Você está na página 1de 56
A TRADICAO ROSACRUZ A | CONGRESSO INTERNACIONAL DA URCI ha Universidade Rose-Croix Internacional Pablico: estudantes rosacruzes, pesquisadores e académicos em geral Objetivo: rounir pesquisadores rosacruzes e académicos em geral para trazer aos congressistas conhecimentos especiais resultantes de investigacdes cientificas sobre 0 tema abordado. Conferencistas Internacionais: Prof. Dr. GIUSEPPE CAROLLO ~ Universidade de Bologna e Pesquisador URC! de Juriscigdo de Lingua Italiana. Conferéncia: O Jardim da Renascenga e © Humanismo do Século XX Prof. Dr. BEN OGUNKUA, Ph.D ~ URCI da JurisdicSo de Lingua Inglesa para as Américas. Conferéncia: © DNA, sua influbacia no destino de Homem e sua elacio com as antigas TradigSes: a Cabala, 0 Tard @ a Arvore da Vida uma abordagem cientfica e antropolégica Prof. Dr. JEAN-GUY RIANT - URC! da Jurisdigo de Lingua Francesa Conferéncia: Do Animal a0 Ser Humane. ESPIRITUALIDADE, HUMANISMO e ECOLOGIA Uma Abordagem Transdisciplinar Organizacio @ apoio: Prof Ms. Héliode Moraes e Marques ~Reitor Coordenador Geral: Prof. Ms, Alfredo dos Santos Junior Conselheiros da URC Confirme sua presenga: Prof, Dr. Carlos André Macedo Cavaleans) DATA: 16 a 18 de setembro de 2016 Prt Fibio Mendia LOCAL: Auditério H. Spencer Lewis, Des Eee EE, a Fok Dr. Julio Cesar Mendonga Graha Bosque Rosacruz, Curitiba-PR PrelOx Lu Eavardo Valengo Bert VALOR: RS 240,00 Prof Dra. Marly da Siva Santos CONVENCIONAIS ROSACRUZES: R$ 190,00 INSCRICOES: www.urci.org.br Prof. Ms. Paulo Roberto Paranhos ™@ MENSAGEM Prezados Fratres e Sorores, Saudagaes nas trés pontas do nosso Sagrado Tridngulo! Esta é mais uma edigao da revista O Rosacruz. Seu contetido é rico de informagdes para os estudantes rosacruzes. Todos os artigos selecionados sao muito bons, mas destaco o pensamento do Imperator, Frater Christian Bernard, sobre o tema Espirito Santo. Este ano nossa Grande Loja completa 60 anos e estare- mos celebrando com muitos eventos especiais: Dia 09 de maio - com um dia de comemoragées na Grande Loja com convocagao ritualistica, Conselho de Solace e outras atividades. As inauguracies do Bosque Rosacruz com a Alameda das Esfinges, com 0 Obelisco de Luxor eo Atrium Romano. A realizagio da XXIV Convencio Nacional Rosacruz com um programa prepara- do especialmente para esta data. Veja no Portal www.amorc.org.br Reforco meu convite! I Congresso Internacional da URCI - Universidade Rose-Croix Internacional no Auditério H. Spencer Lewis nas prévias da XXIV Convengao Nacional Rosacruz. Sera um marco para a nossa Universidade! Espero revé-los nestas ocasides em espirito de fraternidade, uni nheirismo. 0 € compa- Paz Profunda a todos! Assim seja! Hélio de Moraes e Marques GRANDE MESTRE ventoane -onasacnuz, 1 @ SUMARIO nesta edigao 04 O Espirito Santo CHRISTIAN BERNARD. RC pert AMOR 08 A Ordem Rosacruz: uma escola de liberdade Pe PERK GREGOIRE 12. A validade do senso comum Pe CUCILA. POOLE BSspom Seti de ANORC 16 Viver é pintar 20 Sentidos especias: ouvindo o mundo Pwr PESI SOCORRO LIMA DE SOUSA. SRC 24 Sao Jorge, origens e sincretismos Pe ADILIO JORGE MARQUES 32 O milagre possivel a luz da Cabal Po NERY FERNANDES. FRC 36 O dia em que pensei ter morrido 40 Tluminagao e regeneragio 46 Sanctum Celestial "PRICE MISTICX pr RALPHLN LEWIS 52 Ecos do passado LUMA HOMENAGEM AEUSTORIA DA AMORC NO.MUNDO 2 ovenscaur.venioan OROSACRUZ blac trimer Grande Loja ans ding pues Bongos Rewsras~ Caribe ~ Punt 4 sone BS ‘CIRCULAGAO MUNDIAL Propésito da Ordem Rosacruz |AOndem Rosacruz, AMORC é uma orgs ‘izatolntemacional dcaritertempliso, ‘mist cultural e eternal, de homens © tnulheresdedicados a estado eaplcagio rica ds es natura que reger ou verso ¢ avid ‘Seu objetivo ¢ promote a evolugo da tumanidade atrves do desenvolvimento das potencialidades de cada indviduo © propia ao seu exudate uma vida har ‘moniosa que Ie permit alcancar saide, felicidad «par. Neste mister, a Ordem Rosacruz ofe- rece um sistema cieaz¢ comproved de instruc e orienta para um profundo suioconhecimento e compreensio dos procesos que conduzem 8 Thuminagso Essa antiga e especial sabedoria fo cu dadosamente preservads desde 0 seu ‘dacnvolvimento plas Escolas de Mist os Esotéricos e poss lim do aspecto flostico emetaisio, um carte pratco. “Aapliasiodesesensinamentonestiao leance de toda pessoa sincera dlsposta a aprender, de mente aberta © motivagso posta econstutve. ‘ORDEM ROSACRUZ SSC ERGTA voNtoNEN ua Nicarigua 2620 —Bacachor 122515: Canta, PR roel Tol at) 33513000 / Fax (2) 3381-3065, wonvamorcorg.be s textos dessa publicagio nio representam a palavra oficial da | AMORG, salvo quando indicado neste sentido, O contetido dos artigos representa a palavra eo pensamento dos préprios autores ce sio de sua inteira responsabilidade os aspectos legas ejuridicas que ppossam estar interrelacionados com sua publicacio. Esta publicacdo foi compilada, edigida, composta e impressa na Ordem Rosacruz, AMORC - Grande Loja da Jurisdicio de Lingua Portuguesa, ‘Todos os direitos de publicagao e reproduc sio reservados & Antiga «¢ Mistica Ordem Rosae Crucis, AMORC ~ Grande Loja da Jurisdicio de Lingua Portuguesa. Proibida reproducio parcial ou total por qualquer mei. ‘As demais jurisdigBes da Ordem Rosacruz também editam uma revista «do mesmo género que a nossa: Et Rosacruz, em espanhol Rosicrucian Digest e Rosicrucian Beacon, em ingles; Rose+Croix, em francés; Crice Rosae, em alemao; De Rooc, em holandés; Ricerca Rosacroce, em italiano; Barajuji em japonés e Rosenkorset, em linguas nérdicas. expediente = Coordenagio e Supervisio: Helio de Moraes e Marques, FRC ' Editor: Grande Loja da Jurisdiglo de Lingua Portuguesa ® Colaboracao: Estudantes Rosacruzes e Amigos da AMORC como colaborar = Todas as colaboragdes devem estar acompanhadas pela declaragio do autor cedendo os direitos ou autorizando a publicacdo, = A GLP se reserva o direito de néo publicar artigos que nao se encaixem. nas normas estabelecidas ou que nao estiverem em concordéncia com @ pauta da revista. ‘= Enviar apenas cépias digitadas, por e-mail, CD ou DVD. Originais no serdo devolvidos. =No caso de fotografias ou itustragdes, oautordo artigo deverd providenciar aautorizacio dos autores, necessiria para publicasio. ' Os temas dos artigos devem estar relacionados com os estudos e priticas rosacruzes, misticismo, arte, cigncias e cultura geral nossa capa BROCE Reproducio da obra “Venervel Mestre", um. aici ea deo bee ice Sie Tosi ems ontrariamente ao que se acredita oe este conceito nao é ‘Yee especifico do Cristianismo. De fato, 0 Espirito Santo constitui a terceira pessoa da trindade crista, mas ndo se trata seno de uma aplicacao particular de seu sentido esotérico. Para compreender bem a origem desta expres sao, é preciso recordar que a palavra “Espirito” é habitual tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Todavia, o sentido atribuido a essa palavra difere conforme o caso, sendo esta diferenciagio devida aos tradutores ou a uma vontade deliberada de variar seu significado. No Antigo Testamento, particularmente no Génesis, esté escrito: O Espirito de Deus pairava sobre as éguas. Conforme o atesta um estudo comparativo das tradug6es latina, hebraica e grega da Biblia, o termo “Espirito” (Spiritus, em latim) corresponde, nessa frase, a palavra hebraica Rual, e & palavra grega Pneuma, as quais sio indiferentemente em- pregadas para designar a Alma e 0 Sopro de Deus. Ora, na Cabala, o Sopro Divino é defi- nido pela expresso Ain Soph Aur, que signi- fica “Luz InefaveP’. Assim, de correspondén- cia em correspondéncia, vimos a estabelecer uma relacdo entre a Luz divina e 0 Espirito Santo. Com efeito, é neste sentido que o ter- mo é empregado pelos Martinistas. A relagdo que se estabelece a partir dela mesma entre a Luz divina e o Espfrito Santo permite compreender por que ele esta as- sociado ao simbolismo do fogo na tradigao judaico-crista. De fato, o fogo terrestre repre- senta tradicionalmente o poder regenerador ‘omosAcaU7.- VERKO me do Fogo divino, considerado como o agente de transmutagao gragas ao qual o Homem de Desejo, segundo Louis-Claude de Saint- -Martin, pode ascender ao estado de Novo Homem. F, portanto, nesse sentido aleg6rico que é preciso interpretar as palavras INRI que foram gravadas sobre a cruz do Mestre Jesus, sendo estas letras a abreviagao da frase latina Igne Natura Renovatur Integra, a qual significa A natureza humana é inteiramente regenerada pelo Fogo divino, No seu contexto cristdo, ela indica que Jesus, enquanto purifi- Na Cabala 0 Sopro Divino é definido ‘como Ain Soph ‘Aur, que siginfica “Luz Inefavel”. cador e regenerador d para desvanecer os pec nidade e purificar seu carma aac _condderica siaatla por quem recebe a Tlu- " minagao. E precisamente por essa razdo que ‘0s messias, profetas e avatares so sempre descritos como seres que contemplaram o Fogo divino ou que foram consumidos por ele. Um dos exemplos mais significativos disto nos é dado na passagem biblica que relata como Deus apareceu a Moisés sob a forma de um arbusto ardente. Ademais, na iconografia crista os apéstolos estao fre- quentemente representados com uma flama sobre suas cabecas, simbolizando sua ilumi- nacao pelo Espirito Santo. Na origem, o Espirito Santo, entio, reportava-se a Deus Ele mesmo e designava a. um sé tempo a Luz que Ele infunde no ho- mem regenerado e 0 Sopro gracas a0 qual Ele transmite essa Luz. E precisamente por essa razio que iniciados como Willermoz, Boeh- me, Swedenborg e Saint-Martin o asseme~ Iham igualmente ao Verbo. Em virtude deste principio, o Evangelho segundo Sao Joao adquire uma outra dimensao, porque pode- mos entao transcrevé-lo da seguinte maneira: “No comeco era 0 Espirito, ¢ 0 Espirito estava junto a Deus, e o Espirito era Deus” Essa transcricio permite melhor compreender por que a Divindade foi na sequéncia dividida uma Tri-Unidade simbolizada no Cristia- por Deus 0 Pai, Deus 0 Filho e Deus 0 10 Santo, Esta triplice divisdo foi inst tuida pelos padres da igreja crista por ocasiio dos concilios de Nicéia e de Constantinopla, que aconteceram respectivamente em 325 € natureza puramente expulsar dos pulmoes 0 m: bnico, a fim de ial de sarga, que queimava mas jamais se consumi tem uma dimensao espiritual e permite a concentracao na esséncia césmica contida no ar ou de focalizé-la na diregao de um ponto determinado, 0 mais das vezes no ambito de uma experiéncia mistica particular. Assim sendo, em certas ceriménias religiosas e em diferentes rituais iniciaticos, 0 sopro é utiliz do para transmitir ao candidato um influxo vertoans -onasscauz 5 | IMPERATOR 6 particular e conferir a ele uma qualidade, uma autoridade, um sacramento, um poder ou qualquer outro atributo que faga dele um. agente particular da Divindade e um instru- mento de sua Onipresenca, de sua Onipotén- cia e de sua Onisciéncia. A partir de entao, dever do iniciado fazer um bom uso do que Ihe foi transmitido ¢ empregé-lo a servico de sua busca mistica e de sua propria evolu- Ao interior. E evidente que a Tri-Unidade crista en- cerra um sentido esotérico que transcende a nogao antropomérfica de Pai, de Filho e de Espirito Santo, considerado como a terceira pessoa dessa trindade. De um ponto de vista esotérico, o Pai corresponde ao Pensamento divino, o Filho ao Verbo divino e o Espi- rito Santo a acdo divina. Em virtude deste princfpio, toda a Criagao visivel e invistvel foi concebida, posta em movimento e man- tida em atividade pelo Grande Arquiteto do Universo. Esta obra triplice se encontra, portanto, no homem, pois ele ¢ dotado de pensamento, de palavra e de acdo. E precisa- mente por essa razio que todos os escritos sagrados, sob uma forma que pouco difere, enunciam que 0 homem foi feito & imagem de Deus. © objetivo de sua evolugao espiri- tual é precisamente tomar consciéncia disto (© homem feito & imagem de Deus na célebre alegoria de Michelangelo. ‘omosAcaU7.- VERKO me e exprimir esta imagem no seu comporta- mento cotidiano, a fim de regressar a seu estado original de Adio Kadmon. Em um de seus escritos, Willermoz resu- me perfeitamente esse ponto de vista. Ele diz efetivamente: O primeiro dos poderes operantes em Deus é 0 Pensamento ou Intengao divina, que cria, concebe e executa nele mesmo todos 0s seus planos de emanagio e de eriagdo. Ele é o primeiro agente de manifestagdo da Unidade. 'Nés 0 chamamos Pai de todas as coisas ¢ atri- buimos a ele especialmente a Onipoténcia. O segundo poder é a Vontade divina, se- gundo agente das manifestacdes da Unidade. Ela é 0 Verbo e a expressao da Intencao divina E por isso que a chamamos o Filho tinico do Pai e atribuimos a ela especialmente a Sabedo- ria infinita que conhece. O terceiro poder é a Agdo divina propriamen- te dita, 0 Grande Fiat, que comanda e opera a perfeita execugdo de todos os planos de criagiio e de emanagao espirituais concebidos no Pen- samento do Pai ¢ adotados e determinados pela Vontade do Filho, Nés a chamamos Espirito San- to, pois ela é verdadeiramente o Espirito da Uni- dade divina e de todos os seus poderes reunidos. Em sua obra intitulada O Homem de Desejo, Louis-Claude de Saint-Martin evoca igualmen- te simbolismo do Pai, do Filho e do Espirito Santo. Eis o que ele escreveu acerca disto: 0 Eterno, todo-poderoso Criador, cujo poder infinito se estende sobre o universo dos espiritos e dos corpas, contém em sua imen- sidade uma multiddo incontdvel de seres que Ele emana, quando assim o deseja, para 0 exterior do seu seio, Ele dé, a cada qual desses seres, leis, preceitos e comandos que sao tam- bém pontos de reunido desses diferentes seres com esta grande Divindade. A correspondéncia de todos 0s seres com o Ser é tao absoluta que nenhum esforgo desses seres seria capaz de obstrui-la. Eles ndo podem jamais, fazendo 0 que quer que facam, sair do circulo onde foram colocados, e cada ponto que percorrem desse circulo nd ia dei “Puro estar um sé instante sem com Se for ass €0 Filho; e « oe todo-poderoso. Assi _ seu Filho thes comunica a vida e esta vida é 0 Espirito Santo. mnforme as explicagdes precedents, o Pai, o Filho e o Espirito Santo correspondem as esferas de atividade que sdo préprias de Deus Ele mesmo e que, por consequéncia, transcendem a Criacio. E por isso que esas esferas nio figuram na Arvore Sefiréti Quando nos referimos a essa Arvore, consta- tamos que, efetivamente, as trés emanacdes superiores, procedentes diretamente do Pensamento, da Palavra e da Acao divinas, correspondem a Kether, Hochmah e Binah. Ora, essas trés sephirot, mesmo constituindo o mundo superior, fazem ja parte do mundo da manifestagao. Flas designam os atributos de Deus ou, mais exatamente, as leis maiores pelas quais Ele se manifesta no mundo invisi- vel. Assim, Kether designa a primeira de suas emanacées, considerada como o principio andrégino da Criagao. Hochmah representa. a segunda e designa o principio masculino. Quanto a Binah, a terceira emanagio, simbo- liza o prinefpio feminino, Sao estes trés prin- cipios que encontramos na origem de tudo que existe, tanto no plano material quanto no plano espiritual. ‘A questao que podemos formular é por Jesus, segundo a tradi¢ao cristi, estd itado com o Espirito Santo. De fato, ‘Testamento é dito com frequén- cia que ele é “a encarnacio do Espirito” ou “aquele pelo qual o Espirito se fez. corpo”. Na mesma ordem de ideias, ele é qualificado de ‘ou de “Espirito Lu , penso que é por ser considera do como tendo sido 0 avatar mi A Arvore Sefirética @ a8 emanacSes divinas na Interpretacso do artista e mistico Nicomedes Gomez. que a humanidade conheceu no decurso de suas sucessivas eras evolutivas. Dito de outra ‘maneira, este Mestre € possivelmente o tinico ater realizado o estado de consciéncia mais elevado que o homem pode alcangar no fim de suas encarnaces. Segundo esta mesma ideia, foi a expressao viva do Verbo divino, também chamado de expressio do priprio Egpirito de Deus. ‘Ao longo dos periodos de meditacio, podemos invocar o Espirito Santo que é 0 Sopro divino que purifica, regenera, inspira ilumina todo ser. Se o fizermos sinceramente ena esperanca de que esse Sopro nos penetre ‘0 corpo ea alma, nés receberemos a cada vez um influxo espiritual que nos elevard inte- tiormente, mesmo se es ientes disto. 