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Encarte Especial - CIMI 40 anos A história do Cimi Regional Maranhão

ISSN 0102-0625
Em defesa da causa indígena
Ano XXXV • N0 347 • Brasília-DF • Agosto de 2012 – R$ 5,00

Páginas 5 e 6

Krenak
O presídio indígena
da Ditadura Militar
O “reformatório” Krenak começou a funcionar em
1969, em Minas Gerais. O projeto representou
a face da repressão militar voltada aos povos
originários. Para lá os indígenas eram levados, onde
permaneciam presos, eram torturados e condenados
a trabalhos forçados. Muitos desapareceram e quem
sobreviveu lembra um tempo que agora a Comissão
da Verdade pretende revisitar. Páginas 8 e 9
Prédio onde funcionava o reformatório Krenak e família indígena detida nas instalações. – Fotos: André Campos e Arquivo Cimi

Portaria 303: resistência continua com Guarani Kaiowá e Nhandeva seguem com
protestos indígenas pela revogação da medida retomadas na região mais violenta do MS
Páginas 3 e 4 Páginas 12 e 13

índios estão sendo vítimas de omissões que as condicionantes indicadas por um por quem está no poder. ins. plantão e nessa trilha sempre esteve o que se tem é o revés. anual: R$ 60. Nello Fax: (61) 2106-1651 Seleção de fotos: Ass. demarcações fossem realizadas. Os povos indígenas não podem suscetíveis a serem ‘comprados’ legais. e Tribais e a Convenção Internacional seja revogada. Os brasileiros ou mesmo apoiadas por autoridades pú.br Conselho DE REDAÇÃO Edição fechada em 16/10/2012 Administração: Dom Erwin Kräutler Antônio C. Marcy Vice-Presidente do Cimi www. adquirido e ato jurídico perfeito. marco fundamental do direito expressas determinações constitucionais de cinco anos. Saulo Feitosa. entretanto elas se referem São Paulo e co-fundadora da AJD. atingindo a dignidade humana do critos no rol de direitos fundamentais. para que as dos povos indígenas. pós 1988. Elizabeth Licurgo S. as agressões cional. A portaria 303 foi suspensa até a do mundo.00 APOIADORES Cleber César Buzatto Roberto Liebgot. o que e plural.00 (Cimi). especialmente. seus propósitos de olho nas terras indígenas. falta tudo sociedade pluralista A Casa de Saúde Indígena (Ca- sai) de Aragarças. rais das terras indígenas. descobrimento. protagonis. tem uma razão. pois. ministro do Supremo Tribunal Federal *Marco Antonio é Procurador da República e O fato é que a violação domina a con. em relação à apenas 1/3 das terras foram demarcadas dos gestores da Secretaria Especial cidas. sos hídricos e para a pesquisa e lavra das aguça os conflitos que se retroalimen- Mas o mapa de violência contra estes riquezas minerais.920. A de Goiás e Mato Grosso atuaram em Constituição Federal de 1988 é constitucional. no prazo demais. pois além das ações arbitrárias os Mais.br Picanço. Depois ele esteve com José União e que assessora juridicamente o MARIOSAN Sarney e pulou para o colo dos Poder Executivo. memória. como se estas fos- em terras indígenas. ISSN 0102-0625 Na língua da nação indígena Renato Santana Reportagem: Redação e Administração: Faça sua assinatura Sateré-Mawé. Goiás. pluralista explore nove áreas de minérios e sem preconceitos.org. de apoio: R$ 80.org. crenças e tra. mas RR) sempre foi um oportunista de na verdade. E. Emília Altini Aida Cruz editor. raposa é antigo: liberdade para que Distancia-se da concepção do Brasil a empresa de mineração da filha como uma sociedade fraterna. assumida pelo um despertar de consciências.00 Permitimos a reprodução de nossas matérias e artigos. parlamentares não são os únicos exerçam. para que a trágica história entre elas Belo Monte. direito congênito às terras tradicionais. Editoração eletrônica: Ass. e cujos direitos em Terras Indígenas. toleradas demonstra que para a AGU o direito estaremos retrocedendo ao tempo do nacional de televisão. além de tudo. As matérias assinadas são de responsabilidade de seus autores. No são outros: restringir os direitos consti. sala 310 pela internet: significa remo.. Do ponto cionais. à revelia da norma constitu- República. A ementa da portaria neoliberais e agora dos petistas. determinar a retroação para afetar um país verdadeiramente democrático elétrica foi anunciada pela presi- sões mais ostensivas e atrevidas de suas os procedimentos finalizados. Afronta tratados interna. Botelho (61) 3034-6279 Registro nº 4. demarcações. 169 da Organização Internacional do reflexão à luz da Carta Magna. Obriga a União a proteger e ser de outra forma. relativas ao usufruto dos recursos natu. tão somente a este julgado e não poderia saúde dos índios brasileiros: falta até Kenarik Boujikian Felippe* dições. Serra do Sol. o que apenas na saúde indígena é generalizada. Queiroz. último período ele tentou nova- tucionais dos índios. Egon D. Benedito Tel: (61) 2106-1650 Preços: Marline Dassoler Buzatto Publicação do Conselho Indigenista Missionário Presidente do Cimi Prezia. O artigo 231 da Constituição reco- ao Brasil e não ao seu clã. como se não bastasse. é o retrato da sabotagem a qual é submetida a Marco Antonio Delfino de Almeida e seus costumes. mas índio e outros de seus direitos fundamen. PORANTIM Editor . sobretudo.Brasília-DF adm. tudo isso mostra a necessidade de favorece. Luana Luizy . taria 303 editada pela Advocacia Geral Ele já esteve ao lado dos mili- da União (AGU). Os reitos dos índios e de suas comunidades sobre a Eliminação de Todas as Formas de espoliação e violência tenha um fim. pagam uma das tarifas mais caras blicas. nhece a organização social dos índios. sejam transportadas para todas as é desembargadora no Tribunal de Justiça de cordeiro e uma das faces da intolerância é a por. sem data definida pelos mi. Heck. arma. vergonha na cara tas das conquistas nela estabele. suas atribuições de Discriminação Racial. quer esperar mais. Rosha (AM) SDS .porantim@cimi.. o governo federal terá de sário que as autoridades competentes Trabalho (OIT) sobre Povos Indígenas indígena. A notícia é boa. Port. efetivamente. da nossa história. (STF) no julgamento “Raposa Serra do especialista em Direito Constitucional. faça com que construir mais usinas hidrelétricas. A crise diversidade e alteridade. O desejo da devem ser defendidos e não atacados. Paulo Suess. quer razoável que fincou para as demarcações. diz que ela “dispõe sobre as salvaguardas O senador Romero Jucá (PMDB/ institucionais às terras indígenas”.00 Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). pois a portaria afasta A Constituição estabeleceu o prazo conjunto para reverter o quadro. Para variar. denta Dilma Rousseff em cadeia terras.se os votação das condicionantes de Raposa ao tratarmos de Dilma a medida tais.Ed. respeitar todos os seus bens.RP: 57074/SP Ruy Sposati (MS) e J. é absolutamente neces. Paulo Guimarães. Venâncio III. da história barata. as inva. Amarante Rondon e Lúcia Cartório do 2º Ofício América latina: US$ 50. desde que citada a fonte. A presteza constitucional tinha a finalidade de construir. dispostas senador declarou que a lei fará bem aleatoriamente na Constituição Federal. com o acolhimento do princípio da necessidade de consulta às populações até agora e há processos paralisados de Saúde Indígena (Sesai). Agosto – 2012 2 . mas Falta. mas a depender da portaria. órgão que representa a tares.00 Secretário Executivo do Cimi Impressão: Helena Rangel Gráfica Teixeira (61) 3336-4040 de Registro Civil .393-902 . Associação Juízes para a Democracia (AJD) água na sede do pólo de assistência. as ofensas frequentes. 48. tam da inoperância dos poderes da Quando a esmola é povos remete ao alerta do professor Dal- mo Dallari: “O tratamento que vem sendo Traz conceito minorante de terras indígenas.Brasília Outros Países: US$ 70. Artigo Porantinadas União distante de uma Falta água.br Ass.org. organismo vinculado à Conferência Ruffaldi. Espera-se que uma breve governo: para termos a tarifa mais de vista jurídico. desrespeitando a mente convencer os seus pares a essência da convivência democrática que votar o Projeto de Lei de Mineração se reconhece no outro. a convenção nistros do STF. passada a leitura da ementa.porantim@cimi. das autoridades”. para os assuntos relacionados com os di. não se aplicam aos indígenas . no Pará. o sem um punhado de palavras. A redução das tarifas de energia às suas pessoas e comunidades. há décadas nos tribunais. Kenarik Romero Jucá em pele de duta de diversas autoridades de Estado Sol”. mas na o ponto fulcral deste processo era a de- O Ministério Público Federal (MPF) visão da AGU este deve ser mero “favor” marcação integral ou em ilhas. línguas.cimi. dado aos índios brasileiros. consagrando o indígenas para aproveitamento de recur.Estagiária CEP 70. em verdadeiro desatino. dois anos: R$ 100.

presidente do zação Internacional do Trabalho (OIT).Foto: Cimi Regional Mato Grosso Conjuntura Foto: Rosimeire Diniz/Cimi Regional Maranhão Vice-Procuradora Geral da As manifestações indígenas se estenderam por todo o país. questionou o indígena José estes atos contra nós. «Me senti envergonhado Rosane Kaingang. Belo Monte. portanto. Usina Hidrelétrica Belo Monte. As irregularidades e ilegalida- trancamento O movimento indígena realizou O que não ocorreu e as obras puderam des apresentadas na construção de D de rodovia no urante audiência na 6ª Câmara protestos por todo o país no último ser retomadas. Maranhão e Mato Grosso de Coordenação e Revisão período. que as terras indígenas ram a sede da AGU. ministro Luiz Inácio Adams. A construção da Usina Hi. ninguém da instituição. na sede da Advocacia Geral da União dores do TRF-1. no entanto. Tocantins Apesar da Procuradoria Geral da zadas. tras medidas. Para os desembarga- União (AGU). Nas fotos. em função do advogado Geral preocupação é que desde que saiu da União. vidros ficaram fechados para a gente?». povos. protestos em Brasília de Luana Luizy e Ruy Sposati Protestos e Belo Monte em suspender a licença de instalação da cunho estratégico sem consulta aos indígenas do de Brasília Tocantins. Dessa forma. A minha Apinajé. usina . revogação. no Pará. então. recebidos. ças indígenas denunciam que a Portraia seguiu perguntando José Apinajé. podem ser legali. participaram do 3 Agosto – 2012  . exigindo a STF para que as obras de Belo Monte usufruto exclusivo da terra de ocupa- da República Deborah Duprat manifes. as lideran. Além A AGU recebeu a comitiva depois disso. até que fossem empreendimento e que. no refeitório com o procurador Geral gulamentação via ministro da Justiça. prévia e informada às comunidades im. da Advocacia Geral da dos protestos. substituto. Britto decidiu ção tradicional e de consulta prévia e tou ao movimento indígena repudio drelétrica Belo Monte também no foco contrariamente. alertou Deborah. pois da Secretaria Geral da Presidência da caso contrário não haveria um artigo República ter mediado uma reunião fazendo referência a uma possível re. permaneçam paradas. Indígenas de Goiás. a AGU desconstrói do Ministério Público Federal e Mato Grosso do Sul se mobilizaram República (PGR) ter emitido parecer ao o direito constitucional indígena de (MPF) a vice-procuradora geral contra a Portaria 303. as propostas não os ter recebido. a licença de instalação Portas fechadas ção forte contra toda essa conspiração (AGU) e no Supremo Tribunal Federal não atende a determinação da consulta Cerca de 60 lideranças indígenas a situação vai piorar”. que A Portaria 303 determina. Por conta disso. mas não foram recebidas por a Corte Interamericana de Direitos Os indígenas pediram ao ministro Federal e a Convenção 169 da Organi. As ações aconteceram as obras da usina. todos estão utilizando aqui?”. liberando novamente informada. 303 foi articulada nos bastidores. “Caso não ocorra uma rea. afirma duas horas. dível a consulta prévia e informada aos Supremo Tribunal Federal (STF). os indígenas cerca- povos indígenas afetados por qualquer mantivesse a decisão unânime dos de. a Portaria 303. que fechou Humanos determinou como imprescin. essas condicionantes. em Brasília. ser um consenso. Já em Mato Grosso. Os indígenas legislativas estão sendo baseadas nelas esperaram. chegaram a ir ao prédio da AGU para A vice-procuradora afirmou que cerca de 400 indígenas bloquearam pactadas direta ou indiretamente pela entregar um manifesto contra a Porta- sob pressão da Anistia Internacional. Carlos Ayres Britto. Além deles. (STF). já teria sido pautada entre a da Polícia Militar e de um funcionário AGU e o Ministério da Justiça. Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) dimentos hidrelétricos e minerais de “Por que fecharam a porta na gente? “O problema é que todos estes Por que não queriam receber a gente? Foto: Ruy Sposati/Cimi atos administrativos já estão surtindo Por que o Luiz Inácio [Adams] não está efeito na prática.conforme manda a Constituição ria 303. suas portas quando o grupo chegou. da Funai e o advogado Geral da União José Eduardo Cardozo. A República repudia Portaria 303 reivindicação era uma só: revogação imediata da Portaria 303. entre ou. Por que os Para a vice-procuradora. duas rodovias federais. por não ter sido recebido. por cerca de para entrar em nossas terras”. deve sembargadores da 5ª Turma do Tribunal podem ser ocupadas por empreen.

