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INSTITUTO GNÓSTICO DE ANTROPOLOGIA DO BRASIL CURSO DE GNOSE A DISTÂNCIA Nº 4 A L EI

INSTITUTO GNÓSTICO DE ANTROPOLOGIA DO BRASIL CURSO DE GNOSE A DISTÂNCIA

Nº 4

A LEI DO KARMA

INSTITUTO GNÓSTICO DE ANTROPOLOGIA DO BRASIL CURSO DE GNOSE A DISTÂNCIA Nº 4 A L EI

A LEI DO KARMA

É necessário que as pessoas entendam o que é a palavra sânscrita “Karma”.

Amigos meus, existe uma Lei que se chama Karma. Não está demais asseverar que tal palavra significa em si mesma, lei de ação e conseqüência. Não existe causa sem efeito, nem efeito sem causa.

A Lei da Balança, a Lei terrível do Karma, governa toda a criação. Toda causa se converte em efeito e todo efeito se transforma em causa.

Vós deveis compreender o que é a lei de compensação. Tudo o que se faz, tem que se pagar, pois não existe causa sem efeito, nem efeito sem causa.

Foi-nos dado liberdade, livre arbítrio e podemos fazer o que queiramos, porém é claro que temos que responder diante de Deus por todos os nossos atos. Qualquer ato de nossa vida, bom ou mau, tem suas conseqüências. A lei de ação e conseqüência governa o curso de nossas variadas existências e cada vida é o resultado da anterior.

Compreender as bases e modus operandi da lei do Karma é indispensável para orientar o navio de nossa vida em forma positiva e edificante, através das diversas escalas da vida.

Karma é lei de compensação, não de vingança. Há quem confunda esta lei cósmica com o determinismo e ainda com o fatalismo, ao crer que tudo que ocorre ao homem na vida está determinado inexoravelmente de antemão. É verdade que os atos do homem determinam a herança, a educação e o meio. Porém também é verdade que o homem tem livre arbítrio e pode modificar seus atos, educar seu caráter, formar hábitos superiores, combater debilidades, fortalecer virtudes, etc.

O Karma é um remédio que nos é aplicado para o nosso próprio bem. Desgraçadamente as pessoas em vez de se inclinar reverentes ante o eterno Deus vivente, protestam, blasfemam, se justificam a si mesmas, se desculpam estupidamente e lavam as mãos como Pilatos. Com tais protestos não se modifica o Karma, ao contrário se torna mais duro e severo.

Quando alguém vem a este mundo, traz consigo seu próprio destino; uns nascem em colchão de plumas e outros na desgraça. Se em nossa passada existência matamos, agora nos matam, se ferimos, agora nos fere, se roubamos, agora nos roubam, e “com a vara que a outros medimos seremos medidos”.

Reclamamos fidelidade do conjugue quando nós mesmos fomos adúlteros nesta ou em outras vidas precedentes. Pedimos amor quando fomos impiedosos e cruéis. Solicitamos compreensão quando nunca soubemos compreender a ninguém, quando jamais aprendemos a ver o ponto de vista alheio.

Anelamos ditas imensas quando fomos sempre a origem de muitas desditas. Quiséramos nascer em um lar muito formoso e com muitas comodidades, quando não soubemos em passadas existências, brindar a nossos filhos lar e beleza.

Protestamos contra os insultadores quando sempre insultamos a todos os que nos rodeiam. Queremos que nossos filhos nos obedeçam, quando jamais soubemos obedecer a nossos pais. Molesta-nos terrivelmente a calúnia quando nós sempre fomos caluniadores e enchemos o mundo de dor. Incomoda-nos a maledicência, não queremos que ninguém fale mal a nosso respeito; sem embargo, sempre falamos mal do próximo, mortificando-lhe a vida. Quer dizer,

sempre queremos o que nunca demos; em todas as nossas vidas anteriores fomos malvados e merecemos o pior, porém nós supomos que merecemos o melhor.

Afortunadamente meus caros amigos, a Justiça e a Misericórdia são as duas colunas fundamentais da Fraternidade Universal Branca.

A justiça sem misericórdia é tirania; misericórdia sem justiça é tolerância, complacência com o delito. O Karma é negociável, e isto é algo que pode surpreender muitíssimo aos seguidores de diversas escolas ortodoxas.

