O ensino da forma: retomada da discussão entre os pesquisadores na área de aquisição de língua estrangeira. In: Humanidades. 2008. 1999. LIGHTBOWN. MADEIRA. Business objectives. COLLINS. 2003. How languages are learned. 1. Oxford: Pergamon. Walter Gustavo. IRVINE. Principles and practice in second language acquisition. Fábio. Minidicionário Espanhol/Portu- guês – Português/Espanhol. Vicki. p. Suely Fernandes. 41. São Paulo: Moderna. 2002. MOURE. 2003b. Nina. Eugênia. Londres: Collins. Bibliografia LÍNGUA ESTRANGEIRA MODERNA BECHARA. Marion. Collins Dictionary of the English Language. n. 2003a. 2003. Oxford: Ox- ford University Press. 1993. Rio de Janeiro: Campus. Stephen. São Paulo: Ática. Hong Kong: Oxford University Press. DUCKWORTH. Genebaldo Freire. Antropoceno: iniciação à temática ambiental. São Paulo: Gaia. Patsy M. HOLLET. KRASHEN. ¡OJO! com los falsos amigos: Dicionário de falsos cognatos em Espanhol e Português. A comunicação em língua estrangeira mediada pelo computador: o impacto na precisão. Commercially speaking. 1998. 2. SPADA. LINHARES. FLAVIAN. p. 1982. 105-118. FERNANDEZ. Trabalhos em Linguística Aplica- da. n. 172 Língua Estrangeira Moderna . Maria Yedda. 1982.. Francisco Carlos Teixeira da Terra pro- metida: uma história da questão agrária no Brasil. DIAS. n. Oxford: Oxford University Press.

O desafio da sustentabilidade. In: VIANA. Gilney. DINIZ. Madri: Espasa Calpe. (Nuevas Ediciones de Bolsillo.). Gilney. 1992. ed. Manuel. 2001. Diccionario de dudas y dificultades de la lengua española. 1996. SILVA.) SECO. 9. Sebastián Quesada. Pablo. Diccionario de la lengua española. Marina. Madri: Sociedad General Española de Librería. Curso de civilización española.MARCO. 21. ed. 5. VIANA. NERUDA. ed. Nilo. Confieso que he vivido. Madri: Real Academia Española. 1998. (Orgs. 2001. 6º ano 173 . São Paulo: Perseu Abramo. ________. Impactos ambientais da política de globalização da Amazô- nia. Barcelona: Plaza & Janés Editores.

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UNIDADE 4 História .

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o que é ser brasileiro? Quem são os brasileiros? Basta afirmar que os brasileiros são aqueles que nascem no Brasil? De que Brasil estamos falando? Há um único modelo de brasileiro ou somos diferentes uns dos outros? Pois é. O que você diria sobre o Brasil e sobre os brasileiros? Em uma roda de conversa. 2008. 2010.Capítulo 1 HISTÓRIA Quem são os brasileiros? A s torcidas de futebol costumam cantar hinos durante partidas para incenti- var os jogadores. têm sido animados com as seguintes palavras: “Eu sou brasileiro. Para você. respondam às perguntas. RODA DE CONVERSA Para começar a discutir o tema do capítulo.. com muito orgulho. Edson Sato/Pulsar Imagens FRIDMAN/Samba Photo Assembleia de todas as comunidades Yanomami na comunidade Toototobí. Paulo (SP). Mas uma coisa é certa: para tentar entender o significado de ser brasileiro. em São -Hutukara.. essas são algumas questões para pensarmos. com base nas imagens. com muito amor. precisamos percorrer nossa história e buscar as raízes da formação da nossa identidade. A seguir.”. Nos últimos anos. 6º ano 177 . exponham as ideias associadas ao país e à realidade da sua comunidade. em Barcelos (AM). Desfile durante a Festa da Cultura Japonesa no bairro da Liberdade. vamos debater o que você e seus colegas pensam sobre o nosso país. os jogos da seleção brasileira. por exem- plo.

“O Brasil é um país abençoado por Deus”. Bulcão/Pulsar Imagens Gerson Gerloff/Pulsar Imagens Quebradoras de babaçu em Sítio Novo do Tocantins (TO). 3. “No Brasil tudo acaba em pizza”. “O Brasil é o país da impunidade ou da desigualda- de”. BRASILEIROS: UMA IDENTIDADE SOCIAL Você já deve ter escutado algumas afirmações sobre o nosso país. 5. 1. J. “Esse é o jeitinho brasileiro”. L. Organizem um painel com as imagens apresentadas pelo grupo e criem título e legendas infor- mativas. entre tantas outras. Além das informações contidas nas legendas. E você. “O Brasil é o país do carnaval”. Mostre-a para seus colegas e apresente os motivos da sua escolha. como: “O Brasil é o país do futebol”. Pessoas transitam em calçadão na área comercial do município de Ponta Grossa (PR). “O Brasil é o país do futuro”. 2009. Faça uma pesquisa e traga para a sala de aula uma imagem que você considere representativa do Brasil. 4. Há uma imagem mais próxima à sua realidade? Justifique-se apontando as semelhanças e as dife- renças entre a sua realidade e as realidades retratadas. 2. revistas. Descreva cada uma das imagens. internet ou você mesmo pode ser o autor da fotografia. A pesquisa pode ser feita em jornais. observe as cenas representadas e relate como são os locais e as personagens fotografadas. 2012. o que diria sobre o Brasil? Que brasileiro é você? Aquele que joga fu- tebol e come macarronada? Que gosta de dormir em rede e ouvir axé? Ou aquele que tem samba no pé? Ou dança rock e come mocotó? 178 História . O que essas cenas sugerem sobre o nosso país? Converse com seus colegas e registrem as ideias principais debatidas no grupo.

isto é.. A seguir. Na lei da embolada. ritmo animado. que. um ribeirinho da Amazônia e para um grande agricultor do Centro-Oeste. leia um trecho da composição que brinca com o nome de Jackson do Pandeiro e responda às questões. do picadeiro e do pandeiro E do repique. sambas e marchinhas de Carnaval. Suingue: maneira de executar uma [. A dança muganga. LER LETRA DE CANÇÃO I O cantor e compositor pernambucano Lenine escreveu a letra desta canção. o dengo Muganga: trejeitos. 1.. do pique do funk-rock Do toque da platinela Do samba na passarela Dessa alma brasileira Despencando na ladeira Na zoeira da banguela [. com seu suingue. deu alma (em inglês. Sony/BMG. de acordo com a visão do compositor. soul) a baiões. caretas. Ou que um brasileiro que mora em uma favela pensa seu país da mesma maneira que 6º ano 179 . cocos. 2.] música. UM PAÍS DE CONTRASTES Difícil encontrar uma frase que sintetize o que é o nosso país e a nossa iden.. A ginga do mamulengo Platinela: tipo de pastilhas que fazem É o charme dessa nação parte do pandeiro.] Lenine.. não? As muitas realidades existentes no território brasileiro nos impedem Ribeirinho: população que de pensar o Brasil como algo único. Teatro popular de bonecos. Jack soul brasileiro do tempero Do batuque. O título é uma homenagem bem-humorada ao ritmista e músico Jackson do Pandeiro (1919-1982). Destaque o verso que define o Brasil. “Jack soul brasileiro”. E o país do suingue Embolada: forma poético-musical com É o país da contradição texto declamado numa base musical de notas repetidas. Jack soul brasileiro Jack soul brasileiro GLOSSÁRIO E que o som do pandeiro É certeiro e tem direção Banguela: ato de dirigir um carro por uma descida sem a marcha engatada. que ocorre em danças Eu canto pro rei da levada (como no coco) e diálogos cantados (como no desafio). Você concorda com a definição feita do Brasil? Justifique sua opinião. a nossa identidade. do truque. Na pressão. 2000. Circule algumas palavras usadas por Lenine para caracterizar o que ele chama de “a alma brasi- leira”. Não podemos afirmar que ele é o mesmo para vive junto a ribeiras e rios. 3. Mamulengo: fantoche típico do Nordes. na língua da percussão te brasileiro. Já que subi nesse ringue em ponto morto. GLOSSÁRIO tidade. desenfreado.

o país em que vivemos. que tem por base um certo território. distingo imediatamente um frevo de um samba. o lazer. Ela depende da nossa história de vida e da história do nosso país. Ó pátria amada.). empresa. região e. a produção artística) muito maior do que o brasileiro pobre e analfabeto. em que se identificam com esse sentimento de pertencer a uma mesma cultura vai além.: mente pobre. idolatrada! In: KUPSTAS. porque sou leal a meus amigos e nada posso negar a minha família. porque para mim futebol é praticado com os pés e não com as mãos. porque acredito em santos católicos e também nos orixás africanos e não tenho uma posição religiosa exclusiva e rígida. O que nos identifica como brasileiros? A identidade é algo que todos nós temos e ela é construída ao longo de nossas vidas. abrangente.. data e local de nascimento e um número de RG. finalmente. na instrução e no futuro do Brasil. Apesar dessas diferenças. 9-10. além dos dados que constam na nossa carteira de identidade. O que é o Brasil? Rio de Janeiro: Rocco. porque. Mas são de pátrias diferentes. na medida Transcende: ultrapassa. Leia-o e discuta com seus colegas de sala as questões propostas em seguida. se levarmos em conta a relação de cada um com esse mesmo fenômeno cultural. p. a cultura. sei que tenho relações pessoais que não me deixam caminhar sozinho neste mundo. porque falo português e não inglês. como acontece com os meus amigos americanos. Identidade nacional em debate. que sempre se veem como indivíduos! DAMATTA. Como vivemos em sociedade. igreja. São Paulo: Moderna. porque entendo que ficar malandramente “em cima do muro” é algo necessário e prático no caso do meu sistema. ver as mulheres e tomar sol. também te- mos uma identidade social. um executivo de uma multinacional de um centro urbano. tenho fé no estudo. Ela depende das relações que estabelecemos com diferentes grupos sociais – como fa- mília. até mesmo. Mais claramente: o brasileiro rico tem acesso a um universo cultural de sua pátria (a escrita. Nesse sentido. Sei. que está na condição de quase estrangeiro em seu próprio país. ARBEX JR. por meio das nossas experiências. porque vivo no Rio de Janeiro e não em Nova York. p. O brasileiro milionário e o paupérrimo são da mesma pátria. porque gosto de comer feijoada e não hambúrguer. escola. Sendo assim. filiação. José. 2004. jamais para praticar um esporte. porque diante de um pesado poder burocrático. a pátria brasileira pertence muito mais ao rico do que ao pobre. porque sei que existe destino e. posso dar um “jeitinho”. 180 História . Roberto. 39. 1997. extrema- Como escreveu o jornalista e escritor José Arbex Jr. cidade. no entanto. GLOSSÁRIO Paupérrimo: o sentimento de pertencer a uma nação transcende as separações sociais. porque sou muito desconfiado de tudo o que vem do governo. clube – e dos lugares que frequentamos – como bair- ro. porque vou à praia para conversar com os amigos. Márcia (Org. ouvindo música popular. Vamos ver se estamos nos entendendo? LER TEXTO CIENTÍFICO Este texto foi escrito por Roberto DaMatta. é preciso sempre considerar a história coletiva para entender nossa história pessoal. então. como nome. porque no Carnaval trago à tona minhas fantasias. que sou brasileiro e não americano.

. Vale a pena anotar as definições. Ainda segundo Freyre. jogo. Além da diversidade cultural. especificamente das culturas indígena. tecno. como origem. múltiplas. que fazem do brasileiro um povo bastante diverso. Em 1933. clássico e outros mais. como.. Por exemplo. Essa diversidade pode variar de país para país. Não é apenas na alimentação que isso acontece. ou buchada de bode.1. como você descreveria um brasileiro típico? Isso é possível cesso ou resultado de misturar raças. ritmo e melodia. Isso é o que chamamos de diversidade cultural. Pen. É a diversidade que garante a riqueza cultural de um povo.. enquanto uns gostam de feijoada. indígenas. mas todos são músicas. Esses gostos estão relacionados à cultura da qual fazemos parte. produza uma lista que identifique seu jeito de ser brasileiro.. 2. Essa seria a origem do “caldeirão cultural” que se articulou ao longo dos séculos no nosso território.. Você sabe por que há tanta diversidade no Brasil? A origem dessa multiplicidade de manifestações culturais está na história do nosso país.. descendentes de africanos. O BRASIL DA DIVERSIDADE Você e seus colegas certamente possuem gostos e preferências em comum. Mesmo sendo todos brasileiros. europeia e africana. Mas também há as preferências individuais. o sociólogo Gilberto Freyre publicou sua clássica obra Casa-grande & senzala. que não precisam ser (e não são) todas iguais. por exemplo. de região para região.. samba. Discutam em pequenos grupos e procurem uma definição de o que é ser brasileiro. Ao final da atividade. axé. Leia sua lista para os colegas e ouça a leitura da lista deles. “todo brasileiro traz na alma ou no corpo a sombra do indígena ou do negro”. pois têm características próprias. Em todos os aspectos da nossa vida. funk. Há semelhanças entre elas? Quais? 3. mestiçagem. tan- go. ou entre pessoas de classes sociais e idades diferentes. Esses gêneros são diferen- tes. pro- sando nisso. na qual descreveu a forma- ção do Brasil como fruto da miscigenação entre culturas distintas. Você pode começar com: “Sou brasileiro porque (gosto de. outros preferem churrasco. Siga o exemplo do texto. tentem chegar a uma frase que sintetize a identidade brasileira. europeus e asiáticos. temos preferências distintas.)”.. Por exemplo.. danço. Assim como fez o autor. Mas o que é diversidade? Ela indica que as coisas podem ser diferentes.. podemos perceber características culturais variáveis em diferentes grupos sociais.. No nosso país há. Comparti- lhem suas ideias com os outros colegas. valsa. O que a frase “Sei que tenho relações pessoais que não me deixam caminhar sozinho neste mundo” sugere sobre a nossa história pessoal? 4. rock. na música temos vários gêneros: frevo. há também no Brasil uma pluralidade GLOSSÁRIO Miscigenação: de tipos físicos. Você sabe quais são suas origens culturais? 6º ano 181 . que estão intimamente ligadas às raí- zes de cada um. em uma população tão mestiça como a nossa? Provavelmente. de época para época. E assim acontece em muitos aspectos da nossa vida. você conhece brasileiros de diferentes origens.

De acordo com seus critérios internos. base em uma identidade cultural (história.003% TOTAL – 190 755 799 – 100% *Fonte: IBGE. CONHECER MAIS Raça e etnia O conceito de raça – divisão dos grupos humanos seriam os agrupamentos humanos estabelecidos com estabelecida pelo conjunto de caracteres físicos here. preta.22% Parda – 65 318 092 – 38.71% 6 608 0.430% Ignorada – 6 608 – 0.45% Indígena – 734 127 – 0. formato da cabeça.22% 14 517 961 7.43% Ignorada – 1 206 675 – 0.732% Preta – 14 517 961 – 7. ditários (cor de pele.71% TOTAL – 169 872 856 – 100% COR/RAÇA 2010 Branca – 91 051 646 – 47.732% Preta 10 554 336 6.45% 82 277 333 43. 182 História .092% Indígena 734 127 0. parda. LER TABELA E GRÁFICO O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é o órgão oficial responsável pelos censos demográficos nacionais. Composição da população por critério étnico-racial/cor* Cor/raça 2000 2010 Branca 91 298 042 53. Todos nós pertencemos à raça lo etc. tipo de cabe. idioma etc. Censos 2000 e 2010.003% TOTAL 169 872 856 100% 190 755 799 100% COR/RAÇA 2000 Ilustração digital: Luis Moura Branca – 91 298 042 – 53. Grupos étnicos mos parte.45% Amarela – 761 583 – 0. tradições.611% Parda – 82 277 333 – 43. amarela (orientais) e indígena. religião.45% 2 084 288 1.74% Preta – 10 554 336 – 6. a população é classificada em cinco cores ou raças: branca.43% 817 963 0.092% Indígena – 817 963 – 0.132% Amarela 761 583 0.).) – vem sendo rejeitado por alguns cientistas e humana e o que nos distingue é a etnia da qual faze- substituído pelo conceito de etnia.430% Ignorada 1 206 675 0.74% 91 051 646 47.132% Amarela – 2 084 288 – 1.611% Parda 65 318 092 38.

em levantamento feito no Censo de 1980. 6º ano 183 . Com base na tabela. houve um crescimento da popula- ção que se identificou como preta ou parda. Para o IBGE. a população curiosamente utilizou 136 ter- minologias para se autoclassificar. Esse percentual correspondia a quantos brasileiros em 2010? 4. Segundo o IBGE. a população negra compreende as categorias indicadas como preta e parda. que representa a origem étnica. como você classifica a maioria dos brasileiros? 6. sarará. ruça. A porcentagem de pretos na composição da população brasileira diminuiu ou aumentou no pe- ríodo indicado? 5. amarelo-queimada. pardo-clara. Soma- das. que tem raça ignorada? Que hipóteses podem ser levantadas para explicar essa alteração? 7. mulata.1. Você se classificaria em qual categoria? DIVERSIDADE ÉTNICA Sobre a autoimagem do brasileiro. entre outras. podemos destacar também a diversidade na definição da própria cor. Segundo a classificação do IBGE. a quais categorias a maioria da população brasileira pertence? 2. quase-negra. chocolate. Em entrevistas realizadas no ano de 2008.611% do total de habitantes. quais grupos da população diminuíram entre os anos 2000 e 2010? 3. isto é. Em 2010. como alvo-rosada. a população classificada como preta correspondia a 7. polaca. O que aconteceu com o número de pessoas que não se declararam. quanto elas representam da população brasileira? Com base nesse dado. ruiva.

IDENTIDADE. Minas Gerais e São Paulo. 2012. quando o Datafolha fez a sua primeira grande pesquisa sobre o tema. País se vê menos branco e mais pardo.9 milhões de indivíduos. Houve um aumento da população que se autodefiniu como negra (termo usado para a população parda e preta). que vivem em áreas reduzidas dos estados de Mato Grosso. você precisa saber que no nosso país há mais de 180 línguas faladas por diferentes grupos sociais. Folha de S. no lugar de pardos. que pertence ao grupo linguístico macro-jê. enquanto os homens. Em 2005.htm>. do IBGE. Cientistas sociais avaliam esse crescimento como fruto da “desejabilidade social”. segundo a Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Há 13 anos [1995]. É o caso dos 350 Krenak. De acordo com o próprio IBGE. Segundo dados do Censo 2010. 33% se autodeclararam como morenos. Outras línguas indígenas estão ameaçadas de extinção. houve uma confusão. jovens e crianças de ambos os sexos são falantes do português. empregar. Nos últimos anos vêm GLOSSÁRIO envidando esforços para que as crianças voltem a falar o borun”. definir o brasileiro pela sua aparência não é nada fácil! Ou melhor. e a população autodeclarada como parda. as categorias adotadas não dão conta da diversidade dos brasileiros.com. de acordo com o levantamento.folha. muitos povos indígenas falam a língua materna da sua etnia. havia em 2009 mais de 30 mil Ticuna que falam sua própria língua (ticuna). apenas 23% concordaram com o atleta e classificaram-no como branco. quando os entrevistados foram solicitados a responder de forma es- pontânea sobre a sua identidade. Ele não convenceu a maioria dos entrevistados pelo Da- tafolha: para 64% deles. na região do Alto Solimões (AM). Assim. Por exemplo. portanto tais critérios podem ser revistos. percentual próximo ao dos autodeclarados pardos (36%). que também falam português? 184 História . moreno- -claros e moreno-escuros. o jogador de futebol Ronaldo Fenômeno afirmou ser bran- co. pois são poucos os indígenas que as adotam. Eles falam uma língua denominada borun. Apesar de o português ser o idioma da maioria dos brasileiros. Por que o português se tornou a língua oficial do Brasil? Há outros países aplicar. Os que se classificam como pretos representam 14% da população com 16 anos ou mais. 23 nov. Envidar: imprimir. ele é preto ou pardo.Paulo. isto é. não é o critério adequado para entendermos quem somos. em 16. um desejo de identidade que cresce com as políticas de valorização étnica.br/fsp/especial/fj2311200802. Quando. em 2005.uol. A imagem do Brasil como um país de maioria branca não se sustenta mais nas estatísticas. Disponível em:<www1. NOSSA LÍNGUA PORTUGUESA Você sabe quantas línguas são faladas no Brasil? E qual é a língua oficial? Se respondeu “português” para as duas perguntas. “apenas as mulheres com mais de 40 anos são bilíngues. 2008. são 37%. Hoje. Acesso em: 25 jun. Segundo o Instituto Socioambiental (ISA). metade dos entrevistados se definiram como brancos. a população negra aumentou em cerca de 4 milhões de pessoas.

ao fazer isso.com. CONHECER MAIS Acordo ortográfico Desde 1990.br/linguasagem/especial_ao/04_faraco. não subscrevo. Acesso em: 4 nov. a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) propõe aos seus países membros a adoção de uma língua portuguesa escrita unificada. para circular em todos os territórios da lusofonia. A partir do século XVI. Acho que a reforma não faz sentido. No entanto – e este é um ponto que raramente aparece nos debates –. seja na promoção internacional da língua. O português é a língua oficial de oito países e tem duas ortografias consideradas corretas. 26 set. sob o pretexto da diferença ortográfica.ufscar. 2012. Para o escritor moçambicano Mia Couto. São Tomé e Príncipe. Acesso em: 4 ago. 2012. Acesso em: 4 ago. Moçambique. a língua portuguesa foi se impondo como língua oficial. Carlos Alberto. No fundo. com o domínio e a colonização do território brasileiro por Portugal. 85% dos falantes estão aqui) e tenta nos neutralizar. Faraco. Carlos Alberto. 2007. e Timor Leste. isto é.letras. 2 out.letras. “Uma mudança necessária”. Disponível em: <www. IstoÉ. “Uma mudança necessária”.istoe. A adoção das novas regras ortográficas. estimava- -se que mais de 250 milhões de pessoas falavam português no mundo.ufscar. na Ásia.php>.cplp. previstas no Acordo. Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Disponível em: <www.br/linguasagem/especial_ao/04_faraco. Isso aumenta os custos editoriais: o mesmo livro. muito pelo contrário. por exemplo. a de Portugal e a do Brasil. precisa ter duas impressões diferentes. Disponível em: <www. Gazeta do Povo. sendo defendida por alguns e criticada por outros. Disponível em: <www. praticando uma política da língua que busca sempre nos deixar em plano secundário. Portugal teme a “brasilianização” da língua (afinal. 2 out. impedimentos à livre circulação de livros com a ortografia brasileira nos demais países lusófonos. Há. Curitiba. FARACO.br/assuntos/entrevista/detalhe/3254_NAO+A+REFORMA+ORTOGRAFICA>. ed. Guiné-Bissau e Cabo Verde. Curitiba. Não à reforma ortográfica. FARACO. Há outros seis países que também foram colonizados por Portugal e têm o português como língua oficial: Angola. há uma familiaridade e uma estranheza que são importantes de estar registradas. 2007. todos esses na África. gerou polêmicas. Acesso em: 6 ago. vamos alcançar aquele que é o objetivo maior da reforma – resolver de vez a esdrúxula situação de uma língua com duas ortografias concorrentes: a lusitana e a brasileira. Segundo o prof. O linguista e professor Carlos Alberto Faraco (UFPR) vê como positivos os ajustes na ortografia portuguesa: Há duas boas e fortes razões: vamos eliminar excessos e incongruências que ainda persistem na nossa ortografia e. A proposta do Acordo Ortográfico já está em vigor em alguns países. o Acordo é desnecessário e a existência das duas grafias não é um impedimento à circulação de textos em português. que todos escrevam com as mesmas regras e grafia.org>. 6º ano 185 . 1978. Portugal transformou a duplicidade de ortografias em um instrumento político para embaraçar a presença brasileira seja nas relações com os demais países lusófonos.php>. Em 2010. Entrevista com Mia Couto. Esse pro- cesso foi lento e acabou por gerar variações linguísticas. como o Brasil. 2012. 2008. Gazeta do Povo. me satisfaz muito haver essa diferença. No fundo (embora isso nunca seja claramente dito). 2007. Ele afirma: Nunca tive dificuldade em ler livros escritos na grafia brasileira. o que tornou o português falado no Brasil um pouco diferente do falado em Portugal.

O português falado no Brasil acabou incorporando palavras de origem in- dígena e africana. caatin- ga. mandioca. cipó. Guanabara. maracujá. guaraná. capim. ipê. Mas não é só na língua que recebemos influências de outras culturas. banana. berimbau. caju. piranha. capivara. jacaran- dá. Grupo de capoeira se apresenta em Salvador (BA). árabe (almofa- da). Moema. batuque. Cara- guatatuba. ginga. além das influências estrangeiras. quitanda. maracutaia. moleque. orixá. A Tarde/AE Pessoa descansa em rede pendurada em caminhão na cidade de Serrita (PE). japonês (caratê). entre outras. Ipiranga. Também há muitos lugares que têm seu nome originário de palavras indígenas. na música. cafuné. como: axé. italiano (pizza). que usavam redes para se praticada pelos escravos africanos como forma de defesa. Nossa diversidade também está presente na alimentação. francês (abajur). inhame. A capoeira era 2010. Guaporé. Esse costume foi herdado dos indígenas. Itanhaém. resistência e proteger dos animais. angu. quitute. De herança indígena temos. 186 História . mandacaru. babá. sucuri e tatu. jabuticaba. como Aracaju. Jundiaí. luta. Por meio da influência dos diferentes grupos étnicos escravizados entre os séculos XVI e XIX. como Bantos e Iorubás. por exemplo. nas crenças religiosas e nos costumes das diferentes regiões do Brasil. mandinga. do frio e da umidade do solo. marimbondo. acarajé. catinga. macaco. incorporamos uma série de pala- vras. quiabo. cupim. João Prudente/Pulsar Imagens Margarida Neide/AG. as palavras: abacaxi. vatapá e tanga. buriti. como as vindas do inglês (hambúrguer). Jabaquara. nas tradições. carimbo. sen- zala. samba. 2008. cachaça. nas festas. carnaúba. cachimbo. careca. bunda. Parati e Tijuca.

PATRIMÔNIO CULTURAL Você sabe o que há em comum entre o acarajé. IV. A arte kusiwa foi considerada patrimônio imaterial. objetos. nos quais se incluem: I. 6º ano 187 .br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao. paleontológico. III. à ação. ecológico e científico. Disponível em: <www.as formas de expressão. 2012. Essa produção pode ser material – como mo- numentos.gov. portadores de referência à identidade.as criações científicas. agir e viver de uma sociedade. arqueológico. artístico. à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira. o queijo de minas. Cultura é o modo de pensar. expressas nos hábitos de se vestir.planalto. edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais. a cidade de Ouro Preto e o maracatu? A resposta é que todos são considerados patrimônios culturais brasileiros. o patrimônio cultural constitui os bens de natureza material e imaterial. os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico. de morar. documentos. paisagístico. pois revelam aspectos fundamentais da nossa cultura. de trabalhar. desenhos e objetos – ou imaterial (o que não pode ser tocado) – como mitos e len- das. cidades. de se alimentar. o frevo.htm>. o centro histórico de Salvador. V. do Amapá (RR). Cultura é a maneira como nos relacionamos com o mundo. E o que é um patrimônio cultural? Segundo a Constituição Federal (art. Trata-se de uma técnica de pintura corporal e grafismos. tomados individualmente ou em conjunto. Toda produção Wajãpi/NHII – USP cultural significativa para uma sociedade pode ser considerada seu patrimônio. Acesso em: 3 set. as obras. 216). Foi a maneira construída pelo ser humano para se comunicar empregando diversas linguagens. fazer e viver.os modos de criar. práticas sociais ou conhecimentos e técnicas tradicionais transmitidos de gera- ção em geração. artísticas e tecnológicas. a capoeira. II. própria da população indígena Wajãpi.

as festas religiosas ou as comidas típicas dos nossos antepassados. que reúne muitas famílias. Muitas festas tradicionais brasileiras são consideradas patrimônio cultural. Tradição é uma palavra que significa memória e se relaciona à transmissão de co- nhecimentos. Pode-se afirmar que a tradição é tudo aqui- lo que permanece ao longo do tempo. É fácil encontrarmos nessas festas influências cristãs trazidas pelos portugueses – como na cavalhada – ou ainda referências à escravidão africana – como na congada. valores e costumes. A tradição é a permanência de algo do passado no presente. é uma tradição da festa junina a formação de grupos festeiros que dançam e cantam pelas ruas das cidades. é tradicional para os católicos comer apenas peixe durante a semana santa. podemos citar o tradicional almoço do domingo. além das quadrilhas. em São Luís (MA). Portanto. Já no Sudeste. ideias. as tradições fazem a conexão entre o passado e o presente. Catherine Krulik/Olhar Imagem Festa do bumba meu boi. No Nordeste. Essa prática social existe há séculos e é transmitida para os mais jovens pelas pessoas mais velhas. de acordo com sua cultura. pois ao longo do tempo tornaram-se significativas para a identidade do grupo social que as pratica. que colaboram para a diversidade da cultura brasileira. Por exemplo. a tradição são as quermesses. em cada região do país temos tradições culturais distintas. Assim. 188 História . LER IMAGENS As imagens a seguir representam festas populares tradicionais que fazem parte do patrimônio cultural do Brasil. Muitas delas acon- tecem desde o tempo em que nosso território era colônia de Portugal (1500-1822). que possuem seu modo de vida particular. Como exemplo. Já algumas tradições estão relacionadas às famílias. 2005.

Procure conhecer a origem de cada uma dessas festas. 2003. 1. 2001. indígena e africana. Andréa D'amato/Samba Photo Grupo Congada de sainha. é simbolicamente realizada a coroação do rei do Congo. As pernambucano. Catherine Krulik/Olhar Imagens Delfim Martins/Pulsar Imagens Apresentação de grupo de maracatu durante o carnaval Desfile do Reisado de Zabelê no Festival da cidade de Olímpia (SP). 2. Onde você mora há festas tradicionais? Quais são elas? Você participa delas? 6º ano 189 . Uberlândia (MG). Compartilhe com seus colegas as informações que você descobriu. 2006. 3. Identifique em cada uma das imagens elementos que evidenciam as heranças culturais europeia. Durante a celebração. seus significados e regiões onde são prati- cadas. comemorações acontecem entre o Natal e o Dia de Reis (6 de janeiro). Recife(PE).

horas. não buscamos apenas conhecer o nosso passado. décadas. diferentes modos de viver convivem em uma mesma época. das comunidades que frequentamos. Assim. Esses acontecimentos rompem com o passado e apontam para novidades no futuro. E sabemos que depois desses dois acontecimentos veio a aula de hoje. pensar e viver. meses. Dessa maneira. possibilitando à sociedade rever seus valores e suas prá- ticas. elas podem ocorrer de maneira lenta. Podem. em 2002. usando a cronologia. Porém. por que não. como se fossem um elo entre o passado e o presente de uma sociedade. No entanto. Por exemplo. Portanto. o tempo todo estamos gerando transforma- ções com ações cotidianas. TEMPO E HISTÓRIA Como você viu. seguindo uma ordem que vai do mais antigo para o mais recente. quase imperceptível para quem as vivencia. séculos. nem tampouco do mundo. anos. algumas práticas culturais permanecem ao longo do tempo. dias. Aprender com a história nos ajuda a criar um futuro mais afinado com nossas propostas e nossos desejos. Não há como falarmos de história sem falar de tempo. Somos o que somos porque temos um passado. do nosso país e do mundo. aconteceu antes da seleção brasileira de futebol conquistar o pentacampeonato mundial. que alteram não apenas a nossa vida mas a da família. em 1822. Quando estudamos História. milê- nios. entre outras. isto é. a linha do tempo desses acontecimentos é: 1822 2002 Independência do Brasil Pentacampeonato mundial Hoje da seleção brasileira de futebol 190 História . em alguns momentos da história. que produzem rupturas com os modelos do passado. da cidade onde moramos e. localizamos em uma “linha” os fatos selecionados. sabemos que a Independência do Brasil. A relação entre o ontem e o hoje é indissociável. As mudanças na história acontecem em diferentes ritmos. acontecer transformações radicais. Uma maneira de organizar os acontecimentos estudados é representá-los em uma linha do tempo. Usamos diversas medidas de tempo para indicar períodos. ou em um curto espaço de tempo. minutos. acontecem mudanças que transformam o modo de vida existente e propõem novas maneiras de se comportar. podendo variar entre segundos. Ele é uma importante referência. ainda. Procuramos principalmente entender o nosso presente. O amanhã depende de decisões e ações no presente. pois as mudanças não se consolidam igualmente em todos os setores de uma sociedade.

Rio de Janeiro: IBGE. p. Compare a sua linha do tempo com as construídas por seus colegas. 6º ano 191 . Depois. PARA CRIAR Vamos construir uma linha do tempo? 1. 2. 5. da mais antiga para a mais recente. Releia o capítulo e anote todas as datas citadas. com suas respectivas datas. Você pode ampliar essa atividade elaborando uma linha do tempo sobre a sua vida. comece listando os acontecimentos que você considera mais significativos. 3.fr/fr/sud-soudan-enjeux-p-troliers-et- frontaliers-2010>. 45. Atelier de Cartographie. Uma sugestão é começar com o seu nascimento. Disponível em: <http://cartographie. ed. Desenhe uma linha e comece a marcar cada uma das datas selecionadas. 4. 2009. isto é. você construi- rá uma breve cronologia da sua história pessoal! CONHECER MAIS O negro no Brasil: trajetórias e participações África – Político Ilustração digital: Mario Yoshida N 0 730 1 460 km O L S Fontes: Atlas geográfico escolar. indicando a que se referem (por exemplo: 1822 = Independência do Brasil).sciences-po. Para isso. Desenhe a linha do tempo e localize nela cada umas das datas selecionadas. 2012. Organize-as cronologicamente. Assim. organize-os em uma cronologia. Acesso em: 27 jun.

Costa do Marfim.. Mais adiante. para caracterizar o sorriso do negro. demográfica e cultural.. Bodas de Ouro. Atlas geográfico escolar.. que transportava pessoas principalmente de três regiões da África: África Ocidental: região onde hoje ficam Senegal. Parte dos negros brasileiros de hoje são descendentes de africanos trazidos pelo tráfico negreiro no período em que os portugueses colonizaram o Brasil. De acordo com o professor Kabengele Munanga. Do ponto de vista demográfico. “escravo” e “saudade”. é luto [. como “silêncio”. África Centro-Ocidental: onde hoje situam-se Gabão. 192 História . Sony/BMG. Neli A. os africanos colaboraram muito para a povoação do território brasileiro.. Cabo Verde. Níger. explique porque a letra da música destaca elementos posi- tivos.. leia um trecho da canção “Sorriso negro”. Rio de Janeiro: IBGE. Para o Brasil. a presença negra é grande no vocabulário. “solução”. estima-se que isso ocorreu com cerca de 40 a 100 milhões de pessoas. Guiné-Bissau. Dona Ivone Lara. MELLO. Com base nos seus conhecimentos. 2009. República do Congo. LER LETRA DE CANÇÃO II Após refletir sobre os temas tratados neste capítulo. São Paulo: Edusp. como vimos neste capítulo. na culinária..] Negro é uma cor de respeito Negro é inspiração Negro é silêncio. São Tomé e Príncipe. África do Sul e Namíbia. Guiné e Camarões. as contribuições dos africanos ao Brasil foram de três ordens: econômica. Togo. (um sorriso negro!) Autor desconhecido. Atlas geográfico escolar IBGE. Hervé. Apesar de não haver um número exato. a solução Negro que já foi escravo Negro é a voz da verdade Negro é destino é amor Negro também é saudade. África Austral: atuais Moçambique. nas artes. Mali. Gana.. já que arrancou homens e mulheres de suas culturas e de seus laços familiares na África para deportá-los à força para a Europa e a América. os negros escravizados contribuíram para a geração das riquezas que formaram a base econômica do país. nas religiões e no modo de vida em geral.. Benin. Nigéria. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do território. Sorriso negro [. Por meio do trabalho sem remuneração e submetidos a péssimas condições de vida. República Democrática do Congo (antigo Zaire) e República Centro-Africana. “verdade” e “amor” e elementos relacionados à dor. 1999. Angola. veremos com mais detalhes essa prática que é considerada uma das maiores tragédias da humanidade. PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS Livros Atlas do Brasil THÉRY.] negro é. “inspiração”. foram trazidos africanos por meio da rota transatlântica. como “respeito”. No plano da cultura. 2009. “luto”.

A representação da chegada dos portugueses na costa brasileira. Você concorda que a história do Brasil começa aí? 6º ano 193 .Capítulo 2 HISTÓRIA Brasil antes e depois de Cabral L amartine Babo. Para muitos. São Paulo. 1922. compôs uma marchinha de Carnaval intitulada “História do Brasil”. Oscar Pereira da Silva. Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro em 1500. Museu Paulista da Universidade de São Paulo. dois meses depois do Carnaval. 190 × 333 cm. em 1934. significou por muito tempo a representação do marco inicial de nossa história. Será que todos hoje em dia consideram que a nossa história começou há pou- co mais de 500 anos. No dia vinte e dois de abril. Foi seu Cabral. São Paulo. A marchinha diz: Quem foi que inventou o Brasil? Foi seu Cabral. quando os portugueses aportaram no litoral das terras que se tornariam o Brasil? Museu Paulista da Universidade de São Paulo. ela traduzia o que foi o início da história brasileira. em 1500. Óleo sobre tela.

teriam direito a ficar confinados em pequenas ilhas de terras.Homologado: aprovado. A demarcação iniciou-se em 1997. Os autores da ação argumentavam que os índios. Será mesmo? É importante nos questionarmos sobre esse tema. A disputa trouxe à tona todos os argumentos contrários ao reconhecimento dos direitos indígenas no País. conhecer um pouco dessa história. como por exemplo: há muita terra para pouco índio. O epicentro desse debate se deu no Supremo Tribunal Federal (STF). o processo de contestação da de- marcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Leia as justi. A destruição como desforra O Brasil inteiro acompanhou nos últimos tempos a saga do conflito envolvendo índios e arrozeiros que disputavam a posse da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Procurem apresentar as informa- ções conhecidas e os motivos de concordarem ou não com elas. dos arrozeiros e de políticos locais para que a demarcação daquela terra indígena fosse anulada. decisão.7 milhão de hectares destinada aos povos indígenas da região. o que existia por aqui? Você sabe quem eram os habitantes da terra e como eles viviam? O que mudou na vida dessa po- pulação após a chegada dos europeus? Vamos. nas páginas seguintes. terras indígenas em faixa de fronteira ameaçam a soberania nacional. quando muito. para que a maior parte da extensão da Terra Indígena Raposa Serra do Sol fosse liberada para a ocupação. quando começa a história do Brasil? Façam uma roda para conversar sobre o passado brasileiro. índios precisam ser integrados à sociedade nacional e suas terras utilizadas em prol do desenvolvimento econômico. em Roraima. O texto homologado em 2005 pelo Poder Executivo definiu uma reserva contínua GLOSSÁRIO de 1. em 22 de abril de 1500. ao longo do ano de 2008. usurpando direitos indígenas. o que será que eles pensam sobre o assunto? Para vocês. com estudos sobre a história da ocupação desse território por indígenas e não indígenas. que analisava pedido do governo de Roraima. Os Demarcação: determinação de fron- teiras ou limites de espaço por meio fazendeiros que se instalaram na área há mais de 30 anos contestaram a de marcos ou sinais naturais. reconheci- do oficialmente. 194 História . pois a história do nosso país é muito mais antiga do que alguns imaginam. foi o marco inicial da história do Brasil. em Roraima. que os obrigava a se retirar do território da reserva. OS EUROPEUS ENCONTRARAM NOVAS TERRAS Por muito tempo foi divulgada a ideia de que o “descobrimento” de nossas ter- ras por Portugal. legitimando-se assim a posse daqueles que haviam invadido o território. RODA DE CONVERSA Você já ouviu falar no “descobrimento do Brasil”? O que você sabe sobre esse episódio da nossa história? E seus colegas. LER TEXTO JORNALÍSTICO I Os jornais do país acompanharam. ficativas dos grupos envolvidos nessa polêmica. Antes da chegada dos portugueses.

As terras destinadas aos povos indígenas são demar. O Estatuto do Índio. Que grupo é contra a demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol? Que argumentos apresentam contra os direitos indígenas? 2. as imprescindíveis à preser. parque do artigo 231. celebrando pactos de paz com segmentos sociais que historicamente tiveram seus direitos negados. Em março deste ano. são consideradas terras indígenas as “ter. O relator do processo. embora os índios dete. Em que fundamentos se baseou a defesa da desocupação da reserva indígena? CONHECER MAIS Reserva indígena Segundo a Constituição Federal (conjunto de leis do rios e dos lagos” existentes em suas terras.] ARAÚJO. indígena. 2012. território federal indígena. ministro Carlos Ayres Britto. Disponível em: <www. ras tradicionalmente ocupadas pelos índios. podem ser definidas como: reserva indígena.br/quem/legislacao/estatuto_indio. 1.gov.funai. colônia agrícola indígena.. elas são um nosso país).socioambiental. costumes e tradições” (Parágrafo 1o (1973). “A destruição como desforra”: O Estado de S.html>. segurar a proteção dos limites. Para o ministro. As terras indígenas. Paulo. as por eles A demarcação das terras indígenas tem como objetivo habitadas em caráter permanente. Ana Valéria.. 2012. [. Disponível em: <www. Acesso em: 4 set. é a humildade que “refreia e dissipa de vez todo ímpeto discriminatório ou preconceituoso contra os indígenas. que beneficia todos. (Parágrafo 2o do artigo 231). Reserva indígena é uma área destinada a servir de cadas pelo Poder Executivo e.. segundo o Estatuto do Índio segundo seus usos. as utilizadas para as garantir o direito dos povos indígenas à terra. impedindo sua ocupação por estar e necessárias a sua reprodução física e cultural. Acesso em: 27 jun. precisa entender que seu convívio com os índios é uma estrada de mão dupla. de quem se exige solidariedade e humildade.. 6º ano 195 . com os meios suficientes à nham o “usufruto exclusivo das riquezas do solo. da Constituição Federal). reconhecendo que a demarcação de terras indígenas é um imperativo nacional decorrente da necessidade de o País preencher seus hiatos civilizatórios.org/inst/esp/raposa/?q=node/548>. A decisão pôs uma pá de cal sobre os argumentos contrários. afirmou em seu voto que a sociedade. dos sua subsistência (artigo 27 do Estatuto do Índio). A demarcação suas atividades produtivas. determinando prazo para a desocupação da área. 3 maio 2009.”. não índios. hábitat a grupos indígenas. o STF decidiu em favor dos índios. estabelece a extensão da área destinada aos índios e deve as- vação dos recursos ambientais necessários ao seu bem. patrimônio da União. como se eles não fossem os primeiros habitantes de uma Terra Brasilis cuja integridade física tão bem souberam defender no curso da nossa história de emancipação política.