portanto. ampliar ainda mais Juntamente com o Projeto de Lei Arcebispo de São Luís instrumento. governo federal é cínico ao não revogar Manoki. portaria pretende estender as Isso porque a Portaria 303 determi- Os caciques é muito grave pra nós que somos indí. entre outras medidas. mas nosso alvo principal é a Portaria tores do governo foram constrangidos. relativo à demarcação da Terra Indígena Federal e à AGU que revoguem a Porta- tenham em abundância” dicionais e camponesas. e taria? Quer tomar terra? Sujar a água? o advogado Botar fazenda para matar a gente? Para geral da Efeitos da Portaria 303 União. Coiab rasgou “O que vocês estão propondo é a os povos envolvidos foram os Haliti A a Portaria 303. Sem falar com nenhuma na- audiência com ção. “Para quê a Por- Cardozo. Krikati. Cinta. Conjuntura Foto: Renato Santana/Cimi Foto: Ruy Sposati/Cimi  encontro com os indígenas um ouvidor e um assessor do órgão indigenista estatal. Por meio deste Pode. só neste ano. a iminente (Jo 10. a Convenção Nacional a competência de aprovar a em decisões ainda não tomadas. a AGU protesto na AGU AGU 11 etnias: Guarani Kaiowá. Apinajé. tenham vida e a interesses de terceiros sobre as terras (STF) no julgamento da Petição 3388. Se ele criou. Canoeiro e Karajá de Xambioá. além disso.  Favo. 169 da Organização Internacional do 30 de suas lideranças assassinadas. região de Comodoro. 303. a Convenção 169. por que não vai nos ouvir?”. Apelamos. inconstitucionalidade” na medida. já tiveram Constitucionais 215/00 e 038/1999. Dom Leonardo Ulrich Steiner que tramitam. Nambikwara. com Rondônia. aos Ministros da Corte Suprema injustiça que se cometerá contra os uma ameaça à sua vida! a apreciação de Embargos de Declara. Senhor de todos os po- pos do Brasil-CNBB. Mato Grosso. na Serra de São Vicente. da Advocacia rece. ou seja. a 644 km de Cuiabá. não se mortes! Deus. o bloqueio por volta das três horas da as demais terras indígenas. sem consulta aos (AM) durante Participaram da manifestação na madrugada. Javaé. pode a sua apli. Arara e Enawenê indígenas”. Dom José Belisário da Silva esbulho das suas terras. Presidente da CNBB entrar em vigor no próximo dia 24 de genas e a legitimação da ilegalidade do ções já viviam em terras brasileiras. portanto. respectivamente. Nacional foi instituído essas popula. Por isso inventaram essa Durante portaria. Krahô. na Trabalho (OIT). O Conselho Episcopal Pastoral da Com a Portaria 303. Cinta-Larga. Bakairi.   n CNBB: Em defesa dos direitos dos povos indígenas “Eu vim para que Federal. Se. Bakairi e Mỹky. esta Portaria reflete uma política que beneficia diretamente os Portaria nas “Condicionantes” estabe- lecidas pelo Supremo Tribunal Federal acumulou com os indígenas ao longo de sua história. “Essa o ministro portaria vai acabar com todos os índios da Justiça. decreto de reestruturação da Funai. efeito vinculante e. publicada no momento em Rikbaktsa. tário desde 2004. Raposa Serra do Sol. Arara e Enawenê Nawê iniciaram Kleber Apurinã explicou Maria Krahô. ria 303. de ocupação tradicional. Chiquitano. Umutina. que vivemos na natureza. cação da medida. especialmente país. revelou estar sendo para “dialogar” sobre a promoção e a 174 e 364. Bororo. da justiça e da paz! de 2012. “Exigimos a revogação da Portaria não votaram os embargos de declaração desconstrói o direito constitucional te. lamentou A BR-364. a AGU dificulta ção. solidário aos povos indígenas dos recursos hídricos e minerais das cação ser retroativa. povos indígenas caso entre em vigor. eliminando. mente ambulâncias e carros oficiais e indigenista isso ocorreu justamente bito da Comissão Nacional de Política durante três dias pela revogação da estiveram autorizados a passar pelos pelos interesses e interessados que Indigenista (CNPI) e para regulamentar Portaria 303. a portaria. que os povos indígenas são chamados Nawê bloquearam as rodovias federais Aproximadamente 400 indígenas Marta Azevedo. ao direito irreparável dos irmãos in. os processos de reconhecimento e de. Emenda à Constituição que tem o pro. uma vez que resta. a presidente da Funai. postos e demais intervenções Lindomar soalmente. Kanela. juristas 169 da Organização Internacional do Mato Grosso demarcação das terras indígenas) e o como Dalmo Dallari apontam “flagrante Trabalho (OIT). “Os doutores nos fazem de cachorros. afirma Sônia Haliti Paresi. assim. denunciou. nada indígena de usufruto exclusivo da terra Xavante. pois ela fere o direito dos povos inclusive. pressionada. que dá acesso ao município de Cuiabá. As “Condicionantes” não possuem A hora é de reparar erros e evitar Conferência Nacional dos Bis. Sua manutenção fará aumentar a Bispo Auxiliar de Brasília Agosto – 2012 4 Câmara dos Deputados e no Senado Equivoca-se a AGU ao respaldar a vergonhosa dívida social que o Brasil Secretário Geral da CNBB . Mỹky. os ministros da Suprema Corte ainda povos. So. No entanto. cunho estratégico. na divisa no voto do então ministro do indígenas podem ser ocupadas por Tupinambá (BA) e queremos falar com ele [Adams] pes. reunido em marcação dos territórios tradicionais. Dom Raymundo Damasceno Assis em relação à Portaria 303. Na condicionantes apresentadas na. articularam a iniciativa da AGU. 303. Brasília de 28 a 30 de agosto facilitando a exploração. vem ma. Sônia plantar soja? Plantar cana?”. também da PEC 215 (Proposta de dessas condicionantes. trechos. Brasília. setembro. Nós BR-174. posto que quando o Estado Arcebispo de Aparecida Geral da União (AGU). disse a liderança Elói Xerente. Krahô-Kanela. Durante o contexto de publi. assim. Tapuia. Manoki. 30 de agosto de 2012 terras já demarcadas e desrespeitando A Portaria significa um vilipêndio nifestar sua preocupação e discordância o direito de consulta aos povos. a AGU ignora o artigo 231 a violência contra os povos indígenas 1610/1996 e as Propostas de Emendas Vice-presidente da CNBB da Constituição Federal e a Convenção no país que. Chiquitano. da qual o Brasil é signa- Indígenas das etnias Paresi. portanto. aplicam às demais terras indígenas do vos. morte do nosso futuro. Rikbaktsa. “Nós estamos aqui para vocês ras- garem essa Portaria”. Xeren. ameaçados em seus direitos. nos inspire nos caminhos da vida. ao Governo dos indígenas e das comunidades tra. Nambikwara. Guajajara da Maria Krahô. o Umutina. É. nem tão pouco. Nambikwara. além disso. Essa portaria Paresi. -Larga. está definido.10) uma violência contra esses povos e ainda. prevista para legalidade dos direitos dos povos indí. a desconstrução da dígenas. empreendi- Terena (MS). Bororo. próximas aos municípios permaneceram em cada rodovia. nem com Funai”. os Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos unidades. Para os indígenas. Menezes de Direito na Ação Judicial da militares. malhas viárias. Terra Indígena Raposa Serra do Sol para mentos hidrelétricos e minerais de junto com a Portaria. Ava. pósito de transferir para o Congresso Além da Portaria 303 ser justificada Desconsidera. José Eduardo do Brasil”. reclamou. se ele assinou povos Nambikwara. Por um mero instrumento. que as terras Babau genas. Para o movimento indígena proteção dos direitos indígenas no âm- de Comodoro e Cuiabá.

rio Xingu mos contra um inimigo muito poderoso”. 15 dias de Fazemos tudo o que podemos. dia. Para algum lugar o cerca de 200. que vive com sua comunidade que demandam cuidados especiais e indígenas na Casai de obra ainda estão apenas no papel. os indígenas Altamira. mas às margens do rio Iriri. Nosso povo vai se acabar todo se moléstias não possuem grande gravi- para atender mega projeto. afirma Wiliam. a condicionante de reestrutu. de médico. selho Distrital está com um projeto refrigerantes. dia 15 de março do ano que vem a sede saúde pública tem que ser para todos. ainda sem o impacto um pouco os centros de saúde em fun. sendo tudo Xipaia. explica o vice-presidente do não cumpre as condicionantes na ao afirmar que as cestas básicas e o alto os pacientes e ração do atendimento à saúde indígena Conselho Distrital de Saúde Indígena de parte da saúde indígena. Saúde Indígena Casai de Altamira entra em colapso e condicionantes da UHE Belo Monte não são cumpridas Por Renato Santana Fotos: Juma Xipaia Editor do Porantim S uperlotação. sendo que há pouco Para acertar. Além de interferir de forma negativa O que se esperava saem piores.  teros e viaturas devidamente seladas neamente 80 indígenas. hospitais insuficientes para darem conta dos atendimentos. conforme relatam as os conselheiros esperavam investimen- se eles têm como manter ambulância e Distrital de Saúde faz as contas: a nova lideranças. a casa acolhe “Falta muita coisa e a saúde indíge. seja inaugurada. às margens indígenas. doenças. Tampouco a cons. Sobretudo na cidade. A usina está afetando a to. maus tratos na Casa de conselheiros distritais. Pará. lixo produzido. No entanto. Wiliam Xakriabá.  a atual estrutura da Casai é um recente Básico Ambiental (PBA). de recurso que existe 1º de fevereiro de 2010. O lugar não é próprio para isso lícia Militar do Pará impor seu efetivo para cá. dividem Indígena (DSEI) em Altamira. dependências da Casai. vagas em piora a cada dia. o consórcio impôs que viver da terra. Os indígenas convalescentes de gotada. cará apenas as comunidades da Volta de doenças”. obra acredita que Belo Monte é fato tratamentos e atendimentos médicos própria. o consórcio também ainda tos em estrutura hospitalar. Tudo isso faz trárias à usina. não tinha sido fossem as redes armadas no quintal da Wiliam conta que há tempos o Con. saúde. a necessário seguir despejando dinheiro do retorno à comunidade. do canteiro de obras Pimental por cerca “Aqui (sede retratada nas fotos) Grande do Xingu e Bacajá. cionamento. e não temos recursos e muito menos contra os manifestantes com helicóp- Com capacidade para atender simulta. conforme o vice-presidente. veículos e enfermeiro aqui (canteiro de obras). aos poucos. o conglomerado trans- A Casai é uma estrutura de passa. mas luta. questiona Leo dobro da capacidade atual. apesar da postura que trazemos aqui para a ocupação da ção”. que não por Belo Monte trarão consequências o pouco Licença Prévia de Instalação da usina em fotos feitas pelos próprios indígenas. mulheres e crianças acabam precisando não conseguem atendimento. entupidos trução de um hospital de 100 leitos para doentes na maioria . Esperamos que até o dos. banheiros em- porcalhados. mas lá acabamos vendo atendimentos de ocupação dos canteiros de obras a Po- adentro. Wiliam é Para ele.  O quadro da saúde indígena na re- gião impactada pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte é no mínimo diferente do anunciado pelo governo federal e Consórcio Norte Energia S/A (Nesa) como “A Casa do Índio está lotada e essa Malária. casa a única alternativa para os usuários . um absurdo. coração) que aparecem de forma . diz Wiliam. Não concordamos também porque cidade e. própria. de destacada preocupação entre os dinheiro está indo. O consórcio fluxo de recursos despejados sobre os acompanhantes dormem em pelo Distrito Sanitário Especial de Saúde Altamira. Na mesma proporção. a Nesa públicas. Sem contar o tência à construção do empreendimento. inauguraremos com superlota. São doenças (câncer. transformou em parte do Programa silenciosa. passou a ser quase impossível. medidas mais abrangentes de políticas Altamira. É uma reivindicação nossa Porém. Wiliam é seguro Amontoados. Por parte das autoridades. ensecadeira. danosas. que a Casai hoje não é só para passagem. morte e abandono estatal. as sem dúvida. Antes estava pior. O vice-presidente do Conselho nantes indígenas. tragédia”. é se deparar com o caos e a vida real das comunidades submetidas ao projeto de desenvolvimento em curso no país. diarreia. Dessaforma. trazem à tona uma realidade que não da situação em que nos encontramos. Nada aconteceu e a situação rio Xingu. Existem índios que entram lá na Casai e Lá teremos um espaço adequado. contrária à construção de Belo Monte. contrato de aluguel.  federal e Norte Energia) é bonito. os indíge- de 120 pescadores e indígenas. utilizar a Casai. Estou em Altamira há 20 continuar assim de construir usina. Por enquanto as Não há estrutura parte dos argumentos para justificar o superlotação é por conta de Belo Monte. as condicionantes – apesar de em cada barco do cais de Altamira. falta de equipe técnica.. nas drelétricas mantêm ligados Brasil afora. de uns anos lamenta Wiliam. por estrutura terá condições de comportar o não construiu 100 leitos hospitalares voadeiras (embarcações velozes) para que não lá em Altamira?”. Porém. O aumento das doenças é motivo pela marca da Nesa. para se ter uma ideia taxativo quanto à proposta da Nesa: “É nas aumentam o consumo de álcool. com que a permanência na Casai seja nacional e multinacional construtor da gem. na prática vivenciamos uma De acordo com o indígena. digno. afirma Joaquim Lopes diarreias.seria dormir no chão. ou seja. “Total abandono da nossa saúde. da pesca. com mais dinheiro. emergencial para a saúde e a Nesa o betes. Desde o início. redes. São a crescente tais condicionantes que resolveriam os anos e nunca foi assim. assim. O discurso deles (governo Kuruaia. infecções respiratórias.  na está péssima. É um projeto antigo o da sede mais demorada.. que fica na aldeia. Isso aqui virou melhorar a saúde”. mas demanda de problemas dos insistentes opositores à um inferno. nos projetos desenvolvidos pelo Conse.  lho Distrital e não cumprir as condicio. não focou apenas os povos indígenas. leitos de internação. cujas águas correm para o da usina ter sido absoluto. mas que infelizmente o desen.   n 5 Agosto – 2012 . ansiosa uma estrutura que chegará es. A estada na Casai. e que por isso não é mais usam o espaço para recuperação antes Saúde. foco com a atual ocupação da ensecadeira indígenas mudou de endereço. Condicionantes: letra morta equipamentos”. da aldeia Cujubim. imposta à Conforme é possível constatar nas campanha contra a malária. ocorreriam se os parentes pudessem Em meio a mais um episódio de resis. Algumas volvimento dessa usina está matando. Entrar na Casa do Índio (Casai) de Altamira. Saúde. não dade. limitou-se a fornecer materiais para indígenas para dissuadi-los de contra. “Muito alimento industrializado. e banheiros cumprida pela Nesa. mas que não doenças médico em funcionamento. Nem isso eles cumpriram. isso parte da reestruturação do DSEI de do rio Iriri.foco de desafogar as estruturas de atendimento Para acentuar ainda mais o problema. Até o momento da publicação desta na prática. tempo a estrutura de atendimento aos nos primeiros 18 meses o projeto abar. os fatos melhorou muito. matéria. fechando o ciclo. alavancado por uma maior presença na aparece nos televisores que as usinas hi. Posso dizer nas comunidades indígenas e cumprir terras indígenas ficam a 10. 200 homens. contratação de profissionais. não para uma ou duas comunidades”. os resultados dos Para indigenistas e lideranças con- Ca(o)sai “Estamos aguardando de forma exames demoram a sair. com recursos do Ministério da “Tivemos um óbito esse ano por falta consumado. analisa Wiliam Xakriabá. 160 necessários para desafogar ao menos locomoção de pacientes. em construção.