7 ivermos cons- _ M@ ROSACRUCIAN A Ordem Rosacruz: Uma Escola de Liberdade Por PIERRE GREGOIRE jendo certo ntimero de questdes Ihe sido um dia feitas a respeito do fun- cionamento da AMORC e sobre a filosofia rosacruz, Serge Toussaint, Grande Mestre da Jurisdicao de Lingua Francesa, concluiu a entrevista resumindo ‘sa concep¢ao com as seguintes palavras: A Ordem Rosacruz é uma Escola de liberdade... (© que poderiam representar essas palavras? No decorrer da reflexdo, elas pareciam ter um grande alcance sobre a razao de ser da Ordem. Rosacruz e 0 sentido do processo que é pro- posto ao buscador. Este artigo visa partilhar essas reflexdes a respeito da liberdade e se ini- cia, portanto, com um convite a se considerar como os ensinamentos rosacruzes ensinaram a0 mistico a exercer sua liberdade. Examinemos inicialmente essa expressio que qualifica a AMORC como uma escola de liberda- de. A nogao de escola remete & de aprendizado. ‘Uma escola é uma instituigao onde se adquire ‘uma instrugdo ao se desenvolver competéncias através de um ensinamento graduado. A matéria ensinada aqui em questo é a liberdade. Esse ponto de vista pode inicialmente suscitar assom- bro: seria a liberdade o fruto de um aprendizado? ‘Somos livres pelo priprio fato de nossa condigio humana ou devemos adquirir essa liberdade? Al- ‘guns talvez pensardo que a liberdade é algo que no tolera bem os meios-termos: ou se é livre, ou miio se é... No espirito da Declaragiio Universal dos Direitos do Homem, a Declaracto Rosacruz dos Deveres do Homem é clara a esse respeito e estipula, no artigo 3°, que todo indiviuo tem o dever de respeitar o outro sem distingdo de raga, de sexo, de religido, de classe social ou de qualquer ‘outro elemento aparentemente distintivo, impli- ‘cando que toda pessoa ¢ titular das liberdades fundamentais, como a liberdade de consciéncia, de religido, de opinio, de expressio, de reunidio pacifica e de associacdo. Existe, portanto, um consenso, 20 menos nas sociedades democriti- ‘cas, quanto ao fato de a liberdade estar ligada & condigao humana. A apreciagio do Grande Mes- Se tre revela um paradoxo aparente: se somos livres por direito natural, por que deveri aliberdade? A resposta a esta pergunt sem diivida no uso que fazemos dela ou nas é ‘O ser humano / i (0 fundo nao é mais que tum escravo dos diversos condicionamentos que interiorizou? Ele pode exercer de verdade aan aque chamamos o “livre-arbitrio”? ‘A busca pela liberdade se confunde com as origens do pensamento filos6fico. Desde a Antiguidade muitos filésofos se dedicaram a essas questes fundamentais, assim como faze~ mos hoje em dia, e por vezes ~ como foi o caso de Sécrates ~ tiveram de pagar com suas vidas. A questio da liberdade indissocivel da no- ao de escotha. “Ser” livre é inicialmente “ter” aescolha. Como dizia 0 escritor Paulo Coelho, a liberdade nao é a auséncia de compromisso, mas a liberdade de escolha. Se a liberdade esta ligada a nocao de escolha, é preciso entio admitir que ela implica também a ideia de responsabilidade. S6 € livre, definitivamente, aquele que é responsavel por suas escolhas. Existem, todavia, diversas formas de liber- dade e é importante que especifiquemos aqui a qual vamos nos referir. Existe a liberdade de di- reito juridico, como aquela que é garantida por uma Carta; hd também a liberdade de agir se- gundo nossa prépria vontade e, finalmente, ha a liberdade interior, ou livre-arbitrio, que consiste ‘em ser mestre de si mesmo, sem ser escravo de suas paixdes, de seus desejos ou de suas crencas limitadoras. A liberdade consiste até mesmo em poder rejeitar a evidéncia e escolher o mal ao invés do bem. Como evocado mais acima, ‘ou se ¢ livre ou no se é... Suponhamos que era A liberdade interior que o Grande Mestre fazia alusio; é a esta forma de liberdade que o leitor &convidado a refletir aqui: uma liberdade que nenhuma pessoa ou circunstaincia exterior pode nos tirar e que conservarfamos mesmo no fun- vasoai omens Qe @ ROSACRUCIANISMO do da prisio mais sombria. Alguns filésofos contemporineos considefam que, para pensar livremente, é preciso se desfazer de todas as ideologias que condicionam o pensa- mento. £ isso que pode ser chamado de “teoria da terra queimada’, em que toda forma de heran- ga éconsiderada um entrave do qual é preciso se desvencilhar. Ter um passado, uma meméria uma origem nos torna inaptos a exercer nossa liberdade de pensar? Ainda que pensar por si ‘mesmo exija um distanciamento reflexivo face 20s modos, is tendéncias e as ideologias, parece muito improvavel que uma espécie de vacuidade de referéncias possa conduzir quem quer que seja a pensar livremente. Todos os tiranos par- tilharam o fantasma da imposigdo do seu “novo ‘ano zero” do conhecimento fazendo uma limpa de tudo 0 que precedeu stia dominacio, com as. consequéncias desastrosas que nds conhecemos. Averdade é que nés nao pensamos a partir do vazio. Nossas construgées mentais tém por maté- ria as aquisigdes prévias da linguagem, nossas re- feréncias culturais e nossas experiéncias passadas cujos tracos so conscientes ou inconscientes. Levando nossa reflexio mais adiante, pode- famos nos perguntar se nossa heranga bioge- nética nao determina inteiramente nossos atos. fildsofo Baruch Spinoza, em sua obra sobre a ética, enuncia da seguinte forma a sua recu- sa do livre-arbitrio tal como preconizado por Descartes: Basta-me por enquanto enunciar esse principio com 0 qual todo o mundo deve convir, saber, que todos os homens nascem na igno- rancia das causas e que um apetite universal de que eles tem consciéncia os leva a procurar aqui- To que thes 6 til. Uma primeira consequéncia desse principio é que os homens julgam ser livres endo pensam de forma alguma nas causas que 0s dispde a desejar e a querer. Os deterministas concluem disso que nés acreditamos agir a0 passo que “somos levados a agir” por impulsos ~ eles préprios oriundos de causas muitas vezes desconhecidas e incontornaveis. Para Spinoza, Deus é a causa primeira determinante da qual nnés'somos um efeito, e nossa tiltima liberdade reside, segundo ele, no Amor constanté eterno para com Deus; noutras palavras; no Amor de Deus-para.com os homens, Essa insisténcia sobre a causalidade divina e Sobre o.nosso status de criatura obrigada talvez tenha contribuido para a rejeigao da ideia de Deus e, por extensio, de toda forma de transcendéncia. Além disso, nio a primeira vez em que o Homem se rebela contra esta sujeicao. Nao foi Adao o primeiro dos insubmissos? O determinismo filoséfico moderno rejeitou, portanto, a nogao de Sentido transcendente e se inscreve numa visao materialista da existéncia, repousando sobre o acaso e a necessidade. Em seu ensaio sobre a filosofia natural da biologia moderna, Jacques Monod, bidlogo e bioquimico francés do Instituto Pasteur de Paris e Prémio: Nobel de Medicina, proclamava: A antiga alian- ¢« foi rompida; o homem sabe enfim que estd.s6 nna imensidade indiferente do Universo, de onde ‘emergiu por acaso. A aparigio da vida ¢ consi- derada pela ciéncia como a resultante de uma absurda coincidéncia de condicées fortuitas. Homem talvez tenha se libertado do Pai Celeste, mas nio do determinismo.... Se por um lado a ‘questio do Sentido foi mais ou menos afastada por esse acaso todo-poderoso, por outro a da liberdade parece se conservar ardente e irreso- luta, a menos que se considere a desesperanga existencial de nossas sociedades modernas como ‘uma forma de lucidez libertadora. Evidentemen- te, nao existe amor possivel entre o acaso e nés. O escritor satirico Frangois Cavanna escre- vveu que a liberdade consiste em fazer tudo aquilo que 0 comprimento da corrente permite. Esse aforismo extravagante nao esti, portanto, longe de exprimir o ponto de vista dos partidarios do livre-arbitrio, A alma humana é insondavel e mesmo se nossas escolhas fossem estritamente determinadas, como pensa Spinoza, elas so 0 resultado de nosso desejo de viver e de nossos. recursos pessoais. Algumas influéncias agem de alguma forma contra nés mesmos e outras ape- 10 cms. vmtome = Sn. Jam ao nosso eu mais intimo. ‘Aina que seja exato que possamos ser in- fluenciados por fatores que ignoramos, nio sio todas as influéncias que entravam nossa liberda- de; estas podem ir de encontro a nossa persona- lidade ou, a0 contririo, se harmonizar com ela. Por exemplo, um adolescente que deve escolher sua via profissional pode ser influenciado por seus pais em sua escolha, mas essa influéncia pode ser coerente para cle, no sentido de que pode se fundir com as aspiragdes ¢ 0s valores desse adolescente, ou ser nefasta opondo-se a ‘outros elementos importantes de sua personali- dade. Se tomarmos consciéncia daquilo que nos influencia ou se escutarmos a nossa intuig0, podemos fazer distingao entre aquilo que esta ‘em acordo conosco e aquilo que nao est. ato livre nao reside numa espécie de arbi- tragem independente das forcas e das correntes psicologicas que nos constituem, mas antes num modo de estar 4 escuta de si mesmo. Podemos entao escolher a quais influéncias vamos respon- der. O fil6sofo contemporineo Henri Bergson escreveu a esse respeito: Somos livres quando os nossos atos emanam de nossa personalidade in- teira, quando eles a exprimem e quando eles tém com ela essa indefinivel semelhanca que ds vezes se ‘encontra entre a obra e o artista. Estar em acordo ‘consigo mesmo sempre suscita apaziguamento, alegria ¢ entusiasmo, Muitissimos estudos em psicologia visando compreender por que deter- ‘minados individuos submetidos a terriveis pro- ‘vac6es encontram os recursos necessarios para resistir 4 adversidade convergem todas, em suas conclusdes, para a importincia de se acreditar num possivel dominio dos acontecimentos, de seadotar condutas ativas para enfrentar as situ: ‘gdes dificeis e de se encontrar para elas um senti- = 11 Chamamos de homem livre aquele que tem em si mesmo a razao ou finalidade de seu existir, nao sendo de outrem ou para outrem. // do que pettita ser coerente consigo mesmo, Ai esti, ao que parece, 0 essencial da liberdade. E preciso admitir que é mais ficil seguir 0 largo caminho de terra batida que leva aos lugares ‘comuns do que a senda estreita do autoconheci- ‘mento. A liberdade desde sempre tem um prego alto, Ela exige a coragem de nos destacarmos das normas sociais para depender apenas de nosso riprio julgamento, de nos distanciarmos talvez de pessoas que nos sio nocivas ou de abandonar determinados habits. £ assumindo a solitude do. peregrino que podemos escolher nossa diregao. A mentalidade gregaria nao é propicia a liberdade. Em sua obra intitulada Metafisica, Aristételes es- creveu: Chamamos de homer livre aquele que tem em si mesmo a razéo ou finalidade de seu exist, nao sendo de outrem ou para outrem. A essa defi- nigio individualista que insiste na independéncia de espirito necessétria & liberdade eu acrescentaria ‘a seguinte citacdo de Nelson Mandela: Ser livre nao é apenas se livrar de suas correntes; € viver de um modo que respeite e reforce a liberdade dos ou- tros. Ena verdadeira fraternidade que a liberdade encontra sua plena expressio e efeito... Existe uma grande diferenca entre 0 fato de professar crencas ¢ 0 de exprimir convicgées fun- dadas na experiéncia. A Ordem Rosacruz, en- quanto escola de liberdade, nao teria cumprido ‘sua missio junto ands se devéssemos considerar ‘5 ensinamentos rosacruzes como um sistema de pensamento dogmatico no qual bastaria crer. E por essa razo que nos é pedido que sejamos pontos de interrogagao ambulantes, que ques- tionemos e até mesmo que duvidemos, até que tenhamos passado pela confirmacio da experi- éncia vivida. O rosacruz é um buscador antes de ser alguém que crée cabe a ele se exprimir sobre as exigéncias da liberdade. ~ A validade do Senso Comum Por CECIL A. POOLE - ex-Supremo Secretdrio esde muito se tem como fato reconhecido que a capacidade de se usar 0 senso comum é uma dédiva que muitas pessoas aceitam como infalivel. Esta qualidade passa, entdo, a ser considerada como um atributo da intui¢do. Frequentemente, as pessoas ficam satisfeitas em concluir um argumento com a observacao de que 0 seu juizo final esta em consonancia com © senso comum. Na realidade, ele pode ser exatamente 0 contrario daquilo que se supée ser. Pode nao ser mais do que preconceito ou opiniao. Quando um indi- viduo faz do preconceito um sinénimo do senso comum, observa-se uma tendéncia 2. omwcsuz- vaio. para restringir o seu julgamento ea ex- pansao, em pensamento, da sociedade a que pertence. No decurso do progresso humano, verificamos que filosofia, arte, religiao e ciéncia frequentemente representaram uma revolta contra o senso comum. Quando os costumes e as convengoes de um grupo de pessoas se tornam tio in- delevelmente marcados em suas respec- tivas consciéncias que o chamado senso comum de certos individuos passa a re- fletir um ponto de vista geral da coletivi- dade, é somente pela agio daqueles que siio suficientemente corajosos para pe- netrar em outros campos do pensamento formular novas ideias que se consegue um instrumento eficaz para combater © preconceito € a convengao, ambos os quais a constituir parte do senso comum do gregirio humano. A ciéncia moderna tem produzido muitas coisas que resultaram em assis- téncia ao ser humano. Ela se justifica pela sua utilidade. O fato que a ciéncia tem proporcionado muita aplicacao pritica e ‘os meios de tornar mais facil o trabalho humano prova essa utilidade. A aplica- ‘40 pritica da teoria tem progredido em proporcio direta ao afastamento de que a ciéncia foi capaz de manter em relacdo ao senso comum. Dentro do periodo de vida de muitas pessoas que ainda hoje se encontram vi- vendo, 0 senso comum tem sido conside- rado como a base da prova segundo a qual um objeto mais pesado do que 0 ar jamais voaria; que uma maquina a combustivel jamais substituiria 0 cavalo; e que a co- municacio pelo radio seria, apenas, uma condigao frivola, a ser vista num espet: culo teatral, ou como uma demonstracao interessante. Em outras palavras, somente no campo da ciéncia pratica, se o senso comum tivesse sido a base final do julga- ‘mento para as numerosas maneiras pelas quais a ciéncia hoje nos ajuda, tais realiza- ‘g6es jamais viriam a ter existéncia. Quando 0 senso comum se torna um padrao para as convengdes e preconcei- tos de uma sociedade, entao todos os in- dividuos que pensam passam a procurar libertar-se de tais restrigdes, voltando-se, por maneira abstrata, para a ciéncia, a filosofia, a religido ea arte. A abstracao proporciona ao individuo um gosto e experiéncia de liberdade. Libera-o da- quelas restrigdes que, de outro modo, 0 Sujeitariam a sociedade de que faz parte; e, de acordo com a tipicidade que Ihe é propria, a abstracdo também pode ir a extremos (conforme se verifica nas varias formas de arte, assim como na religido e na filosofia, sendo que, nas ciéncias, tal extremismo As vezes se caracteriza por uma caréncia de juizo sadio). Nao obstante, a convengao social, reforcada pelo senso comum, é uma condicdo que se repete periodicamente. Aqueles que hoje se afastam do que é convencional para se voltarem para a abs- tracdo nas artes e ciéncias tornar-se-4o 0s conservadores de amanhi. Assim é que 0s conceitos se tornam estabelecidos por individuos, por maneira suficientemente forte para dominar a sociedade e, de al- gum modo, para estabelecer uma lei, um Procedimento ou sistema, que podem ser aceitos como senso comum por uma gera- 20 futura, a despeito do esforco exigido. Sem o exame da natureza e da fonte ori. ginal de um sistema, essas convengées se tornam aceitas por si mesmas e nao para o beneficio que o ser humano delas possa vantowis oman 3 @ COMPORTAMENTO #1 O ser humano tem capacidade para ir além das convengées e preconceitos estabelecidos em seu ambiente imediato e para atingir as profundeza da sua prépria consciencia obter. Convencao e senso comum apenas apresentam uma tendéncia para amortecer © entusiasmo em favor do progresso, ou a aprendizagem de qualquer coisa fora do reino do referido senso comum; mas ha, também, a tendéncia para simplificar. Por exemplo, diz o senso comum que a defini- cdo da realidade é simples; e, no entanto, em toda a histéria do progresso humano, até os dias de hoje, o ser humano ainda nao estd certo a respeito das realidades fundamentais do universo. Nao est certo de que jamais se possa atingir uma época em que a filosofia e a arte, de um lado, e a religido ea ciéncia, de outro, se entrosarao 44, orseaur- vaio a de um modo construtivo, de tal sorte que isso resultaria numa aproximacdo mais sadia dos problemas com que se depara a sociedade. ‘A filosofia deve liderar a marcha, que é uma disciplina que pode ser formu- lada dentro da mente, sem se recorrer a eventos ou entidades estranhas. Para alar- gar a visdo humana, a filosofia deve atacar os erros do senso comum e, ao mesmo tempo, invocar 0 juizo do ser humano. Se ele deve evoluir na maneira desejada, deve, também, consequentemente, ser levado a criticar as crengas comuns e ser capaz de apelar para a razo e nao funda- mentar suas decis6es em alguns precon- ceitos aprioristicos. Quando o ser humano verdadeiramente filosofa — isto é, quando funciona como um ser racional — esta, entao, recorrendo & fonte mais elevada da sua prépria natu- reza. © ser humano tem capacidade para ir além das convencées ¢ preconceitos esta- belecidos em seu ambiente imediato e para atingir as profundezas da sua prépria cons- ciéncia, que est relacionada a energia que proporciona e sustenta a vida que, trazida a0 nivel perceptivo, tornard mais idénea a sua razo, Esta, quando desenvolvida, pode se tornar um guia melhor e de mais valia para o esforco humano do que qualquer ‘outro conceito de senso comum, conyen- ao ou preconceito. PROJETO HOPE Construindo o futuro que esperamos Serd que os seres humanos ainda existirio daqui 230 anos? No que a Terra terd se transformado? 