As populações que plantavam tam- bém desenvolveram utensílios de cerâmica para poder armazenar seus alimentos. há documentos visuais (como pinturas. Seus instrumentos eram feitos de pedras e ossos. cará. mel. mandioca e amendoim. entre ou- tros alimentos típicos do continente americano. o termo usado é “pré-cabralinos”. ruínas e monumentos). Assim. Por meio de escavações. desenhos. o arqueólogo também se dedica ao estudo do modo de vida de diferentes povos. Usamos a expressão “povos pré-colombianos” para os povos que viviam aqui na América antes do “descobrimento” desse continente pelos europeus. ao continente americano. Suas sociedades transmitiam seus conhecimentos pela oralidade. os mais velhos contavam suas histórias e tradições para as gerações mais novas. Denominados pelos europeus genericamen- te de “índios”. Esses antigos povos viviam da caça.). Para os povos que viviam no território que depois seria o Brasil. em 1500. do- cumentos sonoros (como músicas e ritmos) e documentos da cultura material (como objetos. Já “pré-cabralino” refere-se às populações que habitavam especificamente nosso território antes da chegada de Pedro Álvares Cabral. “pré-colombiano” indica as populações que se desenvolveram antes da chegada de Cristóvão Colombo. Colombo e Cabral eram navegadores europeus e suas viagens marítimas marcaram uma época de conquistas de novas terras. vestígios de ocupações antigas que permitam a reconstrução da vida cotidiana desses povos. relatos. cartas etc. documentos da cultura material. ele busca encontrar ruínas de aldeias. depósitos de ossa- das e alimentos. 196 História . Os locais desse tipo de investigação são chamados sítios arqueológicos. milho. OS ANTEPASSADOS DOS POVOS INDÍGENAS ATUAIS A história das terras que se tornaram o Brasil é muito mais antiga e não come- çou apenas há cerca de 500 anos. Qual a origem dessas denominações? O prefixo “pré” indica algo que vem antes. os habitantes do continente americano ocupavam diferentes áreas e desenvolveram culturas bastante distintas. da pesca e da coleta de frutos. Como sabemos tanto sobre esses povos se eles não deixaram nada escrito? Além dos documentos escritos (como contratos.). usando. Por exemplo. testamentos. Essa diversidade de registros produzidos por diferentes grupos sociais em épocas distintas são as fontes históricas usadas pelos historiadores no seu trabalho de resgate da história. Muitos povos já viviam por aqui há milhares de anos. moluscos e raízes. Além do historiador. isto é. por exemplo. no final do século XV. com a chegada dos portugueses. Há mais de 10 mil anos. já havia ocupação humana no território hoje brasileiro. Esses povos pré-cabralinos não desenvolveram a escrita. em 1492. fotografias etc. existem outros tipos de documentos que fornecem informações sobre o modo de vida de antigas sociedades. Alguns deles desenvolve- ram a agricultura e plantavam feijão. documentos orais (como depoimentos).

usando carvão e pigmen- tos naturais. animais e cenas do cotidiano dessas populações. As pinturas representavam formas geométricas. No entanto. esses sítios são protegidos por lei. tendo suas conchas retiradas e moídas para servirem de argamassa na construção de casas. 2010. Hoje. Com essa prática. os sambaquis foram se formando a partir de conchas de moluscos consumidos por povos que se instala- vam temporariamente no litoral ou às margens de rios. Palê Zuppani/Pulsar Imagens Pintura rupestre no Parque Nacional da Serra da Capivara (PI). como sementes. 2011. O parque abriga centenas de sítios arqueológicos. 6º ano 197 . Outro tipo de documento produzido pelos primeiros povos do Brasil são as pinturas rupestres. plantas. Ao longo dos séculos. durante séculos eles foram depredados. Um sítio arqueológico bastante peculiar é o sambaqui (palavra de origem tupi que significa “monte de conchas”). Eduardo Marques/Tempo Editorial Conchas no sambaqui Garopaba Sul. Esses povos pintavam paredes inteiras. bem como imagens de animais. São desenhos e pinturas feitas nas paredes das cavernas e em outros espaços. Os registros nas rochas representam cenas do dia a dia dos grupos étnicos que habitavam essa região há milhares de anos. Os povos dos sambaquis desapareceram por volta de 2 mil anos atrás. terra e sangue. Os mais antigos sambaquis do Brasil têm cerca de 8 mil anos e alguns chegam a medir 30 metros de altura. em Jaguaruna (SC). pois são um patrimônio arqueológico do Brasil. muito se perdeu sobre a história pré-cabralina.

] A pesquisa revela uma Amazônia marcada pela ação humana..” ANDÉREZ. O que as pesquisas revelaram sobre a ocupação do território brasileiro? 3. por meio de estradas largas. Segundo os pesquisadores.. 2009).] Em um dos maiores sítios encontrados. Um modelo de ocupação sustentável da Amazônia Estudo descreve sociedade complexa pré-colombiana estabelecida na região É possível que populações com complexos padrões de desenvolvimento se estabeleçam na Amazônia sem devastar o meio ambiente. argumenta [o etnólogo] Carlos Fausto. “A ideia da floresta virgem não funciona muito bem”. antes da chegada dos europeus ao país. LER TEXTO JORNALÍSTICO II O texto a seguir revela os resultados de uma pesquisa realizada há alguns anos na região amazônica. 19 set.. os pesquisadores apresentaram hipóteses sobre os povos que habitavam nosso território antes da chegada dos portugueses. pois precisamos gerações seguintes. de alternativas para a sustentabilidade e desenvolvimento da Amazônia... 2003 (atualizado em 2 out. [. se interligavam em estrutura de rede. Relatos indígenas e vestígios arqueológicos mostram como esse povo se organizava e apontam um modelo de ocupação sustentável da Amazônia praticado há mais de cinco séculos.com. 1. Isso é o que revelam legados deixados por uma civilização pré-colombiana que chegou à região por volta do século IX. Disponível em: <http://cienciahoje. [.] Os povoamentos pré-colombianos revelaram uma organização surpreendente: as aldeias eram densamente povoadas. a floresta sofreu a ação de uma ocupação humana diferente da nossa.. Fábia. [. no Mato Grosso. Com base em vestígios de antigas ocupações encontrados nos sítios arqueológicos. Com base nos vestígios encontrados nos sítios arqueológicos. a praça central era circundada por duas valetas de proteção e uma estrada com cerca de 5 km de extensão ligava duas aldeias. Leia o texto e responda às questões. localizada no Parque Nacional do Xingu. Acesso em: 25 abr.br/noticias/arqueologia-e-paleontologia/ um-modelo-de-ocupacao-sustentavel-da-amazonia/?searchterm=pr%C3%A9-colombianos>. A estrutura dessa civilização amazônica foi descrita por um grupo interdisciplinar de pesquisadores brasileiros e americanos. Havia ali GLOSSÁRIO sociedades politicamente complexas e detentoras de um Legado: qualquer coisa. 2012. longas e retas. o que podemos aprender com essas descobertas? 198 História . Instituto Ciência Hoje Online. que se mostrou muito mais sábia na relação com o ambiente. conhecimento ou bem material ou cultural transmitido às conhecimento que devemos partilhar. como os pesquisadores descreve- ram a vida desses povos? 2.uol. “Nas áreas estudadas. que contou com a participação de dois índios da tribo dos kuikuro.

Aos homens cabem a caça. alimentação. Quando os portugueses aportaram nas terras que hoje formam o Brasil. fazer artesanato e tomar decisões de interesse coletivo. No entanto. mas também política e culturalmente. esse território era conhe- cido como Pindorama.DIVERSIDADE CULTURAL INDÍGENA Estima-se que todo o território hoje pertencente ao Brasil já estava povoado por diversos grupos étnicos há 5 mil anos. Ásia 6º ano 199 . Apesar de a resistência indígena não ter impedido que muitos povos fossem aniquilados ou aculturados. As sociedades baseiam-se no princípio da igualdade social. precisamos entender o contexto histórico da- quele período. são tra- dicionalmente constituídas de três espaços: uma grande casa coletiva. As aldeias dos Parakanã. A terra é propriedade coletiva. o que indica tal diversidade. Além disso. no Brasil atualmente são faladas quase 180 línguas indígenas. Por exemplo. o mundo restringia-se a Europa. o trabalho é dividido entre os membros das comuni- dades. a descoberta de um novo mundo. crenças. os europeus desconheciam essas terras. as roças e a habitação para as reuniões masculinas. Vimos que há milhares de anos diversos povos viviam na América. por exemplo. danças. Já as aldeias dos Kuikuro são circulares. ao centro. o que estava acontecendo na Europa no final do século XV que proporcionou. os indígenas pareciam todos iguais. uma casa onde os homens se reú- nem para contar histórias. a organização das aldeias segue diferentes mode- los. isto é. com mais de vinte casas ao redor e. lendas. pertencentes a mais de mil etnias. Os indígenas trabalham o necessário para a sobrevivência da tribo. Para os portugueses. ela garantiu que muitos aspectos dessas diferentes culturas sobrevivessem até os dias de hoje. aproveitando os recursos naturais. Para eles. en- contraram uma população indígena de aproximadamente 3 milhões de habitan- tes. organização social e política. A diversidade cultural dos povos indígenas foi ameaçada durante séculos pela colonização portuguesa e pelo desejo de conquistar territórios não apenas fisica- mente. Cada povo desenvolveu um modo de vida específico. As mulheres são responsáveis por filhos. músicas. sem o objetivo de acu- mular riquezas. a guerra e a produção de armas e ferramentas. seus rituais e idiomas. assim como os instrumentos de trabalho. Sua economia é de subsistência. mas a diversidade cultural indígena pode ser percebida ainda hoje. produção de cerâmica e atividades agrícolas. Por isso. na visão do europeu. a produção é repartida entre todos. técnicas. Para os povos indígenas. ENCONTROS E DESENCONTROS Como será que aconteceu o primeiro encontro entre indígenas e portugueses? Os portugueses “descobriram” o Brasil ou vieram até aqui já sabendo da existên- cia dessas terras? Qual era o projeto de Portugal para suas posses na América? Para responder a essas questões. com suas tradições. que significa “terra das palmeiras”. Na língua tupi.

os reis de Portugal e da Espanha financiaram navegadores que tinham a missão de descobrir novas rotas marítimas para locais de interesse comercial que ficavam no Oriente. isto peus. Para alcançarem esse objetivo. percorrerendo longas distâncias. Colombo. como a Índia e a China. e parte da África. 200 História . Viajar. o rei dos Estados europeus. As especiarias eram temperos usados para Mercantilismo atenuar o sabor podre das carnes consumidas. A viagem de Cabral não terminou por aqui. As colônias deveriam fornecer e produzir produtos que gerassem ao continente americano. O suposto “descobrimento” do Brasil na verdade foi o início de uma ocupação planejada. caros que os nacionais. eram muito raras e caras na junto de práticas comerciais. Esse conjunto de práticas português já sabia da existência de um território e ideias é chamado de mercantilismo. os reis europeus estabeleceram um con- queiro atualmente. representando o rei de riquezas (metais e pedras preciosas. proteger as suas atividades manufa- tureiras. No entanto. de uso corri. comercializavam-se riqueza era medida pela quantidade de o gengibre. Portugal. (venda para o exterior) maior que a im- Oito anos após a viagem de Colombo. O local de partida foi Lisboa. a rante longos períodos. na Europa. comércio visavam o enriquecimento mático. O mapa a seguir indica a rota percorrida pela esquadra de Pedro Álvares Ca- bral. por- tanto estimulavam uma exportação mado de América. vários reis europeus promoveram o enrique- não havia meios eficientes para conservá-las du. mas sabiam que elas ficavam do outro lado do oceano Atlântico. em 1500. e a noz-moscada. Naquela época não havia os meios de comunicação e transporte disponíveis como hoje. vender mais do que comprar. capital de Portugal. uma balança comercial favorável. cujo projeto de colonização incluía a dominação e a exploração das riquezas dessas terras. havia produtos muito desejados pelos europeus: CONHECER MAIS as especiarias. Por isso. a po- -se. pois Entre os séculos XV e XVIII. de maneira que favorecessem a entrada de Europa. é. como Portugal e Espanha. nessa primeira viagem ao Brasil. era difícil e perigoso. Assim. isto é. Nessas regiões. Os conquistadores não sabiam exatamente como eram as terras que descobririam. Para eles. a canela. por isso taxavam os produtos Nessa busca por novos caminhos marítimos estrangeiros para que ficassem mais para o Oriente. Em 1492. panhóis. eles precisavam europeus ficavam muito ricos. o Tratado de Tordesilhas. financiado pelo rei espanhol. além-mar. as sedas e as porcelanas chinesas e outros. os navegadores que conseguiam moedas de ouro e prata em seus mer- comprá-las no Oriente e vendê-las nos mercados cados. cimento de seus Estados. chegou Os governantes tinham que garantir a um lugar desconhecido até então para os euro. o navegador genovês Cristóvão pulação comprava a própria produção e não dependia de outros produtores. durante o século XV. isto é. tos agrícolas) para as suas metrópo- les. em 1494. Sua missão era tomar posse oficialmente bem como matérias-primas e produ- de parte do continente recém-encontrado pelos es. Essas especiarias. Esse novo mundo foi posteriormente cha. o cravo. o nave. a pimenta-do-reino metais preciosos acumulados em seu território. o mundo dos europeus ampliou. local de comércio das especiarias. Todas essas decisões relacionadas ao entre Portugal e Espanha por um acordo diplo. A América havia sido dividida. o destino final foi a região das chamadas Índias. Portanto. Assim. para seus conquistadores. portação (compra de produtos estran- gador português Pedro Álvares Cabral dirigiu-se geiros). Por exemplo.

6º ano 201 . Em 22 de abril de 1500. A primeira missa no Brasil. Rio de Janeiro Victor Meirelles. 268 × 356 cm. O caminho da esquadra de Cabral em 1500 Ilustração digital: Mario Yoshida N 0 1 110 2 220 km O L S Fonte: Veja na História. 1860. os portugueses chegaram ao atual litoral sul da Bahia. Museu Nacional de Belas Artes. os Tupiniquim. Permaneceram nessa região por apenas dez dias e estabeleceram os primeiros contatos com um povo indígena. 2012. Segundo os registros de Pero Vaz de Caminha. Naqueles dias. a primeira missa foi rezada em 26 de abril de 1500.abril. Acesso em: 7 dez. Disponível em: <veja. Óleo sobre tela. Rio de Janeiro.com. A religião católica foi trazida pelos portugueses e tornou-se um dos pilares da dominação cultural.br/historia/descobrimento/pedro-alvares-cabral. que simbolizava a conquista portuguesa daquelas terras. Museu Nacional de Belas Artes. no domingo de Páscoa. realizaram a pri- meira missa católica do Brasil e ergueram uma cruz.shtml>. Esta tela representa uma das primeiras ações portuguesas no território recém-descoberto do Brasil.

[. 3. Como os europeus caracterizaram os indígenas que conheceram nesse primeiro contato na terra conquistada? 2. mui bem atadas e por tal maneira que andam fortes. Ambos traziam o beiço de baixo furado e metido nele um osso verdadeiro.. de bons rostos e bons narizes. como ouro e prata. não foram encontrados nas terras que hoje formam o Brasil sinais de metais preciosos. todos sem arcos. Manuel. metidas em um pau entre duas talas. sem arcos e sem nada. Pero Vaz.. e para lavar roupa. EXPLORAÇÃO DAS RIQUEZAS DA TERRA Nesse primeiro contato. Manuel I. Um desses registros é a carta destinada ao rei de Portugal D.pdf>.] Terça-feira. que seriam bem duzentos. Carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal. porque eles não têm coisa que de ferro seja. LER DOCUMENTO A vinda dos portugueses ao Brasil e o primeiro contato com os indígenas foram registrados em documentos escritos por integrantes da tripulação das caravelas da expedição de Pedro Álva- res Cabral. Que diferenças existiam entre o modo de vida dos portugueses e do povo indígena da época? Transcreva trechos do documento que comprovem essas diferenças. e da grossura de um fuso de algodão. e tomavam com prazer.] Vergonhas: partes íntimas. depois de comer. quando chegamos. Era já a conversação GLOSSÁRIO deles conosco tanta que quase nos estorvavam no que havíamos de Batéis: pequenas embarcações. construíam dois carpinteiros uma grande cruz de um pau que se ontem para isso cortara. CAMINHA. Tanto que chegamos. sem se esquivarem. Acesso em: 27 jun. porque lhas viram lá... um tanto avermelhados. Esse encontro entre as duas culturas foi marcado por uma relação de estranhamento? Justifique.dominiopublico. D. Nem fazem mais caso de encobrir ou deixar de encobrir suas vergonhas do que de mostrar a cara. 1. escrivão da armada de Cabral. o que desestimulou uma ocupação imediata do território. sem cobertura alguma.] A feição deles é serem pardos. fomos em terra. A primeira atividade de exploração dos recursos naturais no Brasil iniciou-se em 1502. de comprimento de uma mão travessa. escrita por Pero Vaz de Caminha. E depois acudiram muitos. [.br/download/texto/bv000292. quando os lusitanos começaram a extrair o 202 História . Leia trechos selecionados desse documento e responda às questões a seguir. e cortam sua madeira e paus com pedras feitas como cunhas. uns sessenta ou setenta. informando sobre a nova terra. fazer lenha.. E lutavam com os nossos. E misturaram-se todos tanto conosco que uns nos ajudavam a acarretar lenha e metê-las nos batéis. E creio que o faziam mais para verem a ferramenta de ferro com que a faziam do que para verem a cruz. Manuel. Muitos deles vinham ali estar com os carpinteiros.Carta a El Rei D. [. Estavam na praia. Acerca disso são de grande inocência. E enquanto fazíamos a lenha. bem-feitos.. em 1° de maio de 1500. vieram logo para nós. agudo na ponta como um furador. fazer. 2012. Andam nus.gov. Disponível em: <www.

Com a madeira dessa árvore era pro- duzida uma tintura vermelha que dava uma coloração púrpura aos tecidos que era muito apreciada nas vestimentas europeias. 6º ano 203 . ção drástica da área de Mata Atlântica. o que acabou por desmatar quase toda a área litorânea Secular: relativo do nosso país. restando em 2012. Essa relação Manufaturado: de troca de mercadorias sem o uso de moedas é chamada de escambo e foi a produto fabricado manualmente. 2002. Uma das consequências dessa prática secular foi a diminui. em troca. 254. também chamado pau-de-tinta. anos. Pau-Brasil. segundo a ONG que dura muitos SOS Mata Atlântica.pau-brasil. A extração do pau-brasil foi intensa no século XVI e manteve-se regu- GLOSSÁRIO lar até o século XIX. Áreas remanescentes de pau-brasil Ilustração digital: Maps World N 0 335 670 km O L S Fonte: BUENO. primeira atividade econômica desenvolvida pelos portugueses no Brasil. GLOSSÁRIO machados e espelhos – produtos manufaturados que valorizavam. que é muito antigo. Eduardo. recebiam objetos como facas. São Paulo: AxisMundi. Eles cortavam e transportavam as toras de madeira até as feitorias portuguesas (fortificações construídas no litoral) e. p. a século. cerca de 8% da vegetação original. A extração do pau-brasil contou com a participação inicial dos indígenas.

Como os indígenas passaram a se recusar a extrair as árvores. Para trabalhar nessa primeira etapa de implantação dos engenhos. centenas de indígenas foram escravizados. a garapa). retirar seu caldo. 204 História . os povos indígenas pretendiam trocar a madeira pelos objetos de que necessitavam. retirando-se as impurezas dos da cana. a senzala (casa dos es. como o capataz e o mestre foi o Nordeste. o açúcar era um produto muito apreciado na Europa e comercialmente muito ren- tável aos seus produtores. Hoje. Os engenhos foram os grandes produtores de produção açucareira. aprisionamento e outras agressões foram usadas para forçar os indígenas a trabalhar para os colonizadores lusitanos. precisavam do trabalho indígena. os portugueses deram início à escravização dos povos que habitavam o litoral. Para ganharem ainda mais. Enquanto os portu- gueses. Essa atitude revelou o total descaso dos portugueses em relação aos povos nativos. como o etanol. Essas terras foram chamadas de capi- tanias hereditárias e tinham esse nome porque seriam herdadas pelos filhos dos pro- prietários. O território brasileiro foi dividido em grandes propriedades. também buscava-se proteger o território de ataques estrangeiros e fazer os investi- mentos necessários ao desenvolvimento local. portanto. No entanto. seguindo as práticas mercantilistas. Logo essa “cooperação” entre portugueses e indígenas tornou-se conflituosa. Eles eram grandes fazendas especializadas na portado). tanto para Portugal (que o vendia a preços altos de instalações necessárias à produção. o que logo foi conseguido. a casa de purgar (local onde grandes indústrias que produzem açúcar e outros deriva- a garapa era fervida e apurada. separado de acordo com as várias qualidades para ser ex- 1822). A região de maior produção de açúcar agregados (funcionários livres. Naquela época. Com essa ação. mas como uma terra a ser conquistada e. Havia o canavial nos mercados europeus) como para os proprietários (se- (plantação da cana-de-açúcar). O Brasil é um dos maiores e colocada em formas) e o local do depósito dos pães de produtores e exportadores mundiais de açúcar. para isso. força de trabalho era a escrava. já que os europeus não reconheceram o Brasil como território indígena. estava subordinado às regras impostas pela metrópole portuguesa. os engenhos foram substituídos pelas usinas. Por isso. A senhor de engenho e sua família). como produtos e matérias-primas que pudessem ser comercializados na Europa. A partir dos anos 1530. pois havia entre eles diferentes concepções de riqueza e de trabalho. O Brasil. Ameaças de morte. descendentes dos colonizadores. a casa-grande (moradia do nhores de engenho). onde se concentravam a maioria dos enge- de açúcar). Assim. própria para ser explorada. estabelecimentos agrícolas para a produção de açúcar. a casa dos escravos africanos. estavam interessados em enriquecer com a venda do pau-brasil nos mercados europeus. o que significa que não tinha autonomia. CONHECER MAIS Engenhos de açúcar Os engenhos de açúcar foram uma das principais açúcar (açúcar cristalizado e enformado. o rei de Portugal determinou que as ter- ras da colônia deveriam produzir riquezas. abrigavam um complexo riqueza. os comerciantes europeus não queriam parar de carregar suas caravelas com o pau- -brasil e. que foram doadas a portugueses para que colonizassem e plantassem cana-de-açúcar. era uma colônia. a capela (para as práticas religiosas). a moenda (maquinário para moer a cana e nhos. nessa época. que depois seria unidades produtivas do Brasil do período colonial (1500. fundamentalmente a de cravos). os colonizadores começaram a implantar os enge- nhos. A riqueza conseguida com o comércio do pau-brasil estava aquém das preten- sões portuguesas.

a charge retrata uma situação da realidade? Converse com seus colegas e escreva as conclusões a que a turma chegou sobre a charge. Opinião. 24 fev. Os povos indígenas não possuíam armas de fogo. dando origem a guerras entre colonizadores e indígenas. do cartunista Angeli. Observe a charge a seguir. 6º ano 205 . tuberculose e sarampo) e muitos foram obrigados a abandonar seu antigo território para fugir da dominação. Milhares de indígenas morreram nos confrontos ou no contato com os euro- peus. não aceitaram essa condição imposta e resistiram à dominação. assim. gripe. porém. Seus autores usam imagens e textos para criar uma situação que nos leve a refletir e repensar comportamentos e/ou situações atuais.Paulo. 2005. Vários povos indígenas. a ocupação portuguesa. Na sua opinião. PARA REFLETIR Você sabe o que é uma charge? É um tipo de desenho que geralmente critica com humor e ironia algum aspecto da realidade. Teve início. 1. A charge denuncia qual problema? 3. e responda às questões: Folha de S. A que épocas podem ser relacionados os dois momentos representados na charge? 2. não tinham resistência às doenças dos brancos (como varíola.

uma imagem baseada em características repetidas. trabalhar em diferentes setores da economia. fre- quentar escolas e universida- des. Muitos indígenas que vivem em centros urbanos têm optado por se declararem como tal. independen- temente de como fala. porém. Muitos deles. Muitos ainda pensam que os indígenas vivem todos como viviam seus antepassados. ou seja. No entanto. Esse salto significativo. o número de habitantes indígenas cresceu de 294 131 para 817 963. produz seu alimento. Os Pankararu praticam rituais. por motivos diversos. ainda relacionam o modo de vida deles com as aldeias nas flo- Antônio Gaudério/Folhapress restas. cada vez mais cresce a população in- dígena urbana. de como vive. DAS ALDEIAS PARA AS CIDADES A população indígena cresceu nas últimas décadas. Desde o período da colonização. mas principalmente ao autorreconhecimento. nada disso impede alguém de se autoidentificar como indí- gena. A diversidade de culturas indígenas sempre existiu e indica que não há apenas um modo de ser. 2006. seus rituais como forma de resistência e valorização de sua cultura. pratica seus Originárias de Pernambuco. Para os que lutam pela preservação de suas identi- dades e culturas. povos indígenas têm entrado em contato com pessoas não indígenas. cons- trói suas moradias. A visão que os não indígenas têm dos indígenas é muito estereotipada. Cada povo tem sua identidade. os indígenas são aqueles que reivindicam sua relação histórica e social com os grupos que aqui es- tavam antes da colonização europeia. mas nem por isso perderam sua identidade. que acabaram criando um modelo-padrão para esses povos. Entre os censos realiza- dos pelo IBGE em 1990 e 2010. Por isso. não se deveu ao número de nascimentos. Viver nas cidades. 206 História . na zona sul da capital de São Paulo. isto é. vindas de outras culturas. algumas famílias Pankararu vivem em um conjunto habitacional popular no Real Parque. passaram a viver fora das suas comunidades originais.

Qual a tendência apontada pelos dados do Censo 2010 com relação à área de domicílio dos indígenas? 6º ano 207 .ibge. No ano 2000. Planeta Terra design População residente autodeclarada indígena. Sobre o total da população indígena. 4. 2012.html>. É correto afirmar que a população indígena atualmente está domiciliada mais em áreas urbanas ou em áreas rurais? Justifique. onde vivia a maioria da população indígena? 3. por situação de domicílio Brasil – 1991/2010 1 000 000 750 000 População 500 000 250 000 0 Total Urbana Rural Situação de domicílio 1991 2000 2010 Fonte: IBGE. 1.gov.br/indigenas/graficos. Leia as informações nele representadas para responder às questões. o que aconteceu durante as décadas indicadas? 2. Acesso em: 23 abr. Disponível em: <www. LER GRÁFICOS O gráfico a seguir mostra a situação da população indígena de acordo com o local onde vive.

também chamados de missões ou reduções jesuíticas. agricultores. por exemplo. modificação genas. comer mandioca. Algumas práticas cultural de indivíduo. fazer queimadas nas roças. Esse foi o início de um longo e conturbado processo de aculturação. teriam de aprender os fundamentos da religião católica. Ao deparar com uma cultura tão diferente da sua. os eu- ropeus decidiram impor sua cultura aos povos indígenas. tomar banho diariamente. as culturas indígenas foram consideradas selvagens. oferece uma contribuição sig- 208 História . não significa que ele seja mais ou menos desenvolvido. se adapta a ciais e econômicas distintas e não acreditarem no deus cristão. usar técnicas de pesca artesanal. No entanto. De acordo com esse pensamento. por outro lado também resultou na criação de uma nova cultura. de ter valores e práticas diferenciados. não aceitando as tradições indí. julgando-as de acordo com seus padrões culturais. Lá. entre outros). Lusitano: segundo o qual cada povo deve viver de acordo com suas tradições e seus português. O fato de um povo não viver da mesma maneira que outro. bem como de comunidades locais (seringueiros. significativos. Por essas e outra cultura ou dela retira outras características. Se. Essa era uma das funções dos pa- dres jesuítas. em parte. que começaram a chegar ao Brasil a partir de 1549. eram inaceitáveis para os portugueses. para serem catequizados pe- los jesuítas. Além disso. centenas de palavras indígenas passaram a fazer parte do idioma falado no Brasil. que seu modo de vida seja melhor que o de outros. ribeirinhos. como o há- bito de dormir em redes. Esse “saber tra- dicional” dos povos indígenas. terem organizações so. os Aculturação: processo de portugueses responderam com intolerância. SABERES TRADICIONAIS Os povos indígenas foram tratados pelos colonizadores lusitanos como GLOSSÁRIO seres de cultura inferior. os portugueses dariam aos indígenas valores culturais melhores e a possibilidade de salvação da alma. Muitos indígenas foram levados a aldeamentos. de cosméticos e alimentos. eram aldeias construídas e dirigidas pelos reli- giosos. Por isso. praticarem rituais desconhecidos dos europeus. foram incorpo- rados ao nosso cotidiano. com a função de reunir os indígenas para a catequese e o aprendizado dos padrões culturais do colonizador. por meio da qual os europeus que ha- bitavam essas terras também se transformaram. traços Hoje defendemos o princípio da convivência e do direito à diversidade. o contato entre as culturas indígenas e europeia resultou na des- truição parcial do modo de vida dos povos da América. Atualmente tem sido muito valorizado o conhecimento indígena acerca das plantas e dos animais. como o fato de os indígenas andarem grupo ou povo que nus. Tal conhecimento milenar vem sendo cada vez mais dis- putado por indústrias farmacêuticas. Os aldeamentos. ao lhes ensinar a língua portuguesa e a prá- tica da religião católica. vestir roupas e abdicar de seus rituais tradicionais. costumes. Costumes indígenas. Aqueles que resistiam eram considerados inimigos dos colonizadores europeus. naquela época (e em alguns casos até hoje) não se pensava assim. pescadores.

nificativa para as pesquisas científicas e tecnológicas. Há uma “corrida” de gran-
des investidores para controlá-los, pois o domínio dessas informações pode gerar
novos produtos, que trarão lucros com sua venda. Por outro lado, as comunidades
indígenas procuram, cada vez mais, organizar-se para proteger suas tradições e
valorizar sua cultura e seus saberes.

LER TEXTOS

Leia os textos a seguir e responda às questões.

Medida Provisória tem levado empresas brasileiras a suspenderem proje-
tos de pesquisa
Preocupada com a quase impossibilidade das empresas de acessar o
patrimônio genético nacional, ou seja, a biodiversidade e as riquezas naturais do
país, a Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, Biotecnologia e suas
Especialidades (Abifina) está desenvolvendo um projeto com o objetivo de reformular
a Medida Provisória (MP 2 186/01). Esta não só regula o acesso ao patrimônio genético
como também a repartição de benefícios com as comunidades locais que detêm o
conhecimento e auxiliam os pesquisadores na descoberta. A MP tem levado empresas
brasileiras e universidades a suspenderem projetos de pesquisa com material da
biodiversidade do país, devido à insegurança jurídica. Não há meios para se obter
autorização para o acesso ao patrimônio genético em tempo hábil para desenvolver as
inovações sem perder mercado.
[...] Segundo a Gerente de Biodiversidade e Propriedade Intelectual da Abifina,
Ana Claudia Oliveira, a legislação de acesso ao patrimônio genético e conhecimento
tradicional (MP 2 186-16/01) tem gerado uma série de entraves para universidades,
centros de pesquisa e empresas. Os principais entraves são: falta de mecanismos
de regularização; multas desproporcionais, atrasos e aumento de custo em P&D
[pesquisa e desenvolvimento], insegurança jurídica, incerteza no modelo de negócio e
incerteza sobre futuras modificações na legislação.
[...]  Atualmente, há uma quantidade considerável de componentes da
biodiversidade brasileira objetos de pesquisas no exterior desenvolvidas a partir
de sementes, plantas, chás, extratos, óleos, ceras, resinas, essências e tantos outros
produtos que tenham em sua composição componentes da biodiversidade brasileira
e sejam objetos de exportação. Este fato indica a inconsistência do marco regulatório
vigente: se por um lado impõem elevados custos de transação às universidades,
instituições públicas de pesquisa e às empresas brasileiras, por outro não garante o
acesso controlado nem a repartição de benefícios das pesquisas realizadas fora do país.
[...] Os principais entraves referentes à Repartição de Benefícios apresentados
pela Gerente da entidade foram a identificação de quem é o representante legal da
comunidade local onde foi feita a coleta, a definição da comunidade como única
detentora do conhecimento tradicional, os detalhamentos exigidos no Acordo
GLOSSÁRIO
de Repartição de Benefícios com a comunidade local, e o risco de ter o processo
de desenvolvimento do produto obstado em decorrência de reivindicação de obstado:
direitos por outras comunidades alheias ao local de coleta e do acesso ao dificultado.
patrimônio genético.

6º ano 209

[...] De acordo com Ana Claudia Oliveira, as principais ações do Governo na área de
Patrimônio Genético com Conhecimento Tradicional Associado deveriam ser a elaboração
de uma Lista Positiva de Conhecimentos Tradicionais Difusos no País e o Mapeamento
das comunidades tradicionais existentes: indígenas, quilombolas, ribeirinhos, caiçaras e
demais comunidades locais detentoras de conhecimento tradicional associado.
Ana Claudia Oliveira, Gerência de Biodiversidade e Propriedade Intelectual (Gebio) da Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, Biotecnologia e suas
Especialidades (Abifina).

1. Que parcerias o texto apresenta?

2. Segundo o texto, quais são os entraves às pesquisas com base em conhecimentos tradicionais?

MP 2 186/01
A MP [Medida Provisória], que regulamenta o artigo 225 da Constituição Federal e
dispositivos da Convenção sobre Diversidade Biológica, trata dos seguintes temas: acesso
ao patrimônio genético existente no território nacional, na plataforma continental e na
zona econômica exclusiva para fins de pesquisa científica; desenvolvimento tecnológico
ou bioprospecção; acesso e proteção ao conhecimento tradicional associado; repartição
justa e equitativa dos benefícios derivados da exploração do patrimônio genético; e acesso
e transferência de tecnologia para a conservação e a utilização da diversidade biológica.
Disponível em: <www2.camara.gov.br/agencia/noticias/22234.html>. Acesso em: 7 ago. 2012.

3. Sobre que preocupação governamental trata a Medida Provisória citada?

4. Pesquise sobre as últimas resoluções governamentais aprovadas a respeito do tema. Houve altera-
ções na MP citada? Quais?

210 História

5. Você conhece e/ou consome algum produto feito à base de plantas ou ervas? Quais? São indus-
trializados ou artesanais?

6. Você e seus colegas pertencem a uma comunidade que detém saberes tradicionais? Quais? Após
responder, discuta com o grupo a importância de tais conhecimentos e tradições.

CONHECER MAIS

As culturas africanas
No século XVI, quando os portugueses iniciaram o O império de Mali estabeleceu-se no século XIII,
tráfico de africanos para o Brasil, a África abrigava uma após a conquista de Gana. Abrangeu as terras do anti-
diversidade de reinos, impérios, cidades-estados e for- go império, porém se estendeu ainda mais, do litoral
mas políticas baseadas no parentesco (como chefias, ao atual limite leste de Mali. Até o século XIV, esse foi
clãs, linhagens etc.). Nesse sentido, quando falamos so- o império mais poderoso da África, em razão da rique-
bre a origem dos africanos trazidos para cá, estamos nos za trazida pelo ouro e pelo domínio das vias transaa-
referindo a muitas culturas e histórias. Não existe, e nun- rianas (rotas comerciais pelo deserto do Saara).
ca existiu, uma unidade política do continente africano. A organização política de Mali era complexa: o im-
Algumas das mais antigas e complexas organiza- perador realizava grandes audiências públicas em seu
ções sociais da humanidade se localizaram na África. palácio com a participação de soldados e músicos em
Normalmente, ouvimos muito sobre o Egito, suas pirâ- um espetáculo grandioso.
mides e seus faraós. Porém, o reino de Kush, vizinho e Destaca-se ainda a cultura iorubá, a partir do século
contemporâneo ao Egito, é pouco estudado. Esse reino XI, na região da atual Nigéria. Caracterizada por dezenas
existiu no alto do rio Nilo, território mais ou menos cor- de cidades – algumas
respondente ao Sudão, por volta de 1500 a.C. Nesse im- delas com mais de 20 Werner Forman Archive/ImagePlus

pério, desenvolveu-se a civilização cuxita, que tinha em mil habitantes –, tinha
comum com os egípcios a construção de pirâmides e o Ifé como centro sagra-
cuidado com os mortos. Destaca-se, entre os cuxitas, o do. Era lá que residia
reinado feminino, por meio do qual reinavam as rainhas- o chefe religioso Oni.
mães denominadas de candaces. Do ponto de vista po-
Entre os séculos X e XVI, época em que o comércio e lítico, os Iorubá não
o fluxo de árabes e europeus já eram intensos, existiram tinham unidade, cada
grandes impérios na África. reino era indepen-
O império de Gana, localizado na região do Sahel dente, embora todos
(entre Senegal e Mali) era conhecido pela grande quan- eles tivessem a mes-
tidade de ouro. Muitos comerciantes árabes e de outras ma cultura, língua e
partes do mundo da época iam ao império comercializar religião.
produtos em troca do metal precioso. Por sua riqueza, A África foi ainda
Busto do rei Ifé, bronze, séc.
estimou-se que Gana possuía um exército com 200 mil berço de muitas outras XII-XIV.
homens, número provavelmente exagerado. culturas grandiosas.

6º ano 211

MOMENTO DA ESCRITA

Agora que você já conhece um pouco mais sobre os impérios e os reinos da África, responda:
Você considera que o conhecimento sobre a história de um continente colabora para uma visão
positiva ou negativa sobre ele? Redija um texto para responder a essa pergunta e apresente argu-
mentos que sustentem a sua opinião.

PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS

Livros Atlas do Brasil
Por meio da linguagem cartográfica, os autores procuram investigar as dinâmicas territoriais
e a forma como elas interagem com as disparidades sociais no Brasil.
THÉRY, Hervé; MELLO, Neli A. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do território. São Paulo: Edusp, 2009.

O negro no Brasil de hoje
Os autores buscam contar a história esquecida dos povos africanos que ajudaram a construir
nosso país.
MUNANGA, Kabengele; GOMES, Nilma Lino. O negro no Brasil de hoje. São Paulo: Global, 2006.

Origens africanas do Brasil contemporâneo
O livro aborda histórias, línguas, culturas e civilizações africanas, bem como suas contribui-
ções para a cultura brasileira.
MUNANGA, Kabengele. Origens africanas do Brasil contemporâneo. São Paulo: Global, 2009.

212 História

Capítulo 3
HISTÓRIA Trabalho livre e escravo no Brasil

N os últimos anos, o Brasil foi um dos países cuja economia mais cresceu. Com
isso, em 2011, o Brasil ingressou no seleto ranking das seis maiores economias
do mundo, ultrapassando nações europeias que tradicionalmente figuravam entre
as primeiras, como a Inglaterra. Mas de que maneira esse fato altera a vida do traba-
lhador brasileiro? Será que junto ao crescimento do país nossos habitantes também
encontraram melhores condições de trabalho e de vida?
O índice de desemprego no Brasil caiu no início da década de 2010, tornando-
-se um dos menores entre as grandes potências econômicas. Isso significa que o
desenvolvimento econômico ajudou a criar novas vagas, empregando brasileiros
que há muitos anos não tinham registro na carteira de trabalho, o que garante
que o patrão siga a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). No entanto, ainda
é muito comum que as pessoas exerçam atividades remuneradas chamadas de
“informais”, ou seja, sem direitos previstos na lei, como férias, décimo terceiro sa-
lário, licença-maternidade etc. Neste capítulo estudaremos o mundo do trabalho
e como ele se formou no nosso país ao longo da história.

Leo Caldas/Pulsar Imagens

Operário trabalhando no Estaleiro Atlântico Sul, no Porto de Suape, em Ipojuca (PE), 2009. Após 2007, o Complexo Portuário de Suape passou a abrigar muitas empresas. Com
isso, tornou-se um dos principais símbolos dos novos postos de trabalho no Brasil, atraindo muitos trabalhadores para a região.

6º ano 213

PESQUISAR

Você sabe que tipo de relação de trabalho está presente no
CONHECER MAIS
seu cotidiano? E no de seus colegas? Para descobrir, reúnam-se
em grupos e elaborem questões sobre as relações trabalhistas. Consolidação das Leis do
Sugiram algumas perguntas que serão agrupadas pelo profes- Trabalho (CLT)
sor em um painel ou anotadas no quadro. Após a formulação Conjunto de leis trabalhis-
de um questionário comum à classe, todos os alunos devem tas consolidado em 1943, fru-
to da luta dos trabalhadores
respondê-lo. para expandir seus direitos.
Veja alguns itens que podem ser pesquisados e formule ou- Apesar de ter sido alterada
tros questionamentos que revelem relações trabalhistas viven- em diversos momentos, a
CLT ainda está ativa no Brasil.
ciadas no dia a dia: É ela que garante benefícios,
como jornada máxima de
• função: profissão, ocupação, tarefa; horas semanais, pagamen-
to de hora extra, férias re-
• tipo de vínculo empregatício: registrado em empresa priva-
muneradas, décimo terceiro
da, concursado, autônomo, informal, temporário, emprega- salário, licença-maternidade
dor, desempregado etc.; etc. Para acessar a CLT, visite
o site: <www.planalto.gov.br/
• regime de trabalho: trabalhador diurno ou noturno; horis- ccivil_03/decreto-lei/Del5452.
ta ou mensalista; contratado ou substituto; horário fixo ou htm>. Acesso em: 2 fev. 2012.
flexível;
• carga horária: número aproximado de horas trabalhadas na
semana, carga horária fixa ou variável etc.;
• benefícios: pagamento de hora extra, vale-refeição, vale-transporte etc.;
• sindicalização: é sindicalizado? Atua no sindicato? De que maneira?

RODA DE CONVERSA

Após concluir a pesquisa, reúna-se com seus colegas e debatam em grupo os resultados en-
contrados. Analisem quais foram as respostas que apareceram mais vezes na classe e comparti-
lhem suas opiniões sobre as seguintes questões:

• Que características do mercado de trabalho brasileiro podemos conhecer a partir da reali-
dade da classe?
• É possível afirmar que o trabalhador brasileiro encontra boas condições nas atividades re-
muneradas que exerce? Por quê?
• Você considera que o mercado de trabalho no Brasil apresenta um futuro promissor? Por quê?
• Que características do mercado de trabalho brasileiro você considera que devam melhorar?
De que maneira?

O grupo deve escolher um representante para anotar as opiniões mais frequentes do de-
bate. Em seguida, elejam também um aluno para apresentar uma síntese aos demais grupos
da sala.

