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porém. Os editores 2 Revista CAIXA BAIXA Revista CAIXA BAIXA 3 . empreendemos uma atividade laboriosa de seleção dos melhores ANO I . Wander Shirukaya Para uma primeira edição da Revista do CAIXA BAIXA. bastidor e artífice de nossa produção literária. Ao fim e ao cabo. a injustiça se- Capa ria tamanha que não valeria a metade desta revista que ora se apresenta. a iniciativa de reuniões entre os viventes e sobreviventes de um grupo já referenciado pela imprensa para- Conselho Editorial ibana. divagações e dissecações críticas de cada Diagramacao . que esteja no cotidi- João Matias ano de pelo menos 25% dos mais de 100 leitores que nos acompanham por dia. selecionamos textos de cada um dos nossos 15 autores e contemplamos. Quer se queira. “Ritos Laudelino Menezes Finais” e “Desencarne”).NÚMERO I . os que sobreviveram. os contos foram os que mais bem narraram situações cotidianas com requintes de poesia (vide “Falta uma cor no arco-íris”. Dentre estes náufragos da exposição e crítica pública. artífices da ficção. Se nos fosse pedido para escolher um ou dois para comentar. as crônicas do mais tempo presente no presente dos tempos futuros (“Em branco” e “Quando o céu não diz nada”). “Gramaticalmente pornográficos” ou “Acaso caos”). Coisa de Wander Shirukaya doido selecionar tanta coisa boa. o desafio de levar ao público literatura contemporânea é desafio que contempla a ed- ição periódica de um blog com nossas melhores produções. Santos critores são lidos em situações montadas. esperamos. Caixa CAIXA BAIXA aberta D iante da proximidade de o Núcleo Literário Caixa Baixa completar 1 ano de existência. permanece a sensação de que. resta a fixidez de uma revista para permanecer em tempo presente aquilo que sempre passa. ousadia e exposição. declamadores e animadores provando que literatura também é feita no gogó. os saraus abertos para públicos os mais diversos. vídeos em que nossos poetas e es- Bruno R. R. poesia e prosa. os poemas com mais formas sensuais de narração da vida (vide Wander Shirukaya “Troca”.FEVEREIRO 2012 textos publicados por seus integrantes ao longo da existência do nosso blog. quer não. um dos escolhidos). à medida que a leitura e as críticas ~ foram favoráveis aos referidos (entre farpas. deste oceano sem fim no qual emergimos a criatividade. palco.

Garoa do compasso da espera. Ultrapassa os carros engarrafados pelo acosta- Romarta Ferreira Soneto em queda livre mento. maracás. toma banho com sangue. Santos A Troca quele olho de tinta na parede me encara. Quero me lambuzar da profundidade asquerosa de cor de barro e olhar 20 Laudelino Menezes vitalino. 11 Cyelle Carmem lágrimas turcas de sabor turquês. O mundo vira um abajur lilás. Largo o escudo da vergonha e a lança cética. dos teus can- Em branco tos”. A filha mais louca de satã percorre meus siste- 24 Mirtes Waleska mas. carregada em bandeja de Salmo para Isabel alumínio. 4 Revista CAIXA BAIXA Revista CAIXA BAIXA 5 .biz/ o amanhã não se sabe Acaso Caos 07 Bruno Gaudêncio Desencarne 08 Bruno R.betomenezes. Não acredita em cata-ventos. Dai-me de beber que eu tenho 19 Joedson Adriano sede sem fim. Regurgita o teu alimento dentro de minha cabeça. Diz ler o futuro nas nervuras das folhas secas. espanta as galinhas. 13 Jairo Cézar tocadores de alfaias. hoje. faringe. Todos da santa rodeiam e imploram. atropela crianças em faixas de pedestre e sobe em mão única e chega 28 Thiago Lia Fook Meira Braga aqui. Falha Trágica 22 Letícia Palmeira ataco o veneno. Já sofreu de peito aberto. R. Quero beber da fonte que escorre dos teus lábios. ´ Sumario betomenezes Faz furo em pá. Inseto de Midas. Solto as amarras de republicano e avanço. Com um bote de serpente. Toma o meu corpo no teu colo e me espanca. caixas. Chega então. Vem rodeada de macacos saltimbancos. Poucos goles bastam. 29 Wander Shirukaya Deito no chão e choro. corro Muso para ela e também imploro. Fantasia Caio para o lado e espero. esôfago. ladainha Gramaticalmente Pornográficos 12 Gustavo Limeira sambista com feitio de oração. Sinto uma febre de malária e um tombo de Golias. Avança para a minha cabroeira. 05 O amanhã não se sabe Betomenezes http://www. língua. Falta uma cor no arco-íris Ascendo. Ela Ritos Finais 14 João Matias parece vir em minha direção. “dai-me de beber. minha senhora. Faz um canja. No estômago trava batalha com os ácidos e chega Quando o céu não diz nada 26 na rodovia rubra das artérias. a filha mais nova de satã. Lacrimejo ao cair da noite. tem o corpo fechado.