2050. Contrariando todos os prognésticos, a humanidade tomou as decisbes corretas. Ela mu- dou radicalmente seus conceitos; conseguiu garan- tir sua sobrevida e preservar seu meio ambiente. ‘Uma paz universal reina no planeta. Os seres humanos se dedicam a uma vida harmoniosa, Pacifica e inspirada pela solidariedade e pela espiritualidade.. Guiados para um lugar fora do tempo, trés individuos deverdo utilizar todos os seus recur- sos ¢ toda a sua energia numa busca apaixonan- te e perigosa, pois o ser humano possi uma parte sombria — seus velhos demonios ~ que ele deve conhecer e dominar. ‘Océane, Darsha e Even se reconhecem no pri- ‘meiro olhar. Logo, so apenas um. Unidos pelo pensamento, eles partem para uma viagem fantas- tica por suas vidas pregressas e pela historia secreta da huma- nidade: desde os Iniciados do Antigo Egito até os rosacrnzes de nossa época, pasando pelos cabalistas e pelos alquimis- tas de outrora... Um périplo iniciético na sabedoria dos antigos até as origens do esoterismo, Qual é a sua missio? O que essa forga miste- rriosa que os anima espera deles? Por que ela os escolheu? 2022. No momento em que a humanidade dava largos passos para sua ruina, uma revira- volta espetacular se produziu: a “Passagem"! Que acontecimentos, que decisées, permi- tiram que “A” solugao enfim surgisse, gerando uma tomada de consciéncia planetéria que abriu a senda da renovagio? Océane, Darsha e Even deverdo descobri-los ¢ fazer com que ninguém os esquesa, pois nada ainda foi adquirido; a meméria se perde. Muitas décadas serdo necessérias para reparar os graves erros do passado. Eles precisam da sua ajuda e das suas contri- buicdes para que a “Passagem” seja definitiva e ara que aquilo que a tornou possivel seja para sempre preservado. Participe da maior aventura de todos os ‘tempos: envie a eles as suas mensagens de espe- ranga, de amor, de paz e de felicidade para que surjam um mundo melhor e uma humanidade transcendida e fe ‘Como participar? Aguarde instrucdes em nosso site _ ———— le @ INSPIRACAO Viver é pintar Por DAVID F. FARIAS, FRC 4 passa das dezoito horas. Sentado na sala, observamos a vista que se descortina frente, enquanto o sol declina no horizon- te, espalhando sobre o bosque seus raios derradeiros. Mais uma das esplendorosas exibigdes que a natureza prodigaliza em sua impar harmonia. As rvores, ao sabor da forte brisa, __ alangam os galhos, expondo caprichosa- / mente suas folhas e flores, executando um ‘original. Um bambuzal, sobressaindo- ~se pela robustez do conjunto que forma aie em seus troncos e espessas folhagens, ousa movimentar-se mais demoradamente, como a desafiar o ritmo imposto a brincar com 0 vento que o impele vigorosamente. Uma imbatiba, engajada na magia do momento, se retorce em varias direcdes, mostrando os diferentes matizes do verde de sua folhagem. A variedade de cores ¢ 0 rumorejar dos integrantes do cenario denunciam o anoitecer como uma trama festiva, conservando a mensagem de que o dia que viré tem muito mais a oferecer. No alto, o firmamento providencia 0 recolhimento de suas nuvens multicolori- das; sobra de material com que construiu variadas esculturas, ornamentando 0 céu © dia todo. Agora estende sobre si um véu opaco, ocultando o brilho do azul celeste. Essa admiravel demonstracio artistica da mae natureza encanta € nos leva a meditar no Deus do nosso coragao: “Somos gratos a ti, Senhor do Universo, pela vida e os miiltiplos elementos que a con- tém, bem como pelas oportunidades de ver, ouvir e sentir a = — \¢a adoravel em todas as coisas. Por Ti somos direcionados no caminho da existéncia, na senda da retidao’. ‘Toda essa paisagem esté patenteada em nossa mente; com suas cores, suas formas e seus sons. Todos veem, todos ouvem, todos sentem, mas diferentemente. Somos artistas em potencial; cada um se apropria dos elementos e dos modelos, gentilmente ofertados pelo Césmico, e constr6i a sua propria tela. Invoca a arte e pinta sua propria existéncia. Enquanto tra- balha pretende que o resultado de seus es- forcos se assemelhe a uma réplica da Obra do Criador Universal. Nao poderia ser diferente... Cada um pinta o seu préprio mundo, com o melhor que pode, e como sabe. Em toda arte ha magia; hé técnica que vai desde a observacio até a execugio. Ea proficiéncia na arte de pintar a tela da vida que vai definir a performance do mundo para cada artista. Afinal, quantos nos esto observando, e conosco aprendem a agit, a viver. ‘O mundo esta cheio de aprendizes de pin- tura, dos quais somos continuos exemplos. Embora ndo pareca, existem... existem sim e so muitos que conosco aprendem a pintar a vida, construir seus mundos e, assim, copiam estilos e até conceitos de valorizagio. & reflexdo séria pensarmos que ensina- mos a Arte de Viver. Sao atitudes e com- portamentos que nossas telas inspiram. Sio vidas que ajudamos a ser vividas. No exercicio dessa sagrada arte, é im- pressionante a interligacao dos sentidos com a consciéncia. Os sentidos se unifi- cam, so parceiros, a ponto de “o ver eo ouvir” se identificarem. Ouvimos um barulho na rua e, como se vissemos, construimos imediatamente wanton onosicaz 7 @ INSPIRACAO a imagem do agente provocador e a cena provocada, utilizando cores, detalhes e os ~-demais componentes, retirados do arquivo dameméria, E a obra realizada passa entao a ser a nossa realidade. De alguma forma Beant vyiu até mesmo 0 que fisica- nao aconteceu. ———_Ouyimos uma musica e nos transpor- para algum lugar, algum momento ssado ou perspectiva do futuro, e es- mastruindo um cendrio, uma con- fato. A consciéncia vé e sente 0 porque vivemos. da habilidade ‘pintar. le ser ofensa ou elo- pintamos a impressio i mos 0 resultado; e nao © emissor da palavra. Alguém simplesmen- te emite o som ou 0 gesto ands endereca- dos; a partir dai o processo é nosso. Nao sao as vibragdes emitidas, mas 0 nosso preparo em absorvé-las e trabalha- -las que definiré o resultado. A técnica, entio, 6 0 fator de transformagio da fre- quéncia vibratéria de cada gesto, cada palavra, cada fato expresso que em qual quer circunstancia afetam nossos sentidos, constituindo-se em motivo e material a ser trabalhado e transformado. Gradativamente as pessoas vio se tornando mais interessantes, agradaveis, valiosas; as coisas mais titeis, o ambiente mais reconfortante ¢ os ele- mentos naturais mais admiréveis. Os mo- mentos sio vividos com mais inten- sidade, a vida mais alegre. Um de- sejo mais crescente de saber e fa- zer muito mais. Enfim, ser atil A humanidade como instrumento césmico habilitado. Quem mudou? O obser- vado? © mundo? Nao... foi o observador. O mundo se altera com as mudangas realizadas. Em todo luga em que estamos, tudo 0 que vemos ou ouvimos est impregnado de pintu- ras que vio muito além do M1 Pintando o Césmico como: Francis Bacon, H. Spencer Lewis e tantos que povoam a histéria da Ordem e da humanidade. Historia antiga e contem- poranea; Fratres e Sorores que acrescentam com a pintura da prépria vida capitulos marcantes da historia rosacruz. Quando, no enlevo da contemplagao, observamos extasiados o Grande Pintor do Universo a pintar com infinitas varie- dades a Tela da Natureza, como a conduzir a nossa infantil admiracdo, sentimos que © Mestre dos Mestres esta nos ensinando © caminho da evolucao, ornamentado com inson- daveis maravilhas. E 0 Se- nhor das Artes. Pintando, 0 Césmico se presente, fazem histérias e revela, coroando a nossa fundamentam esperancas. se revela, senda de artes e virtudes. No estudo da ciéncia coroando a Nés também pinta- faz-se indispensavel co- mos e revelamos 0 nosso nheceravidaeaartede —-- MOSSASENAA interior onde quer ecom pessoas como Einstein, d le artes e quem estejamos... Newton etc... Na filosofia: Sécrates, Plato, Aristéte- les etc. Na religizo: Jesus, os Apéstolos, Buda, Ma- ‘omé etc. Na miisica: Mozart, Beethoven, Wagner, Tchaikovsky etc. Na nossa Ordem Rosacruz ficamos fascinados em rever a vida e as realizagdes de Fratres e Sorores virtudes. 17 Fazemos histéria pin- celando detalhes na tela da nossa Ordem Rosacruz e revelando A humanidade em derredor. Enquanto a vela permanece acesa no Altar da Consciéncia, vamos pintar 0 me- thor. Vamos pintar Luz, Vida e Amor. 7 Ouvindo o Mundo ;OCORRO LIMA DE SOUSA, SRC Pad ‘e neste momento vocé est perce- ‘endo os sons ao seu redor, é porque seu organismo faz parte de uma evolucao histérica que vem ocorren- do hé milhares de anos. Digo "percebendo’, pois, o som é associado a um ser vivo. “O som é uma criagio do cérebro e nao existe sem ele” (KOLB, B., WISHAW, 2002). Sabe- se que quando cai uma drvore na floresta, sta queda nao produz nenhum som, a menos que alguém esteja lé para ouvi-lo. O que uma 4rvore faz.a0 cair é simplesmente produ- zir alteracdes na pressio atmosférica. Isto ocorre simplesmente porque um objeto em movimento para a esquerda ira comprimir, ‘ou tornar mais densa, as moléculas de ar que estiverem A sua esquerda, rarefazendo, ou tornando menos densas, aquelas & sua direita. ‘Vejamos 0 efeito desta situacdo em nos- 0s ouvidos. As préprias ondas de mudancas de pressio nas moléculas de ar so as conhe- cidas ondas sonoras. Ao se chocarem com a membrana timpanica, iniciam um sistema dealavancas, pois os ossiculos presos a essa membrana iro amplificar as ondas sonoras, tornando mais evidente essa movimentacao. Esse movimento em cadeia acontece de for- ma que nao seja dissipada a energia na fron- teira de dois elementos de impedincias bem diferentes: o ar, presente na orelha externa; e 0s fluidos, presentes na orelha interna, onde 0 processamento dessas vibragdes tem inicio (BERNE et al., 2000). Essa transducao de movimentos mecinicos em atividade elétrica neural sera realizada pela céclea, “caracol” em latim, a estrutura espiralada que vai informar a0 cérebro os eventos auditivos da periferia (YEHOASH e ALTSCHULER, 2003). Este “caracol’, se desenrolado, iria expor uma base de espessura ¢ largura variadas ‘em seu comprimento, que ira codificar as varias propriedades do som, principalmente amplitude, frequéncia e a complexidade. Em uma anglogia grosseira, consideremos 0 que Estrutura interna do ouvide humana. Na entrada do canal auditiva fica a ‘membrana timpanica, representada ‘om azul. A céclea 6 a estrutura em formato de caracol & esquerda. acontece ao balangarmos uma corda: ao ba- langé-la muito rapido, as ondas serao muito pequenas e permanecero préximas da parte da corda que est sendo segurada. De modo ‘posto, ao agitarmos essa corda lentamente com um movimento mais amplo, as ondas atingirdo o pico em um local mais distante. ‘Nao iremos nos ater as vias de transdugao que levam essa informacao até o cérebro. Basta lembri-los de que apenas a nossa es- pécie atual, Homo sapiens sapiens, era con- siderada como detentora da capacidade da interpretago da fala, através do hemisfério direito, e da anilise da misica, feita pelo he- misfério esquerdo. Era. Em 1995, 0 paleontologista Ivan Turk, esca- vando uma caverna na Eslovénia, antes usada pelos chamados homens de Neandertal como acampamento, descobriu um osso da pata de um urso jovem, que parecia ter sido transfor- mado em flauta (KOLB, B., WISHAW, 2002). Ora, sabendo que 0 Homo neanderthalensis surgiu ha cerca de 230 mil anos e desapareceu hh cerca de 200 mil anos, os pesquisadores acreditavam que a cultura neandertalense fosse significativamente menos desenvolvida que a dos homens modernos; por exemplo, nao exis- ‘VERAO 2016). © ROSACRUZ. 21 Fy is Y déncias J evueces tenham feito pinturas em cavernas, como 0 Homo sapiens. Bob Fink, mu- sicblogo, exami- noua “flauta’ edescobriu que era possivel tocar uma escala semelhante & de dé-ré-mi, Coube indagar se eles podem ter desenvolvido mais habilidades de linguagem e um desenvolvimento cultural maior que 0 suposto anteriormente. Voltando ainda mais na linha do tempo, no final do periodo triéssico, 220 milhoes de anos atris, quando do surgimento dos primeiros mamiferos, houve a maior trans- formagio no aparato auditivo desses animais. Dois ossos da mandibula se incorporaram a0 aparato auditivo. Houve, nto, uma van- tagem funcional relacionada capacidade de discriminar frequéncias sonoras muito mais altas do que os répteis aves estavam habilitados a ouvir. A audi¢ao em nao-mamiferos ¢ limitada a até 10.000 ciclos, enguanto os mamiferos podem ouvir As vezes até 100.000 ci- clos (ALLMAN, 1999). Esta diferenga habilitava aqueles mamiferos primitivos a ouvir, e, consequente- mente, capturar pequenos inse- tos, ¢ 0 princi- pal: 0 fato de apenas esse grupo de Ani- mais poderem yer ouvir os sons de seus filhotes chorando, ou seja, um canal privado de comunicagio entre as mies e suas crias, inaudivel a possiveis pre- dadores répteis e aves, aumentando o sucesso de sobrevivéncia desses mamiferos iniciais. Sendo assim, podemos imaginar facil- mente uma cena ocorrida ha milhares de anos, na qual um filhote de cynodonte, um dos precursores dos mamiferos, chora com fome, atras de um arbusto qualquer, e do outro lado desse mesmo arbusto, a alguns metros, um animal pré-histérico que pode- ria facilmente capturé-lo para a sua alimen- taco. No entanto, esse possivel predador nao esta ouvindo o choro. “Os organismos devem possuir siste- mas auditivos designados para interpretar os sons tipicos de sua espécie” (KOLB, B., WISHAW, 2002). O ser humano possui uma faixa de audi¢iio bastante ampla; no entanto, é fato que a maio- ria de nés permanece mergulhada em seus priprios pensamentos e nao faz uso desta in- crivel habilidade adequadamente. Poderfamos perguntar quais os movimentos de px sons haviam ocorrido ao seu redor e as pes- soas em questio dificilmente teriam descrito tudo, se nao boa parte, dos eventos ocortidos. A Ordem Rosacruz, AMORC, em suas mo- nografias iniciais, nos incita a esse despertar dos sentidos, propondo o experimento de escutar miisica erudita e identificar os sons dos diversos instrumentos que a compoem. Da mesma for- ma, o mestre H. Spencer Lewis (2011) nos lem- bra que a concentragio deve ser dada na aten¢iio a tudo que estiver ocorrendo agora. “Os sons criam’, “Fiat Lux’, e quem dentre vocés nao estava desarmonizado com determi- nada situacdo ¢, ao ouvir o canto dos passaros, sentiu felicidade? Ou ainda nao teve a nitida impressdo de “estar recebendo uma