214 História

O QUE É TRABALHO ESCRAVO? E TRABALHO LIVRE?
As relações no mundo do trabalho não foram sempre iguais. Há cinquenta anos,
por exemplo, o número de mulheres que trabalhavam fora de casa era muito menor.
Nessa época, a maior parte da população brasileira morava no campo e exercia,
portanto, ocupações ligadas ao meio rural. E, se voltarmos a um passado ainda mais
distante, no século XIX, a escravidão era permitida por lei no Brasil.
Portanto, para entender o mundo do trabalho de hoje, é preciso conhecer a
história, identificar o que mudou e o que permaneceu. No Brasil, a escravidão du-
rou mais de três séculos, sendo abolida em 1888. Mas o que diferencia o trabalhador
livre do trabalhador escravo? Qual foi a herança que a escravidão deixou para nossa
sociedade? É possível dizer que ainda há brasileiros trabalhando nessa condição?
Entre os pesquisadores, há várias definições para escravidão. Isso ocorre prin-
cipalmente porque ela não existiu apenas no Brasil colonial e imperial, mas em
diversas sociedades. Em cada uma delas a escravidão apresentou características
diferentes, transformando-se ao longo da história. Por exemplo, ser escravo na
Grécia, durante a Antiguidade, não era o mesmo que ser escravo em GLOSSÁRIO
Salvador, durante o século XVII. Antiguidade: período esta-
belecido pelos historiadores
Mesmo em um determinado período histórico, as formas de que se inicia com a invenção
da escrita e a criacão das
escravidão podem ser distintas. Na Antiguidade, em Roma e na primeiras cidades e termina
Grécia, o escravo era geralmente um estrangeiro capturado em uma com a queda do Império
Romano (476 d.C.).
batalha, um endividado ou filho de um cativo. As condições de tra- Cativo: indivíduo que
balho também variavam. No campo, enquanto alguns trabalhavam perdeu sua liberdade; que
foi forçado à escravidão.
em pequenas propriedades rurais, produzindo com seu senhor, ou-
tros viviam em péssimas condições,
Escravidão na Antiguidade
em grandes lotes de terra. Na cidade,
Na Grécia antiga, os escravos podiam exercer todas
havia aqueles que faziam as tarefas
as atividades, menos as relacionadas à política. Na agri-
domésticas, mas também os que, des- cultura, que era a principal atividade econômica nessa
de pequenos, aprendiam um ofício e sociedade, desempenharam um importante papel, bem
como na mineração e nas atividades domésticas.
exerciam cargos socialmente reconhe-
cidos, como administradores públicos,
Museu do Louvre, Paris. Foto: Bridgeman Art/Keystone

filósofos, pedagogos, entre outros.
Apesar de toda a dificuldade em
definir escravidão, sabemos que ela é
uma relação de trabalho baseada em
poderes desiguais: enquanto o patrão
(ou senhor) detém o poder pleno, o es-
cravo não tem nenhum poder de esco-
lha sobre sua própria vida, nem sobre o
próprio corpo. Nesse sentido, ele deve
obediência, podendo ser submetido, Detalhe de cerâmica grega do século VI a.C., 15 × 21,5 × 30 cm.
Museu do Louvre, Paris.
inclusive, a castigos físicos quando seu
senhor não se sente satisfeito.

6º ano 215

Em uma sociedade como a do Brasil contemporâneo, na qual a desigualdade
social obriga muitas pessoas a suportar precárias condições de trabalho para ga-
rantir o sustento, como é possível diferenciar trabalho livre de trabalho escravo?
Se a definição de trabalho escravo é um desafio para os historiadores, definir
o trabalho livre também não é fácil. Costumamos relacionar a ideia de trabalho
escravo à falta de direitos básicos, como um salário e a liberdade de se desligar ou
trocar de emprego. Mas na sociedade capitalista em que vivemos, na qual o lucro do
patrão depende da máxima exploração da mão de obra, o que é ser um trabalhador
livre? E, quando não há trabalho para todos, será que é possível escolher?

CONHECER MAIS
Sociedade capitalista
É aquela que tem como sistema econômico, político e social o capitalismo, GLOSSÁRIO
baseado na propriedade privada e no lucro. Trata-se de uma sociedade desigual,
na qual alguns poucos têm dinheiro e meios de produção para investir e gerar Meio de produção: nome dado às instala-
ções e aos objetos necessários ao traba-
mais lucro, mas a grande maioria só tem a oferecer a sua força de trabalho. As- lho, como fábricas, propriedades de várias
sim, os proprietários exploram a mão de obra dos despossuídos, pagando pelo naturezas, infraestrutura, equipamentos
seu trabalho apenas uma pequena parte da riqueza produzida. diversos, máquinas, armazéns, ferramen-
Os trabalhadores acabam submetidos a essa situação, pois a sua produção e a tas, matéria-prima etc.
sua subsistência dependem dos meios e do dinheiro aos quais eles não têm acesso.

Na sociedade brasileira atual, situações
Delfim Martins/Pulsar Imagens

análogas à escravidão relacionam-se geral-
mente a casos de escravidão por dívida, ain-
da comum em estabelecimentos agrícolas e
outros ramos da economia, como a indústria
têxtil. No caso do campo, alguns fazendei-
ros oferecem trabalho para pessoas de ou-
tros municípios ou estados e, ao começar sua
função, o trabalhador é informado de que deve
pagar as despesas da viagem (como transporte
e alimentação). A dívida cresce gradualmente,
já que ele é obrigado a comprar do patrão, que
cobra preços muito altos. Assim, endividados
e muitas vezes ameaçados pela presença de ca-
pangas armados, eles trabalham de graça para Trabalhadores cortando cana-de-açúcar em Cordeirópolis (SP), 2010.
O corte manual de cana é considerado uma das ocupações que mais
pagar o que supostamente estão devendo. exploram o trabalhador, por causa das péssimas condições de trabalho,
Nas grandes cidades, a exploração da do grande esforço físico exigido e dos baixos salários.

mão de obra também ocorre normalmente
pelo sistema de dívidas. No entanto, utilizam-se principalmente trabalhadores
imigrados, sobretudo de países pobres. Chegando ao Brasil, eles têm de pagar
o custo da viagem e, sem ter condições de bancar sua própria moradia, acabam
obrigados a trabalhar praticamente de graça, sempre devendo para o patrão.
Tanto no campo como na cidade, usa-se o termo “trabalho escravo” para carac-
terizar a exploração desse tipo de relação trabalhista.

216 História

Pinacoteca do Estado de São Paulo. 24. gravuras.8 cm.7 × 35. é possível resgatar aspec- tos da época na qual a imagem foi produzida. Pinacoteca do Estado de São Paulo Gravuras do inglês Henry Chamberlain registram cenas do Rio de Janeiro em 1821: Condenados e Uma barraca no mercado. 6º ano 217 . Nesta atividade. os historiadores recorrem muitas vezes a fontes visuais. Água-tinta e aquarela sobre papel. aquarelas. vamos refletir sobre a escravidão e as relações sociais no período colonial brasileiro.LER IMAGEM Para reconstruir o passado. Por meio da análise dos registros fotográficos. Esse procedimento nos ajuda a conhecer um pou- co mais as sociedades passadas. Observe as imagens e responda: Pinacoteca do Estado de São Paulo Coleção Brasiliana – Fundação Estudar. pinturas etc.

Depois. Descreva cada uma das imagens. 2. Muitos. no en- tanto. resolveram o problema da falta de colonos europeus para explorar um ter- ritório tão grande e adotaram uma alternativa supostamente mais barata. Mesmo assim. já que os indígenas conheciam bem o território e tinham suas comunidades próximas umas das outras. principalmente a partir dos rios. Os portugueses davam objetos e mercadorias de pouco valor na Europa – mas desconhecidos para os povos do continente americano – e. os portugueses recorreram ao trabalho escravo para explorar os recursos naturais que existiam nas terras daqui. 1. com o início da produção de cana-de-açúcar. pois o custo do trabalho escravo era menor do que o do trabalho livre. Nos primeiros anos da colonização. trabalharam em outros ramos da agricultura (como o tabaco. Embora escravizados em menor número do que os africanos. A presença dos bandeirantes na nossa história é uma evidência desse fato. Quem você acha que são as pessoas das imagens? Justifique sua resposta. inclusive. . o recurso natural mais valioso para os portugueses era o pau-brasil. em busca de riquezas e de indígenas. religiosos eu- ropeus responsáveis por catequizá-los. 218 História . eram descendentes de índios e portugueses e conheciam bem o território e os caminhos para o interior. eram outro obstáculo. Os colonizadores. a escravidão ajudou a exterminar grande parte dos povos indígenas. Com o tráfico dos africanos. detalhando a cena e as características das personagens repre- sentadas. pois se opunham à escravização indiscriminada. encontraram resistência. Os religiosos só admitiam a escravização dos indí- genas se eles não aceitassem a catequese. no século XVI. os colonizadores passaram a lucrar du- plamente: com a venda de escravizados para produtores brasileiros e com a venda para a Europa do açúcar e das mercadorias produzidas por esses trabalhadores. Mas por que os portugueses optaram por trazer um número tão grande de negros da África. a escravidão indígena não deixou de existir durante todo o período colonial. Eles eram homens que exploravam a terra. Os jesuítas. em vez de aprimorar a exploração do indígena? O lucro obtido pelo tráfico de africanos é um dos principais fatores que res- ponde a essa questão. obtido muitas vezes por meio do es- cambo com os indígenas. Os primeiros africanos trazidos para o Brasil começaram a chegar ainda no século XVI. em troca. Ocorreram tentativas de escravização desses povos. recebiam os troncos de pau-brasil. o algodão e o café) e na mineração. Qual das duas imagens representa uma cena de trabalho escravo e qual representa trabalhadores livres? Por quê? A ESCRAVIDÃO NO BRASIL COLONIAL No processo de colonização do Brasil. Com isso.

eram mal alimentados e frequentemente contraíam doenças. eles perdiam os laços sociais e sua identidade como parte de uma sociedade. dificultando a comunicação entre eles. portugueses e espanhóis adquiriam escravos a preços muito baixos. os escravos eram estrangeiros. Muitas vezes indivíduos que falavam línguas diferentes eram agrupados juntos. Quando os europeus organizaram o tráfico na África. 6º ano 219 . Quando usamos o termo “africanos”. a ilha de São Tomé e Luanda (Angola). O comércio de cativos passou a ser um negócio cada vez mais lucrativo. passaram a disputar esse tráfico e a lucrar com ele. Muitas companhias e muitos mercadores europeus enriqueceram. outros países.O TRÁFICO DE ESCRAVIZADOS: DA ÁFRICA AO BRASIL Como vimos. capturados em guerras. microesta- dos ou reinos. Antes de os europeus organizarem o tráfico de escravizados para o Brasil. como as ilhas de Cabo Verde. No século XVI. revendendo-os por um preço alto aos colonos americanos. Porém. Os africanos trazidos para a América portuguesa eram embarcados principal- mente em portos da África. muitos desses grupos se organizavam em torno de unidades familiares. Os brancos incentivaram as guerras e rivalidades entre os africanos. os filhos dos escravos podiam ser livres. a principal estratégia para dificultar a resistência desses africanos era separá-los de seu grupo de origem. aumentando sua família. As escravas eram valorizadas porque podiam dar filhos ao senhor. os africa- nos colocados na condição de escravos vinham de diferentes regiões. No Brasil. que precisava crescer para garantir mão de obra barata para a produção. o que causou um aumento no número de pessoas escravizadas. eles eram igualmente escravos. que matavam muitos antes mesmo do desembarque. De maneira geral. porque não eram sistemas escravistas. Na sociedade brasileira. isso ocorria no continente africano antes do século XVI de modos muito diferentes daquele criado pelos colonizadores da América. Antes de os europeus chegarem à África. aldeias. Com isso. já havia trabalho escravo na África. Essas formas de escravidão presentes na África tradicional eram diferentes daquela do Brasil colonial. sofriam violência. No entanto. Isso quer dizer que os escravos não eram uma classe distinta. para que não tivessem apoio de suas co- munidades. a partir do século XV. ou alguém que havia desrespeitado as leis ou contraído uma dívida. Estima-se que cerca de 4 milhões de pessoas foram deportadas nessas condições para o nosso país. como se pode observar no mapa a seguir. Eles eram subordinados a um senhor que podia castigá-los ou vendê-los. a escravidão não foi a mesma em diferentes tempos e espaços. Nos séculos seguintes. tornando-se a principal razão para a escravização de africanos e sua venda para diversas regiões do continente americano. como a Inglaterra. Nos navios negreiros. como ocorreu em nosso país. Entre as socie- dades africanas. as relações escravistas no continente se modificaram. estamos nos referindo a uma infinida- de de grupos humanos.

no ambiente de trabalho. com a colaboração de alunos da Faculdade Zumbi dos Palmares. ela traz um passado comum de exploração da mão de obra. Regiões de embarque de africanos para o Brasil Ilustração digital: Maps World N 0 1 150 2 300 km O L S Fonte: SOUZA. que deixou consequências sentidas ainda hoje pelos seus descendentes. p. Essa cultura “adaptada”. ignorados. ou estado civil como crime inafiançável. LER ARTIGO DE OPINIÃO Lei Caó No dia 20 de dezembro de 1985. Os trabalhadores escravizados foram “coisificados”. A chamada Lei Caó (Lei n. a população negra brasileira também sofre discriminação no comércio. 2007. No entanto. fruto das várias culturas africanas e das imposições culturais dos europeus. África e Brasil africano. 220 História . 7 437/85) classifica o racismo e o impedimento de acesso a serviços diversos por motivo de raça. Para além do mercado de trabalho. Mesmo tendo sido sancionada há anos.26% dos negros entrevistados já se sentiram discriminados no mercado de consumo no momento da compra de um produto ou serviço. principalmente contra negros. Marina de Mello e. Apesar da sua diversidade. entre outros ambientes. os africanos tiveram que reinventar uma cultura adap- tada à situação em que se encontravam. sexo. No Brasil. constatou que 44. São Paulo: Ática. e seus laços culturais ante- riores. Uma pesquisa realizada em 2011 pela Fundação Procon de São Paulo. cor. 86. ainda é possível encontrar muitos casos de discriminação. ela traz também uma memória de luta e de resistência. uma lei federal estabelecia como crime o tratamento discriminatório no mercado de trabalho. punível com prisão de até cinco anos e multa. por motivo de raça/cor. é o que chamamos de cultura afro-brasileira.

“Há 26 anos. Texto adaptado.br/2011/12/ha-26-anos-era-sancionada-a-lei-cao/>. cortar-lhe um pedaço da orelha. A população negra. 2012. mas ainda persiste. In: Fundação Palmares. que controlava os trabalhadores e aplica. Disponível em: <www. além de trabalhar mais e em condições precárias. Mais de 20 anos depois.gov. Capitão do mato: nome gir eram perseguidos por capitães do mato e trazidos de volta à força. era sancionada a Lei Caó”. A RESISTÊNCIA AO TRABALHO ESCRAVO Uma das estratégias utilizadas pelos senhores para a manutenção do trabalho escravo foi o uso da violência física e psicológica. ou estado civil. 20 dez. O Capítulo II da Constituição Federal.GLOSSÁRIO va castigos físicos aos desobedientes. era comum marcar o escravizado com ferro e. o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2010 que a diferença entre a remuneração média de negros e brancos no país diminuiu. de exercícios de funções e de critérios de admissão por motivo de sexo. 2011.palmares. O que é a Lei Caó e o que ela estabelece? 2. 6º ano 221 . o que é necessário para que a Lei Caó se torne mais eficiente? Explique. cor. se reincidência. proíbe em seu Artigo 7º a diferença de salários. se houves. recebe salários menores mesmo quando assume cargos iguais aos dos brancos. Acesso em: 6 ago. é possível dizer que existe igualdade racial entre negros e brancos no Brasil atual? Justifique. Todas essas punições assim como capiturá-los eram permitidas aos senhores pelas leis durante o regime escravista. Outras leis foram criadas após sua sanção visando a inclusão da população negra nos muitos setores da sociedade brasileira. GOMES. . Joceline. De acordo com o texto. era comum a presença do feitor. De acordo com a autora. Muitos dos que conseguiam fu. que trata dos direitos sociais. A Lei Caó. eram encarregados de vigiar os escravizados. não foi suficiente para resolver as questões de discriminação no ambiente de trabalho. dado ao funcionário dos donos de fazendas que Nesses casos. Nas fazendas ou nas minas. idade. 1. em caso de fuga. isoladamente.

as guerrilhas e as revoltas (a mais conhecida delas foi a Revolta dos Malês. Rio de Janeiro Aos africanos. Mesmo nesse contexto desfavorável. 1826. Rio de Janeiro. 1828. Em O velho Orfeu africano muitas nações e muitos reinos afri- cia cultural. 14. encontrando maneiras de reivindicar direitos. 222 História . Nas duas imagens foi proibido por lembrar personagens car ou dançar. Em Coleta de esmolas para (Oricongo). Iphan. negro tocando uma espécie de be- punham sua cultura e sua religião. Porto Alegre. Rio de Janeiro Jean-Baptiste Debret. 15. Aquarela sobre papel. Entre as estratégias de resistência estavam os assassinatos de senhores. Rio de Janeiro Jean-Baptiste Debret. Porto Alegre. manter alguns traços de suas comu. Iphan. Aquarela sobre papel. Iphan. há exemplos de resistên. ape. as fugas para os quilombos. os negros lutavam para os africanos elegiam um rei. Coleta de esmolas para a Igreja do Rosário. nha e um capitão da guarda. Segundo os relatos do desenhista. em 1835. sar de incorporados pelo catolicismo. uma rai. atraindo a atenção do artista francês Jean-Baptiste Debret das sociedades africanas. a Igreja do Rosário. conquistar a liberdade e preservar sua cultura. os europeus im.6 × 21. O culto era comum algum escravo batu- nidades de origem.5 cm. na Bahia). O velho Orfeu africano (Oricongo). Museu Castro Maya. No entanto. Debret representa um canos estavam presentes. Museu Castro Maya. Iphan. Museu Castro Maya. Nas cidades brasileiras (1768-1848). A resistência cultural Museu Castro Maya. enfrentar os poderosos. de outros. trabalhadores resistiram à escravidão.7 × 20 cm. rimbau nas ruas do Rio de Janeiro.

prin- cipalmente nas áreas em que a exploração de sua mão de obra era maior. o idioma mais falado era o português. ele foi o maior exemplo de resistência ao sistema escravista na América Latina e colaborou para o enfra- quecimento da escravidão. havia um exército bem treinado e armas produzidas pelos próprios habitantes. Os historiadores relatam que muitos desses pobres e alguns indígenas moravam em quilombos com os africanos. de cultura africana. sociedade. Dentro dos qui- lombos produziam-se alimentos que eram consumidos pelos seus habitantes (chamados de quilom- bolas).OS QUILOMBOS O maior símbolo da resistência Acervo Iconographia ao trabalho escravo foram os qui- lombos. Ele chegou a abrigar mais de 30 mil pessoas e a ocupar uma área correspondente a um terço do território de Portugal. localizado na Serra da Barriga. comunidades formadas por escravos que fugiam para lo- cais isolados e criavam uma socie- dade paralela. Para alguns historiadores. Para a defesa. Era comum também a presença de ex-escravos libertos. Palmares era constituído por vários quilombos. mas também eram comer. no Rio de Janeiro. Hoje em dia existem quase 2 300 agrupamentos remanescen- tes de quilombos no Brasil. São as chama- das comunidades quilombolas. entre Pernambuco e Alagoas. Apesar de cada quilombo ter uma organização interna dife- rente. Os quilombos estiveram presentes do Sul ao Nordeste do país. como os brancos livres e pobres. além dos brancos e dos indígenas. Como havia afri- canos de muitas regiões. for- mados por descendentes de ex-es- cravos fugidos que estabeleceram laços comunitários. 6º ano 223 . O mais conhecido quilombo foi o de Palmares. eles se caracterizavam pela vida em comum. Era comum os quilombolas organizarem ataques a fazendas e engenhos para libertar escravos e enfrentar os senhores. Anúncio em jornal oferecia recompensa para quem capturasse um escravo fugido em 18 de outubro de 1854. Documentos como esse mostram que as cializados para alguns setores da fugas eram uma das estratégias usadas como resistência pelos escravizados.

20 de novembro. vender a força de trabalho. tornaram-se assala- inventado em 1784. o então líder de Palmares. que antes era feita artesanalmente em oficinas. Gravura de 1849. O governo português fez várias tentativas de acabar com Palmares. como forma de lembrar a luta travada contra a escravidão. população urbana aumentou muito rapidamente. porém. aceitou negociar com o Estado ter- ras e liberdade para os palmarinos. eram extremamente mentaram a produtividade e o lucro dos proprietários explorados. como Zumbi. A Inglaterra que ficou conhecido como Revolução Industrial. a baixíssimos salários. 224 História . ocorreu um processo na nela viviam ficaram sem ter onde morar e produzir. a cabeça de Zumbi foi decepada em 1695 e pendurada em uma praça do Recife. sobrinho de Ganga-Zumba que se tornou posteriormente líder de Palmares. submetidos a longas jornadas de trabalho e dos meios de produção. os pobres passaram a a ser realizada por grandes máquinas. ocorreu um processo na Inglaterra conhecido como causando muita miséria e fome. foi uma dessas tecnologias que au. Em 1678. Ganga-Zumba. ou seja. Nelas. alternativa foi migrar para as cidades. No en. Os empregos e a infra- produção de tecidos. muitos não acreditaram nessas promessas e resistiram. a A partir do século XVIII. século XIX. No ano de 1694. Com isso. O tear a vapor. o governo atacou o quilombo com uma brigada armada de canhões e conseguiu destruí-lo. riados nas fábricas. estrutura das cidades não eram suficientes para todos. No entanto. Nessa época. passou Despossuídos de suas terras. Dessa forma. o capitalismo já estava presente em “cercamento de terras”. As mulheres e crianças recebiam As primeiras máquinas foram criadas para a ainda menos que os homens. Para evitar novos casos de resistência. CONHECER MAIS A Revolução Industrial e o trabalho assalariado na Europa Desde o século XVI. a produção de mercadorias. para fornecer lã às fábricas. A data da morte do líder. Bibliotheque des Arts Decoratifs Ilustração de trabalhadoras em fábrica de tecido na França. é hoje considerada o Dia Nacional da Consciência Negra. Para alimentar a indústria têxtil. foi apenas no século XVIII que se desenvolveram as -se uma propriedade capitalista e os camponeses que primeiras indústrias. cujo objetivo era criar ovelhas grande parte das atividades comerciais da Europa. a terra tornou- tanto.

trabalhando no mercado informal. 6º ano 225 . com a Lei Eusébio de Queirós. em sua maioria. havia homens livres. muitos viviam em más condições. trabalhadores europeus que tinham perdido suas terras e não encontraram vagas nas fábricas após a Revolução Industrial. mas sem oferecer oportunidades de trabalho. No Sul do país a situação era um pouco diferente. que se espalhavam nas cidades. não houve nenhum tipo de reparação ou preocupação em criar con- dições de trabalho para os ex-escravizados. que poderia representar uma alternativa de emprego. Com uma grande massa sem traba- lho. nem os ex-escravos nem os imigrantes tinham di- nheiro. vendedor. produziam princi- palmente café. grande parte da realidade atual é fruto do sistema escravista do Brasil colonial e imperial. Com a abolição. brancos. Conforme vimos neste capítulo. a Lei de Terras. além de desempe- nharem serviços como os de sapateiro. pedindo esmolas. As cidades cresceram rapidamente. Essa lei fazia com que o acesso à terra só fosse permitido pela compra. no final do século XIX. Esses imigrantes eram. dependendo dos favores de algum senhor. Dessa forma. Além disso. em geral. cresceu muito a entrada de imigrantes vindos da Europa − em especial da Espanha. os patrões ofereciam salários mais baixos e contratavam sem respeitar as leis trabalhistas. praticando pequenos furtos. entre outras estratégias de sobrevivência. foi criada. em 1850. Muitos migraram para as áreas urbanas em busca de trabalho. os trabalhadores continuaram obrigados a servir os proprietários ru- rais ou os novos proprietários das indústrias. No sistema escravista. negros ex-escravos e mestiços. Nessa época. Porém. Eles trabalhavam principalmente em ati- vidades voltadas ao consumo cotidiano de regiões e cidades.ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA E TRABALHO LIVRE NO BRASIL A resistência dos africanos e seus descendentes ao trabalho escravo e o movi- mento abolicionista contribuíram para que a escravidão fosse abolida legalmente do Brasil em 1888. essa massa de homens livres e pobres aumentou bastante. de Portugal e da Itália − para trabalhar como assalariados nas fazendas que. O tráfico de escravos para o país já estava proibido desde 1850. nessa época. além dos escravos e dos senhores. No campo. a indústria no Brasil. Para garantir que a abolição e a vinda de imigrantes não alterassem a or- dem social e que a elite não perdesse seus privilégios. os benefícios conquistados pela abolição acabaram reduzidos. comerciante etc. Como. alguns colonos europeus receberam lotes durante o século XIX para que a ocupação da região dificul- tasse invasões. pois como o território era constantemente disputado com as nações vizinhas. ainda dava seus primeiros passos. já que não eram proprietários de terras rurais. com a Lei Áurea.

enquanto a renda das pessoas com ensino superior incompleto caiu 17%. São Paulo: Global/Ação Educativa. APLICAR CONHECIMENTOS 1.ebc. Para entender o negro no Brasil de hoje: história. GOMES. Kabenguele. 2012. hoje considerado como uma das maiores tragédias da humanidade. mas sim o sistema escravista como tal e o tráfico que o alimentava. o crescimento foi de 21%. 2006.] o que deve estar em questão não são os homens ou os continentes ou os países que se envolveram com o tráfico. “Pesquisa mostra que renda de analfabetos e negros foi a que mais cresceu na última década”. In: Agência Brasil. nos últimos 10 anos. no segundo. p. A pesquisa sobre Desigualdade de Renda na Década..br/noticia/2011-05-03/pesquisa-mostra-que-renda-de-analfabetos-e- negros-foi-que-mais-cresceu-na-ultima-decada>. A renda das pessoas pardas cresceu 48%. Para você.com. a renda ficou 43% maior e. MUNANGA. a desigualdade entre brancos e negros ainda é grande no Brasil? Discuta com a classe e justifique seu posicionamento. responda: Quais foram os principais motivos que levaram os europeus a traficar africanos como escravos para a América? Justifique. 25. O texto indica que algumas desigualdades presentes no Brasil diminuíram. De acordo com o texto e com o que você leu neste capítulo. 2. divulgada hoje (3/5/2011) pela Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que a renda dos analfabetos cresceu 47% entre 2000 e 2009.. No primeiro grupo. Leia o trecho a seguir: [. Flávia. Os estados do Nordeste foram os que mais cresceram em termos de renda per capita (por pessoa). 226 História . Leia este trecho e responda às questões. realidades. Acesso em: 6 fev.. O estudo mostra também que a renda dos negros cresceu duas vezes mais do que a dos brancos. Nilma Lino. Quais são elas? Na sua opinião. por que os autores afirmam que o tráfico negreiro foi uma das maiores tragédias da humanidade? Compartilhe com a sala a sua opinião. [. Disponível em: <http://agenciabrasil.. problemas e caminhos.] VILLELA.

assim como no de instituições relativas ao mundo do trabalho: quais são os direitos que os empregados domésticos conquistaram no Brasil nos últimos cinco anos? Liste os que você considera os mais importantes. GLOSSÁRIO Bahia. [.. não necessa- para tomar a cidade e exigir sua liberdade. organizou-se Malês: africanos.html>.] Brasil estuda dar mais direitos a domésticos. categoria que engloba tanto domésticas quanto faxineiras. Os pesqui- sadores Kabenguele Munanga e Nilma Lino Gomes enumeram algumas formas de resistência que foram utilizadas: Insubmissão às regras do trabalho nas roças ou plantações onde trabalhavam − os movimentos espontâneos de ocupação das terras disponíveis. Acesso em: 6 fev. foram algumas estratégias utilizadas pelos negros na sua luta contra a escravidão. para regulamentar esse tipo de serviço nos países que fazem parte do órgão. Um grupo de negros malês. revoltas. Pacífico riamente da mesma etnia. Apesar da pouca duração. demonstra falta de conhecimento histórico. quilombos. No entanto. Eles escolheram haviam adotado o islamismo como religião. Pesquise em sites de informação. no século XIX.. essa afirmação. No entanto. destacam--se Ahuna. durante conferência realizada em Genebra. 2012. Nicobé e Dassalu. Para entender o negro no Brasil de hoje: história. p. realidades. GOMES. . considerando que a catolicismo era a religião oficial população estaria afastada do centro da cidade por ocasião da Festa de Nossa Senhora da Guia do Brasil e as demais práticas no Bonfim. Kabenguele. na Suíça. ocorrida em Salvador. Os trabalhadores domésticos que moram na casa dos patrões e só veem a família uma vez por semana podem virar coisa do passado no Brasil. problemas e caminhos.com/economia/noticias/brasil-estuda-dar-mais-direitos-a-domesticos-20110618. Essa seria uma das consequências da convenção aprovada nesta semana pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Entre seus líderes. Elesbão do Carmo. indignado com a escravidão. assassinatos de senhores e de suas famílias. 2006.. de caráter discriminatório. atribuída à passividade dos negros. Manoel Calafate. 6º ano 227 . Nesse movimento de resistência destaca-se a Revolta dos Malês. a longa duração do regime escravista na sociedade brasileira foi. o movimento foi denunciado e seus participantes foram duramente religiosas sofriam repressão. Nilma Lino. que Licutan. organizações religiosas. Luís Sanim. Assim. manos seguiam sua crença escondidos. Por que o texto diz que os trabalhadores domésticos que moram na casa do patrão podem virar coisa do passado? Justifique. São Paulo: Global/Ação Educativa. [. MUNANGA. Leia o texto a seguir e responda às questões. caseiros e demais funções exercidas no lar. CONHECER MAIS A Revolta dos Malês e outras formas de resistência ao regime escravista Durante muitos anos. Na época. fugas. In: R7 notícias. Disponível em: <http://noticias. em parte.. entre outras.r7. abortos. pois pesquisas atuais mostram que existiram diversos movimentos de luta contra a escravidão. os escravos muçul- vista e foi considerada um dos principais levantes pela liberdade na América Latina. reprimidos pela polícia. 59-60. o a noite de 24 para 25 de janeiro do ano de 1835 para realizar o levante. . abandono das fazendas pelos escravos. a Revolta dos Malês abalou o regime escra.] A resolução pode atender às principais reivindicações dos trabalhadores domésticos.

Quais os prováveis motivos que levaram à crença de que os escravos aceitaram pacificamente sua submissão. 228 História . Os principais líderes. Embora essas e outras revoltas populares tenham sido duramente reprimidas. MUNANGA. houve a presença de representantes das camadas po- pulares. 2006. que viviam nos quilombos Lagoa Amarela. inclusive. É correto afirmar que a escravidão se prolongou em decorrência da passividade dos africanos? Justifique sua resposta utilizando exemplos. ocorrida em 1798 também na Bahia. bem como textos fundamentais para a compreensão da resistência e das políticas afir- mativas que procuram combater a desigualdade gerada por esse processo. problemas e caminhos. em 1888. SOUZA. o que nos ajudam a questionar a visão de que a escravidão era aceita de forma passiva. 2007. Limoeiro. traz a história da diáspora africana para a Amé- rica. Destaca- -se ainda a participação de quilombolas. PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS Livros África e Brasil africano Aborda a cultura e a história de alguns dos povos africanos. assim como de alguns escravos ou libertos. Apesar de o motivo inicial ter sido as diferenças entre grupos políticos. o conflito envolveu lavradores. Nessa revolta. Luciano da Matta/Agência A Tarde/AE Desfile do Bloco Ilê Aiyê no carnaval de Salvador (BA). até sua queda definitiva. Marina de Mello e. Nilma Lino. Kabenguele. artesão. elas colaboraram para que o regi- me escravista se tornasse insustentável. A festa relembra em muitas canções a Revolta dos Malês. em 2012. A Balaiada foi outro movimento que contou com o apoio dos negros. 2. 1. entre outros da região. seus participantes clamavam pela abolição da escravatura. São Paulo: Ática. eram. com a abolição. indígenas e mestiços que lutavam contra o recrutamento forçado para as forças armadas. discuta-as com seus colegas e registre suas conclusões. João de Deus do Nascimento e Manuel Faustino dos Santos Liras. realidades. São Paulo: Global/Ação Educativa. a diáspora do continente à Amé- rica e os aspectos da cultura afro-brasileira hoje em dia. negros. Escreva um parágrafo registrando suas hipóteses. Para entender o negro no Brasil de hoje Redigido para ser utilizado nas aulas de EJA. camponeses. pardos. Na Conjuração Baiana (ou Revolta dos Alfaiates). que se inspirava na Revolução Francesa para exigir a independência do país. ocorrido entre 1838 e 1841 no Maranhão. GOMES. Para entender o negro no Brasil de hoje: história. PARA REFLETIR Leia as questões abaixo. Outros movimentos realizados durante a vigência da escravidão tiveram a colaboração de negros e mulatos. África e Brasil africano.

ed. Os índios antes do Brasil. Brasília: Unesco. 2007. 2010. Liberdade por um Fio: História dos Quilombos no Brasil. Bibliografia HISTÓRIA AGOSTINI. (Polêmica. FREYRE. GOMES. ed. Thomas E. Brasileiro. KUPSTAS. Maceió: Edufal. (Nossa História. 2. 2012. FAUSTO. João Carlos. 2004. Gilberto.). 2000. 1997.) CARNEIRO. Índios no Brasil. São Paulo: Moderna. Luis Donizete Benzi. Bethwell (Org. Douglas Cole. Rebelião escrava no Brasil: a história do levante dos malês em 1835. Brasília: Unesco. MOURA. 2011. 1984. BRASIL. Os antigos habitantes do Brasil. 6.) ALLAN. FUNARI. Negros da Terra: Índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. trabalho escravo. 2. 2002.). São Paulo: Editora Unesp. São Paulo: Companhia das Letras. Carlos. Preto no branco: raça e nacionalidade no pensamento brasileiro (1870-1930). J. São Paulo: Global. São Paulo: Companhia das Letras. (Cadernos da TV Escola. Conhecimento tradicional e estratégias de sobre- vivência de populações brasileiras. 1996. História geral da África: África do século XIX à década de 1880. nem pensar! São Paulo: ONG Repórter Brasil. Escravo. J. 1994. John M. Flavia de Barros Prado. História geral da África: África do século XVI ao XVIII. GRUPIONI. Rio de Janeiro: José Olympio. Secretaria de Estado da Educação. 1. São Paulo: Martins Fontes. LIBBY. v. São Paulo: Companhia das Letras. Junia Ferreira. O quilombo dos Palmares. v. (Debate na escola).. SKIDMORE. Casa-grande & senzala. ed. F. Identidade nacional em debate. sim senhor! Uma reflexão sobre nossa identi- dade. 2005. Índios do Brasil 2. 5.) FURTADO. ______ (Org. 2006. 2010. Trabalho livre.). Ministério da Educação. 1996.). Márcia (Org. (Orgs. ______. Imprensa Oficial. Rio de Janeiro: Zahar. Brasília: MEC/SEED. 2007. São Paulo: Moderna. REPÓRTER BRASIL. Pedro Paulo A. Edison. 2003. São Paulo: Annablume. REIS. 6º ano 229 . São Paulo: Companhia das Letras. MONTEIRO.

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UNIDADE 5 Geografia .

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Pode ser o bairro onde está situada a escola ou o bairro onde você mora. vereadores) e uma distribuição da população e das atividades em zonas rurais e urbanas. procure refletir sobre os efeitos das mudanças nos locais observados pelos estudantes. presença de rios. Depois. O primeiro passo é escolher um trecho a ser observado e descrito. Foram examinados também alguns elementos da exploração de riquezas da terra ainda no período colonial. atividades humanas. você vai observar e refletir sobre esse tema. ruas. Nesta atividade. Neste capítulo. indicando o que já conhece acerca dos elementos que formam o espaço geográfico.). baixadas etc. e também de vegetação. Nelas você encontrará informações sobre os lugares retratados e as datas em que as fotografias foram produzidas: 6º ano 233 . observe as imagens e responda às perguntas a seguir. Com seus colegas. vamos saber um pouco mais sobre como se constituem os es- paços onde se dá a vida humana no Brasil e em outras partes do mundo. Não se esqueça de ler as legendas. Cada município conta com poder público local (prefeito. apresente-as para sua turma. córregos. vales. observe como estão organizados edificações. portu- gueses e africanos. RODA DE CONVERSA O que você e seus colegas já sabem sobre a organização do espaço no município? Vale lembrar que o município é a menor divisão político-administrativa no Brasil. Procure descobrir as principais transformações ocorridas no local nos últimos anos.Capítulo 1 GEOGRAFIA Espaço geográfico e vida humana N os capítulos de História deste volume foram explorados alguns aspectos da formação da sociedade brasileira a partir do contato entre indígenas. Examine também como são as bases naturais do local: formas de relevo (ele- vações. transportes e outros. Escolhido o local. LER IMAGENS Agora. Por exemplo: foram construídas novas edificações? Surgiram prédios altos? Para quais finalidades? O que havia antes nesses locais? Registre suas observações no caderno ou em uma folha à parte.

Daniela Souza/Folhapress Vista da Estação da Luz em São Paulo (SP). 1902. 3. o que ajuda a explicar essas mudanças? 234 Geografia . Compare as imagens e registre as diferenças e semelhanças entre elas. 2011. Guilherme Gaensly Vista da Estação da Luz em São Paulo (SP). 1. Quais os elementos que você observou em cada fotografia? 2. Quais mudanças ocorreram no local ao longo do tempo? Em sua opinião.

as sociedades promovem mudanças no espaço com seu trabalho e algumas técnicas e tecnologias.O ESPAÇO GEOGRÁFICO Por meio de observações no bairro ou no município onde vivemos podemos tirar conclusões sobre o modo como o espaço geográfico é organizado. É importante dizer também que o espaço geográfico é uma das partes que constituem qual- quer sociedade humana. com o tem- conhecimentos científicos na elaboração po. esta- GLOSSÁRIO belecendo para eles novos objetivos e finalidades. formando um vale. Em sua origem. 6º ano 235 . energia hidrelétrica com a construção de barragens e usinas. Além disso. em via de transporte ou em recurso voltado à geração de das técnicas. As imagens apresentadas na atividade anterior ajudam a perceber e a compreender algumas transformações e permanências no espaço geográfico. é possível descobrir quem são os responsáveis pelas transformações que ocorrem nele ao longo do tempo e tirar conclusões sobre os prováveis efeitos dessas mudanças. ainda. Ou. De diferentes formas. Esses novos usos e objetivos são definidos pelas sociedades. meios de pode ter servido aos grupos humanos para o abastecimento transporte etc. se ele atende às necessidades coletivas ou Barcaças de transporte de combustível atracadas nas margens do rio Negro. Tecnologia: envolve a incorporação dos de água e alimentos. podemos avaliar se o modo como ele foi construído compromete ou não os recursos existentes. Mas o que é o espaço geográfico? Como ele se constitui? Como a sua organiza- ção pode ajudar a compreender as realidades do lugar ou do país em que vivemos? O espaço geográfico pode ser entendido como o produto ou o resultado das transformações do meio natural pela ação das sociedades humanas. ferramentas. Ao fazer isso. ele resulta das obras e trans- formações promovidas por elas ao longo do tempo. Afinal. Mas ele pode ser convertido. a avenida em frente à estação já não conta com trilhos para os bondes. o rio é um curso d’água que pode dar origem a diversas coisas criadas para atender às necessidades humanas: escoa em um canal. utensílios. Ao analisar o espaço geográfico. apropriam-se dos elementos da natureza. A estação da Luz ainda está no local. 2010. mas seu entorno foi modificado: surgiram pré- dios altos. Por- tanto. não é possível pensar uma sociedade sem considerar o espaço em que ela vive. em Manaus (AM). A imagem destaca um exemplo de um uso do rio atribuído apenas às de alguns indivíduos. há carros circulando nas ruas etc. Por exem- Técnica: procedimento ou habilidade que plo: do ponto de vista natural. Podemos falar em espaço geo- Ricardo Azoury/Pulsar Imagens gráfico a partir do momento em que as sociedades entram em cena. ele casas. pela sociedade: o de servir como via de transporte.

