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FILINO | CRÔNICAS E SAUDADES FILINO Crônicas e Saudades 2017
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_Sumário

Salgado, sua gente e sua vida, 17

Deixem a nossa Atalaia em paz, 23 Tempos de escola, 27 Cidades do interior, 31

O casebre de dona Arlinda, 35

Dono da rua, 39

Aracaju e o seu único inimigo, 45

A cidade que cresce, 49

Festa de São João, 53

Sergipe e o seu progresso, 57

A vingança de André, 61

Jardim Godofredo Diniz, 65

II Jogos da Primavera, 77

A bravura do sergipano, 81

Situação financeira do estado, 85

O novo hospital “Santa Izabel”, 89

Progresso e pavimentação, 93 Dinheiro só não compra o intelecto, 97 Propriá e o rio São Francisco, 103 Uma crônica que não é nossa, 107

Trânsito causa preocupação e medo, 111

O desfile de Sete de Setembro, 115

Carta anônima, 119 Água mineral de Salgado, 123 As alianças que não foram usadas, 127

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_PREFÁCIO

Os textos que compõem esta obra foram reunidos, todos eles (excetuando-se o último), pelo próprio autor há vários anos. Naquela ocasião, meu avô foi auxiliado por sua neta Rosa Márcia, que datilografou todo o material, encadernando-o em seguida. De lá até hoje, os escritos estavam confinados à apreciação de um

círculo restrito: às famílias de Thaís, Tânia e Telma, filhas do autor. No entanto, com a proximidade do ano de 2017 (quando meu avô, se estivesse vivo, completaria o aniversário de um século), a ideia de divulgar esses escritos para um público mais amplo surgiu com mais força. Isso não significa que, anteriormente, essa ideia jamais tenha sido aventada, mas somente em 2016 é que se deu um passo adiante

a caminho de concretizá-la: deveríamos sim lançar esse material, de

modo mais organizado e apresentável, insistiu meu pai Valdir. Thaís, minha mãe, decidiu então assumir a empreitada e, pedindo segredo

a todos os envolvidos no projeto, aquela ideia há muito acalentada aos poucos se concretizava.

Não se tratava de uma tarefa simples, como poderia parecer

a princípio. A cópia de que dispúnhamos, ainda que datilografada,

não estava inteiramente legível. Em certos trechos encontrávamos dificuldade para descobrir que palavra estava escrita, já que as páginas careciam de nitidez. No entanto, vencido esse primeiro desafio, partiu-se para o próximo: verter aquelas páginas para arquivos de texto, no computador. Aqui, outra neta, Thaís Virgínia,

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incumbiu-se da tarefa e digitou o material. Nesse processo, verificamos que nem todas as crônicas estavam datadas, mas como originariamente esses escritos haviam sido lançados em um periódico (o extinto “Sergipe Jornal”, na década de 1960), tivemos a ideia, minha irmã e eu, de procurar as edições daquele periódico na Internet. Coincidentemente, por aqueles dias eu havia lido no site da Universidade Federal de Sergipe que diversas edições de jornais antigos de Aracaju haviam sido disponibilizadas na rede mundial de computadores. Procuramos esse material e o encontramos. Não deixou de nos encantar o fato de nos depararmos, naquelas páginas digitalizadas, com várias daquelas crônicas e o nome do nosso avô. Foi uma experiência surpreendente e gratificante. Aos textos juntamos ainda diversas fotografias, várias tiradas pelo próprio autor, que contava essa atividade entre os seus passatempos.

Durante esse processo, outros dois netos do autor, Valdir e Paulo Eugênio, contribuíram cada um a seu modo: o primeiro ao revisar todos os textos; o segundo, dando o tratamento gráfico que a publicação merecia. Todos os envolvidos acreditamos ter realizado um trabalho digno de homenagear o autor.

Sobre os textos propriamente, deixemos que o leitor os aprecie e faça seu juízo. Que desfrute as páginas seguintes e (re)descubra Filino Carvalho através de suas reflexões sobre o cotidiano de Aracaju, as reminiscências de Salgado e outros temas.

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Adiantamos apenas que irão se deparar com um cidadão preocupado com os problemas ao seu redor e um ótimo contador de histórias, dotado de grande sensibilidade.

Que esses escritos tragam, de modo ainda mais vivo, a lembrança daquele que deixou muitas saudades e um grande exemplo às suas três filhas (Tânia, Telma e Thaís) e dez netos (Ana Cristina, Rosa Márcia, Angelita, Ana Paula, Telma Cristina, Thaís Virgínia, Augusto, Filino Neto, Paulo Eugênio e Valdir), além de diversos familiares e amigos. À leitura, então!

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Aracaju, fevereiro de 2017. Filino Carvalho Neto.

então! AF_Livro_Cronicas e Saudades_300x210.indd 11 Aracaju, fevereiro de 2017. Filino Carvalho Neto. 1/2/17 11 11:25 AM
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_SALGADO, SUA GENTE E SUA VIDA

13.05.1965

Salgado dos tempos idos de vinte anos atrás. Do Engenho de Açúcar, no lugar “Pau Ferro”, instalado e montado pelo saudoso João Antônio de Carvalho, homem progressista e trabalhador. O Engenho não progrediu como ele esperava, funcionou pouco tempo e logo parou.

Salgado dos cortes de cana da rapaziada, em dias de domingo, equilibrando a cana, dando uma volta no corpo de facão na mão partindo-a em quatro ou cinco pedaços, conforme a aposta combinada.

Salgado de Paulo Freire, homem bom e acomodado, dono das terras do Município. Fora vendendo aos pedaços, sem saber onde, até que tudo se acabara. Era na época representante do Município de

Boquim, ao qual Salgado estava ligado. Morrera, já velho, em casa de seu sogro, aposentado no cargo de Condutor de Malas dos Correios

e Telégrafos.

Salgado da Pensão de Dona Moça, hospedando viajantes que por ali passavam aproveitando para descansar da viagem penosa, em

lombo de animais carregados de malas repletas de chitas bonitas. Era

a praça em que mais se demoravam. Não pelo valor de seu comércio ou pelo negócio que faziam. A pensão era farta e a comida era gostosa. Partiam nutridos levando saúde, deixando saudades.

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Salgado das Águas Medicinais, das curas milagrosas, dos banhos de saúde que a natureza lhe deu.

Salgado do indiferentismo dos Governos Estaduais.

Salgado de Benvindo Costa, que muito contribuiu para o seu desenvolvimento, lutando para vê-lo emancipado do Município de Boquim. De Mané Bobagem, homem sovina mas de bom coração. Era o rico da época, emprestava dinheiro a juros.

Salgado de Antônio Carvalho, de saudosa memória, o homem que mais amou a sua terra, amigo de todos do lugar. Era

bastante estimado. Tudo fez para ver a sua cidade alegre, progressista

e feliz, chorava sozinho em vê-la abandonada e triste.

Salgado do indiferentismo dos Governos Estaduais.

Salgado das Trezenas de Santo Antônio, antiga devoção de Dona Neném Freire. Tornou-se uma tradição com muita festa, com muita alegria. À noite mais bonita surgiam as contendas, moças, rapazes, casados, solteiros, a cidade fervia. O zabumba tocava de noite e de dia, com chuva ou sem chuva o povo dançava, trazendo

alegria. A velha Carolina, beata convicta, xingava e dizia: isto não é reza, isto não é devoção. Mas ninguém lhe escutava, o povo brincava,

o povo bebia, o povo comia. Mas na hora do culto ao Santo Antônio milagroso todos veneravam o seu Santo querido.

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Salgado dos folguedos de São João, das fogueiras queimando, dos sambas de roda do Bumba Meu Boi. Da sanfona de Zé Domingos, tocando num só ritmo numa sala pequena, apinhada de gente dançando até de madrugada. Das batalhas de buscapés, de Pedro Moura, de Juca Carvalho, de Deocleciano Mendonça, de Rosalvo Porto, fechando a cidade, e os buscapés iluminando as ruas, de um lado para outro à procura de alguém, mas somente encontrava o caboclo Léo, tomando cachaça, pegando-os de mão e jogando pro ar. Era uma festa para a meninada.

Salgado, cidade alegre, cidade feliz.

Salgado dos veranistas, trazendo dinheiro, trazendo alegria, levando saúde e saudades.

Salgado de Dr. Berilo e Josafá Brandão, de Afonso Vieira, do Padre Possidôneo debaixo da árvore jogando gamão.

Salgado de Agostinho Gonçalves, de Aurélio Simas, de Cândido Garcia e de tantos outros que vinham de longe, levavam repouso, levavam saúde, deixavam riqueza, deixavam saudades.

Salgado do indiferentismo dos Governos Estaduais.

Salgado do banho quente, do banho frio, do Poço dos Cavalos, do Mané Brinquinho, que Miguel Calazans encheu de espinhos.

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Salgado dos tempos idos de vinte anos atrás. Cidade sem ódios, cidade sem medo, cidade sem soldados, sem destacamento policial. Havia um preso que tomava conta do Quartel. Família unida, família feliz.