mensa- gem” quando em divida por uma determina da situagao, percebendo alguém desconhecido, seja na rua ou até mesmo na televisio, falando oas ou algo “como se fosse para mim”? “Aprenda a separar o sutil do espesso” (BD. OUSPENSKY, 2006). George I. Gurdjie- #f (2009) nos propde como experimento dar tengo aos sons durante uma semana. Algu- ‘mas situagdes, como os experimentos misti- 05, nfo sio autoexplicativas, mas precisam da teal vivencia para o real entendimento. © que dizer, entao, dos sons vocélicos? H. Spencer Lewis (2009) explica que a proniin- cia dos sons “ah” e “m” foi descoberta pelos seres humanos, e nao inventada. “Quer clas- sifiquemos esta descoberta como o resultado de uma divina revelacao ou o de experiéncias feitas pelo buscador sincero, nao é menos verdadeiro que o ser humano nao descobriu arbitrariamente os sons “a” e “m’, mas estavam. associados, clara e positivamente, ao poder criador e divino que produzia certos efeitos no interior do seu ser e na aura ao seu redor. O simples fato de que em muitas regides diferen- tes largamente separadas e sem contato umas com as outras os indigenas nos tempos antigos terem adotado sons semelhantes nos seus rituais e nos seus cantos, e isto com o mesmo objetivo, prova mui seguramente que ha um poder e uma qualidade nessas vogais em par- ticular e na emissio do seu som, que nio po- dem ser encontrados em outras palavras’, “_.B igualmente interessante notar que um dos primeiros sons que todo bebé emite em sua tentativa de se expressar ou para reve- lar suas emogdes interiores pelo som & 0 que é provocado pela promincia da letra ‘m..” Nosso mestre nos ensina que “a proniincia correta do som tem um efeito imediato pelos canais do som na boca e na cabeca, nas glan- dulas pineal e pituitéria, e mesmo na tireoide. Esses efeitos sao transmitidos psiquicamente, pelo sistema nervoso simpatico, a todos os centros psiquicos a todos os plexos do corpo humano. E por este motivo que o mistico, na meditacao pessoal, apés ter relaxado, comeca com frequéncia seu periodo de harmonizacdo ar ‘cosmica pela repeti¢ao de palavras misticas como “aum” ou “om repetindo-as lentamente dez a doze vezes e sempre tentando encontrar atonalidade musical correta’ *... As palavras misticas Aum, Om e Amém deveriam sempre ser empregadas mui respeitosamente, como se a pessoa estivesse tocando ou manipulando um dos simbolos mais sagrados da Divindade. Nao se trata de palavras migicas (como certas outras em- pregadas na literatura mistica oriental para transmitir um sentimento de protecao nos momentos criticos), e nao se trata tampouco das palavras terapéuticas ou curativas, que podem ser usadas em caso de dor ou sofri- mento, mas simplesmente de palavras divinas destinadas a promover a Consoniincia Cés- mica a comunhao com Deus no mais alto sentido espiritual, ¢ elas s6 devem ser empre- gadas com objetivo sagrado” 7 Palestra apresentada no Pronaos Rosacruz Ananindeua ~AMORC, am 12 de setembro de 2015, Referancias: 41. ALLMAN, J. M. Evolving brains. Scientific American Library, 1999. 2, BEAR, M.F, CONNORS, B. W, PARADISO, M. A. Neurociéncias: desvendando o sistema nervoso. 2. ed Porto Alegre: Artmed. 2002. 3, BERNE, R. M, LEVY, M.N., KOEPPEN, B. M. Fisiologia. Rio de Janeiro: Guanabara Kogan, 2000. 4, GURDIIEFF, Gil, Gurdjef fala a seus alunos. $30 Paulo: Pensamento, 2008, 5. KOLB, B,, WISHAW, I.Q. Neurociéncia do comportamento, Sao Paulo: Manole, 2002. 6. LEWIS, HS. Principios Rosacruzos para o lar @ 05 negécios. Curtiba: Ordem Rosacruz, AMORC-Grande Loja da Jurisdigio de Lingua Portuguesa, 2011 7. LEWIS, HS. Um Mestre da Rasa-Cauz, Curitiba: (Ordem Rosaeruz, AMORC-Grande Loja da Juriscicéo de Lingua Portuguesa, 2000. 8. OUSPENSKY, PD. Fragmentos de urn ensinamento desconhacido - em busca do milagroso. SSo Paulo: Pensamento, 2008. 9. PURVES, D., AUGUSTINE, G. J., FITZPATRICK, D., HALL, W. C., LAMANTIA, A, MCNAMARA, J (©, WILLIAMS, 5. M, Neuroscience. 3.ed, Sinecure Associates, Inc, 2004 410. YEHOASH, Raphael; ALTSCHULER, Richard A Suucture and innervation of the cochlea. Brain Research Bulletin, 60: 397-422, 2003, vintomis onosscez DZ B PESQUISA Sao Jorge, origens e sincretismos Por ADILIO JORGE MARQUES, FRC nmi0216 Introdugado io Jorge sempre despertou, nos mais variados povos da Antiguidade (e ain- da hoje), 0 fascinio de uma divindade que mesclava a forca, a energia criativa ea protecio do guerreiro, aquele que traz con- sigo o poder da terra e dos veios ferrosos. O. ferro, enquanto matéria prima imprescindivel para a confeceao das armas que manteriam determinada sociedade em condigoes de lutar pela sua sobrevivéncia, associou-se a varios outros simbolos que culminaram por forjar o famoso “Santo Guerreiro”. O povo brasileiro, muito associado ao santo em ques- to, possui a mesticagem de ancestrais que de alguma forma estiveram em contato com 0 vasto simbolismo que Sao Jorge nos ensina: a forga da terra, com suas matas e grutas em pedra; a guerra e o cavaleiro; o ferro e a forja no fogo; um alfabeto magico; o dragao ¢ os veios energéticos que marcam os terrenos das sociedades. O Sao Jorge que ora se apresenta nestas linhas é a tentativa de mostrar o elo entre muitas culturas, intimeros simbolismos € mesmos arquétipos que uniram povos des- deo norte da Europa até os nossos ancestrais portugueses e africanos. Os Celtas na Ibéria Através de achados arqueolégicos na Penin- sula Tbérica, e com estudos da distribuicao espacial dos variados sitios arqueolégicos que levaram & localizagao de pecas da Antiguida- de, geneticistas como Barry Cunliffe, Bryan Sykes*, Stephen Oppenheimer’ e Spencer Wells* levantaram a hipétese de que as popu- lagdes ibéricas podem ser a origem dos povos ‘que repovoaram a Europa atlintica no pe- riodo pés-glacial, particularmente durante 0 Paleolitico e 0 Mesolitico, e mesmo no Neo- litico. Especificamente no caso de Portugal, principal influéncia europeia da populacio brasileira, um dos principais componentes para o desenvolvimento populacional duran- tea Idade do Ferro foi a movimentacio de populagées celtas na Peninsula, ferro nos remete & Idade do Ferro, Esta se refere ao periodo em que ocorreu a me- talurgia desse metal, sendo marcante por se mostrar superior ao bronze em relagao a du- reza e abundancia na natureza. Caracterizada pela sua utilizacdo, essa época mostra utili- zacao importada do Oriente através de tribos indoeuropeias (celtas), que a partir de 1200 a.C. comegaram a chegar & Europa Ocidental. O seu periodo alcangard até a época romana. As migracOes das populagées protoceltas ¢ celtas acentuam o carter indoeuropeu do panorama antropolégico na Peninsula Ibé- rica, e muito particularmente no panorama portugués. O protocelta (4s vezes chamado também de pré-celta) dard origem aos lusita- nos, povo que habitou onde hoje é Portugal.* protocelta, também chamado de celta comum, seria 0 suposto ancestral de todas as linguas celtas conhecidas. Falada prova- velmente por volta de 800 a.C., o protocelta uma lingua descendente direta do proto- -indoeuropeu, e é amplamente considerada ‘como a primeira das linguas indoeuropeias Em destaque no mapa a distribuiclo aproximada das populagdes Celtas na Europa, cuja cultura e crengas estao relacionadas com 0 simbolismo de Sio Jorge. a se espalhar na Europa norte-ocidental e atlintica. Apesar de algumas sentencas com- pletas encontradas pela arqueologia estarem escritas em gaulés e celtibero, a literatura cel- ta substancialmente mais antiga ¢ encontrada no irlandés antigo, a mais antiga lingua célti- ca insular registrada, como veremos quando mencionarmos o Ogam.’ Celta, enfim, &a designagao dada a um conjunto de povos organizados em muitas tribos que ocuparam o territério desde a Peninsula Ibérica até a Ana- t6lia, pertencentes & familia linguistica indoeuropeia, que se espalhou pela maior parte do oeste da Europa a partir do segundo milénio a.C. Os celtfberos so 0 povo que resultou da fusao das culturas do povo celta com o povo ibero, tanto nas regides montanhosas, onde nascem 05 rios Douro e o Tejo, quan- to nas partes costeiras. Nido h4 ainda, contudo, unanimi- dade quanto a origem desses povos. Boa parte da popu- lagao da Europa Ocidental pertencia as etnias celtas até a conquista daqueles territé- rios pelo Império Romano. A maioria das tribos celtas foi conquistada pelos Romanos, celta. Mesmo assim, a mulher era soberana no dominio das forcas naturais, existindo crengas a muitas divindades com caracteris- ticas animistas. Ou seja, todos os elementos naturais e as divindades, assim como em ou- tras formas de religiosidade, seriam passiveis de emogées, desejos, vontades, ou mesmo de inteligéncia, 0 que tornava a simbiose com o homem facil e inteligivel a todos. Os ritos deveriam, quase sempre, ser realizados ao ar livre, junto aos elementos constituintes no natural, em especial o fogo, a gua, a terrae oar. Tais ritos eram demarcados astronomicamente seguindo os periodos do ano, ou as quatro estagdes, celebrando-se espe- cialmente os equindcios e sols- ticios. Calendérios de pedra marcavam em alguns lugares, como em Stonehenge, as festas anuais. Tais ritos acabaram chegando até nossos dias, como por exemplo, o do dia 1° de novembro Sanhain, quando se celebrava o dia seguinte ao do contato com os mortos an- cestrais. Destacamos, para este artigo, o ritual de Beltane, ou Beltain, Bealtaine, um festival celta ainda comemorado nos dias atuais em todo o mun- do (inclusive no Brasil), nas embora.o modo de vida celta Sie Jorge representado em um vtral_comemoragoes da primavera tenha, sob muitas formas e com muitas alteragdes resultantes da acult ragio (inclusive a cristianizagao), sobrevivido em grande parte do territério ocupado. Os celtas exaltavam as forgas teliricas expres- sa nos seus muitos ritos, e a natureza era a expressio maxima da Deusa Mae. A “divin dade” maxima era, entdo, feminina, cuja ma- nifestagio eraa prdpria natureza, mesmo nao sendo o matriarcado a estrutura da sociedade na Catedral de Rosslyn, Escécia. para o hemisfério norte, e que originalmente marcava o perfodo anterior a0 4pice solar (o verdo). Beltane ocorre em 1° de maio (préximo ao dia escolhido para as festas de Sao Jorge, 23 de abril) no hemisfério nor- te. A comemoragio em tempos remotos pos- suia um enfoque na fertilidade da terra, sen- do uma festa de grande energia, jovialidade e alegria, quando os participantes dancavam a0 redor de uma fogueira.* Durante o evento eram acesas fogueiras nos topos dos montes e lugares considerados sagrados, simbolo que nossas velas ainda perpetuam, especialmente quando colocadas em um ponto mais alto do que a nossa cabe- ‘ga. Os lugares mais altos eram mais proximos do céu, logo, também dos deuses. Assim, Beltane era 0 inicio do vero (com 0 fogo) ea morte do inverno (0 mal, o dragao que con- some a luz), estando associada imagem que ‘mais tarde seria mundialmente conhecida por Sao Jorge. Beltane é um festival da fertili- dade, simbolizando a unio entre as energias ‘masculina (a lanca do guerreiro) e feminina (a donzela, representada em algumas ima- gens do Santo da Capadscia). Nas Galias tornou-se a fertilidade da terra e os fogos do deus Belenos, muito préximo do Apolo ‘grego, jd que o fogo nao estava representando apenas o sol enquanto astro, mas a luz solar seus principios.’ Alimentos provavelmente eram, algumas vezes, oferecidos ao elemen- to fogo. Ogam Aescrita Ogam, também chamada de Ogham ou mesmo de Ogum, é uma das re- laces histéricas entre os antigos povos do norte da Europa e a cultura dos orixds. A relagdo com 0 orixa Ogum torna-se, neste caso, evidente, nao apenas pela grafia da palavra, mas pela cultura que originou tal escrita e como ela foi muitas vezes utiliza- da: em pedras ou pegas de metal. Note-se também a relagio com a palavra “og titulo dado aos cantores dos atuais templos um- bandistas. A grafia Ogam, enquanto letras do alfabeto celta, era utilizada junto aos ‘monumentos em pedra por ser este um ma- terial considerado “quase eterno’, ¢ so ain- da encontrados em varios paises europeus. Data-se a origem de tais monumentos por volta dos anos 400 e 600 d.C., mas a escrita pode ter sua origem remontada aos séculos VIII a V aC. Existem indicios de que este tipo de escrita tenha surgido no norte da Pe- ninsula Ibérica durante o perfodo Neolitico, Posteriormente, propagou-se com a cultura megalitica, e finalmente foi o estilo de escri- tura adotado pelos celtas, inclusive das illas britanicas. Sendo um sistema de signos e usado como alfabeto, representou fortemente 0 linguajar gréfico dos povos irlandeses e dos pictos. Esse povo situava-se no norte da atual Escécia, tendo estado também em Por- tugal. Em sua forma mais simples, o Ogam consiste de quatro grupos de tragos, e cada conjunto inclui cinco letras estruturadas a partir de uma até cinco marcas, criando, deste modo, 20 grafias. Um quinto grupo de cinco simbolos, chamado de “forfeda” ou letras adicionais, foi muito provavelmente desenvolvido posteriormente para o Ogam. A maioria das inscrigGes encontradas so curtas e constam apenas de nomes. Das mais de 400 epigrafes conhecidas, aproxi- voaals MGNG ST RP Alfabeto Ogam (as vogais podem ser representadas ppor pontos ou tracos). madamente 330 estdo na Irlanda.” Além da escrita, Sao Jorge possui relagao com outros aspectos da cultura antiga euro- vento amis -onasacauz: peia. Desde a Antiguidade que muitos povos europeus marcavam lugares de irradiacio tehirica (considerados lugares migicos) com pedras verticais, apoiadas lateralmente por duas pedras que ficavam abaixo do nivel do solo, Essa energia teltirica deveria fluir ou ser terminada naturalmente para que niio causasse danos s praticas ali efetua~ das. Quando nao havia uma terminagao natural, sempre medida pela radiestesia, podia-se interromper a corrente de energia fincando-se uma seta ou langa de ferro no solo, como se fosse um interruptor. O fer- ro, bom condutor elétrico, acabou incorpo- rado a Sao Jorge, com sua longa lanea que é fincada em um dragio que se contorce, exatamente como fazem as linhas de forca na terra. O dragio é um animal mitico que representava, para os povos da Europa e mesmo em varios lugares da Asia, a linha de radiagao que passava pelo chao, sendo, portanto, benéfico. O equilibrio entre as forgas ou as polaridades sempre foi uma busca de todas as religiosidades. Nas his- térias medievais, o dragdo passou a ser 0 guardiao de algum tesouro (algo que nor- malmente fica enterrado) ou mesmo to- mou a fei¢ao de algo ruim, 0 que nao pos- sufa qualquer relagao com a sua origem simbélica. E, enquanto o dragao estava ligado & crosta terrestre, Sdo Jorge buscava salvar a donzela, a virgem, representante da energia do céu ou césmica."