23. No caso do Brasil. Para saber mais sobre isso. Portanto. FERREIRA. L. 1969. AS BASES NATURAIS DO ESPAÇO GEOGRÁFICO Ao se apropriar da natureza e transformá-la. as sociedades estão produzindo espaço geográfico. Um fragmento da letra diz assim: Moro num país tropical. p. Universal Music. uma conhecida canção de Jorge Ben Jor oferece uma pista im- portante sobre as bases naturais do nosso território. O compositor ressalta que o Brasil é um país tropical. Graça M. realize a atividade a seguir: LER MAPA I Observe o mapa de climas do Brasil e responda às questões propostas. Assim. São Paulo: Editora do Brasil. Marcelo. está situado em uma zona com características climáticas típicas da chamada zona intertropi- cal. Jorge Ben. Faixa 3. abençoado por Deus E bonito por natureza. Brasil – Climas Ilustração digital: Maps World N 0 395 790 km O L S Fonte: MARTINELLI. mas que beleza. 2003. Atlas geográfico: natureza e espaço da sociedade. os elementos naturais constituem uma das bases dos espaços onde se dá a vida humana. Jorge Ben Jor. 236 Geografia .

temos menos chuvas no sertão nordestino. que uma floresta tropical úmida apenas de um era marcado sobretudo por desertos cujas lado do Atlântico? Mauricio Simonetti/Pulsar Imagens Detalhe da Mata Atlântica no Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba. rosa dos ventos (ou Para fazer uma boa leitura de um mapa. as águas eram geladas. por exemplo. são importantes instrumentos de compre- Repare que as cores do mapa servem para distinguir ensão da realidade. Aqui. em Santo André (SP). Os mapas sem. o litoral eram quentes. destacando um importante elemen- to. CONHECER MAIS A Mata Atlântica O encontro com a Mata Atlântica tanto dunas chegavam até as praias na costa dos entusiasmou quanto intrigou os portugueses Esqueletos. De modo geral. é preciso saber. na África. Os mapas riedade de fauna. com estiagem no inverno. 2011. caracterizado por médias elevadas de temperatura e chuvas mais abundantes no verão. Além no começo do século XVI. Mapas para compreender a diversidade natural do espaço geográfico como a floresta Amazônica e a mata Tropical Atlântica. de ações humanas. temos a presença de grandes florestas tropicais. A cartografia pode ser entendida como A essas coberturas vegetais está associada uma rica va- a arte e a técnica de fazer mapas. uma região de “clima tropical semiárido”. oceano Atlântico. na mesma latitude. Eles são úteis para apre- sentar a diversidade do espaço geográfico. legenda. escala. em quais áreas do país ocorrem temperaturas mais baixas? O mapa apresenta os principais tipos climáticos do Brasil. Elas são usadas para mostrar a seja ela de origem natural. No entanto. territórios representados e o significado das cas (traços na cor azul que indicam as linhas imaginárias. cores e dos símbolos utilizados. Por que esse contraste? Por africano. como a linha do Equador e o Trópico de Capricórnio). O clima nas áreas mais elevadas e no Sul do país tende a apre- sentar médias térmicas mais baixas. identificar os seta indicando a direção Norte) e coordenadas geográfi. seja resultante diversidade natural do território nacional. Do outro lado do disso. podemos dizer que predomina em nosso país o clima tropical. Isso já é suficiente para percebermos que o Brasil CONHECER MAIS possui grande diversidade natural. Nas zonas mais úmidas. no que é hoje a Namíbia.1. pre devem ter título. 6º ano 237 . Em sua opinião. já conhecido pelos exploradores. Quais são as áreas de clima mais úmido no território brasileiro? E as de clima mais seco? 3. O que esse mapa representa? Como você chegou a essa resposta? 2. No ano de 2012 restavam apenas 7% da cobertura original dessa mata. que é a quantidade de chuvas. diferentes tipos climáticos.

fechando um ciclo. GLOSSÁRIO tural. mas como explicá-las? Em outras palavras. que representa a superfície da Terra. novamente para o sul. p. As correntes marinhas dei. girando sempre no sentido referência (Hemisférios Leste ou anti-horário. Ao mesmo tempo que redesenhavam o tem que a umidade se condense e vire chuva. tendo a entre as quais a Mata Atlântica é o exemplo linha do Equador como referência (Hemisférios Norte e Sul) ou tendo mais cintilante. agindo com base em um ciclo de cor. em duas partes iguais. Hemisfério: a expressão significa rentes marinhas no Hemisfério Sul. é o maior metade de uma esfera. 2010. LER MAPA II Vimos alguns exemplos de diferenças entre os espaços. em todos os oceanos. p. ano 9. A superfície terrestre Ilustração digital: Mario Yoshida N 0 1 900 3 800 km O L S 0 0 Fonte: Atlas geográfico escolar: Ensino Fundamental do 6 ao 9 ano. o Meridiano de Greenwich como xam a Antártica. quais elementos contribuem para que os espaços terrestres apresentem diversidade? Antes de dar uma resposta a essas questões. 106. n. cidas. 2009. Refere-se responsável pelo surgimento de florestas à divisão da superfície terrestre chuvosas e biodiversas nos litorais orientais. tentemos analisar o mapa a seguir. Observe-o e responda às questões. os sábios navegadores lusitanos aos poucos perceberam que um mecanismo na. Ventos regulares garan- MIRANDA. São Paulo: Abril. 80. mapa-múndi desbravando terras desconhe. Era uma vez a Mata Atlântica: história de uma paisagem desenhada pelo mar. até fluírem Oriental e Oeste ou Ocidental). 238 Geografia . Rio de Janeiro: IBGE. Perceber essas diferenças é importan- te. jan. Evaristo de. National Geographic Brasil. 38-55.

2. 6º ano 239 . 1. em relação às terras da metade Sul. Essa distribuição desigual resulta da ação de forças naturais ao longo de bilhões de anos. A cidade está situada na Serra da Mantiqueira. Há maior extensão de terras na faixa que fica ao Norte. podemos encontrar também uma grande diversidade de formas e eventos naturais. Observe as imagens: João Prudente/Pulsar Imagens Montanhas e araucárias na zona rural do município de Brazópolis (MG). chamadas superfícies continen- tais. o Hemisfério Sul. no sul de Minas Gerais. 2012. Ao observar mais detalhadamente as superfícies continentais da Terra. Os 30% restantes correspondem às terras emersas. O que se pode afirmar sobre a distribuição dos continentes e dos oceanos na superfície terrestre? A DIVERSIDADE NATURAL DO ESPAÇO GEOGRÁFICO Cerca de 70% da superfície da Terra está recoberta por mares e oceanos. 2010. em Alto Paraíso (GO). Observe o mapa e identifique pela cor as terras emersas (continentes) e as superfícies líquidas (ocea- nos) na superfície da Terra. Rubens Chaves/Pulsar Imagens Árvore de embaúba entre a vegetação de Cerrado da Chapada dos Veadeiros. o Hemisfério Norte.

) e de forças externas (água. Entre esses fatores estão: a emissão e a recepção de raios solares − esta última variando conforme a posição das regiões da Terra −. aérea e aquática do planeta damos o nome de biosfera. compostos por fragmentos de rochas e minerais. ventos. geleiras e outras). além de organismos vegetais e animais decompostos. Essas águas. formas de relevo e outros − e a distribuição dos seres vivos. As águas continentais − há uma distribuição extremamente variada das águas na superfície dos continentes. 240 Geografia . em lençóis subterrâneos. As condições atmosféricas − a camada de ar que envolve a Terra. possui uma dinâmica que produz diferentes características climáticas. pressão atmosférica. Ao conjunto formado pelos seres vivos de toda a zona terrestre. As formas de vida − a vegetação e a fauna são bastante variadas na superfí- cie terrestre e também no meio aquático. difíceis de subir ou descer. As diferentes formas da superfície resultam da ação de forças internas (terremotos. localizado na Rússia. nas geleiras e nos topos nevados das altas montanhas. córregos e lagos. 2011. Existe também grande diversidade de solos. perfície terrestre compõe a chamada litosfera. nos Montes Urais. a parte sólida da crosta escarpados. disponibilidade de água e alimentos. nos polos. vulcanismo etc. terrestre. com cadeias de montanhas. A su. vales e outras. encostas íngremes. A diversidade natural observada na superfície dos continentes resulta de com- binações entre quatro grupos de elementos: As formas de relevo − a superfície terrestre é marcada por grande GLOSSÁRIO diversidade de formas e níveis de altitude. velocidade dos ventos. e podem também ser encontradas abaixo da superfície. fazem parte da hidrosfera. Íngremes: bastante inclinados em relação ao planaltos. terras planas e baixas. ou congeladas. plano horizontal. Andrey Podkorytov/Alamy/Otherimages Pico Manaraga. com os oceanos e a água presente na atmosfera. chamada atmosfera. Isso resulta em variações de temperatura. A biodiversidade − ou diversidade da vida − da superfície terrestre decorre das combinações entre os elementos naturais – como clima. regime de chuvas e outros elementos do clima. As águas formam rios. os movimentos das massas de ar e a distribuição das superfícies sólidas e líquidas.

Do trabalho e das necessidades de garantir a existência das sociedades surge um importante componente da vida social humana: a economia. formadas por trabalhadores. pesquisas científicas. Anote como são. vegetação. QUEM PRODUZ ESPAÇO? Vamos examinar com mais detalhes os grupos e as atividades humanas res- ponsáveis pela produção do espaço geográfico. comércio.). Criaram habitações e instrumentos e praticavam o cultivo de alimentos. as formas de relevo. Assim. Registre as informações e discuta com seu grupo situações em que os usos das bases naturais vêm comprometendo os recursos disponíveis. serviços diversos e outras. Essas atividades estão diretamente ligadas à produção. 6º ano 241 . É importante que o grupo indique também possíveis soluções para os problemas apontados. as sociedades vêm criando ou transformando o es- paço geográfico para diferentes finalidades. PESQUISAR Com um grupo de colegas. habitações. Para garantir sua sobrevivência. vegetal e animal. OS ESPAÇOS HUMANOS Ao longo de sua história. organizaram os espa- ços para a vida humana. córregos e lagoas são usados para o despejo de lixo e esgotos. fauna e tipos de clima da área. Dessa forma. à circulação e ao consu- mo de bens e riquezas. Por exemplo. Dessa vez. de modo geral. os grupos humanos. pesca e coleta de frutos. roupas etc. Com a chegada dos portugueses. Vimos que a presença humana no ter- ritório que hoje forma o Brasil é muito antiga. Os povos que aqui existiam viviam de caça. fábricas. Não se esqueça de anotar as variações de temperatura e como se distribuem as chuvas ao longo do ano. produziram espaço. ela era movida por interesses na obtenção de lucros e riquezas pelos colonizadores. novas formas de uso e produção dos espaços foram instituídas: houve a exploração de pau-brasil. Prepare um painel ilustrado sobre o tema e apresente-o para sua turma. ou seja. é o grande responsável pela constituição do espaço geográfico. Hoje ela é cons- tituída por um conjunto de atividades complexas. observe se rios. caracterizando outra forma de produzir espaço geo- gráfico. a construção das primeiras vilas e a criação das capitanias hereditárias. práticas de extração e processamento de matérias-primas de origem mi- neral. desde épocas mais re- motas. descreva em detalhes as bases naturais do município ou da região em que você vive. o trabalho humano. a implementação do plantio de cana-de-açúcar e dos engenhos. passaram a produzir bens materiais (alimentos. em suas variadas formas e diferentes objetivos.

Trecho da ferrovia Santos-Jundiaí (SP). 1882. já é possível entrar em contato instanta- neamente com pessoas de outros países. com os meios de comunicação. Ao longo do tempo. seja para mandar mensagens com textos e imagens. entre outras coisas. seja por meio de um bate-papo virtual. Rio de Janeiro. O melhor exemplo é o das cidades. o rompimento do isolamento geográfico – embora ainda existam grupos que vivam afastados do res- tante da sociedade. para transpor distâncias. portanto. Esses meios possibilitam. ou seja. as sociedades desenvolveram também meios de transporte e comunicações para permitir contatos entre diversos lugares e pessoas. o transporte do café produzido nas fazendas paulistas. 242 Geografia . Hoje. criaram espaços em que é possível estabelecer re- lações sociais de maneira mais intensa. Para obter os bens necessários à reprodução de sua vida. Mapoteca do Palácio Itamaraty. como alguns povos indígenas no Brasil. Para tanto. os seres humanos organizaram-se para atuar juntos e de forma coletiva. aglo- merações criadas para permitir que as pessoas possam viver juntas e em situação de proximidade. É isso que caracteriza a vida em sociedade. A ferrovia foi construída em meados do século XIX para facilitar.

o capitalismo. já que. Como veremos em outros capítulos. A desigualdade tem uma expressão espacial: basta observar os diferentes ti- pos e tamanhos de moradias em uma cidade. 6º ano 243 . elas resultam em conflitos e em lutas por direitos. Tais obras ou objetos tornam-se componentes do espaço geográfico. Ele faz isso por meio da execução de obras públicas. 2010. portos e redes de transmissão de energia. As manifestações artísticas são um exemplo da vida cultural no espaço geográfico. nele. como greves de trabalhadores ou ocupações de terras no campo e na cidade. as sociedades humanas criaram formas de organização do poder político. na página seguinte). ou o poder público. Com frequência. É essencial destacar que as sociedades possuem inúmeras diferenças internas. Ele é um grande responsável pela geração de desigualdades sociais. Além das atividades e dos espaços. usinas hidrelétricas. alguns se apropriam das rique- zas enquanto outros vivem com muito pouco. como a construção de rodovias. Delfim Martins/Pulsar Imagens Festival de Folclore de Parintins (AM). isso está associado ao modo como se desenvolve o sistema econômico e social em que vivemos. como as existentes entre pobres e ricos ou entre diferentes regiões. também é um agente da produção do espaço. O Estado. constituído na figura do Estado (veja o texto “O Estado moderno”.

Compõem esse quadro social (portanto. pelo Estado Os Estados modernos exercem diversas funções e ati- possui inúmeros órgãos técnicos e administrativos e vidades: elaborar e executar políticas públicas. ciais que vivem no mesmo país) e o território. deral. da educação. comunicações e energia. No caso do Brasil e de outros infraestrutura de transportes. ca. As estruturas de deputados federais e senadores são os representantes poder político (o Estado). No Brasil. ruas são asfaltadas etc. relacionadas à língua. Para que esses poderes funcionem. for. construir funcionários públicos. Vejamos dois exemplos concretos: Uma pessoa leva duas horas para ir de casa ao trabalho todos os dias. organizar a participação políti- estados. Eles vão ocupar mos gerais. que corresponde à ideia de país. Vale a pena lembrar que indivíduos e grupos também participam da produ- ção do espaço. Por exemplo. Um indivíduo que se desloca todo o tempo em seu automóvel. a eleições livres e democráticas. à religião. mesmo que seja para cumprir curtas distâncias. CONHECER MAIS O Estado moderno Vivemos hoje em um mundo constituído por Esta. esses poderes estão organizados em diversos cuidar da saúde. mas também por fluxos. como Rio de Janeiro. ele se refere à organização do poder político o poder no Estado por determinado período. ocupam os diferentes níveis de poder. do níveis territoriais: o federal (ou nacional). Pernambuco etc. Mas o que é o Estado? Em ter. país que conquistou o direito Vejamos alguns exemplos: o presidente da Repú. do saneamento básico. representantes eleitos pela população. e governo. garantir direitos e estabelecer relações com as demais cal (os municípios). entre outras. junto com a nação (grupos so- eleitos pela população para o Congresso Nacional. o regional (os ambiente e das fronteiras. e reúne instituições como o Poder Executivo. o Poder Conforme o regime político de cada país. Essa localização dos espaços de moradia e trabalho tem implicações no seu dia a dia e até em suas ex- pectativas e projetos de vida. Sua presença ou seu movimento contribuem efetivamente para que os espaços sejam transformados. espacial) complexo os direitos e os deveres de cada cidadão e as características culturais das diferentes sociedades. compõem mado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Fe. Ao mesmo tempo. rede de energia elétrica e outras −. prédios. ruas. às expressões artísticas ou às origens étnicas. 244 Geografia . países. deslocamentos e interações sociais. o Estado-nação moderno.) e o lo. O governo é formado por grupos políticos e dos nacionais modernos. surgem novas linhas e paradas de ônibus ou metrô. É importante não confundir Estado nações. diversas forças políticas blica é o chefe do Poder Executivo federal ou nacional. o acesso ao Legislativo e o Poder Judiciário. a partir do deslocamento de pessoas de casa para o trabalho todos os dias. Tais características contribuem para delimitar e organizar os espaços e a vida social. poder pode variar. É importante ressaltar que o espaço geográfico é composto não só pelas bases materiais − casas. pois ela vive na periferia da cidade e seu emprego fica no centro. podemos di- zer que o modo como o espaço geográfico foi produzido interfere nas relações sociais − o que não significa que isso não possa ser alterado. pode estar restringindo o contato com pessoas.

procure dois exemplos de atividades que interferem na produção do espaço geográ- fico. o das bases de pesquisa científica instaladas na Antártica. Registre aqui o que você encontrou. de áreas onde moram pouquíssimas pessoas por metro quadrado. a cobertura vegetal é retirada e cede espaço para novas atividades humanas. capazes de abrigar pessoas por longos períodos sob temperaturas de dezenas de graus abaixo de zero. APLICAR CONHECIMENTOS I 1. muitas vezes por causa do uso inadequado e até ilegal des- sas áreas. ou seja. essas áreas representam cerca de um quarto da super- fície continental. os desertos quentes (Saara e Kalahari. ainda. as altas montanhas e as grandes florestas tropicais. na África) e frios (Gobi. Entre essas áreas estão. Um exemplo é o das modernas cidades do Oriente Médio ou do oeste dos Estados Unidos. por exemplo. ou. na Mongólia). Entretanto. No caso das florestas tropicais. A situação dos ambientes naturais. O que os grupos humanos devem construir para conseguir atuar de forma coletiva? 3. construídas em pleno deserto. Com a classe. embora não seja a única e definitiva razão. ajuda a explicar a existência de vazios populacio- nais na superfície terrestre. há diferentes formas de ocupação ou povoamento. é importante ressaltar que gradativamente as sociedades desenvol- veram tecnologias para superar obstáculos naturais e permitir a presença humana em lugares antes considerados inóspitos. Somadas. mas estão ocupadas por apenas 2% da população mundial. O que é necessário às sociedades humanas para que elas possam garantir sua sobrevivência? 2. existem vários fatores resultantes da ação humana que promovem a diversidade dos espaços (diversidade humana). veremos alguns desses fatores. A DISTRIBUIÇÃO DAS POPULAÇÕES HUMANAS Dependendo das condições naturais e humanas de cada espaço. A DIVERSIDADE DOS ESPAÇOS HUMANOS Assim como há diversidade natural. A se- guir. 6º ano 245 .

Concentração da população – Início da era cristã N 0 1 900 3 800 km O L S Concentração da população – 1800 Ilustrações digitais: Maps World N 0 1 900 3 800 km O L S População 246 Geografia . LER MAPAS III Comparando os mapas a seguir. observe como se desenvolveu a distribuição da população mundial ao longo da história.

o segundo maior país do mundo. de populações humanas. Concentração da população – 2003 Ilustração digital: Maps World N 0 1 900 3 800 km O L S População Fontes dos mapas: BRUNET. Exemplo: norte da África. éramos cerca de 7 bilhões de habitantes sobre a Terra. no mapa “Concentração da população – 2003”. MARTINELLI. 1990. Olivier. L. 71. como na Índia e na China. Leste e Oeste para responder. Ao longo do tempo. Observe. Os espaços atuais. por exemplo. Os mapas representam quantidades. Adensamento: ato ou efeito de adensar-se. no caso. Quais partes da superfície continental eram mais ocupadas no início da era cristã? Com a ajuda de seu professor. 6º ano 247 . Em 2011. Houve um notável crescimento da população mundial nos últimos dois milênios. que essas são áreas populosas e de grande densidade demográfica. em especial a partir do século XIX. p. 2003. o quarto maior país do mundo em exten- são territorial. concentrar-se. utilize os pontos cardeais Norte. em alguma medida. Mondes nouveaux. para mais tarde buscar as áreas interiores. GLOSSÁRIO Com os três mapas é possível visualizar o aumento e a distribuição da po. São Paulo: Editora do Brasil. Na sua opinião. DOLLFUS. existe desigualdade na distribuição da população no mundo? Explique sua resposta. Graça M. Enquanto a China. Paris: Hachette/RECLUS. 1. que a população da China e do Brasil concentra-se predominantemente junto ao litoral. Densidade demográfica: a população é tão grande que os pontos formam manchas.35 bilhão de pessoas. Compare os três mapas. A distribuição de população também varia bastante entre os países. Sul. pulação ao longo do tempo. 2. Em alguns casos. Isso significa quantidade de habitantes por quilômetro quadrado. o Canadá. Atlas geográfico: natureza e espaço da sociedade. ainda carregam essa herança. Quais alterações na distribuição da população ocorreram entre o ano de 1800 e o período atual? 3. As populações originalmente procuraram se concentrar junto às faixas litorâneas e às margens de rios. Marcello. FERREIRA. ocorreu também o adensamento da população da Europa e da Ásia e o crescimento populacional na África e na América. Roger. contava com 1.

As diferenças observadas na distribuição da população estão associadas a elementos como criação de cidades e aspectos econômicos. Assim. tecnoló- gicos e culturais. observe a evolução da distribuição da população brasileira. faça a atividade proposta a seguir: LER MAPAS IV Comparando os mapas a seguir. possuía apenas 34 milhões de habitantes. políticos. também houve variações ao longo do tempo na distribuição da população e nas densidades demográficas no Brasil. temos situações de vazios populacionais e outras de verdadeiros “formi- gueiros” humanos. Sobre o assunto. DENSIDADES DEMOGRÁFICAS: O CASO DO BRASIL Assim como em outras partes do mundo. Distribuição da população brasileira – 1960 Ilustração digital: Mario Yoshida N 0 300 600 km O L S 248 Geografia .

pdf>. Acesso em: 10 abr. 1. ed. Distribuição da população brasileira – 2007 Ilustração digital: Mario Yoshida N 0 330 660 Km O L S Fontes dos mapas: IBGE. Existe desigualdade na distribuição da população no território brasileiro? Explique sua resposta. Disponível em: <www. o que é um fator de diversidade do espaço geográfico. Os mapas mostram que há desigualdades na distribuição da população no território brasilei- ro. as cores mais escuras representam maior grau de intensidade do fenômeno representado. 5. 2012. ao contrário. Atlas geográfico escolar. indicam maior número de habitantes por km2. os tons mais escuros. em um mapa de tipo ordenado. O que se pode dizer sobre a evolução da distribuição da população e as densidades demográficas no território brasileiro no período? 3.gov. Portanto. 2009. Compare os dois mapas. Repare que nos mapas estão sendo usadas tonalidades de cor que vão do amarelo-claro ao mar- rom mais escuro. Esse tipo de representação se chama ordenada. Há também elevada concentração de pessoas nas capitais dos estados e nas principais cidades. 6º ano 249 . Rio de Janeiro: IBGE. é possível notar que os maiores índices de densidade demográfica estão situados na faixa litorânea e no Centro-Sul do território nacional.ibge. Quais recursos da cartografia foram utilizados nos mapas para mostrar as densidades demográ- ficas no Brasil? 2. Observando o que ocorreu nas últimas três décadas. As cores estabelecem uma dada ordem: os tons mais claros indicam menor número de habitantes por km2.br/ibgeteen/atlasescolar/mapas_pdf/brasil_densidade_demografica.

Ale Ruaro/Pulsar Imagens Comércio na cidade de Cuiabá (MT). fábricas. O que há em comum entre as cidades é o fato de que elas necessitam de infraestrutura. que exercem funções semelhantes. Ao longo do tempo. Entre eles estão. Como vimos antes. assim. centros de comércio e serviços (so- bretudo em cidades). 250 Geografia . educação. DIVERSIDADE ECONÔMICA As atividades econômicas são um importante elemento de diferenciação entre os espaços. AS CIDADES As cidades vêm sendo construídas há pelo menos 5 mil anos em praticamente todas as sociedades. A cidade é. em cidades de diferentes países. Daí resultam diferentes configurações espaciais da atividade econômica. É importante assinalar a presença. como áreas agrícolas. a obra humana por excelência. distritos industriais. hoje. foram criadas para permitir contatos e interações humanas e reduzir as distâncias entre pessoas e grupos. entre outras. serviços e equipa- mentos (saneamento básico. de obras. ou anúncios publicitários. ca- deias de lojas e lanchonetes. criação de gado. São espaços humanos cuja característica principal é a aglo- meração de pessoas. saúde. transportes. unidades especializadas em pesquisa científica e tecnológi- ca. centros religiosos e lugares de atividades econômi- cas e trocas culturais. shopping centers.). abastecimento de água e energia etc. a economia é um campo da atividade humana re- lacionado à produção. circulação. Funcionam como sede do poder político. 2011. atividades e elementos espaciais muito parecidos entre si. por exemplo. distribuição e consumo de bens.

ferrovias. Observando. Em primeiro lugar. um mapa dos meios de transporte no Brasil. meios de participação política e atividades econômicas cria diferenças entre os países. Nem sempre esses equipamentos estão presentes em todas as cidades ou em todos os espaços no meio rural. não possuindo tecnologias próprias em diversos campos. A extensão e a unidade de cada país geralmente re- sulta de um longo processo de conflitos. O domínio de tecnologias produtivas também permite o assenta. em con- traste com a baixa disponibilidade desses meios em grandes porções das regiões Norte. Isso significa que os países pobres precisam pagar pelo uso e pelo acesso às novas tecnologias. com as redes de produção e distribuição de energia e de comunicações. Por exem- plo. sementes melhoradas e imagens de produção de bens. Isso também acontece. Em relação à organização interna. cada qual com seu terri- tório definido e delimitado. linhas de transmissão de energia ou antenas para telecomunicações em diferentes regiões e países é exemplo disso. DIFERENÇAS TECNOLÓGICAS E DIVERSIDADE DOS ESPAÇOS HUMANOS As diferenças (e desigualdades) tecnológicas estão refletidas nos espaços cons- truídos pelas sociedades. uma série de leis. Há. na eletrônica. é possível notar diferenças quanto à localização e à exten- são dos territórios nacionais. Um exem. Política A diversidade do espaço geográfico também é marcada por elementos polí- ticos. 6º ano 251 . entre centros de pesquisa tecnológica situados em países ricos e distritos in- dustriais localizados em países em desenvolvimento. regras de convivência social. Nordeste e Centro-Oeste. é pos- sível verificar que há maior densidade de rodovias no Centro-Sul do país. por exemplo. uma distribuição desigual dos recursos. portanto. como já ocorre em diversas regiões do Brasil. disputas territoriais ou acordos. Ao observar um mapa-múndi político. regiões e lugares. A diversidade geográfica que resulta das atividades econômicas também pode ser observada com base nas diferenças entre países. podemos verificar que vivemos em um mundo formado por países (ou Estados nacionais). Vale assinalar que a maior parte dos novos conhecimentos científicos e das novas tecnologias está concentrada nos países ricos. em boa medida. Vale notar que o peso político de um país ou grupo de países no cenário internacional está associado ao seu poder político. e de satélites de comunicação. O maior ou menor número de rodovias. Tecnologia produtiva: tecnologia ligada à plo disso é o uso de máquinas. guerras. Existem diferenças também em relação à presença de equipamentos de in- formação baseados na informática. econômico ou militar – como é o caso dos Estados Unidos.GLOSSÁRIO mento humano ou a realização de atividades econômicas. satélite para monitorar solos e cultivos nas áreas de agricultura mo- derna.

10. SECRETARIADO DA CONVENÇÃO SOBRE DIVERSIDADE BIOLÓGICA. era falada somente por cerca de cem pessoas que viviam nas monta- nhas do país. É a combinação de formas de vida e suas interações umas com as outras e com o ambiente físico que torna a Terra habitável para os seres humanos. 3. Muitas vezes. Panorama da Biodiversidade Global 2. pela forma das habitações. Portanto. A cultura engloba modos de vida. pois foram substituídas pelas línguas adotadas como oficiais. animais e minerais. É por isso que muitos povos indígenas na atualidade procuram recuperar suas línguas originais (e. destacando se discorda ou concorda com ela. Muitas línguas nativas foram extintas ou possuem hoje poucos falantes. regulando o clima. muda com o passar do tempo. APLICAR CONHECIMENTOS II 1.mma. Com a morte dessas línguas. Ela pode se manifestar no espaço pela pre- sença de templos religiosos.br/estruturas/chm/_arquivos/GBO2-part1. 2009. valores. países e regiões também estão intima- mente ligadas à produção do espaço geográfico. Outro exemplo é o abandono de culturas agrícolas e hábitos alimentares tradicionais em razão de influências externas. escreva no caderno um texto sobre o significado de espaço geográfico. Escreva um comentário sobre a afirmação a seguir. várias línguas de povos indígenas foram extintas no processo de colonização e outras são faladas apenas pelos membros mais velhos das comu- nidades. Por exem- plo. 252 Geografia . as bases naturais do espaço geográfico e os espaços humanos. crenças e a maneira como os grupos estabelecem relações entre si e com os ambientes. inundações e pragas) e fornecem uma base para as culturas humanas.gov. diminui a diversidade cultural da humani- dade. por detalhes da arquite- tura e outros. Um exemplo é o da língua inglesa. 2. Vale lembrar que a padronização cultural ocorre também com a criação dos Estados nacionais. influências externas provocam alterações nos hábitos culturais. parte importante do seu patrimônio cultural). Cultura As diferenças culturais entre povos. Montreal. na nossa vizinha Bolívia. No Brasil. oferecem proteção contra desastres naturais e doenças (por exemplo. manifestações artísticas. Acesso em: 17 abr. no final da primeira década do século XXI. Disponível em: <www. a língua kallawaya.pdf>. Nessa língua estão registrados ricos conhecimentos médicos sobre plantas. Muitos deles já elaboraram livros didáticos e de literatura para ensinar às crianças a língua nativa. Os ecossistemas fornecem as necessidades básicas da vida (tais como água. e o próprio ar que respiramos). comida. É importante lembrar que a cultura de uma sociedade é sempre viva e dinâ- mica. que é falada por diferentes povos e países por causa da dominação colonial ou dos meios de comunicação atuais. Com base no que você estudou no capítulo. portanto. p. 2006. Descreva duas características do meio natural e dos espaços humanos no seu município.

Leia o texto a seguir e destaque aspectos do modo de vida e da organização dos espaços de vida do povo em questão: Todos os anos. MILANEZ. temem pela devastação da mata ciliar e acusam as obras de barragens para usinas hidrelétricas como responsáveis pelo fim dos peixes. Censo Demográfico de 2010.51 26. Os mais jovens respeitam o alerta de Kawali − na crença da tribo.93 15. foi um desastre. nas épocas da cheia e da piracema. porém. examine a tabela a seguir: Distribuição da população rural e urbana no Brasil (2010) Urbana (absoluto) Rural (absoluto) Urbana (percentual) Rural (percentual) Brasil 160 879 708 29 852 986 84. 5.shtml>. 2012. Faltou peixe.com. os enauenê-nauês constroem barragens tradicionais.br/noticia/ambiente/conteudo_481269. quando ocorrem as migrações anuais para reprodução.87 Região Sudeste 74 661 877 5 691 847 92.49 Região Nordeste 38 816 895 14 261 242 73.92 7.35 15. Tramas de cestos e troncos filtram a passagem das águas do rio Juruena e seus afluentes.65 Região Norte 11 663 184 4 202 494 73. A última pescaria dos enauenês. um dilúvio pode alagar o mundo. considerando os percentuais de habitantes no campo e na cidade? 6º ano 253 . mas sabem que o clima e o regime de chuvas estão mudando. conta o velho xamã [líder espiritual] Kawali. Acesso em: 18 abr. National Geographic Brasil.abril.4.18 Fonte: IBGE. Disponível em: <http://planetasustentavel. E capturam toneladas de peixes.13 26. Sobre aspectos da população brasileira atual. 2009. e ele viria de uma barragem mitológica −. a) Como está distribuída a população brasileira atual. Felipe. as waiti.08 Região Sul 23 257 880 4 126 935 84. no norte do Mato Grosso. “Os espíritos devem estar zangados”. set.82 11.07 Região Centro-Oeste 12 479 872 1 570 468 88. que são consumidos ao longo de quatros meses no ritual yakwã.

br/ibgeteen>.br/brasil500/index2.gov. 2012. Disponível em: <http://viajeaqui. Acesso em: 2 jul. 2009. IBGE. Geoatlas Atlas com diversos mapas e textos para consulta e pesquisa. Rio de Janeiro: IBGE. Revista Dossiê terra Edição especial da revista National Geographic Brasil com dados sobre população. IBGE Dados atualizados sobre o Brasil. b) Das regiões brasileiras. National geographic brasil Portal com dados sobre a diversidade natural e humana dos espaços no mundo e no Brasil. Dossiê Terra: o estado do planeta 2010. quais são as duas com maiores percentuais de população que ainda vive no campo? c) Qual é a região brasileira com maior percentual de população urbana? Cite duas grandes cida- des situadas nesta região. 2010. SIMIELLI.ibge. Disponível em: <www. 254 Geografia .html>. PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS Atlas Atlas geográfico escolar Traz mapas do Brasil e do mundo sobre diversos temas.br/national-geographic/>. economia.gov. 2012. Sites Brasil: 500 anos de povoamento Apresenta figuras e textos com dados e processos sobre a formação do território e da sociedade brasileiros. 2011. natureza e território. Geoatlas.abril. Disponível em: <www. economia e natureza. São Paulo: Abril. Atlas geográfico escolar. São Paulo: Ática. com destaque sobre população. Acesso em: 2 jul. Acesso em: 2 jul.ibge. Maria Elena.com. 2012.

Capítulo 2 GEOGRAFIA O campo e a cidade A o longo do tempo. 2012. Fizeram isso aproveitando os recursos oferecidos pela natureza e desenvol- vendo técnicas para garantir abrigo. as diferentes maneiras como os gru- pos estabeleceram relações com a natureza reforçam a grande diversidade exis- tente entre os espaços humanos. Sua existência também é um reflexo da diversidade de espaços humanos. tendo a zona urbana em primeiro plano e a zona rural ao fundo. as sociedades foram estruturando seus espaços de vida. 6º ano 255 . Neste capítulo. vamos nos aprofundar em dois tipos de espaço organizados pelas sociedades. Aliadas à diversidade natural. água e alimentos. examinando suas principais características: o campo e a cidade. João Prudente/Pulsar Imagens Imagem panorâmica da cidade de Bauru (SP). que são essenciais para a sobrevivência.

criados pelas sociedades: estradas. fábricas. 256 Geografia . usi- nas hidrelétricas. portanto. Mas o que é a paisagem? Em que essa ideia nos ajuda a perceber as variadas formas de organização espacial? A paisagem pode ser entendida como tudo aquilo que a nossa vista alcança. que meios de trans- porte eram utilizados. a fração do espaço geográfico que é possível abarcar com a visão. E o que são esses objetos? São objetos espaciais. como era a propriedade rural: grande ou pequena? Quais eram os cultivos? Criavam-se animais? A produção era obtida com o uso de máquinas ou com ferramentas simples? Como se obtinha a água para as plantações e o gado? A cidade ficava muito distante? Se você nasceu e viveu em uma cidade. determinada combinação entre esses objetos. torres e fios de transmissão de energia elétrica. na época? A cidade em questão dispunha de comércio e serviços de forma adequa- da? Que meios de transporte eram utilizados? Após os depoimentos. É importante que cada aluno dê sua opinião sobre o que significam esses espaços para a vida humana. a proposta é que a turma indique diferenças entre o campo e a cidade. participe de uma roda de conversa sobre o campo e a cidade. qual era o tamanho dela? Qual era a sua população aproximada. aeroportos etc. Cada paisagem forma um conjunto único e diferenciado de formas naturais e artificiais – predominando cada vez mais essas últimas. quais são as atividades econômicas predominantes. Fale de suas experiências vivendo no campo ou na cidade e das principais características de cada um desses espaços. RODA DE CONVERSA Com os colegas de turma e o professor. Cada paisagem apresenta. Por exemplo. em um dado momento. cidades. A diversidade que encontramos ao comparar diferentes paisagens é dada pe- los diferentes usos e funções dos objetos presentes. se você nasceu e passou a infância no campo. A ideia é que cada um dê um depoimento sobre o seu lugar de origem. se há pessoas circulando e outros detalhes. Observando uma fotografia. Vale notar que podemos encontrar em uma paisagem elementos construídos em épocas passadas convivendo com as construções mais recentes. fazendas. portos. PAISAGENS DO CAMPO E DA CIDADE Uma maneira de reconhecer e analisar a organização do espaço no campo ou na cidade é por meio da observação de paisagens. podemos perceber como estão dispostas as edi- ficações. Ela é.

Instituto Moreira Salles Foto de Marc Ferrez da avenida Central. 6º ano 257 . gelatina/prata. Óleo sobre tela. que retratam paisagens do campo e da cidade em diferentes épocas: Coleção particular João Batista da Costa. no Rio de Janeiro. c.5 × 72. 1895. LER IMAGENS Observe as imagens a seguir. 51. 1910. Negativo original em vidro.5 cm. no Rio de Janeiro. Fazenda Santa Clara.

em Formoso do Araguaia (TO). consultando 258 Geografia . 2005. Delfim Martins/Pulsar Imagens Colheita mecanizada de arroz. Elabore a representação de uma paisagem do lugar onde você vive. Sublinhe o nome dos lugares apresentados nas imagens e a data de cada uma delas. selecione outras imagens de paisagens do campo e da cidade. 2. no município de Itajaí (SC). 4. destacando os elementos naturais e os elementos que foram produzidos pelo ser humano. 2012. Com alguns colegas. Destaque os elementos naturais e humanos que aparecem nela. 1. Descreva cada uma das imagens. 3. esboço de mapa ou colagem. Ernesto Reghran/Pulsar Imagens Vista aérea da praia Brava. fazendo um desenho.

as cidades cumpriram a função de permitir que as pessoas pudessem viver juntas. Por exemplo: a constru- ção de prédios altos.) ou serviços de assistência técnica para equipamentos rurais. descrever ou comparar os objetos que as compõem e o seu arranjo. o bairro ou a escola − mais familiares ou mais próximos. 6º ano 259 . hoje. por sua vez. Elas apresentam alguns elementos importantes das transformações no espaço geográfico. esse processo marcou o modo de vida rural. menor varie- des. bairros residenciais de alta e baixa rendas ou paisagens de um local em diferentes momentos. o aumento da circulação de pessoas e veículos. o e levaram ao meio rural uma maior diversidade social e modo de falar e de vestir. coisa. Entre eles. Com base nelas podemos refletir também sobre mudanças no campo e na cidade. Registre as principais conclusões e apresente-as para o restante da turma. novas cidades. pela dispersão de pessoas e atividades e por ter seu tra- ções e grande diversidade social. aproximando-as e garantindo formas cole- tivas de existência. por exemplo. dade de tipos humanos). em especial − vin- − em especial as cidades de grande porte. É interessante observar que muitas cidades brasileiras trazem em sua paisagem marcas da ativi- dade econômica que predomina na região. jornais. culado à terra e baseado em ciclos naturais. identificar. Desde as épocas mais remotas. edifícios. é um espaço caracterizado cadas pela concentração de pessoas. são comuns estabelecimentos de venda de máquinas e insumos agrícolas (tra- tores. além de hábitos culturais e de ram a dependência em relação aos ritmos da natureza consumo típicos dos ambientes urbanos. Na leitura de paisagens podemos observar. edifica. atividades. As imagens que vimos anteriormente mostram diferentes representações de paisagens em períodos diversos da história brasileira. com certa homogeneidade social (ou seja. muita gente ainda vive no campo. O termo “urbanização” surgiu econômica. CONHECER MAIS Cidade e campo. com a chamada moder- dificando a paisagem rural e gerando novos processos nização do campo. revistas ou a internet. as inovações tecnológicas diminuí- econômicos e sociais. Durante lon- E como se pode definir o urbano? No mundo de go tempo. mar. a praça. distri- tos industriais. O ponto de partida são os espaços de vivência − a rua. a presença de máquinas e equipamentos nas colheitas agrícolas etc. O campo. cultural e econômica balho − cultivos e criação de animais. mo. Hoje. ou o aumento da população urbana em mos entre si. As cidades são obras humanas complexas. urbano e rural Os conceitos de cidade e de urbano são muito próxi. mas não significam exatamente a mesma relação à rural. sementes etc. A URBANIZAÇÃO NO MUNDO ATUAL A vida urbana vem se desenvolvendo há pelo menos cinco milênios – desde os primeiros núcleos criados na região conhecida como Mesopotâmia (onde hoje é o Iraque). mas ainda para destacar o crescimento ou o surgimento de não trabalha diretamente em atividades agrícolas. Em Campo Grande e Dourados (MS) ou em Barreiras (BA). Esse modo de vida invade também o campo. Observe e destaque os aspectos naturais e artificiais e as mudanças ocorridas ao longo do tempo. formaram-se sociedades urbanas e um modo de caracterizado por relações sociais de tipo comunitário e vida urbano que não se manifestam apenas nas cida. Porém. Procure imagens variadas: de centros comerciais. colheitadeiras.

a partir de 2008. Já no novo milê- nio. surgiram. Temos nessa região grandes cidades. o número de pessoas que vivem nas cidades superou o das pessoas que vivem no campo. os processos de industrialização e de urbanização são faces do desenvolvimento do capitalismo industrial. há regiões muito próximas do seu limite de urbanização. estimava-se que cerca de 3. e depois em outras regiões do planeta. No século XX. Nas últimas décadas. em Bangladesh. onde grande parte das pessoas vive no campo. segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Assim. Rio de Janeiro. a urbanização das sociedades se consolidou. Cidade do México (no México). com a Primeira Revolução Indus- trial.5 bilhões de pessoas em todo o mundo estavam morando em núcleos urbanos. renasceram e cresceram diversos núcleos urbanos. Buenos Aires (na Argentina) e Bogotá (na Colômbia). Esse número pode chegar a 5 bilhões de pessoas em 2030. na Nigéria. Em 2011. que a vida urbana começou a tomar forma. 2011. Em primeiro lugar na Europa. O crescimento urbano ganhará força na Ásia e na África. várias cidades do chamado mundo em desenvolvimento já figuram entre as maiores do planeta. e Lagos. Hans Georg Roth/Corbis/Latinstock Jane Hahn/Corbis/Latinstock Dacca. em Bangladesh. Mas foi a partir do fim do século XVIII. 260 Geografia . como São Paulo. pela pri- meira vez em toda a história da humanidade. e será menor na Europa e na América do Norte. Assim. na Nigéria. Entre elas estão Dacca. Lagos. vem apresentando elevados índices de ur- banização há pelo menos três décadas. A América Latina. que inclui o Brasil. 2010.

Em 2008.1 1970 41. Além disso.4 18. dos novos habitantes das cidades em todo o planeta. Em 2010. Acesso em: 24 abr. Para a ONU. Durante o século XX. Houve também mudanças na distribuição da população no campo e nas cidades. entre outros recursos.0 160. de acordo com o Instituto Brasileiro de Geo- grafia e Estatística (IBGE). o direito do cidadão de viver em cidades. 2012. Observe o gráfico a seguir: Brasil – Evolução da população urbana e rural (em milhões de habitantes) População rural População urbana Planeta Terra Design 12.3 1960 38. Estima-se também que. Isso põe em discussão.br>.8 137. Estatísticas do século XX.8 1950 33.8 0 50 100 150 Fontes: IBGE. o Brasil apresenta uma das populações mais numero- sas do mundo − apesar dos enormes vazios populacionais em seu território.gov. Em 1900.8 2010 29.7 milhões de brasileiros. mui- tos serão pobres. Assim.2 31.8 2000 32. se desejar.8 52. Censo demográfico 2010. qualquer pessoa.4 1980 38. tem o direito de ir para a cidade a fim de nela residir e trabalhar. trabalho. 6º ano 261 . Disponíveis em: <www.5 milhões de habitantes. o país con- tava com aproximadamente 17. UM PAÍS URBANO Neste início do século XXI. a população nacional aumentou cerca de dez vezes. tanto para os governos como para as socieda- des em geral. saúde e educação.9 1940 28.ibge.6 111 1990 35. BRASIL. cada cidade deverá se preparar para receber pessoas e oferecer opções de habitação. chegamos à marca de 186 milhões de pessoas.0 80. a extrema di- versidade de pessoas e culturas presente nas cidades eleva o potencial para a criação de riquezas e a busca de soluções para os próprios problemas criados pela urbanização. eram pouco mais de 190.