Salgado de ontem. Cidade sem vida, cidade triste, cidade medrosa.

Salgado do indiferentismo dos Governos Estaduais.

Salgado de hoje. Cidade governada, cidade de sonhos, cidade iluminada, cidade feliz. Salgado deixou de ser aquela cidade sem vida, cidade triste, cidade medrosa. Revive agora os tempos idos de vinte anos atrás onde tudo era festa, onde tudo era alegria.

Salgado das promessas do Governo Estadual.

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_DEIXEM A NOSSA ATALAIA EM PAZ

08.06.1965

Aracaju possui e com justo orgulho uma das praias mais bonitas do nosso Brasil. Referimo-nos à praia balneária de Atalaia que, segundo rumores, está prestes a perder a atração que desperta no aracajuano que para ali se desloca com o objetivo de tomar um banho de mar.

É o único refrigério de nossa gente nos dias de calor, como já foi dito por uma de nossas emissoras. É o lugar aprazível de que dispõe a nossa barbosópolis para o descanso, nos dias de folga, dos seus frequentadores, constituídos de quase toda a população da nossa cidade.

Fala-se que ali será construído pela Petrobras, a seis quilômetros da costa, um Terminal de Petróleo, que conduzirá a nossa riqueza para ser beneficiada noutro Estado que reivindica a todo custo uma Refinaria de Petróleo. Quem conhece ou já ouviu falar na praia de Madre-Deus, no Estado da Bahia, onde existe um sistema igual ao que pretendem construir em nossa Atalaia nada mais pode esperar do que o aniquilamento da nossa querida praia, pois o banho de mar torna-se verdadeiramente impraticável.

Certa vez ouvimos um amigo dizer: Sergipe, com Petróleo, vai ficar mais pobre enriquecendo a nação. Não sabemos ainda se isto irá acontecer, mas se é para perdermos a Atalaia o nosso amigo

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tem razão.

E como assunto puxa assunto vamos contar para os leitores um trecho, não muito feliz, de uma crônica que lemos há meses passados, num dos jornais de um Estado vizinho, que dizia: Sergipe sofre o complexo do tamanho e por isto tudo faz para aparecer. Não queremos aqui entrar em polêmica com o tal cronista, mas o que Sergipe sofre e sente é o orgulho de ser pequeno e poder continuar ajudando aos grandes.

Vamos deixar este assunto de lado e voltemos ao que nos interessa no momento. Que levem o nosso Petróleo para outro Estado, que levem o sal-gema para ser industrializado fora daqui, que o Estado de nada participe, mas que deixem a nossa Atalaia em paz.

Resta aos sergipanos uma única esperança. Confiar nas altas autoridades da Petrobras e no Presidente da República Marechal Castelo Branco, no sentido de encontrarem outra solução qual não seja a de tirar do nosso povo a sua melhor distração, que é o banho de mar na praia de Atalaia, deste povo sofrido e injustiçado pelos altos poderes da República em favor de nossos vizinhos politicamente mais poderosos.

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_TEMPOS DE ESCOLA

16.06.1965

A lembrança de nosso tempo da escola primária é uma recordação agradável para todos nós. Jamais esquecemos dos muitos episódios ocorridos naquela época, que ficaram gravados, para sempre, na memória de cada um de nós, alunos endiabrados que fomos, das escolas primárias do interior.

A Professora Cecília, moça bonita de corpo e de rosto, mais de trinta anos de idade, de caráter rígido, quase sempre nervosa e de mau humor. Não sabia perdoar a menor falta que o aluno cometesse na aula e na rua, caso chegasse ao seu conhecimento. Contava com o apoio decidido dos pais.

Vingava-se com uma régua comprida e grossa, feita de encomenda pelo carpina Antônio de Zuza, famoso no fabrico desta arma, para as Professoras, na vila de Salgado. Nessa hora não escolhia lugar para descer a madeira na meninada e quase sempre o sangue descia da cabeça do aluno que, no seu entender, dava motivos à sua fúria incontrolável de moça nervosa e inconformada. Era uma moça bonita de mais de trinta anos de idade

Nesses instantes nunca faltava, vinda do interior da casa, a sua velha mãe, viúva resignada, que sabia muito bem suportar o pitiatismo da filha, para dedicar um pouco de carinho ao aluno, vítima do nervosismo da Professora.

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Os alunos sofriam mas não deixavam de praticar das suas perversidades, muito do agrado dos meninos daquela idade. Mas em compensação concluíam o curso primário aprendendo alguma coisa.

Certa vez, Zezito, que era um aluno travesso e espirituoso, pegou uma lagartixa e, sabendo que Dona Cecília tinha verdadeiro

pavor a esse animalzinho feio, guardou-a, muito de propósito, na

Havia na aula um silêncio

profundo, esperando a chegada de Dona Cecília, que tinha ido ao interior da casa. Ao voltar, o comportamento dos alunos chamou-lhe atenção, porém de nada desconfiou.

gaveta da mesinha da Professora nervosa

Sentou-se na sua cadeira, puxou a gaveta da mesinha e disse para a classe: Vamos ao ditado. Mal acabara de falar a lagartixa pulou sobre seu ombro esquerdo e, numa rápida manobra, penetrou no decote do vestido da Professora. Foi um Deus nos acuda. A mesinha virou de pernas pro ar, a cadeira foi parar longe e Dona Cecília, moça bonita de corpo e de rosto, de vestido rasgado, desmaiada no chão frio da sala de aula. Chegou o botiqueiro, com um pedaço de algodão embebido de éter sulfúrico, e resolveu o caso. A aula foi suspensa. Foi uma festa para a meninada.

No dia seguinte queria, Dona Cecília, saber por cima de tudo qual o endemoninhado do aluno que provocou-lhe tamanho susto

a

ponto de lhe deixar doente. Ninguém falou. Zezito estava pálido

e

medroso pensando na régua da Professora. A classe era unida.

Bem, falou Dona Cecília ainda não refeita do susto da véspera, já

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que não aparece o perverso, vou dar um castigo para todos vocês. Desta hora em diante, ninguém mais apanha a pedra na minha mesa

para sair da aula. Não tardou muito, Adalula, meio encabulada, aproximou-se muito da Professora, e falando baixinho, pediu-lhe a

pedra para sair, pois tinha necessidade

negou-lhe dizendo que da classe não sairia ninguém. Não acabou de

falar, a pobrezinha da Adalula, ali mesmo, fez o serviço

Dona Cecília, ainda furiosa,

e sujou a

Professora. Não é preciso dizer. A aula foi suspensa. Mais uma festa para a meninada.

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_CIDADES DO INTERIOR

08.07.1965

As coisas que mais se parecem umas com as outras, em nosso pequenino Estado, são as cidades do interior. Parecidas no seu aspecto de urbanismo confuso, onde as ruas principais surgiram margeando as estradas por onde passavam os primitivos carros de bois, ainda hoje existentes em menor número.

Parecidas também na maneira de administrar e proceder dos seus dirigentes. Às vezes uma rua calçada. Noutra uma pracinha com alguns bancos de marmorite e um pequeno Parque Infantil, oferta do Ministério de Educação; outra um monte de paralelepípedo, que pelo tempo já está coberto de capim que serve de abrigo às cobras venenosas e ainda mais parecidas nos métodos e costumes de sua gente.

Conformada e sem ambições vive a maior parte da população destas cidades, sem maiores preocupações qual não seja a de adquirir, por meio de um trabalho duro e penoso, o que julga necessário para a sua minguada feira do fim de semana. No mais os jererés, nas mãos dos meninos e das mulheres, são os responsáveis dentro daqueles riachos e das lagoas a manterem o suprimento da família.

Nada se passa dentro daquelas casas modestas, que formam as ruas irregulares, que num instante não chegue ao conhecimento de todos. E não podia ser ao contrário. As cidades não progridem

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e por isto não se torna possível modificar os hábitos de um povo. As autoridades estão, há muito tempo, esquecidas que mora gente no interior. Morrer uma criança é coisa banal. É menos um para dar de comer. Ser analfabeto é a mesma coisa, também se vive. As escolas rurais desaparecem. Soubemos, por fonte credenciada, que cerca de quarenta delas a Secretaria de Educação procedeu a retirada dos telhados. Coisa que não entendemos, talvez por causa do inverno. À margem destas semelhanças podemos deixar umas quatro ou cinco cidades onde o progresso tornou-as modificadas no aspecto, nos costumes e na forma de governá-las dos seus dirigentes. O mais tudo é quase a mesma coisa.

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_O CASEBRE DE DONA ARLINDA

07.08.1965

Fazia gosto de ver o asseio da casa de Dona Arlinda. Toda coberta de palha de coqueiro, de uma porta e janela de frente, feitas de tábuas de caixão, com um quarto e cozinha e uma pequena sala de frente, onde se achavam cinco arranjos de cadeiras desconfortáveis, arrumadas em forma de um pequeno círculo e no centro brotava uma linda palmeira silvestre, oferecendo aos olhos da gente um colorido digno de ser apreciado.