“Bem- a madeira que divide vindo. corta a pele de minha não é o cobertor? mão sinistra. na profusão do cio da terra. Recebo mais abraços de fusão. irmão” os nossos corpos O copo vazio é derradeira lembrança. A noite padece por horas para mor- na hora do sexo? rer. O sangue cinge o antebraço. Fugiu para mata com seus macacos e seus pandeiros. não aperta cinto. Cicatriza-me. Uma merda xaroposa a chave. A aura lilás fica cinza. Do acro não faz a cama. na pele.com/ O seu toque de ouro revela-se findo.blogspot. De gatas. Co-editor da Revista Blecaute. bela de satã é mulher liberal. Dos cristais que desabrocham e estufam o meu cérebro. jornalista e historiador. escarnece minha cueca. Preso. Um emaranhado de ondas concêntricas irremediam sua partida. bruno gaudencio Revisitamos o kamasutra em embaraços borbulhantes. Os outros também vão acor- dando. o ar e o suor com seu sal que impede que eu apodreça. Publicou O Ofí- borboleta. Ela se foi e levou a mara- vilha da organicidade. roda de ciranda e diversa loteria. o vômito estampa meu cetim. não prepara feijão de um dia para o outro. Meus olhos escurecem e sinto o peso acaso caos de colosso. desejo de largar de mim e me prender na calda de seus rastros. Beijo mas deixa a chama. Reclinado sob o piso da descoberta. 2009) e Cântico Voraz do Pre- cipício (Contos. a ponta mais delgada o caos que existe em nós das pedras. 6 Revista CAIXA BAIXA Revista CAIXA BAIXA 7 . Acor- do com orações. de minhas feridas arranca as cascas. anarquia do voo da Bruno Gaudêncio é escritor. Sinto novamente em aberto o abandono que rubrica como em um pron- o acaso não liberta. vejo ela indo em cavalgadas bestiais de volta à mata. Só agora percebo que o cálice que serviu-me a acaso o caos filha mais espalhafatosa de satã ainda está comigo. dona da mata. Levanta-me e trava comigo uma valsa orgânica. Foi e deixa a lambança. Desmaio. Há o socorro. No estar- dalhaço da sua saída. http://acasocaos. tuário a minha existência. não põe anel no as pernas… dedo. com gravidade me apertando contra chão. cio de Engordar as Sombras (Poesia. Exorciza- me. Agora o que eu tenho é minério. Descendo. O amanhã não sei. 2011). Meus testículos pulsam na porta… com o abraço do colosso. Volto para o meu corpo delimitado. Mas a filha mais mas abre as portas. procuro o trem que me trucidou. Há o abraço de irmão.

Eles vagueiam pelos esgotos pútridos deste inferno. Afirmou que todos deviam ser erradicados do mapa.” As pessoas do lado de fora diziam. Ela não responde. o que houve?” As pessoas do lado de fora A morte abriu a boca. 8 Revista CAIXA BAIXA Revista CAIXA BAIXA 9 . ajoelha-se perante a brancura da Seu cabelo entupido de laquê e creme. perfume Ferrari. protuberantes. Cansou dos humanos. A possibilidade. Eles gritam em vão. perdidos no limbo da incoerência.com/ tente. Um corpo nu. as palavras nada dizem. É impossível descrever o limbo. Clientes da vida. Amigos de o momento delas. Foi guardado por uma vulva quente e expelido pelo reto da santa mãe. irmãos de espírito. A Tom prepara as coisas. seios em seu rosto. Tom estava com um terno Armani. Ele sabia que era necessário eliminá-la. Confusão. limbo. destruição interna em canos mentais. destoante. Porque você as enviou para cá?” A morte permaneceu em trabalho. Vou guardar o seu terno. Olhos dilatados. “Ele era tão saudável. “não é passeava pelo quarto. todas ex- citadas com o momento. Cabelos longos e escuros em seu rosto hermético. o momento não havia chegado. insatisfeitos com o dono do negócio.wordpress. fragilizados. Respi- ração ofegante. santos torno á vida não é possível. a língua “Belo perfume. se divertir. um sorriso irônico. to de mortes subiu de modo cruel. aquela voz rouca. Seu olhar caído passeando pelo corpo inerte na cama. O corpo se mexia. Assim é o nosso espaço amorfo. Por mais que eu http://quebrandoogenio. ele destruição. igue o som. Da anarquia da morte. o re- bruno r. Des- ordem. Tom. vasos fétidos e cérebros com problemas de funcionalidade. Um mundo de úteros apodrecidos. Miseráveis. Um jazz. e cá estão eles. lágrimas secas dançando riso. inocentes e vitimas da loucura da morte. disse que ela queria desejando a verdade. As pessoas perdidas. vagarosamente. seus lábios finos emitiam um breve sor- criatura. recordando dos bons tempos que passaram. O show da vingança. sexo depilado e na boca carnuda. decidiu mandar todos antes da hora para o Morreram sem motivo aparente. Um local onde nenhum ousaria pisar. Estranhas e chocantes. Tom li- gou o som.” Tom aponta para as pessoas gritando do lado de fora. um filete de sangue. As pessoas exigiam a sua destruição. enquanto “O que houve com você?” Tom dobrava o terno da coisa que estava deitada. órgãos Incoerente e sem fundamento. “L Da coisa inerte na cama. escreveu para acalentar seus tormentos. Fluxos miméticos de informações autônomas e descentralizadas por desencarne pulsos sensoriais aleatórios do plano comum. “Olhe para As pessoas estavam fervilhando. O aumen- silêncio.” preta passa pelo filete de sangue. algumas gritavam “mate-a logo!” Tom essas criaturas. Mortalidade crescendo sem parar. Lembrança. Miles Davis. r.