! No Oriente, o dragio, enquanto forga ccésmica, era personificado em uma linha ima- gindria celestial: a érbita da Lua cruzando a 6rbita do Sol, o que ocorre em dois pontos. Na astrologia tais pontos passaram a ser conheci- dos como nodo norte, ou Cabeca do Dragio (na ascensio), e nodo sul, ou Cauda do Dra- gio, na érbita descendente da Lua. Assim, So Jorge atua na terra, mas também no céu, tendo © senso popular posto o Santo Guerreiro mo- rando em nosso satélite. Lenda ou histéria? A versao popular Por volta do final do século III, Sao Jorge teria nascido na regio da Capadécia, atual ‘Turquia. Ainda crianca perdeu 0 seu pai, ¢ sua mae o levou para a Palestina, educando-o para a carreira militar. Sua dedicagio e ha- bilidade levaram o imperador Diocleciano a lhe conferir o titulo de Tribuno. Jorge torna- -se cristo, mas com a idade de vinte e trés anos passou a residir na corte imperial roma- na, exercendo altas fungoes. Em determinado momento o Impera- dor Diocleciano planejou matar todos os tistios que poderiam ameagar o poder em seu Império. No dia marcado para 0 Senado confirmar o decreto imperial, Jorge levantou- -se na assembleia e declarou-se contra aquela decisio. Defendeu com tanta forca a sua fé que provocou a ira do Imperador, que tentou fard-lo desistir de suas ideias, chegando até & tortura. Era periodicamente levado a Diocle- iano, que exigia a Jorge que renegasse a sua f8, 0 que nao aconteceu. O Imperador, nao tendo éxito, mandou degolar o martir cristo no dia 23 de abril de 303 d.C., sendo este o dia dedicado a Sao Jorge.” Sao Jorge em Portugal e na Inglaterra A importancia de Sao Jorge é tamanha entre os portugueses que a influéncia do Santo Guerreiro surge ligada as armas através do sincretismo cristo, séculos apés os primeiros povos celtas terem habitado as terras lusas. Algumas fortificacées medievais e posterio- res possuem ainda o seu nome, o que aumen- tou ainda mais o sincretismo de Sao Jorge com a arte da guerra e da vitoria sobre os inimigos da fé e da soberania de uma nagao. O primeiro bastido que nao pode ser esque- cido ¢ 0 Castelo de Sao Jorge, talvez o mais famoso deles, localizado em uma das colinas de Lisboa e construido, provavelmente, no século IaC. Quando da reconquista crista, as forgas de D. Afonso Henriques (1109-1185), com ‘oauxilio de varios povos cruzados (princi- palmente normandos, flamengos, alemaes € ingleses) que se dirigiam & Terra Santa, inves- tiu contra esta que era uma fortificagio mu- culmana, que acabou capitulando em 1147 apés um cerco de trés meses. Provavelmente, sob a influéncia da cultura das ilhas da Bre- tanha, jd presente nas terras portuguesas ancestralmente, e fortalecidas pelo contato intercultural das Cruzadas, a devogio a Sao Jorge estabelece-se em Portugal de vez. Apés a vit6ria 0 castelo em Lisboa foi colocado, por gratidio, sob a protegao do martir Sto Jorge, a quem muitos cruzados na época jé dedicavam forte devogao. O dia da conquista, 25 de outubro, passou a ser o Dia do Exército em Portugal, sendo esta uma instituigao que possui Sao Jorge como padroeiro. Poucas décadas mais tarde, entre 1179 e 1183, 0 castelo ainda resistiu com sucesso As forcas muculmanas que assolaram a regio entre Lisboa e Santarém. E foi no reinado de D, Afonso IV (1291-1357), chamado de “o Bravo’, que o uso do grito de guerra “Sao Jorge” se tornou regra, substituindo o grito anterior dos portugueses que era “Santiago”. D. Nuno Alvares Pereira (1360-1431) con- siderou Sao Jorge o responsavel pela famosa vitoria portuguesa na batalha de Aljubarrota ‘em 1385”, Como o Rei D. Joao I de Portugal também era devoto do santo, substituiu Sio Jorge a Santiago como patrono de Portugal. Em 1387, D. Jodo I ordenou que a imagem do santo, montado a cavalo, fosse transportada na procissao catélica do Corpo de Cristo. Assim, séculos mais tarde, essa imagem tam- bém chegaria ao Brasil.“ Curiosamente, o cavalo era um animal nobre entre os celtas, justamente por ser um servidor dos homens nas guerras. Viriam de outro mundo oculto e eram tidos como possuidores de inteligéncia humana. Apés a morte do heréi ou do cavaleiro, retornaria para esse outro mundo superior, e com isso passaram a ser vistos também como con- dutores das almas.” Hé, ainda, o Castelo de Sio Jorge da Mina, também designado por Castelo da Mina, ou Feitoria da Mina, e pos- teriormente chamado por Fortaleza de Sao. Jorge da Mina. Localiza-se na atual cidade de Elmina, Gana, litoral da Africa Ocidental. A “Mina” jé funcionava em meados do século XV e teve a funcio inicial de assegurar a so- berania e o comércio de Portugal no Golfo da Guiné, constituindo-se no seu principal estabelecimento na costa africana, fonte da riqueza que alimentou a economia do pais até se iniciar 0 ciclo da india apés a viagem de Vasco da Gama em 1498."° ‘A Inglaterra, aliada histérica dos portu- gueses, foi o pais ocidental onde a devocao a0 santo teve papel mais relevante. O monarca Eduardo III colocou sob a protegao de Sio Jorge a Ordem da Jarreteira, fundada por ele entre 1344 e 1348, pois a imagem de santo guerreiro, ligado as espadas, ja existia. Por considerd-lo a imagem perfeita dos cavaleiros vento amis -onasacauz: a ie eet : i PESQUISA medievais, o rei inglés Ricardo I, comandante de uma das Cruzadas, constituiu Sio Jorge padroei- ro daquelas expedicdes que tentavam conquistar a Terra Santa aos muculmanos. No século XIII, a Inglaterra jé celebrava o nome de Sao Jorge, e em 1348 surge a Ordem dos Cavaleiros de Sao Jorge. Os ingleses adotaram definitivamente Sao Jorge como padroeiro do pais, trazendo também a sua cruz vermelha (cor do sangue, do fogo e do sacrificio pelas grandes cau- sas) na bandeira de fundo branco (cor da pureza). ‘A Cruz de Sie Jorge inglesa Bandeira do Pais de Gales'* Notas: 4. Barry Cunife, Facing the Ocean: The Atlantic and its Peoples, 8000 BC to AD 1500, Oxford University Press, 2001 2. Bryan Sykes, The Seven Daughters of Eve, Corgi Books, 2002. Bryan Sykes, Blood of the Isles: Exploring the. Genetic Roots of Our Thbal History, Bantam Press, 2006, 3. Bryan Sykes, Blood of the Isles: Exploring the Genetic Roots of Our Tribal History, Bantam Press, 2006 4, Stephen Oppenheimer, The Origins of the British A Genetic Detective Story, Hardcover, 2006, 55. Spencer Wells: coordenador do programa de investigaco em histéria genética das populagSes humanas dda National Geoarshic Society, EUA, conhecido por Genographic Project. 6. José Mattoso (dir), Historia de Portugal. Primeiro Volume: Antes de Portugal, Circulo de Leitores, 1992, pp. 30-40. 7. Mario de Moura (Ed), Os Celtas, Pergaminho, 2001, p. 101 8. Maria Nazareth Alvim de Barros, Uma luz sobre Avalon. Celtas ¢ Druidas, Mercuryo, 1994, p. 112. 9. Andy Baggott, Rituais Celtas. A rod céltica da vida. Os poderes sagrados da natureza. Madras, 2002, p. 66-66 10, Damian McManus. A guide to Ogham. (Maynooth Monograph; 4) Maynooth: An Sagar, 1991 11. Mellie Uyidert, Me Terra. A aco do campo energético da Terra sobre os seres vivos. Pensamento, 1998, 35.36. 12.Fred Jorge, Historia de $80 Jorge. Prelidio, 1959. 13. A Batalha de Aljubarrota ocoreu em 1d de agosto de 1385 entre tropas portuguesas, com aliados ingleses, e comandadas por D. Joa0 | e D. Nuno Alvares Pereira, © 0 exército castelhano e aliados, liderados por D, Juan | de Castela, A batalla deu-se no campo de Sao Jorge, nas imediagbes da vila de Aljubarrota, entre as localidades de Leiria e Alcobaca, centro de Portugal 114. Georgina Silva dos Santos Oficio e sangue: a mandade de Sao Jorge @ 2 Inquisi¢30 na Lisboa moderna. Colibri; Portimao: Instituto de Cultura lbero-Atlantica, 2005. 415. Virginia Rau, Feltores efeitorias “Instrumentos* do coméico inteenacional portugués no Séc. XVI, Brotéria, Vol 81, n°5, 1965, p. 65-70. 16.0 dragio esta presente, ainda hoje, no imaginario europeu, Fonte: http:/wewklts--stufl. com/Celtic History/dragon html, acesso em 03 de junho de 2015. ‘noses vento me XXIV CONVENGAO NACIONAL ROSACRUZ aa ORDEM ROSACRUZ onsen ERS UMA CHAMA PELA PAZ MUNDIAL 21 a 24 de Setembro de 2016 TEATRO GUAIRA - CURITIBA - PARANA - BRASIL ACONSCIENCIA ANIMAL DEUS TODO-PODEROSO ‘SAMBA DE MARIA - Fr. Jean-Guy Riant - Pesquisador = Fr, Jodo Polovanick = Cantora Maria Rita da URCI Francesa VIRE A PAGINA, CLASSICAL MOVIES CUIDAR DA PAZ: UMA VISAO Fr, Luiz Alberto da Silva Miller = Maestro Carlos Domingues INTEGRAL ~ Roberto Crema - Antropélogo, HARMONIZACAO COMATERRA SOLO E VIOLAO Psic6logo e Reitor da UNIPAZ = Fr. Flavio Quinderé = Ralph Grima A PROSPERIDADE NA TRADIGAO Presenca confirmada do Imperator Voz E TECLADO MARTINISTA + Fr. CHRISTIAN BERNARD - Juliana Martins. - Fr, Marcos Medeiros - Pesquisador Rosacruz e Martinista MISSAO COSMICA CUMPRIDA = Fr. Hélio de Moraes e Marques - Grande Mestre da GLP inscricoes)- WWivramonc:one a Luz da Cabala Por NERY FERNANDES, FRC kc acerca ee ‘m nossas oracées didrias somos le- vados a agradecer pelos milagres que diariamente experimentamos, Esta questo pode ser analisada dentro dos ensinamentos que temos recebido, pois, para alguns, a existéncia de milagres sio realidades de tempos antigos, quando havia uma comu- nicagao dos homens com Deus, ou quando era possivel a manifestagao quase habitual dos grandes Profetas. Essa propria manifestacio da profecia é, entao, considerada uma afirmagao da possibilidade de milagres entre nés. Ora, muitas vezes vemos alguém dizer: “Fantistico! Isto é exatamente o que queria~ ‘mos’, Ou seja, acontecem coisas atualmente que consideramos como uma “coincidéncia’, ois vao ao encontro de nossos desejos de for- ma quase inexplicivel. E como nao as podemos explicar, dizemo- -las coincidéncias ou milagrosas. Serio os mi- lagres algo distante no tempo ou podem estar nos acompanhando hoje? Segundo é dito, o espiritual & a antitese do fisico, a luz é a antitese das trevas e o milagre €aantitese da natureza. O milagre seria um acontecimento que transcende as leis naturais ‘ou que vai contra essas leis. Muito bem! O que dizemos é que a rea- lidade humana é essencialmente dual, uma parte fisica (o corpo) e uma parte metafisica (a alma), e que a humanidade tem se ligado a.um tipo de existéncia consciente, popular e tradicionalmente considerada racional, porém ‘que nao nos traz sempre as satisfacdes da reali- dade que as Escrituras Sagradas nos prometem como prazerosas e suficientes, se tivermos esta ‘ow aquela crenga. Esta realidade est conectada com a figura arquetipica do pecado perpetrado por Adio e Eva, a qual, segundo nos interessa, nos é transmitida de modo quase genético no passar das geracdes. Este tipo de existéneia ou consciéncia limi- tada ¢ determinada pelas barreiras proprias da engendracao humana ou Klipot ~ cascas que a alma gerou ao se sentir envergonhada por tudo que recebia da Luz Divina no proceso da Criagio; isto a levou a criar uma condigao onde pudesse apagar esta vergonha através das reencarnagoes, onde pudesse transformar 0 desejo de receber para si mesma em desejo de compartilhar. Isto é, uma agéo de amor a0 préximo. No entanto, como nao consegue do modo ficil ou pleno esta realizacio no mundo, a alma carece da participagio dada pela fé, da agao do Eterno, o qual deveria se compadecer dos homens e manifestar Sua Gloria através de atos ditos como milagrosos. E somente nesta consciéncia limitada 0 ho- mem vai recorrer ao Pai nos momentos dificeis € esperar Sua acao efetiva e transcendente. Porém, existe uma realidade onde a estabi- lidade e a seguranga podem ser consideradas naturais, a qual sera aquela em que o homent’ percebe que nao pode ter controle efetivo por simesmo das realidades de seu dia a dia. En- to, ele se conecta com a realidade da Luz Di- vina, onde ele atua com 0 tinico propésito de compartilhar as béngaos recebidas e resiste a toda vontade egoista ou negativa, aceitando ser conduzido por esta Forga da Luz Divina. Ele no vai mais duvidar da ago permanente des- ta Forga. E quando atinge esta convicgio, nio ha mais lugar para a diivida (a arma de Sata); cele sabe que hi um propésito maior de reali- zacao da Santidade e é seu papel o de elevar-se espiritualmente no mundo para a sua correcio e purificacao, Nesta t6nica vibratoria, o milagre sera natural e nao dependeré de uma compaixio Divina, podendo ser visto como na prépria raiz da palavra em hebraico, “nés”, ou seja, uma fuga da realidade dualista onde impera 0 ego @ REFLEXAO 41 Como uma fonte que desce a montanha e flui para a planicie, assim os mistérios da Mistica podem descer para o mundo dos homens e auxilid-los na grande caminhada rumo a felicidade e 4 unidade. inferior, de receber para si mesmo, para uma realidade onde impera o Amor fraterno e uni- versalista de receber para compartilhar sob o império da Luz Divina. Desde a época de Descartes somos levados a pensar em um universo linear, retilineo, onde as coisas sao objetivamente determinadas de fora para dentro e onde nés, homens, néo possuimos ‘um papel determinante nesta realidade universal. No entanto, na visio mistica que aborda- ‘mos, estamos nos referindo a uma realidade ja indicada pela moderna mecanica quantica do universo, onde nés, como observadores, deixa- ‘mos o papel passivo de assistentes e passamos a ter um papel decisivo, pois que o mundo sera aquele como o desejamos ver. Nossa interagao 6 total e possuimos as chaves para decidir 0 que queremos ver e viver. Esta éa conexao intima com a Forga de que falamos acima. O conhecimento de uma realidade onde podemos atuar positivamente, ‘uma realidade em que decidimos de modo har- monioso com o fluxo energético universal que ria as conexdes de nossas consciéncias com a exterioridade e assim, como agentes, passamos a produzir os fatos que nos fortalecem a convie- do de que a Forga Divina é 0 mecanismo que pode nos trazer a Paz e a prosperidade deseja- das, A sabedoria se torna possfvel e os mecanis- ‘mos ocultos da Cabal podem ser revelados. 34. omscsur- vmtoame a Como uma fonte que desce a montanha e flui paraa planicie, assim os mistérios da Mistica podem descer para o mundo dos homens e aunilid-los na grande caminhada rumo & felici- dade ea unidade. Esta unidade é determinada pela Forca e pela comunhao que possamos realizar com ela e com os outros homens. Nesta conexio ou nesta realidade, estare- ‘mos vivendo de tal maneira a manifestagao de “milagres” vai depender de nossa profunda e dinamica iniciativa e vontade; e nao como pos- sivel ou nao possivel compaixio Divina. Esta~ remos trazendo a Santidade para este mundo € realizando a maxima da Tor, como consta em Exodo: “E eles Me farao uma morada e Eu habitarei dentro deles’ E dentro de uma simbologia jé descrita an- tes, ao estabelecermos esta conexo com a Luz, ao criarmos esta unidade, manifestamos luz neste mundo, o qual é considerado um mundo inferior, e ai vamos também irradiar luz aos mundos superiores, e como no sonho de Jacob, em que anjos subiam e desciam por uma esca- da apoiada no solo, vamos, a partir de nossas ages, materializadas com base em tal conexii produzir uma descida e subida da Luz Por isto, levando em conta a afirmagao da moderna ciéncia de que 0 observador pode determinar a percep¢io de uma onda ou par- ticula quando examina o mundo subatémico, 0 homem vai, pelo poder de sua consciéncia iluminada e operativa, determinar os destinos da sua permanéncia no mundo e conseguir a condigao de Agente da Luz, papel para o qual foi criado. Entéo, voltando 3s nossas palavras iniciais, era mais facil para as antigas geragbes presen- ciar atos milagrosos porque elas manifestavam uma conexio ou identificacdo maior com a na- tureza espiritual, ou seja, tinham as qualidades do autossacrificio ou despojamento da alma, 0 que é chamado de “messirat nefesh’” Isto esta descrito nas paginas do Talmude (a grande compilagio tradigao oral de Israel), ¢ prevé para os dias messianicos a mesma co- nexo com as qualidades da alma, onde todos poderio e terdo acesso aos mistérios ¢ razes profundas da Lei e dos preceitos. Vale ainda dizer que a conexio que possi- bilita a manifestagao da Luz, ao atingir o nivel onde atua a alma, em Mal'hut, é chamada de 0 mundo da Agao, e sofre a influéncia de uma condicio definida na Criagao como a “corti- na’, a qual funciona como um espelho para a Luz, que também recebe deste plano de forma indireta; ou seja, a alma, através do trabalho de espiritualidade e de seu esforgo em compar tilhar com os demais das benesses recebidas, vai propiciar uma maior intensidade da Luz em_ seu mundo, o que faz/com que, por assim dizer, uma parte desta Luz enviada desde os mais ele- vados planos do Ein Sof (Sem Fim) seja refletida como Luz do Retorno para os mundos acima. Aatracao ea expansio da Luz, quando desejada pela alma, deve ser atraida através de uma condicdo em que ela cria uma seme- Thanga de forma ou natureza (espiritual) com a Origem, fazendo com que o plano de certeza € de estabilidade perenes possa se concretizar; € este plano ou tipo de manifestagdo da ao homem 0 poder de agir conscientemente para santificar o mundo onde atua, através dessa mesma semelhanga ou afirmagao do amor fra- terno. Como o homem distanciou-se do plano Divino, isto é, nao ha separago real entre ele ¢ 0 Criador, pois “Sua Gléria preenche toda a Terra’, o que acontece é que o mau uso do livre-arbitrio pelo homem gera o que se consi- dera como uma diferenga de forma espiritual com a natureza toda benevolente e dadivosa da Luz da Criagao, e isto impede a plena mani- festagdo das realidades superiores no mundo, dentre as quais os milagres. ‘A concepgao do Amor ao préximo, de ligar-se ao que € positivo e fraterno, deve ser © caminho-chave para o homem que deseja criar ou religar-se A Unidade Suprema que tudo abarca e alcangar sua razao de ser, qual seja, eliminar o sentimento do Pao da Ver- gonha, e pela retificagao de seus atos, trazer a santificagdo de sua vida, o que trara a mais abundante manifestagao da Divindade neste mundo de relacdes. ¥ O dia em que penseli ter morrido Por BARRY HILL 36 omwcsur- vatome ‘© comego do verao de 2007 eu nao vinha me sentindo muito bem por semanas a fio. Comegou com uma tosse ¢ logo os sintomas da gripe comum apareceram. Eu estava com quarenta e pou- cos anos e bem de saiide. Nao estava ciente de qualquer problema e nao tinha tido gripe em anos. De fato, ett estava em minhas me- thores condicées, e, portanto, foi um incd- modo nao conseguir fazer o meu ciclismo habitual no fim de semana. Sentia-me como uma boneca de pano, dificilmente com fora suficiente para subir as escadas. Felizmente, a gripe passou em alguns dias e eu estava bem, a caminho de minha plena recuperacao quando aceitei com pra- zer me encontrar com minha irmi e seus filhos em uma cafeteria local. Adoro a ino- céncia e a espontaneidade das criancas e eu tinha uma ligacdo especial de afeicio com 0s gémeos de trés anos de idade de minha irma - um menino e uma menina com per- sonalidades bem diferentes, mas alegres, ativos, cheios de vida e, acima de tudo, mui- to atenciosos e afetuosos um com 0 outro. A fila para fazer 0 pedido de café e paes estava longa e minha irma pacientemente entrou na fila, enquanto seus filhos en- contravam outras criancas de sua idade na cafeteria. No comego, os dois que estavam com a familia proxima a mim eram com- pletamente estranhos, mas com timidez, rostos amigiveis ¢ iniciativa, em alguns minutos, eles eram melhores amigos para a vida toda. Foi uma cena maravilhosa. Por que adultos nao conseguem fazer 0 mesmo? Todas aquelas guerras, discussées ¢ sofrimento entre adultos, ao passo que pequenas criangas podem se encontrar tao facilmente e se tornarem amigos quase que imediatamente. Como seria facil eliminar conflitos de uma vez se pudéssemos nos tornar criangas novamente! 