trata de mera coincidência. faz parte de um complexo só foi notificado da decisão da Justiça recorreu à Justiça. Em outubro dessa vez permanecem por 25 dias im.ocuparam o sórcio construtor . meio ambiente e aos direitos indígenas como o rio ficaria com a construção da outros rios brasileiros. atendendo solicitação da Advoca- Hidrelétrica de Belo Monte. Souza Xingu. Exigiam julho a Portaria 303. tivessem sido consultados. brar que a luta que se trava no Xingu é os iluminados deputados decidiram em pescadores. dois funcionários fi. Naquela ocasião obras do empreendimento.é maior do que os O TRF-1 acolheu um recurso. dicionantes tivessem sido cumpridas) têm direito de dizer se querem ou não mente a paralisação das obras da Hidre. quatro dias que Belo Monte poderia ser causa denunciavam o desrespeito ao em uma aldeia. Prudente e João Batista Moreira. como leis internacionais. O dinheiro cultura e vida.  n Foto: Anderson Barbosa Foto: Ruy Sposati/Cimi Agosto – 2012 6 . decisão do presidente do TRF-1. mas de somente ouvir os povos indígenas afetados de cinco dias efetivos de paralisação. @PareBeloMonte Resistência à construção da usina prossegue Luiz Cláudio Teixeira jamais constrangeu seus diretores que Foto: Ruy Sposati/Cimi Cimi Regional Norte II – Equipe Belém do Pará periodicamente vem a público afirmar que está tudo muito bonito na maquete A 5ª turma do Tribunal Regional de Belo Monte. – em terras indígenas sem consulta usina do Teles Pires continuaram por denúncias de ilegalidades de indígenas Sete dias depois. No dia 23 de abril. o Consórcio Norte Energia nunca foi pago. Embargo de Declaração. serão afetados. pelo empreendimento. esta. 14 dias depois da decisão do TRF-1 por terem sido iniciadas sem antes de paralisar a obra. que vivem na região do rio obra parou? indígenas ocupam outra vez o canteiro hídricos – leia-se usinas hidrelétricas Tapajós.argumento muito utilizado pelo con- da construção da usina. mais de 500 pessoas denúncias e multas de descumprimen. multou o consórcio em R$ 7 milhões grandes empreendimentos quando létrica do rio Teles Pires (afluente do rio meio ambiente e espaço físico e cultural. por No último dia 27 de agosto o pre- unanimidade reconheceu no último sidente do STF. que juraram outubro de 2011. Ainda em dos movimentos sociais e indígenas e “vitória” e deve já estar preparando um não só a Constituição. que não há força nesse mundo que pare formada pelos desembarga. na fronteira do Mato Grosso Apesar da decisão unânime e inédi. aos conhecido no jargão jurídico como o Brasil é signatário desde 2004. o Ibama Os ministros agora precisam julgar o Público Federal (MPF). E o adversário mesmo sem que os povos indígenas que a obra representava. decisão do TRF-1. índios e a própria Constituição Federal. As obras da Não! Inúmeras manifestações e e paralisam a obra. estatais e governamentais no Xingu. 5ª Turma do TRF1 suspendeu os efeitos do ano passado o país testemunhou pedindo os trabalhos da empresa. povos indígenas sobre os empreendi. ocupações presidentas). da qual canteiro de Belo Monte. demonstrado ser mentira depois da empresas que destroem o Xingu. Dentre outras ne- indígenas e unidades de conservação. isso da Amazônia. cia Geral da União (AGU). não é hora de esmore- do decreto legislativo 788/2005 do a primeira ocupação dos canteiros de o fim da segunda ocupação indígena. o que evidentemente ficou tenha iniciado muito mal para as investem milhões em campanhas para país que tenha sido aprovado tão rápido. liberou a obra desrespeitam a Constituição Federal. agricultores e aliados da caram retidos por mais de uma semana contra os mesmos inimigos do Pantanal. Não se tem A Norte Energia jura respeitar to. mentos que venham a afetar suas vidas. Foi a primeira vez que a junho. É preciso lem- Congresso Nacional. com o Pará. mais uma demonstração de desconten. mesma AGU que articulou a liberação Tapajós que se construídas inundarão respeitasse a decisão a multa seria de tamento: os trabalhadores se mantive. Indígenas. Caso o Consórcio des. a medida libera a cons- Até mesmo povos indígenas não con. previamente as comunidades afetadas. Apesar de que o ano de 2012 que sempre aliado às empreiteiras que conhecimento de lei ou decreto neste das as leis. no Pará. É possível que estejam certos. tal qual Belo Monte ta no país. para explicar aos índios do Araguaia. do Plano Básico Ambiental. pescadores. tos de inúmeras condicionantes. além das inúmeras greves de trabalhadores. A mesma turma 169 garantem o direito de consulta aos (que liberou licença sem que as con. de reais por atrasos na implantação houver risco às suas terras sagradas. ministro Carlos Ayres dia 13 de agosto que as obras da Usina Brito. A certeza da empresa é Federal da 1ª Região (TRF-1). cer ou baixar a guarda. em 20 de junho. Após No entanto. hidrelétrica. Mais 11 ações Os danos a política energética do país correm na Justiça pedindo a paralisação . Tapajós). e trabalhadores rurais já foram feitas os indígenas retornaram ao canteiro e A história não permite achar que se Quanto a Belo Monte. demonstrando danos causados ao meio ambiente. caso da Convenção 169 da Organização tores e ambientalistas . . agricul. do Tapajós e de tantos construída tal como queria o Executivo. melhores salários e benefícios. é terrível. uma semana antes da Rio+20. com eleger governadores e presidentes (ou Dessa forma os deputados con. novo ataque aos direitos das populações proteger. de Belo Monte publicou no dia 16 de ou afetarão de um a outra forma terras 500 mil reais por dia. Já em fastas medidas. a de grandes usinas hidrelétricas no rio 10 dias depois. Tanto claramente seu desacordo com a obra. a decisão da contra a UHE Belo Monte. trução de grandes empreendimentos tatados. o crime que está sendo cometido no rio dores Selene Almeida. não se contentará com está seguiram a façanha de desrespeitar greves de trabalhadores. o setor elétrico brasileiro. no dia 24 de junho. Internacional do Trabalho (OIT). mérito da questão e decidir se os índios havia também determinado anterior. ram em greve durante 12 dias.entre indígenas. do Ministério a Constituição Federal e a Convenção Em fevereiro deste ano. pois a Norte Energia Concomitante a estes desmandos no rio Xingu.

grupos de fiscalização do A Casa de Saúde Indígena serve aos povos forma sistemática. em Brasília. ribeirinhos possíveis impactos sócio-ambientais que te contrárias à construção das barragens. Pimental é plo do que ocorreu com Belo Monte. (Aprub). que serão e ribeirinhas de serem consultadas de contra todas as ameaças e morte e o Para uma melhor compreensão dos afetadas. o rio Tapajós é composto pelas hidrelétri. entre indígenas. Jamanxim e Cachoeira dos Patos. de caça. O Estudo de Impacto instalação invalidada pelo TRF da 1ª Re. uma nova ameaça à sobrevivência física e A Coordenação das Organizações genas “foram vítimas de violência física. até utilizado armas de fogo e explosivos apenas a vida. com a presença de 60 lideranças presas a serviço do projeto de construção filhos dói no meu coração”. mês de agosto um novo genocídio contra tes expõe que garimpeiros brasileiros com presença entre os Yanomami. os latifundiários realizaram ma. Os episódios lho. do povo Mỹky. antes da Constituição de 1988. Etnia comunitárias. lideranças indígenas e apoiadores. bem como para registrar a e até mesmo atentados. cultural dos Yanomami. Madeira. denunciou durante o último O testemunho dos três sobreviven. “constitui um novo genocídio e Conforme nota da entidade os indí. agora não tem validade. o deiros invasores que compunham a frente Grosso. pelo Congresso Nacional. além das estratégias go. Conforme relatos de demarcada atuam fazendeiros e madei. se construídas.  n Indígenas vivem clima de tensão e ameaça no noroeste de Mato Grosso Por Luana Luizy. Pimental. a situação não afeta e destruindo o território indígena. Foram inúmeras centro pedem mais segurança. ação ilegal de madeireiras. A organização Survival International. Um indígena Enawenê-Nawê foi procedimento demarcatório concluído território de 186 mil hectares reivindica. para dar continuida. uma das comunidades a ser alagada pelo rio Xingu. do passou a ser estudado por um Grupo Segundo reportagem publicada na raram pelo braço pedindo informações Ruralistas e madeireiros interessa.Movimento Tapajós Foto: Arquivo Cimi País Afora Vivo realiza encontro Guenter Francisco Loebens. de Alto Orinoco. onde 16 Yano- nizações indígenas da Amazônia saldo de vários Yanomami mortos”. no que de acordo com a lei existe um vício empreendimento e mandou o marcou presença.   n Coiam denuncia massacre contra Yanomami da Venezuela Ameríndia Ruy Sposati. indígenas do médio rio Tapajós. O ataque à Casa de Saúde ocorreu Thomaz de Aquino Lisboa. manifestação rinha de Pimental.   n 7 Agosto – 2012 . na Venezuela. das ações de garimpeiros – seja invadindo viveram para narrar o massacre cometido teria sido queimado e os garimpeiros Para a Coiam. livre e informada. afirmou o povo indígena Yanomami. na comunidade Irotatheri. constitucional e a oitiva deve ser realizada será afetada e de organizações da sociedade civil. no município para atacar a aldeia. determina a Convenção 169 da Organi. Três indígenas povo é há décadas e segue sendo vítima indígenas morreram e apenas três sobre. mas Foto: Padre Conrado/Cimi Norte I de Brasília mortos e feridos. de carga e 200 mil metros cúbicos de ma- ninguém. venezuelana. a exem. cravada nas ter sido comprovado pelas autoridades o Na denúncia da Coiam. reiros. áreas de reza e ritual. “Quando eu penso nos meus No caso dos povos indígenas o direito culação. território percorrem semanalmente as Mỹky. que teve sua licença prévia de de origem e que tudo o que foi feito até recado: vão O complexo hidrelétrico previsto para empreendimento. denúncias. construção da usina de Teles Vivo. ame. em um momento Indígenas da Amazônia (Coiam). ameaças. dades policiais em Boletim de Ocorrência. vinte anos entidade que congrega 13 orga. em 2013. dois homens encapuzados (TRF-1). aças também começaram a ocorrer de indígena com processo administrativo Entre os Mỹky. que chegam à líder Munduruku. Produtores Rurais Unidos de Brasnorte locais em que se encontram cemitérios. com do Massacre de Haximu. religiosas da hidrelétrica São Luís. foi ameaçado pelos capangas dos fazen- Brasnorte. O líder de Pimental Odair Pereira contra a Pará. O local sobreviveram. quanto por garimpeiros brasileiros. sem pedir licença. os funcionários do Organizados na Associação dos genas como de importância tradicional. retirada de Brasília dação Nacional do Índio (Funai) obteve nifestação no dia 14 de julho. com Localizado a 600 km de Cuiabá. que o segu. Porém. mil hectares são apontados pelos indí. de Trabalho (GT) da Funai. objetivo formulou suas estratégias de arti- no rio Tapajós. manifestaram-se veementemen. promovido pelo Movimento Tapajós Matos denunciou o desrespeito das em. mami foram assassinados”. A Fun. Ambiental (EIA-Rima) da hidrelétrica está gião. de expansão agropecuária. das hidrelétricas do rio Tapajós sobre as experiências de enfrentamento indígena Munduruku foi realizado entre os dias 21 e 22 às hidrelétricas no rio Xingu e no rio durante de agosto encontro na comunidade ribei. O comunidade com o objetivo de realizar De acordo com o procurador. na fronteira teriam realizado um ataque violento também em nota que apesar do ataque não do Brasil com a Venezuela. como direito dos povos indígenas. estradas são constan- Os indivíduos só foram embora depois passaram a se manifestar publicamente ainda não foi finalizado. abordado pelos invasores. durante os anos de 1970. O episódio foi relatado às autori. mobilização e enfrentamento. vez que intimidações são feitas dentro da Mais de 100 locais dentro dos 186 terras de ocupação tradicional para coibir vos com a possibilidade de novas ameaças Casa de Saúde. cerca de 80 cabeceiras do rio Ocamo. Jatobá. afirmou um de consulta também é uma disposição Pires. O clima na região é de tensão. provocarão assim como as lideranças comunitárias de zação Internacional do Trabalho (OIT). As lideranças Munduruku das terras o direito das comunidades indígenas maior “defender a vida do rio Tapajós nos rios Tapajós e Jamanxim. Com base nesse as barragens. Apreensi. mento de que a região perderá emprego e foram relatados à época pelo missionário e armados invadiram a Casa de de aos estudos de demarcação de área de renda. forma prévia. Enawenê-Nawê e Irantxe. que inclusive Saúde Indígena do município de ocupação tradicional não incluída à Terra nove dias depois do ato público. e das populações locais”. noroeste do estado de Mato Indígena Menkü. abuso contra as mulheres e em que se completa. do rio Tapajós está sendo desrespeitado encontro estabeleceu como seu objetivo custar do Caí. Tribunal Regional Federal da 1º Região ampliação da terra indígena sob o argu. agora não se sabe o número exato de saúde do povo Yanomami. de onde autorização dos desembargadores do de Brasnorte. resistir à obra. contra o que chamam de foram expulsos por fazendeiros invasores N a metade do último mês de ju. vernamentais que serão usadas para sua Cimi Regional Norte I instalação e quais as formas possíveis de resistência popular Antonia Melo (Movi- C om o objetivo de organizar a mento Xingu Vivo) e Márcia Nunes Maciel resistência contra a imposição (Instituto Madeira Vivo) fizeram um relato Na foto. contaminação da água por mercúrio. pois não é a primeira concluído antes de 1988. dos na ocupação do território indígena em 2007 – o processo de demarcação digenista Porantim. Nessa área não temente abertas na região para a passagem que constataram que no local não havia contra a decisão. município de Itaituba. além da aldeia antiga. constituído edição de setembro de 2011 do jornal in- referentes aos chefes do polo. pelas ruas de mel. Isso quer dizer diretamente por procurador da República Felício Pontes pesquisas. a depredação. também em relação às hidrelétricas O Movimento Tapajós Vivo ao final do custe o que cas São Luís do Tapajós. Cachoeira em pleno andamento. que também agem dentro da terra deira são retirados por mês do território. a integridade física e a assassinando seus moradores.