Certamente alguns pseudo-esoteristas e pseudo-ocultistas se tornaram demasiado pessimistas em relação com a lei de ação e conseqüência; supõe equivocadamente que esta se desenvolve em forma mecânica, automática e cruel. Os eruditos crêem que não é possível alterar tal lei; lamento muito sinceramente ter que discordar com essa forma de pensar.

Se a lei de ação e conseqüência, se o némesis da existência não fosse negociável, então onde estaria a misericórdia divina. Francamente eu não posso aceitar crueldade na divindade. O Real, Aquilo que é todo perfeição, Isso que tem diversos nomes como Tao, Aum, Inri, Sein, Ala, Brahma, Deus ou melhor diríamos Deuses, etc., de modo algum poderia ser algo sem misericórdia, cruel, tirânico, etc. Por tudo isso repito, de forma enfática, que o Karma é negociável.

É possível modificar nosso próprio destino, porque “quando uma lei inferior é transcendida por uma lei superior, a lei superior lava a lei inferior”.

Modificando a causa se modifica o efeito. “O leão da lei se combate com a balança”. Se em um prato da balança colocamos nossas boas obras e em outro colocamos as más, ambos os pratos pesarão iguais ou haverá algum desequilíbrio. Se o prato que trás as más ações pesa mais, devemos por boas obras no prato das boas ações com o propósito de inclinar a balança a nosso favor; assim cancelamos Karma. Faz boas ações para que pagueis vossas dívidas; recordemos que não somente se paga com dor, mas também se pode pagar fazendo o bem.

Agora compreenderão vocês, meus bons amigos, o maravilhoso que é fazer o bem; não há dúvida de que o reto pensar, o reto sentir e o reto obrar são o melhor dos negócios.

Nunca devemos protestar contra o Karma, o importante é saber negociar. Infelizmente às pessoas o único que lhes ocorre quando se acham em uma grande amargura é lavar as mãos como Pilatos, dizer que não fizeram nada de mal, que não são culpadas, que são almas justas, etc.

Eu digo aos que estão na miséria que revejam suas condutas, que julguem a si mesmos, que se sentem, ainda que seja por um instante, no bando dos acusados, que depois de uma sumária análise de si mesmos modifiquem suas condutas. Se aqueles que se encontram sem trabalho, se tornassem castos, infinitamente caridosos, aprazíveis, serviçais em cem por cento, é óbvio que alterariam radicalmente a causa de sua desgraça, modificando, em conseqüência, o efeito.

Não é possível alterar um efeito se antes não se modifica radicalmente a causa que o produz, pois como já dissemos, não existe efeito sem causa nem causa sem efeito.

Deve-se trabalhar sempre de forma desinteressada com infinito amor pela humanidade, assim alteramos aquelas más causas que originaram os maus efeitos.

Não há dúvida de que a miséria tem suas causas na embriagues, na asquerosa luxúria, na violência, no adultério, na prodigalidade, na avareza, etc.

Queres sanar? Sana a outros. Algum parente teu está no cárcere? Trabalha pela liberdade de outros. Tens fome? Compartilha o pão com aqueles que estão piores que tu, etc.

Muitas pessoas que sofrem, só se lembram de suas amarguras, desejando remediá-las, mas não se lembram do sofrimento alheio, nem remotamente pensa em remediar as necessidades do próximo. Este estado egoísta de sua existência não serve para nada; assim, o único que consegue realmente é agravar seus sofrimentos.

Se tais pessoas pensassem nos demais, em servir a seus semelhantes, em dar de comer ao faminto, em dar de beber ao sedento, em vestir o desnudo, em ensinar ao que não sabe, etc., é claro que poriam boas ações no prato da balança cósmica para inclinar a seu favor; assim alterariam seu destino e veriam a sorte a seu favor. Quer dizer, ficariam remediadas todas as suas necessidades, mas as pessoas são muito egoístas e por isso é que sofrem, ninguém se recorda de Deus nem de seus semelhantes, senão quando estão no desespero e isto é algo que todos podem comprovar por si mesmos, assim é a humanidade.