Estava situada num dos bairros que agora começava a progredir. Quem a visse espremida entre duas belas residências logo sentia o contraste da pobreza com a riqueza ou da riqueza com a pobreza.

Vivia ali, com os seus quatro filhos menores, conformada com a felicidade que Deus lhe deu, Dona Arlinda, pobre viúva que perdera o marido, ainda moço, num desastre de caminhão em que este trabalhava. Ali mesmo, no local do acidente, fora enterrado, com a maior naturalidade, pelos companheiros. Em homenagem colocaram uma cruz marcando a sepultura do infeliz.

Desde então passou Dona Arlinda a trabalhar para a sua manutenção e dos seus filhos. Tinha os dias da semana alugados para a lavagem de roupas. Distribuía um dia para cada casa onde ali mesmo fazia a sua melhor refeição. E por ser muito trabalhadeira e

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honesta era bastante estimada por todos do bairro.

Nada mais desejava do que continuar a sua vida ganhando honestamente o seu dinheiro que, embora nada lhe sobrasse, chegava para o sustento da família e conservar na escola o Tonico, que era o filho mais velho. Sonhava para ele uma vida melhor qual não fora a do pai, que não passou de ajudante de caminhão e assim morreu, em pleno exercício da sua profissão, sem deixar um amparo para a família mais do que aquele pequeno casebre.

Enquanto a viúva rendia graças a Deus pela ventura de possuir a sua pequena casa, os dois vizinhos estudavam planos para retirá-la dali. Este casebre horroroso está tirando a beleza e o valor das nossas casas, é preciso sair de qualquer jeito, dizia um. Eu me sinto até acanhado em receber os meus amigos só por causa desta arapuca que aí está, dizia o outro.

Era assim que as coisas andavam em torno da pobre viúva, sem que esta tivesse conhecimento. Sabia que era grande o desejo dos vizinhos de comprarem a sua casinha, pois já havia recusado várias propostas, entre as quais a troca por outra um pouco melhor noutro bairro mais distante. O negócio não era ruim, entretanto, não aceitou a nenhuma delas. Receava perder a sua freguesia de lavagem de roupas e, ademais, era como gato, amava a casa onde morava, era lembrança do marido.

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Arlinda, que declarava não vendê-la por nenhum preço, imaginavam agora um plano diabólico. Aproximava-se a época dos festejos de São João e assim seria a oportunidade para resolverem o problema

Mal acabaram de falar ouviu-se um grande estampido que abalou quase toda a população do bairro. Era o botijão de gás da casa bonita de um dos vizinhos que acabava de explodir levando pelos ares o telhado da cozinha. Terá sido castigo ou mera coincidência?

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_DONO DA RUA

10.08.1965

A sabedoria popular é uma ciência admirável. Cheia de recursos extraordinários em que o homem procura o seu segredo mas não consegue entender porque ela não tem fim.

No que se refere à designação dos lugares, das pessoas e das coisas é algo de pitoresco. É uma admirável arte e a beleza de tudo isto consiste em não se saber o autor da frase, do apelido, da expressão que de repente se familiariza com o povo, tornando-se conhecida de todos e enriquecendo o vocabulário da nossa língua pátria.

É comum na cidade ouvir-se, especialmente dos condutores de veículos, quando outros em sua frente impedem a passagem, uma destas: “Dono da Rua!”. E a verdade é que existe mesmo em quase todas as cidades um “dono da rua”.

Conhecemos uma pequena cidade do sul do Estado onde existia um destes. Era um velho jumento, que, já cansado do trabalho, fora abandonado pelo seu dono, como geralmente acontece ao homem que trabalha quase toda a sua vida para outro homem.

Logo cedo acostumou-se a viver a sua vida diferente. Para ele aquilo representava uma rica aposentadoria. Não ficava, nas ruas da cidade, cascas de jaca, de melancia, capuco de milho que ele não passasse para os peitos. Tornou-se desta maneira o zelador único

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da Prefeitura local. Quando chegava a hora do descanso já tinha o seu lugar certo, deitava-se bem no meio da rua e dali não saía nem debaixo de pancadas.

Certa feita vinha vindo pela rua o “cobra”, como era conhecido o carro de Toinho Elias, desses que traziam a buzina agarrada na porta, do lado do motorista, porém o “dono da rua” não desejava ser incomodado, estava descansando. Toinho de tanto fazer “fon- fon”, apertando a borracha da buzina do seu “cobra”, inutilizou-a. Enraivecido, desceu do automóvel e com toda a sua força arrastou pela cauda para um lado da rua o pobre jumento, que impassível, como se nada acontecera, continuou a sua sesta costumeira.

Aqui em Aracaju existem também os “donos da rua”. Conhecemos um bastante famoso e os leitores também o conhecem. Este, porém, diferente do tranquilo jumento. Perverso, mau e até criminoso. Vive em constante ameaça aos transeuntes, aos motoristas e até aos que moram perto dele.

Machuca veículos, danifica lambretas, dá encontrões nas pessoas que passam despreocupadas e mesmo assim não pode dizer que é caso de oficiais, pois o “moço” goza de imunidades. Somente um Órgão em nossa terra tem forças para puni-lo. Basta querer. É questão de uma hora e está garantida a tranquilidade dos aracajuanos. Trata-se de um poste de madeira, de físico avantajado, que se encontra plantado no cruzamento das ruas Arauá e Riachuelo. PROVIDÊNCIAS DONA ENERGIPE!

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_ARACAJU E O SEU ÚNICO INIMIGO

12.08.1965

Aracaju não era mais aquela criatura trêfega e irrequieta de alguns anos atrás. Andava tristonha, retraída e sem a menor atração para os seus visitantes.

De aspecto abatido, toda empoeirada e no inverno suja de lama chorando lágrimas do morro de piçarra. Nem mesmo a rua da frente, em noites de lua, casais de namorados, a beleza do rio colorindo o seu corpo, nada lhe agradava. Andava descalça e o sapato que tinha era roto, não prestava. Se falasse diria: Que mal eu fiz para viver desprezada neste triste abandono de gente sem dono Somente uma coisa não lhe faltava, era a sua meiguice tão festejada. Desejava até que ninguém lhe falasse. Sentia-se humilhada olhando o desprezo a que estava condenada.

Mas como tudo é assim na vida da gente, de dois anos para cá tornou-se diferente. Até a vaidade, já desaparecida, nela voltou. Está quase calçada, anda toda alinhada que até já está ficando orgulhosa.

Foi

uma surpresa, ninguém esperava cidade tão linda neste recanto tão pequenino. É muito cuidada, é bem asseada, faz gosto ver.

Os seus visitantes ficam encantados e dizem pasmados

Aracaju orgulhosa destes namoros fica vaidosa. Recebe até cartas. Tenho saudades da sua meiguice, voltarei breve para de

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novo lhe contemplar. Fiquei enlevado com a sua beleza. Seu perfil alinhado não vou esquecer.

Está tão vaidosa que, no último domingo, um grupo de fãs para lhe conhecer tirava retratos que era um prazer. Mas ao atingir a Vila Cristina, Aracaju envergonhada corou. E o grupo notou Era o mau cheiro que ali exalava, um cheiro tão forte que ninguém suportou.

E por falar neste assunto é oportuno lembrar um inimigo antigo que Aracaju possui. Não se sabe a razão de tamanha maldade para a nossa querida cidade. Talvez seja porque Aracaju, vista por todos, é admirada e ele escondido e ruim é sempre criticado. Também pudera, desde o seu nascimento não consta a ninguém que houvesse recebido um só benefício.

Daí a sua zanga e o seu desrespeito com a beleza da Aracaju. O seu gosto é saber de um novo calçamento para logo correr e um buraco fazer. Faz pena ver mas o que há de fazer. É assim que ele vive, fazendo buraco. Parece tatu

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_A CIDADE QUE CRESCE

18.08.1965

A nove quilômetros de distância encontra-se um Posto de

Gasolina que tem o nome de Shangai, que pela originalidade de seu

restaurante atrai o viajante a fazer uma paradinha

a nossa vista se deslumbra com magníficas Chácaras margeando a

estrada de um lado e do outro, destinadas ao fim de semana da gente endinheirada da cidade, até encontrar o Convento dos Capuchinhos

Daí para a frente

e uma igreja que faz lembrar a da Pampulha, em Belo Horizonte. Logo depois a cidade sertaneja de Feira de Santana.

Ninguém seria capaz de imaginar, por mais otimista que fosse, o que iria representar para aquela cidade a estrada Rio-Bahia. Excedeu a expectativa de todo cidadão feirense.

É deveras impressionante o desenvolvimento que se acentua dia a dia em Feira de Santana. O ritmo de construção ali atinge a média de uma casa por dia. Dotada de belíssimas residências que bem traduzem o bom gosto daquela gente sertaneja e o quanto de

dinheiro que circula na cidade. O seu traçado lembra ligeiramente

o da nossa Aracaju, sendo que as suas ruas são bem mais largas e

muitas delas asfaltadas. A avenida Getúlio Vargas é o orgulho da cidade. O comércio é bom e movimentado.