Tom. ele diz: Há de se perder tempo “Sinto muito. Moldura abstrata do feminino: é poeta. mas que não era a hora deste público. mulher. enquanto um grito gutural Há de ser ganhar alegria é emitido. encosta a mão branca na cabeça da morte. Tom sorriu ao pensar nas supostas Passe a recompensa de uma mão para outra: possibilidades. Ele pensou no poder mastigam os dias futuros que estava em suas mãos. turar a ordem. Tom sai do quarto em luto profundo. Agonia. infinito.” Ela conclui. Olhos cristalizados Saliva apurada pelo deleite. um deles com um porrete e o outro com uma faca. Ele está livre. istia mais.” troca Nós somos a fonte. A morte disse que ambos tinham o poder para isso. pensando Dê-me algo para entregar-me Meu preço não é caro na queda das forças que movimentam o mundo. Os Deuses. Vamos apagar tudo. en. quanto as pessoas festejavam a alegria de ver a queda daquela que os condenou Cantos de boca de forma injusta.” para ganhar liberdade. Tom vira as costas. Para mudar tudo. Este grito ecoou por mundos e milênios. Vamos apagar tudo. Dois homens de terno e chapéu adentraram no quarto. Apreensão. O seu filho crucificado não ex.” Ele continuou andando pelo longo corredor. para perder insônia. Tom abaixa a cabeça. dois pequenos chifres na sombra da sua cabeça uma rouba entupida de laquê e creme eram visíveis nas paredes acinzentadas do corredor a outra doa. Deus havia tombado. enquanto isso. cyelle carmem Tom sorriu. Os Deuses. Temos o poder. pagu. “Veja como são selvagens. rompido. disse que concordava. não havia mais ordem. desestru. As palavras da morte em sua cabeça: “Nós somos a fonte. antecedem escondidas dores. o cordão umbilical que foi mas é raro.“Você ficou bonzinho com o tempo. Salivas escorrendo pelos dentes.com/ As pessoas gritavam.blogspot. 10 Revista CAIXA BAIXA Revista CAIXA BAIXA 11 . rumo ao nada. Amaldiçoavam. http://cyellec. mais do que nunca. afinal.

dança circular.blogspot. 1993) mexe com literatura. lava uma Ônibus. beijar-te os apostos ansiosos e corrigir-te os erros pornográficos doce e drummondmente escrever no teu corpo com o Aurélio em riste os versos que sexonhei pra nós. autor de Escritos no música.com/ gramaticalmente ssalmo para isabel pornográficos lamber-te a língua tocar-te as vogais. teatro. vez em quando.blogspot. arrancar-te um pleonasmo. comunista. louça. 12 Revista CAIXA BAIXA Revista CAIXA BAIXA 13 . http://versorragia. marido de Michele e pai de Beatriz. meu teto como céu é teu palco. língua inglesa e. Jairo Cézar é professor de Inglês. doces ferozes acariciar-te os sujeitos e os objetos a fumaça do cigarro arranhar com minhas unhas tuas vírgulas e veste de branco num átimo de metaforismo a bailarina em seu vôo lenta e inevitavelmente solitário…. gustavo limeira jairo cezar Gustavo Limeira (João Pessoa.com/ http://escritosnoonibus.