achamos por bem confiá-lo a ele fala sem parar. diz. “reeducação de índios aculturados que disso.. mais de 40 anos depois. porque O reformatório Krenak começou a etnia – andarilhos contumazes –. do Senado. roubos e o consumo de -Paraguaçu. plantar poucos minutos – segundo a própria maté. Pessoas crimes cometidos pelo Estado à época. con- lhando numa fazenda próxima. os principais motivos alegados para o envio reclamava ser o dono daquele local. meu irmão. descreve ter vivido uma rotina de destinamente no reformatório. porque na No Krenak. uso de logo depois. leite fervendo Sérgio Pinheiro. “Eu não gosto nem de falar. “Íamos até loco sobre o tema. então senador preso em Krenak por conta da luta pela terra de forme revelam os próprios ofícios internos Agosto – 2012 8 novamente expulsos. E que. não demorou nem 15 Krenak “retornam às suas comunidades da Verdade – sancionada pela dias para novamente apareceram policiais. levou ao cárcere. de forma alternada. também transparecem na burocracia cravejaram de balas uma árvore próxima. encravada em meio às fazendas Num boletim informativo da Funai álcool nas aldeias – na época reprimido de cacau da região sul da Bahia. reparação oficial ou política indenizatória. Para qualificando-o como uma experiência de de índios a temporadas corretivas. com melhor saúde e em investigar violações de direitos Diógenes e seu pai até a cidade. pertencentes a 25 etnias dos desaparecimentos e detenções por motiva. durante seis dias presos na delegacia de Pau Brasil seu cacique”. naquela queimado por dentro ao ser obrigado a afirmou. que menções oficiais a respeito do local. e seus pais viveram por cinco anos traba. no Krenak. Vieram. Depois disso. por ordem Tais violações de direitos humanos tando. problemas de saúde – que. conta ela. dação Nacional do Índio (Funai). revela. ele foi expulso sob ameaças da polícia. do Departamento de Assistência da Funai. Além não deixarem dúvidas sobre suas intenções. nos dias trás de tanto sigilo. comunidade. Em 1972. conta. anos depois. todos os direitos de por cavalos – sugerem o real motivo por ram pela instituição correcional. fes. um brejo. se pronunciou sobre o tema na tribuna E muru”. no final da década pela Aliança Renovadora Nacional (Arena) ocupação tradicional no sul da Bahia da Funai. remetem a atos de periculosidade . passou a ter sérios Mas o massacre de etnias que se arroz”. Até serem munidades”. Diógenes era ainda uma à época. conflitos com servido- o Pataxó Hã-Hã-Hãe vivia com sua família. Aquilo aspectos sobre o cotidiano do presídio afora também foram alvo de prisões clan. com uma nova profissão. des para se alimentar. por exemplo. dos capítulos dessa história. Mas sua presença durou e água gelada. “O problema é que eles nem É o caso. realizados sob o olhar que provavelmente é a única reportagem in beber. um velho conhecido instituição em julho de 1969. passa- ção política. apanharam muito para Mas também. que. vida. fora do governo – eram os Um dos mais graves exemplos de tor- do Estado – anunciou que tam. nunca tinha jogado bola na diversos ex-internos do Krenak. Como lembranças difíceis. de um índio (MG). Ironicamente. um enviado especial Helena de Minas (MG). sim. “Mas quando puxa o Marlière. “Além do Pedagogia da tortura Foto: André Campos do Pataxó Hã-Hã-Hãe Diógenes Ferreira dos tradicional comportamento inquieto da Santos. em uma área localizada é dado ao vício da embriaguez. a ditadura militar. o opuseram a grandes obras é apenas um apenas para esporádicos jogos de futebol. a legitimidade do pleito que confessassem o crime que os levou até direta de altos escalões em Brasília. encaminhado à cola Indígena Krenak. Diógenes. o referido ainda me dá ódio”. Caramuru Catarina-Paraguaçu. em Santa “Vamos investigar isso. ainda ocupavam a Terra Indígena contadas é a de dois índios Urubu-Kaápor pedido dos chefes de posto local da Funai. Homicídios. a cerca de 700 km de sua instituição. visando restaurar a hierarquia nas suas co. Eles revelam que ao menos 120 destinas. Diógenes a ordem na tribo. E. de 1972. Kanela. que. o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou. “anos de chumbo” da ditadura –. Suas atividades eram comandadas representa um péssimo exemplo para a sua assunto. um dos sete integrantes vigilante de policiais militares. se contam nos dedos as referências à ex-morador da Aldeia Água Boa. Osires Teixeira. Ex-integrante do Conselho Indigenista levariam à morte. por agentes (BA)”. “Já que não tínhamos apoio de – o partido de sustentação da ditadura –. na Terra Indígena Caramuru Catarina. dos reeducacionais” da instituição – que indivíduos. Agência Brasil de Fato ninguém. onde funcionou o Reformatório Agrí. quando não conseguem resguardar res públicos e indivíduos penalizados por Exilados de seu território. “Ficamos melhores condições de contribuir com o humanos cometidas. prostituição. construção de rodovias há histórias terrí. Diógenes Pataxó Hã-Hã-Hãe: indígena esteve Boa parte desses supostos roubos. conforme conta. do Maranhão. afirmando que os índios do m julho. Aquilo era uma humilhação para ele. que eu nem sabia o que era”. quando se fechado de quem está prestes a tocar em dentro do extinto Posto Indígena Guido torna agressivo e por vezes perigoso. sequer falavam português”. ao contrário de outros em maio de 2012. transgridem os princípios norteadores oficial situações de brigas internas. “Até que veio a ordem de À época. o diplomata Paulo trabalhos forçados. indígena. incluíam indígenas açoitados e arrastados mais diferentes rincões brasileiros. colocaram fogo na casa onde da conduta tribal. com dificulda- da Comissão. drogas. também tura remete ao indígena Gero Maxacali. Comissão da Verdade Foto: André Campos Kr en a k O presídio indígena da ditadura André Campos de 1960. chegavam a Resplendor a ainda não foram objeto de nenhum tipo de atuais. do Jornal do Brasil chegou a entrar clan. Quando começa. decidimos voltar para o Cara. Cotidiano interrompido ria. bém irá apurar os crimes contra os índios. apontam para o município de Resplendor de Diógenes na querela fundiária que o lá”. terra natal. viu terras indígenas daquele estado por meio Krenak”. Levado ao Krenak. atesta ofício emitido pelo diretor dois policiais se aproximarem da casa onde de um convênio com a recém-criada Fun. vivia. a Comissão Nacional Lá chegando. com melhores presidenta Dilma Rousseff para Dessa vez estavam incumbidos de escoltar conhecimentos.. Missionário em Minas Gerais (Cimi/Leste). na ocasião. e cujos próprios che. segundo o pataxó. propriedade dos fazendeiros que. com água até o joelho. lá ele teria sido literalmente veis de violações de direitos indígenas”. portanto. com o semblante funcionar em 1969. Tal como organizados pelos guardas e de participa. relembra. recebeu a incumbência de gerir as um período de recuperação na Colônia de criança no dia em que. conta Geralda. acionados por um fazendeiro. associadas a denúncias de tortura. por agentes da Polícia Militar mineira. via de regra. em alguns casos.” que ela relata ter ouvido sobre os “méto. encontramos uma das poucas com mão de ferro pela Funai – estão entre diz ele. “Meu pedagoga Geralda Chaves Soares conheceu mentos da Funai que desnudam diversos ditadura”.”. os habitantes de aldeias Brasil pai não gostava. a O Brasil de Fato teve acesso a docu- outros grupos subjugados nos “porões da ção obrigatória. nos levarem para o reformatório Krenak. Sacramen. socorrem-se da Funai atos descritos como vadiagem. então ainda um ado. lescente. “Uma das histórias que.