Circula diariamente um pequeno jornal “A Folha do Norte” e existe uma possante Estação de Rádio que apresenta uma

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programação característica da região. O Feira Tênis Clube é algumas vezes mais concorrido do que os Clubes da nossa Capital.

A famosa feira, já falada por muitos, tem lugar nos dias

de segunda-feira, embora tenha o seu início nos dias de sábado. É qualquer coisa de extraordinária e que constitui, sem nenhum exagero, um espetáculo digno de ser conhecido e admirado por todos que lhe visitam. Torna-se difícil para o turista conhecer toda a feira de Feira de Santana, pois a mesma, reunida, ocupa uma área aproximada de 01 quilômetro quadrado. Isto sem contar a feira do gado que fica bem distante e onde se encontra o que se pode imaginar fabricado em couro. Artigos de montaria os mais diversos, rolos, jalecos, roupas de vaqueiros, chapéus, bonés e uma infinidade de outros artigos. Encontram-se também lindas peles de animais que são vendidas quase todas aos turistas do sul do País.

A renda do Estado, em Feira de Santana, elevou-se a 1

bilhão e 142 milhões de cruzeiros, de janeiro a junho do corrente exercício, ou seja, uma arrecadação média mensal de 190 milhões de cruzeiros. Vale ressaltar que mesmo assim não houve saldos remetidos para a Capital do Estado. A receita arrecadada vem tendo emprego no pagamento de pessoal ali existente, cabendo ao ensino estadual a soma de 66 milhões de cruzeiros mensais, que mantém 745 professoras primárias e o restante destina-se aos demais funcionários ali sediados, incluindo-se uma Companhia do Batalhão da Polícia Militar que no mês de junho, por falta de dinheiro, não recebeu soldo, ficando para o mês de julho seguinte.

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Está ai uma cidade que cresce e um retrato doloroso do empreguismo no Brasil.

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_FESTA DE SÃO JOÃO

19.08.1965

Por qualquer motivo aquele povo fazia uma festa que quase sempre se prolongava noite adentro e, algumas das vezes, o raiar de um novo amanhecer encerrava o divertimento daquela gente alegre e entusiasmada.

Um aniversário, um casamento, um batizado, a simples chegada de alguém na cidade era o bastante para a promoção de um baile aplaudido e animado. E nestas ocasiões a bebida e a comida nunca faltavam, sendo que esta variava de acordo com a época do ano. Se no inverno era servido numa grande urupemba, aos dançarinos no próprio salão da alegre festa, que comiam sem interromper a dança, o famoso amendoim cozinhado. Se no verão estava presente um gostoso bolo de mandioca e os cobiçados biscoitos de tapioca que ninguém melhor fazia do que dona Emerentina, esposa do prefeito do lugar.

A cidade se tornou célebre pela sua alegria e pelo divertimento de seu povo. Era como se fosse uma só família no lugar.

Ainda não era o mês de junho e já havia uma comissão de moças, acompanhada de um respeitável cavalheiro, com uma lista na mão pedindo dinheiro para a festa de São João. Desta vez viria uma orquestra da Capital que abrilhantaria os festejos do querido Apóstolo.

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Reinava em torno de todos uma ansiedade incomum. (Talvez por causa da orquestra). Eram grandes os preparativos. As moças não descansavam fazendo enfeites, recortando papel de seda de todas as cores para colorir o salão onde se realizaria a grande festa.

Parecia que esta comemoração iria quebrar a harmonia daquele povo feliz e divertido. Começava a haver rumores de que determinada pessoa não devia participar da festa. (Coisa aliás inédita naquela terra). Os grandes do lugar procuraram desfazer os boatos e tudo parecia tranquilo. Chegou afinal o dia de São João e a orquestra também. Não é preciso dizer da alegria que envolvia todos. Não só pela brincadeira que seria logo mais e ainda por cima a presença da melhor orquestra que para ali já foi.

A chuva que caía o dia inteiro, enlameando a cidade, não conseguiu esfriar a animação nem do mais velho morador do lugar. Era um senhor com mais de 80 anos de idade e que à meia-noite iria marcar a quadrilha.

Ao som da famosa orquestra começou o baile às oito horas da noite. Uma hora depois ninguém mais dançava, pulavam numa verdadeira loucura. De repente tudo mudou. Era a pessoa que não deveria entrar no salão, na opinião de uns, enquanto outros pensavam ao contrário, pois nada havia de inconveniente.

Sem que ninguém tomasse as devidas precauções, mesmo porque nada esperava acontecer, teve início o sururu. E num abrir

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e fechar de olhos todo o povo da festa se encontrava esmurrando-

se doidamente uns aos outros e já no meio da rua cheia de lama. Respeitáveis senhoras tentando retirar os seus maridos daquele verdadeiro inferno foram derrubadas e até pisadas pela multidão furiosa. Não que fosse de propósito, mas pela escuridão da noite e da lama escorregadia da rua. Até a polícia que interferiu com o intuito de acomodar levou boas bordoadas.

E assim ficou encerrada a Festa de São João naquela cidade.

Estava deste modo quebrada a união daquela gente dantes tão alegre

e divertida.

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_SERGIPE E O SEU PROGRESSO

20.08.1965

Sergipe sempre se destacou através da cultura de seus filhos, representada nas figuras imortais de Tobias Barreto, Sílvio Romero, Gumersindo Bessa e tantos outros que pelo talento vigoroso de que eram dotados projetaram o nosso pequenino Estado no cenário nacional. Daí o justo orgulho da nossa gente em ter contribuído para a nação e para o mundo com uma parcela de sua inteligência em favor do desenvolvimento cultural do povo brasileiro.

Era motivo de inspiração a eloquentes discursos para as personalidades que visitavam o nosso Estado. Altas autoridades, políticos influentes ou não influentes, grandes conferencistas, ou medíocres, jamais deixavam de focalizar a cultura do nosso povo como um valoroso patrimônio do Brasil.

Agora a linguagem mudou. Sergipe não é somente o berço da cultura e a terra da inteligência, como alguém já disse, é também fonte de riqueza da nação, com a imensa bacia petrolífera de Carmópolis. Quem visita aquela região sente, realmente, um futuro promissor para o nosso Estado. A beleza das torres de aço apontando para o céu; os enormes tanques repletos do ouro negro à procura de uma refinaria; trinta e dois poços produtores fechados aguardando uma solução; o vai e vem de homens sujos de óleo; o movimento de caminhões na remoção de terra para construção de estradas, tudo isto faz com que os sergipanos fiquem cheios de esperança.

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Esperanças de melhores dias para Sergipe, sofrido e castigado, onde reside a coragem e a bravura de seu povo.

Já começamos a sentir os efeitos da Petrobras em nossa terra. O comércio, notadamente o de Aracaju, teria sofrido as consequências da crise financeira que abalou, nos últimos meses, o comércio e a indústria do país, não fosse a presença daquela empresa aumentando, sensivelmente, a circulação da riqueza em nosso meio. Está aí todo o comércio de Aracaju de portas abertas, funcionando normalmente.

Ainda em consequência da Petrobras animou-se a instalar escritório entre nós uma das melhores empresas do país, a Companhia Metropolitana de Construções, que no momento contribui para o progresso de Sergipe. Como exemplo do que estamos afirmando queremos dizer para o leitor que esta empresa mantém 112 caminhões particulares trabalhando diariamente nos seus diversos serviços e sabe o que isto representa, em cruzeiros, para o nosso comércio? Inclua-se agora a folha de pagamento de pessoal e o valor dos vários materiais adquiridos em nossa praça e tenha uma ideia de que Sergipe vai progredir.

Portanto, devemos confiar no progresso e no desenvolvimento do nosso querido Estado.

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_A VINGANÇA DE ANDRÉ

22.08.1965

Morava Dona Alice na rua do meio, como era por todos conhecida, e pertencia a melhor sociedade do lugar. Casada com Herculano, alfaiate, homem sereno, trabalhador e conformado com as qualidades da esposa a quem dedicava a mais sagrada confiança. Não dava ouvido às más línguas que comentavam o namoro de sua mulher com o Arlindo tabelião, rapaz moço e simpático.

Cheia de crendices e preconceitos e se fazia possuidora de uma falsa doença. Não arredava o pé de casa nem para ir a missa nos dias de domingo. Isto era motivo de lamentações por parte de seus inocentes amigos (menos para o negrinho André, de quem mais tarde falaremos) que insinuavam dizendo-lhe que tivesse coragem e saísse a passear que de certo nada lhe acontecia. Mas sempre a mesma conversa. Não podia, sentia tremedeira

No entanto ninguém mais do que dona Alice sabia a vida de todos daquela pequena cidade do interior.

Todas as tardes sentava-se numa cadeira de cipó, que colocava à porta da sua casa, que por sinal era a mais frequentada do lugar. Nunca ali faltava um cafezinho bem quente e às vezes era servido um gostoso doce de leite. Não passava uma pessoa, sua conhecida, que por ela não fosse chamada com um aceno de mão excessivamente delicado, a pretexto de colher notícias que pudessem

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ser transformadas em sensacionalismo velhaco e pouco sadio.