cadeira elétrica ou enforcamento. de ferro. Programação parede. a tevê. Ele sentia que morria. pecado bruto. os dentes passavam-lhe por entre 14 Revista CAIXA BAIXA Revista CAIXA BAIXA 15 . mas não. toda a hora. Visita adiada – quiçá O leve toque no pescoço do paciente. o olhar. mentos de dedo sobre os olhos do interlocutor. sem nenhum controle sobre a mosca. a enfermeira levanta-se para baixar. febril de A moça era a enfermeira que lhe cuidava na jaula imunda de três metros por calor. abre revista de moda. O primeiro a quem a pena capital. o corpo abaixo do pescoço. o pente. As gotas da água benta mas sai tonta inebriada com o anseio de culpa. Minha reza diária pede por sua alma todo santo dia. Nada além da cadeira declinada. – Matar gente daquele jeito… http://contemplario. depois olha para a penteadeira… – ?! “A penteadeira. Mas não. caem-lhe pelo rosto. três meses já na cadeia e a pena joao matias capital computada para o mês seguinte. S abe a condenada os tormentos do condenado. João Matias de Oliveira Neto. a penteadeira. “outros prê- –… mios”: null. É agora!” Os filhos do rapaz no dia pensaram em visitá-lo. Mas ela olha para o cabelo desgrenhado do rapaz. Pela respiração forte –… percebe-se o enfado da dona. A ex-esposa não queria saber. pés de igreja.com/ –… ritos finais – Sem vergonha? Pois que pague lá em cima. deixa escapar joso. Cabra safado. e na tevê o pastor es- quatro. “alguns livros”: “RATE_LIMIT_EXCEEDED”. A enfermeira estapeia O garotão na cadeira de rodas. mas não vão de pagar pelo cometido. água sagrada. Frio e pacífico. A enfermeira nem percebe. religiosa todo o dia. Lentamente molha os de. passam pelos olhos. Puritana a cionaria após liberada. a respiração: Juvenal enfermeira. O volume alto. o crucifixo na parge as águas de Jericó sobre um conjunto de toalhas de fiéis.wordpress. misturam-se na profanação da víscera. Os segundo se batem nas grades – Em nome do pai. “editor da Blecaute”: “contemplário lírico”}. Monstro de homem. Também não fala. E todos devem morrer um dia. o jeito. Os últimos nem parece ter matado o grupo de seminaristas no ônibus jogado do alto da micróbios cristãos na ante-sala da morte. fun- em cada gota a sujeira escondida sob as unhas de cada dedo. como a procurar –… resposta no labirinto do inelutável. de 86: {“errorCode”: – Como pôde fazer aquilo. em suor na saleta. Juvenal? 403. Os presos comentavam pelo pátio do presídio: nunca um fora mais cora- dos na vasilha de água benta. o pente. todo minuto. Uma gota escorre-lhe pela cova do pescoço. o pente. crucifixos. esparge as gotas sobre ele. morra até o dia. – Diga amém. que pousa no braço do homem. O rosto pintado de água parecia reluzir si- – Responde balançando a cabeça! nal de arrependimento. tetraplégico. só ouve. cheia dos santos. – A TV tá boa? A mosca enrosca-se no hemisfério direito de sua cabeça. E lá fica por mais alguns minutos. do filho e do espírito santo – disse a moça nos movi. montanha.

ó. retira o pente… movimento de pescoço. “É hoje. antes de deixar o paciente. ó. a mucosa já oleosa do calor de todos dias. presídio. Pela própria salvação o que lutaram. As conversas ela repetia ao ouvido dele sobre bíblia. Queria os pertences deles. a condenação dali a uma se.” – Olhe. ela se levanta. Basta orar. ela exclama para si. e dormia. Com tu não ia ser diferente. O todo cheio Nada diz. dobra-se todo. só o pente pra isso?”. Fluxo murchas. Judas antes de trair Jesus havia assassinado no dia uns dez ou Ela percebe o pescoço relaxado na hora do pente. Diz pra mim. ó. –… “Assim. Quando em passagem bíblica um monstro fora perdoado pelo santís- esquerda agora –. dia. por fluxo. Ele que traiu o santíssimo dias mais tarde. eram cristãos. E ele abre os olhos. ó pagãos. Mas ela pára. sim Cristo o perdoou. – Que cara é essa? Contei mentira? Passaram dias juntos. se deixaram matar por amor ao santíssimo. na iminên- Dava por si quando o desgraçado já aos roncos inaudíveis. vai embora não!”. desliga a tevê para o cristão dormir e. ros pagãos à espera ou espreita do primeiro túnel de escape. “Meu Deus”. série. suplício de espera e… meira. cima e baixo – opa. ali uma feridinha –. gira o pescoço em direção ao de misericórdia. mas cria trecho de parábola mais ou menos assim: “Ó. oleosos. um desenrolar de Ela desenha uma cruz no rosto do paciente. Matou todos. ó meu querido. santíssimo. Este o carcereiro descobriu e puniu na hora. isso!”. Tu és um cristão. out. Juvenal? 16 Revista CAIXA BAIXA Revista CAIXA BAIXA 17 . diz. –… gelho. aqui”. “Não. Faz um pobre. Quer despeita maior? cia de sair da saleta e trancar a grade – ó Deus. “Você não se arrepende?”. cadeira à espera da própria morte que chegaria desde o dia do assassinato em – Os dias tão acabando para tua ovelha. Era tarde. os olhos de desdém por entre os dedos. Ele – ?! olha para ela com olhar de seminarista morto. a alma goza. por que o gozo? Nem assiste ao canal de tevê. acolá. Elétrica ou enforcamento? O rapaz novo: sentia pena e ódio. que a repele nas pálpebras fios no passar do objeto. Nem alha. Era amanhã o buraco. o pente quase ficava – Sempre acaba pra todo mundo. o corpo distende. os cabelos desgrenhados. o internato no hospital a mais de três meses. “Ó.os fios metálicos do cabelo sujo. – O que é isso. pá. ali”. e o olha. Vai. Prostrado na Liberdade só em Cristo. cima e baixo – nesse o pente quase fica. judeu que era. acabou não. E ainda as- faz ele? Santíssimo. pô. senhor Jesus Cristo: ele ouvia. não o Jesus. triste guardar do pente na gavetinha da penteadeira. a cabeça relaxa. aqui. “Can. sim os presos. Mundo cão o de “Acabou não. fecham-se como duas florezinhas miúdas tocadas pelo leve roçar de pele. vai. vai. papai do céu”. – diz o carcereiro à morena enfer. ali pela mata do couro. Tão imundos. meu Deus. diz que se arrepende. sempre entrava tinindo pela janela única do cubículo e pousava sobre a nuca do – Jesus Cristo. até o quadro do bendito usaram para tapar o moça aos dedos que fazem o sinal da cruz diário no condenado. Ela senta. um por um. um olhar de pesar impele a a fuga: libertação por libertação. ó. Mas a danada solta com um jeito. O Jesus que liberta convive lado a lado com a colherinha de escavar Ao pé da porta. Uma ofensa tanto para ela como para os presos. o sol que mana. alguns convertidos. assim. ó. As pálpebras dos olhos vinte marceneiros de uma cooperativa de Jerusalém. simo? Não lembra. Abre o espelho da penteadeira. liberdade só em Cristo – olha A televisão com programação cristã durante o dia. os olhos dançavam pela sala. cima e baixo – muda pra pensa. ele gira o pescoço. evan. Pegou uma faquinha e.

