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Psicologia do Adulto e Idoso Professora Adriana Souza Transição para a vida Adulta: autonomia e dependência

Psicologia do Adulto e Idoso

Professora Adriana Souza

Transição para a vida Adulta:

autonomia e dependência na família

Carolina de Campos Borges

Andrea Seixas Magalhães

Prolongamento da convivência

intergeracional na família

Famílias contemporâneas

• Famílias contemporâneas famílias do início do século XX – formas mais flexíveis de relações; maiores

famílias do início

do século XX formas mais flexíveis de

relações; maiores possibilidades de

reivindicações pessoais,

de

diálogo

e

de

negociação entre os indivíduos.

Jovens permanecendo mais tempo morando na casa dos pais e demorando mais tempo para viver independente deles.

Prolongamento da convivência intergeracional na família • Famílias contemporâneas famílias do início do século XX –

http://redeglobo.globo.com/globouniversidade/noticia/2013/12/617-dos-jovens-entre-18-e-29-anos-moram-com-os-pais-diz-pesquisa.html

O que ocasiona esse prolongamento?

Atividade

econômica

como

fator

determinante

da

possibilidade de individualização residencial?

Refúgio no ambiente seguro e estável do “lar” (casa dos pais) em momento de turbulência?

Contexto

onde

é

marcante

a

valorização das

identidades pessoais e da autonomia dos indivíduos e liberação das obrigações e solidariedades para com a

família?

Forma como vem se dando a passagem dos jovens à condição adulta, considerando mudanças macro e microssociais da contemporaneidade (Pappámikail,

2004).

Processo de transição para a vida adulta e

o ciclo de vida familiar

Como vem se dando a entrada na vida adulta hoje?

Quais são os parâmetros definidores do ser adulto hoje?

Tradição nos estudos da família considerar a existência de um ciclo de vida familiar.

Os

relacionamentos

familiares

vão

se modificando

conforme cada pessoa vai se movendo ao longo do ciclo de

vida.

“Lançamento” dos filhos para o mundo (longo processo de “deixar partir” gradualmente, desde a infância).

Fases do diferentes

ciclo

de vida familiar

se modificam conforme

contextos

históricos-culturais

(Carter

e

McGoldrik, 1995).

Processo de transição para a vida adulta e

o ciclo de vida familiar

Processo de individualização da modernidade (Goldani, 2004).

Família deixa de ser entendida como algo homogêneo e passa a ser resultado de acordos elaborados por meio da interação familiar.

Jovens alcançam a condição adulta a partir de condições como:

percursos escolares mais prolongados e inserções profissionais mais

tardias e instáveis num mercado de trabalho exigente e competitivo “trajetória yoyo. (Guerreiro e Abrantes, 2005).

Processo de passagem dependerá do meio social, econômico e cultural a que o jovem pertence.

Processos que permeiam a transição da juventude

para

a

vida

adulta são complexos e não são fundamentados mais em critérios como idade ou afastamento da família de origem rumo à

independência.

Prolongamento da vida familiar relacionado a novas formas de

constituição da vida adulta hoje.

Conceito de individualismo e as mudanças

na família

Dumont (1993) Oposição entre sociedades holistase “individualistas”

Holismo - predominante nas sociedades tradicionais, visões de mundo fundamentadas no princípio da hierarquia; a identidade de cada membro está atrelada ao seu papel na totalidade das relações sociais.

Individualismo - configuração ideológica moderna. Indivíduo constitui-se

como valor moral central e como sujeito normativo das instituições

jurídicas, políticas, sociais e filosóficas.

O comprometimento com a ideologia individualista dá ênfase ao sujeito psicológico.

Valores da Liberdade e igualdade individualismo quantitativo (igualdade entre todos os indivíduos) e individualismo qualitativo (singularidade dos indivíduos indivíduo como sujeito psicológico) (Simmel, 1971). Indivíduo concebido como sujeito de direitos iguais, mas de experiências singulares.