Tinha o hábito de conversar, com quem quer que fosse, acariciando muito de mansinho o braço da pessoa. E assim ia ficando a par de tudo o que se passava dentro daquele lugarejo pouco movimentado. Ao sabor de seu gosto e de sua imaginação criadora dava expansão a seu espírito satânico, transmitindo a um e outro, sempre com muita reserva, os seus rumores que quase sempre envenenavam a cidade. Isto para Dona Alice representava uma memorável vitória, pois com a sua sagacidade, sempre ficava fora destes acontecimentos.

Só não levou vantagem foi com o negrinho André. Moleque vadio, de doze anos de idade e que só dormia depois da meia-noite. Eram os dois na cidade que dormiam por último, Herculano, que trocava o dia pela noite em sua tenda de trabalho, alinhavando paletós e o pretinho marcando as visitas secretas de dona Alice ao Cartório do Arlindo. É tão manhosa que consegue enganar o povo que é doente; que não pode sair a rua; sente desmaio; pura sem- vergonhice. Ela me paga, dizia consigo o negrinho, que estava sendo traído. Desejava uma vingança. E assim pensando não demorou muito.

À noite, na hora costumeira, armou-se de uma pedra e foi esconder-se por detrás do tronco de uma árvore que ali existia, a espera da mulher do alfaiate, que não devia tardar. Ao distinguir, na escuridão, o vulto da pessoa que logo mais seria castigada sentiu uma

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estranha emoção. Não desanimou. Quando dona Alice ia atingindo a porta do Cartório recebeu uma certeira pedrada na cabeça que lhe derrubou ao solo ensanguentada e sem sentidos.

No dia seguinte toda a cidade sabia que dona Alice, levada pelos conselhos dos amigos, resolveu fazer uma surpresa ao marido que se encontrava em sua alfaiataria e sentiu tremedeira, caindo ao solo ferindo a cabeça numa pedra.

Daí em diante Herculano deixou de trabalhar a noite para fazer companhia a sua fiel esposa e esta, em vista da situação, tornou- se uma leal companheira do bondoso alfaiate.

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_JARDIM GODOFREDO DINIZ

24.08.1965

Ninguém nega aplausos à obra magnífica que vem realizando o Prefeito Godofredo Diniz, no sentido de dar a nossa querida Aracaju uma fisionomia moderna e diferente.

No setor de urbanismo, conta a Prefeitura com a colaboração do jovem Dr. Rubens Chaves, que tem demonstrado capacidade, inteligência e vontade de trabalhar. Três fatores essenciais que contribuem para o embelezamento da cidade.

Em matéria de calçamento, a Prefeitura, na gestão do atual Prefeito, já alcançou, segundo dados colhidos, a casa dos 70 mil metros quadrados e é desejo do senhor Godofredo Diniz, ainda este ano, atingir os 100 mil metros até 31 de dezembro.

A rua Arauá, por exemplo, constituía problema sério, incapaz de ser resolvido pelas gestões anteriores, em virtude da necessidade da construção de uma galeria de águas pluviais. Entretanto, esta foi uma das primeiras a receber este grande benefício, fazendo desaparecer uma antiga vala de águas fétidas e contaminada que nada mais era do que uma permanente ameaça à saúde dos moradores daquela artéria. A avenida João Rodrigues, no bairro Industrial; a rua de Laranjeiras, ligando o asfalto da estrada BR-11 e ainda outras mais que reclamavam de há muito este melhoramento. É uma obra pela qual o senhor Prefeito Godofredo Diniz merece a homenagem

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do povo aracajuano.

Compreendemos que não é possível se fazer tudo de uma

a nossa

Atalaia ainda não recebeu, como todos esperavam, o seu prometido quinhão. Entendemos que a praia balneária de Atalaia, cartão de visita de Aracaju, único ponto de atração de todos que nos visitam, é digna de melhor sorte. Até a pista para estacionamento dos carros, lá no oceano, está desaparecendo.

só vez. Porém o tempo vai passando

vai passando

e

Surgiu há bem pouco tempo, naquele bairro, um loteamento no lugar denominado “Sítio São Francisco” que pela afluência de pessoas a construírem boas residências tornou-se de repente um recanto agradável e pitoresco.

Por iniciativa de um grupo de proprietários a Câmara Municipal denominou, aliás com justo merecimento, de “JARDIM GODOFREDO DINIZ”. Mas o senhor Godofredo, não sabemos porque, ainda não olhou com o devido carinho e boa vontade para aquele local. Por enquanto não há mudança, não passa de um velho coqueiral abandonado aonde as vacas restauram, tranquilamente, as suas energias alimentando-se com a farta relva ali existente.

Já é tempo, senhor Godofredo, as residências ali construídas merecem ruas tratadas. É preciso que o local mereça realmente o nome de jardim.

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_II JOGOS DA PRIMAVERA

25.08.1965

O ano passado alcançou grande sucesso a primeira realização dos Jogos da Primavera em Aracaju que teve o seu término abrilhantado por um magnífico desfile, espetáculo digno de ser apreciado. Os colégios que participaram surpreenderam o povo de Aracaju apresentando um panorama inédito e deslumbrante.

Isto foi o bastante para que os estabelecimentos de ensino, este ano, estejam tão somente preocupados com o encerramento das festividades, ou seja, o desfile no dia final. Nos parece que o único desejo de cada um deles é mostrar ao aracajuano a beleza de sua fantasia, que vem sendo, de há muito, estudada debaixo de mistérios a fim de que não seja a mesma divulgada antes da hora. Trava-se, na surdina, a batalha pela conquista do troféu que faz jus ao primeiro lugar, (não nos jogos), na parada de encerramento.

Vemos em tudo isto desaparecer o conteúdo dos chamados Jogos da Primavera. O que se nota é o interesse dos diretores de Estabelecimentos, inscritos no certame, não pelo desenvolvimento da juventude, mas em exibir aos olhos do povo o seu colégio como material de propaganda capaz de comprovar a sua capacidade e o bom gosto, através do colorido “oneroso” dos alunos acarretando enormes prejuízos aos pais que já não suportam o elevado preço de livros e anuidades escolares, sem controle pela Sunab.

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Não somos absolutamente contra o desfile. Compreendemos que faz parte do certame. Somos sim, contra a maneira que vem procedendo os diretores e colégios no que tange a falta de estímulo à prática dos diversos esportes para as futuras competições de setembro vindouro. Ainda não ouvimos dizer que o Tobias, este ano, está preparado para vencer os seus contendores, como da vez anterior; que o Colégio Estadual dispõe de um bom quadro de basquete ou futebol de salão capaz de derrotar os seus adversários; que o Jackson está treinando regularmente para fazer boas exibições; que o Instituto Normal está preparado para as lutas etc. Não existe portanto nenhum entusiasmo para a realização dos II Jogos da Primavera o que há é animação para um desfile de fantasias caríssimas.

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_A BRAVURA DO SERGIPANO

26.08.1965

Nunca se registrou em nosso Estado o êxodo, em grande escala, da população como tem anunciado, até em manchete, a imprensa da nossa terra.

O que sempre existiu e ainda existe é a saída de famílias

sergipanas as quais podemos classificar em duas categorias: as que viajam sonhando com uma vida fácil e sem muito trabalho, fazendo turismo arriscado em desconfortáveis e promíscuos “Paus de Araras” e as que realmente desejam enfrentar a dureza do trabalho, fora do seu Estado.

As que saem com a ilusão de um enriquecimento rápido, comboiadas por conhecidos mercadores, logo cedo retornam, desiludidas, à terra abandonada, quando lá não ficam sem meios para voltar ou mesmo debaixo do chão sem ao menos uma pequena cruz de madeira marcando o lugar. Homenagem que o pobre ainda recebe entre nós.

As outras quase sempre são vitoriosas e muitas delas adquirem fortunas colossais, pois sabemos que existem sergipanos ricos mas fora de sua terra.

É nessa categoria que encontramos o dinamismo e a

capacidade do sergipano, que pela sua bravura tornou-se preferido

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onde quer que se encontre.

E por falarmos na bravura da nossa gente, vamos contar para

o leitor um fato que irá ilustrar por certo o que estamos afirmando:

um amigo nosso, baiano de nascimento, ocupava o cargo de chefe de propaganda de uma empresa americana, sediada em São Paulo.

E como tal fora designado a fazer um estágio de 90 dias, na cidade de

Detroit, nos Estados Unidos. Decorridos já 60 dias, o baiano andava farto de tanta preleção e cheio de saudades do seu amado Brasil.

Até que afinal chega o dia do encerramento do curso, embora houvesse ainda um programa a cumprir. Era um Carnaval, (a moda da terra), que logo mais à noite teria lugar, patrocinado pela Companhia e em homenagem aos estagiantes.