Desgraçadamente, meus queridos amigos, esse ego, que cada um leva dentro, faz exatamente o contrário do que aqui estamos dizendo. Por tal motivo considero urgente, inadiável, impostergável, reduzir "o mim mesmo" a poeira cósmica.

Pensemos por um momento nas multidões de humanóides que povoam a face da Terra. Sofrem o indizível, vítimas de seus próprios erros; sem o ego não teriam esses erros, nem tampouco sofreriam as conseqüências dos mesmos.

O único que se requer para ter direito a verdadeira felicidade é, antes de tudo, não ter ego. Certamente quando não existem dentro de nós os agregados psíquicos, os elementos inumanos que nos torna tão horríveis e malvados, não existe Karma para pagar e o resultado é a felicidade.

É bom saber também que quando eliminamos radicalmente o ego, a possibilidade de errar fica aniquilada e em conseqüência o Karma pode ser perdoado.

A Lei do Karma, a Lei da Balança Cósmica não é uma lei cega. Também se pode solicitar crédito aos Mestres do Karma e isto é algo que muitos ignoram. Entretanto, é urgente saber que todo crédito tem que ser pago com boas obras e se não se paga, então a Lei cobra com suprema dor.

Necessitamos fazer-nos conscientes de nosso próprio Karma e isso só é possível mediante o estado de alerta novidade. Todo efeito da vida, todo acontecimento, tem sua causa em uma vida anterior, porém necessitamos fazer-nos conscientes disso.

Todo momento de alegria ou de dor deve ser estudado em meditação com mente quieta e em profundo silêncio. O resultado vem a ser a experimentação do mesmo acontecimento em uma vida anterior. Então fazemos consciência da causa do fato, já seja este agradável o desagradável.

Quem desperta consciência, pode viajar em seus corpos internos, fora do corpo físico, em plena vontade consciente e estudar no templo de Anúbis e seus quarenta e dois juízes, seu próprio livro do destino.

O chefe dos sacerdotes do tribunal do Karma é o Grande Mestre Anúbis. O templo de Anúbis, o Supremo Regente do Karma, se encontra no mundo molecular, chamado por muitas pessoas de mundo astral. Nesse tribunal só reina o terror de amor e justiça. Nele existe um livro com as dívidas e créditos para cada homem, no qual se anota minuciosamente diariamente suas boas e más ações. As boas são representadas por raras moedas que os Mestres acumulam em benefício dos homens e mulheres que as executam. Nesse tribunal também se encontram advogados defensores. Porém tudo se paga. Nada se consegue de graça. O que tem boas obras

paga

e

se

sai

bem

nos

negócios.

Os

créditos

solicitados

são pagos com trabalhos

desinteressados e inspirados no amor para com os que sofrem.

Os Mestres do Karma são Juízes de Consciência que vivem em estado de Jinas. Temos que fazer constantemente boas obras para que tenhamos com que pagar nossas dívidas desta e de vidas passadas. Todos os atos do homem estão regidos por leis, umas superiores, outras inferiores. No amor se resume todas as leis superiores. Um ato de amor anula atos pretéritos inspirados em leis inferiores. Por isso falando do amor, disse o Mestre Paulo: “O amor é sofrido, bom; não inveja, não injuria, não busca para si, não se irrita, não se compraz com a injustiça, mas se compraz com a verdade; tudo crê, tudo espera, tudo suporta”.

Quando oficiam como juízes, os Mestres do Karma usam a máscara sagrada em forma de cabeça de chacal ou lobo emplumado, e com ela se apresenta aos iniciados nos mundos internos. Essa é a crueldade da Lei do Amor. Negociar com os Senhores da Lei é possível através da meditação: orai, meditai e concentrai em Anúbis, o regente mais exaltado da boa Lei. Para o indigno todas as portas estão fechadas, menos uma: a do arrependimento. Pedí, e dar-

se-vos-á; batei e abrir-se-vos-á.

SÍNTESE

  • - Não somente se paga Karma pelo mal que se faz, como também pelo bem que se deixa de fazer podendo fazer.

  • - Cada má ação é uma promissória que firmamos para pagar em uma vida subseqüente.

  • - “Quando uma lei inferior é transcendida por uma superior, a lei superior lava a inferior”.