47 Eu estava calmo e sem nenhum desconforto, exceto pela visado desorientada de, simultaneamente, ver todos na cafeteria como se eu estivesse bem alto acima deles... “7 A cafeteria estava cheia. Muitas conver- sas e risadas. O ambiente era relaxante e agradavel, boa misica estava tocando e fui preenchido por um repentino sentimento de gratidao por conseguir experimentar a vida ao maximo novamente ¢ especial- mente agora que estava me sentindo muito melhor. Sentei em um sofa confortavel, absorvendo a cena, encostei minha cabeca e fechei os olhos. Esse momento deve ter sido quando perdi a consciéncia. De repen- te, tudo cessou. Nao lembro 0 que aconte- ceu ou de que forma perdi a consciéncia, mas lembro que repentinamente estava consciente do siléncio. Eu estava calmo e sem nenhum descon- forto, exceto pela visio desorientada de, simultaneamente, ver todos na cafeteria como se eu estivesse bem alto acima de- les, a varios metros, no céu azul e limpo, ¢ pude ver tudo o que acontecia na cafeteria, porém, ao mesmo tempo, no nivel térreo eu olhava as pessoas continuando suas con- versas normalmente. Em alguns instantes as coisas mudaram de novo e, desta vez, tudo vuntows onoscez 37 @ RELATO estava claro. Eu ja nao estava mais em dois lugares a0 mesmo tempo. Eu estava olhan- do para baixo, de onde acredito que seria 0 teto, e via todos que estavam na cafeteria. Eu via todos como se estivesse diante deles ~ todos e tudo simultaneamente, inclusive eu mesmo, caido em um dos lados do sofé. 0 silencio permanecia, enquanto eu observa- va com grande clareza a situago correndo normalmente. Nao tenho ideia de quanto tempo isso durou, pois eu nio tinha nocdo do tempo e de que, de alguma forma, eu havia “partido” ou que alguma coisa estava diferente. S6 tive ideia de que foi muito tempo depois que me contaram que eu estive clinicamente morto, em decorréncia de uma parada cardiaca, por no minimo seis minutos. Em algum momen- to eu me vi detalhadamente cafdo em um lado do sofa, com a minha cabeca em um Angulo impossivel, e pessoas paradas ao meu redor olhando para mim. E entao tudo ficou branco, até que eu acordei trés dias depois em uma unidade de tratamento intensivo de um hospital a apenas uma quadra da cafeteria. 3Q_omscsur- vatoame Man sensacgao que tive naquele estado intermediario foi de tranquilidade completa, sem agitagao, sem aborrecimentos e sem pressa... /! No comeco eu nao tinha lembranga de nada do que havia acontecido e fui v4- rias vezes impedido de tentar me levantar. Quando me falaram que eu havia sofrido uum ataque cardiaco e que estive clinicamen- te morto por mais de seis minutos, eu sabia que havia grandes chances de ter tido danos cerebrais permanentes. Mas nada disso ti- nha importancia: eu apenas estava agrade- cido por ainda estar vivo e conseguir ver e falar e até me movimentar um pouco. A vida é ainda mais desejada quando jé esteve prestes a terminar e para mim era muito bom ainda estar aqui. Sob forte sedacio, senti sono de novo e nas primeiras horas da manha seguinte acordei novamente com a mesma clareza de antes. A lembranga do que tinha aconte- ido na cafeteria retornou plenamente, em detalhes gréficos. Lembrei de tudo, desde o momento em que tudo havia cessado. No entanto, eu soube que, desta vez, este mo- mento de siléncio era completamente dife- rente e estava destinado a ser o meu tltimo adeus. De algum lugar alto no quarto eu vi dois enfermeiros entrarem com pressa. Lu- zes piscavam e logo um médico chegou atras deles, Fui rapidamente levado do quarto. Isso foi quando tudo cessou de novo. Eu tinha sofrido outro ataque cardiaco, mais grave que o outro, e foi gracas ao érduo esforco do médico e dos enfermeiros que voltei& vida. Hoje sou capaz de escrever estas linhas. A lem- branga de tudo estava dara quando finalmente acordei, doze horas mais tarde, depois de ter sido submetido a uma cirurgia de ponte de safena. E a lembranca esta clara até hoje. Eu morri? Duas vezes? Nao sei, mas ‘0s médicos tém certeza de que realmente morri e de que tenho muita sorte de ter sobrevivido a dois ataques cardiacos. Certa- mente, experimentei algo que nunca havia experimentado antes ou depois: a sensacao de estar fora do meu corpo e ver coisas que talvez outras pessoas morrendo tenham vis- to bilhdes de vezes no passado. A sensagio que tive naquele estado intermediario foi de tranquilidade completa, sem agitacao, sem aborrecimentos e sem pressa; apenas a aceitagao de que as coisas se manifestam da forma que devem ser e que hd um “lugar” ‘onde as pessoas queridas do meu passado esperam pacientemente a minha chegada em algum momento, Embora compreendamos o sentido da expresso “destinado a ser”, para mim, eu. estava destinado a passar por cada segundo desses acontecimentos, pois eles me muda- ram e acredito que me transformaram em uma pessoa melhor. Todos os dias desde entao tém sido um precioso presente, ea mudanga para melhor em minha mente e coragdo que esta experiéncia me proporcio- nou tem sido uma grande béncao e liberta- cdo. Ver-me caido no sofa na cafeteria e no- vamente junto aos funcionarios do hospital, quando eu ja estava técnica e clinicamente morto, ¢ a tranguilidade eo siléncio supre- mo que acompanharam ambas as visdes me convenceram de que ha vida além da morte. Sendo racional e um cientista por profis- so, sei que isso é apenas uma crenca. Mas é uma poderosa comprovagdo de que, sendo duas experiéncias de tanta clareza e sereni- dade suprema, nao as posso ignorar como sendo uma mera fantasia. Com o passar dos anos, essas experiéncias me aproximaram de uma aceitagao do fato que, quando eu finalmente partir de ve7, ser para um lugar aonde estou destinado a ir e tenho certeza de que serd a propria esséncia de tudo 0 que amo, zelo e sei que ¢ bom. Quando minha hora chegar, partirei com muita gratidao pe- las experiéncias que a vida me proporcionou, mas especialmente por ter tido uma prévia de ‘como pode ser a minha passagem. # Publicado originalmente no The Rosicrucian Beacon — Junho de 2015 ™@ SABEDORIA Iluminagao _ © Regeneracao Por JEAN-PHILIPPE DETERVILLE, FRC* de consciéncia e a expressio da nossa natureza cristica, do Mestre Interior, da Divindade encarnada em cada um de nés. Esse deus interior 0 Sol, a estrela para a qual se encaminha sem descanso o ini do, em busca da Luz Maior. Para o alquimis- ta rosacruz do século XVII, a Pedra Filosofal nJo representava tio-somente o meio de transmutar os metais em ouro, o elixir da longevidade, mas simbolizava também 0 acesso a Sabedoria Universal, a reali- zagio do Cristo Interior, a desco- berta do Eu. Encontrar a Pe- dra Filosofal ¢ entdo conhecer a Iuminacio e reencontrar estado de Rosacruz. Mas, como alcangar um objetivo tao elevado? O que 4& que pode contribuir eficaz- mente para a nossa busca da verdade? Serd que a Ilumina- ‘¢do depende de nés? Até hoje, quatro manifes- tos rosacruzes expressaram 0 ponto de vista da Ordem sobre o estado da humanidade ea necessidade de uma reforma Daseada na regeneracio in- dividual e coletiva do género humano, Desde sua origem, adoutrina dos rosacruzes se Pp or defini¢io, a Iluminagao é a tomada apresenta entio como uma verdadeira ciéncia da Regeneracao. Nao obstante, se o Tuminado um homem regenerado, um renatus, isto é, aquele que renasceu, qual & 0 papel desempe- nhado pela Tradigio Rosacruz.e a Fraternidade Rosacruz nesse processo iniciatico? Em primeiro lugar, devemos notar que a maior parte, se nao a totalidade dos Mestres luminados, pode ser associada a uma vida espiritual ou a uma tradi¢do mistica particu- lar. De fato, cada ser humano, qualquer que seja 0 nivel que tenha alcangado no transcor- rer das encarnagées anteriores, deve receber uma educacio apropriada para manifestar e ultrapassar o nivel antes atingido. Assim, a Tradicao esotérica que nos manifesta a AMORC contém todos os elementos neces- sdrios ao nosso crescimento interior. Em ou- tras palavras, ela nos proporciona o alimento espiritual indispensivel & assimilagao e A in- tegracdo das grandes verdades eternas. Neste sentido, a funcao de toda escola de sabedoria auténtica é contribuir para o despertar ¢ 0 desabrochar do nosso potencial interior, a fin de que a lagarta possa um dia ceder lugar A borboleta ~ 0 bruto ao homem regenerado. Se, segundo a Confessio Fraternitatis, os rosacruzes possuem a ciéncia da regenera- ao, isto se deve a que o Rosacrucianismo é ao mesmo tempo uma ciéncia, uma arte € ‘uma sintese viva e atuante do Conhecimen- to esotérico. Humanista e espiritualista por exceléncia, ele encarna a filosofia pritica, a ciéncia da vida, a teosofia que leva progres- sivamente 0 Homem de Desejo & Sabedoria Universal. A luz da Rosa-Cruz, assim como a forga e © valor da nossa fraternidade, reside em seu ensinamento secular, mas também na eficdcia de sua técnica inicidtica e no poder de sua egrégora ~ dessa egrégora que é vivificada pelo trabalho da Hierarquia e cuja esséncia espiritual procede da cooperacio consciente dos rosacruzes com 0 Plano Divino. Deste ponto de vista, nunca estamos s6s, e cada rosacruz, na medida em que seja honesto e sincero em sua busca da verdade, pode se beneficiar permanen- temente do influxo espiritual que emana da Alma coletiva dos rosacruzes. Segundo a concepgao da Tradicao Primordial, a Sabedoria se manifestou 4 huma- nidade através de uma sucessao de Mestres espirituais e instrutores que se empenharam em ser os agentes da Inteli- ‘gencia Universal. Segundo o exemplo de nos- sos Mestres do Passado, que consiste em sé considerarmos 0 Verdadeiro, 0 Belo eo Bem ‘em todas as coisas e em todo ser, podemos nos beneficiar de sua luz e de sua sabedoria. Assim era que a Imitagdo do Cristo represen- tava, para os rosacruzes do século XVII, um principio fundamental para a reforma coleti- va do género humano. Dado que nossa futura Iuminagio depen- de da nossa aptidao para nos harmonizarmos com a Sabedoria Primordial manifesta pela ‘Tradicdo Rosacruz, é importante comungar- mos regularmente com o Sanctum Celestial, principalmente mediante uma meditagao au Seguramente, a evolucao de todo mistico sincero resulta de seu engajamento e de seu trabalho pessoal. digria, contatos com o Sanctum Celestial e © Auxilio Espiritual. Com efeito, o Sanctum. Celestial, que representa o mais alto grau de consciéncia que nos é acessivel aqui e agora, permite-nos vivificar e atualizar a soma de sabedoria e conhecimento veiculada pela nossa Ordem ~ a preciosa heranca que cada Iniciado Rosacruz se empenha em enrique- cer com seu trabalho e suas experiéncias espirituais. Evidentemente, nao se poderia considerar a Tluminagio sem integré-la numa visio es- piritualista que implica a crenea, depois a fé, na existéncia de uma Causa inicial, transcen- dente e imanente, que nao &sendo 0 Deus do nosso Coracao e da nossa Com- preensio. Isto est clara- mente expresso no Fama Fraternitatis, onde se diz, ‘a guisa de conclusao: “A. sombra de tuas asas, Jeovs" Esta invocagao do primeiro manifesto rosacruz no &ambigua e nos convida a colaborar com o Plano aU Divino, a fim de nos tor- narmos agentes a servigo do Bem universal. Por con- seguinte, uma das qualidades indispensiveis a cultivarmos na senda da Iniciago é a fé mistica em relagao Aquele que todo mistico venera ao mesmo tempo em seu coracio ena esfera universal. Essa fé mistica se expressa muito especialmente na confianga e na escuta que dedicamos 20 Mestre Interior, que é 0 nosso verdadeiro Iniciador na via cardiaca. ‘Vejamos agora qual éa nossa parte de responsabilidade individual no proceso de Regeneracao e Iluminacio. Seguramente, a evolugio de todo mistico sincero resulta de seu engajamento e de seu trabalho pessoal. Ou seja, 0 estudo e a apli- cago dos ensinamentos é que determinam ™@ SABEDORIA © progresso na senda do Conhecimento. A propésito disto, a Tradicio e a Ontologia Rosacruz nos ensinam que o ser humano € o artifice do seu devir, e que nem Deus nem um Mestre Invisivel fardo oposigao a0 livre-arbitrio. Segundo esta linha de pensa- mento, Deus criou leis universais que regem a Criagao em seu todo, Dentre as leis espiri- tuais que cumprem um papel fundamental na evolugao humana, allei de compensagio co livre-arbitrio estio plenamente justificados. Por outro lado, o Fama Fraternitatis informa que os rosacruzes estudam 0 Liber M, ou seja, 0 Liber Mundi, 0 Livro do Homem, da Natureza e do Universo. Ainda no Fama, esté inscrito na tumba de CRC: ‘A.C.R. ~C. Em vida, eu me dei para tiimulo este resumo 4 Para receber e expressar plenamente a luz, o iniciado deve seguir um processo de purificagao e buscador da verdade que segue um caminho de conhecimento e experiéncia. Tudo 0 que pode ajuda-lo a desabrochar a despertar sua verdadeira natureza é apresentado a ele sob a forma de principios misticos cuja veraci- dade deve sempre ser testada e validada pela experimentacao. Todos sabemos que 0 ponto de interrogacdo vivo que somos tem o dever de transformar o saber em conhecimento, no cadinho da experiéncia alimentada pelo fogo da paciéncia e da per- severanga. Com certeza a paciéncia é uma das chaves da iluminacao, pois, como é claramente estabelecido neste trecho do tratado alquimico intitulado A Turba dos Fildsofos: Nao podeis aleangar vossa meta sem iluminagao e sem terdes a coragem de esperar, pois quem ndo tiver paciéncia preparacao que leve & progressiva pe tato,é gracas. paci- regeneracao do éncia a toda prova que o do Universo” Em outras ndo entrard nesta Arte. palavras, o corpo do ser humano é uma sintese das leis universais. Tudo isso nao tem nada de espantoso, visto que © microcosmo é imagem do macrocosmo, segundo o adigio hermético: “O que existe no alto é como o que existe embaixo, inversamente”. ‘Como 0 misticismo é o estudo das relagbes entre o Ser Humano, a Natureza e Deus, € pela har- monizacio com as leis universais que o Iniciado aprende a se co- nhecer, mas também a canalizar as forcas positivas e construtivas do Césmico, aproximando-se do Deus do seu coragao. rosacruz