com ordens de reformatório ele pula e grita. em cos na sede do seu posto indígena. de cárcere – havia também mulheres entre contar sobre esse período. litigâncias fundiárias no Brasil. nas. confinamento ou despejo de índios “sem Entre os internos. correcional. e dão testemunho sobre as interesses levou os indígenas. segundo da Funai. Recebeu índios que. rememora José Alfredo de Oliveira. sem ordem. Em 1972. a ida ao são indígena. Para alguns dos indígenas. tendo esquecido embriagado e dono de vasto histórico de de 1970. instalado em Resplendor. conseguiram a homologação da área apoderou de uma gilette para tentar sui. o casarão A exemplo de um índio da etnia Kampa. algo como soam quase surrealistas. um Maxacali flagrado afanan. também recrutados para trabalhar na pri. A Fazenda Guarani dentro do de civilizados”. outro município. xamã. Se Depois de alguns anos em Carmésia. muitos ainda tem histórias para da Fazenda Guarani como local de prisão. “E nossos líderes religiosos”. outras levas indígenas fruto de Indígena a sua própria para trás – engano provocado agressões a “civilizados”. Porto Seguro (BA). levado ao presídio Sônia Krenak. dezenas de índios krenaks ainda sul do país. Lá chegou inclusi. Com fugissem da escola. até mes. talou definitivamente após sair de áreas em sem qualquer tipo de amparo psiquiátrico. Para serem libertados. afirma Maria “Foi uma violação dos direitos sagrados dos reformatório – por ele ter praticado “atos o Manelão Pankararu. para dizer o mínimo. desativado o reformatório. fiquei 17 dias preso porque atravessei o rio terra”. o governo de Minas Gerais e a colhidos nas redondezas. dizia possuir vários au. vivendo no Krenak bém aqueles cujo destino. e fui jogar uma sinuquinha na exceção de um grupo pataxó que lá se ins- transtornos mentais. plantações de eucalipto. conforme está em Carmésia (MG) e que pertencia à Polícia funcionar uma caixa de botões e alguns outros cacare. indígena em 1969 após uma briga violen. registrado em um ofício da Funai. Atualmente. Em agosto de 1969. uma agulha de costura fincada na perna – Porã. além de ser amigo cido na área do referido Posto Indígena. com ocorreu com os guaranis da Aldeia Tekoá atividades local que solicitou a sua remoção. Foto: Arquivo Cimi risível. alguns desses indígenas. em busca “índios extraviados” na confusa burocracia habitavam áreas vizinhas ao reformatório. E foi uma dos policiais custodiantes. de pederastia” em sua aldeia. da Funai ao qual estava subordinado o no. relata um Homens e mulheres krenaks foram repousavam planos para viabilizar enormes alojamento isolado. os Dois meses depois. passava pelo crivo da polícia. Polícia Militar anos. Mas sobre aquele lugar também permanecer sob severa vigilância e em é o presidente vindo buscá-lo”. Tal como outros mesmo a vida amorosa dos índios locais indígena que habitam até hoje. No início dos anos de 1970. ain. por exemplo. explica o cacique Werá comandadas por agentes da durar de poucos dias a até mais de três explicadas. Seu encaminhamento a ofício a seu respeito. imbróglio. violências desse período. lotes nos arredores. em mentos do órgão indigenista que ele se mulher e filhos. E que.  eram As estadias no reformatório podiam ferimento ocorrido em circunstâncias não Os Guarani. E a antiga solitária órgão indigenista. cadeia sofria na mão deles”. dizendo que Diversos deles acabaram confinados. Todos foram embora do local. terras e a Fazenda Guarani. permaneceram na região por conta de dígena Krenak. área localizada começou a do uma cigarreira. depois. ex. na mo a área ocupada pelos krenaks e pelo policiais foi convertido em moradia para zofrênico segundo relatório do próprio Bahia. Ou. em Aracruz (ES). Situação que patriarca de uma das famílias locais. Kwaray – que passou parte da sua ado. e desapareceu”. foram todos – os em 1969.  n 9 Agosto – 2012 . que servia como sede aos destacamentos clinicamente diagnosticado como esqui. o reformatório e os confinados uma área localizada da. permanece uma incógnita. Suas pela embriaguez segundo o próprio servidor ve necessitando de cuidados médicos. três camisas de tergal. onde. a mesma coisa as crianças da aldeia. caminham pelo mineira dependiam da avaliação comportamental “Índios vadios” mundo seguindo revelações. “Ninguém sabe se é vivo ou morto reformatório vivia dias de intensa disputa. revelação que levou o seu grupo a sair do certa dose de sorte para não se tornarem quentes”. em meados da década extinto Posto bicicleta de outra pessoa. Estavam submetidos à tutela dos mesmos as crenças da etnia. cidade”. um choque de um “período de recuperação” justificava-se. a Dedé Baena. voltou à aldeia pedalando a um “índio problema”. entre outras porque foi mudado para o presídio Krenak reivindicada por posseiros que arrendaram local virou um depósito onde se empilham excentricidades. após beber em uma “festa Posto em questão. ex-cozinheira no local. homologada em 2001 em marca as últimas denúncias sobre o uso tentou uma fuga. levado a Resplendor a pedido do chefe do krenaks. revela um não-índio. É o caso de Manoel Vieira das Graças. dos anos de 1970 para os anos de 1980 atendimento médico e. até 1983. Gente como. expõe o cacique. após alguns meses. alguns casos policiais responsáveis pela instituição espécie de perfeição mística. Liderados por uma em 1971. Um deles ocorreu íntimo do mandatário supremo da nação. também apanhavam”. em depoimento de 2004 à pesquisadora Funai negociaram uma permuta entre tais O reformatório Foto: André Campos Krenak por exemplo. “Quem fugia da e a contragosto. -morador do Posto Indígena Caramuru. o que os tornava um alvo um paraíso na terra. sob pressão segundo a Ajudância Minas-Bahia – órgão Krenak provou-se um caminho sem retor. Foi o que Guido Marlière. que o qualificou como – deslocados para lá. sendo recapturado já em amizades e casamentos oriundos dos anos Resplendor. ta com outros índios de sua aldeia. Dedé foi Militar mineira. ainda hoje. chegaram a Aracruz duas décadas um índio Urubu-Kaápor. Manelão está até hoje Por mais incrível que pareça. é possível alcançar uma Nesse balaio de gatos. Na Terra In. quando chegou ao reformatório “Sempre que um avião passa sobre esse preferencial para ações de patrulhamento. violento quando ainda recebeu. na década de 1940. uma vez. à pessoas aparentemente acometidas de Entre os que não retornaram há tam. consta nos docu. para a Fazenda Guarani. remete. guaranis retornaram a Aracruz. Jurema Machado de Andrade Souza. os internos lescência em Carmésia –. mas também de Paralelamente à chegada dos “delin. “Eu. Como saída para o os cachos de banana abundantemente tomóveis e aviões. o Xerente que. da “terra sem males” – local onde. havia também os prisioneiros. A virada cídio com um corte no abdômen.

nós nos Bananeira. época do ano. começou da Prefeitura Municipal de Atalaia do se encontram indígenas sem contato -. Eles ficam na praia comunidade. e Ituí. vivem em várias comunidades entre os Volta do meados do ano passado. localizada a cerca de 400 quilômetros de Atalaia do Norte. macaxeira. pouco esclarece daquela região desde a reestruturação nem têm material escolar. O apelo de mento da “guerra do peixe boi”. Os indígenas chegaram trazendo tudo isso. em barracos de lona ou meio dia. os grupos Em tempos de eleições. os Kanamari do Encontro avistar os Korubo. Na aldeia Bananeira. é quase Por outro lado. aldeia Massapê. mostrando o escolar. município do oeste do estado do Amazonas. Tem propaganda na aldeia área ou fornecimento de medicamentos. da base da Frente de Proteção é possível dade. sabão e outras coisas que Flecheiros. renças entre o vale do Juruá e o Vale do na roça para garantir o alimento para os os enfermos. mas deixou um dos rastros do Vale do Juruá . a cerca 60 quilômetros da sede do nas foi atendida. Na manhã do dia 30. e chamam quem passa pelo local para o tempo inteiro. Nunca estiveram na Sem material e sem merenda escolar. mesmo debaixo do sol intenso do -base. conhecidos pela história de violência que até a altura indicado para assumir a direção do Dsei. convidados eram chamados para o hai. da localidade com apoio dos indígenas. dizem todos os participantes e convidados eram vente. critica Kurá Kanamari. participantes acontece na estrutura da Fundação Na. Brasília fizeram a divisão baseada só pelo alunos do ensino fundamental e médio. órgãos governamentais deixou os parti- Os Kanamari mostram A “guerra” dos isolados é sem dúvida Após apresentação dela e de sua comi- cipantes contrariados. como as escolas para mandaram representantes. carne. que depois tem também sua de Proteção vos isolados – especialmente dos Korubo. rios Itacoaí. Os povos do Vale do Javari estavam Municipal de Educação buscar material e perto das dez horas. mingau de banana. no centro da aldeia. a propaganda eleitoral que. além da Sesai. coisa que nenhum outro prefeito fez.Rosha/Cimi Regional Norte I de Manaus (AM) E ntre os dias 27 e 31 de julho mais de 300 indígenas de oito aldeias localizadas nos rios Itacoaí e Ja- vari participaram do IV Encontro do Povo Kanamari e V Festival da Cultura do Povo Kanamari. em substituição Nos primeiros dias havia fartura. Em seguida. ele curandeiro da aldeia que prepara e usa a Atalaia do Norte. No campo.motivo de críticas por dores. escolas nas oito aldeias localizadas ao a festa. vidada pelos indígenas a se apresentar. conta que já teve de pescar e trabalhar bebida para identificar as doenças e curar gou em meio ao foguetório programado. O IV Encontro do Povo Kanamari foi realizado em meio a dois aconteci- mentos que repercutem sobre todos os povos do Vale do Javari. Outra mudança Nada mais do que três horas além aparelho de som e animavam a comuni. já são bastante permanente os indígenas. tado da Educação e Qualidade do Ensino palavras o cacique Tomita Kanamari. com a criação da documento Coordenação Regional do Vale do Javari. ele atende 58 beber o rami – bebida de ayahuasca e sonora e ambiental. anos. borrachas e uns maços de papel”. estruturação dos pólos. “Os técnicos de disse o professor. eles sofreram em épocas recentes. tiva. vem sendo pleiteada pelos indígenas as crianças sentam no chão e muitas vezes busca dos peixes que são fartos nessa na maioria dos casos. encaminhados nas horas das refeições. Após ingestão do rami. não seja tão intensa. munidade ou de diferentes comunidades contro. ou para os lagos e igarapés. postos de saúde. do Encontro encaminharam documento Tomita era para que os indígenas. locais se reuniam na casa especialmente vez de bater. Para a Frente de Proteção Etnoam. pela qual o evento vem sendo realizado eles esperam chegar por esse momento. outras ervas. permanência de profissionais em dos professores. órgão do Vale do da Secretaria Especial de Saúde Indígena conhecidos na região como “caceteiros”. No período de Os participantes do Encontro fize. No que se refere à saúde. De acordo com os Kanamari. seus alunos. Os Korubo. Alguns indivíduos Passarinho ram à Secretaria de Estado da Educação dos eram servidos sob o canto alegre das já mantêm presença na base da Frente de aproximadamente um ano em que ele esteve à frente do órgão. -hai – um ritual onde todos poderiam da sujeira da política eleitoral: poluição parte das lideranças. tomou a palavra para assegurar que as su- Passarinho. merenda e material esperavam dirigentes da Secretaria de Es. em outras construções improvisadas. Não biental do Vale do Javari os participantes V Encontro do Povo Kanamari. feita pelo marinawa . as ações nas comunidades e nenhuma professor junto aos Kanamari. a movimentação era grande fizeram uma referência a dois povos encaminharam cional do Índio (Funai). em nas aldeias. caldo de cana e outros produtos dos roça. vários caciques pediram a palavra e de Proteção Etnoambiental – órgão “Antes. um dos assessores altura da localidade denominada Volta do não abandonassem sua tradição – razão têm rixa ou precisam “acertar contas”. che- região para verificar a distância e as dife. couro de anta e desfere várias pancadas para a cidade de Atalaia do Norte. a criação da Coorde. Ituí e Coari. A encenação é feita o com Etnoambiental Sanitário Especial Indígena (Dsei). sal. aldeia Bananeira.o Candidata à reeleição. indígenas e a propaganda em quase nada ajudou os sob jurisdição da Coordenação Regional eles só me deram seis lápis. um por volta das 3 horas. porém. construída para o evento. No malocão localizado ao fundo da No festival deste ano. durante alguns membros da mesma família e co. Perto das 11 horas. Pei. Heródoto Jean Sales. do Vale do Javari. Com estas dos guerreiros e guerreiras. Anete Peres (PSD). disse a prefeita aos participantes do En- solicitando a vigilância permanente até a o Festival que se realizaria naqueles dias. atrás inevitável que o pior da política entre nação Regional da Funai do Vale do Javari casa do professor Atchou Kanamari.  n . seguia localizada na confluência dos rios Itacoaí das principais reivindicações dos indíge. as lideranças na manhã do primeiro dia do resolver seus problemas internos no mo. “Eu não aceito esse tipo de cobrança! (Seduc). Ao todo. na aldeia Bananeira. como a construção de longo do rio Itaquaí e nas que ficam no rio partidas de futebol aconteciam a qualquer município de Atalaia do Norte. as aulas acontecem na de trabalho partiam para a mata. e educa e interfere no comportamento do órgão indigenista há cerca de três “No início do ano eu fui à Secretaria À noite. Eles denominada a Evan de Almeida. é o nome alimentos em troca de artesanato. dentro de alguns dias deverá Para a Frente haver mudança na direção do Distrito representam grave ameaça a vida dos po. Javari. os kariuá usam. Quando os brancos uma guerra entre os isolados na aldeia Norte nas aldeias. gestões dos indígenas seriam analisadas pescadores ou caçadores são constante. na fronteira com o Peru. cada um pega um chicote feito com “com carinho” quando a prefeita voltasse Agosto – 2012 10 mente vistos burlando a fiscalização e que todos os Kanamari possam participar. das comunidades. Vale do Javari Povo Kanamari realiza Encontro e Festival J. A Funai e a Frente sua cultura um dos momentos mais esperados do Fes. tornamos dependentes”. Antes das seis horas. em diferentes aldeias a cada ano e para Ali. poucas foram solicitação para a manutenção de um mulheres e a atenção do cacique Arabunã Proteção Etnoambienal do Vale do Javari. atual gestor desde Educação xes. Ali as mulheres prepa. ligavam o talo da folha de bananeira para que a dor Javari os (Sesai). da lado dolorido da brincadeira. Depois. breve silêncio seguido de uma cantoria dia 29. E era para lá que indígenas nem com a sociedade envol- a vigilância do Norte. Rosha Fotos: J. começou a conversa com Os Kanamari têm uma tradição de Eu sou a primeira a vir na aldeia de vocês. que ainda não tem contato. Eles pedem farinha e outros ravam os alimentos. nem com os solicitando O ex-coordenador da Funai de Atalaia fazer troca. As aulas são ministradas nas casas hora. a prefeita de que viram no mapa. sob o clarão da lua crescente. onde de caça. na madrugada do Javari”. indígenas. as lideranças no desafeto. que deixou marcas dos corpos ensino fundamental. seis aponta. Na Entre uma partida e outra. De um lado os Korubo e do outro os questionaram o fato de não haver obras responsável pela vigilância da área onde de roupa. os Kanamari não precisavam tival. Não há e do pajé Raimundo Iwi. Quando vou admitir que me cobrem desse jeito”. ela foi con- A ausência de dirigentes de outros que entrava pela madrugada.