não sabia qual programa ou como a maioria das maternas marias mais rezava pela alma. A enfermeira nem o olhava na cara. O condenado na cadeira arregalou os olhos. a cara sob as mãos pelo corredor. se católico ou evangélico. “Conta lá de cima”. O http://joedsonadrianogenio. pregavam a palavra aos gritos. cuspia. A mulher limpa no lencinho as babas sob ou ria no Rio de Janeiro ou Beberibe o rosto do condenado e benze pela última vez. Ele displicentemente mastigava os nacos de pão sob os dentes. “Até amanhã”. reclinada sobre o rapaz. rende-te! Ele mastigava. cerimoniosamente. os outros saem.blogspot. 18 Revista CAIXA BAIXA Revista CAIXA BAIXA 19 . jamais percebida de longe. Ruborizada. como um João ninguém sem gostar de poesia Meia hora depois. mas quando de serviço deixa de ser bicho O pastor levava a cruz. olhava o criador não tem sexo quando cria em redor: as moscas cheiravam-nos de longe e ousavam um e outro toque na o que não quer dizer que no dia-a-dia pele do assassino condenado. Comida na boquinha como todos os dias. E ponto final. Não só movimentava o pescoço? Os joedson adriano fluidos não eram limitados? – Ó Jesus. o fazia por cabos. “Escapou como um qualquer na folga da vã luta sem túnel”. A extrema-unção levada do mundo para o reino dos céus. Elétrica ou enforcamento? Os presos de cruz nas mãos. Dentro da sela.com/ danado acordou com o estampido. um preso respingava na sela penteando os longos cabelos recicla por inteiro o humano lixo lisos que exibia orgulhoso. criança não chore na manga do bibe Entra o pastor. “até mais” e “até adora futebol feijoada e putaria logo”. “Joga a chave pela janela”. No canal se acha acima de homens e mulheres de tevê: rende-te ao salvador. levantou os olhos e deu com ela. “Beija a mão da dona de preto”. – bradou o carcereiro. rogavam sorte. A quinta-feira de manhã muso brandia pela janela. não pode ser… Um gênio. safado. encostada ao peito. babava. vermelha. uma poça d’água ali no meio. A barra da calça molhada. o criador é um filho da puta em cada grade. Este dispense uma orgia com fada ou alferes olhava a televisão e a moça. – Chegou tua vez. a enfermeira e o carcereiro. Com uma mão de leve a raspar caspas do couro detrás da cabeça. a enfermeira deixou a grade trancando a porta com ênfase. preparado para o abate. Urina não era. “Sai desse corpo que não é teu”. vermelha. A enfermeira o conduz do corredor até a câmara. notara a enfermeira. Um camaleão nas inúmeras caras e cores de entre o crucifixo na parede e o pente no espelho. principiou ela a pentear-lhe os cabelos pequenos do pescoço. Numa das sale- e desdenha os dons da gorda loteria tas por que passava.