Dilemas surgidos na família

Prolongamento da vida familiar

Família tradicional casal valorizado como uma parte do sistema familiar; laços com os filhos e outros parentes igualmente (ou até mesmo mais) importantes para a vida familiar.

Atualmente casal é o cerne da família; amor, atração sexual são base da formação do laço do casamento (Giddens, 2003).

Relação construída com a permanência dos filhos na casa dos pais não se caracteriza pelo englobamento do indivíduo pelas regras familiares, mas é guiada por princípios de igualdade e de valorização da individualidade de cada membro da família.

Campo de tensão: conciliar práticas individualizantes e hierarquizantes. Constrangimento da família entre dois extremos: ou ser insuficientemente individualizante, restringindo a “liberdade” de seus membros em desenvolvimento, ou ser insuficientemente hierarquizante, não lhes inculcando “responsabilidade” e “ética” (Duarte, 1995).

Atualidade exercício constante de negociação pelos indivíduos de seus papéis na família, o que não se dá, de forma alguma, sem conflitos.

A família,

na

versão

sua

igualitária

e

individualista, está se constituindo

numa

importante rede de suporte para os indivíduos.

O

familiar,

apoio

nesse

caso,

é

visto

como

indispensável para

viabilizar

a

realização

de

projetos individuais, ou

também

como

uma

possibilidade de dar a

esses

jovens

algum

“conforto” no início de suas trajetórias via

autonomização (p. 07).

Assim, o prolongamento da convivência familiar emerge como uma estratégia de conciliação entre as necessidades individuais de adultos jovens, que buscam sua autonomia, e as necessidades de apoio nessa fase de transição para a vida adulta. A solução encontrada pode

ser a de se tornarem adultos na casa dos pais,

ainda que temporariamente, ou a de tomar a casa dos pais como um “porto seguro” para possíveis retornos (p.07).

A permanência de adultos-jovens na residência

de seus pais aponta para mudanças no processo

de transição dos jovens para a vida adulta. No cenário atual, pais e filhos negociam seus papéis

dentro da família, tendo a possibilidade de combinarem autonomia e dependência

financeira.(p.07).

A permanência de adultos-jovens na residência de seus pais aponta para mudanças no processo de transição

http://cinema10.com.br/filme/jovens-adultos

Se, no passado,

independente

ser adulto se definia por ser

dos

pais,

financeira

e

emocionalmente, hoje é possível ser adulto e ter

autonomia não sendo completamente independente (p.07).

Se, no passado, independente ser adulto se definia por ser dos pais, financeira e emocionalmente, hoje

http://a-lua-elfica.blogspot.com.br/2013/05/ficar-em-casa-ou-romper-casca-parte-1.html

Segundo dados do Instituto de Pesquisa

 

É o caso dos irmãos Davi,

Econômica Aplicada (Ipea), 61,7% da

22 anos,

e Daniel

Leão,

população entre 18 e 29 anos ainda moram

25,

que

esperam

uma

com os pais. A motivação para a

melhor condição de renda

permanência é que eles aproveitem ao

e

de

estabilidade

no

máximo as facilidades que as asas dos pais

emprego

para

dão, para que juntem dinheiro e possam investir mais na profissão. mais tarde é que alçam voo para fora do ninho.

conseguirem sozinhos. Atualmente, os dois residem com a

morar

família,

no

bairro

do

 

Maracanã.

"Temos o plano de mudar em, no máximo, dois anos. Estou terminando meu curso técnico em Administração e pretendo me

estabilizar no emprego antes de me mudar. Já começamos a

procurar apartamentos na Tijuca e Vila Isabel, mas o os aluguéis

estão muito caros“, conta Davi.

Referência Bibliográfica

BORGES, C.C. e MAGALHÃES, A. S. Transição

para a vida adulta: autonomia e dependência na família. Psico. Volume 40, p.42-49, jan./mar. 2009.