junto à linha férrea. Mi. que declararam Para o cacique Babau Tupinambá. Foi com E a liderança indígena Guarani Kaiowá “Nós lutamos por terra coletiva. vamos à guerra terra. Confederação dos Trabalhadores da Agri. malhas viárias e empre- histórico o I Congresso Nacional de Lavra. Por isso indígenas participou do encontro. Isso nunca poderá ser “guerra contra a morosidade jurídica”. melhoraria muito a nossa situação. o governo luta até judicialmente para não outros acampamentos no estado. cupação com a população indígena do Rio Grande do Sul. nossas crianças não continuem sofrendo e que com a saúde de nossas crianças é pela quantidade verno do Estado tinha reservado para os Guarani. que unitária das organizações em torno da dores rurais. por mos passando aqui no acampamento.Falta de água potável: as nossas crianças tórias pelo Sr. durante o ao lado do agronegócio e não da classe Guarani Kaiowá que estão retomando de Brasília governo de João Goulart. 11 Agosto – 2012 . na condições de vivermos com nossas crianças. da balhadoras e Povos do Campo. todo estado. Vivemos uma vida Frequentemente sofremos ameaças e agressões reconhecer a nossa área. mas a última notícia da RS-135. falta de alimento e atendimento na área Humanos da Câmara Federal. pois não temos as mínimas que ficamos sabendo. pois não temos de nossa terra sem ter a autorização do Sr. E conhece a Constituição Federal”. A que compõem a Via Campesina.enquanto isso. que assassina ranças Guarani Kaiowá. mas tenham futuro. Cadê o nosso direito? S ete mil pessoas estiveram reuni. da comunidade indígena Guarani de Mato Preto. nistro da Justiça não irá assinar a Portaria Declaratória divisa dos 2. 225 hectares o Estado deveria reconhecer como no sentido de amenizar o nosso sofrimento. Erebango. Ir à guerra é uma tréplica à decla. tentam alterar o direito dos de Trabalhadores da Agricultura Familia dirigentes das principais organizações Grosso do Sul. isso ocorre também em outros acampamentos aos senhores a situação precária de vida que esta. em 1961. Um modelo de desenvolvimento ração de guerra do fazendeiro Lenço bem.Às vezes. Governador Tarso Genro não será mais assinada. ataques de latifundiários que seu povo isso. que nenhum ser humano deseja para seus filhos. Por isso. mas não é dele. Foto: Renato Santana/Cimi compõem a Comissão de Cidadania e Direitos crianças doentes. a falta de água potável. a nossa grande preocupação nossa terra. Ministro da Justiça sem ter autorização do Até hoje nós estamos aguardando a decisão do go. Cadê a (Convenção)169? O Brasil conhece das em Brasília. pois é a área que entre 1929 e 1930 o Go. pipan). e pela Povos Indígenas do Pantanal e Região (Ar. Assim acontece em pamento pelos agricultores na época do plantio. da RS-135. terra é protegida por ele. das terras indígenas demarcadas de Getúlio Vargas e dades. das Águas o nosso povo. até hoje o governo não faz a mínima para reconhecer. Tarso Genro.Falta de saneamento básico. terra de com a falta de atendimento e descaso na saúde. onde está? dades militares.Falta de moradia. Bahia. isso mostra dizer que estamos à disposição para dialogar com o 60 indígenas e luta pela 4. e Comunicamos a Comissão de Cidadania e Direitos Comissão Cidadania e Direitos Humanos junto ao tradicional a nossa preocupação é com as nossas crianças. Comunicamos também que em fevereiro deste ano Acampados nicípios de Getúlio Vargas e Erebango. desenvolvimento colocado por esse go. e que vai comprar arma e contratar “Nós não aceitamos o modelo de contra o agronegócio”. e das Florestas. Acampamento Indígena Guarani de Mato Preto Luta pela Terra Encontro Unitário: indígenas defendem guerra contra agronegócio Ruy Sposati em Belo Horizonte. Além disso. com a falta de alimentos e também que o Governador Tarso Genro não tem a mínima preo. o desenvolvimento desse país. junto à linha são de lonas pretas. Entre elas. na divisa dos mu. pela estrada. A Constituição garante de Articulação das Comunidades Negras abertura do encontro. Preto. Preto é muito precária e sofrida. indígena do Brasil”. liderança da Articulação dos construindo progresso de assassinar povo desrespeita. são cultura (Contag). [ex-presidente] Lula disse que os povos tinho defender progresso de agronegócio além de autorizar a implantação de uni- O encontro tem como referencial indígenas são o grande empecilho para . Coordenação Nacional de conjuntura na tarde de segunda. trabalhadora. A situação no acampamento Mato de agrotóxicos espalhada ao redor de nosso acam. Ministro da Justiça para nas margens 1. pela Funai que precisa ser assinadas as portarias declara. e que mento. através da Funai. E também queremos composta por vômito por falta de água boa. E por isso eles tentam mexer na Rurais Quilombolas (Conaq) e Federação Dividindo o painel de debate com vem sofrendo sistematicamente no Mato Constituição. Lindomar foi taxativo: “O meio ambiente. A situação a Funai enviou o relatório de demarcação de nossa terra há nove anos precária que estamos passando é: (Mato Preto) para a mesa do Sr. diz (Fetraf). Guarani e também em acampamentos Kaingang. a situação de Grande do Sul. a nossa terra. e 22 de agosto. “Nós lutamos pelo território e pelo Babau referindo-se à Portaria 303. O documento revela o desgaste das lonas Mato Preto. Através deste documento viemos relatar Preto. A 3. o evento discutirá uma agenda brasileiras de camponeses e trabalha. pois Humanos que dentro da área demarcada aqui no Mato Governo do Estado para que se encontrem soluções elas atingem 40% da nossa população no acampa. ou seja. para o Encontro que ceifa vidas. Leia a carta na íntegra: N ós. lutam por terra na prisão. povos indígenas de ter suas terras”. Governador municípios sequer lugar adequado para fazer nossas necessi. que coloca lideranças que Preto .uma réplica à declaração de lide. mais pistoleiro. Ao contrário. Não adianta vir aqui boni. o nosso sofrimento. estas palavras que o indígena Lindomar Otoniel Ricardo Guarani concorda: “estão queremos território. Por isso estamos pedindo encarecidamente Estamos acampados há nove anos nas margens que o Governo do Estado reconheça os nossos direitos. permite proibir e revisar demarcações. Otoniel denunciou os donos da terra. reportagem especial retratou a vida dos povos que que vive às margens de uma rodovia estadual no Rio vivem na beira das estradas. é que o Sr. férrea. Pra gente Antes de ontem um fazendeiro falou que endimentos hidrelétricos e minerais em dores e Trabalhadores Agrícolas. Estado sobre esta área. informação nos deixou muito preocupados. verbais pelas pessoas que transitam em veículos Se o Estado resolvesse esta área de 225 hectares. cumprimentamos os senhores deputa- dos federais da Comissão de Cidadania e Direitos Sabemos que este tipo de descaso que atinge a nossa dignidade e principalmente a nossa crença a nossa cultura Guarani não está acontecendo apenas em Mato Humanos. Acampamentos indígenas Mato Preto: comunidade Guarani reivindica terra A carta é endereçada aos deputados federais que pretas onde os Guarani moram. Nela. Uma delegação de setenta chamado de desenvolvimento”. o relato da saúde. Tra. comunidade é sofrem quase que frequentemente com diarreia e Sr. entre os dias 20 verno. a Constituição está sob ataque. Essa verno quanto a essa questão. entrou na discussão sobre análise Em coletiva à imprensa brasileira Os povos indígenas vivem na terra. luta pelo direito à terra. Esperamos propostas e cobranças de vocês da ocupação São os problemas que estamos enfrentando. realizado ficou claro que o governo optou por ficar estão se armando contra os indígenas terras indígenas. Hoje o governo Organizado pelos movimentos sociais Terena. Na edição 345 do Porantim (junho-julho deste detalhado da vida de uma comunidade Guarani ano). na e estrangeira. Unitário dos Trabalhadores. pois os nossos barracos ser assinada a Portaria Declaratória. acha que a terra é dele. cobra Otoniel.

então nas mãos de latifundiários criado. gação. essa medida entrar em vigor. Luiz Inácio dos em 21 terras indígenas e 35 áreas. Na correria. Todos foram presos. do ato de homologação. a guarda da corte portuguesa. propuseram um da Força Nacional. que aos poucos passaram a habitar única fazenda. Brasileiros (Apib). Estão dividi. arrancando dades indígenas e fazendeiros invasores governo federal. homologadas para o segundo maior povo e bibliográficas. os índios mil hectares homologados aos Guarani cabeças”. no sul vivem 32 mil indígenas. Tão Pires. a instalação do Forte de Iguatemi. só com arma mesmo”. caso peões em fazendas. As declarações percorreram o país teremos mais nossas terras demarcadas empreendimentos considerados essen- De 1980 até hoje são mais de 100. rezadores e anciãos Guarani e aguentam a pressão e solicitam a reinte. Porque vocacia Geral da União). sobretudo na região Moreira. vistado pela imprensa do Mato Grosso serão atirados aos porcos. do tekoha Guai. Sabemos que se não necessidade de consulta prévia 15 conflitos graves envolvendo indígenas não tem jeito. de seus ancestrais. reitera mas não sai mais”. aos poucos. o agora chamado agronegócio. Contudo. desaparecido. Guarani Kaiowá. ambos dentro dos previsão para a apresentação de relatórios o ministro Gilmar Mendes. o Paraguai está aí do de combater a Portaria 303 da AGU (Ad. Índio (Funai) – localização dos tekoha de vulgo Lenço Preto. permanente conflito. “C ansamos de esperar. pistoleiros e armas. em fontes documentais realizada no último dia 1º de agosto. está na lista dos mortos na região sul. naquela época. con. Lenço Preto afirmou De acordo com o despacho do Arroio Korá e Potrero Guasu. casas e o Korá e Potrero Guasu. Da população Guarani Kaio. perdendo começaram a ter contato com os coloniza. porém o invasor de terras porém. Pelo gena Arroio Korá. a retomada foi “Vieram com tudo depois. Ao passo que entre 1980 Os primeiros proprietários adquiri. da Justiça. então. Tem arma para vender aí. a área nada de ruim aconteceria. Kaiowá. decisão do Aty Guasu. com 46 mil dores. oito dias depois gado está comendo limites do município de Paranhos e até de demarcação e publicações de homolo. en. Em Relatório de Identificação da Terra em devolver nossas terras”. ainda que os indígenas sobreviventes advogado Geral da União. embargou 184 nossa grama. cápsulas deflagradas de e 2012. Outro indígena. incluindo a agropecuária. Guerra é guerra”. Luta pela Terra Fotos: MPF/MS Violência e resistência no sul do Mato Grosso do Sul Renato Santana O corpo da liderança segue desaparecido de Brasília depois de ter sido levado por pistoleiros no dia 18 de novembro do ano passado. apenas na região sul. Guarani Kaiowá é assim. negociar e reunir com a Funai. o foi do Conselho Aty Guasu. foi pego pelos pistoleiros e segue Fernando Collor outras duas áreas – 66 passaram a pressionar os indígenas para logo os atacantes perceberam que esta. A decla. morre pela terra”. “Aguardamos já muito tempo pelo da terra de ocupação dos antepassados. Quebrando o tradicional de nossas madas no sul do estado: os tekoha Arroio visto a espera ainda será maior: não há recesso do Supremo Tribunal Federal (STF). aí e que não às comunidades afetadas por grandes de áreas não demarcadas e fazendeiros. declarou o professor Davi Benites. na morte do cacique Nisio Gomes Guarani Kaiowá. tiver que morrer aqui. também da direção Agosto – 2012 12 vyry. incidente sobre terra indígena. As investi- gações da Polícia Federal chegaram a mais Estado de Mato Grosso e. uma imagem diferente daquela a qual o sendo outra motivação para a decisão forme números da Fundação Nacional do ração é de Luís Carlos da Silva Vieira. uma Guarani Kaiowá de apenas indígenas. lembra Dionísio Gonçalves. os jagunços fugiram governo federal. logou os sete mil hectares da Terra Indí- a construção No último mês. a gente morre tudo. ele afirmou: “Se for o caso nós “Não bastasse tudo isso. realizado pelo antro. Não conseguimos mais No dia 21 de dezembro de 2009. fazendeiro de área sinatos e truculência. nos declaramos é contra essa morosidade. terra que não foi embargada? A guerra que providência”. Publicada no último tradicional. foram muito longe para se manter perto eles estão sul do Mato Grosso do Sul. O sul do Mato Grosso do Sul é a região com a maior concentração dos conflitos Lenço Preto e a Portaria 303 gerados pela morosidade do Estado em “Nós estamos esperando até a mostraram ao país a verdadeira face de da Articulação dos Povos Indígenas demarcar e homologar terras de ocupação semana que vem para ver a posição um setor. E até mais. temos estrutura. Com isso. contra nós durante mais de duas horas. dois dias depois. liderança de Arroio Korá. De do Sul. A decisão pelas retomadas ao povo parte da Justiça: com a indefinição “O que perguntamos é: por que o processo culpa. mas não “A gente já esperou muito. porque aí vamos para o que busca construir junto à população mês de julho. Não temos res de gado. Logo no início os pistoleiros ata. jagunços e o dono de uma empresa de Arroio Korá permaneceram no solo terras: vamos retomar o que é nosso”. além da desde 2000 correm processos referentes a lado. Na verdade se tratava de uma liderança de Arroio Korá. não retirar os invasores de todo o resto da tomar uma Kaiowá. trabalhando como fala é da liderança Guarani Kaiowá Eliseu mas mais da metade já voltou às ruas. presidente Luiz Inácio Lula da Silva homo- que serviria para e Nhandeva. São 14. um dos pontos da Portaria 303 tre aldeias. posto por 43 mil indivíduos. outro movimento nocivo hectares da área a pedido dos fazendeiros. Declaramos guerra contra durante ataque ao acampamento indígena no município de Aral Moreira. disse Eliseu permanecessem eles voltariam com mais Nhandeva Motivos não faltam para justificar a Indígena Arroio Korá. apenas para os Tikuna (AM). os indígenas a demarcação e homologação de nossas gados. entre comuni. Cacique Nísio Gomes. temos ainda prevê que as demarcações e homolo- acordo com o Ministério Público Federal. Com a chegada das tropas outras terras aguardam providências do que deixassem suas terras tradicionais. fazendeiros ocuparam a área e caram os indígenas. reservas e acampamentos. Adams. A de segurança privada. 20 anos. 15. advo. “Essa decisão não tem volta: se gração de posse aos ‘proprietários’. analisou Eliseu ciais ao país. Em 1767. latifúndio sempre esteve atrelado: assas. de 1940. juízes não ainda está parado e qual a razão da Funai governo precisa lideranças. Itamar Franco (1992-1994) e a região com o objetivo de mantê-la sob da União a fatiou dividindo-a entre os dois anos se feriu e não resistiu: morreu Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) ho. Eduardo mologaram cada um três terras indígenas. As balas passavam sobre nossas o último levantamento do IBGE é com. que de acordo com região desde o século XVIII. que reúne as do processo demarcatório. e junto com as prisões dos envolvidos e homologadas mesmo”. Outra parte dos Gua- Lopes e traduz os últimos meses de um do presidente do Sindicato Rural de Aral rani Kaiowá saiu em caminhada. apenas oito terras indígenas foram pela Funai. o nossa madeira do território tradicional Guarani Kaiowá esperar. foram registrados 28 assassinatos ram as terras junto ao Governo do. prática comum a situação em que se encontram de 20 envolvidos. Entre 1991 e este pólogo Levi Marques Pereira e publicado Sob tal contexto. Entre. expulsaram os índios. vam em menor número. com duas fazendas instaladas dentro dos 7 várzea. . Atiraram ano. entre fazendeiros. do Aty Guasu. sentenciou Dionísio Retomadas: Arroio Korá Não vamos aceitar mais tanta demora Eupídeo Guarani Guarani Kaiowá. Osvin Mittanck. confronto. acordo: se os Guarani Kaiowá deixassem para o Paraguai. gações podem ser revistas. atesta. duas áreas foram reto. o governo fe- deral. mas se três tipos de armamentos foram recolhi- de indígenas motivados pela questão fundiária. A partir filhos. que resistiram. a Portaria 303 acabou wá. a presença dos guarani na Cerca de 500 indígenas entraram em Todo mundo correu e se jogou numa indígena brasileiro.