Começou a brincadeira porém o nosso amigo não pensava noutra coisa a não ser na sua terra distante. A seu lado se achava um moço alto, quase louro, olhando aquela festa triste e sem graça. De repente ouviu uma voz que falava baixinho: Esta peste é Carnaval; Carnaval é na minha terra! Sentiu que ali estava um brasileiro. Era o moço que falou. Olhou-o e arriscou a pergunta: O senhor é brasileiro? Sim, respondeu o rapaz. A alegria do baiano foi tamanha que arrematou, da Bahia? Não, de Sergipe e acrescentou, estou aqui há mais de dez anos. Trabalho numa fábrica de automóveis onde ocupo o cargo de chefe da seção de montagem de máquinas.

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_SITUAÇÃO FINANCEIRA DO ESTADO

28.08.1965

Teve lugar no Palácio Olímpio Campos, na noite de 24 do corrente, a anunciada reunião do secretariado do governo estadual, com a finalidade de estudar e discutir a situação econômica financeira do Estado.

A nota oficial distribuída pelo Governador Celso de Carvalho

trouxe ao conhecimento da população da grave crise financeira que, presentemente, atravessa o Estado de Sergipe, com encargos superiores a sua receita e sem contudo encontrar uma fórmula capaz de pelo menos amenizar, temporariamente, até que a solução ideal e definitiva fosse encontrada.

O aumento de imposto como está sendo comentário de muitos

na cidade poderá trazer para o Estado e para o povo consequências desastrosas. É necessário neste momento de preocupações financeiras nos meios governamentais a união das classes produtoras no sentido de emprestarem ao governo a sua leal e valiosa cooperação e ainda, especialmente, os setores ligados à Secretaria da Fazenda, a fim de que usando métodos legais, como bem acentuou o ilustre titular daquela pasta, possam impedir a sonegação e, consequentemente, a evasão da receita do Estado.

Não basta a eficiência e a boa vontade que tem demonstrado, à frente da Secretaria da Fazenda, o gen. Djenal Tavares de Queiroz,

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que através de sua inteligência e capacidade de trabalho, conseguiu um aumento sensível na receita estadual, trazendo deste modo, até agora, o equilíbrio da receita com a despesa. Torna-se indispensável aos órgãos subordinados ao governo do Estado compreenderem a delicada situação do momento evitando as despesas adiáveis e desnecessárias, notadamente, os que pela independência e autonomia de que são possuídos, gastam o pobre dinheiro do Estado já sem forças para aumentar os seus rendimentos. Uns arrecadando com enormes sacrifícios e outros gastando sem medirem as consequências jamais se alcançará o equilíbrio desejado.

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_O NOVO HOSPITAL “SANTA IZABEL”

29.08.1965

Ao atingir a avenida Simeão Sobral descortina-se lá no alto por entre belas palmeiras quase centenárias um majestoso edifício. É o novo Hospital Santa Izabel.

Harmonizando-se com a elevação do terreno, duas lindas

rampas estão sendo construídas que servirão de acesso aos carros até

a porta do hospital. A sala principal, pelo bom gosto que apresenta,

oferece a todos um ambiente alegre e agradável. Aí será instalado o “Centro Social”. Em seguida encontra-se o Centro de Estudos “Dr. Carlos Firpo”, dispondo de 60 confortáveis poltronas, Biblioteca

e a Galeria dos ex-presidentes e diretores daquela casa. Em frente à

secretaria e gabinete da diretoria, que além da existência de Galeria dos benfeitores do hospital, destaca-se numa vitrine iluminada e em lugar de destaque o bisturi de ouro do Dr. Augusto Leite, ofertado àquele nosocômio.

Numa das mais justas e merecidas homenagens está sendo instalado, na antiga sala de cirurgia, dotado de 12 leitos para ambos os sexos, o Centro de Reabilitação que receberá o nome do saudoso Dr. Wilson Rocha.

O Serviço de Raio X está sendo modernamente equipado, em 3 amplas salas, com dois aparelhos Germovex-300.000 e ainda outro de 100.000 amperes que já existia na casa.

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O Centro Cirúrgico “Dr. Augusto Leite” obedece a mais moderna técnica e é servido de ar-condicionado e oxigênio canalizado, oferecendo com isto segurança e conforto para o enfermo. Numa ideia feliz do Diretor daquele hospital está sendo construída uma rampa pela qual os doentes que necessitam de cirurgia, serão conduzidos sem que sejam exibidos aos olhos dos pensionistas ou das pessoas que ali se encontrem.

Tudo isto e ainda Gabinete de Análises Clínicas e Banco de Sangue estão localizados na parte térrea do edifício. Na parte superior, além de 10 luxuosos apartamentos dotados de sanitários de cor, telefone e rádio e ainda oxigênio canalizado. Vale ressaltar que é o primeiro hospital no Estado de Sergipe a dispor deste extraordinário serviço.

Quem conheceu aquele antigo casarão revestido de um ocre anêmico e triste longe está de fazer uma ideia do que será ainda este ano aquele estabelecimento hospitalar.

Para nós esta grandiosa obra que descrevemos aqui, alguma coisa do que vimos, não constitui nenhuma surpresa. Conhecemos de perto o seu Diretor, o Dr. Gileno Lima da Silveira, e sabemos da sua inteligência, capacidade de trabalho e extraordinária abnegação por tudo que dirige, sem contudo auferir para si um centavo sequer.

Está pois de parabéns o Estado de Sergipe e ao ilustre Dr. Gileno os nossos aplausos e por certo a gratidão imorredoura do povo sergipano.

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_PROGRESSO E PAVIMENTAÇÃO

02.09.1965

É realmente extraordinária a evolução que se desenrola no mundo atual. O “Gemini 5” por certo trouxe para a humanidade,

com o sucesso magnífico de um voo de 8 dias pelo espaço exterior, muita coisa de positivo para a realidade do antigo sonho de uma viagem à Lua, que data este desejo do primeiro homem que habitou

a Terra.

Sentimos a cada hora que passa encurtarem-se as distâncias.

Os meios de transporte cada vez mais rápidos e aperfeiçoados nos levam a crer que o homem alcançará o seu objetivo. As rodovias pavimentadas constituem fator primordial ao desenvolvimento e ao progresso da humanidade, e na proporção que a ciência evolui

o homem se desenvolve em todas as camadas sociais, obedecendo assim a lei natural das coisas.

Antigamente para se construir uma estrada era uma tarefa penosa, quando os instrumentos usados eram a picareta e a galeota empurrada por dois garimpeiros na remoção da terra. E quase sempre havia resistência por parte de proprietários que lutavam para que a estrada não passasse em suas propriedades.

Quando da construção da rodovia Salgado-Boquim, um abastado fazendeiro daquela região tentou subornar o engenheiro responsável pela obra oferecendo-lhe a importância de dez contos de

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réis para que a mesma fosse desviada da sua fazenda. A oferta não foi aceita e a estrada prosseguiu.

Hoje dá-se ao contrário. São eles os proprietários que fazem

questão e se possível até pagam, a fim de que as rodovias atinjam os seus terrenos, convencidos de que somente assim chega o progresso

às suas fazendas.

Sergipe não demorará muito e terá as suas estradas asfaltadas. A BR-11 que vinha de há muito engatinhando estará

concluída dentro de 320 dias aproximadamente. Esta obra está agora sob responsabilidade de duas importantes empresas, que firmaram contrato com o Departamento de Estradas para a conclusão desta rodovia de grande importância econômica para Sergipe e para

o Brasil, no valor de 14 bilhões de cruzeiros, assim distribuídos:

Companhia Metropolitana de Construções, encarregada dos trechos Estância-Rio Real e Maruim-Propriá, num total de 116 quilômetros, no valor de doze bilhões de cruzeiros. Vale ressaltar que foi o maior contrato já realizado por aquele Departamento. E a firma Cunha Guedes & Cia. Ltda., responsável pela construção dos trechos Estância-Itaporanga e Posto Fiscal, Aracaju-Maruim, com 52 quilômetros, no valor de 2 bilhões de cruzeiros.

Assim, orgulha-se o nosso Estado de se libertar da buraqueira e da lama de suas estradas.

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_DINHEIRO SÓ NÃO COMPRA O INTELECTO

03.09.1965

O coronel Raul Moreira, rico fazendeiro no município de Brumados, tinha verdadeira loucura para ver um dos seus filhos formados em medicina. Ser o médico mais famoso do lugar. O mesmo não acontecia com nenhum dos filhos, que preferiam estudar ali mesmo e correr atrás de boi bravo, montados em bom cavalo.

De repente o Ari, que era o mais moço, alourado e forte, manifestou desejo de estudar na Capital. Foi uma alegria para

o velho Raul. Iria ver realizado o seu antigo desejo. E antes que o

rapaz desistisse, preparou um grande enxoval e recrutou o Ari para Salvador, deixando-o, depois de várias recomendações, internado em Colégio de Padre.

Ari, logo cedo, revelou-se um aluno medíocre e sem grandes

aspirações. Mas o seu pai era rico e como o dinheiro sempre comprou

e continuará comprando tudo, menos a inteligência, conseguiu o certificado de curso de Colégio.