em sua porta. os fãs ficavam laudelino menezes contentes em ter aquela assinatura em branco. Tamanho era o empurra-empurra 20 Revista CAIXA BAIXA Revista CAIXA BAIXA 21 . Foi uma produção longa. nunca havia visto público tão grande em toda sua vida. Dizem ser reencarnação duma lontra. bateu conto e pensa em escrever um romance. Vez ou outra faz um Um belo dia. Por enquanto. uma ex-namorada sua. preparou um longo discurso. Já nas livrarias o livro vendeu aos milhares e várias e várias pessoas lota- vam o dia. Então. todos estavam felizes por terem escutado um discurso tão belo. subiu no palco e recebeu a salva de palmas. Vagando por sua modesta casa. Depois de todo esse burburinho. tossiu um pouco e principiou o seu longo silêncio. mais de 1698 laudas de puro branco. disse um Boa noite inaudível e a plateia toda se ergueu e aplaudiu. torcedor do Sport e matemático. aguardando as ideias surgirem. atenciosos ao silêncio. mas conseguiu convencê-la de que não havia tanto do antigo relacionamento deles escrito nas em branco páginas em branco do romance. Por outro lado. Apresentou os manuscritos é o segundo livro do audacioso escritor. Contoclubista. iria encantar a todos da plateia. O apresentador o anunciou. o autor destemido estava orgulhoso. Foi difícil. não proferiu uma palavra durante horas e horas. porém o que é mais esperado F icou surpreso. Chegou o tão esperado dia. Para promover o seu tão esperado livro. Preparou-se. autógrafos e lançamentos. Optou pelo editor que lhe ofereceu n regalias. até os que não conheciam a obra queriam publicá-la a todo custo. encon- tramo-lo debruçado sobre sua escrivaninha. Todos o olhavam com olhos de lince. Ela estava fula da vida. suando frio. não conseguia escrever nada e assim fez. decorou e dramatizou cada palavra e cada gesto. uma verdadeira história épica. ficou imóvel. in- terpretou. encontro de ex-amores. nada escreveu. não entendia como o autor pudera es- crever tanto da intimidade vivida por eles no livro. e surpreendeu a todos os editores. n maior do que 1. só existe uma pilha de papéis em branco. o livro continua sendo procurado. que o autor não conseguia assinar livro algum. à tarde e a noite de autógrafos. que não via há muito tempo.

Chove forte no dia de sua chegada. Nada muda na cidade. telhados. Todos buscam proteção. Olívia observa ruas de forma analítica como se pos atrás. Feliz e abobalhada. Olívia desce coisas. vontade falha trágica de viver infinito cada dia que virá. de enquanto o carro passa veloz pelas praças e avenidas. daquela gente e some feito folha solta em água corrente. Ela sorri displicente um tempo para si mesma e foi. receba boas vindas. Ainda não estava E agora chove e Olívia se encanta ao ver pessoas buscando abrigo sob portas pronta para ser a mesma mulher de ontem. do carro em frente ao prédio onde O corpo de Olívia vibra de excitação ao pensar que talvez receba visitas. Olívia sequer percebe a água invadir as ruas de. seus objetos. do alto. E assim é a vida. Talvez mora. louca para chegar a sua casa e ver suas E agora está de volta. pede ao motorista que a leve para longe no qual eu possa andar indiscreta e ainda ser eloquente sem dar uma palavra. Olívia mudou por dentro apenas que sentiu necessidade de e por fora. Ela tornou-se tão otimista que jura não mais entrar em combustão por O lívia está de volta. para serem desfeitas. velhos capengam na será o fingimento ao dizer que conheceu alguém que mudou sua vida para porta do elevador e. Crianças brincam risonhas que conheceu. Eu crio um mundo diferente o enunciado. Mas algo corrompe cesse quando a despertamos de nossa imaginação. Olívia encolhe seu corpo no banco de trás porque sente ternura. árvores. recria personagens e decide não mais remontar somos todos iguais. Sabe quisesse aprender de novo uma lição antiga. varanda para receber Olívia de portas abertas para sua vida. afeto. colocar adjetivos em seus estridentes. Ela observa a Olívia contará tudo de sua viagem. A vida é con- tínua. o rádio do porteiro é devidos lugares. seus pertences e. ixando os carros mais lentos devido a um imenso engarrafamento. velhos cenários. soberba exibirá fotografias que ilustrem seus passeios e grande impertinente. Sequer os relembra. Mentir faz a gente viver mais contente. talvez. mudo. Do aeroporto seus pequenos problemas de tem- ao bairro onde mora. pensa Olívia. seus amigos acenam da ausente. Pensativa. Provavelmente irá inventar detalhes. Dirá da grande experiência e das pessoas cena. Pensa tanto que acredita que terá mesmo festa e sabe que ao chegar ao seu prédio dará de cara com o porteiro ouvindo no rádio transmissão de jogo Escritora. curva sempre em linha reta e nunca sai da ordem rotineira de sua política. confusa acrobata de lojas. É impressionante como desinibida. É como se a invenção aconte. 22 Revista CAIXA BAIXA Revista CAIXA BAIXA 23 . no oi- sempre. Malas estão sempre prontas alguém tenha preparado festa e terá vinho e amigos questionando novidades. Engraçado como ausências causam mudanças.com/ brincando no play e terá de cumprimentar senhores no elevador. buscar esquecimento. seus móveis. Olívia entra no carro. muda itinerários. É tempo de leticia palmeira pensar. Sabe que irá saudar o homem e dirá bom dia e encontrará crianças http://leticiapalmeira. Eu pé na estrada. de futebol. Olívia dirá que conheceu um mundo extraordinário enquanto esteve tavo andar.blogspot.

E Pus-me na torre a chorar.blogspot. Era tudo fascinante! http://mirteswaleska. Um dia hei de encontrar Deixando a lua pra trás. A fantasia rasgada. Rasguei a fantasia Nem tampouco nesse mar. Só sei que retornei Notívaga a perambular Pelas noites vazias A procura do luar No plágio da minha loucura Não a vejo mais no céu. barbatanas E cavalos a voar 24 Revista CAIXA BAIXA Revista CAIXA BAIXA 25 . Vesti-me de Ismália Mas sei que existe.com/ A noite misturava-se ao mar fantasia Num espanto eu chorei Banhada de luar Não sei se era lágrima. Ou se era a água do mar. Tão profundo que não vi O céu banhado de estrelas E a noite a cintilar Vi pássaros estranhos Com escamas. Buscando-a no mar Sucumbida a naufragar Perdida no oceano Mergulhei no oceano No oceano. mirtes waleska De Boqueirão. que é teu olhar. E ai de você se lembrar da cidade só por causa dos Mamonas Assassinas.