Foto: Egon Heck/Cimi cação concluído. Potrero Guasu nossa grama.. dentro de vida tradicional e a ocupar a sua terra. declara Dionísio. os indígenas também por indígenas da nação Guarani. infringiu o direito fundamental da comunidade Os indígenas retomaram apenas uma das de Potrero Guasu de viver conforme seu modo fazendas instaladas. desagradando o assassino. às 12h35. não vamos deixar o caso do Nisio Gomes do território tradicional. fazendeiros chegaram a erguer um acampamen. “Parte tomar uma Potrero Guasu da área inclusive é improdutiva e a área é de Nas duras batalhas pela terra e pelos direitos. de Paranhos. Composta.  n Ouça o Potyrõ Também estamos on line pelo portal www. por a qual mantém vínculos históricos e culturais. um discreto. Por isso voltamos às terras de onde fomos vem. arrancando atacaram a área atirando contra os ocupantes. há cerca de 40 anos. em São Paulo. Durante o ataque dos atiradores. pela vida. Teu povo. vamos retomar o que é atravesse a porteira da fazenda.  rável à ocupação pela Procuradoria Regional da Tua memória nos alentará precisa República da 3ª Região. reitera Mas em especial na memória do povo Guarani Kaiowá. A área está declarada como jetos de assentamento. companheiro. mas eles não ficam com medo. como eu já disse. Desde que foram expulsos também em Paranhos. nós vamos bêbados. governo da Funai e agentes da Força Nacional. ao território: “Os colonos forçaram a gente a dígenas como sendo Francisco e Cármelo. Não vamos aos indígenas. pistoleiros “A gente já esperou muito.025 hectares do tekohá (território sa. Agora quando dois pistoleiros foram mortos por um expulsos. morrer”. que serviria Não houve feridos. se repetir”. “Pistoleiros continu. Marcos Homero. “A gente já morrer aqui. conhecido jagunço da região é paraguaio e “Devido a morosidade da Funai e a publi- abordou os índios a cavalo. terra tam- E da comunidade de Laranjeira Nhanderu! comendo Em nota. Era muita violência. onde estão enterrados nossos antepassados. no qual o então estado Na luta pela terra. sabe. um cavalo. Não temos Com o antropólogo estavam representantes fazendeiros na Justiça. guerreiro. não passaram a viver na aldeia Pirajuí – também representava suas terras tradicionais. onde po- nós também não te mos medo e se tiver que comparsa depois de terem se desentendido – demos desenvolver nossa cultura.a12. Morreu no dia 2 de julho depois de não resistir aos feri- mentos de um atropelamento. Próxima ao tekohá Arroio Korá. como ficou conhecido entre as comunidades Kaiowá Guarani. culpa. mas a violência imposta a construção de nossas casas e o gado está Ficarás plantado para sempre em nossos corações para pelos jagunços não respeitou ao menos órgãos comendo nossa grama.. Davi Benites Guarani Kaiowá. mas nós nos escondemos. Eu nasci nela até que reitera Tua vida ceifada no vigor dos 47 anos Eupídeo retomaram no último dia 3 de setembro parte minha família foi expulsa”.  nosso. Hoje. lutamos por qualquer terra. o Teus passos nos acompanharão. com da terra indígena. às margens. efetuando disparo cação da Portaria 303 que dificulta a demarca- de pistola e ameaçando qualquer índio que ção de nossas terras. casas e o Que amaste e pelo qual lutaste tanto. esperou muito. Francisco. 820 kHz 13 Agosto – 2012 . porque o governo é conivente recuar até que a Funai tome alguma providên. em razão de pro. Zezinho: semente hoje plantada Egon Heck Missionário do Cimi Z ezinho. afirma a liderança Eupídeo Guarani Na retomada do tekohá Arroio Korá. com 43. teus amigos e aliados. A transmissão é para todo o Brasil. gado está tropólogo do MPF do estado. eles estão Passaste pelas nossas vidas. o go. aponta Eliseu Guarani Kaiowá. mas ardoroso lutador pelos direitos do seu povo e em especial de sua comu- nidade. Não temos culpa. de nossas comunidade indígena estava reunida com o an.  Nhandeva grado) Potrero Guasu. A Força Nacional to perto da área retomada e só o desfizeram das. Laranjeira Nhanderú. o tekoha Laranjeira Nhanderú. abertura d einquérito para a Polícia Federal. na rodovia onde. economia e espiritualidade”. explica o professor Se perpetuará em tua família. a construção federais. tua comunidade. a Nhandeva. a Porto Domingos. na rádio Aparecida. O que em Paranhos. Os fazendeiros não possuem vergonha “À noite é quando eles vão procurar a de anunciar perante às câmeras um genocídio gente. foram remanejados para a Reserva do Pirajuí. Os criminosos contratados pelos Suas palavras eram sábias e incisivas: “Nós indígenas não ação de jagunços segue. tradicionais. providência”. embora fosse composta de Potrero.  as autoridades policiais. como uma brisa de esperança. quando tinha apenas um ano de idade. os índios não teve o processo administrativo de demar. arrancando nossa madeira que serviria para nossa madeira Como uma semente que morre para trazer vida. Eupídeo Guarani Nhandeva. a 10 Km do município Expulsos a partir de 1938. A gente sempre serviço do fazendeiro Luis Bezerra. Lutamos por nossas terras sagra- am atirando aqui contra nós. tem a demarcação questionada por colonos e Segue guerreiro da paz e da vida. pela paz! indígena desde 13 de abril de 2000 e ainda de Mato Grosso passou a doar terras. como tantos outros acontecidos entre os Kaiowá Guarani. se diz feliz com o retorno de seu povo Os pistoleiros foram identificados pelos in. a sair. eles estão No último dia 28 de agosto.com Todos os sábados e domingos. o MPF confirmou o ataque e pediu bém retomada no último mês. com eles”. os dois indivíduos mortos agrediam Zezinho. Cerca de 500 indígenas Guarani Nhandeva ocupação tradicional. ao todo. dentro do Programa Caminhos da Fé. mas com decisão favo. amigo. 709 Guarani Nhandeva. esteve acampado com sua comunidade antes da retomada definitiva das em sacos pelos indígenas e entregue para cia. a comunidade passou Davi saiu de Potrero Guasu com a família a sofrer constantes ameaças de pistoleiros. teve determinado a voltar”. a verno precisa tomar uma providência”. Guarani dos 4. sobretudo vindos do outro lado da fronteira.

mekra-Canela e os Apãniekra-Canela periência submetido à Coordenação: ciais pontuais não sanarão a sangria de a experiência educacional construída necessitam de apoio para continuar junto aos Awá-Guajá foi selecionada foi selecionado dentre os inscritos na exploração nas terras indígenas. que. que vieram se somar aos 40 preservação de seu território e o futuro P que rasgam a As comunidades buscam fortalecer anos de existência do Cimi em sua das novas gerações têm feito exaustivas floresta para or ocasião da 64ª Reunião Anual as raízes culturais e sociais. Contudo. Ramkokramekra-Canela e Apãniekra- Os Ramko­ ca. quilombolas. retratada na 64ª reunião da SBPC ilegalmente dos territórios. pois a situação não é pela organização do encontro. na Universidade Federal do Mara- as invasões e a depredação constante de brasileiros valorizando os saberes e Com a invasão madeireira são destruídos nhão (UFMA).povos com dife.  n Assine o Formas de Pagamento: Solicite sua assinatura pela internet: adm. Porém. também na pois a situação não é das Indígena Canela.00 Outros países: US$ 70. se for enviar cheque. a biodi. que rasgam a floresta para tirar madeira de educação e formação com os Awá. Contudo. que necessita do E m meio à floresta de árvores meio ambiente físico e cultural. futuras gerações.00 *Ass. e de lideranças continuar se Tal realidade. cores e atração aos olhos de quem tem madeira roubada é retirar-lhes a própria também do governo Dilma Rousseff. no entanto. Educação Awá-Guajá: experiência entorno das terras Canela. mas ele é apenas um de seus sentido de coibir a prática. da Terra temente denunciado os desmatamentos. Venâncio III. a resistência dos po. categoria Experiências e/ou Práticas realização de vigilância e proteção per- das melhores.porantim@cimi. Agosto – 2012 14 . é necessário que o “homem às carvoarias e ferro-gusa. com aproximadamente mesma cidade. As ameaças têm acontecido em Canela e os a felicidade de presenciar. ribeirinhas. dos povos indígenas. Para os indígenas. defendendo. anual: R$ 60. a si mesmo” (trecho da carta do cacique rios dos povos Ramkokramekra-Canela Seattle. Os mais velhos das co- às carvoarias e Progresso da Ciência (SBPC). para vendo suas matas serem devastadas co. Para os retorcidas (característica do cer. a exemplo das seis Apãniekra. o As lideranças indígenas têm constan. Lucram com -Guajá. são ameaçados de morte por aqueles indígenas do povo Tenetehara/Guajajara. têm cons. amarela. entenda que ele pertence à terra. povos indígenas Ramkokramekra-Canela rado) o Ipê mostra toda beleza e Apãniekra-Canela tudo no território mas. rio (Cimi) Regional Maranhão desen. a Funai. quebradeiras teia da vida. em todo o Maranhão. por seu órgão indigenista. Maranhão. bran. da Terra Indígena Porquinho. morte agravado. as da Terra Indígena Araribóia. povo Ramkokramekra-Canela. Nas serrarias e carvoarias melhores. município de versidade e sócio-diversidade. telefone e e-mail. O que quer faça com essa teia fará A situação de devastação dos territó. Cimi Regional Maranhão 12 anos. Cultura e Saberes Mais do que nunca. que teve seus territórios. A proposta foi sentados por diferentes populações terra. lideranças indígenas do povo Pykobjê- Canela daqueles que devoram a floresta sem Impunidade e ameaças de necessitam teção aos territórios. atuante junto aos povos indígenas de coco. rentes culturas e saberes tradicionais. situadas em municípios localizados no Os indígenas -Canela. a esperança está presente cotidianamente tantemente deparado-se com a crescente pela ação dos Madalena Borges Este ano a experiência completou e os indígenas comprometidos com a madeireiros invasão das áreas de ocupação tradicional. no momento. fere também os filhos da senciais para a vida dos indígenas. nenhuma ação foi ameaças de madeireiros aos indígenas em lindas flores.473-5 SDS – Ed.br BANCO BRADESCO Se preferir pode enviar CHEQUE por carta registrada nominal ao CONSELHO INDIGENISTA MISSIONÁRIO. munidades manifestam preocupação com entre os últimos dias 22 e 27 de julho. 1854). Os indígenas continuam O Conselho Indigenista Missioná.00 Ass. contribuição para uma Escola Indíge. indígenas . como tema Ciências. com festas luta e defesa pela vida e pelos direitos reuniões no terreiro das aldeias para re- tirar madeira da Sociedade Brasileira para o tradicionais. continuam vendo suas com aproximadamente 301 mil hectares. na Terra Indígena Caru.org. A SBPC trouxe para a discussão Por fim. nas aldeias Awá e Tiracambu. correio e especifique a finalidade do mesmo. Um verdadeiro espetáculo de saindo de seus territórios carregados com sos. possibilidade de sobrevivência e vida. -Canela também está em protestar contra na com a cara dos povos indígenas a continuidade da invasão dos territórios. do estado. repre. manente dos territórios indígenas. essa beleza tem sido o principal atrativo atender as demandas indígenas de pro. pedagogias desses povos. fax (61-2106-1651) ou – Comunique sempre a finalidade do depósito ou cheque que enviar. Maranhão. No entanto. e o povo Apãniekra. O projeto teve o resumo da ex. de Ensino-Aprendizagem para apre. é sagrado. ver os caminhões realizada para coibir a ação dos crimino. os pátios sempre estão cheios de madeira retirada matas serem devastadas ambos no município de Barra do Corda e Fernando Falcão. 125 mil hectares. em São Luís. mas a se defendendo.00 * Com a assinatura de apoio você contribui para o envio do jornal a diversas comunidades indígenas do País. endereço. que fere a terra. Maranhão Foto: Diego Janatã Porquinhos e Canela: a tragédia das invasões de terras indígenas Gilderlan Rodrigues da Silva e Apãniekra-Canela tem aumentado Cimi Regional Maranhão significativamente e ameaça o Bem Vi- ver da comunidade. e o a exploração dos recursos naturais es. os Ramkokra. de apoio para preocupação com o futuro.00 América Latina: US$ 50. Não sendo o homem quem teceu a o presente momento nada foi feito no idealizada pelo padre Carlo Ubbiali. Salas 309/314 – CEP: 70393-902 – Brasília-DF CONSELHO INDIGENISTA MISSIONÁRIO – Para a sua segurança. mande-o por carta registrada! Envie cópia do depósito por e-mail. de apoio: R$ 80. fios. P r e ç o s Ass. Terra Indígena Governador. os ecossistemas brasileiros. a situação tem se -Gavião. operações poli- Tradicionais para Enfrentar a Pobreza. portanto. – Inclua seus dados: nome. Até Bom Jardim. também locais de caça e coleta. Por falta de proteção e má vontade -Canela não são casos isolados. roxa. ferro-gusa vos Ramkokramekra-Canela e Apãniekra. para o endereço: Agência: 0606-8 – Conta Corrente: 144. dois anos: R$ 100. Os indígenas que denunciam município de Amarante. O projeto é uma solver o problema. sentação em forma de pôster durante que seja garantida a sobrevivência das tidianamente pela ação dos madeireiros volve há mais de uma década trabalho a reunião. kramekra. que praticam as invasões.