é por natureza um seu ser triplice... TL isiado pode assimitar progressivamente 0 sen- tido das experiéncias da vida. Nisso ele se esforga constantemente para estar & escuta do Real e para aprender a licdo ensinada por cada pro- va, sem jamais perder de vista que um misti- co tem por objetivo o reformar-se e se apri- ‘morar incessantemente. Essa vontade de se aperfeicoar o leva a rejeitar tanto a culpabili- dade como a complacéncia, no que concerne s suas imperfeicdes do momento. E assim que todo buscador da verdade da todo valor ao velho adagio, ajuda-te, ¢ 0 céu te ajudard, se esforca para manifestar a forca da vontade ea dogura do amor, Para receber e expressar plenamente a luz, oiniciado deve seguir um processo de puri- ficagdo e preparacdo que leve A progressiva regeneragao do seu ser triplice, a saber, seu veiculo fisico, seu corpo psiquico e sua alma, Com efeito, assim como a Paz Profunda asso- cia a Paz do corpo a do coragio e da alma, a luz maior precisa, para se manifestar, de um canal purificado e preparado. Dado que a regeneracao ¢ 0 alfa e 0 ome ga da Iluminagao, examinemos brevemente como podemos trabalhar em favor da nossa regeneragio fisica, emocional e espiritual. A regeneracao fisica decorre da aplica- ¢ao dos principios de sabedoria relacio- nados com uma boa higiene de vida. Uma virtude preciosa ajuda o rosacruz nesse em- penho, qual seja, a temperanca. Esta de fato o incita a viver em conformidade com 0 caminho do meio razodvel, usando de mo- deragao e discernimento em suas atividades fisicas. Isto é tao verdadeiro no campo da alimentagao e do exercicio fisico, quanto em tudo que concerne aos apetites fisicos. No plano alimentar, nossa Ordem deixa que seus membros se alimentem como acharem melhor. E nao obstante verdadeiro que, com o passar do tempo, tomamos cada vez mais consciéncia da necessidade de co- mer de maneira sadia e equilibrada, a fim de atender s auténticas necessidades do corpo. Nao you insistir nos maleficios dos estimulantes e dos abusos de toda espécie. E evidente, também, que todo mistico equi- librado conhece a importancia dos periodos de repouso e descontracao. Enfim, praticar regularmente uma atividade fisica razodvel, mesmo a simples caminhada, contribu para um bom estado de saiide geral. No ambito rosacruz, hé muitos princ{- pios que atuam de maneira notavel sobre ‘0 nosso veiculo fisico, que, ndo o esqueca- mos, é 0 veiculo e 0 templo da personalida- de-alma. Assim, uma das técnicas funda- mentais propostas por nossa Ordem ¢ a da respiracio profunda, que acarreta uma boa circulagdo da forca vital. Além disso, ela permite atuar sobre as emogdes e é entio muito ttil, tanto para dominar o estresse como para aprender a meditar. processo regenerador inclui também © aspecto psiquico e emocional. E aqui que a alquimia espiritual dos rosacruzes mani- festa todo o seu potencial. Todos sabemos que a matéria-prima com a qual trabalha 0 alquimista rosacruz é 0 pensamento. Aper- feigoando sem cessar a qualidade de suas emogées e de seus sentimentos, 0 iniciado da nossa Ordem desperta suas faculdades latentes e regenera seu corpo psiquico. Definida de maneira simples, & luz dos nossos ensinamentos, a alquimia espiritual éaarte de transmutarmos nossos defeitos em suia qualidade oposta, vale dizer, em virtudes nobres e elevadas. Em outras pala- vras, para eliminarmos o medo, basta de- senvolvermos a coragem; para dissiparmos 0 ddio, precisamos nutrir pensamentos de amor, assim como, para eliminarmos as trevas da ignordncia, basta manifestarmos aluz do conhecimento. E inutil pensarmos. ™@ SABEDORIA que podemos ter acesso a um alto grau de desenvolvimento psiquico e espiritual sem pormos em pratica as virtudes essenciais, como 0 amor, a generosidade, a coragem, a paciéncia, a sinceridade, a simplicida- de, o desapego e o bom humor. Ou seja, a pratica das virtudes participa diretamente na busca espiritual e constitui um elemen- to essencial da busca do conhece-te a ti ‘mesmo. Por exemplo, o fato de nutrirmos 6dio por um sé ser fecha-nos irremedia- velmente 0 acesso aos planos elevados da Consciéncia Césmica. E entao primordial cuidarmos regularmente de purificar nossa mente de todas as escorias ¢ todos os pen- samentos negativos que a podem obscure- cer. Desse modo, 0 espelho da nossa cons- ciéncia poderé refletir a Perfeita Luz. Apés termos considerado a regenerago fisica e emocional, consideremos agora a regeneracao espiritual. Esta assenta no modo como vivemos a espiritualidade e 0 misticismo. Mui frequentemente, 0 pro- fano ou 0 neéfito ignoram a importncia da ética em todo caminho espiritual. No entanto, sem uma verdadeira ciéncia do comportamento, é vao aspirar a espiritu- alidade e ter pretensao a luminagao. Por conseguinte, nunca devemos esquecer que a espiritualidade é um estado de ser e que a ética e, portanto, nosso comportamento no cotidiano, cumprem um papel fundamen- tal no processo da Iluminagao. Além disso, a filosofia mistica tem por obje- tivo permitir uma verdadeira conscientizagao e individuagao que faz do adepto um ser livre e responsivel. Dai emergem duas qualidades preciosas, a saber, a simplicidade e a sinceridade. Com efeito, sem elas, é impos- sivel alcancar as esferas mais elevadas que estao em resso- nincia com os Mestres Invisi- veis. Além disso, a regeneracdo espiritual se apoia em duas técnicas essenciais que nos foram legadas pela Tradigio. Trata-se da prece e da meditacdo, e nao deveria se passar um sé dia sem que um rosacruz re- corresse a elas para o seu bem e para o bem de outrem. Trata-se, na realidade, das téc- nicas de harmonizagio com Césmico ea Inteligéncia Universal. Um terceiro princi- pio pode ser acrescentado a essas duas téc~ nicas, pilares da espiritualidade, qual seja, a visualizagao. Esta, associada a arte da criagio mental, utiliza, ordena e canaliza © pensamento positivo, desencadeando-o gracas ao poder da emocio. ‘Como nos lembra o Pequeno Principe, de Saint-Exupéry, “sé se vé bem com © cora¢io; o essencial ¢ invistvel para 08 olhos”. © que da forga a nossa ‘Tradigao é que ela nos convida a um trabalho permanente de transmutacio e regeneracio, que leva a uma verdadeira metamorfose. A semelhanca do girassol, © rosacruz deve aprender a orientar seus pensamentos para o sol espiritual, a luz de sua alma, a fim de fazer com que suas palavras e suas agdes sejam o reflexo vivo do seu ideal. Confianga na Tradigio Primordial, sinceridade e paciéncia no Trabalho, alianca do Amor e da Vontade a servico do Mestre Interior: tais so as condigées para progredir na Senda da Luz edo Conhecimento. A exemplo dos iniciados das Escolas de Mistérios do Egito Antigo, a norma que rege nossa existéncia deve ser a de Maat ~a justia, a verdade, a lei universal, a ordem ea harmonia cosmica. A verdade a que aspiramos é a resposta para a questo fundamental que se coloca a todo mistico: “quem sou”. Indubitavelmente, a lei suprema dos rosacruzes é a lei do amor, pois é ela que aclara nosso caminho e reforga nosso desejo, bem como nosso poder da vontade. £ claro que, por amor, entendo a energia, o principio inicial e universal que se manifesta do microcosmo ao macrocosmo. “Ama teu préximo como a ti mesmo’, ensinou-nos o Grande Instrutor. Aprendermos a amar a nés mesmos é aprendermos a amar 0 nosso Eu Divino, compreender que devemos nos tornar amigos do nosso Mestre Interior e, por isso mesmo, associados aos Mestres da Grande Fraternidade Branca. Nao ha diivida de que a Cruz Rosacruz 0 emblema do nosso ideal e do estado inte- rior de plenitude que ela prefigura, ou seja, a Realizacao do Eu. Neste sentido, cada rosacruz se esforea, por sua ética e seu trabalho, para se aproximar um pouco, todos os dias, do cume da montanha da Tlu- minagio. Os principios rosacruzes constituem um precioso auxilio para todo buscador da verdade, e é na aplica- ‘go desses preceitos de sabedoria que reside segredo da Paz Pro- funda, Além disso, 0 terceiro manifesto rosacruz, “O Casamen- to Alquimico de Christian Rosenkreutz” lembra-nos que “a suprema ciéncia consiste em nada saber’, “Tudo o que eu sei é que ndo sei’, ja dizia Sécrates. Por conseguinte, o iniciado deve aprender a cooperar com a Lei Césmica, a se harmonizar com sua natureza divina e a tornar-se o verdadeiro discipulo do Mestre Interior, para “que as- 41 Qf Luz Maior nao deve ser procurada em outro lugar que nao o Santuario Interior, l4 onde arde sobre o altar do nosso coragao a chama sagrada e di expressao e quintesséncia do Mestre Interior. sim seja” e que “Sua Vontade seja feta” ‘A Luz Maior nao deve ser procurada em outro lugar que nao o Santudrio Interior, li onde arde sobre o altar do nosso coragio a chama sagrada e divina, expressdo e quintes- séncia do Mestre Interior. O Mestre Interior que é Luz, Vida e Amor, mas também Exis- téncia, Consciéncia e Beatitude, Sabedoria, Forca e Beleza. Esse Mestre Interior que 0 discipulo reconheceu e aceitou tem como ‘inico lema “amare servir”, Nao é entao por acaso que a hierarquia da nossa Ordem se afirma como uma hie- rarquia de servigo. Com feito, servir é 0 dever sagrado de todo militan- te do Espirito. Se os ro- sacruzes sio conhecidos como os “cavaleiros da Harmonia’, é porquea busca iluminadora as- senta sobre uma harmo- nizagdo com os aspectos mais elevados do ser interior. Assim deve 0 homem exterior se apro- ximar progressivamente do Mestre Interior, a fim de ter a experiéncia da [x2 Maior $6 a alianga de um coragio amoroso e uma firme resolugio na busca da Sabedoria pode transformar o discipulo em adepto. Entio, o dureo alvorecer sobrevém e, com ele, a Iluminagio regeneradora, a experiéncia da Consciéncia Césmica, a fusio com 0 Todo, que nao € outra coisa sendo 0 casamento al- quimico, 0 advento da Consciéncia Cristica e © desabrochar da Rosa na Cruz. / ina, * 0 Frater Jean-Philippe Detenvlle é 0 Grande Mestre Emérito da JurisdicSo de Lingua Italiana, SANCTUM CELESTIAL Prece . Mistica sf eo oo 4 Por RALPHM. LEWIS, FRC, EX-IMPERATOR DA AMORC a guerra se tornam tado, deve parecer que seu que estes elementos sejam N particularmente Deus abandonou, ou, pelo _corretamente integrados, a evidentes as incon- _-menos, que sua prece perdeu _prece necessariamente falha- grudncias das concepgdes da aceficacia. 14, Nao obstante, por mais prece. Os povos das nacdes Eestacircunstancia que _frequentemente que uma envolvidas, tanto amigos tem confundido muitos reli-_prece ndo produza os efeitos como inimigos,entramem _giosos elevado muita gente _—_desejados, certos resulta- seustemplosesolenemente _aencararaprececomouma —_ dos benéficos sao obtidos. oram por sua prépria vitéria. coisa de natureza supers- Isto acontece quando quase Com frequéncia, pessoas da__ticiosa. O valor da prece & todos os elementos so cor- mesma religido, em nagdes diretamente proporcional retamente usados, conforme inimigas, estéo orando neste __& maneira como ela é usa- explicaremos adiante. mesmo sentido, ao mes- da, A prece, por si mesma, Do ponto de vista racio- mo Deus. Evidentemente, como ato ou série de atos, nal, a prece é uma peticao. ambos os povos acreditam nao ¢ infalivel; consiste em Como qualquer espécie que esto com a razio, em varios elementos, como de stiplica, pode ser feita suas respectivas causas. Por “a quem oramos’, “como oralmente, ou em siléncio. conseguinte, para o religioso _e quando oramos” e “para Quando impelidos por uma sincero de um pafs derro- quem oramos”. A menos emogio, ¢ instintivo expres- AG owwcve venom ST sarmos oralmente nossos desejos. H4 poder em nossas expresses vocais. O som de nossa voz libera as emogoess sugere a invocagao da forga do desejo, tanto fisica como mentalmente. Na verdade, é quase impossivel evitar que uma realizacao vocativa acompanhe uma agitacio emocional intensa; tende- mos a gritar ou falar nestas circunstancias. Sea prece é uma peticao, deve haver algo ow alguém a quem ela seja dirigida. Evi- dentemente, ndo oramos a nés mesmos, isto é, a0 nosso proprio ser mental ou fisico. Se acreditamos que somos intelectual e fisicamente ca- pazes de executar um plano, ou adquirir alguma coisa, agimos inteiramente por nossa prépria iniciativa. A prece, portanto, implica ad- mitirmos uma insuficiéncia pessoal, real ou imaginaria, Essa insuficiéncia pessoal causa uma tendéncia, no in- dividuo, a voltar-se para fora de si mesmo, a se colocar na dependéncia de uma forea, um poder, ou uma fonte, exterior a ele proprio. E claro que a nossa con cepgio dessa forga externa determina, em grande parte, anatureza da nossa pre- ce. Um homem primitivo, que adota uma concep¢a0 politeista, imagina uma pluralidade de deuses. Para ele, tais deuses podem fazer morada em coisas inanima- das, como pedras, o mar ou rnuvens tempestuosas. Em sua concepcio, cada um desses deuses satisfaz espe- cificamente certas necessi- dades do homem. Assim, 0 individuo tem de classificar seus deuses; ele recorre a um para obter satide, a outro em busca de fortaleza, a um ter- ceiro para apoio contra seus inimigos, etc. Quando o homem pro- cura se comunicar com um poder maior que ele prdprio, inventa varios meios de me- recer a atencio dessa divin- dade. Por analogia, quando os homens apelam a um poder mundano, como um chefe de tribo, precisam fazer com que essa autoridade se disponha favoravelmente aos seus objetivos. Consequen- temente, precisam torné-lo propicio, oferecendo-lhe presentes, que podem ser quaisquer coisas que os ho- mens considerem valiosas. As vezes, 0 modo de abordar a divindade é uma tentativa de criar um ambiente favoravel, em que a divindade receba os presentes. Assim, ritos tedirgicos com miisica, dangas e cinticos sio usados. Se- guindo este método de prece, duas coisas so observadas: Primeiro, a crenga em que a divindade poder satisfazer 0 pedido, se ficar suficientemente contente com 0s atos do peticionario. Em segundo lugar, nfo ha problema quanto ao motivo do peticionario. Nao interes- sa se 0s resultados da prece estarao em conformidade com a lei natural ou se cons- tituirdo uma injustica para outros mortais. A psicologia destes casos é muito primitiva. Consiste em conferir natureza antro- pomérfica & divindade. Isto 6, esse deus é concebido como um ser semelhante aos mor- tais, cheio de vaidade, poden- do ser facilmente satisfeito com presentes, homenagens e ostentagdes. E é também concebido como capaz. de conceder suas gracas ou apli- car seus poderes do mesmo ‘modo que um soberano terre- no absoluto, sem consideragao quanto & razao ou & justica. Cada pessoa pode, portant, obter 0 que quer que deseje desse deus, desde que consiga executar 0 rito tetingico cer- to. Os homens, entao, utam entre si para conquistar os segredos de como influenciar melhor os deuses. Foi esta espécie de equi- voco que encorajou a exis- téncia de sacerdotes, desde a mais primitiva sociedade conhecida. Sacerdotes eram homens que, segundo se acreditava, possufam o po- der ou eram treinados na maneira correta de invocar a graca dos deuses em bene- ficio dos homens. Embora consideremos esta pritica primitiva, sua ideia persistiu através dos tempos, exer- cendo grande influéncia nos dogmas e credos de muitas religides hoje existentes. Uma seita religiosa pode decretar certo compromis- so para o individuo. Pode decretar que ele ponha moedas em certa caixa, que AB orwscw7- veto frequente regularmente certa ceriménia, que repita certo credo, que se submeta a ritos oficiais. Se ele se submete, presume-se entdo que apa- ziguou a divindade, ow a ela recorreu corretamente, de modo que a divina vontade se inclinard para 0 atendi mento da prece. Nao é necessdrio que eu cite as seitas que encorajam esta pritica. Todas as conhe- ccem, ja que elas estdo em quase todas as comunidades. Essas pessoas, enti, rezam com boa-fé, mas natural- ‘mente, com frequéncia, se desapontam com 0s resulta- dos e ficam desiludidas. Ha uma certa concep- 40 ortodoxa de prece que, ‘embora seja superior pre- cedente, é ainda bastante primitiva e fadada ao fracas- so. Também reconhece um deus pessoal, exercendo uma vontade arbitraria, mas por motivos benéficos. O indivi- duo confere ao seu deus, ndo 6 poder para realizar coisas, ‘mas