Mas em que tipos e tamanhos de núcleos está distribuída a população urbana? O mapa e a tabela a seguir nos oferecem uma visão a respeito disso. Em 1940. Acesso em: 24 abr. Censo demográfico 2010.8 milhões de habitantes no meio rural.4% da população total do país − que era de cerca de 40 milhões de pessoas − vivia em cidades. ape- nas 28. Os dados do Censo Demográfico 2010 do IBGE indicaram que os 190.8 milhões de habitantes nas cidades e 29. Rio de Janeiro: IBGE. LER MAPA E TABELA Brasil – Distribuição da população urbana (2010) Ilustração digital: Mario Yoshida N 0 290 580 km O L S Fontes: Atlas geográfico escolar.ibge.br>. 2012. Ou seja. 262 Geografia . Disponíveis em: <www.gov. Trata-se um gráfico de barras que mostra que o Brasil também vem acompa- nhando a marcha da urbanização que está ocorrendo no mundo.7 milhões de brasileiros estavam assim divididos: 160. 2004. 84.3% dos brasileiros viviam em cidades naquele ano.

Rio de Janeiro. Evolução da população das grandes cidades brasileiras (em milhões de habitantes) Município 2000 Município 2011 São Paulo (SP) 10.7 Manaus (AM) 1.3 Salvador (BA) 2. representam quantidades.4 Recife (PE) 1.br/home/estatistica/populacao/censo2010/sinopse/sinopse_tab_rm_zip. Disponível em: <www. Os círculos.5 Fortaleza (CE) 2.5 Manaus (AM) 1.3 Curitiba (PR) 1. já no Rio de Janeiro. Ainda segundo o IBGE. 6. 2012.4 Fonte: IBGE.2 Rio de Janeiro (RJ) 5. Manaus. Belo Horizonte. Curitiba.4 São Paulo (SP) 11.6 Belo Horizonte (MG) 2. por sua vez. Acesso em: 24 abr. O que os dados da tabela indicam? Houve mudanças na posição das maiores metrópoles brasilei- ras de acordo com sua população? Observe que o mapa apresenta uma legenda com cores e outra com símbolos (círculos).8 Recife (PE) 1. embora muitas pessoas estejam saindo das grandes cidades para morar em cidades de porte médio.4 Salvador (BA) 2. • mais escuro → maior porcentagem de população urbana. Recife e Porto Alegre. do IBGE.3 Porto Alegre (RS) 1. o círculo maior indica a quan- tidade de habitantes de uma cidade de grande porte. Qual é o assunto retratado na tabela? 4. Apenas em São Paulo eram 11. Assim. Brasília.3 milhões. Salvador. O que o mapa apresenta em termos de distribuição da população urbana? 3.2 Brasília (DF) 2. A tabela.0 Belo Horizonte (MG) 2. Censo Demográfico 2010. Portanto. Qual é o assunto tratado no mapa? Quais recursos da cartografia foram utilizados na representação? 2. 1.gov.shtm>. ainda há uma concentração de pessoas nas primeiras. mostra a evolução da população das grandes áreas urbanas do país. grande parte da po- pulação urbana concentra-se no Sudeste do país.42 Curitiba (PR) 1.5 Porto Alegre (RS) 1. CARACTERÍSTICAS DA URBANIZAÇÃO BRASILEIRA De acordo com o Censo Demográfico 2010.8 Rio de Janeiro (RJ) 6. como São Paulo. como Feira de Santana (BA). em especial nas áreas metro- politanas de São Paulo (19 milhões de pessoas na Grande São Paulo – ou 10% da população brasileira total) e Rio de Janeiro (cerca de 12 milhões na Grande Rio).2 milhões de pessoas em 2011. Londrina (PR) ou Caxias do Sul (RS). 6º ano 263 . Fortaleza. do mais claro ao mais escuro. por sua vez.1 Fortaleza (CE) 2. indica: • mais claro → menor porcentagem de população urbana.4 Brasília (DF) 2. quase 60 milhões de brasileiros viviam nas dez maio- res regiões metropolitanas do país: São Paulo. Os círculos menores indicam cidades médias. Essa sequência.ibge.

ou fora de áreas de urbanização intensa. Barreiras (BA) e Petrolina (PE). Assim. As funções portuárias comerciais (caso do Recife) e religiosas também tive- ram importância na criação de vilas e cidades. os núcleos urbanos são fortemente integrados no território brasileiro. inicialmente. empre- sas (bancos. Crescem também no Brasil as cidades médias. sejam elas econômicas. a criação dos primeiros núcleos se deu inicialmen- te ao longo da faixa litorânea do território. de centros ligados à agricultura moderna. A intenção era proteger o litoral e as vias de penetração para o interior – como é o caso de Salvador. Entretanto. de informações ou de influências culturais. São Paulo e Rio de Janeiro formam o coração econômico do país e estão asso- ciadas a outras aglomerações urbanas. ORIGENS DOS NÚCLEOS URBANOS NO BRASIL Hoje. com ocupação menor no interior. como Caxias do Sul (RS). Mais tarde. O termo “Região Metropolitana” foi criado no Brasil na década de 1970 para delimitar grandes áreas urbanas e criar maneiras de administrá-las e resolver pro- blemas comuns. de informações ou serviços com cidades e regiões de diferentes partes do mundo. É isso que faz de uma cidade uma metrópole. como em Campina Grande (PB) e Ilhéus (BA). na entrada de uma baía ou junto à foz de um rio. ou de turismo e serviços. Na maior parte dos casos. sobretudo nos 264 Geografia . surgiram novas aglomera- ções com a exploração do ouro. densamente edificada. Ao longo do período colonial. Eles estabelecem entre si inúmeras relações. quem vai de Curitiba a São José dos Pinhais percorre uma única área urbana. A partir de 1988. houve junção física das áreas urbanas dos municí- pios que integram as áreas metropolitanas. como Dourados (MS). Mas nem sempre foi assim. Essas duas metrópoles são também cidades globais. em especial a partir do século XVIII. Rio de Janeiro e Belém. muitas delas foram instaladas em cidades fora do eixo Rio-São Paulo. são capazes de irradiar influência sobre vastas áreas. os estados também puderam criar novas regiões metropolitanas. de comunicação etc. Como as novas redes de transporte e comunicação permiti- ram a descentralização de algumas atividades. universidades. centros de pesquisa. Elas concentram órgãos do Estado. É o caso dos novos polos científico-tecnológicos. esses núcleos detinham poucas ligações entre si. No século XX. a expansão cafeeira. O que significa isso? Quer dizer que ambas participam de múltiplas relações econômicas e sociais em escala planetária – estabelecendo fluxos comerciais. tratava-se de criar. Comandam atividades produtivas em todo o território nacional. Portanto. Do ponto de vista do colonizador. de centros industriais. funcionando como verdadeiras ilhas − há até autores que afirmam que o território colonial era semelhante a um arquipélago. com população entre 100 mil e 500 mil habitantes. de fluxos de pessoas. como Florianópolis (SC).). instituições financeiras. núcleos estrategicamente localizados e sob a proteção de um forte. como é o caso do eixo urbano Londrina-Maringá (no Paraná).

As cidades mineiras que foram fundadas ou cresceram com a exploração do ouro guardam até hoje em suas ruas. No primeiro plano. sejam elas industriais ou voltadas à agropecuária. teve como efeito a criação e o crescimento de várias cidades. Entre elas estão Ouro Preto. igrejas e edificações as marcas desse período. estados de São Paulo e Rio de Janeiro. 2009. quais as principais qualidades e defeitos da cidade onde vive? • Há edifícios abandonados ou mal conservados? • Há áreas precárias habitadas por pessoas em situação de risco? A que tipo de risco essas pessoas estão expostas? 6º ano 265 . outras ci- dades vêm crescendo por estarem localizadas em regiões de agricultura moderna. em Belém Raulino de Freitas. o estádio Forte do Presépio (também conhecido como Forte do Castelo). que pode ser observada ao fundo. Ao observar fotos das cidades brasileiras. PARA REFLETIR I Você já parou para pensar sobre a cidade onde você mora? Reúna-se com um grupo de colegas e reflita sobre as questões propostas a seguir. Volta Redonda. ainda aparelhado com os canhões da era colonial. cresce e consolida seu núcleo urbano em torno da indústria siderúrgica ali instalada. Natal ou Belém. Apre- sente os resultados para a turma. no Rio de Janeiro. é possível verificar construções que facilitam o entendimento dos processos ocorridos em fases anteriores. • Em sua opinião. Ao longo do século XX. Registre as conclusões a que o grupo chegou. Mariana e Tiradentes. Sérgio Ranalli/Pulsar Imagens Luciana Whitaker/Folhapress No primeiro plano. por exemplo. Como já vimos. constata-se a presença de fortes. Na entrada de cidades como Salvador. (PA). construído graças à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). outras cidades brasileiras vão surgir em associação com determinadas atividades econômicas. 2005. o Vista aérea da cidade de Volta Redonda (RJ).

de acor- do com a Atlas do Saneamento Básico do IBGE. universidades e oportunidades de trabalho para os jovens? PROBLEMAS URBANOS Apesar de a vida urbana ter representado um salto de qualidade de vida para muita gente. Para dar passagem ao automóvel. a cultura e o entretenimento. com o objetivo de oferecer condições adequadas de habitação a pessoas de renda mais baixa. o que afeta em especial os pobres. o desafio é conseguir que os municípios cooperem entre si para resolver o tratamento do lixo. Em muitas delas. Há disputa de espaço entre os veículos e os pedes- tres ou ciclistas. Mas não está em questão apenas a disposição final dos resíduos: alerta-se também para a eleva- ção da geração de lixo em função da expansão do consumo de bens – típicos das economias capitalistas. Estima-se que seja necessário construir pelo menos 7 milhões de moradias no Brasil. condições básicas de saneamento. Nas Re- giões Metropolitanas. tanto em relação aos proble- mas como às soluções. de equipamentos e de serviços. No Brasil. • A rede de esgoto e de água encanada abrange a cidade inteira? • Há rede de energia elétrica para todos? • O sistema de transporte coletivo é eficiente? • Há escolas. as cidades brasileiras ainda enfrentam muitas contradições e desi- gualdades. o patrimônio histórico não é bem cuidado. as cidades brasileiras dispõem de poucos espaços públicos de qua- lidade. contribuindo para elevar a poluição atmosférica e os congestionamentos. As cidades brasileiras apresentam distribuição desigual de infraestrutura. Assim. apenas 55% dos municípios con- tavam com coleta de lixo e tratamento de esgoto em 2008. Em geral. ao lado da redução de consumo (sobretudo de produtos com embalagens). São abertas avenidas e vias expressas e construídos viadutos e pontes. de livre acesso e equipados para o lazer. As diferenças entre ricos e pobres são enormes. Vejamos alguns dos casos mais comuns. o que reduz a oferta de excursões e viagens turísticas. A questão do lixo também é um problema a ser resolvido. é preciso desenvolver políticas públicas que criem aterros sanitários ou controlados para a correta disposição do lixo. Procure identificar se eles ocorrem também em sua cidade. cerca de 30 milhões de brasileiros viviam em moradias precárias e em bairros que não tinham rede de esgoto e de água encanada. 266 Geografia . Isso pode ser observado nas con- dições das habitações e nos recursos e serviços oferecidos pelos bairros. projetos elaborados pelos pode- res públicos e executados por empresas de construção civil promovem verdadeiras “cirurgias urbanas”. Completam esse sistema os mecanismos de reciclagem e reaproveitamento do lixo. Em 2012. A opção pelo automóvel como meio de transporte também traz transtornos e conflitos à vida nas cidades.

que todos os anos causam grande número de vítimas. Políticas públicas de recuperação dos centros antigos também têm sido implan- tadas. O Brasil já figura entre os países que mais reciclam latinhas de alumínio e garrafas pet (como as de refrigerante). já que a diversidade é uma das bases da riqueza humana e permite múltiplas relações entre as pessoas. os terrenos com as piores condições. essa população fica exposta a inundações e desmoronamentos. Em Curitiba. Em muitos casos. elas devem proporcionar espaços belos. os moradores decidem em assembleias em que e como os recursos públicos devem ser aplicados. Nesse caso. com os ônibus articulados que trafegam em corredores próprios. São exemplos as cidades de Porto Alegre e Recife. avalie se sua cidade atende ao que é proposto. que instituíram o chamado orçamento participativo. O que a cidade é e o que ela pode ser A cidade é um espaço criado pelas sociedades humanas para superar distâncias e permitir in- terações sociais de todo tipo. No Rio de Janeiro. • Cidades devem utilizar adequadamente suas bases naturais. relacio- na-se ao asfaltamento e à cimentação que tiplas opções econômicas. Crescem também iniciativas como criar cooperativas de coleta e reciclagem do lixo. do solo. Ela se caracteriza por sua diversidade e concentração populacional. João Pessoa. também há um esforço para reurbanizar favelas e melhorar as condições de segurança para os que ali vivem. permitir a todos os moradores o acesso pleno aos recursos de que dispõem. culturais e de lazer aos seus habitantes. em São Paulo. os melhores exemplos de intervenção urbana vêm do transporte coletivo. cias no estado líquido. com resultados variáveis. De outro lado. com espaços públicos amplos. generosos e equipados. Salvador e Rio de Janeiro. • Cidades devem oferecer acessibilidade e mobilidade plenas (o que inclui transporte público de qualidade e espaços para o pedestre e pessoas com deficiência). Com ele. antes de tudo. com segurança para os que neles circulam. atrativos e a água da chuva penetre no solo. Vejamos alguns pontos: • Cidades devem ter diversidade social e cultural. a ocupação de áreas de risco e a eliminação da vegetação. a impermeabilização GLOSSÁRIO Impermeabilização: tornar impermeável. podemos pensar sobre o que uma cidade pode e deve ser (e ter). como fundos de vale e encostas de morros. PARA REFLETIR II Organizados com base em ideias desenvolvidas pelo geógrafo francês Jacques Lévy. são destinados às populações de baixa renda. Sem opções. Recife. ocorrem nas cidades e impossibilitam que Nesse sentido. • Cidades devem oferecer recursos plenos em todos os seus espaços evitar a segregação e a discriminação. garantindo o acesso a cadeirantes. impossível de ser penetrado por substân- • Cidades devem oferecer grande diversidade de atividades e múl. 6º ano 267 . Por exemplo. evitando o comprometimento dos re- cursos hídricos (rios e lençóis subterrâneos). o que é mais um fator para alagamentos. bem cuidados. São Luís. A partir daí. • Cidades devem. as melhores soluções urbanas do país contam com forte par- ticipação popular na decisão do destino das cidades.

deixam de se deslocar constantemente para garantir sua das em várias partes do mundo. instalaram-se em dife- rentes países os processos de modernização do campo. contribuindo para avanços sobrevivência. pelo menos 10 mil GLOSSÁRIO Sedentário: é aquele que não se movimen- anos atrás. 268 Geografia . acréscimos de nutrientes ao solo etc. O resultado foi um crescimento significativo da produção e da exportação de bens agrícolas em todo o mundo. os grupos deixam mentos. A agricultura moderna supõe grandes investimentos de capital e a adoção de bens industriais em seus processos produtivos. como fertilizantes. com a construção de canais para irrigação. os pri- meiros grupos habitavam as áreas de várzea e os vales fluviais. espaços. onde havia dispo- nibilidade de água. defensivos e outros produtos quími- cos. em contato direto com o meio natural. sementes melhoradas. o meio rural se caracterizou pela dispersão populacional e pelo tra- balho na terra. domesticaram plantas e animais e passaram a se ao sedentarismo como um modo de vida baseado na fixação de grupos sociais nos dedicar ao cultivo e à criação de rebanhos para obter ali. está relacionado o tempo. No geral. Preferencialmente. No caso em questão. o meio rural passou a exercer a função de abastecer os mercados de consumo urbanos e oferecer matérias-primas para as fábricas: foi o caso do algodão no setor têxtil na Inglaterra. na agricultura e aumento da produção de alimentos. Outras téc- nicas importantes foram o uso do arado de ferro e da tração animal (os bois eram usados para carregar o arado na semeadura) tanto na China como na Europa da Idade Média. Parte das populações que viviam no campo teve de se deslocar para as cidades.). A produção agrícola com o uso de máquinas provocou também a redução dos postos de trabalho agrícola. saberes essenciais para decidir sobre as épocas de plantio e colheita. diferentes grupos tornaram-se sedentários. assim. Nas nascentes sociedades industriais. Houve. Os grupos humanos passaram também a conhecer melhor os ritmos e as variações do clima. o uso de máquinas e de equipamentos (tratores. Diferentes inovações foram sendo testadas e adota. Esse processo ficou conhecido como Revo- lução Verde e trouxe muitas mudanças sociais e espaciais para o meio rural. O MUNDO RURAL Desde os primórdios das sociedades. semeadei- ras. Com ta. colheitadeiras. Isso ocorreu na Mesopotâmia. uma intensificação das trocas de produtos entre os países. A MODERNIZAÇÃO DO CAMPO Em especial a partir das décadas de 1960 e 1970. ou seja. partindo da Euro- pa. após o século XVIII. tanto no Brasil como em outros países. pivôs para irrigação etc. Na outra face desse processo de modernização estão pontos como a conta- minação dos solos por produtos químicos e a retirada de vegetação (incluindo florestas) para instalar pastagens e campos de cultivo. de ser nômades. Com isso.

ou modernização do campo no Brasil. Estados Unidos. realize a atividade a seguir. mais modernizada é considerada a área. Quanto mais alto o valor. sistemas de irrigação. assistência técnica. defensivos. com aumento no volume da produ- ção e na área plantada. isso se deve ao momento favorável para a ven- da desses bens no mercado externo. feijão e outros). 145. 2000. Produção agrícola As notícias da produção agrícola no Brasil trazem todos os anos manchetes semelhantes: anuncia-se um novo recorde na safra agrícola e na pecuária (soja. entre outros. milho. Rio de Janeiro: IBGE. LER MAPA Observe o mapa. laranja. conservação do solo. carne bovina. O anúncio de novas safras recordes é também mais um capítulo do chamado pro- cesso de modernização agrícola. 6º ano 269 . máquinas para o plantio e a colheita. sementes melhoradas. Como essa modernização se manifesta em nosso país? O que ela representa para os trabalhadores e o futuro das atividades econômicas? Sobre isso. União Europeia e Rússia. China. Em parte. impulsionada pelas exportações para Índia. p. o IBGE leva em conta as “práticas agropecuárias modernas”: uso de tratores. *Para obter o índice de modernização. Brasil – Modernização do campo* Ilustração digital: Maps World N 0 405 810 km O L S Fonte: Atlas Nacional do Brasil.

técnicas de correção de solos etc. Esse processo se tornou mais completo e mais efetivo com a instalação de mo- dernos sistemas de infraestruturas necessárias à produção e ao escoamento dos bens. Ampliou-se e consolidou-se também uma rede de cidades brasileiras essenciais para garantir o escoamento da produção e gerar conhecimento e informação para os espaços agrícolas regionais. Ele reforçou o regime de trabalho assalariado. o país alcançou elevados índices de produtividade agrícola. carne bovina. álcool e etanol e os grandes frigoríficos. com novas técnicas de correção dos solos. De acordo com o mapa. melhoramento de sementes e de espécies vegetais e animais. entre outros. em quais áreas do país estão os maiores índices de modernização agríco- la? Quais apresentam índices mais baixos? O CAMPO MODERNIZADO NO BRASIL A modernização do campo no Brasil passa a ocorrer basicamente a partir dos anos 1970. cana-de-açúcar. Com unidades espalhadas pelo país. 1. 270 Geografia . Incluem-se nessa lista a produção de carne de frango. Implantou-se no Brasil talvez o mais bem-sucedido processo de cultivos agrí- colas em áreas tropicais da história recente. por meio desse processo combinou-se indústria e agricultura. Como vimos. Uma estatal.). em algumas décadas. ferrovias de carga. associado a outros sistemas. Foram feitos também in- vestimentos no desenvolvimento científico-tecnológico do setor. como as usinas de cana-de-açúcar. Mas já na década anterior existiam no país fábricas de tratores. desenvolveu ao longo dos anos inúmeras tecnologias e produtos (sementes melhoradas. soja. portos e sistemas energéticos e de irriga- ção. Assim. a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). tornando-se um grande exportador de grãos. café e laranja. teve e vem tendo grande participação nesse processo. laranja. O processamento industrial de bens agrícolas ficou a cargo de agroindús- trias. com rodovias. embora ainda haja problemas a ser solucionados. O que está representado no mapa? 2. O que significam as cores usadas? 3. milho.

Isso está na base dos sucessivos conflitos e movimen- tos de ocupação de propriedades que ocorrem no campo. que permaneceu fortemente concentrada nas mãos de grandes proprietários. no Mara. Enquanto governos e empresários rurais comemoram os resultados. CONHECER MAIS ção e na organização do espaço geográfico brasileiro. existe também o outro lado da moeda. Fernando Bueno/Pulsar Imagens Colheita de soja em Costa Rica (MS). riores. no sul da Amazônia. há um aumento extraordinário da produção agrícola sem a distribuição das terras.abril. tais como a agropecuária. envolvendo em- práticas já alcançam outras regiões.. assim como a produção de frutas para cuária e nas lavouras de arroz. 2012. pe- quenos agricultores se veem excluídos dos benefícios da modernização ou trans- formados em assalariados. Acesso em: 25 abr. o extra- O Centro-Sul (área formada pelos estados do Sudeste.revistaescola.. isto é. Fronteiras da agropecuária Contudo.] exportação no médio vale do rio São Francisco. [. houve uma radical transformação na produ. de ocupação mais antiga (o eixo Belém- -Brasília e o sul do Pará). a nova frente é ocupada também por formas urbanas e atividades diversifi- Há uma modernização desigual entre as regiões. Portanto. esse processo combinou a implantação de que mais incorporou práticas agrícolas modernas. 6º ano 271 .br/ online/planodeaula/ensino-fundamental2/PlanoAula_278499. em áreas soja no oeste da Bahia. baseadas na pe- nhão e no Piauí. A modernização não alterou a estrutura da distribuição de terras no campo. Por- tanto.com. 2010. na Amazônia Muitas das culturas de exportação se expandem A exploração da fronteira amazôni- sobre áreas tradicionais de culturas alimentares e de ca ocorreu no contexto de um mercado nacional unificado. mas Disponível em: <http://antigo. shtml>. tivismo mineral e vegetal e as indústrias. integrado por agricultura familiar. cadas. Diferentemente das ante- milhares de pequenos agricultores. como a produção de presas e grandes proprietários. que atendem ao abastecimento meio de tecnologias de produção e co- do mercado interno e garantem a sobrevivência de mercialização. ainda há forte desigualdade no acesso a esses benefícios. Essas projetos agropecuários. do Sul e de parte do Centro-Oeste) é a região do país Entre as décadas de 1960 e de 1980.

além de dificultar a implantação de outras opções econômicas. ao longo da rodovia Cuiabá-Santarém. a agricultura familiar tem sido muito produtiva no Brasil. que co- mandou a ocupação em extensas faixas da Amazônia. Dos anos 1970 em diante. a partir dos anos 1970 contou com forte participação do Estado. em especial por causa dos problemas de escoamento dos bens agrícolas.3 Agricultura familiar 74. O governo militar da época pretendia ocupar os “vazios” do território e controlar as fronteiras do país. No século XIX e na primeira metade do século XX. em núcleos mais ou menos distantes entre si. Ela responde por parte significativa da produção de alimentos que abastecem o mercado interno. criaram-se projetos de colonização para empresários rurais. a de obter uma propriedade e ter aces- so a créditos –. A maior parte deles fracas- sou. como no sul da Amazônia e no Centro-Oeste. Muitos empresários rurais vêm tendo sucesso com a lavoura mecanizada de soja. Nesse curso.2 não familiar 25. Há custos ambientais e sociais.4% Agricultura 4. A partir de meados dos anos 1980. Examine os gráficos a seguir: Planeta Terra Design Participação da agricultura familiar no pessoal Participação da agricultura familiar no pessoal ocupado na agricultura (em %)* ocupado na agricultura (em milhões de pessoas)* 12. em especial com o avanço das culturas sobre áreas de floresta e cerrado. Já o movimento recente de expansão das fronteiras econômicas internas do país difere bastante das frentes pioneiras do passado. como os que ocorreram ao longo da rodovia Transamazônica. como a coleta e o processamento de produtos da floresta. avançando sobre terras livres à base da queima de florestas e da rotação de terras. Parte deles localiza-se em Mato Grosso. como a mar- cha do café no Sudeste. terras indígenas e populações tradi- cionais.6% Agricultura Agricultura familiar não familiar 272 Geografia . Muitos desses projetos foram pensados apenas para aliviar tensões e conflitos no campo. a ocupação de novas áreas agrícolas no Brasil deu-se por meio das chamadas frentes pioneiras. Verificada particularmente no Norte e no Centro-Oeste do país. produtores rurais organizaram novos espaços na região. vários projetos de colonização foram implantados. Isso coloca em risco parques e reservas naturais. A AGRICULTURA FAMILIAR Apesar das inúmeras dificuldades – entre elas.

Brasília: MDA. Agricultura familiar e o Censo Agropecuário 2006. Pode ser que algum deles ve. geral. O gráfico mostra que quase 75% do pessoal diretamente ocupado com ativi- dades agrícolas no Brasil são de estabelecimentos rurais de agricultura familiar. Planeta Terra Design Participação da agricultura familiar na produção de alimentos Mandioca 87% Feijão 70% Milho 46% Café 38% Arroz 34% Trigo 21% Soja 16% Leite 58% Aves 50% Suínos 59% Bovinos 30% Fontes: MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO. 2010. a agricultura familiar baseia- Posseiro: trabalhador rural que não possui -se no trabalho agrícola. desde os que possuem pequenas propriedades até posseiros ou membros de comunida- des de assentamentos de reforma agrária. p. A agricultura familiar é decisiva na produção de alimentos no país. em pequenas propriedades rurais e. Políticas públicas como as de concessão de créditos e as de garantia de preços dos alimentos têm permitido maior estabilidade da agricultura familiar no Brasil. Ela res- ponde por grande parte da produção de mandioca. Diversos estabelecimentos e trabalhadores se enquadram nessa definição. 6º ano 273 . p. com bom desempenho também na produção de milho. Um novo Brasil rural: 2003-2010. Como o próprio nome diz. privadas para produzir. processos de lutas e negociações entre agricultores e governos. como as de descendentes de quilombolas. 104. feijão. bros de uma mesma família. Muitos assentamentos resultam de longos propriedade agrícola. Comunidades tradicionais. criada a partir da desapropriação de terras (em Converse com seus colegas. e de carne bovina e de aves. Assentamento de reforma agrária: área dade produtiva estão sendo mostrados nos gráficos? destinada à produção agropecuária. populações ribeirinhas. 6. Brasília: MDA. pescadores e populações que praticam o extrativismo também integram a agricultura familiar. café. arroz. Isso representa um contingente de mais de 12 milhões de pessoas. GLOSSÁRIO O que é agricultura familiar? Que resultados de sua ativi. leite e carne suí- na. Algumas cooperativas formadas em assentamentos são hoje muito pro- dutivas. no uso da mão de obra dos mem. 4. 2009. de grandes propriedades improdu- nha de área rural. título de propriedade. inclusive produzindo alimentos processados industrialmente. instalando-se (tomando posse) em terras públicas ou de forma predominante. onde vivia com a família em uma pequena tivas) e transferida a trabalhadores rurais.

Alguns pesqui- sadores intitulam essa situação de “novo rural brasileiro”. serviços domésticos (caseiros e outros empregados que trabalham em chácaras de lazer). mas trabalham fora de suas pro- priedades em tarefas não agrícolas.). É importante registrar as respostas dadas pelos entrevistados. de falar. Com alguns colegas. sendo visíveis as transformações nos modos de vestir. foram criados os meios de transporte e comunicação. retornando para suas casas no período de semear. é preciso lembrar que houve forte migração campo-cidade no Bra- sil. turismo rural e ecoturismo (trabalho em hotéis-fazenda. O modo de vida ur- bano cada vez mais influencia o meio rural. O lugar também compõe a identidade de cada um: cada rua ou esquina pode remeter a me- mórias e histórias de vida. em que parte dos membros de- dica-se ao cultivo ou à criação de animais. como as de serviços e turismo. Voltaremos a esse ponto no próxi- mo capítulo. Outros ainda continuam vivendo no campo. Antes de tudo. motoristas de ônibus e de caminhões e outros profissionais. como vendedores. trabalho de guia para trilhas e passeios de barco etc. em empregos urbanos. mas trabalham – ainda que por um curto período – nas cidades. Se necessário. Mas as influências do urbano sobre o campo acontecem também em relação às atividades econômicas. Vários deles mantêm suas roças e vão para grandes cidades por cerca de seis meses para trabalhar na construção civil. enquanto outros trabalham na cidade. A cidade é um lugar que possibilita a aglomeração e a interação social. faça com seu grupo entrevistas com pessoas que frequentam a comunidade. • O lugar onde você vive fica na cidade ou no campo? Tem grande concentração de pessoas ou não? • Como são as ruas. também é possível observar a presença de técnicos de in- formática ou de pessoas que trabalham no setor administrativo. ou ainda serviços públicos nas áreas rurais (como educação e saúde). muitas vezes quase sem distâncias espaciais. em especial entre as décadas de 1960 e 1980. Para isso. Para distâncias mais longas. Existem também muitas pessoas que vivem no campo. seja no campo. houve profundas mudanças nas relações entre o campo e a cidade. Nas fazendas atuais. as praças e os demais espaços públicos? 274 Geografia . O campo continua a ser essencialmente um fornecedor de alimentos e matérias- -primas de origem vegetal e animal para processos industriais. utilize o roteiro a seguir. ou nos hábitos de consumo. seja na cidade. PESQUISAR O lugar pode ser compreendido como uma fração do espaço geográfico onde as pessoas po- dem se relacionar e percorrer distâncias possíveis no dia a dia. AS NOVAS RELAÇÕES CAMPO-CIDADE Com a combinação entre a modernização agrícola e a urbanização. Vejamos alguns exemplos: pequenas fábricas instaladas em unidades rurais familiares. pesquise e avalie algumas características geográ- ficas do lugar onde todos vivem. Vale a pena citar também o caso de pequenas unidades agrícolas.

5 69. porto ou aeroporto? • É fácil entrar em contato com outras pessoas e outros lugares? Quais os meios de comuni- cação disponíveis? • Há estabelecimentos comerciais. a) De acordo com o gráfico. APLICAR CONHECIMENTOS 1.9 81. coleta de lixo.7 88.9 86. Características da população e dos domicílios. • Como é a condição das estradas.9 88 90. figuras e outras imagens.3 80. Observe o gráfico a seguir: Grau de urbanização segundo as grandes regiões do Brasil (1991/2000/2010) 92.7 1991 59. qual apresenta o maior percentual de população urbana? Em sua opinião. deverá avaliar as condições do lugar e indicar o que pode ser melho- rado nele. tratamento de água e de esgoto? • De que você mais gosta nesse lugar? Por quê? • Existem pontos de encontro mais frequentados? Quais? • Possui áreas verdes e espaços públicos? Com base no roteiro e nas respostas registradas.1 60. O grupo poderá acrescentar outras questões que julgar importantes. bancos e serviços públicos próximos? Quais as principais atividades econômicas locais? • O seu local de trabalho ou o de seus familiares é próximo ou distante de onde você vive? • Existem pessoas que vieram de outros lugares? Tem ocorrido a saída de moradores para outros lugares? • O lugar possui serviços como correio.9 73.8 81. prepare com seu grupo um relatório que des- creva as principais características do lugar. 2001.5 84. ferrovia. o que contribui para explicar esse resultado? 6º ano 275 . dê dois exemplos que caracterizem a cidade e o campo e estabeleça diferenças entre esses espaços.1 69. fotos.1 73. 2. Para ampliar o trabalho. Com base no que você estudou no capítulo.5 74. Censo demográfico 2010.3 84.1 2000 2010 Brasil Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Fonte: IBGE. avenidas e ruas que permitem o acesso a esse lugar? Quais são as vias de ligação ou o acesso a outros lugares? Como são os meios de transporte dispo- níveis? Existe estação rodoviária.3 76. o grupo pode incluir mapas. o que ocorreu no período em relação à urbanização das regiões brasileiras? b) Das regiões do país. Em seguida.

São Paulo: Martins Fontes. afirma Hélder Muteia. 2012. 2012. mas também pelo sucesso no combate à fome e à pobreza no mundo”.org. Com um colega. bem como alavancar a produção de alimentos em 70% até 2050. Disponível em: <www. Acesso em: 11 jul. 4. Ibge: censos demográficos Traz dados demográficos de diferentes edições dos Censos realizados pelo IBGE. ed. assim como não são a contrapartida maléfica da natureza... Disponível em: <www. Estes são dois dos objetivos da FAO – Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação.. a agricultura familiar está mais voltada para a diversificação”. 2001.ibge. dução de alimentos pela agricultura familiar no Brasil.br/aefcFAO. planejar e inventar [.br>. p. 2012. Não são vítimas passivas de uma sucessão de circunstâncias. moçambicano que representa a FAO no Brasil. coleta sem-terra (mst) e tratamento do lixo) nos municípios brasileiros. 2012. Morte e vida de grandes cidades. shtm>.] as cidades cheias de vida não são impotentes para combater mesmo os problemas mais difíceis. Ministério do desenvolvimento agrário Permite o acesso a diversas publicações sobre a agro- pecuária brasileira.] JACOBS. congrega trabalhadores rurais do país. MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO. 3. leia o texto a seguir e comente-o: [.mda. comente o texto a seguir: Eliminar a fome do mundo e a extrema pobreza até 2015.gov. Disponível em: <www. Acesso em: 11 jul.org. Disponível em: <www. banização em megacidades no Brasil e em outros países.fao. “se por um lado a agricultura empresarial garante o volume de alimentos que gera o equilíbrio da balança alimentar. Acesso em: 12 jul.gov. Acesso em: 12 jul. 2.gov. Agricultura familiar e o Censo Agropecuário 2006.estadao.ibge. Combinação de escala e diversidade faz do Brasil protagonista na produção de alimentos. PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS Documento Agricultura familiar e o censo Megacidades agropecuário 2006 Apresenta dados. Brasília: MDA.br>. 2009.asp>.br/portal/publicacoes>. 498. Sites Disponível em: <www. esgotos.com.mst. Com base no que você estudou no capítulo. As cidades vivas têm uma estupenda capacidade natural de compreender.br/megacidades >. Censo agropecuário 2006 Dados do último Censo Agropecuário realizado no país. E o Brasil tem um papel chave neste contexto: “Não só pela produção de bens agrícolas e de alimentos. Atlas do saneamento 2011 Movimento dos trabalhadores rurais Dados sobre saneamento básico (água. Ele ressalta que. Jane. Acesso em: 22 abr. 276 Geografia . mapas e gráficos sobre processos de ur- Apresenta dados sobre a distribuição das terras e a pro. Acesso em: 11 jul. Fonte: FAO-ONU.br/home/estatistica/economia/agropecuaria/censoagro/default. comunicar. 2012. 16 páginas.ibge. Acesso em: 7 ago. 2012. shtm>. 2012. Portal com objetivos e lutas promovidas por entidade que Disponível em: <www. Disponível em: <www.gov.br/home/estatistica/populacao/atlas_saneamento/default_zip..

RODA DE CONVERSA Reúna-se com os colegas e o professor e converse sobre migrações. quais destinos são os mais procurados? Procure tam- bém descobrir se os estudantes migrantes tiveram dificuldades para se adaptar aos novos espaços de vida. o que leva alguém a deixar sua terra natal e seus laços sociais e familiares para ir viver em outro lugar? Existem estudantes da turma que são migrantes? Quantos são os estudantes nessa situação? Qual é o estado com maior número de migrantes na turma? No Brasil. Para saber mais sobre os motivos que levam as pessoas a migrar. Ouça depoimentos e histórias de vida e registre as informações. em 2011. c. tanto no passado como no presente. em especial pela influência dos países mais poderosos na tomada de decisões. Guilherme Gaensly/Memorial do Imigrante. Escreva um texto coletivo com as principais conclusões da turma na lousa. estimou que cerca de 3% dos padrões de vida e de direitos humanos. 1905. presentava aproximadamente 215 milhões de pessoas. A Organização de cooperação. Nem sempre a organização atinge esses ob- da população mundial vivia fora de seu país de origem. as motivações para os deslo. países-membros. realize a atividade a seguir. de ali- mentos. por exemplo. jetivos. Isso re. as populações humanas rea- lizam deslocamentos em busca.Capítulo 3 GEOGRAFIA Mundo em movimento D esde tempos remotos. Entre seus objetivos está o de garantir a paz mundial e promover relações camentos se multiplicaram e se intensificaram. água ou abrigo. 6º ano 277 . GLOSSÁRIO Organização das Nações Unidas: entidade internacional formada após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e que hoje congrega 193 No mundo contemporâneo. SP Imigrantes chegando ao porto de Santos (SP). Tente responder às per- guntas a seguir: Por que as pessoas se deslocam? Em outras palavras. o progresso social e a melhoria das Nações Unidas (ONU).

LER MAPAS I

Observe os mapas e, em seguida, responda às perguntas.

A grande migração transatlântica (fim do século XIX – início do século XX)

N
0 2 060 4 120 km
O L

S

Fonte: DURAND, Marie-Françoise e outros. Atlas da mundialização: compreender o espaço mundial contemporâneo. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 28.

Principais movimentos migratórios (2007)

Ilustrações digitais: Mario Yoshida

Fonte: DURAND, Marie-Françoise e outros. Atlas da mundialização: compreender o espaço mundial contemporâneo. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 27.

278 Geografia

1. Quais são os assuntos tratados nos mapas? Que recursos cartográficos foram utilizados para ela-
borar cada um deles?
2. Observe com atenção os contornos dos países e continentes do fundo do segundo mapa. Qual
região está ocupando o seu centro e em que o mapa se diferencia dos mapas-múndi que estamos
acostumados a ver?
3. Quais são os principais fluxos representados no primeiro mapa? Em sua opinião, por que eles
ocorreram?
4. Com base no segundo mapa, cite três regiões emissoras e outras três regiões receptoras de imi-
grantes no mundo atual.

O QUE MOVE O MUNDO?
Os mapas mostram importantes fluxos migratórios no fim do século XIX e iní-
cio do século XX, e também os inúmeros movimentos que ocorrem no mundo atu-
al. Mas é preciso considerar que anteriormente, durante séculos, milhões de africa-
nos (estimativas apontam cerca de 10 milhões de pessoas) foram arrancados de suas
regiões de origem para trabalhar como escravos na América do Norte, América do
Sul – o que inclui o Brasil – e América Central. O tráfico de escravos africanos ocor-
reu também pelas mãos de mercadores muçulmanos, que levavam desde o século
VII pessoas da África oriental para o Oriente Médio, a Ásia e o sul da Europa. Esse
é um exemplo das chamadas migrações forçadas ou involuntárias.
Nas últimas décadas do século XIX e início do século XX, milhões de euro-
peus, em especial os pobres que viviam no campo, deslocaram-se para o con-
tinente americano. O número mais expressivo migrou para os Estados Unidos,
então visto como uma grande terra de oportunidades. Outros se deslocaram para
países como Brasil e Argentina. Entre os migrantes estavam italianos, espanhóis,
portugueses e irlandeses.Tais movimentos foram motivados pela busca de me-
lhores condições de vida e trabalho.
No segundo mapa, é possível perceber que há fluxos em diferentes direções,
envolvendo diversas regiões e países. A Europa é um grande centro receptor de
migrantes, invertendo o movimento que ocorria há pouco mais de cem anos. Para
lá se deslocaram, nas últimas décadas, diversos grupos originários de ex-colônias
europeias na África, além de turcos, indianos e paquistaneses (estes dois últimos,
preferencialmente para o Reino Unido). Diversos habitantes do norte da África
com frequência se deslocam para trabalhar em países como Espanha e Itália.
Alguns movimentos recentes ocorreram também em razão de fortes convul-
sões sociais em países como Tunísia, Egito e Líbia. Trata-se de um caso de mi-
gração em função de instabilidades políticas. Nesse quadro, não há garantias
de segurança para indivíduos e famílias – muitos deles perseguidos pelos grupos
políticos que estão em disputa em determinado país.

6º ano 279

Alessandra Benedetti/Corbis/Latinstock
CONHECER MAIS

Como medir as migrações
Há dois modos de medir as mi-
grações: diretamente, por meio de
registro de entrada e saída de pesso-
as em determinado local e período,
e indiretamente, por meio de dados
censitários e registros civis. São con-
siderados imigrantes todos os que
chegam a uma cidade, região ou
país para aí se estabelecerem. Emi-
grantes, por sua vez, são as pessoas
que estão deixando seu domicílio
para dirigir-se a outra cidade, região
ou país. Costuma-se dividir os pro-
cessos migratórios em externos (en-
tre países) e internos (no interior de
um país). As pessoas que se enqua-
dram neste último tipo são também
designadas genericamente como
migrantes. Imigrantes norte-africanos em fuga de conflitos em seus países chegam à ilha de Lampedusa,
no sul da Itália, 2011.

Há também latino-americanos, entre eles os mexicanos, os que vêm de países da
América Central, e também os brasileiros, que procuram ingressar nos Estados Uni-
dos – muitos na condição de imigrantes ilegais ou clandestinos. Indianos, filipinos e
outros grupos de países asiáticos deslocam-se nos últimos anos para trabalhar nas
ricas economias do petróleo no Oriente Médio – por exemplo, no Kuwait, nos Emira-
dos Árabes Unidos ou na Arábia Saudita. Muitos procuram esses países para trabalhar
na construção civil ou em empregos domésticos (em especial, no caso das mulheres).
É importante destacar os casos da Austrália e do Canadá, países que contam
com grandes contingentes de imigrantes. Ambos são extensos, mas com popula-
ção reduzida. Por isso, em diferentes momentos de sua história, desenvolveram
políticas de recepção de imigrantes. Há importantes comunidades de portugueses
e chineses no Canadá, além de grupos que vieram da América Central, e de chi-
neses e indonésios na Austrália, além de migrantes europeus.
Do total de pessoas em movimento hoje no mundo, grande parte decide deixar
sua terra natal para buscar novas condições de vida e trabalho, para estudar ou se
juntar a familiares. O grupo formado por pessoas que foram forçadas a deixar seu
país de forma definitiva é de aproximadamente 43 milhões, segundo dados da ONU
de 2009. São os chamados refugiados, que correspondem a indivíduos ou grupos
que foram obrigados a sair de seu país em razão de perseguição política ou religiosa,
conflitos entre povos e culturas, guerras, situações de fome ou pobreza extremas –
que colocam a própria vida em risco. Ou, ainda, deslocam-se por causa de desastres
ambientais, como terremotos, secas ou inundações. Entre os maiores grupos de re-
fugiados que hoje vivem fora de seus países estão os de afegãos e os de palestinos.