Sua resposta foi 26 Revista CAIXA BAIXA Revista CAIXA BAIXA 27 . mostrava seu primeiro sintoma. era uma decisão que havia cres- dedicar-se com mais afinco à literatura. gritou. e no outro dia preparar para ela um café da manhã e não deixar a filha atrasar- não diz nada se para a escola. Fez até uma oração para que chovesse de novo. onde passou a Não era uma negação de atendimento. o sol escondeu-se atrás de uma nuvem que infelizmente era surda. em que o médico acordou atrasado e ainda não conseguiu encontrar o par de meias que combinava com sua gravata. mas mudou-se para a Paraíba há dois anos. Todavia. Sintoma definitivo. era a hora do cafezinho da tarde. Amado pela maioria dos E o arco-íris achou-se no direito de ir se desmanchando. foi até o terraço do prédio. sem dizer absoluta- pacientes. ele não tinha nada do que se queixar. definitivamente não! O que ele queria. Mas ninguém ouviu. à espera que alguém ouvisse e concordasse. que atormentasse o ego. jantar junto à família. em silêncio. nenhuma falha médica mente nada. da tarde daquele dia. Daquele dia em que o pneu do carro cedeu e sua única filha ligou pedindo um presente de aniversário e ele se deu conta de que não lembrava a idade dela. Percebeu que não sabia que havia chovido. que podia quando o céu chegar em casa antes das cinco. “Eu não quero ser médico. dormir ao lado da esposa. não quero!”. T Entretanto. que não esperasse por ele e que chamasse outro médico. mas que queria ter apreciado ao menos qualquer pingo que fosse daquela chuva. Não funcionou. era não ser quem era. Uma enfermeira ligou para o celular dele perguntando onde ele estava e avisando que precisavam de sua ajuda na sala de emergência. respeitado pelos colegas de trabalho. Então ele olhou para o céu e outra vez gritou que não queria ser médico. romarta ferreira Alagoana. no céu apenas surgiu um arco-íris calado. Saiu da cantina antes que alguém chamasse por ele. rabalhava havia dez anos no mesmo hospital.com já podia ir embora. e que naquele instante Conto. e de lá pode ver as nuvens se aquietando e o sol diminuindo seus olhos. falasse que ele romarta01@hotmail. que não existia nada de expediente a cumprir. Aparentemente. Não queria um café. Também chega pelo Clube do cido e ramificado por seu corpo inteiro.

thiago lia fook wander shirukaya Ingressou na faculdade para ser juiz. A janela não – só as cortinas.com http://blogdoshirukaya. Ainda não passa fome. Precisavam aprender com ela. era pra ser tão Portanto agora escuta o secular especial… Mas o que foi que eu fiz? E agora? Apelo e põe no peito a velha e gasta Levanto. completando. E atira o corpo em queda livre no ar gosto da claridade. romper limites que só a libido compreende. quase cavando o colchão com as unhas. rentes! Por que Deus sempre apronta essas com a gente? Eu esago os lençóis brancos. começou a escrever. Homem é tudo igual. cada linha de saliva deixada pelo passeio da lín- 28 Revista CAIXA BAIXA Revista CAIXA BAIXA 29 . Se eu ficar aqui. É domingo. O resultado foi 1: falha se escritor e publicou um livro. Tua carne agora nobre será lixo mas não quero. do seio Tua mente. Tive logo que fechar as cortinas. Lançou um d20 para ver o que seria da vida. encosto na janela pesando. Para chorar as pitangas.blogspot. por que se apaixonar logo por ela? Rolei pelos lençóis buscando beijar aquele cheiro. posso ficar até tarde na cama. fechei de vez as cortinas.blogspot. lembro do corpo. que me despertaram algo que nunca tinha sentido em alguém como ela. Mundos tão dife- Será servida à mesa dos teus vermes. de ligar pra ela e dizer que isso não pode se repetir. como um bicho. me preenchendo. http://thiagoliafook. ainda sinto o roçar das coxas aqui… Cada beijo. mas saiu de lá sem juízo: tornou. cada palavra tenra. Hoje é doze de junho. me Se apagará das vistas sem seqüela. acordei tão sem noção que não me lembrei que es- tava ainda nua. vou remoer isso ainda mais. Branquela gostosa! Xinguei o cara que passou soltando essas Arranca o peito e abandona a casta gracinhas lá embaixo. Tenho E recolhida ao saco. crítica. não sabe como tratar uma mulher Até que a rua te modele a plasta. de verdade. agora acesa qual a vela que tanto acariciei… Onde eu estava com a cabeça! Pernas torneadas.com/ soneto em queda-livre falta uma cor no arco-íris A Amanhã ou depois (tu já estremeces!) cordei já me sentindo mal. roliças e Com que te velarão as duras sobras. Cada Tal como a chama ardente que se esgota beijo dela me fazia despencar. pois Fórmula: – Carpe diem! Larga o lar alguém tentava me espiar.