  • - “Que ninguém engane a si mesmo, o que o homem semeia, seguirão”.

isso colherá e

suas obras o

  • - Os Senhores do Karma nos tribunais da Justiça Objetiva, julgam as almas pelas obras, pelos atos concretos, claros e definitivos e não pelas boas intenções.

  • - Os resultados são sempre os que falam; de nada serve ter boas intenções se os fatos são desastrosos.

  • - “Ao Leão da Lei se combate com a Balança”.

  • - “Quem tem capital para pagar, paga e se sai bem nos negócios. Quem não tem com o que pagar, deve pagar com dor”.

  • - “Faz boas obras para que pagues suas dívidas”.

PRÁTICA

O objetivo desta prática é lograr o silêncio profundo da mente. Quando a mente está em silêncio e serena, a consciência então desperta e advém a iluminação.

“Mo-chao” é uma expressão chinesa que pode traduzir-se por reflexão serena ou observação serena. A palavra “Mo” significa silencioso ou sereno. “Chão” significa refletir ou observar.

O

difícil

e

trabalhoso

é

conseguir

o

silêncio

mental

absoluto

em

todos

os

níveis

do

inconsciente.

 

Conseguir quietude e silêncio no nível meramente superficial, intelectual ou em alguns departamentos subconscientes, não é suficiente, porque a Essência ou Consciência continua “engarrafada” no dualismo submerso, intransigente e inconsciente.

“Mente em branco” é uma coisa superficial, oca e intelectual. Precisamos de uma reflexão serena se, de verdade, quisermos conseguir a quietude e o silêncio absoluto da mente.

No entanto, compreende-se claramente que, no gnosticismo puro, os termos serenidade e reflexão têm acepções muito mais profundas e, por isso, devem ser compreendidas em suas conotações especiais.

O sentimento de serenidade transcende aquilo que normalmente se entende por calma e tranquilidade, implica em um estado superlativo, que está para além dos raciocínios, desejos, contradições e palavras. Designa uma situação fora do bulício mundano.

Da mesma forma, o sentido de reflexão está pra além daquilo que se entende habitualmente por contemplação de um problema ou ideia. Não implica atividade mental ou pensamento contemplativo, mas consciência objetiva, clara e irradiante, sempre iluminada na sua própria experiência.

Portanto, o termo “sereno” significa serenidade do não pensamento, e “reflexão” significa consciência intensa e clara.

Reflexão serena é a clara consciência, na tranquilidade do não pensamento. Quando reina a serenidade perfeita, consegue-se a verdadeira Iluminação profunda.

Devemos esclarecer que existem dois tipos de concentração: a primeira é do tipo exclusivista e a segunda é de tipo pleno e total, não exclusivista.

A verdadeira concentração não é o resultado de opção com todas as suas lutas, nem de escolher os pensamentos.

Opinar que este pensamento é bom e aquele é mau ou vice-versa; que não devo pensar nisto e que é melhor pensar naquilo, etc., produz, de fato, conflitos entre a atenção e a distração e onde há conflito não pode existir quietude e silêncio mental.

Desta maneira, para realizar esta prática devemos nos acomodar em uma posição confortável, sentados em uma cadeira ou deitados em decúbito dorsal (barriga para cima). Com os olhos fechados, devemos relaxar o corpo completamente e começaremos a observar, serenamente, cada pensamento, cada recordação, cada imagem, cada idéia, cada conceito, etc., à medida que surge na mente. Olhá-lo, estudá-lo, com o sentido da auto-observação psicológica, sem rechaçar ou justificar, buscando compreender sua origem. Esse trabalho deve ser realizado, em ordem sucessiva, com tudo que vai aparecendo na mente.

Quando termina o desfile de pensamentos, a mente fica quieta e em profundo silêncio. Então, a Essência se emancipa da mente e vem a experiência disso que é a Verdade.

BIBLIOGRAFIA

V. M. Samael Aun Weor: Tarot y Kabala, Ediciones Gnósticas “Samael Aun Weor”, México, D.F.,

1979.

V. M. Samael Aun Weor: Sim Há Inferno, Sim Há Diabo, Sim Há Karma, Edições Gnósticas, Portugal, 1996.