280 Geografia

Mas vale notar que a maior parte dos movimentos migratórios, considerando
o número de pessoas, ocorre dentro dos próprios países. Hoje, milhões de chi-
neses estão se deslocando do interior para cidades da costa leste, como Xangai e
Pequim (ou Beijing). Há também milhares de indianos que migram para cidades
como Mumbai e Kolkata (antiga Calcutá), e de nigerianos que partem das peque-
nas vilas do norte do país para a megacidade de Lagos, no sul do país.

PESQUISAR

Com os colegas e o professor, consulte um atlas geográfico ou mapa-múndi e localize regiões,
cidades e países mencionados no texto.

MIGRAÇÕES: CONFLITOS, ADAPTAÇÃO, DIREITOS
Como veremos adiante, outro exemplo importante de migração interna é o
do Brasil. Nas últimas décadas, milhões de nordestinos se deslocaram para as
grandes cidades da região Sudeste, em especial São Paulo e Rio de Janeiro. É im-
portante dizer que hoje esses fluxos continuam a ocorrer, envolvendo em especial
pequenos agricultores que fogem da seca no sertão nordestino. Nesse caso, aban-
donar a terra é a única opção para garantir a sobrevivência das famílias.
Mas isso não ocorre somente com nordestinos: também os agricultores do sul do
país – muitos deles já na condição de empresários agrícolas – tiveram de buscar novas
oportunidades no Centro-Oeste, na Amazônia, e até no Paraguai, país vizinho.
Com os deslocamentos e a chegada de migrantes a um novo lugar de destino,
ocorrem contatos entre representantes de diferentes culturas, regiões de origem e
classes sociais. Nesse quadro são muito frequentes conflitos, choques culturais e até
situações de discriminação e segregação em relação aos recém-chegados. É o caso,
por exemplo, de nordestinos e bolivianos na cidade de São Paulo. Há também fluxos
recentes de haitianos para o Brasil. Eles chegam ao país pelos estados do Acre e do
Amazonas, após terem passado por países vizinhos como Peru e Colômbia.
Nos Estados Unidos ou em países da Europa Ocidental têm sido adotadas
restrições à entrada de imigrantes vindos de países pobres. Muitas pessoas são
detidas nos aeroportos, mesmo que tenham dinheiro e visto de entrada, sendo
embarcadas de volta ao país de origem. Quem permanece pode enfrentar a into-
lerância e a resistência da população local e de autoridades.
Discute-se hoje, mais que no passado, os direitos dos migrantes. Neste capí-
tulo, serão abordados esses e outros assuntos, com destaque para os principais
fluxos migratórios no Brasil e no mundo. São analisadas também algumas razões
que levam as pessoas a tomar a difícil − e muitas vezes dolorosa − decisão de
abandonar suas raízes e laços sociais em busca de outro lar.

6º ano 281

Para conter a imigração

Jim West/Alamy/Otherimages
Este muro foi construído na fron-
teira entre México e Estados Unidos,
separando respectivamente a cidade
mexicana de Tijuana e a cidade esta-
dunidense San Diego.
Um dos objetivos do muro é con-
ter a imigração ilegal para os Estados
Unidos, reproduzindo um objeto geo-
gráfico “muro ou cerca” de triste me-
mória para a história da humanidade.
Muitos especialistas questionam esse
tipo de solução.
Muro na fronteira entre Estados Unidos e México, 2012.

GLOSSÁRIO

BRASIL EM MOVIMENTO Expectativa de vida (ou esperança de vida):
número médio de anos que se espera que
vivam os membros de uma população. É um
Atualmente, neste início do século XXI, o Brasil conta com índice influenciado pelas condições de renda,
uma das populações mais numerosas do mundo, apesar de atendimento à saúde, saneamento básico e
alimentação.
ter enormes vazios populacionais em seu território. Segundo Fecundidade: as taxas de fecundidade
estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística expressam o número médio de filhos que
as mulheres têm ao longo de sua vida
(IBGE), durante o século XX, a população nacional aumentou reprodutiva. A queda da taxa de natalidade
cerca de dez vezes, de 17,5 milhões de habitantes em 1900 para está ligada à entrada das mulheres no
mercado de trabalho e ao fato de que muitas
ao redor de 186 milhões no início de 2008. Em 2012, chegamos pessoas passam a viver em cidades, onde, em
média, o número de filhos é menor que no
a aproximadamente 193 milhões de pessoas. campo. A fertilidade, por sua vez, refere-se ao
A população se distribui desigualmente pelo território, com potencial das mulheres para conceber.
Mortalidade: as taxas de mortalidade são
densidade demográfica mais elevada na faixa litorânea e me- obtidas pela divisão do número de óbitos pelo
nor ocupação em áreas interiores. Somos um país urbano: em total da população de uma região ou país. No
Brasil, causas externas (violência no trânsito,
2010, segundo o Censo realizado pelo IBGE, 84% da população morte por armas de fogo etc.) e a dificuldade
brasileira vivia em cidades, grande parte dela nas metrópoles. de acesso à saúde incidem diretamente nessas
taxas. A mortalidade infantil refere-se ao
Isso reforça as mudanças demográficas que estamos vivendo. número de crianças nascidas vivas que morrem
antes de completar um ano de idade. Dados do
Há franca redução nas taxas de natalidade e fecundidade, e uma Censo 2010 revelaram uma queda expressiva
desaceleração no ritmo do crescimento populacional. O núme- da mortalidade geral e infantil no Brasil, em
especial no Nordeste, que historicamente
ro de jovens ainda é expressivo, mas o contingente de idosos apresentou as taxas mais elevadas.
está aumentando − resultado da combinação entre a queda na Natalidade: as taxas de natalidade referem-se
ao número de nascidos vivos em relação ao
mortalidade e o aumento da expectativa de vida. total da população de uma dada área. Vincula-
se às taxas de fecundidade e fertilidade.

LER TABELA E IMAGEM

Ao lado dos Estados Unidos, Canadá e Austrália, o Brasil foi um dos grandes receptores de imi-
grantes no fim do século XIX e ao longo do século XX. Para compreender alguns elementos dos fluxos
migratórios no Brasil, analise a tabela a seguir:

282 Geografia

Imigração no Brasil por nacionalidade – Períodos decenais 1884-1893 a 1924-1933

Efetivos decenais
Nacionalidade
1884-1893 1894-1903 1904-1913 1914-1923 1924-1933

Alemães 22 778 6 698 33 859 29 339 61 723

Espanhóis 113 116 102 142 224 672 94 779 52 405

Italianos 510 533 537 784 196 521 86 320 70 177

Japoneses – – 11 868 20 398 110 191

Portugueses 170 621 155 542 384 672 201 252 233 650

Sírios e turcos 96 7 124 45 803 20 400 20 400

Outros 66 524 42 820 109 222 51 493 164 586

Total 883 668 852 110 1 006 617 503 981 717 223
Fonte: IBGE. Brasil: 500 anos de povoamento. Disponível em: <www.ibge.gov.br/brasil500/tabelas/imigracao_nacionalidade_84a33.htm>. Acesso em: 2 maio 2012.

1. Qual o período de chegada de imigrantes ao Brasil registrado pela tabela?

2. Dos principais grupos de estrangeiros que vieram para o Brasil nos períodos mencionados na
tabela, qual foi o mais numeroso?

3. Dos grupos de imigrantes mencionados na tabela, qual foi o último a chegar ao Brasil? Você
saberia dizer o nome de dois estados onde vivem muitos representantes desse grupo e seus des-
cendentes.

4. Por que esses imigrantes se mudaram para o nosso país? Em quais atividades vieram trabalhar?

6º ano 283

Observe a imagem a seguir e responda às questões de 5 a 7.

Coleção particular

Cartão-postal, São Paulo
(SP), c. 1910. Imigrantes
trabalhando na colheita
de café, no interior
do estado de São Paulo,
no início do século XX.

5. Destaque a data e o lugar retratado na fotografia.
6. Descreva o que você observou na imagem.
7. Que atividades os imigrantes estão desempenhando? Em qual tipo de espaço eles estão trabalhando?

A tabela e a imagem mostram diferentes grupos de imigrantes que vieram ao
Brasil para trabalhar e viver aqui. Estima-se que aproximadamente 4 milhões de
pessoas chegaram ao país entre 1887 e 1930. Isso se explica, entre outras razões,
à forte demanda por mão de obra nas lavouras de café. Havia também o desejo
das elites brasileiras de trazer para o país colonos brancos de origem europeia. Po-
rém, boa parte desses imigrantes era constituída de camponeses pobres em seus
países de origem. Os governos do Brasil, da Itália e do Japão chegaram a firmar
contratos para a vinda desses imigrantes.
A maioria dos imigrantes dirigiu-se para o Centro-Sul e a faixa oriental (a
leste) do território nacional, com destaque para o estado de São Paulo, que con-
centrou mais de 50% desse contingente. Os maiores grupos foram de italianos,
portugueses e espanhóis. Alemães e japoneses também chegaram em número sig-
nificativo. Outros grupos minoritários foram os de sírio-libaneses, judeus, e de
povos da Europa oriental, como poloneses e russos. Judeus vindos de diferentes
países, assim como portugueses, italianos e espanhóis, entre outros, desempenha-
ram tarefas nas cidades, tanto na nascente produção fabril como no comércio, nos
serviços, na construção de vias de transporte e edificações. Essa presença ampliou
ainda mais a diversidade social e cultural existente no país.

284 Geografia

Fabio Braga/Folhapress

Imigrantes bolivianos trabalham em oficina de costura em São Paulo (SP), 2011. Muitos desses trabalhadores vivem em condições análogas à escravidão.

Na segunda metade do século XX, novos imi- CONHECER MAIS
grantes chegaram ao Brasil, muitos para trabalhar
em fábricas, no comércio e nos serviços. Entre eles IBGE: número de imigrantes no
Brasil sobe quase 87% em 10 anos
estavam bolivianos e paraguaios, além de coreanos e
O Censo 2010 registrou um grande
chineses. No entanto, a vida não tem sido fácil para aumento no movimento de entrada no
muitos deles. São frequentes, por exemplo, denún- país em relação a 2000. Foram 286,5
cias de trabalho escravo envolvendo imigrantes bo- mil imigrantes internacionais pelo cri-
tério de data-fixa, ou seja, indivíduos
livianos em pequenas fábricas de confecções de rou- que residiam no Brasil na data de re-
pas de São Paulo. Há casos em que eles são explora- ferência do Censo, mas que moravam
em um país estrangeiro cinco anos an-
dos por imigrantes de outras nacionalidades. Muitos
tes. Esse número foi 86,7% maior do
que vivem nessas condições evitam fazer denúncia que em 2000 (143,6 mil). Os principais
porque estão em situação ilegal no Brasil. estados de destino desses imigrantes
foram São Paulo, Paraná e Minas Ge-
rais, que, juntos, receberam mais da
metade dos imigrantes internacionais
MIGRAÇÕES INTERNAS NO BRASIL do período.
Os principais países de origem
Vamos examinar agora os fluxos migratórios dos imigrantes foram: Estados Uni-
internos, em especial os ocorridos após a Segunda dos (51 933), Japão (41 417), Paraguai
Guerra Mundial (1939-1945), quando o país viven- (24 666), Portugal (21 376) e Bolívia
(15 753).
ciou períodos de forte modernização econômica.
Jornal do Brasil, 27 abr. 2012. Disponível em: <www.jb.com.br/pais/
É preciso registrar também a ocorrência de fluxos noticias/2012/04/27/ibge-numero-de-imigrantes-no-brasil-sobe-quase-
87-em-10-anos>. Acesso em: 12 jul. 2012; UOL notícias. Disponível em:
internos anteriores, como os de nordestinos para a <http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/04/27/
numero-de-imigrantes-morando-no-brasil-quase-dobra-em-dez-anos-sp-e-
Amazônia no período da exploração da borracha pr-sao-os-principais-destinos.htm>. Acesso em: 2 maio 2012.

(últimas décadas do século XIX).

6º ano 285

São Paulo: Scipione. Migrações no Brasil. Brasil – Migrações internas 1960-1970 1970-1980 N 0 510 1 020 km O L S Fonte: SANTOS. Migrações no Brasil. N 0 510 1 020 km O L S Fonte: BAENINGER. Núcleo de Estudos de População. Campinas: Unicamp. Regina Bega. São Paulo: Scipione. Observe os mapas e responda às questões a seguir. 1990-2000 Ilustrações digitais: Mario Yoshida N 0 510 1 020 km O L S Fonte: SANTOS. Rosana. 1994. LER MAPAS II Por meio de uma coleção de mapas. 1990-2000. Adaptado. Adaptado. Regina Bega. Adaptado. é possível compará-los e verificar o que ocorreu em relação ao mesmo fenômeno em diferentes períodos. 1994. 286 Geografia .

2012. Marcelo Cortes/Fotoarena/Folhapress Apresentação de dança nas comemorações do Dia de São Pedro. Qual dos fluxos principais manteve-se ao longo do período. As setas mais largas indicam intensos movimentos de tra- balhadores. Tais fluxos são representados por setas de diferentes larguras. 2. O local é ponto de encontro de migrantes nordestinos na cidade do Rio de Janeiro. 4. Nos períodos 1960-1970 e 1970-1980 predominaram os fluxos de longa dis- tância entre as regiões. Por que há diferenças de largura nas setas dos mapas? 3. Anote o título. Escreva um texto comentando a evolução das migrações no país nas últimas décadas. o termo “baiano” passou a ser sinônimo de “nordestino”. Deslocaram- -se para grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro – centros industriais e o núcleo econômico-financeiro do país. BREVE HISTÓRICO DAS MIGRAÇÕES INTERNAS Considere que a coleção de mapas mostra fluxos ou movimentos que com- põem as dinâmicas espaciais brasileiras. a maioria dos migrantes nordes- tinos é baiana. anotando as regiões de origem e de destino. Compare os três períodos representados nos mapas e aponte as principais diferenças e semelhan- ças entre eles. Observe o mapa que se refere ao período 1990-2000. os mapas são dinâmico-quantitativos. que indicam áreas de emissão ou recepção de pessoas. Na Grande São Paulo. que em 2010 possuía 19 milhões de habitantes na área metropolitana. 6º ano 287 . como os do Nordeste para o Sudeste e para a Amazônia. Ali. Como esses fluxos e direções podem ser explicados? Retome as histórias de vida dos colegas da turma para verificar se elas confirmam os movimentos migra- tórios no país apresentados nos mapas. Destaque as principais direções dos fluxos de migrantes. os períodos representados e a fonte dos mapas. As diferenças de largura das setas revelam quantidades: quanto mais larga a seta. no Centro de Tradições Nordestinas (também conhecido como Feira de São Cristovão). maior o número de pessoas. Portanto. O que está sendo representado pela seta larga que parte de São Paulo em direção ao Nordeste do país? 6. com pequenas alterações? 5.1.

e ao preconceito racial. os nordestinos. do sertão para as principais capitais dos estados do receio. suas roças. mas também ríodo. Nesse caso. res- de fronteiras econômicas da faixa sul da Amazônia. como o retirante. Parte importante dessa espaço diversificado do ponto de inversão está ligada às chamadas migrações de retorno. O preconceito contra o nordesti- Assim. o preconceito por origem geográfica marca. e outra parte em pelas próprias elites nordestinas. em São Paulo. entre outros. vistos com certo desprezo ou até plo. Amazônia oriental. cresce economicamente nos últi- mos anos. especial- ros. trabalhadores passam uma parte do ano traba. No período 1990-2000. caipira. pectivamente. Entretanto. sem o trabalho dessas pessoas. como lembra o Amazônia. Outros deslocamentos importantes envolveram agri. com sua densa rede viária. trabalha. que só enxerga o mes- mo e repetitivo lugar-comum so- trabalham na agropecuária moderna no Centro-Oeste. Outras que não pode ser explicada por parcelas referem-se às migrações sazonais. o migrante. Nos anos 1990. por esses desgastados estereótipos exemplo. por exemplo. o flage- lado. com a volta de migrantes nordestinos à terra natal. Por exem. também motivou o deslocamento de trabalhadores minei. O Nordeste é hoje um rem fluxos na direção contrária. ela continua apresentando altas ta- nos de porte médio. por meio dos estereótipos do “baia- sulistas em direção ao Centro-Oeste e às fronteiras da no” e do “paraíba”. Ao nordestino ainda estão curta distância. setores da classe média urbana passaram a Essa região nem sempre existiu se deslocar de cidades como São Paulo para núcleos urba. Nordeste. o Brasil não teria se constituído num dos 288 Geografia . construídos desde o princípio do século passado − especialmente lhando na construção civil. ocorrendo em quase todas as direções – vinculados outros tipos sociais muitos deles entre estados da mesma região. Os fluxos atuais. como a conhecemos hoje. vista econômico. Ocorreram também deslocamentos é preciso questionar o olhar redu- internos nas regiões da fronteira amazônica e entre os que cionista. político. GLOSSÁRIO Arigó: que ou quem é da roça ou nela É inegável o papel dos migrantes no acúmulo de ri. fortes investimentos do Estado querque Jr. São denominações usadas genericamente em São estimularam projetos de colonização e ocupação das áreas Paulo e no Rio de Janeiro. Estereótipo: padrão formado por ideias preconcebidas. roceiro. dos conceito se expressa. por exemplo. entre outros. para aquela área. Não seria possível erguer uma metrópo. e metrô e arranha-céus. O preconceito contra o nordestino A construção de Brasília. em referência aos Nos períodos seguintes. Em especial nas pesquisador Durval Muniz Albu- décadas de 1960 e 1970. tes foram descritos. pejorativas ou desqualificadoras. No Brasil. xas de miséria e exclusão social. uma realidade complexa. goianos e nordestinos. mas também ocor. também de longa distância. bre o Nordeste e os nordestinos. em geral le moderna como São Paulo. CONHECER MAIS cultores do Sul do país que migraram para o Centro-Oeste e para o sul da Amazônia. em pleno Planalto Central. mente. é preciso no está associado não só à forma como a região e os seus habitan- conhecer os contextos econômicos e políticos de cada pe. mesmo modo. para compreender esses movimentos. Do reforçado pela falta de conhecimento sobre algo ou alguém. quezas do país. os fluxos passaram a ser de migrantes vindos da região Nor- deste. ou do Meio-Norte (Maranhão e Piauí) para a o arigó. micas pelo território nacional. é possível notar que se mantém mas tem sido uma das que mais o fluxo tradicional Nordeste-Sudeste. o pau de arara. no Nordeste. correspondem a um ao preconceito contra os pobres momento de maior descentralização de atividades econô. social e cultural. como Florianópolis (SC). Esse pre- Destacam-se também os fluxos do eixo noroeste.

ainda na década de 1980. entre outros. de acordo com dados fornecidos pelas embaixadas brasileiras. trabalho. passou a ser mais fácil conhecer os destinos e as respectivas condições de vida em diferentes países. evidentemente. EMIGRAÇÃO DE BRASILEIROS O Brasil nunca foi um grande emissor de populações para outros países.2 milhão de brasileiros di- rigiu-se para Estados Unidos. ainda. como moradia. Líbano. Já no fim da década de 1970. Entretanto. Canadá e países da Europa Ocidental − com destaque para Portugal. Israel. dirigiram-se para as novas fronteiras das regiões Centro-Oeste e Norte. além de promover uma ocupação equilibrada e sustentável. vivendo. Todos devem ter acesso aos direitos fundamentais. a prolongada crise econômica que afetou o país na década de 1980 fez com que muitos brasileiros fossem tentar a sorte no exterior. expulsos de suas terras. o número provável de brasileiros em cada país ou continente. à liberdade de ir e vir. principais celeiros agrícolas do mundo sem os braços de uma legião de agriculto- res. como Paraguai. são vítimas de preconceito e discriminação. Muitos deles foram aban- donados à própria sorte. Bolívia e Argentina. E. China e Austrália. Ou. Hoje há registros de que os brasileiros estão por toda parte. cerca de 1. saúde e educação. Não raro. A au- sência histórica de oportunidades em países fronteiriços talvez ajude a explicar esse fato. em Angola. 6º ano 289 . que. existe o relacionado à origem geográfica. marcada pela rápida retirada das matas − um prejuízo incalculável ao patrimônio nacional. ou seja. os dados mostram estimativas. nos anéis centrais dessas cidades. Um dos desafios do século XXI em nosso país é garantir vida digna aos mi- grantes. por exemplo. Dessa forma. A região constituiu o chamado “arco do desmatamento”. Espanha e Itália. Em 2008. Contribuiu para isso também a chamada globalização. dispostos a trabalhar para grandes empresas ou grandes propriedades rurais. extensa faixa que vai de Rondônia a leste do Pará. ou seja. em habita- ções e bairros degradados. Observe esses dados na tabela e no mapa a seguir. Em São Paulo e no Rio de Janeiro. muitos foram viver em bairros periféricos precários e mal atendidos por serviços urbanos. principalmente por conta de problemas de financiamento e escoamento da sua produção agrícola. intensificaram-se os meios de comunicação e informação. A inserção dos migrantes nos lugares de destino não foi isenta de conflitos e dificuldades. Como muitos emigrantes estão em situação ilegal. sobretudo da região Sul. outros brasileiros. Japão. haviam se deslocado para países vizi- nhos. o Ministério das Relações Exteriores do Brasil fez um levantamento sobre o número de brasileiros no exterior. Nessa nova fase do sistema capitalista mundial. Ao lado de outros preconceitos ainda presentes no Brasil. Reino Unido. Vale lembrar também que os migrantes que participaram dos processos de ocu- pação do sul da Amazônia viveram muitas dificuldades.

290 Geografia . 3. Brasileiros no exterior segundo regiões e continentes Ilustração digital: Mario Yoshida N 0 2 060 4 120 km O L S Fonte: Ministério das Relações Exteriores. 2011. Brasileiros no mundo: estimativas. 3. jun. Brasileiros no mundo: estimativas. Brasília: MRE. Brasília: MRE. 2011. LER TABELA E MAPA Brasileiros no exterior – 2011 País Estimativa de brasileiros Estados Unidos 1 388 000 Japão 230 552 Paraguai 200 000 Reino Unido 180 000 Espanha 158 761 Portugal 136 220 Alemanha 91 087 Itália 85 000 Bélgica 60 000 Suíça 57 500 Bolívia 50 100 Austrália 45 300 Argentina 37 100 Canadá 30 146 Uruguai 30 135 Venezuela 26 000 Angola 20 000 Israel 20 000 Fonte: MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES. ed. jun. ed.

peça ajuda ao professor para pesquisar sobre isso. Assim. como serviços domésticos em bares e restaurantes e entregas. que viajavam sozinhos e dominavam o idioma japonês. Dos países vizinhos ao Brasil. a forte crise financeira mundial. Se necessário. Em sua opinião. e o fato de muitos brasilei- ros terem adquirido imóveis. Os emigrantes que foram para o Reino Unido possuem perfil semelhante. que hoje contam com o maior número de emigrados brasileiros. os brasileiros que vivem por lá desempenham tarefas de baixa qualifica- ção. 2. acima dos 30 anos. fazendo com que muitos retornassem ao Brasil. o destaque vai para os Estados Unidos. A principal colônia brasileira situa-se em Newark. A intenção de permanecer fica evidente com a diminuição das remessas. a decisão de ter filhos no país (pelas leis dos Estados Unidos. por que Portugal e Angola aparecem na lista dos países mais procurados? Justifi- que sua resposta. enfrentando hoje forte oposição de camponeses paraguaios sem-terra. levou vários brasileiros a perder suas propriedades. tinham em mente uma empreitada temporária – ganhando em dólar. São os chamados brasiguaios. as primeiras levas de dekassegui − expressão japonesa que significa “trabalhar fora de casa” − foram da primeira geração de filhos de japoneses instalados no Brasil. em especial a partir dos anos 1980.1. estado de Nova Jersey. vem au- mentando a tensão nas regiões onde se concentram as propriedades de brasiguaios. 6º ano 291 . Um dos motivos que explica a ida de brasileiros para a Terra do Sol Nascente é o fato de muitos serem descendentes de japone- ses que para cá vieram no século XX. Em 2008. Outro destaque é o Japão. Levantamentos feitos pela Câmara dos Deputados brasileira revelam que a intenção de permanecer defini- tivamente em território estadunidense é recente. Quantos brasileiros estão vivendo hoje fora do país? Escreva o nome dos dois continentes ou re- giões com maior número de brasileiros. os nissei. Nos últimos anos. Ge- ralmente. enviando remessas de dinheiro aos familiares no Brasil e depois retornando. Alguns chegaram a se tornar grandes produtores e exportadores de grãos. Basicamente eram homens casados. Os primeiros emigrantes. Muitos são agri- cultores que perderam suas propriedades no Brasil e foram em busca de terras bara- tas e créditos (financiamentos) naquele país. que se originou no mercado de imóveis dos Estados Unidos. Qual país tem o maior número de brasileiros atualmente? O que explica esse fato? 3. qual deles tem o maior número de brasileiros? Converse com os colegas e responda: qual é a atividade predominante dos brasileiros nesse país? 5. O Paraguai é o país vizinho com maior número de brasileiros. 4. os filhos nascidos lá passam a ser considerados cidadãos estadunidenses). O que explica o grande número de brasileiros no Japão? PAÍSES COM FORTE IMIGRAÇÃO BRASILEIRA Dos países mencionados.

Outros aspectos geram dificuldades de adaptação. Em muitos casos. restaurantes e casas noturnas. os imigrantes de países pobres são vistos com desconfiança e sofrem com o preconceito e a discriminação. os brasileiros enfrentam muitas dificuldades nos países de destino. Escreva com suas palavras o que significam os termos: • migração. como saúde. Destaque também duas modalidades de migração de acordo com as motivações para o deslocamento. incluindo cônjuge não nipônico. geralmente rejeitadas pelos nativos. Entre os pontos principais do documento está o re- conhecimento da situação do migrante. muitos vão trabalhar em fábricas em funções de baixa qualificação. Boa parte não fala japonês e. ra- tificada pelos países em 2003. A facilidade com a língua é outro fator preponderante. Assim como outros imigrantes. ao contrário dos primeiros emigrantes. trabalho rejeitado pelos japoneses. como as diferenças com relação à língua. mas são obrigados a desempenhar funções subalternas e sem qua- lificação. e a necessidade de garantir o acesso desse migrante e sua família a bens e serviços essenciais. 292 Geografia . O fato de serem descendentes de japoneses permitiu a esses brasileiros ir e vir sem maiores constrangimentos − o que não ocorre em outros países. seu direito de buscar trabalho em outros países. bares. inúmeros brasileiros trabalham em hotéis. mas já é um primeiro passo nessa direção. Além disso. a ONU lançou em 1990 a Convenção de Proteção aos Direitos dos Trabalhadores Migrantes. Outro país de língua portuguesa que tem visto crescer a chega- da de brasileiros é Angola. desde engenheiros até operá- rios. de jovens solteiros ou com famílias recém-constituídas. o documento prevê a liberdade de cada um de circular livremente. aos hábitos alimentares e às tradições culturais. a maioria é discriminada e não consegue se inserir plenamente na vida social e cultural do país. moradia e educação. Vale ressaltar que a existência do documento não significa o fim do preconceito e da exclusão social dos imigrantes. Para garantir igualdade de tratamento em terras estrangeiras. Muitos possuem curso superior. Ali. imigração e emigração. compostas pela se- gunda geração. APLICAR CONHECIMENTOS 1. De outro lado. Apesar dos laços cul- turais. As levas mais recentes têm um perfil bastante diferente. dedicam-se a diversas tarefas relacionadas à construção. muitos brasileiros sofrem em Portugal restrições semelhantes às de outros países da Europa. tem a intenção de permanecer mais tempo no país. mas também na construção civil e nos serviços domésticos. onde vários brasileiros. A ida de muitos brasileiros para Portugal explica-se pelos laços que o Brasil tem com esse país. No Ja- pão. os sansei. professar sua religião e esco- lher uma atividade remunerada − sem qualquer tipo de exploração.

Refazenda (CD). leia a letra da canção a seguir. DOMINGUINHOS. composta pelo baiano Gilberto Gil e pelo pernambucano Dominguinhos: Lamento sertanejo Por ser de lá do sertão Lá do Cerrado Lá do interior. a) Em que lugar está a personagem que se expressa nessa canção? Qual é a sua origem geográfi- ca? Destaque no texto palavras ou expressões que confirmem sua resposta. do mato Da Caatinga. por isso mesmo Não gosto de cama mole Não sei comer sem torresmo Eu quase não falo Eu quase não sei de nada Sou como rês desgarrada Nessa multidão boiada Caminhando a esmo GILBERTO GIL. b) Qual é a visão dessa personagem sobre a vida no campo e na cidade? 6º ano 293 .2. 1975. Warner Music. Vimos neste capítulo quanto é difícil tomar a decisão de migrar e inserir-se plenamente no lugar de destino. do roçado Eu quase não saio Eu quase não tenho amigo Eu quase que não consigo Ficar na cidade sem viver contrariado Por ser de lá Na certa. Sobre isso.

e se concentrarem em cidades amazônicas com poucas condições para abrigá-los. Conselho de Imigração aprova restrição à entrada de haitianos. muitas vezes. Examine o texto e o mapa a seguir e responda às questões propostas: No mesmo dia em que se completam dois anos desde o terremoto que devastou o Haiti. Acesso em: 2 maio 2012.. d) trabalhadores qualificados. Urbanization and Migration. 12 jan. p.html>. Disponível em: <http://noticias.00- Conselho+de+Imigracao+aprova+restricao+a+entrada+de+haitianos. configurando a chamada fuga de cérebros. 3.terra.php>. Notícias Terra. Disponível em: <www. A medida é parte de uma proposta do Ministério da Justiça para regularizar a situação migratória de haitianos no Brasil. o Conselho Nacional de Imigração brasileiro concordou em restringir a cem o número mensal de vistos a serem concedidos a haitianos que queiram emigrar ao Brasil.viagemdoconhecimento. intermediadas por coiotes (atravessadores). c) contingentes cujos países de origem têm o inglês como idioma oficial. Observe a tabela e assinale a alternativa correta: Origens de moradores estrangeiros na Grande Miami (EUA) – 2010 País de nascimento Porcentagem Cuba 30% Haiti 9% Colômbia 7% Jamaica 7% Nicarágua 4% Fonte: George Washington University-Globalization. 30. 294 Geografia . é correto afirmar que as comunidades de estrangeiros residentes na Grande Miami em 2010 são formadas por: a) refugiados políticos que buscaram abrigo nos Estados Unidos. 2012.OI5555810-EI306. In: Dossiê Terra 2010.com. Acesso em: 2 maio 2012. São Paulo: Abril. 2010. por rotas ilegais.br/desafio/edicao-2010. National Geographic Brasil. que ganhou a atenção da opinião pública por eles virem. b) migrantes originários de diferentes países latino-americanos. 4. Com base nos dados.com.br/brasil/noticias/0.

essas medidas foram acertadas? Explique sua resposta. 6º ano 295 . Base cartográfica: ESRI. 2005. Principais rotas do fluxo migratório de haitianos para o Brasil Ilustração digital: Mario Yoshida N 0 520 1 040 km O L S Fonte: Conselho Nacional de Imigração (CNIg). a) Qual é o assunto tratado no texto e no mapa? b) Quais medidas foram adotadas pelo governo brasileiro em relação à questão descrita? Em sua opinião.

Direção: João Batista de Andrade. dois jovens se envolvem. 1981 (95 min).] Hoje. O Piauí decolou. 296 Geografia .br>.. O movimento foi liderado por migrantes gaúchos e paranaenses a partir de meados da década de 1990 e intensificado recentemente com a chegada de grandes grupos do agronegócio. Site Memorial do imigrante O site do museu traz figuras. da fome e da pobreza. mapas. por agregar também o sul do Maranhão e o norte do Tocantins. uma área equivalente a 9 500 campos de futebol.. Disponível em: <www. é dono da Fazenda Santos. então.. textos e jornais sobre os imigrantes que se deslocaram para o Brasil.. n. Graciliano. Brasil. Planta soja e milho.sp. 18 mar. 2012. Marcelo. Duas décadas mais tarde. [.. [. Nesse quadro. Buscou. de maneira mais abrangente. Caminhoneiro por onze anos.. A produção de soja equivale ainda a apenas 2% do total nacional.. Direção: Tizuka Yamazaki. Nada ali o impressionou.gov. um imigrante japonês e uma imigrante italiana. 2012.memorialdoimigrante. dados. 119. é conhecida pela sigla Mapito.. no sul do Piauí. Santos decidiu comprar um terreno de poucas centenas de hectares na Serra do Quilombo. Gaijin Trata da história de uma família de imigrantes japoneses que chega ao Brasil e enfrenta dificulda- des diante do trabalho extenuante nas fazendas de café. a região agrícola brasileira que mais cresceu neste século. 5.gov. Disponível em: <www. ele ouviu [.br/videos/brasileiros-no-mundo>. já como um pequeno construtor no litoral gaúcho. mas o ritmo com que se expande é de quem tem urgência. SAKATE. Era o ano de 1999.] O lugar é uma espécie de sucessor e extensão natural do desenvolvimento que bafejou o oeste baiano nos anos 1990. Acesso em: 12 jul.. a orientação de produtores da região. comente o texto a seguir considerando os deslocamen- tos populacionais pelo território brasileiro. (48 minutos). 1980 (112 min).] que o sul piauiense estava deixando muita gente rica. p. Rio de Janeiro: Record. Seu mais recente investimento foi um avião seminovo [. A partir do que você estudou no capítulo.] Esse pedaço do Piauí é o ponto mais efervescente de uma região que. Veja.] Estima-se que só 15% da área apta para o plantio tenha sido explorada no estado. Vidas secas.. o catarinense Nivaldo Santos conheceu o cerrado do Piauí em uma de suas viagens pelo Brasil no fim dos anos 1970. [.. com 7 800 hectares. aos 57 anos. 2 265. O homem que virou suco O filme narra a história de um migrante nordestino que chega a São Paulo e sobrevive vendendo suas poesias e folhetos. 2012. Abril.. PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS Livro Vidas secas O romance do consagrado escritor brasileiro aborda a sina de uma família de retirantes do sertão nordestino em fuga da seca. filmes Brasileiros no mundo Depoimentos de brasileiros que vivem no exterior e de autoridades do país em meio a uma con- ferência que debateu o tema. Ele é confundido com um operário que matou o patrão. [. o que gera conflitos. RAMOS.] Essa é apenas uma entre tantas histórias de prosperidade e empreendedorismo de um dos mais vibrantes polos de desenvolvimento regional do país − o sul do Piauí. Acesso em: 12 jul. Brasil. 2006.itamaraty. A prosperidade vinha do cultivo da soja.

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UNIDADE 6 Ciências .

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Para Fiéis prestam homenagem a Iemanjá. registre palavras-chave que indicam a importância da água. fazer a higiene corporal etc.Capítulo 1 CIÊNCIAS Água. POR QUE PRECISAMOS DA ÁGUA? Não existe vida sem água. a limpeza do ambiente. Usamos também a água para muitas outras atividades. como para a produção agrícola e industrial. o banho nas águas sagradas do rio Ganges purifica-os de todos os pecados. converse com seus colegas sobre a importância da água em sua vida (em casa ou no trabalho). 2010. 6º ano 301 . utilizando-a para beber. a recreação e mesmo em rituais religiosos. na Índia. E. A Tarde/Folhapress Devotos e sadhus (“homens santos”) no Festival de Kumbh Mela. Em quais momentos e locais a água está presente em nosso dia a dia? Dê exemplos de usos da água nas atividades a seguir: a) recreação b) religião c) produção industrial d) transporte e) agricultura Depois da conversa. assim como todos os seres vivos. os seres huma- nos dependem da água para sobreviver. rainha das águas. desde canoas até grandes navios. Salvador (BA). Oceanos e rios podem ser usados como vias de transporte para os mais diversos tipos de embarcações. Philippe Lissac/Godong/Corbis/Latinstock Raul Spinasse/Ag. saúde e ambiente RODA DE CONVERSA I Antes de começar os estudos desse capítulo. 2011. obter e preparar alimentos. divindade considerada mãe dos Orixás e os hindus.

como Nova York (nos Estados Unidos). Quase toda grande cidade do mundo fica próxima de um ou mais rios. Hamburgo (na Alemanha). Vegetais. rios. peixes. além de serem atravessadas por rios. O consumo dire- agricultura to de água pelas pessoas corresponde a 8% indústria uma pequena parcela da água doce uti. a água tornou-se Planeta Terra Design Formas de uso da água no mundo uma substância de enorme valor para em porcentagem todas as populações. examine as informações fornecidas por ele. camarões e outras fontes de nutrientes encontradas nos ambientes aquáticos foram a base do sustento alimentar e econômico de várias ci- vilizações antigas. Muitas delas. estão localizadas junto ao mar. O acesso à água doce sempre foi um fator fundamental para o estabelecimento das cidades. 2012. mangues e oceanos abrigam uma infinidade de formas de vida. Ao mesmo tempo. Jose Fuste Raga/Corbis/Latinstock O rio Sumida atravessa a moderna cidade de Tóquio (Japão). Ainda hoje são muito importantes na alimentação e usados como fonte de renda por moradores e indústrias pesqueiras de muitas cidades do mundo. Tóquio (no Japão) e Recife (no Brasil). uso doméstico 22% lizada nas atividades humanas. Fonte: International Year of Fresh Water 2003. O VALOR E O USO DA ÁGUA Em razão de sua grande importân- cia para os seres vivos. para todo o mundo. em média. 302 Ciências . lagos. Antes de prosse- guir a leitura. O gráfico ao lado mostra os usos da 70% água por diversos setores.

PARA REFLETIR I Reúna-se com seus colegas e debata as seguintes questões: • Por que existem a água limpa e a água suja? • Quais são as principais diferenças entre elas? • Existe água pura? • Você sabe dizer onde é encontrada a água em estado sólido? • E na forma de gás. Nos países ricos. e o uso doméstico corresponde a 8% do total. nos países pobres. Procure investigar como a água pode ser utilizada em cada uma dessas atividades e indique: a) três formas de uso da água em atividades agrícolas. mas o consumo de água é muito diferente de uma região para outra do globo. Já a fa- bricação de um único hambúrguer usa 2 400 litros de água. da criação do gado até o sanduíche chegar às mãos do consumidor. A indústria é responsável por 22% do consumo da água. Você já sabe o que pode ocorrer quando reunimos água com materiais? Observe muito bem o que acontece nos experimentos e procure descrevê-los usando suas próprias palavras. Essas porcentagens representam uma média mundial. 59% do uso da água é destinado à indústria. 6º ano 303 . onde a água está presente nesse estado? EXPERIMENTAR I MISTURAS COM ÁGUA Vivemos rodeados por muitos materiais. A agricultura com sistema de irrigação é responsável pelo maior consumo de água no mundo (70%). Para chegar a esse número. PESQUISAR I Podemos identificar três grandes campos de uso da água nas sociedades atuais: o agrícola. vem o consumo na indústria. soma-se toda a água consumida desde o início. materiais diferentes são utilizados em atividades diferentes. c) três formas de uso doméstico da água. b) três formas de uso da água em atividades industriais. enquanto. Logo em seguida. Para verificar uma propriedade importante da água vamos fazer um experimento. Por terem diversas características e propriedades. levando-se em conta desde a produção do algodão para fazer o pano até a calça pronta. Depois. confira a linguagem científica. são consumidos 10 mil litros de água. somente 8% da água é usada para esse fim. o industrial e o doméstico. Para produzir uma calça jeans.

• copos limpos. Misture bem. a água volta para a natureza carregando restos de subs- tâncias produzidas durante sua utilização. Após o uso doméstico. misture areia e água. Quando é consumida na agricultura. O que acontece? Junte mais uma colher. 3. PROPRIEDADES DA ÁGUA Seja qual for seu uso. Como fazer: 1. leva para os rios e solos adubos e agrotóxicos empregados na pro- dução. 1. 304 Ciências . registre suas observações. • uma colher pequena. • óleo. em outro copo. Mexa bem. coloque uma colher de sal. Em outro copo de água limpa. por exemplo. Após ser utilizada na indústria. Despeje um pouco de óleo em um copo de água. Quais materiais permanecem dissolvidos na água? Você conhece outros materiais que se dis- solvem facilmente na água? Dizemos que esses materiais entram em solução com a água que os dissolveu. 2. transporta dejetos humanos. restos de alimentos. a água retorna ao ambiente carregando restos de produtos químicos utilizados na produção industrial. se não receber o tratamento adequado. além de produtos de limpeza e higiene corporal. O que acontece? Deixe o copo sobre a mesa e observe-o após algum tempo. O que acontece? O resul- tado é semelhante ao da mistura de água com sal? Ao final dos experimentos. • sal de cozinha. Algo se modifica? E com três colheres de sal? Deixe o copo em repouso e observe-o mais tarde. 2. • areia. Os materiais pesados vão ao fundo (decantação) e os mais leves sobem à superfície (flutuação). Agora. Quais materiais se separam da água? Você conhece outros materiais com essa característica? Dizemos que esses materiais formam uma mistura heterogênea com a água. Material: • uma jarra de água.