Agora era a vez do vestibular. Ari, as matérias que mais entendia eram “jogar capoeira e luta livre”, pensou até em abandonar os estudos para praticar este grosseiro esporte mas receou da energia do seu pai. Mais uma vez a influência do coronel Raul Moreira se fez presente e o Ari fora aprovado nos exames de admissão. Em Brumados, houve a primeira festa patrocinada pelo fazendeiro,

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apresentando ao povo daquela redondeza o acadêmico Ari.

Na Faculdade levou apenas 09 anos para se formar. O seu físico desenvolvido dera logo motivo aos colegas para um apelido. Era conhecido e chamado de “Mão grossa”, até mesmo pelos professores. Realmente as suas mãos eram de um tamanho anormal.

Por ocasião da entrega do seu diploma, o diretor da casa, sabendo das suas qualidades, chamou-o para dar-lhe uma orientação de como deveria seguir no exercício da profissão que o pai escolhera para ele. Num caso, por exemplo, que você encontre dificuldade, prescreva um purgante de óleo de rícino. Isto ficou gravado na memória do nosso doutor.

Seguindo as instruções recebidas pelo professor, fora instalar

consultório numa pequena cidade, no sertão baiano. Seria o primeiro médico a fazer clínica naquela região e assim esperava ganhar fama

e muito dinheiro.

Acontece, porém, que pouco tempo depois estava ali, em sua

fazenda, aproveitando o período de férias, o diretor da faculdade, que, num bocejo inesperado, deslocou o maxilar inferior. Atônita,

a família com o acontecido, mandou às pressas chamar o médico na cidade.

Ao chegar o Doutor Ari Moreira, olhando aquele quadro horroroso e nunca visto por ele, não reconheceu o seu antigo mestre.

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Ficou pensativo no que haveria de fazer. De repente lembrou-se do que havia lhe ensinado o seu professor e retirando da maleta o seu bloco de receituário, não teve dúvidas. Prescreveu: Óleo de rícino - 1 Vdo. Tome de uma só vez. O professor que já havia reconhecido o “ilustre” ao ler a receita, soltou, sem esperar, uma forte gargalhada que retornou a sua mandíbula deslocada ao seu verdadeiro lugar.

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_PROPRIÁ E O RIO SÃO FRANCISCO

04.09.1965

Quem pela primeira vez visita a cidade de Propriá sente, ao aproximar-se, algo de diferente e agradável ao contemplar a beleza do espetáculo magnífico que oferece a imensidão das águas do São Francisco, que o território mineiro nos manda para a redenção do Nordeste. É tido como o rio da unidade nacional.

Após a enchente deixa um extenso depósito de “húmus” nas

planícies ribeirinhas, fertilizando o solo. Daí é que vem o progresso

e a grandeza daquela cidade fronteiriça. Se isto não vai incomodar

as demais poderíamos afirmar que, dentre as principais cidades do

Estado, Propriá está colocada em primeiro lugar, tanto pela beleza das suas ruas e praças e ainda pelo seu comércio que não é pequeno

e conta com um regular movimento.

Um passeio a esta cidade não é completo se não atravessar, a canoa, o rio São Francisco e dar um pulinho até a pequena cidade de

Colégio, no Estado de Alagoas. Dali é que se pode realmente apreciar

a beleza de Propriá.

O rio São Francisco, também chamado “O Nilo Brasileiro”, tem uma extensão de 3.161 quilômetros e possui várias quedas d’águas, entre as quais se encontra a de “Paulo Afonso”, considerada a mais bela do mundo, que Teodoro Sampaio assim expressou: “Paulo Afonso vê-se, sente-se, não se descreve”. Vamos deixar a beleza de

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lado e falemos do seu inestimável valor econômico.

O aproveitamento de Paulo Afonso representa o sustentáculo da nossa região. Tem um potencial energético de 1.200.000HV., que a Cia. Hidrelétrica do São Francisco, obedecendo a um plano previamente estudado, vem executando os trabalhos até alcançar a sua plenitude.

Com cerca de 50% de seu virtual, a CHESF já fornece energia elétrica a nove Estados do Norte e Nordeste, servindo, até agora, a 300 municípios e 70 distritos, aproximadamente, sendo que neste total está incluído o nosso Estado, que conta, no momento, com 47 municípios e 17 distritos recebendo energia elétrica do sistema “Paulo Afonso”. Como se vê, o rio São Francisco representa a riqueza e a redenção do Nordeste.

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_UMA CRÔNICA QUE NÃO É NOSSA

07.09.1965

Quem ler uma crônica como a de Adroaldo Ribeiro Costa, intitulada “DIÁRIO DE UMA MENINA NÃO NASCIDA”, sente logo

o desejo de torná-la conhecida de todo mundo, dado o sentido moral que a mesma apresenta. Não acreditamos que uma pessoa, desviada

que seja, ao ler este magnífico trabalho não sinta, inesperadamente,

a triste emoção de uma verdade cruel que infelizmente cresce nos

dias atuais. Baseados nestes conceitos, pedimos licença ao ilustre cronista para reeditarmos a sua grande obra.

“5 de outubro – Hoje minha vida começou. Papai e mamãe não sabem ainda, eu sou menor que a cabecinha de um alfinete, entretanto já sou um ser independente. Todas as minhas características físicas e psíquicas já estão fixadas. Por exemplo, terei os olhos de papai e os cabelos louros e ondulados da mamãe. E uma outra coisa já está estabelecida: em ser eu uma menina.

23 de outubro – A minha boca se abre para o exterior. Dentro

de um ano já poderei rir, quando meus pais se inclinarem sobre o meu berço. Minha primeira palavra será mamãe.

25 de outubro – Meu coração começou a bater. Isto explicará

sua função de nunca parar, de jamais repousar até o fim da minha vida. Isto é mesmo um milagre! 12 de novembro – Agora, nas minhas mãos, crescem os

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dedos. Com eles me tornarei senhora do mundo e participarei da fadiga dos homens.

20 de novembro – Hoje, pela primeira vez, minha mãe

percebeu, no seu coração, que me traz em seu seio. Como é grande sua alegria!

25 de novembro – Agora já se pode ver que serei uma

menina. Certamente meus pais já estão pensando em como me deverei chamar. Pudesse eu já sabê-lo!

12 de dezembro – Crescem-se os cabelos e os cílios. Quem

sabe como está contente a mamãe de sua filhinha!

13 de dezembro – Em breve poderei ver. Porém meus olhos

deve ser

magnífico! Sobretudo se enche de alegria o pensar que poderei ver

minha mamãe

faltam mais de seis meses!

Oh! Se não tivesse que esperar tanto! Ainda me

ainda estão costurados por um fio. Luz, cores, flores

24 de dezembro – Meu coração é perfeito. Deve haver

criancinhas que vêm ao mundo doentes do coração. Nestes casos precisam enfrentar terríveis dores para se salvar com uma operação. Graças a Deus meu coração é sadio, eu serei uma menina cheia de força e de vida. Todos ficarão contentes com o nascimento.

28 de dezembro – Hoje minha mãe me assassinou.”

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_TRÂNSITO CAUSA PREOCUPAÇÃO E MEDO

09.09.1965

Como toda cidade, Aracaju tem a sua rua movimentada e atraente. A João Pessoa é, no caso, a passarela asfáltica por onde desfilam, o dia inteiro, centenas de lindas garotas da nossa sociedade, colorindo de uma beleza original, a antiga rua do barão.

À porta da “Regina”, conversam e discutem os literatos e intelectuais de todos quilates, enquanto que na calçada do antigo “Ponto Chic” divertem-se, aos mangotes, os rapazes com o vai e vem dos “brotos” que por ali passam só pelo prazer de ouvir, com um risinho de contentamento, palavrinhas soltas dos admiradores.

Nota-se, porém, que os transeuntes e frequentadores desta principal artéria da nossa barbosópolis apresentam-se preocupados e medrosos. Medrosos sim, porque bate no coração de cada um o pavor de ser esmagado por um automóvel guiado por um “playboy”, dos muitos que existem em nossa Aracaju, intranquilizando a população e fazendo da rua João Pessoa verdadeira pista de corrida.

Numa destas tardes, por volta das dezesseis horas, quando o trânsito era intenso, um Simca amarelo, com descarga livre, fez, em grande velocidade, o circuito João Pessoa, São Cristovão, Itabaianinha e Laranjeiras. Não apareceu, no momento, um guarda para ao menos advertir o rapazinho. Também foram apenas cinco vezes

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Sugerimos ao ilustre coronel Roque Simas, nosso particular amigo, implantar, o mais breve possível, a dura lei do trânsito em nossa Capital. Ao contrário, o que está aí vai piorar e muito. Passando a mão pela cabeça dos “filhinhos do papai”, não punindo severamente os infratores das normas estabelecidas pela inspetoria, teremos dentro de poucos dias uma população amedrontada de sair às ruas da nossa Aracaju.