nos C arregada pelo fim da tarde do Bahia (Uneb). Encontram-se distribuídos continuarão sendo vítimas da vio- geração para geração. e não termos Zabelê em muito contribuiu para a luta A solenidade marcava o encerramento ta Missionário (Cimi). ram homenageadas.  n xó. bem como para a formação de diversos grupos na região. universitários. Anciã. vistos como enviados de Deus. que partiu sem o ver totalmente Sofreu muito. líder da aldeia Marmelinho. aparência física e tão forte história contemporânea dos índios Pata.  n mostrar o dia a dia dos povos indígenas. o autor vai mostrando o Coleção Viramundo de passagem”. e o da des- O livro. procura retomar o episódio da chegada dos Com o tempo. conhecida carinhosa. colabora com o jornal objetos de uso diário. estado do Amazonas. “Ficamos mui. Ferreira. Hoje a luta para concretizar o sonho de Za- mas nasceu no Monte Pascoal há 79 anos. diante do maravilhoso trazido pelos europeus. E também como ela sempre presenciou a tortura e o assassinato de dignidade. em 1987. alimentos. os ensinamentos de do Amazonas.441 hectares.. com projeto gráfico renovado e mudou a história dessa parte do continente. fazendeiros território tradicional Kaxarari. antropólogos. principalmente no conflito que se tornaram personagens históricos Contemporâneas. um dos membros do Indígena Kaxarari é assassinado em Rondônia Atxôhã. distrito algumas já falecidas. tal. entre eles o grupo Atxôhâ de pesquisa da língua e história Pataxó. que pesam e passar para seus filhos. no extremo sul referências nas suas atividades seu povo. a história deste livro o autor procura sempre dar voz aos índios. a luta guerreira e como liderança do povo Pata. que são pela garantia dos diretos de do município do Prado. Encontro esse que Essa nova versão. 15 Agosto – 2012 .ed. Mário Kaxa.Equipe Itabuna Haroldo Heleno homenageada na entrega do Bahia. Onze mulheres fo. que dá rem suas terras. de Estudos das Populações Esta é a imagem que tenho mente por Zabelê Pataxó. através do Centro sem jamais perder a ternura”. é enriquecida com vários ao mais tarde de Brasil. Ainda ano de aproximadamente 400 indivíduos. no dia 30 de junho de 2006. na região de Extrema. A premiação é também uma forma do seminário Mulheres de Ontem. portugueses e o povo Tupiniquim. netos e sobri. aquela desconfiança se concretizou portugueses aos Brasil. medida judicial. promovido sempre será uma referência pela Universidade Estadual da de resistência e ternura.Desafios e Perspectivas belê. o que o governo federal Kaxarari sofrem violentas investidas Pataxó”. enfeites. Enquanto os Pela sua importância como mulher Os territórios indígenas ficam vul. o povo continua. Nos textos dos vários capítulos De forma ficcional e didática. Memória Zabelê Pataxó partiu. Silva Kaxarari foi assassinado e grileiros de toda sorte adentram ilegal. A Terra Indígena Kaxarari possui uma povo Kaxarari neste momento de dor belo lugar. sobre o povo. No direitos não forem respeitados. ruim.  n de seu povo. e em Extre. Os portugueses deixaram de ser Portugal. A experiência de vida de Dona as comunidades às quais fizeram parte. outro indígena. superação. chamada ilustrações atualizadas. os indígenas ficam expostos às por partes de grupos contrários a tal Para o indígena. mas Deus faz o destino do Terra Indígena Kaxarari. No trabalho do Conselho Indigenis. Uma vez mais invasões nos vido pelo Ministério Publico Federal. Porantim e é responsável pela História Indígena no Curso de Ilustrações: Artur Fujita Formação Básica do Cimi. acesso ao município de Lábrea. mas a luta pela terra permanece Foto: Cimi Regional Leste . o significado de várias palavras. marcando consideravelmente guerreira. O Cepaia fez uma realizado: a reconquista e garantia do conhecido como Massacre de 51. com seus moradores. Ao defende. ameaças por parte dos invasores da em várias aldeias e somam uma população lência? Até quando vai perdurar a tos tristes. disse. Frei Volmir Bovaresco os conflitos decorrentes da luta pela terra Kaxarari conseguiu. violências. quando foi excluída uma parte pertence a esses povos. os nhos o verdadeiro respeito pela cultura da estrada Mendes Júnior. Faleceu em Cumuruxatiba. Mulher que deixou indígena João Oliveira da e assassinatos. À medida São Paulo: Moderna. importante do território tradicional. médicos. trarmos nossa cultura. 3ª. impunidade? Nossa solidariedade ao homem e sabemos que está em um passado. mas o mundo dos encantos Luciana mulheres.Cimi o de admiração. Ari e Zezinho Kaxarari. de prestar homenagem àquelas mulheres e Sempre . cobrava: “Vamos usar o tupsai e mos- seus pais. Segundo das lideranças indígenas O povo Kaxarari vive no município de clima de medo e insegurança. Tia Luciana (Zabelê): nunca rari. fruto da escravidão e das doenças trazidos na carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de pelos novos senhores. Até quando os povos indígenas estudantes e que vai ser passado de tinha comunicado que vinha sofrendo ma. É autor de vários livros paradidáticos e de trabalho. sul não faz. que significa amargo. na região sul da vergonha de sermos índios”. neráveis às investidas dos invasores e ano passado e depois de anos luta. onde na luta pelo respeito à cidadania e à justa homenagem a esta valente e dócil território. e áreas de trabalho. instrumentos musicais. as reações revive as emoções do primeiro encontro entre os que tiveram nesse primeiro contato. da Bahia. ele dá detalhes de como chamados de Caraíbas e passaram a ser chamados de chegaram à nova terra e como foi o primeiro contato Peró. Jacaré. Nos últimos meses. Madeireiros. Nas aldeias vive-se um Zabelê foram ouvidos por professores. dia 26 de agosto no ramal e outros recursos naturais. Esta conquista vem sendo motivo coragem e luta e que conseguiu vencer na noite do último do último mente os territórios para retirar madeira de constantes ameaças. Juari Pataxó. confiança diante do desconhecido. a tão simples. “Virando gente grande – Rituais indígenas que a história se desenrola. assim a descreveu: “Mulher sá. 63p. era uma Afro-indígenas Americanas desta figura tão frágil na das mais importantes personalidades da (Cepaia). sofreu extensão de 143. Zabelê sempre foi e Cimi Regional Leste – Equipe Itabuna (BA) Prêmio Zeferina. Nesse documento. de um coração grande que territórios indígenas provocam conflitos correção dos limites e recuperação do O conquistava todos. destinado a alunos do ensino fundamen. Mais sangue indígena será a esqueceremos e sempre ela estará em ataque e foi assassinado no ramal do A demarcação do território ocorreu derramado na terra que por direito nossos corações”. entre outros. em processo mo- bia de um ensinamento incomparável e Cimi Regional Rondônia se agravam. vivas e na determinação e na luta xó. no encerramento lembrando as palavras de último dia 4 de julho partiu para do mês de comemorações às Che: “Há que endurecer. Editora Moderna. Cabe agora aos Pataxó Zabelê era moradora da Aldeia Tiba. Benedito Prezia* *Com mestrado em linguística pela USP. publicou. Rondônia. uma historia de sofrimento. Zabelê foi Resenha Terra à vista – Descobrimento ou invasão? Leda Bosi duplo sentimento que tomou conta dos indígenas: Setor de Documentação . A narrativa se baseia em tragédia. e perda. João Oliveira já Lábrea.

o socorro dos navios ficara mais difícil e os nias hereditárias. Os tiram para o Espírito Santo para se refazerem e de lá nandes Coutinho. Mem de Sá. maio de Por isso é possível pensar que sua adesão à esquadra que ficaram em terra. No seu regresso. perceberam que os Os sobreviventes que alcançaram os navios par- na morte dos dois sócios do donatário. atingiam não apenas os indígenas como também os gueses. uniram-se à esquadra. onde estavam reforço teve o apoio de Diogo Álvares. a capitania do Espírito Santo quase foi do filho do governador tivesse também interes. que para lá se mudara havia alguns anos.  n APOIADORES Agosto – 2012 16 . que reuniu um batalhão. os Tupinkim do Espírito Santo lados do Cricaré. como frente ao invasor. Caramuru. matando muitos época o corpo militar era formado por moradores. em 1536. por serem embarcações menores. alguns portugueses. caravelões. Com a maré A partir da implantação das capita. muitos feridos e mortos de ambos os lados. se interessava pela captura de escravos indígenas. atacantes. inimigos pelos rios. O cronista Frei Vicente do Salvador Ao saber da notícia da morte do filho. encontrara de pé. pude. que fracassada expedição. eram obstáculos feitos com troncos de árvores. foram mor- 2007. A resposta foi positiva e o novo portugueses tiveram que enfrentar uma luta corpo ram ao longo do litoral. como também os engenhos do entorno. A aldeia principal foi atacada pelos canhões que N Historiador da ao governador geral da Bahia. que a tradição arrasada. comandada por seu próprio filho. OS TUPINIKIM RESISTEM NO ESPÍRITO SANTO Benedito Prezia Sem ter como enfrentá-los. 16). Os tiros que vinham dos canhões agora os núcleos dos conquistadores portu. abalado. Agora tinha fazenda e em jangadas improvisadas. que havia partido para Portugal. em 1557. tornando seus capitania. berta a retaguarda. hoje rio São Mateus. o donatário pediu aju. retornaram à Bahia. colaboradores. deixaram desco- ão sem razão afirmou um historiador feita uma convocação geral. deve ser seguramente gena que destruiu não só a vila do Espírito Santo. provocando um pânico geral. Caramuru. em busca de recursos. Vasco Fer. a atual Mariricu. Na história oficial se fala muito Distantes estavam os dias em que Caramuru era tido portugueses. que ali estavam misturados. p. grupos rebelados encontravam-se mais no interior. Além de homens. receber mais ajuda. Como na cuspiam fogo a partir dos navios. téc. A armada fez uma escala em Porto Seguro para baixa. dois caravelões guardou o nome de Maririque. por uma grande rebelião indí. Fernão de Sá. como Fernão de Sá. trabalho dos jesuítas. afirma que levaram quatro dias até dar com as aldeias o governador se recusou a receber os membros da Anos mais tarde. O local do combate. Os Como vimos anteriormente (Porantim. Muitos anos depois. Acreditando-se vitoriosos. deixando nos esforços da conquista em implantar os engenhos como o genro mais famoso do cacique de Itapagipe. pudesse vir centenas de guerreiros que cercaram os léguas. Nem imaginavam que do interior brasileiro que nosso país “concedido a que partiu numa pequena esquadra de cinco navios. ses escravistas. foi indígenas. foi conquistado a polegadas”. os conflitos estoura. conseguiram chegar até os caravelões. e com o de colonização foi ameaçada pelos Tupinikim rebe. A nado e de açúcar e pouco nas lutas de resistência indígena aldeia da região de Salvador. ao norte da nica usada pelos Tupi para impedir a locomoção de se reconciliaram com os portugueses. resultando Chegando à barra do Cricaré. o famoso a corpo. certamente devido às “tranqueiras”. uma nova tentativa fortificadas. pouca coisa ram subir o rio. tos e sacrificados.