PARA REFLETIR II Você sabe dizer onde está a maior parte da água doce do planeta? Lembre-se do que já conhece sobre as propriedades da água e seus estados físicos. conforme sua fonte. O PLANETA ÁGUA Aparentemente. Na natureza. sólido ou gasoso. é chamada de “solvente universal”. A água doce está também no subsolo. a Terra é o planeta da água. em meio às fraturas ou aos poros das rochas. planeta Terra está ocupada pela água de mares e oceanos. Os oceanos correspondem a uma área de cerca de 43 do planeta. por isso. Observando uma foto feita por um satélite. nos lagos e nas geleiras. formando os aquíferos Fonte: NASA Planisfério obtido a partir de várias imagens de satélite comprova que a maior parte do subterrâneos. vemos que quase 23 de sua superfície é coberta por água. que vêm das rochas ao redor. O tipo e a quantidade de minerais variam conforme a região líquido. As águas dos rios. Os ró- Fernando Favoretto/Criar Imagem tulos de águas comercializadas devem indicar os minerais nelas presentes e suas quantidades. assim chamada por ter me- nos sais que a água do mar. medidas em miligra- mas por litro. 6º ano 305 . A água que sai dos poços também têm os minerais que vêm das rochas. Por causa dessa propriedade. a água pode conter par- tículas muito pequenas de diferentes minerais. que são identificados somente por meio de exames de laboratório. no qual se mistura a outros gases que compõem a atmosfera. a água na forma de gás está presente no ar que respiramos. turada a outros materiais e substâncias. a água se apresenta como “água doce”. Nos rios. A água se mistura com quase tudo e. são repletas de resíduos de seres vivos e de minerais dissolvidos. por exemplo. ela nunca é encontrada em estado puro na natureza. Converse com os seus colegas e levante hipóteses. Assim. A água salgada é responsável NASA/Corbis/Latinstock pela maior parte dessa cobertura. sempre mis- onde a água é coletada. Encontramos O rótulo de água mineral deve especificar as quantidades de cada mineral a água ao nosso redor em seus estados dissolvido.

a água lagos e pântanos 77. Entretanto. Na maioria dos casos. seja adequada para o consumo humano. 1999. a distribuição da água doce nas diferentes regiões do país 0. p. como 22% sopas. água subterrânea tidade relativamente pequena. é um procedimento mui- to recomendável. Alguns processos são comumente utilizados para retirar da água materiais prejudiciais à saúde. rios mogênea nos continentes. como sódio.20 doce não está distribuída de forma ho. Confira no gráfico ao lado a distri- Planeta Terra Design Distribuição da água doce no planeta (%) buição da água doce no planeta. ferro.) 306 Ciências . cores-fantasia. sucos de frutas ou água.01 0. O Brasil. Sangue to do organismo humano. 83% Em uma pessoa adulta. por exemplo. são chamadas de mananciais. Além disso. 48.35 0. Você sabe dizer por quê? A ÁGUA NA COMPOSIÇÃO DO CORPO HUMANO A água é essencial para a vida huma- Cérebro Ilustração digital: Luis Moura na. (Esquema sem escala. Além de estar disponível em quan. estamos Rins ingerindo também uma grande quantida- de de substâncias necessárias para nossa 83% saúde e sobrevivência. isto é. a água proveniente dos mananciais deve ser ana- lisada para que se possa identificar a quantidade de diferentes minerais e a presença de poluentes. potássio. cerca de 70% do seu peso corporal correspon- de à água. Em um recém-nascido. fósforo e enxofre. especialmente os Músculos minerais. Esses minerais. Antes de ser usada. As fontes de água doce utilizada para consumo humano. especialmente para o abastecimento de redes públicas. inclusive em função de sua capacidade de dissolver uma quantidade muito 75% grande de substâncias. Ossos Quando ingerimos líquidos.40 neta Terra.04 também é desigual. essa Fonte: Ciência Hoje na Escola: corpo humano e proporção pode chegar a mais de 85%. saúde. própria para o consumo humano. detém o total de 12% de toda água doce superficial disponível no pla- 22. são nu. Rio de Janeiro: SBPC. 75% trientes importantes para o funcionamen. como os minerais. O acréscimo de flúor. atmosfera gelo nas calotas polares sozinho. não bas- ta apenas acesso à água: é preciso que ela Fonte: International Year of Fresh Water 2003. como nascentes e lençóis subterrâneos. a água captada nos mananciais deve ser subme- tida a tratamento para tornar-se potável.

ao mesmo tempo. Ao passar pelos rins. Todos os órgãos do nosso organismo são formados por milhares de pequenas estruturas: as células. estão dis- solvidas no sangue muitas substâncias que são transportadas de uma parte a outra do organismo. Nosso corpo perde água constantemente. tomar água regularmente é muito importante para o bom fun- cionamento do organismo. substâncias tóxicas para o organismo que precisam ser eliminadas. um adulto precisa tomar. em média. as células do corpo se renovam constantemente. Quais são as substâncias presentes no sangue? 3. Um jovem ingere bebida alcoólica durante o fim de semana. as células internas da pele acumulam gordura. carrega restos produzidos na atividade dessas células. O sangue transporta nutrientes para cada uma dessas células e. sem a precaução de beber bastante água. Além da água que faz parte dos alimentos. Explique por que isso acontece usando os termos do quadro: sangue urina toxinas mais diluído mais concentrado 6º ano 307 . células internas do estômago fazem suco gástrico. e as substâncias nocivas são extraídas e eliminadas na urina. dois litros de água por dia. Cite três funções da água no corpo humano. sua urina possui cheiro forte.5 ºC. Por tudo isso. 4. Mais de 80% do nosso sangue é composto por água. Em que parte do corpo humano a água é mais abundante? 2. as células do músculo cardíaco se contraem. Por exemplo. o sangue é filtrado. No dia seguinte. Em nosso tempo de vida. o que ajuda a manter nossa tempe- ratura em torno de 36. mesmo que ocorram grandes variações na tempe- ratura ambiente. Elas precisam se alimentar e fazer as atividades rela- cionadas ao órgão a que pertencem. APLICAR CONHECIMENTOS I 1. Graças a isso.

critérios que devem ser usados para saber se uma população tem bons hábitos de higiene. a cultura indígena. No Brasil. Depois de pesquisar. a abundância de água e o clima quente da maioria das regiões do país combinaram-se e fizeram do banho uma obrigação e um prazer de todo dia. ao clima e a diversos fatores culturais. coletivamente. PESQUISAR II Pesquise em atlas de anatomia ou na internet figuras do sistema urinário. 308 Ciências . bexiga canal da uretra rins urina com toxinas sangue com toxinas meio ambiente HIGIENE CORPORAL Você sabia que o banho diário não é um hábito em todas as culturas ou regiões do mundo? Esse tipo de costume está associado à disponibilidade de água. Identifique no corpo humano a localização dos rins. da bexiga e dos canais de condução da urina. DEBATER I Você já pensou a respeito dos hábitos de higiene dos brasileiros? Debata com sua turma procu- rando definir. organize as palavras-chave na ordem do caminho de eliminação das toxinas do corpo humano. Complete a lista a seguir: Critérios para saber se uma população tem bons hábitos de higiene 1. As pessoas têm o hábito de lavar as mãos antes de comer? 2.

Ao consultar periodicamente o dentista. que são mais comuns em adultos. Muitos brasileiros ainda perdem seus dentes precocemente porque não fazem essa higiene corretamente ou por falta de acesso ao dentista. por meio da escovação e do uso de fio dental. Podemos prevenir essas doenças evitando o consumo excessivo de açúcar e mantendo os dentes e a gengiva sempre limpos. essas bactérias multiplicam-se rapidamente. que perfuram os dentes e causam as cáries. Elas se alimentam de restos de alimento e elimi- nam substâncias ácidas. Existem téc- nicas para tratar quase todos os proble- mas dos dentes ou da gengiva. Na presença do açúcar. São raros os casos em que é impossível “salvar” o dente. Mesmo assim. Fonte: Elaborado pelos autores. arrancar um dente é úl- Ilustração digital: Vagner Vargas tima opção. formando a placa bacte- riana que gruda nos dentes. RODA DE CONVERSA II Antes de estudar sobre a saúde dos dentes. A placa também leva a doenças de gengiva. a saúde bucal da popu- lação brasileira está melhorando bastante ano a ano. a escovação e o fio dental precisam retirar os restos de alimento que ficam em todos os cantinhos. evitando dores e complicações. existem outras razões para cuidar e manter os dentes saudáveis? SAÚDE BUCAL Nossa boca é ambiente para um número enorme de seres vivos muito peque- nos. cores-fantasia. O uso do flúor na água de abas- tecimento das cidades e a realização de bo- chechos com flúor nos serviços de saúde e Para prevenir e tratar a inflamação na gengiva causada pela placa bacteriana.) 6º ano 309 . inclusive no vão entre os dentes e entre os dentes e a gengiva. mas ne- nhuma delas substitui a higiene realizada logo depois das refeições. reflita e discuta com os seus colegas sobre as se- guintes questões: • O que você já sabe sobre as formas de manter a saúde dos dentes? • Como os dentes ficam doentes? • Além de ser uma preocupação com a saúde. também podemos tratar os problemas bucais antes que fiquem graves. Muitos deles são bactérias. Hoje em dia. (Esquema sem escala.

a língua e os vãos devem ficar bem limpos. 1999. sem fazer força e usando uma escova macia. 154. out. A soma de todos esses usos representa uma quantidade significativa de água potável? Gasto de água em algumas atividades cotidianas Atividade Duração Característica Gasto Torneira meio aberta (meio giro) 12 litros Escovar os dentes 5 minutos Molhando a escova. Tanto os dentes como a gengiva. A limpeza dos dentes pode ser feita com movimentos circulares. Então. será que é preciso se preocupar com o consumo individual (por exemplo. fechando a torneira durante a Menos de escovação e enxaguando a boca com um copo de água meio litro 15 minutos Torneira meio aberta 45 litros Tomar banho com chuveiro elétrico 5 minutos Torneira fechada no ensaboamento 15 litros 15 minutos Torneira meio aberta 135 litros Tomar banho de ducha 5 minutos Torneira fechada no ensaboamento 45 litros Fonte: BRANDIMARTE. 310 Ciências . pois essa substância protege os dentes contra a formação da placa bacteriana. DEBATER II Você viu que o uso doméstico da água corresponde a cerca de 8% do total. Ana Lúcia. São Paulo: SBPC. na higiene corporal). Ciência Hoje. pequenos movimentos de vaivém ou deitando a escova sobre a gengiva e arrastando até a ponta dos dentes. Devemos escovar várias vezes cada lugar. n. já que o uso doméstico tem um peso tão pequeno? O USO DA ÁGUA NO DIA A DIA Este quadro mostra o gasto de água em algumas atividades cotidianas. para evitar a formação da placa bacteriana. nas escolas vêm ajudando a melhorar a saúde bucal de crianças e adolescentes.

então. represas. apesar da degradação. Apesar de não ser própria para consumo humano. Seria necessário.. as novas construções – casas.org/esp/agua/pgn/>. para facilitar o acesso do gado à água. porque não precisa passar por tratamento. das matas nas quais se localiza.. No meio rural. córregos. Acesso em: 2 jul. Além disso. pois a cobertu- ra de mata que protege o solo é retirada. em casa. na lavagem de áreas públicas e nas descargas sanitárias de condomínios. A ocupação irregular de áreas de manan- ciais é um problema enfrentado em todas as grandes cidades brasileiras. nas indústrias. na escola e no trabalho. poderia ser usada. para continuar existindo. PARA REFLETIR III O texto a seguir sugere algumas alternativas para a reutilização da água em descargas sanitá- rias. Disponível em: <www. Essas fontes de água. Água doce e limpa: de “dádiva” a raridade [. Grande parte dos mananciais depende. Por exemplo. Além de diminuir a pressão sobre a demanda. na agricultura ou na indústria. um maior cuidado com a questão do saneamento e abastecimento. na indústria etc. chamadas genericamente mananciais. na lavagem de automóveis. 90% das atividades modernas poderiam ser realizadas com água de reúso. lagos. para os usos gerais que não o consumo humano. nascentes e represas. prioridade em todas as regiões do país. 2012. é obtida em nascentes. precisam ser bem cuidadas para continuar fornecendo a água doce de que tanto necessitamos. o custo dessa água é pelo menos 50% menor do que o preço da água fornecida pelas companhias de saneamento. Em quais atividades ela poderia ser reutilizada? Você acha que uma grande quantidade de água potá- vel poderia ser economizada todos os dias nos lugares que você frequenta? O USO (IN)SUSTENTÁVEL DA ÁGUA A água que os seres humanos utilizam em suas atividades diárias. rios. a recuperação de matas ciliares tornou-se uma localizada nas margens de rios.socioambiental. à formação vegetal gens. 6º ano 311 .] A água disponível no território brasileiro é suficiente para as necessidades do país. o que favorece a conta. mais consciência por parte da população no uso da água e. as áreas de pastagem frequentemente são estendidas até a beira dos rios. essa prática vem sendo adotada. complexos industriais – poderiam incorporar sistemas de aproveitamento da água da chuva. Em muitos lugares do mundo. entre outras atividades. lagos e fontes subterrâneas (os lençóis freáticos).. eles tendem a secar. Almanaque Brasil Socioambiental. Hoje. por parte do governo.GLOSSÁRIO Mata ciliar: nome dado minação da água com fezes dos animais e a erosão das mar. prédios. Com os desmatamentos. Agora reflita a respeito dos usos dados à água onde você mora.

2011. 312 Ciências . João Prudente/Pulsar Imagens Mata ciliar às margens do rio São Francisco. no município de Resende (RJ). 2004. na região do Parque Nacional da Serra da Canastra. Airton Soares/Folhapress Casas e edifícios construídos à margem do rio Paraíba do Sul. São Roque de Minas (MG).

no ano de 2025. poluição e desmatamento. nesse caso. cidadãos. a conservação dos mananciais deve ser permanente. ela continua circulando no planeta em uma quantidade bem estável. reduzindo a possibilidade de pesca e de consumo de alimentos provenientes dessas fontes. Nos últimos cem anos. Por todas essas razões. ao se infiltrarem no solo. podem poluir águas subterrâneas ou aquíferos. pois a limpeza da água fica muito cara. Estudos divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que a escassez de água potável deverá crescer de forma dramática nos próximos anos.” 6º ano 313 . O despejo desses restos prejudica a vida nos am- bientes aquáticos. estão sendo promovidos muitas pesquisas e muitos debates relacionados ao uso sustentável dos recursos naturais. desperdício. Caso sejam mantidas as condições atuais de uso da água e de conservação do ambiente. mais de 3. Essas águas. pois muitos deles não são inesgotáveis. sendo uma responsabilidade dos governos e de todos nós. Há milhões de anos. Sustentabilidade.3 bilhões de pessoas poderão não ter acesso à água potável para suas necessidades básicas. pois todos os seres vivos dependem de água limpa. O que vem a ser o uso sustentável da água? De que formas a sociedade pode se organizar para preservar os recursos hídricos do planeta? Reflita e debata com seus colegas. DEBATER III Atualmente. MOMENTO DA ESCRITA I Escreva um pequeno texto comentando a seguinte afirmação: “Os grandes problemas que a humanidade enfrenta ou enfrentará em relação à água são: es- cassez de água limpa. É certo que a água não vai acabar nem desaparecer da Terra. o uso da água doce multiplicava-se por seis. significa garantir às próximas ge- rações o direito de desfrutar desses recursos. Isso significa que a água está sendo usada pe- los seres humanos de uma forma que não poderá ser mantida por muito tempo. A aplicação do uso de adubos e agrotóxicos nas atividades agrícolas também pode causar grandes danos aos mananciais. Garan- tir sua qualidade é o grande desafio para a humanidade. enquanto a população mundial triplicava. porque as chuvas transportam esses produtos para o leito dos rios. O uso de rios e lagos para o despejo de esgotos domésticos e de rejeitos in- dustriais tem prejudicado muitos mananciais.

7. • uma pedrinha ou moeda. 3. Ilustração digital: Luciano Tasso Filho Fonte: Elaborado pelos autores. • um copo com altura menor que a da bacia. Cubra tudo com o plástico e prenda bem com o elástico. Como fazer : 1. acomodando-o na água barrenta. EXPERIMENTAR II FAZENDO CHOVER NO COPO Faça esta experiência para verificar algumas transformações que ocorrem no ciclo da água. em cima do copo. Coloque o copo no centro da bacia. Escreva e desenhe o que aconteceu nos dois momentos. observe as transformações que ocorreram. 314 Ciências . 4. 5. (Esquema sem escala. • água barrenta ou água com areia. • elástico e fita-crepe para ajustar o plástico à bacia. Material: • uma bacia de plástico. cores-fantasia.) Esquema ilustrativo de como deve ficar a montagem do experimento. Dois dias depois. Não deixe o plástico encostar no copo. 2. • um pedaço de plástico incolor grande para cobrir a bacia. mantendo uma pequena inclinação. Com seus colegas e com a ajuda do professor. Repare que a pedrinha não pode encostar no copo. envolvendo a bacia. 6. Coloque a pedrinha ou a moeda sobre o plástico (ver ilustração). Deixe pas- sar mais um dia e volte a observar a montagem. Nin- guém deverá mexer nela por três dias. Prepare a água barrenta na bacia. Passe a fita-crepe em volta do plástico para vedar a montagem. escolha um lugar abrigado e bem iluminado para arrumar e deixar a montagem.

Enquanto circula na natureza. 6º ano 315 . forma as nuvens. passando lentamente pelos poros das rochas antes de voltar a rios e mares. depois. como mesmo. da mesma forma que ocorreu. a água passa por transformações contínuas e ocupa vários reservatórios. ao ciclagem. 2008. Água é uma substância química constituída veremos. O vapor de água invisível se espalha pelo ar e. a água faz um verdadeiro ciclo. podendo ser absorvida pelas plantas ou chegar à zona de água subterrânea. abastecendo as cabeceiras dos rios. rios e represas. (Esquema sem escala. em pequena escala. Procure identificar todas as etapas que a água percorre no ciclo representado no esquema.) Ciclo da água na natureza: as setas mostram o caminho das partículas de H2O. E é o ciclo da água. CZAPSKI.CONHECER MAIS Água é vida Você sabia que esse líquido essencial para a vida é o longo da história da Terra. Estima-se que. água doce e água salgada se misturam no sub- solo. que mantém seus estoques no planeta. podendo retornar ao oceano. como você pode observar no esquema a seguir. de matas. Silvia. sua quantia total tenha per- mesmo que o ser humano bebeu na Idade da Pedra? Isso manecido sempre a mesma. Ilustração digital: Luis Moura Precipitação Formação de nuvens Evaporação Evaporação Evaporação Água doce Infiltração Interface Oceano Água salgada Água subterrânea Fonte: Elaborado pelos autores. A água da chuva também se infiltra no solo. Brasília: Ministério da Educação/ Secad. morro abaixo. atra- por dois átomos de hidrogênio (H) e um de oxigênio vés da evaporação e condensação. Uma verdadeira re- (O). A água das nuvens se precipita na forma de chuva ou neve. Água: mudanças ambientais globais. O CICLO DA ÁGUA NA NATUREZA Na natureza. no experimento de fazer chover no copo. cores-fantasia. p. Chegando ao litoral. que formam a molécula H2O. Todas as transformações que fazem parte do ciclo da água podem ocorrer simultaneamente. O calor do sol e a força dos ventos fazem com que a água eva- pore do mar. 3. Pensar + agir na escola e na comunidade. A água que compõe o corpo dos seres vivos também evapora por meio da transpiração.

decida qual será o destino da gota. dizemos que “ele foi por água abaixo”. A palavra “água” pode ser acompanhada de outras palavras que modificam o seu sentido. Para começar sua narrativa. quando um negócio ou acordo não deu certo. Há muitas expressões na nossa língua que empregam a palavra “água”. a) A seguir. • Ir por água abaixo. Por exemplo. transcrevemos algumas dessas expressões. • Beber água direto na fonte. Se for o caso. • Afogar-se em um copo de água. em um ser vivo.. Por exemplo.. água benta é a água usada em alguns rituais religiosos. Escolha uma delas e crie um pequeno texto usando-a. 316 Ciências . em uma nuvem. • Tirar água do joelho. b) Tente acrescentar outras expressões com a palavra “água”. • Ficar com água na boca. MOMENTO DA ESCRITA II Escreva uma história sobre uma gota de água que passa por vários lugares. Depois. imagine onde essa gota está inicialmente: no solo. consulte um dicionário. Explique com suas palavras o sentido de cada uma das expressões a seguir: a) água de colônia b) água destilada c) água potável d) água salobra 2. APLICAR CONHECIMENTOS II 1.

Livro das águas. Site Agência nacional de águas A Agência Nacional de Águas coordena a gestão dos recursos hídricos em nosso país. 2012. reúne informações sobre as águas no Brasil e um conjunto de atividades educativas voltadas para incentivar a sociedade civil a mobilizar-se pela questão ambiental. O sal de cozinha chama-se cloreto de sódio e sua fórmula é NaCl (Na é sódio e Cl é cloro). PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS Livro Água para a vida. Larissa. Acesso em: 5 jul. No site. A água é conhecida por sua fórmula. disponível na internet.org. podem ser encontrados notícias. Ou seja. mapas e informações sobre as bacias hidrográficas do país. água para todos Esse livro foi elaborado pela WWF-Brasil. A publicação. wwf.). 6º ano 317 . uma organização não governamental (ONG) que atua em muitos países do mundo. ela é composta de duas partículas de hidrogê- nio (H) e uma de oxigênio (O). água para todos. BARRÊTO.ana. a) O que acontece quando obtemos uma solução de água e sal? Essas substâncias deixam de ser água e sal? b) Existe água pura na natureza? Justifique sua resposta. Acesso em: 5 jul.gov. COSTA. Disponível em: <www. Água para a vida.3. Samuel Roiphe (Coord.br>. H2O. 2006. Ela tem como missão promover o uso sustentável da água em benefício da atual e das futuras gerações. Disponível em: <www2. Brasília: WWF-Brasil. 2012.br/natureza_brasileira/reducao_de_impactos2/agua/educacao_ambiental_agua/>.

esses recursos poderão ser garantidos ou não para as próximas gerações. os habitantes das cidades viviam em média até os 32 anos. Depende. o ar e os seres vivos são recursos naturais dos quais os seres humanos dependem. Nessa época.Capítulo 2 CIÊNCIAS Ambiente e saneamento básico Luciana Whitaker/Pulsar Imagens Trecho poluído do rio Suruí em bairro do município de Magé (RJ). o lixo e os dejetos humanos e de animais começaram a ser recolhidos do centro da cidade e depo- sitados em áreas afastadas. em grande medida. A água. RODA DE CONVERSA Na França. Em 1900. P reservar os ambientes e os recursos naturais é uma condição indispensável para a vida e a saúde. o solo. O saneamento básico serve como exemplo de um conjunto de medidas que ca- bem ao poder público para garantir o direito de todos os cidadãos à vida e à saúde. o tempo médio de vida já era de 45 anos. 2012. ficando separados dos locais de moradia e dos reservatórios de água. principalmente. da ação do Esta- do. Converse com seus colegas sobre esse caso com base nas questões a seguir: • Qual decisão do poder público mudou a vida dos cidadãos franceses no século XIX? • Você sabe explicar por que essas ações levaram a transformações na qualidade de vida e ao aumento no tempo médio de vida das pessoas? • Como a limpeza das ruas e praças de uma cidade ou bairro é garantida? Por que isso é im- portante para a saúde e o bem-estar dos seres humanos? 318 Ciências . A preservação dos recursos naturais não depende apenas da ação individual. De acordo com a forma como vivemos. de ações coletivas e. em 1850.

Por esse motivo. já se construíam aquedutos. as pessoas conviviam com lixo. dois mil anos antes de Cristo. no final da humana. ferro fundido ou chumbo. no auge do Império. Descubra dados da história do lugar. os romanos construíam neamento básico e por proteger a população poços e cisternas onde se armazenava água das doenças associadas à qualidade do meio de chuva para o abastecimento da população. que se espalhavam cujo objetivo era trazer água pura das montanhas rapidamente. e saudável. des até o século XIX. como eram os rios e córregos. para prevenir doenças e manter a saúde rações humanas voltaram a crescer. Mas tais Saneamento básico pode ser definido como um conjunto de obras ou atividades cujo objetivo é ga- conhecimentos antigos ficaram esquecidos por rantir que o meio em que vivemos seja mais limpo muitos séculos. os romanos ficaram co- de que o poder público é responsável pelo sa. As ações mais comuns de saneamento básico são os sistemas de distribuição de água en- Idade Média. canada e tratada e os sistemas de coleta de esgoto zes humanas e de animais. nhecidos por construir os melhores aquedutos.SANEAMENTO AMBIENTAL CONHECER MAIS A valorização do saneamento ambiental Saneamento básico não é nova na história da humanidade. ed. Construídos no início em madeira A partir do século XIX. definiu que cabe ao poder público municipal TELAROLLI JÚNIOR. nas (resíduos líquidos) e de lixo (resíduos sólidos).. No Egito. Sua origem está baseada no conceito Na Antiguidade. 40-41. Márcia (Org. começaram a ser e mais tarde em pedra. como se resolvia a des- tinação dos resíduos sólidos. observe em sua rua e proximidades.). No período em que as aglome. chegou próximo a 1 milhão de habitantes. 6º ano 319 . para as cidades. No Brasil. 2. fe. [. São Paulo: Moderna.. os aquedutos foram utilizados por várias socieda- aplicadas as práticas modernas de saúde pú. com os seguintes termos-chave: água tratada + esgotamento sanitário + nome de seu município. Medicina Preventiva e Saúde Pública. por exemplo. blica. p. PESQUISAR Busque informações sobre o abastecimento de água e o manejo de resíduos sólidos (lixo) em seu município: • Qual é o órgão municipal responsável pelo tratamento da água? • Quais são os responsáveis pela coleta e destinação do lixo? Para onde ele é levado? • No bairro onde você mora há rede de esgoto. Dê sua opinião sobre as mudanças. In: implantar e garantir o saneamento básico em KUPSTAS. matando milhares de pessoas.] grandes cidades europeias dessa época ocor. as casas usam o sistema de fossa ou há esgoto correndo a céu aberto? • Há água encanada ou as pessoas precisam usar água de poço ou de nascente? Converse com os colegas e selecione outras questões para sua pesquisa. Rodolpho. caso elas tenam ocorrido. (Texto adaptado. • No entorno de onde você mora.) seu território. Saúde em debate. 1977. a Constituição de 1988 que. Procure respostas pesquisando: • Na internet. Pergunte aos vizinhos. grandes obras riam epidemias de doenças. ambiente. Além de aquedutos.

A pesquisa também mostrou que se planeja fechar os lixões.8 64. 2. pois a água potável está presente em pelo menos um distrito de cada um dos municípios de nosso país. Planeta Terra Design Percentual de domicílios com acesso à rede de esgoto sanitário e taxa de crescimento do número de economias residenciais.0 42.5 35.7 2000 53 44.3 2008 39. Com base nessa lei.5 Taxa de crescimento 2000/2008 14. Diretoria de Pesquisas.2 33.7 34. 2000/2008. Quais regiões estão mais perto ou mais longe da média do Brasil? . que predominavam nos bairros e municípios. segundo as grandes regiões – 2000/2008 % 89. entre 2000 e 2008? . substituindo-os por aterros sanitários. O SANEAMENTO BÁSICO NO BRASIL Publicada em 2010. LER GRÁFICO Observe o gráfico a seguir e responda às perguntas. Confirmou-se que a disponibilidade de água potável aumentou de forma significativa.9% o crescimento na oferta de esgoto sanitário na região Norte. estabelece que todos os brasileiros têm direito ao saneamento básico completo.445.4 3. independentemente de classe social e capacidade de pagamento. resíduos sólidos e esgotamento sanitário em nosso país.5 33. Mostrou-se que havia manejo de lixo em quase todos os municípios brasileiros. de 5 de janeiro de 2007. o Conselho das Cidades lançou um Pacto Nacional pelo Saneamento. Houve no Brasil um aumento significativo na coleta de esgoto.6 30.8 Brasil Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Fonte: IBGE.2 28. Em qual região do país está situado o município onde você mora? Você acha que a situação do esgoto sanitário em seu município corresponde à realidade regional? DEBATER I A Lei Federal no 11. 1. 320 Ciências . em com- paração com os anos anteriores.1 22. A coleta de resíduos sólidos cresceu bastante. Observe os dados e verifique por que chegou a 88. por meio do qual foi estabelecida uma série de compromissos para garantir o acesso universal ao sane- amento em todas as cidades do país.9 69.7 2.4 22. a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico permitiu conhe- cer a oferta dos serviços de água tratada. Coordenação de População e Indicadores Sociais. Pesquisa Nacional de Saneamento Básico.

Após essa etapa. até a es. 4. • Decantação: você já reparou que em um copo de água com areia. finalmente.. A água ainda bruta é formada pelo conjunto de tubos que passam por baixo transportada por meio de tubulação. ed. Rio de Janeiro: SBPC. esse método é usado para sepa- rar solo e areia da água. é levada aos reservatórios de to de água. escoa pela rede de distribuição do manancial. são retirados restos de vegetais e outros materiais maiores.) Fonte: SBPC. escoa por fornece a água bruta. Nas estações de tratamento de água (ETA). Destes. Desse modo. das casas. a fim de torná- -la. após al- guns minutos. • Cloração: você conhece os materiais de limpeza à base de cloro. v. A água peneirada passa por uma etapa de decantação em tanques. água tratada. COMO AS ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ÁGUA TORNAM A ÁGUA POTÁVEL? Alguns processos são indispensáveis: • Filtração: você conhece filtros de café. que pode ser um lago. a areia vai ao fundo? Nas ETA. 2003. como vem se dando essa organização? CONHECER MAIS O caminho da água Veja na figura como é formado o sistema de abastecimen. De lá. grandes pe- neiras são usadas para separar objetos e alguns elementos maiores que vêm misturados com a água bruta. 4. cores-fantasia. um rio etc. adequada para o consumo. chama- dos no comércio de cândida. exatamente como está na natureza. Ilustração digital: Luis Moura Adutora de Reservatório para Estação de tratamento água bruta distribuição Captação Casa de Adutora de bombas Curva d’água água tratada Reservatório e casa de bombas Rede de distribuição (Esquema sem escala. que a transforma em água potável. chamada captação. onde é armazenada. Ciência Hoje na Escola: meio ambiente – águas. água sanitária ou alvejante? O hipoclorito de sódio − nome científico da substância com cloro – é adicionado à água nas ETA. p. peneiras de cozinha para chá ou para arroz. com a ajuda de substâncias químicas que ajudam o processo. uma nova adutora e fica depositada nos reservatórios A casa de bombas é responsável pela tomada de água de distribuição. 6º ano 321 . O manancial. Mata os microrganismos nela presentes. do solo sob as ruas das cidades e chegam ao interior tação de tratamento. a adutora. Estão sendo tomadas medidas para ampliar o acesso e a qualidade do saneamento básico no município onde você mora? A população está organizada para controlar a implantação dessas medidas? Se sim.12 e 14.

Veja essas etapas do tratamento de água no esquema: Sistema de Ilustração digital: Luis Moura tratamento de águas – Fluxograma básico 3 4 5 10 11 12 13 14 15 9 1 6 7 2 8 (Esquema sem escala. Para ter uma ideia. E os materiais que se encontram em solução com a água? Como ocorre essa separação? . Flúor (prevenção de cáries) APLICAR CONHECIMENTOS I 1. Cal (correção de pH) e cloro (desinfecção) 10. Floculação 11. Decantação 12. Em um dos processos das ETA os microrganismos são eliminados da água. é só comparar o preço de um litro de água mineral com o preço de um litro de gasolina. Sulfato de alumínio (coagulação da matéria orgânica) 9. cores-fantasia.) 1. Retenção de partes sólidas 8. Bombeamento de água bruta 7. Cascalho 3. Areia 2. Cal (correção de acidez) 4. Em quais desses processos são retirados os materiais misturados de forma heterogênea com a água? Como isso é feito? 2. Canal de água filtrada 13. “A água potável é um produto cada vez mais raro. Represa 6. por isso. Como é feita essa eliminação? DEBATER II Leia a frase a seguir e prepare argumentos para comentar o seu significado no cotidiano dos cidadãos. Carvão antrácito 15. Cloro (reforço de desinfecção) 5. Reservatório de água 14.” 322 Ciências . é muito caro.

EXPERIMENTAR O QUE ACONTECE COM OS MATERIAIS NOS AMBIENTES? Você já reparou como o lixo se transforma em uma lixeira de cozinha? O que será que você poderia observar em algumas semanas ou meses. • pão velho. farmácias e todos os demais serviços de saúde: um tipo especial de lixo. Calor e luz também atuam nas transformações físicas (quando os materiais se desgastam) e químicas (quando. O objetivo é simular o que acontece com os materiais quando viram lixo e vão para ambientes terrestres ou aquáticos. terras e entulhos. composto de agulhas. seringas. É o cha- mado lixo hospitalar. ocorre a formação de óxidos. que depende dos materiais e processos usados na produção industrial. • solo avermelhado ou amarelado. você poderá perceber a ação dos organismos vivos que atuam na decomposição da matéria. É importante lembrar que o lixo gerado em nossas casas é apenas uma pequena parte da enorme quantidade de restos das atividades humanas que é devolvida ao meio ambiente todos os dias..OS MATERIAIS DESCARTADOS NO AMBIENTE Resíduo sólido. algodão. é todo e qualquer material des- cartado. papel higiênico. vidros. jornal e metal (alumínio de latas. curativos etc. vi- dros. plástico. • nos estabelecimentos comerciais: restos de comida. • pedaços de plástico. tecidos. caso esse lixo ficasse acumulado? Realize o experimento a seguir para investigar essas questões. evitando a transmissão de doenças. temos: • nos espaços públicos (como ruas e praças): o chamado “lixo de varri- ção”. • casca de batata ou de outros vegetais. restos de alimentos etc. • nas casas: papéis. latas. • nas fábricas: resíduos sólidos e líquidos. Material • 6 frascos de vidro limpos e com tampa. Assim. latas. • garrafa de água. embalagens. que precisa ser coletado separadamente para re- ceber um tratamento especial. • etiquetas. Lixo de composição variada. chamado popularmente de lixo. fio de cobre. proveniente de atividades humanas. papéis etc. por exemplo. chamados ferrugem). prego etc.. Os diferentes tipos de resíduos sólidos são classificados de acordo com sua origem. como folhas. Assim.) 6º ano 323 . • em hospitais.

Eles são visíveis a olho nu. mas. Processo de decomposição d0 pão. Examine as transformações nos diferentes vidros. depois. ele absorve água e pode se dis- solver. também conhecidos como bolo- res. . semanalmente. As manchas verdes que aparecem na fatia de baixo. No frasco com terra e casca de batata. mas podem ser mais bem observados com lupas de mão. Essas manchas são seres vivos: os fungos. • pedaços de jornal e de tecido. Como fazer 1. provavelmente você deve ter notado manchas escuras que crescem sobre a casca. também se decompõe sob a ação de seres vivos. você acompanhou o processo de decomposição da matéria orgânica. O papel. bem visíveis a olho nu. • pão e casca de batata ou de outro vegetal. . 324 Ciências . • pão e casca de batata ou de outro vegetal. e umedeça-os com água. promo- vido por pequenos seres vivos. produ- zido da celulose extraída de árvores. a cada dois dias nas primeiras semanas e. vemos que há materiais e objetos que podem ao mesmo tempo sofrer ataques de microrganismos e as consequên. plástico e prego pequeno. são manchas de bolor. cias de fatores físicos e químicos. Nos frascos 4 a 6 coloque um pouco de água e adicione: • papel sulfite.com Os fungos também crescem sobre pão. AS TRANSFORMAÇÕES DOS MATERIAIS Em seu experimento. fora do alcance de crian- ças. Numere as etiquetas de 1 a 6 e cole-as nos frascos. Nessa experiência. Feche os frascos e deixe-os em um lugar seguro. • pedaços de jornal e de tecidos. No exemplo do papel. Coloque solo em três frascos. plástico e metal. 2. Nos três primeiros recipientes. conforme as condições e seu tipo.com antes disso. algodão. você pôde constatar diversas mudanças ocorridas em al- gumas semanas. . Peter Mrhar/Dreamstime. coloque sobre a terra: • papel higiênico limpo. Hong Chan/Dreamstime. até a metade. for- mando uma mancha verde ou preta. Registre suas observações e sempre anote a data e modificações que surgiram. assim como ocorre nos lixões ou aterros.

Coordenadoria de Educação Ambiental. quente durante o dia e fria durante a noite. de um modo simplificado. como o deserto do Saara? Está jogado num rio (água doce) ou jogado no mar (água salgada)? Está depositado numa região de águas mais quentes (como no Nordeste brasileiro) ou em regiões de águas frias (nos al- tos das montanhas)? Tudo isso é importante para estimar o tempo de degradação dos materiais descartados. es- pecialmente o plástico e o vidro. 6º ano 325 . Outros materiais são mais persistentes que o aço. Denise Scabin. quando descartados. O enferruja- mento acontece em decorrência de uma reação química que resulta da combinação do ferro (presente no aço) com o oxi- gênio do ar e a água. como a floresta Amazônica. porque a quantidade de oxigênio na água é menor que na atmosfera. Ecocidadão. a for- mação da ferrugem pode ser descrita deste modo: ferro + água + oxigênio → hidróxido de ferro (ferrugem) Prego enferrujado fincado em um pedaço de madeira. São Paulo: Secretaria do Meio Ambiente. p. O prego que ficou totalmente dentro da água demora mais para enferrujar. Regina Brito. O processo de degradação depende não somente do tipo de material (papel. ou numa região seca. O material encontra-se a céu aberto ou enterrado? Encontra-se numa região úmida e quente. FERREIRA. mas também do ambiente a que ele está expos- to. Podemos. Acompanhe na tabela o tempo médio de decomposição de alguns materiais em ambiente terrestre. Eles não reagem quimi- camente com o oxigênio e são decompostos pela ação lenta da água e do calor. Outra observação que provavelmente você fez no frasco Oleg Pidodnya/Dreamstime. 45. Tempo médio de degradação de alguns materiais Material Tempo de degradação Plástico Meses a dezenas de anos Vidro Milhares de anos Lata de aço 10 anos Lata de alumínio Mais de 1 000 anos Papel Meses a muitos anos Madeira Meses a muitos anos Cigarro (filtro) Meses a muitos anos Restos orgânicos Dias a meses Chiclete 5 anos PEREIRA. Esses materiais. escrever reações quí- micas da seguinte maneira: reagentes → produto. plástico ou metal. Assim. 2008. por exemplo). levam um período longo de tempo para se degradar no ambiente.com com terra é o enferrujamento do prego de aço.

podemos ver animais minúsculos. em vida livre. São frequentemente associados a doenças. mas a grande maioria convive com os seres humanos em harmonia e até ajuda no funcionamento do organismo. por peixes. caramujos. por competição. Como ele atua em relação a diferentes resíduos sólidos? MOMENTO DA ESCRITA Explique a uma mãe por que. como o mau cheiro de um alimento que apodrece ou o aspecto vermelho de um olho com conjuntivite. Ambientes aquáticos de água doce são muito propícios a diversas formas de vida microscópicas. além de serem habitados. por exemplo. ou dos resíduos sólidos descartados. comumente chamada de flora intestinal. Cite transformações de resíduos sólidos relacionados à ação de: fungos e microrganismos. Escreva sua explicação em forma de carta. água e outras substâncias químicas. Eles ajudam na digestão de alimentos e controlam. plantas e algas. A SAÚDE HUMANA E O AMBIENTE Chamamos de microrganismo qualquer ser vivo que só pode ser visto por meio de microscópio. Nossa pele e nossos intestinos são repletos de minúsculos organismos de uma só célula. em ambientes naturais. o papel dos microrganismos é importante. o crescimento de microrga- nismos que podem causar doenças. Escreva um parágrafo sobre as transformações dos materiais que colocamos no lixo. no solo e no corpo de outros seres vivos. você pôde ob- servar que há uma grande diferença no tempo de degradação dos restos orgânicos. Ao olharmos uma pequena amostra de água em um microscópio. é melhor usar fraldas de pano do que fraldas descartáveis. que são organismos macroscópicos. 326 Ciências . camarões. Na tabela que apresenta o tempo médio de degradação de alguns materiais. Os microganismos presentes em nossos intestinos compõem a microbiota intestinal. bastante diversos e completamente favoráveis ou indiferentes à saúde de seus hospedeiros. O tempo é um fator importante para as transformações dos materiais. OS MICRORGANISMOS. . Várias espécies participam dos processos de decomposição de restos de animais e vegetais. . Como você pode explicar essa diferença? 2. No ambiente. no ar. para o ambiente. também chamados de biodegradáveis. provavelmente um microrganismo. Alguns efeitos de sua presença podem ser percebidos facilmente. Eles vivem na água. Mau cheiro e mudança de cor de um tecido vivo sinalizam transformações e eviden- ciam a presença de um agente causador. uma forma de energia. APLICAR CONHECIMENTOS II 1.

Menores ainda são as amebas e diversos outros microrganismos de apenas uma célula. larvas de diversos animais. (Esquema sem escala. É necessário utilizar todos os procedimentos citados para tratar a água em casa? Quais os efeitos de cada um desses procedimentos na retirada de impurezas da água? 6º ano 327 . Alguns tipos de bactérias e larvas de vermes podem ser patogênicos. algas verdes. po- dem causar doenças. são necessários alguns cuidados com a água antes de consumi-la. É preciso filtrá-la. como as bactérias. APLICAR CONHECIMENTOS III 1. Na ausência da rede de abastecimento de água. ainda menores. Ilustração digital: Luis Moura Fonte: Elaborado pelos autores. isto é.) Microrganismos de água doce visíveis ao microscópio. fervê-la ou pingar nela uma gota de hipoclorito de sódio para cada litro. cores-fantasia.

Também há algas maiores presas ao fundo. areia e rochas. Essas águas são repletas de seres microscópicos. estrelas. e materiais diversos. os ambientes apresentam um equilíbrio dinâmico entre os componentes do meio físico e os seres vivos. rios. como mares. LER IMAGEM Você sabe o que é um terrário? Ele é uma miniatura de um ambiente terrestre. debata as seguintes questões: • Quais componentes do terrário são semelhantes aos ambientes terrestres? • O que acontece em terrários fechados. como animais e plantas.) Com um grupo de colegas. cores-fantasia. Nesse tipo de costão. ar. ou aproveitando a proteção dos esconderijos entre as rochas. há corais. é comum o mar bater em um costão rochoso. caramujos e outros animais. Outras também podem viver livres na água. os ambientes são formados por seres vivos. Eles estão presos ao fundo. que pode ser de areia ou de pedra. 328 Ciências . Certas espécies de animais e plantas podem vi- ver no fundo desses ambientes. Mes- mo sendo diferentes. Observe um esquema de um terrário a seguir. ouriços. rios e lagos. Ilustração digital: Linares Plástico Plantas Terra Carvão Pedregulho Fonte: Elaborado pelos autores. anêmonas. No litoral brasileiro. nadando e flutuando. repleto de seres vivos. como no da figura? AMBIENTES AQUÁTICOS OU TERRESTRES Existem diferentes ambientes nativos. (Esquema sem escala. como água. que se encontram adaptados às condições do ambiente. Em sua condição na- tural. nos quais a água abundante dissolve sais e transporta resíduos. Os ambientes aquáticos são mares. matas e desertos.