A simples multa de hum mil cruzeiros não está resolvendo. É necessário uma medida mais enérgica no sentido de pôr termo ao abuso dos que se julgam poderosos, dos que não respeitam as sinaleiras e olham isto como decoração da cidade, dos que andam em louca disparada ameaçando a vida do povo.

Esperamos

que

a

Inspetoria

tranquilidade de nossa gente.

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_O DESFILE DE SETE DE SETEMBRO

10.09.1965

Jamais, em tempo algum, assistimos a um espetáculo na rua João Pessoa, tão sem brilho, tão sem aquele esplendor costumeiro, tão sem ordem como foi o desfile dos Colégios neste Sete de Setembro.

Cedo já o povo se aglomerava em toda extensão desta artéria, no afã de aplaudir, entusiasticamente, como acontece todos os anos, a nossa juventude que traduz a esperança de um Brasil economicamente independente e feliz. Era grande a multidão que se comprimia ao longo da rua João Pessoa. E como não podia deixar de acontecer, o povo, aos poucos, foi invadindo a faixa por onde deviam desfilar os Colégios, a ponto de ficar literalmente cheia, impedindo deste modo a passagem dos estudantes.

Acontece porém que não houve, como se fazia necessário, as devidas precauções por parte da Polícia ou da Inspetoria de Trânsito, estendendo cordões de isolamento para evitar a balbúrdia que, infelizmente, se registrou, empanando assim toda a beleza da festividade.

É lamentável que nesta hora, quando nada mais seria possível fazer, apareçam policiais, com a sua tradicional urbanidade, dando empurrões e até batendo de cacete na cabeça do povo.

A presença deste povo nas ruas de nossa Capital, numa

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data como esta em que se comemora, com alegria, a independência política do nosso querido Brasil, não é mais do que uma demonstração inequívoca do civismo e brasilidade da nossa gente. Não merece portanto ser maltratado, merece sim, o respeito e acatamento por parte dos responsáveis pela ordem.

Entendemos que a Polícia, nestes casos, o seu papel é precaver para evitar a desordem que assistimos na esquina da João Pessoa e São Cristovão. Que sirva esta de exemplo para não mais se repetir, em nossa terra, espetáculo desta natureza.

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_CARTA ANÔNIMA

14.11.1965

Relendo verifiquei que

Dizem que o anonimato é o recurso da pessoa desprovida de qualquer princípio de educação e farta de ignorância, manifestar a sua esterilidade através de um vocabulário árido e condenável por todos os aspectos, com o pretexto de difamar ou desmoralizar, (o que jamais alcança), o alvo por ela escolhido. Nós, entretanto, assim não queremos considerar o autor ou autora da referida carta, de vez que está se dando uma notável coincidência tornando o fato até pitoresco.

uma de suas crônicas, que não são tão más,

Assim começa a carta anônima que recebemos.

Vínhamos até bem pouco tempo escrevendo umas pequenas crônicas, algumas delas inspiradas em pura imaginação. Fantasia. Sonho. Ficção. Mas reconhecendo que o jornal de hoje requer mais objetivismo e realidade e como apreciamos aquele gênero de literatura resolvemos fazer uma pausa por alguns dias.

Acontece porém que um dos personagens que ilustra uma de nossas crônicas veio a coincidir, exatamente, com a vida de alguém que nos enviou a citada carta procurando desabafar o seu ódio e a sua violência.

O grande escritor Jorge Amado, quando da publicação do seu livro “OS PASTORES DA NOITE”, que tem como personagem

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principal a figura imaginária de Madame Beatriz, a cartomante que se tornou amante de Curió, (outro personagem), e como na época existisse em Salvador uma madame Beatriz, também cartomante, que gozava de grande prestígio na sociedade local, julgou-se ofendida em sua honra e apresentou queixa contra o escritor pela infâmia a ela atribuída.

Preenchidas as formalidades o escritor fora convidado a

prestar esclarecimentos. Este porém exigiu a presença da “ofendida”

e lhe fez, antes de mais nada, a seguinte pergunta: Madame Beatriz,

é a senhora, por acaso, amante de Curió? Bastou isso para que a Madame retirasse a queixa.

Agora é o caso de perguntarmos ao nosso “ilustre” anônimo.

Será que se trata da mulher de Herculano, o alfaiate, ou será o filho do coronel Raul Moreira? Se isto está ocorrendo é pura coincidência. “De um amigo personagem de uma de suas crônicas”. Assim termina

a Carta Anônima.

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_ÁGUA MINERAL DE SALGADO

s.d.

O Conselho de Desenvolvimento do Estado de Sergipe, órgão encarregado de estudar e planejar o progresso do Estado, vem, segundo nos parece, procedendo, na pessoa do seu geólogo, de uma maneira que contraria as normas e compromete o alto conceito que desfruta em nosso meio este organismo de desenvolvimento. Sabemos que este não é o pensamento do seu Secretário Executivo e especialmente do Senhor Governador Lourival Baptista, que deseja o progresso de Sergipe e o bem-estar de seu povo.

Por outro lado, sabemos que é atribuição do Condese estudar,

pesquisar, planejar e, dentro das suas possibilidades, estimular

a iniciativa privada para um rápido aproveitamento das nossas

riquezas minerais, notadamente as que já são do conhecimento do

povo e comprovadamente de excelente qualidade. Fazemos referência

à ÁGUA MINERAL DE SALGADO que o geólogo do Condese

tenta relegar a um plano inferior. Mas isto não irá acontecer pois a mesma já é consagrada como de excelente valor medicinal e bastante conhecida em nosso Estado e nos Estados vizinhos.

Dispõe a Prefeitura Municipal de Salgado de centenas

de atestados de pessoas que espontaneamente ofereceram, que obtiveram milagrosas curas com o uso da ÁGUA DE SALGADO

e ainda do Estudo Analítico da água procedido pelo renomado

Químico do Instituto de Higiene e Pesquisa do Estado de São Paulo,

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Dr. Antonio de Salles Teixeira, que, acompanhado de conceituado químico de nossa terra, e com a presença de um laboratório, no local da fonte, efetuou um demorado estudo. Em seguida, captou uma boa quantidade de água do subsolo, com uma profundidade de 3 metros, colocando-se em vasilhames especiais, que a levou para São Paulo, onde chegou a conclusão da análise. Entre outros sais medicinais nota-se: MAGNÉSIO, CÁLCIO, FERRO, POTÁSSIO e SÓDIO. Foi considerada como sendo de extraordinário valor terapêutico no tratamento do aparelho digestivo e isto quem afirma é a análise acima mencionada.

Não nos consta, e nem a nenhum morador da cidade de Salgado, que por ali estivesse qualquer geólogo, depois do Dr. Antonio de Salles Teixeira, pelo menos a observar a nossa fonte de ÁGUA MINERAL. Não duvidamos, porém, que o Senhor Artemizio Rezende tenha solicitado de alguém um litro ou mesmo um pote da nossa água e que esta tenha sido colhida e enviada ao referido senhor para, quando houvesse oportunidade, ser ela entregue ao Instituto de Tecnologia de Sergipe, para proceder ao exame.

Diante do que está acontecendo, que consideramos uma campanha difamatória contra uma de nossas riquezas minerais que tantos benefícios tem prestado a quantos a procuram para tratamento da saúde. Tudo faz crer que, por detrás de tudo isto, existe um interesse em jogo.

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_AS ALIANÇAS QUE NÃO FORAM USADAS

s.d.

Não havia mais alegria para usar as alianças, embora o amor existisse com toda intensidade. Só que o amor era triste e já se misturava com a saudade, mágoa crônica da vida. Ela pensando que iria partir para nunca mais voltar. Ele na certeza de ficar sofrendo a dor eterna da ausência que jamais seria preenchida. E assim viveram meses de sofrimento e angústia. Ele não resistia ao terno olhar da companheira amada, que, neste gesto meigo, aos poucos se despedia sentindo a dor da saudade. Até que chegou o dia das Bodas de Prata. Não houve festa, a tristeza não permitiu. Somente um álbum de fotografias e as alianças que não foram usadas.

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Filino Carvalho nasceu em 25 de fevereiro de 1917 em Salgado/SE, filho de Antônio Olímpio

Filino Carvalho nasceu em 25 de fevereiro de 1917 em Salgado/SE, filho de Antônio Olímpio de Carvalho e Filenila Agda de Carvalho. Casou-se com Angelita Falcão, com quem teve três filhas (Tânia, Telma e Thaís). Residindo em Aracaju, dedicou-se ao comércio (a princípio com a Farmácia Ísis, posteriormente como representante comercial) sem deixar de lado o gosto pela leitura, pela escrita e pela fotografia. Faleceu em Aracaju no dia 24 de maio de 1995.

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Idealização: Thaís Falcão Carvalho Nunes e Valdir Feitosa Nunes Digitação: Thaís Virgínia Falcão de Carvalho Nunes Pesquisa: Filino Carvalho Neto e Thaís Virgínia F. de C. Nunes Revisão: Valdir Falcão de Carvalho Nunes Projeto Gráfico: Paulo Eugênio de Carvalho Moura

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