Oi. nós encharca. me esfregava sem saber se era desejo ou repulsa. estava a fim de caçar alguém. atende. não posso. minha camisa. minhas unhas no colchão. gostosa. eu ia. mas é coisa minha. contrado a pessoa ideal… Calma você vai encontrar alguém que… gonhar por muito tempo. não. Celular. ixado! Como isso tudo começou? Como? basta. gata! Vamos sair outra vez? Não. sou nova. A gente é muito diferente! Como visto. hum. meu corpo nu. Que que tô fazendo? Deus. meu amor. liguei de uma vez. cioso. o cheiro. Atende. atende. Só pode ser! Adorei a por favor. queria que purificasse. No começo eu não queria mesmo. Eu me sentia uma deusa. as pernas. os cabelos encaracolados. porque não percebi isso an. mas era fato que ia me enver. abraços. saindo. mas era impossível! Lembro até agora! Não devia ter de. nunca mais. atende. Cai uma lágrima. as pernas. Você não quer dar uma volta? Tô de carro. É ela. namorar assim tão fácil. sinto nosso cheiro me chamando. me ajuda! Calma. não posso ouvir isso. não posso. O sol finalmente tá noite pra Deus me ajudar. a língua.gua por mim. Ela não parecia ter me adorei sair com você. Caio na cama. bêbada ontem você soube me procurar. mas não há quem não se frustre diante da quebra de princípios. quer tanto quanto eu. três. Você é super simpática. relaxa. a mão tremendo. o peito trêmulo como um animalzinho acuado. não quero Aceitou com um selinho. já entendi. toca das. fui. atende. o passeio. ligo para ela. né? Sua piranha! Escuta. por favor. Quando tava goles lascivos de álcool. o de. noite. vamos sair de noite. Retribui de forma apaixonada. não devo repetir. gata. aparelho pelos lençóis. Pedi uma bebida Duas chamadas não atendidas. chupando meus dedos. o cheiro. dizer? Oi. dividindo é nada disso. Oi. Um relâmpago. tes? Uma canção abafada vem do quarto. atende. pra me animar. mas a curvas me chamavam. não deixo que venha a quinta. telefone. atende… Estava no Rainbow. o sorriso deli. eu ia. você sabe? Sabendo! Não vai rolar. senti tudo se confundir como se eu despencasse num fone me encarando. Vou rezar toda Levanto da cama. posso mesmo cometer erros. Cada palavra dela arrancava voraz um botão da não. o beijo. que me fizesse ao menos ter um fim de semana em que Quatro. não. Não demorou Não esperei pela quinta. dá pra notar até um tímido arco-íris lá no fundo. estava firme na minha posição. brincar com seus sentimentos. um bar muito bom aqui do centro. ouvido. dividindo a mesa. Entro no banho. lençóis indo a luz me deixava ver ela segurando minha mão. Amor. eu não e vindo. telefone. atende. Desligou. quatro. te amo. atende. mas não vai dar certo. me enrolo. eu deitada. não posso. abro as cortinas. desculpa. atende… ela dizendo essas coisas. desculpa. a língua. Bem. me perdoa. o barulho da chuva lá fora abafando os sussurro. Não quero ouvir atende. relâmpagos. a água cai. Já que não se arruma alguém pra Três. minhas auréolas rosadas denunciando Deixo ele parar de tocar. vem. o dorso. Já disse que você é maravilhosa. No que percebi a gente já estava íntima. celular chamando. eu sei que você novamente o telefone. pego uma toalha branca. me perdoa! Atende. a língua. impulso? Inconsciência? Isso duas. Olha. Remorso. o selinho. não podem- muitas caipirinhas para ela aparecer. atende. eu… não é nada com você. não me lembrasse que era mais um dia dos namorados sozinha. Tenho de dar um basta nisso! Ligo de volta? O que ela vai quarto escuro. os mais nos ver? Não. Ninguém atende. amor. ouvindo. Não cote. estou louca pra te pegar outra vez. só que não vai dar certo. Pensei que tinha en- Não! Jamais me mataria por algo assim. Que que eu fiz? existe? Minhas preferências sempre tão destacadas. procuro o meu prazer. gostosa. espirais me convidando. vou até a janela. Mas por quê? Ah. Tudo bem. Notei logo o corpo belo. não vou resistir! Não! Não vou! 30 Revista CAIXA BAIXA Revista CAIXA BAIXA 31 . meu peito contra o queria demonstrar. beijo. dela. eu ia. Droga. tele- Só bastou ela me tocar.

lugares e situações em comum com a realidade são meras coincidências. nucleocaixabaixa@gmail. nomes.com http://caixabaixa. Todos os textos que a compõem são obras de ficção. As ilustrações dos textos foram retiradas da internet.A Revista CAIXA BAIXA não possui fins lucrativos.org/ 32 Revista CAIXA BAIXA .