2010. que podem regene- rar suas condições de equilíbrio. bastante sensíveis à poluição do ar. aguardando a chuva. cobras. como os que se fixam sobre os primeiros. Os vegetais são muito vistosos e variados. O mocó é um roedor típico da Caatinga brasileira. Outros tipos de plantas de desertos ou caatingas permanecem na forma de semente durante a seca e só brotam quando chove. Os desertos e as caatingas são outro tipo de ambiente terrestre. Liquens são associações entre fungos e algas. 6º ano 329 . Resíduos humanos vêm poluindo os ambientes aquáticos. com pouca chuva durante o ano. 2008. Não sobrevivem em cidades com o ar poluído. Os seres vivos nativos têm características que lhes permitem sobreviver à falta de água. 2009. Já os animais se escondem em fendas em pedras ou buracos que eles mesmos cavam para escapar do calor sob um céu sem nuvens. Fabio Colombini nascem também inúmeros insetos. Vida marinha em Guarapari (ES). tan- to os que estão enraizados no solo. Nessa ocasião. nem prejudicam a planta que as sustentam. animais. Canudos (BA). Assim sobrevivem ra- tos. Sa- mambaias. No centro. João Prudente/Pulsar Imagens Ricardo Azoury/Pulsar Imagens Vista aérea de recife de coral em Maceió (AL). bromélias não são parasitas. orquídeas. os liquens. lagartos e escorpiões típi- cos de desertos. fungos e outros seres vivos. parecem manchas esverdeadas sobre os troncos e ramos das árvores. O mocó é um animal que vive só nas caatingas: é pequeno e sabe se esconder muito bem. Outro tipo de seres vivos. Nas matas úmidas é muito grande a biodiversidade das espécies de vegetais. desde que a poluição não passe de certos limites. Eles armazenam água em seu interior e conseguem sobreviver ao período de seca. Os cactos estão entre os vegetais de desertos mais conhecidos. Ocorrem onde o clima é seco. o peixe-frade cinza. Peixes adaptados a esse tipo de ambiente po- dem passar meses em forma de ovo no barro ressecado do leito de um rio.

Os componentes presentes em cada ambiente podem variar. em diferentes ambientes. Quan- do a reintegração é impossível. à água e ao ar com ajuda dos decompositores. mas os processos naturais. APLICAR CONHECIMENTOS IV 1. muitas vezes. Dê exemplos que mostrem a integração entre seres vivos. 330 Ciências . Preencha o quadro com as principais características dos ambientes. Os resíduos sólidos ou líquidos podem ser reintegrados ao solo. permitem a volta ao equilíbrio. o ambiente torna-se poluído. Ambiente Seres vivos Meio físico Oceanos e mares Água doce Terrestre seco Terrestre úmido 2.

. Os materiais jogados no lixo são classificados em dois grupos: os que sofrem ação de organismos decompositores (chamados de biodegradáveis) e os persistentes. escreva um pequeno texto a partir da seguinte afirmação: “Cuidar do esgoto significa preservar a saúde e os recursos hídricos. Para aprofundar a reflexão sobre esse tema. Disponível em: <www2.htm>. PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS Livro Pequenos seres vivos MARTHO. O que são microrganismos? Cite exemplos dos que são decompositores e patogênicos para o ser humano. 6º ano 331 . Cite exemplos desses dois tipos de materiais. 2005. São Paulo: Ática. Gilberto. água potável rede coletora água usada no banheiro rio poluído estação de tratamento de esgoto (ETE) possibilidade de doença água quase limpa . assim como a coleta e a destinação correta do lixo.br/aloescola/ciencias/index. Monte com elas dois esquemas.tvcultura. O saneamento básico inclui a produção de água potável. o tratamento das águas usadas. Pequenos seres vivos. para mostrar os caminhos do esgoto a dois destinos possíveis: a estação de tratamento ou o despejo direto em um rio. 2012.com. organizados por meio de setas. Acesso em: 6 jul. Observe as palavras-chave a seguir.” . Site Alô escola Alô Escola. Por que os que não são biodegradáveis são chamados de lixo persistente? .

D. A.) PEREIRA. Bibliografia CIÊNCIAS BRASIL.org. São Paulo: Instituto Socioambiental. V. Disponível em: <http://cenp. 1994. 2013.sp. 1992. Regina Brito. São Paulo: Escrituras.wwf. São Paulo: Moderna. Água hoje e sempre: consumo sustentável. Saneamento básico. Lixo: de onde vem. Ecocidadão. Secad. Biologia. CZAPSKI. Livro das águas. CNPq/SNRH). ROMERA E SILVA. Água para a vida. REBOUÇAS. DREW. Acesso em: 28 fev. São Paulo: SEE. 2010. GOWDAK. São Paulo: Editora FTD. Larissa.).). Brasília: Ministério do Meio Ambiente (MMA) e Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).). Saúde em debate. Samuel Roiphe (Orgs.C. (Desa- fios). 1997. COSTA. N. M. KUPSTAS. 332 Ciências . out. CT-Hidro (ANA. INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL. (Org. Almanaque socioambiental 2008. P. São Paulo: Secretaria do Meio Ambiente. para onde vai? São Paulo: Moderna. 2008. BARRÊTO. (De- bate a Escola. Silvia.. Aldo. Brasília: WWF-Brasil. FERREIRA. Disponível em: <www. São Paulo: Moderna. Uso inteligente da água. Márcia (Org. SIMÕES DE MATTOS. (De- safios). 20006.br/Agua/>. Denise Scabin. água para todos. 2012. Água: quem vive sem? São Paulo: FCTH. Água: mudanças ambientais globais: pensar + agir na es- cola e na comunidade. 2003. SÃO PAULO. A. CAVINATTO. PEZZI. O. Acesso em: 5 jul. David. Brasília: MEC. 1997. CENP.edunet. 2007. 2004.br/natureza_brasileira/reducao_de_impactos2/agua/educa- cao_ambiental_agua/>. 2002. Rio de Janeiro: Bertrandde Castro. Coordenadoria de Educação Ambiental.gov. Processos interativos homem-meio ambiente. ______.. 2004. 2008. Consumo sustentável: manual de educação.

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6º ano 333

UNIDADE 7

Matemática

Capítulo 1
M AT E M ÁT I C A Descobrindo regularidades

T odos nós compartilhamos espaços com animais, plantas, objetos, constru-
ções e muitos outros elementos naturais e construídos.
Mas nem sempre observamos atentamente as formas, os contornos, as linhas
e a maneira como cada um desses elementos é composto. Assim, raramente nos
damos conta das regularidades e dos padrões que podem ser observados ao redor.
Para perceber padrões e regularidades, e pensar sobre eles, é preciso ver com
outros olhos aquilo que já conhecemos, prestando atenção nos detalhes.

RODA DE CONVERSA

Observando a casca de um abacaxi, por exemplo, pode-se perceber que há uma forma que se
repete, compondo um desenho característico. Esse desenho, visto em destaque na fotografia, é
formado a partir de um tipo de regularidade de reprodução de um padrão.

Alex Staroseltsev/Shutterstock

É possível distinguir o padrão que vemos na casca de um abacaxi?

6º ano 337

Observe as imagens a seguir, que são exemplos de regularidades na natureza. Junte-se a um
grupo de colegas e converse com eles sobre o que vocês observaram. Vocês lembram de mais
exemplos de regularidades da natureza?

Anton Prado PHOTO/Shutterstock

Regien Paassen/Shutterstock
Exemplos de regularidades encontradas na natureza: um solo argiloso ressecado e uma folha de samambaia.

REGULARIDADES E PADRÕES
Os índios Kaiabi, em sua maioria, habitam o Parque Indígena do Xingu, no
estado do Mato Grosso.
Uma das características culturais que mais identificam esse povo são os dese-
nhos formados pelo trançado da palha em suas peneiras e cestos.
Na elaboração desses trançados, os Kaiabi utilizam doze desenhos básicos
que, às vezes, se combinam gerando outros, mais elaborados. Mas não são só os
Kaiabi que utilizam regularidades para elaborar seus objetos, todos os grupos hu-
manos o fazem. Há muitos exemplos disso nas artes e na arquitetura.
Iandé/Casa das Culturas Indígenas

Richard Sharrocks/Alamy/Otherimages

Padrões de trançado de peneira do povo Kaiabi, que vive no Mato Grosso. As mesquitas muçulmanas trazem muitos exemplos de como os padrões são usados na
arquitetura. Detalhe da Mesquita Hassan II, no Marrocos, 2011.

338 Matemática

Um artista fascinado por padrões
As obras do artista holandês Maurits Cornelis Escher Nos vários mosaicos geométricos que criou, Escher
(1898-1972) se caracterizam pela repetição de padrões lançou mão da repetição de um mesmo desenho, um
que, muitas vezes, compõem cenas e desenhos surpre- padrão, para compor uma obra.
endentes. Ele utilizava a matemática como um instru- Veja o mosaico abaixo. Ele foi criado a partir de uma
mento para desenvolver e concretizar suas obras. única forma: um cavalo com asas.

M.C. Escher's “Symmestry Drawing” E 78 © 2009 The M.C. Escher Company – Holland

Maurits Cornelis Escher. Symmetry Watercolor 78, 1950. Aquarela, 44 × 44 cm.

PARA CRIAR

Agora que já foram observadas regularidades de algumas figuras, vamos construir outras ima-
gens que tenham esse tipo de característica.

1. Vamos usar algumas regularidades para desenhar faixas e mosaicos. Use papel quadriculado para
organizar a reprodução das figuras. Siga as instruções:

• Recorte uma tira de papel quadriculado e re-
produza nela a figura ao lado. Observe algum
padrão dessa figura e complete-a mantendo a
regularidade observada.

• Em outra folha de papel quadriculado, reproduza
o mosaico ao lado. Observe o padrão deste mo-
saico e complete-o mantendo a regularidade.

6º ano 339

2. Vamos construir um padrão de mosaico. Usando uma 
folha de papel quadriculado, reproduza a figura 1. Em
seguida, recorte-a como indicado e encaixe a parte re-
cortada no lado oposto, obtendo a figura 2. Junte as duas
partes com fita adesiva. figura 1 figura 2

• Usando uma folha de papel sulfite, trace o con-
torno da forma que você criou. Em seguida, en-
caixe a forma ao lado do desenho e reproduza-a
outra vez.

• Continue traçando até preencher a folha. Se
quiser, pinte ou decore seu padrão fazendo-o
parecer um objeto, um animal ou uma pessoa.

Uma faixa, ou mosaico pode ter como padrão quaisquer
figuras, mas elas têm que se encaixar perfeitamente.

Se nessas construções, para unir dois pontos, usarmos uma régua, obtere-
mos um segmento de reta. Segmento é uma palavra de origem latina, segmen-
tum, que significa “corte”.
Segmento de reta é uma parte de uma reta “compreendida” entre dois pontos.

REGULARIDADES GEOMÉTRICAS
POLÍGONOS
Para gerar as faixas e os mosaicos da atividade anterior, você utilizou alguns
tipos de polígonos.
Você conhece algum polígono?
As figuras seguintes são representações gráficas de polígonos:

As figuras seguintes não representam polígonos:

340 Matemática

Em cada polígono. Os polígonos podem ser classificados como convexos ou como não convexos ou côncavos. Veja a seguir os nomes de alguns polígonos convexos: Triângulo Quadrilátero Pentágono Hexágono Número de lados: 3 Número de lados: 4 Número de lados: 5 Número de lados: 6 Número de vértices: 3 Número de vértices: 4 Número de vértices: 5 Número de vértices: 6 6º ano 341 . o nome de um polígono convexo está associado ao número de lados ou vértices que ele possui. vértice lado lado vértice lado lado O número de lados de um polígono é igual ao número de vértices. Polígonos convexos Polígonos não convexos Uma razão simplificada para que os dois polígonos da direita sejam classifi- cados como não convexos ou côncavos é porque existe pelo menos uma reta que intercepta seus lados em mais de dois pontos. Geralmente. os segmentos de reta são seus lados e o ponto comum a dois de seus lados se chama vértice.

com o objetivo de obter determina- dos efeitos na funcionalidade da obra. ou barbante. 135)/Children’s Discovery Museum San Jose Os arquitetos também utili- zam regularidades para desen- volverem seus projetos. projetado pelo arquiteto mexicano Ricardo Legoretta. conforme a ilustração seguinte: Sem dobrar nenhum dos três canudos. logo na entrada. como em pontes. Veja a enorme forma trian- gular. Children’s Discovery Museum (Museu da Descoberta Infantil). Observe a fotografia do mu- seu. torres de comunica- ção e de alta tensão? EXPERIMENTAR A seguir. propomos a realização de alguns experimentos com triângulos. quando se constrói uma porteira como a da foto emprega-se uma ripa formando dois triângulos? Que propriedades os triângulos têm para serem empregados na estrutura de várias constru- ções. na Califórnia (EUA). é possível manejá-los e obter um triângulo? Tente fazer isso e anote suas conclusões. pelo interior dos canudos. TRIÂNGULOS E PROPRIEDADES (Architetural Record. 1990. O objetivo é conhe- cer as principais propriedades desse polígono. • Passe a linha. p. é importante para a técnica de algumas construções. Por que será que. além de Rachelle Burnside/Shutterstock servir para representar ideias. e siga as instruções. ou o barbante. nas estruturas e nas características próprias dessas formas. set. 342 Matemática . Providencie alguns canudos de refrigerante e uma linha grossa. 1. • Pegue um canudo inteiro e divida outro em duas partes de quaisquer tamanhos. PARA REFLETIR O uso das formas geométricas.

É possível manter fixa a forma desse triângulo? Essa “rigidez” que foi observada vale para outros triângulos? 5. pelo interior de quatro canudos. sendo duas com medidas iguais e uma com medida diferente das outras duas. ou um barbante. 3. Utilizando três canudos. construa outros três triângulos. Desenhe alguns triângulos em uma folha. • Para o terceiro triângulo. Perceba que a soma das medidas de dois lados sempre é maior que a medida do terceiro lado. construa um triângulo passando uma linha. • Para o segundo triângulo. corte outro canudo em três partes. Faça uma pesquisa para classificar os triângulos de acordo com as medidas dos lados e responda: a) Como se chamam os triângulos que têm os três lados com medidas iguais? b) Como se chamam os triângulos que têm apenas dois lados com medidas iguais? c) Como se chamam os triângulos que têm os três lados com medidas duas a duas diferentes? 6. Construa um quadrilátero passando uma linha. Classifique os triângulos a seguir em relação às medidas de seus lados: 7. quatro ou mais triângulos os seguintes quadriláteros: 6º ano 343 .2. seguindo as especificações abaixo: • Para o primeiro triângulo. • Forme com dois. com medidas duas a duas dife- rentes. Responda: é possível manter fixa a forma do quadrilátero? 4. corte um canudo em três partes com medidas iguais. três. • Desenhe numa folha avulsa vários triângulos com as mesmas medidas do triângulo ao lado e recorte-os. pelo inte- rior deles. de forma que a soma das medidas das duas partes menores seja maior que a medida da terceira parte. obtenha as medidas de seus lados. ou um barbante. usando linha e canudos. corte outro canudo em três partes. Vamos construir outros polígonos. Com uma régua. Agora.

. • o número 2 é o sucessor do número 1 e é antecessor do número 3. Dentre os diversos tipos de números que usamos. a partir do 0. quatro (4). de 4 em 4. pois seus termos “crescem” de um em um. • o número 1 é o sucessor do número 0 e é antecessor do número 2. para represen- tar quantidades e medidas. de 3 em 3. REGULARIDADES NUMÉRICAS Os números são utilizados com muitas finalidades. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 . os números naturais: zero (0). para contar. cinco (5). Fernando Favoretto/Criar Imagem Dmitry Kalinovsky/Dreamstime... Uma regularidade da sequência dos números naturais é que ela é crescente. +1 +1 +1 +1 +1 +1 +1 +1 +1 +1 +1 Uma sucessão de números como essa se chama sequência numérica e cada número que faz parte dela é denominado termo da sequência. e assim por diante.com Situações do cotidiano em que nos deparamos com notações numéricas. é infinita.. 344 Matemática . as sequências numéricas podem variar de 2 em 2. a sequência não tem fim. três (3). dois (2). entre outras funções. e assim sucessivamente. são usados. entre elas. Em alguns casos. Além disso. ou seja. um (1)..

10. +2 +2 +2 +2 +2 +2 +2 +2 +2 +2 • A sequência: 5. 13. também... varia de 3 em 3. 17. 17. 2. 8. 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 . 4. 2. +4 +4 +4 +4 +4 +4 +4 +4 +4 +4 APLICAR CONHECIMENTOS I 1. . e não tem fim. a partir do 0. . 1 5 9 13 17 21 25 29 33 37 .. .. imaginando que a variação observada se mantenha.. Exemplos: • A sequência: 0. De quanto em quanto variam os seis primeiros termos da sequência numérica a seguir? Escreva os próximos três termos dessa sequência.. 7. +3 +3 +3 +3 +3 +3 +3 +3 +3 +3 • A sequência: 1. 1. Os números múltiplos de 2 são denominados números pares. 10. 10. 5 8 11 14 17 20 23 26 29 32 . 21. 8.. 11. 14. 4. . 5. variam de 2 em 2. . 8. . 6º ano 345 . 20.. 6.. 9. varia de 4 em 4. 4. 16.. e não tem fim. 10 2 Todos eles são divisíveis por 2. que esses números são múltiplos de 2. a partir de 5. varia de 2 em 2. 6. 1 5 9 13 17 21 25 29 33 37 +4 +4 +4 +4 +4 +4 +4 +4 +4 +4 +4 +4 MÚLTIPLOS E DIVISORES Os números que fazem parte da sequência: 0. A divisão de qualquer desses números por 2 tem zero como resto.. a partir de 0 e também não tem fim.. 13.. Observe a regularidade na sequência numérica a seguir e determine seus próximos três termos. 2. a partir de 1.. 0 5 Dizemos.

também variam de 5 em 5. 20. . e não tem fim.... c) Essa regularidade ocorre com qualquer número dessa sequência? Por quê? 2. pode ser utilizada para representar quantidades. A divisão de qualquer desses números por 2 não tem zero como resto. A divisão de qualquer desses números por 5 não tem 27 5 zero como resto. A divisão de qualquer desses números por 5 tem zero 25 5 como resto. A sequência numérica a seguir varia de 3 em 3. 11. Os números que fazem parte da sequência: 0. variam de 2 em 2. a partir do 1. SISTEMA DE NUMERAÇÃO POSICIONAL DECIMAL O sistema de numeração posicional decimal é uma invenção humana que. 2 5 Esses números não são divisíveis por 5. 1 5 Dizemos que esses números não são múltiplos de 2. 25. 11 2 Nenhum desses números é divisível por 2. variam de 5 em 5. Dizemos que esses números não são múltiplos de 5.. a partir do 0. 10. 5... 5. 346 Matemática . 9. 7. 0 5 Todos eles são divisíveis por 5. Os números que fazem parte da sequência: 2. 15. 12. Escreva uma sequência de múltiplos de 7: . 7. 4. 1. só que a partir do 2. a partir do 1. 3. entre outras finalidades. 27. . 17. . 22. Os números que fazem parte da sequência: 1.. . Os números naturais que não são múltiplos de 2 são de- nominados números ímpares. Dizemos que esses números são múltiplos de 5. 16. APLICAR CONHECIMENTOS II 1. b) Os números que compõem essa sequência são múltiplos de 3? Justifique sua resposta. 10. 13. a) Qual é o resto da divisão de cada um dos números dessa sequência por 3? . 7..

ou seja. • dez milhares constituem uma dezena de milhar. ele é o algarismo que ocupa a primeira posição da direita para a esquerda e corresponde a sete unidades. os agrupa- mentos são feitos de 10 em 10. VALOR POSICIONAL Em um sistema de numeração posicional. No caso do número duzentos e cinco (205). podemos verificar outro aspecto re- lativo ao princípio posicional. • dez dezenas constituem uma centena. Observe o seguinte esquema: 3ª ordem 2ª ordem 1ª ordem Uma das características mais importan- centena dezena unidade tes do sistema posicional consiste em possi- 2 0 5 bilitar a representação dos números de for- ma concisa. e assim sucessivamente. AGRUPANDO DE DEZ EM DEZ Em sistemas numéricos decimais. Por exemplo. é a primeira ordem. Cada uma dessas posições é chamada de ordem. sucinta e precisa. Assim: • dez unidades constituem uma dezena. pois o número 205 possui exatamente 20 dezenas. Seu uso tornou-se tão comum e familiar que não nos damos conta de sua composição. ele ocupa a segunda posição da direita para a esquerda. que estão representadas nas duas centenas. de suas propriedades e características. observe a escrita dos números dezessete e setenta e um: 17 71 Em relação à posição do algarismo 7 nas duas representações. A segunda posição da direita para a esquerda. corres- pondendo a sete dezenas e é lido “setenta”. • dez dezenas de milhar constituem uma centena de milhar. A primeira posição da direita para a esquerda. onde estão representadas as dezenas. 2 centenas = 20 dezenas 6º ano 347 . a posição de um algarismo na re- presentação escrita do número tem um valor relativo a essa posição. • em 71. A posição da dezena é preenchida por um zero. e assim por diante. é a segunda ordem. podemos veri- ficar que: • em 17. como o próprio nome sugere. onde estão representadas as unidades. • dez centenas constituem um milhar.

Classe Classe Classe 190 755 799 Em seguida. separamos os algarismos em classes com. era estimada em 7 000 000 000 de pessoas. Com apenas dez símbolos (os algarismos de 0 a 9) e as regras mencionadas. no estado de São Paulo. adotamos o seguinte procedimento: Primeiro. Veja o quadro de classes a seguir: Milhão Milhar Unidade centena dezena unidade centena dezena unidade centena dezena unidade 1 9 0 7 5 5 7 9 9 cento e noventa milhões setecentos e cinquenta e cinco mil setecentos e noventa e nove unidades O SISTEMA POSICIONAL E AS QUATRO OPERAÇÕES “ELEMENTARES” Outra característica importante do sistema posicional é possibilitar a construção de algoritmos (técnicas operatórias) eficientes para as quatro operações elementares: adição. no ano 2010. no máximo. segui- do do nome da classe correspondente. • a população do estado da Bahia. multiplicação e divisão Observe estes exemplos: Adição dezena unidade de milhar de milhar centena dezena unidade DM UM C D U 1 1 6 1 5 4 2 + 1 6 15 4 2 1 4 9 3 7 3 + 4 9 3 7 3 6 5 9 1 5 6 5 9 1 5 soma 348 Matemática . era de 190 755 799 habitantes. Por exemplo: • a população do município de Mesópolis. Para fazer a leitura da população brasileira. subtração. com 1 886 habitantes em 2010. em 2010. lemos o número em cada classe. que. que. da direita para a esquerda. em 2010. era de 14 016 906 pessoas. podemos representar qualquer quantidade. • a população do mundo. que. três algaris- mos. da esquerda para a direita.

Total de homens brasileiros (2010) Total de mulheres brasileiras (2010) Milhão Milhar Unidade Milhão Milhar Unidade C D U C D U C D U C D U C D U C D U 9 3 4 0 6 9 9 0 9 7 3 4 8 8 0 9 Fonte: IBGE Com o auxílio do quadro de classes. Do total da população do Brasil em 2010. Subtração UM C D U 6 4 5 1 4 7 – 6 45 14 7 4 3 7 3 – 4 3 7 3 2 1 7 4 2 1 7 4 diferença Multiplicação UM C D U 4 3 2 4 3 2 × 2 3 × 2 3 1 3 × 432 1 2 9 6 1 2 1 9 6 + + 20 × 432 8 6 4 0 8 6 4 0 9 9 3 6 9 9 3 6 produto Divisão UM C D U 3 4 2 6 3 4 2 6 1 2 – – 2 × 12 2 4 2 4 2 8 5 1 0 2 1 0 2 – – cociente 8 × 12 9 6 9 6 6 6 6 6 – – 5 × 12 6 0 6 0 6 6 APLICAR CONHECIMENTOS III 1. 93 406 990 eram homens e 97 348 809 eram mulheres. 6º ano 349 . escreva como se leem esses números.

42... 3. . 30 700. 2 006. 6. 186. . 2... . f) 30 600. 19. . Foi ele quem introduziu na Itália os algarismos indo-arábicos. 30 800. 30 900.. 24. 33. . 7. 181. Depois. para cada uma delas. 2 004. .. pinte seu mo- saico de modo a manter uma regularidade. . d) 15. 15. 2 010. Em uma folha de papel quadriculado. calcule e escreva como se lê qual era a população total da região Sul em 2010 (se for conveniente. de acordo com a regularidade que você determinou.. 12. 11. . .. e) 2 002. c) 0.. 51. b) 201. 31 000. . 196. crie um mosaico usando polígonos. 2 008. em 1175. . nome que usava em seus escritos. Determine pelo menos uma regularidade em cada uma das sequências numéricas a seguir e escreva. Ele também elaborou uma sequência numérica que leva seu nome. 9. use um algoritmo para efetuar essa soma). Observe os dados a seguir sobre a população da região Sul do Brasil. 3. .. em 2010: População dos estados da região Sul (2010) Estado População Paraná 10 444 526 Santa Catarina 6 248 436 Rio Grande do Sul 10 693 929 Fonte: IBGE. Ele é mais conhecido como Fibonacci. a) 3. Calcule: a) 3 186 − 537 b) 108 × 56 c) 1 256 ÷ 31 EXERCITANDO MAIS 1. 191. 2. Leonardo de Pisa foi um importante matemático que nasceu na cidade de Pisa. . .. 3. .. 350 Matemática . Agora. o sexto e o sétimo termo. na Itália. . .

As Olimpíadas são uma competição esportiva mundial inspirada nos Jogos Olímpicos da Grécia antiga. 28. . Observe como se comporta a sequência de Fibonacci: 1 1 2 3 5 8 1+1=2 1+2=3 2+3=5 3+5=8 •os dois primeiros termos dessa sequência de Fibonacci são 1 e 1. então também houve essa competição em 1980? Justifique. em 1936. Durante a guerra não houve Olimpíadas. a) Se em 1960 houve olimpíadas. . Observe a seguinte sequência de números. 10. b) Os últimos jogos olímpicos antes da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foram realizados em Berlim. . 22. mantendo a regularidade observada. •o quinto termo é a soma do terceiro com o quarto. 16. Se fosse mantida a mesma sequência.. e assim sucessivamente.. Essa competição ocorre de quatro em quatro anos. a) Complete a sequência com o quinto e o sexto termos. 4. É possível perceber que seus termos variam de 6 em 6. b) Qual é o resto da divisão do quinto termo dessa sequência por 6? E do sexto termo? É possível determinar esse resto sem efetuar a divisão? 5. •o terceiro termo é a soma dos dois primeiros. escreva: a) Os cinco primeiros termos da sequência de números naturais que são múltiplos de 4: b) Os cinco primeiros termos da sequência de números naturais que são múltiplos de 4 e maiores que 10: c) Todos os termos da sequência de números naturais que são múltiplos de 4 e menores que 50: 6º ano 351 . Complete a sequência com o sétimo e o oitavo termos. •o quarto termo é a soma do segundo com o terceiro. em que anos da Segunda Guerra Mundial teria havido olimpíadas? 6. A respeito de múltiplos e divisores.

Pesquise e escreva. Observe como foi calculada a quantidade de hexágonos nas figuras abaixo: 1+2+3+2+1=9 2 + 3 + 4 + 3 + 2 = 14 Quantos hexágonos há na figura ao lado? 8. o número de habitantes da cidade e do estado onde você mora. 9. Descubra os algarismos que estão faltando nestas contas: a) 5 3 b) 4 3 1 1 2 – × 3 3 6 9 3 5 1 6 2 6 9 1 + – 2 6 6 5 2 6 2 0 7 352 Matemática . por extenso. 7.

6º ano 353 . dos filhos e de parentes. para grande parte das mulheres é um desafio conciliar novas ativida- des com as antigas. realizadas na própria casa ou em local próximo. seja para complementar a renda familiar. quase sempre elas têm que conciliar as atividades de geração de renda com as responsabilidades domésticas que lhes são atribuídas tradicio- nalmente. Para isso. Muitas mulheres das camadas mais pobres acabam optando por atividades que são um prolongamento das tarefas domésticas. cozinhar. como costurar. ou exercício da cidadania. ven- der produtos de beleza. mercado informal e a Matemática A participação das mulheres no mercado de trabalho vem crescendo ano após ano. Assim. seja para satisfação pessoal. São atividades informais. ou pessoal. 2010. Thomaz Vita Neto/Pulsar Imagens Mulher trabalhando como vendedora no comércio informal na cidade de São José de Ribamar (MA). como cuidar da casa.Capítulo 2 M AT E M ÁT I C A Mulheres.

Você já participou de algum empreendimento desse tipo? Nessas situações é comum o uso de expressões como: “três quartos de xícara”. tente explicar cada uma dessas expressões. RODA DE CONVERSA Ao observar o cotidiano de uma mulher que. • escolher o local para vender os salgados. “assar por 45 minutos”. entre outras. para cobrar um preço por fatia. • calcular o custo de produção. poderia dividi-las igualmente. • determinar os valores de venda de cada salgado. Perto de sua casa há uma escola que. Dando início ao trabalho. Assim. Ela resolveu montar um pequeno negócio com o qual poderia ganhar algum dinheiro para ajudar na alimentação e em outras despesas da sua casa. tem-se a dimensão dos vários problemas que ela enfrenta para ter su- cesso em sua empreitada. como muitas outras mulheres. • calcular quanto custa para manter o negócio funcionando. produz e vende salgados. “1. A HISTÓRIA DO EMPREENDIMENTO DE MIRALVA Miralva. informalmente. de acordo com o que você já conhece. por exemplo: • determinar a quantidade de salgados a ser produzida. Algumas de suas preocupações podem ser. Torta de frango cortada em 8 pedaços iguais (vista de cima). Pensando em algo que não exigisse ficar muito tempo fora. Com seus colegas. Ela resolveu dividir cada torta em 8 partes iguais. “meio litro”. O esquema abaixo mostra uma torta cortada. durante a noite.5 kg de cebola”. reúne jovens e adultos que retomaram os estudos e Miralva percebeu que poderia vender suas tortas para essas pessoas. se usasse assadeiras re- dondas para assar as tortas. Miralva resolveu produzir e ven- der torta de frango em fatias. • calcular o investimento inicial. após assá-las. 354 Matemática . Miralva as divide em fatias iguais. percebeu que podia usar seus conhe- cimentos e habilidades para complementar a renda familiar. Miralva considerou que.

LEITURA DE FRAÇÃO A leitura de uma fração depende do seu numerador e do seu denominador. 7. Se Miralva vender 3 fatias de torta. A fração 15 pode ser lida “um quinto” ou “1 sobre 5”. pode-se dizer que foram vendidos três oitavos da torta. Para frações com denominadores 10. 1 000. entre outras. 71 lê-se “um sétimo”. Na fração 83 : • O número 3 se chama numerador da fração. lê-se o numerador e acres- centa-se a palavra “décimo” para o denominador 10. “centésimo” para o denomi- nador 100. “1 sobre 2”. • O número 8 se chama denominador da fração. 5. 8 e 9 têm leituras especiais. 2 1000 lê-se “dois milésimos” ou “2 sobre 1 000”. 16 lê-se “um sexto”. “milésimo” para o denominador 1 000. 4. a seguinte interpretação: • O número natural 3 representa o número de fatias de torta que foram vendidas. Frações cujos denominadores são os números naturais 2. A fração 34 pode ser lida “três quartos” ou “3 sobre 4”. 6. então. 3. por exemplo. Cada fatia da torta corresponde a 18 (lê-se um oitavo) da torta. Essa fração da torta pode ser representada pelo símbolo numérico 83 . • O número natural 8 representa o número total de fatias iguais em que a torta foi dividida. pode-se dizer que ela vendeu uma fração da torta. Por exemplo: 3 10 lê-se “três décimos” ou “3 sobre 10”. 6º ano 355 . A fração 13 pode ser lida “um terço” ou “1 sobre 3”. A expressão 83 se chama fração e tem. 18 lê-se “um oitavo” e 19 lê-se “um nono”. 100. 17 100 lê-se “dezessete centésimos” ou “17 sobre 100”. Por exemplo: A fração 12 pode ser lida “um meio” ou “meio” ou. • O traço horizontal (–) que é desenhado entre o numerador e o deno- minador se chama traço de fração. Se forem vendidas 3 fatias de uma torta dividida em 8 fatias iguais. Da mesma forma.

Por 18 . ela vender 6. 100. Portanto. são chamadas frações decimais. As frações que têm denominador 10.) 356 Matemática . que corresponde à torta inteira. ela poderia vender cada fatia pela metade do preço cobrado por 18 da torta. ela resolveu passar a dividir cada torta em 16 fatias iguais. Uma leitura para essa situação é a seguinte: foram ven- didos seis dezesseis avos da torta. Então. é igual a 88 = 1. Miralva percebeu que as fatias seriam grandes e caras para um lanche. 1 000 etc. 7 23 lê-se “sete vinte e três avos”. que correspon- de à fração não vendida da torta. Se. receberia 24 reais. receberia 3 reais. Neste caso. receberia 9 reais. Essa situação pode ser representada da seguinte forma: 6 16 (que se lê: “seis dezesseis avos”. Essa última situação pode ser expressa simbolicamente assim: 3 5 8 8 3 5 8 + 8 = 8 ou 8 – 8 = 8 Para obter algum lucro. lê-se o seu numerador e acrescenta-se a palavra “avos” ao seu denomi- nador.). que corresponde à fração vendida da torta. CALCULANDO PREÇOS Considerando as vendas de Miralva. 12.. Esse pensamento pode ser expresso assim: Por 88 . uma fatia deveria custar 3 reais (24 ÷ 8 = 3) e três fatias. Por exemplo: 1 11 lê-se “um onze avos”. se ela vender 3 fatias da torta. então também terá vendido uma fração da torta.. As fatias que não foram vendidas podem ser expressas pela fração 85 . 9 reais. Para uma fração cujo denominador é um número natural maior que 10 (11. Então. . Por 83 . Miralva precisaria receber 24 reais pela torta inteira. 83 . mais 85 . então sobra- rão 5 fatias para serem vendidas. Porém. 13. das 16 fatias em que a torta for dividida.

Que conclusões você obteve fazendo essas duas representações fracionárias? FRAÇÕES EQUIVALENTES Na atividade anterior. Representamos essa equivalência por meio da igualdade das frações: 3 = 6 8 16 6º ano 357 . Compare as representações das duas frações. foi possível perceber que as frações 83 e 16 6 da torta cor- respondem à mesma quantidade de torta. O círculo Pegue um dos círculos. a fração “seis dezesseis avos”. no outro círculo. PARA REFLETIR I Ilustração digital: Luciano Tasso Que relação há entre 83 e 16 6 da torta? Vamos desenhar frações. Abra o papel. dizemos que as frações 83 e 16 6 são equivalentes. como na ilustração ao lado. desenhe e recorte dois círculos de papel. ao meio novamente. dobre-o Mais uma vez. Por causa disso. Usando a boca ou o fundo de um copo como molde. Pinte 3 delas. meio. Que fração você obteve com esses procedimentos? Use os mesmos procedimentos para representar. dobre-o ao ficou dividido em 8 partes Dobre-o ao meio. Com ele dobrado. iguais.

Com base nesses resultados. 3 Para obter uma fração equivalente a 16 e com denominador 12. 6 A fração 16 pode ser obtida da fração 83 realizando-se as seguintes ações: 3 = 3×2 = 6 8 8 × 2 16 Por sua vez. tanto o numerador como o denomi- nador de uma fração por um mesmo número diferente de zero. pois 3 × 4 = 12. equivalente à fração original. multipli- ca-se o numerador e o denominador dessa fração por 4. pois 28 ÷ 7 = 4. Veja outros exemplos: 14 Determine uma fração equivalente a 28 e com denominador 4. Por isso. ou dividindo-se. 14 Para obter uma fração equivalente a e com denominador 4. podemos estabelecer as seguintes regras que per- mitem obter uma fração equivalente a partir de uma fração conhecida: Multiplicando-se. Veja: 14 = 14 ÷ 7 = 2 28 28 ÷ 7 4 14 A fração 24 é uma fração equivalente a 28 com denominador 4. divide-se o 28 numerador e o denominador dessa fração por 7. dizemos que 83 é fração equivalente na forma irredutível. 3 = 3 × 4 = 12 16 16 × 4 64 A fração 12 64 3 é uma fração equivalente a 16 com numerador 12. obtemos uma fração. a fração 83 pode ser obtida da fração 16 6 realizando-se as seguintes ações: 6 = 6÷2 = 3 16 16 ÷ 2 8 Essas ações podem ser aplicadas em outras frações. 358 Matemática . 3 Obtenha uma fração equivalente a 16 e com numerador 12. Na fração 83 o numerador e o denominador têm apenas o número 1 como di- visor comum.

mantendo-se o denominador. APLICAR CONHECIMENTOS I 4 1. Qual fração. é equivalente a 16 ? 2. Qual dos seguintes pares de frações representa frações equivalentes? 3 e 15 15 e 5 4 e 2 16 80 81 7 9 3 SOMA E DIFERENÇA DE FRAÇÕES COM DENOMINADORES IGUAIS Miralva fez uma torta de frango e dividiu-a em 16 fatias iguais. 6º ano 359 . Dividindo 18 e 12 pelo divisor comum 2: 18 = 18 ÷ 2 = 9 12 12 ÷ 2 6 Dividindo 9 e 6 pelo divisor comum 3: 9 = 9÷3 = 3 6 6÷3 2 A fração 23 é a fração irredutível equivalente a 18 12 . somam-se seus numeradores. com a fração da torta que 11 não foi vendida. 5 Se somarmos a fração da torta que foi vendida. Se ela vender 5 5 fatias. 16 − 5 = 11 fatias não 11 foram vendidas. a fração da torta que não foi vendida é 16 . Qual é a fração irredutível equivalente a 18 12 ? Podemos dividir sucessivamente o numerador e o denominador da fra- ção por um divisor comum a eles. Neste caso. 16 . obteremos a fração que representa a torta inteira. Em símbolos: 5 + 11 = 16 16 16 16 Essa operação sugere o seguinte procedimento para somar frações que têm os mesmos denominadores: Para se obter a soma de duas frações com denominadores iguais. então ela venderá a fração 16 da torta. na forma irredutível. ou seja. 16 . Ou seja. 16 16 .

Se subtrairmos da torta toda. 16 360 Matemática . Uma delas foi cortada em 8 fatias iguais e a outra foi cortada em 16 fatias iguais. 5 16 . como mostra a figura seguinte. subtraem-se seus numeradores. Em símbolos: 16 16 16 --–. APLICAR CONHECIMENTOS II Calcule: 15 + 7 = 13 5 26 26 16 – 16 = SOMA E DIFERENÇA DE FRAÇÕES COM DENOMINADORES DIFERENTES Miralva fez duas tortas de frango. então a fração 11 da torta que não foi vendida é 16 . Miralva colocou em uma das assadeiras 4 fatias de 18 da torta e 8 fatias de 161 da torta. a fração que foi vendida. 1 1 8 16 Metade da assadeira contém 4 fatias Metade da assadeira contém 8 fatias correspondentes a 18 da torta. mantendo-se o denominador. correspondentes a 1 da torta. 1616 .555 ==== 11 11 11 16 16 16 16 16 16 16 16 16 Essa operação sugere o seguinte procedimento para subtrair frações que têm os mesmos denominadores: Para se obter a diferença entre duas frações com denominadores iguais. Para aumentar as opções de venda para seus clientes.

então. por meio de correspondentes frações equivalentes.36 == 55 16 16 88 16 16 16 8 16 16 Essa operação sugere o seguinte procedimento geral: A diferença entre duas frações com denominadores diferentes pode ser calculada transformando-as em frações com denominadores iguais. Essa soma pode ser expressa simbolicamente da seguinte forma: 3 + 5 8 16 Como 83 da torta são equivalentes a 16 6 da torta.33 == 11 5 –. então podemos escrever: 3 + 5 = 6 + 5 = 11 8 16 16 16 16 Essa operação sugere o seguinte procedimento geral: A soma de duas frações com denominadores diferentes pode ser calcu- lada transformando-as em frações com denominadores iguais. qual fração da torta terá sido vendida? A fração a ser vendida pode ser obtida somando a fração 83 com a fração 16 5 . por meio de correspondentes frações equivalentes. Se Miralva vender 3 fatias correspondentes a 18 da torta e 5 fatias correspon- 1 dentes a 16 da torta. para calcular a diferença: 11 –.3 = 5 16 8 16 é possível escrever: 11 11 -–. Da mesma forma. 6º ano 361 .

Construa três círculos iguais. Calcule a soma e a diferença a seguir: 4 + 5 = 11 − 1 = 13 26 16 4 2. A primeira servirá como exemplo. 1 1 8 4 1 1 8 4 Utilizando essas “frações” de círculo. recorte: • o primeiro círculo em duas partes iguais e pinte-as de verde. é possível fazer algumas operações com elas. uma ao lado da outra. da seguinte maneira: Duas partes iguais Quatro partes iguais Oito partes iguais Com uma tesoura. Divida-os. • o terceiro em oito partes iguais e pinte-as de azul. em duas. como na figura acima à esquerda e calcule 14 + 18. cada um numa folha de papel. quatro e oito partes iguais. APLICAR CONHECIMENTOS III 1. • o segundo em quatro partes iguais e pinte-as de vermelho. Coloque-as sobre uma mesa. Quantas “frações” do círculo que foi dividido em 8 partes iguais são necessárias para completar um círculo inteiro a partir da composição feita com 14 e 18 do círculo? 362 Matemática . Pegue uma parte que representa a fração 14 de círculo e outra parte que representa a fração 18 . respectivamente.

10 1 frango 1 xícara de chá pequeno. Com base no último exemplo.40 de margarina de cheiro-verde Alho 0.5 quilo (um quilo e meio).55 trigo Farinha 40 gramas 1.70 Massa Recheio (1. Os seus gastos foram anotados na tabela da direita a seguir: Ingredientes da torta Ingredientes Gasto total (R$) Frango 4.00 4 ovos de trigo de alho Ovos 0.5 quilo) Sal 0.90 Uma pitada Uma pitada de sal de sal Margarina 0. a quantidade de frango que ela comprou foi de 1.88 Os valores numéricos que estão na tabela de Miralva não são números naturais. 1 + 2 = 1 + 3 = 4 4 8 8 1 + 3 = 3 + 1 = 2 8 4 8 1 + 1 = 5 + 3 = 2 4 8 8 1 + 1 = 1 + 3 + 1 = 2 2 4 8 8 2 + 1 + 1 = 3 + 5 = 8 4 2 4 8 NÚMEROS RACIONAIS Miralva aproveitou o fim de semana para fazer sua receita de torta de frango e anotar todos os gastos para saber se a venda de tortas estava valendo a pena. 6º ano 363 . determine as somas das frações seguintes. cozido de leite Cheiro-verde 1.95 4 xícaras de chá 500 gramas de farinha de de cebola Leite 0. Por exemplo.20 e desfiado 125 gramas 1 maço Cebola 1.

que aparece no visor da calcu- ladora.1”. Por causa dessa “equivalência”. além de significar que “tomamos uma parte de algo que foi divi- A fração 10 dido em 10 partes iguais”. 1 Por sua vez. cujo símbolo é kg. A palavra “quilo” é de origem grega e significa “mil”.1”. também significa uma represen-