também o mais alto valor moral que ele é capaz de conceber. Em outras pa- lavras, ele acredita que seu deus é capaz de muitas coi- sas, mas s6 fard aquilo que estiver em consonancia com aboa moral. Este tipo de re- ligioso, entao, nao pedira ao seu deus que atenda sua pre- ce, se ela estiver em conflito com o que ele concebe como. moralmente correto, ou for 0 oposto disto. Nao pedird ao seu deus que mate alguém, ou que Ihe dé um dinheiro que nao the & devido. ‘Nao obstante, esse reli- gioso nao hesitard em pedir atendimento a uma prece gue ele considere justa, por mais que ela seja contraria & necessidade de uma ordem universal ou césmica; nao hesitara em pedir ao seu deus que faga parar uma guerra que os préprios ho- mens desencadearam. Psico- logicamente, esse individuo acredita que seu deus exerce arbitrariamente sua vontade, ‘mesmo contra as leis € cau- sas que ele proprio estabe- leceu, desde que o homem, com boa-fé e bom propésito moral, pega que o faga. O cardter ilégico de tal prece nunca ocorre ao peticion’- rio, Ele é capaz de orar para que seu deus faca parar algo que outro religioso, com a mesma boa-fé, esteja pedin- do para continuar. Um problema relacionado com o clima da Califérnia proporciona um excelente exemplo dessa concepgao antropomérfica de Deus e da prece. Em fins de setembro, 6s plantadores de ameixa da Califérnia estao secando seus frutos ao sol e uma chuva antecipada pode arruinar a colheita. Mas, inversamente, 0s criadores de gado, nessa mesma época do ano, pre- cisam desesperadamente de cchuva para seus pastos, espe- cialmente apés 0 longo e seco vero. Se um desses criadores um religioso do tipo que estivemos comentando, faz ssuas preces pedindo chuva. Simultaneamente, um plan- tador de ameixa reza para que nao chova. Se Deus fosse exercer vontade arbitraria, ‘opondo-se as leis naturais das condigdes climaticas, qual das duas preces atenderia? Essa concepgio religiosa coloca a divindade numa posicao ridicula e tornaa re- ligido vulnerdvel a descrenca. Sea divina vontade pudesse atuar arbitrariamente, € 0 fizesse, desorganizaria toda a unidade césmica; no pode- ria haver a menor confianga. Gracas ao fato que as leis césmicas se manifestam siste- maticamente e sio imutaveis, or sua propria natureza, é que o homem pode confiar ‘com seguranga nos principios divinos e césmicos. ‘A concepcao do mistico e ‘a sua pritica da prece nao sé produzem melhores resul- tados, mas constituem tam- bém o método mais ligico. O mistico declara que tudo & possivel no seio da Supre- ma Consciéncia de Deus, exceto algo que se opusesse A propria natureza de Deus. Como a Mente Divina cons- titui todas as coisas, nada pode Ihe fazer oposicao. Por exemplo, nao devemos espe- rar encontrar trevas na luz, pois onde hé luz nao pode haver trevas, Assim, 0 mistico nao pede o impossivel em suas preces. Nunca pede que seja colocada de lado uma lei césmica ou natural que ele mesmo tenha invocado ou posto em aco, por maldade 41 © mistico nao pede que béngaos especiais lhe sejam conferidas. Ele sabe que no esquema césmico nao existem mortais prediletos. a ou por ignorincia. O mistico acredita firmemente em cau- sa e efeito. Compreende que pedir que uma lei por ele ‘mesmo invocada seja des- prezada em seu favor é pedir o impossivel. O mistico nao pede que béngaos especiais the sejam conferidas. Ele sabe que no esquema césmico nao exis- tem mortais prediletos. Além disso, esta perfeitamente consciente de que tudo ja existe e existird em fungio da eterna lei de mudanga, Nada é reprimido. Segundo as leis do Césmico, tudo o que seja coerente com elas pode ser afinal provocado pela mente do homem. As coisas nao so transmitidas ao homem; antes, 6 ohomem que dirige e reiine os poderes césmicos a que tem acesso para provocar as coisas. O mistico nao pede algo em particular, j4 pronto, e sim a iluminacao gracas 4 qual isso possa ser concre- tizado por seus proprios esforgos. Ou, se 0 seu desejo de algo em particular nao é correto, ele pode pedir que esse desejo seja eliminado de sua mente. Conhecendo as limitag6es de seu proprio Eu objetivo, o mistico pede que, se nao for possivel mostrar- -Ihe como podera satisfazer sua necessidade, seja-lhe indicado como poder se li- vrar do desejo erréneo que o esteja levando a pensar nessa necessidade. Assim, mistico prova que nao insiste na infalibilidade dos seus propésitos. Analoga- mente, ele indica que deseja estar seguro de que no fara ‘uma injustica a alguém com 0 seu desejo, pedindo algo que nao deveria pedir. O mistico sabe que, com a devida compreensio, mui- tas das coisas pelas quais vemioms onsen, AQ hoje suplicamos em preces perderiam sua importincia para nds e se demonstrariam insignificantes e indignas de apelo a divindade. Muitas das coisas com que nos ator- mentamos, ¢ que considera- mos tao essenciais ao nosso bem-estar, assim parecem porque nao foram analisadas em seu aspecto mais amplo, ou seja, em sua relacio com todo 0 plano césmico. O mistico, ao dirigir uma petigao ao Césmico, intro- verte sua consciéncia, a0 invés de dirigir sua siplica para uma entidade ou poder externo e distante. O Cés mico esté em seu préprio interior, assim entende 0 mistico; nao esta nos confins do espaco. E 0 mistico sabe, ainda, que sua alma atenderé sua stiplica. A alma faz par- 50 osc. moans te do Césmico eo guiard a agio pessoal. A prece é na realidade uma consulta entre os dois aspectos ow as duas fases do Eu. E 0 apelo da mente mor- tal mente imortal do Eu interior. O atendimento de uma prece é uma penetracao na Sabedoria Divina através da harmonizacao correta. Por conseguinte, ele est apto a avaliar seus desejos e agir conforme o que é co: micamente certo e possivel. Quando um mistico pede algo que nao lhe é conce- dido, nao sente 0 desapon- tamento que ocorre com o religioso na mesma situacio. Se nao consegue especifica- mente o que pediu, o mistico recebe a compreensio que Ihe revela que seu apelo era desnecessirio. A prece, por- tanto, é sempre satisfatéria para ele. Psicologicamente, a pre- ce ébenéfica para qualquer pessoa, se for praticada misticamente. Esse tipo de prece requer humildade; requer submissio ao aspecto melhor da nossa natureza; coloca-nos em relagio har- moniosa com os impulsos mais sutis do nosso ser. Existem, basicamente, tés tipos de prece: a pre- ce de confissio, em que 0 individuo indica ao Deus do seu coracdo que esta arrependido e admite que violou seus ideais morais a prece de intercessao, em que o homem pede para ser guiado a fim de que possa evitar os efeitos indeseji veis de certas causas; e ha também a prece de grati- dao, como a dos Salmos, em que o homem louva a magnificéncia da divindade e expressa sua alegria em perceber sua propria natu- reza divina. Destes trés tipos, 0 mis- tico pratica mais frequente- mente o tiltimo, a prece de gratidao. Se reconhecemos 0 Ser Divino e nos harmo- nizamos periodicamente com o Eu interior, que faz parte do Ser Divino, adqui- rimos tal maestria ou do- minio do nosso préprio Ser que preces de intercessio e/ ou de confissao tornam-se desnecessarias. Finalmente, propomos uma prece que contém todos os elementos misticos que acabamos de enumerar: “Que a Divina Esséncia do Césmico me purifique de todas as impurezas de corpo e de mente, para que eu pos- sa entrar em comunhao com ‘o Sanctum Celestial. Que minha consciéncia mortal seja tio iluminada que quaisquer imperfeicbes do meu pensamento me se- jam reveladas e que me seja concedida a forca de vontade para eliminé-las. Humildemente, rogo que eu consiga apreender a plenitude da Natureza e dela participar, persistindo sem- pre no Bem Césmico. Assim seja” / NOVO MANIFESTO As Novas Bodas Alquimicas de Christian Rosenkreutz, 1616 4/2016 s rosacruzes que conhecem nossa Jria sabem que os Manifestos Rosacruzes do século XVII foram um convite para a realizacao de uum ideal de convivéncia harmoniosa entre as diversidades para o crescimento ¢ o beneficio de todos, concretizando assim um principio hermético bem conhecido por todos nés. Eles foram publicados em uma época extremante conturbada da Europa. “Como sublinharam historiadores, pensa- dores ¢ flésofos contemporaneos, a publicagdo desses trés Manifestos nao foi nem insignificante nem inoportuna, Ocorreu muma época em que a Europa atravessava uma crise existencial muito importante: estava dividida no plano politico e se dilacerava em conflitos de interesses economi- cos; as guerras de religides semeavam desgracae desolagio, mesmo no seio das familias; a ciéncia tomava impulso e jd assumia uma orientagdo ma- terialista; as condigdes de vida eram miseraveis para a maioria das pessoas; a sociedade da épo- ‘ca estava em plena mutagao, mas faltavam-the referéncias para evoluir no sentido do interesse eral.” (Positio Fraternitatis Rosae Crucis). O terceiro documento publicado foi AS BODAS ALQUIMICAS DE CHRISTIAN RO- SENKREUTZ, que relata alegoricamente uma viagem iniciética que representa a busca da Iu- minagio. Christian Rosenkreutz é 0 icone ale- _g6rico que representa o ressurgimento da nossa Ordem ao ter sua tumba aberta. Ele representa também o caminho do ser humano que conduzi- xi sempre em direcdo aos ideais perseguidos pela ‘Ordem Rosacruz, AMORC. Essa viagem de sete dias se desenrola em grande parte num misterioso castelo onde deve- riam ser celebradas as bodas de um rei e de uma rrainha; descreve a jornada espiritual que leva todo Iniciado a realizar a unio entre sua Alma (a esposa) ¢ seu Mestre Interior (Deus, 0 esposo) © Manifesto que agora colocamos em suas ‘maos a continuagao da jornada de Christian Rosenkreutz em sua busca, ¢ deve ser objeto de suas meditagies, pois seu contetido com- plementa os dois iltimos publicados (Positio Fraternitatis Rosae Crucis - 2011 e Appellatio Fraternitatis Rosae Crucis ~ 2014), que sio chamados & tomada de consciéncia e a uma atitude proativa em defesa da humanidade e do planeta. Este, As Novas Bodas Alquimicas de Christian Rosenkreutz, retrata a busca interior na continuagio da jornada mistica de Christian Rosenkreutz, apresentando a Ilumina¢éo como ‘uma meta exequivel a ser perseguida. 7 COMUNICADO IMPORTANTE A Grande Loja disponibiliza aos seus membros, apés imimeros pedidos, a op¢ao de pagamento da contribuicao trimestral através de cartio de crédito. Acesse a loja virtual www.ordemrosacruz.org.br e confira também as facilidades de parcelamento. ‘Mais informagées: (41) 3351-3060 ventas -onosacrez Ey] Nesta segdo sempre homenagearemos a historia de nossa Ordem no mundo e na lingua portuguesa, lembrando por meio de imagens os pioneiros que labutaram pelo Ideal Rosacruz ¢ plantaram as sementes cujos frutos hoje desfrutamos. A todos eles, a nossa reveréncia. 1964, com a presenca do entao Imperator, Frater Ralph M. Lewis,'e do Supremo Secretirio, Frater Arthur P. Piepenbrink. Naquela ocasiao foi inaugurado o Grande Templo, conforme mostramos na edicao anterior. [secs Convengio Nacional Rosacruz foi realizada em Curitiba de 25 a 27 de setembro de Foto 1: Rosacruzes reunidos no ftura Bosque Rosse; Foto 2: Imperator Ralph M. Lewis (de brancol Foto 3: Supreme Secretivio Arthur Piopenbrink segundo, da erquerda para a dita), a Grande Mestre Sorer Maia Moura (ne centr), Frater Ralph M, Lewis @ outros convencionas, 4 f 52 peer. nome } TRADICIONAL ORDEM MARTINISTA EGREGORA “Egrégora (do grego agrégorein=vigiar) € uma palavra que no livro de Enoch designa os anjos que juraram vigiar e proteger o Monte Hermon. O termo pode ser traduzido por “entidade vigilante”. Assim, a Egrégora (egrégore) é uma entidade, um ser vigilante coletivo produzido por uma assembleia (...) que o alimenta.” — Jules Boucher (1933-1999). Nés, rosacruzes ¢ martinistas da AMORC, nos familiarizamos com o termo jé no inicio de nossa jornada; aprendemos que “egrégora” é a esséncia da “Consciéncia Cés- ”. Ela foi, é e sempre serd. Nao é algo do qual estamos separados; como rosacruzes € martinistas, somos parte integrante dessa poderosa unido de mentes. Quando nos colocamos em sintonia com as Sagradas Vibragées que dela so emana- das, temos acesso aos seus mais elevados planos, tornando-nos agentes da Divindade. E como podemos chegar a essa Comunhio? recolhimento em nosso “Sanctum Sanctorum” ¢ em nosso Oratério, as Convo- cagbes Ritualisticas, os Conventiculos e as Iniciagdes sio exemplos muito proximos de como podemos, a qualquer momento, buscar auxilio ¢ conforto para situagées do dia a dia e agradecer pelas gragas recebidas. Em scu principio mistico, a “egrégora” esté associada também & consciéncia de grupo, mas cla é, a0 mesmo tempo, algo mais que isso. Para compreendermos as implicagdes maiores, é importante lembrarmos 0 axioma rosacruz: os pensamentos s4o coisas. Definida também como uma Assembleia de personalidades terrestres ¢ supraterrestres, constituindo uma unidade hierarquizada e movida por um certo ideal, a egrégora esté em permanente atividade, dia e noite, por anos e séculos desde o inicio. “Assim como é em cima, é em baixo”. Ela ocorre em todos os planos de consciéncia; porém, quanto mais nobre € puro for o seu propésito, mais conscientes estaremos dessa Comunhio. Fratres e Sorores, Irmaos e Irmas, a mente é o limite de nossas possibilidades. Somos primeiro 0 que pensamos ser, depois aquilo que sentimos, e isso se completa como agi- mos em nossa vida. De tes Se humanidade recebe de tempos em tempos personatidades- Aw que sdo “divisoras de dguas’, ou seja, 0 mundo é um antes delas e outro apés elas. Como verdadeiros mensageiros de Luz a servico da humanidade, cesses seres receberam do Césmico a missao de causar uma forte influencia na sociedade em que estavam inseridos, recebendo postumamente o reconhecimento de sua visto, lideranca ¢ iluminagdo que abrangeram todo 0 nosso mundo. Vieram para mudar, romper paradigmas e deixar os seus pensamentos, palavras e ‘acées como exemplas de seres humanas especiais. Esta capa da revista “O Rosacruz” é dedicada a estes Seres de Luz que, como Mestres, nos ensinaram o Sentido da Vida. MARTIN LUTHER KING JR. — Na década de 50 o mundo era diferente: nao havia tanta tecnologia, nem tampouco, tantas descobertas cientificas, mas ja existiam pessoas que se tornariam grandes lideres e cujos nomes estariam nos livros de Histéria para sempre. Um norte-americano se tornou um grande ativista politico trabalhando em defesa dos direitos sociais para negros e mulheres. Ele lutou para combater o preconceito e o racismo, apoiando a luta pacifica, sem violéncia e alicergada ‘no amor a0 préximo, pois acreditava que s6 assim seria possivel desenvolver um mundo melhor, com igualdade de direitos sociais e econdmicos. Estamos falando de Martin Luther King Jr., que no foi apenas um homem no meio da multidao, mas aquele que se destacou entre tantos e que batalhou por muitos, sempre defendendo as causas soci Em 1964 recebeu o Prémio Nobel da Paz pelo combate & desigualdade racial por meio da ndo-violéncia. Muitos 0 conhecem pelos grandes discursos que fez ao longo de sua vida, como o do Nobel da Paz (Oslo, Noruega - 1964), o discurso contra a Guerra do Vietna (Nova York, EUA - 1967) ¢ 0 sermao do topo da montanha (Memphis, EUA ~ 1968, na véspera de seu assassinato). No entanto, o mais notvel de todos foi o célebre “I have a dream” (Eu tenho um sonho), proferido em Washington D.C., EUA, em 1963, Sua jornada nao acabou com sua morte. Seus trabalhos foram tao significativos que, mesmo apés ter sido assassinado, o reconhecimento por tudo o que fez serviu de inspiracao para aqueles que o seguiram. ‘Martin Luther King Jr. recebeu a condecoragao péstuma “Medalha Presidencial da Liberdade’, em 1977, e a “Medalha de Ouro do Congresso’, em 2004. Nos Estados Unidos, muitas ruas foram renomeadas em sua homenagem e em 1983 0 “Dia de Martin Luther King Jr” foi instituido como um feriado nacional, sendo celebrado na terceira segunda-feira do més de janeiro. “Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados por sua personalidade, nao pela cor de sua pele. Pouca coisa é necessdria para transformar inteiramente uma vida: amor no coragio e sorriso nos labios”. — Martin Luter Kine Jr.

Você também pode gostar